Revista Tecnologia & Sociedade

Periódico técnico-científico do Programa de Pós-graduação em Tecnologia da UTFPR

No. 14 – 1º semestre de 2012 – Semestral. Curitiba: Editora UTFPR (denominação anterior: Editora CEFET-PR).
ISSN (versão online): 1984-3526

PPGTE - Programa de Pós-Graduação em Tecnologia da UTFPR Av. Sete de Setembro, 3165 Cep: 80230-901 – Curitiba – Paraná - Brasil http://www.ppgte.ct.utfpr.edu.br/tecnologiaesociedade revistappgte@gmail.com

Revista Tecnologia e Sociedade - 1ª Edição, 2012. ISSN (versão online): 1984-3526

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ÍNDICE
Editorial...…...…..............…….……………….....……………………....5 Dr. Christian Luiz da Silva Algunas consideraciones sobre la valoración económica de bienes y servicios ambientales en áreas protegidas. ................... 7 Some considerations about the economic valuation of environmental goods and services in protected area. Alain Hernández Santoyo Mayra Casas Vilardell María Amparo León Sánchez Rafael Caballero Fernández Víctor Ernesto Pérez León A Influência dos Recursos Naturais Frente à Colonização do Vale do Macuri ............................................................................... 17 The influence of natural resources the colonization of the Vale do Mucuri Marcio Schuber Ferreira Figueiredo Cristiane Xavier Figueiredo Análise de patentes de tecnologias relacionadas ao descarte de resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos com vistas à sustentabilidade ambiental........................................................... 34 Analysis of technology patents related to the disposal of electric and electronic equipment waste regarding the environmental sustainability Luciara Cid Gigante Maria Cristina Comunian Ferraz Camila Carneiro Dias Rigolin Bioenergia e resíduos na cadeia de suínos: uma análise de custos e investimentos para transporte de dejetos suínos com posterior geração de bioenergia no município de Toledo/ PR ... 48 Bioenergy and waste in the chain of pigs: an analysis of costs and investments for the transportation of pig manure with subsequent generation of bioenergy in the city of Toledo / PR Sandra Mara Pereira Política Industrial Comum no Mercosul: apontamentos sobre o papel das instituições ................................................................... 67 Common Industrial Policy in Mercosul: notes on the role of institutions Rogério Santos da Costa

Revista Tecnologia e Sociedade - 1ª Edição, 2012. ISSN (versão online): 1984-3526

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Sustentabilidade nas Construções da Copa 2014, em Curitiba . 77 Sustainability on Constructions of the World Cup 2014, in Curitiba Sileide France Turan Salvador Ana Helena Corrêa de Freitas Gil Eloy Fassi Casagrande Júnior A Variação dos Indicadores Básicos do Índice de Desenvolvilmento Humano dos Países Latino-Americanos no Período de 2007-2010: uma Decomposição com uso da Metodologia Shift-Share ............................................................... 92 Variation of Basic Indicators Index of Human Desenvolvilmento Latin American Countries in the Period 2007-2010: a decomposition using the Shift-Share Methodology Bruno Theylon Oliveira Dias Gilson Batista de Oliveira Reflexões sobre a Capacitação Gerencial na Agricultura Familiar Brasileira ...................................................................................... 105 Reflections on management in the Brazilian Family Farming Joelsio José Lazzarotto João Caetano Fioravanço Uso do E-book Como Meio de Compartilhamento Formal e Disseminação do Conhecimento Explicito em Organizações . 115 Use of e-book as formal resource of sharing and dissemination of explicit knowledge in organizations Adriane Ianzen Machado Fabiana Paula Hoffmann Egon Walter Wildauer

desenvolvem um modelo de multicritério como ferramenta para integração de componentes naturais.1ª Edição. Sandra Mara Pereira. desenvolvimento. Os pesquisadores do programa de pós-graduação em Desenvolvimento Regional e Agronegócios. apresentam uma contribuição para o campo de ciência. econômicas e sociais que favoreça a otimização de decisões. O segundo artigo. María Amparo León Sánchez e Victor Ernesto Pérez Léon. 2012. biogás e energia elétrica. Homero Fernandes Oliveira e Weimar Freire da Rocha Júnior. através de monitoramento tecnológico de produtos e processos relacionados ao descarte de lixo tecnológico. Debora da Silva Lobo. em seu artigo “Política Industrial e Comum no Mercosul”. da Universidad Piñar del Río. da Faculdade Presidente Antônio Carlos de Teófilo Otoni/MG. O sexto e sétimo artigos tratam da sustentabilidade como tema central. O quarto artigo trata do tema bioenergia e resíduos na cadeia de suínos. tecnologia e sociedade e sociologia do consumo por meio de uma das metodologias da ciência de informação. Espanha.Revista Tecnologia e Sociedade . coletaram informações relacionadas a 380 propriedades com suínos em fase de terminação e analisaram os potenciais de geração de dejetos. Nesta edição. intitulado “A influencia dos recursos naturais frente à colonização do Vale do Macuri”. O professor do programa de pós-graduação em Administração da Unisul. Os autores Sileide France Turan Salvador e Ana Helena Corrêa de Freitas Gil. Rogério Santos da Costa. há o especial interesse pela relação entre tecnologia e desenvolvimento pelas discussões referentes a temas multidisciplinares. Os quatro primeiros artigos tem a questão ambiental como tema central da discussão multidisciplinar. demonstram a importância dos recursos naturais e sua influência no processo de colonização. como meio ambiente. de Márcio Schuber Ferreira Figueiredo e Cristiane Xavier Figueiredo. relações internacionais e gerencias. doutoranda em política de ciência e tecnologia da Unicamp. O artigo “Análise de patentes de resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos com vistas a sustentabilidade ambiental” avaliou as tendências verificadas por meio de documentos de patentes. sustentabilidade. do Instituto Federal do . Mayra Casas Vilardell. professoras da UFSCar. discute. Luciara Cid Gigante. O autor demonstra que ao invés de ser fator integrar as dificuldades institucionais no Mercosul para a integração política implicam em motivo de instabilidade para o bloco econômico. O primeiro artigo é uma contribuição dos pesquisadores e professores Alain Hernández Santoyo. O sexto artigo denota a questão da sustentabilidade na construção civil. no artigo “Algunas consideraciones sobre la valoración económica de bienes y servicios ambientales em áreas protegidas”. da Universidad de Málaga. Os autores. Maria Cristina Comunian Ferraz e Camila Carneiro Dias Rigolin. e Rafael Caballero Fernandéz. sobre a complexa e interdisciplinar questão da valoração econômica. sobre a importância da política industrial como instrumento de desenvolvimento industrial em processos de integração regional. ISSN (versão online): 1984-3526 5 EDITORIAL A primeira edição de 2012 da revista Tecnologia e Sociedade reforça ser um espaço plural de discussão entre as diversas relações e interações entre a tecnologia e a sociedade. de Cuba.

refletiram sobre a importância da ampliação da capacidade gerencial para fortalecimento da agricultura familiar e possibilitar que este modelo seja efetivamente uma alternativa de desenvolvimento local. Christian Luiz da Silva Editor . Com isso. intitulado “Reflexões s obre a capacitação gerencial na agricultura familiar brasileira”. Contamos com novas contribuições para maior fortalecimento dessa discussão e para que possamos fortalecer o alcance do objetivo da revista: ser uma referencia latino-americana para discussão multidisciplinar no campo de ciência. e Eloy Fassi Casagrande Júnior. Os autores Joelsio José Lazzarotto e João Caetano Fioravanço. mostram como o uso do e-book pode ser utilizado como meio de compartilhamento formal e disseminação do conhecimento explícito em organizações. professor do programa de pósgraduação em Tecnologia. 2012. tecnologia e sociedade. relacionando ao contexto de crescimento econômico destes países. Gilson Batista de Oliveira e Bruno Theylon Oliveira Dias. analisam a função social da construção sustentável na Copa 2012 e a contectividade urbana. Por fim. Os autores mostram que o uso do e-book pode ser uma ferramenta estratégica e tecnológica para agregar valor às organizações. Os pesquisadores da Universidade Federal da Integração Latino Americana – UNILA. Esperamos que esta edição reforce a discussão no campo de ciência. Fabiana Paula Hoffmann e Egon Walter Wildauer. Dr. perpassamos por diversos temas. O artigo “A variação dos indicadores básicos do índice de desenvolvimento humano dos países latino-americanos no período de 20072010” teve o intuito de mostrar como a crise de 2008 afetou não somente a questão econômica como a área social.Revista Tecnologia e Sociedade . econômica e social em seu artigo “Sustentabilidade nas Construções da Copa 2012 em Curitiba”. tecnologia e sociedade incorporando novos pesquisadores e grupos de pesquisas nesta importante contribuição de entendermos os motivos e impactos de nossas ações nas universidades e instituições de pesquisas para o desenvolvimento dos países.1ª Edição. em especial saúde e educação. discutem sobre o índice de desenvolvimento humano para os países latino-americanos. A importância da questão gerencial para o desenvolvimento local é o tema do oitavo artigo. Gestão e Tecnologia da Informação da UFPR. pesquisadores da Embrapa. ISSN (versão online): 1984-3526 6 Paraná. os pesquisadores do programa de pós-graduação em Ciência. Desejamos a todos boa leitura! Prof. relações e interações e diversidade de contribuição institucional para tratar a tecnologia e sociedade sob prismas diferentes e um enfoque multidisciplinar. Adriane Lanzen Machado.

es Víctor Ernesto Pérez León: Dr. Email: santoyocu@mat. Universidad de Pinar del Río.cu Rafael Caballero Fernández: Dr. económico y social. 2012. se dirige a ilustrar la contribución de la valoración económica de bienes y servicios ambientales en áreas protegidas de la República de Cuba. que posibilita la integración de diversos componentes de carácter natural.C Ciencias Económicas. de Matemática.Institución: Centro de Estudios sobre Medio Ambiente y Recursos Naturales. Cuba. Email: maleon@mat. Email: r_caballero@uma.edu.cu María Amparo León Sánchez: Dra.C Ciencias Forestales.upr. of 1 Alain Hernández Santoyo Mayra Casas Vilardell María Amparo León Sánchez Rafael Caballero Fernández Víctor Ernesto Pérez León Resumen La valoración económica ambiental de los recursos naturales. Institución: Dpto. Email: mcasas@eco. Mayra Casas Vilardell: Dra. economía ambiental. Institución: Dpto. Cuba. de Economía Aplicada (Matemáticas). áreas protegidas. Universidad de Málaga.edu. Institución: Dpto. Institución: Dpto.upr.upr.Revista Tecnologia e Sociedade . de manera que se favorezca la optimización de las decisiones a tomar.cu. sino en la búsqueda de un equilibrio sistémico. ISSN (versão online): 1984-3526 7 Algunas consideraciones sobre la valoración económica de bienes y servicios ambientales en áreas protegidas. es sin dudas un importante mecanismo que tributa a favor de lograr una mejor conservación y gestión de los recursos naturales.edu. España. bienes y servicios ambientales. Cuba.cu .edu.C Ciencias Económicas.upr. En el caso de las áreas protegidas. Cuba. no en base a un único objetivo.C Ciencias Económicas. Email: vp_leon@mat. Universidad de Pinar del Río. de Matemática. Universidad de Pinar del Río. el empleo de la modelación multicriterio como herramienta para la valoración económica de Bienes y Servicios Ambientales. Abstract The environmental economic valuation of natural resources represents an important mechanism to get an improvement in the natural resources 1 Alain Hernández Santoyo: Dr. de Matemática. Some considerations about the economic valuation environmental goods and services in protected area.1ª Edição. Universidad de Pinar del Río. Palabras clave: valoración económica. constituye una herramienta útil.C Ciencias Matemáticas. entre un conjunto de ellos. El objetivo del presente trabajo.

2006). p. ISSN (versão online): 1984-3526 8 management. Lo anterior. Se considera que “la valoración económica puede ser útil en la definición de un grupo de prioridades. el diseño de políticas ambientales para regular el acceso y el uso de los mismos y por constituir un elemento esencial para la actividad económica en la actualidad. Así.13). . environmental goods and services. El desarrollo de propuestas de valoración económica del medio natural no resuelve de forma definitiva los procesos de degradación y sobreexplotación de la naturaleza. es una herramienta útil y complementaria en la formulación de políticas a favor de la sostenibilidad (Casas y Machín. servicios o atributos que proporcionan los recursos naturales y ambientales. consiste en asignar valores monetarios a los bienes. the using of a multicriteria modeling as a tool for the economic valuation of Environmental Goods and Services. 1994. so that the optimization of decisions is favored. 2003. La misma constituye un procedimiento dirigido a imputar valores económicos a los bienes y servicios ambientales. Consideraciones sobre la valoración económica ambiental La valoración económica ambiental puede definirse como “un conjunto de técnicas y métodos. 2012. pues contribuye a descubrir el valor económico de las externalidades y de los bienes públicos y a diseñar políticas que prioricen la protección y conservación de los recursos naturales. In the case of protected areas. not based on an only objective. generación de un daño ambiental. la valoración económica de estos recursos resulta necesaria. se dirige a ilustrar la contribución de la valoración económica de bienes y servicios ambientales en áreas protegidas de la República de Cuba. The purpose of the present investigation concerns its attention to present the contribution of the economic valuation of environmental goods and services in protected areas to the Republic of Cuba. políticas o acciones que protejan el medio ambiente y sus servicios” (Cerda. que propone la economía ambiental. 2003). se justifica. que permiten medir las expectativas de beneficios y costos derivados de algunas acciones tales como: uso de un activo ambiental.Revista Tecnologia e Sociedade . Introducción La valoración económica. p. but in the search of a whole balance among a group of them. environmental economy. constitutes an useful tool that provides the incorporation of different natural.1ª Edição. sin embargo. Keywords: economic valuation. protected areas. entre otros” (Azqueta. realización de una mejora ambiental. resumiendo las consideraciones principales compartidas por los autores. por la toma de decisiones sobre los usos alternativos de los recursos naturales.46). independientemente de que estos tengan o no mercado (Castiblanco. economic and social components. El objetivo del presente trabajo.

p. y en tal sentido lograr acciones más racionales en relación al uso y conservación de los recursos naturales. 2009). 2004. comunidades o empresas que originan las diversas posibilidades de uso directo o indirecto. sustentado en la necesidad de encontrar alternativas que permitan estimar su valor. ISSN (versão online): 1984-3526 9 Tomando en consideración la contribución que ella ofrece al proceso de toma de decisiones económicas. que tribute a reflejar una medida de su valor. El simple hecho de que no exista un mercado donde dichos recursos puedan ser intercambiados. Necesidad de la “valoración económica” de bienes y servicios ambientales Al analizar los argumentos sobre la valoración económica. generando utilidad al mismo y no se transforman en el proceso”. la valoración económica de las funciones del medio ambiente se encuentra estrechamente relacionada con el uso racional de sus recursos. en cambio.Revista Tecnologia e Sociedade .1ª Edição. implica un gran reto para la ciencia económica. En correspondencia con ello. la valoración económica constituye una alternativa en la aproximación hacia el desarrollo sostenible La valoración integral de los recursos naturales se convierte así en una útil herramienta para enfrentar la dramática situación ambiental contemporánea. sin afectar el mejoramiento sostenible de las condiciones del medio ambiente” (Martínez. Los espacios naturales. una degradación de los mismos provocaría un efecto directo o un cambio de bienestar. 2004). según Barsev (2002). Los anteriores argumentos. es necesario referirse a algunas peculiaridades de este proceso en el caso de los bienes y servicios ambientales. Es evidente que el propio crecimiento económico conduce a la degradación paulatina de los bienes y servicios ambientales (Tietenberg. que responden a un deseo o una demanda de ciertos grupos de personas. que bien pueden ser criterios de valoración directa o indirecta. se significan los planteamientos expresados en la Conferencia de las Naciones Unidas sobre Comercio y Desarrollo. Se definen los Bienes y Servicios Ambientales (BSA) como “aquellos productos o servicios de la naturaleza. los servicios ambientales se asocian a las funciones ecosistémicas que utiliza el ser humano indirectamente. por lo cual. la forma de medir el valor económico de los BSA puede ser por medio de los beneficios directos o indirectos de los diferentes usos. o medir los cambios en la calidad ambiental en los flujos naturales de estos recursos (impactos positivos o negativos producto de las actividades económicas humanas) (Barsev. cuando . Los bienes ambientales. es por ello que se insiste en incorporar una valoración monetaria. 2012. los cuales son utilizados de manera directa por el ser humano como insumos en la producción o en el consumo. ofrecen una medida de bienestar al ser humano. “aquellos recursos tangibles que brinda la naturaleza. son. De manera oportuna. confirman que los BSA se encuentran involucrados en la actividad económica y al mismo tiempo contribuyen a ella.10). Es por ello que. de modo que se transforman en el proceso.

26) afirman que “examinar el VET de los ecosistemas. En torno a este debate. resulta un tema polémico y para muchos inapropiado. . Como valores de uso. no constituye una propuesta mercantilista. como premisa fundamental hacia un correcto desempeño de la definición económica de valor. el fomento de la capacidad y la asistencia para el desarrollo (Garrido. se identifican dos grupos de valor: los valores de uso y los valores de no uso. implica considerar su gama total de características como sistemas integrados: existencias de recursos o bienes. La definición de valor económico El valor económico de bienes y servicios ambientales. el fortalecimiento de los sectores de BSA reviste gran importancia en los países en desarrollo. 2003. refuerzan la necesidad de la creación de espacios protegidos que permitan controlar el uso de los recursos naturales y sus funciones ecosistémicas. las inversiones. UNCTAD. En relación a ello. mediante el establecimiento de marcos reglamentarios apropiados. Dichas consideraciones conducen hacia la teoría del Valor Económico Total y a resaltar la cardinal idea de que no son solo los recursos de utilidad actual para la especie humana aquellos a los cuales debe atribuírseles un valor. la valoración económica de los bienes y servicios ambientales supone un análisis hacia la concepción relacionada con el uso directo de los bienes y por otro lado hacia el uso indirecto de sus servicios ambientales. sino un nuevo reto para enfrentar la irracional actuación humana convencional. Por su parte. p.17). se definen.Revista Tecnologia e Sociedade . y la economía ambiental se encarga de ofrecer sus aportes sobre la teoría del valor económico. Según lo expresado. la idea de la valoración económica reviste una gran importancia para el manejo de los ecosistemas. en esencia. En este sentido. Emerton y Bos (2004. estos incluyen beneficios directos e indirectos.1ª Edição. se considera necesario hacer una reflexión acerca del concepto de valor económico. 2012. La valoración económica así enfocada. lo que se propone es que los economistas aprecien el valor de los ecosistemas mucho más allá de sus aportaciones en función de materias primas y productos físicos. 2003). ISSN (versão online): 1984-3526 10 reconocían que los Bienes y Servicios Ambientales (BSA) cumplen un papel fundamental en el desarrollo sostenible y por consiguiente. el comercio internacional. Las preocupaciones acerca de la protección y conservación de los BSA. flujo de servicios ambientales y los atributos del ecosistema como un todo”. pues existe una fuerte crítica de carácter ético referente a la propuesta de expresar en términos cuantitativos los valores de estos bienes y servicios. Al respecto el Valor Económico Total (VET) de un espacio natural comprende tanto los beneficios comerciales como los ambientales aportados. como muchos detractores de las metodologías de valoración asumen. al expresar que “es importante destacar que no se está valorando el “ambiente” ni “la vida”. sino que se valoran las preferencias de las personas ante cambios en las condiciones del ambiente y sus preferencias con respecto a cambios en los niveles de riesgo que enfrentan”. En tal sentido. apoyándose en la definición que ofrece Cerda (2003. en particular. p.

e para la pesca son fundamentales las algas)” (Martínez. 2007). El valor altruista. p. 2002. 2004. y es por ello que las técnicas multicriterio favorecen la posibilidad de conjugar indicadores que desde la visión de la naturaleza. constituye un aporte importante en la conceptualización del valor económico en el espacio natural. El valor de existencia se entiende como “el valor de conocer que todavía existe un componente del medio ambiente.Revista Tecnologia e Sociedade . p. .1ª Edição. Con respecto a los valores de no uso. Por valor de legado. a pesar de no ser la única consideración legítima. se señala que “el valor de no uso se refiere a la disposición o deseo por mantener algún bien en existencia aunque no exista un uso verdadero. suponiendo la conciencia del individuo. se entiende aquel “que tiene determinado bien ambiental o recurso natural (valores de uso y no uso) para las siguientes generaciones.5). 2012. de manera que se deriva de la propia existencia del activo ambiental”. p. la propuesta se centra en la inclusión del valor de opción como un valor de uso futuro (Hoyos. posible o planeado.los cuales pueden ser directos (para el caso de un bosque la caza o la madera) o indirectos (p. La modelación multicriterio como herramienta para la valoración económica de BSA La concepción del VET de un área natural protegida demuestra que la valoración económica ambiental de sus recursos naturales representa mucho más que su simple aportación por concepto de aprovechamiento directo. el valor de existencia. por cuanto permite medir y evaluar los cambios ocasionados en el bienestar social de un usuario ante una variación ocasionada en un bien o servicio ambiental así como definir una actuación pertinente ante una situación ambiental dada. se destaca la conciencia del usuario sobre la posibilidad de que la futura generación pueda hacer uso del bien (Leal. En relación a los valores de uso. pues responde a fenómeno complejo sobre el cual se precisa encontrar un acercamiento hacia su verdadero valor. En resumen. 2006. considerando la existencia de tres tipos de valor. debiendo suponer por tanto no sólo los niveles tecnológicos futuros. si se tiene el cuenta el valor propio o intrínseco de muchos bienes ambientales. la sociedad y la economía. el valor de legado y el valor altruista” (OECD.82). 2008). armonicen en visión transversal todos estos componentes.4). El valor de opción se define como “el valor otorgado por la sociedad a determinados elementos ambientales en un contexto de incertidumbre acerca de la posibilidad de usarlos en el futuro” (Gutiérrez y Martínez. En este sentido. sino también escalas de valores y principios morales de los que continuarán” (Uclés. 2007. Es evidente que dicha reflexión conduce a intentar buscar herramientas que permitan la integración de juicios y enfoques en torno a las dimensiones clave de los procesos.2). la valoración económica de las preferencias humanas. está asociado a que el bien en cuestión puede estar disponible para otros en las próximas generaciones. ISSN (versão online): 1984-3526 11 “aquellos derivados del actual uso de un bien o servicio. p. .

permitiendo incluso la realización de análisis de sensibilidad ante variaciones de los datos de entrada (Rodríguez. ya que el bienestar es una variable multidimensional (Corral y Quintero. Actualmente tal modelación está llamada a resolver problemas ambientales al incluir objetivos múltiples en los que se consideren no solo los objetivos convencionales. entre otros.1ª Edição. 2012. los procesos culturales e históricos de su conservación y las potencialidades económicas de su uso sostenible (Corral y Quintero. naturales y sociales. En este sentido. la Programación por Metas Ponderadas (WGP) y otros convencionales como el método de actualización de la renta. Un importante elemento. Caballero et al. estético. Rehman y Romero (2006). recursos genéticos. Tales funciones precisan el examen conjunto y simultáneo de multiplicidad de factores. asociado a esta modelación. (2009). 1993). 2008). Gómez et al. se reconocen notables méritos en sus aplicaciones al tratamiento de problemas ambientales. con la finalidad de conservar y preservar el patrimonio natural y cultural. lo constituye la búsqueda de soluciones a problemas complejos que pueden no ser resueltos por otros enfoques más convencionales. 2000:4). económico y social. para lo cual las técnicas multicriterio resultan de mayor utilidad que otras técnicas posibles. 2007). ISSN (versão online): 1984-3526 12 Tal concepción responde necesariamente a una modelación eficiente y simultánea de dichos componentes que permita encontrar un equilibrio entre los criterios económicos. sino también los de índole social y natural (Cortés y Borroto. lo cual constituye un paso importante hacia el entendimiento de los procesos de uso por parte de las comunidades locales. pued eser posible mediante la combinación de métodos multicriterio como: Análisis de Proceso Jerárquico (AHP). naturales y sociales. (2008). histórico. Una conjugación de criterios económicos. (2005). Como premisa. 2008). . La modelación multicriterio desempeña un papel importante en la planificación ambiental. además permite generar y analizar diferentes cursos de acción en base a múltiples criterios de evaluación. por cuanto estas áreas cumplimentan funciones ecosistémicas muy diversas: la protección de la flora y la fauna silvestre. naturales y sociales).Revista Tecnologia e Sociedade . destacándose los trabajos de Díaz-Balteiro y Romero (2004. soportado precisamente en su capacidad para afrontar problemas marcados por diferentes evaluaciones en conflicto. León et al. o bien pretenden satisfacer en la medida de lo posible una serie de metas asociadas a dichos objetivos (Romero. Al respecto. 2007). este movimiento sustenta que los agentes económicos no optimizan sus decisiones en base a un solo objetivo. resulta de mucha utilidad el empleo de herramientas asociadas al proceso de toma de decisiones. apoyándose para ello en la combinación de múltiples factores. ecosistemas naturales como cuencas hidrográficas y valores de interés científico. los autores comparten la idea de que la valoración multicriterio se convierte en una importante herramienta de análisis simultáneo de múltiples alternativas. sino que por el contrario pretenden buscar un equilibrio o compromiso entre un conjunto de objetivos usualmente en conflicto (criterios económicos. En el caso de las áreas protegidas.

Conservación del ecosistema y turismo) C) Reserva Ecológica (Categoría II. p. los cuales representan las áreas de mayor importancia o relevancia natural y ecológica.1). Conservación del ecosistema y turismo) D) Elemento Natural Destacado (Categoría III. A) Reserva Natural (Categoría I. así como la protección de los valores histórico . provincia de Pinar del Río. Protección estricta) B) Parque Nacional (Categoría II.8% en el mar) en aquellas más estrictas o significativas. rectorado por el Centro Nacional de Áreas Protegidas (CNAP) del Ministerio de Ciencia Tecnología y Medio Ambiente (CITMA) cuyos objetivos fundamentales se centran en: “Asegurar la conservación de los valores naturales más representativos del país con énfasis en la biodiversidad garantizando la estabilidad ecológica y el uso sostenible de los mismos. Dichos espacios naturales están dedicados especialmente a la protección y manejo de los recursos naturales. se distinguen en el archipiélago cubano. provincia de Guantánamo. 2007. ISSN (versão online): 1984-3526 13 Los espacios protegidos en Cuba En Cuba. 2009). p. Conservación de rasgos naturales) E) Reserva Florística Manejada (Categoría IV. Como áreas protegidas con reconocimiento internacional no solo se encuentran las Reservas de la Biosfera. provincia de Matanzas. pues se reconocen otras con la . Conservación por un uso activo) F) Refugio de Fauna (Categoría IV. provincia de Santiago de Cuba.) H) Área Protegida de Recursos Manejados (Categoría VI.1ª Edição. La clasificación de las áreas protegidas en Cuba responde a un sistema propio. en correspondencia con las definidas por la UICN (Chimborazo. las áreas protegidas forman parte del Sistema Nacional de Áreas Protegidas (SNAP). Ciénaga de Zapata (2000). el cual consta de ocho categorías. Cuchillas del Toa (1987).Revista Tecnologia e Sociedade . Conservación y recreación del paisaje terrestre o marino. provincia de Sancti Spíritus. seis Reservas de la Biosfera reconocidas por la UNESCO: Península de Guanahacabibes (1987). el SNAP cubre cerca del 22% del territorio nacional en todas las variantes y categorías y casi el 10% (18.culturales asociados” (Chimborazo. 2012. provincia de Pinar del Río. Usos sostenible de ecosistemas naturales) En tal sentido. De acuerdo con datos ofrecidos por CNAP (2004. Conservación a través de un uso activo) G) Paisaje Natural Protegido (Categoría V. Unidad de Medio Ambiente Pinar del Río. 2007. Baconao (1987). Buenavista (2000). Sierra del Rosario (1985).10).

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Palavras Chave: recursos naturais. com ênfase nos conceitos de local. A existência das cidades e o seu contexto fazem parte deste estudo que utiliza do recurso da revisão de literatura como metodologia. Diretor Acadêmico Pedagógico da Faculdade Presidente Antônio Carlos de Teófilo Otoni/MG. percebe-se. região e território aplicados a esta realidade. Abstract This article was developed in order to demonstrate clearly and objectively. fluvial e sua influência. no que tange ao aumento da população. Cristiane Xavier Figueiredo: Especialista em Docência do Ensino Superior – DOCTUM. . contribuindo para o entendimento acerca da relação direta dos indivíduos e o seu meio ambiente. ISSN (versão online): 1984-3526 17 A Influência dos Recursos Naturais Frente à Colonização do Vale do Macuri The influence of natural resources the colonization of the Vale do Mucuri Marcio Schuber Ferreira Figueiredo Cristiane Xavier Figueiredo 2 Resumo O presente artigo foi desenvolvido no intuito de demonstrar. the influence of natural resources the colonization of the Vale do Mucuri. Especialista em Docência do Ensino Superior – UNIPAC(2006). Bacharel Direito – FENORD(1999). dos mercados e dos recursos hídricos evidenciando uma devastação ambiental. Com o povoamento das cidades. Professor Substituto do Curso de Direito. Bacharel em Direito – FENORD. a devastação ambiental e a conseqüente escassez de riquezas. mercantil. Especialista em Educação e Gestão Ambiental – FAZU(2002). Os resultados obtidos demonstram a importância dos recursos naturais e sua influência no processo de colonização. Professora substituta do Curso de Direito da Faculdade Presidente Antônio Carlos de Teófilo Otoni/MG.Brasil. located in Eastern Minas Gerais State. bem como o desenvolvimento das atividades agropastoril. de maneira clara e objetiva. tendo como base uma análise sistemática e teórica deste processo. A pesquisa foi realizada a partir do estudo acerca da exploração das riquezas minerais aí presentes e os seus desdobramentos. vale do Mucuri. colonização. agropecuários. Bacharel em Ciência Contábeis – DOCTUM.1ª Edição. claramente.Revista Tecnologia e Sociedade . localizado na região Leste do Estado Minas Gerais . reflexos da exploração de recursos minerais. refletindo numa relação entre o próprio indivíduo com seu ambiente. a influência dos recursos naturais frente à colonização do Vale do Mucuri. 2012. Brazil based on a systematic and 2 Marcio Schuber Ferreira Figueiredo: Mestrando em GIT – Gestão Integrada do Território.

ISSN (versão online): 1984-3526 18 theoretical analysis of this process. mercantil. no jequi (armadilha) tin honha (tem peixe). La existencia de las ciudades y de su contexto son parte de este estudio que las aplicaciones del recurso de la revisión de la literatura como metodología. With the settlement of cities. Palabras clave: recursos naturales. The results obtained show the importance of natural resources and their influence in the process of colonization. environmental devastation and the consequent shortage of riches.1ª Edição. in regard to the increase of population. mercantil. region and territory applied to this reality. markets and water resources demonstrating environmental devastation. del devastação ambiente y de la escasez consiguiente de la abundancia.Brasil. The existence of cities and its context are part of this study that uses the resource as literature review methodology. one realizes clearly reflections of exploitation of mineral resources. que na linguagem indígena quer dizer que. región e el territorio se aplicó a esta realidad. A região onde havia maior concentração populacional era a que ia do Peçanha a Itamarandiba. La investigación fue llevada a través del estudio referente a la exploración de los regalos mineral de la abundancia allí y de sus unfoldings. fluvial y de su influencia. reflecting a relationship between the individual himself with your environment. Colonization. vale do Macuri. e daí a Minas Novas. tendo por conseqüência. Tratava-se de uma região procurada por aventureiros que viviam em busca de fortuna e escravos. contributing to the understanding of the direct relationship of individuals and their environment. River and its influence. colocando.Revista Tecnologia e Sociedade . localizado adentro región al este de Minas Gerais . con énfasis adentro conceptos del lugar. la influencia él los recursos naturales lo afronta a colocar valle él Mucuri. 2012. O Povoamento da Região A partir da descoberta do ouro e dos diamantes na região do Alto Jequitinhonha. iniciou-se o processo de colonização regional. agricultural farms. en a lo que se refiere al aumento de la población. o aumento significativo da população. . with emphasis on the concepts of local. así como el desarrollo del agropastoril de las actividades. 1. The survey was conducted from the study on the exploitation of mineral wealth there and their unfoldings. Vale do Mucuri. Key Words: natural resources. as well as the development of agricultural activities. en claro y la manera objetiva. teniendo como base análisis sistemático y teórico de este proceso. el contribuir para el acuerdo respecto a la relación directa de los individuos y de su ambiente. RESUMEN: El actual artículo fue desarrollado en la intención de demostrar.

O povoamento da região do rio Mucuri. à cata de ouro e de esmeraldas. foram tratados como áreas proibidas pela coroa. As investidas ao sertão continuaram do lado espíritosantense”. ISSN (versão online): 1984-3526 19 Chapada. terra nova. não ocorrendo do litoral para o interior.. dava lugar a catas mais profundas e perigosas. Fato é que por não ser inteiramente navegável. o rio Mucuri não promovia o acesso via litoral. como conseqüência. Ocuparam esta região os moradores das tribos Botocudos e Puris. Entretanto. pois o ouro e diamantes mais fáceis ou de superfície.. que era como se chamava a atual cidade de Virgem da Lapa. (PORTO.1ª Edição. o monopólio da estrada para o Rio de Janeiro. “ . Quando a produção dos garimpos e da lavoura começou a dar sinais de enfraquecimento. “As proibições não foram mais fortes do que o fascínio pelas pedras verdes. p. mais férteis são as terras. fértil. assim. segundo a lenda. então governador geral do Brazil. em 1550. objeto de lendárias conjecturas como os da serra das esmeraldas. fruto da prática da roça de toco e das várias safras nos mesmos capões de mata. povoando e explorando regiões muito férteis como as de Itaobim. 1929. Os rios Jequitinhonha e Mucuri. aquela que prometia. assim. pelo contrário. objetos de lendárias conjecturas. p. fazendo brotar desejo e especulações que já eram vistos em diversas áreas de colonização. de Itamarandiba a Virgem da Lapa logo começaram a invadir a mata. principalmente aquelas que têm bosques. Aqueles moradores do Alto rio Jequitinhonha. alcançar a serra das esmeraldas. etc. sob o pretexto de que esta permanecesse com o controle das riquezas evitando. onde as lavouras produziam muito com pouco esforço. melhor controlada. “ outro veio . Este movimento de deslocamento para estes vales durou mais de um século e se deu inicialmente pela barra do rio Araçuaí e Jequitinhonha abaixo. afastando invasores que pudessem ameaçar o metal cobiçado. assim como o contrabando e o tráfico de escravos. 29). Berilo e finalmente São Domingos. 2005. recommendou a Thomé de Souza. que mandasse alguns homens pelo sertão dentro a descobrir minas e saber se havia aí ouro. mas especificamente do seu mais importante afluente.Revista Tecnologia e Sociedade . João III. por vezes. ” (RIBEIRO. sem dono. 1994. o rio Todos os Santos. Almenara e Salto da Divisa. despertaram a cobiça do rei que. p. ou seja. farta. participando-lhe que os bugres falavam da existência de uma serra resplandecente junto a um grande rio. se deu de forma inversa. quanto mais próximas das águas. (ESPINDOLA. assim como o rio Doce. 30). aberta pelas bandeiras e. 2012. chamados capões. As notícias transmitidas por Felippe de Guilhem a D. vindo de Minas Novas e passando por Americaninha. a redução desta já era visível.. Impunha-se. e a lavoura minguava pela baixa fertilidade do solo. pois sua trilha original nasceu na cidade de Araçuaí. pouco explorados até a segunda metade do século dezoito. Jequitinhonha. o contrabando e invasões estrangeiras. Cabe ao município de Theóphilo Ottoni a glória de ter sido um dos primeiros pontos do território brasileiro visitado pelos expedicionários portuguezes.nas grotas.. 3).

Antônio José Coelho. tendo uma intimidade. destacou três regiões: Alto Jequitinhonha. XIX. e. p. depois ao Alto Jequitinhonha pela exploração do ouro e diamante. equivalente a 15% da área segundo RIBEIRO (1994). iniciando-se então a colonização das demais regiões. mesmo antes de serem abolidos. primeiro para o rio Doce. O rio Cricaré. p. Setúbal e pelo Alto dos Bois” (RIBEIRO. em 1850. “. o sistema agrário se deu através das fazendas. mais tarde. Mucuri e São Mateus (Cricaré)” (ESPINDOLA. levando consigo seus familiares. p. permanecendo elas nos locais das minas. p. por último. hoje S. O povoamento. A população foi se refluindo. buscando-se outras possibilidades. partindo da idéia de como a economia forçava a integração. cuidando da extração de ouro e pedras preciosas (PORTO. segundo RIBEIRO (1994. Diferentemente do latifúndio da cana-deaçúcar e café. sendo este mais insalubre e perigoso. Daí aparece três fluxos de povoamento: o primeiro do Cerro para o Rio Doce. extração de madeira e sistema de subsistência (1994. de Araçuaí para o baixo Jequitinhonha. teria sido o primeiro morador fixo em Teófilo Otoni. direcionava-se as explorações para o rio Doce e Mucuri. de acordo com o historiador Godofredo Ferreira para montar a Fazenda Mestre de Campo. Mais do que isso. rumo ao povoamento destes vales. durante 100 anos avançou em direção a Diamantina. O sistema agrário. e. mas poucos fixavam moradia. 2005. depois para o baixo Jequitinhonha e o terceiro para o Mucuri.Revista Tecnologia e Sociedade . 7). escravos e índios. 18). 21). “Entretanto. e após os 100 (cem) anos de exploração. 2012. não existia abundância. e. Entretanto. numa serra situada na confluência das bacias dos rios Doce. XVIII e início do sec. Digne-se que nas regiões espírito-santense e de Manhuaçu. 1929. quando relacionadas com a direção do avanço da colonização. e a dispersão populacional buscando outras atividades. criava-se todo o processo de insatisfação do agrário. em direção ao vale do rio Mucuri. 31). A ordem cronológica desta arrancada. 2005. a produtividade já dava sinais de estagnação. no do chapadão do alagadiço para o Mucuri. 1994). ficariam muito prejudicadas e impedidas. foram exploradas pelo Mestre de Campo João da Silva Guimarães. no início do povoamento do Alto Jequitinhonha. estradas e descobertas de jazidas. ISSN (versão online): 1984-3526 20 colonizador pelas cabeçeiras dos Rios Fanado.1ª Edição. 2005. todos intencionados na descoberta ou “por caminhos onde mais tarde se encontraram as pedras verdes.. Matheus. o segundo de Minas Novas. 37). se deu na ordem seguinte. sendo o centro econômico e. era de subsistência nas grotas. permanecendo o Mucuri ainda não explorado até fins do sec. no vale do rio Mucuri. . Muitos foram os colonos a se aventurar na abertura de novas terras. os atos proibitivos perderam força e..assinalando claramente o interesse pelas esmeraldas. tem suas nascentes no município de Theóphilo Ottoni. as quais. p. médio Jequitinhonha e o Mucuri. p. aos primeiros sinais de esgotamento das minas. A exploração mineral se deu com maior intensidade na cidade de Ouro Preto. o governo colonial tornou a se interessar pelo território coberto pela Mata Atlântica ” (ESPINDOLA. refere-se às minas da Serra das Esmeraldas (ESPINDOLA. 35).

Ainda segundo PORTO (1929. ficando impedidos de prosseguir.acabamos de transcrever de trechos do relatório de João da Silva Santos. 12 e 13). de acordo com as informações colhidas de pessoas de sua expedição. caminhando para o esgotamento em uma terra super partilhada dentro da mesma família. como se sabe. O interesse de Theóphilo Benedicto Ottoni. Partia da Vila de São José de Porto Alegre (Barra do Rio Mucuri/BA) indo a Nanuque. aquelles sítios foram “os de sua antiga residência e de mais outras nações – Maconim – Capoxes – expulsos pela fereza do gentio Botocudo. Estes nunca existiram além da imagem construída no final do século 18 e princípio do 19” (ESPINDOLA. subiu ao cume de uma grande pedra (Pedra d’Agua) e observou que as margens do dito rio eram ocupadas por capoeiras. etc. mas que teve o mesmo relacionamento com a mata (do interior para o litoral) de quem povoou o Mucuri. Todos os Santos. 2005. p. a principiar pelos rios Pampam.. pelo fim da preação. eram três. inicialmente. onde.. também as lavouras. sendo: as lavras. a aldeia do bárbaro gentio. 1929. da inospitalidade das matas muito fechadas e da violência das guerras que travavam com os índios. os quais. D’ahi não passou João da Silva Santos porque não faz menção dos principais afluentes do rio Mucury. p. depois de ter denominado de pedra d’Agua a um dos ribeirões encontrados e de fazer explorações nos terrenos marginaes ao Rio Mucury. deixando Minas Novas. Os objetivos dos colonos dentro das matas. marcada pela grande prosperidade e na necessidade de apertar a população para a busca de novas terras e. . Por informações do índio que lhe servia de guia. a seis léguas de distância que encontrou. 13 e 14) tinha outra frente de colonização do litoral rio acima até a cachoeira de Santa Clara. 2012. (PORTO. 16). 27)..Revista Tecnologia e Sociedade . Mais tarde.índios antropófagos. ficou com a denominação de Mestre de Campo. acreditava alcançar uma potencialidade de 100 mil consumidores a partir da cidade de Minas Novas.. (PORTO. . ponto inicial de sua excursão. cujo destino era explorar amethistas nas circunvizinhanças do córrego do Ouro. era um processo sofisticado. baseado no comércio. costume que existia até o final do século XIX. onde hoje está estabelecida a Colônia Francisco Sá. 1929. havia um projeto colonizador de Ottoni. p. Acreditava também que com o monopólio da Companhia Vale do Mucuri. estas no Alto do Jequitinhonha. pois acreditava-se que existia uma riqueza absoluta e inexplorada. que não era um processo diverso como dos outros colonizadores. terror dos brancos e dos outros índios. sendo que já ali habitou um João da Silva com escravos em outros tempos”. Porém. p. estão bem para cima. por último. onde se buscava o índio para civilizá-lo e o colocava para trabalhar. em razão da febre amarela. isso estimulava a aventura. obteria grande sucesso. vemos que ele subiu o Mucury até as cachoeiras e foi deste ponto.1ª Edição. veio ter ao Valle do Mucury. uma grande fazenda aberta no valle do Mucury. ISSN (versão online): 1984-3526 21 Teixeira Guedes. os Botocudos “.

em quantidade crescente. A bem da verdade. Os mineiros sempre tentaram tratar Minas como uma unidade forte e sempre com altos interesses de negócios para o restante do país. Tomando o caminho da Itira. p. O período de estagnação. 2005. tanto por caminho terrestre como pela navegação. o Vice-Rei Vasco Fernandes. Os vales dos rios Doce. 49). do alto Norte: Espinosa. 2005. Pouco depois de chegados ali encontraram algo muito pior que a seca: a varíola. (RIBEIRO. fugindo da famosa “Seca do noventinha”. ilhas progressistas “na transição da economia de base da mineração para a agropecuária. Ainda sustentava-se a idéia de que com o escoamento da produção e que somente com o comércio do sal. o comércio não atingiu patamares especulados e o rio Mucuri não era totalmente navegável. concedendo-lhe o título de “superintendente de todas as minas que ele descobrir. A primeira grande leva deles desceu do rio Pardo. ou cortando os vales dos rios Jequitinhonha e Pardo pela borda oeste da floresta” (ESPINDOLA. e faziam sua primeira parada no Comercinho do Bruno. que era como se chamavam Pedra Azul e Itaobim. visava converter-se numa unidade econômica e política. p. chegavam às cabeceiras do Mucuri e posse. construída meio na marra e chamada de mineiridade. Vinham em grandes grupos. Já no final do século dezenove começaram a chegar à mata os baianos. pela Fortaleza ou São Roque. “A comunicação com a Bahia era feita pelo rio das Velhas e o São Francisco. ao invés de proibir. levaram então as famílias para o vale do Mucuri (Filadelfia). poderiam abrir posses nos capões do alto Jequitinhonha. ou por sua ordem descobrirem nos distritos e cabeceiras do rio São Mateus”. pois Minas era um adensamento de várias regiões autônomas que sobreviveram e desenvolveram-se independentemente. 19). pois vários fatores não contribuíram para sua efetivação. 30). haveria a sustentabilidade da Empresa. boa parte era mineiro mesmo. p. acreditavase que. após a saída de Ottoni.Revista Tecnologia e Sociedade . passavam pelo Araçuaí. 2005.1ª Edição. deixavam para trás o vale do Jequitinhonha. 29). Taiobeiras. Em 1728. mandou em diligência Braz Esteves Leme. ISSN (versão online): 1984-3526 22 Confiante no relatório fantasioso do engenheiro Pedro Victor Renaut. . Não deu certo. configurou-se a diferenciação regional que caracterizou Minas Gerais no século 19” (ESPINDOLA. as duas secas no agreste baiano (1890 e 1930) e a baixa produtividade nas grotas do Jequitinhonha. da Mata. 1994. que o rio Mucuri era completamente navegável e que o mesmo daria suporte para a exportação da farta produção local e importação. fosse possível evitar uma viagem comprida do Rio de Janeiro/RJ até Minas Novas/MG. p. depois de receber notícia que ao norte do rio Doce descobriram-se algumas esmeraldas de muita dureza e de cor muito clara. nem todos eram baianos. Salinas. Como a terra lá era mais fraca. pois o desinteresse do governo geral pelo projeto. Alí escolhiam caminhos: das gerais. que grassou por uns três anos em todo alto Mucuri. liquidando moradores às centenas. de 1890. Mucuri e Jequitinhonha. assim chamado. na verdade não foi o período assim transicionado. pela Itira. (ESPINDOLA. muitos seguiam em frente. assim. 2012.

1929. com pequenos sintomas de desenvolvimento. partiu de Ouro Preto. é a primeira grande obra na Região do Vale do Mucuri. No ano de 1881. como muito bem disse o Dr. após o desmatamento e a sequência de replantio reduziram-se. habitada por indígenas selvagens de tribos diferentes. (RIBEIRO.1ª Edição. Em 1811 o coronel Bento Lourenço Vaz de Abreu e Lima fez exploração de uma estrada pelo Valle do Mucury até S. 2012. mais precisamente de Araçuaí/MG a Caravelas – Ponta de Areia/BA. em 1847. outra grande e importante estrada é iniciada. Malali. Então. João VI. a estrada de rodagem de Santa Clara a Teófilo Otoni. Teófilo Otoni e Araçuaí – Jequitinhonha e Mucuri. o qual mandou abrir uma estrada que de Minas Novas se dirigisse ao Oceano.. foi construída a estrada de rodagem “Estrada do Boi”. . onde há centralização da atenção econômica e política. foi a primeira rodovia do Brasil Império que.Revista Tecnologia e Sociedade . p. Em substituição a esta importante ferrovia. Maxacali que nela circulavam.. as obras da Estrada de Ferro Bahia-Minas (EFBM) tinham o objetivo de ligar o interior de Minas a Bahia. com autonomia local pequena. pretendendo ligar o norte de Minas ao litoral. pp. o Mucuri era diversificado e autônomo. sendo esta viagem de grande importância para o estabelecimento da Companhia do Comércio e Navegação do Rio Mucuri. José do Porto Alegre. 30 e 31) relata o empenho do Governo da Província de Minas. sucumbiu-se ao eixo nervoso administrativo e político-econômico. 1994. o Conde de Barca. Para construírem uma estrada. em 22 de janeiro do ano de 1836. Até 1950. “Essa expedição. a apartação não resiste a um exame da história de duas ou três gerações para trás. segundo CERQUEIRA NETO (2001. alvo de aglomeração do povoado. a partir de 1955. pp. Miguel de Teive e Argollo. ISSN (versão online): 1984-3526 23 A colonização do vale do rio Todos os Santos. 19). As condições de renda e poder econômico que haviam comportado com altíssima produtividade agrícola e pecuária no primeiro ciclo. porém. em traçar uma via em apoio à comunicação entre a região decadente de Minas Novas e o porto. por Ottoni. sendo a criança que fez Teófilo Otoni. que depois foi esquecida. . o que seria a salvação da região em local denominado Philadelphia (Teófilo Otoni). com governo Kubistchek. que veio de uma formação extrativista permanece. que ligava Caravelas. Construída por Ottoni. a relação do homem com o vale do Mucuri. Embora os dois Jequitinhonhas sejam hoje diferentes e separados. pois numa baixada que fica entre o rio Santo Antônio e o rio Todos os Santos. entre si e do Mucuri. sendo Botocudos. o engenheiro Pedro Victor Renauld.a estrada de Ferro Bahia e Minas. em opúsculo “Viação Férrea do Norte de Minas” attrahiu a attenção do ilustre ministro do D. p. foi aberta densa mata. Em seguida. segundo PORTO (1929. 17). 29. com 578 km de extensão. mas logo o declínio econômico aparece. O mesmo se deu com as reservas ambientais. E. 30 e 31). (PORTO. indo até o litoral. e os dois ao mar e ao mundo – simbolizou essa união de origem.

veio arrasando também com queimadas toda esta área que se diz superior a 60 alqueires. recolhendo todas as águas das chuvas que se infiltram e alimentam. inclusive para que os índios não se aproximassem pela densa mata e pudessem ver e cobiçar as bugigangas do seu comércio. Pela ação da própria natureza tudo melhora. procedendo como um elemento perturbador. Tinha uma boa escravatura e com ela fez a grande derrubada nesta confluência dos rios acima citados. que é a criança que se fez Teófilo Otoni foi aberta desta mata densa de que já se escreveu anteriormente. superando muitas dificuldades. “A marcação da Rua Direita. O homem continua agindo e maltratando a natureza com seus atos predatórios. Na cidade de Teófilo Otoni temos as provas dos mais duros golpes dados contra a natureza. Perobas e os Jacarandás milenares. 1992. na superfície das águas? (LORENTZ. p.). 1990. negociante em Grão Mogol. significam que as terras de sua bacia estão com a vegetação intacta. mas não é suficiente para o bem geral do todos. (LORENTZ. os rios traduzem a grandeza de uma região. negociante em Grão Mogol. a cantar radiantes. Tinha uma boa escravatura e com ela fez a grande derrubada nesta confluência dos rios. a que se destinava todo o empreendimento” (LORENTZ. feita pelo Engenheiro Alemão então pode ser traçada e concluída e montados os seus barracões para a instalação da Empresa Mucuri. para poder servir de ponto de referencia e de negócio.Revista Tecnologia e Sociedade . incluindo gigantescos Jequitibás. superando muitas dificuldades. Daí sugerir que o homem agiu alucinadamente ao destruir a floresta para povoar. o Sr. volumoso e agressivo. 54). ISSN (versão online): 1984-3526 24 Ottoni contratou um cidadão insolvente na corte. portanto. . inclusive para que os índios não se aproximassem pela densa mata e pudessem ver e cobiçar as bugigangas do seu comércio. Esta ocupação da mata virgem. 34 e 35) Uma baixada que fica entre o Rio Santo Antônio e o Rio Todos os Santos foi alvo de aglomeração de povoado. o povoado de Philadelphia das Minas Gerais.1ª Edição. incluindo gigantescos Jequitibás. p. 1992. Se são volumosos e se conservam o volume. com seus barqueiros que chegavam e partiam no transporte de mercadorias. 2012. o senhor José Pereira da Silva. habitada por indígenas selvagens de tribos diferentes que ali circulavam. com vinte metros de largura e a profundidade regular de um metro e meio. Sempre abrindo e derrubando a mata margeando o rio e afora. Perobas e os Jacarandás milenares. Ottoni contratou um cidadão insolvente na corte. Uma simples pergunta abre o caminho para um entendimento triste e acabrunhador: Onde está o rio Todos os Santos. arrasando também com queimada toda a área que se diz superior a 60 alqueires. praticamente um vivente irracional. José Pereira da Silva. não diferente das demais. Assim.

ofertando as mais diversas e valiosas espécies de madeiras para o ofício. 35). a educação ambiental que chega aos países do primeiro mundo desde a década de 1970. tornase imprescindível tratar e discutir a questão relacionada à devastação ambiental e seus reflexos regionais. . Instalou aí sua serraria. ISSN (versão online): 1984-3526 25 2. deformando a paisagem natural no centro da cidade e nas elevações que a circundam. política. 1992.Revista Tecnologia e Sociedade . sendo inaugurada em 1912 com o nome de Serraria Industrial do Mucuri. Na volúpia de destruir. mas a revolução que se trata nesse caso. na maioria. O desenvolvimento direcionou-se também para a economia. verifica-se que quando se passa pela região. o homem agiu alucinadamente. Sedento de destruir. no caso ambiental. conflagração. o monumento do fundador da cidade. O serrador João Américo Machado. Portanto. a devastação das florestas foi responsável tanto para mudar o aspecto paisagístico como também a economia que girava em torno das serrarias e. de colonização de área para implantação de processos econômicos e instalação de cidades. para a construção da cidade ou abertura das rodovias. A vegetação natural é bastante rica e variada: grandes florestas equatoriais. cultural ou científica. observa-se que apenas algumas manchas de mata ainda resistem. sendo “revolução armada. como no caso de Teófilo Otoni. transformação radical na estrutura econômica.” Seria um movimento para tumultuar a estabilidade ou requerimento de direitos negados pelo Estado. sem necessidade. nas estradas. atinge o mesmo espírito.1ª Edição. a exemplo de como a política chama de revolução nos dicionários. pois nesta região havia uma mata só. aglomeravam-se em Nanuque. o signo da preocupação ou da forma de desejar o bem comum na relação com os recursos. É bem verdade que boa parte dessa vegetação já foi devastada pela ação antrópica sob forma de desmatamento para a formação das pastagens ou plantio nas fazendas e ainda a exploração de minerais ou pedras preciosas. tratam da conservação do patrimônio ecológico. em se tratando de casos específicos dessa região. 2012. A maneira com que as pessoas interessadas no assunto. revolução seria o movimento de evolução dos métodos com os quais a proteção se manifesta na sociedade. juntamente com ela a devastação das matas da região do Vale do Rio Mucuri. Entretanto. ou ainda. o restante é um campo aberto de colonião ou brachiaria. com seu empreendimento deu o pontapé inicial para o crescimento da cidade. Destruiu a floresta e com ela os animais de caça. p. e. destruiu mesmo. mas também alcançou os países subequatoriais da mesma forma. social. (LORENTZ. Ocorreu a ampliação de muitas outras serrarias que se instalaram posteriormente. em Caixa D´ Água (Nanuque). cerrados e campos. cidade que foi fundada em 1911 por um madeireiro experiente vindo do Espírito Santo. apesar de apresentarem problemática diferente. A exemplo da região em destaque. A Devastação Ambiental e Seus Reflexos Regionais Neste contexto. Em verdade. destruiu os rios e acabou com a pesca. diverge de um modo completamente diferente das demais discussões sobre estruturas diversas da sociedade. florestas tropicais.

Revista Tecnologia e Sociedade . subequatorial. ora verso da capa do livro Zoneamento das Águas (MACIEL Jr. garantir..” (ALVES. A Influência dos Recursos Hídricos Os rios que fazem parte da Bacia do rio Mucuri. 2001). A intensidade e o volume de suas águas dependem basicamente das chuvas. além de dar origem aos cursos d água. 1994. Conservar neste caso. apresentam o elemento água escoando em grande velocidade e com aspecto cristalino. com características de integração e sustentabilidade requer garantia da segurança da produção de água em quantidade e qualidade satisfatória. p. não significa guardar. O desenvolvimento dessas regiões. mas para as quais temos a obrigação de deixar um meio ambiente sadio. seus principais afluentes. “Uma propriedade com pouca ou nenhuma produção de água. (VESETINI. são normalmente caudalosos. nos presenteia com inúmeras paisagens. “. por serem geralmente montanhosas. objeto de admiração e não podemos nem pensar o que seria do ambiente sem a presença imponente das cachoeiras onde a natureza mostra sua força. recursos para as populações futuras.. praticamente extintos ou convertidos em canais de esgoto. 2000). visto a olho nu.. A pressão sobre os recursos hídricos faz com que se desperte toda uma especial atenção sobre a região montanhosa onde começam os cursos d´ água. 247). estão localizados em região tropical. as novas gerações que ainda não nasceram.1. ao uso e a perenidade. segundo VESENTINI (1994). este fato de conversão dos volumosos e cristalinos recursos hídricos em. 2000. e. ISSN (versão online): 1984-3526 26 Conservacionismo ou conservação dos recursos naturais é o nome que se dá a moderna preocupação em utilizar adequadamente os aspectos da natureza que o homem transforma ou consome. passar por . um espetáculo. A natureza deve ser consumida ou utilizada para atender às necessidades do presente. certamente não poderá ensejar a execução de algum empreendimento” (CASTRO. futuro. situados no Leste de Minas.1ª Edição. são rios de regime pluvial. perceber que a paisagem rio acima é dinâmica. 2012. Foi somente a partir da degradação do meio ambiente pelo homem – e da extinção de inúmeras espécies animais e vegetais que surgiu essa preocupação conservacionista. Apesar de uma grande parcela de pessoas ignorarem a atual situação dos mananciais de água e a redução de sua produção. 09) Mas a interferência do homem tem quebrado o equilíbrio natural..a micro bacia. com capacidade de atender a demanda atual e. numerosos e nunca secam ou congelam. o que poderá transferir para as gerações futuras uma situação de convivência indesejável no que se refere à disponibilidade e à qualidade das águas. e sim utilizar racionalmente. A proposta imaginária é de partir da foz do rio para o interior. A beleza das águas nas nascentes proporciona uma paisagem. a formação das nascentes. em especial a micro bacia do rio Todos os Santos. p. e. 2. pois. existe de fato. ou seja. segundo os fundamentos da legislação ambiental.

Revista Tecnologia e Sociedade . p. citado na Bíblia. 09). elemento purificador. “Bacia Hidrográfica refere-se à área do terreno que coleta e infiltra a água da chuva. será também mais abundante sua capacidade de coletar a precipitação. onde o “Senhor Deus fez brotar da terra toda s orte de árvores de aspecto agradável e de frutos bons para comer. 2000. que. importante verificar topos de morros.. há de encontrar alguma. 9). que devido a sua escala. Quando a área de drenagem de uma bacia hidrográfica. que pode geralmente localizar-se sobre o lençol freático e/ou lençol artesiano. As micro bacias. Em relação às sub-bacias hidrográficas.” (CASTRO. pois os olhos d água e os difusos brotam vindos do interior da terra. Comparado ao Jardim do Éden. p. Mas. de menor declividade. é necessário compreender a existência de vários fatores responsáveis pela origem destas nascentes: o ciclo hidrológico. destacada pela área mais plana e baixa. estrutura dos solos e armazenamento. e perceber algo comum entre elas.1ª Edição.. Segundo CASTRO (2001). vale observar as regiões montanhosas. “As micro bacias ou bacias de cabeceiras. pode-se dizer que aí se formam as bacias de cabeceiras onde encontram as nascentes. As nascentes são os locais onde jorra água através da superfície do solo. ISSN (versão online): 1984-3526 27 afluentes menores. Já a área superficial desta bacia. 2001). formam um verdadeiro jardim natural. . que bem menores e em regiões mais altas. não sendo áridos. (ALVES. facilitam a percepção humana como unidade paisagística. senão várias nascentes provenientes de um aqüífero freático que viera de uma reserva da precipitação que caiu e se alojou. 2012. 2000. suas encostas e os vales que por pequeno que seja. conforme visto no parágrafo anterior como divisor topográfico. ambiente responsável pela origem da água. p. que darão origem as nascentes” (CASTRO. mas ao sair dos rios principais e encontrar ribeirões e córregos. após percolar por seu solo poroso e independente do seu tamanho e seu volume sendo interligados como Bacia Hidrográfica. nota-se que esta é a linha que limita a área de drenagem e corresponde ao topo das encostas. é maior. o ambiente das micro bacias deve ser considerado como verdadeiro santuário ecológico”. sendo que o divisor freático fica abaixo da superfície do solo e direciona a água percolada. depois continuar esta mesma empreitada. 22) e a bacia hidrográfica é formada por diversas bacias menores de seus afluentes que se denomina sub-bacias hidrográficas. que abastece os reservatórios subterrâneos de água. e de onde saía um rio para regar o jardim”. de topografias irregulares. Ainda sobre a ótica das divisões e subdivisões por divisor topográfico.” (ALVES. que formam as nascentes e drenam córregos e riachos. denomina-se de “área de contribuição dinâmica. 2001. e pode-se concluir que estas são provenientes de reservatórios subterrâneos. são pequenas áreas de terras localizadas em regiões montanhosas.

e. são alento àqueles que acreditam num futuro saudável. Para tanto. desmatamento. não conseguem atingir a idéia de torná-los semelhantes ao que eram no passado. as matas ciliares ou ripárias. O ambiente destacado envolve centenas de propriedades rurais nas quais dezenas delas foram visitadas e selecionadas a fazer parte dos relatos de parte deste trabalho. Os processos de renaturalização e revitalização através da engenharia ambiental e outras profissões afins. que condicionam sua degradação enquanto elemento da natureza. O Rio Todos os Santos Tratar especialmente do Rio Todos os Santos. maior e principal afluente do Rio Mucuri que dá nome ao vale. pois faz parte de um projeto para o futuro. por fim. lúdica e de lazer e entretenimento que os rios podem proporcionar. principalmente na área urbana.1ª Edição. levam a perda da qualidade de vida das pessoas que dependem de suas águas. ISSN (versão online): 1984-3526 28 3. Estas condições impostas aos rios e córregos na área urbana. designados a conviverem com seus recursos. torna-se necessário obter relatos de pessoas que vivem nessas áreas. nos olhos d água. pois. nas áreas de suas nascentes é uma forma de transferir para este relato. que estão. . mas também com as informações sobre as nascentes. uma oportunidade de poder visualizar o estado em que se encontra sua cabeceira. incluindo as nascentes difusas e olhos d água. as regiões de contribuição dinâmica. Uma delas motivada pelo número de pessoas que interferem nos processos. Pensar rios e córregos na atualidade é deparar com várias correntes que defendem todo tipo de intervenção. localização e até mesmo averiguação nas encostas. Característica diferente do que ocorre na área rural e região de cabeceiras. retificação. na qualidade da água natural como condição de saúde e no resgate da função simbólica. de certa forma. o que poderia divergir dos objetivos gerais e específicos que contornam este estudo. estão lutando pela sua condição de defensores contra a degradação que impõe a ocupação antrópica. como é o caso das cidades da região desta micro bacia do vale do Rio Todos os Santos. prende a pesquisa ao estudo dos recursos hídricos e prorroga para mais distante a relação das pessoas com este meio ambiente. mas que na sua maioria. desprovida de outros centros de lazer. assoreamento. porém. conota uma configuração empírica à parte deste capítulo. Diante desta característica. o que se pretende com este entrelaçamento não é somente o relacionamento pessoal. que são a canalização. e em especial. Tudo que envolve as matas de topo. navegáveis e rentáveis como fonte de alimentos na atividade pesqueira. emissão de efluentes entre outros meios impeditivos de retorno. Esta experiência colocada à disposição em dados sobre a quantidade. na área urbana.Revista Tecnologia e Sociedade . As atividades antrópicas impõem para satisfação de seus projetos. os cursos d água são objetos de estudo de nascentes. 2012. os impactos são intensos. caudalosos e límpidos. pelo aumento da população no século passado e pela implantação de indústrias.

Destaque para o esgotamento de brejos nesta região já abaixo da nascente. EMATER-MG e COPASA. 3. Sebastião Rodrigues dos Santos. muita vegetação ainda conservada. Descrição de Alguns Afluentes Os dados descritos abaixo foram coletados em várias visitas in loco e não apresentam localização geográfica. nos fundos da casa do proprietário. com a finalidade de utilizar a área esgotada como pastagens. Esta área cercada por montanhas tem eminentemente característica de arrecadadora de água para a formação do lençol freático. a Prefeitura de Poté. Tendo todo cuidado com o cercamento dos olhos d água com postes de eucalipto. No município de Poté. cuja atividade com o gado é a principal das propriedades. todas com as mesmas características. ISSN (versão online): 1984-3526 29 Já o estado em que se encontram as regiões de cabeceira dos principais afluentes do Rio Todos os Santos. propriedade do Sr. o precioso e importante produto que dispõe sem nenhum ônus para aqueles que utilizam na lavoura e uso doméstico. já se contempla nesta micro bacia por mais 5 (cinco) nascentes. e. rebaixando e alinhando com o retilineamento do curso do rio. não sofreu intervenção antrópica de forma contundente. que já se fazia devido à importância para esta propriedade e as demais do recurso hídrico que aí se inicia. 2012.1ª Edição.Revista Tecnologia e Sociedade . Ainda há pouco tempo atrás. tem uma vegetação diversificada.1. o entorno das nascentes. prontas para receberem em sua sinuosidade e pequenas cachoeiras. o primeiro filete do rio já com uso doméstico. havia cultivo de café. têm preservados todos os topos dos morros e baixada. logo abaixo uns 100 (cem) metros do primeiro olho d água. Rio Valão e o Rio Todos os Santos. subafluentes do Rio Mucuri leva a preocupação com os aspectos ambientais de desmatamento descontrolado. Ainda nesta propriedade. com aproximadamente um milhão e setecentos mil pés desta planta. queimadas. pois tem a forma côncava e a presença de um único corredor de saída para o curso do rio que aí nasce sob a forma de olhos d água. devastação que tem atingido regiões que abrangem as matas dos topos das montanhas. fica numa bacia formada pela vertente topográfica dos Rios São Mateus (Cricaré). que foi completamente arrancada e substituída por capim . proporcionando uma redução do volume d´água que depende destes fatores. arame e ajuda de voluntários. onde orientações permanentes têm sido formuladas no sentido da continuidade da preservação nesta área. só usa madeira seca. pode ser vista a primeira nascente do Rio Todos os Santos. mas o sentido em que se encontram. A área de contribuição dinâmica da nascente principal do Rio Todos os Santos. direcionam sua orientação rumo às propriedades que estão abaixo. vindas de outras propriedades. A força do Todos os Santos começa com alguns riscos semelhantes a uma cadeia de neurônios que vão se interligando para formar o curso d água. matas ciliares. seja através de manejos inadequados ou como fonte de melhorar e especular o valor das propriedades rurais. Num espaço pouco mais de 500 (quinhentos) percorridos.

Num trajeto sinuoso e longo. Foi desmatada toda a propriedade. lavoura. que irá se fortalecer com mais duas nascentes bem próximas. viaja-se muito até o local importante para a população urbana. evidencia seu porte. e a segunda com o espelho d´ água maior rodeada de pastagens e pouca vegetação. Desprovida de matas de cobertura dos topos dos morros. . afluente do Rio Todos os Santos. a represa de captação da cidade de Valão mostra o volume que tem esse rio. Tal manejo contribui para mudança nas características paisagísticas da região. 2012. lento. que tem 13 (treze) represas pequenas e (01) uma grande para exploração e criatório de peixes. Na comunidade denominada de Baixinha de Todos os Santos. Nas vizinhanças da fazenda Boa Vista. descaracterizando a paisagem. O Rio São José. um ponto de relevo de altitude expressiva. rumo a Teófilo Otoni são vistas muitas outras nascentes.1ª Edição. embora dividindo com o município de Itambacuri. vários exemplos de belíssimas paisagens naturais. têm relatos de grandes devastações de mata primária. O volume da vazão em questão é de 110 litros-segundo na seca e até 300 na safra. alguns quilômetros abaixo. tem o primeiro lugarejo comunitário do uso da água do Rio Todos os Santos. em sentido às nascentes do Rio São José. ocorre fato que serve para ilustrar inúmeros ataques à preservação das nascentes desta região. quedas muito variadas e. o uso doméstico. Na baixada de Valão já nos encanta o tamanho do rio. não existindo vegetação ciliar (ripária). O recurso hídrico é usado de formas diversas. Eder Sampaio. um afluente importante do Rio Todos os Santos tem suas nascentes nas vertentes da nascente do Rio São Mateus. Na nascente do córrego Linha H. o volume d´ água é bem menor que antes de passar pelas represas. na propriedade do Sr. ISSN (versão online): 1984-3526 30 brachiaria. Nesta Fazenda Boa Vista. que afetam significativamente o ecossistema a que pertence. com aproximadamente 60 (sessenta) casas. a antiga em funcionamento e a nova sendo construída para poder sustentar no período seco. às vezes. uma de porte menor com cafezais de um lado e mata do outro. A presença de muitas cachoeiras durante o percurso do rio abaixo são constantes. certamente servirá de agravante para que esta nascente precocemente se extinga. suinocultura e piscicultura.Revista Tecnologia e Sociedade . Exterminada a vegetação ao redor da nascente. sub afluente do Rio São José. O córrego Leme. encontra-se com o protagonista na propriedade pesque e pague de Valão. inclusive ao redor da nascente para formação de pasto para alimentação de gado. na época em que passava por esta região a Estrada de Ferro Bahia Minas. A impressão que visivelmente se tem. o abastecimento de água de Teófilo Otoni. pois um curso que já necessita de uma ponte. é a de que dentro da cidade de Valão. Rio abaixo. Na Fazenda Boa Vista. sem contar que sua sinuosidade garante sua naturalidade. com sua locomotiva Maria Fumaça. Cerca de 800 metros abaixo já se pode contemplar visualmente duas represas. o Rio Todos os Santos oferece aos olhos da população. também nas divisas de município. com remansos embaixo de pés de Ingá. encontra-se a represa da COPASA. exemplares de cachoeiras naturais. onde corre o primeiro filete de água rumo a Teófilo Otoni.

e estes subafluentes. abastecendo várias comunidades ribeirinhas cachoeiras abaixo. Ainda rio abaixo. O Córrego Suíça II e vários outros pequenos cursos d´água. que tem uma extensão superior. destaque para um galho desse que tem 75 (setenta e cinco) milímetros cúbicos de volume na seca. pela topografia acidentada de toda região de cabeceira dos afluentes e subafluentes do Rio Todos os Santos. também chamado de Perigosos. Os 1º e 2º olhos d´ água nascentes do córrego Brejaúba também vão desaguar no córrego Capitólio. subafluente do Rio São José. uma nascente insiste em não secar. Das inúmeras pequenas bacias visitadas para confecção desta parte do trabalho. O Rio São José tem o volume no seu leito maior que o Rio Todos os Santos. 2012. que são incontáveis os olhos d´água. outro logo abaixo. onde abastece um reservatório de 84 (oitenta e quatro) mil litros d água. em comparação ao Rio Todos os Santos. a natureza ainda é preservada com matas de topo e vegetação ciliar ou ripária constante.1ª Edição. numa pedra e vários noutra grota. Este reservatório construído sem muitos recursos de engenharia apresenta-se firme e sem vazamentos e serve aos seus propósitos. deve-se ao fato de que existem mais subafluentes que deságuam no primeiro do que no segundo. O fato do volume maior de água no Rio São José. Suas inúmeras nascentes demonstram como são importantes para as populações locais e que vão agigantar logo abaixo o rio protagonista deste empreendimento. visivelmente nota-se um volume superior deste precioso líquido na estação da seca. o córrego São Gotardo nasce numa pequena bacia formada por uma cadeia de morros. desenha sua sinuosidade na propriedade de um assentamento de 21 (vinte e uma) famílias de agricultores. Percebese. desprotegida de mata de topo e rodeada somente por pastagens. O córrego Suíça II.Revista Tecnologia e Sociedade . Apesar de mais curta a bacia deste afluente do Rio Todos os Santos. sem necessidade de motor bomba. sua bacia de captação já sofrida por diversas queimadas. mas que um levantamento minucioso o poderá fazer contá-las. na vertente topográfica com o Rio São Mateus. e abaixo formam um total de 16 nascentes uma em cada pequena propriedade. apresenta um diferencial dos demais. um pouco mais moderna que a anteriormente construída na fazenda Boa Vista. as nascentes dos córregos Brejaúba e Capitólio não fogem às características das demais. tem uma recente captação de água. já composto pelo córrego Água Preta. formando este córrego também com nome de santo. despejando esse conjunto no córrego . A intensidade e proximidade destes brotos d´água formam belíssimos cursos d’água. os córregos Brejaúba e Capitólio desaguarão no córrego Lajinha. Neste ponto. tanto para encher o reservatório quanto para a irrigação agrícola. o Rio São José. Gilson de Castro Pires. enquanto a maioria são olhos d´ água. cuja nascente não diferencia das demais. Pouco abaixo já na área urbana na propriedade do Sr. que desaguará no córrego São Gotardo. Nesta propriedade. todo abastecido por gravidade. pois a sua nascente é difusa. um olho d´ água à direita. com muitas grotas. ISSN (versão online): 1984-3526 31 O córrego Água Preta. numa região de relevo declivoso. Ainda o uso diversificado do recurso hídrico se dá com maior intensidade no Rio Todos os Santos. As demais nascentes até a 6ª. o córrego São Gotardo. João Carlos Nunes Coelho. na propriedade do Sr.

– v. que pode ser seguido para dar seqüência ao estudo. somos todos dependentes e talvez possamos contribuir para seu status de recurso hídrico indispensável. por cerca de 374 (trezentos e setenta e quatro) quilômetros de estrada sem asfalto. cuja região começa num cantinho do Estado de Minas Gerais. fato é que. Informe Agropecuário.207. Santaninha. nov. e. e se lançam no Rio Todos os Santos abaixo da zona urbana de Teófilo Otoni. 9-14. da exploração agropecuária. claramente. 2012. p. puderam-se perceber os reflexos da exploração dos recursos minerais. tamanha importância foi dado à pesquisa que se pretende dar continuidade em um novo projeto. favorecendo. CONSIDERAÇÕES FINAIS Percorrendo a história de Teófilo Otoni. REFERÊNCIAS ALVES. Viajar no tempo junto aos colonizadores e chegar às cabeceiras do Rio nos dias atuais. sobretudo no que se refere ao processo de colonização do Vale do Mucuri. . mercantil e dos recursos hídricos e a conseqüente devastação ambiental.1ª Edição. São Paulino e vão completar o Rio Mucuri. assim. que daí em diante continua recebendo vários outros. os dados obtidos demonstram. mostrar que desse meio ambiente do Rio Todos os Santos. ciclo hidrológico. como córrego da Palha.Revista Tecnologia e Sociedade . serve para justificar nossa existência./dez. um melhor entendimento acerca da relação dos indivíduos e o seu meio ambiente. a importância dos recursos naturais e sua influência no processo de colonização. e. região de agricultores de laranja. A água como elemento fundamental da paisagem em microbacias. Santana. ISSN (versão online): 1984-3526 32 Liberdade. aqüíferos sobre e subterrâneos e o levantamento de parte das nascentes nas cabeceiras do Rio Todos os Santos. de Helsinque 1992. mas os recursos hídricos têm um tratamento muito especial. A partir do povoamento das cidades. Fica então um pequeno roteiro de alguns dos afluentes e subafluentes que compõe a micro bacia do Rio Todos os Santos. as convenções internacionais.21. Schirley Cavalcante. preconizam o atendimento às necessidades atuais sem comprometer as futuras. As Secretarias de Meio Ambiente estaduais são chamadas a todo momento. principal afluente do Rio Mucuri. fazem parte de uma integrada cadeia de fatores que parecem ter se incorporado e entrelaçado ao corpo dos pesquisadores e uns aos outros. flores e plantas ornamentais. 4. Sobre bacias hidrográficas.2000. São vários os temas em destaque na mídia e meios legislativos e do executivo. O córrego Poton recebe esses subafluentes. o foco sobre queimadas. n. que influenciam sobremaneira na formação de cursos d´água. a exemplo da Convenção para Proteção e Utilização dos Cursos de Água Transfronteiriços e dos Lagos Internacionais.

Contagem: CEDEFES. Ação Ambiental. p. “Sertão do Rio Doce”. LORENTZ. Revitalização de Rios: Área Rural./fef. Paulo. 62 p. 2001. Divisão Gráfica Universitária. 274 p. UFV – Universidade Federal de Viçosa. Sociedade e espaço: Geografia Geral e do Brasil. VESENTINI. Belo Horizonte: v. DOMINGUES. 21. Ação Ambiental. março/abril 2003. 10 ed. . Walter de Paula. Leônidas. 2005. nov. “Lembranças da Terra – Histórias do Mucuri e Jequitinhonha”. 8-10. SP: EDUSC. LOPES. Manejo de Microbacias. 1929. LORENTZ. Divisão Gráfica Universitária. Direito Ambiental Brasileiro. São Paulo: Malheiros. Maria Leonor Loureiro. Geraldo Ferreira. 202. ISSN (versão online): 1984-3526 33 CASTRO. MACHADO. Simone. “O Enraizamento”. Paulo Sant´Anna. 84 p. mar. 2003. PORTO. Divisão Gráfica Universitária. Leônidas. Francisco. Viçosa: CPT. Paulo Afonso Leme.Revista Tecnologia e Sociedade . Agropecuária e ambiente. 263 p.1ª Edição. Belo Horizonte: 2000. “Notas Históricas”. UFV – Universidade Federal de Viçosa. 2022. 488 p./abr. 112 p. 2012. José willian. Revitalização de Rios: Área Rural.. Ano VI. 2003. p. 235 p. 1994. WEIL. 207. Eduardo Magalhães. José Demerval Saraiva. Ano VI. 38 p. 24. Rio de Janeiro: 1990. 05-07. 24 ed. 64 p. 2002. Ação Ambiental. ESPÍNDOLA. São Paulo: Ática. RIBEIRO. 2002. MACIEL Jr. “A batalha ecológica na cidade de Teófilo Otoni”. n. n. Bauru. Belo Horizonte: v. Theóphilo Ottoni: Typographia S. n. INFORME AGROPECUÁRIO. “A pobreza sofredora na cidade de Teófilo Otoni e temas ecológicos”. 300 p. 1 ed. LIMA. 2001. PRUSKI. 2000. Entrevista. Herly Carlos Teixeira. Zoneamento das águas. Política Ambiental. março/abril. n. Ano VI./dez. INFORME AGROPECUÁRIO. 24. 1038 p. Reinaldo Ottoni. São Paulo: Revista dos Tribunais. DIAS. jan. Município de Theóphilo Ottoni. Antônio Felix. As matas Ciliares. Haruf Salmen. Fernando Falco. 21. UFV – Universidade Federal de Viçosa. Rio de Janeiro: 1992. LANFREDI. Busca de Efetividade de seus instrumentos. 2000. Recuperação e Conservação de Nascentes. 1994. Trad. Bauru: EDUSC. p. 24. n.

unicamp. Tecnologia e Sociedade (PPGCTS). Coordenadora do Núcleo de Estudos sobre Expertise e Política e pesquisadora associada do Laboratório de Estudos Sociais em Ciência. Tecnologia e Sociedade pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e doutoranda em Política Científica e Tecnológica pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).br. foram evidenciados grandes contrastes em reivindicações puramente técnicas de 3 Luciara Cid Gigante: Mestre em Ciência. Tecnologia e Sociedade) e de curso de especialização (Gestão de Organizações Públicas) na UFSCar. Maria Cristina Comunian Ferraz: Doutorado em Ciências pelo Instituto de Física e Química de São Carlos. Áreas de atuação em pesquisa: Estudos Sociais de Ciência e Tecnologia e Política Científica e Tecnológica. Camila Carneiro Dias Rigolin: Doutorada em Política Científica e Tecnológica pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Professora Associada da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) vinculada ao Departamento de Ciência da Informação é tutora de alunos indígenas (Grupo PET). aliou aspectos teóricos do campo Ciência. com Pós-doutorado em Engenharia de Materiais e Especialização em Administração e Análise de Negócios. Teve como objetivo realizar a análise de patentes de tecnologias relacionadas ao descarte de lixo tecnológico e das tendências verificadas em documentos de patentes. docente de programa de mestrado (Ciência. de caráter interdisciplinar. 2012. Comunicação e Inclusão Social).br. E-mail: cristina@ufscar. cadastrados no DGP-CNPq. E-mail: diasrigolin@ufscar. EUA (2007-2008).Revista Tecnologia e Sociedade . Tecnologia e Sociedade (CTS) e Sociologia do Consumo através de uma das metodologias da Ciência da Informação. Tecnologia e Sociedade.1ª Edição. com estágio de doutoradosanduíche no Departamento de Antropologia. do qual é vice-coordenadora. por meio de monitoramento tecnológico de produtos e processos na base de dados de patentes gratuita online Espacenet. grupos de pesquisa da Universidade Federal de São Carlos. Mestre em Administração (UFBA). Como resultados. Professora Adjunto da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) vinculada ao Departamento de Ciência da Informação e do Programa de Pós-Graduação em Ciência.br . Indiana University. coordenadora de programa de extensão (Divulgação Científica. ISSN (versão online): 1984-3526 34 Análise de patentes de tecnologias relacionadas ao descarte de resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos com vistas à 12 sustentabilidade ambiental Analysis of technology patents related to the disposal of electric and electronic equipment waste regarding the environmental sustainability Luciara Cid Gigante Maria Cristina Comunian Ferraz Camila Carneiro Dias Rigolin 3 Resumo Esta pesquisa. E-mail: luciaragigante@ige.

Política Nacional de Resíduos Sólidos. como a ética engenheril ou os estudos de avaliação de tecnologias. ou. Linsingen e Pereira (2003). Keywords: Science. segundo Bazzo.1ª Edição. Electric and Electronic Equipment. Tecnologia e Sociedade” (CTS) constituem um campo de trabalho que trata de entender o fenômeno científico-tecnológico no contexto social. These in pure technical claims of patent documents which took into consideration more than only the brief description of the technology in question. Concluiuse que universidades. 2012. National Policy of Solid Waste. Por se tratar de um campo de trabalho acadêmico de caráter crítico e interdisciplinar. segundo López Cerezo (1998). It was concluded that universities. que novos impactos não sejam gerados. Análise de patentes. the government and the society must unite in order to promote new and safer environmental practices that could be created and adopted worldwide so that part of the generated impact could be minimized or new impacts are not even generated. Introdução De modo geral. . governo e sociedade têm que se unir para que novas práticas ambientalmente seguras sejam criadas e adotadas mundialmente a fim de que parte do impacto já gerado seja revertido. Intellectual Property. through the technological monitoring of products and processes on online free patent database: Espacenet. In the results great contrasts were highlighted. Palavras-chave: Ciência. The objective was to analyze the technology patents related to the disposal of technological waste and the trends verified in documents of patents. como as provenientes da sociologia do conhecimento científico ou da história da tecnologia. Technology and Society. or merely minimized. tanto em relação aos condicionantes sociais como em relação às suas consequências socioambientais. Abstract This interdisciplinary research gathered theoretical aspects in the field of Science. ISSN (versão online): 1984-3526 35 documentos de patentes que levaram em consideração mais do que somente a descrição sumária da tecnologia em questão. but also aspects related to the social. existem diversas orientações acadêmicas. mas também com aspectos relativos à sustentabilidade sócio-econômica-ambiental. os es tudos sobre “Ciência. Patent Analysis. Technology and Society (STS) as well as Sociology of Consumption through one of the methodologies of the Information Science. De âmbitos de reflexão e de propostas de mudança institucional. Propriedade Intelectual.Revista Tecnologia e Sociedade . ou apenas minimizados. economical and environmental sustainability. Equipamentos elétricos e eletrônicos. convergem neste heterogêneo campo de trabalho. Tecnologia e Sociedade.

” Por isso. o baixo grau de implantação de novas alternativas de tratamento e reciclagem. hoje em dia. Harvey (1993. as quais. o espetáculo e a mercadificação das formas culturais (HARVEY. c) a condenação da tecnocracia”. Enfatiza-se a flexibilidade. BASSO. 148) ressalta que “a aceleração do tempo de giro na produção teria sido inútil sem a redução do tempo de giro no consumo”. Neste sentido. por exemplo. enquanto que em outros. a efemeridade. esta pesquisa partiu da expressão “capitalismo flexível” que descreve hoje um sistema que é mais que uma variação sobre um velho tema. p. A meia vida de um produto fordista típico. um grande desafio. o tempo de giro. p. . Atacam-se as formas rígidas de burocracia. b) a crítica da concepção da tecnologia como ciência aplicada e neutra. aliada às limitações existentes para a recuperação dos materiais não renováveis. que sempre é uma chave da lucratividade capitalista. e também os males da rotina cega (SENNETT. “Em condições recessivas e de aumento da competição. ISSN (versão online): 1984-3526 36 Enfatizando a dimensão social da ciência e da tecnologia. o problema do grande volume de resíduos sólidos gerados por bilhões de consumidores tem sido apontado como um dos mais graves da atualidade. 2012. representam hoje. a limitação dos ecossistemas naturais em decomporem os resíduos gerados pelo homem em sua atividade econômica (FERRAZ. que corta drasticamente a quantidade de material necessária para manter a produção fluindo). A escassez cada vez maior de áreas para a implantação de novos aterros para a disposição de resíduos. 2003). 148) explana que os sistemas de produção flexível permitiram a aceleração do ritmo da inovação do produto. segundo López Cerezo (2002. como o de tecnologias de informação (videogames e programas de computador). relativamente estável do modernismo fordista cedeu lugar à instabilidade e qualidades fugidias de uma estética pós-moderna que celebra a diferença. mas a acumulação flexível diminuiu isso em mais da metade em setores como o têxtil. ao lado da exploração de nichos de mercado altamente especializados e de pequena escala. Para o autor. o impulso de explorar essas possibilidades tornou-se fundamental para a sobrevivência”. atualmente os estudos CTS constituem uma diversidade de programas de colaboração multidisciplinar que força a concorrência entre suas duas tradições (europeia e norte-americana). dada a grande escala de produção. p. pelo sistema produtivo. A acumulação foi acompanhada na ponta do consumo pela mobilização de todos os artifícios de indução de necessidades e de transformação cultural. Harvey (1993. 2010). nas últimas décadas.1ª Edição. robôs) e de novas formas organizacionais (como o sistema de gerenciamento de estoques “ just-intime”.Revista Tecnologia e Sociedade . e. compartilham: “a) a rejeição da imagem da ciência como uma atividade pura. a meia vida tem caído para menos de dezoito meses. 9). tornou-se evidente. A estética. era de cinco a sete anos. Como afirmam Ferraz e Basso (2003) “a geração de resíduos é um dos maiores problemas enfrentados. foi reduzido de modo dramático pelo uso de novas tecnologias produtivas (automação. Neste contexto. 1993).

e da análise de conteúdo como método de análise dos resultados. ISSN (versão online): 1984-3526 37 Esta pesquisa teve como objetivo principal fazer a análise de patentes de tecnologias relacionadas ao descarte de lixo tecnológico e as tendências verificadas por meio de documentos de patentes. esta pesquisa foi realizada seguindo-se as seguintes etapas: 1) Levantamento bibliográfico para compor a revisão de literatura. que foi feita dentro dos princípios do campo CTS que busca a construção de uma sociedade economicamente estável. para a caracterização da temática e descrição do universo a ser estudado. . Este estudo justificou-se tendo em vista que analisar as tecnologias existentes para que o descarte de lixo tecnológico seja feito de maneira a colaborar para o crescimento socioeconômico de maneira sustentável. Como procedimento metodológico fez-se uso também do monitoramento tecnológico em bases de dados de patentes. comparar tais tendências levantadas nos documentos de patentes com a situação atual vigente na legislação brasileira de descarte de lixo tecnológico. levantar e avaliar as tendências tecnológicas encontradas nos documentos de patentes.Revista Tecnologia e Sociedade . ambientalmente saudável e socialmente justa. esperando-se que com estas obtenha-se eficiente recuperação de informações relevantes no universo da base de dados de patentes selecionada. Esperava-se estabelecer um diálogo entre a área da Propriedade Intelectual e os estudos do campo CTS. ao relacioná-las com o uso de patentes como fonte de informação tecnológica no meio acadêmico e em estudos de monitoramento tecnológico. através de monitoramento tecnológico de produtos e processos relacionados ao descarte de lixo tecnológico na base de dados de patentes gratuita online Espacenet. Como objetivos específicos constaram: identificar e categorizar os tipos de materiais classificados como lixo tecnológico. Para tanto. o estado dessa problemática. através da literatura encontrada sobre descarte de lixo tecnológico. A pertinência desta pesquisa se destacou também pelo ineditismo do tema que alia o estudo das políticas públicas existentes sobre descarte de lixo tecnológico às inovações patenteadas sobre o tema. Metodologia A metodologia adotada foi de uma pesquisa de caráter quali-quantitativa e exploratório-descritiva.1ª Edição. ou melhorem. propiciará benefícios a toda a sociedade com ganhos econômicos. no qual buscam-se as tendências do desenvolvimento de uma dada tecnologia e possíveis soluções que acabem. detectar para quais tipos de materiais com essa classificação já existem políticas de descarte. 2) Levantamento de termos/palavras-chave representativas para a realização do monitoramento tecnológico. os estudos CTS e a questão da sustentabilidade ambiental. 2012. através de análise de conteúdo. sociais e ambientais. Com vistas ao referencial teórico apresentado pretendeu incentivar a interação entre os estudos das áreas de Propriedade Intelectual.

2012. realizou-se um levantamento das fontes de informação formais a serem utilizadas para o estudo do universo. É importante ressaltar que a opção de se pesquisar em bases de dados gratuitas baseou-se em questões de sustentabilidade e acessibilidade da informação com menor impacto econômico. Compendex. a fim de comparar a facilidade dos mecanismos de busca de cada base de dados. concluiu-se que a base de dados de patentes que melhor representaria o universo a ser estudado seria a Espacenet. o levantamento das principais bases de dados de patentes e um pré-teste com os termos de busca. multidisciplinar (patentes de diversas áreas do conhecimento) e abranger as patentes depositadas na base de dados do escritório brasileiro de patentes. Para a delimitação do universo a ser estudado. 5) Testar a eficiência e realizar a coleta dos dados. e outras bases de dados de patentes. contendo patentes publicadas a partir do ano de 1836 até o presente (ESPACENET. previamente retirados da literatura. posteriormente. sua interface e o quanto cada base recuperou por palavra-chave. Diário Oficial. (2) Google Patents (base de dados americana usada como alternativa à USPTO). Scielo. efetuar novos estudos na literatura da área de descarte de lixo tecnológico a fim de encontrar termos relevantes para a busca. cuja representatividade está no fato desta ser online. e outros 85 países. ISSN (versão online): 1984-3526 38 3) Seleção da base de dados de patentes a ser utilizada. um documento de patente permite identificar tecnologias relevantes. Foi realizado. e não qualquer outra. 2011). se deve ao fato de as patentes terem se mostrado uma eficiente ferramenta e um instrumento eficaz no apoio à tomada de decisão. Derwent Innovations Index. parceiros. inovações incrementais e movimentos da concorrência. (6) USPTO (base do escritório americano de patentes (United States Patent and Trademark Office)). Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).Revista Tecnologia e Sociedade .1ª Edição. (7) Derwent Innovations Index (base de dados de patentes internacionais). Comparados os resultados recuperados com os pré-testes realizados nas bases de dados. gratuita. Google Acadêmico. Espacenet. do Brasil). tais . Scopus. base de dados do escritório japonês de patentes). 6) Tratamento dos dados coletados quali-quantitativamente. 4) Realização de pré-testes para verificação da eficiência das palavraschaves levantadas. Tais bases de dados selecionadas para o préteste de exploração foram: (1) Espacenet (do escritório europeu de patentes). do contrário. 7) Análise dos resultados através da análise de conteúdo. assim como o fato da utilização dos documentos de patentes como fonte de informação para o monitoramento tecnológico. (4) IPDL (Industrial Property Digital Library. nichos de mercados para atuação. JusBrasil. Para a recuperação e coleta das fontes de informação supracitadas. (5) PatentScope (base de dados de patentes da Organização Mundial da Propriedade Intelectual). Tendo em vista seu conteúdo informacional. utilizou-se as seguintes bases de dados: Google. Web of Science. (3) INPI (base de dados do Instituto Nacional da Propriedade Industrial.

com 13 documentos de patentes cada um. ANO “waste disposal technology” Analisando-se os pedidos de patentes acima mencionados.1ª Edição. os quais foram utilizados entre aspas. “waste “technological “electronic “electronic TOTAL electrical waste” scrap” waste” and electronic equipment” 2003 1 0 1 3 1 6 2004 0 0 0 1 3 4 2005 0 0 0 3 0 3 2006 0 0 0 3 0 3 2007 0 0 1 0 2 3 2008 0 1 0 2 2 5 2009 0 0 0 1 3 4 2010 0 0 0 0 2 2 TOTAL 1 1 2 13 13 30 Tabela 1: Número de registros de documentos de patentes sobre REEE recuperados por termos por ano de prioridade na base Espacenet. observouse. em seguida. dentre outras. quanto à origem de seu depósito. das conclusões do estudo. para recuperação da expressão exata. Fonte: Elaboração própria. No período de tempo analisado (2003 a 2011) observou-se a ocorrência de registros de pedidos de patentes recuperados por termo. As demais palavras-chave selecionadas. No total. 2012. gestão de processos. pelos termos utilizados como sinônimo sobre novas tecnologias em descarte de lixo tecnológico. constatou-se maior incidência na recuperação de documentos nas buscas realizadas com os termos no idioma inglês. obtiveram resultado nulo quanto à recuperação na base de dados de patentes Espacenet.Revista Tecnologia e Sociedade . ISSN (versão online): 1984-3526 39 como investimentos. Resultados A partir do estudo do universo levantado. A seção seguinte apresenta os resultados da presente pesquisa juntamente da discussão e. portanto. sendo que seu uso ocasionariam sucessivos erros de sintaxe. fusões e aquisições. gestão de produtos. novas linhas de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). conforme apresentado na Tabela 1. que recuperou 2 documentos de patentes. Em seguida ficou o termo “technological waste”. que 11 deles foram depositados . foram selecionados 37 termos/palavras-chave e um universo de 31 documentos de patentes recuperados a serem analisados. Pereira e Antunes (2002). O universo desta pesquisa foi compreendido. tanto as em inglês como as em português. Os termos em português foram utilizados sem a devida acentuação tendo em vista que a base Espacenet não os indexa. sendo que os termos “electronic waste” e “electronic scrap” foram os que mais recuperaram. e somente nos campos título e resumo. Os termos “waste disposal technology” e “waste electrical and electronic equipment” recuperaram um documento de patente cada. como aborda Canongia.

quatro depositados em 2007. três pedidos foram depositados em 2003. A data de depósito é a data registrada no protocolo do pedido de patente para o depósito nacional. e/ou em outros países cujo mercado lhes foi de interesse. possíveis mercados para a comercialização da tecnologia reivindicada. Figura 1: Número de registros de documentos de patentes recuperados sobre REEE por data de depósito e de publicação na base Espacenet. outros 19 pedidos de patentes recuperados tiveram seu depósito nacionalmente e também fizeram uso do Tratado PCT ao entrar com o pedido da patente na WIPO (WO). 2008 e 2009. indica que os inventores e requerentes (depositantes) da patente têm interesse em proteger sua tecnologia em outros possíveis mercados além de seu país de origem. Tal fato. Consequentemente. Tal data pode se referir também à notificação da entrada na fase nacional do pedido internacional depositado via PCT. cinco em 2010 e nenhum em 2011. Como observado. de pedido internacional. seis em 2004. ou no escritório americano de patentes (USPTO). Em contraposição. ou a data do registro do pedido internacional. visto que o processo não fez uso do Tratado de Cooperação de Patentes (PCT). 2012. a data de publicação refere-se à data na qual o pedido de patente nacional teve seu período de sigilo findado (18 meses contados a partir da data de depósito). dois pedidos foram . ou no escritório de patentes da União Europeia (EPO). isto é. sendo que este deve ocorrer dentro do prazo de prioridade (período de 12 meses contados da data do pedido no país de origem do depósito do pedido via PCT).1ª Edição. os países que também receberam o pedido de proteção da patente são considerados. pelos depositantes. Diferentemente da data de depósito. ISSN (versão online): 1984-3526 40 somente nacionalmente. A Figura 1 apresenta o número de registros de pedidos de patentes por data de depósito e data de publicação dos pedidos de patentes recuperados ao longo do período de tempo (2003 a 2011) analisado.Revista Tecnologia e Sociedade . Fonte: Elaboração própria. dois em 2005 e em 2006.

James R. três em 2006 e em 2007. seguida pelos Estados Unidos da América. sendo um da Alemanha (Koslow. a Figura 2. Os depositantes e a natureza jurídica destes também foram levantados. e.). enquanto que a França. A Hungria. ISSN (versão online): 1984-3526 41 publicados em 2004. Figura 2: Número de registros de documentos de patentes recuperados sobre REEE por nacionalidade de seus depositantes. sendo que as diferenças das legislações nacionais são. nove reivindicando produtos. Dentre todos os 51 depositantes do universo analisado. Todos os demais apresentaram somente um registro de pedido de patente sobre REEE recuperado. p. preponderantemente. classificados como pessoa física. Fonte: Elaboração própria. cinco em 2005. com 4 depositantes cada um. apresenta os registros de pedidos de patentes recuperados por nacionalidade. Israel e Turquia finalizam o ranking com apenas um pedido de patente cada um. com 9. oito em alemão e somente um em francês. o Reino Unido e a Suíça apresentaram três depositantes de pedidos de patentes cada.Revista Tecnologia e Sociedade . assim como a Itália e a Polônia. obteve-se 21 pedidos de patente de invenção reivindicando processos. pela existência ou exclusão de alguma etapa na tramitação do pedido.1ª Edição. Observa-se que a Alemanha lidera possuindo 12 depositantes. Quanto ao idioma dos registros dos pedidos de patentes recuperados. 45). 2012. segundo Macedo e Barbosa (2000. “após o depósito do pedido de patente perante a autoridade governamental competente de cada país. dois em 2010 e cinco em 2011. A República Tcheca e a Finlândia possuem ambos 5 depositantes cada. quatro em 2009. Tais discrepâncias no período de sigilo dos pedidos podem ser justificadas devido ao fato de que. o mesmo passa por diversas etapas assemelhadas”. Quanto às tipologias dos registros de pedidos de patentes recuperados. . foram recuperados 21 documentos em inglês. seis em 2008. Alexander) e o outro dos Estados Unidos da América (Akridge. Os depositantes que mais se destacaram foram dois pesquisadores.

Japão. 2) Métodos/processos para separação de metais nobres contidos na sucata eletrônica. 4) Recipiente (produto) em forma de caixa-lembrete para a conscientização para a separação e o recolhimento de diversos tipos de materiais recicláveis. com três. Por meio do estudo do conteúdo dos documentos de patentes e das aplicações nelas mencionadas. com seis registros. Incinerador de resíduos orgânicos. 3) Recipientes (produtos) para o acondicionamento e transporte seguro (sem quebra dos equipamentos) de REEE. foi possível categorizar o universo estudado nos seguintes grupos de tecnologias: 1) Métodos/processos para separação de plásticos contidos na sucata eletrônica. No que tange à análise do conteúdo desses documentos. incluindo os de REEE. 2012. Tais dados são apresentados na Figura 3. República Tcheca. Polônia. Sistema para gestão da remoção de resíduos industriais. Software para jogos de computador. com dois registros cada um. b. os Estados Unidos da América também lidera o ranking dos países com registros mais recuperados. levou-se em consideração o . c. d. a nacionalidade dos pedidos de patentes recuperados divide-se entre 13 países distintos. Reino Unido. 5) Outras tecnologias não relacionadas à temática: a. com um registro cada um. e. Israel e Hungria. Processo de aquecimento solar de água através de calor solar e/ou de resíduos de sucata eletrônica e/ou outros resíduos tecnológicos. através do formulário de análise de conteúdo. tendo 8 documentos registrados. Suíça.Revista Tecnologia e Sociedade . Fonte: Elaboração própria. Turquia. Seguido de Alemanha. Itália. ISSN (versão online): 1984-3526 42 Conforme os idiomas acima mencionados. Figura 3: Número de registros por nacionalidade dos documentos de patentes recuperados sobre REEE na base Espacenet.1ª Edição. Assim como o idioma inglês é o que mais se destaca. Finlândia e Canadá.

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aparecimento de termos ou expressões que evidenciassem a preocupação do inventor (ou escritor do pedido) da patente com a temática da sustentabilidade ambiental. Observou-se uma preocupação positiva nesta questão em 16 dos 30 documentos de patentes analisados. Foi citada a necessidade do acondicionamento dos resíduos finais em aterros sanitários apropriados, conforme exposto no trecho a seguir: “as cinzas tratadas e drenadas são armazenadas junto com as cinzas da grelha em um aterro sanitário apropriado/adequado” (CH 696425 (A5)). Assim como o fato de aterros sanitários serem cada vez mais inaceitáveis por causa da contaminação do solo e das águas subterrâneas devido à lixiviação de contaminantes. Outros documentos evidenciaram também uma preocupação com o fato de que os resíduos de produtos despejados no meio ambiente demoram muito tempo para desaparecer por si só na natureza, causando poluição ambiental e ameaçando a saúde humana e a saúde ambiental. A questão da sustentabilidade ambiental foi explicitada também através de uma preocupação com as matérias-primas resultantes e estas serem pura e facilmente reutilizáveis. Apesar da clara preocupação e apontamento de termos e expressões relacionadas à sustentabilidade ambiental, dados numéricos relacionados à questão da sustentabilidade ambiental somente foram identificados em três, dos 30, registros de patentes analisados. Tais dados foram identificados em registros da Alemanha, da Finlândia e dos Estados Unidos da América, respectivamente. No que diz respeito à importância (social e/ou econômica) da tecnologia reivindicada para a sociedade, 10 documentos de patentes analisados apresentaram preocupação e destacaram sua importância ao longo dos documentos. Exemplo desta questão é mencionado num pedido de patente inglês, número de prioridade GB20080001820, que destaca a necessidade do depósito dos REEE ser feita de forma segura e ambientalmente amigável (“depositar os REEE de forma segura ambientalmente amigável”). Um pedido de patente chamou a atenção pela extensa preocupação social descrita ao longo do documento. O pedido de número de prioridade (US20100836806) pertencente aos Estados Unidos da América explanou que “os custos sociais nesses lugares menos afluentes é muitas vezes chocante, usando trabalho infantil, com pouca ou nenhuma preocupação para a segurança industrial, e os trabalhadores expostos à paisagem circundante de poluentes químicos”. Foi interessante constatar que tal pedido de patente, cujo processo permite a redução do lixo eletrônico através de atualizações do dispositivo eletrônico afim de não torná-lo inutilizável tão rapidamente quanto a indústria espera, cita o fato de que “ironicamente, muitas pessoas em lugares mais ricos só se dão conta de tudo isso [trabalho infantil e ambiente de trabalho inóspito] quando alguns desses poluentes químicos cruzar o seu caminho, em novos processos de fabricação, e voltam a eles por meio do alto teor de chumbo em brinquedos e substâncias cancerígenas no vestuário”. A preocupação com a sustentabilidade ambiental também foi requerida no questionário de análise de conteúdo através de outra questão, mas desta

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vez no tocante à própria tecnologia cuja patente está sendo requerida. Nesta, questionou-se se o documento traz informações sobre como proceder com o descarte de tal tecnologia após o término de seu ciclo de vida. Tal prerrogativa não foi evidenciada em 27 dos documentos de patentes analisados, estando presente, portanto, em somente três registros. Com relação ainda à questão da sustentabilidade, questionou-se a presença, ou não, de termos ou expressões relacionados a possíveis riscos ambientais. Do universo analisado, somente nove pedidos de patentes apresentaram tais termos. Os pedidos de patentes que apresentaram termos ou expressões relacionados aos riscos ambientais, das tecnologias reivindicadas ou a ela relacionadas, relacionam-se com a questão do descarte ambientalmente inadequado dos rejeitos da sucata eletrônica e aos impactos por estes gerados em aterros sanitários impróprios, assim como ao meio ambiente de forma geral. Sendo assim, observou-se, no universo analisado, grandes contrastes evidenciados tanto por reivindicações puramente técnicas como por documentos que levaram em consideração mais do que somente uma descrição sumária da tecnologia em questão. A próxima seção apresenta uma sinopse dos principais resultados e a importância destes para a sociedade à luz das conclusões do estudo.

Considerações finais
Esta pesquisa teve como intuito realizar análise de patentes de tecnologias relacionadas ao descarte de lixo tecnológico e das tendências verificadas por meio de documentos de patentes, por meio de monitoramento tecnológico de produtos e processos na base de dados de patentes gratuita online Espacenet, além de contribuir e incentivar uma interação entre a área de Propriedade Intelectual com os estudos do campo CTS e a questão da sustentabilidade ambiental. Conforme apontado anteriormente, os resultados analisados indicaram forte preocupação com questões relacionadas à sustentabilidade ambiental, considerando desde possíveis termos ou expressões e dados numéricos relacionados à sustentabilidade, passando pela descrição da importância dessas tecnologias para a sociedade, suas aplicações e possíveis mercados, até informações de como se proceder com o descarte de tais tecnologias ao término de seu ciclo de vida, suas vantagens e desvantagens, riscos ambientais envolvidos e legislações citadas por esses documentos de patentes. Constatou-se que o idioma inglês predominou nos documentos do universo analisado, sendo os Estados Unidos da América o país líder no ranking dos que patentearam tecnologias de descarte e reciclagem de REEE, seguido de perto por Alemanha e Suíça. Houve menção de outros países como Itália, Finlândia, Canadá, Turquia, República Tcheca, Reino Unido, Polônia, Japão, Israel e Hungria, o que denota que o estudo de técnicas e práticas que envolvam o reaproveitamento e a reciclagem de resíduos de sucata eletrônica está em difusão pelo mundo.

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Os resultados indicaram também o aparecimento de termos ou expressões que evidenciaram a preocupação do inventor (ou escritor do pedido) da patente com a temática da sustentabilidade ambiental em 51% do universo estudado. No que diz respeito à importância (social e/ou econômica) da tecnologia reivindicada para a sociedade, 10 documentos de patentes analisados apresentaram preocupação e destacaram sua importância ao longo dos documentos. A preocupação com a sustentabilidade ambiental, porém, não foi evidenciada na análise no que dizia respeito à presença de informações sobre como proceder com o descarte de tal tecnologia após o término de seu ciclo de vida. Tal prerrogativa não foi evidenciada em 27 dos documentos de patentes analisados. Quanto aos termos e expressões relacionados aos possíveis riscos ambientais a que tais tecnologias estariam relacionadas, somente nove, dos 30 pedidos de patentes do universo, apresentaram tais termos. Conforme aponta o campo CTS, a tecnologia, assim como a ciência, é feita para os pares e, consequentemente, a sociedade acaba por ser excluída do debate e das reflexões a respeito das implicações sociais da ciência e da tecnologia. Disponibilizar o acesso é obrigação da União e tornar as bases de acesso público inclusivas, e não restritivas, também. Infere-se que, do ponto de vista abarcado pelo campo CTS, a informação tecnológica tem implicações diretas para a sustentabilidade ambiental, tanto no que diz respeito às suas fontes, seu conteúdo, quanto em seu uso. O comunismo do conhecimento científico, conforme apontado por Merton (1979) no aporte teórico da dissertação que deu origem a este artigo (GIGANTE, 2012), apesar de idealizado, se seguido à risca, possibilitaria maior interação e colaboração das diversas áreas do conhecimento, inclusive as relacionadas à questão da sustentabilidade sócio-econômica-ambiental. Relacionado a isso, há, porém, que se considerar o fato de nossa sociedade ser capitalista e ter uma economia com bases fortemente alicerçadas no tripé da alta produtividade, curta meia vida dos produtos e alto consumismo. Por isso, por mais que cientistas e tecnólogos se esforcem para criar produtos ambientalmente corretos para minimizar ou corrigir os impactos gerados pelos demais produtos já criados pela humanidade, e globalmente difundidos, eles sozinhos não conseguirão reverter todo o impacto e desastres já gerados. O campo CTS confirma e universidades, governo e sociedade como um todo têm que se unir para que novas práticas ambientalmente seguras sejam criadas e adotadas mundialmente a fim de que parte do impacto já gerado seja revertido, ou, numa visão mais realista, que novos impactos não sejam gerados ou ainda, apenas minimizados.

Agradecimentos
As autoras agradecem à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) pelo apoio financeiro.

2012. 1. LÓPEZ CEREZO. tecnologia e sociedade: o desafio da interação.C. I.W. n. L./dez. Rio de Janeiro: FioCruz. Ciência. D. v. Gestão da informação e monitoramento tecnológico: o mercado dos futuros genéricos. (Cadernos Ibero-América). A condição pós-moderna. Página inicial. Ciencia. São Pedro. desenvolvido na Universidade Federal de São Carlos.F.V. L. México. 2003. Ciência. 2. Referências BAZZO. p. Do fordismo à acumulação flexível. . Tecnologia e Sociedade). Revista Iberoamericana de Educación... M. H..V. 1993. pesquisa & desenvolvimento: um manual de propriedade intelectual. ESPACENET. 2012. 2002.C.Revista Tecnologia e Sociedade . 135-162.L.G.com/>.C. Instituto de Ciência e Tecnologia em Resíduos e Desenvolvimento Sustentável.. v. M. 219 f. em Ciudad de México-DF. Acesso em: 22 mar. p. HARVEY.A. PEREIRA.espacenet. W. São Paulo: Loyola. MACEDO. Dissertação (Mestrado em Ciência. (Org. 3-39. Madri: OEI. Londrina: IAPAR. In: ______. CANONGIA. 7. L.F. PEREIRA.) et al. 2 Uma versão aproximada deste trabalho foi apresentada no ESOCITE .F. tecnología y sociedad: el estado de la cuestión en Europa y Estados Unidos. BARBOSA. p. 286-296. pela autora. 2003. ISSN (versão online): 1984-3526 46 Notas de fim 1 Este artigo apresenta os resultados da pesquisa do Mestrado em Ciência. tendo sido orientada pela [REMOVIDO P/ REVISÃO ANÔNIMA]. LINSINGEN. Disponível em: <http://lp.N. 41-68. A..T.2011. Resíduos sólidos formados por lixo eletrônico: riscos ambientais e política de reaproveitamento. 1998. 2000. 2002. Tecnologia e Sociedade. C..C.Universidade Federal de São Carlos. ANTUNES. 18. In: SANTOS. Análise de patentes de tecnologias relacionadas a resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos. BASSO. p. Tecnologia e Sociedade). p. Introdução aos estudos CTS: (Ciência. ______.. In: Fórum das Universidades Públicas Paulistas: Ciência e Tecnologia em Resíduos . A. FERRAZ.1ª Edição. Patentes. 155-166. que ocorreu em Junho de 2012. GIGANTE. São Carlos.IX Jornadas Latinoamericanas de Estudios Sociales de la Ciencia y la Tecnología. M. J. jul. tecnologia e sociedade: o estado da arte na Europa e nos Estados Unidos. Perspectivas em Ciência da Informação.

2010. In: DEUS. Rio de Janeiro: Record.). Rio de Janeiro: Zahar. SENNETT. 1979.D.K. A crítica da ciência: sociologia e ideologia da ciência. A corrosão do caráter: as consequências pessoais do trabalho no novo capitalismo. 37-52.1ª Edição. p. J. R. R. . ISSN (versão online): 1984-3526 47 MERTON.Revista Tecnologia e Sociedade . Os imperativos institucionais da ciência. (Org. 2012.

E-mail:homero2@uol. graduação em Tecnologia da Computação pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (1986).Grupo de Pesquisa em Transporte. Homero Fernandes Oliveira. Email:wrochajr2000@gmail. . o Master Of Science In Operations Research .br.Naval Postgraduate School (1991) e doutorado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina na área de Transporte e Logística. Atualmente é professora adjunto da Universidade Estadual do Oeste do Paraná.com. nova economia institucional.Professor Associado da Universidade Estadual do Oeste do Paraná – Unioeste Translog . Logística e Modelagem de Sistemas. Professora Adjunta da Universidade Estadual do Oeste do Paraná . Tem atuado na área de Economia.UnioesteTranslog . Bolsista demanda social pela CAPES. Atualmente é professor associado da Universidade Estadual do Oeste do Paraná onde leciona no Curso de Ciências Econômicas e no Programa de Mestrado em Desenvovimento Regional & Agronegócio. 2012. Logística e Modelagem de Sistemas. Professor Adjunto da Universidade Estadual do Oeste do Paraná – Unioeste.Campus de Toledo. fez mestrado (1998) e doutorado (2003) em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina . E-mail: dslobo@uol.com. ISSN (versão online): 1984-3526 48 Bioenergia e resíduos na cadeia de suínos: uma análise de custos e investimentos para transporte de dejetos suínos com posterior geração de bioenergia no município de Toledo/ PR Bioenergy and waste in the chain of pigs: an analysis of costs and investments for the transportation of pig manure with subsequent generation of bioenergy in the city of Toledo / PR Sandra Mara Pereira Debora da Silva Lobo Homero Fernandes Oliveira Weimar Freire da Rocha Júnior 4 4 Sandra Mara Pereira: Mestre em Desenvolvimento Regional e Agronegócio da Unioeste . Atualmente é professor adjunto da Universidade Estadual do Oeste do Paraná . Translog . logística.com. fretes.UFSC.Grupo de Pesquisa em Transporte.UNIOESTE.: Engenheiro Agrônomo formado pela Universidade Federal de Lavras (1989). Possui graduação no Curso de Formação de Oficiais Aviadores pela Academia da Força Aérea (1978).campus Toledo. Logística e Modelagem de Sistemas. Weimar Freire da rocha Jr.Grupo de Pesquisa em Transporte.Revista Tecnologia e Sociedade . agronegócio brasileiro. com ênfase em transporte urbano. Pesquisador produtividade do CNPq. Mestre em Economia Agrária (Economia Aplicada) pela Universidade de São Paulo (1994) e Doutor em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina (2001).1ª Edição. Debora da Silva Lobo: Graduada pela Universidade Federal do Rio de JaneiroUFRJ em Bacharelado (1990) e Licenciatura (1992) em Matemática.br.

coletou-se informações relacionadas à 380 propriedades com suínos em fase de terminação. Analisaram-se os potenciais de geração de dejetos. Were researched information on vehicles and equipment used in this activity. characterization of swine production site. biogás e energia elétrica com as quantidades de suínos existentes nas propriedades pesquisadas. contudo. os custos operacionais e de investimento para a aquisição dos mesmos. Na metodologia. Abstract The work addresses the theme "analysis of costs and investments for the collection of pig manure (in the finishing phase) in rural properties in the city of Toledo. . collected information is related to properties with 380 pigs in the finishing stage. as well as for the establishment of a center of biodigestion. bioenergy. caracterização da suinocultura local. Foram pesquisadas informações referentes aos veículos e equipamentos utilizados nesta atividade. utilizando um resíduo altamente poluidor e. however. a rentabilidade com a venda de biogás e energia elétrica compensará. possibilitar uma nova matriz energética. ISSN (versão online): 1984-3526 49 Resumo O trabalho aborda o tema “análise de custos e de investimentos.1ª Edição. Key-words: Transportation costs. 2012. who will have new source of revenue with the sale of pig slurry. and preserve the environment. For the implementation of the project will require major investments. em propriedades rurais do município de Toledo. para a coleta de dejetos suínos (fase de terminação). not suffer the dump indiscriminate of pig manure. preservar o meio ambiente. using a highly waste polluter. performing with the aid of heuristic routing of Clark & Wright. In the methodology. providing a new energy matrix. with the final destination a center of bioenergy”.Revista Tecnologia e Sociedade . bioenergia. realizando a roteirização com auxílio da heurística de Clark & Wright. que não sofrerá os danos pelo despejo dos dejetos. que terão nova fonte de renda com a venda dos dejetos. Conclui-se que é viável a implementação de semelhante projeto. operating costs and investment for the acquisition of them. for the benefit of farmers. We analyzed the potential to generate waste. tendo como destino final um centro de bioenergia”. transportation costs and investment analysis. assim como para a implantação de um centro de biodigestão. It follows that it is feasible to implement a similar project. biogas and electricity and the quantities of pigs in the properties searched. Palavras-Chave: Custos de transporte. pig manure. Para a implementação do projeto. serão necessários grandes investimentos. por beneficiar os produtores rurais. profitability with the sale of biogas and electricity compensate. dejetos suínos. custos de transporte e análise de investimentos. No referencial teórico abordam-se tópicos como agronegócio. The theore tical base includes agribusiness topics.

pois quando adequadamente utilizados. Esta moderna suinocultura caracteriza-se pelo aumento da concentração do número de animais confinados por estabelecimento. seguido do Rio Grande do Sul). em fase de terminação (que representam a maior parcela desta população na região estudada). Sabe-se que. Dados da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (ABIPECS. mas também como fornecedor de insumos e . A principal justificativa deste trabalho. tem se destacado no agronegócio nacional. o agronegócio tem sido focado por diversos pesquisadores. caracterizando uma necessidade urgente de destino adequado e ambientalmente correto dos dejetos gerados nas propriedades e. podem substituir os adubos químicos. tanto em âmbito nacional quanto mundial. O Paraná foi responsável pelo abate de aproximadamente 5 milhões de cabeças no ano de 2007. manter o equilíbrio das propriedades e adjacências. sobressaindo-se na produção de suínos. deste modo. em especial para fins industriais. FOSTER. os dejetos são utilizados para a adubação do solo. se aplicados continuamente ou em excesso. podem contaminar o solo e os mananciais hídricos. que atendem aos moradores das áreas rurais e urbana. Antevendo os transtornos da poluição conseqüentes da suinocultura. reside no fato da região ser responsável por 21% da produção estadual de suínos. PERIN JUNIOR. 2012. No entanto. Com base nestas considerações.1ª Edição. com a finalidade de obter economias de escala e melhorar a competitividade da agroindústria (WEYDMANN. na preservação dos mananciais hídricos. 2002). por ser de primordial importância para o desenvolvimento não apenas dos negócios relacionados à agropecuária. das propriedades rurais até um Centro de Bioenergia? Este custo é restituído pela geração de energia (gás ou eletricidade) proveniente destes dejetos?”. 2008). Conforme dados de Oliveira et alii (1993). o Paraná. REVISÃO TEÓRICA Agronegócio Paranaense Nos últimos anos. 2008) indicam que o Paraná está em terceira posição na produção nacional de suínos (Santa Catarina em primeiro.Revista Tecnologia e Sociedade . Estes danos demoram a ser percebidos pelos agricultores e até mesmo pelos técnicos de campo (SEGANFREDO. ISSN (versão online): 1984-3526 50 INTRODUÇÃO Nas últimas décadas. é mister vislumbrar possibilidades que eliminem o problema e agreguem valor ao resíduo. por dia 4. devido a fatores como novas tecnologias de produção e possibilidade de maior produção em reduzido espaço físico. a problemática sugerida para a realização do estudo foi: “Qual o custo para o transporte de dejetos suínos.9 quilos de dejetos (urina e esterco). gera. cada suíno. usualmente.

O Brasil ocupa a quarta posição na produção mundial de carne suína. b) oportunidade de ampliação da renda do produtor rural (não deixando de desenvolver outras atividades). a melhoria das técnicas de produção e da qualidade genética do rebanho. suco de laranja. sendo. o favorecimento ao consumo da carne suína no mercado interno. além de prover alimentos para o abastecimento.000 propriedades. ampliando-se nas últimas décadas devido a fatores como: a) possibilidade de maior produção em reduzido espaço físico. 2002). têm sido implantados com a intenção de agregar valor e diversificar a produção (LOURENÇO. entre outros (MORETTO. abertura da economia brasileira e a ampliação do mercado interno. 2012. no processo denominado integração (via contratos). médias ou grandes propriedades. tão necessários à atividade (GOMES et alii. Na Figura 1 está exposta a produção paranaense de carne suína. A carne suína representa quase a metade do consumo e da produção mundial de carnes. industrialização de carnes (suínos e aves). que trabalham em regime de economia familiar. Esta atividade é desenvolvida em 136. sendo sua estimativa para 2007 de aproximadamente 2. Possui 20 frigoríficos com inscrição no Serviço de Inspeção Federal (SIF). 2002). derivados lácteos. maltaria. Setores como usinas de açúcar e álcool. com mais de 90% dos criadores ligados a estes frigoríficos. Fatores como a globalização. o Paraná tem a estimativa de produzir 444 mil toneladas de carne suína no ano de 2008. contribuíram para a otimização e a melhoria das condições de produção em toda a cadeia do agronegócio. sendo considerada a principal fonte de proteína animal. unidades de melhoramentos genéticos. 1992). bem como o auxílio técnico e veterinário. c) poder ser realizada em pequenas. d) fornecimento de conhecimento tecnológico e genético pelas empresas agroindustriais. tecelagens. ISSN (versão online): 1984-3526 51 de matérias-primas para a indústria e o comércio.6 milhões de toneladas de carne (considerado peso de carcaça). Atualmente.1ª Edição. O Paraná tem se destacado no agronegócio por ter diversificado e modernizado as cadeias produtivas. obtendo o terceiro lugar na produção nacional. 2007). A produção de carne suína teve um aumento significativo a partir do ano 1998 devido a fatores como o aumento da exportação de produtos cárneos. Caracterização da Suinocultura A suinocultura tem sido destaque. a produção está com volume aproximado de 93 milhões de toneladas. EMBRAPA. entre outros projetos. tanto interno quanto externo (IPARDES. De acordo com informações da SEAB (2008). pequenas propriedades. PARRÉ.Revista Tecnologia e Sociedade . RODRIGUES. 2002. em sua grande maioria. .

e Toledo engloba 20 municípios próximos. ISSN (versão online): 1984-3526 52 Figura 1– Produção paranaense de carne na suinocultura industrial. pois foram vendidos cortes. Na Figura 2. e com a maioria da produção sendo na forma de integração. que possuem maior valor agregado. **previsão Fontes: Abipecs. no mês de outubro de 2004 o Brasil exportou para a Rússia um volume 43% menor que no mesmo mês do ano anterior. Inserido no contexto estadual. por Núcleo Regional da SEAB (2005) Fonte: adaptado de SEAB (2007) e IBGE (2005). ABCS e Embrapa (2007). a produção percentual de suínos do estado do Paraná por núcleo regional da SEAB. em decorrência básica do embargo russo imposto às carnes brasileiras. que acompanhou a redução nacional. Figura 2 – Efetivo da pecuária de suínos no Paraná (em percentual).Revista Tecnologia e Sociedade . O Estado apresentou uma queda de produção no ano de 2004. *estimativa. . em conseqüência. 2012. Esta redução na quantidade não afetou na mesma proporção a receita auferida. a região do município de Toledo destaca-se na produção e no abate de suínos. 2005). maior valor de mercado (FUNDAÇÃO PROCON-SP. A SEAB fraciona o Estado em núcleos regionais. Para se ter uma dimensão desta redução.1ª Edição. e. em mil toneladas equivalente carcaça (2002-2009).

por exemplo. Como citado anteriormente. o núcleo regional de Toledo é responsável por 21% da produção do Estado. um maior comprometimento com a preservação dos mananciais. Outra forma de utilização do dejeto é a transformação deste em biogás. os resíduos são retirados. que podem gerar renda é o comércio de biofertilizante e biocarvão. É preciso haver. contudo a elevada tecnificação para aumento da produção ainda não atentou para o descarte dos dejetos. A criação de suínos pode desestabilizar a harmonia da propriedade rural e adjacências por serem altamente poluentes os dejetos produzidos pelos animais. A mercadoria negociada no mercado de carbono são as reduções de emissões de gases efeito estufa (GEEs). ou biocarvão. cursos de água e poluição do ar. Para que estas aplicações sejam possíveis. ainda é pouco valorizada. seguido de Francisco Beltrão e de Ponta Grossa. Segundo informações da Embrapa Suínos e Aves (2007).Revista Tecnologia e Sociedade . Após o período de retenção no biodigestor (que pode variar de 20 a 60 dias). Dessa forma. No Brasil. 2012. embora seus elementos estejam em quantidades desproporcionais em relação aos assimilados pelas plantas. o procedimento de simplesmente dispersar os dejetos sobre o solo agricultável sem auxílio técnico. Estes produtos são resultado final do processo de biodigestão. mas que podem ser utilizados como fonte alternativa de energia e de renda. gerando energia térmica para caldeiras de indústrias. em função dessa desproporção. o dejeto suíno é um composto multinutriente. com 14% cada. que podem estar no âmbito do Protocolo de Quioto ou fora dele. ISSN (versão online): 1984-3526 53 Conforme dados da SEAB (2007) e IBGE (2005). há indicações de que as normas ambientais para o tratamento dos dejetos da suinocultura tendem a ser menos restritivas que em outros países. e podem ser utilizados diretamente como biofertilizante (fertilizante natural para plantas ou tanques de algas). . Além disso. produto este que pode ser consumido in loco ou pode ser comercializado na forma de gás (botijões ou canalizado) ou já transformado em energia elétrica.1ª Edição.5 milhões de suínos no estado do Paraná. se faz necessário a ampliação de estudos e de pesquisas para tornar viável sua aplicação para os pequenos produtores possam utilizá-la. Os últimos usos dos dejetos suínos. São cerca de 4. Outra forma de comercialização com a transformação do dejeto suíno em biogás (bioenergia). que são altamente poluidores. como estratégia de comércio. geralmente os dejetos são utilizados para a adubação do solo. Kyoto apliance e os non kyoto apliance. compradores do produto brasileiro. evitando a contaminação de nascentes. é através de créditos de carbono. na fase de criação. a preocupação ambiental no processo produtivo. somente faz agravar a situação dessas terras.

mas estão relacionados à produção (aluguel. NOVAES. acionistas. do valor e das características do produto. Para o levantamento das informações das propriedades. salários administrativos. tanto pelos administradores quanto pelos interessados em investimento (bancos. Não há quantidade ou delimitação exata de quais e quantos índices utilizar. etc. e o tempo (dependente da distância e influenciador direto da formação de estoques e nível de serviço) (BERTAGLIA. Estes índices servem como parâmetro de avaliação da empresa. Para um diagnóstico simplificado dos investimentos. fluxos (cargas de retorno. região de abrangência. A apuração correta de todos os custos envolvidos no transporte. torna-se necessária a análise de investimentos. fornecedores. previsão de despesas. podem-se utilizar índices de balanço. porte do veículo. quanto num futuro próximo (renovação a frota. da disponibilidade do modal escolhido. contemplando fatores como riscos e incertezas. com consultas aos sítios do IBGE e da prefeitura do município de Toledo-PR. é de fundamental importância para o bom desempenho das empresas. 2003). gerando tanto benefícios imediatos (controle e redução de custos desnecessários). manutenção. características das vias. que não podem ser mensurados de forma exata. 147) Alguns dos mais utilizados são: rentabilidade. ISSN (versão online): 1984-3526 54 Custos de Transportes O transporte. aceitação do produto ou serviço pelos clientes. é afetado por dois fatores principais: a distância (trajeto percorrido entre origem e destino). que visa evidenciar determinado aspecto da situação econômica ou financeira de uma empresa. uma das principais atividades da logística. entre outros. entre outros). 2012.1ª Edição. período de retorno deste investimento. que possuem alguma medida de consumo na produção (embalagens utilizadas. entre outros). quilos de material. do custo. “Índice é a relação de contas ou grupo de contas das demonstrações financeiras. órgão regulador ambiental do Estado. tipo de tráfego. De acordo com Martins (1998). Também influenciam nas decisões de tecnologia e de roteirização. os custos são basicamente divididos em diretos. realizaram-se visitas ao escritório do Instituto Ambiental do Paraná (IAP). p. METODOLOGIA A pesquisa foi desenvolvida no ano de 2008. entre outros. entre outros). Ao analisar os custos e despesas relacionadas à atividade. PASSAGLIA. liquidez. 1997).). Estes fatores interferem nas decisões da empresa sobre qual ou quais modais de transporte utilizar. em função da distância. entre outros.Revista Tecnologia e Sociedade . . endividamento. auxiliam na redução do valor do frete) (VALENTE. horas de mão-de-obra. depende apenas das informações disponíveis e da profundidade que se deseja conhecer a empresa.” (MATARAZZO. e indiretos. independente da área de atuação. quantidade de recursos necessários. 2008. Outros fatores que podem afetar os custos são: a quilometragem percorrida. por exemplo. participação de capitais de terceiro.

Tal análise englobou todas as despesas relacionadas ao veículo. fabricada em ferro fundido. incidindo na redução de custos de capital e de operacionalização. por apresentar um erro médio de 2% (relativamente baixo). Esta heurística. despesas com pessoal e encargos sociais. para realizar a respectiva descarga. sendo o veículo com capacidade de carga total de 13 toneladas.000 litros de dejetos por minuto. forma de armazenamento dos dejetos suínos (e/ou tratamento). munido do equipamento necessário. Este modelo. foram coletados dados de 380 propriedades com criação de suínos em fase de terminação. da distância entre eixos. que atendessem à todas as 380 propriedades. No estudo foi empregado o modelo de caminhão normalmente utilizado na região para este tipo de serviço. utilizou-se a análise de Custos Operacionais citada por Valente. a frota é otimizada (por vezes reduzida). indo para outra propriedade e executando o mesmo processo até ter sua carga máxima atingida. se comparado à caminhões semelhantes. foi necessário gerar roteiros. 2012. impostos. origem da água da propriedade e. por ser de fácil levantamento e elaboração. onde foram analisados arquivos e documentos disponíveis das propriedades com licença ambiental de operação na suinocultura. vai à propriedade rural. coleta o dejeto suíno. tudo que esteja relacionado ao . possibilita a verificação de cada componente sob o aspecto monetário. gerar roteiros que respeitam as restrições de tempo e de capacidade. com capacidade de sucção de 1. tem como objetivo. ao equipamento utilizado. com potência de 25 HP. Possui também bom desempenho e rendimento no trânsito em estradas secundárias. da finalidade e da necessidade do cliente. à manutenção. A escolha deste veículo. com quebra-ondas internos para reduzir a sobrecarga ou a movimentação inercial brusca do conteúdo. observadas as características: posicionamento geográfico (latitude e longitude). destinação destes dejetos. Passaglia. As dimensões são adaptadas a cada veículo em função da capacidade de carga. e.Revista Tecnologia e Sociedade . para a coleta de dejetos. enfim. O equipamento a ser instalado na carroceria do caminhão é composto de um reservatório metálico (chapa de aço carbono de 4. mas visando a minimização da distância total percorrida pela frota. Para que fosse realizada a análise correta dos custos de transporte. Ao todo. Diversas empresas transportadoras utilizam este modelo de custos. Novaes (2003). ISSN (versão online): 1984-3526 55 em Toledo. e com vazão de saída de 300 litros por minuto. à medida que o modelo vai gerando roteiros eficientes. Para o cálculo custos de transporte. dirigindo-se então até o centro gerador de bioenergia. além de custo-benefício apropriado. e por ser utilizado em diversos softwares de roteirização. quantidade de suínos. combustível. proximidade de rio ou nascente. justifica-se por apresentar melhor desempenho nas estradas rurais da região (na sua maioria em leito natural).75 mm de espessura). A atividade inicia quando o veículo. com um eixo na carroceria (tipo toco). baseado no método de custos médios desagregados. conseguindo facilidade de acesso e de manobra nas propriedades.1ª Edição. Possui também uma bomba. Optou-se por utilizar a heurística de Clark & Wright para a realização da roteirização.

dados de operação e transporte (Tabela 1). dados de preços. As informações para a análise são divididas em quatro grandes grupos: dados gerais. Para a coleta dos custos dos veículos e do equipamento. foram contatadas empresas revendedoras. . via telefone. 2012. ISSN (versão online): 1984-3526 56 funcionamento do veiculo para coleta de dejetos. dados de operação do veículo e.Revista Tecnologia e Sociedade . internet ou pessoalmente.1ª Edição.

quais sejam: . Passaglia. realizou-se a análise de investimentos.Revista Tecnologia e Sociedade . Novaes (2003). da roteirização. Após a análise dos custos operacionais.1ª Edição. ISSN (versão online): 1984-3526 57 Tabela 1 – Informações para análise dos custos operacionais Fonte: Adaptado de Valente. e da combinação destes para saber da quantidade de veículos necessária para a coleta diária de dejetos nas 380 propriedades. a qual utilizar-se-á de cinco índices de rentabilidade. 2012.

por parte dos produtores. qualquer investimento que proporcione uma rentabilidade igual ou superior a 8% a. o que indica que ocorre uma degradação do ambiente. pois as empresas . produzindo diariamente 1.  Taxa interna de retorno (TIR): é considerado rentável o investimento que apresentar TIR > TMA. As esterqueiras correspondem a 88% do total das propriedades pesquisadas. entre outros.4 toneladas de dejetos. a suinocultura é realizada em pequenas propriedades rurais. utilizam esterqueiras e lagoas de estabilização de dejetos. observou-se que este grupo dispõe de aproximadamente 314 mil suínos.  Taxa de rentabilidade (TR): não é uma medida de rentabilidade de capital mas da capacidade da empresa gerar lucro e poder capitalizar-se. No próximo item. No Brasil. e é uma das formas mais complexas de analisar as propostas de investimento de capital. seja na propriedade ou adjacências. Nas propriedades analisadas no município de Toledo-PR. pois estes dejetos serão utilizados nas lavouras. 2012. e algumas ainda combinam este com a esterqueira.  Valor presente líquido (VPL): reflete a riqueza. e geralmente é realizada pela família do produtor. que encontram nesta atividade uma forma de melhorar sua renda com reduzidas despesas.1ª Edição.  Tempo de retorno do investimento (Payback): em quanto tempo (meses ou anos) o dinheiro investido retornará. serão detalhados os resultados percebidos com as análises propostas. a taxa de juros equivalente a rentabilidade das aplicações corrente de baixo risco. Verificou-se que apenas 11% das propriedades contam com biodigestor. utiliza-se como base a rentabilidade da caderneta de poupança. Ela iguala o VPL a zero. a não credibilidade.515. É realizado analisando-se o fluxo de caixa. ISSN (versão online): 1984-3526 58 Taxa mínima de atratividade (TMA): o projeto deve ser atrativo. por vezes. será viável. medida pela diferença entre o valor presente das entradas e saídas de caixa. em valores monetários. As propriedades restantes. rendendo no mínimo.  RESULTADOS E DISCUSSÕES Após a coleta e análise das informações referentes às 380 propriedades rurais. pode ainda ocorrer o vazamento (pela não retirada dos dejetos ou chuvas excessivas). a uma determinada taxa de desconto. do investimento. A análise é de quanto a empresa obtém de lucro para cada $100 investidos. que atualmente é de 8% ao ano. que possuem terminação de suínos. de que haverá retorno (financeiro e ambiental) e. Isto ocorre devido a fatores como o alto custo para implantação do equipamento. e quando os investimentos (saldos negativos) anularem-se com as entradas de caixa (receitas). quanto maior melhor a rentabilidade. É considerado atraente todo investimento maior ou igual a zero. falta de conhecimento e explicações sobre o sistema.a.Revista Tecnologia e Sociedade . Foi utilizada a função do programa Excel para este cálculo. Ou seja. ter-seá o período de payback.

uma rodagem de um mês para a coleta de toda a rota. Para a análise dos custos.921.186. fazem a entrega e coleta dos suínos.715.36 km no S2 (com 47 rotas e um produtor não roteado) e 4. Optou-se por realizar uma divisão por setores.00 (considerados o valor do veículo.437. O valor total para aquisição de um veículo com equipamento é de R$ 165.43 12. resultou nas seguintes quilometragens: 4.Revista Tecnologia e Sociedade . em havendo apenas um veículo.490. para os cálculos de Custos Operacionais. torna-se indispensável estimar a quantidade de caminhões necessária para a coleta diária dos dejetos.059. almejando reduzir a quilometragem.127. ao equipamento utilizado. o cálculo dos custos do transporte foi realizado com base na metodologia utilizada por Valente.43 km (com 51 rotas).170.715.515. alterando os custos totais finais para a coleta dos dejetos. 2012.19 km. visando a melhoria das condições para a roteirização. .337. o resumo das informações analisadas para a determinação da quantidade de caminhões.19 Tempo 112:06 h 67:36 h 122:55 h 302:37 h Volume dejeto 556. impostos.1ª Edição. Após a compilação das informações das propriedades. à manutenção. foi realizada a roteirização. ISSN (versão online): 1984-3526 59 agroindustriais é que realizam o melhoramento genético. a quilometragem total mostrou-se elevada. perfazendo um total de 12. velocidade média. combustível. Tabela 2 – Resumo de informações para estimativa de caminhões T13 Número de Quilometragem Produtores 139 4. considerou-se que serão necessários 19 caminhões para a coleta diária nas 380 propriedades.00 111 130 380 2.20 Setor 1 (S1) Setor 2 (S2) Setor 3 (S3) TOTAL Fonte: elaboração própria Analisando os dados de roteiro. para que seja aproveitada a totalidade do potencial energético dos dejetos. Passaglia. geração de dejetos. entre outros. Novaes (2003).921.127. determina esta condição.53 km. desenvolvem novas rações.913.490. do equipamento e do primeiro ano de seguro e licenciamento). despesas com pessoal e encargos sociais.36 4. praticamente. num total de 156 rotas. com os três setores.10 1. agregando distritos próximos. A nova configuração. tudo que esteja relacionado ao funcionamento do veículo para coleta de dejetos. com 15.20 462. Na primeira configuração. operando 16 horas por dia e 25 dias no mês. Observa-se uma redução de 3. Na Tabela 2. enfim.40 km no S1 (58 rotas). Englobou todas as despesas relacionadas ao veículo.297. 2. o que implicaria.34 km (ou cerca de 20%) na quilometragem anterior (primeira configuração).90 496. pois o grande volume gerado diariamente. Conforme citado na metodologia.

532 kWh 5.Revista Tecnologia e Sociedade . que equivale a R$ 25.000. configuração das rações e medicamentos utilizados na alimentação dos suínos.000.14 R$ 8. Tabela 3 – Resumo dos custos totais de investimento Descrição Custos (caminhão + equipamento) Quantidade estimada de caminhões Custo total investido Quantidade de motoristas Custo operacional total mensal Despesa com produtores)* compra de dejetos (pago aos T13 R$ 161. Na Tabela 4.059.300 litros. NIJAGUNA. serão necessários R$ 11.000. ISSN (versão online): 1984-3526 60 Na Tabela 3. e demais valores para a análise de investimentos. Portanto. energia elétrica e botijão P13 kg Dejeto Geral T13 (1carga) 1 kg 10. para a geração de 1 m de biogás.00 Investimento Biodigestor (geral)** Manutenção mensal do biodigestor** Fonte: elaboração própria * O valor da compra dos dejetos baseou-se nos valores correntes em outubro/2208.1ª Edição.000.106.00 19 R$ 3.46.403 kg m3 Biogás 0.000. pagamento aos produtores e manutenção do biodigestor.059. na 3 proporção de 1 kg de dejeto para produzir 0. serão necessários cerca de 9.956.000. Constata-se que. instalação do centro de biodigestão. gás carbônico.3 kWh Botijão P13 equivalente 0.000322 33. que influem diretamente na geração e no poder calorífico do biogás. Tabela 4 – Estimativa de geração de biogás. corresponde a R$ 602. equipamentos. 3 2002).534.00.00 a carga de 10. Nesta análise não foram considerados os níveis de metano.1064m de biogás. 2012.5 1.40 kg de dejetos suínos. para o investimento total inicial. foi estimado com base em valores de biodigestores de pequeno porte.950. considerando os caminhões T13 e a implantação do centro de biodigestão. uma estimativa de geração de biogás e equivalência de utilizações possíveis. Estudos apontam a geração de biogás com dejetos suínos.32 R$ 91.00 R$ 100.994.8 m 3 Fonte: elaboração própria .1064 m 3 Energia elétrica 0. A despesa mensal. uma estimativa geral dos custos para a aquisição dos caminhões. com período de retenção de 30 dias (Lucas Junior apud SOUZA et alli 2008.00 38 R$ 410. considerado neste valor a compra do terreno para implantação. que inclui o custo operacional total dos veículos. ** O valor do investimento e manutenção do biodigestor. com o mesmo período de retenção.

0 kWh.18 R$ 1.731.00/m . A companhia de energia elétrica do Estado.9 cargas de 10. hoje equivalente a madeira e carvão que são utilizados.155. em média².612. Após o período de retenção necessário para a geração do biogás.300 kg. ocorra uma perda de aproximadamente 40% com líquidos e subprodutos.961.1622 (outubro/2008).1622 / kWh). e será comercializado ao preço do kWh para a área rural.75 kWh 4.2 kg de dejetos ao dia.23 R$ 55.68 R$ 3.00 / 3 m .85 kWh 2. justificando que este biogás poderá ser utilizado pela agroindústria processadora do município.68).300 kg) Total Quantidade mensal 3 1. que podem gerar as quantidades de biogás e energia elétrica da Tabela 5.558 kg). 3 Para a equivalência de geração de energia elétrica.425. o dejeto deverá ser retirado e poderá ser comercializado como biofertilizante ou biocarvão. podendo o restante ser comercializado como biofertilizante (22. Tabela 6 – Resumo das estimativas de receitas Descrição Venda de biogás Venda de energia elétrica Venda de biofertilizante (carga de 10.1ª Edição.885.19 (um real e dezenove centavos).95 m Fonte: elaboração própria Para exclusiva finalidade de análise de investimentos. ou 2.930 kg Biogás 0.515.314. do volume inicial de dejetos.00 cada carga (totalizando receitas de R$ 55. serão produzidos e coletados 37. vendido a R$ 1. e considerados 25 dias de operação no mês. R$ 1. o valor 3 de venda do m de gás natural para fins industriais é.Revista Tecnologia e Sociedade .885.173.18 m 12.1064 m 3 3 Energia elétrica 0. Tabela 5 – Potencial de geração de biogás e energia elétrica com a coleta proposta no município de Toledo-PR Dejetos 1 kg 37.173. no mês de outubro de 2008. vendidas a R$ 25. ISSN (versão online): 1984-3526 61 Segundo informações obtidas no sítio da COMPAGÁS (2008).062. Estima-se este percentual por presumir que a agroindústria local utilizaria este volume de biogás. comercializa o kWh de energia para a região rural do município por R$ 0. Para a análise de rentabilidade do presente projeto.206 Valor mensal R$ 1. da companhia local de energia (R$ 0.206.629.930 kg de dejetos. 2012. O restante será transformado em energia elétrica. um resumo das estimativas de receitas. considera-se que serão comercializados 40% do biogás produzido na forma de energia 3 térmica.425. será considerado o valor de R$ 1. Estimou-se que. Com a geração de 1.188.612.031. que poderia beneficiar-se ao investir em semelhante projeto.532 kWh 20. cada m de biogás pode gerar 5. Na Tabela 6.437.093.09 Fonte: elaboração própria .114.515.

05 ao final do segundo ano. Seu critério de decisão é: se TIR > TMA. a empresa pode gerar R$ 140. por convenção. realizou-se a análise de investimentos e viabilidade. aprovação de projetos.021. considerando que.1ª Edição. verificou-se que a TR = 140. para ser produzido. indicando bom retorno do investimento.80 de lucro.  foram realizados lançamentos para apenas dois anos. não havendo qualquer produção e conseqüente receita. 2012. Neste caso mostrou-se significativo e viável o investimento. No modelo T13. A Taxa Mínima de Atratividade (TMA) é o percentual que se estipula como o mínimo de retorno do projeto. com esta. foi de um ano e sete meses. poderão ser auferidos cerca de R$ .Revista Tecnologia e Sociedade . considerado bastante salutar para a empresa. pois. Na presente análise. licenciamentos. no primeiro mês não haverá receita. para cada R$ 100. a TIR foi de 12% até o final do segundo ano. o valor recebido no investimento escolhido deve ser igual ou superior a esta taxa. após a elaboração e aprovação de um projeto de MDL e. foi de R$ 14. Não é uma medida de capital mas. Este índice analisa qual a relação entre $1 hoje e $1 no futuro. O critério para decisão do investimento é: se VPL>0. da capacidade da empresa gerar lucro. utiliza-se a rentabilidade da caderneta de poupança. caso o dinheiro fosse investido em outra aplicação renderia um valor percentual. ISSN (versão online): 1984-3526 62 Alguns fatores limitantes foram impostos:  no primeiro ano serão apenas realizados investimentos. o biogás precisa do tempo de retenção de 30 dias. É considerado um dos melhores métodos para analisar projetos de investimento. O período de payback (retorno do investimento). trabalhando com fluxos de caixa descontados (foi considerada uma taxa de 8% ao mês). constatou-se que o Valor Presente Líquido (VPL). Outra receita que pode advir com a implantação do investimento é a venda de créditos de carbono. pois seu resultado é na moeda corrente da análise (R$).80. A Taxa Interna de Retorno (TIR) representa a taxa de desconto que iguala fluxos de entrada com fluxos de saída. e com o auxílio da planilha eletrônica Excel.422.  no segundo ano de operação. Ou seja. No Brasil.  apenas no quinto mês do segundo ano a receita foi considerada total. e  não foi considerada a venda de créditos de carbono na análise de investimentos Com estas informações disponíveis. neste período.00 investidos no projeto. aceita-se o projeto. quando todos os investimentos e despesas foram pagas e a empresa começa a ter lucros. indica quanto a empresa ganhou ($) ao investir $ 100.  as despesas foram consideradas totais desde o primeiro mês do segundo ano. que atualmente é de 8% ao ano. A Taxa de Rentabilidade (TR).  as receitas do segundo ao quarto mês contemplam apenas a venda de biogás. aceitase o investimento. Ou seja. serão realizados testes e quantificações para a geração de energia elétrica.

Observou-se que 88% das propriedades possuem esterqueiras como destino dos dejetos. tanto para os produtores de suínos. é necessário que sejam realizadas visitas a todas as propriedades em estudo. Após a coleta e análise das informações. quanto para a região em que está inserida a cidade de Toledo. com a venda do dejeto suíno para a geração de . ISSN (versão online): 1984-3526 63 1. Existe matéria-prima (dejetos) em grande quantidade. Para que se possa optar por este ou outro caminhão. constata-se que o investimento inicial. Não foram considerados. pois o volume de dejetos coletado diariamente e o potencial de geração de biogás e energia elétrica são justificáveis.72 por ano. foram selecionadas 380 propriedades rurais. são conhecidas as formas e as metodologias para a elaboração de projetos de Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL) e de biodigestão. com o modelo de caminhão 13 toneladas. Quanto à análise de investimentos e viabilidade. em propriedades rurais do município de Toledo. CONCLUSÕES O principal objetivo do trabalho foi analisar os custos operacionais e a viabilidade para a implantação de um sistema de coleta de dejetos suínos (fase de terminação). considerando a redução de 149. as demais são pequenas. Para o estudo. com risco de contaminação do solo e dos mananciais hídricos. no entanto observou-se que as receitas auferidas são dignas de consideração. utilizando a heurística de Clark & Wright. Conclui-se. Esta pode ser uma sugestão para trabalhos futuros.698. e o preço de venda de R$ 11.Revista Tecnologia e Sociedade . comprovando a asserção de que a atividade de suinocultura abrange principalmente pequenos produtores. são engordados cerca de 314 mil suínos. os custos ambientais (favoráveis ou não ao projeto). bem como as externalidades negativas e/ou positivas que poderão advir com a implantação do projeto.294 toneladas de CO2 e. pode ser considerado elevado. observouse que é viável a transformação de dejetos em biogás e energia elétrica.515. sendo utilizados como fertilizante nas lavouras da propriedade ou redondezas. 2012.965. na presente análise. com um regime de trabalho familiar. que é viável a elaboração e a implementação de projeto desta natureza na região analisada. buscando incrementar sua renda de diversas formas.1ª Edição. para geração de bioenergia. portanto. bem como a geração de energia térmica ou elétrica com o biogás produzido. Nas propriedades analisadas. que produzem diariamente 1.4 toneladas de dejetos (urina e esterco). podendo ser factível uma roteirização com a combinação de mais de um modelo de caminhão.00) por tonelada. bem como o levantamento das informações das estradas a serem utilizadas. foram realizadas duas configurações.38¹ (ou US$ 5. Outro aspecto positivo é a possibilidade de uma nova fonte de renda para o produtor rural. para averiguação e descrição das barreiras físicas ou naturais. Para a realização da roteirização. constatando-se que apenas uma propriedade enquadra-se como média.

usp. n. Este artigo foi financiado pelo CNPQ REFERÊNCIAS ABIPECS – Associação Brasileira Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína. custos de transportes). . C. Disponível em: <http://sistemasdeproducao. Transportes. ISSN (versão online): 1984-3526 64 bioenergia. 3. ABCS – Associação Brasileira de Criadores de Suínos. tanto dos residentes no campo quanto na cidade. para que os danos ambientais sejam controlados/monitorados. minimizando a poluição e a degradação dos mananciais hídricos. 2. 2007.Revista Tecnologia e Sociedade . Gestão de estoques na cadeia de logística integrada : supply chain. 2003. R. A retirada destes dejetos das propriedades melhora o quesito ambiental destas e das propriedades adjacentes.536. p.jsp>. Suínos e Aves. Acesso em: 3 ago. resultando em novas fontes de renda e energia aos produtores rurais. 2012.html >. da cadeia de CHING. ed. dependendo do volume consumido diariamente.277. Disponível em: <http://www. 8 . Nota de fim_______________ ¹ A cotação do dólar era de R$ 2. agregando valor a um resíduo que geralmente é desperdiçado.pdf>. Aspectos práticos da aplicação de modelos de roteirização de veículos a problemas reais. Y. 509 p. Disponível em: <www. 2000. H. B. CUNHA. Logística e gerenciamento abastecimento.cnptia. 5174. Acesso em: jul. Disponível em: <http://www. P. Espera-se.org. 2007. instigar pesquisadores a desenvolverem novas pesquisas relacionadas ao tema (suinocultura. Acesso em: mar. 2007.br/ptr/docentes/cbcunha/files/roteirizacao_aspectos_pratic os_CBC.1ª Edição.abipecs. com o presente trabalho. 220 p. EMBRAPA Suínos e Aves – Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias.org. Acesso em: jul. tornando mais adequada a qualidade de vida. utilização de dejetos. 2007.0641 a R$ 1. além de propiciar ao produtor a possibilidade de ampliação do plantel. São Paulo: Atlas. BERTAGLIA.embrapa. v.ptr.poli. no dia 18 de novembro de 2008 ² O valor coletado no sítio da Compagás varia de R$ 1. São Paulo: Saraiva.br/portal/index2.br/estatistica> . abcs. 2008.br/ FontesHTML/Suinos/ SPSuinos/index.

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br. entrelaçando aspectos teóricos e resultados de estudos empíricos. relacionando os aspectos institucionais da integração com os resultados de políticas comuns. de forma particular. O objetivo deste artigo é discutir a efetividade da Política Industrial Comum no Mercosul com base na sua institucionalidade. Mercosul should maintain 5 Rogério Santos da Costa: Doutor em Ciência Política. . Efetividade Abstract The Industrial Policy is an instrument of industrial development in regional integration processes. Mercosul. Professor da Unisul – Universidade do sul de Santa catarina. e tem limitada ou possibilitada sua efetivação em função do aporte institucional comunitário. atuando no Curso de Relações Internacionais. No Mercosul.Revista Tecnologia e Sociedade . Procura-se com o artigo aprofundar o debate sobre as instituições em processos de integração. Palavras-chave: Institucional. como Coordenador de Pesquisa e do GIPART. and its effectiveness is limited or enabled depending on the institutional community contribution. processos de integração e Política Externa Brasileira. possui pesquisas na área de instituições internacionais. in particular.com.1ª Edição. it has not been an effective instrument of deepening the relationship between member countries. With a historicalinstitutional approach. particularmente na região da América do Sul. In Mercosul. this paper suggests that without institutional density. e de desenvolvimento industrial. como Professor Colaborador do Programa de Pós-Graduação em Administração. linking theory and results of empirical studies. Mestre em Administração. cabendo estabelecer por que e como as instituições de integração colaboram para este resultado. aponta-se que sem densidade institucional o Mercosul manterá sua dinâmica de instabilidade. and industrial development. and it must be established the reason why the integration institutions collaborate to this result. relating the institutional aspects of integration with the results of common policies. ISSN (versão online): 1984-3526 67 Política Industrial Comum no Mercosul: apontamentos sobre o papel das instituições Common Industrial Policy in Mercosul: notes on the role of institutions Rogério Santos da Costa 5 Resumo A Política Industrial é um instrumento de desenvolvimento industrial em processos de integração regional. ela não tem sido um instrumento efetivo de aprofundamento dos laços entre os países membros. The aim of this paper is to discuss the effectiveness of Comonn Industrial Policy in Mercosul on the basis of its institutions. Com uma abordagem histórico-institucional. 2012. Política Industrial Comum. E-mail: paralelosc@uol. Graduado em Economia.

Institutional Effectiveness. o de instituição. Nesta seção. de forma particular.tanto é que são citados aqui mas se deixados apenas nesse nível. O ponto de maior destaque aqui é fugir ao corriqueiro debate sobre supranacionalidade e intergovernamentabilidade. bem como as dimensões de confiança e complementaridade econômica. e de desenvolvimento industrial. bem como para a transformação de Políticas Externas individuais em Política Pública Comum. Não que esses debates deixem de ter sentido . algumas comparações servem para mostrar caminhos possíveis. Adota-se neste artigo um arcabouço de referências específicas sobre a temática. segundo . Na próxima seção situam-se o tema e a importância de instituições em processos de integração. utiliza-se de resultados de pesquisa específica sobre o Subgrupo de Trabalho nº 7 – Indústria e Tecnologia.1ª Edição. cai-se nos mesmos dilemas de estudos tradicionais na área os quais retiram o caráter histórico e específico de cada formação social. de uma forma geral. ISSN (versão online): 1984-3526 68 their dynamic instability. 2012. do Mercosul. sem. Procura-se fomentar o debate sobre instituições em processos de integração. transformando Políticas Externas em Políticas Públicas Comuns. ou mesmo de simples comparações descontextualizadas entre União Europeia e Mercosul. Na seção seguinte observa-se a interrelação entre as temáticas da integração regional. onde evidenciam-se aspectos históricos e experimentais. no mínimo. Opta-se pelo conceito de efetividade como sendo a capacidade de uma instituição em produzir os resultados desejados para a sua existência. terem de ser seguidas estritamente. O artigo possui mais três seções. a uma União Aduaneira. Na última parte a abordagem está centrada nos aspectos institucionais do Mercosul e nas possibilidades e limitações que existem no bloco para a efetividade de uma Política Industrial Comum. com destaque para o papel da complementaridade e difusão tecnológica. o de processo de integração regional como o agrupamento de países com intuito de aprofundar suas relações para além de uma área de livre comércio. além desta introdução e das considerações finais. Keywords: Common Industrial Policy. Introdução O objetivo deste artigo é discutir a efetividade de uma Política Industrial Comum no Mercosul com base na sua institucionalidade.Revista Tecnologia e Sociedade . passando. It also intends to go further into the discussion on the institutions in integration processes. Mercosul. bem como os resultados de pesquisas realizadas nos últimos anos tendo como objeto o Mercosul e suas instituições. do desenvolvimento e da Política Industrial. além de referências de estudos na área. contudo. abordando a importância de uma Política Industrial Comum para o alcance dos objetivos de desenvolvimento econômico na integração regional. relacionando os aspectos institucionais da integração com os resultados de políticas comuns. pressupondo que estas possuam um importante papel na canalização de demandas e ofertas. Por outro lado. particularly in the region of South America.

por fim. 1974). 2012. Instituições em processos de integração A década de 60 do século passado presenciou um incipiente debate sobre o papel das instituições nas Relações Internacionais. indicam que o papel das instituições foi fundamental para a concretização ou não dos objetivos almejados (SILVA. desenvolvimento socioeconômico. 2011. Foi depois do choque do Petróleo da década de 70 que os estudos sobre as instituições internacionais ficaram mais fortes. SHMITTER. levantando a problemática do alcance da política de poder que poderiam adotar as grandes potências na busca de seus interesses de Política Externa. Um movimento concomitante estava em gestação e atingiria fortemente todo o mundo. COSTA. 2003. prevaleciam as teses do pós-II Guerra de que instituições internacionais são mero apêndices da Política Externa dos Estados. O fenômeno da integração e suas instituições ganhava corpo. gerando a desconfiança sobre as teses realistas nas relações internacionais. OLIVEIRA. Porém. As experiências entre um e outro processo de integração. visão fortalecida pelo fracasso da Liga das Nações e a ocorrência da Guerra. NYE. Até aquele momento. De uma forma geral. restringem atividades e modelam expectativas dos homens e Estados. as experiências de integração regional explicitam que suas instituições precisam fazer o papel de canalização das demandas. o Europeu e o latino-americano. e a América Latina passava a ser uma das melhores opções da busca do desenvolvimento socioeconômico (HASS. a questão sobre a importância das instituições internacionais passa a ser sucedida por interpelações sobre a cientificidade de sua aceitação ou rechaço. sustentável ambientalmente. . mas sim de que forma e em que circunstância sua importância impactava as preferências dos Estados e o Sistema Internacional (KEOHANE. A pergunta a partir de então não era se as instituições internacionais importavam ou não. culminando na necessidade de estudos sobre o papel e o impacto delas no sistema internacional. resolução de conflitos e criação de um ambiente de avanço progressivo nos objetivos integracionistas. As grandes potências sucumbiram à imposição de preços de pequenos países a por causa desta Organização Internacional. e.1ª Edição. As Comunidades Europeias passavam cada vez mais a aprofundar a integração regional e a discutir as instituições em seu processo de integração regional. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) havia desferido um golpe muito forte no centro do sistema capitalista. 2009). 1964).Revista Tecnologia e Sociedade . 2011). dando confiança ao processo e mantendo a região como um espaço propício ao crescimento econômico. estável politicamente. ISSN (versão online): 1984-3526 69 Keohane (1980). o de Política Industrial como sendo toda ação do Estado ou Instituição Comunitária para promover a produtividade e a competição da indústria e o crescimento e desenvolvimento socioeconômico de um país ou conjunto de países. como um persistente e conectado conjunto de regras que prescrevem comportamentos. e unitário em suas ações externas (MALAMUD.

é o progresso tecnológico autônomo que resultaria da dinâmica regional integrada. e na resolução dos conflitos que virão em um processo desta magnitude. senão. praticamente impossíveis sem uma ruptura conflituosa. principalmente no que diz respeito ao aprofundamento da integração. A mesma década de 60 que suscitou o debate sobre instituições internacionais e sobre estas em processos de integração regional também serviu para o debate sobre as implicações econômicas nestes processos. 2006). Em um processo de integração regional. ISSN (versão online): 1984-3526 70 Essas condições posicionadas de forma sustentável no espaço e tempo indicam a transformação dos processos de integração em um bloco econômico. uma vez que se conseguem obter economias . 2012. Desenvolvimento e Política Industrial É fato que um processo de integração regional não trate apenas de seu caráter econômico. e esse nem precisa exatamente ser um viés principal. apesar de as experiências apontarem na direção de liderança da área econômica sobre as demais. Nessa situação podem alcançar a posição de polo de poder.1ª Edição. Em se tratando de processos de integração regional. O formato institucional indica. entre as quais é de fundamental importância a Política Industrial pelo impacto econômico e social que viabiliza ou retarda a aderência dos Estados participantes. no sentido da unidade de ação de política externa de seus membros. No entanto.Revista Tecnologia e Sociedade . tanto dos nacionais de países mais fortes. e um segundo. considerando a abordagem de organizações internacionais de Rittberg e Zangl (2006). as intenções que os Estados-membros possuem para a integração. o retrocesso ou a estagnação vão ser muito danosos para os Estados. Balassa (1961) delimita uma série de vantagens e consequências dos processos de integração regional. por meio de complexos processos políticos e decisórios. Trata-se. correlacionado ao primeiro. Integração Regional. caótica e geralmente bélic¹. PENNA FILHO. as instituições possuem um papel-chave na canalização de interesses e objetivos. em um desenho de sistema internacional de multipolaridade em blocos. pode haver um momento em que a volta. ele perde legitimidade. Assim. chamando a atenção para dois planos de impactos importantes para a discussão do presente artigo. de uma condição institucional capaz de transformar as políticas externas dos países membros de um grupo em políticas públicas das instituições. por seu turno. quanto do interesse nacional dos mais fracos membros do processo (MENEZES. Um primeiro diz respeito à economia de escala que proporcionaria o aprofundamento de um processo de integração. No próximo item especifica-se um pouco da importância da Política Industrial para o desenvolvimento socioeconômico e o processo de integração regional. da complementaridade econômica e da coesão política e social da área integrada. significa criar consistentes Políticas Públicas Comuns. Pode concluir-se que a integração conduzirá a um progresso tecnologico autônomo. sem resultados positivos em termos de desenvolvimento socioeconômico.

e. Assim. para cada crise ou entrave na integração europeia. Os alargamentos foram sendo feitos.1ª Edição. pelo desestímulo com resultados negativos que os membros ou algumas regiões sofrem³. A última conclusão é fortalecida pelas perspectivas de crescimento acelerado numa área integrada. indução. Espera-se que estes efeitos benéficos da integração sobre as alterações tecnológicas autónomas surjam no Mercado Comum Europeu. esta viria junto com complementaridade. bem como nos projectos de integração latino-americanos (BALASSA. Os europeus trataram sua integração desde o início como superação de rivalidades históricas e com problemas de assimetrias. ISSN (versão online): 1984-3526 71 de escala na investigação quer ao nível nacional quer ao nível da empresa. foram fundamentais para a inserção positiva de Portugal. à medida que a integração encontrava seus limites. 2012. Políticas Públicas Comuns em processos de integração devem fazer o mesmo papel para o qual são acionadas nos âmbitos nacionais. A institucionalidade da União Europeia não significou. 1961. os segundos pela atuação proativa das estruturas estatais de forma conjunta.Revista Tecnologia e Sociedade . Estudos empíricos mostram como o desenvolvimento tende a ser desigual no espaço e tempo². Por isso. particularmente o Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional – FEDER. e também é provável que se façam maiores despesas com a investigação e o desenvolvimento após a abolição das barreiras aduaneiras. a resposta veio com mais integração e mais institucionalidade. seu caráter neofuncionalista lhe conferiu um movimento de estruturação ad hoc. 2011ª). p. mesmo com complexa reintrodução dos problemas de assimetria e de desigualdade de desenvolvimento socioeconômico. Porém. direcionamento e adequação das dinâmicas integracionistas. É possível e necessário ir além. necessariamente. Grécia e Espanha. os primeiros como consequência das atividades individuais de cada ator na economia. 266). foi da percepção sobre a necessidade de tratar especialmente os problemas de assimetria que a União Europeia criou uma série de mecanismos para a diminuição de seu impacto. uma estrutura pensada desde seu início. Esse movimento conferiu-lhe um caráter de bloco . e que em processos de integração regional podem significar o seu fim. É de destacar que.O próprio Balassa produz análise específica para alertar sobre os efeitos nefastos que acarreta a falta de uma atenção especial sobre as assimetrias e o desenvolvimento regional desigual. introduzindo na Política Industrial Comum em processos de integração um olhar para os seus impactos regionais. ou seja. para tornar a integração algo mais do que competição. a promessa elencada por Balassa aponta para a necessidade de Políticas Comuns de uma forma geral. O viés econômico deste autor clássico no estudo de integração alerta para movimentos autônomos e induzidos. processual. Apesar das controvérsias apontadas sobre as características da institucionalidade da integração no “velho mundo”. para capacitar o processo em uma direção de indução do desenvolvimento. Os fundos europeus. e Políticas Industriais em particular. da complementariedade econômica e de ganhos mútuos em termos de difusão tecnológica. e mais recentemente para os antigos países da Europa do Leste (COSTA.

e uma das principais e foco deste trabalho. Não se trata aqui de cair no erro comum de análise da temática. no apoio às pequenas e médias empresas. Consiste. ISSN (versão online): 1984-3526 72 econômico. Tratou-se de um aporte normativo da concorrência e das possibilidades de entrada de empresas estrangeiras. De uma forma geral. na busca de instituições com densidade suficiente para transformar os interesses nacionais dos Estados membros em Políticas Públicas. O próximo item é reservado à exposição e ao debate e crítica sobre a situação do Mercosul. Efetividade de uma Política Industrial Comum no Mercosul A questão da efetividade de uma Política Industrial no Mercosul passa. há muito estão prensentes no processo de integração regional europeu. de uma visão de médio e longo prazos. 2009). sua institucionalidade e efetividade de uma Política Industrial Comum. em 1994. conseguem ter uma forte complementaridade econômica com nenhuma instituição comunitária (OLIVEIRA. pois que arranjos econômicos menos densos que a integração regional. foi feito considerando os impactos e possibilidades da indústria comunitária por uma Política Industrial Comum oriunda das instituições do processo integracionista e por essa sendo coordenada. e é com base nela que apontamos a linha argumentativa. 2012. passando a um mercado comum de forma planejada. no fechamento de empresas. ou seja.1ª Edição. a Política de Cooperação ao Desenvolvimento. Isso significa uma ampla gama de Políticas Comuns. Desde o Protocolo de Ouro Preto. minimizando os impactos no desemprego. em Políticas Comuns do processo de integração. em comunhão com o exposto no item anterior. bem como no incentivo às pesquisas e desenvolvimentos no seio das indústrias. conforme longo estudo de Oliveira (1999). precisa-se da internalização legal das normas emanadas do bloco por parte dos Estados . arguindo a necessidade de uma supranacionalidade. como a Associação de Nações do Sudeste Asiático – ASEAN.Revista Tecnologia e Sociedade . de produtos do exterior e hierarquia de preferências de importação. a Política Industrial reflete toda a fragilidade institucional deste importante processo de integração regional. O próprio processo de integração da Europa. a Política de Meio Ambiente. a Política Industrial Comum da União Europeia. a estrutura institucional ali definida para o Mercosul é intergovernamental. pelo entendimento das limitações e possibilidades que o processo possui do ponto de vista institucional. A Política Industrial Comunitária Europeia significou um forte impulso para a indústria da região suportar as transformações da Terceira Revolução Tecnológica. necessariamente. de disponibilidade de recursos para investimento. A busca da complementaridade econômica e a diminuição dos impactos das assimetrias. incluindo a Política Energética. 2011ª). reconhecido em fóruns internacionais como um só ente negociando com os demais grupos de países (SILVA. na perda de competitividade.

1ª Edição. gerando dificuldades de confiança e planejamento de médio e longo prazos (PEÑA. como couros. O que se pode chamar de Política Industrial Comum no Mercosul resulta dos trabalhos do Subgrupo de Trabalho nº 7 – Indústria e Tecnologia. madeiras e móveis. remetendo à dificuldade de um ambiente para a criação de Políticas Públicas Comuns. uma representação do bloco nessas principais estruturas institucionais. 4 Em uma avaliação geral desde que foi criado . A flexibilidade institucional do Mercosul. As assimetrias dificultam uma relação de aprofundamento como resultado das diferentes demandas e ofertas de instituições de cada membro. Embora seus objetivos sejam amplos e até indiquem a existência de uma incipiente Política Industrial Comum. por sua vez. mas sim tratar de integrar onde as possibilidades históricas e conjecturas assim os permitirem. Esse órgão. Os limitadores de avanço do processo de integração regional mercosulino do ponto de vista institucional são de várias ordens. percebe-se que os trabalhos do Subgrupo nº 7 tiveram poucos resultados concretos. pois nenhuma decisão no âmbito do Mercosul estabeleceu uma conduta comum impactante para a complementaridade industrial regional. ROZEMBERG. e a de Propriedade Intelectual. Promoção Industrial. Indicadores de Competitividade. principalmente os mais importantes. 2002). Essa estrutura revela as bases pressupostas de criação e desenvolvimento do bloco pelos seus fundadores. as regras do jogo criadas não são cumpridas. entre eles os subsidiários como os Subgrupos de Trabalho. no sentido de geração de Política Pública Comum. pois que já acostumadas a garantidos canais de acesso pelas instituições nacionais (VIGEVANI. A primeira representa uma política de avanços e retrocessos (stop and O) na integração sempre que houver dificuldade de algum membro. ou seja. Um outro aspecto relevante é que os Estados membros possuem grandes assimetrias entre si. . possui reuniões ordinárias semestrais e é composto pelos nacionais dos países membros ligados aos seus respectivos Ministérios de Indústria e Comércio. além de Cadeias Específicas. 2005). para estes. mas não de evitá-los (PEÑA. tem sido capaz de resolver problemas. 2007). Também possui grupos que abordam as questões específicas como Reuniões de Competitividade. 2006-2007). e a segunda revela a ideia de não formar objetivos de longo prazos. principalmente. calçados. resultando em uma “inflação normativa” pela falta de decisões (BOUZAS. a de Qualidade e Inovação. Não há. neste sentido. Os principais órgãos da integração. Pequenas e Médias Empresas e Artesanato. A estrutura do Subgrupo foi se estabelecendo pela criação de Comissões Temáticas: a de Micro. Mesmo com institucionalidade pouco densa. 2012. ISSN (versão online): 1984-3526 73 membros a fim de que. sua atuação foi limitada. Outro aspecto relevante é a percepção negativa das elites industriais do Brasil sobre a necessidade de instituições comunitárias densas.Revista Tecnologia e Sociedade . tenham validade. é subsidiário dos órgãos de decisão do Mercosul (notadamente o Conselho do Mercado Comum – CMC). são formados por representantes dos Estados membros oriundos de órgãos públicos. criado em 1998. a flexibilidade e o gradualismo. Essa postura é identificada na literatura de integração como neofuncionalista.

ISSN (versão online): 1984-3526 74 o que dificulta a execução dos trabalhos. e os impactos de uma política industrial comum no desenvolvimento socioeconômico dos países integrados. e que a Política Industrial Comum mercosulina é limitada a algumas ações de conhecimento. bem como uma inserção como polo de poder nos sistema internacional. verificou-se que a estrutura institucional do Mercosul possui sérias limitações para a produção de Políticas Públicas Comuns. Pensando na agregação dos temas aqui tratados. e apesar do pouco material disponível que traga informações sobre as ações do Subgrupo de Trabalho nº 7. e mais colaborando para a troca de informações e experiências das congêneres nacionais dos Estados membros. de Políticas Comuns entre os Estados partes. Se são consistentes os objetivos dos países membros de alcançarem desenvolvimento socioeconômico. para a efetividade de uma Política Industrial no Mercosul. O Mercosul possui baixa densidade institucional. Esta é a diferença entre um Processo de Integração e um simples acordo comercial. evidenciando a dificuldade de sua efetividade. de buscar complementaridade e desenvolvimento socioeconômico conjunto. de aproveitar as potencialidades de cada país. Nesse cenário. e de alargar as capacidades de competitividade. então o Mercosul precisará ser repensado no tocante ao aprofundamento da integração e ao fortalecimento da sua institucionalidade. observou-se. mas apenas embrionário e retroalimentador. antes de tudo. em um trabalho com resultados de médio e longo prazo. Sua atividade precisaria resultar em decisões de Políticas Públicas Comuns da instituição Mercosul. em um ambiente cada vez mais multipolar em blocos.Revista Tecnologia e Sociedade . historicamente dificultados pelas precárias condições macroeconômicas e as consequentes instabilidades. que serviriam de motivador e balisador das preferências dos Estados para materem-se e impulsionarem o processo de integração como um todo. comparados aos anos anteriores de formação. É certo que nos últimos 10 anos ocorreram muitos avanços estruturais nesta integração. 2012. Buscou-se apontar elementos institucionais de processos de integração regional. a formação de um bloco políticoeconômico. Mesmo assim. . Considerações Finais O objetivo deste artigo é discutir a ideia de uma Política Industrial Comum no Mercosul. Além disso. diante das atas de reuniões ordinárias e extraordinárias.1ª Edição. está menos formando Políticas Públicas Comuns. harmonização e aproximação feito pelos nacionais no Subgrupo de Trabalho nº 7 é fundamental. que seu papel é fundamental para o início de uma Política Industrial e Tecnológica Comum. em função da institucionalidade própria deste processo de integração regional. mas consistente. Trata-se. no sentido de produzir os resultados desejados de complementaridade industrial. harmonização e aproximação do Subgrupo de Trabalho nº 7 – Indústria e Tecnologia. o trabalho de conhecimento. ou seja. cada Estado tenta criar seus mecanismos internos de Política Industrial. o prazo e a consolidação lenta.

int/. 2006). NYE. Rogério Santos da. Joseph S. august 2002. Hamburgo. 265286. 4 (autumn. 2003. Robert. “Economics and differential patterns of political integration: projections about unity in Latin American”. e os constantes descontentamentos de Uruguai e Paraguai no Mercosul. Florianópolis: Ed. o Mercosul e a América do Sul”. 2011a. quanto para a União Europeia. mas certamente com consequências danosas para sua economia. IN: SILVA. World Politics. pp. da UFSC: Fundação Boiteux. No entanto. 1974.. “Instituições em processos de integração: êxitos. talvez uma solução intermediária pra si mesmo. Arbeitspapier nr.mercosur. 705 – 734. 1 São exemplares os estudos sobre a ALALC – Associação Latino-Americana de Livre Comércio. Instituciones y mecanismos de decisión en procesos de integración asimétricos : el caso MERCOSUR. . Notas__________ 1 Em 2012 apresenta-se a experiência da Grécia como ilustrativo dessa situação. a efetividade de uma Política Industrial Comum do Mercosul passa pelo realinhamento de sua institucionalidade buscando transformar as decisões e aplicações do bloco em Políticas Públicas Comuns. Ernest B. Mercosul e União Europeia: o estado da arte dos processos de integração regional. Karine de Souza Silva. ______ “Políticas de Desenvolvimento Regional em processos de integração: comparações entre a União Europeia. IN: SILVA. (http://www. 2011. HASS. COSTA. 1961. Philippe C.Revista Tecnologia e Sociedade . BOUZAS. Nesse sentido. vol. Transgovernmental Relations and International Organization. sair da zona do Euro seria a melhor solução para a integração. ISSN (versão online): 1984-3526 75 principalmente pela formatação do Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul – FOCEM. Roberto. pp 177-204. Institut Für Iberoamerika-Kunde. Hernán. Lisboa: Livraria Clássica Editora. dilemas e perspectivas do Mercosul”. International Organization. no. Para este país. 27.1ª Edição. 1 O caso brasileiro é exemplar: a industrialização desde 1930 produziu grandes desequilíbrios regionais no país. Karine de Souza. KEOHANE. 1 Análise baseada nos documentos do Subgrupo de Trabalho nº 7 – Indústria e Tecnologia do Mercosul. Bela. pesquisados no site da instituição. que possui seu fracasso associado ao descontentamento dos países menores com os resultados relativos da integração. SHMITTER. pelo efeito demonstração. Florianópolis: Editora Modelo. pp. 1. fazer parte da integração tende a ser a melhor escolha possível. tanto para a Grécia em termos de consequências e capacidades de recuperação. 18. Teoria da integração econômica. PENNA FILHO. 2012. 1964). MENEZES. Acesso entre fevereiro de 2011 e junho de 2012). sempre barganhando maiores fatias de benefícios sob ameaças de deixar o bloco (Ver: MALAMUD. Referências BALASSA. SOLTZ. As relações entre a União Europeia e a America do Sul: convergências e divergências da agenda birregional.

MALAMUD. Tullo et al. soberania e a percepção das elites. Karine de Souza. SILVA. New York: Palgrave Macmillan. 325-352. Belo Horizonte: Ed. 2009. ISSN (versão online): 1984-3526 76 KEOHANE. PEÑA. O papel da integração regional para o Brasil: universalismo. 2011a. Una aproximación ao desarrollo institucional del Mercosur: fortalezas y debilidades. 2007. segurança e integração. Documento de Divulgación nº 31. Mercosul e União Europeia: o estado da arte dos processos de integração regional. União Européia: processo de integração e mutação. 2006. Instituições internacionais: comércio. Odete Maria de. Alfredo da Mota. In: ESTEVEZ. politics and policies. Curitiba: Juruá. Volker. Brasília. dez/jan/fev 2006-2007. Bernard. RITTBERG. nº3. “As Instituições da União Europeia e as alterações introduzidas pelo Tratado de Lisboa”. PUCMinas. Andrés. ROZEMBERG. Política Externa. Ijuí: Editora Unijuí. I Encontro da ABRI – Associação Brasileira de Relações Internacionais. Paulo Luiz (Org. Rio de Janeiro: Campus/Elsevier. “De Paris a Lisboa: sessenta anos de integração europeia”. “As qualidades de um Mercosul Possível”. OLIVEIRA. 2012. “Integração regional na América Latina: teoria e instituições comparadas”. IN: SILVA. IN: SILVA. Buenos Aires. Florianópolis: Editora Modelo. Karine de Souza. Out/2005. Integração Regional: Blocos econômicos nas Relações Internacionais. NJ: Princeton University Press. pp 103-154. pp. Celi. Princeton. 2003. After Hegemony: Cooperation and Discord in the World Political Economy. MENEZES. Robert.1ª Edição. Mercosul e União Europeia: o estado da arte dos processos de integração regional. VIGEVANI. Velhos e novos regionalismos: uma explosão de acordos regionais e bilaterais no mundo. ______. ______. 2011. PEÑA. PENNA FILHO.Revista Tecnologia e Sociedade . . Ricardo. International Organization: polity.). BID/Intal. 1999. 15. Pio. 1980. ZANGL. pp 17-64. Karine de Souza. Felix. 2006. Vol. Florianópolis: Editora Modelo.

.edu. Apresenta as características desejáveis em uma construção sustentável. Cultura e Representação com a pesquisa sobre Palcos do Cotidiano: O bairro urbano como espaço de ação e da expressão teatral. Doutorado em Geografia pela UFPR (2011) na linha de pesquisa: Território. professora do Instituto Federal do Paraná – IFPR .Brasil.edu.casagrande@gmail. in Curitiba Sileide France Turan Salvador Ana Helena Corrêa de Freitas Gil Eloy Fassi Casagrande Júnior 6 Resumo Esse trabalho busca destacar a necessidade de aprofundar o conhecimento das relações que envolvem políticas públicas. UTFPR (2010).Inglês pela Universidade Tuiuti do Paraná-UTP (1998) pela Universidade Federal do Paraná.salvador@ifpr. atuando no ensino de Língua Inglesa para o Ensino Médio. E-mail: eloy.1989). É professora do Instituto Federal do Paraná. Graduação em Geografia pela Faculdade de Ciências Humanas e Sociais de Curitiba (1991). concluiu o doutorado em Engenharia de Recursos Minerais e Meio Ambiente pela Universidade de Nottingham em 1996 e o Pós-Doutorado no Instituto Superior Técnico (IST-Portugal) em 2007.Brasil. conhecer o processo permite o entendimento dos fatores internos e externo que influenciam e/ou modificam o as estratégias de sustentabilidade na Copa do Mundo 2014. Curitiba. ISSN (versão online): 1984-3526 77 Sustentabilidade nas Construções da Copa 2014. O estudo busca analisar a função social da construção sustentável na Copa 2014 e a conectividade urbana e econômica e social. E-mail: ana. 2012. Políticas Públicas. em Curitiba. Portanto.1ª Edição. Copa do Mundo 2014. sua avaliação e a sustentabilidade dinâmica.Campus Curitiba.gil@ifpr. Especialização em Geografia Física (UNICENTRO -1991) e Especialização em Magistério Superior (TUIUTI.com. Atualmente é Coordenador do Escritório Verde e professor do Departamento Acadêmico de Construção Civil e da PósGraduação da Universidade Tecnológica Federal do Paraná. PósGraduação em Especialização em Formação de Professores em EAD pela Universidade Federal do Paraná-UFPR (2001) e Graduação em Licenciatura em Letras Português .Campus Curitiba. Palavras-chave: Sustentabilidade. Eloy Fassi Casagrande Júnior: Professor Doutor do PPGTE/UTFPR.Revista Tecnologia e Sociedade . E-mail: sileide.br Ana Helena Corrêa de Freitas Gil: Professora Doutora em Geografia do Instituto Federal do Paraná . Também é autora de livros didáticos do Ensino Fundamental pela Base Editora. em Curitiba Sustainability on Constructions of the World Cup 2014. 6 Sileide France Turan Salvador: Mestre em Tecnologia. Possui Graduação em Estudos Sociais e Educação Moral e Cívica pela Faculdade de Ciências Letras e Educação de Presidente Prudente (1985).Campus Curitiba . Possui Mestrado em Tecnologia pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Mestrado em Geografia pela Universidade Federal do Paraná (2003) com o tema: Shopping Centers em Curitiba: Novos espaços de consumo e lazer.com.

agentes e ferramentas de mensuração eficazes. Introdução A sustentabilidade. World Cup 2014. O estudo também ressalta ações de sustentabilidade que já possuem certa visibilidade social. que atuam nas seguintes categorias: a conservação de energia e mudanças climáticas. desenvolve-se. Como recurso metodológico de pesquisa básica qualitativa e análise (MARTINS. porém. como ideia central do desenvolvimento sustentável. que se propõe a ser um evento sustentável. uma pesquisa básica. 2000). O contexto do trabalho perpassa pelos pressupostos da responsabilidade na conservação do meio no qual se vive e na realidade construída de que pensar globalmente envolve agir localmente. mobilidade e acesso. nessa primeira fase. nesta estratégia. o artigo apresenta aspectos da Copa 2014 que são característicos de megaeventos esportivos e da sustentabilidade. its dynamics and sustainability assessment. em Curitiba. a Copa 2014. Keyword: Sustainability.1ª Edição. gestão integrada de resíduos. The study analyzes the social role of sustainable construction in the 2014 World Cup and urban connectivity and economic and social development. no qual o problema é apresentado numa perspectiva qualitativa. in Curitiba. Busca-se. O Brasil se organiza para sediar a Copa 2014. THEÓPHILO. Therefore. com objetivos e estratégias analisadas a partir de um ponto de vista exploratório e bibliográfico. knowing the process allows an understanding of internal and external factors that influence and / or modify the sustainability strategies in the World Cup 2014. paisagem e biodiversidade. It presents the characteristics desirable in a sustainable building.Revista Tecnologia e Sociedade . Na perspectiva de um megaevento sustentável. além da construção sustentável. períodos e contextos num processo contínuo (JIMÉNEZ HERRERO. quando são adotados os procedimentos abordados. Torna-se primordial. 2007). ISSN (versão online): 1984-3526 78 Abstract This work aims to emphasize the need to deepen the understanding of the relationships that involve public policy. Public Policy. água. um equilíbrio sistêmico composto pelas interações entre os sistemas envolvidos na organização do megaevento. como analisar essa implementação e estruturação? Esse trabalho que considera os impactos da Copa do Mundo de 2014. após densa pesquisa. Seguindo a proposta de Martins e Theóphilo (2007). objetivado sinalizar as várias possiblidades de divulgação dessas práticas. 2012. integra espaços. edifícios verdes e estilo de vida sustentáveis. identificando os conceitos de sustentabilidade desenvolvidos em Curitiba. Curitiba. neste artigo. Esse processo está composto por uma meta organizacional e ações objetivas que interligam políticas públicas. tem como objetivo verificar as estratégias utilizadas nas construções relacionadas com a Copa 2014. apresentar uma análise histórico-processual das políticas públicas que norteam a implementação . sustentabilidade e sociedade. ações. transporte. integra conhecimentos.

transporte. desastres e conflitos. em um conceito que impeça a degradação do ambiente. as ações e os objetivos propostos inicialmente. baseada em análise documental. Curitiba. gestão integrada de resíduos. o artigo segue a seguinte estrutura: arcabouço teórico explicitando os seguintes temas – Mega Eventos e A Sustentabilidade. dos indicadores. desenvolve-se. dos impactos e legados sustentáveis advindos do megaevento na cidade (GELINSKI. simultaneamente riquezas que atinjam diversas camadas da comunidade. Posteriormente. os sete passos para o sucesso da Copa Verde são: conservação de energia e mudanças climáticas.1ª Edição. São elas: mudanças climáticas. uma visão holística sobre essa política pública no que diz respeito à comunidade local. De acordo com um ensaio preliminar de indicadores feito pela Ernst e Young (2010). Os eventos sustentáveis apresentam três temas que norteiam o desafio do estabelecimento da sustentabilidade em suas estruturas. avaliação do processo. onde estão estabelecidas as relações entre os pressupostos teóricos. manejo de ecossistema. reutilizar e usar de maneira responsável os recursos naturais disponíveis. Além desta seção introdutória. água. YOUNG. Portanto. Construção Civil e a Sustentabilidade. governança do meio ambiente. 2010. ISSN (versão online): 1984-3526 79 das estratégias de sustentabilidade nas Copas anteriores e que orientam a Copa 2014. enquanto capital escolhida precisa desenvolver projetos caracterizados pela sustentabilidade ambiental e econômica. 2012. um evento sustentável. em Curitiba. precisa administrar seus riscos. SEIBEL. Há seis áreas que deveriam ser abarcadas para que a Copa seja realizada em algum país estão elencadas no United Nations Environment Programme (UNEP). gestão e sustentabilidade. reciclar. garantindo que as futuras populações e gerações sejam beneficamente afetadas por suas ações. gerando. deixando um legado futuro que ultrapasse o tempo em que o evento durar. Assim sendo. p. construção sustentável.18). e. impactos. Segundo o documento. agregar valor à economia local e educar os participantes do evento sobre os benefícios da sustentabilidade. mobilidade e acesso. são apresentadas as considerações finais. Essas práticas devem ser o marco de uma cultura sustentável (MUSGRAVE.Revista Tecnologia e Sociedade . 2009). paisagem e biodiversidade. edifícios verdes e estilos de vida sustentável. 2008). substâncias perigosas e eficiência do uso de recursos naturais (ERNST. denominado “Brasil Sustentável: Impactos socioeconômicos da Copa do Mundo de 2014” foram priorizados sete passos para a Copa Verde. sociedade e meio-ambiente. dessa forma. . Inseridos no corpo textual das seções são mencionadas algumas ações da construção sustentável. As práticas adotadas devem: proteger. Esses temas compõem o triple bottom line ou tripé da sustentabilidade: economia. identificados conforme o padrão preestabelecido de responsabilidade socioambiental dos estados e áreas prioritárias do Green Goal e a realidade particular brasileira.

A eficiência. médio e longo prazo com componentes mensuráveis e imensuráveis. os aspectos ambientais e de sustentabilidade envolvidos no processo. Quioto alertava com mais rigidez para as consequências do efeito estufa e do aquecimento global. Considerando essa concepção de revolução sustentável. componentes da Terra. otimizando a relação com formas de energias renováveis. 2012.1ª Edição. sustentabilidade e inovação. Segundo Ernst e Young (2010. Sente-se a necessidade de agregar. importa recordar que foi em julho de 2010. Também como um componente enquadra-se a prevenção da poluição ou degradação ambiental. importantes conferências e documentos como o Protocolo de Quioto. Analisando os componentes inter-relacionados e que necessitam passar pela revolução da sustentabilidade. O conceito de legado aparece em 1956. no contexto da Olimpíada de Melbourne. na época. no decorrer da última Copa do Mundo organizada pela Fédération Internationale de Football Association (FIFA). oficialmente. 16) os megaeventos como a Copa do Mundo costumam constituir-se em modelos para ações futuras e adoções de políticas nacionais. torna-se importante destacar que.Revista Tecnologia e Sociedade . CLAVELL. em seu discurso. em 1997. onde se oficializa o termo “desenvolvimento sustentável”. destacam-se: a proteção da biodiversidade que envolve as espécies. os processos químicos e biológicos. como conexão entre megaeventos e as políticas públicas de desenvolvimento (FUSSEY. a contenção do uso e produtos químicos nocivos e aspectos econômicos e políticos que recompensam as estratégias benéficas ao meio ambiente e desencorajam os comportamentos prejudiciais. e realizada na África do Sul. Essa iniciativa do governo brasileiro traz consigo desafios e oportunidades para o país-anfitrião. Alcançar-se um bom desempenho na promoção do desenvolvimento sustentável através desse tipo de competição global significa ter que . Ele destacou. novas diretrizes. Surgiram. simultaneamente. através de seu então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Numa retrospectiva histórica. que o Brasil lançou. então. o megaevento de 2014 que ocorrerá no Brasil. as interconexões são legados de curto. reduzindo a dependência de combustíveis fósseis não renováveis e. os sistemas naturais. na análise dos impactos socioeconômicos. Inserido no conceito de Copa Sustentável. p. enquanto capacidade de planejar estratégias para minimizar o desperdício de recursos de ordem material e energético. 2011). a prioridade de que o futuro megaevento fosse uma “Copa Verde” e que se mostrasse ao mundo o compromisso brasileiro no que tange à sustentabilidade ambiental. os genes. lançou o Relatório Brundtland – intitulado também como Nosso Futuro Comum (Our Common Future). a segunda conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) para discutir os problemas socioambientais globais. ISSN (versão online): 1984-3526 80 Mega Eventos e a sustentabilidade Em 1987. destaca pressupostos de tecnologia. o recorte principal tratava da sustentabilidade como o atendimento das necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de que as gerações futuras atendam as suas próprias necessidades. a “Jornada para a Copa de 2014”.

políticos. sociais e comerciais. Holanda. ineficiências e desperdícios. Em 2007 foi publicado pela FIFA. Espanha. Segundo Langone (2009). 2005). utilizar a água de maneira racional. valorizar e ajudar a promover e proteger a biodiversidade brasileira. Na ocasião. 52-53). “Para os governos. a 4° Edição do Manual de Especificações Técnicas para Estádios de Futebol. Para que as políticas públicas representem a forma mais democrática de adequação e estabelecimento do alicerce para a obtenção do crescimento sustentável. em 1872. Inovação. além de colaborar para maior integração entre os vários atores da sociedade e o desenvolvimento contínuo das pessoas. Assim. foi criada a FIFA – Federação Internacional da Associação do Futebol. 2010. Bélgica. promover o ecoturismo nos biomas brasileiros. Apresentando um breve histórico desse megaevento. são mais de 213. neutralizar suas emissões de gases de efeito estufa (GEE) e cooperar com o combate ao aquecimento global. vinculadas a um megaevento como a Copa do Mundo de 2014. . bem como pelos ganhos de imagem e visibilidade que possam depois ser revertidos em capital político” (ERNST & YOUNG.1ª Edição. . No ano de 1904. . em maio. refletindo-se em políticas públicas inovadoras que agreguem novas tecnologias conceituais. Atualmente. para a Copa do Mundo 2014. 2012. a conjunção de interesses econômicos. incentivar o consumo de produtos orgânicos e/ou sustentáveis. Seguiu-se a criação de Câmaras Estaduais. Para lidar com este desafio. incentivar a mobilidade e circulação sustentáveis. Neste Manual constam exigências e pressupostos como: decisões de pré-construções referentes às . Suécia e Suíça. promover a sustentabilidade ambiental com inclusão social. faz-se necessário que essas políticas apresentem um planejamento que integrem a sociedade. . p. e . sustentabilidade e tecnologia são categorias que. 2009). essa instituição passou a traçar diretrizes para futuros eventos internacionais. eficiência energética. ISSN (versão online): 1984-3526 81 contribuir para a redução de custos sociais e ambientais. das comunidades e dos relacionamentos entre a sociedade e o meio ambiente. incentivar e alavancar negócios verdes. necessitando caracterizar um autêntico processo democrático (SILVA. o sucesso da Copa poderá ser medido pelo aumento da arrecadação e geração de riqueza. sob as diretrizes da FIFA. Dinamarca. construir estádios com sustentabilidade. . . foi criada em maio de 2010 uma Câmara Temática Nacional de Meio Ambiente e Sustentabilidade (CTMAS) sob a coordenação dos Ministérios do Esporte e do Meio Ambiente. os países registrados e participantes da FIFA. as principais diretrizes para o evento no Brasil. . estruturas e operacionais (BELLEN. são: .Revista Tecnologia e Sociedade . vale registrar que. a FIFA registrava sete países associados: França. . podem redefinir o papel Estado. ocorreu a primeira Copa do Mundo com jogos amistosos que ocorreram entre as comunidades britânicas. CASTRO RAULI. FGV PROJETOS.

resíduos. permite que o país receba a liberação que reifica a aptidão do país candidato para gerir a Copa do Mundo. três abordagens se destacam: os aspectos sociais.Revista Tecnologia e Sociedade . redução no consumo de energia com o uso de fontes renováveis. Sob uma visão holística das políticas públicas adotadas. pela U. gestão e sustentabilidade. energia e transporte sobre as quais devem ser estabelecidas metas mensuráveis para neutralizar os impactos no clima global (FIFA. sem hierarquizações socioculturais e ao mesmo tempo. médio e longo prazo. diretrizes para segurança pública. 2009). inovação e processo do projeto. ISSN (versão online): 1984-3526 82 dimensões mínimas e capacidade de público. eficiência no uso da água e no tratamento de esgoto. vestiários e acessos. Green Building Council (USGBC). selo criado em 2000. A certificação pretende a busca por estratégias construtivas mais sustentáveis determinadas através da adoção de critérios como: localização. servindo de modelo exemplo para os eventos subsequentes. culturais e seus efeitos temporais a curto. iniciativa inovadora que busca viabilizar a sustentabilidade ambiental do evento. embasados em . é possível apresentar uma linha do tempo relacionando a Copa do Mundo e a aplicação das tecnologias de sustentabilidade. Sendo um selo de reconhecimento internacional. também esclarece questões como a área do jogo relativo ao tamanho. num conceito includente. na Alemanha. orientação do campo. Assim. Seguidos pelo comitê organizador do país-sede. 2012. a segurança e a hospitalidade. Em 2006. como: o mapeamento dos impactos e legados econômicos. conforto e hospitalidade. o uso de materiais e recursos e a qualidade do ambiente interno (LEED. esse megaevento. econômicos e ambientais. diretrizes referentes à energia e iluminação. Abrangem a construção.Leadership in Energy and Environmental Design. foi apresentado pela FIFA o programa Green Goal. a sustentabilidade passou a estar presente nos eventos esportivos. buscam-se os resultados de pressupostos. Para analisar se o processo para a execução da Copa 2014. no que diz respeito à comunidade local. proporciona visibilidade mundial às técnicas sustentáveis e a eficiência dos estádios. que destaca a necessidade da redução das emissões de CO2 em eventos. à grama. destacou. orientação das tribunas para mídia. em Curitiba – PR é viável. o meio ambiente na pauta das Copas do Mundo. A investigação apresenta os arranjos para o Megaevento Copa do Mundo de 2014 em Curitiba. com sucesso. Como legado. pela primeira vez. cabendo a cada país elaborar projetos no contexto da realidade local. O Green Goal destaca quatro áreas temáticas: água. um programa focado na sustentabilidade. localização dos estacionamentos. As diretrizes do Green Goal encontram-se no caderno de encargos da FIFA.1ª Edição. Segundo o Green Goal Legacy Report da Copa da Alemanha (2006). Fornece orientações sobre o Green Goal. impactos. uma organização sem fins lucrativos criada nos Estados Unidos e com representação em diversos países. com estímulos como o LEED . Com a chegada da sustentabilidade aos megaeventos. sociais. com propostas economicamente viáveis de mínimo impacto ao meio ambiente.S. 2003). se constitui no selo de certificação para edifícios sustentáveis e está sendo recomendado pela FIFA para que todos os estádios estejam aptos à adoção do mesmo. às arquibancadas.

sociais. Interpretando os aspectos conceituais. vale esclarecer que na primeira abordagem se supõe a ciência e a tecnologia como categorias inexoráveis. e/ou concebe a ciência e tecnologia como pressuposto otimizador do desenvolvimento científico e tecnológico Ao explicitar as posições conceituais acerca da tecnologia. através de um sistema tecnológico inovador. ciência e sociedade. analisando as dimensões da sustentabilidade. podendo ou não influenciar a modificar a sociedade de alguma forma. Outra corrente concebe a tecnologia como construto de reações sociais.1ª Edição. pode-se considerar a seguinte figura: . Portanto. Para a segunda abordagem. em Curitiba (FREY. destaca-se a compreensão da tecnologia como técnica que ressalta aspectos deterministas.Revista Tecnologia e Sociedade . ISSN (versão online): 1984-3526 83 objetivos. Na perspectiva da sustentabilidade as construções respondem às complexidades que perpassam adequações climáticas e ambientais. tecnologia e sustentabilidade. não focados nas relações com a sociedade. É o isolamento da ciência e da tecnologia. o uso da ciência e tecnologia é socialmente determinado e tende a estabelecer reproduções nas relações sociais. 2000). inibindo a mudança social. caracterizar os novos edifícios com maior desempenho e autonomia. segurança. inovação. Construção civil e a sustentabilidade O mundo ocidental vive um momento diferenciado no que diz respeito às mudanças de paradigma no universo da arquitetura e das construções com a busca da sustentabilidade. com autonomia e caminho próprio. Essas categorias são elementos diferencias na percepção da construção dos aspectos simbólicos. Busca-se. estabilidade e conforto. conceituais e políticos da Copa de 2014. 2012.

Socialmente. Vale ressaltar que as dimensões culturais e sociais perpassam tanto o respeito às tradições culturais de construção como introduzem modelos de modernização capazes de integrar soluções particulares de sustentabilidade que interagem com múltiplos sistemas de produção. Considerando as dimensões da sustentabilidade apresentadas. Também. destacam-se. na sustentabilidade ecológica. simultaneamente. a intensidade da poluição e a melhoria na capacidade dos recursos naturais. .ambiental. com a redução de custo sócio. aspectos como: a articulação de mecanismos que intensifiquem a pesquisa de tecnologias limpas com a consequente definição de estratégias e regras de adequação à proteção social. promove-se. tecnologia e inovação.1ª Edição. com base nas concepções do ser e não do ter. A sustentabilidade nas edificações torna-se um mecanismo de estímulo da participação social para o desenvolvimento sustentável. 2011 Os aspectos apresentados por Casagrande (2011) ressaltam a aproximação entre sustentabilidade. importa compreender que essa dimensão promove uma melhoria na alocação. ISSN (versão online): 1984-3526 84 Fonte: CASAGRANDE JR. arranjos e gestão dos recursos numa abordagem eficiente de apropriação de investimentos privados e públicos. Sobre a sustentabilidade econômica.Revista Tecnologia e Sociedade . 2012. civilizatório. essa dinâmica cria um desenvolvimento social plural. uma busca pela equidade. através da limitação do uso de recursos não renováveis e/ou prejudiciais ao ambiente.

] o engenheiro é hoje um herói da cultura pop. Impedir a erosão do solo que ocorre devido aos desgastes do terreno receptor das atividades de construção. a ação dos poluentes afetaria minimamente o meio ambiente. conservando o equilíbrio do habitat Podem ser utilizados elementos como cascas de árvores. segurança pública e defesa nacional. (GIAMBIAGI. O uso de técnicas simples como reaproveitamento e reciclagem e o armazenamento e adequação das formas de transporte. podem causar a poluição dos rios e lagos. 209). todos se beneficiam da produção de bens públicos mesmo que eventualmente. numa conecção de novos meios de representar conceitos e práticas. Os bens públicos são aqueles cujo consumo/uso é indivisível ou “não rival”. enfrentar o desafio da inovação. demandando o aumento de fertilizantes. 2011. Ou seja. a aspersão de água e construção de barreira física em caso de demolição e a lavagem dos pneus. os quais controlam as enfermidades e pragas e conferem um equilíbrio na vida vegetal. São técnicas simples como o rebaixamento das caçambas. como o CO2 (gás carbono) e o SO2 (dióxido de enxofre). gases poluentes. num gesto de pensamento criativo indutivo. irrigação e pesticidas. buscando um melhor aproveitamento do processo construção e gestão dos bens públicos.. Contudo. arquiteta auditora das certificações Acqua e Leed. importa ter uma ideia. além de regular a drenagem da água. . fumaça. alguns mais do que outros. ALÉM. fumo e névoa). São exemplos de bens públicos: bens tangíveis como as ruas ou a iluminação pública. do ar ao solo.Revista Tecnologia e Sociedade . próximos à edificação. o seu consumo por parte de um indivíduo ou de um grupo social não prejudica o consumo do mesmo bem pelos demais integrantes da sociedade. os quais. (FLORIDA. Se as obras que geram emissão de detritos e materiais como: particulados (poeira. também é uma das formas de prevenir a poluição. 4) Destacando possíveis critérios de sustentabilidade na construção. recebessem um tratamento específico desde sua terraplanagem até a execução. palha ou mantas plásticas para cobrir e reter o solo (GUEDES. pedriscos. ISSN (versão online): 1984-3526 85 Nessa abordagem das dimensões da sustentabilidade. e bens intangíveis como: justiça. podem ser ressaltadas: o combate à poluição. nutrientes e a biodiversidade de micróbios e insetos. 2011. levados pela ação das chuvas. Em outras palavras. 2007). 2012. a ação das chuvas e o freqüente tráfego de veículos durante a execução da obra favorecem o enfraquecimento do solo causando o assoreamento e a perda de todo o equilíbrio vegetal contido no mesmo. há considerações apresentando que [. evitam poeira e poluição advinda do canteiro de obras (RESENDE. uma forma eficaz de evitar esta poluição é o plantio de gramíneas adequadas e de rápido crescimento durante o processo de construção ajuda a impedir a erosão do solo e preserva as matérias orgânicas e os nutrientes naturais do solo. 2011). Por isso. Este fato pode restringir a viabilidade de plantios futuros.. pois esse profissional divulga as inovações tecnológicas e sustentáveis. p. p. O terreno natural contém matéria orgânica. De acordo com Daniela Corcuera.1ª Edição.

. a utilização de materiais regionais e reciclados é uma prática ser estimulada. implantação e monitoramento – que irá subsidiar o trabalho e todo o controle dos resíduos internos e externos à obra”. Desde condições climáticas. vidro. recicláveis com outras destinações (plásticos. Ao conceber um edifício importa considerar as condições de conforto térmico. na maioria das vezes. reduzindo a emissão de poluentes e CO 2. componentes cerâmicos e peças prémoldadas). madeiras e outros).” Cabe organizar estratégias de gestão em um organograma de atividades – “planejamento. devem ser as entradas de iluminação no ambiente. Para a Resolução CONAMA n° 307. 124). resíduos perigosos e não recicláveis. através de criteriosa triagem. com práticas sustentáveis pode valer-se de dispositivos reguladores. Fatores que agregam valor a essa proposta: “o desenvolvimento regional devido à demanda de trabalho e à movimentação da economia local. reduz o desperdício. metais. Esse documento especifica os agentes: “o órgão público municipal (responsável pelo controle e fiscalização). p. através de aberturas. mecanismos controladores que permitem o controle da vazão da água. dispensa o longo transporte para a entrega dos materiais. e. Considerando o custo-benefício para a economia. ISSN (versão online): 1984-3526 86 Atualmente existe o projeto de gerenciamento de resíduos em obras com grandes percentuais de entulhos. Ao priorizar as luzes naturais e bem planejar o sistema de iluminação artificial. formalizou os procedimento em grandes obras. umas funcionando como entrada e outras. Há duas categorias que devem ser balizadas na construção sustentável: a gestão da utilização da água. analisando a condição de conforto térmico diante de diversas funções e atividades desenvolvidas pelo grupo humano que disporá da construção. são quatro as classes de resíduos da construção civil que podem ser consideradas: os agregados (componentes de pavimentações.Revista Tecnologia e Sociedade . 2012. os geradores de resíduos (responsáveis pela observância dos padrões previstos na legislação específica). Também natural. Para a certificação pelo Green Building Council Brasil (LEED).1ª Edição. e os transportadores (responsáveis pela destinação aos locais licenciados). é mais barato pela produção contígua ao local da obra”. refletores. como saída". considerando fatores como: cores claras. painéis fotovoltaicos e concepção de circuitos autônomos são estratégias de eficácia da sustentabilidade operacionalizada. Através da reciclagem dos materiais evita-se e/ou deduz-se o desperdício e através da limpeza e organização do canteiro de obras. o ambiente e a sociedade. varações de intensidade. são aceitáveis situações como a distância entre o local da obra a ser construída e fonte fornecedora em um raio máximo de 800 km e também a utilização de no mínimo 10% de materiais sustentáveis na edificação (LEED. Torna-se fundamental que a remoção e destinação dos resíduos seja monitorada e que os processos de coleta e armazenamento recebam tratamento especializado tanto no que tange ao material a ser reciclado como ao material que apresenta periculosidade. priorizando a ventilação natural. 2009). variações metabólicas dos indivíduos até mutações de temperatura e umidade. Para Frota e Schiffer (1999. evita-se acidentes de trabalho. o qual é formalizado conforme a Resolução CONAMA n° 307. papéis. "A ventilação natural é o deslocamento do ar através do edifício. duchas e torneiras hidromecânicas.

2010). normalmente. que devem incluir as diversas as mais diversas categorias. a ideia gerará uma economia de 30% no sistema de ar-condicionado em relação aos modelos convencionais. estão buscando a sustentabilidade no que se refere às sobras dos materiais. Finalizando. Também há registros de que as 12 sedes terão reservatórios de água de chuva. ISSN (versão online): 1984-3526 87 bacias sanitárias com caixas acopladas e/ou acionamento de descarga com sensor de presença (FGV. Revestimento – Policarbonato Manejo de Resíduos Reuso da água Reservatório de água de chuva 10 quilômetros com sentidos opostos MOBILIDADE (SIM) Terminal Trincheira Viaduto Corredor Metropolitano Capacitação para a Sustentabilidade ARENA DA BAIXADA OBRAS PREVISTAS CICLOVIA CAPACITAÇÂO PROFISSIONAL Fonte: AUTORES. importa destacar a questão da acessibilidade tanto na esfera da construção em si como aos possíveis meios de transportes. A ciclovia perpassará os dois lados da avenida. entre outros. 2012 . mais conhecida como Avenida das Torres. irrigação do gramado e jardins. encheriam os aterros e agora passaram a ser reaproveitados. buscando melhorar a climatização dos espaços internos. terá a inclusão de 10 quilômetros de ciclovias dentro do projeto de adequação da cidade para a Copa do Mundo de 2014. Infelizmente são mínimos os registros das práticas sustentáveis para a Copa 2014. totalizando 20 quilômetros de infraestrutura cicloviária. através de telhados e pátios adequados. com sentidos opostos. que investiu no exterior do edifício. revestindo-o com policarbonato. A obra com práticas sustentáveis para a Copa 2014 da qual há registro refere-se à Arena da Baixada. é possível planejar a reutilização da água pluvial na construção. Além dos impactos causados por esses mecanismos. que serão utilizadas nas descargas dos sanitários.1ª Edição.maio/2012). conferindo agilidade às dinâmicas do ambiente construído. a redução de seu consumo e o estímulo à adoção de novas atitudes e comportamentos não estão claras e definidas. a mídia indica que todos os estádios-sedes dos jogos da Copa do Mundo de 2014. 2012. em Curitiba. (EcoDesenvolvimento. Outra obra sustentável é a requalificação da Avenida Comendador Franco. Para os responsáveis pelo projeto. limpeza das áreas externas. que. As estratégias articuladas pela Arena da Baixada visando o uso racional da água.Revista Tecnologia e Sociedade .org. No aspecto da destinação de materiais de construção.

ALEP e Câmara Mundial (PORTAL DA COPA. redução e compensação das emissões de carbono. no Corredor Metropolitano faz-se relevante a interligação dos municípios de Curitiba. esta é uma década palco de decisões fundamentais no que tange a relação com um novo regime global de mudanças climáticas. em termos de sustentabilidade são a possibilidade de reduzir os impactos negativos e maximizar os impactos positivos. UTFPR. se. são José dos Pinhais. inclusão social e compromisso com o meio ambiente. Piraquara. IPD. COMEC. SMMA.1ª Edição. buscando um legado ambiental de longo prazo. Vale observar. além do viaduto da Av. passados os eventos. No âmbito social dá-se visibilidade à capacitação profissional para a sustentabilidade realizada pelo SEMA. Considerações Finais O Brasil. fazenda Rio Grande a Araucária. Segue: a Copa das Confederações em 2013. Portanto. Em relação à estruturação. 2012). ao realizar a Copa 2014 como um evento sustentável busca minimizar possíveis impactos negativos que possam vir a ser causados ao meio ambiente durante a execução das obras de grande porte. energias renováveis. corporativa. gestão. em trecho de 52 quilômetros. destacam-se um novo sistema climático global e numa nova fase dos compromissos do Protocolo de Quioto. os grandes estádios construídos de forma . estão citadas as obras sustentáveis previstas como otimizadoras da Copa 2014 e o que as torna relevantes. Colombo. Na perspectiva sustentável importa o equilíbrio entre os aspectos econômicos. a trincheira da rua Guabirotuba. Para que um empreendimento seja considerado sustentável importa analisar se ele é ecologicamente correto. colaborativa e responsável. tanto em aspectos de marketing de imagem do país como no reconhecimento de uma gestão de qualidade. mudanças climáticas e desenvolvimento de capacidades. IAP. Na esfera político-ambiental. as Olimpíadas no Rio de Janeiro em 2016. para isso. ISSN (versão online): 1984-3526 88 Acima. importa analisar se a Copa 2014 está se configurando e/ou será sustentável. pode-se destacar a reforma e ampliação do terminal Santa Cândida. permeado por justiça social. impactos e legados de grandes eventos. na abrangência das políticas públicas. Pinhais. Instituto das Águas. capaz de inserir crescimento econômico. Detalhando o Sistema Integrado de Mobilidade (SIM). Almirante Tamandaré. das Torres. 2012. o desenvolvimento social e a proteção do meio ambiente. Busca-se a redução de custos e a maximização dos benefícios. economicamente viável e bem aceito culturalmente.Revista Tecnologia e Sociedade . Esses eventos se iniciam com a Cúpula das Nações Unidas Sobre Desenvolvimento Sustentável que ocorrerá em junho de 2012 no Rio de Janeiro. 2005). o Brasil decidiu investir nesse campo. a partir do que for estabelecido no foro internacional para os próximos dois anos (ONU. Casa Militar. 2005). Já. manejo de resíduos. que considera um celeiro de oportunidades e desafios. a (Rio+20). com o estabelecimento de diretrizes e metas de redução de emissões de GEE (BRASIL. a Copa do Mundo de Futebol em 2014 e. As obras contemplam: estádio verde (certificado). As variáveis socioeconômicas precisam estar inseridas nas soluções tecnológicas.

FREY. Brasil sustentável: Impactos Socioeconômicos da Copa do Mundo de 2014. RS: L&PM. São Paulo. 3ed. ISSN (versão online): 1984-3526 89 sustentável possibilitarão a continuidade do exercício da função social.M. pode melhor preparar-se para ser uma das cidades-sede da Copa de 2014.br/posts/2012/maio/iniciativassustentaveis-na-construcao-das-arenas#ixzz205aPM69k ERNST. Rio de Janeiro. Indicadores de Sustentabilidade: comparativa. FGV Editora. melhorar setores que são vitais à economia. Iniciativas sustentáveis na construção das arenas da Copa do Mundo de 2014. buscará a formação do conceito de construção sustentável no recorte da Copa 2014.ecodesenvolvimento. 1999. 2005. . CASAGRANDE JR. o desenvolvimento municipal e regional. R. pretende beneficiar-se com a dinâmica econômica obtida com investimentos e o grande fluxo turístico. Embasado nesses pressupostos conceituais. A Ascenção da Classe Criativa. K. SIMANTOB.1ª Edição. Organizações inovadoras sustentáveis: uma reflexão sobre o futuro das organizações. UTFPR: Florianópolis. In: BARBIERI. FROTA. FLORIDA. José Carlos. Organizações inovadoras sustentáveis. considerando sua assimilação no megaevento Copa 2014 de valores que consubstanciando em novas práticas. Eloy Fassi. 2011. Trad. localizada na região sul do país. Set. Curitiba. assim. através de seu uso pela comunidade.C. Anésia Barros. Além da visibilidade. Ana Luiza Lopes. 2011.Jun. M. Referências BELLEN. Sueli Ramos. Disponível em: http://www. 2000. Políticas Públicas: um debate conceitual e reflexões referentes à prática da análise de políticas públicas no Brasil. uma análise BARBIERI. EYGM Limited. Planejamento e Políticas Públicas. 2010. São Paulo: Studio Nobel. YOUNG.org. e as atuações no megaevento.Revista Tecnologia e Sociedade . através da análise das novas tecnologias sustentáveis e se contribuem para a mudança de valores. identificando os arranjos. SCHIFFER. Manual de conforto térmico. J. Atlas. a cidade de Curitiba – Paraná – Brasil. os agentes. Porto Alegre. impulsionando. O trabalho. busca uma melhoria nos seus setores vitais para a economia. 2012. bem como a continuidade do latejo econômico. nº 21 . Buscando apresentar as aplicações sustentáveis. EcoDesenvolvimento. em sua segunda fase. 2007. Inovação Tecnológica & Sustentabilidade: o Futuro da Construção da Construção Civil.org. H.

PORTAL DA COPA. Introduction: toward´s new frontiers in the study of mega-events and the city. v. Pete.usp. de LEED. FUSSEY.R. p. Ed. (Brazilian Journal of Urban Management) v. transportes e agropecuária. E. Rio de Janeiro.gov. Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. 2007. Revista Brasileira de Gestão Urbana. . F. GELINSKI. MUSGRAVE. São Paulo. M.copa2014. Acessado em 09/07/2012. Copa do Mundo FIFA 2014-Agenda Sustentabilidade e Meio Ambiente. n. SEIBEL.2007. Ministério do Esporte. 2. Editora Campus/Elsevier. 2011. Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas – GVces. C. ALÉM.pcc. A. 42. Programa de Pós-graduação em Ambiente Construído e Patrimônio Sustentável. 2011. jul. Propostas empresariais de políticas públicas para uma economia de baixo carbono no Brasil – energia. et al. UFMG/Escola de Arquitetura. L. CLAVELL.O. 2000. LANGONE. São Paulo: Atlas. ISSN (versão online): 1984-3526 90 FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS (FGV). G. 2011. C. Revista de Ciências Humanas.br. Cláudio. Painel discute a Copa como promotora de inovação e sustentabilidade. James. JIMÉNEZ HERRERO. Dissertação – mestrado. MARTINS.Revista Tecnologia e Sociedade . Reino Unido.1ª Edição. Madrid: Pirámid. 2012. 2009. 2011. Disponível em: http://www. 227-240.J. EDUFSC. Reference Guide for Green Buildings’ Design and Construction 2009.pdf > Acesso em 02 Maio 2012. F. 2. Desarrollo sostenible transición hacia la covolución global. Ed. Metodologia da investigação científica para ciências sociais aplicadas. URBE. nº 1 e 2. 2.A. Formulação de Políticas Públicas: questões metodológicas relevantes. Copa 2014 – O estádio do Mineirão e Diretrizes de Sustentabilidade na Primeira Copa Verde do Mundo. 2012. THEÓPHILO. 2010. Abril e Outubro de 2008. GUEDES. R. p. GIAMBIAGI. RESENDE.br/fcardoso/Disserta%C3%A7%C3%A3o%20Fernando% 20Resende%20p%C3%B3s-banca%202./dez. Florianópolis. Event management and sustainability. 3. Gemma Galdan. 149-155. Finanças Públicas: Teoria e Prática no Brasil. Disponível em: www.. Poluição atmosférica por emissão de material particulado: avaliação e controle nos canteiros de obras de edifícios.

2012. ISSN (versão online): 1984-3526 91 SILVA.1ª Edição. núm. CASTRO R. 77-96.Revista Tecnologia e Sociedade . Universidade de Medellin. Avaliação de Políticas Públicas para o Desenvolvimento Sustentável: um Estudo de Caso dos Programas de Educação de Curitiba de 1998 a 2005. C. pp. 2009. vol. 12..F. Colombia Semestre Económico.L. . 23. enero-junio.

Abstract This article presents the variation of health indicators. shift-share. Palavras-chave: Crise econômica. do qual.br Gilson Batista de Oliveira: Doutor em Desenvolvimento Econômico – UFPR. Professor da Universidade Federal da Integração Latino-Americana – UNILA. education and income. E-mail: bruno. utilizarmos a América Latina como região e os países que a compõe como locais. pode-se constatar variações em seus componentes .1ª Edição. subdivide-se esse países em quadrantes de acordo com o grau de variação que esses países sofreram entre 2007 e 2010. educação e renda. which. 2012. constatou-se nos países latino-americanos que alguns desses indicadores sofreram variação. pela Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA). saúde. Bolsista do PROBIC/UNILA.edu. componentes básicos do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). provocados pela crise econômica que afetou o mundo em maior e menor grau de intensidade.dias@unila. we use Latin America as a region and the countries that compose and local. no caso. ISSN (versão online): 1984-3526 92 A Variação dos Indicadores Básicos do Índice de Desenvolvilmento Humano dos Países LatinoAmericanos no Período de 2007-2010: uma Decomposição com uso da Metodologia ShiftShare Variation of Basic Indicators Index of Human Desenvolvilmento Latin American Countries in the Period 2007-2010: a decomposition using the Shift-Share Methodology Bruno Theylon Oliveira Dias Gilson Batista de Oliveira 7 Resumo Este artigo apresenta a variação dos indicadores saúde. Espera-se.edu. E-mail: gilson. Para isso. educação e renda. esclarece que apesar de a crise ter afetado a América Latina pela via econômica principalmente no que tange a exportação de commodities. utilizou-se o método shift-share que ao decompor os elementos do IDH.br .oliveira@unila. dessa forma. isso implica afetar outros setores sociais. basic components of the Human Development Index (HDI).Revista Tecnologia e Sociedade . was found in Latin American countries that some of these indicators were 7 Bruno Theylon Oliveira Dias: Graduando do curso de Relações Internacioanis e Integração. variação de IDH. decomposição. América Latina.

através do método shift-share restringindo-se apenas na decomposição dos indicadores do IDH. no período de 2007 – 2010 . Brasil. explained that although the crisis has affected Latin America through economic especially regarding the export of commodities. Chile. this implies affect other social sectors. Keywords: economic crisis. variation in HDI. It is hoped. ISSN (versão online): 1984-3526 93 variation. Entender as dinâmicas econômicas e sociais desses países através da decomposição do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) pelo método shift-share. 2012. isso implica em um impacto . one can see variations in their components. Entretanto. Costa Rica. optou-se pela definição do IMEA (2009) que classifica 21 países como formadores da América Latina. apesar de ter baixado o preço de commodities. Colômbia. República Dominicana. esses países não conseguiram unificar crescimento econômico e social para que pudesse gerar uma economia sustentável. alguns desses países não puderam ser incluídos na decomposição. Com esta pesquisa. health. estuda-se os diferentes níveis de desenvolvimento que se encontram os países que compõe a América Latina. Honduras. Paraguai. This was done using the method shift-share elements that decompose the HDI. dado a carência de dados básicos. El Salvador. é uma forma de compreender um pouco mais da dinânica da relação economia e sociedade. governos fazem cortes e readaptações de diversos setores da política econômica de um país. Uruguai e Venezuela. education and income. chega aos dias de hoje com incertezas de até quando essa crise perdurará. de forma geral. são eles: Argentina. Cuba. thus it is divided into quadrants countries in accordance with the degree of variation between these countries suffer 2007 and 2010. Na América Latina. Bolívia. Nesse trabalho.1ª Edição. Equador. Nicarágua. shift-share. caused by the economic crisis that affected the world in greater and lesser intensity. Latin America. observou-se que essa crise sistêmica não atingiu com tanta força. A crise econômica de 2008 que causou um mal estar financeiro mundial a partir da quebra do banco Lehman Brothers nos EUA e logo se espalhou principalmente para países europeus e atingiu as mais diversas partes do mundo. Especificamente. também houve uma considerável diminuição do ritmo de investimentos externos em um primeiro momento.Revista Tecnologia e Sociedade . Haiti. Peru. verificam-se os impactos da crise financeira mundial de 2008 nos indicadores básicos do IDH. Guatemala. in the case. decomposition. Belize. A América Latina é muito ampla e pode gerar dificuldade de compreensão em sua totalidade. Para driblar a crise. Introdução A América Latina tem em seu histórico diversas etapas de desenvolvimento que na maioria das vezes. através dos dados dos anos de 2007 e 2010. além de gerar fuga massiva de capitais especulativos. México. Panamá.

em dólar PPC (paridade do poder de compra. ISSN (versão online): 1984-3526 94 direto na qualidade de vida da sociedade. para mensurar o nível de desenvolvimento. tem como objetivo de usar outros parâmetros além do econômico. o IDH foi concebido de uma forma simples. depois de corrigi-lo pelo poder de compra da moeda de cada país.499. O IDH precisou ser idealizado de uma forma explicativa. que elimina as diferenças de custo de vida entre os países). depreende-se quais foram os indicadores básicos mais afetados pela crise financeira mundial de 2008. para rivalizar com o PIB. Para aferir a longevidade. . 2012. O índice tornou-se o referencial de desenvolvimento em praticamente todos os países membros da Organização das Nações Unidas (ONU). O IDH foi concebido pelo economista paquistanês Mahbub Ul Haq em colaboração do economista indiano. ii) IDH médio: entre 0. O item educação é avaliado pelo índice de analfabetismo e pela taxa de matrícula em todos os níveis de ensino. em 1990. apesar da avalanche de tabelas relacionadas. A renda é mensurada pelo PIB per capita. por conseguinte.org.799.pnud.1ª Edição. 2009). A pesquisa usou informações divulgadas nos relatórios sobre o desenvolvimento humano publicados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD de 2007 e 2010. O Índice de Desenvolvimento Humano O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). melhor é o nível de desenvolvimento. nobel de 1998. Essas três dimensões têm a mesma importância no índice. o IDH também leva em conta dois outros componentes: a longevidade e a educação. Como afirma o PNUD Brasil: Além de computar o PIB per capita. segundo PNUD (2009). o indicador utiliza números de expectativa de vida ao nascer. A classificação do nível de desenvolvimento dos países.500 e 0. denota níveis de médio desenvolvimento humano.br/idh/> Acesso em 10 de março de 2012. identificou-se quais os indicadores básicos mais expressivos na variação do IDH no período de 2007 – 2010. onde quanto mais próximo de 1. que varia de zero a um. ou seja. A classificação dos países baseado no nível do IDH funciona da seguinte forma: i) IDH baixo: entre 0 e 0. lançado pela primeira vez num período de transformações do sistema político e econômico global. Disponível em: <http://www. é publicado no Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH). que mantem o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). funciona em uma escala numérica que vai de 0 à 1. órgão responsável pelo RDH. Amartya Sem. rendimento per capita e educação. Após a aplicação da metodologia shift-share. Segundo PNUD (2010).Revista Tecnologia e Sociedade . baseado na longevidade. (PNUD. no Índice de Desenvolvimento Humano. aponta baixo desenvolvimento humano.

apesar de o sistema de verificação do IDH ter sido lançado em 1990. O que se constatou nesses últimos anos. proporcionando assim um melhor parâmetro de desenvolvimento nos quase 40 anos de verificação. chegando a atingir um crescimento de cerca de 41% entre 1975 e 2010. agora é contabilizado também outros aspectos como a distribuição do bem estar em termos de desigualdade de gênero e pobreza. ISSN (versão online): 1984-3526 95 iii) IDH elevado: entre 0. Segundo PNUD (2010). do comparado aos demais. indica níveis de desenvolvimento humano muito elevados. iv) IDH muito elevado: todos aqueles acima de 0. retrata altos níveis de desenvolvimento humano. O rendimento nacional bruto per capita. educação e renda. ficando da seguinte forma: Índice de dimensão = valor efetivo – valor mínimo valor máximo – valor mínimo . são eles República Democrática do Congo. resume um pouco dos três principais elementos: Dimensões É determinado pela esperança de vida ao nascer. geralmente concluída aos 15 anos e o segundo com peso de ½ refere-se a taxa de matrícula em qualquer nível de educação. é referente a alfabetização. é que a média mundial do IDH obteve um crescimento considerável. dessa forma determinando os padrões de vida. foram acrescentados outros elementos na aferição do IDH. é medido em dólar pela Paridade do Poder de Compra (PPC) e tem o objetivo de verifica se o poder aquisitivo de uma pessoa consegue suprir suas necessidades básicas. onde o primeiro com peso de 2/3 no cálculo geral. A componente Educação é determinada pela média de anos de escolaridade e anos de escolaridade esperado.899. Essa expectativa de vida é determinada pela média de mortalidade. boa parte dos países recalcularam seu IDH até 1975. além dos itens básicos como saúde. quando se completou 20 anos de RDH.800 e 0. sendo que apenas três países por motivos de conflitos obtiveram em 2010 um IDH menor do que em 1970. ou seja.1ª Edição. o número de anos que espera-se que um recémnascido venha a viver. 2010 Saúde Educação Renda O cálculo das dimensões do IDH é medido através dos valores que variam entre 0 e 1. O quadro a seguir retirado do PNUD 2010. Quadro 1: Componentes do idh Fonte: PNUD. Zâmbia e Zimbabwe.900. A partir de 2010.Revista Tecnologia e Sociedade . 2012.

Por alteração diferencial. de uma forma que seja possível identificar as opções que as pessoas tenham de assegurar sua própria subsistência através de escolhas participativas no sistema social. Obtidos os índices básicos. Essa metodologia é bastante aplicada para verificar desenvolvimento econômico regional ou setorial. educação e renda) utiliza-se valores mínimos e máximos obtidos dentre os participantes do grupo de referência. Dessa forma. O índice porém. 2012. espera-se que o IDH seja capaz de apontar o quanto uma sociedade está desenvolvendo ao longo do tempo. ao fazer um recorte temporal para verificar o comportamento do IDH na América Latina entre os anos de 2007 e 2010.1ª Edição.. também pode-se vislumbrar esse cenário de redução de desigualdade.. como as capacidades humanas estão. 2002 p. A analise de componentes de variação (ou shift-share) decompõe o crescimento de uma dada variável.. as componentes de alteração diferencial ou variação diferencial devem ser isoladas afim de possibilitar uma comparação estatística. de forma que possam ser relacionados com o todo. A Metodologia de Análise Shift – Share O método shift-share é uma forma analise dos elementos que compõe um dado estatístico em duas escalas de tempo. pode nos oferecer um mínimo de informações necessárias para constatar tais mudanças. “Mede a alteração naquele crescimento que resulta a influencia exercida por certos factores como vantagens de localização ou . ISSN (versão online): 1984-3526 96 No cálculo dos índices (saúde. De acordo com o PNUD (2010). A utilização do shift-share vai além da visão analítica. o IDH é calculado através da média geométrica. (COSTA. em factores distintos que possam influenciar o seu comportamento.. pode ser justificadas por diferentes vantagens de natureza locacional.mas também. O RDH de 2010 evidencia que.803) Na metodologia shift-share os elementos que compõe uma estrutura são estudados individualmente.A ideia base é muito simples: as diferenças de crescimento em uma região podem ser atribuídas não só a diferenças relativas à composição produtiva de cada região. Nesse método.Revista Tecnologia e Sociedade .diferente de outro setor econômico ou indicador usado como parâmetro. entende-se a possibilidade de um setor da economia ou indicador de desenvolver-se como o nome já diz . não é capaz de explicar as razões de tais diferenças na América Latina. destacando como foi seu desenvolvimento ao longo do tempo e como tal desempenho pode influenciar no conjunto. passa para o campo das projeções ou planejamentos. medida a nível regional. a diferença de desenvolvimento humano entre países ricos e países pobres tem diminuído consideravelmente nos últimos 20 anos. uma vez que possibilita identificar quais e quando foram as mudanças mais impactantes no setor ou indicador analisado.

1984. Essas três ultimas variáveis. considerar-se-á nível nacional o total dos países da América Latina e como regional. Nesse estudo. ISSN (versão online): 1984-3526 97 grau de competitividade no crescimento mais rápido ou mais lento de alguns dos sectores urbanos”. p. (COSTA. A maioria dos modelos de análise de componentes de variação apresentam-se como identidades matemáticas. especialização regional. dependendo qual for o objetivo do uso do método. puderem ser comparados com outro semelhante.1ª Edição. Xik(t) representa a variável econômica X. como afirma Vasconcelos (1984) e Oliveira (2010). para fazer essa relação entre crescimento ou não do setor regional e diferenciações que levam a esse resultado em relação ao nível nacional. o shiftshare só é viável se os resultados obtidos de um certo estudo. no setor k e no momento t. concorrencial ou diferencial). o efeito da composição sectorial da região (componente estrutural) e. concorrencial ou diferencial. estrutural e diferencial. o efeito de outros factores específicos da região (componente regional.804) Após identificado e isolados os elementos regionais à nível de comparação com o nacional. . componente nacional.Revista Tecnologia e Sociedade . expressando a evolução de uma dada variável económica como função de três factores principais: o efeito do crescimento nacional(componente nacional). De acordo com Costa (2002) e Oliveira (2010). o shift-share trabalha usando os resultados obtidos em uma expressão padrão. 2002. na região i. ainda. Nxik representa a componente nacional Sxik representa a componente setorial ou estrutural Rxik representa a componente regional. cada país individualmente.222) No entanto. ( VASCONCELLOS. para que daí se possa tirar conclusões sobre concentração econômica. dentre outros. adaptado para os componentes do Índice de Desenvolvimento Humano. 2012. p. o modelo clássico da metodologia shift-share pode ser descrito da seguinte forma: ∑ = Δ Xik = ∑ [Xik(t) – Xik(t-1)] = ∑ [NXik + SXik + RXik] k k Δ Xik é a variação observada na variável Xik. são obtidas da seguinte forma: NXik = gNX x Xik(t – 1) Onde gNX é a variação percentual da variável X observada no nível nacional relativamente ao ano base t – 1.

RXik = (gik – gNXK) x Xik(t – 1) gik é a variação percentual da variável X. conforme quadro 2. 2012. VLT + VLE VLD Tipo de País + + A1 + A2 + A3 + B1 + B2 B3 Quadro 2: Classificação e tipologia de variações Fonte: Adaptação de Simões (2005) e Oliveira (2010) - VLT a Variação Liquida Total positiva (+). observada na região i no setor k. de acordo com os parâmetros utilizados. p. (SIMÕES. O fato de A2 ter VLT positivo e B2 VLT negativo é porque o crescimento estrutural de B2 não é grande o bastante em relação ao regional de acordo com o elemento diferencial escolhido.122). Já VLT negativo (-) aponta todas aquelas localidades que tiveram crescimento menor que o regional (B1. esse não consegue ser grande o bastante em relação ao fator estrutural.. indica aquelas localidades onde o crescimento locacional é maior ou igual ao crescimento regional (A1. As componentes de variação podem nos indicar o crescimento ou não do objeto de estudo.. A2 e A3) ou desde que a VLD supra as percas de VLE. Para Haddad e Andrade (1989 apud Oliveira. “a análise shift-share permite a identificação do crescimento. que é o crescimento observado menos o teórico(. 2010) A adaptação do método para decomposição do Índice de Desenvolvimento Humano Na atualidade. 2005.1ª Edição. referente ao setor k.)” Partindo dos trabalhos de Oliveira (2010) e Simões (2005).Revista Tecnologia e Sociedade . e B1 apesar de também ter VLD positivo. entenda-se variação dos indicadores selecionados através da VLT – Variação Liquida Total. ISSN (versão online): 1984-3526 98 SXik = (gNXk – gNX) x Xik(t – 1) gNXk é a variação percentual da variável X observada a nível nacional. OLIVEIRA. não só em relação aos indicadores de . onde o fator locacional de A3 é grande o bastante para suprir VLE negativo. B2 e B3) ou desde que o fator diferencial não seja suficientemente satisfatório. o método shift-share é aplicado amplamente nas mais diversas formas de análise regional. 2010. Pode-se usar o mesmo exemplo para A3 e B1 de forma invertida. pode-se sintetizar os resultados da aplicação da metodologia shift-share e classificar as regiões de acordo com as variações obtidas.

no nosso caso. pode-se verificar e classificar quais dos indicadores básicos (saúde. nos componentes do Índice de Desenvolvimento Humano. de referencia. com base na tipologia do quadro 2. . pode-se classificar os países de acordo com o desempenho de cada indicador básico. 2012.1ª Edição. mas nos chamados indicadores sociais. conforme Oliveira (2010). renda ou educação) mais influenciaram na variação do índice. são os indicativos principais de como a administração pública aplicou os recursos para garantir ou não a qualidade do IDH.Revista Tecnologia e Sociedade . Conforme Oliveira (2010) é possível aplicar o método shift-share para decompor o IDH e com os resultados obtidos. colocando os países em quadrantes que retratem de forma sintética a realidade de cada um. ainda. descritos no quadro 4. ISSN (versão online): 1984-3526 99 desenvolvimento econômico. Para o autor. os elementos Eficiência Alocativa e Ativação Social. De posse dos resultados. Descrição Resultados Possíveis para cada Indicador Básico e para cada Índice Selecionado VLT (N-NX)* + + + VLE (SX)** + + + VLD (RX)*** + + + Países Indicador de Educação (IE) Indicador de Longevidade (IL) Indicador de Renda (IR) A1 A2 A3 B1 B2 B3 + + + A1 + + A2 + + A3 Índice de Desenvolvimento + B1 Humano (IDH) + B2 B3 Quadro 3: Esquema para guiar a interpretação dos resultados da adaptação da metodologia shift-share para os indicadores básicos do índice de desenvolvimento humano Fonte: Oliveira. construir gráficos indicativos de como anda o IDH de uma localidade. pode-se. 2010. quadro 3. De forma resumida.

QUADRO 3: Esquema para guiar a interpretação dos resultados da adaptação da metodologia shift-share para os indicadores básicos do índice de desenvolvimento humano Fonte: Oliveira. que tende a fragilidade. que age de forma eficiente na alocação de recursos e consegue um desempenho positivo dos índices de desenvolvimento. que denota maiores níveis de variação positiva da qualidade de vida. Aqui. Países com capacidade de ativação social fraca. as nações possuem eficiência alocativa (VLS>0) e capacidade de ativação social (VLD>0). Nesse quadrante devem figurar os países + + com as maiores variações positivas dos indicadores básicos componentes de cada índice estudado. cuja ação teve mais sucesso na transformação do impulso de crescimento em desenvolvimento. Países com desempenho regular. 2010. cuja ação consegue trazer resultados individuais de cada indicador básico acima da média da região.Revista Tecnologia e Sociedade . o que ocorre graças à eficiência + alocativa dos recursos administrados pela gestão pública (VLE>0). Embora com crescimento total acima da média regional (VLT>0). a sociedade local teve menos sucesso na transformação do impulso de crescimento em desenvolvimento. Nesses países. denotando ganho líquido. significa perda líquida em comparação com o universo da América Latina. ISSN (versão online): 1984-3526 Quadrante Países Eficiência Alocativa Ativação social VLT 100 I A1 Presente Presente + A3 Ausente Presente + II B1 Ausente Presente - III B3 Ausente Ausente - IV B2 Present e Ausente - A2 Present e Ausente + _Componente__ Interpretação VLE VLD Países com maior capacidade de ativação social. pois a VLD positiva mostra que o índice estudado teve um desempenho superior ao dos demais países da região. o que pode atrapalhar a ação do poder público. mas consegue manter o país afastado da área de pior desempenho (B3). isto é. a VLD<0 mostra que o país tem poucas capacidades + de ativação social. Em resumo. ou seja. a capacidade de ativação social (VLD>0) consegue suplantar a ineficiência alocativa (VLE<0) e ter um crescimento maior que a média da América Latina (VLT>0). significando avanço na transformação do + impulso de crescimento em desenvolvimento. pois detêm as piores variações dos indicadores básicos componentes de cada índice estudado na região analisada. os países com esses resultados também possuem + capacidade de ativação social intermediária (boa). que denota fragilidade na internalização dos efeitos gerados pelo processo de crescimento. 2012. Países com capacidade e ativação social intermediária. . porém. do desenvolvimento humano. na internacionalização dos efeitos do processo de crescimento. Embora com crescimento total abaixo da média regional (VLT negativo). cuja falta de ativação social é piorada pela ineficiência alocativa. não conseguem superar a ineficiência alocativa (VLE <0). a gestão pública não consegue evitar perdas líquidas. nações cuja sociedade não consegue trazer resultados positivos para os indicadores básicos de qualidade de vida de forma satisfatória. Aqui.1ª Edição.

133 -0.159 0.210 0.030 -0.267 -0.291 -0.255 -0.302 -0.197 -0.044 0.102 -0.428 -0.037 -0. longividade e renda.200 0.034 -0. está em A3.333 -0.036 -0.159 0.117 -0.285 -0.184 -0.257 -0.201 0.011 0.157 0.148 0.181 -0.341 -0.070 -0.168 0. constatase que a mesma possui capacidade de ativação social (VLD>0) .178 -0.067 0. dessa forma.197 0.103 -0. 2012.161 0.150 0.120 -0.141 -0.124 -0.060 -0.036 -0.156 -0.283 -0.206 0.290 -0.157 -0.121 -0.170 -0. que vai classificar os países de acordo com o quarante correspondente indicados anteriormente no quadro 4.133 -0.302 -0.400 -0.024 0.313 -0.234 -0.109 -0.149 0.198 0.060 0.234 -0.049 0.287 -0.039 -0.032 -0.044 0.339 -0.127 -0.264 -0.206 0.102 -0.092 -0.176 -0.283 -0.238 -0.031 -0.041 -0.198 0.150 0.067 -0.152 -0.027 -0.352 -0.145 -0.296 -0.044 0.367 -0.170 -0.023 -0.041 -0.238 -0.191 -0.207 0.119 -0.342 -0.255 -0.290 -0. porêm.157 -0. são os elementos utilizados para interpretação do quadro 6.2007 e 2010 Resultados do Shift-Share Adaptado de Haddad e Andrade (1989).285 -0.145 -0.178 -0.248 -0.004 0.119 -0.028 -0.014 0.417 -0.021 -0.098 -0.039 0.130 0.056 0.121 -0.150 0.201 0.000 -0.337 -0.118 -0.306 0.208 0.152 -0.009 0.146 0.142 0.052 0.184 -0.323 -0.158 0.232 -0.291 -0.006 0.188 -0.020 0.038 -0.052 0.447 -0.322 -0.417 Quadro 4: Decomposição do crescimento em componentes de variação na america latina-2007 e 2010 Fonte.111 -0.035 -0.145 -0.127 0.120 -0.045 0.010 0. Silva (2002) e Oliveira (2010) Indicador de Educação Indicador de Longevidade Indicador de Renda IDH VLT VLE VLD VLT VLE VLD VLT VLE VLD VLT VLE País Argentina Belize Bolívia Brasil Chile Colômbia Costa Rica Equador El Salvador Guatemala Guiana Haiti Honduras México Nicarágua Panamá Paraguai Peru República Dominicana Uruguai Venezuela Fonte: Elaboração Própria -0.039 0.027 -0.136 -0.323 -0.040 -0.207 0.141 0.194 0. Elaboração Própria O quadro 6 apresenta a classificação dos países por quadrante de acordo com sua variação.375 -0.303 -0.112 -0.007 -0. percebe-se que dentre todos os países.013 -0.119 -0.011 0.124 -0.169 0.113 -0.163 -0.111 -0.260 -0.199 0.Revista Tecnologia e Sociedade .203 0.260 -0.020 -0.154 -0.331 -0.359 -0.003 -0.225 -0.170 -0.107 -0.325 -0.118 -0.374 -0.372 -0.323 -0.290 -0.011 VLD 0.316 -0.002 -0.153 -0.194 0.261 -0.237 -0. ISSN (versão online): 1984-3526 101 Resultados da Aplicação da Metodologia Shift-share O quadro 5 apresenta uma síntese dos resultados encontrados dos indicadores educação.203 0.050 0.157 0.182 -0.056 0.047 0.156 -0.007 0.290 -0.145 -0.332 -0.314 -0.001 -0.297 -0. Argentina foi a que menos sofreu com a críse em relação ao desenvolvimento social.362 -0.160 0.315 -0.153 -0.107 -0.128 -0. o que significa que possui VLE negativo.362 -0.146 0.153 -0.374 -0.097 -0.187 0.143 -0.050 0.124 0.149 -0. A parte correspondente aos indicadores do IDH.175 -0.151 0.120 -0.040 0. Como percebe-se. A Argentina é o único paíse que se encontra no quadrante II e ainda assim.120 -0.118 -0.121 -0.081 -0.024 -0.342 -0.228 -0.1ª Edição.149 0.081 -0.258 -0.117 -0. nenhum dos 21 países conseguiu se enquadrar no primeiro quadrante que é a eficiencia alocativa e capacidade de ativação social positivas além da variação positiva nos demais indicadores de desenvolvimento humano.366 -0.112 -0.005 0.120 -0.197 0.044 0.225 -0.006 0.000 0. QUADRO 5: DECOMPOSIÇÃO DO CRESCIMENTO EM COMPONENTES DE VARIAÇÃO NA AMÉRICA LATINA .041 -0.052 0.035 -0.040 -0.118 -0.298 -0.165 -0.034 -0.323 0.049 0.

1ª Edição. o que significa que possuem uma fraca capacidade de ativação social. estão em B3. Nesses países a sociedade obteve perdas em todos os elementos do IDH. Todos os países correspondentes ao quadrante III. o que piora ainda mais o desempenho.2007 e 2010 Classificaçã o dos Países Posição de Quadrante País Argentina Bolívia Brasil Colômbia Guiana Peru Uruguai Venezuela Belize Chile Costa Rica Equador El Salvador Guatemala Haiti Honduras México Nicarágua Panamá Paraguai República Dominicana II III IV A3 B3 B3 B3 B3 B3 B3 B3 B2 B2 B2 B2 B2 B2 B2 B2 B2 B2 B2 B2 B2 Fonte: Elaboração Própria . evitando com que o paíse atinja índices piores (B3). gerados pela fragilidade da internacionalização no processo de crescimento. a gestão pública consegue uma eficiência alocativa positiva. QUADRO 6 : RESULTADOS DA METODOLOGIA SHIFT-SHARE. o que significa que possuem eficiência alocativa presente e VLE>0. POR CLASSIFICAÇÃO E QUADRANTES NA AMÉRICA LATINA . Esses países apesar das perdas nos indicadores básicos.Revista Tecnologia e Sociedade . Aqui. ISSN (versão online): 1984-3526 102 intermediária onde a capacidade de ativação social foi capaz de suprimir a ineficiência alocativa (VLE<0) e assim conseguir um maior crescimento na América Latina. Os países do quadrante IV estão em B2. tanto eficiência alocativa quanto ativação social são ausente. 2012.

Foz do Iguaçu: IMEA. classsificar os 21 países de acordo com seu desempenho. A aplicação do método shift-share possibilitou de forma clara. A América Latina. dessa forma.Revista Tecnologia e Sociedade . Fortaleza. J. O diferencial está no fato de que alguns paíse souberam adminsistra melhor seus recurso para suprir perdas ou simplismente para evitar com que a sociedade sofresse ainda mais com a queda no desempenho do IDH. IMEA. Coimbra: APDR. Relatório de Desenvolvimento Humano 2007/2008. Economia regional: Teorias e métodos de analise. A Unila em Construção: um projeto universitário para a América Latina. 24 A analise de componentes de variação (shift-share). talvez pela sua grande dimensão e diferenças de desempenho econômico e social.2007. ______ A Verdadeira Riqueza das Nações: Vias parra o Desenvolvimento Humano. aliada ao shift-share. Curitiba: PPGDE. 2002. EUA. G. Métodos de análise regional e urbana: diagnóstico aplicado ao planejamento. OLIVEIRA.pdf> acesso em 15 de abril de 2012. possibilitou uma maior compreensão de como anda a capacidade dos países de gerir problemas sociais gerados por “disturbios” econômicos. 2009. Paulo Roberto.cedeplar. Nova York. 2009. . seja tão difícil classifica-la através de dados e variáveis. que de uma forma ou de outra.S. SIMÕES. a variação dos indicadores do IDH obtidos através do relatório anual do PNUD de 2007 e 2010. Referências Bibliográficas COSTA. BND. Nova York. o mesmo se mostra muito útil no que compete a variação de indicadores. todos os países da América Latina foram afetados no desempenho do Índice de Desenvolvimento Humano de 2007 em relação a 2010. 2010.br/pesquisas/td/TD%20259. 2012. HADDAD. PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. 1989. EUA. Compendio de Economia Regional. 2010. ______ .Ultrapassar barreiras: Mobilidade e desenvolvimento humao. mas. ISSN (versão online): 1984-3526 103 Considerações Finais Percebe-se. O DESENVOLVIMENTO NA REGIÃO METROPOLITANA DE CURITBA: o desempenho dos índices de desenvolvimento econômico.1ª Edição. Nova York. Rodrigo Ferreira. Disponível em: <http://www. Combate as alterações climáticas: Solidariedade Humana num mundo dividido. Cap.ufmg. EUA .B.

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SOUZA. Nali de Jesus de. Desenvolvimento Regional .São Paulo: Atlas, 2009. VASCONCELLOS, António Vale e. Economia Urbana. Porto: Rés, 1984.

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Reflexões sobre a Capacitação Gerencial na Agricultura Familiar Brasileira
Reflections on management in the Brazilian Family Farming
Joelsio José Lazzarotto João Caetano Fioravanço
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Resumo
A agricultura familiar apresenta grande relevância para o desenvolvimento social e econômico do Brasil. No entanto, a ampla maioria dos produtores rurais familiares apresenta sérias deficiências gerenciais. Diante disso, baseando-se principalmente em análises de estudos técnico-científicos, buscou-se efetuar reflexões acerca da gestão nos estabelecimentos de agricultura familiar, dando-se ênfase a questões relacionadas com a situação gerencial e com o modelo e os mecanismos que possam ampliar a capacidade de gerenciamento nessas organizações. Dentre os principais resultados e conclusões, destaca-se que, para minimizar os problemas gerenciais dos agricultores familiares, a utilização da visão sistêmica e o envolvimento efetivo desses atores organizacionais são imprescindíveis em todas as etapas de planejamento e execução do modelo de capacitação a ser adotado. Palavras-chave: Tecnologias de gestão. Enfoque sistêmico. Metodologia participativa.

Abstract
Family farming in Brazil has great relevance to the social and economic development. However, the vast majority of family farmers has serious managerial deficiencies. Thus, this work aimed to make reflections on managing family farms, emphasizing the managerial situation and the model and the mechanisms to improve management capacity in these
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Joelsio José Lazzarotto: Médico veterinário, mestre em administração rural, doutor em economia aplicada e pesquisador da área de socioeconomia da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa. Áreas de interesse em pesquisa: tomada de decisão na agricultura, estudos de sistemas de produção agropecuária, avaliação de tecnologias e análises de resultados econômico-financeiros de empreendimentos agroindustriais. Vínculo institucional: Embrapa Uva e Vinho.Email: joelsio@cnpuv.embrapa.br. João Caetano Fioravanço:Engenheiro Agrônomo, mestre em Fitotecnia, doutor em Economia, Sociologia e Política Agrícola (Agronegócios) e pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa. Áreas de interesse em pesquisa: fruticultura, fisiologia e manejo de plantas, seleção de variedades e sistemas de produção sustentáveis. Vínculo institucional: Embrapa Uva e Vinho. E-mail: fioravanco@cnpuv.embrapa.br.

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organizations. As results and conclusions, we emphasize that, to minimize management problems of farmers, the systemic approach and the effective involvement of these organizational actors are essential in all phases of planning and implementing the training model to be adopted. Keywords: Management technologies. Systemic approach. Participatory methodology.

Introdução
A agricultura familiar constitui um segmento de fundamental relevância para o desenvolvimento social e econômico do Brasil. Essa importância pode ser justificada por dois pontos principais: 84% das propriedades rurais do País são familiares; e os estabelecimentos familiares respondem, respectivamente, por 34% e 74% do valor bruto e do pessoal ocupado na produção agropecuária nacional (CENSO..., 2006). Apesar dessa relevância, a agricultura familiar brasileira depara-se com grandes problemas, que constituem fortes entraves para a sua competitividade e sustentabilidade ao longo do tempo. Entre esses problemas, merecem atenção especial aqueles associados com aspectos de gestão, pois, de maneira geral, a ampla maioria dos pequenos e médios produtores tem sérias deficiências gerenciais, elevando, assim, a frequência de empreendimentos familiares mal remunerados. Portanto, a questão gerencial é um fator crítico para o desenvolvimento da agricultura familiar nacional. Diante disso, é imprescindível que a extensão rural melhore suas estratégias de ação para transmitir aos produtores familiares importantes noções gerenciais, incluindo aspectos de planejamento, controle, comercialização e análise econômica da produção. Com essas noções, o produtor poderá tomar decisões mais rápidas e eficientes, tornando o seu negócio mais competitivo (BUAINAIN; BATALHA, 2007) e sustentável, independente do seu tamanho (REICHERT, 1998). Partindo dessa contextualização inicial e levando-se em conta que na literatura nacional ainda são escassos os trabalhos técnico-científicos que envolvem, ao mesmo tempo, avaliações situacionais e discussões sobre ações de capacitação gerencial de agricultores familiares, foi elaborado este artigo. O objetivo principal consiste em efetuar reflexões sobre a gestão nos estabelecimentos de agricultura familiar, enfatizando-se, principalmente, questões relacionadas com a situação gerencial dos produtores familiares e com o modelo e os mecanismos que podem ser usados para ampliar a sua capacidade de gerenciamento.

A situação gerencial na agricultura familiar brasileira
Um empreendimento rural, familiar ou não, deve ser gerido eficientemente como forma de garantir sua inserção no mercado e, por consequência, sua sustentabilidade e competitividade (BATALHA et al., 2004; LOURENZANI, 2006). Essa afirmação é plenamente justificável pelo fato de que existe uma

2004. (2004) assinalam que. e os altos custos de saída e/ou entrada em um empreendimento agropecuário (SOUZA et al. LOURENZANI. sobretudo. 2006). além de muito incipientes. De acordo com Batalha et al. A partir de Mercês e Sant’Ana (2005). que estão entre os principais meios que os produtores familiares utilizam para obter orientações de diversas naturezas. apresentam grande descapitalização. pois expressiva parcela desses atores organizacionais... 2006). inócuos. o caráter perecível da maioria dos produtos agropecuários que interfere nos processos de comercialização. melhorias no processo de tomada de decisão (UECKER et al. LOURENZANI.) são considerados parte da rotina operacional da maioria dos estabelecimentos rurais familiares. Essas tecnologias incluem novas formas de negociação e práticas de gestão do processo produtivo. possibilitando.1ª Edição. Apesar de muitos desses fatores não serem controláveis. operações agrícolas etc.) tende a ser exceção nessas organizações (REZENDE. ISSN (versão online): 1984-3526 107 série de fatores que podem afetar significativamente o desempenho das propriedades rurais. ao produtor rural. não estando vinculada a ações efetivas de capacitação gerencial de produtores e técnicos extensionistas. 2012. pode -se inferir que essa capacitação constitui outro grande entrave. 2005. não conseguindo. para os pequenos produtores rurais são ainda muito escassos e. Relacionado com os trabalhos técnico-científicos desenvolvidos no País e que envolvem aspectos de gestão de empreendimentos rurais. é consenso que. 2007). é pobre o emprego de técnicas adequadas de . BATALHA et al. As dificuldades de gerenciamento enfrentadas pelos agricultores familiares tendem a perpetuar-se. ZYLBERSZTAJN. (2004). além de irreversível. SEGATI. portanto. no Brasil existe um esforço considerável no desenvolvimento e difusão de tecnologias de processo. as condições climáticas que condicionam a maior parte das explorações agropecuárias. Por outro lado. especialmente associado aos programas de assistência técnica e extensão rural. SANDRI.. 1995). outros podem ter algum controle mediante a utilização de tecnologias gerenciais adequadas. 1999. como: o ciclo produtivo que. 2005. via de regra. além de não receber auxílio gerencial adequado (BUAINAIN. BATALHA. Batalha et al. 2006. armazenamento e conservação. a utilização rotineira de instrumentos de gestão (aspectos comerciais e contábeis. a grande maioria tende a ser difundida apenas em forma de publicações.Revista Tecnologia e Sociedade . MARION.. Nessa mesma linha. é pertinente salientar que. Mesmo junto a produtores que possuem alto grau de tecnificação produtiva. 2003. de materiais e de produtos e serviços. planilhas de resultados etc. NEUKIRCHEN et al. os mecanismos de difusão tecnológica adotados no Brasil não têm sido suficientes para capacitar o agricultor familiar na implementação e utilização das técnicas de gestão disponíveis. os esforços voltados para as tecnologias de gestão e informação direcionadas. ter acesso e beneficiar-se de modernas tecnologias de informação. é dependente de condições biológicas. Embora as questões gerenciais sejam imprescindíveis para o sucesso de qualquer empreendimento. enquanto os aspectos vinculados com a produção (insumos.

2004). Diante dessas considerações. caracterizar o desenvolvimento rural presente e avaliar tendências para agricultura regional como forma de projetar a . que parta de respostas relacionadas com a seguinte questão: que conhecimentos gerenciais os agricultores familiares inseridos em determinada realidade necessitam se apropriar para alcançar o desenvolvimento sustentável? Portanto. Modelo de capacitação gerencial na agricultura familiar Ações de capacitação gerencial de produtores familiares devem incluir diversos aspectos. na maioria das regiões agropecuárias do Brasil. o diálogo como essência da relação educacional deve problematizar o conhecimento dentro da sua realidade concreta. qualidade e utilização dos fatores de produção (terra. Em outras palavras. explicá-la e transformá-la. O modelo de capacitação. com uma abordagem participativa. sistematicamente desalojados do ambiente onde estão inseridos devido à necessidade de se produzir em grande quantidade. mas se inscreve na própria vida e prática dos agricultores. o ritmo intenso da atualização tecnológica no campo requer a atualização de informações e a adoção de mecanismos de aprendizagem e de formação profissional dos agricultores. considerando as peculiaridades do público-alvo e da região (LOURENZANI. o referido modelo deve estar focado em um processo de aprendizagem e de construção coletiva de conhecimento. 1995). é possível afirmar que as ações de capacitação precisam estar sustentadas na visão sistêmica. às diferenças na disponibilidade. territorial e multidisciplinar. GONÇALVES.. o ponto de partida e chegada para a construção do conhecimento em gestão organizacional é o homem em sua atividade real. as práticas técnicas. ainda. ISSN (versão online): 1984-3526 108 gerenciamento. com elevado padrão de qualidade e a preços competitivos. concordam e/ou executam tarefas e se relacionam com o mercado e as demais variáveis que compõem o ambiente organizacional externo (ZORDAN. 2006). possibilita realizar levantamentos da situação socioeconômica dos agricultores. deve estar adaptado às condições locais. existem e coexistem diferentes e complexos sistemas de produção. acadêmico e elitista. para que essas ações propiciem os resultados esperados. Essa diferenciação e complexidade devem-se.. Para Segatti e Hespanhol (2008). LAZZAROTTO et al. Porém. A necessidade de adoção de um modelo dessa natureza deve-se ao fato de que. sociais e econômicas e os problemas enfrentados. contemplando conhecimentos técnicos e gerenciais. Essa exigência tem penalizado muitos pequenos produtores. 1995. tornando possível a integração do processo educativo ao processo produtivo desenvolvido por eles (LIMA et al. capital. principalmente. identificando e caracterizando os principais sistemas de produção.Revista Tecnologia e Sociedade . em termos práticos.1ª Edição. como planejamento estratégico e controle e análise de custos de produção. ou seja. Permite. 2012. Zuin e Zuin (2007) enfatizam que é importante que o capacitador traduza conhecimentos advindos da academia à “língua” falada dos aprendizes. onde a formação administrativa não é um ritual abstrato. que. a fim de melhor compreendê-la. trabalho e tecnologia) e às formas como os produtores aceitam as inovações tecnológicas.

Revista Tecnologia e Sociedade .1ª Edição. ao longo do tempo. 1999. bem como das práticas e técnicas que os agricultores adotam. é relevante para compreender problemas de relações. programas. Finalmente. SARRIERA. desenvolvimento e validação conjunta de instrumentos metodológicos e implementação de ações de capacitação. que sejam mais adaptados aos contextos social. para implementar ações efetivas direcionadas ao aprimoramento da gestão na agricultura familiar. projetos e ações de desenvolvimento prioritários. avança-se para a etapa de definição de grupos de agricultores. O segundo aspecto trata do meio agroecológico. que envolve cinco aspectos principais dos estabelecimentos agropecuários presentes em determinada realidade rural (LIMA et al. em que o agente da extensão rural levava ao agricultor uma proposta pronta. contrapondo o discurso dos pacotes tecnológicos. econômico e agroecológico em que vivem os agricultores (INCRA/FAO. o emprego da visão sistêmica e a ampla participação de representantes de extensionistas e de produtores são fundamentais para assegurar o adequado cumprimento das ações previstas. de acordo com Dufumier (1996). Em todas essas etapas. Quanto ao terceiro. o que permite compreender o estágio em que se encontram. 2009). A etapa de caracterização geral das unidades de produção consiste em obter um diagnóstico geral. 1996). estruturas e interdependência das propriedades rurais com seu ambiente externo. 2012. Esse fato exige que o extensionista compreenda a racionalidade dos agricultores e o porque de suas atitudes. O primeiro refere-se à localização e ao tipo de inserção nos meios físico e socioeconômico. que envolve basicamente a caracterização do meio natural.. procurando identificar os fatores que. 1995). identificação das demandas gerenciais prioritárias. envolvendo análises dos usos dos recursos produtivos. Mecanismos operacionais para a capacitação gerencial Baseando-se nos fundamentos teóricos acerca do modelo de capacitação gerencial. DUFUMIER. o quinto aspecto consiste em estudar a trajetória das propriedades rurais. O quarto aspecto diz respeito ao funcionamento dos sistemas produtivos. em função de explorarem sistemas de produção agropecuária um tanto . Nessa etapa são estabelecidos grupos menores de produtores que. ele contempla as características estruturais dessas organizações: grupo familiar e meios produtivos. além de não ignorar os objetivos socioeconômicos dos agricultores. Com base nos resultados obtidos com a caracterização das unidades produtivas. visando a definir a forma como podem ser introduzidas mudanças que não provoquem impactos negativos ou desestruturem a organização interna da unidade produtiva (FAVERO. Essa compreensão. influíram ou condicionaram o processo decisório dos produtores rurais. A utilização do enfoque sistêmico. constitui fator-chave para a proposição de intervenções adequadas a cada realidade rural. propõe-se a adoção de mecanismos operacionais que contemplem cinco etapas chaves: caracterização geral das unidades de produção. definição de grupos de agricultores. ISSN (versão online): 1984-3526 109 evolução da realidade agrária e propor políticas.

os produtores podem fazer comparações entre as suas unidades de produção. pelo fato de que além de existir grande limitação de agentes atuantes na extensão rural brasileira. também. com o objetivo de resgatar a forma e os conhecimentos tradicionalmente empregados pelos agricultores na gestão das suas unidades produtivas. Essa identificação trata de avaliar. para cada grupo de agricultores e com as demandas identificadas. Essa avaliação é fundamental para permitir. mediante trocas de experiências com outras pessoas. cadernos de contabilidade simplificados) a serem utilizados na realização das ações em questão. de forma conjunta. para cada grupo. sobretudo. Com essa estratégia. a partir de discussões permanentes envolvendo.g. os principais pontos fortes e as deficiências mais acentuadas vinculadas ao processo gerencial. de maneira a não comprometer o processo de capacitação gerencial dos produtores.. Levando-se em conta as demandas. identificando. Além disso. para que esse processo propicie os resultados esperados. primeiramente. utilização e aplicação) à realidade desses produtores. ainda. similares. devem ser estimuladas discussões gerais entre produtores e extensionistas. Nessa etapa. ISSN (versão online): 1984-3526 110 similares. ao envolver aspectos de gerenciamento organizacional.1ª Edição. Os cuidados no desenvolvimento e na validação dos citados instrumentos são sustentados por Altieri (2002). os conhecimentos e as habilidades gerenciais que precisam ser aprimorados por meio de ações efetivas de capacitação. deve-se efetuar permanente avaliação dos mecanismos operacionais e dos resultados obtidos. ele deve fazer parte de um plano que contemple ações continuadas. têm melhores subsídios para a tomada de decisões. a capacitação em discussão deve pautar-se na programação e no . Nesse sentido. que influenciam os sistemas de produção e controlam suas respostas às alternativas tecnológicas. Após essas discussões. pode-se avançar para a etapa de identificação das demandas gerenciais prioritárias . a efetivação de correções de rumos. ou seja. Com isso. serão desenvolvidas as ações específicas de capacitação. esses instrumentos devem estar bem ajustados e adequados (facilidades de compreensão. tendem a apresentar características socioeconômicas e problemas gerenciais. pois este enfatiza que a geração de tecnologias adequadas às necessidades da agricultura familiar deve surgir de estudos integrados das condições ambientais e socioeconômicas. É importante assinalar que. A etapa de implementação de ações de capacitação representa o momento em que. de forma permanente. podem ser utilizados os instrumentos metodológicos específicos visando a aprofundar questões que contribuam para aprimorar a gestão organizacional. O estabelecimento desses grupos é reforçado. ao invés de estar restrita a um curso ou uma palestra.Revista Tecnologia e Sociedade . a organização de agricultores impulsiona-os a aprenderem. paralelamente à execução das cinco etapas descritas. 2012. extensionistas e representantes de cada grupo de produtores familiares. quando necessária. pode-se iniciar a etapa de desenvolvimento e validação conjunta de instrumentos metodológicos (e. Após definir todos os grupos de produtores. percebendo as diferenças e semelhanças e relacionando as diferentes variáveis que interferem nos resultados físicos e econômicos do processo produtivo.

Finalmente. os serviços em questão precisam aprimorar as suas estratégias de atuação. Enquanto os painéis objetivam uma discussão crítica entre os participantes sobre assuntos de relevância. de fato. fundamentalmente. 3) pelo lado da responsabilidade social. os roteiros são constituídos por vários tópicos e podem ser muito úteis para orientar as discussões com os produtores. o modelo a ser empregado precisa ajustar-se ao modo emergente de produção do conhecimento. assim. cabe enfatizar que. evitando-se. entre as quais se destacam os painéis de discussão e os roteiros. A segunda razão é decorrente do fato dessa equipe facilitar a elaboração de diversos instrumentos metodológicos específicos. além de contextualizar a situação da gestão na agricultura familiar brasileira. deve desenvolver-se no contexto da aplicação a partir de uma visão multidisciplinar.1ª Edição. é estratégica por duas razões. baseando-se em Gibbons et al. ISSN (versão online): 1984-3526 111 desenvolvimento de várias atividades.Revista Tecnologia e Sociedade . introduza nas suas rotinas diárias e cultura gerencial os princípios e mecanismos administrativos abordados nas ações de capacitação. A primeira reside no fato de contribuir com melhorias importantes na comunicação e transferência de conhecimentos e tecnologias existentes. Considerações finais As discussões efetuadas ao longo do trabalho. na capacitação gerencial de agricultores familiares. a formação de uma equipe multidisciplinar de assessoramento. que podem durar. como planejamento e replanejamento de atividades e avaliações de metas e resultados. especialmente para assegurar que sejam observadas e atendidas as reais necessidades dos principais beneficiários. Com isso. das preferências e escolhas efetuadas pelo agricultor e seu grupo familiar. duas safras agrícolas. Para tanto. precisa deslocar-se de um grupo pequeno e homogêneo para um grupo grande e heterogêneo. Isso porque. podem ser empregadas várias técnicas metodológicas. relacionados com diferentes aspectos técnicos e gerenciais que afetam os resultados da produção agropecuária. a utilização da visão sistêmica e o envolvimento efetivo de produtores e extensionistas em todas as etapas de planejamento e execução das ações voltadas para a capacitação gerencial são imprescindíveis. 2012. busca-se fazer com que o produtor. (1994). Ações continuadas são essenciais para que o agricultor melhor se familiarize com diversos aspectos. os agricultores familiares. também. caracterizando a estruturação de redes para atingir vários objetivos e interesses. ao invés de centrar-se no contexto acadêmico e com visão disciplinar. por exemplo. é possível assinalar que. que serão utilizados nas várias etapas do processo de capacitação gerencial. que questões relevantes deixem de ser abordadas. que apresenta algumas características fundamentais: 1) na organização. como na prática a opção por implantar determinado sistema produtivo depende. 2) em termos de equipe. De maneira sintética. Na condução das referidas ações. esta deve permear todo . na execução das cinco etapas citadas. procuraram fornecer subsídios auxiliares aos serviços de assessoramento junto aos produtores familiares.

J.. INCRA/FAO.. 2006. v. In: CONGRESSO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ECONOMIA E SOCIOLOGIA.sidra.7). Guaíba: Agropecuária. London: Sage. P. 2004. Cadeia produtiva de fruta..A. 2012. Ijuí: UNIJUÍ. FAVERO. Tecnologia de gestão e agricultura Familiar. de.gov. Referências ALTIERI. LAZZAROTTO. 2004.C. n.. Administração da unidade de produção familiar: modalidades de trabalho com agricultores. 592p. DUFUMIER. 175p. M.. p. GIBBONS. E. Cuiabá. p. Les projets de développement agricole : manuel d’expertise. Paris/Wageningen: Karthala/CTA.C. NOWOTNY. 2009. M. S.. 354p. (1 CDRom). deve envolver novos critérios (impactos esperados) e novos atores (clientes e beneficiários). (Agronegócios. M. M. Porto Alegre.C. CENSO Agropecuário 2006. 1994. 4) sobre a questão da reflexividade.M. Extensão rural e intervenção: velhas questões e novos desafios para os profissionais. M.1ª Edição.1. Brasília: IICA/MAPA/SPA. Organizações Rurais & Agroindustriais.. (1 CD-Rom). n.br/bda>. C.3.J. Cuiabá: SOBER. H. BUAINAIN. Grupos de agricultores para a tomada de decisões organizacionais: uma proposta metodológica. 1996.. finalmente. e 5).. v... MELLO. é necessário passar de uma visão predominantemente técnico-científica para uma visão em que há valorização de todo conhecimento útil à solução de determinado problema. 2007. BATALHA.P. SARRIERA.1-16.. BUAINAIN.. J. SCHWARTZMAN. M. Anais. M. TROW. v. ..12. (Projeto de Cooperação Técnica). Anais. Cuiabá.. 1995.8. Guia metodológico: diagnóstico de sistemas agrários. N. The new production of knowledge: the dynamics of science and research in contemporary societies. 102 p. Disponível em: <http://www. In: CONGRESSO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ECONOMIA E SOCIOLOGIA. A. Cadernos de Psicologia Social do Trabalho. H.L. Capacitação gerencial de agricultores familiares: uma proposta metodológica de extensão rural. ROESSING. ao invés de ser realizado por pares.. Lavras.. 2004. SOUZA FILHO.. 2004. H.S. 42. LIMOGES. ISSN (versão online): 1984-3526 112 o processo de produção e aplicação do conhecimento. A.313-322. A.Revista Tecnologia e Sociedade . Brasília: INCRA/FAO. 58p. LIMA. 2002. de.. 1999..M. 42. P.ibge. BASSO. LOURENZANI. SCOTT. BATALHA.O.. et al. W. Agroecologia: bases científicas para uma agricultura sustentável. NEUMANN. em relação ao controle de qualidade. Cuiabá: SOBER. Acesso em: 02 de agosto de 2011.

2. J. 1998. Anais.Revista Tecnologia e Sociedade . 2008. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção) .M. 43. In: CONGRESSO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ECONOMIA E SOCIOLOGIA. p. SOUZA.G. 2012. In: SEMINÁRIOS EM ADMINISTRAÇÃO (SEMEAD). NEUKIRCHEN. n. Modelo de gestão por atividades para empresas de fruticultura de clima temperado. 148f. L. p. Acesso em: 10 de agosto de 2011. GUIMARÃES.137146. de. ZUIN. 1995. ZANCHET.. A.J. Ribeirão Preto. São Paulo: Agrária. 2003 SEGATTI. J. In: ENCONTRO NACIONAL DE GRUPOS DE PESQUISA . D. 1995. SEGATTI. Ribeirão Preto: SOBER. UECKER. (1 CD-Rom). 2005. A.. A gestão dos pequenos empreendimentos rurais num ambiente competitivo global e de grandes estratégias. G. A administração da fazenda. Custos e @gronegócio on line. n. Proposta de um modelo de desenvolvimento de produtos para propriedades familiares fundamentado na metodologia de .. In: CONGRESSO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ECONOMIA E SOCIOLOGIA..Universidade Federal de Santa Catarina.. P. A. São Paulo: Pós-graduação em Administração da FEA-USP..D. 2006.5. Anais.L.S.B. C. Florianópolis.usp. R. 43. ZYLBERSZTAJN. MERCÊS. v.ENGRUP. n. de A..ead.. de... 4. PAULA. ZUIN.L. M. REZENDE.. ANDRADE. de. Anais. A importância da tipificação de empresas rurais. Acesso em: 02 de agosto de 2011. GONÇALVES. E.10. L.S. Jul..67-86. 2005.. A. 2005.C. Alternativas para a geração de renda em pequenas propriedades rurais. W. v.custoseagronegocioonline.com. L.F.. 2005. 2005. D. Lavras.br>. Ribeirão Preto: SOBER. REICHERT. 4. Ribeirão Preto. G. UECKER. Sistema de gestão de custos nas pequenas propriedades leiteiras. Passo Fundo. J. Disponível em: <http://www. SANDRI. HESPANHOL. ISSN (versão online): 1984-3526 113 MARION.. Disponível em: <www.B. In: CONGRESSO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ECONOMIA E SOCIOLOGIA. Análise da extensão rural no Cinturão verde de Ilha Solteira (SP): as perspectivas dos produtores e técnicos. 615-631. V.S.. 43. p..C. Ribeirão Preto: SOBER. 5. G. BRAUN. Uma análise da complexidade do gerenciamento rural.L.A. 2008.M.N. SANT´ANA.ed..estudo de caso.7. Anais.. MORAIS. Mai.. Teoria e Evidência Econômica. das..P. 1999./Dez. Tecnologia de gestão e rentabilidade na pequena propriedade rural . São Paulo.html>. Caderno de administração rural.. S.L. v. (1 CD-Rom). 2005...1ª Edição. ZORDAN. VIEIRA.. (1 CD-Rom). M.br/semead/4semead/artigos/Adm_geral/Rezende_e _Zylbersztajn.. São Paulo: Globo.. São Paulo.2.2. A administração rural em propriedades familiares. 1999. Ribeirão Preto...fea..M. 211p. Anais. S. 2003.

Curitiba. ISSN (versão online): 1984-3526 114 Paulo Freire para extensão rural. p. Revista Tecnologia e Sociedade.Revista Tecnologia e Sociedade . 2007. 2012.1ª Edição. Jul. .49-60. n.5.

br.br Fabiana Paula Hoffmann: Mestranda do Programa de Mestrado em Gestão e Tecnologia da Informação. ISSN (versão online): 1984-3526 115 Uso do E-book Como Meio de Compartilhamento Formal e Disseminação do Conhecimento Explicito em Organizações Use of e-book as formal resource of sharing and dissemination of explicit knowledge in organizations Adriane Ianzen Machado Fabiana Paula Hoffmann Egon Walter Wildauer 9 Resumo Há uma grande gama de conhecimento fragmentado dentro das organizações. que carrega seus saberes conforme suas experiências. O uso de ferramentas tecnológicas é de suma importância como meio de disseminação deste conhecimento. vivências. resultando no levantamento dos conceitos potenciais para o compartilhamento dos conhecimentos das organizações. Orientador. Brasil. Fato este que remete ao que se pode chamar de conhecimento tácito. ativista do conhecimento e o livro eletrônico fazem parte do cenário do objeto de estudo e é com base nestes conceitos que surge uma proposta de uso do livro eletrônico como ferramenta tecnológica de disseminação do conhecimento. Curitiba. PR – Brasil. consequentemente. E-mail: adriane@iagil. para sua disseminação. Mestre em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). uma vez que o usuário pode ter acesso em tempo real ao conhecimento utilizando-se tanto de 9 Adriane Ianzen Machado: Mestranda do Programa de Mestrado em Gestão e Tecnologia da Informação. Curitiba. Gestão e Tecnologia da Informação (UFPR). Constatou-se que materializar o conhecimento utilizando-se do e-book pode ser uma ferramenta estratégica e tecnológica para agregar valor às organizações.Revista Tecnologia e Sociedade . PR – Brasil.com. principalmente pelo fato dos conhecimentos estarem dentro da particularidade de cada indivíduo. Professor do Programa de Mestrado em Ciência. gestão do conhecimento.1ª Edição. O método de pesquisa adotado foi a pesquisa bibliográfica com análise da literatura sobre os livros eletrônicos. E-mail: fsilvadm@yahoo. cultura. Brasil. que é algo individual e importante para a construção do conhecimento explícito. E-mail: egon@ufpr.com. Universidade Federal do Paraná – UFPR.br Egon Walter Wildauer: Doutor em Ciências Florestais pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). em seu novo surgimento. Universidade Federal do Paraná – UFPR. materialização do conhecimento. neste sentido este artigo tem como objeto de estudo o uso do livro eletrônico (e-book) como ferramenta estratégica para a materialização do conhecimento e. 2012. no século XXI. Foi realizada uma análise qualitativa de teorias que sustentam a criação de um meio para a disseminação formal do conhecimento por meio dos e-books. Os aspectos fundamentais e conceituais referentes ao e-book. .

in this sense. Desde que a internet foi disponibilizada para acesso público e sua popularização permitiu a intensa troca de informações entre pessoas de diversas partes do planeta. armazenamento. The fundamental and conceptual aspects related to e-book. these paper found that materialize the knowledge using e-book can be a strategic and technological tool to add value in organizations. transmissão estão presentes em ambas Sociedades coexistentes no mundo. knowledge's activist. As a result. Quantitative analysis was performed over the theories that support the creation means for formal dissemination of knowledge through the e-books. The research method used was a literature review with analysis of them on e-books in his new appearance. The use of technological tools has a great importance as a way of disseminating explicit knowledge and. knowledge's activist and the electronic book make part of the scenery of the object of study and part of these concepts. Palavras-Chave: E-book. resulting in a survey of potential concepts for the knowledge sharing in organizations. é responsável por grande parte das revoluções em qualquer campo ou área de conhecimento. its spread. This fact leads to what might be called tacit knowledge. mainly because knowledge are within the particularity of each person who carries their knowledge according their experiences. in the twenty-first century. junto com . Organização.Revista Tecnologia e Sociedade . ocorreu a multiplicação de informações e o grande aumento no desenvolvimento do conhecimento. ISSN (versão online): 1984-3526 116 computadores como de aparelhos celulares. Sociedade esta que. gestão do conhecimento. which is something personal and important to construct the explicit knowledge. emerges a proposal to use the electronic book as a technological tool for knowledge dissemination. materialização do conhecimento. Abstract There are a wide range of fragmented knowledge within organizations. explicit and tacit knowledge. ativista do conhecimento. o que gera uma competitividade e um poder de conhecimento vantajoso para as organizações. e seu constante aprimoramento. this paper has the objective study the use of electronic book (e-book) as a strategic tool in order to materialization the knowledge and.1ª Edição. disseminação são termos muito conhecidos pela Sociedade da Informação. consequently. knowledge management. knowledge's materialization. since the user can have real time access to knowledge using both computers and cell phones. Key-words: E-book. Nesse ínterim. Os desafios da colaboração. disseminação. surgiu a Sociedade da Informação e mais tarde a Sociedade do Conhecimento. culture and way of life. knowledge management. knowledge's materialization. which generates competitivity and a power knowledge advantage for organizations. 1 INTRODUÇÃO A tecnologia. 2012. conhecimento tácito e explícito.

para eles. prefácio). gerir o conhecimento é algo ainda nebuloso para muitas instituições e uma das possíveis causas para isso. Dessa forma este artigo tem como objetivo apresentar uma proposta de uso de e-books e seus aparelhos leitores (sejam ereaders. Esta (r)evolução está pautada. que ressurgem com foco corporativo. 2012. seu colaborador com suas competências e habilidades em gerar e transmitir conhecimentos. A crescente preocupação empresarial com seu ativo financeiro interno tem foco para o ser humano. trouxe uma revolução no campo da comunicação. públicas na web. ou seja. acompanhados das pranchetas eletrônicas (ou tablets). concomitante ao ressurgimento dos aparelhos leitores. também interagem-se neste contexto de geração e compartilhamento de conhecimentos.Revista Tecnologia e Sociedade .1ª Edição. As ferramentas colaborativas e de socialização. convencionalmente tratado de livro eletrônico. os e-readers. principalmente. embora a sua força de mudança e inovação sejam os novos leitores digitais.0 e sobre o aumento da disponibilização e do consumo de recursos de áudio e vídeo. há ainda muita dificuldade nas empresas em realmente se utilizar adequadamente os conhecimentos gerados internamente. Apesar de o conhecimento ser algo muito comentado e discutido dentro das organizações. Torquato (2008). este processo tem sido amplamente negligenciado na literatura organizacional. na alteração do suporte do livro que passa do impresso ao digital. comenta sobre o surgimento da web 2. nas quais as empresas devem estar inseridas. porém neste século alguns conceitos em relação a essa tecnologia foram modificados. para que auxilie na produtividade e competitividade empresarial? Com base nesta questão pretende-se entender como os livros eletrônicos podem se apresentar como uma ferramenta útil na disseminação do conhecimento. é a negligência das instituições no momento da externalização dos conhecimentos. da transmissão de dados e informações. sejam tablets. 2008. De forma generalizada. Com essa revolução algo a mais foi evidenciado: o crescimento do conhecimento. pois. comenta ainda que essa situação compreende também "outras características inovadoras. Na prática. no prefácio do livro Sociedade da Informação. Estes aparelhos também não são novidades no mundo tecnológico. É nesse contexto que se insere a nova era dos livros digitais. como aquelas oferecidas pelas redes e comunidades sociais e empresariais. pelos sistemas colaborativos Wiki e por meio da crescente geração e difusão de conteúdo pelos próprios usuários" (TORQUATO. ISSN (versão online): 1984-3526 117 o avanço das tecnologias da informação e comunicação. ou e-book. Quem afirma isto são os autores Takeuchi e Nonaka (2008). No momento vive-se uma intensa '(r)evolução' em um produto que é muito tradicional para o ser humano e que está totalmente relacionado com a transmissão de informações e com o conhecimento: o livro. Desta forma questiona-se então: como aproveitar essa ferramenta tão valiosa nas empresas. O e-book não é uma tecnologia do século XXI. ao invés de meros equipamentos para leitura e/ou entretenimento de seus usuários. sejam aparelhos celulares) como uma estratégia . sua existência é mais antiga.

ISSN (versão online): 1984-3526 118 para a gestão e o compartilhamento de conhecimentos dentro de uma organização. seguido de análise qualitativa dos conhecimentos potenciais compartilhados para viabilizar uma proposta de disseminação de conhecimentos dentro das organizações por meio de uma ferramenta tecnológica. Em fim apresentam-se as considerações finais com base nos autores que serviram como apoio teórico para a construção da proposta. 1. no terceiro tópico. para então adentrar.1ª Edição. neste caso os livros eletrônicos. 1.2 Procedimentos Metodológico Os procedimentos metodológicos adotados para esta pesquisa foram: levantamento bibliográfico e análise de literatura com os temas abordados de acordo com o quadro 1.Revista Tecnologia e Sociedade . no segundo apresenta-se uma atualização devida à evolução do conceito. . a materialização do conhecimento é foco do quarto tópico e o uso de e-books como disseminação formal do conhecimento externalizado é proposto no sexto tópico. 2012.1 Estrutura Este artigo está estruturado em seis tópicos de forma que no primeiro é apresentado um breve histórico sobre os e-books. nos temas gestão do conhecimento e disseminação formal do conhecimento.

internalização e a combinação é possível a migração do conhecimento tácito em conhecimento explícito contribuindo para a formalização e registro dos conhecimentos gerados pelas organizações. 2006. MUÑOZ-SECA e RIVEROLA. Contribui para integrar e sistematizar formalmente os conhecimentos fragmentados. não limitado a um local físico (estático). 2000 O livro eletrônico como estratégia para a gestão do conhecimento Quadro 1: Escopo do artigo Fonte: elaborado pelos autores . ISSN (versão online): 1984-3526 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA BARRETO. GROTTO. tornando-as dinâmicas e competitivas. SABBAG. 2008. SPENDER. DUGUID e BROWN. SIMCSIK e POLLONI. 2002. GUTENBERG. TEIXEIRA FILHO. BARRETO. CHOO. Por meio da socialização. TAKEUCHI e NONAKA. IDPF. 2010. 1997.1ª Edição. RODRIGUES. REZENDE. SANTIAGO JUNIOR. 2002. 2004. 2010 DZIEKANIAK. ICHIJO. 2008. NONAKA e TAKEUCHI. ROSINI e PALMISANO. 2001. DZIEKANIAK.Revista Tecnologia e Sociedade . utilizando-se da tecnologia e do ativista para a elaboração. as alterações que ocorrem dentro das organizações. 2006. inibindo os problemas com falhas na transferência desses e adequando em tempo real. 2007. 2010. YANO. SILVA e BUFREM. 2004 A gestão do conhecimento e a disseminação formal do conhecimento Importância da disseminação formal do conhecimento como estratégia competitiva para as organizações. 2003. Atualização de conceitos em relação aos e-books Definição e distinção do conceito de E-books e aparelhos leitores. GARCIA. 2010. externalização. 2008. FLEURY e OLIVEIRA JUNIOR. para o compartilhamento e para a troca formal de conhecimentos. 2010. 2010 2010. 2012. 2008. BENÍCIO. 2003. 2010. 2010. 2011. TÓPICO CORRESPONDENTE CONTRIBUIÇÃO PARA AS ORGANIZAÇÕES 119 Histórico sobre os ebooks Propicia o conhecimento sobre o cenário de e-books. Materialização conhecimento do Propõe uma estruturação formal e concreta do conhecimento.

1ª Edição. Quem conseguiu tirar os handhelps do anonimato e transformá-los em ícones dos anos 90 foi a até então desconhecida Palm Computing. a rede possibilitou. atualmente. Não por acaso. 1) “antes mesmo de e-books. 2003). ilustrações. visto que a partir do lançamento do Kindle. a qual diferencia os arquivos de livros eletrônicos de aparelhos leitores. A seguir apresenta-se essa atualização de conceitos. 2010). aparelho leitor de propriedade da Amazon. uma iniciativa que criou os livros eletrônicos.) Entre seus atrativos. Inclusive esse cientista imaginava a possibilidade de imitar o virar de páginas apertando botões ou mesmo tocando na tela. surgindo entre a década de 90 e o ano 2000 diversos tipos de aparelhos leitores. conforme Garcia (2010.Revista Tecnologia e Sociedade . um fracasso estrondoso de vendas. em meados do ano 2000. procurando ganhar o mercado (BENÍCIO. Allan Kay (um cientista norte-americano da Xerox Corporation) previu o aparecimento. houve a necessidade de uma atualização do conceito de e-book. ISSN (versão online): 1984-3526 120 2 BREVE HISTÓRICO SOBRE OS E-BOOKS O conceito de livro eletrônico não é recente. (. por volta dos anos 90. pois tanto o arquivo do livro quanto os aparelhos leitores eram chamados de ebooks. Em 1992. p. (SILVA. Vannevar Bush (diretor do Escritório de Pesquisas e Desenvolvimento dos EUA) idealizou o primeiro aparelho leitor de livros que ele chamou de Memex. Em 1971 Michael Hart fundou. com textos. em poucos anos. houve um grande aumento no desenvolvimento de novos aparelhos leitores (YANO. Em 1945. 2011. 134) Este fracasso inicial não desanimou os investidores deste tipo de aparelho.. p. a troca de dados por infravermelho e 1MB de memória para guardar contatos.. 2001). o Projeto Gutenberg (GUTENBERG. oferecendo. . nos EUA. 2012. Em 1968. cada um com suas funcionalidades e particularidades. Sony. uma tela monocromática que reconhecia escrita com canetinha (stylus). de um livro dinâmico que seria uma espécie de computador portátil. pequeno de duas telas. e-readers ou dos blogs. Após o ano 2000 houve uma espécie de revolução no mercado de ereaders. BUFREM. Philips e Sharp foram igualmente derrotadas na missão de emplacar um portátil. mais de 36. colorido e legibilidade perfeita.000 livros livres para download e leitura em diversos tipos de aparelhos. um boom (sic) na produção de conteúdo”. Para baixar e-mails era preciso comprar um modem e acoplar. (BARRETO. já era possível distribuir uma obra pela internet. a Apple: inaugurou o mercado de computadores de bolso com o Newton. 2008). Devido ao crescente uso e interesse dos e-books.

11) e apresenta tempos distintos na história desta ciência: “tempo de gerência da . Em vários artigos publicados sobre o livro eletrônico. 2001. 2003. p. e então chegou-se ao ePub (eletronic publishing). 2010. o qual. de forma a garantir que o leitor que o adquirisse. desenvolvido em 2007. SILVA. SORRIBAS. uma vez que a terminologia estava em processo de desenvolvimento e necessitava de um maior “tratamento por parte das áreas envolvidas com o estudo dos suportes informacionais” (DZIEKANIAK. o que se torna uma ferramenta estratégica para a gestão do conhecimento. Até o surgimento do ePub os fabricantes de e-readers procuravam criar um formato compatível com o seu próprio e-reader. inicialmente. 2009. verifica-se o uso do termo e-book para designar tanto o arquivo do livro quanto os aparelhos leitores (BENÍCIO. 2005. 2006. houve uma linha do tempo a ser percorrida pelas organizações. O autor a considera como: “uma instituição mediadora da relação informação-conhecimento” (BARRETO. se confundia com software. entre outros).Revista Tecnologia e Sociedade . Esse conceito passou a se firmar a partir do desenvolvimento dos ereaders. ISSN (versão online): 1984-3526 121 3 ATUALIZAÇÃO DE CONCEITOS EM RELAÇÃO AOS EBOOKS Após o surgimento dos primeiros e-books houve uma mudança radical no seu conceito. Este formato está na sua versão 3. o que é bem explicitado por Barreto (2006) que coloca a gestão do conhecimento dentro de uma ciência. 2). 2012. assim como também o formato dos livros (arquivo) também se e modificou. Antes haviam os Portable Document Format (PDF). HyperText Markup Language (HTML). pelo IDPF (International Digital Publishing Forum). a ciência da informação. tornando-se o formato padrão usado pela maioria dos aparelhos desenvolvidos para este fim. os chamados formatos proprietários. Definido o conceito de e-book e sua utilidade como documento virtual e atualizável em qualquer circunstâncias. este tipo de tecnologia proporciona um meio de disseminar formalmente os conhecimentos dentro das organizações. DZIEKANIAK. 4 A GESTÃO DO CONHECIMENTO E A DISSEMINAÇÃO FORMAL DO CONHECIMENTO Para se chegar à Gestão do Conhecimento. com apoio de linguagens de formatação como o Extensible Stylesheet Language (XSL) e o Cascading Style Sheets (CSS). tivesse que comprar os livros somente de sua própria plataforma. BUFREM. hardware e conteúdo. O ePub transformou-se em um unificador de tecnologias.1ª Edição. Text (TXT). BUFREM. seguidos dos tablets. logo. BENÍCIO. um formato que agrega as funções do HTML. XML e CSS e que é um padrão aberto. 2010). p. 2010. surgiu o Extensible Markup Language (XML) com o conceito de organização do conteúdo. lançada em outubro de 2011 e abrange funcionalidades como multimídia e a linguagem JavaScript (IDPF. SILVA.

ISSN (versão online): 1984-3526 122 informação. A necessidade de filtro e critério no momento de preenchimento de um "repositório de conhecimento" é essencial para evitar problemas como esse de saturação. Rodrigues (2010) aborda o incentivo proporcionado pelas novas tecnologias no desenvolvimento do conhecimento organizacional: A maior facilidade de acesso à informação. do qual as melhores partes ou práticas possam ser selecionadas e transferidas. o tempo do conhecimento colaborativo. Ao contrário. porém apontam como problema dessa alternativa a questão da saturação das informações em virtude de seu crescimento indiscriminado. afirmam que: o conhecimento dividido entre as comunidades diferentes de uma organização não equivale a um todo coerente. mas a construção mútua de informações e conhecimentos. p. no qual uma sugestão seria que fosse feito por participantes que são integrantes de diversos grupos. Surgiu nesse panorama. vídeos e. “tempo de relação entre informação e o conhecimento. BROWN. mas disponíveis na web a fim de colher contribuições externas. e o “tempo do conhecimento interativo. . Nesse contexto inserem-se as comunidades de práticas organizacionais. A multimídia.1ª Edição. (DUGUID. trata-se de um grupo de conhecimento fragmentado e localmente desenvolvido. não só interatividade na web. a partir do qual a organização tem que produzir outro grupo complementar e coerente. a Internet. como ferramentas essenciais em diversas áreas. muitas vezes por meio do improviso (inovação). no período de 1980 a 1995”. 71). Redes de relacionamento social fazem parte desse avanço. as quais não estão apenas dentro das organizações. iniciado desde que surgiram os blogs e ferramentas de construção colaborativa na web (chamadas wiki). de 1995 até 2006”. criou as condições apropriadas para que o conhecimento escapasse de seus detentores tradicionais: os pequenos círculos e a elite. que comenta da interatividade após o advento da internet e de sua disponibilização para o acesso público. de forma a aliar os conhecimentos entre estes grupos. 2010. acima de tudo. que vai de 1945 a 1980” no qual ele comenta o início da necessidade de organizar. Pode-se acrescentar aos tempos identificados pelo autor. indexar e recuperar informações”. perdendo assim seu valor e sua especificidade. nas quais grupos de opiniões e crenças adjacentes unem-se em busca de conhecimentos e compartilhamento de informações sobre seus assuntos de interesse. No entanto. Duguid e Brown (2010) comentam sobre a experiência do desenvolvimento de bancos de dados.Revista Tecnologia e Sociedade . Um ponto abordado pelos autores refere-se a intermediação do conhecimento. 2012. Duguid e Brown (2010) abordam a existência de comunidades de práticas nas organizações como grupos que se desenvolvem espontaneamente e enfatizam que essas comunidades trocam entre si e criam conhecimentos. pelas comunidades de prática em determinada instituição. com CD-ROMS. data de publicação da obra do autor. no qual o autor identifica o início da relação direta entre informações e conhecimento. em razão da nova tecnologia e da velocidade das comunicações.

intuição e valores". 19). Spender (2010) comenta que as empresas geralmente têm muito conhecimento armazenado. 2010. p. assim como para a identificação dos ativos estratégicos que irão assegurar resultados superiores para a empresa no futuro (…). p. o chamado SECI (abreviatura de Socialização.) seu valor está na habilidade de dar aos gerentes maiores insights e influenciar os sistemas de atividades e a comunidade de práticas que podemos chamar de organizações” (SPENDER. 31). p. NONAKA. Entendemos por gestão estratégica do conhecimento a tarefa de identificar. Verifica-se. o que acaba por conduzir “mensagens diferentes para os gerentes que tentam entender o que a gestão do conhecimento realmente significa para eles” (SPENDER. 2008. 2010. Os autores consideram que os conhecimentos tácitos de um grupo de pessoas em uma organização são as competências essenciais da empresa. 46). OLIVEIRA JUNIOR. assim como do indivíduo para o grupo e.. Em seus estudos o autor divide a Gestão do Conhecimento em duas frentes: uma que a trata como objeto (e procura abstrair o conhecimento das pessoas) e outra que a trata como processo (envolvendo os processos individuais e sociais de criatividade. p. de forma a manterem-se competitivas na “economia do conhecimento”. 2010.1ª Edição. Esse modelo “está no núcleo do processo de criação do conhecimento (…) e descreve como os conhecimentos tácito e explícito são amplificados em termos de qualidade e quantidade. para o nível organizacional.” (TAKEUCHI. 2010. o que torna necessário unir o conhecimento com a tecnologia moderna para torná-lo disponível quando necessário. proposto por Takeuchi e Nonaka (2008). Fleury e Oliveira Junior (2010) afirmam ainda que as empresas de conhecimentos diferentes devem unir-se para suprir suas falhas potenciais de conhecimentos. porém de forma desestruturada e dispersa (tanto em pessoas quanto em objetos e/ou produtos da própria empresa). 2012. Spender considera ainda que o valor (do conhecimento) “dep ende de sua habilidade [dos gerentes] de ir além da análise convencional para capturar e analisar novos fenômenos.Revista Tecnologia e Sociedade . ISSN (versão online): 1984-3526 123 facilitou a compactação da informação e sua distribuição indiscriminada (RODRIGUES. Combinação e Internalização). O conhecimento pode ser entendido também como informação associada à experiência. Fleury e Oliveira Junior (2010. 18) afirmam que "O conhecimento da empresa é fruto das interações que ocorrem no ambiente de negócios e que são desenvolvidas por meio de processos de aprendizagem. inovação. p. motivação e comunicação). desta forma a necessidade de se considerar o ciclo da geração do conhecimento. disseminar e atualizar o conhecimento estrategicamente relevante para a empresa (FLEURY.. então. A gestão do conhecimento apresenta uma importante contribuição para a compreensão de como recursos intangíveis podem constituir a base de uma estratégia competitiva. 88). p. Externalização. . 23). (. desenvolver.

POLLONI. 373). considerando-o como aquele que pode ser expresso formalmente com a utilização de um sistema de símbolos. em especificações de produtos. 2008. disserta sobre alguns casos de sucesso e comenta que os responsáveis pela gestão do conhecimento devem sintetizar os conhecimentos tácitos de seus colaboradores. que é pessoal. Um papel importante para que este conhecimento seja de tal forma articulado dentro das organizações é desempenhado pelo chamado 'ativista do conhecimento'. p. (4) melhoramento das condições daqueles engajados na criação do conhecimento. tanto os de linha de frente. Para os autores “O engenheiro do conhecimento é o profissional responsável pela estruturação e construção de um sistema inteligente. (5) . ISSN (versão online): 1984-3526 124 Ainda é possível verificar que os autores consideram que as organizações tem negligenciado a etapa de externalização do conhecimento. conhecido como o ativista do conhecimento (também chamado por alguns autores. Afirmam ainda que o engenheiro do conhecimento deva possuir boa comunicação. (2) redução do tempo e do custo necessários para a criação do conhecimento. quanto dos executivos seniores. explicita de forma clara sobre o conhecimento explícito. inteligência. (3) alavancagem de iniciativas de criação do conhecimento por tora a corporação. tornando-os explícitos. o que tem sido frequentemente desconsiderado pelas organizações. conhecimento do domínio. NONAKA. Na mesma linha de pensamento desses autores. fotografias e outros. 2002. código de software. específico ao contexto e difícil de formalizar e comunicar aos outros. O conhecimento explícito é baseado em regras quando é codificado em normas. 2006. para que o conhecimento empresarial seja coletado.1ª Edição. 189). é convertido em conhecimento transmissível e articulado. protótipos.Revista Tecnologia e Sociedade . rotinas ou procedimentos operacionaispadrão. p. O conhecimento explícito pode se basear em objetos ou regras. E que segundo o conceito proposto por Simcsik e Polloni (2002). Ichijo (2008). por exemplo. podendo portanto ser facilmente comunicado ou difundido. Ele extrai conhecimento de alguma fonte. p. interpreta e representa em tipos e estruturas convenientes” (SIMCSIK. 24) Nonaka (2008) comenta que tornar o conhecimento tácito em explícito é o mesmo que expressar o inexpressável e sugere o uso de linguagem figurativa e de simbolismo para isso. como engenheiro do conhecimento). que tem como função impulsionar e fazer um elo de ligação entre os indivíduos e o conhecimento. conhecimento de programação.” ( TAKEUCHI. relacionando suas atividades ao quadro geral da empresa. patentes. corroborando com Takeuchi e Nonaka (2008). que é a etapa na qual “o conhecimento t ácito. apontando seis deles: (1) foco e inicialização da criação do conhecimento. de forma que sejam incorporados em novas tecnologias e produtos. banco de dados de computador. versatilidade e inventividade. empatia e paciência. apresenta alguns propósitos para a existência do ativismo do conhecimento. armazenado e externalizado eficientemente há a necessidade da existência de um ator no processo. Choo (2006). 2012. desenhos técnicos. (CHOO. tática e diplomacia. (…) O conhecimento baseado em objetos pode ser encontrado.

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preparação dos participantes da criação de conhecimento para novas tarefas nas quais seu conhecimento é necessário; e (6) inclusão da perspectiva da microcomunidade no debate mais amplo de transformação organizacional. (ICHIJO, 2008, p. 131132)

O autor afirma ainda que:
Os ativistas do conhecimento são grandes participantes em pelo menos quatro subprocessos de criação de conhecimento. No início do processo, eles frequentemente formam microcomunidades de conhecimento. Eles facilitam o caminho para a criação e a justificação dos conceitos, assim como para a construção de um protótipo. (…) Os ativistas do conhecimento são os divulgadores do conhecimento na empresa, espalhando a mensagem a todos.” (ICHIJO, 2008, p. 131-132).

Desta forma, verifica-se que para gerenciar o conteúdo de um livro eletrônico é necessário um ativista do conhecimento para cada área específica, para a qual se utilizará essa ferramenta. Para que todos deem sugestões, e elas sejam filtradas e sintetizadas de forma que fiquem claras para todos, para que o conhecimento seja compartilhado de maneira eficaz. Rosini e Palmisano (2008) esclarecem bem a contribuição que um documento com informação digital pode oferecer:
Quando a informação é digitalizada e comunicada por meio de redes digitais, revela-se um novo mundo de possibilidades, em que quantidades enormes de informação podem ser comprimidas e transmitidas na velocidade da luz, pois a quantidade das informações pode ser muito melhor do que nas transmissões analógicas. Muitas formas diferentes de informação podem ser combinadas, criando, por exemplo, documentos multimídia e as informações podem ser armazenadas e recuperadas instantaneamente de qualquer parte do mundo, propiciando, consequentemente, acesso instantâneo a maior parte das informações registradas pela civilização humana. (ROSINI; PALMISANO, 2008, p. 107, grifo nosso).

Um aspecto importante em um ativista é a sua capacidade de saber interagir com as pessoas e a capacidade de atuar como um suporte de ligação entre o conhecimento e as idéias tácitas advindas de diversas vivências de cada indivíduo. Há que se mencionar a metáfora do Iceberg do Conhecimento, pois, de acordo com Sabbag (2007, p. 56-57) o conhecimento é explorado como se fosse em camadas de um iceberg. No topo do iceberg estão as partes que fazem parte do conhecimento explícito como o saber fazer (teorias, normas, procedimentos, instruções, processos organizacionais) e na parte submersa e intangível encontra-se a parte que compete ao conhecimento tácito como o saber fazer incorporado, saber os porquês, saber com quem (talentos naturais, simbolismos, crenças, cultura, valores e atitudes, pressupostos). Neste contexto o ativista do conhecimento para atuar como ator no processo, deve saber lidar com as nuances existentes entre o conhecimento explícito e o que se pode aprender com o conhecimento tácito, uma vez que

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a profundidade com que terá que lidar com este último é maior e envolve um processo de extração do conhecimento individualizado. Corroborando com essa ideia há a espiral do conhecimento (figura 1) proposta por Nonaka e Takeuchi (1997, p. 80), na qual observa-se que o grande desafio corresponde em transformar o conhecimento tácito em explícito, ou seja, no processo de externalização. E neste processo está a fundamental importância do papel do ativista: na compilação de toda essa gama de conhecimentos exteriorizados.

COMPETIÇÃO

SOCIALIZAÇÃO Experiências compartilhadas

EXTERNALIZAÇÃO Conhecimento tácito convertido em explícito

INTERNALIZAÇÃO Conhecimento explícito incorporado no conhecimento tácito

COMBINAÇÃO Conceitos sistematizados

COOPERAÇÃO

Figura 1: Espiral do Conhecimento Fonte: adaptado de Nonaka e Takeuchi (1997, p. 80)

Neste cenário o ativista do conhecimento que está envolvido com a atividade de desenvolvimento de um livro eletrônico tem a função de ser um agente extrator do conhecimento tácito e um transformador deste conhecimento em explícito, por meio do método espiral do conhecimento de Nonaka e Takeuchi (1997), o ciclo de socialização, externalização, combinação e internalização, deve ser contínuo, possibilitando a troca de

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conhecimentos, o enriquecimento de saberes e a formalização do conhecimento. Dessa forma a disseminação formal do conhecimento tende a ser um produto dos esforços da extração e transformação do conhecimento tácito em conhecimento explícito, tomando um formato materializado, ou seja, pode-se falar em uma concretização do conhecimento.

5 MATERIALIZAÇÃO DO CONHECIMENTO
Apesar do conhecimento ser algo muito comentado e discutido dentro das organizações, há ainda muita dificuldade nas empresas em realmente se utilizar adequadamente os conhecimentos gerados internamente. Na prática, gerir o conhecimento é algo de grande dificuldade para muitas instituições e uma das possíveis causas para isso, é a negligência das instituições no momento da externalização dos conhecimentos. Quem afirma isto são os autores Takeuchi e Nonaka (2008), pois, para eles, este processo tem sido amplamente negligenciado na literatura organizacional. O conhecimento externalizado deve ser materializado, para ser disseminado corretamente, pois quando se trata de conhecimento é preciso se ter uma compreensão exata do que se pretende compartilhar dentro dos processos envolvidos, é importante saber mapear formalmente o conhecimento presente dentro das organizações. Esse processo de materialização se dá pela necessidade de gerar uma estrutura concreta do conhecimento, nesse sentido, bem explicitada por Muñoz-Seca e Riverola:
Dada a intangibilidade do conhecimento para poder manejá-lo fisicamente, requer-se sua transformação em estruturas materiais. O conhecimento deve se incorporar a uma estrutura física que pode se transformar por meios físicos bem estabelecidos e da qual se pode extrair de novo por meios sensoriais. O conhecimento em forma pura não é suficiente para satisfazer todas as necessidades da economia. O alimento para a mente deve ser suplementado com o alimento para o corpo. Por conseguinte, o conhecimento tem de ser transformado – também utilizaremos o termo “materializado” – em entidades tratáveis dentro dos processos básicos da empresa e da sociedade. (MUÑOZ-SECA; RIVEROLA, 2004, p. 45).

Na mesma perspectiva, os autores continuam e explicam o que seria a materialização do conhecimento:
A materialização do conhecimento é sua transformação numa forma que possa ser manipulada, armazenada, transmitida, recuperada e utilizada facilmente, sem ter de recorrer à pessoa que o originou. Uma materialização se origina num originador, protetor do conhecimento, e pode ser utilizada para resolver problemas no destinatário. Um inventário de conhecimentos da empresa é quase um passo obrigatório para a gestão do conhecimento. (MUÑOZSECA; RIVEROLA, 2004, p. 45).

quando necessário. unidas podem propiciar grande desenvolvimento de conhecimento dentro da organização. e b) estratégia personalizada. As práticas diferem de uma organização para outra. 110) “geralmente. a videoconferência e o sistema de redes (…) e o mapeamento do conhecimento organizacional” (GROTTO. apresentações audiovisuais. Trata-se da portabilidade e da disponibilidade desses conhecimentos em tempo hábil. o autor ainda cita duas práticas de compartilhamento de conhecimento encontradas em empresas distintas: a) estratégia de codificação. O compartilhamento informal. Essas duas práticas. manuais e livros – propícias ao compartilhamento do conhecimento explícito” e algumas ferramentas tecnológicas para esse compartilhamento formal do conhecimento.1ª Edição. de forma externalizada formal e unificada. portátil e seguro. p. remoto. vídeoconferência e o sistema de redes – terá conhecimento materializado. Verifica-se. 6 O LIVRO ELETRÔNICO COMO ESTRATÉGIA PARA A GESTÃO DO CONHECIMENTO O livro impresso é estático e corre o risco de ficar defasado muito rapidamente. no entanto percebe-se um implicador: a fragmentação desses recursos. O livro eletrônico tem a possibilidade de oferecer mais. como estratégia de armazenamento e disseminação de novos conhecimentos. passível de ser disseminado a quem interessar. 111-112). À luz do compartilhamento formal do conhecimento e de acordo com alguns conceitos tem-se a possibilidade de se obter um cenário. ocorre de maneira não preestabelecida durante encontros casuais e conversas locais. com essa explanação a importância da tecnologia no compartilhamento formal do conhecimento dentro das organizações. conforme Grotto (2003. quando as pessoas trocam ideias. colaborativas e propiciar a todos informações precisas e atualizadas. no qual. segundo o autor “existem algumas práticas formais de compartilhamento do conhecimento – como palestras. pedem conselhos para resolver problemas e perguntam em que os outros estão trabalhando”. 2003. O livro eletrônico vem como aliado a essa disponibilidade de conhecimentos nas organizações. O compartilhamento do conhecimento pode ocorrer por meio de práticas informais ou formais. porém fragmentado.Revista Tecnologia e Sociedade . . Há então a necessidade de uma ferramenta para a disseminação formal do conhecimento de forma a unir todas essas informações em um único local. 2012. Se as empresas considerarem exatamente o que o autor comenta – uso de e-mail. p. na qual uma pessoa detentora do conhecimento é responsável por comunicá-lo e transmiti-lo aos demais interessados. ISSN (versão online): 1984-3526 128 As informações podem advir das reuniões informais. como “ o e-mail. na qual o conhecimento é explicitado em sistemas de informação para acesso pelos colaboradores. de acesso fácil.

p. externalização. as pessoas obtêm conhecimento daqueles que já o têm. 25). ISSN (versão online): 1984-3526 129 oferecer principalmente a atualização de informações. serviço. valor agregado. c) conhecimento crítico nas mãos de poucas pessoas. Para o autor: Todo e qualquer sistema que manipula ou gera conhecimentos organizados para contribuir com os seres humanos. armazenando e atualizando conhecimentos) com o pode agregar todos os “produtos” em si próprio (documentos. de conteúdo. 2004. ou mesmo em casa. produzidas com qualidade e de forma antecipada. emails. 22-23). (REZENDE. inovação. 85) O livro eletrônico como toda tecnologia tem seus pontos positivos e pontos negativos. sites). b) erros devidos à falta de conhecimento. De acordo com Rezende (2002) existem os Sistemas do Conhecimento. como suporte à obtenção da vantagem competitiva inteligente. 2002. nos sistemas do conhecimento são gerados muitas informações com conhecimento agregado. sobre a socialização. textos. ou em viagens. documentos. publicações. pelos seus colaboradores. amigável e de acesso fácil e ágil. Conforme Santiago Júnior (2004) é possível verificar que A maioria dos problemas sobre a disponibilidade de conhecimentos nas organizações recai nas seguintes questões: a) problemas com transferência do conhecimento.1ª Edição. O livro eletrônico pode unir tudo o que foi mencionado por Teixeira Filho. e) perda de conhecimentos relevantes nos momentos adequados. pode auxiliar nos processos (disseminando. pelo aprendizado interpessoal e o compartilhamento de experiências e ideias. páginas da Web. (…) As empresas precisam de qualidade. “trabalhadas” por pessoas e/ou recursos computacionais. 2012. pode ser chamado de Sistema do Conhecimento. Além disso. livros. tudo de uma forma agradável. livros. ainda assim seus pontos negativos em sua maior parte . hipertextos. O uso de livros digitais supriria praticamente todas as questões citadas pelo autor. através de meios estruturados como vídeos. com as organizações e com a sociedade como um todo. que podem ser acessados na empresa. internalização e a combinação poderá registrar tudo isso em livros eletrônicos. d) impossibilidade de medição de uso do conhecimento. Teixeira Filho (2000) comenta a necessidade das empresas em relação ao compartilhamento do conhecimento: O conhecimento é transmitido por pessoas e para pessoas. agilidade e velocidade de forma cada vez mais crítica (TEIXEIRA FILHO. p. (SANTIAGO JÚNIOR.Revista Tecnologia e Sociedade . de conhecimentos. etc. Se a empresa seguir as ideias de Nonaka e Takeuchi (1997). que possa ser utilizado por todas as pessoas da organização. Isso significa a difusão das informações relevantes e úteis. flexibilidade. f) falta de processos de compartilhamento. Conforme o autor. no qual o livro eletrônico se enquadra como uma estratégia para a Gestão do Conhecimento. transformando-as em conhecimento explícito. 2000p. vídeos.

esse livro eletrônico seria sempre alimentado pelo ativista do conhecimento a cada novo conteúdo (conhecimento) compartilhado. ISSN (versão online): 1984-3526 130 são superados com adequações que podem ser promovidas pelo ativista do conhecimento e pela colaboração de seus usuários.Revista Tecnologia e Sociedade . Seu acesso pode ser feito em qualquer lugar. transformando-o em conteúdo de um suposto livro eletrônico que é disponibilizado novamente para todos os colaboradores. sua disponibilização ao ativista do conhecimento e o compartilhamento formal. garantindo a mobilidade e acessibilidade do conhecimento que se busca. prática do uso de proteção de direitos autorais (improvável num modelo como esse proposto). que seria a materialização deste conhecimento pelo ativista. 2012.  Pontos negativos dos livros eletrônicos: necessidade de um aparelho eletrônico para sua leitura. A figura 2 ilustra a união entre o compartilhamento “informal”. já que o seu aparelho leitor pode ser desde um computador a um aparelho de celular. Desta forma. por meio dos colaboradores. disponibilidade e agilidade. reunião de conteúdos textuais e multimídia.1ª Edição. convergência de tecnologia. falta de cultura em leitura eletrônica. . controle de acesso ao conteúdo pelo usuário e pelo moderador. atualização de conteúdo. Destacam-se:  Pontos positivos dos livros eletrônicos: portabilidade. A unificação de todos os conhecimentos estaria garantida e reunida em um local único de fácil acesso e portabilidade. externalizado e materializado. falta de pro-atividade e interesse do usuário quanto ao conteúdo.

ISSN (versão online): 1984-3526 131 Colaborador es Conhecimentos Ativista do conhecimento E-BOOK Disseminação do conhecimento materializado Colaborador es e disseminação de conhecimento por Figura 2: Processo de materialização meio de e-books Fonte: Elaborado pelos autores. bem como a forma como este conhecimento é articulado dentro das organizações. para então transpô-los ao e-book. 7 CONSIDERAÇÕES FINAIS O principal objetivo desse artigo foi mostrar uma proposta do uso do livro eletrônico (e-book) como uma ferramenta para a disseminação do conhecimento materializado. que deve ser o responsável pela concretização das ações necessárias à disponibilização de ambiente propício e ferramentas necessárias à captação desse conhecimento. também observado por Simcsik e Polloni (2002) e Ichijo (2008). por meio de trabalhos como o do ativista do conhecimento. Materializar . Trata-se de um meio de compartilhamento formal do conhecimento explícito materializado.1ª Edição.Revista Tecnologia e Sociedade . 2012. É muito importante o papel do ativista do conhecimento. no processo de coleta dos conhecimentos tácitos e a compilação e transformação destes conhecimentos externalizados em conhecimento explícito. de forma que este seja fornecido aos colaboradores como ferramenta estratégica para a disseminação formal do conhecimento. levando em consideração os conceitos e métodos sobre a Gestão do Conhecimento.

ISSN (versão online): 1984-3526 132 esses conhecimentos para disponibilizá-los em e-books torna-se um desafio e um ponto crucial para que a proposta em tela seja concretizada. isto em tempo real.Revista Tecnologia e Sociedade . o compartilhamento. conforme afirmado por Rosini e Palmisano (2008). para tornar o conhecimento tácito em explícito por meio da externalização e indo além se faz necessária a sistematização desse conhecimento. de forma a atingir as necessidade de compartilhamento de conhecimentos em qualquer organização. concordando com Muñoz-Seca e Riverola (2004) e a disseminação do conhecimento por meio de e-books pode apresentar-se como uma ferramenta útil dentro das organizações possibilitando resultados positivos e satisfatórios. conforme apresentado e defendido por Nonaka e Takeuchi (1997). Sendo possível observar que para disseminar os conhecimentos a tarefa de materializa-los é necessária.1ª Edição. uma vez que o conhecimento pode ser acessado pelo usuário utilizando-se de diversas tecnologias desde um computador até um aparelho celular. auxiliando na tomada de decisões pelo compartilhamento dos conhecimentos. o que garante a temporalidade. o processo de materialização. concordando com Rezende (2002) em relação aos Sistemas de Conhecimento. O resultado obtido com os artigos analisados e com o levantamento bibliográfico mostra que para as organizações o conhecimento é aspecto fundamental para a competitividade e para a própria sobrevivência. 2010. No entanto. 18) os conhecimentos tácitos de um grupo de pessoas em uma organização são as competências essenciais da empresa. conforme afirmado por Takeuchi e Nonaka (2008). como afirma Grotto (2003). Desta forma concorda-se com Spender. p. . a disseminação e a sistematização se fazem necessários para que a complexidade dos processos organizacionais se unifiquem para atingir os objetivos estipulados no planejamento estratégico. integridade do conhecimento que se deseja naquele espaço de tempo. Surge neste contexto a preocupação com a espiral do conhecimento. 30-31). Desta forma suprem-se as necessidades afirmadas por Santiago Júnior (2004). têm negligenciado a etapa de externalização do conhecimento. Por fim. Neste aspecto a disponibilidade. para que eles possam atingir a todos os objetivos desejados pela organização satisfazendo as necessidades de conhecimentos de seus colaboradores. o acesso. Como afirmado por Fleury e Oliveira Junior (2010. desta forma o estudo mostra que a organização deve se preocupar com a formalização do compartilhamento dos conhecimentos. 2012. p. acessibilidade. quando afirma que “há valor óbvio em inventariar esse conhecimento e em usar o poder da moderna tecnologia para torná-lo prontamente disponível a qualquer que seja a necessidade” (SPENDER. Essa sistematização e seu compartilhamento ocorre formal ou informalmente.

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