Você está na página 1de 11

UNIDADE 1

UNIDADE 1 Entendendo Entendendo a a Experiência Experiência do do Envelhecimento Envelhecimento 1 A POPULAÇÃO QUE

EntendendoEntendendo aa ExperiênciaExperiência dodo EnvelhecimentoEnvelhecimento

1 A POPULAÇÃO QUE ENVELHECE

2 TEORIAS DO ENVELHECIMENTO

3 DIVERSIDADE

4 TRANSIÇÕES E HISTÓRIA DE VIDA

5 MUDANÇAS COMUNS NO ENVELHECIMENTO

CAPÍTULO I

AA populaçãopopulação queque envelheceenvelhece

CONTEÚDO DO CAPÍTULO

Como os idosos são vistos ao longo da história Características da população de adultos idosos Crescimento populacional e aumento da expectativa de vida Estado civil e providências de vida Distribuição geográfica Renda e emprego Educação Situação da saúde

Implicações de uma população que envelhece Impacto dos baby boomers Prestação e pagamento de serviços

“A s famílias esquecem seus parentes mais velhos A maioria das pessoas fica senil ao envelhecer

A Previdência Social proporciona a todos os idosos que se

aposentam um salário decente

em casas de longa permanência

os custos relativos à saúde dos idosos.” Esses e outros mitos

ainda são perpetuados entre a população idosa. Informações erradas sobre essa população constituem uma injustiça não apenas para essa faixa etária, mas também para as pessoas de todas as idades que precisam de informações corretas para, de forma realista, preparar-se para seus próprios anos de vida como idosos. Os enfermeiros gerontólogos devem co- nhecer os fatos referentes à população mais velha para, efeti- vamente, oferecer os serviços e informar o público em geral.

A maioria dos idosos mora O Medicare cobre todos

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

A leitura deste capítulo permitirá a você:

1 Explicar as diversas formas como os idosos são vistos ao longo da história.

2 Descrever as características da população atual de idosos em relação a:

• expectativa de vida;

• estado civil;

• moradia;

• distribuição geográfica;

• renda e emprego;

• educação;

• estado de saúde.

3 Discutir as mudanças projetadas para as futuras gerações de idosos e a importância para o atendimento de saúde.

30

Charlotte Eliopoulos

Como os idosos são vistos ao longo da história

Os membros da atual população idosa nos Estados Unidos se sacrificaram e ofereceram a força e a alma para fazer a grandeza desse país. Foram os orgulho- sos veteranos nas guerras mundiais, os corajosos imi- grantes que se aventuraram em terras desconhecidas, os empreendedores intrépidos que se arriscaram para criar riquezas e oportunidades de emprego, além dos pais altruístas que lutaram para dar aos filhos uma vida melhor. Testemunharam e foram participantes do crescimento e das mudanças profundas nas in- formações, tecnologias e sociedades. Conquistaram respeito, admiração e dignidade. Atualmente, essa população é vista de forma mais positiva e sem pre- conceitos, mais informada que baseada em mitos e com mais preocupação que negligência. Uma rápida reflexão sobre a visão dos adultos idosos nas socieda- des passadas demonstra que essa visão positiva não foi sempre a norma. Historicamente, as sociedades percebiam os ido- sos de formas diferenciadas. Na época de Confúcio, havia uma correlação direta entre a idade de um indi- víduo e o grau de respeito merecido. O taoísmo enten- dia a velhice como a epítome da vida e os antigos chi- neses acreditavam que chegar à velhice era um evento maravilhoso que merecia a maior honra. No entanto, os antigos egípcios temiam envelhecer, tentando uma infinidade de poções e providências para manter a ju- ventude. Entre os antigos gregos,dividiam-se as opi- niões; os mitos retratam muitas lutas entre velhos e jovens. Platão promoveu os idosos como os melhores líderes da sociedade, enquanto Aristóteles lhes negava qualquer papel em assuntos governamentais. Os anti- gos romanos tinham um respeito limitado por seus ve- lhos; nas nações por eles conquistadas, os doentes e os velhos eram os primeiros a morrer. Pode-se encontrar na Bíblia a preocupação divina com o bem-estar da família e o desejo de que as pessoas respeitem os ido- sos (Honra teu pai e tua mãe. Êxodo. 20:12). Muitas figuras bíblicas importantes, como Moisés e Abraão, deram contribuições valiosas quando velhos. Ainda assim, a honra conferida aos idosos não se manteve. A Idade das Trevas foi especialmente sombria para os idosos; e a Idade Média não trouxe grandes mudanças para melhor. A era medieval deu margem a sentimentos poderosos relativos à superioridade dos mais jovens, tais sentimentos eram manifestados por sublevações dos filhos contra os pais. A arte des- se período, retratando o Tempo como personagem, também mostrou uma imagem nada auspiciosa dos adultos idosos. Entre os primeiros a serem afetados pela fome e a pobreza estavam eles, sendo também os últimos a se beneficiarem de períodos melhores.

No começo do século XVII, a Inglaterra criou as Leis dos Pobres, que ofereceram atendimento aos carentes

e possibilitaram aos idosos sem recursos familiares a

criação de uma modesta rede de segurança. Nos sécu- los XVIII e XIX, entretanto, muitos ganhos no trata- mento dessa população foram perdidos na Revolução Industrial. Ainda que tenham sido criadas leis referen- tes ao trabalho infantil nesse período como proteção aos menores, a população idosa ficou desprotegida. Os incapazes de atender às exigências dos postos de trabalho nas indústrias foram deixados nas mãos de seus descendentes ou obrigados a esmolar ajuda nas ruas para se manterem.

Embora o doutor I.L. Nascher, conhecido como pai da geriatria, tenha escrito o primeiro livro teórico sobre esse tema em 1914, a literatura norte-americana da primeira metade do século XX reflete poucos aper- feiçoamentos na condição dos idosos. O primeiro pas- so importante para melhorar a vida dos idosos norte- -americanos ocorreu com a aprovação da Federal Old Age Law (Lei Federal de Seguro para Idosos), relativa ao Social Security Act (Decreto de Previdência Social) de 1935, que trouxe certa proteção financeira para

a população idosa. O acentuado “envelhecimento”

foi alvo de conscientização na década de 1960 nesse país, onde a reação foi compor a Administração do Envelhecimento, iniciativa do Older American Act (Decreto do Idoso Americano), além da introdução do Medicaid e do Medicare, em 1965. Desde então,

a sociedade tem demonstrado crescente preocupação

com seus membros idosos (Quadro 1.1). Algumas décadas antes houve grande despertar de interesse pelos idosos, uma vez que aumentou o nú- mero dessa população. Uma atitude mais humana em relação a todos os elementos da sociedade beneficiou os indivíduos mais velhos, com melhorias no aten- dimento de saúde e nas condições de vida em geral, garantindo a mais pessoas a oportunidade de chegar à velhice e viver muito mais anos mais compensadores na fase conhecida como velhice, em comparação com as gerações precedentes (Fig. 1.1).

Características da população de adultos idosos

Os idosos costumam ser definidos como pessoas com 65 anos ou mais. Houve um tempo em que todos com mais de 65 anos eram categorizados como “idosos”; no entanto, hoje reconhece-se que existe muita diver- sidade entre diferentes faixas etárias. Os indivíduos idosos podem ser divididos nas seguintes categorias:

idoso jovem: 60 a 74 anos de idade;

idoso mais velho: 75 a 100 anos de idade;

centenários: mais de 100 anos.

Enfermagem Gerontológica

31

QUADRO 1.1
QUADRO 1.1

Programas públicos de benefício para os idosos norte-americanos

1900

Leis de aposentadoria aprovadas em alguns estados

Medicare (Artigo 18 do Decreto de Previdência Social) Medicaid (Artigo 19 do Decreto de Previdência Social) para pobres e deficientes de todas as idades

1935

Social Security Act (Decreto de Segurança Social)

1961

Primeira Conferência da Casa Branca sobre o Envelhecimento

1965

Programas de alimentação, emprego e transpor- te para idosos do Older Americans Act (De- creto de Administração do Idoso Americano) Administration on Aging

1972

1991

Transformado em lei o Supplemental Security Income (SSI)

Implementação do Omnibus Budget Act (lei de reforma de casas de longa permanência)

Alguns ainda incluem uma quarta categoria, a dos idosos intermediários, entre 75 e 84 anos de ida- de, abreviando o grupo dos idosos mais velhos para uma faixa entre 85 e 100 anos. O perfil, os interesses e os desafios no atendimento de saúde de cada um desses subgrupos podem ser muito diferentes. Por exemplo, um indivíduo com 66 anos de idade pode querer fazer uma cirurgia estética para competir no mercado de trabalho dos executivos; uma mulher, aos 74 anos, pode ter acabado de casar novamente, dese- jando fazer algo quanto ao ressecamento do canal va- ginal; pode haver aquele indivíduo que, aos 82 anos de idade, se preocupa com a artrite dos joelhos que li- mita sua capacidade para jogar golfe; e um indivíduo,

li- mita sua capacidade para jogar golfe; e um indivíduo, FIGURA 1.1 ● É importante que

FIGURA 1.1 É importante que os enfermeiros ge- rontólogos se preocupem em melhorar a qualidade de vida dos idosos, da mesma forma que trabalham para estender seus anos de vida.

com 100 anos de vida, pode desesperar-se para achar uma forma de corrigir os prejuízos da visão para po- der assistir à televisão. Qualquer estereótipo relativo aos mais velhos precisa ser descartado; uma maior di- versidade deve prevalecer à homogeneidade.

Crescimento populacional e aumento da expectativa de vida

Pessoas com mais de 65 anos representam mais de 12% da população norte-americana. Há uma previ- são de que cada vez mais indivíduos chegarão à ve- lhice e que 17% da população terão mais de 65 anos no ano de 2020. Isso se deve, em parte, ao aumento da expectativa de vida. Esta, para a maior parte dos norte-americanos, aumentou devido à evolução no controle das doenças e na tecnologia da saúde, a uma menor taxa de mortalidade de bebês e crianças e às melhorias nas condições sanitárias e de vida. Atual- mente, mais pessoas têm chegado aos anos da velhice. Em 1930, pouco mais de seis milhões chegaram aos 65 anos ou além, e a média da expectativa de vida era de 59,7 anos. Em 1965, a expectativa de vida era de 70,2, com a população idosa ultrapassando os 20 mi- lhões. Ela hoje está em 77,8, com mais de 34 milhões de pessoas com mais de 65 anos (Tab. 1.1). Além de cada vez mais indivíduos chegarem à velhice, estes vi- vem ainda mais anos do que antes; a quantidade de pessoas com 70 e 80 anos de idade tem aumentado, de forma sistemática, e espera-se que continue a au- mentar (Fig. 1.2). A população com mais de 85 anos representa cerca de 40% da população idosa, e há um crescimento contínuo da quantidade de centenários.

há um crescimento contínuo da quantidade de centenários. CONCEITO-CHAVE Um maior número de pessoas tem vivido
CONCEITO-CHAVE Um maior número de pessoas tem vivido perío- dos mais longos de vida, com

CONCEITO-CHAVE

Um maior número de pessoas tem vivido perío- dos mais longos de vida, com mais anos durante a velhice, em comparação com outras épocas.

Apesar de a expectativa de vida estar mais alta, diferenças relativas a raça e sexo podem ser identi- ficadas (Tab. 1.2). Do final da década de 1980 até

32

Charlotte Eliopoulos

TABELA 1.1

Expectativa de vida ao nascer de 1920 a 2000 com projeções até 2010

 

População total dos Estados Unidos

 

Brancos

Negros

Ano

Total

Homens

Mulheres

Total

Homens

Mulheres

1920

54,1

54,9

54,4

55,6

45,3

45,5

45,2

1930

59,7

61,4

59,7

63,5

48,1

47,3

49,2

1940

62,9

64,2

62,1

66,6

53,1

51,5

54,9

1950

68,2

69,1

66,5

72,2

60,8

59,1

62,9

1955

69,6

70,5

67,4

73,7

63,7

61,4

66,1

1960

69,7

70,6

67,4

74,1

63,6

61,1

66,3

1965

70,2

71,0

67,6

74,7

64,1

61,1

67,4

1970

70,9

71,7

68,0

75,6

65,3

61,3

69,4

1975

72,6

73,4

69,5

77,3

68,0

63,7

72,4

1980

73.7

74,4

70,7

78,1

69,5

65,3

73,6

1985

74.7

75,3

71,8

78,7

69,3

65,0

73,4

1990

75,4

76,1

72,7

79,4

69,1

64,5

73,6

1995

75,8

76,5

73,4

79,6

69,6

65,2

73.9

2000

77,1

77,7

74,8

80,4

72,4

68,9

75,6

2004

77,8

78,3

75,7

80,8

73,1

69,5

76,3

2010

78,5

79,0

76,1

81,8

74,5

70,9

77,8

(projeção)

Do Center for Disease Control and Prevention, National Center for Health Statistics, National Vital Statistics System,Tabela 27, Expectati- va de vida ao nascer até 65 anos e 75 anos de acordo com raça e sexo. Selecionados dos Estados unidos de 1900 a 2004. United States Health Statistics,Washington, D.C.: U.S. Government Printing Office, 2006.

hoje, tal expectativa aumentou entre indivíduos brancos e diminuiu entre negros. O U.S. Department of Health and Human Services atribui o declínio na expectativa de vida dos negros a um aumento das mortes em decor- rência de homicídios e à síndrome da imunodefi-

ciência adquirida. Trata-se de uma realidade que ressalta a necessidade de os enfermeiros se preocu- parem com questões de saúde e sociedade relativas a pessoas de todas as faixas etárias, uma vez que causam impacto no processo de envelhecimento populacional.

60 Mais de 65 anos 50 65 a 70 anos 75 a 84 anos Mais
60
Mais de 65 anos
50
65
a 70 anos
75
a 84 anos
Mais de 85 anos
40
30
20
10
0
1900
1950
1980
2000
2010
2020
População (em milhões)

Ano

FIGURA 1.2 População de idosos de 1900 a 2020 (em milhões). (Do U.S. Bureau of Census. General Population Characteristics.Tables 42 e 45; projections for 2010 and 2020 from Census Bureau International Data Base. http://www.

aoa.gov/prof/Statistics/online_stat_data/AgePop2050.asp).

Enfermagem Gerontológica

33

TABELA 1.2

Diferenças de raça e sexo na expectativa de vida (em anos)

Ano

Homens

População total

Brancos

Negros

Mulheres

Brancos

Negros

2003

77,4

75,3

68,9

80,4

75,9

2010 (projeção)

78,5

76,1

70,9

81,8

77,8

Do Centro de Controle e Prevenção de Doenças.Tabela A. Expectativa de vida por idade, raça e sexo: Estados Unidos, 2003. National Vital Statistics Reports, 54(14). Hyattsville, MD: National Center for Health Statistics, 2006.

Ao mesmo tempo em que a distância na expec- tativa de vida aumentou entre as raças, diminuiu entre os sexos. Ao longo do século XX, a proporção de homens para mulheres diminuiu muito, a ponto de haver menos de sete homens para cada 10 mu- lheres (Tab. 1.3). Essa proporção diminuiu a cada década. No século XIX, porém, essa tendência mos- tra mudanças, sendo que a proporção de homens para mulheres está aumentando.

PONTO A PONDERAR Uma proporção maior de idosos na nossa socie- dade significa que os

PONTO A PONDERAR

Uma proporção maior de idosos na nossa socie- dade significa que os mais jovens terão

Uma proporção maior de idosos na nossa socie- dade significa que os mais jovens terão encargos financeiros mais elevados para manter a popula- ção dos mais velhos. As famílias mais jovens de- vem se sacrificar para manter a assistência aos idosos? Por que deveriam, ou por que não?

Estado civil e providências de vida

Taxas mais elevadas de sobrevida de mulheres au- mentou a prática destas de casarem com homens mais velhos, o que não causa surpresa quanto ao fato de mais da metade das mulheres com mais de 65 anos estarem viúvas e de a maioria dos homens da mesma idade ser formada por indivíduos casa- dos (Fig. 1-3). A maioria dos adultos idosos mora com o côn- juge ou outro familiar, embora mais do dobro de mulheres, em comparação a homens, morem sozi- nhas na velhice tardia. A probabilidade dos indiví- duos de ambos os sexos viverem sozinhos aumenta com a idade (Fig. 1.4). Em geral, os idosos têm contato com os familiares, não sendo esquecidos ou negligenciados. As realidades do envelhecimento na família são discutidas com detalhes no Capítulo 38.

na família são discutidas com detalhes no Capítulo 38. CONCEITO-CHAVE As mulheres têm mais probabilidade de
CONCEITO-CHAVE As mulheres têm mais probabilidade de enviuvar e viver sozinhas na velhice do que

CONCEITO-CHAVE

As mulheres têm mais probabilidade de enviuvar e viver sozinhas na velhice do que os companhei- ros do sexo masculino.

TABELA 1.3

TABELA 1.3 Proporção de sexo na população com 65 anos ou mais

Proporção de sexo na população com 65 anos ou mais

Proporção de sexo na população com 65 anos ou mais

Ano

Número de homens para cada 100 mulheres

1910

101,1

1920

101,3

1930

100,5

1940

95,5

1950

89,6

1960

82,8

1970

72,1

1980

67,6

1985

67,9

1990

67,2

1995

69,1

2000

70,4

2025 (projeção)

82,9

Do U.S. Department of Commerce (2001). Statistical abstract of the United States (121st ed., p. 16). Washington, DC. Bureau of the Census.

Distribuição geográfica

Os idosos moram em diversos locais nos Estados

Unidos, a maioria está na Califórnia, Flórida, Nova York, Texas e Pensilvânia. Em termos de percentual

da população dos estados com mais de 65 anos de

idade, a Flórida tem a liderança, seguida pela Pen- silvânia, West Virgínia, Iowa e Dakota do Norte. Na década passada, os aumentos mais acentuados no percentual de habitantes idosos ocorreram em Nevada, Alasca, Havaí e Arizona. Os estados com o menor percentual da população total com mais de 65 anos incluem Alasca, Utah e Geórgia.

Renda e emprego

O

percentual de idosos que vivem abaixo do nível

de

pobreza está diminuindo, com cerca de 10% nes-

sa

categoria, atualmente. Entretanto, os indivíduos

dessa faixa etária ainda têm problemas financeiros.

A

maioria depende da Previdência Social para mais

de

metade da renda (Quadro 1.2). As mulheres e as

34

Charlotte Eliopoulos

Homens

14% 10% 4% 72% Casados
14%
10%
4%
72%
Casados

42%

Mulheres 43% 11% 4%
Mulheres
43%
11%
4%

Nunca casados14% 10% 4% 72% Casados 42% Mulheres 43% 11% 4% Viúvos Divorciados (separados)/cônjuge ausente FIGURA 1.3

Viúvos4% 72% Casados 42% Mulheres 43% 11% 4% Nunca casados Divorciados (separados)/cônjuge ausente FIGURA 1.3 ●

Divorciados (separados)/cônjuge ausenteCasados 42% Mulheres 43% 11% 4% Nunca casados Viúvos FIGURA 1.3 ● Estado civil da população

FIGURA 1.3 Estado civil da população com 65 anos de idade ou além (%). (Do U.S. Department of Commerce. [2005]. Current Population Survey. Annual Social and Econo- mic Supplement of the U.S. Bureau of the Census.Washington. DC: Bureau of the Census.)

minorias têm muito menos renda do que os homens brancos. Ainda que a média de casas pertencentes a idosos beire duas vezes a média nacional devido à grande predominância de proprietários desses imó- veis já na velhice, muitos idosos são “ricos em bens e pobres em moeda circulante”. Isto é, podem mo- rar em uma casa muito valorizada com o passar dos anos, embora tenham escassez de recursos financei- ros mensais para o atendimento das despesas básicas. Ao mesmo tempo em que cresce a população total representada pelos idosos, estes constituem um percentual de trabalhadores que diminui permanen- temente na força de trabalho. A retirada dos homens

65 a 74 anos Mais de 75 anos 49,5% 38,4% 30,9% 24,9% 23% 16,7% Total
65 a 74 anos
Mais de 75 anos
49,5%
38,4%
30,9%
24,9%
23%
16,7%
Total
Homens
Mulheres

FIGURA 1.4 Percentual de pessoas com 65 anos ou mais que moram sozinhas. (Do U.S. Department of Com- merce. [2001]. Statistical abstract of the United States [121st ed. p. 42].Washington, DC. Bureau of the Census.)

do mercado de trabalho ainda em idades menos avan- çadas é uma das mais importantes tendências desse segmento, desde a Segunda Guerra Mundial. No en- tanto, houve aumento significativo no percentual de mulheres de meia-idade empregadas, embora pouco tenha mudado quanto à participação de mulheres de 65 anos ou mais na força de trabalho. A maioria é composta dos baby boomers – pessoas nascidas entre 1946 e 1964 – que querem continuar trabalhando ao chegar ao período da aposentadoria (AARP, 2000).

ao chegar ao período da aposentadoria (AARP, 2000). CONCEITO-CHAVE Embora a Previdência Social pretenda
CONCEITO-CHAVE Embora a Previdência Social pretenda suplemen- tar outras fontes de renda dos idosos, ela

CONCEITO-CHAVE

Embora a Previdência Social pretenda suplemen- tar outras fontes de renda dos idosos, ela ainda constitui a principal fonte de renda para mais de metade desses indivíduos.

QUADRO 1.2
QUADRO 1.2

Previdência social e receita previdenciária suplementar

Previdência Social: é pago um cheque-benefício a trabalhadores aposentados com uma idade mínima específica (p. ex., 65 anos), trabalhadores incapacita- dos de qualquer idade e cônjuges e filhos menores desses trabalhadores. O benefício não está relacio- nado a necessidades financeiras.Tem como intenção ser um suplemento a outras fontes de renda na apo- sentadoria. Receita Previdenciária Suplementar (SSI): é pago um cheque-benefício a pessoas com mais de 65 anos e/ou pessoas com incapacidades baseadas em necessidades financeiras.

um cheque-benefício a pessoas com mais de 65 anos e/ou pessoas com incapacidades baseadas em necessidades

Enfermagem Gerontológica

35

Ensino médio completo ou além Curso superior incompleto Curso superior completo (graduação) ou além 83%
Ensino médio completo ou além
Curso superior incompleto
Curso superior completo (graduação) ou além
83%
76,9%
72,8%
67,5%
47%
39,1%
36,4%
32,4%
24,5%
19,6%
18,5%
15,4%
60 a 64 anos
65 a 69 anos
70 a 74 anos
75 anos
ou mais

FIGURA 1.5 Nível de educação atingido por idade (em percentuais). (Do U.S. Cen- sus Bureau. [2004]. Current Population Survey,Annual Social and Economics Supplement, Washington, DC: Bureau of the Census.)

Educação

Nos Estados Unidos tem sido uma tendência os ci- dadãos idosos terem um nível de educação maior devido ao aumento significativo no número de pessoas que terminaram o ensino médio a partir da década de 1940 (Fig. 1.5). Aqueles com graus avan- çados são e continuarão a ser mais predominantes do que no passado. Assim como ocorre com ou- tras faixas etárias, os adultos idosos com graus mais avançados têm maior rendimento.

idosos com graus mais avançados têm maior rendimento. CONCEITO-CHAVE As futuras gerações de idosos terão
CONCEITO-CHAVE As futuras gerações de idosos terão atingido ní- veis mais altos de educação formal

CONCEITO-CHAVE

As futuras gerações de idosos terão atingido ní- veis mais altos de educação formal do que a po- pulação atual de idosos, sendo consumidores de saúde mais informados.

Situação da saúde

A população idosa tem menos doenças graves do que a população jovem e taxa menor de mortes em decorrência delas (Fig. 1.6). Os idosos, porém, com alguma doença grave costumam necessitar de pe- ríodos maiores de recuperação, com mais complica- ções em decorrência dessas condições.

As doenças crônicas são um problema grave para os idosos; a maioria deles tem, pelo menos, uma doença crônica. Normalmente, apresentam várias condições crônicas que precisam ser controladas de forma simultânea (Quadro 1.3). As condições crôni- cas resultam em certas limitações nas atividades da vida diária (AVDs) e nas atividades instrumentais da vida diária (AIVDs) para vários indivíduos. Quanto mais idade tiver a pessoa, maior a probabilidade de apresentar dificuldades nas atividades de autocuida- do e em uma vida independente.

nas atividades de autocuida- do e em uma vida independente. CONCEITO-CHAVE As doenças crônicas mais predominantes
CONCEITO-CHAVE As doenças crônicas mais predominantes na po- pulação idosa são as que podem causar

CONCEITO-CHAVE

As doenças crônicas mais predominantes na po- pulação idosa são as que podem causar impacto significativo na independência e na qualidade da vida diária.

As doenças crônicas não são apenas importan- tes fontes de incapacidade, mas também as princi- pais causas de morte (Tab. 1.4). Nas últimas três décadas, ocorreu um desvio nas taxas de mortali- dade em decorrência de causas variadas; houve re- dução nas mortes por doenças cardíacas e aumento nas mortes por câncer.

36

Charlotte Eliopoulos

45 Infecções e parasitas 40 Resfriado comum 35 Gripe Sistema digestório 30 Lesões 25 20
45
Infecções e parasitas
40
Resfriado comum
35
Gripe
Sistema digestório
30
Lesões
25
20
15
10
5
0
25 a 44 anos
45 a 64 anos
65 anos ou mais
Taxa de doenças agudas a cada 100 habitantes

FIGURA 1.6 Taxas de doença aguda em adultos por idade (a cada 100 pes- soas). (Do U.S. National Center for Health Statistics. [2003].Vital health statistics [Series 10, No. 200].)

Implicações de uma população que envelhece

O número cada vez maior de pessoas com mais de 65 anos causa impacto nas agências de saúde e as- sistência social e nos provedores de atendimento de saúde, inclusive nos enfermeiros gerontólogos que dão assistência para essa população. O aumento do número de idosos obriga essas agências e provedo- res a antecipar as necessidades futuras de serviços e pagamento por eles.

Impacto dos baby boomers

Ao antecipar as necessidades e os serviços para as futuras gerações de idosos, os enfermeiros gerontó- logos devem levar em conta as realidades dos baby boomers que constituirão os próximos cidadãos ido- sos. Estes ingressarão nessa faixa etária entre 2008 e 2030 (Fig. 1.7). Embora constituam um grupo diversificado, representando pessoas tão diferentes quanto Bill Clinton, Bill Gates e Cher, apresentam algumas características claramente definidas que os separam dos outros grupos:

A maioria tem filhos, ainda que a baixa taxa de natalidade nesse grupo signifique que terão me- nos filhos biológicos a ampará-los na velhice.

Seu nível educacional é maior do que a das ge- rações que os precederam.

A renda doméstica desses indivíduos tende a ser superior à dos demais grupos, em parte de- vido a duas receitas (três entre quatro mulheres da geração de baby boomers estão trabalhando).

Preferem um estilo de roupa mais casual do que as gerações de idosos anteriores.

Amam produtos de alta tecnologia; são prová- veis consumidores de computadores domésticos.

Seu tempo de lazer é menor do que o dos idosos e têm maior tendência ao estresse no final do dia.

Como inventores do movimento pela aptidão física, exercitam-se com maior frequência do que os idosos.

Podem ser feitas algumas previsões relativas à população de baby boomers quanto o seu ingresso na velhice. Serão consumidores de atendimento de saúde mais bem-informados, querendo assumir um

QUADRO 1.3
QUADRO 1.3

Dez condições crônicas principais que afetam a população com 65 anos ou mais

1. Artrite

6. Deformações ou deficiências ortopédicas

2. Pressão sanguínea elevada

7. Diabete

3. Deficiências auditivas

8. Sinusite crônica

4. Condições cardíacas

9. Febre “do feno”, rinite alérgica (sem asma)

5. Deficiências visuais (inclusive catarata)

10. Varizes

Fonte: U.S. National Center for Health Statistics. (2007).Vital and health statistics. http://www.cdc.gov/nchs/2007, acessado em 15/06/07.

Enfermagem Gerontológica

37

TABELA 1.4

TABELA 1.4 Principais causas de morte de pessoas com 65 anos ou mais

Principais causas de morte de pessoas com 65 anos ou mais

Principais causas de morte de pessoas com 65 anos ou mais

Causas de morte

Porcentagem

Todas as causas

100

Doença cardíaca

33,0

Neoplasias malignas (câncer)

21,8

Cerebrovascular

8,2

Doença pulmonar obstrutiva crônica

5,9

Pneumonia e gripe

3,3

Diabete

2,4

Doença de Alzheimer

2,7

Nefrite, síndrome nefrótica, nefrose

1,7

Acidentes

1,7

Septicemia

1,4

Do National Center for Health Statistics. (2003).Table 33, Health United States.Trend Tables on 65 and Older Population. Centers for Disease Control and Prevention, Department of Health and Human Services, Pub. No. 03-1030.

papel bastante ativo no atendimento de saúde; sua capacidade de acesso às informações poderá permi- tir que saibam tanto quanto os provedores de aten- dimento em relação a algumas questões de saúde. Não se satisfarão com as condições atuais das casas de longa permanência e exigirão que as instituições sejam equipadas com computadores, ginásios es-

sejam equipadas com computadores, ginásios es- FIGURA 1.7 ● A primeira onda dos 76 milhões de

FIGURA 1.7 A primeira onda dos 76 milhões de baby boomers completa 65 anos em 2011.

TABELA 1.5

TABELA 1.5 Duração média da permanência hospitalar

Duração média da permanência hospitalar

Duração média da permanência hospitalar

Idade (anos)

<15

15-44

45-64

65+

Dias de

4,5

3,7

5,0

5,6

permanência

National Center for Health Statistics, Advance Data No. 371. (2006). Número, proporção e duração média da permanência em casos de internação breve em hospitais por idade, região e sexo.

portivos, lanchonete, piscinas e terapias alternati- vas. Suas famílias heterogêneas poderão precisar de assistência devido ao potencial de exigências dos vários grupos de padrastos e “avós padrastos”. Os planos de serviços e projetos arquitetônicos deverão considerar isso.

Prestação e pagamento de serviços

O número crescente de pessoas com mais de 65

anos também causa impacto no governo, a fonte de pagamento de muitos dos serviços de que os idosos

necessitam. Esse grupo etário tem taxas superiores

de

hospitalização, cirurgia e visitas médicas ao resto

da

população (Tab. 1-5), com mais probabilidade

de

esse atendimento ser custeado mais por dólares

federais do que por seguradoras privadas, ou pelos próprios idosos (Fig. 1.8). Menos de 5% da população de idosos estão em casas de longa permanência, em comunidades de

vida assistida ou em outras instituições. Cerca de um em cada quatro idosos permanecerá algum tem-

po em uma casa de longa permanência, nos últimos

anos de vida. Normalmente, as pessoas que passam a morar em casas de longa permanência como mo-

Sem cobertura,

Medicaid, 2,6% 7,6% Plano de Medicare, saúde privado, 26,7% 63,1% FIGURA 1.8 ● Cobertura das
Medicaid,
2,6%
7,6%
Plano de
Medicare,
saúde privado,
26,7%
63,1%
FIGURA 1.8 ● Cobertura das seguradoras de saúde
para pessoas com 65 anos ou mais (percentuais). Nota:

Alguns idosos com cobertura do Medicare têm tam- bém cobertura de saúde privada suplementar. (Dados do U.S. Department of Commerce. [2003]. Statistical abs- tract of the United States [122nd ed.Table 130].Washing- ton. DC: U.S. Bureau of Census.)

38

Charlotte Eliopoulos

radores particulares, gastam seus bens ao término do primeiro ano e exigem o apoio governamental para seu atendimento; a maior parte do orçamento do Medicaid é usada em cuidados de longo prazo. Com o crescimento do percentual da popu- lação com idade avançada, a sociedade enfrentará uma maior demanda da prestação de serviços e do pagamento deles para essa faixa etária. Nessa era de déficits orçamentários, encolhimento de receita e aumento da competição por obtenção de recursos para outros interesses especiais, surgem dúvidas so- bre a crescente capacidade do governo de oferecer aos idosos uma ampla gama de serviços. Pode haver certa preocupação no sentido de que a população de idosos esteja utilizando uma quantidade despro- porcional de dólares provenientes dos impostos e que tenham que ser estabelecidos limites. Os enfermeiros gerontólogos devem se envol- ver ativamente em discussões e decisões relativas ao uso racional dos serviços, para que os direitos dos idosos sejam expressos e protegidos. Da mesma for- ma, devem assumir a liderança no desenvolvimento de métodos com eficiência de custos para o ofereci- mento de cuidados que não comprometam a quali- dade dos serviços para essa população.

a quali- dade dos serviços para essa população. CONCEITO-CHAVE Os enfermeiros gerontólogos precisam
CONCEITO-CHAVE Os enfermeiros gerontólogos precisam defender a garantia de que as tentativas de contenção de

CONCEITO-CHAVE

Os enfermeiros gerontólogos precisam defender a garantia de que as tentativas de contenção de custos não coloquem em risco o bem-estar dos idosos.

EXERCÍCIOS DE PENSAMENTO CRÍTICO

1. Quais os fatores que influenciam o desejo da sociedade de oferecer assistência aos idosos e evidenciar uma atitude positiva em relação a eles (p. ex., condições econômicas gerais para todas as faixas etárias)?

2. Liste as mudanças nas características da popu- lação futura de idosos e descreva suas implica- ções para a enfermagem.

3. Que problemas as mulheres idosas podem ter, em consequência da diferença de sexo, na ex- pectativa de vida e na receita financeira?

4. Cite algumas diferenças entre norte-america- nos idosos brancos e negros.

Recurso

National Center for Health Statistics http://www.cdc.gov/nchs

Referência

American Association of Retired Persons. (2000). Boomers look toward retirement. Washington. DC: Author.

Leituras recomendadas

Adler. J. (2006). What’s next. boomers? As the older population grows, planners figure out how to meet the housing challenge. Planning. 72(11):34–38. American Association of Homes and Services for the Aging and Decision Strategies International. (2006). The long and winding road. Histories of aging and aging services in America. 2006–2016. Washington, DC: American Association of Homes and Services for the Aging and Decision Strategies International. American Journal of Nursing Continuing Education. (2006). A new look at the old: A continuing education activity focused on healthcare for our aging population. Philadelphia: Lippincott Williams & Wilkins. Billig, M. (2004). Supportive communities: An optimum arrangement for the older population? Journal of Sociology and Social Welfare. 31(3):131–152. Gruber, J., & Wise, D. A. (1999). Social security and retirement around the world. Chicago: University of Chicago Press. Jackson, W. A. (1998). The political economy of population aging. Northampton. MA: Elgar. Kassner, E., & Bectel, R. (1998). Midlife and older Americans with disabilities: Who gets help? A chartbook. Washington, DC: American Association of Retired Persons. Kovner, A. R., & Knickman, J. R. (2005). Jonas and Kovner’s health care delivery in the United States. (8th ed.). New York: Springer. National Center for Health Statistics. (2005). Health, United States, 2005, with chartbook on trends in the health of Americans. Hyattsville, MD: U.S. Department of Health and Human Services, available at http://www.

cdc.gov/nchs/data/hus/hus05.pdf

Peter D. Hart Research Associates. (2002). The new face of retirement: An ongoing survey of American attitudes on aging. San Francisco: Civic Ventures.