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EXCELENTÍSSIMO SENHOR VEREADOR PRESIDENTE DA MESA DIRETORA DA

C Â M A R A M U N I C I PA L DE C U I A B Á – M AT O G R O S S O .
E X M O .S R .V E R E A D O R D E U C I M A R A PA R E C I D O S I LVA .

“NÃO ME VENHAM A P O N TA R TÃO COMUNS TA L E N T O S :

MOSTREM VIRTUDES NECESSÁRIAS AO E S TA D O . ”


1
EURÍPEDES .

O Movimento Organizado Pela Moralidade Pública e


Cidadania- MORAL, entidade com sede com sede na Av. Historiador Rubens
de Mendonça, 3355, Prédio Administrativo, 2º andar, Sala 02 da Cooperjus,
Cuiabá-MT, fone 8124-8150, email moracuiaba@gmail, devidamente registrada
no 1º Serviço Notarial desta capital em 28.06.2005, sob 6.140 Livro “A”, , vem,
à presença de Vossa Excelência, apresentar R E P R E S E N TA Ç Ã O por
quebra de decoro parlamentar com fulcro nos termos da Lei
Orgânica do Município de Cuiabá, artigos 28 e 48, e do Regimento
Interno da Câmara Municipal de Cuiabá, artigos 94 , a fim de que
seja instaurado Processo Disciplinar objetivando a C ASS AÇ ÃO DO
M AND ATO do vereador L U T E R O P O N C E DE A R R U D A , brasileiro, casado,
no exercício de mandato de Vereador pela Câmara Municipal de
Cuiabá, Estado de Mato Grosso, A seguir a Representante expõe
os motivos fáticos e jurídicos do presente pedido.

I. D O S F AT O S .

1
Na t ragédi a Aeol us , apud Aristóteles. In: Política. Tradução de Torrieri Guimarães. SP: Martin Claret,
2002. p.83.
1
1. A perícia da empresa Síntese
contratada por Vossa Excelência, em ato de demonstração de
transparência no trato com os recursos públicos, especificou “a má
utilização do Orçamento de Cuiabá no ano de 2.008, com
prejuízos na ordem de R$ 3.029.658, 51 (três milhões vinte e
nove mil e seiscentos e cinquenta e oito reais e cinqüenta e um
centavos)”, conforme é de conhecimento público e notório
estampado nos sites www.paginadoe.com.br , www.rednews.com.br
e diversos outros sites e jornais impressos da Capital.

2. Uma vez realizada ação que não se


coadune com o decoro parlamentar deve ser instaurado Processo
Disciplinar, a fim de que se realize instrução probatória para a
confirmação do proceder antiético. Havendo conduta que atente
contra o decoro, deve o plenário declarar a perda do mandato a
pedido do Excelentíssimo Presidente da Câmara Municipal de
Cuiabá, nos termos da Lei Orgânica do Município de Cuiabá e do
Regimento Interno da Casa nos artigos demonstrados a seguir.

II. DO DIREITO.

II.I D A LE GIS L AÇ ÃO ES PE CÍFIC A DA M AT É R I A

3. A Lei Orgânica do Município de Cuiabá


nos artigos 28 e 48, e o Regimento Interno da Câmara Municipal de
Cuiabá nos artigos 94 formam a rede protéica a ser utilizada pelos
cidadãos desta Cidade contra Vereadores que usurpando da função
de pública de representação popular para angariar proveitos
ímprobos, senão vejamos, ipisis literis:

Art. 20 Perderá o mandato o Vereador: (...) III - que utilizar-se do mandato


para a prática de atos de corrupção ou de improbabilidade administrativa;

2
(...) § 1º Além de outros casos definidos no Regimento Interno,
considerar-se-á incompatível
com o decoro parlamentar o abuso das prerrogativas asseguradas ao
Vereador ou a percepção de vantagens ilícitas ou imorais.(...) § 3º Nos
casos previstos nos incisos III e IV, a perda do mandato será declarada
pela Mesa da Câmara, pedida em ofício ou mediante provocação de
qualquer de seus membros ou de partido político representado na Casa,
assegurada ampla defesa.

Art. 48 A Administração Pública Municipal é o conjunto de órgãos e


entidades institucionais, orçamentários, financeiros patrimoniais e
humanos dotado de poder normativo, regulamentar, de polícia, disciplinar
e hierárquico, destinado ao fomento, intervenção, serviço público,
legislativo e execução das decisões do governo para a consecução dos
interesses coletivos. (NR) (Nova redação dada pela Emenda nº 12 de
14 de maio de 2003). (...) § 4º Os atos de improbidade administrativa
importarão a suspensão dos direitos políticos, a perda da função pública,
a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e
gradação previstas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível. (AC)
(Acrescentado pela Emenda à Lei Orgânica nº 12 de 14 de maio de
2003).

Regimento Interno

Art. 94 A perda do mandato aplicar-se-á nos casos e forma prevista no


art. 20 da LOM.

4. Assim não resta outra alternativa


(ante ao escabroso caso do “rombo milionário” da Câmara
Municipal de Cuiabá, protagonizado pelo Representado) à
sociedade, que por isso vem pedir à Vossa Excelência que
inicie o processo de perda de mandado eletivo por quebra de
decoro parlamentar.

III. DA DOUTRINA DO NOBLESSE OBLIGE COMO

R AZ ÃO D A DIFE RE NCI AÇ ÃO D A ÉTICA POLÍTICA

5. As Casas Legislativas no Brasil


possuem instrumentos a fim de que seus membros devam
obrigatoriamente seguir os primados éticos que, necessariamente,

3
fazem parte da atividade parlamentar, sob pena de perderem seus
mandatos.

6. Tais instrumentos visam resguardar o


Congresso, as Assembléias Legislativas e as Câmaras Municipais
de agentes políticos que não tenham conduta compatível com o
cargo ocupado, tentando principalmente preservar a incolumidade
da própria instituição, como bem lecionou o professor M I G U E L R E A L E :

“O ‘status’ do deputado, em relação ao qual o ato deve ser


medido (e será comedido ou decoroso em razão dessa
medida) implica, por conseguinte, não só o respeito do
parlamentar a si próprio, como ao órgão ao qual pertence
(...). No fundo, falta de decoro parlamentar é falta de
decência no comportamento pessoal, capaz de desmerecer
a Casa dos representantes (incontinência de conduta,
embriaguez etc.) e falta de respeito à dignidade do Poder
Legislativo, de modo a expô-lo a críticas infundadas, injustas
e irremediáveis de forma inconveniente.2”

7. Esta respeitabilidade institucional é a


própria garantia da integridade do parlamento, é a base para que
as ações resultantes da ação institucional (leis e fiscalização)
sejam respeitadas pela sociedade, e isto somente existe quando
seus próprios membros a respeitam e se respeitem, como ensina
RAUL LIVINO VENTIM DE AZEVEDO:

“Cumpre insistir na asserção de que a prática de atos


atentatórios ao decoro parlamentar, mais do que ferir a
dignidade individual do próprio titular do mandato legislativo
projeta-se, de maneira altamente lesiva, contra a
honorabilidade, a respeitabilidade, o prestígio e a integridade
político-institucional do parlamento, vulnerando, de modo
extremamente grave, valores constitucionais que atribuem, ao
Poder Legislativo, a sua indisputável e eminente condição de
órgão da própria soberania nacional.3”

2
In: Decoro Parlamentar e Cassação de mandato Eletivo”. in Revista de Direito Público, vol. X, p.89
3
In: Renúncia e Decoro Parlamentar. Revista do Administrador Público. Boletim Legislativo. Curitiba:Governet.
05/2007. p. 266.

4
8. Os poderes diferenciados da
representação, exercidos através do mandato parlamentar, devem
ser concretizados com respeito as responsabilidades próprias
desta função pública.

9. Em razão do contexto diferenciado das


relações vividas cotidianamente, as responsabilidades próprias,
como o decoro parlamentar, proíbem aos homens públicos a prática
de ações que ao homem comum são permitidas, é a chamada
doutrina do noblesse oblige, trazida por N O B E R T O B O B B I O :

“O que talvez caracterize a conduta do soberano é a


extraordinária freqüência com que se vê em situações
excepcionais se comparado com o homem comum: essa
freqüência deve-se ao fato de que lê opera em contexto de
relações, em especial com os outros soberanos, no qual a
exceção é elevada, por mais que possa ser considerado
contraditório, a regra (mas contraditório não é, porque aqui se
trata de regra no sentido de regularidade, e a regularidade de
um comportamento contrário não invalida a regra dada).
Mesmo que possa parecer essa que a derrogação é sempre
vantajosa para o soberano (e precisamente essa vantagem foi
vista com hostilidade pelos moralistas), também pode
acontecer o contrário, ainda que mais raramente: a derrogação
de fato pode agir extensivamente porque permite ao soberano
aquilo que é moralmente proibido, mas pode também agir
restritivamente porque proíbe o cumprimento de ações que ao
homem comum são permitidas: noblesse oblige4.”

10. Esta necessidade de conduta


diferenciada pode ser representada pela máxima que todo grande
poder tem a sua grande responsabilidade, e fazer parte de uma
instituição pública que representa o povo é ter consciência que o
comportamento ético com o dinheiro público é a janela para
visualização do comprometimento com o decoro parlamentar.

III. A B AS E DO DECORO PA R L A M E N TA R : ÉTICA DA

CONVICÇÃO E A ÉTICA DA RESPONSABILIDADE.

4
In: Teoria geral da política. RJ:Campus, 2000, p.187.
5
11. B O B B I O esclarece que pelas lições de
Weber a ação de um político comprometido eticamente com o
decoro parlamentar é a não dissociação de sua convicção com a
sua responsabilidade. A prática política convicta sem
responsabilidade gera o fanático que todo sabe e tudo faz, e a
prática política com responsabilidade, mas sem convicção leva ao
cínico que em tudo quer ter sucesso 5 .

12. Figuras estas, a do fanático e do cínico,


são moralmente desprezíveis, pois não atentam para o decoro
parlamentar, não acreditam na respeitabilidade institucional, pois
agem, respectivamente, sem responsabilidade em suas ações, e
sem convicção ideológica em seus resultados.

13. Agir com decoro parlamentar é fazer de


sua conduta diária um exemplo desta elevada moralidade (ética da
convicção e da responsabilidade), e não ferir uma só vez a
dignidade do Parlamento, ensina M A N O E L G O N Ç A LV E S F E R R E I R A F I L H O 6 .
Agir com decoro parlamentar é ter uma conduta impecável com
padrões éticos proporcionais a dignidade da função que exerce
como representante de um povo, dita C E L S O B A S T O S 7 .

14. Assim a Câmara Municipal de Cuiabá


deve ser a juíza daqueles que possuem ou não decoro o suficiente
para exercer os poderes inerentes a atividade parlamentar,

5
“Na ação do grande político, ética da convicção e ética da responsabilidade não podem, segundo Weber,
caminhar separadas uma da outra. A primeira, tomada em si mesma, levada às últimas conseqüências, é própria
do fanático, figura moralmente repugnante. A segunda, totalmente apartada da consideração dos princípios a
partir dos quais nascem as grandes ações, e totalmente voltada apenas para o sucesso (recordemos o
maquiavélico “faça um príncipe de modo a vencer”), caracteriza a figura, moralmente não menos reprovável, do
cínico.” In: Teoria geral da política. RJ:Campus, 2000, p.197.

6
“Entende-se por atentatório ao decoro parlamentar a conduta que fira os padrões elevados da moralidade,
necessários ao prestígio do mandato, à dignidade do Parlamento.” In: Comentários à constituição brasileira de
1988. São Paulo: Saraiva, 1997. v. 1. p.330.

7
“O parlamentar deve ter conduta impecável, condizente com o prestígio da função que desempenha. O
comportamento incompatível do congressista com os padrões éticos exigidos pela dignidade do Parlamento é
causa bastante para a perda do mandato.” In: Comentários à constituição do Brasil: promulgada em 5 de outubro
de 1988. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 1999. v. 4, t. 1. p.243.

6
devendo punir com a cassação aqueles que em suas ações e falas
dentro da Casa demonstrem serem incompatíveis com a dignidade
do parlamento.

15. Acaso tal poder não existisse seria


impraticável as deliberações com decência e ordem, seria crer que
comportamentos ímprobos se tornassem a regra de convivência
entre os parlamentares, seria permitir na Casa que deve criar a
normas de conduta social a total desobediência as normas de
conduta institucional, assim a punição com cassação daquele que
não exerce a atividade parlamentar com decoro não é uma questão
de conveniência, e sim de indispensável medida para sobrevivência
institucional, assim já alertava J O S E P H S T O RY 8 .

16. O político é ser impetuoso com ego


inchado pelas benesses e reconhecimento público de autoridade
advindo do poder de representação de centenas, milhares e em
alguns casos de milhões, precisa não tão somente ser probo,
necessita ser eticamente convicto e responsável. Conceitos estes
que remetem a uma conduta moralmente mais elevada do que ser
simplesmente incorruptível, precisa demonstrar respeito por
aqueles que lhe confiaram o poder de representação do interesse
público pelo voto e também respeitar todos os outros que como ele
decidirão o futuro de um ente federado. Então poderíamos chamar
de decoro parlamentar: a prática da consciência da dignidade de
ser um representante do povo.

17. Feitas estas considerações e diante da


notável doutrina visitada e dos fatos narrados, temos que o

8
“if the power did not exist, it would be utterly impracticable to transact the business of the nation, either at all,
or al least with decency, deliberation, and order. The humblest assembly of men is understood to posses this
power; and it would be absurd to deprive the councils of the nation of a like authority. But the power to make
rules would be nugatory, unless it was coupled with a power to punish for disorderly behaviour, or disobedience
to those rules. And as a member might be so lost to all sense of dignity and duty, as to disgrace the house by the
grossness of his conduct, or interrupt its deliberations by perpetual violence or clamour, the power to expel for
very aggravated misconduct was also indispensable, not as a common, but as an ultimate redgress for the
grievance.” In: Commentaries on the Constitution of the United States. Hilliard, Gray and Company. 1833.
p.298.

7
Vereador requerido violou o decoro parlamentar exigido de todo
legislador, uma vez que agiram de forma antiética, estando,
portanto, sujeitos a perda do mandato.

III. DO PEDIDO.
18. Ante o exposto, vem a Requerente pedir
que seja instaurado Processo Disciplinar contra o Vereador
Municipal de Cuiabá, ora requerido, nos termos do artigo da Lei
Orgânica do Município de Cuiabá nos artigos 28 e 48, e do
Regimento Interno da Câmara Municipal de Cuiabá nos artigos 94 ,
ao Presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, que a vista desta
R E P R E S E N TA Ç Ã O por quebra de decoro parlamentar pelo Vereador,
determine as diligências que julgar necessárias, e que
posteriormente seja designada pela Comissão de Ética uma
subcomissão com o fito de conduzir e instruir o Processo
Disciplinar, para ao final formular Projeto de Resolução para a
declaração da perda do mandato do Vereador Lutero Ponce de
Arruda, a ser apreciado pelo Plenário, após parecer da Comissão
de Constituição e Justiça, e que seja aprovado o Projeto de
Resolução por maioria absoluta a fim que seja declarada a perda
do mandato do Vereador retrocitado.

Nestes Temos,Pede Deferimento.

Cuiabá, 15 de maio de 2.009.

ADEM AR AD AM S
D I R E T O R A D M I N I S T R AT I V O DA ONG M O R A L

CLÁUDIO CES AR FIM


1 º VICE-DIRETOR