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9 - DISPOSITIVOS DE CONTROLE INDUSTRIAL

Tente imaginar uma indústria sem controles automatizados. Imagine, por exemplo, uma indústria de refrigerantes tendo que engarrafar seu produto manualmente. Quanto custaria uma única garrafa envasada? Com certeza, teria um custo operacional muito alto e ainda estaria sujeita a atrasos nas entregas. A indústria moderna, principalmente a de bens de consumo, utiliza máquinas, controles e processos automatizados para a produção em larga escala.

Glossário Envasar - colocar líquidos em vaso, vasilha ou qualquer embalagem; envasilhar. http://houaiss.uol.com.br/busca?palavra=envasar

Neste capítulo você vai conhecer dispositivos de controle importantes em ambientes industriais por contribuírem para a tomada de decisão com base em modernos processadores, cuja velocidade de resposta vem aumentando dia a dia. Com os dispositivos de controle industrial, em especial os controladores programáveis, é possível aumentar a produção e a qualidade do produto, além de diminuir o preço final.

Ficou curioso? Então leia este capítulo com atenção.

9.1. Controladores programáveis

Os Controladores Programáveis (CP), também conhecidos por Controladores Lógicos Programáveis (CLP), são equipamentos industriais que fazem o controle do funcionamento de máquinas e sistemas automatizados.

Segundo a norma IEC 61131 o controlador programável é um sistema eletrônico digital, desenvolvido para ambiente industrial, que usa uma memória programável para armazenamento interno de instruções do usuário, para implementação de funções específicas, tais como, lógica, sequenciamento, temporização, contagem e aritmética, no intuito de controlar, através de entradas e saídas, vários tipos de máquinas e processos.

O CP e seus periféricos são projetados de forma a serem integrados compondo um sistema de controle industrial.

Assim como os computadores, possuem memória programável para armazenamento e execução de instruções de um programa de modo sequencial conforme a necessidade do processo produtivo.

Para que o CP controle algo, necessita de informações do comportamento do processo. Para fazer a leitura dessas informações, ele depende de dispositivos como sensores, botões, chaves fins de curso e outros.

Já os atuadores são elementos que podem ser diretamente controlados pelo CP tais como: lâmpadas, pequenos motores, bobinas de relés ou podem ainda ser controlados indiretamente através de contatores e válvulas como grandes motores e cilindros pneumáticos ou hidráulicos.

Fazendo uma analogia com o corpo humano, podemos dizer que o CP é o cérebro que toma decisões e faz o controle do sistema, os sensores são os olhos do

processo, pois fazem as leituras, e os atuadores, por realizarem tarefas, são as pernas e os braços do sistema.

Na função de instalador você fará a instalação física do CP, incluindo as ligações dos dispositivos sensores e atuadores, além das configurações básicas de hardware. Então, acompanhe as explicações a seguir

9.1.1 Estrutura dos controladores programáveis

Um CP é composto por uma estrutura básica formada por: fonte de alimentação, UCP e módulos de entradas e saídas, digitais e analógicas. Veja a função de cada um desses componentes:

Fonte de alimentação: recebe tensão alternada (VCA) e fornece tensão contínua (VCC) estabilizada para alimentar o Controlador Programável. Além disso, as fontes proporcionam proteção contra curto-circuito e contra interferências eletromagnéticas (EMI).

Glossário EMI Eletromagnetic Interferency ou interferência eletromagnética é a interferência provocada por campos eletromagnéticos gerados por motores elétricos, transformadores ou até a queda de um relâmpago na proximidade.

UCP - Unidade Central de Processamento (ou CPU do inglês - Central Processing Unit): controla todas as ações do CP. Sua função é coletar os dados recebidos pelas entradas do controlador, executar o processamento destas informações de acordo com o programa do usuário (aplicativo), definindo uma resposta para os pontos de saída.

Módulo de entrada digital (ou discreta): recebe sinais geralmente conhecidos como ON/OFF, ligado/desligado, ou níveis lógicos 0/1. Os entre os dispositivos de entrada é possível citar, por exemplo: botões, sensores, pressostato e chaves em geral (nível, posição, etc.).

Módulo de saída digital: fornece sinais digitais do tipo ON/OFF, ligado/desligado, ou ainda níveis lógicos 0/1 às saídas do módulo. Estas saídas são utilizadas para ligação de lâmpadas, contatores, válvulas solenoides, relés, etc.

Módulo de entrada analógica: recebe um sinal de entrada variável normalmente entre 0 e 10 V ou 4 e 20 mA provenientes de sensores que fornecem valores analógicos (ultrassônicos, sensores de vazão, termopares, etc.).

Módulo de saída analógica: Usado, por exemplo, para movimentar, proporcionalmente, a abertura de uma válvula de controle de vazão, fornecendo um sinal que varia normalmente de 0 a 10 V ou 4 a 20 mA. O sinal é enviado para a válvula controlando sua abertura, variando assim a vazão.

Embora a estrutura básica seja a mesma para todos os CPs, quanto a sua estrutura podemos dividi-los em dois grupos: os modulares e os monoblocos. Basicamente ambos possuem a mesma finalidade, porém, com algumas características diferentes. Vamos ver:

CPs modulares: os componentes que formam esse tipo de CP são dispostos em módulos, conectados uns aos outros. A vantagem é que a quantidade de entradas e saídas podem ser expandidas, atingindo um grande número de pontos. Além disso, alguns modelos permitem que esses módulos sejam inseridos ou removidos sem a necessidade de desligar o CP, o que evita a paralização da produção. Como desvantagem, são mais caros e a instalação é mais demorada, se comparado aos CPs monoblocos. Os CPs modulares são mais utilizados no controle de plantas de manufatura e processos industriais de grande porte.

CPs monoblocos: todos os componentes estão inseridos em uma só caixa, ou seja, formam um bloco único como o próprio nome sugere. A vantagem desse tipo de CP está, principalmente, no custo mais baixo e na facilidade de instalação. Em contrapartida possuem um número reduzido de entradas e saídas, mesmo em modelos que permitem expansão. Outra desvantagem é que precisa ser desligado em caso de manutenção, paralisando a produção. Os CPs monoblocos são muito utilizados para controle de sistemas simples de máquinas e de processos.

Veja, nos tópicos a seguir, como são instalados os CPs modulares e os monoblocos.

9.1.2. Instalação de CPs modulares

Já vimos que os CPs modulares são formados por módulos interligados que permitem expandir os seus pontos de entrada e saída. Os tipos de módulos variam conforme o fabricante, de modo que você deve consultar catálogos e manuais para conhecer as características de cada modelo.

Na maioria dos casos os módulos são fixados em trilho padrão DIN 35 ou DIN 35/15, mas podem usar trilhos desenvolvidos pelos próprios fabricantes.

Normalmente o módulo da fonte de alimentação é instalado inicialmente, seguido da UCP e das entradas e saídas.

Veja um exemplo de instalação de uma fonte e de uma UCP de um CP do tipo modular.

TEC138_C09_271 conector
TEC138_C09_271
conector

Figura 165 - Instalação da UCP em trilho do próprio fabricante

Para este modelo de CP existem posições e sequência correta de montagem. Para realizá-la, encaixe o conector no módulo, fixe no trilho de sustentação e por fim fixe o módulo ao trilho usando parafusos.

Neste sistema o componente que transfere a comunicação interna da UCP com os demais módulos é um conector específico instalado entre eles, conforme destacado na Figura 165.

Veja a seguir como fica a sequência com vários módulos instalados, ao final da montagem.

TEC138_C09_272 chave seletora
TEC138_C09_272
chave seletora

Figura 166 - Conjunto de módulos instalados de um CP modular

Fique Alerta! Como forma de segurança instale o aterramento no trilho de suporte do CP. Além da proteção você obterá o bom funcionamento do conjunto no painel.

Na fonte de alimentação há uma chave seletora de voltagem (voltage selector) para selecionar o valor de tensão. Normalmente ela vem de fábrica em 220 V. Caso precise ajustar a tensão use uma chave de fenda. Algumas fontes são de chaveamento automático, dispensando o uso da chave seletora, outras possuem as ligações (jumpers) integradas para a alimentação em tensão contínua para o módulo da UCP, em outras ainda é preciso fazer a conexão por meio de fios. Caso você precise fazer essa ligação atente para a polaridade, pois a ligação invertida poderá danificar a UCP.

Para que haja comunicação da UCP com o computador usamos conectores. na figura a seguir você vê dois modelos de conectores: o DB9 fêmea e o RJ45.

TEC138_C09_273 TEC138_C09_274 DB9 fêmea RJ45
TEC138_C09_273
TEC138_C09_274
DB9 fêmea
RJ45

Figura 167 - Conectores para comunicação na CPU

O módulo da UCP também pode ter conexão para comunicação de rede com outros equipamentos, além do computador.

Jorge recebeu uma ordem de serviço para instalar o controlador programável em um

painel elétrico de comando. Começou bem, consultou o manual do fabricante para ver qual broca (medida do diâmetro) deveria utilizar para fazer os furos de fixação, traçou

e marcou a posição dos furos com um punção de bico, depois fez a furação com a

furadeira e a broca e fixou o trilho. Após a instalação dos fios, conferiu as conexões

observando o esquema do projeto e comparando-o com o material que já estava

instalado. Achando que estava tudo correto, chamou o técnico para testar o equipamento. Para sua surpresa os LEDs sinalizadores do módulo de entrada digital piscavam desordenadamente. E agora, o que está acontecendo?

O técnico tentou solucionar o problema substituindo o módulo de entrada digital, mas

não obteve sucesso. Um eletricista mais experiente percebeu o ocorrido e perguntou: Você já conferiu o

aterramento? O terra é a referência de retorno de energia de todos os módulos e da fonte de alimentação. O montador acompanhou todo caminho de retorno do fio terra e percebeu algo estranho na terminação do conector: o terminal estava oxidado e mal conectado, afetando no bom aterramento. Por isso, o sinal de retorno passava por outros caminhos forçando o acionamento dos circuitos no módulo de entrada digital. Após a desoxidação do terminal e seu devido reaperto o controlador programável passou a funcionar corretamente, desaparecendo o problema.

Agora que você já viu a instalação física dos CPs modulares, veja como se faz a instalação de CPs monobloco.

9.1.3. Instalação de CPs monoblocos

Para apresentar o procedimento de instalação de um CP monobloco, vamos utilizar um modelo específico como exemplo, pois o procedimento é muito semelhante para todos os demais modelos. Além das funções básicas, o modelo que escolhemos possui uma Interface Homem Máquina (IHM) e um teclado, como mostrado na Figura

168.

Máquina (IHM) e um teclado, como mostrado na Figura 168 . IMH TEC138_C09_275 teclado Figura 168

IMH

(IHM) e um teclado, como mostrado na Figura 168 . IMH TEC138_C09_275 teclado Figura 168 -

TEC138_C09_275

teclado
teclado

Figura 168 - CP com IHM

Nesses controladores a IHM e o teclado são instalados na parte frontal do painel para que o operador da máquina, o instalador ou o mantenedor possam inserir ou ler informações no CP.

Para instalar este CP no painel de controle encaixe primeiramente sua parte superior e em seguida abra as presilhas, girando-as totalmente; por último aperte os parafusos de fixação utilizando ferramenta adequada, conforme mostra a figura a seguir.

TEC138_C09_276
TEC138_C09_276

Figura 169 - CP com IHM - detalhes de montagem na face do painel

Os fabricantes disponibilizam as dimensões e o formato correto ou um gabarito para corte da chapa onde ficará instalado o CP.

Embora o CP monobloco integre todos os componentes em uma única caixa, alguns modelos possuem fonte de alimentação externa. Assim, certifique-se de como é feita a alimentação elétrica do modelo que está instalando e se a tensão de entrada está em conformidade com a disponível.

Por fim, assim como ocorre com os CPs modulares, os monoblocos também podem ter comunicação com outros equipamentos. Nesse caso, lembre-se de conectar o cabo de comunicação.

Agora que você já viu a instalação física dos CPs nos painéis de comando, vamos ver as conexões elétricas das entradas e saídas, as interfaces a relé e as configurações de hardware.

9.1.4. Conexões elétricas de entradas e saídas

As conexões elétricas de entradas e saídas, digitais ou analógicas, têm seus procedimentos de instalação aplicados tanto para CPs monoblocos como para modulares. Acompanhe as explicações.

Entradas digitais

Nos pontos de entrada digitais você conecta os botões, as chaves e os sensores elétricos e eletrônicos de uma máquina ou processo a ser controlado.

Encontramos CPs com entradas digitais de tensão alternada e tensão contínua, sendo mais comuns os valores: 120 VAC, 220 VAC ou 24 VDC, respectivamente.

Na eletroeletrônica e na informática quando uma variável assume apenas dois estados fixos e definidos entendemos que se trata de um “bit”, pois o bit só pode assumir dois níveis lógicos “0” ou “1”, ou seja, tem tensão 0V ou tensão positiva (+VCC).

No gráfico a seguir você pode acompanhar um exemplo de sinal digital em uma entrada digital do CP.

TEC138_C09_277
TEC138_C09_277

Figura 170 - Representação de um sinal em uma entrada digital C.C. de um CP

As entradas de um módulo são identificadas como I (INPUT). Nos CPs, de modo geral, os módulos de entrada, normalmente, possuem um conjunto de oito entradas, ou múltiplos de oito. Exemplo: 8 entradas digitais, 16, 24, 32 entradas e assim por diante. Oito bits correspondem a um byte e nos CPs estas nomenclaturas identificam as entradas ou o endereço de cada entrada. O endereço indica a localização na memória do CP onde serão armazenados os bits de entradas e saídas, identificados por letras e números.

Veja a seguir um exemplo de endereçamento que identifica a entrada digital de um CP.

TEC138_C09_278
TEC138_C09_278

Figura 171 Entrada digital em um CP

O símbolo % significa endereço de memória utilizado na programação, a letra I o Input (entrada), depois o byte e por último o bit. Portanto, um CP com oito pontos de entrada pode receber os seguintes endereços:

Quadro 25 Endereços para CP com 8 entradas.

Pontos de Entrada

Endereço da entrada

Descrição

Primeira entrada

%I 0.0

bit 0 (zero) do byte 0

Segunda entrada

%I 0.1

bit 1 (um) do byte 0

Terceira entrada

%I 0.2

bit 2 (dois) do byte 0

Quarta entrada

%I 0.3

bit 3 (três) do byte 0

Quinta entrada

%I 0.4

bit 4 (quatro) do byte 0

Sexta entrada

%I 0.5

bit 5 (cinco) do byte 0

Sétima entrada

%I 0.6

bit 6 (seis) do byte 0

Oitava entrada

%I 0.7

bit 7 (sete) do byte 0

Se o CP tiver 16 pontos de entradas digitais, ou seja, dois bytes, além dos endereços do byte “0” (zero) expostos no Quadro 26 ainda teremos os endereços do byte “1conforme segue:

Quadro 26 Endereços para CP de 16 entradas

Pontos de Entrada

Endereço da entrada

Descrição

Nona entrada

%I 1.0

bit 0 (zero) do byte 1

Décima entrada

%I 1.1

bit 1 (um) do byte 1

Décima primeira

%I 1.2

bit 2 (dois) do byte 1

entrada

Décima segunda entrada

%I 1.3

bit 3 (três) do byte 1

Décima terceira entrada

%I 1.4

bit 4 (quatro) do byte 1

Décima quarta entrada

%I 1.5

bit 5 (cinco) do byte 1

Décima quinta entrada

%I 1.6

bit 6 (seis) do byte 1

Décima sexta entrada

%I 1.7

bit 7 (sete) do byte 1

Observe que a primeira entrada inicia pelo bit 0 e a última no bit 7 . Sendo assim, temos 8 entradas no primeiro byte (byte 0) e mais 8 entradas no segundo byte (byte 1) totalizando 16 entradas, da primeira entrada até a décima sexta. Estes são apenas exemplos mais utilizados de endereços, pois podemos atribuir outros endereços que não iniciem necessariamente com o byte em zero. Para que você saiba como conectar os dispositivos aos pontos de entrada de um CP, veja um exemplo de diagrama elétrico de instalação de um botão de comando conectado a um destes pontos de entrada digital.

TEC138_C09_279
TEC138_C09_279

Figura 172 - Instalação elétrica de um botão em ponto de entrada de um CP

Observe que o botão fornece 0V, nível lógico “0” quando não está acionado porque está aberto. Ele fornece +24VCC, nível lógico “1” quando estiver pressionado. Veja que a entrada do CP possui dois níveis lógicos 0 ou 1, portanto cada entrada é um bit, que pode assumir dois estados lógicos, 0 ou 1.

Vejamos agora um exemplo de pontos de entrada digital C.C. de um CP.

TEC138_C09_280
TEC138_C09_280

Figura 173 - Pontos de entradas digitais de um CP

A instalação física dos dispositivos de entrada nos pontos de entrada do CP, assim como nos pontos de saída, pode ser por parafusos, por terminal de pressão ou por conector de encaixe. Observe uma instalação feita por terminal block.

TEC138_C09_281
TEC138_C09_281

Figura 174 - Conector de encaixe tipo terminal block

Encontramos dois tipos de entrada digital de tensão contínua de um CP, as entradas tipo PNP e tipo NPN.

Entrada PNP: neste tipo de entrada conectamos tensão positiva, por exemplo, +24 VCC, nos botões, nas chaves e nos sensores de modo que quando são acionados fornecem esta tensão positiva para o ponto digital de entrada do CP. O polo Negativo ou (0V), é o ponto comum conectado ao GND ou o comum do CP. Observe no diagrama a seguir as ligações de alguns dispositivos conectados à entrada PNP de um CP.

TEC138_C09_282
TEC138_C09_282

Figura 175 - Exemplo de instalação de dispositivos nos pontos de entrada digital PNP

Observe que a alimentação positiva +24VCC é conectada aos dispositivos de entrada enquanto que o 0V ou DC Com está conectado diretamente ao ponto comum do CP.

Entrada NPN: é o tipo mais utilizado em projetos e instalações industriais. Nesse tipo de configuração o 0V da fonte é conectado nos dispositivos de entrada tais como botões, chaves fim de curso e sensores eletrônicos e o polo positivo é ligado ao ponto comum, o VDC ou VDC Com ou ainda + VDC, do CP. Veja no diagrama a seguir as ligações dos dispositivos nos pontos de entrada tipo NPN.

TEC138_C09_283
TEC138_C09_283

Figura 176 - Exemplo de instalação de dispositivos nos pontos de entrada digital NPN

Existem CPs com entradas digitais que podem ser tanto PNP, trabalham com o 0V comum e recebem o positivo na entrada, quanto NPN, recebem o negativo nas entradas e o +VCC é comum, basta você conectar o polo que deseja que seja o comum.

Entradas Analógicas

Para entender o que é uma entrada analógica, saiba o que é um sinal analógico. Para tanto, veja este exemplo de sinal.

TEC138_C09_284
TEC138_C09_284

Figura 177 - Exemplo de sinal analógico

Observe no gráfico que a tensão varia ao longo do tempo. Sinais como estes são gerados por sensores de temperatura, de pressão, de vazão e tantos outros que medem grandezas analógicas.

Existem dois tipos de entradas analógicas de um CP, as entradas de tensão e as de corrente.

Entrada analógica de tensão: estas entradas trabalham com faixas de valores e de tensão e qualquer valor dentro da faixa de tensão é lido e interpretado pelo Controlador Programável. Os padrões de leitura de tensão mais comuns são: de 0V a 10V, de 1V a 5V, de 1V a 10V e de -10V a +10V. O tipo de padrão de tensão a ser usado depende do tipo de sensor utilizado e da aplicação. Estes sensores que trabalham com padrões de leitura de tensão devem ser instalados com cabos dotados de malha, ou cabos shield, com as duas extremidades conectadas ao ponto de aterramento para proteger o sinal e a medição contra as interferências. Veja a ilustração a seguir.

TEC138_C09_285
TEC138_C09_285

Figura 178 - Utilização de cabo blindado e malha de aterramento

Nos sistemas que trabalham por tensão, os sensores devem ser instalados próximos do controlador para evitar perdas de tensão no percurso até o CP. Veja a seguir um exemplo de sensor de pressão do lado esquerdo de um manômetro (medidor de pressão) instalado em um ponto de entrada analógica

que trabalha por leitura de tensão de 0 a 10 volts em um CP. O sensor de pressão PT está instalado na entrada EA0 do módulo de entrada do CP.

TEC138_C09_286
TEC138_C09_286

Figura 179 - Sensor de pressão instalado em entrada analógica de tensão de um CP

Observe a ampliação a direita da imagem central. Cada entrada analógica está devidamente identificada pelas anilhas EA0, EA1 e EA2.

Entrada analógica de corrente: estes módulos trabalham com faixas de valores de corrente e qualquer valor dentro da faixa é lido e interpretado pelo CP. Os padrões de leitura de corrente mais comuns são: de 0mA a 20mA e de 4mA a 20mA.

Por uma questão de segurança, alguns processos não devem trabalhar com o padrão de 0 a 20mA, pois caso o cabo do sensor seja rompido entre o ponto de origem e a entrada do CP, um erro no controle certamente seria ocasionado. Imagine um sistema cuja variação de temperatura seja de 0ºC à 600ºC e corresponda respectivamente a variação de entrada 0mA e 20mA. Caso o cabo do sensor se rompa, a informação que chegará ao CP será de 0mA o que pode não corresponder à medida real.

Os padrões de leitura de corrente são mais indicados para os casos em que sensores estão instalados distantes do controlador porque o padrão de corrente sofre menos perdas e menos interferências eletromagnéticas do que o de tensão.

Saídas Digitais

Nas saídas digitais de tensão contínua, você conecta lâmpadas, bobinas de contatores, solenóides de válvulas, atuadores eletropneumáticos e eletrohidráulicos, pequenos motores entre outros dispositivos da máquina ou do processo a ser controlado. Os pontos de saída digitais podem ser:

Digitais PNP: nesta configuração os pontos de saída do CP fornecem o positivo para as cargas conectadas à saída do módulo, sendo o negativo o ponto comum para ligação das cargas.

Digitais NPN: fornece o negativo para as cargas conectadas aos pontos de saída, sendo o positivo o ponto comum de ligação de todos dispositivos;

À relé de contato seco: cada ponto de saída possui um contato NA que pode ser alimentado tanto por tensão positiva, quanto pelo negativo para alimentar as cargas, dependendo da configuração escolhida.

Cada ponto de saída é identificado pela letra Q (OUTPUT) e geralmente os CPs possuem um conjunto de pontos de saída múltiplo de oito.

Oito (8) bits correspondem a 1 (um) byte e nos CPs são aplicadas estas nomenclaturas para identificar cada saída do CP ou endereço de cada saída. Veja no esquema a seguir a forma utilizada para identificar as saídas digitais de um CP.

utilizada para identificar as saídas digitais de um CP. TEC138_C09_287 Figura 180 – Identificação de uma

TEC138_C09_287

Figura 180 Identificação de uma saída digital em um CP

Toda saída tem no início a letra “Q“, depois o byte e por último o bit, portanto, um CP com dezesseis saídas pode ter os seguintes endereços:

Quadro 27 Endereços para CP de 16 saídas

Pontos de Saída

Endereço da saída

Descrição

Primeira saída

%Q 0.0

bit 0 (zero) do byte 0

Segunda saída

%Q 0.1

bit 1 (um) do byte 0

Terceira saída

%Q 0.2

bit 2 (dois) do byte 0

Quarta saída

%Q 0.3

bit 3 (três) do byte 0

Quinta saída

%Q 0.4

bit 4 (quatro) do byte 0

Sexta saída

%Q 0.5

bit 5 (cinco) do byte 0

Sétima saída

%Q 0.6

bit 6 (seis) do byte 0

Oitava saída

%Q 0.7

bit 7 (sete) do byte 0

Nona saída

%Q 1.0

bit 0 (zero) do byte 1

Décima saída

%Q 1.1

bit 1 (um) do byte 1

Décima primeira saída

%Q 1.2

bit 2 (dois) do byte 1

Décima segunda saída

%Q 1.3

bit 3 (três) do byte 1

Décima terceira saída

%Q 1.4

bit 4 (quatro) do byte 1

Décima quarta saída

%Q 1.5

bit 5 (cinco) do byte 1

Décima quinta saída

%Q 1.6

bit 6 (seis) do byte 1

Décima sexta saída

%Q 1.7

bit 7 (sete) do byte 1

Observe que temos 16 saídas, de %Q0.0 até %Q1.7, e para cada saída indicamos um endereço correspondente, no entanto, poderíamos adotar outros endereços, conforme conveniência. Para entender melhor veja exemplos de algumas cargas e a forma de ligação de saída digital de um CP.

TEC138_C09_288
TEC138_C09_288

Figura 181 - Instalação de dispositivos de tensão contínua na saída de um CP

As ligações em relação às cargas na configuração NPN ou PNP possuem apenas uma diferença: a inversão na polaridade da alimentação. A instalação dos pontos de saída com de CP que utilizam contato seco podem fornecer um sinal positivo ou negativo, dependendo da especificação. A Figura 182 ilustra a parte interna de um CP com os pontos de saída a relé de contato seco.

TEC138_C09_289
TEC138_C09_289

Figura 182 - Exemplo de instalação de módulo a contato seco

Saídas Analógicas

Nas saídas analógicas, você instala os dispositivos que funcionam com variação de tensão ou de corrente dependendo da necessidade e da aplicação. Podemos citar, como exemplos, o controle de velocidade de um motor de uma esteira de peças através da variação da tensão enviada ao inversor de frequência do motor e um controle de vazão de um líquido através do controle da corrente que passa em uma válvula, conhecida por válvula proporcional.

TEC138_C09_290
TEC138_C09_290

Figura 183 - Saída analógica ligada ao inversor de frequência

Neste exemplo, o ponto de saída analógico de controle de tensão fornece uma variação de 0V a 10VCC para o inversor de frequência e com esta variação o dispositivo varia proporcionalmente a rotação do motor de 0 a 3500 rotações por minuto.

9.1.5. Interfaces a relé

A interface a relé ou interface de acoplamento é um importante recurso empregado na proteção dos módulos de entrada e saída digital de um CP, sendo sua utilização mais comum na saída, cuja função é isolar o módulo digital do CP e os elementos externos como, por exemplo, uma bobina de um contator ou uma solenoide. Caso ocorra algum curto circuito, por exemplo, na bobina de um contator que está ligada à saída da interface à relé, este poderá ser danificado, porém, a saída do CP ficará preservada. Veja um exemplo desse tipo de dispositivo e de um diagrama de instalação.

TEC138_C09_291 Interface à relé Interface à relé nas entradas e saídas de um CP
TEC138_C09_291
Interface à relé
Interface à relé nas entradas e saídas de um CP

Figura 184 - Instalação de interface à relé

9.1.6. Configuração do hardware do CP

Para configurarmos o hardware do CP inserimos, no seu software de programação, as características de todos os seus módulos e acessórios instalados. Essa configuração deve corresponder exatamente aos dispositivos instalados fisicamente no trilho do CP.

Se o CP utilizado for, por exemplo, um equipamento modular, você deve especificar o rack, que é o bastidor onde ficam os slots para encaixe dos módulos, a fonte de alimentação do CP, a UCP e os módulos de entrada e saída analógicos e digitais.

Ao terminar a configuração do hardware, clique em Salvar e o software compilará os dados, realizando uma espécie de “verificação” das informações. Em seguida é necessário enviar a configuração para a memória do CP através da opção Download Caso exista alguma inconsistência, ele emitirá um aviso de erro. Se isso ocorrer, você deve identificar a divergência e corrigi-la.

A conexão do computador com o CP é feita por cabos e conectores específicos de

cada fabricante. Veja alguns exemplos.

TEC138_C09_292
TEC138_C09_292

Figura 185 - Cabos para comunicação do microcomputador com o CP

Existem cabos com um adaptador eletrônico entre as suas extremidades. Este adaptador converte o sinal que sai do microcomputador do padrão serial para outro padrão que pode ser o RS-232, o RS-485, USB ou outro conforme especificações de

do fabricante.

A seguir você pode observar a instalação de um cabo serial (DB9) ligado a um

computador e um conector RJ45 ligado a um CP através da entrada RS232.

TEC138_C09_293
TEC138_C09_293

Figura 186 - Instalação de conector DB9 e RJ 45

De acordo com a norma IEC 61131 em seu item 3, o procedimento de configurar o hardware do CP é semelhante, independente da marca ou modelo, mas devemos sempre consultar os manuais ou tutorial do CP utilizado

9.2 IHM

A Interface Homem Máquina, mais conhecida como IHM ou em inglês HMI (Human

Machine Interface), como já vimos no capítulo 8, é um equipamento eletrônico acoplado a uma tela de LCD (display de cristal líquido). Sua função é monitorar e em alguns modelos até interferir em uma planta de processo industrial.

9.2 .1 Instalação da IHM

É importante que a IHM seja instalada em local protegido de raios solares, do calor e

da umidade.

Fique alerta:

Observe o tipo de alimentação utilizada para não danificar (queimar) o dispositivo, pois existem modelos que utilizam uma fonte externa de alimentação de 12 ou 24 volts e, outros modelos, já possuem a fonte integrada, necessitando portanto a conexão de uma tensão de rede para alimentação (90 à 240V).

Na figura a seguir temos as vistas com as indicações das conexões de alimentação e comunicação de um tipo de IHM

Comunicação RS 232 TEC138_C09_294
Comunicação RS 232
TEC138_C09_294

Figura 187 - Vista traseira de uma IHM

Como procedimento de segurança, a conexão da alimentação da IHM deve ser efetuada com a fonte desligada. Neste exemplo é possível observar que o fio de cor vermelha representa o positivo da alimentação (+24V), o fio cinza é o negativo (comum) e o verde/amarelo é o fio terra.

A comunicação utilizada pelo modelo apresentado é do tipo serial RS 232. Uma única

IHM pode se comunicar simultaneamente, através de uma rede de dados, com

diversos Controladores Programáveis.

Saiba mais Devido à variedade de modelos de IHMs existentes no mercado, você deve consultar os manuais e catálogos do fabricante, para obter os dados de instalação. Para conhecer alguns modelos e saber mais sobre sua instalação, consulte fabricantes como , por exemplo: Mitsubishi Eletric, Atos, Schneider, Siemens, WEG, entre outros.

9.3. Relés Programáveis

Os relés programáveis, também conhecidos como microcontroladores, minicontroladores programáveis e mini CLP, são dispositivos de controle destinados a pequenas aplicações por possuírem limitados recursos de programação: possuem somente funções básicas, têm pouca capacidade de memória, e limitadas linguagens de programação. Mas possuem algumas vantagens: integram fonte, UCP, módulos de entrada e saída, IHM e teclado em um único módulo, sendo compactos e de baixo custo.

Veja alguns exemplos de relés programáveis.

TEC138_C09_295
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Figura 188 - Exemplos de relés programáveis: Clic02, Zélio e Logo

9.3.1. Instalação de relés programáveis

A fixação de relés programáveis é muito simples porque é feita sobre trilhos tipo DIN para painel. Veja a seguir como é feita essa instalação:

TEC138_C09_296
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Figura 189 - Instalação do relé programável em trilho DIN

Observe que o encaixe do relé programável no trilho se faz de cima para baixo, forçando levemente o módulo até que ocorra o encaixe da trava plástica. Caso seja necessário retirar o módulo do trilho, basta realizar a operação inversa, lembrando-se de destravar o relé antes de retirá-lo do trilho. Para destravá-lo basta puxar a trava para baixo com uma chave de fenda de tamanho adequado.

Caso seja necessário, é possível aumentar o número de saídas para controlar novas cargas que por ventura sejam adicionadas ao processo produtivo. Veja a seguir temos um módulo de expansão sendo acoplado eletricamente por um conector de encaixe. As duas peças ocuparão o mesmo trilho DIN, sendo necessário deslizar o módulo de expansão para plugá-lo ao módulo principal já instalado.

TEC138_C09_297
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Figura 190 - Relé programável com módulo de expansão acoplado

Após o encaixe dos módulos é recomendável aplicar o grampo para segurar o relé programável na posição conforme demonstra a Figura 190.

A posição e o local da instalação de um relé programável programável dentro de um painel é importante para facilitar a dissipação de calor, evitando superaquecimentos e interferências, bem como situações de manutenção. Veja na figura a seguir algumas indicações quanto a posição de instalação do relé programável ou do CP dentro de um painel.

do relé programável ou do CP dentro de um painel. TEC138_C09_298 Figura 191 - Instalação de

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Figura 191 - Instalação de relé programável ou CP em painel industrial

Na instalação também é importante considerar as condições externas ao painel, garantindo proteção contra:

Exposição direta a raios solares e fontes de calor;

Chuva, umidade excessiva e maresia;

Líquidos, gases e vapores inflamáveis, explosivos e/ou corrosivos;

Vibração excessiva, poeira ou partículas metálicas ou oleosas em suspensão.

Recapitulando

Neste capítulo você estudou um dos mais importantes equipamentos utilizados em ambientes industriais: os controladores programáveis.

Viu a diferença entre os controladores monobloco e modular e como fazer a instalação destes dispositivos e seus respectivos periféricos tais como: fonte de alimentação VCA/VCC, unidade central de processamento, entradas digitais, entradas analógicas, saídas digitais, saídas analógicas, entre outros.

Estudou, também, o método de configuração do hardware do controlador programável e como enviar esta configuração ao CP.

Viu as interfaces a relé e interface homem máquina (IHM), assim como as ligações e os relês programáveis.

A essa altura você já se certificou que esses dispositivos, especialmente os controladores programáveis, as IHMs e os relés programáveis são de grande importância para as máquinas e sistemas automatizados, pois controlam grande parte das decisões do funcionamento de um sistema industrial.