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Aprendendo a conversar com Deus

Nasrudin aprendeu como pedir.


Nasrudin, certa vez, estava sem um burrico que o ajudasse nos seus afazeres.
Desesperado, sem ter meios de encontrar um, começou a orar, pedindo a Deus que lhe enviasse
um burrico. Rezou por algum tempo e, certo dia, ao andar por uma estrada, deparou-se com um
homem montado num burrico e atrás estava um outro burrico mais jovem.
Nasrudin aproximou-se do homem e este lhe disse:
- Mas que vergonha, eu estou trazendo um burrico de tão longe, estamos todos esgotados, e aqui
está este homem descansado, sem fazer nada!
E ameaçando-o com uma espada, completou:
- Vamos! Coloque o burrico nas suas costas e venha comigo até a próxima cidade!’
Nasrudin, com medo não disse nada, simplesmente colocou o burrico nas suas costas e seguiu o
homem. Andaram por várias horas e Nasrudin estava exausto de tanto peso. Ao entardecer,
chegaram na cidade mais próxima e o homem simplesmente fez Nasrudin descer o burrico das
suas costas e seguiu adiante, sem sequer agradecer.
Nasrudin ergueu os seus olhos para o céu e disse:
- Está bem, Deus. Aprendi a minha lição. Na próxima vez serei mais específico...
Pequeno conto chinês
Quem seria a escolhida?
Conta-se que por volta do ano 250 A.C, na China antiga, um príncipe da região norte
do país estava às vésperas de ser coroado imperador mas, de acordo com a lei,
deveria se casar. Sabendo disso, ele resolveu fazer uma "disputa" entre as moças da
corte ou quem quer que se achasse digna de sua proposta.
No dia seguinte, o príncipe anunciou que receberia, numa celebração especial, todas
as pretendentes e lançaria um desafio. Uma velha senhora, serva do palácio há muitos
anos, ouvindo os comentários sobre os preparativos, sentiu uma leve tristeza, pois
sabia que sua jovem filha nutria um sentimento de profundo amor pelo príncipe.
Ao chegar em casa e relatar o fato à jovem, espantou-se ao saber que ela pretendia ir
à celebração, e indagou incrédula:
- Minha filha, o que você fará lá? Estarão presentes todas as mais belas e ricas moças
da corte. Tire esta idéia insensata da cabeça; eu sei que você deve estar sofrendo, mas
não torne o sofrimento uma loucura.
E a filha respondeu:
- Não, querida mãe, não estou sofrendo e muito menos louca, eu sei que jamais
poderei ser a escolhida, mas é minha oportunidade de ficar pelo menos alguns
momentos perto do príncipe, isto já me torna feliz.
À noite, a jovem chegou ao palácio. Lá estavam, de fato, todas as mais belas moças,
com as mais belas roupas, com as mais belas jóias e com as mais determinadas
intenções. Então, inicialmente, o príncipe anunciou o desafio:
- Darei a cada uma de vocês, uma semente. Aquela que, dentro de seis meses, me
trouxer a mais bela flor, será escolhida minha esposa e futura imperatriz da China.
A proposta do príncipe não fugiu às profundas tradições daquele povo, que valorizava
muito a especialidade de "cultivar" algo, sejam costumes, amizades, relacionamentos,
etc...
O tempo passou e a doce jovem, como não tinha muita habilidade nas artes da
jardinagem, cuidava com muita paciência e ternura a sua semente, pois sabia que se a
beleza da flor surgisse na mesma extensão de seu amor, ela não precisava se
preocupar com o resultado.
Passaram-se três meses e nada surgiu. A jovem tudo tentara, usara de todos os
métodos que conhecia, mas nada havia nascido. Dia após dia ela percebia cada vez
mais longe o seu sonho, mas cada vez mais profundo o seu amor. Por fim, os seis
meses haviam passado e nada havia brotado. Consciente do seu esforço e dedicação,
a moça comunicou à mãe que, independentemente das circunstâncias, retornaria ao
palácio, na data e hora combinadas, pois não pretendia nada além de mais alguns
momentos na companhia do príncipe.
Na hora marcada estava lá, com seu vaso vazio, bem como todas as outras
pretendentes, cada uma com uma flor mais bela do que a outra, das mais variadas
formas e cores. Ela estava admirada, nunca havia presenciado tão bela cena.
Finalmente chega o momento esperado e o príncipe observa cada uma das
pretendentes com muito cuidado e atenção. Após passar por todas, uma a uma, ele
anuncia o resultado e indica a bela jovem como sua futura esposa. As pessoas
presentes tiveram as mais inesperadas reações. Ninguém compreendeu porque ele
havia escolhido justamente aquela que nada havia cultivado. Então, calmamente o
príncipe esclareceu:
- Esta foi a única que cultivou a flor que a tornou digna de se tornar uma imperatriz. A
flor da honestidade, pois todas as sementes que entreguei eram estéreis.
(Autor desconhecido
O urso e o zoológico
O lar ideal, mas...
Diz a lenda que o zoológico de Denver estava muito interessado em adquirir um urso
polar. O diretor do zoológico naquela época, um velho senhor de cabelos grisalhos e
grandes barbas brancas, tinha uma queda por ursos polares. Ele sempre admirara
seus corpos grandes e musculosos, e respeitara a inteligência primordial que ele sentia
demonstrarem em seus movimentos lentos mas elegantes e pelo que ele via em seus
olhos penetrantes. Acima de tudo, entretanto, ele gostava de sua longa e densa pele de
puro branco, que o lembravam das madeixas que adornavam seu próprio rosto. Por
causa desta especial afinidade que ele sentia pelos ursos, o diretor decidiu que os
ursos polares do Zoológico de Denver deveriam ter as maiores e mais naturalisticas
jaulas dentre todos os animais do zôo. Assim ele pôs seus projetistas, engenheiros e
operários para trabalhar na construção de um cercado tão grande e naturalístico em
sua representação do esplendor da região ártica, que iria superar em arte e valor as
jaulas de qualquer um dos maiores e mais famosos zoológicos do mundo.
A construção do cercado do urso polar andava pela metade, quando foi oferecido ao
diretor um bom negócio de um dos mais bonitos ursos polares que até então vira. De
fato, ao inspecionar o animal, o diretor quase achou que fitava um espelho, quando
olhou dentro dos olhos do bruto e este, balançando para frente e para trás, devolveu o
olhar fixo do diretor.
Como bons negócios com ursos polares não aparecem todo dia (e ainda mais o de um
exemplar tão magnífico), o diretor decidiu ir em frente e comprar o urso, mesmo com o
cercado apenas parcialmente construído. O urso foi sedado e quando acordou estava
em uma pequena jaula feita com grossas barras de metal, colocada bem no meio do
gigantesco cercado naturalístico ainda em obras. Ele permaneceria na jaula menor até
que a estrutura maior estivesse pronta.
O pequeno cercado era grande apenas o suficiente para que o urso polar desse quatro
passos de bom tamanho antes de dar de cara com as frias barras de metal. Nada mais
tendo a fazer enquanto residia na pequena jaula, o urso logo desenvolveu um hábito de
caminhar pelo minúsculo ambiente. Ele dava quatro passos um uma direção, empinava
sobre as patas traseiras para lentamente girar 180 graus, com uma convicção de que
somente ursos polares são capazes, para dar quatro passos na direção oposta antes
de empinar lentamente, levantar as patas dianteiras e fazer a volta. Durante todo o dia
o urso caminhava vagarosamente para frente e para trás na sua jaula, atentamente
observando os operários que trabalhavam no imenso cercado em volta.
Finalmente, após meses de trabalho duro, os operários do zoológico terminaram a
nova casa do urso polar. O urso foi novamente sedado e a pequena jaula de metal que
fora o mundo do urso por tantos meses foi removida. Uma multidão de visitantes,
juntamente com todos os funcionários e operários do zoológico e, é claro, o orgulhoso
diretor, se amontoaram ao redor do cercado e ansiosamente esperaram para ver como
o urso se sairia no seu novo e magnífico ambiente. O urso polar acordou,
cautelosamente apoiou-se nos pés e sacudiu da cabeça os restos do sono induzido
pela droga.O diretor quase podia sentir a excitação que certamente estava sendo
construída no peito do urso enquanto se preparava para explorar seu belo ambiente
natural. Ele ansiosamente assistiu ao urso dar quatro lentos mas resolutos passos
antes de empinar, patas dianteiras ao ar, e se virar para dar quatro passos na outra
direção, empinando novamente enquanto se virava e caminhava sobre seus primeiros
passos e empinava...
Robert B. Dilts e outros
No livro Neuro-Linguistic Programming Vol. I (Meta Publications). Tradução: Virgílio
Vasconcelos Vilela
O monge mordido
Cada um na sua
Um monge e seus discípulos iam por uma estrada e, quando passavam por uma ponte,
viram um escorpião sendo arrastado pelas águas. O monge correu pela margem do rio,
meteu-se na água e tomou o bichinho na mão. Quando o trazia para fora, o bichinho o
picou e, devido à dor, o homem deixou-o cair novamente no rio. Foi então à margem,
tomou um ramo de árvore, adiantou-se outra vez a correr pela margem, entrou no rio,
colheu o escorpião e o salvou. Voltou o monge e juntou-se aos discípulos na estrada .
Eles haviam assistido à cena e o receberam perplexos e penalizados.
- Mestre deve estar muito doente! Porque foi salvar esse bicho ruim e venenoso? Que
se afogasse! Seria um a menos! Veja como ele respondeu à sua ajuda, picou a mão
que o salvara! Não merecia sua compaixão!
O monge ouviu tranqüilamente os comentários e respondeu:
- Ele agiu conforme sua natureza, e eu de acordo com a minha.
De um exercício do Centro Educacional Leonardo da Vinci - Brasília/DF Enviado por
Daniel Vilela
O galo angustiado
Não era ele que levantava o sol
Era uma vez um grande quintal onde reinava soberano e poderoso galo. Orgulhoso de
sua função, nada acontecia no quintal sem que ele soubesse e participasse. Com sua
força descomunal e coragem heróica, enfrentava qualquer perigo. Era especialmente
orgulhoso de si mesmo, de suas armas poderosas, da beleza colorida de suas penas,
de seu canto mavioso.
Toda manhã acordava pelo clarão do horizonte e bastava que cantasse duas ou três
vezes para que o sol se elevasse acima para o céu. "O sol nasce pela força do meu
canto", dizia ele. "Eu pertenço à linhagem dos levantadores do sol. Antes de mim era
meu pai; antes de meu pai era meu avô!" ...
Um dia uma jovem galinha de beleza esplendorosa veio morar em seu reinado e por
ela o galo se apaixonou. A paixão correspondida culminou numa noite de amor para
galo nenhum botar defeito. E foi aquele amor louco, noite adentro. Depois do amor, já
de madrugada, veio o sono. Amou profundamente e dormiu profundamente.
As primeiras luzes do horizonte não o acordaram como de costume. Nem as segundas.
... Para lá do meio dia, abriu os olhos sonolentos para um dia azul, de céu azul
brilhante e levou um susto de quase cair. Tentou inutilmente cantar, apenas para
verificar que o canto não lhe passava pelo nó apertado da garganta. - "Então não sou
eu quem levanta o sol?", comentou desolado para si mesmo. E caiu em profunda
depressão. O reconhecimento de que nada havia mudado no galinheiro enquanto
dormia trouxe-lhe um forte sentimento de inutilidade e um questionamento incontrolável
de sua própria competência. E veio aquele aperto na garganta. A pressão no peito virou
dor. A angústia se instalou definitivamente e fez com que ele pensasse que só a morte
poderia solucionar tamanha miséria. "O que vão pensar de mim?", murmurou para si
mesmo, e lembrou daquele galinho impertinente que por duas ou três vezes ousou de
longe arrastar-lhe a asa. O medo lhe gelou nos ossos. Medo. Angústia. Andou se
esgueirando pelos cantos do galinheiro, desolado e sem saída.
Do fundo de seu sentimento de impotência, humilhado, pensou em pedir ajuda aos
céus e rezou baixinho, chorando. Talvez tenha sido este momento de humildade, único
em sua vida, que o tenha ajudado a se lembrar que, em uma árvore, lá no fundo do
galinheiro, ficava o dia inteiro empoleirado um velho galo filósofo que pensava e
repensava a vida do galinheiro e que costumava com seus sábios conselhos dar
orientações úteis a quem o procurasse com seus problemas existenciais.
O velho sábio o olhou de cima de seu filosófico poleiro, quando ele vinha se
esgueirando, tropeçando nos próprios pés, como que se escondendo de si mesmo. E
disse: "Olá! Você nem precisa dizer nada, do jeito que você está. Aposto que você
descobriu que não é você quem levanta o sol. Como foi que você se distraiu assim?
Por acaso você andou se apaixonando?". Sua voz tinha um tom divertido, mas ao
mesmo tempo compreensivo, como se tudo fosse natural para ele. A seu convite, o
galo angustiado empoleirou-se a seu lado e contou-lhe a sua história. O filósofo ouviu
cada detalhe com a paciência dos pensadores. Quando o consulente já se sentia
compreendido, o velho sábio fez-lhe uma longa preleção:
"Antes, quando você ainda achava que até o sol se levantava pelo poder do seu canto,
digamos que você estava enganado. Para definir seu problema com precisão, você
tinha o que pode ser chamado de "Ilusão de Onipotência". Então, pela mágica do amor,
você descobriu o seu próprio engano, e até aí estaria ótimo, porque nenhuma
vantagem existe em estar tão iludido. Saiba você que ninguém acredita realmente
nessa história de canto de galo levantar o sol. Para a maioria, isto é apenas simbólico:
só os tolos tomam isto ao pé da letra. "Entretanto, agora", continuou o sábio pensador,
"você está pensando que não tem mais nenhum valor, o que é de certa forma
compreensível em quem baseou a vida em tão grande ilusão. Contudo, examinando a
situação com maior profundidade, você está apenas trocando uma ilusão por outra
ilusão. O que era uma 'Ilusão de Onipotência' pode ser agora chamado de 'Ilusão de
Incompetência'. Aos meus olhos, continuou o sábio, nada realmente mudou. Você era,
é e vai continuar sendo, um galo normal, cumpridor de sua função de gerenciar o
galinheiro, de acordo com a tradição dos galináceos. Seu maior risco, continuou o
pensador, é o de ficar alternando ilusões. Ontem era 'Ilusão de Onipotência', hoje,
'Ilusão de Incompetência'. Amanhã você poderá voltar à Ilusão de Onipotência
novamente, e depois ter outra desilusão... Pense bem nisto: uma ilusão não pode ser
solucionada por outra ilusão. A solução não está nem nas nuvens nem no fundo do
poço. A solução está na realidade". Após um longo período de silêncio, o velho galo
filósofo voltou-se para os seus pensamentos. Nosso herói desceu da árvore para a vida
comum do galinheiro.
Na dia seguinte, aos primeiros raios da manhã, cantou para anunciar o sol nascente. E
tudo continuou como era antes.
Maurício de Souza Lima
Psicólogo - Diretor da Sociedade de Terapia Breve (BH) - Trainer em PNL pelo
Southern Institute of NLP da Flórida (home page: www.ibrapnl.com.br
diferença entre o céu e no inferno
Ele esteve lá
Conta-se que um poeta estava um dia passeando ao crepúsculo em uma floresta,
quando de repente surgiu diante dele uma aparição do maior dos poetas, Virgílio.
Virgílio disse ao apavorado poeta que o destino estava sorrindo para ele e que ele tinha
sido escolhido para conhecer os segredos do Céu e do Inferno. Por mágica Virgílio
transportou-se e ao poeta, ainda apavorado com experiência tão súbita, ao velho e
mítico rio que circundava o submundo. Entraram em uma canoa e Virgílio instruiu o
poeta para remar até o Inferno. Quando chegaram, o poeta estava algo surpreso por
encontrar um lugar semelhante à floresta onde estavam, e não feito de fogo e enxofre
nem infestado de demônios alados e criaturas nojentas exalando fogo, como ele
esperava.
Virgílio pegou o poeta pela mão e levou-o por uma trilha. Logo o poeta sentiu, à medida
que se aproximavam de uma barreira de rochas e arbustos, o cheiro de um delicioso
ensopado. Junto com o cheiro, entretanto, vinham misteriosos sons de lamentações e
ranger de dentes. Ao contornar as rochas, depararam-se com uma cena incomum.
Havia uma grande clareira com muitas mesas grandes e redondas. No meio de cada
mesa havia uma enorme panela contendo o ensopado cujo cheiro o poeta havia
sentido, e cada mesa estava cercada de pessoas definhadas e obviamente famintas.
Cada pessoa segurava uma colher com a qual tentava comer o ensopado. Devido ao
tamanho da mesa, entretanto, e por serem as colheres compridas de forma a alcançar
a panela no centro, o cabo das colheres era duas vezes mais comprido do que os
braços das pessoas que as usavam. Isto tornava impossível para qualquer uma
daquelas pessoas famintas colocar a comida na boca. Havia muita luta e imprecações
enquanto cada pessoa tentava desesperadamente pegar pelo menos uma gota do
ensopado.
O poeta ficou muito abalado com a terrível cena, até que tampou os olhos e suplicou a
Virgílio que o tirasse dali. Em um momento eles estavam de volta à canoa e Virgílio
mostrou ao poeta como chegar até o Céu. Quando chegaram, o poeta surpreendeu-se
novamente ao ver uma cena que não correspondia às suas expectativas. Aquele lugar
era quase exatamente igual ao que eles tinham acabado de sair. Não havia grandes
portões de pérolas nem bandos de anjos a cantar. Novamente Virgílio conduziu-o por
uma trilha onde um cheiro de comida vinha de trás de uma barreira de rochas e
arbustos. Desta vez, entretanto, eles ouviram cantos e risadas quando se
aproximaram. Ao contornarem a barreira, o poeta ficou muito surpreso de encontrar um
quadro idêntico ao que eles tinham acabado de deixar; grandes mesas cercadas por
pessoas com colheres de cabos desproporcionais e uma grande panela de ensopado
no centro de cada mesa. A única e essencial diferença entre aquele grupo de pessoas
e o que eles tinham acabado de deixar, era que as pessoas neste grupo estavam
usando suas colheres para alimentar uns aos outros.
Robert B. Dilts e outros
No livro Neuro-Linguistic Programming Vol. I (Meta Publications). Tradução: Virgílio
Vasconcelos Vilela
Negócio fechado!
Quando Marita tinha treze anos, as meninas usavam camisetas tingidas e jeans
rasgados. Embora tivesse crescido durante a Depressão e não tivesse dinheiro para
roupas, eu nunca havia me vestido de forma tão desleixada. Um dia, vi Marita na rua
esfregando a bainha de seus jeans novos com poeira e pedras. Fiquei furiosa quando a
vi estragando as calças que eu havia acabado de pagar e corri para lhe dizer isso. Ela
continuou a triturar as calças enquanto eu recomeçava minha novela de privações da
infância. Quando terminei, sem conseguir levá-la às lagrimas de arrependimento,
perguntei por que ela estava arruinando seus jeans novos. Ela respondeu sem me
olhar:
 Não se pode usar jeans novos.
 Por que não?
 Porque não, por isso estou esfregando para que pareçam velhos.
Uma total falta de lógica! Como poderia ser moda estragar roupas novas?
Todas as manhãs, quando ela saía de casa para a escola, eu olhava para ela e
suspirava:
 Minha filha, com essa aparência.
Lá estava ela com a velha camisa do pai, tingida com grandes manchas e tiras azuis.
Perfeita para pano de chão, pensei. E os jeans – tão baixos que eu temia que se ela
respirasse fundo eles desceriam de seu traseiro. Mas para onde eles iriam? Eram tão
justos e duros que não poderiam se mover. As bainhas, com a ajuda das pedras,
tinham fios que se arrastavam atrás dela à medida que andava.
Um dia, depois que ela saiu para a escola, foi como se Deus chamasse minha atenção
e dissesse:
 Você percebe quais são suas ultimas palavras a Marita todas as manhãs? "Minha filha,
com essa aparência." Quando ela chega à escola e seus amigos falam de suas mães
antiquadas que reclamam o tempo todo, ela terá seus comentários constantes para
contribuir. Você já olhou para as outras garotas da classe dela? Por que você não dá
uma olhada?
Naquele dia, fui buscá-la na escola e observei que muitas das outras meninas tinham
uma aparência ainda pior. No caminho para casa, mencionei minha reação exagerada
aos seus jeans arruinados. Assumi um compromisso:
 De agora em diante, você pode usar o que quiser para ir à escola e sair com seus
amigos; e eu não vou mais importuná-la.
 Será um alívio.
 Mas quando você for comigo à igreja ou ao shopping ou à casa de meus amigos,
gostaria que se vestisse do jeito que você sabe que eu gosto sem precisar dizer uma
palavra.
Ela pensou no acordo.
Então acrescentei:
 Isso significa 95% do seu jeito e 5% do meu. O que você acha?
Seus olhos brilharam e ela estendeu sua mão e apertou a minha.
 Negócio fechado!
Daquele dia em diante, passei a despedir-me dela alegremente pela manhã, sem
importuná-la a respeito de suas roupas. Quando saíamos juntas, ela se vestia
adequadamente, sem estardalhaço. Negócio fechado!
Florence Littauer
Canja de Galinha para a Alma
Jack Canfield & Mark Victor Hansen
Ediouro
Para acessar mais metáforas e de semanas anteriores: www.metaforas.com.br
Cores da Amizade
Houve uma vez que as cores do mundo começaram uma disputa entre si. Cada uma
reivindicava para si que era a melhor. A mais importante. A mais útil. A favorita...
A cor Verde disse:
– "Claro que sou a mais importante. Eu sou sinal de vida e de esperança. Eu fui a
escolhida para a grama, árvores e folhas. Sem mim, morreriam todos os animais.
Examine o campo e verá que sou maioria".
A cor Laranja, estando próxima, colocou a boca no trombone:
– "Eu sou a cor da saúde e força. Eu posso estar escassa, mas eu sou preciosa porque
eu sirvo as necessidades da vida humana. Eu sou levada nas vitaminas mais
importantes. Pense em cenouras, abóboras, laranjas e mamões. Eu não fico vadiando
o tempo todo, mas quando eu encho o céu ao amanhecer ou ao pôr-do-sol, minha
beleza é tão impressionante que ninguém mais pensa em qualquer uma de vocês".
A cor Azul interrompeu: – "Você só pensa na terra, mas deve considerar o céu e o mar.
A água é a base de vida e é retirada pelas nuvens do mar profundo. O céu dá espaço e
paz e serenidade. Sem minha paz, você não seria nada".
A cor Rosa, já cheia de tudo, falou com grande pompa: – "Eu sou a cor da realeza e do
poder. Reis, chefes, e bispos sempre me escolheram, porque eu sou sinal de
autoridade e sabedoria. As pessoas não me questionam! Elas escutam e obedecem".
A cor Azul Marinho, muito mais calma que todas as outras, mas da mesma maneira e
com muita determinação, disse: – "Pensem em mim. Eu sou a cor do silêncio. Vocês
nem sempre me notam, mas sem mim todos vocês ficam superficiais. Eu represento o
pensamento e a reflexão, crepúsculo e água profunda. Vocês precisam de mim para o
equilíbrio e para o contraste, para a oração e para a paz interior".
A cor Vermelha não agüentou por muito tempo e gritou: – "Eu governo todos vocês! Eu
sou sangue – o sangue da vida! Eu sou a cor do perigo e da coragem. Eu estou
disposta a lutar por uma causa. Eu trago fogo no sangue. Sem mim, a terra estaria tão
vazia quanto a lua. Eu sou a cor da paixão e do amor".
Finalmente, a cor Amarela riu: – "Você é sempre tão séria! Eu trago risada, alegria, e
calor para o mundo. O sol é amarelo, a lua é amarela, as estrelas são amarelas. Toda
vez que se olha para um girassol, o mundo inteiro começa a sorrir. Sem mim, não
haveria nada divertido".
E assim, as cores se ostentavam, cada uma se convencendo de sua superioridade. A
disputa estava cada vez mais acirrada, quando, de repente, um flash surpreendente de
um trovão iluminou tudo...
A chuva verteu implacavelmente. As cores se encolheram de medo, enquanto
procuravam ficar mais perto uma das outras.
No meio do barulho, a chuva começou a falar:
- "Vocês, cores tolas, lutando entre si, cada uma tentando dominar as outras... vocês
não sabem que cada cor traz um propósito especial? Nem igual e nem diferente?
Dêem as mãos e venham a mim".
Fazendo como lhes fôra dito, as cores se uniram e deram-se as mãos. A chuva
continuou:
"De agora em diante, quando chover, cada uma de vocês se estirará pelo céu, em um
grande arco colorido para lembrar que se pode viver em paz. Criarão o Arco-Íris... e ele
será sempre um sinal de esperança".
E assim, sempre que uma boa chuva lava o mundo, um Arco-Íris aparece no céu,
mostrando a amizade e a paz entre as cores que dura até hoje e durará para sempre.
De: Inspirational Stories
Enviado por: Castro Lima de Sousa
Discernimento - 03/12/98
Ninguém se arriscava a passar por um caminho onde uma cobra venenosa tinha feito
sua moradia. Certa vez, um homem sábio passava tranqüilamente pelo caminho tão
temido, desconhecedor de que ali vivia a tal serpente. Subitamente, ao sentir as
vibrações e o calor do homem, a serpente levantou a cabeça, desenrolou o enorme
corpo e aprontou-se para o bote. O homem, ao avistá-la, pronunciou uma fórmula
mágica e ela caiu aos seus pés. A cobra, amansada pela força da magia e pelo
destemor, olhava atenta para o sábio.
- Minha amiga - perguntou ele à cobra -, você tem a intenção de me morder?
A cobra, espantada, não abriu a boca.
- Por que você ataca as pessoas desavisadas, fazendo mal a elas? Eu vou lhe ensinar
uma fórmula mágica poderosa, e você vai repeti-la constantemente. Desse modo,
aprenderá a amar a Deus e aos seres de Deus e, ao mesmo tempo, perderá a vontade
de fazer mal aos outros e agredir indiscriminadamente.
O homem murmurou a fórmula no ouvido da cobra. Ela agradeceu, balançando a
cabeça, e voltou para o buraco que a abrigava. Desse dia em diante, passou a levar
uma vida inocente, dócil e pura, sem sentir desejo de atacar ninguém.
Passados alguns dias, as crianças do lugarejo perceberam a mudança de
comportamento da cobra e, pensando que ela tinha perdido o veneno, começaram a
maltratá-la. Atiravam-lhe pedras e cutucavam seu corpo roliço com gravetos
pontiagudos, machucando o pobre animal. Gravemente ferida, a cobra não reagia e
voltava desconsoladamente para o seu abrigo. Tempos depois, o sábio voltou a passar
pelo caminho e procurou sua amiga serpente, mas não a encontrou. As crianças
disseram que ela havia morrido. Ele sabia que Deus é poderoso e que não permitiria
que ela morresse sem ter solucionado o grande problema da vida, isto é, o
autoconhecimento pela realização do divino. Continuou a chamar por ela. Finalmente,
surgiu o animal arrastando-se, tão magro como um esqueleto, e parou aos pés do
mestre.
- Minha amiga, como você está?
- Muito bem. Vai tudo bem, graças a Deus.
- Mas por que você está tão magra e fraca?
- Como o mestre me ensinou, procuro não fazer mal a nenhuma criatura. Alimento-me
só de folhas. Por isso emagreci.
- Não, não deve ser apenas a mudança de alimentação. Deve haver outra razão.
Pense um pouco!
- Ah, sim! Agora me lembro. Uns meninos malvados me bateram e me feriram. Eles não
sabiam que eu não mordia mais e me atacaram por medo.
- Minha boa amiga, eu lhe recomendei não morder. Não a proibi de silvar para afastar
os importunos e mostrar quem você é.

História de Sri Ramakrishna


Presente de Natal ...
Um dia, Alfredo acordou em uma véspera de Natal, muito contente, pois uma data
muito importante estava para chegar.
Era o dia do aniversário do menino Jesus, e é lógico, o dia em que o Papai Noel vinha
visitá-lo todos os anos.
Com seus cinco aninhos, esperava ansiosamente o cair da noite, para voltar a dormir e
olhar o seu pé de meia que estava frente a porta, pois não tinha árvore de Natal.
Dormiu muito tarde, para ver se conseguia pegar aquele velhinho no "flagra", mas
como o sono era maior do que sua vontade, dormiu profundamente.
Na manhã de Natal, observou que seu pé de meia não estava lá, e que não havia
presente algum em toda a sua casa. Seu pai desempregado, com os olhos cheios de
água, observava atentamente ao seu filho, e esperava tomar coragem para falar que o
seu sonho não existia, e com muita dor no coração o chama:
- Alfredo meu filho, venha cá!
Mas antes mesmo do Pai poder falar...
- Papai?
- - Pois não filho?
- - O Papai Noel se esqueceu de mim...
Falando isso, Alfredo abraça seu pai e os dois se põem a chorar, quando Alfredo fala:
- Ele também esqueceu do senhor papai?
- - Não meu filho. O melhor presente que eu poderia ter ganho na vida está em meus
braços, e fique tranquilo pois eu sei que o papai Noel não esqueceu de você.
- - Mas todas as outras crianças vizinhas estão brincando com seus presentes... Ele
pulou a nossa casa...
- - Não pulou não... O seu presente está te abraçando agora, e vai te levar para um
dos melhores passeios da sua vida!
E assim, foram para um parque e Alfredo brincou com seu pai durante o resto do dia,
voltando somente no começo da noite.
Chegando em casa muito sonolento, Alfredo foi para o seu quarto, e "escreveu" para o
Papai Noel:
-"Querido Papai Noel, eu sei que é cedo demais para escrever e pedir alguma coisa,
mas quero agradecer o presente que o senhor me deu.
Desejo que todos os Natais sejam como esse, faça com que meu pai esqueça de seus
problemas, e que ele possa se distrair comigo, passando uma tarde maravilhosa como
a de hoje.
Obrigado pela minha vida, pois descobri que não são com brinquedos que somos
felizes, e sim, com o verdadeiro sentimento que está dentro de nós, que o senhor
desperta nos Natais.
De quem te agradece por tudo, Alfredo."
E foi dormir...
Entrando no quarto para dar boa-noite ao seu filho, o pai de Alfredo viu a cartinha, e a
partir desse dia, não deixou que os seus problemas afetassem a felicidade dele, e
começou a fazer com que todo dia fosse um Natal para ambos.
(Autor desconhecido) Enviada por: Edeli Arnaldi
Pequenos gestos.
É curioso observar como a vida nos oferece resposta aos mais variados
questionamentos do cotidiano...
Vejamos:
A mais longa caminhada só é possível passo a passo...
O mais belo livro do mundo foi escrito letra por letra...
Os milênios se sucedem, segundo a segundo...
As mais violentas cachoeiras se formam de pequenas fontes...
A imponência do pinheiro e a beleza ipê começaram ambas na simplicidade das
sementes...
Não fosse a gota e não haveria chuvas...
O mais singelo ninho se fez de pequenos gravetos e a mais bela construção não se
teria efetuado senão a partir do primeiro tijolo...
As imensas dunas se compõem de minúsculos grãos de areia...
Como já refere o adágio popular, nos menores frascos se guardam as melhores
fragrâncias...
É quase incrível imaginar que apenas sete notas musicais tenham dado vida à "Ave
Maria", de Bach, e à "Aleluia", de Hendel...
O brilhantismo de Einstein e a ternura de Tereza de Calcutá tiveram que estagiar no
período fetal e nem mesmo Jesus, expressão maior de Amor, dispensou a fragilidade
do berço...
... Assim também o mundo de paz, de harmonia e de amor com que tanto sonhamos só
será construído a partir de pequenos gestos de compreensão, solidariedade, respeito,
ternura, fraternidade, benevolência, indulgência e perdão, dia a dia...
Ninguém pode mudar o mundo, mas podemos mudar uma pequena parcela dele: esta
parcela que chamamos de "Eu".
Não é fácil nem rápido...
Mas vale a pena tentar! Sorria!!!
Enviada por: Edinea Vieira
O AMOR
Diz a lenda que o Senhor, após criar o homem e não tendo mais nada sólido para
construir a mulher, tomou um punhado de ingredientes delicados e contraditórios, tais
como timidez e ousadia, ciúme e ternura, paixão e ódio, paciência e ansiedade, alegria
e tristeza e assim fez a mulher e a entregou ao homem como sua companheira.
Após uma semana, o homem voltou e disse:
Senhor, a criatura que você me deu faz a minha vida infeliz.
Ela fala sem cessar e me atormenta de tal maneira que nem tenho tempo para
descansar.
Ela insiste em que lhe dê atenção o dia inteiro... e assim as minhas horas são
desperdiçadas.
Ela chora por qualquer motivo. Facilmente fica emburrada e fica às vezes muito tempo
ociosa. Vim devolvê-la porque não posso viver com ela.
Depois de uma semana o homem voltou ao Criador e disse:
Senhor, minha vida é tão vazia desde que eu trouxe aquela criatura de volta! Eu
sempre penso nela: em como ela dançava e cantava, como era graciosa, como me
olhava, como conversava comigo e como se achegava a mim.
Ela era agradável de se ver e de se acariciar. Eu gostava de ouvi-la rir.
Por favor, devolva-me ela.
Está bem, disse o Criador. E a devolveu.
Mas, três dias depois, o homem voltou e disse:
Senhor, eu não sei. Eu não consigo explicar, mas depois de toda esta minha
experiência com esta criatura, cheguei à conclusão que ela me causa mais problemas
do que prazer. Peço-lhe, tomá-la de novo! Não consigo viver com ela!
O Criador respondeu:
Mas também não pode viver sem ela. E virou as costas para o homem e continuou o
seu trabalho.
O homem desesperado disse:
Como é que eu vou fazer? Não consigo viver com ela e não consigo viver sem ela.
E arremata o autor: Achei que, com as tentativas, você já tivesse descoberto.
Amor é um sentimento a ser aprendido: É tensão e satisfação - É desejo e hostilidade -
É alegria e dor - Um não existe sem o outro.
A felicidade é apenas uma parte integrante do amor. Isto é o que deve ser aprendido. O
sofrimento também pertence ao amor. Este é o grande mistério do amor. A sua própria
beleza e o seu próprio fardo.
Em todo o esforço que se realiza para o aprendizado do amor é preciso considerar
sempre a doação e o sacrifício ao lado da satisfação e da alegria. A pessoa terá
sempre que abdicar alguma coisa para possuir ou ganhar uma outra coisa.
Terá que desembolsar algo para obter um bem maior e melhor para sua felicidade.
É como plantar uma árvore frente a uma janela. Ganha sombra, mas perde uma parte
da paisagem. Troca o silêncio pelo gorjeio da passarada ao amanhecer.
É preciso considerar tudo isto quando nos dispomos a enfrentar o aprendizado do
amor.
Autor: Desconhecido
TOLERÂNCIA
Um famoso senhor com poder de decisão, gritou com um diretor da sua empresa
porque estava com ódio naquele momento.
O diretor, chegando em casa, gritou com sua esposa, acusando-a de queestava
gastando demais, porque havia um bom e farto almoço à mesa.Sua esposa gritou com
a empregada que quebrou um prato.A empregada chutou o cachorrinho no qual
tropeçara.O cachorrinho saiu correndo e mordeu uma senhora que ia passando pela
rua,porque estava atrapalhando sua saída pelo portão.Essa senhora foi à farmácia
para tomar vacina e fazer um curativo e gritou com o farmacêutico, porque a vacina
doeu ao ser-lhe aplicada.O farmacêutico, chegando em casa, gritou com sua mãe,
porque o jantar não estava do seu agrado.Sua mãe, tolerante, um manancial de amor e
perdão, afagou seus cabelos e beijou-o na testa, dizendo-lhe:"- Filho querido, prometo-
lhe que amanhã farei os seus doces favoritos.Você trabalha muito, está cansado e
precisa de uma boa noite de sono. Vou trocar os lençóis da sua cama, pôr outros bem
limpinhos e cheirosos para que você descanse em paz. Amanhã você vai se sentir
melhor."
E abençoou-o, retirando-se e deixando-o sozinho com os seus pensamentos. Naquele
momento, rompeu-se o círculo do ódio, porque ele esbarrou-se com a TOLERÂNCIA, a
DOÇURA, o PERDÃO e o AMOR. Se você está, ou se colocaram você em um círculo
do ódio, lembre-se de que com TOLERÂNCIA, DOÇURA, PERDÃO e AMOR pode-se
quebrá-lo."
Autor: Desconhecido
Pequeno Conto Chinês
Conta-se que por volta do ano 250 A.C, na China antiga, um príncipe da região norte
do país, estava às vésperas de ser coroado imperador, mas, de acordo com a lei, ele
deveria se casar. Sabendo disso, ele resolveu fazer uma "disputa" entre as moças da
corte ou quem quer que se achasse digna de sua proposta.
No dia seguinte, o príncipe anunciou que receberia, numa celebração especial, todas
as pretendentes e lançaria um desafio. Uma velha senhora, serva do palácio há muitos
anos, ouvindo os comentários sobre os preparativos, sentiu uma leve tristeza, pois
sabia que sua jovem filha nutria um sentimento de profundo amor pelo príncipe.
Ao chegar em casa e relatar o fato a jovem, espantou-se ao saber que ela pretendia ir
à celebração, e indagou incrédula:
- Minha filha, o que você fará lá? Estarão presentes todas as mais belas e ricas moças
da corte. Tire esta idéia insensata da cabeça; eu sei que você deve estar sofrendo, mas
não torne o sofrimento uma loucura.
E a filha respondeu:
Não, querida mãe, não estou sofrendo e muito menos louca, eu sei que jamais poderei
ser a escolhida, mas é minha oportunidade de ficar pelo menos alguns momentos perto
do príncipe, isto já me torna feliz.
À noite, a jovem chegou ao palácio. Lá estavam, de fato, todas as mais belas moças,
com as mais belas roupas, com as mais belas jóias e com as mais determinadas
intenções. Então, inicialmente, o príncipe anunciou o desafio:
Darei a cada uma de vocês, uma semente. Aquela que, dentro de seis meses, me
trouxer a mais bela flor, será escolhida minha esposa e futura imperatriz da China.
A proposta do príncipe não fugiu as profundas tradições daquele povo, que valorizava
muito a especialidade de "cultivar" algo, sejam costumes, amizades, relacionamentos,
etc... O tempo passou e a doce jovem, como não tinha muita habilidade nas artes da
jardinagem, cuidava com muita paciência e ternura a sua semente, pois sabia que se a
beleza da flor surgisse na mesma extensão de seu amor, ela não precisava se
preocupar com o resultado. Passaram-se três meses e nada surgiu. A jovem tudo
tentara, usara de todos os métodos que conhecia, mas nada havia nascido.
Dia após dia ela percebia cada vez mais longe o seu sonho, mas cada vez mais
profundo o seu amor. Por fim, os seis meses haviam passado e nada havia brotado.
Consciente do seu esforço e dedicação a moça comunicou a sua mãe que,
independente das circunstâncias retornaria ao palácio, na data e hora combinadas,
pois não pretendia nada além de mais alguns momentos na companhia do príncipe. Na
hora marcada estava lá, com seu vaso vazio, bem como todas as outras pretendentes,
cada uma com uma flor mais bela do que a outra, das mais variadas formas e cores.
Ela estava admirada, nunca havia presenciado tão bela cena.
Finalmente chega o momento esperado e o príncipe observa cada uma das
pretendentes com muito cuidado e atenção. Após passar por todas, uma a uma, ele
anuncia o resultado e indica a bela jovem como sua futura esposa. As pessoas
presentes tiveram as mais inesperadas reações. Ninguém compreendeu porque ele
havia escolhido justamente aquela que nada havia cultivado. Então, calmamente o
príncipe esclareceu:
- Esta foi a única que cultivou a flor que a tornou digna de se tornar uma imperatriz. A
flor da honestidade, pois todas as sementes que entreguei eram estéreis.
Se para vencer, estiver em jogo a sua honestidade, perca. Você será sempre um
Vencedor.
Autor desconhecido
Enviada por:Virgílio Vilela
O FRIO
Seis homens ficaram bloqueados numa caverna por uma avalanche de neve. Teriam
que esperar até o amanhecer para poderem receber socorro. Cada um deles trazia um
pouco de lenha e havia uma pequena fogueira ao redor da qual eles se aqueciam. Se o
fogo apagasse - eles sabiam -, todos morreriam de frio antes que o dia clareasse.
Chegou a hora de cada um colocar sua lenha na fogueira. Era a única maneira de
poderem sobreviver.
O primeiro homem era um racista. Ele olhou demoradamente para os outros cinco e
descobriu que um deles tinha a pele escura. Então ele raciocinou consigo mesmo:
- "Aquele negro! Jamais darei minha lenha para aquecer um negro". E guardou-a,
protegendo-a dos olhares dos demais.
O segundo homem era um rico avarento. Ele estava ali porque esperava receber os
juros de uma dívida. Olhou ao redor e viu no círculo em torno do fogo bruxuleante, um
homem da montanha, que trazia sua pobreza no aspecto do semblante e nas roupas
velhas e remendadas. Ele fez as contas do valor da sua lenha e enquanto mentalmente
sonhava com o seu lucro, pensou:
- "Eu? Dar a minha lenha para aquecer um preguiçoso?" E reservou-a.
O terceiro homem era um negro. Seus olhos faiscavam de ira e ressentimento. Não
havia qualquer sinal de perdão ou mesmo aquela superioridade moral que o sofrimento
ensina. Seu pensamento era muito prático:
- "É bem provável que eu precise desta lenha para me defender. Além disso, eu jamais
daria minha lenha para salvar àqueles que me oprimem". E guardou suas lenhas com
cuidado.
O quarto homem era um pobre da montanha. Ele conhecia mais do que os outros os
caminhos, os perigos e os segredos da neve. Ele pensou:
- "Esta nevasca pode durar vários dias. Vou guardar minha lenha."
O quinto homem parecia alheio a tudo. Era um sonhador. Olhando fixamente para as
brasas. Nem lhe passou pela cabeça oferecer da lenha que carregava. Ele estava
preocupado demais com suas próprias visões (ou alucinações?) para pensar em ser
útil.
O último homem trazia, nos vincos da testa e nas palmas calosas das mãos, os sinais
de uma vida de trabalho. Seu raciocínio era curto e rápido.
- "Esta lenha é minha. Custou o meu trabalho. Não darei a ninguém nem o menor dos
meus gravetos".
Com estes pensamentos, os seis homens permaneceram imóveis. A última brasa da
fogueira se cobriu de cinzas e finalmente se apagou. Ao alvorecer do dia, quando os
homens do Socorro chegara à caverna, encontraram seis cadáveres congelados, cada
qual segurando um feixe de lenha. Olhando para aquele triste quadro, o chefe da
equipe de Socorro disse:
- "O frio que os matou não foi o de fora, mas o frio que veio de dentro".
Do livro: As 100 mais belas parábolas de todos os tempos
Organização e seleção: Alexandre Rangel insight@insight.com.br
Metáfora do Golfinho, da carpa e do tubarão
Uma brilhante metáfora criada por Dudley Lynch e Paul Kordis do Brain Technologies
Institute - do tubarão, da carpa e do golfinho.
Existem três tipos de animais: as carpas, os tubarões e os golfinhos. A carpa é dócil,
passiva e que quando agredida não se afasta nem revida. Ela não luta mesmo quando
provocada. Se considera uma vítima, conformada com seu destino.
Alguém tem que se sacrificar, a carpa se sacrifica. Ela se sacrifica porque acredita que
há escassez. Nesse caso, para parar de sofrer ela se sacrifica. Carpas são aquelas
pessoas que numa negociação sempre cedem, sempre são os que recuam; em crises,
se sacrificam por não poderem ver outros se sacrificarem. Jogam o perde-ganha,
perdem para que o outro possa ganhar.
Declaração que a carpa faz para si mesmo:
• "Sou uma carpa e acredito na escassez. Em virtude dessa crença, não espero
jamais fazer ou ter o suficiente. Assim, se não posso escapar do aprendizado e
da responsabilidade permanecendo longe deles, eu geralmente me sacrifico."
Nesse mar existe outro tipo de animal: o tubarão. O tubarão é agressivo por natureza,
agride mesmo quando não provocado. Ele também crê que vai faltar. Tem mais, ele
acredita que, já que vai faltar, que falte para outro, não para ele!
"Eu vou tomar de alguém!" O tubarão passa o tempo todo buscando vítimas para
devorar porque ele acredita que podem faltar vítimas. Que vítimas são as preferidas
dos tubarões? Acertou, as carpas. Tanto o tubarão como a carpa acabam viciados nos
seus sistemas. Costumam agir de forma automática e irresistível. Os tubarões jogam o
ganha-perde, eles tem que ganhar sempre, não se importando que o outro perca.
Declaração que o tubarão faz para si mesmo:
• "Sou um tubarão e acredito na escassez. Em razão dessa crença, procuro obter
o máximo que posso, sem nenhuma consideração pelos outros.
Primeiro, tento vencê-los; se não consigo, procuro juntar-me a eles."

O terceiro tipo de animal: o golfinho. Os golfinhos são dóceis por natureza. Agora,
quando atacados revidam e se um grupo de golfinhos encontra uma carpa sendo
atacada eles defendem a carpa e atacam os seus agressores.
Os "Verdadeiros" golfinhos são algumas das criaturas mais apreciadas das
profundezas. Podemos suspeitar que eles sejam muito inteligentes - talvez, à sua
própria maneira, mais inteligentes do que o Homo Sapiens. Seus cérebros, com
certeza, são suficientemente grandes - cerca de 1,5 quilograma, um pouco maiores do
que o cérebro humano médio - e o córtex associativo do golfinho, a parte do cérebro
especializada no pensamento abstrato e conceitual, é maior do que o nosso. E é um
cérebro, como rapidamente irão observar aqueles fervorosos entusiastas dedicados a
fortalecer os vínculos entre a nossa espécie e a deles, que tem sido tão grande quanto
o nosso, ou maior do que o nosso, durante pelo menos 30 milhões de anos.
O comportamento dos golfinhos em volta dos tubarões é legendário e, provavelmente,
eles fizeram por merecer essa fama. Usando sua inteligência e sua astúcia, eles
podem ser mortais para os tubarões. Matá-los a mordidas? Oh, não! Os golfinhos
nadam em torno e martelam, nadam e martelam. Usando seus focinhos bulbosos como
clavas, eles esmagam metodicamente a "caixa torácica" do tubarão até que a mortal
criatura deslize impotente para o fundo.
Todavia, mais do que por sua perícia no combate ao tubarão, escolhemos o golfinho
para simbolizar as nossas idéias sobre como tomar decisões e como lidar com épocas
de rápidas mudanças devido às habilidades naturais desse mamífero para pensar
construtiva e criativamente. Os golfinhos pensam? Sem dúvida. Quando não
conseguem o que querem, eles alteram os seus comportamentos com precisão e
rapidez, algumas vezes de forma engenhosa, para buscar aquilo que desejam.
Golfinhos procuram sempre o equilíbrio, jogam o ganha-ganha, procuram sempre
encontrar soluções que atendam as necessidades de todos.
Declaração que o golfinho faz para si mesmo:
• "Sou um golfinho e acredito na escassez e na abundância potenciais. Assim
como acredito que posso ter qualquer uma dessas duas coisas - é esta a nossa
escolha - e que podemos aprender a tirar o melhor proveito de nossa força e
utilizar nossos recursos de um modo elegante, os elementos fundamentais do
modo como crio o meu mundo são a flexibilidade e a capacidade de fazer mais
com menos recursos."
Se os golfinhos podem fazer isso, por que não nós?
Achamos que podemos.
Adaptado de: "A Estratégia do Golfinho"
Dudley Lynch e Paul L. Kordis - Ed. Cultrix.
Conversão
O carro
Era uma vez um rapaz que ia muito mal na escola. Sua notas e comportamento eram
uma decepção para seus pais que, como bons cristãos, sonhavam em vê-lo formado e
bem sucedido. Um belo dia, o bom pai lhe propôs um acordo: se você, meu filho,
mudar o comportamento, se dedicar aos estudos e conseguir ser aprovado no
vestibular para a Faculdade de Medicina, lhe darei então um carro de presente.
Por causa do carro, o rapaz mudou da água para o vinho. Passou a estudar como
nunca e a ter um comportamento exemplar. O pai estava feliz, mas tinha uma
preocupação. Sabia que a mudança do rapaz não era fruto de uma conversão sincera,
mas apenas do interesse em obter o automóvel. Isso era mau!
O rapaz seguia os estudos e aguardava o resultado de seus esforços. Assim, o grande
dia chegou! fora aprovado para o curso de Medicina. Como havia prometido, o pai
convidou a família e os amigos para uma festa de comemoração. O rapaz tinha por
certo que na festa o pai lhe daria o automóvel. Quando pediu a palavra, o pai elogiou o
resultado obtido pelo filho e lhe passou às mãos uma caixa de presente. Crendo que ali
estavam as chaves do carro, o rapaz abriu emocionado o pacote. Para sua surpresa
era uma Bíblia. O rapaz ficou visivelmente decepcionado e nada disse. A partir daquele
dia, o silêncio e distância separavam pai e filho. O jovem se sentia traído e, agora,
lutava para ser independente. Deixou a casa dos pais e foi morar no Campus da
Universidade. Raramente mandava notícias à família. O tempo passou, ele se formou,
conseguiu um emprego em um bom hospital e se esqueceu completamente do pai.
Todas as tentativas do pai para reatar os laços foram em vão. Até que um dia o velho,
muito triste com a situação, adoeceu e não resistiu. Faleceu.
No enterro, a mãe entregou ao filho, indiferente, a Bíblia que tinha sido o último
presente do pai e que havia sido deixada para trás. De volta à sua casa, o rapaz, que
nunca perdoara o pai, quando colocou o livro numa estante, notou que havia um
envelope dentro dele. Ao abri-lo, encontrou uma carta e um cheque. A carta dizia: "Meu
querido filho, sei o quanto você deseja ter um carro. Eu prometi e aqui está o cheque
para que você escolha aquele que mais lhe agradar. No entanto, fiz questão de lhe dar
um presente ainda melhor: A Bíblia Sagrada. Nela aprenderás o Amor a Deus e a fazer
o bem, não pelo prazer da recompensa, mas pela gratidão e pelo dever de
consciência".
Corroído de remorso, o filho caiu em profundo pranto. Como é triste a vida dos que não
sabem perdoar. Isso leva a erros terríveis e a um fim ainda pior. Antes que seja tarde,
perdoe aquele a quem você pensa ter lhe feito mal. Talvez se olhar com cuidado, verá
que há também um "cheque escondido" em todas as adversidades da vida.
A Construção do Navio
A construção de um navio parece com a formação das pessoas. Durante a gestação o
casco é construído, até que somos lançados ao mar. A maior parte de um navio é
colocada depois, como acontece com a gente. Camarotes, porões, motores, pinturas,
enfeites são acrescentados durante a infância e adolescência, até o navio ficar pronto
para a primeira viagem. Um navio fica pronto quando sai do estaleiro, mas com a gente
é diferente - e este é o desafio de cada um, pois crescemos todo dia e nunca ficamos
prontos.
Apesar disso é preciso partir.... Mas nem todos têm a coragem de ir e continuam
atracados ao cais, julgando-se incapazes de navegar sozinhos. Algumas pessoas são
obrigadas a zarpar, já que os encargos de segurança do porto tornam-se pesados
demais e, às vezes, perdem um tempo precioso da viagem revoltadas e lamentando-se
por tudo isso.... mas nem todo mundo é assim....
Alguns mal o dia amanhece, já partiram. Parecem muito ocupados e logo somem no
horizonte. Desde cedo sabem o que querem e têm pressa de viver. Outros navios
também saem logo que podem, mas ficam dando voltas e mais voltas sem chegar a
lugar algum. Acabam navegando só para comprar mais combustível todo dia, e o que
ganham mal dá para a reforma do casco...
Os maiores desperdiçadores de seus próprios recursos são aqueles que não sabem o
que querem... e o pior é que, quando a gente não sabe direito o que espera do rumo
que está tomando ou nem se tem um rumo, não pode corrigir a rota se estiver no
caminho errado... nós somos os maiores responsáveis pelas tempestades que não
conseguimos evitar.
Já outras pessoas deixam de navegar milhares de milhas para se conformarem com
umas poucas centenas, porque tem medo de atrair ventos contrários ou então querem
agradar ou impressionar alguém.... a gente não deve aceitar isso, pois significa
concordar em ser menos do que pode ser. Todo dia é dia de evolução e aprendizado e,
como a lua cheia, quando paramos de crescer, começamos a diminuir.
Então a primeira coisa a fazer é tornar-se comandante de si próprio e isso equivale a
pensar com a própria cabeça, ser timão e timoneiro, assumindo riscos pelos erros, pois
só erram os que tem a coragem para ousar e, se caírem, levantar e tentar de novo-
sempre... pois ninguém sabe nossa autonomia no mar, nossa capacidade de carga, ou
a que velocidade podemos singrar as águas dos oceanos, sejam azuis ou escuras.
Ninguém nos conhece melhor que nos mesmos e, por mais que digam o que temos -
ou não temos - que fazer, ninguém pode viver a vida no nosso lugar. Outras pessoas,
ainda, vivem frustradas e infelizes porque não conseguem ter as mesmas coisas que
viram em outro navio. Algumas também vivem furiosas quando alguma coisa ou
alguém não age ou sai como gostariam. O amor a si próprio e ao próximo é um
exercício diário para saber a diferença entre o que precisa ser mudado e o que
devemos aceitar como é.
Muita gente tem preferido impor suas idéias e opiniões em vez de escutar o outro; ficar
revoltada com o mundo, em vez de admirar a vida, pois não sabem o que é amar. E
tem viajantes que pensam no amor como algo a ser obtido, como se fosse um objeto e
não como uma arte que precisa ser aprendida. Alguns acabam confundindo o amor,
Deus ou a felicidade com o significado de suas rotas, e vivem frustradas navegando
atrás do que não conseguem alcançar - e até desistem no meio do caminho,
desalentados, achando que a vida não vale a pena, que Deus não existe e felicidade e
amor são balelas... mas Deus, felicidade, amor, bondade não são lugares ou coisas
que possam ser possuídos.
A primeira coisa a fazer para quem quer encontrar estes bens é não procurar! Quando
procuramos o que não é um lugar ou objeto, e que muito menos está escondido, quem
fica perdido somos nós mesmos. Mas quando não procuramos, porque não pode ser
encontrado fora de nós, descobrimos que o que tanto queremos - Deus, felicidade, paz
- habita camarotes no coração do nosso próprio navio... e tem pessoas tão
preocupadas em procurar do lado de fora que até se esquecem de olhar por dentro!...
Não existe navio que não tem passado por tempestades e muitos afundam por não
saberem evitá-las, por falta de comunicação ou por acharem que não precisam dos
outros. Somos fortes quando unidos. Juntos somos tão grandes e poderosos quanto a
onda mais forte e ameaçadora. Perdoar as falhas e limitações de nossos semelhantes
é muito mais que amor ou virtude - é questão de inteligência e sobrevivência... pois a
única coisa que possuímos de verdade é a necessidade do outro.
Mas não existe tempestades que durem para sempre, assim como os dias de sol
também não são permanentes. Dor e frustrações muitas vezes são resultado de
querermos perpetuar momentos de prazer, bem-estar, alegria, que por si só são
efêmeros e com que facilidade esquecemos que nada é eterno - a não ser o próprio
movimento - e que, por isso, momentos de alegria se alternam com momentos de
tristeza, dor se alterna com prazer, fome com saciedade, doença com saúde - um
sempre dando lugar ao outro.
Quando a gente pára de tentar lutar contra isso e se abandona nesse jogo delicioso da
vida, descobrimos que, acima de tudo, a vida vale a pena ser vivida intensamente.
Autor e fonte desconhecidos
O Carneirinho Perdido
Baseada em Lucas 15:3-7
A mãe ovelha amava seu carneirinho da mesma forma que sua mãe amava você.
Era um filhote pequenino, de perninhas finas e com muito pouca lã ainda. Passava a
noite no ovil, dormindo aconchegado no calor da lã de sua mãe.
Passava o dia mordiscando a relva, bebendo a água do córrego e brincando na
pradaria.
Cuide do meu carneirinho a mãe ovelha tentou dizer ao pastor do rebanho.
Ele é muito pequenininho e frágil para cuidar de si.
O pastor compreendeu, e tratou de observar com atenção o carneirinho, embora
houvesse cem ovelhas no rebanho.
Tratava-se de um bom pastor, ou não teria conseguido cuidar de todos. Todas as
manhãs abria o portão do ovil e o rebanho saía. Ele então conduzia os animais a um
pasto verde na encosta de um morro e ali passava o dia tomando conta. Havia lobos
nas montanhas das redondezas, à espera de uma chance para pegar os carneirinhos.
O pastor mantinha os lobos afastados.
Quando o sol começava a descer por trás do morro, o pastor conduzia o rebanho de
volta para o ovil. E antes de fechar o portão, sempre contava suas ovelhas para ver se
havia cem.
As tempestades em lugares altos assim são muito terríveis. Um dia houve uma
tempestade, com vento, chuva fria e raios no céu. A ovelha mãe ficou assustada
demais, sem saber para onde ir. Seguiu as outras ovelhas, que se abalroavam e quase
esmagavam ao descer correndo a encosta. Mas o pastor as conduziu com
tranqüilidade, indicando o caminho com o cajado. Chamava cada um pelo nome que
lhes dera. Ia na frente para evitar que a tormenta as espantasse de volta antes de se
sentirem seguras, pois já se avistava o ovil.
Ao atravessarem o portão, uma por uma, ele as contou.
Só havia noventa e nove.
Então o pastor olhou nos olhos suplicantes da mãe ovelha. Ela estava tentando dizer
que seu filhote se perdera na tempestade.
Se não fosse um bom pastor, ele poderia pensar que um carneirinho daqueles não
seria uma grande perda. Mas pensou apenas no frio que estaria sentindo o bichinho
com tão pouca lã, no meio da tempestade. E lembrou-se de que, além da tormenta,
escutara o uivo dos lobos.
Pois o bom pastor saiu no vento e na chuva para encontrar o carneirinho.
Já estava tão escuro que ele mal podia enxergar. O vento estava frio, a chuva
encharcava seu manto e as pedras cortavam-lhe os pés. Qualquer outro pastor teria
desistido. Mas o bom pastor via, através da tempestade, os olhos sofridos da ovelha
mãe do carneirinho. E prosseguiu até encontrar o carneirinho perdido, deitado, com
medo e com frio, à beira da estrada.
O pastor pegou o carneirinho nos braços. O animalzinho estava com frio para voltar
andando. Levou-o para casa no colo, com o mesmo cuidado que sua mãe tinha por
você quando bebê. Ficou muito feliz ao chegar ao ovil e poder devolvê-lo à mãe.
Convidou os vizinhos a virem partilhar de sua alegria, pois nem um carneiro se quer
havia se extraviado do rebanho.
Os vizinhos estranharam um pouco a alegria do pastor.
Noventa e nove é quase cem disseram. Que diferença faria um carneirinho
num rebanho tão grande?
O bom pastor sabia. O carneirinho que se perdeu era um dentre os seus, e ele os
amava a todos.
Do livro: O Livro das Virtudes II - O compasso moral
William J. Bennett - Ed. Nova Fronteira
A Lição da Borboleta www.metaforas.com.br
Um homem, certo dia, viu surgir uma pequena abertura num casulo. Sentou-se perto
do local onde o casulo se apoiava e ficou a observar o que iria acontecer, como é que a
lagarta conseguiria sair por um orifício tão miúdo. Mas logo lhe pareceu que ela havia
parado de fazer qualquer progresso, como se tivesse feito todo o esforço possível e
agora não conseguisse mais prosseguir. Ele resolveu então ajuda-la: pegou uma
tesoura e rompeu o restante do casulo. A borboleta pôde sair com toda a facilidade...
mas seu corpo estava murcho; além disso, era pequena e tinha as asas amassadas.
O homem continuou a observá-la porque esperava que, a qualquer momento, as asas
dela se abrissem e se estendessem para serem capazes de suportar o corpo que iria
se firmar a tempo. Nada aconteceu! Na verdade a borboleta passou o restante de sua
vida rastejando com um corpo murcho e asas encolhidas. Nunca foi capaz de voar.
O que o homem em sua gentileza e vontade de ajudar não compreendia era que o
casulo apertado e o esforço necessário à borboleta para passar através da pequena
abertura eram o modo pelo qual Deus fazia com que o fluido do corpo daquele
pequenino inseto circulasse até suas asas para que ela ficasse pronta para voar assim
que se livrasse daquele invólucro.
Algumas vezes o esforço é justamente aquilo de que precisamos em nossa vida. Se
Deus nos permitisse passar através da existência sem quaisquer obstáculos, Ele nos
condenaria a uma vida atrofiada. Não iríamos ser tão fortes como poderíamos ter sido.
Nunca poderíamos alçar vôo.
Fonte: "Para que minha vida se transforme"- Maria Salette e Wilma Ruggeri - Editora
Verus
Duas opções
Desde pequena Svetlana só tinha conhecido uma paixão: dançar e sonhar em ser uma
Gran Ballerina do Bolshoi Ballet. Seus pais haviam desistido de lhe exigir empenho em
qualquer outra atividade. Os rapazes já haviam se resignado: o coração de Svetlana
tinha lugar para somente uma paixão e tudo mais era sacrificado pelo dia em que se
tornaria a Bailarina do Bolshoi. Haviam criado um apelido especial para ela : lankina
que no antigo dialeto queria dizer "a que flutua". Era uma forma carinhosa de brincar
com a bela e talentosa Svetlana pois a palavra também podia significar "a que divaga",
ou "que sonha acordada".
Um dia, Svetlana teve sua grande chance. Conseguira uma audiência com Sergei
Davidovitch, Ballet Master do Bolshoi, que estava selecionando aspirantes para a
Companhia. Dançou como se fosse seu último dia na Terra. Colocou tudo que sentia e
que aprendera em cada movimento, como se uma vida inteira pudesse ser contada em
um único compasso. Ao final, aproximou-se do Ballet Master e lhe perguntou:
"Então, o Sr. acha que eu posso me tornar uma Gran Ballerina?"
Na longa viagem de volta a sua aldeia, Svetlana, em meio as lagrimas, imaginou que
nunca mais aquele "Não" deixaria de reverberar em sua mente. Meses se passaram
até que pudesse novamente calçar uma sapatilha . Ou fazer seu alongamento frente ao
espelho.
Dez anos mais tarde Svetlana, já uma estimada professora de ballet, criou coragem de
ir a performance anual do Bolshoi em sua região. Sentou-se bem a frente e notou que o
Sr. Davidovitch ainda era o Ballet Master. Após o concerto, aproximou-se do cavalheiro
e lhe contou o quanto ela queria ter sido bailarina do Bolshoi e quanto doera, anos
atrás, ouvir-lhe dizer que não seria capaz.
"Mas minha filha, eu digo isso a todas as aspirantes" respondeu o Sr. Davidovitch.
"Como o Sr. poderia cometer uma injustiça dessas? Eu dediquei toda minha vida!
Todos diziam que eu tinha o dom. Eu poderia ter sido uma Gran Ballerina se não fosse
o descaso com que o Sr. me avaliou!"
Havia solidariedade e compreensão na voz do Master, mas não hesitou ao responder:
"Perdoe-me, minha filha, mas você nunca poderia ter sido grande o suficiente, se você
foi capaz de abandonar seu sonho pela opinião de outra pessoa."
Enviada por: Castro Lima de Souza
O pote rachado
Defeito ou qualidade?
Um carregador de água na Índia levava dois potes grandes, ambos pendurados em
cada ponta de uma vara a qual ele carregava atravessada em seu pescoço. Um dos
potes tinha uma rachadura, enquanto o outro era perfeito e sempre chegava cheio de
água no fim da longa jornada entre o poço e a casa do chefe. O pote rachado chegava
apenas pela metade.
Foi assim por dois anos, diariamente, o carregador entregando um pote e meio de água
na casa de seu chefe. Claro, o pote perfeito estava orgulhoso de suas realizações.
Porém, o pote rachado estava envergonhado de sua imperfeição, e sentindo-se
miserável por ser capaz de realizar apenas a metade do que havia sido designado a
fazer.
Após perceber que por dois anos havia sido uma falha amarga, o pote falou para o
homem um dia, à beira do poço:
- Estou envergonhado, quero pedir-lhe desculpas.
- Por quê?, perguntou o homem. - De que você está envergonhado?
- Nesses dois anos eu fui capaz de entregar apenas metade da minha carga, porque
essa rachadura no meu lado faz com que a água vaze por todo o caminho da casa de
seu senhor. Por causa do meu defeito, você tem que fazer todo esse trabalho, e não
ganha o salário completo dos seus esforços, disse o pote.
O homem ficou triste pela situação do velho pote, e com compaixão falou:
- Quando retornarmos para a casa do meu senhor, quero que percebas as flores ao
longo do caminho.
De fato, à medida que eles subiam a montanha, o velho pote rachado notou flores
selvagens ao lado do caminho, e isto lhe deu ânimo. Mas ao fim da estrada, o pote
ainda se sentia mal porque tinha vazado a metade, e de novo pediu desculpas ao
homem por sua falha. Disse o homem ao pote:
- Você notou que pelo caminho só havia flores no seu lado do caminho??? Notou ainda
que a cada dia, enquanto voltávamos do poço, você as regava??? Por dois anos eu
pude colher flores para ornamentar a mesa do meu senhor. Sem você ser do jeito que
você
O Samurai
A quem pertence um presente?
Perto de Tóquio vivia um grande samurai, já idoso, que agora se dedicava a ensinar o
zen aos jovens. Apesar de sua idade, corria a lenda de que ainda era capaz de derrotar
qualquer adversário.
Certa tarde, um guerreiro conhecido por sua total falta de escrúpulos apareceu por ali.
Era famoso por utilizar a técnica da provocação: esperava que seu adversário fizesse o
primeiro movimento e, dotado de uma inteligência privilegiada para reparar os erros
cometidos, contra-atacava com velocidade fulminante. O jovem e impaciente guerreiro
jamais havia perdido uma luta. Conhecendo a reputação do samurai, estava ali para
derrotá-lo, e aumentar sua fama. Todos os estudantes se manifestaram contra a idéia,
mas o velho aceitou o desafio. Foram todos para a praça da cidade, e o jovem
começou a insultar o velho mestre. Chutou algumas pedras em sua direção, cuspiu em
seu rosto, gritou todos os insultos conhecidos, ofendendo inclusive seus ancestrais.
Durante horas fez tudo para provocá-lo, mas o velho permaneceu impassível. No final
da tarde, sentindo-se já exausto e humilhado, o impetuoso guerreiro retirou-se.
Desapontados pelo fato de que o mestre aceitar tantos insultos e provocações, os
alunos perguntaram: "Como o senhor pode suportar tanta indignidade? Por que não
usou sua espada, mesmo sabendo que podia perder a luta, ao invés de mostrar-se
covarde diante de todos nós?"
"Se alguém chega até você com um presente, e você não o aceita, a quem pertence o
presente?" - perguntou o Samurai. "A quem tentou entregá-lo" - respondeu um dos
discípulos. "O mesmo vale para a inveja, a raiva, e os insultos" - disse o mestre.
"Quando não são aceitos, continuam pertencendo a quem os carregava consigo. A sua
paz interior, depende exclusivamente de você. As pessoas não podem lhe tirar a calma,
só se você permitir..."

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