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UNIVERSIDADE DO PORTO FACULDADE DE LETRAS

DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS E TÉCNICAS DE PATRIMÓNIO SECÇÃO DE MUSEOLOGIA

A Colecção de Estampas e Desenhos do Museu Parada Leitão

Plano de Manutenção Preventiva

Trabalho realizado por Patrícia Isabel da Silva Monteiro Geraldes No âmbito da área cientifica de Conservação Preventiva Orientado pela Dra. Paula Menino Homem

PORTO

2007

A colecção de Estampas e Desenhos do Museu Parada Leitão: Plano de Manutenção Preventiva

Ao Luciano, pelo tempo que não tive para ele.

Aos colegas de trabalho, pela cooperação.

À Dra. Paula Menino Homem, pela orientação e incentivo constantes.

A todos os meus mais sinceros agradecimentos.

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INDICE

 

Pág.

Lista

de

Figuras

3

Lista de Quadros

5

Introdução

6

I. A instituição

7

II. Caracterização geográfica e ambiental

9

Localização geográfica

10

Condições ambientais externas

12

O

edifício

16

III. A colecção de estampas e desenhos

27

Contextualização

28

Descrição sumária

29

Representatividade da colecção no acervo do museu

32

O

percurso da colecção

33

Universo de amostragem

37

Condições e controlo ambiental

56

IV. Plano de Manutenção Preventiva

58

Princípios gerais

59

Avaliar o estado de conservação

59

Regras de marcação

61

Monitorização e controlo ambiental

61

Manutenção preventiva e correctiva

65

Observações Finais

71

Glossário

73

Anexos

76

Bibliografia

117

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LISTA DE FIGURAS

 

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Fig.1 – Localização do distrito do Porto em Portugal

10

Fig.2 – Localização da freguesia de Paranhos na cidade do Porto

11

Fig.3 – Localização do ISEP

11

Fig.4 – Localização do museu no Campus do ISEP

12

Fig.5 – Zonas verdes na área circundante ao museu

18

Fig.6 Planta do piso -1 do edifício C e área ocupada pelo museu (1998)

19

Fig.7 Planta do piso -1 do edifício C (2000)

20

Fig.8 – Planta do museu depois das obras de ampliação e reorganização (previsão:2007)

20

Fig.9 – Sistema detector de incêndios

21

Fig.10 – Sistema de alarme de incêndios

22

Fig.11 – Mangueira de incêndios

22

Fig.12 – Exemplo de canalizações abertas

22

Fig.13 – Canalizações junto ao tecto colocadas por cima dos objectos em exposição

23

Fig.14 – Sistema de escoamento de águas

23

Fig.15 Desumidificador

24

Fig.16 - Sistema de ar condicionado

25

Fig.17 Caixa-de-ar

25

Fig.18 – Sistema de ventilação eléctrica

25

Fig.19 – Planta do museu com os factores que influenciam a conservação e segurança do museu

26

Fig.20 – Representatividade das colecções do Museu Parada Leitão

32

Fig.21 – Quantificação dos núcleos da colecção de Estampas e Desenhos

32

Fig.22 - Localização das salas de desenho na planta do 2º piso do edifício do Paço dos Estudos

34

Fig.23 - Salão de Desenho

35

Fig. 24 - Salão de Desenho

35

Fig.25 – Arquivo do Museu Parada Leitão: situação dos documentos gráficos em 2004

36

Fig.26 – Arquivo do Museu Parada Leitão: situação dos documentos gráficos em 2007

36

Fig. 27Materiais do universo em estudo

37

Fig. 28 – Ordens Arquitectónicas, 1909

39

Fig. 29 - Abrasão e oxidação

40

Fig.30 - Bolhas de ar

40

Fig. 31 – Manchas várias

41

Fig.32 – alterações na estrutura de madeira onde está colado o documento

41

Fig. 33 - Manchas e abrasão

42

Fig. 34 – Elementos ou orgãos de ligação: rebites, 1919

42

Fig.

35

– Rasgões

43

Fig. 36 – Formação de lâminas

43

Fig. 37 Mancha

44

Fig. 38 – Planta topográfica e sinais convencionais, 1840

44

Fig. 39 Canal

45

Fig. 40 – Abrasões no cartão onde está colada a estampa

45

Fig. 41 Manchas

46

Fig. 42 – Planta topográfica, século XIX

46

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Fig. 43 – Abrasão no cartão e resíduos de cola

47

Fig. 44 Manchas

47

Fig. 45 Sujidade absorvida

48

Fig. 46 – Desenho à vista: orgãos de transmissão de força e movimentos (gancho), século XIX

48

Fig. 47 Sujidade absorvida

49

Fig. 48 – Abrasão e descoloração

49

Fig. 49 – Abrasão e laminação

50

Fig. 50 – Planta topográfica (Jardim Botânico de Paris), 1887-88

50

Fig. 51 Manchas na tela (verso do documento)

51

Fig. 52 Bolhas de ar e vincos na tela

51

Fig. 53 – Amarelecimento, rasgões e vincos

51

Fig. 54 Amarelecimento, manchas e vincos

52

Fig. 55 – Edifício (Alçados), inicio do século XX

52

Fig. 56 Sujidade e manchas

53

Fig. 57 – Ondulação

53

Fig.

58

– Rasgões

53

Fig. 59 Manchas

54

Fig. 60 – Revestimento de poço de mina, 1917

54

Fig. 61 – Ondulação

55

Fig.62 – Agentes de deterioração do universo em estudo

55

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LISTA DE QUADROS

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Quadro nº 1 – Dados relativos à temperatura

13

Quadro nº 2 – Dados relativos á humidade relativa

13

Quadro nº 3 – Dados relativos à precipitação

14

Quadro nº 4 – Dados relativos ao vento

14

Quadro nº 5 – Dados relativos á radiação solar média mensal

15

Quadro nº 6 – Dados relativos aos poluentes (2005)

15

Quadro nº 7 – Classificação do índice de qualidade do ar, de acordo com as classes de concentração, para 2005

16

Quadro n.º 8 – Leituras pontuais realizadas com o monitor ambiental entre 20 de Junho e 04 de Julho de 2007

56

Quadro n.º 9 – Identificação dos agentes de degradação

60

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INTRODUÇÃO

Este trabalho foi realizado no âmbito da área científica de Conservação Preventiva do Curso Integrado de Estudos Pós-graduados em Museologia leccionado na Faculdade de Letras da Universidade do Porto e orientado pela Dra. Paula Menino Homem.

O plano de conservação deve ter em conta as estratégias e os objectivos delineados

anteriormente que definiram prioridades e opções que devem estar reflectidas nesse planeamento. É por isso primordial a realização de uma auditoria que abranja três vertentes: o edifício, a colecção e o ambiente. Esta permitirá recolher informações indispensáveis para desenvolver uma estratégia de monitorização e controlo ambiental, um plano de manutenção, um plano de segurança e emergência e um plano de formação. O objectivo deste trabalho é conceber um Plano de Manutenção Preventiva para a colecção

de estampas e desenhos do Museu Parada Leitão, de modo a estabilizá-la e minimizar os efeitos dos agentes de degradação. Não faz sentido a existência de outros planos de conservação se os procedimentos, politicas e parâmetros de manutenção da colecção e edifício e controlo ambiental não estiverem definidos e assumidos por todos. Assim sendo, numa primeira parte deste trabalho identifica-se quais as condições ambientais

e estruturais, externas e internas, do edifício onde está instalado o Museu Parada Leitão e avalia-se as estratégias de conservação, de modo a identificar quais as problemáticas e mais- valias existentes.

De seguida, apresenta-se a colecção em análise, através de uma amostra da mesma que se

pretende exemplificativa do todo, identificando o seu percurso e utilização, materiais, estado de conservação e condições ambientais a que está sujeita actualmente.

Por fim, perante estas análises delineou-se o Plano de Manutenção de índole preventivo e protector, onde se expõe não só as rotinas, estratégias e actuações que devem ser asseguradas, mas também os critérios e métodos de manuseamento e os parâmetros de controlo e avaliação do estado de conservação.

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I.

A INSTITUIÇÃO

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IDENTIFICAÇÃO

IDENTIFICAÇÃO

CONTACTOS

Rua Dr. António Bernardino de Almeida, n.º 431 4200 Porto Tel: 22 8340508 Fax:

E-mail: museu@ipp.pt

DIRECÇÃO

Eng.º Alberto Sousa Guimarães

DATA DE CRIAÇÃO

1998

PROPRIETÁRIO

Fundação Instituto Politécnico do Porto

MISSÃO

Reunir espólio para fins de estudo, investigação e divulgação da história do ensino técnico e da tecnologia, das engenharias, da indústria e outras temáticas com estas relacionadas.

CONSERVAÇÃO

Função inerente à definição do museu e um dos objectivos da instituição

EQUIPA

Conservadora: Dra. Patrícia Costa Técnica Superior: Dra. Patrícia Geraldes Técnico Profissional: Eduardo Mata

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II.

CARACTERIZAÇÃO GEOGRÁFICA E AMBIENTAL

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LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA

O Museu Parada Leitão situa-se na Rua Dr. António Bernardino de Almeida, freguesia de Paranhos, concelho e distrito do Porto (fig.1 e 2) e encontra-se provisoriamente instalado no Instituto Superior de Engenharia do Porto. Esta instituição fica localizada no limite noroeste da cidade numa densa malha urbana (fig.3), caracterizada por bairros residenciais como o bairro de Agra do Amial e o bairro da Azenha, pelo Pólo Universitário da Asprela (o maior da cidade do Porto) que integra vários estabelecimentos do ensino superior como a Universidade Portucalense Infante D. Henrique e a Universidade Católica do Porto, a Escola Superior de Enfermagem, a Escola Superior de Educação do Porto, a Faculdade de Medicina, Economia, Ciências e Desporto, Medicina Dentária e de Engenharia da Universidade do Porto, o próprio Instituto Superior de

Engenharia do Porto e algumas

escolas primárias. A par destes estabelecimentos de ensino, a zona envolvente integra ainda duas das mais importantes estruturas de saúde do país: o Hospital de S. João e o Instituto Português de Oncologia onde diariamente chegam milhares de pessoas para serem assistidas.

Além destes aspectos é importante referir que esta zona está próxima de duas das vias mais movimentadas da cidade do Porto: a VCI com ligação à auto-estrada n.º 3 e a Circunvalação.

Fig.1 – Localização do distrito do Porto em Portugal

Fig.1 – Localização do distrito do Porto em Portugal

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do Museu Parada Leitão: Plano de Manutenção Preventiva Fig.2 – Localização da freguesia de Paranhos na

Fig.2 – Localização da freguesia de Paranhos na cidade do Porto

Fig.2 – Localização da freguesia de Paranhos na cidade do Porto Fig.3 – Localização do ISEP

Fig.3 – Localização do ISEP

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do Museu Parada Leitão: Plano de Manutenção Preventiva Fig.4 – Localização do museu no Campus do

Fig.4 – Localização do museu no Campus do ISEP

CONDIÇÕES AMBIENTAIS EXTERNAS

A cidade do Porto caracteriza-se por ter um clima temperado Atlântico, embora bastante húmido e com algum arrefecimento nocturno. A zona onde se localiza o Museu Parada Leitão não diverge desta apreciação. Através da Estação Meteorológica situada na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto ( 1 ), instituição também situada na área de análise, foram adquiridos os dados apresentados de seguida relativos às condições climatéricas. Esta estação mede e regista com uma frequência de 10 minutos a temperatura, a humidade relativa, a direcção e velocidade do vento, a radiação solar e a pressão média e está localizada a uma Latitude de 41º10' N, Longitude de 08º 35' O e a uma Altitude de 73m.

1 Fonte: Estação Metereológica da FEUP (http://paginas.fe.up.pt/~em01024/Estacao.htm)

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TEMPERATURA

Temperaturas médias elevadas diminuem as oportunidades de arrefecimento. Variações anuais e alterações diurnas reduzidas limitam os ciclos diários ou sazonais de arrefecimento.

 

Temp.

(ºC)

Mai-06

15,6

Jun-06

20,2

Jul-06

20,2

Ago-06

(*)

Set-06

(*)

Out-06

16,5

Nov-06

12,3

Dez-06

10,3

Jan-07

10,4

Fev-07

11,8

Mar-07

12,6

Abr-07

15

Mai-07

16,3

(*) sem dados

Quadro nº 1 – Dados relativos à temperatura

A temperatura média é de 14ºC, apesar da tendência, como sabemos, ser para aumentar, e verifica-se que existe uma variação de cerca de 10ºC no Inverno e de 20ºC no Verão. Face ao aquecimento global do planeta e às alterações climáticas visíveis que se têm registado um pouco por todo o nosso país é de esperar que os dados venham a registar

algumas alterações todos os anos, sendo necessário estar com atenção a este factor nos próximos anos.

HUMIDADE

Humidade relativa elevada aumenta as probabilidades de desenvolvimento de fungos e insectos e oxidação.

 

Humidade

(%)

Mai-06

92

Jun-06

74

Jul-06

74

Ago-06

(*)

Set-06

(*)

Out-06

98

Nov-06

96

Dez-06

92

Jan-07

93

Fev-07

96

Mar-07

83

Abr-07

86

Mai-07

89

(*) sem dados

A humidade média é de 90%, um valor muito elevado, traduzido muitas vezes em formação de nuvens e ocorrência de nevoeiro, sendo que nos meses de Verão, ou sempre que a temperatura aumenta durante o dia, se revela menor.

Quadro nº 2– Dados relativos á humidade relativa

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PRECIPITAÇÃO

Os padrões de precipitação são importantes para entender os níveis de humidade relativa e para desenvolver estratégias de controlo ambiental

A precipitação média anual da cidade do Porto é de 1152mm e este último ano, como podemos ver no quadro seguinte ( 2 ), não fugiu à regra. Segundo dados do Instituto de Meteorologia, todos os valores mensais do último ano se encontram abaixo do nível normal, à excepção dos meses de Setembro, Outubro e Novembro de 2006 que ultrapassaram em muito os valores de referência e do mês de Fevereiro que ultrapassou ligeiramente o valor de referência. A precipitação é mais frequente nos meses de Inverno, muitas vezes acompanhada de vento.

 

Precipitação

(mm)

Mai-06

9

Jun-06

37

Jul-06

7

Ago-06

13.1

Set-06

94.5

Out-06

243

Nov-06

223

Dez-06

135

Jan-07

35

Fev-07

159.8

Mar-07

53

Abr-07

44

Mai-07

63

TOTAL

1116.4

Quadro nº 3 – Dados relativos à precipitação

VENTO E MOVIMENTAÇÃO DO AR

Os padrões do vento e da movimentação são importantes para determinar as estratégias de ventilação natural e arrefecimento.

 

Direcção

Velocidade

do vento

do vento

media

média

(º)

(Km/h)

Mai-06

95

1,2

Jun-06

77

0,9

Jul-06

77

0,9

Ago-06

(*)

(*)

Set-06

(*)

(*)

Out-06

135

2,5

Nov-06

153

1,3

Dez-06

104

1,6

Jan-07

89

1,3

Fev-07

101

1,8

Mar-07

76

1,4

Abr-07

50

1,1

Mai-07

42

1,2

(*) sem dados Quadro nº 4 – Dados relativos ao vento

Em média a velocidade do vento rondou o 1,3 Km/h, sendo menor no Verão e maior no Inverno. A direcção do vento média foi 79º.

2 Fonte: Relatórios Climáticos do Instituto de Meteorologia de Portugal (http://www.meteo.pt/pt/clima/info_clima/clim_informac.jsp)

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RADIAÇÃO SOLAR

Os padrões de radiação solar e a existência de nuvens afecta a intensidade da luz natural no interior assim como as perdas e ganhos de calor e a temperatura.

Sobressaem os meses de Inverno e de Verão, embora estes últimos apresentem cerca de metade dos valores registados em Dezembro e Janeiro. As horas de maior incidência são as do meio do dia. A média anual atingiu os 378,3 W/m 2.

 

Radiação solar (W/m 2 )

Mai-06

193,3

Jun-06

233,9

Jul-06

233,9

Ago-06

(*)

Set-06

(*)

Out-06

104,8

Nov-06

79,6

Dez-06

528,5

Jan-07

552,5

Fev-07

173,3

Mar-07

395,4

Abr-07

507,4

Mai-07

402,9

(*) sem dados

Quadro nº 5 – Dados relativos á radiação solar média

mensal

QUALIDADE DO AR

A qualidade do ar é uma área crítica a considerar na implementação de estratégias de ventilação, especialmente quando a filtração mecânica não é eficiente

A presença no ar de partículas em suspensão, liquidas ou sólidas, ou de gases que, a partir de uma certa concentração, representam um transtorno ambiental, é outro factor que é necessário avaliar, pois provocam a degradação das características físicas ou químicas do ecossistema e o ambiente externo é a maior fonte desses poluentes.

Tipo de

 

Medições

Média

Máximo

Máximo

Estação

horárias

anual

horário

diário

poluente

(n)

(µg.m 3 )

(µg. m 3 )

(µg. m 3 )

SO2

Senhora da Hora

8727

9,5

324

87

No2

Antas

8216

48,5

244

115

O3

Antas

8713

36

219

s/dados

Quadro nº 6 – Dados relativos aos poluentes (2005)

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do Museu Parada Leitão: Plano de Manutenção Preventiva Quadro nº 7 – Classificação do índice de

Quadro nº 7 – Classificação do índice de qualidade do ar, de acordo com as classes de concentração, para 2005 ( 3 )

Os dados relativos à cidade do Porto obtidos datam de 2005 ( 4 ), mas são representativos dos elevados índices de poluentes: o dióxido de enxofre está abaixo dos valores limite (125µg.m 3 ), mas o dióxido de azoto ultrapassa o limite recomendado (200µg.m 3 ) e o ozono atinge limites prejudiciais a longo prazo, atingindo uma classificação de Fraco (limiar de alerta: 240 µg.m 3 ).

NÍVEIS FREÁTICOS

Não existem dados exactos acerca dos níveis freáticos daquela zona, no entanto sabe-se que são superficiais porque esta é uma zona de confluência de águas com pequenos cursos de água subterrâneos que vão desaguar à ribeira da Asprela, actualmente entubada e principal curso de água da referida zona. Por este facto a capacidade de absorção dos solos satura rapidamente, podendo provocar inundações nos pisos inferiores e abaixo da cota do solo.

O EDIFICIO

O Museu Parada Leitão situa-se, desde 1998, no piso -1 do Edificio C do campus do ISEP à cota de -2,70m. O acesso ao Museu é efectuado, internamente, pelas escadas a Sul e pelo elevador e pelo exterior através de uma rampa na fachada oeste.

3 Fonte: Relatório Estado da Qualidade do Ar na Região Norte – 2005. CCDRN Universidade de Aveiro, pág. 6

4 Fonte: Relatório Estado da Qualidade do Ar na Região Norte – 20045 CCDRN Universidade de Aveiro

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CARACTERÍSTICAS ESTRUTURAIS

O edifício é construído num sistema misto de estrutura de betão armado e paramentos em alvenaria de tijolo. O revestimento das fachadas é em tijolo aparente formando caixa-de-ar. No revestimento das coberturas foi aplicado fibrocimento e lagetas de betão e, nas clarabóias, que são rebocadas e pintadas, foram colocadas telas auto protegidas. Os isolamentos térmicos e hidrófugos foram garantidos. As paredes são pintadas sobre betão aparente, o reboco estanhado com acabamento a tinta plástica em todas as superfícies. Os tectos são pintados sobre betão aparente, reboco estucado com acabamento a tinta de água e a tinta plástica nos espaços de circulação. No que diz respeito à impermeabilização e vedações, as juntas de dilatação são preenchidas com placas de aglomerado negro de cortiça e a impermeabilização das fundações e faces exteriores de paredes enterradas com flintkote aplicado em duas demãos. Todas as paredes enterradas foram drenadas com a aplicação de telas de Encadrayn, e na sua base colocado um tubo de 150mm de Ø que liga à rede exterior de águas pluviais. As juntas de dilatação das paredes enterradas foram vedadas com perfil de borracha do tipo watter stop de 25cm de largura. Os terrenos sobre os quais foram assentes os pavimentos em betonilha foram nivelados e compactados e a camada final foi executada com massame de betão onde foi incorporado um aditivo hidrófugo de 1ª qualidade. O pavimento interior é em betonilha atalochada e revestido de tijoleira nas salas de exposição e da reserva e de linóleo nos serviços técnicos e educativos, materiais que se evidenciam pelas suas características de durabilidade, resistência ao desgaste e abrasão e facilmente limpáveis. Todo o espaço expositivo e de reserva do museu prima pela ausência de janelas ou qualquer passagem para o exterior. No entanto, nos espaços destinados aos gabinetes técnicos e serviços educativos existem duas janelas.

VEGETAÇÃO E PAISAGEM CIRCUNDANTE

A vegetação e a paisagem têm implicações benéficas e adversas: se por um lado são filtros naturais de poluentes, providenciam sombra, afectam a ventilação e a velocidade do vento, por outro elevam os níveis de humidade e facilitam o aparecimento de insectos e microorganismos. Além disso, o tratamento de jardins introduz poluentes do equipamento, humidade da irrigação e restos de vegetação cortada.

A colecção de Estampas e Desenhos do Museu Parada Leitão: Plano de Manutenção Preventiva

Na área envolvente ao edifício onde está localizado o museu existe bastante vegetação, predominando o relvado e as árvores, algumas delas de fruto, mas não se encontram flores com frequência. Todos os meses procede-se ao tratamento dos jardins. O terreno que circunda o edifício resulta da substituição dos aterros existentes anteriormente por aterro de saibro devidamente compactado. Outro factor que pode interferir directamente no ambiente do museu é a constante utilização das zonas circundantes para estacionamento de carros, privilegiando o aumento da poluição na área.

de carros, privilegiando o aumento da poluição na área. Fig.5 – Zonas verdes na área circundante

Fig.5 – Zonas verdes na área circundante ao museu

EVOLUÇÃO DO ESPAÇO FÍSICO

Quando, em 1998, o Museu foi instalado na garagem do edifício C ocupava apenas duas salas:

Na primeira sala foram colocados os objectos da categoria de Física e Geometria Descritiva dentro de armários e vitrinas. Instalaram-se dois sistemas de ar condicionado (Airwell) a 19ºC, dois desumidificadores (Dantherm CDP20 e Dantherm CDP30) a 55% e duas caixas-de-ar ligadas ao exterior. Na sala seguinte, de dimensões mais reduzidas, foi instalado um sistema de ar condicionado (Airwell) igual ao da sala anterior e um desumidificador (Dantherm CDP30) regulados para os mesmos valores. Nesta sala acondicionaram-se os objectos da categoria de Mecânica em vitrinas e armários. Outros de maior dimensão e com um peso elevado foram colocados directamente sobre o pavimento.

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do Museu Parada Leitão: Plano de Manutenção Preventiva Fig.6 – Planta do piso -1 do edifício

Fig.6 Planta do piso -1 do edifício C e área ocupada pelo museu (1998)

A crescente “descoberta” de espólio em diversos pontos do ISEP e o interesse dos visitantes em poder aceder ao que não passava ainda de uma reserva, tornou necessário aumentar o espaço útil e realizar obras de ampliação para tornar a reserva visitável e incorporar o novo espólio. No entanto, as novas salas não foram apetrechadas de sistemas de monitorização ou controle ambiental. Após esta alteração o museu passou a ser constituído por 4 salas visitáveis e por uma área reservada:

A primeira e a segunda sala não sofreram qualquer alteração;

Na 3ª sala foram colocados os objectos de Química em armários e vitrinas e, em alguns casos, no pavimento, o que põe em causa a integridade física dos objectos. Ao contrário das duas salas anteriores não possui nenhum sistema para monitorizar e controlar o ambiente, tornando esta sala dependente dos sistemas instalados nas salas anteriores;

Na 4ª sala foram colocados os objectos de Civil, Minas e Metalurgia e Desenho Técnico. O único sistema de controlo ambiental que possui é um desumidificador portátil com capacidade para 10 litros e duas caixas-de-ar com ligação ao exterior; Na área de acesso condicionado passaram a coexistir o fundo documental do museu (sala 5), um pequeno espaço destinado às tarefas de manutenção e limpeza (sala 6) e um outro subdividido através de paredes movíveis para o desenvolvimento das actividades dos serviços educativos e armazenamento de objectos (sala 7).

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do Museu Parada Leitão: Plano de Manutenção Preventiva Fig.7 – Planta do piso -1 do edifício

Fig.7 Planta do piso -1 do edifício C (2000)

Neste momento, está a decorrer uma nova fase de ampliação e reorganização da exposição. A intenção é criar salas que permitam uma exposição de longa duração, espaços apropriados de reserva e arquivo, zonas de consulta e de apoio e transferir os serviços técnicos para o mesmo piso.

e transferir os serviços técnicos para o mesmo piso. Fig.8 – Planta do museu depois das

Fig.8 Planta do museu depois das obras de ampliação e reorganização (previsão:2007)

ROTINAS DE MANUTENÇÃO

Não existe um plano de manutenção para o Museu.

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A colecção de Estampas e Desenhos do Museu Parada Leitão: Plano de Manutenção Preventiva

A limpeza depende directamente dos serviços contratados pelo Instituto Superior de Engenharia do Porto: a limpeza do pavimento é realizada diariamente, antes do início do horário de funcionamento, pela empresa que limpa todas as instalações do Instituto. A equipa de limpeza não teve formação especifica, apenas foi informada que não poderia utilizar quaisquer produtos de limpeza sem consultar previamente a conservadora do museu, optando preferencialmente por limpar apenas com água. As inspecções mensais ao equipamento de controlo ambiental é feita também por empresas que estão contratadas pelo Instituto para realizar a manutenção do equipamento similar de todo o Campus. A equipa de manutenção dos equipamentos tem um técnico formado para o efeito. Não foi possível apurar o tipo de filtros existentes e a regularidade com que são substituídos.

PLANO DE SEGURANÇA E EMERGÊNCIA

O Museu Parada Leitão está localizado no espaço do Instituto Superior de Engenharia do Porto e, como esta instituição não tem nenhum Plano de segurança e emergência, não fez sentido existir um para o museu, pois não pode ser integrado no de escala institucional. No entanto, existem alguns sistemas de detecção e extinção de incêndios que já se encontravam em algumas das salas antes da instalação do museu e que se mantiveram nos mesmos locais (ver fig. 19). Mas são os únicos sistemas de gestão de riscos existentes. Mais nenhum foi pensado aquando da instalação do museu neste espaço, mesmo as portas colocadas posteriormente são em madeira e não existem extintores. Apenas o pavimento em tijoleira e as paredes em betão armado previnem de algum modo o alastramento de fogo e a existência de saída de emergência facilita o acesso ao museu para qualquer sala. No entanto não está devidamente assinalada.

qualquer sala. No entanto não está devidamente assinalada. Fig.9 – Sistema detector de incêndios Pág. 21

Fig.9 Sistema detector de incêndios

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do Museu Parada Leitão: Plano de Manutenção Preventiva Fig.10 – Sistema de alarme d e incêndios

Fig.10 Sistema de alarme de incêndios

Preventiva Fig.10 – Sistema de alarme d e incêndios Fig.11 – Mangueira de incêndios No que

Fig.11 – Mangueira de incêndios

No que diz respeito a riscos de dano/perda por inundação ou infiltrações existem algumas condições negativas que não foram tomadas em consideração: o Museu foi instalado numa cave à cota de -2,70m, as canalizações situam-se em todas as salas junto ao tecto e, em alguns dos espaços existem canalizações abertas. No entanto, foram instaladas sistemas de escoamento de água e as paredes em betão armado têm aditivos hidrófugos.

e as paredes em betão armado têm aditivos hidrófugos. Fig.12 – Exemplo de c analizações abe

Fig.12 Exemplo de canalizações abertas

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do Museu Parada Leitão: Plano de Manutenção Preventiva Fig.13 – Canalizações junto ao tecto colocadas por

Fig.13 – Canalizações junto ao tecto colocadas por cima dos objectos em exposição

ao tecto colocadas por cima dos objectos em exposição Fig.14 – Sistema de escoamento de águas

Fig.14 – Sistema de escoamento de águas

CONTROLO E MONITORIZAÇÃO AMBIENTAL DO MUSEU

Até há pouco tempo os gabinetes dos serviços técnicos estavam afastados da área museológica, o que por vezes influenciou na decisão de se realizarem inspecções regulares. Além disso, apesar de existirem alguns sistemas de controlo ambiental, não existem sistemas de monitorização para aferição do bom funcionamento do equipamento.

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A colecção de Estampas e Desenhos do Museu Parada Leitão: Plano de Manutenção Preventiva

Para o controlo da humidade relativa, não existem métodos instalados em toda a área do museu, apenas 2 desumidificadores nas duas primeiras salas (regulados a 55%) e outro no arquivo (regulado entre 45% e 55%). A monitorização ambiental nunca foi realizada. Provavelmente fruto desta falta de aferição de resultados e consequente regulação dos equipamentos, medições pontuais efectuadas recentemente apontaram para valores de humidade relativa entre 65% e 77%. É extremamente necessário implementar uma estratégia de monitorização para averiguar se estes resultados são constantes e quais os factores que os influenciam. Até porque, por outro lado, existem condições positivas que facilitam o controlo da humidade: isolamento hidrófugo do edifício, não existem janelas nas salas de exposição nem nas reservas e o fluxo de visitantes é reduzido.

nem nas reservas e o fluxo de visitantes é reduzido. Fig.15 - Desumidificador No que diz

Fig.15 - Desumidificador

No que diz respeito ao controlo da temperatura, este é feito através de apenas dois sistemas de ar condicionado localizado nas duas primeiras salas e regulados para uma temperatura de 18ºC. No entanto, tal como acontece com a Humidade relativa, não existe nenhuma estratégia de monitorização. Medições pontuais efectuadas recentemente durante 15 dias indicaram valores máximos de 21ºC, mas, tal como acontece com a humidade relativa, apenas depois de implementada uma estratégia de monitorização ambiental se poderia compreender estes valores em todas as suas dimensões. Não se pode deixar de apontar alguns factores positivos no controlo da temperatura:

isolamento térmico do edifício, não existem janelas nas salas de exposição nem nas reservas e o fluxo de visitantes é reduzido.

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do Museu Parada Leitão: Plano de Manutenção Preventiva Fig.16 - Sistema de ar condicionado Relativamente ao

Fig.16 - Sistema de ar condicionado

Relativamente ao controlo da qualidade do ar e da poluição, como já foi referido, não existe um plano de manutenção, mas é feita limpeza diária de pavimentos e mensalmente os equipamentos de controlo ambiental são verificados. Não existem janelas nas salas de exposição nem nas reservas e o fluxo de visitantes é reduzido, decrescendo também as possibilidades da entrada de poluentes no espaço museológico. A ventilação é assegurada por caixas-de-ar em praticamente todas as salas e por ventiladores eléctricos no arquivo, mas não existem quaisquer filtros purificadores do ar.

mas não existem quaisquer filtros purificadores do ar. Fig.17 – Caixa-de-ar Pág. 25 | 117 Fig.18

Fig.17 Caixa-de-ar

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filtros purificadores do ar. Fig.17 – Caixa-de-ar Pág. 25 | 117 Fig.18 – Sistema de ventilação

Fig.18 – Sistema de ventilação eléctrica

A colecção de Estampas e Desenhos do Museu Parada Leitão: Plano de Manutenção Preventiva

A prevenção contra ataques de agentes orgânicos é feita através de desinfestações trimestrais por meio de biocidas contra insectos bibliófagos, apenas na área do arquivo e reserva documental. Não foi possível identificar quais as especificidades do produto, mas sabe-se que não é prejudicial ao Homem. As inspecções após a desinfestação neste espaço são regulares, mas nas restantes áreas do museu não são feitas com frequência.

restantes áreas do museu não são feitas com frequência. Fig.19 – Planta do museu com os

Fig.19 Planta do museu com os factores que influenciam a conservação e segurança do museu

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A colecção de Estampas e Desenhos do Museu Parada Leitão: Plano de Manutenção Preventiva

III.

A COLECÇÃO DE ESTAMPAS E DESENHOS

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A colecção de Estampas e Desenhos do Museu Parada Leitão: Plano de Manutenção Preventiva

CONTEXTUALIZAÇÃO

A vontade de reunir testemunhos de evoluções técnicas e didácticas foi sempre uma constante entre professores e funcionários do Instituto Superior de Engenharia do Porto e das escolas das quais é herdeiro. Fruto disso, chegou até aos nossos dias uma preciosa colecção de instrumentos e modelos cientifico-didácticos que demonstram, de forma clara, a

evolução científica e técnica no ensino experimental desde a criação da Escola Industrial, em

1852.

Desde 1852 a 1933, a Escola Industrial do Porto (que também foi denominada de Instituto Industrial do Porto e Instituto Industrial e Comercial do Porto) esteve instalada no Paço dos Estudos, edifício na Praça dos Leões onde se encontra instalada, hoje em dia, a Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. Em 1933, o Instituto é estabelecido num edifício da Rua do Breyner e, só em 1968 é transferido definitivamente para um local construído de raiz para o efeito na Rua de S. Tomé. Durante as décadas seguintes à fundação da Escola, foram criadas várias unidades museológicas, como o Museu Tecnológico (1864), o Museu Industrial e Comercial do Porto (1883) e outros gabinetes de apoio ao ensino onde se podiam encontrar o que de mais inovador existia em cada época relacionado com as diferentes áreas leccionadas na instituição. A dissolução deste tipo de instituições associadas ao ensino industrial não esvaneceu a ideia de conservar ou mesmo de expor, embora já não fossem apresentados produtos da indústria e do comércio, mas sim os instrumentos científicos dos laboratórios e gabinetes. Em 1998, devido ao desejo antigo de reunir e expor a colecção que se foi criando e adquirindo ao longo de quase 150 anos, nasce o Museu Parada Leitão, instalado provisoriamente no Instituto Superior de Engenharia do Porto, passando a ser uma unidade da Fundação Instituto Politécnico do Porto em 2004. Ao Museu é atribuído o nome Parada Leitão em homenagem a um dos lentes de física da Academia Politécnica do Porto e primeiro director da Escola Industrial entre 1854 e 1865, José de Parada e Silva Leitão. No Museu Parada Leitão estão reunidos cerca de 9000 objectos, desde instrumentos científicos, modelos didácticos e espólio documental que foram pertencendo e, em alguns casos, produzidos ao longo dos anos no Instituto e nas unidades de ensino auxiliar, constituindo uma colecção que se estende a quase todas as áreas da engenharia leccionadas neste estabelecimento: da física à electrotecnia, da matemática à mecânica, da engenharia química à civil, passando pelo desenho, pela mineralogia e pela metalurgia. As orientações para um futuro próximo prendem-se com a instalação do museu no edifício da Rua do Breyner, onde esteve instalado o Instituto desde 1933 até à sua mudança para o actual edifício na Rua de S.Tomé, local que estará provido de componentes espaciais e logísticos adequados à conservação e exposição do espólio existente.

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DESCRIÇÃO SUMÁRIA

A colecção de estampas e desenhos conta com cerca de 4000 documentos ( 5 ) e é

representativa do ensino do desenho desde os tempos da Escola Industrial, englobando as áreas de mecânica, civil, topografia, minas, ornato, entre outras, contribuindo não só para o esclarecimento das áreas de ensino em determinada época, mas também de metodologias adoptadas e material utilizado. Divide-se em quatro núcleos distintos:

Trabalhos curriculares Mais vasto, de desenho de natureza académica, produzido no âmbito da actividade escolar de estudantes e docentes, o núcleo de trabalhos curriculares é representativo do ensino do desenho desde os tempos da Escola Industrial e engloba trabalhos de alunos das áreas de mecânica, civil, topografia, minas, ornato e modelação, entre outras, no período compreendido entre 1854 e 1933. No entanto, o espólio de maior relevância nesta colecção está datado do início do século XX.

A importância desta disciplina sempre se prendeu com o facto de se o aluno, por mais que tentasse, não conseguisse ser perfeito na execução dos desenhos, teria deles um conhecimento preciso para a compreensão da linguagem gráfica, ou seja, o objectivo não era fazer escola de desenhadores, mas sim estudar a linguagem das formas e das cores de modo a utilizá-las pela sua perfeita leitura nas várias aplicações.

O ensino do desenho englobava aplicações de geometria no espaço, como exercícios de

penetração e intersecção de sólidos, noções de arquitectura, desenho de órgãos de máquinas e elementos de desenho topográfico. Além disso, dedicava também atenção à caligrafia e à cópia de ornatos em gesso ou produtos da natureza. A geometria era vista como a base do ensino racional do desenho, mas dando-se grande relevância ao ensino oral, explicando regras e processos geométricos conjuntamente com

indicações sobre como utilizar os instrumentos de precisão. O ensino compreendia a execução com auxílios de instrumentos de precisão e a execução de mão livre.

O desenho de máquinas nunca se limitou apenas à cópia de estampas ou de modelos.

Eram sempre incluídas nos programas desta cadeira noções, ainda que muito gerais, acerca das proporções de peças e órgãos de máquinas, especificação de metais, fabricações

especiais, tabelas, etc. Estes aspectos eram tidos em conta como conhecimentos essenciais e muito úteis a todos os operários que frequentassem a Escola Industrial.

O desenho de máquinas incluía três partes:

_ o desenho à vista que consistia em copiar estampas, modelos ou pequenas peças sem o auxílio de instrumentos. Estes esboços eram feitos sem escala, bastando proporcionar

5 Contagem provisória. O inventário desta colecção iniciou-se 2004 e, até ao momento, apenas 2319 documentos estão inventariados.

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A colecção de Estampas e Desenhos do Museu Parada Leitão: Plano de Manutenção Preventiva

correctamente o conjunto da peça. Eram os desenhos auxiliares e preparatórios ao desenho rigoroso e, por isso mesmo, mais rápidos de executar e de grande importância em trabalhos práticos de oficinas. _ o desenho rigoroso que consistia em copiar estampas de peças de máquinas, para serem desenhadas em diferentes escalas com todo o rigor da construção gráfica, devidamente cotada e detalhada. _ e o terceiro ponto compreendia indicações práticas, tabelas e proporções que auxiliavam o desenho e conjuntamente habilitavam para a compreensão de pequenos esboços cotados que se poderiam desenvolver e detalhar no desenho rigoroso. No desenho topográfico eram dadas as noções básicas de executar levantamentos topográficos, as convenções adoptadas por diferentes organismos (incluindo legendas, escalas, sinais e títulos) e a indicação dos diferentes tipos de representações que podiam ser realizadas: desenho a traço de nanquim, desenho a cores e em minuta, desenho a traços de cores, desenho a cores e acabado, desenho a aguadas de nanquim. O processo de medição que permitia reproduzir em mapas as características físicas de um terreno era leccionado na cadeira de Topografia. Eram normalmente realizados Levantamentos Topográficos Altimétricos (perfis de terreno) e Plantas topográficas, mas muitas vezes preferia-se realizar cópias de outras plantas já completas. Um ponto curioso e, talvez, a razão de muitos desenhos terem chegado até hoje como se tivessem sido feitos ontem, justifica-se pelo processo de lavagem dos desenhos antes de serem coloridos. A razão desta lavagem era tirar toda a sujidade, gordura e marcas de borracha, permitindo que as cores das aguadas não ficassem manchadas. Quando o desenho tivesse de ser colorido, era primeiro passado a tinta preta e apagados todos os traços a lápis em excesso, depois lavava-se com uma esponja e bastante água para tirar a tinta que estivesse em demasia. Quando não estivesse muito sujo, podia lavar-se só com o desenho a lápis, precisando para isso que o desenho estivesse bem acabado e apagadas as linhas desnecessárias, porque, depois de lavado, o lápis não era fácil de desaparecer.

Estampas Um importante núcleo englobado nesta colecção diz respeito a exemplares únicos de estampas, principalmente na área de mecânica, civil e topografia, adquiridos quase sempre no estrangeiro, consideradas verdadeiras raridades hoje em dia e datadas do século XIX. As estampas eram um meio pedagógico importantíssimo, pois permitiam aos alunos realizar cópias para todas as áreas do desenho, desenvolvendo, deste modo, a capacidade de desenho á vista sem o auxílio de instrumentos. Mesmo apresentando graves problemas de conservação e de as colecções não estarem completas, são de grande relevância não só enquanto documento museológico pela sua antiguidade e raridade, mas também enquanto documento auxiliar para a compreensão de parte do espólio do Museu Parada Leitão. Apesar de incompletas são de salientar: uma colecção de estampas de mecânica intitulada “Le Practicien Industriel” da autoria de Stanislas Petit e uma colecção de estampas

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referentes a monumentos fúnebres intitulada “Tombeaux, Recueil de Monuments Funebres d’apres tous les styles” da autoria de A. Cheveneau e E. Leblanc, ambas publicadas por Monrocq Fréres; e, duas colecções de estampas de topografia, uma da autoria de A. M. Perrot publicada por Paolo Fumagalli e outra da autoria de Salussolia publicada por Ermanno Loescher.

Quadros parietais

No Museu Parada Leitão existe também um núcleo de quadros parietais datados do século

XX com fins meramente didácticos e que abrange áreas como a mecânica e a electricidade.

Este material didáctico apresentava principalmente esquemas de máquinas e de ligações eléctricas de elementos ou peças.

Cartografia Tendo em conta que a cartografia sempre teve uma grande importância em Portugal, é de todo lógico que o ensino acompanhasse o progresso desta ciência. O núcleo do museu, apesar do mau estado de conservação em que se encontra e de

alguns conjuntos estarem incompletos, tem um significado museológico importantíssimo não

só como documento histórico, mas também didáctico. Nele estão integradas plantas

topográficas do Porto, levantamentos cartográficos militares de Lisboa, alguns exemplares de

cartas de impérios europeus e ainda um levantamento topográfico do Jardim Botânico de Paris. Datam do século XIX e início do século XX. Nesta colecção contamos com plantas topográficas da cidade do Porto desde o início do

século XIX, como a planta “Cidade do Porto, dedicada ao Brigadeiro Sir Nicolao Trant” (1813)

de George Balck, a “Planta da cidade do Porto contando com o Palacio de Christal, nova

alfândega e diversos melhoramentos posteriores a 1844” (1865) de F. Perry Vidal ou a “Carta

Topográfica da cidade do Porto” (1892) de Augusto Gerardo Telles Ferreira. No Museu existe ainda uma série da “Carta dos Arredores de Lisboa” que contribuiu em

muito para a afirmação da instituição cartográfica militar. Apesar de o Corpo do Estado-Maior

ter sido criado mais cedo, a publicação das primeiras cartas militares em Portugal só foi

iniciada em 1881 e sucessivamente reformulada até aos anos 30 do século seguinte. Esta série parece ter sido começada a editar a partir de 1891 e pretendia cobrir apenas a região

próxima à capital, mas acabou por chegar quase até Peniche e abranger a Península de Setúbal. Existe ainda um levantamento topográfico do Jardim Botânico de Paris datado de 1917 da autoria de Charles Muret.

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REPRESENTATIVIDADE DA COLECÇÃO NO ACERVO DO MUSEU

A representatividade desta colecção no total de espólio que existe no Museu Parada Leitão é muito relevante. Vejamos o gráfico.

43%

COLECÇÕES

1%

43% COLECÇÕES 1% 56% Objectos Estampas eDesenhos Fotografia

56%

Objectos43% COLECÇÕES 1% 56% Estampas eDesenhos Fotografia

Estampas eDesenhos43% COLECÇÕES 1% 56% Objectos Fotografia

Fotografia43% COLECÇÕES 1% 56% Objectos Estampas eDesenhos

Fig.20 – Representatividade das colecções do Museu Parada Leitão

Dos cerca de 4000 documentos que pertencem à colecção estão, neste momento, inventariados cerca de metade (2319) e a sua distribuição por núcleo é a seguinte:

1996 2000 1800 1600 1400 Trabalhos Curriculares 1200 Estampas 1000 Quadros Parietais 800 Cartografia 600
1996
2000
1800
1600
1400
Trabalhos Curriculares
1200
Estampas
1000
Quadros Parietais
800
Cartografia
600
265
400
57
1
200
0
Documentos inventariados

Fig.21 – Quantificação dos núcleos da colecção de Estampas e Desenhos

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O PERCURSO DA COLECÇÃO

O ensino do desenho está presente nos curricula dos alunos desde a criação da Escola Industrial. No final do século XIX / início do século XX, o ensino do desenho evoluiu da seguinte forma:

De 1852 a 1864 a cadeira de desenho era obrigatória em todos os cursos e em todos os graus e dava-se relevância ao desenho linear e de ornatos industriais e ao desenho de modelos de máquinas;

A partir de 1864, para além das áreas já abrangidas nos programas anteriores, inclui-se

o

desenho arquitectónico e o levantamento topográfico. Esta modificação tem

directamente a ver com a alteração dos graus de ensino e dos cursos leccionados.

Surgem cursos relacionados com obras públicas e com instrumentos de precisão ou outros que necessitam de conhecimentos de topografia;

O

Programa de 1872 dividiu o desenho em quatro partes, englobava aplicações de

geometria no espaço, exercícios de penetração e intersecção de sólidos, noções de arquitectura, desenho de elementos de máquinas e de desenho topográfico. Além disso,

dedicava também atenção à caligrafia e à cópia de ornatos em gesso ou produtos da natureza;

o Programa de 1880, também dividido em quatro partes era moldado nos mesmos tramites que o anterior, deixando de lado a caligrafia e a cópia de ornatos;

os

Programas de 1886 e as revisões de 1888 e 1889 são idênticos, mas reduziu o ensino

do desenho a dois anos e relacionou-o com os de ensino de matemática e com a resolução prática dos problemas lá mencionados. As disciplinas de desenho incluem figura, ornato, paisagem, máquinas, arquitectura, topografia e minas.

O Programa de 1895 moldou o ensino de forma diferente: dividiu-o em cinco anos, integrando novamente a geometria de forma extensa. O ensino do desenho passa a ser rigoroso e mantém os temas dos programas anteriores;

O Programa de 1905 assume uma forma diferente ao dar relevância ao material didáctico e oferecer uma maior liberdade pedagógica aos professores. Os temas mantêm-se.

Em 1919, todos temas se juntam numa só cadeira: Desenho Técnico que se subdivide em 2 partes: na primeira são leccionadas noções gerais (projecções, intersecções e penetrações de sólidos; perspectivas; sombras; e, escalas), desenho topográfico e desenho arquitectónico; na 2ª parte, desenho arquitectónico e desenho de máquinas.

Sabe-se, através de documentação arquivística que ao longo da segunda metade do século XIX e inícios do século XX, foi sendo adquirido material de índole variada de apoio às aulas de desenho, não sendo apresentado de forma discriminada.

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A maioria dos trabalhos curriculares que chegaram até nós datam do início do século XX, salvo raras excepções datadas da última década do século XIX. No caso das estampas, apesar de ainda existirem em número considerável, não se compara ao número adquirido apenas no século XIX. Muitas razões podem ter levado ao seu desaparecimento: muitas áreas do desenho, como o ornato, foram saindo dos curricula dos alunos e como o Instituto partilhava as instalações com outras instituições, como a Academia Portuense de Belas Artes, podem ter sido emprestadas; por outro lado, com tantas mudanças de edifícios poderão ter sido danificadas ou a sua conservação negligenciada… Mesmo assim, sabe-se que atravessaram as várias fases da vida do Instituto e que percorreram as mesmas instalações que a instituição:

Até 1933, estavam armazenados em armários nas salas de aula e gabinetes de professores no 2º piso do edifício do Paço dos Estudos na Praça dos Leões. Todas estas divisões eram voltadas a Nascente ou a Sul;

Todas estas divisões eram voltadas a Nascente ou a Sul; Fig.22 - Localização das salas de

Fig.22 - Localização das salas de desenho na planta do 2º piso do edifício do Paço dos Estudos (zonas delimitadas a verde)

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de 1933 a 1968, foram certamente transferidos para o edifício da Rua do Breyner. Não se sabe nem onde nem em que condições estariam armazenados, mas supõe-se que seria no Salão de Desenho;

estariam armazenados, mas supõe -se que seria no Salão de Desenho; Fig.23 e 24 - Salão
estariam armazenados, mas supõe -se que seria no Salão de Desenho; Fig.23 e 24 - Salão

Fig.23 e 24 - Salão de Desenho

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Em 1968, foram transferidos para as actuais instalações do ISEP na Rua S. Tomé;

Na década de 90, estavam já armazenados na Arquivo Histórico do ISEP, situado na cave do edificio C, onde permaneceram sem qualquer condição de acondicionamento ou armazenamento;

Em 2004 iniciou-se o seu inventário e incorporaram definitivamente o espólio documental do Museu Parada Leitão. Foi instalado um sistema de desumidificação regulado entre 45% e 55%;

Actualmente, os documentos que já foram limpos superficialmente e protegidos com papel livre de ácido. No entanto, o mobiliário disponível para armazenamento revela-se prejudicial. Foi instalado um sistema de ventilação eléctrica no espaço de armazenamento e abertas caixas-de-ar. Poucos foram os documentos que, até ao momento, tiveram alguma utilização museográfica.

até ao momento, tiveram alguma utilização museográfica. Fig.25 – Arquivo do Mus eu Parada Leitão: situação
até ao momento, tiveram alguma utilização museográfica. Fig.25 – Arquivo do Mus eu Parada Leitão: situação

Fig.25 Arquivo do Museu Parada Leitão: situação dos documentos gráficos em 2004

Fig.26 – Arquivo do Museu Parada Leitão: situação dos documentos gráficos em 2007

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UNIVERSO DE AMOSTRAGEM

Sendo, neste momento, impossível realizar este estudo envolvendo toda a colecção, não só por motivos quantitativos mas também por motivos temporais, optou-se por realizar uma selecção que sirva como amostra de toda a colecção.

UNIVERSO DE AMOSTRAGEM: OS CRITÉRIOS DE SELECÇÃO

Seleccionaram-se 8 documentos conforme fichas de inventário apresentadas em anexo. Para o fazer, seguiram-se alguns critérios:

1. Devem integrar documentos já inventariados;

2. Devem ser representativos de todos os materiais de suporte e de registo;

3. Devem ser representativos de diferentes evidências de alterações.

UNIVERSO DE AMOSTRAGEM: MATERIAIS

INVENTÁRIO

MATERIAIS DE SUPORTE

MATERIAIS DE REGISTO

ISO

MPL2206ED

Orgânico / Papel, madeira e corda

Mecânicos

 

MPL2318ED

Orgânico / Cartão

Manuais (tintas e aguarelas)

MPL2419ED

Orgânico / Papel e cartão

Mecânicos

MPL2435ED

Orgânico / Papel e cartão

Mecânicos

Sensibilidade

MPL2455ED

Orgânico / Papel e cartão

Mecânicos

elevada

MPL2585ED

Orgânico / Papel e tecido em tela

Mecânicos

MPL3083ED

Orgânico / Papel

Manuais (tintas)

MPL3836ED

Orgânico / Papel

Manuais (Aguarela e traço de nanquim)

Fig. 27 Materiais do universo em estudo

Os materiais de suporte desta amostra são representativos de toda a colecção: papel, cartão e, em casos isolados, madeira e tecido em tela. No entanto, os documentos gráficos são constituídos por mais além do seu suporte: meios de registo manuais (tintas, aguarelas) e meios de registo mecânicos (litografia, gravura). A matéria-prima de todos os tipos de papel, seja ele utilizado como base para velhas matrizes de desenhos, seja para as gravuras actuais, é a celulose obtida a partir de fibras vegetais. As fibras são dispostas em tramas aglutinadas com aditivos colantes e podem ser tratadas posteriormente para que se consigam outras propriedades, como a brancura.

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A colecção de Estampas e Desenhos do Museu Parada Leitão: Plano de Manutenção Preventiva

Os papéis mais fortes e duráveis são obtidos a partir das fibras longas de linho, algodão ou cânhamo, muitas vezes derivadas de trapos. Todavia, embora a celulose pura seja extremamente durável, os vários aditivos podem causar deterioração, geralmente em virtude da degradação das fibras por ácidos. Os papéis feitos de trapo há muito tempo deixaram de ser usados para as impressões, embora ainda sejam o material preferido para aguarelas e outros tipos de obras de arte. Actualmente, as impressões usam, quase sempre, papéis derivados de polpa de madeira, que variam bastante de qualidade, desde variedades totalmente industrializadas, sem qualquer tratamento, adequadas para usos efémeros, até variedades quimicamente tratadas, chamadas “sem madeira” (papel de pasta química), elaboradas para durar mais.

O papel não é um material quimicamente inerte. Pelo contrário, mancha com facilidade,

incha e contrai com a humidade do ambiente. Os papéis derivados da polpa de madeira são mais reactivos, logo menos duráveis, que os papéis de trapo. Assim, quanto maior a quantidade de madeira não-tratada, maior sua reactividade. De qualquer forma, os cuidados

e requisitos de conservação são semelhantes para todos os tipos de papel. Nada garante que uma aguarela, gravura ou outro tipo de obra tenha sido realizado sobre

o melhor suporte disponível. Artistas instruídos podem ter escolhido o material com

prudência, mas é provável que alguns documentos não tenham sido criados tendo em vista a posteridade e podem, portanto, encontrar os problemas decorrentes de um papel de má qualidade. Existem ainda outros materiais, especialmente cartão ou cartolina e, por vezes,

madeira e tela que estão em contato com a obra na forma de molduras ou anteparos.

O material de que é feita a imagem dos desenhos e estampas também é instável. Os

pigmentos podem desbotar ou escurecer, geralmente de maneira desigual por causa de suas origens variadas. Algumas tintas para desenho espalham-se ou corroem o papel e algumas tintas de impressão, especialmente pretos suaves, desgastam-se facilmente. Outras técnicas

apresentam materiais inerentemente frágeis: pastéis e carvão borram com facilidade, e tintas grossas, como óleos e guache, podem descamar. Mas não existem casos respresentativos

na colecção.

UNIVERSO DE AMOSTRAGEM: ESTADO DE CONSERVAÇÃO

Após a identificação e caracterização individual dos materiais que compõem a amostra, impõe-se a avaliação do estado de conservação de cada um dos documentos. Perante os danos/perdas ocorridos ou a ocorrer nos documentos, identificou-se o estado

de conservação consoante as seguintes características:

- Muito Bom: peça em perfeito estado de conservação. Os materiais não apresentam falhas ou lacunas e os danos provocados por agentes de degradação foram nulos ou

mínimos.

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- Bom: peça sem problemas de conservação. Os danos provocados por agentes de degradação foram mínimos e os materiais estão estabilizados.

- Regular: peça ou fragmento de peça (que permite uma restituição da original) que apresenta lacuna(s) e/ou falha(s) e que necessita de intervenções de conservação e/ou restauro, mas que tem os materiais estabilizados.

- Deficiente: peça em que é urgente intervir: Apresenta lacunas e/ou falha(s) e sinais de degradação contínua nos materiais (não estabilizados).

- Mau: peça muito mutilada que apresenta graves problemas de conservação.

MPL2206ED

que apresenta graves problemas de conservação. MPL2206ED Fig. 28 – Ordens Arquitectónicas , 1909 Estado de

Fig. 28 Ordens Arquitectónicas, 1909

Estado de conservação: Deficiente

Justificação: Este documento apresenta, para além de sujidade, grandes áreas com manchas, podendo ter sido provocadas por ataques de microorganismos, acção da luz ou da humidade ou pela cola utilizada para fixar o documento no quadro de madeira. São também evidentes marcas de abrasão. Em alguns pontos existem bolhas de ar e a estrutura de madeira sofreu danos estruturais, provavelmente provocados por alterações nas amplitudes térmicas e de humidade.

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A colecção de Estampas e Desenhos do Museu Parada Leitão: Plano de Manutenção Preventiva

do Museu Parada Leitão: Plano de Manutenção Preventiva Fig. 29 - Abrasão e oxidação Fig.30 -

Fig. 29 - Abrasão e oxidação

Parada Leitão: Plano de Manutenção Preventiva Fig. 29 - Abrasão e oxidação Fig.30 - Bolhas de

Fig.30 - Bolhas de ar

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do Museu Parada Leitão: Plano de Manutenção Preventiva Fig. 31 – Man chas várias Fig.32 –

Fig. 31 Manchas várias

de Manutenção Preventiva Fig. 31 – Man chas várias Fig.32 – alterações na estrutura de madeira

Fig.32 – alterações na estrutura de madeira onde está colado o documento

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do Museu Parada Leitão: Plano de Manutenção Preventiva Fig. 33 - Manchas e abrasão MPL2318ED Fig.

Fig. 33 - Manchas e abrasão

MPL2318ED

Preventiva Fig. 33 - Manchas e abrasão MPL2318ED Fig. 34 – El ementos ou orgãos de

Fig. 34 Elementos ou orgãos de ligação: rebites, 1919

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Estado de conservação: Deficiente

Justificação: Este documento apresenta, para além de sujidade, uma grande área oxidada pela acção de radiações. Nota-se que terá tido um outro documento colocado em cima durante o processo de oxidação, daí o formato da área mais clara. São também evidentes manchas decorridas da acção de agentes biológicos e da humidade. Apresenta também vários rasgões e formação de camadas lameliformes.

vários rasgões e formação de camadas lameliformes. Fig. 35 – Rasgões Fig. 36 – Formação de

Fig. 35 – Rasgões

rasgões e formação de camadas lameliformes. Fig. 35 – Rasgões Fig. 36 – Formação de lâminas

Fig. 36 – Formação de lâminas

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do Museu Parada Leitão: Plano de Manutenção Preventiva Fig. 37 – Foxing MPL2419ED Fig. 38 –

Fig. 37 Foxing

MPL2419ED

de Manutenção Preventiva Fig. 37 – Foxing MPL2419ED Fig. 38 – Planta topográfica e sinais convencionais

Fig. 38 Planta topográfica e sinais convencionais, 1840

Estado de conservação: Regular

alguns sinais de deterioração mas que se

encontram estabilizados: canais, manchas e o cartão onde o documento está colado

Justificação: Este documento apresenta

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apresenta

abrasões.

Não

se

nota

desvanecimento

ou

descoloração

significativas

na

estampa.

ou descoloração significativas na estampa. Fig. 39 – Canal Fig. 40 – Abrasões no cartão onde

Fig. 39 Canal

significativas na estampa. Fig. 39 – Canal Fig. 40 – Abrasões no cartão onde está colada

Fig. 40 – Abrasões no cartão onde está colada a estampa

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do Museu Parada Leitão: Plano de Manutenção Preventiva Fig. 41 – Foxing MPL2435ED Fig. 42 –

Fig. 41 Foxing

MPL2435ED

de Manutenção Preventiva Fig. 41 – Foxing MPL2435ED Fig. 42 – Planta topográfica , século XIX

Fig. 42 Planta topográfica, século XIX

Estado de conservação: Deficiente

Justificação: Para além da sujidade absorvida, este documento apresenta abrasões no cartão, manchas provocadas por agentes biológicos e pelos resíduos da cola utilizada para fixar a estampa no cartão.

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do Museu Parada Leitão: Plano de Manutenção Preventiva Fig. 43 – Abrasão no cartão e resíduos

Fig. 43 – Abrasão no cartão e resíduos de cola

Manutenção Preventiva Fig. 43 – Abrasão no cartão e resíduos de cola Fig. 44 – Manchas

Fig. 44 Manchas várias

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do Museu Parada Leitão: Plano de Manutenção Preventiva Fig. 45 – Sujidade absorvida MPL2455ED Fig. 46

Fig. 45 Sujidade absorvida

MPL2455ED

Preventiva Fig. 45 – Sujidade absorvida MPL2455ED Fig. 46 – Desenho à vista: orgãos de transmissão

Fig. 46 Desenho à vista: orgãos de transmissão de força e movimentos (gancho), século XIX

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Estado de conservação: Deficiente

Justificação: Para além da sujidade absorvida, este documento apresenta abrasões no cartão, manchas provocadas por agentes biológicos, resíduos de cola, desvios de tom da cor e tendência a formar lâminas nos cantos do cartão.

cor e tendência a formar lâminas nos cantos do cartão . Fig. 47 – Sujidade absorvida

Fig. 47 Sujidade absorvida

lâminas nos cantos do cartão . Fig. 47 – Sujidade absorvida Fig. 48 – Abrasão e

Fig. 48 – Abrasão e descoloração

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do Museu Parada Leitão: Plano de Manutenção Preventiva Fig. 49 – Abrasão e laminação MPL2585ED Fig.

Fig. 49 – Abrasão e laminação

MPL2585ED

Preventiva Fig. 49 – Abrasão e laminação MPL2585ED Fig. 50 – Planta topográfica (Jardim Botânico de

Fig. 50 Planta topográfica (Jardim Botânico de Paris), 1887-88

Estado de conservação: Deficiente

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Justificação: o documento apresenta variadas manchas provocadas por oxidação e humidade tanto no documento como na tela. Além disso, são evidentes vincos, rasgões e bolhas de ar.

disso, são evidentes vincos, rasgões e bolhas de ar. Fig. 51 – Manchas na tela (verso

Fig. 51 Manchas na tela (verso do documento)

de ar. Fig. 51 – Manchas na tela (verso do documento) Fig. 52 – Bolhas de

Fig. 52 Bolhas de ar e vincos na tela

do documento) Fig. 52 – Bolhas de ar e vincos na tela Fig. 53 – Amarelecimento

Fig. 53 Amarelecimento, rasgões e vincos

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do Museu Parada Leitão: Plano de Manutenção Preventiva Fig. 54 – Amarelecimento, manchas e vincos MPL3083ED

Fig. 54 Amarelecimento, manchas e vincos

MPL3083ED

Fig. 54 – Amarelecimento, manchas e vincos MPL3083ED Fig. 55 – Edifício (Alçados), inicio do século

Fig. 55 Edifício (Alçados), inicio do século XX

Estado de conservação: Deficiente

Justificação:

Este

documento

e

apresenta

do

evidências

de

Nota-se

alterações

provocadas

pela

provocadas

humidade:

possivelmente por agentes orgânicos, sujidade absorvida e rasgões.

manchas

ondulação

suporte.

também

manchas

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do Museu Parada Leitão: Plano de Manutenção Preventiva Fig. 56 – Sujidade e manchas Fig. 57

Fig. 56 Sujidade e manchas

de Manutenção Preventiva Fig. 56 – Sujidade e manchas Fig. 57 – Ondulação Fig. 58 –

Fig. 57 – Ondulação

de Manutenção Preventiva Fig. 56 – Sujidade e manchas Fig. 57 – Ondulação Fig. 58 –

Fig. 58 – Rasgões

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do Museu Parada Leitão: Plano de Manutenção Preventiva Fig. 59 – Foxing MPL3836ED Fig. 60 –

Fig. 59 Foxing

MPL3836ED

de Manutenção Preventiva Fig. 59 – Foxing MPL3836ED Fig. 60 – Revestimento de poço de mina

Fig. 60 Revestimento de poço de mina, 1917

Estado de conservação: Bom

Justificação: Apesar de ter sofrido pequenas alterações pela variação de humidade e temperatura, este documento apenas apresenta essas evidências, daí a avaliação feita.

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do Museu Parada Leitão: Plano de Manutenção Preventiva Fig. 61 – Ondulação Perante estes dados, torna-

Fig. 61 – Ondulação

Perante estes dados, torna-se fácil de perceber que a colecção de estampas e desenhos foi gravemente afectada por vários factores. Vejamos o gráfico representativo da amostra:

8 7 6 Humidade relativa 5 Temperatura Poluição 4 Homem biodeterioração 3 luz 2 1
8
7
6
Humidade relativa
5
Temperatura
Poluição
4
Homem
biodeterioração
3
luz
2
1
0

Fig.62 – Agentes de deterioração do universo em estudo

O Homem pelo manuseamento incorrecto foi o que mais prejudicou o estado de conservação da colecção. No entanto, todos os outros factores contribuíram de modo significativo para a sua deterioração. Fruto destes agentes a colecção apresenta problemas diversos, mas com grande grau de incidência de rasgões e abrasões, de manchas provocadas por diversos agentes e, finalmente, distensão do suporte. Menos visível é a descoloração e o desvanecimento.

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CONDIÇÕES E CONTROLO AMBIENTAL

A colecção está armazenada no Arquivo Histórico do Museu. Nesse espaço não existe qualquer janela. A circulação de ar é feita através de caixas-de-ar instaladas em ambas as paredes laterais e através de um sistema de ventilação eléctrica com duas ventoinhas, instalado na parede de entrada no espaço a ladear a porta. Não existe qualquer sistema de ar condicionado, mas é munido de um desumidificador sempre ligado e regulado entre 45% e 55% e com escoamento directo para as canalizações. Não existe no espaço qualquer sistema de monitorização ambiental o que origina a possível ineficiência dos sistemas de controlo. Aliás, apesar de existir a necessidade de fazer leituras contínuas e a longo prazo, leituras pontuais realizadas com um monitor ambiental demonstram isso mesmo:

Data

ºC

HR

20/06

21

75

21/06

20.5

71

22/06

20

69

25/06

20.3

73.6

26/06

20.2

67.3

27/07

20.4

66.3

28/06

20.3

68.6

29/06

20.4

68.9

02/07

20.6

68.8

03/07

20.3

67

04/07

20.3

68.2

Quadro n.º 8 – Leituras pontuais realizadas com o monitor ambiental entre 20 de Junho e 04 de Julho de 2007

A temperatura encontra-se no limite recomendado para documentos gráficos, mas a humidade relativa é elevada para o tipo de material aqui armazenado. Nota-se efeitos de variações de temperatura e humidade nos documentos, pois muitos apresentam marcas de contracção e alongamento da estrutura, mas como o percurso que estes documentos tiveram não foi favorável à sua preservação, não se pode concluir que estes danos aumentem pelas condições actuais sem efectuar uma monitorização a longo prazo. São realizadas desinfestações trimestralmente e, desde 2005 até ao momento, não foram detectados nenhuns indícios de presença de agentes de deterioração biológicos, apesar das condições que teriam para se desenvolver. A iluminação é artificial, o que permite um controlo mais facilitado. Os valores da radiação são apropriados: apenas 1 µ/lúmen. No entanto, através de medições com o monitor ambiental registaram-se valores entre 1507lx.h (nas prateleiras mais perto das fontes

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luminosas) e 216lx.h (nas prateleiras inferiores), o que é revelador que a dose anual recomendada poderá ser imensamente ultrapassada. Mesmo que os documentos gráficos passem a estar armazenados apenas nas prateleiras inferiores, apenas podem estar expostos 46 horas por ano. Vejamos: Dose anual recomendada / lx.h = 10 000lx.h ano / 216lx.h = 46,3 horas. No que diz respeito à migração de ácidos, todos os documentos foram envolvidos em papel livre de ácido, mas testes ao pH efectuados recentemente revelam que é necessário trocá-los pois já atingiram o valor de 4 na escala do pH.

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IV.

PLANO DE MANUTENÇÃO PREVENTIVA da colecção de Estampas e Desenhos

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PRINCIPIOS GERAIS

A manutenção é um dos aspectos mais importantes do trabalho de conservação;

A manutenção não pode ser uma actividade efémera, deve ser desenvolvida permanentemente;

A conservação deve ser desenvolvida de acordo com a capacidade de manutenção;

Quando surgirem dúvidas de actuação, é preferível não tomar nenhuma medida e consultar técnicos de conservação e restauro de documentos externos à instituição ou entidades especializadas na área de renome;

Apenas o conservador pode decidir e/ou autorizar operações de conservação e de restauro. Qualquer opção que não esteja definida neste plano deve ser autorizada ou realizada pelo conservador.

AVALIAR O ESTADO DE CONSERVAÇÃO

Diagnóstico e avaliação periódica

Esta verificação deve ser realizada pelo conservador, ou por um técnico designado por ele, trimestralmente ou sempre que hajam alterações na localização do objecto. Deve estar sempre actualizada. Em situação alguma é permitido alterar ou eliminar qualquer informação anterior. Este documento deve incluir obrigatoriamente:

a) Data de avaliação

b) Nome e rubrica do responsável pela avaliação

c) Estado de conservação:

- Muito Bom – Peça em perfeito estado de conservação: os materiais não apresentam falhas ou lacunas e os danos provocados por agentes de degradação foram nulos ou mínimos.

- Bom – Peça sem problemas de conservação. Os danos provocados por agentes de degradação foram mínimos e os materiais estão estabilizados.

- Regular – Peça ou fragmento de peça (que permite uma restituição da original) que apresenta lacuna(s) e/ou falha(s) e que necessita de intervenções de conservação e/ou restauro, mas que tem os materiais estabilizados.

- Deficiente – Peça em que é urgente intervir: apresenta lacunas e/ou falha(s) e sinais de degradação contínua nos materiais (não estabilizados).

- Mau – Peça muito mutilada que apresenta graves problemas de conservação.

d) Identificação dos agentes de degradação (ver quadro na página seguinte)

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Agentes de degradação

 

Breve descrição e danos provocados

 

Luz

Qualquer tipo de luz degrada, seja ela natural ou artificial, pois emite radiações nocivas aos materiais do acervo, provocando danos através da oxidação. O efeito da luz é cumulativo e irreversível. A luz tem dois efeitos sobre o papel: esbatimento ou o escurecimento. O papel torna-se frágil, quebradiço, amarelecido, escurecido. As cores sofrem alterações. Os documentos podem ficar ilegíveis.

UV

 

Oxidação

Físicos

 

O

papel contém água na sua estrutura e esta está em equilíbrio com a água contida no ar (humidade). Quando a humidade relativa diminui, o papel liberta

Temperatura e

água para manter o equilíbrio, contraindo-se. Primeiro liberta a que está mais à superfície e depois força a saída da água da sua estrutura. E, se a água que

Humidade

estava à superfície é restituída depois da humidade subir, a perda ao nível da estrutura é permanente. Sempre que existem oscilações de temperatura, também a humidade relativa é alterada. Acentuadas oscilações e amplitudes destes factores dão origem a uma dinâmica de contracção e alongamento dos compostos do papel.

Relativa

Químicos

Poluição

Os poluentes atmosféricos são altamente ácidos e, portanto, extremamente nocivos ao papel, pois são rapidamente absorvidos, alterando seriamente o pH do papel. Existem dois tipos de poluentes, os que podem ter origem no ambiente externo e os que podem ser gerados no próprio ambiente: os externos, principalmente gases, que provocam reacções químicas, levando o papel a ficar quebradiço e descolorido, e partículas sólidas que carregam os gases poluentes e agem como agentes abrasivos que desfiguram os documentos. Estes são os poluentes mais perigosos para os documentos. Os agentes poluentes que podem ter origem no próprio ambiente são por exemplo a aplicação de vernizes, madeiras, adesivos, tintas, etc. que podem libertar gases prejudiciais à conservação de todos os materiais.

A

sujidade (entenda-se como sujidade não só o pó, mas também resíduos orgânicos e ácidos de seres vivos, poluentes atmosféricos, etc.) para além da

acção abrasiva, é absorvida pelo interior por meio de ligações químicas.

 

Fungos

Utilizam o suporte papel como fonte de nutrientes, atacando o substrato e fragilizando o suporte que fica com um aspecto fragmentado. Causam manchas de coloração, intensidade e aspecto diversos e de difícil remoção. As manchas mais vulgares provocadas pelos fungos, do tipo bolores, costumam ser de cor esbranquiçada.

Bactérias

Biológicos

Insectos

Utilizam o suporte papel como fonte de nutrientes, acelerando o processo de degradação da celulose e das colas e as suas consequências são o aparecimento de manchas de várias cores, intensidades e configurações e a transformação das características físicas e químicas do suporte, que fica com um aspecto furado, quase rendilhado.

Roedores

Utilizam o suporte papel como fonte de nutrientes, para se aquecerem e na confecção de ninhos para reprodução.

 

O Homem, consciente ou inconscientemente, é um dos maiores agressores do papel. O simples uso normal é o suficiente para degradar o papel.

Homem

A acidez e a gordura do suor das mãos produz uma diminuição do pH e manchas. Como é óbvio, também são nocivos os maus-tratos como: rasgar, riscar,

dobrar, escrever, colocar clips, agrafes ou colar fita-cola.

Quadro n.º 9 – Identificação dos agentes de degradação

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REGRAS DE MARCAÇÃO

O n.º de inventário é escrito sempre no canto inferior direito do verso do documento a lápis.

MONITORIZAÇÃO E CONTROLO AMBIENTAL

AGENTES BIOLÓGICOS

Trimestralmente, o conservador deve procurar indícios da presença de agentes biológicos:

Presença de insectos vivos ou mortos perto da documentação na sala, no mobiliário ou no pavimento;

Existência de documentos com orifícios redondos ou galerias provocadas pelas larvas dos insectos que dão ao documento o aspecto rendilhado;

Pó preto ou castanho perto dos documentos. Este “pó” são os excrementos dos bibliófagos mais comuns. Uma coloração mais clara dos excrementos pode indicar que estes são recentes. A coloração é directamente influenciada pelos alimentos que o insecto consumiu. Quando se encontrar insectos mortos ou vivos, estes devem ser recolhidos com muito cuidado e entregues a agentes especializados na sua identificação. Deve-se sempre tentar capturar um exemplar da espécie de insecto que está presente na documentação porque os procedimentos para combater a sua presença variam em conformidade com a espécie infestante. Na Primavera deve ser feita uma desinfestação que abranja toda a documentação, por ser quase sempre o período do ano em que se verificam os surtos de insectos. Trata-se de uma altura em que a mudança de temperatura activa a actividade insectívora. Note-se que qualquer mudança de temperatura, em qualquer altura do ano, pode ter o mesmo efeito, mesmo quando é provocada por aquecedores ou ar condicionado. Um ciclo de vida normal começa na Primavera com a eclosão dos ovos, seguido da maturação das larvas e finalmente a metamorfose em insecto adulto. Esta última fase acontece já no final do Verão. Em certas espécies de insectos, como o caruncho, a única função do insecto adulto é a reprodução. A larva é que ao se alimentar provoca danos físicos extensos nos documentos com suporte em papel. Assim a altura ideal para realizar uma desinfestação é no início da Primavera para “apanhar” as larvas antes de elas precisarem de muito alimento e antes de começarem a surgir insectos adultos aptos a reproduzirem-se.

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A desinfestação mais eficaz é a que utiliza gases inócuos como o azoto, árgon ou o dióxido de carbono. Estes gases não provocam danos na documentação nem são nocivos ao ser humano. Deve-se preferir a utilização destes não só pela sua segurança mas também pela sua eficácia na eliminação dos insectos, larvas e ovos. A documentação deve depois ser monitorizada e limpa para garantir e controlar a eficácia da desinfestação. Uma segunda desinfestação pode ser necessária uma vez que os ovos são extremamente difíceis de atingir, por vezes devido a profundidade em que se encontram alojados no documento. Sempre que um documento dê entrada no museu, deve ser inspeccionado. Sempre que se identificar ou suspeitar de uma infestação, deve ser isolado e quando possível proceder-se à sua desinfestação e limpeza. As equipas de limpeza devem ser sensibilizadas para a possibilidade de existirem vestígios de insectos que não devem ser “apagados”. De preferência deve ser realizada uma acção de formação nesse âmbito, tendo como destinatários todos os que de algum modo intervêm na manutenção do espaço físico e equipamentos.

TEMPERATURA E HUMIDADE RELATIVA

Todos os materiais que contenham água reagem com a quantidade de água que está presente no ar que os circunda de forma a atingir um equilíbrio. Assim, quando o ar está mais seco, eles perdem água para o ambiente e, quando se regista o oposto, o seu teor de humidade aumenta. No entanto, como ar quente contém, normalmente, mais água que o frio, é necessário ter em atenção a humidade relativa, ou seja, a relação da quantidade de água numa determinada quantidade de ar com a máxima quantidade de água que o ar pode conter a uma determinada temperatura. A humidade relativa pode afectar os documentos de três formas: pode estimular a proliferação de agentes biológicos, alterar as dimensões físicas e acelerar reacções químicas. A temperatura elevada e o ar estagnado também contribuem para o crescimento de fungos. Para uma boa conservação do papel, do ponto de vista químico e físico, a temperatura deve situar-se entre os 18ºC e os 20ºC e a humidade relativa nos 50% (± 5%). A monitorização da temperatura e da humidade relativa deve ser realizada pelo responsável da colecção ou, na ausência deste, por outro técnico por ele designado e treinado, de forma contínua. Existem vários tipos de instrumentos para medir a humidade relativa, desde os simples cartões indicadores, até aos sofisticados higrómetros electrónicos. Qualquer deles é fabricado em modelos mais ou menos sofisticados, com uma gama de preços e precisão bastante alargados. No entanto, aconselha-se a aquisição de um termohigrógrafo que funciona pelo mesmo princípio do higrómetro de cabelo (utiliza feixes de cabelo humano ou

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de fibras sintéticas, como elemento sensível às variações de humidade relativa) e encontra- se associado a um termómetro. Apesar do seu preço elevado apresenta mais vantagens:

regista as variações de temperatura e humidade relativa de forma contínua; a velocidade de rotação do tambor é controlável; facilita a determinação da influência das actividades museológicas e das condições ambientais externas nos valores da humidade relativa e da temperatura; e, aponta anomalias que possam ocorrer, como avarias no ar condicionada ou se a energia foi desligada no fim-de-semana. Não pode ficar localizado junto a qualquer fonte de calor ou muito acima do nível do solo (ex: em cima de armários) e, como não é informatizado, deve existir um responsável pelo tratamento dos dados. Este vai contribuir para que a médio prazo se consiga implementar uma estratégia de controlo ambiental adequada, verificando se os equipamentos existentes são apropriados ou se há necessidade de adquirir novos. Nem sempre é necessário existir sistemas de controlo dos dois factores, até porque, normalmente, a humidade relativa diminui se a temperatura aumente e vice-versa. No entanto, esta decisão apenas deve ser tomada após a monitorização. De qualquer modo, o sistema de ar condicionado e o desumidificador devem estar ligados ininterruptamente para evitar oscilações bruscas sobre o acervo. Deve-se evitar que os níveis de humidade relativa e de temperatura se modifiquem à noite, fim-de-semana ou em outras ocasiões em que o espaço esteja encerrado. Os equipamentos devem ser verificados:

uma vez por semana, por um elemento da equipa museológica, para se averiguar o seu correcto funcionamento;

uma vez por mês, por um elemento da equipa museológica, devem ser calibrados;

uma vez por ano, por um técnico especializado.

Sempre que um documento for exposto deve evitar-se pendurá-lo na face interna das paredes externas do edifício, pois a temperatura comparativamente baixa pode causar condensação e o desenvolvimento de mofo dentro da moldura. Inversamente, aquecedores ou focos de luz secam o ar e eventualmente podem concentrar pó pela formação de correntes de convecção.

QUALIDADE DO AR E ACIDIFICAÇÃO

Trimestralmente, deve ser medido o pH do documento e do invólucro. Para efectuar este teste recomenda-se a utilização de tiras indicadoras da Whatman (TypeCF pH 0-14 cat. nº 2613991), pois não mancham os papéis onde se fazem os testes. O pH do papel deve estar situado entre 6,5 e 8,5 para que não cause danos no documento.

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Caso o invólucro apresente sinais de acidificação, deve ser substituído. Os dispositivos de exposição, de acondicionamento e de armazenamento devem sempre ser testados antes da sua utilização.

A colecção não pode ser armazenada ou exposta junto de qualquer fonte de poluição,

como sejam fotocopiadoras, entradas de ar, áreas pintadas de fresco, ar condicionado e desumidificadores ou outros. Devem existir purificadores de ar e ventiladores. A filtragem do ar da sala pode remover grande parte dos gases poluentes e contribuir para

um ambiente mais salutar para as espécies. Devem ser utilizados filtros de carvão activado.

O carvão activado é essencialmente carvão granular, onde a superfície de contacto com o ar

está muito aumentada. O carvão retém à superfície os gases poluentes e não pode ser regenerado.

A eficácia do filtro aumenta se o ar da sala for forçado a passar, várias vezes, através do

filtro: o dióxido de enxofre é parcialmente absorvido por este tipo de filtros, o ozono é destruído por eles, mas o dióxido de azoto não é afectado. Existem vários tipos de filtros de

carvão, alguns misturados com reagentes alcalinos, para absorção de gases específicos. A selecção do filtro deve ser indicada aos técnicos de ar condicionado dependendo dos gases que se pretende eliminar. Outro elemento que prejudica o ambiente é o pó, pois penetra e suja os documentos, provocando manchas e mudança de cor. Uma sala que deixa entrar o pó tem de ser limpa frequentemente, o que aumenta o manuseamento dos materiais. Assim, o primeiro passo para evitar a entrada de poeiras deve ser o isolamento da porta, que deve permanecer fechada, reduzindo-se, desta forma, as necessidades de limpeza. Os aparelhos de ar condicionado têm geralmente filtros de absorção de poeiras que podem ser muito eficientes. Estes filtros, para serem eficazes, devem ser limpos regularmente e substituídos dentro dos prazos aconselhados. Os filtros do tipo electrostático não são recomendados. Eles absorvem as poeiras por criação de um campo eléctrico estático, mas são geradores de ozono e dióxido de azoto, gases já mencionados como oxidantes. Um outro filtro de ar sempre à disposição é o vulgar aspirador caseiro. O seu uso é inofensivo para as colecções e pode ser muito eficaz na eliminação de poeiras. Existem modelos de aspiradores próprios para museus, que utilizam filtros de ar muito apertados e são capazes de absorver poeiras muito finas. De qualquer modo, antes de se usar o

aspirador, deve verificar-se se o sistema de filtragem se encontra em bom estado ou corre-se

o risco a devolver à sala o pó que se aspira. Outro modelo de aspirador interessante é o

pequeno portátil, a pilhas. Os armários com portas são um bom auxiliar na protecção contra o pó, sendo mais eficazes do que as estantes. No entanto, há que verificar primeiro, se permitem a circulação

do ar no seu interior, para facilitar a saída da humidade. De cinco em cinco anos deve ser feita uma auditoria à qualidade do ar interno, recorrendo a empresas externas

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MANUTENÇÃO PREVENTIVA E CORRECTIVA

REGRAS DE MANUSEAMENTO

Existem procedimentos a ter em consideração quando manuseamos os documentos:

Lavar sempre as mãos, retirar todas as jóias ou outros acessórios que possam entrar em contacto com os documentos e usar sempre luvas de vinilo, latex (não esquecendo que pelo facto da borracha ser vulcanizada com enxofre, os seus resíduos poderem contaminar e contribuir para a alteração do papel) ou de algodão (esta última opção, para além de mais cara, é mais arriscada, visto que obriga a uma lavagem frequente das luvas e a um maior cuidado com os agentes de limpeza utilizados);

Quem proceder ao manuseamento de documentos deve vestir sempre bata e, opcionalmente, usar máscara. Todos os materiais devem ser descartáveis, excepto as batas que devem ser lavadas frequentemente com sabão neutro;

Não manusear os documentos mais tempo do que o extremamente necessário, pois podem rasgar-se ou manchar-se;

Deve dar-se preferência à utilização de reproduções seja para estudo ou exposição;

Sempre que for necessário movimentar um documento deve-se utilizar uma base de suporte livre de ácido. Para o colocar em cima do suporte deve-se colocar este ao mesmo nível do documento, segurar nos cantos diagonais e fazer deslizar o papel.

INSPECÇÕES AO EDIFICIO

Não se pode mudar a geografia e o clima que muitas vezes causam catástrofes mas, através de uma inspecção regular ao edifício, pode-se prevenir ou reduzir emergências comuns e outros problemas. Assim sendo, mensalmente deve ser verificado:

Se não existe água em nenhuma zona anormal;

Se as calhas e grelhas de escoamento estão limpas;

Se as canalizações e as instalações eléctricas não apresentam anomalias;

Se todo o acervo e outros materiais de trabalho estão localizados pelo menos a 15cm do chão;

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Se os extintores estão dentro da data de validade da última inspecção e se os alarmes de incêndio estão a funcionar assim como a sua conectividade com a central de policia e bombeiros;

Se existem rachas ou outros pontos de entrada de organismos no edifício;

bom funcionamento dos equipamentos de controlo ambiental e o estado dos filtros dos mesmos.

o

EXPOSIÇÃO A RADIAÇÕES VISIVEIS E INVISIVEIS

A

gestão de riscos não fica completa se não se tiver em consideração a exposição às

radiações visíveis e invisíveis. A maioria dos materiais é afectado pela radiação UV e pela luz visível, daí que seja importante limitar a exposição dos documentos a condições inadequadas.

Ao contrário dos objectos, o olho humano não é sensível à radiação UV, daí que esta possa ser eliminada sem causar qualquer tipo de efeito na visualização dos documentos. Isto pode ser obtido através da utilização de filtros que absorvam as radiações invisíveis, mas que permitem a passagem das visíveis. Sugere-se a utilização de lâmpadas fluorescentes em detrimento das incandescentes. A taxa de deterioração causada pela luz é directamente proporcional à intensidade da radiação e ao tempo de exposição, consequência da lei da reciprocidade, por isso, para reduzir este dano é importante diminuir os dois factores. Relativamente aos UV, caso a exposição à luz seja no Museu, não existe qualquer perigo visto que a radiação UV não ultrapassa o 1µ/lúmen. Mas, caso o documento seja deslocado para fora do museu, deve ser garantido que a radiação não ultrapassa os 75µ/lúmen.

A colecção de estampas e desenhos estando armazenada em completa escuridão não

corre riscos elevados relativos a este factor, visto que a sua exposição à luz é mínima. No entanto, sempre que for necessário expor a colecção à luz, deve ser assegurado que a dose anual não ultrapasse o 10000 lux h/ano e deve-se evitar, principalmente, a luz natural.

A mediação dos lux e das radiações deve ser feita nas seguintes condições:

Semestralmente, de modo a verificar se o sistema de iluminação continua a funcionar do modo original;

Sempre que o documento for deslocado para outro local, de modo a garantir que os

valores das radiações são apropriados e a contabilizar a quantidade de lux que afectará

o documento durante a sua estadia.

Deve existir uma ficha de controlo de luz para cada documento que deve ser actualizada pelo responsável da colecção sempre que os documentos forem expostos à luz. Quando a dosagem anual recomendada for atingida, o documento em causa não poderá ser exposto à luz novamente até ao ano civil seguinte. Em cada ano civil inicia-se uma nova ficha de registo e controlo.

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Para monitorizar a luz pode utilizar-se um fotómetro que meça tanto as radiações visíveis como as invisíveis. Este deve ser calibrado pelo menos uma vez por ano, por um elemento da equipa museológica.

PROCEDIMENTOS DE LIMPEZA

A sujidade é o agente de deterioração que mais afecta os documentos e, quando

conjugada com condições ambientais inadequadas, provoca reacções de destruição de todos os suportes num acervo. Por isso, a limpeza deve ser um hábito de rotina na manutenção do espólio, razão pela qual é considerada a conservação preventiva por excelência.

Limpeza da superfície dos documentos

O objectivo desta acção é reduzir poeira, partículas sólidas, ou outros depósitos de

resíduos à superfície do documento.

Cada objecto deve ser avaliado individualmente para determinar se a limpeza é necessária e se pode ser realizada em segurança. A colecção de estampas e desenhos não incorpora nenhum documento com técnicas de registo propícias a danos (exemplo: pastel). No entanto, antes da limpeza devem ser testados:

Numa pequena área onde os danos não sejam detectados (exemplo: no fim de um traço de uma letra como o «p» ou o «q»);

Em zonas com registo a lápis, já que este pode ser removido por alguns métodos de limpeza superficial.

Caso não haja alterações, pode-se prosseguir com a limpeza.

A limpeza deve ser feita colocando o documento sobre uma superfície lisa e limpa, por

exemplo uma mesa. Antes de se proceder à operação de limpeza no verso do documento e sempre que se iniciar a limpeza de outro documento, a superfície deve ser limpa novamente, de modo a que a sujidade não seja transferida.

Para ser feita uma limpeza eficiente e sem causar outros danos, recomenda-se:

1º) Devem ser removidos todos os corpos estranhos ao documento, tais como: clips metálicos, fitas adesivas, papéis e cartões ácidos, etc. Se forem absolutamente necessários devem ser substituídos por materiais inoxidáveis.

2º) Limpar a superficie com um pincel de pêlo macio (exemplo: pinceis próprios de conservação ou, soluções mais baratas e mais fáceis de encontrar, pinceis de cosmética ou de pintura) de cor clara (para se notar quando estiver sujo. O pincel deve-se lavar apenas

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com sabão neutro e só deve ser reutilizado depois de bem seco, pelo que se recomenda a existência de vários pinceis). A limpeza deve ser efectuada com pouca pressão, começando no meio do documento em direcção aos cantos, sempre em linha recta;

3º) A utilização de pó de borracha ( 6 ), aplicado em pequenas quantidades, fazendo movimentos suaves sobre as superfícies desejadas com o mesmo método com que se utilizou o pincel. De seguida, deve ser removido com o pincel para a mesa de trabalho;

4º) a sujidade retirada dos documentos e os restos de pó de borracha devem ser limpos com um aspirador ( 7 ) de baixa pressão e de sucção controlável.

A limpeza superficial dos documentos deve ser feita:

No momento de incorporação;

A seguir a desinfestações para eliminar resíduos que possam contribuir para a sua deterioração;

No momento de regresso ao museu, após um empréstimo;

Existem, no entanto, casos em que o tratamento não será possível ou só será possível se efectuada por técnicos superiores de conservação e restauro de documentos:

Se o documento apresentar fragilidade física: suporte com áreas finas, perdas, rasgos intensos, áreas com manchas ou atacadas por fungos. Neste caso até o pó de borracha pode fragmentar o documento;

Se o suporte tiver uma textura muito porosa: papel japonês, papel fragilizado pelo ataque de fungos, papel molhado, etc. Neste caso a limpeza das partículas residuais do pó de borracha é de difícil remoção.

Limpeza do espaço físico

A forma mais eficiente e adequada de limpeza do piso e das estantes ou armários é com aspirador de pó de baixa potência e com protecção na zona de sucção. Nunca devem ser utilizados espanadores ou vassouras, pois apenas redistribuem a sujidade.

Não se recomenda a utilização de qualquer tipo de solvente ou cera.

6 A utilização de pó de borracha não deve ser feita em superficies muito danificadas, escritas ou desenhadas a lápis, carvão e com

pigmentação.

7 O saco do aspirador deve ser revestido por um saco de plástico. Esta medida permitir retirar o saco do aspirador de modo seguro e asséptico.

A boca do aspirador pode ser revestido com um pedaço de tecido. Assim, no caso de um fragmento do documento ser aspirado, será

facilmente recuperável sem haver necessidade de se abrir o saco colector.

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Deve-se evitar a água, caso não exista um desumidificador de condensação, pois altera a humidade relativa do espaço. Caso seja necessário remover sujidade muito intensa pode ser utilizada água passada com pano muito bem torcido e de seguida passar um pano seco.

A limpeza deve ser feita a partir da prateleira de cima para a de baixo.

O acesso ao museu deve ter em conta que é absolutamente proibido comer, beber ou

fumar em qualquer zona e durante qualquer actividade e todos devem zelar para que esta regra se cumpra.

ACONDICIONAMENTO E ARMAZENAMENTO

O acondicionamento tem como objectivo a protecção dos documentos que não se

encontrem em boas condições ou a protecção daqueles já tratados e recuperados,

armazenando-os de forma segura.

A separação entre os documentos deve ser feita através de meios que impeçam a

migração de ácidos. Recomenda-se papel livre de ácido, com tratamento antifúngico e

reserva alcalina. Na escolha do tipo de papel deve ter-se em conta os seguintes factores:

O pH do papel deve ser neutro ou ligeiramente alcalino, característica que deve estar claramente indicada na embalagem ou catálogo. Um pH próximo do neutro (pH=7) é o ideal;

não pode conter lenhina;

não pode ter sido encolado com alumina, um material ácido. A existir, a encolagem deverá ser de gelatina ou amido;

a existência de uma reserva alcalina;

deve ser, de preferência, branco ou apenas levemente colorido, devendo evitar-se os papéis negros ou fortemente coloridos, que podem manchar ou contaminar as espécies que guardam. Por outro lado, mesmo sendo mais brancos, devem evitar-se os papéis branqueados com agentes branqueadores, pois estão impregnados de produtos químicos; Pode também ser utilizado poliéster, pois é estável quimicamente, não interferindo com as espécies que protege; é muito resistente à manipulação; não arde; é muito transparente, permitindo um perfeito visionamento dos documentos Contudo, é mais caro e a sua propriedade electrostática impede que esteja em contacto directo com documentos em elevado estado de degradação. Semestralmente devem ser efectuados testes de pH para verificar se os materiais utilizados para acondicionar já se encontram acidificados. Quando isso acontecer devem ser substituídos. O pH do papel deve estar situado entre 6,5 e 8,5 para que não cause danos no documento. Para efectuar este teste recomenda-se a utilização de tiras indicadoras de pH da

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Whatman (TypeCF pH 0-14 cat. nº 2613991), pois não mancham os materiais onde se fazem os testes. O armazenamento é o sistema que recebe o documento, acondicionado ou não, para ser guardado. Consiste no mobiliário das salas destinadas à guarda do acervo como estantes e armários. Deve-se evitar o armazenamento em estantes de madeira, pois podem ser uma fonte de origem de infestações, dando-se preferência às metálicas, tomando sempre atenção que as prateleiras devem ser maiores que os documentos para que estes não sofram deformações. Preferencialmente, devem ser armazenados em armários com gavetas de alumínio, por se tratar de um material altamente estável e de grande resistência, e com sistema anti-poeiras. A base das gavetas deve ser em poliéster ou painéis livres de ácido. Opcionalmente, os armários devem ter gavetas removíveis que permitam a exposição dos documentos em vitrinas especiais. O empilhamento deve ser criterioso e deve ter em atenção as condições físicas, do tamanho e peso de cada documento:

Os documentos maiores não devem ser colocados em cima de outros menores, para evitar a deformação do suporte;

Apenas se podem armazenar juntos objectos do mesmo tamanho e categoria, ou seja, os documentos mais pesados e/ou volumosos devem ser armazenados separados dos mais leves e os de qualidade inferior não devem ficar em contacto directo com os de melhor qualidade;

Não se devem manter documentos dobrados ou enrolados, pois ao longo do vinco cria- se uma linha de fragilidade nas fibras de papel, podendo a médio prazo provocar a ruptura dessa área. Os documentos devem manter-se num nível horizontal.

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OBSERVAÇÕES FINAIS

Verificamos que o Museu Parada Leitão está instalado numa zona de grande movimento de pessoas e viaturas que influenciam as condições ambientais daquela área. O conhecimento, apreciação e estudo das condições ambientais e geológicas das zonas envolventes ao Museu são de grande importância para que os técnicos do museu consigam antever com um elevado grau de precisão as ameaças a que a instituição e as suas colecções estão expostos e actuar de forma profiláctica. O Museu é privilegiado por uma estrutura que, apesar de se situar numa cave (local propicio a valores elevados de humidade), o isola das influências das condições ambientais exteriores: exemplo disso é a inexistência de janelas ou outras entradas significativas e as paredes conterem aditivos hidrófugos. O controlo ambiental é uma ferramenta essencial ao serviço da conservação da colecção. Não permite o retrocesso do estado de conservação, mas reduz ou impede os danos futuros provocados pelos agentes de degradação biológicos e químicos. Até ao momento a utilização do espaço museológico era esporádico e a influência do Homem e do exterior cingia-se ao trabalho diário dos técnicos do museu e das equipas de limpeza e manutenção dos equipamentos. No entanto, verifica-se que não foram acautelados sistemas de monitorização ambiental e os de controlo ambiental não existem em todos os espaços, que o mobiliário é inadequado e que as estratégias de manutenção apropriadas com pessoal atento e formado para a detecção de possíveis problemas são praticamente inexistentes. Torna-se por isso imprescindível conceber um plano onde esteja incluído não só o equipamento necessário como a Estratégia de Controlo Ambiental adoptada à nova realidade: a abertura permanente do museu ao público. Contudo, não sendo possível fazê-lo sem uma avaliação do comportamento ambiental do edifício e da colecção perante esta nova situação, deve ser feito um diagnóstico baseado na monitorização ambiental. Isso será um objectivo considerado uma mais-valia: registar as condições e alterações no ambiente interno e externo, relacionar estes factores e integrá-los com o factor humano, verificando quais as necessidades de controlo ambiental a implantar, conforme a época do ano, a afluência do público e as actividades desenvolvidas. Por outro lado, devem ser implementados procedimentos e politicas de gestão de riscos adequados ao museu, mesmo não podendo ser concebido um Plano de Emergência e Segurança integrado no da Instituição de acolhimento. Vejamos alguns deles:

Aquisição de equipamentos adequados à detecção e combate de inundações, incêndios, roubos e vandalismos;

Códigos de prioridade relativos a objectos e a zonas;

Locais de evacuação e saídas de emergência;

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Nome, telefone e endereços das entidades e pessoal a contactar em caso de emergência quer durante o horário de funcionamento, quer nas horas em que se encontra encerrado;

Referências a outras fontes de informação( mapas, plantas, número e localização de alarmes, extintores e perigos iminentes);

Localização e manutenção do backup do inventário;

Procedimentos mínimos de movimentação, transporte e conservação dos objectos em caso de emergência. Por ora tornou-se fundamental conceber um Plano de Manutenção com as orientações de actuação de rotina que devem ser garantidas durante todo este processo de avaliação e complementadas depois da realização do relatório final. Os responsáveis de cada colecção devem promover um estudo do espólio sob a sua responsabilidade e apresentar as medidas apropriadas à manutenção não só do acervo, mas também do espaço físico em que se encontram, nunca colocando de parte a monitorização e o controlo ambiental. Verificamos que a colecção de estampas e desenhos sofreu muitos efeitos do percurso que teve e devem ser tomadas medidas para que a situação actual e as escolhas futuras não prejudiquem mais ainda o seu estado de conservação. Devem ser adquiridos, e utilizados apenas por técnicos com formação adequada, sistemas de monitorização ambiental, de modo a que se proceda à concepção de um plano e à aquisição de sistemas de controlo adequados. Além disso, faz mais sentido a nível orçamental conceber uma estratégia ambiental antes da aquisição do equipamento necessário: sabendo o que necessitamos e para quê facilita-nos a escolha e impede desperdícios orçamentais. Torna-se também urgente identificar a possibilidade de restauro dos documentos. A intervenção directa nos documentos deve ser feita apenas pelo conservador ou por outro técnico de conservação e restauro de documentos com experiência e capacidades técnicas, de modo a garantir que os objectos recebem o tratamento mais adequado para a sua preservação e utilização e que este é apropriado às suas características e condições.

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GLOSSÁRIO

Abrasão – desgaste da superfície por fricção Difere de erosão, que é um processo químico de desgaste (v. Erosão).

Acidez - relativo a pH inferior a 7.0, que resulta na instabilidade molecular do papel, provocando descoloração e enfraquecimento do suporte.

Amarelecimento - tendência para adquirir um tom amarelo provocado pelo envelhecimento do suporte, acidez e/ou más condições de acondicionamento.

Bolhas - formação de glóbulos de ar retidos na superfície do papel.

Calibração – Conjunto de operações que estabelecem, sob condições especificadas, a relação entre os valores indicados por um instrumento de medição ou sistema de medição e os valores correspondentes das grandezas estabelecidas por padrões.

Canais - cavidades.<