Revista Tecnologia & Sociedade

Periódico técnico-científico do Programa de Pós-graduação em Tecnologia da UTFPR

No. 14 – 1º semestre de 2012 – Semestral. Curitiba: Editora UTFPR (denominação anterior: Editora CEFET-PR).
ISSN (versão online): 1984-3526

PPGTE - Programa de Pós-Graduação em Tecnologia da UTFPR Av. Sete de Setembro, 3165 Cep: 80230-901 – Curitiba – Paraná - Brasil http://www.ppgte.ct.utfpr.edu.br/tecnologiaesociedade revistappgte@gmail.com

Revista Tecnologia e Sociedade - 1ª Edição, 2012. ISSN (versão online): 1984-3526

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ÍNDICE
Editorial...…...…..............…….……………….....……………………....5 Dr. Christian Luiz da Silva Algunas consideraciones sobre la valoración económica de bienes y servicios ambientales en áreas protegidas. ................... 7 Some considerations about the economic valuation of environmental goods and services in protected area. Alain Hernández Santoyo Mayra Casas Vilardell María Amparo León Sánchez Rafael Caballero Fernández Víctor Ernesto Pérez León A Influência dos Recursos Naturais Frente à Colonização do Vale do Macuri ............................................................................... 17 The influence of natural resources the colonization of the Vale do Mucuri Marcio Schuber Ferreira Figueiredo Cristiane Xavier Figueiredo Análise de patentes de tecnologias relacionadas ao descarte de resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos com vistas à sustentabilidade ambiental........................................................... 34 Analysis of technology patents related to the disposal of electric and electronic equipment waste regarding the environmental sustainability Luciara Cid Gigante Maria Cristina Comunian Ferraz Camila Carneiro Dias Rigolin Bioenergia e resíduos na cadeia de suínos: uma análise de custos e investimentos para transporte de dejetos suínos com posterior geração de bioenergia no município de Toledo/ PR ... 48 Bioenergy and waste in the chain of pigs: an analysis of costs and investments for the transportation of pig manure with subsequent generation of bioenergy in the city of Toledo / PR Sandra Mara Pereira Política Industrial Comum no Mercosul: apontamentos sobre o papel das instituições ................................................................... 67 Common Industrial Policy in Mercosul: notes on the role of institutions Rogério Santos da Costa

Revista Tecnologia e Sociedade - 1ª Edição, 2012. ISSN (versão online): 1984-3526

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Sustentabilidade nas Construções da Copa 2014, em Curitiba . 77 Sustainability on Constructions of the World Cup 2014, in Curitiba Sileide France Turan Salvador Ana Helena Corrêa de Freitas Gil Eloy Fassi Casagrande Júnior A Variação dos Indicadores Básicos do Índice de Desenvolvilmento Humano dos Países Latino-Americanos no Período de 2007-2010: uma Decomposição com uso da Metodologia Shift-Share ............................................................... 92 Variation of Basic Indicators Index of Human Desenvolvilmento Latin American Countries in the Period 2007-2010: a decomposition using the Shift-Share Methodology Bruno Theylon Oliveira Dias Gilson Batista de Oliveira Reflexões sobre a Capacitação Gerencial na Agricultura Familiar Brasileira ...................................................................................... 105 Reflections on management in the Brazilian Family Farming Joelsio José Lazzarotto João Caetano Fioravanço Uso do E-book Como Meio de Compartilhamento Formal e Disseminação do Conhecimento Explicito em Organizações . 115 Use of e-book as formal resource of sharing and dissemination of explicit knowledge in organizations Adriane Ianzen Machado Fabiana Paula Hoffmann Egon Walter Wildauer

O autor demonstra que ao invés de ser fator integrar as dificuldades institucionais no Mercosul para a integração política implicam em motivo de instabilidade para o bloco econômico. O sexto artigo denota a questão da sustentabilidade na construção civil. biogás e energia elétrica. sobre a complexa e interdisciplinar questão da valoração econômica. de Cuba. O primeiro artigo é uma contribuição dos pesquisadores e professores Alain Hernández Santoyo. demonstram a importância dos recursos naturais e sua influência no processo de colonização. em seu artigo “Política Industrial e Comum no Mercosul”. da Universidad de Málaga. intitulado “A influencia dos recursos naturais frente à colonização do Vale do Macuri”. desenvolvem um modelo de multicritério como ferramenta para integração de componentes naturais. apresentam uma contribuição para o campo de ciência. Mayra Casas Vilardell. de Márcio Schuber Ferreira Figueiredo e Cristiane Xavier Figueiredo. econômicas e sociais que favoreça a otimização de decisões. do Instituto Federal do . da Universidad Piñar del Río. Sandra Mara Pereira. desenvolvimento. Nesta edição. relações internacionais e gerencias. Os autores Sileide France Turan Salvador e Ana Helena Corrêa de Freitas Gil. como meio ambiente. e Rafael Caballero Fernandéz. da Faculdade Presidente Antônio Carlos de Teófilo Otoni/MG.1ª Edição. Homero Fernandes Oliveira e Weimar Freire da Rocha Júnior.Revista Tecnologia e Sociedade . Os quatro primeiros artigos tem a questão ambiental como tema central da discussão multidisciplinar. O quarto artigo trata do tema bioenergia e resíduos na cadeia de suínos. sobre a importância da política industrial como instrumento de desenvolvimento industrial em processos de integração regional. no artigo “Algunas consideraciones sobre la valoración económica de bienes y servicios ambientales em áreas protegidas”. Debora da Silva Lobo. discute. Luciara Cid Gigante. O segundo artigo. professoras da UFSCar. María Amparo León Sánchez e Victor Ernesto Pérez Léon. O artigo “Análise de patentes de resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos com vistas a sustentabilidade ambiental” avaliou as tendências verificadas por meio de documentos de patentes. tecnologia e sociedade e sociologia do consumo por meio de uma das metodologias da ciência de informação. O sexto e sétimo artigos tratam da sustentabilidade como tema central. coletaram informações relacionadas a 380 propriedades com suínos em fase de terminação e analisaram os potenciais de geração de dejetos. há o especial interesse pela relação entre tecnologia e desenvolvimento pelas discussões referentes a temas multidisciplinares. sustentabilidade. através de monitoramento tecnológico de produtos e processos relacionados ao descarte de lixo tecnológico. Rogério Santos da Costa. Os autores. O professor do programa de pós-graduação em Administração da Unisul. Maria Cristina Comunian Ferraz e Camila Carneiro Dias Rigolin. ISSN (versão online): 1984-3526 5 EDITORIAL A primeira edição de 2012 da revista Tecnologia e Sociedade reforça ser um espaço plural de discussão entre as diversas relações e interações entre a tecnologia e a sociedade. doutoranda em política de ciência e tecnologia da Unicamp. Espanha. Os pesquisadores do programa de pós-graduação em Desenvolvimento Regional e Agronegócios. 2012.

Por fim. Os autores mostram que o uso do e-book pode ser uma ferramenta estratégica e tecnológica para agregar valor às organizações. econômica e social em seu artigo “Sustentabilidade nas Construções da Copa 2012 em Curitiba”. Os autores Joelsio José Lazzarotto e João Caetano Fioravanço. Gilson Batista de Oliveira e Bruno Theylon Oliveira Dias. refletiram sobre a importância da ampliação da capacidade gerencial para fortalecimento da agricultura familiar e possibilitar que este modelo seja efetivamente uma alternativa de desenvolvimento local. Adriane Lanzen Machado. relações e interações e diversidade de contribuição institucional para tratar a tecnologia e sociedade sob prismas diferentes e um enfoque multidisciplinar. 2012. discutem sobre o índice de desenvolvimento humano para os países latino-americanos. pesquisadores da Embrapa. tecnologia e sociedade incorporando novos pesquisadores e grupos de pesquisas nesta importante contribuição de entendermos os motivos e impactos de nossas ações nas universidades e instituições de pesquisas para o desenvolvimento dos países. Esperamos que esta edição reforce a discussão no campo de ciência. analisam a função social da construção sustentável na Copa 2012 e a contectividade urbana. Christian Luiz da Silva Editor . Desejamos a todos boa leitura! Prof. em especial saúde e educação. e Eloy Fassi Casagrande Júnior. Com isso. relacionando ao contexto de crescimento econômico destes países. tecnologia e sociedade. Contamos com novas contribuições para maior fortalecimento dessa discussão e para que possamos fortalecer o alcance do objetivo da revista: ser uma referencia latino-americana para discussão multidisciplinar no campo de ciência. intitulado “Reflexões s obre a capacitação gerencial na agricultura familiar brasileira”. A importância da questão gerencial para o desenvolvimento local é o tema do oitavo artigo. ISSN (versão online): 1984-3526 6 Paraná. perpassamos por diversos temas. os pesquisadores do programa de pós-graduação em Ciência. O artigo “A variação dos indicadores básicos do índice de desenvolvimento humano dos países latino-americanos no período de 20072010” teve o intuito de mostrar como a crise de 2008 afetou não somente a questão econômica como a área social. Fabiana Paula Hoffmann e Egon Walter Wildauer. professor do programa de pósgraduação em Tecnologia.1ª Edição. Os pesquisadores da Universidade Federal da Integração Latino Americana – UNILA.Revista Tecnologia e Sociedade . Gestão e Tecnologia da Informação da UFPR. Dr. mostram como o uso do e-book pode ser utilizado como meio de compartilhamento formal e disseminação do conhecimento explícito em organizações.

upr.upr.edu. Institución: Dpto. es sin dudas un importante mecanismo que tributa a favor de lograr una mejor conservación y gestión de los recursos naturales. Email: maleon@mat.cu Rafael Caballero Fernández: Dr. of 1 Alain Hernández Santoyo Mayra Casas Vilardell María Amparo León Sánchez Rafael Caballero Fernández Víctor Ernesto Pérez León Resumen La valoración económica ambiental de los recursos naturales.C Ciencias Económicas.C Ciencias Económicas.1ª Edição. no en base a un único objetivo. Institución: Dpto.Revista Tecnologia e Sociedade .cu María Amparo León Sánchez: Dra. Email: santoyocu@mat. Email: vp_leon@mat. Cuba. de Matemática.C Ciencias Matemáticas. En el caso de las áreas protegidas. que posibilita la integración de diversos componentes de carácter natural. el empleo de la modelación multicriterio como herramienta para la valoración económica de Bienes y Servicios Ambientales.Institución: Centro de Estudios sobre Medio Ambiente y Recursos Naturales. Cuba.C Ciencias Forestales. sino en la búsqueda de un equilibrio sistémico. áreas protegidas. se dirige a ilustrar la contribución de la valoración económica de bienes y servicios ambientales en áreas protegidas de la República de Cuba. Palabras clave: valoración económica. de Economía Aplicada (Matemáticas). España. 2012.edu. Universidad de Pinar del Río. Institución: Dpto.cu. Abstract The environmental economic valuation of natural resources represents an important mechanism to get an improvement in the natural resources 1 Alain Hernández Santoyo: Dr. Some considerations about the economic valuation environmental goods and services in protected area. Universidad de Pinar del Río.upr. ISSN (versão online): 1984-3526 7 Algunas consideraciones sobre la valoración económica de bienes y servicios ambientales en áreas protegidas.upr.C Ciencias Económicas. Cuba. Universidad de Málaga.cu . Email: mcasas@eco. de Matemática. Cuba. El objetivo del presente trabajo. bienes y servicios ambientales. Email: r_caballero@uma.edu.es Víctor Ernesto Pérez León: Dr.edu. Universidad de Pinar del Río. de manera que se favorezca la optimización de las decisiones a tomar. Mayra Casas Vilardell: Dra. entre un conjunto de ellos. economía ambiental. Institución: Dpto. Universidad de Pinar del Río. de Matemática. económico y social. constituye una herramienta útil.

La misma constituye un procedimiento dirigido a imputar valores económicos a los bienes y servicios ambientales. Se considera que “la valoración económica puede ser útil en la definición de un grupo de prioridades. ISSN (versão online): 1984-3526 8 management. resumiendo las consideraciones principales compartidas por los autores. constitutes an useful tool that provides the incorporation of different natural. but in the search of a whole balance among a group of them. Así. The purpose of the present investigation concerns its attention to present the contribution of the economic valuation of environmental goods and services in protected areas to the Republic of Cuba. economic and social components. consiste en asignar valores monetarios a los bienes. políticas o acciones que protejan el medio ambiente y sus servicios” (Cerda. entre otros” (Azqueta. servicios o atributos que proporcionan los recursos naturales y ambientales. 2006). Consideraciones sobre la valoración económica ambiental La valoración económica ambiental puede definirse como “un conjunto de técnicas y métodos. que permiten medir las expectativas de beneficios y costos derivados de algunas acciones tales como: uso de un activo ambiental.1ª Edição. independientemente de que estos tengan o no mercado (Castiblanco. el diseño de políticas ambientales para regular el acceso y el uso de los mismos y por constituir un elemento esencial para la actividad económica en la actualidad. por la toma de decisiones sobre los usos alternativos de los recursos naturales. protected areas.46). p.Revista Tecnologia e Sociedade . 2003. Keywords: economic valuation. la valoración económica de estos recursos resulta necesaria. environmental goods and services. 2012. El desarrollo de propuestas de valoración económica del medio natural no resuelve de forma definitiva los procesos de degradación y sobreexplotación de la naturaleza. not based on an only objective. generación de un daño ambiental. the using of a multicriteria modeling as a tool for the economic valuation of Environmental Goods and Services. El objetivo del presente trabajo. so that the optimization of decisions is favored. environmental economy. 1994. es una herramienta útil y complementaria en la formulación de políticas a favor de la sostenibilidad (Casas y Machín. Lo anterior. p. sin embargo. que propone la economía ambiental. se dirige a ilustrar la contribución de la valoración económica de bienes y servicios ambientales en áreas protegidas de la República de Cuba.13). In the case of protected areas. realización de una mejora ambiental. 2003). . Introducción La valoración económica. se justifica. pues contribuye a descubrir el valor económico de las externalidades y de los bienes públicos y a diseñar políticas que prioricen la protección y conservación de los recursos naturales.

2009). En correspondencia con ello. Los bienes ambientales. una degradación de los mismos provocaría un efecto directo o un cambio de bienestar. sustentado en la necesidad de encontrar alternativas que permitan estimar su valor. la valoración económica constituye una alternativa en la aproximación hacia el desarrollo sostenible La valoración integral de los recursos naturales se convierte así en una útil herramienta para enfrentar la dramática situación ambiental contemporánea.10). ofrecen una medida de bienestar al ser humano. 2004. Es evidente que el propio crecimiento económico conduce a la degradación paulatina de los bienes y servicios ambientales (Tietenberg. que responden a un deseo o una demanda de ciertos grupos de personas. que bien pueden ser criterios de valoración directa o indirecta. 2004). confirman que los BSA se encuentran involucrados en la actividad económica y al mismo tiempo contribuyen a ella. Necesidad de la “valoración económica” de bienes y servicios ambientales Al analizar los argumentos sobre la valoración económica. la valoración económica de las funciones del medio ambiente se encuentra estrechamente relacionada con el uso racional de sus recursos. El simple hecho de que no exista un mercado donde dichos recursos puedan ser intercambiados. Es por ello que. de modo que se transforman en el proceso. es necesario referirse a algunas peculiaridades de este proceso en el caso de los bienes y servicios ambientales. por lo cual. y en tal sentido lograr acciones más racionales en relación al uso y conservación de los recursos naturales. es por ello que se insiste en incorporar una valoración monetaria. los cuales son utilizados de manera directa por el ser humano como insumos en la producción o en el consumo. Los anteriores argumentos. se significan los planteamientos expresados en la Conferencia de las Naciones Unidas sobre Comercio y Desarrollo. cuando . 2012. “aquellos recursos tangibles que brinda la naturaleza. implica un gran reto para la ciencia económica. en cambio. Los espacios naturales. generando utilidad al mismo y no se transforman en el proceso”. Se definen los Bienes y Servicios Ambientales (BSA) como “aquellos productos o servicios de la naturaleza. son.Revista Tecnologia e Sociedade .1ª Edição. sin afectar el mejoramiento sostenible de las condiciones del medio ambiente” (Martínez. que tribute a reflejar una medida de su valor. según Barsev (2002). De manera oportuna. p. los servicios ambientales se asocian a las funciones ecosistémicas que utiliza el ser humano indirectamente. ISSN (versão online): 1984-3526 9 Tomando en consideración la contribución que ella ofrece al proceso de toma de decisiones económicas. o medir los cambios en la calidad ambiental en los flujos naturales de estos recursos (impactos positivos o negativos producto de las actividades económicas humanas) (Barsev. la forma de medir el valor económico de los BSA puede ser por medio de los beneficios directos o indirectos de los diferentes usos. comunidades o empresas que originan las diversas posibilidades de uso directo o indirecto.

se considera necesario hacer una reflexión acerca del concepto de valor económico. el comercio internacional. se identifican dos grupos de valor: los valores de uso y los valores de no uso. Como valores de uso. La valoración económica así enfocada. el fomento de la capacidad y la asistencia para el desarrollo (Garrido. estos incluyen beneficios directos e indirectos. se definen. en particular. UNCTAD. sino que se valoran las preferencias de las personas ante cambios en las condiciones del ambiente y sus preferencias con respecto a cambios en los niveles de riesgo que enfrentan”.1ª Edição.26) afirman que “examinar el VET de los ecosistemas. lo que se propone es que los economistas aprecien el valor de los ecosistemas mucho más allá de sus aportaciones en función de materias primas y productos físicos. En este sentido. flujo de servicios ambientales y los atributos del ecosistema como un todo”. la idea de la valoración económica reviste una gran importancia para el manejo de los ecosistemas. Según lo expresado. p. La definición de valor económico El valor económico de bienes y servicios ambientales. el fortalecimiento de los sectores de BSA reviste gran importancia en los países en desarrollo. En relación a ello. . 2012. implica considerar su gama total de características como sistemas integrados: existencias de recursos o bienes. Emerton y Bos (2004. p.Revista Tecnologia e Sociedade . Al respecto el Valor Económico Total (VET) de un espacio natural comprende tanto los beneficios comerciales como los ambientales aportados. como muchos detractores de las metodologías de valoración asumen. 2003. apoyándose en la definición que ofrece Cerda (2003. al expresar que “es importante destacar que no se está valorando el “ambiente” ni “la vida”. y la economía ambiental se encarga de ofrecer sus aportes sobre la teoría del valor económico.17). Por su parte. en esencia. sino un nuevo reto para enfrentar la irracional actuación humana convencional. la valoración económica de los bienes y servicios ambientales supone un análisis hacia la concepción relacionada con el uso directo de los bienes y por otro lado hacia el uso indirecto de sus servicios ambientales. 2003). resulta un tema polémico y para muchos inapropiado. no constituye una propuesta mercantilista. En torno a este debate. ISSN (versão online): 1984-3526 10 reconocían que los Bienes y Servicios Ambientales (BSA) cumplen un papel fundamental en el desarrollo sostenible y por consiguiente. refuerzan la necesidad de la creación de espacios protegidos que permitan controlar el uso de los recursos naturales y sus funciones ecosistémicas. mediante el establecimiento de marcos reglamentarios apropiados. las inversiones. como premisa fundamental hacia un correcto desempeño de la definición económica de valor. Dichas consideraciones conducen hacia la teoría del Valor Económico Total y a resaltar la cardinal idea de que no son solo los recursos de utilidad actual para la especie humana aquellos a los cuales debe atribuírseles un valor. En tal sentido. Las preocupaciones acerca de la protección y conservación de los BSA. pues existe una fuerte crítica de carácter ético referente a la propuesta de expresar en términos cuantitativos los valores de estos bienes y servicios.

ISSN (versão online): 1984-3526 11 “aquellos derivados del actual uso de un bien o servicio.2). 2008). p.Revista Tecnologia e Sociedade . el valor de legado y el valor altruista” (OECD. pues responde a fenómeno complejo sobre el cual se precisa encontrar un acercamiento hacia su verdadero valor. 2007). En relación a los valores de uso. . 2012. Con respecto a los valores de no uso.82). En resumen. por cuanto permite medir y evaluar los cambios ocasionados en el bienestar social de un usuario ante una variación ocasionada en un bien o servicio ambiental así como definir una actuación pertinente ante una situación ambiental dada. está asociado a que el bien en cuestión puede estar disponible para otros en las próximas generaciones. p. 2007. p. La modelación multicriterio como herramienta para la valoración económica de BSA La concepción del VET de un área natural protegida demuestra que la valoración económica ambiental de sus recursos naturales representa mucho más que su simple aportación por concepto de aprovechamiento directo. de manera que se deriva de la propia existencia del activo ambiental”. 2006. Es evidente que dicha reflexión conduce a intentar buscar herramientas que permitan la integración de juicios y enfoques en torno a las dimensiones clave de los procesos.4). posible o planeado. constituye un aporte importante en la conceptualización del valor económico en el espacio natural. considerando la existencia de tres tipos de valor.1ª Edição. se señala que “el valor de no uso se refiere a la disposición o deseo por mantener algún bien en existencia aunque no exista un uso verdadero. El valor de existencia se entiende como “el valor de conocer que todavía existe un componente del medio ambiente. se destaca la conciencia del usuario sobre la posibilidad de que la futura generación pueda hacer uso del bien (Leal. debiendo suponer por tanto no sólo los niveles tecnológicos futuros.los cuales pueden ser directos (para el caso de un bosque la caza o la madera) o indirectos (p.5). suponiendo la conciencia del individuo. En este sentido. se entiende aquel “que tiene determinado bien ambiental o recurso natural (valores de uso y no uso) para las siguientes generaciones. a pesar de no ser la única consideración legítima. la sociedad y la economía. El valor altruista. 2004. si se tiene el cuenta el valor propio o intrínseco de muchos bienes ambientales. El valor de opción se define como “el valor otorgado por la sociedad a determinados elementos ambientales en un contexto de incertidumbre acerca de la posibilidad de usarlos en el futuro” (Gutiérrez y Martínez. sino también escalas de valores y principios morales de los que continuarán” (Uclés.e para la pesca son fundamentales las algas)” (Martínez. la valoración económica de las preferencias humanas. el valor de existencia. 2002. p. Por valor de legado. . armonicen en visión transversal todos estos componentes. y es por ello que las técnicas multicriterio favorecen la posibilidad de conjugar indicadores que desde la visión de la naturaleza. la propuesta se centra en la inclusión del valor de opción como un valor de uso futuro (Hoyos.

entre otros. Gómez et al. con la finalidad de conservar y preservar el patrimonio natural y cultural. Al respecto. resulta de mucha utilidad el empleo de herramientas asociadas al proceso de toma de decisiones. En el caso de las áreas protegidas. soportado precisamente en su capacidad para afrontar problemas marcados por diferentes evaluaciones en conflicto. sino que por el contrario pretenden buscar un equilibrio o compromiso entre un conjunto de objetivos usualmente en conflicto (criterios económicos. 2008).1ª Edição. asociado a esta modelación. la Programación por Metas Ponderadas (WGP) y otros convencionales como el método de actualización de la renta.Revista Tecnologia e Sociedade . naturales y sociales. estético. pued eser posible mediante la combinación de métodos multicriterio como: Análisis de Proceso Jerárquico (AHP). naturales y sociales. lo cual constituye un paso importante hacia el entendimiento de los procesos de uso por parte de las comunidades locales. ya que el bienestar es una variable multidimensional (Corral y Quintero. histórico. económico y social. León et al. (2005). Como premisa. ecosistemas naturales como cuencas hidrográficas y valores de interés científico. Un importante elemento. Caballero et al. Una conjugación de criterios económicos. ISSN (versão online): 1984-3526 12 Tal concepción responde necesariamente a una modelación eficiente y simultánea de dichos componentes que permita encontrar un equilibrio entre los criterios económicos. o bien pretenden satisfacer en la medida de lo posible una serie de metas asociadas a dichos objetivos (Romero. 2000:4). lo constituye la búsqueda de soluciones a problemas complejos que pueden no ser resueltos por otros enfoques más convencionales. para lo cual las técnicas multicriterio resultan de mayor utilidad que otras técnicas posibles. . este movimiento sustenta que los agentes económicos no optimizan sus decisiones en base a un solo objetivo. 2007). permitiendo incluso la realización de análisis de sensibilidad ante variaciones de los datos de entrada (Rodríguez. La modelación multicriterio desempeña un papel importante en la planificación ambiental. 1993). sino también los de índole social y natural (Cortés y Borroto. por cuanto estas áreas cumplimentan funciones ecosistémicas muy diversas: la protección de la flora y la fauna silvestre. Actualmente tal modelación está llamada a resolver problemas ambientales al incluir objetivos múltiples en los que se consideren no solo los objetivos convencionales. los procesos culturales e históricos de su conservación y las potencialidades económicas de su uso sostenible (Corral y Quintero. destacándose los trabajos de Díaz-Balteiro y Romero (2004. recursos genéticos. 2012. naturales y sociales). 2007). se reconocen notables méritos en sus aplicaciones al tratamiento de problemas ambientales. Tales funciones precisan el examen conjunto y simultáneo de multiplicidad de factores. además permite generar y analizar diferentes cursos de acción en base a múltiples criterios de evaluación. apoyándose para ello en la combinación de múltiples factores. 2008). los autores comparten la idea de que la valoración multicriterio se convierte en una importante herramienta de análisis simultáneo de múltiples alternativas. (2009). (2008). En este sentido. Rehman y Romero (2006).

La clasificación de las áreas protegidas en Cuba responde a un sistema propio.) H) Área Protegida de Recursos Manejados (Categoría VI. Unidad de Medio Ambiente Pinar del Río.Revista Tecnologia e Sociedade . provincia de Guantánamo. A) Reserva Natural (Categoría I. así como la protección de los valores histórico .culturales asociados” (Chimborazo. se distinguen en el archipiélago cubano. provincia de Sancti Spíritus.10). seis Reservas de la Biosfera reconocidas por la UNESCO: Península de Guanahacabibes (1987). el cual consta de ocho categorías. el SNAP cubre cerca del 22% del territorio nacional en todas las variantes y categorías y casi el 10% (18. Baconao (1987). Como áreas protegidas con reconocimiento internacional no solo se encuentran las Reservas de la Biosfera. rectorado por el Centro Nacional de Áreas Protegidas (CNAP) del Ministerio de Ciencia Tecnología y Medio Ambiente (CITMA) cuyos objetivos fundamentales se centran en: “Asegurar la conservación de los valores naturales más representativos del país con énfasis en la biodiversidad garantizando la estabilidad ecológica y el uso sostenible de los mismos. De acuerdo con datos ofrecidos por CNAP (2004. las áreas protegidas forman parte del Sistema Nacional de Áreas Protegidas (SNAP).1). 2007. ISSN (versão online): 1984-3526 13 Los espacios protegidos en Cuba En Cuba. Ciénaga de Zapata (2000). Usos sostenible de ecosistemas naturales) En tal sentido. Conservación del ecosistema y turismo) C) Reserva Ecológica (Categoría II.8% en el mar) en aquellas más estrictas o significativas. p. Cuchillas del Toa (1987).1ª Edição. Conservación y recreación del paisaje terrestre o marino. provincia de Pinar del Río. Dichos espacios naturales están dedicados especialmente a la protección y manejo de los recursos naturales. 2009). 2012. Sierra del Rosario (1985). en correspondencia con las definidas por la UICN (Chimborazo. pues se reconocen otras con la . Buenavista (2000). Conservación a través de un uso activo) G) Paisaje Natural Protegido (Categoría V. provincia de Matanzas. provincia de Pinar del Río. Protección estricta) B) Parque Nacional (Categoría II. 2007. provincia de Santiago de Cuba. los cuales representan las áreas de mayor importancia o relevancia natural y ecológica. Conservación por un uso activo) F) Refugio de Fauna (Categoría IV. Conservación de rasgos naturales) E) Reserva Florística Manejada (Categoría IV. Conservación del ecosistema y turismo) D) Elemento Natural Destacado (Categoría III. p.

En: Universidad Nacional de Colombia. Por su parte. Valoración Económica de los Principales Bienes y Servicios Ambientales (BSA) de la “Reserva Natural Cordillera Dipilto – Jalapa”. económicos y sociales. como herramienta para el proceso de toma de decisiones en espacios naturales protegidos. la modelación matemática multicriterio. T. (2004). tributa a la conservación de tales espacios y a la preservación de sus funciones ambientales presentes y futuras. Procedimiento para la planificación y gestión integral del desarrollo turístico sostenible a escala local en Cuba. Revista de Ensayos de Economía.co/. Referencias bibliográficas Azqueta. .Revista Tecnologia e Sociedade . M. [En red]. Sawing Planning using a multicriteria approach. 319-339. Barsev. M. M. Ed. O. Fosado. POSAF. Valoración Económica de la Calidad Ambiental (1ra. La implementación de los procesos de valoración económica en áreas naturales protegidas. C. Mayo de 2003.. J.siem-sa. Universidad de Camagüey. Cuba. (2002). Graw Hill Interamericana.pdf. Barsev.. Consulta: 25 Agosto de 2009.. Facultad de Ciencias Humanas. Valoración Económica de Recursos Naturales. (2006). favorece la integración simultánea de los criterios naturales. M. 5 (2). Separata Especial. Nicaragua. (2003). R. D. 2012. Alcances y Limitaciones de la Valoración Económica de los Bienes y Servicios Ambientales. [En red]. R. ambos con la categoría de Patrimonio Mundial Natural y el Parque Nacional Viñales declarado por la UNESCO como Paisaje Cultural de la Humanidad. Journal of Industrial and Management Optimization.. Honduras.. Madrid: Mc.1ª Edição.edu. Consulta: 20 Septiembre de 2009.. Departamento de Economía. Disponible en: Castiblanco. Disponible en: http://www. Leon. Casas..). Garofalo. (1994). HCG Environment..pdf. 13. [Revista electrónica].com. (2009). Consideraciones finales La valoración económica ambiental de los recursos naturales representa un aporte en la incorporación de las cuestiones ambientales al marco analítico de la ciencia económica contemporánea. Disponible en: http://www. CEMTUR.rlc. Caballero. B.org/foro/psa/pdf/valoreco. SASA. Gomez.uninorte. MARENA. [En red]. y Machín..fao. Revista Futuros. Saavedra. ISSN (versão online): 1984-3526 14 categoría de Parque Nacional como el Parque Nacional Desembarco del Granma y el Alejandro de Humboldt. Molina. M. R. Valoración Económica Integral de los Bienes y Servicios Ambientales de la Reserva del Hombre y la Biosfera de Río Plátano. Disponible en: http://www. 13. (4). Tegucigalpa.

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reflexos da exploração de recursos minerais. 2012. Diretor Acadêmico Pedagógico da Faculdade Presidente Antônio Carlos de Teófilo Otoni/MG. vale do Mucuri. a influência dos recursos naturais frente à colonização do Vale do Mucuri. bem como o desenvolvimento das atividades agropastoril. A existência das cidades e o seu contexto fazem parte deste estudo que utiliza do recurso da revisão de literatura como metodologia. refletindo numa relação entre o próprio indivíduo com seu ambiente. tendo como base uma análise sistemática e teórica deste processo. the influence of natural resources the colonization of the Vale do Mucuri. de maneira clara e objetiva. fluvial e sua influência. agropecuários. Bacharel em Ciência Contábeis – DOCTUM. Especialista em Docência do Ensino Superior – UNIPAC(2006). Professor Substituto do Curso de Direito. Especialista em Educação e Gestão Ambiental – FAZU(2002). colonização. ISSN (versão online): 1984-3526 17 A Influência dos Recursos Naturais Frente à Colonização do Vale do Macuri The influence of natural resources the colonization of the Vale do Mucuri Marcio Schuber Ferreira Figueiredo Cristiane Xavier Figueiredo 2 Resumo O presente artigo foi desenvolvido no intuito de demonstrar. Palavras Chave: recursos naturais. no que tange ao aumento da população. A pesquisa foi realizada a partir do estudo acerca da exploração das riquezas minerais aí presentes e os seus desdobramentos.Revista Tecnologia e Sociedade .Brasil. claramente. Bacharel Direito – FENORD(1999). contribuindo para o entendimento acerca da relação direta dos indivíduos e o seu meio ambiente. Professora substituta do Curso de Direito da Faculdade Presidente Antônio Carlos de Teófilo Otoni/MG. Bacharel em Direito – FENORD. Os resultados obtidos demonstram a importância dos recursos naturais e sua influência no processo de colonização. percebe-se. Cristiane Xavier Figueiredo: Especialista em Docência do Ensino Superior – DOCTUM. Abstract This article was developed in order to demonstrate clearly and objectively. localizado na região Leste do Estado Minas Gerais . Com o povoamento das cidades. a devastação ambiental e a conseqüente escassez de riquezas. Brazil based on a systematic and 2 Marcio Schuber Ferreira Figueiredo: Mestrando em GIT – Gestão Integrada do Território. mercantil. região e território aplicados a esta realidade. located in Eastern Minas Gerais State. .1ª Edição. dos mercados e dos recursos hídricos evidenciando uma devastação ambiental. com ênfase nos conceitos de local.

as well as the development of agricultural activities. Colonization. reflecting a relationship between the individual himself with your environment. RESUMEN: El actual artículo fue desarrollado en la intención de demostrar. vale do Macuri. así como el desarrollo del agropastoril de las actividades. ISSN (versão online): 1984-3526 18 theoretical analysis of this process. region and territory applied to this reality. Key Words: natural resources. mercantil. fluvial y de su influencia. Palabras clave: recursos naturales. del devastação ambiente y de la escasez consiguiente de la abundancia. contributing to the understanding of the direct relationship of individuals and their environment. markets and water resources demonstrating environmental devastation. 1. localizado adentro región al este de Minas Gerais . one realizes clearly reflections of exploitation of mineral resources. e daí a Minas Novas. región e el territorio se aplicó a esta realidad. el contribuir para el acuerdo respecto a la relación directa de los individuos y de su ambiente. environmental devastation and the consequent shortage of riches. La investigación fue llevada a través del estudio referente a la exploración de los regalos mineral de la abundancia allí y de sus unfoldings. en a lo que se refiere al aumento de la población. A região onde havia maior concentração populacional era a que ia do Peçanha a Itamarandiba. que na linguagem indígena quer dizer que. with emphasis on the concepts of local. Vale do Mucuri. la influencia él los recursos naturales lo afronta a colocar valle él Mucuri. The results obtained show the importance of natural resources and their influence in the process of colonization.Revista Tecnologia e Sociedade . mercantil. teniendo como base análisis sistemático y teórico de este proceso. River and its influence. iniciou-se o processo de colonização regional.1ª Edição. . tendo por conseqüência. no jequi (armadilha) tin honha (tem peixe). o aumento significativo da população. The survey was conducted from the study on the exploitation of mineral wealth there and their unfoldings. O Povoamento da Região A partir da descoberta do ouro e dos diamantes na região do Alto Jequitinhonha. en claro y la manera objetiva. With the settlement of cities. The existence of cities and its context are part of this study that uses the resource as literature review methodology. La existencia de las ciudades y de su contexto son parte de este estudio que las aplicaciones del recurso de la revisión de la literatura como metodología. 2012. con énfasis adentro conceptos del lugar. colocando. agricultural farms. in regard to the increase of population.Brasil. Tratava-se de uma região procurada por aventureiros que viviam em busca de fortuna e escravos.

à cata de ouro e de esmeraldas. Cabe ao município de Theóphilo Ottoni a glória de ter sido um dos primeiros pontos do território brasileiro visitado pelos expedicionários portuguezes. o monopólio da estrada para o Rio de Janeiro. aquela que prometia.. pouco explorados até a segunda metade do século dezoito. povoando e explorando regiões muito férteis como as de Itaobim. “ outro veio . assim como o rio Doce. pelo contrário.1ª Edição. objetos de lendárias conjecturas. segundo a lenda.nas grotas. p. principalmente aquelas que têm bosques. 2012. assim. de Itamarandiba a Virgem da Lapa logo começaram a invadir a mata. o rio Todos os Santos. p. fértil. (ESPINDOLA. p. terra nova. Ocuparam esta região os moradores das tribos Botocudos e Puris. Berilo e finalmente São Domingos. “ . farta. chamados capões. 1994. em 1550. e a lavoura minguava pela baixa fertilidade do solo. pois sua trilha original nasceu na cidade de Araçuaí. As investidas ao sertão continuaram do lado espíritosantense”. 2005.. aberta pelas bandeiras e.. que mandasse alguns homens pelo sertão dentro a descobrir minas e saber se havia aí ouro. 30). como conseqüência. objeto de lendárias conjecturas como os da serra das esmeraldas. assim como o contrabando e o tráfico de escravos. O povoamento da região do rio Mucuri. 3). por vezes. quanto mais próximas das águas. “As proibições não foram mais fortes do que o fascínio pelas pedras verdes. Fato é que por não ser inteiramente navegável. Este movimento de deslocamento para estes vales durou mais de um século e se deu inicialmente pela barra do rio Araçuaí e Jequitinhonha abaixo. Jequitinhonha. afastando invasores que pudessem ameaçar o metal cobiçado. melhor controlada. recommendou a Thomé de Souza. despertaram a cobiça do rei que. fazendo brotar desejo e especulações que já eram vistos em diversas áreas de colonização. mais férteis são as terras. assim. 29). Entretanto.. foram tratados como áreas proibidas pela coroa. fruto da prática da roça de toco e das várias safras nos mesmos capões de mata. As notícias transmitidas por Felippe de Guilhem a D.Revista Tecnologia e Sociedade . Almenara e Salto da Divisa. que era como se chamava a atual cidade de Virgem da Lapa. ou seja. vindo de Minas Novas e passando por Americaninha. sob o pretexto de que esta permanecesse com o controle das riquezas evitando. dava lugar a catas mais profundas e perigosas. Impunha-se. participando-lhe que os bugres falavam da existência de uma serra resplandecente junto a um grande rio. João III. ” (RIBEIRO. ISSN (versão online): 1984-3526 19 Chapada. alcançar a serra das esmeraldas. Aqueles moradores do Alto rio Jequitinhonha. o contrabando e invasões estrangeiras. então governador geral do Brazil. pois o ouro e diamantes mais fáceis ou de superfície. etc. sem dono. a redução desta já era visível. onde as lavouras produziam muito com pouco esforço. não ocorrendo do litoral para o interior. 1929. se deu de forma inversa. Quando a produção dos garimpos e da lavoura começou a dar sinais de enfraquecimento. (PORTO. Os rios Jequitinhonha e Mucuri. mas especificamente do seu mais importante afluente. o rio Mucuri não promovia o acesso via litoral.

Antônio José Coelho. numa serra situada na confluência das bacias dos rios Doce. mas poucos fixavam moradia. a produtividade já dava sinais de estagnação. 2005. no vale do rio Mucuri. os atos proibitivos perderam força e. teria sido o primeiro morador fixo em Teófilo Otoni. 35). criava-se todo o processo de insatisfação do agrário. O rio Cricaré. p. partindo da idéia de como a economia forçava a integração. A ordem cronológica desta arrancada. mais tarde. aos primeiros sinais de esgotamento das minas. foram exploradas pelo Mestre de Campo João da Silva Guimarães.assinalando claramente o interesse pelas esmeraldas. estradas e descobertas de jazidas. em direção ao vale do rio Mucuri. segundo RIBEIRO (1994. o sistema agrário se deu através das fazendas. levando consigo seus familiares. XVIII e início do sec. extração de madeira e sistema de subsistência (1994. iniciando-se então a colonização das demais regiões. e a dispersão populacional buscando outras atividades.Revista Tecnologia e Sociedade . 7). sendo o centro econômico e. escravos e índios. Digne-se que nas regiões espírito-santense e de Manhuaçu. p. equivalente a 15% da área segundo RIBEIRO (1994). A exploração mineral se deu com maior intensidade na cidade de Ouro Preto. hoje S. Matheus. era de subsistência nas grotas. e após os 100 (cem) anos de exploração. tendo uma intimidade. direcionava-se as explorações para o rio Doce e Mucuri. permanecendo elas nos locais das minas. se deu na ordem seguinte.. 2005. no do chapadão do alagadiço para o Mucuri. depois para o baixo Jequitinhonha e o terceiro para o Mucuri. p.. destacou três regiões: Alto Jequitinhonha. Daí aparece três fluxos de povoamento: o primeiro do Cerro para o Rio Doce. refere-se às minas da Serra das Esmeraldas (ESPINDOLA. 31). Mucuri e São Mateus (Cricaré)” (ESPINDOLA. primeiro para o rio Doce. XIX. ISSN (versão online): 1984-3526 20 colonizador pelas cabeçeiras dos Rios Fanado. 2012. 1994). o governo colonial tornou a se interessar pelo território coberto pela Mata Atlântica ” (ESPINDOLA.1ª Edição. por último. sendo este mais insalubre e perigoso. durante 100 anos avançou em direção a Diamantina. ficariam muito prejudicadas e impedidas. as quais. cuidando da extração de ouro e pedras preciosas (PORTO. Setúbal e pelo Alto dos Bois” (RIBEIRO. p. Mais do que isso. de Araçuaí para o baixo Jequitinhonha. 1929. 21). buscando-se outras possibilidades. no início do povoamento do Alto Jequitinhonha. 37). de acordo com o historiador Godofredo Ferreira para montar a Fazenda Mestre de Campo. p. o segundo de Minas Novas. médio Jequitinhonha e o Mucuri. mesmo antes de serem abolidos. Entretanto. em 1850. . e. 2005. tem suas nascentes no município de Theóphilo Ottoni. Muitos foram os colonos a se aventurar na abertura de novas terras. p. O sistema agrário. quando relacionadas com a direção do avanço da colonização. depois ao Alto Jequitinhonha pela exploração do ouro e diamante. Diferentemente do latifúndio da cana-deaçúcar e café. não existia abundância. permanecendo o Mucuri ainda não explorado até fins do sec. O povoamento. “. A população foi se refluindo. “Entretanto. rumo ao povoamento destes vales. e. 18). e. todos intencionados na descoberta ou “por caminhos onde mais tarde se encontraram as pedras verdes.

obteria grande sucesso. Acreditava também que com o monopólio da Companhia Vale do Mucuri. subiu ao cume de uma grande pedra (Pedra d’Agua) e observou que as margens do dito rio eram ocupadas por capoeiras. era um processo sofisticado. como se sabe. . Partia da Vila de São José de Porto Alegre (Barra do Rio Mucuri/BA) indo a Nanuque.acabamos de transcrever de trechos do relatório de João da Silva Santos. terror dos brancos e dos outros índios. mas que teve o mesmo relacionamento com a mata (do interior para o litoral) de quem povoou o Mucuri.. ISSN (versão online): 1984-3526 21 Teixeira Guedes. ficando impedidos de prosseguir. estão bem para cima. ficou com a denominação de Mestre de Campo. 2012.. 12 e 13). os Botocudos “. depois de ter denominado de pedra d’Agua a um dos ribeirões encontrados e de fazer explorações nos terrenos marginaes ao Rio Mucury. de acordo com as informações colhidas de pessoas de sua expedição. ponto inicial de sua excursão. a seis léguas de distância que encontrou. vemos que ele subiu o Mucury até as cachoeiras e foi deste ponto. Mais tarde. também as lavouras. 27). p. em razão da febre amarela. deixando Minas Novas. pelo fim da preação. onde hoje está estabelecida a Colônia Francisco Sá. Porém. caminhando para o esgotamento em uma terra super partilhada dentro da mesma família. estas no Alto do Jequitinhonha. Os objetivos dos colonos dentro das matas. 13 e 14) tinha outra frente de colonização do litoral rio acima até a cachoeira de Santa Clara. os quais.Revista Tecnologia e Sociedade . inicialmente. pois acreditava-se que existia uma riqueza absoluta e inexplorada. Por informações do índio que lhe servia de guia. eram três. baseado no comércio. p. isso estimulava a aventura. 1929.. O interesse de Theóphilo Benedicto Ottoni. da inospitalidade das matas muito fechadas e da violência das guerras que travavam com os índios. por último. a principiar pelos rios Pampam. aquelles sítios foram “os de sua antiga residência e de mais outras nações – Maconim – Capoxes – expulsos pela fereza do gentio Botocudo. D’ahi não passou João da Silva Santos porque não faz menção dos principais afluentes do rio Mucury. 2005. Estes nunca existiram além da imagem construída no final do século 18 e princípio do 19” (ESPINDOLA.1ª Edição. onde se buscava o índio para civilizá-lo e o colocava para trabalhar. costume que existia até o final do século XIX. (PORTO. etc. marcada pela grande prosperidade e na necessidade de apertar a população para a busca de novas terras e. a aldeia do bárbaro gentio. cujo destino era explorar amethistas nas circunvizinhanças do córrego do Ouro. . Todos os Santos. que não era um processo diverso como dos outros colonizadores. sendo que já ali habitou um João da Silva com escravos em outros tempos”.índios antropófagos. veio ter ao Valle do Mucury. Ainda segundo PORTO (1929. (PORTO. p. p. havia um projeto colonizador de Ottoni. 1929. sendo: as lavras. onde.. acreditava alcançar uma potencialidade de 100 mil consumidores a partir da cidade de Minas Novas. uma grande fazenda aberta no valle do Mucury. 16).

liquidando moradores às centenas. que era como se chamavam Pedra Azul e Itaobim. pois Minas era um adensamento de várias regiões autônomas que sobreviveram e desenvolveram-se independentemente. pois vários fatores não contribuíram para sua efetivação. na verdade não foi o período assim transicionado. chegavam às cabeceiras do Mucuri e posse. construída meio na marra e chamada de mineiridade. ilhas progressistas “na transição da economia de base da mineração para a agropecuária. “A comunicação com a Bahia era feita pelo rio das Velhas e o São Francisco. passavam pelo Araçuaí. 30). Não deu certo. do alto Norte: Espinosa. Em 1728. Como a terra lá era mais fraca. da Mata. deixavam para trás o vale do Jequitinhonha. 2005. pela Itira. mandou em diligência Braz Esteves Leme. em quantidade crescente. . p. configurou-se a diferenciação regional que caracterizou Minas Gerais no século 19” (ESPINDOLA. ou por sua ordem descobrirem nos distritos e cabeceiras do rio São Mateus”. p. Alí escolhiam caminhos: das gerais. visava converter-se numa unidade econômica e política. haveria a sustentabilidade da Empresa. que grassou por uns três anos em todo alto Mucuri. pois o desinteresse do governo geral pelo projeto. concedendo-lhe o título de “superintendente de todas as minas que ele descobrir. levaram então as famílias para o vale do Mucuri (Filadelfia). (RIBEIRO. Ainda sustentava-se a idéia de que com o escoamento da produção e que somente com o comércio do sal. Salinas. Taiobeiras. assim. tanto por caminho terrestre como pela navegação. 2012. pela Fortaleza ou São Roque. p. após a saída de Ottoni. nem todos eram baianos.Revista Tecnologia e Sociedade . Os mineiros sempre tentaram tratar Minas como uma unidade forte e sempre com altos interesses de negócios para o restante do país. Vinham em grandes grupos. O período de estagnação. muitos seguiam em frente. que o rio Mucuri era completamente navegável e que o mesmo daria suporte para a exportação da farta produção local e importação. fugindo da famosa “Seca do noventinha”. poderiam abrir posses nos capões do alto Jequitinhonha. de 1890. fosse possível evitar uma viagem comprida do Rio de Janeiro/RJ até Minas Novas/MG. A primeira grande leva deles desceu do rio Pardo. boa parte era mineiro mesmo. depois de receber notícia que ao norte do rio Doce descobriram-se algumas esmeraldas de muita dureza e de cor muito clara. 19). e faziam sua primeira parada no Comercinho do Bruno. o comércio não atingiu patamares especulados e o rio Mucuri não era totalmente navegável.1ª Edição. ao invés de proibir. A bem da verdade. ou cortando os vales dos rios Jequitinhonha e Pardo pela borda oeste da floresta” (ESPINDOLA. 2005. o Vice-Rei Vasco Fernandes. Já no final do século dezenove começaram a chegar à mata os baianos. 49). Os vales dos rios Doce. acreditavase que. as duas secas no agreste baiano (1890 e 1930) e a baixa produtividade nas grotas do Jequitinhonha. 29). Pouco depois de chegados ali encontraram algo muito pior que a seca: a varíola. (ESPINDOLA. ISSN (versão online): 1984-3526 22 Confiante no relatório fantasioso do engenheiro Pedro Victor Renaut. 1994. Tomando o caminho da Itira. p. 2005. assim chamado. Mucuri e Jequitinhonha.

João VI. p. pois numa baixada que fica entre o rio Santo Antônio e o rio Todos os Santos. pretendendo ligar o norte de Minas ao litoral. 19). por Ottoni. sendo Botocudos. é a primeira grande obra na Região do Vale do Mucuri. foi a primeira rodovia do Brasil Império que. O mesmo se deu com as reservas ambientais. o Mucuri era diversificado e autônomo. No ano de 1881. ISSN (versão online): 1984-3526 23 A colonização do vale do rio Todos os Santos. Até 1950. o engenheiro Pedro Victor Renauld. pp. segundo CERQUEIRA NETO (2001.. Malali. Então. Em seguida.1ª Edição. 30 e 31). 30 e 31) relata o empenho do Governo da Província de Minas. As condições de renda e poder econômico que haviam comportado com altíssima produtividade agrícola e pecuária no primeiro ciclo. que veio de uma formação extrativista permanece. sucumbiu-se ao eixo nervoso administrativo e político-econômico. sendo a criança que fez Teófilo Otoni. 17). a estrada de rodagem de Santa Clara a Teófilo Otoni. habitada por indígenas selvagens de tribos diferentes. com autonomia local pequena. em 1847. 1994. . em traçar uma via em apoio à comunicação entre a região decadente de Minas Novas e o porto. sendo esta viagem de grande importância para o estabelecimento da Companhia do Comércio e Navegação do Rio Mucuri. Miguel de Teive e Argollo. 2012. com 578 km de extensão. com governo Kubistchek. Construída por Ottoni. (RIBEIRO. E. José do Porto Alegre. pp. 29. em 22 de janeiro do ano de 1836. Em 1811 o coronel Bento Lourenço Vaz de Abreu e Lima fez exploração de uma estrada pelo Valle do Mucury até S. entre si e do Mucuri. a apartação não resiste a um exame da história de duas ou três gerações para trás. partiu de Ouro Preto. que ligava Caravelas. o Conde de Barca. Teófilo Otoni e Araçuaí – Jequitinhonha e Mucuri. outra grande e importante estrada é iniciada. a relação do homem com o vale do Mucuri. (PORTO. a partir de 1955. porém. mas logo o declínio econômico aparece. mais precisamente de Araçuaí/MG a Caravelas – Ponta de Areia/BA. e os dois ao mar e ao mundo – simbolizou essa união de origem. que depois foi esquecida. após o desmatamento e a sequência de replantio reduziram-se. foi construída a estrada de rodagem “Estrada do Boi”. Embora os dois Jequitinhonhas sejam hoje diferentes e separados. segundo PORTO (1929. Em substituição a esta importante ferrovia. indo até o litoral. com pequenos sintomas de desenvolvimento. onde há centralização da atenção econômica e política. p. o que seria a salvação da região em local denominado Philadelphia (Teófilo Otoni).Revista Tecnologia e Sociedade .a estrada de Ferro Bahia e Minas. . Maxacali que nela circulavam. em opúsculo “Viação Férrea do Norte de Minas” attrahiu a attenção do ilustre ministro do D. “Essa expedição. alvo de aglomeração do povoado.. como muito bem disse o Dr. as obras da Estrada de Ferro Bahia-Minas (EFBM) tinham o objetivo de ligar o interior de Minas a Bahia. o qual mandou abrir uma estrada que de Minas Novas se dirigisse ao Oceano. Para construírem uma estrada. foi aberta densa mata. 1929.

o Sr. (LORENTZ. Ottoni contratou um cidadão insolvente na corte. Perobas e os Jacarandás milenares. com vinte metros de largura e a profundidade regular de um metro e meio. veio arrasando também com queimadas toda esta área que se diz superior a 60 alqueires. . incluindo gigantescos Jequitibás. Tinha uma boa escravatura e com ela fez a grande derrubada nesta confluência dos rios acima citados. Na cidade de Teófilo Otoni temos as provas dos mais duros golpes dados contra a natureza. Perobas e os Jacarandás milenares. p. superando muitas dificuldades. incluindo gigantescos Jequitibás. negociante em Grão Mogol. 2012. p. Se são volumosos e se conservam o volume. praticamente um vivente irracional. O homem continua agindo e maltratando a natureza com seus atos predatórios. volumoso e agressivo. com seus barqueiros que chegavam e partiam no transporte de mercadorias. 1992. ISSN (versão online): 1984-3526 24 Ottoni contratou um cidadão insolvente na corte.). 34 e 35) Uma baixada que fica entre o Rio Santo Antônio e o Rio Todos os Santos foi alvo de aglomeração de povoado. habitada por indígenas selvagens de tribos diferentes que ali circulavam. 1992. a cantar radiantes. José Pereira da Silva. Pela ação da própria natureza tudo melhora. o senhor José Pereira da Silva. 1990. Daí sugerir que o homem agiu alucinadamente ao destruir a floresta para povoar. recolhendo todas as águas das chuvas que se infiltram e alimentam. arrasando também com queimada toda a área que se diz superior a 60 alqueires. mas não é suficiente para o bem geral do todos. Uma simples pergunta abre o caminho para um entendimento triste e acabrunhador: Onde está o rio Todos os Santos. procedendo como um elemento perturbador. os rios traduzem a grandeza de uma região. que é a criança que se fez Teófilo Otoni foi aberta desta mata densa de que já se escreveu anteriormente. a que se destinava todo o empreendimento” (LORENTZ. feita pelo Engenheiro Alemão então pode ser traçada e concluída e montados os seus barracões para a instalação da Empresa Mucuri. para poder servir de ponto de referencia e de negócio.1ª Edição.Revista Tecnologia e Sociedade . Esta ocupação da mata virgem. não diferente das demais. negociante em Grão Mogol. na superfície das águas? (LORENTZ. o povoado de Philadelphia das Minas Gerais. “A marcação da Rua Direita. inclusive para que os índios não se aproximassem pela densa mata e pudessem ver e cobiçar as bugigangas do seu comércio. Sempre abrindo e derrubando a mata margeando o rio e afora. portanto. inclusive para que os índios não se aproximassem pela densa mata e pudessem ver e cobiçar as bugigangas do seu comércio. Tinha uma boa escravatura e com ela fez a grande derrubada nesta confluência dos rios. significam que as terras de sua bacia estão com a vegetação intacta. superando muitas dificuldades. 54). Assim.

e. aglomeravam-se em Nanuque. sendo “revolução armada. no caso ambiental. social. 1992. na maioria. de colonização de área para implantação de processos econômicos e instalação de cidades. ou ainda. destruiu os rios e acabou com a pesca. mas também alcançou os países subequatoriais da mesma forma. cidade que foi fundada em 1911 por um madeireiro experiente vindo do Espírito Santo. cultural ou científica. tornase imprescindível tratar e discutir a questão relacionada à devastação ambiental e seus reflexos regionais. mas a revolução que se trata nesse caso.1ª Edição. verifica-se que quando se passa pela região. 35). Portanto. em Caixa D´ Água (Nanuque). A exemplo da região em destaque. a exemplo de como a política chama de revolução nos dicionários. apesar de apresentarem problemática diferente. A Devastação Ambiental e Seus Reflexos Regionais Neste contexto. o homem agiu alucinadamente. (LORENTZ. . como no caso de Teófilo Otoni. p. diverge de um modo completamente diferente das demais discussões sobre estruturas diversas da sociedade. florestas tropicais. política. transformação radical na estrutura econômica.Revista Tecnologia e Sociedade . o monumento do fundador da cidade. 2012. Ocorreu a ampliação de muitas outras serrarias que se instalaram posteriormente. ISSN (versão online): 1984-3526 25 2. atinge o mesmo espírito. Na volúpia de destruir. cerrados e campos. observa-se que apenas algumas manchas de mata ainda resistem. em se tratando de casos específicos dessa região. conflagração. Entretanto. tratam da conservação do patrimônio ecológico. o signo da preocupação ou da forma de desejar o bem comum na relação com os recursos. para a construção da cidade ou abertura das rodovias. sendo inaugurada em 1912 com o nome de Serraria Industrial do Mucuri.” Seria um movimento para tumultuar a estabilidade ou requerimento de direitos negados pelo Estado. ofertando as mais diversas e valiosas espécies de madeiras para o ofício. juntamente com ela a devastação das matas da região do Vale do Rio Mucuri. deformando a paisagem natural no centro da cidade e nas elevações que a circundam. a educação ambiental que chega aos países do primeiro mundo desde a década de 1970. com seu empreendimento deu o pontapé inicial para o crescimento da cidade. nas estradas. revolução seria o movimento de evolução dos métodos com os quais a proteção se manifesta na sociedade. pois nesta região havia uma mata só. sem necessidade. Em verdade. A maneira com que as pessoas interessadas no assunto. O serrador João Américo Machado. O desenvolvimento direcionou-se também para a economia. destruiu mesmo. Destruiu a floresta e com ela os animais de caça. A vegetação natural é bastante rica e variada: grandes florestas equatoriais. É bem verdade que boa parte dessa vegetação já foi devastada pela ação antrópica sob forma de desmatamento para a formação das pastagens ou plantio nas fazendas e ainda a exploração de minerais ou pedras preciosas. Sedento de destruir. a devastação das florestas foi responsável tanto para mudar o aspecto paisagístico como também a economia que girava em torno das serrarias e. o restante é um campo aberto de colonião ou brachiaria. Instalou aí sua serraria.

e. 2001). ao uso e a perenidade.a micro bacia. numerosos e nunca secam ou congelam. estão localizados em região tropical.Revista Tecnologia e Sociedade . subequatorial. segundo VESENTINI (1994). mas para as quais temos a obrigação de deixar um meio ambiente sadio. 2. A proposta imaginária é de partir da foz do rio para o interior. 247).1. segundo os fundamentos da legislação ambiental. (VESETINI. ora verso da capa do livro Zoneamento das Águas (MACIEL Jr. “Uma propriedade com pouca ou nenhuma produção de água. 2000. perceber que a paisagem rio acima é dinâmica. 2012. A pressão sobre os recursos hídricos faz com que se desperte toda uma especial atenção sobre a região montanhosa onde começam os cursos d´ água. são normalmente caudalosos.. Conservar neste caso. Foi somente a partir da degradação do meio ambiente pelo homem – e da extinção de inúmeras espécies animais e vegetais que surgiu essa preocupação conservacionista. o que poderá transferir para as gerações futuras uma situação de convivência indesejável no que se refere à disponibilidade e à qualidade das águas. A Influência dos Recursos Hídricos Os rios que fazem parte da Bacia do rio Mucuri.. em especial a micro bacia do rio Todos os Santos. “. garantir. ISSN (versão online): 1984-3526 26 Conservacionismo ou conservação dos recursos naturais é o nome que se dá a moderna preocupação em utilizar adequadamente os aspectos da natureza que o homem transforma ou consome.1ª Edição. ou seja. 2000). são rios de regime pluvial. passar por . este fato de conversão dos volumosos e cristalinos recursos hídricos em. visto a olho nu. nos presenteia com inúmeras paisagens. objeto de admiração e não podemos nem pensar o que seria do ambiente sem a presença imponente das cachoeiras onde a natureza mostra sua força. e sim utilizar racionalmente. recursos para as populações futuras. por serem geralmente montanhosas. com capacidade de atender a demanda atual e. com características de integração e sustentabilidade requer garantia da segurança da produção de água em quantidade e qualidade satisfatória. Apesar de uma grande parcela de pessoas ignorarem a atual situação dos mananciais de água e a redução de sua produção. p. seus principais afluentes. A intensidade e o volume de suas águas dependem basicamente das chuvas. praticamente extintos ou convertidos em canais de esgoto. certamente não poderá ensejar a execução de algum empreendimento” (CASTRO. as novas gerações que ainda não nasceram.. além de dar origem aos cursos d água. O desenvolvimento dessas regiões. apresentam o elemento água escoando em grande velocidade e com aspecto cristalino. e. A beleza das águas nas nascentes proporciona uma paisagem.. 1994. a formação das nascentes. p. pois. 09) Mas a interferência do homem tem quebrado o equilíbrio natural. não significa guardar. situados no Leste de Minas. um espetáculo. existe de fato.” (ALVES. A natureza deve ser consumida ou utilizada para atender às necessidades do presente. futuro.

Quando a área de drenagem de uma bacia hidrográfica. “Bacia Hidrográfica refere-se à área do terreno que coleta e infiltra a água da chuva. “As micro bacias ou bacias de cabeceiras. senão várias nascentes provenientes de um aqüífero freático que viera de uma reserva da precipitação que caiu e se alojou. pois os olhos d água e os difusos brotam vindos do interior da terra. destacada pela área mais plana e baixa.” (ALVES. nota-se que esta é a linha que limita a área de drenagem e corresponde ao topo das encostas... 2001). As micro bacias. facilitam a percepção humana como unidade paisagística. estrutura dos solos e armazenamento. depois continuar esta mesma empreitada. não sendo áridos. 22) e a bacia hidrográfica é formada por diversas bacias menores de seus afluentes que se denomina sub-bacias hidrográficas. 9). elemento purificador. de topografias irregulares. que darão origem as nascentes” (CASTRO. .Revista Tecnologia e Sociedade . ISSN (versão online): 1984-3526 27 afluentes menores. que bem menores e em regiões mais altas. Segundo CASTRO (2001). 2001. pode-se dizer que aí se formam as bacias de cabeceiras onde encontram as nascentes. que. que devido a sua escala. As nascentes são os locais onde jorra água através da superfície do solo. onde o “Senhor Deus fez brotar da terra toda s orte de árvores de aspecto agradável e de frutos bons para comer. e pode-se concluir que estas são provenientes de reservatórios subterrâneos. é maior. 2000. de menor declividade. e de onde saía um rio para regar o jardim”. formam um verdadeiro jardim natural. são pequenas áreas de terras localizadas em regiões montanhosas. após percolar por seu solo poroso e independente do seu tamanho e seu volume sendo interligados como Bacia Hidrográfica. (ALVES. p. conforme visto no parágrafo anterior como divisor topográfico. vale observar as regiões montanhosas. Ainda sobre a ótica das divisões e subdivisões por divisor topográfico. Já a área superficial desta bacia. denomina-se de “área de contribuição dinâmica. ambiente responsável pela origem da água. mas ao sair dos rios principais e encontrar ribeirões e córregos. será também mais abundante sua capacidade de coletar a precipitação. o ambiente das micro bacias deve ser considerado como verdadeiro santuário ecológico”. 2000.1ª Edição. 09). há de encontrar alguma. importante verificar topos de morros. 2012.” (CASTRO. sendo que o divisor freático fica abaixo da superfície do solo e direciona a água percolada. citado na Bíblia. e perceber algo comum entre elas. p. Em relação às sub-bacias hidrográficas. que formam as nascentes e drenam córregos e riachos. p. que abastece os reservatórios subterrâneos de água. suas encostas e os vales que por pequeno que seja. que pode geralmente localizar-se sobre o lençol freático e/ou lençol artesiano. é necessário compreender a existência de vários fatores responsáveis pela origem destas nascentes: o ciclo hidrológico. Mas. Comparado ao Jardim do Éden.

Tudo que envolve as matas de topo. as regiões de contribuição dinâmica. pois faz parte de um projeto para o futuro. Diante desta característica. que condicionam sua degradação enquanto elemento da natureza. Característica diferente do que ocorre na área rural e região de cabeceiras. o que poderia divergir dos objetivos gerais e específicos que contornam este estudo. O Rio Todos os Santos Tratar especialmente do Rio Todos os Santos. pelo aumento da população no século passado e pela implantação de indústrias. Para tanto. desprovida de outros centros de lazer. os cursos d água são objetos de estudo de nascentes. mas que na sua maioria. lúdica e de lazer e entretenimento que os rios podem proporcionar. os impactos são intensos. 2012. porém. na qualidade da água natural como condição de saúde e no resgate da função simbólica. e em especial. navegáveis e rentáveis como fonte de alimentos na atividade pesqueira. prende a pesquisa ao estudo dos recursos hídricos e prorroga para mais distante a relação das pessoas com este meio ambiente. conota uma configuração empírica à parte deste capítulo. torna-se necessário obter relatos de pessoas que vivem nessas áreas. Os processos de renaturalização e revitalização através da engenharia ambiental e outras profissões afins. ISSN (versão online): 1984-3526 28 3. por fim. As atividades antrópicas impõem para satisfação de seus projetos. uma oportunidade de poder visualizar o estado em que se encontra sua cabeceira.Revista Tecnologia e Sociedade . as matas ciliares ou ripárias. localização e até mesmo averiguação nas encostas. de certa forma. desmatamento. o que se pretende com este entrelaçamento não é somente o relacionamento pessoal. retificação. pois. incluindo as nascentes difusas e olhos d água. assoreamento. que estão. . Uma delas motivada pelo número de pessoas que interferem nos processos. Pensar rios e córregos na atualidade é deparar com várias correntes que defendem todo tipo de intervenção. caudalosos e límpidos. não conseguem atingir a idéia de torná-los semelhantes ao que eram no passado. nos olhos d água. estão lutando pela sua condição de defensores contra a degradação que impõe a ocupação antrópica. Estas condições impostas aos rios e córregos na área urbana. O ambiente destacado envolve centenas de propriedades rurais nas quais dezenas delas foram visitadas e selecionadas a fazer parte dos relatos de parte deste trabalho. principalmente na área urbana. maior e principal afluente do Rio Mucuri que dá nome ao vale. designados a conviverem com seus recursos. nas áreas de suas nascentes é uma forma de transferir para este relato. que são a canalização. Esta experiência colocada à disposição em dados sobre a quantidade. levam a perda da qualidade de vida das pessoas que dependem de suas águas. são alento àqueles que acreditam num futuro saudável. na área urbana. emissão de efluentes entre outros meios impeditivos de retorno. mas também com as informações sobre as nascentes.1ª Edição. e. como é o caso das cidades da região desta micro bacia do vale do Rio Todos os Santos.

todas com as mesmas características. propriedade do Sr. tem uma vegetação diversificada. A área de contribuição dinâmica da nascente principal do Rio Todos os Santos. e. EMATER-MG e COPASA. Num espaço pouco mais de 500 (quinhentos) percorridos. logo abaixo uns 100 (cem) metros do primeiro olho d água. subafluentes do Rio Mucuri leva a preocupação com os aspectos ambientais de desmatamento descontrolado. não sofreu intervenção antrópica de forma contundente. rebaixando e alinhando com o retilineamento do curso do rio. Tendo todo cuidado com o cercamento dos olhos d água com postes de eucalipto. matas ciliares. havia cultivo de café. muita vegetação ainda conservada. A força do Todos os Santos começa com alguns riscos semelhantes a uma cadeia de neurônios que vão se interligando para formar o curso d água. onde orientações permanentes têm sido formuladas no sentido da continuidade da preservação nesta área.Revista Tecnologia e Sociedade . vindas de outras propriedades. 2012. 3. Ainda há pouco tempo atrás. Destaque para o esgotamento de brejos nesta região já abaixo da nascente. o entorno das nascentes. Descrição de Alguns Afluentes Os dados descritos abaixo foram coletados em várias visitas in loco e não apresentam localização geográfica.1. Sebastião Rodrigues dos Santos. que já se fazia devido à importância para esta propriedade e as demais do recurso hídrico que aí se inicia. mas o sentido em que se encontram. com a finalidade de utilizar a área esgotada como pastagens. a Prefeitura de Poté. ISSN (versão online): 1984-3526 29 Já o estado em que se encontram as regiões de cabeceira dos principais afluentes do Rio Todos os Santos. o primeiro filete do rio já com uso doméstico. com aproximadamente um milhão e setecentos mil pés desta planta. nos fundos da casa do proprietário. têm preservados todos os topos dos morros e baixada. pode ser vista a primeira nascente do Rio Todos os Santos. queimadas. fica numa bacia formada pela vertente topográfica dos Rios São Mateus (Cricaré). cuja atividade com o gado é a principal das propriedades. que foi completamente arrancada e substituída por capim . seja através de manejos inadequados ou como fonte de melhorar e especular o valor das propriedades rurais. proporcionando uma redução do volume d´água que depende destes fatores. o precioso e importante produto que dispõe sem nenhum ônus para aqueles que utilizam na lavoura e uso doméstico. só usa madeira seca. pois tem a forma côncava e a presença de um único corredor de saída para o curso do rio que aí nasce sob a forma de olhos d água.1ª Edição. devastação que tem atingido regiões que abrangem as matas dos topos das montanhas. Rio Valão e o Rio Todos os Santos. Ainda nesta propriedade. prontas para receberem em sua sinuosidade e pequenas cachoeiras. Esta área cercada por montanhas tem eminentemente característica de arrecadadora de água para a formação do lençol freático. No município de Poté. direcionam sua orientação rumo às propriedades que estão abaixo. arame e ajuda de voluntários. já se contempla nesta micro bacia por mais 5 (cinco) nascentes.

quedas muito variadas e. Exterminada a vegetação ao redor da nascente. onde corre o primeiro filete de água rumo a Teófilo Otoni. descaracterizando a paisagem. A presença de muitas cachoeiras durante o percurso do rio abaixo são constantes. às vezes. que irá se fortalecer com mais duas nascentes bem próximas. Foi desmatada toda a propriedade.1ª Edição. têm relatos de grandes devastações de mata primária. na propriedade do Sr. com aproximadamente 60 (sessenta) casas. é a de que dentro da cidade de Valão. 2012. pois um curso que já necessita de uma ponte. com sua locomotiva Maria Fumaça. com remansos embaixo de pés de Ingá. Rio abaixo. que afetam significativamente o ecossistema a que pertence. O Rio São José. Eder Sampaio. que tem 13 (treze) represas pequenas e (01) uma grande para exploração e criatório de peixes. Nesta Fazenda Boa Vista. afluente do Rio Todos os Santos. sem contar que sua sinuosidade garante sua naturalidade. em sentido às nascentes do Rio São José. suinocultura e piscicultura. Desprovida de matas de cobertura dos topos dos morros. lento. Num trajeto sinuoso e longo. um ponto de relevo de altitude expressiva. Na comunidade denominada de Baixinha de Todos os Santos. O córrego Leme. o uso doméstico. ISSN (versão online): 1984-3526 30 brachiaria. ocorre fato que serve para ilustrar inúmeros ataques à preservação das nascentes desta região. vários exemplos de belíssimas paisagens naturais. encontra-se com o protagonista na propriedade pesque e pague de Valão. não existindo vegetação ciliar (ripária). Cerca de 800 metros abaixo já se pode contemplar visualmente duas represas. na época em que passava por esta região a Estrada de Ferro Bahia Minas. a represa de captação da cidade de Valão mostra o volume que tem esse rio. tem o primeiro lugarejo comunitário do uso da água do Rio Todos os Santos. um afluente importante do Rio Todos os Santos tem suas nascentes nas vertentes da nascente do Rio São Mateus. O recurso hídrico é usado de formas diversas.Revista Tecnologia e Sociedade . . evidencia seu porte. lavoura. o volume d´ água é bem menor que antes de passar pelas represas. Na nascente do córrego Linha H. o Rio Todos os Santos oferece aos olhos da população. Na Fazenda Boa Vista. alguns quilômetros abaixo. a antiga em funcionamento e a nova sendo construída para poder sustentar no período seco. embora dividindo com o município de Itambacuri. o abastecimento de água de Teófilo Otoni. Nas vizinhanças da fazenda Boa Vista. exemplares de cachoeiras naturais. rumo a Teófilo Otoni são vistas muitas outras nascentes. viaja-se muito até o local importante para a população urbana. certamente servirá de agravante para que esta nascente precocemente se extinga. Na baixada de Valão já nos encanta o tamanho do rio. e a segunda com o espelho d´ água maior rodeada de pastagens e pouca vegetação. O volume da vazão em questão é de 110 litros-segundo na seca e até 300 na safra. sub afluente do Rio São José. encontra-se a represa da COPASA. Tal manejo contribui para mudança nas características paisagísticas da região. uma de porte menor com cafezais de um lado e mata do outro. A impressão que visivelmente se tem. inclusive ao redor da nascente para formação de pasto para alimentação de gado. também nas divisas de município.

Os 1º e 2º olhos d´ água nascentes do córrego Brejaúba também vão desaguar no córrego Capitólio. O Rio São José tem o volume no seu leito maior que o Rio Todos os Santos. destaque para um galho desse que tem 75 (setenta e cinco) milímetros cúbicos de volume na seca. já composto pelo córrego Água Preta. mas que um levantamento minucioso o poderá fazer contá-las. deve-se ao fato de que existem mais subafluentes que deságuam no primeiro do que no segundo. O fato do volume maior de água no Rio São José. subafluente do Rio São José. Pouco abaixo já na área urbana na propriedade do Sr. pois a sua nascente é difusa. um olho d´ água à direita. tanto para encher o reservatório quanto para a irrigação agrícola. Este reservatório construído sem muitos recursos de engenharia apresenta-se firme e sem vazamentos e serve aos seus propósitos. formando este córrego também com nome de santo. Ainda o uso diversificado do recurso hídrico se dá com maior intensidade no Rio Todos os Santos. Gilson de Castro Pires. a natureza ainda é preservada com matas de topo e vegetação ciliar ou ripária constante. numa região de relevo declivoso.Revista Tecnologia e Sociedade . Apesar de mais curta a bacia deste afluente do Rio Todos os Santos. tem uma recente captação de água. Nesta propriedade. despejando esse conjunto no córrego . desprotegida de mata de topo e rodeada somente por pastagens. todo abastecido por gravidade. com muitas grotas. Percebese. Neste ponto. que são incontáveis os olhos d´água. outro logo abaixo. O Córrego Suíça II e vários outros pequenos cursos d´água. também chamado de Perigosos. Suas inúmeras nascentes demonstram como são importantes para as populações locais e que vão agigantar logo abaixo o rio protagonista deste empreendimento. O córrego Suíça II. em comparação ao Rio Todos os Santos. na propriedade do Sr. abastecendo várias comunidades ribeirinhas cachoeiras abaixo. que tem uma extensão superior. que desaguará no córrego São Gotardo. pela topografia acidentada de toda região de cabeceira dos afluentes e subafluentes do Rio Todos os Santos. as nascentes dos córregos Brejaúba e Capitólio não fogem às características das demais. e estes subafluentes. os córregos Brejaúba e Capitólio desaguarão no córrego Lajinha. sem necessidade de motor bomba. o córrego São Gotardo nasce numa pequena bacia formada por uma cadeia de morros. onde abastece um reservatório de 84 (oitenta e quatro) mil litros d água. desenha sua sinuosidade na propriedade de um assentamento de 21 (vinte e uma) famílias de agricultores. o córrego São Gotardo. na vertente topográfica com o Rio São Mateus. o Rio São José. As demais nascentes até a 6ª. João Carlos Nunes Coelho. ISSN (versão online): 1984-3526 31 O córrego Água Preta. e abaixo formam um total de 16 nascentes uma em cada pequena propriedade. 2012. visivelmente nota-se um volume superior deste precioso líquido na estação da seca. Das inúmeras pequenas bacias visitadas para confecção desta parte do trabalho. numa pedra e vários noutra grota. cuja nascente não diferencia das demais. uma nascente insiste em não secar. apresenta um diferencial dos demais. sua bacia de captação já sofrida por diversas queimadas. Ainda rio abaixo. A intensidade e proximidade destes brotos d´água formam belíssimos cursos d’água.1ª Edição. um pouco mais moderna que a anteriormente construída na fazenda Boa Vista. enquanto a maioria são olhos d´ água.

CONSIDERAÇÕES FINAIS Percorrendo a história de Teófilo Otoni. os dados obtidos demonstram. Informe Agropecuário. Santaninha.2000. como córrego da Palha.207./dez. e se lançam no Rio Todos os Santos abaixo da zona urbana de Teófilo Otoni. n. principal afluente do Rio Mucuri. . de Helsinque 1992. O córrego Poton recebe esses subafluentes. sobretudo no que se refere ao processo de colonização do Vale do Mucuri. da exploração agropecuária. puderam-se perceber os reflexos da exploração dos recursos minerais. a importância dos recursos naturais e sua influência no processo de colonização. tamanha importância foi dado à pesquisa que se pretende dar continuidade em um novo projeto.21. As Secretarias de Meio Ambiente estaduais são chamadas a todo momento. nov. Viajar no tempo junto aos colonizadores e chegar às cabeceiras do Rio nos dias atuais. 9-14. A água como elemento fundamental da paisagem em microbacias. REFERÊNCIAS ALVES. p. favorecendo. fazem parte de uma integrada cadeia de fatores que parecem ter se incorporado e entrelaçado ao corpo dos pesquisadores e uns aos outros. 2012. o foco sobre queimadas. São Paulino e vão completar o Rio Mucuri. as convenções internacionais. que influenciam sobremaneira na formação de cursos d´água. mostrar que desse meio ambiente do Rio Todos os Santos. ciclo hidrológico. – v. e. serve para justificar nossa existência. fato é que. São vários os temas em destaque na mídia e meios legislativos e do executivo. Fica então um pequeno roteiro de alguns dos afluentes e subafluentes que compõe a micro bacia do Rio Todos os Santos. preconizam o atendimento às necessidades atuais sem comprometer as futuras. por cerca de 374 (trezentos e setenta e quatro) quilômetros de estrada sem asfalto. mercantil e dos recursos hídricos e a conseqüente devastação ambiental. cuja região começa num cantinho do Estado de Minas Gerais. e. flores e plantas ornamentais. aqüíferos sobre e subterrâneos e o levantamento de parte das nascentes nas cabeceiras do Rio Todos os Santos. A partir do povoamento das cidades. somos todos dependentes e talvez possamos contribuir para seu status de recurso hídrico indispensável. 4. região de agricultores de laranja. que pode ser seguido para dar seqüência ao estudo. que daí em diante continua recebendo vários outros.Revista Tecnologia e Sociedade .1ª Edição. assim. Santana. um melhor entendimento acerca da relação dos indivíduos e o seu meio ambiente. ISSN (versão online): 1984-3526 32 Liberdade. a exemplo da Convenção para Proteção e Utilização dos Cursos de Água Transfronteiriços e dos Lagos Internacionais. mas os recursos hídricos têm um tratamento muito especial. Schirley Cavalcante. claramente. Sobre bacias hidrográficas.

“Sertão do Rio Doce”. 84 p. Direito Ambiental Brasileiro. Walter de Paula. 274 p. 2022. março/abril. Maria Leonor Loureiro. Revitalização de Rios: Área Rural. 300 p. PORTO. 1038 p./abr. 1929. Paulo Afonso Leme. Paulo Sant´Anna. 62 p. 2001. Manejo de Microbacias. “A batalha ecológica na cidade de Teófilo Otoni”. nov. 263 p. Ano VI. SP: EDUSC. 21. 1994. Belo Horizonte: 2000. 2012. n. 2002. 24 ed. VESENTINI. São Paulo: Revista dos Tribunais. PRUSKI. 24../fef. ESPÍNDOLA. 2003. Bauru: EDUSC. 21. Leônidas. Ação Ambiental. WEIL. DOMINGUES. 207. Ação Ambiental. Divisão Gráfica Universitária. 202. 2001. Agropecuária e ambiente. Viçosa: CPT. n. p. p. São Paulo: Malheiros. 2002. ISSN (versão online): 1984-3526 33 CASTRO. “A pobreza sofredora na cidade de Teófilo Otoni e temas ecológicos”. 2000. 38 p. Theóphilo Ottoni: Typographia S. UFV – Universidade Federal de Viçosa. 1994. Geraldo Ferreira. 2003. Entrevista. Contagem: CEDEFES. n. LOPES. São Paulo: Ática. Revitalização de Rios: Área Rural. Trad. 24. INFORME AGROPECUÁRIO. jan. UFV – Universidade Federal de Viçosa. José Demerval Saraiva. Belo Horizonte: v. Antônio Felix. Leônidas. Francisco. 112 p. LIMA. . Eduardo Magalhães. 488 p. Fernando Falco. Haruf Salmen. Bauru. mar. Divisão Gráfica Universitária. março/abril 2003. Zoneamento das águas. p. Recuperação e Conservação de Nascentes. Ação Ambiental. “O Enraizamento”. MACIEL Jr. Simone.Revista Tecnologia e Sociedade . INFORME AGROPECUÁRIO. Busca de Efetividade de seus instrumentos. Rio de Janeiro: 1990./dez. 2005. “Lembranças da Terra – Histórias do Mucuri e Jequitinhonha”. 8-10. 2000. Herly Carlos Teixeira. 1 ed. Política Ambiental. “Notas Históricas”. Reinaldo Ottoni. LORENTZ. Sociedade e espaço: Geografia Geral e do Brasil. LORENTZ. José willian. Belo Horizonte: v. Município de Theóphilo Ottoni. DIAS. MACHADO. n. 64 p. Ano VI. Rio de Janeiro: 1992. Ano VI. Divisão Gráfica Universitária. LANFREDI. Paulo. RIBEIRO. 10 ed. 235 p. As matas Ciliares.1ª Edição. n. 05-07. UFV – Universidade Federal de Viçosa. 24.

Tecnologia e Sociedade (PPGCTS). por meio de monitoramento tecnológico de produtos e processos na base de dados de patentes gratuita online Espacenet. Professora Associada da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) vinculada ao Departamento de Ciência da Informação é tutora de alunos indígenas (Grupo PET). ISSN (versão online): 1984-3526 34 Análise de patentes de tecnologias relacionadas ao descarte de resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos com vistas à 12 sustentabilidade ambiental Analysis of technology patents related to the disposal of electric and electronic equipment waste regarding the environmental sustainability Luciara Cid Gigante Maria Cristina Comunian Ferraz Camila Carneiro Dias Rigolin 3 Resumo Esta pesquisa. do qual é vice-coordenadora. com estágio de doutoradosanduíche no Departamento de Antropologia.Revista Tecnologia e Sociedade . Como resultados. com Pós-doutorado em Engenharia de Materiais e Especialização em Administração e Análise de Negócios.1ª Edição. E-mail: diasrigolin@ufscar. Maria Cristina Comunian Ferraz: Doutorado em Ciências pelo Instituto de Física e Química de São Carlos. EUA (2007-2008). Indiana University. Teve como objetivo realizar a análise de patentes de tecnologias relacionadas ao descarte de lixo tecnológico e das tendências verificadas em documentos de patentes. Tecnologia e Sociedade pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e doutoranda em Política Científica e Tecnológica pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). cadastrados no DGP-CNPq. Tecnologia e Sociedade) e de curso de especialização (Gestão de Organizações Públicas) na UFSCar. foram evidenciados grandes contrastes em reivindicações puramente técnicas de 3 Luciara Cid Gigante: Mestre em Ciência.br.unicamp. coordenadora de programa de extensão (Divulgação Científica. Coordenadora do Núcleo de Estudos sobre Expertise e Política e pesquisadora associada do Laboratório de Estudos Sociais em Ciência. Professora Adjunto da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) vinculada ao Departamento de Ciência da Informação e do Programa de Pós-Graduação em Ciência.br. Mestre em Administração (UFBA). Comunicação e Inclusão Social). de caráter interdisciplinar. E-mail: cristina@ufscar. grupos de pesquisa da Universidade Federal de São Carlos. Camila Carneiro Dias Rigolin: Doutorada em Política Científica e Tecnológica pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). 2012. aliou aspectos teóricos do campo Ciência. Tecnologia e Sociedade (CTS) e Sociologia do Consumo através de uma das metodologias da Ciência da Informação. docente de programa de mestrado (Ciência.br . Tecnologia e Sociedade. Áreas de atuação em pesquisa: Estudos Sociais de Ciência e Tecnologia e Política Científica e Tecnológica. E-mail: luciaragigante@ige.

Equipamentos elétricos e eletrônicos. convergem neste heterogêneo campo de trabalho. ou apenas minimizados. Tecnologia e Sociedade. Technology and Society (STS) as well as Sociology of Consumption through one of the methodologies of the Information Science. the government and the society must unite in order to promote new and safer environmental practices that could be created and adopted worldwide so that part of the generated impact could be minimized or new impacts are not even generated. Electric and Electronic Equipment. segundo López Cerezo (1998). In the results great contrasts were highlighted. ISSN (versão online): 1984-3526 35 documentos de patentes que levaram em consideração mais do que somente a descrição sumária da tecnologia em questão. como a ética engenheril ou os estudos de avaliação de tecnologias. through the technological monitoring of products and processes on online free patent database: Espacenet. como as provenientes da sociologia do conhecimento científico ou da história da tecnologia. De âmbitos de reflexão e de propostas de mudança institucional. Abstract This interdisciplinary research gathered theoretical aspects in the field of Science. ou. . Por se tratar de um campo de trabalho acadêmico de caráter crítico e interdisciplinar.1ª Edição. Política Nacional de Resíduos Sólidos. Propriedade Intelectual. mas também com aspectos relativos à sustentabilidade sócio-econômica-ambiental. Intellectual Property. or merely minimized. os es tudos sobre “Ciência. Patent Analysis. tanto em relação aos condicionantes sociais como em relação às suas consequências socioambientais. segundo Bazzo. The objective was to analyze the technology patents related to the disposal of technological waste and the trends verified in documents of patents. Tecnologia e Sociedade” (CTS) constituem um campo de trabalho que trata de entender o fenômeno científico-tecnológico no contexto social. governo e sociedade têm que se unir para que novas práticas ambientalmente seguras sejam criadas e adotadas mundialmente a fim de que parte do impacto já gerado seja revertido. Linsingen e Pereira (2003).Revista Tecnologia e Sociedade . que novos impactos não sejam gerados. Keywords: Science. but also aspects related to the social. Technology and Society. These in pure technical claims of patent documents which took into consideration more than only the brief description of the technology in question. National Policy of Solid Waste. It was concluded that universities. economical and environmental sustainability. Introdução De modo geral. 2012. Concluiuse que universidades. existem diversas orientações acadêmicas. Análise de patentes. Palavras-chave: Ciência.

ao lado da exploração de nichos de mercado altamente especializados e de pequena escala. p. hoje em dia.” Por isso. foi reduzido de modo dramático pelo uso de novas tecnologias produtivas (automação. p. 2012. o espetáculo e a mercadificação das formas culturais (HARVEY. e. relativamente estável do modernismo fordista cedeu lugar à instabilidade e qualidades fugidias de uma estética pós-moderna que celebra a diferença. Neste contexto. Harvey (1993. A escassez cada vez maior de áreas para a implantação de novos aterros para a disposição de resíduos. . enquanto que em outros. segundo López Cerezo (2002. a meia vida tem caído para menos de dezoito meses. a efemeridade. compartilham: “a) a rejeição da imagem da ciência como uma atividade pura. A acumulação foi acompanhada na ponta do consumo pela mobilização de todos os artifícios de indução de necessidades e de transformação cultural. 9). como o de tecnologias de informação (videogames e programas de computador). A estética. mas a acumulação flexível diminuiu isso em mais da metade em setores como o têxtil. tornou-se evidente. 2010). 148) ressalta que “a aceleração do tempo de giro na produção teria sido inútil sem a redução do tempo de giro no consumo”. pelo sistema produtivo. o baixo grau de implantação de novas alternativas de tratamento e reciclagem. ISSN (versão online): 1984-3526 36 Enfatizando a dimensão social da ciência e da tecnologia. “Em condições recessivas e de aumento da competição. esta pesquisa partiu da expressão “capitalismo flexível” que descreve hoje um sistema que é mais que uma variação sobre um velho tema.Revista Tecnologia e Sociedade . Para o autor. por exemplo. o problema do grande volume de resíduos sólidos gerados por bilhões de consumidores tem sido apontado como um dos mais graves da atualidade. c) a condenação da tecnocracia”. 2003). as quais. um grande desafio. A meia vida de um produto fordista típico. Harvey (1993. nas últimas décadas. que corta drasticamente a quantidade de material necessária para manter a produção fluindo). e também os males da rotina cega (SENNETT. o tempo de giro. atualmente os estudos CTS constituem uma diversidade de programas de colaboração multidisciplinar que força a concorrência entre suas duas tradições (europeia e norte-americana). a limitação dos ecossistemas naturais em decomporem os resíduos gerados pelo homem em sua atividade econômica (FERRAZ. 1993). 148) explana que os sistemas de produção flexível permitiram a aceleração do ritmo da inovação do produto. o impulso de explorar essas possibilidades tornou-se fundamental para a sobrevivência”.1ª Edição. b) a crítica da concepção da tecnologia como ciência aplicada e neutra. dada a grande escala de produção. BASSO. representam hoje. aliada às limitações existentes para a recuperação dos materiais não renováveis. Neste sentido. era de cinco a sete anos. robôs) e de novas formas organizacionais (como o sistema de gerenciamento de estoques “ just-intime”. Enfatiza-se a flexibilidade. que sempre é uma chave da lucratividade capitalista. Como afirmam Ferraz e Basso (2003) “a geração de resíduos é um dos maiores problemas enfrentados. Atacam-se as formas rígidas de burocracia. p.

A pertinência desta pesquisa se destacou também pelo ineditismo do tema que alia o estudo das políticas públicas existentes sobre descarte de lixo tecnológico às inovações patenteadas sobre o tema.Revista Tecnologia e Sociedade . esperando-se que com estas obtenha-se eficiente recuperação de informações relevantes no universo da base de dados de patentes selecionada. os estudos CTS e a questão da sustentabilidade ambiental.1ª Edição. 2012. esta pesquisa foi realizada seguindo-se as seguintes etapas: 1) Levantamento bibliográfico para compor a revisão de literatura. no qual buscam-se as tendências do desenvolvimento de uma dada tecnologia e possíveis soluções que acabem. ao relacioná-las com o uso de patentes como fonte de informação tecnológica no meio acadêmico e em estudos de monitoramento tecnológico. detectar para quais tipos de materiais com essa classificação já existem políticas de descarte. Esperava-se estabelecer um diálogo entre a área da Propriedade Intelectual e os estudos do campo CTS. levantar e avaliar as tendências tecnológicas encontradas nos documentos de patentes. ou melhorem. comparar tais tendências levantadas nos documentos de patentes com a situação atual vigente na legislação brasileira de descarte de lixo tecnológico. através da literatura encontrada sobre descarte de lixo tecnológico. e da análise de conteúdo como método de análise dos resultados. Como procedimento metodológico fez-se uso também do monitoramento tecnológico em bases de dados de patentes. Com vistas ao referencial teórico apresentado pretendeu incentivar a interação entre os estudos das áreas de Propriedade Intelectual. ambientalmente saudável e socialmente justa. que foi feita dentro dos princípios do campo CTS que busca a construção de uma sociedade economicamente estável. ISSN (versão online): 1984-3526 37 Esta pesquisa teve como objetivo principal fazer a análise de patentes de tecnologias relacionadas ao descarte de lixo tecnológico e as tendências verificadas por meio de documentos de patentes. 2) Levantamento de termos/palavras-chave representativas para a realização do monitoramento tecnológico. através de monitoramento tecnológico de produtos e processos relacionados ao descarte de lixo tecnológico na base de dados de patentes gratuita online Espacenet. . para a caracterização da temática e descrição do universo a ser estudado. Metodologia A metodologia adotada foi de uma pesquisa de caráter quali-quantitativa e exploratório-descritiva. Para tanto. Este estudo justificou-se tendo em vista que analisar as tecnologias existentes para que o descarte de lixo tecnológico seja feito de maneira a colaborar para o crescimento socioeconômico de maneira sustentável. sociais e ambientais. através de análise de conteúdo. Como objetivos específicos constaram: identificar e categorizar os tipos de materiais classificados como lixo tecnológico. propiciará benefícios a toda a sociedade com ganhos econômicos. o estado dessa problemática.

gratuita. utilizou-se as seguintes bases de dados: Google. concluiu-se que a base de dados de patentes que melhor representaria o universo a ser estudado seria a Espacenet. Diário Oficial. do contrário. Compendex. 2012. ISSN (versão online): 1984-3526 38 3) Seleção da base de dados de patentes a ser utilizada. cuja representatividade está no fato desta ser online.1ª Edição. nichos de mercados para atuação. Para a recuperação e coleta das fontes de informação supracitadas. parceiros. Espacenet. inovações incrementais e movimentos da concorrência. (2) Google Patents (base de dados americana usada como alternativa à USPTO). realizou-se um levantamento das fontes de informação formais a serem utilizadas para o estudo do universo. (4) IPDL (Industrial Property Digital Library. um documento de patente permite identificar tecnologias relevantes. (5) PatentScope (base de dados de patentes da Organização Mundial da Propriedade Intelectual). e outras bases de dados de patentes. se deve ao fato de as patentes terem se mostrado uma eficiente ferramenta e um instrumento eficaz no apoio à tomada de decisão. É importante ressaltar que a opção de se pesquisar em bases de dados gratuitas baseou-se em questões de sustentabilidade e acessibilidade da informação com menor impacto econômico. Web of Science. Derwent Innovations Index. efetuar novos estudos na literatura da área de descarte de lixo tecnológico a fim de encontrar termos relevantes para a busca. Foi realizado. 2011). base de dados do escritório japonês de patentes). contendo patentes publicadas a partir do ano de 1836 até o presente (ESPACENET. (3) INPI (base de dados do Instituto Nacional da Propriedade Industrial. 6) Tratamento dos dados coletados quali-quantitativamente. (6) USPTO (base do escritório americano de patentes (United States Patent and Trademark Office)). Comparados os resultados recuperados com os pré-testes realizados nas bases de dados. (7) Derwent Innovations Index (base de dados de patentes internacionais). Scopus. 4) Realização de pré-testes para verificação da eficiência das palavraschaves levantadas. 5) Testar a eficiência e realizar a coleta dos dados. Tendo em vista seu conteúdo informacional. multidisciplinar (patentes de diversas áreas do conhecimento) e abranger as patentes depositadas na base de dados do escritório brasileiro de patentes. e não qualquer outra. JusBrasil. do Brasil). assim como o fato da utilização dos documentos de patentes como fonte de informação para o monitoramento tecnológico. posteriormente. Google Acadêmico. o levantamento das principais bases de dados de patentes e um pré-teste com os termos de busca. e outros 85 países. Para a delimitação do universo a ser estudado. Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). a fim de comparar a facilidade dos mecanismos de busca de cada base de dados. Scielo. Tais bases de dados selecionadas para o préteste de exploração foram: (1) Espacenet (do escritório europeu de patentes).Revista Tecnologia e Sociedade . sua interface e o quanto cada base recuperou por palavra-chave. previamente retirados da literatura. tais . 7) Análise dos resultados através da análise de conteúdo.

conforme apresentado na Tabela 1. As demais palavras-chave selecionadas. gestão de produtos. pelos termos utilizados como sinônimo sobre novas tecnologias em descarte de lixo tecnológico. ANO “waste disposal technology” Analisando-se os pedidos de patentes acima mencionados. No período de tempo analisado (2003 a 2011) observou-se a ocorrência de registros de pedidos de patentes recuperados por termo. constatou-se maior incidência na recuperação de documentos nas buscas realizadas com os termos no idioma inglês. que recuperou 2 documentos de patentes. 2012. e somente nos campos título e resumo. obtiveram resultado nulo quanto à recuperação na base de dados de patentes Espacenet. foram selecionados 37 termos/palavras-chave e um universo de 31 documentos de patentes recuperados a serem analisados. sendo que seu uso ocasionariam sucessivos erros de sintaxe. dentre outras. “waste “technological “electronic “electronic TOTAL electrical waste” scrap” waste” and electronic equipment” 2003 1 0 1 3 1 6 2004 0 0 0 1 3 4 2005 0 0 0 3 0 3 2006 0 0 0 3 0 3 2007 0 0 1 0 2 3 2008 0 1 0 2 2 5 2009 0 0 0 1 3 4 2010 0 0 0 0 2 2 TOTAL 1 1 2 13 13 30 Tabela 1: Número de registros de documentos de patentes sobre REEE recuperados por termos por ano de prioridade na base Espacenet. sendo que os termos “electronic waste” e “electronic scrap” foram os que mais recuperaram. Os termos em português foram utilizados sem a devida acentuação tendo em vista que a base Espacenet não os indexa. com 13 documentos de patentes cada um. para recuperação da expressão exata. Resultados A partir do estudo do universo levantado. das conclusões do estudo. ISSN (versão online): 1984-3526 39 como investimentos. como aborda Canongia. Os termos “waste disposal technology” e “waste electrical and electronic equipment” recuperaram um documento de patente cada.Revista Tecnologia e Sociedade . No total. Fonte: Elaboração própria. novas linhas de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). tanto as em inglês como as em português. A seção seguinte apresenta os resultados da presente pesquisa juntamente da discussão e. Pereira e Antunes (2002). observouse. Em seguida ficou o termo “technological waste”. O universo desta pesquisa foi compreendido. que 11 deles foram depositados . em seguida. quanto à origem de seu depósito. os quais foram utilizados entre aspas. portanto.1ª Edição. fusões e aquisições. gestão de processos.

possíveis mercados para a comercialização da tecnologia reivindicada. quatro depositados em 2007. Tal data pode se referir também à notificação da entrada na fase nacional do pedido internacional depositado via PCT. Diferentemente da data de depósito. A data de depósito é a data registrada no protocolo do pedido de patente para o depósito nacional. ou no escritório de patentes da União Europeia (EPO). seis em 2004. dois em 2005 e em 2006. Como observado. Fonte: Elaboração própria. três pedidos foram depositados em 2003. de pedido internacional. dois pedidos foram . Figura 1: Número de registros de documentos de patentes recuperados sobre REEE por data de depósito e de publicação na base Espacenet. visto que o processo não fez uso do Tratado de Cooperação de Patentes (PCT). Consequentemente.Revista Tecnologia e Sociedade . a data de publicação refere-se à data na qual o pedido de patente nacional teve seu período de sigilo findado (18 meses contados a partir da data de depósito). cinco em 2010 e nenhum em 2011. ou a data do registro do pedido internacional. Em contraposição. 2008 e 2009. pelos depositantes. A Figura 1 apresenta o número de registros de pedidos de patentes por data de depósito e data de publicação dos pedidos de patentes recuperados ao longo do período de tempo (2003 a 2011) analisado. ou no escritório americano de patentes (USPTO). ISSN (versão online): 1984-3526 40 somente nacionalmente. 2012. sendo que este deve ocorrer dentro do prazo de prioridade (período de 12 meses contados da data do pedido no país de origem do depósito do pedido via PCT).1ª Edição. outros 19 pedidos de patentes recuperados tiveram seu depósito nacionalmente e também fizeram uso do Tratado PCT ao entrar com o pedido da patente na WIPO (WO). isto é. e/ou em outros países cujo mercado lhes foi de interesse. Tal fato. indica que os inventores e requerentes (depositantes) da patente têm interesse em proteger sua tecnologia em outros possíveis mercados além de seu país de origem. os países que também receberam o pedido de proteção da patente são considerados.

sendo que as diferenças das legislações nacionais são. Observa-se que a Alemanha lidera possuindo 12 depositantes. 2012. a Figura 2. Dentre todos os 51 depositantes do universo analisado. foram recuperados 21 documentos em inglês. obteve-se 21 pedidos de patente de invenção reivindicando processos. ISSN (versão online): 1984-3526 41 publicados em 2004. Fonte: Elaboração própria. Os depositantes que mais se destacaram foram dois pesquisadores. preponderantemente. oito em alemão e somente um em francês.Revista Tecnologia e Sociedade . p. James R. com 9. Todos os demais apresentaram somente um registro de pedido de patente sobre REEE recuperado. e.). Israel e Turquia finalizam o ranking com apenas um pedido de patente cada um. sendo um da Alemanha (Koslow. o mesmo passa por diversas etapas assemelhadas”. nove reivindicando produtos. Tais discrepâncias no período de sigilo dos pedidos podem ser justificadas devido ao fato de que. . dois em 2010 e cinco em 2011. assim como a Itália e a Polônia. pela existência ou exclusão de alguma etapa na tramitação do pedido. Os depositantes e a natureza jurídica destes também foram levantados.1ª Edição. segundo Macedo e Barbosa (2000. três em 2006 e em 2007. Alexander) e o outro dos Estados Unidos da América (Akridge. quatro em 2009. A República Tcheca e a Finlândia possuem ambos 5 depositantes cada. cinco em 2005. “após o depósito do pedido de patente perante a autoridade governamental competente de cada país. classificados como pessoa física. enquanto que a França. seguida pelos Estados Unidos da América. Quanto ao idioma dos registros dos pedidos de patentes recuperados. Quanto às tipologias dos registros de pedidos de patentes recuperados. com 4 depositantes cada um. o Reino Unido e a Suíça apresentaram três depositantes de pedidos de patentes cada. seis em 2008. 45). apresenta os registros de pedidos de patentes recuperados por nacionalidade. A Hungria. Figura 2: Número de registros de documentos de patentes recuperados sobre REEE por nacionalidade de seus depositantes.

com um registro cada um. Software para jogos de computador. com três. d. 2012. Seguido de Alemanha. através do formulário de análise de conteúdo. incluindo os de REEE. Figura 3: Número de registros por nacionalidade dos documentos de patentes recuperados sobre REEE na base Espacenet. Assim como o idioma inglês é o que mais se destaca. e. b. 4) Recipiente (produto) em forma de caixa-lembrete para a conscientização para a separação e o recolhimento de diversos tipos de materiais recicláveis. Tais dados são apresentados na Figura 3. tendo 8 documentos registrados. c. Incinerador de resíduos orgânicos. No que tange à análise do conteúdo desses documentos. Itália. Turquia. Processo de aquecimento solar de água através de calor solar e/ou de resíduos de sucata eletrônica e/ou outros resíduos tecnológicos. Suíça. com seis registros. República Tcheca. Japão. foi possível categorizar o universo estudado nos seguintes grupos de tecnologias: 1) Métodos/processos para separação de plásticos contidos na sucata eletrônica. Por meio do estudo do conteúdo dos documentos de patentes e das aplicações nelas mencionadas.Revista Tecnologia e Sociedade . ISSN (versão online): 1984-3526 42 Conforme os idiomas acima mencionados. Fonte: Elaboração própria. Finlândia e Canadá. Israel e Hungria.1ª Edição. levou-se em consideração o . com dois registros cada um. Reino Unido. Polônia. a nacionalidade dos pedidos de patentes recuperados divide-se entre 13 países distintos. 5) Outras tecnologias não relacionadas à temática: a. 3) Recipientes (produtos) para o acondicionamento e transporte seguro (sem quebra dos equipamentos) de REEE. Sistema para gestão da remoção de resíduos industriais. os Estados Unidos da América também lidera o ranking dos países com registros mais recuperados. 2) Métodos/processos para separação de metais nobres contidos na sucata eletrônica.

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aparecimento de termos ou expressões que evidenciassem a preocupação do inventor (ou escritor do pedido) da patente com a temática da sustentabilidade ambiental. Observou-se uma preocupação positiva nesta questão em 16 dos 30 documentos de patentes analisados. Foi citada a necessidade do acondicionamento dos resíduos finais em aterros sanitários apropriados, conforme exposto no trecho a seguir: “as cinzas tratadas e drenadas são armazenadas junto com as cinzas da grelha em um aterro sanitário apropriado/adequado” (CH 696425 (A5)). Assim como o fato de aterros sanitários serem cada vez mais inaceitáveis por causa da contaminação do solo e das águas subterrâneas devido à lixiviação de contaminantes. Outros documentos evidenciaram também uma preocupação com o fato de que os resíduos de produtos despejados no meio ambiente demoram muito tempo para desaparecer por si só na natureza, causando poluição ambiental e ameaçando a saúde humana e a saúde ambiental. A questão da sustentabilidade ambiental foi explicitada também através de uma preocupação com as matérias-primas resultantes e estas serem pura e facilmente reutilizáveis. Apesar da clara preocupação e apontamento de termos e expressões relacionadas à sustentabilidade ambiental, dados numéricos relacionados à questão da sustentabilidade ambiental somente foram identificados em três, dos 30, registros de patentes analisados. Tais dados foram identificados em registros da Alemanha, da Finlândia e dos Estados Unidos da América, respectivamente. No que diz respeito à importância (social e/ou econômica) da tecnologia reivindicada para a sociedade, 10 documentos de patentes analisados apresentaram preocupação e destacaram sua importância ao longo dos documentos. Exemplo desta questão é mencionado num pedido de patente inglês, número de prioridade GB20080001820, que destaca a necessidade do depósito dos REEE ser feita de forma segura e ambientalmente amigável (“depositar os REEE de forma segura ambientalmente amigável”). Um pedido de patente chamou a atenção pela extensa preocupação social descrita ao longo do documento. O pedido de número de prioridade (US20100836806) pertencente aos Estados Unidos da América explanou que “os custos sociais nesses lugares menos afluentes é muitas vezes chocante, usando trabalho infantil, com pouca ou nenhuma preocupação para a segurança industrial, e os trabalhadores expostos à paisagem circundante de poluentes químicos”. Foi interessante constatar que tal pedido de patente, cujo processo permite a redução do lixo eletrônico através de atualizações do dispositivo eletrônico afim de não torná-lo inutilizável tão rapidamente quanto a indústria espera, cita o fato de que “ironicamente, muitas pessoas em lugares mais ricos só se dão conta de tudo isso [trabalho infantil e ambiente de trabalho inóspito] quando alguns desses poluentes químicos cruzar o seu caminho, em novos processos de fabricação, e voltam a eles por meio do alto teor de chumbo em brinquedos e substâncias cancerígenas no vestuário”. A preocupação com a sustentabilidade ambiental também foi requerida no questionário de análise de conteúdo através de outra questão, mas desta

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vez no tocante à própria tecnologia cuja patente está sendo requerida. Nesta, questionou-se se o documento traz informações sobre como proceder com o descarte de tal tecnologia após o término de seu ciclo de vida. Tal prerrogativa não foi evidenciada em 27 dos documentos de patentes analisados, estando presente, portanto, em somente três registros. Com relação ainda à questão da sustentabilidade, questionou-se a presença, ou não, de termos ou expressões relacionados a possíveis riscos ambientais. Do universo analisado, somente nove pedidos de patentes apresentaram tais termos. Os pedidos de patentes que apresentaram termos ou expressões relacionados aos riscos ambientais, das tecnologias reivindicadas ou a ela relacionadas, relacionam-se com a questão do descarte ambientalmente inadequado dos rejeitos da sucata eletrônica e aos impactos por estes gerados em aterros sanitários impróprios, assim como ao meio ambiente de forma geral. Sendo assim, observou-se, no universo analisado, grandes contrastes evidenciados tanto por reivindicações puramente técnicas como por documentos que levaram em consideração mais do que somente uma descrição sumária da tecnologia em questão. A próxima seção apresenta uma sinopse dos principais resultados e a importância destes para a sociedade à luz das conclusões do estudo.

Considerações finais
Esta pesquisa teve como intuito realizar análise de patentes de tecnologias relacionadas ao descarte de lixo tecnológico e das tendências verificadas por meio de documentos de patentes, por meio de monitoramento tecnológico de produtos e processos na base de dados de patentes gratuita online Espacenet, além de contribuir e incentivar uma interação entre a área de Propriedade Intelectual com os estudos do campo CTS e a questão da sustentabilidade ambiental. Conforme apontado anteriormente, os resultados analisados indicaram forte preocupação com questões relacionadas à sustentabilidade ambiental, considerando desde possíveis termos ou expressões e dados numéricos relacionados à sustentabilidade, passando pela descrição da importância dessas tecnologias para a sociedade, suas aplicações e possíveis mercados, até informações de como se proceder com o descarte de tais tecnologias ao término de seu ciclo de vida, suas vantagens e desvantagens, riscos ambientais envolvidos e legislações citadas por esses documentos de patentes. Constatou-se que o idioma inglês predominou nos documentos do universo analisado, sendo os Estados Unidos da América o país líder no ranking dos que patentearam tecnologias de descarte e reciclagem de REEE, seguido de perto por Alemanha e Suíça. Houve menção de outros países como Itália, Finlândia, Canadá, Turquia, República Tcheca, Reino Unido, Polônia, Japão, Israel e Hungria, o que denota que o estudo de técnicas e práticas que envolvam o reaproveitamento e a reciclagem de resíduos de sucata eletrônica está em difusão pelo mundo.

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Os resultados indicaram também o aparecimento de termos ou expressões que evidenciaram a preocupação do inventor (ou escritor do pedido) da patente com a temática da sustentabilidade ambiental em 51% do universo estudado. No que diz respeito à importância (social e/ou econômica) da tecnologia reivindicada para a sociedade, 10 documentos de patentes analisados apresentaram preocupação e destacaram sua importância ao longo dos documentos. A preocupação com a sustentabilidade ambiental, porém, não foi evidenciada na análise no que dizia respeito à presença de informações sobre como proceder com o descarte de tal tecnologia após o término de seu ciclo de vida. Tal prerrogativa não foi evidenciada em 27 dos documentos de patentes analisados. Quanto aos termos e expressões relacionados aos possíveis riscos ambientais a que tais tecnologias estariam relacionadas, somente nove, dos 30 pedidos de patentes do universo, apresentaram tais termos. Conforme aponta o campo CTS, a tecnologia, assim como a ciência, é feita para os pares e, consequentemente, a sociedade acaba por ser excluída do debate e das reflexões a respeito das implicações sociais da ciência e da tecnologia. Disponibilizar o acesso é obrigação da União e tornar as bases de acesso público inclusivas, e não restritivas, também. Infere-se que, do ponto de vista abarcado pelo campo CTS, a informação tecnológica tem implicações diretas para a sustentabilidade ambiental, tanto no que diz respeito às suas fontes, seu conteúdo, quanto em seu uso. O comunismo do conhecimento científico, conforme apontado por Merton (1979) no aporte teórico da dissertação que deu origem a este artigo (GIGANTE, 2012), apesar de idealizado, se seguido à risca, possibilitaria maior interação e colaboração das diversas áreas do conhecimento, inclusive as relacionadas à questão da sustentabilidade sócio-econômica-ambiental. Relacionado a isso, há, porém, que se considerar o fato de nossa sociedade ser capitalista e ter uma economia com bases fortemente alicerçadas no tripé da alta produtividade, curta meia vida dos produtos e alto consumismo. Por isso, por mais que cientistas e tecnólogos se esforcem para criar produtos ambientalmente corretos para minimizar ou corrigir os impactos gerados pelos demais produtos já criados pela humanidade, e globalmente difundidos, eles sozinhos não conseguirão reverter todo o impacto e desastres já gerados. O campo CTS confirma e universidades, governo e sociedade como um todo têm que se unir para que novas práticas ambientalmente seguras sejam criadas e adotadas mundialmente a fim de que parte do impacto já gerado seja revertido, ou, numa visão mais realista, que novos impactos não sejam gerados ou ainda, apenas minimizados.

Agradecimentos
As autoras agradecem à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) pelo apoio financeiro.

F.L.V. A. 286-296.C. em Ciudad de México-DF. pesquisa & desenvolvimento: um manual de propriedade intelectual.. Página inicial. L. ______. Acesso em: 22 mar. 219 f. 2 Uma versão aproximada deste trabalho foi apresentada no ESOCITE . tecnologia e sociedade: o estado da arte na Europa e nos Estados Unidos. 2002. LÓPEZ CEREZO. BASSO.C. (Cadernos Ibero-América). ISSN (versão online): 1984-3526 46 Notas de fim 1 Este artigo apresenta os resultados da pesquisa do Mestrado em Ciência. p. PEREIRA. 2002. L. Gestão da informação e monitoramento tecnológico: o mercado dos futuros genéricos.N.) et al. desenvolvido na Universidade Federal de São Carlos. FERRAZ. tecnología y sociedad: el estado de la cuestión en Europa y Estados Unidos. M. Tecnologia e Sociedade).G. São Carlos. LINSINGEN. Resíduos sólidos formados por lixo eletrônico: riscos ambientais e política de reaproveitamento. BARBOSA.F. In: ______. ESPACENET. 18. 135-162. J. Patentes.C.. pela autora. In: Fórum das Universidades Públicas Paulistas: Ciência e Tecnologia em Resíduos . Rio de Janeiro: FioCruz.. p. A.. n. p. 1998. H. MACEDO. C. W. 2003. Madri: OEI. que ocorreu em Junho de 2012. Ciencia. Instituto de Ciência e Tecnologia em Resíduos e Desenvolvimento Sustentável.C. 7. tecnologia e sociedade: o desafio da interação. p. 1.V.espacenet. HARVEY. Revista Iberoamericana de Educación.Universidade Federal de São Carlos. Do fordismo à acumulação flexível. 2. D. 2012.com/>. .. M. Introdução aos estudos CTS: (Ciência. Perspectivas em Ciência da Informação. Londrina: IAPAR. v. Ciência. México.T..W. v. 1993. GIGANTE. 3-39. p..2011. M. PEREIRA. Análise de patentes de tecnologias relacionadas a resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos. L. CANONGIA.IX Jornadas Latinoamericanas de Estudios Sociales de la Ciencia y la Tecnología. 2012. São Pedro. A condição pós-moderna./dez.F. Tecnologia e Sociedade. Tecnologia e Sociedade).1ª Edição. ANTUNES. In: SANTOS. 2003.Revista Tecnologia e Sociedade . Ciência. São Paulo: Loyola. tendo sido orientada pela [REMOVIDO P/ REVISÃO ANÔNIMA]. 2000.A. Referências BAZZO. 155-166. 41-68. (Org. Disponível em: <http://lp. Dissertação (Mestrado em Ciência. jul. I.

Rio de Janeiro: Record.K. 37-52. R. R. SENNETT. Os imperativos institucionais da ciência. 2012. .D. In: DEUS. 2010. (Org.Revista Tecnologia e Sociedade . 1979.). A crítica da ciência: sociologia e ideologia da ciência. A corrosão do caráter: as consequências pessoais do trabalho no novo capitalismo. ISSN (versão online): 1984-3526 47 MERTON. p.1ª Edição. J. Rio de Janeiro: Zahar.

graduação em Tecnologia da Computação pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (1986). Translog .Grupo de Pesquisa em Transporte. .UFSC.1ª Edição. Tem atuado na área de Economia. Bolsista demanda social pela CAPES. Possui graduação no Curso de Formação de Oficiais Aviadores pela Academia da Força Aérea (1978).campus Toledo.br. o Master Of Science In Operations Research . fretes.com.br. Atualmente é professor adjunto da Universidade Estadual do Oeste do Paraná . Homero Fernandes Oliveira. E-mail: dslobo@uol. Professor Adjunto da Universidade Estadual do Oeste do Paraná – Unioeste. Logística e Modelagem de Sistemas.Grupo de Pesquisa em Transporte. Email:wrochajr2000@gmail.Professor Associado da Universidade Estadual do Oeste do Paraná – Unioeste Translog .com.Revista Tecnologia e Sociedade . Logística e Modelagem de Sistemas.UnioesteTranslog .Grupo de Pesquisa em Transporte.com. Pesquisador produtividade do CNPq. agronegócio brasileiro. Atualmente é professora adjunto da Universidade Estadual do Oeste do Paraná. com ênfase em transporte urbano. Weimar Freire da rocha Jr. logística.UNIOESTE. fez mestrado (1998) e doutorado (2003) em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina .Naval Postgraduate School (1991) e doutorado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina na área de Transporte e Logística. ISSN (versão online): 1984-3526 48 Bioenergia e resíduos na cadeia de suínos: uma análise de custos e investimentos para transporte de dejetos suínos com posterior geração de bioenergia no município de Toledo/ PR Bioenergy and waste in the chain of pigs: an analysis of costs and investments for the transportation of pig manure with subsequent generation of bioenergy in the city of Toledo / PR Sandra Mara Pereira Debora da Silva Lobo Homero Fernandes Oliveira Weimar Freire da Rocha Júnior 4 4 Sandra Mara Pereira: Mestre em Desenvolvimento Regional e Agronegócio da Unioeste . Mestre em Economia Agrária (Economia Aplicada) pela Universidade de São Paulo (1994) e Doutor em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina (2001).Campus de Toledo. Debora da Silva Lobo: Graduada pela Universidade Federal do Rio de JaneiroUFRJ em Bacharelado (1990) e Licenciatura (1992) em Matemática. E-mail:homero2@uol. 2012. nova economia institucional. Logística e Modelagem de Sistemas.: Engenheiro Agrônomo formado pela Universidade Federal de Lavras (1989). Atualmente é professor associado da Universidade Estadual do Oeste do Paraná onde leciona no Curso de Ciências Econômicas e no Programa de Mestrado em Desenvovimento Regional & Agronegócio. Professora Adjunta da Universidade Estadual do Oeste do Paraná .

performing with the aid of heuristic routing of Clark & Wright. realizando a roteirização com auxílio da heurística de Clark & Wright. Palavras-Chave: Custos de transporte. pig manure. custos de transporte e análise de investimentos. a rentabilidade com a venda de biogás e energia elétrica compensará. serão necessários grandes investimentos. not suffer the dump indiscriminate of pig manure. caracterização da suinocultura local. Analisaram-se os potenciais de geração de dejetos. dejetos suínos. biogás e energia elétrica com as quantidades de suínos existentes nas propriedades pesquisadas. os custos operacionais e de investimento para a aquisição dos mesmos. . with the final destination a center of bioenergy”. que não sofrerá os danos pelo despejo dos dejetos. por beneficiar os produtores rurais. We analyzed the potential to generate waste. possibilitar uma nova matriz energética. tendo como destino final um centro de bioenergia”. using a highly waste polluter. que terão nova fonte de renda com a venda dos dejetos. Were researched information on vehicles and equipment used in this activity. collected information is related to properties with 380 pigs in the finishing stage. coletou-se informações relacionadas à 380 propriedades com suínos em fase de terminação. for the benefit of farmers. Abstract The work addresses the theme "analysis of costs and investments for the collection of pig manure (in the finishing phase) in rural properties in the city of Toledo. Para a implementação do projeto. biogas and electricity and the quantities of pigs in the properties searched. bioenergy. The theore tical base includes agribusiness topics. For the implementation of the project will require major investments. bioenergia. Key-words: Transportation costs. para a coleta de dejetos suínos (fase de terminação). em propriedades rurais do município de Toledo.Revista Tecnologia e Sociedade . assim como para a implantação de um centro de biodigestão. characterization of swine production site. utilizando um resíduo altamente poluidor e. however. No referencial teórico abordam-se tópicos como agronegócio. preservar o meio ambiente. 2012. profitability with the sale of biogas and electricity compensate. It follows that it is feasible to implement a similar project.1ª Edição. Foram pesquisadas informações referentes aos veículos e equipamentos utilizados nesta atividade. Conclui-se que é viável a implementação de semelhante projeto. In the methodology. operating costs and investment for the acquisition of them. as well as for the establishment of a center of biodigestion. and preserve the environment. who will have new source of revenue with the sale of pig slurry. contudo. providing a new energy matrix. Na metodologia. transportation costs and investment analysis. ISSN (versão online): 1984-3526 49 Resumo O trabalho aborda o tema “análise de custos e de investimentos.

No entanto. seguido do Rio Grande do Sul). Antevendo os transtornos da poluição conseqüentes da suinocultura. devido a fatores como novas tecnologias de produção e possibilidade de maior produção em reduzido espaço físico. podem substituir os adubos químicos. das propriedades rurais até um Centro de Bioenergia? Este custo é restituído pela geração de energia (gás ou eletricidade) proveniente destes dejetos?”. o agronegócio tem sido focado por diversos pesquisadores. que atendem aos moradores das áreas rurais e urbana. tem se destacado no agronegócio nacional. 2002).1ª Edição. pois quando adequadamente utilizados. tanto em âmbito nacional quanto mundial. REVISÃO TEÓRICA Agronegócio Paranaense Nos últimos anos. manter o equilíbrio das propriedades e adjacências. os dejetos são utilizados para a adubação do solo.9 quilos de dejetos (urina e esterco). 2012. A principal justificativa deste trabalho. é mister vislumbrar possibilidades que eliminem o problema e agreguem valor ao resíduo. caracterizando uma necessidade urgente de destino adequado e ambientalmente correto dos dejetos gerados nas propriedades e. sobressaindo-se na produção de suínos. cada suíno. mas também como fornecedor de insumos e . reside no fato da região ser responsável por 21% da produção estadual de suínos. por dia 4. Esta moderna suinocultura caracteriza-se pelo aumento da concentração do número de animais confinados por estabelecimento. O Paraná foi responsável pelo abate de aproximadamente 5 milhões de cabeças no ano de 2007. por ser de primordial importância para o desenvolvimento não apenas dos negócios relacionados à agropecuária. se aplicados continuamente ou em excesso. ISSN (versão online): 1984-3526 50 INTRODUÇÃO Nas últimas décadas. 2008) indicam que o Paraná está em terceira posição na produção nacional de suínos (Santa Catarina em primeiro. gera. o Paraná. em fase de terminação (que representam a maior parcela desta população na região estudada). podem contaminar o solo e os mananciais hídricos. com a finalidade de obter economias de escala e melhorar a competitividade da agroindústria (WEYDMANN. Dados da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (ABIPECS. a problemática sugerida para a realização do estudo foi: “Qual o custo para o transporte de dejetos suínos. 2008). FOSTER. deste modo. em especial para fins industriais. usualmente.Revista Tecnologia e Sociedade . Estes danos demoram a ser percebidos pelos agricultores e até mesmo pelos técnicos de campo (SEGANFREDO. Sabe-se que. Com base nestas considerações. Conforme dados de Oliveira et alii (1993). na preservação dos mananciais hídricos. PERIN JUNIOR.

tão necessários à atividade (GOMES et alii. Setores como usinas de açúcar e álcool. em sua grande maioria. . contribuíram para a otimização e a melhoria das condições de produção em toda a cadeia do agronegócio. EMBRAPA. com mais de 90% dos criadores ligados a estes frigoríficos. A produção de carne suína teve um aumento significativo a partir do ano 1998 devido a fatores como o aumento da exportação de produtos cárneos. 2007). d) fornecimento de conhecimento tecnológico e genético pelas empresas agroindustriais. tecelagens. abertura da economia brasileira e a ampliação do mercado interno. que trabalham em regime de economia familiar. Caracterização da Suinocultura A suinocultura tem sido destaque. entre outros projetos. tanto interno quanto externo (IPARDES. pequenas propriedades. 1992). no processo denominado integração (via contratos).Revista Tecnologia e Sociedade .6 milhões de toneladas de carne (considerado peso de carcaça). a melhoria das técnicas de produção e da qualidade genética do rebanho. o favorecimento ao consumo da carne suína no mercado interno. 2012. a produção está com volume aproximado de 93 milhões de toneladas. c) poder ser realizada em pequenas. RODRIGUES. Possui 20 frigoríficos com inscrição no Serviço de Inspeção Federal (SIF). PARRÉ. ampliando-se nas últimas décadas devido a fatores como: a) possibilidade de maior produção em reduzido espaço físico.000 propriedades. 2002). derivados lácteos. maltaria. industrialização de carnes (suínos e aves). entre outros (MORETTO. unidades de melhoramentos genéticos. suco de laranja. obtendo o terceiro lugar na produção nacional. além de prover alimentos para o abastecimento. O Paraná tem se destacado no agronegócio por ter diversificado e modernizado as cadeias produtivas. Esta atividade é desenvolvida em 136. têm sido implantados com a intenção de agregar valor e diversificar a produção (LOURENÇO. 2002). sendo considerada a principal fonte de proteína animal. A carne suína representa quase a metade do consumo e da produção mundial de carnes. 2002. O Brasil ocupa a quarta posição na produção mundial de carne suína. o Paraná tem a estimativa de produzir 444 mil toneladas de carne suína no ano de 2008.1ª Edição. Na Figura 1 está exposta a produção paranaense de carne suína. sendo. b) oportunidade de ampliação da renda do produtor rural (não deixando de desenvolver outras atividades). Atualmente. médias ou grandes propriedades. sendo sua estimativa para 2007 de aproximadamente 2. ISSN (versão online): 1984-3526 51 de matérias-primas para a indústria e o comércio. De acordo com informações da SEAB (2008). bem como o auxílio técnico e veterinário. Fatores como a globalização.

e. em decorrência básica do embargo russo imposto às carnes brasileiras. maior valor de mercado (FUNDAÇÃO PROCON-SP. O Estado apresentou uma queda de produção no ano de 2004. Na Figura 2. 2005). **previsão Fontes: Abipecs. ABCS e Embrapa (2007). que acompanhou a redução nacional. A SEAB fraciona o Estado em núcleos regionais. e Toledo engloba 20 municípios próximos.Revista Tecnologia e Sociedade . . por Núcleo Regional da SEAB (2005) Fonte: adaptado de SEAB (2007) e IBGE (2005).1ª Edição. que possuem maior valor agregado. a produção percentual de suínos do estado do Paraná por núcleo regional da SEAB. Inserido no contexto estadual. ISSN (versão online): 1984-3526 52 Figura 1– Produção paranaense de carne na suinocultura industrial. Esta redução na quantidade não afetou na mesma proporção a receita auferida. Para se ter uma dimensão desta redução. no mês de outubro de 2004 o Brasil exportou para a Rússia um volume 43% menor que no mesmo mês do ano anterior. em mil toneladas equivalente carcaça (2002-2009). pois foram vendidos cortes. Figura 2 – Efetivo da pecuária de suínos no Paraná (em percentual). e com a maioria da produção sendo na forma de integração. a região do município de Toledo destaca-se na produção e no abate de suínos. em conseqüência. *estimativa. 2012.

na fase de criação. Estes produtos são resultado final do processo de biodigestão. como estratégia de comércio. 2012. Outra forma de comercialização com a transformação do dejeto suíno em biogás (bioenergia). por exemplo. que são altamente poluidores. Segundo informações da Embrapa Suínos e Aves (2007). há indicações de que as normas ambientais para o tratamento dos dejetos da suinocultura tendem a ser menos restritivas que em outros países. somente faz agravar a situação dessas terras. Dessa forma. com 14% cada. geralmente os dejetos são utilizados para a adubação do solo. os resíduos são retirados. é através de créditos de carbono. A mercadoria negociada no mercado de carbono são as reduções de emissões de gases efeito estufa (GEEs). seguido de Francisco Beltrão e de Ponta Grossa. Após o período de retenção no biodigestor (que pode variar de 20 a 60 dias). São cerca de 4. Como citado anteriormente. embora seus elementos estejam em quantidades desproporcionais em relação aos assimilados pelas plantas. Além disso. o dejeto suíno é um composto multinutriente. contudo a elevada tecnificação para aumento da produção ainda não atentou para o descarte dos dejetos. evitando a contaminação de nascentes. A criação de suínos pode desestabilizar a harmonia da propriedade rural e adjacências por serem altamente poluentes os dejetos produzidos pelos animais.Revista Tecnologia e Sociedade . um maior comprometimento com a preservação dos mananciais. Kyoto apliance e os non kyoto apliance. que podem estar no âmbito do Protocolo de Quioto ou fora dele. Os últimos usos dos dejetos suínos. ISSN (versão online): 1984-3526 53 Conforme dados da SEAB (2007) e IBGE (2005). É preciso haver. o núcleo regional de Toledo é responsável por 21% da produção do Estado. em função dessa desproporção. produto este que pode ser consumido in loco ou pode ser comercializado na forma de gás (botijões ou canalizado) ou já transformado em energia elétrica.5 milhões de suínos no estado do Paraná. gerando energia térmica para caldeiras de indústrias. mas que podem ser utilizados como fonte alternativa de energia e de renda.1ª Edição. ou biocarvão. Para que estas aplicações sejam possíveis. ainda é pouco valorizada. Outra forma de utilização do dejeto é a transformação deste em biogás. a preocupação ambiental no processo produtivo. o procedimento de simplesmente dispersar os dejetos sobre o solo agricultável sem auxílio técnico. cursos de água e poluição do ar. . No Brasil. e podem ser utilizados diretamente como biofertilizante (fertilizante natural para plantas ou tanques de algas). se faz necessário a ampliação de estudos e de pesquisas para tornar viável sua aplicação para os pequenos produtores possam utilizá-la. compradores do produto brasileiro. que podem gerar renda é o comércio de biofertilizante e biocarvão.

2008. auxiliam na redução do valor do frete) (VALENTE. mas estão relacionados à produção (aluguel. liquidez. aceitação do produto ou serviço pelos clientes. é afetado por dois fatores principais: a distância (trajeto percorrido entre origem e destino). PASSAGLIA. porte do veículo. tipo de tráfego. características das vias. gerando tanto benefícios imediatos (controle e redução de custos desnecessários).” (MATARAZZO. é de fundamental importância para o bom desempenho das empresas. por exemplo. Estes índices servem como parâmetro de avaliação da empresa. ISSN (versão online): 1984-3526 54 Custos de Transportes O transporte. órgão regulador ambiental do Estado. tanto pelos administradores quanto pelos interessados em investimento (bancos. em função da distância. torna-se necessária a análise de investimentos. 2012. podem-se utilizar índices de balanço. entre outros). manutenção. entre outros). A apuração correta de todos os custos envolvidos no transporte. 2003). “Índice é a relação de contas ou grupo de contas das demonstrações financeiras. entre outros. De acordo com Martins (1998). 1997). Não há quantidade ou delimitação exata de quais e quantos índices utilizar. e indiretos. METODOLOGIA A pesquisa foi desenvolvida no ano de 2008. fluxos (cargas de retorno. Para o levantamento das informações das propriedades. depende apenas das informações disponíveis e da profundidade que se deseja conhecer a empresa. período de retorno deste investimento. acionistas. Estes fatores interferem nas decisões da empresa sobre qual ou quais modais de transporte utilizar. etc. endividamento.Revista Tecnologia e Sociedade . quantidade de recursos necessários. os custos são basicamente divididos em diretos. fornecedores. p. independente da área de atuação. e o tempo (dependente da distância e influenciador direto da formação de estoques e nível de serviço) (BERTAGLIA. com consultas aos sítios do IBGE e da prefeitura do município de Toledo-PR. que não podem ser mensurados de forma exata. quanto num futuro próximo (renovação a frota. do custo. NOVAES. uma das principais atividades da logística. Também influenciam nas decisões de tecnologia e de roteirização. salários administrativos. . do valor e das características do produto. que visa evidenciar determinado aspecto da situação econômica ou financeira de uma empresa. participação de capitais de terceiro.1ª Edição. da disponibilidade do modal escolhido. que possuem alguma medida de consumo na produção (embalagens utilizadas. previsão de despesas. 147) Alguns dos mais utilizados são: rentabilidade.). entre outros). quilos de material. entre outros. Ao analisar os custos e despesas relacionadas à atividade. Outros fatores que podem afetar os custos são: a quilometragem percorrida. contemplando fatores como riscos e incertezas. entre outros. realizaram-se visitas ao escritório do Instituto Ambiental do Paraná (IAP). Para um diagnóstico simplificado dos investimentos. horas de mão-de-obra. região de abrangência.

ao equipamento utilizado. Novaes (2003). Possui também bom desempenho e rendimento no trânsito em estradas secundárias.000 litros de dejetos por minuto. quantidade de suínos. por apresentar um erro médio de 2% (relativamente baixo). indo para outra propriedade e executando o mesmo processo até ter sua carga máxima atingida. para a coleta de dejetos. destinação destes dejetos. possibilita a verificação de cada componente sob o aspecto monetário. impostos. com potência de 25 HP. com quebra-ondas internos para reduzir a sobrecarga ou a movimentação inercial brusca do conteúdo. ISSN (versão online): 1984-3526 55 em Toledo.1ª Edição. munido do equipamento necessário. por ser de fácil levantamento e elaboração. onde foram analisados arquivos e documentos disponíveis das propriedades com licença ambiental de operação na suinocultura. forma de armazenamento dos dejetos suínos (e/ou tratamento). Possui também uma bomba. à medida que o modelo vai gerando roteiros eficientes. Para o cálculo custos de transporte. com capacidade de sucção de 1. proximidade de rio ou nascente. Optou-se por utilizar a heurística de Clark & Wright para a realização da roteirização. mas visando a minimização da distância total percorrida pela frota. tem como objetivo. baseado no método de custos médios desagregados. e com vazão de saída de 300 litros por minuto. Esta heurística. Tal análise englobou todas as despesas relacionadas ao veículo. e por ser utilizado em diversos softwares de roteirização. Para que fosse realizada a análise correta dos custos de transporte. conseguindo facilidade de acesso e de manobra nas propriedades. 2012. justifica-se por apresentar melhor desempenho nas estradas rurais da região (na sua maioria em leito natural). A atividade inicia quando o veículo. As dimensões são adaptadas a cada veículo em função da capacidade de carga. coleta o dejeto suíno. e. fabricada em ferro fundido. No estudo foi empregado o modelo de caminhão normalmente utilizado na região para este tipo de serviço. enfim. para realizar a respectiva descarga. com um eixo na carroceria (tipo toco). além de custo-benefício apropriado. tudo que esteja relacionado ao . despesas com pessoal e encargos sociais. Passaglia.75 mm de espessura). da finalidade e da necessidade do cliente. da distância entre eixos. à manutenção. utilizou-se a análise de Custos Operacionais citada por Valente. foi necessário gerar roteiros. O equipamento a ser instalado na carroceria do caminhão é composto de um reservatório metálico (chapa de aço carbono de 4. vai à propriedade rural. Ao todo. Diversas empresas transportadoras utilizam este modelo de custos. A escolha deste veículo. sendo o veículo com capacidade de carga total de 13 toneladas. foram coletados dados de 380 propriedades com criação de suínos em fase de terminação. a frota é otimizada (por vezes reduzida). Este modelo. combustível. incidindo na redução de custos de capital e de operacionalização. observadas as características: posicionamento geográfico (latitude e longitude). se comparado à caminhões semelhantes. que atendessem à todas as 380 propriedades. origem da água da propriedade e. gerar roteiros que respeitam as restrições de tempo e de capacidade. dirigindo-se então até o centro gerador de bioenergia.Revista Tecnologia e Sociedade .

dados de preços. foram contatadas empresas revendedoras. 2012. via telefone. internet ou pessoalmente. .1ª Edição. ISSN (versão online): 1984-3526 56 funcionamento do veiculo para coleta de dejetos. Para a coleta dos custos dos veículos e do equipamento. As informações para a análise são divididas em quatro grandes grupos: dados gerais.Revista Tecnologia e Sociedade . dados de operação do veículo e. dados de operação e transporte (Tabela 1).

a qual utilizar-se-á de cinco índices de rentabilidade.1ª Edição. ISSN (versão online): 1984-3526 57 Tabela 1 – Informações para análise dos custos operacionais Fonte: Adaptado de Valente. quais sejam: . e da combinação destes para saber da quantidade de veículos necessária para a coleta diária de dejetos nas 380 propriedades. 2012. Passaglia. da roteirização.Revista Tecnologia e Sociedade . Novaes (2003). realizou-se a análise de investimentos. Após a análise dos custos operacionais.

No Brasil. a não credibilidade. pois as empresas . que atualmente é de 8% ao ano.4 toneladas de dejetos. quanto maior melhor a rentabilidade. Ela iguala o VPL a zero. seja na propriedade ou adjacências. em valores monetários. a taxa de juros equivalente a rentabilidade das aplicações corrente de baixo risco. ISSN (versão online): 1984-3526 58 Taxa mínima de atratividade (TMA): o projeto deve ser atrativo. o que indica que ocorre uma degradação do ambiente. Ou seja.  Valor presente líquido (VPL): reflete a riqueza. que possuem terminação de suínos.  Taxa de rentabilidade (TR): não é uma medida de rentabilidade de capital mas da capacidade da empresa gerar lucro e poder capitalizar-se. Verificou-se que apenas 11% das propriedades contam com biodigestor. As esterqueiras correspondem a 88% do total das propriedades pesquisadas.a. e é uma das formas mais complexas de analisar as propostas de investimento de capital. A análise é de quanto a empresa obtém de lucro para cada $100 investidos. pode ainda ocorrer o vazamento (pela não retirada dos dejetos ou chuvas excessivas). As propriedades restantes. utiliza-se como base a rentabilidade da caderneta de poupança.1ª Edição.515. Nas propriedades analisadas no município de Toledo-PR. qualquer investimento que proporcione uma rentabilidade igual ou superior a 8% a. que encontram nesta atividade uma forma de melhorar sua renda com reduzidas despesas.  Tempo de retorno do investimento (Payback): em quanto tempo (meses ou anos) o dinheiro investido retornará. serão detalhados os resultados percebidos com as análises propostas. Foi utilizada a função do programa Excel para este cálculo. de que haverá retorno (financeiro e ambiental) e.Revista Tecnologia e Sociedade . É realizado analisando-se o fluxo de caixa. utilizam esterqueiras e lagoas de estabilização de dejetos. É considerado atraente todo investimento maior ou igual a zero. entre outros.  Taxa interna de retorno (TIR): é considerado rentável o investimento que apresentar TIR > TMA. e quando os investimentos (saldos negativos) anularem-se com as entradas de caixa (receitas). pois estes dejetos serão utilizados nas lavouras. falta de conhecimento e explicações sobre o sistema. Isto ocorre devido a fatores como o alto custo para implantação do equipamento. rendendo no mínimo. a uma determinada taxa de desconto. e geralmente é realizada pela família do produtor. do investimento. medida pela diferença entre o valor presente das entradas e saídas de caixa. 2012. produzindo diariamente 1. No próximo item. ter-seá o período de payback. por parte dos produtores. por vezes. observou-se que este grupo dispõe de aproximadamente 314 mil suínos. a suinocultura é realizada em pequenas propriedades rurais.  RESULTADOS E DISCUSSÕES Após a coleta e análise das informações referentes às 380 propriedades rurais. será viável. e algumas ainda combinam este com a esterqueira.

Revista Tecnologia e Sociedade . para os cálculos de Custos Operacionais. Conforme citado na metodologia.34 km (ou cerca de 20%) na quilometragem anterior (primeira configuração).186. foi realizada a roteirização.43 12. torna-se indispensável estimar a quantidade de caminhões necessária para a coleta diária dos dejetos. perfazendo um total de 12. 2.10 1. Na primeira configuração. agregando distritos próximos. Englobou todas as despesas relacionadas ao veículo.53 km.19 km. ao equipamento utilizado.127. Para a análise dos custos. o cálculo dos custos do transporte foi realizado com base na metodologia utilizada por Valente. tudo que esteja relacionado ao funcionamento do veículo para coleta de dejetos.20 462.90 496. A nova configuração.337. uma rodagem de um mês para a coleta de toda a rota.1ª Edição. velocidade média. geração de dejetos. operando 16 horas por dia e 25 dias no mês. Após a compilação das informações das propriedades.437. Observa-se uma redução de 3.490. impostos. com os três setores.36 km no S2 (com 47 rotas e um produtor não roteado) e 4. O valor total para aquisição de um veículo com equipamento é de R$ 165. combustível. 2012.059. ISSN (versão online): 1984-3526 59 agroindustriais é que realizam o melhoramento genético. almejando reduzir a quilometragem. para que seja aproveitada a totalidade do potencial energético dos dejetos. com 15. visando a melhoria das condições para a roteirização.00 111 130 380 2.127.515.297. praticamente. desenvolvem novas rações. Novaes (2003). a quilometragem total mostrou-se elevada.36 4.490. considerou-se que serão necessários 19 caminhões para a coleta diária nas 380 propriedades. Tabela 2 – Resumo de informações para estimativa de caminhões T13 Número de Quilometragem Produtores 139 4.921. pois o grande volume gerado diariamente. o que implicaria.19 Tempo 112:06 h 67:36 h 122:55 h 302:37 h Volume dejeto 556. o resumo das informações analisadas para a determinação da quantidade de caminhões. .40 km no S1 (58 rotas). entre outros.921.913. alterando os custos totais finais para a coleta dos dejetos. à manutenção.715. fazem a entrega e coleta dos suínos. Optou-se por realizar uma divisão por setores. em havendo apenas um veículo. do equipamento e do primeiro ano de seguro e licenciamento). Na Tabela 2.20 Setor 1 (S1) Setor 2 (S2) Setor 3 (S3) TOTAL Fonte: elaboração própria Analisando os dados de roteiro. enfim. determina esta condição.43 km (com 51 rotas).170. despesas com pessoal e encargos sociais. resultou nas seguintes quilometragens: 4. num total de 156 rotas.00 (considerados o valor do veículo.715. Passaglia.

994.00 a carga de 10.00 19 R$ 3. e demais valores para a análise de investimentos. Na Tabela 4. para o investimento total inicial. configuração das rações e medicamentos utilizados na alimentação dos suínos. uma estimativa geral dos custos para a aquisição dos caminhões.534.46.106. NIJAGUNA. considerado neste valor a compra do terreno para implantação.950. para a geração de 1 m de biogás.00. ** O valor do investimento e manutenção do biodigestor. que equivale a R$ 25.1064m de biogás.059. foi estimado com base em valores de biodigestores de pequeno porte. serão necessários cerca de 9. gás carbônico. na 3 proporção de 1 kg de dejeto para produzir 0. Tabela 3 – Resumo dos custos totais de investimento Descrição Custos (caminhão + equipamento) Quantidade estimada de caminhões Custo total investido Quantidade de motoristas Custo operacional total mensal Despesa com produtores)* compra de dejetos (pago aos T13 R$ 161.000. corresponde a R$ 602.00 Investimento Biodigestor (geral)** Manutenção mensal do biodigestor** Fonte: elaboração própria * O valor da compra dos dejetos baseou-se nos valores correntes em outubro/2208.300 litros.000. que influem diretamente na geração e no poder calorífico do biogás.8 m 3 Fonte: elaboração própria .00 R$ 100. com período de retenção de 30 dias (Lucas Junior apud SOUZA et alli 2008. serão necessários R$ 11.1ª Edição. energia elétrica e botijão P13 kg Dejeto Geral T13 (1carga) 1 kg 10. Tabela 4 – Estimativa de geração de biogás.000.1064 m 3 Energia elétrica 0.532 kWh 5.32 R$ 91.000.403 kg m3 Biogás 0.956. 3 2002). equipamentos.000.40 kg de dejetos suínos. 2012. uma estimativa de geração de biogás e equivalência de utilizações possíveis. considerando os caminhões T13 e a implantação do centro de biodigestão. pagamento aos produtores e manutenção do biodigestor. que inclui o custo operacional total dos veículos. Estudos apontam a geração de biogás com dejetos suínos. ISSN (versão online): 1984-3526 60 Na Tabela 3.000322 33.059. Constata-se que.14 R$ 8.5 1. instalação do centro de biodigestão.Revista Tecnologia e Sociedade . A despesa mensal.00 38 R$ 410.000. com o mesmo período de retenção.3 kWh Botijão P13 equivalente 0. Portanto. Nesta análise não foram considerados os níveis de metano.

206 Valor mensal R$ 1.23 R$ 55.2 kg de dejetos ao dia.885. 2012.68). Estimou-se que.173.930 kg de dejetos. que poderia beneficiar-se ao investir em semelhante projeto.612. em média². ou 2. vendido a R$ 1.961. ocorra uma perda de aproximadamente 40% com líquidos e subprodutos.731.09 Fonte: elaboração própria .85 kWh 2. Na Tabela 6.1622 (outubro/2008). justificando que este biogás poderá ser utilizado pela agroindústria processadora do município.173.1ª Edição.19 (um real e dezenove centavos).515.00 cada carga (totalizando receitas de R$ 55. do volume inicial de dejetos.629. Com a geração de 1.300 kg. que podem gerar as quantidades de biogás e energia elétrica da Tabela 5. A companhia de energia elétrica do Estado.00/m . R$ 1.930 kg Biogás 0.885.093.300 kg) Total Quantidade mensal 3 1. será considerado o valor de R$ 1. serão produzidos e coletados 37.0 kWh. podendo o restante ser comercializado como biofertilizante (22.031.314. o dejeto deverá ser retirado e poderá ser comercializado como biofertilizante ou biocarvão. o valor 3 de venda do m de gás natural para fins industriais é. considera-se que serão comercializados 40% do biogás produzido na forma de energia 3 térmica.515. da companhia local de energia (R$ 0.532 kWh 20.188.1064 m 3 3 Energia elétrica 0.425. Tabela 5 – Potencial de geração de biogás e energia elétrica com a coleta proposta no município de Toledo-PR Dejetos 1 kg 37. ISSN (versão online): 1984-3526 61 Segundo informações obtidas no sítio da COMPAGÁS (2008).437. Tabela 6 – Resumo das estimativas de receitas Descrição Venda de biogás Venda de energia elétrica Venda de biofertilizante (carga de 10. Para a análise de rentabilidade do presente projeto. no mês de outubro de 2008.18 R$ 1. O restante será transformado em energia elétrica. vendidas a R$ 25.062.75 kWh 4. e será comercializado ao preço do kWh para a área rural.00 / 3 m .9 cargas de 10. comercializa o kWh de energia para a região rural do município por R$ 0.18 m 12. hoje equivalente a madeira e carvão que são utilizados. 3 Para a equivalência de geração de energia elétrica. um resumo das estimativas de receitas.206. Estima-se este percentual por presumir que a agroindústria local utilizaria este volume de biogás.114.68 R$ 3. Após o período de retenção necessário para a geração do biogás. e considerados 25 dias de operação no mês.Revista Tecnologia e Sociedade .558 kg).425.155.95 m Fonte: elaboração própria Para exclusiva finalidade de análise de investimentos.1622 / kWh). cada m de biogás pode gerar 5.612.

após a elaboração e aprovação de um projeto de MDL e. Na presente análise.1ª Edição. No Brasil. utiliza-se a rentabilidade da caderneta de poupança. no primeiro mês não haverá receita. O período de payback (retorno do investimento). indica quanto a empresa ganhou ($) ao investir $ 100. pois seu resultado é na moeda corrente da análise (R$). Não é uma medida de capital mas. e  não foi considerada a venda de créditos de carbono na análise de investimentos Com estas informações disponíveis. 2012.80 de lucro.021. por convenção. No modelo T13. que atualmente é de 8% ao ano. neste período. O critério para decisão do investimento é: se VPL>0. da capacidade da empresa gerar lucro.80. indicando bom retorno do investimento.  as receitas do segundo ao quarto mês contemplam apenas a venda de biogás. constatou-se que o Valor Presente Líquido (VPL). o biogás precisa do tempo de retenção de 30 dias. Outra receita que pode advir com a implantação do investimento é a venda de créditos de carbono. ISSN (versão online): 1984-3526 62 Alguns fatores limitantes foram impostos:  no primeiro ano serão apenas realizados investimentos.  apenas no quinto mês do segundo ano a receita foi considerada total.  as despesas foram consideradas totais desde o primeiro mês do segundo ano. foi de R$ 14. o valor recebido no investimento escolhido deve ser igual ou superior a esta taxa. e com o auxílio da planilha eletrônica Excel. quando todos os investimentos e despesas foram pagas e a empresa começa a ter lucros. realizou-se a análise de investimentos e viabilidade. caso o dinheiro fosse investido em outra aplicação renderia um valor percentual. aprovação de projetos.Revista Tecnologia e Sociedade . para ser produzido. para cada R$ 100. Este índice analisa qual a relação entre $1 hoje e $1 no futuro. considerando que. não havendo qualquer produção e conseqüente receita.422. licenciamentos. verificou-se que a TR = 140. pois. Ou seja. A Taxa de Rentabilidade (TR). Seu critério de decisão é: se TIR > TMA. trabalhando com fluxos de caixa descontados (foi considerada uma taxa de 8% ao mês). foi de um ano e sete meses. a empresa pode gerar R$ 140. a TIR foi de 12% até o final do segundo ano. com esta. Ou seja. considerado bastante salutar para a empresa. poderão ser auferidos cerca de R$ . Neste caso mostrou-se significativo e viável o investimento.00 investidos no projeto. A Taxa Mínima de Atratividade (TMA) é o percentual que se estipula como o mínimo de retorno do projeto.05 ao final do segundo ano. serão realizados testes e quantificações para a geração de energia elétrica. aceita-se o projeto.  no segundo ano de operação. A Taxa Interna de Retorno (TIR) representa a taxa de desconto que iguala fluxos de entrada com fluxos de saída.  foram realizados lançamentos para apenas dois anos. É considerado um dos melhores métodos para analisar projetos de investimento. aceitase o investimento.

Observou-se que 88% das propriedades possuem esterqueiras como destino dos dejetos. considerando a redução de 149. no entanto observou-se que as receitas auferidas são dignas de consideração. constatando-se que apenas uma propriedade enquadra-se como média. pois o volume de dejetos coletado diariamente e o potencial de geração de biogás e energia elétrica são justificáveis. Conclui-se. Após a coleta e análise das informações.1ª Edição.515. pode ser considerado elevado.38¹ (ou US$ 5. na presente análise. foram selecionadas 380 propriedades rurais.294 toneladas de CO2 e. utilizando a heurística de Clark & Wright. são engordados cerca de 314 mil suínos. quanto para a região em que está inserida a cidade de Toledo. buscando incrementar sua renda de diversas formas. portanto. 2012. tanto para os produtores de suínos. Para a realização da roteirização. foram realizadas duas configurações. com risco de contaminação do solo e dos mananciais hídricos. Outro aspecto positivo é a possibilidade de uma nova fonte de renda para o produtor rural. os custos ambientais (favoráveis ou não ao projeto). sendo utilizados como fertilizante nas lavouras da propriedade ou redondezas. constata-se que o investimento inicial. em propriedades rurais do município de Toledo. CONCLUSÕES O principal objetivo do trabalho foi analisar os custos operacionais e a viabilidade para a implantação de um sistema de coleta de dejetos suínos (fase de terminação). que é viável a elaboração e a implementação de projeto desta natureza na região analisada. bem como o levantamento das informações das estradas a serem utilizadas.698. Para o estudo.965.72 por ano. Não foram considerados. é necessário que sejam realizadas visitas a todas as propriedades em estudo. as demais são pequenas. Quanto à análise de investimentos e viabilidade.Revista Tecnologia e Sociedade . Existe matéria-prima (dejetos) em grande quantidade. comprovando a asserção de que a atividade de suinocultura abrange principalmente pequenos produtores. Nas propriedades analisadas. podendo ser factível uma roteirização com a combinação de mais de um modelo de caminhão. bem como a geração de energia térmica ou elétrica com o biogás produzido. que produzem diariamente 1. Esta pode ser uma sugestão para trabalhos futuros. ISSN (versão online): 1984-3526 63 1.4 toneladas de dejetos (urina e esterco). são conhecidas as formas e as metodologias para a elaboração de projetos de Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL) e de biodigestão. para averiguação e descrição das barreiras físicas ou naturais.00) por tonelada. Para que se possa optar por este ou outro caminhão. observouse que é viável a transformação de dejetos em biogás e energia elétrica. para geração de bioenergia. bem como as externalidades negativas e/ou positivas que poderão advir com a implantação do projeto. e o preço de venda de R$ 11. com a venda do dejeto suíno para a geração de . com um regime de trabalho familiar. com o modelo de caminhão 13 toneladas.

Nota de fim_______________ ¹ A cotação do dólar era de R$ 2. B. Espera-se.br/estatistica> .536.br/ptr/docentes/cbcunha/files/roteirizacao_aspectos_pratic os_CBC. 509 p.br/portal/index2.1ª Edição. no dia 18 de novembro de 2008 ² O valor coletado no sítio da Compagás varia de R$ 1.Revista Tecnologia e Sociedade . v. 2007. Logística e gerenciamento abastecimento.ptr. tornando mais adequada a qualidade de vida. A retirada destes dejetos das propriedades melhora o quesito ambiental destas e das propriedades adjacentes. Disponível em: <http://www. São Paulo: Atlas.cnptia.usp. C.org. agregando valor a um resíduo que geralmente é desperdiçado. minimizando a poluição e a degradação dos mananciais hídricos. ISSN (versão online): 1984-3526 64 bioenergia. 5174. P. CUNHA.poli. utilização de dejetos.html >. Y. p. abcs. 2000.embrapa. Disponível em: <http://www. 2. 2012. além de propiciar ao produtor a possibilidade de ampliação do plantel. 2007. São Paulo: Saraiva. Suínos e Aves.abipecs. ABCS – Associação Brasileira de Criadores de Suínos. tanto dos residentes no campo quanto na cidade. dependendo do volume consumido diariamente. Acesso em: mar. custos de transportes). Acesso em: 3 ago. R.pdf>. 2003. da cadeia de CHING. Acesso em: jul. 2008.org.br/ FontesHTML/Suinos/ SPSuinos/index. instigar pesquisadores a desenvolverem novas pesquisas relacionadas ao tema (suinocultura. BERTAGLIA. 2007. n.jsp>. Acesso em: jul. 2007. 3. Aspectos práticos da aplicação de modelos de roteirização de veículos a problemas reais. resultando em novas fontes de renda e energia aos produtores rurais. Este artigo foi financiado pelo CNPQ REFERÊNCIAS ABIPECS – Associação Brasileira Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína. Disponível em: <www.277. EMBRAPA Suínos e Aves – Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias. para que os danos ambientais sejam controlados/monitorados. 8 . Disponível em: <http://sistemasdeproducao. 220 p. ed.0641 a R$ 1. Gestão de estoques na cadeia de logística integrada : supply chain. Transportes. . H. com o presente trabalho.

Biogas technology. Disponível em: <http://ibge. p. Documentos.institutoinovacao. 2002. 26).br/downloads/inovacao_agronegocios. SHIKIDA. ed. Agronegócio paranaense: potencialidades e desafios.. 385 p. LIMA. A. G. P. G. A. Disponível em: <http://www. A. Visitas à entidade e consultas à documentos. F. 1992. Análise da competitividade da cadeia agroindustrial da carne suína no Estado do Paraná . W. J. 11-32. 2008. IN: CUNHA. S.. TRAMONTINI. (Documentos. de. GEPAI/UFSCAR – Grupo de Estudos de Políticas Agroindustriais. Manual de manejo e utilização dos dejetos de suínos. 2002. operação e avaliação.Revista Tecnologia e Sociedade . M. 108 p. Agronegócio no Paraná: oportunidades e ameaças. p. de. ROCHA Junior. Brasília. 2002. OLIVEIRA.. A. D. IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.. Acesso em: fev.br>.Instituto Ambiental do Paraná. SHIKIDA. Curitiba: IPARDES. 400 p. M. V. 2002.pdf >. NOVAES. L... MORES. Concórdia: EMBRAPA-CNPSA. 2008. LOURENÇO. Cenários do ambiente de atuação das organizações públicas de pesquisa. Cascavel: Edunioeste.1ª Edição. P. M. F. da. F. 188 p. 287 p. A. IAP . N. da. PARRÉ. F. 2002. M. Agronegócio paranaense: potencialidades e desafios. T. Contabilidade de custos: inclui o ABC. S. F. M. Concórdia: EMBRAPA-CNPSA. (Coord. 239 p. ISSN (versão online): 1984-3526 65 EMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias. ROCHA Junior. . GIROTTO.). P. Reprint 2006. NIJAGUNA. New Delhi: New Age International. R. RODRIGUES. Logística e gerenciamento da cadeia de distribuição : estratégia. 2007. Rio de Janeiro: Elsevier. 33-56. Escritório Regional Toledo. desenvolvimento e inovação para o agronegócio brasileiro : 2002 2012. Acesso em: 10 fev. 27). P. D. IPARDES – Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social. 3. 1993. Cascavel: Edunioeste. M. 6ª ed. Análise prospectiva do complexo agroindustrial de suínos no Brasil.. G. C. da. da. 2012. GOMES. J. F. W. 2008. TALAMINI.. M. São Paulo: Atlas. Tendências do agronegócio no Paraná: 1980 a 1995. In: CUNHA. MARTINS. 1998. J. MORETTO.com. (EMBRAPA-CNPSA. IBPQ – Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade no Paraná. gov. L. A. B. E.

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linking theory and results of empirical studies. Mestre em Administração.com. and industrial development. Mercosul should maintain 5 Rogério Santos da Costa: Doutor em Ciência Política. Efetividade Abstract The Industrial Policy is an instrument of industrial development in regional integration processes. como Professor Colaborador do Programa de Pós-Graduação em Administração.Revista Tecnologia e Sociedade . atuando no Curso de Relações Internacionais. Com uma abordagem histórico-institucional. de forma particular. With a historicalinstitutional approach. Palavras-chave: Institucional. Procura-se com o artigo aprofundar o debate sobre as instituições em processos de integração. processos de integração e Política Externa Brasileira. cabendo estabelecer por que e como as instituições de integração colaboram para este resultado. No Mercosul. particularmente na região da América do Sul. entrelaçando aspectos teóricos e resultados de estudos empíricos. O objetivo deste artigo é discutir a efetividade da Política Industrial Comum no Mercosul com base na sua institucionalidade. como Coordenador de Pesquisa e do GIPART. and it must be established the reason why the integration institutions collaborate to this result.1ª Edição. it has not been an effective instrument of deepening the relationship between member countries. ISSN (versão online): 1984-3526 67 Política Industrial Comum no Mercosul: apontamentos sobre o papel das instituições Common Industrial Policy in Mercosul: notes on the role of institutions Rogério Santos da Costa 5 Resumo A Política Industrial é um instrumento de desenvolvimento industrial em processos de integração regional. relating the institutional aspects of integration with the results of common policies. Política Industrial Comum. Professor da Unisul – Universidade do sul de Santa catarina. this paper suggests that without institutional density. The aim of this paper is to discuss the effectiveness of Comonn Industrial Policy in Mercosul on the basis of its institutions. E-mail: paralelosc@uol. e tem limitada ou possibilitada sua efetivação em função do aporte institucional comunitário. e de desenvolvimento industrial. in particular. In Mercosul. relacionando os aspectos institucionais da integração com os resultados de políticas comuns. 2012. Graduado em Economia. aponta-se que sem densidade institucional o Mercosul manterá sua dinâmica de instabilidade. possui pesquisas na área de instituições internacionais.br. and its effectiveness is limited or enabled depending on the institutional community contribution. ela não tem sido um instrumento efetivo de aprofundamento dos laços entre os países membros. Mercosul. .

do Mercosul. particularly in the region of South America. além de referências de estudos na área. ISSN (versão online): 1984-3526 68 their dynamic instability. Na seção seguinte observa-se a interrelação entre as temáticas da integração regional.tanto é que são citados aqui mas se deixados apenas nesse nível. Não que esses debates deixem de ter sentido . do desenvolvimento e da Política Industrial. no mínimo. Introdução O objetivo deste artigo é discutir a efetividade de uma Política Industrial Comum no Mercosul com base na sua institucionalidade. a uma União Aduaneira.1ª Edição. Institutional Effectiveness. onde evidenciam-se aspectos históricos e experimentais. cai-se nos mesmos dilemas de estudos tradicionais na área os quais retiram o caráter histórico e específico de cada formação social. transformando Políticas Externas em Políticas Públicas Comuns. utiliza-se de resultados de pesquisa específica sobre o Subgrupo de Trabalho nº 7 – Indústria e Tecnologia. o de instituição. Opta-se pelo conceito de efetividade como sendo a capacidade de uma instituição em produzir os resultados desejados para a sua existência. abordando a importância de uma Política Industrial Comum para o alcance dos objetivos de desenvolvimento econômico na integração regional.Revista Tecnologia e Sociedade . além desta introdução e das considerações finais. Procura-se fomentar o debate sobre instituições em processos de integração. 2012. segundo . It also intends to go further into the discussion on the institutions in integration processes. bem como os resultados de pesquisas realizadas nos últimos anos tendo como objeto o Mercosul e suas instituições. Mercosul. relacionando os aspectos institucionais da integração com os resultados de políticas comuns. o de processo de integração regional como o agrupamento de países com intuito de aprofundar suas relações para além de uma área de livre comércio. O ponto de maior destaque aqui é fugir ao corriqueiro debate sobre supranacionalidade e intergovernamentabilidade. com destaque para o papel da complementaridade e difusão tecnológica. Keywords: Common Industrial Policy. e de desenvolvimento industrial. bem como para a transformação de Políticas Externas individuais em Política Pública Comum. Na última parte a abordagem está centrada nos aspectos institucionais do Mercosul e nas possibilidades e limitações que existem no bloco para a efetividade de uma Política Industrial Comum. ou mesmo de simples comparações descontextualizadas entre União Europeia e Mercosul. Nesta seção. Adota-se neste artigo um arcabouço de referências específicas sobre a temática. terem de ser seguidas estritamente. de uma forma geral. contudo. de forma particular. sem. passando. Na próxima seção situam-se o tema e a importância de instituições em processos de integração. pressupondo que estas possuam um importante papel na canalização de demandas e ofertas. bem como as dimensões de confiança e complementaridade econômica. Por outro lado. O artigo possui mais três seções. algumas comparações servem para mostrar caminhos possíveis.

e a América Latina passava a ser uma das melhores opções da busca do desenvolvimento socioeconômico (HASS. resolução de conflitos e criação de um ambiente de avanço progressivo nos objetivos integracionistas. 2003.1ª Edição. . 2009). levantando a problemática do alcance da política de poder que poderiam adotar as grandes potências na busca de seus interesses de Política Externa. 2011. NYE. 2012. e unitário em suas ações externas (MALAMUD. indicam que o papel das instituições foi fundamental para a concretização ou não dos objetivos almejados (SILVA. A pergunta a partir de então não era se as instituições internacionais importavam ou não. ISSN (versão online): 1984-3526 69 Keohane (1980). De uma forma geral. OLIVEIRA. Até aquele momento. como um persistente e conectado conjunto de regras que prescrevem comportamentos. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) havia desferido um golpe muito forte no centro do sistema capitalista. As grandes potências sucumbiram à imposição de preços de pequenos países a por causa desta Organização Internacional. o Europeu e o latino-americano. 2011). As experiências entre um e outro processo de integração. As Comunidades Europeias passavam cada vez mais a aprofundar a integração regional e a discutir as instituições em seu processo de integração regional. Um movimento concomitante estava em gestação e atingiria fortemente todo o mundo. prevaleciam as teses do pós-II Guerra de que instituições internacionais são mero apêndices da Política Externa dos Estados. e. restringem atividades e modelam expectativas dos homens e Estados. Porém. visão fortalecida pelo fracasso da Liga das Nações e a ocorrência da Guerra. Instituições em processos de integração A década de 60 do século passado presenciou um incipiente debate sobre o papel das instituições nas Relações Internacionais. mas sim de que forma e em que circunstância sua importância impactava as preferências dos Estados e o Sistema Internacional (KEOHANE. 1964). dando confiança ao processo e mantendo a região como um espaço propício ao crescimento econômico. SHMITTER. por fim. o de Política Industrial como sendo toda ação do Estado ou Instituição Comunitária para promover a produtividade e a competição da indústria e o crescimento e desenvolvimento socioeconômico de um país ou conjunto de países. COSTA. gerando a desconfiança sobre as teses realistas nas relações internacionais. a questão sobre a importância das instituições internacionais passa a ser sucedida por interpelações sobre a cientificidade de sua aceitação ou rechaço. culminando na necessidade de estudos sobre o papel e o impacto delas no sistema internacional. O fenômeno da integração e suas instituições ganhava corpo. sustentável ambientalmente.Revista Tecnologia e Sociedade . 1974). desenvolvimento socioeconômico. as experiências de integração regional explicitam que suas instituições precisam fazer o papel de canalização das demandas. Foi depois do choque do Petróleo da década de 70 que os estudos sobre as instituições internacionais ficaram mais fortes. estável politicamente.

Em um processo de integração regional. significa criar consistentes Políticas Públicas Comuns. tanto dos nacionais de países mais fortes. entre as quais é de fundamental importância a Política Industrial pelo impacto econômico e social que viabiliza ou retarda a aderência dos Estados participantes. No entanto. Integração Regional. ISSN (versão online): 1984-3526 70 Essas condições posicionadas de forma sustentável no espaço e tempo indicam a transformação dos processos de integração em um bloco econômico. o retrocesso ou a estagnação vão ser muito danosos para os Estados. é o progresso tecnológico autônomo que resultaria da dinâmica regional integrada. considerando a abordagem de organizações internacionais de Rittberg e Zangl (2006). PENNA FILHO. Assim. quanto do interesse nacional dos mais fracos membros do processo (MENEZES. Desenvolvimento e Política Industrial É fato que um processo de integração regional não trate apenas de seu caráter econômico. O formato institucional indica. Balassa (1961) delimita uma série de vantagens e consequências dos processos de integração regional. Em se tratando de processos de integração regional. senão. pode haver um momento em que a volta. de uma condição institucional capaz de transformar as políticas externas dos países membros de um grupo em políticas públicas das instituições.Revista Tecnologia e Sociedade . Nessa situação podem alcançar a posição de polo de poder. correlacionado ao primeiro. Um primeiro diz respeito à economia de escala que proporcionaria o aprofundamento de um processo de integração. 2006). e na resolução dos conflitos que virão em um processo desta magnitude. chamando a atenção para dois planos de impactos importantes para a discussão do presente artigo. ele perde legitimidade. principalmente no que diz respeito ao aprofundamento da integração. da complementaridade econômica e da coesão política e social da área integrada. as instituições possuem um papel-chave na canalização de interesses e objetivos. e um segundo. as intenções que os Estados-membros possuem para a integração. em um desenho de sistema internacional de multipolaridade em blocos. A mesma década de 60 que suscitou o debate sobre instituições internacionais e sobre estas em processos de integração regional também serviu para o debate sobre as implicações econômicas nestes processos. no sentido da unidade de ação de política externa de seus membros. caótica e geralmente bélic¹. Trata-se. uma vez que se conseguem obter economias . sem resultados positivos em termos de desenvolvimento socioeconômico. apesar de as experiências apontarem na direção de liderança da área econômica sobre as demais. e esse nem precisa exatamente ser um viés principal. No próximo item especifica-se um pouco da importância da Política Industrial para o desenvolvimento socioeconômico e o processo de integração regional. por seu turno. 2012. Pode concluir-se que a integração conduzirá a um progresso tecnologico autônomo.1ª Edição. praticamente impossíveis sem uma ruptura conflituosa. por meio de complexos processos políticos e decisórios.

foi da percepção sobre a necessidade de tratar especialmente os problemas de assimetria que a União Europeia criou uma série de mecanismos para a diminuição de seu impacto. 2012. para capacitar o processo em uma direção de indução do desenvolvimento.1ª Edição. necessariamente. Por isso. Espera-se que estes efeitos benéficos da integração sobre as alterações tecnológicas autónomas surjam no Mercado Comum Europeu. a promessa elencada por Balassa aponta para a necessidade de Políticas Comuns de uma forma geral. os segundos pela atuação proativa das estruturas estatais de forma conjunta. Grécia e Espanha. ISSN (versão online): 1984-3526 71 de escala na investigação quer ao nível nacional quer ao nível da empresa. e também é provável que se façam maiores despesas com a investigação e o desenvolvimento após a abolição das barreiras aduaneiras. Esse movimento conferiu-lhe um caráter de bloco . O viés econômico deste autor clássico no estudo de integração alerta para movimentos autônomos e induzidos. 1961.Revista Tecnologia e Sociedade . bem como nos projectos de integração latino-americanos (BALASSA. a resposta veio com mais integração e mais institucionalidade. É de destacar que. da complementariedade econômica e de ganhos mútuos em termos de difusão tecnológica. particularmente o Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional – FEDER. Estudos empíricos mostram como o desenvolvimento tende a ser desigual no espaço e tempo². à medida que a integração encontrava seus limites. esta viria junto com complementaridade. A última conclusão é fortalecida pelas perspectivas de crescimento acelerado numa área integrada. Apesar das controvérsias apontadas sobre as características da institucionalidade da integração no “velho mundo”. Assim. seu caráter neofuncionalista lhe conferiu um movimento de estruturação ad hoc. A institucionalidade da União Europeia não significou. para cada crise ou entrave na integração europeia. e mais recentemente para os antigos países da Europa do Leste (COSTA. p. os primeiros como consequência das atividades individuais de cada ator na economia. mesmo com complexa reintrodução dos problemas de assimetria e de desigualdade de desenvolvimento socioeconômico. ou seja. e que em processos de integração regional podem significar o seu fim. processual. 266). e. indução.O próprio Balassa produz análise específica para alertar sobre os efeitos nefastos que acarreta a falta de uma atenção especial sobre as assimetrias e o desenvolvimento regional desigual. É possível e necessário ir além. Políticas Públicas Comuns em processos de integração devem fazer o mesmo papel para o qual são acionadas nos âmbitos nacionais. Os fundos europeus. 2011ª). Os europeus trataram sua integração desde o início como superação de rivalidades históricas e com problemas de assimetrias. pelo desestímulo com resultados negativos que os membros ou algumas regiões sofrem³. Porém. para tornar a integração algo mais do que competição. e Políticas Industriais em particular. Os alargamentos foram sendo feitos. uma estrutura pensada desde seu início. foram fundamentais para a inserção positiva de Portugal. introduzindo na Política Industrial Comum em processos de integração um olhar para os seus impactos regionais. direcionamento e adequação das dinâmicas integracionistas.

ou seja. na perda de competitividade. bem como no incentivo às pesquisas e desenvolvimentos no seio das indústrias. Efetividade de uma Política Industrial Comum no Mercosul A questão da efetividade de uma Política Industrial no Mercosul passa. ISSN (versão online): 1984-3526 72 econômico. A busca da complementaridade econômica e a diminuição dos impactos das assimetrias. arguindo a necessidade de uma supranacionalidade. Não se trata aqui de cair no erro comum de análise da temática. no apoio às pequenas e médias empresas. a Política Industrial Comum da União Europeia. e uma das principais e foco deste trabalho. O próprio processo de integração da Europa. de disponibilidade de recursos para investimento. minimizando os impactos no desemprego. Consiste. conforme longo estudo de Oliveira (1999). em comunhão com o exposto no item anterior. Tratou-se de um aporte normativo da concorrência e das possibilidades de entrada de empresas estrangeiras. O próximo item é reservado à exposição e ao debate e crítica sobre a situação do Mercosul. como a Associação de Nações do Sudeste Asiático – ASEAN. reconhecido em fóruns internacionais como um só ente negociando com os demais grupos de países (SILVA. há muito estão prensentes no processo de integração regional europeu. a estrutura institucional ali definida para o Mercosul é intergovernamental. de uma visão de médio e longo prazos. no fechamento de empresas. na busca de instituições com densidade suficiente para transformar os interesses nacionais dos Estados membros em Políticas Públicas. em Políticas Comuns do processo de integração. e é com base nela que apontamos a linha argumentativa. a Política de Meio Ambiente.1ª Edição. a Política Industrial reflete toda a fragilidade institucional deste importante processo de integração regional. 2012. a Política de Cooperação ao Desenvolvimento. 2009). incluindo a Política Energética. passando a um mercado comum de forma planejada. em 1994. foi feito considerando os impactos e possibilidades da indústria comunitária por uma Política Industrial Comum oriunda das instituições do processo integracionista e por essa sendo coordenada. Isso significa uma ampla gama de Políticas Comuns. sua institucionalidade e efetividade de uma Política Industrial Comum. precisa-se da internalização legal das normas emanadas do bloco por parte dos Estados . conseguem ter uma forte complementaridade econômica com nenhuma instituição comunitária (OLIVEIRA. Desde o Protocolo de Ouro Preto. pois que arranjos econômicos menos densos que a integração regional. A Política Industrial Comunitária Europeia significou um forte impulso para a indústria da região suportar as transformações da Terceira Revolução Tecnológica. De uma forma geral. necessariamente. 2011ª).Revista Tecnologia e Sociedade . pelo entendimento das limitações e possibilidades que o processo possui do ponto de vista institucional. de produtos do exterior e hierarquia de preferências de importação.

Embora seus objetivos sejam amplos e até indiquem a existência de uma incipiente Política Industrial Comum. como couros. 4 Em uma avaliação geral desde que foi criado . ROZEMBERG.1ª Edição. além de Cadeias Específicas. remetendo à dificuldade de um ambiente para a criação de Políticas Públicas Comuns. Indicadores de Competitividade. mas sim tratar de integrar onde as possibilidades históricas e conjecturas assim os permitirem. pois nenhuma decisão no âmbito do Mercosul estabeleceu uma conduta comum impactante para a complementaridade industrial regional. são formados por representantes dos Estados membros oriundos de órgãos públicos. e a segunda revela a ideia de não formar objetivos de longo prazos. 2007). tem sido capaz de resolver problemas. Outro aspecto relevante é a percepção negativa das elites industriais do Brasil sobre a necessidade de instituições comunitárias densas. tenham validade. possui reuniões ordinárias semestrais e é composto pelos nacionais dos países membros ligados aos seus respectivos Ministérios de Indústria e Comércio. calçados. no sentido de geração de Política Pública Comum. A primeira representa uma política de avanços e retrocessos (stop and O) na integração sempre que houver dificuldade de algum membro. Essa estrutura revela as bases pressupostas de criação e desenvolvimento do bloco pelos seus fundadores. é subsidiário dos órgãos de decisão do Mercosul (notadamente o Conselho do Mercado Comum – CMC). ou seja. criado em 1998. 2002). As assimetrias dificultam uma relação de aprofundamento como resultado das diferentes demandas e ofertas de instituições de cada membro. resultando em uma “inflação normativa” pela falta de decisões (BOUZAS. principalmente os mais importantes. Promoção Industrial. Um outro aspecto relevante é que os Estados membros possuem grandes assimetrias entre si. neste sentido. 2006-2007). para estes. ISSN (versão online): 1984-3526 73 membros a fim de que. e a de Propriedade Intelectual. sua atuação foi limitada. a flexibilidade e o gradualismo. mas não de evitá-los (PEÑA. entre eles os subsidiários como os Subgrupos de Trabalho. Também possui grupos que abordam as questões específicas como Reuniões de Competitividade. Os principais órgãos da integração. Os limitadores de avanço do processo de integração regional mercosulino do ponto de vista institucional são de várias ordens. Essa postura é identificada na literatura de integração como neofuncionalista. Esse órgão. pois que já acostumadas a garantidos canais de acesso pelas instituições nacionais (VIGEVANI. A estrutura do Subgrupo foi se estabelecendo pela criação de Comissões Temáticas: a de Micro. madeiras e móveis. percebe-se que os trabalhos do Subgrupo nº 7 tiveram poucos resultados concretos. O que se pode chamar de Política Industrial Comum no Mercosul resulta dos trabalhos do Subgrupo de Trabalho nº 7 – Indústria e Tecnologia. Pequenas e Médias Empresas e Artesanato. Mesmo com institucionalidade pouco densa. uma representação do bloco nessas principais estruturas institucionais. 2005). principalmente. gerando dificuldades de confiança e planejamento de médio e longo prazos (PEÑA.Revista Tecnologia e Sociedade . A flexibilidade institucional do Mercosul. 2012. . por sua vez. a de Qualidade e Inovação. as regras do jogo criadas não são cumpridas. Não há.

de buscar complementaridade e desenvolvimento socioeconômico conjunto. mas apenas embrionário e retroalimentador. 2012. antes de tudo. de aproveitar as potencialidades de cada país. diante das atas de reuniões ordinárias e extraordinárias. no sentido de produzir os resultados desejados de complementaridade industrial. Além disso. Buscou-se apontar elementos institucionais de processos de integração regional. É certo que nos últimos 10 anos ocorreram muitos avanços estruturais nesta integração. harmonização e aproximação feito pelos nacionais no Subgrupo de Trabalho nº 7 é fundamental. em um trabalho com resultados de médio e longo prazo. a formação de um bloco políticoeconômico. Sua atividade precisaria resultar em decisões de Políticas Públicas Comuns da instituição Mercosul. evidenciando a dificuldade de sua efetividade. Trata-se. ISSN (versão online): 1984-3526 74 o que dificulta a execução dos trabalhos. historicamente dificultados pelas precárias condições macroeconômicas e as consequentes instabilidades. e mais colaborando para a troca de informações e experiências das congêneres nacionais dos Estados membros. Nesse cenário. então o Mercosul precisará ser repensado no tocante ao aprofundamento da integração e ao fortalecimento da sua institucionalidade. que seu papel é fundamental para o início de uma Política Industrial e Tecnológica Comum. . e apesar do pouco material disponível que traga informações sobre as ações do Subgrupo de Trabalho nº 7. de Políticas Comuns entre os Estados partes. em um ambiente cada vez mais multipolar em blocos. e que a Política Industrial Comum mercosulina é limitada a algumas ações de conhecimento.1ª Edição. e de alargar as capacidades de competitividade. O Mercosul possui baixa densidade institucional. cada Estado tenta criar seus mecanismos internos de Política Industrial. mas consistente.Revista Tecnologia e Sociedade . em função da institucionalidade própria deste processo de integração regional. está menos formando Políticas Públicas Comuns. Pensando na agregação dos temas aqui tratados. bem como uma inserção como polo de poder nos sistema internacional. Mesmo assim. Esta é a diferença entre um Processo de Integração e um simples acordo comercial. harmonização e aproximação do Subgrupo de Trabalho nº 7 – Indústria e Tecnologia. Considerações Finais O objetivo deste artigo é discutir a ideia de uma Política Industrial Comum no Mercosul. o prazo e a consolidação lenta. que serviriam de motivador e balisador das preferências dos Estados para materem-se e impulsionarem o processo de integração como um todo. ou seja. Se são consistentes os objetivos dos países membros de alcançarem desenvolvimento socioeconômico. observou-se. o trabalho de conhecimento. e os impactos de uma política industrial comum no desenvolvimento socioeconômico dos países integrados. verificou-se que a estrutura institucional do Mercosul possui sérias limitações para a produção de Políticas Públicas Comuns. para a efetividade de uma Política Industrial no Mercosul. comparados aos anos anteriores de formação.

int/. Acesso entre fevereiro de 2011 e junho de 2012). 1961. (http://www.1ª Edição. Referências BALASSA. talvez uma solução intermediária pra si mesmo. COSTA. dilemas e perspectivas do Mercosul”. o Mercosul e a América do Sul”..Revista Tecnologia e Sociedade . 265286. As relações entre a União Europeia e a America do Sul: convergências e divergências da agenda birregional. Nesse sentido. 1 O caso brasileiro é exemplar: a industrialização desde 1930 produziu grandes desequilíbrios regionais no país. fazer parte da integração tende a ser a melhor escolha possível. Philippe C. 27. IN: SILVA. Hernán. Hamburgo. “Economics and differential patterns of political integration: projections about unity in Latin American”. pp 177-204.mercosur. Joseph S. No entanto. 1974. Karine de Souza Silva. Transgovernmental Relations and International Organization. KEOHANE. PENNA FILHO. e os constantes descontentamentos de Uruguai e Paraguai no Mercosul. 1 Análise baseada nos documentos do Subgrupo de Trabalho nº 7 – Indústria e Tecnologia do Mercosul. mas certamente com consequências danosas para sua economia. Mercosul e União Europeia: o estado da arte dos processos de integração regional. a efetividade de uma Política Industrial Comum do Mercosul passa pelo realinhamento de sua institucionalidade buscando transformar as decisões e aplicações do bloco em Políticas Públicas Comuns. ISSN (versão online): 1984-3526 75 principalmente pela formatação do Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul – FOCEM. sair da zona do Euro seria a melhor solução para a integração. vol. . pp. HASS. Karine de Souza. Florianópolis: Editora Modelo. Instituciones y mecanismos de decisión en procesos de integración asimétricos : el caso MERCOSUR. Lisboa: Livraria Clássica Editora. Arbeitspapier nr. IN: SILVA. pelo efeito demonstração. pesquisados no site da instituição. 2003. da UFSC: Fundação Boiteux. BOUZAS. Roberto. que possui seu fracasso associado ao descontentamento dos países menores com os resultados relativos da integração. Florianópolis: Ed. 4 (autumn. tanto para a Grécia em termos de consequências e capacidades de recuperação. Ernest B. sempre barganhando maiores fatias de benefícios sob ameaças de deixar o bloco (Ver: MALAMUD. “Instituições em processos de integração: êxitos. quanto para a União Europeia. 1 São exemplares os estudos sobre a ALALC – Associação Latino-Americana de Livre Comércio. Institut Für Iberoamerika-Kunde. 705 – 734. Notas__________ 1 Em 2012 apresenta-se a experiência da Grécia como ilustrativo dessa situação. Para este país. Robert. Rogério Santos da. 2006). SHMITTER. 2012. MENEZES. Teoria da integração econômica. 1964). NYE. 2011. SOLTZ. 18. World Politics. pp. august 2002. 2011a. International Organization. no. ______ “Políticas de Desenvolvimento Regional em processos de integração: comparações entre a União Europeia. 1. Bela.

15. Princeton. Volker. “As Instituições da União Europeia e as alterações introduzidas pelo Tratado de Lisboa”. 2006. Instituições internacionais: comércio. IN: SILVA. 325-352. 1999. 2012. Mercosul e União Europeia: o estado da arte dos processos de integração regional. pp. 2006. MENEZES. 1980. Vol. nº3. New York: Palgrave Macmillan. Ricardo. Bernard. RITTBERG. OLIVEIRA. Ijuí: Editora Unijuí.). Odete Maria de. União Européia: processo de integração e mutação. Belo Horizonte: Ed. “As qualidades de um Mercosul Possível”. “De Paris a Lisboa: sessenta anos de integração europeia”. ISSN (versão online): 1984-3526 76 KEOHANE. Karine de Souza. . Mercosul e União Europeia: o estado da arte dos processos de integração regional. O papel da integração regional para o Brasil: universalismo. IN: SILVA. In: ESTEVEZ. PENNA FILHO. Florianópolis: Editora Modelo. Alfredo da Mota. Buenos Aires. 2011a.Revista Tecnologia e Sociedade . segurança e integração. Florianópolis: Editora Modelo. ______. Paulo Luiz (Org. Documento de Divulgación nº 31. PEÑA. ZANGL. 2007. PUCMinas. Pio. 2009.1ª Edição. PEÑA. Karine de Souza. dez/jan/fev 2006-2007. “Integração regional na América Latina: teoria e instituições comparadas”. Rio de Janeiro: Campus/Elsevier. NJ: Princeton University Press. Curitiba: Juruá. Andrés. Integração Regional: Blocos econômicos nas Relações Internacionais. ______. Brasília. After Hegemony: Cooperation and Discord in the World Political Economy. SILVA. Karine de Souza. politics and policies. Una aproximación ao desarrollo institucional del Mercosur: fortalezas y debilidades. Velhos e novos regionalismos: uma explosão de acordos regionais e bilaterais no mundo. I Encontro da ABRI – Associação Brasileira de Relações Internacionais. Felix. Celi. VIGEVANI. MALAMUD. BID/Intal. pp 103-154. 2003. International Organization: polity. soberania e a percepção das elites. Tullo et al. pp 17-64. Política Externa. Robert. ROZEMBERG. Out/2005. 2011.

gil@ifpr. . in Curitiba Sileide France Turan Salvador Ana Helena Corrêa de Freitas Gil Eloy Fassi Casagrande Júnior 6 Resumo Esse trabalho busca destacar a necessidade de aprofundar o conhecimento das relações que envolvem políticas públicas. Possui Graduação em Estudos Sociais e Educação Moral e Cívica pela Faculdade de Ciências Letras e Educação de Presidente Prudente (1985).Revista Tecnologia e Sociedade .1989). Curitiba. Graduação em Geografia pela Faculdade de Ciências Humanas e Sociais de Curitiba (1991). Cultura e Representação com a pesquisa sobre Palcos do Cotidiano: O bairro urbano como espaço de ação e da expressão teatral. concluiu o doutorado em Engenharia de Recursos Minerais e Meio Ambiente pela Universidade de Nottingham em 1996 e o Pós-Doutorado no Instituto Superior Técnico (IST-Portugal) em 2007. conhecer o processo permite o entendimento dos fatores internos e externo que influenciam e/ou modificam o as estratégias de sustentabilidade na Copa do Mundo 2014. sua avaliação e a sustentabilidade dinâmica.Inglês pela Universidade Tuiuti do Paraná-UTP (1998) pela Universidade Federal do Paraná.Brasil.1ª Edição.salvador@ifpr. Mestrado em Geografia pela Universidade Federal do Paraná (2003) com o tema: Shopping Centers em Curitiba: Novos espaços de consumo e lazer. Eloy Fassi Casagrande Júnior: Professor Doutor do PPGTE/UTFPR. 6 Sileide France Turan Salvador: Mestre em Tecnologia. Atualmente é Coordenador do Escritório Verde e professor do Departamento Acadêmico de Construção Civil e da PósGraduação da Universidade Tecnológica Federal do Paraná. É professora do Instituto Federal do Paraná. Palavras-chave: Sustentabilidade. 2012.br Ana Helena Corrêa de Freitas Gil: Professora Doutora em Geografia do Instituto Federal do Paraná . ISSN (versão online): 1984-3526 77 Sustentabilidade nas Construções da Copa 2014.com.Campus Curitiba.Campus Curitiba. Possui Mestrado em Tecnologia pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná.Campus Curitiba . em Curitiba. Portanto. Especialização em Geografia Física (UNICENTRO -1991) e Especialização em Magistério Superior (TUIUTI. UTFPR (2010). Também é autora de livros didáticos do Ensino Fundamental pela Base Editora. Doutorado em Geografia pela UFPR (2011) na linha de pesquisa: Território.Brasil. Apresenta as características desejáveis em uma construção sustentável. PósGraduação em Especialização em Formação de Professores em EAD pela Universidade Federal do Paraná-UFPR (2001) e Graduação em Licenciatura em Letras Português .casagrande@gmail. O estudo busca analisar a função social da construção sustentável na Copa 2014 e a conectividade urbana e econômica e social. Copa do Mundo 2014.edu. atuando no ensino de Língua Inglesa para o Ensino Médio. E-mail: eloy.edu. professora do Instituto Federal do Paraná – IFPR . E-mail: sileide. em Curitiba Sustainability on Constructions of the World Cup 2014. E-mail: ana.com. Políticas Públicas.

apresentar uma análise histórico-processual das políticas públicas que norteam a implementação . um equilíbrio sistêmico composto pelas interações entre os sistemas envolvidos na organização do megaevento. com objetivos e estratégias analisadas a partir de um ponto de vista exploratório e bibliográfico. que se propõe a ser um evento sustentável. transporte. em Curitiba. O Brasil se organiza para sediar a Copa 2014. World Cup 2014. que atuam nas seguintes categorias: a conservação de energia e mudanças climáticas. neste artigo. sustentabilidade e sociedade. Torna-se primordial. integra espaços. Como recurso metodológico de pesquisa básica qualitativa e análise (MARTINS. ISSN (versão online): 1984-3526 78 Abstract This work aims to emphasize the need to deepen the understanding of the relationships that involve public policy. no qual o problema é apresentado numa perspectiva qualitativa. uma pesquisa básica. quando são adotados os procedimentos abordados. a Copa 2014. Keyword: Sustainability. Busca-se. O estudo também ressalta ações de sustentabilidade que já possuem certa visibilidade social. porém. Therefore. integra conhecimentos. knowing the process allows an understanding of internal and external factors that influence and / or modify the sustainability strategies in the World Cup 2014. mobilidade e acesso. após densa pesquisa. nesta estratégia. nessa primeira fase. The study analyzes the social role of sustainable construction in the 2014 World Cup and urban connectivity and economic and social development. períodos e contextos num processo contínuo (JIMÉNEZ HERRERO. Curitiba. como analisar essa implementação e estruturação? Esse trabalho que considera os impactos da Copa do Mundo de 2014. o artigo apresenta aspectos da Copa 2014 que são característicos de megaeventos esportivos e da sustentabilidade. its dynamics and sustainability assessment. desenvolve-se. como ideia central do desenvolvimento sustentável. in Curitiba. ações. Seguindo a proposta de Martins e Theóphilo (2007). Public Policy. Introdução A sustentabilidade. 2000). agentes e ferramentas de mensuração eficazes. água. THEÓPHILO. edifícios verdes e estilo de vida sustentáveis.1ª Edição. 2007). tem como objetivo verificar as estratégias utilizadas nas construções relacionadas com a Copa 2014.Revista Tecnologia e Sociedade . Esse processo está composto por uma meta organizacional e ações objetivas que interligam políticas públicas. It presents the characteristics desirable in a sustainable building. objetivado sinalizar as várias possiblidades de divulgação dessas práticas. além da construção sustentável. 2012. paisagem e biodiversidade. O contexto do trabalho perpassa pelos pressupostos da responsabilidade na conservação do meio no qual se vive e na realidade construída de que pensar globalmente envolve agir localmente. gestão integrada de resíduos. identificando os conceitos de sustentabilidade desenvolvidos em Curitiba. Na perspectiva de um megaevento sustentável.

Portanto. baseada em análise documental. construção sustentável. 2012. ISSN (versão online): 1984-3526 79 das estratégias de sustentabilidade nas Copas anteriores e que orientam a Copa 2014. Os eventos sustentáveis apresentam três temas que norteiam o desafio do estabelecimento da sustentabilidade em suas estruturas. mobilidade e acesso. gerando. Construção Civil e a Sustentabilidade. denominado “Brasil Sustentável: Impactos socioeconômicos da Copa do Mundo de 2014” foram priorizados sete passos para a Copa Verde. precisa administrar seus riscos. 2010. De acordo com um ensaio preliminar de indicadores feito pela Ernst e Young (2010). uma visão holística sobre essa política pública no que diz respeito à comunidade local. substâncias perigosas e eficiência do uso de recursos naturais (ERNST. os sete passos para o sucesso da Copa Verde são: conservação de energia e mudanças climáticas. e. dos indicadores. as ações e os objetivos propostos inicialmente.Revista Tecnologia e Sociedade . o artigo segue a seguinte estrutura: arcabouço teórico explicitando os seguintes temas – Mega Eventos e A Sustentabilidade. gestão e sustentabilidade. Há seis áreas que deveriam ser abarcadas para que a Copa seja realizada em algum país estão elencadas no United Nations Environment Programme (UNEP).18). são apresentadas as considerações finais. deixando um legado futuro que ultrapasse o tempo em que o evento durar. dessa forma. São elas: mudanças climáticas. sociedade e meio-ambiente. Além desta seção introdutória. agregar valor à economia local e educar os participantes do evento sobre os benefícios da sustentabilidade. 2009). governança do meio ambiente. um evento sustentável. p. reutilizar e usar de maneira responsável os recursos naturais disponíveis. transporte. dos impactos e legados sustentáveis advindos do megaevento na cidade (GELINSKI. onde estão estabelecidas as relações entre os pressupostos teóricos. Inseridos no corpo textual das seções são mencionadas algumas ações da construção sustentável. As práticas adotadas devem: proteger. Essas práticas devem ser o marco de uma cultura sustentável (MUSGRAVE. desenvolve-se. simultaneamente riquezas que atinjam diversas camadas da comunidade. em um conceito que impeça a degradação do ambiente. em Curitiba. manejo de ecossistema. avaliação do processo. reciclar. Assim sendo. . água. Posteriormente. YOUNG. identificados conforme o padrão preestabelecido de responsabilidade socioambiental dos estados e áreas prioritárias do Green Goal e a realidade particular brasileira. paisagem e biodiversidade. 2008). impactos. enquanto capital escolhida precisa desenvolver projetos caracterizados pela sustentabilidade ambiental e econômica. garantindo que as futuras populações e gerações sejam beneficamente afetadas por suas ações.1ª Edição. SEIBEL. gestão integrada de resíduos. edifícios verdes e estilos de vida sustentável. Segundo o documento. Esses temas compõem o triple bottom line ou tripé da sustentabilidade: economia. desastres e conflitos. Curitiba.

ISSN (versão online): 1984-3526 80 Mega Eventos e a sustentabilidade Em 1987. 16) os megaeventos como a Copa do Mundo costumam constituir-se em modelos para ações futuras e adoções de políticas nacionais. onde se oficializa o termo “desenvolvimento sustentável”. em 1997. lançou o Relatório Brundtland – intitulado também como Nosso Futuro Comum (Our Common Future). a “Jornada para a Copa de 2014”. então. Ele destacou. as interconexões são legados de curto.1ª Edição. 2012. os genes. destacam-se: a proteção da biodiversidade que envolve as espécies. simultaneamente. 2011). Surgiram. Numa retrospectiva histórica. reduzindo a dependência de combustíveis fósseis não renováveis e. CLAVELL. otimizando a relação com formas de energias renováveis. os sistemas naturais. destaca pressupostos de tecnologia. p. Alcançar-se um bom desempenho na promoção do desenvolvimento sustentável através desse tipo de competição global significa ter que . O conceito de legado aparece em 1956. A eficiência. Analisando os componentes inter-relacionados e que necessitam passar pela revolução da sustentabilidade.Revista Tecnologia e Sociedade . os aspectos ambientais e de sustentabilidade envolvidos no processo. médio e longo prazo com componentes mensuráveis e imensuráveis. no contexto da Olimpíada de Melbourne. importa recordar que foi em julho de 2010. e realizada na África do Sul. a contenção do uso e produtos químicos nocivos e aspectos econômicos e políticos que recompensam as estratégias benéficas ao meio ambiente e desencorajam os comportamentos prejudiciais. no decorrer da última Copa do Mundo organizada pela Fédération Internationale de Football Association (FIFA). a segunda conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) para discutir os problemas socioambientais globais. como conexão entre megaeventos e as políticas públicas de desenvolvimento (FUSSEY. importantes conferências e documentos como o Protocolo de Quioto. novas diretrizes. enquanto capacidade de planejar estratégias para minimizar o desperdício de recursos de ordem material e energético. através de seu então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. oficialmente. na época. sustentabilidade e inovação. os processos químicos e biológicos. o recorte principal tratava da sustentabilidade como o atendimento das necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de que as gerações futuras atendam as suas próprias necessidades. que o Brasil lançou. em seu discurso. componentes da Terra. torna-se importante destacar que. Quioto alertava com mais rigidez para as consequências do efeito estufa e do aquecimento global. Considerando essa concepção de revolução sustentável. o megaevento de 2014 que ocorrerá no Brasil. Essa iniciativa do governo brasileiro traz consigo desafios e oportunidades para o país-anfitrião. Inserido no conceito de Copa Sustentável. a prioridade de que o futuro megaevento fosse uma “Copa Verde” e que se mostrasse ao mundo o compromisso brasileiro no que tange à sustentabilidade ambiental. Sente-se a necessidade de agregar. Também como um componente enquadra-se a prevenção da poluição ou degradação ambiental. na análise dos impactos socioeconômicos. Segundo Ernst e Young (2010.

Apresentando um breve histórico desse megaevento. os países registrados e participantes da FIFA. valorizar e ajudar a promover e proteger a biodiversidade brasileira. . Na ocasião. Holanda. sustentabilidade e tecnologia são categorias que. a conjunção de interesses econômicos. as principais diretrizes para o evento no Brasil. incentivar a mobilidade e circulação sustentáveis. podem redefinir o papel Estado. necessitando caracterizar um autêntico processo democrático (SILVA. utilizar a água de maneira racional. neutralizar suas emissões de gases de efeito estufa (GEE) e cooperar com o combate ao aquecimento global. . promover a sustentabilidade ambiental com inclusão social. promover o ecoturismo nos biomas brasileiros. políticos. 2009). p. Segundo Langone (2009). sob as diretrizes da FIFA. e . No ano de 1904. .1ª Edição. . incentivar e alavancar negócios verdes. Para que as políticas públicas representem a forma mais democrática de adequação e estabelecimento do alicerce para a obtenção do crescimento sustentável. vinculadas a um megaevento como a Copa do Mundo de 2014. estruturas e operacionais (BELLEN. eficiência energética. FGV PROJETOS. “Para os governos. 2012. sociais e comerciais. a 4° Edição do Manual de Especificações Técnicas para Estádios de Futebol. Em 2007 foi publicado pela FIFA. ocorreu a primeira Copa do Mundo com jogos amistosos que ocorreram entre as comunidades britânicas. . são: .Revista Tecnologia e Sociedade . foi criada em maio de 2010 uma Câmara Temática Nacional de Meio Ambiente e Sustentabilidade (CTMAS) sob a coordenação dos Ministérios do Esporte e do Meio Ambiente. bem como pelos ganhos de imagem e visibilidade que possam depois ser revertidos em capital político” (ERNST & YOUNG. ISSN (versão online): 1984-3526 81 contribuir para a redução de custos sociais e ambientais. Bélgica. a FIFA registrava sete países associados: França. refletindo-se em políticas públicas inovadoras que agreguem novas tecnologias conceituais. além de colaborar para maior integração entre os vários atores da sociedade e o desenvolvimento contínuo das pessoas. o sucesso da Copa poderá ser medido pelo aumento da arrecadação e geração de riqueza. vale registrar que. 52-53). 2010. essa instituição passou a traçar diretrizes para futuros eventos internacionais. CASTRO RAULI. Neste Manual constam exigências e pressupostos como: decisões de pré-construções referentes às . faz-se necessário que essas políticas apresentem um planejamento que integrem a sociedade. Inovação. Espanha. Dinamarca. . ineficiências e desperdícios. . em maio. em 1872. Assim. . Seguiu-se a criação de Câmaras Estaduais. são mais de 213. construir estádios com sustentabilidade. para a Copa do Mundo 2014. Suécia e Suíça. Para lidar com este desafio. Atualmente. foi criada a FIFA – Federação Internacional da Associação do Futebol. 2005). das comunidades e dos relacionamentos entre a sociedade e o meio ambiente. incentivar o consumo de produtos orgânicos e/ou sustentáveis.

como: o mapeamento dos impactos e legados econômicos. O Green Goal destaca quatro áreas temáticas: água. permite que o país receba a liberação que reifica a aptidão do país candidato para gerir a Copa do Mundo. Com a chegada da sustentabilidade aos megaeventos. Green Building Council (USGBC). A investigação apresenta os arranjos para o Megaevento Copa do Mundo de 2014 em Curitiba. redução no consumo de energia com o uso de fontes renováveis. que destaca a necessidade da redução das emissões de CO2 em eventos. proporciona visibilidade mundial às técnicas sustentáveis e a eficiência dos estádios. 2012.Leadership in Energy and Environmental Design. com sucesso. ISSN (versão online): 1984-3526 82 dimensões mínimas e capacidade de público. o meio ambiente na pauta das Copas do Mundo. Seguidos pelo comitê organizador do país-sede. buscam-se os resultados de pressupostos. diretrizes referentes à energia e iluminação. no que diz respeito à comunidade local. localização dos estacionamentos. orientação das tribunas para mídia. resíduos. Segundo o Green Goal Legacy Report da Copa da Alemanha (2006). Como legado. esse megaevento. Abrangem a construção. vestiários e acessos. a segurança e a hospitalidade. eficiência no uso da água e no tratamento de esgoto. impactos. orientação do campo. se constitui no selo de certificação para edifícios sustentáveis e está sendo recomendado pela FIFA para que todos os estádios estejam aptos à adoção do mesmo. gestão e sustentabilidade. diretrizes para segurança pública. Assim. 2003). Para analisar se o processo para a execução da Copa 2014. sem hierarquizações socioculturais e ao mesmo tempo. Sendo um selo de reconhecimento internacional. servindo de modelo exemplo para os eventos subsequentes. foi apresentado pela FIFA o programa Green Goal. iniciativa inovadora que busca viabilizar a sustentabilidade ambiental do evento. à grama.1ª Edição. econômicos e ambientais. é possível apresentar uma linha do tempo relacionando a Copa do Mundo e a aplicação das tecnologias de sustentabilidade. cabendo a cada país elaborar projetos no contexto da realidade local. destacou. a sustentabilidade passou a estar presente nos eventos esportivos. às arquibancadas. energia e transporte sobre as quais devem ser estabelecidas metas mensuráveis para neutralizar os impactos no clima global (FIFA. em Curitiba – PR é viável. Sob uma visão holística das políticas públicas adotadas. conforto e hospitalidade. embasados em . com propostas economicamente viáveis de mínimo impacto ao meio ambiente. uma organização sem fins lucrativos criada nos Estados Unidos e com representação em diversos países.Revista Tecnologia e Sociedade . com estímulos como o LEED . selo criado em 2000. As diretrizes do Green Goal encontram-se no caderno de encargos da FIFA. um programa focado na sustentabilidade. na Alemanha. sociais. o uso de materiais e recursos e a qualidade do ambiente interno (LEED. culturais e seus efeitos temporais a curto. Em 2006. inovação e processo do projeto. Fornece orientações sobre o Green Goal. médio e longo prazo. A certificação pretende a busca por estratégias construtivas mais sustentáveis determinadas através da adoção de critérios como: localização.S. pela primeira vez. num conceito includente. três abordagens se destacam: os aspectos sociais. 2009). pela U. também esclarece questões como a área do jogo relativo ao tamanho.

ciência e sociedade. 2012. Interpretando os aspectos conceituais. estabilidade e conforto. Para a segunda abordagem. vale esclarecer que na primeira abordagem se supõe a ciência e a tecnologia como categorias inexoráveis. inibindo a mudança social. em Curitiba (FREY. É o isolamento da ciência e da tecnologia. sociais.Revista Tecnologia e Sociedade . Na perspectiva da sustentabilidade as construções respondem às complexidades que perpassam adequações climáticas e ambientais. tecnologia e sustentabilidade. com autonomia e caminho próprio. caracterizar os novos edifícios com maior desempenho e autonomia. podendo ou não influenciar a modificar a sociedade de alguma forma. Busca-se. através de um sistema tecnológico inovador. inovação. não focados nas relações com a sociedade. 2000). conceituais e políticos da Copa de 2014. destaca-se a compreensão da tecnologia como técnica que ressalta aspectos deterministas. Outra corrente concebe a tecnologia como construto de reações sociais. ISSN (versão online): 1984-3526 83 objetivos.1ª Edição. Essas categorias são elementos diferencias na percepção da construção dos aspectos simbólicos. Construção civil e a sustentabilidade O mundo ocidental vive um momento diferenciado no que diz respeito às mudanças de paradigma no universo da arquitetura e das construções com a busca da sustentabilidade. e/ou concebe a ciência e tecnologia como pressuposto otimizador do desenvolvimento científico e tecnológico Ao explicitar as posições conceituais acerca da tecnologia. Portanto. pode-se considerar a seguinte figura: . o uso da ciência e tecnologia é socialmente determinado e tende a estabelecer reproduções nas relações sociais. analisando as dimensões da sustentabilidade. segurança.

através da limitação do uso de recursos não renováveis e/ou prejudiciais ao ambiente. essa dinâmica cria um desenvolvimento social plural. tecnologia e inovação. a intensidade da poluição e a melhoria na capacidade dos recursos naturais. uma busca pela equidade. na sustentabilidade ecológica. Considerando as dimensões da sustentabilidade apresentadas. simultaneamente. 2012. com base nas concepções do ser e não do ter. destacam-se.ambiental.Revista Tecnologia e Sociedade .1ª Edição. . civilizatório. aspectos como: a articulação de mecanismos que intensifiquem a pesquisa de tecnologias limpas com a consequente definição de estratégias e regras de adequação à proteção social. ISSN (versão online): 1984-3526 84 Fonte: CASAGRANDE JR. Também. Socialmente. importa compreender que essa dimensão promove uma melhoria na alocação. Vale ressaltar que as dimensões culturais e sociais perpassam tanto o respeito às tradições culturais de construção como introduzem modelos de modernização capazes de integrar soluções particulares de sustentabilidade que interagem com múltiplos sistemas de produção. 2011 Os aspectos apresentados por Casagrande (2011) ressaltam a aproximação entre sustentabilidade. arranjos e gestão dos recursos numa abordagem eficiente de apropriação de investimentos privados e públicos. A sustentabilidade nas edificações torna-se um mecanismo de estímulo da participação social para o desenvolvimento sustentável. com a redução de custo sócio. Sobre a sustentabilidade econômica. promove-se.

O uso de técnicas simples como reaproveitamento e reciclagem e o armazenamento e adequação das formas de transporte. ALÉM. pois esse profissional divulga as inovações tecnológicas e sustentáveis.1ª Edição. todos se beneficiam da produção de bens públicos mesmo que eventualmente. numa conecção de novos meios de representar conceitos e práticas.Revista Tecnologia e Sociedade . além de regular a drenagem da água. alguns mais do que outros. podem causar a poluição dos rios e lagos. (FLORIDA. enfrentar o desafio da inovação. 4) Destacando possíveis critérios de sustentabilidade na construção. recebessem um tratamento específico desde sua terraplanagem até a execução. Os bens públicos são aqueles cujo consumo/uso é indivisível ou “não rival”. arquiteta auditora das certificações Acqua e Leed. De acordo com Daniela Corcuera. pedriscos. num gesto de pensamento criativo indutivo.. p. p. nutrientes e a biodiversidade de micróbios e insetos. a ação dos poluentes afetaria minimamente o meio ambiente.] o engenheiro é hoje um herói da cultura pop. ISSN (versão online): 1984-3526 85 Nessa abordagem das dimensões da sustentabilidade. 2012. o seu consumo por parte de um indivíduo ou de um grupo social não prejudica o consumo do mesmo bem pelos demais integrantes da sociedade. 2007). evitam poeira e poluição advinda do canteiro de obras (RESENDE. fumo e névoa). gases poluentes. 2011). a aspersão de água e construção de barreira física em caso de demolição e a lavagem dos pneus. palha ou mantas plásticas para cobrir e reter o solo (GUEDES. e bens intangíveis como: justiça. segurança pública e defesa nacional. a ação das chuvas e o freqüente tráfego de veículos durante a execução da obra favorecem o enfraquecimento do solo causando o assoreamento e a perda de todo o equilíbrio vegetal contido no mesmo. Contudo. importa ter uma ideia.. levados pela ação das chuvas. podem ser ressaltadas: o combate à poluição. buscando um melhor aproveitamento do processo construção e gestão dos bens públicos. 2011. irrigação e pesticidas. os quais controlam as enfermidades e pragas e conferem um equilíbrio na vida vegetal. O terreno natural contém matéria orgânica. há considerações apresentando que [. Em outras palavras. conservando o equilíbrio do habitat Podem ser utilizados elementos como cascas de árvores. como o CO2 (gás carbono) e o SO2 (dióxido de enxofre). São técnicas simples como o rebaixamento das caçambas. Ou seja. São exemplos de bens públicos: bens tangíveis como as ruas ou a iluminação pública. (GIAMBIAGI. também é uma das formas de prevenir a poluição. Por isso. . próximos à edificação. Se as obras que geram emissão de detritos e materiais como: particulados (poeira. demandando o aumento de fertilizantes. do ar ao solo. 2011. Impedir a erosão do solo que ocorre devido aos desgastes do terreno receptor das atividades de construção. fumaça. Este fato pode restringir a viabilidade de plantios futuros. 209). os quais. uma forma eficaz de evitar esta poluição é o plantio de gramíneas adequadas e de rápido crescimento durante o processo de construção ajuda a impedir a erosão do solo e preserva as matérias orgânicas e os nutrientes naturais do solo.

Para Frota e Schiffer (1999. varações de intensidade.” Cabe organizar estratégias de gestão em um organograma de atividades – “planejamento. componentes cerâmicos e peças prémoldadas). através de criteriosa triagem. Para a Resolução CONAMA n° 307. priorizando a ventilação natural. são quatro as classes de resíduos da construção civil que podem ser consideradas: os agregados (componentes de pavimentações. 2012. o ambiente e a sociedade. Também natural. o qual é formalizado conforme a Resolução CONAMA n° 307. na maioria das vezes. reduz o desperdício. Desde condições climáticas. 2009). duchas e torneiras hidromecânicas. Através da reciclagem dos materiais evita-se e/ou deduz-se o desperdício e através da limpeza e organização do canteiro de obras. Fatores que agregam valor a essa proposta: “o desenvolvimento regional devido à demanda de trabalho e à movimentação da economia local. analisando a condição de conforto térmico diante de diversas funções e atividades desenvolvidas pelo grupo humano que disporá da construção. a utilização de materiais regionais e reciclados é uma prática ser estimulada. "A ventilação natural é o deslocamento do ar através do edifício. devem ser as entradas de iluminação no ambiente. reduzindo a emissão de poluentes e CO 2. Torna-se fundamental que a remoção e destinação dos resíduos seja monitorada e que os processos de coleta e armazenamento recebam tratamento especializado tanto no que tange ao material a ser reciclado como ao material que apresenta periculosidade. e. através de aberturas. madeiras e outros). formalizou os procedimento em grandes obras. Esse documento especifica os agentes: “o órgão público municipal (responsável pelo controle e fiscalização). mecanismos controladores que permitem o controle da vazão da água. com práticas sustentáveis pode valer-se de dispositivos reguladores. refletores. Há duas categorias que devem ser balizadas na construção sustentável: a gestão da utilização da água. implantação e monitoramento – que irá subsidiar o trabalho e todo o controle dos resíduos internos e externos à obra”. . variações metabólicas dos indivíduos até mutações de temperatura e umidade.1ª Edição. considerando fatores como: cores claras. e os transportadores (responsáveis pela destinação aos locais licenciados). os geradores de resíduos (responsáveis pela observância dos padrões previstos na legislação específica). são aceitáveis situações como a distância entre o local da obra a ser construída e fonte fornecedora em um raio máximo de 800 km e também a utilização de no mínimo 10% de materiais sustentáveis na edificação (LEED. vidro. painéis fotovoltaicos e concepção de circuitos autônomos são estratégias de eficácia da sustentabilidade operacionalizada.Revista Tecnologia e Sociedade . 124). p. é mais barato pela produção contígua ao local da obra”. recicláveis com outras destinações (plásticos. Ao conceber um edifício importa considerar as condições de conforto térmico. dispensa o longo transporte para a entrega dos materiais. Para a certificação pelo Green Building Council Brasil (LEED). Ao priorizar as luzes naturais e bem planejar o sistema de iluminação artificial. como saída". metais. ISSN (versão online): 1984-3526 86 Atualmente existe o projeto de gerenciamento de resíduos em obras com grandes percentuais de entulhos. umas funcionando como entrada e outras. papéis. Considerando o custo-benefício para a economia. evita-se acidentes de trabalho. resíduos perigosos e não recicláveis.

limpeza das áreas externas. Para os responsáveis pelo projeto.maio/2012). terá a inclusão de 10 quilômetros de ciclovias dentro do projeto de adequação da cidade para a Copa do Mundo de 2014. encheriam os aterros e agora passaram a ser reaproveitados. buscando melhorar a climatização dos espaços internos. irrigação do gramado e jardins. entre outros. Além dos impactos causados por esses mecanismos. a redução de seu consumo e o estímulo à adoção de novas atitudes e comportamentos não estão claras e definidas. As estratégias articuladas pela Arena da Baixada visando o uso racional da água. que investiu no exterior do edifício. 2012 . estão buscando a sustentabilidade no que se refere às sobras dos materiais. através de telhados e pátios adequados. Revestimento – Policarbonato Manejo de Resíduos Reuso da água Reservatório de água de chuva 10 quilômetros com sentidos opostos MOBILIDADE (SIM) Terminal Trincheira Viaduto Corredor Metropolitano Capacitação para a Sustentabilidade ARENA DA BAIXADA OBRAS PREVISTAS CICLOVIA CAPACITAÇÂO PROFISSIONAL Fonte: AUTORES. Também há registros de que as 12 sedes terão reservatórios de água de chuva. Infelizmente são mínimos os registros das práticas sustentáveis para a Copa 2014. Finalizando. ISSN (versão online): 1984-3526 87 bacias sanitárias com caixas acopladas e/ou acionamento de descarga com sensor de presença (FGV. que. a ideia gerará uma economia de 30% no sistema de ar-condicionado em relação aos modelos convencionais. conferindo agilidade às dinâmicas do ambiente construído. 2010). com sentidos opostos. que devem incluir as diversas as mais diversas categorias. A obra com práticas sustentáveis para a Copa 2014 da qual há registro refere-se à Arena da Baixada. (EcoDesenvolvimento. a mídia indica que todos os estádios-sedes dos jogos da Copa do Mundo de 2014.org. No aspecto da destinação de materiais de construção. 2012.1ª Edição. A ciclovia perpassará os dois lados da avenida. mais conhecida como Avenida das Torres. importa destacar a questão da acessibilidade tanto na esfera da construção em si como aos possíveis meios de transportes. Outra obra sustentável é a requalificação da Avenida Comendador Franco. normalmente. é possível planejar a reutilização da água pluvial na construção. totalizando 20 quilômetros de infraestrutura cicloviária. revestindo-o com policarbonato.Revista Tecnologia e Sociedade . que serão utilizadas nas descargas dos sanitários. em Curitiba.

IAP. Colombo. As obras contemplam: estádio verde (certificado). As variáveis socioeconômicas precisam estar inseridas nas soluções tecnológicas. destacam-se um novo sistema climático global e numa nova fase dos compromissos do Protocolo de Quioto. inclusão social e compromisso com o meio ambiente. 2005). se. passados os eventos. redução e compensação das emissões de carbono. mudanças climáticas e desenvolvimento de capacidades. a Copa do Mundo de Futebol em 2014 e. importa analisar se a Copa 2014 está se configurando e/ou será sustentável. IPD. pode-se destacar a reforma e ampliação do terminal Santa Cândida. além do viaduto da Av. COMEC. para isso. das Torres. o desenvolvimento social e a proteção do meio ambiente. Considerações Finais O Brasil. a trincheira da rua Guabirotuba. colaborativa e responsável. manejo de resíduos. Casa Militar. no Corredor Metropolitano faz-se relevante a interligação dos municípios de Curitiba. esta é uma década palco de decisões fundamentais no que tange a relação com um novo regime global de mudanças climáticas. capaz de inserir crescimento econômico. corporativa. em trecho de 52 quilômetros. tanto em aspectos de marketing de imagem do país como no reconhecimento de uma gestão de qualidade. a partir do que for estabelecido no foro internacional para os próximos dois anos (ONU. ao realizar a Copa 2014 como um evento sustentável busca minimizar possíveis impactos negativos que possam vir a ser causados ao meio ambiente durante a execução das obras de grande porte. 2012. Instituto das Águas. gestão. Segue: a Copa das Confederações em 2013. UTFPR. com o estabelecimento de diretrizes e metas de redução de emissões de GEE (BRASIL. fazenda Rio Grande a Araucária. impactos e legados de grandes eventos. que considera um celeiro de oportunidades e desafios. Busca-se a redução de custos e a maximização dos benefícios. Para que um empreendimento seja considerado sustentável importa analisar se ele é ecologicamente correto. 2005).Revista Tecnologia e Sociedade . Almirante Tamandaré. energias renováveis. Piraquara. Já. SMMA. os grandes estádios construídos de forma . permeado por justiça social. Portanto. Esses eventos se iniciam com a Cúpula das Nações Unidas Sobre Desenvolvimento Sustentável que ocorrerá em junho de 2012 no Rio de Janeiro. Na perspectiva sustentável importa o equilíbrio entre os aspectos econômicos. economicamente viável e bem aceito culturalmente. são José dos Pinhais. Vale observar. estão citadas as obras sustentáveis previstas como otimizadoras da Copa 2014 e o que as torna relevantes. Em relação à estruturação. Na esfera político-ambiental. ALEP e Câmara Mundial (PORTAL DA COPA. Detalhando o Sistema Integrado de Mobilidade (SIM). ISSN (versão online): 1984-3526 88 Acima. 2012). na abrangência das políticas públicas. a (Rio+20). No âmbito social dá-se visibilidade à capacitação profissional para a sustentabilidade realizada pelo SEMA. Pinhais. as Olimpíadas no Rio de Janeiro em 2016. buscando um legado ambiental de longo prazo. em termos de sustentabilidade são a possibilidade de reduzir os impactos negativos e maximizar os impactos positivos.1ª Edição. o Brasil decidiu investir nesse campo.

Trad. Políticas Públicas: um debate conceitual e reflexões referentes à prática da análise de políticas públicas no Brasil. Referências BELLEN. Anésia Barros. In: BARBIERI. 2012. A Ascenção da Classe Criativa. Ana Luiza Lopes. FLORIDA. bem como a continuidade do latejo econômico. a cidade de Curitiba – Paraná – Brasil. Curitiba. Manual de conforto térmico. K. CASAGRANDE JR. busca uma melhoria nos seus setores vitais para a economia. Além da visibilidade. em sua segunda fase. considerando sua assimilação no megaevento Copa 2014 de valores que consubstanciando em novas práticas. EcoDesenvolvimento. buscará a formação do conceito de construção sustentável no recorte da Copa 2014. UTFPR: Florianópolis. impulsionando.org. SIMANTOB. o desenvolvimento municipal e regional. Set.Jun. SCHIFFER. Atlas. e as atuações no megaevento. . Eloy Fassi. pode melhor preparar-se para ser uma das cidades-sede da Copa de 2014. localizada na região sul do país. 3ed. através da análise das novas tecnologias sustentáveis e se contribuem para a mudança de valores. Porto Alegre.C.Revista Tecnologia e Sociedade .1ª Edição. nº 21 . J. Sueli Ramos. 2005. Brasil sustentável: Impactos Socioeconômicos da Copa do Mundo de 2014. 1999. Indicadores de Sustentabilidade: comparativa. H. José Carlos. 2007. Planejamento e Políticas Públicas. FREY. R. Organizações inovadoras sustentáveis: uma reflexão sobre o futuro das organizações. através de seu uso pela comunidade.org. Inovação Tecnológica & Sustentabilidade: o Futuro da Construção da Construção Civil.ecodesenvolvimento. São Paulo: Studio Nobel. O trabalho. Disponível em: http://www. pretende beneficiar-se com a dinâmica econômica obtida com investimentos e o grande fluxo turístico. FGV Editora. 2011. 2011.M. São Paulo. melhorar setores que são vitais à economia. 2000. ISSN (versão online): 1984-3526 89 sustentável possibilitarão a continuidade do exercício da função social. 2010. Organizações inovadoras sustentáveis. Iniciativas sustentáveis na construção das arenas da Copa do Mundo de 2014. os agentes.br/posts/2012/maio/iniciativassustentaveis-na-construcao-das-arenas#ixzz205aPM69k ERNST. M. uma análise BARBIERI. Buscando apresentar as aplicações sustentáveis. EYGM Limited. identificando os arranjos. RS: L&PM. Rio de Janeiro. Embasado nesses pressupostos conceituais. YOUNG. FROTA. assim.

(Brazilian Journal of Urban Management) v. M. São Paulo. Event management and sustainability. Ed. Pete. EDUFSC.A.br/fcardoso/Disserta%C3%A7%C3%A3o%20Fernando% 20Resende%20p%C3%B3s-banca%202. FUSSEY. 2. nº 1 e 2. 2000. MUSGRAVE. URBE.br. Acessado em 09/07/2012. Ministério do Esporte. GUEDES. Gemma Galdan. Madrid: Pirámid. transportes e agropecuária. Formulação de Políticas Públicas: questões metodológicas relevantes. Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas – GVces. F. 2010. 2011. C. 2011.J. Poluição atmosférica por emissão de material particulado: avaliação e controle nos canteiros de obras de edifícios.Revista Tecnologia e Sociedade . Propostas empresariais de políticas públicas para uma economia de baixo carbono no Brasil – energia. GELINSKI. São Paulo: Atlas. LANGONE. ISSN (versão online): 1984-3526 90 FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS (FGV). 2011. de LEED. jul.copa2014.pcc. Programa de Pós-graduação em Ambiente Construído e Patrimônio Sustentável. 2. Ed.2007. 149-155. JIMÉNEZ HERRERO. James. GIAMBIAGI. Rio de Janeiro. G. 2. 2009. et al. 2011. 3. 2007. Painel discute a Copa como promotora de inovação e sustentabilidade. Disponível em: www. n. Reino Unido.R. 42. 2012. 2012. F. p. R. Copa do Mundo FIFA 2014-Agenda Sustentabilidade e Meio Ambiente. Introduction: toward´s new frontiers in the study of mega-events and the city. CLAVELL. 227-240. Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Reference Guide for Green Buildings’ Design and Construction 2009. Editora Campus/Elsevier. C. Metodologia da investigação científica para ciências sociais aplicadas. RESENDE. Finanças Públicas: Teoria e Prática no Brasil. THEÓPHILO. v. . Florianópolis. ALÉM. SEIBEL. MARTINS. Desarrollo sostenible transición hacia la covolución global.pdf > Acesso em 02 Maio 2012.. Disponível em: http://www.usp. Abril e Outubro de 2008. Revista de Ciências Humanas. L. UFMG/Escola de Arquitetura. E.O. Copa 2014 – O estádio do Mineirão e Diretrizes de Sustentabilidade na Primeira Copa Verde do Mundo. p. Revista Brasileira de Gestão Urbana. A. Cláudio./dez.1ª Edição. Dissertação – mestrado.gov. PORTAL DA COPA.

vol.1ª Edição. núm. 77-96..F. Universidade de Medellin. 23.L. Colombia Semestre Económico. pp. enero-junio. 2009. . 12. Avaliação de Políticas Públicas para o Desenvolvimento Sustentável: um Estudo de Caso dos Programas de Educação de Curitiba de 1998 a 2005. 2012. C. CASTRO R. ISSN (versão online): 1984-3526 91 SILVA.Revista Tecnologia e Sociedade .

utilizarmos a América Latina como região e os países que a compõe como locais. education and income. basic components of the Human Development Index (HDI). isso implica afetar outros setores sociais. Abstract This article presents the variation of health indicators. saúde. no caso. pode-se constatar variações em seus componentes . componentes básicos do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). 2012. subdivide-se esse países em quadrantes de acordo com o grau de variação que esses países sofreram entre 2007 e 2010. decomposição. E-mail: bruno. we use Latin America as a region and the countries that compose and local.edu. dessa forma.edu. educação e renda.br . América Latina. Para isso. pela Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA). esclarece que apesar de a crise ter afetado a América Latina pela via econômica principalmente no que tange a exportação de commodities. was found in Latin American countries that some of these indicators were 7 Bruno Theylon Oliveira Dias: Graduando do curso de Relações Internacioanis e Integração.oliveira@unila. do qual. ISSN (versão online): 1984-3526 92 A Variação dos Indicadores Básicos do Índice de Desenvolvilmento Humano dos Países LatinoAmericanos no Período de 2007-2010: uma Decomposição com uso da Metodologia ShiftShare Variation of Basic Indicators Index of Human Desenvolvilmento Latin American Countries in the Period 2007-2010: a decomposition using the Shift-Share Methodology Bruno Theylon Oliveira Dias Gilson Batista de Oliveira 7 Resumo Este artigo apresenta a variação dos indicadores saúde. Espera-se. educação e renda.br Gilson Batista de Oliveira: Doutor em Desenvolvimento Econômico – UFPR. Palavras-chave: Crise econômica. Professor da Universidade Federal da Integração Latino-Americana – UNILA. variação de IDH. E-mail: gilson.dias@unila. constatou-se nos países latino-americanos que alguns desses indicadores sofreram variação. provocados pela crise econômica que afetou o mundo em maior e menor grau de intensidade.Revista Tecnologia e Sociedade . which. utilizou-se o método shift-share que ao decompor os elementos do IDH.1ª Edição. shift-share. Bolsista do PROBIC/UNILA.

também houve uma considerável diminuição do ritmo de investimentos externos em um primeiro momento. no período de 2007 – 2010 . Nicarágua. governos fazem cortes e readaptações de diversos setores da política econômica de um país. esses países não conseguiram unificar crescimento econômico e social para que pudesse gerar uma economia sustentável. México. El Salvador. A crise econômica de 2008 que causou um mal estar financeiro mundial a partir da quebra do banco Lehman Brothers nos EUA e logo se espalhou principalmente para países europeus e atingiu as mais diversas partes do mundo. alguns desses países não puderam ser incluídos na decomposição. Panamá. é uma forma de compreender um pouco mais da dinânica da relação economia e sociedade. Costa Rica. Introdução A América Latina tem em seu histórico diversas etapas de desenvolvimento que na maioria das vezes.1ª Edição. Com esta pesquisa. Uruguai e Venezuela. Colômbia. variation in HDI. A América Latina é muito ampla e pode gerar dificuldade de compreensão em sua totalidade. Peru. in the case. Bolívia. one can see variations in their components. Haiti. através dos dados dos anos de 2007 e 2010. Latin America. Equador. optou-se pela definição do IMEA (2009) que classifica 21 países como formadores da América Latina. this implies affect other social sectors. de forma geral. health. ISSN (versão online): 1984-3526 93 variation. Guatemala. dado a carência de dados básicos. This was done using the method shift-share elements that decompose the HDI. Belize. Entender as dinâmicas econômicas e sociais desses países através da decomposição do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) pelo método shift-share. education and income. são eles: Argentina. Brasil. Cuba. Na América Latina. isso implica em um impacto . explained that although the crisis has affected Latin America through economic especially regarding the export of commodities. através do método shift-share restringindo-se apenas na decomposição dos indicadores do IDH. Keywords: economic crisis. apesar de ter baixado o preço de commodities. Nesse trabalho. Honduras. decomposition. além de gerar fuga massiva de capitais especulativos. chega aos dias de hoje com incertezas de até quando essa crise perdurará. verificam-se os impactos da crise financeira mundial de 2008 nos indicadores básicos do IDH. 2012. Entretanto. shift-share. observou-se que essa crise sistêmica não atingiu com tanta força. República Dominicana. Paraguai. Para driblar a crise. caused by the economic crisis that affected the world in greater and lesser intensity. It is hoped. Chile. thus it is divided into quadrants countries in accordance with the degree of variation between these countries suffer 2007 and 2010. estuda-se os diferentes níveis de desenvolvimento que se encontram os países que compõe a América Latina.Revista Tecnologia e Sociedade . Especificamente.

por conseguinte. ii) IDH médio: entre 0. . que elimina as diferenças de custo de vida entre os países). depreende-se quais foram os indicadores básicos mais afetados pela crise financeira mundial de 2008. o indicador utiliza números de expectativa de vida ao nascer. ISSN (versão online): 1984-3526 94 direto na qualidade de vida da sociedade. Disponível em: <http://www. (PNUD.Revista Tecnologia e Sociedade . Após a aplicação da metodologia shift-share.799. que varia de zero a um.1ª Edição. depois de corrigi-lo pelo poder de compra da moeda de cada país. o IDH também leva em conta dois outros componentes: a longevidade e a educação. que mantem o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). tem como objetivo de usar outros parâmetros além do econômico. para mensurar o nível de desenvolvimento. denota níveis de médio desenvolvimento humano. rendimento per capita e educação.org. em dólar PPC (paridade do poder de compra. no Índice de Desenvolvimento Humano. o IDH foi concebido de uma forma simples. O IDH precisou ser idealizado de uma forma explicativa.br/idh/> Acesso em 10 de março de 2012. baseado na longevidade. A classificação dos países baseado no nível do IDH funciona da seguinte forma: i) IDH baixo: entre 0 e 0. Segundo PNUD (2010).500 e 0. O índice tornou-se o referencial de desenvolvimento em praticamente todos os países membros da Organização das Nações Unidas (ONU). para rivalizar com o PIB. ou seja. aponta baixo desenvolvimento humano. Essas três dimensões têm a mesma importância no índice. segundo PNUD (2009). onde quanto mais próximo de 1.499. O Índice de Desenvolvimento Humano O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). nobel de 1998. O IDH foi concebido pelo economista paquistanês Mahbub Ul Haq em colaboração do economista indiano. O item educação é avaliado pelo índice de analfabetismo e pela taxa de matrícula em todos os níveis de ensino. A pesquisa usou informações divulgadas nos relatórios sobre o desenvolvimento humano publicados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD de 2007 e 2010. órgão responsável pelo RDH. Amartya Sem. 2012. funciona em uma escala numérica que vai de 0 à 1. 2009).pnud. apesar da avalanche de tabelas relacionadas. Para aferir a longevidade. em 1990. A renda é mensurada pelo PIB per capita. lançado pela primeira vez num período de transformações do sistema político e econômico global. identificou-se quais os indicadores básicos mais expressivos na variação do IDH no período de 2007 – 2010. Como afirma o PNUD Brasil: Além de computar o PIB per capita. melhor é o nível de desenvolvimento. é publicado no Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH). A classificação do nível de desenvolvimento dos países.

proporcionando assim um melhor parâmetro de desenvolvimento nos quase 40 anos de verificação. onde o primeiro com peso de 2/3 no cálculo geral. é medido em dólar pela Paridade do Poder de Compra (PPC) e tem o objetivo de verifica se o poder aquisitivo de uma pessoa consegue suprir suas necessidades básicas. foram acrescentados outros elementos na aferição do IDH. O que se constatou nesses últimos anos. A componente Educação é determinada pela média de anos de escolaridade e anos de escolaridade esperado. 2012. é referente a alfabetização. Segundo PNUD (2010). 2010 Saúde Educação Renda O cálculo das dimensões do IDH é medido através dos valores que variam entre 0 e 1. é que a média mundial do IDH obteve um crescimento considerável. Essa expectativa de vida é determinada pela média de mortalidade. geralmente concluída aos 15 anos e o segundo com peso de ½ refere-se a taxa de matrícula em qualquer nível de educação. resume um pouco dos três principais elementos: Dimensões É determinado pela esperança de vida ao nascer. sendo que apenas três países por motivos de conflitos obtiveram em 2010 um IDH menor do que em 1970. O rendimento nacional bruto per capita.900. ISSN (versão online): 1984-3526 95 iii) IDH elevado: entre 0. Zâmbia e Zimbabwe.800 e 0. do comparado aos demais. ficando da seguinte forma: Índice de dimensão = valor efetivo – valor mínimo valor máximo – valor mínimo . apesar de o sistema de verificação do IDH ter sido lançado em 1990. chegando a atingir um crescimento de cerca de 41% entre 1975 e 2010. são eles República Democrática do Congo. Quadro 1: Componentes do idh Fonte: PNUD. educação e renda. A partir de 2010. boa parte dos países recalcularam seu IDH até 1975. O quadro a seguir retirado do PNUD 2010.Revista Tecnologia e Sociedade .1ª Edição. retrata altos níveis de desenvolvimento humano. iv) IDH muito elevado: todos aqueles acima de 0. o número de anos que espera-se que um recémnascido venha a viver. agora é contabilizado também outros aspectos como a distribuição do bem estar em termos de desigualdade de gênero e pobreza. quando se completou 20 anos de RDH. ou seja. além dos itens básicos como saúde.899. dessa forma determinando os padrões de vida. indica níveis de desenvolvimento humano muito elevados.

medida a nível regional.diferente de outro setor econômico ou indicador usado como parâmetro. uma vez que possibilita identificar quais e quando foram as mudanças mais impactantes no setor ou indicador analisado. em factores distintos que possam influenciar o seu comportamento. passa para o campo das projeções ou planejamentos. “Mede a alteração naquele crescimento que resulta a influencia exercida por certos factores como vantagens de localização ou . De acordo com o PNUD (2010). a diferença de desenvolvimento humano entre países ricos e países pobres tem diminuído consideravelmente nos últimos 20 anos.. (COSTA. destacando como foi seu desenvolvimento ao longo do tempo e como tal desempenho pode influenciar no conjunto. entende-se a possibilidade de um setor da economia ou indicador de desenvolver-se como o nome já diz . ao fazer um recorte temporal para verificar o comportamento do IDH na América Latina entre os anos de 2007 e 2010.A ideia base é muito simples: as diferenças de crescimento em uma região podem ser atribuídas não só a diferenças relativas à composição produtiva de cada região.Revista Tecnologia e Sociedade . como as capacidades humanas estão. O índice porém. Essa metodologia é bastante aplicada para verificar desenvolvimento econômico regional ou setorial.1ª Edição. as componentes de alteração diferencial ou variação diferencial devem ser isoladas afim de possibilitar uma comparação estatística. 2012. não é capaz de explicar as razões de tais diferenças na América Latina. Nesse método.. A utilização do shift-share vai além da visão analítica. pode nos oferecer um mínimo de informações necessárias para constatar tais mudanças. 2002 p.803) Na metodologia shift-share os elementos que compõe uma estrutura são estudados individualmente. educação e renda) utiliza-se valores mínimos e máximos obtidos dentre os participantes do grupo de referência. A Metodologia de Análise Shift – Share O método shift-share é uma forma analise dos elementos que compõe um dado estatístico em duas escalas de tempo. espera-se que o IDH seja capaz de apontar o quanto uma sociedade está desenvolvendo ao longo do tempo. O RDH de 2010 evidencia que. de uma forma que seja possível identificar as opções que as pessoas tenham de assegurar sua própria subsistência através de escolhas participativas no sistema social. Obtidos os índices básicos. Dessa forma.mas também.. de forma que possam ser relacionados com o todo. Por alteração diferencial. ISSN (versão online): 1984-3526 96 No cálculo dos índices (saúde. A analise de componentes de variação (ou shift-share) decompõe o crescimento de uma dada variável.. pode ser justificadas por diferentes vantagens de natureza locacional. também pode-se vislumbrar esse cenário de redução de desigualdade. o IDH é calculado através da média geométrica.

222) No entanto. o shiftshare só é viável se os resultados obtidos de um certo estudo. considerar-se-á nível nacional o total dos países da América Latina e como regional. ainda. o modelo clássico da metodologia shift-share pode ser descrito da seguinte forma: ∑ = Δ Xik = ∑ [Xik(t) – Xik(t-1)] = ∑ [NXik + SXik + RXik] k k Δ Xik é a variação observada na variável Xik.804) Após identificado e isolados os elementos regionais à nível de comparação com o nacional. o efeito da composição sectorial da região (componente estrutural) e.Revista Tecnologia e Sociedade . para fazer essa relação entre crescimento ou não do setor regional e diferenciações que levam a esse resultado em relação ao nível nacional. p. ( VASCONCELLOS. adaptado para os componentes do Índice de Desenvolvimento Humano. concorrencial ou diferencial. Xik(t) representa a variável econômica X. 2012.1ª Edição. expressando a evolução de uma dada variável económica como função de três factores principais: o efeito do crescimento nacional(componente nacional). 1984. para que daí se possa tirar conclusões sobre concentração econômica. A maioria dos modelos de análise de componentes de variação apresentam-se como identidades matemáticas. especialização regional. Nesse estudo. dentre outros. o shift-share trabalha usando os resultados obtidos em uma expressão padrão. Essas três ultimas variáveis. ISSN (versão online): 1984-3526 97 grau de competitividade no crescimento mais rápido ou mais lento de alguns dos sectores urbanos”. 2002. estrutural e diferencial. Nxik representa a componente nacional Sxik representa a componente setorial ou estrutural Rxik representa a componente regional. na região i. p. (COSTA. no setor k e no momento t. cada país individualmente. como afirma Vasconcelos (1984) e Oliveira (2010). dependendo qual for o objetivo do uso do método. . componente nacional. o efeito de outros factores específicos da região (componente regional. puderem ser comparados com outro semelhante. concorrencial ou diferencial). são obtidas da seguinte forma: NXik = gNX x Xik(t – 1) Onde gNX é a variação percentual da variável X observada no nível nacional relativamente ao ano base t – 1. De acordo com Costa (2002) e Oliveira (2010).

As componentes de variação podem nos indicar o crescimento ou não do objeto de estudo. (SIMÕES. VLT + VLE VLD Tipo de País + + A1 + A2 + A3 + B1 + B2 B3 Quadro 2: Classificação e tipologia de variações Fonte: Adaptação de Simões (2005) e Oliveira (2010) - VLT a Variação Liquida Total positiva (+). 2005.122). 2012. Para Haddad e Andrade (1989 apud Oliveira.. O fato de A2 ter VLT positivo e B2 VLT negativo é porque o crescimento estrutural de B2 não é grande o bastante em relação ao regional de acordo com o elemento diferencial escolhido. Já VLT negativo (-) aponta todas aquelas localidades que tiveram crescimento menor que o regional (B1. pode-se sintetizar os resultados da aplicação da metodologia shift-share e classificar as regiões de acordo com as variações obtidas. “a análise shift-share permite a identificação do crescimento. o método shift-share é aplicado amplamente nas mais diversas formas de análise regional. B2 e B3) ou desde que o fator diferencial não seja suficientemente satisfatório. esse não consegue ser grande o bastante em relação ao fator estrutural.1ª Edição. conforme quadro 2. observada na região i no setor k. indica aquelas localidades onde o crescimento locacional é maior ou igual ao crescimento regional (A1. não só em relação aos indicadores de . OLIVEIRA. Pode-se usar o mesmo exemplo para A3 e B1 de forma invertida. entenda-se variação dos indicadores selecionados através da VLT – Variação Liquida Total. onde o fator locacional de A3 é grande o bastante para suprir VLE negativo. RXik = (gik – gNXK) x Xik(t – 1) gik é a variação percentual da variável X. referente ao setor k. ISSN (versão online): 1984-3526 98 SXik = (gNXk – gNX) x Xik(t – 1) gNXk é a variação percentual da variável X observada a nível nacional. 2010) A adaptação do método para decomposição do Índice de Desenvolvimento Humano Na atualidade. que é o crescimento observado menos o teórico(. p. A2 e A3) ou desde que a VLD supra as percas de VLE.Revista Tecnologia e Sociedade . 2010.)” Partindo dos trabalhos de Oliveira (2010) e Simões (2005).. e B1 apesar de também ter VLD positivo. de acordo com os parâmetros utilizados.

mas nos chamados indicadores sociais. pode-se classificar os países de acordo com o desempenho de cada indicador básico. Para o autor. descritos no quadro 4. De posse dos resultados. quadro 3. com base na tipologia do quadro 2. construir gráficos indicativos de como anda o IDH de uma localidade. conforme Oliveira (2010). pode-se verificar e classificar quais dos indicadores básicos (saúde. renda ou educação) mais influenciaram na variação do índice.1ª Edição. nos componentes do Índice de Desenvolvimento Humano. 2012. Conforme Oliveira (2010) é possível aplicar o método shift-share para decompor o IDH e com os resultados obtidos. . os elementos Eficiência Alocativa e Ativação Social. no nosso caso. De forma resumida. pode-se.Revista Tecnologia e Sociedade . ainda. de referencia. colocando os países em quadrantes que retratem de forma sintética a realidade de cada um. são os indicativos principais de como a administração pública aplicou os recursos para garantir ou não a qualidade do IDH. Descrição Resultados Possíveis para cada Indicador Básico e para cada Índice Selecionado VLT (N-NX)* + + + VLE (SX)** + + + VLD (RX)*** + + + Países Indicador de Educação (IE) Indicador de Longevidade (IL) Indicador de Renda (IR) A1 A2 A3 B1 B2 B3 + + + A1 + + A2 + + A3 Índice de Desenvolvimento + B1 Humano (IDH) + B2 B3 Quadro 3: Esquema para guiar a interpretação dos resultados da adaptação da metodologia shift-share para os indicadores básicos do índice de desenvolvimento humano Fonte: Oliveira. ISSN (versão online): 1984-3526 99 desenvolvimento econômico. 2010.

nações cuja sociedade não consegue trazer resultados positivos para os indicadores básicos de qualidade de vida de forma satisfatória. não conseguem superar a ineficiência alocativa (VLE <0). na internacionalização dos efeitos do processo de crescimento. Embora com crescimento total abaixo da média regional (VLT negativo). ISSN (versão online): 1984-3526 Quadrante Países Eficiência Alocativa Ativação social VLT 100 I A1 Presente Presente + A3 Ausente Presente + II B1 Ausente Presente - III B3 Ausente Ausente - IV B2 Present e Ausente - A2 Present e Ausente + _Componente__ Interpretação VLE VLD Países com maior capacidade de ativação social. 2012.Revista Tecnologia e Sociedade . Países com capacidade de ativação social fraca. isto é. Nesses países. a capacidade de ativação social (VLD>0) consegue suplantar a ineficiência alocativa (VLE<0) e ter um crescimento maior que a média da América Latina (VLT>0). ou seja. Nesse quadrante devem figurar os países + + com as maiores variações positivas dos indicadores básicos componentes de cada índice estudado. que age de forma eficiente na alocação de recursos e consegue um desempenho positivo dos índices de desenvolvimento. Em resumo. porém. do desenvolvimento humano. Países com capacidade e ativação social intermediária. que denota maiores níveis de variação positiva da qualidade de vida. as nações possuem eficiência alocativa (VLS>0) e capacidade de ativação social (VLD>0). a gestão pública não consegue evitar perdas líquidas. significando avanço na transformação do + impulso de crescimento em desenvolvimento. significa perda líquida em comparação com o universo da América Latina. 2010. o que pode atrapalhar a ação do poder público. pois detêm as piores variações dos indicadores básicos componentes de cada índice estudado na região analisada. QUADRO 3: Esquema para guiar a interpretação dos resultados da adaptação da metodologia shift-share para os indicadores básicos do índice de desenvolvimento humano Fonte: Oliveira. denotando ganho líquido. pois a VLD positiva mostra que o índice estudado teve um desempenho superior ao dos demais países da região. cuja ação consegue trazer resultados individuais de cada indicador básico acima da média da região. Embora com crescimento total acima da média regional (VLT>0). o que ocorre graças à eficiência + alocativa dos recursos administrados pela gestão pública (VLE>0). . Países com desempenho regular.1ª Edição. que tende a fragilidade. Aqui. a VLD<0 mostra que o país tem poucas capacidades + de ativação social. cuja falta de ativação social é piorada pela ineficiência alocativa. mas consegue manter o país afastado da área de pior desempenho (B3). que denota fragilidade na internalização dos efeitos gerados pelo processo de crescimento. cuja ação teve mais sucesso na transformação do impulso de crescimento em desenvolvimento. a sociedade local teve menos sucesso na transformação do impulso de crescimento em desenvolvimento. os países com esses resultados também possuem + capacidade de ativação social intermediária (boa). Aqui.

298 -0. percebe-se que dentre todos os países.352 -0.331 -0. porêm.285 -0.124 -0.146 0.032 -0.2007 e 2010 Resultados do Shift-Share Adaptado de Haddad e Andrade (1989).027 -0.208 0.102 -0.191 -0.255 -0.045 0.109 -0.362 -0.306 0.197 0.156 -0.207 0.149 -0.007 0.009 0.056 0.024 0.050 0.040 0.107 -0.206 0.170 -0.060 0.374 -0.005 0.297 -0. o que significa que possui VLE negativo.120 -0.136 -0.081 -0.333 -0.112 -0.342 -0.150 0.232 -0.225 -0.001 -0.417 -0.359 -0.161 0.124 -0.258 -0.332 -0.044 0.011 0.228 -0.315 -0.120 -0.323 0.141 -0.149 0.120 -0.027 -0.291 -0.107 -0.313 -0.400 -0.168 0.417 Quadro 4: Decomposição do crescimento em componentes de variação na america latina-2007 e 2010 Fonte.198 0.006 0.170 -0.006 0.039 -0.199 0.194 0.197 0.291 -0. 2012.128 -0. constatase que a mesma possui capacidade de ativação social (VLD>0) .182 -0.003 -0.038 -0.040 -0.203 0.323 -0.198 0.119 -0.150 0.260 -0.322 -0.050 0.285 -0.118 -0.010 0.049 0.047 0.323 -0.150 0.070 -0.039 0.034 -0.060 -0.113 -0.261 -0.133 -0. Silva (2002) e Oliveira (2010) Indicador de Educação Indicador de Longevidade Indicador de Renda IDH VLT VLE VLD VLT VLE VLD VLT VLE VLD VLT VLE País Argentina Belize Bolívia Brasil Chile Colômbia Costa Rica Equador El Salvador Guatemala Guiana Haiti Honduras México Nicarágua Panamá Paraguai Peru República Dominicana Uruguai Venezuela Fonte: Elaboração Própria -0.287 -0.290 -0.013 -0.098 -0.149 0.056 0.121 -0.039 0.176 -0.303 -0.052 0.031 -0.290 -0.234 -0. que vai classificar os países de acordo com o quarante correspondente indicados anteriormente no quadro 4. nenhum dos 21 países conseguiu se enquadrar no primeiro quadrante que é a eficiencia alocativa e capacidade de ativação social positivas além da variação positiva nos demais indicadores de desenvolvimento humano.372 -0.120 -0.181 -0.151 0.127 -0.041 -0.028 -0.121 -0.1ª Edição.175 -0.111 -0.145 -0.296 -0.011 VLD 0.157 0.036 -0.154 -0.141 0. Elaboração Própria O quadro 6 apresenta a classificação dos países por quadrante de acordo com sua variação.124 0.158 0.225 -0.367 -0.130 0.118 -0.117 -0.041 -0. são os elementos utilizados para interpretação do quadro 6.160 0. dessa forma.341 -0.374 -0.447 -0.323 -0.067 -0.021 -0.118 -0.366 -0.092 -0.143 -0.148 0.197 -0.248 -0.007 -0.152 -0.103 -0.044 0.157 -0.238 -0.234 -0.267 -0.119 -0. está em A3.201 0.159 0.207 0.036 -0.260 -0.035 -0.041 -0.102 -0.024 -0.165 -0.035 -0.117 -0.044 0.339 -0.264 -0.000 -0.153 -0.020 -0.020 0.283 -0.194 0. A Argentina é o único paíse que se encontra no quadrante II e ainda assim.184 -0.145 -0.152 -0.153 -0.044 0.210 0.184 -0.201 0.290 -0.206 0.238 -0. longividade e renda.362 -0.337 -0.188 -0.067 0.133 -0.145 -0.257 -0.004 0.169 0.014 0.283 -0.121 -0.111 -0.325 -0.237 -0.159 0.157 -0.034 -0. Como percebe-se.Revista Tecnologia e Sociedade .156 -0.178 -0.375 -0.302 -0. A parte correspondente aos indicadores do IDH.157 0.170 -0.052 0.145 -0.428 -0.290 -0.052 0.119 -0. Argentina foi a que menos sofreu com a críse em relação ao desenvolvimento social.049 0.316 -0.030 -0.120 -0.146 0.127 0.178 -0.153 -0.023 -0.040 -0.255 -0.200 0.302 -0.142 0.118 -0.000 0.097 -0.112 -0.203 0.163 -0.011 0.037 -0.081 -0.187 0. ISSN (versão online): 1984-3526 101 Resultados da Aplicação da Metodologia Shift-share O quadro 5 apresenta uma síntese dos resultados encontrados dos indicadores educação.002 -0.314 -0. QUADRO 5: DECOMPOSIÇÃO DO CRESCIMENTO EM COMPONENTES DE VARIAÇÃO NA AMÉRICA LATINA .342 -0.

Aqui. QUADRO 6 : RESULTADOS DA METODOLOGIA SHIFT-SHARE. evitando com que o paíse atinja índices piores (B3). o que significa que possuem eficiência alocativa presente e VLE>0. estão em B3. o que piora ainda mais o desempenho.1ª Edição.Revista Tecnologia e Sociedade .2007 e 2010 Classificaçã o dos Países Posição de Quadrante País Argentina Bolívia Brasil Colômbia Guiana Peru Uruguai Venezuela Belize Chile Costa Rica Equador El Salvador Guatemala Haiti Honduras México Nicarágua Panamá Paraguai República Dominicana II III IV A3 B3 B3 B3 B3 B3 B3 B3 B2 B2 B2 B2 B2 B2 B2 B2 B2 B2 B2 B2 B2 Fonte: Elaboração Própria . 2012. Os países do quadrante IV estão em B2. gerados pela fragilidade da internacionalização no processo de crescimento. tanto eficiência alocativa quanto ativação social são ausente. Esses países apesar das perdas nos indicadores básicos. POR CLASSIFICAÇÃO E QUADRANTES NA AMÉRICA LATINA . o que significa que possuem uma fraca capacidade de ativação social. Todos os países correspondentes ao quadrante III. Nesses países a sociedade obteve perdas em todos os elementos do IDH. a gestão pública consegue uma eficiência alocativa positiva. ISSN (versão online): 1984-3526 102 intermediária onde a capacidade de ativação social foi capaz de suprimir a ineficiência alocativa (VLE<0) e assim conseguir um maior crescimento na América Latina.

OLIVEIRA. SIMÕES. . A Unila em Construção: um projeto universitário para a América Latina.br/pesquisas/td/TD%20259. que de uma forma ou de outra. aliada ao shift-share. Combate as alterações climáticas: Solidariedade Humana num mundo dividido. Relatório de Desenvolvimento Humano 2007/2008.1ª Edição. Economia regional: Teorias e métodos de analise. A América Latina. Referências Bibliográficas COSTA. ______ A Verdadeira Riqueza das Nações: Vias parra o Desenvolvimento Humano. mas.cedeplar. 2002. Foz do Iguaçu: IMEA. 2010. 2010.Revista Tecnologia e Sociedade . o mesmo se mostra muito útil no que compete a variação de indicadores. IMEA. HADDAD. a variação dos indicadores do IDH obtidos através do relatório anual do PNUD de 2007 e 2010. Nova York.Ultrapassar barreiras: Mobilidade e desenvolvimento humao.S. O diferencial está no fato de que alguns paíse souberam adminsistra melhor seus recurso para suprir perdas ou simplismente para evitar com que a sociedade sofresse ainda mais com a queda no desempenho do IDH.2007. 24 A analise de componentes de variação (shift-share). Cap. O DESENVOLVIMENTO NA REGIÃO METROPOLITANA DE CURITBA: o desempenho dos índices de desenvolvimento econômico. Compendio de Economia Regional. Nova York. EUA. seja tão difícil classifica-la através de dados e variáveis. BND. EUA. todos os países da América Latina foram afetados no desempenho do Índice de Desenvolvimento Humano de 2007 em relação a 2010. talvez pela sua grande dimensão e diferenças de desempenho econômico e social. ______ . Nova York. 2009. dessa forma.B. EUA . Curitiba: PPGDE. Disponível em: <http://www. PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Rodrigo Ferreira. Paulo Roberto. 2012. possibilitou uma maior compreensão de como anda a capacidade dos países de gerir problemas sociais gerados por “disturbios” econômicos.pdf> acesso em 15 de abril de 2012. A aplicação do método shift-share possibilitou de forma clara. 1989. 2009. classsificar os 21 países de acordo com seu desempenho. Fortaleza.ufmg. ISSN (versão online): 1984-3526 103 Considerações Finais Percebe-se. G. Métodos de análise regional e urbana: diagnóstico aplicado ao planejamento. Coimbra: APDR. J.

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SOUZA. Nali de Jesus de. Desenvolvimento Regional .São Paulo: Atlas, 2009. VASCONCELLOS, António Vale e. Economia Urbana. Porto: Rés, 1984.

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Reflexões sobre a Capacitação Gerencial na Agricultura Familiar Brasileira
Reflections on management in the Brazilian Family Farming
Joelsio José Lazzarotto João Caetano Fioravanço
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Resumo
A agricultura familiar apresenta grande relevância para o desenvolvimento social e econômico do Brasil. No entanto, a ampla maioria dos produtores rurais familiares apresenta sérias deficiências gerenciais. Diante disso, baseando-se principalmente em análises de estudos técnico-científicos, buscou-se efetuar reflexões acerca da gestão nos estabelecimentos de agricultura familiar, dando-se ênfase a questões relacionadas com a situação gerencial e com o modelo e os mecanismos que possam ampliar a capacidade de gerenciamento nessas organizações. Dentre os principais resultados e conclusões, destaca-se que, para minimizar os problemas gerenciais dos agricultores familiares, a utilização da visão sistêmica e o envolvimento efetivo desses atores organizacionais são imprescindíveis em todas as etapas de planejamento e execução do modelo de capacitação a ser adotado. Palavras-chave: Tecnologias de gestão. Enfoque sistêmico. Metodologia participativa.

Abstract
Family farming in Brazil has great relevance to the social and economic development. However, the vast majority of family farmers has serious managerial deficiencies. Thus, this work aimed to make reflections on managing family farms, emphasizing the managerial situation and the model and the mechanisms to improve management capacity in these
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Joelsio José Lazzarotto: Médico veterinário, mestre em administração rural, doutor em economia aplicada e pesquisador da área de socioeconomia da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa. Áreas de interesse em pesquisa: tomada de decisão na agricultura, estudos de sistemas de produção agropecuária, avaliação de tecnologias e análises de resultados econômico-financeiros de empreendimentos agroindustriais. Vínculo institucional: Embrapa Uva e Vinho.Email: joelsio@cnpuv.embrapa.br. João Caetano Fioravanço:Engenheiro Agrônomo, mestre em Fitotecnia, doutor em Economia, Sociologia e Política Agrícola (Agronegócios) e pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa. Áreas de interesse em pesquisa: fruticultura, fisiologia e manejo de plantas, seleção de variedades e sistemas de produção sustentáveis. Vínculo institucional: Embrapa Uva e Vinho. E-mail: fioravanco@cnpuv.embrapa.br.

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organizations. As results and conclusions, we emphasize that, to minimize management problems of farmers, the systemic approach and the effective involvement of these organizational actors are essential in all phases of planning and implementing the training model to be adopted. Keywords: Management technologies. Systemic approach. Participatory methodology.

Introdução
A agricultura familiar constitui um segmento de fundamental relevância para o desenvolvimento social e econômico do Brasil. Essa importância pode ser justificada por dois pontos principais: 84% das propriedades rurais do País são familiares; e os estabelecimentos familiares respondem, respectivamente, por 34% e 74% do valor bruto e do pessoal ocupado na produção agropecuária nacional (CENSO..., 2006). Apesar dessa relevância, a agricultura familiar brasileira depara-se com grandes problemas, que constituem fortes entraves para a sua competitividade e sustentabilidade ao longo do tempo. Entre esses problemas, merecem atenção especial aqueles associados com aspectos de gestão, pois, de maneira geral, a ampla maioria dos pequenos e médios produtores tem sérias deficiências gerenciais, elevando, assim, a frequência de empreendimentos familiares mal remunerados. Portanto, a questão gerencial é um fator crítico para o desenvolvimento da agricultura familiar nacional. Diante disso, é imprescindível que a extensão rural melhore suas estratégias de ação para transmitir aos produtores familiares importantes noções gerenciais, incluindo aspectos de planejamento, controle, comercialização e análise econômica da produção. Com essas noções, o produtor poderá tomar decisões mais rápidas e eficientes, tornando o seu negócio mais competitivo (BUAINAIN; BATALHA, 2007) e sustentável, independente do seu tamanho (REICHERT, 1998). Partindo dessa contextualização inicial e levando-se em conta que na literatura nacional ainda são escassos os trabalhos técnico-científicos que envolvem, ao mesmo tempo, avaliações situacionais e discussões sobre ações de capacitação gerencial de agricultores familiares, foi elaborado este artigo. O objetivo principal consiste em efetuar reflexões sobre a gestão nos estabelecimentos de agricultura familiar, enfatizando-se, principalmente, questões relacionadas com a situação gerencial dos produtores familiares e com o modelo e os mecanismos que podem ser usados para ampliar a sua capacidade de gerenciamento.

A situação gerencial na agricultura familiar brasileira
Um empreendimento rural, familiar ou não, deve ser gerido eficientemente como forma de garantir sua inserção no mercado e, por consequência, sua sustentabilidade e competitividade (BATALHA et al., 2004; LOURENZANI, 2006). Essa afirmação é plenamente justificável pelo fato de que existe uma

as condições climáticas que condicionam a maior parte das explorações agropecuárias. armazenamento e conservação. além de muito incipientes. para os pequenos produtores rurais são ainda muito escassos e.Revista Tecnologia e Sociedade . 2005. 2006). BATALHA et al.. é dependente de condições biológicas. inócuos. o caráter perecível da maioria dos produtos agropecuários que interfere nos processos de comercialização. NEUKIRCHEN et al.) tende a ser exceção nessas organizações (REZENDE. possibilitando. os esforços voltados para as tecnologias de gestão e informação direcionadas. 2007). especialmente associado aos programas de assistência técnica e extensão rural. Nessa mesma linha. Mesmo junto a produtores que possuem alto grau de tecnificação produtiva. 2005. é pertinente salientar que. 2003. é consenso que. MARION. ISSN (versão online): 1984-3526 107 série de fatores que podem afetar significativamente o desempenho das propriedades rurais. os mecanismos de difusão tecnológica adotados no Brasil não têm sido suficientes para capacitar o agricultor familiar na implementação e utilização das técnicas de gestão disponíveis. via de regra. como: o ciclo produtivo que. LOURENZANI. Apesar de muitos desses fatores não serem controláveis. não estando vinculada a ações efetivas de capacitação gerencial de produtores e técnicos extensionistas. Essas tecnologias incluem novas formas de negociação e práticas de gestão do processo produtivo.1ª Edição. ao produtor rural. portanto. As dificuldades de gerenciamento enfrentadas pelos agricultores familiares tendem a perpetuar-se. Por outro lado. melhorias no processo de tomada de decisão (UECKER et al. que estão entre os principais meios que os produtores familiares utilizam para obter orientações de diversas naturezas.. 2006. operações agrícolas etc. outros podem ter algum controle mediante a utilização de tecnologias gerenciais adequadas. SANDRI. BATALHA. não conseguindo. pois expressiva parcela desses atores organizacionais. 1999. ter acesso e beneficiar-se de modernas tecnologias de informação.) são considerados parte da rotina operacional da maioria dos estabelecimentos rurais familiares. apresentam grande descapitalização. 2004. De acordo com Batalha et al. 2012. de materiais e de produtos e serviços. sobretudo. (2004). A partir de Mercês e Sant’Ana (2005). 2006). Embora as questões gerenciais sejam imprescindíveis para o sucesso de qualquer empreendimento. no Brasil existe um esforço considerável no desenvolvimento e difusão de tecnologias de processo. planilhas de resultados etc. Relacionado com os trabalhos técnico-científicos desenvolvidos no País e que envolvem aspectos de gestão de empreendimentos rurais. além de não receber auxílio gerencial adequado (BUAINAIN. pode -se inferir que essa capacitação constitui outro grande entrave. e os altos custos de saída e/ou entrada em um empreendimento agropecuário (SOUZA et al. 1995). Batalha et al. ZYLBERSZTAJN. (2004) assinalam que.. LOURENZANI. além de irreversível. SEGATI.. a utilização rotineira de instrumentos de gestão (aspectos comerciais e contábeis. enquanto os aspectos vinculados com a produção (insumos. é pobre o emprego de técnicas adequadas de . a grande maioria tende a ser difundida apenas em forma de publicações.

tornando possível a integração do processo educativo ao processo produtivo desenvolvido por eles (LIMA et al. em termos práticos. é possível afirmar que as ações de capacitação precisam estar sustentadas na visão sistêmica.. existem e coexistem diferentes e complexos sistemas de produção. GONÇALVES. que parta de respostas relacionadas com a seguinte questão: que conhecimentos gerenciais os agricultores familiares inseridos em determinada realidade necessitam se apropriar para alcançar o desenvolvimento sustentável? Portanto. às diferenças na disponibilidade. Essa exigência tem penalizado muitos pequenos produtores. territorial e multidisciplinar. 2012. explicá-la e transformá-la. na maioria das regiões agropecuárias do Brasil. mas se inscreve na própria vida e prática dos agricultores. caracterizar o desenvolvimento rural presente e avaliar tendências para agricultura regional como forma de projetar a . Em outras palavras. Para Segatti e Hespanhol (2008). para que essas ações propiciem os resultados esperados. sociais e econômicas e os problemas enfrentados. as práticas técnicas. Permite. o diálogo como essência da relação educacional deve problematizar o conhecimento dentro da sua realidade concreta. O modelo de capacitação. LAZZAROTTO et al. acadêmico e elitista. considerando as peculiaridades do público-alvo e da região (LOURENZANI. ISSN (versão online): 1984-3526 108 gerenciamento. sistematicamente desalojados do ambiente onde estão inseridos devido à necessidade de se produzir em grande quantidade. deve estar adaptado às condições locais. identificando e caracterizando os principais sistemas de produção. Diante dessas considerações. principalmente. onde a formação administrativa não é um ritual abstrato. o ritmo intenso da atualização tecnológica no campo requer a atualização de informações e a adoção de mecanismos de aprendizagem e de formação profissional dos agricultores. Zuin e Zuin (2007) enfatizam que é importante que o capacitador traduza conhecimentos advindos da academia à “língua” falada dos aprendizes. ou seja. como planejamento estratégico e controle e análise de custos de produção. qualidade e utilização dos fatores de produção (terra. o ponto de partida e chegada para a construção do conhecimento em gestão organizacional é o homem em sua atividade real. 2006).1ª Edição. a fim de melhor compreendê-la. capital. que. ainda. concordam e/ou executam tarefas e se relacionam com o mercado e as demais variáveis que compõem o ambiente organizacional externo (ZORDAN. A necessidade de adoção de um modelo dessa natureza deve-se ao fato de que. o referido modelo deve estar focado em um processo de aprendizagem e de construção coletiva de conhecimento. com uma abordagem participativa. 1995. trabalho e tecnologia) e às formas como os produtores aceitam as inovações tecnológicas.Revista Tecnologia e Sociedade . Modelo de capacitação gerencial na agricultura familiar Ações de capacitação gerencial de produtores familiares devem incluir diversos aspectos. Porém. 2004). possibilita realizar levantamentos da situação socioeconômica dos agricultores. contemplando conhecimentos técnicos e gerenciais. com elevado padrão de qualidade e a preços competitivos.. Essa diferenciação e complexidade devem-se. 1995).

definição de grupos de agricultores. que envolve basicamente a caracterização do meio natural. para implementar ações efetivas direcionadas ao aprimoramento da gestão na agricultura familiar. que sejam mais adaptados aos contextos social. Nessa etapa são estabelecidos grupos menores de produtores que. em que o agente da extensão rural levava ao agricultor uma proposta pronta. estruturas e interdependência das propriedades rurais com seu ambiente externo. envolvendo análises dos usos dos recursos produtivos. ISSN (versão online): 1984-3526 109 evolução da realidade agrária e propor políticas. A etapa de caracterização geral das unidades de produção consiste em obter um diagnóstico geral. 2009). Com base nos resultados obtidos com a caracterização das unidades produtivas. O quarto aspecto diz respeito ao funcionamento dos sistemas produtivos. Finalmente. além de não ignorar os objetivos socioeconômicos dos agricultores. 2012. Quanto ao terceiro. o quinto aspecto consiste em estudar a trajetória das propriedades rurais. O segundo aspecto trata do meio agroecológico. o que permite compreender o estágio em que se encontram. que envolve cinco aspectos principais dos estabelecimentos agropecuários presentes em determinada realidade rural (LIMA et al. programas. Em todas essas etapas. em função de explorarem sistemas de produção agropecuária um tanto . projetos e ações de desenvolvimento prioritários. econômico e agroecológico em que vivem os agricultores (INCRA/FAO..Revista Tecnologia e Sociedade .1ª Edição. 1996). desenvolvimento e validação conjunta de instrumentos metodológicos e implementação de ações de capacitação. A utilização do enfoque sistêmico. SARRIERA. constitui fator-chave para a proposição de intervenções adequadas a cada realidade rural. Essa compreensão. ele contempla as características estruturais dessas organizações: grupo familiar e meios produtivos. ao longo do tempo. identificação das demandas gerenciais prioritárias. de acordo com Dufumier (1996). Mecanismos operacionais para a capacitação gerencial Baseando-se nos fundamentos teóricos acerca do modelo de capacitação gerencial. 1995). O primeiro refere-se à localização e ao tipo de inserção nos meios físico e socioeconômico. 1999. o emprego da visão sistêmica e a ampla participação de representantes de extensionistas e de produtores são fundamentais para assegurar o adequado cumprimento das ações previstas. propõe-se a adoção de mecanismos operacionais que contemplem cinco etapas chaves: caracterização geral das unidades de produção. procurando identificar os fatores que. bem como das práticas e técnicas que os agricultores adotam. visando a definir a forma como podem ser introduzidas mudanças que não provoquem impactos negativos ou desestruturem a organização interna da unidade produtiva (FAVERO. é relevante para compreender problemas de relações. contrapondo o discurso dos pacotes tecnológicos. avança-se para a etapa de definição de grupos de agricultores. influíram ou condicionaram o processo decisório dos produtores rurais. Esse fato exige que o extensionista compreenda a racionalidade dos agricultores e o porque de suas atitudes. DUFUMIER.

quando necessária. Essa identificação trata de avaliar. paralelamente à execução das cinco etapas descritas. primeiramente. pelo fato de que além de existir grande limitação de agentes atuantes na extensão rural brasileira. de maneira a não comprometer o processo de capacitação gerencial dos produtores. Nesse sentido. os conhecimentos e as habilidades gerenciais que precisam ser aprimorados por meio de ações efetivas de capacitação. esses instrumentos devem estar bem ajustados e adequados (facilidades de compreensão. Nessa etapa. com o objetivo de resgatar a forma e os conhecimentos tradicionalmente empregados pelos agricultores na gestão das suas unidades produtivas. também. têm melhores subsídios para a tomada de decisões. a capacitação em discussão deve pautar-se na programação e no . podem ser utilizados os instrumentos metodológicos específicos visando a aprofundar questões que contribuam para aprimorar a gestão organizacional. Essa avaliação é fundamental para permitir. tendem a apresentar características socioeconômicas e problemas gerenciais. devem ser estimuladas discussões gerais entre produtores e extensionistas.g. Com essa estratégia. os principais pontos fortes e as deficiências mais acentuadas vinculadas ao processo gerencial. mediante trocas de experiências com outras pessoas. para cada grupo. A etapa de implementação de ações de capacitação representa o momento em que. pode-se iniciar a etapa de desenvolvimento e validação conjunta de instrumentos metodológicos (e. similares. de forma permanente. cadernos de contabilidade simplificados) a serem utilizados na realização das ações em questão. os produtores podem fazer comparações entre as suas unidades de produção. sobretudo.Revista Tecnologia e Sociedade . Além disso. ele deve fazer parte de um plano que contemple ações continuadas. identificando. ainda. Os cuidados no desenvolvimento e na validação dos citados instrumentos são sustentados por Altieri (2002). Levando-se em conta as demandas. 2012. pois este enfatiza que a geração de tecnologias adequadas às necessidades da agricultura familiar deve surgir de estudos integrados das condições ambientais e socioeconômicas. percebendo as diferenças e semelhanças e relacionando as diferentes variáveis que interferem nos resultados físicos e econômicos do processo produtivo. pode-se avançar para a etapa de identificação das demandas gerenciais prioritárias . utilização e aplicação) à realidade desses produtores. O estabelecimento desses grupos é reforçado. deve-se efetuar permanente avaliação dos mecanismos operacionais e dos resultados obtidos. ou seja. a efetivação de correções de rumos. que influenciam os sistemas de produção e controlam suas respostas às alternativas tecnológicas. ao envolver aspectos de gerenciamento organizacional. para que esse processo propicie os resultados esperados. Após definir todos os grupos de produtores. de forma conjunta. serão desenvolvidas as ações específicas de capacitação. para cada grupo de agricultores e com as demandas identificadas. Com isso. a organização de agricultores impulsiona-os a aprenderem.1ª Edição. extensionistas e representantes de cada grupo de produtores familiares. a partir de discussões permanentes envolvendo. Após essas discussões. ao invés de estar restrita a um curso ou uma palestra. ISSN (versão online): 1984-3526 110 similares.. É importante assinalar que.

(1994). é estratégica por duas razões. procuraram fornecer subsídios auxiliares aos serviços de assessoramento junto aos produtores familiares. introduza nas suas rotinas diárias e cultura gerencial os princípios e mecanismos administrativos abordados nas ações de capacitação. deve desenvolver-se no contexto da aplicação a partir de uma visão multidisciplinar. é possível assinalar que. Finalmente. especialmente para assegurar que sejam observadas e atendidas as reais necessidades dos principais beneficiários. como planejamento e replanejamento de atividades e avaliações de metas e resultados. Na condução das referidas ações. fundamentalmente. 2012. cabe enfatizar que. que podem durar. entre as quais se destacam os painéis de discussão e os roteiros. os serviços em questão precisam aprimorar as suas estratégias de atuação. por exemplo. que questões relevantes deixem de ser abordadas. Considerações finais As discussões efetuadas ao longo do trabalho. das preferências e escolhas efetuadas pelo agricultor e seu grupo familiar. caracterizando a estruturação de redes para atingir vários objetivos e interesses. 2) em termos de equipe. assim. evitando-se. Enquanto os painéis objetivam uma discussão crítica entre os participantes sobre assuntos de relevância. podem ser empregadas várias técnicas metodológicas. busca-se fazer com que o produtor. duas safras agrícolas. os roteiros são constituídos por vários tópicos e podem ser muito úteis para orientar as discussões com os produtores. o modelo a ser empregado precisa ajustar-se ao modo emergente de produção do conhecimento. também. que apresenta algumas características fundamentais: 1) na organização. além de contextualizar a situação da gestão na agricultura familiar brasileira. esta deve permear todo . Ações continuadas são essenciais para que o agricultor melhor se familiarize com diversos aspectos. baseando-se em Gibbons et al. A primeira reside no fato de contribuir com melhorias importantes na comunicação e transferência de conhecimentos e tecnologias existentes. a formação de uma equipe multidisciplinar de assessoramento. Com isso. os agricultores familiares. na capacitação gerencial de agricultores familiares.1ª Edição. de fato. De maneira sintética. relacionados com diferentes aspectos técnicos e gerenciais que afetam os resultados da produção agropecuária. como na prática a opção por implantar determinado sistema produtivo depende. 3) pelo lado da responsabilidade social. Para tanto. que serão utilizados nas várias etapas do processo de capacitação gerencial. A segunda razão é decorrente do fato dessa equipe facilitar a elaboração de diversos instrumentos metodológicos específicos. ao invés de centrar-se no contexto acadêmico e com visão disciplinar.Revista Tecnologia e Sociedade . na execução das cinco etapas citadas. ISSN (versão online): 1984-3526 111 desenvolvimento de várias atividades. a utilização da visão sistêmica e o envolvimento efetivo de produtores e extensionistas em todas as etapas de planejamento e execução das ações voltadas para a capacitação gerencial são imprescindíveis. Isso porque. precisa deslocar-se de um grupo pequeno e homogêneo para um grupo grande e heterogêneo.

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Revista Tecnologia e Sociedade. 2012.49-60. p.1ª Edição.Revista Tecnologia e Sociedade . 2007. n. Jul.5. ISSN (versão online): 1984-3526 114 Paulo Freire para extensão rural. Curitiba. .

Universidade Federal do Paraná – UFPR.br. ISSN (versão online): 1984-3526 115 Uso do E-book Como Meio de Compartilhamento Formal e Disseminação do Conhecimento Explicito em Organizações Use of e-book as formal resource of sharing and dissemination of explicit knowledge in organizations Adriane Ianzen Machado Fabiana Paula Hoffmann Egon Walter Wildauer 9 Resumo Há uma grande gama de conhecimento fragmentado dentro das organizações. no século XXI.com. 2012. Professor do Programa de Mestrado em Ciência. O uso de ferramentas tecnológicas é de suma importância como meio de disseminação deste conhecimento. principalmente pelo fato dos conhecimentos estarem dentro da particularidade de cada indivíduo. PR – Brasil. PR – Brasil.br Fabiana Paula Hoffmann: Mestranda do Programa de Mestrado em Gestão e Tecnologia da Informação. gestão do conhecimento. Orientador. Gestão e Tecnologia da Informação (UFPR). O método de pesquisa adotado foi a pesquisa bibliográfica com análise da literatura sobre os livros eletrônicos. Fato este que remete ao que se pode chamar de conhecimento tácito.br Egon Walter Wildauer: Doutor em Ciências Florestais pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Curitiba. ativista do conhecimento e o livro eletrônico fazem parte do cenário do objeto de estudo e é com base nestes conceitos que surge uma proposta de uso do livro eletrônico como ferramenta tecnológica de disseminação do conhecimento. Constatou-se que materializar o conhecimento utilizando-se do e-book pode ser uma ferramenta estratégica e tecnológica para agregar valor às organizações. Curitiba.com. vivências.1ª Edição. E-mail: fsilvadm@yahoo. E-mail: adriane@iagil. Brasil.Revista Tecnologia e Sociedade . para sua disseminação. Brasil. em seu novo surgimento. Mestre em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). que é algo individual e importante para a construção do conhecimento explícito. Foi realizada uma análise qualitativa de teorias que sustentam a criação de um meio para a disseminação formal do conhecimento por meio dos e-books. Universidade Federal do Paraná – UFPR. materialização do conhecimento. neste sentido este artigo tem como objeto de estudo o uso do livro eletrônico (e-book) como ferramenta estratégica para a materialização do conhecimento e. E-mail: egon@ufpr. Os aspectos fundamentais e conceituais referentes ao e-book. consequentemente. que carrega seus saberes conforme suas experiências. cultura. uma vez que o usuário pode ter acesso em tempo real ao conhecimento utilizando-se tanto de 9 Adriane Ianzen Machado: Mestranda do Programa de Mestrado em Gestão e Tecnologia da Informação. . resultando no levantamento dos conceitos potenciais para o compartilhamento dos conhecimentos das organizações.

Key-words: E-book. resulting in a survey of potential concepts for the knowledge sharing in organizations. Palavras-Chave: E-book. knowledge's activist. which is something personal and important to construct the explicit knowledge. 1 INTRODUÇÃO A tecnologia. since the user can have real time access to knowledge using both computers and cell phones. knowledge's materialization. e seu constante aprimoramento. conhecimento tácito e explícito. Desde que a internet foi disponibilizada para acesso público e sua popularização permitiu a intensa troca de informações entre pessoas de diversas partes do planeta. o que gera uma competitividade e um poder de conhecimento vantajoso para as organizações. knowledge management. in this sense. gestão do conhecimento. these paper found that materialize the knowledge using e-book can be a strategic and technological tool to add value in organizations. its spread. ISSN (versão online): 1984-3526 116 computadores como de aparelhos celulares. this paper has the objective study the use of electronic book (e-book) as a strategic tool in order to materialization the knowledge and. Quantitative analysis was performed over the theories that support the creation means for formal dissemination of knowledge through the e-books. materialização do conhecimento.Revista Tecnologia e Sociedade . Abstract There are a wide range of fragmented knowledge within organizations. armazenamento. explicit and tacit knowledge.1ª Edição. This fact leads to what might be called tacit knowledge. The use of technological tools has a great importance as a way of disseminating explicit knowledge and. knowledge's activist and the electronic book make part of the scenery of the object of study and part of these concepts. Nesse ínterim. junto com . knowledge management. which generates competitivity and a power knowledge advantage for organizations. Organização. ativista do conhecimento. disseminação são termos muito conhecidos pela Sociedade da Informação. consequently. culture and way of life. transmissão estão presentes em ambas Sociedades coexistentes no mundo. 2012. The fundamental and conceptual aspects related to e-book. ocorreu a multiplicação de informações e o grande aumento no desenvolvimento do conhecimento. As a result. The research method used was a literature review with analysis of them on e-books in his new appearance. é responsável por grande parte das revoluções em qualquer campo ou área de conhecimento. knowledge's materialization. Sociedade esta que. disseminação. Os desafios da colaboração. surgiu a Sociedade da Informação e mais tarde a Sociedade do Conhecimento. mainly because knowledge are within the particularity of each person who carries their knowledge according their experiences. emerges a proposal to use the electronic book as a technological tool for knowledge dissemination. in the twenty-first century.

ou e-book. gerir o conhecimento é algo ainda nebuloso para muitas instituições e uma das possíveis causas para isso. De forma generalizada. Estes aparelhos também não são novidades no mundo tecnológico. principalmente. No momento vive-se uma intensa '(r)evolução' em um produto que é muito tradicional para o ser humano e que está totalmente relacionado com a transmissão de informações e com o conhecimento: o livro. sejam aparelhos celulares) como uma estratégia . há ainda muita dificuldade nas empresas em realmente se utilizar adequadamente os conhecimentos gerados internamente. comenta sobre o surgimento da web 2. embora a sua força de mudança e inovação sejam os novos leitores digitais. trouxe uma revolução no campo da comunicação. pelos sistemas colaborativos Wiki e por meio da crescente geração e difusão de conteúdo pelos próprios usuários" (TORQUATO. sejam tablets. O e-book não é uma tecnologia do século XXI. Quem afirma isto são os autores Takeuchi e Nonaka (2008). Apesar de o conhecimento ser algo muito comentado e discutido dentro das organizações. As ferramentas colaborativas e de socialização.1ª Edição. seu colaborador com suas competências e habilidades em gerar e transmitir conhecimentos. para que auxilie na produtividade e competitividade empresarial? Com base nesta questão pretende-se entender como os livros eletrônicos podem se apresentar como uma ferramenta útil na disseminação do conhecimento. na alteração do suporte do livro que passa do impresso ao digital. convencionalmente tratado de livro eletrônico. no prefácio do livro Sociedade da Informação. os e-readers. acompanhados das pranchetas eletrônicas (ou tablets). concomitante ao ressurgimento dos aparelhos leitores. 2008. A crescente preocupação empresarial com seu ativo financeiro interno tem foco para o ser humano. Com essa revolução algo a mais foi evidenciado: o crescimento do conhecimento. pois. Esta (r)evolução está pautada. Torquato (2008). porém neste século alguns conceitos em relação a essa tecnologia foram modificados. ao invés de meros equipamentos para leitura e/ou entretenimento de seus usuários. 2012. também interagem-se neste contexto de geração e compartilhamento de conhecimentos. comenta ainda que essa situação compreende também "outras características inovadoras. ISSN (versão online): 1984-3526 117 o avanço das tecnologias da informação e comunicação. prefácio). da transmissão de dados e informações. ou seja.0 e sobre o aumento da disponibilização e do consumo de recursos de áudio e vídeo. Na prática. este processo tem sido amplamente negligenciado na literatura organizacional. Desta forma questiona-se então: como aproveitar essa ferramenta tão valiosa nas empresas.Revista Tecnologia e Sociedade . É nesse contexto que se insere a nova era dos livros digitais. públicas na web. que ressurgem com foco corporativo. nas quais as empresas devem estar inseridas. sua existência é mais antiga. Dessa forma este artigo tem como objetivo apresentar uma proposta de uso de e-books e seus aparelhos leitores (sejam ereaders. para eles. é a negligência das instituições no momento da externalização dos conhecimentos. como aquelas oferecidas pelas redes e comunidades sociais e empresariais.

1 Estrutura Este artigo está estruturado em seis tópicos de forma que no primeiro é apresentado um breve histórico sobre os e-books. a materialização do conhecimento é foco do quarto tópico e o uso de e-books como disseminação formal do conhecimento externalizado é proposto no sexto tópico. Em fim apresentam-se as considerações finais com base nos autores que serviram como apoio teórico para a construção da proposta. seguido de análise qualitativa dos conhecimentos potenciais compartilhados para viabilizar uma proposta de disseminação de conhecimentos dentro das organizações por meio de uma ferramenta tecnológica. 2012. nos temas gestão do conhecimento e disseminação formal do conhecimento. . no terceiro tópico. 1.Revista Tecnologia e Sociedade . para então adentrar. neste caso os livros eletrônicos.1ª Edição. no segundo apresenta-se uma atualização devida à evolução do conceito.2 Procedimentos Metodológico Os procedimentos metodológicos adotados para esta pesquisa foram: levantamento bibliográfico e análise de literatura com os temas abordados de acordo com o quadro 1. ISSN (versão online): 1984-3526 118 para a gestão e o compartilhamento de conhecimentos dentro de uma organização. 1.

2002. 2010. DZIEKANIAK. ROSINI e PALMISANO. as alterações que ocorrem dentro das organizações. TEIXEIRA FILHO.1ª Edição. 2004 A gestão do conhecimento e a disseminação formal do conhecimento Importância da disseminação formal do conhecimento como estratégia competitiva para as organizações. SABBAG. SPENDER. 2010 DZIEKANIAK. RODRIGUES. GROTTO. SIMCSIK e POLLONI. 2003. 2008. 2001. 2008. Materialização conhecimento do Propõe uma estruturação formal e concreta do conhecimento. REZENDE. 2003. IDPF. CHOO. SANTIAGO JUNIOR.Revista Tecnologia e Sociedade . BARRETO. 2008. 1997. ISSN (versão online): 1984-3526 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA BARRETO. Por meio da socialização. GUTENBERG. não limitado a um local físico (estático). 2000 O livro eletrônico como estratégia para a gestão do conhecimento Quadro 1: Escopo do artigo Fonte: elaborado pelos autores . GARCIA. inibindo os problemas com falhas na transferência desses e adequando em tempo real. SILVA e BUFREM. 2012. MUÑOZ-SECA e RIVEROLA. internalização e a combinação é possível a migração do conhecimento tácito em conhecimento explícito contribuindo para a formalização e registro dos conhecimentos gerados pelas organizações. utilizando-se da tecnologia e do ativista para a elaboração. Atualização de conceitos em relação aos e-books Definição e distinção do conceito de E-books e aparelhos leitores. BENÍCIO. 2004. 2006. TÓPICO CORRESPONDENTE CONTRIBUIÇÃO PARA AS ORGANIZAÇÕES 119 Histórico sobre os ebooks Propicia o conhecimento sobre o cenário de e-books. FLEURY e OLIVEIRA JUNIOR. 2010. 2010. DUGUID e BROWN. 2008. para o compartilhamento e para a troca formal de conhecimentos. 2010. 2011. 2007. TAKEUCHI e NONAKA. tornando-as dinâmicas e competitivas. 2002. Contribui para integrar e sistematizar formalmente os conhecimentos fragmentados. externalização. 2010. 2010. 2006. YANO. ICHIJO. NONAKA e TAKEUCHI. 2010 2010.

visto que a partir do lançamento do Kindle. houve a necessidade de uma atualização do conceito de e-book. em poucos anos. a troca de dados por infravermelho e 1MB de memória para guardar contatos. 2011. por volta dos anos 90.. uma iniciativa que criou os livros eletrônicos. Sony. BUFREM.) Entre seus atrativos. nos EUA. já era possível distribuir uma obra pela internet. a Apple: inaugurou o mercado de computadores de bolso com o Newton. 2003). 2012. conforme Garcia (2010. (SILVA. Após o ano 2000 houve uma espécie de revolução no mercado de ereaders. Inclusive esse cientista imaginava a possibilidade de imitar o virar de páginas apertando botões ou mesmo tocando na tela. ISSN (versão online): 1984-3526 120 2 BREVE HISTÓRICO SOBRE OS E-BOOKS O conceito de livro eletrônico não é recente. atualmente. 2010).000 livros livres para download e leitura em diversos tipos de aparelhos. um fracasso estrondoso de vendas. Em 1971 Michael Hart fundou. com textos. Vannevar Bush (diretor do Escritório de Pesquisas e Desenvolvimento dos EUA) idealizou o primeiro aparelho leitor de livros que ele chamou de Memex. um boom (sic) na produção de conteúdo”. surgindo entre a década de 90 e o ano 2000 diversos tipos de aparelhos leitores. mais de 36.Revista Tecnologia e Sociedade . p..1ª Edição. cada um com suas funcionalidades e particularidades. colorido e legibilidade perfeita. de um livro dinâmico que seria uma espécie de computador portátil. A seguir apresenta-se essa atualização de conceitos. oferecendo. Allan Kay (um cientista norte-americano da Xerox Corporation) previu o aparecimento. Em 1968. Em 1945. Devido ao crescente uso e interesse dos e-books. 2008). (. aparelho leitor de propriedade da Amazon. e-readers ou dos blogs. procurando ganhar o mercado (BENÍCIO. a rede possibilitou. 2001). a qual diferencia os arquivos de livros eletrônicos de aparelhos leitores. pequeno de duas telas. pois tanto o arquivo do livro quanto os aparelhos leitores eram chamados de ebooks. o Projeto Gutenberg (GUTENBERG. 1) “antes mesmo de e-books. uma tela monocromática que reconhecia escrita com canetinha (stylus). em meados do ano 2000. ilustrações. Philips e Sharp foram igualmente derrotadas na missão de emplacar um portátil. Quem conseguiu tirar os handhelps do anonimato e transformá-los em ícones dos anos 90 foi a até então desconhecida Palm Computing. (BARRETO. Para baixar e-mails era preciso comprar um modem e acoplar. 134) Este fracasso inicial não desanimou os investidores deste tipo de aparelho. Não por acaso. Em 1992. . houve um grande aumento no desenvolvimento de novos aparelhos leitores (YANO. p.

se confundia com software. desenvolvido em 2007. 2005. Definido o conceito de e-book e sua utilidade como documento virtual e atualizável em qualquer circunstâncias. SILVA. SORRIBAS.Revista Tecnologia e Sociedade . HyperText Markup Language (HTML). O ePub transformou-se em um unificador de tecnologias. houve uma linha do tempo a ser percorrida pelas organizações. de forma a garantir que o leitor que o adquirisse. Esse conceito passou a se firmar a partir do desenvolvimento dos ereaders. 4 A GESTÃO DO CONHECIMENTO E A DISSEMINAÇÃO FORMAL DO CONHECIMENTO Para se chegar à Gestão do Conhecimento. p.1ª Edição. 2006. inicialmente. Este formato está na sua versão 3. o que é bem explicitado por Barreto (2006) que coloca a gestão do conhecimento dentro de uma ciência. tornando-se o formato padrão usado pela maioria dos aparelhos desenvolvidos para este fim. um formato que agrega as funções do HTML. 11) e apresenta tempos distintos na história desta ciência: “tempo de gerência da . DZIEKANIAK. BENÍCIO. entre outros). 2009. seguidos dos tablets. Em vários artigos publicados sobre o livro eletrônico. Até o surgimento do ePub os fabricantes de e-readers procuravam criar um formato compatível com o seu próprio e-reader. uma vez que a terminologia estava em processo de desenvolvimento e necessitava de um maior “tratamento por parte das áreas envolvidas com o estudo dos suportes informacionais” (DZIEKANIAK. este tipo de tecnologia proporciona um meio de disseminar formalmente os conhecimentos dentro das organizações. 2010). 2012. BUFREM. XML e CSS e que é um padrão aberto. lançada em outubro de 2011 e abrange funcionalidades como multimídia e a linguagem JavaScript (IDPF. os chamados formatos proprietários. 2010. p. a ciência da informação. Antes haviam os Portable Document Format (PDF). com apoio de linguagens de formatação como o Extensible Stylesheet Language (XSL) e o Cascading Style Sheets (CSS). e então chegou-se ao ePub (eletronic publishing). hardware e conteúdo. pelo IDPF (International Digital Publishing Forum). 2001. o qual. 2010. 2003. SILVA. ISSN (versão online): 1984-3526 121 3 ATUALIZAÇÃO DE CONCEITOS EM RELAÇÃO AOS EBOOKS Após o surgimento dos primeiros e-books houve uma mudança radical no seu conceito. assim como também o formato dos livros (arquivo) também se e modificou. logo. BUFREM. 2). surgiu o Extensible Markup Language (XML) com o conceito de organização do conteúdo. O autor a considera como: “uma instituição mediadora da relação informação-conhecimento” (BARRETO. tivesse que comprar os livros somente de sua própria plataforma. o que se torna uma ferramenta estratégica para a gestão do conhecimento. verifica-se o uso do termo e-book para designar tanto o arquivo do livro quanto os aparelhos leitores (BENÍCIO. Text (TXT).

Ao contrário. de 1995 até 2006”. 71). mas disponíveis na web a fim de colher contribuições externas. com CD-ROMS. o tempo do conhecimento colaborativo. no qual o autor identifica o início da relação direta entre informações e conhecimento. Surgiu nesse panorama. porém apontam como problema dessa alternativa a questão da saturação das informações em virtude de seu crescimento indiscriminado. A necessidade de filtro e critério no momento de preenchimento de um "repositório de conhecimento" é essencial para evitar problemas como esse de saturação. indexar e recuperar informações”. a partir do qual a organização tem que produzir outro grupo complementar e coerente. p. afirmam que: o conhecimento dividido entre as comunidades diferentes de uma organização não equivale a um todo coerente. perdendo assim seu valor e sua especificidade. como ferramentas essenciais em diversas áreas. Rodrigues (2010) aborda o incentivo proporcionado pelas novas tecnologias no desenvolvimento do conhecimento organizacional: A maior facilidade de acesso à informação.1ª Edição. (DUGUID. no qual uma sugestão seria que fosse feito por participantes que são integrantes de diversos grupos. Duguid e Brown (2010) comentam sobre a experiência do desenvolvimento de bancos de dados. vídeos e. “tempo de relação entre informação e o conhecimento.Revista Tecnologia e Sociedade . em razão da nova tecnologia e da velocidade das comunicações. iniciado desde que surgiram os blogs e ferramentas de construção colaborativa na web (chamadas wiki). 2010. que comenta da interatividade após o advento da internet e de sua disponibilização para o acesso público. do qual as melhores partes ou práticas possam ser selecionadas e transferidas. No entanto. 2012. BROWN. Nesse contexto inserem-se as comunidades de práticas organizacionais. de forma a aliar os conhecimentos entre estes grupos. Um ponto abordado pelos autores refere-se a intermediação do conhecimento. acima de tudo. A multimídia. Redes de relacionamento social fazem parte desse avanço. trata-se de um grupo de conhecimento fragmentado e localmente desenvolvido. criou as condições apropriadas para que o conhecimento escapasse de seus detentores tradicionais: os pequenos círculos e a elite. muitas vezes por meio do improviso (inovação). Duguid e Brown (2010) abordam a existência de comunidades de práticas nas organizações como grupos que se desenvolvem espontaneamente e enfatizam que essas comunidades trocam entre si e criam conhecimentos. pelas comunidades de prática em determinada instituição. . ISSN (versão online): 1984-3526 122 informação. no período de 1980 a 1995”. não só interatividade na web. que vai de 1945 a 1980” no qual ele comenta o início da necessidade de organizar. a Internet. nas quais grupos de opiniões e crenças adjacentes unem-se em busca de conhecimentos e compartilhamento de informações sobre seus assuntos de interesse. e o “tempo do conhecimento interativo. Pode-se acrescentar aos tempos identificados pelo autor. mas a construção mútua de informações e conhecimentos. as quais não estão apenas dentro das organizações. data de publicação da obra do autor.

(. NONAKA.Revista Tecnologia e Sociedade . ISSN (versão online): 1984-3526 123 facilitou a compactação da informação e sua distribuição indiscriminada (RODRIGUES. desta forma a necessidade de se considerar o ciclo da geração do conhecimento.1ª Edição. Fleury e Oliveira Junior (2010. o que acaba por conduzir “mensagens diferentes para os gerentes que tentam entender o que a gestão do conhecimento realmente significa para eles” (SPENDER. motivação e comunicação).. Fleury e Oliveira Junior (2010) afirmam ainda que as empresas de conhecimentos diferentes devem unir-se para suprir suas falhas potenciais de conhecimentos. 18) afirmam que "O conhecimento da empresa é fruto das interações que ocorrem no ambiente de negócios e que são desenvolvidas por meio de processos de aprendizagem. inovação. Esse modelo “está no núcleo do processo de criação do conhecimento (…) e descreve como os conhecimentos tácito e explícito são amplificados em termos de qualidade e quantidade.) seu valor está na habilidade de dar aos gerentes maiores insights e influenciar os sistemas de atividades e a comunidade de práticas que podemos chamar de organizações” (SPENDER. p. para o nível organizacional.. Combinação e Internalização). 2010. p. Spender considera ainda que o valor (do conhecimento) “dep ende de sua habilidade [dos gerentes] de ir além da análise convencional para capturar e analisar novos fenômenos. assim como do indivíduo para o grupo e. o que torna necessário unir o conhecimento com a tecnologia moderna para torná-lo disponível quando necessário. Entendemos por gestão estratégica do conhecimento a tarefa de identificar. p. 31).” (TAKEUCHI. 2010. 19). assim como para a identificação dos ativos estratégicos que irão assegurar resultados superiores para a empresa no futuro (…). 2010. então. 46). 2010. . Spender (2010) comenta que as empresas geralmente têm muito conhecimento armazenado. proposto por Takeuchi e Nonaka (2008). 23). Externalização. Verifica-se. porém de forma desestruturada e dispersa (tanto em pessoas quanto em objetos e/ou produtos da própria empresa). de forma a manterem-se competitivas na “economia do conhecimento”. 2008. O conhecimento pode ser entendido também como informação associada à experiência. OLIVEIRA JUNIOR. A gestão do conhecimento apresenta uma importante contribuição para a compreensão de como recursos intangíveis podem constituir a base de uma estratégia competitiva. Em seus estudos o autor divide a Gestão do Conhecimento em duas frentes: uma que a trata como objeto (e procura abstrair o conhecimento das pessoas) e outra que a trata como processo (envolvendo os processos individuais e sociais de criatividade. intuição e valores". Os autores consideram que os conhecimentos tácitos de um grupo de pessoas em uma organização são as competências essenciais da empresa. o chamado SECI (abreviatura de Socialização. p. disseminar e atualizar o conhecimento estrategicamente relevante para a empresa (FLEURY. 2012. 88). desenvolver. p. p.

p. (2) redução do tempo e do custo necessários para a criação do conhecimento. (3) alavancagem de iniciativas de criação do conhecimento por tora a corporação. rotinas ou procedimentos operacionaispadrão. empatia e paciência. Um papel importante para que este conhecimento seja de tal forma articulado dentro das organizações é desempenhado pelo chamado 'ativista do conhecimento'. 2008. (5) . versatilidade e inventividade. desenhos técnicos. o que tem sido frequentemente desconsiderado pelas organizações. disserta sobre alguns casos de sucesso e comenta que os responsáveis pela gestão do conhecimento devem sintetizar os conhecimentos tácitos de seus colaboradores. corroborando com Takeuchi e Nonaka (2008). conhecido como o ativista do conhecimento (também chamado por alguns autores. quanto dos executivos seniores. protótipos. p. de forma que sejam incorporados em novas tecnologias e produtos.” ( TAKEUCHI. específico ao contexto e difícil de formalizar e comunicar aos outros. NONAKA. (4) melhoramento das condições daqueles engajados na criação do conhecimento. explicita de forma clara sobre o conhecimento explícito. como engenheiro do conhecimento). podendo portanto ser facilmente comunicado ou difundido. 189). Choo (2006). banco de dados de computador. ISSN (versão online): 1984-3526 124 Ainda é possível verificar que os autores consideram que as organizações tem negligenciado a etapa de externalização do conhecimento. inteligência. Ele extrai conhecimento de alguma fonte. Ichijo (2008).1ª Edição. 24) Nonaka (2008) comenta que tornar o conhecimento tácito em explícito é o mesmo que expressar o inexpressável e sugere o uso de linguagem figurativa e de simbolismo para isso. patentes. fotografias e outros. (CHOO. 2006. Afirmam ainda que o engenheiro do conhecimento deva possuir boa comunicação. Para os autores “O engenheiro do conhecimento é o profissional responsável pela estruturação e construção de um sistema inteligente. código de software. que é pessoal. interpreta e representa em tipos e estruturas convenientes” (SIMCSIK. conhecimento de programação. (…) O conhecimento baseado em objetos pode ser encontrado. é convertido em conhecimento transmissível e articulado. armazenado e externalizado eficientemente há a necessidade da existência de um ator no processo. que tem como função impulsionar e fazer um elo de ligação entre os indivíduos e o conhecimento. em especificações de produtos. para que o conhecimento empresarial seja coletado.Revista Tecnologia e Sociedade . por exemplo. apresenta alguns propósitos para a existência do ativismo do conhecimento. tática e diplomacia. O conhecimento explícito é baseado em regras quando é codificado em normas. relacionando suas atividades ao quadro geral da empresa. Na mesma linha de pensamento desses autores. apontando seis deles: (1) foco e inicialização da criação do conhecimento. O conhecimento explícito pode se basear em objetos ou regras. tornando-os explícitos. p. conhecimento do domínio. 373). E que segundo o conceito proposto por Simcsik e Polloni (2002). POLLONI. 2012. que é a etapa na qual “o conhecimento t ácito. 2002. considerando-o como aquele que pode ser expresso formalmente com a utilização de um sistema de símbolos. tanto os de linha de frente.

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preparação dos participantes da criação de conhecimento para novas tarefas nas quais seu conhecimento é necessário; e (6) inclusão da perspectiva da microcomunidade no debate mais amplo de transformação organizacional. (ICHIJO, 2008, p. 131132)

O autor afirma ainda que:
Os ativistas do conhecimento são grandes participantes em pelo menos quatro subprocessos de criação de conhecimento. No início do processo, eles frequentemente formam microcomunidades de conhecimento. Eles facilitam o caminho para a criação e a justificação dos conceitos, assim como para a construção de um protótipo. (…) Os ativistas do conhecimento são os divulgadores do conhecimento na empresa, espalhando a mensagem a todos.” (ICHIJO, 2008, p. 131-132).

Desta forma, verifica-se que para gerenciar o conteúdo de um livro eletrônico é necessário um ativista do conhecimento para cada área específica, para a qual se utilizará essa ferramenta. Para que todos deem sugestões, e elas sejam filtradas e sintetizadas de forma que fiquem claras para todos, para que o conhecimento seja compartilhado de maneira eficaz. Rosini e Palmisano (2008) esclarecem bem a contribuição que um documento com informação digital pode oferecer:
Quando a informação é digitalizada e comunicada por meio de redes digitais, revela-se um novo mundo de possibilidades, em que quantidades enormes de informação podem ser comprimidas e transmitidas na velocidade da luz, pois a quantidade das informações pode ser muito melhor do que nas transmissões analógicas. Muitas formas diferentes de informação podem ser combinadas, criando, por exemplo, documentos multimídia e as informações podem ser armazenadas e recuperadas instantaneamente de qualquer parte do mundo, propiciando, consequentemente, acesso instantâneo a maior parte das informações registradas pela civilização humana. (ROSINI; PALMISANO, 2008, p. 107, grifo nosso).

Um aspecto importante em um ativista é a sua capacidade de saber interagir com as pessoas e a capacidade de atuar como um suporte de ligação entre o conhecimento e as idéias tácitas advindas de diversas vivências de cada indivíduo. Há que se mencionar a metáfora do Iceberg do Conhecimento, pois, de acordo com Sabbag (2007, p. 56-57) o conhecimento é explorado como se fosse em camadas de um iceberg. No topo do iceberg estão as partes que fazem parte do conhecimento explícito como o saber fazer (teorias, normas, procedimentos, instruções, processos organizacionais) e na parte submersa e intangível encontra-se a parte que compete ao conhecimento tácito como o saber fazer incorporado, saber os porquês, saber com quem (talentos naturais, simbolismos, crenças, cultura, valores e atitudes, pressupostos). Neste contexto o ativista do conhecimento para atuar como ator no processo, deve saber lidar com as nuances existentes entre o conhecimento explícito e o que se pode aprender com o conhecimento tácito, uma vez que

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a profundidade com que terá que lidar com este último é maior e envolve um processo de extração do conhecimento individualizado. Corroborando com essa ideia há a espiral do conhecimento (figura 1) proposta por Nonaka e Takeuchi (1997, p. 80), na qual observa-se que o grande desafio corresponde em transformar o conhecimento tácito em explícito, ou seja, no processo de externalização. E neste processo está a fundamental importância do papel do ativista: na compilação de toda essa gama de conhecimentos exteriorizados.

COMPETIÇÃO

SOCIALIZAÇÃO Experiências compartilhadas

EXTERNALIZAÇÃO Conhecimento tácito convertido em explícito

INTERNALIZAÇÃO Conhecimento explícito incorporado no conhecimento tácito

COMBINAÇÃO Conceitos sistematizados

COOPERAÇÃO

Figura 1: Espiral do Conhecimento Fonte: adaptado de Nonaka e Takeuchi (1997, p. 80)

Neste cenário o ativista do conhecimento que está envolvido com a atividade de desenvolvimento de um livro eletrônico tem a função de ser um agente extrator do conhecimento tácito e um transformador deste conhecimento em explícito, por meio do método espiral do conhecimento de Nonaka e Takeuchi (1997), o ciclo de socialização, externalização, combinação e internalização, deve ser contínuo, possibilitando a troca de

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conhecimentos, o enriquecimento de saberes e a formalização do conhecimento. Dessa forma a disseminação formal do conhecimento tende a ser um produto dos esforços da extração e transformação do conhecimento tácito em conhecimento explícito, tomando um formato materializado, ou seja, pode-se falar em uma concretização do conhecimento.

5 MATERIALIZAÇÃO DO CONHECIMENTO
Apesar do conhecimento ser algo muito comentado e discutido dentro das organizações, há ainda muita dificuldade nas empresas em realmente se utilizar adequadamente os conhecimentos gerados internamente. Na prática, gerir o conhecimento é algo de grande dificuldade para muitas instituições e uma das possíveis causas para isso, é a negligência das instituições no momento da externalização dos conhecimentos. Quem afirma isto são os autores Takeuchi e Nonaka (2008), pois, para eles, este processo tem sido amplamente negligenciado na literatura organizacional. O conhecimento externalizado deve ser materializado, para ser disseminado corretamente, pois quando se trata de conhecimento é preciso se ter uma compreensão exata do que se pretende compartilhar dentro dos processos envolvidos, é importante saber mapear formalmente o conhecimento presente dentro das organizações. Esse processo de materialização se dá pela necessidade de gerar uma estrutura concreta do conhecimento, nesse sentido, bem explicitada por Muñoz-Seca e Riverola:
Dada a intangibilidade do conhecimento para poder manejá-lo fisicamente, requer-se sua transformação em estruturas materiais. O conhecimento deve se incorporar a uma estrutura física que pode se transformar por meios físicos bem estabelecidos e da qual se pode extrair de novo por meios sensoriais. O conhecimento em forma pura não é suficiente para satisfazer todas as necessidades da economia. O alimento para a mente deve ser suplementado com o alimento para o corpo. Por conseguinte, o conhecimento tem de ser transformado – também utilizaremos o termo “materializado” – em entidades tratáveis dentro dos processos básicos da empresa e da sociedade. (MUÑOZ-SECA; RIVEROLA, 2004, p. 45).

Na mesma perspectiva, os autores continuam e explicam o que seria a materialização do conhecimento:
A materialização do conhecimento é sua transformação numa forma que possa ser manipulada, armazenada, transmitida, recuperada e utilizada facilmente, sem ter de recorrer à pessoa que o originou. Uma materialização se origina num originador, protetor do conhecimento, e pode ser utilizada para resolver problemas no destinatário. Um inventário de conhecimentos da empresa é quase um passo obrigatório para a gestão do conhecimento. (MUÑOZSECA; RIVEROLA, 2004, p. 45).

quando as pessoas trocam ideias. . 2003. com essa explanação a importância da tecnologia no compartilhamento formal do conhecimento dentro das organizações. e b) estratégia personalizada. apresentações audiovisuais. Há então a necessidade de uma ferramenta para a disseminação formal do conhecimento de forma a unir todas essas informações em um único local. de acesso fácil. na qual o conhecimento é explicitado em sistemas de informação para acesso pelos colaboradores. ISSN (versão online): 1984-3526 128 As informações podem advir das reuniões informais. Se as empresas considerarem exatamente o que o autor comenta – uso de e-mail. conforme Grotto (2003. p. remoto. quando necessário. Trata-se da portabilidade e da disponibilidade desses conhecimentos em tempo hábil. unidas podem propiciar grande desenvolvimento de conhecimento dentro da organização. O compartilhamento do conhecimento pode ocorrer por meio de práticas informais ou formais.Revista Tecnologia e Sociedade . de forma externalizada formal e unificada. o autor ainda cita duas práticas de compartilhamento de conhecimento encontradas em empresas distintas: a) estratégia de codificação. Verifica-se. porém fragmentado. colaborativas e propiciar a todos informações precisas e atualizadas. O livro eletrônico tem a possibilidade de oferecer mais. segundo o autor “existem algumas práticas formais de compartilhamento do conhecimento – como palestras. À luz do compartilhamento formal do conhecimento e de acordo com alguns conceitos tem-se a possibilidade de se obter um cenário. como estratégia de armazenamento e disseminação de novos conhecimentos. como “ o e-mail. passível de ser disseminado a quem interessar. a videoconferência e o sistema de redes (…) e o mapeamento do conhecimento organizacional” (GROTTO. no qual. 110) “geralmente. 6 O LIVRO ELETRÔNICO COMO ESTRATÉGIA PARA A GESTÃO DO CONHECIMENTO O livro impresso é estático e corre o risco de ficar defasado muito rapidamente. portátil e seguro. no entanto percebe-se um implicador: a fragmentação desses recursos. O livro eletrônico vem como aliado a essa disponibilidade de conhecimentos nas organizações. manuais e livros – propícias ao compartilhamento do conhecimento explícito” e algumas ferramentas tecnológicas para esse compartilhamento formal do conhecimento. p. vídeoconferência e o sistema de redes – terá conhecimento materializado. na qual uma pessoa detentora do conhecimento é responsável por comunicá-lo e transmiti-lo aos demais interessados. ocorre de maneira não preestabelecida durante encontros casuais e conversas locais. 111-112). pedem conselhos para resolver problemas e perguntam em que os outros estão trabalhando”. As práticas diferem de uma organização para outra.1ª Edição. O compartilhamento informal. 2012. Essas duas práticas.

agilidade e velocidade de forma cada vez mais crítica (TEIXEIRA FILHO. ISSN (versão online): 1984-3526 129 oferecer principalmente a atualização de informações. Teixeira Filho (2000) comenta a necessidade das empresas em relação ao compartilhamento do conhecimento: O conhecimento é transmitido por pessoas e para pessoas. ou em viagens. 25). Conforme o autor. produzidas com qualidade e de forma antecipada. como suporte à obtenção da vantagem competitiva inteligente. amigável e de acesso fácil e ágil. flexibilidade. páginas da Web. 2000p. O uso de livros digitais supriria praticamente todas as questões citadas pelo autor. 2012. de conteúdo. serviço. (REZENDE. pelos seus colaboradores. sites). transformando-as em conhecimento explícito. d) impossibilidade de medição de uso do conhecimento. que podem ser acessados na empresa.1ª Edição. (SANTIAGO JÚNIOR. emails. Conforme Santiago Júnior (2004) é possível verificar que A maioria dos problemas sobre a disponibilidade de conhecimentos nas organizações recai nas seguintes questões: a) problemas com transferência do conhecimento. 2004. valor agregado. etc. pelo aprendizado interpessoal e o compartilhamento de experiências e ideias. livros. e) perda de conhecimentos relevantes nos momentos adequados. vídeos. tudo de uma forma agradável. O livro eletrônico pode unir tudo o que foi mencionado por Teixeira Filho. externalização. textos. p. publicações. no qual o livro eletrônico se enquadra como uma estratégia para a Gestão do Conhecimento. 2002. Para o autor: Todo e qualquer sistema que manipula ou gera conhecimentos organizados para contribuir com os seres humanos. sobre a socialização. armazenando e atualizando conhecimentos) com o pode agregar todos os “produtos” em si próprio (documentos. b) erros devidos à falta de conhecimento. que possa ser utilizado por todas as pessoas da organização. hipertextos. internalização e a combinação poderá registrar tudo isso em livros eletrônicos. documentos.Revista Tecnologia e Sociedade . “trabalhadas” por pessoas e/ou recursos computacionais. Além disso. livros. pode auxiliar nos processos (disseminando. com as organizações e com a sociedade como um todo. Se a empresa seguir as ideias de Nonaka e Takeuchi (1997). nos sistemas do conhecimento são gerados muitas informações com conhecimento agregado. f) falta de processos de compartilhamento. Isso significa a difusão das informações relevantes e úteis. p. pode ser chamado de Sistema do Conhecimento. de conhecimentos. ainda assim seus pontos negativos em sua maior parte . 85) O livro eletrônico como toda tecnologia tem seus pontos positivos e pontos negativos. De acordo com Rezende (2002) existem os Sistemas do Conhecimento. 22-23). c) conhecimento crítico nas mãos de poucas pessoas. inovação. as pessoas obtêm conhecimento daqueles que já o têm. ou mesmo em casa. (…) As empresas precisam de qualidade. através de meios estruturados como vídeos.

convergência de tecnologia. prática do uso de proteção de direitos autorais (improvável num modelo como esse proposto). 2012. transformando-o em conteúdo de um suposto livro eletrônico que é disponibilizado novamente para todos os colaboradores. . A unificação de todos os conhecimentos estaria garantida e reunida em um local único de fácil acesso e portabilidade. falta de pro-atividade e interesse do usuário quanto ao conteúdo.1ª Edição. garantindo a mobilidade e acessibilidade do conhecimento que se busca. sua disponibilização ao ativista do conhecimento e o compartilhamento formal. esse livro eletrônico seria sempre alimentado pelo ativista do conhecimento a cada novo conteúdo (conhecimento) compartilhado. já que o seu aparelho leitor pode ser desde um computador a um aparelho de celular. A figura 2 ilustra a união entre o compartilhamento “informal”. ISSN (versão online): 1984-3526 130 são superados com adequações que podem ser promovidas pelo ativista do conhecimento e pela colaboração de seus usuários. reunião de conteúdos textuais e multimídia. falta de cultura em leitura eletrônica.Revista Tecnologia e Sociedade . disponibilidade e agilidade. Destacam-se:  Pontos positivos dos livros eletrônicos: portabilidade. atualização de conteúdo. controle de acesso ao conteúdo pelo usuário e pelo moderador. externalizado e materializado. por meio dos colaboradores. Desta forma. Seu acesso pode ser feito em qualquer lugar. que seria a materialização deste conhecimento pelo ativista.  Pontos negativos dos livros eletrônicos: necessidade de um aparelho eletrônico para sua leitura.

1ª Edição. É muito importante o papel do ativista do conhecimento. no processo de coleta dos conhecimentos tácitos e a compilação e transformação destes conhecimentos externalizados em conhecimento explícito. levando em consideração os conceitos e métodos sobre a Gestão do Conhecimento. Materializar . por meio de trabalhos como o do ativista do conhecimento.Revista Tecnologia e Sociedade . 7 CONSIDERAÇÕES FINAIS O principal objetivo desse artigo foi mostrar uma proposta do uso do livro eletrônico (e-book) como uma ferramenta para a disseminação do conhecimento materializado. de forma que este seja fornecido aos colaboradores como ferramenta estratégica para a disseminação formal do conhecimento. Trata-se de um meio de compartilhamento formal do conhecimento explícito materializado. que deve ser o responsável pela concretização das ações necessárias à disponibilização de ambiente propício e ferramentas necessárias à captação desse conhecimento. 2012. para então transpô-los ao e-book. ISSN (versão online): 1984-3526 131 Colaborador es Conhecimentos Ativista do conhecimento E-BOOK Disseminação do conhecimento materializado Colaborador es e disseminação de conhecimento por Figura 2: Processo de materialização meio de e-books Fonte: Elaborado pelos autores. bem como a forma como este conhecimento é articulado dentro das organizações. também observado por Simcsik e Polloni (2002) e Ichijo (2008).

Surge neste contexto a preocupação com a espiral do conhecimento. Sendo possível observar que para disseminar os conhecimentos a tarefa de materializa-los é necessária. 2012. 2010. o processo de materialização. concordando com Rezende (2002) em relação aos Sistemas de Conhecimento. o acesso. conforme afirmado por Takeuchi e Nonaka (2008). isto em tempo real. ISSN (versão online): 1984-3526 132 esses conhecimentos para disponibilizá-los em e-books torna-se um desafio e um ponto crucial para que a proposta em tela seja concretizada. acessibilidade. como afirma Grotto (2003). integridade do conhecimento que se deseja naquele espaço de tempo. Desta forma suprem-se as necessidades afirmadas por Santiago Júnior (2004). têm negligenciado a etapa de externalização do conhecimento. para que eles possam atingir a todos os objetivos desejados pela organização satisfazendo as necessidades de conhecimentos de seus colaboradores. Neste aspecto a disponibilidade. desta forma o estudo mostra que a organização deve se preocupar com a formalização do compartilhamento dos conhecimentos. auxiliando na tomada de decisões pelo compartilhamento dos conhecimentos. 18) os conhecimentos tácitos de um grupo de pessoas em uma organização são as competências essenciais da empresa. p. de forma a atingir as necessidade de compartilhamento de conhecimentos em qualquer organização. Essa sistematização e seu compartilhamento ocorre formal ou informalmente. o que garante a temporalidade. 30-31). o compartilhamento. uma vez que o conhecimento pode ser acessado pelo usuário utilizando-se de diversas tecnologias desde um computador até um aparelho celular. conforme apresentado e defendido por Nonaka e Takeuchi (1997). Como afirmado por Fleury e Oliveira Junior (2010. . O resultado obtido com os artigos analisados e com o levantamento bibliográfico mostra que para as organizações o conhecimento é aspecto fundamental para a competitividade e para a própria sobrevivência. Por fim. quando afirma que “há valor óbvio em inventariar esse conhecimento e em usar o poder da moderna tecnologia para torná-lo prontamente disponível a qualquer que seja a necessidade” (SPENDER. conforme afirmado por Rosini e Palmisano (2008). para tornar o conhecimento tácito em explícito por meio da externalização e indo além se faz necessária a sistematização desse conhecimento. Desta forma concorda-se com Spender. p.1ª Edição. concordando com Muñoz-Seca e Riverola (2004) e a disseminação do conhecimento por meio de e-books pode apresentar-se como uma ferramenta útil dentro das organizações possibilitando resultados positivos e satisfatórios.Revista Tecnologia e Sociedade . a disseminação e a sistematização se fazem necessários para que a complexidade dos processos organizacionais se unifiquem para atingir os objetivos estipulados no planejamento estratégico. No entanto.

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