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A mensagem das pedras.

Conceitos
A escrita egípcia, uma das mais antigas do mundo, não utiliza um alfabeto, mas
centenas de pequenos desenhos combinados de diferentes maneiras: os hieróglifos.
Aprendia-se nas escolas ou nas casas de aprendizagem dos templos, que eram
centros intelectuais completos. O escriba servia-se de uma paleta com duas pastilhas
de tinta e canas adaptadas para pincéis, assim como de um godê de água. Em
algumas épocas, os numerosos textos relativos aos problemas cotidianos provam que
muitas pessoas sabiam ler e escrever. Quanto aos desenhistas, chamam-se “escribas
das formas”.

Durante quase quinze séculos, a humanidade olhou fascinada para os hieróglifos


egípcios do século IV da era cristã; e, tão fechados se mostraram eles sobre o sentido
dos mesmos, que, na época – e mesmo posteriormente – os eruditos europeus
acreditaram que os hieróglifos fossem instrumentos místicos de algum obscuro rito
sagrado. Mas, em 1822 um lingüista francês provou decisivamente que os pássaros
pousados, as caras arregaladas e as serpentes enroscadas das pedras do Egito
podiam formar palavras não relacionadas com as imagens. Só então os homens do
Ocidente começaram a compreender que tinham diante de si toda uma língua – e que
esta representava a chave para o que até então havia sido uma terra de mistério.

Imagens que formam palavras


Os hieróglifos podem ter começado em tempos pré- históricos como uma escrita por
meio de imagens, como a encontrada nas cavernas da Idade da Pedra. Quando os
egípcios se deparavam com uma idéia difícil de exprimir por imagens, decerto
imaginavam uma espécie de enigma figurado para mostrar a palavra desejada (como
combinar as imagens de “vento” [ar] e de um “rosto contraído” [dor] para mostrar em
português a palavra “ardor”). Os especialistas em lingüística podem apenas fazer
conjecturas quanto a esses indícios, pois os mais antigos hieróglifos que se conhecem
– datando de cerca do ano 3100 a.C. – representam uma língua escrita plenamente
desenvolvida. Embora os egípcios nunca tivessem criado alfabeto, tal como o
conhecemos, estabeleceram símbolo para todos os sons consonantais da sua língua.
O sistema mostrou-se notavelmente eficiente, embora não se tivesse feito qualquer
tentativa – salvo na reprodução fonética de nomes estrangeiros – para simbolizar as
vogais. Combinando fonogramas, ou imagens de sons, os escribas formam a versão
esquematizada de palavras.

Símbolos de sons
O “alfabeto” egípcio consta de sinais para 24 consoantes simples e de um grande
número de combinações de duas e três consoantes.

M + S + H = CROCODILO

Para exprimir as três consoantes da palavra com que designavam o crocodilo – que
podia ter sido pronunciado “miseh”,” meseh” ou até “emseh” depois que se
acrescentavam as vogais – os egípcios combinavam três sinais consonantais simples.
Podiam também acrescentar o símbolo puramente visual de um crocodilo como sinal
ideográfico.

As origens da escrita
Conforme os documentos arqueólogos encontrados pelos estudiosos do tema, os
primeiros registros escritos devem ter ocorrido por volta de 4000 a.C. Não é
impossível, contudo, que antes disso algumas sociedades já tivessem elaborado
algum tipo de sistema de escrita.

Entre as primeiras civilizações que utilizaram a escrita estão a mesopotâmia, da


China, do Egito e da Fenícia, sendo que esta última foi a primeira a organizar um
alfabeto mais próximo do utilizado hoje na língua portuguesa e em muitas outras do
mundo tais como o espanhol, inglês, francês e alemão.

Mas, além de existirem diferentes línguas, há diversos modos de escrever. Nem todos
os sistemas de escrita têm um alfabeto; as primeiras civilizações que utilizavam da
escrita, por exemplo, escreviam por meio de pictogramas ou ideogramas.

No Japão e na China, até os dias de hoje utilizam-se ideogramas. Na Antiguidade,


especialmente no chamado Oriente Próximo, esse sistema predominou por séculos
em várias civilizações da Mesopotâmia e do Egito.

O mais antigo registro escrito conhecido é o dos sumérios, que viviam na região da
Mesopotâmia. Os escritos são da cidade de Uruk e foram feitos em tabletes de argila.
Como era difícil desenhar curvas na argila úmida, os povos mesopotâmicos
utilizavam-se de um instrumento pontiagudo, um estilete, para gravar sinais com a
forma de cunha; para isso, esse tipo de escrita ficou conhecido como cuneiforme ( em
forma de cunha). Inicialmente, desenhavam pictogramas, mas foram gradualmente
incorporando elementos silábicos para representar a fala.

A maior parte dos documentos escritos encontrados na Mesopotâmia refere-se a


registros contábeis: número de cabeças de gado, sacas de grão, livros de registro de
receitas e despesa. Criaram-se, também, cartas de créditos, por meios das quais
tornou-se possível expandir o comércio entre as diversas cidades.

A escrita era fundamental,ainda,para registrar as terras, dificultando o acesso por


parte daqueles que não as possuíam. Também os documentos de Estado eram
registrados por meio da escrita, a qual se tornou um instrumento importante na
transmissão de mensagens oficiais de caráter local e mesmo internacional.

No Egito Antigo, o sistema hieróglifo era uma das formas de escrita mais utilizada.
Para essa civilização, o ato de escrever tinha um sentido profundamente religioso,
mágico e também artístico. Escrever significava para os egípcios fazer com que as
coisas vivessem para sempre, ou seja, tornava-as eternas. Por ser um processo
complexo e sofisticado, a escrita era dominada por estudiosos muito prestigiados, os
escribas.

Além de gravarem sua escrita em pedras e peças de cerâmica, os egípcios


desenvolveram um espécie de folha de papel, preparada a partir das fibras de papiro,
planta típica da região.

A fluência da língua
Os egípcios tiveram sempre consciência da beleza e do lado prático dos seus
hieróglifos e usavam-nos com freqüência para um efeito decorativo. Não havia
espaços nem pontuação para quebrar a fluência das palavras, que podiam ser lidas
horizontal ou verticalmente. As imagens de criaturas vivas em geral voltavam-se para
o ponto de partida e os hieróglifos eram lidos a partir dessa direção, com os símbolos
de cima precedendo sempre sobre os debaixo. Cada grupo de sinais era
simetricamente arrumado num retângulo invisível.