Revista Tecnologia & Sociedade

Periódico técnico-científico do Programa de Pós-graduação em Tecnologia da UTFPR

No. 14 – 1º semestre de 2012 – Semestral. Curitiba: Editora UTFPR (denominação anterior: Editora CEFET-PR).
ISSN (versão online): 1984-3526

PPGTE - Programa de Pós-Graduação em Tecnologia da UTFPR Av. Sete de Setembro, 3165 Cep: 80230-901 – Curitiba – Paraná - Brasil http://www.ppgte.ct.utfpr.edu.br/tecnologiaesociedade revistappgte@gmail.com

Revista Tecnologia e Sociedade - 1ª Edição, 2012. ISSN (versão online): 1984-3526

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ÍNDICE
Editorial...…...…..............…….……………….....……………………....5 Dr. Christian Luiz da Silva Algunas consideraciones sobre la valoración económica de bienes y servicios ambientales en áreas protegidas. ................... 7 Some considerations about the economic valuation of environmental goods and services in protected area. Alain Hernández Santoyo Mayra Casas Vilardell María Amparo León Sánchez Rafael Caballero Fernández Víctor Ernesto Pérez León A Influência dos Recursos Naturais Frente à Colonização do Vale do Macuri ............................................................................... 17 The influence of natural resources the colonization of the Vale do Mucuri Marcio Schuber Ferreira Figueiredo Cristiane Xavier Figueiredo Análise de patentes de tecnologias relacionadas ao descarte de resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos com vistas à sustentabilidade ambiental........................................................... 34 Analysis of technology patents related to the disposal of electric and electronic equipment waste regarding the environmental sustainability Luciara Cid Gigante Maria Cristina Comunian Ferraz Camila Carneiro Dias Rigolin Bioenergia e resíduos na cadeia de suínos: uma análise de custos e investimentos para transporte de dejetos suínos com posterior geração de bioenergia no município de Toledo/ PR ... 48 Bioenergy and waste in the chain of pigs: an analysis of costs and investments for the transportation of pig manure with subsequent generation of bioenergy in the city of Toledo / PR Sandra Mara Pereira Política Industrial Comum no Mercosul: apontamentos sobre o papel das instituições ................................................................... 67 Common Industrial Policy in Mercosul: notes on the role of institutions Rogério Santos da Costa

Revista Tecnologia e Sociedade - 1ª Edição, 2012. ISSN (versão online): 1984-3526

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Sustentabilidade nas Construções da Copa 2014, em Curitiba . 77 Sustainability on Constructions of the World Cup 2014, in Curitiba Sileide France Turan Salvador Ana Helena Corrêa de Freitas Gil Eloy Fassi Casagrande Júnior A Variação dos Indicadores Básicos do Índice de Desenvolvilmento Humano dos Países Latino-Americanos no Período de 2007-2010: uma Decomposição com uso da Metodologia Shift-Share ............................................................... 92 Variation of Basic Indicators Index of Human Desenvolvilmento Latin American Countries in the Period 2007-2010: a decomposition using the Shift-Share Methodology Bruno Theylon Oliveira Dias Gilson Batista de Oliveira Reflexões sobre a Capacitação Gerencial na Agricultura Familiar Brasileira ...................................................................................... 105 Reflections on management in the Brazilian Family Farming Joelsio José Lazzarotto João Caetano Fioravanço Uso do E-book Como Meio de Compartilhamento Formal e Disseminação do Conhecimento Explicito em Organizações . 115 Use of e-book as formal resource of sharing and dissemination of explicit knowledge in organizations Adriane Ianzen Machado Fabiana Paula Hoffmann Egon Walter Wildauer

de Márcio Schuber Ferreira Figueiredo e Cristiane Xavier Figueiredo. no artigo “Algunas consideraciones sobre la valoración económica de bienes y servicios ambientales em áreas protegidas”. O primeiro artigo é uma contribuição dos pesquisadores e professores Alain Hernández Santoyo. em seu artigo “Política Industrial e Comum no Mercosul”. Espanha. O sexto e sétimo artigos tratam da sustentabilidade como tema central. Os autores Sileide France Turan Salvador e Ana Helena Corrêa de Freitas Gil. María Amparo León Sánchez e Victor Ernesto Pérez Léon. Luciara Cid Gigante. Os autores. da Universidad de Málaga. sobre a complexa e interdisciplinar questão da valoração econômica. demonstram a importância dos recursos naturais e sua influência no processo de colonização. O professor do programa de pós-graduação em Administração da Unisul. Nesta edição. relações internacionais e gerencias. através de monitoramento tecnológico de produtos e processos relacionados ao descarte de lixo tecnológico. Rogério Santos da Costa. há o especial interesse pela relação entre tecnologia e desenvolvimento pelas discussões referentes a temas multidisciplinares. doutoranda em política de ciência e tecnologia da Unicamp. ISSN (versão online): 1984-3526 5 EDITORIAL A primeira edição de 2012 da revista Tecnologia e Sociedade reforça ser um espaço plural de discussão entre as diversas relações e interações entre a tecnologia e a sociedade. da Universidad Piñar del Río. intitulado “A influencia dos recursos naturais frente à colonização do Vale do Macuri”. Homero Fernandes Oliveira e Weimar Freire da Rocha Júnior. sobre a importância da política industrial como instrumento de desenvolvimento industrial em processos de integração regional. desenvolvem um modelo de multicritério como ferramenta para integração de componentes naturais. O quarto artigo trata do tema bioenergia e resíduos na cadeia de suínos.1ª Edição.Revista Tecnologia e Sociedade . sustentabilidade. Maria Cristina Comunian Ferraz e Camila Carneiro Dias Rigolin. Os pesquisadores do programa de pós-graduação em Desenvolvimento Regional e Agronegócios. do Instituto Federal do . Debora da Silva Lobo. da Faculdade Presidente Antônio Carlos de Teófilo Otoni/MG. e Rafael Caballero Fernandéz. como meio ambiente. O segundo artigo. desenvolvimento. 2012. coletaram informações relacionadas a 380 propriedades com suínos em fase de terminação e analisaram os potenciais de geração de dejetos. O autor demonstra que ao invés de ser fator integrar as dificuldades institucionais no Mercosul para a integração política implicam em motivo de instabilidade para o bloco econômico. O sexto artigo denota a questão da sustentabilidade na construção civil. Os quatro primeiros artigos tem a questão ambiental como tema central da discussão multidisciplinar. professoras da UFSCar. Mayra Casas Vilardell. biogás e energia elétrica. tecnologia e sociedade e sociologia do consumo por meio de uma das metodologias da ciência de informação. O artigo “Análise de patentes de resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos com vistas a sustentabilidade ambiental” avaliou as tendências verificadas por meio de documentos de patentes. apresentam uma contribuição para o campo de ciência. de Cuba. discute. Sandra Mara Pereira. econômicas e sociais que favoreça a otimização de decisões.

tecnologia e sociedade. pesquisadores da Embrapa. Os autores mostram que o uso do e-book pode ser uma ferramenta estratégica e tecnológica para agregar valor às organizações.1ª Edição. Desejamos a todos boa leitura! Prof. Por fim. Contamos com novas contribuições para maior fortalecimento dessa discussão e para que possamos fortalecer o alcance do objetivo da revista: ser uma referencia latino-americana para discussão multidisciplinar no campo de ciência. relacionando ao contexto de crescimento econômico destes países. econômica e social em seu artigo “Sustentabilidade nas Construções da Copa 2012 em Curitiba”. discutem sobre o índice de desenvolvimento humano para os países latino-americanos. ISSN (versão online): 1984-3526 6 Paraná. Fabiana Paula Hoffmann e Egon Walter Wildauer. Adriane Lanzen Machado. O artigo “A variação dos indicadores básicos do índice de desenvolvimento humano dos países latino-americanos no período de 20072010” teve o intuito de mostrar como a crise de 2008 afetou não somente a questão econômica como a área social. e Eloy Fassi Casagrande Júnior. Com isso. os pesquisadores do programa de pós-graduação em Ciência. analisam a função social da construção sustentável na Copa 2012 e a contectividade urbana. intitulado “Reflexões s obre a capacitação gerencial na agricultura familiar brasileira”. refletiram sobre a importância da ampliação da capacidade gerencial para fortalecimento da agricultura familiar e possibilitar que este modelo seja efetivamente uma alternativa de desenvolvimento local. Os autores Joelsio José Lazzarotto e João Caetano Fioravanço. Gestão e Tecnologia da Informação da UFPR. Christian Luiz da Silva Editor . relações e interações e diversidade de contribuição institucional para tratar a tecnologia e sociedade sob prismas diferentes e um enfoque multidisciplinar. mostram como o uso do e-book pode ser utilizado como meio de compartilhamento formal e disseminação do conhecimento explícito em organizações. professor do programa de pósgraduação em Tecnologia. Os pesquisadores da Universidade Federal da Integração Latino Americana – UNILA. Gilson Batista de Oliveira e Bruno Theylon Oliveira Dias.Revista Tecnologia e Sociedade . Dr. perpassamos por diversos temas. 2012. tecnologia e sociedade incorporando novos pesquisadores e grupos de pesquisas nesta importante contribuição de entendermos os motivos e impactos de nossas ações nas universidades e instituições de pesquisas para o desenvolvimento dos países. A importância da questão gerencial para o desenvolvimento local é o tema do oitavo artigo. em especial saúde e educação. Esperamos que esta edição reforce a discussão no campo de ciência.

Email: vp_leon@mat. Email: r_caballero@uma. En el caso de las áreas protegidas. of 1 Alain Hernández Santoyo Mayra Casas Vilardell María Amparo León Sánchez Rafael Caballero Fernández Víctor Ernesto Pérez León Resumen La valoración económica ambiental de los recursos naturales. economía ambiental. El objetivo del presente trabajo.C Ciencias Forestales. Universidad de Málaga.Institución: Centro de Estudios sobre Medio Ambiente y Recursos Naturales. Email: santoyocu@mat. sino en la búsqueda de un equilibrio sistémico. Institución: Dpto.1ª Edição. Cuba. Institución: Dpto. de manera que se favorezca la optimización de las decisiones a tomar.upr. Institución: Dpto. Some considerations about the economic valuation environmental goods and services in protected area. Institución: Dpto. Universidad de Pinar del Río.edu. se dirige a ilustrar la contribución de la valoración económica de bienes y servicios ambientales en áreas protegidas de la República de Cuba. bienes y servicios ambientales. Cuba. Cuba. de Economía Aplicada (Matemáticas). Palabras clave: valoración económica.C Ciencias Económicas.edu.es Víctor Ernesto Pérez León: Dr.cu Rafael Caballero Fernández: Dr.upr. el empleo de la modelación multicriterio como herramienta para la valoración económica de Bienes y Servicios Ambientales.upr.cu María Amparo León Sánchez: Dra. de Matemática. Universidad de Pinar del Río.edu.Revista Tecnologia e Sociedade . económico y social. Universidad de Pinar del Río.cu . Abstract The environmental economic valuation of natural resources represents an important mechanism to get an improvement in the natural resources 1 Alain Hernández Santoyo: Dr. no en base a un único objetivo. es sin dudas un importante mecanismo que tributa a favor de lograr una mejor conservación y gestión de los recursos naturales. constituye una herramienta útil. 2012. Email: maleon@mat. Cuba. Email: mcasas@eco.C Ciencias Económicas.C Ciencias Económicas. de Matemática. ISSN (versão online): 1984-3526 7 Algunas consideraciones sobre la valoración económica de bienes y servicios ambientales en áreas protegidas.edu. Universidad de Pinar del Río.upr. España. de Matemática.cu.C Ciencias Matemáticas. que posibilita la integración de diversos componentes de carácter natural. Mayra Casas Vilardell: Dra. entre un conjunto de ellos. áreas protegidas.

The purpose of the present investigation concerns its attention to present the contribution of the economic valuation of environmental goods and services in protected areas to the Republic of Cuba. El objetivo del presente trabajo. p. 2012. 2006). es una herramienta útil y complementaria en la formulación de políticas a favor de la sostenibilidad (Casas y Machín. Se considera que “la valoración económica puede ser útil en la definición de un grupo de prioridades. pues contribuye a descubrir el valor económico de las externalidades y de los bienes públicos y a diseñar políticas que prioricen la protección y conservación de los recursos naturales.13). sin embargo. políticas o acciones que protejan el medio ambiente y sus servicios” (Cerda. constitutes an useful tool that provides the incorporation of different natural. resumiendo las consideraciones principales compartidas por los autores.46). realización de una mejora ambiental. In the case of protected areas. entre otros” (Azqueta. the using of a multicriteria modeling as a tool for the economic valuation of Environmental Goods and Services.Revista Tecnologia e Sociedade . que permiten medir las expectativas de beneficios y costos derivados de algunas acciones tales como: uso de un activo ambiental. 1994. environmental goods and services. Así. por la toma de decisiones sobre los usos alternativos de los recursos naturales. generación de un daño ambiental. 2003). se justifica. que propone la economía ambiental. economic and social components. La misma constituye un procedimiento dirigido a imputar valores económicos a los bienes y servicios ambientales. not based on an only objective. 2003. but in the search of a whole balance among a group of them. consiste en asignar valores monetarios a los bienes. la valoración económica de estos recursos resulta necesaria. protected areas. independientemente de que estos tengan o no mercado (Castiblanco.1ª Edição. El desarrollo de propuestas de valoración económica del medio natural no resuelve de forma definitiva los procesos de degradación y sobreexplotación de la naturaleza. Introducción La valoración económica. environmental economy. Keywords: economic valuation. . so that the optimization of decisions is favored. Consideraciones sobre la valoración económica ambiental La valoración económica ambiental puede definirse como “un conjunto de técnicas y métodos. se dirige a ilustrar la contribución de la valoración económica de bienes y servicios ambientales en áreas protegidas de la República de Cuba. p. ISSN (versão online): 1984-3526 8 management. servicios o atributos que proporcionan los recursos naturales y ambientales. Lo anterior. el diseño de políticas ambientales para regular el acceso y el uso de los mismos y por constituir un elemento esencial para la actividad económica en la actualidad.

generando utilidad al mismo y no se transforman en el proceso”. según Barsev (2002). son. “aquellos recursos tangibles que brinda la naturaleza. Los anteriores argumentos. los servicios ambientales se asocian a las funciones ecosistémicas que utiliza el ser humano indirectamente. los cuales son utilizados de manera directa por el ser humano como insumos en la producción o en el consumo. cuando . es por ello que se insiste en incorporar una valoración monetaria. sin afectar el mejoramiento sostenible de las condiciones del medio ambiente” (Martínez. la valoración económica constituye una alternativa en la aproximación hacia el desarrollo sostenible La valoración integral de los recursos naturales se convierte así en una útil herramienta para enfrentar la dramática situación ambiental contemporánea. Se definen los Bienes y Servicios Ambientales (BSA) como “aquellos productos o servicios de la naturaleza. ofrecen una medida de bienestar al ser humano. El simple hecho de que no exista un mercado donde dichos recursos puedan ser intercambiados. Es evidente que el propio crecimiento económico conduce a la degradación paulatina de los bienes y servicios ambientales (Tietenberg. de modo que se transforman en el proceso. Los espacios naturales. o medir los cambios en la calidad ambiental en los flujos naturales de estos recursos (impactos positivos o negativos producto de las actividades económicas humanas) (Barsev. la forma de medir el valor económico de los BSA puede ser por medio de los beneficios directos o indirectos de los diferentes usos. p. Necesidad de la “valoración económica” de bienes y servicios ambientales Al analizar los argumentos sobre la valoración económica. En correspondencia con ello. se significan los planteamientos expresados en la Conferencia de las Naciones Unidas sobre Comercio y Desarrollo.10). confirman que los BSA se encuentran involucrados en la actividad económica y al mismo tiempo contribuyen a ella. que tribute a reflejar una medida de su valor. 2004. Es por ello que. que bien pueden ser criterios de valoración directa o indirecta.1ª Edição. y en tal sentido lograr acciones más racionales en relación al uso y conservación de los recursos naturales. en cambio. sustentado en la necesidad de encontrar alternativas que permitan estimar su valor. Los bienes ambientales. la valoración económica de las funciones del medio ambiente se encuentra estrechamente relacionada con el uso racional de sus recursos. una degradación de los mismos provocaría un efecto directo o un cambio de bienestar. 2012. 2004). que responden a un deseo o una demanda de ciertos grupos de personas. por lo cual. ISSN (versão online): 1984-3526 9 Tomando en consideración la contribución que ella ofrece al proceso de toma de decisiones económicas. comunidades o empresas que originan las diversas posibilidades de uso directo o indirecto. implica un gran reto para la ciencia económica.Revista Tecnologia e Sociedade . 2009). De manera oportuna. es necesario referirse a algunas peculiaridades de este proceso en el caso de los bienes y servicios ambientales.

al expresar que “es importante destacar que no se está valorando el “ambiente” ni “la vida”. como muchos detractores de las metodologías de valoración asumen.Revista Tecnologia e Sociedade . flujo de servicios ambientales y los atributos del ecosistema como un todo”. sino que se valoran las preferencias de las personas ante cambios en las condiciones del ambiente y sus preferencias con respecto a cambios en los niveles de riesgo que enfrentan”. la valoración económica de los bienes y servicios ambientales supone un análisis hacia la concepción relacionada con el uso directo de los bienes y por otro lado hacia el uso indirecto de sus servicios ambientales. Como valores de uso. En torno a este debate. pues existe una fuerte crítica de carácter ético referente a la propuesta de expresar en términos cuantitativos los valores de estos bienes y servicios. mediante el establecimiento de marcos reglamentarios apropiados. la idea de la valoración económica reviste una gran importancia para el manejo de los ecosistemas. lo que se propone es que los economistas aprecien el valor de los ecosistemas mucho más allá de sus aportaciones en función de materias primas y productos físicos. se definen. p. apoyándose en la definición que ofrece Cerda (2003. p. el fortalecimiento de los sectores de BSA reviste gran importancia en los países en desarrollo. sino un nuevo reto para enfrentar la irracional actuación humana convencional. Por su parte. 2012. en esencia. el comercio internacional. En tal sentido. Al respecto el Valor Económico Total (VET) de un espacio natural comprende tanto los beneficios comerciales como los ambientales aportados. el fomento de la capacidad y la asistencia para el desarrollo (Garrido. UNCTAD. las inversiones. estos incluyen beneficios directos e indirectos. En relación a ello. Emerton y Bos (2004. y la economía ambiental se encarga de ofrecer sus aportes sobre la teoría del valor económico. ISSN (versão online): 1984-3526 10 reconocían que los Bienes y Servicios Ambientales (BSA) cumplen un papel fundamental en el desarrollo sostenible y por consiguiente. implica considerar su gama total de características como sistemas integrados: existencias de recursos o bienes. 2003). se considera necesario hacer una reflexión acerca del concepto de valor económico. La definición de valor económico El valor económico de bienes y servicios ambientales. .17). se identifican dos grupos de valor: los valores de uso y los valores de no uso. Las preocupaciones acerca de la protección y conservación de los BSA.1ª Edição. no constituye una propuesta mercantilista.26) afirman que “examinar el VET de los ecosistemas. en particular. como premisa fundamental hacia un correcto desempeño de la definición económica de valor. Dichas consideraciones conducen hacia la teoría del Valor Económico Total y a resaltar la cardinal idea de que no son solo los recursos de utilidad actual para la especie humana aquellos a los cuales debe atribuírseles un valor. resulta un tema polémico y para muchos inapropiado. La valoración económica así enfocada. En este sentido. refuerzan la necesidad de la creación de espacios protegidos que permitan controlar el uso de los recursos naturales y sus funciones ecosistémicas. Según lo expresado. 2003.

constituye un aporte importante en la conceptualización del valor económico en el espacio natural. p. se señala que “el valor de no uso se refiere a la disposición o deseo por mantener algún bien en existencia aunque no exista un uso verdadero. 2007. p.e para la pesca son fundamentales las algas)” (Martínez. 2007). se entiende aquel “que tiene determinado bien ambiental o recurso natural (valores de uso y no uso) para las siguientes generaciones. Es evidente que dicha reflexión conduce a intentar buscar herramientas que permitan la integración de juicios y enfoques en torno a las dimensiones clave de los procesos. La modelación multicriterio como herramienta para la valoración económica de BSA La concepción del VET de un área natural protegida demuestra que la valoración económica ambiental de sus recursos naturales representa mucho más que su simple aportación por concepto de aprovechamiento directo. . En relación a los valores de uso. El valor de opción se define como “el valor otorgado por la sociedad a determinados elementos ambientales en un contexto de incertidumbre acerca de la posibilidad de usarlos en el futuro” (Gutiérrez y Martínez. está asociado a que el bien en cuestión puede estar disponible para otros en las próximas generaciones. la sociedad y la economía.5). p. y es por ello que las técnicas multicriterio favorecen la posibilidad de conjugar indicadores que desde la visión de la naturaleza. 2002. p. suponiendo la conciencia del individuo. posible o planeado.1ª Edição. 2004. el valor de legado y el valor altruista” (OECD. 2006. 2012.2). a pesar de no ser la única consideración legítima.Revista Tecnologia e Sociedade . la propuesta se centra en la inclusión del valor de opción como un valor de uso futuro (Hoyos. sino también escalas de valores y principios morales de los que continuarán” (Uclés. . armonicen en visión transversal todos estos componentes. En este sentido. por cuanto permite medir y evaluar los cambios ocasionados en el bienestar social de un usuario ante una variación ocasionada en un bien o servicio ambiental así como definir una actuación pertinente ante una situación ambiental dada. ISSN (versão online): 1984-3526 11 “aquellos derivados del actual uso de un bien o servicio. pues responde a fenómeno complejo sobre el cual se precisa encontrar un acercamiento hacia su verdadero valor. de manera que se deriva de la propia existencia del activo ambiental”. considerando la existencia de tres tipos de valor.los cuales pueden ser directos (para el caso de un bosque la caza o la madera) o indirectos (p.82). Por valor de legado. debiendo suponer por tanto no sólo los niveles tecnológicos futuros. Con respecto a los valores de no uso. se destaca la conciencia del usuario sobre la posibilidad de que la futura generación pueda hacer uso del bien (Leal.4). En resumen. El valor de existencia se entiende como “el valor de conocer que todavía existe un componente del medio ambiente. si se tiene el cuenta el valor propio o intrínseco de muchos bienes ambientales. 2008). la valoración económica de las preferencias humanas. El valor altruista. el valor de existencia.

La modelación multicriterio desempeña un papel importante en la planificación ambiental. para lo cual las técnicas multicriterio resultan de mayor utilidad que otras técnicas posibles. 2008). permitiendo incluso la realización de análisis de sensibilidad ante variaciones de los datos de entrada (Rodríguez. 2007). con la finalidad de conservar y preservar el patrimonio natural y cultural. los autores comparten la idea de que la valoración multicriterio se convierte en una importante herramienta de análisis simultáneo de múltiples alternativas. 2000:4). naturales y sociales. ecosistemas naturales como cuencas hidrográficas y valores de interés científico. León et al. además permite generar y analizar diferentes cursos de acción en base a múltiples criterios de evaluación. asociado a esta modelación. Tales funciones precisan el examen conjunto y simultáneo de multiplicidad de factores. En el caso de las áreas protegidas. (2005). 2007). se reconocen notables méritos en sus aplicaciones al tratamiento de problemas ambientales. la Programación por Metas Ponderadas (WGP) y otros convencionales como el método de actualización de la renta. histórico. naturales y sociales). resulta de mucha utilidad el empleo de herramientas asociadas al proceso de toma de decisiones. este movimiento sustenta que los agentes económicos no optimizan sus decisiones en base a un solo objetivo. lo constituye la búsqueda de soluciones a problemas complejos que pueden no ser resueltos por otros enfoques más convencionales.1ª Edição. estético. apoyándose para ello en la combinación de múltiples factores.Revista Tecnologia e Sociedade . (2008). . Caballero et al. sino que por el contrario pretenden buscar un equilibrio o compromiso entre un conjunto de objetivos usualmente en conflicto (criterios económicos. naturales y sociales. sino también los de índole social y natural (Cortés y Borroto. soportado precisamente en su capacidad para afrontar problemas marcados por diferentes evaluaciones en conflicto. Actualmente tal modelación está llamada a resolver problemas ambientales al incluir objetivos múltiples en los que se consideren no solo los objetivos convencionales. destacándose los trabajos de Díaz-Balteiro y Romero (2004. (2009). entre otros. Gómez et al. ya que el bienestar es una variable multidimensional (Corral y Quintero. o bien pretenden satisfacer en la medida de lo posible una serie de metas asociadas a dichos objetivos (Romero. 2008). económico y social. En este sentido. 2012. Al respecto. lo cual constituye un paso importante hacia el entendimiento de los procesos de uso por parte de las comunidades locales. Rehman y Romero (2006). por cuanto estas áreas cumplimentan funciones ecosistémicas muy diversas: la protección de la flora y la fauna silvestre. 1993). Como premisa. Un importante elemento. pued eser posible mediante la combinación de métodos multicriterio como: Análisis de Proceso Jerárquico (AHP). recursos genéticos. los procesos culturales e históricos de su conservación y las potencialidades económicas de su uso sostenible (Corral y Quintero. ISSN (versão online): 1984-3526 12 Tal concepción responde necesariamente a una modelación eficiente y simultánea de dichos componentes que permita encontrar un equilibrio entre los criterios económicos. Una conjugación de criterios económicos.

2012.1ª Edição. las áreas protegidas forman parte del Sistema Nacional de Áreas Protegidas (SNAP). ISSN (versão online): 1984-3526 13 Los espacios protegidos en Cuba En Cuba. Conservación del ecosistema y turismo) D) Elemento Natural Destacado (Categoría III. el SNAP cubre cerca del 22% del territorio nacional en todas las variantes y categorías y casi el 10% (18. Conservación del ecosistema y turismo) C) Reserva Ecológica (Categoría II. provincia de Pinar del Río. provincia de Guantánamo. provincia de Sancti Spíritus. los cuales representan las áreas de mayor importancia o relevancia natural y ecológica.culturales asociados” (Chimborazo. rectorado por el Centro Nacional de Áreas Protegidas (CNAP) del Ministerio de Ciencia Tecnología y Medio Ambiente (CITMA) cuyos objetivos fundamentales se centran en: “Asegurar la conservación de los valores naturales más representativos del país con énfasis en la biodiversidad garantizando la estabilidad ecológica y el uso sostenible de los mismos. provincia de Santiago de Cuba. Como áreas protegidas con reconocimiento internacional no solo se encuentran las Reservas de la Biosfera. Buenavista (2000). Dichos espacios naturales están dedicados especialmente a la protección y manejo de los recursos naturales.8% en el mar) en aquellas más estrictas o significativas. se distinguen en el archipiélago cubano. el cual consta de ocho categorías. Unidad de Medio Ambiente Pinar del Río. Baconao (1987). Conservación por un uso activo) F) Refugio de Fauna (Categoría IV. p.) H) Área Protegida de Recursos Manejados (Categoría VI. seis Reservas de la Biosfera reconocidas por la UNESCO: Península de Guanahacabibes (1987). Protección estricta) B) Parque Nacional (Categoría II.1). A) Reserva Natural (Categoría I. Cuchillas del Toa (1987). Sierra del Rosario (1985). 2007. provincia de Matanzas.Revista Tecnologia e Sociedade . Conservación de rasgos naturales) E) Reserva Florística Manejada (Categoría IV. pues se reconocen otras con la . 2009). provincia de Pinar del Río. Ciénaga de Zapata (2000). Conservación y recreación del paisaje terrestre o marino. así como la protección de los valores histórico .10). De acuerdo con datos ofrecidos por CNAP (2004. Conservación a través de un uso activo) G) Paisaje Natural Protegido (Categoría V. La clasificación de las áreas protegidas en Cuba responde a un sistema propio. Usos sostenible de ecosistemas naturales) En tal sentido. en correspondencia con las definidas por la UICN (Chimborazo. 2007. p.

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the influence of natural resources the colonization of the Vale do Mucuri. A pesquisa foi realizada a partir do estudo acerca da exploração das riquezas minerais aí presentes e os seus desdobramentos. Os resultados obtidos demonstram a importância dos recursos naturais e sua influência no processo de colonização. percebe-se. A existência das cidades e o seu contexto fazem parte deste estudo que utiliza do recurso da revisão de literatura como metodologia. Professor Substituto do Curso de Direito. Cristiane Xavier Figueiredo: Especialista em Docência do Ensino Superior – DOCTUM. 2012. . no que tange ao aumento da população. colonização. reflexos da exploração de recursos minerais. a influência dos recursos naturais frente à colonização do Vale do Mucuri. Diretor Acadêmico Pedagógico da Faculdade Presidente Antônio Carlos de Teófilo Otoni/MG.Brasil. Especialista em Docência do Ensino Superior – UNIPAC(2006). Abstract This article was developed in order to demonstrate clearly and objectively. ISSN (versão online): 1984-3526 17 A Influência dos Recursos Naturais Frente à Colonização do Vale do Macuri The influence of natural resources the colonization of the Vale do Mucuri Marcio Schuber Ferreira Figueiredo Cristiane Xavier Figueiredo 2 Resumo O presente artigo foi desenvolvido no intuito de demonstrar. agropecuários. Bacharel Direito – FENORD(1999).1ª Edição. Bacharel em Direito – FENORD. localizado na região Leste do Estado Minas Gerais . Bacharel em Ciência Contábeis – DOCTUM. tendo como base uma análise sistemática e teórica deste processo. dos mercados e dos recursos hídricos evidenciando uma devastação ambiental. contribuindo para o entendimento acerca da relação direta dos indivíduos e o seu meio ambiente. mercantil. Com o povoamento das cidades. com ênfase nos conceitos de local. a devastação ambiental e a conseqüente escassez de riquezas. refletindo numa relação entre o próprio indivíduo com seu ambiente. região e território aplicados a esta realidade. Brazil based on a systematic and 2 Marcio Schuber Ferreira Figueiredo: Mestrando em GIT – Gestão Integrada do Território. located in Eastern Minas Gerais State. Palavras Chave: recursos naturais. bem como o desenvolvimento das atividades agropastoril.Revista Tecnologia e Sociedade . Professora substituta do Curso de Direito da Faculdade Presidente Antônio Carlos de Teófilo Otoni/MG. Especialista em Educação e Gestão Ambiental – FAZU(2002). fluvial e sua influência. vale do Mucuri. de maneira clara e objetiva. claramente.

así como el desarrollo del agropastoril de las actividades.1ª Edição. del devastação ambiente y de la escasez consiguiente de la abundancia. River and its influence. La investigación fue llevada a través del estudio referente a la exploración de los regalos mineral de la abundancia allí y de sus unfoldings. mercantil. region and territory applied to this reality.Revista Tecnologia e Sociedade . o aumento significativo da população. . en claro y la manera objetiva. with emphasis on the concepts of local. RESUMEN: El actual artículo fue desarrollado en la intención de demostrar. as well as the development of agricultural activities. With the settlement of cities. ISSN (versão online): 1984-3526 18 theoretical analysis of this process. A região onde havia maior concentração populacional era a que ia do Peçanha a Itamarandiba. reflecting a relationship between the individual himself with your environment. no jequi (armadilha) tin honha (tem peixe). markets and water resources demonstrating environmental devastation. en a lo que se refiere al aumento de la población. vale do Macuri. Palabras clave: recursos naturales. el contribuir para el acuerdo respecto a la relación directa de los individuos y de su ambiente. Colonization. agricultural farms. mercantil. fluvial y de su influencia.Brasil. one realizes clearly reflections of exploitation of mineral resources. O Povoamento da Região A partir da descoberta do ouro e dos diamantes na região do Alto Jequitinhonha. 1. región e el territorio se aplicó a esta realidad. con énfasis adentro conceptos del lugar. in regard to the increase of population. 2012. La existencia de las ciudades y de su contexto son parte de este estudio que las aplicaciones del recurso de la revisión de la literatura como metodología. Vale do Mucuri. environmental devastation and the consequent shortage of riches. localizado adentro región al este de Minas Gerais . la influencia él los recursos naturales lo afronta a colocar valle él Mucuri. The existence of cities and its context are part of this study that uses the resource as literature review methodology. teniendo como base análisis sistemático y teórico de este proceso. The survey was conducted from the study on the exploitation of mineral wealth there and their unfoldings. que na linguagem indígena quer dizer que. contributing to the understanding of the direct relationship of individuals and their environment. The results obtained show the importance of natural resources and their influence in the process of colonization. tendo por conseqüência. e daí a Minas Novas. Key Words: natural resources. colocando. Tratava-se de uma região procurada por aventureiros que viviam em busca de fortuna e escravos. iniciou-se o processo de colonização regional.

despertaram a cobiça do rei que. pelo contrário. 29). p. Berilo e finalmente São Domingos. As investidas ao sertão continuaram do lado espíritosantense”.. Os rios Jequitinhonha e Mucuri. “As proibições não foram mais fortes do que o fascínio pelas pedras verdes. Almenara e Salto da Divisa. o contrabando e invasões estrangeiras.nas grotas. 30). segundo a lenda. sob o pretexto de que esta permanecesse com o controle das riquezas evitando. mas especificamente do seu mais importante afluente. pouco explorados até a segunda metade do século dezoito. João III. p.1ª Edição. 2005. melhor controlada.Revista Tecnologia e Sociedade . quanto mais próximas das águas. o rio Mucuri não promovia o acesso via litoral. participando-lhe que os bugres falavam da existência de uma serra resplandecente junto a um grande rio. fazendo brotar desejo e especulações que já eram vistos em diversas áreas de colonização. pois o ouro e diamantes mais fáceis ou de superfície. em 1550. “ outro veio . Aqueles moradores do Alto rio Jequitinhonha. mais férteis são as terras. Entretanto. de Itamarandiba a Virgem da Lapa logo começaram a invadir a mata. 2012. fértil. “ . O povoamento da região do rio Mucuri. assim como o rio Doce. 3). assim.. Cabe ao município de Theóphilo Ottoni a glória de ter sido um dos primeiros pontos do território brasileiro visitado pelos expedicionários portuguezes. ou seja. objetos de lendárias conjecturas.. ISSN (versão online): 1984-3526 19 Chapada. principalmente aquelas que têm bosques. afastando invasores que pudessem ameaçar o metal cobiçado. assim. etc.. chamados capões. Este movimento de deslocamento para estes vales durou mais de um século e se deu inicialmente pela barra do rio Araçuaí e Jequitinhonha abaixo. povoando e explorando regiões muito férteis como as de Itaobim. à cata de ouro e de esmeraldas. se deu de forma inversa. que era como se chamava a atual cidade de Virgem da Lapa. objeto de lendárias conjecturas como os da serra das esmeraldas. então governador geral do Brazil. a redução desta já era visível. dava lugar a catas mais profundas e perigosas. Fato é que por não ser inteiramente navegável. Quando a produção dos garimpos e da lavoura começou a dar sinais de enfraquecimento. ” (RIBEIRO. o monopólio da estrada para o Rio de Janeiro. o rio Todos os Santos. sem dono. vindo de Minas Novas e passando por Americaninha. onde as lavouras produziam muito com pouco esforço. Impunha-se. pois sua trilha original nasceu na cidade de Araçuaí. aquela que prometia. assim como o contrabando e o tráfico de escravos. que mandasse alguns homens pelo sertão dentro a descobrir minas e saber se havia aí ouro. fruto da prática da roça de toco e das várias safras nos mesmos capões de mata. (ESPINDOLA. não ocorrendo do litoral para o interior. alcançar a serra das esmeraldas. e a lavoura minguava pela baixa fertilidade do solo. como conseqüência. terra nova. 1929. Ocuparam esta região os moradores das tribos Botocudos e Puris. farta. p. aberta pelas bandeiras e. As notícias transmitidas por Felippe de Guilhem a D. (PORTO. Jequitinhonha. por vezes. 1994. recommendou a Thomé de Souza. foram tratados como áreas proibidas pela coroa.

estradas e descobertas de jazidas. depois ao Alto Jequitinhonha pela exploração do ouro e diamante.1ª Edição. foram exploradas pelo Mestre de Campo João da Silva Guimarães. numa serra situada na confluência das bacias dos rios Doce. mais tarde. hoje S. p. 2005. 1929. A população foi se refluindo. depois para o baixo Jequitinhonha e o terceiro para o Mucuri. equivalente a 15% da área segundo RIBEIRO (1994). se deu na ordem seguinte. ISSN (versão online): 1984-3526 20 colonizador pelas cabeçeiras dos Rios Fanado. no do chapadão do alagadiço para o Mucuri. aos primeiros sinais de esgotamento das minas. p. mesmo antes de serem abolidos. cuidando da extração de ouro e pedras preciosas (PORTO. a produtividade já dava sinais de estagnação. rumo ao povoamento destes vales. não existia abundância. 31). e. 2005. p. p. todos intencionados na descoberta ou “por caminhos onde mais tarde se encontraram as pedras verdes. 1994). . extração de madeira e sistema de subsistência (1994. A exploração mineral se deu com maior intensidade na cidade de Ouro Preto. 2005. direcionava-se as explorações para o rio Doce e Mucuri. os atos proibitivos perderam força e. e a dispersão populacional buscando outras atividades. sendo este mais insalubre e perigoso. Matheus. iniciando-se então a colonização das demais regiões. refere-se às minas da Serra das Esmeraldas (ESPINDOLA. e. teria sido o primeiro morador fixo em Teófilo Otoni. Daí aparece três fluxos de povoamento: o primeiro do Cerro para o Rio Doce. destacou três regiões: Alto Jequitinhonha. p. O rio Cricaré. 35). p. e após os 100 (cem) anos de exploração.assinalando claramente o interesse pelas esmeraldas. sendo o centro econômico e. e. no vale do rio Mucuri. criava-se todo o processo de insatisfação do agrário. ficariam muito prejudicadas e impedidas. em direção ao vale do rio Mucuri. tem suas nascentes no município de Theóphilo Ottoni. as quais. Antônio José Coelho. XIX. XVIII e início do sec. era de subsistência nas grotas. o sistema agrário se deu através das fazendas.Revista Tecnologia e Sociedade . tendo uma intimidade. A ordem cronológica desta arrancada. durante 100 anos avançou em direção a Diamantina. escravos e índios. Mucuri e São Mateus (Cricaré)” (ESPINDOLA. por último. “Entretanto. permanecendo o Mucuri ainda não explorado até fins do sec. Setúbal e pelo Alto dos Bois” (RIBEIRO. segundo RIBEIRO (1994. de Araçuaí para o baixo Jequitinhonha. O povoamento. em 1850. “. 18). Entretanto. buscando-se outras possibilidades. o segundo de Minas Novas. levando consigo seus familiares. o governo colonial tornou a se interessar pelo território coberto pela Mata Atlântica ” (ESPINDOLA. Digne-se que nas regiões espírito-santense e de Manhuaçu. médio Jequitinhonha e o Mucuri. Mais do que isso. partindo da idéia de como a economia forçava a integração. Diferentemente do latifúndio da cana-deaçúcar e café. O sistema agrário. 21). 2012. primeiro para o rio Doce.. Muitos foram os colonos a se aventurar na abertura de novas terras. permanecendo elas nos locais das minas. no início do povoamento do Alto Jequitinhonha. quando relacionadas com a direção do avanço da colonização. 7). de acordo com o historiador Godofredo Ferreira para montar a Fazenda Mestre de Campo. mas poucos fixavam moradia. 37)..

. sendo que já ali habitou um João da Silva com escravos em outros tempos”. depois de ter denominado de pedra d’Agua a um dos ribeirões encontrados e de fazer explorações nos terrenos marginaes ao Rio Mucury. de acordo com as informações colhidas de pessoas de sua expedição. que não era um processo diverso como dos outros colonizadores. subiu ao cume de uma grande pedra (Pedra d’Agua) e observou que as margens do dito rio eram ocupadas por capoeiras. ponto inicial de sua excursão.Revista Tecnologia e Sociedade . 27). Mais tarde. obteria grande sucesso. os Botocudos “.acabamos de transcrever de trechos do relatório de João da Silva Santos. ficou com a denominação de Mestre de Campo.. a seis léguas de distância que encontrou. eram três. 12 e 13). ficando impedidos de prosseguir. terror dos brancos e dos outros índios. p. (PORTO. caminhando para o esgotamento em uma terra super partilhada dentro da mesma família. onde. marcada pela grande prosperidade e na necessidade de apertar a população para a busca de novas terras e. cujo destino era explorar amethistas nas circunvizinhanças do córrego do Ouro. veio ter ao Valle do Mucury. pois acreditava-se que existia uma riqueza absoluta e inexplorada. p. aquelles sítios foram “os de sua antiga residência e de mais outras nações – Maconim – Capoxes – expulsos pela fereza do gentio Botocudo. estas no Alto do Jequitinhonha. Porém. a aldeia do bárbaro gentio. como se sabe.. Por informações do índio que lhe servia de guia. etc. onde hoje está estabelecida a Colônia Francisco Sá. estão bem para cima. a principiar pelos rios Pampam. havia um projeto colonizador de Ottoni. baseado no comércio. 13 e 14) tinha outra frente de colonização do litoral rio acima até a cachoeira de Santa Clara. 16). uma grande fazenda aberta no valle do Mucury.1ª Edição. 1929. pelo fim da preação. inicialmente. p. D’ahi não passou João da Silva Santos porque não faz menção dos principais afluentes do rio Mucury.. . costume que existia até o final do século XIX. p. Os objetivos dos colonos dentro das matas. vemos que ele subiu o Mucury até as cachoeiras e foi deste ponto. em razão da febre amarela. Todos os Santos. mas que teve o mesmo relacionamento com a mata (do interior para o litoral) de quem povoou o Mucuri. ISSN (versão online): 1984-3526 21 Teixeira Guedes. os quais. (PORTO. da inospitalidade das matas muito fechadas e da violência das guerras que travavam com os índios. 2012. também as lavouras. por último. Partia da Vila de São José de Porto Alegre (Barra do Rio Mucuri/BA) indo a Nanuque. acreditava alcançar uma potencialidade de 100 mil consumidores a partir da cidade de Minas Novas. Estes nunca existiram além da imagem construída no final do século 18 e princípio do 19” (ESPINDOLA.índios antropófagos. onde se buscava o índio para civilizá-lo e o colocava para trabalhar. sendo: as lavras. 1929.. Acreditava também que com o monopólio da Companhia Vale do Mucuri. Ainda segundo PORTO (1929. O interesse de Theóphilo Benedicto Ottoni. era um processo sofisticado. 2005. isso estimulava a aventura. deixando Minas Novas.

pois vários fatores não contribuíram para sua efetivação. chegavam às cabeceiras do Mucuri e posse. ilhas progressistas “na transição da economia de base da mineração para a agropecuária. Já no final do século dezenove começaram a chegar à mata os baianos. tanto por caminho terrestre como pela navegação.1ª Edição. assim chamado. nem todos eram baianos. pela Fortaleza ou São Roque. . pois Minas era um adensamento de várias regiões autônomas que sobreviveram e desenvolveram-se independentemente. ou cortando os vales dos rios Jequitinhonha e Pardo pela borda oeste da floresta” (ESPINDOLA. 2005. de 1890. liquidando moradores às centenas. “A comunicação com a Bahia era feita pelo rio das Velhas e o São Francisco. (ESPINDOLA. e faziam sua primeira parada no Comercinho do Bruno. acreditavase que. o comércio não atingiu patamares especulados e o rio Mucuri não era totalmente navegável. 1994. Os mineiros sempre tentaram tratar Minas como uma unidade forte e sempre com altos interesses de negócios para o restante do país. 30). visava converter-se numa unidade econômica e política. depois de receber notícia que ao norte do rio Doce descobriram-se algumas esmeraldas de muita dureza e de cor muito clara. do alto Norte: Espinosa. O período de estagnação. na verdade não foi o período assim transicionado. 19). fugindo da famosa “Seca do noventinha”. que o rio Mucuri era completamente navegável e que o mesmo daria suporte para a exportação da farta produção local e importação. construída meio na marra e chamada de mineiridade. Salinas. fosse possível evitar uma viagem comprida do Rio de Janeiro/RJ até Minas Novas/MG. Alí escolhiam caminhos: das gerais. boa parte era mineiro mesmo. em quantidade crescente. Os vales dos rios Doce. 2012. 2005. p. Como a terra lá era mais fraca. após a saída de Ottoni. ou por sua ordem descobrirem nos distritos e cabeceiras do rio São Mateus”. A primeira grande leva deles desceu do rio Pardo. pois o desinteresse do governo geral pelo projeto. Taiobeiras. 2005. que era como se chamavam Pedra Azul e Itaobim. da Mata. poderiam abrir posses nos capões do alto Jequitinhonha. Tomando o caminho da Itira. Em 1728. as duas secas no agreste baiano (1890 e 1930) e a baixa produtividade nas grotas do Jequitinhonha. Ainda sustentava-se a idéia de que com o escoamento da produção e que somente com o comércio do sal.Revista Tecnologia e Sociedade . ao invés de proibir. deixavam para trás o vale do Jequitinhonha. levaram então as famílias para o vale do Mucuri (Filadelfia). mandou em diligência Braz Esteves Leme. Não deu certo. configurou-se a diferenciação regional que caracterizou Minas Gerais no século 19” (ESPINDOLA. passavam pelo Araçuaí. Vinham em grandes grupos. muitos seguiam em frente. 29). haveria a sustentabilidade da Empresa. p. pela Itira. que grassou por uns três anos em todo alto Mucuri. (RIBEIRO. Pouco depois de chegados ali encontraram algo muito pior que a seca: a varíola. o Vice-Rei Vasco Fernandes. 49). concedendo-lhe o título de “superintendente de todas as minas que ele descobrir. p. p. A bem da verdade. assim. Mucuri e Jequitinhonha. ISSN (versão online): 1984-3526 22 Confiante no relatório fantasioso do engenheiro Pedro Victor Renaut.

segundo PORTO (1929. mas logo o declínio econômico aparece. foi construída a estrada de rodagem “Estrada do Boi”. alvo de aglomeração do povoado. José do Porto Alegre. como muito bem disse o Dr. . o Conde de Barca. 1994. O mesmo se deu com as reservas ambientais. a estrada de rodagem de Santa Clara a Teófilo Otoni.Revista Tecnologia e Sociedade . (PORTO. 1929. Maxacali que nela circulavam. Teófilo Otoni e Araçuaí – Jequitinhonha e Mucuri. Em seguida. com autonomia local pequena. Construída por Ottoni.. No ano de 1881. João VI. ISSN (versão online): 1984-3526 23 A colonização do vale do rio Todos os Santos. com 578 km de extensão. p. 2012. a relação do homem com o vale do Mucuri. que ligava Caravelas. mais precisamente de Araçuaí/MG a Caravelas – Ponta de Areia/BA. a apartação não resiste a um exame da história de duas ou três gerações para trás. partiu de Ouro Preto. Em substituição a esta importante ferrovia. indo até o litoral. que depois foi esquecida. foi a primeira rodovia do Brasil Império que. p. sendo a criança que fez Teófilo Otoni. pp.a estrada de Ferro Bahia e Minas. Para construírem uma estrada. 29. pp. onde há centralização da atenção econômica e política. (RIBEIRO. com pequenos sintomas de desenvolvimento. pretendendo ligar o norte de Minas ao litoral. e os dois ao mar e ao mundo – simbolizou essa união de origem. sendo esta viagem de grande importância para o estabelecimento da Companhia do Comércio e Navegação do Rio Mucuri. pois numa baixada que fica entre o rio Santo Antônio e o rio Todos os Santos. que veio de uma formação extrativista permanece. após o desmatamento e a sequência de replantio reduziram-se. 17). Até 1950. porém. . em traçar uma via em apoio à comunicação entre a região decadente de Minas Novas e o porto. E.. outra grande e importante estrada é iniciada. as obras da Estrada de Ferro Bahia-Minas (EFBM) tinham o objetivo de ligar o interior de Minas a Bahia. a partir de 1955. Então. com governo Kubistchek. o que seria a salvação da região em local denominado Philadelphia (Teófilo Otoni). segundo CERQUEIRA NETO (2001. sendo Botocudos. foi aberta densa mata. por Ottoni. em 1847. Embora os dois Jequitinhonhas sejam hoje diferentes e separados. 30 e 31) relata o empenho do Governo da Província de Minas. habitada por indígenas selvagens de tribos diferentes. “Essa expedição. 30 e 31).1ª Edição. sucumbiu-se ao eixo nervoso administrativo e político-econômico. 19). o Mucuri era diversificado e autônomo. Malali. Miguel de Teive e Argollo. em 22 de janeiro do ano de 1836. entre si e do Mucuri. é a primeira grande obra na Região do Vale do Mucuri. As condições de renda e poder econômico que haviam comportado com altíssima produtividade agrícola e pecuária no primeiro ciclo. Em 1811 o coronel Bento Lourenço Vaz de Abreu e Lima fez exploração de uma estrada pelo Valle do Mucury até S. o engenheiro Pedro Victor Renauld. em opúsculo “Viação Férrea do Norte de Minas” attrahiu a attenção do ilustre ministro do D. o qual mandou abrir uma estrada que de Minas Novas se dirigisse ao Oceano.

recolhendo todas as águas das chuvas que se infiltram e alimentam. os rios traduzem a grandeza de uma região. 34 e 35) Uma baixada que fica entre o Rio Santo Antônio e o Rio Todos os Santos foi alvo de aglomeração de povoado. a que se destinava todo o empreendimento” (LORENTZ. mas não é suficiente para o bem geral do todos. 54). a cantar radiantes. para poder servir de ponto de referencia e de negócio. Tinha uma boa escravatura e com ela fez a grande derrubada nesta confluência dos rios. José Pereira da Silva. veio arrasando também com queimadas toda esta área que se diz superior a 60 alqueires. volumoso e agressivo. ISSN (versão online): 1984-3526 24 Ottoni contratou um cidadão insolvente na corte. incluindo gigantescos Jequitibás. Pela ação da própria natureza tudo melhora. Perobas e os Jacarandás milenares. feita pelo Engenheiro Alemão então pode ser traçada e concluída e montados os seus barracões para a instalação da Empresa Mucuri. não diferente das demais. p. procedendo como um elemento perturbador. 1992. inclusive para que os índios não se aproximassem pela densa mata e pudessem ver e cobiçar as bugigangas do seu comércio. o senhor José Pereira da Silva. 2012. incluindo gigantescos Jequitibás. superando muitas dificuldades. Assim. 1990. Se são volumosos e se conservam o volume. praticamente um vivente irracional. superando muitas dificuldades. Uma simples pergunta abre o caminho para um entendimento triste e acabrunhador: Onde está o rio Todos os Santos. negociante em Grão Mogol. . arrasando também com queimada toda a área que se diz superior a 60 alqueires. Esta ocupação da mata virgem.Revista Tecnologia e Sociedade . Perobas e os Jacarandás milenares. significam que as terras de sua bacia estão com a vegetação intacta. portanto. negociante em Grão Mogol. o povoado de Philadelphia das Minas Gerais. Na cidade de Teófilo Otoni temos as provas dos mais duros golpes dados contra a natureza. inclusive para que os índios não se aproximassem pela densa mata e pudessem ver e cobiçar as bugigangas do seu comércio. com seus barqueiros que chegavam e partiam no transporte de mercadorias. que é a criança que se fez Teófilo Otoni foi aberta desta mata densa de que já se escreveu anteriormente. 1992. o Sr. Sempre abrindo e derrubando a mata margeando o rio e afora. Daí sugerir que o homem agiu alucinadamente ao destruir a floresta para povoar. Tinha uma boa escravatura e com ela fez a grande derrubada nesta confluência dos rios acima citados.). na superfície das águas? (LORENTZ. (LORENTZ. p. com vinte metros de largura e a profundidade regular de um metro e meio. Ottoni contratou um cidadão insolvente na corte. “A marcação da Rua Direita. habitada por indígenas selvagens de tribos diferentes que ali circulavam.1ª Edição. O homem continua agindo e maltratando a natureza com seus atos predatórios.

deformando a paisagem natural no centro da cidade e nas elevações que a circundam. a educação ambiental que chega aos países do primeiro mundo desde a década de 1970. tratam da conservação do patrimônio ecológico. atinge o mesmo espírito. destruiu os rios e acabou com a pesca. A Devastação Ambiental e Seus Reflexos Regionais Neste contexto. O serrador João Américo Machado.1ª Edição. p. diverge de um modo completamente diferente das demais discussões sobre estruturas diversas da sociedade. sendo “revolução armada. Ocorreu a ampliação de muitas outras serrarias que se instalaram posteriormente. Na volúpia de destruir. 1992. A maneira com que as pessoas interessadas no assunto. A vegetação natural é bastante rica e variada: grandes florestas equatoriais. observa-se que apenas algumas manchas de mata ainda resistem. ofertando as mais diversas e valiosas espécies de madeiras para o ofício. Entretanto. juntamente com ela a devastação das matas da região do Vale do Rio Mucuri. com seu empreendimento deu o pontapé inicial para o crescimento da cidade. A exemplo da região em destaque. ISSN (versão online): 1984-3526 25 2. como no caso de Teófilo Otoni. ou ainda. mas a revolução que se trata nesse caso. nas estradas. na maioria. de colonização de área para implantação de processos econômicos e instalação de cidades. para a construção da cidade ou abertura das rodovias. Em verdade. 2012. o monumento do fundador da cidade. o homem agiu alucinadamente. revolução seria o movimento de evolução dos métodos com os quais a proteção se manifesta na sociedade. conflagração. É bem verdade que boa parte dessa vegetação já foi devastada pela ação antrópica sob forma de desmatamento para a formação das pastagens ou plantio nas fazendas e ainda a exploração de minerais ou pedras preciosas. . aglomeravam-se em Nanuque. no caso ambiental. transformação radical na estrutura econômica. em se tratando de casos específicos dessa região. pois nesta região havia uma mata só. Portanto.” Seria um movimento para tumultuar a estabilidade ou requerimento de direitos negados pelo Estado. 35). cerrados e campos. apesar de apresentarem problemática diferente. o restante é um campo aberto de colonião ou brachiaria. sem necessidade. Destruiu a floresta e com ela os animais de caça. (LORENTZ. e. verifica-se que quando se passa pela região.Revista Tecnologia e Sociedade . a devastação das florestas foi responsável tanto para mudar o aspecto paisagístico como também a economia que girava em torno das serrarias e. o signo da preocupação ou da forma de desejar o bem comum na relação com os recursos. mas também alcançou os países subequatoriais da mesma forma. social. cultural ou científica. cidade que foi fundada em 1911 por um madeireiro experiente vindo do Espírito Santo. destruiu mesmo. política. Sedento de destruir. Instalou aí sua serraria. sendo inaugurada em 1912 com o nome de Serraria Industrial do Mucuri. a exemplo de como a política chama de revolução nos dicionários. tornase imprescindível tratar e discutir a questão relacionada à devastação ambiental e seus reflexos regionais. em Caixa D´ Água (Nanuque). florestas tropicais. O desenvolvimento direcionou-se também para a economia.

não significa guardar. são normalmente caudalosos. p.. mas para as quais temos a obrigação de deixar um meio ambiente sadio.a micro bacia. “. 2000. em especial a micro bacia do rio Todos os Santos. futuro. perceber que a paisagem rio acima é dinâmica. objeto de admiração e não podemos nem pensar o que seria do ambiente sem a presença imponente das cachoeiras onde a natureza mostra sua força. A beleza das águas nas nascentes proporciona uma paisagem.. 1994. A proposta imaginária é de partir da foz do rio para o interior. as novas gerações que ainda não nasceram. segundo VESENTINI (1994). por serem geralmente montanhosas. praticamente extintos ou convertidos em canais de esgoto. Foi somente a partir da degradação do meio ambiente pelo homem – e da extinção de inúmeras espécies animais e vegetais que surgiu essa preocupação conservacionista. 2000). O desenvolvimento dessas regiões. pois. Conservar neste caso. A intensidade e o volume de suas águas dependem basicamente das chuvas. este fato de conversão dos volumosos e cristalinos recursos hídricos em. e sim utilizar racionalmente. estão localizados em região tropical. ora verso da capa do livro Zoneamento das Águas (MACIEL Jr. 247). recursos para as populações futuras. 2001). subequatorial. a formação das nascentes. (VESETINI.1ª Edição. A Influência dos Recursos Hídricos Os rios que fazem parte da Bacia do rio Mucuri. e. ISSN (versão online): 1984-3526 26 Conservacionismo ou conservação dos recursos naturais é o nome que se dá a moderna preocupação em utilizar adequadamente os aspectos da natureza que o homem transforma ou consome. p. A natureza deve ser consumida ou utilizada para atender às necessidades do presente. existe de fato.1. A pressão sobre os recursos hídricos faz com que se desperte toda uma especial atenção sobre a região montanhosa onde começam os cursos d´ água. e. garantir. com características de integração e sustentabilidade requer garantia da segurança da produção de água em quantidade e qualidade satisfatória. além de dar origem aos cursos d água. 09) Mas a interferência do homem tem quebrado o equilíbrio natural. 2012. situados no Leste de Minas. o que poderá transferir para as gerações futuras uma situação de convivência indesejável no que se refere à disponibilidade e à qualidade das águas. Apesar de uma grande parcela de pessoas ignorarem a atual situação dos mananciais de água e a redução de sua produção..Revista Tecnologia e Sociedade . ao uso e a perenidade. segundo os fundamentos da legislação ambiental. ou seja. com capacidade de atender a demanda atual e. seus principais afluentes. são rios de regime pluvial.” (ALVES. passar por . “Uma propriedade com pouca ou nenhuma produção de água. numerosos e nunca secam ou congelam. nos presenteia com inúmeras paisagens.. apresentam o elemento água escoando em grande velocidade e com aspecto cristalino. certamente não poderá ensejar a execução de algum empreendimento” (CASTRO. visto a olho nu. um espetáculo. 2.

Quando a área de drenagem de uma bacia hidrográfica. pode-se dizer que aí se formam as bacias de cabeceiras onde encontram as nascentes. elemento purificador. vale observar as regiões montanhosas. de topografias irregulares. estrutura dos solos e armazenamento. suas encostas e os vales que por pequeno que seja. que. . 2000..1ª Edição. 2001. será também mais abundante sua capacidade de coletar a precipitação. As nascentes são os locais onde jorra água através da superfície do solo. importante verificar topos de morros. 2012. que darão origem as nascentes” (CASTRO. senão várias nascentes provenientes de um aqüífero freático que viera de uma reserva da precipitação que caiu e se alojou. formam um verdadeiro jardim natural.” (ALVES. não sendo áridos. que devido a sua escala. denomina-se de “área de contribuição dinâmica. 22) e a bacia hidrográfica é formada por diversas bacias menores de seus afluentes que se denomina sub-bacias hidrográficas. nota-se que esta é a linha que limita a área de drenagem e corresponde ao topo das encostas. de menor declividade. 09). citado na Bíblia. que pode geralmente localizar-se sobre o lençol freático e/ou lençol artesiano. que formam as nascentes e drenam córregos e riachos. 9). Ainda sobre a ótica das divisões e subdivisões por divisor topográfico. o ambiente das micro bacias deve ser considerado como verdadeiro santuário ecológico”.Revista Tecnologia e Sociedade . Segundo CASTRO (2001). depois continuar esta mesma empreitada. 2001). p. após percolar por seu solo poroso e independente do seu tamanho e seu volume sendo interligados como Bacia Hidrográfica. p. que bem menores e em regiões mais altas. 2000. facilitam a percepção humana como unidade paisagística. As micro bacias. é necessário compreender a existência de vários fatores responsáveis pela origem destas nascentes: o ciclo hidrológico. (ALVES.. e de onde saía um rio para regar o jardim”. e perceber algo comum entre elas. “As micro bacias ou bacias de cabeceiras. que abastece os reservatórios subterrâneos de água. Em relação às sub-bacias hidrográficas. há de encontrar alguma. ambiente responsável pela origem da água. “Bacia Hidrográfica refere-se à área do terreno que coleta e infiltra a água da chuva. são pequenas áreas de terras localizadas em regiões montanhosas.” (CASTRO. conforme visto no parágrafo anterior como divisor topográfico. pois os olhos d água e os difusos brotam vindos do interior da terra. ISSN (versão online): 1984-3526 27 afluentes menores. é maior. onde o “Senhor Deus fez brotar da terra toda s orte de árvores de aspecto agradável e de frutos bons para comer. e pode-se concluir que estas são provenientes de reservatórios subterrâneos. mas ao sair dos rios principais e encontrar ribeirões e córregos. sendo que o divisor freático fica abaixo da superfície do solo e direciona a água percolada. destacada pela área mais plana e baixa. Já a área superficial desta bacia. p. Comparado ao Jardim do Éden. Mas.

pois faz parte de um projeto para o futuro. que estão. Uma delas motivada pelo número de pessoas que interferem nos processos. que condicionam sua degradação enquanto elemento da natureza. pelo aumento da população no século passado e pela implantação de indústrias. . Característica diferente do que ocorre na área rural e região de cabeceiras. maior e principal afluente do Rio Mucuri que dá nome ao vale. os cursos d água são objetos de estudo de nascentes. navegáveis e rentáveis como fonte de alimentos na atividade pesqueira. nos olhos d água. Diante desta característica. são alento àqueles que acreditam num futuro saudável. conota uma configuração empírica à parte deste capítulo. Para tanto. mas também com as informações sobre as nascentes. na qualidade da água natural como condição de saúde e no resgate da função simbólica. As atividades antrópicas impõem para satisfação de seus projetos. porém.Revista Tecnologia e Sociedade . as regiões de contribuição dinâmica. uma oportunidade de poder visualizar o estado em que se encontra sua cabeceira. como é o caso das cidades da região desta micro bacia do vale do Rio Todos os Santos. localização e até mesmo averiguação nas encostas.1ª Edição. os impactos são intensos. Estas condições impostas aos rios e córregos na área urbana. não conseguem atingir a idéia de torná-los semelhantes ao que eram no passado. e. as matas ciliares ou ripárias. ISSN (versão online): 1984-3526 28 3. desprovida de outros centros de lazer. Pensar rios e córregos na atualidade é deparar com várias correntes que defendem todo tipo de intervenção. mas que na sua maioria. lúdica e de lazer e entretenimento que os rios podem proporcionar. O ambiente destacado envolve centenas de propriedades rurais nas quais dezenas delas foram visitadas e selecionadas a fazer parte dos relatos de parte deste trabalho. o que se pretende com este entrelaçamento não é somente o relacionamento pessoal. incluindo as nascentes difusas e olhos d água. o que poderia divergir dos objetivos gerais e específicos que contornam este estudo. caudalosos e límpidos. por fim. que são a canalização. designados a conviverem com seus recursos. nas áreas de suas nascentes é uma forma de transferir para este relato. emissão de efluentes entre outros meios impeditivos de retorno. O Rio Todos os Santos Tratar especialmente do Rio Todos os Santos. prende a pesquisa ao estudo dos recursos hídricos e prorroga para mais distante a relação das pessoas com este meio ambiente. retificação. principalmente na área urbana. e em especial. levam a perda da qualidade de vida das pessoas que dependem de suas águas. Tudo que envolve as matas de topo. desmatamento. torna-se necessário obter relatos de pessoas que vivem nessas áreas. Os processos de renaturalização e revitalização através da engenharia ambiental e outras profissões afins. Esta experiência colocada à disposição em dados sobre a quantidade. na área urbana. de certa forma. assoreamento. 2012. pois. estão lutando pela sua condição de defensores contra a degradação que impõe a ocupação antrópica.

3. queimadas. pois tem a forma côncava e a presença de um único corredor de saída para o curso do rio que aí nasce sob a forma de olhos d água. 2012. Descrição de Alguns Afluentes Os dados descritos abaixo foram coletados em várias visitas in loco e não apresentam localização geográfica. que foi completamente arrancada e substituída por capim . subafluentes do Rio Mucuri leva a preocupação com os aspectos ambientais de desmatamento descontrolado. com aproximadamente um milhão e setecentos mil pés desta planta. Esta área cercada por montanhas tem eminentemente característica de arrecadadora de água para a formação do lençol freático. fica numa bacia formada pela vertente topográfica dos Rios São Mateus (Cricaré).1. o precioso e importante produto que dispõe sem nenhum ônus para aqueles que utilizam na lavoura e uso doméstico. têm preservados todos os topos dos morros e baixada. não sofreu intervenção antrópica de forma contundente. devastação que tem atingido regiões que abrangem as matas dos topos das montanhas. só usa madeira seca. A área de contribuição dinâmica da nascente principal do Rio Todos os Santos. Num espaço pouco mais de 500 (quinhentos) percorridos. nos fundos da casa do proprietário.Revista Tecnologia e Sociedade . Sebastião Rodrigues dos Santos. muita vegetação ainda conservada. EMATER-MG e COPASA. Ainda há pouco tempo atrás. cuja atividade com o gado é a principal das propriedades. já se contempla nesta micro bacia por mais 5 (cinco) nascentes. havia cultivo de café. o entorno das nascentes. No município de Poté. ISSN (versão online): 1984-3526 29 Já o estado em que se encontram as regiões de cabeceira dos principais afluentes do Rio Todos os Santos. logo abaixo uns 100 (cem) metros do primeiro olho d água. o primeiro filete do rio já com uso doméstico. vindas de outras propriedades. prontas para receberem em sua sinuosidade e pequenas cachoeiras. Tendo todo cuidado com o cercamento dos olhos d água com postes de eucalipto. mas o sentido em que se encontram. Ainda nesta propriedade. onde orientações permanentes têm sido formuladas no sentido da continuidade da preservação nesta área. propriedade do Sr.1ª Edição. seja através de manejos inadequados ou como fonte de melhorar e especular o valor das propriedades rurais. matas ciliares. proporcionando uma redução do volume d´água que depende destes fatores. todas com as mesmas características. arame e ajuda de voluntários. A força do Todos os Santos começa com alguns riscos semelhantes a uma cadeia de neurônios que vão se interligando para formar o curso d água. rebaixando e alinhando com o retilineamento do curso do rio. com a finalidade de utilizar a área esgotada como pastagens. Rio Valão e o Rio Todos os Santos. Destaque para o esgotamento de brejos nesta região já abaixo da nascente. pode ser vista a primeira nascente do Rio Todos os Santos. a Prefeitura de Poté. tem uma vegetação diversificada. que já se fazia devido à importância para esta propriedade e as demais do recurso hídrico que aí se inicia. e. direcionam sua orientação rumo às propriedades que estão abaixo.

na época em que passava por esta região a Estrada de Ferro Bahia Minas. às vezes. o abastecimento de água de Teófilo Otoni. o volume d´ água é bem menor que antes de passar pelas represas. lento. tem o primeiro lugarejo comunitário do uso da água do Rio Todos os Santos. Nesta Fazenda Boa Vista. O córrego Leme. a antiga em funcionamento e a nova sendo construída para poder sustentar no período seco. Na Fazenda Boa Vista. descaracterizando a paisagem. pois um curso que já necessita de uma ponte. Foi desmatada toda a propriedade. A presença de muitas cachoeiras durante o percurso do rio abaixo são constantes. sem contar que sua sinuosidade garante sua naturalidade. certamente servirá de agravante para que esta nascente precocemente se extinga. não existindo vegetação ciliar (ripária). Num trajeto sinuoso e longo. Na baixada de Valão já nos encanta o tamanho do rio. que irá se fortalecer com mais duas nascentes bem próximas. embora dividindo com o município de Itambacuri. suinocultura e piscicultura. na propriedade do Sr. afluente do Rio Todos os Santos. encontra-se com o protagonista na propriedade pesque e pague de Valão. Cerca de 800 metros abaixo já se pode contemplar visualmente duas represas. evidencia seu porte. um ponto de relevo de altitude expressiva. Rio abaixo. com remansos embaixo de pés de Ingá. Eder Sampaio. . quedas muito variadas e. O Rio São José. Na nascente do córrego Linha H. Na comunidade denominada de Baixinha de Todos os Santos. Tal manejo contribui para mudança nas características paisagísticas da região. encontra-se a represa da COPASA. O recurso hídrico é usado de formas diversas. alguns quilômetros abaixo. lavoura. 2012. Exterminada a vegetação ao redor da nascente. A impressão que visivelmente se tem. viaja-se muito até o local importante para a população urbana. onde corre o primeiro filete de água rumo a Teófilo Otoni. sub afluente do Rio São José. ocorre fato que serve para ilustrar inúmeros ataques à preservação das nascentes desta região. um afluente importante do Rio Todos os Santos tem suas nascentes nas vertentes da nascente do Rio São Mateus. que afetam significativamente o ecossistema a que pertence. Nas vizinhanças da fazenda Boa Vista. O volume da vazão em questão é de 110 litros-segundo na seca e até 300 na safra. com sua locomotiva Maria Fumaça. é a de que dentro da cidade de Valão. exemplares de cachoeiras naturais. uma de porte menor com cafezais de um lado e mata do outro.1ª Edição. em sentido às nascentes do Rio São José. rumo a Teófilo Otoni são vistas muitas outras nascentes. o Rio Todos os Santos oferece aos olhos da população. vários exemplos de belíssimas paisagens naturais. também nas divisas de município. que tem 13 (treze) represas pequenas e (01) uma grande para exploração e criatório de peixes. a represa de captação da cidade de Valão mostra o volume que tem esse rio. com aproximadamente 60 (sessenta) casas.Revista Tecnologia e Sociedade . têm relatos de grandes devastações de mata primária. o uso doméstico. ISSN (versão online): 1984-3526 30 brachiaria. e a segunda com o espelho d´ água maior rodeada de pastagens e pouca vegetação. Desprovida de matas de cobertura dos topos dos morros. inclusive ao redor da nascente para formação de pasto para alimentação de gado.

desenha sua sinuosidade na propriedade de um assentamento de 21 (vinte e uma) famílias de agricultores. também chamado de Perigosos. o Rio São José. sem necessidade de motor bomba. O Rio São José tem o volume no seu leito maior que o Rio Todos os Santos. 2012. Gilson de Castro Pires. um pouco mais moderna que a anteriormente construída na fazenda Boa Vista. Este reservatório construído sem muitos recursos de engenharia apresenta-se firme e sem vazamentos e serve aos seus propósitos. visivelmente nota-se um volume superior deste precioso líquido na estação da seca. subafluente do Rio São José. Das inúmeras pequenas bacias visitadas para confecção desta parte do trabalho. mas que um levantamento minucioso o poderá fazer contá-las. Neste ponto. deve-se ao fato de que existem mais subafluentes que deságuam no primeiro do que no segundo. tem uma recente captação de água. ISSN (versão online): 1984-3526 31 O córrego Água Preta. sua bacia de captação já sofrida por diversas queimadas. tanto para encher o reservatório quanto para a irrigação agrícola. despejando esse conjunto no córrego . todo abastecido por gravidade. outro logo abaixo. as nascentes dos córregos Brejaúba e Capitólio não fogem às características das demais. na propriedade do Sr. Suas inúmeras nascentes demonstram como são importantes para as populações locais e que vão agigantar logo abaixo o rio protagonista deste empreendimento. João Carlos Nunes Coelho. que são incontáveis os olhos d´água. onde abastece um reservatório de 84 (oitenta e quatro) mil litros d água. O córrego Suíça II. os córregos Brejaúba e Capitólio desaguarão no córrego Lajinha. o córrego São Gotardo nasce numa pequena bacia formada por uma cadeia de morros. com muitas grotas. e estes subafluentes.Revista Tecnologia e Sociedade . O Córrego Suíça II e vários outros pequenos cursos d´água. enquanto a maioria são olhos d´ água. Nesta propriedade. Ainda rio abaixo. o córrego São Gotardo. Percebese. desprotegida de mata de topo e rodeada somente por pastagens. pela topografia acidentada de toda região de cabeceira dos afluentes e subafluentes do Rio Todos os Santos.1ª Edição. Apesar de mais curta a bacia deste afluente do Rio Todos os Santos. numa pedra e vários noutra grota. A intensidade e proximidade destes brotos d´água formam belíssimos cursos d’água. e abaixo formam um total de 16 nascentes uma em cada pequena propriedade. já composto pelo córrego Água Preta. abastecendo várias comunidades ribeirinhas cachoeiras abaixo. Os 1º e 2º olhos d´ água nascentes do córrego Brejaúba também vão desaguar no córrego Capitólio. destaque para um galho desse que tem 75 (setenta e cinco) milímetros cúbicos de volume na seca. apresenta um diferencial dos demais. Ainda o uso diversificado do recurso hídrico se dá com maior intensidade no Rio Todos os Santos. que desaguará no córrego São Gotardo. O fato do volume maior de água no Rio São José. numa região de relevo declivoso. pois a sua nascente é difusa. que tem uma extensão superior. na vertente topográfica com o Rio São Mateus. Pouco abaixo já na área urbana na propriedade do Sr. um olho d´ água à direita. As demais nascentes até a 6ª. formando este córrego também com nome de santo. uma nascente insiste em não secar. em comparação ao Rio Todos os Santos. a natureza ainda é preservada com matas de topo e vegetação ciliar ou ripária constante. cuja nascente não diferencia das demais.

assim. nov. Santana. Informe Agropecuário. fato é que. As Secretarias de Meio Ambiente estaduais são chamadas a todo momento. somos todos dependentes e talvez possamos contribuir para seu status de recurso hídrico indispensável. . n. flores e plantas ornamentais. A partir do povoamento das cidades. claramente. puderam-se perceber os reflexos da exploração dos recursos minerais. favorecendo. por cerca de 374 (trezentos e setenta e quatro) quilômetros de estrada sem asfalto. as convenções internacionais. o foco sobre queimadas. aqüíferos sobre e subterrâneos e o levantamento de parte das nascentes nas cabeceiras do Rio Todos os Santos. tamanha importância foi dado à pesquisa que se pretende dar continuidade em um novo projeto./dez. ISSN (versão online): 1984-3526 32 Liberdade. Santaninha.207. e. São Paulino e vão completar o Rio Mucuri. principal afluente do Rio Mucuri. como córrego da Palha. de Helsinque 1992. Viajar no tempo junto aos colonizadores e chegar às cabeceiras do Rio nos dias atuais. um melhor entendimento acerca da relação dos indivíduos e o seu meio ambiente. a exemplo da Convenção para Proteção e Utilização dos Cursos de Água Transfronteiriços e dos Lagos Internacionais. cuja região começa num cantinho do Estado de Minas Gerais. Fica então um pequeno roteiro de alguns dos afluentes e subafluentes que compõe a micro bacia do Rio Todos os Santos. O córrego Poton recebe esses subafluentes. CONSIDERAÇÕES FINAIS Percorrendo a história de Teófilo Otoni. a importância dos recursos naturais e sua influência no processo de colonização. A água como elemento fundamental da paisagem em microbacias. e. REFERÊNCIAS ALVES.1ª Edição. mostrar que desse meio ambiente do Rio Todos os Santos. região de agricultores de laranja. São vários os temas em destaque na mídia e meios legislativos e do executivo. e se lançam no Rio Todos os Santos abaixo da zona urbana de Teófilo Otoni. mercantil e dos recursos hídricos e a conseqüente devastação ambiental.Revista Tecnologia e Sociedade . 4. – v. os dados obtidos demonstram. ciclo hidrológico. mas os recursos hídricos têm um tratamento muito especial. Sobre bacias hidrográficas. que pode ser seguido para dar seqüência ao estudo. da exploração agropecuária. preconizam o atendimento às necessidades atuais sem comprometer as futuras. 9-14. que daí em diante continua recebendo vários outros. sobretudo no que se refere ao processo de colonização do Vale do Mucuri. 2012.2000. fazem parte de uma integrada cadeia de fatores que parecem ter se incorporado e entrelaçado ao corpo dos pesquisadores e uns aos outros. Schirley Cavalcante. serve para justificar nossa existência. p. que influenciam sobremaneira na formação de cursos d´água.21.

São Paulo: Ática. Revitalização de Rios: Área Rural. “Sertão do Rio Doce”. LIMA. n. Leônidas. Eduardo Magalhães. 2003. 38 p. Município de Theóphilo Ottoni. Paulo Afonso Leme. 2022. LOPES. março/abril. Francisco. UFV – Universidade Federal de Viçosa. São Paulo: Revista dos Tribunais. Paulo Sant´Anna. INFORME AGROPECUÁRIO. Agropecuária e ambiente. 1994. 2003. 21. São Paulo: Malheiros. MACIEL Jr. 263 p. 24. As matas Ciliares. VESENTINI. “A batalha ecológica na cidade de Teófilo Otoni”. “A pobreza sofredora na cidade de Teófilo Otoni e temas ecológicos”. Reinaldo Ottoni. ISSN (versão online): 1984-3526 33 CASTRO. 84 p. “Lembranças da Terra – Histórias do Mucuri e Jequitinhonha”. INFORME AGROPECUÁRIO. Ano VI. Divisão Gráfica Universitária. Fernando Falco. LORENTZ. Bauru. Belo Horizonte: v. Política Ambiental. Rio de Janeiro: 1990. Haruf Salmen. José Demerval Saraiva. DIAS. Belo Horizonte: v. 2012. Rio de Janeiro: 1992. Bauru: EDUSC. Ano VI. Maria Leonor Loureiro. Antônio Felix. 1038 p. SP: EDUSC. 64 p. .1ª Edição. UFV – Universidade Federal de Viçosa. DOMINGUES. 8-10. jan. 235 p. Walter de Paula. 21. Ação Ambiental. 2002. n. 274 p. 24.Revista Tecnologia e Sociedade .. 62 p. Ano VI. Sociedade e espaço: Geografia Geral e do Brasil. ESPÍNDOLA./dez. LANFREDI. PORTO. Viçosa: CPT. José willian. Recuperação e Conservação de Nascentes. Divisão Gráfica Universitária. Belo Horizonte: 2000. 207. 05-07./fef. 2001. Revitalização de Rios: Área Rural. 24 ed. 112 p. Manejo de Microbacias. 10 ed. n. Herly Carlos Teixeira. Ação Ambiental. 2000. Leônidas. 2001. RIBEIRO. mar. 1929. UFV – Universidade Federal de Viçosa. WEIL. Theóphilo Ottoni: Typographia S. Busca de Efetividade de seus instrumentos. Geraldo Ferreira. Contagem: CEDEFES. Direito Ambiental Brasileiro. p. Ação Ambiental. n. nov. p. 1994. 300 p. 2005. 2002. 488 p. Zoneamento das águas. Paulo. PRUSKI. 24. p. Divisão Gráfica Universitária. 2000. n. março/abril 2003. Trad./abr. Entrevista. MACHADO. 202. 1 ed. “O Enraizamento”. LORENTZ. Simone. “Notas Históricas”.

com estágio de doutoradosanduíche no Departamento de Antropologia. E-mail: diasrigolin@ufscar. Tecnologia e Sociedade. Professora Associada da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) vinculada ao Departamento de Ciência da Informação é tutora de alunos indígenas (Grupo PET).unicamp. Coordenadora do Núcleo de Estudos sobre Expertise e Política e pesquisadora associada do Laboratório de Estudos Sociais em Ciência. com Pós-doutorado em Engenharia de Materiais e Especialização em Administração e Análise de Negócios. coordenadora de programa de extensão (Divulgação Científica. Indiana University. aliou aspectos teóricos do campo Ciência.1ª Edição. Áreas de atuação em pesquisa: Estudos Sociais de Ciência e Tecnologia e Política Científica e Tecnológica. Comunicação e Inclusão Social).Revista Tecnologia e Sociedade . 2012. Mestre em Administração (UFBA). de caráter interdisciplinar. docente de programa de mestrado (Ciência. por meio de monitoramento tecnológico de produtos e processos na base de dados de patentes gratuita online Espacenet. E-mail: cristina@ufscar.br. grupos de pesquisa da Universidade Federal de São Carlos.br. foram evidenciados grandes contrastes em reivindicações puramente técnicas de 3 Luciara Cid Gigante: Mestre em Ciência. Tecnologia e Sociedade (CTS) e Sociologia do Consumo através de uma das metodologias da Ciência da Informação.br . E-mail: luciaragigante@ige. do qual é vice-coordenadora. ISSN (versão online): 1984-3526 34 Análise de patentes de tecnologias relacionadas ao descarte de resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos com vistas à 12 sustentabilidade ambiental Analysis of technology patents related to the disposal of electric and electronic equipment waste regarding the environmental sustainability Luciara Cid Gigante Maria Cristina Comunian Ferraz Camila Carneiro Dias Rigolin 3 Resumo Esta pesquisa. Teve como objetivo realizar a análise de patentes de tecnologias relacionadas ao descarte de lixo tecnológico e das tendências verificadas em documentos de patentes. cadastrados no DGP-CNPq. Camila Carneiro Dias Rigolin: Doutorada em Política Científica e Tecnológica pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Como resultados. EUA (2007-2008). Tecnologia e Sociedade pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e doutoranda em Política Científica e Tecnológica pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Maria Cristina Comunian Ferraz: Doutorado em Ciências pelo Instituto de Física e Química de São Carlos. Professora Adjunto da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) vinculada ao Departamento de Ciência da Informação e do Programa de Pós-Graduação em Ciência. Tecnologia e Sociedade (PPGCTS). Tecnologia e Sociedade) e de curso de especialização (Gestão de Organizações Públicas) na UFSCar.

through the technological monitoring of products and processes on online free patent database: Espacenet. ou apenas minimizados. In the results great contrasts were highlighted. Concluiuse que universidades. but also aspects related to the social. ISSN (versão online): 1984-3526 35 documentos de patentes que levaram em consideração mais do que somente a descrição sumária da tecnologia em questão. Technology and Society (STS) as well as Sociology of Consumption through one of the methodologies of the Information Science. Intellectual Property. Patent Analysis.Revista Tecnologia e Sociedade . Política Nacional de Resíduos Sólidos. Keywords: Science. These in pure technical claims of patent documents which took into consideration more than only the brief description of the technology in question. existem diversas orientações acadêmicas.1ª Edição. The objective was to analyze the technology patents related to the disposal of technological waste and the trends verified in documents of patents. segundo López Cerezo (1998). It was concluded that universities. Tecnologia e Sociedade. governo e sociedade têm que se unir para que novas práticas ambientalmente seguras sejam criadas e adotadas mundialmente a fim de que parte do impacto já gerado seja revertido. como a ética engenheril ou os estudos de avaliação de tecnologias. Por se tratar de um campo de trabalho acadêmico de caráter crítico e interdisciplinar. que novos impactos não sejam gerados. mas também com aspectos relativos à sustentabilidade sócio-econômica-ambiental. segundo Bazzo. Electric and Electronic Equipment. 2012. Tecnologia e Sociedade” (CTS) constituem um campo de trabalho que trata de entender o fenômeno científico-tecnológico no contexto social. Análise de patentes. Palavras-chave: Ciência. como as provenientes da sociologia do conhecimento científico ou da história da tecnologia. or merely minimized. Introdução De modo geral. Propriedade Intelectual. Technology and Society. the government and the society must unite in order to promote new and safer environmental practices that could be created and adopted worldwide so that part of the generated impact could be minimized or new impacts are not even generated. Abstract This interdisciplinary research gathered theoretical aspects in the field of Science. tanto em relação aos condicionantes sociais como em relação às suas consequências socioambientais. De âmbitos de reflexão e de propostas de mudança institucional. Linsingen e Pereira (2003). economical and environmental sustainability. os es tudos sobre “Ciência. ou. Equipamentos elétricos e eletrônicos. National Policy of Solid Waste. convergem neste heterogêneo campo de trabalho. .

p. representam hoje. o baixo grau de implantação de novas alternativas de tratamento e reciclagem. Neste contexto. BASSO. b) a crítica da concepção da tecnologia como ciência aplicada e neutra. compartilham: “a) a rejeição da imagem da ciência como uma atividade pura.Revista Tecnologia e Sociedade . a limitação dos ecossistemas naturais em decomporem os resíduos gerados pelo homem em sua atividade econômica (FERRAZ. Neste sentido. e também os males da rotina cega (SENNETT. A acumulação foi acompanhada na ponta do consumo pela mobilização de todos os artifícios de indução de necessidades e de transformação cultural. Como afirmam Ferraz e Basso (2003) “a geração de resíduos é um dos maiores problemas enfrentados. a efemeridade. p. um grande desafio. atualmente os estudos CTS constituem uma diversidade de programas de colaboração multidisciplinar que força a concorrência entre suas duas tradições (europeia e norte-americana). “Em condições recessivas e de aumento da competição. Para o autor.” Por isso. dada a grande escala de produção. aliada às limitações existentes para a recuperação dos materiais não renováveis. Harvey (1993. pelo sistema produtivo. as quais. o impulso de explorar essas possibilidades tornou-se fundamental para a sobrevivência”. 9). e. p. A estética.1ª Edição. tornou-se evidente. c) a condenação da tecnocracia”. 2010). . 2003). era de cinco a sete anos. o problema do grande volume de resíduos sólidos gerados por bilhões de consumidores tem sido apontado como um dos mais graves da atualidade. 148) explana que os sistemas de produção flexível permitiram a aceleração do ritmo da inovação do produto. que corta drasticamente a quantidade de material necessária para manter a produção fluindo). segundo López Cerezo (2002. Harvey (1993. A meia vida de um produto fordista típico. 148) ressalta que “a aceleração do tempo de giro na produção teria sido inútil sem a redução do tempo de giro no consumo”. a meia vida tem caído para menos de dezoito meses. Atacam-se as formas rígidas de burocracia. esta pesquisa partiu da expressão “capitalismo flexível” que descreve hoje um sistema que é mais que uma variação sobre um velho tema. 1993). o espetáculo e a mercadificação das formas culturais (HARVEY. que sempre é uma chave da lucratividade capitalista. ao lado da exploração de nichos de mercado altamente especializados e de pequena escala. relativamente estável do modernismo fordista cedeu lugar à instabilidade e qualidades fugidias de uma estética pós-moderna que celebra a diferença. hoje em dia. como o de tecnologias de informação (videogames e programas de computador). 2012. por exemplo. robôs) e de novas formas organizacionais (como o sistema de gerenciamento de estoques “ just-intime”. Enfatiza-se a flexibilidade. ISSN (versão online): 1984-3526 36 Enfatizando a dimensão social da ciência e da tecnologia. o tempo de giro. foi reduzido de modo dramático pelo uso de novas tecnologias produtivas (automação. nas últimas décadas. enquanto que em outros. A escassez cada vez maior de áreas para a implantação de novos aterros para a disposição de resíduos. mas a acumulação flexível diminuiu isso em mais da metade em setores como o têxtil.

1ª Edição. detectar para quais tipos de materiais com essa classificação já existem políticas de descarte.Revista Tecnologia e Sociedade . ao relacioná-las com o uso de patentes como fonte de informação tecnológica no meio acadêmico e em estudos de monitoramento tecnológico. Este estudo justificou-se tendo em vista que analisar as tecnologias existentes para que o descarte de lixo tecnológico seja feito de maneira a colaborar para o crescimento socioeconômico de maneira sustentável. esperando-se que com estas obtenha-se eficiente recuperação de informações relevantes no universo da base de dados de patentes selecionada. . e da análise de conteúdo como método de análise dos resultados. através de monitoramento tecnológico de produtos e processos relacionados ao descarte de lixo tecnológico na base de dados de patentes gratuita online Espacenet. 2) Levantamento de termos/palavras-chave representativas para a realização do monitoramento tecnológico. esta pesquisa foi realizada seguindo-se as seguintes etapas: 1) Levantamento bibliográfico para compor a revisão de literatura. os estudos CTS e a questão da sustentabilidade ambiental. ou melhorem. para a caracterização da temática e descrição do universo a ser estudado. ISSN (versão online): 1984-3526 37 Esta pesquisa teve como objetivo principal fazer a análise de patentes de tecnologias relacionadas ao descarte de lixo tecnológico e as tendências verificadas por meio de documentos de patentes. comparar tais tendências levantadas nos documentos de patentes com a situação atual vigente na legislação brasileira de descarte de lixo tecnológico. o estado dessa problemática. que foi feita dentro dos princípios do campo CTS que busca a construção de uma sociedade economicamente estável. Esperava-se estabelecer um diálogo entre a área da Propriedade Intelectual e os estudos do campo CTS. sociais e ambientais. A pertinência desta pesquisa se destacou também pelo ineditismo do tema que alia o estudo das políticas públicas existentes sobre descarte de lixo tecnológico às inovações patenteadas sobre o tema. Com vistas ao referencial teórico apresentado pretendeu incentivar a interação entre os estudos das áreas de Propriedade Intelectual. Para tanto. 2012. através de análise de conteúdo. Como procedimento metodológico fez-se uso também do monitoramento tecnológico em bases de dados de patentes. Metodologia A metodologia adotada foi de uma pesquisa de caráter quali-quantitativa e exploratório-descritiva. propiciará benefícios a toda a sociedade com ganhos econômicos. levantar e avaliar as tendências tecnológicas encontradas nos documentos de patentes. no qual buscam-se as tendências do desenvolvimento de uma dada tecnologia e possíveis soluções que acabem. ambientalmente saudável e socialmente justa. Como objetivos específicos constaram: identificar e categorizar os tipos de materiais classificados como lixo tecnológico. através da literatura encontrada sobre descarte de lixo tecnológico.

realizou-se um levantamento das fontes de informação formais a serem utilizadas para o estudo do universo.1ª Edição. um documento de patente permite identificar tecnologias relevantes. JusBrasil. posteriormente. 2011). Compendex. concluiu-se que a base de dados de patentes que melhor representaria o universo a ser estudado seria a Espacenet. Para a delimitação do universo a ser estudado.Revista Tecnologia e Sociedade . contendo patentes publicadas a partir do ano de 1836 até o presente (ESPACENET. (6) USPTO (base do escritório americano de patentes (United States Patent and Trademark Office)). utilizou-se as seguintes bases de dados: Google. (4) IPDL (Industrial Property Digital Library. (5) PatentScope (base de dados de patentes da Organização Mundial da Propriedade Intelectual). Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). o levantamento das principais bases de dados de patentes e um pré-teste com os termos de busca. parceiros. e não qualquer outra. se deve ao fato de as patentes terem se mostrado uma eficiente ferramenta e um instrumento eficaz no apoio à tomada de decisão. Comparados os resultados recuperados com os pré-testes realizados nas bases de dados. multidisciplinar (patentes de diversas áreas do conhecimento) e abranger as patentes depositadas na base de dados do escritório brasileiro de patentes. ISSN (versão online): 1984-3526 38 3) Seleção da base de dados de patentes a ser utilizada. 4) Realização de pré-testes para verificação da eficiência das palavraschaves levantadas. inovações incrementais e movimentos da concorrência. Foi realizado. assim como o fato da utilização dos documentos de patentes como fonte de informação para o monitoramento tecnológico. Scielo. Scopus. 5) Testar a eficiência e realizar a coleta dos dados. e outros 85 países. 6) Tratamento dos dados coletados quali-quantitativamente. previamente retirados da literatura. Web of Science. cuja representatividade está no fato desta ser online. sua interface e o quanto cada base recuperou por palavra-chave. a fim de comparar a facilidade dos mecanismos de busca de cada base de dados. Diário Oficial. do Brasil). Tais bases de dados selecionadas para o préteste de exploração foram: (1) Espacenet (do escritório europeu de patentes). Google Acadêmico. (3) INPI (base de dados do Instituto Nacional da Propriedade Industrial. efetuar novos estudos na literatura da área de descarte de lixo tecnológico a fim de encontrar termos relevantes para a busca. Para a recuperação e coleta das fontes de informação supracitadas. Tendo em vista seu conteúdo informacional. base de dados do escritório japonês de patentes). 2012. Espacenet. tais . Derwent Innovations Index. É importante ressaltar que a opção de se pesquisar em bases de dados gratuitas baseou-se em questões de sustentabilidade e acessibilidade da informação com menor impacto econômico. (7) Derwent Innovations Index (base de dados de patentes internacionais). 7) Análise dos resultados através da análise de conteúdo. do contrário. gratuita. e outras bases de dados de patentes. (2) Google Patents (base de dados americana usada como alternativa à USPTO). nichos de mercados para atuação.

Em seguida ficou o termo “technological waste”. foram selecionados 37 termos/palavras-chave e um universo de 31 documentos de patentes recuperados a serem analisados. para recuperação da expressão exata. ISSN (versão online): 1984-3526 39 como investimentos. 2012. novas linhas de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). em seguida. ANO “waste disposal technology” Analisando-se os pedidos de patentes acima mencionados. como aborda Canongia. A seção seguinte apresenta os resultados da presente pesquisa juntamente da discussão e. os quais foram utilizados entre aspas.1ª Edição. portanto. Resultados A partir do estudo do universo levantado. “waste “technological “electronic “electronic TOTAL electrical waste” scrap” waste” and electronic equipment” 2003 1 0 1 3 1 6 2004 0 0 0 1 3 4 2005 0 0 0 3 0 3 2006 0 0 0 3 0 3 2007 0 0 1 0 2 3 2008 0 1 0 2 2 5 2009 0 0 0 1 3 4 2010 0 0 0 0 2 2 TOTAL 1 1 2 13 13 30 Tabela 1: Número de registros de documentos de patentes sobre REEE recuperados por termos por ano de prioridade na base Espacenet. No total. gestão de produtos. As demais palavras-chave selecionadas. Os termos em português foram utilizados sem a devida acentuação tendo em vista que a base Espacenet não os indexa. Fonte: Elaboração própria. e somente nos campos título e resumo. Os termos “waste disposal technology” e “waste electrical and electronic equipment” recuperaram um documento de patente cada. que recuperou 2 documentos de patentes. gestão de processos. sendo que seu uso ocasionariam sucessivos erros de sintaxe. sendo que os termos “electronic waste” e “electronic scrap” foram os que mais recuperaram.Revista Tecnologia e Sociedade . pelos termos utilizados como sinônimo sobre novas tecnologias em descarte de lixo tecnológico. O universo desta pesquisa foi compreendido. constatou-se maior incidência na recuperação de documentos nas buscas realizadas com os termos no idioma inglês. observouse. quanto à origem de seu depósito. com 13 documentos de patentes cada um. das conclusões do estudo. Pereira e Antunes (2002). que 11 deles foram depositados . fusões e aquisições. dentre outras. No período de tempo analisado (2003 a 2011) observou-se a ocorrência de registros de pedidos de patentes recuperados por termo. conforme apresentado na Tabela 1. tanto as em inglês como as em português. obtiveram resultado nulo quanto à recuperação na base de dados de patentes Espacenet.

2008 e 2009. isto é. ISSN (versão online): 1984-3526 40 somente nacionalmente. e/ou em outros países cujo mercado lhes foi de interesse. indica que os inventores e requerentes (depositantes) da patente têm interesse em proteger sua tecnologia em outros possíveis mercados além de seu país de origem. ou no escritório de patentes da União Europeia (EPO).Revista Tecnologia e Sociedade . ou no escritório americano de patentes (USPTO). Consequentemente. possíveis mercados para a comercialização da tecnologia reivindicada. outros 19 pedidos de patentes recuperados tiveram seu depósito nacionalmente e também fizeram uso do Tratado PCT ao entrar com o pedido da patente na WIPO (WO). dois em 2005 e em 2006. dois pedidos foram . sendo que este deve ocorrer dentro do prazo de prioridade (período de 12 meses contados da data do pedido no país de origem do depósito do pedido via PCT). cinco em 2010 e nenhum em 2011. Em contraposição. quatro depositados em 2007. pelos depositantes. A Figura 1 apresenta o número de registros de pedidos de patentes por data de depósito e data de publicação dos pedidos de patentes recuperados ao longo do período de tempo (2003 a 2011) analisado. de pedido internacional. Como observado. A data de depósito é a data registrada no protocolo do pedido de patente para o depósito nacional. Fonte: Elaboração própria. ou a data do registro do pedido internacional.1ª Edição. três pedidos foram depositados em 2003. os países que também receberam o pedido de proteção da patente são considerados. Figura 1: Número de registros de documentos de patentes recuperados sobre REEE por data de depósito e de publicação na base Espacenet. Tal data pode se referir também à notificação da entrada na fase nacional do pedido internacional depositado via PCT. Tal fato. seis em 2004. a data de publicação refere-se à data na qual o pedido de patente nacional teve seu período de sigilo findado (18 meses contados a partir da data de depósito). 2012. Diferentemente da data de depósito. visto que o processo não fez uso do Tratado de Cooperação de Patentes (PCT).

Israel e Turquia finalizam o ranking com apenas um pedido de patente cada um. o mesmo passa por diversas etapas assemelhadas”. o Reino Unido e a Suíça apresentaram três depositantes de pedidos de patentes cada.Revista Tecnologia e Sociedade . a Figura 2. seguida pelos Estados Unidos da América. ISSN (versão online): 1984-3526 41 publicados em 2004. Todos os demais apresentaram somente um registro de pedido de patente sobre REEE recuperado. e.1ª Edição. sendo um da Alemanha (Koslow. seis em 2008. assim como a Itália e a Polônia. cinco em 2005. oito em alemão e somente um em francês. Dentre todos os 51 depositantes do universo analisado. Os depositantes que mais se destacaram foram dois pesquisadores. A Hungria. Tais discrepâncias no período de sigilo dos pedidos podem ser justificadas devido ao fato de que. p. Quanto às tipologias dos registros de pedidos de patentes recuperados. “após o depósito do pedido de patente perante a autoridade governamental competente de cada país. obteve-se 21 pedidos de patente de invenção reivindicando processos. foram recuperados 21 documentos em inglês. com 9. 45). Fonte: Elaboração própria. 2012. James R. Alexander) e o outro dos Estados Unidos da América (Akridge. três em 2006 e em 2007. A República Tcheca e a Finlândia possuem ambos 5 depositantes cada. nove reivindicando produtos. segundo Macedo e Barbosa (2000. apresenta os registros de pedidos de patentes recuperados por nacionalidade. Observa-se que a Alemanha lidera possuindo 12 depositantes. Figura 2: Número de registros de documentos de patentes recuperados sobre REEE por nacionalidade de seus depositantes. enquanto que a França.). dois em 2010 e cinco em 2011. com 4 depositantes cada um. sendo que as diferenças das legislações nacionais são. preponderantemente. quatro em 2009. . pela existência ou exclusão de alguma etapa na tramitação do pedido. classificados como pessoa física. Os depositantes e a natureza jurídica destes também foram levantados. Quanto ao idioma dos registros dos pedidos de patentes recuperados.

Incinerador de resíduos orgânicos. No que tange à análise do conteúdo desses documentos. com três. Reino Unido. Software para jogos de computador. Seguido de Alemanha. Sistema para gestão da remoção de resíduos industriais. levou-se em consideração o . a nacionalidade dos pedidos de patentes recuperados divide-se entre 13 países distintos. incluindo os de REEE. 5) Outras tecnologias não relacionadas à temática: a. com um registro cada um. Japão. Israel e Hungria. Fonte: Elaboração própria.Revista Tecnologia e Sociedade .1ª Edição. ISSN (versão online): 1984-3526 42 Conforme os idiomas acima mencionados. Por meio do estudo do conteúdo dos documentos de patentes e das aplicações nelas mencionadas. 2012. Suíça. e. Processo de aquecimento solar de água através de calor solar e/ou de resíduos de sucata eletrônica e/ou outros resíduos tecnológicos. Turquia. com dois registros cada um. c. através do formulário de análise de conteúdo. Finlândia e Canadá. Tais dados são apresentados na Figura 3. d. foi possível categorizar o universo estudado nos seguintes grupos de tecnologias: 1) Métodos/processos para separação de plásticos contidos na sucata eletrônica. Itália. 2) Métodos/processos para separação de metais nobres contidos na sucata eletrônica. Figura 3: Número de registros por nacionalidade dos documentos de patentes recuperados sobre REEE na base Espacenet. Assim como o idioma inglês é o que mais se destaca. Polônia. República Tcheca. tendo 8 documentos registrados. 4) Recipiente (produto) em forma de caixa-lembrete para a conscientização para a separação e o recolhimento de diversos tipos de materiais recicláveis. com seis registros. os Estados Unidos da América também lidera o ranking dos países com registros mais recuperados. 3) Recipientes (produtos) para o acondicionamento e transporte seguro (sem quebra dos equipamentos) de REEE. b.

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aparecimento de termos ou expressões que evidenciassem a preocupação do inventor (ou escritor do pedido) da patente com a temática da sustentabilidade ambiental. Observou-se uma preocupação positiva nesta questão em 16 dos 30 documentos de patentes analisados. Foi citada a necessidade do acondicionamento dos resíduos finais em aterros sanitários apropriados, conforme exposto no trecho a seguir: “as cinzas tratadas e drenadas são armazenadas junto com as cinzas da grelha em um aterro sanitário apropriado/adequado” (CH 696425 (A5)). Assim como o fato de aterros sanitários serem cada vez mais inaceitáveis por causa da contaminação do solo e das águas subterrâneas devido à lixiviação de contaminantes. Outros documentos evidenciaram também uma preocupação com o fato de que os resíduos de produtos despejados no meio ambiente demoram muito tempo para desaparecer por si só na natureza, causando poluição ambiental e ameaçando a saúde humana e a saúde ambiental. A questão da sustentabilidade ambiental foi explicitada também através de uma preocupação com as matérias-primas resultantes e estas serem pura e facilmente reutilizáveis. Apesar da clara preocupação e apontamento de termos e expressões relacionadas à sustentabilidade ambiental, dados numéricos relacionados à questão da sustentabilidade ambiental somente foram identificados em três, dos 30, registros de patentes analisados. Tais dados foram identificados em registros da Alemanha, da Finlândia e dos Estados Unidos da América, respectivamente. No que diz respeito à importância (social e/ou econômica) da tecnologia reivindicada para a sociedade, 10 documentos de patentes analisados apresentaram preocupação e destacaram sua importância ao longo dos documentos. Exemplo desta questão é mencionado num pedido de patente inglês, número de prioridade GB20080001820, que destaca a necessidade do depósito dos REEE ser feita de forma segura e ambientalmente amigável (“depositar os REEE de forma segura ambientalmente amigável”). Um pedido de patente chamou a atenção pela extensa preocupação social descrita ao longo do documento. O pedido de número de prioridade (US20100836806) pertencente aos Estados Unidos da América explanou que “os custos sociais nesses lugares menos afluentes é muitas vezes chocante, usando trabalho infantil, com pouca ou nenhuma preocupação para a segurança industrial, e os trabalhadores expostos à paisagem circundante de poluentes químicos”. Foi interessante constatar que tal pedido de patente, cujo processo permite a redução do lixo eletrônico através de atualizações do dispositivo eletrônico afim de não torná-lo inutilizável tão rapidamente quanto a indústria espera, cita o fato de que “ironicamente, muitas pessoas em lugares mais ricos só se dão conta de tudo isso [trabalho infantil e ambiente de trabalho inóspito] quando alguns desses poluentes químicos cruzar o seu caminho, em novos processos de fabricação, e voltam a eles por meio do alto teor de chumbo em brinquedos e substâncias cancerígenas no vestuário”. A preocupação com a sustentabilidade ambiental também foi requerida no questionário de análise de conteúdo através de outra questão, mas desta

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vez no tocante à própria tecnologia cuja patente está sendo requerida. Nesta, questionou-se se o documento traz informações sobre como proceder com o descarte de tal tecnologia após o término de seu ciclo de vida. Tal prerrogativa não foi evidenciada em 27 dos documentos de patentes analisados, estando presente, portanto, em somente três registros. Com relação ainda à questão da sustentabilidade, questionou-se a presença, ou não, de termos ou expressões relacionados a possíveis riscos ambientais. Do universo analisado, somente nove pedidos de patentes apresentaram tais termos. Os pedidos de patentes que apresentaram termos ou expressões relacionados aos riscos ambientais, das tecnologias reivindicadas ou a ela relacionadas, relacionam-se com a questão do descarte ambientalmente inadequado dos rejeitos da sucata eletrônica e aos impactos por estes gerados em aterros sanitários impróprios, assim como ao meio ambiente de forma geral. Sendo assim, observou-se, no universo analisado, grandes contrastes evidenciados tanto por reivindicações puramente técnicas como por documentos que levaram em consideração mais do que somente uma descrição sumária da tecnologia em questão. A próxima seção apresenta uma sinopse dos principais resultados e a importância destes para a sociedade à luz das conclusões do estudo.

Considerações finais
Esta pesquisa teve como intuito realizar análise de patentes de tecnologias relacionadas ao descarte de lixo tecnológico e das tendências verificadas por meio de documentos de patentes, por meio de monitoramento tecnológico de produtos e processos na base de dados de patentes gratuita online Espacenet, além de contribuir e incentivar uma interação entre a área de Propriedade Intelectual com os estudos do campo CTS e a questão da sustentabilidade ambiental. Conforme apontado anteriormente, os resultados analisados indicaram forte preocupação com questões relacionadas à sustentabilidade ambiental, considerando desde possíveis termos ou expressões e dados numéricos relacionados à sustentabilidade, passando pela descrição da importância dessas tecnologias para a sociedade, suas aplicações e possíveis mercados, até informações de como se proceder com o descarte de tais tecnologias ao término de seu ciclo de vida, suas vantagens e desvantagens, riscos ambientais envolvidos e legislações citadas por esses documentos de patentes. Constatou-se que o idioma inglês predominou nos documentos do universo analisado, sendo os Estados Unidos da América o país líder no ranking dos que patentearam tecnologias de descarte e reciclagem de REEE, seguido de perto por Alemanha e Suíça. Houve menção de outros países como Itália, Finlândia, Canadá, Turquia, República Tcheca, Reino Unido, Polônia, Japão, Israel e Hungria, o que denota que o estudo de técnicas e práticas que envolvam o reaproveitamento e a reciclagem de resíduos de sucata eletrônica está em difusão pelo mundo.

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Os resultados indicaram também o aparecimento de termos ou expressões que evidenciaram a preocupação do inventor (ou escritor do pedido) da patente com a temática da sustentabilidade ambiental em 51% do universo estudado. No que diz respeito à importância (social e/ou econômica) da tecnologia reivindicada para a sociedade, 10 documentos de patentes analisados apresentaram preocupação e destacaram sua importância ao longo dos documentos. A preocupação com a sustentabilidade ambiental, porém, não foi evidenciada na análise no que dizia respeito à presença de informações sobre como proceder com o descarte de tal tecnologia após o término de seu ciclo de vida. Tal prerrogativa não foi evidenciada em 27 dos documentos de patentes analisados. Quanto aos termos e expressões relacionados aos possíveis riscos ambientais a que tais tecnologias estariam relacionadas, somente nove, dos 30 pedidos de patentes do universo, apresentaram tais termos. Conforme aponta o campo CTS, a tecnologia, assim como a ciência, é feita para os pares e, consequentemente, a sociedade acaba por ser excluída do debate e das reflexões a respeito das implicações sociais da ciência e da tecnologia. Disponibilizar o acesso é obrigação da União e tornar as bases de acesso público inclusivas, e não restritivas, também. Infere-se que, do ponto de vista abarcado pelo campo CTS, a informação tecnológica tem implicações diretas para a sustentabilidade ambiental, tanto no que diz respeito às suas fontes, seu conteúdo, quanto em seu uso. O comunismo do conhecimento científico, conforme apontado por Merton (1979) no aporte teórico da dissertação que deu origem a este artigo (GIGANTE, 2012), apesar de idealizado, se seguido à risca, possibilitaria maior interação e colaboração das diversas áreas do conhecimento, inclusive as relacionadas à questão da sustentabilidade sócio-econômica-ambiental. Relacionado a isso, há, porém, que se considerar o fato de nossa sociedade ser capitalista e ter uma economia com bases fortemente alicerçadas no tripé da alta produtividade, curta meia vida dos produtos e alto consumismo. Por isso, por mais que cientistas e tecnólogos se esforcem para criar produtos ambientalmente corretos para minimizar ou corrigir os impactos gerados pelos demais produtos já criados pela humanidade, e globalmente difundidos, eles sozinhos não conseguirão reverter todo o impacto e desastres já gerados. O campo CTS confirma e universidades, governo e sociedade como um todo têm que se unir para que novas práticas ambientalmente seguras sejam criadas e adotadas mundialmente a fim de que parte do impacto já gerado seja revertido, ou, numa visão mais realista, que novos impactos não sejam gerados ou ainda, apenas minimizados.

Agradecimentos
As autoras agradecem à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) pelo apoio financeiro.

MACEDO. tendo sido orientada pela [REMOVIDO P/ REVISÃO ANÔNIMA]. jul. In: SANTOS. 219 f. 2003. Dissertação (Mestrado em Ciência. desenvolvido na Universidade Federal de São Carlos.F..C.C.1ª Edição. Ciência. FERRAZ. 2 Uma versão aproximada deste trabalho foi apresentada no ESOCITE . Página inicial. Madri: OEI. Disponível em: <http://lp.W.) et al. CANONGIA. 1998.A. p.G. Patentes.. PEREIRA. 2000. 135-162.. São Paulo: Loyola. v. L. México. São Carlos. Tecnologia e Sociedade. L. BARBOSA. 1993.. 2002. tecnología y sociedad: el estado de la cuestión en Europa y Estados Unidos. Introdução aos estudos CTS: (Ciência. Gestão da informação e monitoramento tecnológico: o mercado dos futuros genéricos. 41-68. Instituto de Ciência e Tecnologia em Resíduos e Desenvolvimento Sustentável. Perspectivas em Ciência da Informação. In: Fórum das Universidades Públicas Paulistas: Ciência e Tecnologia em Resíduos . 1.N. L. em Ciudad de México-DF.F.2011. Análise de patentes de tecnologias relacionadas a resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos. 2012. Referências BAZZO. 18. Londrina: IAPAR. 2003. Resíduos sólidos formados por lixo eletrônico: riscos ambientais e política de reaproveitamento. ______. Tecnologia e Sociedade). São Pedro. A. J. LINSINGEN. A.com/>. 2. M. ISSN (versão online): 1984-3526 46 Notas de fim 1 Este artigo apresenta os resultados da pesquisa do Mestrado em Ciência.L.T. p. pela autora. 3-39. Ciencia.. Tecnologia e Sociedade). 7. p.. I.V. M. LÓPEZ CEREZO. tecnologia e sociedade: o desafio da interação.Revista Tecnologia e Sociedade . . A condição pós-moderna. W. 2012. ESPACENET. PEREIRA.Universidade Federal de São Carlos./dez. v. (Org.V. GIGANTE. Revista Iberoamericana de Educación. BASSO. pesquisa & desenvolvimento: um manual de propriedade intelectual. In: ______.IX Jornadas Latinoamericanas de Estudios Sociales de la Ciencia y la Tecnología. Do fordismo à acumulação flexível.C. Ciência. 286-296. p. (Cadernos Ibero-América). n. ANTUNES. 155-166.espacenet. H. D. que ocorreu em Junho de 2012. Rio de Janeiro: FioCruz.C. HARVEY. Acesso em: 22 mar. p. tecnologia e sociedade: o estado da arte na Europa e nos Estados Unidos. 2002.F.. M. C.

D. 2010. (Org. A crítica da ciência: sociologia e ideologia da ciência. .1ª Edição. R. Rio de Janeiro: Record.Revista Tecnologia e Sociedade . A corrosão do caráter: as consequências pessoais do trabalho no novo capitalismo. ISSN (versão online): 1984-3526 47 MERTON. R. 1979. J. p. SENNETT. Os imperativos institucionais da ciência.K. Rio de Janeiro: Zahar. 2012. In: DEUS. 37-52.).

Homero Fernandes Oliveira.UNIOESTE.UFSC. E-mail: dslobo@uol. logística.: Engenheiro Agrônomo formado pela Universidade Federal de Lavras (1989).campus Toledo. ISSN (versão online): 1984-3526 48 Bioenergia e resíduos na cadeia de suínos: uma análise de custos e investimentos para transporte de dejetos suínos com posterior geração de bioenergia no município de Toledo/ PR Bioenergy and waste in the chain of pigs: an analysis of costs and investments for the transportation of pig manure with subsequent generation of bioenergy in the city of Toledo / PR Sandra Mara Pereira Debora da Silva Lobo Homero Fernandes Oliveira Weimar Freire da Rocha Júnior 4 4 Sandra Mara Pereira: Mestre em Desenvolvimento Regional e Agronegócio da Unioeste . Professora Adjunta da Universidade Estadual do Oeste do Paraná . Weimar Freire da rocha Jr.Grupo de Pesquisa em Transporte.UnioesteTranslog . Bolsista demanda social pela CAPES.Professor Associado da Universidade Estadual do Oeste do Paraná – Unioeste Translog . agronegócio brasileiro. Atualmente é professora adjunto da Universidade Estadual do Oeste do Paraná.com.br.Grupo de Pesquisa em Transporte. Logística e Modelagem de Sistemas. fretes.com. Logística e Modelagem de Sistemas. Debora da Silva Lobo: Graduada pela Universidade Federal do Rio de JaneiroUFRJ em Bacharelado (1990) e Licenciatura (1992) em Matemática. Translog . Logística e Modelagem de Sistemas.Naval Postgraduate School (1991) e doutorado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina na área de Transporte e Logística.1ª Edição. o Master Of Science In Operations Research . Atualmente é professor adjunto da Universidade Estadual do Oeste do Paraná . Mestre em Economia Agrária (Economia Aplicada) pela Universidade de São Paulo (1994) e Doutor em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina (2001). Pesquisador produtividade do CNPq.Campus de Toledo. . fez mestrado (1998) e doutorado (2003) em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina . nova economia institucional.br.Revista Tecnologia e Sociedade .com. Tem atuado na área de Economia. 2012. Email:wrochajr2000@gmail. E-mail:homero2@uol. Professor Adjunto da Universidade Estadual do Oeste do Paraná – Unioeste. graduação em Tecnologia da Computação pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (1986).Grupo de Pesquisa em Transporte. Atualmente é professor associado da Universidade Estadual do Oeste do Paraná onde leciona no Curso de Ciências Econômicas e no Programa de Mestrado em Desenvovimento Regional & Agronegócio. com ênfase em transporte urbano. Possui graduação no Curso de Formação de Oficiais Aviadores pela Academia da Força Aérea (1978).

and preserve the environment. por beneficiar os produtores rurais. preservar o meio ambiente. custos de transporte e análise de investimentos. que terão nova fonte de renda com a venda dos dejetos. transportation costs and investment analysis. using a highly waste polluter. caracterização da suinocultura local. as well as for the establishment of a center of biodigestion. characterization of swine production site. The theore tical base includes agribusiness topics. contudo. utilizando um resíduo altamente poluidor e. possibilitar uma nova matriz energética. bioenergia. realizando a roteirização com auxílio da heurística de Clark & Wright. Were researched information on vehicles and equipment used in this activity. For the implementation of the project will require major investments. biogás e energia elétrica com as quantidades de suínos existentes nas propriedades pesquisadas. Analisaram-se os potenciais de geração de dejetos. who will have new source of revenue with the sale of pig slurry. collected information is related to properties with 380 pigs in the finishing stage. biogas and electricity and the quantities of pigs in the properties searched. In the methodology. Abstract The work addresses the theme "analysis of costs and investments for the collection of pig manure (in the finishing phase) in rural properties in the city of Toledo. Conclui-se que é viável a implementação de semelhante projeto. que não sofrerá os danos pelo despejo dos dejetos. serão necessários grandes investimentos. . pig manure. em propriedades rurais do município de Toledo. Palavras-Chave: Custos de transporte. coletou-se informações relacionadas à 380 propriedades com suínos em fase de terminação. We analyzed the potential to generate waste. assim como para a implantação de um centro de biodigestão. providing a new energy matrix. with the final destination a center of bioenergy”. It follows that it is feasible to implement a similar project. for the benefit of farmers. para a coleta de dejetos suínos (fase de terminação). 2012. ISSN (versão online): 1984-3526 49 Resumo O trabalho aborda o tema “análise de custos e de investimentos.Revista Tecnologia e Sociedade . os custos operacionais e de investimento para a aquisição dos mesmos. performing with the aid of heuristic routing of Clark & Wright. Na metodologia. operating costs and investment for the acquisition of them. bioenergy. Para a implementação do projeto. profitability with the sale of biogas and electricity compensate. not suffer the dump indiscriminate of pig manure. however.1ª Edição. No referencial teórico abordam-se tópicos como agronegócio. Foram pesquisadas informações referentes aos veículos e equipamentos utilizados nesta atividade. Key-words: Transportation costs. dejetos suínos. tendo como destino final um centro de bioenergia”. a rentabilidade com a venda de biogás e energia elétrica compensará.

manter o equilíbrio das propriedades e adjacências. Sabe-se que. FOSTER. Antevendo os transtornos da poluição conseqüentes da suinocultura. Dados da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (ABIPECS. gera. na preservação dos mananciais hídricos. 2012. podem contaminar o solo e os mananciais hídricos. em fase de terminação (que representam a maior parcela desta população na região estudada). Estes danos demoram a ser percebidos pelos agricultores e até mesmo pelos técnicos de campo (SEGANFREDO. devido a fatores como novas tecnologias de produção e possibilidade de maior produção em reduzido espaço físico.9 quilos de dejetos (urina e esterco). 2002). Esta moderna suinocultura caracteriza-se pelo aumento da concentração do número de animais confinados por estabelecimento. A principal justificativa deste trabalho. usualmente. 2008). No entanto. deste modo. Conforme dados de Oliveira et alii (1993). podem substituir os adubos químicos. caracterizando uma necessidade urgente de destino adequado e ambientalmente correto dos dejetos gerados nas propriedades e. com a finalidade de obter economias de escala e melhorar a competitividade da agroindústria (WEYDMANN. tem se destacado no agronegócio nacional. cada suíno. é mister vislumbrar possibilidades que eliminem o problema e agreguem valor ao resíduo. o Paraná. a problemática sugerida para a realização do estudo foi: “Qual o custo para o transporte de dejetos suínos. em especial para fins industriais. os dejetos são utilizados para a adubação do solo. O Paraná foi responsável pelo abate de aproximadamente 5 milhões de cabeças no ano de 2007. por dia 4. seguido do Rio Grande do Sul).Revista Tecnologia e Sociedade . sobressaindo-se na produção de suínos. pois quando adequadamente utilizados. PERIN JUNIOR. reside no fato da região ser responsável por 21% da produção estadual de suínos. mas também como fornecedor de insumos e . 2008) indicam que o Paraná está em terceira posição na produção nacional de suínos (Santa Catarina em primeiro. tanto em âmbito nacional quanto mundial.1ª Edição. o agronegócio tem sido focado por diversos pesquisadores. que atendem aos moradores das áreas rurais e urbana. por ser de primordial importância para o desenvolvimento não apenas dos negócios relacionados à agropecuária. REVISÃO TEÓRICA Agronegócio Paranaense Nos últimos anos. das propriedades rurais até um Centro de Bioenergia? Este custo é restituído pela geração de energia (gás ou eletricidade) proveniente destes dejetos?”. Com base nestas considerações. se aplicados continuamente ou em excesso. ISSN (versão online): 1984-3526 50 INTRODUÇÃO Nas últimas décadas.

sendo. A carne suína representa quase a metade do consumo e da produção mundial de carnes. 2002). a melhoria das técnicas de produção e da qualidade genética do rebanho. o Paraná tem a estimativa de produzir 444 mil toneladas de carne suína no ano de 2008. ISSN (versão online): 1984-3526 51 de matérias-primas para a indústria e o comércio.6 milhões de toneladas de carne (considerado peso de carcaça). suco de laranja.Revista Tecnologia e Sociedade . Caracterização da Suinocultura A suinocultura tem sido destaque. tecelagens. O Brasil ocupa a quarta posição na produção mundial de carne suína. obtendo o terceiro lugar na produção nacional. d) fornecimento de conhecimento tecnológico e genético pelas empresas agroindustriais. pequenas propriedades. médias ou grandes propriedades. ampliando-se nas últimas décadas devido a fatores como: a) possibilidade de maior produção em reduzido espaço físico. Fatores como a globalização. 2012. unidades de melhoramentos genéticos. 2007). maltaria. que trabalham em regime de economia familiar. sendo considerada a principal fonte de proteína animal. EMBRAPA. 1992). Atualmente. além de prover alimentos para o abastecimento. De acordo com informações da SEAB (2008). sendo sua estimativa para 2007 de aproximadamente 2. em sua grande maioria. 2002. PARRÉ. Esta atividade é desenvolvida em 136. com mais de 90% dos criadores ligados a estes frigoríficos. O Paraná tem se destacado no agronegócio por ter diversificado e modernizado as cadeias produtivas. no processo denominado integração (via contratos). Na Figura 1 está exposta a produção paranaense de carne suína. bem como o auxílio técnico e veterinário. têm sido implantados com a intenção de agregar valor e diversificar a produção (LOURENÇO. Setores como usinas de açúcar e álcool. tanto interno quanto externo (IPARDES.1ª Edição. contribuíram para a otimização e a melhoria das condições de produção em toda a cadeia do agronegócio. derivados lácteos. 2002). industrialização de carnes (suínos e aves). b) oportunidade de ampliação da renda do produtor rural (não deixando de desenvolver outras atividades). entre outros projetos. tão necessários à atividade (GOMES et alii. RODRIGUES. . o favorecimento ao consumo da carne suína no mercado interno. Possui 20 frigoríficos com inscrição no Serviço de Inspeção Federal (SIF). A produção de carne suína teve um aumento significativo a partir do ano 1998 devido a fatores como o aumento da exportação de produtos cárneos. entre outros (MORETTO.000 propriedades. a produção está com volume aproximado de 93 milhões de toneladas. c) poder ser realizada em pequenas. abertura da economia brasileira e a ampliação do mercado interno.

Revista Tecnologia e Sociedade . *estimativa. em mil toneladas equivalente carcaça (2002-2009). maior valor de mercado (FUNDAÇÃO PROCON-SP. 2012. **previsão Fontes: Abipecs. por Núcleo Regional da SEAB (2005) Fonte: adaptado de SEAB (2007) e IBGE (2005). no mês de outubro de 2004 o Brasil exportou para a Rússia um volume 43% menor que no mesmo mês do ano anterior.1ª Edição. e Toledo engloba 20 municípios próximos. que acompanhou a redução nacional. que possuem maior valor agregado. Para se ter uma dimensão desta redução. em decorrência básica do embargo russo imposto às carnes brasileiras. Figura 2 – Efetivo da pecuária de suínos no Paraná (em percentual). ABCS e Embrapa (2007). em conseqüência. Na Figura 2. e com a maioria da produção sendo na forma de integração. e. a produção percentual de suínos do estado do Paraná por núcleo regional da SEAB. 2005). Inserido no contexto estadual. Esta redução na quantidade não afetou na mesma proporção a receita auferida. pois foram vendidos cortes. ISSN (versão online): 1984-3526 52 Figura 1– Produção paranaense de carne na suinocultura industrial. A SEAB fraciona o Estado em núcleos regionais. . a região do município de Toledo destaca-se na produção e no abate de suínos. O Estado apresentou uma queda de produção no ano de 2004.

cursos de água e poluição do ar. Os últimos usos dos dejetos suínos. produto este que pode ser consumido in loco ou pode ser comercializado na forma de gás (botijões ou canalizado) ou já transformado em energia elétrica. Como citado anteriormente. e podem ser utilizados diretamente como biofertilizante (fertilizante natural para plantas ou tanques de algas). Outra forma de utilização do dejeto é a transformação deste em biogás. um maior comprometimento com a preservação dos mananciais. os resíduos são retirados. 2012. evitando a contaminação de nascentes. É preciso haver. São cerca de 4. ISSN (versão online): 1984-3526 53 Conforme dados da SEAB (2007) e IBGE (2005). Após o período de retenção no biodigestor (que pode variar de 20 a 60 dias). Para que estas aplicações sejam possíveis. Além disso. que podem gerar renda é o comércio de biofertilizante e biocarvão. ainda é pouco valorizada. em função dessa desproporção.Revista Tecnologia e Sociedade . mas que podem ser utilizados como fonte alternativa de energia e de renda. embora seus elementos estejam em quantidades desproporcionais em relação aos assimilados pelas plantas. Segundo informações da Embrapa Suínos e Aves (2007). como estratégia de comércio. por exemplo. A criação de suínos pode desestabilizar a harmonia da propriedade rural e adjacências por serem altamente poluentes os dejetos produzidos pelos animais. Estes produtos são resultado final do processo de biodigestão. com 14% cada.1ª Edição. o procedimento de simplesmente dispersar os dejetos sobre o solo agricultável sem auxílio técnico. geralmente os dejetos são utilizados para a adubação do solo. A mercadoria negociada no mercado de carbono são as reduções de emissões de gases efeito estufa (GEEs). compradores do produto brasileiro. a preocupação ambiental no processo produtivo. Kyoto apliance e os non kyoto apliance. que podem estar no âmbito do Protocolo de Quioto ou fora dele. No Brasil. que são altamente poluidores. contudo a elevada tecnificação para aumento da produção ainda não atentou para o descarte dos dejetos. Dessa forma. Outra forma de comercialização com a transformação do dejeto suíno em biogás (bioenergia). é através de créditos de carbono. há indicações de que as normas ambientais para o tratamento dos dejetos da suinocultura tendem a ser menos restritivas que em outros países. somente faz agravar a situação dessas terras. na fase de criação. se faz necessário a ampliação de estudos e de pesquisas para tornar viável sua aplicação para os pequenos produtores possam utilizá-la. ou biocarvão. o núcleo regional de Toledo é responsável por 21% da produção do Estado. . gerando energia térmica para caldeiras de indústrias. o dejeto suíno é um composto multinutriente. seguido de Francisco Beltrão e de Ponta Grossa.5 milhões de suínos no estado do Paraná.

uma das principais atividades da logística. podem-se utilizar índices de balanço. quantidade de recursos necessários. ISSN (versão online): 1984-3526 54 Custos de Transportes O transporte. 2003). região de abrangência. entre outros). em função da distância. características das vias. 1997). PASSAGLIA. auxiliam na redução do valor do frete) (VALENTE. METODOLOGIA A pesquisa foi desenvolvida no ano de 2008. Para um diagnóstico simplificado dos investimentos. gerando tanto benefícios imediatos (controle e redução de custos desnecessários). entre outros). entre outros. quanto num futuro próximo (renovação a frota.Revista Tecnologia e Sociedade . por exemplo. contemplando fatores como riscos e incertezas. que possuem alguma medida de consumo na produção (embalagens utilizadas.1ª Edição. órgão regulador ambiental do Estado. que visa evidenciar determinado aspecto da situação econômica ou financeira de uma empresa. é de fundamental importância para o bom desempenho das empresas. que não podem ser mensurados de forma exata.” (MATARAZZO. do valor e das características do produto. “Índice é a relação de contas ou grupo de contas das demonstrações financeiras. salários administrativos. porte do veículo. . Também influenciam nas decisões de tecnologia e de roteirização. 147) Alguns dos mais utilizados são: rentabilidade. aceitação do produto ou serviço pelos clientes. De acordo com Martins (1998). e indiretos. fornecedores. Outros fatores que podem afetar os custos são: a quilometragem percorrida. Ao analisar os custos e despesas relacionadas à atividade. período de retorno deste investimento. depende apenas das informações disponíveis e da profundidade que se deseja conhecer a empresa. independente da área de atuação. do custo. entre outros). realizaram-se visitas ao escritório do Instituto Ambiental do Paraná (IAP). com consultas aos sítios do IBGE e da prefeitura do município de Toledo-PR. e o tempo (dependente da distância e influenciador direto da formação de estoques e nível de serviço) (BERTAGLIA. Estes fatores interferem nas decisões da empresa sobre qual ou quais modais de transporte utilizar. Estes índices servem como parâmetro de avaliação da empresa. manutenção. acionistas. liquidez. horas de mão-de-obra. p. torna-se necessária a análise de investimentos. Não há quantidade ou delimitação exata de quais e quantos índices utilizar. da disponibilidade do modal escolhido. participação de capitais de terceiro. previsão de despesas. mas estão relacionados à produção (aluguel. NOVAES. os custos são basicamente divididos em diretos. quilos de material. etc. tanto pelos administradores quanto pelos interessados em investimento (bancos. entre outros. entre outros. A apuração correta de todos os custos envolvidos no transporte.). 2012. fluxos (cargas de retorno. tipo de tráfego. é afetado por dois fatores principais: a distância (trajeto percorrido entre origem e destino). Para o levantamento das informações das propriedades. 2008. endividamento.

à manutenção. que atendessem à todas as 380 propriedades. mas visando a minimização da distância total percorrida pela frota. Passaglia. Optou-se por utilizar a heurística de Clark & Wright para a realização da roteirização. Tal análise englobou todas as despesas relacionadas ao veículo. justifica-se por apresentar melhor desempenho nas estradas rurais da região (na sua maioria em leito natural). e. destinação destes dejetos. Diversas empresas transportadoras utilizam este modelo de custos. e com vazão de saída de 300 litros por minuto. onde foram analisados arquivos e documentos disponíveis das propriedades com licença ambiental de operação na suinocultura. Esta heurística. gerar roteiros que respeitam as restrições de tempo e de capacidade. vai à propriedade rural.000 litros de dejetos por minuto. enfim. O equipamento a ser instalado na carroceria do caminhão é composto de um reservatório metálico (chapa de aço carbono de 4. Ao todo. fabricada em ferro fundido. ISSN (versão online): 1984-3526 55 em Toledo. proximidade de rio ou nascente. Para que fosse realizada a análise correta dos custos de transporte. despesas com pessoal e encargos sociais. com potência de 25 HP. incidindo na redução de custos de capital e de operacionalização. a frota é otimizada (por vezes reduzida). sendo o veículo com capacidade de carga total de 13 toneladas. Para o cálculo custos de transporte. para a coleta de dejetos. utilizou-se a análise de Custos Operacionais citada por Valente. foi necessário gerar roteiros. e por ser utilizado em diversos softwares de roteirização. combustível. indo para outra propriedade e executando o mesmo processo até ter sua carga máxima atingida. Possui também bom desempenho e rendimento no trânsito em estradas secundárias. impostos. munido do equipamento necessário. além de custo-benefício apropriado. se comparado à caminhões semelhantes. 2012. para realizar a respectiva descarga. por ser de fácil levantamento e elaboração. forma de armazenamento dos dejetos suínos (e/ou tratamento). As dimensões são adaptadas a cada veículo em função da capacidade de carga. A escolha deste veículo. conseguindo facilidade de acesso e de manobra nas propriedades. A atividade inicia quando o veículo. tudo que esteja relacionado ao . tem como objetivo. à medida que o modelo vai gerando roteiros eficientes. coleta o dejeto suíno. No estudo foi empregado o modelo de caminhão normalmente utilizado na região para este tipo de serviço. da finalidade e da necessidade do cliente. com quebra-ondas internos para reduzir a sobrecarga ou a movimentação inercial brusca do conteúdo. Este modelo. quantidade de suínos. Possui também uma bomba. origem da água da propriedade e. Novaes (2003). dirigindo-se então até o centro gerador de bioenergia. foram coletados dados de 380 propriedades com criação de suínos em fase de terminação. com capacidade de sucção de 1. com um eixo na carroceria (tipo toco). por apresentar um erro médio de 2% (relativamente baixo).1ª Edição.75 mm de espessura). baseado no método de custos médios desagregados. possibilita a verificação de cada componente sob o aspecto monetário.Revista Tecnologia e Sociedade . da distância entre eixos. ao equipamento utilizado. observadas as características: posicionamento geográfico (latitude e longitude).

Revista Tecnologia e Sociedade . dados de operação do veículo e. Para a coleta dos custos dos veículos e do equipamento. . ISSN (versão online): 1984-3526 56 funcionamento do veiculo para coleta de dejetos. dados de operação e transporte (Tabela 1).1ª Edição. dados de preços. via telefone. 2012. foram contatadas empresas revendedoras. internet ou pessoalmente. As informações para a análise são divididas em quatro grandes grupos: dados gerais.

Após a análise dos custos operacionais. Passaglia.Revista Tecnologia e Sociedade . Novaes (2003). 2012. ISSN (versão online): 1984-3526 57 Tabela 1 – Informações para análise dos custos operacionais Fonte: Adaptado de Valente. a qual utilizar-se-á de cinco índices de rentabilidade. realizou-se a análise de investimentos. e da combinação destes para saber da quantidade de veículos necessária para a coleta diária de dejetos nas 380 propriedades. quais sejam: .1ª Edição. da roteirização.

 Tempo de retorno do investimento (Payback): em quanto tempo (meses ou anos) o dinheiro investido retornará. ter-seá o período de payback. É considerado atraente todo investimento maior ou igual a zero. o que indica que ocorre uma degradação do ambiente. do investimento. e é uma das formas mais complexas de analisar as propostas de investimento de capital. e quando os investimentos (saldos negativos) anularem-se com as entradas de caixa (receitas). em valores monetários.  RESULTADOS E DISCUSSÕES Após a coleta e análise das informações referentes às 380 propriedades rurais. rendendo no mínimo. observou-se que este grupo dispõe de aproximadamente 314 mil suínos. a suinocultura é realizada em pequenas propriedades rurais. que atualmente é de 8% ao ano. e algumas ainda combinam este com a esterqueira. Verificou-se que apenas 11% das propriedades contam com biodigestor.  Valor presente líquido (VPL): reflete a riqueza. Nas propriedades analisadas no município de Toledo-PR.  Taxa interna de retorno (TIR): é considerado rentável o investimento que apresentar TIR > TMA. a não credibilidade. No próximo item. qualquer investimento que proporcione uma rentabilidade igual ou superior a 8% a.1ª Edição. por parte dos produtores. por vezes. ISSN (versão online): 1984-3526 58 Taxa mínima de atratividade (TMA): o projeto deve ser atrativo. quanto maior melhor a rentabilidade. 2012. de que haverá retorno (financeiro e ambiental) e. Isto ocorre devido a fatores como o alto custo para implantação do equipamento. A análise é de quanto a empresa obtém de lucro para cada $100 investidos.4 toneladas de dejetos.a.515. a uma determinada taxa de desconto. falta de conhecimento e explicações sobre o sistema. serão detalhados os resultados percebidos com as análises propostas. e geralmente é realizada pela família do produtor. produzindo diariamente 1. Ela iguala o VPL a zero. utilizam esterqueiras e lagoas de estabilização de dejetos.  Taxa de rentabilidade (TR): não é uma medida de rentabilidade de capital mas da capacidade da empresa gerar lucro e poder capitalizar-se. pode ainda ocorrer o vazamento (pela não retirada dos dejetos ou chuvas excessivas). As propriedades restantes. medida pela diferença entre o valor presente das entradas e saídas de caixa. É realizado analisando-se o fluxo de caixa. que possuem terminação de suínos. pois estes dejetos serão utilizados nas lavouras. No Brasil. entre outros. a taxa de juros equivalente a rentabilidade das aplicações corrente de baixo risco. As esterqueiras correspondem a 88% do total das propriedades pesquisadas. Ou seja. Foi utilizada a função do programa Excel para este cálculo. utiliza-se como base a rentabilidade da caderneta de poupança. será viável.Revista Tecnologia e Sociedade . seja na propriedade ou adjacências. pois as empresas . que encontram nesta atividade uma forma de melhorar sua renda com reduzidas despesas.

127. A nova configuração. num total de 156 rotas.297. Optou-se por realizar uma divisão por setores. à manutenção. perfazendo um total de 12.20 462.00 111 130 380 2.19 km. do equipamento e do primeiro ano de seguro e licenciamento).1ª Edição.437.490. geração de dejetos. .00 (considerados o valor do veículo. operando 16 horas por dia e 25 dias no mês.515. 2012.059.170. Na primeira configuração. Na Tabela 2. desenvolvem novas rações. o resumo das informações analisadas para a determinação da quantidade de caminhões. 2. velocidade média.90 496. em havendo apenas um veículo.36 km no S2 (com 47 rotas e um produtor não roteado) e 4.921. alterando os custos totais finais para a coleta dos dejetos.186.490. entre outros.715. para que seja aproveitada a totalidade do potencial energético dos dejetos. a quilometragem total mostrou-se elevada.913.19 Tempo 112:06 h 67:36 h 122:55 h 302:37 h Volume dejeto 556. o que implicaria.127.34 km (ou cerca de 20%) na quilometragem anterior (primeira configuração). Para a análise dos custos. considerou-se que serão necessários 19 caminhões para a coleta diária nas 380 propriedades. resultou nas seguintes quilometragens: 4. Tabela 2 – Resumo de informações para estimativa de caminhões T13 Número de Quilometragem Produtores 139 4. impostos.40 km no S1 (58 rotas). fazem a entrega e coleta dos suínos. ISSN (versão online): 1984-3526 59 agroindustriais é que realizam o melhoramento genético. despesas com pessoal e encargos sociais. o cálculo dos custos do transporte foi realizado com base na metodologia utilizada por Valente. tudo que esteja relacionado ao funcionamento do veículo para coleta de dejetos. almejando reduzir a quilometragem.Revista Tecnologia e Sociedade . praticamente. ao equipamento utilizado.10 1. visando a melhoria das condições para a roteirização.20 Setor 1 (S1) Setor 2 (S2) Setor 3 (S3) TOTAL Fonte: elaboração própria Analisando os dados de roteiro. com 15.36 4. O valor total para aquisição de um veículo com equipamento é de R$ 165.337.53 km. uma rodagem de um mês para a coleta de toda a rota. com os três setores. enfim. agregando distritos próximos. pois o grande volume gerado diariamente.43 km (com 51 rotas). Novaes (2003).715. para os cálculos de Custos Operacionais. Conforme citado na metodologia.43 12. Após a compilação das informações das propriedades. Englobou todas as despesas relacionadas ao veículo. Passaglia. determina esta condição. foi realizada a roteirização.921. torna-se indispensável estimar a quantidade de caminhões necessária para a coleta diária dos dejetos. combustível. Observa-se uma redução de 3.

que inclui o custo operacional total dos veículos. e demais valores para a análise de investimentos.8 m 3 Fonte: elaboração própria . 2012.00.000. energia elétrica e botijão P13 kg Dejeto Geral T13 (1carga) 1 kg 10.32 R$ 91. pagamento aos produtores e manutenção do biodigestor. Nesta análise não foram considerados os níveis de metano. uma estimativa geral dos custos para a aquisição dos caminhões.00 19 R$ 3.000. que influem diretamente na geração e no poder calorífico do biogás.950.40 kg de dejetos suínos.Revista Tecnologia e Sociedade .106. A despesa mensal. considerando os caminhões T13 e a implantação do centro de biodigestão. ISSN (versão online): 1984-3526 60 Na Tabela 3. ** O valor do investimento e manutenção do biodigestor.1ª Edição.532 kWh 5. serão necessários R$ 11. Portanto.000. Constata-se que. para a geração de 1 m de biogás. configuração das rações e medicamentos utilizados na alimentação dos suínos.3 kWh Botijão P13 equivalente 0.5 1. corresponde a R$ 602.46. Tabela 3 – Resumo dos custos totais de investimento Descrição Custos (caminhão + equipamento) Quantidade estimada de caminhões Custo total investido Quantidade de motoristas Custo operacional total mensal Despesa com produtores)* compra de dejetos (pago aos T13 R$ 161.14 R$ 8. na 3 proporção de 1 kg de dejeto para produzir 0. instalação do centro de biodigestão.00 Investimento Biodigestor (geral)** Manutenção mensal do biodigestor** Fonte: elaboração própria * O valor da compra dos dejetos baseou-se nos valores correntes em outubro/2208.956.000322 33.00 R$ 100. Tabela 4 – Estimativa de geração de biogás. que equivale a R$ 25.059.00 38 R$ 410. foi estimado com base em valores de biodigestores de pequeno porte.1064m de biogás. Na Tabela 4.1064 m 3 Energia elétrica 0.300 litros. 3 2002). serão necessários cerca de 9.994.059.000.000.00 a carga de 10.000. para o investimento total inicial. uma estimativa de geração de biogás e equivalência de utilizações possíveis.403 kg m3 Biogás 0. Estudos apontam a geração de biogás com dejetos suínos.534. equipamentos. NIJAGUNA. com o mesmo período de retenção. com período de retenção de 30 dias (Lucas Junior apud SOUZA et alli 2008. considerado neste valor a compra do terreno para implantação. gás carbônico.

18 R$ 1. vendido a R$ 1. O restante será transformado em energia elétrica.68).1ª Edição. do volume inicial de dejetos.114.629.300 kg) Total Quantidade mensal 3 1.85 kWh 2. e será comercializado ao preço do kWh para a área rural. e considerados 25 dias de operação no mês.031.68 R$ 3.1064 m 3 3 Energia elétrica 0. considera-se que serão comercializados 40% do biogás produzido na forma de energia 3 térmica.00/m . em média².314. o dejeto deverá ser retirado e poderá ser comercializado como biofertilizante ou biocarvão. R$ 1. comercializa o kWh de energia para a região rural do município por R$ 0.1622 (outubro/2008). que podem gerar as quantidades de biogás e energia elétrica da Tabela 5.00 / 3 m . podendo o restante ser comercializado como biofertilizante (22.612. no mês de outubro de 2008. cada m de biogás pode gerar 5.930 kg Biogás 0.23 R$ 55. Após o período de retenção necessário para a geração do biogás. A companhia de energia elétrica do Estado. 3 Para a equivalência de geração de energia elétrica. 2012. o valor 3 de venda do m de gás natural para fins industriais é.425.95 m Fonte: elaboração própria Para exclusiva finalidade de análise de investimentos. Para a análise de rentabilidade do presente projeto. que poderia beneficiar-se ao investir em semelhante projeto.300 kg.425.093.173.961. serão produzidos e coletados 37.0 kWh.1622 / kWh).515. ocorra uma perda de aproximadamente 40% com líquidos e subprodutos.9 cargas de 10.09 Fonte: elaboração própria . um resumo das estimativas de receitas.612.885.731.00 cada carga (totalizando receitas de R$ 55. Com a geração de 1. ou 2.437.206.19 (um real e dezenove centavos). Estimou-se que.188.885.532 kWh 20. hoje equivalente a madeira e carvão que são utilizados.930 kg de dejetos. Tabela 6 – Resumo das estimativas de receitas Descrição Venda de biogás Venda de energia elétrica Venda de biofertilizante (carga de 10. vendidas a R$ 25.206 Valor mensal R$ 1. Estima-se este percentual por presumir que a agroindústria local utilizaria este volume de biogás.18 m 12.062.558 kg).173. Tabela 5 – Potencial de geração de biogás e energia elétrica com a coleta proposta no município de Toledo-PR Dejetos 1 kg 37. será considerado o valor de R$ 1.515. Na Tabela 6.75 kWh 4.2 kg de dejetos ao dia.Revista Tecnologia e Sociedade . justificando que este biogás poderá ser utilizado pela agroindústria processadora do município. ISSN (versão online): 1984-3526 61 Segundo informações obtidas no sítio da COMPAGÁS (2008).155. da companhia local de energia (R$ 0.

considerando que. ISSN (versão online): 1984-3526 62 Alguns fatores limitantes foram impostos:  no primeiro ano serão apenas realizados investimentos. não havendo qualquer produção e conseqüente receita. 2012. O critério para decisão do investimento é: se VPL>0.05 ao final do segundo ano. licenciamentos. indica quanto a empresa ganhou ($) ao investir $ 100. considerado bastante salutar para a empresa.Revista Tecnologia e Sociedade . que atualmente é de 8% ao ano. a empresa pode gerar R$ 140. O período de payback (retorno do investimento). para cada R$ 100. por convenção. Ou seja. Seu critério de decisão é: se TIR > TMA. da capacidade da empresa gerar lucro. aprovação de projetos. após a elaboração e aprovação de um projeto de MDL e. no primeiro mês não haverá receita.1ª Edição. e com o auxílio da planilha eletrônica Excel. poderão ser auferidos cerca de R$ . indicando bom retorno do investimento. para ser produzido. aceitase o investimento.422. Na presente análise. serão realizados testes e quantificações para a geração de energia elétrica. Outra receita que pode advir com a implantação do investimento é a venda de créditos de carbono. A Taxa de Rentabilidade (TR). realizou-se a análise de investimentos e viabilidade. É considerado um dos melhores métodos para analisar projetos de investimento.80 de lucro. verificou-se que a TR = 140.  as receitas do segundo ao quarto mês contemplam apenas a venda de biogás. constatou-se que o Valor Presente Líquido (VPL).00 investidos no projeto. pois seu resultado é na moeda corrente da análise (R$). utiliza-se a rentabilidade da caderneta de poupança. Este índice analisa qual a relação entre $1 hoje e $1 no futuro. pois.  as despesas foram consideradas totais desde o primeiro mês do segundo ano. Não é uma medida de capital mas. A Taxa Mínima de Atratividade (TMA) é o percentual que se estipula como o mínimo de retorno do projeto.  apenas no quinto mês do segundo ano a receita foi considerada total.  no segundo ano de operação. No modelo T13.  foram realizados lançamentos para apenas dois anos. e  não foi considerada a venda de créditos de carbono na análise de investimentos Com estas informações disponíveis. foi de um ano e sete meses. o biogás precisa do tempo de retenção de 30 dias. A Taxa Interna de Retorno (TIR) representa a taxa de desconto que iguala fluxos de entrada com fluxos de saída. o valor recebido no investimento escolhido deve ser igual ou superior a esta taxa.80. Neste caso mostrou-se significativo e viável o investimento. caso o dinheiro fosse investido em outra aplicação renderia um valor percentual. neste período. aceita-se o projeto. foi de R$ 14. Ou seja. trabalhando com fluxos de caixa descontados (foi considerada uma taxa de 8% ao mês). No Brasil. quando todos os investimentos e despesas foram pagas e a empresa começa a ter lucros. a TIR foi de 12% até o final do segundo ano. com esta.021.

Após a coleta e análise das informações. para geração de bioenergia. as demais são pequenas. considerando a redução de 149. foram selecionadas 380 propriedades rurais. utilizando a heurística de Clark & Wright.294 toneladas de CO2 e. Conclui-se. pois o volume de dejetos coletado diariamente e o potencial de geração de biogás e energia elétrica são justificáveis. com a venda do dejeto suíno para a geração de . com o modelo de caminhão 13 toneladas. em propriedades rurais do município de Toledo. Para o estudo. podendo ser factível uma roteirização com a combinação de mais de um modelo de caminhão. constatando-se que apenas uma propriedade enquadra-se como média. Existe matéria-prima (dejetos) em grande quantidade. com risco de contaminação do solo e dos mananciais hídricos. são conhecidas as formas e as metodologias para a elaboração de projetos de Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL) e de biodigestão. foram realizadas duas configurações. 2012. é necessário que sejam realizadas visitas a todas as propriedades em estudo. comprovando a asserção de que a atividade de suinocultura abrange principalmente pequenos produtores. Para a realização da roteirização.72 por ano. Quanto à análise de investimentos e viabilidade. bem como o levantamento das informações das estradas a serem utilizadas. constata-se que o investimento inicial. na presente análise. Nas propriedades analisadas. portanto. no entanto observou-se que as receitas auferidas são dignas de consideração. que é viável a elaboração e a implementação de projeto desta natureza na região analisada. tanto para os produtores de suínos. buscando incrementar sua renda de diversas formas.1ª Edição. bem como as externalidades negativas e/ou positivas que poderão advir com a implantação do projeto. Esta pode ser uma sugestão para trabalhos futuros.515. observouse que é viável a transformação de dejetos em biogás e energia elétrica. para averiguação e descrição das barreiras físicas ou naturais. e o preço de venda de R$ 11.Revista Tecnologia e Sociedade . são engordados cerca de 314 mil suínos. Observou-se que 88% das propriedades possuem esterqueiras como destino dos dejetos. com um regime de trabalho familiar.38¹ (ou US$ 5. pode ser considerado elevado.698. CONCLUSÕES O principal objetivo do trabalho foi analisar os custos operacionais e a viabilidade para a implantação de um sistema de coleta de dejetos suínos (fase de terminação). bem como a geração de energia térmica ou elétrica com o biogás produzido. ISSN (versão online): 1984-3526 63 1. sendo utilizados como fertilizante nas lavouras da propriedade ou redondezas. os custos ambientais (favoráveis ou não ao projeto). Não foram considerados. Outro aspecto positivo é a possibilidade de uma nova fonte de renda para o produtor rural.00) por tonelada. quanto para a região em que está inserida a cidade de Toledo.4 toneladas de dejetos (urina e esterco). que produzem diariamente 1.965. Para que se possa optar por este ou outro caminhão.

br/ FontesHTML/Suinos/ SPSuinos/index. . 3. A retirada destes dejetos das propriedades melhora o quesito ambiental destas e das propriedades adjacentes.277.org. São Paulo: Atlas.cnptia. Logística e gerenciamento abastecimento. Disponível em: <www. tanto dos residentes no campo quanto na cidade. n. Disponível em: <http://sistemasdeproducao. Acesso em: jul. Disponível em: <http://www. ABCS – Associação Brasileira de Criadores de Suínos.br/portal/index2. Este artigo foi financiado pelo CNPQ REFERÊNCIAS ABIPECS – Associação Brasileira Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína. P. 2008. Acesso em: mar.abipecs. Aspectos práticos da aplicação de modelos de roteirização de veículos a problemas reais. 220 p. Acesso em: jul. abcs. 2007. p. 2007. v. H. 2000. Acesso em: 3 ago. 2012. instigar pesquisadores a desenvolverem novas pesquisas relacionadas ao tema (suinocultura.ptr.html >. Y. Transportes. 2007. C. CUNHA. Espera-se. BERTAGLIA. São Paulo: Saraiva. tornando mais adequada a qualidade de vida. 2007.jsp>. 5174.embrapa.org. da cadeia de CHING.pdf>. 2. ISSN (versão online): 1984-3526 64 bioenergia. minimizando a poluição e a degradação dos mananciais hídricos.1ª Edição.br/ptr/docentes/cbcunha/files/roteirizacao_aspectos_pratic os_CBC. agregando valor a um resíduo que geralmente é desperdiçado. dependendo do volume consumido diariamente. no dia 18 de novembro de 2008 ² O valor coletado no sítio da Compagás varia de R$ 1.usp. Disponível em: <http://www. com o presente trabalho. Gestão de estoques na cadeia de logística integrada : supply chain. EMBRAPA Suínos e Aves – Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias. utilização de dejetos. além de propiciar ao produtor a possibilidade de ampliação do plantel. 8 .br/estatistica> . R.536.poli. B. 509 p. para que os danos ambientais sejam controlados/monitorados.0641 a R$ 1. custos de transportes). 2003. Suínos e Aves. Nota de fim_______________ ¹ A cotação do dólar era de R$ 2. resultando em novas fontes de renda e energia aos produtores rurais. ed.Revista Tecnologia e Sociedade .

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entrelaçando aspectos teóricos e resultados de estudos empíricos. Efetividade Abstract The Industrial Policy is an instrument of industrial development in regional integration processes. In Mercosul. Com uma abordagem histórico-institucional. in particular. Mercosul. ISSN (versão online): 1984-3526 67 Política Industrial Comum no Mercosul: apontamentos sobre o papel das instituições Common Industrial Policy in Mercosul: notes on the role of institutions Rogério Santos da Costa 5 Resumo A Política Industrial é um instrumento de desenvolvimento industrial em processos de integração regional.Revista Tecnologia e Sociedade . O objetivo deste artigo é discutir a efetividade da Política Industrial Comum no Mercosul com base na sua institucionalidade. e tem limitada ou possibilitada sua efetivação em função do aporte institucional comunitário. relating the institutional aspects of integration with the results of common policies. como Coordenador de Pesquisa e do GIPART. Mestre em Administração. No Mercosul. Política Industrial Comum. como Professor Colaborador do Programa de Pós-Graduação em Administração. and its effectiveness is limited or enabled depending on the institutional community contribution. e de desenvolvimento industrial. relacionando os aspectos institucionais da integração com os resultados de políticas comuns. cabendo estabelecer por que e como as instituições de integração colaboram para este resultado. Graduado em Economia. processos de integração e Política Externa Brasileira. and it must be established the reason why the integration institutions collaborate to this result. With a historicalinstitutional approach. Professor da Unisul – Universidade do sul de Santa catarina. particularmente na região da América do Sul. linking theory and results of empirical studies. ela não tem sido um instrumento efetivo de aprofundamento dos laços entre os países membros. de forma particular. . Palavras-chave: Institucional. E-mail: paralelosc@uol. possui pesquisas na área de instituições internacionais. Procura-se com o artigo aprofundar o debate sobre as instituições em processos de integração. aponta-se que sem densidade institucional o Mercosul manterá sua dinâmica de instabilidade.1ª Edição. this paper suggests that without institutional density. and industrial development.br. 2012. The aim of this paper is to discuss the effectiveness of Comonn Industrial Policy in Mercosul on the basis of its institutions.com. it has not been an effective instrument of deepening the relationship between member countries. Mercosul should maintain 5 Rogério Santos da Costa: Doutor em Ciência Política. atuando no Curso de Relações Internacionais.

bem como as dimensões de confiança e complementaridade econômica. de forma particular. e de desenvolvimento industrial. Procura-se fomentar o debate sobre instituições em processos de integração. onde evidenciam-se aspectos históricos e experimentais. cai-se nos mesmos dilemas de estudos tradicionais na área os quais retiram o caráter histórico e específico de cada formação social. bem como para a transformação de Políticas Externas individuais em Política Pública Comum. transformando Políticas Externas em Políticas Públicas Comuns. Mercosul. Na próxima seção situam-se o tema e a importância de instituições em processos de integração. 2012. Nesta seção. algumas comparações servem para mostrar caminhos possíveis. relacionando os aspectos institucionais da integração com os resultados de políticas comuns. no mínimo. Não que esses debates deixem de ter sentido . It also intends to go further into the discussion on the institutions in integration processes. sem. Opta-se pelo conceito de efetividade como sendo a capacidade de uma instituição em produzir os resultados desejados para a sua existência. contudo. o de instituição.1ª Edição. abordando a importância de uma Política Industrial Comum para o alcance dos objetivos de desenvolvimento econômico na integração regional. bem como os resultados de pesquisas realizadas nos últimos anos tendo como objeto o Mercosul e suas instituições. utiliza-se de resultados de pesquisa específica sobre o Subgrupo de Trabalho nº 7 – Indústria e Tecnologia. ISSN (versão online): 1984-3526 68 their dynamic instability. do Mercosul. além desta introdução e das considerações finais. O artigo possui mais três seções. Institutional Effectiveness. O ponto de maior destaque aqui é fugir ao corriqueiro debate sobre supranacionalidade e intergovernamentabilidade. além de referências de estudos na área. com destaque para o papel da complementaridade e difusão tecnológica. pressupondo que estas possuam um importante papel na canalização de demandas e ofertas. ou mesmo de simples comparações descontextualizadas entre União Europeia e Mercosul. Na última parte a abordagem está centrada nos aspectos institucionais do Mercosul e nas possibilidades e limitações que existem no bloco para a efetividade de uma Política Industrial Comum. de uma forma geral. Por outro lado. Adota-se neste artigo um arcabouço de referências específicas sobre a temática. do desenvolvimento e da Política Industrial. o de processo de integração regional como o agrupamento de países com intuito de aprofundar suas relações para além de uma área de livre comércio. segundo . Introdução O objetivo deste artigo é discutir a efetividade de uma Política Industrial Comum no Mercosul com base na sua institucionalidade. terem de ser seguidas estritamente.tanto é que são citados aqui mas se deixados apenas nesse nível.Revista Tecnologia e Sociedade . particularly in the region of South America. Keywords: Common Industrial Policy. Na seção seguinte observa-se a interrelação entre as temáticas da integração regional. passando. a uma União Aduaneira.

sustentável ambientalmente. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) havia desferido um golpe muito forte no centro do sistema capitalista. OLIVEIRA. 2003.1ª Edição. As Comunidades Europeias passavam cada vez mais a aprofundar a integração regional e a discutir as instituições em seu processo de integração regional. Foi depois do choque do Petróleo da década de 70 que os estudos sobre as instituições internacionais ficaram mais fortes. NYE. como um persistente e conectado conjunto de regras que prescrevem comportamentos. 2011. por fim.Revista Tecnologia e Sociedade . resolução de conflitos e criação de um ambiente de avanço progressivo nos objetivos integracionistas. O fenômeno da integração e suas instituições ganhava corpo. 1974). As experiências entre um e outro processo de integração. prevaleciam as teses do pós-II Guerra de que instituições internacionais são mero apêndices da Política Externa dos Estados. 1964). restringem atividades e modelam expectativas dos homens e Estados. De uma forma geral. desenvolvimento socioeconômico. indicam que o papel das instituições foi fundamental para a concretização ou não dos objetivos almejados (SILVA. estável politicamente. gerando a desconfiança sobre as teses realistas nas relações internacionais. SHMITTER. . levantando a problemática do alcance da política de poder que poderiam adotar as grandes potências na busca de seus interesses de Política Externa. mas sim de que forma e em que circunstância sua importância impactava as preferências dos Estados e o Sistema Internacional (KEOHANE. Um movimento concomitante estava em gestação e atingiria fortemente todo o mundo. e unitário em suas ações externas (MALAMUD. 2012. Até aquele momento. Porém. ISSN (versão online): 1984-3526 69 Keohane (1980). dando confiança ao processo e mantendo a região como um espaço propício ao crescimento econômico. a questão sobre a importância das instituições internacionais passa a ser sucedida por interpelações sobre a cientificidade de sua aceitação ou rechaço. e. as experiências de integração regional explicitam que suas instituições precisam fazer o papel de canalização das demandas. culminando na necessidade de estudos sobre o papel e o impacto delas no sistema internacional. 2011). visão fortalecida pelo fracasso da Liga das Nações e a ocorrência da Guerra. COSTA. o de Política Industrial como sendo toda ação do Estado ou Instituição Comunitária para promover a produtividade e a competição da indústria e o crescimento e desenvolvimento socioeconômico de um país ou conjunto de países. o Europeu e o latino-americano. A pergunta a partir de então não era se as instituições internacionais importavam ou não. 2009). Instituições em processos de integração A década de 60 do século passado presenciou um incipiente debate sobre o papel das instituições nas Relações Internacionais. e a América Latina passava a ser uma das melhores opções da busca do desenvolvimento socioeconômico (HASS. As grandes potências sucumbiram à imposição de preços de pequenos países a por causa desta Organização Internacional.

é o progresso tecnológico autônomo que resultaria da dinâmica regional integrada. 2006). A mesma década de 60 que suscitou o debate sobre instituições internacionais e sobre estas em processos de integração regional também serviu para o debate sobre as implicações econômicas nestes processos. principalmente no que diz respeito ao aprofundamento da integração. Em um processo de integração regional. 2012. No entanto. caótica e geralmente bélic¹. sem resultados positivos em termos de desenvolvimento socioeconômico. Um primeiro diz respeito à economia de escala que proporcionaria o aprofundamento de um processo de integração. tanto dos nacionais de países mais fortes.1ª Edição. de uma condição institucional capaz de transformar as políticas externas dos países membros de um grupo em políticas públicas das instituições. No próximo item especifica-se um pouco da importância da Política Industrial para o desenvolvimento socioeconômico e o processo de integração regional. uma vez que se conseguem obter economias . Assim. e esse nem precisa exatamente ser um viés principal. Em se tratando de processos de integração regional. PENNA FILHO. as intenções que os Estados-membros possuem para a integração. significa criar consistentes Políticas Públicas Comuns. praticamente impossíveis sem uma ruptura conflituosa. e na resolução dos conflitos que virão em um processo desta magnitude. as instituições possuem um papel-chave na canalização de interesses e objetivos. Nessa situação podem alcançar a posição de polo de poder. apesar de as experiências apontarem na direção de liderança da área econômica sobre as demais. no sentido da unidade de ação de política externa de seus membros. correlacionado ao primeiro. Desenvolvimento e Política Industrial É fato que um processo de integração regional não trate apenas de seu caráter econômico. o retrocesso ou a estagnação vão ser muito danosos para os Estados. O formato institucional indica. pode haver um momento em que a volta. quanto do interesse nacional dos mais fracos membros do processo (MENEZES. e um segundo.Revista Tecnologia e Sociedade . da complementaridade econômica e da coesão política e social da área integrada. Balassa (1961) delimita uma série de vantagens e consequências dos processos de integração regional. por seu turno. por meio de complexos processos políticos e decisórios. Integração Regional. em um desenho de sistema internacional de multipolaridade em blocos. entre as quais é de fundamental importância a Política Industrial pelo impacto econômico e social que viabiliza ou retarda a aderência dos Estados participantes. ISSN (versão online): 1984-3526 70 Essas condições posicionadas de forma sustentável no espaço e tempo indicam a transformação dos processos de integração em um bloco econômico. Pode concluir-se que a integração conduzirá a um progresso tecnologico autônomo. Trata-se. ele perde legitimidade. senão. chamando a atenção para dois planos de impactos importantes para a discussão do presente artigo. considerando a abordagem de organizações internacionais de Rittberg e Zangl (2006).

Os alargamentos foram sendo feitos. Apesar das controvérsias apontadas sobre as características da institucionalidade da integração no “velho mundo”. Políticas Públicas Comuns em processos de integração devem fazer o mesmo papel para o qual são acionadas nos âmbitos nacionais. esta viria junto com complementaridade. processual. e Políticas Industriais em particular. e mais recentemente para os antigos países da Europa do Leste (COSTA. 1961. indução. a resposta veio com mais integração e mais institucionalidade. particularmente o Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional – FEDER. bem como nos projectos de integração latino-americanos (BALASSA. É possível e necessário ir além. p. Esse movimento conferiu-lhe um caráter de bloco . O viés econômico deste autor clássico no estudo de integração alerta para movimentos autônomos e induzidos. ISSN (versão online): 1984-3526 71 de escala na investigação quer ao nível nacional quer ao nível da empresa. à medida que a integração encontrava seus limites. para capacitar o processo em uma direção de indução do desenvolvimento. necessariamente. Estudos empíricos mostram como o desenvolvimento tende a ser desigual no espaço e tempo².O próprio Balassa produz análise específica para alertar sobre os efeitos nefastos que acarreta a falta de uma atenção especial sobre as assimetrias e o desenvolvimento regional desigual. Porém. introduzindo na Política Industrial Comum em processos de integração um olhar para os seus impactos regionais. Grécia e Espanha. uma estrutura pensada desde seu início. A institucionalidade da União Europeia não significou. para cada crise ou entrave na integração europeia. 2012. para tornar a integração algo mais do que competição. pelo desestímulo com resultados negativos que os membros ou algumas regiões sofrem³. seu caráter neofuncionalista lhe conferiu um movimento de estruturação ad hoc. os primeiros como consequência das atividades individuais de cada ator na economia. Assim. É de destacar que. mesmo com complexa reintrodução dos problemas de assimetria e de desigualdade de desenvolvimento socioeconômico. direcionamento e adequação das dinâmicas integracionistas. Os fundos europeus. Os europeus trataram sua integração desde o início como superação de rivalidades históricas e com problemas de assimetrias. foi da percepção sobre a necessidade de tratar especialmente os problemas de assimetria que a União Europeia criou uma série de mecanismos para a diminuição de seu impacto. 2011ª). Espera-se que estes efeitos benéficos da integração sobre as alterações tecnológicas autónomas surjam no Mercado Comum Europeu. ou seja. da complementariedade econômica e de ganhos mútuos em termos de difusão tecnológica. Por isso.1ª Edição. e que em processos de integração regional podem significar o seu fim. foram fundamentais para a inserção positiva de Portugal. os segundos pela atuação proativa das estruturas estatais de forma conjunta. a promessa elencada por Balassa aponta para a necessidade de Políticas Comuns de uma forma geral. 266). e também é provável que se façam maiores despesas com a investigação e o desenvolvimento após a abolição das barreiras aduaneiras. e. A última conclusão é fortalecida pelas perspectivas de crescimento acelerado numa área integrada.Revista Tecnologia e Sociedade .

no fechamento de empresas. bem como no incentivo às pesquisas e desenvolvimentos no seio das indústrias. precisa-se da internalização legal das normas emanadas do bloco por parte dos Estados . há muito estão prensentes no processo de integração regional europeu. de produtos do exterior e hierarquia de preferências de importação. na busca de instituições com densidade suficiente para transformar os interesses nacionais dos Estados membros em Políticas Públicas. em comunhão com o exposto no item anterior. a estrutura institucional ali definida para o Mercosul é intergovernamental. 2011ª).Revista Tecnologia e Sociedade . de disponibilidade de recursos para investimento. a Política de Meio Ambiente. e é com base nela que apontamos a linha argumentativa. necessariamente. ISSN (versão online): 1984-3526 72 econômico. 2009). de uma visão de médio e longo prazos. 2012. na perda de competitividade. A busca da complementaridade econômica e a diminuição dos impactos das assimetrias. Isso significa uma ampla gama de Políticas Comuns. conseguem ter uma forte complementaridade econômica com nenhuma instituição comunitária (OLIVEIRA.1ª Edição. arguindo a necessidade de uma supranacionalidade. passando a um mercado comum de forma planejada. Não se trata aqui de cair no erro comum de análise da temática. como a Associação de Nações do Sudeste Asiático – ASEAN. a Política Industrial Comum da União Europeia. Efetividade de uma Política Industrial Comum no Mercosul A questão da efetividade de uma Política Industrial no Mercosul passa. De uma forma geral. pois que arranjos econômicos menos densos que a integração regional. Desde o Protocolo de Ouro Preto. sua institucionalidade e efetividade de uma Política Industrial Comum. foi feito considerando os impactos e possibilidades da indústria comunitária por uma Política Industrial Comum oriunda das instituições do processo integracionista e por essa sendo coordenada. a Política Industrial reflete toda a fragilidade institucional deste importante processo de integração regional. a Política de Cooperação ao Desenvolvimento. em Políticas Comuns do processo de integração. minimizando os impactos no desemprego. conforme longo estudo de Oliveira (1999). e uma das principais e foco deste trabalho. reconhecido em fóruns internacionais como um só ente negociando com os demais grupos de países (SILVA. O próximo item é reservado à exposição e ao debate e crítica sobre a situação do Mercosul. pelo entendimento das limitações e possibilidades que o processo possui do ponto de vista institucional. A Política Industrial Comunitária Europeia significou um forte impulso para a indústria da região suportar as transformações da Terceira Revolução Tecnológica. incluindo a Política Energética. no apoio às pequenas e médias empresas. Tratou-se de um aporte normativo da concorrência e das possibilidades de entrada de empresas estrangeiras. em 1994. ou seja. Consiste. O próprio processo de integração da Europa.

percebe-se que os trabalhos do Subgrupo nº 7 tiveram poucos resultados concretos. A primeira representa uma política de avanços e retrocessos (stop and O) na integração sempre que houver dificuldade de algum membro. Também possui grupos que abordam as questões específicas como Reuniões de Competitividade. possui reuniões ordinárias semestrais e é composto pelos nacionais dos países membros ligados aos seus respectivos Ministérios de Indústria e Comércio. como couros. calçados. sua atuação foi limitada. tem sido capaz de resolver problemas. 2002). ISSN (versão online): 1984-3526 73 membros a fim de que. Indicadores de Competitividade. pois que já acostumadas a garantidos canais de acesso pelas instituições nacionais (VIGEVANI.1ª Edição. 4 Em uma avaliação geral desde que foi criado . Essa postura é identificada na literatura de integração como neofuncionalista. as regras do jogo criadas não são cumpridas. principalmente. além de Cadeias Específicas. A flexibilidade institucional do Mercosul. por sua vez. para estes. principalmente os mais importantes. . 2005). e a de Propriedade Intelectual. mas sim tratar de integrar onde as possibilidades históricas e conjecturas assim os permitirem. Os limitadores de avanço do processo de integração regional mercosulino do ponto de vista institucional são de várias ordens. Outro aspecto relevante é a percepção negativa das elites industriais do Brasil sobre a necessidade de instituições comunitárias densas. 2007). uma representação do bloco nessas principais estruturas institucionais. 2012. a flexibilidade e o gradualismo. 2006-2007). é subsidiário dos órgãos de decisão do Mercosul (notadamente o Conselho do Mercado Comum – CMC). Embora seus objetivos sejam amplos e até indiquem a existência de uma incipiente Política Industrial Comum. gerando dificuldades de confiança e planejamento de médio e longo prazos (PEÑA. Pequenas e Médias Empresas e Artesanato. As assimetrias dificultam uma relação de aprofundamento como resultado das diferentes demandas e ofertas de instituições de cada membro. entre eles os subsidiários como os Subgrupos de Trabalho. ou seja. são formados por representantes dos Estados membros oriundos de órgãos públicos. remetendo à dificuldade de um ambiente para a criação de Políticas Públicas Comuns. madeiras e móveis. Mesmo com institucionalidade pouco densa. Esse órgão. neste sentido. Essa estrutura revela as bases pressupostas de criação e desenvolvimento do bloco pelos seus fundadores. Um outro aspecto relevante é que os Estados membros possuem grandes assimetrias entre si. e a segunda revela a ideia de não formar objetivos de longo prazos. O que se pode chamar de Política Industrial Comum no Mercosul resulta dos trabalhos do Subgrupo de Trabalho nº 7 – Indústria e Tecnologia. criado em 1998. mas não de evitá-los (PEÑA.Revista Tecnologia e Sociedade . ROZEMBERG. A estrutura do Subgrupo foi se estabelecendo pela criação de Comissões Temáticas: a de Micro. Promoção Industrial. a de Qualidade e Inovação. resultando em uma “inflação normativa” pela falta de decisões (BOUZAS. tenham validade. Os principais órgãos da integração. Não há. pois nenhuma decisão no âmbito do Mercosul estabeleceu uma conduta comum impactante para a complementaridade industrial regional. no sentido de geração de Política Pública Comum.

em função da institucionalidade própria deste processo de integração regional. É certo que nos últimos 10 anos ocorreram muitos avanços estruturais nesta integração. e mais colaborando para a troca de informações e experiências das congêneres nacionais dos Estados membros. verificou-se que a estrutura institucional do Mercosul possui sérias limitações para a produção de Políticas Públicas Comuns. que seu papel é fundamental para o início de uma Política Industrial e Tecnológica Comum. Considerações Finais O objetivo deste artigo é discutir a ideia de uma Política Industrial Comum no Mercosul. Buscou-se apontar elementos institucionais de processos de integração regional. e que a Política Industrial Comum mercosulina é limitada a algumas ações de conhecimento. observou-se. então o Mercosul precisará ser repensado no tocante ao aprofundamento da integração e ao fortalecimento da sua institucionalidade.1ª Edição. e de alargar as capacidades de competitividade. ISSN (versão online): 1984-3526 74 o que dificulta a execução dos trabalhos. comparados aos anos anteriores de formação. mas apenas embrionário e retroalimentador. de buscar complementaridade e desenvolvimento socioeconômico conjunto. no sentido de produzir os resultados desejados de complementaridade industrial. O Mercosul possui baixa densidade institucional. que serviriam de motivador e balisador das preferências dos Estados para materem-se e impulsionarem o processo de integração como um todo. cada Estado tenta criar seus mecanismos internos de Política Industrial. harmonização e aproximação feito pelos nacionais no Subgrupo de Trabalho nº 7 é fundamental. Sua atividade precisaria resultar em decisões de Políticas Públicas Comuns da instituição Mercosul.Revista Tecnologia e Sociedade . em um ambiente cada vez mais multipolar em blocos. evidenciando a dificuldade de sua efetividade. bem como uma inserção como polo de poder nos sistema internacional. o trabalho de conhecimento. Esta é a diferença entre um Processo de Integração e um simples acordo comercial. de aproveitar as potencialidades de cada país. . Trata-se. para a efetividade de uma Política Industrial no Mercosul. Pensando na agregação dos temas aqui tratados. está menos formando Políticas Públicas Comuns. e os impactos de uma política industrial comum no desenvolvimento socioeconômico dos países integrados. historicamente dificultados pelas precárias condições macroeconômicas e as consequentes instabilidades. Além disso. em um trabalho com resultados de médio e longo prazo. antes de tudo. a formação de um bloco políticoeconômico. diante das atas de reuniões ordinárias e extraordinárias. Nesse cenário. mas consistente. ou seja. e apesar do pouco material disponível que traga informações sobre as ações do Subgrupo de Trabalho nº 7. Mesmo assim. Se são consistentes os objetivos dos países membros de alcançarem desenvolvimento socioeconômico. 2012. o prazo e a consolidação lenta. harmonização e aproximação do Subgrupo de Trabalho nº 7 – Indústria e Tecnologia. de Políticas Comuns entre os Estados partes.

SOLTZ. Referências BALASSA. Acesso entre fevereiro de 2011 e junho de 2012). sair da zona do Euro seria a melhor solução para a integração.. Para este país. Instituciones y mecanismos de decisión en procesos de integración asimétricos : el caso MERCOSUR. IN: SILVA. Karine de Souza. 27. MENEZES. 265286. “Instituições em processos de integração: êxitos.Revista Tecnologia e Sociedade . fazer parte da integração tende a ser a melhor escolha possível. 1 São exemplares os estudos sobre a ALALC – Associação Latino-Americana de Livre Comércio. BOUZAS. “Economics and differential patterns of political integration: projections about unity in Latin American”. Nesse sentido. COSTA. 2011. 705 – 734. NYE. Hamburgo. pp. SHMITTER. 2003. Arbeitspapier nr. 1964). 2011a. 1 O caso brasileiro é exemplar: a industrialização desde 1930 produziu grandes desequilíbrios regionais no país. Teoria da integração econômica. Joseph S. Lisboa: Livraria Clássica Editora. august 2002. Rogério Santos da. Philippe C. KEOHANE. World Politics. vol. tanto para a Grécia em termos de consequências e capacidades de recuperação. da UFSC: Fundação Boiteux. pesquisados no site da instituição. 4 (autumn. ISSN (versão online): 1984-3526 75 principalmente pela formatação do Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul – FOCEM. Florianópolis: Editora Modelo. ______ “Políticas de Desenvolvimento Regional em processos de integração: comparações entre a União Europeia. No entanto. sempre barganhando maiores fatias de benefícios sob ameaças de deixar o bloco (Ver: MALAMUD. PENNA FILHO. (http://www. Florianópolis: Ed. . Transgovernmental Relations and International Organization. a efetividade de uma Política Industrial Comum do Mercosul passa pelo realinhamento de sua institucionalidade buscando transformar as decisões e aplicações do bloco em Políticas Públicas Comuns. e os constantes descontentamentos de Uruguai e Paraguai no Mercosul. talvez uma solução intermediária pra si mesmo. pp 177-204.mercosur. HASS. 1 Análise baseada nos documentos do Subgrupo de Trabalho nº 7 – Indústria e Tecnologia do Mercosul. IN: SILVA. 1. pp. Hernán. dilemas e perspectivas do Mercosul”. Institut Für Iberoamerika-Kunde. pelo efeito demonstração. quanto para a União Europeia. mas certamente com consequências danosas para sua economia. Roberto. 1974. 1961. no. 2012. International Organization.int/. 18. Bela. As relações entre a União Europeia e a America do Sul: convergências e divergências da agenda birregional. que possui seu fracasso associado ao descontentamento dos países menores com os resultados relativos da integração. Karine de Souza Silva. 2006). Robert. Mercosul e União Europeia: o estado da arte dos processos de integração regional.1ª Edição. o Mercosul e a América do Sul”. Notas__________ 1 Em 2012 apresenta-se a experiência da Grécia como ilustrativo dessa situação. Ernest B.

politics and policies. PEÑA. IN: SILVA. I Encontro da ABRI – Associação Brasileira de Relações Internacionais. Bernard. dez/jan/fev 2006-2007. “As Instituições da União Europeia e as alterações introduzidas pelo Tratado de Lisboa”. ISSN (versão online): 1984-3526 76 KEOHANE. “As qualidades de um Mercosul Possível”. nº3. 2003. Vol. In: ESTEVEZ. Volker. Instituições internacionais: comércio.Revista Tecnologia e Sociedade . Celi. Princeton. pp 17-64. Una aproximación ao desarrollo institucional del Mercosur: fortalezas y debilidades. Pio. MALAMUD. 1999. RITTBERG. Robert. . ZANGL. ROZEMBERG. 1980. pp. PEÑA. Brasília. Documento de Divulgación nº 31. Felix. IN: SILVA. Out/2005.). Karine de Souza. O papel da integração regional para o Brasil: universalismo. Ijuí: Editora Unijuí. 2006. Buenos Aires. Paulo Luiz (Org. 2011. Rio de Janeiro: Campus/Elsevier. 2012. Karine de Souza. OLIVEIRA. Tullo et al. Karine de Souza. ______. MENEZES. Integração Regional: Blocos econômicos nas Relações Internacionais. 15. BID/Intal. Florianópolis: Editora Modelo. Belo Horizonte: Ed. International Organization: polity. Velhos e novos regionalismos: uma explosão de acordos regionais e bilaterais no mundo. pp 103-154. União Européia: processo de integração e mutação. VIGEVANI. New York: Palgrave Macmillan. segurança e integração. 2007. Florianópolis: Editora Modelo. PENNA FILHO. ______. Odete Maria de. Curitiba: Juruá. 2009. “De Paris a Lisboa: sessenta anos de integração europeia”. Mercosul e União Europeia: o estado da arte dos processos de integração regional. 2011a. NJ: Princeton University Press. Alfredo da Mota. “Integração regional na América Latina: teoria e instituições comparadas”. Ricardo. PUCMinas. Política Externa. 2006. After Hegemony: Cooperation and Discord in the World Political Economy. soberania e a percepção das elites.1ª Edição. SILVA. Mercosul e União Europeia: o estado da arte dos processos de integração regional. Andrés. 325-352.

Atualmente é Coordenador do Escritório Verde e professor do Departamento Acadêmico de Construção Civil e da PósGraduação da Universidade Tecnológica Federal do Paraná.gil@ifpr. Mestrado em Geografia pela Universidade Federal do Paraná (2003) com o tema: Shopping Centers em Curitiba: Novos espaços de consumo e lazer. 6 Sileide France Turan Salvador: Mestre em Tecnologia. Eloy Fassi Casagrande Júnior: Professor Doutor do PPGTE/UTFPR.edu. . Políticas Públicas. PósGraduação em Especialização em Formação de Professores em EAD pela Universidade Federal do Paraná-UFPR (2001) e Graduação em Licenciatura em Letras Português . professora do Instituto Federal do Paraná – IFPR .Revista Tecnologia e Sociedade .1989).br Ana Helena Corrêa de Freitas Gil: Professora Doutora em Geografia do Instituto Federal do Paraná . Doutorado em Geografia pela UFPR (2011) na linha de pesquisa: Território. Palavras-chave: Sustentabilidade.casagrande@gmail.salvador@ifpr.Campus Curitiba . Graduação em Geografia pela Faculdade de Ciências Humanas e Sociais de Curitiba (1991). atuando no ensino de Língua Inglesa para o Ensino Médio.com. 2012. Copa do Mundo 2014. UTFPR (2010). Possui Graduação em Estudos Sociais e Educação Moral e Cívica pela Faculdade de Ciências Letras e Educação de Presidente Prudente (1985). Curitiba.Campus Curitiba.com. E-mail: ana. ISSN (versão online): 1984-3526 77 Sustentabilidade nas Construções da Copa 2014. E-mail: eloy. Possui Mestrado em Tecnologia pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Cultura e Representação com a pesquisa sobre Palcos do Cotidiano: O bairro urbano como espaço de ação e da expressão teatral. É professora do Instituto Federal do Paraná. sua avaliação e a sustentabilidade dinâmica. Portanto.Brasil.Brasil.Inglês pela Universidade Tuiuti do Paraná-UTP (1998) pela Universidade Federal do Paraná. concluiu o doutorado em Engenharia de Recursos Minerais e Meio Ambiente pela Universidade de Nottingham em 1996 e o Pós-Doutorado no Instituto Superior Técnico (IST-Portugal) em 2007.edu. Apresenta as características desejáveis em uma construção sustentável. em Curitiba Sustainability on Constructions of the World Cup 2014. conhecer o processo permite o entendimento dos fatores internos e externo que influenciam e/ou modificam o as estratégias de sustentabilidade na Copa do Mundo 2014. em Curitiba. Especialização em Geografia Física (UNICENTRO -1991) e Especialização em Magistério Superior (TUIUTI. Também é autora de livros didáticos do Ensino Fundamental pela Base Editora.Campus Curitiba. in Curitiba Sileide France Turan Salvador Ana Helena Corrêa de Freitas Gil Eloy Fassi Casagrande Júnior 6 Resumo Esse trabalho busca destacar a necessidade de aprofundar o conhecimento das relações que envolvem políticas públicas.1ª Edição. O estudo busca analisar a função social da construção sustentável na Copa 2014 e a conectividade urbana e econômica e social. E-mail: sileide.

The study analyzes the social role of sustainable construction in the 2014 World Cup and urban connectivity and economic and social development. Therefore. o artigo apresenta aspectos da Copa 2014 que são característicos de megaeventos esportivos e da sustentabilidade. Busca-se. períodos e contextos num processo contínuo (JIMÉNEZ HERRERO. tem como objetivo verificar as estratégias utilizadas nas construções relacionadas com a Copa 2014. no qual o problema é apresentado numa perspectiva qualitativa. Public Policy. paisagem e biodiversidade. integra conhecimentos. Seguindo a proposta de Martins e Theóphilo (2007). World Cup 2014. It presents the characteristics desirable in a sustainable building. 2007). transporte. sustentabilidade e sociedade. uma pesquisa básica. após densa pesquisa.1ª Edição. água. agentes e ferramentas de mensuração eficazes. neste artigo. com objetivos e estratégias analisadas a partir de um ponto de vista exploratório e bibliográfico. Na perspectiva de um megaevento sustentável. como analisar essa implementação e estruturação? Esse trabalho que considera os impactos da Copa do Mundo de 2014.Revista Tecnologia e Sociedade . nesta estratégia. porém. Keyword: Sustainability. its dynamics and sustainability assessment. Curitiba. ISSN (versão online): 1984-3526 78 Abstract This work aims to emphasize the need to deepen the understanding of the relationships that involve public policy. que atuam nas seguintes categorias: a conservação de energia e mudanças climáticas. Introdução A sustentabilidade. nessa primeira fase. apresentar uma análise histórico-processual das políticas públicas que norteam a implementação . Como recurso metodológico de pesquisa básica qualitativa e análise (MARTINS. O contexto do trabalho perpassa pelos pressupostos da responsabilidade na conservação do meio no qual se vive e na realidade construída de que pensar globalmente envolve agir localmente. O Brasil se organiza para sediar a Copa 2014. identificando os conceitos de sustentabilidade desenvolvidos em Curitiba. edifícios verdes e estilo de vida sustentáveis. que se propõe a ser um evento sustentável. em Curitiba. como ideia central do desenvolvimento sustentável. integra espaços. a Copa 2014. O estudo também ressalta ações de sustentabilidade que já possuem certa visibilidade social. ações. knowing the process allows an understanding of internal and external factors that influence and / or modify the sustainability strategies in the World Cup 2014. THEÓPHILO. Torna-se primordial. mobilidade e acesso. 2012. gestão integrada de resíduos. desenvolve-se. um equilíbrio sistêmico composto pelas interações entre os sistemas envolvidos na organização do megaevento. 2000). quando são adotados os procedimentos abordados. Esse processo está composto por uma meta organizacional e ações objetivas que interligam políticas públicas. além da construção sustentável. in Curitiba. objetivado sinalizar as várias possiblidades de divulgação dessas práticas.

agregar valor à economia local e educar os participantes do evento sobre os benefícios da sustentabilidade. Esses temas compõem o triple bottom line ou tripé da sustentabilidade: economia. avaliação do processo. transporte. gerando. precisa administrar seus riscos. sociedade e meio-ambiente. deixando um legado futuro que ultrapasse o tempo em que o evento durar. Curitiba. desastres e conflitos. YOUNG. Inseridos no corpo textual das seções são mencionadas algumas ações da construção sustentável. água. 2009). p. Os eventos sustentáveis apresentam três temas que norteiam o desafio do estabelecimento da sustentabilidade em suas estruturas. Posteriormente. governança do meio ambiente. os sete passos para o sucesso da Copa Verde são: conservação de energia e mudanças climáticas. Segundo o documento. construção sustentável. As práticas adotadas devem: proteger. uma visão holística sobre essa política pública no que diz respeito à comunidade local. garantindo que as futuras populações e gerações sejam beneficamente afetadas por suas ações. baseada em análise documental. onde estão estabelecidas as relações entre os pressupostos teóricos. identificados conforme o padrão preestabelecido de responsabilidade socioambiental dos estados e áreas prioritárias do Green Goal e a realidade particular brasileira. mobilidade e acesso. gestão e sustentabilidade. 2012. Construção Civil e a Sustentabilidade. 2010.Revista Tecnologia e Sociedade . reutilizar e usar de maneira responsável os recursos naturais disponíveis.1ª Edição. Essas práticas devem ser o marco de uma cultura sustentável (MUSGRAVE. impactos. Além desta seção introdutória. enquanto capital escolhida precisa desenvolver projetos caracterizados pela sustentabilidade ambiental e econômica. o artigo segue a seguinte estrutura: arcabouço teórico explicitando os seguintes temas – Mega Eventos e A Sustentabilidade. Assim sendo. dessa forma. dos indicadores. edifícios verdes e estilos de vida sustentável. Portanto. denominado “Brasil Sustentável: Impactos socioeconômicos da Copa do Mundo de 2014” foram priorizados sete passos para a Copa Verde. são apresentadas as considerações finais. . SEIBEL. em um conceito que impeça a degradação do ambiente. gestão integrada de resíduos. em Curitiba. São elas: mudanças climáticas. manejo de ecossistema. reciclar. um evento sustentável. as ações e os objetivos propostos inicialmente. desenvolve-se.18). ISSN (versão online): 1984-3526 79 das estratégias de sustentabilidade nas Copas anteriores e que orientam a Copa 2014. dos impactos e legados sustentáveis advindos do megaevento na cidade (GELINSKI. e. substâncias perigosas e eficiência do uso de recursos naturais (ERNST. De acordo com um ensaio preliminar de indicadores feito pela Ernst e Young (2010). 2008). paisagem e biodiversidade. Há seis áreas que deveriam ser abarcadas para que a Copa seja realizada em algum país estão elencadas no United Nations Environment Programme (UNEP). simultaneamente riquezas que atinjam diversas camadas da comunidade.

os sistemas naturais. CLAVELL. o recorte principal tratava da sustentabilidade como o atendimento das necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de que as gerações futuras atendam as suas próprias necessidades. 2011). Também como um componente enquadra-se a prevenção da poluição ou degradação ambiental. Essa iniciativa do governo brasileiro traz consigo desafios e oportunidades para o país-anfitrião. Surgiram. onde se oficializa o termo “desenvolvimento sustentável”. que o Brasil lançou. componentes da Terra. as interconexões são legados de curto. no decorrer da última Copa do Mundo organizada pela Fédération Internationale de Football Association (FIFA). médio e longo prazo com componentes mensuráveis e imensuráveis. então. o megaevento de 2014 que ocorrerá no Brasil. 16) os megaeventos como a Copa do Mundo costumam constituir-se em modelos para ações futuras e adoções de políticas nacionais. Ele destacou. p. Quioto alertava com mais rigidez para as consequências do efeito estufa e do aquecimento global. Inserido no conceito de Copa Sustentável. os genes. oficialmente. lançou o Relatório Brundtland – intitulado também como Nosso Futuro Comum (Our Common Future). novas diretrizes. enquanto capacidade de planejar estratégias para minimizar o desperdício de recursos de ordem material e energético. no contexto da Olimpíada de Melbourne. destaca pressupostos de tecnologia. A eficiência. a “Jornada para a Copa de 2014”. Segundo Ernst e Young (2010. a prioridade de que o futuro megaevento fosse uma “Copa Verde” e que se mostrasse ao mundo o compromisso brasileiro no que tange à sustentabilidade ambiental. através de seu então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. sustentabilidade e inovação. e realizada na África do Sul. em 1997.Revista Tecnologia e Sociedade . na análise dos impactos socioeconômicos. a segunda conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) para discutir os problemas socioambientais globais. os processos químicos e biológicos. simultaneamente. Alcançar-se um bom desempenho na promoção do desenvolvimento sustentável através desse tipo de competição global significa ter que . como conexão entre megaeventos e as políticas públicas de desenvolvimento (FUSSEY. otimizando a relação com formas de energias renováveis. torna-se importante destacar que. em seu discurso. os aspectos ambientais e de sustentabilidade envolvidos no processo. reduzindo a dependência de combustíveis fósseis não renováveis e. O conceito de legado aparece em 1956. importantes conferências e documentos como o Protocolo de Quioto. Numa retrospectiva histórica. na época. Considerando essa concepção de revolução sustentável. ISSN (versão online): 1984-3526 80 Mega Eventos e a sustentabilidade Em 1987.1ª Edição. Analisando os componentes inter-relacionados e que necessitam passar pela revolução da sustentabilidade. importa recordar que foi em julho de 2010. Sente-se a necessidade de agregar. destacam-se: a proteção da biodiversidade que envolve as espécies. a contenção do uso e produtos químicos nocivos e aspectos econômicos e políticos que recompensam as estratégias benéficas ao meio ambiente e desencorajam os comportamentos prejudiciais. 2012.

são: . Atualmente. incentivar o consumo de produtos orgânicos e/ou sustentáveis. faz-se necessário que essas políticas apresentem um planejamento que integrem a sociedade. 52-53). Em 2007 foi publicado pela FIFA. incentivar e alavancar negócios verdes. valorizar e ajudar a promover e proteger a biodiversidade brasileira. No ano de 1904. 2010. ineficiências e desperdícios. Para que as políticas públicas representem a forma mais democrática de adequação e estabelecimento do alicerce para a obtenção do crescimento sustentável. . bem como pelos ganhos de imagem e visibilidade que possam depois ser revertidos em capital político” (ERNST & YOUNG. eficiência energética. . são mais de 213. incentivar a mobilidade e circulação sustentáveis. CASTRO RAULI. ocorreu a primeira Copa do Mundo com jogos amistosos que ocorreram entre as comunidades britânicas. 2005). ISSN (versão online): 1984-3526 81 contribuir para a redução de custos sociais e ambientais. em maio. Na ocasião. Bélgica. .Revista Tecnologia e Sociedade . Segundo Langone (2009). Para lidar com este desafio. sociais e comerciais. vale registrar que. Inovação. promover o ecoturismo nos biomas brasileiros. sob as diretrizes da FIFA. o sucesso da Copa poderá ser medido pelo aumento da arrecadação e geração de riqueza. foi criada a FIFA – Federação Internacional da Associação do Futebol. vinculadas a um megaevento como a Copa do Mundo de 2014. Seguiu-se a criação de Câmaras Estaduais. e . construir estádios com sustentabilidade. utilizar a água de maneira racional. Suécia e Suíça. essa instituição passou a traçar diretrizes para futuros eventos internacionais. os países registrados e participantes da FIFA. “Para os governos. . a FIFA registrava sete países associados: França. refletindo-se em políticas públicas inovadoras que agreguem novas tecnologias conceituais. estruturas e operacionais (BELLEN. para a Copa do Mundo 2014. sustentabilidade e tecnologia são categorias que. neutralizar suas emissões de gases de efeito estufa (GEE) e cooperar com o combate ao aquecimento global. as principais diretrizes para o evento no Brasil. FGV PROJETOS. das comunidades e dos relacionamentos entre a sociedade e o meio ambiente. além de colaborar para maior integração entre os vários atores da sociedade e o desenvolvimento contínuo das pessoas. 2012. Dinamarca. . p. Apresentando um breve histórico desse megaevento. 2009). Neste Manual constam exigências e pressupostos como: decisões de pré-construções referentes às . promover a sustentabilidade ambiental com inclusão social. Espanha. .1ª Edição. . políticos. Holanda. Assim. necessitando caracterizar um autêntico processo democrático (SILVA. a 4° Edição do Manual de Especificações Técnicas para Estádios de Futebol. . a conjunção de interesses econômicos. foi criada em maio de 2010 uma Câmara Temática Nacional de Meio Ambiente e Sustentabilidade (CTMAS) sob a coordenação dos Ministérios do Esporte e do Meio Ambiente. em 1872. podem redefinir o papel Estado.

diretrizes para segurança pública. Green Building Council (USGBC). inovação e processo do projeto. Assim. ISSN (versão online): 1984-3526 82 dimensões mínimas e capacidade de público. o meio ambiente na pauta das Copas do Mundo. proporciona visibilidade mundial às técnicas sustentáveis e a eficiência dos estádios. resíduos. redução no consumo de energia com o uso de fontes renováveis. localização dos estacionamentos. como: o mapeamento dos impactos e legados econômicos. três abordagens se destacam: os aspectos sociais. a sustentabilidade passou a estar presente nos eventos esportivos. selo criado em 2000. foi apresentado pela FIFA o programa Green Goal. que destaca a necessidade da redução das emissões de CO2 em eventos. 2009). Sob uma visão holística das políticas públicas adotadas. com sucesso. às arquibancadas. econômicos e ambientais. à grama. se constitui no selo de certificação para edifícios sustentáveis e está sendo recomendado pela FIFA para que todos os estádios estejam aptos à adoção do mesmo. em Curitiba – PR é viável. permite que o país receba a liberação que reifica a aptidão do país candidato para gerir a Copa do Mundo. Para analisar se o processo para a execução da Copa 2014. Seguidos pelo comitê organizador do país-sede. o uso de materiais e recursos e a qualidade do ambiente interno (LEED. cabendo a cada país elaborar projetos no contexto da realidade local. 2012. iniciativa inovadora que busca viabilizar a sustentabilidade ambiental do evento. também esclarece questões como a área do jogo relativo ao tamanho. Fornece orientações sobre o Green Goal. embasados em . a segurança e a hospitalidade. energia e transporte sobre as quais devem ser estabelecidas metas mensuráveis para neutralizar os impactos no clima global (FIFA. no que diz respeito à comunidade local. pela primeira vez. A certificação pretende a busca por estratégias construtivas mais sustentáveis determinadas através da adoção de critérios como: localização. buscam-se os resultados de pressupostos.S. sem hierarquizações socioculturais e ao mesmo tempo. com estímulos como o LEED . um programa focado na sustentabilidade. pela U. na Alemanha. eficiência no uso da água e no tratamento de esgoto. orientação do campo. servindo de modelo exemplo para os eventos subsequentes. uma organização sem fins lucrativos criada nos Estados Unidos e com representação em diversos países. vestiários e acessos.1ª Edição. impactos. médio e longo prazo. orientação das tribunas para mídia. culturais e seus efeitos temporais a curto. Segundo o Green Goal Legacy Report da Copa da Alemanha (2006). O Green Goal destaca quatro áreas temáticas: água. 2003). Com a chegada da sustentabilidade aos megaeventos. Sendo um selo de reconhecimento internacional. As diretrizes do Green Goal encontram-se no caderno de encargos da FIFA. sociais. Abrangem a construção. com propostas economicamente viáveis de mínimo impacto ao meio ambiente. gestão e sustentabilidade. A investigação apresenta os arranjos para o Megaevento Copa do Mundo de 2014 em Curitiba. é possível apresentar uma linha do tempo relacionando a Copa do Mundo e a aplicação das tecnologias de sustentabilidade. diretrizes referentes à energia e iluminação. conforto e hospitalidade. Como legado.Revista Tecnologia e Sociedade . Em 2006. num conceito includente. destacou. esse megaevento.Leadership in Energy and Environmental Design.

Construção civil e a sustentabilidade O mundo ocidental vive um momento diferenciado no que diz respeito às mudanças de paradigma no universo da arquitetura e das construções com a busca da sustentabilidade. em Curitiba (FREY. através de um sistema tecnológico inovador. É o isolamento da ciência e da tecnologia. segurança. conceituais e políticos da Copa de 2014. inibindo a mudança social.1ª Edição. com autonomia e caminho próprio. tecnologia e sustentabilidade. ciência e sociedade. Na perspectiva da sustentabilidade as construções respondem às complexidades que perpassam adequações climáticas e ambientais. inovação. vale esclarecer que na primeira abordagem se supõe a ciência e a tecnologia como categorias inexoráveis. 2000). o uso da ciência e tecnologia é socialmente determinado e tende a estabelecer reproduções nas relações sociais. Essas categorias são elementos diferencias na percepção da construção dos aspectos simbólicos. sociais. caracterizar os novos edifícios com maior desempenho e autonomia. analisando as dimensões da sustentabilidade. pode-se considerar a seguinte figura: . Busca-se. podendo ou não influenciar a modificar a sociedade de alguma forma. não focados nas relações com a sociedade. Para a segunda abordagem. 2012. Portanto. e/ou concebe a ciência e tecnologia como pressuposto otimizador do desenvolvimento científico e tecnológico Ao explicitar as posições conceituais acerca da tecnologia.Revista Tecnologia e Sociedade . estabilidade e conforto. Interpretando os aspectos conceituais. ISSN (versão online): 1984-3526 83 objetivos. destaca-se a compreensão da tecnologia como técnica que ressalta aspectos deterministas. Outra corrente concebe a tecnologia como construto de reações sociais.

ambiental. Socialmente. civilizatório. destacam-se. . ISSN (versão online): 1984-3526 84 Fonte: CASAGRANDE JR. através da limitação do uso de recursos não renováveis e/ou prejudiciais ao ambiente. tecnologia e inovação. na sustentabilidade ecológica. aspectos como: a articulação de mecanismos que intensifiquem a pesquisa de tecnologias limpas com a consequente definição de estratégias e regras de adequação à proteção social. Considerando as dimensões da sustentabilidade apresentadas. Vale ressaltar que as dimensões culturais e sociais perpassam tanto o respeito às tradições culturais de construção como introduzem modelos de modernização capazes de integrar soluções particulares de sustentabilidade que interagem com múltiplos sistemas de produção.1ª Edição. simultaneamente. com base nas concepções do ser e não do ter. com a redução de custo sócio. 2012. uma busca pela equidade. Sobre a sustentabilidade econômica. 2011 Os aspectos apresentados por Casagrande (2011) ressaltam a aproximação entre sustentabilidade.Revista Tecnologia e Sociedade . essa dinâmica cria um desenvolvimento social plural. arranjos e gestão dos recursos numa abordagem eficiente de apropriação de investimentos privados e públicos. promove-se. a intensidade da poluição e a melhoria na capacidade dos recursos naturais. Também. A sustentabilidade nas edificações torna-se um mecanismo de estímulo da participação social para o desenvolvimento sustentável. importa compreender que essa dimensão promove uma melhoria na alocação.

nutrientes e a biodiversidade de micróbios e insetos. 2011. pedriscos. buscando um melhor aproveitamento do processo construção e gestão dos bens públicos. conservando o equilíbrio do habitat Podem ser utilizados elementos como cascas de árvores. arquiteta auditora das certificações Acqua e Leed. ALÉM. do ar ao solo. Se as obras que geram emissão de detritos e materiais como: particulados (poeira. segurança pública e defesa nacional. 2011. fumaça.Revista Tecnologia e Sociedade . recebessem um tratamento específico desde sua terraplanagem até a execução. irrigação e pesticidas. a aspersão de água e construção de barreira física em caso de demolição e a lavagem dos pneus. a ação das chuvas e o freqüente tráfego de veículos durante a execução da obra favorecem o enfraquecimento do solo causando o assoreamento e a perda de todo o equilíbrio vegetal contido no mesmo. a ação dos poluentes afetaria minimamente o meio ambiente. enfrentar o desafio da inovação. os quais. gases poluentes.. p. Impedir a erosão do solo que ocorre devido aos desgastes do terreno receptor das atividades de construção. o seu consumo por parte de um indivíduo ou de um grupo social não prejudica o consumo do mesmo bem pelos demais integrantes da sociedade. Em outras palavras. pois esse profissional divulga as inovações tecnológicas e sustentáveis. Por isso. (GIAMBIAGI. num gesto de pensamento criativo indutivo. evitam poeira e poluição advinda do canteiro de obras (RESENDE. levados pela ação das chuvas. como o CO2 (gás carbono) e o SO2 (dióxido de enxofre). além de regular a drenagem da água. 2012. uma forma eficaz de evitar esta poluição é o plantio de gramíneas adequadas e de rápido crescimento durante o processo de construção ajuda a impedir a erosão do solo e preserva as matérias orgânicas e os nutrientes naturais do solo. há considerações apresentando que [. todos se beneficiam da produção de bens públicos mesmo que eventualmente. ISSN (versão online): 1984-3526 85 Nessa abordagem das dimensões da sustentabilidade. os quais controlam as enfermidades e pragas e conferem um equilíbrio na vida vegetal.1ª Edição. 209). Ou seja. Contudo. Este fato pode restringir a viabilidade de plantios futuros. podem causar a poluição dos rios e lagos.. 2007). 2011). São técnicas simples como o rebaixamento das caçambas. palha ou mantas plásticas para cobrir e reter o solo (GUEDES. alguns mais do que outros. Os bens públicos são aqueles cujo consumo/uso é indivisível ou “não rival”. De acordo com Daniela Corcuera. e bens intangíveis como: justiça. O uso de técnicas simples como reaproveitamento e reciclagem e o armazenamento e adequação das formas de transporte. podem ser ressaltadas: o combate à poluição. 4) Destacando possíveis critérios de sustentabilidade na construção. fumo e névoa). São exemplos de bens públicos: bens tangíveis como as ruas ou a iluminação pública. (FLORIDA. demandando o aumento de fertilizantes. importa ter uma ideia. p. próximos à edificação. numa conecção de novos meios de representar conceitos e práticas. também é uma das formas de prevenir a poluição. O terreno natural contém matéria orgânica. .] o engenheiro é hoje um herói da cultura pop.

2012. madeiras e outros). Também natural. analisando a condição de conforto térmico diante de diversas funções e atividades desenvolvidas pelo grupo humano que disporá da construção. considerando fatores como: cores claras. implantação e monitoramento – que irá subsidiar o trabalho e todo o controle dos resíduos internos e externos à obra”. reduzindo a emissão de poluentes e CO 2. varações de intensidade. duchas e torneiras hidromecânicas. 124). painéis fotovoltaicos e concepção de circuitos autônomos são estratégias de eficácia da sustentabilidade operacionalizada.1ª Edição. Ao conceber um edifício importa considerar as condições de conforto térmico. variações metabólicas dos indivíduos até mutações de temperatura e umidade. metais. . o ambiente e a sociedade. "A ventilação natural é o deslocamento do ar através do edifício. através de criteriosa triagem. na maioria das vezes. recicláveis com outras destinações (plásticos. Considerando o custo-benefício para a economia.Revista Tecnologia e Sociedade . papéis. Através da reciclagem dos materiais evita-se e/ou deduz-se o desperdício e através da limpeza e organização do canteiro de obras. componentes cerâmicos e peças prémoldadas). o qual é formalizado conforme a Resolução CONAMA n° 307. reduz o desperdício. com práticas sustentáveis pode valer-se de dispositivos reguladores. os geradores de resíduos (responsáveis pela observância dos padrões previstos na legislação específica). através de aberturas. Ao priorizar as luzes naturais e bem planejar o sistema de iluminação artificial. Para a Resolução CONAMA n° 307. dispensa o longo transporte para a entrega dos materiais. Há duas categorias que devem ser balizadas na construção sustentável: a gestão da utilização da água. evita-se acidentes de trabalho. mecanismos controladores que permitem o controle da vazão da água. são quatro as classes de resíduos da construção civil que podem ser consideradas: os agregados (componentes de pavimentações. priorizando a ventilação natural. Esse documento especifica os agentes: “o órgão público municipal (responsável pelo controle e fiscalização). é mais barato pela produção contígua ao local da obra”. 2009). Desde condições climáticas. Para Frota e Schiffer (1999. p. Fatores que agregam valor a essa proposta: “o desenvolvimento regional devido à demanda de trabalho e à movimentação da economia local. refletores. são aceitáveis situações como a distância entre o local da obra a ser construída e fonte fornecedora em um raio máximo de 800 km e também a utilização de no mínimo 10% de materiais sustentáveis na edificação (LEED. a utilização de materiais regionais e reciclados é uma prática ser estimulada.” Cabe organizar estratégias de gestão em um organograma de atividades – “planejamento. umas funcionando como entrada e outras. Para a certificação pelo Green Building Council Brasil (LEED). e os transportadores (responsáveis pela destinação aos locais licenciados). Torna-se fundamental que a remoção e destinação dos resíduos seja monitorada e que os processos de coleta e armazenamento recebam tratamento especializado tanto no que tange ao material a ser reciclado como ao material que apresenta periculosidade. e. resíduos perigosos e não recicláveis. vidro. formalizou os procedimento em grandes obras. ISSN (versão online): 1984-3526 86 Atualmente existe o projeto de gerenciamento de resíduos em obras com grandes percentuais de entulhos. devem ser as entradas de iluminação no ambiente. como saída".

revestindo-o com policarbonato. 2012. normalmente. que devem incluir as diversas as mais diversas categorias. estão buscando a sustentabilidade no que se refere às sobras dos materiais. (EcoDesenvolvimento. Outra obra sustentável é a requalificação da Avenida Comendador Franco. terá a inclusão de 10 quilômetros de ciclovias dentro do projeto de adequação da cidade para a Copa do Mundo de 2014. ISSN (versão online): 1984-3526 87 bacias sanitárias com caixas acopladas e/ou acionamento de descarga com sensor de presença (FGV. A obra com práticas sustentáveis para a Copa 2014 da qual há registro refere-se à Arena da Baixada. 2010). a ideia gerará uma economia de 30% no sistema de ar-condicionado em relação aos modelos convencionais. A ciclovia perpassará os dois lados da avenida. buscando melhorar a climatização dos espaços internos.maio/2012). 2012 . mais conhecida como Avenida das Torres. No aspecto da destinação de materiais de construção. a redução de seu consumo e o estímulo à adoção de novas atitudes e comportamentos não estão claras e definidas. encheriam os aterros e agora passaram a ser reaproveitados. conferindo agilidade às dinâmicas do ambiente construído. a mídia indica que todos os estádios-sedes dos jogos da Copa do Mundo de 2014. Infelizmente são mínimos os registros das práticas sustentáveis para a Copa 2014.org. Revestimento – Policarbonato Manejo de Resíduos Reuso da água Reservatório de água de chuva 10 quilômetros com sentidos opostos MOBILIDADE (SIM) Terminal Trincheira Viaduto Corredor Metropolitano Capacitação para a Sustentabilidade ARENA DA BAIXADA OBRAS PREVISTAS CICLOVIA CAPACITAÇÂO PROFISSIONAL Fonte: AUTORES. As estratégias articuladas pela Arena da Baixada visando o uso racional da água. totalizando 20 quilômetros de infraestrutura cicloviária.Revista Tecnologia e Sociedade . com sentidos opostos. Além dos impactos causados por esses mecanismos. Finalizando. que investiu no exterior do edifício. Para os responsáveis pelo projeto. através de telhados e pátios adequados. importa destacar a questão da acessibilidade tanto na esfera da construção em si como aos possíveis meios de transportes. que.1ª Edição. irrigação do gramado e jardins. Também há registros de que as 12 sedes terão reservatórios de água de chuva. entre outros. é possível planejar a reutilização da água pluvial na construção. limpeza das áreas externas. em Curitiba. que serão utilizadas nas descargas dos sanitários.

Já. SMMA. tanto em aspectos de marketing de imagem do país como no reconhecimento de uma gestão de qualidade.1ª Edição. No âmbito social dá-se visibilidade à capacitação profissional para a sustentabilidade realizada pelo SEMA. Portanto. As variáveis socioeconômicas precisam estar inseridas nas soluções tecnológicas.Revista Tecnologia e Sociedade . Pinhais. em trecho de 52 quilômetros. Vale observar. 2012. redução e compensação das emissões de carbono. permeado por justiça social. mudanças climáticas e desenvolvimento de capacidades. Considerações Finais O Brasil. ALEP e Câmara Mundial (PORTAL DA COPA. capaz de inserir crescimento econômico. Detalhando o Sistema Integrado de Mobilidade (SIM). Colombo. no Corredor Metropolitano faz-se relevante a interligação dos municípios de Curitiba. a (Rio+20). na abrangência das políticas públicas. fazenda Rio Grande a Araucária. economicamente viável e bem aceito culturalmente. manejo de resíduos. além do viaduto da Av. em termos de sustentabilidade são a possibilidade de reduzir os impactos negativos e maximizar os impactos positivos. buscando um legado ambiental de longo prazo. estão citadas as obras sustentáveis previstas como otimizadoras da Copa 2014 e o que as torna relevantes. pode-se destacar a reforma e ampliação do terminal Santa Cândida. Instituto das Águas. Para que um empreendimento seja considerado sustentável importa analisar se ele é ecologicamente correto. se. inclusão social e compromisso com o meio ambiente. a partir do que for estabelecido no foro internacional para os próximos dois anos (ONU. o desenvolvimento social e a proteção do meio ambiente. a trincheira da rua Guabirotuba. As obras contemplam: estádio verde (certificado). 2005). Piraquara. com o estabelecimento de diretrizes e metas de redução de emissões de GEE (BRASIL. COMEC. IPD. a Copa do Mundo de Futebol em 2014 e. ISSN (versão online): 1984-3526 88 Acima. Casa Militar. Em relação à estruturação. para isso. corporativa. UTFPR. as Olimpíadas no Rio de Janeiro em 2016. energias renováveis. das Torres. impactos e legados de grandes eventos. Na perspectiva sustentável importa o equilíbrio entre os aspectos econômicos. Almirante Tamandaré. colaborativa e responsável. gestão. Busca-se a redução de custos e a maximização dos benefícios. passados os eventos. ao realizar a Copa 2014 como um evento sustentável busca minimizar possíveis impactos negativos que possam vir a ser causados ao meio ambiente durante a execução das obras de grande porte. destacam-se um novo sistema climático global e numa nova fase dos compromissos do Protocolo de Quioto. são José dos Pinhais. Segue: a Copa das Confederações em 2013. os grandes estádios construídos de forma . Na esfera político-ambiental. 2005). Esses eventos se iniciam com a Cúpula das Nações Unidas Sobre Desenvolvimento Sustentável que ocorrerá em junho de 2012 no Rio de Janeiro. IAP. que considera um celeiro de oportunidades e desafios. importa analisar se a Copa 2014 está se configurando e/ou será sustentável. o Brasil decidiu investir nesse campo. esta é uma década palco de decisões fundamentais no que tange a relação com um novo regime global de mudanças climáticas. 2012).

2007. Sueli Ramos. bem como a continuidade do latejo econômico. Indicadores de Sustentabilidade: comparativa. 3ed. Organizações inovadoras sustentáveis. considerando sua assimilação no megaevento Copa 2014 de valores que consubstanciando em novas práticas. o desenvolvimento municipal e regional. . a cidade de Curitiba – Paraná – Brasil. EYGM Limited. Curitiba. Set.ecodesenvolvimento. 2011. Trad.C. melhorar setores que são vitais à economia. Buscando apresentar as aplicações sustentáveis. In: BARBIERI. Políticas Públicas: um debate conceitual e reflexões referentes à prática da análise de políticas públicas no Brasil. FREY. FLORIDA. impulsionando. UTFPR: Florianópolis. Atlas. assim. Iniciativas sustentáveis na construção das arenas da Copa do Mundo de 2014. CASAGRANDE JR. 2010. 2011. buscará a formação do conceito de construção sustentável no recorte da Copa 2014. São Paulo: Studio Nobel.br/posts/2012/maio/iniciativassustentaveis-na-construcao-das-arenas#ixzz205aPM69k ERNST. EcoDesenvolvimento. M. nº 21 . Organizações inovadoras sustentáveis: uma reflexão sobre o futuro das organizações. Referências BELLEN. pode melhor preparar-se para ser uma das cidades-sede da Copa de 2014. FGV Editora. FROTA. SCHIFFER. através de seu uso pela comunidade. 1999. Anésia Barros. A Ascenção da Classe Criativa. 2000. Planejamento e Políticas Públicas. José Carlos. os agentes. Manual de conforto térmico. RS: L&PM. busca uma melhoria nos seus setores vitais para a economia. Disponível em: http://www. H. Brasil sustentável: Impactos Socioeconômicos da Copa do Mundo de 2014. identificando os arranjos. SIMANTOB. ISSN (versão online): 1984-3526 89 sustentável possibilitarão a continuidade do exercício da função social. Porto Alegre. 2012.Jun. pretende beneficiar-se com a dinâmica econômica obtida com investimentos e o grande fluxo turístico. Ana Luiza Lopes. São Paulo. Além da visibilidade. localizada na região sul do país. e as atuações no megaevento. Rio de Janeiro. em sua segunda fase. K. Inovação Tecnológica & Sustentabilidade: o Futuro da Construção da Construção Civil.Revista Tecnologia e Sociedade . YOUNG. 2005. R. através da análise das novas tecnologias sustentáveis e se contribuem para a mudança de valores.org.M. Embasado nesses pressupostos conceituais. O trabalho. uma análise BARBIERI. J. Eloy Fassi.1ª Edição.org.

42.J. C. L. ALÉM. Event management and sustainability. 227-240. Ed. LANGONE. F. Pete. jul. 2009. Introduction: toward´s new frontiers in the study of mega-events and the city./dez.gov. et al. C. 2011. nº 1 e 2. 2012. Reference Guide for Green Buildings’ Design and Construction 2009. Finanças Públicas: Teoria e Prática no Brasil. 2000.. Rio de Janeiro. Copa 2014 – O estádio do Mineirão e Diretrizes de Sustentabilidade na Primeira Copa Verde do Mundo. MUSGRAVE. Abril e Outubro de 2008. Formulação de Políticas Públicas: questões metodológicas relevantes. . UFMG/Escola de Arquitetura. EDUFSC. GIAMBIAGI.R. 2. 2011. transportes e agropecuária. 2010. Poluição atmosférica por emissão de material particulado: avaliação e controle nos canteiros de obras de edifícios. Disponível em: www. 2. SEIBEL. A.O. Desarrollo sostenible transición hacia la covolución global. 2011. 2.Revista Tecnologia e Sociedade .pcc. Madrid: Pirámid. GELINSKI. F. FUSSEY. Propostas empresariais de políticas públicas para uma economia de baixo carbono no Brasil – energia. M. Acessado em 09/07/2012. Cláudio. Revista Brasileira de Gestão Urbana. 2007. E. de LEED. GUEDES. Disponível em: http://www.A. Florianópolis.br. (Brazilian Journal of Urban Management) v. v. Painel discute a Copa como promotora de inovação e sustentabilidade. JIMÉNEZ HERRERO. Programa de Pós-graduação em Ambiente Construído e Patrimônio Sustentável. MARTINS. RESENDE. Reino Unido. Editora Campus/Elsevier.usp.2007. n. ISSN (versão online): 1984-3526 90 FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS (FGV). James. 3.br/fcardoso/Disserta%C3%A7%C3%A3o%20Fernando% 20Resende%20p%C3%B3s-banca%202. Revista de Ciências Humanas. 149-155. São Paulo: Atlas.copa2014. Gemma Galdan. Dissertação – mestrado. THEÓPHILO. Copa do Mundo FIFA 2014-Agenda Sustentabilidade e Meio Ambiente.1ª Edição. G. CLAVELL. Ed. 2012. 2011. R. Metodologia da investigação científica para ciências sociais aplicadas. URBE. p. PORTAL DA COPA. Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas – GVces.pdf > Acesso em 02 Maio 2012. São Paulo. Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. p. Ministério do Esporte.

Avaliação de Políticas Públicas para o Desenvolvimento Sustentável: um Estudo de Caso dos Programas de Educação de Curitiba de 1998 a 2005. 23.F. CASTRO R. 2012. 2009. Universidade de Medellin. Colombia Semestre Económico. . 77-96.L.Revista Tecnologia e Sociedade .1ª Edição.. núm. ISSN (versão online): 1984-3526 91 SILVA. 12. enero-junio. vol. C. pp.

Abstract This article presents the variation of health indicators.1ª Edição. E-mail: bruno. education and income. educação e renda. E-mail: gilson. esclarece que apesar de a crise ter afetado a América Latina pela via econômica principalmente no que tange a exportação de commodities. utilizou-se o método shift-share que ao decompor os elementos do IDH. Palavras-chave: Crise econômica. Espera-se. 2012. utilizarmos a América Latina como região e os países que a compõe como locais. componentes básicos do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). basic components of the Human Development Index (HDI). no caso. Professor da Universidade Federal da Integração Latino-Americana – UNILA. which.br . shift-share.oliveira@unila. dessa forma. provocados pela crise econômica que afetou o mundo em maior e menor grau de intensidade. pode-se constatar variações em seus componentes . do qual.edu.br Gilson Batista de Oliveira: Doutor em Desenvolvimento Econômico – UFPR. decomposição. was found in Latin American countries that some of these indicators were 7 Bruno Theylon Oliveira Dias: Graduando do curso de Relações Internacioanis e Integração. Bolsista do PROBIC/UNILA.edu. subdivide-se esse países em quadrantes de acordo com o grau de variação que esses países sofreram entre 2007 e 2010.dias@unila. América Latina. constatou-se nos países latino-americanos que alguns desses indicadores sofreram variação.Revista Tecnologia e Sociedade . pela Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA). educação e renda. we use Latin America as a region and the countries that compose and local. saúde. Para isso. isso implica afetar outros setores sociais. ISSN (versão online): 1984-3526 92 A Variação dos Indicadores Básicos do Índice de Desenvolvilmento Humano dos Países LatinoAmericanos no Período de 2007-2010: uma Decomposição com uso da Metodologia ShiftShare Variation of Basic Indicators Index of Human Desenvolvilmento Latin American Countries in the Period 2007-2010: a decomposition using the Shift-Share Methodology Bruno Theylon Oliveira Dias Gilson Batista de Oliveira 7 Resumo Este artigo apresenta a variação dos indicadores saúde. variação de IDH.

através dos dados dos anos de 2007 e 2010. optou-se pela definição do IMEA (2009) que classifica 21 países como formadores da América Latina. México. Cuba. Panamá. Nesse trabalho. de forma geral. Entretanto. variation in HDI. shift-share. Keywords: economic crisis. no período de 2007 – 2010 . chega aos dias de hoje com incertezas de até quando essa crise perdurará. através do método shift-share restringindo-se apenas na decomposição dos indicadores do IDH. Paraguai. Chile. this implies affect other social sectors. A crise econômica de 2008 que causou um mal estar financeiro mundial a partir da quebra do banco Lehman Brothers nos EUA e logo se espalhou principalmente para países europeus e atingiu as mais diversas partes do mundo. one can see variations in their components. Uruguai e Venezuela. thus it is divided into quadrants countries in accordance with the degree of variation between these countries suffer 2007 and 2010. caused by the economic crisis that affected the world in greater and lesser intensity. verificam-se os impactos da crise financeira mundial de 2008 nos indicadores básicos do IDH. explained that although the crisis has affected Latin America through economic especially regarding the export of commodities. in the case. Peru. República Dominicana. isso implica em um impacto . ISSN (versão online): 1984-3526 93 variation. El Salvador. Haiti. Introdução A América Latina tem em seu histórico diversas etapas de desenvolvimento que na maioria das vezes. Guatemala. são eles: Argentina. health. Colômbia. Latin America. 2012. Entender as dinâmicas econômicas e sociais desses países através da decomposição do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) pelo método shift-share. Nicarágua. é uma forma de compreender um pouco mais da dinânica da relação economia e sociedade. Brasil. decomposition. Com esta pesquisa. Honduras. alguns desses países não puderam ser incluídos na decomposição. Bolívia. education and income. estuda-se os diferentes níveis de desenvolvimento que se encontram os países que compõe a América Latina. observou-se que essa crise sistêmica não atingiu com tanta força. This was done using the method shift-share elements that decompose the HDI. Equador. apesar de ter baixado o preço de commodities. Para driblar a crise. além de gerar fuga massiva de capitais especulativos. It is hoped. A América Latina é muito ampla e pode gerar dificuldade de compreensão em sua totalidade. esses países não conseguiram unificar crescimento econômico e social para que pudesse gerar uma economia sustentável. Especificamente. também houve uma considerável diminuição do ritmo de investimentos externos em um primeiro momento. Na América Latina. Costa Rica.Revista Tecnologia e Sociedade . Belize. dado a carência de dados básicos.1ª Edição. governos fazem cortes e readaptações de diversos setores da política econômica de um país.

Revista Tecnologia e Sociedade . . ii) IDH médio: entre 0. em dólar PPC (paridade do poder de compra. para rivalizar com o PIB. o indicador utiliza números de expectativa de vida ao nascer. o IDH foi concebido de uma forma simples. rendimento per capita e educação. por conseguinte. 2012. Amartya Sem. Disponível em: <http://www. O Índice de Desenvolvimento Humano O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). O IDH foi concebido pelo economista paquistanês Mahbub Ul Haq em colaboração do economista indiano. depois de corrigi-lo pelo poder de compra da moeda de cada país. O IDH precisou ser idealizado de uma forma explicativa. tem como objetivo de usar outros parâmetros além do econômico. lançado pela primeira vez num período de transformações do sistema político e econômico global. Após a aplicação da metodologia shift-share. A pesquisa usou informações divulgadas nos relatórios sobre o desenvolvimento humano publicados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD de 2007 e 2010. que elimina as diferenças de custo de vida entre os países). A classificação dos países baseado no nível do IDH funciona da seguinte forma: i) IDH baixo: entre 0 e 0.org.pnud.500 e 0. O item educação é avaliado pelo índice de analfabetismo e pela taxa de matrícula em todos os níveis de ensino.799. apesar da avalanche de tabelas relacionadas. baseado na longevidade. Para aferir a longevidade. A classificação do nível de desenvolvimento dos países. A renda é mensurada pelo PIB per capita. ou seja. que varia de zero a um. Essas três dimensões têm a mesma importância no índice.499. funciona em uma escala numérica que vai de 0 à 1. 2009). aponta baixo desenvolvimento humano. identificou-se quais os indicadores básicos mais expressivos na variação do IDH no período de 2007 – 2010. O índice tornou-se o referencial de desenvolvimento em praticamente todos os países membros da Organização das Nações Unidas (ONU). Como afirma o PNUD Brasil: Além de computar o PIB per capita. que mantem o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). no Índice de Desenvolvimento Humano. é publicado no Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH). denota níveis de médio desenvolvimento humano. onde quanto mais próximo de 1. o IDH também leva em conta dois outros componentes: a longevidade e a educação. segundo PNUD (2009). para mensurar o nível de desenvolvimento. em 1990. Segundo PNUD (2010).br/idh/> Acesso em 10 de março de 2012. ISSN (versão online): 1984-3526 94 direto na qualidade de vida da sociedade. (PNUD.1ª Edição. nobel de 1998. depreende-se quais foram os indicadores básicos mais afetados pela crise financeira mundial de 2008. melhor é o nível de desenvolvimento. órgão responsável pelo RDH.

apesar de o sistema de verificação do IDH ter sido lançado em 1990. além dos itens básicos como saúde. do comparado aos demais. chegando a atingir um crescimento de cerca de 41% entre 1975 e 2010. onde o primeiro com peso de 2/3 no cálculo geral. é que a média mundial do IDH obteve um crescimento considerável. Zâmbia e Zimbabwe. geralmente concluída aos 15 anos e o segundo com peso de ½ refere-se a taxa de matrícula em qualquer nível de educação. o número de anos que espera-se que um recémnascido venha a viver. ficando da seguinte forma: Índice de dimensão = valor efetivo – valor mínimo valor máximo – valor mínimo . Segundo PNUD (2010). educação e renda. indica níveis de desenvolvimento humano muito elevados. ISSN (versão online): 1984-3526 95 iii) IDH elevado: entre 0. 2010 Saúde Educação Renda O cálculo das dimensões do IDH é medido através dos valores que variam entre 0 e 1. dessa forma determinando os padrões de vida. resume um pouco dos três principais elementos: Dimensões É determinado pela esperança de vida ao nascer. sendo que apenas três países por motivos de conflitos obtiveram em 2010 um IDH menor do que em 1970. iv) IDH muito elevado: todos aqueles acima de 0. Essa expectativa de vida é determinada pela média de mortalidade. é medido em dólar pela Paridade do Poder de Compra (PPC) e tem o objetivo de verifica se o poder aquisitivo de uma pessoa consegue suprir suas necessidades básicas.900. foram acrescentados outros elementos na aferição do IDH. é referente a alfabetização. O que se constatou nesses últimos anos. proporcionando assim um melhor parâmetro de desenvolvimento nos quase 40 anos de verificação. O rendimento nacional bruto per capita. O quadro a seguir retirado do PNUD 2010. agora é contabilizado também outros aspectos como a distribuição do bem estar em termos de desigualdade de gênero e pobreza. retrata altos níveis de desenvolvimento humano. boa parte dos países recalcularam seu IDH até 1975. são eles República Democrática do Congo. Quadro 1: Componentes do idh Fonte: PNUD. 2012. A componente Educação é determinada pela média de anos de escolaridade e anos de escolaridade esperado. quando se completou 20 anos de RDH.800 e 0. ou seja.899.1ª Edição. A partir de 2010.Revista Tecnologia e Sociedade .

Essa metodologia é bastante aplicada para verificar desenvolvimento econômico regional ou setorial.. as componentes de alteração diferencial ou variação diferencial devem ser isoladas afim de possibilitar uma comparação estatística.. A Metodologia de Análise Shift – Share O método shift-share é uma forma analise dos elementos que compõe um dado estatístico em duas escalas de tempo. medida a nível regional. De acordo com o PNUD (2010). espera-se que o IDH seja capaz de apontar o quanto uma sociedade está desenvolvendo ao longo do tempo. uma vez que possibilita identificar quais e quando foram as mudanças mais impactantes no setor ou indicador analisado. em factores distintos que possam influenciar o seu comportamento.803) Na metodologia shift-share os elementos que compõe uma estrutura são estudados individualmente. passa para o campo das projeções ou planejamentos. A utilização do shift-share vai além da visão analítica. pode ser justificadas por diferentes vantagens de natureza locacional. Nesse método. a diferença de desenvolvimento humano entre países ricos e países pobres tem diminuído consideravelmente nos últimos 20 anos. Obtidos os índices básicos. O índice porém.Revista Tecnologia e Sociedade . de forma que possam ser relacionados com o todo. O RDH de 2010 evidencia que. não é capaz de explicar as razões de tais diferenças na América Latina. pode nos oferecer um mínimo de informações necessárias para constatar tais mudanças.. Dessa forma. de uma forma que seja possível identificar as opções que as pessoas tenham de assegurar sua própria subsistência através de escolhas participativas no sistema social. como as capacidades humanas estão. destacando como foi seu desenvolvimento ao longo do tempo e como tal desempenho pode influenciar no conjunto. ISSN (versão online): 1984-3526 96 No cálculo dos índices (saúde.diferente de outro setor econômico ou indicador usado como parâmetro. educação e renda) utiliza-se valores mínimos e máximos obtidos dentre os participantes do grupo de referência. o IDH é calculado através da média geométrica. (COSTA. também pode-se vislumbrar esse cenário de redução de desigualdade.1ª Edição. ao fazer um recorte temporal para verificar o comportamento do IDH na América Latina entre os anos de 2007 e 2010. A analise de componentes de variação (ou shift-share) decompõe o crescimento de uma dada variável..mas também.A ideia base é muito simples: as diferenças de crescimento em uma região podem ser atribuídas não só a diferenças relativas à composição produtiva de cada região. 2002 p. entende-se a possibilidade de um setor da economia ou indicador de desenvolver-se como o nome já diz . “Mede a alteração naquele crescimento que resulta a influencia exercida por certos factores como vantagens de localização ou . 2012. Por alteração diferencial.

p. dependendo qual for o objetivo do uso do método. 1984. ISSN (versão online): 1984-3526 97 grau de competitividade no crescimento mais rápido ou mais lento de alguns dos sectores urbanos”. na região i. Essas três ultimas variáveis. adaptado para os componentes do Índice de Desenvolvimento Humano. concorrencial ou diferencial. 2002. ainda. para fazer essa relação entre crescimento ou não do setor regional e diferenciações que levam a esse resultado em relação ao nível nacional. A maioria dos modelos de análise de componentes de variação apresentam-se como identidades matemáticas.Revista Tecnologia e Sociedade . 2012. puderem ser comparados com outro semelhante. como afirma Vasconcelos (1984) e Oliveira (2010). expressando a evolução de uma dada variável económica como função de três factores principais: o efeito do crescimento nacional(componente nacional).222) No entanto. dentre outros. estrutural e diferencial. o efeito de outros factores específicos da região (componente regional. p. . o modelo clássico da metodologia shift-share pode ser descrito da seguinte forma: ∑ = Δ Xik = ∑ [Xik(t) – Xik(t-1)] = ∑ [NXik + SXik + RXik] k k Δ Xik é a variação observada na variável Xik. cada país individualmente. o shift-share trabalha usando os resultados obtidos em uma expressão padrão. especialização regional. o efeito da composição sectorial da região (componente estrutural) e.1ª Edição. Xik(t) representa a variável econômica X.804) Após identificado e isolados os elementos regionais à nível de comparação com o nacional. considerar-se-á nível nacional o total dos países da América Latina e como regional. são obtidas da seguinte forma: NXik = gNX x Xik(t – 1) Onde gNX é a variação percentual da variável X observada no nível nacional relativamente ao ano base t – 1. Nesse estudo. De acordo com Costa (2002) e Oliveira (2010). o shiftshare só é viável se os resultados obtidos de um certo estudo. Nxik representa a componente nacional Sxik representa a componente setorial ou estrutural Rxik representa a componente regional. (COSTA. concorrencial ou diferencial). componente nacional. para que daí se possa tirar conclusões sobre concentração econômica. no setor k e no momento t. ( VASCONCELLOS.

RXik = (gik – gNXK) x Xik(t – 1) gik é a variação percentual da variável X. p.)” Partindo dos trabalhos de Oliveira (2010) e Simões (2005). onde o fator locacional de A3 é grande o bastante para suprir VLE negativo.1ª Edição. e B1 apesar de também ter VLD positivo. 2005. de acordo com os parâmetros utilizados. observada na região i no setor k. VLT + VLE VLD Tipo de País + + A1 + A2 + A3 + B1 + B2 B3 Quadro 2: Classificação e tipologia de variações Fonte: Adaptação de Simões (2005) e Oliveira (2010) - VLT a Variação Liquida Total positiva (+).Revista Tecnologia e Sociedade . esse não consegue ser grande o bastante em relação ao fator estrutural. O fato de A2 ter VLT positivo e B2 VLT negativo é porque o crescimento estrutural de B2 não é grande o bastante em relação ao regional de acordo com o elemento diferencial escolhido. entenda-se variação dos indicadores selecionados através da VLT – Variação Liquida Total. o método shift-share é aplicado amplamente nas mais diversas formas de análise regional. Já VLT negativo (-) aponta todas aquelas localidades que tiveram crescimento menor que o regional (B1.. 2010. ISSN (versão online): 1984-3526 98 SXik = (gNXk – gNX) x Xik(t – 1) gNXk é a variação percentual da variável X observada a nível nacional.122). “a análise shift-share permite a identificação do crescimento. que é o crescimento observado menos o teórico(. As componentes de variação podem nos indicar o crescimento ou não do objeto de estudo. pode-se sintetizar os resultados da aplicação da metodologia shift-share e classificar as regiões de acordo com as variações obtidas. não só em relação aos indicadores de . A2 e A3) ou desde que a VLD supra as percas de VLE. indica aquelas localidades onde o crescimento locacional é maior ou igual ao crescimento regional (A1. referente ao setor k. OLIVEIRA. (SIMÕES. Pode-se usar o mesmo exemplo para A3 e B1 de forma invertida. B2 e B3) ou desde que o fator diferencial não seja suficientemente satisfatório. Para Haddad e Andrade (1989 apud Oliveira. 2010) A adaptação do método para decomposição do Índice de Desenvolvimento Humano Na atualidade.. 2012. conforme quadro 2.

de referencia. com base na tipologia do quadro 2. são os indicativos principais de como a administração pública aplicou os recursos para garantir ou não a qualidade do IDH. construir gráficos indicativos de como anda o IDH de uma localidade. pode-se classificar os países de acordo com o desempenho de cada indicador básico. 2012. ISSN (versão online): 1984-3526 99 desenvolvimento econômico. pode-se. pode-se verificar e classificar quais dos indicadores básicos (saúde. De forma resumida. mas nos chamados indicadores sociais. De posse dos resultados. conforme Oliveira (2010). 2010.Revista Tecnologia e Sociedade . renda ou educação) mais influenciaram na variação do índice. nos componentes do Índice de Desenvolvimento Humano. os elementos Eficiência Alocativa e Ativação Social. Descrição Resultados Possíveis para cada Indicador Básico e para cada Índice Selecionado VLT (N-NX)* + + + VLE (SX)** + + + VLD (RX)*** + + + Países Indicador de Educação (IE) Indicador de Longevidade (IL) Indicador de Renda (IR) A1 A2 A3 B1 B2 B3 + + + A1 + + A2 + + A3 Índice de Desenvolvimento + B1 Humano (IDH) + B2 B3 Quadro 3: Esquema para guiar a interpretação dos resultados da adaptação da metodologia shift-share para os indicadores básicos do índice de desenvolvimento humano Fonte: Oliveira. descritos no quadro 4. ainda. no nosso caso. colocando os países em quadrantes que retratem de forma sintética a realidade de cada um. quadro 3. Para o autor. Conforme Oliveira (2010) é possível aplicar o método shift-share para decompor o IDH e com os resultados obtidos.1ª Edição. .

Revista Tecnologia e Sociedade . que denota maiores níveis de variação positiva da qualidade de vida. cuja ação teve mais sucesso na transformação do impulso de crescimento em desenvolvimento. Embora com crescimento total abaixo da média regional (VLT negativo). significa perda líquida em comparação com o universo da América Latina. a VLD<0 mostra que o país tem poucas capacidades + de ativação social. Países com capacidade de ativação social fraca. que tende a fragilidade. Em resumo. não conseguem superar a ineficiência alocativa (VLE <0). Aqui. significando avanço na transformação do + impulso de crescimento em desenvolvimento. Aqui. 2012. . 2010. que denota fragilidade na internalização dos efeitos gerados pelo processo de crescimento. Nesses países. nações cuja sociedade não consegue trazer resultados positivos para os indicadores básicos de qualidade de vida de forma satisfatória. o que ocorre graças à eficiência + alocativa dos recursos administrados pela gestão pública (VLE>0). denotando ganho líquido. a capacidade de ativação social (VLD>0) consegue suplantar a ineficiência alocativa (VLE<0) e ter um crescimento maior que a média da América Latina (VLT>0). do desenvolvimento humano. mas consegue manter o país afastado da área de pior desempenho (B3). Embora com crescimento total acima da média regional (VLT>0). os países com esses resultados também possuem + capacidade de ativação social intermediária (boa). cuja falta de ativação social é piorada pela ineficiência alocativa. Países com desempenho regular. as nações possuem eficiência alocativa (VLS>0) e capacidade de ativação social (VLD>0). que age de forma eficiente na alocação de recursos e consegue um desempenho positivo dos índices de desenvolvimento. QUADRO 3: Esquema para guiar a interpretação dos resultados da adaptação da metodologia shift-share para os indicadores básicos do índice de desenvolvimento humano Fonte: Oliveira. isto é. pois a VLD positiva mostra que o índice estudado teve um desempenho superior ao dos demais países da região. Países com capacidade e ativação social intermediária. cuja ação consegue trazer resultados individuais de cada indicador básico acima da média da região. porém.1ª Edição. a gestão pública não consegue evitar perdas líquidas. na internacionalização dos efeitos do processo de crescimento. o que pode atrapalhar a ação do poder público. Nesse quadrante devem figurar os países + + com as maiores variações positivas dos indicadores básicos componentes de cada índice estudado. ou seja. pois detêm as piores variações dos indicadores básicos componentes de cada índice estudado na região analisada. a sociedade local teve menos sucesso na transformação do impulso de crescimento em desenvolvimento. ISSN (versão online): 1984-3526 Quadrante Países Eficiência Alocativa Ativação social VLT 100 I A1 Presente Presente + A3 Ausente Presente + II B1 Ausente Presente - III B3 Ausente Ausente - IV B2 Present e Ausente - A2 Present e Ausente + _Componente__ Interpretação VLE VLD Países com maior capacidade de ativação social.

207 0.044 0.041 -0.314 -0.255 -0.260 -0.120 -0.374 -0.188 -0.362 -0.136 -0.322 -0.152 -0.208 0. que vai classificar os países de acordo com o quarante correspondente indicados anteriormente no quadro 4.148 0.045 0.159 0.145 -0.197 0.027 -0.040 -0.107 -0.161 0.150 0.113 -0.291 -0.109 -0.052 0.052 0.013 -0.039 0.313 -0.359 -0.014 0. Argentina foi a que menos sofreu com a críse em relação ao desenvolvimento social.020 -0.097 -0.238 -0.124 -0.400 -0.003 -0.149 -0.141 0.168 0.290 -0.024 0.200 0.145 -0.004 0.031 -0.035 -0.339 -0.156 -0.149 0.112 -0.203 0.181 -0.032 -0.040 0.030 -0.283 -0.234 -0.323 0.267 -0.041 -0.044 0.197 0.119 -0.170 -0.291 -0.362 -0.103 -0. QUADRO 5: DECOMPOSIÇÃO DO CRESCIMENTO EM COMPONENTES DE VARIAÇÃO NA AMÉRICA LATINA .102 -0.428 -0.036 -0.081 -0.1ª Edição.258 -0.121 -0.007 0.285 -0.194 0.041 -0.184 -0.158 0.165 -0. A Argentina é o único paíse que se encontra no quadrante II e ainda assim.124 -0.285 -0.178 -0.133 -0.232 -0.111 -0.210 0.238 -0.156 -0.011 VLD 0.306 0. Como percebe-se.296 -0.060 0.098 -0.056 0.228 -0.047 0.323 -0.023 -0. Elaboração Própria O quadro 6 apresenta a classificação dos países por quadrante de acordo com sua variação.352 -0.130 0.067 -0.194 0.417 -0.152 -0.153 -0.255 -0.067 0. 2012.302 -0.261 -0.049 0.044 0.333 -0.375 -0.417 Quadro 4: Decomposição do crescimento em componentes de variação na america latina-2007 e 2010 Fonte.021 -0.303 -0.052 0. constatase que a mesma possui capacidade de ativação social (VLD>0) .176 -0.153 -0.447 -0.001 -0.005 0.056 0.120 -0.169 0.011 0.151 0.034 -0.316 -0.000 -0.111 -0.146 0.145 -0. são os elementos utilizados para interpretação do quadro 6.197 -0.297 -0.323 -0.102 -0.201 0.011 0.119 -0. A parte correspondente aos indicadores do IDH.207 0.159 0.120 -0. longividade e renda.027 -0.009 0.149 0.002 -0.034 -0.120 -0.203 0.092 -0.035 -0.150 0.175 -0.024 -0.290 -0.366 -0.160 0.081 -0.150 0.112 -0.128 -0.187 0.049 0.120 -0.337 -0.184 -0.145 -0.141 -0.325 -0. está em A3.153 -0.039 0.039 -0.157 -0.367 -0.182 -0.225 -0.133 -0.127 0.257 -0.302 -0.206 0.107 -0.117 -0.143 -0.121 -0.006 0.201 0. Silva (2002) e Oliveira (2010) Indicador de Educação Indicador de Longevidade Indicador de Renda IDH VLT VLE VLD VLT VLE VLD VLT VLE VLD VLT VLE País Argentina Belize Bolívia Brasil Chile Colômbia Costa Rica Equador El Salvador Guatemala Guiana Haiti Honduras México Nicarágua Panamá Paraguai Peru República Dominicana Uruguai Venezuela Fonte: Elaboração Própria -0.198 0.050 0.040 -0.157 0.118 -0.038 -0.283 -0.157 -0.050 0. nenhum dos 21 países conseguiu se enquadrar no primeiro quadrante que é a eficiencia alocativa e capacidade de ativação social positivas além da variação positiva nos demais indicadores de desenvolvimento humano.124 0. ISSN (versão online): 1984-3526 101 Resultados da Aplicação da Metodologia Shift-share O quadro 5 apresenta uma síntese dos resultados encontrados dos indicadores educação.264 -0.315 -0.206 0.154 -0.237 -0. percebe-se que dentre todos os países. o que significa que possui VLE negativo.234 -0.372 -0.146 0.225 -0.2007 e 2010 Resultados do Shift-Share Adaptado de Haddad e Andrade (1989).118 -0.121 -0.117 -0.010 0.000 0.119 -0.007 -0.198 0.374 -0.127 -0.199 0.298 -0.142 0.178 -0.036 -0. dessa forma.157 0.287 -0.290 -0.070 -0.163 -0.332 -0.191 -0.341 -0.118 -0.342 -0.290 -0.118 -0. porêm.342 -0.006 0.020 0.037 -0.044 0.028 -0.248 -0.Revista Tecnologia e Sociedade .260 -0.170 -0.170 -0.331 -0.060 -0.323 -0.

Aqui. evitando com que o paíse atinja índices piores (B3). POR CLASSIFICAÇÃO E QUADRANTES NA AMÉRICA LATINA . 2012. Todos os países correspondentes ao quadrante III. tanto eficiência alocativa quanto ativação social são ausente. Os países do quadrante IV estão em B2. o que piora ainda mais o desempenho. QUADRO 6 : RESULTADOS DA METODOLOGIA SHIFT-SHARE. estão em B3. Esses países apesar das perdas nos indicadores básicos. o que significa que possuem uma fraca capacidade de ativação social.2007 e 2010 Classificaçã o dos Países Posição de Quadrante País Argentina Bolívia Brasil Colômbia Guiana Peru Uruguai Venezuela Belize Chile Costa Rica Equador El Salvador Guatemala Haiti Honduras México Nicarágua Panamá Paraguai República Dominicana II III IV A3 B3 B3 B3 B3 B3 B3 B3 B2 B2 B2 B2 B2 B2 B2 B2 B2 B2 B2 B2 B2 Fonte: Elaboração Própria . a gestão pública consegue uma eficiência alocativa positiva. o que significa que possuem eficiência alocativa presente e VLE>0.1ª Edição. gerados pela fragilidade da internacionalização no processo de crescimento. Nesses países a sociedade obteve perdas em todos os elementos do IDH. ISSN (versão online): 1984-3526 102 intermediária onde a capacidade de ativação social foi capaz de suprimir a ineficiência alocativa (VLE<0) e assim conseguir um maior crescimento na América Latina.Revista Tecnologia e Sociedade .

a variação dos indicadores do IDH obtidos através do relatório anual do PNUD de 2007 e 2010. Referências Bibliográficas COSTA.br/pesquisas/td/TD%20259. Nova York. 2012. Rodrigo Ferreira. Combate as alterações climáticas: Solidariedade Humana num mundo dividido. Curitiba: PPGDE. 2010. A América Latina.Ultrapassar barreiras: Mobilidade e desenvolvimento humao. Disponível em: <http://www.cedeplar. 2009. Relatório de Desenvolvimento Humano 2007/2008. O diferencial está no fato de que alguns paíse souberam adminsistra melhor seus recurso para suprir perdas ou simplismente para evitar com que a sociedade sofresse ainda mais com a queda no desempenho do IDH. 2002. possibilitou uma maior compreensão de como anda a capacidade dos países de gerir problemas sociais gerados por “disturbios” econômicos. O DESENVOLVIMENTO NA REGIÃO METROPOLITANA DE CURITBA: o desempenho dos índices de desenvolvimento econômico. Economia regional: Teorias e métodos de analise. todos os países da América Latina foram afetados no desempenho do Índice de Desenvolvimento Humano de 2007 em relação a 2010. que de uma forma ou de outra. ______ A Verdadeira Riqueza das Nações: Vias parra o Desenvolvimento Humano.S. A Unila em Construção: um projeto universitário para a América Latina. talvez pela sua grande dimensão e diferenças de desempenho econômico e social. ISSN (versão online): 1984-3526 103 Considerações Finais Percebe-se. OLIVEIRA. Compendio de Economia Regional.Revista Tecnologia e Sociedade .1ª Edição. G. A aplicação do método shift-share possibilitou de forma clara. SIMÕES. PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Cap. J. . seja tão difícil classifica-la através de dados e variáveis. Nova York.B.pdf> acesso em 15 de abril de 2012. dessa forma. EUA .2007. Nova York. BND. Paulo Roberto. ______ . o mesmo se mostra muito útil no que compete a variação de indicadores. HADDAD.ufmg. classsificar os 21 países de acordo com seu desempenho. 2010. 2009. Fortaleza. EUA. 24 A analise de componentes de variação (shift-share). Coimbra: APDR. aliada ao shift-share. Foz do Iguaçu: IMEA. EUA. 1989. Métodos de análise regional e urbana: diagnóstico aplicado ao planejamento. mas. IMEA.

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SOUZA. Nali de Jesus de. Desenvolvimento Regional .São Paulo: Atlas, 2009. VASCONCELLOS, António Vale e. Economia Urbana. Porto: Rés, 1984.

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Reflexões sobre a Capacitação Gerencial na Agricultura Familiar Brasileira
Reflections on management in the Brazilian Family Farming
Joelsio José Lazzarotto João Caetano Fioravanço
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Resumo
A agricultura familiar apresenta grande relevância para o desenvolvimento social e econômico do Brasil. No entanto, a ampla maioria dos produtores rurais familiares apresenta sérias deficiências gerenciais. Diante disso, baseando-se principalmente em análises de estudos técnico-científicos, buscou-se efetuar reflexões acerca da gestão nos estabelecimentos de agricultura familiar, dando-se ênfase a questões relacionadas com a situação gerencial e com o modelo e os mecanismos que possam ampliar a capacidade de gerenciamento nessas organizações. Dentre os principais resultados e conclusões, destaca-se que, para minimizar os problemas gerenciais dos agricultores familiares, a utilização da visão sistêmica e o envolvimento efetivo desses atores organizacionais são imprescindíveis em todas as etapas de planejamento e execução do modelo de capacitação a ser adotado. Palavras-chave: Tecnologias de gestão. Enfoque sistêmico. Metodologia participativa.

Abstract
Family farming in Brazil has great relevance to the social and economic development. However, the vast majority of family farmers has serious managerial deficiencies. Thus, this work aimed to make reflections on managing family farms, emphasizing the managerial situation and the model and the mechanisms to improve management capacity in these
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Joelsio José Lazzarotto: Médico veterinário, mestre em administração rural, doutor em economia aplicada e pesquisador da área de socioeconomia da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa. Áreas de interesse em pesquisa: tomada de decisão na agricultura, estudos de sistemas de produção agropecuária, avaliação de tecnologias e análises de resultados econômico-financeiros de empreendimentos agroindustriais. Vínculo institucional: Embrapa Uva e Vinho.Email: joelsio@cnpuv.embrapa.br. João Caetano Fioravanço:Engenheiro Agrônomo, mestre em Fitotecnia, doutor em Economia, Sociologia e Política Agrícola (Agronegócios) e pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa. Áreas de interesse em pesquisa: fruticultura, fisiologia e manejo de plantas, seleção de variedades e sistemas de produção sustentáveis. Vínculo institucional: Embrapa Uva e Vinho. E-mail: fioravanco@cnpuv.embrapa.br.

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organizations. As results and conclusions, we emphasize that, to minimize management problems of farmers, the systemic approach and the effective involvement of these organizational actors are essential in all phases of planning and implementing the training model to be adopted. Keywords: Management technologies. Systemic approach. Participatory methodology.

Introdução
A agricultura familiar constitui um segmento de fundamental relevância para o desenvolvimento social e econômico do Brasil. Essa importância pode ser justificada por dois pontos principais: 84% das propriedades rurais do País são familiares; e os estabelecimentos familiares respondem, respectivamente, por 34% e 74% do valor bruto e do pessoal ocupado na produção agropecuária nacional (CENSO..., 2006). Apesar dessa relevância, a agricultura familiar brasileira depara-se com grandes problemas, que constituem fortes entraves para a sua competitividade e sustentabilidade ao longo do tempo. Entre esses problemas, merecem atenção especial aqueles associados com aspectos de gestão, pois, de maneira geral, a ampla maioria dos pequenos e médios produtores tem sérias deficiências gerenciais, elevando, assim, a frequência de empreendimentos familiares mal remunerados. Portanto, a questão gerencial é um fator crítico para o desenvolvimento da agricultura familiar nacional. Diante disso, é imprescindível que a extensão rural melhore suas estratégias de ação para transmitir aos produtores familiares importantes noções gerenciais, incluindo aspectos de planejamento, controle, comercialização e análise econômica da produção. Com essas noções, o produtor poderá tomar decisões mais rápidas e eficientes, tornando o seu negócio mais competitivo (BUAINAIN; BATALHA, 2007) e sustentável, independente do seu tamanho (REICHERT, 1998). Partindo dessa contextualização inicial e levando-se em conta que na literatura nacional ainda são escassos os trabalhos técnico-científicos que envolvem, ao mesmo tempo, avaliações situacionais e discussões sobre ações de capacitação gerencial de agricultores familiares, foi elaborado este artigo. O objetivo principal consiste em efetuar reflexões sobre a gestão nos estabelecimentos de agricultura familiar, enfatizando-se, principalmente, questões relacionadas com a situação gerencial dos produtores familiares e com o modelo e os mecanismos que podem ser usados para ampliar a sua capacidade de gerenciamento.

A situação gerencial na agricultura familiar brasileira
Um empreendimento rural, familiar ou não, deve ser gerido eficientemente como forma de garantir sua inserção no mercado e, por consequência, sua sustentabilidade e competitividade (BATALHA et al., 2004; LOURENZANI, 2006). Essa afirmação é plenamente justificável pelo fato de que existe uma

ISSN (versão online): 1984-3526 107 série de fatores que podem afetar significativamente o desempenho das propriedades rurais.. Mesmo junto a produtores que possuem alto grau de tecnificação produtiva. 2006. (2004) assinalam que.Revista Tecnologia e Sociedade . 2003. As dificuldades de gerenciamento enfrentadas pelos agricultores familiares tendem a perpetuar-se. 2004. melhorias no processo de tomada de decisão (UECKER et al.) tende a ser exceção nessas organizações (REZENDE. LOURENZANI. BATALHA et al.. no Brasil existe um esforço considerável no desenvolvimento e difusão de tecnologias de processo. é pertinente salientar que.. portanto. 1995). que estão entre os principais meios que os produtores familiares utilizam para obter orientações de diversas naturezas. 2005. os esforços voltados para as tecnologias de gestão e informação direcionadas. operações agrícolas etc. Embora as questões gerenciais sejam imprescindíveis para o sucesso de qualquer empreendimento. inócuos. apresentam grande descapitalização. é pobre o emprego de técnicas adequadas de . para os pequenos produtores rurais são ainda muito escassos e. possibilitando. é dependente de condições biológicas. os mecanismos de difusão tecnológica adotados no Brasil não têm sido suficientes para capacitar o agricultor familiar na implementação e utilização das técnicas de gestão disponíveis. Nessa mesma linha. 2006).. como: o ciclo produtivo que. além de muito incipientes. o caráter perecível da maioria dos produtos agropecuários que interfere nos processos de comercialização. Por outro lado. ter acesso e beneficiar-se de modernas tecnologias de informação. pode -se inferir que essa capacitação constitui outro grande entrave. NEUKIRCHEN et al. pois expressiva parcela desses atores organizacionais. Batalha et al. (2004). 1999. não estando vinculada a ações efetivas de capacitação gerencial de produtores e técnicos extensionistas. é consenso que. ao produtor rural. a grande maioria tende a ser difundida apenas em forma de publicações. via de regra. Relacionado com os trabalhos técnico-científicos desenvolvidos no País e que envolvem aspectos de gestão de empreendimentos rurais.) são considerados parte da rotina operacional da maioria dos estabelecimentos rurais familiares. 2006). De acordo com Batalha et al. 2007).1ª Edição. SANDRI. sobretudo. Apesar de muitos desses fatores não serem controláveis. ZYLBERSZTAJN. a utilização rotineira de instrumentos de gestão (aspectos comerciais e contábeis. armazenamento e conservação. enquanto os aspectos vinculados com a produção (insumos. 2005. Essas tecnologias incluem novas formas de negociação e práticas de gestão do processo produtivo. as condições climáticas que condicionam a maior parte das explorações agropecuárias. 2012. outros podem ter algum controle mediante a utilização de tecnologias gerenciais adequadas. não conseguindo. especialmente associado aos programas de assistência técnica e extensão rural. e os altos custos de saída e/ou entrada em um empreendimento agropecuário (SOUZA et al. além de não receber auxílio gerencial adequado (BUAINAIN. MARION. BATALHA. SEGATI. A partir de Mercês e Sant’Ana (2005). além de irreversível. planilhas de resultados etc. de materiais e de produtos e serviços. LOURENZANI.

2012. Diante dessas considerações. o diálogo como essência da relação educacional deve problematizar o conhecimento dentro da sua realidade concreta. mas se inscreve na própria vida e prática dos agricultores.Revista Tecnologia e Sociedade . em termos práticos. que. para que essas ações propiciem os resultados esperados. possibilita realizar levantamentos da situação socioeconômica dos agricultores. 1995. Essa exigência tem penalizado muitos pequenos produtores. é possível afirmar que as ações de capacitação precisam estar sustentadas na visão sistêmica. trabalho e tecnologia) e às formas como os produtores aceitam as inovações tecnológicas. o referido modelo deve estar focado em um processo de aprendizagem e de construção coletiva de conhecimento. Modelo de capacitação gerencial na agricultura familiar Ações de capacitação gerencial de produtores familiares devem incluir diversos aspectos. territorial e multidisciplinar. a fim de melhor compreendê-la. ou seja.. principalmente. tornando possível a integração do processo educativo ao processo produtivo desenvolvido por eles (LIMA et al. ISSN (versão online): 1984-3526 108 gerenciamento. ainda. Permite. A necessidade de adoção de um modelo dessa natureza deve-se ao fato de que. Zuin e Zuin (2007) enfatizam que é importante que o capacitador traduza conhecimentos advindos da academia à “língua” falada dos aprendizes. capital.1ª Edição. onde a formação administrativa não é um ritual abstrato. qualidade e utilização dos fatores de produção (terra. concordam e/ou executam tarefas e se relacionam com o mercado e as demais variáveis que compõem o ambiente organizacional externo (ZORDAN. que parta de respostas relacionadas com a seguinte questão: que conhecimentos gerenciais os agricultores familiares inseridos em determinada realidade necessitam se apropriar para alcançar o desenvolvimento sustentável? Portanto. Em outras palavras. GONÇALVES. 2004). 2006). as práticas técnicas. identificando e caracterizando os principais sistemas de produção. LAZZAROTTO et al. Porém. caracterizar o desenvolvimento rural presente e avaliar tendências para agricultura regional como forma de projetar a . Para Segatti e Hespanhol (2008). deve estar adaptado às condições locais. o ponto de partida e chegada para a construção do conhecimento em gestão organizacional é o homem em sua atividade real. acadêmico e elitista. 1995). como planejamento estratégico e controle e análise de custos de produção. com uma abordagem participativa. explicá-la e transformá-la. na maioria das regiões agropecuárias do Brasil. existem e coexistem diferentes e complexos sistemas de produção. considerando as peculiaridades do público-alvo e da região (LOURENZANI.. Essa diferenciação e complexidade devem-se. o ritmo intenso da atualização tecnológica no campo requer a atualização de informações e a adoção de mecanismos de aprendizagem e de formação profissional dos agricultores. sociais e econômicas e os problemas enfrentados. sistematicamente desalojados do ambiente onde estão inseridos devido à necessidade de se produzir em grande quantidade. contemplando conhecimentos técnicos e gerenciais. com elevado padrão de qualidade e a preços competitivos. O modelo de capacitação. às diferenças na disponibilidade.

DUFUMIER. Nessa etapa são estabelecidos grupos menores de produtores que. constitui fator-chave para a proposição de intervenções adequadas a cada realidade rural. 2009). Em todas essas etapas. desenvolvimento e validação conjunta de instrumentos metodológicos e implementação de ações de capacitação. influíram ou condicionaram o processo decisório dos produtores rurais. propõe-se a adoção de mecanismos operacionais que contemplem cinco etapas chaves: caracterização geral das unidades de produção. o que permite compreender o estágio em que se encontram.1ª Edição. Quanto ao terceiro. estruturas e interdependência das propriedades rurais com seu ambiente externo. avança-se para a etapa de definição de grupos de agricultores. que envolve cinco aspectos principais dos estabelecimentos agropecuários presentes em determinada realidade rural (LIMA et al. além de não ignorar os objetivos socioeconômicos dos agricultores. o emprego da visão sistêmica e a ampla participação de representantes de extensionistas e de produtores são fundamentais para assegurar o adequado cumprimento das ações previstas. 1999. que sejam mais adaptados aos contextos social.. em que o agente da extensão rural levava ao agricultor uma proposta pronta. visando a definir a forma como podem ser introduzidas mudanças que não provoquem impactos negativos ou desestruturem a organização interna da unidade produtiva (FAVERO. Esse fato exige que o extensionista compreenda a racionalidade dos agricultores e o porque de suas atitudes. ele contempla as características estruturais dessas organizações: grupo familiar e meios produtivos. o quinto aspecto consiste em estudar a trajetória das propriedades rurais. O quarto aspecto diz respeito ao funcionamento dos sistemas produtivos. econômico e agroecológico em que vivem os agricultores (INCRA/FAO. é relevante para compreender problemas de relações. O segundo aspecto trata do meio agroecológico. bem como das práticas e técnicas que os agricultores adotam. programas. 2012. definição de grupos de agricultores. para implementar ações efetivas direcionadas ao aprimoramento da gestão na agricultura familiar. Com base nos resultados obtidos com a caracterização das unidades produtivas. procurando identificar os fatores que. projetos e ações de desenvolvimento prioritários. identificação das demandas gerenciais prioritárias. em função de explorarem sistemas de produção agropecuária um tanto . A utilização do enfoque sistêmico. ISSN (versão online): 1984-3526 109 evolução da realidade agrária e propor políticas. A etapa de caracterização geral das unidades de produção consiste em obter um diagnóstico geral. de acordo com Dufumier (1996). 1995). envolvendo análises dos usos dos recursos produtivos. Finalmente. O primeiro refere-se à localização e ao tipo de inserção nos meios físico e socioeconômico. Mecanismos operacionais para a capacitação gerencial Baseando-se nos fundamentos teóricos acerca do modelo de capacitação gerencial. que envolve basicamente a caracterização do meio natural. 1996).Revista Tecnologia e Sociedade . ao longo do tempo. SARRIERA. contrapondo o discurso dos pacotes tecnológicos. Essa compreensão.

deve-se efetuar permanente avaliação dos mecanismos operacionais e dos resultados obtidos. ainda. identificando.1ª Edição. Levando-se em conta as demandas. a partir de discussões permanentes envolvendo. percebendo as diferenças e semelhanças e relacionando as diferentes variáveis que interferem nos resultados físicos e econômicos do processo produtivo. Com essa estratégia. utilização e aplicação) à realidade desses produtores. Nessa etapa. ISSN (versão online): 1984-3526 110 similares. extensionistas e representantes de cada grupo de produtores familiares. esses instrumentos devem estar bem ajustados e adequados (facilidades de compreensão. pode-se avançar para a etapa de identificação das demandas gerenciais prioritárias . podem ser utilizados os instrumentos metodológicos específicos visando a aprofundar questões que contribuam para aprimorar a gestão organizacional. pois este enfatiza que a geração de tecnologias adequadas às necessidades da agricultura familiar deve surgir de estudos integrados das condições ambientais e socioeconômicas. devem ser estimuladas discussões gerais entre produtores e extensionistas. quando necessária. Além disso. os conhecimentos e as habilidades gerenciais que precisam ser aprimorados por meio de ações efetivas de capacitação. a efetivação de correções de rumos. de forma conjunta. têm melhores subsídios para a tomada de decisões. Após essas discussões. primeiramente. sobretudo. similares.Revista Tecnologia e Sociedade . O estabelecimento desses grupos é reforçado.. cadernos de contabilidade simplificados) a serem utilizados na realização das ações em questão. pelo fato de que além de existir grande limitação de agentes atuantes na extensão rural brasileira. ele deve fazer parte de um plano que contemple ações continuadas. com o objetivo de resgatar a forma e os conhecimentos tradicionalmente empregados pelos agricultores na gestão das suas unidades produtivas. a organização de agricultores impulsiona-os a aprenderem. Com isso. É importante assinalar que. tendem a apresentar características socioeconômicas e problemas gerenciais. pode-se iniciar a etapa de desenvolvimento e validação conjunta de instrumentos metodológicos (e. A etapa de implementação de ações de capacitação representa o momento em que. que influenciam os sistemas de produção e controlam suas respostas às alternativas tecnológicas. para que esse processo propicie os resultados esperados. os principais pontos fortes e as deficiências mais acentuadas vinculadas ao processo gerencial. ou seja. também. 2012. de forma permanente. Essa avaliação é fundamental para permitir. para cada grupo de agricultores e com as demandas identificadas. a capacitação em discussão deve pautar-se na programação e no . Essa identificação trata de avaliar. de maneira a não comprometer o processo de capacitação gerencial dos produtores. os produtores podem fazer comparações entre as suas unidades de produção. Após definir todos os grupos de produtores. para cada grupo. mediante trocas de experiências com outras pessoas. Os cuidados no desenvolvimento e na validação dos citados instrumentos são sustentados por Altieri (2002). ao invés de estar restrita a um curso ou uma palestra. serão desenvolvidas as ações específicas de capacitação. paralelamente à execução das cinco etapas descritas.g. ao envolver aspectos de gerenciamento organizacional. Nesse sentido.

na capacitação gerencial de agricultores familiares. busca-se fazer com que o produtor. a formação de uma equipe multidisciplinar de assessoramento. duas safras agrícolas. os agricultores familiares. assim. podem ser empregadas várias técnicas metodológicas. que podem durar. esta deve permear todo . introduza nas suas rotinas diárias e cultura gerencial os princípios e mecanismos administrativos abordados nas ações de capacitação. cabe enfatizar que. das preferências e escolhas efetuadas pelo agricultor e seu grupo familiar. o modelo a ser empregado precisa ajustar-se ao modo emergente de produção do conhecimento. baseando-se em Gibbons et al. A segunda razão é decorrente do fato dessa equipe facilitar a elaboração de diversos instrumentos metodológicos específicos. os roteiros são constituídos por vários tópicos e podem ser muito úteis para orientar as discussões com os produtores. que serão utilizados nas várias etapas do processo de capacitação gerencial. especialmente para assegurar que sejam observadas e atendidas as reais necessidades dos principais beneficiários. Na condução das referidas ações. evitando-se. além de contextualizar a situação da gestão na agricultura familiar brasileira. deve desenvolver-se no contexto da aplicação a partir de uma visão multidisciplinar. Finalmente. De maneira sintética. entre as quais se destacam os painéis de discussão e os roteiros. relacionados com diferentes aspectos técnicos e gerenciais que afetam os resultados da produção agropecuária. ao invés de centrar-se no contexto acadêmico e com visão disciplinar.Revista Tecnologia e Sociedade . os serviços em questão precisam aprimorar as suas estratégias de atuação. que questões relevantes deixem de ser abordadas. de fato. ISSN (versão online): 1984-3526 111 desenvolvimento de várias atividades. precisa deslocar-se de um grupo pequeno e homogêneo para um grupo grande e heterogêneo. é possível assinalar que. como planejamento e replanejamento de atividades e avaliações de metas e resultados. como na prática a opção por implantar determinado sistema produtivo depende. Considerações finais As discussões efetuadas ao longo do trabalho. que apresenta algumas características fundamentais: 1) na organização. Isso porque. é estratégica por duas razões. procuraram fornecer subsídios auxiliares aos serviços de assessoramento junto aos produtores familiares. 3) pelo lado da responsabilidade social. fundamentalmente. 2) em termos de equipe. (1994). na execução das cinco etapas citadas. Ações continuadas são essenciais para que o agricultor melhor se familiarize com diversos aspectos. Para tanto. também. caracterizando a estruturação de redes para atingir vários objetivos e interesses. Enquanto os painéis objetivam uma discussão crítica entre os participantes sobre assuntos de relevância.1ª Edição. por exemplo. Com isso. A primeira reside no fato de contribuir com melhorias importantes na comunicação e transferência de conhecimentos e tecnologias existentes. 2012. a utilização da visão sistêmica e o envolvimento efetivo de produtores e extensionistas em todas as etapas de planejamento e execução das ações voltadas para a capacitação gerencial são imprescindíveis.

SCOTT. M. deve envolver novos critérios (impactos esperados) e novos atores (clientes e beneficiários). 1994... 2004. M. p. Lavras.12. London: Sage. Les projets de développement agricole : manuel d’expertise.. NEUMANN. (Agronegócios. Cuiabá. E. finalmente. ROESSING. BATALHA.3.. Guia metodológico: diagnóstico de sistemas agrários. P.. C.M. 592p. 1999. A.1ª Edição. n.7).O.. Tecnologia de gestão e agricultura Familiar. (Projeto de Cooperação Técnica). v. NOWOTNY. M.Revista Tecnologia e Sociedade . GIBBONS. 2004. 2007. 2002. LIMA.A. . A... M. ao invés de ser realizado por pares. (1 CD-Rom). Grupos de agricultores para a tomada de decisões organizacionais: uma proposta metodológica. LAZZAROTTO.C. Brasília: INCRA/FAO. Agroecologia: bases científicas para uma agricultura sustentável. A.. In: CONGRESSO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ECONOMIA E SOCIOLOGIA.8. DUFUMIER. 2012...br/bda>. 175p. Brasília: IICA/MAPA/SPA. TROW. p. e 5). SCHWARTZMAN. v. INCRA/FAO.M. de. 42.. Guaíba: Agropecuária. H. Acesso em: 02 de agosto de 2011. CENSO Agropecuário 2006. 1996. LOURENZANI.. Porto Alegre. Paris/Wageningen: Karthala/CTA. v.1. In: CONGRESSO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ECONOMIA E SOCIOLOGIA.1-16. M..C. H.L. FAVERO. Extensão rural e intervenção: velhas questões e novos desafios para os profissionais. 2006.S. de.P. Administração da unidade de produção familiar: modalidades de trabalho com agricultores.. BASSO. em relação ao controle de qualidade.J. 2004. N. Referências ALTIERI.. MELLO. n. J. Cadeia produtiva de fruta. (1 CDRom). 2004. 4) sobre a questão da reflexividade. 2009. Disponível em: <http://www. 102 p. BUAINAIN. 42. Capacitação gerencial de agricultores familiares: uma proposta metodológica de extensão rural. LIMOGES. H. J. W. BUAINAIN. SOUZA FILHO. BATALHA. 1995. é necessário passar de uma visão predominantemente técnico-científica para uma visão em que há valorização de todo conhecimento útil à solução de determinado problema... 58p. The new production of knowledge: the dynamics of science and research in contemporary societies. 354p. Anais.gov. Cuiabá.C. Cadernos de Psicologia Social do Trabalho. M. Organizações Rurais & Agroindustriais.ibge. SARRIERA. et al. Cuiabá: SOBER. Anais.313-322.. M. Cuiabá: SOBER. Ijuí: UNIJUÍ. ISSN (versão online): 1984-3526 112 o processo de produção e aplicação do conhecimento.sidra. S.. P..

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Revista Tecnologia e Sociedade. n.5. Curitiba.49-60. ISSN (versão online): 1984-3526 114 Paulo Freire para extensão rural.Revista Tecnologia e Sociedade . . 2012.1ª Edição. p. 2007. Jul.

2012. Universidade Federal do Paraná – UFPR. principalmente pelo fato dos conhecimentos estarem dentro da particularidade de cada indivíduo. que carrega seus saberes conforme suas experiências. PR – Brasil. Os aspectos fundamentais e conceituais referentes ao e-book. PR – Brasil. E-mail: fsilvadm@yahoo. Professor do Programa de Mestrado em Ciência. consequentemente.br Egon Walter Wildauer: Doutor em Ciências Florestais pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). no século XXI. Fato este que remete ao que se pode chamar de conhecimento tácito. Universidade Federal do Paraná – UFPR. resultando no levantamento dos conceitos potenciais para o compartilhamento dos conhecimentos das organizações. Orientador. uma vez que o usuário pode ter acesso em tempo real ao conhecimento utilizando-se tanto de 9 Adriane Ianzen Machado: Mestranda do Programa de Mestrado em Gestão e Tecnologia da Informação. para sua disseminação.com. materialização do conhecimento. Curitiba.Revista Tecnologia e Sociedade . ativista do conhecimento e o livro eletrônico fazem parte do cenário do objeto de estudo e é com base nestes conceitos que surge uma proposta de uso do livro eletrônico como ferramenta tecnológica de disseminação do conhecimento. Foi realizada uma análise qualitativa de teorias que sustentam a criação de um meio para a disseminação formal do conhecimento por meio dos e-books.br. Constatou-se que materializar o conhecimento utilizando-se do e-book pode ser uma ferramenta estratégica e tecnológica para agregar valor às organizações. E-mail: egon@ufpr. cultura. em seu novo surgimento. que é algo individual e importante para a construção do conhecimento explícito.1ª Edição. gestão do conhecimento. E-mail: adriane@iagil. Curitiba. O método de pesquisa adotado foi a pesquisa bibliográfica com análise da literatura sobre os livros eletrônicos. Brasil. vivências. Brasil. neste sentido este artigo tem como objeto de estudo o uso do livro eletrônico (e-book) como ferramenta estratégica para a materialização do conhecimento e.br Fabiana Paula Hoffmann: Mestranda do Programa de Mestrado em Gestão e Tecnologia da Informação. Gestão e Tecnologia da Informação (UFPR). . ISSN (versão online): 1984-3526 115 Uso do E-book Como Meio de Compartilhamento Formal e Disseminação do Conhecimento Explicito em Organizações Use of e-book as formal resource of sharing and dissemination of explicit knowledge in organizations Adriane Ianzen Machado Fabiana Paula Hoffmann Egon Walter Wildauer 9 Resumo Há uma grande gama de conhecimento fragmentado dentro das organizações. O uso de ferramentas tecnológicas é de suma importância como meio de disseminação deste conhecimento.com. Mestre em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

This fact leads to what might be called tacit knowledge. é responsável por grande parte das revoluções em qualquer campo ou área de conhecimento. Palavras-Chave: E-book. Quantitative analysis was performed over the theories that support the creation means for formal dissemination of knowledge through the e-books. knowledge's activist. knowledge's activist and the electronic book make part of the scenery of the object of study and part of these concepts. these paper found that materialize the knowledge using e-book can be a strategic and technological tool to add value in organizations. in the twenty-first century. transmissão estão presentes em ambas Sociedades coexistentes no mundo. Sociedade esta que. Os desafios da colaboração. armazenamento. in this sense. Desde que a internet foi disponibilizada para acesso público e sua popularização permitiu a intensa troca de informações entre pessoas de diversas partes do planeta.1ª Edição. Organização. disseminação. resulting in a survey of potential concepts for the knowledge sharing in organizations. 2012. 1 INTRODUÇÃO A tecnologia. explicit and tacit knowledge. mainly because knowledge are within the particularity of each person who carries their knowledge according their experiences. The use of technological tools has a great importance as a way of disseminating explicit knowledge and. conhecimento tácito e explícito. ISSN (versão online): 1984-3526 116 computadores como de aparelhos celulares. Abstract There are a wide range of fragmented knowledge within organizations. this paper has the objective study the use of electronic book (e-book) as a strategic tool in order to materialization the knowledge and. knowledge management. knowledge's materialization. The fundamental and conceptual aspects related to e-book. since the user can have real time access to knowledge using both computers and cell phones. materialização do conhecimento. As a result. surgiu a Sociedade da Informação e mais tarde a Sociedade do Conhecimento. which is something personal and important to construct the explicit knowledge. e seu constante aprimoramento. junto com . gestão do conhecimento. which generates competitivity and a power knowledge advantage for organizations. Key-words: E-book. disseminação são termos muito conhecidos pela Sociedade da Informação. Nesse ínterim. ocorreu a multiplicação de informações e o grande aumento no desenvolvimento do conhecimento. emerges a proposal to use the electronic book as a technological tool for knowledge dissemination.Revista Tecnologia e Sociedade . o que gera uma competitividade e um poder de conhecimento vantajoso para as organizações. consequently. The research method used was a literature review with analysis of them on e-books in his new appearance. its spread. knowledge management. knowledge's materialization. ativista do conhecimento. culture and way of life.

públicas na web. As ferramentas colaborativas e de socialização. comenta sobre o surgimento da web 2. que ressurgem com foco corporativo. O e-book não é uma tecnologia do século XXI. sejam tablets. Dessa forma este artigo tem como objetivo apresentar uma proposta de uso de e-books e seus aparelhos leitores (sejam ereaders. Com essa revolução algo a mais foi evidenciado: o crescimento do conhecimento. seu colaborador com suas competências e habilidades em gerar e transmitir conhecimentos. nas quais as empresas devem estar inseridas. 2012. Apesar de o conhecimento ser algo muito comentado e discutido dentro das organizações. também interagem-se neste contexto de geração e compartilhamento de conhecimentos. este processo tem sido amplamente negligenciado na literatura organizacional. ISSN (versão online): 1984-3526 117 o avanço das tecnologias da informação e comunicação. convencionalmente tratado de livro eletrônico. porém neste século alguns conceitos em relação a essa tecnologia foram modificados. Desta forma questiona-se então: como aproveitar essa ferramenta tão valiosa nas empresas. para eles. embora a sua força de mudança e inovação sejam os novos leitores digitais. como aquelas oferecidas pelas redes e comunidades sociais e empresariais.Revista Tecnologia e Sociedade . pois. Esta (r)evolução está pautada. comenta ainda que essa situação compreende também "outras características inovadoras. sua existência é mais antiga. 2008. sejam aparelhos celulares) como uma estratégia . Na prática. ou e-book. É nesse contexto que se insere a nova era dos livros digitais. é a negligência das instituições no momento da externalização dos conhecimentos. A crescente preocupação empresarial com seu ativo financeiro interno tem foco para o ser humano. Torquato (2008). principalmente. De forma generalizada. da transmissão de dados e informações. na alteração do suporte do livro que passa do impresso ao digital. ou seja. Estes aparelhos também não são novidades no mundo tecnológico. prefácio).1ª Edição. concomitante ao ressurgimento dos aparelhos leitores.0 e sobre o aumento da disponibilização e do consumo de recursos de áudio e vídeo. trouxe uma revolução no campo da comunicação. os e-readers. no prefácio do livro Sociedade da Informação. No momento vive-se uma intensa '(r)evolução' em um produto que é muito tradicional para o ser humano e que está totalmente relacionado com a transmissão de informações e com o conhecimento: o livro. acompanhados das pranchetas eletrônicas (ou tablets). há ainda muita dificuldade nas empresas em realmente se utilizar adequadamente os conhecimentos gerados internamente. para que auxilie na produtividade e competitividade empresarial? Com base nesta questão pretende-se entender como os livros eletrônicos podem se apresentar como uma ferramenta útil na disseminação do conhecimento. pelos sistemas colaborativos Wiki e por meio da crescente geração e difusão de conteúdo pelos próprios usuários" (TORQUATO. Quem afirma isto são os autores Takeuchi e Nonaka (2008). ao invés de meros equipamentos para leitura e/ou entretenimento de seus usuários. gerir o conhecimento é algo ainda nebuloso para muitas instituições e uma das possíveis causas para isso.

1. no segundo apresenta-se uma atualização devida à evolução do conceito. 2012. neste caso os livros eletrônicos. 1. no terceiro tópico.2 Procedimentos Metodológico Os procedimentos metodológicos adotados para esta pesquisa foram: levantamento bibliográfico e análise de literatura com os temas abordados de acordo com o quadro 1.Revista Tecnologia e Sociedade . a materialização do conhecimento é foco do quarto tópico e o uso de e-books como disseminação formal do conhecimento externalizado é proposto no sexto tópico. seguido de análise qualitativa dos conhecimentos potenciais compartilhados para viabilizar uma proposta de disseminação de conhecimentos dentro das organizações por meio de uma ferramenta tecnológica. . ISSN (versão online): 1984-3526 118 para a gestão e o compartilhamento de conhecimentos dentro de uma organização.1 Estrutura Este artigo está estruturado em seis tópicos de forma que no primeiro é apresentado um breve histórico sobre os e-books. para então adentrar. Em fim apresentam-se as considerações finais com base nos autores que serviram como apoio teórico para a construção da proposta. nos temas gestão do conhecimento e disseminação formal do conhecimento.1ª Edição.

1997. MUÑOZ-SECA e RIVEROLA. ROSINI e PALMISANO. TEIXEIRA FILHO. para o compartilhamento e para a troca formal de conhecimentos. não limitado a um local físico (estático). 2000 O livro eletrônico como estratégia para a gestão do conhecimento Quadro 1: Escopo do artigo Fonte: elaborado pelos autores . 2011. NONAKA e TAKEUCHI. BARRETO.Revista Tecnologia e Sociedade . GROTTO. 2002. 2007. 2003. BENÍCIO. Materialização conhecimento do Propõe uma estruturação formal e concreta do conhecimento. tornando-as dinâmicas e competitivas. 2010. CHOO. 2008. FLEURY e OLIVEIRA JUNIOR. SANTIAGO JUNIOR. REZENDE. 2012. 2010 DZIEKANIAK. SPENDER. utilizando-se da tecnologia e do ativista para a elaboração.1ª Edição. SABBAG. SIMCSIK e POLLONI. 2001. 2010. 2008. Contribui para integrar e sistematizar formalmente os conhecimentos fragmentados. DZIEKANIAK. 2004 A gestão do conhecimento e a disseminação formal do conhecimento Importância da disseminação formal do conhecimento como estratégia competitiva para as organizações. inibindo os problemas com falhas na transferência desses e adequando em tempo real. 2010. Por meio da socialização. ISSN (versão online): 1984-3526 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA BARRETO. 2008. 2003. 2010. 2002. externalização. 2010. IDPF. 2010. YANO. 2006. 2004. GUTENBERG. TÓPICO CORRESPONDENTE CONTRIBUIÇÃO PARA AS ORGANIZAÇÕES 119 Histórico sobre os ebooks Propicia o conhecimento sobre o cenário de e-books. as alterações que ocorrem dentro das organizações. RODRIGUES. 2008. GARCIA. 2006. 2010 2010. DUGUID e BROWN. Atualização de conceitos em relação aos e-books Definição e distinção do conceito de E-books e aparelhos leitores. TAKEUCHI e NONAKA. ICHIJO. SILVA e BUFREM. internalização e a combinação é possível a migração do conhecimento tácito em conhecimento explícito contribuindo para a formalização e registro dos conhecimentos gerados pelas organizações.

nos EUA. aparelho leitor de propriedade da Amazon.. A seguir apresenta-se essa atualização de conceitos. ilustrações. p. . procurando ganhar o mercado (BENÍCIO. (SILVA. um fracasso estrondoso de vendas. mais de 36. em meados do ano 2000. Philips e Sharp foram igualmente derrotadas na missão de emplacar um portátil. Para baixar e-mails era preciso comprar um modem e acoplar. Allan Kay (um cientista norte-americano da Xerox Corporation) previu o aparecimento. Não por acaso. Sony. (. houve um grande aumento no desenvolvimento de novos aparelhos leitores (YANO. e-readers ou dos blogs. conforme Garcia (2010. a troca de dados por infravermelho e 1MB de memória para guardar contatos. Em 1968. em poucos anos. com textos. pequeno de duas telas. Em 1992. surgindo entre a década de 90 e o ano 2000 diversos tipos de aparelhos leitores.1ª Edição. (BARRETO. 2008). BUFREM. atualmente. o Projeto Gutenberg (GUTENBERG. pois tanto o arquivo do livro quanto os aparelhos leitores eram chamados de ebooks. Quem conseguiu tirar os handhelps do anonimato e transformá-los em ícones dos anos 90 foi a até então desconhecida Palm Computing. por volta dos anos 90. Devido ao crescente uso e interesse dos e-books. p.) Entre seus atrativos. uma tela monocromática que reconhecia escrita com canetinha (stylus). visto que a partir do lançamento do Kindle. Inclusive esse cientista imaginava a possibilidade de imitar o virar de páginas apertando botões ou mesmo tocando na tela. oferecendo.000 livros livres para download e leitura em diversos tipos de aparelhos. a qual diferencia os arquivos de livros eletrônicos de aparelhos leitores. 2011. Vannevar Bush (diretor do Escritório de Pesquisas e Desenvolvimento dos EUA) idealizou o primeiro aparelho leitor de livros que ele chamou de Memex. um boom (sic) na produção de conteúdo”..Revista Tecnologia e Sociedade . cada um com suas funcionalidades e particularidades. 1) “antes mesmo de e-books. 2003). de um livro dinâmico que seria uma espécie de computador portátil. Em 1945. 134) Este fracasso inicial não desanimou os investidores deste tipo de aparelho. uma iniciativa que criou os livros eletrônicos. Em 1971 Michael Hart fundou. 2001). ISSN (versão online): 1984-3526 120 2 BREVE HISTÓRICO SOBRE OS E-BOOKS O conceito de livro eletrônico não é recente. já era possível distribuir uma obra pela internet. houve a necessidade de uma atualização do conceito de e-book. a Apple: inaugurou o mercado de computadores de bolso com o Newton. 2012. a rede possibilitou. colorido e legibilidade perfeita. Após o ano 2000 houve uma espécie de revolução no mercado de ereaders. 2010).

2010). este tipo de tecnologia proporciona um meio de disseminar formalmente os conhecimentos dentro das organizações. 2). houve uma linha do tempo a ser percorrida pelas organizações. 2010.Revista Tecnologia e Sociedade . de forma a garantir que o leitor que o adquirisse.1ª Edição. Text (TXT). verifica-se o uso do termo e-book para designar tanto o arquivo do livro quanto os aparelhos leitores (BENÍCIO. seguidos dos tablets. tornando-se o formato padrão usado pela maioria dos aparelhos desenvolvidos para este fim. 2012. entre outros). BUFREM. SILVA. pelo IDPF (International Digital Publishing Forum). assim como também o formato dos livros (arquivo) também se e modificou. inicialmente. o que é bem explicitado por Barreto (2006) que coloca a gestão do conhecimento dentro de uma ciência. a ciência da informação. Em vários artigos publicados sobre o livro eletrônico. 4 A GESTÃO DO CONHECIMENTO E A DISSEMINAÇÃO FORMAL DO CONHECIMENTO Para se chegar à Gestão do Conhecimento. surgiu o Extensible Markup Language (XML) com o conceito de organização do conteúdo. o que se torna uma ferramenta estratégica para a gestão do conhecimento. se confundia com software. os chamados formatos proprietários. desenvolvido em 2007. ISSN (versão online): 1984-3526 121 3 ATUALIZAÇÃO DE CONCEITOS EM RELAÇÃO AOS EBOOKS Após o surgimento dos primeiros e-books houve uma mudança radical no seu conceito. lançada em outubro de 2011 e abrange funcionalidades como multimídia e a linguagem JavaScript (IDPF. O autor a considera como: “uma instituição mediadora da relação informação-conhecimento” (BARRETO. uma vez que a terminologia estava em processo de desenvolvimento e necessitava de um maior “tratamento por parte das áreas envolvidas com o estudo dos suportes informacionais” (DZIEKANIAK. 2006. e então chegou-se ao ePub (eletronic publishing). 2003. BUFREM. 2001. p. O ePub transformou-se em um unificador de tecnologias. HyperText Markup Language (HTML). Antes haviam os Portable Document Format (PDF). 2010. Até o surgimento do ePub os fabricantes de e-readers procuravam criar um formato compatível com o seu próprio e-reader. XML e CSS e que é um padrão aberto. logo. SILVA. BENÍCIO. hardware e conteúdo. SORRIBAS. 11) e apresenta tempos distintos na história desta ciência: “tempo de gerência da . tivesse que comprar os livros somente de sua própria plataforma. Este formato está na sua versão 3. 2005. Definido o conceito de e-book e sua utilidade como documento virtual e atualizável em qualquer circunstâncias. p. DZIEKANIAK. Esse conceito passou a se firmar a partir do desenvolvimento dos ereaders. o qual. com apoio de linguagens de formatação como o Extensible Stylesheet Language (XSL) e o Cascading Style Sheets (CSS). um formato que agrega as funções do HTML. 2009.

de forma a aliar os conhecimentos entre estes grupos. e o “tempo do conhecimento interativo. Um ponto abordado pelos autores refere-se a intermediação do conhecimento.1ª Edição.Revista Tecnologia e Sociedade . vídeos e. Duguid e Brown (2010) abordam a existência de comunidades de práticas nas organizações como grupos que se desenvolvem espontaneamente e enfatizam que essas comunidades trocam entre si e criam conhecimentos. muitas vezes por meio do improviso (inovação). afirmam que: o conhecimento dividido entre as comunidades diferentes de uma organização não equivale a um todo coerente. que vai de 1945 a 1980” no qual ele comenta o início da necessidade de organizar. que comenta da interatividade após o advento da internet e de sua disponibilização para o acesso público. data de publicação da obra do autor. Redes de relacionamento social fazem parte desse avanço. de 1995 até 2006”. a Internet. no período de 1980 a 1995”. Nesse contexto inserem-se as comunidades de práticas organizacionais. pelas comunidades de prática em determinada instituição. (DUGUID. BROWN. do qual as melhores partes ou práticas possam ser selecionadas e transferidas. 71). Rodrigues (2010) aborda o incentivo proporcionado pelas novas tecnologias no desenvolvimento do conhecimento organizacional: A maior facilidade de acesso à informação. as quais não estão apenas dentro das organizações. 2012. com CD-ROMS. em razão da nova tecnologia e da velocidade das comunicações. no qual o autor identifica o início da relação direta entre informações e conhecimento. p. acima de tudo. nas quais grupos de opiniões e crenças adjacentes unem-se em busca de conhecimentos e compartilhamento de informações sobre seus assuntos de interesse. porém apontam como problema dessa alternativa a questão da saturação das informações em virtude de seu crescimento indiscriminado. Surgiu nesse panorama. ISSN (versão online): 1984-3526 122 informação. Duguid e Brown (2010) comentam sobre a experiência do desenvolvimento de bancos de dados. o tempo do conhecimento colaborativo. Ao contrário. mas disponíveis na web a fim de colher contribuições externas. mas a construção mútua de informações e conhecimentos. não só interatividade na web. Pode-se acrescentar aos tempos identificados pelo autor. indexar e recuperar informações”. 2010. como ferramentas essenciais em diversas áreas. No entanto. A multimídia. . “tempo de relação entre informação e o conhecimento. iniciado desde que surgiram os blogs e ferramentas de construção colaborativa na web (chamadas wiki). no qual uma sugestão seria que fosse feito por participantes que são integrantes de diversos grupos. criou as condições apropriadas para que o conhecimento escapasse de seus detentores tradicionais: os pequenos círculos e a elite. A necessidade de filtro e critério no momento de preenchimento de um "repositório de conhecimento" é essencial para evitar problemas como esse de saturação. trata-se de um grupo de conhecimento fragmentado e localmente desenvolvido. a partir do qual a organização tem que produzir outro grupo complementar e coerente. perdendo assim seu valor e sua especificidade.

19). 18) afirmam que "O conhecimento da empresa é fruto das interações que ocorrem no ambiente de negócios e que são desenvolvidas por meio de processos de aprendizagem. Em seus estudos o autor divide a Gestão do Conhecimento em duas frentes: uma que a trata como objeto (e procura abstrair o conhecimento das pessoas) e outra que a trata como processo (envolvendo os processos individuais e sociais de criatividade. OLIVEIRA JUNIOR. Spender considera ainda que o valor (do conhecimento) “dep ende de sua habilidade [dos gerentes] de ir além da análise convencional para capturar e analisar novos fenômenos. Esse modelo “está no núcleo do processo de criação do conhecimento (…) e descreve como os conhecimentos tácito e explícito são amplificados em termos de qualidade e quantidade. porém de forma desestruturada e dispersa (tanto em pessoas quanto em objetos e/ou produtos da própria empresa). 46). motivação e comunicação).” (TAKEUCHI. p. . 23). assim como para a identificação dos ativos estratégicos que irão assegurar resultados superiores para a empresa no futuro (…).1ª Edição. o que torna necessário unir o conhecimento com a tecnologia moderna para torná-lo disponível quando necessário. disseminar e atualizar o conhecimento estrategicamente relevante para a empresa (FLEURY. Externalização. proposto por Takeuchi e Nonaka (2008). p. Verifica-se. Fleury e Oliveira Junior (2010. 2010.. intuição e valores". ISSN (versão online): 1984-3526 123 facilitou a compactação da informação e sua distribuição indiscriminada (RODRIGUES. desenvolver. (. Fleury e Oliveira Junior (2010) afirmam ainda que as empresas de conhecimentos diferentes devem unir-se para suprir suas falhas potenciais de conhecimentos. o chamado SECI (abreviatura de Socialização. p. Entendemos por gestão estratégica do conhecimento a tarefa de identificar. NONAKA. O conhecimento pode ser entendido também como informação associada à experiência. p. 2010.Revista Tecnologia e Sociedade . 31). 2008. desta forma a necessidade de se considerar o ciclo da geração do conhecimento. de forma a manterem-se competitivas na “economia do conhecimento”. 2010. assim como do indivíduo para o grupo e. então. 88). 2012. Combinação e Internalização). o que acaba por conduzir “mensagens diferentes para os gerentes que tentam entender o que a gestão do conhecimento realmente significa para eles” (SPENDER.) seu valor está na habilidade de dar aos gerentes maiores insights e influenciar os sistemas de atividades e a comunidade de práticas que podemos chamar de organizações” (SPENDER. 2010. A gestão do conhecimento apresenta uma importante contribuição para a compreensão de como recursos intangíveis podem constituir a base de uma estratégia competitiva.. Os autores consideram que os conhecimentos tácitos de um grupo de pessoas em uma organização são as competências essenciais da empresa. para o nível organizacional. Spender (2010) comenta que as empresas geralmente têm muito conhecimento armazenado. p. inovação. p.

p. 2012. ISSN (versão online): 1984-3526 124 Ainda é possível verificar que os autores consideram que as organizações tem negligenciado a etapa de externalização do conhecimento. O conhecimento explícito pode se basear em objetos ou regras. código de software. explicita de forma clara sobre o conhecimento explícito. protótipos. Ichijo (2008). 24) Nonaka (2008) comenta que tornar o conhecimento tácito em explícito é o mesmo que expressar o inexpressável e sugere o uso de linguagem figurativa e de simbolismo para isso. 2002. como engenheiro do conhecimento). apresenta alguns propósitos para a existência do ativismo do conhecimento. conhecido como o ativista do conhecimento (também chamado por alguns autores. conhecimento de programação. de forma que sejam incorporados em novas tecnologias e produtos. para que o conhecimento empresarial seja coletado. p. 2008. considerando-o como aquele que pode ser expresso formalmente com a utilização de um sistema de símbolos. (CHOO.Revista Tecnologia e Sociedade . (4) melhoramento das condições daqueles engajados na criação do conhecimento. que tem como função impulsionar e fazer um elo de ligação entre os indivíduos e o conhecimento.” ( TAKEUCHI. NONAKA. em especificações de produtos. (…) O conhecimento baseado em objetos pode ser encontrado. Na mesma linha de pensamento desses autores. p. conhecimento do domínio. tática e diplomacia. banco de dados de computador. tanto os de linha de frente. inteligência. (5) . apontando seis deles: (1) foco e inicialização da criação do conhecimento. tornando-os explícitos. Afirmam ainda que o engenheiro do conhecimento deva possuir boa comunicação. Choo (2006). Um papel importante para que este conhecimento seja de tal forma articulado dentro das organizações é desempenhado pelo chamado 'ativista do conhecimento'. Ele extrai conhecimento de alguma fonte. é convertido em conhecimento transmissível e articulado. (2) redução do tempo e do custo necessários para a criação do conhecimento. interpreta e representa em tipos e estruturas convenientes” (SIMCSIK. disserta sobre alguns casos de sucesso e comenta que os responsáveis pela gestão do conhecimento devem sintetizar os conhecimentos tácitos de seus colaboradores. relacionando suas atividades ao quadro geral da empresa. rotinas ou procedimentos operacionaispadrão. que é a etapa na qual “o conhecimento t ácito. o que tem sido frequentemente desconsiderado pelas organizações. versatilidade e inventividade. O conhecimento explícito é baseado em regras quando é codificado em normas. que é pessoal. desenhos técnicos. podendo portanto ser facilmente comunicado ou difundido. Para os autores “O engenheiro do conhecimento é o profissional responsável pela estruturação e construção de um sistema inteligente. (3) alavancagem de iniciativas de criação do conhecimento por tora a corporação. por exemplo. corroborando com Takeuchi e Nonaka (2008). armazenado e externalizado eficientemente há a necessidade da existência de um ator no processo. quanto dos executivos seniores. fotografias e outros.1ª Edição. empatia e paciência. 189). POLLONI. 373). específico ao contexto e difícil de formalizar e comunicar aos outros. E que segundo o conceito proposto por Simcsik e Polloni (2002). 2006. patentes.

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preparação dos participantes da criação de conhecimento para novas tarefas nas quais seu conhecimento é necessário; e (6) inclusão da perspectiva da microcomunidade no debate mais amplo de transformação organizacional. (ICHIJO, 2008, p. 131132)

O autor afirma ainda que:
Os ativistas do conhecimento são grandes participantes em pelo menos quatro subprocessos de criação de conhecimento. No início do processo, eles frequentemente formam microcomunidades de conhecimento. Eles facilitam o caminho para a criação e a justificação dos conceitos, assim como para a construção de um protótipo. (…) Os ativistas do conhecimento são os divulgadores do conhecimento na empresa, espalhando a mensagem a todos.” (ICHIJO, 2008, p. 131-132).

Desta forma, verifica-se que para gerenciar o conteúdo de um livro eletrônico é necessário um ativista do conhecimento para cada área específica, para a qual se utilizará essa ferramenta. Para que todos deem sugestões, e elas sejam filtradas e sintetizadas de forma que fiquem claras para todos, para que o conhecimento seja compartilhado de maneira eficaz. Rosini e Palmisano (2008) esclarecem bem a contribuição que um documento com informação digital pode oferecer:
Quando a informação é digitalizada e comunicada por meio de redes digitais, revela-se um novo mundo de possibilidades, em que quantidades enormes de informação podem ser comprimidas e transmitidas na velocidade da luz, pois a quantidade das informações pode ser muito melhor do que nas transmissões analógicas. Muitas formas diferentes de informação podem ser combinadas, criando, por exemplo, documentos multimídia e as informações podem ser armazenadas e recuperadas instantaneamente de qualquer parte do mundo, propiciando, consequentemente, acesso instantâneo a maior parte das informações registradas pela civilização humana. (ROSINI; PALMISANO, 2008, p. 107, grifo nosso).

Um aspecto importante em um ativista é a sua capacidade de saber interagir com as pessoas e a capacidade de atuar como um suporte de ligação entre o conhecimento e as idéias tácitas advindas de diversas vivências de cada indivíduo. Há que se mencionar a metáfora do Iceberg do Conhecimento, pois, de acordo com Sabbag (2007, p. 56-57) o conhecimento é explorado como se fosse em camadas de um iceberg. No topo do iceberg estão as partes que fazem parte do conhecimento explícito como o saber fazer (teorias, normas, procedimentos, instruções, processos organizacionais) e na parte submersa e intangível encontra-se a parte que compete ao conhecimento tácito como o saber fazer incorporado, saber os porquês, saber com quem (talentos naturais, simbolismos, crenças, cultura, valores e atitudes, pressupostos). Neste contexto o ativista do conhecimento para atuar como ator no processo, deve saber lidar com as nuances existentes entre o conhecimento explícito e o que se pode aprender com o conhecimento tácito, uma vez que

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a profundidade com que terá que lidar com este último é maior e envolve um processo de extração do conhecimento individualizado. Corroborando com essa ideia há a espiral do conhecimento (figura 1) proposta por Nonaka e Takeuchi (1997, p. 80), na qual observa-se que o grande desafio corresponde em transformar o conhecimento tácito em explícito, ou seja, no processo de externalização. E neste processo está a fundamental importância do papel do ativista: na compilação de toda essa gama de conhecimentos exteriorizados.

COMPETIÇÃO

SOCIALIZAÇÃO Experiências compartilhadas

EXTERNALIZAÇÃO Conhecimento tácito convertido em explícito

INTERNALIZAÇÃO Conhecimento explícito incorporado no conhecimento tácito

COMBINAÇÃO Conceitos sistematizados

COOPERAÇÃO

Figura 1: Espiral do Conhecimento Fonte: adaptado de Nonaka e Takeuchi (1997, p. 80)

Neste cenário o ativista do conhecimento que está envolvido com a atividade de desenvolvimento de um livro eletrônico tem a função de ser um agente extrator do conhecimento tácito e um transformador deste conhecimento em explícito, por meio do método espiral do conhecimento de Nonaka e Takeuchi (1997), o ciclo de socialização, externalização, combinação e internalização, deve ser contínuo, possibilitando a troca de

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conhecimentos, o enriquecimento de saberes e a formalização do conhecimento. Dessa forma a disseminação formal do conhecimento tende a ser um produto dos esforços da extração e transformação do conhecimento tácito em conhecimento explícito, tomando um formato materializado, ou seja, pode-se falar em uma concretização do conhecimento.

5 MATERIALIZAÇÃO DO CONHECIMENTO
Apesar do conhecimento ser algo muito comentado e discutido dentro das organizações, há ainda muita dificuldade nas empresas em realmente se utilizar adequadamente os conhecimentos gerados internamente. Na prática, gerir o conhecimento é algo de grande dificuldade para muitas instituições e uma das possíveis causas para isso, é a negligência das instituições no momento da externalização dos conhecimentos. Quem afirma isto são os autores Takeuchi e Nonaka (2008), pois, para eles, este processo tem sido amplamente negligenciado na literatura organizacional. O conhecimento externalizado deve ser materializado, para ser disseminado corretamente, pois quando se trata de conhecimento é preciso se ter uma compreensão exata do que se pretende compartilhar dentro dos processos envolvidos, é importante saber mapear formalmente o conhecimento presente dentro das organizações. Esse processo de materialização se dá pela necessidade de gerar uma estrutura concreta do conhecimento, nesse sentido, bem explicitada por Muñoz-Seca e Riverola:
Dada a intangibilidade do conhecimento para poder manejá-lo fisicamente, requer-se sua transformação em estruturas materiais. O conhecimento deve se incorporar a uma estrutura física que pode se transformar por meios físicos bem estabelecidos e da qual se pode extrair de novo por meios sensoriais. O conhecimento em forma pura não é suficiente para satisfazer todas as necessidades da economia. O alimento para a mente deve ser suplementado com o alimento para o corpo. Por conseguinte, o conhecimento tem de ser transformado – também utilizaremos o termo “materializado” – em entidades tratáveis dentro dos processos básicos da empresa e da sociedade. (MUÑOZ-SECA; RIVEROLA, 2004, p. 45).

Na mesma perspectiva, os autores continuam e explicam o que seria a materialização do conhecimento:
A materialização do conhecimento é sua transformação numa forma que possa ser manipulada, armazenada, transmitida, recuperada e utilizada facilmente, sem ter de recorrer à pessoa que o originou. Uma materialização se origina num originador, protetor do conhecimento, e pode ser utilizada para resolver problemas no destinatário. Um inventário de conhecimentos da empresa é quase um passo obrigatório para a gestão do conhecimento. (MUÑOZSECA; RIVEROLA, 2004, p. 45).

de forma externalizada formal e unificada.Revista Tecnologia e Sociedade . À luz do compartilhamento formal do conhecimento e de acordo com alguns conceitos tem-se a possibilidade de se obter um cenário. quando as pessoas trocam ideias. ocorre de maneira não preestabelecida durante encontros casuais e conversas locais. o autor ainda cita duas práticas de compartilhamento de conhecimento encontradas em empresas distintas: a) estratégia de codificação. como “ o e-mail. Se as empresas considerarem exatamente o que o autor comenta – uso de e-mail. O compartilhamento informal. porém fragmentado. O livro eletrônico vem como aliado a essa disponibilidade de conhecimentos nas organizações. O compartilhamento do conhecimento pode ocorrer por meio de práticas informais ou formais. na qual uma pessoa detentora do conhecimento é responsável por comunicá-lo e transmiti-lo aos demais interessados. como estratégia de armazenamento e disseminação de novos conhecimentos. de acesso fácil. p. colaborativas e propiciar a todos informações precisas e atualizadas. 2003. 6 O LIVRO ELETRÔNICO COMO ESTRATÉGIA PARA A GESTÃO DO CONHECIMENTO O livro impresso é estático e corre o risco de ficar defasado muito rapidamente. p. unidas podem propiciar grande desenvolvimento de conhecimento dentro da organização. 110) “geralmente. a videoconferência e o sistema de redes (…) e o mapeamento do conhecimento organizacional” (GROTTO. manuais e livros – propícias ao compartilhamento do conhecimento explícito” e algumas ferramentas tecnológicas para esse compartilhamento formal do conhecimento. O livro eletrônico tem a possibilidade de oferecer mais. na qual o conhecimento é explicitado em sistemas de informação para acesso pelos colaboradores. conforme Grotto (2003. Trata-se da portabilidade e da disponibilidade desses conhecimentos em tempo hábil. 111-112). no entanto percebe-se um implicador: a fragmentação desses recursos. vídeoconferência e o sistema de redes – terá conhecimento materializado. remoto. . com essa explanação a importância da tecnologia no compartilhamento formal do conhecimento dentro das organizações. no qual. segundo o autor “existem algumas práticas formais de compartilhamento do conhecimento – como palestras. Há então a necessidade de uma ferramenta para a disseminação formal do conhecimento de forma a unir todas essas informações em um único local. Essas duas práticas. apresentações audiovisuais. quando necessário. e b) estratégia personalizada. 2012. As práticas diferem de uma organização para outra. Verifica-se. portátil e seguro.1ª Edição. passível de ser disseminado a quem interessar. ISSN (versão online): 1984-3526 128 As informações podem advir das reuniões informais. pedem conselhos para resolver problemas e perguntam em que os outros estão trabalhando”.

documentos. pelo aprendizado interpessoal e o compartilhamento de experiências e ideias. ISSN (versão online): 1984-3526 129 oferecer principalmente a atualização de informações. Se a empresa seguir as ideias de Nonaka e Takeuchi (1997). que podem ser acessados na empresa. amigável e de acesso fácil e ágil. (…) As empresas precisam de qualidade. (SANTIAGO JÚNIOR. de conhecimentos. emails. publicações. transformando-as em conhecimento explícito. Conforme Santiago Júnior (2004) é possível verificar que A maioria dos problemas sobre a disponibilidade de conhecimentos nas organizações recai nas seguintes questões: a) problemas com transferência do conhecimento. internalização e a combinação poderá registrar tudo isso em livros eletrônicos. de conteúdo. b) erros devidos à falta de conhecimento. 25). Conforme o autor. pode ser chamado de Sistema do Conhecimento. através de meios estruturados como vídeos. 2012. no qual o livro eletrônico se enquadra como uma estratégia para a Gestão do Conhecimento. agilidade e velocidade de forma cada vez mais crítica (TEIXEIRA FILHO. Teixeira Filho (2000) comenta a necessidade das empresas em relação ao compartilhamento do conhecimento: O conhecimento é transmitido por pessoas e para pessoas. armazenando e atualizando conhecimentos) com o pode agregar todos os “produtos” em si próprio (documentos. c) conhecimento crítico nas mãos de poucas pessoas. p. 2000p. as pessoas obtêm conhecimento daqueles que já o têm. flexibilidade. com as organizações e com a sociedade como um todo. etc. hipertextos.Revista Tecnologia e Sociedade . Além disso. externalização. serviço. inovação. pode auxiliar nos processos (disseminando. ou em viagens. (REZENDE. ou mesmo em casa. livros. “trabalhadas” por pessoas e/ou recursos computacionais. p. O uso de livros digitais supriria praticamente todas as questões citadas pelo autor. tudo de uma forma agradável. livros. páginas da Web. textos. produzidas com qualidade e de forma antecipada.1ª Edição. 2002. O livro eletrônico pode unir tudo o que foi mencionado por Teixeira Filho. 85) O livro eletrônico como toda tecnologia tem seus pontos positivos e pontos negativos. d) impossibilidade de medição de uso do conhecimento. vídeos. que possa ser utilizado por todas as pessoas da organização. e) perda de conhecimentos relevantes nos momentos adequados. pelos seus colaboradores. Para o autor: Todo e qualquer sistema que manipula ou gera conhecimentos organizados para contribuir com os seres humanos. ainda assim seus pontos negativos em sua maior parte . 22-23). Isso significa a difusão das informações relevantes e úteis. sites). sobre a socialização. De acordo com Rezende (2002) existem os Sistemas do Conhecimento. f) falta de processos de compartilhamento. como suporte à obtenção da vantagem competitiva inteligente. nos sistemas do conhecimento são gerados muitas informações com conhecimento agregado. valor agregado. 2004.

externalizado e materializado. reunião de conteúdos textuais e multimídia. que seria a materialização deste conhecimento pelo ativista. falta de cultura em leitura eletrônica. A unificação de todos os conhecimentos estaria garantida e reunida em um local único de fácil acesso e portabilidade. Seu acesso pode ser feito em qualquer lugar.Revista Tecnologia e Sociedade . transformando-o em conteúdo de um suposto livro eletrônico que é disponibilizado novamente para todos os colaboradores. A figura 2 ilustra a união entre o compartilhamento “informal”. sua disponibilização ao ativista do conhecimento e o compartilhamento formal. controle de acesso ao conteúdo pelo usuário e pelo moderador. . Desta forma. já que o seu aparelho leitor pode ser desde um computador a um aparelho de celular. ISSN (versão online): 1984-3526 130 são superados com adequações que podem ser promovidas pelo ativista do conhecimento e pela colaboração de seus usuários.1ª Edição. 2012. Destacam-se:  Pontos positivos dos livros eletrônicos: portabilidade. prática do uso de proteção de direitos autorais (improvável num modelo como esse proposto). garantindo a mobilidade e acessibilidade do conhecimento que se busca. esse livro eletrônico seria sempre alimentado pelo ativista do conhecimento a cada novo conteúdo (conhecimento) compartilhado. atualização de conteúdo.  Pontos negativos dos livros eletrônicos: necessidade de um aparelho eletrônico para sua leitura. por meio dos colaboradores. convergência de tecnologia. disponibilidade e agilidade. falta de pro-atividade e interesse do usuário quanto ao conteúdo.

de forma que este seja fornecido aos colaboradores como ferramenta estratégica para a disseminação formal do conhecimento. Materializar . que deve ser o responsável pela concretização das ações necessárias à disponibilização de ambiente propício e ferramentas necessárias à captação desse conhecimento. É muito importante o papel do ativista do conhecimento. também observado por Simcsik e Polloni (2002) e Ichijo (2008). bem como a forma como este conhecimento é articulado dentro das organizações. 7 CONSIDERAÇÕES FINAIS O principal objetivo desse artigo foi mostrar uma proposta do uso do livro eletrônico (e-book) como uma ferramenta para a disseminação do conhecimento materializado. levando em consideração os conceitos e métodos sobre a Gestão do Conhecimento. 2012.1ª Edição. no processo de coleta dos conhecimentos tácitos e a compilação e transformação destes conhecimentos externalizados em conhecimento explícito.Revista Tecnologia e Sociedade . para então transpô-los ao e-book. ISSN (versão online): 1984-3526 131 Colaborador es Conhecimentos Ativista do conhecimento E-BOOK Disseminação do conhecimento materializado Colaborador es e disseminação de conhecimento por Figura 2: Processo de materialização meio de e-books Fonte: Elaborado pelos autores. Trata-se de um meio de compartilhamento formal do conhecimento explícito materializado. por meio de trabalhos como o do ativista do conhecimento.

No entanto. ISSN (versão online): 1984-3526 132 esses conhecimentos para disponibilizá-los em e-books torna-se um desafio e um ponto crucial para que a proposta em tela seja concretizada. conforme afirmado por Rosini e Palmisano (2008). Sendo possível observar que para disseminar os conhecimentos a tarefa de materializa-los é necessária. . para que eles possam atingir a todos os objetivos desejados pela organização satisfazendo as necessidades de conhecimentos de seus colaboradores. conforme afirmado por Takeuchi e Nonaka (2008). desta forma o estudo mostra que a organização deve se preocupar com a formalização do compartilhamento dos conhecimentos. Essa sistematização e seu compartilhamento ocorre formal ou informalmente. Desta forma concorda-se com Spender. p. 30-31). o compartilhamento. integridade do conhecimento que se deseja naquele espaço de tempo. isto em tempo real. Surge neste contexto a preocupação com a espiral do conhecimento. o acesso. auxiliando na tomada de decisões pelo compartilhamento dos conhecimentos. o processo de materialização. uma vez que o conhecimento pode ser acessado pelo usuário utilizando-se de diversas tecnologias desde um computador até um aparelho celular. 2010. concordando com Rezende (2002) em relação aos Sistemas de Conhecimento. 2012. p.Revista Tecnologia e Sociedade . a disseminação e a sistematização se fazem necessários para que a complexidade dos processos organizacionais se unifiquem para atingir os objetivos estipulados no planejamento estratégico. Como afirmado por Fleury e Oliveira Junior (2010. quando afirma que “há valor óbvio em inventariar esse conhecimento e em usar o poder da moderna tecnologia para torná-lo prontamente disponível a qualquer que seja a necessidade” (SPENDER.1ª Edição. o que garante a temporalidade. Por fim. para tornar o conhecimento tácito em explícito por meio da externalização e indo além se faz necessária a sistematização desse conhecimento. têm negligenciado a etapa de externalização do conhecimento. como afirma Grotto (2003). concordando com Muñoz-Seca e Riverola (2004) e a disseminação do conhecimento por meio de e-books pode apresentar-se como uma ferramenta útil dentro das organizações possibilitando resultados positivos e satisfatórios. de forma a atingir as necessidade de compartilhamento de conhecimentos em qualquer organização. Desta forma suprem-se as necessidades afirmadas por Santiago Júnior (2004). conforme apresentado e defendido por Nonaka e Takeuchi (1997). Neste aspecto a disponibilidade. acessibilidade. 18) os conhecimentos tácitos de um grupo de pessoas em uma organização são as competências essenciais da empresa. O resultado obtido com os artigos analisados e com o levantamento bibliográfico mostra que para as organizações o conhecimento é aspecto fundamental para a competitividade e para a própria sobrevivência.

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