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(DES) INSTITUICIONALIZAR: UM DESA FIO EM PROL DOS DIREITOS DA CRIANÇA – BREVE REFLEXÃO INTRODUÇÃO ....

(DES) INSTITUICIONALIZAR: UM DESA FIO EM PROL DOS DIREITOS DA CRIANÇA – BREVE REFLEXÃO

INTRODUÇÃO .... rouxinóis, sempre tristes, preferindo enfrentar o desconhecido, a indeterminação do espaço livre, a procura
INTRODUÇÃO
....
rouxinóis, sempre tristes, preferindo enfrentar o desconhecido, a indeterminação do espaço
livre, a procura incerta de alimento, segurança e carinho. Os c anários, cantando nessa
mesma gaiola, trocando a liberda de pelo conforto, a segurança e a certeza da satisfação
das suas necessidades básicas de sobrevivência física. Os últimos cantam, os primeiros,
definham de tristeza.”
“Podemos imaginá-los como passarinhos em gaiolas
...
uns rouxinóis, outros canários
Os
Alberto (in Machado & Gonçalves, 2002)
Apesar do interesse social pelas instituições de internato, e do tema ser, actualmente, em
Portugal, um assunto muito mediático, a verdade é que existe pouca literatura relacionada.
Contudo, Goffman em 1991 definia instituição como: “um lugar de residência e de trabalho,
onde um grande número de indivíduos, colocados na mesma situaçã o, cortados do mundo
exterior por um período relativamente longo, leva em conjunto u ma vida fechada cujas
modalidades são explícitas e minuciosamente reguladas” (cit. Ca rvalho, 1999, p.31) Esta
definição enquadra cinco tipos de instituições totais: 1) de atendimento e prestação de
cuidados a indivíduos incapazes de autonomia (tais como lares de idosos, crianças,
...
);
2)
direccionadas para o atendimento de pessoas que constitui em algum tipo de problema para a
comunidade (hospitais, asilos,
)
3) instituições para sujeitos agressivos, perigosos para a

... comunidade (prisões); 4) instituições educativas e de formação (colégios internos, escolas, ) ....

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5) instituições religiosas e de recolhimento (seminários, conventos, ). Segundo Al berto (2002) ... algumas instituições

5) instituições religiosas e de recolhimento (seminários, conventos,

).

Segundo Alberto (2002)

... algumas instituições assumem mais do que uma destas valências, como assistência e educação, ou de educação e protecção. Por outro lado, a institucionalização tem vindo a ser descrita como uma alternativa face aos problemas dos contextos sociais, nomeadamente no microssistema familiar (Dumaret, et al., 1997; Zlotnick, et al., 1999). Na generalidade, estes contextos são caracterizados por abusos físicos, sexuais, negligência, ausência parental (Dumaret et al., 1997; Price e Landsverk, 1998), pobreza (Horowitz e Wolock, 1995; Zlonick et al., 1999), alcool ismo e comportamento associal dos pais (Dumaret et al, 1997 e Formosinho, J. Araújo e Sousa, 2001). A investigação demonstra que as crianças que passam por estas e xperiências estão em maior risco de desenvolver comportamentos desadaptativos e psicopatologias. Actualmente afirma-se com alguma segurança que, a ausência de família ou pertença a uma família desequilibrada são factores de risco para o desenvolvimento da criança e poten ciam o aparecimento de condutas desviantes (Carneiro, 1997). Quando vítimas de maus-tratos, as consequências a longo prazo para estas crianças podem passar por atraso de desenvolvimento, problemas cognitivos e de linguagem, dificuldades no relacionamento social com outras crianças e adultos, comportame ntos sociais de risco, entre outros (Canha, 2002). Por outro lado, estes menores tendem a ob ter pontuações baixas na dimensão de auto estima e valores elevados de depressão, ansied ade e isolamento (Olweus, 1993). Este facto aliado aos problemas de ajustamento escolar, podem contribuir para uma baixa aceitação social destes menores, particularmente no perío do da pré adolescência (Kochendorfer e Ladd, 1996). De acordo com Almeida e Barrio (2002) não é só o suporte social que fica comprometido. De acordo com Alberto (2002), o processo de institucionalização de menores em risco está associado a uma desresponsabilização familiar que, de alguma forma, conduz ao afastamento

5) instituições religiosas e de recolhimento (seminários, conventos, ). Segundo Al berto (2002) ... algumas instituições

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da família. Este aspecto é corroborado por um estudo de Santos e Marcelino de 1996, onde

da família. Este aspecto é corroborado por um estudo de Santos e Marcelino de 1996, onde os autores salientam o facto dos menores sentirem esse afastamento , especialmente em relação aos irmãos. Da mesma forma, a institucionalização parece estar também associada à estigmatização e discriminação social, assistindo-se por um lado, ao desenvolvimento de “rótulos” e, por outro lado, à construção de estereótipos e des envolvimento de preconceitos por parte da sociedade em relação a estes indivíduos (Alberto, 2002). A institucionalização, enquanto processo promotor de estabilida de e integração sócio emocional, conduz a dificuldades na adaptação a novos contextos e papéis de vida (Bronfenbrenner, 1997). Quando institucionalizada, a criança co nfronta-se com a necessidade de se adaptar a essa instituição, bem como de negociar novas re lações com os adultos e com os pares (Price e Landverk, 1998, cit Formosinho, et al., 2001) . Em resumo, as crianças e adolescentes colocados em instituições, parecem constituir uma população vulnerável a problemas de foro físico, emocional, com portamental e desenvolvimental. Num estudo realizado por Johnson em 2000 (cit Alberto, 2002) conclui que os menores colocados em instituições apresentam frequentemente, atrasos no desenvolvimento físico, psicomotor e intelectual, problemas de comportamento, emocionais, bem como perturbações ao nível da vinculação. Efectivamente, ninguém questiona, actualmente, a importância da vinculação. A teoria da vinculação surge, geralmente, associada aos nomes de Jonh Bowlby e Mary Ainsworth e tem gerado uma enorme quantidade de investigações nos últimos 20 an os, assumindo-se como uma teoria desenvolvimental de inegável importância (Bretherton e Waters, 1985). A figura de vinculação proporciona protecção, conforto e ajuda, e de acordo com Bowlby, o simples conhecimento de que a figura de vinculação está disponível e é responsiva, proporciona um forte sentimento de segurança e encoraja o indivíduo vinculado a continuar a sua relação (Bretherton e Waters, 1985).

da família. Este aspecto é corroborado por um estudo de Santos e Marcelino de 1996, onde

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UMA PROPOSTA DE ABORDAGE M À INSTITUCIONALIZAÇÃO “O difícil é aquilo que pode ser feito imediatamente.

UMA PROPOSTA DE ABORDAGE M À INSTITUCIONALIZAÇÃO

“O difícil é aquilo que pode ser feito imediatamente. O impossível é aquilo que demora um
“O difícil é aquilo que pode ser feito imediatamente.
O impossível é aquilo que demora um pouco mais de tempo.”
George Santayana (in Torrado A., 2002)

Partindo destas considerações e da análise de alguma bibliografia, acreditando que embora a institucionalização seja encarada como um mal menor (face as circunstâncias em que viviam as crianças) a ADCL procurou criar uma resposta – um lar para crianças e jovens, em que o mal fosse, efectivamente, o menor possível. Este trabalho apres enta uma proposta possível de dinâmica “institucional” que, consideramos promover a inserção social dos jovens e, minimizar os efeitos da institucionalização. As principais preocupações deste Lar assentam em 6 grandes vect ores: apoio individualizado e atento a cada criança, promoção do exercício efectivo da cidadania das crianças acolhidas; rentabilizar as interacções e competências da equipa técnica; aproximação às famílias das crianças e (re) estruturação dos laços afectivos, reflexão/avaliação regular e rentabilizar a colaboração e apoio de outras entidades e/ou pessoas, tudo com o objectivo de proporcionar um melhor acolhimento e promover uma boa integração e adaptação pessoal e social das crianças e jovens. Procura-se implementar acções que promovam a apropriação por parte das crianças acolhidas das noções de cidadania, com o objectivo de consolidar, de acordo com o relatório Delors (1996), os quatro pilares da educação: aprende r a conhecer, aprender a fazer, aprender a ser e aprender a viver juntos. Assim, e considerando as questões relativas à discriminação, es tereótipos e atribuições, esta casa funciona num apartamento T4 na cidade de Guimarães, não id entificado como instituição, tal como os recursos associados, o carro, por exemplo, não tem qualquer identificação. Tanto mais que, segundo Alberto (2002) o processo de institucionalização tem efeitos significativos

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em termos de estigmatização e discriminação, sendo particularmente notório, no grupo de pares. Esta casa destina-se

em termos de estigmatização e discriminação, sendo particularmente notório, no grupo de pares.

Esta casa destina-se a crianças em situação de emergência e/ou qualquer situação de perigo ou negligência.
Esta casa destina-se a crianças em situação de emergência e/ou qualquer situação de perigo
ou negligência. As causas de retirada das crianças acolhidas actualmente são: negligência,
maus-tratos físicos e psicológicos, abuso sexual, comportamentos delinquentes, abandono e
absentismo escolar.
1. Critérios que presidem à dec isão de colocação/acolhimento:
-
Serão acolhidas até um total de 8 crianças, uma vez que nos p arece que grandes instituições
descaracterizam o indivíduo, dificultam a intervenção e o recon hecimento de cada um
enquanto indivíduo.
-
As idades situar-se-ão entre os 0 e os 18 anos.
-
As crianças acolhidas podem ser de ambos os sexos. Subjacente a este critério, enquadra-se
o ponto seguinte ...
-
Será dada a prioridade ao acolhimento de irmãos, ou a crianças que tenham irmãos no lar
e/ou outros laços de parentesco próximo. Parece-nos demasiado óbvio que é um a atrocidade
a separação de irmãos, principalmente quando outros laços de vi nculação se encontram já
postos em causa.
-
O acolhimento de uma nova criança só deverá ser efectuado dep ois de considerar e analisar
as dificuldades e potencialidades das crianças acolhidas conjugadas com as características
das crianças a acolher, bem como os recursos disponíveis, a fim de promover a boa integração
de todas as crianças.
-
Será dada preferência a crianças de zonas próximas do lar, a fim de facilitar o trabalho junto
das famílias.

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Por mais desestruturadas ou desequilibradas que as famílias sej am, mostra-nos o trabalho diário que as

Por mais desestruturadas ou desequilibradas que as famílias sejam, mostra-nos o trabalho diário que as crianças mantêm um ideal de família a quem se man tém de um modo ou de outro vinculadas, sendo importante o revitalizar de laços e no ideal potenciar o regresso à família.

2. Objectivos gerais: - Assegurar a protecção de crianças e jovens em perigo; - Cobrir as
2. Objectivos gerais:
-
Assegurar a protecção de crianças e jovens em perigo;
-
Cobrir as necessidades das crianças acolhidas;
-
Criar condições que permitam um desenvolvimento global ajusta do, considerando as
necessidades das crianças, experiências de vida, percurso escolar, carências, potencialidades
e aspirações, num ambiente marcado pela afectividade e centrado nas mesmas.
-
Promover acções que promovam o exercício efectivo da cidadania.
-
Proporcionar um ambiente próximo de um ambiente familiar harmonioso e afectuoso;
-
Proporcionar um ambiente normativo de vida, que lhes proporcione experiências de vida
diversificadas, ricas e adequadas às necessidades e potencialidades;
-
Disponibilizar estratégias, procedimentos e programas terapêuticos e/ou educativos para a
promoção do desenvolvimento integral e (re) inserção social das crianças;
-
Garantir que as crianças rentabilizem os benefícios retirados dos cuidados de saúde e das
suas oportunidades sociais e educacionais proporcionados;
-
Promover e colaborar na definição dos projectos de vida das crianças.
3. Acolhimento

O acolhimento inicial deve ser preparado pela equipa técnica e pelas outras crianças já acolhidas, sendo ajustáveis a cada situação. Para evitar grandes alterações, que é normal acontecer, aquando da entrada de uma criança, quer para quem vem de novo, quer para quem está, procura-se ate nder às características das

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crianças envolvidas e preparar o acolhimento, envolvendo todos nesta tarefa. Considerámos mesmo que o envolvimento e

crianças envolvidas e preparar o acolhimento, envolvendo todos nesta tarefa. Considerámos mesmo que o envolvimento e participação de quem já sentiu os receios, a esperança, os

inúmeros sentimentos de quem vem para uma nova casa pode potenc iar em muito a inserção
inúmeros sentimentos de quem vem para uma nova casa pode potenc iar em muito a inserção
de quem chega, tanto no grupo, como fora dele. Por outro lado, quem está sente-se implicado,
envolvido e até valorizado.
A criança a acolher deve ser presente a uma consulta médica, de preferência antes do
acolhimento. Em muitos casos as crianças trazem problemas de sa úde e, sendo necessário
diagnosticar o quanto antes, parece-nos constrangedor realizar esta consulta mal chegam, por
tal facto, procuramos que ainda na família o façam.
-
-
Será internacionalizado e planificado o trabalho desenvolvido junto de cada criança.
-
Cada caso será avaliado e planeado individualmente e inserido num plano global de
intervenção do Lar.
-
Deverá existir um plano de actividades norteado pelas necessi dades e potencialidades de
cada criança.
-
As crianças deverão ser informadas quanto: à sua situação, direitos, à possibilidade de
contactarem o Tribunal de modo confidencial e ao funcionamento, objectivos e regulamento do
Lar. De acordo com a Organização Tutelar de Menores (OTM) não p oderia ser de outro modo,
segundo do art. 58, as crianças e jovens acolhidos em instituiç ão têm, em especial, entre
outros, o direito a “ g) Contactar, com garantia de confidencia lidade, a comissão de protecção,
o Ministério Público, o juiz e o seu advogado.”
4. Acompanhamento
O acompanhamento das crianças abrangerá diferentes níveis: escolar, pedagógico, social, e
psicológico:
  • - Todas as crianças devem se acompanhadas em termos escolares.

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- Deverão proporcion ar-se apoios educativos individualizados. - Serão contactados os estabelecimentos de ensino regularmente com
  • - Deverão proporcionar-se apoios educativos individualizados.

- Serão contactados os estabelecimentos de ensino regularmente com o intuito de acompanhar e conhecer a
-
Serão contactados os estabelecimentos de ensino regularmente com o intuito de acompanhar
e conhecer a evolução escolar das crianças. Para além do contac to regular, parece-nos
particularmente importante transformar a escola num parceiro na tarefa de, na maioria dos
casos, combater o absentismo escolar e as dificuldades de aprendizagem.
-
Deverão ser disponibilizados às crianças recursos diversificados e actividades de apoio às
tarefas escolares que estimulem o desenvolvimento e aprendizagens de cada um.
-
Deverão existir horários de estudo diários, de acordo com a d isponibilidade das crianças.
-
As crianças terão actividades extra curriculares e comunitárias que promovam a sua inserção
social, de acordo com as suas preferências. Este tipo de activi dades, devidamente
acompanhadas e orientadas poderão ser uma mais valia em termos de inserção social, não só
pelas actividades/aprendizagens realizadas e competências adquiridas, mas também pelas
relações interpessoais que poderão estabelecer, tanto mais que crianças institucionalizadas
parecem ter mais dificuldades em estabelecer relações positivas com os pares (Alberto, 2002).
Sendo que, a influência das relações com os pares assume muita importância, em particular na
adolescência (Sprinthall e Collins, 1994), os pares podem forne cer suporte instrumental e
emocional necessário para o adolescente ultrapassar com sucesso diferentes tarefas de
desenvolvimento com que é confrontado (Kirchler, Palmonari e Po mbeni, 1991) sem esquecer
que, as relações com os grupos de pares possibilitam ao adolescente experimentações difíceis
de por em prática noutros contextos (Cairns e Cairns, 1994, Palmonari e Pombeni, 1989, cit
Peixoto, 2003).
-
As crianças deverão ter tempo livre diário.
-
Deverão existir registos das vivências das crianças.
  • - Dever-se-á promover a história de vida de cada um, procurando uma integração positiva e adaptativa da mesma.

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- As crianças terão direito a co memorar o seu aniversário e a c onvidar os
  • - As crianças terão direito a comemorar o seu aniversário e a convidar os amigos.

- As crianças terão dinheiro de bolso – semanada – a definir segundo a idade e
-
As crianças terão dinheiro de bolso – semanada – a definir segundo a idade e necessidades
de cada um;
-
As crianças poderão ter dinheiro que lhe ofereçam, sendo a su a gestão alvo do objecto
educativo; de acordo com a OTM: as crianças institucionalizadas têm o direito de “d) Receber
dinheiro de bolso;” art.º 58.
-
A sua correspondência é inviolável; de acordo com o mesmo artigo, ponto e).
-
As crianças poderão corresponder-se com familiares e amigos, salvo se houver algum tipo de
risco para as próprias ou para a Instituição.
-
As crianças poderão efectuar contactos telefónicos, sendo o uso destes meios objecto
educativo;
-
As crianças serão encorajadas a: manifestarem a sua opinião, exprimir os seus sentimentos e
emoções e a participar nas decisões sobre o funcionamento, orga nização e dinâmicas do Lar;
tal como está previsto na Convenção dos Direitos da Criança, ar tigo 12. Um dos grandes
factores que tem contribuído para resultados positivos neste la r, tem sido, sem dúvida, a
participação activa das crianças e jovens.
-
As crianças devem ter condições de intimidade e privacidade;
-
Deverá ser comprado vestuário para as crianças com as crianças, sendo que as roupas que
usam devem ir ao encontro do seu gosto e preferência;
-
As crianças deverão ter bens apenas seus;
Apesar, do modo, relativamente sistematizado que apresento a forma de organização, procura-
se que no dia a dia a gestão e funcionamento decorre com natura lidade e flexibilidade, re
ajustando-se às necessidades.

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5. Horários e rotinas - Os horários e as rotinas são construídos de acordo com os
  • 5. Horários e rotinas

- Os horários e as rotinas são construídos de acordo com os horários e actividades das
-
Os horários e as rotinas são construídos de acordo com os horários e actividades das
crianças;
-
Os horários de levantar e deitar podem variar de acordo com a s idades, actividades
escolares, extra curriculares e as necessidades de cada criança;
-
Os espaços do Lar deverão estar sempre higienizados;
-
As refeições deverão respeitar as orientações de um nutricionista;
-
As refeições sempre que possível, deverão ser realizadas em c onjunto, sendo um momento
privilegiado para conversar sobre o dia-a-dia – serão momentos de convívio, oportunidade de
aprendizagem e treino e uso de competências sociais.
-
As crianças devem participar na gestão, organização e limpeza do lar.
6. Relação com as famílias
-
As famílias serão informadas: sobre a situação das crianças, funcionamento e objectivos do
Lar, salvo se daí advier perigo para as crianças ou para a Instituição.
-
Serão incentivadas a apoiarem os filhos e participarem na vida das crianças.
– As visitas à família devem ser apoiadas e acompanhadas em ter mos técnicos, a fim de apoiar

as crianças, prevenir situações de risco e promover os laços familiares. Segundo a OTM deve-se procurar “a)Manter regularmente, e em con dições de privacidade, contactos pessoais com a família e com pessoas com quem tenham especial elação afectiva, sem prejuízo das limitações impostas por decisão judicial ou pela comissão de protecção.” Artigo 58. Sempre que possível parece-nos pertinente um trabalho articulado com as famílias, para que não se desresponsabilizem completamente dos filhos, para que mantenham ou (re) estruturem os laços afectivos, tão important es no desenvolvimento e em última instância potenciar o

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regresso à família. De facto, associado ao processo de instituc ionalização surge muitas vezes a desresponsabilização

regresso à família. De facto, associado ao processo de instituc ionalização surge muitas vezes a desresponsabilização familiar, que conduz ao afastamento da família (Alberto, 2002),

processo que é importante entravar. - O regresso definitivo à família de uma criança ou jovem
processo que é importante entravar.
-
O regresso definitivo à família de uma criança ou jovem deve ser preparado e apoiado pelo
técnico da instituição.
-
Tanto a criança que regressa à família, como as que permanece m, devem ser apoiadas no
processo de transição.
-
O Lar deverá continuar receptivo para apoiar a criança que regressa à família, procurando
minimizar as perdas afectivas para as crianças.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Parece-me que considerando os males da institucionalização, é necessário identificar os
défices e as potencialidades para definir planos que invertam, na medida do possível os
malefícios. Por outro lado, as histórias de vida em si são pote nciadoras de mais entraves à
intervenção. No entanto, se Institucionalizamos para proteger as crianças e assegurar o seu
bem-estar em prol dos seus direitos, parece-me importante procurar (des) institucionalizar as
instituições, tornando-as mais familiares e afectuosas em prol dos mesmos direitos. Segunda
Jeni Calha (2000): “Numa sociedade moderna e livre, a criança não pertence nem ao estado
nem aos pais, pertence a si própria, ao cuidado dos pais ou de alguém que lhe garanta
protecção, tranquilidade, atenção e afecto, indispensáveis ao seu normal crescimento e
desenvolvimento”.
Estas linhas não vão além de uma orientação que nos parece pertinente considerando as
teorias e investigações existentes sobre a institucionalização e a (re) inserção social de

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crianças e jovens. No entanto, após cerca de cinco anos de trab alho podemos efectuar avaliação

crianças e jovens. No entanto, após cerca de cinco anos de trab alho podemos efectuar avaliação e apresentar alguns resultados:

Avaliação: Pontos Fortes Pontos Fracos • Número reduzido de crianças • Ambiente familiar e afectuoso. •
Avaliação:
Pontos Fortes
Pontos Fracos
• Número reduzido de crianças
• Ambiente familiar e afectuoso.
• Avaliação/reflexão regular, com a equipa e
com as crianças.
• Espaço físico e equipamentos
• Apoio psicossocial
• Respeito e atenção à individualidade
• Falta de espaço verde
• Pouca experiência e formação específica de
alguns técnicos
• Alguma rotatividade em termos técnicos
• Limitações orçamentais
Oportunidades
Ameaças
• Apoio das Instituições/Parceiros.
• Competências e resiliência das crianças e
jovens.
• Envolvimento de toda a equipa e da ADCL.
• A dificuldade em interiorizar regras, mudar a
“cultura”.
• Processos de atribuição.
• Exigência de grande disponibilidade e
investimento.
• Relação com as famílias.
• Entrada de novas crianças.
• Saída de crianças.
• Capacidade de resposta futura.

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Os resultados obtidos fazem-nos acreditar que um lar com estas características pode, efectivamente, obter resultados significativamente

Os resultados obtidos fazem-nos acreditar que um lar com estas características pode, efectivamente, obter resultados significativamente positivos. A ilustrar este facto encontram-se

os seguintes dados: - Os jovens tem aproveitamento escolar – entre razoável e bom, sendo que
os seguintes dados:
-
Os jovens tem aproveitamento escolar – entre razoável e bom, sendo que em 6 anos lectivos
houve apenas uma retenção e os jovens têm alargado as suas expectativas em termos de
progressão de estudos e aumentado o investimento nas tarefas escolares.
-
O comportamento dos jovens tem apresentado grandes melhorias, mesmo aqueles que
apresentavam comportamentos delinquentes. É evidente um aumento das competências de
relacionamento interpessoal (também promovidas através de dinâm icas de grupo) e maior
estabilidade afectiva e emocional.
-
As próprias representações dos jovens face às famílias e aos pares não se diferenciam dos
jovens colocados nas famílias de origem (de acordo com uma investigação do 5º ano de
psicologia, sobre a percepção familiar destes jovens)
-
Acresce-se o sentido de participação e cidadania.
-
Alargamento das expectativas de vida e a vontade dos jovens em definir os próprios projectos
de vida.
-
Maior envolvimento aproximação às famílias.
Por contraponto, deparamos com resultados menos bons:
-
Picos de motivação e de desmotivação técnica.
-
Insegurança face ao futuro dos jovens, será que a intervenção se consubstanciará daqui a
uns anos e em outros contextos?
-
Poucas famílias potenciam o regresso, apesar da intervenção junto das mesmas.
-
Percepção dos técnicos de que muito fica por fazer e, a refle xão constante sobre a
adequação, ou não, dos caminhos definidos e construídos em conjunto.

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Em jeito de nota final, ressalto as crianças e os jovens, que c om a história

Em jeito de nota final, ressalto as crianças e os jovens, que c om a história que transportam, manifestaram-se resilientes e capazes de procurar e encontrar um espaço seu e inserirem-se socialmente, contrariando a predisposição que as suas experiências poderiam fazer prever. Neste processo, quem aprendeu mais, fomos nós, os adultos que com eles trabalhamos. Para orientação futura, e quem sabe para a tese de mestrado, sa liento a ideia de Mayall (1996, p. 59): “É teoricamente importante para os adultos ouvirem as c rianças. Se os adultos desejam construir fundo teórico acerca da criança, isto não pode ser adequadamente conseguido sem prestar atenção às suas experiências e pontos de vista. A teori a que não ressoe da experiência é, pelo menos a longo prazo, condenada.”

Em jeito de nota final, ressalto as crianças e os jovens, que c om a história

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BIBLIOGRAFIA: Alberto, I. M. (2002). “Como pássaros em gaiolas”. Reflexões em torno da Institucionalização de menores

BIBLIOGRAFIA:

Alberto, I. M. (2002). “Como pássaros em gaiolas”. Reflexões em torno da Institucionalização de menores em
Alberto, I. M. (2002). “Como pássaros em gaiolas”. Reflexões em torno da Institucionalização
de menores em risco. In C. Machado e R. A. Gonçalves (Coords.), Violência e vítimas de
crimes, vol. 2, (pp. 227-237). Quarteto.
Almeida, A. T. E Barrio, C. (2002). A vitimização entre companh eiros em contexto escolar. In C.
Machado e R. A. Gonçalves (Coords.), Violência e vítimas de crimes, vol. 2, (pp. 171-192).
Quarteto.
Bowlby, J. (1973). Attachment and loss: Separation. Harmondsworth: Penguin Books.
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Bronfenbrenner, U. (1979). The ecology of human development: Experiments by nature and
design. Cambridge: Harvard University Press.
Canha, J. (2000). Criança Maltratada. O papel de uma pessoa de referência na sua
recuperação. Estudo prospectivo de 5 anos. Quarteto.
Canha, J. (2002). A criança vítima de violência. In C. Machado e R. A. Gonçalves (Coords.).
Violência e vítimas de crimes, vol. 2, (pp. 15-28). Quarteto.

Carneiro, M. R. (1997). Crianças em risco. Universidade Técnica de Lisboa, 551-575.

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Formosinho, J.; Araújo, S. E Sousa, Z. (2001/2). A instituciona lização enquanto transição ecológica: A Fenomenologia
Formosinho, J.; Araújo, S. E Sousa, Z. (2001/2). A instituciona lização enquanto transição ecológica: A Fenomenologia
Formosinho, J.; Araújo, S. E Sousa, Z. (2001/2). A instituciona lização enquanto transição
ecológica: A Fenomenologia da Experiência no Momento de Pós-tra nsição. Cadernos de
Consulta Psicológica, 17-18, 267-276.
Kirchler, E. Palmonari, A. e Pombeni, M. L. (1991). Sweet sixte en. Adolescent’s problems and
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Representação
da
qualidade
da
vinculação
na
idade
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e
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