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CENTRO UNIVERSITÁRIO NEWTON PAIVA

FACULDADE DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS

CURSO DE JORNALISMO

O Orkut como fonte de pauta e apuração


no jornalismo

Janaina Magalhães Rochido Arruda

Belo Horizonte
2008
SUMÁRIO

INTRODUÇÃO..........................................................................................................3

2 O MODUS OPERANDI JORNALÍSTICO.............................................................8

2.1 O Orkut em detalhes...................................................................................... 14

2.1.1 Sites semelhantes ao Orkut.......................................................................... 15

2.2 Aspectos do Orkut na atualidade................................................................. 24

3 O TRABALHO DO JORNALISTA E O PROCESSO DE PRODUÇÃO DA

NOTÍCIA.................................................................................................................27

3.1 O relacionamento com a fonte.....................................................................29

3.2 O que são redes sociais................................................................................31

3.3 Como as instituições de ensino lidam com as novas tecnologias...........33

4 METODOLOGIA.................................................................................................37

5 CORPUS............................................................................................................39

6 ANÁLISE DOS QUESTIONÁRIOS: OS FUTUROS JORNALISTAS E O ORKUT.....40

REFERÊNCIAS......................................................................................................56

ANEXOS
“Há ótimas experiências sendo feitas nos
jornais, há ótimos jornalistas trabalhando, há
ótimos veículos de comunicação e há
picaretagem – tem gente pintando página de
jornal, amontoando letras. Você não pode é cair
nesse segundo grupo, dos que pintam jornal.
Você faz jornal. Você tem compromisso com o
jornal. Esse é que tem que ser o norte.”

(Professor Murilo Gontijo)


LISTA DE FIGURAS E GRÁFICOS

FIGURA 1 – Matéria publicada no jornal Super Notícia em 31 de agosto de

2007...................................................................................................................11

FIGURA 2 - Matéria publicada no jornal Super Notícia em 7 de novembro de

2007............................................................................................................. 12

FIGURA 3 - Matéria publicada no jornal Super Notícia em 13 de abril de

2008.................................................................................................................. 13

FIGURA 4 – Cópia da tela inicial do MySpace.............................................. 16

FIGURA 5 – Cópia da tela inicial do Friendster............................................ 17

FIGURA 6 – Cópia da tela inicial do Facebook............................................ 18

FIGURA 7 – Cópia da tela inicial do Gazzag, atualmente Octopop........... 19

FIGURA 8 – Cópia da tela inicial do Beltrano.............................................. 20

FIGURA 9 – Cópia da tela inicial do A Small World..................................... 21

FIGURA 10 – Cópia da tela inicial do Social Life......................................... 22

FIGURA 11 – Cópia da tela inicial do Sonico............................................... 23

FIGURA 12 – Cópia da tela inicial do Circulou............................................. 24

FIGURA 13: Comunidade Serviços Fotográficos no Orkut........................ 25

GRÁFICO 1 – Quantidade de pessoas que possuem computador em

casa.................................................................................................................. 41

GRÁFICO 2 – Pessoas com dificuldade em informática / Internet............. 41

GRÁFICO 3 – Dificuldades apontadas pelos respondentes em informática /

Internet........................................................................................................... 42

GRÁFICO 4 – Freqüência de acesso a Internet............................................ 42


GRÁFICO 5 – Utilização da Internet em casa............................................... 43

GRÁFICO 6 – Razões apontadas para acessar a Internet em casa......... 43

GRÁFICO 7 – Pessoas que conhecem o Orkut.......................................... 44

GRÁFICO 8 – Pessoas que possuem um perfil no site............................. 44

GRÁFICO 9 – Tempo em que a pessoa tem um perfil no site................... 45

GRÁFICO 10 – Freqüência de acesso ao perfil........................................... 45

GRÁFICO 11 – Acesso ao Orkut no ambiente de trabalho......................... 46

GRÁFICO 12 - Permissão ou não do acesso no ambiente de trabalho..... 46

GRÁFICO 13 – Uso ou não do Orkut para trabalho..................................... 47

GRÁFICO 14 – Razão do uso do Orkut para trabalho................................. 47

GRÁFICO 15 – Razão para NÃO usar o Orkut para trabalho...................... 48

GRÁFICO 16 – Verificação de informações obtidas no Orkut.................... 49

GRÁFICO 17 – Como é feita a verificação de dados retirados do Orkut... 49

GRÁFICO 18 - O que a informação retirada do site somou para a

matéria............................................................................................................. 50

GRÁFICO 19 – Quantidade de pessoas que já se depararam com

informações falsas no Orkut......................................................................... 50

GRÁFICO 20 - Como o respondente descobriu que lidava com uma

informação falsa............................................................................................. 50

GRÁFICO 21 - Credibilidade no Orkut como nova ferramenta para o

jornalista.......................................................................................................... 51

GRÁFICO 22 - Crença em informações / notícias retiradas do Orkut........ 52


CENTRO UNIVERSITÁRIO NEWTON PAIVA

FACULDADE DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS - FACISA

CURSO DE JORNALISMO

O Orkut como fonte de pauta e apuração


no Jornalismo

Monografia apresentada ao Curso de


Comunicação Social da Faculdade de
Ciências Sociais Aplicadas do Centro
Universitário Newton Paiva como requisito
oficial à obtenção do título de Bacharel em
Jornalismo.
Orientador: João de Castro Lima César

Janaina Magalhães Rochido Arruda

Belo Horizonte
2008
1 INTRODUÇÃO

O trabalho do jornalista é informar. Transmitir os acontecimentos à

população de modo a manter as pessoas informadas do que acontece ao seu

redor, em sua cidade, em seu mundo. Dentro dessa função, os jornalistas dividem-

se entre veículos de comunicação diversos, como rádios, jornais impressos e

emissoras de televisão – também há as assessorias de comunicação, voltadas

para divulgação mais direcionada de fatos específicos, envolvendo empresas,

pessoas, ou entidades. Mais recentemente, de dez anos para cá, os jornalistas

também atuam nos portais web que, muitas vezes, alimentam os outros meios

com notícias, devido à agilidade que a Internet proporciona na divulgação de

informações.

Assim como os nichos de atuação do profissional do Jornalismo estão se

expandindo, sua forma de trabalhar também, ganhando novas fontes de pautas e

novas formas de apuração de informações. Se antes as únicas formas de levantar

pautas consistiam em observar os acontecimentos ao redor e receber informações

de terceiros ou de assessorias de comunicação e as únicas formas de apurar

eram por meio de telefone, fax ou entrevistas presenciais, hoje o profissional

também tem na Internet um aliado poderoso e em ferramentas como o e-mail, os

comunicadores instantâneos, os sites de busca, sites de empresas e órgãos

governamentais e sites de relacionamento, possibilidades de ganhar tempo, poder

pesquisar em mais lugares e consultar mais pessoas em sua rotina de trabalho.

Os universitários de Jornalismo também já desfrutam desses avanços a favor da

profissão, por meio das atividades desenvolvidas em seus estágios.


O foco deste trabalho são os sites de relacionamento, em específico o
Orkut, que é um site de relacionamentos afiliado ao Google Inc. e criado em 22 de
janeiro de 2004 pelo engenheiro turco naturalizado americano Orkut Büyükkokten.
O objetivo do site é ajudar seus membros a fazer novos amigos e a manter
relacionamentos, devido à formação de redes sociais1. As redes sociais, segundo
a Wikipedia2, são formas de agrupar pessoas de acordo com interesses mútuos;
estas redes podem ser físicas ou virtuais, como nesse caso. Para GRANOVETER
apud MORAIS et alii, as redes são, basicamente, relações entre as pessoas para
troca de afeto, pertencimento e informações podendo ser feitas por contatos
diretos (laços fortes) ou indiretos, através de intermediários comuns (laços
fracos)3.
O objetivo do Orkut, como descrito no próprio site, é ajudar seus membros

a criar novas amizades e manter relacionamentos, mas sabe-se que, atualmente,

sua função está muito além disso, sendo uma nova ferramenta para buscar

informações sobre pessoas e apurar acontecimentos, seja por interesses

particulares ou profissionais, como seria o caso no Jornalismo.

Baseado nesses novos usos para o site, pretende-se avaliar se os futuros

jornalistas acreditam ser o Orkut uma ferramenta de trabalho válida e confiável e

se seu uso tende a se expandir ou não nas redações e outros ambientes de

trabalho do profissional do Jornalismo. Essa discussão é interessante quando

levamos em conta as contribuições possíveis para a prática jornalística com a

introdução de novas ferramentas de apuração que o jornalista dispõe atualmente,

__________________________________________________________________

1
Orkut. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Orkut. Acesso em 24/09/2007.
2
Rede Social. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Rede_social. Acesso em 24/09/2007.
3
MORAIS, Cleber Matos et alii. Porque existe tanto brasileiro no Orkut? Ou as Redes Sociais e o
Homem Cordial. Trabalho apresentado ao NP 08 – Tecnologias da Informação e da Comunicação,
do V Encontro de Pesquisa da Intercom, 2005.
com o amplo uso da Internet no ambiente de trabalho. Hoje há muitas formas de

recolher informações para uma matéria. Todas essas formas também estão

interligadas, de modo que o jornalista está exposto a outras fontes de informação,

em um efeito cascata. Manuel Castells classifica de positivo esse efeito da

Internet, falando com relação à interação social:

Se uma coisa pode ser dita é que a Internet parece ter um efeito positivo
sobre a interação social, e tende a aumentar a exposição a outras fontes
de informação. (...) resultados de levantamentos de participação pública
mostram que usuários da Internet (após o controle das demais variáveis)
frequentavam mais eventos de arte, liam mais literatura, viam mais
filmes, assistiam mais esportes e praticavam mais esportes que não
usuários. (CASTELLS, 2003 p.102)

Ganha-se tempo, mas também é necessário questionar até que ponto a

qualidade deste material influi na confiabilidade das matérias em que são usados.

Por isso este trabalho investiga o uso do site de relacionamentos Orkut enquanto

fonte de pautas e ferramenta de apuração por estudantes do último período do

curso de Jornalismo, de duas instituições de ensino superior. Por meio de uma

pesquisa realizada por meio de um questionário (entrevista fechada) aplicado a

esses alunos, delineamos a opinião deles a respeito do uso do referido site no

trabalho diário em seus locais de estágio, principalmente no que diz respeito à

prospecção de pautas, fontes e à apuração de informações. Posteriormente,

fazemos uma comparação entre a forma como os estudantes percebem esse

processo e a forma como os profissionais já formados o fazem. Especificamente,

buscamos:

- Investigar como é – caso exista - o uso do site de relacionamentos Orkut


na rotina dos entrevistados em seus respectivos locais de trabalho;
- Apurar o nível de confiança dos futuros jornalistas em seu uso, levando-
se em consideração a relação credibilidade X instantaneidade (“dá
melhor quem dá primeiro?”);
- Verificar como é feita a checagem das informações obtidas por meio da
Internet (Lei das Três Fontes)4;
- Discutir os desafios apresentados pelo uso crescente da Internet ao
trabalho de apuração nas redações;
- Verificar se o uso do Orkut na rotina de trabalho é esporádico ou trata-
se de uma tendência em crescimento.
A idéia de desenvolver este tema surgiu durante uma conversa informal no

ambiente de trabalho da autora desta monografia, em que o assunto era o debate

gerado por uma informação retirada do Orkut e divulgada, na forma de denúncia,

em uma lista de discussão que circula por meio de e-mail para grande parte dos

jornalistas de Minas Gerais. Entenda-se lista de discussão como uma ferramenta

que reúne vários e-mails de pessoas interessadas em um determinado assunto e

permite que elas troquem mensagens entre si. Uma lista pode ou não ter um

moderador, que é a pessoa responsável por monitorar as postagens e verificar se

elas estão de acordo com o propósito da lista. Tal informação gerou inúmeros

comentários e até princípios de desavenças entre os envolvidos, pois se tratava

de algo polêmico e cujas responsabilidades ainda não haviam sido apuradas. Isso

levou ao questionamento sobre até que ponto o Orkut poderia servir de

instrumento

__________________________________________________________________

4
Essa lei diz que só se deve confiar em histórias contadas por três fontes que não se conhecem e
nem trocaram informações entre si. Dessa forma, “toma-se como verdade o que é o mínimo
comum aos três relatos, separando-se aí o que é fato do que é versão ou interpretação” (LAGE,
2005). Esse princípio firmou-se no jornal americano Washington Post nos anos 1970, quando da
apuração do caso Watergate.
de pesquisa para o jornalista e até que ponto suas informações eram

confiáveis.

Acredita-se que, devido à necessidade de rapidez na apuração de

informações e da facilidade em contatar possíveis fontes, o Orkut esteja sendo

usado em diversos meios de comunicação e assessorias, porém, poucas vezes e

mais freqüentemente como fonte de pautas do que como ferramenta de apuração,

mas não a principal. Quanto à escala de uso, acredita-se não ser tão elevada,

devido, principalmente, a restrições na utilização da Internet no ambiente de

trabalho e à possibilidade de estar lidando com informações equivocadas.

Essas restrições são feitas bloqueando o acesso a determinados sites (por

exemplo, o próprio Orkut, salas de bate-papo, fotologs, sites que disponibilizam

vídeos e sites de notícias consideradas “fofocas”) a fim de se preservar o fluxo de

trabalho e impedir que os funcionários acessem esses sites com objetivos

pessoais, prejudicando suas atividades. Nas redações, esses bloqueios traduzem-

se pela proibição total de acesso ao Orkut ou na separação de apenas alguns

computadores para acessar este site ou, ainda, restrições feitas pelo próprio

veículo em sua política de trabalho.


E A INTERNET CHEGOU AO JORNALISMO...

O jornalista lida com uma rotina na qual se cobra agilidade e eficácia.

Nesse ponto, a Internet, rede mundial de computadores criada nos anos 60 do

século XX5, passou a ser uma ferramenta indispensável ao profissional. É usada

para pesquisas, transmissão de informações e para contactar as pessoas,

principalmente devido à agilidade. A Internet também poderia ser classificada

como uma rede mundial de milhares de redes de computadores menores e

milhões de computadores comerciais, educacionais, governamentais e pessoais.

Ela seria semelhante a uma cidade eletrônica com galerias de arte, escritórios

comerciais, vitrines, bibliotecas virtuais e outros6.

A veiculação de matérias na Internet já tem um espaço bem consolidado,


mas não chega a superar os jornais impressos no quesito credibilidade. O próprio
Manuel Castells (2003 p. 157 e 163) nos diz que em um mundo onde a informação
é infinita, a credibilidade que os jornais passam é essencial, mesmo com as
redações sendo reequipadas em torno da Internet.

Mas, independente da forma, um bom trabalho de reportagem continua

sendo pautado por um trabalho de apuração detalhado e preciso que, segundo

Nilson Lage (2005) é o nome que se dá ao levantamento, pelo jornalista, de

informações sobre o assunto da matéria a fim de apresentar o acontecimento com

a versão dos envolvidos e da forma mais fiel possível. Até a criação e,

5
O que é internet. Disponível em www.cultura.ufpa.br/dicas/net1/int-glo.htm. Acesso em
24/09/2007.
6
Internet. Disponível em http://www.dicionariodainternet.com.br. Acesso em 16/03/2008.
principalmente, a popularização da Internet, esse trabalho era feito pessoalmente

ou por meio do telefone (ou ambos). Em um estágio preliminar, as informações

mais gerais chegam à redação por meio de informes de leitores e press releases,

ou são colhidas pelo apurador através do rádio ou do contato com órgãos como a

polícia e o corpo de bombeiros. De posse dessas informações preliminares, um

produtor ou o próprio jornalista colhe mais detalhes e seleciona possíveis fontes

para falar sobre o assunto.

As fontes do trabalho do jornalista normalmente são pessoas físicas e

pessoas jurídicas (empresas, organizações, órgãos públicos etc.) que tivessem

informações relevantes para a matéria. Para Felipe Pena (2006), cada fonte tem

uma interpretação subjetiva do fato; a visão dela sobre um determinado

acontecimento sofre influências de sua cultura, sua linguagem, seus preconceitos

e por vezes até seus interesses pessoais. Dessa forma, um bom relacionamento

com a fonte torna-se decisivo para a obtenção ou não de uma informação mais

acurada e, por vezes, exclusiva. Esse relacionamento deveria ser pautado pela

confiança e pela discrição, de maneira que a fonte não se sentisse desconfortável

em passar determinada informação.

Uma vez que o uso da Internet tornou-se comum no ambiente de trabalho


do jornalista, as possibilidades de fontes e as formas de apuração sofreram
algumas mudanças. Além do contato pessoal e telefônico, o profissional também
se utiliza de e-mails, de comunicadores instantâneos (programas de computador
que permitem a conversa entre duas ou mais pessoas em tempo real, por escrita,
áudio ou vídeo), como o Windows Live Messenger (MSN), o Yahoo! Messenger ou
GoogleTalk e da pesquisa em sites de busca (esses sites são ferramentas de
pesquisa na Internet, onde o usuário define os termos da pesquisa, a abrangência
da busca e as línguas em que deseja resultados, além do tipo de arquivo em que
deseja os resultados – texto, imagem, áudio), em sites do governo, de pessoas
jurídicas e, mais recentemente, de sites de relacionamento do tipo rede social,
como o Orkut. A apuração com o uso da Internet permite, inclusive, pesquisas e
contatos mais rápidos com fontes em qualquer parte do mundo.

O Orkut delineou-se nesse cenário como ferramenta para localizar pessoas


e grupos específicos com interesses em comum. No entanto, ainda existem
poucas referências sobre a medida de seu uso no trabalho do jornalista e da
opinião dos profissionais sobre a validade das informações coletadas por meio
dele. Ainda não se sabe se seu uso é legitimado pelo dia a dia na profissão ou se
a afirmação de que se trata de uma nova e importante ferramenta de trabalho para
o Jornalismo é apenas uma especulação.

Levando-se em conta que 75% dos usuários do Orkut são brasileiros7 – o

que motivou a versão em português do site –, torna-se pertinente investigar até

que ponto ele influi no trabalho do jornalista, uma vez que daí resultará a notícia

transmitida aos cidadãos. É interessante analisar essa relação uma vez que, de

acordo com o Artigo 4.º do Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros,

O compromisso fundamental do jornalista é com a verdade no relato dos


fatos, razão pela qual ele deve pautar seu trabalho pela precisa
apuração e pela sua correta divulgação (Código de Ética dos Jornalistas
Brasileiros – FENAJ, 2007).
__________________________________________________________________
_
7
MELO, Paulo Henrique da Fonseca. Software Social e Interação Humana: observações
preliminares sobre o Orkut. Disponível em:
http://www.ufpe.br/hipertexto2005/TRABALHOS/Paulo%20Henrique%20da%20Fonseca%20Melo.
htm#top. Acesso em 24/09/2007.
Na mídia já há variados exemplos do uso do site como fonte de

informações, e outras mostras disso continuam aparecendo. Podemos citar: No

dia 31 de agosto de 2007, o jornal Super Notícia, de Belo Horizonte, divulgou

notícia intitulada “’Cicarelli’ de Ipatinga” (figura 1), que falava sobre uma jovem

moradora da cidade que foi fotografada em uma “micareta” (carnaval fora de

época) mantendo relações sexuais com outro jovem. As fotos foram colocadas no

Orkut por, supõe-se, uma amiga da moça e esta virou notícia em todo o estado.

Em outra matéria, publicada em 7 de novembro de 2007, o mesmo jornal noticia:

“’Musa’ do assalto é detida após 5 anos” (figura 2). Nesse caso, uma mulher

envolvida em vários assaltos e foragida desde 2002 foi localizada e presa devido a

fotos que colocava em seu perfil no site de relacionamentos (para outros

exemplos, vide anexo).


FIGURA 1: Matéria publicada no Jornal Super Notícia em 31 de agosto de 2007.
FIGURA 2: Matéria publicada no Jornal Super Notícia em 7 de novembro de 2007.

Em 13 de abril de 2008, o mesmo jornal utilizou o jornal não como fonte de


informações, mas sim como assunto de uma notícia, intitulada “Orkut vigiado”
(figura 3). A matéria trazia informações sobre a requisição da Comissão
Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pedofilia ao Google para quebrar o sigilo de
3.261 álbuns de fotos de acesso restrito do Orkut, suspeitos de terem material que
incentiva a pedofilia. Ainda de acordo com a matéria, o Orkut é responsável por
90% das denúncias de referentes à divulgação de material pornográfico infantil no
Brasil. Poucos dias mais tarde, em 24 de abril, o jornal Estado de Minas noticiou
que a direção do Google no Brasil entregou à CPI dados referentes aos referidos
álbuns e anunciou medidas para tentar coibir esse tipo de crime dentro do Orkut.
Em 8 de maio, o site voltou aos jornais, novamente no jornal Super Notícia,
quando noticiou-se que 500 pedófilos, brasileiros e estrangeiros tinham sido
encontrados, através do exame dos álbuns entregues (cf. anexo).
FIGURA 3: Matéria publicada no Jornal Super Notícia em 13 de abril de 2008.
2.1 O Orkut em detalhes

O Orkut é um site do tipo rede social, criado em janeiro de 2004. Na

ocasião, seu idioma era o inglês e o objetivo anunciado era promover o contato

entre as pessoas afiliadas e ajudá-las a criar novas amizades, reencontrar amigos

antigos e manter relacionamentos. Uma vez afiliado, o usuário pode criar seu perfil

(página com informações pessoais, profissionais, sociais, fotos, vídeos e livro de

recados ou scrapbooks), filiar-se a comunidades (grupos de discussão dos mais

variados assuntos) e fazer buscas por pessoas e comunidades, além de trocar

mensagens com elas. O site tinha um diferencial que chamava muito a atenção:

só poderia criar um perfil quem fosse convidado por alguém que já fosse membro.

Esse diferencial dava ao Orkut uma idéia de exclusividade, agregava-lhe valor.

Pouco tempo depois de sua criação, o site tornou-se um fenômeno,

ganhando várias imitações. Rapidamente, o Orkut ganhou a simpatia do público

brasileiro, incluindo pessoas de todas as idades, classes sociais e profissões. Em

cerca de um ano, a participação brasileira no Orkut saltou para 4,4 milhões de

pessoas, em um universo de 6,2 milhões de inscritos no Orkut (MORAIS et alii,

2005). Até pessoas jurídicas têm, além das comunidades, perfis no Orkut, como

forma de divulgação de seus serviços.

De acordo com MORAIS et alii, a identificação dos brasileiros com o Orkut

tem raízes na idéia de que os eles são um povo naturalmente amistoso e sociável.

De acordo com os mesmos autores, essa identificação inclusive pode ser discutida
com base no “Homem Cordial” de Sérgio Buarque de Holanda, descrito no livro

“Raízes do Brasil” (1995). Além dessa hipótese, outras foram levantadas:

Um elemento percebido pela maioria foi o fato dos brasileiros serem mais
“sociáveis, amigáveis e comunicáveis que o resto do mundo”. Outros
afirmavam ser apenas um modismo, que logo iria diminuir a intensidade.
Ainda existe a parcela niilista (“porque sim e pronto”) e mais alguns sobre
preconceito e interculturalidade. (MORAIS et alii, 2005)
Os elementos deste “Homem Cordial” seriam notados pelo número de

amigos adicionados ao perfil e à participação nas comunidades: os brasileiros

adicionam pessoas sem ter necessariamente vínculos de amizade com elas,

mesmo que seja simplesmente para não ter que negar o convite e participam de

comunidades sem, no entanto, participarem das discussões propostas nelas.

2.1.1 Sites semelhantes ao Orkut

Há vários sites como o Orkut na Internet, conforme descrito abaixo. Ele não
foi o primeiro a ser criado, mas tornou-se um dos mais populares. A escolha dele
para este trabalho deveu-se a esse alcance e à popularidade conquistada no
Brasil, além da gama de pessoas inscritas.

My Space8: criado em 2003, é o maior e o mais antigo de todos os sites de


relacionamento. Tem sede na cidade americana de Los Angeles e está presente
em 22 países, contando com cerca de 107 milhões de visitantes. É o mais popular
entre os americanos. Para fazer parte não é necessário convite, baste efetuar seu
cadastro. Possui as mesmas funcionalidades do Orkut, no entanto, os perfis
podem ser acessados por aqueles que não são membros, como se fossem
homepages. O MySpace é muito usado por músicos para divulgar seus trabalhos.
O site também promove festas, eventos e promoções exclusivas para seus
membros.

8
Disponível em http://www.myspace.com. Acesso em 24/03/2008.
FIGURA 4: Cópia da tela inicial do MySpace.

Friendster9: originalmente foi criado para ser um site de encontros e


namoros virtuais. No entanto, ultrapassou esse objetivo e hoje é praticamente
igual ao Orkut: a pessoa pode fazer um perfil, adicionar amigos e participar de
comunidades, além de postar comentários e fotos em sua página. Foi criado entre
2002 e 2003, e nele é possível encontrar vários depoimentos de pessoas que
conseguiram um novo emprego, um novo lugar para morar e até mesmo um novo
parceiro ou parceira através do site. Não é necessário convite, somente o
cadastro.

9
Disponível em http://www.friendster.com. Acesso em 24/03/2008.
FIGURA 5: Cópia da tela inicial do Friendster.

Facebook10: foi criado em 2004 e a princípio era somente para estudantes


universitários e secundaristas americanos – neste meio ele cresceu e ficou
famoso, devido à possibilidade de criar redes para cada escola ou universidade.
No entanto, o site cresceu muito e acabou sendo permitida a entrada de pessoas
que não pertencessem a esse círculo. Trata-se de um site gratuito e sem a
necessidade de convite para participar. Ele agrega funções diversas além
daquelas do Orkut: blog, videolog e fotolog, além de ser possível acompanhar as
alterações nos perfis de cada amigo adicionado.

10
Disponível em http://www.facebook.com. Acesso em 24/03/2008.
FIGURA 6: Cópia da tela inicial do Facebook.

Gazzag11: site brasileiro, criado no Rio de Janeiro em 2005 e que atualmente


chama-se Octopop (acesso em 29/05/2008). No começo de suas atividades era
necessário um convite para participar, mas hoje não é mais. É igual ao Orkut, a
não ser por também possuir um serviço de namoros virtuais e um comunicador
instantâneo, que permite conversas por voz e vídeo entre seus membros. É
possível fazer um passeio pelo site sem ser cadastrado.

Beltrano12: o mais antigo dos sites de relacionamento brasileiros, tendo sido

criado em dezembro de 2004 e contando com cerca de 2 milhões de usuários.

Tem as mesmas funcionalidades do Orkut, com exceção da postagem de vídeos e

do bloqueio do perfil para certos usuários, o que não é possível. No entanto,

possui

_________________________________________________________________

11
Disponível em http://www.gazzag.com.br. Acesso em 24/03/2008.
12
Disponível em http://www.beltrano.com.br. Acesso em 24/03/2008.
uma ferramenta de chat e possibilidade de acompanhar em tempo real as

atualizações nos fotolog dos amigos adicionados ao perfil. O perfil também pode

ser totalmente personalizado (cores, contornos dos boxes, planos de fundo) e

visualizado como uma homepage por quem não tem cadastro.

FIGURA 7: Cópia da tela inicial do Gazzag, atual Octopop.


FIGURA 8: Cópia da tela inicial do Beltrano.
A Small World13: site criado em 2004, tem como público alvo pessoas que já

possuem “fortes conexões sociais”, ou seja, pessoas com alto poder aquisitivo e

influência em círculos sociais restritos. A pessoa só cadastra-se se receber um

convite de um membro, mas este cadastro deve ser aprovado por um conselho

formado pela administração do site e por membros selecionados. Leva-se em

consideração a escolaridade da pessoa e sua profissão. Conta com 150 mil

membros, dos quais cerca de 65% são europeus e 20% americanos. É gratuito e

possui uma rígida política de privacidade.

__________________________________________________________________

13
Disponível em http://www.asmallworld.net. Acesso em 24/03/2008.
FIGURA 9: Cópia da tela inicial do A Small World.

Social Life14: versão brasileira do A Small World. Tem exatamente os mesmos

propósitos e as mesmas funcionalidades, porém é necessário pagar uma taxa de

R$79,00 mensais para permanecer. Também possui um conselho para aprovação

dos cadastros recebidos – destes, de acordo com o site, apenas 10% são aceitos.

Foi criado em fevereiro de 2008, sendo um dos mais novos sites na categoria de

redes sociais.

Sonico15: site criado na Argentina, originalmente em espanhol, em julho de 2007.

Já conta com cerca de 8 milhões de usuários. Possui uma base igual a do Orkut,

mas outras funcionalidades para facilitar a interação entre os membros:

__________________________________________________________________

14
Disponível em http://www.sociallife.com.br. Acesso em 24/03/2008.
15
Disponível em http://www.sonico.com. Acesso em 24/03/2008.
ferramenta de chat, animações para serem enviadas entre os usuários,

possibilidade de acompanhar mudanças nos perfis dos amigos e informar as suas

próprias. Já tem uma versão em português e não é necessário convite para

ingressar.

FIGURA 10: Cópia da tela inicial do Social Life.


FIGURA 11: Cópia da tela inicial do Sonico.

Circulou16: mais novo de todos os sites pesquisados nesta categoria, foi criado

em março de 2008 por um brasileiro. Sua sede também é no Brasil, e ele se

denomina como uma rede universitária online para pré-universitários,

universitários e pós-universitários para promover a integração estudantil. Tem a

mesma estrutura do Orkut, com a única diferença de possuir uma ferramenta que

possibilita a identificação de pessoas diretamente das fotografias (ao clicar na

pessoa em uma foto, o usuário é automaticamente levado ao seu perfil). Também

é gratuito e sem necessidade de convite para participar.

__________________________________________________________________

16
Disponível em http://www.circulou.com. Acesso em 27/03/2008.
FIGURA 12: Cópia da tela inicial do Circulou.

3.2 Aspectos do Orkut na atualidade

Assim como o público do Orkut mudou, seu uso também mudou. O site hoje é

usado para divulgar serviços (para fins idôneos ou não), por meio de comunidades

específicas (ex.: Serviços Fotográficos17, que divulga contatos e anúncios de

fotógrafos e prestadores de serviços da área – figura 4), espalhar informações

(verdadeiras ou não) sobre pessoas (que, na atualidade, também podem ser

verdadeiras ou não), através de postagens em comunidades e scrapbooks, e

servir como forma de monitorar amigos, parceiros e colegas de trabalho, por meio

dos perfis fakes, com os quais se navega livremente para ver

__________________________________________________________________

17
Orkut. http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=7452970. Acesso em 13/03/2008.
FIGURA 13: Comunidade Serviços Fotográficos no Orkut.

scrapbooks (uma área que funciona como mural de recados – as pessoas

escrevem nele mensagens para o dono do perfil), testemunhos, álbuns de fotos e

vídeos sem que a pessoa saiba quem realmente acessou seu perfil. Diz-se,

inclusive, que algumas empresas investigam candidatos a vagas de trabalho

também por meio do Orkut, fazendo buscas no site pelos nomes apresentados

nos currículos.

As comunidades também perderam parte de seu caráter de fóruns de

discussão para tornarem-se, por muitas vezes, apenas “carimbos” dos gostos de

seus usuários, segundo Bruno Rodrigues – ou seja, não existe mais a discussão
sobre o tema proposto, mas somente a marca identificando uma preferência

(RODRIGUES, 2006). Ou, pior, tornarem-se espaços para disseminar crimes

como tráfico de drogas, pedofilia, racismo, homofobia e crueldade contra animais,

ou ainda difamar pessoas ou serviços. Vários processos correm na Justiça

brasileira a fim de obrigar o Google Inc. a revelar informações que identifiquem os

donos de comunidades criminosas, ou reparar calúnias e danos morais causados

aos ofendidos por essas comunidades.

Mais recentemente, outro fenômeno que vem crescendo no Orkut são os


chamados perfis fakes (do inglês, falsos). Trata-se de pessoas que criam uma
segunda conta no site com um personagem, que pode ou não ter coisas em
comum com seu criador. Em um primeiro momento, os fakes eram usados para
entrar em outros perfis e espionar, deixar comentários (ofensivos ou não) ou
simplesmente interagir de outras formas sem que se descobrisse o verdadeiro
autor. No entanto, atualmente os fakes deixaram de ser simplesmente máscaras
para virarem uma diversão para os usuários. Já existem comunidades específicas
para fakes, redes de amigos feitas somente com fakes e eventos dentro do site
somente para fakes. Não há mais uma preocupação em esconder a pessoa por
trás do personagem – mas isso não impede que outras se mantenham no
anonimato e usem estes perfis para lesar outros usuários.

Mesmo com este lado negativo, constata-se que o Orkut é uma

possibilidade na obtenção de pautas e na apuração jornalística. Este trabalho visa,

então, investigar como se dá o uso do Orkut entre os universitários que estão

estagiando nos veículos de comunicação e assessorias de comunicação,

enquanto fonte para apuração. Pretende-se investigar em que escala o site é

usado, em que situações e qual a opinião dos pesquisados sobre as informações

obtidas por meio dele.


3 O TRABALHO DO JORNALISTA E O PROCESSO DE PRODUÇÃO DA

NOTÍCIA

O trabalho jornalístico baseia-se em um código de ética, o Código de Ética

dos Jornalistas Brasileiros que, em seu Artigo 4.º estabelece que “o compromisso

fundamental do jornalista é com a verdade dos fatos, e seu trabalho se pauta pela

precisa apuração dos acontecimentos e sua correta divulgação”. O trabalho

jornalístico consiste em captação e tratamento escrito, oral, visual ou gráfico da

informação em qualquer uma de suas formas e variedades. O processo de

produção das notícias e a forma como elas são selecionadas, visando a um fluxo

de trabalho na rotina de um veículo de comunicação é descrito por meio da Teoria

do Newsmaking, que considera o trabalho jornalístico a construção social da

realidade (PENA, 2006).

Esta teoria é o oposto da Teoria do Espelho, segundo a qual as notícias

simplesmente refletem a realidade. De acordo com a Teoria do Newsmaking, as

notícias ajudam a construir a realidade, levando em consideração critérios de

noticiabilidade, limitações organizacionais e rotinas de produção (ibid, 2006). Aqui,

o jornalista não tem poder de filtragem da notícia, contrariando a Teoria do

Gatekeeper (segundo a qual o jornalista tem o poder de deixar ou não progredir

determinada notícia), a menos que o processo produtivo da notícia e a linha

editorial do veículo assim o permitam.

De acordo com Mauro Wolf, o Newsmaking tenta descrever o trabalho


jornalístico como um processo no qual “acontece de tudo – rotinas cansativas,
distorções intrínsecas e estereótipos funcionais” (WOLF, 2002). Ainda segundo o
autor, essa seria uma primeira tentativa de descrever as práticas comunicativas
que geram as formas textuais recebidas pelos destinatários. É dentro das Teorias
Construtivistas que encontramos o conceito de Newsmaking, além de várias
correntes para explicar o porquê das notícias e dos jornalistas serem como são18.

Na base de todo o trabalho jornalístico está a apuração de informações,


que é exatamente o cerne do trabalho de reportagem sobre o qual se assenta toda
a formação e prática jornalística, de acordo com Fabiana Puccinin (2004). Nas
mídias tradicionais, a apuração é a principal razão da existência das equipes de
jornalismo em emissoras de rádio, televisão e nas redações dos jornais
impressos19. O trabalho é normalmente dividido em quatro etapas distintas, cada
qual com suas funções e particularidades: pauta, apuração, redação e edição.

A pauta é a primeira etapa do trabalho de reportagem e seu primeiro

objetivo é planejar a edição. No Brasil, a pauta generalizou-se nos jornais da

década de 50, com os diários Última Hora e Diário Carioca. Já a denominação de

pauta pode referir-se à listagem dos fatos a serem cobertos no noticiário e

assuntos a serem abordados em reportagens (LAGE, 2005). A pauta contém

elementos que guiarão o trabalho do repórter quando este for apurar as

informações e entrevistar as fontes para produzir a matéria. Esses elementos

consistem em: um apanhado geral do assunto tratado; nomes, endereços e

telefones das fontes e horários de entrevistas com as mesmas, além de sugestões

de perguntas. No caso das emissoras de

18
DALTOÉ, Andrelise. Teorias da Notícia: uma tentativa de construção. Disponível em:
http://www.jornalismo.ufsc.br/redealcar/cd/grupos%20de%20trabalho%20de%20historia%20da%20
midia/historia%20dos%20jornalismo/trabalhos_selecionados/andrelise_daltoe.doc. Acesso em
24/09/2007.
19
PUCCININ, Fabiana. Jornalismo online e prática profissional: questionamentos sobre a apuração
e edição de notícias para web. Disponível em: http://bocc.ubi.pt/pag/puccinin-fabiana-jornalismo-
online-pratica-profissional.html. Acesso em 24/09/2007.
televisão, a pauta também contém indicação de imagens a serem captadas.

A apuração é a segunda etapa do processo da produção jornalística, no

qual se busca informações que podem ou não ser empregadas no texto final

(dados, nomes, números, etc.). Ela é feita com documentos e pessoas que

fornecem informações, chamadas de fontes20. Como dito anteriormente, hoje em

dia as informações chegam à redação por meio de informações de leitores e press

releases, ou são colhidas pelo apurador através do rádio ou do contato com

órgãos como a polícia e o corpo de bombeiros. De posse dessas informações

preliminares, um produtor ou o próprio jornalista colhe mais detalhes e seleciona

possíveis fontes para falar sobre o assunto. À apuração seguem-se a redação e a

edição da matéria, para publicação (em jornais impressos e portais web) ou

transmissão (em rádios e TVs).

3.1 O relacionamento com a fonte

Sendo a fonte uma parte imprescindível da matéria, é necessária uma boa

interação entre jornalistas e fontes, o que envolve freqüentemente questões de

confidencialidade e confiança, fatores de suma importância para a obtenção de

informações confiáveis e por vezes exclusivas. As Máximas de Grice foram

estabelecidas por Herbert Paul Grice em 1975 estabelecem uma série de normas

para uma conversação de boa-fé entre pessoas (LAGE, 2005); a partir delas,

20
Jornalismo. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Jornalismo#Trabalho_do_jornalista.
Acesso em 24/09/2007.
espera-se que ambas as partes tenham interesses idôneos na conversação. São

elas:

1. Máximas da quantidade:

a) Faça sua contribuição tão informativa quanto necessário (para os


propósitos reais da troca de informações);
b) Não faça sua contribuição mais informativa do que o necessário.
2. Máximas da qualidade:

Tente fazer sua contribuição verdadeira

a) Não diga o que acredita ser falso;


b) Não diga algo de que você não tem adequada evidência.
3. Máxima da relação:

Seja relevante.

Com o surgimento da Internet como forma de apuração, o jornalista teve

que aprender a lidar com as fontes através do intermédio de sites e e-mails.

Assim, existe sempre a possibilidade de trabalhar com informações equivocadas

(em se tratando de pessoas físicas ou sites não-oficiais). Neste caso, as Máximas

de Grice não podem ser aplicadas, pois a fonte e o profissional estão separados

pelo computador, o que permite o anonimato. No entanto,

Como escreveu Grice, “é muito mais fácil dizer a verdade do que inventar
mentiras; as pessoas aprenderam a agir assim na infância e não
perderam o hábito de fazê-lo. E, certamente, afastar-se do hábito
envolveria grande esforço”. Um princípio geral da conduta humana é
buscar o máximo da eficiência com o menor custo possível – e a mentira
tem alto custo moral e físico. (GRICE apud LAGE, 2005.p.58).

Tentando evitar esse risco, os jornalistas, ao apurar acontecimentos com o

auxílio da Internet, utilizam-se de sites tidos como confiáveis, como os

governamentais, de pessoas jurídicas, de agências de notícias ou até mesmo de


outros jornais. Mais recentemente, com o surgimento e expansão dos sites do tipo

rede social, abriu-se outra possibilidade para apuração e prospecção de pautas.

3.2 O que são redes sociais

Como escreve Francisco Whitaker21, redes são estruturas nas quais seus

integrantes ligam-se horizontalmente a todos os demais diretamente ou através

dos que os cercam. O surgimento e popularização da Internet vieram para facilitar

essa ligação, que antes era dificultada pela falta de meios de comunicação

eficazes para manter os membros da rede em contato constante22. Contando com

o auxílio da comunicação através da Internet, vários tipos de rede surgiram: elas

vão desde redes de movimentos políticos e sociais até redes de relacionamento e

funcionam através de sites, fóruns de discussão ou listas de e-mails. Whitaker

explica que as redes seriam como uma malha de fios múltiplos, que pode se

espalhar indefinidamente para todos os lados; Os fios dessa rede seriam as

informações que transitam pelos canais que interligam seus integrantes. Nas

redes, o poder se desconcentra, por isso também a informação; como as redes

não comportam centros ou níveis diferentes de poder, a livre circulação de

informações torna-se assim uma exigência essencial para o bom funcionamento

das mesmas. Todos os seus membros têm que ter acesso a todas as informações

que nela circulem, pelos

21
WHITAKER, Francisco. Redes: Uma estrutura alternativa de organização (1998). Disponível em:
http://www.rits.org.br/redes_teste/rd_estrutalternativa.cfm. Acesso em 24/09/2007.
22
Rede Social. disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Rede_social#Redes_Sociais_na_Internet.
Acesso em 24/09/2007.
canais que os interliguem.

Raquel da Cunha Recuero (2004) vai além e remonta ao princípio do

estudo das redes, iniciado por matemáticos e físicos através dos grafos, que são a

representação de um conjunto de nós conectados por arestas, formando uma

rede. A mesma autora cita WATTS (2003) para explicar que o estudo das redes

está dividido em dois grandes grupos: o das redes inteiras e o das redes

personalizadas. Assim,

O primeiro aspecto é focado na relação estrutural da rede com o grupo


social. De acordo com esta visão, as redes pessoais são assinaturas de
identidade social – o padrão de relações entre os indivíduos está
mapeando as preferências e características de alguém, o centro da rede.
O segundo foco estaria no papel social de um indivíduo, que poderia ser
compreendido não apenas através dos grupos (redes) aos quais ele
pertence mas, igualmente, através das posições que ele ocupa nessas
redes. (...) a rede inteira foca em um grupo determinado, a rede
personalizada em um indivíduo. (WATTS apud RECUERO, 2004)

As interações em uma rede social são chamadas de laços e podem ser

classificadas também em dois tipos, de acordo com MORAIS et alii: laços fortes e

laços fracos. Na interação com laços fortes, há um contato direto entre os

componentes da rede, ou seja, aquelas pessoas mais próximas do indivíduo

(família, amigos), compondo um grupo fechado e por vezes pequeno, no qual

todos se conhecem e são acessíveis uns aos outros. Na interação de laços fracos,

as pessoas que compõem a rede possuem intermediários entre si; formam uma

rede de grande amplitude, na qual sempre se conhece um “amigo de um amigo

seu”, como acontece no Orkut.


Seguindo este raciocínio, voltamos ao Orkut. Este site expandiu-se

rapidamente, chegando à marca de dois milhões de usuários apenas nove meses

depois de seu lançamento. Atualmente, apenas 6,5% são americanos, do total de

afiliados. Nele os usuários têm plena liberdade para trocar informações, seja

através dos scrapbooks, pelos fóruns de discussão das comunidades ou por

mensagens de e-mails entre si. Com tamanho fluxo de informações circulando e

com toda a liberdade da qual essa circulação goza, o risco de boatos ou

informações equivocadas cresce – e isso é um risco para a profissão do jornalista,

quando ele se utiliza do Orkut como fonte.

As possibilidades do Orkut para apuração são inegáveis. Rapidamente, é

possível obter informações sobre pessoas ou instituições utilizando-se apenas da

ferramenta de busca disponibilizada pelo site. A gama de informações é grande,

uma vez que os usuários colocam em seus perfis informações detalhadas sobre

suas vidas. Apesar de não estar se referindo à Internet, Nilson Lage (2005.p.68)

diz que dentre os vários motivos que levam uma fonte a ter iniciativa de divulgar

uma informação por interesse próprio estão: 1) o desejo de se prestigiar junto ao

público e aos veículos de comunicação e 2) a vontade de denegrir ou desmoralizar

um adversário ou concorrente. Percebe-se que o Orkut tem vários casos que

podem encaixar-se nisso. Dessa forma, há que se estar atento à veracidade das

informações retiradas desse site, especialmente ao lidar com temas polêmicos e

acusações a terceiros.
3.3 Como as instituições de ensino lidam com as novas tecnologias

Nas faculdades de Comunicação, os alunos já estão sendo preparados


para lidar com essa nova realidade na rotina de trabalho dos jornalistas, trazida
pelas novas mídias e ferramentas da Internet, tais como os comunicadores
instantâneos, os sites de busca e o próprio Orkut, por exemplo. De acordo com o
professor Murilo Gontijo, coordenador do curso de Jornalismo do Centro
Universitário de Belo Horizonte (Uni BH), várias disciplinas do curso oferecido
naquela instituição passam pelas novas tecnologias, mas duas, especificamente,
versam sobre o assunto na grade: Fundamentos de Multimídia e Jornalismo
Online, que têm a ver diretamente com a Internet e com a construção de
informação para a Internet. O curso do Uni BH é o segundo mais antigo de Belo
Horizonte, sendo precedido pelo da Pontifícia Universidade Católica de Minas
Gerais (PUC Minas).

No Centro Universitário UNA, o professor Carlos Frederico Brito d’Andrea,


coordenador do F5 – Laboratório de Jornalismo Digital, explica que o curso agora
(a partir de 2008) tem ênfase em multimídia, chamando-se Jornalismo Multimídia.
A atual grade do curso conta com uma disciplina a mais nessa área, além de
Novas Mídias (comum a todos os cursos de comunicação) e Jornalismo Online I e
II. Segundo o coordenador, o curso passou por essa transformação seguindo uma
tendência para a qual ele considera que os cursos não estavam preocupados ou
aptos a formar alunos que soubessem lidar com essa nova realidade da Internet e
da multimídia tão presentes no dia a dia.

Dando suporte às disciplinas, os alunos destas duas instituições contam


com laboratórios de jornalismo online, rádio e TV. O professor Gontijo explica que
o aluno tem a oportunidade de refletir sobre a relação dele com a produção de
informação para o computador e como ele pode produzir informação não só
escrita, mas também audiovisual. O aluno também aprende, de acordo com o
professor Carlos d’Andrea, a trabalhar para várias mídias simultaneamente, com
equipes complementares. Os estudantes estão ainda despertando para esses
novos usos da Internet, além do entretenimento. Apesar de ainda haver aqueles
que a consideram somente para esse fim e que têm dificuldades em assimilar os
novos usos da Internet e de outras ferramentas mais novas, o perfil dos
estudantes, de acordo com ambos os professores entrevistados, está cada vez
mais acostumado às novidades da tecnologia, mesmo estas ainda estando em
construção. Diz o professor Carlos d’Andrea:

A gente não pode pensar que um áudio na Internet vai ter a mesma
lógica de uma rádio, que a imagem em movimento vai ter a mesma
lógica que a televisão, então, todas essas são linguagens ainda em
construção, operações técnicas que as pessoas não dominam, então há
uma dificuldade às vezes maior para a maioria, não vamos dizer para
todos, em compreender como que o Jornalismo pode funcionar nos
ambientes multimídia em relação aos meios tradicionais de rádio, TV e
23
impresso. (informação verbal)
É necessário ter foco e disciplina no uso da Internet como ferramenta de
trabalho. Os alunos aprendem que ela tem um enorme potencial distribuidor de
informação e que a tecnologia tem muitas possibilidades, mas, sem um foco para
conduzir a pesquisa na web, corre-se o risco de utilizar informação tendenciosa ou
falsa. Para prevenir isso, recomenda-se a pesquisa em sites de universidades, do
governo e aqueles consagrados em cada área. O professor Murilo Gontijo também
cita a facilidade com que a liberdade da Internet pode dar margem a plágios, pois
muitas pessoas ainda não assimilaram que não é porque a informação está
disponível que ela pode ser livremente apropriada, sem a devida autoria.

Os professores entrevistados, no entanto, têm opiniões divergentes sobre a


possibilidade do Orkut enquanto ferramenta de trabalho dos jornalistas. Nas
palavras do professor Murilo Gontijo,

Eu vejo o Orkut como uma base bastante limitada de informações,


porque, na verdade, são informações de pouca relevância que eu acho
que estão ali no Orkut. Eu não vejo como uma coisa muito oportuna,
muito séria para você produzir informação jornalística não. É um site de
relacionamentos, onde você tem mais conversa trivial, “abobrinha”,
24
“conversa fiada”. (informação verbal)
__________________________________________________________________
23
D’ANDREA, Carlos Frederico Brito. Belo Horizonte, Brasil, 26 de maio de 2008. 1 fita cassete (34
min). Entrevista concedida a Janaina Magalhães Rochido Arruda.
24
GONTIJO, Murilo. Belo Horizonte, Brasil, 20 de maio de 2008. 1 fita cassete (50 min). Entrevista
concedida a Janaina Magalhães Rochido Arruda.
O professor Carlos d’Andrea acredita que o Jornalismo ainda é muito

conservador, mesmo tendo ferramentas como blogs, podcasts e outras sendo

apropriadas pelos profissionais. Ele tem uma visão mais flexível do site enquanto

possibilidade:

Eu acho que é válido [usar o Orkut como ferramenta de trabalho]. Acho


que tem coisas interessantes, mas como ponto de partida para uma
questão mais investigativa, a partir do momento que as pessoas
publicam nos seus perfis no Orkut algumas informações pessoais que
são relevantes para uma determinada apuração, eu acho que é natural
que o jornalista entre no Orkut e procure informações sobre aquela
pessoa, assim como ele vai usar alguns sites, alguns bancos de dados
disponíveis na Internet para conseguir informações sobre uma empresa,
23
sobre uma pessoa. (informação verbal)

________________________________________________________________

23
D’ANDREA, Carlos Frederico Brito. Belo Horizonte, Brasil, 26 de maio de 2008. 1 fita cassete (34
min). Entrevista concedida a Janaina Magalhães Rochido Arruda.
4 METODOLOGIA

Em um primeiro momento, este trabalho foi pensado para ser feito em

quatro etapas, sendo que a principal constava de um questionário, ou entrevista

fechada, segundo o livro Métodos e Técnicas de Pesquisa em Comunicação. Esse

tipo de entrevista consta de perguntas iguais para todos os entrevistados, de

modo que seja possível estabelecer uniformidade e comparação entre respostas

(p.67). Na primeira seria feito um levantamento do número de profissionais que

trabalham como repórteres nas redações dos três principais jornais impressos de

Belo Horizonte (O Estado de Minas, O Tempo e Hoje em Dia). Na segunda, seria

elaborado o questionário, com perguntas de múltipla escolha sobre o nível de

conhecimento dos repórteres sobre o Orkut, sobre como se dá o trabalho de

apuração feito com o uso da Internet e, mais especificamente (caso exista), do

Orkut, sobre suas opiniões a respeito do uso do mesmo e das informações

retiradas dele, como lidam com a possibilidade de informações não-confiáveis, se

existe o uso do site como parte da rotina de trabalho e qual o envolvimento do

veículo nesse uso. O terceiro passo do trabalho seria distribuir o questionário aos

profissionais dos referidos jornais e, quinze dias depois, recolhê-lo; a quarta e

última etapa consistiria em tabular os dados e proceder à redação e revisão da

monografia.

No entanto, logo na primeira etapa deparamo-nos com um obstáculo, que

foi a resistência dos jornais escolhidos em aceitar que a pesquisa fosse feita.

Vários contatos foram feitos, de diversas formas, a fim de que pudéssemos chegar
aos repórteres para distribuir o questionário, mas todos foram inócuos, em alguns

casos até sem resposta nenhuma por parte do veículo. Um alternativa foi modificar

as perguntas do questionário que remetessem à identificação do profissional ou do

veículo e tentar essa distribuição por e-mail, pelo intermédio de jornalistas que

tinham contato com o professor orientador do trabalho, porém também não

obtivemos sucesso.

Dessa forma, a saída encontrada foi mudar o público alvo da pesquisa,

trabalhando com estudantes do último período do curso de Jornalismo, que já têm

algum contato com o mercado de trabalho, em duas instituições de ensino

superior de Belo Horizonte: Centro Universitário Newton Paiva e Universidade

Fumec. A fim de se comparar as realidades dos estudantes e do mercado, foram

entrecistados três profissionais formados em Jornalismo e, para compreender

melhor como as novas tecnologias e o uso consciente da Internet estão sendo

inseridos nas instituições de ensino, foram entrevistados o coordenador do curso

de Jornalismo do Centro Universitário de Belo Horizonte (Uni BH) e o coordenador

do F5 – Laboratório de Comunicação Digital do Centro Universitário UNA.


5 CORPUS

Escolhemos trabalhar com estudantes do último período porque, dentre

estes, muitos já fazem estágios na área, portanto, lidam com as rotinas de

trabalho dos jornalistas já formados. Além disso, brevemente estes estudantes

estarão no mercado de trabalho como profissionais, vivenciando as mesmas

responsabilidades e cobranças de um jornalista mais experiente. A fim de se obter

um maior número de questionários para apuração, não foi feita nenhuma restrição

à empresa em que o estudante faz estágio, podendo ser emissora de televisão,

jornal impresso, revista, rádio, assessoria e web. As instituições foram escolhidas

por serem tradicionais no ensino de Comunicação em Belo Horizonte, e por terem

o curso de Jornalismo já há bastante tempo. Também optamos por trabalhar

somente com instituições particulares, a fim de obtermos um mesmo perfil de

ensino e de alunos. Os jornalistas formados que participaram da entrevista em

profundidade foram escolhidos tentando levar em conta sua ligação com o

processo de apuração e seu conhecimento de informática e Internet.

Após a tabulação dos dados do questionário, foi feita uma comparação

entre esses dados e as informações dadas pelos profissionais formados e

professores que deram entrevista, a fim de confrontar o que pensam os

estudantes entrevistados e o que de fato existe na rotina de trabalho do jornalista

profissional quanto à apuração e levantamento de fontes com uso do Orkut.


6 ANÁLISE DOS QUESTIONÁRIOS: OS FUTUROS JORNALISTAS E O

ORKUT

De 100 questionários entregues, 82 foram devolvidos, ou seja, 82%. Em

todas as questões houve quem não respondesse – nos casos em que que o verso

do questionário ficou totalmente em branco, estima-se que seja porque o

respondente não reparou que havia um verso da página; já naqueles casos em

que somente as perguntas que não dependiam da existência de um perfil no

Orkut, ou que não dependiam de seu uso no trabalho foram respondidas, isso

deveu-se às pessoas que não tinham perfil no site ou àquelas que nunca

utilizaram o site para fins de trabalho, ou o tinham bloqueado em seus ambientes

de trabalho.

Dos questionários devolvidos, 52% são da Universidade Fumec e 43% do

Centro Universitário Newton Paiva e, 69% foram respondidos por mulheres, contra

29% por homens. Os respondentes têm, em sua maioria (80%), entre 20 e 25

anos, sendo seguidos pelas pessoas que estão entre 25 e 30 anos (13%). A maior

parte dos pesquisados faz estágio (52%) há mais de um ano (28%) e, quanto aos

locais, estão, em sua maior parte, em assessorias (17%), veículos impressos

(11%) e emissoras de televisão (9%). Para todos os gráficos citados acima,

conferir o anexo.

Quase a totalidade (96%) dos alunos estrevistados declarou ter computador

em casa e não ter dificuldades com informática ou Internet (59%); dos que

disseram ter alguma, a maioria tem problemas com programas básicos do


computador (gerenciadores de e-mails, editores de texto, antivírus, etc – 17% das

respostas) e configurações do computador (definir uma impressora, alterar o

idioma do teclado, a velocidade do mouse, etc – 13% das respostas). Grande

parte deles (80%) acessa a Internet diariamente e também a utilizam em casa

(79%), para lazer, fazer trabalhos e ler (notícias, artigos, textos acadêmicos, etc).

Você possui computador em casa?


2%

1% Sim
1%

Não

Não, mas mesmo


assim tenho fácil
acesso
Em branco
96%

GRÁFICO 1: Quantidade de pessoas que possuem computador em casa.


Você possui algum tipo de dificuldade com
inform ática / internet?

2% 5%

34% Sim
Não
Às vezes
Em branco
59%

GRÁFICO 2: Pessoas com dificuldades em informática / Internet.

Programas de computador
Se SIM , ou ÀS VEZES, quais? (gerenciadores de e-mails, editores de
texto, antivírus, etc.)

Internet (w ebmail, sites de buscas,


17% comunicadores instantâneos)

0%
Configurações do computador (definir
13% uma impressora, alterar o idioma do
teclado, a velocidade do mouse, trocar
um plano de fundo, etc)
4% Hardw are (ligar e desligar o
66%
computador, conectar ou desconectar
um cabo, instalar um periférico)

Em branco

GRÁFICO 3: Dificuldades apontadas pelos respondentes em informática / Internet.


Com que freqüência você acessa a internet?
4%

4% Mais de uma vez por


dia
5%
Uma vez por dia
7%

Duas ou três vezes


por semana
Menos de duas vezes
por semana
80%
Em branco

GRÁFICO 4: Freqüência do acesso a Internet.

Você utiliza a internet em casa?

2%
12%

7% Sim
Não
Às vezes
Em branco

79%

GRÁFICO 5: Utilização da Internet em casa.


Se SIM, ou ÀS VEZES, qual a principal razão
desse acesso (mais de uma opção)?
Lazer (conversas por meio de
5% comunicadores instantâneos,
vídeos, dow nload de arquivos, etc)
4% Trabalhos (de faculdade, freelas)
33%
25% Ler notícias, artigos e outros textos
de interesse acadêmico

Jogos e chats

33% Em branco

GRÁFICO 6: Razões apontadas para acessar a Internet em casa.

Praticamente todos os respondentes (98%) conhecem o Orkut e a maior

parte (72%) possui perfil no site, há mais de um ano (64%), acessando-o

diariamente (54%).

Você conhece o site de relacionam entos


Orkut?

2%

0%

Sim
Não
Em branco

98%

GRÁFICO 7: Pessoas que conhecem o Orkut.


Se SIM, você possui um perfil no site?

2%

26%

Sim
Não
Em branco

72%

GRÁFICO 8: Pessoas que possuem um perfil no site.

Se SIM, há quanto tempo possui esse perfil?


2%

1%

5%
28%
Um mês
Seis meses
Um ano
Mais de um ano
Em branco

64%

GRÁFICO 9: Tempo em que a pessoa tem um perfil no site.


Com que freqüência você o acessa?

11%
Diariamente
2%

5% Uma ou duas vezes por


semana
Uma vez a cada 15 dias
54%
Uma vez por mês ou menos
28%

Em branco

GRÁFICO 10: Freqüência de acesso ao perfil.

Você acessa seu perfil, ou acessa o Orkut do seu


ambiente de trabalho (por qualquer motivo)?

21%
29%

Sim
Não
Em branco

50%

GRÁFICO 11: Acesso do Orkut no ambiente de trabalho.


No entanto, 50% das pessoas responderam não acessar seu perfil no site

de seu ambiente de trabalho; de acordo com quase metade das respostas (43%),

por não ser permitido.

Sobre o acesso ao Orkut no seu ambiente de


trabalho: ele é permitido?

23%
34%
Sim
Não
Em branco

43%

GRÁFICO 12: Permissão ou não do acesso no ambiente de trabalho.

Quanto ao uso por motivos de trabalho, é interessante notar que as

respostas foram bem divididas: 41% das pessoas disseram “sim” e 43% disseram

“não”, excetuando-se, como já dito, aqueles que deixaram a resposta em branco.

Quanto aos motivos pelos quais essas pessoas usam o Orkut para trabalho, a

maior parte das respostas (32%) foi sobre fontes ou personagens para

determinada pauta – daqueles que declararam não usar o site, a maior parte

(43%) disse nunca ter achado necessário.


Você já utilizou o Orkut por m otivos de
trabalho?

16%

41% Sim
Não
Em branco

43%

GRÁFICO 13: Uso ou não do Orkut para trabalho.

Se SIM, por qual razão? Para apurar alguma informação


de cunho pessoal sobre uma
fonte

6% Para procurar algum assunto


6% interessante que pudesse
render uma pauta
39% 17% Para saber o que as pessoas
estão achando sobre um
determinado assunto em pauta
Para encontrar uma fonte /
personagem para determinada
pauta
32% Em branco

GRÁFICO 14: Razão do uso do Orkut para trabalho.


Se NÃO, por quê?
Porque nunca foi necessário

Porque as informações
disponíveis no site não são
confiáveis
43% Porque acho antiético apurar
50% dados dessa forma

Porque não tenho paciência


para / porque não sei
2% procurar informações lá
Em branco
1%

4%

GRÁFICO 15: Razão para NÃO usar o Orkut para trabalho.

A subeditora do Núcleo de Suplementos e Revistas do jornal Estado de

Minas, jornalista Ellen Cristie, afirma já ter usado o Orkut em seu trabalho, para

procurar uma fonte para uma pauta. Ela acredita que o site seja uma ferramenta

“ótima, válida e confiável até certo ponto” e que as empresas não deveriam proibir,

mas somente vigiar seu uso. Mas ela frisa que o uso do Orkut depende do

usuário, do que ele vai fazer com as ferramentas disponíveis no site.

Dos estudantes que utilizam o site, 46% verificam de outras formas a

veracidade ou não da informação – em sua maioria, entrando em contato com a

fonte (33%) ou comparando com outras versões da mesma informação (15%).

Aqui, podemos citar novamente Felipe Pena (2006), quando este cita o uso do

Orkut por alguns repórteres para traçar o perfil dos personagens de suas matérias

através dos testimonials (do inglês, testemunhos), que são depoimentos deixados

no perfil sobre aquela pessoa. Ele diz:


É evidente que a validade desses testemunhos deve ser questionada.
Primeiro porque são escritos exclusivamente por amigos, familiares ou
pessoas próximas. Segundo, porque a declaração só é veiculada se o
personagem autorizar. Ou seja, só vamos encontrar uma opinião
desfavorável se o sujeito for um masoquista ou gostar do
achincalhamento público. (PENA, 2006, p.62-63)

Caso você use / já tenha usado o Orkut em um a


situação de trabalho: você costum a verificar de outras
form as a confiabilidade daquela inform ação?

Sim
35%
Não
46% Às vezes
Em branco

15%
4%

GRÁFICO 16: Verificação de informações obtidas no Orkut.

Se SIM, ou ÀS VEZES, como você faz isso?

Entro em contato com a fonte


sobre a qual estou pesquisando

Comparo com outras versões da


33% mesma informação
38%
Entro em contato com pessoas
que eu conheço e que conhecem
a fonte
Faço uma pesquisa no perfil do
pesquisado para perceber se as
informações são reais ou não
4% 15%
10% Em branco

GRÁFICO 17: Como é feita a verificação de dados retirados do Orkut.


Assim, temos que 42% dos universitários disseram já ter encontrado

informações falsas no Orkut, descobertas por meio de outras formas de apuração

(32%) ou porque as informações apresentadas eram contraditórias demais (18%).

Dos estudantes que nunca se deparam com informações falsas, a maioria (13%)

dos respondentes disse ter percebido uma nova abordagem para o assunto tema

de sua pauta.

Se NÃO, qual foi a contribuição dessa informação para a


matéria?

Consegui uma informação exclusiva


5%
13%
Percebi uma abordagem nova para
o assunto sobre o qual estava
6% escrevendo
Consegui uma informação menos
0% pasteurizada

Percebi que a fonte estava se


contradizendo e pude questioná-la
76%
Em branco

GRÁFICO 18: O que a informação retirada do site somou para a matéria.


Caso você use / já tenha usado o Orkut em um a
situação de trabalho: você já se deparou com
inform ações falsas?

35% Sim
42%
Não
Às vezes
Em branco
1%
22%

GRÁFICO 19: Quantidade de pessoas que já se depararam com informações falsas


no Orkut.

Se SIM, ou ÀS VEZES, como descobriu isso?

2% A informação era demasiado


18% absurda para ser verdadeira
As versões eram contraditórias
41% demais
Apurei de outras formas e
descobri
Fui alertado por uma fonte ou
colega de trabalho
32% Em branco
7%

GRÁFICO 20: Como o respondente descobriu que lidava com uma informação falsa.

Apesar de toda a intimidade com Internet, computadores e com o Orkut

demonstrada pelos usuários pesquisados, mais da metade (52%) dos

respondentes disseram não acreditar que o site possa legitimar-se como uma

ferramenta de trabalho dos jornalistas. A maior parte dos respondentes (35%)


também declarou não acreditar em uma informação ou notícia retirada do site, a

menos que o contexto permitisse – seguidos por aqueles que foram taxativos e

disseram simplesmente que não acreditariam (34% das respostas).

Você acredita que o Orkut possa legitim ar-se


com o um a ferram enta de trabalho do jornalista?

10%

38% GRÁFICO 21: Credibilidade no


Sim Orkut como nova ferramenta
Não para o jornalista.
Em branco

52%

Você confiaria em uma informação / notícia ao


saber que ela foi retirada do Orkut?
Sim

10% 1%
Não

34%
Sim, mas somente se essa
informação/ notícia viesse de um
35% veículo / empresa de “peso”
Não, mas dependendo do contexto
da informação / matéria, seria válido

20% Em branco

GRÁFICO 22: Crença em informações / notícias retiradas do Orkut.


Neste ponto, novamente citamos os professores Murilo Gontijo e Carlos

Frederico Brito d’Andrea, que têm opiniões parecidas sobre os motivos pelos quais

os alunos, mesmo dedicando tanto tempo à Internet e ao Orkut, não acreditam em

sua transformação em instrumento de trabalho. O professor Carlos acredita que:

Dada a falta de apropriação pelas grandes empresas, talvez seja natural


que os estudantes não reconheçam o Orkut como uma ferramenta de
trabalho jornalística, porque não são muitas as experiências, pelo menos
oficiais, daquelas em que você fala assim, “ó, o jornal Folha de São
Paulo está no Orkut” (...) a gente pode pensar em várias aplicações
jornalísticas, para o Orkut, não me surpreende que os estudantes não o
reconheçam, porque aquilo ainda é um espaço para eles de diversão, do
que não é sério, sério como o jornalismo deve ser. (informação verbal -
ibid)

O professor Murilo também credita essa falta de confiança dos alunos

pesquisados na credibilidade que falta ao Orkut, uma vez que não há filtros para

as informações inseridas lá:

Todo o processo de construção do Jornalismo é exatamente o


amadurecimento da nossa função como fonte de credibilidade para a
informação. A gente compra jornal, ou assiste ao jornal ou ouve um
radiojornal exatamente porque nós confiamos naquela informação. Na
medida em que você não tem um filtro de credibilidade no Orkut você
não pode acreditar nas informações que ele dispõe ali para você e isso
faz com que ele não tenha credibilidade – e se ele não tem credibilidade
é óbvio que as pessoas vão descartá-lo como fonte. (informação verbal -
ibid)

Diferentemente dos professores, a jornalista Ellen Cristie, diz que, para ela,

essa descrença no Orkut já se inverteu, apontando outra realidade na redação:

Muitos jornalistas, especialmente os que cobrem informática, fazem


muitas matérias por MSN, Orkut e outras ferramentas da Internet. (...)
Quanto às informações falsas, no nosso caso, optamos por encontrar
pessoalmente com quem descobrimos no Orkut...não confiamos muito
25
nas informações escritas lá... (informação verbal)
Outros dois profissionais entrevistados, Gustavo Cunha Machala, assessor

de imprensa do Conselho Regional de Psicologia Minas Gerais e Luciana Vianna,

jornalista da rádio Band News, de Belo Horizonte, têm opiniões parecidas com as

de Ellen. Ambos também possuem perfis no Orkut e já o utilizaram para fins de

trabalho, pesquisando em comunidades e perfis para encontrar fontes ou ter mais

idéias sobre o tema sobre o qual iriam escrever.

Gustavo Machala afirma que no futuro essa descrença dos alunos

pesquisados no site como ferramenta de trabalho vai se inverter, e acrescenta

uma sugestão de uso corporativo do site:

Nossa geração tem mais facilidade com a net, então ela faz parte do
nosso dia-a-dia (...) Por exemplo, se a redação está envolvida em uma
grande reportagem é possível abrir uma comunidade com aquele tema
apenas para os jornalistas envolvidos, para que cada um possa ir
incluindo as informações que possui, de forma que todo mundo possa
ter acesso ao que todo mundo está pensando e encontrando. Pode
26
servir como uma forma de brainstorm coletivo. (informação verbal)

Ele também cita como exemplo dessa interação as ferramentas que o

Google, criador do Orkut, está colocando à disposição para compartilhamento de

arquivos, onde cada usuário envolvido no trabalho pode modificar o texto sem a

necessidade de download para seu próprio computador. Luciana Vianna também

__________________________________________________________________

25
CRISTIE, Ellen. Belo Horizonte, Brasil, 21 de maio de 2008. 1 fita cassete (09 min). Entrevista
concedida a Janaina Magalhães Rochido Arruda.
26
MACHALA, Gustavo da Cunha. Belo Horizonte, Brasil, 27 de maio de 2008. 1 fita cassete (15
min). Entrevista concedida a Janaina Magalhães Rochido Arruda.
acredita que essa geração está mais consciente do uso da Internet e suas

ferramentas no trabalho. Ela cita como exemplos colegas recém-formados:

A maioria dos jornalistas recém-formados que eu conheço tem blogs e


sites, locais nos quais as opiniões e experiências sobre vários assuntos
são expostas e ainda há a possibilidade de interagir por meio de
27
comentários referentes ao tema. (informação verbal)
Aos universitários pesquisados foi pedido que escrevessem uma vantagem
e uma desvantagem, em sua opinião, do Orkut no ambiente de trabalho. Sobre
vantagens, a maioria (43%) não respondeu, mas, dos que deram sua opinião, a
maior parte (16%) declarou não haver vantagem alguma. As outras respostas
quanto as vantagens foram, em quantidade de citações:

• Ter acesso mais fácil às fontes – 11 pessoas


• Diversidade de fontes e pautas – 9 pessoas
• Manter contato com fontes e colegas de trabalho – 5
• Ajuda a colher opiniões das pessoas – 4 pessoas
• Passatempo – 3 pessoas
• Facilidade de trocar informações / mensagens – 2 pessoas
Quanto às desvantagens, vários também não responderam (42%), mas,

dentre os respondentes, a maior parte (33%) citou a distração do trabalho como

desvantagem; a segunda resposta mais citada traz um dado interessante, ao

mostrar que, dos estudantes que responderam a essa pergunta, 17% citam a

quantidade de informações falsas ou tendenciosas como desvantagem do site, o

que concorda com o fato da maioria não acreditar na transformação do site em

uma nova ferramenta de trabalho e nem ter muita confiança em notícias ou

informações.

_________________________________________________________________

27
VIANNA, Luciana. Belo Horizonte, Brasil, 27 de maio de 2008. 1 fita cassete (11 min).
Entrevista concedida a Janaina Magalhães Rochido Arruda.
As outras desvantagens apresentadas pelos respondentes foram, em

quantidade de citações:

• As pessoas abusam / não sabem usar – 3 pessoas

• Invasão de privacidade – 2 pessoas

• Nenhuma – 2 pessoas
7 CONCLUSÃO

Através do trabalho de pesquisa realizado com esta monografia, pudemos

perceber que, entre os universitários pesquisados, o site de relacionamentos Orkut

não possui um uso expressivo para assuntos de trabalho. Os estudantes acessam

– quando não é bloqueado – para pesquisar fontes ou personagens para suas

pautas, mas este número (32% dos respondentes), comparado com o universo

pesquisado, não aponta para uma tendência de aumento do uso do site – isso é

reforçado quando analisamos as respostas daqueles que disseram não usar o

Orkut: 43%, que declaram nunca ter achado necessário.

Percebe-se que, mesmo com as facilidades das novas tecnologias, os

estudantes pesquisados ainda seguem preceitos tradicionais do Jornalismo, como

a Lei das Três Fontes, visto que grande parte parece utilizar o site apenas como

ponto de partida, investigando as informações retiradas de lá de outras formas –

majoritariamente, entrando em contato com as fontes. A descrença na legitimação

do site como ferramenta de trabalho do jornalista e o número de pesquisados que

declarou não confiar em notícias ou informações retiradas do site foi um dado que

chamou a atenção, visto que, apesar de 72% dos respondentes possuir um perfil

no site e 52% destes acessar o mesmo todos os dias, 52% acredita que o Orkut

não vai ter seu uso legitimado no dia-a-dia da profissão.

Um contraponto interessante à pesquisa com os estudantes foram as

entrevistas com os jornalistas formados – um assessor de imprensa, uma

jornalista de rádio e uma jornalista de veículo impresso. Os entrevistados afirmam

usar o Orkut em sua rotina e crêem que ele seja um boa ferramenta, desde que
usada em conjunto com outras formas de apuração – inclusive, acreditam que

essa opinião dos universitários vai ser inverter no futuro. Essa comparação

também permite que estabeleçamos uma relação entre a rotina de trabalho de

alguém formado e as expectativas do formando: ao que parece, o tempo exíguo

“empurra” o profissional para essas alternativas as quais os estudantes resistem.

Ao mesmo tempo em que os universitários pesquisados declaram acessar

com freqüência seu perfil, eles declaram que o site distrai da rotina de trabalho e

apresenta muitas informações falsas ou tendenciosas. Comparando os dados

levantados com o questionário às falas dos coordenadores de curso entrevistados,

é possível dizer que essa discrepância no comportamento dos estudantes quanto

ao Orkut deva-se ao fato do site ainda não possuir nenhum tipo de filtro para as

informações disponibilizadas nele e nem ter nenhum tipo de respaldo de

instituições de credibilidade que o utilizem de forma corporativa ou institucional,

tais como jornais ou revistas. Ou seja, o site ainda não consegue se fazer ver

como um espaço “sério”, na visão dos alunos pesquisados.

Mesmo com opiniões conflitantes entre os lados pesquisados, puderam ser

levantadas sugestões interessantes sobre como utilizar o Orkut de forma

corporativa, séria e contribuindo para o fazer jornalístico, como a criação de

comunidades específicas para uma determinada pauta na qual estivessem

envolvidos vários profissionais. Lá, eles poderiam trocar informações, experiências

e concentrar o que fosse levantado ao longo do trabalho – um brainstorm coletivo,

como definiu o entrevistado Gustavo Machala.

Logo, foi possível perceber, com este trabalho, que o uso do Orkut (e de

outras ferramentas tecnológicas disponíveis hoje) é fato, mas essa aplicação dele
ainda é vista com desconfiança e precisa ser amadurecida, ou corre-se o risco de

obterem-se matérias apuradas de forma superficial e com pouca credibilidade,

tendo em vista as deficiências do site apontadas pelos respondentes e pelos

entrevistados. Dessa forma, se por um lado o profissional espera cumprir com a

agilidade na transmissão da informação fazendo uso do Orkut, por outro ele pode

deixar de cumprir com o compromisso do Jornalismo com a veracidade e com a

exatidão da notícia.
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WOLF, Mauro. Teorias da Comunicação. Lisboa, Presença, 2002.


ANEXOS
ANEXO 1

QUESTIONÁRIO RESPONDIDO PELOS UNIVERSITÁRIOS PESQUISADOS

QUESTIONÁRIO

Prezado universitário,

Sou estudante do 8.° período do curso de Jornalismo do Centro Universitário Newton


Paiva e estou fazendo um trabalho de conclusão de curso que pretende investigar como
se dá o uso do site de relacionamentos Orkut no dia a dia do trabalho de apuração e
levantamento de fontes. Para isso, gostaria de contar com sua ajuda, respondendo a esse
questionário sobre sua rotina de trabalho no veículo – sua identificação e sua
instituição de ensino não são obrigatórios. Caso tenha alguma dúvida, meus contatos
estão no final - Obrigada!

Idade: _________________________ Sexo: ( ) Feminino ( ) Masculino


Instituição de ensino: ______________________________________________________
Atualmente faz estágio? ( ) Sim ( ) Não Há quanto tempo?______________
Se SIM, em que tipo de empresa / veículo?
( ) Impresso ( ) Rádio ( ) Assessoria ( ) TV ( ) Web ( ) Nenhum destes

1 – Você possui computador em casa? 4 – Com que freqüência você acessa a


( ) SIM internet?
( ) NÃO ( ) Mais de uma vez por dia
( ) NÃO, mas mesmo assim tenho fácil ( ) Uma vez por dia
acesso ( ) Duas ou três vezes por semana
( ) Menos de duas vezes por semana
2 – Você possui alguma dificuldade com 5 – Você utiliza a internet em casa?
informática / internet? ( ) SIM
( ) SIM ( ) NÃO
( ) NÃO ( ) ÀS VEZES
( ) ÀS VEZES
6 – Se SIM, ou ÀS VEZES, qual a principal
3 – Se SIM, ou ÀS VEZES, quais? razão desse acesso?
( ) Programas de computador ( ) Lazer (conversas por meio de
(gerenciadores de e-mails, editores de texto, comunicadores instantâneos, vídeos,
antivírus, etc.) download de arquivos, etc)
( ) Internet (webmail, sites de buscas, ( ) Trabalhos (de faculdade, freelas)
comunicadores instantâneos) ( ) Ler notícias, artigos e outros textos de
( ) Configurações do computador (definir interesse acadêmico
uma impressora, alterar o idioma do teclado, ( ) Jogos e chats
a velocidade do mouse, trocar um plano de
fundo, etc) 7 – Você conhece o site de
( ) Hardware (ligar e desligar o relacionamentos Orkut?
computador, conectar ou desconectar um ( ) SIM
cabo, instalar um periférico) ( ) NÃO
8 – Se SIM, você possui um perfil no site? 16 – Se SIM, por qual razão?
( ) SIM ( ) Para apurar alguma informação de
( ) NÃO cunho pessoal sobre uma fonte
( ) Para procurar algum assunto
9 – Se SIM, há quanto tempo possui esse interessante que pudesse render uma pauta
perfil? ( ) Para saber o que as pessoas estão
( ) Um mês achando sobre um determinado assunto em
( ) Seis meses pauta
( ) Um ano ( ) Para encontrar uma fonte /
( ) Mais de um ano personagem para determinada pauta

10 – Com que freqüência você o acessa? 17 – Se NÃO, por quê?


( ) Diariamente ( ) Porque nunca foi necessário
( ) Uma ou duas vezes por semana ( ) Porque as informações disponíveis no
( ) Uma vez a cada 15 dias site não são confiáveis
( ) Uma vez por mês ou menos ( ) Porque acho antiético apurar dados
dessa forma
11 - Porque você decidiu criar um perfil no ( ) Porque não tenho paciência para /
Orkut (você pode marcar mais de uma porque não sei procurar informações lá
opção, caso queira)?
( ) Era uma novidade e eu queria 18 – Caso você use / já tenha usado o
experimentar Orkut em uma situação de trabalho: você
( ) Para procurar antigos amigos e reatar o costuma verificar de outras formas a
contato com eles confiabilidade daquela informação?
( ) Porque todos os meus amigos tinham, ( ) SIM
então quis ter também ( ) NÃO
( ) Para conhecer pessoas e fazer ( ) ÀS VEZES
contatos – profissionais ou não
19 – Se SIM, ou ÀS VEZES, como você faz
12 – Você acessa seu perfil, ou acessa o isso?
Orkut do seu ambiente de trabalho (por ( ) Entro em contato com a fonte sobre a
qualquer motivo)? qual estou pesquisando
( ) SIM ( ) Comparo com outras versões da
( ) NÃO mesma informação
( ) Entro em contato com pessoas que eu
13 – Sobre o acesso ao Orkut no seu conheço e que conhecem a fonte
ambiente de trabalho: ele é permitido? ( ) Faço uma pesquisa no perfil do
( ) SIM pesquisado para perceber se as informações
( ) NÃO são reais ou não

14 – Se SIM, como isso é feito? 20 – Se NÃO, por quê?


( ) Qualquer computador acessa o Orkut e ( ) Porque nunca tive problemas com esse
podemos consultar a qualquer hora tipo de situação
( ) Há computadores específicos, em ( ) Porque verifico as informações sempre
separado, para esse tipo de consulta nas mesmas comunidades
( ) Somente os computadores dos editores ( ) Porque só consulto uma informação se
acessam o Orkut a própria fonte me sugerir isso
( ) É necessário pedir para desbloquear o ( ) Porque não uso a informação como ela
acesso e informar a razão desse acesso se apresenta, apenas consulto para tirar
dúvidas
15 – Você já utilizou o Orkut por motivos
de trabalho? 21 – Caso você use / já tenha usado o
( ) SIM Orkut em uma situação de trabalho: você
( ) NÃO já se deparou com informações falsas?
( ) SIM
( ) NÃO ( ) Só permitem se o editor estiver a par e
( ) ÀS VEZES também achar necessário

22 – Se SIM, ou ÀS VEZES, como 25 – Você acredita que o Orkut possa legitimar-se como uma
ferramenta de trabalho do jornalista?
descobriu isso?
( ) A informação era demasiado absurda ( ) SIM
para ser verdadeira ( ) NÃO
( ) As versões eram contraditórias demais
( ) Apurei de outras formas e descobri 26 – Você confiaria em uma informação / notícia ao saber que
( ) Fui alertado por uma fonte ou colega ela foi retirada do Orkut?
de trabalho
( ) SIM
23 – Se NÃO, qual foi a contribuição dessa ( ) NÃO
informação para a matéria? ( ) SIM, mas somente se essa informação/
notícia viesse de um veículo / empresa de
( ) Consegui uma informação exclusiva
“peso”
( ) Percebi uma abordagem nova para o
assunto sobre o qual estava escrevendo ( ) NÃO, mas dependendo do contexto da
informação / matéria, seria válido
( ) Consegui uma informação
menos pasteurizada 24 – Cite uma vantagem do Orkut no
( ) Percebi que a fonte estava se ambiente de trabalho, em sua opinião.
contradizendo e pude questioná-la

24 - Caso você use / já tenha usado o


Orkut em uma situação de trabalho: qual a
posição da empresa em que você trabalha
sobre isso?
( ) Não têm uma conduta específica sobre
isso
( ) Não vêem nenhum problema
( ) Acham que só deve ser usado em 25 – Cite uma desvantagem do Orkut no
último caso ambiente de trabalho, em sua opiniã
ANEXO 2

PERGUNTAS FEITAS AOS COORDENADORES DE CURSO

1 – Quantas disciplinas no curso abordam as novas tecnologias e ferramentas que


estão surgindo para o jornalista trabalhar?

2 – Como é feita essa abordagem?

3 – O senhor percebe se os estudantes estão despertando para outros usos da


internet e das novas mídias além do entretenimento?

4 – Como os alunos são incentivados a utilizar a internet com mais responsabilidade,


de modo a realmente transformá-la em uma aliada no trabalho de apuração?

5 – Qual sua opinião, como professor, sobre o uso do Orkut como ferramenta de
trabalho?

6 – Grande parte dos alunos pesquisados diz não acreditar que o Orkut possa
legitimar-se como uma nova ferramenta de trabalho do jornalista. O senhor acha que
isso possa se inverter no futuro?

7 – Os estudantes também disseram acreditar que o Orkut não tem vantagens no


ambiente de trabalho, além de tirar a concentração e apresentar informações falsas e
tendenciosas. O que o senhor acha disso?

8 - A maior parte dos respondentes declarou ter perfil no site de relacionamentos e


acessá-lo diariamente, mas a maioria também respondeu que não confiaria em uma
informação / notícia retirada do Orkut. Em sua opinião, a que isso se deveria?
ANEXO 3

PERGUNTAS FEITAS AOS PROFISSIONAIS FORMADOS

1 – Você tem um perfil no site de relacionamentos Orkut? Se sim, você acessa-o com
freqüência?

2 – Você já precisou usar o Orkut por motivo de trabalho? Como foi esse uso?

3 – Qual sua opinião sobre as informações disponíveis lá?

4 – Você percebe se os jornalistas recém-formados estão despertando para outros


usos da internet e das novas mídias além do entretenimento e usando-as de forma
mais consciente?

5 – Grande parte dos alunos pesquisados diz não acreditar que o Orkut possa
legitimar-se como uma nova ferramenta de trabalho do jornalista. O que você acha?
Acredita que isso possa se inverter no futuro?

6 – Os estudantes também disseram acreditar que o Orkut não tem vantagens no


ambiente de trabalho, além de tirar a concentração e apresentar informações falsas e
tendenciosas. O que você acha disso?

7 – Pela sua experiência como jornalista, o que você pensa sobre o Orkut como
ferramenta de trabalho? Acha que há espaço para ele nas redações, levando-se em
conta as opiniões apresentadas pelos universitários pesquisados?
ANEXO 4

OUTROS GRÁFICOS ORIUNDOS DAS RESPOSTAS DADAS PELOS


UNIVERSITÁRIOS PESQUISADOS

Idade dos respondentes

5% 2%

13%

Entre 20 e 25 anos
Entre 25 e 30 anos
Acima de 30 anos
Em branco

80%

Sexo dos respondentes

2%

29%

Feminino
Masculino
Em branco

69%
Instituição de ensino

5%
Centro
Universitário
New ton Paiva
43% Universidade
Fumec

52% Em branco

Atualmente faz estágio?

4%

Sim

44% Não
52%
Em branco
Há quanto tempo?

7%

16%
Menos de 6 meses
Menos de 1 ano
49%
Mais de 1 ano
Em branco

28%

Se SIM, em que tipo de empresa / veículo?

11%

6% Veículo impresso
Rádio
41%
Assessoria
17% TV
Web
Nenhum destes
Em branco
9%
12% 4%
Porque você decidiu criar um perfil no Orkut (você
pode marcar mais de uma opção, caso queira)?
Era uma novidade e eu queria
experimentar
50 45
Para procurar antigos amigos
40 e reatar o contato com eles

30 Porque todos os meus amigos


22 tinham, então quis ter também
20
Para conhecer pessoas e
9 11 10 fazer contatos – profissionais
10 ou não
Em branco
0

Como se dá o acesso ao Orkut no seu


ambiente de trabalho?
Qualquer computador acessa o
Orkut e podemos consultar a
qualquer hora
Há computadores específicos, em
33% separado, para esse tipo de
consulta
Somente os computadores dos
editores acessam o Orkut
59%
2% É necessário pedir para
desbloquear o acesso e informar
4% a razão desse acesso
Em branco
2%
Se NÃO, por quê você não verifica as
informações retiradas de lá?
Porque nunca tive problemas com
esse tipo de situação
20%
Porque verifico as informações
sempre nas mesmas comunidades

Porque só consulto uma informação


11%
se a própria fonte me sugerir isso

2%
65% Porque não uso a informação como
2% ela se apresenta, apenas consulto
para tirar dúvidas
Em branco

Caso você use / já tenha usado o Orkut em uma situação


de trabalho: qual a posição da empresa em que você
trabalha sobre isso?

Não têm uma conduta específica


sobre isso

29% Não vêem nenhum problema


36%
Acham que só deve ser usado em
último caso

Só permitem se o editor estiver a par


13% e também achar necessário
6%
16% Em branco
Cite uma vantagem do Orkut no ambiente de trabalho,
em sua opinião (respostas mais citadas)

35 Nenhuma
35
Ter acesso mais fácil às fontes
30
Diversidade de fontes e pautas
25
Manter contato com fontes e
20 colegas de trabalho
Ajuda a colher opiniões das
15 13
11 pessoas
9 Passatempo
10
5 4
5 3 2 Facilidade de trocar informações
/ mensagens
0 Em branco

Cite uma desvantagem do Orkut no ambiente de


trabalho, em sua opinião (respostas mais citadas)

34 Distrai do trabalho
35
30 27 Muitas informações falsas ou
tendenciosas
25
As pessoas abusam / não
20 sabem usar
14 Invasão de privacidade
15
10
Nenhuma
5 3 2 2
Em branco
0
ANEXO 5

OUTRAS NOTÍCIAS RELACIONADAS AO ORKUT, OU QUE O UTILIZAM COMO


FONTE, RECOLHIDAS EM JORNAIS E PORTAIS DA INTERNET
ANEXO 6

COMUNIDADES DO ORKUT RELATIVAS AO JORNALISMO E A JORNALISTAS E


SEU TRABALHO