Revista Tecnologia & Sociedade

Revista Tecnologia & Sociedade

Periódico técnico-científico do Programa de Pós-graduação em Tecnologia da UTFPR

No. 14 – 1º semestre de 2012 – Semestral. Curitiba: Editora UTFPR (denominação anterior: Editora CEFET-PR).
ISSN (versão online): 1984-3526

PPGTE - Programa de Pós-Graduação em Tecnologia da UTFPR Av. Sete de Setembro, 3165 Cep: 80230-901 – Curitiba – Paraná - Brasil http://www.ppgte.ct.utfpr.edu.br/tecnologiaesociedade revistappgte@gmail.com

Revista Tecnologia e Sociedade - 1ª Edição, 2012. ISSN (versão online): 1984-3526

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ÍNDICE
Editorial...…...…..............…….……………….....……………………....5 Dr. Christian Luiz da Silva Algunas consideraciones sobre la valoración económica de bienes y servicios ambientales en áreas protegidas. ................... 7 Some considerations about the economic valuation of environmental goods and services in protected area. Alain Hernández Santoyo Mayra Casas Vilardell María Amparo León Sánchez Rafael Caballero Fernández Víctor Ernesto Pérez León A Influência dos Recursos Naturais Frente à Colonização do Vale do Macuri ............................................................................... 17 The influence of natural resources the colonization of the Vale do Mucuri Marcio Schuber Ferreira Figueiredo Cristiane Xavier Figueiredo Análise de patentes de tecnologias relacionadas ao descarte de resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos com vistas à sustentabilidade ambiental........................................................... 34 Analysis of technology patents related to the disposal of electric and electronic equipment waste regarding the environmental sustainability Luciara Cid Gigante Maria Cristina Comunian Ferraz Camila Carneiro Dias Rigolin Bioenergia e resíduos na cadeia de suínos: uma análise de custos e investimentos para transporte de dejetos suínos com posterior geração de bioenergia no município de Toledo/ PR ... 48 Bioenergy and waste in the chain of pigs: an analysis of costs and investments for the transportation of pig manure with subsequent generation of bioenergy in the city of Toledo / PR Sandra Mara Pereira Política Industrial Comum no Mercosul: apontamentos sobre o papel das instituições ................................................................... 67 Common Industrial Policy in Mercosul: notes on the role of institutions Rogério Santos da Costa

Revista Tecnologia e Sociedade - 1ª Edição, 2012. ISSN (versão online): 1984-3526

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Sustentabilidade nas Construções da Copa 2014, em Curitiba . 77 Sustainability on Constructions of the World Cup 2014, in Curitiba Sileide France Turan Salvador Ana Helena Corrêa de Freitas Gil Eloy Fassi Casagrande Júnior A Variação dos Indicadores Básicos do Índice de Desenvolvilmento Humano dos Países Latino-Americanos no Período de 2007-2010: uma Decomposição com uso da Metodologia Shift-Share ............................................................... 92 Variation of Basic Indicators Index of Human Desenvolvilmento Latin American Countries in the Period 2007-2010: a decomposition using the Shift-Share Methodology Bruno Theylon Oliveira Dias Gilson Batista de Oliveira Reflexões sobre a Capacitação Gerencial na Agricultura Familiar Brasileira ...................................................................................... 105 Reflections on management in the Brazilian Family Farming Joelsio José Lazzarotto João Caetano Fioravanço Uso do E-book Como Meio de Compartilhamento Formal e Disseminação do Conhecimento Explicito em Organizações . 115 Use of e-book as formal resource of sharing and dissemination of explicit knowledge in organizations Adriane Ianzen Machado Fabiana Paula Hoffmann Egon Walter Wildauer

da Universidad Piñar del Río. apresentam uma contribuição para o campo de ciência.Revista Tecnologia e Sociedade . O quarto artigo trata do tema bioenergia e resíduos na cadeia de suínos. discute. Espanha. da Faculdade Presidente Antônio Carlos de Teófilo Otoni/MG. Sandra Mara Pereira. coletaram informações relacionadas a 380 propriedades com suínos em fase de terminação e analisaram os potenciais de geração de dejetos. sobre a importância da política industrial como instrumento de desenvolvimento industrial em processos de integração regional. tecnologia e sociedade e sociologia do consumo por meio de uma das metodologias da ciência de informação. no artigo “Algunas consideraciones sobre la valoración económica de bienes y servicios ambientales em áreas protegidas”. relações internacionais e gerencias. María Amparo León Sánchez e Victor Ernesto Pérez Léon. Os autores Sileide France Turan Salvador e Ana Helena Corrêa de Freitas Gil. O sexto artigo denota a questão da sustentabilidade na construção civil. professoras da UFSCar.1ª Edição. como meio ambiente. de Cuba. Os pesquisadores do programa de pós-graduação em Desenvolvimento Regional e Agronegócios. do Instituto Federal do . O sexto e sétimo artigos tratam da sustentabilidade como tema central. Nesta edição. da Universidad de Málaga. desenvolvimento. em seu artigo “Política Industrial e Comum no Mercosul”. de Márcio Schuber Ferreira Figueiredo e Cristiane Xavier Figueiredo. O primeiro artigo é uma contribuição dos pesquisadores e professores Alain Hernández Santoyo. econômicas e sociais que favoreça a otimização de decisões. desenvolvem um modelo de multicritério como ferramenta para integração de componentes naturais. O segundo artigo. Debora da Silva Lobo. 2012. doutoranda em política de ciência e tecnologia da Unicamp. Homero Fernandes Oliveira e Weimar Freire da Rocha Júnior. Os quatro primeiros artigos tem a questão ambiental como tema central da discussão multidisciplinar. há o especial interesse pela relação entre tecnologia e desenvolvimento pelas discussões referentes a temas multidisciplinares. Os autores. O artigo “Análise de patentes de resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos com vistas a sustentabilidade ambiental” avaliou as tendências verificadas por meio de documentos de patentes. e Rafael Caballero Fernandéz. através de monitoramento tecnológico de produtos e processos relacionados ao descarte de lixo tecnológico. ISSN (versão online): 1984-3526 5 EDITORIAL A primeira edição de 2012 da revista Tecnologia e Sociedade reforça ser um espaço plural de discussão entre as diversas relações e interações entre a tecnologia e a sociedade. biogás e energia elétrica. sustentabilidade. Mayra Casas Vilardell. demonstram a importância dos recursos naturais e sua influência no processo de colonização. intitulado “A influencia dos recursos naturais frente à colonização do Vale do Macuri”. sobre a complexa e interdisciplinar questão da valoração econômica. O autor demonstra que ao invés de ser fator integrar as dificuldades institucionais no Mercosul para a integração política implicam em motivo de instabilidade para o bloco econômico. Luciara Cid Gigante. O professor do programa de pós-graduação em Administração da Unisul. Rogério Santos da Costa. Maria Cristina Comunian Ferraz e Camila Carneiro Dias Rigolin.

Dr. tecnologia e sociedade. 2012. pesquisadores da Embrapa. Os autores Joelsio José Lazzarotto e João Caetano Fioravanço. Com isso. Fabiana Paula Hoffmann e Egon Walter Wildauer. mostram como o uso do e-book pode ser utilizado como meio de compartilhamento formal e disseminação do conhecimento explícito em organizações. Contamos com novas contribuições para maior fortalecimento dessa discussão e para que possamos fortalecer o alcance do objetivo da revista: ser uma referencia latino-americana para discussão multidisciplinar no campo de ciência. os pesquisadores do programa de pós-graduação em Ciência. Adriane Lanzen Machado. analisam a função social da construção sustentável na Copa 2012 e a contectividade urbana. Os pesquisadores da Universidade Federal da Integração Latino Americana – UNILA. Christian Luiz da Silva Editor . discutem sobre o índice de desenvolvimento humano para os países latino-americanos. relações e interações e diversidade de contribuição institucional para tratar a tecnologia e sociedade sob prismas diferentes e um enfoque multidisciplinar. A importância da questão gerencial para o desenvolvimento local é o tema do oitavo artigo. perpassamos por diversos temas. Desejamos a todos boa leitura! Prof. tecnologia e sociedade incorporando novos pesquisadores e grupos de pesquisas nesta importante contribuição de entendermos os motivos e impactos de nossas ações nas universidades e instituições de pesquisas para o desenvolvimento dos países. Gestão e Tecnologia da Informação da UFPR. Gilson Batista de Oliveira e Bruno Theylon Oliveira Dias. O artigo “A variação dos indicadores básicos do índice de desenvolvimento humano dos países latino-americanos no período de 20072010” teve o intuito de mostrar como a crise de 2008 afetou não somente a questão econômica como a área social. refletiram sobre a importância da ampliação da capacidade gerencial para fortalecimento da agricultura familiar e possibilitar que este modelo seja efetivamente uma alternativa de desenvolvimento local. e Eloy Fassi Casagrande Júnior. Por fim. Os autores mostram que o uso do e-book pode ser uma ferramenta estratégica e tecnológica para agregar valor às organizações.Revista Tecnologia e Sociedade .1ª Edição. em especial saúde e educação. relacionando ao contexto de crescimento econômico destes países. professor do programa de pósgraduação em Tecnologia. ISSN (versão online): 1984-3526 6 Paraná. econômica e social em seu artigo “Sustentabilidade nas Construções da Copa 2012 em Curitiba”. Esperamos que esta edição reforce a discussão no campo de ciência. intitulado “Reflexões s obre a capacitação gerencial na agricultura familiar brasileira”.

upr.upr.Revista Tecnologia e Sociedade . Cuba. se dirige a ilustrar la contribución de la valoración económica de bienes y servicios ambientales en áreas protegidas de la República de Cuba. bienes y servicios ambientales. Cuba.upr.es Víctor Ernesto Pérez León: Dr. de Matemática. Email: vp_leon@mat.1ª Edição.C Ciencias Forestales. Institución: Dpto. Institución: Dpto. de manera que se favorezca la optimización de las decisiones a tomar. España.edu. que posibilita la integración de diversos componentes de carácter natural. of 1 Alain Hernández Santoyo Mayra Casas Vilardell María Amparo León Sánchez Rafael Caballero Fernández Víctor Ernesto Pérez León Resumen La valoración económica ambiental de los recursos naturales. El objetivo del presente trabajo. Email: mcasas@eco. de Matemática.cu . Some considerations about the economic valuation environmental goods and services in protected area. En el caso de las áreas protegidas. Institución: Dpto.C Ciencias Matemáticas.edu.cu Rafael Caballero Fernández: Dr. Universidad de Pinar del Río. Cuba. sino en la búsqueda de un equilibrio sistémico. Cuba. Universidad de Pinar del Río. el empleo de la modelación multicriterio como herramienta para la valoración económica de Bienes y Servicios Ambientales. no en base a un único objetivo.C Ciencias Económicas.Institución: Centro de Estudios sobre Medio Ambiente y Recursos Naturales. ISSN (versão online): 1984-3526 7 Algunas consideraciones sobre la valoración económica de bienes y servicios ambientales en áreas protegidas.C Ciencias Económicas. económico y social. constituye una herramienta útil.edu. de Matemática.cu María Amparo León Sánchez: Dra. Universidad de Málaga.cu.upr.edu. Institución: Dpto. Email: maleon@mat. economía ambiental. es sin dudas un importante mecanismo que tributa a favor de lograr una mejor conservación y gestión de los recursos naturales. entre un conjunto de ellos. de Economía Aplicada (Matemáticas). áreas protegidas. Email: santoyocu@mat. Email: r_caballero@uma. Universidad de Pinar del Río.C Ciencias Económicas. Abstract The environmental economic valuation of natural resources represents an important mechanism to get an improvement in the natural resources 1 Alain Hernández Santoyo: Dr. Palabras clave: valoración económica. Mayra Casas Vilardell: Dra. 2012. Universidad de Pinar del Río.

que propone la economía ambiental. que permiten medir las expectativas de beneficios y costos derivados de algunas acciones tales como: uso de un activo ambiental. Introducción La valoración económica. p. 2012. the using of a multicriteria modeling as a tool for the economic valuation of Environmental Goods and Services. economic and social components. not based on an only objective. consiste en asignar valores monetarios a los bienes. .13). 2003). Se considera que “la valoración económica puede ser útil en la definición de un grupo de prioridades. Consideraciones sobre la valoración económica ambiental La valoración económica ambiental puede definirse como “un conjunto de técnicas y métodos. The purpose of the present investigation concerns its attention to present the contribution of the economic valuation of environmental goods and services in protected areas to the Republic of Cuba. pues contribuye a descubrir el valor económico de las externalidades y de los bienes públicos y a diseñar políticas que prioricen la protección y conservación de los recursos naturales. 2003. so that the optimization of decisions is favored.Revista Tecnologia e Sociedade . El objetivo del presente trabajo. se justifica. se dirige a ilustrar la contribución de la valoración económica de bienes y servicios ambientales en áreas protegidas de la República de Cuba. p. por la toma de decisiones sobre los usos alternativos de los recursos naturales.46). es una herramienta útil y complementaria en la formulación de políticas a favor de la sostenibilidad (Casas y Machín. Así. servicios o atributos que proporcionan los recursos naturales y ambientales. Lo anterior. La misma constituye un procedimiento dirigido a imputar valores económicos a los bienes y servicios ambientales. In the case of protected areas. 2006).1ª Edição. el diseño de políticas ambientales para regular el acceso y el uso de los mismos y por constituir un elemento esencial para la actividad económica en la actualidad. resumiendo las consideraciones principales compartidas por los autores. generación de un daño ambiental. environmental economy. la valoración económica de estos recursos resulta necesaria. entre otros” (Azqueta. environmental goods and services. políticas o acciones que protejan el medio ambiente y sus servicios” (Cerda. independientemente de que estos tengan o no mercado (Castiblanco. realización de una mejora ambiental. constitutes an useful tool that provides the incorporation of different natural. but in the search of a whole balance among a group of them. 1994. sin embargo. ISSN (versão online): 1984-3526 8 management. Keywords: economic valuation. El desarrollo de propuestas de valoración económica del medio natural no resuelve de forma definitiva los procesos de degradación y sobreexplotación de la naturaleza. protected areas.

en cambio. o medir los cambios en la calidad ambiental en los flujos naturales de estos recursos (impactos positivos o negativos producto de las actividades económicas humanas) (Barsev. “aquellos recursos tangibles que brinda la naturaleza. Necesidad de la “valoración económica” de bienes y servicios ambientales Al analizar los argumentos sobre la valoración económica. son. de modo que se transforman en el proceso. En correspondencia con ello. la forma de medir el valor económico de los BSA puede ser por medio de los beneficios directos o indirectos de los diferentes usos. 2004). El simple hecho de que no exista un mercado donde dichos recursos puedan ser intercambiados. la valoración económica de las funciones del medio ambiente se encuentra estrechamente relacionada con el uso racional de sus recursos. cuando .Revista Tecnologia e Sociedade . los cuales son utilizados de manera directa por el ser humano como insumos en la producción o en el consumo.1ª Edição. Los espacios naturales. ISSN (versão online): 1984-3526 9 Tomando en consideración la contribución que ella ofrece al proceso de toma de decisiones económicas. y en tal sentido lograr acciones más racionales en relación al uso y conservación de los recursos naturales. 2009). la valoración económica constituye una alternativa en la aproximación hacia el desarrollo sostenible La valoración integral de los recursos naturales se convierte así en una útil herramienta para enfrentar la dramática situación ambiental contemporánea. implica un gran reto para la ciencia económica. sin afectar el mejoramiento sostenible de las condiciones del medio ambiente” (Martínez. confirman que los BSA se encuentran involucrados en la actividad económica y al mismo tiempo contribuyen a ella. según Barsev (2002). los servicios ambientales se asocian a las funciones ecosistémicas que utiliza el ser humano indirectamente. 2004. Los anteriores argumentos. es necesario referirse a algunas peculiaridades de este proceso en el caso de los bienes y servicios ambientales. sustentado en la necesidad de encontrar alternativas que permitan estimar su valor. Es evidente que el propio crecimiento económico conduce a la degradación paulatina de los bienes y servicios ambientales (Tietenberg. 2012. Se definen los Bienes y Servicios Ambientales (BSA) como “aquellos productos o servicios de la naturaleza. es por ello que se insiste en incorporar una valoración monetaria. se significan los planteamientos expresados en la Conferencia de las Naciones Unidas sobre Comercio y Desarrollo. p.10). que tribute a reflejar una medida de su valor. que bien pueden ser criterios de valoración directa o indirecta. generando utilidad al mismo y no se transforman en el proceso”. por lo cual. ofrecen una medida de bienestar al ser humano. una degradación de los mismos provocaría un efecto directo o un cambio de bienestar. comunidades o empresas que originan las diversas posibilidades de uso directo o indirecto. Es por ello que. Los bienes ambientales. De manera oportuna. que responden a un deseo o una demanda de ciertos grupos de personas.

. En tal sentido. Como valores de uso. resulta un tema polémico y para muchos inapropiado. se identifican dos grupos de valor: los valores de uso y los valores de no uso. 2012. refuerzan la necesidad de la creación de espacios protegidos que permitan controlar el uso de los recursos naturales y sus funciones ecosistémicas. Por su parte. la valoración económica de los bienes y servicios ambientales supone un análisis hacia la concepción relacionada con el uso directo de los bienes y por otro lado hacia el uso indirecto de sus servicios ambientales. Según lo expresado. en particular. no constituye una propuesta mercantilista. mediante el establecimiento de marcos reglamentarios apropiados. al expresar que “es importante destacar que no se está valorando el “ambiente” ni “la vida”. p. 2003. UNCTAD. Emerton y Bos (2004. como muchos detractores de las metodologías de valoración asumen. el fortalecimiento de los sectores de BSA reviste gran importancia en los países en desarrollo.17). En este sentido. 2003). En relación a ello. La definición de valor económico El valor económico de bienes y servicios ambientales. lo que se propone es que los economistas aprecien el valor de los ecosistemas mucho más allá de sus aportaciones en función de materias primas y productos físicos. la idea de la valoración económica reviste una gran importancia para el manejo de los ecosistemas. ISSN (versão online): 1984-3526 10 reconocían que los Bienes y Servicios Ambientales (BSA) cumplen un papel fundamental en el desarrollo sostenible y por consiguiente.26) afirman que “examinar el VET de los ecosistemas. En torno a este debate. el comercio internacional. apoyándose en la definición que ofrece Cerda (2003. La valoración económica así enfocada.1ª Edição.Revista Tecnologia e Sociedade . sino que se valoran las preferencias de las personas ante cambios en las condiciones del ambiente y sus preferencias con respecto a cambios en los niveles de riesgo que enfrentan”. estos incluyen beneficios directos e indirectos. se definen. se considera necesario hacer una reflexión acerca del concepto de valor económico. Al respecto el Valor Económico Total (VET) de un espacio natural comprende tanto los beneficios comerciales como los ambientales aportados. flujo de servicios ambientales y los atributos del ecosistema como un todo”. y la economía ambiental se encarga de ofrecer sus aportes sobre la teoría del valor económico. pues existe una fuerte crítica de carácter ético referente a la propuesta de expresar en términos cuantitativos los valores de estos bienes y servicios. sino un nuevo reto para enfrentar la irracional actuación humana convencional. las inversiones. p. implica considerar su gama total de características como sistemas integrados: existencias de recursos o bienes. Las preocupaciones acerca de la protección y conservación de los BSA. en esencia. como premisa fundamental hacia un correcto desempeño de la definición económica de valor. el fomento de la capacidad y la asistencia para el desarrollo (Garrido. Dichas consideraciones conducen hacia la teoría del Valor Económico Total y a resaltar la cardinal idea de que no son solo los recursos de utilidad actual para la especie humana aquellos a los cuales debe atribuírseles un valor.

considerando la existencia de tres tipos de valor.5). El valor altruista. p. de manera que se deriva de la propia existencia del activo ambiental”. se señala que “el valor de no uso se refiere a la disposición o deseo por mantener algún bien en existencia aunque no exista un uso verdadero. La modelación multicriterio como herramienta para la valoración económica de BSA La concepción del VET de un área natural protegida demuestra que la valoración económica ambiental de sus recursos naturales representa mucho más que su simple aportación por concepto de aprovechamiento directo. está asociado a que el bien en cuestión puede estar disponible para otros en las próximas generaciones. suponiendo la conciencia del individuo. constituye un aporte importante en la conceptualización del valor económico en el espacio natural. En resumen. debiendo suponer por tanto no sólo los niveles tecnológicos futuros. p. pues responde a fenómeno complejo sobre el cual se precisa encontrar un acercamiento hacia su verdadero valor. 2012. sino también escalas de valores y principios morales de los que continuarán” (Uclés.82).e para la pesca son fundamentales las algas)” (Martínez. 2006. En este sentido.2).los cuales pueden ser directos (para el caso de un bosque la caza o la madera) o indirectos (p. 2007). si se tiene el cuenta el valor propio o intrínseco de muchos bienes ambientales. armonicen en visión transversal todos estos componentes.1ª Edição. 2004. a pesar de no ser la única consideración legítima. la sociedad y la economía. p. ISSN (versão online): 1984-3526 11 “aquellos derivados del actual uso de un bien o servicio. Por valor de legado. En relación a los valores de uso. el valor de existencia. p. El valor de opción se define como “el valor otorgado por la sociedad a determinados elementos ambientales en un contexto de incertidumbre acerca de la posibilidad de usarlos en el futuro” (Gutiérrez y Martínez. El valor de existencia se entiende como “el valor de conocer que todavía existe un componente del medio ambiente. el valor de legado y el valor altruista” (OECD. posible o planeado. 2008). 2007. se entiende aquel “que tiene determinado bien ambiental o recurso natural (valores de uso y no uso) para las siguientes generaciones.4). se destaca la conciencia del usuario sobre la posibilidad de que la futura generación pueda hacer uso del bien (Leal.Revista Tecnologia e Sociedade . Es evidente que dicha reflexión conduce a intentar buscar herramientas que permitan la integración de juicios y enfoques en torno a las dimensiones clave de los procesos. 2002. por cuanto permite medir y evaluar los cambios ocasionados en el bienestar social de un usuario ante una variación ocasionada en un bien o servicio ambiental así como definir una actuación pertinente ante una situación ambiental dada. . y es por ello que las técnicas multicriterio favorecen la posibilidad de conjugar indicadores que desde la visión de la naturaleza. Con respecto a los valores de no uso. la propuesta se centra en la inclusión del valor de opción como un valor de uso futuro (Hoyos. . la valoración económica de las preferencias humanas.

apoyándose para ello en la combinación de múltiples factores. permitiendo incluso la realización de análisis de sensibilidad ante variaciones de los datos de entrada (Rodríguez. con la finalidad de conservar y preservar el patrimonio natural y cultural. asociado a esta modelación. En este sentido. los procesos culturales e históricos de su conservación y las potencialidades económicas de su uso sostenible (Corral y Quintero. la Programación por Metas Ponderadas (WGP) y otros convencionales como el método de actualización de la renta. lo constituye la búsqueda de soluciones a problemas complejos que pueden no ser resueltos por otros enfoques más convencionales. se reconocen notables méritos en sus aplicaciones al tratamiento de problemas ambientales. Tales funciones precisan el examen conjunto y simultáneo de multiplicidad de factores. este movimiento sustenta que los agentes económicos no optimizan sus decisiones en base a un solo objetivo. o bien pretenden satisfacer en la medida de lo posible una serie de metas asociadas a dichos objetivos (Romero. ISSN (versão online): 1984-3526 12 Tal concepción responde necesariamente a una modelación eficiente y simultánea de dichos componentes que permita encontrar un equilibrio entre los criterios económicos. (2005). por cuanto estas áreas cumplimentan funciones ecosistémicas muy diversas: la protección de la flora y la fauna silvestre. Actualmente tal modelación está llamada a resolver problemas ambientales al incluir objetivos múltiples en los que se consideren no solo los objetivos convencionales. sino que por el contrario pretenden buscar un equilibrio o compromiso entre un conjunto de objetivos usualmente en conflicto (criterios económicos. soportado precisamente en su capacidad para afrontar problemas marcados por diferentes evaluaciones en conflicto. La modelación multicriterio desempeña un papel importante en la planificación ambiental.1ª Edição. ya que el bienestar es una variable multidimensional (Corral y Quintero. 2007). . entre otros. además permite generar y analizar diferentes cursos de acción en base a múltiples criterios de evaluación. 1993). ecosistemas naturales como cuencas hidrográficas y valores de interés científico.Revista Tecnologia e Sociedade . Al respecto. León et al. histórico. naturales y sociales. 2012. estético. 2008). (2009). pued eser posible mediante la combinación de métodos multicriterio como: Análisis de Proceso Jerárquico (AHP). resulta de mucha utilidad el empleo de herramientas asociadas al proceso de toma de decisiones. 2008). para lo cual las técnicas multicriterio resultan de mayor utilidad que otras técnicas posibles. recursos genéticos. los autores comparten la idea de que la valoración multicriterio se convierte en una importante herramienta de análisis simultáneo de múltiples alternativas. destacándose los trabajos de Díaz-Balteiro y Romero (2004. Como premisa. naturales y sociales). sino también los de índole social y natural (Cortés y Borroto. (2008). económico y social. naturales y sociales. 2000:4). 2007). lo cual constituye un paso importante hacia el entendimiento de los procesos de uso por parte de las comunidades locales. En el caso de las áreas protegidas. Rehman y Romero (2006). Una conjugación de criterios económicos. Un importante elemento. Caballero et al. Gómez et al.

seis Reservas de la Biosfera reconocidas por la UNESCO: Península de Guanahacabibes (1987). ISSN (versão online): 1984-3526 13 Los espacios protegidos en Cuba En Cuba.) H) Área Protegida de Recursos Manejados (Categoría VI. el cual consta de ocho categorías. Sierra del Rosario (1985). 2012. 2007. provincia de Santiago de Cuba. provincia de Pinar del Río. La clasificación de las áreas protegidas en Cuba responde a un sistema propio.10). Conservación de rasgos naturales) E) Reserva Florística Manejada (Categoría IV. provincia de Matanzas. provincia de Guantánamo. De acuerdo con datos ofrecidos por CNAP (2004. rectorado por el Centro Nacional de Áreas Protegidas (CNAP) del Ministerio de Ciencia Tecnología y Medio Ambiente (CITMA) cuyos objetivos fundamentales se centran en: “Asegurar la conservación de los valores naturales más representativos del país con énfasis en la biodiversidad garantizando la estabilidad ecológica y el uso sostenible de los mismos. Baconao (1987). Ciénaga de Zapata (2000). p. provincia de Sancti Spíritus. así como la protección de los valores histórico .culturales asociados” (Chimborazo. Conservación a través de un uso activo) G) Paisaje Natural Protegido (Categoría V. las áreas protegidas forman parte del Sistema Nacional de Áreas Protegidas (SNAP).8% en el mar) en aquellas más estrictas o significativas. Dichos espacios naturales están dedicados especialmente a la protección y manejo de los recursos naturales. Conservación por un uso activo) F) Refugio de Fauna (Categoría IV. los cuales representan las áreas de mayor importancia o relevancia natural y ecológica. Buenavista (2000). provincia de Pinar del Río. el SNAP cubre cerca del 22% del territorio nacional en todas las variantes y categorías y casi el 10% (18. Conservación y recreación del paisaje terrestre o marino. en correspondencia con las definidas por la UICN (Chimborazo. Conservación del ecosistema y turismo) C) Reserva Ecológica (Categoría II. Usos sostenible de ecosistemas naturales) En tal sentido. se distinguen en el archipiélago cubano. A) Reserva Natural (Categoría I. 2009). 2007. Conservación del ecosistema y turismo) D) Elemento Natural Destacado (Categoría III. p.1ª Edição.1). pues se reconocen otras con la . Unidad de Medio Ambiente Pinar del Río.Revista Tecnologia e Sociedade . Protección estricta) B) Parque Nacional (Categoría II. Cuchillas del Toa (1987). Como áreas protegidas con reconocimiento internacional no solo se encuentran las Reservas de la Biosfera.

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Bacharel Direito – FENORD(1999). Com o povoamento das cidades. Bacharel em Ciência Contábeis – DOCTUM. ISSN (versão online): 1984-3526 17 A Influência dos Recursos Naturais Frente à Colonização do Vale do Macuri The influence of natural resources the colonization of the Vale do Mucuri Marcio Schuber Ferreira Figueiredo Cristiane Xavier Figueiredo 2 Resumo O presente artigo foi desenvolvido no intuito de demonstrar. located in Eastern Minas Gerais State. a influência dos recursos naturais frente à colonização do Vale do Mucuri. agropecuários. refletindo numa relação entre o próprio indivíduo com seu ambiente. bem como o desenvolvimento das atividades agropastoril.Revista Tecnologia e Sociedade . colonização. the influence of natural resources the colonization of the Vale do Mucuri. A existência das cidades e o seu contexto fazem parte deste estudo que utiliza do recurso da revisão de literatura como metodologia. reflexos da exploração de recursos minerais.Brasil.1ª Edição. a devastação ambiental e a conseqüente escassez de riquezas. Os resultados obtidos demonstram a importância dos recursos naturais e sua influência no processo de colonização. de maneira clara e objetiva. Professora substituta do Curso de Direito da Faculdade Presidente Antônio Carlos de Teófilo Otoni/MG. A pesquisa foi realizada a partir do estudo acerca da exploração das riquezas minerais aí presentes e os seus desdobramentos. Cristiane Xavier Figueiredo: Especialista em Docência do Ensino Superior – DOCTUM. contribuindo para o entendimento acerca da relação direta dos indivíduos e o seu meio ambiente. localizado na região Leste do Estado Minas Gerais . dos mercados e dos recursos hídricos evidenciando uma devastação ambiental. fluvial e sua influência. Palavras Chave: recursos naturais. tendo como base uma análise sistemática e teórica deste processo. no que tange ao aumento da população. Bacharel em Direito – FENORD. claramente. mercantil. . Especialista em Docência do Ensino Superior – UNIPAC(2006). Professor Substituto do Curso de Direito. vale do Mucuri. Brazil based on a systematic and 2 Marcio Schuber Ferreira Figueiredo: Mestrando em GIT – Gestão Integrada do Território. Especialista em Educação e Gestão Ambiental – FAZU(2002). percebe-se. Abstract This article was developed in order to demonstrate clearly and objectively. com ênfase nos conceitos de local. 2012. Diretor Acadêmico Pedagógico da Faculdade Presidente Antônio Carlos de Teófilo Otoni/MG. região e território aplicados a esta realidade.

Brasil. La investigación fue llevada a través del estudio referente a la exploración de los regalos mineral de la abundancia allí y de sus unfoldings. The survey was conducted from the study on the exploitation of mineral wealth there and their unfoldings. iniciou-se o processo de colonização regional. in regard to the increase of population. Palabras clave: recursos naturales.Revista Tecnologia e Sociedade . en a lo que se refiere al aumento de la población. region and territory applied to this reality. markets and water resources demonstrating environmental devastation. The results obtained show the importance of natural resources and their influence in the process of colonization. contributing to the understanding of the direct relationship of individuals and their environment. en claro y la manera objetiva. . así como el desarrollo del agropastoril de las actividades. ISSN (versão online): 1984-3526 18 theoretical analysis of this process. Tratava-se de uma região procurada por aventureiros que viviam em busca de fortuna e escravos. tendo por conseqüência. del devastação ambiente y de la escasez consiguiente de la abundancia. The existence of cities and its context are part of this study that uses the resource as literature review methodology. colocando. as well as the development of agricultural activities. no jequi (armadilha) tin honha (tem peixe).1ª Edição. Vale do Mucuri. RESUMEN: El actual artículo fue desarrollado en la intención de demostrar. reflecting a relationship between the individual himself with your environment. mercantil. River and its influence. environmental devastation and the consequent shortage of riches. la influencia él los recursos naturales lo afronta a colocar valle él Mucuri. que na linguagem indígena quer dizer que. e daí a Minas Novas. Colonization. región e el territorio se aplicó a esta realidad. one realizes clearly reflections of exploitation of mineral resources. 1. agricultural farms. O Povoamento da Região A partir da descoberta do ouro e dos diamantes na região do Alto Jequitinhonha. el contribuir para el acuerdo respecto a la relación directa de los individuos y de su ambiente. con énfasis adentro conceptos del lugar. teniendo como base análisis sistemático y teórico de este proceso. fluvial y de su influencia. localizado adentro región al este de Minas Gerais . with emphasis on the concepts of local. vale do Macuri. With the settlement of cities. o aumento significativo da população. mercantil. A região onde havia maior concentração populacional era a que ia do Peçanha a Itamarandiba. La existencia de las ciudades y de su contexto son parte de este estudio que las aplicaciones del recurso de la revisión de la literatura como metodología. 2012. Key Words: natural resources.

objetos de lendárias conjecturas. Entretanto. à cata de ouro e de esmeraldas. ” (RIBEIRO. 2005. pois sua trilha original nasceu na cidade de Araçuaí. etc. fazendo brotar desejo e especulações que já eram vistos em diversas áreas de colonização..1ª Edição. se deu de forma inversa. assim como o rio Doce.. Cabe ao município de Theóphilo Ottoni a glória de ter sido um dos primeiros pontos do território brasileiro visitado pelos expedicionários portuguezes. ou seja. 30). melhor controlada. sem dono. objeto de lendárias conjecturas como os da serra das esmeraldas.Revista Tecnologia e Sociedade . “ . o rio Mucuri não promovia o acesso via litoral. 3). assim como o contrabando e o tráfico de escravos. fruto da prática da roça de toco e das várias safras nos mesmos capões de mata. despertaram a cobiça do rei que. 2012. Este movimento de deslocamento para estes vales durou mais de um século e se deu inicialmente pela barra do rio Araçuaí e Jequitinhonha abaixo. quanto mais próximas das águas. “As proibições não foram mais fortes do que o fascínio pelas pedras verdes. João III. Os rios Jequitinhonha e Mucuri. assim. povoando e explorando regiões muito férteis como as de Itaobim. segundo a lenda. As investidas ao sertão continuaram do lado espíritosantense”. mais férteis são as terras. Fato é que por não ser inteiramente navegável. o contrabando e invasões estrangeiras. por vezes. Berilo e finalmente São Domingos. 29). p. então governador geral do Brazil. e a lavoura minguava pela baixa fertilidade do solo. afastando invasores que pudessem ameaçar o metal cobiçado.nas grotas.. recommendou a Thomé de Souza. assim. em 1550. O povoamento da região do rio Mucuri. Aqueles moradores do Alto rio Jequitinhonha. Impunha-se. a redução desta já era visível. aberta pelas bandeiras e. (ESPINDOLA.. (PORTO. p. como conseqüência. “ outro veio . As notícias transmitidas por Felippe de Guilhem a D. que mandasse alguns homens pelo sertão dentro a descobrir minas e saber se havia aí ouro. o monopólio da estrada para o Rio de Janeiro. onde as lavouras produziam muito com pouco esforço. alcançar a serra das esmeraldas. chamados capões. que era como se chamava a atual cidade de Virgem da Lapa. Almenara e Salto da Divisa. p. o rio Todos os Santos. foram tratados como áreas proibidas pela coroa. 1994. pouco explorados até a segunda metade do século dezoito. dava lugar a catas mais profundas e perigosas. Jequitinhonha. fértil. mas especificamente do seu mais importante afluente. pelo contrário. 1929. de Itamarandiba a Virgem da Lapa logo começaram a invadir a mata. participando-lhe que os bugres falavam da existência de uma serra resplandecente junto a um grande rio. aquela que prometia. pois o ouro e diamantes mais fáceis ou de superfície. vindo de Minas Novas e passando por Americaninha. Quando a produção dos garimpos e da lavoura começou a dar sinais de enfraquecimento. sob o pretexto de que esta permanecesse com o controle das riquezas evitando. Ocuparam esta região os moradores das tribos Botocudos e Puris. ISSN (versão online): 1984-3526 19 Chapada. farta. principalmente aquelas que têm bosques. não ocorrendo do litoral para o interior. terra nova.

de acordo com o historiador Godofredo Ferreira para montar a Fazenda Mestre de Campo. 37). permanecendo o Mucuri ainda não explorado até fins do sec. por último. o sistema agrário se deu através das fazendas. mesmo antes de serem abolidos. Entretanto. permanecendo elas nos locais das minas. Mucuri e São Mateus (Cricaré)” (ESPINDOLA. p.Revista Tecnologia e Sociedade . todos intencionados na descoberta ou “por caminhos onde mais tarde se encontraram as pedras verdes. 1929. segundo RIBEIRO (1994. . 35).. numa serra situada na confluência das bacias dos rios Doce. ficariam muito prejudicadas e impedidas. em 1850. sendo este mais insalubre e perigoso. A população foi se refluindo. p. Muitos foram os colonos a se aventurar na abertura de novas terras. 2005. no vale do rio Mucuri. Mais do que isso. se deu na ordem seguinte. destacou três regiões: Alto Jequitinhonha. iniciando-se então a colonização das demais regiões. em direção ao vale do rio Mucuri. rumo ao povoamento destes vales. primeiro para o rio Doce. mas poucos fixavam moradia. durante 100 anos avançou em direção a Diamantina.. XVIII e início do sec.assinalando claramente o interesse pelas esmeraldas. O sistema agrário. sendo o centro econômico e. estradas e descobertas de jazidas. e. escravos e índios. refere-se às minas da Serra das Esmeraldas (ESPINDOLA. 2005. os atos proibitivos perderam força e. Daí aparece três fluxos de povoamento: o primeiro do Cerro para o Rio Doce. e. depois para o baixo Jequitinhonha e o terceiro para o Mucuri. “Entretanto. A ordem cronológica desta arrancada. XIX. 7). 18). foram exploradas pelo Mestre de Campo João da Silva Guimarães. extração de madeira e sistema de subsistência (1994. p. aos primeiros sinais de esgotamento das minas. mais tarde. no do chapadão do alagadiço para o Mucuri. 21). hoje S. e a dispersão populacional buscando outras atividades. p. buscando-se outras possibilidades. depois ao Alto Jequitinhonha pela exploração do ouro e diamante. de Araçuaí para o baixo Jequitinhonha. Antônio José Coelho. p. Matheus. 2012. O povoamento. e após os 100 (cem) anos de exploração. direcionava-se as explorações para o rio Doce e Mucuri. no início do povoamento do Alto Jequitinhonha. 1994). e. 2005. criava-se todo o processo de insatisfação do agrário. a produtividade já dava sinais de estagnação. partindo da idéia de como a economia forçava a integração. teria sido o primeiro morador fixo em Teófilo Otoni. Setúbal e pelo Alto dos Bois” (RIBEIRO. o segundo de Minas Novas. p. quando relacionadas com a direção do avanço da colonização. ISSN (versão online): 1984-3526 20 colonizador pelas cabeçeiras dos Rios Fanado. tem suas nascentes no município de Theóphilo Ottoni. O rio Cricaré. levando consigo seus familiares. médio Jequitinhonha e o Mucuri. equivalente a 15% da área segundo RIBEIRO (1994). as quais. cuidando da extração de ouro e pedras preciosas (PORTO. Diferentemente do latifúndio da cana-deaçúcar e café.1ª Edição. era de subsistência nas grotas. A exploração mineral se deu com maior intensidade na cidade de Ouro Preto. “. não existia abundância. 31). tendo uma intimidade. Digne-se que nas regiões espírito-santense e de Manhuaçu. o governo colonial tornou a se interessar pelo território coberto pela Mata Atlântica ” (ESPINDOLA.

eram três. havia um projeto colonizador de Ottoni. Todos os Santos. marcada pela grande prosperidade e na necessidade de apertar a população para a busca de novas terras e.. como se sabe. terror dos brancos e dos outros índios. 13 e 14) tinha outra frente de colonização do litoral rio acima até a cachoeira de Santa Clara. 16). a aldeia do bárbaro gentio. 2005. Estes nunca existiram além da imagem construída no final do século 18 e princípio do 19” (ESPINDOLA. a principiar pelos rios Pampam. baseado no comércio. depois de ter denominado de pedra d’Agua a um dos ribeirões encontrados e de fazer explorações nos terrenos marginaes ao Rio Mucury. etc. ponto inicial de sua excursão. ficou com a denominação de Mestre de Campo. sendo que já ali habitou um João da Silva com escravos em outros tempos”. Porém. subiu ao cume de uma grande pedra (Pedra d’Agua) e observou que as margens do dito rio eram ocupadas por capoeiras.1ª Edição. deixando Minas Novas. 2012. uma grande fazenda aberta no valle do Mucury. também as lavouras. costume que existia até o final do século XIX. Mais tarde. os quais. vemos que ele subiu o Mucury até as cachoeiras e foi deste ponto. pelo fim da preação. Partia da Vila de São José de Porto Alegre (Barra do Rio Mucuri/BA) indo a Nanuque. caminhando para o esgotamento em uma terra super partilhada dentro da mesma família. onde se buscava o índio para civilizá-lo e o colocava para trabalhar. Acreditava também que com o monopólio da Companhia Vale do Mucuri. . obteria grande sucesso.. D’ahi não passou João da Silva Santos porque não faz menção dos principais afluentes do rio Mucury. cujo destino era explorar amethistas nas circunvizinhanças do córrego do Ouro. que não era um processo diverso como dos outros colonizadores. Por informações do índio que lhe servia de guia. . ISSN (versão online): 1984-3526 21 Teixeira Guedes. de acordo com as informações colhidas de pessoas de sua expedição. mas que teve o mesmo relacionamento com a mata (do interior para o litoral) de quem povoou o Mucuri. (PORTO. aquelles sítios foram “os de sua antiga residência e de mais outras nações – Maconim – Capoxes – expulsos pela fereza do gentio Botocudo. isso estimulava a aventura. estão bem para cima. 1929. a seis léguas de distância que encontrou. ficando impedidos de prosseguir. os Botocudos “. O interesse de Theóphilo Benedicto Ottoni. p.Revista Tecnologia e Sociedade .. estas no Alto do Jequitinhonha. veio ter ao Valle do Mucury. 1929.acabamos de transcrever de trechos do relatório de João da Silva Santos. inicialmente. 27). onde. onde hoje está estabelecida a Colônia Francisco Sá.índios antropófagos. Os objetivos dos colonos dentro das matas. (PORTO. pois acreditava-se que existia uma riqueza absoluta e inexplorada.. p. 12 e 13). p. em razão da febre amarela. p. acreditava alcançar uma potencialidade de 100 mil consumidores a partir da cidade de Minas Novas. da inospitalidade das matas muito fechadas e da violência das guerras que travavam com os índios. era um processo sofisticado. por último. sendo: as lavras. Ainda segundo PORTO (1929.

tanto por caminho terrestre como pela navegação. p. acreditavase que. Já no final do século dezenove começaram a chegar à mata os baianos. assim. após a saída de Ottoni. 2005. Em 1728. p. Tomando o caminho da Itira. 1994. A bem da verdade. construída meio na marra e chamada de mineiridade. O período de estagnação. pois o desinteresse do governo geral pelo projeto. levaram então as famílias para o vale do Mucuri (Filadelfia). as duas secas no agreste baiano (1890 e 1930) e a baixa produtividade nas grotas do Jequitinhonha. Pouco depois de chegados ali encontraram algo muito pior que a seca: a varíola. o Vice-Rei Vasco Fernandes. Ainda sustentava-se a idéia de que com o escoamento da produção e que somente com o comércio do sal. p. pela Fortaleza ou São Roque. 30). pois vários fatores não contribuíram para sua efetivação. poderiam abrir posses nos capões do alto Jequitinhonha. 19). na verdade não foi o período assim transicionado. ou cortando os vales dos rios Jequitinhonha e Pardo pela borda oeste da floresta” (ESPINDOLA. p. da Mata. o comércio não atingiu patamares especulados e o rio Mucuri não era totalmente navegável. Como a terra lá era mais fraca. mandou em diligência Braz Esteves Leme. de 1890. 2012. ou por sua ordem descobrirem nos distritos e cabeceiras do rio São Mateus”. Não deu certo. . e faziam sua primeira parada no Comercinho do Bruno. visava converter-se numa unidade econômica e política. Alí escolhiam caminhos: das gerais. depois de receber notícia que ao norte do rio Doce descobriram-se algumas esmeraldas de muita dureza e de cor muito clara. Os mineiros sempre tentaram tratar Minas como uma unidade forte e sempre com altos interesses de negócios para o restante do país. boa parte era mineiro mesmo. Vinham em grandes grupos. fosse possível evitar uma viagem comprida do Rio de Janeiro/RJ até Minas Novas/MG. ISSN (versão online): 1984-3526 22 Confiante no relatório fantasioso do engenheiro Pedro Victor Renaut. A primeira grande leva deles desceu do rio Pardo.1ª Edição. Salinas. em quantidade crescente. (RIBEIRO. 29). concedendo-lhe o título de “superintendente de todas as minas que ele descobrir. nem todos eram baianos. que era como se chamavam Pedra Azul e Itaobim. Taiobeiras. 49). ilhas progressistas “na transição da economia de base da mineração para a agropecuária. liquidando moradores às centenas. que o rio Mucuri era completamente navegável e que o mesmo daria suporte para a exportação da farta produção local e importação. pois Minas era um adensamento de várias regiões autônomas que sobreviveram e desenvolveram-se independentemente. haveria a sustentabilidade da Empresa. (ESPINDOLA. pela Itira. assim chamado. do alto Norte: Espinosa. 2005. 2005. Os vales dos rios Doce. passavam pelo Araçuaí. que grassou por uns três anos em todo alto Mucuri. Mucuri e Jequitinhonha. chegavam às cabeceiras do Mucuri e posse.Revista Tecnologia e Sociedade . fugindo da famosa “Seca do noventinha”. ao invés de proibir. configurou-se a diferenciação regional que caracterizou Minas Gerais no século 19” (ESPINDOLA. muitos seguiam em frente. “A comunicação com a Bahia era feita pelo rio das Velhas e o São Francisco. deixavam para trás o vale do Jequitinhonha.

o Mucuri era diversificado e autônomo. pretendendo ligar o norte de Minas ao litoral. em 22 de janeiro do ano de 1836. As condições de renda e poder econômico que haviam comportado com altíssima produtividade agrícola e pecuária no primeiro ciclo. por Ottoni. (RIBEIRO. sendo Botocudos. Construída por Ottoni. a relação do homem com o vale do Mucuri. com pequenos sintomas de desenvolvimento. que veio de uma formação extrativista permanece. 29. p. pp. a partir de 1955. p. o Conde de Barca. após o desmatamento e a sequência de replantio reduziram-se. e os dois ao mar e ao mundo – simbolizou essa união de origem. mais precisamente de Araçuaí/MG a Caravelas – Ponta de Areia/BA. foi construída a estrada de rodagem “Estrada do Boi”. E. sucumbiu-se ao eixo nervoso administrativo e político-econômico. o qual mandou abrir uma estrada que de Minas Novas se dirigisse ao Oceano. com governo Kubistchek. Malali. 30 e 31) relata o empenho do Governo da Província de Minas. 1929.1ª Edição. o que seria a salvação da região em local denominado Philadelphia (Teófilo Otoni). sendo esta viagem de grande importância para o estabelecimento da Companhia do Comércio e Navegação do Rio Mucuri. Até 1950.. 1994. sendo a criança que fez Teófilo Otoni. porém. Maxacali que nela circulavam. segundo PORTO (1929. em 1847. 2012. 30 e 31). 17). que ligava Caravelas. . em opúsculo “Viação Férrea do Norte de Minas” attrahiu a attenção do ilustre ministro do D. (PORTO. o engenheiro Pedro Victor Renauld. alvo de aglomeração do povoado. 19). Então. as obras da Estrada de Ferro Bahia-Minas (EFBM) tinham o objetivo de ligar o interior de Minas a Bahia. como muito bem disse o Dr. partiu de Ouro Preto. a apartação não resiste a um exame da história de duas ou três gerações para trás. ISSN (versão online): 1984-3526 23 A colonização do vale do rio Todos os Santos. indo até o litoral. com 578 km de extensão. entre si e do Mucuri. foi a primeira rodovia do Brasil Império que. mas logo o declínio econômico aparece. Miguel de Teive e Argollo. Para construírem uma estrada. José do Porto Alegre. “Essa expedição. No ano de 1881. pp. que depois foi esquecida. segundo CERQUEIRA NETO (2001. é a primeira grande obra na Região do Vale do Mucuri. Em 1811 o coronel Bento Lourenço Vaz de Abreu e Lima fez exploração de uma estrada pelo Valle do Mucury até S. onde há centralização da atenção econômica e política.Revista Tecnologia e Sociedade . Em seguida. pois numa baixada que fica entre o rio Santo Antônio e o rio Todos os Santos. outra grande e importante estrada é iniciada.. O mesmo se deu com as reservas ambientais. Embora os dois Jequitinhonhas sejam hoje diferentes e separados. Em substituição a esta importante ferrovia. em traçar uma via em apoio à comunicação entre a região decadente de Minas Novas e o porto. habitada por indígenas selvagens de tribos diferentes. Teófilo Otoni e Araçuaí – Jequitinhonha e Mucuri. João VI. foi aberta densa mata. com autonomia local pequena. a estrada de rodagem de Santa Clara a Teófilo Otoni. .a estrada de Ferro Bahia e Minas.

portanto. o Sr. inclusive para que os índios não se aproximassem pela densa mata e pudessem ver e cobiçar as bugigangas do seu comércio. (LORENTZ. Perobas e os Jacarandás milenares. o povoado de Philadelphia das Minas Gerais. com vinte metros de largura e a profundidade regular de um metro e meio. na superfície das águas? (LORENTZ. com seus barqueiros que chegavam e partiam no transporte de mercadorias. 1992.). 2012. Se são volumosos e se conservam o volume. “A marcação da Rua Direita. p. superando muitas dificuldades. 54). ISSN (versão online): 1984-3526 24 Ottoni contratou um cidadão insolvente na corte. Tinha uma boa escravatura e com ela fez a grande derrubada nesta confluência dos rios. p. Na cidade de Teófilo Otoni temos as provas dos mais duros golpes dados contra a natureza. feita pelo Engenheiro Alemão então pode ser traçada e concluída e montados os seus barracões para a instalação da Empresa Mucuri.1ª Edição. significam que as terras de sua bacia estão com a vegetação intacta. a cantar radiantes. a que se destinava todo o empreendimento” (LORENTZ. que é a criança que se fez Teófilo Otoni foi aberta desta mata densa de que já se escreveu anteriormente. Uma simples pergunta abre o caminho para um entendimento triste e acabrunhador: Onde está o rio Todos os Santos. inclusive para que os índios não se aproximassem pela densa mata e pudessem ver e cobiçar as bugigangas do seu comércio.Revista Tecnologia e Sociedade . Pela ação da própria natureza tudo melhora. negociante em Grão Mogol. incluindo gigantescos Jequitibás. veio arrasando também com queimadas toda esta área que se diz superior a 60 alqueires. procedendo como um elemento perturbador. Sempre abrindo e derrubando a mata margeando o rio e afora. 1990. 34 e 35) Uma baixada que fica entre o Rio Santo Antônio e o Rio Todos os Santos foi alvo de aglomeração de povoado. habitada por indígenas selvagens de tribos diferentes que ali circulavam. negociante em Grão Mogol. José Pereira da Silva. Assim. Tinha uma boa escravatura e com ela fez a grande derrubada nesta confluência dos rios acima citados. incluindo gigantescos Jequitibás. mas não é suficiente para o bem geral do todos. 1992. . arrasando também com queimada toda a área que se diz superior a 60 alqueires. superando muitas dificuldades. recolhendo todas as águas das chuvas que se infiltram e alimentam. Perobas e os Jacarandás milenares. o senhor José Pereira da Silva. não diferente das demais. Daí sugerir que o homem agiu alucinadamente ao destruir a floresta para povoar. os rios traduzem a grandeza de uma região. para poder servir de ponto de referencia e de negócio. volumoso e agressivo. praticamente um vivente irracional. Esta ocupação da mata virgem. O homem continua agindo e maltratando a natureza com seus atos predatórios. Ottoni contratou um cidadão insolvente na corte.

Instalou aí sua serraria. em Caixa D´ Água (Nanuque). sendo “revolução armada. verifica-se que quando se passa pela região. social. mas a revolução que se trata nesse caso. florestas tropicais. 2012. 1992. na maioria. conflagração.” Seria um movimento para tumultuar a estabilidade ou requerimento de direitos negados pelo Estado. ofertando as mais diversas e valiosas espécies de madeiras para o ofício. tratam da conservação do patrimônio ecológico. A Devastação Ambiental e Seus Reflexos Regionais Neste contexto. de colonização de área para implantação de processos econômicos e instalação de cidades. ISSN (versão online): 1984-3526 25 2. o monumento do fundador da cidade.1ª Edição. A vegetação natural é bastante rica e variada: grandes florestas equatoriais. como no caso de Teófilo Otoni. tornase imprescindível tratar e discutir a questão relacionada à devastação ambiental e seus reflexos regionais. o homem agiu alucinadamente. aglomeravam-se em Nanuque. cerrados e campos. observa-se que apenas algumas manchas de mata ainda resistem. É bem verdade que boa parte dessa vegetação já foi devastada pela ação antrópica sob forma de desmatamento para a formação das pastagens ou plantio nas fazendas e ainda a exploração de minerais ou pedras preciosas. apesar de apresentarem problemática diferente. destruiu mesmo. o restante é um campo aberto de colonião ou brachiaria. A exemplo da região em destaque. atinge o mesmo espírito. sendo inaugurada em 1912 com o nome de Serraria Industrial do Mucuri. Na volúpia de destruir. ou ainda. juntamente com ela a devastação das matas da região do Vale do Rio Mucuri. cultural ou científica. no caso ambiental. Em verdade. 35). revolução seria o movimento de evolução dos métodos com os quais a proteção se manifesta na sociedade. a devastação das florestas foi responsável tanto para mudar o aspecto paisagístico como também a economia que girava em torno das serrarias e. O desenvolvimento direcionou-se também para a economia. p. nas estradas. sem necessidade. pois nesta região havia uma mata só. para a construção da cidade ou abertura das rodovias. Portanto. O serrador João Américo Machado. mas também alcançou os países subequatoriais da mesma forma. em se tratando de casos específicos dessa região. cidade que foi fundada em 1911 por um madeireiro experiente vindo do Espírito Santo. Ocorreu a ampliação de muitas outras serrarias que se instalaram posteriormente.Revista Tecnologia e Sociedade . Entretanto. o signo da preocupação ou da forma de desejar o bem comum na relação com os recursos. Destruiu a floresta e com ela os animais de caça. deformando a paisagem natural no centro da cidade e nas elevações que a circundam. . política. a exemplo de como a política chama de revolução nos dicionários. com seu empreendimento deu o pontapé inicial para o crescimento da cidade. a educação ambiental que chega aos países do primeiro mundo desde a década de 1970. destruiu os rios e acabou com a pesca. A maneira com que as pessoas interessadas no assunto. e. (LORENTZ. diverge de um modo completamente diferente das demais discussões sobre estruturas diversas da sociedade. Sedento de destruir. transformação radical na estrutura econômica.

A natureza deve ser consumida ou utilizada para atender às necessidades do presente. além de dar origem aos cursos d água. garantir. pois. visto a olho nu. situados no Leste de Minas. não significa guardar. Foi somente a partir da degradação do meio ambiente pelo homem – e da extinção de inúmeras espécies animais e vegetais que surgiu essa preocupação conservacionista. p. 2000. segundo VESENTINI (1994)..1. praticamente extintos ou convertidos em canais de esgoto. mas para as quais temos a obrigação de deixar um meio ambiente sadio. em especial a micro bacia do rio Todos os Santos. ora verso da capa do livro Zoneamento das Águas (MACIEL Jr. recursos para as populações futuras. 09) Mas a interferência do homem tem quebrado o equilíbrio natural. objeto de admiração e não podemos nem pensar o que seria do ambiente sem a presença imponente das cachoeiras onde a natureza mostra sua força. estão localizados em região tropical. a formação das nascentes. certamente não poderá ensejar a execução de algum empreendimento” (CASTRO. subequatorial. ISSN (versão online): 1984-3526 26 Conservacionismo ou conservação dos recursos naturais é o nome que se dá a moderna preocupação em utilizar adequadamente os aspectos da natureza que o homem transforma ou consome.a micro bacia.1ª Edição. seus principais afluentes. 2. A beleza das águas nas nascentes proporciona uma paisagem.” (ALVES. as novas gerações que ainda não nasceram. “.Revista Tecnologia e Sociedade .. por serem geralmente montanhosas. numerosos e nunca secam ou congelam. são normalmente caudalosos. (VESETINI. o que poderá transferir para as gerações futuras uma situação de convivência indesejável no que se refere à disponibilidade e à qualidade das águas. ou seja. existe de fato. ao uso e a perenidade. este fato de conversão dos volumosos e cristalinos recursos hídricos em. com características de integração e sustentabilidade requer garantia da segurança da produção de água em quantidade e qualidade satisfatória. perceber que a paisagem rio acima é dinâmica. e. segundo os fundamentos da legislação ambiental. são rios de regime pluvial.. Apesar de uma grande parcela de pessoas ignorarem a atual situação dos mananciais de água e a redução de sua produção.. A pressão sobre os recursos hídricos faz com que se desperte toda uma especial atenção sobre a região montanhosa onde começam os cursos d´ água. “Uma propriedade com pouca ou nenhuma produção de água. Conservar neste caso. futuro. 247). 2001). e. 1994. um espetáculo. passar por . A proposta imaginária é de partir da foz do rio para o interior. 2012. A Influência dos Recursos Hídricos Os rios que fazem parte da Bacia do rio Mucuri. 2000). O desenvolvimento dessas regiões. A intensidade e o volume de suas águas dependem basicamente das chuvas. com capacidade de atender a demanda atual e. apresentam o elemento água escoando em grande velocidade e com aspecto cristalino. p. nos presenteia com inúmeras paisagens. e sim utilizar racionalmente.

2012. e perceber algo comum entre elas. nota-se que esta é a linha que limita a área de drenagem e corresponde ao topo das encostas. suas encostas e os vales que por pequeno que seja. pois os olhos d água e os difusos brotam vindos do interior da terra. denomina-se de “área de contribuição dinâmica.Revista Tecnologia e Sociedade . 9). elemento purificador. será também mais abundante sua capacidade de coletar a precipitação. p. vale observar as regiões montanhosas. conforme visto no parágrafo anterior como divisor topográfico. é maior. que abastece os reservatórios subterrâneos de água. citado na Bíblia. Ainda sobre a ótica das divisões e subdivisões por divisor topográfico. 2000. “Bacia Hidrográfica refere-se à área do terreno que coleta e infiltra a água da chuva. mas ao sair dos rios principais e encontrar ribeirões e córregos. importante verificar topos de morros. ISSN (versão online): 1984-3526 27 afluentes menores. 22) e a bacia hidrográfica é formada por diversas bacias menores de seus afluentes que se denomina sub-bacias hidrográficas. que. estrutura dos solos e armazenamento.. não sendo áridos. Em relação às sub-bacias hidrográficas. após percolar por seu solo poroso e independente do seu tamanho e seu volume sendo interligados como Bacia Hidrográfica. Comparado ao Jardim do Éden. p. pode-se dizer que aí se formam as bacias de cabeceiras onde encontram as nascentes. e pode-se concluir que estas são provenientes de reservatórios subterrâneos. 2001). “As micro bacias ou bacias de cabeceiras. formam um verdadeiro jardim natural. Já a área superficial desta bacia. 2001. As nascentes são os locais onde jorra água através da superfície do solo. de topografias irregulares. ambiente responsável pela origem da água. As micro bacias. sendo que o divisor freático fica abaixo da superfície do solo e direciona a água percolada. facilitam a percepção humana como unidade paisagística. que bem menores e em regiões mais altas. Quando a área de drenagem de uma bacia hidrográfica. depois continuar esta mesma empreitada. senão várias nascentes provenientes de um aqüífero freático que viera de uma reserva da precipitação que caiu e se alojou. p.. (ALVES.” (CASTRO. são pequenas áreas de terras localizadas em regiões montanhosas. que darão origem as nascentes” (CASTRO. destacada pela área mais plana e baixa. . e de onde saía um rio para regar o jardim”. de menor declividade.” (ALVES. o ambiente das micro bacias deve ser considerado como verdadeiro santuário ecológico”. que devido a sua escala.1ª Edição. Segundo CASTRO (2001). 09). onde o “Senhor Deus fez brotar da terra toda s orte de árvores de aspecto agradável e de frutos bons para comer. que pode geralmente localizar-se sobre o lençol freático e/ou lençol artesiano. Mas. é necessário compreender a existência de vários fatores responsáveis pela origem destas nascentes: o ciclo hidrológico. há de encontrar alguma. 2000. que formam as nascentes e drenam córregos e riachos.

prende a pesquisa ao estudo dos recursos hídricos e prorroga para mais distante a relação das pessoas com este meio ambiente. na área urbana. localização e até mesmo averiguação nas encostas. mas também com as informações sobre as nascentes. O Rio Todos os Santos Tratar especialmente do Rio Todos os Santos. Estas condições impostas aos rios e córregos na área urbana. 2012. pois faz parte de um projeto para o futuro. e. o que poderia divergir dos objetivos gerais e específicos que contornam este estudo. ISSN (versão online): 1984-3526 28 3. principalmente na área urbana. mas que na sua maioria. lúdica e de lazer e entretenimento que os rios podem proporcionar. as regiões de contribuição dinâmica. na qualidade da água natural como condição de saúde e no resgate da função simbólica.1ª Edição. e em especial. os cursos d água são objetos de estudo de nascentes. Os processos de renaturalização e revitalização através da engenharia ambiental e outras profissões afins. Para tanto. incluindo as nascentes difusas e olhos d água. pelo aumento da população no século passado e pela implantação de indústrias. Tudo que envolve as matas de topo. nos olhos d água. que condicionam sua degradação enquanto elemento da natureza. . estão lutando pela sua condição de defensores contra a degradação que impõe a ocupação antrópica. designados a conviverem com seus recursos. Pensar rios e córregos na atualidade é deparar com várias correntes que defendem todo tipo de intervenção. O ambiente destacado envolve centenas de propriedades rurais nas quais dezenas delas foram visitadas e selecionadas a fazer parte dos relatos de parte deste trabalho. maior e principal afluente do Rio Mucuri que dá nome ao vale. As atividades antrópicas impõem para satisfação de seus projetos. caudalosos e límpidos. pois. retificação. que são a canalização. levam a perda da qualidade de vida das pessoas que dependem de suas águas. Uma delas motivada pelo número de pessoas que interferem nos processos. conota uma configuração empírica à parte deste capítulo. não conseguem atingir a idéia de torná-los semelhantes ao que eram no passado. que estão. Característica diferente do que ocorre na área rural e região de cabeceiras. como é o caso das cidades da região desta micro bacia do vale do Rio Todos os Santos. navegáveis e rentáveis como fonte de alimentos na atividade pesqueira. desprovida de outros centros de lazer. uma oportunidade de poder visualizar o estado em que se encontra sua cabeceira. nas áreas de suas nascentes é uma forma de transferir para este relato. as matas ciliares ou ripárias. Diante desta característica. assoreamento. emissão de efluentes entre outros meios impeditivos de retorno. o que se pretende com este entrelaçamento não é somente o relacionamento pessoal. desmatamento. torna-se necessário obter relatos de pessoas que vivem nessas áreas. os impactos são intensos. porém. por fim. de certa forma.Revista Tecnologia e Sociedade . são alento àqueles que acreditam num futuro saudável. Esta experiência colocada à disposição em dados sobre a quantidade.

Ainda nesta propriedade. que já se fazia devido à importância para esta propriedade e as demais do recurso hídrico que aí se inicia. Descrição de Alguns Afluentes Os dados descritos abaixo foram coletados em várias visitas in loco e não apresentam localização geográfica. Esta área cercada por montanhas tem eminentemente característica de arrecadadora de água para a formação do lençol freático. logo abaixo uns 100 (cem) metros do primeiro olho d água. propriedade do Sr. devastação que tem atingido regiões que abrangem as matas dos topos das montanhas.1. têm preservados todos os topos dos morros e baixada. EMATER-MG e COPASA. arame e ajuda de voluntários. matas ciliares. que foi completamente arrancada e substituída por capim . 2012. cuja atividade com o gado é a principal das propriedades. todas com as mesmas características. A área de contribuição dinâmica da nascente principal do Rio Todos os Santos. com a finalidade de utilizar a área esgotada como pastagens. 3. já se contempla nesta micro bacia por mais 5 (cinco) nascentes. ISSN (versão online): 1984-3526 29 Já o estado em que se encontram as regiões de cabeceira dos principais afluentes do Rio Todos os Santos. muita vegetação ainda conservada. Num espaço pouco mais de 500 (quinhentos) percorridos. pois tem a forma côncava e a presença de um único corredor de saída para o curso do rio que aí nasce sob a forma de olhos d água. No município de Poté. pode ser vista a primeira nascente do Rio Todos os Santos. o primeiro filete do rio já com uso doméstico. prontas para receberem em sua sinuosidade e pequenas cachoeiras. Ainda há pouco tempo atrás. Tendo todo cuidado com o cercamento dos olhos d água com postes de eucalipto. mas o sentido em que se encontram. rebaixando e alinhando com o retilineamento do curso do rio. o entorno das nascentes. com aproximadamente um milhão e setecentos mil pés desta planta. havia cultivo de café. queimadas. seja através de manejos inadequados ou como fonte de melhorar e especular o valor das propriedades rurais. onde orientações permanentes têm sido formuladas no sentido da continuidade da preservação nesta área. não sofreu intervenção antrópica de forma contundente.Revista Tecnologia e Sociedade . a Prefeitura de Poté. Destaque para o esgotamento de brejos nesta região já abaixo da nascente. tem uma vegetação diversificada.1ª Edição. e. vindas de outras propriedades. Rio Valão e o Rio Todos os Santos. A força do Todos os Santos começa com alguns riscos semelhantes a uma cadeia de neurônios que vão se interligando para formar o curso d água. só usa madeira seca. proporcionando uma redução do volume d´água que depende destes fatores. o precioso e importante produto que dispõe sem nenhum ônus para aqueles que utilizam na lavoura e uso doméstico. direcionam sua orientação rumo às propriedades que estão abaixo. Sebastião Rodrigues dos Santos. fica numa bacia formada pela vertente topográfica dos Rios São Mateus (Cricaré). nos fundos da casa do proprietário. subafluentes do Rio Mucuri leva a preocupação com os aspectos ambientais de desmatamento descontrolado.

A impressão que visivelmente se tem. a represa de captação da cidade de Valão mostra o volume que tem esse rio. quedas muito variadas e. que afetam significativamente o ecossistema a que pertence. o uso doméstico. pois um curso que já necessita de uma ponte. O Rio São José. o abastecimento de água de Teófilo Otoni. que irá se fortalecer com mais duas nascentes bem próximas. às vezes. Foi desmatada toda a propriedade. Exterminada a vegetação ao redor da nascente. Cerca de 800 metros abaixo já se pode contemplar visualmente duas represas. Rio abaixo. ocorre fato que serve para ilustrar inúmeros ataques à preservação das nascentes desta região. afluente do Rio Todos os Santos. evidencia seu porte. inclusive ao redor da nascente para formação de pasto para alimentação de gado. Desprovida de matas de cobertura dos topos dos morros. encontra-se a represa da COPASA. Tal manejo contribui para mudança nas características paisagísticas da região. 2012. O córrego Leme. lento. Na baixada de Valão já nos encanta o tamanho do rio. lavoura. com remansos embaixo de pés de Ingá. Na Fazenda Boa Vista. a antiga em funcionamento e a nova sendo construída para poder sustentar no período seco. um afluente importante do Rio Todos os Santos tem suas nascentes nas vertentes da nascente do Rio São Mateus.Revista Tecnologia e Sociedade . o volume d´ água é bem menor que antes de passar pelas represas. onde corre o primeiro filete de água rumo a Teófilo Otoni. embora dividindo com o município de Itambacuri. Num trajeto sinuoso e longo. Eder Sampaio. uma de porte menor com cafezais de um lado e mata do outro. O recurso hídrico é usado de formas diversas. rumo a Teófilo Otoni são vistas muitas outras nascentes. é a de que dentro da cidade de Valão. O volume da vazão em questão é de 110 litros-segundo na seca e até 300 na safra. na época em que passava por esta região a Estrada de Ferro Bahia Minas. e a segunda com o espelho d´ água maior rodeada de pastagens e pouca vegetação. suinocultura e piscicultura. com sua locomotiva Maria Fumaça. tem o primeiro lugarejo comunitário do uso da água do Rio Todos os Santos.1ª Edição. sub afluente do Rio São José. sem contar que sua sinuosidade garante sua naturalidade. certamente servirá de agravante para que esta nascente precocemente se extinga. que tem 13 (treze) represas pequenas e (01) uma grande para exploração e criatório de peixes. vários exemplos de belíssimas paisagens naturais. o Rio Todos os Santos oferece aos olhos da população. alguns quilômetros abaixo. Na nascente do córrego Linha H. com aproximadamente 60 (sessenta) casas. um ponto de relevo de altitude expressiva. . exemplares de cachoeiras naturais. viaja-se muito até o local importante para a população urbana. em sentido às nascentes do Rio São José. Nas vizinhanças da fazenda Boa Vista. na propriedade do Sr. encontra-se com o protagonista na propriedade pesque e pague de Valão. Na comunidade denominada de Baixinha de Todos os Santos. Nesta Fazenda Boa Vista. A presença de muitas cachoeiras durante o percurso do rio abaixo são constantes. não existindo vegetação ciliar (ripária). também nas divisas de município. descaracterizando a paisagem. têm relatos de grandes devastações de mata primária. ISSN (versão online): 1984-3526 30 brachiaria.

um olho d´ água à direita. outro logo abaixo. sua bacia de captação já sofrida por diversas queimadas. desenha sua sinuosidade na propriedade de um assentamento de 21 (vinte e uma) famílias de agricultores. os córregos Brejaúba e Capitólio desaguarão no córrego Lajinha. formando este córrego também com nome de santo. onde abastece um reservatório de 84 (oitenta e quatro) mil litros d água. Gilson de Castro Pires. Ainda o uso diversificado do recurso hídrico se dá com maior intensidade no Rio Todos os Santos. o córrego São Gotardo nasce numa pequena bacia formada por uma cadeia de morros. A intensidade e proximidade destes brotos d´água formam belíssimos cursos d’água. deve-se ao fato de que existem mais subafluentes que deságuam no primeiro do que no segundo. destaque para um galho desse que tem 75 (setenta e cinco) milímetros cúbicos de volume na seca. enquanto a maioria são olhos d´ água. já composto pelo córrego Água Preta. em comparação ao Rio Todos os Santos. uma nascente insiste em não secar. Nesta propriedade. O córrego Suíça II. numa região de relevo declivoso. mas que um levantamento minucioso o poderá fazer contá-las. subafluente do Rio São José. pela topografia acidentada de toda região de cabeceira dos afluentes e subafluentes do Rio Todos os Santos. numa pedra e vários noutra grota. despejando esse conjunto no córrego .Revista Tecnologia e Sociedade . desprotegida de mata de topo e rodeada somente por pastagens. um pouco mais moderna que a anteriormente construída na fazenda Boa Vista. na propriedade do Sr. as nascentes dos córregos Brejaúba e Capitólio não fogem às características das demais. e estes subafluentes. o córrego São Gotardo. com muitas grotas. Apesar de mais curta a bacia deste afluente do Rio Todos os Santos. e abaixo formam um total de 16 nascentes uma em cada pequena propriedade. apresenta um diferencial dos demais. João Carlos Nunes Coelho. tem uma recente captação de água.1ª Edição. Das inúmeras pequenas bacias visitadas para confecção desta parte do trabalho. a natureza ainda é preservada com matas de topo e vegetação ciliar ou ripária constante. abastecendo várias comunidades ribeirinhas cachoeiras abaixo. cuja nascente não diferencia das demais. visivelmente nota-se um volume superior deste precioso líquido na estação da seca. Neste ponto. ISSN (versão online): 1984-3526 31 O córrego Água Preta. todo abastecido por gravidade. Suas inúmeras nascentes demonstram como são importantes para as populações locais e que vão agigantar logo abaixo o rio protagonista deste empreendimento. pois a sua nascente é difusa. Percebese. sem necessidade de motor bomba. As demais nascentes até a 6ª. Ainda rio abaixo. Os 1º e 2º olhos d´ água nascentes do córrego Brejaúba também vão desaguar no córrego Capitólio. na vertente topográfica com o Rio São Mateus. tanto para encher o reservatório quanto para a irrigação agrícola. que tem uma extensão superior. Pouco abaixo já na área urbana na propriedade do Sr. O Rio São José tem o volume no seu leito maior que o Rio Todos os Santos. que desaguará no córrego São Gotardo. o Rio São José. que são incontáveis os olhos d´água. O fato do volume maior de água no Rio São José. O Córrego Suíça II e vários outros pequenos cursos d´água. Este reservatório construído sem muitos recursos de engenharia apresenta-se firme e sem vazamentos e serve aos seus propósitos. também chamado de Perigosos. 2012.

mostrar que desse meio ambiente do Rio Todos os Santos. mas os recursos hídricos têm um tratamento muito especial. preconizam o atendimento às necessidades atuais sem comprometer as futuras. Fica então um pequeno roteiro de alguns dos afluentes e subafluentes que compõe a micro bacia do Rio Todos os Santos. como córrego da Palha. ISSN (versão online): 1984-3526 32 Liberdade. e. – v. São vários os temas em destaque na mídia e meios legislativos e do executivo. A partir do povoamento das cidades. 2012. somos todos dependentes e talvez possamos contribuir para seu status de recurso hídrico indispensável. nov. Schirley Cavalcante. fazem parte de uma integrada cadeia de fatores que parecem ter se incorporado e entrelaçado ao corpo dos pesquisadores e uns aos outros. CONSIDERAÇÕES FINAIS Percorrendo a história de Teófilo Otoni. p. Informe Agropecuário. assim. A água como elemento fundamental da paisagem em microbacias. e. mercantil e dos recursos hídricos e a conseqüente devastação ambiental. da exploração agropecuária. Sobre bacias hidrográficas. serve para justificar nossa existência. Viajar no tempo junto aos colonizadores e chegar às cabeceiras do Rio nos dias atuais. por cerca de 374 (trezentos e setenta e quatro) quilômetros de estrada sem asfalto. e se lançam no Rio Todos os Santos abaixo da zona urbana de Teófilo Otoni.21. Santana. o foco sobre queimadas. principal afluente do Rio Mucuri. sobretudo no que se refere ao processo de colonização do Vale do Mucuri./dez. que pode ser seguido para dar seqüência ao estudo. as convenções internacionais. cuja região começa num cantinho do Estado de Minas Gerais. Santaninha. São Paulino e vão completar o Rio Mucuri. que influenciam sobremaneira na formação de cursos d´água. os dados obtidos demonstram. fato é que. O córrego Poton recebe esses subafluentes.1ª Edição.2000. n. favorecendo. .Revista Tecnologia e Sociedade . REFERÊNCIAS ALVES. ciclo hidrológico. 4. claramente. a exemplo da Convenção para Proteção e Utilização dos Cursos de Água Transfronteiriços e dos Lagos Internacionais. puderam-se perceber os reflexos da exploração dos recursos minerais. As Secretarias de Meio Ambiente estaduais são chamadas a todo momento.207. a importância dos recursos naturais e sua influência no processo de colonização. tamanha importância foi dado à pesquisa que se pretende dar continuidade em um novo projeto. que daí em diante continua recebendo vários outros. um melhor entendimento acerca da relação dos indivíduos e o seu meio ambiente. 9-14. aqüíferos sobre e subterrâneos e o levantamento de parte das nascentes nas cabeceiras do Rio Todos os Santos. flores e plantas ornamentais. de Helsinque 1992. região de agricultores de laranja.

“Lembranças da Terra – Histórias do Mucuri e Jequitinhonha”. INFORME AGROPECUÁRIO. Fernando Falco. Simone. Walter de Paula. 235 p. UFV – Universidade Federal de Viçosa. 207. ISSN (versão online): 1984-3526 33 CASTRO. 1994. MACIEL Jr. 488 p. 202./abr. 263 p.Revista Tecnologia e Sociedade . 2012. 84 p. PRUSKI. São Paulo: Ática. 2022.1ª Edição. Eduardo Magalhães. PORTO. n. 2002. 2002. Belo Horizonte: 2000. Sociedade e espaço: Geografia Geral e do Brasil. 2000. Trad. Maria Leonor Loureiro. Paulo Sant´Anna. Ano VI. Ação Ambiental. 38 p. 300 p. Ação Ambiental. LORENTZ. WEIL. 8-10. 10 ed. n. mar. 24 ed. As matas Ciliares. Divisão Gráfica Universitária. 1038 p. DIAS. Leônidas. 24. Ação Ambiental. 1994. LIMA. Reinaldo Ottoni. LANFREDI. n. Bauru. Revitalização de Rios: Área Rural. março/abril 2003.. 112 p. “A batalha ecológica na cidade de Teófilo Otoni”. n. . LOPES. 1929. Ano VI. Herly Carlos Teixeira. nov. “A pobreza sofredora na cidade de Teófilo Otoni e temas ecológicos”. Entrevista. Rio de Janeiro: 1992. “Sertão do Rio Doce”. Divisão Gráfica Universitária. 24. ESPÍNDOLA. UFV – Universidade Federal de Viçosa. Viçosa: CPT. 274 p. Antônio Felix. Francisco. Revitalização de Rios: Área Rural. Theóphilo Ottoni: Typographia S. 1 ed. Haruf Salmen. p. RIBEIRO. 2000. 2001. jan. VESENTINI. SP: EDUSC. UFV – Universidade Federal de Viçosa. Recuperação e Conservação de Nascentes. Rio de Janeiro: 1990. 62 p. José Demerval Saraiva./fef. Belo Horizonte: v. Município de Theóphilo Ottoni. Belo Horizonte: v. 24. p. p. Divisão Gráfica Universitária. Zoneamento das águas. Busca de Efetividade de seus instrumentos. José willian. “Notas Históricas”. 21. 2003. LORENTZ. 2001. Bauru: EDUSC. 2005. Paulo. Contagem: CEDEFES. Direito Ambiental Brasileiro. 21. DOMINGUES. Geraldo Ferreira. 05-07. Manejo de Microbacias. INFORME AGROPECUÁRIO. Agropecuária e ambiente. MACHADO./dez. 64 p. n. Leônidas. Ano VI. “O Enraizamento”. Paulo Afonso Leme. São Paulo: Revista dos Tribunais. 2003. São Paulo: Malheiros. março/abril. Política Ambiental.

Tecnologia e Sociedade pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e doutoranda em Política Científica e Tecnológica pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). foram evidenciados grandes contrastes em reivindicações puramente técnicas de 3 Luciara Cid Gigante: Mestre em Ciência. E-mail: diasrigolin@ufscar. Tecnologia e Sociedade. 2012.Revista Tecnologia e Sociedade .br . Maria Cristina Comunian Ferraz: Doutorado em Ciências pelo Instituto de Física e Química de São Carlos. docente de programa de mestrado (Ciência. E-mail: cristina@ufscar. do qual é vice-coordenadora. Comunicação e Inclusão Social). grupos de pesquisa da Universidade Federal de São Carlos. EUA (2007-2008). coordenadora de programa de extensão (Divulgação Científica. Como resultados. Coordenadora do Núcleo de Estudos sobre Expertise e Política e pesquisadora associada do Laboratório de Estudos Sociais em Ciência. com estágio de doutoradosanduíche no Departamento de Antropologia. de caráter interdisciplinar. Mestre em Administração (UFBA). Tecnologia e Sociedade) e de curso de especialização (Gestão de Organizações Públicas) na UFSCar. ISSN (versão online): 1984-3526 34 Análise de patentes de tecnologias relacionadas ao descarte de resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos com vistas à 12 sustentabilidade ambiental Analysis of technology patents related to the disposal of electric and electronic equipment waste regarding the environmental sustainability Luciara Cid Gigante Maria Cristina Comunian Ferraz Camila Carneiro Dias Rigolin 3 Resumo Esta pesquisa. cadastrados no DGP-CNPq. por meio de monitoramento tecnológico de produtos e processos na base de dados de patentes gratuita online Espacenet. Tecnologia e Sociedade (PPGCTS). E-mail: luciaragigante@ige. aliou aspectos teóricos do campo Ciência.br. Áreas de atuação em pesquisa: Estudos Sociais de Ciência e Tecnologia e Política Científica e Tecnológica. Indiana University.br. Professora Associada da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) vinculada ao Departamento de Ciência da Informação é tutora de alunos indígenas (Grupo PET). Camila Carneiro Dias Rigolin: Doutorada em Política Científica e Tecnológica pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). com Pós-doutorado em Engenharia de Materiais e Especialização em Administração e Análise de Negócios.1ª Edição. Teve como objetivo realizar a análise de patentes de tecnologias relacionadas ao descarte de lixo tecnológico e das tendências verificadas em documentos de patentes. Tecnologia e Sociedade (CTS) e Sociologia do Consumo através de uma das metodologias da Ciência da Informação.unicamp. Professora Adjunto da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) vinculada ao Departamento de Ciência da Informação e do Programa de Pós-Graduação em Ciência.

De âmbitos de reflexão e de propostas de mudança institucional. The objective was to analyze the technology patents related to the disposal of technological waste and the trends verified in documents of patents. Technology and Society. or merely minimized. Propriedade Intelectual. National Policy of Solid Waste. Patent Analysis. ou apenas minimizados. ISSN (versão online): 1984-3526 35 documentos de patentes que levaram em consideração mais do que somente a descrição sumária da tecnologia em questão. Tecnologia e Sociedade” (CTS) constituem um campo de trabalho que trata de entender o fenômeno científico-tecnológico no contexto social. Análise de patentes. ou. 2012. existem diversas orientações acadêmicas. tanto em relação aos condicionantes sociais como em relação às suas consequências socioambientais. Intellectual Property. os es tudos sobre “Ciência.Revista Tecnologia e Sociedade . It was concluded that universities.1ª Edição. que novos impactos não sejam gerados. Linsingen e Pereira (2003). economical and environmental sustainability. governo e sociedade têm que se unir para que novas práticas ambientalmente seguras sejam criadas e adotadas mundialmente a fim de que parte do impacto já gerado seja revertido. como a ética engenheril ou os estudos de avaliação de tecnologias. Keywords: Science. segundo Bazzo. These in pure technical claims of patent documents which took into consideration more than only the brief description of the technology in question. segundo López Cerezo (1998). but also aspects related to the social. Equipamentos elétricos e eletrônicos. through the technological monitoring of products and processes on online free patent database: Espacenet. the government and the society must unite in order to promote new and safer environmental practices that could be created and adopted worldwide so that part of the generated impact could be minimized or new impacts are not even generated. Technology and Society (STS) as well as Sociology of Consumption through one of the methodologies of the Information Science. Por se tratar de um campo de trabalho acadêmico de caráter crítico e interdisciplinar. Introdução De modo geral. Palavras-chave: Ciência. como as provenientes da sociologia do conhecimento científico ou da história da tecnologia. Política Nacional de Resíduos Sólidos. . In the results great contrasts were highlighted. Abstract This interdisciplinary research gathered theoretical aspects in the field of Science. mas também com aspectos relativos à sustentabilidade sócio-econômica-ambiental. Concluiuse que universidades. Tecnologia e Sociedade. Electric and Electronic Equipment. convergem neste heterogêneo campo de trabalho.

2003). a meia vida tem caído para menos de dezoito meses. o espetáculo e a mercadificação das formas culturais (HARVEY.” Por isso. c) a condenação da tecnocracia”. 2012. 148) explana que os sistemas de produção flexível permitiram a aceleração do ritmo da inovação do produto. Harvey (1993. . A meia vida de um produto fordista típico. atualmente os estudos CTS constituem uma diversidade de programas de colaboração multidisciplinar que força a concorrência entre suas duas tradições (europeia e norte-americana). A acumulação foi acompanhada na ponta do consumo pela mobilização de todos os artifícios de indução de necessidades e de transformação cultural. um grande desafio. b) a crítica da concepção da tecnologia como ciência aplicada e neutra. Para o autor. 9). Harvey (1993. mas a acumulação flexível diminuiu isso em mais da metade em setores como o têxtil. Como afirmam Ferraz e Basso (2003) “a geração de resíduos é um dos maiores problemas enfrentados. compartilham: “a) a rejeição da imagem da ciência como uma atividade pura. A escassez cada vez maior de áreas para a implantação de novos aterros para a disposição de resíduos.1ª Edição. BASSO. 148) ressalta que “a aceleração do tempo de giro na produção teria sido inútil sem a redução do tempo de giro no consumo”. ISSN (versão online): 1984-3526 36 Enfatizando a dimensão social da ciência e da tecnologia. foi reduzido de modo dramático pelo uso de novas tecnologias produtivas (automação. o problema do grande volume de resíduos sólidos gerados por bilhões de consumidores tem sido apontado como um dos mais graves da atualidade. p. nas últimas décadas. as quais. segundo López Cerezo (2002. esta pesquisa partiu da expressão “capitalismo flexível” que descreve hoje um sistema que é mais que uma variação sobre um velho tema. Neste contexto. e também os males da rotina cega (SENNETT. o baixo grau de implantação de novas alternativas de tratamento e reciclagem. p. e. como o de tecnologias de informação (videogames e programas de computador). tornou-se evidente. Atacam-se as formas rígidas de burocracia. a efemeridade. o impulso de explorar essas possibilidades tornou-se fundamental para a sobrevivência”. Enfatiza-se a flexibilidade. era de cinco a sete anos. que corta drasticamente a quantidade de material necessária para manter a produção fluindo).Revista Tecnologia e Sociedade . que sempre é uma chave da lucratividade capitalista. representam hoje. aliada às limitações existentes para a recuperação dos materiais não renováveis. ao lado da exploração de nichos de mercado altamente especializados e de pequena escala. relativamente estável do modernismo fordista cedeu lugar à instabilidade e qualidades fugidias de uma estética pós-moderna que celebra a diferença. a limitação dos ecossistemas naturais em decomporem os resíduos gerados pelo homem em sua atividade econômica (FERRAZ. 2010). dada a grande escala de produção. 1993). A estética. o tempo de giro. enquanto que em outros. p. pelo sistema produtivo. robôs) e de novas formas organizacionais (como o sistema de gerenciamento de estoques “ just-intime”. por exemplo. “Em condições recessivas e de aumento da competição. hoje em dia. Neste sentido.

sociais e ambientais. ou melhorem. através da literatura encontrada sobre descarte de lixo tecnológico. ISSN (versão online): 1984-3526 37 Esta pesquisa teve como objetivo principal fazer a análise de patentes de tecnologias relacionadas ao descarte de lixo tecnológico e as tendências verificadas por meio de documentos de patentes. esperando-se que com estas obtenha-se eficiente recuperação de informações relevantes no universo da base de dados de patentes selecionada. comparar tais tendências levantadas nos documentos de patentes com a situação atual vigente na legislação brasileira de descarte de lixo tecnológico. . e da análise de conteúdo como método de análise dos resultados. Com vistas ao referencial teórico apresentado pretendeu incentivar a interação entre os estudos das áreas de Propriedade Intelectual. no qual buscam-se as tendências do desenvolvimento de uma dada tecnologia e possíveis soluções que acabem. para a caracterização da temática e descrição do universo a ser estudado. que foi feita dentro dos princípios do campo CTS que busca a construção de uma sociedade economicamente estável. esta pesquisa foi realizada seguindo-se as seguintes etapas: 1) Levantamento bibliográfico para compor a revisão de literatura. o estado dessa problemática. Como objetivos específicos constaram: identificar e categorizar os tipos de materiais classificados como lixo tecnológico. ambientalmente saudável e socialmente justa. Para tanto. 2) Levantamento de termos/palavras-chave representativas para a realização do monitoramento tecnológico.1ª Edição. detectar para quais tipos de materiais com essa classificação já existem políticas de descarte. Esperava-se estabelecer um diálogo entre a área da Propriedade Intelectual e os estudos do campo CTS. 2012. ao relacioná-las com o uso de patentes como fonte de informação tecnológica no meio acadêmico e em estudos de monitoramento tecnológico. Metodologia A metodologia adotada foi de uma pesquisa de caráter quali-quantitativa e exploratório-descritiva. Como procedimento metodológico fez-se uso também do monitoramento tecnológico em bases de dados de patentes. através de análise de conteúdo.Revista Tecnologia e Sociedade . Este estudo justificou-se tendo em vista que analisar as tecnologias existentes para que o descarte de lixo tecnológico seja feito de maneira a colaborar para o crescimento socioeconômico de maneira sustentável. através de monitoramento tecnológico de produtos e processos relacionados ao descarte de lixo tecnológico na base de dados de patentes gratuita online Espacenet. levantar e avaliar as tendências tecnológicas encontradas nos documentos de patentes. A pertinência desta pesquisa se destacou também pelo ineditismo do tema que alia o estudo das políticas públicas existentes sobre descarte de lixo tecnológico às inovações patenteadas sobre o tema. propiciará benefícios a toda a sociedade com ganhos econômicos. os estudos CTS e a questão da sustentabilidade ambiental.

Foi realizado. multidisciplinar (patentes de diversas áreas do conhecimento) e abranger as patentes depositadas na base de dados do escritório brasileiro de patentes. concluiu-se que a base de dados de patentes que melhor representaria o universo a ser estudado seria a Espacenet.Revista Tecnologia e Sociedade . Compendex. Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). JusBrasil. Tais bases de dados selecionadas para o préteste de exploração foram: (1) Espacenet (do escritório europeu de patentes). Comparados os resultados recuperados com os pré-testes realizados nas bases de dados. a fim de comparar a facilidade dos mecanismos de busca de cada base de dados. gratuita. um documento de patente permite identificar tecnologias relevantes. sua interface e o quanto cada base recuperou por palavra-chave. (4) IPDL (Industrial Property Digital Library. Web of Science. Tendo em vista seu conteúdo informacional. Para a recuperação e coleta das fontes de informação supracitadas. realizou-se um levantamento das fontes de informação formais a serem utilizadas para o estudo do universo. do contrário. Scielo. nichos de mercados para atuação. 5) Testar a eficiência e realizar a coleta dos dados. do Brasil). parceiros. Scopus. efetuar novos estudos na literatura da área de descarte de lixo tecnológico a fim de encontrar termos relevantes para a busca. (2) Google Patents (base de dados americana usada como alternativa à USPTO). previamente retirados da literatura. 6) Tratamento dos dados coletados quali-quantitativamente. tais . Derwent Innovations Index. 2012. 4) Realização de pré-testes para verificação da eficiência das palavraschaves levantadas. 7) Análise dos resultados através da análise de conteúdo. (7) Derwent Innovations Index (base de dados de patentes internacionais). contendo patentes publicadas a partir do ano de 1836 até o presente (ESPACENET. (6) USPTO (base do escritório americano de patentes (United States Patent and Trademark Office)). É importante ressaltar que a opção de se pesquisar em bases de dados gratuitas baseou-se em questões de sustentabilidade e acessibilidade da informação com menor impacto econômico.1ª Edição. utilizou-se as seguintes bases de dados: Google. e não qualquer outra. Para a delimitação do universo a ser estudado. Diário Oficial. (3) INPI (base de dados do Instituto Nacional da Propriedade Industrial. e outras bases de dados de patentes. Google Acadêmico. se deve ao fato de as patentes terem se mostrado uma eficiente ferramenta e um instrumento eficaz no apoio à tomada de decisão. cuja representatividade está no fato desta ser online. Espacenet. o levantamento das principais bases de dados de patentes e um pré-teste com os termos de busca. e outros 85 países. ISSN (versão online): 1984-3526 38 3) Seleção da base de dados de patentes a ser utilizada. inovações incrementais e movimentos da concorrência. assim como o fato da utilização dos documentos de patentes como fonte de informação para o monitoramento tecnológico. 2011). (5) PatentScope (base de dados de patentes da Organização Mundial da Propriedade Intelectual). posteriormente. base de dados do escritório japonês de patentes).

sendo que seu uso ocasionariam sucessivos erros de sintaxe. Fonte: Elaboração própria. que recuperou 2 documentos de patentes. gestão de processos. com 13 documentos de patentes cada um. Os termos “waste disposal technology” e “waste electrical and electronic equipment” recuperaram um documento de patente cada. constatou-se maior incidência na recuperação de documentos nas buscas realizadas com os termos no idioma inglês. pelos termos utilizados como sinônimo sobre novas tecnologias em descarte de lixo tecnológico. quanto à origem de seu depósito. Os termos em português foram utilizados sem a devida acentuação tendo em vista que a base Espacenet não os indexa. observouse. em seguida. das conclusões do estudo. sendo que os termos “electronic waste” e “electronic scrap” foram os que mais recuperaram. As demais palavras-chave selecionadas. que 11 deles foram depositados . ANO “waste disposal technology” Analisando-se os pedidos de patentes acima mencionados. O universo desta pesquisa foi compreendido. No total. 2012.1ª Edição. Pereira e Antunes (2002). fusões e aquisições. A seção seguinte apresenta os resultados da presente pesquisa juntamente da discussão e. para recuperação da expressão exata. tanto as em inglês como as em português. novas linhas de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). gestão de produtos. como aborda Canongia. os quais foram utilizados entre aspas. conforme apresentado na Tabela 1. Resultados A partir do estudo do universo levantado. ISSN (versão online): 1984-3526 39 como investimentos.Revista Tecnologia e Sociedade . “waste “technological “electronic “electronic TOTAL electrical waste” scrap” waste” and electronic equipment” 2003 1 0 1 3 1 6 2004 0 0 0 1 3 4 2005 0 0 0 3 0 3 2006 0 0 0 3 0 3 2007 0 0 1 0 2 3 2008 0 1 0 2 2 5 2009 0 0 0 1 3 4 2010 0 0 0 0 2 2 TOTAL 1 1 2 13 13 30 Tabela 1: Número de registros de documentos de patentes sobre REEE recuperados por termos por ano de prioridade na base Espacenet. obtiveram resultado nulo quanto à recuperação na base de dados de patentes Espacenet. e somente nos campos título e resumo. No período de tempo analisado (2003 a 2011) observou-se a ocorrência de registros de pedidos de patentes recuperados por termo. dentre outras. Em seguida ficou o termo “technological waste”. foram selecionados 37 termos/palavras-chave e um universo de 31 documentos de patentes recuperados a serem analisados. portanto.

a data de publicação refere-se à data na qual o pedido de patente nacional teve seu período de sigilo findado (18 meses contados a partir da data de depósito). três pedidos foram depositados em 2003. possíveis mercados para a comercialização da tecnologia reivindicada. dois em 2005 e em 2006. sendo que este deve ocorrer dentro do prazo de prioridade (período de 12 meses contados da data do pedido no país de origem do depósito do pedido via PCT). 2008 e 2009. outros 19 pedidos de patentes recuperados tiveram seu depósito nacionalmente e também fizeram uso do Tratado PCT ao entrar com o pedido da patente na WIPO (WO). Diferentemente da data de depósito. 2012. os países que também receberam o pedido de proteção da patente são considerados. Tal data pode se referir também à notificação da entrada na fase nacional do pedido internacional depositado via PCT. Consequentemente. visto que o processo não fez uso do Tratado de Cooperação de Patentes (PCT). Tal fato. quatro depositados em 2007. dois pedidos foram . Como observado. ISSN (versão online): 1984-3526 40 somente nacionalmente. indica que os inventores e requerentes (depositantes) da patente têm interesse em proteger sua tecnologia em outros possíveis mercados além de seu país de origem. cinco em 2010 e nenhum em 2011. de pedido internacional. ou a data do registro do pedido internacional. ou no escritório de patentes da União Europeia (EPO). ou no escritório americano de patentes (USPTO). Fonte: Elaboração própria. Em contraposição.1ª Edição. A data de depósito é a data registrada no protocolo do pedido de patente para o depósito nacional. A Figura 1 apresenta o número de registros de pedidos de patentes por data de depósito e data de publicação dos pedidos de patentes recuperados ao longo do período de tempo (2003 a 2011) analisado.Revista Tecnologia e Sociedade . e/ou em outros países cujo mercado lhes foi de interesse. isto é. Figura 1: Número de registros de documentos de patentes recuperados sobre REEE por data de depósito e de publicação na base Espacenet. seis em 2004. pelos depositantes.

Figura 2: Número de registros de documentos de patentes recuperados sobre REEE por nacionalidade de seus depositantes. A Hungria. Quanto ao idioma dos registros dos pedidos de patentes recuperados. preponderantemente. Tais discrepâncias no período de sigilo dos pedidos podem ser justificadas devido ao fato de que. Todos os demais apresentaram somente um registro de pedido de patente sobre REEE recuperado. o mesmo passa por diversas etapas assemelhadas”. quatro em 2009. Os depositantes e a natureza jurídica destes também foram levantados. assim como a Itália e a Polônia. com 4 depositantes cada um. a Figura 2. A República Tcheca e a Finlândia possuem ambos 5 depositantes cada. foram recuperados 21 documentos em inglês. seguida pelos Estados Unidos da América. Dentre todos os 51 depositantes do universo analisado. 45). pela existência ou exclusão de alguma etapa na tramitação do pedido.Revista Tecnologia e Sociedade . cinco em 2005. obteve-se 21 pedidos de patente de invenção reivindicando processos. Fonte: Elaboração própria. apresenta os registros de pedidos de patentes recuperados por nacionalidade. enquanto que a França. p. James R. sendo que as diferenças das legislações nacionais são. sendo um da Alemanha (Koslow.). Quanto às tipologias dos registros de pedidos de patentes recuperados. Os depositantes que mais se destacaram foram dois pesquisadores. classificados como pessoa física. seis em 2008. Observa-se que a Alemanha lidera possuindo 12 depositantes. o Reino Unido e a Suíça apresentaram três depositantes de pedidos de patentes cada. com 9. “após o depósito do pedido de patente perante a autoridade governamental competente de cada país. Alexander) e o outro dos Estados Unidos da América (Akridge. segundo Macedo e Barbosa (2000. 2012. ISSN (versão online): 1984-3526 41 publicados em 2004.1ª Edição. oito em alemão e somente um em francês. e. Israel e Turquia finalizam o ranking com apenas um pedido de patente cada um. três em 2006 e em 2007. . nove reivindicando produtos. dois em 2010 e cinco em 2011.

Israel e Hungria. levou-se em consideração o . tendo 8 documentos registrados. Figura 3: Número de registros por nacionalidade dos documentos de patentes recuperados sobre REEE na base Espacenet. Fonte: Elaboração própria. Sistema para gestão da remoção de resíduos industriais. a nacionalidade dos pedidos de patentes recuperados divide-se entre 13 países distintos. os Estados Unidos da América também lidera o ranking dos países com registros mais recuperados. 2) Métodos/processos para separação de metais nobres contidos na sucata eletrônica. Itália.1ª Edição. 3) Recipientes (produtos) para o acondicionamento e transporte seguro (sem quebra dos equipamentos) de REEE. com três. Finlândia e Canadá. Suíça. 2012. Turquia. através do formulário de análise de conteúdo. Incinerador de resíduos orgânicos. Tais dados são apresentados na Figura 3.Revista Tecnologia e Sociedade . d. com seis registros. Seguido de Alemanha. foi possível categorizar o universo estudado nos seguintes grupos de tecnologias: 1) Métodos/processos para separação de plásticos contidos na sucata eletrônica. 4) Recipiente (produto) em forma de caixa-lembrete para a conscientização para a separação e o recolhimento de diversos tipos de materiais recicláveis. Polônia. República Tcheca. Por meio do estudo do conteúdo dos documentos de patentes e das aplicações nelas mencionadas. Reino Unido. Software para jogos de computador. No que tange à análise do conteúdo desses documentos. b. e. Assim como o idioma inglês é o que mais se destaca. com dois registros cada um. incluindo os de REEE. Processo de aquecimento solar de água através de calor solar e/ou de resíduos de sucata eletrônica e/ou outros resíduos tecnológicos. c. ISSN (versão online): 1984-3526 42 Conforme os idiomas acima mencionados. com um registro cada um. 5) Outras tecnologias não relacionadas à temática: a. Japão.

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aparecimento de termos ou expressões que evidenciassem a preocupação do inventor (ou escritor do pedido) da patente com a temática da sustentabilidade ambiental. Observou-se uma preocupação positiva nesta questão em 16 dos 30 documentos de patentes analisados. Foi citada a necessidade do acondicionamento dos resíduos finais em aterros sanitários apropriados, conforme exposto no trecho a seguir: “as cinzas tratadas e drenadas são armazenadas junto com as cinzas da grelha em um aterro sanitário apropriado/adequado” (CH 696425 (A5)). Assim como o fato de aterros sanitários serem cada vez mais inaceitáveis por causa da contaminação do solo e das águas subterrâneas devido à lixiviação de contaminantes. Outros documentos evidenciaram também uma preocupação com o fato de que os resíduos de produtos despejados no meio ambiente demoram muito tempo para desaparecer por si só na natureza, causando poluição ambiental e ameaçando a saúde humana e a saúde ambiental. A questão da sustentabilidade ambiental foi explicitada também através de uma preocupação com as matérias-primas resultantes e estas serem pura e facilmente reutilizáveis. Apesar da clara preocupação e apontamento de termos e expressões relacionadas à sustentabilidade ambiental, dados numéricos relacionados à questão da sustentabilidade ambiental somente foram identificados em três, dos 30, registros de patentes analisados. Tais dados foram identificados em registros da Alemanha, da Finlândia e dos Estados Unidos da América, respectivamente. No que diz respeito à importância (social e/ou econômica) da tecnologia reivindicada para a sociedade, 10 documentos de patentes analisados apresentaram preocupação e destacaram sua importância ao longo dos documentos. Exemplo desta questão é mencionado num pedido de patente inglês, número de prioridade GB20080001820, que destaca a necessidade do depósito dos REEE ser feita de forma segura e ambientalmente amigável (“depositar os REEE de forma segura ambientalmente amigável”). Um pedido de patente chamou a atenção pela extensa preocupação social descrita ao longo do documento. O pedido de número de prioridade (US20100836806) pertencente aos Estados Unidos da América explanou que “os custos sociais nesses lugares menos afluentes é muitas vezes chocante, usando trabalho infantil, com pouca ou nenhuma preocupação para a segurança industrial, e os trabalhadores expostos à paisagem circundante de poluentes químicos”. Foi interessante constatar que tal pedido de patente, cujo processo permite a redução do lixo eletrônico através de atualizações do dispositivo eletrônico afim de não torná-lo inutilizável tão rapidamente quanto a indústria espera, cita o fato de que “ironicamente, muitas pessoas em lugares mais ricos só se dão conta de tudo isso [trabalho infantil e ambiente de trabalho inóspito] quando alguns desses poluentes químicos cruzar o seu caminho, em novos processos de fabricação, e voltam a eles por meio do alto teor de chumbo em brinquedos e substâncias cancerígenas no vestuário”. A preocupação com a sustentabilidade ambiental também foi requerida no questionário de análise de conteúdo através de outra questão, mas desta

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vez no tocante à própria tecnologia cuja patente está sendo requerida. Nesta, questionou-se se o documento traz informações sobre como proceder com o descarte de tal tecnologia após o término de seu ciclo de vida. Tal prerrogativa não foi evidenciada em 27 dos documentos de patentes analisados, estando presente, portanto, em somente três registros. Com relação ainda à questão da sustentabilidade, questionou-se a presença, ou não, de termos ou expressões relacionados a possíveis riscos ambientais. Do universo analisado, somente nove pedidos de patentes apresentaram tais termos. Os pedidos de patentes que apresentaram termos ou expressões relacionados aos riscos ambientais, das tecnologias reivindicadas ou a ela relacionadas, relacionam-se com a questão do descarte ambientalmente inadequado dos rejeitos da sucata eletrônica e aos impactos por estes gerados em aterros sanitários impróprios, assim como ao meio ambiente de forma geral. Sendo assim, observou-se, no universo analisado, grandes contrastes evidenciados tanto por reivindicações puramente técnicas como por documentos que levaram em consideração mais do que somente uma descrição sumária da tecnologia em questão. A próxima seção apresenta uma sinopse dos principais resultados e a importância destes para a sociedade à luz das conclusões do estudo.

Considerações finais
Esta pesquisa teve como intuito realizar análise de patentes de tecnologias relacionadas ao descarte de lixo tecnológico e das tendências verificadas por meio de documentos de patentes, por meio de monitoramento tecnológico de produtos e processos na base de dados de patentes gratuita online Espacenet, além de contribuir e incentivar uma interação entre a área de Propriedade Intelectual com os estudos do campo CTS e a questão da sustentabilidade ambiental. Conforme apontado anteriormente, os resultados analisados indicaram forte preocupação com questões relacionadas à sustentabilidade ambiental, considerando desde possíveis termos ou expressões e dados numéricos relacionados à sustentabilidade, passando pela descrição da importância dessas tecnologias para a sociedade, suas aplicações e possíveis mercados, até informações de como se proceder com o descarte de tais tecnologias ao término de seu ciclo de vida, suas vantagens e desvantagens, riscos ambientais envolvidos e legislações citadas por esses documentos de patentes. Constatou-se que o idioma inglês predominou nos documentos do universo analisado, sendo os Estados Unidos da América o país líder no ranking dos que patentearam tecnologias de descarte e reciclagem de REEE, seguido de perto por Alemanha e Suíça. Houve menção de outros países como Itália, Finlândia, Canadá, Turquia, República Tcheca, Reino Unido, Polônia, Japão, Israel e Hungria, o que denota que o estudo de técnicas e práticas que envolvam o reaproveitamento e a reciclagem de resíduos de sucata eletrônica está em difusão pelo mundo.

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Os resultados indicaram também o aparecimento de termos ou expressões que evidenciaram a preocupação do inventor (ou escritor do pedido) da patente com a temática da sustentabilidade ambiental em 51% do universo estudado. No que diz respeito à importância (social e/ou econômica) da tecnologia reivindicada para a sociedade, 10 documentos de patentes analisados apresentaram preocupação e destacaram sua importância ao longo dos documentos. A preocupação com a sustentabilidade ambiental, porém, não foi evidenciada na análise no que dizia respeito à presença de informações sobre como proceder com o descarte de tal tecnologia após o término de seu ciclo de vida. Tal prerrogativa não foi evidenciada em 27 dos documentos de patentes analisados. Quanto aos termos e expressões relacionados aos possíveis riscos ambientais a que tais tecnologias estariam relacionadas, somente nove, dos 30 pedidos de patentes do universo, apresentaram tais termos. Conforme aponta o campo CTS, a tecnologia, assim como a ciência, é feita para os pares e, consequentemente, a sociedade acaba por ser excluída do debate e das reflexões a respeito das implicações sociais da ciência e da tecnologia. Disponibilizar o acesso é obrigação da União e tornar as bases de acesso público inclusivas, e não restritivas, também. Infere-se que, do ponto de vista abarcado pelo campo CTS, a informação tecnológica tem implicações diretas para a sustentabilidade ambiental, tanto no que diz respeito às suas fontes, seu conteúdo, quanto em seu uso. O comunismo do conhecimento científico, conforme apontado por Merton (1979) no aporte teórico da dissertação que deu origem a este artigo (GIGANTE, 2012), apesar de idealizado, se seguido à risca, possibilitaria maior interação e colaboração das diversas áreas do conhecimento, inclusive as relacionadas à questão da sustentabilidade sócio-econômica-ambiental. Relacionado a isso, há, porém, que se considerar o fato de nossa sociedade ser capitalista e ter uma economia com bases fortemente alicerçadas no tripé da alta produtividade, curta meia vida dos produtos e alto consumismo. Por isso, por mais que cientistas e tecnólogos se esforcem para criar produtos ambientalmente corretos para minimizar ou corrigir os impactos gerados pelos demais produtos já criados pela humanidade, e globalmente difundidos, eles sozinhos não conseguirão reverter todo o impacto e desastres já gerados. O campo CTS confirma e universidades, governo e sociedade como um todo têm que se unir para que novas práticas ambientalmente seguras sejam criadas e adotadas mundialmente a fim de que parte do impacto já gerado seja revertido, ou, numa visão mais realista, que novos impactos não sejam gerados ou ainda, apenas minimizados.

Agradecimentos
As autoras agradecem à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) pelo apoio financeiro.

Londrina: IAPAR. tecnologia e sociedade: o estado da arte na Europa e nos Estados Unidos. p. J. Disponível em: <http://lp. H. jul. 2 Uma versão aproximada deste trabalho foi apresentada no ESOCITE . Referências BAZZO. 7. D.Revista Tecnologia e Sociedade . Tecnologia e Sociedade. tecnología y sociedad: el estado de la cuestión en Europa y Estados Unidos.C. BASSO. In: SANTOS. 1998. 41-68..espacenet. 135-162.C. L.N. Ciência. São Paulo: Loyola. A. 2002. v.F. ISSN (versão online): 1984-3526 46 Notas de fim 1 Este artigo apresenta os resultados da pesquisa do Mestrado em Ciência. PEREIRA. ESPACENET.1ª Edição. 1.V. 1993.C. que ocorreu em Junho de 2012. L. Resíduos sólidos formados por lixo eletrônico: riscos ambientais e política de reaproveitamento. p.Universidade Federal de São Carlos.2011. São Pedro. 2003. 2012.com/>. Dissertação (Mestrado em Ciência.L. Tecnologia e Sociedade). Página inicial. 219 f.. 155-166. (Org. 2000. FERRAZ. Revista Iberoamericana de Educación.. L. 3-39. A condição pós-moderna.) et al. HARVEY.G.. (Cadernos Ibero-América). Análise de patentes de tecnologias relacionadas a resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos. M.. São Carlos.C. pela autora.W. LÓPEZ CEREZO. M. PEREIRA. Instituto de Ciência e Tecnologia em Resíduos e Desenvolvimento Sustentável. 2003. Patentes. 18. em Ciudad de México-DF. p.T. 2012.F. MACEDO. 286-296. Ciência..F.A. Gestão da informação e monitoramento tecnológico: o mercado dos futuros genéricos. Perspectivas em Ciência da Informação. GIGANTE. 2. I. W. CANONGIA. Madri: OEI. v. LINSINGEN. . Acesso em: 22 mar. C. ______. In: Fórum das Universidades Públicas Paulistas: Ciência e Tecnologia em Resíduos .V. Do fordismo à acumulação flexível. p.IX Jornadas Latinoamericanas de Estudios Sociales de la Ciencia y la Tecnología. pesquisa & desenvolvimento: um manual de propriedade intelectual. n.. Introdução aos estudos CTS: (Ciência. 2002. BARBOSA. M. tendo sido orientada pela [REMOVIDO P/ REVISÃO ANÔNIMA]. Rio de Janeiro: FioCruz. ANTUNES. Tecnologia e Sociedade). México./dez. p. desenvolvido na Universidade Federal de São Carlos. tecnologia e sociedade: o desafio da interação. In: ______. A. Ciencia.

Revista Tecnologia e Sociedade . Rio de Janeiro: Zahar. 37-52.). In: DEUS. R.D. A crítica da ciência: sociologia e ideologia da ciência. p. (Org. ISSN (versão online): 1984-3526 47 MERTON. Os imperativos institucionais da ciência. . J.1ª Edição. 2012.K. SENNETT. 2010. 1979. R. A corrosão do caráter: as consequências pessoais do trabalho no novo capitalismo. Rio de Janeiro: Record.

Translog .Grupo de Pesquisa em Transporte.Campus de Toledo.1ª Edição. o Master Of Science In Operations Research . Professor Adjunto da Universidade Estadual do Oeste do Paraná – Unioeste. Logística e Modelagem de Sistemas.campus Toledo. Logística e Modelagem de Sistemas.br. logística. Professora Adjunta da Universidade Estadual do Oeste do Paraná . fez mestrado (1998) e doutorado (2003) em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina .Naval Postgraduate School (1991) e doutorado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina na área de Transporte e Logística.UNIOESTE. E-mail: dslobo@uol.com. E-mail:homero2@uol.Revista Tecnologia e Sociedade . graduação em Tecnologia da Computação pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (1986). Weimar Freire da rocha Jr.Professor Associado da Universidade Estadual do Oeste do Paraná – Unioeste Translog . Possui graduação no Curso de Formação de Oficiais Aviadores pela Academia da Força Aérea (1978). agronegócio brasileiro. nova economia institucional. Atualmente é professor adjunto da Universidade Estadual do Oeste do Paraná . ISSN (versão online): 1984-3526 48 Bioenergia e resíduos na cadeia de suínos: uma análise de custos e investimentos para transporte de dejetos suínos com posterior geração de bioenergia no município de Toledo/ PR Bioenergy and waste in the chain of pigs: an analysis of costs and investments for the transportation of pig manure with subsequent generation of bioenergy in the city of Toledo / PR Sandra Mara Pereira Debora da Silva Lobo Homero Fernandes Oliveira Weimar Freire da Rocha Júnior 4 4 Sandra Mara Pereira: Mestre em Desenvolvimento Regional e Agronegócio da Unioeste .: Engenheiro Agrônomo formado pela Universidade Federal de Lavras (1989).Grupo de Pesquisa em Transporte. 2012. Homero Fernandes Oliveira.br. Email:wrochajr2000@gmail. Mestre em Economia Agrária (Economia Aplicada) pela Universidade de São Paulo (1994) e Doutor em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina (2001). Tem atuado na área de Economia.com. Debora da Silva Lobo: Graduada pela Universidade Federal do Rio de JaneiroUFRJ em Bacharelado (1990) e Licenciatura (1992) em Matemática.UFSC. com ênfase em transporte urbano.com. fretes.UnioesteTranslog . Logística e Modelagem de Sistemas. . Atualmente é professora adjunto da Universidade Estadual do Oeste do Paraná.Grupo de Pesquisa em Transporte. Atualmente é professor associado da Universidade Estadual do Oeste do Paraná onde leciona no Curso de Ciências Econômicas e no Programa de Mestrado em Desenvovimento Regional & Agronegócio. Pesquisador produtividade do CNPq. Bolsista demanda social pela CAPES.

ISSN (versão online): 1984-3526 49 Resumo O trabalho aborda o tema “análise de custos e de investimentos. os custos operacionais e de investimento para a aquisição dos mesmos. realizando a roteirização com auxílio da heurística de Clark & Wright. transportation costs and investment analysis. It follows that it is feasible to implement a similar project. custos de transporte e análise de investimentos. Para a implementação do projeto. however. Conclui-se que é viável a implementação de semelhante projeto. que não sofrerá os danos pelo despejo dos dejetos. profitability with the sale of biogas and electricity compensate. serão necessários grandes investimentos. que terão nova fonte de renda com a venda dos dejetos. We analyzed the potential to generate waste. Palavras-Chave: Custos de transporte. 2012. as well as for the establishment of a center of biodigestion. para a coleta de dejetos suínos (fase de terminação). em propriedades rurais do município de Toledo. Key-words: Transportation costs. bioenergy. characterization of swine production site. dejetos suínos. using a highly waste polluter. and preserve the environment. Foram pesquisadas informações referentes aos veículos e equipamentos utilizados nesta atividade. preservar o meio ambiente. caracterização da suinocultura local. For the implementation of the project will require major investments. biogas and electricity and the quantities of pigs in the properties searched. operating costs and investment for the acquisition of them. performing with the aid of heuristic routing of Clark & Wright. assim como para a implantação de um centro de biodigestão. In the methodology. pig manure. Abstract The work addresses the theme "analysis of costs and investments for the collection of pig manure (in the finishing phase) in rural properties in the city of Toledo. a rentabilidade com a venda de biogás e energia elétrica compensará. The theore tical base includes agribusiness topics. utilizando um resíduo altamente poluidor e. biogás e energia elétrica com as quantidades de suínos existentes nas propriedades pesquisadas. No referencial teórico abordam-se tópicos como agronegócio. for the benefit of farmers. not suffer the dump indiscriminate of pig manure.Revista Tecnologia e Sociedade . coletou-se informações relacionadas à 380 propriedades com suínos em fase de terminação. providing a new energy matrix. possibilitar uma nova matriz energética. Na metodologia.1ª Edição. with the final destination a center of bioenergy”. who will have new source of revenue with the sale of pig slurry. . por beneficiar os produtores rurais. Were researched information on vehicles and equipment used in this activity. contudo. tendo como destino final um centro de bioenergia”. Analisaram-se os potenciais de geração de dejetos. bioenergia. collected information is related to properties with 380 pigs in the finishing stage.

tanto em âmbito nacional quanto mundial. O Paraná foi responsável pelo abate de aproximadamente 5 milhões de cabeças no ano de 2007. 2012. ISSN (versão online): 1984-3526 50 INTRODUÇÃO Nas últimas décadas. podem contaminar o solo e os mananciais hídricos.1ª Edição. tem se destacado no agronegócio nacional.9 quilos de dejetos (urina e esterco). o Paraná. Sabe-se que. FOSTER. sobressaindo-se na produção de suínos. manter o equilíbrio das propriedades e adjacências. 2002). cada suíno. pois quando adequadamente utilizados. 2008). usualmente. Estes danos demoram a ser percebidos pelos agricultores e até mesmo pelos técnicos de campo (SEGANFREDO.Revista Tecnologia e Sociedade . por ser de primordial importância para o desenvolvimento não apenas dos negócios relacionados à agropecuária. por dia 4. a problemática sugerida para a realização do estudo foi: “Qual o custo para o transporte de dejetos suínos. em especial para fins industriais. na preservação dos mananciais hídricos. é mister vislumbrar possibilidades que eliminem o problema e agreguem valor ao resíduo. em fase de terminação (que representam a maior parcela desta população na região estudada). das propriedades rurais até um Centro de Bioenergia? Este custo é restituído pela geração de energia (gás ou eletricidade) proveniente destes dejetos?”. Antevendo os transtornos da poluição conseqüentes da suinocultura. deste modo. PERIN JUNIOR. com a finalidade de obter economias de escala e melhorar a competitividade da agroindústria (WEYDMANN. que atendem aos moradores das áreas rurais e urbana. No entanto. Com base nestas considerações. se aplicados continuamente ou em excesso. reside no fato da região ser responsável por 21% da produção estadual de suínos. podem substituir os adubos químicos. o agronegócio tem sido focado por diversos pesquisadores. gera. A principal justificativa deste trabalho. mas também como fornecedor de insumos e . REVISÃO TEÓRICA Agronegócio Paranaense Nos últimos anos. seguido do Rio Grande do Sul). os dejetos são utilizados para a adubação do solo. Esta moderna suinocultura caracteriza-se pelo aumento da concentração do número de animais confinados por estabelecimento. caracterizando uma necessidade urgente de destino adequado e ambientalmente correto dos dejetos gerados nas propriedades e. Dados da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (ABIPECS. devido a fatores como novas tecnologias de produção e possibilidade de maior produção em reduzido espaço físico. 2008) indicam que o Paraná está em terceira posição na produção nacional de suínos (Santa Catarina em primeiro. Conforme dados de Oliveira et alii (1993).

O Brasil ocupa a quarta posição na produção mundial de carne suína. além de prover alimentos para o abastecimento. Possui 20 frigoríficos com inscrição no Serviço de Inspeção Federal (SIF). maltaria. que trabalham em regime de economia familiar. d) fornecimento de conhecimento tecnológico e genético pelas empresas agroindustriais. ampliando-se nas últimas décadas devido a fatores como: a) possibilidade de maior produção em reduzido espaço físico. no processo denominado integração (via contratos). De acordo com informações da SEAB (2008). sendo. 2007). tecelagens. sendo sua estimativa para 2007 de aproximadamente 2. Fatores como a globalização. tão necessários à atividade (GOMES et alii. obtendo o terceiro lugar na produção nacional. com mais de 90% dos criadores ligados a estes frigoríficos. têm sido implantados com a intenção de agregar valor e diversificar a produção (LOURENÇO. A carne suína representa quase a metade do consumo e da produção mundial de carnes. industrialização de carnes (suínos e aves). PARRÉ. 2002. entre outros projetos. unidades de melhoramentos genéticos. O Paraná tem se destacado no agronegócio por ter diversificado e modernizado as cadeias produtivas. médias ou grandes propriedades. 2002). abertura da economia brasileira e a ampliação do mercado interno. RODRIGUES.6 milhões de toneladas de carne (considerado peso de carcaça). Esta atividade é desenvolvida em 136.1ª Edição. bem como o auxílio técnico e veterinário. derivados lácteos. em sua grande maioria. contribuíram para a otimização e a melhoria das condições de produção em toda a cadeia do agronegócio. Setores como usinas de açúcar e álcool. sendo considerada a principal fonte de proteína animal. o Paraná tem a estimativa de produzir 444 mil toneladas de carne suína no ano de 2008. a melhoria das técnicas de produção e da qualidade genética do rebanho. EMBRAPA. 1992). Na Figura 1 está exposta a produção paranaense de carne suína. ISSN (versão online): 1984-3526 51 de matérias-primas para a indústria e o comércio. a produção está com volume aproximado de 93 milhões de toneladas. tanto interno quanto externo (IPARDES. entre outros (MORETTO.000 propriedades. Caracterização da Suinocultura A suinocultura tem sido destaque. suco de laranja. Atualmente. A produção de carne suína teve um aumento significativo a partir do ano 1998 devido a fatores como o aumento da exportação de produtos cárneos. pequenas propriedades. o favorecimento ao consumo da carne suína no mercado interno. b) oportunidade de ampliação da renda do produtor rural (não deixando de desenvolver outras atividades). 2002). .Revista Tecnologia e Sociedade . c) poder ser realizada em pequenas. 2012.

em conseqüência. Figura 2 – Efetivo da pecuária de suínos no Paraná (em percentual). Para se ter uma dimensão desta redução. 2012. que possuem maior valor agregado. a produção percentual de suínos do estado do Paraná por núcleo regional da SEAB. ISSN (versão online): 1984-3526 52 Figura 1– Produção paranaense de carne na suinocultura industrial. maior valor de mercado (FUNDAÇÃO PROCON-SP. a região do município de Toledo destaca-se na produção e no abate de suínos. Inserido no contexto estadual. 2005). Na Figura 2. que acompanhou a redução nacional. . em mil toneladas equivalente carcaça (2002-2009). e com a maioria da produção sendo na forma de integração. e.Revista Tecnologia e Sociedade . por Núcleo Regional da SEAB (2005) Fonte: adaptado de SEAB (2007) e IBGE (2005). em decorrência básica do embargo russo imposto às carnes brasileiras. no mês de outubro de 2004 o Brasil exportou para a Rússia um volume 43% menor que no mesmo mês do ano anterior. ABCS e Embrapa (2007). O Estado apresentou uma queda de produção no ano de 2004.1ª Edição. e Toledo engloba 20 municípios próximos. A SEAB fraciona o Estado em núcleos regionais. *estimativa. pois foram vendidos cortes. **previsão Fontes: Abipecs. Esta redução na quantidade não afetou na mesma proporção a receita auferida.

ISSN (versão online): 1984-3526 53 Conforme dados da SEAB (2007) e IBGE (2005). Como citado anteriormente. Kyoto apliance e os non kyoto apliance. A criação de suínos pode desestabilizar a harmonia da propriedade rural e adjacências por serem altamente poluentes os dejetos produzidos pelos animais.1ª Edição. No Brasil. Após o período de retenção no biodigestor (que pode variar de 20 a 60 dias). 2012. se faz necessário a ampliação de estudos e de pesquisas para tornar viável sua aplicação para os pequenos produtores possam utilizá-la. gerando energia térmica para caldeiras de indústrias. Os últimos usos dos dejetos suínos. compradores do produto brasileiro. Estes produtos são resultado final do processo de biodigestão. a preocupação ambiental no processo produtivo. como estratégia de comércio. geralmente os dejetos são utilizados para a adubação do solo. Outra forma de utilização do dejeto é a transformação deste em biogás. Segundo informações da Embrapa Suínos e Aves (2007). cursos de água e poluição do ar. na fase de criação. é através de créditos de carbono. mas que podem ser utilizados como fonte alternativa de energia e de renda.5 milhões de suínos no estado do Paraná. e podem ser utilizados diretamente como biofertilizante (fertilizante natural para plantas ou tanques de algas). o núcleo regional de Toledo é responsável por 21% da produção do Estado. um maior comprometimento com a preservação dos mananciais. embora seus elementos estejam em quantidades desproporcionais em relação aos assimilados pelas plantas. em função dessa desproporção. ou biocarvão. que são altamente poluidores. somente faz agravar a situação dessas terras.Revista Tecnologia e Sociedade . seguido de Francisco Beltrão e de Ponta Grossa. com 14% cada. que podem gerar renda é o comércio de biofertilizante e biocarvão. Outra forma de comercialização com a transformação do dejeto suíno em biogás (bioenergia). Dessa forma. . contudo a elevada tecnificação para aumento da produção ainda não atentou para o descarte dos dejetos. Além disso. há indicações de que as normas ambientais para o tratamento dos dejetos da suinocultura tendem a ser menos restritivas que em outros países. Para que estas aplicações sejam possíveis. É preciso haver. ainda é pouco valorizada. que podem estar no âmbito do Protocolo de Quioto ou fora dele. evitando a contaminação de nascentes. o dejeto suíno é um composto multinutriente. A mercadoria negociada no mercado de carbono são as reduções de emissões de gases efeito estufa (GEEs). os resíduos são retirados. São cerca de 4. produto este que pode ser consumido in loco ou pode ser comercializado na forma de gás (botijões ou canalizado) ou já transformado em energia elétrica. por exemplo. o procedimento de simplesmente dispersar os dejetos sobre o solo agricultável sem auxílio técnico.

que possuem alguma medida de consumo na produção (embalagens utilizadas. mas estão relacionados à produção (aluguel. Não há quantidade ou delimitação exata de quais e quantos índices utilizar. porte do veículo. fornecedores. De acordo com Martins (1998). Para o levantamento das informações das propriedades. Outros fatores que podem afetar os custos são: a quilometragem percorrida. Estes fatores interferem nas decisões da empresa sobre qual ou quais modais de transporte utilizar. 2012. Para um diagnóstico simplificado dos investimentos. características das vias. do valor e das características do produto. torna-se necessária a análise de investimentos. manutenção. e indiretos. aceitação do produto ou serviço pelos clientes. tanto pelos administradores quanto pelos interessados em investimento (bancos. contemplando fatores como riscos e incertezas. acionistas. auxiliam na redução do valor do frete) (VALENTE. Também influenciam nas decisões de tecnologia e de roteirização. entre outros). entre outros. órgão regulador ambiental do Estado. A apuração correta de todos os custos envolvidos no transporte. depende apenas das informações disponíveis e da profundidade que se deseja conhecer a empresa. endividamento. entre outros. e o tempo (dependente da distância e influenciador direto da formação de estoques e nível de serviço) (BERTAGLIA. 2003). entre outros. salários administrativos. os custos são basicamente divididos em diretos. 1997). em função da distância.). . Ao analisar os custos e despesas relacionadas à atividade. por exemplo. previsão de despesas. independente da área de atuação. 147) Alguns dos mais utilizados são: rentabilidade. 2008. p. que não podem ser mensurados de forma exata. liquidez.Revista Tecnologia e Sociedade . região de abrangência. podem-se utilizar índices de balanço. ISSN (versão online): 1984-3526 54 Custos de Transportes O transporte. tipo de tráfego. METODOLOGIA A pesquisa foi desenvolvida no ano de 2008. NOVAES. Estes índices servem como parâmetro de avaliação da empresa. do custo. entre outros). realizaram-se visitas ao escritório do Instituto Ambiental do Paraná (IAP). com consultas aos sítios do IBGE e da prefeitura do município de Toledo-PR. “Índice é a relação de contas ou grupo de contas das demonstrações financeiras. período de retorno deste investimento. fluxos (cargas de retorno. quilos de material. entre outros). quantidade de recursos necessários.” (MATARAZZO. que visa evidenciar determinado aspecto da situação econômica ou financeira de uma empresa. gerando tanto benefícios imediatos (controle e redução de custos desnecessários). participação de capitais de terceiro.1ª Edição. uma das principais atividades da logística. PASSAGLIA. etc. quanto num futuro próximo (renovação a frota. é de fundamental importância para o bom desempenho das empresas. da disponibilidade do modal escolhido. horas de mão-de-obra. é afetado por dois fatores principais: a distância (trajeto percorrido entre origem e destino).

A escolha deste veículo. combustível. ao equipamento utilizado. observadas as características: posicionamento geográfico (latitude e longitude). com capacidade de sucção de 1. justifica-se por apresentar melhor desempenho nas estradas rurais da região (na sua maioria em leito natural). além de custo-benefício apropriado. indo para outra propriedade e executando o mesmo processo até ter sua carga máxima atingida. foram coletados dados de 380 propriedades com criação de suínos em fase de terminação. origem da água da propriedade e. O equipamento a ser instalado na carroceria do caminhão é composto de um reservatório metálico (chapa de aço carbono de 4. tem como objetivo. A atividade inicia quando o veículo. Ao todo. enfim. As dimensões são adaptadas a cada veículo em função da capacidade de carga. sendo o veículo com capacidade de carga total de 13 toneladas. para a coleta de dejetos. fabricada em ferro fundido. baseado no método de custos médios desagregados. e com vazão de saída de 300 litros por minuto. Este modelo. quantidade de suínos. despesas com pessoal e encargos sociais. Para o cálculo custos de transporte. Tal análise englobou todas as despesas relacionadas ao veículo. impostos. possibilita a verificação de cada componente sob o aspecto monetário. 2012. Passaglia. Possui também bom desempenho e rendimento no trânsito em estradas secundárias. da finalidade e da necessidade do cliente. por ser de fácil levantamento e elaboração. Diversas empresas transportadoras utilizam este modelo de custos.1ª Edição. munido do equipamento necessário. Optou-se por utilizar a heurística de Clark & Wright para a realização da roteirização. Possui também uma bomba.75 mm de espessura). proximidade de rio ou nascente. dirigindo-se então até o centro gerador de bioenergia. com quebra-ondas internos para reduzir a sobrecarga ou a movimentação inercial brusca do conteúdo. gerar roteiros que respeitam as restrições de tempo e de capacidade. utilizou-se a análise de Custos Operacionais citada por Valente. Esta heurística. incidindo na redução de custos de capital e de operacionalização. Novaes (2003). coleta o dejeto suíno. Para que fosse realizada a análise correta dos custos de transporte. e. conseguindo facilidade de acesso e de manobra nas propriedades. da distância entre eixos. onde foram analisados arquivos e documentos disponíveis das propriedades com licença ambiental de operação na suinocultura. para realizar a respectiva descarga. à medida que o modelo vai gerando roteiros eficientes. forma de armazenamento dos dejetos suínos (e/ou tratamento). se comparado à caminhões semelhantes. à manutenção. vai à propriedade rural. e por ser utilizado em diversos softwares de roteirização.Revista Tecnologia e Sociedade . tudo que esteja relacionado ao . a frota é otimizada (por vezes reduzida). No estudo foi empregado o modelo de caminhão normalmente utilizado na região para este tipo de serviço. ISSN (versão online): 1984-3526 55 em Toledo. por apresentar um erro médio de 2% (relativamente baixo). com um eixo na carroceria (tipo toco). que atendessem à todas as 380 propriedades. mas visando a minimização da distância total percorrida pela frota. destinação destes dejetos.000 litros de dejetos por minuto. com potência de 25 HP. foi necessário gerar roteiros.

internet ou pessoalmente. Para a coleta dos custos dos veículos e do equipamento.Revista Tecnologia e Sociedade . ISSN (versão online): 1984-3526 56 funcionamento do veiculo para coleta de dejetos. dados de operação e transporte (Tabela 1).1ª Edição. . dados de preços. foram contatadas empresas revendedoras. As informações para a análise são divididas em quatro grandes grupos: dados gerais. 2012. via telefone. dados de operação do veículo e.

a qual utilizar-se-á de cinco índices de rentabilidade.1ª Edição. e da combinação destes para saber da quantidade de veículos necessária para a coleta diária de dejetos nas 380 propriedades. ISSN (versão online): 1984-3526 57 Tabela 1 – Informações para análise dos custos operacionais Fonte: Adaptado de Valente. Após a análise dos custos operacionais.Revista Tecnologia e Sociedade . quais sejam: . realizou-se a análise de investimentos. 2012. Passaglia. da roteirização. Novaes (2003).

e algumas ainda combinam este com a esterqueira. Verificou-se que apenas 11% das propriedades contam com biodigestor. o que indica que ocorre uma degradação do ambiente.a. por parte dos produtores. A análise é de quanto a empresa obtém de lucro para cada $100 investidos. ter-seá o período de payback. pois estes dejetos serão utilizados nas lavouras. do investimento. pois as empresas . serão detalhados os resultados percebidos com as análises propostas. Nas propriedades analisadas no município de Toledo-PR. Ela iguala o VPL a zero. Foi utilizada a função do programa Excel para este cálculo. No próximo item. em valores monetários. produzindo diariamente 1. Isto ocorre devido a fatores como o alto custo para implantação do equipamento. medida pela diferença entre o valor presente das entradas e saídas de caixa. É realizado analisando-se o fluxo de caixa. e quando os investimentos (saldos negativos) anularem-se com as entradas de caixa (receitas). será viável.  Tempo de retorno do investimento (Payback): em quanto tempo (meses ou anos) o dinheiro investido retornará. utilizam esterqueiras e lagoas de estabilização de dejetos.1ª Edição. No Brasil. de que haverá retorno (financeiro e ambiental) e. entre outros. que possuem terminação de suínos. observou-se que este grupo dispõe de aproximadamente 314 mil suínos.515. Ou seja.  Valor presente líquido (VPL): reflete a riqueza. quanto maior melhor a rentabilidade. a suinocultura é realizada em pequenas propriedades rurais. qualquer investimento que proporcione uma rentabilidade igual ou superior a 8% a.  Taxa de rentabilidade (TR): não é uma medida de rentabilidade de capital mas da capacidade da empresa gerar lucro e poder capitalizar-se. 2012. utiliza-se como base a rentabilidade da caderneta de poupança. rendendo no mínimo. As propriedades restantes.Revista Tecnologia e Sociedade . falta de conhecimento e explicações sobre o sistema.  Taxa interna de retorno (TIR): é considerado rentável o investimento que apresentar TIR > TMA. pode ainda ocorrer o vazamento (pela não retirada dos dejetos ou chuvas excessivas). As esterqueiras correspondem a 88% do total das propriedades pesquisadas. seja na propriedade ou adjacências.4 toneladas de dejetos. que encontram nesta atividade uma forma de melhorar sua renda com reduzidas despesas. a não credibilidade. a taxa de juros equivalente a rentabilidade das aplicações corrente de baixo risco. É considerado atraente todo investimento maior ou igual a zero. e é uma das formas mais complexas de analisar as propostas de investimento de capital. a uma determinada taxa de desconto. ISSN (versão online): 1984-3526 58 Taxa mínima de atratividade (TMA): o projeto deve ser atrativo. por vezes. e geralmente é realizada pela família do produtor.  RESULTADOS E DISCUSSÕES Após a coleta e análise das informações referentes às 380 propriedades rurais. que atualmente é de 8% ao ano.

337. considerou-se que serão necessários 19 caminhões para a coleta diária nas 380 propriedades. praticamente.1ª Edição.921. 2. o cálculo dos custos do transporte foi realizado com base na metodologia utilizada por Valente. pois o grande volume gerado diariamente. Passaglia. despesas com pessoal e encargos sociais. . num total de 156 rotas. Novaes (2003). para os cálculos de Custos Operacionais.127. tudo que esteja relacionado ao funcionamento do veículo para coleta de dejetos. enfim.20 462.43 km (com 51 rotas). Na Tabela 2.059.490.36 km no S2 (com 47 rotas e um produtor não roteado) e 4.715. agregando distritos próximos. à manutenção.00 (considerados o valor do veículo. o que implicaria. para que seja aproveitada a totalidade do potencial energético dos dejetos.437. Observa-se uma redução de 3. com os três setores. fazem a entrega e coleta dos suínos.186.90 496.34 km (ou cerca de 20%) na quilometragem anterior (primeira configuração). resultou nas seguintes quilometragens: 4. determina esta condição.53 km. 2012.913.170. operando 16 horas por dia e 25 dias no mês. entre outros.10 1. ISSN (versão online): 1984-3526 59 agroindustriais é que realizam o melhoramento genético.Revista Tecnologia e Sociedade . uma rodagem de um mês para a coleta de toda a rota.297. perfazendo um total de 12. almejando reduzir a quilometragem. O valor total para aquisição de um veículo com equipamento é de R$ 165. o resumo das informações analisadas para a determinação da quantidade de caminhões.515. impostos.715. A nova configuração. geração de dejetos. combustível.43 12. Optou-se por realizar uma divisão por setores.40 km no S1 (58 rotas). Na primeira configuração.921.00 111 130 380 2. alterando os custos totais finais para a coleta dos dejetos. Após a compilação das informações das propriedades.20 Setor 1 (S1) Setor 2 (S2) Setor 3 (S3) TOTAL Fonte: elaboração própria Analisando os dados de roteiro.127.490. Conforme citado na metodologia. Englobou todas as despesas relacionadas ao veículo. torna-se indispensável estimar a quantidade de caminhões necessária para a coleta diária dos dejetos. ao equipamento utilizado. em havendo apenas um veículo. a quilometragem total mostrou-se elevada.19 km. com 15. foi realizada a roteirização. velocidade média. Para a análise dos custos. visando a melhoria das condições para a roteirização. do equipamento e do primeiro ano de seguro e licenciamento). Tabela 2 – Resumo de informações para estimativa de caminhões T13 Número de Quilometragem Produtores 139 4.36 4.19 Tempo 112:06 h 67:36 h 122:55 h 302:37 h Volume dejeto 556. desenvolvem novas rações.

que influem diretamente na geração e no poder calorífico do biogás.5 1.000. considerado neste valor a compra do terreno para implantação.1064m de biogás.1ª Edição. A despesa mensal.000322 33.059.14 R$ 8. corresponde a R$ 602.40 kg de dejetos suínos.532 kWh 5. NIJAGUNA. ISSN (versão online): 1984-3526 60 Na Tabela 3.32 R$ 91.000.059.00 Investimento Biodigestor (geral)** Manutenção mensal do biodigestor** Fonte: elaboração própria * O valor da compra dos dejetos baseou-se nos valores correntes em outubro/2208.00 R$ 100. Tabela 4 – Estimativa de geração de biogás. serão necessários R$ 11. uma estimativa geral dos custos para a aquisição dos caminhões. que equivale a R$ 25. com período de retenção de 30 dias (Lucas Junior apud SOUZA et alli 2008.000. para a geração de 1 m de biogás. na 3 proporção de 1 kg de dejeto para produzir 0.300 litros.000. Nesta análise não foram considerados os níveis de metano. foi estimado com base em valores de biodigestores de pequeno porte.956. ** O valor do investimento e manutenção do biodigestor.Revista Tecnologia e Sociedade . Tabela 3 – Resumo dos custos totais de investimento Descrição Custos (caminhão + equipamento) Quantidade estimada de caminhões Custo total investido Quantidade de motoristas Custo operacional total mensal Despesa com produtores)* compra de dejetos (pago aos T13 R$ 161.403 kg m3 Biogás 0. configuração das rações e medicamentos utilizados na alimentação dos suínos.950. Na Tabela 4. que inclui o custo operacional total dos veículos. considerando os caminhões T13 e a implantação do centro de biodigestão. instalação do centro de biodigestão. uma estimativa de geração de biogás e equivalência de utilizações possíveis.534.00 19 R$ 3.994.46. Estudos apontam a geração de biogás com dejetos suínos. 3 2002). para o investimento total inicial.000. e demais valores para a análise de investimentos.106. Constata-se que. equipamentos. energia elétrica e botijão P13 kg Dejeto Geral T13 (1carga) 1 kg 10.00.00 a carga de 10. serão necessários cerca de 9. 2012.8 m 3 Fonte: elaboração própria . pagamento aos produtores e manutenção do biodigestor. Portanto.000.00 38 R$ 410.1064 m 3 Energia elétrica 0.3 kWh Botijão P13 equivalente 0. gás carbônico. com o mesmo período de retenção.

1622 (outubro/2008). o valor 3 de venda do m de gás natural para fins industriais é. cada m de biogás pode gerar 5.68). Com a geração de 1.75 kWh 4.0 kWh. hoje equivalente a madeira e carvão que são utilizados.68 R$ 3.19 (um real e dezenove centavos).23 R$ 55. que poderia beneficiar-se ao investir em semelhante projeto. 2012. considera-se que serão comercializados 40% do biogás produzido na forma de energia 3 térmica.930 kg de dejetos.314. que podem gerar as quantidades de biogás e energia elétrica da Tabela 5.114.173.300 kg) Total Quantidade mensal 3 1.95 m Fonte: elaboração própria Para exclusiva finalidade de análise de investimentos. justificando que este biogás poderá ser utilizado pela agroindústria processadora do município.930 kg Biogás 0. vendido a R$ 1. ou 2. 3 Para a equivalência de geração de energia elétrica. Na Tabela 6.425. será considerado o valor de R$ 1.731.558 kg).18 m 12. Tabela 5 – Potencial de geração de biogás e energia elétrica com a coleta proposta no município de Toledo-PR Dejetos 1 kg 37.093.155.9 cargas de 10. em média². R$ 1. um resumo das estimativas de receitas.00/m . podendo o restante ser comercializado como biofertilizante (22. Estimou-se que. Após o período de retenção necessário para a geração do biogás.2 kg de dejetos ao dia. da companhia local de energia (R$ 0.437. A companhia de energia elétrica do Estado. ocorra uma perda de aproximadamente 40% com líquidos e subprodutos.206 Valor mensal R$ 1. Tabela 6 – Resumo das estimativas de receitas Descrição Venda de biogás Venda de energia elétrica Venda de biofertilizante (carga de 10.1ª Edição.00 / 3 m .206.Revista Tecnologia e Sociedade .515.612.031.062.188.85 kWh 2. e considerados 25 dias de operação no mês.885. Estima-se este percentual por presumir que a agroindústria local utilizaria este volume de biogás. vendidas a R$ 25.425.00 cada carga (totalizando receitas de R$ 55.09 Fonte: elaboração própria . no mês de outubro de 2008.885.18 R$ 1.1064 m 3 3 Energia elétrica 0.1622 / kWh).515.532 kWh 20. e será comercializado ao preço do kWh para a área rural. ISSN (versão online): 1984-3526 61 Segundo informações obtidas no sítio da COMPAGÁS (2008). O restante será transformado em energia elétrica. Para a análise de rentabilidade do presente projeto. o dejeto deverá ser retirado e poderá ser comercializado como biofertilizante ou biocarvão.961.612. comercializa o kWh de energia para a região rural do município por R$ 0. do volume inicial de dejetos.629. serão produzidos e coletados 37.300 kg.173.

80. utiliza-se a rentabilidade da caderneta de poupança.00 investidos no projeto. foi de um ano e sete meses. foi de R$ 14. não havendo qualquer produção e conseqüente receita. considerando que. constatou-se que o Valor Presente Líquido (VPL). aprovação de projetos. considerado bastante salutar para a empresa. para cada R$ 100. caso o dinheiro fosse investido em outra aplicação renderia um valor percentual.422. O período de payback (retorno do investimento). indica quanto a empresa ganhou ($) ao investir $ 100. Outra receita que pode advir com a implantação do investimento é a venda de créditos de carbono. O critério para decisão do investimento é: se VPL>0. após a elaboração e aprovação de um projeto de MDL e. pois. poderão ser auferidos cerca de R$ .80 de lucro. Este índice analisa qual a relação entre $1 hoje e $1 no futuro. a empresa pode gerar R$ 140. A Taxa de Rentabilidade (TR). Ou seja. quando todos os investimentos e despesas foram pagas e a empresa começa a ter lucros.  apenas no quinto mês do segundo ano a receita foi considerada total. No Brasil. 2012.021. a TIR foi de 12% até o final do segundo ano. aceitase o investimento. ISSN (versão online): 1984-3526 62 Alguns fatores limitantes foram impostos:  no primeiro ano serão apenas realizados investimentos. para ser produzido. realizou-se a análise de investimentos e viabilidade.  foram realizados lançamentos para apenas dois anos. Neste caso mostrou-se significativo e viável o investimento. e com o auxílio da planilha eletrônica Excel. e  não foi considerada a venda de créditos de carbono na análise de investimentos Com estas informações disponíveis.  as receitas do segundo ao quarto mês contemplam apenas a venda de biogás.1ª Edição. que atualmente é de 8% ao ano. A Taxa Interna de Retorno (TIR) representa a taxa de desconto que iguala fluxos de entrada com fluxos de saída.Revista Tecnologia e Sociedade . por convenção.  as despesas foram consideradas totais desde o primeiro mês do segundo ano. serão realizados testes e quantificações para a geração de energia elétrica. neste período. com esta. Não é uma medida de capital mas. pois seu resultado é na moeda corrente da análise (R$). Seu critério de decisão é: se TIR > TMA. verificou-se que a TR = 140. aceita-se o projeto. É considerado um dos melhores métodos para analisar projetos de investimento.  no segundo ano de operação. o valor recebido no investimento escolhido deve ser igual ou superior a esta taxa. A Taxa Mínima de Atratividade (TMA) é o percentual que se estipula como o mínimo de retorno do projeto. da capacidade da empresa gerar lucro. Na presente análise. no primeiro mês não haverá receita. o biogás precisa do tempo de retenção de 30 dias. indicando bom retorno do investimento.05 ao final do segundo ano. No modelo T13. licenciamentos. Ou seja. trabalhando com fluxos de caixa descontados (foi considerada uma taxa de 8% ao mês).

72 por ano. com risco de contaminação do solo e dos mananciais hídricos. Para a realização da roteirização. foram selecionadas 380 propriedades rurais. Existe matéria-prima (dejetos) em grande quantidade. constata-se que o investimento inicial. ISSN (versão online): 1984-3526 63 1. e o preço de venda de R$ 11. considerando a redução de 149. Nas propriedades analisadas. com um regime de trabalho familiar. Conclui-se. tanto para os produtores de suínos. CONCLUSÕES O principal objetivo do trabalho foi analisar os custos operacionais e a viabilidade para a implantação de um sistema de coleta de dejetos suínos (fase de terminação).00) por tonelada. em propriedades rurais do município de Toledo. são engordados cerca de 314 mil suínos. é necessário que sejam realizadas visitas a todas as propriedades em estudo. são conhecidas as formas e as metodologias para a elaboração de projetos de Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL) e de biodigestão. quanto para a região em que está inserida a cidade de Toledo.515. foram realizadas duas configurações. Para o estudo.38¹ (ou US$ 5. Esta pode ser uma sugestão para trabalhos futuros. comprovando a asserção de que a atividade de suinocultura abrange principalmente pequenos produtores. Não foram considerados. bem como a geração de energia térmica ou elétrica com o biogás produzido. as demais são pequenas. bem como o levantamento das informações das estradas a serem utilizadas.698. Outro aspecto positivo é a possibilidade de uma nova fonte de renda para o produtor rural. com o modelo de caminhão 13 toneladas. constatando-se que apenas uma propriedade enquadra-se como média. sendo utilizados como fertilizante nas lavouras da propriedade ou redondezas. pode ser considerado elevado. 2012. na presente análise.294 toneladas de CO2 e.965. que produzem diariamente 1. portanto. os custos ambientais (favoráveis ou não ao projeto). com a venda do dejeto suíno para a geração de . Para que se possa optar por este ou outro caminhão. Quanto à análise de investimentos e viabilidade. buscando incrementar sua renda de diversas formas. para geração de bioenergia.1ª Edição. no entanto observou-se que as receitas auferidas são dignas de consideração. Observou-se que 88% das propriedades possuem esterqueiras como destino dos dejetos. observouse que é viável a transformação de dejetos em biogás e energia elétrica. bem como as externalidades negativas e/ou positivas que poderão advir com a implantação do projeto. utilizando a heurística de Clark & Wright. podendo ser factível uma roteirização com a combinação de mais de um modelo de caminhão. pois o volume de dejetos coletado diariamente e o potencial de geração de biogás e energia elétrica são justificáveis.Revista Tecnologia e Sociedade . Após a coleta e análise das informações. que é viável a elaboração e a implementação de projeto desta natureza na região analisada. para averiguação e descrição das barreiras físicas ou naturais.4 toneladas de dejetos (urina e esterco).

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Com uma abordagem histórico-institucional. Efetividade Abstract The Industrial Policy is an instrument of industrial development in regional integration processes. Professor da Unisul – Universidade do sul de Santa catarina. aponta-se que sem densidade institucional o Mercosul manterá sua dinâmica de instabilidade.1ª Edição. Mercosul should maintain 5 Rogério Santos da Costa: Doutor em Ciência Política. In Mercosul. With a historicalinstitutional approach. como Professor Colaborador do Programa de Pós-Graduação em Administração. E-mail: paralelosc@uol. processos de integração e Política Externa Brasileira.Revista Tecnologia e Sociedade . linking theory and results of empirical studies. entrelaçando aspectos teóricos e resultados de estudos empíricos. O objetivo deste artigo é discutir a efetividade da Política Industrial Comum no Mercosul com base na sua institucionalidade.br. ela não tem sido um instrumento efetivo de aprofundamento dos laços entre os países membros. The aim of this paper is to discuss the effectiveness of Comonn Industrial Policy in Mercosul on the basis of its institutions. de forma particular. in particular. Política Industrial Comum. 2012. Procura-se com o artigo aprofundar o debate sobre as instituições em processos de integração. ISSN (versão online): 1984-3526 67 Política Industrial Comum no Mercosul: apontamentos sobre o papel das instituições Common Industrial Policy in Mercosul: notes on the role of institutions Rogério Santos da Costa 5 Resumo A Política Industrial é um instrumento de desenvolvimento industrial em processos de integração regional. Palavras-chave: Institucional. atuando no Curso de Relações Internacionais. Graduado em Economia. and its effectiveness is limited or enabled depending on the institutional community contribution.com. particularmente na região da América do Sul. possui pesquisas na área de instituições internacionais. e tem limitada ou possibilitada sua efetivação em função do aporte institucional comunitário. it has not been an effective instrument of deepening the relationship between member countries. and it must be established the reason why the integration institutions collaborate to this result. No Mercosul. como Coordenador de Pesquisa e do GIPART. Mercosul. Mestre em Administração. e de desenvolvimento industrial. and industrial development. . relating the institutional aspects of integration with the results of common policies. this paper suggests that without institutional density. relacionando os aspectos institucionais da integração com os resultados de políticas comuns. cabendo estabelecer por que e como as instituições de integração colaboram para este resultado.

bem como as dimensões de confiança e complementaridade econômica. o de processo de integração regional como o agrupamento de países com intuito de aprofundar suas relações para além de uma área de livre comércio.1ª Edição. contudo. Keywords: Common Industrial Policy. além de referências de estudos na área. Procura-se fomentar o debate sobre instituições em processos de integração. particularly in the region of South America. ou mesmo de simples comparações descontextualizadas entre União Europeia e Mercosul. além desta introdução e das considerações finais. onde evidenciam-se aspectos históricos e experimentais. Adota-se neste artigo um arcabouço de referências específicas sobre a temática. bem como para a transformação de Políticas Externas individuais em Política Pública Comum. pressupondo que estas possuam um importante papel na canalização de demandas e ofertas.tanto é que são citados aqui mas se deixados apenas nesse nível. O artigo possui mais três seções. sem. a uma União Aduaneira. passando. do Mercosul. Não que esses debates deixem de ter sentido . do desenvolvimento e da Política Industrial. o de instituição. Na seção seguinte observa-se a interrelação entre as temáticas da integração regional. relacionando os aspectos institucionais da integração com os resultados de políticas comuns. e de desenvolvimento industrial. ISSN (versão online): 1984-3526 68 their dynamic instability. Por outro lado. Mercosul. O ponto de maior destaque aqui é fugir ao corriqueiro debate sobre supranacionalidade e intergovernamentabilidade.Revista Tecnologia e Sociedade . transformando Políticas Externas em Políticas Públicas Comuns. utiliza-se de resultados de pesquisa específica sobre o Subgrupo de Trabalho nº 7 – Indústria e Tecnologia. de uma forma geral. terem de ser seguidas estritamente. segundo . Institutional Effectiveness. no mínimo. com destaque para o papel da complementaridade e difusão tecnológica. Opta-se pelo conceito de efetividade como sendo a capacidade de uma instituição em produzir os resultados desejados para a sua existência. de forma particular. cai-se nos mesmos dilemas de estudos tradicionais na área os quais retiram o caráter histórico e específico de cada formação social. It also intends to go further into the discussion on the institutions in integration processes. Introdução O objetivo deste artigo é discutir a efetividade de uma Política Industrial Comum no Mercosul com base na sua institucionalidade. algumas comparações servem para mostrar caminhos possíveis. bem como os resultados de pesquisas realizadas nos últimos anos tendo como objeto o Mercosul e suas instituições. Na próxima seção situam-se o tema e a importância de instituições em processos de integração. abordando a importância de uma Política Industrial Comum para o alcance dos objetivos de desenvolvimento econômico na integração regional. Nesta seção. 2012. Na última parte a abordagem está centrada nos aspectos institucionais do Mercosul e nas possibilidades e limitações que existem no bloco para a efetividade de uma Política Industrial Comum.

levantando a problemática do alcance da política de poder que poderiam adotar as grandes potências na busca de seus interesses de Política Externa. 2012. mas sim de que forma e em que circunstância sua importância impactava as preferências dos Estados e o Sistema Internacional (KEOHANE. desenvolvimento socioeconômico. Foi depois do choque do Petróleo da década de 70 que os estudos sobre as instituições internacionais ficaram mais fortes. 2003.Revista Tecnologia e Sociedade . 2011. 2009). OLIVEIRA. 1964). As experiências entre um e outro processo de integração. culminando na necessidade de estudos sobre o papel e o impacto delas no sistema internacional. As grandes potências sucumbiram à imposição de preços de pequenos países a por causa desta Organização Internacional. visão fortalecida pelo fracasso da Liga das Nações e a ocorrência da Guerra. A pergunta a partir de então não era se as instituições internacionais importavam ou não. o de Política Industrial como sendo toda ação do Estado ou Instituição Comunitária para promover a produtividade e a competição da indústria e o crescimento e desenvolvimento socioeconômico de um país ou conjunto de países. dando confiança ao processo e mantendo a região como um espaço propício ao crescimento econômico. Até aquele momento. NYE. Porém. . A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) havia desferido um golpe muito forte no centro do sistema capitalista. e. como um persistente e conectado conjunto de regras que prescrevem comportamentos. o Europeu e o latino-americano. COSTA. resolução de conflitos e criação de um ambiente de avanço progressivo nos objetivos integracionistas. sustentável ambientalmente. as experiências de integração regional explicitam que suas instituições precisam fazer o papel de canalização das demandas.1ª Edição. De uma forma geral. a questão sobre a importância das instituições internacionais passa a ser sucedida por interpelações sobre a cientificidade de sua aceitação ou rechaço. 2011). restringem atividades e modelam expectativas dos homens e Estados. e unitário em suas ações externas (MALAMUD. As Comunidades Europeias passavam cada vez mais a aprofundar a integração regional e a discutir as instituições em seu processo de integração regional. indicam que o papel das instituições foi fundamental para a concretização ou não dos objetivos almejados (SILVA. e a América Latina passava a ser uma das melhores opções da busca do desenvolvimento socioeconômico (HASS. O fenômeno da integração e suas instituições ganhava corpo. por fim. estável politicamente. ISSN (versão online): 1984-3526 69 Keohane (1980). Um movimento concomitante estava em gestação e atingiria fortemente todo o mundo. Instituições em processos de integração A década de 60 do século passado presenciou um incipiente debate sobre o papel das instituições nas Relações Internacionais. gerando a desconfiança sobre as teses realistas nas relações internacionais. prevaleciam as teses do pós-II Guerra de que instituições internacionais são mero apêndices da Política Externa dos Estados. 1974). SHMITTER.

PENNA FILHO. Desenvolvimento e Política Industrial É fato que um processo de integração regional não trate apenas de seu caráter econômico. caótica e geralmente bélic¹. No entanto. Em se tratando de processos de integração regional. considerando a abordagem de organizações internacionais de Rittberg e Zangl (2006). de uma condição institucional capaz de transformar as políticas externas dos países membros de um grupo em políticas públicas das instituições. é o progresso tecnológico autônomo que resultaria da dinâmica regional integrada. chamando a atenção para dois planos de impactos importantes para a discussão do presente artigo. sem resultados positivos em termos de desenvolvimento socioeconômico. Assim. praticamente impossíveis sem uma ruptura conflituosa. 2012. entre as quais é de fundamental importância a Política Industrial pelo impacto econômico e social que viabiliza ou retarda a aderência dos Estados participantes. o retrocesso ou a estagnação vão ser muito danosos para os Estados. A mesma década de 60 que suscitou o debate sobre instituições internacionais e sobre estas em processos de integração regional também serviu para o debate sobre as implicações econômicas nestes processos. apesar de as experiências apontarem na direção de liderança da área econômica sobre as demais. ele perde legitimidade. as intenções que os Estados-membros possuem para a integração. tanto dos nacionais de países mais fortes. Pode concluir-se que a integração conduzirá a um progresso tecnologico autônomo. uma vez que se conseguem obter economias . em um desenho de sistema internacional de multipolaridade em blocos. e na resolução dos conflitos que virão em um processo desta magnitude. quanto do interesse nacional dos mais fracos membros do processo (MENEZES. O formato institucional indica. Integração Regional. por meio de complexos processos políticos e decisórios. principalmente no que diz respeito ao aprofundamento da integração. correlacionado ao primeiro. por seu turno. 2006). e um segundo. senão. pode haver um momento em que a volta. e esse nem precisa exatamente ser um viés principal. da complementaridade econômica e da coesão política e social da área integrada. ISSN (versão online): 1984-3526 70 Essas condições posicionadas de forma sustentável no espaço e tempo indicam a transformação dos processos de integração em um bloco econômico. significa criar consistentes Políticas Públicas Comuns. no sentido da unidade de ação de política externa de seus membros. Nessa situação podem alcançar a posição de polo de poder. as instituições possuem um papel-chave na canalização de interesses e objetivos. Em um processo de integração regional. Trata-se. Um primeiro diz respeito à economia de escala que proporcionaria o aprofundamento de um processo de integração. No próximo item especifica-se um pouco da importância da Política Industrial para o desenvolvimento socioeconômico e o processo de integração regional.Revista Tecnologia e Sociedade . Balassa (1961) delimita uma série de vantagens e consequências dos processos de integração regional.1ª Edição.

indução. O viés econômico deste autor clássico no estudo de integração alerta para movimentos autônomos e induzidos. esta viria junto com complementaridade. e. Grécia e Espanha. seu caráter neofuncionalista lhe conferiu um movimento de estruturação ad hoc. É possível e necessário ir além. mesmo com complexa reintrodução dos problemas de assimetria e de desigualdade de desenvolvimento socioeconômico.Revista Tecnologia e Sociedade . 2011ª). 266). pelo desestímulo com resultados negativos que os membros ou algumas regiões sofrem³. Por isso. particularmente o Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional – FEDER. Os europeus trataram sua integração desde o início como superação de rivalidades históricas e com problemas de assimetrias. ISSN (versão online): 1984-3526 71 de escala na investigação quer ao nível nacional quer ao nível da empresa. e também é provável que se façam maiores despesas com a investigação e o desenvolvimento após a abolição das barreiras aduaneiras. Espera-se que estes efeitos benéficos da integração sobre as alterações tecnológicas autónomas surjam no Mercado Comum Europeu. foi da percepção sobre a necessidade de tratar especialmente os problemas de assimetria que a União Europeia criou uma série de mecanismos para a diminuição de seu impacto.1ª Edição. bem como nos projectos de integração latino-americanos (BALASSA. Os alargamentos foram sendo feitos. Os fundos europeus. processual. Esse movimento conferiu-lhe um caráter de bloco . e mais recentemente para os antigos países da Europa do Leste (COSTA. Estudos empíricos mostram como o desenvolvimento tende a ser desigual no espaço e tempo². A institucionalidade da União Europeia não significou. uma estrutura pensada desde seu início. para capacitar o processo em uma direção de indução do desenvolvimento. os primeiros como consequência das atividades individuais de cada ator na economia. para cada crise ou entrave na integração europeia. Políticas Públicas Comuns em processos de integração devem fazer o mesmo papel para o qual são acionadas nos âmbitos nacionais. para tornar a integração algo mais do que competição. 1961. 2012. e que em processos de integração regional podem significar o seu fim. É de destacar que. a promessa elencada por Balassa aponta para a necessidade de Políticas Comuns de uma forma geral. a resposta veio com mais integração e mais institucionalidade. introduzindo na Política Industrial Comum em processos de integração um olhar para os seus impactos regionais. p. foram fundamentais para a inserção positiva de Portugal. ou seja. necessariamente. Porém. à medida que a integração encontrava seus limites. da complementariedade econômica e de ganhos mútuos em termos de difusão tecnológica. e Políticas Industriais em particular. os segundos pela atuação proativa das estruturas estatais de forma conjunta. Assim. Apesar das controvérsias apontadas sobre as características da institucionalidade da integração no “velho mundo”. A última conclusão é fortalecida pelas perspectivas de crescimento acelerado numa área integrada. direcionamento e adequação das dinâmicas integracionistas.O próprio Balassa produz análise específica para alertar sobre os efeitos nefastos que acarreta a falta de uma atenção especial sobre as assimetrias e o desenvolvimento regional desigual.

incluindo a Política Energética. passando a um mercado comum de forma planejada. Não se trata aqui de cair no erro comum de análise da temática. de disponibilidade de recursos para investimento. ou seja. Consiste. e é com base nela que apontamos a linha argumentativa. a Política de Cooperação ao Desenvolvimento. a Política de Meio Ambiente. minimizando os impactos no desemprego. e uma das principais e foco deste trabalho. arguindo a necessidade de uma supranacionalidade. de uma visão de médio e longo prazos. pois que arranjos econômicos menos densos que a integração regional. no fechamento de empresas. na perda de competitividade. sua institucionalidade e efetividade de uma Política Industrial Comum. no apoio às pequenas e médias empresas. a Política Industrial reflete toda a fragilidade institucional deste importante processo de integração regional. a estrutura institucional ali definida para o Mercosul é intergovernamental. foi feito considerando os impactos e possibilidades da indústria comunitária por uma Política Industrial Comum oriunda das instituições do processo integracionista e por essa sendo coordenada. em comunhão com o exposto no item anterior. em Políticas Comuns do processo de integração. ISSN (versão online): 1984-3526 72 econômico. há muito estão prensentes no processo de integração regional europeu. Efetividade de uma Política Industrial Comum no Mercosul A questão da efetividade de uma Política Industrial no Mercosul passa. como a Associação de Nações do Sudeste Asiático – ASEAN. De uma forma geral. A busca da complementaridade econômica e a diminuição dos impactos das assimetrias. a Política Industrial Comum da União Europeia. Tratou-se de um aporte normativo da concorrência e das possibilidades de entrada de empresas estrangeiras. conseguem ter uma forte complementaridade econômica com nenhuma instituição comunitária (OLIVEIRA. de produtos do exterior e hierarquia de preferências de importação. 2009). 2012. reconhecido em fóruns internacionais como um só ente negociando com os demais grupos de países (SILVA. conforme longo estudo de Oliveira (1999). Desde o Protocolo de Ouro Preto.Revista Tecnologia e Sociedade . A Política Industrial Comunitária Europeia significou um forte impulso para a indústria da região suportar as transformações da Terceira Revolução Tecnológica. em 1994. pelo entendimento das limitações e possibilidades que o processo possui do ponto de vista institucional. Isso significa uma ampla gama de Políticas Comuns. na busca de instituições com densidade suficiente para transformar os interesses nacionais dos Estados membros em Políticas Públicas. precisa-se da internalização legal das normas emanadas do bloco por parte dos Estados . O próximo item é reservado à exposição e ao debate e crítica sobre a situação do Mercosul.1ª Edição. 2011ª). necessariamente. O próprio processo de integração da Europa. bem como no incentivo às pesquisas e desenvolvimentos no seio das indústrias.

Um outro aspecto relevante é que os Estados membros possuem grandes assimetrias entre si.1ª Edição. ROZEMBERG. madeiras e móveis. Esse órgão. 2006-2007).Revista Tecnologia e Sociedade . A primeira representa uma política de avanços e retrocessos (stop and O) na integração sempre que houver dificuldade de algum membro. por sua vez. Essa postura é identificada na literatura de integração como neofuncionalista. Essa estrutura revela as bases pressupostas de criação e desenvolvimento do bloco pelos seus fundadores. principalmente os mais importantes. mas sim tratar de integrar onde as possibilidades históricas e conjecturas assim os permitirem. Indicadores de Competitividade. tem sido capaz de resolver problemas. A estrutura do Subgrupo foi se estabelecendo pela criação de Comissões Temáticas: a de Micro. a de Qualidade e Inovação. Embora seus objetivos sejam amplos e até indiquem a existência de uma incipiente Política Industrial Comum. 2005). uma representação do bloco nessas principais estruturas institucionais. tenham validade. no sentido de geração de Política Pública Comum. percebe-se que os trabalhos do Subgrupo nº 7 tiveram poucos resultados concretos. As assimetrias dificultam uma relação de aprofundamento como resultado das diferentes demandas e ofertas de instituições de cada membro. as regras do jogo criadas não são cumpridas. ou seja. ISSN (versão online): 1984-3526 73 membros a fim de que. Também possui grupos que abordam as questões específicas como Reuniões de Competitividade. 2002). Promoção Industrial. neste sentido. principalmente. A flexibilidade institucional do Mercosul. Outro aspecto relevante é a percepção negativa das elites industriais do Brasil sobre a necessidade de instituições comunitárias densas. gerando dificuldades de confiança e planejamento de médio e longo prazos (PEÑA. como couros. possui reuniões ordinárias semestrais e é composto pelos nacionais dos países membros ligados aos seus respectivos Ministérios de Indústria e Comércio. Os limitadores de avanço do processo de integração regional mercosulino do ponto de vista institucional são de várias ordens. . 2012. além de Cadeias Específicas. Não há. remetendo à dificuldade de um ambiente para a criação de Políticas Públicas Comuns. resultando em uma “inflação normativa” pela falta de decisões (BOUZAS. Os principais órgãos da integração. pois que já acostumadas a garantidos canais de acesso pelas instituições nacionais (VIGEVANI. e a de Propriedade Intelectual. O que se pode chamar de Política Industrial Comum no Mercosul resulta dos trabalhos do Subgrupo de Trabalho nº 7 – Indústria e Tecnologia. são formados por representantes dos Estados membros oriundos de órgãos públicos. Mesmo com institucionalidade pouco densa. entre eles os subsidiários como os Subgrupos de Trabalho. calçados. mas não de evitá-los (PEÑA. pois nenhuma decisão no âmbito do Mercosul estabeleceu uma conduta comum impactante para a complementaridade industrial regional. criado em 1998. e a segunda revela a ideia de não formar objetivos de longo prazos. a flexibilidade e o gradualismo. 2007). para estes. Pequenas e Médias Empresas e Artesanato. sua atuação foi limitada. é subsidiário dos órgãos de decisão do Mercosul (notadamente o Conselho do Mercado Comum – CMC). 4 Em uma avaliação geral desde que foi criado .

em um ambiente cada vez mais multipolar em blocos. mas consistente. comparados aos anos anteriores de formação. ou seja. que seu papel é fundamental para o início de uma Política Industrial e Tecnológica Comum. historicamente dificultados pelas precárias condições macroeconômicas e as consequentes instabilidades. Buscou-se apontar elementos institucionais de processos de integração regional. então o Mercosul precisará ser repensado no tocante ao aprofundamento da integração e ao fortalecimento da sua institucionalidade. Sua atividade precisaria resultar em decisões de Políticas Públicas Comuns da instituição Mercosul. de buscar complementaridade e desenvolvimento socioeconômico conjunto. e os impactos de uma política industrial comum no desenvolvimento socioeconômico dos países integrados. e mais colaborando para a troca de informações e experiências das congêneres nacionais dos Estados membros. Considerações Finais O objetivo deste artigo é discutir a ideia de uma Política Industrial Comum no Mercosul. cada Estado tenta criar seus mecanismos internos de Política Industrial. e que a Política Industrial Comum mercosulina é limitada a algumas ações de conhecimento. Se são consistentes os objetivos dos países membros de alcançarem desenvolvimento socioeconômico. harmonização e aproximação feito pelos nacionais no Subgrupo de Trabalho nº 7 é fundamental. harmonização e aproximação do Subgrupo de Trabalho nº 7 – Indústria e Tecnologia. bem como uma inserção como polo de poder nos sistema internacional. observou-se. para a efetividade de uma Política Industrial no Mercosul. É certo que nos últimos 10 anos ocorreram muitos avanços estruturais nesta integração. o trabalho de conhecimento. e de alargar as capacidades de competitividade. Esta é a diferença entre um Processo de Integração e um simples acordo comercial.1ª Edição. está menos formando Políticas Públicas Comuns. diante das atas de reuniões ordinárias e extraordinárias. verificou-se que a estrutura institucional do Mercosul possui sérias limitações para a produção de Políticas Públicas Comuns. Nesse cenário. . evidenciando a dificuldade de sua efetividade. de aproveitar as potencialidades de cada país. mas apenas embrionário e retroalimentador. O Mercosul possui baixa densidade institucional. Mesmo assim. que serviriam de motivador e balisador das preferências dos Estados para materem-se e impulsionarem o processo de integração como um todo. antes de tudo. em um trabalho com resultados de médio e longo prazo. em função da institucionalidade própria deste processo de integração regional. Trata-se. 2012. no sentido de produzir os resultados desejados de complementaridade industrial. e apesar do pouco material disponível que traga informações sobre as ações do Subgrupo de Trabalho nº 7. ISSN (versão online): 1984-3526 74 o que dificulta a execução dos trabalhos. de Políticas Comuns entre os Estados partes. Além disso. o prazo e a consolidação lenta. Pensando na agregação dos temas aqui tratados.Revista Tecnologia e Sociedade . a formação de um bloco políticoeconômico.

august 2002. quanto para a União Europeia. Para este país. Lisboa: Livraria Clássica Editora. Nesse sentido. 1974. Karine de Souza. Acesso entre fevereiro de 2011 e junho de 2012). As relações entre a União Europeia e a America do Sul: convergências e divergências da agenda birregional. 705 – 734. que possui seu fracasso associado ao descontentamento dos países menores com os resultados relativos da integração. SOLTZ. Rogério Santos da. fazer parte da integração tende a ser a melhor escolha possível. tanto para a Grécia em termos de consequências e capacidades de recuperação. KEOHANE. 1 O caso brasileiro é exemplar: a industrialização desde 1930 produziu grandes desequilíbrios regionais no país. 1. da UFSC: Fundação Boiteux. Ernest B. a efetividade de uma Política Industrial Comum do Mercosul passa pelo realinhamento de sua institucionalidade buscando transformar as decisões e aplicações do bloco em Políticas Públicas Comuns. 1 São exemplares os estudos sobre a ALALC – Associação Latino-Americana de Livre Comércio. COSTA. (http://www. 4 (autumn. 27. International Organization. PENNA FILHO. HASS. . pelo efeito demonstração. ______ “Políticas de Desenvolvimento Regional em processos de integração: comparações entre a União Europeia. 2006). No entanto. 2012. Institut Für Iberoamerika-Kunde. sempre barganhando maiores fatias de benefícios sob ameaças de deixar o bloco (Ver: MALAMUD. BOUZAS. pp. e os constantes descontentamentos de Uruguai e Paraguai no Mercosul. Florianópolis: Ed. Florianópolis: Editora Modelo. Instituciones y mecanismos de decisión en procesos de integración asimétricos : el caso MERCOSUR. World Politics. “Instituições em processos de integração: êxitos. dilemas e perspectivas do Mercosul”. Transgovernmental Relations and International Organization. 1 Análise baseada nos documentos do Subgrupo de Trabalho nº 7 – Indústria e Tecnologia do Mercosul. IN: SILVA. Notas__________ 1 Em 2012 apresenta-se a experiência da Grécia como ilustrativo dessa situação. 1961. Bela. 265286. Hamburgo. Mercosul e União Europeia: o estado da arte dos processos de integração regional. Hernán. Roberto. o Mercosul e a América do Sul”.int/. pp. SHMITTER. 18. Arbeitspapier nr. Philippe C. Joseph S. NYE. 2011. pp 177-204. 2003. 2011a.1ª Edição. ISSN (versão online): 1984-3526 75 principalmente pela formatação do Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul – FOCEM. no. Teoria da integração econômica. mas certamente com consequências danosas para sua economia. pesquisados no site da instituição. vol. 1964).Revista Tecnologia e Sociedade . Karine de Souza Silva.. Referências BALASSA. IN: SILVA. MENEZES. sair da zona do Euro seria a melhor solução para a integração. talvez uma solução intermediária pra si mesmo.mercosur. Robert. “Economics and differential patterns of political integration: projections about unity in Latin American”.

Buenos Aires. ______. 2006. pp 103-154.1ª Edição. Robert. Documento de Divulgación nº 31. “Integração regional na América Latina: teoria e instituições comparadas”. BID/Intal. Una aproximación ao desarrollo institucional del Mercosur: fortalezas y debilidades. Tullo et al. Odete Maria de. Política Externa. Pio. Volker. IN: SILVA. Rio de Janeiro: Campus/Elsevier. Mercosul e União Europeia: o estado da arte dos processos de integração regional. 2011a. “As Instituições da União Europeia e as alterações introduzidas pelo Tratado de Lisboa”. PUCMinas. 2003. União Européia: processo de integração e mutação. IN: SILVA. RITTBERG. Ijuí: Editora Unijuí. Curitiba: Juruá. 325-352. 1999. Vol. 2011. ISSN (versão online): 1984-3526 76 KEOHANE. 2007. MALAMUD. Integração Regional: Blocos econômicos nas Relações Internacionais. pp 17-64. Florianópolis: Editora Modelo. Andrés. “De Paris a Lisboa: sessenta anos de integração europeia”. 15. pp. Bernard. dez/jan/fev 2006-2007. OLIVEIRA. politics and policies. VIGEVANI. Karine de Souza. ROZEMBERG. Brasília. ______.Revista Tecnologia e Sociedade . Belo Horizonte: Ed. PEÑA. After Hegemony: Cooperation and Discord in the World Political Economy. Felix. SILVA. MENEZES. nº3. ZANGL. 2012. 1980. Ricardo. Paulo Luiz (Org. Celi. 2006. Karine de Souza.). In: ESTEVEZ. Alfredo da Mota. Velhos e novos regionalismos: uma explosão de acordos regionais e bilaterais no mundo. NJ: Princeton University Press. Florianópolis: Editora Modelo. PEÑA. I Encontro da ABRI – Associação Brasileira de Relações Internacionais. soberania e a percepção das elites. PENNA FILHO. New York: Palgrave Macmillan. International Organization: polity. Mercosul e União Europeia: o estado da arte dos processos de integração regional. . Princeton. Out/2005. Karine de Souza. “As qualidades de um Mercosul Possível”. 2009. Instituições internacionais: comércio. O papel da integração regional para o Brasil: universalismo. segurança e integração.

edu.1989). Possui Graduação em Estudos Sociais e Educação Moral e Cívica pela Faculdade de Ciências Letras e Educação de Presidente Prudente (1985).Brasil. E-mail: eloy. Atualmente é Coordenador do Escritório Verde e professor do Departamento Acadêmico de Construção Civil e da PósGraduação da Universidade Tecnológica Federal do Paraná. ISSN (versão online): 1984-3526 77 Sustentabilidade nas Construções da Copa 2014. Políticas Públicas. Também é autora de livros didáticos do Ensino Fundamental pela Base Editora. Possui Mestrado em Tecnologia pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná. 6 Sileide France Turan Salvador: Mestre em Tecnologia.Campus Curitiba. . Curitiba. em Curitiba.com.Campus Curitiba .Inglês pela Universidade Tuiuti do Paraná-UTP (1998) pela Universidade Federal do Paraná. Doutorado em Geografia pela UFPR (2011) na linha de pesquisa: Território. em Curitiba Sustainability on Constructions of the World Cup 2014. in Curitiba Sileide France Turan Salvador Ana Helena Corrêa de Freitas Gil Eloy Fassi Casagrande Júnior 6 Resumo Esse trabalho busca destacar a necessidade de aprofundar o conhecimento das relações que envolvem políticas públicas.edu.Revista Tecnologia e Sociedade . E-mail: ana. O estudo busca analisar a função social da construção sustentável na Copa 2014 e a conectividade urbana e econômica e social. sua avaliação e a sustentabilidade dinâmica. 2012. É professora do Instituto Federal do Paraná. Eloy Fassi Casagrande Júnior: Professor Doutor do PPGTE/UTFPR. Graduação em Geografia pela Faculdade de Ciências Humanas e Sociais de Curitiba (1991).Brasil. Copa do Mundo 2014.Campus Curitiba. Apresenta as características desejáveis em uma construção sustentável.casagrande@gmail. Portanto.salvador@ifpr. Palavras-chave: Sustentabilidade. professora do Instituto Federal do Paraná – IFPR . UTFPR (2010).br Ana Helena Corrêa de Freitas Gil: Professora Doutora em Geografia do Instituto Federal do Paraná . atuando no ensino de Língua Inglesa para o Ensino Médio. PósGraduação em Especialização em Formação de Professores em EAD pela Universidade Federal do Paraná-UFPR (2001) e Graduação em Licenciatura em Letras Português . Especialização em Geografia Física (UNICENTRO -1991) e Especialização em Magistério Superior (TUIUTI. concluiu o doutorado em Engenharia de Recursos Minerais e Meio Ambiente pela Universidade de Nottingham em 1996 e o Pós-Doutorado no Instituto Superior Técnico (IST-Portugal) em 2007. E-mail: sileide.gil@ifpr.com. Mestrado em Geografia pela Universidade Federal do Paraná (2003) com o tema: Shopping Centers em Curitiba: Novos espaços de consumo e lazer. conhecer o processo permite o entendimento dos fatores internos e externo que influenciam e/ou modificam o as estratégias de sustentabilidade na Copa do Mundo 2014. Cultura e Representação com a pesquisa sobre Palcos do Cotidiano: O bairro urbano como espaço de ação e da expressão teatral.1ª Edição.

ações. 2007). agentes e ferramentas de mensuração eficazes. in Curitiba. neste artigo. nesta estratégia. um equilíbrio sistêmico composto pelas interações entre os sistemas envolvidos na organização do megaevento. que atuam nas seguintes categorias: a conservação de energia e mudanças climáticas. The study analyzes the social role of sustainable construction in the 2014 World Cup and urban connectivity and economic and social development. its dynamics and sustainability assessment. Public Policy. integra conhecimentos. no qual o problema é apresentado numa perspectiva qualitativa. Torna-se primordial. gestão integrada de resíduos. após densa pesquisa. integra espaços. Na perspectiva de um megaevento sustentável. períodos e contextos num processo contínuo (JIMÉNEZ HERRERO. Seguindo a proposta de Martins e Theóphilo (2007). tem como objetivo verificar as estratégias utilizadas nas construções relacionadas com a Copa 2014. objetivado sinalizar as várias possiblidades de divulgação dessas práticas. 2000). mobilidade e acesso. porém. O Brasil se organiza para sediar a Copa 2014. transporte. Esse processo está composto por uma meta organizacional e ações objetivas que interligam políticas públicas. sustentabilidade e sociedade. desenvolve-se. Introdução A sustentabilidade. knowing the process allows an understanding of internal and external factors that influence and / or modify the sustainability strategies in the World Cup 2014. a Copa 2014. como analisar essa implementação e estruturação? Esse trabalho que considera os impactos da Copa do Mundo de 2014. além da construção sustentável. apresentar uma análise histórico-processual das políticas públicas que norteam a implementação . com objetivos e estratégias analisadas a partir de um ponto de vista exploratório e bibliográfico. Como recurso metodológico de pesquisa básica qualitativa e análise (MARTINS. 2012. ISSN (versão online): 1984-3526 78 Abstract This work aims to emphasize the need to deepen the understanding of the relationships that involve public policy. paisagem e biodiversidade. Busca-se. O contexto do trabalho perpassa pelos pressupostos da responsabilidade na conservação do meio no qual se vive e na realidade construída de que pensar globalmente envolve agir localmente. água. quando são adotados os procedimentos abordados. Therefore. THEÓPHILO. como ideia central do desenvolvimento sustentável. World Cup 2014.Revista Tecnologia e Sociedade . uma pesquisa básica. que se propõe a ser um evento sustentável. O estudo também ressalta ações de sustentabilidade que já possuem certa visibilidade social. identificando os conceitos de sustentabilidade desenvolvidos em Curitiba. em Curitiba. Curitiba. It presents the characteristics desirable in a sustainable building.1ª Edição. nessa primeira fase. edifícios verdes e estilo de vida sustentáveis. o artigo apresenta aspectos da Copa 2014 que são característicos de megaeventos esportivos e da sustentabilidade. Keyword: Sustainability.

são apresentadas as considerações finais. precisa administrar seus riscos.Revista Tecnologia e Sociedade . . 2009). dos impactos e legados sustentáveis advindos do megaevento na cidade (GELINSKI. enquanto capital escolhida precisa desenvolver projetos caracterizados pela sustentabilidade ambiental e econômica. avaliação do processo. sociedade e meio-ambiente. onde estão estabelecidas as relações entre os pressupostos teóricos. De acordo com um ensaio preliminar de indicadores feito pela Ernst e Young (2010). dessa forma. Os eventos sustentáveis apresentam três temas que norteiam o desafio do estabelecimento da sustentabilidade em suas estruturas. desastres e conflitos. desenvolve-se. em Curitiba. os sete passos para o sucesso da Copa Verde são: conservação de energia e mudanças climáticas. governança do meio ambiente. gerando. identificados conforme o padrão preestabelecido de responsabilidade socioambiental dos estados e áreas prioritárias do Green Goal e a realidade particular brasileira. Construção Civil e a Sustentabilidade. Há seis áreas que deveriam ser abarcadas para que a Copa seja realizada em algum país estão elencadas no United Nations Environment Programme (UNEP). 2008). o artigo segue a seguinte estrutura: arcabouço teórico explicitando os seguintes temas – Mega Eventos e A Sustentabilidade. Portanto. Esses temas compõem o triple bottom line ou tripé da sustentabilidade: economia. edifícios verdes e estilos de vida sustentável. em um conceito que impeça a degradação do ambiente. garantindo que as futuras populações e gerações sejam beneficamente afetadas por suas ações. uma visão holística sobre essa política pública no que diz respeito à comunidade local. transporte. baseada em análise documental. paisagem e biodiversidade. agregar valor à economia local e educar os participantes do evento sobre os benefícios da sustentabilidade. Assim sendo. ISSN (versão online): 1984-3526 79 das estratégias de sustentabilidade nas Copas anteriores e que orientam a Copa 2014. São elas: mudanças climáticas. dos indicadores. gestão e sustentabilidade. e. denominado “Brasil Sustentável: Impactos socioeconômicos da Copa do Mundo de 2014” foram priorizados sete passos para a Copa Verde. Inseridos no corpo textual das seções são mencionadas algumas ações da construção sustentável. simultaneamente riquezas que atinjam diversas camadas da comunidade. substâncias perigosas e eficiência do uso de recursos naturais (ERNST. gestão integrada de resíduos. manejo de ecossistema. Essas práticas devem ser o marco de uma cultura sustentável (MUSGRAVE. construção sustentável. 2012. Curitiba.1ª Edição. SEIBEL. Segundo o documento. reciclar. 2010. um evento sustentável. água. as ações e os objetivos propostos inicialmente. deixando um legado futuro que ultrapasse o tempo em que o evento durar. As práticas adotadas devem: proteger. Além desta seção introdutória. YOUNG. mobilidade e acesso. impactos.18). reutilizar e usar de maneira responsável os recursos naturais disponíveis. p. Posteriormente.

A eficiência. Inserido no conceito de Copa Sustentável. importa recordar que foi em julho de 2010. então. as interconexões são legados de curto. em seu discurso. importantes conferências e documentos como o Protocolo de Quioto. Segundo Ernst e Young (2010. o recorte principal tratava da sustentabilidade como o atendimento das necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de que as gerações futuras atendam as suas próprias necessidades. o megaevento de 2014 que ocorrerá no Brasil. Também como um componente enquadra-se a prevenção da poluição ou degradação ambiental. na análise dos impactos socioeconômicos. a contenção do uso e produtos químicos nocivos e aspectos econômicos e políticos que recompensam as estratégias benéficas ao meio ambiente e desencorajam os comportamentos prejudiciais. Analisando os componentes inter-relacionados e que necessitam passar pela revolução da sustentabilidade. torna-se importante destacar que. a prioridade de que o futuro megaevento fosse uma “Copa Verde” e que se mostrasse ao mundo o compromisso brasileiro no que tange à sustentabilidade ambiental. os genes. CLAVELL. simultaneamente. médio e longo prazo com componentes mensuráveis e imensuráveis. Alcançar-se um bom desempenho na promoção do desenvolvimento sustentável através desse tipo de competição global significa ter que . em 1997. componentes da Terra. 2012. no contexto da Olimpíada de Melbourne. os aspectos ambientais e de sustentabilidade envolvidos no processo. e realizada na África do Sul. na época. os sistemas naturais. destaca pressupostos de tecnologia. os processos químicos e biológicos. a “Jornada para a Copa de 2014”. Essa iniciativa do governo brasileiro traz consigo desafios e oportunidades para o país-anfitrião.1ª Edição. lançou o Relatório Brundtland – intitulado também como Nosso Futuro Comum (Our Common Future). a segunda conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) para discutir os problemas socioambientais globais. enquanto capacidade de planejar estratégias para minimizar o desperdício de recursos de ordem material e energético. Considerando essa concepção de revolução sustentável. onde se oficializa o termo “desenvolvimento sustentável”. 16) os megaeventos como a Copa do Mundo costumam constituir-se em modelos para ações futuras e adoções de políticas nacionais. 2011).Revista Tecnologia e Sociedade . otimizando a relação com formas de energias renováveis. Numa retrospectiva histórica. Ele destacou. oficialmente. reduzindo a dependência de combustíveis fósseis não renováveis e. novas diretrizes. destacam-se: a proteção da biodiversidade que envolve as espécies. Sente-se a necessidade de agregar. Quioto alertava com mais rigidez para as consequências do efeito estufa e do aquecimento global. através de seu então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Surgiram. p. no decorrer da última Copa do Mundo organizada pela Fédération Internationale de Football Association (FIFA). ISSN (versão online): 1984-3526 80 Mega Eventos e a sustentabilidade Em 1987. como conexão entre megaeventos e as políticas públicas de desenvolvimento (FUSSEY. O conceito de legado aparece em 1956. que o Brasil lançou. sustentabilidade e inovação.

2012. FGV PROJETOS. essa instituição passou a traçar diretrizes para futuros eventos internacionais. ocorreu a primeira Copa do Mundo com jogos amistosos que ocorreram entre as comunidades britânicas. 52-53). as principais diretrizes para o evento no Brasil. são: . em 1872. “Para os governos. Para lidar com este desafio. incentivar a mobilidade e circulação sustentáveis. sociais e comerciais. Holanda. incentivar o consumo de produtos orgânicos e/ou sustentáveis. construir estádios com sustentabilidade. . Atualmente. incentivar e alavancar negócios verdes. vale registrar que. Dinamarca. utilizar a água de maneira racional. promover o ecoturismo nos biomas brasileiros. Segundo Langone (2009). a 4° Edição do Manual de Especificações Técnicas para Estádios de Futebol. estruturas e operacionais (BELLEN. políticos. sob as diretrizes da FIFA.Revista Tecnologia e Sociedade . Bélgica. o sucesso da Copa poderá ser medido pelo aumento da arrecadação e geração de riqueza. Apresentando um breve histórico desse megaevento. Suécia e Suíça. Na ocasião. promover a sustentabilidade ambiental com inclusão social. 2009). ineficiências e desperdícios. foi criada em maio de 2010 uma Câmara Temática Nacional de Meio Ambiente e Sustentabilidade (CTMAS) sob a coordenação dos Ministérios do Esporte e do Meio Ambiente. refletindo-se em políticas públicas inovadoras que agreguem novas tecnologias conceituais. Para que as políticas públicas representem a forma mais democrática de adequação e estabelecimento do alicerce para a obtenção do crescimento sustentável. ISSN (versão online): 1984-3526 81 contribuir para a redução de custos sociais e ambientais. Em 2007 foi publicado pela FIFA. Assim. os países registrados e participantes da FIFA. necessitando caracterizar um autêntico processo democrático (SILVA. Seguiu-se a criação de Câmaras Estaduais. . . vinculadas a um megaevento como a Copa do Mundo de 2014. Inovação. . . 2005). são mais de 213. sustentabilidade e tecnologia são categorias que. . . No ano de 1904. p. valorizar e ajudar a promover e proteger a biodiversidade brasileira. eficiência energética. em maio. foi criada a FIFA – Federação Internacional da Associação do Futebol. CASTRO RAULI. neutralizar suas emissões de gases de efeito estufa (GEE) e cooperar com o combate ao aquecimento global. Neste Manual constam exigências e pressupostos como: decisões de pré-construções referentes às . para a Copa do Mundo 2014. Espanha. faz-se necessário que essas políticas apresentem um planejamento que integrem a sociedade. . 2010. bem como pelos ganhos de imagem e visibilidade que possam depois ser revertidos em capital político” (ERNST & YOUNG. a FIFA registrava sete países associados: França. a conjunção de interesses econômicos. e . das comunidades e dos relacionamentos entre a sociedade e o meio ambiente. podem redefinir o papel Estado. além de colaborar para maior integração entre os vários atores da sociedade e o desenvolvimento contínuo das pessoas.1ª Edição.

pela primeira vez. com propostas economicamente viáveis de mínimo impacto ao meio ambiente. Como legado. foi apresentado pela FIFA o programa Green Goal. como: o mapeamento dos impactos e legados econômicos. diretrizes para segurança pública. destacou. 2003). a sustentabilidade passou a estar presente nos eventos esportivos. ISSN (versão online): 1984-3526 82 dimensões mínimas e capacidade de público. 2009). sem hierarquizações socioculturais e ao mesmo tempo. buscam-se os resultados de pressupostos. um programa focado na sustentabilidade. Sendo um selo de reconhecimento internacional. é possível apresentar uma linha do tempo relacionando a Copa do Mundo e a aplicação das tecnologias de sustentabilidade. localização dos estacionamentos. em Curitiba – PR é viável. inovação e processo do projeto. Em 2006. com estímulos como o LEED . permite que o país receba a liberação que reifica a aptidão do país candidato para gerir a Copa do Mundo.Revista Tecnologia e Sociedade .1ª Edição. gestão e sustentabilidade. a segurança e a hospitalidade. se constitui no selo de certificação para edifícios sustentáveis e está sendo recomendado pela FIFA para que todos os estádios estejam aptos à adoção do mesmo. Com a chegada da sustentabilidade aos megaeventos. Seguidos pelo comitê organizador do país-sede. Para analisar se o processo para a execução da Copa 2014. num conceito includente. Abrangem a construção. Assim. também esclarece questões como a área do jogo relativo ao tamanho. com sucesso. resíduos. o uso de materiais e recursos e a qualidade do ambiente interno (LEED. redução no consumo de energia com o uso de fontes renováveis. o meio ambiente na pauta das Copas do Mundo. orientação do campo. Sob uma visão holística das políticas públicas adotadas. O Green Goal destaca quatro áreas temáticas: água. vestiários e acessos. energia e transporte sobre as quais devem ser estabelecidas metas mensuráveis para neutralizar os impactos no clima global (FIFA. Segundo o Green Goal Legacy Report da Copa da Alemanha (2006). cabendo a cada país elaborar projetos no contexto da realidade local. que destaca a necessidade da redução das emissões de CO2 em eventos. Green Building Council (USGBC). impactos. selo criado em 2000. A investigação apresenta os arranjos para o Megaevento Copa do Mundo de 2014 em Curitiba. 2012. conforto e hospitalidade. médio e longo prazo. As diretrizes do Green Goal encontram-se no caderno de encargos da FIFA. à grama.S. no que diz respeito à comunidade local. diretrizes referentes à energia e iluminação. uma organização sem fins lucrativos criada nos Estados Unidos e com representação em diversos países. culturais e seus efeitos temporais a curto. eficiência no uso da água e no tratamento de esgoto. proporciona visibilidade mundial às técnicas sustentáveis e a eficiência dos estádios. três abordagens se destacam: os aspectos sociais. embasados em . orientação das tribunas para mídia. iniciativa inovadora que busca viabilizar a sustentabilidade ambiental do evento.Leadership in Energy and Environmental Design. sociais. esse megaevento. pela U. econômicos e ambientais. na Alemanha. A certificação pretende a busca por estratégias construtivas mais sustentáveis determinadas através da adoção de critérios como: localização. às arquibancadas. Fornece orientações sobre o Green Goal. servindo de modelo exemplo para os eventos subsequentes.

com autonomia e caminho próprio.Revista Tecnologia e Sociedade . caracterizar os novos edifícios com maior desempenho e autonomia. em Curitiba (FREY. conceituais e políticos da Copa de 2014. analisando as dimensões da sustentabilidade. Interpretando os aspectos conceituais. Essas categorias são elementos diferencias na percepção da construção dos aspectos simbólicos. É o isolamento da ciência e da tecnologia. o uso da ciência e tecnologia é socialmente determinado e tende a estabelecer reproduções nas relações sociais. ciência e sociedade. destaca-se a compreensão da tecnologia como técnica que ressalta aspectos deterministas. Construção civil e a sustentabilidade O mundo ocidental vive um momento diferenciado no que diz respeito às mudanças de paradigma no universo da arquitetura e das construções com a busca da sustentabilidade. não focados nas relações com a sociedade. pode-se considerar a seguinte figura: . e/ou concebe a ciência e tecnologia como pressuposto otimizador do desenvolvimento científico e tecnológico Ao explicitar as posições conceituais acerca da tecnologia. estabilidade e conforto. Para a segunda abordagem. Outra corrente concebe a tecnologia como construto de reações sociais. Busca-se. inovação. vale esclarecer que na primeira abordagem se supõe a ciência e a tecnologia como categorias inexoráveis. Portanto. Na perspectiva da sustentabilidade as construções respondem às complexidades que perpassam adequações climáticas e ambientais. ISSN (versão online): 1984-3526 83 objetivos. podendo ou não influenciar a modificar a sociedade de alguma forma.1ª Edição. inibindo a mudança social. através de um sistema tecnológico inovador. 2012. segurança. sociais. tecnologia e sustentabilidade. 2000).

Considerando as dimensões da sustentabilidade apresentadas. Vale ressaltar que as dimensões culturais e sociais perpassam tanto o respeito às tradições culturais de construção como introduzem modelos de modernização capazes de integrar soluções particulares de sustentabilidade que interagem com múltiplos sistemas de produção. essa dinâmica cria um desenvolvimento social plural. tecnologia e inovação. aspectos como: a articulação de mecanismos que intensifiquem a pesquisa de tecnologias limpas com a consequente definição de estratégias e regras de adequação à proteção social. arranjos e gestão dos recursos numa abordagem eficiente de apropriação de investimentos privados e públicos. Sobre a sustentabilidade econômica. através da limitação do uso de recursos não renováveis e/ou prejudiciais ao ambiente. A sustentabilidade nas edificações torna-se um mecanismo de estímulo da participação social para o desenvolvimento sustentável. Também. com base nas concepções do ser e não do ter. ISSN (versão online): 1984-3526 84 Fonte: CASAGRANDE JR. Socialmente.ambiental. . uma busca pela equidade. na sustentabilidade ecológica. com a redução de custo sócio. destacam-se. simultaneamente. importa compreender que essa dimensão promove uma melhoria na alocação. civilizatório. 2012.1ª Edição. promove-se.Revista Tecnologia e Sociedade . a intensidade da poluição e a melhoria na capacidade dos recursos naturais. 2011 Os aspectos apresentados por Casagrande (2011) ressaltam a aproximação entre sustentabilidade.

Por isso. alguns mais do que outros. fumaça. Ou seja. do ar ao solo. (GIAMBIAGI. e bens intangíveis como: justiça. São técnicas simples como o rebaixamento das caçambas. a aspersão de água e construção de barreira física em caso de demolição e a lavagem dos pneus. enfrentar o desafio da inovação. São exemplos de bens públicos: bens tangíveis como as ruas ou a iluminação pública. uma forma eficaz de evitar esta poluição é o plantio de gramíneas adequadas e de rápido crescimento durante o processo de construção ajuda a impedir a erosão do solo e preserva as matérias orgânicas e os nutrientes naturais do solo. 2007). podem causar a poluição dos rios e lagos. De acordo com Daniela Corcuera. fumo e névoa). ISSN (versão online): 1984-3526 85 Nessa abordagem das dimensões da sustentabilidade. Se as obras que geram emissão de detritos e materiais como: particulados (poeira. p. . recebessem um tratamento específico desde sua terraplanagem até a execução. levados pela ação das chuvas. Este fato pode restringir a viabilidade de plantios futuros. ALÉM. 2012. 2011. Em outras palavras. (FLORIDA. além de regular a drenagem da água. palha ou mantas plásticas para cobrir e reter o solo (GUEDES. conservando o equilíbrio do habitat Podem ser utilizados elementos como cascas de árvores. 209). Impedir a erosão do solo que ocorre devido aos desgastes do terreno receptor das atividades de construção. o seu consumo por parte de um indivíduo ou de um grupo social não prejudica o consumo do mesmo bem pelos demais integrantes da sociedade. a ação dos poluentes afetaria minimamente o meio ambiente.Revista Tecnologia e Sociedade . todos se beneficiam da produção de bens públicos mesmo que eventualmente. como o CO2 (gás carbono) e o SO2 (dióxido de enxofre). p. nutrientes e a biodiversidade de micróbios e insetos. O terreno natural contém matéria orgânica. 2011). os quais. evitam poeira e poluição advinda do canteiro de obras (RESENDE. demandando o aumento de fertilizantes. a ação das chuvas e o freqüente tráfego de veículos durante a execução da obra favorecem o enfraquecimento do solo causando o assoreamento e a perda de todo o equilíbrio vegetal contido no mesmo. podem ser ressaltadas: o combate à poluição. os quais controlam as enfermidades e pragas e conferem um equilíbrio na vida vegetal. 2011. há considerações apresentando que [. importa ter uma ideia. buscando um melhor aproveitamento do processo construção e gestão dos bens públicos. numa conecção de novos meios de representar conceitos e práticas. gases poluentes. Os bens públicos são aqueles cujo consumo/uso é indivisível ou “não rival”. Contudo. irrigação e pesticidas. num gesto de pensamento criativo indutivo.] o engenheiro é hoje um herói da cultura pop. O uso de técnicas simples como reaproveitamento e reciclagem e o armazenamento e adequação das formas de transporte. próximos à edificação. 4) Destacando possíveis critérios de sustentabilidade na construção. arquiteta auditora das certificações Acqua e Leed. pedriscos. também é uma das formas de prevenir a poluição. pois esse profissional divulga as inovações tecnológicas e sustentáveis. segurança pública e defesa nacional.1ª Edição...

são aceitáveis situações como a distância entre o local da obra a ser construída e fonte fornecedora em um raio máximo de 800 km e também a utilização de no mínimo 10% de materiais sustentáveis na edificação (LEED. variações metabólicas dos indivíduos até mutações de temperatura e umidade.1ª Edição. 2012. duchas e torneiras hidromecânicas. a utilização de materiais regionais e reciclados é uma prática ser estimulada. formalizou os procedimento em grandes obras. considerando fatores como: cores claras. evita-se acidentes de trabalho. reduzindo a emissão de poluentes e CO 2. com práticas sustentáveis pode valer-se de dispositivos reguladores. na maioria das vezes. . 124). Há duas categorias que devem ser balizadas na construção sustentável: a gestão da utilização da água. dispensa o longo transporte para a entrega dos materiais. painéis fotovoltaicos e concepção de circuitos autônomos são estratégias de eficácia da sustentabilidade operacionalizada. 2009). varações de intensidade. é mais barato pela produção contígua ao local da obra”. "A ventilação natural é o deslocamento do ar através do edifício. resíduos perigosos e não recicláveis. metais. através de aberturas. Torna-se fundamental que a remoção e destinação dos resíduos seja monitorada e que os processos de coleta e armazenamento recebam tratamento especializado tanto no que tange ao material a ser reciclado como ao material que apresenta periculosidade. umas funcionando como entrada e outras. e.” Cabe organizar estratégias de gestão em um organograma de atividades – “planejamento. Para a certificação pelo Green Building Council Brasil (LEED). Ao priorizar as luzes naturais e bem planejar o sistema de iluminação artificial. como saída". Para a Resolução CONAMA n° 307. são quatro as classes de resíduos da construção civil que podem ser consideradas: os agregados (componentes de pavimentações. o ambiente e a sociedade.Revista Tecnologia e Sociedade . Considerando o custo-benefício para a economia. devem ser as entradas de iluminação no ambiente. Ao conceber um edifício importa considerar as condições de conforto térmico. ISSN (versão online): 1984-3526 86 Atualmente existe o projeto de gerenciamento de resíduos em obras com grandes percentuais de entulhos. Para Frota e Schiffer (1999. vidro. Fatores que agregam valor a essa proposta: “o desenvolvimento regional devido à demanda de trabalho e à movimentação da economia local. através de criteriosa triagem. reduz o desperdício. recicláveis com outras destinações (plásticos. Também natural. Através da reciclagem dos materiais evita-se e/ou deduz-se o desperdício e através da limpeza e organização do canteiro de obras. e os transportadores (responsáveis pela destinação aos locais licenciados). os geradores de resíduos (responsáveis pela observância dos padrões previstos na legislação específica). refletores. madeiras e outros). Desde condições climáticas. componentes cerâmicos e peças prémoldadas). implantação e monitoramento – que irá subsidiar o trabalho e todo o controle dos resíduos internos e externos à obra”. papéis. mecanismos controladores que permitem o controle da vazão da água. o qual é formalizado conforme a Resolução CONAMA n° 307. analisando a condição de conforto térmico diante de diversas funções e atividades desenvolvidas pelo grupo humano que disporá da construção. Esse documento especifica os agentes: “o órgão público municipal (responsável pelo controle e fiscalização). p. priorizando a ventilação natural.

Outra obra sustentável é a requalificação da Avenida Comendador Franco. em Curitiba. Além dos impactos causados por esses mecanismos. A ciclovia perpassará os dois lados da avenida. estão buscando a sustentabilidade no que se refere às sobras dos materiais.Revista Tecnologia e Sociedade . que devem incluir as diversas as mais diversas categorias. Infelizmente são mínimos os registros das práticas sustentáveis para a Copa 2014. No aspecto da destinação de materiais de construção. é possível planejar a reutilização da água pluvial na construção. (EcoDesenvolvimento. que serão utilizadas nas descargas dos sanitários. irrigação do gramado e jardins. que investiu no exterior do edifício. A obra com práticas sustentáveis para a Copa 2014 da qual há registro refere-se à Arena da Baixada. com sentidos opostos.maio/2012). 2012 . terá a inclusão de 10 quilômetros de ciclovias dentro do projeto de adequação da cidade para a Copa do Mundo de 2014. mais conhecida como Avenida das Torres. entre outros. Finalizando. 2010). a ideia gerará uma economia de 30% no sistema de ar-condicionado em relação aos modelos convencionais. normalmente. totalizando 20 quilômetros de infraestrutura cicloviária. Revestimento – Policarbonato Manejo de Resíduos Reuso da água Reservatório de água de chuva 10 quilômetros com sentidos opostos MOBILIDADE (SIM) Terminal Trincheira Viaduto Corredor Metropolitano Capacitação para a Sustentabilidade ARENA DA BAIXADA OBRAS PREVISTAS CICLOVIA CAPACITAÇÂO PROFISSIONAL Fonte: AUTORES. As estratégias articuladas pela Arena da Baixada visando o uso racional da água.1ª Edição. 2012. importa destacar a questão da acessibilidade tanto na esfera da construção em si como aos possíveis meios de transportes. Também há registros de que as 12 sedes terão reservatórios de água de chuva. através de telhados e pátios adequados. conferindo agilidade às dinâmicas do ambiente construído. buscando melhorar a climatização dos espaços internos. ISSN (versão online): 1984-3526 87 bacias sanitárias com caixas acopladas e/ou acionamento de descarga com sensor de presença (FGV. a redução de seu consumo e o estímulo à adoção de novas atitudes e comportamentos não estão claras e definidas. revestindo-o com policarbonato. que. limpeza das áreas externas.org. a mídia indica que todos os estádios-sedes dos jogos da Copa do Mundo de 2014. encheriam os aterros e agora passaram a ser reaproveitados. Para os responsáveis pelo projeto.

Já. a (Rio+20). a partir do que for estabelecido no foro internacional para os próximos dois anos (ONU. na abrangência das políticas públicas. Almirante Tamandaré. passados os eventos. IAP. energias renováveis. destacam-se um novo sistema climático global e numa nova fase dos compromissos do Protocolo de Quioto. No âmbito social dá-se visibilidade à capacitação profissional para a sustentabilidade realizada pelo SEMA. 2005). 2012. os grandes estádios construídos de forma . Detalhando o Sistema Integrado de Mobilidade (SIM). estão citadas as obras sustentáveis previstas como otimizadoras da Copa 2014 e o que as torna relevantes.1ª Edição. mudanças climáticas e desenvolvimento de capacidades. Na perspectiva sustentável importa o equilíbrio entre os aspectos econômicos. fazenda Rio Grande a Araucária. em trecho de 52 quilômetros. ALEP e Câmara Mundial (PORTAL DA COPA. se. Considerações Finais O Brasil. Para que um empreendimento seja considerado sustentável importa analisar se ele é ecologicamente correto. IPD. corporativa. esta é uma década palco de decisões fundamentais no que tange a relação com um novo regime global de mudanças climáticas. Esses eventos se iniciam com a Cúpula das Nações Unidas Sobre Desenvolvimento Sustentável que ocorrerá em junho de 2012 no Rio de Janeiro. ao realizar a Copa 2014 como um evento sustentável busca minimizar possíveis impactos negativos que possam vir a ser causados ao meio ambiente durante a execução das obras de grande porte. COMEC. As obras contemplam: estádio verde (certificado). Busca-se a redução de custos e a maximização dos benefícios. UTFPR. colaborativa e responsável. SMMA. a Copa do Mundo de Futebol em 2014 e. permeado por justiça social. Instituto das Águas. o desenvolvimento social e a proteção do meio ambiente. Segue: a Copa das Confederações em 2013. manejo de resíduos. Portanto. redução e compensação das emissões de carbono. Em relação à estruturação. pode-se destacar a reforma e ampliação do terminal Santa Cândida. Casa Militar. as Olimpíadas no Rio de Janeiro em 2016. Colombo. capaz de inserir crescimento econômico.Revista Tecnologia e Sociedade . Pinhais. o Brasil decidiu investir nesse campo. economicamente viável e bem aceito culturalmente. inclusão social e compromisso com o meio ambiente. tanto em aspectos de marketing de imagem do país como no reconhecimento de uma gestão de qualidade. em termos de sustentabilidade são a possibilidade de reduzir os impactos negativos e maximizar os impactos positivos. Vale observar. no Corredor Metropolitano faz-se relevante a interligação dos municípios de Curitiba. com o estabelecimento de diretrizes e metas de redução de emissões de GEE (BRASIL. buscando um legado ambiental de longo prazo. 2005). impactos e legados de grandes eventos. As variáveis socioeconômicas precisam estar inseridas nas soluções tecnológicas. das Torres. 2012). que considera um celeiro de oportunidades e desafios. para isso. ISSN (versão online): 1984-3526 88 Acima. Na esfera político-ambiental. além do viaduto da Av. Piraquara. gestão. importa analisar se a Copa 2014 está se configurando e/ou será sustentável. são José dos Pinhais. a trincheira da rua Guabirotuba.

RS: L&PM.ecodesenvolvimento. M. Referências BELLEN. Ana Luiza Lopes. Políticas Públicas: um debate conceitual e reflexões referentes à prática da análise de políticas públicas no Brasil. Indicadores de Sustentabilidade: comparativa. melhorar setores que são vitais à economia. impulsionando. bem como a continuidade do latejo econômico. Eloy Fassi. Disponível em: http://www. FGV Editora. A Ascenção da Classe Criativa.1ª Edição. 1999.Revista Tecnologia e Sociedade . ISSN (versão online): 1984-3526 89 sustentável possibilitarão a continuidade do exercício da função social. uma análise BARBIERI. Brasil sustentável: Impactos Socioeconômicos da Copa do Mundo de 2014. 2000. Manual de conforto térmico. buscará a formação do conceito de construção sustentável no recorte da Copa 2014. K. Planejamento e Políticas Públicas. a cidade de Curitiba – Paraná – Brasil. assim. Set. Trad. EYGM Limited.M. In: BARBIERI. 2010. Sueli Ramos. o desenvolvimento municipal e regional. 2007. Anésia Barros. Rio de Janeiro. FROTA.C. SIMANTOB. Curitiba. considerando sua assimilação no megaevento Copa 2014 de valores que consubstanciando em novas práticas. R. Buscando apresentar as aplicações sustentáveis. José Carlos. pretende beneficiar-se com a dinâmica econômica obtida com investimentos e o grande fluxo turístico. nº 21 . 2005. Organizações inovadoras sustentáveis.org. CASAGRANDE JR. Além da visibilidade. em sua segunda fase. FREY. O trabalho. H. 2012. SCHIFFER. São Paulo. e as atuações no megaevento. 2011. pode melhor preparar-se para ser uma das cidades-sede da Copa de 2014.org. J. localizada na região sul do país. EcoDesenvolvimento. Porto Alegre. identificando os arranjos. 2011. UTFPR: Florianópolis. Inovação Tecnológica & Sustentabilidade: o Futuro da Construção da Construção Civil.br/posts/2012/maio/iniciativassustentaveis-na-construcao-das-arenas#ixzz205aPM69k ERNST. Organizações inovadoras sustentáveis: uma reflexão sobre o futuro das organizações. busca uma melhoria nos seus setores vitais para a economia. os agentes. através da análise das novas tecnologias sustentáveis e se contribuem para a mudança de valores. São Paulo: Studio Nobel. YOUNG. Embasado nesses pressupostos conceituais. Iniciativas sustentáveis na construção das arenas da Copa do Mundo de 2014. 3ed. através de seu uso pela comunidade. Atlas.Jun. FLORIDA. .

Acessado em 09/07/2012. PORTAL DA COPA. A. Dissertação – mestrado.R. F. Programa de Pós-graduação em Ambiente Construído e Patrimônio Sustentável. Desarrollo sostenible transición hacia la covolución global. Pete. jul. Metodologia da investigação científica para ciências sociais aplicadas. 3.. Reference Guide for Green Buildings’ Design and Construction 2009.2007. Ed. Ministério do Esporte. JIMÉNEZ HERRERO. 2011. Copa do Mundo FIFA 2014-Agenda Sustentabilidade e Meio Ambiente. Introduction: toward´s new frontiers in the study of mega-events and the city.br/fcardoso/Disserta%C3%A7%C3%A3o%20Fernando% 20Resende%20p%C3%B3s-banca%202. Gemma Galdan. Reino Unido. p. UFMG/Escola de Arquitetura. Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas – GVces. Copa 2014 – O estádio do Mineirão e Diretrizes de Sustentabilidade na Primeira Copa Verde do Mundo.pdf > Acesso em 02 Maio 2012.gov. 2010. GELINSKI. C. M. transportes e agropecuária.copa2014. Finanças Públicas: Teoria e Prática no Brasil. Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Revista Brasileira de Gestão Urbana.1ª Edição. GIAMBIAGI. Disponível em: www. Poluição atmosférica por emissão de material particulado: avaliação e controle nos canteiros de obras de edifícios. Abril e Outubro de 2008. 2. F. L. 42. GUEDES.Revista Tecnologia e Sociedade . (Brazilian Journal of Urban Management) v. São Paulo. 2012. 2000. Ed. 2011. 2. ALÉM. URBE. G.A. MARTINS. . Florianópolis. R. Editora Campus/Elsevier. Painel discute a Copa como promotora de inovação e sustentabilidade. James.br. E. 149-155. Rio de Janeiro. RESENDE. THEÓPHILO.J. Cláudio. 2011. LANGONE. Formulação de Políticas Públicas: questões metodológicas relevantes. 2011. C. FUSSEY. 227-240. 2. Propostas empresariais de políticas públicas para uma economia de baixo carbono no Brasil – energia. 2012. et al./dez. p.usp. SEIBEL. EDUFSC. 2007. Revista de Ciências Humanas. Event management and sustainability. MUSGRAVE. Madrid: Pirámid. CLAVELL. v.pcc. n. São Paulo: Atlas. de LEED.O. nº 1 e 2. Disponível em: http://www. 2009. ISSN (versão online): 1984-3526 90 FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS (FGV).

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componentes básicos do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). provocados pela crise econômica que afetou o mundo em maior e menor grau de intensidade. educação e renda. Palavras-chave: Crise econômica.br . pode-se constatar variações em seus componentes . which. Abstract This article presents the variation of health indicators. was found in Latin American countries that some of these indicators were 7 Bruno Theylon Oliveira Dias: Graduando do curso de Relações Internacioanis e Integração. variação de IDH. pela Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA). dessa forma. E-mail: bruno.edu. 2012.Revista Tecnologia e Sociedade . utilizarmos a América Latina como região e os países que a compõe como locais.dias@unila. decomposição.br Gilson Batista de Oliveira: Doutor em Desenvolvimento Econômico – UFPR. constatou-se nos países latino-americanos que alguns desses indicadores sofreram variação. Espera-se.oliveira@unila. saúde. education and income. esclarece que apesar de a crise ter afetado a América Latina pela via econômica principalmente no que tange a exportação de commodities. subdivide-se esse países em quadrantes de acordo com o grau de variação que esses países sofreram entre 2007 e 2010. América Latina. Professor da Universidade Federal da Integração Latino-Americana – UNILA. do qual. educação e renda.1ª Edição. no caso. isso implica afetar outros setores sociais. E-mail: gilson. shift-share. basic components of the Human Development Index (HDI). utilizou-se o método shift-share que ao decompor os elementos do IDH. Bolsista do PROBIC/UNILA. we use Latin America as a region and the countries that compose and local. Para isso. ISSN (versão online): 1984-3526 92 A Variação dos Indicadores Básicos do Índice de Desenvolvilmento Humano dos Países LatinoAmericanos no Período de 2007-2010: uma Decomposição com uso da Metodologia ShiftShare Variation of Basic Indicators Index of Human Desenvolvilmento Latin American Countries in the Period 2007-2010: a decomposition using the Shift-Share Methodology Bruno Theylon Oliveira Dias Gilson Batista de Oliveira 7 Resumo Este artigo apresenta a variação dos indicadores saúde.edu.

dado a carência de dados básicos. Introdução A América Latina tem em seu histórico diversas etapas de desenvolvimento que na maioria das vezes. shift-share. in the case. são eles: Argentina. El Salvador. Panamá. chega aos dias de hoje com incertezas de até quando essa crise perdurará.1ª Edição. apesar de ter baixado o preço de commodities. Na América Latina. Especificamente. Guatemala. this implies affect other social sectors. education and income. It is hoped. caused by the economic crisis that affected the world in greater and lesser intensity. one can see variations in their components. Belize. variation in HDI. decomposition. Paraguai. é uma forma de compreender um pouco mais da dinânica da relação economia e sociedade. Cuba. Latin America. Uruguai e Venezuela. health. através do método shift-share restringindo-se apenas na decomposição dos indicadores do IDH. explained that although the crisis has affected Latin America through economic especially regarding the export of commodities. estuda-se os diferentes níveis de desenvolvimento que se encontram os países que compõe a América Latina. Keywords: economic crisis. Haiti. 2012. A América Latina é muito ampla e pode gerar dificuldade de compreensão em sua totalidade. governos fazem cortes e readaptações de diversos setores da política econômica de um país. Equador. Costa Rica. México. esses países não conseguiram unificar crescimento econômico e social para que pudesse gerar uma economia sustentável. Nicarágua. Peru. Entretanto. alguns desses países não puderam ser incluídos na decomposição. Bolívia. Colômbia. Honduras. de forma geral. isso implica em um impacto . também houve uma considerável diminuição do ritmo de investimentos externos em um primeiro momento. Entender as dinâmicas econômicas e sociais desses países através da decomposição do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) pelo método shift-share. Para driblar a crise. Nesse trabalho. verificam-se os impactos da crise financeira mundial de 2008 nos indicadores básicos do IDH. Com esta pesquisa. This was done using the method shift-share elements that decompose the HDI. além de gerar fuga massiva de capitais especulativos. Brasil. thus it is divided into quadrants countries in accordance with the degree of variation between these countries suffer 2007 and 2010. Chile. observou-se que essa crise sistêmica não atingiu com tanta força. República Dominicana. através dos dados dos anos de 2007 e 2010. optou-se pela definição do IMEA (2009) que classifica 21 países como formadores da América Latina. ISSN (versão online): 1984-3526 93 variation. A crise econômica de 2008 que causou um mal estar financeiro mundial a partir da quebra do banco Lehman Brothers nos EUA e logo se espalhou principalmente para países europeus e atingiu as mais diversas partes do mundo. no período de 2007 – 2010 .Revista Tecnologia e Sociedade .

1ª Edição. Após a aplicação da metodologia shift-share. A classificação do nível de desenvolvimento dos países. apesar da avalanche de tabelas relacionadas.500 e 0. ii) IDH médio: entre 0. em 1990. A classificação dos países baseado no nível do IDH funciona da seguinte forma: i) IDH baixo: entre 0 e 0. aponta baixo desenvolvimento humano. O IDH foi concebido pelo economista paquistanês Mahbub Ul Haq em colaboração do economista indiano. que elimina as diferenças de custo de vida entre os países). é publicado no Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH). nobel de 1998. o IDH foi concebido de uma forma simples. segundo PNUD (2009). o IDH também leva em conta dois outros componentes: a longevidade e a educação. O IDH precisou ser idealizado de uma forma explicativa.org. denota níveis de médio desenvolvimento humano. rendimento per capita e educação. Segundo PNUD (2010). que varia de zero a um. para mensurar o nível de desenvolvimento. ISSN (versão online): 1984-3526 94 direto na qualidade de vida da sociedade. 2009). depois de corrigi-lo pelo poder de compra da moeda de cada país. depreende-se quais foram os indicadores básicos mais afetados pela crise financeira mundial de 2008.799. Amartya Sem. Disponível em: <http://www. tem como objetivo de usar outros parâmetros além do econômico. 2012.Revista Tecnologia e Sociedade . onde quanto mais próximo de 1. funciona em uma escala numérica que vai de 0 à 1. baseado na longevidade. O índice tornou-se o referencial de desenvolvimento em praticamente todos os países membros da Organização das Nações Unidas (ONU). ou seja. O Índice de Desenvolvimento Humano O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). órgão responsável pelo RDH. Como afirma o PNUD Brasil: Além de computar o PIB per capita.499. Essas três dimensões têm a mesma importância no índice. melhor é o nível de desenvolvimento. O item educação é avaliado pelo índice de analfabetismo e pela taxa de matrícula em todos os níveis de ensino. (PNUD. identificou-se quais os indicadores básicos mais expressivos na variação do IDH no período de 2007 – 2010. que mantem o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). no Índice de Desenvolvimento Humano.pnud. . lançado pela primeira vez num período de transformações do sistema político e econômico global. por conseguinte.br/idh/> Acesso em 10 de março de 2012. A renda é mensurada pelo PIB per capita. o indicador utiliza números de expectativa de vida ao nascer. Para aferir a longevidade. A pesquisa usou informações divulgadas nos relatórios sobre o desenvolvimento humano publicados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD de 2007 e 2010. em dólar PPC (paridade do poder de compra. para rivalizar com o PIB.

1ª Edição. O que se constatou nesses últimos anos. do comparado aos demais. é que a média mundial do IDH obteve um crescimento considerável.899. geralmente concluída aos 15 anos e o segundo com peso de ½ refere-se a taxa de matrícula em qualquer nível de educação. sendo que apenas três países por motivos de conflitos obtiveram em 2010 um IDH menor do que em 1970. apesar de o sistema de verificação do IDH ter sido lançado em 1990. O quadro a seguir retirado do PNUD 2010. são eles República Democrática do Congo.800 e 0. o número de anos que espera-se que um recémnascido venha a viver. foram acrescentados outros elementos na aferição do IDH. Quadro 1: Componentes do idh Fonte: PNUD. é referente a alfabetização. 2010 Saúde Educação Renda O cálculo das dimensões do IDH é medido através dos valores que variam entre 0 e 1. resume um pouco dos três principais elementos: Dimensões É determinado pela esperança de vida ao nascer. A partir de 2010. iv) IDH muito elevado: todos aqueles acima de 0. chegando a atingir um crescimento de cerca de 41% entre 1975 e 2010.Revista Tecnologia e Sociedade . retrata altos níveis de desenvolvimento humano. quando se completou 20 anos de RDH. Essa expectativa de vida é determinada pela média de mortalidade. dessa forma determinando os padrões de vida. Segundo PNUD (2010). ISSN (versão online): 1984-3526 95 iii) IDH elevado: entre 0. boa parte dos países recalcularam seu IDH até 1975. O rendimento nacional bruto per capita. A componente Educação é determinada pela média de anos de escolaridade e anos de escolaridade esperado. Zâmbia e Zimbabwe. proporcionando assim um melhor parâmetro de desenvolvimento nos quase 40 anos de verificação. indica níveis de desenvolvimento humano muito elevados. além dos itens básicos como saúde. onde o primeiro com peso de 2/3 no cálculo geral. é medido em dólar pela Paridade do Poder de Compra (PPC) e tem o objetivo de verifica se o poder aquisitivo de uma pessoa consegue suprir suas necessidades básicas. educação e renda. ficando da seguinte forma: Índice de dimensão = valor efetivo – valor mínimo valor máximo – valor mínimo . ou seja. agora é contabilizado também outros aspectos como a distribuição do bem estar em termos de desigualdade de gênero e pobreza. 2012.900.

1ª Edição.diferente de outro setor econômico ou indicador usado como parâmetro. não é capaz de explicar as razões de tais diferenças na América Latina. também pode-se vislumbrar esse cenário de redução de desigualdade. A utilização do shift-share vai além da visão analítica. entende-se a possibilidade de um setor da economia ou indicador de desenvolver-se como o nome já diz .. pode ser justificadas por diferentes vantagens de natureza locacional. 2002 p. pode nos oferecer um mínimo de informações necessárias para constatar tais mudanças. Nesse método. medida a nível regional. Obtidos os índices básicos. espera-se que o IDH seja capaz de apontar o quanto uma sociedade está desenvolvendo ao longo do tempo. destacando como foi seu desenvolvimento ao longo do tempo e como tal desempenho pode influenciar no conjunto.A ideia base é muito simples: as diferenças de crescimento em uma região podem ser atribuídas não só a diferenças relativas à composição produtiva de cada região.. ao fazer um recorte temporal para verificar o comportamento do IDH na América Latina entre os anos de 2007 e 2010. (COSTA. as componentes de alteração diferencial ou variação diferencial devem ser isoladas afim de possibilitar uma comparação estatística. O RDH de 2010 evidencia que. ISSN (versão online): 1984-3526 96 No cálculo dos índices (saúde. Por alteração diferencial. 2012. uma vez que possibilita identificar quais e quando foram as mudanças mais impactantes no setor ou indicador analisado. como as capacidades humanas estão. A analise de componentes de variação (ou shift-share) decompõe o crescimento de uma dada variável.. educação e renda) utiliza-se valores mínimos e máximos obtidos dentre os participantes do grupo de referência. Essa metodologia é bastante aplicada para verificar desenvolvimento econômico regional ou setorial. Dessa forma. “Mede a alteração naquele crescimento que resulta a influencia exercida por certos factores como vantagens de localização ou . de uma forma que seja possível identificar as opções que as pessoas tenham de assegurar sua própria subsistência através de escolhas participativas no sistema social. em factores distintos que possam influenciar o seu comportamento.mas também.. a diferença de desenvolvimento humano entre países ricos e países pobres tem diminuído consideravelmente nos últimos 20 anos. passa para o campo das projeções ou planejamentos. De acordo com o PNUD (2010). o IDH é calculado através da média geométrica. de forma que possam ser relacionados com o todo.Revista Tecnologia e Sociedade .803) Na metodologia shift-share os elementos que compõe uma estrutura são estudados individualmente. O índice porém. A Metodologia de Análise Shift – Share O método shift-share é uma forma analise dos elementos que compõe um dado estatístico em duas escalas de tempo.

dentre outros.Revista Tecnologia e Sociedade . como afirma Vasconcelos (1984) e Oliveira (2010). o efeito de outros factores específicos da região (componente regional. são obtidas da seguinte forma: NXik = gNX x Xik(t – 1) Onde gNX é a variação percentual da variável X observada no nível nacional relativamente ao ano base t – 1. Nesse estudo. 2002. considerar-se-á nível nacional o total dos países da América Latina e como regional. A maioria dos modelos de análise de componentes de variação apresentam-se como identidades matemáticas. Essas três ultimas variáveis. . Nxik representa a componente nacional Sxik representa a componente setorial ou estrutural Rxik representa a componente regional. adaptado para os componentes do Índice de Desenvolvimento Humano. cada país individualmente. especialização regional. estrutural e diferencial. concorrencial ou diferencial. De acordo com Costa (2002) e Oliveira (2010). o efeito da composição sectorial da região (componente estrutural) e.1ª Edição. no setor k e no momento t. Xik(t) representa a variável econômica X. puderem ser comparados com outro semelhante. ( VASCONCELLOS. 2012. na região i. componente nacional. p. para que daí se possa tirar conclusões sobre concentração econômica. o shiftshare só é viável se os resultados obtidos de um certo estudo. o shift-share trabalha usando os resultados obtidos em uma expressão padrão. ainda. o modelo clássico da metodologia shift-share pode ser descrito da seguinte forma: ∑ = Δ Xik = ∑ [Xik(t) – Xik(t-1)] = ∑ [NXik + SXik + RXik] k k Δ Xik é a variação observada na variável Xik. p. dependendo qual for o objetivo do uso do método. concorrencial ou diferencial). (COSTA. 1984. expressando a evolução de uma dada variável económica como função de três factores principais: o efeito do crescimento nacional(componente nacional).804) Após identificado e isolados os elementos regionais à nível de comparação com o nacional. para fazer essa relação entre crescimento ou não do setor regional e diferenciações que levam a esse resultado em relação ao nível nacional. ISSN (versão online): 1984-3526 97 grau de competitividade no crescimento mais rápido ou mais lento de alguns dos sectores urbanos”.222) No entanto.

observada na região i no setor k. (SIMÕES. ISSN (versão online): 1984-3526 98 SXik = (gNXk – gNX) x Xik(t – 1) gNXk é a variação percentual da variável X observada a nível nacional. Pode-se usar o mesmo exemplo para A3 e B1 de forma invertida. VLT + VLE VLD Tipo de País + + A1 + A2 + A3 + B1 + B2 B3 Quadro 2: Classificação e tipologia de variações Fonte: Adaptação de Simões (2005) e Oliveira (2010) - VLT a Variação Liquida Total positiva (+). referente ao setor k. o método shift-share é aplicado amplamente nas mais diversas formas de análise regional. entenda-se variação dos indicadores selecionados através da VLT – Variação Liquida Total. 2010) A adaptação do método para decomposição do Índice de Desenvolvimento Humano Na atualidade. Para Haddad e Andrade (1989 apud Oliveira. 2005. conforme quadro 2. esse não consegue ser grande o bastante em relação ao fator estrutural. O fato de A2 ter VLT positivo e B2 VLT negativo é porque o crescimento estrutural de B2 não é grande o bastante em relação ao regional de acordo com o elemento diferencial escolhido.)” Partindo dos trabalhos de Oliveira (2010) e Simões (2005). A2 e A3) ou desde que a VLD supra as percas de VLE. RXik = (gik – gNXK) x Xik(t – 1) gik é a variação percentual da variável X. “a análise shift-share permite a identificação do crescimento. que é o crescimento observado menos o teórico(.. pode-se sintetizar os resultados da aplicação da metodologia shift-share e classificar as regiões de acordo com as variações obtidas. OLIVEIRA. de acordo com os parâmetros utilizados. 2012. p.1ª Edição.122). e B1 apesar de também ter VLD positivo. B2 e B3) ou desde que o fator diferencial não seja suficientemente satisfatório. não só em relação aos indicadores de .. 2010.Revista Tecnologia e Sociedade . onde o fator locacional de A3 é grande o bastante para suprir VLE negativo. Já VLT negativo (-) aponta todas aquelas localidades que tiveram crescimento menor que o regional (B1. As componentes de variação podem nos indicar o crescimento ou não do objeto de estudo. indica aquelas localidades onde o crescimento locacional é maior ou igual ao crescimento regional (A1.

com base na tipologia do quadro 2. de referencia. Descrição Resultados Possíveis para cada Indicador Básico e para cada Índice Selecionado VLT (N-NX)* + + + VLE (SX)** + + + VLD (RX)*** + + + Países Indicador de Educação (IE) Indicador de Longevidade (IL) Indicador de Renda (IR) A1 A2 A3 B1 B2 B3 + + + A1 + + A2 + + A3 Índice de Desenvolvimento + B1 Humano (IDH) + B2 B3 Quadro 3: Esquema para guiar a interpretação dos resultados da adaptação da metodologia shift-share para os indicadores básicos do índice de desenvolvimento humano Fonte: Oliveira. De posse dos resultados. nos componentes do Índice de Desenvolvimento Humano. pode-se classificar os países de acordo com o desempenho de cada indicador básico. De forma resumida. ainda. .1ª Edição.Revista Tecnologia e Sociedade . construir gráficos indicativos de como anda o IDH de uma localidade. no nosso caso. Para o autor. ISSN (versão online): 1984-3526 99 desenvolvimento econômico. conforme Oliveira (2010). Conforme Oliveira (2010) é possível aplicar o método shift-share para decompor o IDH e com os resultados obtidos. são os indicativos principais de como a administração pública aplicou os recursos para garantir ou não a qualidade do IDH. os elementos Eficiência Alocativa e Ativação Social. descritos no quadro 4. mas nos chamados indicadores sociais. quadro 3. pode-se. 2012. pode-se verificar e classificar quais dos indicadores básicos (saúde. 2010. colocando os países em quadrantes que retratem de forma sintética a realidade de cada um. renda ou educação) mais influenciaram na variação do índice.

Nesse quadrante devem figurar os países + + com as maiores variações positivas dos indicadores básicos componentes de cada índice estudado. significando avanço na transformação do + impulso de crescimento em desenvolvimento. o que ocorre graças à eficiência + alocativa dos recursos administrados pela gestão pública (VLE>0). Em resumo. significa perda líquida em comparação com o universo da América Latina. que denota maiores níveis de variação positiva da qualidade de vida. pois a VLD positiva mostra que o índice estudado teve um desempenho superior ao dos demais países da região. não conseguem superar a ineficiência alocativa (VLE <0). cuja falta de ativação social é piorada pela ineficiência alocativa. Países com capacidade e ativação social intermediária. 2010. Aqui. a VLD<0 mostra que o país tem poucas capacidades + de ativação social. ISSN (versão online): 1984-3526 Quadrante Países Eficiência Alocativa Ativação social VLT 100 I A1 Presente Presente + A3 Ausente Presente + II B1 Ausente Presente - III B3 Ausente Ausente - IV B2 Present e Ausente - A2 Present e Ausente + _Componente__ Interpretação VLE VLD Países com maior capacidade de ativação social. o que pode atrapalhar a ação do poder público.Revista Tecnologia e Sociedade . os países com esses resultados também possuem + capacidade de ativação social intermediária (boa). que age de forma eficiente na alocação de recursos e consegue um desempenho positivo dos índices de desenvolvimento. 2012. porém. pois detêm as piores variações dos indicadores básicos componentes de cada índice estudado na região analisada. a capacidade de ativação social (VLD>0) consegue suplantar a ineficiência alocativa (VLE<0) e ter um crescimento maior que a média da América Latina (VLT>0). as nações possuem eficiência alocativa (VLS>0) e capacidade de ativação social (VLD>0). do desenvolvimento humano. mas consegue manter o país afastado da área de pior desempenho (B3). a gestão pública não consegue evitar perdas líquidas. na internacionalização dos efeitos do processo de crescimento. Países com desempenho regular. cuja ação consegue trazer resultados individuais de cada indicador básico acima da média da região. . Embora com crescimento total acima da média regional (VLT>0). que denota fragilidade na internalização dos efeitos gerados pelo processo de crescimento. nações cuja sociedade não consegue trazer resultados positivos para os indicadores básicos de qualidade de vida de forma satisfatória. Países com capacidade de ativação social fraca. denotando ganho líquido. a sociedade local teve menos sucesso na transformação do impulso de crescimento em desenvolvimento. Aqui. cuja ação teve mais sucesso na transformação do impulso de crescimento em desenvolvimento. Embora com crescimento total abaixo da média regional (VLT negativo).1ª Edição. que tende a fragilidade. Nesses países. QUADRO 3: Esquema para guiar a interpretação dos resultados da adaptação da metodologia shift-share para os indicadores básicos do índice de desenvolvimento humano Fonte: Oliveira. isto é. ou seja.

dessa forma.060 0.117 -0.119 -0.447 -0. que vai classificar os países de acordo com o quarante correspondente indicados anteriormente no quadro 4.159 0.009 0.153 -0.339 -0.039 0.047 0.201 0.374 -0.050 0.168 0.000 -0.187 0.113 -0.002 -0.225 -0.255 -0.290 -0.203 0.323 -0.197 0.248 -0.302 -0.149 -0.006 0.375 -0.184 -0.313 -0.290 -0.316 -0.283 -0.255 -0.044 0. nenhum dos 21 países conseguiu se enquadrar no primeiro quadrante que é a eficiencia alocativa e capacidade de ativação social positivas além da variação positiva nos demais indicadores de desenvolvimento humano.258 -0.302 -0.121 -0.035 -0.024 -0.112 -0.045 0.024 0. Silva (2002) e Oliveira (2010) Indicador de Educação Indicador de Longevidade Indicador de Renda IDH VLT VLE VLD VLT VLE VLD VLT VLE VLD VLT VLE País Argentina Belize Bolívia Brasil Chile Colômbia Costa Rica Equador El Salvador Guatemala Guiana Haiti Honduras México Nicarágua Panamá Paraguai Peru República Dominicana Uruguai Venezuela Fonte: Elaboração Própria -0.092 -0.160 0.153 -0.170 -0.182 -0.034 -0.117 -0.146 0.020 -0.2007 e 2010 Resultados do Shift-Share Adaptado de Haddad e Andrade (1989).201 0.034 -0.120 -0.359 -0.194 0.158 0.191 -0.197 0.027 -0.283 -0.199 0.237 -0.149 0.228 -0.039 -0.027 -0.103 -0.067 -0. ISSN (versão online): 1984-3526 101 Resultados da Aplicação da Metodologia Shift-share O quadro 5 apresenta uma síntese dos resultados encontrados dos indicadores educação.044 0. 2012.333 -0.367 -0.128 -0.342 -0.362 -0.264 -0.352 -0.011 0.291 -0.298 -0.285 -0.362 -0.203 0. A parte correspondente aos indicadores do IDH.200 0.176 -0.145 -0.374 -0.151 0.306 0.198 0.150 0.124 -0.050 0.118 -0.011 VLD 0.021 -0.133 -0.315 -0.323 0.169 0.303 -0.006 0.207 0.041 -0.170 -0.208 0. são os elementos utilizados para interpretação do quadro 6.013 -0.003 -0.056 0.107 -0.120 -0.049 0.210 0.322 -0.400 -0.197 -0.056 0.119 -0.136 -0.121 -0.207 0.010 0.206 0.111 -0.366 -0.260 -0.285 -0. Como percebe-se.011 0.118 -0.141 0.156 -0. porêm.Revista Tecnologia e Sociedade .232 -0.181 -0.142 0.118 -0.178 -0. está em A3. A Argentina é o único paíse que se encontra no quadrante II e ainda assim.007 0.014 0.145 -0.052 0.332 -0.372 -0.118 -0.049 0.081 -0.290 -0.1ª Edição.194 0.124 0.030 -0.052 0.102 -0.070 -0.067 0.141 -0.170 -0. longividade e renda.097 -0.143 -0.035 -0.020 0.260 -0.267 -0.417 Quadro 4: Decomposição do crescimento em componentes de variação na america latina-2007 e 2010 Fonte.112 -0.038 -0.127 0.154 -0.145 -0.120 -0.157 0.157 -0.156 -0. QUADRO 5: DECOMPOSIÇÃO DO CRESCIMENTO EM COMPONENTES DE VARIAÇÃO NA AMÉRICA LATINA .342 -0.036 -0.036 -0.165 -0.040 -0.341 -0.325 -0.081 -0.323 -0.238 -0.000 0.206 0.121 -0.184 -0.041 -0.041 -0.225 -0.150 0.291 -0.031 -0.007 -0.234 -0.028 -0.023 -0.119 -0.152 -0. o que significa que possui VLE negativo.005 0.040 0.428 -0.040 -0.111 -0.109 -0.098 -0.234 -0.127 -0.004 0. Argentina foi a que menos sofreu com a críse em relação ao desenvolvimento social.148 0.150 0.152 -0.238 -0.175 -0.044 0.060 -0.159 0.157 0. Elaboração Própria O quadro 6 apresenta a classificação dos países por quadrante de acordo com sua variação.032 -0.130 0.331 -0. percebe-se que dentre todos os países.198 0.417 -0.124 -0.163 -0.145 -0.120 -0. constatase que a mesma possui capacidade de ativação social (VLD>0) .290 -0.044 0.001 -0.178 -0.297 -0.107 -0.146 0.133 -0.188 -0.037 -0.261 -0.287 -0.257 -0.102 -0.153 -0.052 0.323 -0.120 -0.296 -0.337 -0.314 -0.149 0.157 -0.161 0.039 0.

o que significa que possuem uma fraca capacidade de ativação social. 2012. ISSN (versão online): 1984-3526 102 intermediária onde a capacidade de ativação social foi capaz de suprimir a ineficiência alocativa (VLE<0) e assim conseguir um maior crescimento na América Latina. tanto eficiência alocativa quanto ativação social são ausente. estão em B3. gerados pela fragilidade da internacionalização no processo de crescimento. Todos os países correspondentes ao quadrante III.2007 e 2010 Classificaçã o dos Países Posição de Quadrante País Argentina Bolívia Brasil Colômbia Guiana Peru Uruguai Venezuela Belize Chile Costa Rica Equador El Salvador Guatemala Haiti Honduras México Nicarágua Panamá Paraguai República Dominicana II III IV A3 B3 B3 B3 B3 B3 B3 B3 B2 B2 B2 B2 B2 B2 B2 B2 B2 B2 B2 B2 B2 Fonte: Elaboração Própria . Esses países apesar das perdas nos indicadores básicos. o que piora ainda mais o desempenho. QUADRO 6 : RESULTADOS DA METODOLOGIA SHIFT-SHARE. Os países do quadrante IV estão em B2. POR CLASSIFICAÇÃO E QUADRANTES NA AMÉRICA LATINA . Aqui.1ª Edição. evitando com que o paíse atinja índices piores (B3). a gestão pública consegue uma eficiência alocativa positiva. Nesses países a sociedade obteve perdas em todos os elementos do IDH.Revista Tecnologia e Sociedade . o que significa que possuem eficiência alocativa presente e VLE>0.

O DESENVOLVIMENTO NA REGIÃO METROPOLITANA DE CURITBA: o desempenho dos índices de desenvolvimento econômico. OLIVEIRA. A Unila em Construção: um projeto universitário para a América Latina. 2010. Cap. ______ . J. 2010. A América Latina. classsificar os 21 países de acordo com seu desempenho.S. talvez pela sua grande dimensão e diferenças de desempenho econômico e social. Referências Bibliográficas COSTA.pdf> acesso em 15 de abril de 2012. Nova York. Disponível em: <http://www. Compendio de Economia Regional. 1989. Métodos de análise regional e urbana: diagnóstico aplicado ao planejamento.Revista Tecnologia e Sociedade . Combate as alterações climáticas: Solidariedade Humana num mundo dividido. Relatório de Desenvolvimento Humano 2007/2008. . que de uma forma ou de outra. 2012. mas. ISSN (versão online): 1984-3526 103 Considerações Finais Percebe-se. todos os países da América Latina foram afetados no desempenho do Índice de Desenvolvimento Humano de 2007 em relação a 2010. 2002. EUA . possibilitou uma maior compreensão de como anda a capacidade dos países de gerir problemas sociais gerados por “disturbios” econômicos. HADDAD. EUA. Coimbra: APDR.B. Nova York. Foz do Iguaçu: IMEA.2007. G. Paulo Roberto. aliada ao shift-share. a variação dos indicadores do IDH obtidos através do relatório anual do PNUD de 2007 e 2010. SIMÕES. O diferencial está no fato de que alguns paíse souberam adminsistra melhor seus recurso para suprir perdas ou simplismente para evitar com que a sociedade sofresse ainda mais com a queda no desempenho do IDH.cedeplar. seja tão difícil classifica-la através de dados e variáveis. 2009. PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.ufmg. Economia regional: Teorias e métodos de analise. dessa forma.1ª Edição. Nova York. o mesmo se mostra muito útil no que compete a variação de indicadores. EUA. Fortaleza. IMEA. BND. 24 A analise de componentes de variação (shift-share). 2009. A aplicação do método shift-share possibilitou de forma clara. Curitiba: PPGDE. Rodrigo Ferreira. ______ A Verdadeira Riqueza das Nações: Vias parra o Desenvolvimento Humano.Ultrapassar barreiras: Mobilidade e desenvolvimento humao.br/pesquisas/td/TD%20259.

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SOUZA. Nali de Jesus de. Desenvolvimento Regional .São Paulo: Atlas, 2009. VASCONCELLOS, António Vale e. Economia Urbana. Porto: Rés, 1984.

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Reflexões sobre a Capacitação Gerencial na Agricultura Familiar Brasileira
Reflections on management in the Brazilian Family Farming
Joelsio José Lazzarotto João Caetano Fioravanço
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Resumo
A agricultura familiar apresenta grande relevância para o desenvolvimento social e econômico do Brasil. No entanto, a ampla maioria dos produtores rurais familiares apresenta sérias deficiências gerenciais. Diante disso, baseando-se principalmente em análises de estudos técnico-científicos, buscou-se efetuar reflexões acerca da gestão nos estabelecimentos de agricultura familiar, dando-se ênfase a questões relacionadas com a situação gerencial e com o modelo e os mecanismos que possam ampliar a capacidade de gerenciamento nessas organizações. Dentre os principais resultados e conclusões, destaca-se que, para minimizar os problemas gerenciais dos agricultores familiares, a utilização da visão sistêmica e o envolvimento efetivo desses atores organizacionais são imprescindíveis em todas as etapas de planejamento e execução do modelo de capacitação a ser adotado. Palavras-chave: Tecnologias de gestão. Enfoque sistêmico. Metodologia participativa.

Abstract
Family farming in Brazil has great relevance to the social and economic development. However, the vast majority of family farmers has serious managerial deficiencies. Thus, this work aimed to make reflections on managing family farms, emphasizing the managerial situation and the model and the mechanisms to improve management capacity in these
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Joelsio José Lazzarotto: Médico veterinário, mestre em administração rural, doutor em economia aplicada e pesquisador da área de socioeconomia da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa. Áreas de interesse em pesquisa: tomada de decisão na agricultura, estudos de sistemas de produção agropecuária, avaliação de tecnologias e análises de resultados econômico-financeiros de empreendimentos agroindustriais. Vínculo institucional: Embrapa Uva e Vinho.Email: joelsio@cnpuv.embrapa.br. João Caetano Fioravanço:Engenheiro Agrônomo, mestre em Fitotecnia, doutor em Economia, Sociologia e Política Agrícola (Agronegócios) e pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa. Áreas de interesse em pesquisa: fruticultura, fisiologia e manejo de plantas, seleção de variedades e sistemas de produção sustentáveis. Vínculo institucional: Embrapa Uva e Vinho. E-mail: fioravanco@cnpuv.embrapa.br.

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organizations. As results and conclusions, we emphasize that, to minimize management problems of farmers, the systemic approach and the effective involvement of these organizational actors are essential in all phases of planning and implementing the training model to be adopted. Keywords: Management technologies. Systemic approach. Participatory methodology.

Introdução
A agricultura familiar constitui um segmento de fundamental relevância para o desenvolvimento social e econômico do Brasil. Essa importância pode ser justificada por dois pontos principais: 84% das propriedades rurais do País são familiares; e os estabelecimentos familiares respondem, respectivamente, por 34% e 74% do valor bruto e do pessoal ocupado na produção agropecuária nacional (CENSO..., 2006). Apesar dessa relevância, a agricultura familiar brasileira depara-se com grandes problemas, que constituem fortes entraves para a sua competitividade e sustentabilidade ao longo do tempo. Entre esses problemas, merecem atenção especial aqueles associados com aspectos de gestão, pois, de maneira geral, a ampla maioria dos pequenos e médios produtores tem sérias deficiências gerenciais, elevando, assim, a frequência de empreendimentos familiares mal remunerados. Portanto, a questão gerencial é um fator crítico para o desenvolvimento da agricultura familiar nacional. Diante disso, é imprescindível que a extensão rural melhore suas estratégias de ação para transmitir aos produtores familiares importantes noções gerenciais, incluindo aspectos de planejamento, controle, comercialização e análise econômica da produção. Com essas noções, o produtor poderá tomar decisões mais rápidas e eficientes, tornando o seu negócio mais competitivo (BUAINAIN; BATALHA, 2007) e sustentável, independente do seu tamanho (REICHERT, 1998). Partindo dessa contextualização inicial e levando-se em conta que na literatura nacional ainda são escassos os trabalhos técnico-científicos que envolvem, ao mesmo tempo, avaliações situacionais e discussões sobre ações de capacitação gerencial de agricultores familiares, foi elaborado este artigo. O objetivo principal consiste em efetuar reflexões sobre a gestão nos estabelecimentos de agricultura familiar, enfatizando-se, principalmente, questões relacionadas com a situação gerencial dos produtores familiares e com o modelo e os mecanismos que podem ser usados para ampliar a sua capacidade de gerenciamento.

A situação gerencial na agricultura familiar brasileira
Um empreendimento rural, familiar ou não, deve ser gerido eficientemente como forma de garantir sua inserção no mercado e, por consequência, sua sustentabilidade e competitividade (BATALHA et al., 2004; LOURENZANI, 2006). Essa afirmação é plenamente justificável pelo fato de que existe uma

o caráter perecível da maioria dos produtos agropecuários que interfere nos processos de comercialização. planilhas de resultados etc. LOURENZANI. Nessa mesma linha.Revista Tecnologia e Sociedade . portanto. 2012.) tende a ser exceção nessas organizações (REZENDE. BATALHA. 1999. Relacionado com os trabalhos técnico-científicos desenvolvidos no País e que envolvem aspectos de gestão de empreendimentos rurais.) são considerados parte da rotina operacional da maioria dos estabelecimentos rurais familiares. é pertinente salientar que. de materiais e de produtos e serviços. via de regra. LOURENZANI. é pobre o emprego de técnicas adequadas de . 2003. os mecanismos de difusão tecnológica adotados no Brasil não têm sido suficientes para capacitar o agricultor familiar na implementação e utilização das técnicas de gestão disponíveis. como: o ciclo produtivo que. não estando vinculada a ações efetivas de capacitação gerencial de produtores e técnicos extensionistas. SANDRI. especialmente associado aos programas de assistência técnica e extensão rural. armazenamento e conservação. (2004). os esforços voltados para as tecnologias de gestão e informação direcionadas. apresentam grande descapitalização. não conseguindo. para os pequenos produtores rurais são ainda muito escassos e. sobretudo. Por outro lado. 2007). BATALHA et al. e os altos custos de saída e/ou entrada em um empreendimento agropecuário (SOUZA et al. SEGATI. ter acesso e beneficiar-se de modernas tecnologias de informação. pode -se inferir que essa capacitação constitui outro grande entrave. além de muito incipientes. possibilitando. pois expressiva parcela desses atores organizacionais. além de não receber auxílio gerencial adequado (BUAINAIN.. Mesmo junto a produtores que possuem alto grau de tecnificação produtiva. que estão entre os principais meios que os produtores familiares utilizam para obter orientações de diversas naturezas. 2004. Batalha et al. no Brasil existe um esforço considerável no desenvolvimento e difusão de tecnologias de processo. é dependente de condições biológicas. NEUKIRCHEN et al. 2005. as condições climáticas que condicionam a maior parte das explorações agropecuárias. ISSN (versão online): 1984-3526 107 série de fatores que podem afetar significativamente o desempenho das propriedades rurais. MARION. ao produtor rural. 1995). inócuos. De acordo com Batalha et al.. (2004) assinalam que..1ª Edição.. 2006. a utilização rotineira de instrumentos de gestão (aspectos comerciais e contábeis. ZYLBERSZTAJN. melhorias no processo de tomada de decisão (UECKER et al. além de irreversível. Embora as questões gerenciais sejam imprescindíveis para o sucesso de qualquer empreendimento. é consenso que. a grande maioria tende a ser difundida apenas em forma de publicações. Essas tecnologias incluem novas formas de negociação e práticas de gestão do processo produtivo. 2005. Apesar de muitos desses fatores não serem controláveis. 2006). As dificuldades de gerenciamento enfrentadas pelos agricultores familiares tendem a perpetuar-se. A partir de Mercês e Sant’Ana (2005). outros podem ter algum controle mediante a utilização de tecnologias gerenciais adequadas. 2006). operações agrícolas etc. enquanto os aspectos vinculados com a produção (insumos.

capital. a fim de melhor compreendê-la. Essa diferenciação e complexidade devem-se. 2006). que. Zuin e Zuin (2007) enfatizam que é importante que o capacitador traduza conhecimentos advindos da academia à “língua” falada dos aprendizes. com uma abordagem participativa. ISSN (versão online): 1984-3526 108 gerenciamento. 2004). em termos práticos. deve estar adaptado às condições locais.. Permite. sistematicamente desalojados do ambiente onde estão inseridos devido à necessidade de se produzir em grande quantidade. contemplando conhecimentos técnicos e gerenciais. às diferenças na disponibilidade. Diante dessas considerações. 2012. é possível afirmar que as ações de capacitação precisam estar sustentadas na visão sistêmica. o referido modelo deve estar focado em um processo de aprendizagem e de construção coletiva de conhecimento. identificando e caracterizando os principais sistemas de produção. GONÇALVES. mas se inscreve na própria vida e prática dos agricultores. acadêmico e elitista.. tornando possível a integração do processo educativo ao processo produtivo desenvolvido por eles (LIMA et al. A necessidade de adoção de um modelo dessa natureza deve-se ao fato de que. as práticas técnicas. na maioria das regiões agropecuárias do Brasil. existem e coexistem diferentes e complexos sistemas de produção. ou seja. o diálogo como essência da relação educacional deve problematizar o conhecimento dentro da sua realidade concreta. onde a formação administrativa não é um ritual abstrato. territorial e multidisciplinar. Em outras palavras.Revista Tecnologia e Sociedade . com elevado padrão de qualidade e a preços competitivos. como planejamento estratégico e controle e análise de custos de produção. para que essas ações propiciem os resultados esperados. Porém. Essa exigência tem penalizado muitos pequenos produtores. o ritmo intenso da atualização tecnológica no campo requer a atualização de informações e a adoção de mecanismos de aprendizagem e de formação profissional dos agricultores. considerando as peculiaridades do público-alvo e da região (LOURENZANI. explicá-la e transformá-la. que parta de respostas relacionadas com a seguinte questão: que conhecimentos gerenciais os agricultores familiares inseridos em determinada realidade necessitam se apropriar para alcançar o desenvolvimento sustentável? Portanto. sociais e econômicas e os problemas enfrentados. 1995). LAZZAROTTO et al.1ª Edição. 1995. o ponto de partida e chegada para a construção do conhecimento em gestão organizacional é o homem em sua atividade real. caracterizar o desenvolvimento rural presente e avaliar tendências para agricultura regional como forma de projetar a . concordam e/ou executam tarefas e se relacionam com o mercado e as demais variáveis que compõem o ambiente organizacional externo (ZORDAN. principalmente. possibilita realizar levantamentos da situação socioeconômica dos agricultores. trabalho e tecnologia) e às formas como os produtores aceitam as inovações tecnológicas. qualidade e utilização dos fatores de produção (terra. Para Segatti e Hespanhol (2008). ainda. O modelo de capacitação. Modelo de capacitação gerencial na agricultura familiar Ações de capacitação gerencial de produtores familiares devem incluir diversos aspectos.

Esse fato exige que o extensionista compreenda a racionalidade dos agricultores e o porque de suas atitudes. DUFUMIER. é relevante para compreender problemas de relações. Essa compreensão.1ª Edição.Revista Tecnologia e Sociedade . Quanto ao terceiro.. O segundo aspecto trata do meio agroecológico. 2009). em que o agente da extensão rural levava ao agricultor uma proposta pronta. ao longo do tempo. para implementar ações efetivas direcionadas ao aprimoramento da gestão na agricultura familiar. procurando identificar os fatores que. propõe-se a adoção de mecanismos operacionais que contemplem cinco etapas chaves: caracterização geral das unidades de produção. em função de explorarem sistemas de produção agropecuária um tanto . O quarto aspecto diz respeito ao funcionamento dos sistemas produtivos. identificação das demandas gerenciais prioritárias. contrapondo o discurso dos pacotes tecnológicos. Mecanismos operacionais para a capacitação gerencial Baseando-se nos fundamentos teóricos acerca do modelo de capacitação gerencial. bem como das práticas e técnicas que os agricultores adotam. programas. avança-se para a etapa de definição de grupos de agricultores. influíram ou condicionaram o processo decisório dos produtores rurais. que sejam mais adaptados aos contextos social. Em todas essas etapas. ISSN (versão online): 1984-3526 109 evolução da realidade agrária e propor políticas. Com base nos resultados obtidos com a caracterização das unidades produtivas. visando a definir a forma como podem ser introduzidas mudanças que não provoquem impactos negativos ou desestruturem a organização interna da unidade produtiva (FAVERO. que envolve cinco aspectos principais dos estabelecimentos agropecuários presentes em determinada realidade rural (LIMA et al. O primeiro refere-se à localização e ao tipo de inserção nos meios físico e socioeconômico. 2012. SARRIERA. 1999. Nessa etapa são estabelecidos grupos menores de produtores que. o que permite compreender o estágio em que se encontram. de acordo com Dufumier (1996). constitui fator-chave para a proposição de intervenções adequadas a cada realidade rural. além de não ignorar os objetivos socioeconômicos dos agricultores. Finalmente. A utilização do enfoque sistêmico. econômico e agroecológico em que vivem os agricultores (INCRA/FAO. projetos e ações de desenvolvimento prioritários. 1996). o emprego da visão sistêmica e a ampla participação de representantes de extensionistas e de produtores são fundamentais para assegurar o adequado cumprimento das ações previstas. o quinto aspecto consiste em estudar a trajetória das propriedades rurais. definição de grupos de agricultores. que envolve basicamente a caracterização do meio natural. envolvendo análises dos usos dos recursos produtivos. desenvolvimento e validação conjunta de instrumentos metodológicos e implementação de ações de capacitação. 1995). ele contempla as características estruturais dessas organizações: grupo familiar e meios produtivos. estruturas e interdependência das propriedades rurais com seu ambiente externo. A etapa de caracterização geral das unidades de produção consiste em obter um diagnóstico geral.

Nessa etapa. pode-se iniciar a etapa de desenvolvimento e validação conjunta de instrumentos metodológicos (e. têm melhores subsídios para a tomada de decisões. também. paralelamente à execução das cinco etapas descritas. percebendo as diferenças e semelhanças e relacionando as diferentes variáveis que interferem nos resultados físicos e econômicos do processo produtivo. Os cuidados no desenvolvimento e na validação dos citados instrumentos são sustentados por Altieri (2002). os conhecimentos e as habilidades gerenciais que precisam ser aprimorados por meio de ações efetivas de capacitação. serão desenvolvidas as ações específicas de capacitação. cadernos de contabilidade simplificados) a serem utilizados na realização das ações em questão. utilização e aplicação) à realidade desses produtores.1ª Edição. ou seja. de forma permanente. de forma conjunta. Com essa estratégia. ao invés de estar restrita a um curso ou uma palestra. deve-se efetuar permanente avaliação dos mecanismos operacionais e dos resultados obtidos. similares. O estabelecimento desses grupos é reforçado. ao envolver aspectos de gerenciamento organizacional. primeiramente. mediante trocas de experiências com outras pessoas. esses instrumentos devem estar bem ajustados e adequados (facilidades de compreensão. tendem a apresentar características socioeconômicas e problemas gerenciais. a capacitação em discussão deve pautar-se na programação e no . Levando-se em conta as demandas. podem ser utilizados os instrumentos metodológicos específicos visando a aprofundar questões que contribuam para aprimorar a gestão organizacional. pode-se avançar para a etapa de identificação das demandas gerenciais prioritárias . para que esse processo propicie os resultados esperados. É importante assinalar que. de maneira a não comprometer o processo de capacitação gerencial dos produtores. Nesse sentido. Com isso. ele deve fazer parte de um plano que contemple ações continuadas. extensionistas e representantes de cada grupo de produtores familiares. ainda. Essa avaliação é fundamental para permitir. 2012. pois este enfatiza que a geração de tecnologias adequadas às necessidades da agricultura familiar deve surgir de estudos integrados das condições ambientais e socioeconômicas. para cada grupo.g. identificando. sobretudo. a partir de discussões permanentes envolvendo. pelo fato de que além de existir grande limitação de agentes atuantes na extensão rural brasileira. ISSN (versão online): 1984-3526 110 similares. Além disso. que influenciam os sistemas de produção e controlam suas respostas às alternativas tecnológicas. Essa identificação trata de avaliar. devem ser estimuladas discussões gerais entre produtores e extensionistas. Após essas discussões. com o objetivo de resgatar a forma e os conhecimentos tradicionalmente empregados pelos agricultores na gestão das suas unidades produtivas. Após definir todos os grupos de produtores. quando necessária. a efetivação de correções de rumos. os produtores podem fazer comparações entre as suas unidades de produção.Revista Tecnologia e Sociedade . para cada grupo de agricultores e com as demandas identificadas. A etapa de implementação de ações de capacitação representa o momento em que.. os principais pontos fortes e as deficiências mais acentuadas vinculadas ao processo gerencial. a organização de agricultores impulsiona-os a aprenderem.

precisa deslocar-se de um grupo pequeno e homogêneo para um grupo grande e heterogêneo. que questões relevantes deixem de ser abordadas. Considerações finais As discussões efetuadas ao longo do trabalho. a formação de uma equipe multidisciplinar de assessoramento.Revista Tecnologia e Sociedade .1ª Edição. baseando-se em Gibbons et al. A segunda razão é decorrente do fato dessa equipe facilitar a elaboração de diversos instrumentos metodológicos específicos. caracterizando a estruturação de redes para atingir vários objetivos e interesses. entre as quais se destacam os painéis de discussão e os roteiros. A primeira reside no fato de contribuir com melhorias importantes na comunicação e transferência de conhecimentos e tecnologias existentes. é estratégica por duas razões. especialmente para assegurar que sejam observadas e atendidas as reais necessidades dos principais beneficiários. busca-se fazer com que o produtor. é possível assinalar que. De maneira sintética. por exemplo. introduza nas suas rotinas diárias e cultura gerencial os princípios e mecanismos administrativos abordados nas ações de capacitação. evitando-se. podem ser empregadas várias técnicas metodológicas. Para tanto. 3) pelo lado da responsabilidade social. ao invés de centrar-se no contexto acadêmico e com visão disciplinar. como planejamento e replanejamento de atividades e avaliações de metas e resultados. Isso porque. assim. como na prática a opção por implantar determinado sistema produtivo depende. os serviços em questão precisam aprimorar as suas estratégias de atuação. das preferências e escolhas efetuadas pelo agricultor e seu grupo familiar. a utilização da visão sistêmica e o envolvimento efetivo de produtores e extensionistas em todas as etapas de planejamento e execução das ações voltadas para a capacitação gerencial são imprescindíveis. os roteiros são constituídos por vários tópicos e podem ser muito úteis para orientar as discussões com os produtores. o modelo a ser empregado precisa ajustar-se ao modo emergente de produção do conhecimento. 2) em termos de equipe. Ações continuadas são essenciais para que o agricultor melhor se familiarize com diversos aspectos. ISSN (versão online): 1984-3526 111 desenvolvimento de várias atividades. relacionados com diferentes aspectos técnicos e gerenciais que afetam os resultados da produção agropecuária. que serão utilizados nas várias etapas do processo de capacitação gerencial. deve desenvolver-se no contexto da aplicação a partir de uma visão multidisciplinar. Enquanto os painéis objetivam uma discussão crítica entre os participantes sobre assuntos de relevância. duas safras agrícolas. procuraram fornecer subsídios auxiliares aos serviços de assessoramento junto aos produtores familiares. Finalmente. (1994). que podem durar. além de contextualizar a situação da gestão na agricultura familiar brasileira. cabe enfatizar que. fundamentalmente. Na condução das referidas ações. na capacitação gerencial de agricultores familiares. na execução das cinco etapas citadas. esta deve permear todo . que apresenta algumas características fundamentais: 1) na organização. 2012. Com isso. também. os agricultores familiares. de fato.

p. em relação ao controle de qualidade. 2012.sidra. Cuiabá: SOBER. Cadernos de Psicologia Social do Trabalho.P. 2002.. 42.. é necessário passar de uma visão predominantemente técnico-científica para uma visão em que há valorização de todo conhecimento útil à solução de determinado problema.1-16. Paris/Wageningen: Karthala/CTA. Cadeia produtiva de fruta. SCOTT. 2004. Acesso em: 02 de agosto de 2011.J.. ISSN (versão online): 1984-3526 112 o processo de produção e aplicação do conhecimento. 1995.O. GIBBONS.. de. LAZZAROTTO. e 5).313-322.A.. Cuiabá: SOBER. A.. Anais. M.8. 1996.ibge.. (Agronegócios. H.. NEUMANN. A. A. SCHWARTZMAN. Ijuí: UNIJUÍ...S. 175p. 2004.. LIMOGES. 2004.. In: CONGRESSO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ECONOMIA E SOCIOLOGIA. Administração da unidade de produção familiar: modalidades de trabalho com agricultores.. 4) sobre a questão da reflexividade. et al.C. BUAINAIN. INCRA/FAO. In: CONGRESSO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ECONOMIA E SOCIOLOGIA. 2004.1. M.3. BATALHA. . Organizações Rurais & Agroindustriais. London: Sage. NOWOTNY. M. LIMA.. 42. Referências ALTIERI. Cuiabá. SOUZA FILHO. LOURENZANI. The new production of knowledge: the dynamics of science and research in contemporary societies. H. 102 p. p. Brasília: INCRA/FAO. Capacitação gerencial de agricultores familiares: uma proposta metodológica de extensão rural. Guia metodológico: diagnóstico de sistemas agrários.. n. 354p. BUAINAIN. J. BATALHA. M.Revista Tecnologia e Sociedade . ROESSING. FAVERO.. Cuiabá. Extensão rural e intervenção: velhas questões e novos desafios para os profissionais. 2009. 2007.br/bda>. Les projets de développement agricole : manuel d’expertise. M. (1 CDRom). H. SARRIERA. deve envolver novos critérios (impactos esperados) e novos atores (clientes e beneficiários). W. CENSO Agropecuário 2006. (Projeto de Cooperação Técnica). (1 CD-Rom). n. E. M. Agroecologia: bases científicas para uma agricultura sustentável. Brasília: IICA/MAPA/SPA. Anais. P. v. de.1ª Edição.. Disponível em: <http://www. Lavras. ao invés de ser realizado por pares. M. Tecnologia de gestão e agricultura Familiar. Grupos de agricultores para a tomada de decisões organizacionais: uma proposta metodológica. Guaíba: Agropecuária. v..L. MELLO. BASSO. N.M. finalmente. J. Porto Alegre.C. 58p.gov.12. 1994. 592p.C. 1999. 2006. TROW.7). S... v. C. DUFUMIER.M. P..

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Curitiba. Revista Tecnologia e Sociedade. Jul.5. 2012.Revista Tecnologia e Sociedade . ISSN (versão online): 1984-3526 114 Paulo Freire para extensão rural.49-60. 2007. .1ª Edição. n. p.

no século XXI. Orientador.br Egon Walter Wildauer: Doutor em Ciências Florestais pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). materialização do conhecimento. vivências. principalmente pelo fato dos conhecimentos estarem dentro da particularidade de cada indivíduo. cultura. O uso de ferramentas tecnológicas é de suma importância como meio de disseminação deste conhecimento.br. ativista do conhecimento e o livro eletrônico fazem parte do cenário do objeto de estudo e é com base nestes conceitos que surge uma proposta de uso do livro eletrônico como ferramenta tecnológica de disseminação do conhecimento. ISSN (versão online): 1984-3526 115 Uso do E-book Como Meio de Compartilhamento Formal e Disseminação do Conhecimento Explicito em Organizações Use of e-book as formal resource of sharing and dissemination of explicit knowledge in organizations Adriane Ianzen Machado Fabiana Paula Hoffmann Egon Walter Wildauer 9 Resumo Há uma grande gama de conhecimento fragmentado dentro das organizações. Universidade Federal do Paraná – UFPR. Curitiba. E-mail: egon@ufpr. em seu novo surgimento.Revista Tecnologia e Sociedade .1ª Edição. que é algo individual e importante para a construção do conhecimento explícito. para sua disseminação. que carrega seus saberes conforme suas experiências. 2012. resultando no levantamento dos conceitos potenciais para o compartilhamento dos conhecimentos das organizações. E-mail: adriane@iagil. Foi realizada uma análise qualitativa de teorias que sustentam a criação de um meio para a disseminação formal do conhecimento por meio dos e-books. uma vez que o usuário pode ter acesso em tempo real ao conhecimento utilizando-se tanto de 9 Adriane Ianzen Machado: Mestranda do Programa de Mestrado em Gestão e Tecnologia da Informação. . Brasil. Gestão e Tecnologia da Informação (UFPR).com. Brasil. PR – Brasil. Professor do Programa de Mestrado em Ciência. Constatou-se que materializar o conhecimento utilizando-se do e-book pode ser uma ferramenta estratégica e tecnológica para agregar valor às organizações. Fato este que remete ao que se pode chamar de conhecimento tácito. Curitiba. Mestre em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). PR – Brasil. Os aspectos fundamentais e conceituais referentes ao e-book. gestão do conhecimento.br Fabiana Paula Hoffmann: Mestranda do Programa de Mestrado em Gestão e Tecnologia da Informação. neste sentido este artigo tem como objeto de estudo o uso do livro eletrônico (e-book) como ferramenta estratégica para a materialização do conhecimento e. E-mail: fsilvadm@yahoo. O método de pesquisa adotado foi a pesquisa bibliográfica com análise da literatura sobre os livros eletrônicos. Universidade Federal do Paraná – UFPR. consequentemente.com.

As a result. o que gera uma competitividade e um poder de conhecimento vantajoso para as organizações. Palavras-Chave: E-book. this paper has the objective study the use of electronic book (e-book) as a strategic tool in order to materialization the knowledge and. knowledge management. surgiu a Sociedade da Informação e mais tarde a Sociedade do Conhecimento. which generates competitivity and a power knowledge advantage for organizations. knowledge's activist and the electronic book make part of the scenery of the object of study and part of these concepts.Revista Tecnologia e Sociedade . ocorreu a multiplicação de informações e o grande aumento no desenvolvimento do conhecimento. disseminação. knowledge management. in this sense. Key-words: E-book. its spread. gestão do conhecimento. since the user can have real time access to knowledge using both computers and cell phones. in the twenty-first century. emerges a proposal to use the electronic book as a technological tool for knowledge dissemination. armazenamento. Abstract There are a wide range of fragmented knowledge within organizations. disseminação são termos muito conhecidos pela Sociedade da Informação. The fundamental and conceptual aspects related to e-book. This fact leads to what might be called tacit knowledge. transmissão estão presentes em ambas Sociedades coexistentes no mundo. junto com . ativista do conhecimento. 2012. ISSN (versão online): 1984-3526 116 computadores como de aparelhos celulares. 1 INTRODUÇÃO A tecnologia. knowledge's activist. explicit and tacit knowledge. knowledge's materialization. materialização do conhecimento. The use of technological tools has a great importance as a way of disseminating explicit knowledge and. which is something personal and important to construct the explicit knowledge. consequently. knowledge's materialization. resulting in a survey of potential concepts for the knowledge sharing in organizations. é responsável por grande parte das revoluções em qualquer campo ou área de conhecimento. Nesse ínterim. conhecimento tácito e explícito. Organização.1ª Edição. culture and way of life. mainly because knowledge are within the particularity of each person who carries their knowledge according their experiences. e seu constante aprimoramento. Os desafios da colaboração. Sociedade esta que. Desde que a internet foi disponibilizada para acesso público e sua popularização permitiu a intensa troca de informações entre pessoas de diversas partes do planeta. Quantitative analysis was performed over the theories that support the creation means for formal dissemination of knowledge through the e-books. The research method used was a literature review with analysis of them on e-books in his new appearance. these paper found that materialize the knowledge using e-book can be a strategic and technological tool to add value in organizations.

Quem afirma isto são os autores Takeuchi e Nonaka (2008). Com essa revolução algo a mais foi evidenciado: o crescimento do conhecimento. trouxe uma revolução no campo da comunicação. acompanhados das pranchetas eletrônicas (ou tablets). há ainda muita dificuldade nas empresas em realmente se utilizar adequadamente os conhecimentos gerados internamente. pois. é a negligência das instituições no momento da externalização dos conhecimentos. que ressurgem com foco corporativo. Desta forma questiona-se então: como aproveitar essa ferramenta tão valiosa nas empresas. Na prática. Estes aparelhos também não são novidades no mundo tecnológico. os e-readers. 2008. A crescente preocupação empresarial com seu ativo financeiro interno tem foco para o ser humano. para eles. ISSN (versão online): 1984-3526 117 o avanço das tecnologias da informação e comunicação. ou e-book. este processo tem sido amplamente negligenciado na literatura organizacional. gerir o conhecimento é algo ainda nebuloso para muitas instituições e uma das possíveis causas para isso. As ferramentas colaborativas e de socialização. como aquelas oferecidas pelas redes e comunidades sociais e empresariais.Revista Tecnologia e Sociedade . comenta ainda que essa situação compreende também "outras características inovadoras. da transmissão de dados e informações. concomitante ao ressurgimento dos aparelhos leitores. É nesse contexto que se insere a nova era dos livros digitais.0 e sobre o aumento da disponibilização e do consumo de recursos de áudio e vídeo. sua existência é mais antiga. embora a sua força de mudança e inovação sejam os novos leitores digitais. nas quais as empresas devem estar inseridas. comenta sobre o surgimento da web 2. No momento vive-se uma intensa '(r)evolução' em um produto que é muito tradicional para o ser humano e que está totalmente relacionado com a transmissão de informações e com o conhecimento: o livro.1ª Edição. na alteração do suporte do livro que passa do impresso ao digital. porém neste século alguns conceitos em relação a essa tecnologia foram modificados. Esta (r)evolução está pautada. sejam aparelhos celulares) como uma estratégia . 2012. seu colaborador com suas competências e habilidades em gerar e transmitir conhecimentos. pelos sistemas colaborativos Wiki e por meio da crescente geração e difusão de conteúdo pelos próprios usuários" (TORQUATO. Dessa forma este artigo tem como objetivo apresentar uma proposta de uso de e-books e seus aparelhos leitores (sejam ereaders. ao invés de meros equipamentos para leitura e/ou entretenimento de seus usuários. Torquato (2008). prefácio). também interagem-se neste contexto de geração e compartilhamento de conhecimentos. De forma generalizada. convencionalmente tratado de livro eletrônico. públicas na web. O e-book não é uma tecnologia do século XXI. sejam tablets. para que auxilie na produtividade e competitividade empresarial? Com base nesta questão pretende-se entender como os livros eletrônicos podem se apresentar como uma ferramenta útil na disseminação do conhecimento. principalmente. ou seja. no prefácio do livro Sociedade da Informação. Apesar de o conhecimento ser algo muito comentado e discutido dentro das organizações.

. neste caso os livros eletrônicos. Em fim apresentam-se as considerações finais com base nos autores que serviram como apoio teórico para a construção da proposta.Revista Tecnologia e Sociedade . 1. 1.1ª Edição. a materialização do conhecimento é foco do quarto tópico e o uso de e-books como disseminação formal do conhecimento externalizado é proposto no sexto tópico.1 Estrutura Este artigo está estruturado em seis tópicos de forma que no primeiro é apresentado um breve histórico sobre os e-books. no terceiro tópico. no segundo apresenta-se uma atualização devida à evolução do conceito. 2012.2 Procedimentos Metodológico Os procedimentos metodológicos adotados para esta pesquisa foram: levantamento bibliográfico e análise de literatura com os temas abordados de acordo com o quadro 1. nos temas gestão do conhecimento e disseminação formal do conhecimento. para então adentrar. ISSN (versão online): 1984-3526 118 para a gestão e o compartilhamento de conhecimentos dentro de uma organização. seguido de análise qualitativa dos conhecimentos potenciais compartilhados para viabilizar uma proposta de disseminação de conhecimentos dentro das organizações por meio de uma ferramenta tecnológica.

ISSN (versão online): 1984-3526 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA BARRETO. 2010. 2004 A gestão do conhecimento e a disseminação formal do conhecimento Importância da disseminação formal do conhecimento como estratégia competitiva para as organizações. SIMCSIK e POLLONI. YANO. 2010. utilizando-se da tecnologia e do ativista para a elaboração. IDPF. SILVA e BUFREM. 2003. 2003. TAKEUCHI e NONAKA. TÓPICO CORRESPONDENTE CONTRIBUIÇÃO PARA AS ORGANIZAÇÕES 119 Histórico sobre os ebooks Propicia o conhecimento sobre o cenário de e-books. Contribui para integrar e sistematizar formalmente os conhecimentos fragmentados. SPENDER. 2010 DZIEKANIAK. 2008. 2011. ROSINI e PALMISANO. para o compartilhamento e para a troca formal de conhecimentos. CHOO. SABBAG. 2008. 2008. 2002.1ª Edição. BENÍCIO. internalização e a combinação é possível a migração do conhecimento tácito em conhecimento explícito contribuindo para a formalização e registro dos conhecimentos gerados pelas organizações. 2000 O livro eletrônico como estratégia para a gestão do conhecimento Quadro 1: Escopo do artigo Fonte: elaborado pelos autores . Atualização de conceitos em relação aos e-books Definição e distinção do conceito de E-books e aparelhos leitores. tornando-as dinâmicas e competitivas. DUGUID e BROWN. 2008. 1997. GARCIA. GROTTO. 2001. ICHIJO. 2006. 2007. FLEURY e OLIVEIRA JUNIOR. 2010. GUTENBERG. 2010. Materialização conhecimento do Propõe uma estruturação formal e concreta do conhecimento. RODRIGUES. 2002. SANTIAGO JUNIOR. 2012. externalização. 2010. NONAKA e TAKEUCHI. 2004. 2006. TEIXEIRA FILHO. 2010 2010. as alterações que ocorrem dentro das organizações. 2010. BARRETO. Por meio da socialização. não limitado a um local físico (estático). REZENDE. DZIEKANIAK. inibindo os problemas com falhas na transferência desses e adequando em tempo real.Revista Tecnologia e Sociedade . MUÑOZ-SECA e RIVEROLA.

ilustrações. um boom (sic) na produção de conteúdo”. 2010). uma tela monocromática que reconhecia escrita com canetinha (stylus). aparelho leitor de propriedade da Amazon. Philips e Sharp foram igualmente derrotadas na missão de emplacar um portátil. 134) Este fracasso inicial não desanimou os investidores deste tipo de aparelho. um fracasso estrondoso de vendas. a qual diferencia os arquivos de livros eletrônicos de aparelhos leitores. 2011. Inclusive esse cientista imaginava a possibilidade de imitar o virar de páginas apertando botões ou mesmo tocando na tela. a troca de dados por infravermelho e 1MB de memória para guardar contatos. Em 1968. mais de 36. visto que a partir do lançamento do Kindle. com textos.) Entre seus atrativos. ISSN (versão online): 1984-3526 120 2 BREVE HISTÓRICO SOBRE OS E-BOOKS O conceito de livro eletrônico não é recente. Após o ano 2000 houve uma espécie de revolução no mercado de ereaders.. Em 1945. Sony. 2003). em poucos anos. a rede possibilitou. o Projeto Gutenberg (GUTENBERG. Devido ao crescente uso e interesse dos e-books. conforme Garcia (2010. Para baixar e-mails era preciso comprar um modem e acoplar.1ª Edição. pequeno de duas telas. pois tanto o arquivo do livro quanto os aparelhos leitores eram chamados de ebooks. colorido e legibilidade perfeita.. de um livro dinâmico que seria uma espécie de computador portátil. atualmente. Não por acaso. uma iniciativa que criou os livros eletrônicos. em meados do ano 2000. (. Em 1971 Michael Hart fundou.Revista Tecnologia e Sociedade . (BARRETO. 2001). procurando ganhar o mercado (BENÍCIO. p. p. (SILVA.000 livros livres para download e leitura em diversos tipos de aparelhos. Quem conseguiu tirar os handhelps do anonimato e transformá-los em ícones dos anos 90 foi a até então desconhecida Palm Computing. A seguir apresenta-se essa atualização de conceitos. nos EUA. e-readers ou dos blogs. por volta dos anos 90. 2012. BUFREM. cada um com suas funcionalidades e particularidades. Allan Kay (um cientista norte-americano da Xerox Corporation) previu o aparecimento. 2008). oferecendo. surgindo entre a década de 90 e o ano 2000 diversos tipos de aparelhos leitores. já era possível distribuir uma obra pela internet. 1) “antes mesmo de e-books. Vannevar Bush (diretor do Escritório de Pesquisas e Desenvolvimento dos EUA) idealizou o primeiro aparelho leitor de livros que ele chamou de Memex. houve a necessidade de uma atualização do conceito de e-book. a Apple: inaugurou o mercado de computadores de bolso com o Newton. Em 1992. houve um grande aumento no desenvolvimento de novos aparelhos leitores (YANO. .

o qual. Este formato está na sua versão 3. 2009.1ª Edição. desenvolvido em 2007. este tipo de tecnologia proporciona um meio de disseminar formalmente os conhecimentos dentro das organizações. SORRIBAS. logo. 2006. 2003. XML e CSS e que é um padrão aberto. 2010).Revista Tecnologia e Sociedade . com apoio de linguagens de formatação como o Extensible Stylesheet Language (XSL) e o Cascading Style Sheets (CSS). o que se torna uma ferramenta estratégica para a gestão do conhecimento. SILVA. 2001. tornando-se o formato padrão usado pela maioria dos aparelhos desenvolvidos para este fim. O ePub transformou-se em um unificador de tecnologias. lançada em outubro de 2011 e abrange funcionalidades como multimídia e a linguagem JavaScript (IDPF. 4 A GESTÃO DO CONHECIMENTO E A DISSEMINAÇÃO FORMAL DO CONHECIMENTO Para se chegar à Gestão do Conhecimento. p. e então chegou-se ao ePub (eletronic publishing). Text (TXT). verifica-se o uso do termo e-book para designar tanto o arquivo do livro quanto os aparelhos leitores (BENÍCIO. seguidos dos tablets. hardware e conteúdo. um formato que agrega as funções do HTML. os chamados formatos proprietários. BENÍCIO. BUFREM. o que é bem explicitado por Barreto (2006) que coloca a gestão do conhecimento dentro de uma ciência. Antes haviam os Portable Document Format (PDF). O autor a considera como: “uma instituição mediadora da relação informação-conhecimento” (BARRETO. inicialmente. assim como também o formato dos livros (arquivo) também se e modificou. 2010. 2005. de forma a garantir que o leitor que o adquirisse. se confundia com software. uma vez que a terminologia estava em processo de desenvolvimento e necessitava de um maior “tratamento por parte das áreas envolvidas com o estudo dos suportes informacionais” (DZIEKANIAK. 11) e apresenta tempos distintos na história desta ciência: “tempo de gerência da . ISSN (versão online): 1984-3526 121 3 ATUALIZAÇÃO DE CONCEITOS EM RELAÇÃO AOS EBOOKS Após o surgimento dos primeiros e-books houve uma mudança radical no seu conceito. Em vários artigos publicados sobre o livro eletrônico. BUFREM. Esse conceito passou a se firmar a partir do desenvolvimento dos ereaders. houve uma linha do tempo a ser percorrida pelas organizações. HyperText Markup Language (HTML). tivesse que comprar os livros somente de sua própria plataforma. surgiu o Extensible Markup Language (XML) com o conceito de organização do conteúdo. Definido o conceito de e-book e sua utilidade como documento virtual e atualizável em qualquer circunstâncias. p. a ciência da informação. 2010. 2012. Até o surgimento do ePub os fabricantes de e-readers procuravam criar um formato compatível com o seu próprio e-reader. DZIEKANIAK. 2). pelo IDPF (International Digital Publishing Forum). SILVA. entre outros).

o tempo do conhecimento colaborativo. iniciado desde que surgiram os blogs e ferramentas de construção colaborativa na web (chamadas wiki). com CD-ROMS. e o “tempo do conhecimento interativo. indexar e recuperar informações”. No entanto. a partir do qual a organização tem que produzir outro grupo complementar e coerente. A multimídia. mas a construção mútua de informações e conhecimentos. não só interatividade na web. que comenta da interatividade após o advento da internet e de sua disponibilização para o acesso público. que vai de 1945 a 1980” no qual ele comenta o início da necessidade de organizar. 2010. (DUGUID.1ª Edição. mas disponíveis na web a fim de colher contribuições externas. do qual as melhores partes ou práticas possam ser selecionadas e transferidas. Ao contrário. Um ponto abordado pelos autores refere-se a intermediação do conhecimento. data de publicação da obra do autor. acima de tudo. trata-se de um grupo de conhecimento fragmentado e localmente desenvolvido.Revista Tecnologia e Sociedade . A necessidade de filtro e critério no momento de preenchimento de um "repositório de conhecimento" é essencial para evitar problemas como esse de saturação. a Internet. nas quais grupos de opiniões e crenças adjacentes unem-se em busca de conhecimentos e compartilhamento de informações sobre seus assuntos de interesse. porém apontam como problema dessa alternativa a questão da saturação das informações em virtude de seu crescimento indiscriminado. muitas vezes por meio do improviso (inovação). vídeos e. no qual uma sugestão seria que fosse feito por participantes que são integrantes de diversos grupos. Redes de relacionamento social fazem parte desse avanço. no período de 1980 a 1995”. ISSN (versão online): 1984-3526 122 informação. Duguid e Brown (2010) abordam a existência de comunidades de práticas nas organizações como grupos que se desenvolvem espontaneamente e enfatizam que essas comunidades trocam entre si e criam conhecimentos. em razão da nova tecnologia e da velocidade das comunicações. como ferramentas essenciais em diversas áreas. de forma a aliar os conhecimentos entre estes grupos. perdendo assim seu valor e sua especificidade. 71). 2012. Rodrigues (2010) aborda o incentivo proporcionado pelas novas tecnologias no desenvolvimento do conhecimento organizacional: A maior facilidade de acesso à informação. as quais não estão apenas dentro das organizações. Nesse contexto inserem-se as comunidades de práticas organizacionais. de 1995 até 2006”. BROWN. Pode-se acrescentar aos tempos identificados pelo autor. Surgiu nesse panorama. pelas comunidades de prática em determinada instituição. . p. Duguid e Brown (2010) comentam sobre a experiência do desenvolvimento de bancos de dados. afirmam que: o conhecimento dividido entre as comunidades diferentes de uma organização não equivale a um todo coerente. “tempo de relação entre informação e o conhecimento. no qual o autor identifica o início da relação direta entre informações e conhecimento. criou as condições apropriadas para que o conhecimento escapasse de seus detentores tradicionais: os pequenos círculos e a elite.

Em seus estudos o autor divide a Gestão do Conhecimento em duas frentes: uma que a trata como objeto (e procura abstrair o conhecimento das pessoas) e outra que a trata como processo (envolvendo os processos individuais e sociais de criatividade. então. o que acaba por conduzir “mensagens diferentes para os gerentes que tentam entender o que a gestão do conhecimento realmente significa para eles” (SPENDER. OLIVEIRA JUNIOR.” (TAKEUCHI.) seu valor está na habilidade de dar aos gerentes maiores insights e influenciar os sistemas de atividades e a comunidade de práticas que podemos chamar de organizações” (SPENDER. de forma a manterem-se competitivas na “economia do conhecimento”. proposto por Takeuchi e Nonaka (2008). para o nível organizacional. Entendemos por gestão estratégica do conhecimento a tarefa de identificar. 18) afirmam que "O conhecimento da empresa é fruto das interações que ocorrem no ambiente de negócios e que são desenvolvidas por meio de processos de aprendizagem. 2010. Combinação e Internalização). ISSN (versão online): 1984-3526 123 facilitou a compactação da informação e sua distribuição indiscriminada (RODRIGUES. Spender considera ainda que o valor (do conhecimento) “dep ende de sua habilidade [dos gerentes] de ir além da análise convencional para capturar e analisar novos fenômenos. p. Fleury e Oliveira Junior (2010. Esse modelo “está no núcleo do processo de criação do conhecimento (…) e descreve como os conhecimentos tácito e explícito são amplificados em termos de qualidade e quantidade. (. A gestão do conhecimento apresenta uma importante contribuição para a compreensão de como recursos intangíveis podem constituir a base de uma estratégia competitiva. assim como para a identificação dos ativos estratégicos que irão assegurar resultados superiores para a empresa no futuro (…). o que torna necessário unir o conhecimento com a tecnologia moderna para torná-lo disponível quando necessário. Verifica-se. p. inovação. p. 23). desenvolver. 2012. motivação e comunicação). 88). Os autores consideram que os conhecimentos tácitos de um grupo de pessoas em uma organização são as competências essenciais da empresa. 31). intuição e valores". o chamado SECI (abreviatura de Socialização.Revista Tecnologia e Sociedade . Spender (2010) comenta que as empresas geralmente têm muito conhecimento armazenado. disseminar e atualizar o conhecimento estrategicamente relevante para a empresa (FLEURY. 2010. NONAKA.. p. porém de forma desestruturada e dispersa (tanto em pessoas quanto em objetos e/ou produtos da própria empresa). Externalização. assim como do indivíduo para o grupo e. 46). 19). p. 2010. desta forma a necessidade de se considerar o ciclo da geração do conhecimento.1ª Edição. O conhecimento pode ser entendido também como informação associada à experiência. p.. . 2010. Fleury e Oliveira Junior (2010) afirmam ainda que as empresas de conhecimentos diferentes devem unir-se para suprir suas falhas potenciais de conhecimentos. 2008.

189). p. conhecimento do domínio. Ichijo (2008). p. o que tem sido frequentemente desconsiderado pelas organizações. interpreta e representa em tipos e estruturas convenientes” (SIMCSIK. corroborando com Takeuchi e Nonaka (2008). apontando seis deles: (1) foco e inicialização da criação do conhecimento. 24) Nonaka (2008) comenta que tornar o conhecimento tácito em explícito é o mesmo que expressar o inexpressável e sugere o uso de linguagem figurativa e de simbolismo para isso. inteligência. código de software. considerando-o como aquele que pode ser expresso formalmente com a utilização de um sistema de símbolos. tática e diplomacia. quanto dos executivos seniores. O conhecimento explícito pode se basear em objetos ou regras. de forma que sejam incorporados em novas tecnologias e produtos. Afirmam ainda que o engenheiro do conhecimento deva possuir boa comunicação. disserta sobre alguns casos de sucesso e comenta que os responsáveis pela gestão do conhecimento devem sintetizar os conhecimentos tácitos de seus colaboradores. p. relacionando suas atividades ao quadro geral da empresa. como engenheiro do conhecimento). conhecimento de programação.1ª Edição. (2) redução do tempo e do custo necessários para a criação do conhecimento. em especificações de produtos. ISSN (versão online): 1984-3526 124 Ainda é possível verificar que os autores consideram que as organizações tem negligenciado a etapa de externalização do conhecimento. Ele extrai conhecimento de alguma fonte. para que o conhecimento empresarial seja coletado. apresenta alguns propósitos para a existência do ativismo do conhecimento. empatia e paciência. desenhos técnicos. (CHOO. fotografias e outros. tanto os de linha de frente. que é pessoal. E que segundo o conceito proposto por Simcsik e Polloni (2002). patentes. (3) alavancagem de iniciativas de criação do conhecimento por tora a corporação. banco de dados de computador. 373). 2006. 2008. NONAKA. conhecido como o ativista do conhecimento (também chamado por alguns autores. (4) melhoramento das condições daqueles engajados na criação do conhecimento. tornando-os explícitos. (…) O conhecimento baseado em objetos pode ser encontrado. é convertido em conhecimento transmissível e articulado. armazenado e externalizado eficientemente há a necessidade da existência de um ator no processo. protótipos. explicita de forma clara sobre o conhecimento explícito. que tem como função impulsionar e fazer um elo de ligação entre os indivíduos e o conhecimento. Para os autores “O engenheiro do conhecimento é o profissional responsável pela estruturação e construção de um sistema inteligente. 2012. que é a etapa na qual “o conhecimento t ácito. rotinas ou procedimentos operacionaispadrão.Revista Tecnologia e Sociedade . Um papel importante para que este conhecimento seja de tal forma articulado dentro das organizações é desempenhado pelo chamado 'ativista do conhecimento'. específico ao contexto e difícil de formalizar e comunicar aos outros. POLLONI.” ( TAKEUCHI. Na mesma linha de pensamento desses autores. O conhecimento explícito é baseado em regras quando é codificado em normas. versatilidade e inventividade. Choo (2006). por exemplo. podendo portanto ser facilmente comunicado ou difundido. 2002. (5) .

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preparação dos participantes da criação de conhecimento para novas tarefas nas quais seu conhecimento é necessário; e (6) inclusão da perspectiva da microcomunidade no debate mais amplo de transformação organizacional. (ICHIJO, 2008, p. 131132)

O autor afirma ainda que:
Os ativistas do conhecimento são grandes participantes em pelo menos quatro subprocessos de criação de conhecimento. No início do processo, eles frequentemente formam microcomunidades de conhecimento. Eles facilitam o caminho para a criação e a justificação dos conceitos, assim como para a construção de um protótipo. (…) Os ativistas do conhecimento são os divulgadores do conhecimento na empresa, espalhando a mensagem a todos.” (ICHIJO, 2008, p. 131-132).

Desta forma, verifica-se que para gerenciar o conteúdo de um livro eletrônico é necessário um ativista do conhecimento para cada área específica, para a qual se utilizará essa ferramenta. Para que todos deem sugestões, e elas sejam filtradas e sintetizadas de forma que fiquem claras para todos, para que o conhecimento seja compartilhado de maneira eficaz. Rosini e Palmisano (2008) esclarecem bem a contribuição que um documento com informação digital pode oferecer:
Quando a informação é digitalizada e comunicada por meio de redes digitais, revela-se um novo mundo de possibilidades, em que quantidades enormes de informação podem ser comprimidas e transmitidas na velocidade da luz, pois a quantidade das informações pode ser muito melhor do que nas transmissões analógicas. Muitas formas diferentes de informação podem ser combinadas, criando, por exemplo, documentos multimídia e as informações podem ser armazenadas e recuperadas instantaneamente de qualquer parte do mundo, propiciando, consequentemente, acesso instantâneo a maior parte das informações registradas pela civilização humana. (ROSINI; PALMISANO, 2008, p. 107, grifo nosso).

Um aspecto importante em um ativista é a sua capacidade de saber interagir com as pessoas e a capacidade de atuar como um suporte de ligação entre o conhecimento e as idéias tácitas advindas de diversas vivências de cada indivíduo. Há que se mencionar a metáfora do Iceberg do Conhecimento, pois, de acordo com Sabbag (2007, p. 56-57) o conhecimento é explorado como se fosse em camadas de um iceberg. No topo do iceberg estão as partes que fazem parte do conhecimento explícito como o saber fazer (teorias, normas, procedimentos, instruções, processos organizacionais) e na parte submersa e intangível encontra-se a parte que compete ao conhecimento tácito como o saber fazer incorporado, saber os porquês, saber com quem (talentos naturais, simbolismos, crenças, cultura, valores e atitudes, pressupostos). Neste contexto o ativista do conhecimento para atuar como ator no processo, deve saber lidar com as nuances existentes entre o conhecimento explícito e o que se pode aprender com o conhecimento tácito, uma vez que

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a profundidade com que terá que lidar com este último é maior e envolve um processo de extração do conhecimento individualizado. Corroborando com essa ideia há a espiral do conhecimento (figura 1) proposta por Nonaka e Takeuchi (1997, p. 80), na qual observa-se que o grande desafio corresponde em transformar o conhecimento tácito em explícito, ou seja, no processo de externalização. E neste processo está a fundamental importância do papel do ativista: na compilação de toda essa gama de conhecimentos exteriorizados.

COMPETIÇÃO

SOCIALIZAÇÃO Experiências compartilhadas

EXTERNALIZAÇÃO Conhecimento tácito convertido em explícito

INTERNALIZAÇÃO Conhecimento explícito incorporado no conhecimento tácito

COMBINAÇÃO Conceitos sistematizados

COOPERAÇÃO

Figura 1: Espiral do Conhecimento Fonte: adaptado de Nonaka e Takeuchi (1997, p. 80)

Neste cenário o ativista do conhecimento que está envolvido com a atividade de desenvolvimento de um livro eletrônico tem a função de ser um agente extrator do conhecimento tácito e um transformador deste conhecimento em explícito, por meio do método espiral do conhecimento de Nonaka e Takeuchi (1997), o ciclo de socialização, externalização, combinação e internalização, deve ser contínuo, possibilitando a troca de

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conhecimentos, o enriquecimento de saberes e a formalização do conhecimento. Dessa forma a disseminação formal do conhecimento tende a ser um produto dos esforços da extração e transformação do conhecimento tácito em conhecimento explícito, tomando um formato materializado, ou seja, pode-se falar em uma concretização do conhecimento.

5 MATERIALIZAÇÃO DO CONHECIMENTO
Apesar do conhecimento ser algo muito comentado e discutido dentro das organizações, há ainda muita dificuldade nas empresas em realmente se utilizar adequadamente os conhecimentos gerados internamente. Na prática, gerir o conhecimento é algo de grande dificuldade para muitas instituições e uma das possíveis causas para isso, é a negligência das instituições no momento da externalização dos conhecimentos. Quem afirma isto são os autores Takeuchi e Nonaka (2008), pois, para eles, este processo tem sido amplamente negligenciado na literatura organizacional. O conhecimento externalizado deve ser materializado, para ser disseminado corretamente, pois quando se trata de conhecimento é preciso se ter uma compreensão exata do que se pretende compartilhar dentro dos processos envolvidos, é importante saber mapear formalmente o conhecimento presente dentro das organizações. Esse processo de materialização se dá pela necessidade de gerar uma estrutura concreta do conhecimento, nesse sentido, bem explicitada por Muñoz-Seca e Riverola:
Dada a intangibilidade do conhecimento para poder manejá-lo fisicamente, requer-se sua transformação em estruturas materiais. O conhecimento deve se incorporar a uma estrutura física que pode se transformar por meios físicos bem estabelecidos e da qual se pode extrair de novo por meios sensoriais. O conhecimento em forma pura não é suficiente para satisfazer todas as necessidades da economia. O alimento para a mente deve ser suplementado com o alimento para o corpo. Por conseguinte, o conhecimento tem de ser transformado – também utilizaremos o termo “materializado” – em entidades tratáveis dentro dos processos básicos da empresa e da sociedade. (MUÑOZ-SECA; RIVEROLA, 2004, p. 45).

Na mesma perspectiva, os autores continuam e explicam o que seria a materialização do conhecimento:
A materialização do conhecimento é sua transformação numa forma que possa ser manipulada, armazenada, transmitida, recuperada e utilizada facilmente, sem ter de recorrer à pessoa que o originou. Uma materialização se origina num originador, protetor do conhecimento, e pode ser utilizada para resolver problemas no destinatário. Um inventário de conhecimentos da empresa é quase um passo obrigatório para a gestão do conhecimento. (MUÑOZSECA; RIVEROLA, 2004, p. 45).

conforme Grotto (2003. O compartilhamento do conhecimento pode ocorrer por meio de práticas informais ou formais. unidas podem propiciar grande desenvolvimento de conhecimento dentro da organização. .Revista Tecnologia e Sociedade . portátil e seguro. apresentações audiovisuais. na qual uma pessoa detentora do conhecimento é responsável por comunicá-lo e transmiti-lo aos demais interessados. O livro eletrônico tem a possibilidade de oferecer mais. 2012. no qual. quando necessário. como estratégia de armazenamento e disseminação de novos conhecimentos. com essa explanação a importância da tecnologia no compartilhamento formal do conhecimento dentro das organizações. no entanto percebe-se um implicador: a fragmentação desses recursos. vídeoconferência e o sistema de redes – terá conhecimento materializado. o autor ainda cita duas práticas de compartilhamento de conhecimento encontradas em empresas distintas: a) estratégia de codificação. O livro eletrônico vem como aliado a essa disponibilidade de conhecimentos nas organizações. ISSN (versão online): 1984-3526 128 As informações podem advir das reuniões informais. colaborativas e propiciar a todos informações precisas e atualizadas. 111-112). na qual o conhecimento é explicitado em sistemas de informação para acesso pelos colaboradores. 6 O LIVRO ELETRÔNICO COMO ESTRATÉGIA PARA A GESTÃO DO CONHECIMENTO O livro impresso é estático e corre o risco de ficar defasado muito rapidamente. ocorre de maneira não preestabelecida durante encontros casuais e conversas locais. À luz do compartilhamento formal do conhecimento e de acordo com alguns conceitos tem-se a possibilidade de se obter um cenário. passível de ser disseminado a quem interessar. e b) estratégia personalizada. segundo o autor “existem algumas práticas formais de compartilhamento do conhecimento – como palestras. Trata-se da portabilidade e da disponibilidade desses conhecimentos em tempo hábil. como “ o e-mail. pedem conselhos para resolver problemas e perguntam em que os outros estão trabalhando”. As práticas diferem de uma organização para outra. a videoconferência e o sistema de redes (…) e o mapeamento do conhecimento organizacional” (GROTTO. Há então a necessidade de uma ferramenta para a disseminação formal do conhecimento de forma a unir todas essas informações em um único local. Se as empresas considerarem exatamente o que o autor comenta – uso de e-mail. quando as pessoas trocam ideias. O compartilhamento informal. porém fragmentado. de forma externalizada formal e unificada. manuais e livros – propícias ao compartilhamento do conhecimento explícito” e algumas ferramentas tecnológicas para esse compartilhamento formal do conhecimento.1ª Edição. p. 110) “geralmente. p. 2003. de acesso fácil. remoto. Verifica-se. Essas duas práticas.

publicações. 22-23). sobre a socialização. documentos. internalização e a combinação poderá registrar tudo isso em livros eletrônicos. f) falta de processos de compartilhamento. livros. inovação. valor agregado. ainda assim seus pontos negativos em sua maior parte . etc. pode ser chamado de Sistema do Conhecimento. Isso significa a difusão das informações relevantes e úteis. através de meios estruturados como vídeos. pelo aprendizado interpessoal e o compartilhamento de experiências e ideias. com as organizações e com a sociedade como um todo. Conforme Santiago Júnior (2004) é possível verificar que A maioria dos problemas sobre a disponibilidade de conhecimentos nas organizações recai nas seguintes questões: a) problemas com transferência do conhecimento. (REZENDE. 85) O livro eletrônico como toda tecnologia tem seus pontos positivos e pontos negativos. que podem ser acessados na empresa. armazenando e atualizando conhecimentos) com o pode agregar todos os “produtos” em si próprio (documentos. amigável e de acesso fácil e ágil. “trabalhadas” por pessoas e/ou recursos computacionais.Revista Tecnologia e Sociedade . Se a empresa seguir as ideias de Nonaka e Takeuchi (1997). 25). ou mesmo em casa. sites). Além disso. d) impossibilidade de medição de uso do conhecimento. pelos seus colaboradores. c) conhecimento crítico nas mãos de poucas pessoas. Conforme o autor. (…) As empresas precisam de qualidade. transformando-as em conhecimento explícito. b) erros devidos à falta de conhecimento. textos. p. de conhecimentos. no qual o livro eletrônico se enquadra como uma estratégia para a Gestão do Conhecimento. 2012. como suporte à obtenção da vantagem competitiva inteligente. 2004. produzidas com qualidade e de forma antecipada. flexibilidade. que possa ser utilizado por todas as pessoas da organização. O uso de livros digitais supriria praticamente todas as questões citadas pelo autor. de conteúdo. ISSN (versão online): 1984-3526 129 oferecer principalmente a atualização de informações. serviço.1ª Edição. pode auxiliar nos processos (disseminando. as pessoas obtêm conhecimento daqueles que já o têm. emails. De acordo com Rezende (2002) existem os Sistemas do Conhecimento. 2002. Teixeira Filho (2000) comenta a necessidade das empresas em relação ao compartilhamento do conhecimento: O conhecimento é transmitido por pessoas e para pessoas. e) perda de conhecimentos relevantes nos momentos adequados. ou em viagens. páginas da Web. externalização. nos sistemas do conhecimento são gerados muitas informações com conhecimento agregado. O livro eletrônico pode unir tudo o que foi mencionado por Teixeira Filho. tudo de uma forma agradável. livros. hipertextos. (SANTIAGO JÚNIOR. vídeos. Para o autor: Todo e qualquer sistema que manipula ou gera conhecimentos organizados para contribuir com os seres humanos. p. 2000p. agilidade e velocidade de forma cada vez mais crítica (TEIXEIRA FILHO.

transformando-o em conteúdo de um suposto livro eletrônico que é disponibilizado novamente para todos os colaboradores. por meio dos colaboradores.  Pontos negativos dos livros eletrônicos: necessidade de um aparelho eletrônico para sua leitura. reunião de conteúdos textuais e multimídia.Revista Tecnologia e Sociedade . garantindo a mobilidade e acessibilidade do conhecimento que se busca. A figura 2 ilustra a união entre o compartilhamento “informal”.1ª Edição. Seu acesso pode ser feito em qualquer lugar. convergência de tecnologia. que seria a materialização deste conhecimento pelo ativista. falta de cultura em leitura eletrônica. sua disponibilização ao ativista do conhecimento e o compartilhamento formal. atualização de conteúdo. prática do uso de proteção de direitos autorais (improvável num modelo como esse proposto). Destacam-se:  Pontos positivos dos livros eletrônicos: portabilidade. ISSN (versão online): 1984-3526 130 são superados com adequações que podem ser promovidas pelo ativista do conhecimento e pela colaboração de seus usuários. disponibilidade e agilidade. . controle de acesso ao conteúdo pelo usuário e pelo moderador. A unificação de todos os conhecimentos estaria garantida e reunida em um local único de fácil acesso e portabilidade. 2012. falta de pro-atividade e interesse do usuário quanto ao conteúdo. esse livro eletrônico seria sempre alimentado pelo ativista do conhecimento a cada novo conteúdo (conhecimento) compartilhado. Desta forma. já que o seu aparelho leitor pode ser desde um computador a um aparelho de celular. externalizado e materializado.

no processo de coleta dos conhecimentos tácitos e a compilação e transformação destes conhecimentos externalizados em conhecimento explícito. também observado por Simcsik e Polloni (2002) e Ichijo (2008). 7 CONSIDERAÇÕES FINAIS O principal objetivo desse artigo foi mostrar uma proposta do uso do livro eletrônico (e-book) como uma ferramenta para a disseminação do conhecimento materializado. 2012. levando em consideração os conceitos e métodos sobre a Gestão do Conhecimento. bem como a forma como este conhecimento é articulado dentro das organizações. Trata-se de um meio de compartilhamento formal do conhecimento explícito materializado. Materializar . que deve ser o responsável pela concretização das ações necessárias à disponibilização de ambiente propício e ferramentas necessárias à captação desse conhecimento. de forma que este seja fornecido aos colaboradores como ferramenta estratégica para a disseminação formal do conhecimento. por meio de trabalhos como o do ativista do conhecimento.Revista Tecnologia e Sociedade . ISSN (versão online): 1984-3526 131 Colaborador es Conhecimentos Ativista do conhecimento E-BOOK Disseminação do conhecimento materializado Colaborador es e disseminação de conhecimento por Figura 2: Processo de materialização meio de e-books Fonte: Elaborado pelos autores.1ª Edição. para então transpô-los ao e-book. É muito importante o papel do ativista do conhecimento.

o acesso. conforme apresentado e defendido por Nonaka e Takeuchi (1997). acessibilidade. para que eles possam atingir a todos os objetivos desejados pela organização satisfazendo as necessidades de conhecimentos de seus colaboradores. O resultado obtido com os artigos analisados e com o levantamento bibliográfico mostra que para as organizações o conhecimento é aspecto fundamental para a competitividade e para a própria sobrevivência.Revista Tecnologia e Sociedade . o processo de materialização. a disseminação e a sistematização se fazem necessários para que a complexidade dos processos organizacionais se unifiquem para atingir os objetivos estipulados no planejamento estratégico. Surge neste contexto a preocupação com a espiral do conhecimento. 18) os conhecimentos tácitos de um grupo de pessoas em uma organização são as competências essenciais da empresa. têm negligenciado a etapa de externalização do conhecimento. como afirma Grotto (2003). auxiliando na tomada de decisões pelo compartilhamento dos conhecimentos. conforme afirmado por Takeuchi e Nonaka (2008). quando afirma que “há valor óbvio em inventariar esse conhecimento e em usar o poder da moderna tecnologia para torná-lo prontamente disponível a qualquer que seja a necessidade” (SPENDER. Por fim. conforme afirmado por Rosini e Palmisano (2008). 30-31). . de forma a atingir as necessidade de compartilhamento de conhecimentos em qualquer organização. p. Como afirmado por Fleury e Oliveira Junior (2010. para tornar o conhecimento tácito em explícito por meio da externalização e indo além se faz necessária a sistematização desse conhecimento.1ª Edição. isto em tempo real. desta forma o estudo mostra que a organização deve se preocupar com a formalização do compartilhamento dos conhecimentos. 2010. Neste aspecto a disponibilidade. concordando com Rezende (2002) em relação aos Sistemas de Conhecimento. concordando com Muñoz-Seca e Riverola (2004) e a disseminação do conhecimento por meio de e-books pode apresentar-se como uma ferramenta útil dentro das organizações possibilitando resultados positivos e satisfatórios. No entanto. Sendo possível observar que para disseminar os conhecimentos a tarefa de materializa-los é necessária. uma vez que o conhecimento pode ser acessado pelo usuário utilizando-se de diversas tecnologias desde um computador até um aparelho celular. 2012. o que garante a temporalidade. ISSN (versão online): 1984-3526 132 esses conhecimentos para disponibilizá-los em e-books torna-se um desafio e um ponto crucial para que a proposta em tela seja concretizada. Desta forma suprem-se as necessidades afirmadas por Santiago Júnior (2004). p. Desta forma concorda-se com Spender. Essa sistematização e seu compartilhamento ocorre formal ou informalmente. integridade do conhecimento que se deseja naquele espaço de tempo. o compartilhamento.

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