Afetividade e inteligência

INTRODUçAO Inúmeras pesquisas e estudos têm abordado o tema da afetividade e inteligência devido a sua considerável importância enquanto fato determinante no processo de desenvolvimento humano, bem como uma condição motivadora no relacionamento professor - aluno, no que diz respeito ao processo de ensino aprendizagem. Nesta pesquisa, procurou-se enfocar a emoção de maneira ampla, na vida da criança em idade pré-escolar, e a influencia destas sobre a aprendizagem. A afetividade está presente quando se busca conhecimento, quando se estabelece relação com outros indivíduos. Considera-se relevante que a afetividade e a inteligência são indissociáveis, mas integradas no desenvolvimento psicológico. O afeto e a aprendizagem constituem aspectos inseparáveis, presentes em qualquer atividade, por isso o afeto implica na expressão e comunicação, é nessa linha de pensamento que veremos como a afetividade e a inteligência envolvem a interação professoraluno, influenciando decisivamente no processo de aprendizagem. Estudos como os de Wallon e de Vygotsky comprovam a reciprocidade e inter-relação entre afetividade e inteligência, mesmo sendo a primeira de natureza mais subjetiva e a segunda de ordem cognitiva (Almeida, 1999; Galvão, 1995; Oliveira, 1997). Tal fenômeno se explica quando se compreende que ambas funções, inteligência e afetividade, dependem da ação do meio social, interpessoal e cultural, sendo determinadas pelas interações entre sujeitos, oq eu atribui aos aspectos culturais um sentido afetivo (Almeida, 1999), e propicia ao homem ser compreendido nas duas dimensões, simultaneamente, afetiva e intelectual (Oliveira, 1997). Outro ponto relevante no estudo foi à auto-estima, um dos problemas que afetam emocionalmente grande parte das crianças, causando alterações no processo ensino-aprendizagem, através desse estudo mostraremos as possibilidades de êxito no trabalho com a afetividade. JUSTIFICATIVA Parte-se do pensamento que a interação professor - aluno, tem uma influencia relevante na vida da criança, bloqueios, traumas, dificuldades refletem na aprendizagem. Tendo em vista nessa pesquisa o papel fundamental da afetividade e da mediação do professor no processo de aquisição do conhecimento. Considera-se relevante a proposta desta pesquisa, uma vez que seus resultados poderão suscitar nos educadores a reflexão sobre suas praticas, incluindo a afetividade, visando ao aprimoramento de suas

relações com seus alunos e, conseqüentemente, proporcionando-lhes condições para melhor se desenvolverem. Objetivo geral O objetivo da presente pesquisa é analisar as relações que se estabelecem entre as decisões pedagógicas assumidas pelo professor durante o processo de ensino e os possíveis afeitos que as mesmas produzem na fatura interação que se estabelece entre o aluno (sujeito) e os conteúdos escolares (objeto de conhecimento), bem como as influencias destes nas decisões futuras dos educandos. Desta maneira a pesquisa estará voltada para as tomadas de decisões assumidas pelos professores durante o processo de ensino e também nas condições de ensino, procurando identificar os aspectos que podem implicar efetivamente na relação sujeito-objeto, com o intuito de contribuir para o aprofundamento da questão da afetividade não só na sala de aula, mas em todo o contexto escolar. Objetivo específico Essa pesquisa tem como identificar e analisar as possíveis relações entre as decisões pedagógicas que o professor toma em relação suas praticas de afetividade e os efeitos dessas decisões na vida escolar, presente e futura, dos alunos. Para tanto, assume-se que a avaliação é uma dimensão da mediação do professor que envolve, sensivelmente, a dimensão afetiva, não se restringindo apenas a dimensão cognitiva. A pesquisa conta com as contribuições teóricas da abordagem histórico-cultural, através de autores como Wallon e Vygotsky. Essa abordagem é marcada pela ênfase nos determinantes culturais, históricos e sociais da constituição do individuo. O advento dessa concepção teórica tem possibilitado uma nova visão sobre as dimensões afetiva e cognitiva no ser humano, entendidas como dois processos indissociáveis. Entende-se que analisar a questão da afetividade em sala significa analisar as condições oferecidas para que se estabeleçam os vínculos entre sujeito (aluno) e objeto (áreas e conteúdos escolares). Nesse sentido, assume-se que a natureza da experiência afetiva (prazerosa ou aversiva) depende, em grande parte, da qualidade da mediação vivenciada pelo sujeito na relação com o objeto. Este trabalho direcionou seu foco para as questões da mediação do professor na afetividade escolar. e possível notar que as decisões pedagógicas que o professor assume, em relação a criança, certamente produzem marcas afetivas e interferem na relação que se estabelece entre o aluno e o objeto de conhecimento.

a primeira função do desenvolvimento infantil é afetiva (Galvão. Elvira Cristina Martins Tassoni. para uma vida. simplesmente nos prejudicaram. Assim. agregados a componentes orgânicos. Henri Wallon. pois. Analise de dados levantados através da pesquisa de campo. de acordo com Wallon. as emoções são reações organizadas e que exercem sob o comando do sistema nervoso central. de acordo com Wallon. 1995). para tanto. são usados como sinônimos. Celso Antunes. Ivone Martins Oliveira. • • . Dessa forma. O primeiro é composto por manifestações afetivas de estados subjetivos. como os sentimentos e os desejos. não nos incentivou. Augusto Cury. favorecendo a autonomia e fortalecendo a confiança em suas capacidades e decisões. Wallon. é possível ter acesso a gênese dos processos psíquicos.Uma boa mediação afeta. 2000). auxiliou e não nos trouxe a confiança necessária. englobando as dimensões psicológica e biológica. faz-se necessária a distinção dos termos emoção e afetividade. apud Tassoni. e as emoções (ordem biológica). mas a aqueles que infelizmente se tornaram insignificantes. uma vez que. nos estimularam e nos tocaram no mais fundo de nosso coração. Para Wallon. A pesquisa de campo tem por objetivo mostrar que a ação de um professor na vida do aluno é fundamental para seu crescimento e desenvolvimento cognitivo. abrangendo os sentimentos (ordem psicológica). também. envolve varias manifestações. leituras e resumos das principais colocações dos autores. busca compreender o psiquismo humano e. o autor considera a afetividade como ponto de partida do desenvolvimento. aparentemente. ou seja. Encontraremos na nossa vida professores que nos influenciaram. o segundo tem. os sentimentos e as próprias emoções (Wallon. através dela. AFETIVIDADE SEGUNDO WALLON A afetividade. Izabel Galvão. desde o inicio. em sua teoria psicogenética. encorajou. a auto-imagem dos alunos. Lev Vygotsky. METODOLOGIA O trabalho será realizado de acordo com as seguintes etapas: • Considerando as etapas de pesquisa de campo e bibliográfica. das funções intelectuais. uma concepção mais ampla que envolve uma gama maior de manifestações. volta sua atenção para a criança. mostrando que.

11). a afetividade tem papel de comunicação nos primeiros meses de vida. Porém. p. propondo um estudo integrado do desenvolvimento humano. O autor relaciona a psicogênese e a historia do individuo.149). Acredita-se que o desenvolvimento biológico não é suficiente por si só. mesmo no seu mais alto nível de maturação. as quais não surgem prontas nem permanecem estagnadas. "(. Nessas circunstancias. a inteligência simbólica. Inserida no contexto de desenvolvimento do ser humano. os aspectos biológicos são determinantes e predominantes. 1995). o processo de personalização da criança depende do desenvolvimento dessas duas funções. "As influencias afetivas que rodeiam a criança desde o berço não podem deixar de exercer uma ação determinante na sua evolução mental. conforme amplia-se o processo de interação com o meio. a influencia do meio social torna-se muito mais importante na aquisição das funções psicológicas superiores.41). definindo seu projeto teórico como uma elaboração da psicogênese da pessoa completa. possibilitando contatos da criança com o mundo. combinada com outra função. também depende da afetividade. p. Para Wallon... a estreita relação entre as interações humanas e a constituição da pessoa. vão cedendo lugar para determinação social." ( Galvão. os quais Wallon denomina "alimento cultural" (Galvão. dando origem à atividade cognitiva e possibilitando seu avanço. Para a evolução das referidas funções psicológicas. a personalidade. gradativamente. demonstrando. .) pois são os desejos. assim. 1995. abrangendo afetividade e inteligência. em sua constituição. tornando possível o acesso ao mundo simbólico. No inicio." (Tassoni." (Wallon.. Ainda segundo Wallon.) não é possível definir um limite terminal para o desenvolvimento da inteligência. como por exemplo. Neste momento. 2000. no processo de desenvolvimento do ser humano. intenções e motivos que vão mobilizar a criança na seleção de atividade e objetos. os aspectos biológicos e sociais caminham juntos. p. Assim. a dimensão afetiva ocupa lugar central tanto do ponto de vista da construção da pessoa quanto na construção do conhecimento. é necessário que a cultura e a linguagem forneçam instrumentos pensamento. nem tampouco da pessoa. Neste âmbito. é uma combinação em que cada uma tem seu papel definido e. desenvolvendo-se socialmente. a inteligência.Para se compreender a psicogênese do ser humano é fundamental ressaltar que as funções intelectuais adquirem importância progressivamente. "(. pois é preciso que paralelamente o sujeito se aproprie das condições oferecidas pelo meio. 1968..

quando estão em ação. No campo da educação. pois é através dos desejos. o que poderá acarretar em formas de aprendizagem significativas e contextualizadas. por pessoas ou fatores externos. proporcionam altos níveis de evolução na criança (Wallon. apud Almeida. buscando compreende-lo do ponto de vista a afetividade e da inteligência. De acordo com o autor. pois para sua evolução. todas as atitudes cognitivas básicas do sujeito ocorrem de acordo com sua historia social e acabam se constituindo juntamente com o desenvolvimento históricosocial de sua comunidade. é que a aprendizagem antecede o desenvolvimento através das intervenções realizadas. ela depende dos avanços alcançados pela inteligência. a afetividade se faz aliada no desenvolvimento do processo cognitivo. e a responsabilidade que professores tem nas mãos e que muitas vezes sem afetividade foi bloqueiam o conhecimento do aluno. as habilidades cognitivas e as formas de estruturação do pensamento do sujeito não são determinadas por fatores prédeterminados. A idéia de Vygotsky. Inserindo essas teorias na minha pesquisa que ressalta sobre a importância do professor na vida de uma criança. E que as funções intelectuais são adquiridas progressivamente desde os primeiros meses de vida. para suas conquistas.1992). mas são resultados das atividades vivenciadas a partir dos hábitos sociais da cultura em que o sujeito se desenvolve. depende dos avanços da afetividade (Oliveira. com ênfase na importância do ambiente social para o desenvolvimento e a aprendizagem.1999). Wallon diz que a afetividade entre professor-aluno é o ponto de partida do desenvolvimento. intenções e motivos que vão mobilizar a criança na seleção de atividade e objetos e ter um significado para ela. pelo fato de sua mente funcionar de . SEGUNDO VYGOTSKY Vygotsky tem uma visão sócio-interacionista do desenvolvimento. assim como a inteligência. que diversas formas possibilitam a mediação entre o sujeito (aluno) e o objeto de conhecimento. Portanto. Baseia-se numa visão não fragmentada do desenvolvimento humano. Portanto se não houver uma interação entre professor-aluno não haverá a construção do conhecimento e o desenvolvimento da criança ao mundo símbolos. Vygotsky defende a idéia de que a criança não pode ser reduzida a uma mera miniatura de adulto. dizendo a relação que o individuo tem com o meio em que vive. mostrando que a primeira função do desenvolvimento infantil é afetiva. Nas teorias de Wallon tem por objeto a gênese dos processos psíquicos que constituem a pessoa. na atividade cognitiva possibilitando seu avanço. DESENVOLVIMETO COGNITIVO.

a criança possui um pensamento prélinguistico e uma linguagem pré-intelectual. iniciando um novo tipo de organização do pensamento e da linguagem. e ate . inicialmente.forma diferenciada. torna-se clara a importância de darmos prioridade e a valorização necessária para o desenvolvimento da linguagem de nossas crianças. pois irá possibilitar o desenvolvimento do pensamento do sujeito. assim como os seus primeiros balbucios são uma forma de comunicação sem pensamento. o pensamento e a palavra não são ligados por um elo primário. podem atingir o mesmo ponto e correr lado a lado. Tal fato pode ser melhor explicado pela seguinte citação de Vygotsky: Para Vygotsky (1991). Alem disso. uma vez que a linguagem para Vygotsky é fundamental. professores. segundo os acontecimentos reais do meio onde estão inseridos. para compreendermos o mundo. na fase pré-intelectual. o aprendizado não se restringe meramente a um processo no qual o sujeito adquire informações e habilidades. e não da forma como nós entendemos que deve ser a melhor. O progresso da fala não é paralelo ao progresso do pensamento. Nesse momento. o fato mais importante revelado pelo estudo genético do pensamento e da fala é que a relação entre ambos passa por varias mudanças. mas a partir daí. Segundo ele. tem inicio uma conexão entre ambos. surge o pensamento verbal e a fala racional. que se modifica e se desenvolve. uma vez que esse processo de aquisição envolve a interação desde sujeito com o "outro". pelos instrumentos lingüísticos do pensamento e pela experiência sócio-cultural da criança. a partir do momento em que a fala é internalizada. Assim. devemos compreender nossos alunos: da forma como eles são. para Vygotsky. o desenvolvimento do pensamento é determinado pela linguagem. Segundo a abordagem sócio-genética do desenvolvimento da linguagem. Entretanto. ela passa a ser um instrumento através do qual o homem pensa. Ate por volta dos dois anos. já nos primeiros meses. A criança descobre que cada objeto tem seu nome e a fala começa a servir ao intelecto e os pensamentos começam a ser parcialmente verbalizados. mas ao longo da evolução do pensamento e da fala. Vygotsky observa que o pensamento da criança pequena. Segundo Vygotsky. Nessa perspectiva. Assim. eles se encontram e se unem. a função social da fala já é aparente: a criança tenta atrair a atenção do adulto por meio de sons variados. (segundo as determinantes externas que os constituem). Tal compreensão traz implicações sobre como nós. evolui sem a linguagem. As curvas de crescimentos de ambos cruzam-se muitas vezes.

Anterior a tal estudo. A idéia de Vygotsky. pois. por pessoas ou fatores externos. A memória humana é um canteiro de informações e experiências para que cada um de nós produza um fantástico mundo das idéias. podendo ser facilmente observada em crianças. afirma que nossa memória é seletiva. caracterizando a linguagem. sabe-se que 90% das crianças que são encaminhadas aos ambulatórios para um tratamento com psicólogo apresentam queixa escolar. Cury diz que o senso comum acredita que usamos apenas 10% da memória. o papel da cultura continua sendo crucial no processo de desenvolvimento da linguagem. AUGUSTO CURY: CóDIGO DA INTELIGêNCIA Neste livro o autor aborda a importância em decifrar os códigos que existem na mente humana. que diversas formas possibilitam a mediação entre o aluno e o objeto de conhecimento. Diante disso Vygotsky fala que: Nesse contexto. sendo posteriormente internalizada. mas acabam se separando novamente. e que no caso de fala. mas tal fala vai se transformando. alguns estudantes que se apropriam desses códigos se transformam em grandes empreendedores. é que a aprendizagem antecede o desenvolvimento através das intervenções realizadas. mas se não decifrarem esses códigos serão apenas repetidores de idéias. o homem começou a enfrentar situações de relacionamento coletivo. pois se torna internalizada. Com isso comprova e mostra que minhas pesquisas são bastante relevantes no contexto escolar. vale ressaltar que toda apropriação de algum elemento cultural. Ou seja. debatedores de idéias e construtores de conhecimento. a fala egocêntrica pode ser observada e aparentemente não tem um interlocutor. ao longo da historia. Trabalhar o cognitivo é o mesmo que motivar o ato ou a ação de conhecer e adquirir o conhecimento. a partir do momento em que. embora muitos sejam ótimos alunos. eu não tinha o conhecimento de que todos os processos do individuo com o mundo ocorrem através da linguagem. no caso a fala. se dá em dois momentos distintos: primeiramente no âmbito externo e. posteriormente no âmbito interno do individuo. esta ocorre primeiramente através da forma egocêntrica. se não haveria um . ele sentiu a necessidade de criar uma forma de comunicação. Vygotsky acredita que se deve valorizar a linguagem do aluno para possibilitar o desenvolvimento do pensamento. Dessa forma. Vale cada professor refletir sobre suas praticas pedagógicas em sala de aula.mesmo fundir-se por algum tempo. mas ele afirma cientificamente que isso não seja verdadeiro.

equações matemáticas. são dedicados para aliviara a dor dos outros. por ter uma eloqüência na transmissão de informações. entretanto Cury diz que todos os testes são invariáveis. Na terceira grande área da inteligência. irracionais e desproporcionais. refere-se ao resultado das duas primeiras áreas. mas não decifrou outros códigos que ultrapassam o limite da lógica o de se colocar no lugar dos outros. os dois primeiros inconsciente e o terceiro consciente.congestionamento de pensamentos e um desgaste excessivo. Para ressaltar Augusto Cury diz: Nessa linha de pensamento. mas uma falta de capacidade de intuir. multidinâmica. citando o papel do sistema educacional tem como objetivo preparar os alunos para o mercado de trabalho. 2004). Muitos educadores são excelentes para cuidar dos outros. multifatorial. conseqüentemente o Homo bios. segunda a teoria Multifocal é nessa área que são feitos os mais variados testes para se medir os mais diversos tipos de quocientes da inteligência. deixou seu filho por anos em um manicômio. pode ser concluído que o Homo sapiens é capaz de desenvolver fórmulas físicas. mas muitas vezes não os preparam para nenhum dos dois. por isso toda teoria deve ser testada avaliada. Como sendo um pesquisador da psicologia. foi considerado um dos maiores cérebros humanos Einstein. (o instinto) e o Homo sapiens. analisada e refletida. Tantos outros . que se encontram pensamentos capazes de serem avaliados e analisados. mas se esqueceram de cuidar de si mesmos. Segundo Cury: Cury fala de um grande gênio da física que decifrou grandes códigos da inteligência. e não os preparam para vida. A memória já sendo seletiva pode ser bloqueada por estresse intenso. circunstanciais e incompletos. porque o sistema tem estressado tantos os mestres e educadores quanto aos alunos. e quando não decifram o código da razão transmitem em sala de aula a sensibilidade e o carisma. sendo assim o conceito global da inteligência entra em três grandes estágios. tem conhecido a inteligência como multifocal. e exercer um controle de qualidade de pensamentos. causando a síndrome do pensamento acelerado (SPA) (Cury. como pode um humanista agir sem humanidade. (a capacidade de pensar). filtrar estímulos estressantes. então se no campo cientifico há tanta flutuação imagine nas relações humanas. mas não se lembram em investir em seus projetos. multidimensional e modificável. fazendo um bloqueio no código da criatividade. Segundo Augusto Cury: Na primeira e segunda grande área da inteligência. programas de computador. Muita verdade cientifica caem a cada dez anos. o mínimo de contrariedade pode ser tão ilógico a ponto de produzir reações agressivas. Um pai que colocou seu filho no rodapé de sua historia.

porque muitas vezes professores querem conquistar a razão depois a emoção. Não é simples interpretar comportamentos. reagimos à vida são fotografados pelas pessoas que nos rodeiam. Se o professor souber usar a energia ansiosa da SPA. Há uma porcentagem considerável de correções que não educam e sim invadem a privacidade do aluno. valorize a emoção e depois faça sua critica construtiva e não será mais um invasor e sim um educador inesquecível. dependem de aprenderem o alfabeto da sensibilidade. é bem mais simples ensinar alfabetizar o intelecto do que alfabetizar a emoção de se doar. e alem disso aguçarão sua concentração e assimilação. e expressar opiniões. mas seria importante interromper o silencio a cada dez minutos. que inquietará. fazendo perguntas..] Sabedoria e autocrítica não se aprendem nos bancos de uma escola.fenômenos da inteligência que não tiveram a oportunidade de conhecer o significado da palavra vida. [. (Cury. quando grita com seu aluno. lidamos com contrariedades. A maneira como enfrentamos dificuldades. Educadores que não falam de suas lagrimas para seus alunos. Claro que quando o professor está transmitindo informações é necessário o silencio. Desde o momento que a criança é inserida em uma escola. as discussões de idéias. para seus alunos debaterem. mas no traçado da existência. Segundo Cury: . Essas atitudes são difíceis de serem elaboradas na psique. da compaixão pela humanidade. incomodará. mas primeiro conquiste. seus ensinamentos terá um seco pequeno. um professor com grande representação para seu aluno quando fala baixo. debater idéias. lucidez e raciocínio esquemático nos focos de tensão.. tolerantes e socialmente afetivos. que derruba o debate. eles o respeitarão e admirarão.p. principalmente pelas crianças e adolescentes. idéias e emoções. mas aquele professor que tem uma representação ruim. mas não educará. para provocar a mente dos alunos. nunca os ensinarão a suportar adversidades. ela deveria descobrir prazer de expressar seus pensamentos. estimular o pensamento.117). Deixaram que sua janela Killers (é uma zona de conflito que assassina o prazer de viver) fosse capaz de sugar e destruir a solidariedade. nunca ensinarão a chorar. suportamos perdas. mestres que não falam de suas dificuldades. 2008. porque atitudes assim geram uma invasão de privacidade. Mas professores ensinam um silencio nada pedagógico. altruísmo. seus ensinamentos terão um eco muito grande. O grau de admiração é um eco psíquico. mas não espere que os alunos sejam espontaneamente solidários. do prazer de se doar.

por anos a fio em uma sala de aula pelo desconforto. Cury diz que professores fascinantes usam a memória como suporte da arte de pensar. sendo a emoção que dá origem a atividade cognitiva. A afetividade possibilita a interação com o outro e sua evolução se dá . de trabalhar em equipe. ao levantar a mão quase tem uma taquicardia. de onde vem o medo de enfrentar ambientes novos. ensinamentos significativos. Nessa linha de pensamento a contribuição desse livro para minha pesquisa foi mostrar que se não houver um afeto. esses traumas que muitos deles são produzidos ou desenvolvidos no inocente ambiente das salas de aulas. a necessidade de ser sempre certo. o bom professor valoriza quem tira melhores notas. de questionar . mas que liberta. muitas vezes é o que surpreende. não é o que pune. Comprometer em dar atenção aos que perturbam o ambiente. Emoção e afetividade têm fundamental importância na constituição e funcionamento da inteligência determinado os interesses e as necessidades individuais. a necessidade de controlar os outros e impor suas idéias. são relapsos. DISCUSSãO SOBRE AFETIVIDADE Podemos perceber que Vygotsky e Wallon apresentam concepções distintas sobre afetividade e cognição.. novos desafios. (Cury.. Para concluir Cury relata em um capitulo deste livro a inteligência carismática inesquecível. Certamente fazendo isso. prevenirão muitos suicídios e violência na sociedade. 2008). mas o que estimula a começar tudo de novo.é raro não vermos um aluno que não adoeceu aspectos psíquicos. quais professores são inesquecíveis para seus alunos? Aqueles que foram cultos e eloqüentes ou os que encantam ao ensinar? é claro que a exceções. expor e não impor idéias . Mas segundo Duarte: Cury pede aos professores que jamais abandonem seus alunos que vivem nas margens da sala. a criança na hora de realizar qualquer tarefa simples seu nervosismo vai bloquear seus conhecimentos mais simples. mas o que encoraja.] o professor que forma pensadores não é o que controla. tem um rendimento escolar baixo e vivem no "mundo da lua". Wallon acredita que a afetividade é anterior a inteligência. ele faz uma pergunta importante. [. o famoso "deu branco" quando são confrontados. mas é esse que influenciam a personalidade de seus alunos. consciência crítica. a capacidade de debater . aproximação. indisciplinados. não é o que desanima. mas um excelente professor valoriza e cria vínculos os que estão sentados lá no fundo das salas. o que contribui para desenvolver nos alunos: o pensar antes de agir.

Wallon diferencia os termos afetividade e emoção. portanto. portanto. sujeito. O pensamento (cognitivo) se inicia na esfera motivacional (afetivo). Segundo Vygotsky (1984). Ao vivenciar situações como desconforto. As pessoas que fazem do seu meio social interpretam essas reações. fome. Isto significa que estão vinculadas a componentes orgânicos. através da mediação do outro. que é mais determinante no inicio da vida. atribuindo significado a elas.por etapas que vão da base orgânica. vai progressivamente cedendo espaço de determinação ao social: Segundo Galvão (2001) em seus estudos. o sujeito se apropria dos objetos culturais e esse processo promove o desenvolvimento. São. 2001:62) Restringindo o olhar a um recém-nascido observam movimentos que expressam disposições orgânicas e estados afetivos de bem-estar ou mal-estar. De acordo com Galvão (2001). Em todas essas etapas. existe o entrelaçamento dos aspectos afetivos e cognitivos sendo que as conquistas no plano afetivo são utilizadas no plano cognitivo e viceversa. ora da cognição. nas quais há predominância alternada ora da afetividade. De acordo com Wallon o biológico. o bebe se expressa por meio de espasmos. Em sua psicogenese. Vygotsky defende que a vida afetiva se constrói na relação com o outro. frio ou cólica. Dessa forma. de uma dupla historia: a de duas disposições internas e das situações exteriores que encontra ao longo de sua existência. que muitas vezes são utilizados como sinônimos. passa pela emocional e chega na ordem moral. não descartando sua caracterização enquanto estado sujeito. isto faz com que o bebe correspondência entre seus atos e os do ambiente. acompanhadas "de modificações visíveis do exterior. Wallon divide o desenvolvimento humano em etapas sucessivas. contorções ou gritos. expressivas que são responsáveis pelo seu caráter altamente contagioso e por seu poder modificador do meio humano" (Galvão. . isso se dá culturalmente através da mediação e a linguagem tem importante papel nessa construção e também na sua evolução. contudo a afetividade e cognição não podem ser vistas como dimensões isoladas. As emoções para este autor são reações organizadas que se manifestam sob comando do sistema nervoso central. promovendo reações cada vez mais diversificadas e intencionais. Wallon admitiu que o homem é determinado fisiológica e socialmente. suas idéias permitem defender que a construção do conhecimento ocorre a partir de um intenso processo de interação entre as pessoas.

demonstra que as manifestações emocionais. De acordo com Vygotsky. Também demonstra as relações existentes entre as dimensões afetivas. alem disso. Cada um. Wallon e Vygotsky. o desenvolvimento humano depende da interação que ocorre entre as pessoas e da relação com os objetos culturais. que contribuíram para a relevância da dimensão afetiva na constituição do sujeito e na construção do conhecimento. Vygotsky assumiu uma perspectiva de desenvolvimento para as emoções. vêm a uma simples pergunta o que nos leva a ser educadores? O que nos anima e fornece tanta energia neste trabalho tão pouco valorizado? Esse tema mediação professor-aluno é muito conhecido. de caráter inicialmente orgânico. Assim. a qual é um elemento necessário para a delimitação e expansão do sujeito como pessoa. da significação e do sentido. assumem o caráter social da afetividade e tem uma abordagem de desenvolvimento para ela. passando a atuar no universo simbólico. Conforme Leite e Tassoni (2002): Ambos. destacando que não há uma redução ou desaparecimento das mesmas. ele defende que as transformações orgânicas desvinculadas do contexto não são suficientes para produzirem a emoção. neste caso o . Embora tenha partido de uma base biológica. ampliam-se as formas de manifestações. mas um deslocamento para o plano simbólico. tema tão fundamental para nossa vida e nossa formação Agora citando a afetividade da criança. considerando assim o aluno em sua totalidade. cabe ressaltar o papel da mediação neste processo. atribui a interação social como papel fundamental na constituição do ser humano. Vygotsky defendeu que estados emocionais diferentes podem provocar reações orgânicas semelhantes. cognitivas e motoras no desenvolvimento humano.A maioria das teorias das emoções da sua época concentrava-se nas manifestações orgânicas. a sua maneira. SOBRE A MEDIçAO PROFESSOR-ALUNO Em se tratando de mediação professor-aluno. alem de afirmarem que ambos interrelacionam-se e influenciam-se mutuamente. constituindo os fenômenos afetivos. mas sem relevância pela maioria dos educadores. Assim. uma vez que com a presença do outro. Este capitulo com as teorias dos autores Wallon e Vygotsky. Esses autores defendem a intima relação que há entre o ambiente cultural/social e os processos afetivos e cognitivos. vão ganhando complexidade. todas as relações com membros da família e com o ambiente social em que vive podem fornecer modelos de aprendizagem para criança. não considerando o aspecto psicológico dos processos emocionais.

Outro ponto de convergência é a afirmação de ambos os autores sobre as influencias das dimensões afetivas sobre a atividade intelectual e vice-versa. Vygotsky faz uso do termo em russo obuchenie. a criança está .) significa algo como processo de ensino-aprendizagem incluindo sempre aquele que aprende. Neste contexto. 1999. Oliveira.professor mediador. o conceito de zona de desenvolvimento proximal é de extrema importância.p. Tal convergência se dá na medida em que ambos admitem que através da interação social que o ser humano se desenvolve especialmente nas interações em sala de aula. Ou seja. ao mesmo tempo em que esta estará se constituindo como sujeito. Segundo Vygotsky.. a escola torna-se espaço legitimo para o desenvolvimento sócio-afetivo da criança. estando ainda em processo de autonomizaçao e de acordo com Vygotsky. e como conseqüência também se nota na aquisição da escrita. a medida que a inteligência vai atingindo novos estágios.57). constituindo-se manifestações de emoção. a necessidade de comunicação está na base do desenvolvimento da criança e. pois as conquistas da inteligência são incorporadas ao plano da afetividade. a afetividade vai se racionalizando. sendo necessária a interação e confronto com o outro. sendo também espaço de construção da afetividade e do conhecimento centrado na intervenção sobre a inteligência. dar-se a evolução das formas de pensar da criança. 1997. conseqüentemente na base da aquisição das funções psicológicas superiores. repletas de afetividade. uma vez que essas duas funções. sendo que entre a emoção e a atividade intelectual ocorre um processo paralelo de desenvolvimento (Almeida. que "(.. Também para melhor compreensão da teoria. a zona de desenvolvimento proximal revela os modos de agir e de pensar que ainda estão em fase de elaboração na criança e exigem a relação com o outro para alcançarem a autonomia. são de acordo com Wallon. é necessário ressaltar que na escola."(Oliveira. estão em estado emergente. as quais embasam teoricamente esta pesquisa. a afetividade e a inteligência. as quais exercem grande influencia no desenvolvimento cognitivo. aquele que ensina e a relação entre essas pessoas. Para ambos os autores o mesmo ocorre com o processo de formação da personalidade. o qual não ocorre isoladamente. Sobre a mediação existem pontos convergentes entre a teoria de Wallon e a da de Vygotsky. Neste processo. 1992). essenciais na constituição da personalidade. uma vez que este revela as funções que ainda não amadurecem na criança.

. Percebe-se então que o professor tem um papel fundamental neste processo. é crucial na determinação das praticas pedagógicas. cabe a mim como futura educadora. mas sim pensando-se em nossas praticas cotidianas concretas. 1999). sendo mediador. sendo papel do professor-mediador promover a expressão das emoções do aluno. para que sejam estabelecidas mediações que propiciem situações de aprendizagem para meus futuros alunos. alem da sua influencia nos processos de desenvolvimento cognitivo. No entanto pode-se observar que através das dificuldades dos alunos. para poder intervir de forma eficaz na elaboração do pensamento do aluno. para que estas sejam eficazes e pertinentes a dificuldade encontrada pela criança. identificando as implicações do processo de construção do conhecimento. A relação professor-aluno sendo de uma natureza conflitante." (Almeida. Diante do que foi exposto.. estar atenta as possibilidades inúmeras existentes em nosso meio cultural presentes no dia-a-dia. Posso afirmar que este conhecimento. sendo necessário que nossas decisões durante a mediação sejam tomadas não de forma aleatória ou idealizada. Assim a instituição não deve negligenciar e subestimar ou ate mesmo suprimir o espaço das emoções em suas atividades. traduzindo como sujeito ativo.103). que deve ser respeitada suas individualidades e particularidades. exercendo uma importante influencia na aquisição do conhecimento da criança. já que o papel do professor como mediador é de fundamental importância. A relevância deste capítulo para pesquisa foi reconhecer que o professor faz parte do processo de mediação do conhecimento. permitindo que a criança reflita sobre sua produção.. evidencia-se a presença continua da afetividade nas interações sociais. um interprete das manifestações da criança. um observador. é preciso que o professor faça uma avaliação de suas intervenções. significa dizer que o professor precisa saber como a criança pensa e onde ela encontra dificuldades. não sabendo como proceder diante de conflitos.) as emoções sejam utilizadas pelo professor como fonte de energia e as expressões emocionais como facilitadores do conhecimento. o professor conseguirá criar idéias sobre o que fazer. p.presente como um ser completo sendo sujeito de conhecimento e sujeito de afeto (Almeida. oferece riquíssimas possibilidades de crescimento. uma vez que no professor causa extremo desconforto ao lidar com as dificuldades de seus alunos. favorecendo o desenvolvimento da criança. de forma que "(. 1999.

o medo era tanto que quando ela mandava eu ir na lousa eu ia tremendo fazia as contas e não sabia dizer para ela o sinal se era mais ou menos. Na disciplina de história: Obtive 4 histórias.Tenho claro agora. mas quando eu chegava na sala não. pode mostrar o quanto é importante o professor na vida do aluno. falava coisas que ate hoje não consigo esquecer eu acabei . Esse questionário foi um instrumento fundamental para a situação problema do tema desta pesquisa. etc. ela era do tipo que humilhava o aluno. idade. moral e psicológica: Obtive 27 histórias. o mesmo deveria compartilhar sua história. Na disciplina de português: Obtive 5 histórias. A análise foi divida por seguintes classificações: • • • • • • • • • • • • • • Agressão física. Na disciplina de física: Obtive 1 história. ela me deixava apavorada. Na disciplina de matemática: Obtive 22 histórias. Na disciplina de química: Obtive 1 história. seja ele pessoa. Cada história foi preservada a identidade do aluno. Na disciplina de ciências: Obtive 2 histórias. No curso de engenharia elétrica: Obtive 1 história. Na disciplina de inglês: Obtive 3 histórias. que a aprendizagem não ocorre somente entre sujeito (aluno) e objeto (conteúdo). No curso de informática: Obtive 2 histórias. Na disciplina de educação física: Obtive 2 histórias. as informações e depoimentos aqui colocados. Na disciplina de geografia: Obtive 1 história. identificando-os como sujeito. No curso de estatística: Obtive 1 história. estado que fez maior parte dos estudos. Um dia minha mãe foi conversar com ela e quando a minha mãe foi embora ela me humilhou. sexo. eu tive uma professora chamada Susi. mas necessita fundamentalmente da mediação social do outro. ANáLISE E DISCUSSAO DOS DADOS Na presente pesquisa foi utilizado um questionário para coletas dos seguintes dados: nome. livro. em casa eu conseguia resolver os exercícios. ela era muito bonita e muito brava. SUJEITO 1 ( 28 ANOS) HISTóRIA: Quando eu estava cursando a quarta serie. eu tinha muito medo dela. Na disciplina de educação artística: Obtive 2 histórias. data de nascimento. e se houve algum professor que desmotivou o aluno.

quando ele ia tomar a lição individual se o aluno não soubesse pronunciar a palavra ou o resultado da conta. e fiquei com medo de contar a alguém. SUJEITO 5 (40 ANOS) HISTóRIA: Na segunda serie meu professor gritava muito. SUJEITO 4 (34 ANOS) HISTóRIA: Eu estava na terceira serie e a professora fazia chamada oral da tabuada. isso me revoltava e chegou a um ponto que não queria ir mais à aula. todos os dias e quando a gente não acertava. SUJEITO 3 (45 ANOS) HISTóRIA: Na segunda serie. E na terceira serie. acho que ate gostava de dar notas vermelhas para mim. fiquei traumatizada e mudei de escola. SUJEITO 6 (26 ANOS) HISTóRIA: Quando eu tinha dezesseis anos. ela brigava e nos humilhava na frente de toda a classe. eu não tenho vergonha de dizer que ate hoje não aprendi a tabuada. ate hoje me recordo desse tempo. recebi um puxão de orelha que me deixou muito envergonhada. eu não tinha vontade de ir apara escola e cada vez ficava pior. havia um professor racista que não dava a devida atenção para os alunos negros. ela beliscava. minha mãe precisou me trocar de escola. meus pais não me ensinavam e não apoiavam meus estudos. SUJEITO 7 (32 ANOS) HISTóRIA: Quando estava na segunda serie. ele batia com régua. meu professor passava as mãos em meu corpo e esfregava seu órgão masculino em mim. tinha grandes dificuldades na escola. SUJEITO 2 (34 ANOS) HISTóRIA: Na segunda serie.repetindo aquela serie e isso ficou guardado dentro de mim. SUJEITO 8 (29 ANOS) HISTóRIA: Na quarta serie tinha um professor que só gritava e quando errava qualquer questão ele chamava os alunos de "orelhinhas" e ele também costumava jogar giz quando pegava a sala conversando. havia uma professora que explicava a matéria no máximo três vezes e se o aluno não entendia. SUJEITO 9 (23 ANOS) . sempre fui péssima na escola. foi um trauma quase não consegui voltar à escola. Mas nunca fez nada construtivo para aprendermos. eu hoje tenho filhos e não permito que o professor nenhum faça o que ela fez comigo. mas a professora não demonstrava preocupação. chorei a aula inteira e meus coleguinhas ficaram rindo de mim.

Resumindo. humilhação. Eles transformam a informação em conhecimento e o conhecimento em experiências. motivação. revolta e desistência. São histórias que marcaram vidas. foi muito constrangedor. só gritava. tinha uma professora de matemática muito brava. SUJEITO 1 (31 ANOS) HISTóRIA: Na terceira serie. não traz felicidade. ela batia com régua na carteira todos gritavam de medo. quando me virei para pedir uma borracha emprestada. pois não entendia o conteúdo que era passado. através de um gesto muitas vezes leviano. em muito casos. hoje vejo que ela não tinha o mínimo de jeito para lidar com crianças daquela idade. até confesso que ate hoje fico depressiva na aula de matemática por não conseguir acompanhar essa matéria. eu passei a detestála mais ainda e acabei reprovando. aprendizagem. cumplicidade e responsabilidades e tais relatos denotam o quão desrespeitoso e irresponsável era a relação que se estabelecia entre professor-aluno. eu tinha uma professora que eu "odiava". afeto. SUJEITO 10 (30 ANOS) HISTóRIA: Na terceira serie uma professora colocou uma fita crepe em minha boca. A aprendizagem precisa ser "recheada" de afeto.HISTóRIA: Minha professora da quarta serie gostava de ridicularizar e expor o aluno para a sala toda devido às notas baixas. eu tinha muita dificuldade em matemática mais ela não conseguia me explicar de maneira que eu entendesse. respeito. humilhações. SUJEITO 5 (31 ANOS) . SUJEITO 4 ( 33 ANOS) HISTORIA: Na terceira serie. reclamava. SUJEITO 2 (48 ANOS) HISTóRIA: No primário tive uma professora que agredia com régua todo o aluno que não conseguiam acompanhar matemática. Devem multiplicar homens que pensam em nossa realidade. OBSERVAçAO: Pode-se notar nesses relatos o desrespeito e maus tratos. minha mãe precisou pagar aulas particulares para que eu passasse de ano. ate hoje tenho problemas com matemática. mas com grande significado. Relações revestidas de sentidos e significados negativos que geram medo. SUJEITO 3 (36 ANOS) HISTóRIA: eu tive na terceira serie uma professora que ensina todas as matérias. Professores que fazem a diferença devem formar pensadores que são autores de varias histórias. insistia em ensinar subtração com o método de "emprestar para o amigo do lado". exaltação da voz. eu tinha medo dela e não conseguia entender a matéria. Ate hoje encontro dificuldades em entender a matéria.

SUJEITO 6 ( 21 ANOS) Quando eu estava na quinta serie. que explicava frações e eu não entendia. confesso que pensei em desistir varias vezes mas agora criei coragem de enfrentar o meu medo. então tinha medo de perguntar e quase sempre errado. provavelmente em função da dificuldade de compreensão e. foi quando eu fui ate a mesa dele tirar minhas duvidas. sobretudo pela dificuldade didática por parte dos professores em torná-la mais acessível e prazerosa aos alunos. ate que o sinal bateu e ela não deixou ninguém sair ate eu terminar o exercício. Nesse sentido. na minha vez caiu justamente a que eu não sabia. SUJEITO 7 (21 ANOS) HISTóRIA: Na quinta serie tive uma professora de matemática. muito conhecida pelos alunos em função do seu conteúdo lógico e muitas vezes denso e reflexivo. SUJEITO 10 (18 ANOS) HISTóRIA: Tive uma professora de matemática que não explicava duas vezes e se irritava às vezes quando fazíamos perguntas. ela não me deixou sair da lousa ate resolver corretamente. Terminei o exercício com a ajuda dos colegas e fui direto para o banheiro chorar pela vergonha que ela tinha me feito passar. SUJEITO 9 (20 ANOS) HISTóRIA: Uma professora de matemática fazia com que todos os alunos respondessem as questões na lousa. . tenho muita dificuldade isso vem desde a quarta serie. ele estava raivoso. foi então que eu não queria ir mais à escola. ela dizia que eu não prestava atenção. porque quando estava na terceira serie tive muita dificuldade para aprender e continuo tendo ate hoje. é uma disciplina muito citada entre alunos. tenho que enfrentar um grande desafio "faculdade". então eu tomei ódio de matemática por causa dela. agora aos trinta e um anos.HISTóRIA: Nunca aprendi matemática. SUJEITO 8 (25 ANOS) HISTóRIA: Minha professora de matemática. ele me disse "porque você é burra". gritando muito comigo. é agora ou nunca. e quando eu ia perguntar pra ela me explicar novamente ela falava que não explicaria novamente. tenho dificuldade com matemática ate hoje. já pensei em desistir do curso de marketing. fui ficando cada vez mais nervosa. então me desanimou aprender qualquer tipo de matemática por não ter uma base. eu tive um professor de matemática que me desmotivou muito. OBSERVAçAO: Matemática trata-se de uma disciplina da ciência exata.

o funcionamento da mente. Teve uma aula que eu não conseguia fala o L das palavras. ela pegou tanto no meu pé que virei motivo de risada na sala. Eu estava no segundo ano. para educar melhor. SUJEITO 3 (25 ANOS) HISTóRIA: Minha professora de português na quinta serie. pois só podia sair quando ele mandasse. e quando estava preste a terminara aula e eu já estava a ponto de bala para ir embora. ela ficava debochando dos erros dos alunos. SUJEITO (23 ANOS) HISTóRIA: Não foi desmotivação da matéria e sim do professor. falando que era desobediente. por exemplo: bicicleta. OBSERVAçAO: Precisa conhecer o aluno. Ninguém se diploma na tarefa de educar. a visão muda algo que deveria ser chato e complicado se torna divertido e agradável de aprender.Creio que essa disciplina é muito citada pela dificuldade que os alunos têm em compreender o conteúdo. Quando se ministra o conteúdo com respeito e tolerância tudo acontece. que um dia o qual fiz um exercício errado ela "jogou meu caderno longe". mas não tem didática para lidar com as dificuldades apresentada pelos alunos. A memória humana é um canteiro de informações e experiências para que cada um de nós produza um fantástico mundo das idéias. um ser humano complexo. acho que o professor tem que corrigir o aluno mas de uma maneira mais discreta. Preciso e urgente mudar o olhar e a relação professor-aluno. A vida é uma grande escola que pouco ensina aos que não sabem ler a realidade que os cerca. Isso ficou marcado na minha vida "eu o odeio". SUJEITO 2 (21 ANOS) HISTóRIA: Eu tive uma professora de português que só dava respostas mal educadas aos alunos. SUJEITO 1 (23 ANOS) HISTóRIA: tive uma professora de português. O número de histórias é bem considerável. a questão fica ainda pior quando o professor domina o conteúdo. não só comigo. ela adorava nos humilhar na frente de todos. . cada aluno é mais um número na sala de aula. aprende educando. quando deu o sinal eu sai correndo e de repente o professor me pegou pelos cabelos e me puxou-me fazendo eu cair de costas e me humilhou na frente da sala. de pessoas que sofreram ou que sofrem por não entender algo que não foi lhe explicado como deveria e justamente uma matéria que exerce o raciocínio lógico das crianças. Para os professores dessas histórias. mas com outros colegas também. ele fez eu ter medo e ódio dele. e que não tem necessidades peculiares.

OBSERVAçAO: Nesses dois relatos vemos como uma humilhação sutil pode levar a danos irreparáveis.. faculdade de Educação. São Paulo: Summus Editorial Ltda. Campinas. pela maneira em que se porta e como trata o conteúdo proposto e a importância que dispensa ao mesmo. Foi possível perceber também nestes relatos que os componentes afetivos desta relação influenciam consideravelmente na relação aluno-objeto de conhecimento. H. um aluno que não gosta de determinado professor ou não se relaciona bem com ele. Piaget. (1992) Afetividade e a construção do sujeito na psicogenética de Wallon. política e social. As origens do pensamento na criança. OLIVEIRA. Procura destacar também. por exemplo. que uma vez em que ela me fez passar vergonha na oitava serie. atitudes foram demonstradas em publico. refletir sobre o que tem sido ensinado e como tem sido ensinado aos alunos. sua importância na formação cognitiva. CONCLUSãO DA PESQUISA: Nas histórias aqui apresentadas. ela pegou uma pintura que eu tinha feito e usou para mostrar o que não deveria ser feito e mostrou para sala toda e todo mundo riu. tendo por base a questão da sua influência na construção do conhecimento e na vida dos seus alunos. São Paulo: Manole. os alunos perdem o interesse por determinado conteúdo ou disciplina devido á postura do professor em sala de aula durante o processo de ensino. coração. tende a não gostar da disciplina que ministra. apenas por que palavras foram ditas. Oliveira. pinturas. Vale repensar. Depois do ocorrido nunca mais me interessei por desenhos. Henri (autor). o que resta? Uma pessoa insensível. K. em La Taille. Dantas. abrimos as janelas da inteligência. H. Y. Quando libertamos a arte de pensar. 2001. 1989. Tese de Doutorado. WALLON.SUJEITO (23 ANOS) HISTóRIA: Tive uma professora de educação artística. tirando isso do aluno. intelectual. relaciona-se muito o trabalho do professor nos seus múltiplos aspectos. • • . a influencia que este exerce na construção da auto-estima do aluno e em suas escolhas e comportamentos futuros. Muitas vezes.. M. UNICAMP. 527 p. Ivone Martins. emocional.. BIBLIOGRAFIA • DANTAS. O sujeito que se emociona: signos e sentidos nas praticas culturais. Vygotsky e Wallon: teorias psicogenéticas em discussão. etc. que não exerceu sua criatividade. arte é emoção.

Antunes. Elvira Cristina Martins. O código da inteligência: a formação de mentes brilhantes e a busca pela excelência emocional e profissional. Augusto Jorge. Celso. Lisboa.ukessays. Campinas. RJ: Vozes. A evolução psicologia da criança.• TASSONI.php#ixzz2ZRTLd8Xh • • • • • • • . A formação social da mente. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil/ Ediouro. UNICAMP. Petrópolis. Afetividade e produção escrita: a mediação do professor em sala de aula.com/essays/education/afetividadee-inteligencia. Henri. Cury. 2001. Wallon. 9 Edição. L. 2008. CURY. Pais brilhantes. 2000. Rio de Janeiro.1999. Dissertação de Mestrado. Almeida Ana Rita S. Sextante. Augusto Jorge. Need an essay? You can buy essay help from us today! Read more: http://www. Faculdade de Educação. Henri Wallon: uma concepção dialética do desenvolvimento infantil. Papirus. 2005. 1994. Petrópolis: Editora Vozes. A emoção na sala de aula. 220 p. S. Izabel. 2003 YGOTSKY. professores fascinantes. A Teoria das inteligências libertadoras. GALVãO. Campinas. São Paulo: Martins Fontes. 2000.

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