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Bruner e a Psicologia

Jerome Seymour Bruner nasceu em 1915, em Nova Iorque. Em 1937, formou-


se na universidade de Duke, após ter-se doutorado em psicologia pela universidade de
Harvard, desenvolveu a maior parte da sua carreira como professor e investigador.
Com o início da Segunda Guerra Mundial, Bruner desenvolveu a sua tese de
doutoramento sobre as técnicas de propaganda Nazi, direccionando o seu interesse
para a psicologia social.
Depois de ter saído do exército, em 1945, regressou a Harvard, onde
desenvolveu uma teoria sobre a percepção.
Este, interessou-se pelo estudo da evolução das competências cognitivas das
crianças e pela necessidade de estruturar os conteúdos educativos. Considerou que a
maturação e o meio ambiente influenciava o desenvolvimento intelectual, contudo,
Bruner acaba por criticar algumas das concepções de Piaget.
A abordagem de Bruner à cognição passa pela análise da percepção.
Reportando-se às diversas investigações desenvolvidas sobre a percepção e às
variáveis que a influenciam, distingue na percepção duas determinantes: a autóctone e
a comportamental. Na primeira inclui as qualidades directamente relacionadas com o
sistema nervoso. As determinantes comportamentais da percepção relacionam-se com
a motivação, a personalidade, a aprendizagem, as atitudes, as necessidades sociais, o
contexto cultural.
Esta abordagem da percepção, defende que o sujeito é activo no acto de
percepcionar, dado que atribui um sentido ao que percepciona em função das suas
expectativas, interesses, necessidades, valores e experiências anteriores vividas.
Segundo Bruner, o desenvolvimento cognitivo organiza-se em torno de
determinadas capacidades: a pessoa que aprende tem de dominar certos
conhecimentos ou acções para poder dominar outros mais avançados. Defendia que o
desenvolvimento intelectual da criança depende do modo como a mente usa a
informação que recebe. No discurso do seu desenvolvimento, a criança adquire 3
diferentes modos de representação do meio que a envolve, da mais simples à mais
complexa: “enactivo”, icónico e simbólico.
O primeiro nível de representação designa-se por representação “enactiva”, isto
é, ligada à acção, à manipulação. As crianças representam o mundo através das suas
acções sensoriomotoras, agindo, imitando, manipulando objectos.
Na representação “icónica”, o pensamento baseia-se nas imagens mentais nos
objectos situações não presentes e domina no período pré-operatório e das operações
concretas de Piaget. Adquire uma importância maior à medida que a criança cresce e
aprende conceitos e princípios que não se podem “mostrar”. A representação icónica
realiza-se por interiorização dos gestos e das percepções sob forma de esquemas
estáveis.
Uma outra fase de representação é designada por representação “simbólica”:
representação do meio faz-se através de símbolos, assumindo particularmente
importância a linguagem falada e escrita.
A linguagem é o principal sistema simbólico utilizado pelo adulto na
aprendizagem: a aquisição e a retenção de conhecimentos é a mais eficaz, sendo, por
isso, um meio de aprendizagem mais generalizada.
Em resumo, poder-se-ia dizer que, para Bruner, existem 3 estádios: “enactivo”,
icónico e simbólico.
Bruner defende que o desenvolvimento da mente está ligado à construção de
significados pelos seres humanos na sua relação com o meio. Estes significados
construídos pelos sujeitos nada têm haver com o modo informático do processamento
da informação. A mente, neste processo, é criativa, pessoal e subjectiva. Ao mesmo
tempo é partilhada com os outros que fazem parte do seu contexto social. Bruner
reconhece que em cada cultura existe o que vulgarmente se chama de psicologia
popular: consiste na forma como cada um de nós procura explicar o que são as
pessoas, por que razões se comportam de determinada maneira. Estes conteúdos são
adquiridos no processo de socialização numa dada sociedade.
A cada modo de representação corresponde um modelo de aprendizagem. Este
autor considera que as aprendizagens devem ser compatíveis com as diferentes fases
de representação. Na fase enactiva dominaram as aprendizagens centradas na
manipulação dos objectos. Na fase icónica há uma aprendizagem das representações
e das características dos objectos. Na última fase, a capacidade simbólica vai
possibilitar a compreensão de conceitos lógicos e abstractos. Um mesmo assunto
pode ser abordado de formas distintas nas três fases o que se designa por currículo
em espiral.
Bruner defende que existe um desejo natural de aprender por parte da criança, uma
motivação que conduzirá a um maior sucesso escolar. Finalmente referia a
necessidade do reforço, ou seja, uma aprendizagem bem sucedida deveria ser
reforçada, para aumentar a probabilidade de se repetir.
O percurso de Bruner reflecte uma inquietação que o leva a colocar em questão as
suas concepções num processo de progressiva critica. Abandona o cognitivismo, por
considerar que a busca de uma cientificidade conduziu esta corrente á adopção de um
modelo explicativo dos processos da mente que não respeita o seu carácter criativo e
dinâmico. Os efeitos das suas concepções na aprendizagem marcam o modo como o
processo educativo é encarado na nossa sociedade.

Ana Rita
David
Joana
Renato
André

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