HISTÓRIA DO PENSAMENTO PEDAGÓGICO BRASILEIRO: TEORIA DA EDUCAÇÃO, AS DIFERENTES CORRENTES DO PENSAMENTO PEDAGÓGICO BRASILEIRO

por: Jeorge Cardozo* ESCOLA NOVA: O pensamento pedagógico brasileiro passa a ter mais autonomia com o desenvolvimento das teorias da Escola Nova. Até o final do século XIX, nossa pedagogia reproduzia o pensamento religioso medieval. Com o pensamento iluminista a teoria da educação brasileira pôde dar alguns passos a frente. ABE: (Associação Brasileira de Educação) Em 1924, com a criação da Associação Brasileira de Educação (ABE) nosso maior objetivo era o de reconstruir a sociedade através da educação. Na década de 20, reformas importantes impulsionaram o debate intelectual, superando a educação jesuíta tradicional que dominava o pensamento pedagógico brasileiro desde os primórdios. OS JESUÍTAS: Com os jesuítas, tivemos um ensino de caráter verbalista, retórico, repetitivo, que estimulava a competição através de prêmios e castigos. Era uma educação que reproduzia uma sociedade perversa, dividida entre analfabetos e doutores. RUI BARBOSA: Fez um balanço da educação até o final do Império em dois pareceres: o primeiro sobre o ensino secundário e superior e o segundo sobre o ensino primário. Neles Rui Barbosa prega a liberdade de ensino, a laicidade da escola pública e a instrução obrigatória. O balanço mostrava o nosso atraso educacional, a fragmentação do ensino e o descaso pela educação popular, que predominaram até o Império.

OS ANARQUISTAS: O movimento anarquista também teve interesse na educação no início do século. Para os anarquistas, a educação não era o principal agente desencadeador do processo revolucionário, mas precisariam acontecer mudanças na mentalidade das pessoas para que a revolução social fosse alcançada. A PEDAGOGIA LIBERTÁRIA: O pensamento pedagógico libertário teve como principal difusora Maria Lacerda de Moura (18871944) que propôs uma educação que incluísse educação física, educação dos sentidos e o estudo do crescimento físico. Moura afirmava que, além das noções de cálculo, leitura, língua prática e história, seria preciso estimular associações e despertar a vida interior da criança para que houvesse uma auto-educação. A BURGUESIA: Em 1930, a burguesia urbano-industrial chega ao poder e apresenta um novo projeto educacional. A educação, principalmente a pública, teve mais espaço nas preocupações do poder. A CRIAÇÃO DO INEP: (Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos) Foi com o Manifesto dos pioneiros da educação nova que houve o primeiro grande resultado

0 Inep inicia a publicação da Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos. Um outro grande acontecimento. o movimento educacional teve um novo impulso. como também a sociologia anterior produzida no Brasil. criou um novo estilo de pensar a realidade social. PAULO FREIRE: A maior contribuição de Paulo Freire deu-se no campo da alfabetização de jovens e adultos. Paulo Freire situa-se entre os pedagogos humanistas e críticos que deram contribuição decisiva à concepção dialética da educação. para se tornar na práxis transformadora. Ele criticou a maioria dos pedagogos que desconsideravam esses aspectos extra-escolares e que acreditavam que a escola. com o movimento da educação pública popular. b) etapa de tematização. FLORESTAN FERNANDES 1920-1998: Com sua sociologia. o discurso pedagógico foi enriquecido pela discussão da educação como . foi em 1938. A PEDAGOGIA HUMANISTA DE PAULO FREIRE: No pensamento pedagógico contemporâneo. sustentado pelos partidos políticos mais engajados na luta pela educação do povo. é ao mesmo tempo educador e educando. é coerente com sua prática. Sua pedagogia é para a libertação na qual o educador tem um papel diretivo. é problematizador. em que são codificados os temas levantados na fase anterior de tomada de consciência. por meio da qual se torna possível reinterpretar a sociedade e a história. que é um precioso testemunho da história da educação no Brasil. formando a solidariedade de classe e lutando por um Sistema Nacional Unificado de Educação Pública. GETÚLIO VARGAS: Depois da ditadura de Getúlio Vargas (1937-1945). que envolvem aspectos econômicos e sociais. Seu trabalho de formação da consciência crítica passa por três etapas que podem ser descrita da seguinte forma: a) etapa da investigação. em que as liberdades democráticas foram respeitadas. Não se cansa de repetir que a história é a possibilidade e o problema que se coloca ao educador e a todos os homens é saber o que fazer com ela. começa um período de redemocratização no país que é interrompido com o golpe militar de 1964. Em 1944. Neste intervalo de tempo. LUIZ PEREIRA 1933-1985: Para Luiz Pereira a solução dos problemas enfrentados dentro da escola depende da solução dos problemas externos a ela. com a fundação do Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos (INEP). O ideal seria unir os defensores da educação popular que se encontravam nos dois movimentos. realizando o sonho de Benjamin Constant que havia criado em 1890 o Pedagogium. os que defendiam uma escola com nova função social. na qual se descobre o universo vocabular. OBSERVAÇÃO: Em ambos os movimentos existem posições conservadoras e progressistas. c) etapa de problematização.político e doutrinário de 10 anos de luta da ABE em favor de um Plano Nacional de Educação. transformaria a sociedade. distinguindo-se por dois movimentos: o movimento por uma educação popular e o movimento em defesa da educação pública. por si só. fonte de informação e formação para educadores brasileiros até hoje. O objetivo final de seu método é a conscientização. No inicio da década de 90. na qual se descobrem os limites. as possibilidades e os desafios das situações concretas. as palavras e temas geradores da vida cotidiana dos alfabetizando. Essa unidade passou a ser mais concreta a partir de 1988. mas não o bancário.

A EDUCAÇÃO LIBERAL: Os educadores e pedagogos da educação liberal defendem a liberdade de ensino. para outros. o saber técnico . Os católicos também podem ser incluídos no pensamento liberal. os métodos novos baseados na natureza da criança. Segundo eles. e tentar reduzi-lo a esquemas fechados seria uma forma de esconder essa riqueza e essa dinâmica. Mas têm em comum uma filosofia do consenso. Nossas tendências existem defensores da escola pública e defensores da escola privada. Dentro deste pensamento encontramos correntes que defendem várias posições para a escola: para uns. a formação da consciência crítica passa pela assimilação do saber elaborado. Temas como diversidade cultural. diferenças étnicas e de gênero começaram a ganhar espaço no pensamento pedagógico brasileiro e universal. o Estado deve intervir o mínimo possível na vida de cada cidadão particular.cultura. de pensamento e de pesquisa. PROTAGONISMO: O pensamento pedagógico brasileiro é rico e está em movimento. A EDUCAÇÃO PROGRESSISTA: Os seguidores da educação progressista defendem o envolvimento da escola na formação de um cidadão crítico e participante da mudança social. não reconhecem o papel da escola ao pedagógico somente. . isto é.cientifico deve ter por objetivo o compromisso político. embora existem alguns mais conservadores.

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