A Historia do Povo Bantu

A Historia do Povo Bantu

 

A grande maioria dos 11.000.000 habitantes que formam a população de Angola, são de origem Bantu. No entanto, outra considerável parte é formada por misturas que começaram muito cedo: primeiramente. entre os diversos grupos que migraram para o território e depois com Europeus (na grande maioria Portugueses) durante a colonização.   Existem ainda algumas minorias que não são Bantu, como os Bochimane e um considerável número de Europeus. Há 3000 ou talvez 4000 anos atrás, os Bantu sairam da selva equatorial (a região que é hoje ocupada pelos Camarões e pela Nigéria) e dividiram-se em dois movimentos diferentes: para o Sul e para Este criando a maior migração jamais vista na áfrica. De causa desconhecida, esta migração continuou até ao século XIX. A selva equatorial era uma área de passagem impossível. Só o machado ou o cutelo, a rápida e nutritiva produção de banana e o inhame possibilitaram uma façanha que durou séculos. O excelente nível de nutrição deu lugar a uma invulgar explosão demográfica. A exuberância da selva equatorial, os rios e lagos das grandes savanas, tão bons para a agricultura e a descoberta do ferro - um mineral muito comum na áfrica - deram força à grande aventura. Caminhando sempre em direcção ao Sul. estes vigorosos, armados, organizados e jovens povos, venceram e fizeram escravos os indefesos pigmeus e os Bochimane. O nome Bantu não se refere a uma unidade racial. A sua formação e migração originou uma enorme variedade de cruzamentos. Existem aproximadamente 500 povos Bantu. Assim, não podemos falar de uma raça Bantu, mas sim de povo Bantu, isto significa uma comunidade cultural com uma civilização comum e linguagens similares. Depois de muitos séculos de movimentações, cruzamentos, guerras e doenças, os grupos Bantu mantiveram as raízes da sua origem comum. A palavra Bantu aplica-se a uma civilização que manteve a sua unidade e foi desenvolvida por pessoas de raça negra. O radical ntu, vulgar para a maioria das línguas Bantu, significa homem, ser humano e ba é o plural. Assim, Bantu significa homens, seres humanos. Os dialectos Bantu, e existem centenas, têm uma tal semelhança que só pode ser justificada por uma origem comum. Os povos Bantu, além do semelhante nível linguístico, mantiveram uma base de crenças, rituais e costumes muito similares; uma cultura com características idênticas e específicas que os tornam semelhantes e agrupados. Fora da sua identidade social, são caracterizados por uma tecnologia variada, uma escultura de grande originalidade estilística, uma incrível sabedoria empírica e um discurso forte e interessante com sinais de expressão intelectual. As línguas faladas hoje em Angola, são por ordem de antiguidade: Bochiman, Bantu e Português. Das três só o Português tem uma forma escrita. Os dialectos Bantu, apresentam uma unidade genealógica. Homburger, um eminente

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é plural de muntu. Em Kimbundu. tendo em conta a história desta unidade. o Sahariano e o Songhai). Os Bantu Angolanos estão divididos em 9 grupos etnolinguísticos: Quicongo. radical comum a quase todas as línguas do grupo. inserido na família Congo-Cordofaniana A grande maioria dos linguistas está de acordo em como. São nove as nações bantu de Angola. abrangendo o hebreu. Luanda-Quioco (Tchôkwe). o kimbundu de Ambaka O território de Angola situa-se quase exclusivamente dentro da área de difusão das línguas bantu. pessoa. atu. bantu. Nhaneca-Humbe. Bosquímanos ou. de que destacamos os Bantu. as línguas se dividem por quatro grandes famílias: a Afroasiática (inclui as línguas Berberes do Norte de África. Herero e Xindonga.A Historia do Povo Bantu estudioso do Bantu diz que o primeiro ponto obtido no domínio da linguística comparada foi a unidade dos povos Bantu. pessoas ou seres humanos. ser humano. Ganguela. portanto. podemos desde já concluir que a principal característica das línguas Bantu é o facto da flexão – isto é. gente. a palavra mutu significa pessoa. Quimbundo. a formação do género. o árabe e o aramaico). indivíduos. que por seu turno estão subdivididos em cerca de 100 subgrupos. a Nilo-Sahariana (constituída pelo Sudanês. pertencendo à família linguística Niger-Congo ou Congo-Cordofaniana. correspondendo a cada uma delas uma língua diferente: Nação 2 / 13 . no Continente Africano. para sul do Equador) e Khoisan (línguas dos Pigmeus da floresta tropical do Congo Democrático e línguas faladas “com estalinhos” pelos povos !Kung. Pelos exemplos acima indicados. pessoas. Mbundo. feminino ou masculino. Mucancalas)[1]. a Niger-Congo ou Congo-Cordofaniana (inclui numerosos grupos predominantes para sul do Sahara. História Bantu Kubokuesa kuna Kimbundu (Introdução ao Kimbundo) O Kimbundu e os grupos linguísticos africanos. e do número. o grupo Bantu. singular ou plural – se fazer por meio de prefixos. significando. O Kimbundu é uma língua do grupo Bantu. vulgarmente conhecidos como Hotentotes. Muntu quer dizer indivíduo. em Angola. Ambó. Também diz. sendo o seu plural. diferenças dialectais nos subgrupos mbundu. Nações Bantu de Angola. que os primeiros descobridores Portugueses viram que os Angolanos conseguiam comunicar com os povos da costa Moçambicana. as Cushitas da Etiópia e da Somália e ainda as semitas. tradicionalmente chamadas tribos.

Songos. Kuanza Norte e ainda pequenas bolsas no Uíge e no Kuanza Sul. dos Ovimbundu e dos Nhaneka-Humbe se circunscrevem ao espaço angolano. consoante a difusão geográfica dos 11 povos que constituem esta nação: Ngolas. portanto. Congo Democrático e Congo Popular. Malanje. os Lunda-Tchokwe. Bângalas.A Historia do Povo Bantu Idioma Bakongo Kikongo Mbundu (ou Ambundu) Kimbundu Lunda-Tchokwe Tutchokwe Ovimbundu Umbundu Ganguela Tchiganguela Nhaneka-Humbe Lunhaneka Herero Tchiherero Ovambo Ambo Donga Xindonga De todas estas nações. na província do Katanga (ex-Shaba). 3 / 13 . A nação Mbundu reparte-se por 11 subgrupos (ou etnias). Dembos. São. Jingas. a cada um dos quais corresponde uma variante dialectal. Bondos. os Ambo e os Donga. cujo território é atravessado pelo rio Kassai. por exemplo. disseminados pelas províncias de Luanda. só os territórios dos Mbundu. repartem-se pelos estados de Angola. Bengo.Cada uma destas nações é dividida por diversos subgrupos. entre Angola e a Namíbia. 11 as variantes do Kimbundu. finalmente. Os das outras são todos atravessados pelas fronteiras políticas delineadas após a Conferência de Berlim de 1885. dividem-se entre Angola e o Congo Democrático. os Ganguela entre Angola e a Zâmbia e. Os Bakongo. os Herero.

kudia ou kuria (comer). bem como o c antes de a. o. Luandas. daí que tenham surgido. embora haja quem escreva ni ou ny. Cordeiro da Matta. “frio”nvcomo em nvula. “coisas”O m e o n servem para nasalar. como em henda (graça. por exemplo. Fizeram-no com o fim de ensinar a língua portuguesa e o catecismo aos africanos. escrever-se como em português. u. “gazela”. de resto. de onde destacamos Héli Chatelain.O g nunca tem o valor de j. i. necessidade do emprego do y em Kimbundu. ie u funcionam como semi-vogais. à semelhança das outras línguas bantu. Por exemplo. António de Assis Júnior e Óscar Ribas. Por exemplo. em nosso entender. Em tal caso sugerimos a grafia i. “pássaro”. O Kimbundu tem 10 classes nominais.mbcomo em mbambi. Os primeiros a escrevê-la e a estudar-lhe as regras gramaticais foram os missionários capuchinhos e jesuítas de Ambaka. são todas abertas. Antes de outra vogal. embora certos autores o usem enquanto prefixo para fazer o plural de ki.A Historia do Povo Bantu Ibacos. Ortografia e fonologia O Kimbundu deve sempre grafar-se com escrita sónica. não tem tradição escrita. a. Libolos e Quissamas. menos frequentemente. o e u. distinto de ima.Não vemos. kitari ou kitadi (dinheiro). “macaco”. kolombolo ou koromboro (galo). “rio”nj como em njila. por l. “caminho”h como em hima. As cinco vogais.Nos séculos XIX e XX surgem estudiosos do Kimbundu.O k substitui sempre o q da língua portuguesa.O r é sempre brando e pode ser trocado por d ou. Foram eles que introduziram os princípios ortográficos ainda hoje vigentes. Ndenge (mais novo) e ngindu (trança) lêm-se ndengue e nguindu. e. Classes nominais e concordâncias Nas línguas bantu. CLASSES SINGULAR PLURAL EXEMPLO 4 / 13 . mesmo antes de e ou i. dikanha. dikania ou dikanya (tabaco). misericórdia). “parente”ngcomo em ngiji. Quibalas. “chuva”nd como em ndandu.O som nh deve. ditadi ou ritari (pedra). os nomes substantivos ordenam-se em classes ou grupos consoante os pares de prefixos que definem os singulares e os plurais.O h é sempre aspirado. vocábulos como Angola derivado de ngola (rei) ou embondeiro derivado de mbondo (árvore).O Kimbundu.

mitue – cabeça(s) 3ª ki i kima. atu – pessoa(s) 2ª mu mi mutue. mauta – arma(s) 6ª lu malu lumbu.A Historia do Povo Bantu 1ª mu a mutu. matari – pedra(s) 5ª u mau uta. ima – coisa(s) 4ª ri ma ritari. malumbu – muro(s) 5 / 13 .

que enumeraremos consoante as classes e o número a que correspondem.A Historia do Povo Bantu 7ª tu matu tubia. que designam a classe a que o nome pertence e o número em que se encontra. matubia – fogo(s) 8ª ku maku kuria. makuria – comida(s) 9ª -ji mbiji jimbiji – peixe(s) 10ª ka tu mona tuana – criança(s) Estes prefixos absolutos. CLASSE SINGULAR PLURAL 1ª 6 / 13 . distinguem-se dos prefixos concordantes.

A Historia do Povo Bantu ua a 2ª ua ia 3ª kia ia 4ª ria ma 5ª ua ma 6ª lua ma 7ª tua ma 8ª kua ma 7 / 13 .

a receberem oferendas. em kimbundu. São os nossos Guardiões (Nlundi). significa: Encruzilhada.A Historia do Povo Bantu 9ª ia -- 10ª ka tua  A concordância faz-se. são os mensageiros que transitam entre o natural e o sobrenatural. desenho de Neves e Sousa. etc. através do prefixo do substantivo que inicia a frase e lhe serve de sujeito.Exemplifiquemos:Mubika uami uakala umoxi / Abik’ami akala atatuO meu escravo era um / Os meus escravos eram trêsMukolo uami uakala umoxi / Mikolo iami iakala itatuA minha corda era uma / As minhas cordas eram três Kialu kiami kiakala kimoxi / Ialu iami ikala itatu A minha cadeira era uma / As minhas cadeiras eram três Rilonga riami riakala rimoxi / Malonga mami makala matatu O meu prato era um / Os meus pratos eram três Uta uami uakala umoxi / Mauta mami makala matatu A minha arma era uma / As minhas armas eram três Lumbu luami luakala lumoxi / Malumbu mami makala matatu O meu muro era um / Os meus muros eram três Tubia tuami tuakala tumoxi / Matubia mami makala matatu O meu fogo era um / Os meus fogos eram três Kuria kuami kuakala kumoxi / Makuria mami makala matatu A minha comida era uma / As minhas comidas eram três Mbiji iami iakala imoxi / Jimbiji jami jakala jitatu O meu peixe era um / Os meus peixes eram trêsKamona kami kakala kamoxi / Tuana tuami tuakala tutatuA minha criança era uma / As minhas crianças eram três. Receberam por este trabalho o título de Aluvaiá (mensageiro). permitindo ou não a penetração das energias com as quais lidamos e convivemos durante toda a nossa vida. Menino pobre de Luanda. com o seu papagaio de papel. que abrem e fecham as “porteiras” de nossa aura. Pambu N`jila. uma das linguas faladas em Angola(África). Se nosso contato com Eles for fraco. 8 / 13 . São sempre e em qualquer ocasião os primeiros a serem chamados. trazendo aos homens os desígnios dos Makisi e levando a Eles as suplicas e as oferendas dos homens. N`jila em Kikoongo significa: Caminho. que pode ser traduzido como “Aquele que conhece o caminho mais curto”. Um pouco de cultura Bantu Mpambu na língua Kikoongo.

já vai mais de um século. Raúl David. Vale recordar que. será estribado na polémica do “A voz de Angola clamando no deserto”. só com a Semana da Arte Moderna em 1922 é que o negro brasileiro conquistou o seu papel de sujeito na literatura brasileira. dia e lugar. fortalecendo nossa ligação. trago o assunto doutro modo: “in limini”. o angolano assume-se como sujeito da sua literatura no conflito civilizacional entre o colono e o colonizado.. por total ignorância. Ou seja. Pretender o contrário para a literatura angolana é falsear a evolução do fenomeno literário angolano. responsáveis pela conseqüência de nossos atos. etc. o imaginário indígena brasileiro. sem sucesso. uma rosa vermelha. pelo livre arbítrio. portanto podemos afirmar que Pambu N`jila é um demônio e que o diabo nem demônio é. encontraram para diabo foi “temba” que. não acreditamos em um ser extracorpóreo que nos force ou nos conduza a praticar o mal contra a nossa vontade. A cada vez que levamos nosso pensamento a Eles.As cores reservadas a eles são a preta e a vermelha juntas.Muitos querem igualar os Pambu N`jila ao diabo. recolhidas e trabalhadas por Óscar Ribas. deixando-nos. A dignificação do negro. primacialmente. uma identidade literária distinta da potência colonial. na literatura brasileira é um fenómeno recente. Koluki: O Imaginário Bantu na Cultura Angolana Contrariamente ao que pretendem fazer convencer alguns. portanto. como uma reação ao labéu racista da inferioridade congenital do negro angolano. Quando caímos em tentação. embora marginalizado.) e ions. nós lhes reservamos as segundas-feiras. “Mutatis mutandis”. significa “o mal dentro de nós”. Rosário Marcelino. acendemos uma vela oferecendo-a a Eles. na telenovela. Cacueji. A literatura angolana emerge da manifestação inequívoca deste direito à diferença. contos e adivinhas. na realidade estamos enfrentando um teste ou uma prova. ao pé da letra. pois nossos Ancestrais. assim como nós. veiculado nas línguas maternas angolanas de origem bantu. que significa ligação. estamos nos ligando a Eles e. e a história parece querer repetir-se a todo gás e a todo tempo. A palavra tentação vem de tester (grego) que significa teste ou prova. colocando Neles chifres e rabos. demonstração. que significa povo (democracia.. que só nossa consciência. S. poderá suplantar ou não. em que ainda aparece a fazer os papéis mais baixos reservados na escada social. 9 / 13 . para não falarmos dos provérbios. agrupamento humano de origem alógena. pensamentos e palavras. Diabo vem da palavra diavolo que significa “o mentiroso” e a palavra demônio é formada por demos. sempre. fábulas. uma garrafa de cachaça entregue na encruzilhada. como procuraremos demonstrar à luz da raiz da sua cultura. Embora respondam a qualquer hora. O imaginário angolano é. etc. Ao acordarmos devemos agradecer a Nzambi Mpungu pela noite e pela nova oportunidade de mais um dia e saudarmos o nosso Guardião solicitando que possamos contar com Ele por mais um dia.A Historia do Povo Bantu menos força Eles têm para nos defender. mais a mais. é basicamente índio. seja o que for. Em kikoongo a palavra que os padres que montaram o dicionário de português-kikoongo e kikoongo-português. cujas ocorrências são detectadas em empréstimos e coloquiasmos embebidos na literatura angolana. moleque ou doméstica. em 1902. Costa Andrade.

recolhendo peças da oralidade kikongo e não só. por mais que doa a muito boa gente em “crise permanente de identidade”. Viriato da Cruz. Curry Duval. este resgata os coloquialismos dos musseques. estará viciada e peca por defeito ou por excesso (dependendo do julgamento de valor de cada um). autêntico modelo de representação cultural e simbólica dos ilhéus. Esta é devedora do contexto plurilinguístico e multicultural das suas ocorrências em Angola. traz no seu substrato a cultura angolana. Luís Kandjimbo e dos também ficcionistas Cikakata Mbalundu e Rosária da Silva e Miguel Júnior. em Setúbal ou em Belém e no Algarve. Disso se ocupara com proficiência e autoridade o pensador português Eduardo Lourenço. `a partida . bebendo empréstimos linguísticos decorrentes da interpenetração idiomática entre a primeira e segunda línguas. Timóteo Ulika. Jorge Macedo. António Jacinto. cultural ou rácico no seu centro.provérbios que dizem respeito ao imaginário português e que presidiriam o imaginário colonial ou neocolonial nos dias que correm. A literatura angolana é uma expressão da cultura angolana e africana. bem como enquanto cultora e transmissora dos valores antigos de geração para geração. o que já deu motivo para “trazer água na barba” ou “pôr as barbas de molho. a literatura angolana. a literatura angolana não é resultante da cultura portuguesa. que se distingue e contradistingue do vernáculo falado em Portugal. enquanto outros falam Bié outros ainda falariam Vié. refletindo uma profunda crise de identidade cultural. Jacinto de Lemos. O mesmo ocorre com outros poetas como Panguila. O caso de Geraldo Bessa Victor e companhia é paradigmático. substrato em que assentará a literatura portuguesa e seus afluentes. metonímia do sofrer colectivo (lutando pela vida). por maioria de razão. sem esquecer os prosadores e poetas da nova fornada despoletada nos anos 80. expressamente em “Kandudu”. é paradigmático nestes autores. a literatura portuguesa será aquela em que se deverá encaixar a literatura exótica cultivada por colonos ou neo-colonos em Angola. António Fonseca. O pregão e o drama do “modus vivendi” da quitandeira. nomeadamente. apesar de exercitada maioritariamente em Português. geradora de conflitos ainda que latentes. quando a palhota do vizinho estiver a arder”. A contribuição desses e outros autores não se esgotam no âmbito sócio-linguístico. Convenhamos ainda que. Jofre Rocha. daí que os escritores e demais homens de cultura deverão curar da sua reabilitação e preservação. cuja matriz é africana e bantu. veiculados por via da oralidade.A Historia do Povo Bantu ou mesmo atravessados nos textos narrativos e poéticos de Agostinho Neto. A literatura angolana será.  -------------------------------------------------------------------------------------DESIGNAÇÃO: MWANA MPWEVO 10 / 13 . e qualquer tentativa de colocar um subgrupo marginal (no sentido antropológico do termo) ou que se assume como “gueto” sócio-linguístico. . tende a desaparecer. Nestes termos. pois. Lopito Feijó. fazem apelo ao ambiente e espaço tributário do nosso contexto “local”. assim sendo. Mesmo em Portugal. o imaginário português será o filão espiritual que enforma a sua cultura. Basta ver que enquanto uns falam vinho outros falam binho. este último no seu texto narrativo “kikinhas da fonseca”. do “hinterland” de Luanda. não exclusivamente. representada simbolicamente por aquela franja que se revê basicamente nesta matriz bantu. tudo resto será subsidiário e periférico. cuja indumentária. geografia física e emocional que presidem o aludido imaginário identitário. embora seja primacialmente. De resto. a língua não ocorre da mesma maneira em Trás os Montes. cultivada em língua portuguesa.

nascimento. De trás de toucados e na base da máscara aparece rede que se liga ao fato do bailarino. casamento. entronização). troncos. a moeda do país. particularidade muito apreciada na beleza da mulher Ngangela. 11 / 13 . botões e alfinetes. na filigrana das notas de kwanza. DIMENSÕES: 50. inclusive. representando figura feminina. ORIGEM: Ovingangela FUNÇÃO: Animadora de cerimônias MATÉRIA: Madeira e Fibras DIMENSÕES: 30 cm x 25 cm A peça Mwana Mpwevo. missangas. e o toucado elaborado a partir de fibras vegetais. e tem como função primeira criar um ambiente hilariante entre os circundantes. varas. pelo que não admira o pormenor do seu embelezamento e o naturalismo de suas feições. banhada em sucos vegetais avermelhados. A máscara Mwana Mpwevo atualiza o papel determinante da mulher com base no regime matriarcado. utilizada em cerimônias ligadas aos ritos da puberdade e a outras cerimônias sociais. em cerimônias sociais ou rituais. O toucado é feito com borbotos em fibras vegetais empapados em argila vermelha. alfinetes de latão e botões. figura emblemática do país.5cm x 20 cm A máscara Mbunda está presente nas cerimônias mais diversas (rituais da puberdade. É sempre usada por um homem. -------------------------------------------------------------------------------------------------Kibatulu/Mambu (Artigo/Opinião) Estatuetas: arte popular com símbolos mágicos O pensador é a mais famosa estatueta angolana. É muito apreciada na comunidade. De realçar o realismo inerente às tatuagens. missangas. é feita em madeira e fibras vegetais representando a beleza da mulher Ngangela. Feita em fibras vegetais. utilizando muitas vezes acessórios para propositadamente provocarem momentos de feição cômica no evoluir da sua exibição. ORIGEM: Ovingangela FUNÇÃO: Cria buo disposição entre os participantes em cerimônias rituais e sociais. que aparece. É considerada uma obra de arte fidedignamente angolana. os pormenores dos elementos que integram o conceito de beleza feminina no imaginário dos Ngangela. Ela retratada de forma ousada. alfinetes e botões. Participa em cerimônias várias. DESIGNAÇÃO: MBUNDA DESCRIPÇÃO: Máscara com a função de dispor bem. Também designada por Likisi ou Cinganji. é feita de fibras vegetais e ornamentada com partícula em argila. A face em madeira tratada. fazendo peditórios a favor dos atores sociais intervenientes nas referidas cerimônias.A Historia do Povo Bantu DESCRIPÇÃO: Máscara feita em madeira. O gesto do bailarino recai principalmente na exibição de movimentos eróticos. MATÉRIA: Fibras vegetais.

Katwambimbi é uma dessas figuras. e etnia lunda-tchokwe ainda usa o cesto de adivinhação. é 12 / 13 . a então Companhia dos Diamantes da Luanda. os europeus induziram os africanos a criar uma figura que. se assemelhasse a uma estatuária de origem grega. pedaço de madeira talhado com várias ranhuras. as estatuetas são usadas em ritos mágico-religiosos. em consulta feita por uma pessoa interessada numa intervenção contra um mal. “O Pensador”. incentivando-os a esculpir na madeira ou a modelar no barro figuras que fossem genuinamente “nativas”. particularmente cara aos escultores europeus renascentistas. as quais irão determinar a sorte do consulente. de figuras míticas africanas cujos pés. eram grandes e foram reduzidos por razões “estéticas”. Houve casos.O seu aparecimento vaticina infortúnio. com os quais o adivinho previne o consulente contra injúrias. os primeiros Pensadores angolanos foram esculpidos nas oficinas do Museu de Dundo. seguindo a tradição. por exemplo. O sacerdote (nganga) utiliza vários processos de adivinhação. está relacionada com feitiços mbimbi. verificamos que. agonia e receio de fantasmas. Se virmos o simbolismo de qualquer uma delas. nenhuma sugere atitude introspectiva. em data posterior a 1947. aconselhando o uso de amuletos para defesa principalmente das crianças. Mas o Pensador tem origem numa tradição “inventada” ou “convencionada”. Na verdade. Ao conhecer figuras usadas nos ritos de adivinhação. foi criado no povoado de Dundo um museu de arte tradicional e de coleções etnográficas e arqueológicas. de algum modo. mas ao mesmo tempo interferindo. desempenhando a função de amuletos que conteriam forças ou seres sobrenaturais. Os funcionários da empresa. no sentido de aproximar as formas de uma estética que julgavam ser mais convencional. se junto dela não surgir outra peça que amenize esse prognóstico. No nordeste de Angola. usando apenas o muxakatu. Uma das práticas utilizadas nesses ritos e na adivinhação. É considerada uma obra de arte fidedignamente angolana. na maioria belga e portuguesa. uma figura emblemática do país e que aparece inclusive na filigrana das notas de kwanza. geralmente com objetos que simbolizam qualquer coisa. chamado de ngombo. Personagem figurada com as mãos à cabeça. Se a figura aparecer de cabeça no meio das outras. A invenção do Pensador angolano deve-se a um caso destes. A adivinhação na região de Luanda é feita de modo simplificado. Personifica o estado de apreensão. Neste ano. tem uma das mãos no queixo e a outra colocada sobre o ventre. Foram estas figuras que resultaram na mais famosa estatueta angolana. vaticina mal iminente e pode indicar que o consulente não tem sorte porque esqueceu os seus antepassados (paternos e maternos) ou que uma herança não foi bem repartida pelos seus descendentes.A Historia do Povo Bantu Katwambimbi Na tradição cultural angolana. pelo menos na acepção grega clássica. por iniciativa da Diamang. Representa um momento de lamentação (carpideira). onde é friccionada uma vara. como Leonardo da Vinci ou Rodin: o Pensador. do qual o sacerdote adivinhador retira pequenas figuras esculpidas em madeira. seja ele físico (doença) ou social. A estatueta designada por kalamba e kuku wa Pwo (ascendente feminino). no sentido ocidental. como estatuetas. a moeda nacional. curiosamente. Na origem do Pensador estão algumas figuras do cesto de adivinhação tahi (tchokwe). chegaram a contratar artesãos locais e instalaram-nos em oficinas.

chisola ou ruemba. sobre uma base comum. é fatídico. no gado ou na agricultura. Junto ao símbolo upite (riqueza) indica dívida ou roubo. aumentam as preocupações de uma futura mãe. Já uma estatueta de mulher grávida significa recomendação para o consulente construir um altar próprio e usar amuletos propícios à natalidade. como jinga. para evitar espíritos de mulheres que faleceram durante o parto. bom prestígio. mas se surgir deitada ou de pé. longe do povoado. ou lembrar compromissos entre duas pessoas. 13 / 13 . com chota (casa do povo) prevê prejuízos na casa. Lembra ao viajante que deve respeito aos ídolos que encontrar no seu caminho e que só se pode abordar o feiticeiro quando este estiver sozinho. e com tchilôwa (feitiço). Se for uma estatueta estilizada representando três. Estatueta de homem e mulher unidos pode anunciar ao consulente descendência. quatro ou cinco pessoas em fila indiana. vaticina um mal apanhado durante viagem ou proveniente de coisas que foram transportadas. com upite (riqueza).A Historia do Povo Bantu sinal de vida. questões resultantes de dote da noiva não satisfeito.

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