Revista Tecnologia & Sociedade

Periódico técnico-científico do Programa de Pós-graduação em Tecnologia da UTFPR

No. 14 – 1º semestre de 2012 – Semestral. Curitiba: Editora UTFPR (denominação anterior: Editora CEFET-PR).
ISSN (versão online): 1984-3526

PPGTE - Programa de Pós-Graduação em Tecnologia da UTFPR Av. Sete de Setembro, 3165 Cep: 80230-901 – Curitiba – Paraná - Brasil http://www.ppgte.ct.utfpr.edu.br/tecnologiaesociedade revistappgte@gmail.com

Revista Tecnologia e Sociedade - 1ª Edição, 2012. ISSN (versão online): 1984-3526

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ÍNDICE
Editorial...…...…..............…….……………….....……………………....5 Dr. Christian Luiz da Silva Algunas consideraciones sobre la valoración económica de bienes y servicios ambientales en áreas protegidas. ................... 7 Some considerations about the economic valuation of environmental goods and services in protected area. Alain Hernández Santoyo Mayra Casas Vilardell María Amparo León Sánchez Rafael Caballero Fernández Víctor Ernesto Pérez León A Influência dos Recursos Naturais Frente à Colonização do Vale do Macuri ............................................................................... 17 The influence of natural resources the colonization of the Vale do Mucuri Marcio Schuber Ferreira Figueiredo Cristiane Xavier Figueiredo Análise de patentes de tecnologias relacionadas ao descarte de resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos com vistas à sustentabilidade ambiental........................................................... 34 Analysis of technology patents related to the disposal of electric and electronic equipment waste regarding the environmental sustainability Luciara Cid Gigante Maria Cristina Comunian Ferraz Camila Carneiro Dias Rigolin Bioenergia e resíduos na cadeia de suínos: uma análise de custos e investimentos para transporte de dejetos suínos com posterior geração de bioenergia no município de Toledo/ PR ... 48 Bioenergy and waste in the chain of pigs: an analysis of costs and investments for the transportation of pig manure with subsequent generation of bioenergy in the city of Toledo / PR Sandra Mara Pereira Política Industrial Comum no Mercosul: apontamentos sobre o papel das instituições ................................................................... 67 Common Industrial Policy in Mercosul: notes on the role of institutions Rogério Santos da Costa

Revista Tecnologia e Sociedade - 1ª Edição, 2012. ISSN (versão online): 1984-3526

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Sustentabilidade nas Construções da Copa 2014, em Curitiba . 77 Sustainability on Constructions of the World Cup 2014, in Curitiba Sileide France Turan Salvador Ana Helena Corrêa de Freitas Gil Eloy Fassi Casagrande Júnior A Variação dos Indicadores Básicos do Índice de Desenvolvilmento Humano dos Países Latino-Americanos no Período de 2007-2010: uma Decomposição com uso da Metodologia Shift-Share ............................................................... 92 Variation of Basic Indicators Index of Human Desenvolvilmento Latin American Countries in the Period 2007-2010: a decomposition using the Shift-Share Methodology Bruno Theylon Oliveira Dias Gilson Batista de Oliveira Reflexões sobre a Capacitação Gerencial na Agricultura Familiar Brasileira ...................................................................................... 105 Reflections on management in the Brazilian Family Farming Joelsio José Lazzarotto João Caetano Fioravanço Uso do E-book Como Meio de Compartilhamento Formal e Disseminação do Conhecimento Explicito em Organizações . 115 Use of e-book as formal resource of sharing and dissemination of explicit knowledge in organizations Adriane Ianzen Machado Fabiana Paula Hoffmann Egon Walter Wildauer

biogás e energia elétrica. sobre a importância da política industrial como instrumento de desenvolvimento industrial em processos de integração regional. através de monitoramento tecnológico de produtos e processos relacionados ao descarte de lixo tecnológico. apresentam uma contribuição para o campo de ciência. O artigo “Análise de patentes de resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos com vistas a sustentabilidade ambiental” avaliou as tendências verificadas por meio de documentos de patentes. da Universidad de Málaga. Rogério Santos da Costa. Os autores. tecnologia e sociedade e sociologia do consumo por meio de uma das metodologias da ciência de informação. O primeiro artigo é uma contribuição dos pesquisadores e professores Alain Hernández Santoyo. sustentabilidade. econômicas e sociais que favoreça a otimização de decisões. desenvolvimento. em seu artigo “Política Industrial e Comum no Mercosul”. de Márcio Schuber Ferreira Figueiredo e Cristiane Xavier Figueiredo. intitulado “A influencia dos recursos naturais frente à colonização do Vale do Macuri”. sobre a complexa e interdisciplinar questão da valoração econômica. relações internacionais e gerencias. O professor do programa de pós-graduação em Administração da Unisul. Homero Fernandes Oliveira e Weimar Freire da Rocha Júnior. Luciara Cid Gigante. da Universidad Piñar del Río. de Cuba. e Rafael Caballero Fernandéz. discute. coletaram informações relacionadas a 380 propriedades com suínos em fase de terminação e analisaram os potenciais de geração de dejetos. há o especial interesse pela relação entre tecnologia e desenvolvimento pelas discussões referentes a temas multidisciplinares. do Instituto Federal do .Revista Tecnologia e Sociedade . demonstram a importância dos recursos naturais e sua influência no processo de colonização. O quarto artigo trata do tema bioenergia e resíduos na cadeia de suínos. doutoranda em política de ciência e tecnologia da Unicamp. O sexto e sétimo artigos tratam da sustentabilidade como tema central. María Amparo León Sánchez e Victor Ernesto Pérez Léon. O autor demonstra que ao invés de ser fator integrar as dificuldades institucionais no Mercosul para a integração política implicam em motivo de instabilidade para o bloco econômico. Sandra Mara Pereira. desenvolvem um modelo de multicritério como ferramenta para integração de componentes naturais. O segundo artigo. professoras da UFSCar. Os quatro primeiros artigos tem a questão ambiental como tema central da discussão multidisciplinar. Mayra Casas Vilardell. como meio ambiente. no artigo “Algunas consideraciones sobre la valoración económica de bienes y servicios ambientales em áreas protegidas”. Maria Cristina Comunian Ferraz e Camila Carneiro Dias Rigolin. Os pesquisadores do programa de pós-graduação em Desenvolvimento Regional e Agronegócios. Debora da Silva Lobo. Espanha. da Faculdade Presidente Antônio Carlos de Teófilo Otoni/MG.1ª Edição. Os autores Sileide France Turan Salvador e Ana Helena Corrêa de Freitas Gil. ISSN (versão online): 1984-3526 5 EDITORIAL A primeira edição de 2012 da revista Tecnologia e Sociedade reforça ser um espaço plural de discussão entre as diversas relações e interações entre a tecnologia e a sociedade. O sexto artigo denota a questão da sustentabilidade na construção civil. 2012. Nesta edição.

professor do programa de pósgraduação em Tecnologia. Os autores mostram que o uso do e-book pode ser uma ferramenta estratégica e tecnológica para agregar valor às organizações. Os pesquisadores da Universidade Federal da Integração Latino Americana – UNILA. tecnologia e sociedade incorporando novos pesquisadores e grupos de pesquisas nesta importante contribuição de entendermos os motivos e impactos de nossas ações nas universidades e instituições de pesquisas para o desenvolvimento dos países. Christian Luiz da Silva Editor . Por fim. discutem sobre o índice de desenvolvimento humano para os países latino-americanos. e Eloy Fassi Casagrande Júnior. os pesquisadores do programa de pós-graduação em Ciência. analisam a função social da construção sustentável na Copa 2012 e a contectividade urbana. pesquisadores da Embrapa. O artigo “A variação dos indicadores básicos do índice de desenvolvimento humano dos países latino-americanos no período de 20072010” teve o intuito de mostrar como a crise de 2008 afetou não somente a questão econômica como a área social. A importância da questão gerencial para o desenvolvimento local é o tema do oitavo artigo. ISSN (versão online): 1984-3526 6 Paraná. perpassamos por diversos temas. tecnologia e sociedade. Gilson Batista de Oliveira e Bruno Theylon Oliveira Dias. Esperamos que esta edição reforce a discussão no campo de ciência. Gestão e Tecnologia da Informação da UFPR. Com isso. Dr. Adriane Lanzen Machado. relações e interações e diversidade de contribuição institucional para tratar a tecnologia e sociedade sob prismas diferentes e um enfoque multidisciplinar. mostram como o uso do e-book pode ser utilizado como meio de compartilhamento formal e disseminação do conhecimento explícito em organizações. refletiram sobre a importância da ampliação da capacidade gerencial para fortalecimento da agricultura familiar e possibilitar que este modelo seja efetivamente uma alternativa de desenvolvimento local. intitulado “Reflexões s obre a capacitação gerencial na agricultura familiar brasileira”.Revista Tecnologia e Sociedade . econômica e social em seu artigo “Sustentabilidade nas Construções da Copa 2012 em Curitiba”.1ª Edição. Desejamos a todos boa leitura! Prof. Fabiana Paula Hoffmann e Egon Walter Wildauer. em especial saúde e educação. Contamos com novas contribuições para maior fortalecimento dessa discussão e para que possamos fortalecer o alcance do objetivo da revista: ser uma referencia latino-americana para discussão multidisciplinar no campo de ciência. 2012. relacionando ao contexto de crescimento econômico destes países. Os autores Joelsio José Lazzarotto e João Caetano Fioravanço.

de Matemática.es Víctor Ernesto Pérez León: Dr. Email: r_caballero@uma. economía ambiental.edu.edu.Institución: Centro de Estudios sobre Medio Ambiente y Recursos Naturales. Email: vp_leon@mat. sino en la búsqueda de un equilibrio sistémico. que posibilita la integración de diversos componentes de carácter natural.Revista Tecnologia e Sociedade . Email: mcasas@eco. of 1 Alain Hernández Santoyo Mayra Casas Vilardell María Amparo León Sánchez Rafael Caballero Fernández Víctor Ernesto Pérez León Resumen La valoración económica ambiental de los recursos naturales. de Matemática. Universidad de Pinar del Río. Cuba. Abstract The environmental economic valuation of natural resources represents an important mechanism to get an improvement in the natural resources 1 Alain Hernández Santoyo: Dr. España. áreas protegidas.cu. Universidad de Pinar del Río. Universidad de Pinar del Río.C Ciencias Económicas. el empleo de la modelación multicriterio como herramienta para la valoración económica de Bienes y Servicios Ambientales.C Ciencias Forestales. de Matemática. Institución: Dpto. ISSN (versão online): 1984-3526 7 Algunas consideraciones sobre la valoración económica de bienes y servicios ambientales en áreas protegidas. económico y social. En el caso de las áreas protegidas. Universidad de Málaga. de Economía Aplicada (Matemáticas).upr. de manera que se favorezca la optimización de las decisiones a tomar.1ª Edição. no en base a un único objetivo.C Ciencias Económicas. se dirige a ilustrar la contribución de la valoración económica de bienes y servicios ambientales en áreas protegidas de la República de Cuba.C Ciencias Matemáticas. Cuba.upr.cu Rafael Caballero Fernández: Dr. Email: santoyocu@mat. Cuba.upr. Universidad de Pinar del Río. Palabras clave: valoración económica. bienes y servicios ambientales. El objetivo del presente trabajo.edu.upr. Email: maleon@mat.C Ciencias Económicas.edu. Institución: Dpto. entre un conjunto de ellos. es sin dudas un importante mecanismo que tributa a favor de lograr una mejor conservación y gestión de los recursos naturales. constituye una herramienta útil.cu . Institución: Dpto. Mayra Casas Vilardell: Dra. Institución: Dpto. 2012. Some considerations about the economic valuation environmental goods and services in protected area.cu María Amparo León Sánchez: Dra. Cuba.

se dirige a ilustrar la contribución de la valoración económica de bienes y servicios ambientales en áreas protegidas de la República de Cuba. La misma constituye un procedimiento dirigido a imputar valores económicos a los bienes y servicios ambientales. Keywords: economic valuation. 2006). protected areas. sin embargo. but in the search of a whole balance among a group of them. por la toma de decisiones sobre los usos alternativos de los recursos naturales. constitutes an useful tool that provides the incorporation of different natural.Revista Tecnologia e Sociedade . not based on an only objective. environmental economy. consiste en asignar valores monetarios a los bienes. pues contribuye a descubrir el valor económico de las externalidades y de los bienes públicos y a diseñar políticas que prioricen la protección y conservación de los recursos naturales. Lo anterior. que propone la economía ambiental. Consideraciones sobre la valoración económica ambiental La valoración económica ambiental puede definirse como “un conjunto de técnicas y métodos. economic and social components. so that the optimization of decisions is favored. ISSN (versão online): 1984-3526 8 management. independientemente de que estos tengan o no mercado (Castiblanco. El objetivo del presente trabajo. El desarrollo de propuestas de valoración económica del medio natural no resuelve de forma definitiva los procesos de degradación y sobreexplotación de la naturaleza. environmental goods and services. 1994. generación de un daño ambiental. The purpose of the present investigation concerns its attention to present the contribution of the economic valuation of environmental goods and services in protected areas to the Republic of Cuba. the using of a multicriteria modeling as a tool for the economic valuation of Environmental Goods and Services. políticas o acciones que protejan el medio ambiente y sus servicios” (Cerda. In the case of protected areas. que permiten medir las expectativas de beneficios y costos derivados de algunas acciones tales como: uso de un activo ambiental. 2012. se justifica. servicios o atributos que proporcionan los recursos naturales y ambientales.13). realización de una mejora ambiental. entre otros” (Azqueta. es una herramienta útil y complementaria en la formulación de políticas a favor de la sostenibilidad (Casas y Machín. la valoración económica de estos recursos resulta necesaria. 2003). Introducción La valoración económica. p. . el diseño de políticas ambientales para regular el acceso y el uso de los mismos y por constituir un elemento esencial para la actividad económica en la actualidad. Así. p.46). Se considera que “la valoración económica puede ser útil en la definición de un grupo de prioridades. resumiendo las consideraciones principales compartidas por los autores.1ª Edição. 2003.

que tribute a reflejar una medida de su valor. 2012. El simple hecho de que no exista un mercado donde dichos recursos puedan ser intercambiados. 2009). y en tal sentido lograr acciones más racionales en relación al uso y conservación de los recursos naturales. los servicios ambientales se asocian a las funciones ecosistémicas que utiliza el ser humano indirectamente. Los espacios naturales. Necesidad de la “valoración económica” de bienes y servicios ambientales Al analizar los argumentos sobre la valoración económica. es necesario referirse a algunas peculiaridades de este proceso en el caso de los bienes y servicios ambientales.10). ofrecen una medida de bienestar al ser humano. Es evidente que el propio crecimiento económico conduce a la degradación paulatina de los bienes y servicios ambientales (Tietenberg. Se definen los Bienes y Servicios Ambientales (BSA) como “aquellos productos o servicios de la naturaleza. una degradación de los mismos provocaría un efecto directo o un cambio de bienestar. los cuales son utilizados de manera directa por el ser humano como insumos en la producción o en el consumo. De manera oportuna. En correspondencia con ello. Los bienes ambientales. implica un gran reto para la ciencia económica.Revista Tecnologia e Sociedade . la forma de medir el valor económico de los BSA puede ser por medio de los beneficios directos o indirectos de los diferentes usos. se significan los planteamientos expresados en la Conferencia de las Naciones Unidas sobre Comercio y Desarrollo. que bien pueden ser criterios de valoración directa o indirecta. por lo cual. sin afectar el mejoramiento sostenible de las condiciones del medio ambiente” (Martínez. la valoración económica de las funciones del medio ambiente se encuentra estrechamente relacionada con el uso racional de sus recursos. comunidades o empresas que originan las diversas posibilidades de uso directo o indirecto. de modo que se transforman en el proceso. o medir los cambios en la calidad ambiental en los flujos naturales de estos recursos (impactos positivos o negativos producto de las actividades económicas humanas) (Barsev. son. cuando . Los anteriores argumentos.1ª Edição. “aquellos recursos tangibles que brinda la naturaleza. ISSN (versão online): 1984-3526 9 Tomando en consideración la contribución que ella ofrece al proceso de toma de decisiones económicas. confirman que los BSA se encuentran involucrados en la actividad económica y al mismo tiempo contribuyen a ella. que responden a un deseo o una demanda de ciertos grupos de personas. sustentado en la necesidad de encontrar alternativas que permitan estimar su valor. p. la valoración económica constituye una alternativa en la aproximación hacia el desarrollo sostenible La valoración integral de los recursos naturales se convierte así en una útil herramienta para enfrentar la dramática situación ambiental contemporánea. Es por ello que. 2004. en cambio. según Barsev (2002). es por ello que se insiste en incorporar una valoración monetaria. generando utilidad al mismo y no se transforman en el proceso”. 2004).

la valoración económica de los bienes y servicios ambientales supone un análisis hacia la concepción relacionada con el uso directo de los bienes y por otro lado hacia el uso indirecto de sus servicios ambientales.26) afirman que “examinar el VET de los ecosistemas. Por su parte.Revista Tecnologia e Sociedade . Emerton y Bos (2004. La definición de valor económico El valor económico de bienes y servicios ambientales. se definen. refuerzan la necesidad de la creación de espacios protegidos que permitan controlar el uso de los recursos naturales y sus funciones ecosistémicas. apoyándose en la definición que ofrece Cerda (2003. Dichas consideraciones conducen hacia la teoría del Valor Económico Total y a resaltar la cardinal idea de que no son solo los recursos de utilidad actual para la especie humana aquellos a los cuales debe atribuírseles un valor. no constituye una propuesta mercantilista. sino que se valoran las preferencias de las personas ante cambios en las condiciones del ambiente y sus preferencias con respecto a cambios en los niveles de riesgo que enfrentan”. 2003). el fomento de la capacidad y la asistencia para el desarrollo (Garrido. al expresar que “es importante destacar que no se está valorando el “ambiente” ni “la vida”. En tal sentido. Como valores de uso. como premisa fundamental hacia un correcto desempeño de la definición económica de valor. ISSN (versão online): 1984-3526 10 reconocían que los Bienes y Servicios Ambientales (BSA) cumplen un papel fundamental en el desarrollo sostenible y por consiguiente. en esencia. resulta un tema polémico y para muchos inapropiado. p. La valoración económica así enfocada.17). flujo de servicios ambientales y los atributos del ecosistema como un todo”. se considera necesario hacer una reflexión acerca del concepto de valor económico. el fortalecimiento de los sectores de BSA reviste gran importancia en los países en desarrollo. en particular. el comercio internacional. las inversiones. implica considerar su gama total de características como sistemas integrados: existencias de recursos o bienes. como muchos detractores de las metodologías de valoración asumen. la idea de la valoración económica reviste una gran importancia para el manejo de los ecosistemas. En relación a ello. mediante el establecimiento de marcos reglamentarios apropiados. En este sentido. lo que se propone es que los economistas aprecien el valor de los ecosistemas mucho más allá de sus aportaciones en función de materias primas y productos físicos. Las preocupaciones acerca de la protección y conservación de los BSA. sino un nuevo reto para enfrentar la irracional actuación humana convencional. En torno a este debate.1ª Edição. . se identifican dos grupos de valor: los valores de uso y los valores de no uso. 2012. estos incluyen beneficios directos e indirectos. 2003. p. y la economía ambiental se encarga de ofrecer sus aportes sobre la teoría del valor económico. pues existe una fuerte crítica de carácter ético referente a la propuesta de expresar en términos cuantitativos los valores de estos bienes y servicios. Al respecto el Valor Económico Total (VET) de un espacio natural comprende tanto los beneficios comerciales como los ambientales aportados. Según lo expresado. UNCTAD.

la valoración económica de las preferencias humanas. p. y es por ello que las técnicas multicriterio favorecen la posibilidad de conjugar indicadores que desde la visión de la naturaleza. suponiendo la conciencia del individuo. está asociado a que el bien en cuestión puede estar disponible para otros en las próximas generaciones. armonicen en visión transversal todos estos componentes. En este sentido. debiendo suponer por tanto no sólo los niveles tecnológicos futuros. se señala que “el valor de no uso se refiere a la disposición o deseo por mantener algún bien en existencia aunque no exista un uso verdadero.5). 2008). el valor de existencia. El valor de opción se define como “el valor otorgado por la sociedad a determinados elementos ambientales en un contexto de incertidumbre acerca de la posibilidad de usarlos en el futuro” (Gutiérrez y Martínez. . Es evidente que dicha reflexión conduce a intentar buscar herramientas que permitan la integración de juicios y enfoques en torno a las dimensiones clave de los procesos. posible o planeado. p. de manera que se deriva de la propia existencia del activo ambiental”.82).e para la pesca son fundamentales las algas)” (Martínez. se entiende aquel “que tiene determinado bien ambiental o recurso natural (valores de uso y no uso) para las siguientes generaciones. a pesar de no ser la única consideración legítima. ISSN (versão online): 1984-3526 11 “aquellos derivados del actual uso de un bien o servicio.4).1ª Edição. 2007. el valor de legado y el valor altruista” (OECD. En relación a los valores de uso. 2002.2). considerando la existencia de tres tipos de valor. El valor de existencia se entiende como “el valor de conocer que todavía existe un componente del medio ambiente. En resumen. se destaca la conciencia del usuario sobre la posibilidad de que la futura generación pueda hacer uso del bien (Leal. . 2012. si se tiene el cuenta el valor propio o intrínseco de muchos bienes ambientales. p. Con respecto a los valores de no uso. la sociedad y la economía. p. 2004. la propuesta se centra en la inclusión del valor de opción como un valor de uso futuro (Hoyos.los cuales pueden ser directos (para el caso de un bosque la caza o la madera) o indirectos (p.Revista Tecnologia e Sociedade . por cuanto permite medir y evaluar los cambios ocasionados en el bienestar social de un usuario ante una variación ocasionada en un bien o servicio ambiental así como definir una actuación pertinente ante una situación ambiental dada. 2006. constituye un aporte importante en la conceptualización del valor económico en el espacio natural. sino también escalas de valores y principios morales de los que continuarán” (Uclés. Por valor de legado. pues responde a fenómeno complejo sobre el cual se precisa encontrar un acercamiento hacia su verdadero valor. 2007). La modelación multicriterio como herramienta para la valoración económica de BSA La concepción del VET de un área natural protegida demuestra que la valoración económica ambiental de sus recursos naturales representa mucho más que su simple aportación por concepto de aprovechamiento directo. El valor altruista.

ecosistemas naturales como cuencas hidrográficas y valores de interés científico. por cuanto estas áreas cumplimentan funciones ecosistémicas muy diversas: la protección de la flora y la fauna silvestre. económico y social. 2007). Caballero et al. Una conjugación de criterios económicos. naturales y sociales. soportado precisamente en su capacidad para afrontar problemas marcados por diferentes evaluaciones en conflicto. naturales y sociales. 2008). (2008). además permite generar y analizar diferentes cursos de acción en base a múltiples criterios de evaluación. Un importante elemento. ISSN (versão online): 1984-3526 12 Tal concepción responde necesariamente a una modelación eficiente y simultánea de dichos componentes que permita encontrar un equilibrio entre los criterios económicos. la Programación por Metas Ponderadas (WGP) y otros convencionales como el método de actualización de la renta. para lo cual las técnicas multicriterio resultan de mayor utilidad que otras técnicas posibles. destacándose los trabajos de Díaz-Balteiro y Romero (2004. con la finalidad de conservar y preservar el patrimonio natural y cultural. Tales funciones precisan el examen conjunto y simultáneo de multiplicidad de factores. Rehman y Romero (2006). Actualmente tal modelación está llamada a resolver problemas ambientales al incluir objetivos múltiples en los que se consideren no solo los objetivos convencionales. 2000:4). los procesos culturales e históricos de su conservación y las potencialidades económicas de su uso sostenible (Corral y Quintero. (2005). En el caso de las áreas protegidas. naturales y sociales). 2012. este movimiento sustenta que los agentes económicos no optimizan sus decisiones en base a un solo objetivo. . 2007).Revista Tecnologia e Sociedade . 1993). (2009). lo cual constituye un paso importante hacia el entendimiento de los procesos de uso por parte de las comunidades locales. estético. Gómez et al. apoyándose para ello en la combinación de múltiples factores. En este sentido. recursos genéticos. resulta de mucha utilidad el empleo de herramientas asociadas al proceso de toma de decisiones. los autores comparten la idea de que la valoración multicriterio se convierte en una importante herramienta de análisis simultáneo de múltiples alternativas. ya que el bienestar es una variable multidimensional (Corral y Quintero. La modelación multicriterio desempeña un papel importante en la planificación ambiental. 2008). permitiendo incluso la realización de análisis de sensibilidad ante variaciones de los datos de entrada (Rodríguez. Como premisa. pued eser posible mediante la combinación de métodos multicriterio como: Análisis de Proceso Jerárquico (AHP). sino que por el contrario pretenden buscar un equilibrio o compromiso entre un conjunto de objetivos usualmente en conflicto (criterios económicos. histórico. asociado a esta modelación. sino también los de índole social y natural (Cortés y Borroto. Al respecto.1ª Edição. entre otros. León et al. se reconocen notables méritos en sus aplicaciones al tratamiento de problemas ambientales. lo constituye la búsqueda de soluciones a problemas complejos que pueden no ser resueltos por otros enfoques más convencionales. o bien pretenden satisfacer en la medida de lo posible una serie de metas asociadas a dichos objetivos (Romero.

Ciénaga de Zapata (2000).8% en el mar) en aquellas más estrictas o significativas. Conservación y recreación del paisaje terrestre o marino. provincia de Sancti Spíritus. Usos sostenible de ecosistemas naturales) En tal sentido. 2009).1ª Edição. p. los cuales representan las áreas de mayor importancia o relevancia natural y ecológica.10). provincia de Pinar del Río. Protección estricta) B) Parque Nacional (Categoría II.) H) Área Protegida de Recursos Manejados (Categoría VI. rectorado por el Centro Nacional de Áreas Protegidas (CNAP) del Ministerio de Ciencia Tecnología y Medio Ambiente (CITMA) cuyos objetivos fundamentales se centran en: “Asegurar la conservación de los valores naturales más representativos del país con énfasis en la biodiversidad garantizando la estabilidad ecológica y el uso sostenible de los mismos. provincia de Pinar del Río.1). 2007. ISSN (versão online): 1984-3526 13 Los espacios protegidos en Cuba En Cuba. Unidad de Medio Ambiente Pinar del Río. Baconao (1987). provincia de Santiago de Cuba. Sierra del Rosario (1985). p. 2007. en correspondencia con las definidas por la UICN (Chimborazo. Conservación por un uso activo) F) Refugio de Fauna (Categoría IV. Conservación del ecosistema y turismo) C) Reserva Ecológica (Categoría II. Conservación del ecosistema y turismo) D) Elemento Natural Destacado (Categoría III. Conservación a través de un uso activo) G) Paisaje Natural Protegido (Categoría V. De acuerdo con datos ofrecidos por CNAP (2004. Buenavista (2000). seis Reservas de la Biosfera reconocidas por la UNESCO: Península de Guanahacabibes (1987). provincia de Guantánamo.Revista Tecnologia e Sociedade .culturales asociados” (Chimborazo. las áreas protegidas forman parte del Sistema Nacional de Áreas Protegidas (SNAP). se distinguen en el archipiélago cubano. provincia de Matanzas. Conservación de rasgos naturales) E) Reserva Florística Manejada (Categoría IV. Como áreas protegidas con reconocimiento internacional no solo se encuentran las Reservas de la Biosfera. así como la protección de los valores histórico . el cual consta de ocho categorías. pues se reconocen otras con la . el SNAP cubre cerca del 22% del territorio nacional en todas las variantes y categorías y casi el 10% (18. Dichos espacios naturales están dedicados especialmente a la protección y manejo de los recursos naturales. La clasificación de las áreas protegidas en Cuba responde a un sistema propio. A) Reserva Natural (Categoría I. Cuchillas del Toa (1987). 2012.

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Bacharel Direito – FENORD(1999). bem como o desenvolvimento das atividades agropastoril. claramente.Revista Tecnologia e Sociedade . Especialista em Educação e Gestão Ambiental – FAZU(2002). Bacharel em Direito – FENORD. Palavras Chave: recursos naturais. percebe-se. the influence of natural resources the colonization of the Vale do Mucuri. Brazil based on a systematic and 2 Marcio Schuber Ferreira Figueiredo: Mestrando em GIT – Gestão Integrada do Território. Cristiane Xavier Figueiredo: Especialista em Docência do Ensino Superior – DOCTUM. com ênfase nos conceitos de local. dos mercados e dos recursos hídricos evidenciando uma devastação ambiental. Professora substituta do Curso de Direito da Faculdade Presidente Antônio Carlos de Teófilo Otoni/MG. Professor Substituto do Curso de Direito. reflexos da exploração de recursos minerais. tendo como base uma análise sistemática e teórica deste processo. região e território aplicados a esta realidade. Bacharel em Ciência Contábeis – DOCTUM. a influência dos recursos naturais frente à colonização do Vale do Mucuri. a devastação ambiental e a conseqüente escassez de riquezas. ISSN (versão online): 1984-3526 17 A Influência dos Recursos Naturais Frente à Colonização do Vale do Macuri The influence of natural resources the colonization of the Vale do Mucuri Marcio Schuber Ferreira Figueiredo Cristiane Xavier Figueiredo 2 Resumo O presente artigo foi desenvolvido no intuito de demonstrar. localizado na região Leste do Estado Minas Gerais . colonização. A pesquisa foi realizada a partir do estudo acerca da exploração das riquezas minerais aí presentes e os seus desdobramentos. mercantil. no que tange ao aumento da população. fluvial e sua influência. Especialista em Docência do Ensino Superior – UNIPAC(2006). Os resultados obtidos demonstram a importância dos recursos naturais e sua influência no processo de colonização. located in Eastern Minas Gerais State.Brasil. refletindo numa relação entre o próprio indivíduo com seu ambiente. agropecuários. Abstract This article was developed in order to demonstrate clearly and objectively.1ª Edição. . 2012. vale do Mucuri. contribuindo para o entendimento acerca da relação direta dos indivíduos e o seu meio ambiente. de maneira clara e objetiva. Com o povoamento das cidades. A existência das cidades e o seu contexto fazem parte deste estudo que utiliza do recurso da revisão de literatura como metodologia. Diretor Acadêmico Pedagógico da Faculdade Presidente Antônio Carlos de Teófilo Otoni/MG.

environmental devastation and the consequent shortage of riches.Revista Tecnologia e Sociedade . colocando. iniciou-se o processo de colonização regional. reflecting a relationship between the individual himself with your environment. . as well as the development of agricultural activities. así como el desarrollo del agropastoril de las actividades. agricultural farms. 1. The survey was conducted from the study on the exploitation of mineral wealth there and their unfoldings. RESUMEN: El actual artículo fue desarrollado en la intención de demostrar. del devastação ambiente y de la escasez consiguiente de la abundancia. region and territory applied to this reality. mercantil. fluvial y de su influencia. tendo por conseqüência. con énfasis adentro conceptos del lugar. Tratava-se de uma região procurada por aventureiros que viviam em busca de fortuna e escravos. The results obtained show the importance of natural resources and their influence in the process of colonization.Brasil. in regard to the increase of population. mercantil. Vale do Mucuri. teniendo como base análisis sistemático y teórico de este proceso. A região onde havia maior concentração populacional era a que ia do Peçanha a Itamarandiba. la influencia él los recursos naturales lo afronta a colocar valle él Mucuri. región e el territorio se aplicó a esta realidad. Palabras clave: recursos naturales. With the settlement of cities. ISSN (versão online): 1984-3526 18 theoretical analysis of this process. La existencia de las ciudades y de su contexto son parte de este estudio que las aplicaciones del recurso de la revisión de la literatura como metodología. que na linguagem indígena quer dizer que. River and its influence. Key Words: natural resources. one realizes clearly reflections of exploitation of mineral resources. 2012. o aumento significativo da população. contributing to the understanding of the direct relationship of individuals and their environment. with emphasis on the concepts of local. en a lo que se refiere al aumento de la población. e daí a Minas Novas. O Povoamento da Região A partir da descoberta do ouro e dos diamantes na região do Alto Jequitinhonha. La investigación fue llevada a través del estudio referente a la exploración de los regalos mineral de la abundancia allí y de sus unfoldings. vale do Macuri.1ª Edição. no jequi (armadilha) tin honha (tem peixe). el contribuir para el acuerdo respecto a la relación directa de los individuos y de su ambiente. The existence of cities and its context are part of this study that uses the resource as literature review methodology. localizado adentro región al este de Minas Gerais . en claro y la manera objetiva. markets and water resources demonstrating environmental devastation. Colonization.

Cabe ao município de Theóphilo Ottoni a glória de ter sido um dos primeiros pontos do território brasileiro visitado pelos expedicionários portuguezes. se deu de forma inversa. Almenara e Salto da Divisa. Berilo e finalmente São Domingos. não ocorrendo do litoral para o interior. Os rios Jequitinhonha e Mucuri. a redução desta já era visível. aquela que prometia. o monopólio da estrada para o Rio de Janeiro. em 1550. ou seja. Jequitinhonha. principalmente aquelas que têm bosques. aberta pelas bandeiras e. chamados capões. onde as lavouras produziam muito com pouco esforço. mais férteis são as terras. fruto da prática da roça de toco e das várias safras nos mesmos capões de mata. participando-lhe que os bugres falavam da existência de uma serra resplandecente junto a um grande rio. vindo de Minas Novas e passando por Americaninha. “As proibições não foram mais fortes do que o fascínio pelas pedras verdes. ” (RIBEIRO. (PORTO. p. Aqueles moradores do Alto rio Jequitinhonha. Ocuparam esta região os moradores das tribos Botocudos e Puris. à cata de ouro e de esmeraldas. fazendo brotar desejo e especulações que já eram vistos em diversas áreas de colonização. “ outro veio .Revista Tecnologia e Sociedade . quanto mais próximas das águas. 1994.. povoando e explorando regiões muito férteis como as de Itaobim. o rio Todos os Santos. assim. objeto de lendárias conjecturas como os da serra das esmeraldas. farta. 3). de Itamarandiba a Virgem da Lapa logo começaram a invadir a mata.. Impunha-se. então governador geral do Brazil. que era como se chamava a atual cidade de Virgem da Lapa. foram tratados como áreas proibidas pela coroa. p. o rio Mucuri não promovia o acesso via litoral. assim como o rio Doce. sob o pretexto de que esta permanecesse com o controle das riquezas evitando. fértil. 30). como conseqüência. assim como o contrabando e o tráfico de escravos. João III. Este movimento de deslocamento para estes vales durou mais de um século e se deu inicialmente pela barra do rio Araçuaí e Jequitinhonha abaixo.nas grotas. segundo a lenda. terra nova.. pois sua trilha original nasceu na cidade de Araçuaí. ISSN (versão online): 1984-3526 19 Chapada.1ª Edição. 2005. que mandasse alguns homens pelo sertão dentro a descobrir minas e saber se havia aí ouro. recommendou a Thomé de Souza. 1929. mas especificamente do seu mais importante afluente. Entretanto. por vezes. 2012. etc. e a lavoura minguava pela baixa fertilidade do solo. assim. despertaram a cobiça do rei que. o contrabando e invasões estrangeiras. O povoamento da região do rio Mucuri. As notícias transmitidas por Felippe de Guilhem a D. p. sem dono.. objetos de lendárias conjecturas. dava lugar a catas mais profundas e perigosas. pelo contrário. pois o ouro e diamantes mais fáceis ou de superfície. 29). Quando a produção dos garimpos e da lavoura começou a dar sinais de enfraquecimento. pouco explorados até a segunda metade do século dezoito. (ESPINDOLA. Fato é que por não ser inteiramente navegável. “ . melhor controlada. As investidas ao sertão continuaram do lado espíritosantense”. afastando invasores que pudessem ameaçar o metal cobiçado. alcançar a serra das esmeraldas.

mas poucos fixavam moradia. foram exploradas pelo Mestre de Campo João da Silva Guimarães. XIX. 18). 35). as quais. em direção ao vale do rio Mucuri. Digne-se que nas regiões espírito-santense e de Manhuaçu. p. p. hoje S. permanecendo o Mucuri ainda não explorado até fins do sec. O sistema agrário. 2005. . de acordo com o historiador Godofredo Ferreira para montar a Fazenda Mestre de Campo.. não existia abundância. Antônio José Coelho. rumo ao povoamento destes vales. a produtividade já dava sinais de estagnação. cuidando da extração de ouro e pedras preciosas (PORTO. 31). Diferentemente do latifúndio da cana-deaçúcar e café. o sistema agrário se deu através das fazendas. p. no do chapadão do alagadiço para o Mucuri. e após os 100 (cem) anos de exploração. no início do povoamento do Alto Jequitinhonha. segundo RIBEIRO (1994. era de subsistência nas grotas. ficariam muito prejudicadas e impedidas. XVIII e início do sec. durante 100 anos avançou em direção a Diamantina. primeiro para o rio Doce. 21). sendo este mais insalubre e perigoso. 2012.Revista Tecnologia e Sociedade . equivalente a 15% da área segundo RIBEIRO (1994). Muitos foram os colonos a se aventurar na abertura de novas terras. tendo uma intimidade. buscando-se outras possibilidades. 37). p. e. aos primeiros sinais de esgotamento das minas. quando relacionadas com a direção do avanço da colonização. teria sido o primeiro morador fixo em Teófilo Otoni.assinalando claramente o interesse pelas esmeraldas. Mucuri e São Mateus (Cricaré)” (ESPINDOLA. 2005. estradas e descobertas de jazidas. 1929. e.. mesmo antes de serem abolidos. sendo o centro econômico e. iniciando-se então a colonização das demais regiões. escravos e índios. p. “. de Araçuaí para o baixo Jequitinhonha. e a dispersão populacional buscando outras atividades. 2005.1ª Edição. A população foi se refluindo. Matheus. depois ao Alto Jequitinhonha pela exploração do ouro e diamante. se deu na ordem seguinte. permanecendo elas nos locais das minas. Entretanto. médio Jequitinhonha e o Mucuri. tem suas nascentes no município de Theóphilo Ottoni. partindo da idéia de como a economia forçava a integração. O rio Cricaré. numa serra situada na confluência das bacias dos rios Doce. o governo colonial tornou a se interessar pelo território coberto pela Mata Atlântica ” (ESPINDOLA. 7). Mais do que isso. depois para o baixo Jequitinhonha e o terceiro para o Mucuri. 1994). extração de madeira e sistema de subsistência (1994. A ordem cronológica desta arrancada. e. ISSN (versão online): 1984-3526 20 colonizador pelas cabeçeiras dos Rios Fanado. mais tarde. o segundo de Minas Novas. Setúbal e pelo Alto dos Bois” (RIBEIRO. destacou três regiões: Alto Jequitinhonha. todos intencionados na descoberta ou “por caminhos onde mais tarde se encontraram as pedras verdes. os atos proibitivos perderam força e. em 1850. criava-se todo o processo de insatisfação do agrário. Daí aparece três fluxos de povoamento: o primeiro do Cerro para o Rio Doce. no vale do rio Mucuri. direcionava-se as explorações para o rio Doce e Mucuri. refere-se às minas da Serra das Esmeraldas (ESPINDOLA. p. “Entretanto. por último. A exploração mineral se deu com maior intensidade na cidade de Ouro Preto. O povoamento. levando consigo seus familiares.

13 e 14) tinha outra frente de colonização do litoral rio acima até a cachoeira de Santa Clara. onde se buscava o índio para civilizá-lo e o colocava para trabalhar. 12 e 13). por último. ficando impedidos de prosseguir. isso estimulava a aventura. ficou com a denominação de Mestre de Campo. uma grande fazenda aberta no valle do Mucury. pois acreditava-se que existia uma riqueza absoluta e inexplorada. mas que teve o mesmo relacionamento com a mata (do interior para o litoral) de quem povoou o Mucuri.índios antropófagos. onde. ISSN (versão online): 1984-3526 21 Teixeira Guedes. que não era um processo diverso como dos outros colonizadores.Revista Tecnologia e Sociedade . 1929. obteria grande sucesso. pelo fim da preação. a principiar pelos rios Pampam. estão bem para cima. O interesse de Theóphilo Benedicto Ottoni. terror dos brancos e dos outros índios. subiu ao cume de uma grande pedra (Pedra d’Agua) e observou que as margens do dito rio eram ocupadas por capoeiras. D’ahi não passou João da Silva Santos porque não faz menção dos principais afluentes do rio Mucury. inicialmente. caminhando para o esgotamento em uma terra super partilhada dentro da mesma família. 27). em razão da febre amarela. 2012. Os objetivos dos colonos dentro das matas. onde hoje está estabelecida a Colônia Francisco Sá. marcada pela grande prosperidade e na necessidade de apertar a população para a busca de novas terras e. (PORTO. 1929. aquelles sítios foram “os de sua antiga residência e de mais outras nações – Maconim – Capoxes – expulsos pela fereza do gentio Botocudo. costume que existia até o final do século XIX. (PORTO. a aldeia do bárbaro gentio. baseado no comércio. havia um projeto colonizador de Ottoni. da inospitalidade das matas muito fechadas e da violência das guerras que travavam com os índios. Todos os Santos. os Botocudos “.acabamos de transcrever de trechos do relatório de João da Silva Santos. 2005. a seis léguas de distância que encontrou. era um processo sofisticado. Ainda segundo PORTO (1929. Por informações do índio que lhe servia de guia. eram três.. de acordo com as informações colhidas de pessoas de sua expedição. p.. etc. sendo: as lavras. Estes nunca existiram além da imagem construída no final do século 18 e princípio do 19” (ESPINDOLA. veio ter ao Valle do Mucury. como se sabe. sendo que já ali habitou um João da Silva com escravos em outros tempos”. vemos que ele subiu o Mucury até as cachoeiras e foi deste ponto. estas no Alto do Jequitinhonha. . os quais. cujo destino era explorar amethistas nas circunvizinhanças do córrego do Ouro. Mais tarde.. .1ª Edição. também as lavouras. Acreditava também que com o monopólio da Companhia Vale do Mucuri.. Porém. Partia da Vila de São José de Porto Alegre (Barra do Rio Mucuri/BA) indo a Nanuque. p. 16). p. p. depois de ter denominado de pedra d’Agua a um dos ribeirões encontrados e de fazer explorações nos terrenos marginaes ao Rio Mucury. deixando Minas Novas. ponto inicial de sua excursão. acreditava alcançar uma potencialidade de 100 mil consumidores a partir da cidade de Minas Novas.

p. muitos seguiam em frente. que grassou por uns três anos em todo alto Mucuri. ou cortando os vales dos rios Jequitinhonha e Pardo pela borda oeste da floresta” (ESPINDOLA. Pouco depois de chegados ali encontraram algo muito pior que a seca: a varíola. pois Minas era um adensamento de várias regiões autônomas que sobreviveram e desenvolveram-se independentemente. A bem da verdade. Não deu certo. Como a terra lá era mais fraca. em quantidade crescente. as duas secas no agreste baiano (1890 e 1930) e a baixa produtividade nas grotas do Jequitinhonha. (RIBEIRO. Em 1728. pela Fortaleza ou São Roque. ao invés de proibir. após a saída de Ottoni. 2005. o comércio não atingiu patamares especulados e o rio Mucuri não era totalmente navegável. levaram então as famílias para o vale do Mucuri (Filadelfia). depois de receber notícia que ao norte do rio Doce descobriram-se algumas esmeraldas de muita dureza e de cor muito clara. de 1890. Vinham em grandes grupos. 2005. Os vales dos rios Doce. Taiobeiras. na verdade não foi o período assim transicionado. “A comunicação com a Bahia era feita pelo rio das Velhas e o São Francisco. acreditavase que. ISSN (versão online): 1984-3526 22 Confiante no relatório fantasioso do engenheiro Pedro Victor Renaut. boa parte era mineiro mesmo. que o rio Mucuri era completamente navegável e que o mesmo daria suporte para a exportação da farta produção local e importação.1ª Edição. 19). tanto por caminho terrestre como pela navegação. liquidando moradores às centenas. O período de estagnação. que era como se chamavam Pedra Azul e Itaobim. pois vários fatores não contribuíram para sua efetivação. Ainda sustentava-se a idéia de que com o escoamento da produção e que somente com o comércio do sal. Já no final do século dezenove começaram a chegar à mata os baianos. da Mata. o Vice-Rei Vasco Fernandes. haveria a sustentabilidade da Empresa. 2005. fosse possível evitar uma viagem comprida do Rio de Janeiro/RJ até Minas Novas/MG. assim chamado. . ilhas progressistas “na transição da economia de base da mineração para a agropecuária. (ESPINDOLA. e faziam sua primeira parada no Comercinho do Bruno. visava converter-se numa unidade econômica e política. ou por sua ordem descobrirem nos distritos e cabeceiras do rio São Mateus”. 2012. 1994. passavam pelo Araçuaí. p. nem todos eram baianos. A primeira grande leva deles desceu do rio Pardo. do alto Norte: Espinosa. Salinas. p. configurou-se a diferenciação regional que caracterizou Minas Gerais no século 19” (ESPINDOLA. 49). fugindo da famosa “Seca do noventinha”. poderiam abrir posses nos capões do alto Jequitinhonha. mandou em diligência Braz Esteves Leme. construída meio na marra e chamada de mineiridade. assim. 30). 29). chegavam às cabeceiras do Mucuri e posse. pela Itira. Os mineiros sempre tentaram tratar Minas como uma unidade forte e sempre com altos interesses de negócios para o restante do país. pois o desinteresse do governo geral pelo projeto. deixavam para trás o vale do Jequitinhonha. Alí escolhiam caminhos: das gerais.Revista Tecnologia e Sociedade . Mucuri e Jequitinhonha. p. concedendo-lhe o título de “superintendente de todas as minas que ele descobrir. Tomando o caminho da Itira.

José do Porto Alegre. que depois foi esquecida.1ª Edição. sucumbiu-se ao eixo nervoso administrativo e político-econômico. por Ottoni. com autonomia local pequena. E. foi a primeira rodovia do Brasil Império que. 1994. mas logo o declínio econômico aparece. sendo Botocudos. “Essa expedição. partiu de Ouro Preto. 19). 30 e 31) relata o empenho do Governo da Província de Minas. Construída por Ottoni. é a primeira grande obra na Região do Vale do Mucuri. 2012. em traçar uma via em apoio à comunicação entre a região decadente de Minas Novas e o porto. João VI. onde há centralização da atenção econômica e política. com governo Kubistchek. o qual mandou abrir uma estrada que de Minas Novas se dirigisse ao Oceano. 30 e 31). No ano de 1881. pois numa baixada que fica entre o rio Santo Antônio e o rio Todos os Santos. a partir de 1955. ISSN (versão online): 1984-3526 23 A colonização do vale do rio Todos os Santos. como muito bem disse o Dr. mais precisamente de Araçuaí/MG a Caravelas – Ponta de Areia/BA.. 17). Então. p. que veio de uma formação extrativista permanece. que ligava Caravelas. Até 1950. foi construída a estrada de rodagem “Estrada do Boi”. a estrada de rodagem de Santa Clara a Teófilo Otoni. o Mucuri era diversificado e autônomo. Embora os dois Jequitinhonhas sejam hoje diferentes e separados. em opúsculo “Viação Férrea do Norte de Minas” attrahiu a attenção do ilustre ministro do D. indo até o litoral. pretendendo ligar o norte de Minas ao litoral. Teófilo Otoni e Araçuaí – Jequitinhonha e Mucuri. habitada por indígenas selvagens de tribos diferentes. 29. o Conde de Barca. Em substituição a esta importante ferrovia. alvo de aglomeração do povoado. entre si e do Mucuri. as obras da Estrada de Ferro Bahia-Minas (EFBM) tinham o objetivo de ligar o interior de Minas a Bahia. após o desmatamento e a sequência de replantio reduziram-se. a relação do homem com o vale do Mucuri. foi aberta densa mata. com 578 km de extensão.. sendo esta viagem de grande importância para o estabelecimento da Companhia do Comércio e Navegação do Rio Mucuri. (RIBEIRO. segundo PORTO (1929. . e os dois ao mar e ao mundo – simbolizou essa união de origem. Em seguida. sendo a criança que fez Teófilo Otoni. pp. o engenheiro Pedro Victor Renauld. 1929. em 1847. Miguel de Teive e Argollo. porém. Em 1811 o coronel Bento Lourenço Vaz de Abreu e Lima fez exploração de uma estrada pelo Valle do Mucury até S. outra grande e importante estrada é iniciada. As condições de renda e poder econômico que haviam comportado com altíssima produtividade agrícola e pecuária no primeiro ciclo. (PORTO. com pequenos sintomas de desenvolvimento. em 22 de janeiro do ano de 1836.Revista Tecnologia e Sociedade . Para construírem uma estrada. pp. Maxacali que nela circulavam. Malali. p. segundo CERQUEIRA NETO (2001. a apartação não resiste a um exame da história de duas ou três gerações para trás. o que seria a salvação da região em local denominado Philadelphia (Teófilo Otoni). .a estrada de Ferro Bahia e Minas. O mesmo se deu com as reservas ambientais.

Tinha uma boa escravatura e com ela fez a grande derrubada nesta confluência dos rios acima citados. Se são volumosos e se conservam o volume. não diferente das demais. Uma simples pergunta abre o caminho para um entendimento triste e acabrunhador: Onde está o rio Todos os Santos. arrasando também com queimada toda a área que se diz superior a 60 alqueires. praticamente um vivente irracional. inclusive para que os índios não se aproximassem pela densa mata e pudessem ver e cobiçar as bugigangas do seu comércio. 1990. p. Sempre abrindo e derrubando a mata margeando o rio e afora. incluindo gigantescos Jequitibás. Pela ação da própria natureza tudo melhora. 2012. portanto. com seus barqueiros que chegavam e partiam no transporte de mercadorias.1ª Edição. na superfície das águas? (LORENTZ. o senhor José Pereira da Silva. José Pereira da Silva. incluindo gigantescos Jequitibás. a que se destinava todo o empreendimento” (LORENTZ. recolhendo todas as águas das chuvas que se infiltram e alimentam. Daí sugerir que o homem agiu alucinadamente ao destruir a floresta para povoar. 1992. O homem continua agindo e maltratando a natureza com seus atos predatórios. Perobas e os Jacarandás milenares. superando muitas dificuldades. veio arrasando também com queimadas toda esta área que se diz superior a 60 alqueires. habitada por indígenas selvagens de tribos diferentes que ali circulavam. 54). Na cidade de Teófilo Otoni temos as provas dos mais duros golpes dados contra a natureza. 34 e 35) Uma baixada que fica entre o Rio Santo Antônio e o Rio Todos os Santos foi alvo de aglomeração de povoado. Esta ocupação da mata virgem. a cantar radiantes. “A marcação da Rua Direita. ISSN (versão online): 1984-3526 24 Ottoni contratou um cidadão insolvente na corte. com vinte metros de largura e a profundidade regular de um metro e meio. significam que as terras de sua bacia estão com a vegetação intacta.Revista Tecnologia e Sociedade . os rios traduzem a grandeza de uma região. negociante em Grão Mogol. 1992. o povoado de Philadelphia das Minas Gerais. volumoso e agressivo. p. (LORENTZ. feita pelo Engenheiro Alemão então pode ser traçada e concluída e montados os seus barracões para a instalação da Empresa Mucuri.). . superando muitas dificuldades. Assim. mas não é suficiente para o bem geral do todos. o Sr. negociante em Grão Mogol. Perobas e os Jacarandás milenares. procedendo como um elemento perturbador. Ottoni contratou um cidadão insolvente na corte. Tinha uma boa escravatura e com ela fez a grande derrubada nesta confluência dos rios. para poder servir de ponto de referencia e de negócio. inclusive para que os índios não se aproximassem pela densa mata e pudessem ver e cobiçar as bugigangas do seu comércio. que é a criança que se fez Teófilo Otoni foi aberta desta mata densa de que já se escreveu anteriormente.

. o signo da preocupação ou da forma de desejar o bem comum na relação com os recursos. sendo “revolução armada. 2012. o monumento do fundador da cidade. destruiu mesmo. A exemplo da região em destaque. cerrados e campos. Destruiu a floresta e com ela os animais de caça. nas estradas. O desenvolvimento direcionou-se também para a economia. como no caso de Teófilo Otoni. juntamente com ela a devastação das matas da região do Vale do Rio Mucuri. sendo inaugurada em 1912 com o nome de Serraria Industrial do Mucuri. ou ainda. o homem agiu alucinadamente. Portanto. aglomeravam-se em Nanuque. destruiu os rios e acabou com a pesca. Na volúpia de destruir. Entretanto. diverge de um modo completamente diferente das demais discussões sobre estruturas diversas da sociedade. de colonização de área para implantação de processos econômicos e instalação de cidades. a exemplo de como a política chama de revolução nos dicionários. conflagração. cidade que foi fundada em 1911 por um madeireiro experiente vindo do Espírito Santo. A maneira com que as pessoas interessadas no assunto. apesar de apresentarem problemática diferente. A Devastação Ambiental e Seus Reflexos Regionais Neste contexto. pois nesta região havia uma mata só. p. 35). deformando a paisagem natural no centro da cidade e nas elevações que a circundam.Revista Tecnologia e Sociedade . É bem verdade que boa parte dessa vegetação já foi devastada pela ação antrópica sob forma de desmatamento para a formação das pastagens ou plantio nas fazendas e ainda a exploração de minerais ou pedras preciosas. a devastação das florestas foi responsável tanto para mudar o aspecto paisagístico como também a economia que girava em torno das serrarias e. para a construção da cidade ou abertura das rodovias. 1992. A vegetação natural é bastante rica e variada: grandes florestas equatoriais.” Seria um movimento para tumultuar a estabilidade ou requerimento de direitos negados pelo Estado. florestas tropicais. observa-se que apenas algumas manchas de mata ainda resistem. e. em Caixa D´ Água (Nanuque). tornase imprescindível tratar e discutir a questão relacionada à devastação ambiental e seus reflexos regionais. em se tratando de casos específicos dessa região. Sedento de destruir. verifica-se que quando se passa pela região. Em verdade. mas a revolução que se trata nesse caso. política. ofertando as mais diversas e valiosas espécies de madeiras para o ofício. no caso ambiental. a educação ambiental que chega aos países do primeiro mundo desde a década de 1970.1ª Edição. Instalou aí sua serraria. com seu empreendimento deu o pontapé inicial para o crescimento da cidade. revolução seria o movimento de evolução dos métodos com os quais a proteção se manifesta na sociedade. cultural ou científica. mas também alcançou os países subequatoriais da mesma forma. tratam da conservação do patrimônio ecológico. na maioria. O serrador João Américo Machado. transformação radical na estrutura econômica. (LORENTZ. ISSN (versão online): 1984-3526 25 2. Ocorreu a ampliação de muitas outras serrarias que se instalaram posteriormente. sem necessidade. social. atinge o mesmo espírito. o restante é um campo aberto de colonião ou brachiaria.

1994. ora verso da capa do livro Zoneamento das Águas (MACIEL Jr. A beleza das águas nas nascentes proporciona uma paisagem. com características de integração e sustentabilidade requer garantia da segurança da produção de água em quantidade e qualidade satisfatória. ou seja. Apesar de uma grande parcela de pessoas ignorarem a atual situação dos mananciais de água e a redução de sua produção. segundo os fundamentos da legislação ambiental. 247). ISSN (versão online): 1984-3526 26 Conservacionismo ou conservação dos recursos naturais é o nome que se dá a moderna preocupação em utilizar adequadamente os aspectos da natureza que o homem transforma ou consome. 2. A proposta imaginária é de partir da foz do rio para o interior. com capacidade de atender a demanda atual e. as novas gerações que ainda não nasceram. e sim utilizar racionalmente. e. (VESETINI. existe de fato. subequatorial. p. por serem geralmente montanhosas. garantir. ao uso e a perenidade. A Influência dos Recursos Hídricos Os rios que fazem parte da Bacia do rio Mucuri. certamente não poderá ensejar a execução de algum empreendimento” (CASTRO. A pressão sobre os recursos hídricos faz com que se desperte toda uma especial atenção sobre a região montanhosa onde começam os cursos d´ água. “Uma propriedade com pouca ou nenhuma produção de água. O desenvolvimento dessas regiões.. visto a olho nu. 2000. A natureza deve ser consumida ou utilizada para atender às necessidades do presente. seus principais afluentes. este fato de conversão dos volumosos e cristalinos recursos hídricos em. futuro. nos presenteia com inúmeras paisagens. 2001).” (ALVES. o que poderá transferir para as gerações futuras uma situação de convivência indesejável no que se refere à disponibilidade e à qualidade das águas. situados no Leste de Minas. perceber que a paisagem rio acima é dinâmica. são rios de regime pluvial. segundo VESENTINI (1994). numerosos e nunca secam ou congelam.Revista Tecnologia e Sociedade . Foi somente a partir da degradação do meio ambiente pelo homem – e da extinção de inúmeras espécies animais e vegetais que surgiu essa preocupação conservacionista. passar por . p. mas para as quais temos a obrigação de deixar um meio ambiente sadio. em especial a micro bacia do rio Todos os Santos.. Conservar neste caso. objeto de admiração e não podemos nem pensar o que seria do ambiente sem a presença imponente das cachoeiras onde a natureza mostra sua força. e.1ª Edição. além de dar origem aos cursos d água. praticamente extintos ou convertidos em canais de esgoto. 2000)... A intensidade e o volume de suas águas dependem basicamente das chuvas.1. pois. estão localizados em região tropical. um espetáculo. 2012. “. não significa guardar. a formação das nascentes. são normalmente caudalosos.a micro bacia. apresentam o elemento água escoando em grande velocidade e com aspecto cristalino. 09) Mas a interferência do homem tem quebrado o equilíbrio natural. recursos para as populações futuras.

e perceber algo comum entre elas. suas encostas e os vales que por pequeno que seja. As micro bacias. e de onde saía um rio para regar o jardim”. onde o “Senhor Deus fez brotar da terra toda s orte de árvores de aspecto agradável e de frutos bons para comer. há de encontrar alguma. após percolar por seu solo poroso e independente do seu tamanho e seu volume sendo interligados como Bacia Hidrográfica. facilitam a percepção humana como unidade paisagística. de menor declividade. que bem menores e em regiões mais altas. (ALVES. vale observar as regiões montanhosas. senão várias nascentes provenientes de um aqüífero freático que viera de uma reserva da precipitação que caiu e se alojou. Quando a área de drenagem de uma bacia hidrográfica. Segundo CASTRO (2001). que formam as nascentes e drenam córregos e riachos. que abastece os reservatórios subterrâneos de água. ambiente responsável pela origem da água. “As micro bacias ou bacias de cabeceiras. que darão origem as nascentes” (CASTRO. 2001). “Bacia Hidrográfica refere-se à área do terreno que coleta e infiltra a água da chuva. 2012. nota-se que esta é a linha que limita a área de drenagem e corresponde ao topo das encostas. 22) e a bacia hidrográfica é formada por diversas bacias menores de seus afluentes que se denomina sub-bacias hidrográficas. denomina-se de “área de contribuição dinâmica. p. e pode-se concluir que estas são provenientes de reservatórios subterrâneos. destacada pela área mais plana e baixa. Comparado ao Jardim do Éden. Ainda sobre a ótica das divisões e subdivisões por divisor topográfico... Em relação às sub-bacias hidrográficas. 9). o ambiente das micro bacias deve ser considerado como verdadeiro santuário ecológico”.” (ALVES. mas ao sair dos rios principais e encontrar ribeirões e córregos. . As nascentes são os locais onde jorra água através da superfície do solo. não sendo áridos.1ª Edição. conforme visto no parágrafo anterior como divisor topográfico. depois continuar esta mesma empreitada. é maior. será também mais abundante sua capacidade de coletar a precipitação. elemento purificador.” (CASTRO. 2001. 2000. que pode geralmente localizar-se sobre o lençol freático e/ou lençol artesiano. ISSN (versão online): 1984-3526 27 afluentes menores. formam um verdadeiro jardim natural. é necessário compreender a existência de vários fatores responsáveis pela origem destas nascentes: o ciclo hidrológico. de topografias irregulares. são pequenas áreas de terras localizadas em regiões montanhosas. p. que. Já a área superficial desta bacia. estrutura dos solos e armazenamento. pode-se dizer que aí se formam as bacias de cabeceiras onde encontram as nascentes. 2000. sendo que o divisor freático fica abaixo da superfície do solo e direciona a água percolada. 09). citado na Bíblia. p. pois os olhos d água e os difusos brotam vindos do interior da terra. que devido a sua escala. Mas. importante verificar topos de morros.Revista Tecnologia e Sociedade .

Para tanto.1ª Edição. Os processos de renaturalização e revitalização através da engenharia ambiental e outras profissões afins. as matas ciliares ou ripárias. o que poderia divergir dos objetivos gerais e específicos que contornam este estudo. 2012. o que se pretende com este entrelaçamento não é somente o relacionamento pessoal. mas também com as informações sobre as nascentes. localização e até mesmo averiguação nas encostas. os impactos são intensos. O Rio Todos os Santos Tratar especialmente do Rio Todos os Santos. Uma delas motivada pelo número de pessoas que interferem nos processos. Esta experiência colocada à disposição em dados sobre a quantidade. designados a conviverem com seus recursos. Tudo que envolve as matas de topo. navegáveis e rentáveis como fonte de alimentos na atividade pesqueira. nos olhos d água. que são a canalização. uma oportunidade de poder visualizar o estado em que se encontra sua cabeceira. O ambiente destacado envolve centenas de propriedades rurais nas quais dezenas delas foram visitadas e selecionadas a fazer parte dos relatos de parte deste trabalho. maior e principal afluente do Rio Mucuri que dá nome ao vale. na área urbana. os cursos d água são objetos de estudo de nascentes. assoreamento. e em especial. de certa forma. principalmente na área urbana. retificação. Pensar rios e córregos na atualidade é deparar com várias correntes que defendem todo tipo de intervenção. incluindo as nascentes difusas e olhos d água. conota uma configuração empírica à parte deste capítulo. torna-se necessário obter relatos de pessoas que vivem nessas áreas. As atividades antrópicas impõem para satisfação de seus projetos.Revista Tecnologia e Sociedade . e. pelo aumento da população no século passado e pela implantação de indústrias. . que estão. levam a perda da qualidade de vida das pessoas que dependem de suas águas. desprovida de outros centros de lazer. Estas condições impostas aos rios e córregos na área urbana. caudalosos e límpidos. pois. desmatamento. não conseguem atingir a idéia de torná-los semelhantes ao que eram no passado. pois faz parte de um projeto para o futuro. nas áreas de suas nascentes é uma forma de transferir para este relato. Diante desta característica. que condicionam sua degradação enquanto elemento da natureza. emissão de efluentes entre outros meios impeditivos de retorno. estão lutando pela sua condição de defensores contra a degradação que impõe a ocupação antrópica. as regiões de contribuição dinâmica. na qualidade da água natural como condição de saúde e no resgate da função simbólica. lúdica e de lazer e entretenimento que os rios podem proporcionar. como é o caso das cidades da região desta micro bacia do vale do Rio Todos os Santos. Característica diferente do que ocorre na área rural e região de cabeceiras. mas que na sua maioria. prende a pesquisa ao estudo dos recursos hídricos e prorroga para mais distante a relação das pessoas com este meio ambiente. ISSN (versão online): 1984-3526 28 3. são alento àqueles que acreditam num futuro saudável. porém. por fim.

prontas para receberem em sua sinuosidade e pequenas cachoeiras. vindas de outras propriedades. Num espaço pouco mais de 500 (quinhentos) percorridos. rebaixando e alinhando com o retilineamento do curso do rio. pode ser vista a primeira nascente do Rio Todos os Santos. 2012. a Prefeitura de Poté. todas com as mesmas características. com a finalidade de utilizar a área esgotada como pastagens. o entorno das nascentes. têm preservados todos os topos dos morros e baixada. direcionam sua orientação rumo às propriedades que estão abaixo. não sofreu intervenção antrópica de forma contundente. e. A força do Todos os Santos começa com alguns riscos semelhantes a uma cadeia de neurônios que vão se interligando para formar o curso d água. Tendo todo cuidado com o cercamento dos olhos d água com postes de eucalipto. onde orientações permanentes têm sido formuladas no sentido da continuidade da preservação nesta área. propriedade do Sr. No município de Poté. 3.1ª Edição. Sebastião Rodrigues dos Santos. logo abaixo uns 100 (cem) metros do primeiro olho d água. que já se fazia devido à importância para esta propriedade e as demais do recurso hídrico que aí se inicia. Ainda nesta propriedade. ISSN (versão online): 1984-3526 29 Já o estado em que se encontram as regiões de cabeceira dos principais afluentes do Rio Todos os Santos. proporcionando uma redução do volume d´água que depende destes fatores. tem uma vegetação diversificada.Revista Tecnologia e Sociedade . arame e ajuda de voluntários. Ainda há pouco tempo atrás.1. EMATER-MG e COPASA. com aproximadamente um milhão e setecentos mil pés desta planta. A área de contribuição dinâmica da nascente principal do Rio Todos os Santos. o precioso e importante produto que dispõe sem nenhum ônus para aqueles que utilizam na lavoura e uso doméstico. Esta área cercada por montanhas tem eminentemente característica de arrecadadora de água para a formação do lençol freático. seja através de manejos inadequados ou como fonte de melhorar e especular o valor das propriedades rurais. já se contempla nesta micro bacia por mais 5 (cinco) nascentes. que foi completamente arrancada e substituída por capim . queimadas. muita vegetação ainda conservada. o primeiro filete do rio já com uso doméstico. fica numa bacia formada pela vertente topográfica dos Rios São Mateus (Cricaré). Destaque para o esgotamento de brejos nesta região já abaixo da nascente. subafluentes do Rio Mucuri leva a preocupação com os aspectos ambientais de desmatamento descontrolado. havia cultivo de café. nos fundos da casa do proprietário. Descrição de Alguns Afluentes Os dados descritos abaixo foram coletados em várias visitas in loco e não apresentam localização geográfica. matas ciliares. mas o sentido em que se encontram. pois tem a forma côncava e a presença de um único corredor de saída para o curso do rio que aí nasce sob a forma de olhos d água. só usa madeira seca. cuja atividade com o gado é a principal das propriedades. Rio Valão e o Rio Todos os Santos. devastação que tem atingido regiões que abrangem as matas dos topos das montanhas.

que tem 13 (treze) represas pequenas e (01) uma grande para exploração e criatório de peixes. sem contar que sua sinuosidade garante sua naturalidade. onde corre o primeiro filete de água rumo a Teófilo Otoni. A impressão que visivelmente se tem. suinocultura e piscicultura. têm relatos de grandes devastações de mata primária. em sentido às nascentes do Rio São José. quedas muito variadas e. Num trajeto sinuoso e longo. ocorre fato que serve para ilustrar inúmeros ataques à preservação das nascentes desta região. descaracterizando a paisagem. Eder Sampaio. evidencia seu porte. Na baixada de Valão já nos encanta o tamanho do rio.1ª Edição. que irá se fortalecer com mais duas nascentes bem próximas. O córrego Leme. e a segunda com o espelho d´ água maior rodeada de pastagens e pouca vegetação. o volume d´ água é bem menor que antes de passar pelas represas. Na comunidade denominada de Baixinha de Todos os Santos. na propriedade do Sr. 2012. . O recurso hídrico é usado de formas diversas. Cerca de 800 metros abaixo já se pode contemplar visualmente duas represas. não existindo vegetação ciliar (ripária). com remansos embaixo de pés de Ingá. Rio abaixo. também nas divisas de município. a antiga em funcionamento e a nova sendo construída para poder sustentar no período seco. tem o primeiro lugarejo comunitário do uso da água do Rio Todos os Santos. Desprovida de matas de cobertura dos topos dos morros. Foi desmatada toda a propriedade. encontra-se com o protagonista na propriedade pesque e pague de Valão. pois um curso que já necessita de uma ponte. viaja-se muito até o local importante para a população urbana. às vezes. O volume da vazão em questão é de 110 litros-segundo na seca e até 300 na safra. ISSN (versão online): 1984-3526 30 brachiaria. alguns quilômetros abaixo. uma de porte menor com cafezais de um lado e mata do outro. o Rio Todos os Santos oferece aos olhos da população. um ponto de relevo de altitude expressiva. Tal manejo contribui para mudança nas características paisagísticas da região. o uso doméstico. com aproximadamente 60 (sessenta) casas. é a de que dentro da cidade de Valão. inclusive ao redor da nascente para formação de pasto para alimentação de gado. vários exemplos de belíssimas paisagens naturais.Revista Tecnologia e Sociedade . um afluente importante do Rio Todos os Santos tem suas nascentes nas vertentes da nascente do Rio São Mateus. embora dividindo com o município de Itambacuri. rumo a Teófilo Otoni são vistas muitas outras nascentes. afluente do Rio Todos os Santos. na época em que passava por esta região a Estrada de Ferro Bahia Minas. lavoura. Exterminada a vegetação ao redor da nascente. certamente servirá de agravante para que esta nascente precocemente se extinga. que afetam significativamente o ecossistema a que pertence. encontra-se a represa da COPASA. a represa de captação da cidade de Valão mostra o volume que tem esse rio. lento. Na Fazenda Boa Vista. Na nascente do córrego Linha H. Nas vizinhanças da fazenda Boa Vista. o abastecimento de água de Teófilo Otoni. Nesta Fazenda Boa Vista. O Rio São José. A presença de muitas cachoeiras durante o percurso do rio abaixo são constantes. sub afluente do Rio São José. exemplares de cachoeiras naturais. com sua locomotiva Maria Fumaça.

em comparação ao Rio Todos os Santos. pois a sua nascente é difusa. mas que um levantamento minucioso o poderá fazer contá-las. onde abastece um reservatório de 84 (oitenta e quatro) mil litros d água. tanto para encher o reservatório quanto para a irrigação agrícola. com muitas grotas. deve-se ao fato de que existem mais subafluentes que deságuam no primeiro do que no segundo. as nascentes dos córregos Brejaúba e Capitólio não fogem às características das demais. Percebese. subafluente do Rio São José. João Carlos Nunes Coelho. Suas inúmeras nascentes demonstram como são importantes para as populações locais e que vão agigantar logo abaixo o rio protagonista deste empreendimento. Ainda o uso diversificado do recurso hídrico se dá com maior intensidade no Rio Todos os Santos. As demais nascentes até a 6ª. Nesta propriedade. numa pedra e vários noutra grota. que desaguará no córrego São Gotardo. e abaixo formam um total de 16 nascentes uma em cada pequena propriedade. Pouco abaixo já na área urbana na propriedade do Sr. na propriedade do Sr. 2012. desprotegida de mata de topo e rodeada somente por pastagens. também chamado de Perigosos. e estes subafluentes. O fato do volume maior de água no Rio São José. apresenta um diferencial dos demais. uma nascente insiste em não secar. desenha sua sinuosidade na propriedade de um assentamento de 21 (vinte e uma) famílias de agricultores. O córrego Suíça II. enquanto a maioria são olhos d´ água. numa região de relevo declivoso. cuja nascente não diferencia das demais. sem necessidade de motor bomba. tem uma recente captação de água. um olho d´ água à direita.1ª Edição. Neste ponto. destaque para um galho desse que tem 75 (setenta e cinco) milímetros cúbicos de volume na seca. A intensidade e proximidade destes brotos d´água formam belíssimos cursos d’água. visivelmente nota-se um volume superior deste precioso líquido na estação da seca. que são incontáveis os olhos d´água. o Rio São José. outro logo abaixo. despejando esse conjunto no córrego . Gilson de Castro Pires. pela topografia acidentada de toda região de cabeceira dos afluentes e subafluentes do Rio Todos os Santos. ISSN (versão online): 1984-3526 31 O córrego Água Preta. O Córrego Suíça II e vários outros pequenos cursos d´água. O Rio São José tem o volume no seu leito maior que o Rio Todos os Santos. os córregos Brejaúba e Capitólio desaguarão no córrego Lajinha. Das inúmeras pequenas bacias visitadas para confecção desta parte do trabalho. o córrego São Gotardo. Ainda rio abaixo. um pouco mais moderna que a anteriormente construída na fazenda Boa Vista. Apesar de mais curta a bacia deste afluente do Rio Todos os Santos. todo abastecido por gravidade. Este reservatório construído sem muitos recursos de engenharia apresenta-se firme e sem vazamentos e serve aos seus propósitos. Os 1º e 2º olhos d´ água nascentes do córrego Brejaúba também vão desaguar no córrego Capitólio.Revista Tecnologia e Sociedade . formando este córrego também com nome de santo. a natureza ainda é preservada com matas de topo e vegetação ciliar ou ripária constante. já composto pelo córrego Água Preta. abastecendo várias comunidades ribeirinhas cachoeiras abaixo. que tem uma extensão superior. o córrego São Gotardo nasce numa pequena bacia formada por uma cadeia de morros. na vertente topográfica com o Rio São Mateus. sua bacia de captação já sofrida por diversas queimadas.

A água como elemento fundamental da paisagem em microbacias. um melhor entendimento acerca da relação dos indivíduos e o seu meio ambiente. e. por cerca de 374 (trezentos e setenta e quatro) quilômetros de estrada sem asfalto. puderam-se perceber os reflexos da exploração dos recursos minerais. ISSN (versão online): 1984-3526 32 Liberdade. cuja região começa num cantinho do Estado de Minas Gerais. mostrar que desse meio ambiente do Rio Todos os Santos. e. somos todos dependentes e talvez possamos contribuir para seu status de recurso hídrico indispensável. REFERÊNCIAS ALVES. O córrego Poton recebe esses subafluentes. a exemplo da Convenção para Proteção e Utilização dos Cursos de Água Transfronteiriços e dos Lagos Internacionais. as convenções internacionais. aqüíferos sobre e subterrâneos e o levantamento de parte das nascentes nas cabeceiras do Rio Todos os Santos. Schirley Cavalcante. Viajar no tempo junto aos colonizadores e chegar às cabeceiras do Rio nos dias atuais. São Paulino e vão completar o Rio Mucuri. flores e plantas ornamentais.Revista Tecnologia e Sociedade . 9-14.21. 4. que pode ser seguido para dar seqüência ao estudo. ./dez. fazem parte de uma integrada cadeia de fatores que parecem ter se incorporado e entrelaçado ao corpo dos pesquisadores e uns aos outros. Santana. nov.1ª Edição.2000. São vários os temas em destaque na mídia e meios legislativos e do executivo. CONSIDERAÇÕES FINAIS Percorrendo a história de Teófilo Otoni. p. n. que influenciam sobremaneira na formação de cursos d´água. fato é que. A partir do povoamento das cidades. os dados obtidos demonstram. principal afluente do Rio Mucuri. Informe Agropecuário. e se lançam no Rio Todos os Santos abaixo da zona urbana de Teófilo Otoni. favorecendo. 2012. preconizam o atendimento às necessidades atuais sem comprometer as futuras. – v. serve para justificar nossa existência. mercantil e dos recursos hídricos e a conseqüente devastação ambiental. de Helsinque 1992. tamanha importância foi dado à pesquisa que se pretende dar continuidade em um novo projeto. sobretudo no que se refere ao processo de colonização do Vale do Mucuri. Fica então um pequeno roteiro de alguns dos afluentes e subafluentes que compõe a micro bacia do Rio Todos os Santos. o foco sobre queimadas.207. como córrego da Palha. Sobre bacias hidrográficas. mas os recursos hídricos têm um tratamento muito especial. que daí em diante continua recebendo vários outros. As Secretarias de Meio Ambiente estaduais são chamadas a todo momento. Santaninha. da exploração agropecuária. assim. a importância dos recursos naturais e sua influência no processo de colonização. claramente. ciclo hidrológico. região de agricultores de laranja.

38 p. WEIL. Ano VI. As matas Ciliares. Leônidas. “A pobreza sofredora na cidade de Teófilo Otoni e temas ecológicos”. 235 p. Belo Horizonte: v. Maria Leonor Loureiro. Busca de Efetividade de seus instrumentos. Revitalização de Rios: Área Rural. Francisco. n. VESENTINI. Trad. São Paulo: Malheiros. Política Ambiental. PORTO. março/abril 2003. 207. 2000. Zoneamento das águas. 488 p. Ação Ambiental. Ano VI. 112 p. 1994. “O Enraizamento”. p.Revista Tecnologia e Sociedade . LOPES. Walter de Paula. n. Agropecuária e ambiente. 8-10. UFV – Universidade Federal de Viçosa. INFORME AGROPECUÁRIO. 2022. Herly Carlos Teixeira. 1929. Rio de Janeiro: 1992. São Paulo: Ática. Paulo Sant´Anna. Divisão Gráfica Universitária. Eduardo Magalhães. mar. Bauru. Paulo Afonso Leme. José willian. nov. Paulo. 2003./fef. n. 10 ed. 300 p. SP: EDUSC. 24. Revitalização de Rios: Área Rural. n. 2005. LORENTZ. DOMINGUES. São Paulo: Revista dos Tribunais. 1 ed. Belo Horizonte: 2000. Geraldo Ferreira. Viçosa: CPT. p. 2002. março/abril. Antônio Felix. n. UFV – Universidade Federal de Viçosa. 2003. p. Leônidas. 2012. 2002. 263 p. Município de Theóphilo Ottoni. jan. José Demerval Saraiva. Haruf Salmen. Theóphilo Ottoni: Typographia S. Ano VI. LANFREDI. LIMA. 202. 21. ISSN (versão online): 1984-3526 33 CASTRO. Fernando Falco. Rio de Janeiro: 1990. “Sertão do Rio Doce”. Contagem: CEDEFES. 05-07. LORENTZ. 21. “Lembranças da Terra – Histórias do Mucuri e Jequitinhonha”. 24. MACHADO. 64 p. “A batalha ecológica na cidade de Teófilo Otoni”. Recuperação e Conservação de Nascentes. 2001. Ação Ambiental. Sociedade e espaço: Geografia Geral e do Brasil. Entrevista.1ª Edição. . 1994. Ação Ambiental. 84 p. 2000. UFV – Universidade Federal de Viçosa. RIBEIRO. DIAS. 274 p. 62 p. “Notas Históricas”. INFORME AGROPECUÁRIO. Bauru: EDUSC. ESPÍNDOLA. Belo Horizonte: v. Simone. Divisão Gráfica Universitária. 2001. 1038 p./abr. 24. PRUSKI./dez.. 24 ed. MACIEL Jr. Reinaldo Ottoni. Direito Ambiental Brasileiro. Divisão Gráfica Universitária. Manejo de Microbacias.

Tecnologia e Sociedade (PPGCTS). Coordenadora do Núcleo de Estudos sobre Expertise e Política e pesquisadora associada do Laboratório de Estudos Sociais em Ciência. EUA (2007-2008). Tecnologia e Sociedade. do qual é vice-coordenadora. com estágio de doutoradosanduíche no Departamento de Antropologia. Professora Adjunto da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) vinculada ao Departamento de Ciência da Informação e do Programa de Pós-Graduação em Ciência. aliou aspectos teóricos do campo Ciência. Professora Associada da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) vinculada ao Departamento de Ciência da Informação é tutora de alunos indígenas (Grupo PET). Tecnologia e Sociedade (CTS) e Sociologia do Consumo através de uma das metodologias da Ciência da Informação. 2012. Tecnologia e Sociedade pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e doutoranda em Política Científica e Tecnológica pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). ISSN (versão online): 1984-3526 34 Análise de patentes de tecnologias relacionadas ao descarte de resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos com vistas à 12 sustentabilidade ambiental Analysis of technology patents related to the disposal of electric and electronic equipment waste regarding the environmental sustainability Luciara Cid Gigante Maria Cristina Comunian Ferraz Camila Carneiro Dias Rigolin 3 Resumo Esta pesquisa. E-mail: luciaragigante@ige. grupos de pesquisa da Universidade Federal de São Carlos. de caráter interdisciplinar. por meio de monitoramento tecnológico de produtos e processos na base de dados de patentes gratuita online Espacenet. Áreas de atuação em pesquisa: Estudos Sociais de Ciência e Tecnologia e Política Científica e Tecnológica.br.Revista Tecnologia e Sociedade .br. foram evidenciados grandes contrastes em reivindicações puramente técnicas de 3 Luciara Cid Gigante: Mestre em Ciência.br . com Pós-doutorado em Engenharia de Materiais e Especialização em Administração e Análise de Negócios. cadastrados no DGP-CNPq. coordenadora de programa de extensão (Divulgação Científica. E-mail: cristina@ufscar. Maria Cristina Comunian Ferraz: Doutorado em Ciências pelo Instituto de Física e Química de São Carlos. docente de programa de mestrado (Ciência. Como resultados. Mestre em Administração (UFBA). Camila Carneiro Dias Rigolin: Doutorada em Política Científica e Tecnológica pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).1ª Edição. E-mail: diasrigolin@ufscar. Tecnologia e Sociedade) e de curso de especialização (Gestão de Organizações Públicas) na UFSCar.unicamp. Teve como objetivo realizar a análise de patentes de tecnologias relacionadas ao descarte de lixo tecnológico e das tendências verificadas em documentos de patentes. Indiana University. Comunicação e Inclusão Social).

economical and environmental sustainability. Introdução De modo geral. Keywords: Science.Revista Tecnologia e Sociedade . segundo Bazzo. Intellectual Property. Abstract This interdisciplinary research gathered theoretical aspects in the field of Science. National Policy of Solid Waste. Palavras-chave: Ciência. or merely minimized. Technology and Society (STS) as well as Sociology of Consumption through one of the methodologies of the Information Science. but also aspects related to the social. ou apenas minimizados. . Tecnologia e Sociedade. Por se tratar de um campo de trabalho acadêmico de caráter crítico e interdisciplinar. through the technological monitoring of products and processes on online free patent database: Espacenet. 2012. Concluiuse que universidades. Technology and Society. Tecnologia e Sociedade” (CTS) constituem um campo de trabalho que trata de entender o fenômeno científico-tecnológico no contexto social. Patent Analysis. tanto em relação aos condicionantes sociais como em relação às suas consequências socioambientais. Equipamentos elétricos e eletrônicos. existem diversas orientações acadêmicas. De âmbitos de reflexão e de propostas de mudança institucional. Análise de patentes. These in pure technical claims of patent documents which took into consideration more than only the brief description of the technology in question. Electric and Electronic Equipment. Propriedade Intelectual. Política Nacional de Resíduos Sólidos. Linsingen e Pereira (2003). In the results great contrasts were highlighted. ISSN (versão online): 1984-3526 35 documentos de patentes que levaram em consideração mais do que somente a descrição sumária da tecnologia em questão. governo e sociedade têm que se unir para que novas práticas ambientalmente seguras sejam criadas e adotadas mundialmente a fim de que parte do impacto já gerado seja revertido. segundo López Cerezo (1998). como a ética engenheril ou os estudos de avaliação de tecnologias. ou. The objective was to analyze the technology patents related to the disposal of technological waste and the trends verified in documents of patents. os es tudos sobre “Ciência. the government and the society must unite in order to promote new and safer environmental practices that could be created and adopted worldwide so that part of the generated impact could be minimized or new impacts are not even generated. como as provenientes da sociologia do conhecimento científico ou da história da tecnologia. que novos impactos não sejam gerados. It was concluded that universities. convergem neste heterogêneo campo de trabalho.1ª Edição. mas também com aspectos relativos à sustentabilidade sócio-econômica-ambiental.

. atualmente os estudos CTS constituem uma diversidade de programas de colaboração multidisciplinar que força a concorrência entre suas duas tradições (europeia e norte-americana). Harvey (1993.” Por isso. a meia vida tem caído para menos de dezoito meses.1ª Edição. Harvey (1993. o espetáculo e a mercadificação das formas culturais (HARVEY. Enfatiza-se a flexibilidade. o problema do grande volume de resíduos sólidos gerados por bilhões de consumidores tem sido apontado como um dos mais graves da atualidade. “Em condições recessivas e de aumento da competição. 1993). como o de tecnologias de informação (videogames e programas de computador). as quais. que sempre é uma chave da lucratividade capitalista. p. o baixo grau de implantação de novas alternativas de tratamento e reciclagem. a limitação dos ecossistemas naturais em decomporem os resíduos gerados pelo homem em sua atividade econômica (FERRAZ. p. foi reduzido de modo dramático pelo uso de novas tecnologias produtivas (automação. Para o autor. p. nas últimas décadas. que corta drasticamente a quantidade de material necessária para manter a produção fluindo). 2010). pelo sistema produtivo. A estética. robôs) e de novas formas organizacionais (como o sistema de gerenciamento de estoques “ just-intime”. 9). tornou-se evidente. um grande desafio. a efemeridade. dada a grande escala de produção. Neste sentido. o tempo de giro. ao lado da exploração de nichos de mercado altamente especializados e de pequena escala. 2012. enquanto que em outros. A acumulação foi acompanhada na ponta do consumo pela mobilização de todos os artifícios de indução de necessidades e de transformação cultural. A meia vida de um produto fordista típico. era de cinco a sete anos. ISSN (versão online): 1984-3526 36 Enfatizando a dimensão social da ciência e da tecnologia. o impulso de explorar essas possibilidades tornou-se fundamental para a sobrevivência”.Revista Tecnologia e Sociedade . 148) ressalta que “a aceleração do tempo de giro na produção teria sido inútil sem a redução do tempo de giro no consumo”. e também os males da rotina cega (SENNETT. relativamente estável do modernismo fordista cedeu lugar à instabilidade e qualidades fugidias de uma estética pós-moderna que celebra a diferença. 2003). representam hoje. b) a crítica da concepção da tecnologia como ciência aplicada e neutra. c) a condenação da tecnocracia”. Como afirmam Ferraz e Basso (2003) “a geração de resíduos é um dos maiores problemas enfrentados. mas a acumulação flexível diminuiu isso em mais da metade em setores como o têxtil. e. BASSO. compartilham: “a) a rejeição da imagem da ciência como uma atividade pura. Neste contexto. hoje em dia. aliada às limitações existentes para a recuperação dos materiais não renováveis. 148) explana que os sistemas de produção flexível permitiram a aceleração do ritmo da inovação do produto. esta pesquisa partiu da expressão “capitalismo flexível” que descreve hoje um sistema que é mais que uma variação sobre um velho tema. Atacam-se as formas rígidas de burocracia. por exemplo. segundo López Cerezo (2002. A escassez cada vez maior de áreas para a implantação de novos aterros para a disposição de resíduos.

e da análise de conteúdo como método de análise dos resultados. através de monitoramento tecnológico de produtos e processos relacionados ao descarte de lixo tecnológico na base de dados de patentes gratuita online Espacenet. ou melhorem.1ª Edição. que foi feita dentro dos princípios do campo CTS que busca a construção de uma sociedade economicamente estável. para a caracterização da temática e descrição do universo a ser estudado. 2) Levantamento de termos/palavras-chave representativas para a realização do monitoramento tecnológico. Este estudo justificou-se tendo em vista que analisar as tecnologias existentes para que o descarte de lixo tecnológico seja feito de maneira a colaborar para o crescimento socioeconômico de maneira sustentável. ISSN (versão online): 1984-3526 37 Esta pesquisa teve como objetivo principal fazer a análise de patentes de tecnologias relacionadas ao descarte de lixo tecnológico e as tendências verificadas por meio de documentos de patentes. o estado dessa problemática. 2012. . comparar tais tendências levantadas nos documentos de patentes com a situação atual vigente na legislação brasileira de descarte de lixo tecnológico. esta pesquisa foi realizada seguindo-se as seguintes etapas: 1) Levantamento bibliográfico para compor a revisão de literatura. os estudos CTS e a questão da sustentabilidade ambiental. ao relacioná-las com o uso de patentes como fonte de informação tecnológica no meio acadêmico e em estudos de monitoramento tecnológico. esperando-se que com estas obtenha-se eficiente recuperação de informações relevantes no universo da base de dados de patentes selecionada. detectar para quais tipos de materiais com essa classificação já existem políticas de descarte. através da literatura encontrada sobre descarte de lixo tecnológico. propiciará benefícios a toda a sociedade com ganhos econômicos. Metodologia A metodologia adotada foi de uma pesquisa de caráter quali-quantitativa e exploratório-descritiva. Com vistas ao referencial teórico apresentado pretendeu incentivar a interação entre os estudos das áreas de Propriedade Intelectual. através de análise de conteúdo. Esperava-se estabelecer um diálogo entre a área da Propriedade Intelectual e os estudos do campo CTS. Para tanto. Como procedimento metodológico fez-se uso também do monitoramento tecnológico em bases de dados de patentes. A pertinência desta pesquisa se destacou também pelo ineditismo do tema que alia o estudo das políticas públicas existentes sobre descarte de lixo tecnológico às inovações patenteadas sobre o tema. Como objetivos específicos constaram: identificar e categorizar os tipos de materiais classificados como lixo tecnológico. levantar e avaliar as tendências tecnológicas encontradas nos documentos de patentes. ambientalmente saudável e socialmente justa.Revista Tecnologia e Sociedade . no qual buscam-se as tendências do desenvolvimento de uma dada tecnologia e possíveis soluções que acabem. sociais e ambientais.

Tais bases de dados selecionadas para o préteste de exploração foram: (1) Espacenet (do escritório europeu de patentes). 5) Testar a eficiência e realizar a coleta dos dados. realizou-se um levantamento das fontes de informação formais a serem utilizadas para o estudo do universo. (5) PatentScope (base de dados de patentes da Organização Mundial da Propriedade Intelectual).Revista Tecnologia e Sociedade . Para a recuperação e coleta das fontes de informação supracitadas. 7) Análise dos resultados através da análise de conteúdo. 6) Tratamento dos dados coletados quali-quantitativamente. Tendo em vista seu conteúdo informacional. Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). (6) USPTO (base do escritório americano de patentes (United States Patent and Trademark Office)). É importante ressaltar que a opção de se pesquisar em bases de dados gratuitas baseou-se em questões de sustentabilidade e acessibilidade da informação com menor impacto econômico. Web of Science. JusBrasil. base de dados do escritório japonês de patentes). assim como o fato da utilização dos documentos de patentes como fonte de informação para o monitoramento tecnológico. concluiu-se que a base de dados de patentes que melhor representaria o universo a ser estudado seria a Espacenet. (2) Google Patents (base de dados americana usada como alternativa à USPTO). Scopus. 2011). multidisciplinar (patentes de diversas áreas do conhecimento) e abranger as patentes depositadas na base de dados do escritório brasileiro de patentes. 4) Realização de pré-testes para verificação da eficiência das palavraschaves levantadas. nichos de mercados para atuação. o levantamento das principais bases de dados de patentes e um pré-teste com os termos de busca. efetuar novos estudos na literatura da área de descarte de lixo tecnológico a fim de encontrar termos relevantes para a busca. e outras bases de dados de patentes. gratuita. Scielo. e não qualquer outra. utilizou-se as seguintes bases de dados: Google. inovações incrementais e movimentos da concorrência. Compendex. (4) IPDL (Industrial Property Digital Library. um documento de patente permite identificar tecnologias relevantes. parceiros. cuja representatividade está no fato desta ser online. Comparados os resultados recuperados com os pré-testes realizados nas bases de dados. previamente retirados da literatura. sua interface e o quanto cada base recuperou por palavra-chave. Derwent Innovations Index. Diário Oficial. contendo patentes publicadas a partir do ano de 1836 até o presente (ESPACENET. e outros 85 países. Google Acadêmico. do contrário.1ª Edição. Para a delimitação do universo a ser estudado. se deve ao fato de as patentes terem se mostrado uma eficiente ferramenta e um instrumento eficaz no apoio à tomada de decisão. tais . (7) Derwent Innovations Index (base de dados de patentes internacionais). 2012. a fim de comparar a facilidade dos mecanismos de busca de cada base de dados. Foi realizado. do Brasil). ISSN (versão online): 1984-3526 38 3) Seleção da base de dados de patentes a ser utilizada. (3) INPI (base de dados do Instituto Nacional da Propriedade Industrial. posteriormente. Espacenet.

quanto à origem de seu depósito. Os termos “waste disposal technology” e “waste electrical and electronic equipment” recuperaram um documento de patente cada. O universo desta pesquisa foi compreendido. fusões e aquisições. como aborda Canongia. obtiveram resultado nulo quanto à recuperação na base de dados de patentes Espacenet.Revista Tecnologia e Sociedade . conforme apresentado na Tabela 1. sendo que seu uso ocasionariam sucessivos erros de sintaxe. foram selecionados 37 termos/palavras-chave e um universo de 31 documentos de patentes recuperados a serem analisados. observouse.1ª Edição. Fonte: Elaboração própria. A seção seguinte apresenta os resultados da presente pesquisa juntamente da discussão e. Em seguida ficou o termo “technological waste”. para recuperação da expressão exata. gestão de produtos. pelos termos utilizados como sinônimo sobre novas tecnologias em descarte de lixo tecnológico. Pereira e Antunes (2002). portanto. com 13 documentos de patentes cada um. gestão de processos. Os termos em português foram utilizados sem a devida acentuação tendo em vista que a base Espacenet não os indexa. os quais foram utilizados entre aspas. 2012. tanto as em inglês como as em português. ANO “waste disposal technology” Analisando-se os pedidos de patentes acima mencionados. em seguida. No período de tempo analisado (2003 a 2011) observou-se a ocorrência de registros de pedidos de patentes recuperados por termo. No total. ISSN (versão online): 1984-3526 39 como investimentos. sendo que os termos “electronic waste” e “electronic scrap” foram os que mais recuperaram. constatou-se maior incidência na recuperação de documentos nas buscas realizadas com os termos no idioma inglês. e somente nos campos título e resumo. dentre outras. que recuperou 2 documentos de patentes. Resultados A partir do estudo do universo levantado. As demais palavras-chave selecionadas. “waste “technological “electronic “electronic TOTAL electrical waste” scrap” waste” and electronic equipment” 2003 1 0 1 3 1 6 2004 0 0 0 1 3 4 2005 0 0 0 3 0 3 2006 0 0 0 3 0 3 2007 0 0 1 0 2 3 2008 0 1 0 2 2 5 2009 0 0 0 1 3 4 2010 0 0 0 0 2 2 TOTAL 1 1 2 13 13 30 Tabela 1: Número de registros de documentos de patentes sobre REEE recuperados por termos por ano de prioridade na base Espacenet. novas linhas de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). das conclusões do estudo. que 11 deles foram depositados .

outros 19 pedidos de patentes recuperados tiveram seu depósito nacionalmente e também fizeram uso do Tratado PCT ao entrar com o pedido da patente na WIPO (WO). 2008 e 2009.1ª Edição. A data de depósito é a data registrada no protocolo do pedido de patente para o depósito nacional. seis em 2004. Consequentemente. Fonte: Elaboração própria. Como observado. 2012. Figura 1: Número de registros de documentos de patentes recuperados sobre REEE por data de depósito e de publicação na base Espacenet. sendo que este deve ocorrer dentro do prazo de prioridade (período de 12 meses contados da data do pedido no país de origem do depósito do pedido via PCT). Tal fato. os países que também receberam o pedido de proteção da patente são considerados. dois pedidos foram . A Figura 1 apresenta o número de registros de pedidos de patentes por data de depósito e data de publicação dos pedidos de patentes recuperados ao longo do período de tempo (2003 a 2011) analisado.Revista Tecnologia e Sociedade . dois em 2005 e em 2006. quatro depositados em 2007. cinco em 2010 e nenhum em 2011. Em contraposição. isto é. e/ou em outros países cujo mercado lhes foi de interesse. Tal data pode se referir também à notificação da entrada na fase nacional do pedido internacional depositado via PCT. ou no escritório americano de patentes (USPTO). pelos depositantes. possíveis mercados para a comercialização da tecnologia reivindicada. Diferentemente da data de depósito. ou a data do registro do pedido internacional. visto que o processo não fez uso do Tratado de Cooperação de Patentes (PCT). ou no escritório de patentes da União Europeia (EPO). de pedido internacional. indica que os inventores e requerentes (depositantes) da patente têm interesse em proteger sua tecnologia em outros possíveis mercados além de seu país de origem. ISSN (versão online): 1984-3526 40 somente nacionalmente. três pedidos foram depositados em 2003. a data de publicação refere-se à data na qual o pedido de patente nacional teve seu período de sigilo findado (18 meses contados a partir da data de depósito).

“após o depósito do pedido de patente perante a autoridade governamental competente de cada país. p. 2012. com 9. Alexander) e o outro dos Estados Unidos da América (Akridge. segundo Macedo e Barbosa (2000. quatro em 2009. Tais discrepâncias no período de sigilo dos pedidos podem ser justificadas devido ao fato de que. Os depositantes e a natureza jurídica destes também foram levantados. James R.1ª Edição. com 4 depositantes cada um. Quanto às tipologias dos registros de pedidos de patentes recuperados. Todos os demais apresentaram somente um registro de pedido de patente sobre REEE recuperado. Observa-se que a Alemanha lidera possuindo 12 depositantes. A Hungria. e. ISSN (versão online): 1984-3526 41 publicados em 2004. dois em 2010 e cinco em 2011. três em 2006 e em 2007. . A República Tcheca e a Finlândia possuem ambos 5 depositantes cada. Os depositantes que mais se destacaram foram dois pesquisadores. Quanto ao idioma dos registros dos pedidos de patentes recuperados. Figura 2: Número de registros de documentos de patentes recuperados sobre REEE por nacionalidade de seus depositantes.). enquanto que a França. pela existência ou exclusão de alguma etapa na tramitação do pedido. seguida pelos Estados Unidos da América. classificados como pessoa física. sendo que as diferenças das legislações nacionais são. sendo um da Alemanha (Koslow. Fonte: Elaboração própria. seis em 2008. oito em alemão e somente um em francês. foram recuperados 21 documentos em inglês. o mesmo passa por diversas etapas assemelhadas”. assim como a Itália e a Polônia. preponderantemente. apresenta os registros de pedidos de patentes recuperados por nacionalidade. cinco em 2005. 45). nove reivindicando produtos. o Reino Unido e a Suíça apresentaram três depositantes de pedidos de patentes cada. Israel e Turquia finalizam o ranking com apenas um pedido de patente cada um. Dentre todos os 51 depositantes do universo analisado. a Figura 2. obteve-se 21 pedidos de patente de invenção reivindicando processos.Revista Tecnologia e Sociedade .

Finlândia e Canadá. ISSN (versão online): 1984-3526 42 Conforme os idiomas acima mencionados. Suíça. 2012. com dois registros cada um. No que tange à análise do conteúdo desses documentos. levou-se em consideração o . Fonte: Elaboração própria. Figura 3: Número de registros por nacionalidade dos documentos de patentes recuperados sobre REEE na base Espacenet. Por meio do estudo do conteúdo dos documentos de patentes e das aplicações nelas mencionadas. Reino Unido. b.1ª Edição. incluindo os de REEE. d. através do formulário de análise de conteúdo. com um registro cada um. Software para jogos de computador. República Tcheca. foi possível categorizar o universo estudado nos seguintes grupos de tecnologias: 1) Métodos/processos para separação de plásticos contidos na sucata eletrônica. Polônia. Israel e Hungria. e. 2) Métodos/processos para separação de metais nobres contidos na sucata eletrônica. Itália. Tais dados são apresentados na Figura 3. 4) Recipiente (produto) em forma de caixa-lembrete para a conscientização para a separação e o recolhimento de diversos tipos de materiais recicláveis. os Estados Unidos da América também lidera o ranking dos países com registros mais recuperados. c. Processo de aquecimento solar de água através de calor solar e/ou de resíduos de sucata eletrônica e/ou outros resíduos tecnológicos. 3) Recipientes (produtos) para o acondicionamento e transporte seguro (sem quebra dos equipamentos) de REEE. Japão. a nacionalidade dos pedidos de patentes recuperados divide-se entre 13 países distintos. Sistema para gestão da remoção de resíduos industriais.Revista Tecnologia e Sociedade . com três. Seguido de Alemanha. Turquia. Incinerador de resíduos orgânicos. Assim como o idioma inglês é o que mais se destaca. 5) Outras tecnologias não relacionadas à temática: a. com seis registros. tendo 8 documentos registrados.

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aparecimento de termos ou expressões que evidenciassem a preocupação do inventor (ou escritor do pedido) da patente com a temática da sustentabilidade ambiental. Observou-se uma preocupação positiva nesta questão em 16 dos 30 documentos de patentes analisados. Foi citada a necessidade do acondicionamento dos resíduos finais em aterros sanitários apropriados, conforme exposto no trecho a seguir: “as cinzas tratadas e drenadas são armazenadas junto com as cinzas da grelha em um aterro sanitário apropriado/adequado” (CH 696425 (A5)). Assim como o fato de aterros sanitários serem cada vez mais inaceitáveis por causa da contaminação do solo e das águas subterrâneas devido à lixiviação de contaminantes. Outros documentos evidenciaram também uma preocupação com o fato de que os resíduos de produtos despejados no meio ambiente demoram muito tempo para desaparecer por si só na natureza, causando poluição ambiental e ameaçando a saúde humana e a saúde ambiental. A questão da sustentabilidade ambiental foi explicitada também através de uma preocupação com as matérias-primas resultantes e estas serem pura e facilmente reutilizáveis. Apesar da clara preocupação e apontamento de termos e expressões relacionadas à sustentabilidade ambiental, dados numéricos relacionados à questão da sustentabilidade ambiental somente foram identificados em três, dos 30, registros de patentes analisados. Tais dados foram identificados em registros da Alemanha, da Finlândia e dos Estados Unidos da América, respectivamente. No que diz respeito à importância (social e/ou econômica) da tecnologia reivindicada para a sociedade, 10 documentos de patentes analisados apresentaram preocupação e destacaram sua importância ao longo dos documentos. Exemplo desta questão é mencionado num pedido de patente inglês, número de prioridade GB20080001820, que destaca a necessidade do depósito dos REEE ser feita de forma segura e ambientalmente amigável (“depositar os REEE de forma segura ambientalmente amigável”). Um pedido de patente chamou a atenção pela extensa preocupação social descrita ao longo do documento. O pedido de número de prioridade (US20100836806) pertencente aos Estados Unidos da América explanou que “os custos sociais nesses lugares menos afluentes é muitas vezes chocante, usando trabalho infantil, com pouca ou nenhuma preocupação para a segurança industrial, e os trabalhadores expostos à paisagem circundante de poluentes químicos”. Foi interessante constatar que tal pedido de patente, cujo processo permite a redução do lixo eletrônico através de atualizações do dispositivo eletrônico afim de não torná-lo inutilizável tão rapidamente quanto a indústria espera, cita o fato de que “ironicamente, muitas pessoas em lugares mais ricos só se dão conta de tudo isso [trabalho infantil e ambiente de trabalho inóspito] quando alguns desses poluentes químicos cruzar o seu caminho, em novos processos de fabricação, e voltam a eles por meio do alto teor de chumbo em brinquedos e substâncias cancerígenas no vestuário”. A preocupação com a sustentabilidade ambiental também foi requerida no questionário de análise de conteúdo através de outra questão, mas desta

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vez no tocante à própria tecnologia cuja patente está sendo requerida. Nesta, questionou-se se o documento traz informações sobre como proceder com o descarte de tal tecnologia após o término de seu ciclo de vida. Tal prerrogativa não foi evidenciada em 27 dos documentos de patentes analisados, estando presente, portanto, em somente três registros. Com relação ainda à questão da sustentabilidade, questionou-se a presença, ou não, de termos ou expressões relacionados a possíveis riscos ambientais. Do universo analisado, somente nove pedidos de patentes apresentaram tais termos. Os pedidos de patentes que apresentaram termos ou expressões relacionados aos riscos ambientais, das tecnologias reivindicadas ou a ela relacionadas, relacionam-se com a questão do descarte ambientalmente inadequado dos rejeitos da sucata eletrônica e aos impactos por estes gerados em aterros sanitários impróprios, assim como ao meio ambiente de forma geral. Sendo assim, observou-se, no universo analisado, grandes contrastes evidenciados tanto por reivindicações puramente técnicas como por documentos que levaram em consideração mais do que somente uma descrição sumária da tecnologia em questão. A próxima seção apresenta uma sinopse dos principais resultados e a importância destes para a sociedade à luz das conclusões do estudo.

Considerações finais
Esta pesquisa teve como intuito realizar análise de patentes de tecnologias relacionadas ao descarte de lixo tecnológico e das tendências verificadas por meio de documentos de patentes, por meio de monitoramento tecnológico de produtos e processos na base de dados de patentes gratuita online Espacenet, além de contribuir e incentivar uma interação entre a área de Propriedade Intelectual com os estudos do campo CTS e a questão da sustentabilidade ambiental. Conforme apontado anteriormente, os resultados analisados indicaram forte preocupação com questões relacionadas à sustentabilidade ambiental, considerando desde possíveis termos ou expressões e dados numéricos relacionados à sustentabilidade, passando pela descrição da importância dessas tecnologias para a sociedade, suas aplicações e possíveis mercados, até informações de como se proceder com o descarte de tais tecnologias ao término de seu ciclo de vida, suas vantagens e desvantagens, riscos ambientais envolvidos e legislações citadas por esses documentos de patentes. Constatou-se que o idioma inglês predominou nos documentos do universo analisado, sendo os Estados Unidos da América o país líder no ranking dos que patentearam tecnologias de descarte e reciclagem de REEE, seguido de perto por Alemanha e Suíça. Houve menção de outros países como Itália, Finlândia, Canadá, Turquia, República Tcheca, Reino Unido, Polônia, Japão, Israel e Hungria, o que denota que o estudo de técnicas e práticas que envolvam o reaproveitamento e a reciclagem de resíduos de sucata eletrônica está em difusão pelo mundo.

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Os resultados indicaram também o aparecimento de termos ou expressões que evidenciaram a preocupação do inventor (ou escritor do pedido) da patente com a temática da sustentabilidade ambiental em 51% do universo estudado. No que diz respeito à importância (social e/ou econômica) da tecnologia reivindicada para a sociedade, 10 documentos de patentes analisados apresentaram preocupação e destacaram sua importância ao longo dos documentos. A preocupação com a sustentabilidade ambiental, porém, não foi evidenciada na análise no que dizia respeito à presença de informações sobre como proceder com o descarte de tal tecnologia após o término de seu ciclo de vida. Tal prerrogativa não foi evidenciada em 27 dos documentos de patentes analisados. Quanto aos termos e expressões relacionados aos possíveis riscos ambientais a que tais tecnologias estariam relacionadas, somente nove, dos 30 pedidos de patentes do universo, apresentaram tais termos. Conforme aponta o campo CTS, a tecnologia, assim como a ciência, é feita para os pares e, consequentemente, a sociedade acaba por ser excluída do debate e das reflexões a respeito das implicações sociais da ciência e da tecnologia. Disponibilizar o acesso é obrigação da União e tornar as bases de acesso público inclusivas, e não restritivas, também. Infere-se que, do ponto de vista abarcado pelo campo CTS, a informação tecnológica tem implicações diretas para a sustentabilidade ambiental, tanto no que diz respeito às suas fontes, seu conteúdo, quanto em seu uso. O comunismo do conhecimento científico, conforme apontado por Merton (1979) no aporte teórico da dissertação que deu origem a este artigo (GIGANTE, 2012), apesar de idealizado, se seguido à risca, possibilitaria maior interação e colaboração das diversas áreas do conhecimento, inclusive as relacionadas à questão da sustentabilidade sócio-econômica-ambiental. Relacionado a isso, há, porém, que se considerar o fato de nossa sociedade ser capitalista e ter uma economia com bases fortemente alicerçadas no tripé da alta produtividade, curta meia vida dos produtos e alto consumismo. Por isso, por mais que cientistas e tecnólogos se esforcem para criar produtos ambientalmente corretos para minimizar ou corrigir os impactos gerados pelos demais produtos já criados pela humanidade, e globalmente difundidos, eles sozinhos não conseguirão reverter todo o impacto e desastres já gerados. O campo CTS confirma e universidades, governo e sociedade como um todo têm que se unir para que novas práticas ambientalmente seguras sejam criadas e adotadas mundialmente a fim de que parte do impacto já gerado seja revertido, ou, numa visão mais realista, que novos impactos não sejam gerados ou ainda, apenas minimizados.

Agradecimentos
As autoras agradecem à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) pelo apoio financeiro.

2003. São Pedro. Página inicial.. jul. 2002. 2000. A. Madri: OEI. tecnología y sociedad: el estado de la cuestión en Europa y Estados Unidos. p. L. I.Universidade Federal de São Carlos. 2012. Tecnologia e Sociedade).1ª Edição. p. PEREIRA. ESPACENET. J. GIGANTE. Tecnologia e Sociedade. 2 Uma versão aproximada deste trabalho foi apresentada no ESOCITE . ______. desenvolvido na Universidade Federal de São Carlos.G. MACEDO. A condição pós-moderna. pesquisa & desenvolvimento: um manual de propriedade intelectual.C. 2003.V.espacenet. LÓPEZ CEREZO. tecnologia e sociedade: o estado da arte na Europa e nos Estados Unidos. 1993. 155-166. Do fordismo à acumulação flexível. 2. H.L. São Paulo: Loyola. . FERRAZ. In: ______.Revista Tecnologia e Sociedade . In: Fórum das Universidades Públicas Paulistas: Ciência e Tecnologia em Resíduos . D. CANONGIA. Instituto de Ciência e Tecnologia em Resíduos e Desenvolvimento Sustentável.C. p./dez. 2002. em Ciudad de México-DF. Perspectivas em Ciência da Informação.C... 1998. HARVEY. pela autora. 135-162. Introdução aos estudos CTS: (Ciência. M. 2012. L.C. Ciência.V. São Carlos.IX Jornadas Latinoamericanas de Estudios Sociales de la Ciencia y la Tecnología. Tecnologia e Sociedade). In: SANTOS. p. tendo sido orientada pela [REMOVIDO P/ REVISÃO ANÔNIMA]. 41-68. L. Análise de patentes de tecnologias relacionadas a resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos. (Cadernos Ibero-América). Ciência..2011. Resíduos sólidos formados por lixo eletrônico: riscos ambientais e política de reaproveitamento. ANTUNES. Ciencia. 7.) et al. 3-39. Referências BAZZO. 1. Londrina: IAPAR. BASSO. Disponível em: <http://lp. C. ISSN (versão online): 1984-3526 46 Notas de fim 1 Este artigo apresenta os resultados da pesquisa do Mestrado em Ciência. v. Revista Iberoamericana de Educación. M.. PEREIRA. BARBOSA. que ocorreu em Junho de 2012.F. 18.T. Gestão da informação e monitoramento tecnológico: o mercado dos futuros genéricos. v. W. Patentes. (Org. México. Acesso em: 22 mar.N.W. p. 219 f. Dissertação (Mestrado em Ciência. n..F. 286-296.com/>.F. tecnologia e sociedade: o desafio da interação. LINSINGEN. Rio de Janeiro: FioCruz.A. M.. A.

Revista Tecnologia e Sociedade . Os imperativos institucionais da ciência. R.). A corrosão do caráter: as consequências pessoais do trabalho no novo capitalismo. 1979. Rio de Janeiro: Zahar. p. Rio de Janeiro: Record. A crítica da ciência: sociologia e ideologia da ciência.1ª Edição. ISSN (versão online): 1984-3526 47 MERTON. (Org. . J. In: DEUS.K. R. SENNETT. 37-52. 2012.D. 2010.

com ênfase em transporte urbano. Atualmente é professor adjunto da Universidade Estadual do Oeste do Paraná .Grupo de Pesquisa em Transporte.Naval Postgraduate School (1991) e doutorado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina na área de Transporte e Logística.UNIOESTE.Revista Tecnologia e Sociedade . agronegócio brasileiro. ISSN (versão online): 1984-3526 48 Bioenergia e resíduos na cadeia de suínos: uma análise de custos e investimentos para transporte de dejetos suínos com posterior geração de bioenergia no município de Toledo/ PR Bioenergy and waste in the chain of pigs: an analysis of costs and investments for the transportation of pig manure with subsequent generation of bioenergy in the city of Toledo / PR Sandra Mara Pereira Debora da Silva Lobo Homero Fernandes Oliveira Weimar Freire da Rocha Júnior 4 4 Sandra Mara Pereira: Mestre em Desenvolvimento Regional e Agronegócio da Unioeste .UFSC. Email:wrochajr2000@gmail. . fez mestrado (1998) e doutorado (2003) em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina . graduação em Tecnologia da Computação pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (1986).UnioesteTranslog .com. E-mail: dslobo@uol. fretes.Grupo de Pesquisa em Transporte.1ª Edição. o Master Of Science In Operations Research .br. Pesquisador produtividade do CNPq.com. Mestre em Economia Agrária (Economia Aplicada) pela Universidade de São Paulo (1994) e Doutor em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina (2001). Atualmente é professora adjunto da Universidade Estadual do Oeste do Paraná.br.Grupo de Pesquisa em Transporte. Possui graduação no Curso de Formação de Oficiais Aviadores pela Academia da Força Aérea (1978). Tem atuado na área de Economia.: Engenheiro Agrônomo formado pela Universidade Federal de Lavras (1989). Professora Adjunta da Universidade Estadual do Oeste do Paraná . E-mail:homero2@uol. Weimar Freire da rocha Jr. Logística e Modelagem de Sistemas. Logística e Modelagem de Sistemas.Professor Associado da Universidade Estadual do Oeste do Paraná – Unioeste Translog .campus Toledo. Bolsista demanda social pela CAPES. Professor Adjunto da Universidade Estadual do Oeste do Paraná – Unioeste.com. Debora da Silva Lobo: Graduada pela Universidade Federal do Rio de JaneiroUFRJ em Bacharelado (1990) e Licenciatura (1992) em Matemática. Atualmente é professor associado da Universidade Estadual do Oeste do Paraná onde leciona no Curso de Ciências Econômicas e no Programa de Mestrado em Desenvovimento Regional & Agronegócio. Homero Fernandes Oliveira.Campus de Toledo. Translog . logística. 2012. Logística e Modelagem de Sistemas. nova economia institucional.

characterization of swine production site. Analisaram-se os potenciais de geração de dejetos. Conclui-se que é viável a implementação de semelhante projeto. using a highly waste polluter. que não sofrerá os danos pelo despejo dos dejetos. Abstract The work addresses the theme "analysis of costs and investments for the collection of pig manure (in the finishing phase) in rural properties in the city of Toledo. caracterização da suinocultura local. profitability with the sale of biogas and electricity compensate. Palavras-Chave: Custos de transporte. a rentabilidade com a venda de biogás e energia elétrica compensará. possibilitar uma nova matriz energética. Key-words: Transportation costs. biogás e energia elétrica com as quantidades de suínos existentes nas propriedades pesquisadas. In the methodology. Were researched information on vehicles and equipment used in this activity.1ª Edição. os custos operacionais e de investimento para a aquisição dos mesmos.Revista Tecnologia e Sociedade . who will have new source of revenue with the sale of pig slurry. serão necessários grandes investimentos. 2012. bioenergia. dejetos suínos. For the implementation of the project will require major investments. No referencial teórico abordam-se tópicos como agronegócio. tendo como destino final um centro de bioenergia”. realizando a roteirização com auxílio da heurística de Clark & Wright. custos de transporte e análise de investimentos. para a coleta de dejetos suínos (fase de terminação). bioenergy. por beneficiar os produtores rurais. transportation costs and investment analysis. however. ISSN (versão online): 1984-3526 49 Resumo O trabalho aborda o tema “análise de custos e de investimentos. que terão nova fonte de renda com a venda dos dejetos. We analyzed the potential to generate waste. utilizando um resíduo altamente poluidor e. coletou-se informações relacionadas à 380 propriedades com suínos em fase de terminação. as well as for the establishment of a center of biodigestion. contudo. not suffer the dump indiscriminate of pig manure. with the final destination a center of bioenergy”. em propriedades rurais do município de Toledo. The theore tical base includes agribusiness topics. operating costs and investment for the acquisition of them. collected information is related to properties with 380 pigs in the finishing stage. performing with the aid of heuristic routing of Clark & Wright. pig manure. and preserve the environment. It follows that it is feasible to implement a similar project. assim como para a implantação de um centro de biodigestão. for the benefit of farmers. Para a implementação do projeto. . Foram pesquisadas informações referentes aos veículos e equipamentos utilizados nesta atividade. preservar o meio ambiente. Na metodologia. providing a new energy matrix. biogas and electricity and the quantities of pigs in the properties searched.

Sabe-se que. ISSN (versão online): 1984-3526 50 INTRODUÇÃO Nas últimas décadas.1ª Edição. pois quando adequadamente utilizados. devido a fatores como novas tecnologias de produção e possibilidade de maior produção em reduzido espaço físico.Revista Tecnologia e Sociedade . caracterizando uma necessidade urgente de destino adequado e ambientalmente correto dos dejetos gerados nas propriedades e. Estes danos demoram a ser percebidos pelos agricultores e até mesmo pelos técnicos de campo (SEGANFREDO. a problemática sugerida para a realização do estudo foi: “Qual o custo para o transporte de dejetos suínos. o Paraná. os dejetos são utilizados para a adubação do solo. manter o equilíbrio das propriedades e adjacências. tanto em âmbito nacional quanto mundial. 2008). se aplicados continuamente ou em excesso. em fase de terminação (que representam a maior parcela desta população na região estudada). gera. cada suíno. Esta moderna suinocultura caracteriza-se pelo aumento da concentração do número de animais confinados por estabelecimento. seguido do Rio Grande do Sul). sobressaindo-se na produção de suínos. FOSTER. 2002). 2012. por dia 4. usualmente. podem contaminar o solo e os mananciais hídricos. tem se destacado no agronegócio nacional. é mister vislumbrar possibilidades que eliminem o problema e agreguem valor ao resíduo. Dados da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (ABIPECS. com a finalidade de obter economias de escala e melhorar a competitividade da agroindústria (WEYDMANN. na preservação dos mananciais hídricos. mas também como fornecedor de insumos e . deste modo. Com base nestas considerações. o agronegócio tem sido focado por diversos pesquisadores. 2008) indicam que o Paraná está em terceira posição na produção nacional de suínos (Santa Catarina em primeiro. REVISÃO TEÓRICA Agronegócio Paranaense Nos últimos anos. Conforme dados de Oliveira et alii (1993). reside no fato da região ser responsável por 21% da produção estadual de suínos. que atendem aos moradores das áreas rurais e urbana. A principal justificativa deste trabalho. das propriedades rurais até um Centro de Bioenergia? Este custo é restituído pela geração de energia (gás ou eletricidade) proveniente destes dejetos?”. podem substituir os adubos químicos. Antevendo os transtornos da poluição conseqüentes da suinocultura. em especial para fins industriais. O Paraná foi responsável pelo abate de aproximadamente 5 milhões de cabeças no ano de 2007.9 quilos de dejetos (urina e esterco). No entanto. por ser de primordial importância para o desenvolvimento não apenas dos negócios relacionados à agropecuária. PERIN JUNIOR.

000 propriedades. tão necessários à atividade (GOMES et alii. d) fornecimento de conhecimento tecnológico e genético pelas empresas agroindustriais. 2002). ISSN (versão online): 1984-3526 51 de matérias-primas para a indústria e o comércio. 1992). têm sido implantados com a intenção de agregar valor e diversificar a produção (LOURENÇO. b) oportunidade de ampliação da renda do produtor rural (não deixando de desenvolver outras atividades). A produção de carne suína teve um aumento significativo a partir do ano 1998 devido a fatores como o aumento da exportação de produtos cárneos. Possui 20 frigoríficos com inscrição no Serviço de Inspeção Federal (SIF). De acordo com informações da SEAB (2008). industrialização de carnes (suínos e aves). o favorecimento ao consumo da carne suína no mercado interno. o Paraná tem a estimativa de produzir 444 mil toneladas de carne suína no ano de 2008. 2002). RODRIGUES.6 milhões de toneladas de carne (considerado peso de carcaça). no processo denominado integração (via contratos). obtendo o terceiro lugar na produção nacional. PARRÉ. Fatores como a globalização. unidades de melhoramentos genéticos. EMBRAPA. O Paraná tem se destacado no agronegócio por ter diversificado e modernizado as cadeias produtivas. sendo sua estimativa para 2007 de aproximadamente 2. Atualmente. além de prover alimentos para o abastecimento. 2007). Caracterização da Suinocultura A suinocultura tem sido destaque. abertura da economia brasileira e a ampliação do mercado interno. a produção está com volume aproximado de 93 milhões de toneladas. 2012. entre outros (MORETTO. bem como o auxílio técnico e veterinário. Esta atividade é desenvolvida em 136. Setores como usinas de açúcar e álcool. pequenas propriedades. A carne suína representa quase a metade do consumo e da produção mundial de carnes. médias ou grandes propriedades. suco de laranja. contribuíram para a otimização e a melhoria das condições de produção em toda a cadeia do agronegócio. sendo. ampliando-se nas últimas décadas devido a fatores como: a) possibilidade de maior produção em reduzido espaço físico. entre outros projetos.Revista Tecnologia e Sociedade . tanto interno quanto externo (IPARDES. em sua grande maioria. sendo considerada a principal fonte de proteína animal. que trabalham em regime de economia familiar. . a melhoria das técnicas de produção e da qualidade genética do rebanho. Na Figura 1 está exposta a produção paranaense de carne suína.1ª Edição. derivados lácteos. c) poder ser realizada em pequenas. com mais de 90% dos criadores ligados a estes frigoríficos. 2002. maltaria. tecelagens. O Brasil ocupa a quarta posição na produção mundial de carne suína.

e com a maioria da produção sendo na forma de integração. que possuem maior valor agregado. A SEAB fraciona o Estado em núcleos regionais. em conseqüência. . e. no mês de outubro de 2004 o Brasil exportou para a Rússia um volume 43% menor que no mesmo mês do ano anterior.Revista Tecnologia e Sociedade . Na Figura 2. pois foram vendidos cortes. O Estado apresentou uma queda de produção no ano de 2004. 2012. *estimativa.1ª Edição. em decorrência básica do embargo russo imposto às carnes brasileiras. Inserido no contexto estadual. por Núcleo Regional da SEAB (2005) Fonte: adaptado de SEAB (2007) e IBGE (2005). a região do município de Toledo destaca-se na produção e no abate de suínos. que acompanhou a redução nacional. maior valor de mercado (FUNDAÇÃO PROCON-SP. a produção percentual de suínos do estado do Paraná por núcleo regional da SEAB. ABCS e Embrapa (2007). **previsão Fontes: Abipecs. em mil toneladas equivalente carcaça (2002-2009). 2005). Esta redução na quantidade não afetou na mesma proporção a receita auferida. Para se ter uma dimensão desta redução. Figura 2 – Efetivo da pecuária de suínos no Paraná (em percentual). ISSN (versão online): 1984-3526 52 Figura 1– Produção paranaense de carne na suinocultura industrial. e Toledo engloba 20 municípios próximos.

Como citado anteriormente. ou biocarvão. A mercadoria negociada no mercado de carbono são as reduções de emissões de gases efeito estufa (GEEs). São cerca de 4. e podem ser utilizados diretamente como biofertilizante (fertilizante natural para plantas ou tanques de algas). gerando energia térmica para caldeiras de indústrias. Estes produtos são resultado final do processo de biodigestão. por exemplo. Dessa forma. os resíduos são retirados. é através de créditos de carbono. Os últimos usos dos dejetos suínos. como estratégia de comércio. contudo a elevada tecnificação para aumento da produção ainda não atentou para o descarte dos dejetos. Outra forma de comercialização com a transformação do dejeto suíno em biogás (bioenergia). No Brasil.5 milhões de suínos no estado do Paraná. Além disso. geralmente os dejetos são utilizados para a adubação do solo. o dejeto suíno é um composto multinutriente. cursos de água e poluição do ar. na fase de criação. a preocupação ambiental no processo produtivo. ainda é pouco valorizada. É preciso haver. em função dessa desproporção. produto este que pode ser consumido in loco ou pode ser comercializado na forma de gás (botijões ou canalizado) ou já transformado em energia elétrica. Segundo informações da Embrapa Suínos e Aves (2007). seguido de Francisco Beltrão e de Ponta Grossa. embora seus elementos estejam em quantidades desproporcionais em relação aos assimilados pelas plantas. Após o período de retenção no biodigestor (que pode variar de 20 a 60 dias). um maior comprometimento com a preservação dos mananciais. Kyoto apliance e os non kyoto apliance. compradores do produto brasileiro. que são altamente poluidores. que podem estar no âmbito do Protocolo de Quioto ou fora dele. A criação de suínos pode desestabilizar a harmonia da propriedade rural e adjacências por serem altamente poluentes os dejetos produzidos pelos animais. que podem gerar renda é o comércio de biofertilizante e biocarvão.Revista Tecnologia e Sociedade . o núcleo regional de Toledo é responsável por 21% da produção do Estado. ISSN (versão online): 1984-3526 53 Conforme dados da SEAB (2007) e IBGE (2005). evitando a contaminação de nascentes. há indicações de que as normas ambientais para o tratamento dos dejetos da suinocultura tendem a ser menos restritivas que em outros países.1ª Edição. . somente faz agravar a situação dessas terras. se faz necessário a ampliação de estudos e de pesquisas para tornar viável sua aplicação para os pequenos produtores possam utilizá-la. mas que podem ser utilizados como fonte alternativa de energia e de renda. o procedimento de simplesmente dispersar os dejetos sobre o solo agricultável sem auxílio técnico. Para que estas aplicações sejam possíveis. Outra forma de utilização do dejeto é a transformação deste em biogás. com 14% cada. 2012.

torna-se necessária a análise de investimentos.Revista Tecnologia e Sociedade . manutenção. independente da área de atuação. região de abrangência. 2003). do custo. e indiretos. Ao analisar os custos e despesas relacionadas à atividade. em função da distância. acionistas. 2012. quantidade de recursos necessários. entre outros). A apuração correta de todos os custos envolvidos no transporte. p. tipo de tráfego. entre outros. liquidez. fluxos (cargas de retorno. órgão regulador ambiental do Estado. salários administrativos. 147) Alguns dos mais utilizados são: rentabilidade. Para um diagnóstico simplificado dos investimentos. fornecedores. e o tempo (dependente da distância e influenciador direto da formação de estoques e nível de serviço) (BERTAGLIA. entre outros.1ª Edição. Estes fatores interferem nas decisões da empresa sobre qual ou quais modais de transporte utilizar. participação de capitais de terceiro. . Não há quantidade ou delimitação exata de quais e quantos índices utilizar. contemplando fatores como riscos e incertezas. mas estão relacionados à produção (aluguel. tanto pelos administradores quanto pelos interessados em investimento (bancos. aceitação do produto ou serviço pelos clientes. auxiliam na redução do valor do frete) (VALENTE. porte do veículo. uma das principais atividades da logística. PASSAGLIA. que visa evidenciar determinado aspecto da situação econômica ou financeira de uma empresa. quanto num futuro próximo (renovação a frota. depende apenas das informações disponíveis e da profundidade que se deseja conhecer a empresa. quilos de material. 1997). com consultas aos sítios do IBGE e da prefeitura do município de Toledo-PR. Estes índices servem como parâmetro de avaliação da empresa. etc. os custos são basicamente divididos em diretos. ISSN (versão online): 1984-3526 54 Custos de Transportes O transporte.). De acordo com Martins (1998). podem-se utilizar índices de balanço. por exemplo. endividamento.” (MATARAZZO. do valor e das características do produto. horas de mão-de-obra. entre outros). da disponibilidade do modal escolhido. características das vias. “Índice é a relação de contas ou grupo de contas das demonstrações financeiras. 2008. entre outros). NOVAES. Também influenciam nas decisões de tecnologia e de roteirização. previsão de despesas. período de retorno deste investimento. entre outros. realizaram-se visitas ao escritório do Instituto Ambiental do Paraná (IAP). é de fundamental importância para o bom desempenho das empresas. gerando tanto benefícios imediatos (controle e redução de custos desnecessários). que não podem ser mensurados de forma exata. Para o levantamento das informações das propriedades. que possuem alguma medida de consumo na produção (embalagens utilizadas. é afetado por dois fatores principais: a distância (trajeto percorrido entre origem e destino). Outros fatores que podem afetar os custos são: a quilometragem percorrida. METODOLOGIA A pesquisa foi desenvolvida no ano de 2008.

Optou-se por utilizar a heurística de Clark & Wright para a realização da roteirização. da finalidade e da necessidade do cliente. coleta o dejeto suíno. No estudo foi empregado o modelo de caminhão normalmente utilizado na região para este tipo de serviço.75 mm de espessura). da distância entre eixos. para realizar a respectiva descarga. Diversas empresas transportadoras utilizam este modelo de custos. com capacidade de sucção de 1. Passaglia. incidindo na redução de custos de capital e de operacionalização. Esta heurística.Revista Tecnologia e Sociedade . Ao todo. observadas as características: posicionamento geográfico (latitude e longitude). Para o cálculo custos de transporte. e. ao equipamento utilizado. O equipamento a ser instalado na carroceria do caminhão é composto de um reservatório metálico (chapa de aço carbono de 4. A escolha deste veículo. à medida que o modelo vai gerando roteiros eficientes. onde foram analisados arquivos e documentos disponíveis das propriedades com licença ambiental de operação na suinocultura. conseguindo facilidade de acesso e de manobra nas propriedades. Possui também uma bomba. para a coleta de dejetos. sendo o veículo com capacidade de carga total de 13 toneladas. foram coletados dados de 380 propriedades com criação de suínos em fase de terminação. A atividade inicia quando o veículo. e por ser utilizado em diversos softwares de roteirização. que atendessem à todas as 380 propriedades. combustível. impostos. foi necessário gerar roteiros.1ª Edição. enfim. à manutenção.000 litros de dejetos por minuto. destinação destes dejetos. além de custo-benefício apropriado. proximidade de rio ou nascente. despesas com pessoal e encargos sociais. Tal análise englobou todas as despesas relacionadas ao veículo. por apresentar um erro médio de 2% (relativamente baixo). 2012. por ser de fácil levantamento e elaboração. utilizou-se a análise de Custos Operacionais citada por Valente. indo para outra propriedade e executando o mesmo processo até ter sua carga máxima atingida. As dimensões são adaptadas a cada veículo em função da capacidade de carga. fabricada em ferro fundido. se comparado à caminhões semelhantes. Possui também bom desempenho e rendimento no trânsito em estradas secundárias. ISSN (versão online): 1984-3526 55 em Toledo. justifica-se por apresentar melhor desempenho nas estradas rurais da região (na sua maioria em leito natural). vai à propriedade rural. a frota é otimizada (por vezes reduzida). Novaes (2003). possibilita a verificação de cada componente sob o aspecto monetário. quantidade de suínos. baseado no método de custos médios desagregados. Para que fosse realizada a análise correta dos custos de transporte. tudo que esteja relacionado ao . gerar roteiros que respeitam as restrições de tempo e de capacidade. forma de armazenamento dos dejetos suínos (e/ou tratamento). e com vazão de saída de 300 litros por minuto. tem como objetivo. Este modelo. dirigindo-se então até o centro gerador de bioenergia. origem da água da propriedade e. mas visando a minimização da distância total percorrida pela frota. com quebra-ondas internos para reduzir a sobrecarga ou a movimentação inercial brusca do conteúdo. com um eixo na carroceria (tipo toco). munido do equipamento necessário. com potência de 25 HP.

Para a coleta dos custos dos veículos e do equipamento. dados de preços. via telefone. As informações para a análise são divididas em quatro grandes grupos: dados gerais. ISSN (versão online): 1984-3526 56 funcionamento do veiculo para coleta de dejetos. dados de operação e transporte (Tabela 1).Revista Tecnologia e Sociedade . foram contatadas empresas revendedoras. internet ou pessoalmente.1ª Edição. . dados de operação do veículo e. 2012.

Novaes (2003). a qual utilizar-se-á de cinco índices de rentabilidade. da roteirização. realizou-se a análise de investimentos. e da combinação destes para saber da quantidade de veículos necessária para a coleta diária de dejetos nas 380 propriedades. 2012. ISSN (versão online): 1984-3526 57 Tabela 1 – Informações para análise dos custos operacionais Fonte: Adaptado de Valente.1ª Edição. quais sejam: . Passaglia.Revista Tecnologia e Sociedade . Após a análise dos custos operacionais.

 Taxa interna de retorno (TIR): é considerado rentável o investimento que apresentar TIR > TMA. a taxa de juros equivalente a rentabilidade das aplicações corrente de baixo risco. As propriedades restantes. Ou seja.  Taxa de rentabilidade (TR): não é uma medida de rentabilidade de capital mas da capacidade da empresa gerar lucro e poder capitalizar-se. É considerado atraente todo investimento maior ou igual a zero. falta de conhecimento e explicações sobre o sistema. em valores monetários. entre outros. ter-seá o período de payback. de que haverá retorno (financeiro e ambiental) e. Verificou-se que apenas 11% das propriedades contam com biodigestor. No próximo item. Ela iguala o VPL a zero. medida pela diferença entre o valor presente das entradas e saídas de caixa. utilizam esterqueiras e lagoas de estabilização de dejetos. será viável. utiliza-se como base a rentabilidade da caderneta de poupança.1ª Edição. o que indica que ocorre uma degradação do ambiente. Foi utilizada a função do programa Excel para este cálculo. qualquer investimento que proporcione uma rentabilidade igual ou superior a 8% a. pois estes dejetos serão utilizados nas lavouras. por parte dos produtores. A análise é de quanto a empresa obtém de lucro para cada $100 investidos. No Brasil. pode ainda ocorrer o vazamento (pela não retirada dos dejetos ou chuvas excessivas). 2012. As esterqueiras correspondem a 88% do total das propriedades pesquisadas. serão detalhados os resultados percebidos com as análises propostas.  RESULTADOS E DISCUSSÕES Após a coleta e análise das informações referentes às 380 propriedades rurais. que possuem terminação de suínos. do investimento. a não credibilidade.a. ISSN (versão online): 1984-3526 58 Taxa mínima de atratividade (TMA): o projeto deve ser atrativo. e é uma das formas mais complexas de analisar as propostas de investimento de capital.515. e quando os investimentos (saldos negativos) anularem-se com as entradas de caixa (receitas).  Tempo de retorno do investimento (Payback): em quanto tempo (meses ou anos) o dinheiro investido retornará. rendendo no mínimo.Revista Tecnologia e Sociedade . que encontram nesta atividade uma forma de melhorar sua renda com reduzidas despesas. a suinocultura é realizada em pequenas propriedades rurais. seja na propriedade ou adjacências. pois as empresas . por vezes. É realizado analisando-se o fluxo de caixa. Nas propriedades analisadas no município de Toledo-PR. a uma determinada taxa de desconto.  Valor presente líquido (VPL): reflete a riqueza.4 toneladas de dejetos. que atualmente é de 8% ao ano. quanto maior melhor a rentabilidade. Isto ocorre devido a fatores como o alto custo para implantação do equipamento. observou-se que este grupo dispõe de aproximadamente 314 mil suínos. produzindo diariamente 1. e geralmente é realizada pela família do produtor. e algumas ainda combinam este com a esterqueira.

Após a compilação das informações das propriedades. Novaes (2003). considerou-se que serão necessários 19 caminhões para a coleta diária nas 380 propriedades. Tabela 2 – Resumo de informações para estimativa de caminhões T13 Número de Quilometragem Produtores 139 4.715. para os cálculos de Custos Operacionais. do equipamento e do primeiro ano de seguro e licenciamento).53 km. à manutenção. Passaglia. agregando distritos próximos. .Revista Tecnologia e Sociedade . Na Tabela 2.715.921. fazem a entrega e coleta dos suínos. entre outros. num total de 156 rotas. praticamente. uma rodagem de um mês para a coleta de toda a rota. o cálculo dos custos do transporte foi realizado com base na metodologia utilizada por Valente.19 Tempo 112:06 h 67:36 h 122:55 h 302:37 h Volume dejeto 556. velocidade média. determina esta condição. operando 16 horas por dia e 25 dias no mês. Conforme citado na metodologia.10 1. O valor total para aquisição de um veículo com equipamento é de R$ 165. desenvolvem novas rações. pois o grande volume gerado diariamente. a quilometragem total mostrou-se elevada. Para a análise dos custos. foi realizada a roteirização. alterando os custos totais finais para a coleta dos dejetos. Na primeira configuração. despesas com pessoal e encargos sociais. resultou nas seguintes quilometragens: 4.297.20 Setor 1 (S1) Setor 2 (S2) Setor 3 (S3) TOTAL Fonte: elaboração própria Analisando os dados de roteiro. 2.1ª Edição.43 12. torna-se indispensável estimar a quantidade de caminhões necessária para a coleta diária dos dejetos.00 (considerados o valor do veículo. combustível. 2012. tudo que esteja relacionado ao funcionamento do veículo para coleta de dejetos. o que implicaria.20 462.437. perfazendo um total de 12.19 km. almejando reduzir a quilometragem. enfim.515. ISSN (versão online): 1984-3526 59 agroindustriais é que realizam o melhoramento genético.490.337.127.127. Observa-se uma redução de 3.34 km (ou cerca de 20%) na quilometragem anterior (primeira configuração).36 km no S2 (com 47 rotas e um produtor não roteado) e 4.186.90 496.43 km (com 51 rotas). o resumo das informações analisadas para a determinação da quantidade de caminhões. A nova configuração.059. visando a melhoria das condições para a roteirização. em havendo apenas um veículo.36 4.40 km no S1 (58 rotas). para que seja aproveitada a totalidade do potencial energético dos dejetos. Englobou todas as despesas relacionadas ao veículo.170. com os três setores. geração de dejetos. ao equipamento utilizado. Optou-se por realizar uma divisão por setores.00 111 130 380 2. impostos.913.490.921. com 15.

que influem diretamente na geração e no poder calorífico do biogás. energia elétrica e botijão P13 kg Dejeto Geral T13 (1carga) 1 kg 10.1064m de biogás.00 R$ 100.40 kg de dejetos suínos. para a geração de 1 m de biogás.059. equipamentos.00.994.000. e demais valores para a análise de investimentos.000322 33.000. serão necessários cerca de 9.532 kWh 5. ISSN (versão online): 1984-3526 60 Na Tabela 3. Constata-se que. Portanto. que inclui o custo operacional total dos veículos. uma estimativa geral dos custos para a aquisição dos caminhões. Tabela 4 – Estimativa de geração de biogás. foi estimado com base em valores de biodigestores de pequeno porte.106. corresponde a R$ 602. que equivale a R$ 25.956.534. para o investimento total inicial.059.1064 m 3 Energia elétrica 0. pagamento aos produtores e manutenção do biodigestor. uma estimativa de geração de biogás e equivalência de utilizações possíveis. 2012. na 3 proporção de 1 kg de dejeto para produzir 0. NIJAGUNA. serão necessários R$ 11. ** O valor do investimento e manutenção do biodigestor. com o mesmo período de retenção. instalação do centro de biodigestão.300 litros.8 m 3 Fonte: elaboração própria .000.Revista Tecnologia e Sociedade . A despesa mensal. com período de retenção de 30 dias (Lucas Junior apud SOUZA et alli 2008. considerado neste valor a compra do terreno para implantação. gás carbônico.46. Estudos apontam a geração de biogás com dejetos suínos.5 1. Na Tabela 4.00 38 R$ 410.000.00 a carga de 10. Nesta análise não foram considerados os níveis de metano. 3 2002).000. Tabela 3 – Resumo dos custos totais de investimento Descrição Custos (caminhão + equipamento) Quantidade estimada de caminhões Custo total investido Quantidade de motoristas Custo operacional total mensal Despesa com produtores)* compra de dejetos (pago aos T13 R$ 161.950.1ª Edição.00 19 R$ 3. considerando os caminhões T13 e a implantação do centro de biodigestão.3 kWh Botijão P13 equivalente 0.00 Investimento Biodigestor (geral)** Manutenção mensal do biodigestor** Fonte: elaboração própria * O valor da compra dos dejetos baseou-se nos valores correntes em outubro/2208. configuração das rações e medicamentos utilizados na alimentação dos suínos.14 R$ 8.403 kg m3 Biogás 0.000.32 R$ 91.

2 kg de dejetos ao dia. Na Tabela 6.00/m .206 Valor mensal R$ 1. vendido a R$ 1.532 kWh 20. que poderia beneficiar-se ao investir em semelhante projeto. 2012. e considerados 25 dias de operação no mês.1622 (outubro/2008). comercializa o kWh de energia para a região rural do município por R$ 0.85 kWh 2.425.930 kg Biogás 0.18 R$ 1.19 (um real e dezenove centavos).1064 m 3 3 Energia elétrica 0. o dejeto deverá ser retirado e poderá ser comercializado como biofertilizante ou biocarvão. será considerado o valor de R$ 1.629.612. o valor 3 de venda do m de gás natural para fins industriais é.155.961.314. justificando que este biogás poderá ser utilizado pela agroindústria processadora do município.114. Com a geração de 1. hoje equivalente a madeira e carvão que são utilizados.300 kg) Total Quantidade mensal 3 1.75 kWh 4. podendo o restante ser comercializado como biofertilizante (22. cada m de biogás pode gerar 5. ocorra uma perda de aproximadamente 40% com líquidos e subprodutos. R$ 1.00 cada carga (totalizando receitas de R$ 55. da companhia local de energia (R$ 0.00 / 3 m . do volume inicial de dejetos.1622 / kWh). e será comercializado ao preço do kWh para a área rural.062. serão produzidos e coletados 37. 3 Para a equivalência de geração de energia elétrica. no mês de outubro de 2008.09 Fonte: elaboração própria . A companhia de energia elétrica do Estado.68).612. que podem gerar as quantidades de biogás e energia elétrica da Tabela 5.515. considera-se que serão comercializados 40% do biogás produzido na forma de energia 3 térmica.093.173. Para a análise de rentabilidade do presente projeto. Tabela 5 – Potencial de geração de biogás e energia elétrica com a coleta proposta no município de Toledo-PR Dejetos 1 kg 37.18 m 12.885.930 kg de dejetos. Estimou-se que.731.300 kg. O restante será transformado em energia elétrica.206.Revista Tecnologia e Sociedade . ISSN (versão online): 1984-3526 61 Segundo informações obtidas no sítio da COMPAGÁS (2008). Após o período de retenção necessário para a geração do biogás.031. vendidas a R$ 25.885.425.188. Estima-se este percentual por presumir que a agroindústria local utilizaria este volume de biogás. em média².9 cargas de 10.0 kWh. um resumo das estimativas de receitas.68 R$ 3.95 m Fonte: elaboração própria Para exclusiva finalidade de análise de investimentos. ou 2.1ª Edição.23 R$ 55. Tabela 6 – Resumo das estimativas de receitas Descrição Venda de biogás Venda de energia elétrica Venda de biofertilizante (carga de 10.515.437.558 kg).173.

 apenas no quinto mês do segundo ano a receita foi considerada total. No modelo T13. A Taxa Mínima de Atratividade (TMA) é o percentual que se estipula como o mínimo de retorno do projeto. aceita-se o projeto. Este índice analisa qual a relação entre $1 hoje e $1 no futuro. aprovação de projetos.05 ao final do segundo ano. neste período. o biogás precisa do tempo de retenção de 30 dias. a empresa pode gerar R$ 140.80 de lucro. após a elaboração e aprovação de um projeto de MDL e. considerado bastante salutar para a empresa. constatou-se que o Valor Presente Líquido (VPL). considerando que. trabalhando com fluxos de caixa descontados (foi considerada uma taxa de 8% ao mês). foi de R$ 14. para ser produzido. com esta. indicando bom retorno do investimento. O critério para decisão do investimento é: se VPL>0. foi de um ano e sete meses. 2012. pois.021.00 investidos no projeto.Revista Tecnologia e Sociedade .1ª Edição. para cada R$ 100. caso o dinheiro fosse investido em outra aplicação renderia um valor percentual. serão realizados testes e quantificações para a geração de energia elétrica. Outra receita que pode advir com a implantação do investimento é a venda de créditos de carbono.422.  as receitas do segundo ao quarto mês contemplam apenas a venda de biogás.  as despesas foram consideradas totais desde o primeiro mês do segundo ano. e com o auxílio da planilha eletrônica Excel. A Taxa Interna de Retorno (TIR) representa a taxa de desconto que iguala fluxos de entrada com fluxos de saída. pois seu resultado é na moeda corrente da análise (R$). aceitase o investimento. O período de payback (retorno do investimento). indica quanto a empresa ganhou ($) ao investir $ 100. a TIR foi de 12% até o final do segundo ano. Ou seja. ISSN (versão online): 1984-3526 62 Alguns fatores limitantes foram impostos:  no primeiro ano serão apenas realizados investimentos. da capacidade da empresa gerar lucro. que atualmente é de 8% ao ano. quando todos os investimentos e despesas foram pagas e a empresa começa a ter lucros. A Taxa de Rentabilidade (TR). No Brasil.  no segundo ano de operação. no primeiro mês não haverá receita. É considerado um dos melhores métodos para analisar projetos de investimento. não havendo qualquer produção e conseqüente receita. Seu critério de decisão é: se TIR > TMA. poderão ser auferidos cerca de R$ . por convenção. Neste caso mostrou-se significativo e viável o investimento. Na presente análise. verificou-se que a TR = 140. o valor recebido no investimento escolhido deve ser igual ou superior a esta taxa.80. licenciamentos. realizou-se a análise de investimentos e viabilidade. e  não foi considerada a venda de créditos de carbono na análise de investimentos Com estas informações disponíveis.  foram realizados lançamentos para apenas dois anos. utiliza-se a rentabilidade da caderneta de poupança. Não é uma medida de capital mas. Ou seja.

bem como o levantamento das informações das estradas a serem utilizadas. é necessário que sejam realizadas visitas a todas as propriedades em estudo. são conhecidas as formas e as metodologias para a elaboração de projetos de Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL) e de biodigestão. Outro aspecto positivo é a possibilidade de uma nova fonte de renda para o produtor rural. pois o volume de dejetos coletado diariamente e o potencial de geração de biogás e energia elétrica são justificáveis. podendo ser factível uma roteirização com a combinação de mais de um modelo de caminhão. Observou-se que 88% das propriedades possuem esterqueiras como destino dos dejetos.38¹ (ou US$ 5. Nas propriedades analisadas. observouse que é viável a transformação de dejetos em biogás e energia elétrica. bem como as externalidades negativas e/ou positivas que poderão advir com a implantação do projeto. foram selecionadas 380 propriedades rurais. Esta pode ser uma sugestão para trabalhos futuros. são engordados cerca de 314 mil suínos.294 toneladas de CO2 e. considerando a redução de 149. com um regime de trabalho familiar. foram realizadas duas configurações. tanto para os produtores de suínos. na presente análise. Após a coleta e análise das informações. constata-se que o investimento inicial. que é viável a elaboração e a implementação de projeto desta natureza na região analisada. comprovando a asserção de que a atividade de suinocultura abrange principalmente pequenos produtores. sendo utilizados como fertilizante nas lavouras da propriedade ou redondezas.Revista Tecnologia e Sociedade . buscando incrementar sua renda de diversas formas. Para a realização da roteirização. pode ser considerado elevado. Quanto à análise de investimentos e viabilidade. bem como a geração de energia térmica ou elétrica com o biogás produzido. em propriedades rurais do município de Toledo. Para que se possa optar por este ou outro caminhão. os custos ambientais (favoráveis ou não ao projeto).00) por tonelada.698. com o modelo de caminhão 13 toneladas. e o preço de venda de R$ 11. ISSN (versão online): 1984-3526 63 1. quanto para a região em que está inserida a cidade de Toledo. com a venda do dejeto suíno para a geração de . no entanto observou-se que as receitas auferidas são dignas de consideração. 2012.4 toneladas de dejetos (urina e esterco).72 por ano. Não foram considerados. Para o estudo. utilizando a heurística de Clark & Wright.965. Conclui-se.515. Existe matéria-prima (dejetos) em grande quantidade. as demais são pequenas. que produzem diariamente 1. constatando-se que apenas uma propriedade enquadra-se como média. com risco de contaminação do solo e dos mananciais hídricos. para averiguação e descrição das barreiras físicas ou naturais. para geração de bioenergia.1ª Edição. portanto. CONCLUSÕES O principal objetivo do trabalho foi analisar os custos operacionais e a viabilidade para a implantação de um sistema de coleta de dejetos suínos (fase de terminação).

2. Acesso em: jul.html >.cnptia. 220 p. .0641 a R$ 1. Este artigo foi financiado pelo CNPQ REFERÊNCIAS ABIPECS – Associação Brasileira Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína.277. Logística e gerenciamento abastecimento. P. agregando valor a um resíduo que geralmente é desperdiçado. 2000. resultando em novas fontes de renda e energia aos produtores rurais. Y. Suínos e Aves. Disponível em: <http://sistemasdeproducao. v. Disponível em: <http://www. A retirada destes dejetos das propriedades melhora o quesito ambiental destas e das propriedades adjacentes. Espera-se. 2008.536. 509 p. R. 2003.pdf>. abcs. ed.poli. EMBRAPA Suínos e Aves – Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias. Nota de fim_______________ ¹ A cotação do dólar era de R$ 2. custos de transportes). Transportes. 3. tanto dos residentes no campo quanto na cidade. da cadeia de CHING.br/estatistica> . C.abipecs.ptr. H. 5174. Disponível em: <www. São Paulo: Saraiva. CUNHA.usp.embrapa.org. 8 .1ª Edição. BERTAGLIA. no dia 18 de novembro de 2008 ² O valor coletado no sítio da Compagás varia de R$ 1. 2007. para que os danos ambientais sejam controlados/monitorados. utilização de dejetos.br/ FontesHTML/Suinos/ SPSuinos/index.br/ptr/docentes/cbcunha/files/roteirizacao_aspectos_pratic os_CBC. Acesso em: jul. 2007. 2007. 2012. com o presente trabalho. Disponível em: <http://www. Gestão de estoques na cadeia de logística integrada : supply chain. tornando mais adequada a qualidade de vida. dependendo do volume consumido diariamente. ISSN (versão online): 1984-3526 64 bioenergia. n. São Paulo: Atlas. instigar pesquisadores a desenvolverem novas pesquisas relacionadas ao tema (suinocultura.jsp>.org. Acesso em: mar.br/portal/index2. ABCS – Associação Brasileira de Criadores de Suínos. Aspectos práticos da aplicação de modelos de roteirização de veículos a problemas reais. minimizando a poluição e a degradação dos mananciais hídricos. 2007. p. além de propiciar ao produtor a possibilidade de ampliação do plantel. Acesso em: 3 ago. B.Revista Tecnologia e Sociedade .

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No Mercosul. Mercosul should maintain 5 Rogério Santos da Costa: Doutor em Ciência Política.1ª Edição. and it must be established the reason why the integration institutions collaborate to this result. Procura-se com o artigo aprofundar o debate sobre as instituições em processos de integração. entrelaçando aspectos teóricos e resultados de estudos empíricos. 2012. linking theory and results of empirical studies. With a historicalinstitutional approach. and its effectiveness is limited or enabled depending on the institutional community contribution. Mercosul. and industrial development. e de desenvolvimento industrial. relacionando os aspectos institucionais da integração com os resultados de políticas comuns.br. this paper suggests that without institutional density. O objetivo deste artigo é discutir a efetividade da Política Industrial Comum no Mercosul com base na sua institucionalidade. possui pesquisas na área de instituições internacionais. ela não tem sido um instrumento efetivo de aprofundamento dos laços entre os países membros. processos de integração e Política Externa Brasileira. Palavras-chave: Institucional. Política Industrial Comum. . e tem limitada ou possibilitada sua efetivação em função do aporte institucional comunitário. cabendo estabelecer por que e como as instituições de integração colaboram para este resultado. E-mail: paralelosc@uol. ISSN (versão online): 1984-3526 67 Política Industrial Comum no Mercosul: apontamentos sobre o papel das instituições Common Industrial Policy in Mercosul: notes on the role of institutions Rogério Santos da Costa 5 Resumo A Política Industrial é um instrumento de desenvolvimento industrial em processos de integração regional. atuando no Curso de Relações Internacionais. como Coordenador de Pesquisa e do GIPART. in particular. Com uma abordagem histórico-institucional. Efetividade Abstract The Industrial Policy is an instrument of industrial development in regional integration processes. particularmente na região da América do Sul. In Mercosul. The aim of this paper is to discuss the effectiveness of Comonn Industrial Policy in Mercosul on the basis of its institutions.Revista Tecnologia e Sociedade . de forma particular. Mestre em Administração. aponta-se que sem densidade institucional o Mercosul manterá sua dinâmica de instabilidade. Graduado em Economia. relating the institutional aspects of integration with the results of common policies.com. it has not been an effective instrument of deepening the relationship between member countries. Professor da Unisul – Universidade do sul de Santa catarina. como Professor Colaborador do Programa de Pós-Graduação em Administração.

utiliza-se de resultados de pesquisa específica sobre o Subgrupo de Trabalho nº 7 – Indústria e Tecnologia. o de processo de integração regional como o agrupamento de países com intuito de aprofundar suas relações para além de uma área de livre comércio. Na última parte a abordagem está centrada nos aspectos institucionais do Mercosul e nas possibilidades e limitações que existem no bloco para a efetividade de uma Política Industrial Comum. com destaque para o papel da complementaridade e difusão tecnológica. Introdução O objetivo deste artigo é discutir a efetividade de uma Política Industrial Comum no Mercosul com base na sua institucionalidade. sem. do Mercosul. segundo . pressupondo que estas possuam um importante papel na canalização de demandas e ofertas. do desenvolvimento e da Política Industrial.Revista Tecnologia e Sociedade . a uma União Aduaneira. bem como para a transformação de Políticas Externas individuais em Política Pública Comum. Keywords: Common Industrial Policy. abordando a importância de uma Política Industrial Comum para o alcance dos objetivos de desenvolvimento econômico na integração regional. terem de ser seguidas estritamente. Nesta seção. Adota-se neste artigo um arcabouço de referências específicas sobre a temática. contudo. onde evidenciam-se aspectos históricos e experimentais. transformando Políticas Externas em Políticas Públicas Comuns. Procura-se fomentar o debate sobre instituições em processos de integração. Por outro lado. Não que esses debates deixem de ter sentido . passando. Mercosul. bem como as dimensões de confiança e complementaridade econômica. Institutional Effectiveness. cai-se nos mesmos dilemas de estudos tradicionais na área os quais retiram o caráter histórico e específico de cada formação social. O ponto de maior destaque aqui é fugir ao corriqueiro debate sobre supranacionalidade e intergovernamentabilidade. além de referências de estudos na área. O artigo possui mais três seções. 2012. Na próxima seção situam-se o tema e a importância de instituições em processos de integração. relacionando os aspectos institucionais da integração com os resultados de políticas comuns. particularly in the region of South America. ISSN (versão online): 1984-3526 68 their dynamic instability. It also intends to go further into the discussion on the institutions in integration processes. o de instituição.tanto é que são citados aqui mas se deixados apenas nesse nível. de uma forma geral. de forma particular. ou mesmo de simples comparações descontextualizadas entre União Europeia e Mercosul. bem como os resultados de pesquisas realizadas nos últimos anos tendo como objeto o Mercosul e suas instituições. além desta introdução e das considerações finais. no mínimo.1ª Edição. Na seção seguinte observa-se a interrelação entre as temáticas da integração regional. algumas comparações servem para mostrar caminhos possíveis. e de desenvolvimento industrial. Opta-se pelo conceito de efetividade como sendo a capacidade de uma instituição em produzir os resultados desejados para a sua existência.

De uma forma geral. As experiências entre um e outro processo de integração. restringem atividades e modelam expectativas dos homens e Estados. As grandes potências sucumbiram à imposição de preços de pequenos países a por causa desta Organização Internacional. O fenômeno da integração e suas instituições ganhava corpo. Porém. 2011). COSTA. o Europeu e o latino-americano. como um persistente e conectado conjunto de regras que prescrevem comportamentos. sustentável ambientalmente. 2012.1ª Edição. a questão sobre a importância das instituições internacionais passa a ser sucedida por interpelações sobre a cientificidade de sua aceitação ou rechaço. 2009). estável politicamente. ISSN (versão online): 1984-3526 69 Keohane (1980). e a América Latina passava a ser uma das melhores opções da busca do desenvolvimento socioeconômico (HASS. Até aquele momento.Revista Tecnologia e Sociedade . As Comunidades Europeias passavam cada vez mais a aprofundar a integração regional e a discutir as instituições em seu processo de integração regional. Um movimento concomitante estava em gestação e atingiria fortemente todo o mundo. visão fortalecida pelo fracasso da Liga das Nações e a ocorrência da Guerra. prevaleciam as teses do pós-II Guerra de que instituições internacionais são mero apêndices da Política Externa dos Estados. desenvolvimento socioeconômico. resolução de conflitos e criação de um ambiente de avanço progressivo nos objetivos integracionistas. e. Instituições em processos de integração A década de 60 do século passado presenciou um incipiente debate sobre o papel das instituições nas Relações Internacionais. o de Política Industrial como sendo toda ação do Estado ou Instituição Comunitária para promover a produtividade e a competição da indústria e o crescimento e desenvolvimento socioeconômico de um país ou conjunto de países. 1964). mas sim de que forma e em que circunstância sua importância impactava as preferências dos Estados e o Sistema Internacional (KEOHANE. por fim. 2003. NYE. e unitário em suas ações externas (MALAMUD. levantando a problemática do alcance da política de poder que poderiam adotar as grandes potências na busca de seus interesses de Política Externa. . indicam que o papel das instituições foi fundamental para a concretização ou não dos objetivos almejados (SILVA. SHMITTER. 2011. Foi depois do choque do Petróleo da década de 70 que os estudos sobre as instituições internacionais ficaram mais fortes. 1974). dando confiança ao processo e mantendo a região como um espaço propício ao crescimento econômico. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) havia desferido um golpe muito forte no centro do sistema capitalista. A pergunta a partir de então não era se as instituições internacionais importavam ou não. gerando a desconfiança sobre as teses realistas nas relações internacionais. OLIVEIRA. as experiências de integração regional explicitam que suas instituições precisam fazer o papel de canalização das demandas. culminando na necessidade de estudos sobre o papel e o impacto delas no sistema internacional.

O formato institucional indica. Nessa situação podem alcançar a posição de polo de poder. Em se tratando de processos de integração regional.1ª Edição. apesar de as experiências apontarem na direção de liderança da área econômica sobre as demais. Pode concluir-se que a integração conduzirá a um progresso tecnologico autônomo. Em um processo de integração regional. praticamente impossíveis sem uma ruptura conflituosa. entre as quais é de fundamental importância a Política Industrial pelo impacto econômico e social que viabiliza ou retarda a aderência dos Estados participantes. significa criar consistentes Políticas Públicas Comuns. Um primeiro diz respeito à economia de escala que proporcionaria o aprofundamento de um processo de integração. considerando a abordagem de organizações internacionais de Rittberg e Zangl (2006). uma vez que se conseguem obter economias . caótica e geralmente bélic¹. as intenções que os Estados-membros possuem para a integração. Trata-se. da complementaridade econômica e da coesão política e social da área integrada. e esse nem precisa exatamente ser um viés principal. por meio de complexos processos políticos e decisórios. chamando a atenção para dois planos de impactos importantes para a discussão do presente artigo. No entanto. em um desenho de sistema internacional de multipolaridade em blocos. No próximo item especifica-se um pouco da importância da Política Industrial para o desenvolvimento socioeconômico e o processo de integração regional. 2012. é o progresso tecnológico autônomo que resultaria da dinâmica regional integrada. principalmente no que diz respeito ao aprofundamento da integração. pode haver um momento em que a volta. 2006). A mesma década de 60 que suscitou o debate sobre instituições internacionais e sobre estas em processos de integração regional também serviu para o debate sobre as implicações econômicas nestes processos. quanto do interesse nacional dos mais fracos membros do processo (MENEZES. Integração Regional. sem resultados positivos em termos de desenvolvimento socioeconômico. tanto dos nacionais de países mais fortes. e um segundo. Balassa (1961) delimita uma série de vantagens e consequências dos processos de integração regional.Revista Tecnologia e Sociedade . o retrocesso ou a estagnação vão ser muito danosos para os Estados. senão. ISSN (versão online): 1984-3526 70 Essas condições posicionadas de forma sustentável no espaço e tempo indicam a transformação dos processos de integração em um bloco econômico. no sentido da unidade de ação de política externa de seus membros. PENNA FILHO. Desenvolvimento e Política Industrial É fato que um processo de integração regional não trate apenas de seu caráter econômico. por seu turno. Assim. correlacionado ao primeiro. ele perde legitimidade. as instituições possuem um papel-chave na canalização de interesses e objetivos. de uma condição institucional capaz de transformar as políticas externas dos países membros de um grupo em políticas públicas das instituições. e na resolução dos conflitos que virão em um processo desta magnitude.

esta viria junto com complementaridade. e também é provável que se façam maiores despesas com a investigação e o desenvolvimento após a abolição das barreiras aduaneiras. da complementariedade econômica e de ganhos mútuos em termos de difusão tecnológica. foram fundamentais para a inserção positiva de Portugal. Porém. para capacitar o processo em uma direção de indução do desenvolvimento. a promessa elencada por Balassa aponta para a necessidade de Políticas Comuns de uma forma geral. os primeiros como consequência das atividades individuais de cada ator na economia. A última conclusão é fortalecida pelas perspectivas de crescimento acelerado numa área integrada. Estudos empíricos mostram como o desenvolvimento tende a ser desigual no espaço e tempo². ISSN (versão online): 1984-3526 71 de escala na investigação quer ao nível nacional quer ao nível da empresa. Grécia e Espanha. uma estrutura pensada desde seu início. 2011ª). pelo desestímulo com resultados negativos que os membros ou algumas regiões sofrem³. 2012. e que em processos de integração regional podem significar o seu fim. bem como nos projectos de integração latino-americanos (BALASSA. os segundos pela atuação proativa das estruturas estatais de forma conjunta. necessariamente. Apesar das controvérsias apontadas sobre as características da institucionalidade da integração no “velho mundo”. foi da percepção sobre a necessidade de tratar especialmente os problemas de assimetria que a União Europeia criou uma série de mecanismos para a diminuição de seu impacto. Por isso.Revista Tecnologia e Sociedade . indução. processual.1ª Edição. p. Assim. a resposta veio com mais integração e mais institucionalidade. Os europeus trataram sua integração desde o início como superação de rivalidades históricas e com problemas de assimetrias. Espera-se que estes efeitos benéficos da integração sobre as alterações tecnológicas autónomas surjam no Mercado Comum Europeu. ou seja. Políticas Públicas Comuns em processos de integração devem fazer o mesmo papel para o qual são acionadas nos âmbitos nacionais. e Políticas Industriais em particular. 1961. e. para tornar a integração algo mais do que competição. introduzindo na Política Industrial Comum em processos de integração um olhar para os seus impactos regionais. É possível e necessário ir além. É de destacar que. e mais recentemente para os antigos países da Europa do Leste (COSTA. 266). seu caráter neofuncionalista lhe conferiu um movimento de estruturação ad hoc. mesmo com complexa reintrodução dos problemas de assimetria e de desigualdade de desenvolvimento socioeconômico. particularmente o Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional – FEDER. para cada crise ou entrave na integração europeia. A institucionalidade da União Europeia não significou. Os fundos europeus. Os alargamentos foram sendo feitos. Esse movimento conferiu-lhe um caráter de bloco .O próprio Balassa produz análise específica para alertar sobre os efeitos nefastos que acarreta a falta de uma atenção especial sobre as assimetrias e o desenvolvimento regional desigual. à medida que a integração encontrava seus limites. O viés econômico deste autor clássico no estudo de integração alerta para movimentos autônomos e induzidos. direcionamento e adequação das dinâmicas integracionistas.

de uma visão de médio e longo prazos. pois que arranjos econômicos menos densos que a integração regional. a Política de Cooperação ao Desenvolvimento. Desde o Protocolo de Ouro Preto. e é com base nela que apontamos a linha argumentativa. no fechamento de empresas. A Política Industrial Comunitária Europeia significou um forte impulso para a indústria da região suportar as transformações da Terceira Revolução Tecnológica. O próprio processo de integração da Europa. Efetividade de uma Política Industrial Comum no Mercosul A questão da efetividade de uma Política Industrial no Mercosul passa. De uma forma geral. bem como no incentivo às pesquisas e desenvolvimentos no seio das indústrias. Consiste. necessariamente. 2012. A busca da complementaridade econômica e a diminuição dos impactos das assimetrias. há muito estão prensentes no processo de integração regional europeu. a Política Industrial reflete toda a fragilidade institucional deste importante processo de integração regional. Tratou-se de um aporte normativo da concorrência e das possibilidades de entrada de empresas estrangeiras. pelo entendimento das limitações e possibilidades que o processo possui do ponto de vista institucional. em comunhão com o exposto no item anterior. na busca de instituições com densidade suficiente para transformar os interesses nacionais dos Estados membros em Políticas Públicas. Não se trata aqui de cair no erro comum de análise da temática. arguindo a necessidade de uma supranacionalidade. em Políticas Comuns do processo de integração. conforme longo estudo de Oliveira (1999). 2009). a Política de Meio Ambiente.1ª Edição. no apoio às pequenas e médias empresas. incluindo a Política Energética. foi feito considerando os impactos e possibilidades da indústria comunitária por uma Política Industrial Comum oriunda das instituições do processo integracionista e por essa sendo coordenada. conseguem ter uma forte complementaridade econômica com nenhuma instituição comunitária (OLIVEIRA. O próximo item é reservado à exposição e ao debate e crítica sobre a situação do Mercosul. minimizando os impactos no desemprego. Isso significa uma ampla gama de Políticas Comuns. e uma das principais e foco deste trabalho. a Política Industrial Comum da União Europeia. como a Associação de Nações do Sudeste Asiático – ASEAN. sua institucionalidade e efetividade de uma Política Industrial Comum. passando a um mercado comum de forma planejada. precisa-se da internalização legal das normas emanadas do bloco por parte dos Estados . 2011ª). de produtos do exterior e hierarquia de preferências de importação.Revista Tecnologia e Sociedade . ISSN (versão online): 1984-3526 72 econômico. em 1994. reconhecido em fóruns internacionais como um só ente negociando com os demais grupos de países (SILVA. de disponibilidade de recursos para investimento. ou seja. a estrutura institucional ali definida para o Mercosul é intergovernamental. na perda de competitividade.

e a segunda revela a ideia de não formar objetivos de longo prazos. Os principais órgãos da integração. principalmente os mais importantes. são formados por representantes dos Estados membros oriundos de órgãos públicos. Os limitadores de avanço do processo de integração regional mercosulino do ponto de vista institucional são de várias ordens. possui reuniões ordinárias semestrais e é composto pelos nacionais dos países membros ligados aos seus respectivos Ministérios de Indústria e Comércio. por sua vez. madeiras e móveis. ROZEMBERG. A estrutura do Subgrupo foi se estabelecendo pela criação de Comissões Temáticas: a de Micro. uma representação do bloco nessas principais estruturas institucionais. 2007).1ª Edição. Um outro aspecto relevante é que os Estados membros possuem grandes assimetrias entre si. pois nenhuma decisão no âmbito do Mercosul estabeleceu uma conduta comum impactante para a complementaridade industrial regional. Essa postura é identificada na literatura de integração como neofuncionalista. e a de Propriedade Intelectual. neste sentido. pois que já acostumadas a garantidos canais de acesso pelas instituições nacionais (VIGEVANI. resultando em uma “inflação normativa” pela falta de decisões (BOUZAS. As assimetrias dificultam uma relação de aprofundamento como resultado das diferentes demandas e ofertas de instituições de cada membro.Revista Tecnologia e Sociedade . para estes. A flexibilidade institucional do Mercosul. é subsidiário dos órgãos de decisão do Mercosul (notadamente o Conselho do Mercado Comum – CMC). ou seja. 2006-2007). 2002). A primeira representa uma política de avanços e retrocessos (stop and O) na integração sempre que houver dificuldade de algum membro. Pequenas e Médias Empresas e Artesanato. Mesmo com institucionalidade pouco densa. remetendo à dificuldade de um ambiente para a criação de Políticas Públicas Comuns. ISSN (versão online): 1984-3526 73 membros a fim de que. sua atuação foi limitada. 4 Em uma avaliação geral desde que foi criado . 2012. a flexibilidade e o gradualismo. como couros. mas não de evitá-los (PEÑA. Também possui grupos que abordam as questões específicas como Reuniões de Competitividade. no sentido de geração de Política Pública Comum. as regras do jogo criadas não são cumpridas. Indicadores de Competitividade. . entre eles os subsidiários como os Subgrupos de Trabalho. Outro aspecto relevante é a percepção negativa das elites industriais do Brasil sobre a necessidade de instituições comunitárias densas. Não há. Promoção Industrial. Esse órgão. percebe-se que os trabalhos do Subgrupo nº 7 tiveram poucos resultados concretos. 2005). gerando dificuldades de confiança e planejamento de médio e longo prazos (PEÑA. criado em 1998. principalmente. além de Cadeias Específicas. Essa estrutura revela as bases pressupostas de criação e desenvolvimento do bloco pelos seus fundadores. O que se pode chamar de Política Industrial Comum no Mercosul resulta dos trabalhos do Subgrupo de Trabalho nº 7 – Indústria e Tecnologia. tenham validade. Embora seus objetivos sejam amplos e até indiquem a existência de uma incipiente Política Industrial Comum. a de Qualidade e Inovação. tem sido capaz de resolver problemas. mas sim tratar de integrar onde as possibilidades históricas e conjecturas assim os permitirem. calçados.

de aproveitar as potencialidades de cada país. está menos formando Políticas Públicas Comuns. Sua atividade precisaria resultar em decisões de Políticas Públicas Comuns da instituição Mercosul. Mesmo assim. de buscar complementaridade e desenvolvimento socioeconômico conjunto. e que a Política Industrial Comum mercosulina é limitada a algumas ações de conhecimento. diante das atas de reuniões ordinárias e extraordinárias. historicamente dificultados pelas precárias condições macroeconômicas e as consequentes instabilidades. mas consistente. bem como uma inserção como polo de poder nos sistema internacional. em um ambiente cada vez mais multipolar em blocos. que seu papel é fundamental para o início de uma Política Industrial e Tecnológica Comum. Pensando na agregação dos temas aqui tratados. É certo que nos últimos 10 anos ocorreram muitos avanços estruturais nesta integração. 2012. Esta é a diferença entre um Processo de Integração e um simples acordo comercial. ou seja. mas apenas embrionário e retroalimentador. ISSN (versão online): 1984-3526 74 o que dificulta a execução dos trabalhos. O Mercosul possui baixa densidade institucional. Nesse cenário. e mais colaborando para a troca de informações e experiências das congêneres nacionais dos Estados membros. e os impactos de uma política industrial comum no desenvolvimento socioeconômico dos países integrados. e de alargar as capacidades de competitividade. para a efetividade de uma Política Industrial no Mercosul. verificou-se que a estrutura institucional do Mercosul possui sérias limitações para a produção de Políticas Públicas Comuns. o trabalho de conhecimento.1ª Edição. de Políticas Comuns entre os Estados partes. harmonização e aproximação feito pelos nacionais no Subgrupo de Trabalho nº 7 é fundamental. Se são consistentes os objetivos dos países membros de alcançarem desenvolvimento socioeconômico. Buscou-se apontar elementos institucionais de processos de integração regional. Considerações Finais O objetivo deste artigo é discutir a ideia de uma Política Industrial Comum no Mercosul. comparados aos anos anteriores de formação. . no sentido de produzir os resultados desejados de complementaridade industrial. então o Mercosul precisará ser repensado no tocante ao aprofundamento da integração e ao fortalecimento da sua institucionalidade. a formação de um bloco políticoeconômico. Trata-se. evidenciando a dificuldade de sua efetividade. em função da institucionalidade própria deste processo de integração regional. que serviriam de motivador e balisador das preferências dos Estados para materem-se e impulsionarem o processo de integração como um todo. harmonização e aproximação do Subgrupo de Trabalho nº 7 – Indústria e Tecnologia.Revista Tecnologia e Sociedade . antes de tudo. o prazo e a consolidação lenta. em um trabalho com resultados de médio e longo prazo. observou-se. e apesar do pouco material disponível que traga informações sobre as ações do Subgrupo de Trabalho nº 7. Além disso. cada Estado tenta criar seus mecanismos internos de Política Industrial.

265286. fazer parte da integração tende a ser a melhor escolha possível. Teoria da integração econômica. Karine de Souza Silva. No entanto. Joseph S. quanto para a União Europeia. Institut Für Iberoamerika-Kunde.mercosur. pp. PENNA FILHO. mas certamente com consequências danosas para sua economia. 2011a. 1 São exemplares os estudos sobre a ALALC – Associação Latino-Americana de Livre Comércio. “Instituições em processos de integração: êxitos. 705 – 734. Para este país. ______ “Políticas de Desenvolvimento Regional em processos de integração: comparações entre a União Europeia. “Economics and differential patterns of political integration: projections about unity in Latin American”. pp. SOLTZ. HASS. sempre barganhando maiores fatias de benefícios sob ameaças de deixar o bloco (Ver: MALAMUD. o Mercosul e a América do Sul”. COSTA. Florianópolis: Editora Modelo. Hernán. NYE. Ernest B. BOUZAS. august 2002. International Organization. pp 177-204. 27. da UFSC: Fundação Boiteux. 1961. pesquisados no site da instituição. 1. 2012. SHMITTER. no. a efetividade de uma Política Industrial Comum do Mercosul passa pelo realinhamento de sua institucionalidade buscando transformar as decisões e aplicações do bloco em Políticas Públicas Comuns. Lisboa: Livraria Clássica Editora. 2003.. Referências BALASSA. Arbeitspapier nr. tanto para a Grécia em termos de consequências e capacidades de recuperação. 1974. pelo efeito demonstração. IN: SILVA. vol. World Politics. Roberto. 2006). Karine de Souza. Instituciones y mecanismos de decisión en procesos de integración asimétricos : el caso MERCOSUR. 18. Hamburgo.Revista Tecnologia e Sociedade . (http://www. 4 (autumn. MENEZES. Nesse sentido. Robert. Rogério Santos da. Mercosul e União Europeia: o estado da arte dos processos de integração regional. talvez uma solução intermediária pra si mesmo. sair da zona do Euro seria a melhor solução para a integração. As relações entre a União Europeia e a America do Sul: convergências e divergências da agenda birregional. e os constantes descontentamentos de Uruguai e Paraguai no Mercosul. dilemas e perspectivas do Mercosul”.1ª Edição. . Transgovernmental Relations and International Organization.int/. IN: SILVA. que possui seu fracasso associado ao descontentamento dos países menores com os resultados relativos da integração. Notas__________ 1 Em 2012 apresenta-se a experiência da Grécia como ilustrativo dessa situação. 1 O caso brasileiro é exemplar: a industrialização desde 1930 produziu grandes desequilíbrios regionais no país. Philippe C. ISSN (versão online): 1984-3526 75 principalmente pela formatação do Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul – FOCEM. KEOHANE. Bela. Florianópolis: Ed. Acesso entre fevereiro de 2011 e junho de 2012). 2011. 1964). 1 Análise baseada nos documentos do Subgrupo de Trabalho nº 7 – Indústria e Tecnologia do Mercosul.

Instituições internacionais: comércio. 2011. 325-352. ISSN (versão online): 1984-3526 76 KEOHANE. ROZEMBERG. Robert. Karine de Souza. politics and policies. IN: SILVA. MALAMUD. Política Externa. pp 17-64. Ijuí: Editora Unijuí. NJ: Princeton University Press. 2011a. IN: SILVA. Curitiba: Juruá. dez/jan/fev 2006-2007. 2006. RITTBERG. 2003. Bernard. ______. 1980. 2007. I Encontro da ABRI – Associação Brasileira de Relações Internacionais. Vol.1ª Edição. Karine de Souza. “De Paris a Lisboa: sessenta anos de integração europeia”. . After Hegemony: Cooperation and Discord in the World Political Economy. 2009. Brasília. União Européia: processo de integração e mutação. nº3. Volker. Mercosul e União Europeia: o estado da arte dos processos de integração regional. PUCMinas. PEÑA. Felix. Celi. “As qualidades de um Mercosul Possível”. Odete Maria de. 2012. New York: Palgrave Macmillan. OLIVEIRA. Ricardo. MENEZES. PENNA FILHO. Princeton. pp.). Integração Regional: Blocos econômicos nas Relações Internacionais. Pio. “Integração regional na América Latina: teoria e instituições comparadas”. Alfredo da Mota. Paulo Luiz (Org. Rio de Janeiro: Campus/Elsevier. Belo Horizonte: Ed. Mercosul e União Europeia: o estado da arte dos processos de integração regional. Andrés. Tullo et al. Velhos e novos regionalismos: uma explosão de acordos regionais e bilaterais no mundo. International Organization: polity. 2006. ______. segurança e integração. Florianópolis: Editora Modelo. O papel da integração regional para o Brasil: universalismo. Una aproximación ao desarrollo institucional del Mercosur: fortalezas y debilidades. PEÑA. soberania e a percepção das elites. ZANGL. Out/2005. 1999. Documento de Divulgación nº 31. 15. Florianópolis: Editora Modelo.Revista Tecnologia e Sociedade . VIGEVANI. Karine de Souza. Buenos Aires. “As Instituições da União Europeia e as alterações introduzidas pelo Tratado de Lisboa”. SILVA. In: ESTEVEZ. pp 103-154. BID/Intal.

Campus Curitiba.com. Possui Graduação em Estudos Sociais e Educação Moral e Cívica pela Faculdade de Ciências Letras e Educação de Presidente Prudente (1985). UTFPR (2010).Revista Tecnologia e Sociedade .1989).casagrande@gmail. Graduação em Geografia pela Faculdade de Ciências Humanas e Sociais de Curitiba (1991). Curitiba. E-mail: ana.gil@ifpr. Eloy Fassi Casagrande Júnior: Professor Doutor do PPGTE/UTFPR. conhecer o processo permite o entendimento dos fatores internos e externo que influenciam e/ou modificam o as estratégias de sustentabilidade na Copa do Mundo 2014. atuando no ensino de Língua Inglesa para o Ensino Médio. E-mail: eloy. concluiu o doutorado em Engenharia de Recursos Minerais e Meio Ambiente pela Universidade de Nottingham em 1996 e o Pós-Doutorado no Instituto Superior Técnico (IST-Portugal) em 2007. Mestrado em Geografia pela Universidade Federal do Paraná (2003) com o tema: Shopping Centers em Curitiba: Novos espaços de consumo e lazer.com. Copa do Mundo 2014.Campus Curitiba. O estudo busca analisar a função social da construção sustentável na Copa 2014 e a conectividade urbana e econômica e social. Palavras-chave: Sustentabilidade.Campus Curitiba . sua avaliação e a sustentabilidade dinâmica. É professora do Instituto Federal do Paraná.1ª Edição. E-mail: sileide. Também é autora de livros didáticos do Ensino Fundamental pela Base Editora.edu.Inglês pela Universidade Tuiuti do Paraná-UTP (1998) pela Universidade Federal do Paraná. Políticas Públicas. em Curitiba Sustainability on Constructions of the World Cup 2014. 2012. in Curitiba Sileide France Turan Salvador Ana Helena Corrêa de Freitas Gil Eloy Fassi Casagrande Júnior 6 Resumo Esse trabalho busca destacar a necessidade de aprofundar o conhecimento das relações que envolvem políticas públicas. 6 Sileide France Turan Salvador: Mestre em Tecnologia. Possui Mestrado em Tecnologia pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Atualmente é Coordenador do Escritório Verde e professor do Departamento Acadêmico de Construção Civil e da PósGraduação da Universidade Tecnológica Federal do Paraná.Brasil.Brasil.br Ana Helena Corrêa de Freitas Gil: Professora Doutora em Geografia do Instituto Federal do Paraná . PósGraduação em Especialização em Formação de Professores em EAD pela Universidade Federal do Paraná-UFPR (2001) e Graduação em Licenciatura em Letras Português .edu. Cultura e Representação com a pesquisa sobre Palcos do Cotidiano: O bairro urbano como espaço de ação e da expressão teatral. Especialização em Geografia Física (UNICENTRO -1991) e Especialização em Magistério Superior (TUIUTI.salvador@ifpr. Apresenta as características desejáveis em uma construção sustentável. professora do Instituto Federal do Paraná – IFPR . . Doutorado em Geografia pela UFPR (2011) na linha de pesquisa: Território. Portanto. ISSN (versão online): 1984-3526 77 Sustentabilidade nas Construções da Copa 2014. em Curitiba.

quando são adotados os procedimentos abordados. Esse processo está composto por uma meta organizacional e ações objetivas que interligam políticas públicas. Na perspectiva de um megaevento sustentável. água. que se propõe a ser um evento sustentável. The study analyzes the social role of sustainable construction in the 2014 World Cup and urban connectivity and economic and social development.Revista Tecnologia e Sociedade . gestão integrada de resíduos. Torna-se primordial.1ª Edição. com objetivos e estratégias analisadas a partir de um ponto de vista exploratório e bibliográfico. THEÓPHILO. O estudo também ressalta ações de sustentabilidade que já possuem certa visibilidade social. após densa pesquisa. 2012. neste artigo. Seguindo a proposta de Martins e Theóphilo (2007). in Curitiba. edifícios verdes e estilo de vida sustentáveis. paisagem e biodiversidade. ISSN (versão online): 1984-3526 78 Abstract This work aims to emphasize the need to deepen the understanding of the relationships that involve public policy. mobilidade e acesso. sustentabilidade e sociedade. integra conhecimentos. transporte. World Cup 2014. um equilíbrio sistêmico composto pelas interações entre os sistemas envolvidos na organização do megaevento. além da construção sustentável. períodos e contextos num processo contínuo (JIMÉNEZ HERRERO. tem como objetivo verificar as estratégias utilizadas nas construções relacionadas com a Copa 2014. Public Policy. em Curitiba. nessa primeira fase. integra espaços. a Copa 2014. uma pesquisa básica. ações. porém. agentes e ferramentas de mensuração eficazes. O contexto do trabalho perpassa pelos pressupostos da responsabilidade na conservação do meio no qual se vive e na realidade construída de que pensar globalmente envolve agir localmente. como ideia central do desenvolvimento sustentável. 2007). Curitiba. Keyword: Sustainability. nesta estratégia. identificando os conceitos de sustentabilidade desenvolvidos em Curitiba. It presents the characteristics desirable in a sustainable building. O Brasil se organiza para sediar a Copa 2014. its dynamics and sustainability assessment. 2000). o artigo apresenta aspectos da Copa 2014 que são característicos de megaeventos esportivos e da sustentabilidade. knowing the process allows an understanding of internal and external factors that influence and / or modify the sustainability strategies in the World Cup 2014. objetivado sinalizar as várias possiblidades de divulgação dessas práticas. que atuam nas seguintes categorias: a conservação de energia e mudanças climáticas. Busca-se. Como recurso metodológico de pesquisa básica qualitativa e análise (MARTINS. como analisar essa implementação e estruturação? Esse trabalho que considera os impactos da Copa do Mundo de 2014. desenvolve-se. Therefore. no qual o problema é apresentado numa perspectiva qualitativa. apresentar uma análise histórico-processual das políticas públicas que norteam a implementação . Introdução A sustentabilidade.

gestão e sustentabilidade. Além desta seção introdutória. De acordo com um ensaio preliminar de indicadores feito pela Ernst e Young (2010). onde estão estabelecidas as relações entre os pressupostos teóricos. simultaneamente riquezas que atinjam diversas camadas da comunidade.18). 2008). construção sustentável. as ações e os objetivos propostos inicialmente. Construção Civil e a Sustentabilidade. gestão integrada de resíduos. em um conceito que impeça a degradação do ambiente. ISSN (versão online): 1984-3526 79 das estratégias de sustentabilidade nas Copas anteriores e que orientam a Copa 2014. São elas: mudanças climáticas. Inseridos no corpo textual das seções são mencionadas algumas ações da construção sustentável. Esses temas compõem o triple bottom line ou tripé da sustentabilidade: economia. um evento sustentável. reutilizar e usar de maneira responsável os recursos naturais disponíveis. Posteriormente. SEIBEL. avaliação do processo. uma visão holística sobre essa política pública no que diz respeito à comunidade local. gerando. manejo de ecossistema. dos impactos e legados sustentáveis advindos do megaevento na cidade (GELINSKI. substâncias perigosas e eficiência do uso de recursos naturais (ERNST. edifícios verdes e estilos de vida sustentável. água. o artigo segue a seguinte estrutura: arcabouço teórico explicitando os seguintes temas – Mega Eventos e A Sustentabilidade. Assim sendo. YOUNG. Curitiba. Portanto. deixando um legado futuro que ultrapasse o tempo em que o evento durar. desastres e conflitos. paisagem e biodiversidade. Os eventos sustentáveis apresentam três temas que norteiam o desafio do estabelecimento da sustentabilidade em suas estruturas. sociedade e meio-ambiente. desenvolve-se. são apresentadas as considerações finais. 2012. p. precisa administrar seus riscos. agregar valor à economia local e educar os participantes do evento sobre os benefícios da sustentabilidade. . os sete passos para o sucesso da Copa Verde são: conservação de energia e mudanças climáticas. baseada em análise documental. identificados conforme o padrão preestabelecido de responsabilidade socioambiental dos estados e áreas prioritárias do Green Goal e a realidade particular brasileira.Revista Tecnologia e Sociedade . impactos. dos indicadores. As práticas adotadas devem: proteger. e. 2010. mobilidade e acesso. reciclar. transporte. garantindo que as futuras populações e gerações sejam beneficamente afetadas por suas ações. em Curitiba. Segundo o documento. denominado “Brasil Sustentável: Impactos socioeconômicos da Copa do Mundo de 2014” foram priorizados sete passos para a Copa Verde. Há seis áreas que deveriam ser abarcadas para que a Copa seja realizada em algum país estão elencadas no United Nations Environment Programme (UNEP). dessa forma.1ª Edição. enquanto capital escolhida precisa desenvolver projetos caracterizados pela sustentabilidade ambiental e econômica. Essas práticas devem ser o marco de uma cultura sustentável (MUSGRAVE. 2009). governança do meio ambiente.

como conexão entre megaeventos e as políticas públicas de desenvolvimento (FUSSEY. as interconexões são legados de curto. oficialmente. 2011).1ª Edição. Numa retrospectiva histórica. ISSN (versão online): 1984-3526 80 Mega Eventos e a sustentabilidade Em 1987. no decorrer da última Copa do Mundo organizada pela Fédération Internationale de Football Association (FIFA). 16) os megaeventos como a Copa do Mundo costumam constituir-se em modelos para ações futuras e adoções de políticas nacionais. onde se oficializa o termo “desenvolvimento sustentável”. o megaevento de 2014 que ocorrerá no Brasil. novas diretrizes. torna-se importante destacar que. em 1997. os genes. Ele destacou. Segundo Ernst e Young (2010. otimizando a relação com formas de energias renováveis. Analisando os componentes inter-relacionados e que necessitam passar pela revolução da sustentabilidade. enquanto capacidade de planejar estratégias para minimizar o desperdício de recursos de ordem material e energético. o recorte principal tratava da sustentabilidade como o atendimento das necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de que as gerações futuras atendam as suas próprias necessidades. os aspectos ambientais e de sustentabilidade envolvidos no processo. Surgiram. a segunda conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) para discutir os problemas socioambientais globais. O conceito de legado aparece em 1956. importa recordar que foi em julho de 2010. importantes conferências e documentos como o Protocolo de Quioto. destacam-se: a proteção da biodiversidade que envolve as espécies. a prioridade de que o futuro megaevento fosse uma “Copa Verde” e que se mostrasse ao mundo o compromisso brasileiro no que tange à sustentabilidade ambiental. em seu discurso. que o Brasil lançou. Alcançar-se um bom desempenho na promoção do desenvolvimento sustentável através desse tipo de competição global significa ter que . Inserido no conceito de Copa Sustentável. a contenção do uso e produtos químicos nocivos e aspectos econômicos e políticos que recompensam as estratégias benéficas ao meio ambiente e desencorajam os comportamentos prejudiciais. Também como um componente enquadra-se a prevenção da poluição ou degradação ambiental. os processos químicos e biológicos. CLAVELL. na época. sustentabilidade e inovação. médio e longo prazo com componentes mensuráveis e imensuráveis. Quioto alertava com mais rigidez para as consequências do efeito estufa e do aquecimento global. então. p. Essa iniciativa do governo brasileiro traz consigo desafios e oportunidades para o país-anfitrião. na análise dos impactos socioeconômicos. através de seu então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. os sistemas naturais. destaca pressupostos de tecnologia. Considerando essa concepção de revolução sustentável. a “Jornada para a Copa de 2014”. simultaneamente. 2012. e realizada na África do Sul. Sente-se a necessidade de agregar. no contexto da Olimpíada de Melbourne. lançou o Relatório Brundtland – intitulado também como Nosso Futuro Comum (Our Common Future).Revista Tecnologia e Sociedade . reduzindo a dependência de combustíveis fósseis não renováveis e. A eficiência. componentes da Terra.

promover o ecoturismo nos biomas brasileiros. a FIFA registrava sete países associados: França. foi criada a FIFA – Federação Internacional da Associação do Futebol. No ano de 1904. Na ocasião. necessitando caracterizar um autêntico processo democrático (SILVA. as principais diretrizes para o evento no Brasil. . ISSN (versão online): 1984-3526 81 contribuir para a redução de custos sociais e ambientais. a 4° Edição do Manual de Especificações Técnicas para Estádios de Futebol. Segundo Langone (2009).1ª Edição. FGV PROJETOS. para a Copa do Mundo 2014. políticos. e . incentivar a mobilidade e circulação sustentáveis.Revista Tecnologia e Sociedade . Atualmente. . Suécia e Suíça. sociais e comerciais. Dinamarca. das comunidades e dos relacionamentos entre a sociedade e o meio ambiente. 52-53). incentivar e alavancar negócios verdes. 2005). eficiência energética. . promover a sustentabilidade ambiental com inclusão social. 2012. Seguiu-se a criação de Câmaras Estaduais. Para lidar com este desafio. neutralizar suas emissões de gases de efeito estufa (GEE) e cooperar com o combate ao aquecimento global. foi criada em maio de 2010 uma Câmara Temática Nacional de Meio Ambiente e Sustentabilidade (CTMAS) sob a coordenação dos Ministérios do Esporte e do Meio Ambiente. vinculadas a um megaevento como a Copa do Mundo de 2014. utilizar a água de maneira racional. o sucesso da Copa poderá ser medido pelo aumento da arrecadação e geração de riqueza. são mais de 213. 2009). além de colaborar para maior integração entre os vários atores da sociedade e o desenvolvimento contínuo das pessoas. incentivar o consumo de produtos orgânicos e/ou sustentáveis. Inovação. estruturas e operacionais (BELLEN. valorizar e ajudar a promover e proteger a biodiversidade brasileira. construir estádios com sustentabilidade. ocorreu a primeira Copa do Mundo com jogos amistosos que ocorreram entre as comunidades britânicas. sob as diretrizes da FIFA. são: . Assim. 2010. vale registrar que. podem redefinir o papel Estado. Apresentando um breve histórico desse megaevento. bem como pelos ganhos de imagem e visibilidade que possam depois ser revertidos em capital político” (ERNST & YOUNG. Bélgica. sustentabilidade e tecnologia são categorias que. . ineficiências e desperdícios. Holanda. em 1872. CASTRO RAULI. p. “Para os governos. Para que as políticas públicas representem a forma mais democrática de adequação e estabelecimento do alicerce para a obtenção do crescimento sustentável. Espanha. refletindo-se em políticas públicas inovadoras que agreguem novas tecnologias conceituais. os países registrados e participantes da FIFA. . em maio. . Neste Manual constam exigências e pressupostos como: decisões de pré-construções referentes às . . faz-se necessário que essas políticas apresentem um planejamento que integrem a sociedade. essa instituição passou a traçar diretrizes para futuros eventos internacionais. . a conjunção de interesses econômicos. Em 2007 foi publicado pela FIFA.

pela U. num conceito includente. pela primeira vez. que destaca a necessidade da redução das emissões de CO2 em eventos. Com a chegada da sustentabilidade aos megaeventos. destacou. com propostas economicamente viáveis de mínimo impacto ao meio ambiente. Fornece orientações sobre o Green Goal. redução no consumo de energia com o uso de fontes renováveis. orientação do campo. Abrangem a construção. Em 2006. um programa focado na sustentabilidade. selo criado em 2000. foi apresentado pela FIFA o programa Green Goal. proporciona visibilidade mundial às técnicas sustentáveis e a eficiência dos estádios. 2009). Green Building Council (USGBC). localização dos estacionamentos. iniciativa inovadora que busca viabilizar a sustentabilidade ambiental do evento. diretrizes referentes à energia e iluminação. o meio ambiente na pauta das Copas do Mundo. inovação e processo do projeto. Como legado. embasados em . sem hierarquizações socioculturais e ao mesmo tempo. em Curitiba – PR é viável. Para analisar se o processo para a execução da Copa 2014. também esclarece questões como a área do jogo relativo ao tamanho. a segurança e a hospitalidade. às arquibancadas. à grama. gestão e sustentabilidade. As diretrizes do Green Goal encontram-se no caderno de encargos da FIFA. Segundo o Green Goal Legacy Report da Copa da Alemanha (2006). econômicos e ambientais. esse megaevento. é possível apresentar uma linha do tempo relacionando a Copa do Mundo e a aplicação das tecnologias de sustentabilidade. Sendo um selo de reconhecimento internacional. eficiência no uso da água e no tratamento de esgoto. A certificação pretende a busca por estratégias construtivas mais sustentáveis determinadas através da adoção de critérios como: localização. impactos. três abordagens se destacam: os aspectos sociais. Seguidos pelo comitê organizador do país-sede. resíduos. no que diz respeito à comunidade local. vestiários e acessos.Leadership in Energy and Environmental Design. orientação das tribunas para mídia. a sustentabilidade passou a estar presente nos eventos esportivos. buscam-se os resultados de pressupostos. o uso de materiais e recursos e a qualidade do ambiente interno (LEED. 2003). como: o mapeamento dos impactos e legados econômicos.S. 2012. culturais e seus efeitos temporais a curto. A investigação apresenta os arranjos para o Megaevento Copa do Mundo de 2014 em Curitiba. O Green Goal destaca quatro áreas temáticas: água. Assim. energia e transporte sobre as quais devem ser estabelecidas metas mensuráveis para neutralizar os impactos no clima global (FIFA. permite que o país receba a liberação que reifica a aptidão do país candidato para gerir a Copa do Mundo.Revista Tecnologia e Sociedade . servindo de modelo exemplo para os eventos subsequentes. cabendo a cada país elaborar projetos no contexto da realidade local. diretrizes para segurança pública. se constitui no selo de certificação para edifícios sustentáveis e está sendo recomendado pela FIFA para que todos os estádios estejam aptos à adoção do mesmo. uma organização sem fins lucrativos criada nos Estados Unidos e com representação em diversos países. com estímulos como o LEED . Sob uma visão holística das políticas públicas adotadas. conforto e hospitalidade. ISSN (versão online): 1984-3526 82 dimensões mínimas e capacidade de público. médio e longo prazo. na Alemanha. com sucesso. sociais.1ª Edição.

sociais. Para a segunda abordagem. inibindo a mudança social. É o isolamento da ciência e da tecnologia. 2012. com autonomia e caminho próprio. Busca-se. podendo ou não influenciar a modificar a sociedade de alguma forma. não focados nas relações com a sociedade. destaca-se a compreensão da tecnologia como técnica que ressalta aspectos deterministas. tecnologia e sustentabilidade. Portanto. o uso da ciência e tecnologia é socialmente determinado e tende a estabelecer reproduções nas relações sociais. Essas categorias são elementos diferencias na percepção da construção dos aspectos simbólicos. Interpretando os aspectos conceituais. através de um sistema tecnológico inovador. ciência e sociedade. pode-se considerar a seguinte figura: . Na perspectiva da sustentabilidade as construções respondem às complexidades que perpassam adequações climáticas e ambientais. estabilidade e conforto.Revista Tecnologia e Sociedade . ISSN (versão online): 1984-3526 83 objetivos. segurança. conceituais e políticos da Copa de 2014. Outra corrente concebe a tecnologia como construto de reações sociais. vale esclarecer que na primeira abordagem se supõe a ciência e a tecnologia como categorias inexoráveis. 2000).1ª Edição. inovação. e/ou concebe a ciência e tecnologia como pressuposto otimizador do desenvolvimento científico e tecnológico Ao explicitar as posições conceituais acerca da tecnologia. Construção civil e a sustentabilidade O mundo ocidental vive um momento diferenciado no que diz respeito às mudanças de paradigma no universo da arquitetura e das construções com a busca da sustentabilidade. caracterizar os novos edifícios com maior desempenho e autonomia. em Curitiba (FREY. analisando as dimensões da sustentabilidade.

essa dinâmica cria um desenvolvimento social plural. na sustentabilidade ecológica. Considerando as dimensões da sustentabilidade apresentadas.Revista Tecnologia e Sociedade . com a redução de custo sócio. simultaneamente.ambiental. uma busca pela equidade. promove-se. A sustentabilidade nas edificações torna-se um mecanismo de estímulo da participação social para o desenvolvimento sustentável. arranjos e gestão dos recursos numa abordagem eficiente de apropriação de investimentos privados e públicos. com base nas concepções do ser e não do ter. Socialmente. importa compreender que essa dimensão promove uma melhoria na alocação. 2012. destacam-se. aspectos como: a articulação de mecanismos que intensifiquem a pesquisa de tecnologias limpas com a consequente definição de estratégias e regras de adequação à proteção social. Sobre a sustentabilidade econômica. tecnologia e inovação. Vale ressaltar que as dimensões culturais e sociais perpassam tanto o respeito às tradições culturais de construção como introduzem modelos de modernização capazes de integrar soluções particulares de sustentabilidade que interagem com múltiplos sistemas de produção. Também. a intensidade da poluição e a melhoria na capacidade dos recursos naturais. civilizatório.1ª Edição. 2011 Os aspectos apresentados por Casagrande (2011) ressaltam a aproximação entre sustentabilidade. . ISSN (versão online): 1984-3526 84 Fonte: CASAGRANDE JR. através da limitação do uso de recursos não renováveis e/ou prejudiciais ao ambiente.

Contudo. e bens intangíveis como: justiça. gases poluentes. próximos à edificação. recebessem um tratamento específico desde sua terraplanagem até a execução. 2007). importa ter uma ideia. Este fato pode restringir a viabilidade de plantios futuros. De acordo com Daniela Corcuera. Se as obras que geram emissão de detritos e materiais como: particulados (poeira. levados pela ação das chuvas. buscando um melhor aproveitamento do processo construção e gestão dos bens públicos. a ação dos poluentes afetaria minimamente o meio ambiente. (FLORIDA. todos se beneficiam da produção de bens públicos mesmo que eventualmente. p. ISSN (versão online): 1984-3526 85 Nessa abordagem das dimensões da sustentabilidade. São exemplos de bens públicos: bens tangíveis como as ruas ou a iluminação pública.Revista Tecnologia e Sociedade . também é uma das formas de prevenir a poluição. (GIAMBIAGI. os quais controlam as enfermidades e pragas e conferem um equilíbrio na vida vegetal. podem causar a poluição dos rios e lagos. a aspersão de água e construção de barreira física em caso de demolição e a lavagem dos pneus. ALÉM. São técnicas simples como o rebaixamento das caçambas. 2011). o seu consumo por parte de um indivíduo ou de um grupo social não prejudica o consumo do mesmo bem pelos demais integrantes da sociedade. pois esse profissional divulga as inovações tecnológicas e sustentáveis. como o CO2 (gás carbono) e o SO2 (dióxido de enxofre). num gesto de pensamento criativo indutivo. p. demandando o aumento de fertilizantes.. a ação das chuvas e o freqüente tráfego de veículos durante a execução da obra favorecem o enfraquecimento do solo causando o assoreamento e a perda de todo o equilíbrio vegetal contido no mesmo. Ou seja. irrigação e pesticidas.. segurança pública e defesa nacional. palha ou mantas plásticas para cobrir e reter o solo (GUEDES. O uso de técnicas simples como reaproveitamento e reciclagem e o armazenamento e adequação das formas de transporte. numa conecção de novos meios de representar conceitos e práticas. enfrentar o desafio da inovação. do ar ao solo. conservando o equilíbrio do habitat Podem ser utilizados elementos como cascas de árvores. podem ser ressaltadas: o combate à poluição. alguns mais do que outros. Os bens públicos são aqueles cujo consumo/uso é indivisível ou “não rival”.1ª Edição. 209). pedriscos. arquiteta auditora das certificações Acqua e Leed. Em outras palavras. nutrientes e a biodiversidade de micróbios e insetos.] o engenheiro é hoje um herói da cultura pop. Por isso. evitam poeira e poluição advinda do canteiro de obras (RESENDE. fumo e névoa). 2012. 2011. . 4) Destacando possíveis critérios de sustentabilidade na construção. uma forma eficaz de evitar esta poluição é o plantio de gramíneas adequadas e de rápido crescimento durante o processo de construção ajuda a impedir a erosão do solo e preserva as matérias orgânicas e os nutrientes naturais do solo. O terreno natural contém matéria orgânica. há considerações apresentando que [. 2011. os quais. além de regular a drenagem da água. fumaça. Impedir a erosão do solo que ocorre devido aos desgastes do terreno receptor das atividades de construção.

mecanismos controladores que permitem o controle da vazão da água. Através da reciclagem dos materiais evita-se e/ou deduz-se o desperdício e através da limpeza e organização do canteiro de obras. os geradores de resíduos (responsáveis pela observância dos padrões previstos na legislação específica). ISSN (versão online): 1984-3526 86 Atualmente existe o projeto de gerenciamento de resíduos em obras com grandes percentuais de entulhos. e os transportadores (responsáveis pela destinação aos locais licenciados). 124). implantação e monitoramento – que irá subsidiar o trabalho e todo o controle dos resíduos internos e externos à obra”. "A ventilação natural é o deslocamento do ar através do edifício. através de criteriosa triagem.Revista Tecnologia e Sociedade . Torna-se fundamental que a remoção e destinação dos resíduos seja monitorada e que os processos de coleta e armazenamento recebam tratamento especializado tanto no que tange ao material a ser reciclado como ao material que apresenta periculosidade. varações de intensidade.1ª Edição. papéis. o ambiente e a sociedade. Ao priorizar as luzes naturais e bem planejar o sistema de iluminação artificial. são aceitáveis situações como a distância entre o local da obra a ser construída e fonte fornecedora em um raio máximo de 800 km e também a utilização de no mínimo 10% de materiais sustentáveis na edificação (LEED. Considerando o custo-benefício para a economia. o qual é formalizado conforme a Resolução CONAMA n° 307. vidro. a utilização de materiais regionais e reciclados é uma prática ser estimulada. priorizando a ventilação natural. através de aberturas. dispensa o longo transporte para a entrega dos materiais. formalizou os procedimento em grandes obras. recicláveis com outras destinações (plásticos. na maioria das vezes. componentes cerâmicos e peças prémoldadas). p. devem ser as entradas de iluminação no ambiente. como saída". Há duas categorias que devem ser balizadas na construção sustentável: a gestão da utilização da água. com práticas sustentáveis pode valer-se de dispositivos reguladores. madeiras e outros). umas funcionando como entrada e outras. Para a certificação pelo Green Building Council Brasil (LEED). variações metabólicas dos indivíduos até mutações de temperatura e umidade. Também natural. resíduos perigosos e não recicláveis. reduz o desperdício. Ao conceber um edifício importa considerar as condições de conforto térmico. evita-se acidentes de trabalho.” Cabe organizar estratégias de gestão em um organograma de atividades – “planejamento. analisando a condição de conforto térmico diante de diversas funções e atividades desenvolvidas pelo grupo humano que disporá da construção. Desde condições climáticas. painéis fotovoltaicos e concepção de circuitos autônomos são estratégias de eficácia da sustentabilidade operacionalizada. considerando fatores como: cores claras. . são quatro as classes de resíduos da construção civil que podem ser consideradas: os agregados (componentes de pavimentações. é mais barato pela produção contígua ao local da obra”. Para a Resolução CONAMA n° 307. Para Frota e Schiffer (1999. duchas e torneiras hidromecânicas. Esse documento especifica os agentes: “o órgão público municipal (responsável pelo controle e fiscalização). metais. e. 2009). Fatores que agregam valor a essa proposta: “o desenvolvimento regional devido à demanda de trabalho e à movimentação da economia local. 2012. refletores. reduzindo a emissão de poluentes e CO 2.

que devem incluir as diversas as mais diversas categorias.org. (EcoDesenvolvimento. normalmente. Finalizando. é possível planejar a reutilização da água pluvial na construção. Outra obra sustentável é a requalificação da Avenida Comendador Franco. Infelizmente são mínimos os registros das práticas sustentáveis para a Copa 2014. que serão utilizadas nas descargas dos sanitários. que. Para os responsáveis pelo projeto. conferindo agilidade às dinâmicas do ambiente construído. ISSN (versão online): 1984-3526 87 bacias sanitárias com caixas acopladas e/ou acionamento de descarga com sensor de presença (FGV. Revestimento – Policarbonato Manejo de Resíduos Reuso da água Reservatório de água de chuva 10 quilômetros com sentidos opostos MOBILIDADE (SIM) Terminal Trincheira Viaduto Corredor Metropolitano Capacitação para a Sustentabilidade ARENA DA BAIXADA OBRAS PREVISTAS CICLOVIA CAPACITAÇÂO PROFISSIONAL Fonte: AUTORES. 2012. a redução de seu consumo e o estímulo à adoção de novas atitudes e comportamentos não estão claras e definidas. encheriam os aterros e agora passaram a ser reaproveitados. irrigação do gramado e jardins. limpeza das áreas externas. 2012 . Também há registros de que as 12 sedes terão reservatórios de água de chuva. totalizando 20 quilômetros de infraestrutura cicloviária. A ciclovia perpassará os dois lados da avenida. entre outros. revestindo-o com policarbonato. importa destacar a questão da acessibilidade tanto na esfera da construção em si como aos possíveis meios de transportes. que investiu no exterior do edifício. A obra com práticas sustentáveis para a Copa 2014 da qual há registro refere-se à Arena da Baixada. em Curitiba. 2010). a mídia indica que todos os estádios-sedes dos jogos da Copa do Mundo de 2014. As estratégias articuladas pela Arena da Baixada visando o uso racional da água. a ideia gerará uma economia de 30% no sistema de ar-condicionado em relação aos modelos convencionais.1ª Edição. buscando melhorar a climatização dos espaços internos. mais conhecida como Avenida das Torres. com sentidos opostos. estão buscando a sustentabilidade no que se refere às sobras dos materiais. através de telhados e pátios adequados. No aspecto da destinação de materiais de construção.Revista Tecnologia e Sociedade . terá a inclusão de 10 quilômetros de ciclovias dentro do projeto de adequação da cidade para a Copa do Mundo de 2014. Além dos impactos causados por esses mecanismos.maio/2012).

2005). Instituto das Águas. 2012). pode-se destacar a reforma e ampliação do terminal Santa Cândida. em termos de sustentabilidade são a possibilidade de reduzir os impactos negativos e maximizar os impactos positivos. Em relação à estruturação. ALEP e Câmara Mundial (PORTAL DA COPA. Já. esta é uma década palco de decisões fundamentais no que tange a relação com um novo regime global de mudanças climáticas. a (Rio+20). buscando um legado ambiental de longo prazo. 2012. impactos e legados de grandes eventos. gestão. passados os eventos. IAP. destacam-se um novo sistema climático global e numa nova fase dos compromissos do Protocolo de Quioto. Segue: a Copa das Confederações em 2013. tanto em aspectos de marketing de imagem do país como no reconhecimento de uma gestão de qualidade. fazenda Rio Grande a Araucária.Revista Tecnologia e Sociedade . permeado por justiça social. em trecho de 52 quilômetros. corporativa. energias renováveis. o Brasil decidiu investir nesse campo.1ª Edição. com o estabelecimento de diretrizes e metas de redução de emissões de GEE (BRASIL. Na esfera político-ambiental. UTFPR. Pinhais. manejo de resíduos. Almirante Tamandaré. Esses eventos se iniciam com a Cúpula das Nações Unidas Sobre Desenvolvimento Sustentável que ocorrerá em junho de 2012 no Rio de Janeiro. ISSN (versão online): 1984-3526 88 Acima. SMMA. colaborativa e responsável. ao realizar a Copa 2014 como um evento sustentável busca minimizar possíveis impactos negativos que possam vir a ser causados ao meio ambiente durante a execução das obras de grande porte. No âmbito social dá-se visibilidade à capacitação profissional para a sustentabilidade realizada pelo SEMA. importa analisar se a Copa 2014 está se configurando e/ou será sustentável. economicamente viável e bem aceito culturalmente. na abrangência das políticas públicas. Piraquara. a trincheira da rua Guabirotuba. no Corredor Metropolitano faz-se relevante a interligação dos municípios de Curitiba. das Torres. se. Vale observar. COMEC. são José dos Pinhais. Colombo. inclusão social e compromisso com o meio ambiente. IPD. Na perspectiva sustentável importa o equilíbrio entre os aspectos econômicos. Detalhando o Sistema Integrado de Mobilidade (SIM). a partir do que for estabelecido no foro internacional para os próximos dois anos (ONU. que considera um celeiro de oportunidades e desafios. capaz de inserir crescimento econômico. Para que um empreendimento seja considerado sustentável importa analisar se ele é ecologicamente correto. As obras contemplam: estádio verde (certificado). para isso. Casa Militar. além do viaduto da Av. redução e compensação das emissões de carbono. Considerações Finais O Brasil. estão citadas as obras sustentáveis previstas como otimizadoras da Copa 2014 e o que as torna relevantes. os grandes estádios construídos de forma . As variáveis socioeconômicas precisam estar inseridas nas soluções tecnológicas. 2005). as Olimpíadas no Rio de Janeiro em 2016. Portanto. o desenvolvimento social e a proteção do meio ambiente. Busca-se a redução de custos e a maximização dos benefícios. mudanças climáticas e desenvolvimento de capacidades. a Copa do Mundo de Futebol em 2014 e.

através da análise das novas tecnologias sustentáveis e se contribuem para a mudança de valores. identificando os arranjos.C. 2011.Revista Tecnologia e Sociedade . 2012. Rio de Janeiro. A Ascenção da Classe Criativa. 3ed. buscará a formação do conceito de construção sustentável no recorte da Copa 2014. Organizações inovadoras sustentáveis: uma reflexão sobre o futuro das organizações. UTFPR: Florianópolis. através de seu uso pela comunidade. busca uma melhoria nos seus setores vitais para a economia. 2005. SCHIFFER. Inovação Tecnológica & Sustentabilidade: o Futuro da Construção da Construção Civil. Iniciativas sustentáveis na construção das arenas da Copa do Mundo de 2014.1ª Edição.Jun. São Paulo: Studio Nobel. R. SIMANTOB. H. 2010. YOUNG. FROTA.org.br/posts/2012/maio/iniciativassustentaveis-na-construcao-das-arenas#ixzz205aPM69k ERNST. Porto Alegre. nº 21 . Organizações inovadoras sustentáveis. EYGM Limited. Buscando apresentar as aplicações sustentáveis.ecodesenvolvimento. FLORIDA. considerando sua assimilação no megaevento Copa 2014 de valores que consubstanciando em novas práticas. Atlas. Embasado nesses pressupostos conceituais. José Carlos. J. os agentes. 2000. Sueli Ramos.M. impulsionando. 2011. uma análise BARBIERI. Indicadores de Sustentabilidade: comparativa. e as atuações no megaevento. M.org. Políticas Públicas: um debate conceitual e reflexões referentes à prática da análise de políticas públicas no Brasil. em sua segunda fase. Manual de conforto térmico. localizada na região sul do país. assim. Eloy Fassi. melhorar setores que são vitais à economia. EcoDesenvolvimento. Além da visibilidade. Brasil sustentável: Impactos Socioeconômicos da Copa do Mundo de 2014. Referências BELLEN. a cidade de Curitiba – Paraná – Brasil. O trabalho. pretende beneficiar-se com a dinâmica econômica obtida com investimentos e o grande fluxo turístico. o desenvolvimento municipal e regional. Trad. bem como a continuidade do latejo econômico. Set. Ana Luiza Lopes. FGV Editora. pode melhor preparar-se para ser uma das cidades-sede da Copa de 2014. In: BARBIERI. K. 1999. ISSN (versão online): 1984-3526 89 sustentável possibilitarão a continuidade do exercício da função social. São Paulo. . Disponível em: http://www. Planejamento e Políticas Públicas. Curitiba. 2007. FREY. RS: L&PM. Anésia Barros. CASAGRANDE JR.

2012. Abril e Outubro de 2008. 42./dez. Copa 2014 – O estádio do Mineirão e Diretrizes de Sustentabilidade na Primeira Copa Verde do Mundo. CLAVELL. Reino Unido. Rio de Janeiro. THEÓPHILO. v. LANGONE. Disponível em: http://www. jul. ALÉM. 2. p. F. EDUFSC. E. 227-240. Ministério do Esporte. 2011. Event management and sustainability.copa2014. São Paulo: Atlas. GELINSKI. C. M. FUSSEY. C. 3. 2. Ed.2007. Metodologia da investigação científica para ciências sociais aplicadas. Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Pete. 2000. Florianópolis. n. Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas – GVces. Desarrollo sostenible transición hacia la covolución global. RESENDE. Introduction: toward´s new frontiers in the study of mega-events and the city. Gemma Galdan. 2012. 2. 2011. Editora Campus/Elsevier. nº 1 e 2. GUEDES.R. (Brazilian Journal of Urban Management) v.usp.br. 2007. Poluição atmosférica por emissão de material particulado: avaliação e controle nos canteiros de obras de edifícios. Madrid: Pirámid. A. p. Dissertação – mestrado. L. Acessado em 09/07/2012. F. MUSGRAVE. ISSN (versão online): 1984-3526 90 FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS (FGV).J.pcc. Copa do Mundo FIFA 2014-Agenda Sustentabilidade e Meio Ambiente. 149-155.O. R. transportes e agropecuária.br/fcardoso/Disserta%C3%A7%C3%A3o%20Fernando% 20Resende%20p%C3%B3s-banca%202. Propostas empresariais de políticas públicas para uma economia de baixo carbono no Brasil – energia. James. UFMG/Escola de Arquitetura.Revista Tecnologia e Sociedade . Reference Guide for Green Buildings’ Design and Construction 2009.gov. 2009. 2011. Cláudio. Revista de Ciências Humanas. Programa de Pós-graduação em Ambiente Construído e Patrimônio Sustentável. Revista Brasileira de Gestão Urbana. . Painel discute a Copa como promotora de inovação e sustentabilidade. Ed. São Paulo. Disponível em: www.A. 2010. GIAMBIAGI. et al. Formulação de Políticas Públicas: questões metodológicas relevantes. SEIBEL. MARTINS. JIMÉNEZ HERRERO. G. Finanças Públicas: Teoria e Prática no Brasil. de LEED. URBE.. PORTAL DA COPA.1ª Edição. 2011.pdf > Acesso em 02 Maio 2012.

Colombia Semestre Económico. Avaliação de Políticas Públicas para o Desenvolvimento Sustentável: um Estudo de Caso dos Programas de Educação de Curitiba de 1998 a 2005. 2009. enero-junio. 23. .F. vol. núm.1ª Edição.L. 77-96. 2012. ISSN (versão online): 1984-3526 91 SILVA. pp. 12. C.. CASTRO R.Revista Tecnologia e Sociedade . Universidade de Medellin.

provocados pela crise econômica que afetou o mundo em maior e menor grau de intensidade. Espera-se. variação de IDH. Bolsista do PROBIC/UNILA. shift-share. Palavras-chave: Crise econômica. utilizou-se o método shift-share que ao decompor os elementos do IDH. do qual. which.edu. education and income.oliveira@unila. subdivide-se esse países em quadrantes de acordo com o grau de variação que esses países sofreram entre 2007 e 2010. 2012. saúde. pode-se constatar variações em seus componentes .edu. isso implica afetar outros setores sociais. constatou-se nos países latino-americanos que alguns desses indicadores sofreram variação. educação e renda. Professor da Universidade Federal da Integração Latino-Americana – UNILA. we use Latin America as a region and the countries that compose and local. América Latina.Revista Tecnologia e Sociedade . ISSN (versão online): 1984-3526 92 A Variação dos Indicadores Básicos do Índice de Desenvolvilmento Humano dos Países LatinoAmericanos no Período de 2007-2010: uma Decomposição com uso da Metodologia ShiftShare Variation of Basic Indicators Index of Human Desenvolvilmento Latin American Countries in the Period 2007-2010: a decomposition using the Shift-Share Methodology Bruno Theylon Oliveira Dias Gilson Batista de Oliveira 7 Resumo Este artigo apresenta a variação dos indicadores saúde. componentes básicos do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).dias@unila. esclarece que apesar de a crise ter afetado a América Latina pela via econômica principalmente no que tange a exportação de commodities.1ª Edição. E-mail: bruno. Para isso. Abstract This article presents the variation of health indicators.br . basic components of the Human Development Index (HDI). no caso. educação e renda. was found in Latin American countries that some of these indicators were 7 Bruno Theylon Oliveira Dias: Graduando do curso de Relações Internacioanis e Integração. decomposição. E-mail: gilson. pela Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA). utilizarmos a América Latina como região e os países que a compõe como locais.br Gilson Batista de Oliveira: Doutor em Desenvolvimento Econômico – UFPR. dessa forma.

caused by the economic crisis that affected the world in greater and lesser intensity. Nesse trabalho. Chile. além de gerar fuga massiva de capitais especulativos. esses países não conseguiram unificar crescimento econômico e social para que pudesse gerar uma economia sustentável. Entender as dinâmicas econômicas e sociais desses países através da decomposição do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) pelo método shift-share. El Salvador. shift-share. this implies affect other social sectors. 2012. Peru. Colômbia. através do método shift-share restringindo-se apenas na decomposição dos indicadores do IDH. Haiti. Paraguai. apesar de ter baixado o preço de commodities. Para driblar a crise. Equador. Belize. Brasil. Na América Latina. Cuba. verificam-se os impactos da crise financeira mundial de 2008 nos indicadores básicos do IDH. observou-se que essa crise sistêmica não atingiu com tanta força. de forma geral. explained that although the crisis has affected Latin America through economic especially regarding the export of commodities. Nicarágua. education and income.1ª Edição. Entretanto. também houve uma considerável diminuição do ritmo de investimentos externos em um primeiro momento. Guatemala. Costa Rica. México. chega aos dias de hoje com incertezas de até quando essa crise perdurará. governos fazem cortes e readaptações de diversos setores da política econômica de um país. através dos dados dos anos de 2007 e 2010. This was done using the method shift-share elements that decompose the HDI. one can see variations in their components. República Dominicana. Com esta pesquisa. Bolívia. no período de 2007 – 2010 . in the case. são eles: Argentina. Honduras. variation in HDI. estuda-se os diferentes níveis de desenvolvimento que se encontram os países que compõe a América Latina. Uruguai e Venezuela. Introdução A América Latina tem em seu histórico diversas etapas de desenvolvimento que na maioria das vezes. decomposition. Keywords: economic crisis. isso implica em um impacto . health. alguns desses países não puderam ser incluídos na decomposição. thus it is divided into quadrants countries in accordance with the degree of variation between these countries suffer 2007 and 2010. Panamá. optou-se pela definição do IMEA (2009) que classifica 21 países como formadores da América Latina. ISSN (versão online): 1984-3526 93 variation. Latin America. A crise econômica de 2008 que causou um mal estar financeiro mundial a partir da quebra do banco Lehman Brothers nos EUA e logo se espalhou principalmente para países europeus e atingiu as mais diversas partes do mundo. It is hoped. Especificamente. é uma forma de compreender um pouco mais da dinânica da relação economia e sociedade. dado a carência de dados básicos. A América Latina é muito ampla e pode gerar dificuldade de compreensão em sua totalidade.Revista Tecnologia e Sociedade .

melhor é o nível de desenvolvimento. Essas três dimensões têm a mesma importância no índice. onde quanto mais próximo de 1. aponta baixo desenvolvimento humano. no Índice de Desenvolvimento Humano. que varia de zero a um. para rivalizar com o PIB. 2012.499. baseado na longevidade.br/idh/> Acesso em 10 de março de 2012. O Índice de Desenvolvimento Humano O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).org. Segundo PNUD (2010). Para aferir a longevidade. funciona em uma escala numérica que vai de 0 à 1. O IDH foi concebido pelo economista paquistanês Mahbub Ul Haq em colaboração do economista indiano. A classificação do nível de desenvolvimento dos países. nobel de 1998. Após a aplicação da metodologia shift-share. ISSN (versão online): 1984-3526 94 direto na qualidade de vida da sociedade. rendimento per capita e educação.799. que elimina as diferenças de custo de vida entre os países).Revista Tecnologia e Sociedade .500 e 0. O item educação é avaliado pelo índice de analfabetismo e pela taxa de matrícula em todos os níveis de ensino. Disponível em: <http://www. em 1990. ii) IDH médio: entre 0. é publicado no Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH). lançado pela primeira vez num período de transformações do sistema político e econômico global. por conseguinte. o IDH também leva em conta dois outros componentes: a longevidade e a educação. . para mensurar o nível de desenvolvimento. em dólar PPC (paridade do poder de compra. tem como objetivo de usar outros parâmetros além do econômico. O índice tornou-se o referencial de desenvolvimento em praticamente todos os países membros da Organização das Nações Unidas (ONU). Amartya Sem. ou seja. 2009).1ª Edição. que mantem o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). O IDH precisou ser idealizado de uma forma explicativa. A renda é mensurada pelo PIB per capita.pnud. depois de corrigi-lo pelo poder de compra da moeda de cada país. denota níveis de médio desenvolvimento humano. o IDH foi concebido de uma forma simples. o indicador utiliza números de expectativa de vida ao nascer. Como afirma o PNUD Brasil: Além de computar o PIB per capita. segundo PNUD (2009). apesar da avalanche de tabelas relacionadas. (PNUD. A pesquisa usou informações divulgadas nos relatórios sobre o desenvolvimento humano publicados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD de 2007 e 2010. A classificação dos países baseado no nível do IDH funciona da seguinte forma: i) IDH baixo: entre 0 e 0. órgão responsável pelo RDH. identificou-se quais os indicadores básicos mais expressivos na variação do IDH no período de 2007 – 2010. depreende-se quais foram os indicadores básicos mais afetados pela crise financeira mundial de 2008.

Revista Tecnologia e Sociedade .1ª Edição. do comparado aos demais. ISSN (versão online): 1984-3526 95 iii) IDH elevado: entre 0. boa parte dos países recalcularam seu IDH até 1975. A componente Educação é determinada pela média de anos de escolaridade e anos de escolaridade esperado. é medido em dólar pela Paridade do Poder de Compra (PPC) e tem o objetivo de verifica se o poder aquisitivo de uma pessoa consegue suprir suas necessidades básicas.900. são eles República Democrática do Congo. onde o primeiro com peso de 2/3 no cálculo geral. O quadro a seguir retirado do PNUD 2010. é que a média mundial do IDH obteve um crescimento considerável. iv) IDH muito elevado: todos aqueles acima de 0. Essa expectativa de vida é determinada pela média de mortalidade. além dos itens básicos como saúde. 2012.899. 2010 Saúde Educação Renda O cálculo das dimensões do IDH é medido através dos valores que variam entre 0 e 1. é referente a alfabetização. geralmente concluída aos 15 anos e o segundo com peso de ½ refere-se a taxa de matrícula em qualquer nível de educação. proporcionando assim um melhor parâmetro de desenvolvimento nos quase 40 anos de verificação.800 e 0. ou seja. A partir de 2010. ficando da seguinte forma: Índice de dimensão = valor efetivo – valor mínimo valor máximo – valor mínimo . Quadro 1: Componentes do idh Fonte: PNUD. chegando a atingir um crescimento de cerca de 41% entre 1975 e 2010. educação e renda. Segundo PNUD (2010). quando se completou 20 anos de RDH. agora é contabilizado também outros aspectos como a distribuição do bem estar em termos de desigualdade de gênero e pobreza. foram acrescentados outros elementos na aferição do IDH. O que se constatou nesses últimos anos. o número de anos que espera-se que um recémnascido venha a viver. Zâmbia e Zimbabwe. retrata altos níveis de desenvolvimento humano. dessa forma determinando os padrões de vida. sendo que apenas três países por motivos de conflitos obtiveram em 2010 um IDH menor do que em 1970. indica níveis de desenvolvimento humano muito elevados. apesar de o sistema de verificação do IDH ter sido lançado em 1990. O rendimento nacional bruto per capita. resume um pouco dos três principais elementos: Dimensões É determinado pela esperança de vida ao nascer.

O RDH de 2010 evidencia que. uma vez que possibilita identificar quais e quando foram as mudanças mais impactantes no setor ou indicador analisado. passa para o campo das projeções ou planejamentos. Por alteração diferencial. O índice porém. Dessa forma. 2012. A utilização do shift-share vai além da visão analítica. Nesse método. as componentes de alteração diferencial ou variação diferencial devem ser isoladas afim de possibilitar uma comparação estatística. A Metodologia de Análise Shift – Share O método shift-share é uma forma analise dos elementos que compõe um dado estatístico em duas escalas de tempo.. pode ser justificadas por diferentes vantagens de natureza locacional.diferente de outro setor econômico ou indicador usado como parâmetro. de forma que possam ser relacionados com o todo. Essa metodologia é bastante aplicada para verificar desenvolvimento econômico regional ou setorial.803) Na metodologia shift-share os elementos que compõe uma estrutura são estudados individualmente. em factores distintos que possam influenciar o seu comportamento.Revista Tecnologia e Sociedade . 2002 p. a diferença de desenvolvimento humano entre países ricos e países pobres tem diminuído consideravelmente nos últimos 20 anos. o IDH é calculado através da média geométrica. ISSN (versão online): 1984-3526 96 No cálculo dos índices (saúde.. destacando como foi seu desenvolvimento ao longo do tempo e como tal desempenho pode influenciar no conjunto.. “Mede a alteração naquele crescimento que resulta a influencia exercida por certos factores como vantagens de localização ou . educação e renda) utiliza-se valores mínimos e máximos obtidos dentre os participantes do grupo de referência. de uma forma que seja possível identificar as opções que as pessoas tenham de assegurar sua própria subsistência através de escolhas participativas no sistema social. De acordo com o PNUD (2010). não é capaz de explicar as razões de tais diferenças na América Latina.. medida a nível regional. ao fazer um recorte temporal para verificar o comportamento do IDH na América Latina entre os anos de 2007 e 2010.A ideia base é muito simples: as diferenças de crescimento em uma região podem ser atribuídas não só a diferenças relativas à composição produtiva de cada região. pode nos oferecer um mínimo de informações necessárias para constatar tais mudanças. espera-se que o IDH seja capaz de apontar o quanto uma sociedade está desenvolvendo ao longo do tempo.mas também. (COSTA. Obtidos os índices básicos.1ª Edição. entende-se a possibilidade de um setor da economia ou indicador de desenvolver-se como o nome já diz . também pode-se vislumbrar esse cenário de redução de desigualdade. A analise de componentes de variação (ou shift-share) decompõe o crescimento de uma dada variável. como as capacidades humanas estão.

o modelo clássico da metodologia shift-share pode ser descrito da seguinte forma: ∑ = Δ Xik = ∑ [Xik(t) – Xik(t-1)] = ∑ [NXik + SXik + RXik] k k Δ Xik é a variação observada na variável Xik. 2002. no setor k e no momento t. dentre outros.Revista Tecnologia e Sociedade . ISSN (versão online): 1984-3526 97 grau de competitividade no crescimento mais rápido ou mais lento de alguns dos sectores urbanos”. o efeito de outros factores específicos da região (componente regional. puderem ser comparados com outro semelhante. o shiftshare só é viável se os resultados obtidos de um certo estudo. como afirma Vasconcelos (1984) e Oliveira (2010). 2012. cada país individualmente. concorrencial ou diferencial. De acordo com Costa (2002) e Oliveira (2010). 1984. para fazer essa relação entre crescimento ou não do setor regional e diferenciações que levam a esse resultado em relação ao nível nacional. componente nacional. estrutural e diferencial. são obtidas da seguinte forma: NXik = gNX x Xik(t – 1) Onde gNX é a variação percentual da variável X observada no nível nacional relativamente ao ano base t – 1. (COSTA. expressando a evolução de uma dada variável económica como função de três factores principais: o efeito do crescimento nacional(componente nacional). p. o efeito da composição sectorial da região (componente estrutural) e. Xik(t) representa a variável econômica X. p. na região i.804) Após identificado e isolados os elementos regionais à nível de comparação com o nacional. Nxik representa a componente nacional Sxik representa a componente setorial ou estrutural Rxik representa a componente regional. . dependendo qual for o objetivo do uso do método. ainda. especialização regional. A maioria dos modelos de análise de componentes de variação apresentam-se como identidades matemáticas. concorrencial ou diferencial). para que daí se possa tirar conclusões sobre concentração econômica. Nesse estudo.222) No entanto. ( VASCONCELLOS. adaptado para os componentes do Índice de Desenvolvimento Humano.1ª Edição. o shift-share trabalha usando os resultados obtidos em uma expressão padrão. Essas três ultimas variáveis. considerar-se-á nível nacional o total dos países da América Latina e como regional.

entenda-se variação dos indicadores selecionados através da VLT – Variação Liquida Total.1ª Edição.122). ISSN (versão online): 1984-3526 98 SXik = (gNXk – gNX) x Xik(t – 1) gNXk é a variação percentual da variável X observada a nível nacional. que é o crescimento observado menos o teórico(. conforme quadro 2.)” Partindo dos trabalhos de Oliveira (2010) e Simões (2005). referente ao setor k. B2 e B3) ou desde que o fator diferencial não seja suficientemente satisfatório. OLIVEIRA. O fato de A2 ter VLT positivo e B2 VLT negativo é porque o crescimento estrutural de B2 não é grande o bastante em relação ao regional de acordo com o elemento diferencial escolhido. de acordo com os parâmetros utilizados. As componentes de variação podem nos indicar o crescimento ou não do objeto de estudo. 2012.. indica aquelas localidades onde o crescimento locacional é maior ou igual ao crescimento regional (A1. Já VLT negativo (-) aponta todas aquelas localidades que tiveram crescimento menor que o regional (B1. VLT + VLE VLD Tipo de País + + A1 + A2 + A3 + B1 + B2 B3 Quadro 2: Classificação e tipologia de variações Fonte: Adaptação de Simões (2005) e Oliveira (2010) - VLT a Variação Liquida Total positiva (+). 2005.Revista Tecnologia e Sociedade .. “a análise shift-share permite a identificação do crescimento. RXik = (gik – gNXK) x Xik(t – 1) gik é a variação percentual da variável X. Para Haddad e Andrade (1989 apud Oliveira. p. A2 e A3) ou desde que a VLD supra as percas de VLE. onde o fator locacional de A3 é grande o bastante para suprir VLE negativo. pode-se sintetizar os resultados da aplicação da metodologia shift-share e classificar as regiões de acordo com as variações obtidas. 2010. não só em relação aos indicadores de . (SIMÕES. e B1 apesar de também ter VLD positivo. observada na região i no setor k. esse não consegue ser grande o bastante em relação ao fator estrutural. o método shift-share é aplicado amplamente nas mais diversas formas de análise regional. 2010) A adaptação do método para decomposição do Índice de Desenvolvimento Humano Na atualidade. Pode-se usar o mesmo exemplo para A3 e B1 de forma invertida.

Conforme Oliveira (2010) é possível aplicar o método shift-share para decompor o IDH e com os resultados obtidos. colocando os países em quadrantes que retratem de forma sintética a realidade de cada um. de referencia. renda ou educação) mais influenciaram na variação do índice. construir gráficos indicativos de como anda o IDH de uma localidade. pode-se classificar os países de acordo com o desempenho de cada indicador básico. com base na tipologia do quadro 2. De posse dos resultados. conforme Oliveira (2010). pode-se. nos componentes do Índice de Desenvolvimento Humano. pode-se verificar e classificar quais dos indicadores básicos (saúde. descritos no quadro 4. . no nosso caso. são os indicativos principais de como a administração pública aplicou os recursos para garantir ou não a qualidade do IDH. Para o autor. mas nos chamados indicadores sociais. Descrição Resultados Possíveis para cada Indicador Básico e para cada Índice Selecionado VLT (N-NX)* + + + VLE (SX)** + + + VLD (RX)*** + + + Países Indicador de Educação (IE) Indicador de Longevidade (IL) Indicador de Renda (IR) A1 A2 A3 B1 B2 B3 + + + A1 + + A2 + + A3 Índice de Desenvolvimento + B1 Humano (IDH) + B2 B3 Quadro 3: Esquema para guiar a interpretação dos resultados da adaptação da metodologia shift-share para os indicadores básicos do índice de desenvolvimento humano Fonte: Oliveira. ainda. 2010. De forma resumida. 2012.Revista Tecnologia e Sociedade .1ª Edição. os elementos Eficiência Alocativa e Ativação Social. quadro 3. ISSN (versão online): 1984-3526 99 desenvolvimento econômico.

na internacionalização dos efeitos do processo de crescimento. a sociedade local teve menos sucesso na transformação do impulso de crescimento em desenvolvimento. . que denota maiores níveis de variação positiva da qualidade de vida.1ª Edição. Países com capacidade e ativação social intermediária. que tende a fragilidade. que denota fragilidade na internalização dos efeitos gerados pelo processo de crescimento. Embora com crescimento total abaixo da média regional (VLT negativo). Países com capacidade de ativação social fraca. Aqui. o que ocorre graças à eficiência + alocativa dos recursos administrados pela gestão pública (VLE>0). porém. cuja ação consegue trazer resultados individuais de cada indicador básico acima da média da região. a capacidade de ativação social (VLD>0) consegue suplantar a ineficiência alocativa (VLE<0) e ter um crescimento maior que a média da América Latina (VLT>0). que age de forma eficiente na alocação de recursos e consegue um desempenho positivo dos índices de desenvolvimento. ISSN (versão online): 1984-3526 Quadrante Países Eficiência Alocativa Ativação social VLT 100 I A1 Presente Presente + A3 Ausente Presente + II B1 Ausente Presente - III B3 Ausente Ausente - IV B2 Present e Ausente - A2 Present e Ausente + _Componente__ Interpretação VLE VLD Países com maior capacidade de ativação social. do desenvolvimento humano. Em resumo. denotando ganho líquido. mas consegue manter o país afastado da área de pior desempenho (B3). 2010. cuja falta de ativação social é piorada pela ineficiência alocativa. pois a VLD positiva mostra que o índice estudado teve um desempenho superior ao dos demais países da região. significa perda líquida em comparação com o universo da América Latina. ou seja. Nesses países. Embora com crescimento total acima da média regional (VLT>0). a gestão pública não consegue evitar perdas líquidas. isto é. 2012. as nações possuem eficiência alocativa (VLS>0) e capacidade de ativação social (VLD>0). Aqui. a VLD<0 mostra que o país tem poucas capacidades + de ativação social. não conseguem superar a ineficiência alocativa (VLE <0). nações cuja sociedade não consegue trazer resultados positivos para os indicadores básicos de qualidade de vida de forma satisfatória. Países com desempenho regular. Nesse quadrante devem figurar os países + + com as maiores variações positivas dos indicadores básicos componentes de cada índice estudado. pois detêm as piores variações dos indicadores básicos componentes de cada índice estudado na região analisada. significando avanço na transformação do + impulso de crescimento em desenvolvimento. os países com esses resultados também possuem + capacidade de ativação social intermediária (boa). QUADRO 3: Esquema para guiar a interpretação dos resultados da adaptação da metodologia shift-share para os indicadores básicos do índice de desenvolvimento humano Fonte: Oliveira. cuja ação teve mais sucesso na transformação do impulso de crescimento em desenvolvimento.Revista Tecnologia e Sociedade . o que pode atrapalhar a ação do poder público.

150 0.038 -0.285 -0.041 -0.323 0.313 -0.102 -0.020 0.034 -0.027 -0. nenhum dos 21 países conseguiu se enquadrar no primeiro quadrante que é a eficiencia alocativa e capacidade de ativação social positivas além da variação positiva nos demais indicadores de desenvolvimento humano.041 -0.372 -0.128 -0.146 0.145 -0.210 0.323 -0.290 -0.315 -0.119 -0.198 0.040 0.035 -0.124 -0.417 -0.127 -0.375 -0.206 0.1ª Edição.184 -0.352 -0.153 -0.337 -0.031 -0.362 -0.248 -0.2007 e 2010 Resultados do Shift-Share Adaptado de Haddad e Andrade (1989).041 -0.302 -0.056 0.007 -0.047 0.169 0.325 -0.121 -0.118 -0.006 0.049 0.201 0.158 0.039 0.417 Quadro 4: Decomposição do crescimento em componentes de variação na america latina-2007 e 2010 Fonte.225 -0.111 -0.332 -0.203 0.181 -0.188 -0.000 0.260 -0.198 0.121 -0.187 0.255 -0.362 -0.081 -0.191 -0.261 -0.201 0.056 0.035 -0.157 0.052 0.208 0.234 -0. ISSN (versão online): 1984-3526 101 Resultados da Aplicação da Metodologia Shift-share O quadro 5 apresenta uma síntese dos resultados encontrados dos indicadores educação.287 -0.283 -0.159 0. percebe-se que dentre todos os países. Elaboração Própria O quadro 6 apresenta a classificação dos países por quadrante de acordo com sua variação.150 0.098 -0.112 -0.182 -0.400 -0.010 0.052 0.133 -0.165 -0.199 0.014 0.011 0.238 -0.264 -0.283 -0.303 -0. longividade e renda.207 0.291 -0.024 0.197 0.428 -0. A parte correspondente aos indicadores do IDH.052 0.194 0.447 -0.160 0.184 -0.021 -0.103 -0.285 -0.298 -0.109 -0.306 0.314 -0.152 -0.290 -0.157 -0.374 -0.153 -0.121 -0.141 0.145 -0.232 -0.296 -0.118 -0.136 -0.323 -0.145 -0.333 -0.151 0.097 -0.050 0. A Argentina é o único paíse que se encontra no quadrante II e ainda assim.342 -0.007 0.149 -0.013 -0.374 -0.339 -0.030 -0.060 -0.120 -0.341 -0.197 -0.039 -0.194 0.124 -0. 2012.044 0.150 0.032 -0.143 -0.028 -0.112 -0.316 -0.152 -0.234 -0.342 -0.197 0.037 -0.133 -0. Argentina foi a que menos sofreu com a críse em relação ao desenvolvimento social.323 -0. Como percebe-se.036 -0.366 -0.206 0.331 -0.170 -0.149 0.120 -0.045 0.200 0.156 -0.118 -0.120 -0.163 -0.291 -0. porêm.297 -0.130 0.176 -0.178 -0.207 0.225 -0.168 0.257 -0.044 0.Revista Tecnologia e Sociedade .290 -0.175 -0.146 0.119 -0.011 0.027 -0.044 0.367 -0.154 -0.290 -0. está em A3.141 -0.040 -0.267 -0.258 -0.156 -0.124 0.322 -0.302 -0.070 -0. dessa forma.157 0.153 -0.002 -0.023 -0.000 -0.203 0.260 -0.148 0.036 -0.238 -0.255 -0.040 -0.003 -0.113 -0.111 -0.161 0.170 -0.228 -0. QUADRO 5: DECOMPOSIÇÃO DO CRESCIMENTO EM COMPONENTES DE VARIAÇÃO NA AMÉRICA LATINA .001 -0.142 0.004 0.178 -0.359 -0.159 0.127 0.067 -0.009 0. são os elementos utilizados para interpretação do quadro 6.005 0.118 -0.006 0.044 0.120 -0.157 -0.149 0.081 -0.020 -0.117 -0.034 -0. Silva (2002) e Oliveira (2010) Indicador de Educação Indicador de Longevidade Indicador de Renda IDH VLT VLE VLD VLT VLE VLD VLT VLE VLD VLT VLE País Argentina Belize Bolívia Brasil Chile Colômbia Costa Rica Equador El Salvador Guatemala Guiana Haiti Honduras México Nicarágua Panamá Paraguai Peru República Dominicana Uruguai Venezuela Fonte: Elaboração Própria -0.107 -0.049 0.120 -0.145 -0. o que significa que possui VLE negativo.050 0.092 -0. que vai classificar os países de acordo com o quarante correspondente indicados anteriormente no quadro 4.170 -0.117 -0.119 -0.060 0.237 -0.067 0.102 -0.039 0.107 -0.024 -0.011 VLD 0. constatase que a mesma possui capacidade de ativação social (VLD>0) .

Revista Tecnologia e Sociedade . tanto eficiência alocativa quanto ativação social são ausente. QUADRO 6 : RESULTADOS DA METODOLOGIA SHIFT-SHARE. estão em B3.1ª Edição.2007 e 2010 Classificaçã o dos Países Posição de Quadrante País Argentina Bolívia Brasil Colômbia Guiana Peru Uruguai Venezuela Belize Chile Costa Rica Equador El Salvador Guatemala Haiti Honduras México Nicarágua Panamá Paraguai República Dominicana II III IV A3 B3 B3 B3 B3 B3 B3 B3 B2 B2 B2 B2 B2 B2 B2 B2 B2 B2 B2 B2 B2 Fonte: Elaboração Própria . Aqui. o que significa que possuem uma fraca capacidade de ativação social. o que significa que possuem eficiência alocativa presente e VLE>0. gerados pela fragilidade da internacionalização no processo de crescimento. Nesses países a sociedade obteve perdas em todos os elementos do IDH. POR CLASSIFICAÇÃO E QUADRANTES NA AMÉRICA LATINA . Todos os países correspondentes ao quadrante III. a gestão pública consegue uma eficiência alocativa positiva. Os países do quadrante IV estão em B2. Esses países apesar das perdas nos indicadores básicos. o que piora ainda mais o desempenho. evitando com que o paíse atinja índices piores (B3). 2012. ISSN (versão online): 1984-3526 102 intermediária onde a capacidade de ativação social foi capaz de suprimir a ineficiência alocativa (VLE<0) e assim conseguir um maior crescimento na América Latina.

dessa forma. A América Latina. O DESENVOLVIMENTO NA REGIÃO METROPOLITANA DE CURITBA: o desempenho dos índices de desenvolvimento econômico. 1989. 2009. A Unila em Construção: um projeto universitário para a América Latina. Economia regional: Teorias e métodos de analise.2007. Paulo Roberto. BND. que de uma forma ou de outra. Foz do Iguaçu: IMEA. Coimbra: APDR.cedeplar.pdf> acesso em 15 de abril de 2012. ______ A Verdadeira Riqueza das Nações: Vias parra o Desenvolvimento Humano. PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Rodrigo Ferreira. 2002. 2010. Métodos de análise regional e urbana: diagnóstico aplicado ao planejamento. . possibilitou uma maior compreensão de como anda a capacidade dos países de gerir problemas sociais gerados por “disturbios” econômicos.S. EUA . Disponível em: <http://www. talvez pela sua grande dimensão e diferenças de desempenho econômico e social.br/pesquisas/td/TD%20259. G. EUA. 24 A analise de componentes de variação (shift-share). Curitiba: PPGDE. aliada ao shift-share. Referências Bibliográficas COSTA. ISSN (versão online): 1984-3526 103 Considerações Finais Percebe-se. Nova York. Combate as alterações climáticas: Solidariedade Humana num mundo dividido. o mesmo se mostra muito útil no que compete a variação de indicadores.B.Revista Tecnologia e Sociedade . 2009. todos os países da América Latina foram afetados no desempenho do Índice de Desenvolvimento Humano de 2007 em relação a 2010. EUA. O diferencial está no fato de que alguns paíse souberam adminsistra melhor seus recurso para suprir perdas ou simplismente para evitar com que a sociedade sofresse ainda mais com a queda no desempenho do IDH.1ª Edição.ufmg. ______ . 2010. Nova York. Cap. Nova York. seja tão difícil classifica-la através de dados e variáveis. 2012. mas. Relatório de Desenvolvimento Humano 2007/2008. classsificar os 21 países de acordo com seu desempenho. a variação dos indicadores do IDH obtidos através do relatório anual do PNUD de 2007 e 2010. A aplicação do método shift-share possibilitou de forma clara. SIMÕES. HADDAD. Compendio de Economia Regional. IMEA. Fortaleza. J. OLIVEIRA.Ultrapassar barreiras: Mobilidade e desenvolvimento humao.

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SOUZA. Nali de Jesus de. Desenvolvimento Regional .São Paulo: Atlas, 2009. VASCONCELLOS, António Vale e. Economia Urbana. Porto: Rés, 1984.

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Reflexões sobre a Capacitação Gerencial na Agricultura Familiar Brasileira
Reflections on management in the Brazilian Family Farming
Joelsio José Lazzarotto João Caetano Fioravanço
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Resumo
A agricultura familiar apresenta grande relevância para o desenvolvimento social e econômico do Brasil. No entanto, a ampla maioria dos produtores rurais familiares apresenta sérias deficiências gerenciais. Diante disso, baseando-se principalmente em análises de estudos técnico-científicos, buscou-se efetuar reflexões acerca da gestão nos estabelecimentos de agricultura familiar, dando-se ênfase a questões relacionadas com a situação gerencial e com o modelo e os mecanismos que possam ampliar a capacidade de gerenciamento nessas organizações. Dentre os principais resultados e conclusões, destaca-se que, para minimizar os problemas gerenciais dos agricultores familiares, a utilização da visão sistêmica e o envolvimento efetivo desses atores organizacionais são imprescindíveis em todas as etapas de planejamento e execução do modelo de capacitação a ser adotado. Palavras-chave: Tecnologias de gestão. Enfoque sistêmico. Metodologia participativa.

Abstract
Family farming in Brazil has great relevance to the social and economic development. However, the vast majority of family farmers has serious managerial deficiencies. Thus, this work aimed to make reflections on managing family farms, emphasizing the managerial situation and the model and the mechanisms to improve management capacity in these
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Joelsio José Lazzarotto: Médico veterinário, mestre em administração rural, doutor em economia aplicada e pesquisador da área de socioeconomia da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa. Áreas de interesse em pesquisa: tomada de decisão na agricultura, estudos de sistemas de produção agropecuária, avaliação de tecnologias e análises de resultados econômico-financeiros de empreendimentos agroindustriais. Vínculo institucional: Embrapa Uva e Vinho.Email: joelsio@cnpuv.embrapa.br. João Caetano Fioravanço:Engenheiro Agrônomo, mestre em Fitotecnia, doutor em Economia, Sociologia e Política Agrícola (Agronegócios) e pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa. Áreas de interesse em pesquisa: fruticultura, fisiologia e manejo de plantas, seleção de variedades e sistemas de produção sustentáveis. Vínculo institucional: Embrapa Uva e Vinho. E-mail: fioravanco@cnpuv.embrapa.br.

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organizations. As results and conclusions, we emphasize that, to minimize management problems of farmers, the systemic approach and the effective involvement of these organizational actors are essential in all phases of planning and implementing the training model to be adopted. Keywords: Management technologies. Systemic approach. Participatory methodology.

Introdução
A agricultura familiar constitui um segmento de fundamental relevância para o desenvolvimento social e econômico do Brasil. Essa importância pode ser justificada por dois pontos principais: 84% das propriedades rurais do País são familiares; e os estabelecimentos familiares respondem, respectivamente, por 34% e 74% do valor bruto e do pessoal ocupado na produção agropecuária nacional (CENSO..., 2006). Apesar dessa relevância, a agricultura familiar brasileira depara-se com grandes problemas, que constituem fortes entraves para a sua competitividade e sustentabilidade ao longo do tempo. Entre esses problemas, merecem atenção especial aqueles associados com aspectos de gestão, pois, de maneira geral, a ampla maioria dos pequenos e médios produtores tem sérias deficiências gerenciais, elevando, assim, a frequência de empreendimentos familiares mal remunerados. Portanto, a questão gerencial é um fator crítico para o desenvolvimento da agricultura familiar nacional. Diante disso, é imprescindível que a extensão rural melhore suas estratégias de ação para transmitir aos produtores familiares importantes noções gerenciais, incluindo aspectos de planejamento, controle, comercialização e análise econômica da produção. Com essas noções, o produtor poderá tomar decisões mais rápidas e eficientes, tornando o seu negócio mais competitivo (BUAINAIN; BATALHA, 2007) e sustentável, independente do seu tamanho (REICHERT, 1998). Partindo dessa contextualização inicial e levando-se em conta que na literatura nacional ainda são escassos os trabalhos técnico-científicos que envolvem, ao mesmo tempo, avaliações situacionais e discussões sobre ações de capacitação gerencial de agricultores familiares, foi elaborado este artigo. O objetivo principal consiste em efetuar reflexões sobre a gestão nos estabelecimentos de agricultura familiar, enfatizando-se, principalmente, questões relacionadas com a situação gerencial dos produtores familiares e com o modelo e os mecanismos que podem ser usados para ampliar a sua capacidade de gerenciamento.

A situação gerencial na agricultura familiar brasileira
Um empreendimento rural, familiar ou não, deve ser gerido eficientemente como forma de garantir sua inserção no mercado e, por consequência, sua sustentabilidade e competitividade (BATALHA et al., 2004; LOURENZANI, 2006). Essa afirmação é plenamente justificável pelo fato de que existe uma

(2004) assinalam que.. via de regra. As dificuldades de gerenciamento enfrentadas pelos agricultores familiares tendem a perpetuar-se. ter acesso e beneficiar-se de modernas tecnologias de informação. operações agrícolas etc. não estando vinculada a ações efetivas de capacitação gerencial de produtores e técnicos extensionistas. BATALHA. A partir de Mercês e Sant’Ana (2005). SEGATI. de materiais e de produtos e serviços. ISSN (versão online): 1984-3526 107 série de fatores que podem afetar significativamente o desempenho das propriedades rurais. Essas tecnologias incluem novas formas de negociação e práticas de gestão do processo produtivo. as condições climáticas que condicionam a maior parte das explorações agropecuárias. 2007). não conseguindo. outros podem ter algum controle mediante a utilização de tecnologias gerenciais adequadas. a utilização rotineira de instrumentos de gestão (aspectos comerciais e contábeis. enquanto os aspectos vinculados com a produção (insumos. Mesmo junto a produtores que possuem alto grau de tecnificação produtiva. além de muito incipientes. De acordo com Batalha et al. 2005. 2006. possibilitando. planilhas de resultados etc. 2005. os mecanismos de difusão tecnológica adotados no Brasil não têm sido suficientes para capacitar o agricultor familiar na implementação e utilização das técnicas de gestão disponíveis. os esforços voltados para as tecnologias de gestão e informação direcionadas. pois expressiva parcela desses atores organizacionais. (2004). o caráter perecível da maioria dos produtos agropecuários que interfere nos processos de comercialização. Nessa mesma linha. BATALHA et al. a grande maioria tende a ser difundida apenas em forma de publicações. pode -se inferir que essa capacitação constitui outro grande entrave. Relacionado com os trabalhos técnico-científicos desenvolvidos no País e que envolvem aspectos de gestão de empreendimentos rurais. 2004. sobretudo. NEUKIRCHEN et al. além de não receber auxílio gerencial adequado (BUAINAIN. é pobre o emprego de técnicas adequadas de . é consenso que. especialmente associado aos programas de assistência técnica e extensão rural. 1999. 2012. é pertinente salientar que. SANDRI.) são considerados parte da rotina operacional da maioria dos estabelecimentos rurais familiares. 1995). que estão entre os principais meios que os produtores familiares utilizam para obter orientações de diversas naturezas. 2006). além de irreversível. ao produtor rural. Embora as questões gerenciais sejam imprescindíveis para o sucesso de qualquer empreendimento. como: o ciclo produtivo que. MARION. apresentam grande descapitalização. Batalha et al. Por outro lado.1ª Edição. 2006). LOURENZANI.. melhorias no processo de tomada de decisão (UECKER et al.. no Brasil existe um esforço considerável no desenvolvimento e difusão de tecnologias de processo. Apesar de muitos desses fatores não serem controláveis. LOURENZANI.) tende a ser exceção nessas organizações (REZENDE. ZYLBERSZTAJN. portanto.Revista Tecnologia e Sociedade . e os altos custos de saída e/ou entrada em um empreendimento agropecuário (SOUZA et al. inócuos. 2003. é dependente de condições biológicas. para os pequenos produtores rurais são ainda muito escassos e. armazenamento e conservação..

2012. Diante dessas considerações. é possível afirmar que as ações de capacitação precisam estar sustentadas na visão sistêmica. Porém. a fim de melhor compreendê-la. acadêmico e elitista. trabalho e tecnologia) e às formas como os produtores aceitam as inovações tecnológicas. Essa diferenciação e complexidade devem-se. existem e coexistem diferentes e complexos sistemas de produção. A necessidade de adoção de um modelo dessa natureza deve-se ao fato de que. Essa exigência tem penalizado muitos pequenos produtores. O modelo de capacitação. que parta de respostas relacionadas com a seguinte questão: que conhecimentos gerenciais os agricultores familiares inseridos em determinada realidade necessitam se apropriar para alcançar o desenvolvimento sustentável? Portanto. identificando e caracterizando os principais sistemas de produção.. onde a formação administrativa não é um ritual abstrato. LAZZAROTTO et al. às diferenças na disponibilidade.. como planejamento estratégico e controle e análise de custos de produção. possibilita realizar levantamentos da situação socioeconômica dos agricultores. tornando possível a integração do processo educativo ao processo produtivo desenvolvido por eles (LIMA et al. 2006). considerando as peculiaridades do público-alvo e da região (LOURENZANI. 1995. Para Segatti e Hespanhol (2008). o referido modelo deve estar focado em um processo de aprendizagem e de construção coletiva de conhecimento. contemplando conhecimentos técnicos e gerenciais. Permite. mas se inscreve na própria vida e prática dos agricultores. as práticas técnicas. caracterizar o desenvolvimento rural presente e avaliar tendências para agricultura regional como forma de projetar a . o ritmo intenso da atualização tecnológica no campo requer a atualização de informações e a adoção de mecanismos de aprendizagem e de formação profissional dos agricultores. com uma abordagem participativa. o ponto de partida e chegada para a construção do conhecimento em gestão organizacional é o homem em sua atividade real. ainda. principalmente. 2004). territorial e multidisciplinar. deve estar adaptado às condições locais. ISSN (versão online): 1984-3526 108 gerenciamento. GONÇALVES.1ª Edição. Em outras palavras. qualidade e utilização dos fatores de produção (terra. para que essas ações propiciem os resultados esperados. capital. concordam e/ou executam tarefas e se relacionam com o mercado e as demais variáveis que compõem o ambiente organizacional externo (ZORDAN. com elevado padrão de qualidade e a preços competitivos. ou seja. em termos práticos. Zuin e Zuin (2007) enfatizam que é importante que o capacitador traduza conhecimentos advindos da academia à “língua” falada dos aprendizes. explicá-la e transformá-la. sistematicamente desalojados do ambiente onde estão inseridos devido à necessidade de se produzir em grande quantidade.Revista Tecnologia e Sociedade . que. Modelo de capacitação gerencial na agricultura familiar Ações de capacitação gerencial de produtores familiares devem incluir diversos aspectos. sociais e econômicas e os problemas enfrentados. 1995). na maioria das regiões agropecuárias do Brasil. o diálogo como essência da relação educacional deve problematizar o conhecimento dentro da sua realidade concreta.

2009). o que permite compreender o estágio em que se encontram. propõe-se a adoção de mecanismos operacionais que contemplem cinco etapas chaves: caracterização geral das unidades de produção. contrapondo o discurso dos pacotes tecnológicos.Revista Tecnologia e Sociedade . A etapa de caracterização geral das unidades de produção consiste em obter um diagnóstico geral. O primeiro refere-se à localização e ao tipo de inserção nos meios físico e socioeconômico. que envolve cinco aspectos principais dos estabelecimentos agropecuários presentes em determinada realidade rural (LIMA et al. de acordo com Dufumier (1996).1ª Edição. que envolve basicamente a caracterização do meio natural. definição de grupos de agricultores. identificação das demandas gerenciais prioritárias. programas. 2012. Essa compreensão. 1999. O quarto aspecto diz respeito ao funcionamento dos sistemas produtivos. Com base nos resultados obtidos com a caracterização das unidades produtivas. o quinto aspecto consiste em estudar a trajetória das propriedades rurais. estruturas e interdependência das propriedades rurais com seu ambiente externo. influíram ou condicionaram o processo decisório dos produtores rurais. desenvolvimento e validação conjunta de instrumentos metodológicos e implementação de ações de capacitação. Finalmente. O segundo aspecto trata do meio agroecológico. avança-se para a etapa de definição de grupos de agricultores. bem como das práticas e técnicas que os agricultores adotam. ele contempla as características estruturais dessas organizações: grupo familiar e meios produtivos. envolvendo análises dos usos dos recursos produtivos. em função de explorarem sistemas de produção agropecuária um tanto . projetos e ações de desenvolvimento prioritários. SARRIERA. Nessa etapa são estabelecidos grupos menores de produtores que. Esse fato exige que o extensionista compreenda a racionalidade dos agricultores e o porque de suas atitudes. além de não ignorar os objetivos socioeconômicos dos agricultores. Quanto ao terceiro. ISSN (versão online): 1984-3526 109 evolução da realidade agrária e propor políticas. é relevante para compreender problemas de relações. DUFUMIER. Mecanismos operacionais para a capacitação gerencial Baseando-se nos fundamentos teóricos acerca do modelo de capacitação gerencial. em que o agente da extensão rural levava ao agricultor uma proposta pronta.. Em todas essas etapas. visando a definir a forma como podem ser introduzidas mudanças que não provoquem impactos negativos ou desestruturem a organização interna da unidade produtiva (FAVERO. para implementar ações efetivas direcionadas ao aprimoramento da gestão na agricultura familiar. constitui fator-chave para a proposição de intervenções adequadas a cada realidade rural. A utilização do enfoque sistêmico. que sejam mais adaptados aos contextos social. econômico e agroecológico em que vivem os agricultores (INCRA/FAO. 1996). o emprego da visão sistêmica e a ampla participação de representantes de extensionistas e de produtores são fundamentais para assegurar o adequado cumprimento das ações previstas. ao longo do tempo. procurando identificar os fatores que. 1995).

quando necessária. ainda. pois este enfatiza que a geração de tecnologias adequadas às necessidades da agricultura familiar deve surgir de estudos integrados das condições ambientais e socioeconômicas. de maneira a não comprometer o processo de capacitação gerencial dos produtores. ISSN (versão online): 1984-3526 110 similares. pode-se iniciar a etapa de desenvolvimento e validação conjunta de instrumentos metodológicos (e. deve-se efetuar permanente avaliação dos mecanismos operacionais e dos resultados obtidos. utilização e aplicação) à realidade desses produtores. sobretudo. esses instrumentos devem estar bem ajustados e adequados (facilidades de compreensão. pelo fato de que além de existir grande limitação de agentes atuantes na extensão rural brasileira. a capacitação em discussão deve pautar-se na programação e no . que influenciam os sistemas de produção e controlam suas respostas às alternativas tecnológicas. tendem a apresentar características socioeconômicas e problemas gerenciais. a organização de agricultores impulsiona-os a aprenderem.g. os conhecimentos e as habilidades gerenciais que precisam ser aprimorados por meio de ações efetivas de capacitação. mediante trocas de experiências com outras pessoas. Levando-se em conta as demandas. Nesse sentido. para cada grupo de agricultores e com as demandas identificadas. os principais pontos fortes e as deficiências mais acentuadas vinculadas ao processo gerencial. ou seja. também. Essa avaliação é fundamental para permitir. Com isso. primeiramente. Com essa estratégia. com o objetivo de resgatar a forma e os conhecimentos tradicionalmente empregados pelos agricultores na gestão das suas unidades produtivas. Os cuidados no desenvolvimento e na validação dos citados instrumentos são sustentados por Altieri (2002).1ª Edição. os produtores podem fazer comparações entre as suas unidades de produção. Essa identificação trata de avaliar. a efetivação de correções de rumos. de forma permanente.Revista Tecnologia e Sociedade . ele deve fazer parte de um plano que contemple ações continuadas. serão desenvolvidas as ações específicas de capacitação. pode-se avançar para a etapa de identificação das demandas gerenciais prioritárias . Nessa etapa. cadernos de contabilidade simplificados) a serem utilizados na realização das ações em questão. para que esse processo propicie os resultados esperados. ao envolver aspectos de gerenciamento organizacional. similares. paralelamente à execução das cinco etapas descritas. A etapa de implementação de ações de capacitação representa o momento em que.. É importante assinalar que. de forma conjunta. 2012. percebendo as diferenças e semelhanças e relacionando as diferentes variáveis que interferem nos resultados físicos e econômicos do processo produtivo. a partir de discussões permanentes envolvendo. podem ser utilizados os instrumentos metodológicos específicos visando a aprofundar questões que contribuam para aprimorar a gestão organizacional. para cada grupo. têm melhores subsídios para a tomada de decisões. Após essas discussões. O estabelecimento desses grupos é reforçado. identificando. ao invés de estar restrita a um curso ou uma palestra. devem ser estimuladas discussões gerais entre produtores e extensionistas. extensionistas e representantes de cada grupo de produtores familiares. Após definir todos os grupos de produtores. Além disso.

a utilização da visão sistêmica e o envolvimento efetivo de produtores e extensionistas em todas as etapas de planejamento e execução das ações voltadas para a capacitação gerencial são imprescindíveis. 3) pelo lado da responsabilidade social. a formação de uma equipe multidisciplinar de assessoramento. é estratégica por duas razões. especialmente para assegurar que sejam observadas e atendidas as reais necessidades dos principais beneficiários. caracterizando a estruturação de redes para atingir vários objetivos e interesses. podem ser empregadas várias técnicas metodológicas. duas safras agrícolas. relacionados com diferentes aspectos técnicos e gerenciais que afetam os resultados da produção agropecuária. também. deve desenvolver-se no contexto da aplicação a partir de uma visão multidisciplinar. A primeira reside no fato de contribuir com melhorias importantes na comunicação e transferência de conhecimentos e tecnologias existentes. assim. o modelo a ser empregado precisa ajustar-se ao modo emergente de produção do conhecimento. 2) em termos de equipe. (1994). De maneira sintética. Ações continuadas são essenciais para que o agricultor melhor se familiarize com diversos aspectos. na capacitação gerencial de agricultores familiares. como planejamento e replanejamento de atividades e avaliações de metas e resultados. entre as quais se destacam os painéis de discussão e os roteiros. Com isso. baseando-se em Gibbons et al. Na condução das referidas ações. os roteiros são constituídos por vários tópicos e podem ser muito úteis para orientar as discussões com os produtores. 2012. cabe enfatizar que. Isso porque. que questões relevantes deixem de ser abordadas. busca-se fazer com que o produtor. na execução das cinco etapas citadas. os agricultores familiares. Para tanto. esta deve permear todo . Finalmente. os serviços em questão precisam aprimorar as suas estratégias de atuação. das preferências e escolhas efetuadas pelo agricultor e seu grupo familiar. de fato. Considerações finais As discussões efetuadas ao longo do trabalho. ISSN (versão online): 1984-3526 111 desenvolvimento de várias atividades. que serão utilizados nas várias etapas do processo de capacitação gerencial. ao invés de centrar-se no contexto acadêmico e com visão disciplinar. por exemplo. fundamentalmente.Revista Tecnologia e Sociedade . precisa deslocar-se de um grupo pequeno e homogêneo para um grupo grande e heterogêneo. é possível assinalar que. que podem durar. introduza nas suas rotinas diárias e cultura gerencial os princípios e mecanismos administrativos abordados nas ações de capacitação. além de contextualizar a situação da gestão na agricultura familiar brasileira. como na prática a opção por implantar determinado sistema produtivo depende. procuraram fornecer subsídios auxiliares aos serviços de assessoramento junto aos produtores familiares. Enquanto os painéis objetivam uma discussão crítica entre os participantes sobre assuntos de relevância. A segunda razão é decorrente do fato dessa equipe facilitar a elaboração de diversos instrumentos metodológicos específicos. que apresenta algumas características fundamentais: 1) na organização.1ª Edição. evitando-se.

ao invés de ser realizado por pares. n. M.313-322. Anais. Guia metodológico: diagnóstico de sistemas agrários. 102 p. Disponível em: <http://www...C.. p.O. Extensão rural e intervenção: velhas questões e novos desafios para os profissionais. BASSO. 1999.gov.7). Brasília: IICA/MAPA/SPA.br/bda>.. e 5). Grupos de agricultores para a tomada de decisões organizacionais: uma proposta metodológica. Cadeia produtiva de fruta. v. Cuiabá: SOBER. BATALHA. é necessário passar de uma visão predominantemente técnico-científica para uma visão em que há valorização de todo conhecimento útil à solução de determinado problema. de.3. In: CONGRESSO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ECONOMIA E SOCIOLOGIA. CENSO Agropecuário 2006. TROW. (Agronegócios.. (1 CD-Rom). v. 354p. p. 175p. (Projeto de Cooperação Técnica). LIMA.A. M. M. A. v.1. DUFUMIER.S.. 2006.L. 2002.C. Lavras. 58p. Guaíba: Agropecuária. LOURENZANI. 2004. P. Agroecologia: bases científicas para uma agricultura sustentável. 2004. Porto Alegre... London: Sage. H.. LAZZAROTTO.ibge. Cuiabá. Paris/Wageningen: Karthala/CTA. M. J. N. 2012. P.Revista Tecnologia e Sociedade . BUAINAIN.. 1996. Les projets de développement agricole : manuel d’expertise. Cuiabá. ISSN (versão online): 1984-3526 112 o processo de produção e aplicação do conhecimento. SCOTT. 4) sobre a questão da reflexividade. In: CONGRESSO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ECONOMIA E SOCIOLOGIA.12. Cadernos de Psicologia Social do Trabalho. M. A.. Referências ALTIERI. 592p. S. 1995. . SCHWARTZMAN.8. C. deve envolver novos critérios (impactos esperados) e novos atores (clientes e beneficiários). 2009. W.. 2007. MELLO.M. H. J. LIMOGES. NOWOTNY. finalmente. The new production of knowledge: the dynamics of science and research in contemporary societies. 42.1ª Edição.. NEUMANN...C. M. (1 CDRom). Ijuí: UNIJUÍ..P. Cuiabá: SOBER.1-16. SARRIERA. Capacitação gerencial de agricultores familiares: uma proposta metodológica de extensão rural. M. A. 2004. ROESSING. INCRA/FAO. Organizações Rurais & Agroindustriais.. BUAINAIN. de. 2004..J. 42. BATALHA. n. Acesso em: 02 de agosto de 2011.sidra. E.. et al. Brasília: INCRA/FAO.. Anais. SOUZA FILHO. H. FAVERO. Administração da unidade de produção familiar: modalidades de trabalho com agricultores..M. GIBBONS. 1994. em relação ao controle de qualidade. Tecnologia de gestão e agricultura Familiar.

. de.P. 2005. A administração da fazenda. In: CONGRESSO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ECONOMIA E SOCIOLOGIA.. 211p. ZUIN. ZANCHET. Análise da extensão rural no Cinturão verde de Ilha Solteira (SP): as perspectivas dos produtores e técnicos. In: CONGRESSO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ECONOMIA E SOCIOLOGIA. v... Ribeirão Preto. Anais..2. 2005. 1999. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção) . L. GUIMARÃES. MERCÊS.. das. Ribeirão Preto. In: ENCONTRO NACIONAL DE GRUPOS DE PESQUISA . São Paulo: Pós-graduação em Administração da FEA-USP. Acesso em: 10 de agosto de 2011. ANDRADE..2. 1998. G. ISSN (versão online): 1984-3526 113 MARION. 2005. P. 43. A administração rural em propriedades familiares. 2003. A importância da tipificação de empresas rurais. G. São Paulo.L. (1 CD-Rom). Anais..L../Dez.S.1ª Edição. p. Florianópolis.. S. D. 43.137146. Custos e @gronegócio on line. 2006. (1 CD-Rom). L.N. de. 43. v. Disponível em: <www.br/semead/4semead/artigos/Adm_geral/Rezende_e _Zylbersztajn. n. Teoria e Evidência Econômica. 1995.L. Jul.br>.. MORAIS.10.A.L. L.. Acesso em: 02 de agosto de 2011. p. 2005. Modelo de gestão por atividades para empresas de fruticultura de clima temperado. Ribeirão Preto: SOBER. J. Disponível em: <http://www. NEUKIRCHEN.B. p. Tecnologia de gestão e rentabilidade na pequena propriedade rural . 4.. 2008.ENGRUP.M. São Paulo: Agrária.7.F. Anais. SOUZA.usp. J.67-86.. de... Proposta de um modelo de desenvolvimento de produtos para propriedades familiares fundamentado na metodologia de . Caderno de administração rural.J. M.2. R. 1999.. SANT´ANA.M... E.ed. A. n. 5. 2005.Revista Tecnologia e Sociedade . S.. GONÇALVES. SANDRI.estudo de caso..C. In: SEMINÁRIOS EM ADMINISTRAÇÃO (SEMEAD). PAULA.D. A. Anais. D. A. Uma análise da complexidade do gerenciamento rural. REZENDE.html>. v.S. HESPANHOL.S. de A. VIEIRA.5.. Ribeirão Preto: SOBER.C. ZUIN.. ZORDAN.. M.B. BRAUN. W... 2005. 4..custoseagronegocioonline.M. Mai. UECKER.ead.. (1 CD-Rom). C. Ribeirão Preto. J. V. Ribeirão Preto: SOBER. São Paulo.com.Universidade Federal de Santa Catarina.fea. UECKER. A gestão dos pequenos empreendimentos rurais num ambiente competitivo global e de grandes estratégias. 148f. SEGATTI. 2003 SEGATTI. 2012. Anais.. Lavras. Passo Fundo. Sistema de gestão de custos nas pequenas propriedades leiteiras. 2008. Alternativas para a geração de renda em pequenas propriedades rurais..G. A. n. 615-631. REICHERT. G. In: CONGRESSO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ECONOMIA E SOCIOLOGIA. ZYLBERSZTAJN. 1995. São Paulo: Globo.

n.5.1ª Edição. p. 2012. Curitiba. 2007. Revista Tecnologia e Sociedade. .Revista Tecnologia e Sociedade . ISSN (versão online): 1984-3526 114 Paulo Freire para extensão rural. Jul.49-60.

E-mail: fsilvadm@yahoo. 2012. Constatou-se que materializar o conhecimento utilizando-se do e-book pode ser uma ferramenta estratégica e tecnológica para agregar valor às organizações. Orientador. neste sentido este artigo tem como objeto de estudo o uso do livro eletrônico (e-book) como ferramenta estratégica para a materialização do conhecimento e. Mestre em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).br Fabiana Paula Hoffmann: Mestranda do Programa de Mestrado em Gestão e Tecnologia da Informação. gestão do conhecimento. .1ª Edição. em seu novo surgimento. O uso de ferramentas tecnológicas é de suma importância como meio de disseminação deste conhecimento. Brasil.com. vivências. O método de pesquisa adotado foi a pesquisa bibliográfica com análise da literatura sobre os livros eletrônicos. cultura. ativista do conhecimento e o livro eletrônico fazem parte do cenário do objeto de estudo e é com base nestes conceitos que surge uma proposta de uso do livro eletrônico como ferramenta tecnológica de disseminação do conhecimento. uma vez que o usuário pode ter acesso em tempo real ao conhecimento utilizando-se tanto de 9 Adriane Ianzen Machado: Mestranda do Programa de Mestrado em Gestão e Tecnologia da Informação. Brasil. Os aspectos fundamentais e conceituais referentes ao e-book. E-mail: adriane@iagil. Universidade Federal do Paraná – UFPR. principalmente pelo fato dos conhecimentos estarem dentro da particularidade de cada indivíduo. ISSN (versão online): 1984-3526 115 Uso do E-book Como Meio de Compartilhamento Formal e Disseminação do Conhecimento Explicito em Organizações Use of e-book as formal resource of sharing and dissemination of explicit knowledge in organizations Adriane Ianzen Machado Fabiana Paula Hoffmann Egon Walter Wildauer 9 Resumo Há uma grande gama de conhecimento fragmentado dentro das organizações. no século XXI. para sua disseminação. resultando no levantamento dos conceitos potenciais para o compartilhamento dos conhecimentos das organizações. Gestão e Tecnologia da Informação (UFPR). que é algo individual e importante para a construção do conhecimento explícito. materialização do conhecimento.br.com. Curitiba. E-mail: egon@ufpr. PR – Brasil. Curitiba. que carrega seus saberes conforme suas experiências. Foi realizada uma análise qualitativa de teorias que sustentam a criação de um meio para a disseminação formal do conhecimento por meio dos e-books. Professor do Programa de Mestrado em Ciência. Universidade Federal do Paraná – UFPR.br Egon Walter Wildauer: Doutor em Ciências Florestais pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). consequentemente.Revista Tecnologia e Sociedade . PR – Brasil. Fato este que remete ao que se pode chamar de conhecimento tácito.

which is something personal and important to construct the explicit knowledge. these paper found that materialize the knowledge using e-book can be a strategic and technological tool to add value in organizations. knowledge's activist and the electronic book make part of the scenery of the object of study and part of these concepts. surgiu a Sociedade da Informação e mais tarde a Sociedade do Conhecimento. The research method used was a literature review with analysis of them on e-books in his new appearance. ISSN (versão online): 1984-3526 116 computadores como de aparelhos celulares. Abstract There are a wide range of fragmented knowledge within organizations.1ª Edição. Desde que a internet foi disponibilizada para acesso público e sua popularização permitiu a intensa troca de informações entre pessoas de diversas partes do planeta. o que gera uma competitividade e um poder de conhecimento vantajoso para as organizações. explicit and tacit knowledge. disseminação são termos muito conhecidos pela Sociedade da Informação. Nesse ínterim. in this sense. This fact leads to what might be called tacit knowledge. junto com . disseminação. culture and way of life. in the twenty-first century. armazenamento. gestão do conhecimento. Quantitative analysis was performed over the theories that support the creation means for formal dissemination of knowledge through the e-books. materialização do conhecimento. emerges a proposal to use the electronic book as a technological tool for knowledge dissemination. knowledge management. ocorreu a multiplicação de informações e o grande aumento no desenvolvimento do conhecimento. Palavras-Chave: E-book. The use of technological tools has a great importance as a way of disseminating explicit knowledge and. transmissão estão presentes em ambas Sociedades coexistentes no mundo. conhecimento tácito e explícito. Key-words: E-book. this paper has the objective study the use of electronic book (e-book) as a strategic tool in order to materialization the knowledge and. resulting in a survey of potential concepts for the knowledge sharing in organizations. As a result. its spread. 2012. Sociedade esta que. e seu constante aprimoramento. ativista do conhecimento. Organização. knowledge management. Os desafios da colaboração. since the user can have real time access to knowledge using both computers and cell phones. consequently. knowledge's materialization. which generates competitivity and a power knowledge advantage for organizations. é responsável por grande parte das revoluções em qualquer campo ou área de conhecimento. knowledge's materialization. 1 INTRODUÇÃO A tecnologia. knowledge's activist. mainly because knowledge are within the particularity of each person who carries their knowledge according their experiences.Revista Tecnologia e Sociedade . The fundamental and conceptual aspects related to e-book.

ISSN (versão online): 1984-3526 117 o avanço das tecnologias da informação e comunicação. pelos sistemas colaborativos Wiki e por meio da crescente geração e difusão de conteúdo pelos próprios usuários" (TORQUATO. De forma generalizada. Dessa forma este artigo tem como objetivo apresentar uma proposta de uso de e-books e seus aparelhos leitores (sejam ereaders. pois. 2012. É nesse contexto que se insere a nova era dos livros digitais. Apesar de o conhecimento ser algo muito comentado e discutido dentro das organizações. Torquato (2008). sejam tablets. embora a sua força de mudança e inovação sejam os novos leitores digitais. Com essa revolução algo a mais foi evidenciado: o crescimento do conhecimento. os e-readers. concomitante ao ressurgimento dos aparelhos leitores.Revista Tecnologia e Sociedade . Desta forma questiona-se então: como aproveitar essa ferramenta tão valiosa nas empresas. para eles. Quem afirma isto são os autores Takeuchi e Nonaka (2008). trouxe uma revolução no campo da comunicação. Estes aparelhos também não são novidades no mundo tecnológico. principalmente. que ressurgem com foco corporativo. na alteração do suporte do livro que passa do impresso ao digital. há ainda muita dificuldade nas empresas em realmente se utilizar adequadamente os conhecimentos gerados internamente. A crescente preocupação empresarial com seu ativo financeiro interno tem foco para o ser humano. no prefácio do livro Sociedade da Informação. para que auxilie na produtividade e competitividade empresarial? Com base nesta questão pretende-se entender como os livros eletrônicos podem se apresentar como uma ferramenta útil na disseminação do conhecimento. No momento vive-se uma intensa '(r)evolução' em um produto que é muito tradicional para o ser humano e que está totalmente relacionado com a transmissão de informações e com o conhecimento: o livro. ao invés de meros equipamentos para leitura e/ou entretenimento de seus usuários. As ferramentas colaborativas e de socialização. comenta sobre o surgimento da web 2. este processo tem sido amplamente negligenciado na literatura organizacional. O e-book não é uma tecnologia do século XXI. sejam aparelhos celulares) como uma estratégia . públicas na web. acompanhados das pranchetas eletrônicas (ou tablets). Esta (r)evolução está pautada.1ª Edição. ou e-book. é a negligência das instituições no momento da externalização dos conhecimentos. Na prática. como aquelas oferecidas pelas redes e comunidades sociais e empresariais. sua existência é mais antiga. convencionalmente tratado de livro eletrônico. gerir o conhecimento é algo ainda nebuloso para muitas instituições e uma das possíveis causas para isso. prefácio). seu colaborador com suas competências e habilidades em gerar e transmitir conhecimentos. da transmissão de dados e informações. ou seja. comenta ainda que essa situação compreende também "outras características inovadoras. nas quais as empresas devem estar inseridas.0 e sobre o aumento da disponibilização e do consumo de recursos de áudio e vídeo. porém neste século alguns conceitos em relação a essa tecnologia foram modificados. também interagem-se neste contexto de geração e compartilhamento de conhecimentos. 2008.

Em fim apresentam-se as considerações finais com base nos autores que serviram como apoio teórico para a construção da proposta. 1. . no segundo apresenta-se uma atualização devida à evolução do conceito. nos temas gestão do conhecimento e disseminação formal do conhecimento. para então adentrar.Revista Tecnologia e Sociedade . 1.1 Estrutura Este artigo está estruturado em seis tópicos de forma que no primeiro é apresentado um breve histórico sobre os e-books. no terceiro tópico.2 Procedimentos Metodológico Os procedimentos metodológicos adotados para esta pesquisa foram: levantamento bibliográfico e análise de literatura com os temas abordados de acordo com o quadro 1. ISSN (versão online): 1984-3526 118 para a gestão e o compartilhamento de conhecimentos dentro de uma organização. seguido de análise qualitativa dos conhecimentos potenciais compartilhados para viabilizar uma proposta de disseminação de conhecimentos dentro das organizações por meio de uma ferramenta tecnológica.1ª Edição. 2012. neste caso os livros eletrônicos. a materialização do conhecimento é foco do quarto tópico e o uso de e-books como disseminação formal do conhecimento externalizado é proposto no sexto tópico.

NONAKA e TAKEUCHI. TÓPICO CORRESPONDENTE CONTRIBUIÇÃO PARA AS ORGANIZAÇÕES 119 Histórico sobre os ebooks Propicia o conhecimento sobre o cenário de e-books. GARCIA. MUÑOZ-SECA e RIVEROLA. TAKEUCHI e NONAKA. utilizando-se da tecnologia e do ativista para a elaboração. YANO. 2008. DUGUID e BROWN. 2010. GROTTO. 2008. Por meio da socialização. 2010. 2000 O livro eletrônico como estratégia para a gestão do conhecimento Quadro 1: Escopo do artigo Fonte: elaborado pelos autores . internalização e a combinação é possível a migração do conhecimento tácito em conhecimento explícito contribuindo para a formalização e registro dos conhecimentos gerados pelas organizações. DZIEKANIAK. Contribui para integrar e sistematizar formalmente os conhecimentos fragmentados. ISSN (versão online): 1984-3526 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA BARRETO. 2004 A gestão do conhecimento e a disseminação formal do conhecimento Importância da disseminação formal do conhecimento como estratégia competitiva para as organizações. externalização. Materialização conhecimento do Propõe uma estruturação formal e concreta do conhecimento. IDPF. SILVA e BUFREM. ROSINI e PALMISANO. 2006. FLEURY e OLIVEIRA JUNIOR. 2001. 2010. para o compartilhamento e para a troca formal de conhecimentos. tornando-as dinâmicas e competitivas. SABBAG. 2008. 2004. BARRETO. GUTENBERG. 2010 2010. 2010. RODRIGUES. 2002. 2007. 1997. as alterações que ocorrem dentro das organizações. 2012. 2002. 2010. BENÍCIO. CHOO. 2003. 2010 DZIEKANIAK. SIMCSIK e POLLONI. TEIXEIRA FILHO. inibindo os problemas com falhas na transferência desses e adequando em tempo real. 2011. não limitado a um local físico (estático). ICHIJO. REZENDE. 2003.1ª Edição. 2006. Atualização de conceitos em relação aos e-books Definição e distinção do conceito de E-books e aparelhos leitores.Revista Tecnologia e Sociedade . SANTIAGO JUNIOR. 2010. 2008. SPENDER.

houve a necessidade de uma atualização do conceito de e-book. 1) “antes mesmo de e-books. Sony. em poucos anos. Allan Kay (um cientista norte-americano da Xerox Corporation) previu o aparecimento. Em 1968. e-readers ou dos blogs. 2008). A seguir apresenta-se essa atualização de conceitos. em meados do ano 2000. 2010). com textos. 134) Este fracasso inicial não desanimou os investidores deste tipo de aparelho. Quem conseguiu tirar os handhelps do anonimato e transformá-los em ícones dos anos 90 foi a até então desconhecida Palm Computing. 2011. procurando ganhar o mercado (BENÍCIO. já era possível distribuir uma obra pela internet. Vannevar Bush (diretor do Escritório de Pesquisas e Desenvolvimento dos EUA) idealizou o primeiro aparelho leitor de livros que ele chamou de Memex. ilustrações. 2001). pois tanto o arquivo do livro quanto os aparelhos leitores eram chamados de ebooks. atualmente. Philips e Sharp foram igualmente derrotadas na missão de emplacar um portátil. Não por acaso. Inclusive esse cientista imaginava a possibilidade de imitar o virar de páginas apertando botões ou mesmo tocando na tela. BUFREM. uma iniciativa que criou os livros eletrônicos. uma tela monocromática que reconhecia escrita com canetinha (stylus). (SILVA. surgindo entre a década de 90 e o ano 2000 diversos tipos de aparelhos leitores. (.. mais de 36. colorido e legibilidade perfeita. ISSN (versão online): 1984-3526 120 2 BREVE HISTÓRICO SOBRE OS E-BOOKS O conceito de livro eletrônico não é recente. (BARRETO.000 livros livres para download e leitura em diversos tipos de aparelhos. cada um com suas funcionalidades e particularidades. houve um grande aumento no desenvolvimento de novos aparelhos leitores (YANO. a troca de dados por infravermelho e 1MB de memória para guardar contatos. a rede possibilitou. Para baixar e-mails era preciso comprar um modem e acoplar.) Entre seus atrativos. p. de um livro dinâmico que seria uma espécie de computador portátil. por volta dos anos 90. conforme Garcia (2010. pequeno de duas telas. Em 1971 Michael Hart fundou. a Apple: inaugurou o mercado de computadores de bolso com o Newton.. Após o ano 2000 houve uma espécie de revolução no mercado de ereaders. a qual diferencia os arquivos de livros eletrônicos de aparelhos leitores. aparelho leitor de propriedade da Amazon. 2003). visto que a partir do lançamento do Kindle. Devido ao crescente uso e interesse dos e-books. nos EUA. Em 1945.Revista Tecnologia e Sociedade . um fracasso estrondoso de vendas.1ª Edição. o Projeto Gutenberg (GUTENBERG. . p. um boom (sic) na produção de conteúdo”. 2012. Em 1992. oferecendo.

seguidos dos tablets. XML e CSS e que é um padrão aberto. 2003. este tipo de tecnologia proporciona um meio de disseminar formalmente os conhecimentos dentro das organizações. HyperText Markup Language (HTML). Text (TXT). Definido o conceito de e-book e sua utilidade como documento virtual e atualizável em qualquer circunstâncias. assim como também o formato dos livros (arquivo) também se e modificou. logo. houve uma linha do tempo a ser percorrida pelas organizações. Antes haviam os Portable Document Format (PDF). O ePub transformou-se em um unificador de tecnologias. com apoio de linguagens de formatação como o Extensible Stylesheet Language (XSL) e o Cascading Style Sheets (CSS). SILVA. 2010. e então chegou-se ao ePub (eletronic publishing). inicialmente. os chamados formatos proprietários. p. o que se torna uma ferramenta estratégica para a gestão do conhecimento. ISSN (versão online): 1984-3526 121 3 ATUALIZAÇÃO DE CONCEITOS EM RELAÇÃO AOS EBOOKS Após o surgimento dos primeiros e-books houve uma mudança radical no seu conceito. 2005. BUFREM. a ciência da informação. 2). entre outros).1ª Edição.Revista Tecnologia e Sociedade . Em vários artigos publicados sobre o livro eletrônico. 2001. Este formato está na sua versão 3. se confundia com software. Até o surgimento do ePub os fabricantes de e-readers procuravam criar um formato compatível com o seu próprio e-reader. de forma a garantir que o leitor que o adquirisse. lançada em outubro de 2011 e abrange funcionalidades como multimídia e a linguagem JavaScript (IDPF. 2010. 2009. 11) e apresenta tempos distintos na história desta ciência: “tempo de gerência da . um formato que agrega as funções do HTML. BUFREM. DZIEKANIAK. verifica-se o uso do termo e-book para designar tanto o arquivo do livro quanto os aparelhos leitores (BENÍCIO. tornando-se o formato padrão usado pela maioria dos aparelhos desenvolvidos para este fim. O autor a considera como: “uma instituição mediadora da relação informação-conhecimento” (BARRETO. 4 A GESTÃO DO CONHECIMENTO E A DISSEMINAÇÃO FORMAL DO CONHECIMENTO Para se chegar à Gestão do Conhecimento. 2012. hardware e conteúdo. pelo IDPF (International Digital Publishing Forum). Esse conceito passou a se firmar a partir do desenvolvimento dos ereaders. o qual. surgiu o Extensible Markup Language (XML) com o conceito de organização do conteúdo. o que é bem explicitado por Barreto (2006) que coloca a gestão do conhecimento dentro de uma ciência. uma vez que a terminologia estava em processo de desenvolvimento e necessitava de um maior “tratamento por parte das áreas envolvidas com o estudo dos suportes informacionais” (DZIEKANIAK. p. 2010). SILVA. BENÍCIO. SORRIBAS. 2006. tivesse que comprar os livros somente de sua própria plataforma. desenvolvido em 2007.

de 1995 até 2006”. do qual as melhores partes ou práticas possam ser selecionadas e transferidas. trata-se de um grupo de conhecimento fragmentado e localmente desenvolvido. porém apontam como problema dessa alternativa a questão da saturação das informações em virtude de seu crescimento indiscriminado. . Duguid e Brown (2010) abordam a existência de comunidades de práticas nas organizações como grupos que se desenvolvem espontaneamente e enfatizam que essas comunidades trocam entre si e criam conhecimentos. Um ponto abordado pelos autores refere-se a intermediação do conhecimento. p. 71). afirmam que: o conhecimento dividido entre as comunidades diferentes de uma organização não equivale a um todo coerente. e o “tempo do conhecimento interativo. BROWN. 2010. a partir do qual a organização tem que produzir outro grupo complementar e coerente. iniciado desde que surgiram os blogs e ferramentas de construção colaborativa na web (chamadas wiki). nas quais grupos de opiniões e crenças adjacentes unem-se em busca de conhecimentos e compartilhamento de informações sobre seus assuntos de interesse.Revista Tecnologia e Sociedade . acima de tudo. perdendo assim seu valor e sua especificidade. indexar e recuperar informações”. Ao contrário. mas a construção mútua de informações e conhecimentos. que vai de 1945 a 1980” no qual ele comenta o início da necessidade de organizar. muitas vezes por meio do improviso (inovação). em razão da nova tecnologia e da velocidade das comunicações. data de publicação da obra do autor. A necessidade de filtro e critério no momento de preenchimento de um "repositório de conhecimento" é essencial para evitar problemas como esse de saturação. Surgiu nesse panorama. Redes de relacionamento social fazem parte desse avanço. no qual uma sugestão seria que fosse feito por participantes que são integrantes de diversos grupos. Rodrigues (2010) aborda o incentivo proporcionado pelas novas tecnologias no desenvolvimento do conhecimento organizacional: A maior facilidade de acesso à informação. Pode-se acrescentar aos tempos identificados pelo autor. 2012. as quais não estão apenas dentro das organizações. no período de 1980 a 1995”. como ferramentas essenciais em diversas áreas. pelas comunidades de prática em determinada instituição. criou as condições apropriadas para que o conhecimento escapasse de seus detentores tradicionais: os pequenos círculos e a elite. a Internet. “tempo de relação entre informação e o conhecimento. (DUGUID. não só interatividade na web. que comenta da interatividade após o advento da internet e de sua disponibilização para o acesso público. o tempo do conhecimento colaborativo. vídeos e. A multimídia. ISSN (versão online): 1984-3526 122 informação. Duguid e Brown (2010) comentam sobre a experiência do desenvolvimento de bancos de dados. com CD-ROMS. mas disponíveis na web a fim de colher contribuições externas. no qual o autor identifica o início da relação direta entre informações e conhecimento.1ª Edição. No entanto. Nesse contexto inserem-se as comunidades de práticas organizacionais. de forma a aliar os conhecimentos entre estes grupos.

intuição e valores". 2010. p. Os autores consideram que os conhecimentos tácitos de um grupo de pessoas em uma organização são as competências essenciais da empresa. 19).) seu valor está na habilidade de dar aos gerentes maiores insights e influenciar os sistemas de atividades e a comunidade de práticas que podemos chamar de organizações” (SPENDER. inovação. desta forma a necessidade de se considerar o ciclo da geração do conhecimento. 2010. proposto por Takeuchi e Nonaka (2008). 2010.. para o nível organizacional.” (TAKEUCHI. Entendemos por gestão estratégica do conhecimento a tarefa de identificar. p. 2008. (.1ª Edição. o chamado SECI (abreviatura de Socialização.. Verifica-se. 31). o que torna necessário unir o conhecimento com a tecnologia moderna para torná-lo disponível quando necessário. O conhecimento pode ser entendido também como informação associada à experiência. Fleury e Oliveira Junior (2010) afirmam ainda que as empresas de conhecimentos diferentes devem unir-se para suprir suas falhas potenciais de conhecimentos. p. Fleury e Oliveira Junior (2010. de forma a manterem-se competitivas na “economia do conhecimento”. p. assim como para a identificação dos ativos estratégicos que irão assegurar resultados superiores para a empresa no futuro (…). NONAKA. 2010. Esse modelo “está no núcleo do processo de criação do conhecimento (…) e descreve como os conhecimentos tácito e explícito são amplificados em termos de qualidade e quantidade. A gestão do conhecimento apresenta uma importante contribuição para a compreensão de como recursos intangíveis podem constituir a base de uma estratégia competitiva. 18) afirmam que "O conhecimento da empresa é fruto das interações que ocorrem no ambiente de negócios e que são desenvolvidas por meio de processos de aprendizagem. Externalização. assim como do indivíduo para o grupo e.Revista Tecnologia e Sociedade . OLIVEIRA JUNIOR. Spender considera ainda que o valor (do conhecimento) “dep ende de sua habilidade [dos gerentes] de ir além da análise convencional para capturar e analisar novos fenômenos. motivação e comunicação). 88). 2012. Em seus estudos o autor divide a Gestão do Conhecimento em duas frentes: uma que a trata como objeto (e procura abstrair o conhecimento das pessoas) e outra que a trata como processo (envolvendo os processos individuais e sociais de criatividade. Spender (2010) comenta que as empresas geralmente têm muito conhecimento armazenado. . p. porém de forma desestruturada e dispersa (tanto em pessoas quanto em objetos e/ou produtos da própria empresa). p. o que acaba por conduzir “mensagens diferentes para os gerentes que tentam entender o que a gestão do conhecimento realmente significa para eles” (SPENDER. 46). desenvolver. ISSN (versão online): 1984-3526 123 facilitou a compactação da informação e sua distribuição indiscriminada (RODRIGUES. 23). Combinação e Internalização). então. disseminar e atualizar o conhecimento estrategicamente relevante para a empresa (FLEURY.

apresenta alguns propósitos para a existência do ativismo do conhecimento. (4) melhoramento das condições daqueles engajados na criação do conhecimento. conhecimento do domínio. disserta sobre alguns casos de sucesso e comenta que os responsáveis pela gestão do conhecimento devem sintetizar os conhecimentos tácitos de seus colaboradores. Na mesma linha de pensamento desses autores. banco de dados de computador. de forma que sejam incorporados em novas tecnologias e produtos. por exemplo. inteligência. Afirmam ainda que o engenheiro do conhecimento deva possuir boa comunicação. tática e diplomacia. quanto dos executivos seniores. é convertido em conhecimento transmissível e articulado. p. que tem como função impulsionar e fazer um elo de ligação entre os indivíduos e o conhecimento.Revista Tecnologia e Sociedade . NONAKA.1ª Edição. rotinas ou procedimentos operacionaispadrão. (CHOO. 2012. O conhecimento explícito é baseado em regras quando é codificado em normas. (5) . em especificações de produtos. corroborando com Takeuchi e Nonaka (2008). 24) Nonaka (2008) comenta que tornar o conhecimento tácito em explícito é o mesmo que expressar o inexpressável e sugere o uso de linguagem figurativa e de simbolismo para isso. considerando-o como aquele que pode ser expresso formalmente com a utilização de um sistema de símbolos. 2006. patentes. desenhos técnicos. podendo portanto ser facilmente comunicado ou difundido. apontando seis deles: (1) foco e inicialização da criação do conhecimento. O conhecimento explícito pode se basear em objetos ou regras. (2) redução do tempo e do custo necessários para a criação do conhecimento. interpreta e representa em tipos e estruturas convenientes” (SIMCSIK. Um papel importante para que este conhecimento seja de tal forma articulado dentro das organizações é desempenhado pelo chamado 'ativista do conhecimento'. Ele extrai conhecimento de alguma fonte. p. específico ao contexto e difícil de formalizar e comunicar aos outros. explicita de forma clara sobre o conhecimento explícito. que é pessoal. Para os autores “O engenheiro do conhecimento é o profissional responsável pela estruturação e construção de um sistema inteligente. 373). Ichijo (2008). empatia e paciência. conhecimento de programação. versatilidade e inventividade. (…) O conhecimento baseado em objetos pode ser encontrado. (3) alavancagem de iniciativas de criação do conhecimento por tora a corporação. código de software. tanto os de linha de frente. POLLONI. tornando-os explícitos. o que tem sido frequentemente desconsiderado pelas organizações. conhecido como o ativista do conhecimento (também chamado por alguns autores. ISSN (versão online): 1984-3526 124 Ainda é possível verificar que os autores consideram que as organizações tem negligenciado a etapa de externalização do conhecimento. armazenado e externalizado eficientemente há a necessidade da existência de um ator no processo. p. protótipos. 2002. E que segundo o conceito proposto por Simcsik e Polloni (2002). para que o conhecimento empresarial seja coletado. 2008. que é a etapa na qual “o conhecimento t ácito. Choo (2006).” ( TAKEUCHI. 189). fotografias e outros. como engenheiro do conhecimento). relacionando suas atividades ao quadro geral da empresa.

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preparação dos participantes da criação de conhecimento para novas tarefas nas quais seu conhecimento é necessário; e (6) inclusão da perspectiva da microcomunidade no debate mais amplo de transformação organizacional. (ICHIJO, 2008, p. 131132)

O autor afirma ainda que:
Os ativistas do conhecimento são grandes participantes em pelo menos quatro subprocessos de criação de conhecimento. No início do processo, eles frequentemente formam microcomunidades de conhecimento. Eles facilitam o caminho para a criação e a justificação dos conceitos, assim como para a construção de um protótipo. (…) Os ativistas do conhecimento são os divulgadores do conhecimento na empresa, espalhando a mensagem a todos.” (ICHIJO, 2008, p. 131-132).

Desta forma, verifica-se que para gerenciar o conteúdo de um livro eletrônico é necessário um ativista do conhecimento para cada área específica, para a qual se utilizará essa ferramenta. Para que todos deem sugestões, e elas sejam filtradas e sintetizadas de forma que fiquem claras para todos, para que o conhecimento seja compartilhado de maneira eficaz. Rosini e Palmisano (2008) esclarecem bem a contribuição que um documento com informação digital pode oferecer:
Quando a informação é digitalizada e comunicada por meio de redes digitais, revela-se um novo mundo de possibilidades, em que quantidades enormes de informação podem ser comprimidas e transmitidas na velocidade da luz, pois a quantidade das informações pode ser muito melhor do que nas transmissões analógicas. Muitas formas diferentes de informação podem ser combinadas, criando, por exemplo, documentos multimídia e as informações podem ser armazenadas e recuperadas instantaneamente de qualquer parte do mundo, propiciando, consequentemente, acesso instantâneo a maior parte das informações registradas pela civilização humana. (ROSINI; PALMISANO, 2008, p. 107, grifo nosso).

Um aspecto importante em um ativista é a sua capacidade de saber interagir com as pessoas e a capacidade de atuar como um suporte de ligação entre o conhecimento e as idéias tácitas advindas de diversas vivências de cada indivíduo. Há que se mencionar a metáfora do Iceberg do Conhecimento, pois, de acordo com Sabbag (2007, p. 56-57) o conhecimento é explorado como se fosse em camadas de um iceberg. No topo do iceberg estão as partes que fazem parte do conhecimento explícito como o saber fazer (teorias, normas, procedimentos, instruções, processos organizacionais) e na parte submersa e intangível encontra-se a parte que compete ao conhecimento tácito como o saber fazer incorporado, saber os porquês, saber com quem (talentos naturais, simbolismos, crenças, cultura, valores e atitudes, pressupostos). Neste contexto o ativista do conhecimento para atuar como ator no processo, deve saber lidar com as nuances existentes entre o conhecimento explícito e o que se pode aprender com o conhecimento tácito, uma vez que

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a profundidade com que terá que lidar com este último é maior e envolve um processo de extração do conhecimento individualizado. Corroborando com essa ideia há a espiral do conhecimento (figura 1) proposta por Nonaka e Takeuchi (1997, p. 80), na qual observa-se que o grande desafio corresponde em transformar o conhecimento tácito em explícito, ou seja, no processo de externalização. E neste processo está a fundamental importância do papel do ativista: na compilação de toda essa gama de conhecimentos exteriorizados.

COMPETIÇÃO

SOCIALIZAÇÃO Experiências compartilhadas

EXTERNALIZAÇÃO Conhecimento tácito convertido em explícito

INTERNALIZAÇÃO Conhecimento explícito incorporado no conhecimento tácito

COMBINAÇÃO Conceitos sistematizados

COOPERAÇÃO

Figura 1: Espiral do Conhecimento Fonte: adaptado de Nonaka e Takeuchi (1997, p. 80)

Neste cenário o ativista do conhecimento que está envolvido com a atividade de desenvolvimento de um livro eletrônico tem a função de ser um agente extrator do conhecimento tácito e um transformador deste conhecimento em explícito, por meio do método espiral do conhecimento de Nonaka e Takeuchi (1997), o ciclo de socialização, externalização, combinação e internalização, deve ser contínuo, possibilitando a troca de

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conhecimentos, o enriquecimento de saberes e a formalização do conhecimento. Dessa forma a disseminação formal do conhecimento tende a ser um produto dos esforços da extração e transformação do conhecimento tácito em conhecimento explícito, tomando um formato materializado, ou seja, pode-se falar em uma concretização do conhecimento.

5 MATERIALIZAÇÃO DO CONHECIMENTO
Apesar do conhecimento ser algo muito comentado e discutido dentro das organizações, há ainda muita dificuldade nas empresas em realmente se utilizar adequadamente os conhecimentos gerados internamente. Na prática, gerir o conhecimento é algo de grande dificuldade para muitas instituições e uma das possíveis causas para isso, é a negligência das instituições no momento da externalização dos conhecimentos. Quem afirma isto são os autores Takeuchi e Nonaka (2008), pois, para eles, este processo tem sido amplamente negligenciado na literatura organizacional. O conhecimento externalizado deve ser materializado, para ser disseminado corretamente, pois quando se trata de conhecimento é preciso se ter uma compreensão exata do que se pretende compartilhar dentro dos processos envolvidos, é importante saber mapear formalmente o conhecimento presente dentro das organizações. Esse processo de materialização se dá pela necessidade de gerar uma estrutura concreta do conhecimento, nesse sentido, bem explicitada por Muñoz-Seca e Riverola:
Dada a intangibilidade do conhecimento para poder manejá-lo fisicamente, requer-se sua transformação em estruturas materiais. O conhecimento deve se incorporar a uma estrutura física que pode se transformar por meios físicos bem estabelecidos e da qual se pode extrair de novo por meios sensoriais. O conhecimento em forma pura não é suficiente para satisfazer todas as necessidades da economia. O alimento para a mente deve ser suplementado com o alimento para o corpo. Por conseguinte, o conhecimento tem de ser transformado – também utilizaremos o termo “materializado” – em entidades tratáveis dentro dos processos básicos da empresa e da sociedade. (MUÑOZ-SECA; RIVEROLA, 2004, p. 45).

Na mesma perspectiva, os autores continuam e explicam o que seria a materialização do conhecimento:
A materialização do conhecimento é sua transformação numa forma que possa ser manipulada, armazenada, transmitida, recuperada e utilizada facilmente, sem ter de recorrer à pessoa que o originou. Uma materialização se origina num originador, protetor do conhecimento, e pode ser utilizada para resolver problemas no destinatário. Um inventário de conhecimentos da empresa é quase um passo obrigatório para a gestão do conhecimento. (MUÑOZSECA; RIVEROLA, 2004, p. 45).

segundo o autor “existem algumas práticas formais de compartilhamento do conhecimento – como palestras. como “ o e-mail. p. de acesso fácil. 6 O LIVRO ELETRÔNICO COMO ESTRATÉGIA PARA A GESTÃO DO CONHECIMENTO O livro impresso é estático e corre o risco de ficar defasado muito rapidamente. na qual uma pessoa detentora do conhecimento é responsável por comunicá-lo e transmiti-lo aos demais interessados. O livro eletrônico vem como aliado a essa disponibilidade de conhecimentos nas organizações. colaborativas e propiciar a todos informações precisas e atualizadas.Revista Tecnologia e Sociedade . 2012. À luz do compartilhamento formal do conhecimento e de acordo com alguns conceitos tem-se a possibilidade de se obter um cenário. portátil e seguro. Há então a necessidade de uma ferramenta para a disseminação formal do conhecimento de forma a unir todas essas informações em um único local.1ª Edição. Verifica-se. p. porém fragmentado. 110) “geralmente. unidas podem propiciar grande desenvolvimento de conhecimento dentro da organização. passível de ser disseminado a quem interessar. vídeoconferência e o sistema de redes – terá conhecimento materializado. o autor ainda cita duas práticas de compartilhamento de conhecimento encontradas em empresas distintas: a) estratégia de codificação. Trata-se da portabilidade e da disponibilidade desses conhecimentos em tempo hábil. no entanto percebe-se um implicador: a fragmentação desses recursos. O compartilhamento do conhecimento pode ocorrer por meio de práticas informais ou formais. de forma externalizada formal e unificada. manuais e livros – propícias ao compartilhamento do conhecimento explícito” e algumas ferramentas tecnológicas para esse compartilhamento formal do conhecimento. As práticas diferem de uma organização para outra. conforme Grotto (2003. como estratégia de armazenamento e disseminação de novos conhecimentos. na qual o conhecimento é explicitado em sistemas de informação para acesso pelos colaboradores. quando necessário. 111-112). Essas duas práticas. apresentações audiovisuais. 2003. ISSN (versão online): 1984-3526 128 As informações podem advir das reuniões informais. com essa explanação a importância da tecnologia no compartilhamento formal do conhecimento dentro das organizações. no qual. Se as empresas considerarem exatamente o que o autor comenta – uso de e-mail. a videoconferência e o sistema de redes (…) e o mapeamento do conhecimento organizacional” (GROTTO. O livro eletrônico tem a possibilidade de oferecer mais. e b) estratégia personalizada. O compartilhamento informal. ocorre de maneira não preestabelecida durante encontros casuais e conversas locais. . quando as pessoas trocam ideias. remoto. pedem conselhos para resolver problemas e perguntam em que os outros estão trabalhando”.

2002. armazenando e atualizando conhecimentos) com o pode agregar todos os “produtos” em si próprio (documentos. no qual o livro eletrônico se enquadra como uma estratégia para a Gestão do Conhecimento. valor agregado. Isso significa a difusão das informações relevantes e úteis. (…) As empresas precisam de qualidade. agilidade e velocidade de forma cada vez mais crítica (TEIXEIRA FILHO. pelos seus colaboradores. etc. transformando-as em conhecimento explícito. as pessoas obtêm conhecimento daqueles que já o têm. Conforme o autor. que possa ser utilizado por todas as pessoas da organização. inovação. produzidas com qualidade e de forma antecipada. 2000p. serviço. ou em viagens. flexibilidade. livros. Para o autor: Todo e qualquer sistema que manipula ou gera conhecimentos organizados para contribuir com os seres humanos. documentos. hipertextos. 2012. sites). De acordo com Rezende (2002) existem os Sistemas do Conhecimento. tudo de uma forma agradável. ISSN (versão online): 1984-3526 129 oferecer principalmente a atualização de informações. nos sistemas do conhecimento são gerados muitas informações com conhecimento agregado. que podem ser acessados na empresa. 25). p. vídeos. Teixeira Filho (2000) comenta a necessidade das empresas em relação ao compartilhamento do conhecimento: O conhecimento é transmitido por pessoas e para pessoas. ou mesmo em casa. de conhecimentos. pelo aprendizado interpessoal e o compartilhamento de experiências e ideias. Conforme Santiago Júnior (2004) é possível verificar que A maioria dos problemas sobre a disponibilidade de conhecimentos nas organizações recai nas seguintes questões: a) problemas com transferência do conhecimento. através de meios estruturados como vídeos. (REZENDE. (SANTIAGO JÚNIOR. c) conhecimento crítico nas mãos de poucas pessoas. “trabalhadas” por pessoas e/ou recursos computacionais. amigável e de acesso fácil e ágil. Além disso. pode ser chamado de Sistema do Conhecimento. O uso de livros digitais supriria praticamente todas as questões citadas pelo autor. p. internalização e a combinação poderá registrar tudo isso em livros eletrônicos. b) erros devidos à falta de conhecimento. externalização. 85) O livro eletrônico como toda tecnologia tem seus pontos positivos e pontos negativos. textos. páginas da Web. Se a empresa seguir as ideias de Nonaka e Takeuchi (1997). de conteúdo. com as organizações e com a sociedade como um todo. emails. O livro eletrônico pode unir tudo o que foi mencionado por Teixeira Filho. f) falta de processos de compartilhamento. sobre a socialização. livros. como suporte à obtenção da vantagem competitiva inteligente. 22-23). publicações. pode auxiliar nos processos (disseminando. e) perda de conhecimentos relevantes nos momentos adequados. ainda assim seus pontos negativos em sua maior parte . 2004.Revista Tecnologia e Sociedade . d) impossibilidade de medição de uso do conhecimento.1ª Edição.

A figura 2 ilustra a união entre o compartilhamento “informal”. falta de pro-atividade e interesse do usuário quanto ao conteúdo. reunião de conteúdos textuais e multimídia. garantindo a mobilidade e acessibilidade do conhecimento que se busca. . A unificação de todos os conhecimentos estaria garantida e reunida em um local único de fácil acesso e portabilidade. transformando-o em conteúdo de um suposto livro eletrônico que é disponibilizado novamente para todos os colaboradores.1ª Edição. que seria a materialização deste conhecimento pelo ativista. disponibilidade e agilidade. Seu acesso pode ser feito em qualquer lugar.Revista Tecnologia e Sociedade . Destacam-se:  Pontos positivos dos livros eletrônicos: portabilidade. esse livro eletrônico seria sempre alimentado pelo ativista do conhecimento a cada novo conteúdo (conhecimento) compartilhado. Desta forma. 2012. externalizado e materializado.  Pontos negativos dos livros eletrônicos: necessidade de um aparelho eletrônico para sua leitura. sua disponibilização ao ativista do conhecimento e o compartilhamento formal. controle de acesso ao conteúdo pelo usuário e pelo moderador. convergência de tecnologia. já que o seu aparelho leitor pode ser desde um computador a um aparelho de celular. prática do uso de proteção de direitos autorais (improvável num modelo como esse proposto). ISSN (versão online): 1984-3526 130 são superados com adequações que podem ser promovidas pelo ativista do conhecimento e pela colaboração de seus usuários. falta de cultura em leitura eletrônica. por meio dos colaboradores. atualização de conteúdo.

Materializar . 7 CONSIDERAÇÕES FINAIS O principal objetivo desse artigo foi mostrar uma proposta do uso do livro eletrônico (e-book) como uma ferramenta para a disseminação do conhecimento materializado. por meio de trabalhos como o do ativista do conhecimento. de forma que este seja fornecido aos colaboradores como ferramenta estratégica para a disseminação formal do conhecimento. Trata-se de um meio de compartilhamento formal do conhecimento explícito materializado. para então transpô-los ao e-book. ISSN (versão online): 1984-3526 131 Colaborador es Conhecimentos Ativista do conhecimento E-BOOK Disseminação do conhecimento materializado Colaborador es e disseminação de conhecimento por Figura 2: Processo de materialização meio de e-books Fonte: Elaborado pelos autores.1ª Edição. que deve ser o responsável pela concretização das ações necessárias à disponibilização de ambiente propício e ferramentas necessárias à captação desse conhecimento.Revista Tecnologia e Sociedade . É muito importante o papel do ativista do conhecimento. bem como a forma como este conhecimento é articulado dentro das organizações. no processo de coleta dos conhecimentos tácitos e a compilação e transformação destes conhecimentos externalizados em conhecimento explícito. levando em consideração os conceitos e métodos sobre a Gestão do Conhecimento. também observado por Simcsik e Polloni (2002) e Ichijo (2008). 2012.

para que eles possam atingir a todos os objetivos desejados pela organização satisfazendo as necessidades de conhecimentos de seus colaboradores. o que garante a temporalidade. p. 18) os conhecimentos tácitos de um grupo de pessoas em uma organização são as competências essenciais da empresa. conforme afirmado por Takeuchi e Nonaka (2008). para tornar o conhecimento tácito em explícito por meio da externalização e indo além se faz necessária a sistematização desse conhecimento. Neste aspecto a disponibilidade. como afirma Grotto (2003). Essa sistematização e seu compartilhamento ocorre formal ou informalmente. auxiliando na tomada de decisões pelo compartilhamento dos conhecimentos. quando afirma que “há valor óbvio em inventariar esse conhecimento e em usar o poder da moderna tecnologia para torná-lo prontamente disponível a qualquer que seja a necessidade” (SPENDER. 30-31). isto em tempo real. desta forma o estudo mostra que a organização deve se preocupar com a formalização do compartilhamento dos conhecimentos. o acesso. concordando com Rezende (2002) em relação aos Sistemas de Conhecimento. Desta forma suprem-se as necessidades afirmadas por Santiago Júnior (2004). conforme afirmado por Rosini e Palmisano (2008). acessibilidade. Como afirmado por Fleury e Oliveira Junior (2010. integridade do conhecimento que se deseja naquele espaço de tempo. .Revista Tecnologia e Sociedade . Surge neste contexto a preocupação com a espiral do conhecimento.1ª Edição. concordando com Muñoz-Seca e Riverola (2004) e a disseminação do conhecimento por meio de e-books pode apresentar-se como uma ferramenta útil dentro das organizações possibilitando resultados positivos e satisfatórios. Por fim. têm negligenciado a etapa de externalização do conhecimento. O resultado obtido com os artigos analisados e com o levantamento bibliográfico mostra que para as organizações o conhecimento é aspecto fundamental para a competitividade e para a própria sobrevivência. 2012. a disseminação e a sistematização se fazem necessários para que a complexidade dos processos organizacionais se unifiquem para atingir os objetivos estipulados no planejamento estratégico. Desta forma concorda-se com Spender. 2010. conforme apresentado e defendido por Nonaka e Takeuchi (1997). o compartilhamento. uma vez que o conhecimento pode ser acessado pelo usuário utilizando-se de diversas tecnologias desde um computador até um aparelho celular. de forma a atingir as necessidade de compartilhamento de conhecimentos em qualquer organização. Sendo possível observar que para disseminar os conhecimentos a tarefa de materializa-los é necessária. No entanto. ISSN (versão online): 1984-3526 132 esses conhecimentos para disponibilizá-los em e-books torna-se um desafio e um ponto crucial para que a proposta em tela seja concretizada. o processo de materialização. p.

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