Revista Tecnologia & Sociedade

Periódico técnico-científico do Programa de Pós-graduação em Tecnologia da UTFPR

No. 14 – 1º semestre de 2012 – Semestral. Curitiba: Editora UTFPR (denominação anterior: Editora CEFET-PR).
ISSN (versão online): 1984-3526

PPGTE - Programa de Pós-Graduação em Tecnologia da UTFPR Av. Sete de Setembro, 3165 Cep: 80230-901 – Curitiba – Paraná - Brasil http://www.ppgte.ct.utfpr.edu.br/tecnologiaesociedade revistappgte@gmail.com

Revista Tecnologia e Sociedade - 1ª Edição, 2012. ISSN (versão online): 1984-3526

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ÍNDICE
Editorial...…...…..............…….……………….....……………………....5 Dr. Christian Luiz da Silva Algunas consideraciones sobre la valoración económica de bienes y servicios ambientales en áreas protegidas. ................... 7 Some considerations about the economic valuation of environmental goods and services in protected area. Alain Hernández Santoyo Mayra Casas Vilardell María Amparo León Sánchez Rafael Caballero Fernández Víctor Ernesto Pérez León A Influência dos Recursos Naturais Frente à Colonização do Vale do Macuri ............................................................................... 17 The influence of natural resources the colonization of the Vale do Mucuri Marcio Schuber Ferreira Figueiredo Cristiane Xavier Figueiredo Análise de patentes de tecnologias relacionadas ao descarte de resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos com vistas à sustentabilidade ambiental........................................................... 34 Analysis of technology patents related to the disposal of electric and electronic equipment waste regarding the environmental sustainability Luciara Cid Gigante Maria Cristina Comunian Ferraz Camila Carneiro Dias Rigolin Bioenergia e resíduos na cadeia de suínos: uma análise de custos e investimentos para transporte de dejetos suínos com posterior geração de bioenergia no município de Toledo/ PR ... 48 Bioenergy and waste in the chain of pigs: an analysis of costs and investments for the transportation of pig manure with subsequent generation of bioenergy in the city of Toledo / PR Sandra Mara Pereira Política Industrial Comum no Mercosul: apontamentos sobre o papel das instituições ................................................................... 67 Common Industrial Policy in Mercosul: notes on the role of institutions Rogério Santos da Costa

Revista Tecnologia e Sociedade - 1ª Edição, 2012. ISSN (versão online): 1984-3526

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Sustentabilidade nas Construções da Copa 2014, em Curitiba . 77 Sustainability on Constructions of the World Cup 2014, in Curitiba Sileide France Turan Salvador Ana Helena Corrêa de Freitas Gil Eloy Fassi Casagrande Júnior A Variação dos Indicadores Básicos do Índice de Desenvolvilmento Humano dos Países Latino-Americanos no Período de 2007-2010: uma Decomposição com uso da Metodologia Shift-Share ............................................................... 92 Variation of Basic Indicators Index of Human Desenvolvilmento Latin American Countries in the Period 2007-2010: a decomposition using the Shift-Share Methodology Bruno Theylon Oliveira Dias Gilson Batista de Oliveira Reflexões sobre a Capacitação Gerencial na Agricultura Familiar Brasileira ...................................................................................... 105 Reflections on management in the Brazilian Family Farming Joelsio José Lazzarotto João Caetano Fioravanço Uso do E-book Como Meio de Compartilhamento Formal e Disseminação do Conhecimento Explicito em Organizações . 115 Use of e-book as formal resource of sharing and dissemination of explicit knowledge in organizations Adriane Ianzen Machado Fabiana Paula Hoffmann Egon Walter Wildauer

da Universidad Piñar del Río. da Faculdade Presidente Antônio Carlos de Teófilo Otoni/MG. do Instituto Federal do . tecnologia e sociedade e sociologia do consumo por meio de uma das metodologias da ciência de informação. apresentam uma contribuição para o campo de ciência. coletaram informações relacionadas a 380 propriedades com suínos em fase de terminação e analisaram os potenciais de geração de dejetos. no artigo “Algunas consideraciones sobre la valoración económica de bienes y servicios ambientales em áreas protegidas”. professoras da UFSCar. Maria Cristina Comunian Ferraz e Camila Carneiro Dias Rigolin. Os autores Sileide France Turan Salvador e Ana Helena Corrêa de Freitas Gil. Rogério Santos da Costa. Mayra Casas Vilardell. O professor do programa de pós-graduação em Administração da Unisul. O primeiro artigo é uma contribuição dos pesquisadores e professores Alain Hernández Santoyo. há o especial interesse pela relação entre tecnologia e desenvolvimento pelas discussões referentes a temas multidisciplinares. Os autores. María Amparo León Sánchez e Victor Ernesto Pérez Léon. como meio ambiente. sobre a complexa e interdisciplinar questão da valoração econômica. Nesta edição. Os quatro primeiros artigos tem a questão ambiental como tema central da discussão multidisciplinar. ISSN (versão online): 1984-3526 5 EDITORIAL A primeira edição de 2012 da revista Tecnologia e Sociedade reforça ser um espaço plural de discussão entre as diversas relações e interações entre a tecnologia e a sociedade. O quarto artigo trata do tema bioenergia e resíduos na cadeia de suínos. Luciara Cid Gigante. O autor demonstra que ao invés de ser fator integrar as dificuldades institucionais no Mercosul para a integração política implicam em motivo de instabilidade para o bloco econômico. desenvolvem um modelo de multicritério como ferramenta para integração de componentes naturais. discute. Homero Fernandes Oliveira e Weimar Freire da Rocha Júnior.1ª Edição. O segundo artigo. Os pesquisadores do programa de pós-graduação em Desenvolvimento Regional e Agronegócios. biogás e energia elétrica. doutoranda em política de ciência e tecnologia da Unicamp. intitulado “A influencia dos recursos naturais frente à colonização do Vale do Macuri”. através de monitoramento tecnológico de produtos e processos relacionados ao descarte de lixo tecnológico. sobre a importância da política industrial como instrumento de desenvolvimento industrial em processos de integração regional. de Márcio Schuber Ferreira Figueiredo e Cristiane Xavier Figueiredo. de Cuba. Espanha. Sandra Mara Pereira. desenvolvimento. O sexto artigo denota a questão da sustentabilidade na construção civil. em seu artigo “Política Industrial e Comum no Mercosul”. demonstram a importância dos recursos naturais e sua influência no processo de colonização. 2012. econômicas e sociais que favoreça a otimização de decisões. Debora da Silva Lobo.Revista Tecnologia e Sociedade . relações internacionais e gerencias. e Rafael Caballero Fernandéz. O sexto e sétimo artigos tratam da sustentabilidade como tema central. da Universidad de Málaga. O artigo “Análise de patentes de resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos com vistas a sustentabilidade ambiental” avaliou as tendências verificadas por meio de documentos de patentes. sustentabilidade.

Os autores Joelsio José Lazzarotto e João Caetano Fioravanço. Os autores mostram que o uso do e-book pode ser uma ferramenta estratégica e tecnológica para agregar valor às organizações. 2012. Desejamos a todos boa leitura! Prof. intitulado “Reflexões s obre a capacitação gerencial na agricultura familiar brasileira”. mostram como o uso do e-book pode ser utilizado como meio de compartilhamento formal e disseminação do conhecimento explícito em organizações. A importância da questão gerencial para o desenvolvimento local é o tema do oitavo artigo. Esperamos que esta edição reforce a discussão no campo de ciência. O artigo “A variação dos indicadores básicos do índice de desenvolvimento humano dos países latino-americanos no período de 20072010” teve o intuito de mostrar como a crise de 2008 afetou não somente a questão econômica como a área social. refletiram sobre a importância da ampliação da capacidade gerencial para fortalecimento da agricultura familiar e possibilitar que este modelo seja efetivamente uma alternativa de desenvolvimento local. econômica e social em seu artigo “Sustentabilidade nas Construções da Copa 2012 em Curitiba”. discutem sobre o índice de desenvolvimento humano para os países latino-americanos. professor do programa de pósgraduação em Tecnologia. Christian Luiz da Silva Editor . Os pesquisadores da Universidade Federal da Integração Latino Americana – UNILA. Adriane Lanzen Machado. pesquisadores da Embrapa. em especial saúde e educação.1ª Edição. e Eloy Fassi Casagrande Júnior.Revista Tecnologia e Sociedade . ISSN (versão online): 1984-3526 6 Paraná. os pesquisadores do programa de pós-graduação em Ciência. perpassamos por diversos temas. Por fim. Gilson Batista de Oliveira e Bruno Theylon Oliveira Dias. Dr. tecnologia e sociedade. Com isso. relações e interações e diversidade de contribuição institucional para tratar a tecnologia e sociedade sob prismas diferentes e um enfoque multidisciplinar. analisam a função social da construção sustentável na Copa 2012 e a contectividade urbana. relacionando ao contexto de crescimento econômico destes países. Contamos com novas contribuições para maior fortalecimento dessa discussão e para que possamos fortalecer o alcance do objetivo da revista: ser uma referencia latino-americana para discussão multidisciplinar no campo de ciência. Fabiana Paula Hoffmann e Egon Walter Wildauer. tecnologia e sociedade incorporando novos pesquisadores e grupos de pesquisas nesta importante contribuição de entendermos os motivos e impactos de nossas ações nas universidades e instituições de pesquisas para o desenvolvimento dos países. Gestão e Tecnologia da Informação da UFPR.

Cuba. entre un conjunto de ellos. Email: mcasas@eco. de Economía Aplicada (Matemáticas). Some considerations about the economic valuation environmental goods and services in protected area. que posibilita la integración de diversos componentes de carácter natural. of 1 Alain Hernández Santoyo Mayra Casas Vilardell María Amparo León Sánchez Rafael Caballero Fernández Víctor Ernesto Pérez León Resumen La valoración económica ambiental de los recursos naturales. sino en la búsqueda de un equilibrio sistémico.C Ciencias Económicas. Palabras clave: valoración económica. Universidad de Pinar del Río. de Matemática. El objetivo del presente trabajo.Revista Tecnologia e Sociedade . Universidad de Málaga.C Ciencias Forestales. España. Universidad de Pinar del Río. Institución: Dpto. Email: maleon@mat. de Matemática. áreas protegidas.edu. Institución: Dpto. En el caso de las áreas protegidas. de Matemática. Institución: Dpto.edu.C Ciencias Matemáticas.edu.cu . el empleo de la modelación multicriterio como herramienta para la valoración económica de Bienes y Servicios Ambientales. Abstract The environmental economic valuation of natural resources represents an important mechanism to get an improvement in the natural resources 1 Alain Hernández Santoyo: Dr. bienes y servicios ambientales. de manera que se favorezca la optimización de las decisiones a tomar. Institución: Dpto. económico y social. Email: vp_leon@mat. es sin dudas un importante mecanismo que tributa a favor de lograr una mejor conservación y gestión de los recursos naturales. Cuba. 2012. se dirige a ilustrar la contribución de la valoración económica de bienes y servicios ambientales en áreas protegidas de la República de Cuba.C Ciencias Económicas. Cuba.cu María Amparo León Sánchez: Dra. economía ambiental. constituye una herramienta útil.edu. Universidad de Pinar del Río. Email: r_caballero@uma. Email: santoyocu@mat.1ª Edição.Institución: Centro de Estudios sobre Medio Ambiente y Recursos Naturales.C Ciencias Económicas. Universidad de Pinar del Río.upr. Mayra Casas Vilardell: Dra. ISSN (versão online): 1984-3526 7 Algunas consideraciones sobre la valoración económica de bienes y servicios ambientales en áreas protegidas.upr.cu Rafael Caballero Fernández: Dr. Cuba.cu.upr.es Víctor Ernesto Pérez León: Dr.upr. no en base a un único objetivo.

independientemente de que estos tengan o no mercado (Castiblanco. 2006). Introducción La valoración económica. sin embargo. políticas o acciones que protejan el medio ambiente y sus servicios” (Cerda. pues contribuye a descubrir el valor económico de las externalidades y de los bienes públicos y a diseñar políticas que prioricen la protección y conservación de los recursos naturales.1ª Edição. environmental goods and services. not based on an only objective. so that the optimization of decisions is favored.Revista Tecnologia e Sociedade . es una herramienta útil y complementaria en la formulación de políticas a favor de la sostenibilidad (Casas y Machín. 2003).46). El objetivo del presente trabajo. generación de un daño ambiental. que propone la economía ambiental. In the case of protected areas.13). but in the search of a whole balance among a group of them. Se considera que “la valoración económica puede ser útil en la definición de un grupo de prioridades. economic and social components. la valoración económica de estos recursos resulta necesaria. 2012. the using of a multicriteria modeling as a tool for the economic valuation of Environmental Goods and Services. consiste en asignar valores monetarios a los bienes. por la toma de decisiones sobre los usos alternativos de los recursos naturales. entre otros” (Azqueta. p. . servicios o atributos que proporcionan los recursos naturales y ambientales. realización de una mejora ambiental. The purpose of the present investigation concerns its attention to present the contribution of the economic valuation of environmental goods and services in protected areas to the Republic of Cuba. se justifica. resumiendo las consideraciones principales compartidas por los autores. el diseño de políticas ambientales para regular el acceso y el uso de los mismos y por constituir un elemento esencial para la actividad económica en la actualidad. protected areas. ISSN (versão online): 1984-3526 8 management. Lo anterior. constitutes an useful tool that provides the incorporation of different natural. 1994. Consideraciones sobre la valoración económica ambiental La valoración económica ambiental puede definirse como “un conjunto de técnicas y métodos. La misma constituye un procedimiento dirigido a imputar valores económicos a los bienes y servicios ambientales. Keywords: economic valuation. se dirige a ilustrar la contribución de la valoración económica de bienes y servicios ambientales en áreas protegidas de la República de Cuba. El desarrollo de propuestas de valoración económica del medio natural no resuelve de forma definitiva los procesos de degradación y sobreexplotación de la naturaleza. 2003. environmental economy. Así. que permiten medir las expectativas de beneficios y costos derivados de algunas acciones tales como: uso de un activo ambiental. p.

generando utilidad al mismo y no se transforman en el proceso”. En correspondencia con ello. El simple hecho de que no exista un mercado donde dichos recursos puedan ser intercambiados. Se definen los Bienes y Servicios Ambientales (BSA) como “aquellos productos o servicios de la naturaleza. comunidades o empresas que originan las diversas posibilidades de uso directo o indirecto. que tribute a reflejar una medida de su valor. Es evidente que el propio crecimiento económico conduce a la degradación paulatina de los bienes y servicios ambientales (Tietenberg. son. los servicios ambientales se asocian a las funciones ecosistémicas que utiliza el ser humano indirectamente. según Barsev (2002). ofrecen una medida de bienestar al ser humano.10). Los anteriores argumentos. implica un gran reto para la ciencia económica. es necesario referirse a algunas peculiaridades de este proceso en el caso de los bienes y servicios ambientales. Es por ello que. y en tal sentido lograr acciones más racionales en relación al uso y conservación de los recursos naturales. una degradación de los mismos provocaría un efecto directo o un cambio de bienestar. la forma de medir el valor económico de los BSA puede ser por medio de los beneficios directos o indirectos de los diferentes usos. se significan los planteamientos expresados en la Conferencia de las Naciones Unidas sobre Comercio y Desarrollo. en cambio. sin afectar el mejoramiento sostenible de las condiciones del medio ambiente” (Martínez.1ª Edição. 2009). cuando . la valoración económica de las funciones del medio ambiente se encuentra estrechamente relacionada con el uso racional de sus recursos. los cuales son utilizados de manera directa por el ser humano como insumos en la producción o en el consumo. de modo que se transforman en el proceso. 2012. Los espacios naturales. la valoración económica constituye una alternativa en la aproximación hacia el desarrollo sostenible La valoración integral de los recursos naturales se convierte así en una útil herramienta para enfrentar la dramática situación ambiental contemporánea. confirman que los BSA se encuentran involucrados en la actividad económica y al mismo tiempo contribuyen a ella. p. que bien pueden ser criterios de valoración directa o indirecta. por lo cual. 2004).Revista Tecnologia e Sociedade . sustentado en la necesidad de encontrar alternativas que permitan estimar su valor. ISSN (versão online): 1984-3526 9 Tomando en consideración la contribución que ella ofrece al proceso de toma de decisiones económicas. De manera oportuna. es por ello que se insiste en incorporar una valoración monetaria. “aquellos recursos tangibles que brinda la naturaleza. 2004. Los bienes ambientales. que responden a un deseo o una demanda de ciertos grupos de personas. o medir los cambios en la calidad ambiental en los flujos naturales de estos recursos (impactos positivos o negativos producto de las actividades económicas humanas) (Barsev. Necesidad de la “valoración económica” de bienes y servicios ambientales Al analizar los argumentos sobre la valoración económica.

sino que se valoran las preferencias de las personas ante cambios en las condiciones del ambiente y sus preferencias con respecto a cambios en los niveles de riesgo que enfrentan”.Revista Tecnologia e Sociedade .17). se identifican dos grupos de valor: los valores de uso y los valores de no uso. al expresar que “es importante destacar que no se está valorando el “ambiente” ni “la vida”. la idea de la valoración económica reviste una gran importancia para el manejo de los ecosistemas. se definen. UNCTAD. el fomento de la capacidad y la asistencia para el desarrollo (Garrido. el fortalecimiento de los sectores de BSA reviste gran importancia en los países en desarrollo. 2012. no constituye una propuesta mercantilista. como premisa fundamental hacia un correcto desempeño de la definición económica de valor. Al respecto el Valor Económico Total (VET) de un espacio natural comprende tanto los beneficios comerciales como los ambientales aportados. el comercio internacional. las inversiones. En este sentido. p. como muchos detractores de las metodologías de valoración asumen. En relación a ello.1ª Edição. sino un nuevo reto para enfrentar la irracional actuación humana convencional. y la economía ambiental se encarga de ofrecer sus aportes sobre la teoría del valor económico.26) afirman que “examinar el VET de los ecosistemas. p. La definición de valor económico El valor económico de bienes y servicios ambientales. pues existe una fuerte crítica de carácter ético referente a la propuesta de expresar en términos cuantitativos los valores de estos bienes y servicios. Dichas consideraciones conducen hacia la teoría del Valor Económico Total y a resaltar la cardinal idea de que no son solo los recursos de utilidad actual para la especie humana aquellos a los cuales debe atribuírseles un valor. estos incluyen beneficios directos e indirectos. la valoración económica de los bienes y servicios ambientales supone un análisis hacia la concepción relacionada con el uso directo de los bienes y por otro lado hacia el uso indirecto de sus servicios ambientales. En tal sentido. Como valores de uso. en particular. implica considerar su gama total de características como sistemas integrados: existencias de recursos o bienes. Por su parte. en esencia. resulta un tema polémico y para muchos inapropiado. ISSN (versão online): 1984-3526 10 reconocían que los Bienes y Servicios Ambientales (BSA) cumplen un papel fundamental en el desarrollo sostenible y por consiguiente. apoyándose en la definición que ofrece Cerda (2003. Según lo expresado. 2003. lo que se propone es que los economistas aprecien el valor de los ecosistemas mucho más allá de sus aportaciones en función de materias primas y productos físicos. se considera necesario hacer una reflexión acerca del concepto de valor económico. Emerton y Bos (2004. flujo de servicios ambientales y los atributos del ecosistema como un todo”. . Las preocupaciones acerca de la protección y conservación de los BSA. La valoración económica así enfocada. refuerzan la necesidad de la creación de espacios protegidos que permitan controlar el uso de los recursos naturales y sus funciones ecosistémicas. mediante el establecimiento de marcos reglamentarios apropiados. En torno a este debate. 2003).

En relación a los valores de uso.los cuales pueden ser directos (para el caso de un bosque la caza o la madera) o indirectos (p. por cuanto permite medir y evaluar los cambios ocasionados en el bienestar social de un usuario ante una variación ocasionada en un bien o servicio ambiental así como definir una actuación pertinente ante una situación ambiental dada. el valor de existencia. En resumen. se entiende aquel “que tiene determinado bien ambiental o recurso natural (valores de uso y no uso) para las siguientes generaciones. debiendo suponer por tanto no sólo los niveles tecnológicos futuros. si se tiene el cuenta el valor propio o intrínseco de muchos bienes ambientales.5). p. 2004. El valor altruista. pues responde a fenómeno complejo sobre el cual se precisa encontrar un acercamiento hacia su verdadero valor.e para la pesca son fundamentales las algas)” (Martínez. . . posible o planeado. y es por ello que las técnicas multicriterio favorecen la posibilidad de conjugar indicadores que desde la visión de la naturaleza. a pesar de no ser la única consideración legítima. la valoración económica de las preferencias humanas. suponiendo la conciencia del individuo. 2007.4). considerando la existencia de tres tipos de valor. se destaca la conciencia del usuario sobre la posibilidad de que la futura generación pueda hacer uso del bien (Leal. el valor de legado y el valor altruista” (OECD. 2006. armonicen en visión transversal todos estos componentes. 2008). está asociado a que el bien en cuestión puede estar disponible para otros en las próximas generaciones. 2002. p. de manera que se deriva de la propia existencia del activo ambiental”. constituye un aporte importante en la conceptualización del valor económico en el espacio natural. ISSN (versão online): 1984-3526 11 “aquellos derivados del actual uso de un bien o servicio. Es evidente que dicha reflexión conduce a intentar buscar herramientas que permitan la integración de juicios y enfoques en torno a las dimensiones clave de los procesos. En este sentido. sino también escalas de valores y principios morales de los que continuarán” (Uclés. El valor de existencia se entiende como “el valor de conocer que todavía existe un componente del medio ambiente.2). Por valor de legado.82). p. se señala que “el valor de no uso se refiere a la disposición o deseo por mantener algún bien en existencia aunque no exista un uso verdadero. 2007). la sociedad y la economía. la propuesta se centra en la inclusión del valor de opción como un valor de uso futuro (Hoyos. p.1ª Edição. 2012. La modelación multicriterio como herramienta para la valoración económica de BSA La concepción del VET de un área natural protegida demuestra que la valoración económica ambiental de sus recursos naturales representa mucho más que su simple aportación por concepto de aprovechamiento directo. El valor de opción se define como “el valor otorgado por la sociedad a determinados elementos ambientales en un contexto de incertidumbre acerca de la posibilidad de usarlos en el futuro” (Gutiérrez y Martínez. Con respecto a los valores de no uso.Revista Tecnologia e Sociedade .

naturales y sociales. En el caso de las áreas protegidas. Gómez et al. 1993). (2008). . ya que el bienestar es una variable multidimensional (Corral y Quintero. económico y social. 2000:4). con la finalidad de conservar y preservar el patrimonio natural y cultural. La modelación multicriterio desempeña un papel importante en la planificación ambiental. Un importante elemento. entre otros. Una conjugación de criterios económicos. León et al. destacándose los trabajos de Díaz-Balteiro y Romero (2004. histórico. 2007). por cuanto estas áreas cumplimentan funciones ecosistémicas muy diversas: la protección de la flora y la fauna silvestre. o bien pretenden satisfacer en la medida de lo posible una serie de metas asociadas a dichos objetivos (Romero. (2005). recursos genéticos.1ª Edição. para lo cual las técnicas multicriterio resultan de mayor utilidad que otras técnicas posibles. asociado a esta modelación. 2008). Como premisa. lo constituye la búsqueda de soluciones a problemas complejos que pueden no ser resueltos por otros enfoques más convencionales. 2008). sino que por el contrario pretenden buscar un equilibrio o compromiso entre un conjunto de objetivos usualmente en conflicto (criterios económicos. sino también los de índole social y natural (Cortés y Borroto. Al respecto. estético. Tales funciones precisan el examen conjunto y simultáneo de multiplicidad de factores. En este sentido. apoyándose para ello en la combinación de múltiples factores. este movimiento sustenta que los agentes económicos no optimizan sus decisiones en base a un solo objetivo. permitiendo incluso la realización de análisis de sensibilidad ante variaciones de los datos de entrada (Rodríguez.Revista Tecnologia e Sociedade . se reconocen notables méritos en sus aplicaciones al tratamiento de problemas ambientales. 2007). pued eser posible mediante la combinación de métodos multicriterio como: Análisis de Proceso Jerárquico (AHP). los procesos culturales e históricos de su conservación y las potencialidades económicas de su uso sostenible (Corral y Quintero. soportado precisamente en su capacidad para afrontar problemas marcados por diferentes evaluaciones en conflicto. naturales y sociales). naturales y sociales. 2012. (2009). Caballero et al. resulta de mucha utilidad el empleo de herramientas asociadas al proceso de toma de decisiones. Actualmente tal modelación está llamada a resolver problemas ambientales al incluir objetivos múltiples en los que se consideren no solo los objetivos convencionales. los autores comparten la idea de que la valoración multicriterio se convierte en una importante herramienta de análisis simultáneo de múltiples alternativas. la Programación por Metas Ponderadas (WGP) y otros convencionales como el método de actualización de la renta. Rehman y Romero (2006). ISSN (versão online): 1984-3526 12 Tal concepción responde necesariamente a una modelación eficiente y simultánea de dichos componentes que permita encontrar un equilibrio entre los criterios económicos. lo cual constituye un paso importante hacia el entendimiento de los procesos de uso por parte de las comunidades locales. además permite generar y analizar diferentes cursos de acción en base a múltiples criterios de evaluación. ecosistemas naturales como cuencas hidrográficas y valores de interés científico.

así como la protección de los valores histórico . A) Reserva Natural (Categoría I. Conservación del ecosistema y turismo) D) Elemento Natural Destacado (Categoría III.1ª Edição. el cual consta de ocho categorías. provincia de Pinar del Río. Dichos espacios naturales están dedicados especialmente a la protección y manejo de los recursos naturales.10). provincia de Sancti Spíritus. Conservación por un uso activo) F) Refugio de Fauna (Categoría IV. en correspondencia con las definidas por la UICN (Chimborazo. seis Reservas de la Biosfera reconocidas por la UNESCO: Península de Guanahacabibes (1987).) H) Área Protegida de Recursos Manejados (Categoría VI. pues se reconocen otras con la . Como áreas protegidas con reconocimiento internacional no solo se encuentran las Reservas de la Biosfera. Buenavista (2000). Protección estricta) B) Parque Nacional (Categoría II. Conservación a través de un uso activo) G) Paisaje Natural Protegido (Categoría V. p. rectorado por el Centro Nacional de Áreas Protegidas (CNAP) del Ministerio de Ciencia Tecnología y Medio Ambiente (CITMA) cuyos objetivos fundamentales se centran en: “Asegurar la conservación de los valores naturales más representativos del país con énfasis en la biodiversidad garantizando la estabilidad ecológica y el uso sostenible de los mismos.culturales asociados” (Chimborazo. Conservación del ecosistema y turismo) C) Reserva Ecológica (Categoría II. Unidad de Medio Ambiente Pinar del Río. el SNAP cubre cerca del 22% del territorio nacional en todas las variantes y categorías y casi el 10% (18. provincia de Pinar del Río. p.8% en el mar) en aquellas más estrictas o significativas. Ciénaga de Zapata (2000). provincia de Santiago de Cuba. los cuales representan las áreas de mayor importancia o relevancia natural y ecológica. 2007. Usos sostenible de ecosistemas naturales) En tal sentido. Baconao (1987). provincia de Guantánamo. De acuerdo con datos ofrecidos por CNAP (2004. ISSN (versão online): 1984-3526 13 Los espacios protegidos en Cuba En Cuba. Conservación y recreación del paisaje terrestre o marino. 2012. 2009). Sierra del Rosario (1985).1). provincia de Matanzas. Cuchillas del Toa (1987). Conservación de rasgos naturales) E) Reserva Florística Manejada (Categoría IV. las áreas protegidas forman parte del Sistema Nacional de Áreas Protegidas (SNAP).Revista Tecnologia e Sociedade . se distinguen en el archipiélago cubano. La clasificación de las áreas protegidas en Cuba responde a un sistema propio. 2007.

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no que tange ao aumento da população. bem como o desenvolvimento das atividades agropastoril. Especialista em Educação e Gestão Ambiental – FAZU(2002). percebe-se. .Brasil. Especialista em Docência do Ensino Superior – UNIPAC(2006). colonização. reflexos da exploração de recursos minerais.Revista Tecnologia e Sociedade . agropecuários. Cristiane Xavier Figueiredo: Especialista em Docência do Ensino Superior – DOCTUM. located in Eastern Minas Gerais State. a influência dos recursos naturais frente à colonização do Vale do Mucuri. região e território aplicados a esta realidade. de maneira clara e objetiva.1ª Edição. Palavras Chave: recursos naturais. Os resultados obtidos demonstram a importância dos recursos naturais e sua influência no processo de colonização. fluvial e sua influência. refletindo numa relação entre o próprio indivíduo com seu ambiente. A existência das cidades e o seu contexto fazem parte deste estudo que utiliza do recurso da revisão de literatura como metodologia. 2012. Com o povoamento das cidades. Abstract This article was developed in order to demonstrate clearly and objectively. Diretor Acadêmico Pedagógico da Faculdade Presidente Antônio Carlos de Teófilo Otoni/MG. Professora substituta do Curso de Direito da Faculdade Presidente Antônio Carlos de Teófilo Otoni/MG. tendo como base uma análise sistemática e teórica deste processo. contribuindo para o entendimento acerca da relação direta dos indivíduos e o seu meio ambiente. Brazil based on a systematic and 2 Marcio Schuber Ferreira Figueiredo: Mestrando em GIT – Gestão Integrada do Território. A pesquisa foi realizada a partir do estudo acerca da exploração das riquezas minerais aí presentes e os seus desdobramentos. localizado na região Leste do Estado Minas Gerais . Bacharel Direito – FENORD(1999). a devastação ambiental e a conseqüente escassez de riquezas. the influence of natural resources the colonization of the Vale do Mucuri. mercantil. claramente. ISSN (versão online): 1984-3526 17 A Influência dos Recursos Naturais Frente à Colonização do Vale do Macuri The influence of natural resources the colonization of the Vale do Mucuri Marcio Schuber Ferreira Figueiredo Cristiane Xavier Figueiredo 2 Resumo O presente artigo foi desenvolvido no intuito de demonstrar. Bacharel em Ciência Contábeis – DOCTUM. dos mercados e dos recursos hídricos evidenciando uma devastação ambiental. Bacharel em Direito – FENORD. vale do Mucuri. com ênfase nos conceitos de local. Professor Substituto do Curso de Direito.

2012.Brasil. e daí a Minas Novas. con énfasis adentro conceptos del lugar. environmental devastation and the consequent shortage of riches. La existencia de las ciudades y de su contexto son parte de este estudio que las aplicaciones del recurso de la revisión de la literatura como metodología. With the settlement of cities. región e el territorio se aplicó a esta realidad. . Vale do Mucuri. one realizes clearly reflections of exploitation of mineral resources. agricultural farms. la influencia él los recursos naturales lo afronta a colocar valle él Mucuri. markets and water resources demonstrating environmental devastation. O Povoamento da Região A partir da descoberta do ouro e dos diamantes na região do Alto Jequitinhonha. tendo por conseqüência. que na linguagem indígena quer dizer que. River and its influence. La investigación fue llevada a través del estudio referente a la exploración de los regalos mineral de la abundancia allí y de sus unfoldings. Palabras clave: recursos naturales. ISSN (versão online): 1984-3526 18 theoretical analysis of this process. The results obtained show the importance of natural resources and their influence in the process of colonization. with emphasis on the concepts of local. colocando. RESUMEN: El actual artículo fue desarrollado en la intención de demostrar. The survey was conducted from the study on the exploitation of mineral wealth there and their unfoldings. region and territory applied to this reality. en claro y la manera objetiva. así como el desarrollo del agropastoril de las actividades. Colonization. in regard to the increase of population. del devastação ambiente y de la escasez consiguiente de la abundancia. el contribuir para el acuerdo respecto a la relación directa de los individuos y de su ambiente. 1. Tratava-se de uma região procurada por aventureiros que viviam em busca de fortuna e escravos. as well as the development of agricultural activities. iniciou-se o processo de colonização regional. contributing to the understanding of the direct relationship of individuals and their environment. mercantil. fluvial y de su influencia. The existence of cities and its context are part of this study that uses the resource as literature review methodology. reflecting a relationship between the individual himself with your environment. Key Words: natural resources. en a lo que se refiere al aumento de la población. o aumento significativo da população. vale do Macuri. no jequi (armadilha) tin honha (tem peixe). mercantil. teniendo como base análisis sistemático y teórico de este proceso.1ª Edição. A região onde havia maior concentração populacional era a que ia do Peçanha a Itamarandiba.Revista Tecnologia e Sociedade . localizado adentro región al este de Minas Gerais .

o rio Todos os Santos. se deu de forma inversa.. Os rios Jequitinhonha e Mucuri. As notícias transmitidas por Felippe de Guilhem a D. melhor controlada. etc. terra nova. (PORTO. sem dono. “ outro veio . fértil. pelo contrário. principalmente aquelas que têm bosques. à cata de ouro e de esmeraldas. que mandasse alguns homens pelo sertão dentro a descobrir minas e saber se havia aí ouro. pois o ouro e diamantes mais fáceis ou de superfície. não ocorrendo do litoral para o interior. Jequitinhonha. Almenara e Salto da Divisa. que era como se chamava a atual cidade de Virgem da Lapa. aquela que prometia. participando-lhe que os bugres falavam da existência de uma serra resplandecente junto a um grande rio. em 1550. Impunha-se. onde as lavouras produziam muito com pouco esforço. recommendou a Thomé de Souza. Ocuparam esta região os moradores das tribos Botocudos e Puris. João III. 1994. Cabe ao município de Theóphilo Ottoni a glória de ter sido um dos primeiros pontos do território brasileiro visitado pelos expedicionários portuguezes. “As proibições não foram mais fortes do que o fascínio pelas pedras verdes. objetos de lendárias conjecturas. 3). Berilo e finalmente São Domingos. fruto da prática da roça de toco e das várias safras nos mesmos capões de mata. Este movimento de deslocamento para estes vales durou mais de um século e se deu inicialmente pela barra do rio Araçuaí e Jequitinhonha abaixo. vindo de Minas Novas e passando por Americaninha. chamados capões.1ª Edição..nas grotas. aberta pelas bandeiras e. 2005. As investidas ao sertão continuaram do lado espíritosantense”. objeto de lendárias conjecturas como os da serra das esmeraldas. povoando e explorando regiões muito férteis como as de Itaobim. Entretanto. então governador geral do Brazil. 29). p. dava lugar a catas mais profundas e perigosas. assim. ISSN (versão online): 1984-3526 19 Chapada. despertaram a cobiça do rei que. foram tratados como áreas proibidas pela coroa. ou seja. 30). O povoamento da região do rio Mucuri. assim como o contrabando e o tráfico de escravos. pouco explorados até a segunda metade do século dezoito. por vezes.Revista Tecnologia e Sociedade . Quando a produção dos garimpos e da lavoura começou a dar sinais de enfraquecimento. 1929. ” (RIBEIRO.. o rio Mucuri não promovia o acesso via litoral. assim.. Fato é que por não ser inteiramente navegável. “ . o contrabando e invasões estrangeiras. mais férteis são as terras. afastando invasores que pudessem ameaçar o metal cobiçado. p. assim como o rio Doce. Aqueles moradores do Alto rio Jequitinhonha. mas especificamente do seu mais importante afluente. sob o pretexto de que esta permanecesse com o controle das riquezas evitando. alcançar a serra das esmeraldas. fazendo brotar desejo e especulações que já eram vistos em diversas áreas de colonização. 2012. p. o monopólio da estrada para o Rio de Janeiro. como conseqüência. farta. segundo a lenda. e a lavoura minguava pela baixa fertilidade do solo. quanto mais próximas das águas. pois sua trilha original nasceu na cidade de Araçuaí. (ESPINDOLA. de Itamarandiba a Virgem da Lapa logo começaram a invadir a mata. a redução desta já era visível.

O rio Cricaré. Mucuri e São Mateus (Cricaré)” (ESPINDOLA. 31). equivalente a 15% da área segundo RIBEIRO (1994). tendo uma intimidade. escravos e índios. e após os 100 (cem) anos de exploração. iniciando-se então a colonização das demais regiões. refere-se às minas da Serra das Esmeraldas (ESPINDOLA. levando consigo seus familiares. p. estradas e descobertas de jazidas. primeiro para o rio Doce. cuidando da extração de ouro e pedras preciosas (PORTO. p. criava-se todo o processo de insatisfação do agrário. no do chapadão do alagadiço para o Mucuri. . as quais. Entretanto. depois ao Alto Jequitinhonha pela exploração do ouro e diamante. A ordem cronológica desta arrancada. Antônio José Coelho. direcionava-se as explorações para o rio Doce e Mucuri. mais tarde. Digne-se que nas regiões espírito-santense e de Manhuaçu. foram exploradas pelo Mestre de Campo João da Silva Guimarães. 37). e. de acordo com o historiador Godofredo Ferreira para montar a Fazenda Mestre de Campo. o sistema agrário se deu através das fazendas. a produtividade já dava sinais de estagnação.. 21). p. em direção ao vale do rio Mucuri. e. 2005. mesmo antes de serem abolidos. XIX. no início do povoamento do Alto Jequitinhonha. p. p. depois para o baixo Jequitinhonha e o terceiro para o Mucuri. 2005. rumo ao povoamento destes vales. Diferentemente do latifúndio da cana-deaçúcar e café. o governo colonial tornou a se interessar pelo território coberto pela Mata Atlântica ” (ESPINDOLA. buscando-se outras possibilidades. permanecendo o Mucuri ainda não explorado até fins do sec. 1994). se deu na ordem seguinte. permanecendo elas nos locais das minas. sendo o centro econômico e. 2005. Setúbal e pelo Alto dos Bois” (RIBEIRO. 2012. Mais do que isso. A população foi se refluindo. “Entretanto. aos primeiros sinais de esgotamento das minas. hoje S. todos intencionados na descoberta ou “por caminhos onde mais tarde se encontraram as pedras verdes. 1929. os atos proibitivos perderam força e. médio Jequitinhonha e o Mucuri.1ª Edição. e a dispersão populacional buscando outras atividades. Muitos foram os colonos a se aventurar na abertura de novas terras. segundo RIBEIRO (1994. durante 100 anos avançou em direção a Diamantina. mas poucos fixavam moradia. ficariam muito prejudicadas e impedidas. o segundo de Minas Novas. p. não existia abundância. tem suas nascentes no município de Theóphilo Ottoni. Daí aparece três fluxos de povoamento: o primeiro do Cerro para o Rio Doce. por último. destacou três regiões: Alto Jequitinhonha. sendo este mais insalubre e perigoso. partindo da idéia de como a economia forçava a integração. 7).Revista Tecnologia e Sociedade . Matheus.assinalando claramente o interesse pelas esmeraldas. O sistema agrário. e. extração de madeira e sistema de subsistência (1994. teria sido o primeiro morador fixo em Teófilo Otoni. A exploração mineral se deu com maior intensidade na cidade de Ouro Preto. 18). no vale do rio Mucuri. numa serra situada na confluência das bacias dos rios Doce. 35). O povoamento. quando relacionadas com a direção do avanço da colonização. em 1850.. XVIII e início do sec. ISSN (versão online): 1984-3526 20 colonizador pelas cabeçeiras dos Rios Fanado. de Araçuaí para o baixo Jequitinhonha. “. era de subsistência nas grotas.

por último. eram três. 2005. etc. a aldeia do bárbaro gentio. os quais. 27). Acreditava também que com o monopólio da Companhia Vale do Mucuri. era um processo sofisticado. também as lavouras. os Botocudos “. marcada pela grande prosperidade e na necessidade de apertar a população para a busca de novas terras e. deixando Minas Novas. 12 e 13). p. subiu ao cume de uma grande pedra (Pedra d’Agua) e observou que as margens do dito rio eram ocupadas por capoeiras. (PORTO. mas que teve o mesmo relacionamento com a mata (do interior para o litoral) de quem povoou o Mucuri. a seis léguas de distância que encontrou. ficando impedidos de prosseguir. como se sabe. de acordo com as informações colhidas de pessoas de sua expedição. sendo: as lavras. caminhando para o esgotamento em uma terra super partilhada dentro da mesma família. em razão da febre amarela.. Ainda segundo PORTO (1929.índios antropófagos. costume que existia até o final do século XIX. 2012. pelo fim da preação. Por informações do índio que lhe servia de guia. pois acreditava-se que existia uma riqueza absoluta e inexplorada. . acreditava alcançar uma potencialidade de 100 mil consumidores a partir da cidade de Minas Novas. p. inicialmente. ficou com a denominação de Mestre de Campo. 13 e 14) tinha outra frente de colonização do litoral rio acima até a cachoeira de Santa Clara. ponto inicial de sua excursão. onde hoje está estabelecida a Colônia Francisco Sá. obteria grande sucesso. da inospitalidade das matas muito fechadas e da violência das guerras que travavam com os índios.1ª Edição. O interesse de Theóphilo Benedicto Ottoni. 1929. ISSN (versão online): 1984-3526 21 Teixeira Guedes. vemos que ele subiu o Mucury até as cachoeiras e foi deste ponto. onde. onde se buscava o índio para civilizá-lo e o colocava para trabalhar.. (PORTO.. a principiar pelos rios Pampam. D’ahi não passou João da Silva Santos porque não faz menção dos principais afluentes do rio Mucury. p. terror dos brancos e dos outros índios. estas no Alto do Jequitinhonha. Todos os Santos. Mais tarde. isso estimulava a aventura. Partia da Vila de São José de Porto Alegre (Barra do Rio Mucuri/BA) indo a Nanuque. Porém.acabamos de transcrever de trechos do relatório de João da Silva Santos. havia um projeto colonizador de Ottoni. sendo que já ali habitou um João da Silva com escravos em outros tempos”. aquelles sítios foram “os de sua antiga residência e de mais outras nações – Maconim – Capoxes – expulsos pela fereza do gentio Botocudo..Revista Tecnologia e Sociedade . uma grande fazenda aberta no valle do Mucury. depois de ter denominado de pedra d’Agua a um dos ribeirões encontrados e de fazer explorações nos terrenos marginaes ao Rio Mucury. p. que não era um processo diverso como dos outros colonizadores. 16). . cujo destino era explorar amethistas nas circunvizinhanças do córrego do Ouro. Estes nunca existiram além da imagem construída no final do século 18 e princípio do 19” (ESPINDOLA. veio ter ao Valle do Mucury. baseado no comércio. Os objetivos dos colonos dentro das matas. 1929. estão bem para cima.

1994. Os vales dos rios Doce. “A comunicação com a Bahia era feita pelo rio das Velhas e o São Francisco. concedendo-lhe o título de “superintendente de todas as minas que ele descobrir. pela Fortaleza ou São Roque. . de 1890. liquidando moradores às centenas. 19).Revista Tecnologia e Sociedade . Tomando o caminho da Itira. 2005. 2005. da Mata. Salinas. construída meio na marra e chamada de mineiridade. pois o desinteresse do governo geral pelo projeto. ISSN (versão online): 1984-3526 22 Confiante no relatório fantasioso do engenheiro Pedro Victor Renaut. muitos seguiam em frente. e faziam sua primeira parada no Comercinho do Bruno. p. acreditavase que. boa parte era mineiro mesmo. 2005. Os mineiros sempre tentaram tratar Minas como uma unidade forte e sempre com altos interesses de negócios para o restante do país. configurou-se a diferenciação regional que caracterizou Minas Gerais no século 19” (ESPINDOLA. ao invés de proibir. que era como se chamavam Pedra Azul e Itaobim. p. ou por sua ordem descobrirem nos distritos e cabeceiras do rio São Mateus”. assim. A bem da verdade. pois Minas era um adensamento de várias regiões autônomas que sobreviveram e desenvolveram-se independentemente. poderiam abrir posses nos capões do alto Jequitinhonha. Em 1728. p. o Vice-Rei Vasco Fernandes. 2012. em quantidade crescente. pela Itira. Vinham em grandes grupos. Não deu certo. Como a terra lá era mais fraca. pois vários fatores não contribuíram para sua efetivação. A primeira grande leva deles desceu do rio Pardo. haveria a sustentabilidade da Empresa. o comércio não atingiu patamares especulados e o rio Mucuri não era totalmente navegável.1ª Edição. passavam pelo Araçuaí. fosse possível evitar uma viagem comprida do Rio de Janeiro/RJ até Minas Novas/MG. que o rio Mucuri era completamente navegável e que o mesmo daria suporte para a exportação da farta produção local e importação. Já no final do século dezenove começaram a chegar à mata os baianos. ou cortando os vales dos rios Jequitinhonha e Pardo pela borda oeste da floresta” (ESPINDOLA. 30). deixavam para trás o vale do Jequitinhonha. ilhas progressistas “na transição da economia de base da mineração para a agropecuária. levaram então as famílias para o vale do Mucuri (Filadelfia). que grassou por uns três anos em todo alto Mucuri. (ESPINDOLA. visava converter-se numa unidade econômica e política. Alí escolhiam caminhos: das gerais. após a saída de Ottoni. tanto por caminho terrestre como pela navegação. as duas secas no agreste baiano (1890 e 1930) e a baixa produtividade nas grotas do Jequitinhonha. fugindo da famosa “Seca do noventinha”. Pouco depois de chegados ali encontraram algo muito pior que a seca: a varíola. 49). Taiobeiras. mandou em diligência Braz Esteves Leme. assim chamado. depois de receber notícia que ao norte do rio Doce descobriram-se algumas esmeraldas de muita dureza e de cor muito clara. (RIBEIRO. chegavam às cabeceiras do Mucuri e posse. p. Ainda sustentava-se a idéia de que com o escoamento da produção e que somente com o comércio do sal. 29). na verdade não foi o período assim transicionado. Mucuri e Jequitinhonha. nem todos eram baianos. do alto Norte: Espinosa. O período de estagnação.

No ano de 1881. pp. Em 1811 o coronel Bento Lourenço Vaz de Abreu e Lima fez exploração de uma estrada pelo Valle do Mucury até S. e os dois ao mar e ao mundo – simbolizou essa união de origem. por Ottoni. entre si e do Mucuri. sucumbiu-se ao eixo nervoso administrativo e político-econômico. Embora os dois Jequitinhonhas sejam hoje diferentes e separados. indo até o litoral. Maxacali que nela circulavam. a partir de 1955. Malali. o engenheiro Pedro Victor Renauld. o qual mandou abrir uma estrada que de Minas Novas se dirigisse ao Oceano. após o desmatamento e a sequência de replantio reduziram-se. o que seria a salvação da região em local denominado Philadelphia (Teófilo Otoni). sendo esta viagem de grande importância para o estabelecimento da Companhia do Comércio e Navegação do Rio Mucuri. Até 1950. Em substituição a esta importante ferrovia. as obras da Estrada de Ferro Bahia-Minas (EFBM) tinham o objetivo de ligar o interior de Minas a Bahia. O mesmo se deu com as reservas ambientais. p. a apartação não resiste a um exame da história de duas ou três gerações para trás. Para construírem uma estrada. 17). foi construída a estrada de rodagem “Estrada do Boi”. porém. o Conde de Barca. em 22 de janeiro do ano de 1836. alvo de aglomeração do povoado. As condições de renda e poder econômico que haviam comportado com altíssima produtividade agrícola e pecuária no primeiro ciclo. “Essa expedição. mais precisamente de Araçuaí/MG a Caravelas – Ponta de Areia/BA. é a primeira grande obra na Região do Vale do Mucuri. . a estrada de rodagem de Santa Clara a Teófilo Otoni. em 1847. habitada por indígenas selvagens de tribos diferentes. que depois foi esquecida. 30 e 31) relata o empenho do Governo da Província de Minas. (RIBEIRO. com 578 km de extensão. p. em traçar uma via em apoio à comunicação entre a região decadente de Minas Novas e o porto. Teófilo Otoni e Araçuaí – Jequitinhonha e Mucuri. foi a primeira rodovia do Brasil Império que. partiu de Ouro Preto.. . que ligava Caravelas. ISSN (versão online): 1984-3526 23 A colonização do vale do rio Todos os Santos..a estrada de Ferro Bahia e Minas. 1929. 2012. outra grande e importante estrada é iniciada. com governo Kubistchek. 1994.1ª Edição. pretendendo ligar o norte de Minas ao litoral. João VI. segundo CERQUEIRA NETO (2001. 29.Revista Tecnologia e Sociedade . segundo PORTO (1929. E. que veio de uma formação extrativista permanece. 30 e 31). em opúsculo “Viação Férrea do Norte de Minas” attrahiu a attenção do ilustre ministro do D. mas logo o declínio econômico aparece. pp. Em seguida. onde há centralização da atenção econômica e política. (PORTO. pois numa baixada que fica entre o rio Santo Antônio e o rio Todos os Santos. sendo a criança que fez Teófilo Otoni. a relação do homem com o vale do Mucuri. José do Porto Alegre. o Mucuri era diversificado e autônomo. com pequenos sintomas de desenvolvimento. 19). sendo Botocudos. como muito bem disse o Dr. Miguel de Teive e Argollo. Construída por Ottoni. Então. com autonomia local pequena. foi aberta densa mata.

Revista Tecnologia e Sociedade . ISSN (versão online): 1984-3526 24 Ottoni contratou um cidadão insolvente na corte. 1992. o senhor José Pereira da Silva. arrasando também com queimada toda a área que se diz superior a 60 alqueires. Ottoni contratou um cidadão insolvente na corte.). Perobas e os Jacarandás milenares. superando muitas dificuldades. mas não é suficiente para o bem geral do todos. habitada por indígenas selvagens de tribos diferentes que ali circulavam. 34 e 35) Uma baixada que fica entre o Rio Santo Antônio e o Rio Todos os Santos foi alvo de aglomeração de povoado. negociante em Grão Mogol. Se são volumosos e se conservam o volume. com seus barqueiros que chegavam e partiam no transporte de mercadorias. Sempre abrindo e derrubando a mata margeando o rio e afora. a cantar radiantes. Tinha uma boa escravatura e com ela fez a grande derrubada nesta confluência dos rios acima citados. na superfície das águas? (LORENTZ. Assim. superando muitas dificuldades. volumoso e agressivo. os rios traduzem a grandeza de uma região. com vinte metros de largura e a profundidade regular de um metro e meio. . Tinha uma boa escravatura e com ela fez a grande derrubada nesta confluência dos rios. Perobas e os Jacarandás milenares. Uma simples pergunta abre o caminho para um entendimento triste e acabrunhador: Onde está o rio Todos os Santos. “A marcação da Rua Direita. o Sr. incluindo gigantescos Jequitibás. incluindo gigantescos Jequitibás. o povoado de Philadelphia das Minas Gerais. 1992. negociante em Grão Mogol. para poder servir de ponto de referencia e de negócio. 1990. p. recolhendo todas as águas das chuvas que se infiltram e alimentam. (LORENTZ. José Pereira da Silva. p. 2012. Na cidade de Teófilo Otoni temos as provas dos mais duros golpes dados contra a natureza. inclusive para que os índios não se aproximassem pela densa mata e pudessem ver e cobiçar as bugigangas do seu comércio. não diferente das demais. Esta ocupação da mata virgem. que é a criança que se fez Teófilo Otoni foi aberta desta mata densa de que já se escreveu anteriormente. veio arrasando também com queimadas toda esta área que se diz superior a 60 alqueires. praticamente um vivente irracional. feita pelo Engenheiro Alemão então pode ser traçada e concluída e montados os seus barracões para a instalação da Empresa Mucuri. Pela ação da própria natureza tudo melhora. procedendo como um elemento perturbador. 54). O homem continua agindo e maltratando a natureza com seus atos predatórios. inclusive para que os índios não se aproximassem pela densa mata e pudessem ver e cobiçar as bugigangas do seu comércio. portanto. significam que as terras de sua bacia estão com a vegetação intacta. a que se destinava todo o empreendimento” (LORENTZ. Daí sugerir que o homem agiu alucinadamente ao destruir a floresta para povoar.1ª Edição.

ISSN (versão online): 1984-3526 25 2. verifica-se que quando se passa pela região. o monumento do fundador da cidade.Revista Tecnologia e Sociedade . 1992. cultural ou científica.1ª Edição. a exemplo de como a política chama de revolução nos dicionários. A Devastação Ambiental e Seus Reflexos Regionais Neste contexto. florestas tropicais. atinge o mesmo espírito. como no caso de Teófilo Otoni. O serrador João Américo Machado. política. no caso ambiental. destruiu mesmo. a educação ambiental que chega aos países do primeiro mundo desde a década de 1970. 35). transformação radical na estrutura econômica. Portanto. diverge de um modo completamente diferente das demais discussões sobre estruturas diversas da sociedade. A vegetação natural é bastante rica e variada: grandes florestas equatoriais. mas também alcançou os países subequatoriais da mesma forma. ou ainda. juntamente com ela a devastação das matas da região do Vale do Rio Mucuri. sem necessidade. cerrados e campos. tornase imprescindível tratar e discutir a questão relacionada à devastação ambiental e seus reflexos regionais. (LORENTZ. Instalou aí sua serraria. na maioria. observa-se que apenas algumas manchas de mata ainda resistem. ofertando as mais diversas e valiosas espécies de madeiras para o ofício. apesar de apresentarem problemática diferente. conflagração. A maneira com que as pessoas interessadas no assunto. 2012. cidade que foi fundada em 1911 por um madeireiro experiente vindo do Espírito Santo. A exemplo da região em destaque. Em verdade. em se tratando de casos específicos dessa região. para a construção da cidade ou abertura das rodovias. o signo da preocupação ou da forma de desejar o bem comum na relação com os recursos. revolução seria o movimento de evolução dos métodos com os quais a proteção se manifesta na sociedade. social. . O desenvolvimento direcionou-se também para a economia. pois nesta região havia uma mata só. destruiu os rios e acabou com a pesca. É bem verdade que boa parte dessa vegetação já foi devastada pela ação antrópica sob forma de desmatamento para a formação das pastagens ou plantio nas fazendas e ainda a exploração de minerais ou pedras preciosas. Entretanto. sendo “revolução armada. Na volúpia de destruir. a devastação das florestas foi responsável tanto para mudar o aspecto paisagístico como também a economia que girava em torno das serrarias e. Ocorreu a ampliação de muitas outras serrarias que se instalaram posteriormente. sendo inaugurada em 1912 com o nome de Serraria Industrial do Mucuri. deformando a paisagem natural no centro da cidade e nas elevações que a circundam. p. o homem agiu alucinadamente. nas estradas. e. o restante é um campo aberto de colonião ou brachiaria.” Seria um movimento para tumultuar a estabilidade ou requerimento de direitos negados pelo Estado. Sedento de destruir. mas a revolução que se trata nesse caso. aglomeravam-se em Nanuque. em Caixa D´ Água (Nanuque). tratam da conservação do patrimônio ecológico. com seu empreendimento deu o pontapé inicial para o crescimento da cidade. Destruiu a floresta e com ela os animais de caça. de colonização de área para implantação de processos econômicos e instalação de cidades.

em especial a micro bacia do rio Todos os Santos. praticamente extintos ou convertidos em canais de esgoto. p. 2012.1ª Edição. visto a olho nu. passar por .1. com características de integração e sustentabilidade requer garantia da segurança da produção de água em quantidade e qualidade satisfatória. A intensidade e o volume de suas águas dependem basicamente das chuvas. subequatorial. 2000.a micro bacia. um espetáculo. A pressão sobre os recursos hídricos faz com que se desperte toda uma especial atenção sobre a região montanhosa onde começam os cursos d´ água.Revista Tecnologia e Sociedade . Foi somente a partir da degradação do meio ambiente pelo homem – e da extinção de inúmeras espécies animais e vegetais que surgiu essa preocupação conservacionista.. A natureza deve ser consumida ou utilizada para atender às necessidades do presente. recursos para as populações futuras. objeto de admiração e não podemos nem pensar o que seria do ambiente sem a presença imponente das cachoeiras onde a natureza mostra sua força. 09) Mas a interferência do homem tem quebrado o equilíbrio natural. “. são normalmente caudalosos. A Influência dos Recursos Hídricos Os rios que fazem parte da Bacia do rio Mucuri. 247). futuro. a formação das nascentes. além de dar origem aos cursos d água. as novas gerações que ainda não nasceram. segundo os fundamentos da legislação ambiental. 2000). mas para as quais temos a obrigação de deixar um meio ambiente sadio. e. 2. situados no Leste de Minas. existe de fato. Conservar neste caso. garantir. Apesar de uma grande parcela de pessoas ignorarem a atual situação dos mananciais de água e a redução de sua produção. certamente não poderá ensejar a execução de algum empreendimento” (CASTRO. segundo VESENTINI (1994). o que poderá transferir para as gerações futuras uma situação de convivência indesejável no que se refere à disponibilidade e à qualidade das águas. ora verso da capa do livro Zoneamento das Águas (MACIEL Jr. são rios de regime pluvial. ou seja.. com capacidade de atender a demanda atual e. pois. A proposta imaginária é de partir da foz do rio para o interior. por serem geralmente montanhosas. e. ao uso e a perenidade. e sim utilizar racionalmente.. A beleza das águas nas nascentes proporciona uma paisagem. “Uma propriedade com pouca ou nenhuma produção de água. não significa guardar. apresentam o elemento água escoando em grande velocidade e com aspecto cristalino. seus principais afluentes. 2001). p. O desenvolvimento dessas regiões. numerosos e nunca secam ou congelam. 1994.” (ALVES. ISSN (versão online): 1984-3526 26 Conservacionismo ou conservação dos recursos naturais é o nome que se dá a moderna preocupação em utilizar adequadamente os aspectos da natureza que o homem transforma ou consome. estão localizados em região tropical. nos presenteia com inúmeras paisagens. este fato de conversão dos volumosos e cristalinos recursos hídricos em.. (VESETINI. perceber que a paisagem rio acima é dinâmica.

9). “Bacia Hidrográfica refere-se à área do terreno que coleta e infiltra a água da chuva. que darão origem as nascentes” (CASTRO. 2012. pode-se dizer que aí se formam as bacias de cabeceiras onde encontram as nascentes. será também mais abundante sua capacidade de coletar a precipitação. elemento purificador. denomina-se de “área de contribuição dinâmica. 22) e a bacia hidrográfica é formada por diversas bacias menores de seus afluentes que se denomina sub-bacias hidrográficas. pois os olhos d água e os difusos brotam vindos do interior da terra.Revista Tecnologia e Sociedade . que bem menores e em regiões mais altas.. que. que formam as nascentes e drenam córregos e riachos. Mas. citado na Bíblia. e pode-se concluir que estas são provenientes de reservatórios subterrâneos. suas encostas e os vales que por pequeno que seja. que abastece os reservatórios subterrâneos de água. 2000. onde o “Senhor Deus fez brotar da terra toda s orte de árvores de aspecto agradável e de frutos bons para comer. Quando a área de drenagem de uma bacia hidrográfica. estrutura dos solos e armazenamento. p. facilitam a percepção humana como unidade paisagística. conforme visto no parágrafo anterior como divisor topográfico. As nascentes são os locais onde jorra água através da superfície do solo. de menor declividade. ISSN (versão online): 1984-3526 27 afluentes menores. senão várias nascentes provenientes de um aqüífero freático que viera de uma reserva da precipitação que caiu e se alojou. Segundo CASTRO (2001). nota-se que esta é a linha que limita a área de drenagem e corresponde ao topo das encostas. Já a área superficial desta bacia.. ambiente responsável pela origem da água. não sendo áridos. formam um verdadeiro jardim natural. (ALVES. há de encontrar alguma. Comparado ao Jardim do Éden. 09). 2001). de topografias irregulares. destacada pela área mais plana e baixa. sendo que o divisor freático fica abaixo da superfície do solo e direciona a água percolada. importante verificar topos de morros. Ainda sobre a ótica das divisões e subdivisões por divisor topográfico. são pequenas áreas de terras localizadas em regiões montanhosas. As micro bacias. 2000. vale observar as regiões montanhosas. que pode geralmente localizar-se sobre o lençol freático e/ou lençol artesiano. p.1ª Edição. “As micro bacias ou bacias de cabeceiras.” (CASTRO. e de onde saía um rio para regar o jardim”. . Em relação às sub-bacias hidrográficas. que devido a sua escala. é necessário compreender a existência de vários fatores responsáveis pela origem destas nascentes: o ciclo hidrológico. após percolar por seu solo poroso e independente do seu tamanho e seu volume sendo interligados como Bacia Hidrográfica. p. e perceber algo comum entre elas. é maior. depois continuar esta mesma empreitada. mas ao sair dos rios principais e encontrar ribeirões e córregos. o ambiente das micro bacias deve ser considerado como verdadeiro santuário ecológico”. 2001.” (ALVES.

as matas ciliares ou ripárias. torna-se necessário obter relatos de pessoas que vivem nessas áreas. os impactos são intensos. e em especial. . Tudo que envolve as matas de topo. desprovida de outros centros de lazer. nas áreas de suas nascentes é uma forma de transferir para este relato. Para tanto. principalmente na área urbana. localização e até mesmo averiguação nas encostas. mas que na sua maioria. são alento àqueles que acreditam num futuro saudável. lúdica e de lazer e entretenimento que os rios podem proporcionar. as regiões de contribuição dinâmica. pois. os cursos d água são objetos de estudo de nascentes. o que se pretende com este entrelaçamento não é somente o relacionamento pessoal. As atividades antrópicas impõem para satisfação de seus projetos. como é o caso das cidades da região desta micro bacia do vale do Rio Todos os Santos. não conseguem atingir a idéia de torná-los semelhantes ao que eram no passado. pelo aumento da população no século passado e pela implantação de indústrias. e. pois faz parte de um projeto para o futuro. O ambiente destacado envolve centenas de propriedades rurais nas quais dezenas delas foram visitadas e selecionadas a fazer parte dos relatos de parte deste trabalho. Diante desta característica. maior e principal afluente do Rio Mucuri que dá nome ao vale. estão lutando pela sua condição de defensores contra a degradação que impõe a ocupação antrópica. Estas condições impostas aos rios e córregos na área urbana. O Rio Todos os Santos Tratar especialmente do Rio Todos os Santos.Revista Tecnologia e Sociedade . ISSN (versão online): 1984-3526 28 3. que condicionam sua degradação enquanto elemento da natureza. na qualidade da água natural como condição de saúde e no resgate da função simbólica. 2012. nos olhos d água. porém. navegáveis e rentáveis como fonte de alimentos na atividade pesqueira. Uma delas motivada pelo número de pessoas que interferem nos processos. Pensar rios e córregos na atualidade é deparar com várias correntes que defendem todo tipo de intervenção. desmatamento. Os processos de renaturalização e revitalização através da engenharia ambiental e outras profissões afins. que são a canalização. que estão. levam a perda da qualidade de vida das pessoas que dependem de suas águas. Característica diferente do que ocorre na área rural e região de cabeceiras. designados a conviverem com seus recursos. prende a pesquisa ao estudo dos recursos hídricos e prorroga para mais distante a relação das pessoas com este meio ambiente.1ª Edição. de certa forma. o que poderia divergir dos objetivos gerais e específicos que contornam este estudo. por fim. retificação. incluindo as nascentes difusas e olhos d água. conota uma configuração empírica à parte deste capítulo. emissão de efluentes entre outros meios impeditivos de retorno. Esta experiência colocada à disposição em dados sobre a quantidade. mas também com as informações sobre as nascentes. na área urbana. uma oportunidade de poder visualizar o estado em que se encontra sua cabeceira. assoreamento. caudalosos e límpidos.

Esta área cercada por montanhas tem eminentemente característica de arrecadadora de água para a formação do lençol freático. pode ser vista a primeira nascente do Rio Todos os Santos. tem uma vegetação diversificada. queimadas. cuja atividade com o gado é a principal das propriedades. rebaixando e alinhando com o retilineamento do curso do rio. Rio Valão e o Rio Todos os Santos. fica numa bacia formada pela vertente topográfica dos Rios São Mateus (Cricaré). e. arame e ajuda de voluntários.1ª Edição. todas com as mesmas características. devastação que tem atingido regiões que abrangem as matas dos topos das montanhas. propriedade do Sr. Ainda nesta propriedade. subafluentes do Rio Mucuri leva a preocupação com os aspectos ambientais de desmatamento descontrolado. onde orientações permanentes têm sido formuladas no sentido da continuidade da preservação nesta área.Revista Tecnologia e Sociedade . Destaque para o esgotamento de brejos nesta região já abaixo da nascente. a Prefeitura de Poté. muita vegetação ainda conservada. Descrição de Alguns Afluentes Os dados descritos abaixo foram coletados em várias visitas in loco e não apresentam localização geográfica. Tendo todo cuidado com o cercamento dos olhos d água com postes de eucalipto. que já se fazia devido à importância para esta propriedade e as demais do recurso hídrico que aí se inicia. direcionam sua orientação rumo às propriedades que estão abaixo.1. não sofreu intervenção antrópica de forma contundente. com aproximadamente um milhão e setecentos mil pés desta planta. havia cultivo de café. nos fundos da casa do proprietário. logo abaixo uns 100 (cem) metros do primeiro olho d água. o entorno das nascentes. 2012. A força do Todos os Santos começa com alguns riscos semelhantes a uma cadeia de neurônios que vão se interligando para formar o curso d água. proporcionando uma redução do volume d´água que depende destes fatores. só usa madeira seca. mas o sentido em que se encontram. ISSN (versão online): 1984-3526 29 Já o estado em que se encontram as regiões de cabeceira dos principais afluentes do Rio Todos os Santos. o primeiro filete do rio já com uso doméstico. vindas de outras propriedades. Ainda há pouco tempo atrás. Sebastião Rodrigues dos Santos. pois tem a forma côncava e a presença de um único corredor de saída para o curso do rio que aí nasce sob a forma de olhos d água. EMATER-MG e COPASA. A área de contribuição dinâmica da nascente principal do Rio Todos os Santos. o precioso e importante produto que dispõe sem nenhum ônus para aqueles que utilizam na lavoura e uso doméstico. seja através de manejos inadequados ou como fonte de melhorar e especular o valor das propriedades rurais. já se contempla nesta micro bacia por mais 5 (cinco) nascentes. 3. têm preservados todos os topos dos morros e baixada. que foi completamente arrancada e substituída por capim . com a finalidade de utilizar a área esgotada como pastagens. Num espaço pouco mais de 500 (quinhentos) percorridos. prontas para receberem em sua sinuosidade e pequenas cachoeiras. matas ciliares. No município de Poté.

na época em que passava por esta região a Estrada de Ferro Bahia Minas. sem contar que sua sinuosidade garante sua naturalidade. O recurso hídrico é usado de formas diversas. pois um curso que já necessita de uma ponte. tem o primeiro lugarejo comunitário do uso da água do Rio Todos os Santos. alguns quilômetros abaixo. Exterminada a vegetação ao redor da nascente. em sentido às nascentes do Rio São José. encontra-se a represa da COPASA. exemplares de cachoeiras naturais. também nas divisas de município. um ponto de relevo de altitude expressiva. . a represa de captação da cidade de Valão mostra o volume que tem esse rio. Tal manejo contribui para mudança nas características paisagísticas da região. Cerca de 800 metros abaixo já se pode contemplar visualmente duas represas. Na Fazenda Boa Vista. inclusive ao redor da nascente para formação de pasto para alimentação de gado. a antiga em funcionamento e a nova sendo construída para poder sustentar no período seco. Num trajeto sinuoso e longo. na propriedade do Sr. encontra-se com o protagonista na propriedade pesque e pague de Valão. 2012. Rio abaixo. não existindo vegetação ciliar (ripária). ocorre fato que serve para ilustrar inúmeros ataques à preservação das nascentes desta região. A impressão que visivelmente se tem. Nas vizinhanças da fazenda Boa Vista.Revista Tecnologia e Sociedade . descaracterizando a paisagem. rumo a Teófilo Otoni são vistas muitas outras nascentes. onde corre o primeiro filete de água rumo a Teófilo Otoni. Eder Sampaio. que irá se fortalecer com mais duas nascentes bem próximas. às vezes. com sua locomotiva Maria Fumaça. com remansos embaixo de pés de Ingá. vários exemplos de belíssimas paisagens naturais. que tem 13 (treze) represas pequenas e (01) uma grande para exploração e criatório de peixes. o volume d´ água é bem menor que antes de passar pelas represas. O córrego Leme. evidencia seu porte. Nesta Fazenda Boa Vista. ISSN (versão online): 1984-3526 30 brachiaria. certamente servirá de agravante para que esta nascente precocemente se extinga. o uso doméstico. uma de porte menor com cafezais de um lado e mata do outro. O Rio São José. e a segunda com o espelho d´ água maior rodeada de pastagens e pouca vegetação. lavoura. viaja-se muito até o local importante para a população urbana. Na nascente do córrego Linha H. é a de que dentro da cidade de Valão. Na comunidade denominada de Baixinha de Todos os Santos. suinocultura e piscicultura. Desprovida de matas de cobertura dos topos dos morros. com aproximadamente 60 (sessenta) casas.1ª Edição. o abastecimento de água de Teófilo Otoni. têm relatos de grandes devastações de mata primária. um afluente importante do Rio Todos os Santos tem suas nascentes nas vertentes da nascente do Rio São Mateus. afluente do Rio Todos os Santos. Foi desmatada toda a propriedade. o Rio Todos os Santos oferece aos olhos da população. que afetam significativamente o ecossistema a que pertence. O volume da vazão em questão é de 110 litros-segundo na seca e até 300 na safra. A presença de muitas cachoeiras durante o percurso do rio abaixo são constantes. sub afluente do Rio São José. lento. embora dividindo com o município de Itambacuri. quedas muito variadas e. Na baixada de Valão já nos encanta o tamanho do rio.

deve-se ao fato de que existem mais subafluentes que deságuam no primeiro do que no segundo. ISSN (versão online): 1984-3526 31 O córrego Água Preta. visivelmente nota-se um volume superior deste precioso líquido na estação da seca. o córrego São Gotardo. que tem uma extensão superior. pois a sua nascente é difusa. o Rio São José. As demais nascentes até a 6ª. Os 1º e 2º olhos d´ água nascentes do córrego Brejaúba também vão desaguar no córrego Capitólio. tem uma recente captação de água. as nascentes dos córregos Brejaúba e Capitólio não fogem às características das demais. numa pedra e vários noutra grota. um olho d´ água à direita. na propriedade do Sr. Ainda rio abaixo.Revista Tecnologia e Sociedade . A intensidade e proximidade destes brotos d´água formam belíssimos cursos d’água. apresenta um diferencial dos demais. com muitas grotas. O Rio São José tem o volume no seu leito maior que o Rio Todos os Santos. numa região de relevo declivoso. o córrego São Gotardo nasce numa pequena bacia formada por uma cadeia de morros.1ª Edição. na vertente topográfica com o Rio São Mateus. Apesar de mais curta a bacia deste afluente do Rio Todos os Santos. já composto pelo córrego Água Preta. Nesta propriedade. e abaixo formam um total de 16 nascentes uma em cada pequena propriedade. pela topografia acidentada de toda região de cabeceira dos afluentes e subafluentes do Rio Todos os Santos. que desaguará no córrego São Gotardo. Neste ponto. Pouco abaixo já na área urbana na propriedade do Sr. outro logo abaixo. O fato do volume maior de água no Rio São José. um pouco mais moderna que a anteriormente construída na fazenda Boa Vista. destaque para um galho desse que tem 75 (setenta e cinco) milímetros cúbicos de volume na seca. desenha sua sinuosidade na propriedade de um assentamento de 21 (vinte e uma) famílias de agricultores. O Córrego Suíça II e vários outros pequenos cursos d´água. Este reservatório construído sem muitos recursos de engenharia apresenta-se firme e sem vazamentos e serve aos seus propósitos. O córrego Suíça II. a natureza ainda é preservada com matas de topo e vegetação ciliar ou ripária constante. Das inúmeras pequenas bacias visitadas para confecção desta parte do trabalho. Gilson de Castro Pires. formando este córrego também com nome de santo. subafluente do Rio São José. mas que um levantamento minucioso o poderá fazer contá-las. tanto para encher o reservatório quanto para a irrigação agrícola. Suas inúmeras nascentes demonstram como são importantes para as populações locais e que vão agigantar logo abaixo o rio protagonista deste empreendimento. que são incontáveis os olhos d´água. onde abastece um reservatório de 84 (oitenta e quatro) mil litros d água. cuja nascente não diferencia das demais. despejando esse conjunto no córrego . em comparação ao Rio Todos os Santos. João Carlos Nunes Coelho. desprotegida de mata de topo e rodeada somente por pastagens. Percebese. também chamado de Perigosos. os córregos Brejaúba e Capitólio desaguarão no córrego Lajinha. sem necessidade de motor bomba. uma nascente insiste em não secar. 2012. enquanto a maioria são olhos d´ água. e estes subafluentes. abastecendo várias comunidades ribeirinhas cachoeiras abaixo. Ainda o uso diversificado do recurso hídrico se dá com maior intensidade no Rio Todos os Santos. todo abastecido por gravidade. sua bacia de captação já sofrida por diversas queimadas.

por cerca de 374 (trezentos e setenta e quatro) quilômetros de estrada sem asfalto. claramente. fato é que. as convenções internacionais. de Helsinque 1992. favorecendo. assim. da exploração agropecuária. os dados obtidos demonstram. cuja região começa num cantinho do Estado de Minas Gerais.2000. p. tamanha importância foi dado à pesquisa que se pretende dar continuidade em um novo projeto. Schirley Cavalcante. mostrar que desse meio ambiente do Rio Todos os Santos. região de agricultores de laranja. Fica então um pequeno roteiro de alguns dos afluentes e subafluentes que compõe a micro bacia do Rio Todos os Santos. flores e plantas ornamentais. A partir do povoamento das cidades. São vários os temas em destaque na mídia e meios legislativos e do executivo. a exemplo da Convenção para Proteção e Utilização dos Cursos de Água Transfronteiriços e dos Lagos Internacionais. e. São Paulino e vão completar o Rio Mucuri. n. Informe Agropecuário. o foco sobre queimadas. REFERÊNCIAS ALVES. Santana. como córrego da Palha.1ª Edição. puderam-se perceber os reflexos da exploração dos recursos minerais. A água como elemento fundamental da paisagem em microbacias. fazem parte de uma integrada cadeia de fatores que parecem ter se incorporado e entrelaçado ao corpo dos pesquisadores e uns aos outros. ciclo hidrológico. e se lançam no Rio Todos os Santos abaixo da zona urbana de Teófilo Otoni. nov. um melhor entendimento acerca da relação dos indivíduos e o seu meio ambiente./dez. 9-14. Viajar no tempo junto aos colonizadores e chegar às cabeceiras do Rio nos dias atuais. As Secretarias de Meio Ambiente estaduais são chamadas a todo momento. sobretudo no que se refere ao processo de colonização do Vale do Mucuri. ISSN (versão online): 1984-3526 32 Liberdade. 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS Percorrendo a história de Teófilo Otoni. que pode ser seguido para dar seqüência ao estudo. . somos todos dependentes e talvez possamos contribuir para seu status de recurso hídrico indispensável. que daí em diante continua recebendo vários outros. que influenciam sobremaneira na formação de cursos d´água. mas os recursos hídricos têm um tratamento muito especial. preconizam o atendimento às necessidades atuais sem comprometer as futuras. 2012. a importância dos recursos naturais e sua influência no processo de colonização. serve para justificar nossa existência. Sobre bacias hidrográficas. principal afluente do Rio Mucuri. mercantil e dos recursos hídricos e a conseqüente devastação ambiental. e.21. O córrego Poton recebe esses subafluentes.207.Revista Tecnologia e Sociedade . – v. aqüíferos sobre e subterrâneos e o levantamento de parte das nascentes nas cabeceiras do Rio Todos os Santos. Santaninha.

Ação Ambiental. Bauru. março/abril./dez. 2012. 2002. 207. 05-07. LORENTZ. Divisão Gráfica Universitária. Reinaldo Ottoni. Ano VI. ESPÍNDOLA. São Paulo: Ática. 24. “Sertão do Rio Doce”. Agropecuária e ambiente. José willian. Belo Horizonte: 2000. Manejo de Microbacias. Walter de Paula. Simone. Política Ambiental. 84 p. 38 p. 62 p. 112 p. 2000. 1 ed. UFV – Universidade Federal de Viçosa. 300 p. UFV – Universidade Federal de Viçosa. Bauru: EDUSC. Divisão Gráfica Universitária. 274 p. “Notas Históricas”. Contagem: CEDEFES. Busca de Efetividade de seus instrumentos. Sociedade e espaço: Geografia Geral e do Brasil. Theóphilo Ottoni: Typographia S. UFV – Universidade Federal de Viçosa. Revitalização de Rios: Área Rural. Ano VI. RIBEIRO. 2001. 488 p. março/abril 2003. 202. Geraldo Ferreira. SP: EDUSC. Ação Ambiental. DOMINGUES./fef. 1929. MACIEL Jr.. 64 p. Trad. 21. 24. Ano VI. ISSN (versão online): 1984-3526 33 CASTRO. 263 p. 2002. Belo Horizonte: v. 235 p. mar. “A batalha ecológica na cidade de Teófilo Otoni”. As matas Ciliares. Antônio Felix. 2003. jan. “Lembranças da Terra – Histórias do Mucuri e Jequitinhonha”. Herly Carlos Teixeira. 2001. n. DIAS. Belo Horizonte: v. 2000. 8-10. Direito Ambiental Brasileiro. 2003. 10 ed. n. 24. . 21. Revitalização de Rios: Área Rural. 24 ed. Eduardo Magalhães. Entrevista. 2005. Leônidas. MACHADO. LORENTZ. 2022. São Paulo: Revista dos Tribunais. Francisco. VESENTINI. Fernando Falco.Revista Tecnologia e Sociedade . INFORME AGROPECUÁRIO. INFORME AGROPECUÁRIO. Leônidas. PRUSKI. n. p. Paulo Sant´Anna. Haruf Salmen. Paulo Afonso Leme. n. 1038 p. 1994. p. “O Enraizamento”. Município de Theóphilo Ottoni./abr. José Demerval Saraiva. Recuperação e Conservação de Nascentes. São Paulo: Malheiros. Paulo. Zoneamento das águas.1ª Edição. PORTO. 1994. Viçosa: CPT. n. Divisão Gráfica Universitária. “A pobreza sofredora na cidade de Teófilo Otoni e temas ecológicos”. Rio de Janeiro: 1992. p. Ação Ambiental. WEIL. Maria Leonor Loureiro. Rio de Janeiro: 1990. LANFREDI. LOPES. LIMA. nov.

1ª Edição. Teve como objetivo realizar a análise de patentes de tecnologias relacionadas ao descarte de lixo tecnológico e das tendências verificadas em documentos de patentes. aliou aspectos teóricos do campo Ciência. Tecnologia e Sociedade pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e doutoranda em Política Científica e Tecnológica pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). E-mail: diasrigolin@ufscar. Como resultados. Tecnologia e Sociedade) e de curso de especialização (Gestão de Organizações Públicas) na UFSCar.br. Coordenadora do Núcleo de Estudos sobre Expertise e Política e pesquisadora associada do Laboratório de Estudos Sociais em Ciência. 2012. Professora Associada da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) vinculada ao Departamento de Ciência da Informação é tutora de alunos indígenas (Grupo PET). ISSN (versão online): 1984-3526 34 Análise de patentes de tecnologias relacionadas ao descarte de resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos com vistas à 12 sustentabilidade ambiental Analysis of technology patents related to the disposal of electric and electronic equipment waste regarding the environmental sustainability Luciara Cid Gigante Maria Cristina Comunian Ferraz Camila Carneiro Dias Rigolin 3 Resumo Esta pesquisa. Camila Carneiro Dias Rigolin: Doutorada em Política Científica e Tecnológica pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Mestre em Administração (UFBA). coordenadora de programa de extensão (Divulgação Científica.unicamp. Maria Cristina Comunian Ferraz: Doutorado em Ciências pelo Instituto de Física e Química de São Carlos. docente de programa de mestrado (Ciência. Áreas de atuação em pesquisa: Estudos Sociais de Ciência e Tecnologia e Política Científica e Tecnológica.br. do qual é vice-coordenadora. Tecnologia e Sociedade (CTS) e Sociologia do Consumo através de uma das metodologias da Ciência da Informação.Revista Tecnologia e Sociedade . Professora Adjunto da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) vinculada ao Departamento de Ciência da Informação e do Programa de Pós-Graduação em Ciência. com estágio de doutoradosanduíche no Departamento de Antropologia. grupos de pesquisa da Universidade Federal de São Carlos. foram evidenciados grandes contrastes em reivindicações puramente técnicas de 3 Luciara Cid Gigante: Mestre em Ciência. por meio de monitoramento tecnológico de produtos e processos na base de dados de patentes gratuita online Espacenet. E-mail: luciaragigante@ige. Indiana University. Comunicação e Inclusão Social). cadastrados no DGP-CNPq.br . E-mail: cristina@ufscar. de caráter interdisciplinar. EUA (2007-2008). Tecnologia e Sociedade (PPGCTS). com Pós-doutorado em Engenharia de Materiais e Especialização em Administração e Análise de Negócios. Tecnologia e Sociedade.

Análise de patentes. Tecnologia e Sociedade. Por se tratar de um campo de trabalho acadêmico de caráter crítico e interdisciplinar. Patent Analysis. Technology and Society. como as provenientes da sociologia do conhecimento científico ou da história da tecnologia. Introdução De modo geral. Concluiuse que universidades. National Policy of Solid Waste. Electric and Electronic Equipment. tanto em relação aos condicionantes sociais como em relação às suas consequências socioambientais. Tecnologia e Sociedade” (CTS) constituem um campo de trabalho que trata de entender o fenômeno científico-tecnológico no contexto social. Abstract This interdisciplinary research gathered theoretical aspects in the field of Science. the government and the society must unite in order to promote new and safer environmental practices that could be created and adopted worldwide so that part of the generated impact could be minimized or new impacts are not even generated. It was concluded that universities. Technology and Society (STS) as well as Sociology of Consumption through one of the methodologies of the Information Science. or merely minimized. The objective was to analyze the technology patents related to the disposal of technological waste and the trends verified in documents of patents. Linsingen e Pereira (2003). Equipamentos elétricos e eletrônicos. existem diversas orientações acadêmicas. mas também com aspectos relativos à sustentabilidade sócio-econômica-ambiental. como a ética engenheril ou os estudos de avaliação de tecnologias.Revista Tecnologia e Sociedade . os es tudos sobre “Ciência. ou apenas minimizados. . through the technological monitoring of products and processes on online free patent database: Espacenet. convergem neste heterogêneo campo de trabalho. but also aspects related to the social. segundo Bazzo. Propriedade Intelectual. Keywords: Science. ou. governo e sociedade têm que se unir para que novas práticas ambientalmente seguras sejam criadas e adotadas mundialmente a fim de que parte do impacto já gerado seja revertido. In the results great contrasts were highlighted. economical and environmental sustainability. que novos impactos não sejam gerados. Palavras-chave: Ciência. 2012. segundo López Cerezo (1998). These in pure technical claims of patent documents which took into consideration more than only the brief description of the technology in question.1ª Edição. De âmbitos de reflexão e de propostas de mudança institucional. Política Nacional de Resíduos Sólidos. ISSN (versão online): 1984-3526 35 documentos de patentes que levaram em consideração mais do que somente a descrição sumária da tecnologia em questão. Intellectual Property.

representam hoje. A estética. 2003). robôs) e de novas formas organizacionais (como o sistema de gerenciamento de estoques “ just-intime”. dada a grande escala de produção. A escassez cada vez maior de áreas para a implantação de novos aterros para a disposição de resíduos. Enfatiza-se a flexibilidade. 2012. relativamente estável do modernismo fordista cedeu lugar à instabilidade e qualidades fugidias de uma estética pós-moderna que celebra a diferença. a meia vida tem caído para menos de dezoito meses. o baixo grau de implantação de novas alternativas de tratamento e reciclagem. esta pesquisa partiu da expressão “capitalismo flexível” que descreve hoje um sistema que é mais que uma variação sobre um velho tema. aliada às limitações existentes para a recuperação dos materiais não renováveis. enquanto que em outros. as quais. p. um grande desafio. BASSO. como o de tecnologias de informação (videogames e programas de computador). Neste contexto. tornou-se evidente. 1993). atualmente os estudos CTS constituem uma diversidade de programas de colaboração multidisciplinar que força a concorrência entre suas duas tradições (europeia e norte-americana). a efemeridade. “Em condições recessivas e de aumento da competição.1ª Edição. 148) ressalta que “a aceleração do tempo de giro na produção teria sido inútil sem a redução do tempo de giro no consumo”. ISSN (versão online): 1984-3526 36 Enfatizando a dimensão social da ciência e da tecnologia. ao lado da exploração de nichos de mercado altamente especializados e de pequena escala. e também os males da rotina cega (SENNETT. nas últimas décadas. A acumulação foi acompanhada na ponta do consumo pela mobilização de todos os artifícios de indução de necessidades e de transformação cultural. Harvey (1993.” Por isso. que sempre é uma chave da lucratividade capitalista. era de cinco a sete anos. a limitação dos ecossistemas naturais em decomporem os resíduos gerados pelo homem em sua atividade econômica (FERRAZ. mas a acumulação flexível diminuiu isso em mais da metade em setores como o têxtil. o problema do grande volume de resíduos sólidos gerados por bilhões de consumidores tem sido apontado como um dos mais graves da atualidade. Harvey (1993. Neste sentido. Atacam-se as formas rígidas de burocracia. c) a condenação da tecnocracia”. o espetáculo e a mercadificação das formas culturais (HARVEY. foi reduzido de modo dramático pelo uso de novas tecnologias produtivas (automação. o impulso de explorar essas possibilidades tornou-se fundamental para a sobrevivência”. e. compartilham: “a) a rejeição da imagem da ciência como uma atividade pura. A meia vida de um produto fordista típico. o tempo de giro. segundo López Cerezo (2002. Para o autor. p.Revista Tecnologia e Sociedade . . que corta drasticamente a quantidade de material necessária para manter a produção fluindo). 2010). p. Como afirmam Ferraz e Basso (2003) “a geração de resíduos é um dos maiores problemas enfrentados. 148) explana que os sistemas de produção flexível permitiram a aceleração do ritmo da inovação do produto. por exemplo. hoje em dia. 9). pelo sistema produtivo. b) a crítica da concepção da tecnologia como ciência aplicada e neutra.

1ª Edição. levantar e avaliar as tendências tecnológicas encontradas nos documentos de patentes. detectar para quais tipos de materiais com essa classificação já existem políticas de descarte. ao relacioná-las com o uso de patentes como fonte de informação tecnológica no meio acadêmico e em estudos de monitoramento tecnológico. ISSN (versão online): 1984-3526 37 Esta pesquisa teve como objetivo principal fazer a análise de patentes de tecnologias relacionadas ao descarte de lixo tecnológico e as tendências verificadas por meio de documentos de patentes. Este estudo justificou-se tendo em vista que analisar as tecnologias existentes para que o descarte de lixo tecnológico seja feito de maneira a colaborar para o crescimento socioeconômico de maneira sustentável. para a caracterização da temática e descrição do universo a ser estudado. propiciará benefícios a toda a sociedade com ganhos econômicos. ambientalmente saudável e socialmente justa. Com vistas ao referencial teórico apresentado pretendeu incentivar a interação entre os estudos das áreas de Propriedade Intelectual. 2012. que foi feita dentro dos princípios do campo CTS que busca a construção de uma sociedade economicamente estável. no qual buscam-se as tendências do desenvolvimento de uma dada tecnologia e possíveis soluções que acabem. através de análise de conteúdo. esperando-se que com estas obtenha-se eficiente recuperação de informações relevantes no universo da base de dados de patentes selecionada. através da literatura encontrada sobre descarte de lixo tecnológico. Metodologia A metodologia adotada foi de uma pesquisa de caráter quali-quantitativa e exploratório-descritiva. 2) Levantamento de termos/palavras-chave representativas para a realização do monitoramento tecnológico. ou melhorem. Como objetivos específicos constaram: identificar e categorizar os tipos de materiais classificados como lixo tecnológico. sociais e ambientais. Esperava-se estabelecer um diálogo entre a área da Propriedade Intelectual e os estudos do campo CTS. A pertinência desta pesquisa se destacou também pelo ineditismo do tema que alia o estudo das políticas públicas existentes sobre descarte de lixo tecnológico às inovações patenteadas sobre o tema. através de monitoramento tecnológico de produtos e processos relacionados ao descarte de lixo tecnológico na base de dados de patentes gratuita online Espacenet. e da análise de conteúdo como método de análise dos resultados. esta pesquisa foi realizada seguindo-se as seguintes etapas: 1) Levantamento bibliográfico para compor a revisão de literatura. o estado dessa problemática. Para tanto. . os estudos CTS e a questão da sustentabilidade ambiental. comparar tais tendências levantadas nos documentos de patentes com a situação atual vigente na legislação brasileira de descarte de lixo tecnológico. Como procedimento metodológico fez-se uso também do monitoramento tecnológico em bases de dados de patentes.Revista Tecnologia e Sociedade .

a fim de comparar a facilidade dos mecanismos de busca de cada base de dados. contendo patentes publicadas a partir do ano de 1836 até o presente (ESPACENET.1ª Edição. 7) Análise dos resultados através da análise de conteúdo. posteriormente. e outros 85 países. Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). do Brasil). Scopus. realizou-se um levantamento das fontes de informação formais a serem utilizadas para o estudo do universo. Derwent Innovations Index.Revista Tecnologia e Sociedade . (4) IPDL (Industrial Property Digital Library. parceiros. o levantamento das principais bases de dados de patentes e um pré-teste com os termos de busca. gratuita. (6) USPTO (base do escritório americano de patentes (United States Patent and Trademark Office)). tais . (2) Google Patents (base de dados americana usada como alternativa à USPTO). (7) Derwent Innovations Index (base de dados de patentes internacionais). e outras bases de dados de patentes. Tais bases de dados selecionadas para o préteste de exploração foram: (1) Espacenet (do escritório europeu de patentes). utilizou-se as seguintes bases de dados: Google. nichos de mercados para atuação. um documento de patente permite identificar tecnologias relevantes. 4) Realização de pré-testes para verificação da eficiência das palavraschaves levantadas. e não qualquer outra. multidisciplinar (patentes de diversas áreas do conhecimento) e abranger as patentes depositadas na base de dados do escritório brasileiro de patentes. Foi realizado. Google Acadêmico. Para a recuperação e coleta das fontes de informação supracitadas. Para a delimitação do universo a ser estudado. É importante ressaltar que a opção de se pesquisar em bases de dados gratuitas baseou-se em questões de sustentabilidade e acessibilidade da informação com menor impacto econômico. sua interface e o quanto cada base recuperou por palavra-chave. (3) INPI (base de dados do Instituto Nacional da Propriedade Industrial. Tendo em vista seu conteúdo informacional. cuja representatividade está no fato desta ser online. JusBrasil. 2012. inovações incrementais e movimentos da concorrência. efetuar novos estudos na literatura da área de descarte de lixo tecnológico a fim de encontrar termos relevantes para a busca. previamente retirados da literatura. Espacenet. assim como o fato da utilização dos documentos de patentes como fonte de informação para o monitoramento tecnológico. (5) PatentScope (base de dados de patentes da Organização Mundial da Propriedade Intelectual). ISSN (versão online): 1984-3526 38 3) Seleção da base de dados de patentes a ser utilizada. base de dados do escritório japonês de patentes). Compendex. 2011). Diário Oficial. 5) Testar a eficiência e realizar a coleta dos dados. se deve ao fato de as patentes terem se mostrado uma eficiente ferramenta e um instrumento eficaz no apoio à tomada de decisão. Comparados os resultados recuperados com os pré-testes realizados nas bases de dados. do contrário. 6) Tratamento dos dados coletados quali-quantitativamente. concluiu-se que a base de dados de patentes que melhor representaria o universo a ser estudado seria a Espacenet. Web of Science. Scielo.

No período de tempo analisado (2003 a 2011) observou-se a ocorrência de registros de pedidos de patentes recuperados por termo. ANO “waste disposal technology” Analisando-se os pedidos de patentes acima mencionados. “waste “technological “electronic “electronic TOTAL electrical waste” scrap” waste” and electronic equipment” 2003 1 0 1 3 1 6 2004 0 0 0 1 3 4 2005 0 0 0 3 0 3 2006 0 0 0 3 0 3 2007 0 0 1 0 2 3 2008 0 1 0 2 2 5 2009 0 0 0 1 3 4 2010 0 0 0 0 2 2 TOTAL 1 1 2 13 13 30 Tabela 1: Número de registros de documentos de patentes sobre REEE recuperados por termos por ano de prioridade na base Espacenet. Os termos “waste disposal technology” e “waste electrical and electronic equipment” recuperaram um documento de patente cada. A seção seguinte apresenta os resultados da presente pesquisa juntamente da discussão e. Pereira e Antunes (2002). das conclusões do estudo. que 11 deles foram depositados . sendo que os termos “electronic waste” e “electronic scrap” foram os que mais recuperaram. novas linhas de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). pelos termos utilizados como sinônimo sobre novas tecnologias em descarte de lixo tecnológico.Revista Tecnologia e Sociedade . gestão de processos. Resultados A partir do estudo do universo levantado. dentre outras. Os termos em português foram utilizados sem a devida acentuação tendo em vista que a base Espacenet não os indexa. os quais foram utilizados entre aspas. conforme apresentado na Tabela 1. ISSN (versão online): 1984-3526 39 como investimentos. e somente nos campos título e resumo. como aborda Canongia. No total. sendo que seu uso ocasionariam sucessivos erros de sintaxe. O universo desta pesquisa foi compreendido. Fonte: Elaboração própria. em seguida.1ª Edição. tanto as em inglês como as em português. obtiveram resultado nulo quanto à recuperação na base de dados de patentes Espacenet. observouse. 2012. foram selecionados 37 termos/palavras-chave e um universo de 31 documentos de patentes recuperados a serem analisados. As demais palavras-chave selecionadas. com 13 documentos de patentes cada um. constatou-se maior incidência na recuperação de documentos nas buscas realizadas com os termos no idioma inglês. que recuperou 2 documentos de patentes. gestão de produtos. portanto. quanto à origem de seu depósito. fusões e aquisições. Em seguida ficou o termo “technological waste”. para recuperação da expressão exata.

Fonte: Elaboração própria. Tal fato. Figura 1: Número de registros de documentos de patentes recuperados sobre REEE por data de depósito e de publicação na base Espacenet. dois em 2005 e em 2006. Consequentemente. dois pedidos foram . ou a data do registro do pedido internacional. A Figura 1 apresenta o número de registros de pedidos de patentes por data de depósito e data de publicação dos pedidos de patentes recuperados ao longo do período de tempo (2003 a 2011) analisado. Em contraposição. ou no escritório americano de patentes (USPTO). isto é. seis em 2004. cinco em 2010 e nenhum em 2011. quatro depositados em 2007.1ª Edição. Como observado. outros 19 pedidos de patentes recuperados tiveram seu depósito nacionalmente e também fizeram uso do Tratado PCT ao entrar com o pedido da patente na WIPO (WO). a data de publicação refere-se à data na qual o pedido de patente nacional teve seu período de sigilo findado (18 meses contados a partir da data de depósito). Diferentemente da data de depósito. 2008 e 2009. Tal data pode se referir também à notificação da entrada na fase nacional do pedido internacional depositado via PCT. indica que os inventores e requerentes (depositantes) da patente têm interesse em proteger sua tecnologia em outros possíveis mercados além de seu país de origem. os países que também receberam o pedido de proteção da patente são considerados. 2012. três pedidos foram depositados em 2003. sendo que este deve ocorrer dentro do prazo de prioridade (período de 12 meses contados da data do pedido no país de origem do depósito do pedido via PCT). de pedido internacional. e/ou em outros países cujo mercado lhes foi de interesse. A data de depósito é a data registrada no protocolo do pedido de patente para o depósito nacional. possíveis mercados para a comercialização da tecnologia reivindicada. pelos depositantes.Revista Tecnologia e Sociedade . ISSN (versão online): 1984-3526 40 somente nacionalmente. visto que o processo não fez uso do Tratado de Cooperação de Patentes (PCT). ou no escritório de patentes da União Europeia (EPO).

45). oito em alemão e somente um em francês. . quatro em 2009.1ª Edição. a Figura 2. foram recuperados 21 documentos em inglês. o Reino Unido e a Suíça apresentaram três depositantes de pedidos de patentes cada. seguida pelos Estados Unidos da América. classificados como pessoa física. p. “após o depósito do pedido de patente perante a autoridade governamental competente de cada país. Fonte: Elaboração própria. nove reivindicando produtos. segundo Macedo e Barbosa (2000. sendo um da Alemanha (Koslow. três em 2006 e em 2007. 2012. ISSN (versão online): 1984-3526 41 publicados em 2004. obteve-se 21 pedidos de patente de invenção reivindicando processos. dois em 2010 e cinco em 2011. sendo que as diferenças das legislações nacionais são. Quanto ao idioma dos registros dos pedidos de patentes recuperados. seis em 2008. Os depositantes e a natureza jurídica destes também foram levantados. e. Dentre todos os 51 depositantes do universo analisado. enquanto que a França. Israel e Turquia finalizam o ranking com apenas um pedido de patente cada um.Revista Tecnologia e Sociedade . o mesmo passa por diversas etapas assemelhadas”. Todos os demais apresentaram somente um registro de pedido de patente sobre REEE recuperado. Tais discrepâncias no período de sigilo dos pedidos podem ser justificadas devido ao fato de que. A Hungria.). pela existência ou exclusão de alguma etapa na tramitação do pedido. Alexander) e o outro dos Estados Unidos da América (Akridge. Figura 2: Número de registros de documentos de patentes recuperados sobre REEE por nacionalidade de seus depositantes. com 9. cinco em 2005. com 4 depositantes cada um. Observa-se que a Alemanha lidera possuindo 12 depositantes. apresenta os registros de pedidos de patentes recuperados por nacionalidade. A República Tcheca e a Finlândia possuem ambos 5 depositantes cada. Os depositantes que mais se destacaram foram dois pesquisadores. Quanto às tipologias dos registros de pedidos de patentes recuperados. assim como a Itália e a Polônia. preponderantemente. James R.

Sistema para gestão da remoção de resíduos industriais.Revista Tecnologia e Sociedade . Assim como o idioma inglês é o que mais se destaca. levou-se em consideração o . com três. Incinerador de resíduos orgânicos. e. b. c. 5) Outras tecnologias não relacionadas à temática: a. com um registro cada um. Reino Unido. 2) Métodos/processos para separação de metais nobres contidos na sucata eletrônica.1ª Edição. Fonte: Elaboração própria. com dois registros cada um. Por meio do estudo do conteúdo dos documentos de patentes e das aplicações nelas mencionadas. Processo de aquecimento solar de água através de calor solar e/ou de resíduos de sucata eletrônica e/ou outros resíduos tecnológicos. Figura 3: Número de registros por nacionalidade dos documentos de patentes recuperados sobre REEE na base Espacenet. através do formulário de análise de conteúdo. com seis registros. Itália. Tais dados são apresentados na Figura 3. tendo 8 documentos registrados. 3) Recipientes (produtos) para o acondicionamento e transporte seguro (sem quebra dos equipamentos) de REEE. Suíça. Japão. Polônia. Israel e Hungria. d. ISSN (versão online): 1984-3526 42 Conforme os idiomas acima mencionados. os Estados Unidos da América também lidera o ranking dos países com registros mais recuperados. República Tcheca. a nacionalidade dos pedidos de patentes recuperados divide-se entre 13 países distintos. No que tange à análise do conteúdo desses documentos. Software para jogos de computador. Turquia. Seguido de Alemanha. foi possível categorizar o universo estudado nos seguintes grupos de tecnologias: 1) Métodos/processos para separação de plásticos contidos na sucata eletrônica. Finlândia e Canadá. 2012. 4) Recipiente (produto) em forma de caixa-lembrete para a conscientização para a separação e o recolhimento de diversos tipos de materiais recicláveis. incluindo os de REEE.

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aparecimento de termos ou expressões que evidenciassem a preocupação do inventor (ou escritor do pedido) da patente com a temática da sustentabilidade ambiental. Observou-se uma preocupação positiva nesta questão em 16 dos 30 documentos de patentes analisados. Foi citada a necessidade do acondicionamento dos resíduos finais em aterros sanitários apropriados, conforme exposto no trecho a seguir: “as cinzas tratadas e drenadas são armazenadas junto com as cinzas da grelha em um aterro sanitário apropriado/adequado” (CH 696425 (A5)). Assim como o fato de aterros sanitários serem cada vez mais inaceitáveis por causa da contaminação do solo e das águas subterrâneas devido à lixiviação de contaminantes. Outros documentos evidenciaram também uma preocupação com o fato de que os resíduos de produtos despejados no meio ambiente demoram muito tempo para desaparecer por si só na natureza, causando poluição ambiental e ameaçando a saúde humana e a saúde ambiental. A questão da sustentabilidade ambiental foi explicitada também através de uma preocupação com as matérias-primas resultantes e estas serem pura e facilmente reutilizáveis. Apesar da clara preocupação e apontamento de termos e expressões relacionadas à sustentabilidade ambiental, dados numéricos relacionados à questão da sustentabilidade ambiental somente foram identificados em três, dos 30, registros de patentes analisados. Tais dados foram identificados em registros da Alemanha, da Finlândia e dos Estados Unidos da América, respectivamente. No que diz respeito à importância (social e/ou econômica) da tecnologia reivindicada para a sociedade, 10 documentos de patentes analisados apresentaram preocupação e destacaram sua importância ao longo dos documentos. Exemplo desta questão é mencionado num pedido de patente inglês, número de prioridade GB20080001820, que destaca a necessidade do depósito dos REEE ser feita de forma segura e ambientalmente amigável (“depositar os REEE de forma segura ambientalmente amigável”). Um pedido de patente chamou a atenção pela extensa preocupação social descrita ao longo do documento. O pedido de número de prioridade (US20100836806) pertencente aos Estados Unidos da América explanou que “os custos sociais nesses lugares menos afluentes é muitas vezes chocante, usando trabalho infantil, com pouca ou nenhuma preocupação para a segurança industrial, e os trabalhadores expostos à paisagem circundante de poluentes químicos”. Foi interessante constatar que tal pedido de patente, cujo processo permite a redução do lixo eletrônico através de atualizações do dispositivo eletrônico afim de não torná-lo inutilizável tão rapidamente quanto a indústria espera, cita o fato de que “ironicamente, muitas pessoas em lugares mais ricos só se dão conta de tudo isso [trabalho infantil e ambiente de trabalho inóspito] quando alguns desses poluentes químicos cruzar o seu caminho, em novos processos de fabricação, e voltam a eles por meio do alto teor de chumbo em brinquedos e substâncias cancerígenas no vestuário”. A preocupação com a sustentabilidade ambiental também foi requerida no questionário de análise de conteúdo através de outra questão, mas desta

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vez no tocante à própria tecnologia cuja patente está sendo requerida. Nesta, questionou-se se o documento traz informações sobre como proceder com o descarte de tal tecnologia após o término de seu ciclo de vida. Tal prerrogativa não foi evidenciada em 27 dos documentos de patentes analisados, estando presente, portanto, em somente três registros. Com relação ainda à questão da sustentabilidade, questionou-se a presença, ou não, de termos ou expressões relacionados a possíveis riscos ambientais. Do universo analisado, somente nove pedidos de patentes apresentaram tais termos. Os pedidos de patentes que apresentaram termos ou expressões relacionados aos riscos ambientais, das tecnologias reivindicadas ou a ela relacionadas, relacionam-se com a questão do descarte ambientalmente inadequado dos rejeitos da sucata eletrônica e aos impactos por estes gerados em aterros sanitários impróprios, assim como ao meio ambiente de forma geral. Sendo assim, observou-se, no universo analisado, grandes contrastes evidenciados tanto por reivindicações puramente técnicas como por documentos que levaram em consideração mais do que somente uma descrição sumária da tecnologia em questão. A próxima seção apresenta uma sinopse dos principais resultados e a importância destes para a sociedade à luz das conclusões do estudo.

Considerações finais
Esta pesquisa teve como intuito realizar análise de patentes de tecnologias relacionadas ao descarte de lixo tecnológico e das tendências verificadas por meio de documentos de patentes, por meio de monitoramento tecnológico de produtos e processos na base de dados de patentes gratuita online Espacenet, além de contribuir e incentivar uma interação entre a área de Propriedade Intelectual com os estudos do campo CTS e a questão da sustentabilidade ambiental. Conforme apontado anteriormente, os resultados analisados indicaram forte preocupação com questões relacionadas à sustentabilidade ambiental, considerando desde possíveis termos ou expressões e dados numéricos relacionados à sustentabilidade, passando pela descrição da importância dessas tecnologias para a sociedade, suas aplicações e possíveis mercados, até informações de como se proceder com o descarte de tais tecnologias ao término de seu ciclo de vida, suas vantagens e desvantagens, riscos ambientais envolvidos e legislações citadas por esses documentos de patentes. Constatou-se que o idioma inglês predominou nos documentos do universo analisado, sendo os Estados Unidos da América o país líder no ranking dos que patentearam tecnologias de descarte e reciclagem de REEE, seguido de perto por Alemanha e Suíça. Houve menção de outros países como Itália, Finlândia, Canadá, Turquia, República Tcheca, Reino Unido, Polônia, Japão, Israel e Hungria, o que denota que o estudo de técnicas e práticas que envolvam o reaproveitamento e a reciclagem de resíduos de sucata eletrônica está em difusão pelo mundo.

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Os resultados indicaram também o aparecimento de termos ou expressões que evidenciaram a preocupação do inventor (ou escritor do pedido) da patente com a temática da sustentabilidade ambiental em 51% do universo estudado. No que diz respeito à importância (social e/ou econômica) da tecnologia reivindicada para a sociedade, 10 documentos de patentes analisados apresentaram preocupação e destacaram sua importância ao longo dos documentos. A preocupação com a sustentabilidade ambiental, porém, não foi evidenciada na análise no que dizia respeito à presença de informações sobre como proceder com o descarte de tal tecnologia após o término de seu ciclo de vida. Tal prerrogativa não foi evidenciada em 27 dos documentos de patentes analisados. Quanto aos termos e expressões relacionados aos possíveis riscos ambientais a que tais tecnologias estariam relacionadas, somente nove, dos 30 pedidos de patentes do universo, apresentaram tais termos. Conforme aponta o campo CTS, a tecnologia, assim como a ciência, é feita para os pares e, consequentemente, a sociedade acaba por ser excluída do debate e das reflexões a respeito das implicações sociais da ciência e da tecnologia. Disponibilizar o acesso é obrigação da União e tornar as bases de acesso público inclusivas, e não restritivas, também. Infere-se que, do ponto de vista abarcado pelo campo CTS, a informação tecnológica tem implicações diretas para a sustentabilidade ambiental, tanto no que diz respeito às suas fontes, seu conteúdo, quanto em seu uso. O comunismo do conhecimento científico, conforme apontado por Merton (1979) no aporte teórico da dissertação que deu origem a este artigo (GIGANTE, 2012), apesar de idealizado, se seguido à risca, possibilitaria maior interação e colaboração das diversas áreas do conhecimento, inclusive as relacionadas à questão da sustentabilidade sócio-econômica-ambiental. Relacionado a isso, há, porém, que se considerar o fato de nossa sociedade ser capitalista e ter uma economia com bases fortemente alicerçadas no tripé da alta produtividade, curta meia vida dos produtos e alto consumismo. Por isso, por mais que cientistas e tecnólogos se esforcem para criar produtos ambientalmente corretos para minimizar ou corrigir os impactos gerados pelos demais produtos já criados pela humanidade, e globalmente difundidos, eles sozinhos não conseguirão reverter todo o impacto e desastres já gerados. O campo CTS confirma e universidades, governo e sociedade como um todo têm que se unir para que novas práticas ambientalmente seguras sejam criadas e adotadas mundialmente a fim de que parte do impacto já gerado seja revertido, ou, numa visão mais realista, que novos impactos não sejam gerados ou ainda, apenas minimizados.

Agradecimentos
As autoras agradecem à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) pelo apoio financeiro.

V. 1998. São Pedro.. L. tecnología y sociedad: el estado de la cuestión en Europa y Estados Unidos. In: Fórum das Universidades Públicas Paulistas: Ciência e Tecnologia em Resíduos . Perspectivas em Ciência da Informação.) et al. 2002.L. A. (Org. pela autora.V. n. 135-162. Acesso em: 22 mar. que ocorreu em Junho de 2012. desenvolvido na Universidade Federal de São Carlos.F. Tecnologia e Sociedade).espacenet. São Paulo: Loyola. São Carlos.N. ISSN (versão online): 1984-3526 46 Notas de fim 1 Este artigo apresenta os resultados da pesquisa do Mestrado em Ciência./dez.C. ANTUNES.A. p.C. Página inicial. J. Madri: OEI.Universidade Federal de São Carlos. Ciência. 2002. ESPACENET. M. MACEDO. PEREIRA. 2003. PEREIRA. BARBOSA. Instituto de Ciência e Tecnologia em Resíduos e Desenvolvimento Sustentável. L. México. Tecnologia e Sociedade. p. Revista Iberoamericana de Educación. p. BASSO. . D. Do fordismo à acumulação flexível.W. W... 41-68.IX Jornadas Latinoamericanas de Estudios Sociales de la Ciencia y la Tecnología. 2000. Análise de patentes de tecnologias relacionadas a resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos.1ª Edição. Ciência. 155-166. 7..com/>. Referências BAZZO.2011. p. I. LÓPEZ CEREZO. (Cadernos Ibero-América)... tecnologia e sociedade: o desafio da interação. Gestão da informação e monitoramento tecnológico: o mercado dos futuros genéricos. L. A condição pós-moderna. Rio de Janeiro: FioCruz. 2. GIGANTE. tecnologia e sociedade: o estado da arte na Europa e nos Estados Unidos.T. pesquisa & desenvolvimento: um manual de propriedade intelectual. p. 219 f. M. 1993.G. 2003. Dissertação (Mestrado em Ciência. ______. Disponível em: <http://lp. HARVEY.. v. CANONGIA. M.F. 286-296. 2012.Revista Tecnologia e Sociedade . Ciencia.C. Londrina: IAPAR. H. FERRAZ. v. em Ciudad de México-DF. 2 Uma versão aproximada deste trabalho foi apresentada no ESOCITE . Resíduos sólidos formados por lixo eletrônico: riscos ambientais e política de reaproveitamento. 18. A. jul. tendo sido orientada pela [REMOVIDO P/ REVISÃO ANÔNIMA]. 3-39.F. 1. Introdução aos estudos CTS: (Ciência. Tecnologia e Sociedade). In: SANTOS. 2012.C. Patentes. C. LINSINGEN. In: ______.

A corrosão do caráter: as consequências pessoais do trabalho no novo capitalismo.D. Rio de Janeiro: Record. A crítica da ciência: sociologia e ideologia da ciência. In: DEUS. 2010.1ª Edição. SENNETT.K. (Org. 2012.Revista Tecnologia e Sociedade . 37-52. J. ISSN (versão online): 1984-3526 47 MERTON. . Os imperativos institucionais da ciência. 1979. p. R. Rio de Janeiro: Zahar. R.).

br.Revista Tecnologia e Sociedade .com.br.UNIOESTE. Bolsista demanda social pela CAPES. E-mail:homero2@uol. fez mestrado (1998) e doutorado (2003) em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina . .Grupo de Pesquisa em Transporte. Translog . fretes. Atualmente é professora adjunto da Universidade Estadual do Oeste do Paraná. Logística e Modelagem de Sistemas. E-mail: dslobo@uol. ISSN (versão online): 1984-3526 48 Bioenergia e resíduos na cadeia de suínos: uma análise de custos e investimentos para transporte de dejetos suínos com posterior geração de bioenergia no município de Toledo/ PR Bioenergy and waste in the chain of pigs: an analysis of costs and investments for the transportation of pig manure with subsequent generation of bioenergy in the city of Toledo / PR Sandra Mara Pereira Debora da Silva Lobo Homero Fernandes Oliveira Weimar Freire da Rocha Júnior 4 4 Sandra Mara Pereira: Mestre em Desenvolvimento Regional e Agronegócio da Unioeste .Professor Associado da Universidade Estadual do Oeste do Paraná – Unioeste Translog . nova economia institucional. o Master Of Science In Operations Research .Grupo de Pesquisa em Transporte. com ênfase em transporte urbano. Logística e Modelagem de Sistemas.com.Naval Postgraduate School (1991) e doutorado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina na área de Transporte e Logística. Atualmente é professor adjunto da Universidade Estadual do Oeste do Paraná . Professor Adjunto da Universidade Estadual do Oeste do Paraná – Unioeste. Possui graduação no Curso de Formação de Oficiais Aviadores pela Academia da Força Aérea (1978).: Engenheiro Agrônomo formado pela Universidade Federal de Lavras (1989).campus Toledo. Debora da Silva Lobo: Graduada pela Universidade Federal do Rio de JaneiroUFRJ em Bacharelado (1990) e Licenciatura (1992) em Matemática.1ª Edição. Logística e Modelagem de Sistemas. Homero Fernandes Oliveira. Email:wrochajr2000@gmail.UnioesteTranslog . Weimar Freire da rocha Jr. Professora Adjunta da Universidade Estadual do Oeste do Paraná . logística.Grupo de Pesquisa em Transporte.com. agronegócio brasileiro. graduação em Tecnologia da Computação pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (1986). 2012. Mestre em Economia Agrária (Economia Aplicada) pela Universidade de São Paulo (1994) e Doutor em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina (2001). Pesquisador produtividade do CNPq.Campus de Toledo.UFSC. Atualmente é professor associado da Universidade Estadual do Oeste do Paraná onde leciona no Curso de Ciências Econômicas e no Programa de Mestrado em Desenvovimento Regional & Agronegócio. Tem atuado na área de Economia.

using a highly waste polluter. . em propriedades rurais do município de Toledo. profitability with the sale of biogas and electricity compensate. Key-words: Transportation costs. however. not suffer the dump indiscriminate of pig manure. as well as for the establishment of a center of biodigestion. utilizando um resíduo altamente poluidor e. Na metodologia. bioenergia. Analisaram-se os potenciais de geração de dejetos. Were researched information on vehicles and equipment used in this activity.Revista Tecnologia e Sociedade . assim como para a implantação de um centro de biodigestão. a rentabilidade com a venda de biogás e energia elétrica compensará. The theore tical base includes agribusiness topics. Foram pesquisadas informações referentes aos veículos e equipamentos utilizados nesta atividade. providing a new energy matrix. para a coleta de dejetos suínos (fase de terminação). for the benefit of farmers. collected information is related to properties with 380 pigs in the finishing stage. coletou-se informações relacionadas à 380 propriedades com suínos em fase de terminação.1ª Edição. who will have new source of revenue with the sale of pig slurry. We analyzed the potential to generate waste. biogás e energia elétrica com as quantidades de suínos existentes nas propriedades pesquisadas. In the methodology. ISSN (versão online): 1984-3526 49 Resumo O trabalho aborda o tema “análise de custos e de investimentos. characterization of swine production site. contudo. Palavras-Chave: Custos de transporte. preservar o meio ambiente. It follows that it is feasible to implement a similar project. No referencial teórico abordam-se tópicos como agronegócio. transportation costs and investment analysis. custos de transporte e análise de investimentos. caracterização da suinocultura local. 2012. por beneficiar os produtores rurais. dejetos suínos. operating costs and investment for the acquisition of them. with the final destination a center of bioenergy”. For the implementation of the project will require major investments. serão necessários grandes investimentos. bioenergy. os custos operacionais e de investimento para a aquisição dos mesmos. performing with the aid of heuristic routing of Clark & Wright. pig manure. biogas and electricity and the quantities of pigs in the properties searched. realizando a roteirização com auxílio da heurística de Clark & Wright. tendo como destino final um centro de bioenergia”. Conclui-se que é viável a implementação de semelhante projeto. Para a implementação do projeto. que terão nova fonte de renda com a venda dos dejetos. possibilitar uma nova matriz energética. que não sofrerá os danos pelo despejo dos dejetos. Abstract The work addresses the theme "analysis of costs and investments for the collection of pig manure (in the finishing phase) in rural properties in the city of Toledo. and preserve the environment.

é mister vislumbrar possibilidades que eliminem o problema e agreguem valor ao resíduo. a problemática sugerida para a realização do estudo foi: “Qual o custo para o transporte de dejetos suínos. 2008) indicam que o Paraná está em terceira posição na produção nacional de suínos (Santa Catarina em primeiro. por dia 4. cada suíno. O Paraná foi responsável pelo abate de aproximadamente 5 milhões de cabeças no ano de 2007. manter o equilíbrio das propriedades e adjacências. sobressaindo-se na produção de suínos. Com base nestas considerações. tanto em âmbito nacional quanto mundial. 2008). em fase de terminação (que representam a maior parcela desta população na região estudada). podem substituir os adubos químicos. por ser de primordial importância para o desenvolvimento não apenas dos negócios relacionados à agropecuária. ISSN (versão online): 1984-3526 50 INTRODUÇÃO Nas últimas décadas. seguido do Rio Grande do Sul).9 quilos de dejetos (urina e esterco). deste modo. das propriedades rurais até um Centro de Bioenergia? Este custo é restituído pela geração de energia (gás ou eletricidade) proveniente destes dejetos?”. pois quando adequadamente utilizados. REVISÃO TEÓRICA Agronegócio Paranaense Nos últimos anos. caracterizando uma necessidade urgente de destino adequado e ambientalmente correto dos dejetos gerados nas propriedades e. PERIN JUNIOR. os dejetos são utilizados para a adubação do solo. No entanto. A principal justificativa deste trabalho. se aplicados continuamente ou em excesso. podem contaminar o solo e os mananciais hídricos. o agronegócio tem sido focado por diversos pesquisadores. FOSTER. Conforme dados de Oliveira et alii (1993). tem se destacado no agronegócio nacional. o Paraná. gera. Sabe-se que. devido a fatores como novas tecnologias de produção e possibilidade de maior produção em reduzido espaço físico. na preservação dos mananciais hídricos. 2012. usualmente. que atendem aos moradores das áreas rurais e urbana. Dados da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (ABIPECS.1ª Edição. Antevendo os transtornos da poluição conseqüentes da suinocultura.Revista Tecnologia e Sociedade . em especial para fins industriais. com a finalidade de obter economias de escala e melhorar a competitividade da agroindústria (WEYDMANN. reside no fato da região ser responsável por 21% da produção estadual de suínos. Esta moderna suinocultura caracteriza-se pelo aumento da concentração do número de animais confinados por estabelecimento. mas também como fornecedor de insumos e . Estes danos demoram a ser percebidos pelos agricultores e até mesmo pelos técnicos de campo (SEGANFREDO. 2002).

2002). A carne suína representa quase a metade do consumo e da produção mundial de carnes. 2002). ISSN (versão online): 1984-3526 51 de matérias-primas para a indústria e o comércio. Caracterização da Suinocultura A suinocultura tem sido destaque. industrialização de carnes (suínos e aves). De acordo com informações da SEAB (2008). tecelagens. com mais de 90% dos criadores ligados a estes frigoríficos. contribuíram para a otimização e a melhoria das condições de produção em toda a cadeia do agronegócio. entre outros projetos. d) fornecimento de conhecimento tecnológico e genético pelas empresas agroindustriais. a produção está com volume aproximado de 93 milhões de toneladas. O Paraná tem se destacado no agronegócio por ter diversificado e modernizado as cadeias produtivas. tão necessários à atividade (GOMES et alii. entre outros (MORETTO. abertura da economia brasileira e a ampliação do mercado interno. A produção de carne suína teve um aumento significativo a partir do ano 1998 devido a fatores como o aumento da exportação de produtos cárneos. o Paraná tem a estimativa de produzir 444 mil toneladas de carne suína no ano de 2008. suco de laranja. Na Figura 1 está exposta a produção paranaense de carne suína. 1992). sendo considerada a principal fonte de proteína animal. têm sido implantados com a intenção de agregar valor e diversificar a produção (LOURENÇO. sendo sua estimativa para 2007 de aproximadamente 2.000 propriedades. 2007). EMBRAPA. a melhoria das técnicas de produção e da qualidade genética do rebanho. Esta atividade é desenvolvida em 136. em sua grande maioria. unidades de melhoramentos genéticos. bem como o auxílio técnico e veterinário. além de prover alimentos para o abastecimento. . médias ou grandes propriedades. obtendo o terceiro lugar na produção nacional. ampliando-se nas últimas décadas devido a fatores como: a) possibilidade de maior produção em reduzido espaço físico. 2012. RODRIGUES. que trabalham em regime de economia familiar. Atualmente. O Brasil ocupa a quarta posição na produção mundial de carne suína. 2002. Setores como usinas de açúcar e álcool. derivados lácteos. Fatores como a globalização. no processo denominado integração (via contratos). b) oportunidade de ampliação da renda do produtor rural (não deixando de desenvolver outras atividades). o favorecimento ao consumo da carne suína no mercado interno.1ª Edição.6 milhões de toneladas de carne (considerado peso de carcaça). pequenas propriedades. PARRÉ. sendo. Possui 20 frigoríficos com inscrição no Serviço de Inspeção Federal (SIF). c) poder ser realizada em pequenas.Revista Tecnologia e Sociedade . tanto interno quanto externo (IPARDES. maltaria.

no mês de outubro de 2004 o Brasil exportou para a Rússia um volume 43% menor que no mesmo mês do ano anterior. a produção percentual de suínos do estado do Paraná por núcleo regional da SEAB. Inserido no contexto estadual. A SEAB fraciona o Estado em núcleos regionais. a região do município de Toledo destaca-se na produção e no abate de suínos. por Núcleo Regional da SEAB (2005) Fonte: adaptado de SEAB (2007) e IBGE (2005). Para se ter uma dimensão desta redução. e. pois foram vendidos cortes. Figura 2 – Efetivo da pecuária de suínos no Paraná (em percentual). . ISSN (versão online): 1984-3526 52 Figura 1– Produção paranaense de carne na suinocultura industrial. 2005). maior valor de mercado (FUNDAÇÃO PROCON-SP. em mil toneladas equivalente carcaça (2002-2009). Esta redução na quantidade não afetou na mesma proporção a receita auferida. ABCS e Embrapa (2007). e com a maioria da produção sendo na forma de integração. em decorrência básica do embargo russo imposto às carnes brasileiras. Na Figura 2. **previsão Fontes: Abipecs.1ª Edição.Revista Tecnologia e Sociedade . 2012. que acompanhou a redução nacional. que possuem maior valor agregado. O Estado apresentou uma queda de produção no ano de 2004. em conseqüência. *estimativa. e Toledo engloba 20 municípios próximos.

A mercadoria negociada no mercado de carbono são as reduções de emissões de gases efeito estufa (GEEs). é através de créditos de carbono. Estes produtos são resultado final do processo de biodigestão. o núcleo regional de Toledo é responsável por 21% da produção do Estado. gerando energia térmica para caldeiras de indústrias. É preciso haver. como estratégia de comércio.Revista Tecnologia e Sociedade . Dessa forma. Outra forma de utilização do dejeto é a transformação deste em biogás. geralmente os dejetos são utilizados para a adubação do solo. mas que podem ser utilizados como fonte alternativa de energia e de renda. que são altamente poluidores. ISSN (versão online): 1984-3526 53 Conforme dados da SEAB (2007) e IBGE (2005). que podem estar no âmbito do Protocolo de Quioto ou fora dele. Como citado anteriormente. . Além disso. Para que estas aplicações sejam possíveis. produto este que pode ser consumido in loco ou pode ser comercializado na forma de gás (botijões ou canalizado) ou já transformado em energia elétrica. embora seus elementos estejam em quantidades desproporcionais em relação aos assimilados pelas plantas. compradores do produto brasileiro. o dejeto suíno é um composto multinutriente. na fase de criação. Kyoto apliance e os non kyoto apliance. Segundo informações da Embrapa Suínos e Aves (2007). um maior comprometimento com a preservação dos mananciais. se faz necessário a ampliação de estudos e de pesquisas para tornar viável sua aplicação para os pequenos produtores possam utilizá-la. cursos de água e poluição do ar. evitando a contaminação de nascentes. a preocupação ambiental no processo produtivo. por exemplo. No Brasil. A criação de suínos pode desestabilizar a harmonia da propriedade rural e adjacências por serem altamente poluentes os dejetos produzidos pelos animais.1ª Edição. ainda é pouco valorizada. os resíduos são retirados. que podem gerar renda é o comércio de biofertilizante e biocarvão. Os últimos usos dos dejetos suínos. seguido de Francisco Beltrão e de Ponta Grossa.5 milhões de suínos no estado do Paraná. 2012. Outra forma de comercialização com a transformação do dejeto suíno em biogás (bioenergia). com 14% cada. Após o período de retenção no biodigestor (que pode variar de 20 a 60 dias). em função dessa desproporção. contudo a elevada tecnificação para aumento da produção ainda não atentou para o descarte dos dejetos. ou biocarvão. São cerca de 4. e podem ser utilizados diretamente como biofertilizante (fertilizante natural para plantas ou tanques de algas). o procedimento de simplesmente dispersar os dejetos sobre o solo agricultável sem auxílio técnico. somente faz agravar a situação dessas terras. há indicações de que as normas ambientais para o tratamento dos dejetos da suinocultura tendem a ser menos restritivas que em outros países.

liquidez. os custos são basicamente divididos em diretos. De acordo com Martins (1998). que possuem alguma medida de consumo na produção (embalagens utilizadas. que visa evidenciar determinado aspecto da situação econômica ou financeira de uma empresa. Ao analisar os custos e despesas relacionadas à atividade. realizaram-se visitas ao escritório do Instituto Ambiental do Paraná (IAP). quilos de material. previsão de despesas. Estes índices servem como parâmetro de avaliação da empresa. com consultas aos sítios do IBGE e da prefeitura do município de Toledo-PR. tipo de tráfego. fluxos (cargas de retorno. Outros fatores que podem afetar os custos são: a quilometragem percorrida. órgão regulador ambiental do Estado. etc. participação de capitais de terceiro. Para o levantamento das informações das propriedades. acionistas. mas estão relacionados à produção (aluguel. período de retorno deste investimento. endividamento. características das vias.” (MATARAZZO. PASSAGLIA. tanto pelos administradores quanto pelos interessados em investimento (bancos.). entre outros). 2003). região de abrangência. Estes fatores interferem nas decisões da empresa sobre qual ou quais modais de transporte utilizar. depende apenas das informações disponíveis e da profundidade que se deseja conhecer a empresa.Revista Tecnologia e Sociedade . entre outros). quantidade de recursos necessários. da disponibilidade do modal escolhido. ISSN (versão online): 1984-3526 54 Custos de Transportes O transporte. do valor e das características do produto. podem-se utilizar índices de balanço. torna-se necessária a análise de investimentos. A apuração correta de todos os custos envolvidos no transporte. e indiretos. 147) Alguns dos mais utilizados são: rentabilidade. 2012. p. “Índice é a relação de contas ou grupo de contas das demonstrações financeiras. gerando tanto benefícios imediatos (controle e redução de custos desnecessários). que não podem ser mensurados de forma exata. manutenção. por exemplo. entre outros. porte do veículo. entre outros. Também influenciam nas decisões de tecnologia e de roteirização. Não há quantidade ou delimitação exata de quais e quantos índices utilizar. contemplando fatores como riscos e incertezas. auxiliam na redução do valor do frete) (VALENTE. NOVAES. quanto num futuro próximo (renovação a frota. 1997). do custo. Para um diagnóstico simplificado dos investimentos. é afetado por dois fatores principais: a distância (trajeto percorrido entre origem e destino). entre outros). uma das principais atividades da logística. . em função da distância. aceitação do produto ou serviço pelos clientes. horas de mão-de-obra. e o tempo (dependente da distância e influenciador direto da formação de estoques e nível de serviço) (BERTAGLIA. entre outros. salários administrativos. fornecedores. 2008. METODOLOGIA A pesquisa foi desenvolvida no ano de 2008. independente da área de atuação. é de fundamental importância para o bom desempenho das empresas.1ª Edição.

Possui também bom desempenho e rendimento no trânsito em estradas secundárias. para a coleta de dejetos. origem da água da propriedade e. fabricada em ferro fundido. Esta heurística. As dimensões são adaptadas a cada veículo em função da capacidade de carga. mas visando a minimização da distância total percorrida pela frota. destinação destes dejetos. sendo o veículo com capacidade de carga total de 13 toneladas. tudo que esteja relacionado ao . se comparado à caminhões semelhantes. tem como objetivo. gerar roteiros que respeitam as restrições de tempo e de capacidade. O equipamento a ser instalado na carroceria do caminhão é composto de um reservatório metálico (chapa de aço carbono de 4. com capacidade de sucção de 1. que atendessem à todas as 380 propriedades. Este modelo. vai à propriedade rural.000 litros de dejetos por minuto. foram coletados dados de 380 propriedades com criação de suínos em fase de terminação. combustível. Ao todo. munido do equipamento necessário. da finalidade e da necessidade do cliente. forma de armazenamento dos dejetos suínos (e/ou tratamento). dirigindo-se então até o centro gerador de bioenergia.75 mm de espessura). indo para outra propriedade e executando o mesmo processo até ter sua carga máxima atingida. onde foram analisados arquivos e documentos disponíveis das propriedades com licença ambiental de operação na suinocultura. Para o cálculo custos de transporte. e com vazão de saída de 300 litros por minuto. coleta o dejeto suíno. A atividade inicia quando o veículo. com potência de 25 HP. foi necessário gerar roteiros. Possui também uma bomba. justifica-se por apresentar melhor desempenho nas estradas rurais da região (na sua maioria em leito natural). Para que fosse realizada a análise correta dos custos de transporte. incidindo na redução de custos de capital e de operacionalização. despesas com pessoal e encargos sociais. Tal análise englobou todas as despesas relacionadas ao veículo. Diversas empresas transportadoras utilizam este modelo de custos. conseguindo facilidade de acesso e de manobra nas propriedades. ao equipamento utilizado. baseado no método de custos médios desagregados. com um eixo na carroceria (tipo toco). No estudo foi empregado o modelo de caminhão normalmente utilizado na região para este tipo de serviço. e por ser utilizado em diversos softwares de roteirização. A escolha deste veículo. observadas as características: posicionamento geográfico (latitude e longitude). enfim. a frota é otimizada (por vezes reduzida). da distância entre eixos. ISSN (versão online): 1984-3526 55 em Toledo. para realizar a respectiva descarga. possibilita a verificação de cada componente sob o aspecto monetário. e.1ª Edição. por apresentar um erro médio de 2% (relativamente baixo). além de custo-benefício apropriado.Revista Tecnologia e Sociedade . quantidade de suínos. à medida que o modelo vai gerando roteiros eficientes. Optou-se por utilizar a heurística de Clark & Wright para a realização da roteirização. impostos. utilizou-se a análise de Custos Operacionais citada por Valente. Novaes (2003). com quebra-ondas internos para reduzir a sobrecarga ou a movimentação inercial brusca do conteúdo. proximidade de rio ou nascente. à manutenção. por ser de fácil levantamento e elaboração. Passaglia. 2012.

As informações para a análise são divididas em quatro grandes grupos: dados gerais. dados de operação do veículo e. Para a coleta dos custos dos veículos e do equipamento. ISSN (versão online): 1984-3526 56 funcionamento do veiculo para coleta de dejetos.1ª Edição.Revista Tecnologia e Sociedade . dados de operação e transporte (Tabela 1). internet ou pessoalmente. via telefone. . 2012. foram contatadas empresas revendedoras. dados de preços.

Após a análise dos custos operacionais.1ª Edição. ISSN (versão online): 1984-3526 57 Tabela 1 – Informações para análise dos custos operacionais Fonte: Adaptado de Valente. realizou-se a análise de investimentos. quais sejam: . 2012.Revista Tecnologia e Sociedade . a qual utilizar-se-á de cinco índices de rentabilidade. da roteirização. e da combinação destes para saber da quantidade de veículos necessária para a coleta diária de dejetos nas 380 propriedades. Passaglia. Novaes (2003).

As esterqueiras correspondem a 88% do total das propriedades pesquisadas. que atualmente é de 8% ao ano. a suinocultura é realizada em pequenas propriedades rurais. Verificou-se que apenas 11% das propriedades contam com biodigestor. Foi utilizada a função do programa Excel para este cálculo.Revista Tecnologia e Sociedade . a uma determinada taxa de desconto. Nas propriedades analisadas no município de Toledo-PR. entre outros. pois estes dejetos serão utilizados nas lavouras.1ª Edição. e algumas ainda combinam este com a esterqueira. As propriedades restantes. medida pela diferença entre o valor presente das entradas e saídas de caixa. e quando os investimentos (saldos negativos) anularem-se com as entradas de caixa (receitas). produzindo diariamente 1. falta de conhecimento e explicações sobre o sistema.  RESULTADOS E DISCUSSÕES Após a coleta e análise das informações referentes às 380 propriedades rurais.  Taxa de rentabilidade (TR): não é uma medida de rentabilidade de capital mas da capacidade da empresa gerar lucro e poder capitalizar-se. em valores monetários. pois as empresas . Ela iguala o VPL a zero. e é uma das formas mais complexas de analisar as propostas de investimento de capital. qualquer investimento que proporcione uma rentabilidade igual ou superior a 8% a. e geralmente é realizada pela família do produtor. de que haverá retorno (financeiro e ambiental) e. serão detalhados os resultados percebidos com as análises propostas.4 toneladas de dejetos.515. rendendo no mínimo. o que indica que ocorre uma degradação do ambiente. pode ainda ocorrer o vazamento (pela não retirada dos dejetos ou chuvas excessivas). que possuem terminação de suínos.  Taxa interna de retorno (TIR): é considerado rentável o investimento que apresentar TIR > TMA. No próximo item. por parte dos produtores. utiliza-se como base a rentabilidade da caderneta de poupança. A análise é de quanto a empresa obtém de lucro para cada $100 investidos. seja na propriedade ou adjacências.  Tempo de retorno do investimento (Payback): em quanto tempo (meses ou anos) o dinheiro investido retornará. utilizam esterqueiras e lagoas de estabilização de dejetos. É realizado analisando-se o fluxo de caixa. a não credibilidade. do investimento. Ou seja. que encontram nesta atividade uma forma de melhorar sua renda com reduzidas despesas.  Valor presente líquido (VPL): reflete a riqueza. por vezes. 2012. Isto ocorre devido a fatores como o alto custo para implantação do equipamento. No Brasil.a. observou-se que este grupo dispõe de aproximadamente 314 mil suínos. ISSN (versão online): 1984-3526 58 Taxa mínima de atratividade (TMA): o projeto deve ser atrativo. a taxa de juros equivalente a rentabilidade das aplicações corrente de baixo risco. será viável. quanto maior melhor a rentabilidade. ter-seá o período de payback. É considerado atraente todo investimento maior ou igual a zero.

19 km. almejando reduzir a quilometragem.127. alterando os custos totais finais para a coleta dos dejetos. Após a compilação das informações das propriedades. combustível. despesas com pessoal e encargos sociais. torna-se indispensável estimar a quantidade de caminhões necessária para a coleta diária dos dejetos.19 Tempo 112:06 h 67:36 h 122:55 h 302:37 h Volume dejeto 556. impostos.43 12. uma rodagem de um mês para a coleta de toda a rota. 2. a quilometragem total mostrou-se elevada. Tabela 2 – Resumo de informações para estimativa de caminhões T13 Número de Quilometragem Produtores 139 4.515. considerou-se que serão necessários 19 caminhões para a coleta diária nas 380 propriedades. para os cálculos de Custos Operacionais. ISSN (versão online): 1984-3526 59 agroindustriais é que realizam o melhoramento genético. visando a melhoria das condições para a roteirização.913. o resumo das informações analisadas para a determinação da quantidade de caminhões.297.00 111 130 380 2.43 km (com 51 rotas). com 15.90 496. foi realizada a roteirização.20 Setor 1 (S1) Setor 2 (S2) Setor 3 (S3) TOTAL Fonte: elaboração própria Analisando os dados de roteiro.337. do equipamento e do primeiro ano de seguro e licenciamento). fazem a entrega e coleta dos suínos. Na primeira configuração. perfazendo um total de 12. Na Tabela 2. para que seja aproveitada a totalidade do potencial energético dos dejetos. Conforme citado na metodologia. entre outros. resultou nas seguintes quilometragens: 4.921. Novaes (2003).059.Revista Tecnologia e Sociedade . Optou-se por realizar uma divisão por setores. com os três setores. agregando distritos próximos. O valor total para aquisição de um veículo com equipamento é de R$ 165.34 km (ou cerca de 20%) na quilometragem anterior (primeira configuração).00 (considerados o valor do veículo. determina esta condição.40 km no S1 (58 rotas). 2012. Passaglia. geração de dejetos.186.20 462. A nova configuração.1ª Edição. Englobou todas as despesas relacionadas ao veículo. o cálculo dos custos do transporte foi realizado com base na metodologia utilizada por Valente. . o que implicaria.36 km no S2 (com 47 rotas e um produtor não roteado) e 4. pois o grande volume gerado diariamente. desenvolvem novas rações.921.715.53 km.490. Para a análise dos custos. praticamente.170.490. operando 16 horas por dia e 25 dias no mês.715. tudo que esteja relacionado ao funcionamento do veículo para coleta de dejetos. em havendo apenas um veículo. velocidade média. ao equipamento utilizado. à manutenção. Observa-se uma redução de 3. enfim.127. num total de 156 rotas.437.36 4.10 1.

considerado neste valor a compra do terreno para implantação. uma estimativa geral dos custos para a aquisição dos caminhões. NIJAGUNA.1064 m 3 Energia elétrica 0. energia elétrica e botijão P13 kg Dejeto Geral T13 (1carga) 1 kg 10.106.000. na 3 proporção de 1 kg de dejeto para produzir 0.5 1. que equivale a R$ 25. que inclui o custo operacional total dos veículos.000. para a geração de 1 m de biogás. corresponde a R$ 602. que influem diretamente na geração e no poder calorífico do biogás.300 litros. e demais valores para a análise de investimentos.00 38 R$ 410. Tabela 3 – Resumo dos custos totais de investimento Descrição Custos (caminhão + equipamento) Quantidade estimada de caminhões Custo total investido Quantidade de motoristas Custo operacional total mensal Despesa com produtores)* compra de dejetos (pago aos T13 R$ 161.532 kWh 5.059. Portanto. foi estimado com base em valores de biodigestores de pequeno porte.000.000.403 kg m3 Biogás 0. pagamento aos produtores e manutenção do biodigestor. com período de retenção de 30 dias (Lucas Junior apud SOUZA et alli 2008. Constata-se que. 3 2002).00 R$ 100.00.534.994.950.14 R$ 8. considerando os caminhões T13 e a implantação do centro de biodigestão.Revista Tecnologia e Sociedade . configuração das rações e medicamentos utilizados na alimentação dos suínos.000.1ª Edição.40 kg de dejetos suínos.8 m 3 Fonte: elaboração própria . ISSN (versão online): 1984-3526 60 Na Tabela 3. instalação do centro de biodigestão. Tabela 4 – Estimativa de geração de biogás. Na Tabela 4.1064m de biogás. uma estimativa de geração de biogás e equivalência de utilizações possíveis.059.000. com o mesmo período de retenção.46.00 19 R$ 3. Nesta análise não foram considerados os níveis de metano.000322 33.32 R$ 91. Estudos apontam a geração de biogás com dejetos suínos.00 a carga de 10. A despesa mensal.956. serão necessários R$ 11. equipamentos. gás carbônico. serão necessários cerca de 9.00 Investimento Biodigestor (geral)** Manutenção mensal do biodigestor** Fonte: elaboração própria * O valor da compra dos dejetos baseou-se nos valores correntes em outubro/2208. ** O valor do investimento e manutenção do biodigestor.3 kWh Botijão P13 equivalente 0. 2012. para o investimento total inicial.

437.425. cada m de biogás pode gerar 5. R$ 1.18 R$ 1.85 kWh 2. justificando que este biogás poderá ser utilizado pela agroindústria processadora do município. Na Tabela 6. ou 2.629. Com a geração de 1.612.95 m Fonte: elaboração própria Para exclusiva finalidade de análise de investimentos. podendo o restante ser comercializado como biofertilizante (22. em média².68).612.961.425.75 kWh 4. Após o período de retenção necessário para a geração do biogás.1ª Edição.515.155. considera-se que serão comercializados 40% do biogás produzido na forma de energia 3 térmica.173.930 kg de dejetos. vendido a R$ 1.206. 2012. da companhia local de energia (R$ 0. Estimou-se que. O restante será transformado em energia elétrica. que poderia beneficiar-se ao investir em semelhante projeto.09 Fonte: elaboração própria .23 R$ 55.9 cargas de 10. hoje equivalente a madeira e carvão que são utilizados.00 cada carga (totalizando receitas de R$ 55.314.885.19 (um real e dezenove centavos).173.1622 / kWh). Para a análise de rentabilidade do presente projeto. o dejeto deverá ser retirado e poderá ser comercializado como biofertilizante ou biocarvão.885. serão produzidos e coletados 37. do volume inicial de dejetos.18 m 12.930 kg Biogás 0. será considerado o valor de R$ 1.1064 m 3 3 Energia elétrica 0.532 kWh 20.00 / 3 m . comercializa o kWh de energia para a região rural do município por R$ 0.188.68 R$ 3.062.558 kg).093.206 Valor mensal R$ 1. 3 Para a equivalência de geração de energia elétrica.515.2 kg de dejetos ao dia. Estima-se este percentual por presumir que a agroindústria local utilizaria este volume de biogás.300 kg) Total Quantidade mensal 3 1. o valor 3 de venda do m de gás natural para fins industriais é. no mês de outubro de 2008. um resumo das estimativas de receitas.1622 (outubro/2008). vendidas a R$ 25. e será comercializado ao preço do kWh para a área rural.Revista Tecnologia e Sociedade . ISSN (versão online): 1984-3526 61 Segundo informações obtidas no sítio da COMPAGÁS (2008). que podem gerar as quantidades de biogás e energia elétrica da Tabela 5.114.031.0 kWh. Tabela 6 – Resumo das estimativas de receitas Descrição Venda de biogás Venda de energia elétrica Venda de biofertilizante (carga de 10.731. ocorra uma perda de aproximadamente 40% com líquidos e subprodutos. e considerados 25 dias de operação no mês.300 kg. Tabela 5 – Potencial de geração de biogás e energia elétrica com a coleta proposta no município de Toledo-PR Dejetos 1 kg 37. A companhia de energia elétrica do Estado.00/m .

ISSN (versão online): 1984-3526 62 Alguns fatores limitantes foram impostos:  no primeiro ano serão apenas realizados investimentos. aprovação de projetos. para ser produzido. indica quanto a empresa ganhou ($) ao investir $ 100. Neste caso mostrou-se significativo e viável o investimento.021. considerando que.422. que atualmente é de 8% ao ano. neste período. Seu critério de decisão é: se TIR > TMA. serão realizados testes e quantificações para a geração de energia elétrica. A Taxa Interna de Retorno (TIR) representa a taxa de desconto que iguala fluxos de entrada com fluxos de saída.  as receitas do segundo ao quarto mês contemplam apenas a venda de biogás. No Brasil. Ou seja. Não é uma medida de capital mas. Ou seja. A Taxa de Rentabilidade (TR).80. constatou-se que o Valor Presente Líquido (VPL). Outra receita que pode advir com a implantação do investimento é a venda de créditos de carbono. pois seu resultado é na moeda corrente da análise (R$). foi de R$ 14.80 de lucro. trabalhando com fluxos de caixa descontados (foi considerada uma taxa de 8% ao mês). foi de um ano e sete meses. considerado bastante salutar para a empresa.  as despesas foram consideradas totais desde o primeiro mês do segundo ano. No modelo T13. e  não foi considerada a venda de créditos de carbono na análise de investimentos Com estas informações disponíveis. caso o dinheiro fosse investido em outra aplicação renderia um valor percentual. aceitase o investimento. Este índice analisa qual a relação entre $1 hoje e $1 no futuro. O período de payback (retorno do investimento). O critério para decisão do investimento é: se VPL>0. da capacidade da empresa gerar lucro. para cada R$ 100. com esta. a TIR foi de 12% até o final do segundo ano. por convenção. realizou-se a análise de investimentos e viabilidade.  foram realizados lançamentos para apenas dois anos. quando todos os investimentos e despesas foram pagas e a empresa começa a ter lucros. 2012. pois. no primeiro mês não haverá receita.1ª Edição. não havendo qualquer produção e conseqüente receita. A Taxa Mínima de Atratividade (TMA) é o percentual que se estipula como o mínimo de retorno do projeto. o biogás precisa do tempo de retenção de 30 dias.05 ao final do segundo ano. Na presente análise.  no segundo ano de operação. licenciamentos. É considerado um dos melhores métodos para analisar projetos de investimento. utiliza-se a rentabilidade da caderneta de poupança. indicando bom retorno do investimento. verificou-se que a TR = 140.Revista Tecnologia e Sociedade .  apenas no quinto mês do segundo ano a receita foi considerada total. a empresa pode gerar R$ 140. após a elaboração e aprovação de um projeto de MDL e. o valor recebido no investimento escolhido deve ser igual ou superior a esta taxa. aceita-se o projeto.00 investidos no projeto. poderão ser auferidos cerca de R$ . e com o auxílio da planilha eletrônica Excel.

são engordados cerca de 314 mil suínos.Revista Tecnologia e Sociedade . considerando a redução de 149. no entanto observou-se que as receitas auferidas são dignas de consideração. os custos ambientais (favoráveis ou não ao projeto).698. para averiguação e descrição das barreiras físicas ou naturais. são conhecidas as formas e as metodologias para a elaboração de projetos de Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL) e de biodigestão. 2012. portanto. Observou-se que 88% das propriedades possuem esterqueiras como destino dos dejetos. é necessário que sejam realizadas visitas a todas as propriedades em estudo. que produzem diariamente 1.965. comprovando a asserção de que a atividade de suinocultura abrange principalmente pequenos produtores. Nas propriedades analisadas. constatando-se que apenas uma propriedade enquadra-se como média. na presente análise. Existe matéria-prima (dejetos) em grande quantidade. utilizando a heurística de Clark & Wright. Conclui-se. constata-se que o investimento inicial. com um regime de trabalho familiar. com risco de contaminação do solo e dos mananciais hídricos. com a venda do dejeto suíno para a geração de . Para a realização da roteirização. Para que se possa optar por este ou outro caminhão. buscando incrementar sua renda de diversas formas. Outro aspecto positivo é a possibilidade de uma nova fonte de renda para o produtor rural. Esta pode ser uma sugestão para trabalhos futuros. Quanto à análise de investimentos e viabilidade. que é viável a elaboração e a implementação de projeto desta natureza na região analisada. Não foram considerados. bem como a geração de energia térmica ou elétrica com o biogás produzido.294 toneladas de CO2 e. as demais são pequenas.72 por ano. para geração de bioenergia.4 toneladas de dejetos (urina e esterco). foram realizadas duas configurações.515.1ª Edição. pois o volume de dejetos coletado diariamente e o potencial de geração de biogás e energia elétrica são justificáveis. Após a coleta e análise das informações. tanto para os produtores de suínos. observouse que é viável a transformação de dejetos em biogás e energia elétrica. CONCLUSÕES O principal objetivo do trabalho foi analisar os custos operacionais e a viabilidade para a implantação de um sistema de coleta de dejetos suínos (fase de terminação). foram selecionadas 380 propriedades rurais.00) por tonelada. bem como as externalidades negativas e/ou positivas que poderão advir com a implantação do projeto. bem como o levantamento das informações das estradas a serem utilizadas. pode ser considerado elevado. com o modelo de caminhão 13 toneladas. ISSN (versão online): 1984-3526 63 1.38¹ (ou US$ 5. Para o estudo. sendo utilizados como fertilizante nas lavouras da propriedade ou redondezas. quanto para a região em que está inserida a cidade de Toledo. e o preço de venda de R$ 11. podendo ser factível uma roteirização com a combinação de mais de um modelo de caminhão. em propriedades rurais do município de Toledo.

Disponível em: <http://sistemasdeproducao. Suínos e Aves. custos de transportes).277. Logística e gerenciamento abastecimento. Disponível em: <http://www. ISSN (versão online): 1984-3526 64 bioenergia.ptr.Revista Tecnologia e Sociedade . Disponível em: <www. CUNHA. minimizando a poluição e a degradação dos mananciais hídricos.1ª Edição. tanto dos residentes no campo quanto na cidade. P. no dia 18 de novembro de 2008 ² O valor coletado no sítio da Compagás varia de R$ 1. ed. B.br/ptr/docentes/cbcunha/files/roteirizacao_aspectos_pratic os_CBC. 5174. p. ABCS – Associação Brasileira de Criadores de Suínos. 2003. São Paulo: Atlas.abipecs.pdf>. 2007. 8 .embrapa.br/estatistica> .org. R. . agregando valor a um resíduo que geralmente é desperdiçado. 220 p. abcs. Acesso em: 3 ago.br/ FontesHTML/Suinos/ SPSuinos/index. n. 2008. Acesso em: mar. Este artigo foi financiado pelo CNPQ REFERÊNCIAS ABIPECS – Associação Brasileira Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína. tornando mais adequada a qualidade de vida. São Paulo: Saraiva.poli. H. Espera-se. 3. v. 509 p. Y. Nota de fim_______________ ¹ A cotação do dólar era de R$ 2. da cadeia de CHING. Disponível em: <http://www. EMBRAPA Suínos e Aves – Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias.html >. além de propiciar ao produtor a possibilidade de ampliação do plantel. Transportes. Gestão de estoques na cadeia de logística integrada : supply chain. utilização de dejetos.usp. Acesso em: jul. resultando em novas fontes de renda e energia aos produtores rurais. Aspectos práticos da aplicação de modelos de roteirização de veículos a problemas reais. Acesso em: jul.jsp>. instigar pesquisadores a desenvolverem novas pesquisas relacionadas ao tema (suinocultura. 2. 2007. A retirada destes dejetos das propriedades melhora o quesito ambiental destas e das propriedades adjacentes. com o presente trabalho.cnptia. BERTAGLIA. para que os danos ambientais sejam controlados/monitorados.536. C.org. 2007. 2000.br/portal/index2. 2012. 2007.0641 a R$ 1. dependendo do volume consumido diariamente.

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Procura-se com o artigo aprofundar o debate sobre as instituições em processos de integração. atuando no Curso de Relações Internacionais. ela não tem sido um instrumento efetivo de aprofundamento dos laços entre os países membros. O objetivo deste artigo é discutir a efetividade da Política Industrial Comum no Mercosul com base na sua institucionalidade. Mestre em Administração. possui pesquisas na área de instituições internacionais. Mercosul should maintain 5 Rogério Santos da Costa: Doutor em Ciência Política. it has not been an effective instrument of deepening the relationship between member countries. particularmente na região da América do Sul. Mercosul. aponta-se que sem densidade institucional o Mercosul manterá sua dinâmica de instabilidade. Professor da Unisul – Universidade do sul de Santa catarina. Com uma abordagem histórico-institucional.1ª Edição. ISSN (versão online): 1984-3526 67 Política Industrial Comum no Mercosul: apontamentos sobre o papel das instituições Common Industrial Policy in Mercosul: notes on the role of institutions Rogério Santos da Costa 5 Resumo A Política Industrial é um instrumento de desenvolvimento industrial em processos de integração regional. and its effectiveness is limited or enabled depending on the institutional community contribution. de forma particular. entrelaçando aspectos teóricos e resultados de estudos empíricos.com. Política Industrial Comum. and it must be established the reason why the integration institutions collaborate to this result. Palavras-chave: Institucional. E-mail: paralelosc@uol. Efetividade Abstract The Industrial Policy is an instrument of industrial development in regional integration processes. linking theory and results of empirical studies. In Mercosul. cabendo estabelecer por que e como as instituições de integração colaboram para este resultado. como Professor Colaborador do Programa de Pós-Graduação em Administração. e tem limitada ou possibilitada sua efetivação em função do aporte institucional comunitário. Graduado em Economia. in particular. The aim of this paper is to discuss the effectiveness of Comonn Industrial Policy in Mercosul on the basis of its institutions. No Mercosul. relacionando os aspectos institucionais da integração com os resultados de políticas comuns. this paper suggests that without institutional density. . and industrial development.Revista Tecnologia e Sociedade . e de desenvolvimento industrial. 2012.br. como Coordenador de Pesquisa e do GIPART. With a historicalinstitutional approach. relating the institutional aspects of integration with the results of common policies. processos de integração e Política Externa Brasileira.

Nesta seção. O artigo possui mais três seções. de uma forma geral.1ª Edição. Introdução O objetivo deste artigo é discutir a efetividade de uma Política Industrial Comum no Mercosul com base na sua institucionalidade. Adota-se neste artigo um arcabouço de referências específicas sobre a temática. segundo . cai-se nos mesmos dilemas de estudos tradicionais na área os quais retiram o caráter histórico e específico de cada formação social. Na próxima seção situam-se o tema e a importância de instituições em processos de integração. o de instituição. o de processo de integração regional como o agrupamento de países com intuito de aprofundar suas relações para além de uma área de livre comércio. com destaque para o papel da complementaridade e difusão tecnológica. 2012. bem como para a transformação de Políticas Externas individuais em Política Pública Comum. ou mesmo de simples comparações descontextualizadas entre União Europeia e Mercosul. bem como os resultados de pesquisas realizadas nos últimos anos tendo como objeto o Mercosul e suas instituições. It also intends to go further into the discussion on the institutions in integration processes. O ponto de maior destaque aqui é fugir ao corriqueiro debate sobre supranacionalidade e intergovernamentabilidade. abordando a importância de uma Política Industrial Comum para o alcance dos objetivos de desenvolvimento econômico na integração regional. e de desenvolvimento industrial. particularly in the region of South America. no mínimo. Opta-se pelo conceito de efetividade como sendo a capacidade de uma instituição em produzir os resultados desejados para a sua existência. Na seção seguinte observa-se a interrelação entre as temáticas da integração regional. contudo. além de referências de estudos na área. onde evidenciam-se aspectos históricos e experimentais. Na última parte a abordagem está centrada nos aspectos institucionais do Mercosul e nas possibilidades e limitações que existem no bloco para a efetividade de uma Política Industrial Comum. passando. bem como as dimensões de confiança e complementaridade econômica. Não que esses debates deixem de ter sentido . Procura-se fomentar o debate sobre instituições em processos de integração. além desta introdução e das considerações finais. utiliza-se de resultados de pesquisa específica sobre o Subgrupo de Trabalho nº 7 – Indústria e Tecnologia. algumas comparações servem para mostrar caminhos possíveis. do Mercosul.tanto é que são citados aqui mas se deixados apenas nesse nível. terem de ser seguidas estritamente. pressupondo que estas possuam um importante papel na canalização de demandas e ofertas. a uma União Aduaneira. Por outro lado. transformando Políticas Externas em Políticas Públicas Comuns. sem. de forma particular. Mercosul. Institutional Effectiveness. do desenvolvimento e da Política Industrial.Revista Tecnologia e Sociedade . relacionando os aspectos institucionais da integração com os resultados de políticas comuns. Keywords: Common Industrial Policy. ISSN (versão online): 1984-3526 68 their dynamic instability.

NYE. De uma forma geral. 1964). Foi depois do choque do Petróleo da década de 70 que os estudos sobre as instituições internacionais ficaram mais fortes. desenvolvimento socioeconômico. estável politicamente. dando confiança ao processo e mantendo a região como um espaço propício ao crescimento econômico. sustentável ambientalmente. culminando na necessidade de estudos sobre o papel e o impacto delas no sistema internacional. Instituições em processos de integração A década de 60 do século passado presenciou um incipiente debate sobre o papel das instituições nas Relações Internacionais. a questão sobre a importância das instituições internacionais passa a ser sucedida por interpelações sobre a cientificidade de sua aceitação ou rechaço. resolução de conflitos e criação de um ambiente de avanço progressivo nos objetivos integracionistas. 2009). indicam que o papel das instituições foi fundamental para a concretização ou não dos objetivos almejados (SILVA. as experiências de integração regional explicitam que suas instituições precisam fazer o papel de canalização das demandas. Porém. restringem atividades e modelam expectativas dos homens e Estados. COSTA.1ª Edição. levantando a problemática do alcance da política de poder que poderiam adotar as grandes potências na busca de seus interesses de Política Externa. e. 1974). As experiências entre um e outro processo de integração. Até aquele momento. 2012. como um persistente e conectado conjunto de regras que prescrevem comportamentos. por fim. o Europeu e o latino-americano.Revista Tecnologia e Sociedade . A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) havia desferido um golpe muito forte no centro do sistema capitalista. prevaleciam as teses do pós-II Guerra de que instituições internacionais são mero apêndices da Política Externa dos Estados. ISSN (versão online): 1984-3526 69 Keohane (1980). As grandes potências sucumbiram à imposição de preços de pequenos países a por causa desta Organização Internacional. gerando a desconfiança sobre as teses realistas nas relações internacionais. 2003. 2011. visão fortalecida pelo fracasso da Liga das Nações e a ocorrência da Guerra. e a América Latina passava a ser uma das melhores opções da busca do desenvolvimento socioeconômico (HASS. o de Política Industrial como sendo toda ação do Estado ou Instituição Comunitária para promover a produtividade e a competição da indústria e o crescimento e desenvolvimento socioeconômico de um país ou conjunto de países. OLIVEIRA. SHMITTER. As Comunidades Europeias passavam cada vez mais a aprofundar a integração regional e a discutir as instituições em seu processo de integração regional. O fenômeno da integração e suas instituições ganhava corpo. e unitário em suas ações externas (MALAMUD. A pergunta a partir de então não era se as instituições internacionais importavam ou não. Um movimento concomitante estava em gestação e atingiria fortemente todo o mundo. mas sim de que forma e em que circunstância sua importância impactava as preferências dos Estados e o Sistema Internacional (KEOHANE. 2011). .

2006). principalmente no que diz respeito ao aprofundamento da integração. ISSN (versão online): 1984-3526 70 Essas condições posicionadas de forma sustentável no espaço e tempo indicam a transformação dos processos de integração em um bloco econômico. sem resultados positivos em termos de desenvolvimento socioeconômico. Pode concluir-se que a integração conduzirá a um progresso tecnologico autônomo. chamando a atenção para dois planos de impactos importantes para a discussão do presente artigo. e esse nem precisa exatamente ser um viés principal. e um segundo. apesar de as experiências apontarem na direção de liderança da área econômica sobre as demais. em um desenho de sistema internacional de multipolaridade em blocos. Um primeiro diz respeito à economia de escala que proporcionaria o aprofundamento de um processo de integração. No entanto. no sentido da unidade de ação de política externa de seus membros. caótica e geralmente bélic¹. Balassa (1961) delimita uma série de vantagens e consequências dos processos de integração regional. pode haver um momento em que a volta. No próximo item especifica-se um pouco da importância da Política Industrial para o desenvolvimento socioeconômico e o processo de integração regional. de uma condição institucional capaz de transformar as políticas externas dos países membros de um grupo em políticas públicas das instituições. por seu turno. correlacionado ao primeiro. PENNA FILHO. por meio de complexos processos políticos e decisórios. Trata-se. o retrocesso ou a estagnação vão ser muito danosos para os Estados. Nessa situação podem alcançar a posição de polo de poder.Revista Tecnologia e Sociedade . é o progresso tecnológico autônomo que resultaria da dinâmica regional integrada. senão. Integração Regional. A mesma década de 60 que suscitou o debate sobre instituições internacionais e sobre estas em processos de integração regional também serviu para o debate sobre as implicações econômicas nestes processos.1ª Edição. Em se tratando de processos de integração regional. quanto do interesse nacional dos mais fracos membros do processo (MENEZES. 2012. tanto dos nacionais de países mais fortes. e na resolução dos conflitos que virão em um processo desta magnitude. da complementaridade econômica e da coesão política e social da área integrada. as instituições possuem um papel-chave na canalização de interesses e objetivos. considerando a abordagem de organizações internacionais de Rittberg e Zangl (2006). Assim. O formato institucional indica. Desenvolvimento e Política Industrial É fato que um processo de integração regional não trate apenas de seu caráter econômico. entre as quais é de fundamental importância a Política Industrial pelo impacto econômico e social que viabiliza ou retarda a aderência dos Estados participantes. as intenções que os Estados-membros possuem para a integração. Em um processo de integração regional. ele perde legitimidade. significa criar consistentes Políticas Públicas Comuns. uma vez que se conseguem obter economias . praticamente impossíveis sem uma ruptura conflituosa.

Esse movimento conferiu-lhe um caráter de bloco . para cada crise ou entrave na integração europeia. indução. direcionamento e adequação das dinâmicas integracionistas. O viés econômico deste autor clássico no estudo de integração alerta para movimentos autônomos e induzidos. seu caráter neofuncionalista lhe conferiu um movimento de estruturação ad hoc. da complementariedade econômica e de ganhos mútuos em termos de difusão tecnológica. foram fundamentais para a inserção positiva de Portugal. e mais recentemente para os antigos países da Europa do Leste (COSTA. É possível e necessário ir além. à medida que a integração encontrava seus limites. Estudos empíricos mostram como o desenvolvimento tende a ser desigual no espaço e tempo². p. os segundos pela atuação proativa das estruturas estatais de forma conjunta. e também é provável que se façam maiores despesas com a investigação e o desenvolvimento após a abolição das barreiras aduaneiras. Os alargamentos foram sendo feitos. Espera-se que estes efeitos benéficos da integração sobre as alterações tecnológicas autónomas surjam no Mercado Comum Europeu. a promessa elencada por Balassa aponta para a necessidade de Políticas Comuns de uma forma geral. É de destacar que. Políticas Públicas Comuns em processos de integração devem fazer o mesmo papel para o qual são acionadas nos âmbitos nacionais.1ª Edição. 266). 1961. Apesar das controvérsias apontadas sobre as características da institucionalidade da integração no “velho mundo”.Revista Tecnologia e Sociedade . 2012. necessariamente. a resposta veio com mais integração e mais institucionalidade. bem como nos projectos de integração latino-americanos (BALASSA. processual. Os fundos europeus. ou seja. e que em processos de integração regional podem significar o seu fim. Os europeus trataram sua integração desde o início como superação de rivalidades históricas e com problemas de assimetrias. esta viria junto com complementaridade. foi da percepção sobre a necessidade de tratar especialmente os problemas de assimetria que a União Europeia criou uma série de mecanismos para a diminuição de seu impacto.O próprio Balassa produz análise específica para alertar sobre os efeitos nefastos que acarreta a falta de uma atenção especial sobre as assimetrias e o desenvolvimento regional desigual. Por isso. ISSN (versão online): 1984-3526 71 de escala na investigação quer ao nível nacional quer ao nível da empresa. Grécia e Espanha. para tornar a integração algo mais do que competição. A institucionalidade da União Europeia não significou. para capacitar o processo em uma direção de indução do desenvolvimento. e Políticas Industriais em particular. introduzindo na Política Industrial Comum em processos de integração um olhar para os seus impactos regionais. uma estrutura pensada desde seu início. Assim. Porém. os primeiros como consequência das atividades individuais de cada ator na economia. 2011ª). mesmo com complexa reintrodução dos problemas de assimetria e de desigualdade de desenvolvimento socioeconômico. pelo desestímulo com resultados negativos que os membros ou algumas regiões sofrem³. A última conclusão é fortalecida pelas perspectivas de crescimento acelerado numa área integrada. particularmente o Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional – FEDER. e.

precisa-se da internalização legal das normas emanadas do bloco por parte dos Estados . A Política Industrial Comunitária Europeia significou um forte impulso para a indústria da região suportar as transformações da Terceira Revolução Tecnológica. e é com base nela que apontamos a linha argumentativa. incluindo a Política Energética. bem como no incentivo às pesquisas e desenvolvimentos no seio das indústrias. em 1994. a Política de Meio Ambiente. 2009). há muito estão prensentes no processo de integração regional europeu. a Política Industrial reflete toda a fragilidade institucional deste importante processo de integração regional. Tratou-se de um aporte normativo da concorrência e das possibilidades de entrada de empresas estrangeiras. arguindo a necessidade de uma supranacionalidade. minimizando os impactos no desemprego. no apoio às pequenas e médias empresas. em Políticas Comuns do processo de integração. pelo entendimento das limitações e possibilidades que o processo possui do ponto de vista institucional. ISSN (versão online): 1984-3526 72 econômico. e uma das principais e foco deste trabalho. conseguem ter uma forte complementaridade econômica com nenhuma instituição comunitária (OLIVEIRA. na busca de instituições com densidade suficiente para transformar os interesses nacionais dos Estados membros em Políticas Públicas. foi feito considerando os impactos e possibilidades da indústria comunitária por uma Política Industrial Comum oriunda das instituições do processo integracionista e por essa sendo coordenada. De uma forma geral. necessariamente. Isso significa uma ampla gama de Políticas Comuns.Revista Tecnologia e Sociedade . pois que arranjos econômicos menos densos que a integração regional. O próprio processo de integração da Europa. ou seja. a estrutura institucional ali definida para o Mercosul é intergovernamental. O próximo item é reservado à exposição e ao debate e crítica sobre a situação do Mercosul. passando a um mercado comum de forma planejada. de produtos do exterior e hierarquia de preferências de importação. Não se trata aqui de cair no erro comum de análise da temática. na perda de competitividade. em comunhão com o exposto no item anterior. conforme longo estudo de Oliveira (1999). a Política de Cooperação ao Desenvolvimento.1ª Edição. Desde o Protocolo de Ouro Preto. sua institucionalidade e efetividade de uma Política Industrial Comum. A busca da complementaridade econômica e a diminuição dos impactos das assimetrias. no fechamento de empresas. reconhecido em fóruns internacionais como um só ente negociando com os demais grupos de países (SILVA. Efetividade de uma Política Industrial Comum no Mercosul A questão da efetividade de uma Política Industrial no Mercosul passa. de disponibilidade de recursos para investimento. de uma visão de médio e longo prazos. 2012. a Política Industrial Comum da União Europeia. como a Associação de Nações do Sudeste Asiático – ASEAN. 2011ª). Consiste.

a flexibilidade e o gradualismo. Mesmo com institucionalidade pouco densa. Embora seus objetivos sejam amplos e até indiquem a existência de uma incipiente Política Industrial Comum. pois que já acostumadas a garantidos canais de acesso pelas instituições nacionais (VIGEVANI. O que se pode chamar de Política Industrial Comum no Mercosul resulta dos trabalhos do Subgrupo de Trabalho nº 7 – Indústria e Tecnologia. Um outro aspecto relevante é que os Estados membros possuem grandes assimetrias entre si. Esse órgão. e a de Propriedade Intelectual. como couros. mas sim tratar de integrar onde as possibilidades históricas e conjecturas assim os permitirem. madeiras e móveis. Indicadores de Competitividade. tenham validade. possui reuniões ordinárias semestrais e é composto pelos nacionais dos países membros ligados aos seus respectivos Ministérios de Indústria e Comércio. 2005). calçados. Essa estrutura revela as bases pressupostas de criação e desenvolvimento do bloco pelos seus fundadores. uma representação do bloco nessas principais estruturas institucionais. além de Cadeias Específicas. . A primeira representa uma política de avanços e retrocessos (stop and O) na integração sempre que houver dificuldade de algum membro. gerando dificuldades de confiança e planejamento de médio e longo prazos (PEÑA. Não há. Os principais órgãos da integração. é subsidiário dos órgãos de decisão do Mercosul (notadamente o Conselho do Mercado Comum – CMC).1ª Edição. Promoção Industrial. ROZEMBERG. As assimetrias dificultam uma relação de aprofundamento como resultado das diferentes demandas e ofertas de instituições de cada membro. ISSN (versão online): 1984-3526 73 membros a fim de que. Pequenas e Médias Empresas e Artesanato. pois nenhuma decisão no âmbito do Mercosul estabeleceu uma conduta comum impactante para a complementaridade industrial regional. neste sentido. Os limitadores de avanço do processo de integração regional mercosulino do ponto de vista institucional são de várias ordens. 2012. mas não de evitá-los (PEÑA. principalmente. sua atuação foi limitada. remetendo à dificuldade de um ambiente para a criação de Políticas Públicas Comuns. são formados por representantes dos Estados membros oriundos de órgãos públicos. e a segunda revela a ideia de não formar objetivos de longo prazos. entre eles os subsidiários como os Subgrupos de Trabalho. resultando em uma “inflação normativa” pela falta de decisões (BOUZAS. para estes. percebe-se que os trabalhos do Subgrupo nº 7 tiveram poucos resultados concretos. 2007). principalmente os mais importantes. as regras do jogo criadas não são cumpridas. 2006-2007). no sentido de geração de Política Pública Comum. 2002). Também possui grupos que abordam as questões específicas como Reuniões de Competitividade. A estrutura do Subgrupo foi se estabelecendo pela criação de Comissões Temáticas: a de Micro. ou seja. a de Qualidade e Inovação. Outro aspecto relevante é a percepção negativa das elites industriais do Brasil sobre a necessidade de instituições comunitárias densas. 4 Em uma avaliação geral desde que foi criado .Revista Tecnologia e Sociedade . criado em 1998. tem sido capaz de resolver problemas. Essa postura é identificada na literatura de integração como neofuncionalista. A flexibilidade institucional do Mercosul. por sua vez.

antes de tudo. verificou-se que a estrutura institucional do Mercosul possui sérias limitações para a produção de Políticas Públicas Comuns. o trabalho de conhecimento. ISSN (versão online): 1984-3526 74 o que dificulta a execução dos trabalhos. que seu papel é fundamental para o início de uma Política Industrial e Tecnológica Comum. Sua atividade precisaria resultar em decisões de Políticas Públicas Comuns da instituição Mercosul. Trata-se. e apesar do pouco material disponível que traga informações sobre as ações do Subgrupo de Trabalho nº 7. harmonização e aproximação feito pelos nacionais no Subgrupo de Trabalho nº 7 é fundamental. de Políticas Comuns entre os Estados partes. e de alargar as capacidades de competitividade. no sentido de produzir os resultados desejados de complementaridade industrial. então o Mercosul precisará ser repensado no tocante ao aprofundamento da integração e ao fortalecimento da sua institucionalidade. que serviriam de motivador e balisador das preferências dos Estados para materem-se e impulsionarem o processo de integração como um todo. para a efetividade de uma Política Industrial no Mercosul. comparados aos anos anteriores de formação. mas consistente. em um ambiente cada vez mais multipolar em blocos. É certo que nos últimos 10 anos ocorreram muitos avanços estruturais nesta integração. em função da institucionalidade própria deste processo de integração regional.Revista Tecnologia e Sociedade . está menos formando Políticas Públicas Comuns. mas apenas embrionário e retroalimentador. observou-se. e mais colaborando para a troca de informações e experiências das congêneres nacionais dos Estados membros. evidenciando a dificuldade de sua efetividade. 2012. Esta é a diferença entre um Processo de Integração e um simples acordo comercial. harmonização e aproximação do Subgrupo de Trabalho nº 7 – Indústria e Tecnologia. e os impactos de uma política industrial comum no desenvolvimento socioeconômico dos países integrados. Além disso. a formação de um bloco políticoeconômico. historicamente dificultados pelas precárias condições macroeconômicas e as consequentes instabilidades. ou seja. cada Estado tenta criar seus mecanismos internos de Política Industrial.1ª Edição. O Mercosul possui baixa densidade institucional. em um trabalho com resultados de médio e longo prazo. Buscou-se apontar elementos institucionais de processos de integração regional. de aproveitar as potencialidades de cada país. e que a Política Industrial Comum mercosulina é limitada a algumas ações de conhecimento. Se são consistentes os objetivos dos países membros de alcançarem desenvolvimento socioeconômico. Considerações Finais O objetivo deste artigo é discutir a ideia de uma Política Industrial Comum no Mercosul. Nesse cenário. de buscar complementaridade e desenvolvimento socioeconômico conjunto. bem como uma inserção como polo de poder nos sistema internacional. o prazo e a consolidação lenta. Pensando na agregação dos temas aqui tratados. Mesmo assim. . diante das atas de reuniões ordinárias e extraordinárias.

Hamburgo. “Economics and differential patterns of political integration: projections about unity in Latin American”. Para este país. MENEZES. Florianópolis: Ed. BOUZAS. International Organization. fazer parte da integração tende a ser a melhor escolha possível. Florianópolis: Editora Modelo. no. pp.int/. ISSN (versão online): 1984-3526 75 principalmente pela formatação do Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul – FOCEM. que possui seu fracasso associado ao descontentamento dos países menores com os resultados relativos da integração. Karine de Souza. ______ “Políticas de Desenvolvimento Regional em processos de integração: comparações entre a União Europeia. Referências BALASSA. Philippe C. 705 – 734. mas certamente com consequências danosas para sua economia. o Mercosul e a América do Sul”. COSTA. 18. Institut Für Iberoamerika-Kunde. World Politics. IN: SILVA. Transgovernmental Relations and International Organization. 2012. Bela. 1964)..Revista Tecnologia e Sociedade . e os constantes descontentamentos de Uruguai e Paraguai no Mercosul. sempre barganhando maiores fatias de benefícios sob ameaças de deixar o bloco (Ver: MALAMUD. Arbeitspapier nr. As relações entre a União Europeia e a America do Sul: convergências e divergências da agenda birregional. HASS. 2011a. pp 177-204. No entanto. Nesse sentido. Mercosul e União Europeia: o estado da arte dos processos de integração regional. . vol. IN: SILVA. 1. SOLTZ.1ª Edição. 1 O caso brasileiro é exemplar: a industrialização desde 1930 produziu grandes desequilíbrios regionais no país. Joseph S. KEOHANE. 2011. Rogério Santos da. Lisboa: Livraria Clássica Editora. dilemas e perspectivas do Mercosul”. 1961. (http://www. talvez uma solução intermediária pra si mesmo. 1974. quanto para a União Europeia. 2006).mercosur. Robert. da UFSC: Fundação Boiteux. pp. 4 (autumn. PENNA FILHO. pelo efeito demonstração. Notas__________ 1 Em 2012 apresenta-se a experiência da Grécia como ilustrativo dessa situação. “Instituições em processos de integração: êxitos. Teoria da integração econômica. a efetividade de uma Política Industrial Comum do Mercosul passa pelo realinhamento de sua institucionalidade buscando transformar as decisões e aplicações do bloco em Políticas Públicas Comuns. 1 Análise baseada nos documentos do Subgrupo de Trabalho nº 7 – Indústria e Tecnologia do Mercosul. sair da zona do Euro seria a melhor solução para a integração. SHMITTER. 265286. tanto para a Grécia em termos de consequências e capacidades de recuperação. pesquisados no site da instituição. Karine de Souza Silva. 2003. NYE. Hernán. Acesso entre fevereiro de 2011 e junho de 2012). Ernest B. 27. 1 São exemplares os estudos sobre a ALALC – Associação Latino-Americana de Livre Comércio. Roberto. august 2002. Instituciones y mecanismos de decisión en procesos de integración asimétricos : el caso MERCOSUR.

Robert. Curitiba: Juruá. 1980. pp 17-64. 15. ROZEMBERG. Mercosul e União Europeia: o estado da arte dos processos de integração regional. RITTBERG. Felix. pp. Tullo et al. politics and policies. Vol. ______.Revista Tecnologia e Sociedade . Celi. Brasília. Andrés. Odete Maria de. In: ESTEVEZ. Florianópolis: Editora Modelo. “As Instituições da União Europeia e as alterações introduzidas pelo Tratado de Lisboa”. 1999. nº3. IN: SILVA. Documento de Divulgación nº 31. IN: SILVA. Política Externa. PEÑA. Paulo Luiz (Org. International Organization: polity. MENEZES. “Integração regional na América Latina: teoria e instituições comparadas”. O papel da integração regional para o Brasil: universalismo. “As qualidades de um Mercosul Possível”. SILVA. 2011. pp 103-154. After Hegemony: Cooperation and Discord in the World Political Economy. 2011a. 325-352. Una aproximación ao desarrollo institucional del Mercosur: fortalezas y debilidades. Ricardo. 2012. PEÑA. NJ: Princeton University Press. ISSN (versão online): 1984-3526 76 KEOHANE. . dez/jan/fev 2006-2007. Instituições internacionais: comércio. MALAMUD. ZANGL. VIGEVANI. PENNA FILHO.1ª Edição. 2006. União Européia: processo de integração e mutação. ______. Pio. Mercosul e União Europeia: o estado da arte dos processos de integração regional. 2006. Out/2005. 2003.). New York: Palgrave Macmillan. Alfredo da Mota. Ijuí: Editora Unijuí. Buenos Aires. 2009. PUCMinas. Rio de Janeiro: Campus/Elsevier. Belo Horizonte: Ed. BID/Intal. Integração Regional: Blocos econômicos nas Relações Internacionais. Volker. Princeton. Velhos e novos regionalismos: uma explosão de acordos regionais e bilaterais no mundo. “De Paris a Lisboa: sessenta anos de integração europeia”. OLIVEIRA. Bernard. 2007. soberania e a percepção das elites. segurança e integração. Karine de Souza. Karine de Souza. Karine de Souza. I Encontro da ABRI – Associação Brasileira de Relações Internacionais. Florianópolis: Editora Modelo.

E-mail: sileide. E-mail: ana. . em Curitiba. Palavras-chave: Sustentabilidade.1989).com. Doutorado em Geografia pela UFPR (2011) na linha de pesquisa: Território. Cultura e Representação com a pesquisa sobre Palcos do Cotidiano: O bairro urbano como espaço de ação e da expressão teatral. Possui Mestrado em Tecnologia pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná.com. Graduação em Geografia pela Faculdade de Ciências Humanas e Sociais de Curitiba (1991).Campus Curitiba. PósGraduação em Especialização em Formação de Professores em EAD pela Universidade Federal do Paraná-UFPR (2001) e Graduação em Licenciatura em Letras Português . Copa do Mundo 2014. Também é autora de livros didáticos do Ensino Fundamental pela Base Editora.edu. O estudo busca analisar a função social da construção sustentável na Copa 2014 e a conectividade urbana e econômica e social. ISSN (versão online): 1984-3526 77 Sustentabilidade nas Construções da Copa 2014.Campus Curitiba.salvador@ifpr. Políticas Públicas. sua avaliação e a sustentabilidade dinâmica.Brasil.casagrande@gmail. E-mail: eloy. Atualmente é Coordenador do Escritório Verde e professor do Departamento Acadêmico de Construção Civil e da PósGraduação da Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Portanto.gil@ifpr. É professora do Instituto Federal do Paraná. in Curitiba Sileide France Turan Salvador Ana Helena Corrêa de Freitas Gil Eloy Fassi Casagrande Júnior 6 Resumo Esse trabalho busca destacar a necessidade de aprofundar o conhecimento das relações que envolvem políticas públicas. Possui Graduação em Estudos Sociais e Educação Moral e Cívica pela Faculdade de Ciências Letras e Educação de Presidente Prudente (1985).edu.1ª Edição. 2012. Eloy Fassi Casagrande Júnior: Professor Doutor do PPGTE/UTFPR.Revista Tecnologia e Sociedade .Campus Curitiba . concluiu o doutorado em Engenharia de Recursos Minerais e Meio Ambiente pela Universidade de Nottingham em 1996 e o Pós-Doutorado no Instituto Superior Técnico (IST-Portugal) em 2007. atuando no ensino de Língua Inglesa para o Ensino Médio. 6 Sileide France Turan Salvador: Mestre em Tecnologia. conhecer o processo permite o entendimento dos fatores internos e externo que influenciam e/ou modificam o as estratégias de sustentabilidade na Copa do Mundo 2014.Brasil. Apresenta as características desejáveis em uma construção sustentável.Inglês pela Universidade Tuiuti do Paraná-UTP (1998) pela Universidade Federal do Paraná. em Curitiba Sustainability on Constructions of the World Cup 2014.br Ana Helena Corrêa de Freitas Gil: Professora Doutora em Geografia do Instituto Federal do Paraná . UTFPR (2010). Especialização em Geografia Física (UNICENTRO -1991) e Especialização em Magistério Superior (TUIUTI. Mestrado em Geografia pela Universidade Federal do Paraná (2003) com o tema: Shopping Centers em Curitiba: Novos espaços de consumo e lazer. professora do Instituto Federal do Paraná – IFPR . Curitiba.

nesta estratégia. Therefore. porém. The study analyzes the social role of sustainable construction in the 2014 World Cup and urban connectivity and economic and social development. Keyword: Sustainability. água. mobilidade e acesso. in Curitiba. Torna-se primordial. knowing the process allows an understanding of internal and external factors that influence and / or modify the sustainability strategies in the World Cup 2014. gestão integrada de resíduos. agentes e ferramentas de mensuração eficazes. O estudo também ressalta ações de sustentabilidade que já possuem certa visibilidade social. Seguindo a proposta de Martins e Theóphilo (2007). que atuam nas seguintes categorias: a conservação de energia e mudanças climáticas. 2000).1ª Edição. its dynamics and sustainability assessment. 2012. nessa primeira fase. THEÓPHILO. em Curitiba. sustentabilidade e sociedade. neste artigo. como analisar essa implementação e estruturação? Esse trabalho que considera os impactos da Copa do Mundo de 2014. a Copa 2014. Busca-se. tem como objetivo verificar as estratégias utilizadas nas construções relacionadas com a Copa 2014. um equilíbrio sistêmico composto pelas interações entre os sistemas envolvidos na organização do megaevento. uma pesquisa básica. o artigo apresenta aspectos da Copa 2014 que são característicos de megaeventos esportivos e da sustentabilidade. objetivado sinalizar as várias possiblidades de divulgação dessas práticas. após densa pesquisa. identificando os conceitos de sustentabilidade desenvolvidos em Curitiba. O Brasil se organiza para sediar a Copa 2014. integra espaços. Introdução A sustentabilidade. Curitiba. como ideia central do desenvolvimento sustentável. Public Policy. O contexto do trabalho perpassa pelos pressupostos da responsabilidade na conservação do meio no qual se vive e na realidade construída de que pensar globalmente envolve agir localmente. com objetivos e estratégias analisadas a partir de um ponto de vista exploratório e bibliográfico. períodos e contextos num processo contínuo (JIMÉNEZ HERRERO. integra conhecimentos. ISSN (versão online): 1984-3526 78 Abstract This work aims to emphasize the need to deepen the understanding of the relationships that involve public policy. 2007). Na perspectiva de um megaevento sustentável. desenvolve-se. quando são adotados os procedimentos abordados. Esse processo está composto por uma meta organizacional e ações objetivas que interligam políticas públicas. transporte. apresentar uma análise histórico-processual das políticas públicas que norteam a implementação .Revista Tecnologia e Sociedade . edifícios verdes e estilo de vida sustentáveis. ações. Como recurso metodológico de pesquisa básica qualitativa e análise (MARTINS. World Cup 2014. no qual o problema é apresentado numa perspectiva qualitativa. além da construção sustentável. It presents the characteristics desirable in a sustainable building. que se propõe a ser um evento sustentável. paisagem e biodiversidade.

reciclar. . são apresentadas as considerações finais. 2012. Essas práticas devem ser o marco de uma cultura sustentável (MUSGRAVE. manejo de ecossistema. Inseridos no corpo textual das seções são mencionadas algumas ações da construção sustentável. denominado “Brasil Sustentável: Impactos socioeconômicos da Copa do Mundo de 2014” foram priorizados sete passos para a Copa Verde. As práticas adotadas devem: proteger. Curitiba. desastres e conflitos. gerando. construção sustentável. YOUNG. reutilizar e usar de maneira responsável os recursos naturais disponíveis. De acordo com um ensaio preliminar de indicadores feito pela Ernst e Young (2010). desenvolve-se. dos impactos e legados sustentáveis advindos do megaevento na cidade (GELINSKI. deixando um legado futuro que ultrapasse o tempo em que o evento durar. 2008). um evento sustentável. Segundo o documento. paisagem e biodiversidade. onde estão estabelecidas as relações entre os pressupostos teóricos. mobilidade e acesso. 2010. Assim sendo. precisa administrar seus riscos. enquanto capital escolhida precisa desenvolver projetos caracterizados pela sustentabilidade ambiental e econômica. em um conceito que impeça a degradação do ambiente. simultaneamente riquezas que atinjam diversas camadas da comunidade. água. os sete passos para o sucesso da Copa Verde são: conservação de energia e mudanças climáticas. Além desta seção introdutória. baseada em análise documental. edifícios verdes e estilos de vida sustentável. Portanto. agregar valor à economia local e educar os participantes do evento sobre os benefícios da sustentabilidade. sociedade e meio-ambiente. gestão e sustentabilidade. substâncias perigosas e eficiência do uso de recursos naturais (ERNST. dessa forma. impactos. uma visão holística sobre essa política pública no que diz respeito à comunidade local.1ª Edição. dos indicadores. avaliação do processo. Há seis áreas que deveriam ser abarcadas para que a Copa seja realizada em algum país estão elencadas no United Nations Environment Programme (UNEP). p. Esses temas compõem o triple bottom line ou tripé da sustentabilidade: economia. Construção Civil e a Sustentabilidade. Os eventos sustentáveis apresentam três temas que norteiam o desafio do estabelecimento da sustentabilidade em suas estruturas. identificados conforme o padrão preestabelecido de responsabilidade socioambiental dos estados e áreas prioritárias do Green Goal e a realidade particular brasileira. Posteriormente. e. gestão integrada de resíduos. São elas: mudanças climáticas.Revista Tecnologia e Sociedade . as ações e os objetivos propostos inicialmente. em Curitiba. governança do meio ambiente. garantindo que as futuras populações e gerações sejam beneficamente afetadas por suas ações. 2009). SEIBEL.18). ISSN (versão online): 1984-3526 79 das estratégias de sustentabilidade nas Copas anteriores e que orientam a Copa 2014. o artigo segue a seguinte estrutura: arcabouço teórico explicitando os seguintes temas – Mega Eventos e A Sustentabilidade. transporte.

a “Jornada para a Copa de 2014”. Numa retrospectiva histórica. em 1997. na época. destacam-se: a proteção da biodiversidade que envolve as espécies. Considerando essa concepção de revolução sustentável. Analisando os componentes inter-relacionados e que necessitam passar pela revolução da sustentabilidade. os genes. 2012. enquanto capacidade de planejar estratégias para minimizar o desperdício de recursos de ordem material e energético. no decorrer da última Copa do Mundo organizada pela Fédération Internationale de Football Association (FIFA). novas diretrizes. simultaneamente. Alcançar-se um bom desempenho na promoção do desenvolvimento sustentável através desse tipo de competição global significa ter que . onde se oficializa o termo “desenvolvimento sustentável”. importantes conferências e documentos como o Protocolo de Quioto. importa recordar que foi em julho de 2010. o megaevento de 2014 que ocorrerá no Brasil. Essa iniciativa do governo brasileiro traz consigo desafios e oportunidades para o país-anfitrião. lançou o Relatório Brundtland – intitulado também como Nosso Futuro Comum (Our Common Future). e realizada na África do Sul. 16) os megaeventos como a Copa do Mundo costumam constituir-se em modelos para ações futuras e adoções de políticas nacionais. oficialmente. O conceito de legado aparece em 1956. os sistemas naturais. sustentabilidade e inovação.Revista Tecnologia e Sociedade . que o Brasil lançou. em seu discurso. Quioto alertava com mais rigidez para as consequências do efeito estufa e do aquecimento global. Segundo Ernst e Young (2010.1ª Edição. os aspectos ambientais e de sustentabilidade envolvidos no processo. componentes da Terra. a segunda conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) para discutir os problemas socioambientais globais. ISSN (versão online): 1984-3526 80 Mega Eventos e a sustentabilidade Em 1987. o recorte principal tratava da sustentabilidade como o atendimento das necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de que as gerações futuras atendam as suas próprias necessidades. reduzindo a dependência de combustíveis fósseis não renováveis e. a contenção do uso e produtos químicos nocivos e aspectos econômicos e políticos que recompensam as estratégias benéficas ao meio ambiente e desencorajam os comportamentos prejudiciais. Sente-se a necessidade de agregar. então. destaca pressupostos de tecnologia. p. Ele destacou. médio e longo prazo com componentes mensuráveis e imensuráveis. a prioridade de que o futuro megaevento fosse uma “Copa Verde” e que se mostrasse ao mundo o compromisso brasileiro no que tange à sustentabilidade ambiental. na análise dos impactos socioeconômicos. através de seu então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. otimizando a relação com formas de energias renováveis. Inserido no conceito de Copa Sustentável. A eficiência. os processos químicos e biológicos. CLAVELL. no contexto da Olimpíada de Melbourne. Surgiram. torna-se importante destacar que. as interconexões são legados de curto. 2011). como conexão entre megaeventos e as políticas públicas de desenvolvimento (FUSSEY. Também como um componente enquadra-se a prevenção da poluição ou degradação ambiental.

Na ocasião. das comunidades e dos relacionamentos entre a sociedade e o meio ambiente. p. . 52-53). Seguiu-se a criação de Câmaras Estaduais. Assim. foi criada a FIFA – Federação Internacional da Associação do Futebol. sob as diretrizes da FIFA. em 1872. incentivar o consumo de produtos orgânicos e/ou sustentáveis. No ano de 1904. 2012. e . . CASTRO RAULI. utilizar a água de maneira racional. Atualmente. a conjunção de interesses econômicos. . Holanda. Em 2007 foi publicado pela FIFA. foi criada em maio de 2010 uma Câmara Temática Nacional de Meio Ambiente e Sustentabilidade (CTMAS) sob a coordenação dos Ministérios do Esporte e do Meio Ambiente.1ª Edição. estruturas e operacionais (BELLEN. bem como pelos ganhos de imagem e visibilidade que possam depois ser revertidos em capital político” (ERNST & YOUNG. Espanha. Para que as políticas públicas representem a forma mais democrática de adequação e estabelecimento do alicerce para a obtenção do crescimento sustentável. 2009). podem redefinir o papel Estado. incentivar a mobilidade e circulação sustentáveis. promover a sustentabilidade ambiental com inclusão social. Suécia e Suíça. essa instituição passou a traçar diretrizes para futuros eventos internacionais. promover o ecoturismo nos biomas brasileiros. sustentabilidade e tecnologia são categorias que. vale registrar que. . ocorreu a primeira Copa do Mundo com jogos amistosos que ocorreram entre as comunidades britânicas. sociais e comerciais. a FIFA registrava sete países associados: França. ISSN (versão online): 1984-3526 81 contribuir para a redução de custos sociais e ambientais. as principais diretrizes para o evento no Brasil. necessitando caracterizar um autêntico processo democrático (SILVA. . políticos. em maio. eficiência energética. .Revista Tecnologia e Sociedade . Bélgica. a 4° Edição do Manual de Especificações Técnicas para Estádios de Futebol. para a Copa do Mundo 2014. Apresentando um breve histórico desse megaevento. incentivar e alavancar negócios verdes. 2005). Para lidar com este desafio. Neste Manual constam exigências e pressupostos como: decisões de pré-construções referentes às . Dinamarca. refletindo-se em políticas públicas inovadoras que agreguem novas tecnologias conceituais. valorizar e ajudar a promover e proteger a biodiversidade brasileira. Inovação. o sucesso da Copa poderá ser medido pelo aumento da arrecadação e geração de riqueza. além de colaborar para maior integração entre os vários atores da sociedade e o desenvolvimento contínuo das pessoas. faz-se necessário que essas políticas apresentem um planejamento que integrem a sociedade. Segundo Langone (2009). . os países registrados e participantes da FIFA. neutralizar suas emissões de gases de efeito estufa (GEE) e cooperar com o combate ao aquecimento global. são: . “Para os governos. vinculadas a um megaevento como a Copa do Mundo de 2014. são mais de 213. construir estádios com sustentabilidade. 2010. . FGV PROJETOS. ineficiências e desperdícios.

inovação e processo do projeto. que destaca a necessidade da redução das emissões de CO2 em eventos. com estímulos como o LEED . à grama. energia e transporte sobre as quais devem ser estabelecidas metas mensuráveis para neutralizar os impactos no clima global (FIFA. 2003). uma organização sem fins lucrativos criada nos Estados Unidos e com representação em diversos países. buscam-se os resultados de pressupostos. resíduos. às arquibancadas. redução no consumo de energia com o uso de fontes renováveis. Green Building Council (USGBC). pela primeira vez. iniciativa inovadora que busca viabilizar a sustentabilidade ambiental do evento. também esclarece questões como a área do jogo relativo ao tamanho. permite que o país receba a liberação que reifica a aptidão do país candidato para gerir a Copa do Mundo. no que diz respeito à comunidade local. Em 2006.Leadership in Energy and Environmental Design. pela U. se constitui no selo de certificação para edifícios sustentáveis e está sendo recomendado pela FIFA para que todos os estádios estejam aptos à adoção do mesmo. impactos. cabendo a cada país elaborar projetos no contexto da realidade local.1ª Edição. Assim. orientação das tribunas para mídia. proporciona visibilidade mundial às técnicas sustentáveis e a eficiência dos estádios. servindo de modelo exemplo para os eventos subsequentes.S. localização dos estacionamentos. culturais e seus efeitos temporais a curto. três abordagens se destacam: os aspectos sociais. sem hierarquizações socioculturais e ao mesmo tempo. a segurança e a hospitalidade. Para analisar se o processo para a execução da Copa 2014. esse megaevento. gestão e sustentabilidade. As diretrizes do Green Goal encontram-se no caderno de encargos da FIFA. conforto e hospitalidade. 2009). Segundo o Green Goal Legacy Report da Copa da Alemanha (2006). médio e longo prazo. Abrangem a construção. diretrizes referentes à energia e iluminação.Revista Tecnologia e Sociedade . sociais. 2012. Seguidos pelo comitê organizador do país-sede. A investigação apresenta os arranjos para o Megaevento Copa do Mundo de 2014 em Curitiba. o meio ambiente na pauta das Copas do Mundo. é possível apresentar uma linha do tempo relacionando a Copa do Mundo e a aplicação das tecnologias de sustentabilidade. A certificação pretende a busca por estratégias construtivas mais sustentáveis determinadas através da adoção de critérios como: localização. Sob uma visão holística das políticas públicas adotadas. vestiários e acessos. o uso de materiais e recursos e a qualidade do ambiente interno (LEED. na Alemanha. orientação do campo. num conceito includente. como: o mapeamento dos impactos e legados econômicos. um programa focado na sustentabilidade. com propostas economicamente viáveis de mínimo impacto ao meio ambiente. Com a chegada da sustentabilidade aos megaeventos. Fornece orientações sobre o Green Goal. foi apresentado pela FIFA o programa Green Goal. com sucesso. Como legado. em Curitiba – PR é viável. O Green Goal destaca quatro áreas temáticas: água. embasados em . a sustentabilidade passou a estar presente nos eventos esportivos. eficiência no uso da água e no tratamento de esgoto. Sendo um selo de reconhecimento internacional. ISSN (versão online): 1984-3526 82 dimensões mínimas e capacidade de público. diretrizes para segurança pública. selo criado em 2000. destacou. econômicos e ambientais.

2012. ISSN (versão online): 1984-3526 83 objetivos. Interpretando os aspectos conceituais.Revista Tecnologia e Sociedade . Essas categorias são elementos diferencias na percepção da construção dos aspectos simbólicos. com autonomia e caminho próprio. Para a segunda abordagem. estabilidade e conforto. pode-se considerar a seguinte figura: . o uso da ciência e tecnologia é socialmente determinado e tende a estabelecer reproduções nas relações sociais. Na perspectiva da sustentabilidade as construções respondem às complexidades que perpassam adequações climáticas e ambientais. vale esclarecer que na primeira abordagem se supõe a ciência e a tecnologia como categorias inexoráveis. Busca-se.1ª Edição. através de um sistema tecnológico inovador. em Curitiba (FREY. não focados nas relações com a sociedade. podendo ou não influenciar a modificar a sociedade de alguma forma. sociais. conceituais e políticos da Copa de 2014. segurança. tecnologia e sustentabilidade. e/ou concebe a ciência e tecnologia como pressuposto otimizador do desenvolvimento científico e tecnológico Ao explicitar as posições conceituais acerca da tecnologia. Construção civil e a sustentabilidade O mundo ocidental vive um momento diferenciado no que diz respeito às mudanças de paradigma no universo da arquitetura e das construções com a busca da sustentabilidade. caracterizar os novos edifícios com maior desempenho e autonomia. Portanto. Outra corrente concebe a tecnologia como construto de reações sociais. inibindo a mudança social. analisando as dimensões da sustentabilidade. destaca-se a compreensão da tecnologia como técnica que ressalta aspectos deterministas. 2000). inovação. É o isolamento da ciência e da tecnologia. ciência e sociedade.

Vale ressaltar que as dimensões culturais e sociais perpassam tanto o respeito às tradições culturais de construção como introduzem modelos de modernização capazes de integrar soluções particulares de sustentabilidade que interagem com múltiplos sistemas de produção. na sustentabilidade ecológica. uma busca pela equidade. destacam-se. Considerando as dimensões da sustentabilidade apresentadas. A sustentabilidade nas edificações torna-se um mecanismo de estímulo da participação social para o desenvolvimento sustentável. tecnologia e inovação.1ª Edição. importa compreender que essa dimensão promove uma melhoria na alocação. promove-se. Socialmente. com a redução de custo sócio. essa dinâmica cria um desenvolvimento social plural. 2011 Os aspectos apresentados por Casagrande (2011) ressaltam a aproximação entre sustentabilidade. simultaneamente. aspectos como: a articulação de mecanismos que intensifiquem a pesquisa de tecnologias limpas com a consequente definição de estratégias e regras de adequação à proteção social. ISSN (versão online): 1984-3526 84 Fonte: CASAGRANDE JR. Também. com base nas concepções do ser e não do ter. através da limitação do uso de recursos não renováveis e/ou prejudiciais ao ambiente. .Revista Tecnologia e Sociedade . arranjos e gestão dos recursos numa abordagem eficiente de apropriação de investimentos privados e públicos. 2012. Sobre a sustentabilidade econômica. a intensidade da poluição e a melhoria na capacidade dos recursos naturais.ambiental. civilizatório.

(GIAMBIAGI.. podem ser ressaltadas: o combate à poluição.] o engenheiro é hoje um herói da cultura pop. também é uma das formas de prevenir a poluição. São exemplos de bens públicos: bens tangíveis como as ruas ou a iluminação pública. os quais.Revista Tecnologia e Sociedade . a ação dos poluentes afetaria minimamente o meio ambiente. Em outras palavras. a aspersão de água e construção de barreira física em caso de demolição e a lavagem dos pneus. pedriscos. p. uma forma eficaz de evitar esta poluição é o plantio de gramíneas adequadas e de rápido crescimento durante o processo de construção ajuda a impedir a erosão do solo e preserva as matérias orgânicas e os nutrientes naturais do solo. há considerações apresentando que [. do ar ao solo. conservando o equilíbrio do habitat Podem ser utilizados elementos como cascas de árvores. ISSN (versão online): 1984-3526 85 Nessa abordagem das dimensões da sustentabilidade. próximos à edificação. 4) Destacando possíveis critérios de sustentabilidade na construção. 209). p. 2012. fumaça. o seu consumo por parte de um indivíduo ou de um grupo social não prejudica o consumo do mesmo bem pelos demais integrantes da sociedade. O terreno natural contém matéria orgânica. (FLORIDA. pois esse profissional divulga as inovações tecnológicas e sustentáveis. num gesto de pensamento criativo indutivo. demandando o aumento de fertilizantes. 2011. arquiteta auditora das certificações Acqua e Leed. numa conecção de novos meios de representar conceitos e práticas. De acordo com Daniela Corcuera. e bens intangíveis como: justiça. levados pela ação das chuvas.1ª Edição. podem causar a poluição dos rios e lagos. Os bens públicos são aqueles cujo consumo/uso é indivisível ou “não rival”. Impedir a erosão do solo que ocorre devido aos desgastes do terreno receptor das atividades de construção.. O uso de técnicas simples como reaproveitamento e reciclagem e o armazenamento e adequação das formas de transporte. evitam poeira e poluição advinda do canteiro de obras (RESENDE. Se as obras que geram emissão de detritos e materiais como: particulados (poeira. nutrientes e a biodiversidade de micróbios e insetos. os quais controlam as enfermidades e pragas e conferem um equilíbrio na vida vegetal. Contudo. alguns mais do que outros. São técnicas simples como o rebaixamento das caçambas. . palha ou mantas plásticas para cobrir e reter o solo (GUEDES. a ação das chuvas e o freqüente tráfego de veículos durante a execução da obra favorecem o enfraquecimento do solo causando o assoreamento e a perda de todo o equilíbrio vegetal contido no mesmo. todos se beneficiam da produção de bens públicos mesmo que eventualmente. Ou seja. buscando um melhor aproveitamento do processo construção e gestão dos bens públicos. ALÉM. irrigação e pesticidas. 2011. além de regular a drenagem da água. importa ter uma ideia. enfrentar o desafio da inovação. gases poluentes. 2007). segurança pública e defesa nacional. como o CO2 (gás carbono) e o SO2 (dióxido de enxofre). recebessem um tratamento específico desde sua terraplanagem até a execução. 2011). Por isso. fumo e névoa). Este fato pode restringir a viabilidade de plantios futuros.

reduzindo a emissão de poluentes e CO 2. Fatores que agregam valor a essa proposta: “o desenvolvimento regional devido à demanda de trabalho e à movimentação da economia local.1ª Edição. são aceitáveis situações como a distância entre o local da obra a ser construída e fonte fornecedora em um raio máximo de 800 km e também a utilização de no mínimo 10% de materiais sustentáveis na edificação (LEED. através de aberturas. metais. reduz o desperdício. madeiras e outros). . Torna-se fundamental que a remoção e destinação dos resíduos seja monitorada e que os processos de coleta e armazenamento recebam tratamento especializado tanto no que tange ao material a ser reciclado como ao material que apresenta periculosidade.Revista Tecnologia e Sociedade . na maioria das vezes. Ao conceber um edifício importa considerar as condições de conforto térmico. papéis. e os transportadores (responsáveis pela destinação aos locais licenciados). componentes cerâmicos e peças prémoldadas). vidro. o qual é formalizado conforme a Resolução CONAMA n° 307. Para a Resolução CONAMA n° 307. variações metabólicas dos indivíduos até mutações de temperatura e umidade. Através da reciclagem dos materiais evita-se e/ou deduz-se o desperdício e através da limpeza e organização do canteiro de obras. a utilização de materiais regionais e reciclados é uma prática ser estimulada. os geradores de resíduos (responsáveis pela observância dos padrões previstos na legislação específica). recicláveis com outras destinações (plásticos. Há duas categorias que devem ser balizadas na construção sustentável: a gestão da utilização da água. ISSN (versão online): 1984-3526 86 Atualmente existe o projeto de gerenciamento de resíduos em obras com grandes percentuais de entulhos. p. priorizando a ventilação natural. implantação e monitoramento – que irá subsidiar o trabalho e todo o controle dos resíduos internos e externos à obra”. evita-se acidentes de trabalho. resíduos perigosos e não recicláveis. com práticas sustentáveis pode valer-se de dispositivos reguladores. 2009). Ao priorizar as luzes naturais e bem planejar o sistema de iluminação artificial. mecanismos controladores que permitem o controle da vazão da água. Esse documento especifica os agentes: “o órgão público municipal (responsável pelo controle e fiscalização). devem ser as entradas de iluminação no ambiente. painéis fotovoltaicos e concepção de circuitos autônomos são estratégias de eficácia da sustentabilidade operacionalizada. 2012. e. considerando fatores como: cores claras. como saída". é mais barato pela produção contígua ao local da obra”. varações de intensidade. Também natural. refletores. "A ventilação natural é o deslocamento do ar através do edifício. Considerando o custo-benefício para a economia. Para a certificação pelo Green Building Council Brasil (LEED). formalizou os procedimento em grandes obras. umas funcionando como entrada e outras. duchas e torneiras hidromecânicas. analisando a condição de conforto térmico diante de diversas funções e atividades desenvolvidas pelo grupo humano que disporá da construção. através de criteriosa triagem. dispensa o longo transporte para a entrega dos materiais. são quatro as classes de resíduos da construção civil que podem ser consideradas: os agregados (componentes de pavimentações. 124).” Cabe organizar estratégias de gestão em um organograma de atividades – “planejamento. o ambiente e a sociedade. Para Frota e Schiffer (1999. Desde condições climáticas.

encheriam os aterros e agora passaram a ser reaproveitados. A ciclovia perpassará os dois lados da avenida. é possível planejar a reutilização da água pluvial na construção. irrigação do gramado e jardins. mais conhecida como Avenida das Torres. importa destacar a questão da acessibilidade tanto na esfera da construção em si como aos possíveis meios de transportes. limpeza das áreas externas.maio/2012). Infelizmente são mínimos os registros das práticas sustentáveis para a Copa 2014. Para os responsáveis pelo projeto. 2010). que. a mídia indica que todos os estádios-sedes dos jogos da Copa do Mundo de 2014. estão buscando a sustentabilidade no que se refere às sobras dos materiais. revestindo-o com policarbonato. Finalizando. a ideia gerará uma economia de 30% no sistema de ar-condicionado em relação aos modelos convencionais. ISSN (versão online): 1984-3526 87 bacias sanitárias com caixas acopladas e/ou acionamento de descarga com sensor de presença (FGV. totalizando 20 quilômetros de infraestrutura cicloviária. através de telhados e pátios adequados. (EcoDesenvolvimento.org. 2012. que investiu no exterior do edifício. A obra com práticas sustentáveis para a Copa 2014 da qual há registro refere-se à Arena da Baixada. Outra obra sustentável é a requalificação da Avenida Comendador Franco.1ª Edição. em Curitiba. entre outros. As estratégias articuladas pela Arena da Baixada visando o uso racional da água. buscando melhorar a climatização dos espaços internos. que serão utilizadas nas descargas dos sanitários. com sentidos opostos. No aspecto da destinação de materiais de construção. Revestimento – Policarbonato Manejo de Resíduos Reuso da água Reservatório de água de chuva 10 quilômetros com sentidos opostos MOBILIDADE (SIM) Terminal Trincheira Viaduto Corredor Metropolitano Capacitação para a Sustentabilidade ARENA DA BAIXADA OBRAS PREVISTAS CICLOVIA CAPACITAÇÂO PROFISSIONAL Fonte: AUTORES. Também há registros de que as 12 sedes terão reservatórios de água de chuva. Além dos impactos causados por esses mecanismos. normalmente.Revista Tecnologia e Sociedade . a redução de seu consumo e o estímulo à adoção de novas atitudes e comportamentos não estão claras e definidas. 2012 . que devem incluir as diversas as mais diversas categorias. conferindo agilidade às dinâmicas do ambiente construído. terá a inclusão de 10 quilômetros de ciclovias dentro do projeto de adequação da cidade para a Copa do Mundo de 2014.

Pinhais. em termos de sustentabilidade são a possibilidade de reduzir os impactos negativos e maximizar os impactos positivos. pode-se destacar a reforma e ampliação do terminal Santa Cândida. corporativa. o desenvolvimento social e a proteção do meio ambiente. Piraquara. economicamente viável e bem aceito culturalmente. permeado por justiça social. As obras contemplam: estádio verde (certificado). se. redução e compensação das emissões de carbono. Almirante Tamandaré. passados os eventos. importa analisar se a Copa 2014 está se configurando e/ou será sustentável. Vale observar. 2005). Na esfera político-ambiental. As variáveis socioeconômicas precisam estar inseridas nas soluções tecnológicas. Colombo. em trecho de 52 quilômetros. Esses eventos se iniciam com a Cúpula das Nações Unidas Sobre Desenvolvimento Sustentável que ocorrerá em junho de 2012 no Rio de Janeiro. destacam-se um novo sistema climático global e numa nova fase dos compromissos do Protocolo de Quioto. 2012). buscando um legado ambiental de longo prazo. ALEP e Câmara Mundial (PORTAL DA COPA. UTFPR. tanto em aspectos de marketing de imagem do país como no reconhecimento de uma gestão de qualidade.Revista Tecnologia e Sociedade . fazenda Rio Grande a Araucária. o Brasil decidiu investir nesse campo. 2005). COMEC. SMMA. a Copa do Mundo de Futebol em 2014 e. colaborativa e responsável. mudanças climáticas e desenvolvimento de capacidades. inclusão social e compromisso com o meio ambiente. Busca-se a redução de custos e a maximização dos benefícios. Casa Militar. a partir do que for estabelecido no foro internacional para os próximos dois anos (ONU. Segue: a Copa das Confederações em 2013. Para que um empreendimento seja considerado sustentável importa analisar se ele é ecologicamente correto. no Corredor Metropolitano faz-se relevante a interligação dos municípios de Curitiba. 2012. No âmbito social dá-se visibilidade à capacitação profissional para a sustentabilidade realizada pelo SEMA. para isso. IAP. a (Rio+20). impactos e legados de grandes eventos. além do viaduto da Av. com o estabelecimento de diretrizes e metas de redução de emissões de GEE (BRASIL. Em relação à estruturação. Portanto. são José dos Pinhais. IPD. manejo de resíduos. que considera um celeiro de oportunidades e desafios. a trincheira da rua Guabirotuba. energias renováveis. os grandes estádios construídos de forma . gestão. as Olimpíadas no Rio de Janeiro em 2016. das Torres. Na perspectiva sustentável importa o equilíbrio entre os aspectos econômicos. na abrangência das políticas públicas. Detalhando o Sistema Integrado de Mobilidade (SIM). capaz de inserir crescimento econômico. estão citadas as obras sustentáveis previstas como otimizadoras da Copa 2014 e o que as torna relevantes. ISSN (versão online): 1984-3526 88 Acima. esta é uma década palco de decisões fundamentais no que tange a relação com um novo regime global de mudanças climáticas. Considerações Finais O Brasil. Já. ao realizar a Copa 2014 como um evento sustentável busca minimizar possíveis impactos negativos que possam vir a ser causados ao meio ambiente durante a execução das obras de grande porte.1ª Edição. Instituto das Águas.

Iniciativas sustentáveis na construção das arenas da Copa do Mundo de 2014. Ana Luiza Lopes. A Ascenção da Classe Criativa. UTFPR: Florianópolis. R. FROTA. pode melhor preparar-se para ser uma das cidades-sede da Copa de 2014. H. Set. FREY.org. 1999. SCHIFFER. nº 21 . . busca uma melhoria nos seus setores vitais para a economia. melhorar setores que são vitais à economia.1ª Edição. Atlas. 2000. São Paulo. Disponível em: http://www. José Carlos. 2007. bem como a continuidade do latejo econômico. J.C. Anésia Barros.ecodesenvolvimento.Revista Tecnologia e Sociedade . Rio de Janeiro. O trabalho. 2011. 2005.br/posts/2012/maio/iniciativassustentaveis-na-construcao-das-arenas#ixzz205aPM69k ERNST. considerando sua assimilação no megaevento Copa 2014 de valores que consubstanciando em novas práticas. localizada na região sul do país. YOUNG. Porto Alegre. M.Jun. EYGM Limited. impulsionando. identificando os arranjos. Indicadores de Sustentabilidade: comparativa. Organizações inovadoras sustentáveis: uma reflexão sobre o futuro das organizações. Políticas Públicas: um debate conceitual e reflexões referentes à prática da análise de políticas públicas no Brasil. EcoDesenvolvimento. Buscando apresentar as aplicações sustentáveis. pretende beneficiar-se com a dinâmica econômica obtida com investimentos e o grande fluxo turístico. através de seu uso pela comunidade. 3ed. K. buscará a formação do conceito de construção sustentável no recorte da Copa 2014. Sueli Ramos. através da análise das novas tecnologias sustentáveis e se contribuem para a mudança de valores. 2012. CASAGRANDE JR. a cidade de Curitiba – Paraná – Brasil. FLORIDA.M. o desenvolvimento municipal e regional. Inovação Tecnológica & Sustentabilidade: o Futuro da Construção da Construção Civil. SIMANTOB. assim. São Paulo: Studio Nobel. Embasado nesses pressupostos conceituais. Organizações inovadoras sustentáveis. Trad. ISSN (versão online): 1984-3526 89 sustentável possibilitarão a continuidade do exercício da função social. Planejamento e Políticas Públicas. In: BARBIERI. em sua segunda fase. RS: L&PM. os agentes. FGV Editora. Eloy Fassi. Curitiba. Brasil sustentável: Impactos Socioeconômicos da Copa do Mundo de 2014. e as atuações no megaevento. uma análise BARBIERI.org. Referências BELLEN. Manual de conforto térmico. 2010. Além da visibilidade. 2011.

Copa 2014 – O estádio do Mineirão e Diretrizes de Sustentabilidade na Primeira Copa Verde do Mundo. Formulação de Políticas Públicas: questões metodológicas relevantes.O. Florianópolis. MUSGRAVE. Cláudio.pdf > Acesso em 02 Maio 2012. A. CLAVELL. São Paulo. 2009. Desarrollo sostenible transición hacia la covolución global. n.Revista Tecnologia e Sociedade . Rio de Janeiro. PORTAL DA COPA. 2012. C.pcc. transportes e agropecuária. EDUFSC. Event management and sustainability.br/fcardoso/Disserta%C3%A7%C3%A3o%20Fernando% 20Resende%20p%C3%B3s-banca%202. URBE. FUSSEY. Ministério do Esporte. 2011. 2010. G.2007. 2011. L. MARTINS. JIMÉNEZ HERRERO. 2.gov. Revista Brasileira de Gestão Urbana. Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas – GVces. Programa de Pós-graduação em Ambiente Construído e Patrimônio Sustentável. p. ALÉM. Painel discute a Copa como promotora de inovação e sustentabilidade./dez. F. Acessado em 09/07/2012.R. Pete. Disponível em: http://www. Disponível em: www. RESENDE. 149-155. jul. ISSN (versão online): 1984-3526 90 FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS (FGV). 227-240. UFMG/Escola de Arquitetura. (Brazilian Journal of Urban Management) v. F. THEÓPHILO. 2011. R. 42. Copa do Mundo FIFA 2014-Agenda Sustentabilidade e Meio Ambiente. Abril e Outubro de 2008. 2007. GELINSKI. GUEDES.. Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. GIAMBIAGI. Ed. Dissertação – mestrado.br. LANGONE. Propostas empresariais de políticas públicas para uma economia de baixo carbono no Brasil – energia. Ed. Reino Unido. Introduction: toward´s new frontiers in the study of mega-events and the city. C. nº 1 e 2. 2. Gemma Galdan. 3. . de LEED.A. São Paulo: Atlas. p. James.copa2014. 2011. v. M. Reference Guide for Green Buildings’ Design and Construction 2009. 2000. Poluição atmosférica por emissão de material particulado: avaliação e controle nos canteiros de obras de edifícios. 2.1ª Edição. 2012.J. Editora Campus/Elsevier. Revista de Ciências Humanas. Madrid: Pirámid. Finanças Públicas: Teoria e Prática no Brasil. et al. E.usp. SEIBEL. Metodologia da investigação científica para ciências sociais aplicadas.

C.1ª Edição. 2012. Universidade de Medellin. pp. 23. 12. 2009. Colombia Semestre Económico. Avaliação de Políticas Públicas para o Desenvolvimento Sustentável: um Estudo de Caso dos Programas de Educação de Curitiba de 1998 a 2005. ISSN (versão online): 1984-3526 91 SILVA. núm. vol. . enero-junio. CASTRO R.. 77-96.L.Revista Tecnologia e Sociedade .F.

edu. isso implica afetar outros setores sociais.edu. Bolsista do PROBIC/UNILA. educação e renda. basic components of the Human Development Index (HDI). E-mail: gilson. Para isso. constatou-se nos países latino-americanos que alguns desses indicadores sofreram variação. Espera-se. pode-se constatar variações em seus componentes . subdivide-se esse países em quadrantes de acordo com o grau de variação que esses países sofreram entre 2007 e 2010. was found in Latin American countries that some of these indicators were 7 Bruno Theylon Oliveira Dias: Graduando do curso de Relações Internacioanis e Integração.1ª Edição.br Gilson Batista de Oliveira: Doutor em Desenvolvimento Econômico – UFPR. shift-share. componentes básicos do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). saúde.br . pela Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA). ISSN (versão online): 1984-3526 92 A Variação dos Indicadores Básicos do Índice de Desenvolvilmento Humano dos Países LatinoAmericanos no Período de 2007-2010: uma Decomposição com uso da Metodologia ShiftShare Variation of Basic Indicators Index of Human Desenvolvilmento Latin American Countries in the Period 2007-2010: a decomposition using the Shift-Share Methodology Bruno Theylon Oliveira Dias Gilson Batista de Oliveira 7 Resumo Este artigo apresenta a variação dos indicadores saúde.oliveira@unila. América Latina. esclarece que apesar de a crise ter afetado a América Latina pela via econômica principalmente no que tange a exportação de commodities.Revista Tecnologia e Sociedade . do qual. we use Latin America as a region and the countries that compose and local. E-mail: bruno.dias@unila. which. variação de IDH. no caso. educação e renda. Palavras-chave: Crise econômica. dessa forma. provocados pela crise econômica que afetou o mundo em maior e menor grau de intensidade. decomposição. 2012. utilizou-se o método shift-share que ao decompor os elementos do IDH. Abstract This article presents the variation of health indicators. utilizarmos a América Latina como região e os países que a compõe como locais. education and income. Professor da Universidade Federal da Integração Latino-Americana – UNILA.

Paraguai. Panamá. optou-se pela definição do IMEA (2009) que classifica 21 países como formadores da América Latina. Nicarágua. dado a carência de dados básicos.Revista Tecnologia e Sociedade . El Salvador. isso implica em um impacto . Costa Rica. República Dominicana. governos fazem cortes e readaptações de diversos setores da política econômica de um país.1ª Edição. é uma forma de compreender um pouco mais da dinânica da relação economia e sociedade. Introdução A América Latina tem em seu histórico diversas etapas de desenvolvimento que na maioria das vezes. This was done using the method shift-share elements that decompose the HDI. Entretanto. one can see variations in their components. verificam-se os impactos da crise financeira mundial de 2008 nos indicadores básicos do IDH. Entender as dinâmicas econômicas e sociais desses países através da decomposição do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) pelo método shift-share. Haiti. Colômbia. México. in the case. explained that although the crisis has affected Latin America through economic especially regarding the export of commodities. Chile. de forma geral. Peru. alguns desses países não puderam ser incluídos na decomposição. ISSN (versão online): 1984-3526 93 variation. Na América Latina. Especificamente. Latin America. chega aos dias de hoje com incertezas de até quando essa crise perdurará. através dos dados dos anos de 2007 e 2010. são eles: Argentina. this implies affect other social sectors. Cuba. Belize. esses países não conseguiram unificar crescimento econômico e social para que pudesse gerar uma economia sustentável. Bolívia. Honduras. também houve uma considerável diminuição do ritmo de investimentos externos em um primeiro momento. Com esta pesquisa. education and income. Keywords: economic crisis. através do método shift-share restringindo-se apenas na decomposição dos indicadores do IDH. Nesse trabalho. Uruguai e Venezuela. no período de 2007 – 2010 . estuda-se os diferentes níveis de desenvolvimento que se encontram os países que compõe a América Latina. 2012. A América Latina é muito ampla e pode gerar dificuldade de compreensão em sua totalidade. Equador. observou-se que essa crise sistêmica não atingiu com tanta força. apesar de ter baixado o preço de commodities. Brasil. shift-share. além de gerar fuga massiva de capitais especulativos. Para driblar a crise. Guatemala. A crise econômica de 2008 que causou um mal estar financeiro mundial a partir da quebra do banco Lehman Brothers nos EUA e logo se espalhou principalmente para países europeus e atingiu as mais diversas partes do mundo. health. thus it is divided into quadrants countries in accordance with the degree of variation between these countries suffer 2007 and 2010. It is hoped. caused by the economic crisis that affected the world in greater and lesser intensity. decomposition. variation in HDI.

Como afirma o PNUD Brasil: Além de computar o PIB per capita. rendimento per capita e educação. Disponível em: <http://www. depois de corrigi-lo pelo poder de compra da moeda de cada país. Após a aplicação da metodologia shift-share.Revista Tecnologia e Sociedade . Segundo PNUD (2010). Para aferir a longevidade.org.pnud. para rivalizar com o PIB. . baseado na longevidade. melhor é o nível de desenvolvimento. denota níveis de médio desenvolvimento humano. Essas três dimensões têm a mesma importância no índice. A renda é mensurada pelo PIB per capita.799. A classificação dos países baseado no nível do IDH funciona da seguinte forma: i) IDH baixo: entre 0 e 0. apesar da avalanche de tabelas relacionadas. o indicador utiliza números de expectativa de vida ao nascer. O índice tornou-se o referencial de desenvolvimento em praticamente todos os países membros da Organização das Nações Unidas (ONU). O item educação é avaliado pelo índice de analfabetismo e pela taxa de matrícula em todos os níveis de ensino. (PNUD.1ª Edição.499.br/idh/> Acesso em 10 de março de 2012. A classificação do nível de desenvolvimento dos países.500 e 0. o IDH também leva em conta dois outros componentes: a longevidade e a educação. por conseguinte. tem como objetivo de usar outros parâmetros além do econômico. ISSN (versão online): 1984-3526 94 direto na qualidade de vida da sociedade. O Índice de Desenvolvimento Humano O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). funciona em uma escala numérica que vai de 0 à 1. onde quanto mais próximo de 1. 2009). 2012. para mensurar o nível de desenvolvimento. lançado pela primeira vez num período de transformações do sistema político e econômico global. é publicado no Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH). em dólar PPC (paridade do poder de compra. que elimina as diferenças de custo de vida entre os países). que mantem o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). nobel de 1998. no Índice de Desenvolvimento Humano. o IDH foi concebido de uma forma simples. aponta baixo desenvolvimento humano. O IDH precisou ser idealizado de uma forma explicativa. órgão responsável pelo RDH. ou seja. identificou-se quais os indicadores básicos mais expressivos na variação do IDH no período de 2007 – 2010. segundo PNUD (2009). em 1990. que varia de zero a um. O IDH foi concebido pelo economista paquistanês Mahbub Ul Haq em colaboração do economista indiano. Amartya Sem. A pesquisa usou informações divulgadas nos relatórios sobre o desenvolvimento humano publicados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD de 2007 e 2010. depreende-se quais foram os indicadores básicos mais afetados pela crise financeira mundial de 2008. ii) IDH médio: entre 0.

além dos itens básicos como saúde. Zâmbia e Zimbabwe. agora é contabilizado também outros aspectos como a distribuição do bem estar em termos de desigualdade de gênero e pobreza. ou seja.900. boa parte dos países recalcularam seu IDH até 1975. sendo que apenas três países por motivos de conflitos obtiveram em 2010 um IDH menor do que em 1970. ficando da seguinte forma: Índice de dimensão = valor efetivo – valor mínimo valor máximo – valor mínimo . O rendimento nacional bruto per capita.899. são eles República Democrática do Congo. resume um pouco dos três principais elementos: Dimensões É determinado pela esperança de vida ao nascer. ISSN (versão online): 1984-3526 95 iii) IDH elevado: entre 0. Essa expectativa de vida é determinada pela média de mortalidade. iv) IDH muito elevado: todos aqueles acima de 0. O que se constatou nesses últimos anos. 2012. dessa forma determinando os padrões de vida. onde o primeiro com peso de 2/3 no cálculo geral.1ª Edição. retrata altos níveis de desenvolvimento humano. chegando a atingir um crescimento de cerca de 41% entre 1975 e 2010. O quadro a seguir retirado do PNUD 2010. educação e renda. apesar de o sistema de verificação do IDH ter sido lançado em 1990. quando se completou 20 anos de RDH. o número de anos que espera-se que um recémnascido venha a viver. é medido em dólar pela Paridade do Poder de Compra (PPC) e tem o objetivo de verifica se o poder aquisitivo de uma pessoa consegue suprir suas necessidades básicas. foram acrescentados outros elementos na aferição do IDH. é referente a alfabetização. geralmente concluída aos 15 anos e o segundo com peso de ½ refere-se a taxa de matrícula em qualquer nível de educação. do comparado aos demais.800 e 0. é que a média mundial do IDH obteve um crescimento considerável. A componente Educação é determinada pela média de anos de escolaridade e anos de escolaridade esperado. indica níveis de desenvolvimento humano muito elevados. 2010 Saúde Educação Renda O cálculo das dimensões do IDH é medido através dos valores que variam entre 0 e 1. Quadro 1: Componentes do idh Fonte: PNUD. A partir de 2010.Revista Tecnologia e Sociedade . proporcionando assim um melhor parâmetro de desenvolvimento nos quase 40 anos de verificação. Segundo PNUD (2010).

.. O RDH de 2010 evidencia que. entende-se a possibilidade de um setor da economia ou indicador de desenvolver-se como o nome já diz .. pode nos oferecer um mínimo de informações necessárias para constatar tais mudanças. educação e renda) utiliza-se valores mínimos e máximos obtidos dentre os participantes do grupo de referência. também pode-se vislumbrar esse cenário de redução de desigualdade. Essa metodologia é bastante aplicada para verificar desenvolvimento econômico regional ou setorial. espera-se que o IDH seja capaz de apontar o quanto uma sociedade está desenvolvendo ao longo do tempo.1ª Edição. (COSTA. de uma forma que seja possível identificar as opções que as pessoas tenham de assegurar sua própria subsistência através de escolhas participativas no sistema social. O índice porém. destacando como foi seu desenvolvimento ao longo do tempo e como tal desempenho pode influenciar no conjunto. uma vez que possibilita identificar quais e quando foram as mudanças mais impactantes no setor ou indicador analisado. A utilização do shift-share vai além da visão analítica. a diferença de desenvolvimento humano entre países ricos e países pobres tem diminuído consideravelmente nos últimos 20 anos. de forma que possam ser relacionados com o todo.. A analise de componentes de variação (ou shift-share) decompõe o crescimento de uma dada variável. A Metodologia de Análise Shift – Share O método shift-share é uma forma analise dos elementos que compõe um dado estatístico em duas escalas de tempo. como as capacidades humanas estão. ISSN (versão online): 1984-3526 96 No cálculo dos índices (saúde.mas também.Revista Tecnologia e Sociedade .A ideia base é muito simples: as diferenças de crescimento em uma região podem ser atribuídas não só a diferenças relativas à composição produtiva de cada região. em factores distintos que possam influenciar o seu comportamento.803) Na metodologia shift-share os elementos que compõe uma estrutura são estudados individualmente. o IDH é calculado através da média geométrica. De acordo com o PNUD (2010). Por alteração diferencial. 2012. as componentes de alteração diferencial ou variação diferencial devem ser isoladas afim de possibilitar uma comparação estatística. Nesse método. ao fazer um recorte temporal para verificar o comportamento do IDH na América Latina entre os anos de 2007 e 2010.diferente de outro setor econômico ou indicador usado como parâmetro. “Mede a alteração naquele crescimento que resulta a influencia exercida por certos factores como vantagens de localização ou . pode ser justificadas por diferentes vantagens de natureza locacional. não é capaz de explicar as razões de tais diferenças na América Latina. medida a nível regional. Dessa forma. 2002 p. Obtidos os índices básicos. passa para o campo das projeções ou planejamentos.

Nxik representa a componente nacional Sxik representa a componente setorial ou estrutural Rxik representa a componente regional. ainda. concorrencial ou diferencial. na região i. Nesse estudo. estrutural e diferencial. 2002. De acordo com Costa (2002) e Oliveira (2010). são obtidas da seguinte forma: NXik = gNX x Xik(t – 1) Onde gNX é a variação percentual da variável X observada no nível nacional relativamente ao ano base t – 1. o efeito de outros factores específicos da região (componente regional. especialização regional. no setor k e no momento t. 1984. o modelo clássico da metodologia shift-share pode ser descrito da seguinte forma: ∑ = Δ Xik = ∑ [Xik(t) – Xik(t-1)] = ∑ [NXik + SXik + RXik] k k Δ Xik é a variação observada na variável Xik. Essas três ultimas variáveis. adaptado para os componentes do Índice de Desenvolvimento Humano. 2012. para que daí se possa tirar conclusões sobre concentração econômica. ( VASCONCELLOS. Xik(t) representa a variável econômica X. dependendo qual for o objetivo do uso do método. dentre outros. . A maioria dos modelos de análise de componentes de variação apresentam-se como identidades matemáticas. como afirma Vasconcelos (1984) e Oliveira (2010). (COSTA.804) Após identificado e isolados os elementos regionais à nível de comparação com o nacional. p.1ª Edição. componente nacional. concorrencial ou diferencial). o shift-share trabalha usando os resultados obtidos em uma expressão padrão. puderem ser comparados com outro semelhante. ISSN (versão online): 1984-3526 97 grau de competitividade no crescimento mais rápido ou mais lento de alguns dos sectores urbanos”. para fazer essa relação entre crescimento ou não do setor regional e diferenciações que levam a esse resultado em relação ao nível nacional. o efeito da composição sectorial da região (componente estrutural) e. considerar-se-á nível nacional o total dos países da América Latina e como regional. cada país individualmente. expressando a evolução de uma dada variável económica como função de três factores principais: o efeito do crescimento nacional(componente nacional). p.222) No entanto. o shiftshare só é viável se os resultados obtidos de um certo estudo.Revista Tecnologia e Sociedade .

A2 e A3) ou desde que a VLD supra as percas de VLE. de acordo com os parâmetros utilizados. ISSN (versão online): 1984-3526 98 SXik = (gNXk – gNX) x Xik(t – 1) gNXk é a variação percentual da variável X observada a nível nacional. As componentes de variação podem nos indicar o crescimento ou não do objeto de estudo. B2 e B3) ou desde que o fator diferencial não seja suficientemente satisfatório. 2010) A adaptação do método para decomposição do Índice de Desenvolvimento Humano Na atualidade. (SIMÕES. pode-se sintetizar os resultados da aplicação da metodologia shift-share e classificar as regiões de acordo com as variações obtidas. Pode-se usar o mesmo exemplo para A3 e B1 de forma invertida. esse não consegue ser grande o bastante em relação ao fator estrutural. referente ao setor k. o método shift-share é aplicado amplamente nas mais diversas formas de análise regional. 2012.1ª Edição.. RXik = (gik – gNXK) x Xik(t – 1) gik é a variação percentual da variável X. entenda-se variação dos indicadores selecionados através da VLT – Variação Liquida Total. OLIVEIRA. e B1 apesar de também ter VLD positivo.122). O fato de A2 ter VLT positivo e B2 VLT negativo é porque o crescimento estrutural de B2 não é grande o bastante em relação ao regional de acordo com o elemento diferencial escolhido. indica aquelas localidades onde o crescimento locacional é maior ou igual ao crescimento regional (A1. 2005. “a análise shift-share permite a identificação do crescimento.)” Partindo dos trabalhos de Oliveira (2010) e Simões (2005). Já VLT negativo (-) aponta todas aquelas localidades que tiveram crescimento menor que o regional (B1. que é o crescimento observado menos o teórico(.. onde o fator locacional de A3 é grande o bastante para suprir VLE negativo. p. observada na região i no setor k. Para Haddad e Andrade (1989 apud Oliveira. conforme quadro 2. 2010. não só em relação aos indicadores de . VLT + VLE VLD Tipo de País + + A1 + A2 + A3 + B1 + B2 B3 Quadro 2: Classificação e tipologia de variações Fonte: Adaptação de Simões (2005) e Oliveira (2010) - VLT a Variação Liquida Total positiva (+).Revista Tecnologia e Sociedade .

1ª Edição. Descrição Resultados Possíveis para cada Indicador Básico e para cada Índice Selecionado VLT (N-NX)* + + + VLE (SX)** + + + VLD (RX)*** + + + Países Indicador de Educação (IE) Indicador de Longevidade (IL) Indicador de Renda (IR) A1 A2 A3 B1 B2 B3 + + + A1 + + A2 + + A3 Índice de Desenvolvimento + B1 Humano (IDH) + B2 B3 Quadro 3: Esquema para guiar a interpretação dos resultados da adaptação da metodologia shift-share para os indicadores básicos do índice de desenvolvimento humano Fonte: Oliveira. . 2010. quadro 3. colocando os países em quadrantes que retratem de forma sintética a realidade de cada um. pode-se verificar e classificar quais dos indicadores básicos (saúde. nos componentes do Índice de Desenvolvimento Humano. descritos no quadro 4. Para o autor. de referencia. pode-se. De posse dos resultados. renda ou educação) mais influenciaram na variação do índice. 2012. conforme Oliveira (2010). ISSN (versão online): 1984-3526 99 desenvolvimento econômico. com base na tipologia do quadro 2. no nosso caso. pode-se classificar os países de acordo com o desempenho de cada indicador básico. Conforme Oliveira (2010) é possível aplicar o método shift-share para decompor o IDH e com os resultados obtidos. mas nos chamados indicadores sociais. De forma resumida. construir gráficos indicativos de como anda o IDH de uma localidade. são os indicativos principais de como a administração pública aplicou os recursos para garantir ou não a qualidade do IDH.Revista Tecnologia e Sociedade . os elementos Eficiência Alocativa e Ativação Social. ainda.

significa perda líquida em comparação com o universo da América Latina. cuja ação consegue trazer resultados individuais de cada indicador básico acima da média da região. Aqui. Aqui.Revista Tecnologia e Sociedade . porém. cuja ação teve mais sucesso na transformação do impulso de crescimento em desenvolvimento. denotando ganho líquido. ISSN (versão online): 1984-3526 Quadrante Países Eficiência Alocativa Ativação social VLT 100 I A1 Presente Presente + A3 Ausente Presente + II B1 Ausente Presente - III B3 Ausente Ausente - IV B2 Present e Ausente - A2 Present e Ausente + _Componente__ Interpretação VLE VLD Países com maior capacidade de ativação social. QUADRO 3: Esquema para guiar a interpretação dos resultados da adaptação da metodologia shift-share para os indicadores básicos do índice de desenvolvimento humano Fonte: Oliveira. Embora com crescimento total abaixo da média regional (VLT negativo). as nações possuem eficiência alocativa (VLS>0) e capacidade de ativação social (VLD>0). . Países com desempenho regular.1ª Edição. na internacionalização dos efeitos do processo de crescimento. mas consegue manter o país afastado da área de pior desempenho (B3). a sociedade local teve menos sucesso na transformação do impulso de crescimento em desenvolvimento. a VLD<0 mostra que o país tem poucas capacidades + de ativação social. que denota maiores níveis de variação positiva da qualidade de vida. que tende a fragilidade. 2012. cuja falta de ativação social é piorada pela ineficiência alocativa. que age de forma eficiente na alocação de recursos e consegue um desempenho positivo dos índices de desenvolvimento. não conseguem superar a ineficiência alocativa (VLE <0). significando avanço na transformação do + impulso de crescimento em desenvolvimento. nações cuja sociedade não consegue trazer resultados positivos para os indicadores básicos de qualidade de vida de forma satisfatória. que denota fragilidade na internalização dos efeitos gerados pelo processo de crescimento. Embora com crescimento total acima da média regional (VLT>0). os países com esses resultados também possuem + capacidade de ativação social intermediária (boa). Países com capacidade de ativação social fraca. pois a VLD positiva mostra que o índice estudado teve um desempenho superior ao dos demais países da região. 2010. do desenvolvimento humano. ou seja. a capacidade de ativação social (VLD>0) consegue suplantar a ineficiência alocativa (VLE<0) e ter um crescimento maior que a média da América Latina (VLT>0). Em resumo. a gestão pública não consegue evitar perdas líquidas. Países com capacidade e ativação social intermediária. Nesse quadrante devem figurar os países + + com as maiores variações positivas dos indicadores básicos componentes de cada índice estudado. isto é. Nesses países. pois detêm as piores variações dos indicadores básicos componentes de cada índice estudado na região analisada. o que ocorre graças à eficiência + alocativa dos recursos administrados pela gestão pública (VLE>0). o que pode atrapalhar a ação do poder público.

417 Quadro 4: Decomposição do crescimento em componentes de variação na america latina-2007 e 2010 Fonte.359 -0.049 0.197 0.149 0.118 -0.302 -0.120 -0.203 0.170 -0.011 0.121 -0.283 -0.081 -0.142 0.168 0.031 -0.203 0.153 -0.210 0.170 -0.038 -0.178 -0.201 0.283 -0. Elaboração Própria O quadro 6 apresenta a classificação dos países por quadrante de acordo com sua variação.303 -0.107 -0. constatase que a mesma possui capacidade de ativação social (VLD>0) .341 -0.120 -0.141 -0.056 0.296 -0.375 -0.121 -0.148 0.287 -0.145 -0. QUADRO 5: DECOMPOSIÇÃO DO CRESCIMENTO EM COMPONENTES DE VARIAÇÃO NA AMÉRICA LATINA .034 -0.366 -0.124 -0.206 0.208 0.127 -0.Revista Tecnologia e Sociedade .207 0.120 -0.362 -0.285 -0.098 -0.267 -0.290 -0.128 -0.050 0.112 -0.206 0.198 0.187 0.032 -0.130 0.067 -0.200 0.044 0.170 -0.153 -0.197 -0.052 0.332 -0.047 0.039 -0.178 -0.313 -0.145 -0.145 -0.400 -0.188 -0.157 -0.120 -0.023 -0.238 -0.323 0.199 0.102 -0.261 -0.325 -0.198 0.011 0.153 -0.097 -0.291 -0.428 -0. percebe-se que dentre todos os países.290 -0.447 -0.374 -0.158 0.041 -0.001 -0.367 -0.027 -0.020 -0.107 -0. A Argentina é o único paíse que se encontra no quadrante II e ainda assim.175 -0.067 0.044 0.111 -0.151 0.337 -0.007 -0.060 0.176 -0.149 -0.133 -0.044 0.372 -0.030 -0.291 -0.339 -0.417 -0. ISSN (versão online): 1984-3526 101 Resultados da Aplicação da Metodologia Shift-share O quadro 5 apresenta uma síntese dos resultados encontrados dos indicadores educação.119 -0.000 0.306 0.011 VLD 0.184 -0.260 -0.374 -0.041 -0.322 -0. está em A3.102 -0.264 -0.234 -0.027 -0.314 -0.191 -0.352 -0. A parte correspondente aos indicadores do IDH.323 -0.006 0.127 0.045 0.342 -0.237 -0.143 -0.297 -0. Silva (2002) e Oliveira (2010) Indicador de Educação Indicador de Longevidade Indicador de Renda IDH VLT VLE VLD VLT VLE VLD VLT VLE VLD VLT VLE País Argentina Belize Bolívia Brasil Chile Colômbia Costa Rica Equador El Salvador Guatemala Guiana Haiti Honduras México Nicarágua Panamá Paraguai Peru República Dominicana Uruguai Venezuela Fonte: Elaboração Própria -0.257 -0.157 0.034 -0.052 0.260 -0.159 0.315 -0.002 -0.323 -0.111 -0.000 -0. Argentina foi a que menos sofreu com a críse em relação ao desenvolvimento social.290 -0.156 -0. dessa forma. o que significa que possui VLE negativo.103 -0.141 0.152 -0.290 -0.020 0.021 -0.035 -0.181 -0.157 -0.169 0.070 -0.232 -0.146 0.323 -0.037 -0. nenhum dos 21 países conseguiu se enquadrar no primeiro quadrante que é a eficiencia alocativa e capacidade de ativação social positivas além da variação positiva nos demais indicadores de desenvolvimento humano.124 -0.118 -0.133 -0.024 -0.165 -0.255 -0.060 -0.036 -0.182 -0.331 -0.154 -0.004 0.248 -0.014 0.118 -0.342 -0.040 -0.024 0.119 -0.145 -0.316 -0.255 -0.362 -0. Como percebe-se.150 0.028 -0.056 0.161 0.112 -0.160 0.007 0.013 -0.285 -0. que vai classificar os países de acordo com o quarante correspondente indicados anteriormente no quadro 4.207 0.258 -0.039 0.194 0.003 -0.006 0.044 0.228 -0.124 0.039 0.225 -0.119 -0.201 0.009 0.041 -0.040 0.010 0.159 0.117 -0.050 0.150 0. longividade e renda.163 -0.036 -0.113 -0.184 -0.081 -0.005 0.225 -0.092 -0.152 -0.333 -0.2007 e 2010 Resultados do Shift-Share Adaptado de Haddad e Andrade (1989).298 -0.1ª Edição.136 -0.157 0.238 -0.040 -0.035 -0.052 0.156 -0.149 0.117 -0. são os elementos utilizados para interpretação do quadro 6.150 0.121 -0.146 0.049 0.302 -0.234 -0. porêm.194 0.109 -0. 2012.120 -0.197 0.118 -0.

QUADRO 6 : RESULTADOS DA METODOLOGIA SHIFT-SHARE. Esses países apesar das perdas nos indicadores básicos. gerados pela fragilidade da internacionalização no processo de crescimento. Os países do quadrante IV estão em B2. a gestão pública consegue uma eficiência alocativa positiva. o que piora ainda mais o desempenho. Nesses países a sociedade obteve perdas em todos os elementos do IDH.Revista Tecnologia e Sociedade .1ª Edição. estão em B3. POR CLASSIFICAÇÃO E QUADRANTES NA AMÉRICA LATINA . tanto eficiência alocativa quanto ativação social são ausente. Todos os países correspondentes ao quadrante III. ISSN (versão online): 1984-3526 102 intermediária onde a capacidade de ativação social foi capaz de suprimir a ineficiência alocativa (VLE<0) e assim conseguir um maior crescimento na América Latina. o que significa que possuem uma fraca capacidade de ativação social. evitando com que o paíse atinja índices piores (B3). 2012.2007 e 2010 Classificaçã o dos Países Posição de Quadrante País Argentina Bolívia Brasil Colômbia Guiana Peru Uruguai Venezuela Belize Chile Costa Rica Equador El Salvador Guatemala Haiti Honduras México Nicarágua Panamá Paraguai República Dominicana II III IV A3 B3 B3 B3 B3 B3 B3 B3 B2 B2 B2 B2 B2 B2 B2 B2 B2 B2 B2 B2 B2 Fonte: Elaboração Própria . o que significa que possuem eficiência alocativa presente e VLE>0. Aqui.

Relatório de Desenvolvimento Humano 2007/2008. seja tão difícil classifica-la através de dados e variáveis. Combate as alterações climáticas: Solidariedade Humana num mundo dividido. Compendio de Economia Regional. mas. Nova York. . O DESENVOLVIMENTO NA REGIÃO METROPOLITANA DE CURITBA: o desempenho dos índices de desenvolvimento econômico. classsificar os 21 países de acordo com seu desempenho. EUA. Disponível em: <http://www. 2010. Nova York. A Unila em Construção: um projeto universitário para a América Latina. PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.Ultrapassar barreiras: Mobilidade e desenvolvimento humao. todos os países da América Latina foram afetados no desempenho do Índice de Desenvolvimento Humano de 2007 em relação a 2010. 2012. Foz do Iguaçu: IMEA. O diferencial está no fato de que alguns paíse souberam adminsistra melhor seus recurso para suprir perdas ou simplismente para evitar com que a sociedade sofresse ainda mais com a queda no desempenho do IDH.pdf> acesso em 15 de abril de 2012. possibilitou uma maior compreensão de como anda a capacidade dos países de gerir problemas sociais gerados por “disturbios” econômicos. OLIVEIRA. J. o mesmo se mostra muito útil no que compete a variação de indicadores. 1989. 2009. EUA . talvez pela sua grande dimensão e diferenças de desempenho econômico e social. aliada ao shift-share. BND. que de uma forma ou de outra. HADDAD. Cap. 24 A analise de componentes de variação (shift-share). 2010.br/pesquisas/td/TD%20259.Revista Tecnologia e Sociedade . A aplicação do método shift-share possibilitou de forma clara. G.ufmg.1ª Edição. Métodos de análise regional e urbana: diagnóstico aplicado ao planejamento. 2002. dessa forma. A América Latina. ______ . 2009. EUA. Coimbra: APDR.cedeplar. ______ A Verdadeira Riqueza das Nações: Vias parra o Desenvolvimento Humano.S. Fortaleza. Rodrigo Ferreira. Economia regional: Teorias e métodos de analise. IMEA. Curitiba: PPGDE.2007. Paulo Roberto. ISSN (versão online): 1984-3526 103 Considerações Finais Percebe-se. a variação dos indicadores do IDH obtidos através do relatório anual do PNUD de 2007 e 2010. Nova York. Referências Bibliográficas COSTA. SIMÕES.B.

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SOUZA. Nali de Jesus de. Desenvolvimento Regional .São Paulo: Atlas, 2009. VASCONCELLOS, António Vale e. Economia Urbana. Porto: Rés, 1984.

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Reflexões sobre a Capacitação Gerencial na Agricultura Familiar Brasileira
Reflections on management in the Brazilian Family Farming
Joelsio José Lazzarotto João Caetano Fioravanço
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Resumo
A agricultura familiar apresenta grande relevância para o desenvolvimento social e econômico do Brasil. No entanto, a ampla maioria dos produtores rurais familiares apresenta sérias deficiências gerenciais. Diante disso, baseando-se principalmente em análises de estudos técnico-científicos, buscou-se efetuar reflexões acerca da gestão nos estabelecimentos de agricultura familiar, dando-se ênfase a questões relacionadas com a situação gerencial e com o modelo e os mecanismos que possam ampliar a capacidade de gerenciamento nessas organizações. Dentre os principais resultados e conclusões, destaca-se que, para minimizar os problemas gerenciais dos agricultores familiares, a utilização da visão sistêmica e o envolvimento efetivo desses atores organizacionais são imprescindíveis em todas as etapas de planejamento e execução do modelo de capacitação a ser adotado. Palavras-chave: Tecnologias de gestão. Enfoque sistêmico. Metodologia participativa.

Abstract
Family farming in Brazil has great relevance to the social and economic development. However, the vast majority of family farmers has serious managerial deficiencies. Thus, this work aimed to make reflections on managing family farms, emphasizing the managerial situation and the model and the mechanisms to improve management capacity in these
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Joelsio José Lazzarotto: Médico veterinário, mestre em administração rural, doutor em economia aplicada e pesquisador da área de socioeconomia da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa. Áreas de interesse em pesquisa: tomada de decisão na agricultura, estudos de sistemas de produção agropecuária, avaliação de tecnologias e análises de resultados econômico-financeiros de empreendimentos agroindustriais. Vínculo institucional: Embrapa Uva e Vinho.Email: joelsio@cnpuv.embrapa.br. João Caetano Fioravanço:Engenheiro Agrônomo, mestre em Fitotecnia, doutor em Economia, Sociologia e Política Agrícola (Agronegócios) e pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa. Áreas de interesse em pesquisa: fruticultura, fisiologia e manejo de plantas, seleção de variedades e sistemas de produção sustentáveis. Vínculo institucional: Embrapa Uva e Vinho. E-mail: fioravanco@cnpuv.embrapa.br.

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organizations. As results and conclusions, we emphasize that, to minimize management problems of farmers, the systemic approach and the effective involvement of these organizational actors are essential in all phases of planning and implementing the training model to be adopted. Keywords: Management technologies. Systemic approach. Participatory methodology.

Introdução
A agricultura familiar constitui um segmento de fundamental relevância para o desenvolvimento social e econômico do Brasil. Essa importância pode ser justificada por dois pontos principais: 84% das propriedades rurais do País são familiares; e os estabelecimentos familiares respondem, respectivamente, por 34% e 74% do valor bruto e do pessoal ocupado na produção agropecuária nacional (CENSO..., 2006). Apesar dessa relevância, a agricultura familiar brasileira depara-se com grandes problemas, que constituem fortes entraves para a sua competitividade e sustentabilidade ao longo do tempo. Entre esses problemas, merecem atenção especial aqueles associados com aspectos de gestão, pois, de maneira geral, a ampla maioria dos pequenos e médios produtores tem sérias deficiências gerenciais, elevando, assim, a frequência de empreendimentos familiares mal remunerados. Portanto, a questão gerencial é um fator crítico para o desenvolvimento da agricultura familiar nacional. Diante disso, é imprescindível que a extensão rural melhore suas estratégias de ação para transmitir aos produtores familiares importantes noções gerenciais, incluindo aspectos de planejamento, controle, comercialização e análise econômica da produção. Com essas noções, o produtor poderá tomar decisões mais rápidas e eficientes, tornando o seu negócio mais competitivo (BUAINAIN; BATALHA, 2007) e sustentável, independente do seu tamanho (REICHERT, 1998). Partindo dessa contextualização inicial e levando-se em conta que na literatura nacional ainda são escassos os trabalhos técnico-científicos que envolvem, ao mesmo tempo, avaliações situacionais e discussões sobre ações de capacitação gerencial de agricultores familiares, foi elaborado este artigo. O objetivo principal consiste em efetuar reflexões sobre a gestão nos estabelecimentos de agricultura familiar, enfatizando-se, principalmente, questões relacionadas com a situação gerencial dos produtores familiares e com o modelo e os mecanismos que podem ser usados para ampliar a sua capacidade de gerenciamento.

A situação gerencial na agricultura familiar brasileira
Um empreendimento rural, familiar ou não, deve ser gerido eficientemente como forma de garantir sua inserção no mercado e, por consequência, sua sustentabilidade e competitividade (BATALHA et al., 2004; LOURENZANI, 2006). Essa afirmação é plenamente justificável pelo fato de que existe uma

e os altos custos de saída e/ou entrada em um empreendimento agropecuário (SOUZA et al. As dificuldades de gerenciamento enfrentadas pelos agricultores familiares tendem a perpetuar-se. Apesar de muitos desses fatores não serem controláveis. é consenso que. as condições climáticas que condicionam a maior parte das explorações agropecuárias. operações agrícolas etc. A partir de Mercês e Sant’Ana (2005). Nessa mesma linha. SEGATI. pode -se inferir que essa capacitação constitui outro grande entrave. MARION. enquanto os aspectos vinculados com a produção (insumos. 2012. a grande maioria tende a ser difundida apenas em forma de publicações. Essas tecnologias incluem novas formas de negociação e práticas de gestão do processo produtivo. BATALHA. ao produtor rural. que estão entre os principais meios que os produtores familiares utilizam para obter orientações de diversas naturezas. é dependente de condições biológicas. como: o ciclo produtivo que. além de muito incipientes. pois expressiva parcela desses atores organizacionais. os mecanismos de difusão tecnológica adotados no Brasil não têm sido suficientes para capacitar o agricultor familiar na implementação e utilização das técnicas de gestão disponíveis. 2006). é pertinente salientar que. 1995). Mesmo junto a produtores que possuem alto grau de tecnificação produtiva. LOURENZANI. melhorias no processo de tomada de decisão (UECKER et al. não conseguindo. portanto. via de regra... ter acesso e beneficiar-se de modernas tecnologias de informação. inócuos. BATALHA et al. Embora as questões gerenciais sejam imprescindíveis para o sucesso de qualquer empreendimento. para os pequenos produtores rurais são ainda muito escassos e. especialmente associado aos programas de assistência técnica e extensão rural.Revista Tecnologia e Sociedade . Por outro lado. (2004). é pobre o emprego de técnicas adequadas de . apresentam grande descapitalização. 2005. 2004. SANDRI.) tende a ser exceção nessas organizações (REZENDE. (2004) assinalam que. sobretudo. Batalha et al. De acordo com Batalha et al.. os esforços voltados para as tecnologias de gestão e informação direcionadas. ISSN (versão online): 1984-3526 107 série de fatores que podem afetar significativamente o desempenho das propriedades rurais. NEUKIRCHEN et al. LOURENZANI. ZYLBERSZTAJN. 2006. no Brasil existe um esforço considerável no desenvolvimento e difusão de tecnologias de processo. 2005.) são considerados parte da rotina operacional da maioria dos estabelecimentos rurais familiares. não estando vinculada a ações efetivas de capacitação gerencial de produtores e técnicos extensionistas.1ª Edição.. 2006). planilhas de resultados etc. de materiais e de produtos e serviços. além de não receber auxílio gerencial adequado (BUAINAIN. a utilização rotineira de instrumentos de gestão (aspectos comerciais e contábeis. armazenamento e conservação. outros podem ter algum controle mediante a utilização de tecnologias gerenciais adequadas. além de irreversível. o caráter perecível da maioria dos produtos agropecuários que interfere nos processos de comercialização. 2007). 1999. possibilitando. 2003. Relacionado com os trabalhos técnico-científicos desenvolvidos no País e que envolvem aspectos de gestão de empreendimentos rurais.

sistematicamente desalojados do ambiente onde estão inseridos devido à necessidade de se produzir em grande quantidade. o ritmo intenso da atualização tecnológica no campo requer a atualização de informações e a adoção de mecanismos de aprendizagem e de formação profissional dos agricultores. como planejamento estratégico e controle e análise de custos de produção. 2012. Essa exigência tem penalizado muitos pequenos produtores. Diante dessas considerações. 1995). Permite. possibilita realizar levantamentos da situação socioeconômica dos agricultores. O modelo de capacitação. principalmente. às diferenças na disponibilidade. Para Segatti e Hespanhol (2008). mas se inscreve na própria vida e prática dos agricultores. LAZZAROTTO et al. na maioria das regiões agropecuárias do Brasil. a fim de melhor compreendê-la. onde a formação administrativa não é um ritual abstrato. caracterizar o desenvolvimento rural presente e avaliar tendências para agricultura regional como forma de projetar a . com uma abordagem participativa.. explicá-la e transformá-la. Em outras palavras. qualidade e utilização dos fatores de produção (terra. A necessidade de adoção de um modelo dessa natureza deve-se ao fato de que. que. sociais e econômicas e os problemas enfrentados. as práticas técnicas. com elevado padrão de qualidade e a preços competitivos. concordam e/ou executam tarefas e se relacionam com o mercado e as demais variáveis que compõem o ambiente organizacional externo (ZORDAN. o referido modelo deve estar focado em um processo de aprendizagem e de construção coletiva de conhecimento. Essa diferenciação e complexidade devem-se. deve estar adaptado às condições locais. que parta de respostas relacionadas com a seguinte questão: que conhecimentos gerenciais os agricultores familiares inseridos em determinada realidade necessitam se apropriar para alcançar o desenvolvimento sustentável? Portanto.Revista Tecnologia e Sociedade . tornando possível a integração do processo educativo ao processo produtivo desenvolvido por eles (LIMA et al. ainda. ou seja. trabalho e tecnologia) e às formas como os produtores aceitam as inovações tecnológicas. acadêmico e elitista. Modelo de capacitação gerencial na agricultura familiar Ações de capacitação gerencial de produtores familiares devem incluir diversos aspectos. GONÇALVES. Zuin e Zuin (2007) enfatizam que é importante que o capacitador traduza conhecimentos advindos da academia à “língua” falada dos aprendizes. em termos práticos. existem e coexistem diferentes e complexos sistemas de produção. ISSN (versão online): 1984-3526 108 gerenciamento. o ponto de partida e chegada para a construção do conhecimento em gestão organizacional é o homem em sua atividade real. considerando as peculiaridades do público-alvo e da região (LOURENZANI. Porém. para que essas ações propiciem os resultados esperados. capital. territorial e multidisciplinar.. 1995.1ª Edição. identificando e caracterizando os principais sistemas de produção. o diálogo como essência da relação educacional deve problematizar o conhecimento dentro da sua realidade concreta. 2006). contemplando conhecimentos técnicos e gerenciais. é possível afirmar que as ações de capacitação precisam estar sustentadas na visão sistêmica. 2004).

ao longo do tempo. Nessa etapa são estabelecidos grupos menores de produtores que. Esse fato exige que o extensionista compreenda a racionalidade dos agricultores e o porque de suas atitudes. econômico e agroecológico em que vivem os agricultores (INCRA/FAO. Com base nos resultados obtidos com a caracterização das unidades produtivas. O quarto aspecto diz respeito ao funcionamento dos sistemas produtivos. que envolve basicamente a caracterização do meio natural. contrapondo o discurso dos pacotes tecnológicos. Em todas essas etapas. bem como das práticas e técnicas que os agricultores adotam. O primeiro refere-se à localização e ao tipo de inserção nos meios físico e socioeconômico. A etapa de caracterização geral das unidades de produção consiste em obter um diagnóstico geral. procurando identificar os fatores que.Revista Tecnologia e Sociedade . estruturas e interdependência das propriedades rurais com seu ambiente externo. definição de grupos de agricultores. de acordo com Dufumier (1996). constitui fator-chave para a proposição de intervenções adequadas a cada realidade rural. programas. 2012. desenvolvimento e validação conjunta de instrumentos metodológicos e implementação de ações de capacitação. ele contempla as características estruturais dessas organizações: grupo familiar e meios produtivos. propõe-se a adoção de mecanismos operacionais que contemplem cinco etapas chaves: caracterização geral das unidades de produção. o emprego da visão sistêmica e a ampla participação de representantes de extensionistas e de produtores são fundamentais para assegurar o adequado cumprimento das ações previstas. 1996). projetos e ações de desenvolvimento prioritários. DUFUMIER. que sejam mais adaptados aos contextos social. para implementar ações efetivas direcionadas ao aprimoramento da gestão na agricultura familiar. Quanto ao terceiro. é relevante para compreender problemas de relações. em função de explorarem sistemas de produção agropecuária um tanto . 1999. o quinto aspecto consiste em estudar a trajetória das propriedades rurais. Finalmente. envolvendo análises dos usos dos recursos produtivos. o que permite compreender o estágio em que se encontram. O segundo aspecto trata do meio agroecológico. 2009). além de não ignorar os objetivos socioeconômicos dos agricultores. avança-se para a etapa de definição de grupos de agricultores. ISSN (versão online): 1984-3526 109 evolução da realidade agrária e propor políticas. Mecanismos operacionais para a capacitação gerencial Baseando-se nos fundamentos teóricos acerca do modelo de capacitação gerencial. SARRIERA. A utilização do enfoque sistêmico. visando a definir a forma como podem ser introduzidas mudanças que não provoquem impactos negativos ou desestruturem a organização interna da unidade produtiva (FAVERO. identificação das demandas gerenciais prioritárias. 1995). influíram ou condicionaram o processo decisório dos produtores rurais. Essa compreensão. que envolve cinco aspectos principais dos estabelecimentos agropecuários presentes em determinada realidade rural (LIMA et al. em que o agente da extensão rural levava ao agricultor uma proposta pronta..1ª Edição.

Além disso. cadernos de contabilidade simplificados) a serem utilizados na realização das ações em questão. de forma conjunta. ainda. têm melhores subsídios para a tomada de decisões. para cada grupo. Com isso. extensionistas e representantes de cada grupo de produtores familiares. podem ser utilizados os instrumentos metodológicos específicos visando a aprofundar questões que contribuam para aprimorar a gestão organizacional. devem ser estimuladas discussões gerais entre produtores e extensionistas. Levando-se em conta as demandas. para cada grupo de agricultores e com as demandas identificadas. A etapa de implementação de ações de capacitação representa o momento em que. Os cuidados no desenvolvimento e na validação dos citados instrumentos são sustentados por Altieri (2002). sobretudo. pode-se iniciar a etapa de desenvolvimento e validação conjunta de instrumentos metodológicos (e. pois este enfatiza que a geração de tecnologias adequadas às necessidades da agricultura familiar deve surgir de estudos integrados das condições ambientais e socioeconômicas. mediante trocas de experiências com outras pessoas.1ª Edição. ao envolver aspectos de gerenciamento organizacional. Após essas discussões. Essa avaliação é fundamental para permitir. a capacitação em discussão deve pautar-se na programação e no . os conhecimentos e as habilidades gerenciais que precisam ser aprimorados por meio de ações efetivas de capacitação. Com essa estratégia. Essa identificação trata de avaliar. utilização e aplicação) à realidade desses produtores. ao invés de estar restrita a um curso ou uma palestra. primeiramente. Nessa etapa. de forma permanente. a efetivação de correções de rumos. ele deve fazer parte de um plano que contemple ações continuadas. pelo fato de que além de existir grande limitação de agentes atuantes na extensão rural brasileira. Após definir todos os grupos de produtores. Nesse sentido. tendem a apresentar características socioeconômicas e problemas gerenciais. identificando. pode-se avançar para a etapa de identificação das demandas gerenciais prioritárias . de maneira a não comprometer o processo de capacitação gerencial dos produtores. similares. percebendo as diferenças e semelhanças e relacionando as diferentes variáveis que interferem nos resultados físicos e econômicos do processo produtivo. ISSN (versão online): 1984-3526 110 similares. também. paralelamente à execução das cinco etapas descritas. a partir de discussões permanentes envolvendo. os produtores podem fazer comparações entre as suas unidades de produção.Revista Tecnologia e Sociedade . esses instrumentos devem estar bem ajustados e adequados (facilidades de compreensão. os principais pontos fortes e as deficiências mais acentuadas vinculadas ao processo gerencial. ou seja. É importante assinalar que.g. a organização de agricultores impulsiona-os a aprenderem. deve-se efetuar permanente avaliação dos mecanismos operacionais e dos resultados obtidos. com o objetivo de resgatar a forma e os conhecimentos tradicionalmente empregados pelos agricultores na gestão das suas unidades produtivas.. serão desenvolvidas as ações específicas de capacitação. 2012. quando necessária. que influenciam os sistemas de produção e controlam suas respostas às alternativas tecnológicas. para que esse processo propicie os resultados esperados. O estabelecimento desses grupos é reforçado.

deve desenvolver-se no contexto da aplicação a partir de uma visão multidisciplinar. na capacitação gerencial de agricultores familiares. precisa deslocar-se de um grupo pequeno e homogêneo para um grupo grande e heterogêneo. os serviços em questão precisam aprimorar as suas estratégias de atuação. Na condução das referidas ações. das preferências e escolhas efetuadas pelo agricultor e seu grupo familiar. os agricultores familiares. especialmente para assegurar que sejam observadas e atendidas as reais necessidades dos principais beneficiários. Considerações finais As discussões efetuadas ao longo do trabalho.Revista Tecnologia e Sociedade . A segunda razão é decorrente do fato dessa equipe facilitar a elaboração de diversos instrumentos metodológicos específicos. introduza nas suas rotinas diárias e cultura gerencial os princípios e mecanismos administrativos abordados nas ações de capacitação. o modelo a ser empregado precisa ajustar-se ao modo emergente de produção do conhecimento. caracterizando a estruturação de redes para atingir vários objetivos e interesses. assim. fundamentalmente. 2) em termos de equipe. também. procuraram fornecer subsídios auxiliares aos serviços de assessoramento junto aos produtores familiares. busca-se fazer com que o produtor. é possível assinalar que. de fato. ISSN (versão online): 1984-3526 111 desenvolvimento de várias atividades. que podem durar. relacionados com diferentes aspectos técnicos e gerenciais que afetam os resultados da produção agropecuária. (1994). A primeira reside no fato de contribuir com melhorias importantes na comunicação e transferência de conhecimentos e tecnologias existentes. os roteiros são constituídos por vários tópicos e podem ser muito úteis para orientar as discussões com os produtores. Para tanto. como planejamento e replanejamento de atividades e avaliações de metas e resultados. Com isso. podem ser empregadas várias técnicas metodológicas.1ª Edição. a utilização da visão sistêmica e o envolvimento efetivo de produtores e extensionistas em todas as etapas de planejamento e execução das ações voltadas para a capacitação gerencial são imprescindíveis. por exemplo. que questões relevantes deixem de ser abordadas. baseando-se em Gibbons et al. é estratégica por duas razões. além de contextualizar a situação da gestão na agricultura familiar brasileira. na execução das cinco etapas citadas. 3) pelo lado da responsabilidade social. Enquanto os painéis objetivam uma discussão crítica entre os participantes sobre assuntos de relevância. entre as quais se destacam os painéis de discussão e os roteiros. cabe enfatizar que. 2012. como na prática a opção por implantar determinado sistema produtivo depende. evitando-se. Finalmente. ao invés de centrar-se no contexto acadêmico e com visão disciplinar. Ações continuadas são essenciais para que o agricultor melhor se familiarize com diversos aspectos. que apresenta algumas características fundamentais: 1) na organização. De maneira sintética. duas safras agrícolas. Isso porque. a formação de uma equipe multidisciplinar de assessoramento. que serão utilizados nas várias etapas do processo de capacitação gerencial. esta deve permear todo .

Anais. A.br/bda>.. Anais. 2012. Cadernos de Psicologia Social do Trabalho. 58p. Cadeia produtiva de fruta. em relação ao controle de qualidade.M.. Les projets de développement agricole : manuel d’expertise. 2004. 1999. BASSO.. H.12.C.8.Revista Tecnologia e Sociedade . J.7). FAVERO. v.. SOUZA FILHO. Agroecologia: bases científicas para uma agricultura sustentável. Organizações Rurais & Agroindustriais. 1995. M. CENSO Agropecuário 2006. 1994. N.. 175p. INCRA/FAO. Grupos de agricultores para a tomada de decisões organizacionais: uma proposta metodológica.J. LIMOGES. Guia metodológico: diagnóstico de sistemas agrários. GIBBONS. deve envolver novos critérios (impactos esperados) e novos atores (clientes e beneficiários). P.. Acesso em: 02 de agosto de 2011. M.. 2006.gov.313-322. SCOTT. H...M. In: CONGRESSO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ECONOMIA E SOCIOLOGIA.. et al. (1 CD-Rom).1ª Edição. Referências ALTIERI. SCHWARTZMAN. de. Cuiabá. TROW.. ISSN (versão online): 1984-3526 112 o processo de produção e aplicação do conhecimento. .sidra. BATALHA. de. P. 4) sobre a questão da reflexividade.L. ROESSING... n. LOURENZANI. Brasília: INCRA/FAO. H. (Projeto de Cooperação Técnica). Cuiabá: SOBER. M. Porto Alegre. 2002. 2004. Paris/Wageningen: Karthala/CTA.A.. p. BATALHA. DUFUMIER. Brasília: IICA/MAPA/SPA. M. (Agronegócios. NEUMANN. 102 p. Disponível em: <http://www. Extensão rural e intervenção: velhas questões e novos desafios para os profissionais. 2004. The new production of knowledge: the dynamics of science and research in contemporary societies. In: CONGRESSO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ECONOMIA E SOCIOLOGIA. 42.3. é necessário passar de uma visão predominantemente técnico-científica para uma visão em que há valorização de todo conhecimento útil à solução de determinado problema. ao invés de ser realizado por pares.1. M. 354p. Cuiabá: SOBER. London: Sage.C. E. SARRIERA... S... 2007. Capacitação gerencial de agricultores familiares: uma proposta metodológica de extensão rural. J. BUAINAIN. A. e 5). Guaíba: Agropecuária.O. A. LIMA. Ijuí: UNIJUÍ.C. LAZZAROTTO. Lavras.ibge. 2004. (1 CDRom).P. n.. C. MELLO.S. M. Tecnologia de gestão e agricultura Familiar.. Administração da unidade de produção familiar: modalidades de trabalho com agricultores. M. BUAINAIN. 592p. NOWOTNY. v. finalmente.. 42. Cuiabá. W. p. 2009. v.1-16. 1996.

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Revista Tecnologia e Sociedade . ISSN (versão online): 1984-3526 114 Paulo Freire para extensão rural. 2007.49-60. .1ª Edição. Jul. Revista Tecnologia e Sociedade.5. Curitiba. n. p. 2012.

Professor do Programa de Mestrado em Ciência. PR – Brasil.br Fabiana Paula Hoffmann: Mestranda do Programa de Mestrado em Gestão e Tecnologia da Informação. principalmente pelo fato dos conhecimentos estarem dentro da particularidade de cada indivíduo. Universidade Federal do Paraná – UFPR. O método de pesquisa adotado foi a pesquisa bibliográfica com análise da literatura sobre os livros eletrônicos. em seu novo surgimento. 2012. Mestre em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). materialização do conhecimento.br Egon Walter Wildauer: Doutor em Ciências Florestais pela Universidade Federal do Paraná (UFPR).br. Brasil. ISSN (versão online): 1984-3526 115 Uso do E-book Como Meio de Compartilhamento Formal e Disseminação do Conhecimento Explicito em Organizações Use of e-book as formal resource of sharing and dissemination of explicit knowledge in organizations Adriane Ianzen Machado Fabiana Paula Hoffmann Egon Walter Wildauer 9 Resumo Há uma grande gama de conhecimento fragmentado dentro das organizações. E-mail: adriane@iagil. E-mail: fsilvadm@yahoo. neste sentido este artigo tem como objeto de estudo o uso do livro eletrônico (e-book) como ferramenta estratégica para a materialização do conhecimento e. Orientador.Revista Tecnologia e Sociedade . Constatou-se que materializar o conhecimento utilizando-se do e-book pode ser uma ferramenta estratégica e tecnológica para agregar valor às organizações. Os aspectos fundamentais e conceituais referentes ao e-book. Fato este que remete ao que se pode chamar de conhecimento tácito. gestão do conhecimento. Curitiba. para sua disseminação. que é algo individual e importante para a construção do conhecimento explícito. resultando no levantamento dos conceitos potenciais para o compartilhamento dos conhecimentos das organizações. ativista do conhecimento e o livro eletrônico fazem parte do cenário do objeto de estudo e é com base nestes conceitos que surge uma proposta de uso do livro eletrônico como ferramenta tecnológica de disseminação do conhecimento. O uso de ferramentas tecnológicas é de suma importância como meio de disseminação deste conhecimento. cultura. uma vez que o usuário pode ter acesso em tempo real ao conhecimento utilizando-se tanto de 9 Adriane Ianzen Machado: Mestranda do Programa de Mestrado em Gestão e Tecnologia da Informação. PR – Brasil. consequentemente. Brasil. Foi realizada uma análise qualitativa de teorias que sustentam a criação de um meio para a disseminação formal do conhecimento por meio dos e-books. E-mail: egon@ufpr. vivências. no século XXI. que carrega seus saberes conforme suas experiências.1ª Edição. Curitiba. Gestão e Tecnologia da Informação (UFPR). Universidade Federal do Paraná – UFPR.com.com. .

Revista Tecnologia e Sociedade . knowledge management. explicit and tacit knowledge.1ª Edição. materialização do conhecimento. these paper found that materialize the knowledge using e-book can be a strategic and technological tool to add value in organizations. Key-words: E-book. disseminação. 2012. 1 INTRODUÇÃO A tecnologia. knowledge management. consequently. e seu constante aprimoramento. The use of technological tools has a great importance as a way of disseminating explicit knowledge and. As a result. The fundamental and conceptual aspects related to e-book. disseminação são termos muito conhecidos pela Sociedade da Informação. conhecimento tácito e explícito. culture and way of life. knowledge's materialization. Sociedade esta que. ocorreu a multiplicação de informações e o grande aumento no desenvolvimento do conhecimento. transmissão estão presentes em ambas Sociedades coexistentes no mundo. Nesse ínterim. Palavras-Chave: E-book. Organização. Quantitative analysis was performed over the theories that support the creation means for formal dissemination of knowledge through the e-books. Desde que a internet foi disponibilizada para acesso público e sua popularização permitiu a intensa troca de informações entre pessoas de diversas partes do planeta. gestão do conhecimento. ISSN (versão online): 1984-3526 116 computadores como de aparelhos celulares. in the twenty-first century. Os desafios da colaboração. its spread. knowledge's activist. this paper has the objective study the use of electronic book (e-book) as a strategic tool in order to materialization the knowledge and. which is something personal and important to construct the explicit knowledge. knowledge's materialization. junto com . ativista do conhecimento. which generates competitivity and a power knowledge advantage for organizations. é responsável por grande parte das revoluções em qualquer campo ou área de conhecimento. mainly because knowledge are within the particularity of each person who carries their knowledge according their experiences. knowledge's activist and the electronic book make part of the scenery of the object of study and part of these concepts. in this sense. armazenamento. since the user can have real time access to knowledge using both computers and cell phones. surgiu a Sociedade da Informação e mais tarde a Sociedade do Conhecimento. Abstract There are a wide range of fragmented knowledge within organizations. emerges a proposal to use the electronic book as a technological tool for knowledge dissemination. This fact leads to what might be called tacit knowledge. o que gera uma competitividade e um poder de conhecimento vantajoso para as organizações. resulting in a survey of potential concepts for the knowledge sharing in organizations. The research method used was a literature review with analysis of them on e-books in his new appearance.

Na prática. Com essa revolução algo a mais foi evidenciado: o crescimento do conhecimento. embora a sua força de mudança e inovação sejam os novos leitores digitais. O e-book não é uma tecnologia do século XXI. também interagem-se neste contexto de geração e compartilhamento de conhecimentos. porém neste século alguns conceitos em relação a essa tecnologia foram modificados. para eles. trouxe uma revolução no campo da comunicação. 2008.1ª Edição. A crescente preocupação empresarial com seu ativo financeiro interno tem foco para o ser humano. De forma generalizada. Desta forma questiona-se então: como aproveitar essa ferramenta tão valiosa nas empresas. na alteração do suporte do livro que passa do impresso ao digital. prefácio). Dessa forma este artigo tem como objetivo apresentar uma proposta de uso de e-books e seus aparelhos leitores (sejam ereaders. nas quais as empresas devem estar inseridas. gerir o conhecimento é algo ainda nebuloso para muitas instituições e uma das possíveis causas para isso. sejam tablets. Estes aparelhos também não são novidades no mundo tecnológico. comenta ainda que essa situação compreende também "outras características inovadoras. É nesse contexto que se insere a nova era dos livros digitais. ou seja. ou e-book. como aquelas oferecidas pelas redes e comunidades sociais e empresariais. para que auxilie na produtividade e competitividade empresarial? Com base nesta questão pretende-se entender como os livros eletrônicos podem se apresentar como uma ferramenta útil na disseminação do conhecimento. pois. Torquato (2008). 2012. Apesar de o conhecimento ser algo muito comentado e discutido dentro das organizações.Revista Tecnologia e Sociedade . acompanhados das pranchetas eletrônicas (ou tablets). convencionalmente tratado de livro eletrônico. públicas na web. da transmissão de dados e informações. Esta (r)evolução está pautada. é a negligência das instituições no momento da externalização dos conhecimentos. ao invés de meros equipamentos para leitura e/ou entretenimento de seus usuários. os e-readers. No momento vive-se uma intensa '(r)evolução' em um produto que é muito tradicional para o ser humano e que está totalmente relacionado com a transmissão de informações e com o conhecimento: o livro. Quem afirma isto são os autores Takeuchi e Nonaka (2008). ISSN (versão online): 1984-3526 117 o avanço das tecnologias da informação e comunicação. este processo tem sido amplamente negligenciado na literatura organizacional. pelos sistemas colaborativos Wiki e por meio da crescente geração e difusão de conteúdo pelos próprios usuários" (TORQUATO. seu colaborador com suas competências e habilidades em gerar e transmitir conhecimentos. há ainda muita dificuldade nas empresas em realmente se utilizar adequadamente os conhecimentos gerados internamente. no prefácio do livro Sociedade da Informação. principalmente. sua existência é mais antiga. comenta sobre o surgimento da web 2. concomitante ao ressurgimento dos aparelhos leitores. que ressurgem com foco corporativo. sejam aparelhos celulares) como uma estratégia .0 e sobre o aumento da disponibilização e do consumo de recursos de áudio e vídeo. As ferramentas colaborativas e de socialização.

2 Procedimentos Metodológico Os procedimentos metodológicos adotados para esta pesquisa foram: levantamento bibliográfico e análise de literatura com os temas abordados de acordo com o quadro 1. no terceiro tópico. Em fim apresentam-se as considerações finais com base nos autores que serviram como apoio teórico para a construção da proposta. neste caso os livros eletrônicos.1 Estrutura Este artigo está estruturado em seis tópicos de forma que no primeiro é apresentado um breve histórico sobre os e-books. 1. 2012. 1. a materialização do conhecimento é foco do quarto tópico e o uso de e-books como disseminação formal do conhecimento externalizado é proposto no sexto tópico. no segundo apresenta-se uma atualização devida à evolução do conceito. ISSN (versão online): 1984-3526 118 para a gestão e o compartilhamento de conhecimentos dentro de uma organização. . seguido de análise qualitativa dos conhecimentos potenciais compartilhados para viabilizar uma proposta de disseminação de conhecimentos dentro das organizações por meio de uma ferramenta tecnológica.1ª Edição. nos temas gestão do conhecimento e disseminação formal do conhecimento.Revista Tecnologia e Sociedade . para então adentrar.

2008. 2002. NONAKA e TAKEUCHI. 2011. Por meio da socialização. 2000 O livro eletrônico como estratégia para a gestão do conhecimento Quadro 1: Escopo do artigo Fonte: elaborado pelos autores . TÓPICO CORRESPONDENTE CONTRIBUIÇÃO PARA AS ORGANIZAÇÕES 119 Histórico sobre os ebooks Propicia o conhecimento sobre o cenário de e-books. utilizando-se da tecnologia e do ativista para a elaboração. GUTENBERG. TEIXEIRA FILHO. MUÑOZ-SECA e RIVEROLA. 2010. Materialização conhecimento do Propõe uma estruturação formal e concreta do conhecimento. DZIEKANIAK. ICHIJO. BENÍCIO. SABBAG. tornando-as dinâmicas e competitivas. BARRETO. 2010. ISSN (versão online): 1984-3526 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA BARRETO. 2010 DZIEKANIAK. 2003. 2010. DUGUID e BROWN. SIMCSIK e POLLONI. Atualização de conceitos em relação aos e-books Definição e distinção do conceito de E-books e aparelhos leitores. 2001. SILVA e BUFREM. 2012. ROSINI e PALMISANO. as alterações que ocorrem dentro das organizações. IDPF. 2010 2010. 2002. não limitado a um local físico (estático).1ª Edição. externalização. 2008. RODRIGUES. SPENDER. 2010. internalização e a combinação é possível a migração do conhecimento tácito em conhecimento explícito contribuindo para a formalização e registro dos conhecimentos gerados pelas organizações. CHOO. inibindo os problemas com falhas na transferência desses e adequando em tempo real. SANTIAGO JUNIOR. 2006. REZENDE. 2007. 2004 A gestão do conhecimento e a disseminação formal do conhecimento Importância da disseminação formal do conhecimento como estratégia competitiva para as organizações. 2004. 2010. 1997. FLEURY e OLIVEIRA JUNIOR. GROTTO. 2010. YANO. para o compartilhamento e para a troca formal de conhecimentos.Revista Tecnologia e Sociedade . 2006. 2008. TAKEUCHI e NONAKA. Contribui para integrar e sistematizar formalmente os conhecimentos fragmentados. 2008. 2003. GARCIA.

o Projeto Gutenberg (GUTENBERG. uma iniciativa que criou os livros eletrônicos. Não por acaso. em poucos anos. oferecendo. uma tela monocromática que reconhecia escrita com canetinha (stylus). BUFREM. em meados do ano 2000. 2003). um boom (sic) na produção de conteúdo”. por volta dos anos 90. A seguir apresenta-se essa atualização de conceitos. p. 1) “antes mesmo de e-books. 2001). p. procurando ganhar o mercado (BENÍCIO. de um livro dinâmico que seria uma espécie de computador portátil. Em 1992. 2008). 134) Este fracasso inicial não desanimou os investidores deste tipo de aparelho. um fracasso estrondoso de vendas. . Sony. Inclusive esse cientista imaginava a possibilidade de imitar o virar de páginas apertando botões ou mesmo tocando na tela.Revista Tecnologia e Sociedade . já era possível distribuir uma obra pela internet. Allan Kay (um cientista norte-americano da Xerox Corporation) previu o aparecimento. a troca de dados por infravermelho e 1MB de memória para guardar contatos. pequeno de duas telas. Em 1945. visto que a partir do lançamento do Kindle. conforme Garcia (2010. Philips e Sharp foram igualmente derrotadas na missão de emplacar um portátil. Vannevar Bush (diretor do Escritório de Pesquisas e Desenvolvimento dos EUA) idealizou o primeiro aparelho leitor de livros que ele chamou de Memex. 2010). ilustrações. Para baixar e-mails era preciso comprar um modem e acoplar. 2012. Em 1971 Michael Hart fundou. houve um grande aumento no desenvolvimento de novos aparelhos leitores (YANO. a qual diferencia os arquivos de livros eletrônicos de aparelhos leitores.. Devido ao crescente uso e interesse dos e-books. 2011. (BARRETO. (SILVA. com textos. houve a necessidade de uma atualização do conceito de e-book.. nos EUA.1ª Edição. ISSN (versão online): 1984-3526 120 2 BREVE HISTÓRICO SOBRE OS E-BOOKS O conceito de livro eletrônico não é recente. (. colorido e legibilidade perfeita. atualmente. a Apple: inaugurou o mercado de computadores de bolso com o Newton. cada um com suas funcionalidades e particularidades. mais de 36. Em 1968.) Entre seus atrativos. e-readers ou dos blogs.000 livros livres para download e leitura em diversos tipos de aparelhos. Quem conseguiu tirar os handhelps do anonimato e transformá-los em ícones dos anos 90 foi a até então desconhecida Palm Computing. Após o ano 2000 houve uma espécie de revolução no mercado de ereaders. aparelho leitor de propriedade da Amazon. a rede possibilitou. surgindo entre a década de 90 e o ano 2000 diversos tipos de aparelhos leitores. pois tanto o arquivo do livro quanto os aparelhos leitores eram chamados de ebooks.

o que é bem explicitado por Barreto (2006) que coloca a gestão do conhecimento dentro de uma ciência. 4 A GESTÃO DO CONHECIMENTO E A DISSEMINAÇÃO FORMAL DO CONHECIMENTO Para se chegar à Gestão do Conhecimento. HyperText Markup Language (HTML). uma vez que a terminologia estava em processo de desenvolvimento e necessitava de um maior “tratamento por parte das áreas envolvidas com o estudo dos suportes informacionais” (DZIEKANIAK. BENÍCIO. O autor a considera como: “uma instituição mediadora da relação informação-conhecimento” (BARRETO. seguidos dos tablets. o que se torna uma ferramenta estratégica para a gestão do conhecimento. o qual. Esse conceito passou a se firmar a partir do desenvolvimento dos ereaders. 2006.Revista Tecnologia e Sociedade . 2001. logo. a ciência da informação. Antes haviam os Portable Document Format (PDF). os chamados formatos proprietários. 11) e apresenta tempos distintos na história desta ciência: “tempo de gerência da . XML e CSS e que é um padrão aberto. houve uma linha do tempo a ser percorrida pelas organizações. O ePub transformou-se em um unificador de tecnologias. 2003. p. tivesse que comprar os livros somente de sua própria plataforma. tornando-se o formato padrão usado pela maioria dos aparelhos desenvolvidos para este fim. 2010). de forma a garantir que o leitor que o adquirisse. SILVA. Definido o conceito de e-book e sua utilidade como documento virtual e atualizável em qualquer circunstâncias. 2012. 2010. SORRIBAS. lançada em outubro de 2011 e abrange funcionalidades como multimídia e a linguagem JavaScript (IDPF. 2005. um formato que agrega as funções do HTML. surgiu o Extensible Markup Language (XML) com o conceito de organização do conteúdo. BUFREM. Este formato está na sua versão 3. assim como também o formato dos livros (arquivo) também se e modificou. se confundia com software. verifica-se o uso do termo e-book para designar tanto o arquivo do livro quanto os aparelhos leitores (BENÍCIO. 2009. ISSN (versão online): 1984-3526 121 3 ATUALIZAÇÃO DE CONCEITOS EM RELAÇÃO AOS EBOOKS Após o surgimento dos primeiros e-books houve uma mudança radical no seu conceito. Até o surgimento do ePub os fabricantes de e-readers procuravam criar um formato compatível com o seu próprio e-reader. com apoio de linguagens de formatação como o Extensible Stylesheet Language (XSL) e o Cascading Style Sheets (CSS). DZIEKANIAK. SILVA. hardware e conteúdo. entre outros).1ª Edição. este tipo de tecnologia proporciona um meio de disseminar formalmente os conhecimentos dentro das organizações. p. BUFREM. 2010. pelo IDPF (International Digital Publishing Forum). Text (TXT). Em vários artigos publicados sobre o livro eletrônico. 2). inicialmente. e então chegou-se ao ePub (eletronic publishing). desenvolvido em 2007.

1ª Edição. A multimídia. Nesse contexto inserem-se as comunidades de práticas organizacionais. no qual o autor identifica o início da relação direta entre informações e conhecimento. “tempo de relação entre informação e o conhecimento. vídeos e. com CD-ROMS. iniciado desde que surgiram os blogs e ferramentas de construção colaborativa na web (chamadas wiki). porém apontam como problema dessa alternativa a questão da saturação das informações em virtude de seu crescimento indiscriminado. A necessidade de filtro e critério no momento de preenchimento de um "repositório de conhecimento" é essencial para evitar problemas como esse de saturação. afirmam que: o conhecimento dividido entre as comunidades diferentes de uma organização não equivale a um todo coerente. criou as condições apropriadas para que o conhecimento escapasse de seus detentores tradicionais: os pequenos círculos e a elite. pelas comunidades de prática em determinada instituição. acima de tudo. p. 71). Rodrigues (2010) aborda o incentivo proporcionado pelas novas tecnologias no desenvolvimento do conhecimento organizacional: A maior facilidade de acesso à informação. de 1995 até 2006”. e o “tempo do conhecimento interativo. Surgiu nesse panorama. 2012. que vai de 1945 a 1980” no qual ele comenta o início da necessidade de organizar. de forma a aliar os conhecimentos entre estes grupos. no qual uma sugestão seria que fosse feito por participantes que são integrantes de diversos grupos. BROWN. muitas vezes por meio do improviso (inovação). as quais não estão apenas dentro das organizações. trata-se de um grupo de conhecimento fragmentado e localmente desenvolvido. No entanto. nas quais grupos de opiniões e crenças adjacentes unem-se em busca de conhecimentos e compartilhamento de informações sobre seus assuntos de interesse. ISSN (versão online): 1984-3526 122 informação. do qual as melhores partes ou práticas possam ser selecionadas e transferidas. Redes de relacionamento social fazem parte desse avanço. mas disponíveis na web a fim de colher contribuições externas. mas a construção mútua de informações e conhecimentos. no período de 1980 a 1995”. Duguid e Brown (2010) abordam a existência de comunidades de práticas nas organizações como grupos que se desenvolvem espontaneamente e enfatizam que essas comunidades trocam entre si e criam conhecimentos. que comenta da interatividade após o advento da internet e de sua disponibilização para o acesso público. em razão da nova tecnologia e da velocidade das comunicações. o tempo do conhecimento colaborativo. não só interatividade na web. a partir do qual a organização tem que produzir outro grupo complementar e coerente. Ao contrário. a Internet. Duguid e Brown (2010) comentam sobre a experiência do desenvolvimento de bancos de dados. perdendo assim seu valor e sua especificidade. Pode-se acrescentar aos tempos identificados pelo autor. Um ponto abordado pelos autores refere-se a intermediação do conhecimento. data de publicação da obra do autor. como ferramentas essenciais em diversas áreas. . 2010. indexar e recuperar informações”.Revista Tecnologia e Sociedade . (DUGUID.

então. 2012. o que torna necessário unir o conhecimento com a tecnologia moderna para torná-lo disponível quando necessário. assim como do indivíduo para o grupo e. 19).” (TAKEUCHI. Spender considera ainda que o valor (do conhecimento) “dep ende de sua habilidade [dos gerentes] de ir além da análise convencional para capturar e analisar novos fenômenos. Entendemos por gestão estratégica do conhecimento a tarefa de identificar. OLIVEIRA JUNIOR. Esse modelo “está no núcleo do processo de criação do conhecimento (…) e descreve como os conhecimentos tácito e explícito são amplificados em termos de qualidade e quantidade. para o nível organizacional. Fleury e Oliveira Junior (2010.1ª Edição. p.. inovação. de forma a manterem-se competitivas na “economia do conhecimento”. 18) afirmam que "O conhecimento da empresa é fruto das interações que ocorrem no ambiente de negócios e que são desenvolvidas por meio de processos de aprendizagem. Combinação e Internalização). 88). p. Externalização. o chamado SECI (abreviatura de Socialização. Verifica-se. desenvolver. . p. p. O conhecimento pode ser entendido também como informação associada à experiência. disseminar e atualizar o conhecimento estrategicamente relevante para a empresa (FLEURY. assim como para a identificação dos ativos estratégicos que irão assegurar resultados superiores para a empresa no futuro (…). A gestão do conhecimento apresenta uma importante contribuição para a compreensão de como recursos intangíveis podem constituir a base de uma estratégia competitiva. p. desta forma a necessidade de se considerar o ciclo da geração do conhecimento. 2010. 2008.. Fleury e Oliveira Junior (2010) afirmam ainda que as empresas de conhecimentos diferentes devem unir-se para suprir suas falhas potenciais de conhecimentos. intuição e valores". o que acaba por conduzir “mensagens diferentes para os gerentes que tentam entender o que a gestão do conhecimento realmente significa para eles” (SPENDER. motivação e comunicação). NONAKA. porém de forma desestruturada e dispersa (tanto em pessoas quanto em objetos e/ou produtos da própria empresa).Revista Tecnologia e Sociedade . proposto por Takeuchi e Nonaka (2008). p. 31). Os autores consideram que os conhecimentos tácitos de um grupo de pessoas em uma organização são as competências essenciais da empresa. Spender (2010) comenta que as empresas geralmente têm muito conhecimento armazenado. 2010. 2010. 46). 2010.) seu valor está na habilidade de dar aos gerentes maiores insights e influenciar os sistemas de atividades e a comunidade de práticas que podemos chamar de organizações” (SPENDER. (. 23). ISSN (versão online): 1984-3526 123 facilitou a compactação da informação e sua distribuição indiscriminada (RODRIGUES. Em seus estudos o autor divide a Gestão do Conhecimento em duas frentes: uma que a trata como objeto (e procura abstrair o conhecimento das pessoas) e outra que a trata como processo (envolvendo os processos individuais e sociais de criatividade.

p. explicita de forma clara sobre o conhecimento explícito. 2006. POLLONI. relacionando suas atividades ao quadro geral da empresa. (2) redução do tempo e do custo necessários para a criação do conhecimento. Ele extrai conhecimento de alguma fonte. quanto dos executivos seniores. que é pessoal. interpreta e representa em tipos e estruturas convenientes” (SIMCSIK. patentes. considerando-o como aquele que pode ser expresso formalmente com a utilização de um sistema de símbolos. rotinas ou procedimentos operacionaispadrão. 189). desenhos técnicos. tanto os de linha de frente. tornando-os explícitos. banco de dados de computador. Um papel importante para que este conhecimento seja de tal forma articulado dentro das organizações é desempenhado pelo chamado 'ativista do conhecimento'. p. empatia e paciência. 2002. em especificações de produtos. corroborando com Takeuchi e Nonaka (2008). O conhecimento explícito é baseado em regras quando é codificado em normas. conhecimento do domínio. p. O conhecimento explícito pode se basear em objetos ou regras. ISSN (versão online): 1984-3526 124 Ainda é possível verificar que os autores consideram que as organizações tem negligenciado a etapa de externalização do conhecimento. versatilidade e inventividade. é convertido em conhecimento transmissível e articulado. protótipos. apontando seis deles: (1) foco e inicialização da criação do conhecimento. tática e diplomacia. para que o conhecimento empresarial seja coletado. o que tem sido frequentemente desconsiderado pelas organizações. conhecimento de programação. Para os autores “O engenheiro do conhecimento é o profissional responsável pela estruturação e construção de um sistema inteligente. (5) . podendo portanto ser facilmente comunicado ou difundido. por exemplo. 2012. código de software. Na mesma linha de pensamento desses autores. disserta sobre alguns casos de sucesso e comenta que os responsáveis pela gestão do conhecimento devem sintetizar os conhecimentos tácitos de seus colaboradores. conhecido como o ativista do conhecimento (também chamado por alguns autores. que tem como função impulsionar e fazer um elo de ligação entre os indivíduos e o conhecimento. 373). 2008. armazenado e externalizado eficientemente há a necessidade da existência de um ator no processo. (CHOO. 24) Nonaka (2008) comenta que tornar o conhecimento tácito em explícito é o mesmo que expressar o inexpressável e sugere o uso de linguagem figurativa e de simbolismo para isso. E que segundo o conceito proposto por Simcsik e Polloni (2002).1ª Edição. Ichijo (2008). Choo (2006). fotografias e outros. (4) melhoramento das condições daqueles engajados na criação do conhecimento.Revista Tecnologia e Sociedade . apresenta alguns propósitos para a existência do ativismo do conhecimento. NONAKA. Afirmam ainda que o engenheiro do conhecimento deva possuir boa comunicação. (3) alavancagem de iniciativas de criação do conhecimento por tora a corporação. que é a etapa na qual “o conhecimento t ácito. de forma que sejam incorporados em novas tecnologias e produtos. inteligência. (…) O conhecimento baseado em objetos pode ser encontrado. específico ao contexto e difícil de formalizar e comunicar aos outros.” ( TAKEUCHI. como engenheiro do conhecimento).

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preparação dos participantes da criação de conhecimento para novas tarefas nas quais seu conhecimento é necessário; e (6) inclusão da perspectiva da microcomunidade no debate mais amplo de transformação organizacional. (ICHIJO, 2008, p. 131132)

O autor afirma ainda que:
Os ativistas do conhecimento são grandes participantes em pelo menos quatro subprocessos de criação de conhecimento. No início do processo, eles frequentemente formam microcomunidades de conhecimento. Eles facilitam o caminho para a criação e a justificação dos conceitos, assim como para a construção de um protótipo. (…) Os ativistas do conhecimento são os divulgadores do conhecimento na empresa, espalhando a mensagem a todos.” (ICHIJO, 2008, p. 131-132).

Desta forma, verifica-se que para gerenciar o conteúdo de um livro eletrônico é necessário um ativista do conhecimento para cada área específica, para a qual se utilizará essa ferramenta. Para que todos deem sugestões, e elas sejam filtradas e sintetizadas de forma que fiquem claras para todos, para que o conhecimento seja compartilhado de maneira eficaz. Rosini e Palmisano (2008) esclarecem bem a contribuição que um documento com informação digital pode oferecer:
Quando a informação é digitalizada e comunicada por meio de redes digitais, revela-se um novo mundo de possibilidades, em que quantidades enormes de informação podem ser comprimidas e transmitidas na velocidade da luz, pois a quantidade das informações pode ser muito melhor do que nas transmissões analógicas. Muitas formas diferentes de informação podem ser combinadas, criando, por exemplo, documentos multimídia e as informações podem ser armazenadas e recuperadas instantaneamente de qualquer parte do mundo, propiciando, consequentemente, acesso instantâneo a maior parte das informações registradas pela civilização humana. (ROSINI; PALMISANO, 2008, p. 107, grifo nosso).

Um aspecto importante em um ativista é a sua capacidade de saber interagir com as pessoas e a capacidade de atuar como um suporte de ligação entre o conhecimento e as idéias tácitas advindas de diversas vivências de cada indivíduo. Há que se mencionar a metáfora do Iceberg do Conhecimento, pois, de acordo com Sabbag (2007, p. 56-57) o conhecimento é explorado como se fosse em camadas de um iceberg. No topo do iceberg estão as partes que fazem parte do conhecimento explícito como o saber fazer (teorias, normas, procedimentos, instruções, processos organizacionais) e na parte submersa e intangível encontra-se a parte que compete ao conhecimento tácito como o saber fazer incorporado, saber os porquês, saber com quem (talentos naturais, simbolismos, crenças, cultura, valores e atitudes, pressupostos). Neste contexto o ativista do conhecimento para atuar como ator no processo, deve saber lidar com as nuances existentes entre o conhecimento explícito e o que se pode aprender com o conhecimento tácito, uma vez que

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a profundidade com que terá que lidar com este último é maior e envolve um processo de extração do conhecimento individualizado. Corroborando com essa ideia há a espiral do conhecimento (figura 1) proposta por Nonaka e Takeuchi (1997, p. 80), na qual observa-se que o grande desafio corresponde em transformar o conhecimento tácito em explícito, ou seja, no processo de externalização. E neste processo está a fundamental importância do papel do ativista: na compilação de toda essa gama de conhecimentos exteriorizados.

COMPETIÇÃO

SOCIALIZAÇÃO Experiências compartilhadas

EXTERNALIZAÇÃO Conhecimento tácito convertido em explícito

INTERNALIZAÇÃO Conhecimento explícito incorporado no conhecimento tácito

COMBINAÇÃO Conceitos sistematizados

COOPERAÇÃO

Figura 1: Espiral do Conhecimento Fonte: adaptado de Nonaka e Takeuchi (1997, p. 80)

Neste cenário o ativista do conhecimento que está envolvido com a atividade de desenvolvimento de um livro eletrônico tem a função de ser um agente extrator do conhecimento tácito e um transformador deste conhecimento em explícito, por meio do método espiral do conhecimento de Nonaka e Takeuchi (1997), o ciclo de socialização, externalização, combinação e internalização, deve ser contínuo, possibilitando a troca de

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conhecimentos, o enriquecimento de saberes e a formalização do conhecimento. Dessa forma a disseminação formal do conhecimento tende a ser um produto dos esforços da extração e transformação do conhecimento tácito em conhecimento explícito, tomando um formato materializado, ou seja, pode-se falar em uma concretização do conhecimento.

5 MATERIALIZAÇÃO DO CONHECIMENTO
Apesar do conhecimento ser algo muito comentado e discutido dentro das organizações, há ainda muita dificuldade nas empresas em realmente se utilizar adequadamente os conhecimentos gerados internamente. Na prática, gerir o conhecimento é algo de grande dificuldade para muitas instituições e uma das possíveis causas para isso, é a negligência das instituições no momento da externalização dos conhecimentos. Quem afirma isto são os autores Takeuchi e Nonaka (2008), pois, para eles, este processo tem sido amplamente negligenciado na literatura organizacional. O conhecimento externalizado deve ser materializado, para ser disseminado corretamente, pois quando se trata de conhecimento é preciso se ter uma compreensão exata do que se pretende compartilhar dentro dos processos envolvidos, é importante saber mapear formalmente o conhecimento presente dentro das organizações. Esse processo de materialização se dá pela necessidade de gerar uma estrutura concreta do conhecimento, nesse sentido, bem explicitada por Muñoz-Seca e Riverola:
Dada a intangibilidade do conhecimento para poder manejá-lo fisicamente, requer-se sua transformação em estruturas materiais. O conhecimento deve se incorporar a uma estrutura física que pode se transformar por meios físicos bem estabelecidos e da qual se pode extrair de novo por meios sensoriais. O conhecimento em forma pura não é suficiente para satisfazer todas as necessidades da economia. O alimento para a mente deve ser suplementado com o alimento para o corpo. Por conseguinte, o conhecimento tem de ser transformado – também utilizaremos o termo “materializado” – em entidades tratáveis dentro dos processos básicos da empresa e da sociedade. (MUÑOZ-SECA; RIVEROLA, 2004, p. 45).

Na mesma perspectiva, os autores continuam e explicam o que seria a materialização do conhecimento:
A materialização do conhecimento é sua transformação numa forma que possa ser manipulada, armazenada, transmitida, recuperada e utilizada facilmente, sem ter de recorrer à pessoa que o originou. Uma materialização se origina num originador, protetor do conhecimento, e pode ser utilizada para resolver problemas no destinatário. Um inventário de conhecimentos da empresa é quase um passo obrigatório para a gestão do conhecimento. (MUÑOZSECA; RIVEROLA, 2004, p. 45).

O compartilhamento informal. 111-112). p. a videoconferência e o sistema de redes (…) e o mapeamento do conhecimento organizacional” (GROTTO. o autor ainda cita duas práticas de compartilhamento de conhecimento encontradas em empresas distintas: a) estratégia de codificação. quando as pessoas trocam ideias. remoto. conforme Grotto (2003.1ª Edição. unidas podem propiciar grande desenvolvimento de conhecimento dentro da organização. 110) “geralmente. À luz do compartilhamento formal do conhecimento e de acordo com alguns conceitos tem-se a possibilidade de se obter um cenário. 2003. O livro eletrônico tem a possibilidade de oferecer mais. ocorre de maneira não preestabelecida durante encontros casuais e conversas locais. vídeoconferência e o sistema de redes – terá conhecimento materializado.Revista Tecnologia e Sociedade . manuais e livros – propícias ao compartilhamento do conhecimento explícito” e algumas ferramentas tecnológicas para esse compartilhamento formal do conhecimento. Se as empresas considerarem exatamente o que o autor comenta – uso de e-mail. Trata-se da portabilidade e da disponibilidade desses conhecimentos em tempo hábil. 2012. Verifica-se. . na qual uma pessoa detentora do conhecimento é responsável por comunicá-lo e transmiti-lo aos demais interessados. como estratégia de armazenamento e disseminação de novos conhecimentos. e b) estratégia personalizada. passível de ser disseminado a quem interessar. no qual. de forma externalizada formal e unificada. quando necessário. com essa explanação a importância da tecnologia no compartilhamento formal do conhecimento dentro das organizações. As práticas diferem de uma organização para outra. apresentações audiovisuais. portátil e seguro. na qual o conhecimento é explicitado em sistemas de informação para acesso pelos colaboradores. como “ o e-mail. O livro eletrônico vem como aliado a essa disponibilidade de conhecimentos nas organizações. segundo o autor “existem algumas práticas formais de compartilhamento do conhecimento – como palestras. Há então a necessidade de uma ferramenta para a disseminação formal do conhecimento de forma a unir todas essas informações em um único local. porém fragmentado. colaborativas e propiciar a todos informações precisas e atualizadas. Essas duas práticas. no entanto percebe-se um implicador: a fragmentação desses recursos. ISSN (versão online): 1984-3526 128 As informações podem advir das reuniões informais. 6 O LIVRO ELETRÔNICO COMO ESTRATÉGIA PARA A GESTÃO DO CONHECIMENTO O livro impresso é estático e corre o risco de ficar defasado muito rapidamente. p. pedem conselhos para resolver problemas e perguntam em que os outros estão trabalhando”. de acesso fácil. O compartilhamento do conhecimento pode ocorrer por meio de práticas informais ou formais.

c) conhecimento crítico nas mãos de poucas pessoas. sites). tudo de uma forma agradável. que possa ser utilizado por todas as pessoas da organização. 2004. documentos. 85) O livro eletrônico como toda tecnologia tem seus pontos positivos e pontos negativos. ainda assim seus pontos negativos em sua maior parte . textos. Conforme o autor. Além disso. 2000p. produzidas com qualidade e de forma antecipada. Conforme Santiago Júnior (2004) é possível verificar que A maioria dos problemas sobre a disponibilidade de conhecimentos nas organizações recai nas seguintes questões: a) problemas com transferência do conhecimento. (REZENDE. sobre a socialização. pelos seus colaboradores. vídeos. p. Para o autor: Todo e qualquer sistema que manipula ou gera conhecimentos organizados para contribuir com os seres humanos. pelo aprendizado interpessoal e o compartilhamento de experiências e ideias. nos sistemas do conhecimento são gerados muitas informações com conhecimento agregado. 22-23). d) impossibilidade de medição de uso do conhecimento. as pessoas obtêm conhecimento daqueles que já o têm. no qual o livro eletrônico se enquadra como uma estratégia para a Gestão do Conhecimento. pode auxiliar nos processos (disseminando. livros. externalização. Isso significa a difusão das informações relevantes e úteis.1ª Edição. com as organizações e com a sociedade como um todo. (SANTIAGO JÚNIOR. 2002. De acordo com Rezende (2002) existem os Sistemas do Conhecimento. Teixeira Filho (2000) comenta a necessidade das empresas em relação ao compartilhamento do conhecimento: O conhecimento é transmitido por pessoas e para pessoas. valor agregado. O livro eletrônico pode unir tudo o que foi mencionado por Teixeira Filho. e) perda de conhecimentos relevantes nos momentos adequados. armazenando e atualizando conhecimentos) com o pode agregar todos os “produtos” em si próprio (documentos. Se a empresa seguir as ideias de Nonaka e Takeuchi (1997). f) falta de processos de compartilhamento.Revista Tecnologia e Sociedade . internalização e a combinação poderá registrar tudo isso em livros eletrônicos. através de meios estruturados como vídeos. que podem ser acessados na empresa. agilidade e velocidade de forma cada vez mais crítica (TEIXEIRA FILHO. de conteúdo. ISSN (versão online): 1984-3526 129 oferecer principalmente a atualização de informações. hipertextos. etc. 2012. publicações. (…) As empresas precisam de qualidade. amigável e de acesso fácil e ágil. ou em viagens. p. transformando-as em conhecimento explícito. livros. páginas da Web. inovação. O uso de livros digitais supriria praticamente todas as questões citadas pelo autor. flexibilidade. “trabalhadas” por pessoas e/ou recursos computacionais. como suporte à obtenção da vantagem competitiva inteligente. serviço. de conhecimentos. b) erros devidos à falta de conhecimento. 25). ou mesmo em casa. emails. pode ser chamado de Sistema do Conhecimento.

A figura 2 ilustra a união entre o compartilhamento “informal”. já que o seu aparelho leitor pode ser desde um computador a um aparelho de celular. por meio dos colaboradores. controle de acesso ao conteúdo pelo usuário e pelo moderador. reunião de conteúdos textuais e multimídia.1ª Edição. sua disponibilização ao ativista do conhecimento e o compartilhamento formal. Seu acesso pode ser feito em qualquer lugar. prática do uso de proteção de direitos autorais (improvável num modelo como esse proposto). . esse livro eletrônico seria sempre alimentado pelo ativista do conhecimento a cada novo conteúdo (conhecimento) compartilhado. A unificação de todos os conhecimentos estaria garantida e reunida em um local único de fácil acesso e portabilidade.  Pontos negativos dos livros eletrônicos: necessidade de um aparelho eletrônico para sua leitura. Destacam-se:  Pontos positivos dos livros eletrônicos: portabilidade. convergência de tecnologia. 2012. externalizado e materializado. Desta forma. atualização de conteúdo. disponibilidade e agilidade. falta de cultura em leitura eletrônica. ISSN (versão online): 1984-3526 130 são superados com adequações que podem ser promovidas pelo ativista do conhecimento e pela colaboração de seus usuários. garantindo a mobilidade e acessibilidade do conhecimento que se busca. falta de pro-atividade e interesse do usuário quanto ao conteúdo. que seria a materialização deste conhecimento pelo ativista.Revista Tecnologia e Sociedade . transformando-o em conteúdo de um suposto livro eletrônico que é disponibilizado novamente para todos os colaboradores.

2012. no processo de coleta dos conhecimentos tácitos e a compilação e transformação destes conhecimentos externalizados em conhecimento explícito. levando em consideração os conceitos e métodos sobre a Gestão do Conhecimento. Materializar . para então transpô-los ao e-book. Trata-se de um meio de compartilhamento formal do conhecimento explícito materializado. de forma que este seja fornecido aos colaboradores como ferramenta estratégica para a disseminação formal do conhecimento.Revista Tecnologia e Sociedade . por meio de trabalhos como o do ativista do conhecimento. É muito importante o papel do ativista do conhecimento. também observado por Simcsik e Polloni (2002) e Ichijo (2008). que deve ser o responsável pela concretização das ações necessárias à disponibilização de ambiente propício e ferramentas necessárias à captação desse conhecimento.1ª Edição. bem como a forma como este conhecimento é articulado dentro das organizações. 7 CONSIDERAÇÕES FINAIS O principal objetivo desse artigo foi mostrar uma proposta do uso do livro eletrônico (e-book) como uma ferramenta para a disseminação do conhecimento materializado. ISSN (versão online): 1984-3526 131 Colaborador es Conhecimentos Ativista do conhecimento E-BOOK Disseminação do conhecimento materializado Colaborador es e disseminação de conhecimento por Figura 2: Processo de materialização meio de e-books Fonte: Elaborado pelos autores.

Sendo possível observar que para disseminar os conhecimentos a tarefa de materializa-los é necessária. O resultado obtido com os artigos analisados e com o levantamento bibliográfico mostra que para as organizações o conhecimento é aspecto fundamental para a competitividade e para a própria sobrevivência. a disseminação e a sistematização se fazem necessários para que a complexidade dos processos organizacionais se unifiquem para atingir os objetivos estipulados no planejamento estratégico. 30-31). conforme afirmado por Takeuchi e Nonaka (2008). 18) os conhecimentos tácitos de um grupo de pessoas em uma organização são as competências essenciais da empresa. como afirma Grotto (2003). quando afirma que “há valor óbvio em inventariar esse conhecimento e em usar o poder da moderna tecnologia para torná-lo prontamente disponível a qualquer que seja a necessidade” (SPENDER. auxiliando na tomada de decisões pelo compartilhamento dos conhecimentos. conforme afirmado por Rosini e Palmisano (2008). p. concordando com Muñoz-Seca e Riverola (2004) e a disseminação do conhecimento por meio de e-books pode apresentar-se como uma ferramenta útil dentro das organizações possibilitando resultados positivos e satisfatórios. p. No entanto. o acesso. concordando com Rezende (2002) em relação aos Sistemas de Conhecimento. 2012. ISSN (versão online): 1984-3526 132 esses conhecimentos para disponibilizá-los em e-books torna-se um desafio e um ponto crucial para que a proposta em tela seja concretizada. Desta forma concorda-se com Spender. Desta forma suprem-se as necessidades afirmadas por Santiago Júnior (2004). para que eles possam atingir a todos os objetivos desejados pela organização satisfazendo as necessidades de conhecimentos de seus colaboradores. têm negligenciado a etapa de externalização do conhecimento. Por fim. o processo de materialização. 2010. . Surge neste contexto a preocupação com a espiral do conhecimento.1ª Edição. o compartilhamento. Essa sistematização e seu compartilhamento ocorre formal ou informalmente. uma vez que o conhecimento pode ser acessado pelo usuário utilizando-se de diversas tecnologias desde um computador até um aparelho celular. para tornar o conhecimento tácito em explícito por meio da externalização e indo além se faz necessária a sistematização desse conhecimento. Como afirmado por Fleury e Oliveira Junior (2010. acessibilidade. desta forma o estudo mostra que a organização deve se preocupar com a formalização do compartilhamento dos conhecimentos. o que garante a temporalidade. conforme apresentado e defendido por Nonaka e Takeuchi (1997). integridade do conhecimento que se deseja naquele espaço de tempo.Revista Tecnologia e Sociedade . de forma a atingir as necessidade de compartilhamento de conhecimentos em qualquer organização. isto em tempo real. Neste aspecto a disponibilidade.

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