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“A Quinzena” deste número, como podem constatar, apresenta-se diferente de edições anteriores. O facto explica-se

“A Quinzena” deste número, como podem constatar, apresenta-se diferente de edições anteriores. O facto explica-se pela publicação deste texto, que reputamos de interesse para toda a comunidade, e que, por imperativos de fecho do jornal, nos vimos forçados a inserir nesta secção, pois as páginas referentes ao noticiário das comunidades já se encontravam prontas para impressão.

Tribunal anula e admite fraude nas eleições do Conselho Permanente das Comunidades Portuguesas

“Constitui mero expediente de fraude à lei

o ‘salto’ para o ponto seguinte da ordem de

trabalhos como expediente adequado a destabilizar um acto eleitoral já inicial e a proporcionar o aparecimento, em condições

desiguais, uma lista gerada da confusão previamente montada”, acusa o tribunal administrativo de Lisboa, no que se refere

aos atropelos à lei, feita por uma minoria de conselheiros, segundo acusação, sob a tutela

e instruções da Secretaria de Estado das

Comunidades Portuguesas. Aliás, situação não muito diferente da que

o ex-cônsul geral de Portugal em Londres,

Miguel Pires, admitiu ao jurista José Bandeira, em 16 de Abril de 2008, antes das eleições para os conselheiros no Reino Unido: “Estou apenas a cumprir determinações da Secretaria de Estado das Comunidades.” Isto para evitar que as populações de Thetford e Great Yarmouth e arredores e Guernsey, pudessem votar, mesmo quando lhe foi apresentada uma listagem de 728 portugueses inscritos para votar. Desta feita e depois de mais de 15 mil euros investidos em custas legais, conselheiros do Luxemburgo e Canadá, com outra capacidade financeira, procuraram na justiça evitar a continuação de”actos ilegais” pela SECP e impugnaram as eleições e, desta feita, a tomada de posse dos conselheiros das comunidades. Que apesar de eleitos para o efeito, passam a não o ser, enquanto não tomarem posse. António Cunha, em declarações ao nosso jornal, afirma que assim não é e “que os conselheiros foram devidamente eleitos e têm o direito de exercer os seus cargos”, contudo, de acordo com vários juristas assim não é. Dão como exemplo o caso de um governo eleito – enquanto não tomar posse o

exercício do poder é efectuado pelo executivo anterior às eleições. Tecnicamente Gabriel Fernandes, Cristina Costa Pinto e António Cunha, são os actuais conselheiros da comunidade portuguesa no Reino Unido em funções.

Governo vai recorrer A SECP, através de um comunicado à LUSA, vai recorrer desta decisão. Só que mais uma vez esta decisão é confusa e contra a natura da lei, já que o tribunal específica a impugnação como decisão final e sem contestação. Dizem os queixosos, que mais uma vez o Estado reage da forma como tem tratado o assunto da emigração portuguesa nos passados anos – atropelando leis e determinações, muitas delas, imagine- se, feitas pelo próprio governo e aprovadas em Assembleia contra a oposição. Neste momento, sem apelo nem agravo, António Braga vê-se na contingência de ter de chamar de novo uma assembleia-geral com todos os conselheiros, no espaço de seis meses, cumprido o determinado pelo tribunal - “proceder à aprovação de um novo regulamento interno de funcionamento, do qual deverá necessariamente constar a regulação da eleição dos membros do Conselho Permanente”. Está gerada a grande confusão. Primeiro foi a reestruturação consular, que está provada como um desastre total, com o aumento das listas de espera e a ineficácia dos Consulados em responderem às solicitações. Depois a anulação do voto por correspondência, que foi decretado e, depois, à pressa, por pressões de Cavaco Silva, retirado e voltou tudo à mesma. Agora está consumado em tribunal a forma como os políticos manobram as leis a seu belo prazer, de forma fraudulenta, contra a natura

das próprias leis por si engendradas e, pelos vistos, mal redigidas, porquanto obrigam o próprio legislador a tentar remendar e atropelar a sua própria legislação.

As decisões do tribunal Por decisão da Juíza Eleanora Almeida Viegas, o tribunal administrativo de Lisboa decidiu “na se limita a anular ou a conformar o acto impugnado, mas em resolver o litígio em termos definitivos”, facto que retira a legalidade do recurso da SECP. A razão para o recurso deve-se ao facto de que a SECP não tem tempo físico para organizar um novo plenário antes das eleições gerais em Portugal, e o facto de politicamente ser muito mau para o governo, admitir mais uma asneirada, a ser, com certeza, bem aproveitada pela oposição. Mas na sentença final a juíza continua por admitir que, perante a lei socialista, não tem outra solução senão incriminar os próprios socialistas, considerando que “a decisão definitiva do litígio não pode passar senão pela repetição da reunião do Plenário do Conselho das Comunidade Portuguesas no âmbito da qual e antes da eleição do Conselho Permanente se aprove o seu Regulamento interno de funcionamento em termos” da lei vigente, “no qual terão de estar previstas as regras aplicáveis à eleição a que alude o artigo 37 da própria lei.” “Pelo exposto”, continua a sentença, “tudo visto e ponderado, anulo a eleição do Conselho Permanente das Comunidades Portuguesas que teve lugar (.) nos dias 15, 16, 17 de Outubro de 2008 (.) e determino a repetição dessa eleição (.) para o que o Ministério dos Negócios Estrangeiros deverá proceder à convocação da nova reunião plenária do Conselho para uma data não

posterior a seis meses.” Gabriel Fernandes, da Associação de Portugueses no Estrangeiro, instituição que

coordenou o processo legal, afirma no portal da associaçãoque todo o plenário do CCP em Outubro, ao qual assistiu e filmou, “foi cenário das tropelias mais vergonhosas e aviltantes alguma vez presenciadas em sessões do CCP. Ultrapassou os limites da decência. Dividiu os conselheiros, cavou um fosso terrível entre os que defendiam a legalidade e os oportunistas que se compram por um prato de lentilhas. Foi tudo menos uma reunião magna de uma estrutura das comunidades portuguesas, já descredibilizada mas agora ferida de morte

se salvaram. Nem o próprio Secretário de

Estado das Comunidades, que assistiu, impávido e sereno, à derrocada da Assembleia dos Portugueses residentes no

estrangeiro. O CCP deixou de existir. Paz à sua alma.” Este é, no fundo, o sentimento por grande parte da Europa de portugueses emigrados.

O SECP tudo tem feito para descredibilizar

o CCP e prepará-lo para a extinção. Contudo, António Cunha, conselheiro eleito pelo Reino Unido, afirmou ao nosso jornal que, apesar de não ter concordado com muito do que se passou, acredita que tudo será solucionado e sanado e que os conselheiros eleitos terão a oportunidade de demonstrar a sua capacidade. Entretanto, está programada, para a semana, uma reunião do destituído Conselho Permanente e a convocação da primeira reunião de uma comissão temática, que legalmente não terá qualquer efeito a não ser gastar o já tão escasso orçamento do estado para as comunidades portuguesas.

não terá qualquer efeito a não ser gastar o já tão escasso orçamento do estado para

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não terá qualquer efeito a não ser gastar o já tão escasso orçamento do estado para