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UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ CENTRO DE TECNOLOGIA DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA ESTRUTURAL E CONSTRUÇÃO CIVIL

ESTUDO COMPARATIVO ENTRE OS MÉTODOS DE CÁLCULO DOS EFEITOS LOCAIS DE SEGUNDA ORDEM NO DIMENSIONAMENTO DE PILARES DE EDIFÍCIOS

DANILO OLIVEIRA E SILVA

Fortaleza - Ceará

2010

ii

DANILO OLIVEIRA E SILVA

ESTUDO COMPARATIVO ENTRE OS MÉTODOS DE CÁLCULO DOS EFEITOS LOCAIS DE SEGUNDA ORDEM NO DIMENSIONAMENTO DE PILARES DE EDIFÍCIOS

Monografia submetida à Coordenação do Curso de Engenharia Civil da Universidade Federal do Ceará, como requisito parcial para obtenção do grau de Engenheiro Civil.

Orientador: Prof a . Magnólia Maria C. Mota

FORTALEZA

2010

S579e

Silva, Danilo Oliveira. Estudo comparativo entre os métodos de cálculo dos efeitos locais de segunda ordem no dimensionamento de pilares de edifícios / Danilo Oliveira Silva – Fortaleza, 2010. 63 f. il.; color. enc.

Orientador: Profa. Magnólia Maria Campelo Mota Monografia (graduação) - Universidade Federal do Ceará, Centro de Tecnologia, Depto. de Engenharia Civil, Fortaleza, 2010.

1. Armaduras de concreto I. Mota, Magnólia Maria Campelo (orient.) II. Universidade Federal do Ceará – Graduação em Engenharia Civil. III. Título

CDD 620

iii

DANILO OLIVEIRA E SILVA

ESTUDO COMPARATIVO ENTRE OS MÉTODOS DE CÁLCULO DOS EFEITOS LOCAIS DE SEGUNDA ORDEM NO DIMENSIONAMENTO DE PILARES DE EDIFÍCIOS

Monografia submetida à Coordenação do Curso de Engenharia Civil da Universidade Federal do Ceará, como requisito parcial para obtenção do grau de Engenheiro Civil.

de Engenharia Civil da Universidade Federal do Ceará, como requisito parcial para obtenção do grau de

iv

Dedico este trabalho a meus pais, Carlos e Nádia, meus irmãos, Carlos, Daniel e Naira, e minha namorada Maíra.

v

RESUMO

O estudo de pilares de edifícios é o objetivo do presente trabalho. Por meio de uma pesquisa bibliográfica, para melhor compreensão das linhas de pesquisas que vêm sendo desenvolvidas nesta área, busca-se entender melhor a evolução dos processos de cálculo de pilares. Trata-se de um estudo de natureza descritiva, que envolve a leitura de trabalhos já existentes neste campo de pesquisa, iniciando-se com uma fundamentação teórica a fim de introduzir conceitos fundamentais para a compreensão do processo de dimensionamento de pilares. Desenvolve-se uma programação em planilhas excel para auxiliar no processo de cálculo das excentricidades nos pilares devido aos efeitos locais de segunda ordem, sendo abordados apenas dois métodos de cálculo aproximados, curvatura aproximada e rigidez κ aproximada. Através de exemplos, comparam-se os resultados obtidos.

Palavras-chaves: Concreto Armado, pilar, efeitos de segunda ordem.

vi

LISTA DE FIGURAS

Figura 2.1 – Diagrama tensão deformação de um material não-linear (SCADELAI, 2004)

7

Figura 2.2 – Barra comprimida (BORGES, 1999 apud MARTINS, 2009)

9

Figura 2.3 – Diagramas tensão-deformação (SCADELAI, 2004)

9

Figura 2.4 – Diagrama tensão x deformação: compressão axial (SCADELAI, 2004 apud COLLINS, 1993)

10

Figura 2.5 – Diagrama tensão deformação do concreto (NBR 6118:2003)

11

Figura 3.1 – Determinação do comprimento de flambagem do pilar

14

Figura 3.2 – Comprimentos de flambagem para outros situações de vinculação (SCADELAI,

2004)

14

Figura 3.3 – Classificação quanto à posição em planta

17

Figura 4.1 – Excentricidade inicial no topo e na base (Scadelai, 2004)

21

Figura 4.2 – Aproximação em apoios extremos (NBR 6118:2003)

22

Figura 4.3 – Excentricidade de Forma

23

Figura 4.4 – Imperfeições geométricas globais (NBR 6118:2003)

24

Figura 4.5 – Imperfeições geométricas locais (NBR 6118:2003)

25

Figura 5.1 – Diagrama µ, η, 10 2 d/r (Scadelai, 2004 apud Fusco, 1981) Figura 5.2 – Diagrama força x deslocamento com carregamento incremental (SCADELAI,

31

2004)

32

Figura 5.3 – Diagrama excentricidade x deslocamento com excentricidade incremental (SCADELAI, 2004)

33

Figura 5.4 – Configurações fletidas (Scadelai, 2004)

34

Figura 6.1 – Detalhe em Planta

35

vii

LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Valores do coeficiente adicional γ n (tabela 13.1, NBR 6118:2003)

12

Tabela 2 – Valores para momentos obtidos no Exemplo 1

38

Tabela 3 – Valores para momentos obtidos no Exemplo 2

41

Tabela 4 – Valores para momentos obtidos no Exemplo 3

42

Tabela 5 – Valores para momentos obtidos no Exemplo 4

45

Tabela 6 – Valores para momentos obtidos no Exemplo 5

47

Tabela 7 – Valores para momentos de cálculo obtidos na primeira etapa

48

Tabela 8 – Valores para momentos de cálculo obtidos na segunda etapa

49

viii

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO

 

1

 

1.1 OBJETIVOS

1

1.2 ESTRUTURA DO TRABALHO

2

1.3 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2

2 CONCEITOS FUNDAMENTAIS

5

 

2.1 INSTABILIDADE E EFEITOS DE 2 A ORDEM

5

2.2 NÃO-LINEARIDADES

7

2.2.1 Não-linearidade

geométrica

8

2.2.2 Não-linearidade física

9

2.3

COMPORTAMENTO DO CONCRETO

10

3

ELEMENTOS GEOMÉTRICOS DO PROJETO DE PILARES

12

3.1 DIMENSÕES MÍNIMAS

12

3.2 ARMADURA MÍNIMA E MÁXIMA EM PILARES

12

3.3.1 Armadura mínima

13

3.3.2 Armadura máxima

13

3.3 COMPRIMENTO DE FLAMBAGEM

13

3.4 DETERMINAÇÃO DO ÍNDICE DE ESBELTEZ

15

3.5 CLASSIFICAÇÃO DOS PILARES

16

3.6 DISPENSA DA ANÁLISE DOS EFEITOS LOCAIS DE SEGUNDA ORDEM

18

4

CÁLCULO DOS ESFORÇOS NOS PILARES

20

4.1 EXCENTRICIDADE INICIAL

20

4.2 EXCENTRICIDADE DE FORMA

22

4.3 EXCENTRICIDADE ACIDENTAL

23

4.4.1 Imperfeições

globais

23

4.4.2 Imperfeições locais

24

4.4.3 Momento mínimo de primeira ordem

25

4.4 EXCENTRICIDADE DEVIDO À FLUÊNCIA

26

4.5 EXCENTRICIDADE DE SEGUNDA ORDEM

27

5

DETERMINAÇÃO DOS EFEITOS LOCAIS DE 2 A ORDEM CONFORME A NBR-

6118:2003

 

28

 

5.1 MÉTODO DO PILAR-PADRÃO COM CURVATURA APROXIMADA

28

5.2 MÉTODO DO PILAR-PADRÃO COM RIGIDEZ APROXIMADA

29

5.3 MÉTODO DO PILAR-PADRÃO ACOPLADO A DIAGRAMAS M,N,1/R

30

5.4 MÉTODO GERAL

31

6

EXEMPLOS

35

6.1 EXEMPLO 1

35

6.2 EXEMPLO 2

38

6.3 EXEMPLO 3

41

6.4 EXEMPLO 4

43

ix

 

6.6

EXEMPLO 6

48

7

CONCLUSÃO

50

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

52

ANEXO

 

53

1

1

INTRODUÇÃO

Nos últimos anos, áreas como a de tecnologia dos materiais, vêm sofrendo um constante avanço, resultando na viabilização de concretos com maior capacidade de resistência. Esses avanços possibilitaram a utilização de elementos estruturais mais esbeltos, seja com a redução da seção transversal dos elementos estruturais, ou pelo aumento da altura das construções. Com o aumento da esbeltez dos elementos estruturais e dos carregamentos, o deslocamento do eixo do pilar gera esforços adicionais (efeito de 2 a ordem), aumentando o perigo de instabilidade da estrutura ou mesmo do seu colapso. Segundo Scadelai (2004), no dimensionamento de pilares é indispensável a análise de sua instabilidade e a consideração, além das solicitações iniciais e das solicitações devidas às excentricidades acidentais, também dos momentos decorrentes dos deslocamentos sofridos pela estrutura por ação de carregamento, que caracterizam os efeitos de 2 a ordem. Os efeitos de segunda ordem podem ser calculados através dos métodos aproximados ou através do método geral. A utilização dos métodos aproximados, é condicionada através do índice de esbeltez, que para o intervalo de λ 1 ≤ λ ≤ 90 a norma permite a consideração de dois métodos de cálculos diferentes, o método do pilar-padrão com curvatura aproximada e o método do pilar-padrão com rigidez κ aproximada. Portanto, tem-se como motivação para este trabalho apresentar os conceitos presentes na NBR 6118:2003 – Projeto de Estruturas de Concreto, a respeito do dimensionamento de pilares de concreto armado, orientando estudantes e profissionais da área sobre os possíveis questionamentos. Constitui-se numa bibliografia básica de consulta relacionada a este tema.

1.1

Objetivos

De acordo com Scadelai (2004), os pilares apresentam certa suscetibilidade ao fenômeno da instabilidade, existindo a tendência dos engenheiros evitarem, sempre que possível, pilares muito esbeltos. A intenção dos pesquisadores desta área é tornar conhecido e acessível aos projetistas o comportamento desses elementos, para que deles possa ser aproveitado ao máximo a sua capacidade resistente. Com esse intuito, este trabalho tem por objetivo fazer um estudo dos esforços máximos em pilares de concreto armado em edifícios, submetidos à flexão composta de

2

acordo com as prescrições da NBR 6118:2003, comparando-se os métodos aproximados de cálculo dos efeitos locais de segunda ordem. Essa comparação é importante na orientação de estudantes e profissionais da área quanto à utilização de cada método. Exemplos são apresentados de forma a verificar os esforços nos pilares para variações de carregamento inicial.

1.2 Estrutura do Trabalho

Este trabalho está dividido em sete capítulos, onde o primeiro consiste nesta introdução que trata da contextualização do problema, objetivos e trazendo a estrutura do trabalho e uma revisão bibliográfica sobre o assunto abordado. O segundo capítulo é reservado para trazer conceito sobre instabilidade e efeitos de 2 a ordem, não-linearidades e comportamento do concreto, conceitos estes, que são fundamentais para o entendimento do problema. O capítulo seguinte trata da definição das características geométricas dos pilares necessária para o dimensionamento dos mesmos. O quarto capítulo mostra todos os tipos de esforços que deverão ser calculados para o dimensionamento de pilares. O quinto capítulo explica todos os métodos utilizados no cálculo dos efeitos de segunda ordem proposto pela NBR 6118:2003. No sexto capítulo, serão apresentados exemplos numéricos de cálculo dos esforços máximos em pilares, ordenados de acordo com as solicitações. Por fim, no último capítulo, são apresentadas as discussões dos resultados e as principais conclusões e sugestões para trabalhos futuros.

1.3 Revisão Bibliográfica

Por volta dos anos 60, os pilares eram dimensionados à flambagem, multiplicando-se a carga atuante no pilar, suposta centrada, por um coeficiente de segurança

e um coeficiente de majoração , que dependia do índice de esbeltez. Esse processo de

cálculo era conhecido como Processo (Ômega). Quando se tinha casos de flexão composta, calculava-se a armadura para essa solicitação e verificava-se depois a armadura do pilar para uma solicitação centrada e majorada de e .

3

Com o passar dos anos, começaram a ser estudados pilares para diversas geometrias e solicitações, aumentando-se, assim, a complexidade do problema, pois a solução exata dos mesmos recai na condição de não-linearidade geométrica, que se dá pela alteração da geometria inicial devido às deformações sofridas ao longo do eixo do pilar causadas pela solicitação atuante, e da condição de não-linearidade física, devido às relações tensão- deformação do material concreto e do aço. No Brasil há vários trabalhos desenvolvidos nessa linha de pesquisa, visando o desenvolvimento do conhecimento do comportamento estrutural dos pilares e da racionalização do seu uso. Aufiero (1977, apud Scadelai,2004) apresenta um estudo sobre estabilidade de pilares solicitados à flexo-compressão normal, considerando a influência da não-linearidade física, do tipo de carregamento e da esbeltez, para fins de dimensionamento e definição da capacidade de carga, utilizando o processo simplificado do pilar-padrão, cujos valores são comparados com valores apresentados no Boletim de Informação n o 103 do CEB, utilizando o método geral. Buchaim (1984, apud Scadelai, 2004) utiliza o processo do pilar-padrão para analisar os conceitos que intervêm na consideração dos efeitos de segunda ordem e da instabilidade por divergência do equilíbrio, em pilares de concreto armado sob flexo- compressão. Araújo (1984, apud Martins, 2009) analisou a classificação dos pilares contida na NB-1/78, fazendo críticas e apontando erros devido ao critério sugerido na norma. Ainda comenta que ao considerar como pilares curtos os pilares que possuem índice de esbeltez inferior a 40, a norma desconsidera os efeitos da não-linearidade geométrica induzindo a erros que são contra a segurança estrutural. Marcotti (1984, apud Scadelai, 2004) apresenta uma análise ampla do problema de instabilidade de pilares de concreto armado submetidos à flexo-compressão oblíqua. França (1984) faz uma análise detalhada das relações momento versus curvatura, em seções poligonais quaisquer submetidas à flexo-compressão oblíqua. Paula (1988, apud Scadelai, 2004) apresenta um estudo sobre estabilidade das configurações de equilíbrio, de pilares esbeltos de concreto armado, submetidos a flexo- compressão normal e compressão axial, além de fazer um estudo comparativo entre pilares esbeltos em estado limite último, analisados por meio de algoritmos e programas baseados no método geral e no processo aproximado do pilar-padrão.

4

Mendes Neto (1991) apresenta um estudo sobre a estabilidade de pilares, de seções quaisquer, solicitados a flexo-compressão oblíqua, através do processo do pilar-padrão. Barcaji (1993, apud Scadelai, 2004) analisa os vários aspectos que devem ser levados em consideração no projeto estrutural e no dimensionamento de pilares. Apresenta também os métodos para análise da estabilidade de peças comprimidas, na flexão composta normal, além de fornecer os conceitos e os critérios envolvidos no dimensionamento de pilares, incluindo as prescrições das normas brasileiras. Souza (2003, apud Scadelai, 2004) apresenta os resultados de uma análise de estudos paramétricos, realizados com dois modelos computacionais em análise física e geométrica não-linear, utilizando as recomendações da NBR 6118:1978 e da NBR 6118:2003. Coelho e Banki (2005, apud Martins, 2009) fazem uma comparação entre os requisitos da NB-1/78 e os da NBR 6118:2003, chegando a conclusão que a mudança nos valores de cobrimento mínimo da armadura tornaram os pilares mais seguros, modernos, duráveis e econômicos.

5

2

CONCEITOS FUNDAMENTAIS

2.1

Instabilidade e Efeitos de 2 a Ordem

Segundo o item 17.2 da NBR 6118:2003, o estado limite último de instabilidade é

atingido sempre que, ao crescer a intensidade do carregamento e, portanto, das deformações,

há elementos submetidos flexo-compressão em que o aumento da capacidade resistente passa

a ser inferior ao aumento da solicitação. Esta norma também apresenta três tipos de

instabilidade:

a) nas estruturas sem imperfeições geométricas iniciais, pode haver (para casos especiais de carregamento) perda de estabilidade por bifurcação do equilíbrio (flambagem);

b) em situações particulares (estruturas abatidas), pode haver perde de estabilidade sem bifurcação do equilíbrio por passagem brusca de uma configuração para outra reversa da anterior (ponto limite com reversão);

c) em estruturas de material de comportamento não-linear, com imperfeições geométricas iniciais, não há perda de estabilidade por bifurcação do equilíbrio, podendo, no entanto, haver perda de estabilidade quando, ao crescer a intensidade do carregamento, o aumento da capacidade resistente da estrutura passar a ser menor do que o aumento da solicitação (ponto limite sem reversão).

Em peças de concreto armado submetidos à flexão, é usual e admissível calcular os esforços solicitantes através da teoria de 1 a ordem (configuração geométrica inicial). Entretanto, essa teoria deve ser abandonada, quando as deformações são sensíveis a influência dos esforços solicitantes. Assim, as condições de equilíbrio devem ser satisfeitas pela teoria

de 2 a ordem (configuração deformada do sistema).

Efeitos de 2 a ordem são aqueles que se somam aos obtidos numa análise de primeira ordem (em que o equilíbrio da estrutura é estudado na configuração geométrica inicial), quando a análise do equilíbrio passa a ser efetuada considerando a configuração deformada Os efeitos de 2 a ordem, em cuja determinação deve ser considerado o comportamento não-linear dos materiais, podem ser desprezados sempre que não representem acréscimo superior a 10% nas reações e nas solicitações relevantes da estrutura(NBR 6118: 2003, p. 89).

6

A NBR 6118 apresenta dois processos aproximados de verificação da dispensa

dos efeitos de 2 a ordem global de uma estrutura, sendo eles o parâmetro de instabilidade e o

coeficiente z . Esta norma classifica as estruturas em duas: nós fixos são estruturas em que os

deslocamentos horizontais dos nós da estrutura são pequenos e, por decorrência, os efeitos globais de segunda ordem são desprezíveis (inferior a 10% dos respectivos esforços de primeira ordem); e nós móveis são aquelas onde os deslocamentos não são pequenos e, em decorrência, os efeitos globais de segunda ordem são importantes (superior a 10% dos respectivos esforços de primeira ordem). Uma estrutura reticulada simétrica é considerada de nós fixos (podendo dispensar

os efeitos globais de segunda ordem) se seu parâmetro de instabilidade for menor que o

valor 1 , conforme a expressão:

= H TOT

N K E CS ◊I C
N K
E CS ◊I C

sendo:

 

1 = 0,2 + 0,1n

se: n 3;

1 = 0,6

se: n 4.

onde:

(2.1)

n: é o numero de andares; H tot : é a altura total da estrutura;

N K : é a somatória de todas as cargas verticais atuantes na estrutura, com seu valor

característico;

E cs I c : é o somatório de todos os valores de rigidez de todos os pilares na direção considerada.

O coeficiente z é válido para estruturas reticuladas de no mínimo quatro andares.

Pode ser determinado a partir dos resultados de uma análise linear de primeira ordem.

O valor de z , para cada combinação de carregamento é dado pela expressão:

Z

=

1

1

M tot,d

M 1.tot,d

(2.2)

onde:

M 1,tot,d : é a soma dos momentos de todas as forças horizontais da combinação considerada, com seus valores de cálculo;

7

M tot,d : é a somatória do produto de todas as forças verticais atuantes na estrutura, pelos deslocamentos horizontais de seus respectivos pontos de aplicação, obtidos da análise de 1 a ordem. Considera-se que a estrutura é de nós fixos se for obedecida a condição: z 1,1. No presente trabalho considera-se, em princípio, que os pilares analisados pertencem a uma estrutura de nós fixos e que os esforços transversais são desprezíveis.

2.2

Não-Linearidades

O estudo da não-linearidade é fundamental para a determinação dos esforços

máximos em estruturas interferindo no comportamento das mesmas. Segundo Borges (1999, apud SCADELAI, 2004), o conceito de linearidade, por

vezes, é confundido com o conceito de elasticidade. Uma barra é de material elástico quando, cessada a ação de carregamento aplicado, volta ao comprimento inicial; isso quer dizer que, quando a tensão retorna ao valor zero, a deformação também é nula, não havendo, pois nenhuma deformação residual.

O conceito de elasticidade e linearidade fica evidenciado na Figura 2.1. Quando

cessado o carregamento, a relação tensão-deformação retroceder pelo caminho cheio, o comportamento do material é dito elástico (deformação resultante nula), caso retroceda pela linha tracejada, o material é considerado inelástico (deformação resultante diferente de zero,

ou seja, deformação residual). O formato curvo do diagrama diz respeito ao comportamento não-linear do material, não existindo uma proporcionalidade entre a tensão e a deformação.

uma proporcionalidade entre a tensão e a deformação. Figura 2.1 – Diagrama tensão deformação de um

Figura 2.1 – Diagrama tensão deformação de um material não-linear (SCADELAI, 2004)

8

Existem dois tipos de não-linearidades, a não-linearidade geométrica e a não- linearidade física, que serão explicadas a seguir.

2.2.1 Não-linearidade geométrica

Segundo Mota (2009), a questão fundamental tratada na análise não linear geométrica é a da expressão da condição de equilíbrio da estrutura levando em conta a sua configuração deformada. Na análise de estruturas, normalmente se determina os esforços através de uma análise em seu estado indeformado, teoria de primeira ordem, em que a relação força- deslocamento se mantém linear. Ao considerar os efeitos da mudança de geometria da estrutura, esta relação deixa de ser linear, gerando esforços adicionais e podendo ocorrer situações de instabilidade. Segundo Benjamin (1982, apud SCADELAI, 2004), quando os efeitos não- lineares implicarem em enrijecimento da estrutura, a utilização de uma análise linear pode conduzir a estruturas mais seguras, porém antieconômicas. Por outro lado, se o comportamento não-linear implicar em perda de rigidez ou de estabilidade, a utilização de uma análise linear pode resultar ou induzir a uma falsa noção de segurança estrutural. Logo, podemos concluir que a análise não-linear deveria sempre ser feita, porém em alguns casos, o acréscimo de esforços provindo desta análise é muito pequeno, sendo desnecessário um grau mais sofisticado de aproximação. A análise não linear deve ser levada em consideração nos casos em que haja grandes deslocamentos, comprometendo a estabilidade da peça, como o efeito da flambagem, ver Figura 2.2.

9

9 Figura 2.2 – Barra comprimida (BORGES, 1999 apud MARTINS, 2009) 2.2.2 Não-linearidade física Segundo Scadelai

Figura 2.2 – Barra comprimida (BORGES, 1999 apud MARTINS, 2009)

2.2.2 Não-linearidade física

Segundo Scadelai (2004), a não-linearidade geométrica prova que pode não haver uma proporcionalidade entre causa e efeito, mesmo quando o comportamento do material é elástico-linear. O problema se agrava quando o próprio material apresenta comportamento não-linear, o que caracteriza a não-linearidade física. O comportamento linear do material se dá quando o mesmo obedece a Lei de Hooke, ou seja, existe proporcionalidade entre as tensões e as deformações. Caso contrário, o material é dito de comportamento não-linear, conforme a Figura 2.3.

é dito de comportamento não-linear, conforme a Figura 2.3. Figura 2.3 – Diagramas tensão-deformação (SCADELAI,

Figura 2.3 – Diagramas tensão-deformação (SCADELAI, 2004)

10

2.3 Comportamento do Concreto

O comportamento do concreto é representado pelo diagrama tensão x deformação, que é influenciado por vários fatores, tais como: idade do concreto, velocidade e duração do carregamento aplicado entre outros, além da resistência do concreto. Conforme Borges (1999), o diagrama tensão x deformação do concreto tem um comportamento não-linear, variando com as várias classes de resistência. O concreto é um material elastoplástico, no entanto apresenta um comportamento aproximadamente elástico- linear para tensões na ordem de 30% da tensão máxima de compressão, onde a partir deste valor, inicia-se a plastificação do concreto devido ao inicio do processo de fissuração, conforme mostrado na Figura 2.4.

processo de fissuração, conforme mostrado na Figura 2.4. Figura 2.4 – Diagrama tensão x deformação: compressão

Figura 2.4 – Diagrama tensão x deformação: compressão axial (SCADELAI, 2004 apud COLLINS, 1993)

11

11 Figura 2.5 – Diagrama tensão deformação do concreto (NBR 6118:2003) A NBR 6118:2003, apresenta um

Figura 2.5 – Diagrama tensão deformação do concreto (NBR 6118:2003)

A NBR 6118:2003, apresenta um diagrama que pode ser usado para o dimensionamento de peças de concreto armado de seção qualquer, no estado limite último, conforme a Figura 2.5, composto por uma parábola do segundo grau entre os valores de ε c igual a zero e 2 %o , sendo a tensão igual à 0,85.f cd , e ainda um trecho reto compreendido entre os valores 2 %o a 3,5 %o.

12

3 ELEMENTOS GEOMÉTRICOS DO PROJETO DE PILARES

3.1 Dimensões Mínimas

Na NBR 6118:2003, no item 13.2.3, estão relacionadas considerações sobre

dimensões limites que pilares e pilares paredes devem obedecer. De maneira geral a seção

transversal de pilares maciços, qualquer que seja sua forma, não deve apresentar dimensão

menor que 19 cm.

Em casos especiais, a norma permite a consideração de dimensões entre 19 cm e

12 cm, desde que se multipliquem as ações (força normal e momentos nas direções x e y), a

serem consideradas no dimensionamento, por um coeficiente adicional γ n , de acordo com a

Tabela 3.1.

Em qualquer caso, não se permite pilar com seção transversal de área inferior a

360 cm 2 .

Tabela 1 - Valores do coeficiente adicional γ n (tabela 13.1, NBR 6118:2003)

b

               

cm

19

18

17

16

15

14

13

12

γ

n

1,00

1,05

1,10

1,15

1,20

1,25

1,30

1,35

Onde:

 

n = 1,95 0,05b;

 

b é a menor dimensão da seção transversal do pilar.

 

NOTA: O coeficiente γ n deve majorar os esforços finais de cálculo nos pilares, quando de seu

dimensionamento.

 

3.2 Armadura Mínima e Máxima em Pilares

A NBR 6118:2003, em seu item 17.3.5, relaciona princípios básicos para adoção

de valores limites para armaduras longitudinais de pilares.

A ruptura frágil das seções transversais, quando da formação da primeira fissura, deve ser evitada considerando-se, para o cálculo das armaduras, um momento mínimo dado pelo valor correspondente ao que produziria a ruptura da seção de concreto simples, supondo que a resistência ã tração do concreto seja dada por f ctk,sup , devendo também obedecer às condições relativas ao controle da abertura de fissuras[ ]

13

A especificação de valores máximos para as armaduras decorre da necessidade de se assegurar condições de ductilidade e de se respeitar o campo de validade dos ensaios que deram origem às prescrições de funcionamento do conjunto aço-concreto.

3.3.1 Armadura mínima

Para as armaduras longitudinais de pilares e tirantes, a armadura longitudinal

mínima deve ser:

A s,mim = 0,15N d

f yd

0,004A c

(3.1)

onde:

 

N d é o valor da força normal de cálculo;

f yd é a resistência à tração de cálculo do aço;

A c é a área da seção transversal do pilar.

3.3.2

Armadura máxima

Segundo a NBR 6118:2003, a maior armadura possível em pilares deve ser de 8%

da seção real, considerando-se inclusive a sobreposição de armadura existente em regiões de

emenda por traspasse, assim:

A s,máx =

8,0

100 A c

3.3 Comprimento de Flambagem

(3.2)

Comprimento de flambagem é a distancia entre pontos de inflexão da deformada

de flambagem de pilar quando submetido ao carregamento mais desfavorável. Este

comprimento depende da vinculação na base e no topo do pilar, assim, caso as condições de

vinculações forem diferentes em cada direção, teremos valores diferentes de l e para cada

direção. O comprimento equivalente l e do elemento comprimido (pilar), suposto vinculado em

ambas as extremidades, deve ser o menor dos seguintes valores (ver Figura 3.1):

onde:

l e

l 0 + h

l

(3.3)

l 0

é a distancia entre as faces internas dos elementos estruturais, supostos

horizontais, que vinculam o pilar;

14

h é a altura da seção transversal do pilar, medida no plano da estrutura em estudo, ou seja, altura da seção transversal na direção em estudo;

l é a distância entre os eixos dos elementos estruturais aos qual o pilar está

vinculado.

dos elementos estruturais aos qual o pilar está vinculado. Figura 3.1 – Determinação do comprimento de

Figura 3.1 – Determinação do comprimento de flambagem do pilar

Na figura abaixo são mostrados outros tipos do comprimento de flambagem para algumas situações de vinculação dos apoios nas extremidades.

situações de vinculação dos apoios nas extremidades. Figura 3.2 – Comprimentos de flambagem para outros

Figura 3.2 – Comprimentos de flambagem para outros situações de vinculação (SCADELAI, 2004)

15

3.4 Determinação do Índice de Esbeltez

O índice de esbeltez é uma grandeza que depende do comprimento de flambagem

do pilar e do raio de giração, que por sua vez depende de sua seção transversal (forma e

dimensões). Quanto maior este índice, maior a possibilidade de haver flambagem do pilar,

que ocorre sempre segundo o eixo de menor inércia (ou seja, eixo onde o índice de esbeltez é

maior). A expressão de cálculo do índice de esbeltez está definida no item 15.8.2 da NBR

6118:2003, sendo:

onde:

= l e

i

(3.4)

l e : comprimento de flambagem do pilar, sendo no caso de pilares engastado na

base e livres no topo, l e = 2 l;

i =

I c A c
I
c
A
c

: raio de giração da seção geométrica da peça.

Para peças com seção transversal simétrica

é definido para cada uma das

direções x e y principais de inércia. Para peças com seções retangulares resulta:

Na direção x

sendo:

logo:

i y =

= l e,x

x i y I y i y = A I y = h◊b 3 12
x
i y
I y
i y =
A
I y = h◊b 3
12
h◊b 3
1
12
b◊h

b

i y = 12 12 = l e,x x b
i y =
12
12
= l e,x
x
b

(3.5)

(3.6)

(3.7)

(3.8)

(3.9)

(3.10)

16

Na direção y

sendo:

logo:

i x =

= l e,y y i x I x i x = A I x =
= l e,y
y
i x
I x
i x =
A
I x = b◊h 3
12
b◊h 3
1
12
b◊h

h

i x = 12 12 = l e,y y h
i x =
12
12
= l e,y
y
h

(3.11)

(3.12)

(3.13)

(3.14)

(3.15)

(3.16)

Percebe-se que quando a deformação ocorre na direção do eixo x (portanto

esbeltez x ), a rotação da seção transversal ocorre segundo o eixo y (assim raio de giração i y ).

3.5 Classificação dos Pilares

Nas estruturas de nós fixos, os pilares podem ser classificados quanto à sua

posição em planta e quanto à sua esbeltez. Esta classificação é dada para sistematizar o estudo

dos mesmos possibilitando uma abordagem simplificada e prática.

De acordo com sua posição em planta, os pilares podem ser classificados como

internos, de canto e de borda. A cada um desses tipos de pilares, existe uma situação de

projeto ou de solicitação diferente, como mostra a Figura 3.3.

17

17 Figura 3.3 – Classificação quanto à posição em planta O posicionamento dos pilares em planta

Figura 3.3 – Classificação quanto à posição em planta

O posicionamento dos pilares em planta é de fundamental importância para o dimensionamento, pois irá informar se o pilar terá uma excentricidade inicial e o tipo de solicitação a ser considerada no dimensionamento. Para pilares internos ou centrais, o carregamento vertical não sofre nenhuma excentricidade inicial, em qualquer dos dois sentidos, do eixo do pilar, ou seja, a excentricidade inicial no topo do pilar nos dois sentidos é igual a zero, assim, seu dimensionamento ficará determinado por uma flexão composta reta, nos dois sentidos. Pilares de borda ou laterais, em um de seus sentidos, possuem uma viga com sua extremidade se apoiando no mesmo, provocando um giro significativo causado por momento de engastamento, logo, o carregamento vertical sofrerá uma excentricidade inicial neste sentido, sendo a mesma nula no outro sentido. Seu dimensionamento se dará por dois tipos de solicitações, o primeiro será uma flexão composta reta no sentido em que o momento de engastamento está aplicado, e o segundo será uma flexão composta oblíqua no outro sentido, ou seja, a solicitação inicial deverá ser considerada no seu sentido de aplicação e no outro, deverá ser considerado as outras solicitações. Para pilares de canto existirão momentos de engastamento nos dois sentidos, logo, existirá excentricidade inicial nas duas direções, sendo seu dimensionamento determinado por flexão composta oblíqua nas duas direções. A classificação dos pilares quanto à esbeltez informará a importância da verificação dos efeitos de segunda ordem, podendo ser classificados como curtos, moderadamente esbeltos, esbeltos e muito esbeltos.

18

Para pilares curtos, quando λ for menor que o valor limite λ 1 (definido posteriormente), segundo o item 15.8.2, os efeitos de segunda ordem podem ser desprezados, pois, os esforços obtidos na configuração deformada são aproximadamente iguais aos esforços obtidos na configuração indeformada. Para pilares moderadamente esbeltos, quando λ estiver entre λ 1 e 90, os esforços de segunda ordem não podem ser desprezados, e podem ser calculados através do método do pilar padrão com curvatura aproximada e do método do pilar-padrão com rigidez κ aproximada. Para os pilares esbeltos, com λ entre 90 e 140, os esforços de segunda ordem podem ser calculados através do método do pilar-padrão acoplado a diagramas M, N, 1/r, sendo obrigatória a consideração do efeito da fluência no processo de dimensionamento. Pilares muito esbeltos são aqueles em que λ está entre 140 e 200, assim, os esforços de segunda ordem são obrigatoriamente calculados pelo método geral, onde se leva em conta a não-linearidade física e geométrica do pilar. Também é obrigatória a consideração da fluência.

No item 15.8.1, da NBR 6118:2003, fica vedado o uso de pilares com λ maior que 200, exceto no caso de postes com força normal menor que 0,10.f cd .A c . Assim, a classificação dos pilares quanto a esbeltez pode ser resumida como:

Pilar moderadamente esbelto: 1 < 90;

Pilar esbelto: 90 <

Pilar muito esbelto: 140 < 200.

Pilar curto:

1 ;

140;

3.6 Dispensa da Análise dos Efeitos Locais de Segunda Ordem

Os esforços locais de segunda ordem podem ser desprezados, conforme o item 15.8.2 da NBR 6118:2003, quando o índice de esbeltez for menor que o valor limite 1 . Este valor limite é influenciado pela excentricidade relativa de primeira ordem e 1 /h; pela vinculação dos extremos da coluna isolada; pela magnitude e forma do diagrama de momentos de primeira ordem. Segundo SCADELAI (2004), a esbeltez limite corresponde ao valor da esbeltez a partir do qual os efeitos de segunda ordem começam a provocar uma redução da capacidade resistente do pilar no estado limite último, quando comparado com a

19

capacidade resistente obtida de acordo com a teoria de primeira ordem. Sendo 1 calculado

pela expressão: 25 +12,5 e 1 h = 1 b sendo: 35 90 1
pela expressão:
25 +12,5 e 1
h
=
1
b
sendo:
35
90
1

(3.17)

e 1 a excentricidade de primeira ordem;

h é a altura da seção transversal do pilar, medida no plano da estrutura em estudo.

O coeficiente b deve ser obtido conforme o estabelecido a seguir:

a) para pilares biapoiados sem cargas transversais, deve ser obtido pela fórmula:

onde:

0,4

b

1,0

b = 0,6 + 0,4

M B

M A

0,40

(3.18)

M A e M B são momentos de primeira ordem nos extremos do pilar. Deve ser

adotado para M A o maior valor absoluto ao longo do pilar biapoiado e para M B o sinal

positivo, se tracionar a mesma face que M A , e negativo em caso contrario.

b) para pilares biapoiados com cargas transversais significativas ao longo da altura:

c) para pilares em balanço

onde:

b

b = 1,0

= 0,80 + 0,20

M C

M A

0,85

(3.19)

(3.20)

0,85

M A é o momento de primeira ordem no engaste e M C é o momento de primeira

b

1,0

ordem no meio do pilar em balanço.

d) para pilares biapoiados ou em balanço com momentos menores que o mínimo

b = 1,0

(3.21)

20

4 CÁLCULO DOS ESFORÇOS NOS PILARES

Segundo Carvalho (2009), uma força normal atuando em um pilar de seção

retangular pode estar aplicada no centro geométrico (compressão centrada), a certa distância

desse centro e sobre um dos eixos de simetria (flexão composta) e em um ponto qualquer da

seção (flexão oblíqua), sendo essas distâncias chamadas de excentricidades e devem ser

conhecidas para o dimensionamento de pilares isolados.

Essas excentricidades podem ser de diversos tipos e causados por diferentes

fatores, sendo, em geral, divididos da seguinte forma:

Excentricidade inicial;

Excentricidade de forma;

Excentricidade acidental;

Excentricidade devido à fluência;

Excentricidade de segunda ordem.

Neste capítulo, será explicado todo o procedimento para determinação destas

excentricidades.

4.1 Excentricidade Inicial

Em estruturas de edifícios de vários andares, nas ligações de extremidades das

vigas, ocorrem ligações monolíticas com os pilares de canto e os laterais, estando estes

submetidos a um momento fletor inicial. Esse momento pode ser representado por uma

excentricidade inicial e i da força de compressão.

A excentricidade inicial pode ocorrer em pilares de qualquer esbeltez e em

qualquer das duas direções (e ix ou e iy ) ou em ambas as direções (e ix , e iy ), devendo ainda ser

acrescentados às demais excentricidades.

Esta excentricidade deverá ser obtida a partir das seguintes expressões:

e

ix

= M x

N

e iy = M y

N

(4.1)

(4.2)

21

21 Figura 4.1 – Excentricidade inicial no topo e na base (Scadelai, 2004) Na verificação dos

Figura 4.1 – Excentricidade inicial no topo e na base (Scadelai, 2004)

Na verificação dos esforços máximos em pilares de edifícios, numa análise local entre dois pavimentos (rótulas nas duas extremidades), duas situações deveram ser consideradas: a primeira em uma seção próxima à extremidade e a segunda em uma seção intermediária. Na seção de extremidade, a excentricidade de primeira ordem é nula, mas não a de segunda ordem; na seção intermediária, existe excentricidade de segunda ordem e a excentricidade de primeira ordem tem uma influência menor, sendo expressa pela equação abaixo:

(4.3)

sendo, α b definido no item 3.6. A NBR 6118:2003, no item 14.6.7, traz uma formulação aproximada de cálculo da solidariedade dos pilares com as vigas, onde diz que o momento fletor é igual ao momento de engastamento perfeito multiplicado pelos coeficientes estabelecidos, assim, temos que:

e

*

i

=

b e i

Momento na extremidade da viga:

M extr,viga =

r inf + r sup

r inf + r sup + r viga

M eng

Momento no tramo superior do pilar:

(4.4)

M 1, p sup =

r sup

r inf + r sup + r viga

M eng

Momento no tramo inferior do pilar:

onde:

M 1, p inf

=

r inf

r inf + r sup + r viga

M eng

(4.5)

(4.6)

22

r inf , r sup , r viga é a rigidez de cada elemento i no nó considerado;

Figura 4.2;

r i = I i

l

i

, sendo I i a inércia do elemento e l i o comprimento do elemento conforme

M eng é o momento de engastamento perfeito na ligação viga-pilar;

M 1,psup é o momento na extremidade inferior do pilar superior;

M 1,pinf é o momento na extremidade superior do pilar inferior.

f é o momento na extremidade superior do pilar inferior. Figura 4.2 – Aproximação em apoios

Figura 4.2 – Aproximação em apoios extremos (NBR 6118:2003)

4.2 Excentricidade de Forma

Segundo Carvalho (2009), no projeto estrutural de uma edificação, devido ao

projeto arquitetônico, muitas vezes não é possível fazer com que eixos de vigas e pilares

sejam coincidentes, sendo o mais usual que as faces externas ou internas das vigas coincidam

com as faces dos pilares em que estão apoiados. Assim, como pode ser observado na figura

abaixo, as reações das vigas chegam de forma excêntrica ao pilar – excentricidade de forma.

23

23 Figura 4.3 – Excentricidade de Forma Deve-se tomar cuidado ao ser utilizado programas automáticos de

Figura 4.3 – Excentricidade de Forma

Deve-se tomar cuidado ao ser utilizado programas automáticos de cálculo que consideram como padrão a consideração desta excentricidade em todos os casos, podendo levar a valores exagerados no pilar.

4.3 Excentricidade Acidental

O item 11.3.3.4, da NBR 6118:2003, trata das imperfeições geométricas, e diz que na verificação do estado limite último das estruturas reticuladas, devem ser consideradas as imperfeições geométricas do eixo dos elementos estruturais da estrutura descarregada. Segundo Carvalho (2009), muitas imperfeições podem ser cobertas apenas pelo uso de coeficientes ponderadores, mas as imperfeições dos eixos das peças, não podem. Elas devem ser explicitamente consideradas, pois tem efeitos significativos sobre a estabilidade da construção. Podem ser divididas em dois grupos: imperfeições geométricas globais e imperfeições locais.

4.4.1 Imperfeições globais

Na análise

global da

estrutura, sejam

elas contraventadas ou

não,

deve-se

24

24 Figura 4.4 – Imperfeições geométricas globais (NBR 6118:2003) onde: 1 = 1 100 H 1+1

Figura 4.4 – Imperfeições geométricas globais (NBR 6118:2003)

onde:

1

= 1 100 H 1+1 n = 1 ◊ a 2
=
1
100
H
1+1 n
= 1 ◊
a
2

θ 1 é o desaprumo de um elemento vertical contínua; 1min = 1 400 para estruturas de nós fixos;

1 m i n = 1 400 para estruturas de nós fixos; 1 m i n
1 m i n = 1 400 para estruturas de nós fixos; 1 m i n

1min = 1 300 para estruturas de nós móveis;

1 m i n = 1 300 para estruturas de nós móveis; 1 m a x

1max = 1 200;

H

é a altura total da edificação, em metros;

N

é o número de prumadas de pilares.

(4.7)

(4.8)

Conforme a NBR 6118:2003, o desaprumo não deve ser superposto ao carregamento de vento. Entre os dois, carregamento de vento e desaprumo, deve ser considerado o mais desfavorável, definido através do que provoca maior momento total na base de construção.

4.4.2 Imperfeições locais

Na verificação de um lance de pilar, no caso que está se tratando aqui, deve ser considerado o efeito do desaprumo ou falta de retilineidade do seu eixo, conforme a figura abaixo.

25

25 Figura 4.5 – Imperfeições geométricas locais (NBR 6118:2003) O valor da excentricidade acidental, para o

Figura 4.5 – Imperfeições geométricas locais (NBR 6118:2003)

O valor da excentricidade acidental, para o caso de falta de retilineidade pode ser

calculado pelas expressões:

  l e a = 1 ◊    2  1 1
 
l
e a = 1 ◊
 2 
1
1 =
100
l

(4.9)

(4.10)

Para o caso de desaprumo, a excentricidade pode ser calculada como:

onde:

e a = 1 l

(4.11)

l é a altura de um pavimento (não confundir com comprimento de flambagem);

1min = 1 300 para imperfeições locais; 1max = 1 200.
1min = 1 300 para imperfeições locais;
1max = 1 200.

Para casos usuais, a norma admite a consideração apenas da falta de retilineidade

ao longo do lance do pilar seja suficiente.

4.4.3 Momento mínimo de primeira ordem

Segundo o item 11.3.3.4.3, da NBR 6118:2003, o efeito das imperfeições

geométricas locais em um lance de pilar pode ser substituído em estruturas reticuladas pela

consideração do momento mínimo de 1 a ordem dado pela expressão:

(4.12)

onde:

M 1d ,mim = N d (0,015 + 0,03h)

26

N d é o esforço normal de cálculo;

h é a altura total da seção transversal na direção considerada, em metros.

Nas estruturas reticuladas usuais admite-se que o efeito das imperfeições locais

esteja atendido se for respeitado esse valor de momento total mínimo, sendo este, o valor de

cálculo utilizado no dimensionamento. A este momento devem ser acrescidos os momentos de

2 a ordem, quando for o caso.

Segundo Carvalho (2009), no caso de pilares submetidos à flexão oblíqua

composta, esse mínimo deve ser respeitado em cada uma das direções principais,

separadamente.

Alguns autores fazem diferentes interpretações sobre a consideração do momento

mínimo, pois, justificam que a NBR 6118:2003 define de forma ambígua este momento.

Justificam que no item 11.3.3.4.3, faz-se referência que o momento mínimo, quando maior,

deve substituir o oriundo das imperfeições locais, e no item 15.8.3.3.2, recomenda que o

momento mínimo substitua, quando maior, o momento de primeira ordem. Também,

encontram-se textos, que interpretam que o momento mínimo, quando maior substitui o

momento total de primeira ordem (acidental e inicial de primeira ordem), sendo acrescido a

este o oriundo das imperfeições locais. Neste trabalho, interpretou-se que o momento mínimo

deverá substituir, quando maior, o momento inicial de primeira ordem (não sendo necessária a

verificação das imperfeições locais), sendo este o valor adotado em todo o processo de

cálculo.

4.4 Excentricidade Devido à Fluência

Conforme a NBR 6118:2003, a consideração da fluência do material concreto

deve ser obrigatória para pilares com λ > 90 e pode ser efetuada de maneira aproximada,

considerando a excentricidade adicional e cc dado pela fórmula:

onde:

M

Sg

N

Sg

e cc =

N e = 10E c I c

2

l e

M Sg ,

N Sg

são

valores

combinação quase permanente;

+ e a

2,718

N Sg

N e N Sg

1

característicos

dos

esforços

solicitantes

(4.13)

devidos

à

27

φ é o coeficiente de fluência; E c é o módulo de elasticidade do concreto; I c é o momento de inércia da seção de concreto; l e é o comprimento de flambagem.

4.5 Excentricidade de Segunda Ordem

Num lance de pilar, sobre o efeito do carregamento vertical e dos momentos iniciais, seu respectivo eixo não se mantém retilíneo, surgindo aí efeitos locais de segunda ordem que, em princípio, afetam principalmente os esforços solicitantes ao longo do mesmo. A teoria que rege esse fenômeno é chamada de segunda ordem e pode ser mais ou menos simplificada, sendo os principais processos para obtenção dos esforços de uma barra apresentados na seção seguinte. Para Carvalho (2009), uma forma de reproduzir este efeito é a consideração de uma força de compressão atuando com certa excentricidade (e 2 ) em relação ao centro do pilar, chamada de excentricidade de segunda ordem.

28

5

DETERMINAÇÃO DOS EFEITOS LOCAIS DE 2 a ORDEM CONFORME A NBR-6118:2003

De acordo com a NBR 6118:2003, os efeitos locais de 2 a ordem, podem ser calculados através dos métodos aproximados ou através do método geral. A norma trás três métodos aproximados, sendo eles: o método do pilar-padrão com curvatura aproximada, o método do pilar padrão com rigidez κ aproximada e o método do pilar padrão acoplado a diagramas M, N, 1/r. A determinação da metodologia de cálculo a ser adotado, está condicionada ao índice de esbeltez, sendo especificada mais adiante. Segundo Scadelai (2004 apud BORGES, 1999), a desvantagem do processo do pilar-padrão reside no fato que seus resultados são precisos apenas nos casos onde a seção é constante, inclusive armadura, e o carregamento não é composto por forças transversais, ou seja, o método do pilar-padrão só conduz a bons resultados se a linha elástica for muito próxima da senoidal. Para os casos em que isso não acontece, pode-se optar pelo processo do pilar-padrão melhorado, cujo objetivo é estender a aplicação do processo a casos de barras submetidas a carregamento transversal, através de uma correção no método, resultado de uma linearização do diagrama (M, N, 1/r).

5.1 Método do Pilar-Padrão com Curvatura Aproximada

Segundo Carvalho (2009), os métodos aproximados, em geral, procuram a seção mais solicitada do pilar e, a partir de algumas simplificações, estabelecem expressões que permitem calcular o efeito de segunda ordem. Para a determinação dos esforços de segunda ordem pelos métodos aproximado do pilar-padrão com curvatura aproximada, são admitidas as seguintes hipóteses: a flecha máxima é função da curvatura da barra; a não-linearidade geométrica é considerada de uma forma aproximada, em que a linha elástica da barra deformada é dada por uma função senoidal; a curvatura é dada pela derivada segunda da equação da linha elástica; e a não- linearidade física será considerada de forma aproximada, sendo considerada através de uma expressão aproximada da curvatura na seção crítica. Este método pode ser empregado apenas no cálculo de pilares com 90, seção constante e armadura simétrica e constante ao longo do seu eixo. A excentricidade de segunda ordem é dada pela seguinte expressão:

29

1 e 2 =

l

2

10

e

e,

1/r

r onde, l e é o comprimento de flambagem

considerado de forma aproximada, dado pela seguinte fórmula:

x=l

é a curvatura na seção

sendo:

0,005

1

= ( + 0,5)h

r

(5.1)

crítica, que é

(5.2)

( + 0,5) 1;

h é a altura da seção na direção considerada;

=

F d

F d

=

A c f cd

bhf cd

é o valor adimensional da força normal.

Assim, temos que a expressão para o cálculo da excentricidade de segunda ordem

ficará:

0,005

(5.3)

Para o cálculo do momento total máximo é necessário a consideração do efeito do

momento de primeira ordem em uma seção intermediária do pilar, sendo este de menor

ordem. Assim o cálculo do momento total máximo no pilar deve ser calculado pela expressão:

2

l e

e 2 =

10 ( + 0,5)h

M d ,tot

=

b M 1d,A + N d

2

l e

10

0,005

+ 0,5)h M 1d,A M 1d ,mim

(

(5.4)

onde:

 

α b é o valor calculado no item 3.6 deste trabalho;

d é a força normal de cálculo;

N

M

1d,A é o momento de primeira ordem;

M

1d,mim é o momento mínimo de primeira ordem.

5.2

Método do Pilar-Padrão com Rigidez Aproximada

Na determinação dos esforços de segunda ordem por este método aproximado são

feitas as mesmas considerações adotadas no método anterior, exceto a consideração da não-

linearidade física que é considerada através de uma expressão aproximada da rigidez.

Este método é empregado apenas no cálculo de pilares com 90, seção

retangular constante e armadura simétrica e constante ao longo do seu eixo.

Segundo a formulação apresentada pela NBR 6118:2003, o cálculo do momento

total máximo no pilar deve ser calculado a partir da majoração do momento de 1 a ordem pela

expressão:

30

=

b M 1d,A

1

2

M 1d ,A

M 1d ,mim

M d ,tot

120 Onde o valor da rigidez adimensional κ dado aproximadamente pela expressão:

/

(5.5)

= 321+ 5

M d ,tot

hN d

(5.6)

As variáveis h, N d , ν, M 1d,A e α b são definidas no item anterior. Observa-se que

para encontrar o valor da rigidez κ é necessário o valor de M d,tot e para o cálculo do M d,tot é

necessário o valor de κ, logo a solução deste problema somente pode ser obtida através de um

processo iterativo (usualmente duas ou três iterações são suficientes).

Uma consideração importante a ser feita no uso deste método é a forma de

convergência da solução, que depende do valor inicial de M d,tot adotado. O valor adotado para

a primeira iteração deve ser um valor próximo do valor da solução algébrica, pois quanto mais

próximo desta solução, menos iterações são necessárias. Ainda tem a possibilidade de não

convergência para a solução algébrica, caso seja adotado um valor muito alto para M d,tot .

Como solução para este problema, muitos autores sugerem alguns processos

diretos. Neste trabalho, nós iremos substituir a fórmula da rigidez κ no valor do M d,tot ,

obtendo-se a seguinte expressão:

(5.7)

onde:

(5.8)

2

AM d ,tot

+ BM d ,tot + C = 0

A = 5h

B

= h 2 N d

2

N d l e

320

5h b M 1d,A

(5.9)

C

= N d h 2

b M 1d,A

(5.10)

Logo, a solução se resume na resolução de uma equação do segundo grau, assim:

B 2 4 AC M d ,tot = B + 2A
B 2
4 AC
M d ,tot = B +
2A

(5.11)

Esta formulação possibilita o cálculo direto, sem o uso do processo iterativo, cujo

resultado deve ser idêntico ao obtido deste processo.

5.3 Método do Pilar-Padrão Acoplado a Diagramas M,N,1/r

A determinação dos esforços locais de 2 a ordem em pilares com 90 140,

pode ser feita pelo método do pilar-padrão ou do pilar padrão melhorado, utilizando-se para a

curvatura da seção crítica valores obtidos de diagramas M, N, 1/r específicos para o caso. Se

31

> 90, é obrigatório a consideração dos efeitos da fluência, de acordo com o item 15.8.4 da NBR 6118 (ABNT, 2003). Para a resolução deste método, podem ser utilizados diagramas µ, η, 10 3 d/r, com grandezas adimensionais, como mostrado na Figura 5.1.

, com grandezas adimensionais, como mostrado na Figura 5.1. Figura 5.1 – Diagrama µ , η

Figura 5.1 – Diagrama µ, η, 10 2 d/r (Scadelai, 2004 apud Fusco, 1981)

5.4 Método Geral

Conforme a NBR 6118:2003, o método consiste na análise não-linear de segunda ordem efetuada com discretização adequada da barra, considerando a relação momento- curvatura real em cada seção, e considerando a não-linearidade geométrica de maneira não aproximada. O emprego deste método é obrigatório para pilares com > 140. É aplicado a qualquer tipo de pilar, inclusive em casos que a armadura ou a força normal são variáveis ao longo de seu comprimento.

32

Para sua formulação são empregadas equações diferenciais que geralmente não tem solução direta conhecida, logo, sendo necessária a aplicação de soluções aproximadas para o cálculo, como os métodos iterativos. Mesmo o método iterativo possibilitando algumas simplificações, sua solução requer um considerável esforço manual, havendo a necessidade da utilização de softwares específicos de cálculo. De acordo com Borges (1999, apud Scadelai, 2004), o método geral, quanto ao rigor, faz duas concessões: admite ser a curvatura igual à segunda derivada da equação da linha elástica e, já que sua execução necessita de processos numéricos, precisa de subdivisão da peça em elementos, tornando os resultados dependentes do número de elementos considerados. Conforme Carvalho (2009), a curvatura da peça é determinada através do estado de esforços resistidos pela seção, onde em cada ponto se relaciona o momento atuante com a curvatura.

Segundo Scadelai (2004), o método geral consiste em estudar o comportamento das estruturas de concreto armado, à medida que se dá o aumento do carregamento ou da excentricidade do carregamento na barra. O estudo, a partir de um carregamento incremental, consiste em aplicar a carregamento em parcelas, de modo que, cada etapa seja possível a consideração do deslocamento da etapa anterior. A carga critica é o maior valor encontrado no diagrama força versus deslocamento, para o qual a curva do gráfico tende assintoticamente, conforme a Figura 5.2.

do gráfico tende assintoticamente, conforme a Figura 5.2. Figura 5.2 – Diagrama força x deslocamento com

Figura 5.2 – Diagrama força x deslocamento com carregamento incremental (SCADELAI, 2004)

33

A outra forma de aplicação do método é através da excentricidade incremental, sendo obedecido o mesmo procedimento anterior, mas ao invés de se manter constante as excentricidades e variar a força aplicada mantêm-se constante a força aplicada e variam-se as excentricidades de primeira ordem. O valor crítico da excentricidade é o maior valor encontrado no diagrama excentricidade versus deslocamento, para o qual a curva do gráfico tende assintoticamente, conforme a Figura 5.3.

do gráfico tende assintoticamente, conforme a Figura 5.3. Figura 5.3 – Diagrama excentricidade x deslocamento com

Figura 5.3 – Diagrama excentricidade x deslocamento com excentricidade incremental (SCADELAI, 2004)

Para melhor explicar o princípio do método geral, Scadelai (2004) fez a seguinte explicação: considerou um pilar engastado na base e livre no topo, sujeito a uma força de compressão N d , com uma excentricidade “e” do eixo do pilar. Sob a ação do carregamento, o pilar sofre uma deformação que gera um momento adicional N d .y, que por sua vez, gera deslocamentos e momentos adicionais. Se as ações externas (N d e M d ) forem menores que a capacidade resistente da barra, essa interação continua até ser atingido o estado de equilíbrio da barra, ou seja, a deformação tende a um valor a, conforme a Figura 5.4a. Caso contrário, se as ações externas forem maiores que a capacidade resistente da barra, o pilar perde estabilidade, ou seja, a deformação tende ao infinito, conforme a Figura 5.4b.

34

34 a) equilíbrio estável b) equilíbrio instável Figura 5.4 – Configurações fletidas (Scadelai, 2004)

a) equilíbrio estável

b) equilíbrio instável

Figura 5.4 – Configurações fletidas (Scadelai, 2004)

35

6

EXEMPLOS

Neste item, serão apresentados alguns exemplos do cálculo dos esforços máximos

em pilares de concreto armado, utilizando os métodos do pilar padrão com curvatura

aproximada e o método da rigidez κ aproximada.

6.1 Exemplo 1

Neste primeiro exemplo apresenta-se o cálculo dos esforços máximos em um pilar

em que os momentos são menores que o momento mínimo e tracionando faces opostas do

pilar. Os pontos de aplicação das solicitações são o topo (nó A) e a base do pilar (nó B).

Considera-se o vigamento do pavimento inferior igual ao do pavimento superior. Dados:

Concreto C30 e aço CA-50;

Seção transversal: 20 cm x 60 cm;

Pé-direito = 320 cm;

N k = 1400 kN;

+25kNm e M kx = 25kNm .

M kx

A

B

=

Viga(20x60)
Viga(20x60)

Pilar

(20x60)

Figura 6.1 – Detalhe em Planta

Cálculo do comprimento de flambagem:

36

l ex


l o + h v = 2,60 + 0,60 = 3,20m

l o + b = 2,60 + 0,2 = 2,80m

Momento mínimo:

l ex =

2,80m

N d = 14001,4 = 1960kN

M 1dx,min = N d (0,015 + 0,03h)

M 1dx,,min = 1960(0,015 + 0,030,2) = 41,16kNm

Podendo ser expresso da seguinte forma:

e min, x

= M 1dx,min

N d

= 41,16

1960

= 0,021m

Cálculo da excentricidade inicial:

Para a obtenção da excentricidade inicial, adota-se o maior valor de momento das

duas extremidades, ou se menor, adotar o momento mínimo. Assim, temos que:

verificados.

e ix = M x

N

= 41,16

1960

= 0,021m

Índice de esbeltez é dado por:

= 12◊ l ex = 12◊ 280 x b 20 x = 48,5
=
12◊ l ex
=
12◊ 280
x
b
20
x = 48,5

Verificação da dispensa dos efeitos locais de 2 a ordem:

Com M 1dx = 1,425 = 35kNm , logo, M 1dx M 1dx,min , assim, temos que:

bx =1,0 1x = 25 +12,5◊e 1x h = 25 +12,5◊2,1 20 1,0 b
bx =1,0
1x = 25 +12,5◊e 1x h = 25 +12,5◊2,1 20
1,0
b

1x = 26,31, assim 1x = 35,0

Como

λ x

λ 1x , temos

que os efeitos locais

de segunda ordem devem ser

Cálculo dos efeitos de segunda ordem:

Método do pilar-padrão com curvatura aproximada

37

=

N d

bhf cd

=

1960

0,20,630000 1,4 = 0,762

f c d = 1960 0,2 ◊ 0,6 ◊ 30000 1,4 = 0 , 7 6

M d ,tot

=

bx M 1d,A + N d l ex

10

2

0,005

( + 0,5)h

M d ,tot

= 1,046,16 +19602,8 2

10

0,005

(0,762 + 0,5)0,2

M d ,tot = 71,60kNm

Método do pilar-padrão com rigidez κ aproximada

Utilizando o método direto proposto no item 5.2, temos:

A

= 5b = 50,2 =1,0

B

= b 2 N d

2

N d l ex 5b b M 1d,A

320

B =

0,2 2 1960 19602,8 2

320

50,21,041,16 = 10,78

C

M

M

= N d b 2 b M 1d,A = 19600,2 2 1,041,16 = 3226,94

= B + B 2 4 AC d ,tot 2A d ,tot = 62,45kNm
= B +
B 2
4 AC
d ,tot
2A
d ,tot = 62,45kNm
( 10,78) 2 + 4 ◊ 1 ◊ 3226,94

( 10,78) 2 + 413226,94

= 10,78 +

21

Para a determinação dos esforços finais de cálculo, verifica-se o momento em uma

seção no topo , entre o topo e a base do pilar. O momento na seção de topo e de base do pilar

deverá ser o maior valor entre momento inicial e o momento mínimo. O momento em uma

seção intermediária do pilar deverá ser o momento total obtido pelos métodos de cálculo dos

efeitos de segunda ordem, sendo que este deverá ser maior que o momento inicial, e este, por

sua vez, deverá ser maior que o momento mínimo. Assim, a armadura longitudinal do pilar

deverá ser dimensionada de modo que a sua resistência atenda as condições de solicitações da

seção mais desfavorável, sendo listada a seguir.

A força normal de cálculo, para as duas metodologias analisadas, é igual a:

N sd = 1960kN

E o momento, para os dois métodos, é apresentado na Tabela 2:

38

Tabela 2 – Valores para momentos obtidos no Exemplo 1

Exemplo 01

M sd < M 1d,min

Curvatura Aproximada (kNm)

Rigidez κ Aproximada (kNm)

Diferença

(%)

71,60

62,45

12,78

6.2 Exemplo 2

Neste segundo exemplo, apresenta-se o cálculo dos esforços máximos em um

pilar em que os momentos são iguais ao momento mínimo e tracionando faces opostas do pilar. Os pontos de aplicação das solicitações são o topo (nó A) e a base do pilar (nó B).

Considerou-se o vigamento do pavimento inferior igual ao do pavimento superior, conforme Figura 6.1. Dados:

Concreto C30 e aço CA-50;

Seção transversal: 20 cm x 60 cm;

Pé-direito = 320 cm;

N k = 1400 kN;

M kx

A =

B

+29,4kNm e M kx = 29,4kNm .

Cálculo do comprimento de flambagem:

l ex


l o + h v = 2,60 + 0,60 = 3,20m

l o + b = 2,60 + 0,2 = 2,80m

Momento mínimo:

l ex =

2,80m

N d = 14001,4 = 1960kN

M 1dx,min = N d (0,015 + 0,03h)

M 1dx,,min = 1960(0,015 + 0,030,2) = 41,16kNm

Podendo ser expresso da seguinte forma:

e min, x

= M 1dx,min

N d

= 41,16

1960

= 0,021m

Cálculo da excentricidade inicial:

Para a obtenção da excentricidade inicial, adota-se o maior valor de momento das duas extremidades, ou se menor, adota-se o momento mínimo. Assim, temos que:

39

casos:

verificados.

e ix = M N x

1400 29,4 = 0,021m

=

Índice de esbeltez é dado por:

= 12◊ l ex = 12◊ 280 x b 20 x = 48,5
=
12◊ l ex
=
12◊ 280
x
b
20
x = 48,5

Verificação da dispensa dos efeitos locais de 2 a ordem:

Com M 1dx = 1,429,4 = 41,16kNm , logo, M 1dx = M 1dx,min , assim, podemos ter dois

Para b = 1,0 b =1,0 1x = 25 +12,5◊e 1x h = 25 +12,5◊2,1
Para
b = 1,0
b =1,0
1x = 25 +12,5◊e 1x h = 25 +12,5◊2,1 20
1,0
b

1x = 26,31, assim 1x = 35,0

Como

λ x

λ 1x , temos

que os efeitos

locais

Cálculo dos efeitos de segunda ordem:

de segunda ordem devem ser

Método do pilar-padrão com curvatura aproximada

=

N d

bhf cd

=

1960

0,20,630000 1,4 = 0,762

f c d = 1960 0,2 ◊ 0,6 ◊ 30000 1,4 = 0 , 7 6

M d ,tot = bx M 1d,A + N d l ex

10

2

0,005

( + 0,5)h

M d ,tot

= 1,046,16 +19602,8 2

10

0,005

(0,762 + 0,5)0,2

M d ,tot = 71,60kNm

Método do pilar-padrão com rigidez κ aproximada

Utilizando o método direto proposto no item 5.2, temos:

A = 5b = 50,2 =1,0

B

= b 2 N d

2

N d l ex 5b b M 1d,A

320

40

B

= 0,2 2 1960 19602,8 2 50,21,041,16 = 10,78

320

C

= N d b 2 b M 1d,A = 19600,2 2 1,041,16 = 3226,94

= B + B 2 4 AC M d ,tot 2A M = 62,45kNm d
= B +
B 2
4 AC
M
d ,tot
2A
M
= 62,45kNm
d ,tot
( 10,78) 2 + 4 ◊ 1 ◊ 3226,94

( 10,78) 2 + 413226,94

= 10,78 +

21

Para

b = 0,6 + 0,4

M B

M A

M A = 29,4kNm e M B = -29,4kNm

M B 0,6 + 0,4 = 0,6 0,4 29,4 b = M 29,4 = 0,4
M
B
0,6 + 0,4
= 0,6 0,4 29,4
b =
M
29,4 = 0,4
A
1x = 25 +12,5◊e 1x h = 25 +12,5◊2,1 20
0,4
b

1x = 65,78

Como λ x ≤ λ 1x , temos que os efeitos locais de segunda ordem podem ser

desprezados, ou seja:

e 2x = 0

Para a determinação dos esforços finais de cálculo, verifica-se o momento em uma

seção no topo , entre o topo e a base do pilar. O momento na seção de topo e da base do pilar

deverá ser o maior valor entre momento inicial e o momento mínimo. O momento em uma

seção intermediária do pilar deverá ser o momento total obtido pelos métodos de cálculo dos

efeitos de segunda ordem, sendo que este deverá ser maior que o momento inicial, e este, por

sua vez, deverá ser maior que o momento mínimo. Assim, a armadura longitudinal do pilar

deverá ser dimensionada de modo que a sua resistência atenda as condições de solicitações da

seção mais desfavorável, sendo listada a seguir.

A força normal de cálculo, para as duas metodologias analisadas, é igual a:

N sd = 1960kN

E o momento, para os dois métodos, é apresentado na Tabela 3:

41

Tabela 3 – Valores para momentos obtidos no Exemplo 2

Exemplo 02

Curvatura Aproximada (kNm)

Rigidez κ Aproximada (kNm)

Diferença

M sd = M 1d,min

(%)

α b = 1,0

71,60

62,45

12,78

α b = 0,4

41,16

41,16

0

Diferença (%)

42,51

34,09

-

6.3 Exemplo 3

Neste terceiro exemplo apresenta-se o cálculo dos esforços máximos em um pilar em que os momentos são maiores que o momento mínimo e tracionando faces opostas do pilar. Os pontos de aplicação das solicitações são o topo (nó A) e a base do pilar (nó B). Considerou-se o vigamento do pavimento inferior igual ao do pavimento superior, conforme Figura 6.1. Dados:

Concreto C30 e aço CA-50;

Seção transversal: 20 cm x 60 cm;

Pé-direito = 320 cm;

N k = 1400 kN;

+35kNm e M kx = 35kNm .

M kx

A =

B

Cálculo do comprimento de flambagem:

l ex


l o + h v = 2,60 + 0,60 = 3,20m

l o + b = 2,60 + 0,2 = 2,80m

Momento mínimo:

l ex =

2,80m

N d = 14001,4 = 1960kN M 1dx,min = N d (0,015 + 0,03h)

M 1dx,,min = 1960(0,015 + 0,030,2) = 41,16kNm

Podendo ser expresso da seguinte forma:

e min, x

= M 1dx,min

N d

= 41,16

1960

= 0,021m

Cálculo da excentricidade inicial:

Para a obtenção da excentricidade inicial, adota-se o maior valor de momento das duas extremidades, ou se menor, adotar o momento mínimo. Assim, temos que:

42

e ix = M N x

35

=

1400 = 0,025m

Índice de esbeltez é dado por:

= 12◊ l ex = 12◊ 280 x b 20 x = 48,5
=
12◊ l ex
=
12◊ 280
x
b
20
x = 48,5

Verificação da dispensa dos efeitos locais de 2 a ordem:

Com M 1dx = 1,435 = 49kNm, logo, M 1dx M 1dx,min , assim, temos que:

M A = 35kNm e M B = -35kNm

b =

0,6 + 0,4

M

B

M

A

= 0,6

0,4 35

35 = 0,4

b = 0,6 + 0,4 M B M A = 0,6 0,4 3 5 3 5
b = 0,6 + 0,4 M B M A = 0,6 0,4 3 5 3 5

1x = 25 +12,5e 1x h = 25 +12,52,5 20

b

0,4

1x = 66,41, assim 1x = 35,0

Como λ x ≤ λ 1x , temos que os efeitos locais de segunda ordem podem ser

desprezados, ou seja:

e 2x = 0

Para a determinação dos esforços finais de cálculo, verifica-se o momento em uma

seção no topo, entre o topo e a base do pilar. O momento na seção de topo e de base do pilar

deverá ser o maior valor entre momento inicial e o momento mínimo. O momento em uma

seção intermediária do pilar deverá ser o momento total obtido pelos métodos de cálculo dos

efeitos de segunda ordem, sendo que este deverá ser maior que o momento inicial, e este, por

sua vez, deverá ser maior que o momento mínimo. Assim, a armadura longitudinal do pilar

deverá ser dimensionada de modo que a sua resistência atenda as condições de solicitações da

seção mais desfavorável, sendo listada a seguir.

A força normal de cálculo, para as duas metodologias analisadas, é igual a:

N sd = 1960kN

E o momento, para os dois métodos, é apresentado na tabela abaixo:

Tabela 4 – Valores para momentos obtidos no Exemplo 3

Exemplo 03

M sd > M 1d,min

Curvatura Aproximada (kNm)

Rigidez κ Aproximada (kNm)

Diferença

(%)

49,0

49,0

0

43

6.4 Exemplo 4

Neste quarto exemplo, apresenta-se o cálculo dos esforços máximos em um pilar

em que os momentos são maiores que o momento mínimo, com momento igual a zero no topo

e momento diferente de zero na base. Os pontos de aplicação das solicitações são o topo (nó

A) e a base do pilar (nó B). Considera-se o vigamento do pavimento inferior igual ao do

pavimento superior, conforme Figura 6.1. Dados:

Concreto C30 e aço CA-50;

Seção transversal: 20 cm x 60 cm;

Pé-direito = 320 cm;

N k = 1400 kN;

A

M kx

=

0 e

B

M kx = 35kNm .

Cálculo do comprimento de flambagem:

l o + h v = 2,60 + 0,60 = 3,20m

l ex

  l o + b = 2,60 + 0,2 = 2,80m

l ex =

Momento mínimo:

2,80m

N d = 14001,4 = 1960kN

M 1dx,min = N d (0,015 + 0,03h)

M 1dx,,min = 1960(0,015 + 0,030,2) = 41,16kNm

Podendo ser expresso da seguinte forma:

e min, x

= M 1dx,min

N d

= 41,16

1960

= 0,021m

Cálculo da excentricidade inicial:

Para a obtenção da excentricidade inicial, adota-se o maior valor de momento das

duas extremidades, ou se maior, adotar o momento mínimo. Assim, temos que:

35 = 1400 = 0,025m e ix = M N x Índice de esbeltez é
35
=
1400 = 0,025m
e ix = M N x
Índice de esbeltez é dado por:
=
12◊ l ex
=
12◊ 280
x
b
20

44

x = 48,5

Verificação da dispensa dos efeitos locais de 2 a ordem:

Com M 1dx = 1,435 = 49kNm, logo, M 1dx M 1dx,min , assim, temos que:

M A = 35kNm e M B = 0kNm

b = 0,6 + 0,4

M B

M A

0

= 0,6 + 0,4 35 = 0,6

1x = 25 +12,5e 1x h = 25 +12,52,5 20