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Pense global pense Portugal

Entrevista

Paula Roque

Revigrés: Sucesso global 6

Destaque
Cerâmica na construção
Inovação e qualidade defendem sector 12

Mercados

Hungria, um mercado com potencial 30

Empresas
Junho 2013 // www.portugalglobal.pt

Thales Portugal e Enoport United Wines 24

Junho 2013 // www.portugalglobal.pt

sumário
Entrevista // 6
Entrevista a Paula Roque, do Conselho de Gerência da Revigrés, que fala sobre os factores de competitividade da empresa de cerâmicas para pavimentos e revestimentos, e na sua aposta em investigação e desenvolvimento. Qualidade, inovação e design são, na opinião da empresária, os factores de sucesso da empresa nos mercados externos.

Destaque // 12
Em foco, o sector da cerâmica vocacionado para a construção, estruturado em subsectores, que vão da cerâmica estrutural até à louça sanitária, passando pelos pavimentos e revestimentos. A indústria cerâmica portuguesa é um sector fortemente exportador, abrangendo 160 mercados internacionais que representam um valor de 569,3 milhões de euros.

Empresas // 24
THALES PORTUGAL: competência tecnológica e investimento são factores de sucesso. ENOPORT: a crescer no mercado internacional.

Mercado // 30
Os mais de 3 mil quilómetros que separam Portugal da Hungria não são impeditivos de um maior desenvolvimento do relacionamento económico entre os dois países, como indicia o aumento das exportações nacionais de bens para aquele mercado. A Hungria apresenta ainda oportunidades de negócios para os países vizinhos (PECO), já que pode funcionar como porta de entrada para um vasto mercado de 50 milhões de habitantes.

Análise de risco por país – COSEC // 46
Veja também a tabela classificativa de países.

Estatísticas // 49
Investimento directo e comércio externo.

AICEP Rede Externa // 52 Bookmarks // 54

EDITORIAL

Revista Portugalglobal
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aicep Portugal Global Rua Júlio Dinis, 748, 9º Dto 4050-012 Porto Tel.: +351 226 055 300 Fax: +351 226 055 399 NIFiscal 506 320 120

Conselho de Administração
Pedro Reis (Presidente), José Vital Morgado, Manuel Mendes Brandão, Pedro Pereira Gonçalves, Pedro Pessoa e Costa (Vogais)

Mais mercados Mais exportação
A indústria cerâmica, embora seja um sector com longa tradição em Portugal e uma importante actividade económica em termos de investimento, empregabilidade e exportação, e com peso na balança comercial, nem sempre é percepcionada na justa medida, nomeadamente quando se fala de materiais cerâmicos para a construção. Destaquese que, em 2012, o sector realizou vendas em 160 mercados internacionais, no valor de 569,3 milhões de euros. Aqui é relevante referir que a indústria cerâmica nacional encontra-se naturalmente inserida num contexto mais vasto, que é o da indústria europeia de cerâmica, líder incontestada a nível mundial em valor acrescentado e em produtos cerâmicos de elevada qualidade, design inovador, a qual exporta cerca de 30 por cento da produção para os mercados europeus e internacionais. Esta afirmação competitiva nos mercados, nomeadamente extracomunitários, revela-se tanto mais importante quando a produção europeia, e portanto a portuguesa, se vê confrontada com o aumento de produtos cerâmicos mais baratos provenientes de países emergentes, como sejam a China, o Brasil ou a Índia. O nosso foco vai pois nesta edição para o sector cerâmico, é certo, mas com particular incidência nos materiais cerâmicos para a construção. Assim, por um lado, temos uma grande entrevista de Paula Roque, da Revigrés (uma referência em Portugal no sector dos revestimentos e pavimentos cerâmicos), bem como outra de José Sequeira, da APICER (Associação Portuguesa da Indústria Cerâmica) e, por outro, publicamos neste destaque textos de ‘actores’ do sector, pessoas e instituições. Quanto ao mercado a escolha recaiu na Hungria, um país com oportunidades a serem exploradas por empresas e investidores portugueses, sobretudo num momento em que a economia húngara começa a dar sinais positivos de retoma e a consolidar o seu ritmo de crescimento, como indicia o crescimento do PIB de quase um por cento no decorrer do 1º trimestre de 2013. Em matéria de relações comerciais entre os dois países, em 2012 a Hungria posicionou-se como o 32º cliente de Portugal, absorvendo 0,34 por cento do total das exportações de bens. De acordo com os dados do INE, as expedições de bens para esse país têm registado uma subida desde 2010, verificando-se que no primeiro trimestre de 2013 representaram 23,5 por cento face aos primeiros três meses de 2012. Embora a Hungria seja um país de dimensão média em termos europeus, na perspectiva da internacionalização das empresas portuguesas deve no entanto ser olhado como um mercado que faz fronteira com sete países (PECO), o que representa um vasto espaço com forte potencial em termos de consumo e investimento. A Hungria reveste-se, deste modo, de um conjunto de factores economicamente atractivos que, pelo seu potencial de crescimento, não deveriam deixar as empresas exportadoras e os investidores portugueses indiferentes.
PEDRO REIS Presidente do Conselho de Administração da AICEP

Directora
Ana de Carvalho ana.carvalho@portugalglobal.pt

Redacção
Cristina Cardoso cristina.cardoso@portugalglobal.pt Vitor Quelhas vitor.quelhas@portugalglobal.pt

Colaboram neste número
António Jorge Mendes, Cristina Sousa Rocha, Diogo Freire de Andrade, Direcção Grandes Empresas da AICEP, Direcção de Informação da AICEP, Direcção Internacional da COSEC, Direcção PME da AICEP, Fernando Carradas, Hélio Jorge, João Araújo, Joaquim Pimpão, José L. Sequeira, Paula Roque.

Fotografia e ilustração
©Fotolia, Rodrigo Marques.

Publicidade
Cristina Valente Almeida cristina.valente@portugalglobal.pt

Secretariado
Cristina Santos cristina.santos@portugalglobal.pt

Projecto gráfico
aicep Portugal Global

Paginação e programação
Rodrigo Marques rodrigo.marques@portugalglobal.pt ERC: Registo nº 125362

As opiniões expressas nos artigos publicados são da responsabilidade dos seus autores e não necessariamente da revista Portugalglobal ou da aicep Portugal Global. A aceitação de publicidade pela revista Portugalglobal não implica qualquer compromisso por parte desta com os produtos/serviços visados.

4 // Junho 2013 // Portugalglobal

ENTREVISTA

Paula Roque Conselho de Gerência da Revigrés

ESTADO DEVE FOMENTAR COMPETITIVIDADE DA INDÚSTRIA NACIONAL
Inovação, design e qualidade são os principais factores de sucesso da Revigrés, empresa especializada na produção de revestimentos e pavimentos cerâmicos com crescente projecção nos mercados externos. Fundada em 1977, a Revigrés tem apostado com êxito na investigação e desenvolvimento de novos produtos, sendo hoje uma referência no mundo cerâmico. Paula Roque, do Conselho de Gerência, fala-nos da competitividade da empresa e dos projectos em curso, onde se destacam as colecções de autor e os produtos inovadores desenvolvidos em parceria com entidades do sistema científico e tecnológico. Em entrevista, a empresária considera que os empresários portugueses têm revelado uma forte resiliência à actual crise económica, mas defende uma maior intervenção do Estado no sector industrial, no sentido de fomentar a sua competitividade, o que passa, entre outros factores, pela redução dos custos de energia e por um reforço das linhas de apoio aos seguros de crédito.
6 // Junho 13 // Portugalglobal

ENTREVISTA
A Revigrés é uma referência em Portugal no sector dos revestimentos e pavimentos cerâmicos. Quais são os factores de sucesso da empresa? A oferta de colecções inovadoras, com design e qualidade, a flexibilidade no desenvolvimento de soluções personalizadas e um serviço eficiente são os factores competitivos da Revigrés. Temos uma cultura de empresa muito orientada para os resultados: o trabalho em equipa e a vontade colectiva de corresponder às exigentes expectativas dos clientes que já fidelizámos, são estímulos muito positivos para manter a imagem diferenciadora que atingimos nos mercados, nacional e internacional. Recentemente, a Revigrés forneceu produtos especialmente desenvolvidos para a Basílica da Sagrada Família em Barcelona, Espanha. Consideramos que a nossa participação foi uma conquista, porque é um ícone mundial – um projecto de Gaudi – num país onde há um cluster de cerâmica muito forte, o que valoriza ainda mais a nossa colaboração. Nos diversos continentes temos contribuído para obras de referência como os aeroportos de Vnukovo em Moscovo (Rússia), Varsóvia (Polónia) e Réus (Espanha), estações ferroviárias como a de Haia (Holanda) e de Waterloo em Londres (Inglaterra), de metropolitano como a das Olaias em Lisboa e as estações Príncipe Pio, Plaza Eliptica e Moncloa em Madrid, outros locais como o Kitano Clube “Sola” em Kobe (Japão), a Universidade Setsunan no Japão, Chancery Court Hotels em Inglaterra, Harrods em Londres, centros comerciais na Irlanda, Rússia e Portugal, Casino de Valencia (Espanha), Warner Lusomundo Cinemas e, ainda, McDonald’s, lojas Fnac e lojas Tous em diversos países. Em Portugal, a Revigrés está também presente em múltiplos projectos, como por exemplo, vários estádios do Euro 2004, Fundação Champalimaud, hospitais, universidades, escolas, farmácias, Marina de Albufeira, hotéis dos grupos Vila Galé, Sana e Pestana, ginásios Holmes Place, bem como diversos empreendimentos residenciais. Temos colecções de produtos com inúmeros efeitos estéticos – pedras, madeiras, cimentos, metálicos, espelho, etc. – com as grandes vantagens da cerâmica: absorção de água quase nula; elevada resistência a manchas e a químicos; elevada resistência ao desgaste; resistência a amplitudes térmicas; resistência ao gelo; resistência ao fogo; bom isolamento térmico; fácil limpeza e manutenção. Outro factor de competitividade consiste nas parcerias que desenvolvemos com várias entidades do sistema científico e tecnológico, associações e empresas, em projectos de investigação de novos produtos, acções de promoção do sector e outras iniciativas de debate e de divulgação. O que diferencia os produtos cerâmicos da Revigrés dos seus principais concorrentes? Inovação, design e qualidade. Desenvolvemos colecções diferenciadoras, que resultam de várias fontes de inspiração. A forte aposta no desenvolvimento de colecções de autor, quer através do patrocínio do Concurso Nacional de Design, desde a 1ª edição, em 1997, quer através de convites dirigidos a vários artistas plásticos e arquitectos, nacionais e internacionais, permite-nos colocar produtos exclusivos no mercado. Quando convidamos um artista plástico ou um arquitecto – seja nacional ou internacional – ou um jovem designer para criar uma colecção de autor, o resultado sai “fora da caixa”. As nossas colecções são criadas por autores de grande reconhecimento na arquitectura e nas artes plásticas, nomeadamente, por Júlio Resende, Tomás Taveira, Alena Agafonova, Bela Silva, Carmina Anastácio, João Castro Silva, João Moreira, João Mourão, João Vaz de Carvalho, Mauro Comastri, Rui Vasquez. Esta marca de identidade da Revigrés – o design – está expressa de uma forma muito simbólica no nosso edifício comercial na sede (em Barrô, Águeda), projecto do arquitecto Álvaro Siza Vieira, inaugurado em 1997. Procuramos antecipar as tendências do mercado, na arquitectura e no design de interiores, através da análise do comportamento dos consumidores, das expectativas dos prescritores e dos contextos económicos e sociais. Como exemplo deste posicionamento, destaco dois produtos que lançámos recen-

“O Estado deverá fomentar, ao máximo, a competitividade da indústria nacional, reduzindo os custos de energia (incluindo as tarifas de acesso) e dos transportes internacionais; aliviando as despesas e a carga burocrática relacionada com os despachos alfandegários; aumentando ou, pelo menos, garantindo as linhas de apoio aos seguros de crédito.”

temente no mercado: a colecção no formato 90x90cm que responde à procura, por parte dos prescritores, dos grandes formatos e que implicou um investimento fabril significativo; o Revicomfort, um produto inovador no mercado que revoluciona o conceito de pavimento fixo. O Revicomfort não necessita de colas, nem de cimentos, nem de mão-de-obra especializada para ser aplicado. Como não danifica o chão onde é aplicado e é reutilizável, satisfaz as necessidades específicas do mercado de arrendamento que está a aumentar e do consumidor que quer, cada vez mais, soluções rápidas, imediatas e versáteis. A Revigrés é conhecida pela investigação e desenvolvimento de novos produtos. Pode falar-nos sobre alguns desses projectos? A Revigrés aposta no desenvolvimento de projectos criativos e multifuncionais, que conjugam funções estéticas e técnicas, tendo em vista a protecção do ambiente, a eficiência energética, a preservação da saúde e do bem-estar e uma maior integração arquitectónica. Criamos melhor ambiente dentro e fora de casa. Nesse sentido, temos desenvolvido vários projectos, quer exclusivamente pela Revigrés, quer

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ENTREVISTA
em parceria com entidades do sistema científico e tecnológico. Alguns projectos já estamos aptos a fornecer; outros ainda estão em fase de investigação. Por exemplo, a colecção Revigrés Light, em porcelanato técnico, tem metade da espessura e metade do peso do produto convencional, tornando-a particularmente indicada para projectos de reabilitação e de renovação, bem como para fachadas ventiladas. Foi com grande entusiasmo que recebemos o troféu Alfa de Oro, conferido, pela primeira vez, a uma empresa estrangeira pela Sociedade Espanhola de Cerâmica e do Vidro. Posso dar-lhe mais exemplos. Os revestimentos auto-limpantes (Self Cleaning Tiles) são peças em que, com a acção do sol e da chuva, é feita a auto-limpeza da cerâmica. São indicados para o revestimento de fachadas. Para revestimento de interiores, temos o Health Care Tiles que consiste num revestimento antibacteriano que elimina 99,9 por cento das bactérias mais perigosas, uma inovação que contribui para um ambiente mais saudável em espaços públicos. A cerâmica sensitiva (Sense Tiles) é outro projecto de revestimento cerâmico, com incorporação de sensor não visível, que permite o accionamento, sem contacto (basta aproximar a mão), de dispositivos electrónicos, com vantagens estéticas e de higiene. Outro projecto tem a ver com a cerâmica fotovoltaica (Solar Tiles) que consiste no desenvolvimento de produtos cerâmicos fotovoltaicos integrados para o revestimento exterior e cobertura de edifícios, com a mesma finalidade dos tradicionais painéis fotovoltaicos- aproveitar a energia solar para a produção de eletricidade. Temos mais projectos em curso mas ainda não estão a ser divulgados. Neste domínio, temos sido distinguidos com diversos Prémios de Inovação, relativos aos seguintes produtos: Ardósia (ecorevestimento); Colecções de Autor Doiro; Colecção Textures; Colecção Metallic; Health Care Tiles; Revigrés Solarplus; Revigrés Deck Plus; Revicomfort. Fomos também distinguidos no Prémio Europeu de Iniciativa Empresarial com o projecto “Best Practices in Research and Innovation”, em parceria com a Universidade de Aveiro.

“Os empresários portugueses têm sido muito empreendedores e têm contornado as adversidades com muita resiliência.”

Sublinho que a Revigrés tem a quádrupla certificação dos seus sistemas de gestão integrados, segundo quatro referenciais: qualidade; ambiente; responsabilidade social; investigação, desenvolvimento e inovação. A Revigrés tem apostado na produção de colecções de autor. Como tem corrido essa experiência e qual a aceitação que tem tido junto dos consumidores, designadamente no mercado externo? As Colecções de Autor são uma grande aposta da Revigrés e têm conduzido à criação de projectos originais e exclusivos, que resultam dos convites que dirigimos a autores de grande reco-

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ENTREVISTA
nhecimento na arquitectura e nas artes plásticas. Cada colecção possui uma narrativa própria, criada pelo respectivo autor. Por vezes, o seu desenvolvimento cerâmico “obriga-nos”, no bom sentido, à investigação de novos materiais ou tecnologias. O mosaico torna-se, assim, um ponto de encontro entre expressões plásticas variadas, reflectindo a formação artística, a perspectiva e o universo pessoal dos diferentes criadores. A Colecção Chocolate foi produzida em colaboração com a arquitecta russa Alena Agafonova e é constituída por quatro produtos diferentes com o efeito de tabletes de chocolate. Foram necessárias muitas experiências, muitos testes, reuniões entre a arquitecta e o nosso departamento de desenvolvimento de produto para tornar o projecto exequível. O resultado é muito interessante e hoje é um ícone das colecções Revigrés. Estamos actualmente a trabalhar com a arquitecta numa nova colecção – Chopin. A colecção H20 do pintor João Vaz de Carvalho tem cores apelativas e conta uma história engraçada, essencialmente dirigida às crianças, mas pode ser aplicada em qualquer local, tornando o espaço bastante divertido. As colecções que desenvolvemos em parceria com o Mestre Júlio Resende envolveram-nos muito, pelo entusiasmo que o Mestre transmitia, pela atenção ao pormenor, pela exigência, sempre acompanhada de uma grande amabilidade. Foi também em parceria com o Mestre que desenvolvemos o mural do Dragão, um desafio enorme, porque produzimos azulejos com os nomes dos 50.000 sócios que assistiram ao jogo da inauguração do estádio do Dragão, em 2003.

João Moreira e “Rakú” da ceramista Carmina Anastácio – apresentadas na CERSAIE, a principal feira internacional de revestimentos e pavimentos cerâmicos em Bolonha, Itália, que atraíram a atenção do nosso actual representante na Rússia, um dos principais mercados externos da Revigrés. A notoriedade da nossa marca tem sido reforçada através dos vários prémios de design, nacionais e internacionais, que têm distinguido a Revigrés: Prémio de Design de Produto; Prémio Europeu de Gestão de Design (a Revigrés foi a única empresa do sector cerâmico a nível europeu a receber esta distinção); Prémio Gestão Global de Design, entre outros. Este reconhecimento público tem sido, também, um factor impulsionador de uma equipa de colaboradores motivados para fazer sempre melhor. Durante muitos anos virada para o mercado interno, a Revigrés tem vindo a apostar de forma consistente na exportação. O que motivou essa aposta e que balanço pode fazer da mesma? A aposta na internacionalização foi reforçada em 2001 quando fizemos o investimento nas novas unidades fabris para a produção de grés porcelânico, porque é um produto mais adequado para ser aplicado em áreas públicas e tem características específicas para ser usado em climas mais frios ou com grandes amplitudes térmicas. Nos últimos anos temos trabalhado para aumentar a nossa quota de exportação. O balanço do nosso processo de internacionalização é positivo e o nosso objectivo é continuar a crescer nos mercados externos. Quais os principais mercados de exportação da Revigrés e que estratégia tem sido seguida no seu processo de internacionalização? Os principais mercados são a Europa, EUA, Canadá, Japão e PALOP. Exportamos para cerca de 50 países. A nossa estratégia de internacionalização assenta em vários factores: na

“A Revigrés aposta no desenvolvimento de projectos criativos e multifuncionais, que conjugam funções estéticas e técnicas, tendo em vista a protecção do ambiente, a eficiência energética, a preservação da saúde e do bem-estar e uma maior integração arquitectónica.”

Temos também desenvolvido colecções temáticas, algumas inspiradas na cultura portuguesa, que constituem verdadeiras histórias contadas em cerâmica: Óbidos, Buçaco, Descobrimentos Portugueses, Icon, Textures, Our Tiles are Green, Zen, Disco, Lifestyle Sustentável, Nature Prints, Urban Signs. Estas colecções têm tido uma boa receptividade dos clientes. São colecções apreciadas por uma elite que contribuem, principalmente, para a diferenciação dos nossos produtos e para a imagem de marca da Revigrés. Foram as colecções de autor Atitudes, desenvolvidas em parceria com seis artistas plásticos – “Diálogos”, do escultor Rui Vasquez; ”Leo e Bea” do escultor João Castro Silva; “H20” do pintor João Vaz de Carvalho; “Praia” e “Nós” do pintor

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ENTREVISTA
diferenciação dos nossos produtos, através de uma aposta constante no design e na inovação; na qualidade e no serviço; na selecção criteriosa dos clientes/parceiros; na flexibilidade para desenvolver projetos personalizados. O projecto mais recente foi o desenvolvimento de 13 novas cores para a Basílica da Sagrada Família em Barcelona, apesar de a nossa colecção cromática, em grés porcelânico, ser uma das mais completas do mundo, com 38 cores. O facto de termos desenvolvido um projecto de pavimentos tácteis foi, também, o elemento diferenciador que nos fez ganhar os projectos de três estações de metro em Madrid. É muito importante ter os parceiros certos, que dominem bem o mercado, que tenham uma boa rede de distribuição e que partilhem os nossos valores. Privilegiamos os contactos pessoais, deslocando-nos regularmente aos respectivos países, onde avaliamos a exposição dos nossos produtos nos showrooms, apoiamos com o fornecimento de suportes de merchandising, procedemos à actualização de informação sobre as colecções e, sempre que necessário, a um ajustamento entre a oferta e a procura. Aproveitamos e fomentamos oportunidades para desenvolver colecções personalizadas como aconteceu na Rússia, com a arquitecta Alena Agafonova, com os temas Chocolate, Architecture e Butterflies. Convidamos os nossos clientes/parceiros do mercado internacional a visitar a Revigrés e, além da visita às nossas instalações na sede em Barrô (Águeda) e em Lisboa, organizamos um roteiro turístico. Estas visitas têm constituído um excelente cartão-de-visita para a Revigrés e para Portugal. Os mercados emergentes e de elevado crescimento económico estão na mira da Revigrés? Sim. Temos estado a avaliar os mercados onde podemos ser mais competitivos, através da oferta de produtos diferenciadores. Quais os novos projectos da empresa em curso e para o futuro? Continuar a apostar na internacionalização através do desenvolvimento de produtos de design, inovadores, multifuncionais, e da manutenção dos níveis de qualidade e serviço que têm fidelizado os nossos clientes. Estamos atentos às necessidades dos consumidores, às mudanças sociológicas, às tendências, e perspectivamos o desenvolvimento de novos produtos que respondam à procura de nichos de mercado, que tende para uma maior segmentação: há uma população cada vez mais envelhecida e com necessidades específicas; o crescimento demográfico, nas próximas décadas, vai ocorrer nas grandes cidades, onde os estilos de vida fazem surgir novas necessidades; os hábitos de consumo alteram-se - os produtos

não são comprados apenas pelo seu valor funcional, mas também por outros valores, associados a aspectos sociais, emocionais e de novidade. Por exemplo, o design inclusivo foi a base de criação dos pavimentos tácteis da Revigrés, cujo objectivo foi satisfazer, de uma forma funcional, ergonómica e segura, as necessidades de mobilidade e de acessibilidade da sociedade contemporânea. Vamos continuar a inovar, explorando a flexibilidade de criação que a cerâmica proporciona. A actual conjuntura económica do país e da Europa tem, de alguma forma, condicionado o acesso ao mercado externo ou, pelo contrário, considera ser essa a fórmula (a exportação e internacionalização) que as empresas portuguesas devem seguir para enfrentar essa conjuntura? A actual conjuntura do país e da Europa tem incentivado as empresas a imprimir um maior dinamismo nas exportações e na estratégia de internacionalização. O Estado deverá fomentar, ao máximo, a competitividade da indústria nacional, reduzindo os custos de energia (incluindo as tarifas de acesso) e dos transportes internacionais; aliviando as despesas e a carga burocrática relacionada com os despachos alfandegários; aumentando ou, pelo menos, garantindo as linhas de apoio aos seguros de crédito. Por exemplo, relativamente às taxas alfan-

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ENTREVISTA
estas missões empresariais têm sido bem organizadas. Será necessário reforçar a identificação de parceiros de negócio. As acções “ABC mercado”, com a intervenção dos delegados da AICEP, também têm sido úteis: proporcionam a recolha de informações relevantes e práticas sobre a melhor forma de abordar os mercados, contribuindo para um melhor conhecimento da cultura negocial dos vários países. É interessante ouvir a experiência de empresários nesses mercados, como tem acontecido nos encontros. A visita de potenciais parceiros de negócio a Portugal é bastante importante e poderia ser mais reforçada. Como analisa o desempenho das empresas portuguesas perante a difícil situação económica do país, tendo em conta, nomeadamente, que as exportações têm sido apontadas como o principal motor para o crescimento da economia? Considero que os empresários portugueses têm sido muito empreendedores e têm contornado as adversidades com muita resiliência. As exportações aumentaram em 2012, o que é um indicador positivo a assinalar na economia nacional. O sector cerâmico destaca-se por registar um saldo positivo na balança comercial, sendo o 4º sector com a taxa de cobertura das importações pelas exportações mais elevada: 579 por cento em 2012. No subsector revestimentos e pavimentos cerâmicos, a taxa de cobertura das importações pelas exportações é ainda mais elevada – passou de 530 por cento em 2011 para 680 por cento em 2012. As exportações tiveram um valor cerca de sete vezes superior ao valor das importações. A União Europeia continua a ser o principal cliente da indústria cerâmica, embora a sua importância relativa esteja a diminuir, com a diversificação dos mercados e o crescimento das vendas para África, América do Norte e Ásia. Qual o desempenho da Revigrés em 2012 e quais as perspectivas para este ano? As vendas no mercado externo aumentaram em 2012, quer devido ao reforço de alguns mercados existentes, quer devido à entrada em novos mercados. Os nossos objectivos, em 2013, são consolidar os mercados actuais e conquistar novos mercados, através de uma oferta de produtos diferenciadores. A história da Revigrés esteve sempre muito associada à imagem do seu fundador e líder durante 30 anos, Eng. Adolfo Roque. Na sua opinião, que marcas deixou essa gestão na empresa? O rigor na gestão, a determinação, a vontade de inovar e arriscar, o entusiasmo pelo trabalho, o espírito de iniciativa, a atenção aos pormenores, o perfeccionismo, a permanente actualização de conhecimentos, o empenho na construção de uma sociedade sustentável, o envolvimento da empresa na comunidade, através do apoio a projectos sociais e culturais. Os valores que transmitiu a todos os colaboradores e que todos os dias procuramos concretizar em equipa.

degárias, no Brasil ascendem a 60 por cento do valor do produto, o que nos tem impedido de concretizar vários negócios. Além disso, os certificados de qualidade de produto, diferentes consoante os países, são dispendiosos e difíceis de obter, prejudicando a competitividade das empresas, quer na comercialização dos produtos, quer no cumprimento dos prazos de entrega das encomendas. Em França, apesar de ser um país da União Europeia, todos os produtos têm que ser obrigatoriamente certificados pela

“Nos últimos anos temos trabalhado para aumentar a nossa quota de exportação. O balanço do nosso processo de internacionalização é positivo e o nosso objectivo é continuar a crescer nos mercados externos.”

norma NF-UPEC, emitida pelo CSTB - Centre Scientifique et Technique du Bâtiment. Por exemplo, na Nigéria, o registo tem que ser feito por uma empresa local, custa 400 euros e, além disso, paga-se 250 euros por cada embarque. Na China, o certificado custa dez mil euros e demora três meses a obter. Que importância atribui às missões empresariais e a outras acções promovidas pela AICEP e por outras entidades para o processo de internacionalização das empresas portuguesas e, em particular, da Revigrés? Têm constituído uma boa prática de diplomacia económica. O sucesso destas iniciativas depende muito de uma boa organização prévia do programa, da elaboração de uma lista de contactos e de encontros com potenciais clientes das várias áreas económicas que integram a missão e considero que estes aspectos têm vindo a ser ajustados. Globalmente

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DESTAQUE

Materiais cerâmicos na construção TRADIÇÃO, INOVAÇÃO E QUALIDADE AFIRMAM SECTOR NOS MERCADOS
O sector da cerâmica, vocacionado para a construção, é diversificado a nível de produtos, sejam tradicionais sejam inovadores, encontrando-se estruturado em subsectores, que vão da cerâmica estrutural até à louça sanitária, passando pelos pavimentos e revestimentos. A indústria cerâmica portuguesa é um sector fortemente exportador, abrangendo 160 mercados internacionais que representam um valor de 569,3 milhões de euros.
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DESTAQUE
A indústria europeia de cerâmica, líder a nível mundial em valor acrescentado e em produtos cerâmicos de design inovador e alta qualidade, constitui uma parte importante da actividade económica da Comunidade Europeia, a qual gera anualmente um volume de negócios de 30 mil milhões de euros, num universo de 350 mil empresas. A indústria cerâmica europeia exporta cerca de 30 por cento da produção, sendo competitiva nos mercados doméstico e internacional. Em Portugal o sector dos materiais cerâmicos para a construção, mais modesto, é constituído fundamentalmente por empresas de pequena e média dimensão, nomeadamente de capital estrangeiro, que para além de fabricarem uma ampla diversidade de produtos, se caracterizam também pela diversificação de tecnologias. Perante o desafio de produtos mais baratos provenientes de países emergentes, tudo aponta para que o futuro do sector se encaminhe cada vez mais para as aplicações inovadoras em áreas tão diversificadas como a construção, medicina, desporto, defesa, aeronáutica ou electrónica. Este diversificação e especialização favorece as PME que disponham de tecnologias e processos mais eficientes, com incorporação no processo produtivo de novos materiais e design. Na área da construção as oportunidades de negócio apontam para o ecodesign e para as tecnologias limpas (que diminuam o impacto ambiental e reaproveitem energia, como telhas solares e tijolos com características de isolamento), sendo no entanto soluções que estão dependentes da evolução da regulamentação futura relativa à construção sustentável e às novas técnicas construtivas. Na realidade, a construção é uma área fulcral para a indústria cerâmica, nomeadamente pela mão dos arquitectos e projectistas, que acolhem e potenciam novas soluções e novos produtos. Num tecido empresarial constituído essencialmente por PME, o associativismo bem como as fusões e aquisições de firmas no sector podem ser decisivos para alcançar economias de escala e maior facilidade de penetração em novos mercados. A crescente aposta na alta qualidade, formação exigente, produtos de design, criação inovadora, nichos de mercado, tecnologias eficientes, desenvolvimento contínuo de produtos, comunicação de marcas eficaz, reciclagem de matéria-prima ou o posicionamento É nesta medida que têm vindo a ser identificadas pelo sector novas formas de produção de energia, fontes renováveis e sustentáveis, uma estratégia que se mostra fundamental para o sector competir com países que pagam menos pela energia e que têm custos de produção mais baratos. Esta procura de soluções no sentido da competitividade tem presidido à relação do sector com entidades do sistema científico e tecnológico, em matéria de formação e de programas de cooperação, apontando esta sinergia para oportunidades significativas em matéria de mão-de-obra especializada, desenvolvimento de processos, produtos e tecnologias, sendo que hoje em dia o investimento em inovação por parte das empresas do sector contribui para que estas obtenham vantagem competitiva nos mercados, tanto interno como externo. Por outro lado, as escolas e instituições de formação vocacionadas para o sector da cerâmica, nomeadamente nas áreas de tecnologia e design, podem potenciar ferramentas para as empresas e outros actores do sector no sentido de um maior e melhor desempenho, liderança de custo e diferenciação pela qualidade, factores que acrescem valor ao produto e proporcionam vantagem competitiva às empresas no contexto dos subsectores em que desenvolvem a sua actividade produtiva e exportadora.

“Perante o desafio de produtos mais baratos provenientes de países emergentes, tudo aponta para que o futuro do sector se encaminhe cada vez mais para as aplicações inovadoras em áreas tão diversificadas como a construção, medicina, desporto, defesa, aeronáutica ou electrónica.”

consolidado em novos mercados, são referidos nos estudos do sector como fazendo parte do seu eixo estratégico. A energia é um dos pontos sensíveis da indústria de cerâmica, sendo elevados o seu grau de dependência energética e o montante da factura energética, a qual chega a atingir os 30 por cento dos custos de produção.

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DESTAQUE

MAIS QUALIDADE E NOVOS MERCADOS POTENCIAM AUMENTO DA EXPORTAÇÃO
> BREVE ENTREVISTA A JOSÉ L. SEQUEIRA, ASSESSOR DA DIRECÇÃO DA APICER - ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DA INDÚSTRIA DE CERÂMICA
Como surge a APICER e quais são os seus objectivos relativamente ao crescimento e á dinâmica do sector, bem como à estratégia a seguir em tempos de crise nos mercados? Em 1996, a percepção de que a indústria de cerâmica portuguesa não tinha dimensão para suportar divisões do sector levou a uma reestruturação associativa pela fusão das três associações que repartiam entre si a representatividade do sector em Portugal e que permitisse rentabilizar meios e recursos para uma resposta mais eficaz aos problemas das empresas. A nossa missão passa pela representação institucional e pela promoção do aumento da competitividade do sector, assegurando deste modo um desenvolvimento sustentável e o fortalecimento da cooperação. Assim, toda a estratégia da APICER assenta num compromisso que não só baliza as nossas iniciativas, como norteia a nossa actividade seja no plano institucional, seja no plano operacional. Na realidade a indústria de cerâmica é suficientemente madura e criativa em termos de saber fazer e apresenta-se tecnologicamente bem apetrechada para competir com os seus concorrentes em qualquer mercado. Tem sido capaz de crescer e inovar quer em termos de produto quer de gestão, sendo estes os pressupostos que lhe permitem viajar para mais de 150 países, com tradições e culturas diversas e às quais as empresas estão atentas para satisfazer com uma grande flexibilidade. É um sector que ainda tem capacidade para crescer e ir mais além, mas precisa

sobretudo de crescer em termos de comunicação com o mercado, de modo a que sendo o que é, também pareça que o é. E é de facto um sector que tem apostado na sua sustentabilidade económica, social e ambiental, que tem design e que aposta na multifuncionalidade dos produtos de modo a corresponder às necessidades e tendência do mercado. Pode fornecer uma panorâmica da actividade e da vitalidade exportadoras do sector quanto a produtos cerâmicos para a construção? Os materiais cerâmicos para a construção correspondem a pavimentos e revestimentos, telhas, tijolos e louça sanitária. O conjunto destes produtos representa um volume de negócios de 710 milhões de euros e um valor de exportações que atingiu os 397,6 milhões de euros em 2012.

Entre 2009 e 2012 as exportações de materiais cerâmicos para a construção registaram um crescimento de 7,8 por cento e em 2012 contribuíram positivamente para a balança comercial portuguesa com 323,3 milhões de euros. De referir o aumento do número de mercados de destino dos nossos produtos (161 mercados em 2012 para o conjunto dos produtos cerâmicos) e a crescente diversificação de clientes internacionais. Considerando a importância relativa das exportações portuguesas no contexto das respectivas exportações mundiais, em 2012 Portugal foi o 5º exportador de pavimentos e revestimentos não vidrados ou esmaltados, o 8º exportador de pavimentos e revestimentos vidrados ou esmaltados e também de louça sanitária, e o 11º exportador de telhas cerâmicas.

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DESTAQUE
Existem potenciais ameaças ao desenvolvimento e afirmação nacional e internacional do sector em tempo de crise? Nos tempos agitados em que vivemos há três factores que se apresentam como sérias ameaças ao nosso crescimento. O primeiro é a quebra acentuada do mercado e em particular do mercado interno, que sendo pequeno, tem uma importância decisiva para as empresas que não exportam e representa um forte estrangulamento para as empresas que sempre tiveram algum suporte no consumo interno que agora se depreciou. A falta de confiança que tem vindo a minar toda a sociedade em geral e que não deixa respirar o sector da cerâmica, nem a sociedade, nem a economia do país, é o segundo. Estamos reféns deste clima asfixiante que teima em manter-se. E se este clima é mau em si mesmo, torna-se mesmo muito mau quando a sua persistência provoca cansaço e destrói as defesas naturais que o sector foi construindo e fortalecendo ao longo dos anos ao atravessar várias crises, umas grandes, outras pequenas e outras ainda que resultam de uma elementar falta de bom senso dos agentes políticos e económicos. gás natural e independentemente da contenção a que todos estamos obrigados por obediência à palavra de ordem que é a crise. Para obviar a estes contratempos, o sector tem vindo a procurar novos mercados, tarefa que – valha a verdade – não é nada fácil, porque os novos mercados não se conquistam de um momento para o outro, como ainda porque para os conquistar temos à partida que ter consciência de que em todo o mundo se vêm fazendo os mesmos esforços, nomeadamente com baixa de preços e condições por vezes ruinosas para o futuro de curto prazo das empresas. A APICER vai atribuir às empresas do sector o Selo “Ceramics – Portugal Does It Better”, concebido para reforçar a notoriedade da cerâmica portuguesa nos mercados. Este selo abrange os produtos cerâmicos para a construção? O sector precisa de melhorar a sua comunicação com o mercado, tarefa que as empresas vêm cumprindo individualmente mas que se apresenta extremamente penosa quando cumprida apenas com os meios próprios de cada um. O Selo “Ceramics -Portugal Does It Better” pretende ir ao encontro da necessidade de melhorarmos a nossa visibilidade a nível do mercado global, permitindo que os clientes identifiquem com toda a facilidade as empresas que garantem um conjunto de boas práticas nas áreas do ambiente, energia, inovação, higiene e segurança, qualidade, responsabilidade social, certificação do produto, design, património vivo e do volume das exportações. Este Selo abrange todos os produtos de cerâmica – desde a construção à habitação e decoração – das empresas distinguidas pela sua excelência. Quais são os meios de acção estratégica, nomeadamente em matéria de promoção, exportação e internacionalização, bem como de oportunidades de negócio, que a APICER propõe e disponibiliza às empresas suas associadas?  A APICER tem vindo a apoiar as empresas no aumento das exportações, tarefa que começou por traduzir-se na criação da Comissão Temática de Internacionalização constituída por empresários que voluntariamente quiseram integrar-se, enquadrados por um consultor externo que coordenou os trabalhos e elaborou as respectivas conclusões. Essa Comissão identificou os mercadosalvo, ajudou-nos a assimilar alguns detalhes da estratégia de internacionalização das empresas de modo a concentrarmos os nossos esforços nas acções que sejam de facto úteis e eficazes. As acções que temos desenvolvido concentram-se, por isso, no mercado do norte de África e nos mercados não tradicionais em que seja importante a dimensão crítica que permita dar uma perspectiva das potencialidades da cerâmica portuguesa, com a edição de catálogos, vídeos e brochuras que apoiem a divulgação dos produtos. Nesta medida, o apoio institucional da AICEP tem sido importante na prossecução destes objectivos. A criação do Selo, que referi, insere-se nesta estratégia de promoção das nossas exportações sobretudo numa óptica de exportar melhor. Considera que existe qualidade, diferenciação e inovação na produção nacional de produtos cerâmicos para a construção que lhes permita um posicionamento competitivo nos mercados externos, ou é preciso fazer mais e melhor? Dada a concorrência internacional a que estamos sujeitos, só é possível estarmos no mercado externo com produtos de qualidade, que sejam inovadores no cumprimento de parâmetros cada vez mais exigentes e rigorosos, avaliados pelo design que apresentam, pelo seu sentido estético e decorativo, mas também pela sua funcionalidade nomeadamente como isolantes térmicos e acústicos, resistência e limpeza. Ter uma estratégia de diferenciação é essencial para competir. E estamos seguros de que em matéria de produtos cerâmicos Portugal Does It Better.

“A indústria portuguesa de cerâmica é suficientemente madura e criativa em termos de saber fazer e apresentase tecnologicamente bem apetrechada para competir com os seus concorrentes em qualquer mercado, tanto mais que tem sido capaz de crescer e inovar quer em termos de produto quer de gestão.”

O terceiro factor tem que ver com a crise energética, traduzida nos preços do gás natural e da electricidade, que nos tem vindo a castigar ao longo dos anos independentemente do preço do Brent, da existência de mais ou menos quantidade de reservas mundiais de

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DESTAQUE

Indústria cerâmica “Highlights” do comércio Internacional
• Globalmente a indústria cerâmica é um sector fortemente exportador: em 2012 realizou vendas em 160 mercados internacionais (150 em 2011), com o valor superior a 569 milhões de euros (562,3 euros em 2011), registando uma variação positiva de mais 1,25 por cento. • O valor das importações registou uma descida acentuada: foi de 98.227.480 euros em 2012 (118.655.664 euros em 2011) o que representa menos 17,22 por cento face a 2011. Os principais fornecedores foram Espanha, China, Itália e Alemanha. Por áreas geográficas, 89,5 por cento das importações têm origem na União Europeia e Ásia (10,14 por cento). • A balança comercial de produtos cerâmicos registou, assim, em 2012 um saldo positivo de 471,1 milhões de euros (443,8 milhões de euros em 2011). Por outro lado, a taxa de cobertura das importações pelas exportações subiu: passou de 473,8 por cento, em 2011, para 579,6 por cento em 2012, sendo que o desempenho dos produtos cerâmicos só foi ultrapassado pelos minérios, pastas de madeira e cortiça. • Em termos de Balança Comercial este valor representa 1,26 por cento do total das exportações (1,31 por cento em 2011). A cerâmica foi o 11º sector exportador na Balança Comercial numa lista de 99 produtos (em 2011 foi o 8º). • Analisando as exportações por áreas geográficas assinala-se um crescimento nas exportações para a América do Norte (32,99 por cento), África (30,99 por cento), outros países da Europa (17,81 por cento) e Ásia (5,83 por cento). A União Europeia continua a ser o principal cliente (66,87 por cento em 2012) mas a sua importância relativa está a diminuir (72,60 por cento em 2011). • Igualmente, verifica-se um crescimento nas vendas de P&R (pavimentos e revestimentos) para a América do Norte (+72,33 por cento), América Central e do Sul (+31,50 por cento), e África (+23,95 por cento). Os melhores clientes continuam a ser a União Europeia (68,28 por cento da quota de mercado mas com uma descida em relação a 2011: menos 8,54 por cento) e em 2º lugar África que “roubou” esta posição a outros países da Europa em 2011. Fonte: APICER, Abril 2013

O Selo “Ceramics-Portugal Does It Better”
O selo “Ceramics – Portugal Does It Better” é a nova marca da cerâmica portuguesa que vem consolidar uma realidade construída ao longo dos anos em mais de 150 países.

Este importante indicador de qualidade e meio de promoção de produto foi criado pela APICER para desenvolver a imagem da cerâmica portuguesa nos mercados internacionais e, ao mesmo tempo, distinguir as empresas que mais e melhor sejam expressão da excelência do sector. O selo tem por isso como objectivos principais reforçar a notoriedade e imagem – nacional e internacional – da cerâmica portuguesa em mercados preferenciais, nomeadamente dos seus subsectores, promovendo a sua valorização suportada num elemento diferenciador, bem como elevar o desempenho das empresas para patamares de excelência e prestígio. A continuada estratégia de forte aposta no design, na inovação e na modernização permite que a cerâmica portuguesa seja constituída por sólidas e reputadas empresas, tendo uma imagem de garantia, agora reforçada pelo selo, que assegura aos seus clientes nacionais e internacionais, pela via da excelência, qualidade, design, inovação, modernidade e sofisticação, colocando a produção nacional no mais elevado patamar da competitividade.

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DESTAQUE

CCTV - CENTRO TECNOLÓGICO DA CERÂMICA E DO VIDRO CONTRIBUTO PARA A INOVAÇÃO EM MATERIAIS PARA A CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL
>POR HÉLIO JORGE, INVESTIGADOR DO LABORATÓRIO DE DESENVOLVIMENTO DE MATERIAIS E PRODUTOS

Enquanto entidade que tem desenvolvido a sua actividade junto de sectores ligados à economia industrial, o CTCV tem vindo a criar e a disponibilizar progressivamente serviços inovadores e de elevado conteúdo tecnológico, bem como formação de especialidade de recursos humanos, com relevância para as áreas de novos produtos ou serviços, novos processos produtivos, novas formas de organização e de gestão de empresas ou novas tecnologias de informação.
Apesar de ser considerado um sector bastante tradicional, o mundo da construção viu-se obrigado a inovar para dar resposta à crescente edificação mundial, aos custos cada vez mais elevados e à pressão imposta pela necessidade de reduzir o impacto nos recursos e no ambiente associado ao ciclo de vida dos edifícios. A eficiência energética, a redução das emissões de dióxido de carbono, do consumo de recursos naturais, a durabilidade e a reciclabilidade, a salvaguarda da biodiversidade e a segurança são hoje requisitos de qualquer projecto enquadrado nos princípios da construção sustentável. Este novo paradigma da construção abre novas perspectivas para a inovação em sistemas construtivos e materiais. É fundamental referir o papel das entidades do sistema científico e tecnológico com competência para o apoio à inovação nas empresas, como os Centros Tecnológicos, as universida-

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DESTAQUE
des, os Centros de Investigação. É paradigmático o caso particular do Centro Tecnológico da Cerâmica e do Vidro (CTCV), uma instituição de utilidade pública, sem fins lucrativos, criada designadamente para apoio técnico e promoção tecnológica das indústrias nacionais da fileira da construção e do habitat, para a promoção do desenvolvimento e da qualidade dos produtos e dos respectivos processos industriais numa óptica de construção sustentável. Tais serviços têm como objectivo criar condições para um desenvolvimento da envolvente empresarial que se pretende sustentado, numa efectiva endogeneização das melhores tecnologias e práticas disponíveis. O desenvolvimento de actividades de carácter inovador em materiais e produtos no contexto da construção sustentável constitui uma das prioridades prosseguida desde cedo pelo CTCV. nologias de produção sustentáveis do CTCV, constituindo-se como espaço de demonstração com as condições necessárias para incorporar alguns dos produtos desenvolvidos, assim como ideias e brainstorming, passando pela preparação de conteúdo técnico e financeiro e apresentação de candidatura a sistemas de incentivos. São disso mesmo exemplos representativos alguns dos projectos que visam a integração de novas funções em materiais cerâmicos. O CTCV conta com uma equipa com profissionais altamente qualificados e trabalha com os seus clientes para alcançar a excelência, antecipando o mercado e as suas necessidades, convertendo ideias em soluções viáveis. A modificação de superfície com recurso a nanotecnologias é uma via explorada para a introdução de novas propriedades nos produtos cerâmicos. No Solar Tiles desenvolveram-se produtos cerâmicos fotovoltaicos integrados para o revestimento de edifícios (coberturas e revestimentos exteriores) que incorporam filmes finos fotovoltaicos, e que se caracterizam por uma elevada qualidade estética e desempenho técnico. Noutro exemplo, no Self Clean, produziram-se filmes nanoestruturados fotocatalíticos em revestimentos cerâmicos, optimizados para terem uma acção autolimpante e purificadora do ar. Noutra vertente, o Sense Tiles visou o desenvolvimento de superfícies cerâmicas com funcionalidades sensitivas, antevendo-se agora a sua aplicação em diversos domínios tecnológicos do habitat. No ThermoCer foi objectivo o desenvolvimento de pavimentos cerâmicos com características térmicas melhoradas para a gestão passiva do consumo de energia em edifícios, por incorporação de materiais inteligentes. A contribuição para a construção sustentável e a comodidade do utilizador é factor comum nestes projectos de I&DT, tendo resultado várias patentes nacionais e internacionais. A inovação e a criação de valor baseados em processos concertados de I&DT é cada vez mais uma necessidade da indústria cerâmica. Factores adversos à competitividade, como a concorrência assente no custo ou a conjuntura económica actual, induzem à mudança de atitude. Inovar pode ser sinónimo de sobrevivência ou de decidir estar dentro ou fora do mercado e dos negócios.

“O desenvolvimento de actividades de carácter inovador em materiais e produtos no contexto da construção sustentável constitui uma das prioridades prosseguida desde cedo pelo CTCV.”

demonstrar a produção piloto, a caracterização, teste, validação e utilização de novos produtos e tecnologias. Para a preparação e gestão de projectos de Investigação e Desenvolvimento

Esta vocação ficou definitivamente assumida com o desenvolvimento do Projecto ccMCS - Centro de Conhecimento em Materiais para a Construção Sustentável. O ccMCS visa apoiar toda a componente de desenvolvimento de produtos, materiais, processos e tec-

Tecnológico (I&DT), o CTCV mantém uma actividade sistemática de vigilância e prospectiva tecnológica em áreas relevantes para o habitat. Este envolvimento inclui actividades que vão desde a avaliação prévia de requisitos e enquadramento dos projectos, à gestão de

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DESTAQUE

INEDIC APOSTA NA INOVAÇÃO E ECODESIGN NA INDÚSTRIA CERÂMICA
>POR CRISTINA SOUSA ROCHA, INVESTIGADORA RESPONSÁVEL PELO PROJECTO INEDIC– LNEG
de formação, associações e empresas. Em Portugal participaram, para além do LNEG, o Centro Português de Design (CPD), o Centro de Formação Profissional para a Indústria Cerâmica (CENCAL), o Centro Tecnológico da Cerâmica e do Vidro (CTCV), a Escola Superior de Arte e Design do Instituto Politécnico de Leiria (ESAD-IPL) e quatro empresas cerâmicas representando diferentes subsetores. Os resultados do projecto encontram-se disponíveis a todos os interessados no site (www.inedic.net), em português, inglês, espanhol e grego, e incluem: • Manual de Ecodesign InEDIC: 13 capítulos e 15 ferramentas que apoiam a implementação do ecodesign e de soluções inovadoras para os produtos cerâmicos, com mais-valias do ponto de vista ambiental, económico e de mercado. O Manual foi testado através de ações de formação e projectos-piloto nos três países. • Bases de dados InEDIC: uma de materiais (reciclados e menos poluentes) e outra de tecnologias (fichas técnicas dos processos fabris, contendo informações sobre os aspetos ambientais, melhores técnicas disponíveis e medidas de ecodesign que influenciam o desempenho ambiental da produção). • Apresentação dos 10 projectos-piloto implementados nas empresas. • Centro de recursos com cerca de 120 entradas (livros, artigos, sites e normas), com palavras-chave. Os projectos-piloto permitiram explorar diversas estratégias de ecodesign e encontrar soluções inovadoras, algumas das quais estão disponíveis no mercado. É o caso do pavimento para exterior EcoTech, desenvolvido pela Revigrés (com 90 por cento de matéria-prima reciclada e uma redução do consumo de energia na produção). A empresa Porcelanas da Costa Verde, também portuguesa, desenvolveu o conjunto de porcelana Minimum, que pode ser usado para guardar alimentos e cozinhar em micro-ondas, na óptica de servir refeições para duas pessoas. Para além da inovação a nível funcional, é de destacar a utilização de 100 por cento de pasta reciclada da ETAR e a redução dos vidrados e elementos decorativos. Apesar da sua importância económica, a indústria cerâmica está a sofrer os efeitos do abrandamento da economia europeia e da concorrência de produtos provenientes de países onde as normas ambientais e sociais são menos exigentes e deficientemente aplicadas. O InEDIC demonstrou que o ecodesign tem um grande potencial de inovação e de melhoria do perfil ambiental e económico dos produtos cerâmicos, quer a nível de redução de custos na cadeia de valor, quer a nível de conquista de novos mercados.

O ecodesign, entendido como a integração de critérios ambientais no design e desenvolvimento de produtos com o objectivo de melhorar o seu perfil ambiental ao longo do ciclo de vida, é um conceito bem estabelecido entre especialistas, mas existe uma falta de conhecimento generalizado que suporte a sua adopção sistemática no design de produtos, em particular dos cerâmicos. Foi precisamente para ajudar a colmatar essa lacuna que se desenvolveu o projeto InEDIC – Inovação e EcoDesign na Indústria Cerâmica, coordenado pelo Laboratório Nacional de Energia e Geologia, financiado pelo Programa de Aprendizagem ao Longo da Vida da União Europeia, Subprograma Leonardo da Vinci. O consórcio InEDIC integrou 18 parceiros de Portugal, Espanha e Grécia, incluindo centros de investigação, institutos

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DESTAQUE

DESIGN DE PRODUTO CERÂMICA E VIDRO UM CASO SINGULAR DE OFERTA FORMATIVA DO ENSINO SUPERIOR PÚBLICO
>POR FERNANDO CARRADAS, DESIGNER, DOCENTE E COORDENADOR DE CURSO DA ESAD
(ESAD.CR) do Instituto Politécnico de Leiria oferece a única formação de nível superior em Design de Produto - Cerâmica e Vidro (DP-CV) em Portugal, estando integrada num edifício reconhecido com o Prémio SECIL, o qual dispõe de oficinas e laboratórios únicos no panorama nacional e internacional para formações em Artes e Design. O curso DP-CV visa garantir uma formação de excelência na área do Design de Produto com uma especialização tecnológica focada na concepção e desenvolvimento de produtos cerâmicos e de vidro, tanto industriais, como manufacturados e de craft. A estrutura curricular do Curso tem como objectivo dotar os alunos com competências teóricas e instrumentos práticos nas áreas da concepção, do desenho, do desenvolvimento de modelos, da ciência e engenharia da cerâmica e do vidro, a partir da prática simulada ou do desenvolvimento real de projectos em parceria com a comunidade, nas áreas da cerâmica estrutural, pavimentos e revestimentos, decorativo, tableware e cookware , embalagem, luminária, mobiliário urbano, joalharia e acessórios de moda, entre outros. É importante referir que o curso oferece ainda formação complementar in loco com parceiros institucionais. Apesar da actual conjuntura, que obrigou ao redimensionamento do sector, a crescente estabilização do tecido industrial e a procura de novos mercados têm revelado uma emergente necessidade de soluções e de novos produtos associados a novos contextos de aplicação e utilização, em particular no desenvolvimento de novas linguagens formais, de melho-

De acordo com dados recentes da APICER e do IAPMEI, a indústria cerâmica nacional apresenta-se como um importante exportador mundial dos seus produtos, o que releva para o reconhecimento do sector em termos económicos e sociais. Nesta medida, a Escola Superior de Artes e Design de Caldas da Rainha

Fabricação aditiva

Cerâmico estrutural (Protótipo), Projecto da aluna Conceição Teixeira premiado no Concurso CEVISAMA

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res atributos técnicos e de novas técnicas de produção. No caso da cerâmica estrutural destacam-se, por um lado, as mais recentes exigências estéticas e funcionais, determinadas pela necessidade do cumprimento das imposições normativas ao nível do desempenho energético e ambiental, e da progressiva alteração de paradigma nos sectores da construção, da arquitectura e do urbanismo e, por outro, a oportunidade de questionar a possibilidade de incrementar o valor dos produtos por integração de criatividade, ou o direcionamento da tecnologia para o desenvolvimento de outros produtos inovadores e originais. Neste quadro, a par dos mais recentes desenvolvimentos nas áreas da engenharia dos materiais e das tecnologias de produção, o design deverá e poderá contribuir de forma inequívoca não só para o aumento dos factores de diferenciação e inovação, como também de coordenação de todos os recursos para o desenvolvimento de conceitos e especificações que optimizem a função, o valor e a aparência de produtos e sistemas. Deverá igualmente enquadrar os resultados num processo estratégico global orientado para um desenvolvimento sustentável e procurar novas formas e novos desempenhos de alto valor acrescentado, procurando aumentar os índices de competitividade deste sector nos mercados nacional e internacional.

MATERIAIS CERÂMICOS NA CONSTRUÇÃO BREVE PANORÂMICA DO PASSADO E FUTURO
> POR DIOGO FREIRE DE ANDRADE, ARQUITECTO DA CONCEITO ARQUITETOS
estruturas, de edifícios ou simplesmente como peças decorativas. A palavra cerâmica vem do grego kéramos ou keramikos, que significa matéria queimada. Classifica-se a cerâmica em terracota (argila cozida no forno), cerâmica vidrada (o exemplo mais conhecido é o azulejo), grés (cerâmica vidrada, às vezes pintada) e faiança (louça fina obtida de pasta porosa cozida a altas temperaturas). Portugal tem provas na utilização da cerâmica na construção desde os seus antepassados romanos, árabes, visigodos e celtas. Tanto os métodos de produção como os elementos decorativos e as próprias características das formas e função dos objectos são testemunhos irrefutáveis da sua origem. As coberturas revestidas a telha cerâmica e a utilização de tijolos e derivados nas paredes, nos pavimentos e nos tectos constituem um elemento construtivo tradicional português. Relativamente à utilização de azulejos de uma forma generalizada na arquitetura portuguesa, esta iniciou-se no século XV, após o Rei D. Manuel I ter visitado o sul de Espanha e desta maneira entrar em contacto com as manifestações artísticas de origem muçulmana. Esta utilização deu-se início no Palácio Nacional de Sintra e mais tarde em todo o país em igrejas, conventos e casas de nobres e de burgueses abastados. No século XVIII é implantada uma indústria manufactureira, aumentando a produção e diminuindo os preços e generalizando, desta forma, o seu uso.

“Num futuro próximo, mais do que simplesmente revestir paredes, pisos e fachadas, as cerâmicas assumirão novos papéis, adquirindo um estatuto de importante elemento inovador, pois será usada cada vez mais como um material transversal na sua utilização em campos como na mecânica, medicina ou na indústria aeroespacial.”

A utilização dos materiais cerâmicos na construção é tão antiga como a própria civilização. Em quase todos os pontos do globo encontramos materiais cerâmicos devido à sua harmonia com o ambiente, facilidade de utilização e abundância da matéria-prima e à elevada durabilidade e resistência. Desde os tempos antigos o tijolo ou outros materiais cerâmicos foram usados na construção de defesas das cidades, de infra-

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DESTAQUE
Com a expansão portuguesa a utilização do azulejo foi exportada mas ao mesmo tempo recebeu uma variedade formal. Aos poucos vão ser adaptados motivos e elementos artísticos de outros povos. rece-nos várias características que nos agrada bastante, como sejam a variedade de cores, durabilidade do material, utilização em vários locais por poderem ser antiderrapantes ou fáceis de limpar, baixa manutenção, possibilidade da sua utilização em vários planos, em pavimento, paredes, fachadas, e com adaptabilidade de utilização em vários tipos de projectos: colégios e creches, hotéis, centros comerciais, habitações e outros. Num futuro próximo, mais do que simplesmente revestir paredes, pisos e fachadas, as cerâmicas assumirão novos papéis, adquirindo um estatuto de importante elemento inovador. A cerâmica será cada vez mais um material transversal na sua utilização em campos como na mecânica, medicina ou na indústria aeroespacial.

“O nosso objetivo é retirar do material todas as suas características particulares como por exemplo a forma como a luz se comporta.”

É de uma forma natural que no nosso atelier Conceito Arquitetos utilizamos os revestimentos cerâmicos. O nosso objectivo é retirar do material todas as suas características particulares, como por exemplo a forma como a luz se comporta. Este material ofe-

RECER CRESCE E CONQUISTA MERCADOS
O Grupo Recer alcançou em 2012 o maior volume de negócios consolidado de sempre, tendo atingido os 82,8 milhões de euros
Este valor traduz um crescimento de 19,3 por cento face ao ano transacto, sendo que 75 por cento deste volume de negócios foi obtido em mercados externos. Neste desempenho, tiveram um especial destaque os mercados extra comunitários, que valem já 64 por cento das vendas totais do grupo. Os resultados líquidos atingiram os 6,8 milhões de euros, tendo crescido cerca de 18,3 por cento face a 2011.

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DESTAQUE

A actividade do grupo divide-se, essencialmente, em duas áreas: tecnológica e cerâmica. Na área tecnológica, o grupo teve um excelente desempenho fruto de uma estratégia sustentável, consistente e

continuada iniciada em meados da década passada. Na área cerâmica, o grupo procurou consolidar a sua posição nos mercados externos tradicionais e intensificou a prospecção de novos mercados no Médio Oriente, Magrebe e América Latina. Num futuro próximo, as políticas de industrialização dos países emergentes, na área dos materiais de construção, associadas ao novo ciclo de programação comunitária 2014-2020, que tem como um dos principais eixos a reabilitação e a regeneração urbanas, continuam a assinalar inúmeras oportunidades que potenciam a consolidação e o desenvolvimento do grupo. Importa, por isso, reforçar ainda mais a vertente internacional da actividade do grupo, aprofundar a diversificação dos mercados e a inserção em regiões de maior dinamismo. A Recer foi recentemente distinguida com o selo “Ceramics – Portugal Does It Better”, na categoria “Gold”, destinado a reconhecer a excelência da sua actividade nos mercados internacionais. Esta distinção, promovida pela Associação Portuguesa da Indústria de Cerâmica (APICER)

e apoiado pelo COMPETE – Programa Operacional de Factores de Competitividade, pretende ser uma “qualificação superior das empresas que cumpram um conjunto de requisitos objectivos e dos quais resulte uma imagem de sustentabilidade, organização e competência”. Integrada num grupo empresarial que é um pilar estruturante entre as várias indústrias do sector dos materiais de construção, em termos de valor acrescentado, emprego e entrada de divisas, a RECER detém sólidas convicções estratégicas, uma tradição de análise de todos os indicadores de gestão e um vasto conhecimento dos mercados. Constituída em 1998, como centro do pensamento estratégico de um grupo de empresas do mundo da cerâmica e dos negócios com ele confinantes, a Recer Investimentos, SGPS, S.A. gere participações em áreas e sectores tão diferenciados como a metalomecânica, o design e projectos, a cerâmica estrutural e de acabamento, os produtos de betão pré-esforçado, a automação e robotização industrial, os sistemas de cogeração, as artes gráficas e a comunicação.

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EMPRESAS

> THALES PORTUGAL: CINCO PERGUNTAS A JOÃO ARAÚJO, PRESIDENTE DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO

COMPETÊNCIA TECNOLÓGICA E INVESTIMENTO SÃO FACTORES DE SUCESSO
Presente em Portugal há mais de duas décadas, a Thales Portugal, detida pelo grupo francês com o mesmo nome, tem desenvolvido um processo de internacionalização a partir do nosso país. Que balanço faz desse processo e que projectos, nesse âmbito, tem em curso e para o futuro? O processo de internacionalização que a actual equipa da Thales Portugal tem vindo a desenvolver iniciou-se no ano 2000 após o reconhecimento por parte do Grupo das competências adquiridas e consolidadas em Portugal, no domínio das Comunicações Ferroviárias Integradas e da Sinalização Ferroviária. o início dos anos 90 com a activa participação na maioria dos projectos então desenvolvidos no âmbito do programa de modernização da rede ferroviária portuguesa, que deram a oportunidade à equipa portuguesa de adquirir as competências e a experiência que lhe permitiram notabilizar-se dentro do grupo e ser reconhecida como Centro de Competências Mundial. Ao fim de mais de 23 anos de actividades no sector ferroviário, dos quais 13 em exportação, considero o balanço muito positivo. Este processo, representa a 2ª fase da vida do Centro de Competências português, tendo a 1ª fase decorrido desde Em 13 anos a Thales Portugal estendeu a sua presença a 16 países nos quais

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EMPRESAS
desenvolveu ou tem em execução um total de 28 projectos multidisciplinares de grande dimensão, representado um volume superior a 400 milhões de euros que lhe permitiu ultrapassar a contracção do mercado doméstico nos últimos anos. Simultaneamente, a Thales Portugal notabilizou-se, ganhou reconhecimento e prestígio dentro do Grupo pelas suas competências e pela sua capacidade de realização, sendo hoje uma das unidades com maior fiabilidade, flexibilidade e a unidade a quem se entregam as tarefas verdadeiramente desafiantes. Quais os principais mercados em que a empresa está presente e em que áreas de actividade? Do ponto de vista tecnológico a Thales Portugal está presente no mercado dos Projectos Integrados, Multidisciplinares, de Sinalização Ferroviária e de Sistemas de Comunicações Ferroviárias. Com estas soluções, as administrações ferroviárias ficam equipadas de poderosas ferramentas de gestão da circulação ferroviária, de modernos sistemas de comunicação, de fiáveis sistemas de informação ao público e de segurança de pessoas e bens, permitindo optimizar a exploração das suas redes em termos da capacidade, fiabilidade, pontualidade, conforto e, sobretudo, segurança. Este tipo de soluções é desenvolvido em torno dos produtos Thales, resultado do vultuoso investimento que o grupo Thales dedica à inovação, pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias. Outra área de competência são as soluções integradas de segurança para infra-estruturas críticas: aeroportos, refinarias, portos e outras instalações sensíveis a ameaças externas como seja por exemplo a intrusão, o vandalismo e o terrorismo. Em todos estes projectos, a Thales Portugal desempenha o papel de integrador, desenvolvendo todas as etapas ao longo do ciclo de vida deste tipo de projectos complexos, desde a sua concepção à sua manutenção e operação. Do ponto de vista geográfico a Thales Portugal está hoje presente em todos os continentes. No entanto, os principais mercados onde o seu foco se concentra são o continente africano, onde vemos um crescendo de actividade ferroviária; a Índia, o seu primeiro mercado de exportação sólido; o Brasil pelas inequívocas vantagens resultantes da proximidade cultural; e os países asiáticos onde a Thales Portugal se apresenta com soluções particularmente bem adaptadas aos requisitos e condicionantes desta zona. No entanto, a Thales Portugal não deixará de estar presente nos mercados em que o Grupo Thales considere importante a sua contribuição e experiência. A Thales Portugal venceu recentemente um concurso na África do Sul de Sinalização e Comunicação Ferroviária, no valor de 136 milhões de euros, e que é um dos maiores projectos de infra-estrutura ferroviária no continente africano. Qual foi a estratégia seguida para o sucesso neste desafio? Como factores críticos de sucesso para este projecto apontarei uma boa preparação técnica e optimização da solução; um forte apoio local, tanto da unidade Thales África do Sul como dos parceiros locais; o reconhecimento pelo cliente das realizações similares e da experiência da Thales Portugal, a disponibilidade para efectuar transferência de competências; e por fim, mas não menos importante, um preço competitivo, mas justo. Como estratégia direi que nos orientámos sempre no sentido da optimização da solução técnica, da clareza e detalhe na apresentação da proposta, na honestidade, transparência e flexibilidade nas negociações e sempre na clara demonstração do entendimento dos objectivos do cliente. No desenvolvimento do seu processo de internacionalização, a Thales Portugal costuma recorrer aos serviços da AICEP? Que importância atribui à rede externa da Agência e ao seu desempenho no apoio às empresas nacionais? A Thales tem vindo a recorrer cada vez mais aos serviços e apoio da AICEP, so-

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EMPRESAS
bretudo pelos bons resultados e eficaz cooperação que temos obtido, resultado de uma nova e eficaz diplomacia económica dinamizada pelo MNE. A entrada e consolidação de uma empresa num país estrangeiro requer muito esforço de familiarização com novos ambientes de negócio, mesmo nos casos, como é o da Thales, em que já existem unidades no local. Neste contexto, a presença do AICEP e das entidades diplomáticas tem-se revelado fundamental para o acesso a informações relativas às particularidades do mercado em questão, à facilitação dos processos administrativos relativos aos colaboradores da Thales Portugal e aos canais que se abrem para as actividades de desenvolvimento do negócio. Quais as perspectivas para o futuro da Thales Portugal quer no nosso país quer a nível internacional? Relativamente ao mercado português, é com apreensão que continuamos a assistir à estagnação dos investimentos nos sectores onde a Thales desenvolve as suas actividades e à não existência ou sinais de planos futuros consistentes, sobretudo ao nível do sector dos transportes. Há muito que estamos prontos para colaborar com as entidades oficiais respectivas: no desenvolvimento de novas ideias e estudos com vista ao desenvolvimento do sector ferroviário, através de soluções que se adequem à capacidade de investimento portuguesa; e também a apoiar e liderar iniciativas que, tirando proveito das competências nacionais em todos os domínios dos projectos ferroviários, permitam que grupos de empresas portuguesas se apresentem de modo coordenado às grandes obras internacionais neste sector, sempre com o foco na criação de riqueza nacional. Neste particular, a Thales Portugal poderá falar com autoridade. Mais de 80 por cento das suas actividades são desenvolvidas no mercado de exportação, pelo que poderemos dizer que a Thales Portugal desempenha bem o seu papel na geração de riqueza para Portugal. Apesar da falta de investimento nacional, o Grupo Thales não deixa de olhar para Portugal com atenção. Assim, além do reconhecimento da importância para

o Grupo das actividades internacionais da Thales Portugal, a Thales investiu recentemente em Portugal através do reforço de capital na Edisoft. Esta operação traduz o reconhecimento da importância e do valor desta empresa, do reconhecimento de que com a Thales, o sector nacional da Defesa e Aeroespacial ficarão mais fortes e com isso também mais fortes ficarão as actividades da Thales e da Thales Portugal. Assim, a Edisoft é um dos mecanismos para o crescimento da Thales em Portugal.

não pondo em risco os compromissos em curso, crescer de modo consistente para um lugar de primeiro plano, entre os grandes do Grupo Thales. Em termos de perspectivas quanto ao desenvolvimento nacional, e na sequência do primeiro passo já dado pelo Grupo Thales através da localização e consolidação em Portugal de um forte pólo de competências tecnológicas e exportação, na Thales Portugal, e do significativo investimento estratégico na Edisoft, é nosso entendimento que caberá agora ao Estado português aproximar-se dos grupos internacionais, que, sendo líderes mundiais nas suas áreas de competência, estão dispostos a ir um pouco mais longe com o Governo português na implementação de parcerias de âmbito internacional. Neste aspecto, o governo francês, em particular através do seu embaixador Pascal Teixeira da Silva, tem incentivado o estabelecimento deste tipo de relações indústria-governo, bem como o reforço da colaboração entre Estados. Este tipo de relações permitirá abrir horizontes mais largos e novas competências tecnológicas que colocarão Portugal entre os que conduzem a inovação mundial e a um nível muito acima da nossa dimensão física, mais de acordo com as nossas virtudes e determinação.

“Em 13 anos a Thales Portugal estendeu a sua presença a 16 países, nos quais desenvolveu ou tem em execução um total de 28 projectos multidisciplinares de grande dimensão, representando um volume superior a 400 milhões de euros que lhe permitiu ultrapassar a contracção do mercado doméstico nos últimos anos.”

Em termos internacionais, além de contar com as actividades da Edisoft, a Thales Portugal perspectiva uma consolidação das suas actividades ferroviárias nos países onde já se encontra e que já referimos, continente africano a partir da África do Sul, Índia, Brasil, Ásia e Península Arábica. Em paralelo, irá analisar as oportunidades que se lhe apresentem nos mercados de potencial expansão, já identificados, de modo criterioso para,

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26 // Junho 13 // Portugalglobal

EMPRESAS

ENOPORT UNITED WINES A CRESCER NO MERCADO INTERNACIONAL
Angola, Brasil e China são mercados de eleição para o grupo Enoport no âmbito do seu processo de internacionalização. Com empresas já constituídas nos mercados angolano e chinês, a Enoport vira-se agora para o Brasil onde vai abrir um escritório de representação. Globalmente, o grupo, nascido da união de várias empresas vinícolas, exporta para quase três dezenas de países.
O grupo Enoport nasceu em 2005 a partir da união de várias empresas de reconhecido capital histórico no panorama vitivinícola nacional: as Caves Velhas, as Caves D. Teodósio, as Adegas Camilo Alves, as Caves Moura Basto, a Cavipor e as Caves Acácio. Cinco anos mais tarde, o Grupo apresentou uma nova identidade corporativa – a Enoport United Wines (EUW) – assumindo esta marca como única e identificativa em todos os mercados onde está presente e nos quais trabalha diariamente para o seu crescimento e consolidação. A EUW gere 10 propriedades agrícolas com um total de 400 hectares de vinhas espalhadas por várias denominações de origem e quatro centros de vinificação com uma produção de 5.700.000 litros de vinho Regional e DOC. Segundo fonte do Grupo, as unidades de engarrafamento produzem entre 25 a 30 milhões de unidades por ano, sendo a de Penafiel responsável pela produção de espumantes e pequenas séries Premium do Grupo e estando certificada pela norma NP EN 150 9001:2008, e a de Rio Maior responsável pelo engarrafamento de grande séries, com certificação pela NP EN ISO 9001:2000 e pela norma BRC Global Standard (British Retail Consortium). O grupo conta com um total de 227 colaboradores dos quais 173 em Portugal, 48 em África, oito na Ásia e um na América. A estratégia de internacionalização do Grupo arrancou em Julho de 2007 com a elaboração de um plano de investimentos que, de acordo com a mesma

“A estratégia de internacionalização do grupo Enoport arrancou em Julho de 2007 com a elaboração de um plano de investimentos que visava criar presenças físicas locais em Angola, Brasil e China.”

fonte, visava criar presenças físicas locais em Angola, Brasil e China. Um ano depois era criada a EnoAng Comércio de Bebidas Lda, em Angola, uma distribuidora local dedicada especialmente aos vinhos do Grupo mas também a produtos representados de terceiros, num mercado com o qual o já tinha uma longa e histórica relação. Na China foi constituído, em Setembro de 2009, um escritório de representação em Xangai, em parceria com um cliente, e, já em 2011, foi criada uma sub-holding asiática do Grupo, a EnoAsia Entreprises Ltd, responsável pelo desenvolvimento dos investimentos da EUW na região.

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EMPRESAS
Ainda em 2011, foi dado início aos procedimentos para a criação da empresa de distribuição, ao abrigo de um protocolo de investimento externo na China, e ainda constituída uma participada em Macau, denominada Exclusive Selection Trading, para apoio da actividade comercial e reforço da presença no continente. Outras datas marcantes no processo de internacionalização da EUW foram a criação e arranque da primeira filial da EnoAng em Benguela, Angola, e a constituição, em Junho de 2012, da empresa de distribuição na China, a Prime Wines Trading (Shangai) Co. Actualmente em curso está a criação e lançamento do escritório de representação no Brasil que irá dar maior apoio aos importadores e prioridade aos vinhos de marca que reforcem a imagem das características únicas dos vinhos de Portugal. A Enoport vai também reforçar a sua presença no mercado chinês, alargando a distribuição dos seus produtos nas províncias mais dinâmicas com o segmento vinhos Premium na categoria Vinhos de Portugal, através da Prime Wines Trading, criando dessa forma uma base de ligação mais ampla entre a China e Portugal. É igualmente objectivo do Grupo consolidar a sua posição em Angola e alargar a distribuição vinhos de marca no mercado americano através dos importadores. Segundo a mesma fonte, é “muito importante assegurar uma cobertura geográfica relevante, bem como uma grande consistência nos canais comerciais em que actuarem”, pelo que a EUW procura encontrar, em cada país, clientes à sua dimensão ou maiores e que possam no médio e longo prazo assegurar relações fortes e de grande críticos para o crescimento e desenvolvimento do Grupo no curto, médio e longo prazo”, sublinha a mesma fonte, acrescentando que a Enoport pretende manter, ao mesmo tempo, uma forte presença na distribuição dos seus produtos em Portugal, “mesmo nestas alturas de grande restrição e dificuldade do mercado, até porque pensamos que melhores dias virão”. Refira-se que o Grupo tem vindo a ganhar um crescente número de medalhas em concursos internacionais nos últimos anos (de 2010 a 2012 foram 330 medalhas, sendo 62 ouro), recebendo igualmente notas acima de 90 pontos nas revistas da especialidade de referência mundial, o que, na opinião dos seus responsáveis, atesta a melhoria qualitativa dos seus vinhos e da sua enologia. A EUW registou um volume de facturação na ordem dos 35 milhões de euros em 2011, dos quais 57 por cento foram receitas provenientes dos mercados externos.

“A Enoport vai também reforçar a sua presença no mercado chinês, alargando a distribuição dos seus produtos nas províncias mais dinâmicas com o segmento vinhos Premium na categoria Vinhos de Portugal, através da Prime Wines Trading, criando dessa forma uma base de ligação mais ampla entre a China e Portugal.”

dimensão. O Grupo promove também um relacionamento próximo e personalizado com clientes de menor dimensão, fruto do alargado portfólio que tem e das relações históricas que muitas das suas empresas tinham no passado com esses clientes, procurando estabelecer novos acordos sempre que possível. “A exportação e a internacionalização são e serão, sem dúvida, referenciais

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28 // Junho 13 // Portugalglobal

MERCADOS

HUNGRIA
MERCADO COM POTENCIAL
A Hungria é um mercado com oportunidades para explorar pelas empresas e investidores portugueses, como parece indicar o crescimento regular, nos últimos anos, das exportações nacionais para aquele país. Além disso, poderá também ser uma porta de entrada para os sete países com quem faz fronteira e para outros países da Europa Central e Oriental (PECO), alargando, dessa forma, o leque de oportunidades de negócio. Joaquim Pimpão, director do escritório da AICEP em Budapeste, fala-nos deste mercado e do seu contributo para o comércio externo português.
30 // Junho 13 // Portugalglobal

MERCADOS
Com uma dimensão geográfica e uma população semelhantes a Portugal, a Hungria é um país cuja economia, nos últimos anos, e tal como em vários outros países europeus, passou por algumas dificuldades. Mas a economia húngara começa a dar sinais de retoma, como indicia o crescimento do PIB de quase um por cento no decorrer do 1º trimestre de 2013. Visando o relançamento e a consolidação da economia, o MNB-Banco Nacional da Hungria anunciou em Abril medidas para facilitar os empréstimos às PME e reduzir a exposição da economia e das pequenas e médias empresas húngaras ao exterior. Inspirando-se no “funding for lending” lançado pelo governo inglês no Verão passado, o MNB vai colocar à disposição do sistema bancário 250 mil milhões de HUF - forints (cerca de 830 milhões de euros) para concessão de crédito às PME a uma taxa de zero por cento. Uma segunda linha de crédito de 250 mil milhões de HUF deverá permitir às PME converterem em HUF as suas dívidas em moedas estrangeiras (sobretudo francos suíços, euros e ienes). Este programa, segundo os dirigentes do MNB, será para continuar, prevendo-se a abertura de novas linhas de “facilitação” do crédito à economia real e à produção. No que diz respeito ao défice orçamental, a Hungria saiu finalmente do procedimento por défice excessivo que lhe foi imposto por Bruxelas em 2004, ano da adesão a União Europeia. Com efeito, em Abril último, a UE tornou público e sublinhou a satisfação pelo facto de a Hungria ter fechado 2012 com um défice de 2 por cento, tendo também advertido que a decisão de encerrar ou não o procedimento por défice excessivo teria também de basear-se nas expectativas da evolução do equilíbrio orçamental Já depois disso, a União Europeia anunciou, a 3 de Maio, que a Hungria está em condições de abandonar o procedimento por défice excessivo se aplicar novas medidas complementares com vista à consolidação orçamental das contas públicas. Como consequência, o governo designadamente os aplicados à banca e ao sector energético. A Hungria, sendo um país de dimensão média em termos europeus, e na perspectiva da internacionalização das empresas portuguesas, deve também ser olhado como um mercado que faz fronteira com sete países, podendo funcionar como uma das portas de entrada e como um dos potenciais centros logísticos de difusão e distribuição de bens, serviços e know-how portugueses para outros mercados PECO (Países da Europa Central e Oriental), o que permitirá aumentar a sua importância para as empresas nacionais com ideias e oferta para esta região imensa. A estratégia da AICEP para este mercado tem tido por base as sinergias inerentes da diplomacia económica, com a respectiva cooperação com a Embaixada e o Embaixador, sendo sustentada pela actividade concreta de levantamento (pró-activo) de oportunidades de negócio e do potencial de exportação para as empresas portuguesas, da estreita colaboração com as empresas nacionais verdadeiramente interessadas no mercado húngaro, assim como

“A Hungria deve também ser olhado como um mercado que faz fronteira com sete países, podendo funcionar como uma das portas de entrada e como um dos potenciais centros logísticos de difusão e distribuição de bens, serviços e know-how portugueses para outros mercados PECO (Países da Europa Central e Ocidental), o que permitirá aumentar a sua importância para as empresas nacionais com ideias e oferta para esta região imensa.”

húngaro anunciou de imediato novos cortes orçamentais para conseguir obter uma poupança de 800 milhões de euros, tendo ainda anunciado que se esse valor não for suficiente para manter o défice abaixo dos 3 por cento, o governo pode decidir congelar mais despesas em 2014, suspender e adiar alguns investimentos públicos e/ou aumentar alguns impostos,

Caiaques Nelo na Hungria
A Nelo – M.A.R. Kayaks Lda. (www.mar-kayaks.pt), o maior fabricante do mundo de caiaques, está presente no mercado húngaro há vários anos. A empresa de Vila do Conde, fundada em 1978, tem um representante na Hungria e, nos últimos anos, os melhores praticante de caiaque e canoa húngaros vêm treinar aos centros da Nelo em Portugal. O caiaque e a canoagem são “desportos nacionais” na Hungria e há muitos campeões (olímpicos e mundiais) húngaros que têm ganho medalhas com os barcos Nelo, pelo que este mercado é muito importante para a M.A.R. Kayaks Lda.

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MERCADOS
ros, uma descida superior a 5 por cento. De destacar em ambos os casos que a dinâmica de crescimento das exportações portuguesas para o mercado é muito superior a dinâmica de crescimento (7 e 6 vezes, respectivamente) das importa-

(e sobretudo) com as empresas húngaras importadoras, representantes locais das empresas portuguesas.

Por seu lado, as importações caíram de 251,5 milhões para 234,8 milhões de euros, ou seja, menos 6,7 por cento. No decorrer do 1º trimestre de 2013 a tendência manteve-se: as exportações portuguesas passaram de 39,4 milhões para 47,3 milhões de euros, o que representa um crescimento de 20 por cento, e as importações diminuíram de 58,9 milhões para 55,9 milhões de eu-

“A Hungria é um mercado de oportunidades para as exportações nacionais, para negócios em diversos sectores, para o investimento directo português, para a cooperação para terceiros mercados e gradualmente, no futuro, pode vir a ser um país potencial de captação de IDE para Portugal.”

Relações bilaterais
Segundo o KSH (Instituto Central de Estatísticas da Hungria), as exportações portuguesas para a Hungria aumentaram de 135,8 milhões em 2011 para 173,1 milhões de euros em 2012, ou seja, um importante aumento de 27,5 por cento.

ções húngaras para o mesmo período. De sublinhar que na Hungria, em 2012, no total, o valor das importações ultrapassou os 73 mil milhões de euros. Há pois uma enorme potencialidade para o reforço das exportações portuguesas para o mercado húngaro.

Budapeste-Lisboa, cidades-gémeas desde 1992
É possível ver em Budapeste alguns resultados dessa geminação. Por exemplo, na estação de Deák Ferenc tér, onde se cruzam todas as linhas do metropolitano, podemos apreciar vários painéis de azulejos da autoria do pintor português João Vieira. Esta obra, executada em Lisboa na Fábrica Cerâmica Viúva Lamego, foi oferecida pelo Metropolitano de Lisboa ao BKV (empresa de transporte público em Park, onde fica a Embaixada de Portugal na Hungria e escritório da AICEP em Budapeste. Foi inaugurado pelo Embaixador de Portugal na Hungria, António Jorge Mendes. Estima-se que os diplomatas portugueses Sampayo Garrido e Teixeira Branquinho terão ajudado cerca de mil judeus a saírem da Hungria durante a II Guerra Mundial. Os seus nomes encontram-se hoje numa placa colocada na fachada de um dos edifícios que pertencia à rede de “casas protegidas” da Legação Portuguesa, no nº 5 da Rua Ujpesti Rakpart, situado no XII Bairro em Budapeste. Pode-se ver, também, os nomes dos dois diplomatas portugueses inscritos numa lápide da Sinagoga 1 de Budapeste e numa placa exterior do edifício da antiga Legação de Portugal, hoje um hotel.

Budapeste), tendo sido inaugurada em Agosto de 1996 por ocasião das comemorações dos 1100 anos da fundação do Estado húngaro. O artista escolheu três poetas húngaros e três portugueses (Luís de Camões, Fernando Pessoa e Cesário Verde), com dez poemas no total, cinco em cada idioma. “Lisszabon sétány” (Passeio Lisboa) é a denominação de uma das ruas que contorna o Centro Comercial MOM

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MERCADOS
Quanto aos fluxos de investimento, e segundo o MNB (Banco Nacional da Hungria), o investimento português líquido acumulado na Hungria rondava os 265 milhões de euros em finais de 2012. Devido aos desinvestimentos, nos últimos anos este valor tem vindo gradualmente a descer. Actualmente são 60 as empresas com capital nacional instaladas na Hungria. Por seu lado, o número de empresas que exportam para a Hungria aumentou de cerca 330 em 2010 para quase 440 em 2012. O número de empresas húngaras que importam de Portugal também cresceu significativamente, tendo passado de 270 em 2010 para 390 em 2012. São pois aumentos muito interessantes de novas empresas portuguesas a exportarem para o mercado húngaro e de novas empresas húngaras a importarem de Portugal. A importância da Hungria como mercado potencial de angariação de IDE para o nosso país é bastante reduzida. Apesar disso foram identificados potenciais investidores e realizadas visitas e reuniões com estes investidores. De referir que o investimento de empresas húngaras em e do cruzamento com as “apetências” do mercado, com base nas opiniões recolhidas pelo escritório em Budapeste, são os seguintes os sectores-alvo prioritários para este e o próximo ano: • TIC (e-gov, soluções inteligentes, serviços de software); • Agro-alimentar (destaque para vinho); • Moda (calçado, vestuário, artigos de alto valor-acrescentado); • Cortiça; • Arquitectura portuguesa; • Design português. Numa estratégia assente na pró-actividade diária, na proximidade ao mercado e às empresas, sobretudo junto das importadoras, representantes e agentes de empresas portuguesas, assim como de associações e entidades sectoriais e imprensa da especialidade, são muitas as acções de promoção de Portugal e dos seus produtos realizadas neste mercado, diversos sectores como os vinhos, a cortiça, os produtos alimentares, a arquitectura portuguesa, entre outros (ver caixa).

Miguel Rocha Vieira, um chef reconhecido na Hungria
Em 2010, o “Costes” (www.costes. hu) foi o primeiro restaurante da Hungria a receber uma estrela Michelin e tem conseguido mantê-la. O mérito deve-se a um jovem chef de cozinha português, Miguel Rocha Vieira, considerado um autêntico embaixador da gastronomia portuguesa em Budapeste, um lisboeta de 35 anos de idade que vai atraindo à sua mesa gente de todo o mundo, incluindo estrelas como Angelina Jolie, Brad Pitt e Jeremy Irons. Miguel Rocha Vieira, considerado um criador de “obras-primas delicadas”, foi premiado pelo “Friedrich Wilhelm Raiffeisen-Dining Guide”.

“Em colaboração estreita com as empresas tem-se conseguido realizar diversas acções de promoção, alcançando importante notoriedade junto dos media da especialidade e sectoriais.”

Abordagem ao mercado húngaro: aspectos a ter em conta
Gostaria de deixar bem claro que na Hungria existe ainda espaço para parcerias com empresas portuguesas. A Hungria é um mercado de oportunidades para as exportações nacionais, para negócios em diversos sectores, para o investimento directo português, para a cooperação para terceiros mercados e gradualmente, no futuro, pode vir a ser um país potencial de captação de IDE para Portugal. Como em outros mercados, também na Hungria há ainda um grande desconhecimento sobre as marcas portuguesas, sobre o que se faz bem em Portugal e uma notoriedade insuficiente da oferta nacional no mercado húngaro. A distância entre os dois mercados, com o consequente peso no preço final dos custos de transporte, associado à pouca frequência dos fretes, é outro factor bastante desfavorável. As decisões são tomadas essencialmente com base no preço e não na qualidade e os preços dos produtos portugueses, por vezes, parecem não ser competitivos. Os prazos de pagamento normalmente propostos pelas empresas nacionais, de forma geral, são mais curtos que os prazos de pagamento oferecidos pela concorrência internacional. Mesmo levando em conta o arranque relativamente tardio, a Hungria é hoje um país fortemente integrado nos fluxos do comércio internacional (refira-se que exporta e importa muito mais que Portugal). Assim, considerar este país como mercado emergente é

Portugal continua a ser bastante modesto. O investimento líquido acumulado não ultrapassa os 65 milhões de euros. Finalmente, e no que diz respeito ao fluxo de turistas para Portugal, anualmente 20 mil húngaros elegem Portugal como destino turístico. De destacar que a TAP liga diariamente Lisboa a Budapeste.

Sectores-alvo da promoção para 2013-2014
Na sequência do trabalho realizado pela AICEP, das suas Unidades em Portugal, da auscultação feita junto das empresas

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MERCADOS

PROMOÇÃO DOS PRODUTOS PORTUGUESES NO MERCADO HÚNGARO (2012-13)
Dias de Portugal em Budapeste (2012)
O primeiro evento Dias de Portugal decorreu de 7-9 de Junho do ano passado no Mercado Central de Budapeste, com a apresentação, prova, degustação e venda de produtos portugueses. Através dos seus importadores e agentes locais, 19 empresas portuguesas apresentaram mais de 70 produtos. Dois operadores de viagens que programam Portugal estiveram também entre os participantes. Durante o evento foram apresentados filmes de promoção turística assim como filmes sobre a gastronomia e vinhos portugueses. ficar-se pelo cliché há muito ultrapassado e que em nada ajuda quando se pretende exportar, aumentar e diversificar as exportações nacionais. Na estratégia da abordagem do mercado húngaro sugere-se antes um mix de cautela e ousadia. Em colaboração estreita com as empresas tem-se conseguido realizar diversas Apesar das dificuldades que o nosso país atravessa, e da consequente necessidade de uma rigorosa selecção de mercados e da definição de prioridades para alocação dos escassos fundos disponíveis para a promoção de Portugal, da sua imagem e das suas empresas e oferta, Portugal deve, mesmo neste quadro, continuar a estratégia de promoção e visibilidade de Portugal no mercado húngaro, em cooperação pró-activa com as empresas e entidades interessadas na relação económica bilateral, conseguindo assim eventos e acções auto-sustentadas mas com impacto. Como diz o provérbio chinês “não importa que o gato seja branco ou preto, o importante é que saiba caçar ratos” e que assim as exportações portuguesas continuem a aumentar.

Vinhos Mateus e Gazela no Festival “Borbulha”
Presença com provas, degustações e vendas no evento. Tratou-se da 1ª edição do Buborék Fesztivál “first Bubble Festival” numa organização do “origo”, diário on-line líder na Hungria, e que decorreu de 27-29 de Julho de 2012.

“A economia húngara começa a dar sinais de retoma, como indicia o crescimento do PIB de quase um por cento no decorrer do 1º trimestre de 2013.”

Prova de vinhos portugueses (Verdes) em Budapeste
No dia 3 de Outubro de 2012 decorreu em Budapeste uma prova e apresentação de vinhos portugueses. O evento – realizado no âmbito da deslocação à Hungria de uma equipa portuguesa de futebol –, foi organizado pelo Escritório da AICEP em Budapeste e contou com a participação de 25 profissionais: jornalistas, bloguistas dos sectores de vinhos, gastronomia, hotelaria.

acções de promoção, alcançando importante notoriedade junto dos media da especialidade e sectoriais. Também por isso há, por parte de alguns dos principais players do mercado, um reconhecimento crescente da qualidade de alguns dos segmentos mais importantes da oferta portuguesa, como são os casos, por exemplo, das fileiras moda, casa, e agro-alimentar.

AICEP em Budapeste
Portugál Nagykövetség Kereskedelmi Képviselete 1123 Budapest, Alkotás út 53, MOM Park C ép. 4. em. Hungria Tel.: +361 488 7865 Fax: +361 488 7870 aicep.budapest@portugalglobal.pt

Presença da empresa Nutri Ventures na televisão húngara
Desde finais de Setembro de 2012, o M2 (canal 2 da televisão pública húngara) transmite semanalmente episó-

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MERCADOS
dios da série de animação 100, por cento portuguesa, dedicada ao tema da nutrição contando histórias sobre alimentação saudável a crianças. A Nutri Ventures (com o título em húngaro “Kaja-kalandok”) é a maior série de animação infantil jamais feita em Portugal, com um orçamento total de 7,5 milhões de euros. Muito mais que desenhos animados, a Nutri Ventures pretende ser uma verdadeira causa na promoção de hábitos de alimentação saudáveis e na luta contra a obesidade infantil. A Nutri Ventures contou com o apoio da AICEP desde a sua primeira visita ao mercado.

Participação portuguesa no VinCE
De destacar, no âmbito do evento organizado pela revista VinCE – Central European Wine Magazin, e perante um público de cerca de 80 pessoas, o workshop Closure Impact da empresa Amorim & Irmãos, S.A. O evento reuniu os principais players e especialistas do sector de vinhos na Hungria, oferecendo vários programas (feira com provas, conferências, workshops) sobretudo para um público de especialistas e de elite.

ao vivo. Foi uma excelente oportunidade para a promoção da imagem de Portugal e para os produtos portugueses da fileira agro-alimentar junto do consumidor final e dos media húngaros.

Jantar vínico Quinta da Romaneira
Decorreu no dia 11 de Junho, nos arredores de Budapeste, na cidade de Budakeszi, no “Veritas Budakeszi Bistro and Wine Store”, um jantar vínico com vinhos do Porto e do Douro da Quinta da Romaneira, com a presença do representante da AICEP.

Dias de Portugal em Budapeste (2013)
O segundo evento Dias de Portugal no Mercado Central de Budapeste decorreu a 30 de Maio e 1 de Junho, este ano, contando com a apresentação, provas e venda de produtos portugueses, numa organização conjunta da AICEP e a Câmara Municipal de Budapeste. Refira-se que este prestigiado Mercado foi em Abril último considerado pela CNN Travel como o primeiro (medalha de ouro) dos cinco melhores mercados da Europa, ultrapassando os mercados de Barcelona, Istambul, Londres e Paris.

Vinhos portugueses à conquista de quotas de mercado
No âmbito desta estratégia, é de referir a “acção virtual” de promoção dos vinhos portugueses em colaboração com VINOPOR.HU, jornal electrónico especializado no sector e dos mais prestigiados do mercado. No último trimestre de 2012, este portal lançou a “Prova de vinhos portugueses” em colaboração com o escritório da AICEP, tendo, até ao momento sido degustados e classificados 20 vinhos de oito empresas portuguesas. Deve-se também sublinhar que, segundo uma recente sondagem e um levantamento ao mercado (publicado em Maio último) sobre comportamentos de compras e de consumo de vinhos do consumidor final na Hungria, concluise que os húngaros quando escolhem vinhos estrangeiros costumam comprar vinhos da Itália, da França, da Espanha e de Portugal, que surge em 4° lugar ultrapassando no ranking de países como a Alemanha, Áustria, Austrália, África do Sul, Argentina e Chile.

Promoção de cortiça na Hungria
Decorreu em Budapeste, a 21 de Fevereiro, uma acção de promoção, organizada pela AICEP em colaboração com as empresas Hungarokork-Amorim, portuguesa, e a Laurum, importadora de produtos de cortiça de empresas do grupo Amorim, com o propósito de divulgar a cortiça como produto natural e ecológico, amigo do meio-ambiente e do desenvolvimento sustentado, e desta forma reforçar a imagem de Portugal na Hungria.

Através dos seus importadores e agentes locais, 24 empresas portuguesas apresentaram neste evento promocional mais de 200 produtos: vinhos, azeites, conservas de peixe, café, chá, mel, doces, flor de sal, cortiça, papéis, facas. Houve também provas de vinhos, conservas de peixe, do-

Modtissimo / Porto Fashion Week
Uma das acções realizadas foi o convite a um importador à ModtÍssimo, organizada pela Selectiva Moda, em Fevereiro. Além do importador, o evento contou com a presença de um jornalista húngaro do sector, Márk Lakatos, a personalidade stylist e makeover artist mais conhecido na Hungria, jornalista de moda, líder de opinião, celebridade de renome, que já publicou vários artigos sobre o evento.

Eventos a realizar no 2º semestre de 2013 Portugal - País Convidado de Honra no Festival Internacional de Vinhos de Budapeste (11-15 de Setembro)
O evento, e em cooperação com a Heinemann Testvérek, principal importador de vinhos da Hungria, contará, além da

ces e café. Um operador de viagens que programa Portugal esteve também entre os participantes. Durante o evento foram apresentados filmes de promoção turística e sobre os vinhos portugueses. Houve também animação e música portuguesa

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MERCADOS
participacão da Real Companhia Velha e da Sogrape, com outras empresas nacionais produtoras e exportadoras de vinhos. Pretende-se que todas as regiões vinícolas estejam representadas. Haverá ainda uma “Competição internacional de queijos” com a presença destacada dos queijos portugueses. Devido ao carácter do Festival, que decorre no Castelo de Buda, principal atracção turística de Budapeste, a animação cultural da parte portuguesa será assegurada pelo fado com a fadista Joana Amendoeira. Este evento, com outdoors, brochuras especiais, inserções nos meios audiovisuais, etc., é um dos que maior relevo tem na Hungria e vai dar visibilidade a Portugal, à sua imagem e aos vinhos portugueses.

Portugal acolhe produção cinematográfica luso-húngara “Uma Vontade Indomável”
O filme, uma co-produção entre Portugal, Hungria e Estados Unidos, relata a história da família húngaro-norueguesa Hubay Cebrian, que se exilou no Estoril após a 2ª Guerra Mundial. Trata-se de um projecto promovido por um dos seus descendentes, László Hubay Cebrian, antigo presidente da Walt Disney Company Iberia e actual presidente da Câmara de Comércio Luso-Húngara. Apresentado em Março passado em Lisboa e, uma semana depois, em Budapeste, o filme, com um orçamento de 13 milhões de euros, será rodado em Portugal, Hungria e Noruega. Na ocasião, Lászlo Hubay Cebrian referiu que este deverá ser um dos maiores projectos cinematográficos que Portugal já acolheu, dado o orçamento estimado, sublinhando que, mais do que um projecto cultural, “Uma Vontade Indomável” deve ser encarado como um negócio, um investimento, tal como existe em outros sectores de actividade. A família de László Hubay Cebrian, oriunda da aristocracia húngara, exilou-se em Portugal, primeiro em Ílhavo, onde o pai do empresário – Andor – foi director criativo da Vista Alegre, e mais tarde no Estoril. O filme é baseado na obra “De Budapeste ao Estoril - Uma Vontade Indomável” escrito pela sua mãe.

Promoção da Arquitectura portuguesa
No âmbito do “Ano da Arquitectura Portuguesa” e da sua promoção internacional, e em colaboração activa com a Ordem dos Arquitectos e entidades e destacadas personalidades húngaras, foram criadas condições para a organização de um evento de promoção da arquitectura nacional no mercado

húngaro no decorrer do mês de Outubro, uma iniciativa que coincide com o “Mês da Arquitectura” na Hungria. Com efeito, são muitos os admiradores da arquitectura portuguesa na Hungria, e só assim se compreende a disponibilidade demonstrada pelas associações do sector, universidades, personalidades e arquitectos húngaros para abraçarem o projecto. De referir que, nos últimos 18 meses, foram publicados cerca de 25 artigos sobre a arquitectura, as obras e os arquitectos portugueses. A promoção da arquitectura permite, assim, uma importante visibilidade para Portugal, a sua capacidade de inovação, qualidade e vanguardismo.

36 // Junho 13 // Portugalglobal

MERCADOS

PORTUGAL COM ESPAÇO PARA CRESCER NO MERCADO HÚNGARO
>POR ANTÓNIO JORGE MENDES, EMBAIXADOR DE PORTUGAL EM BUDAPESTE
A inclusão da Hungria neste número da revista Portugalglobal é particularmente oportuna face ao esforço português de lograr que as relações económicas contribuam mais decisivamente para a recuperação do nosso País. Nesta ótica, apraz-me sublinhar que os agentes económicos portugueses têm vindo a conquistar quotas crescentes no mercado húngaro nos últimos anos, melhorando a taxa de cobertura que no final do ano passado era de 73,6 por cento. Com efeito, tem-se verificado o aumento (27,5 por cento em 2012) das nossas vendas e a diminuição (6,7 por cento) das nossas compras à Hungria, pese embora que a balança bilateral continue a ser-nos desfavorável. No período 2010-2012, o défice das trocas comerciais bilaterais desceu de 160 para 62 milhões de euros. O comportamento das nossas exportações é tanto mais de sublinhar quanto as importações globais húngaras não tiveram incremento sensível nos mesmos anos. A Hungria, que sofreu recessão em 2012, deverá vir a retomar o crescimento este ano e registar em 2014 um aumento do PIB de 1,4 por cento, segundo as últimas estimativas da Comissão Europeia. O consumo interno que tem estado estagnado deverá ser novamente fator de crescimento, reforçando a nossa confiança de que pode consolidar-se a tendência da nossa maior penetração neste mercado, onde temos vindo a mostrar competitividade em condicionalismos apertados. Este é um facto que merece ser assinalado pois indicia que continua a ser possível ganharmos espaço aqui. O interesse húngaro na intensificação do relacionamento económico bilateral foi manifesto com a presença de representantes de trinta empresas deste País no Fórum organizado no Estoril, por Central ou Cáucaso do Sul, além naturalmente da vizinhança imediata. Na medida em que esses mercados têm potencial para interessar empresas portuguesas, estas poderão encontrar na Hungria virtuais parceiros nesses destinos, podendo desenvolver-se assim um novo padrão no relacionamento bilateral. Acresce que Budapeste, além dessas referidas zonas que lhe estão relativamente próximas, visa igualmente outras partes do mundo como alguns países da América do Sul ou da África, designadamente os de língua portuguesa. Esta é um fator que naturalmente constitui uma vantagem comparativa para Portugal que associada ao nosso envolvimento já nos mercados lusófonos, nos favorece para eventuais parcerias para esses destinos. Finalmente, observo que a diferente situação geopolítica europeia dos dois países levou-os por percursos históricos distintos. Todavia, com a adesão da Hungria à OTAN (1999) e à U.E. (2004), as relações bilaterais ganharam naturalmente novas e mais intensas dimensões, que se desenvolvem num quadro de bom entendimento, cooperação e amizade. O facto de os dois países terem algumas afinidades, como o de serem Estados de média dimensão integrados na União Europeia, com idêntico número de habitantes e de superfície territorial, favorece também a compreensão e simpatia mútuas. No objetivo de aproveitamento de oportunidades no exterior de que as empresas portuguesas têm vindo a dar provas, as mesmas podem continuar a contar com todo o empenhamento e assistência que os serviços da Embaixada e do Escritório da AICEP, em permanente conjugação, podem prestar.
*Este artigo é escrito de acordo com a nova ortografia.

ocasião da visita do Primeiro-ministro húngaro no dia 3 de maio. Buscavam, além de oportunidades nos fluxos económicos diretos, também potenciais parcerias para mercados terceiros. Um alto funcionário húngaro contoume que quando visitara o Cabo da Roca ficara a entender que, de Portugal, se poderia partir para qualquer lado. Ele mesmo, habituado a pensar a Hungria e a sua centralidade no largo espaço da Europa Central e de Leste, surpreendera-se, ali face ao Atlântico, a dar-se conta de que o nosso País não deveria ser visto de Budapeste como periférico. Antes pelo contrário, as condições para se ligar a outros espaços e povos eram-lhe então claras, sendo um polo natural de irradiação. As autoridades deste país têm exprimido que estímulos mais significativos para as suas exportações deverão vir de países ou regiões fora da União Europeia, na medida em que o crescimento nesta será modesto no próximo futuro. Por isso incentivam as firmas húngaras a desenvolverem esforços nesse sentido. A Hungria sente-se especialmente vocacionada para as áreas que lhe estão próximas como os Balcãs Ocidentais, Ásia

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MERCADOS

PORTUGAL – HUNGRIA EMPRESAS INVESTEM NOS MERCADOS
O Banif Plus Bank Zrt. e a Hungaro DigiTel (participada do grupo PT) são duas empresas portuguesas que operam com sucesso no mercado húngaro. Por cá, damos conta do investimento do grupo húngaro Lambda-Com na criação da MyWebEye Ibéria que, a partir de Portugal, actua também no mercado espanhol. Conheça os seus testemunhos.

BANIF PLUS BANK, ZRT. REFORÇA E CONSOLIDA POSIÇÃO NA HUNGRIA
Com 15 anos de actividade, o Banif Plus Bank, Zrt. é um banco especializado no crédito pessoal com especial enfoque no crédito a particulares para a aquisição de veículos automóveis. Embora este financiamento continue a ser o seu ‘core business’, a actividade estende-se também, numa escala mais reduzida, às áreas do crédito pessoal sem fim específico e crédito ‘stock’ para comerciantes automóveis.
O actual Banif Plus Bank Zrt. começou a sua actividade em Novembro de 1998 (iniciando uma estratégia de crescimento, nomeadamente para Espanha, Hungria, Eslováquia e Polónia, como primeiros passos para a internacionalização), focado no financiamento de veículos usados, tendo em 2001 dado um forte impulso à sua actividade comercial. Em 2006, o Grupo decidiu alterar a sua estrutura para banco e no mesmo ano a Autoridade de Supervisão Financeira Húngara
(milhares EUR) Activos Capitais Próprios Resultados exercício 2008 156.131 35.306 9.749 2009 120.415 35.052 5.137

(PSZÁF) concedeu a licença para operar como banco alargando assim as oportunidades de negócio a outros produtos.
2010 113.021 29.923 3.095 2011 94.137 25.168 3.844 2012 79.029 27.110 4.067

Alguns indicadores da evolução da performance do Banif Plus Bank

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MERCADOS
Em 2010, e no seguimento da fusão do Grupo Tecnicrédito com o Grupo Banif, o banco adoptou em definitivo a sua denominação: Banif Plus Bank Zrt. O número de novos contratos teve uma tendência crescente e significativa desde o início da operação na Hungria. Contudo a crise financeira e económica de finais de 2008 teve um forte impacto em todo o país e o banco sentiu, pela primeira vez, uma forte redução nos seus resultados comerciais. Em resposta ao novo cenário que o mercado apresentava, a empresa rapidamente teve de adaptar a dimensão da sua estrutura a esta nova realidade. Esta reestruturação passou por uma redução de colaboradores (de cerca de 100 em 2008 para 70 actualmente), redução de delegações (nove em 2008 para seis actualmente) e um controlo ainda maior sobre toda a vertente de custos. Em 2010, conseguiu-se inverter a tendência e os números voltaram a crescer, embora agora à dimensão da nova realidade, que é a de um mercado substancialmente menor. A estratégia futura do Banif Plus Bank, Zrt. assenta não só na consolidação da sua posição no mercado, com especial enfoque na oferta de produtos e serviços competitivos para o produto de financiamento automóvel, como no alargamento da sua oferta de produtos, de forma a ser cada vez mais considerado como uma empresa de referência no crédito ao consumo na Hungria. Não sendo expectável um aumento da dimensão de mercado de viaturas financiadas num futuro próximo, para além do crescimento da quota de mercado relativamente à criação de novos contratos, foi identificado um potencial de crescimento da oferta de produtos aos actuais clientes do banco. Os factores de risco com que o banco se depara são essencialmente a crescente carga fiscal imposta às empresas (especialmente banca, seguros e telecomunicações), as alterações legislativas referentes aos produtos bancários e a incerteza por parte dos consumidores. Mas a aposta do banco, em termos de estratégia do negócio, continua a ser a de aumentar e consolidar a sua presença no mercado.

HUNGARO DIGITEL CONQUISTA O MERCADO
A Hungaro DigiTel (HDT) é uma participada da PT (com 45 por cento do capital) há mais de duas décadas, tendo o seu foco de actividade na área de comunicações via satélite. Na linha de operadores alternativos, tem cerca de 30 colaboradores, uma facturação anual na ordem dos 7 milhões de euros e um nível de rentabilidade acima da média do mercado.

A empresa foi criada no início dos anos 90, pela Marconi, que procurava oportunidades de investimento na Europa Central e no Leste europeu. Após a criação de uma delegação regional em Budapeste, a empresa conseguiu o seu primeiro investimento na região em finais de 1993. A entidade foi criada em participação com parceiros locais e tinha como base a utilização da experiência portuguesa. Devido à necessidade de manter a competitividade da sua oferta e corresponder à procura de novos serviços por parte dos clientes a HDT investe próximo de um milhão de euros anualmente.

Desde o início, a empresa focou-se no fornecimento de serviços de comunicações via satélite e, aproveitando algumas faltas nas redes de infra-estrutura terrestres na altura, conseguiu alcançar peso relevante nos sectores financeiros e de empresas gasolineiras. De entre os seus clientes nestas áreas destacam-se o Banco OTP e empresas como a Shell, Agip, OMV ou Lukoil. Devido ao alto nível de serviço prestado a empresa consegue mostrar relações com os seus clientes principais por períodos superiores a 10 anos. Numa segunda fase do seu desenvolvimento a Hungaro DigiTel investiu for-

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MERCADOS
temente em nova tecnologia de banda larga via satélite, o que lhe permitiu abrir novos segmentos de serviços. De entre estes destacam-se novas áreas de serviços a vários sectores governamentais, nomeadamente na defesa, segurança e rede de embaixadas do Ministério de Negócios Estrangeiros da República da Hungria em zonas menos abastecidas por infra-estrutura de cotal com o fim de fornecer acesso em banda larga a todas as escolas e instituições governamentais deste país. Naturalmente, as ligações via satélite foram aplicadas em maior volume em regiões onde a infra-estrutura terrestre não é suficientemente desenvolvida e fiável. Em estreita cooperação com a Embaixada de Portugal e o escritório da AICEP em Budapeste foram organizados vários eventos com o fim de apresentar às entidades húngaras as áreas do egovernment, serviços fornecidos através de ATM e serviços postais avançados, entre outras. Como consequência deste trabalho foi assinado em Junho de 2012 entre o Gabinete do Ministro Adjunto de Portugal e o Ministério da Administração e Justiça da República da Hungria um acordo bilateral com o fim aprofundar a cooperação das entidades de ambos os países responsáveis por estes serviços e permitir a transferência do knowhow existente em Portugal. No âmbito deste acordo houve uma visita de uma delegação húngara a Portugal envolvendo entidades privadas portuguesas e parceiros húngaros.

“Devido à necessidade de manter a competitividade da sua oferta e corresponder à procura de novos serviços por parte dos clientes a Hungaro DigiTel (HDT) investe próximo de um milhão de euros anualmente.”

MYWEBEYE IBÉRIA INOVAÇÃO EM LOCALIZAÇÃO DE VEÍCULOS E TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO
A empresa húngara WebEye está em Portugal desde 2009, apostando no posicionamento do nosso país como porta de entrada de mercadorias para a Europa. O investimento passou pela criação de uma marca ibérica que abrange também o mercado espanhol.
O grupo Lambda-Com Ltd. iniciou a sua actividade em 1995, na Hungria, embora os seus fundadores já tivessem uma considerável experiência no ramo da localização de veículos e tecnologias de informação. Hoje emprega cerca de 200 colaborares nos 14 países em que está presente e é constituído por quatro marcas: SpedMart, DataFlow, BestWay e WebEye. Em 2003, com a criação da marca WebEye, o grupo Lambda-Com entrou no mercado de monitorização de veículos. Graças à garantia de segurança do seu próprio hardware e desenvolvimento de software, centenas de empresas de logística decidiram confiar no sistema WebEye para a gestão eficiente das suas frotas. Nos cinco anos seguintes, a empresa desenvolveu-se concentrando-se prin-

municações fiável, tendo-se tornado também um parceiro estável do Ministério da Defesa assegurando as comunicações aos contingentes militares húngaros nas missões da NATO. Em finais de 2003 a Hungaro DigiTel participou num projecto governamen-

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MERCADOS
cipalmente no mercado interno. Após ter cumprido com os requisitos dos principais parceiros multinacionais, decidiu estender a sua tecnologia e experiência ao mercado internacional. A MyWebEye Ibéria, que comercializa as soluções WebEye, surgiu no mercado português em 2009. Nos primeiros anos fez um investimento significativo de forma a estabelecer a empresa e criar uma base de clientes sólida, visto que no mercado existiam diversas empresas a actuar no mesmo sector. A escolha da WebEye na implementação no mercado português deveu-se ao facto de existirem muitas semelhanças entre o mercado de transportes húngaro e português. Também foi tido em conta o facto de Portugal ser a porta de entrada para muitas mercadorias que têm como destino a Europa. Nesse sentido, a aposta consistiu em lançar uma marca ibérica a partir de Portugal que abrange o mercado português e espanhol. Independentemente dos tempos difíceis que o nosso país atravessa, a WebEye conseguiu colocar no nosso mercado cerca de 800 equipamentos, atingindo um volume de negócios de 500 mil euros. Já o grupo LambdaCom conta actualmente conta 40.000 equipamentos vendidos e com cerca de 4.000 clientes. A empresa caracteriza-se por uma procura constante de soluções inovadoras.

“A escolha da WebEye na implementação no mercado português deveu-se ao facto de existirem muitas semelhanças entre o mercado de transportes húngaro e português.”

a regulamentação europeia (CE Nº 561/2006). Para além da monotorização, é possível evitar as pesadas multas por excesso de condução, fazer o download do cartão do motorista e a sua identificação, e por fim o download da mass memory do tacógrafo com dados de diferentes motoristas. Outro exemplo da criatividade e competitividade da WebEye foi a criação do e-Toll húngaro, em cooperação com a ÁAK (Autoridade Húngara para as Auto-estradas), uma ferramenta única em Portugal que permite às empresas

de transporte que pretendam atravessar a Hungria pelas rodovias, de pagar as portagens electrónicas com base no nosso sistema. A WebEye foi das primeiras empresas a ser contratada para actuar como agente de relatórios. Convém mencionar que esta alteração à legislação húngara entrou em vigor a 1 de Julho de 2013. O objectivo da empresa para 2013 é continuar a crescer de forma sustentável, através do fornecimento de soluções únicas e inovadoras, como acrescenta fonte da empresa.

Exemplo disso é o eTachograph, solução pioneira no mercado que permite a monotorização em tempo real dos tempos de condução e de descanso dos motoristas, em conformidade com

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MERCADOS

PRODUTOS PORTUGUESES NA HUNGRIA
A Heinemann Testvérek Kft. e a Laurum Kft. são duas empresas que colocam no mercado húngaro dois tipos de produtos portugueses de excelência: os vinhos, designadamente os do Porto, e a cortiça, em particular na sua aplicação na construção.

Heinemann Testvérek Kft.
Empresa de capitais exclusivamente alemães e uma das principais distribuidoras na Hungria, com direitos exclusivos de distribuição de várias marcas de bebidas alcoólicas de renome, a Heinemann Testvérek Kft. alargou, a partir de 2004, a sua actividade aos vinhos de mesa importados, incluindo os vinhos do Porto. Em 2011 a Real Companhia Velha confiou à Heinemann Testvérek Kft. a dis-

é agora o de reforçar o reconhecimento dos vinhos portugueses entre os consumidores húngaros de vinhos. O próximo passo será dado no “Budapest Wine Festival”, que terá lugar em Budapeste no próximo mês de Setembro e onde Portugal é o país convidado. Para a empresa, esta será uma grande oportunidade para apresentar os vinhos portugueses a um público mais vasto, numa acção que está a ser coordenada por Miklós Keresztény, gestor de vinho da Heinemann Testvérek Kft., com o apoio da AICEP.

Laurum Kft.
Em 2007, quando a empresa Laurum Kft. foi fundada, apenas existia na Hungria o mercado de revestimentos a cortiça para pavimentos e parede. A crise financeira internacional teve, no entanto, reflexos na actividade da empresa, dada a quebra de 50 por cento registada na indústria de construção. A Laurum Kft. teve, por isso, de encontrar alternativas, o que passou pelo alargamento da actividade aos países limítrofes e pela selecção de mais produtos de cortiça para o seu portfolio. Segundo os seus responsáveis, esta capacidade de resposta deu lugar a uma empresa especializada em produtos de cortiça. Nesse sentido foi dado um passo muito importante: o estabelecimento de um acordo com o maior fornecedor da empresa – o grupo Amorim. Graças a esse acordo, a Laurum Kft. é actualmente “muito forte” no parquet de cortiça, tanto no segmento doméstico como em peças de projecto, com grande apoio da Amorim Revestimentos. Igualmente, e em conjunto com a Amorim Isolamentos, a empresa promove soluções 100 por

tribuição dos seus vinhos Royal Oporto e do Douro na Hungria. Em 2012 juntaram-se mais dois vinhos muito populares da Sogrape: o Mateus Rosé e o Gazela Vinho Verde. Surpreendentemente, em poucos meses, os vinhos destas marcas tornaram-se nos mais vendidos entre os vinhos de mesa que a empresa distribui na Hungria. Dada a popularidade que os vinhos portugueses alcançaram, e atendendo a que o consumo de vinhos importados é ainda muito limitado na Hungria, o objectivo da Heinemann Testvérek Kft.

Segundo este responsável, “a chave do sucesso do futuro dos vinhos importados num país como a Hungria é a educação. Temos que apresentar as regiões vinícolas, castas e tipos de vinhos do mundo às pessoas, caso contrário elas não ficarão interessadas. Festivais de vinhos, artigos em revistas de vinhos são uma boa base para este tipo de actividades”. Refira-se que a rede de distribuição da empresa abrange todo o país através de retalhistas nacionais e da rede de empresas grossista.

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MERCADOS
cento verdes para a indústria da construção. O contacto com a ACC (Amorim Cork Composit) permitiu-lhe também obter mercados em vários sectores, especialmente no isolamento sonoro e térmico de máquinas e soluções anti-vibração. Afirmam os responsáveis da Laurum Kft. que a base do sucesso da empresa é o “estreito relacionamento” com os fornecedores portugueses. “Temos contactos pessoais que são uma grande vantagem no nosso trabalho diário. Estes contactos estão a dar-nos a possibilidade de ter uma resposta rápida face às alterações do mercado. O fluxo de informação é uma necessidade hoje em dia”, explicam. Por outro lado, e apesar de se tratar de uma empresa familiar, a Laurum Kft. tem colaboradores altamente qualificados e concentrados nas necessidades dos clientes, além de um forte serviço de apoio ao cliente, da oferta à embalagem. O site na internet é considerado uma boa ferramenta para chegar aos clientes ou potenciais clientes, do comprador da folha de cortiça simples aos engenheiros industriais e sofisticados. Apesar dos mais de 3.000 quilómetros que separam Portugal da Hungria, a Laurum Kft. considera ter capacidade para ser o representante de todo o portfolio da Amorim Cork (com excepção das rolhas de cortiça) nesta região da Europa e pretende constituir-se como plataforma destes produtos portugueses para um vasto mercado de 50 milhões de habitantes – a Hungria e alguns países vizinhos –, o que lhes dará a possibilidade de obter uma resposta razoável para as questões logísticas.

RELACIONAMENTO ECONÓMICO PORTUGAL-HUNGRIA
O relacionamento económico entre Portugal e a Hungria apresenta uma relevância intermédia para a economia portuguesa, quer em termos de comércio quer no que respeita ao investimento.
Em 2012, a Hungria posicionou-se como o 32º cliente de Portugal, absorvendo 0,34 por cento do total das exportações de bens, subindo duas posições face ao ano anterior. Como fornecedor, a Hungria ocupava também a 32ª posição, absorvendo 0,43 por cento das importações portuguesas. De acordo com os dados do INE, as expedições de bens têm registado uma subida desde 2010, depois da quebra verificada em 2009, designadamente este ano, no primeiro trimestre, em que esse aumento ascendeu 23,5 por cento face aos primeiros três meses de 2012. Pelo contrário, as entradas provenientes do mercado húngaro têm vindo a diminuir, o que permite reduzir o défice do saldo comercial tradicionalmente desfavorável a Portugal. As expedições portuguesas para a Hungria apresentam um grau de concentração elevado, uma vez que um único grupo de produtos – máquinas e aparelhos – respondia, em 2012, por metade (49,9 por cento) do valor global expedido para aquele mercado. Dos restantes

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MERCADOS
grupos de produtos, destacam-se ainda os plásticos e borracha (12 por cento do total), os produtos químicos (8,8 por cento), os metais comuns (5,7 por cento) e os veículos e outro material de transporte (5,4 por cento). Uma estrutura que se mantinha relativamente estável no primeiro trimestre de 2013. Em termos de grau de intensidade tecnológica, a estrutura das expedições era, em 2011, dominada pelos produtos de média-alta tecnologia, com 49,9 por cento do total expedido, vindo depois os produtos de média-baixa tecnologia (19 por cento), de baixa tecnologia (17,2 por cento) e de alta tecnologia (13,9 por cento). Segundo o INE, o número de empresas portuguesas que têm vindo a expedir produtos para a Hungria subiu de 387 em 2007 para 415 em 2011, reflectindo, portanto, um interesse relativamente estável por este mercado. O grau de concentração das chegadas é muito superior ao das expedições, uma vez que 70,4 por cento do valor global das aquisições, em 2012, diziam respeito apenas a um único grupo de produtos: máquinas e aparelhos. Dos restantes grupos de produtos, destacavam-se, nesse ano, os de veículos e outro material de transporte (8,6 por cento do total das aquisições), produtos químicos (8,5 por cento), produtos alimentares (3,5 por cento) e instrumentos de óptica e precisão (2,8 por cento). Em termos de grau de intensidade tecnológica, a estrutura das chegadas era, em 2011, caracterizada pelos produtos de alta tecnologia, com 50,6 por cento do total das aquisições, seguida dos produtos de média-alta tecnologia (38,5 por cento), baixa tecnologia (7,7 por cento) e média-baixa tecnologia (3,2 por cento). O número de empresas portuguesas que compram produtos à Hungria subiu de 247 em 2007 para 325 em 2011, reflectindo não só o interesse crescente dos agentes económicos por aquele mercado, como também o aumento rápido das nossas compras no mesmo. cia que se mantinha no primeiro trimestre de 2013. No que respeita ao investimento, e também segundo o Banco de Portugal, a Hungria, enquanto país emissor de IDE, afigura-se, no período de 2008-2012, com pouca importância para Portugal, à excepção do ano de 2010 em que sobe para o 19º lugar do ranking dos países investidores no nosso país, com um investimento bruto de 27,6 milhões de euros. Em 2012, porém, foi o 40º investidor estrangeiro em Portugal. Como receptor de investimento directo português no exterior, a posição húngara testemunha algum interesse por parte dos agentes económicos portugueses por aquele mercado. Em 2010, figurava no 13º lugar no ranking de países de destino do IDPE, com uma quota 1,03 por cento e um investimento bruto de 100,6 milhões de euros. Essa tendência inverteuse nos dois últimos anos, com o IDPE na Hungria a cair para o 22º lugar em 2012. Em termos absolutos, no período de 2008-2012, o investimento bruto português na Hungria ascendeu a cerca de 361,2 milhões de euros, e o desinvestimento aproximadamente a 99,7 milhões de euros, resultando daí um investimento líquido de cerca de 261,5 milhões de euros. Os dados relativos aos primeiros três meses de 2012 dão conta de um aumento do IDPE na Hungria de 123,3 por cento face a período homólogo do ano anterior. No período de 2008-2012, o investimento bruto húngaro em Portugal elevou-se a cerca de 55,6 milhões de euros, e o desinvestimento a cerca de 13,8 milhões de euros, tendo daí resultado um investimento líquido de cerca de 41,8 milhões de euros. Os fluxos registados nos primeiros três meses de 2012 revelam um reforço de 537,8 por cento face a idêntico período do ano passado.

“As expedições de bens têm registado uma subida desde 2010, depois da quebra verificada em 2009, designadamente no primeiro trimestre deste ano, em que esse aumento ascendeu 23,5 por cento face aos primeiros três meses de 2012.”

Serviços e investimento
No comércio de serviços o saldo da balança é igualmente desfavorável a Portugal, tendo, em 2012, as exportações ascendido a 44 milhões de euros contra 48,6 milhões de euros de importações. O coeficiente de cobertura foi, nesse ano, de 90,5 por cento. De acordo com dados do Banco de Portugal, a Hungria foi o 28º mercado cliente dos serviços portugueses em 2012, tendo absorvido 0,23 por cento das vendas totais ao exterior, e o 20º fornecedor de serviços ao nosso país (0,47 por cento das compras totais de serviços). Verifica-se no período de 2008-2012 que Portugal passou da 33ª posição para a 28ª, sendo no entanto de sublinhar a evolução mais positiva por parte da Hungria, que passou do 31º lugar, em 2008, para o 20º em 2012, tendênBALANÇA BILATERAL - COMÉRCIO DE BENS

2008 Exportações Importações Saldo Coef. Cobertura (%) 137.296 283.044 -145.747 48,5%

2009 93.087 249.217 -156.129 37,4%

2010 103.360 278.578 -175.218 37,1%

2011 122.281 257.853 -135.572 47,4%

2012 154.462 242.476 -88.015 63,7%

Var %a 11/08 5,9 -3,4 ---

2012 Jan/Mar 37.812 61.021 -23.209 62,0%

2013 Jan/Mar 46.686 54.024 -7.339 86,4%

Var %b 13/12 23,5 -11,5 ---

Fonte: INE - Instituto Nacional de Estatística Unidade: Milhares de euros Notas: (a) Média aritmética das taxas de crescimento anuais no período 2008-2012; (b) Taxa de variação homóloga 2012-2013 2008 a 2011: resultados definitivos; 2012 resultados preliminares 2ª revisão; 2013: resultados preliminares 1º apuramento

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MERCADOS

ENDEREÇOS ÚTEIS
EMBAIXADA DA HUNGRIA EM PORTUGAL
Calçada de Santo Amaro, 85 1349-042 Lisboa Tel.: +351 213 645 928 Fax: +351 213 632 314 mission.lis@kum.hu www.kulugyminiszterium.hu

HUNGRIA EM FICHA

Budapeste

Hungria EMBAIXADA DE PORTUGAL NA HUNGRIA
MOM Park C épület IV em. Alkotás út 53 H - 1123 Budapeste – Hungary Tel.: +361 201 7617/8 Fax: +361 201 7619 embport@t-online.hu embport@budapeste.dgaccp.pt

Área: 93.030 km2 População: 9.986.000 habitantes (Janeiro 2011 – estimativa oficial)

Unidade monetária: Forint (HUF) 1 EUR = 289,42 HUF (MNB Hungarian National Bank - média 2012) 1 USD = 225,37 HUF (MNB Hungarian National Bank – média 2012)

NATIONAL DEVELOPMENT AGENCY
H - 1077 Budapest, Wesselényi u. 20-22. Hungary Tel.: +361 474 9560 Fax: +361 474 9141 nfu@nfu.gov.hu www.nfu.hu/?lang=en

Densidade populacional: 107,3 hab/km2 Designação oficial: República da Hungria Chefe de Estado: János Áder (eleito em Maio de 2012) Primeiro-ministro: Viktor Orban Data da actual Constituição: Janeiro de 2012.

Risco País: Risco político: A Risco de estrutura económica: B Risco país: BB (AAA = risco menor; D = risco maior) “Ranking” em negócios: Índice 6,67 (10 = máximo) “Ranking” geral: 40 (entre 82 países) (EIU – Janeiro 2012)

HUNGARY INVESTMENT AND TRADE DEVELOPMENT AGENCY (HITA)
H-1061 Budapest, Andrássy út 12. Hungary Tel.: +361 472 8100 Fax: +361 472 8101 info@itd.hu www.itdh.com/engine.aspx?page=Itdh_Befektetes

Principais partidos políticos: União Cívica Húngara (Fidesz); Partido Socialista Húngaro (MSZP); Partido Popular da Democracia Cristã (KDNP); Jobbic; Aliança Democrática (DK); A Política Pode Ser Diferente (LMP). As próximas eleições parlamentares terão lugar em 2014 e a eleição presidencial em 2015. Capital: Budapeste – 1.712 mil habitantes (Janeiro 2009 - estimativa) Outras cidades importantes: Debrecen; Miskolc; Szeged; Pecs; Gyor; Nyiregyhaza; Kecskemet. Religião: A grande maioria da população professa o cristianismo, 62% da qual é aderente da Igreja Católica Romana. Existem outros grupos cristãos, tais como os calvinistas (20%) e os luteranos (5%). Língua: Magiar (húngaro).

Grau de abertura e dimensão relativa do mercado (2011): Exp. + Imp. / PIB = 155,1% (estimativa) Imp. / PIB = 74,8% (estimativa) Imp. / Imp. Mundial = 0,57% (2010)

HUNGARIAN CHAMBER OF COMMERCE AND INDUSTRY
H-1055 Budapest, Kossuth tér 6-8. Hungary Tel.: +361 474 5141 Fax: +361 4745105 mkik@mkik.hu www.mkik.hu/en

Fontes: The Economist Intelligence Unit (EIU) - Country Report e Viewswire; World Trade Organization (WTO).

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ANÁLISE DE RISCO - PAÍS

COSEC
África do Sul* C Aberta sem condições restritivas. M/L  Garantia bancária (decisão casuística). Angola C Caso a caso. M/L  Garantia soberana. Limite total de responsabilidades. Arábia Saudita C  Carta de crédito irrevogável (decisão casuística). M/L Caso a caso. Argélia C  Sector público: aberta sem restrições. Sector privado: eventual exigência de carta de crédito irrevogável. M/L  Em princípio. exigência de garantia bancária ou garantia soberana. Argentina T  Caso a caso. Barein C Aberta sem condições restritivas. M/L Garantia bancária. Benim C  Caso a caso, numa base muito restritiva. M/L  Caso a caso, numa base muito restritiva, e com exigência de garantia soberana ou bancária. Brasil* C Aberta sem condições restritivas. M/L  Clientes soberanos: Aberta sem condições restritivas. Outros Clientes públicos e privados: Aberta, caso a caso, com eventual exigência de garantia soberana ou bancária. Bulgária C Carta de crédito irrevogável. M/L  Garantia bancária ou garantia soberana. Cabo Verde C Aberta sem condições restritivas. M/L  Eventual exigência de garantia bancária ou de garantia soberana (decisão casuística). Camarões T  Caso a caso, numa base muito restritiva. Cazaquistão Temporariamente fora de cobertura. China* C Aberta sem condições restritivas. M/L Garantia bancária. Chipre C Aberta sem condições restritivas. M/L Não definida.

Políticas de cobertura para mercados

No âmbito de apólices individuais
Colômbia C Carta de crédito irrevogável. M/L Caso a caso, numa base restritiva. Coreia do Sul C Aberta sem condições restritivas. M/L Não definida. Costa do Marfim T Decisão casuística. Costa Rica C Aberta sem condições restritivas. M/L Não definida. Croácia C  Carta de crédito irrevogável ou garantia bancária. Extensão do prazo constitutivo de sinistro para 12 meses. Redução da percentagem de cobertura para 90 por cento. Limite por operação. M/L  Garantia bancária ou garantia soberana. Extensão do prazo constitutivo de sinistro para 12 meses. Redução da percentagem de cobertura para 90 por cento. Limite por operação. Cuba T Fora de cobertura. Egipto C Carta de crédito irrevogável M/L Caso a caso. Emirados Árabes Unidos C Aberta sem condições restritivas. M/L  Garantia bancária (decisão casuística). Estónia M/L Garantia bancária. Etiópia C Carta de crédito irrevogável. M/L  Caso a caso numa base muito restritiva. Filipinas C Aberta sem condições restritivas. M/L Não definida. Gana C  Caso a caso numa base muito restritiva.
M/L

Guiné Equatorial C  Caso a caso, numa base restritiva.
M/L 

Clientes públicos e soberanos: caso a caso, mediante análise das garantias oferecidas, designadamente contrapartidas do petróleo. Clientes privados: caso a caso, numa base muito restritiva, condicionada a eventuais contrapartidas (garantia de banco comercial aceite pela COSEC ou contrapartidas do petróleo).

Macau C Aberta sem condições restritivas. M/L Não definida. Malásia C Aberta sem condições restritivas. M/L Não definida. Malawi C Caso a caso, numa base restritiva. M/L  Clientes públicos: fora de cobertura, excepto para operações de interesse nacional. Clientes privados: análise casuística, numa base muito restritiva. Malta C Aberta sem condições restritivas. M/L Não definida. Marrocos* C Aberta sem condições restritivas. M/L  Garantia bancária ou garantia soberana. Martinica C Aberta sem condições restritivas. M/L Não definida. México* C Aberta sem restrições. M/L  Em princípio aberta sem restrições. A eventual exigência de garantia bancária, para clientes privados, será decidida casuisticamente. Moçambique C C  aso a caso, numa base restritiva (eventualmente com a exigência de carta de crédito irrevogável, garantia bancária emitida por um banco aceite pela COSEC e aumento do prazo constitutivo de sinistro).
M/L

Hong-Kong C Aberta sem condições restritivas. M/L Não definida. Iémen C Caso a caso, numa base restritiva. M/L  Caso a caso, numa base muito restritiva. Índia
C M/L

Aberta sem condições restritivas. Garantia bancária.

Indonésia C  Caso a caso, com eventual exigência de carta de crédito irrevogável ou garantia bancária.
M/L 

aso a caso, com eventual exiC gência de garantia bancária ou garantia soberana.

Irão
T

Fora de cobertura.

Iraque T Fora de cobertura. Jordânia C Caso a caso. M/L Caso a caso, numa base restritiva. Koweit C Aberta sem condições restritivas. M/L  Garantia bancária (decisão casuística). Letónia C Carta de crédito irrevogável. M/L Garantia bancária. Líbano C  Clientes públicos: caso a caso numa base muito restritiva. Clientes privados: carta de crédito irrevogável ou garantia bancária.
M/L

Aumento do prazo constitutivo  de sinistro. Sector privado: caso a caso numa base muito restritiva. Operações relativas a projectos geradores de divisas e/ou que admitam a afectação prioritária de receitas ao pagamento dos créditos garantidos, terão uma ponderação positiva na análise do risco; sector público: caso a caso numa base muito restritiva.

Fora de cobertura.

Geórgia C  Caso a caso numa base restritiva, privilegiando-se operações de pequeno montante.
M/L

Clientes públicos: fora de cober tura. Clientes privados: caso a caso numa base muito restritiva.

Montenegro C  Caso a caso, numa base restritiva. privilegiando-se operações de pequeno montante.
M/L 

aso a caso, numa base muito C restritiva e com a exigência de contra garantias.

Líbia
T

Caso a caso, com exigência de ga rantia soberana ou bancária, para operações de pequeno montante.

Fora de cobertura. Nigéria C  Caso a caso, numa base restritiva (designadamente em termos de alargamento do prazo consti-

Guiné-Bissau T Fora de cobertura.

Lituânia C Carta de crédito irrevogável. M/L Garantia bancária.

46 // Junho 13 // Portugalglobal

ANÁLISE DE RISCO - PAÍS

de destino das exportações portuguesas

No âmbito de apólices globais
M/L

tutivo de sinistro e exigência de garantia bancária). Caso a caso, numa base muito  restritiva, condicionado a eventuais garantias (bancárias ou contrapartidas do petróleo) e ao alargamento do prazo contitutivo de sinistro.

Senegal C  Em princípio. exigência de garantia bancária emitida por um banco aceite pela COSEC e eventual alargamento do prazo constitutivo de sinistro.
M/L

Na apólice individual está em causa a cobertura de uma única transação para um determinado mercado. enquanto a apólice global cobre todas as transações em todos os países para onde o empresário exporta os seus produtos ou serviços. As apólices globais são aplicáveis às empresas que vendem bens de consumo e intermédio. cujas transações envolvem créditos de curto prazo (média 60-90 dias). não excedendo um ano. e que se repetem com alguma frequência. Tendo em conta a dispersão do risco neste tipo de apólices. a política de cobertura é casuística e. em geral. mais flexível do que a indicada para as transações no âmbito das apólices individuais. Encontram-se também fora de cobertura Cuba. Guiné-Bissau. Iraque e S. Tomé e Príncipe.
exigência de garantia bancária. Para todas as operações, o prazo constitutivo de sinistro é definido caso a caso. Uganda C  Caso a caso, numa base muito restritiva.
M/L

Oman C Aberta sem condições restritivas. M/L  Garantia bancária (decisão casuística). Panamá C Aberta sem condições restritivas. M/L Não definida. Paquistão Temporariamente fora de cobertura. Paraguai C Carta de crédito irrevogável. M/L Caso a caso, numa base restritiva. Peru
C M/L 

ventual alargamento do prazo E constitutivo de sinistro. Sector público: caso a caso, com exigência de garantia de pagamento e transferência emitida pela Autoridade Monetária (BCEAO); sector privado: exigência de garantia bancária ou garantia emitida pela Autoridade Monetária (preferência a projectos que permitam a alocação prioritária dos cash-flows ao reembolso do crédito).

Aberta sem condições restritivas.  lientes soberanos: aberta sem C condições restritivas. Clientes públicos e privados: aberta, caso a caso, com eventual exigência de garantia soberana ou bancária.

Sérvia C C  aso a caso, numa base restritiva, privilegiando-se operações de pequeno montante.
M/L 

aso a caso, com exigência de C garantia soberana ou bancária, para operações de pequeno montante.

sempre que se justifique. Os países que constam da lista são os mais representativos em termos de consultas e responsabilidades assumidas. Todas as operações são objecto de análise e decisão específicas.

Qatar C Aberta sem condições restritivas. M/L  Garantia bancária (decisão casuística). Quénia C Carta de crédito irrevogável. M/L Caso a caso, numa base restritiva. República Checa C Aberta sem condições restritivas. M/L  Garantia bancária (decisão casuística). República Dominicana C  Aberta caso a caso, com eventual exigência de carta de crédito irrevogável ou garantia bancária emitida por um banco aceite pela COSEC. M/L  Aberta caso a caso com exigência de garantia soberana (emitida pela Secretaria de Finanzas ou pelo Banco Central) ou garantia bancária. Roménia C  Exigência de carta de crédito irrevogável (decisão casuística). M/L  Exigência de garantia bancária ou garantia soberana (decisão casuística). Rússia C  Sector público: aberta sem restrições. Sector privado: caso a caso. M/L  Sector público: aberta sem restrições, com eventual exigência de garantia bancária ou garantia soberana. Sector privado: caso a caso. S. Tomé e Príncipe
C

Singapura C Aberta sem condições restritivas. M/L Não definida. Síria
T

Fora de cobertura.

Legenda:
C M/L T 

aso a caso, numa base muito C restritiva.

Uruguai C  Carta de crédito irrevogável (decisão casuística).
M/L

Curto Prazo Médio / Longo Prazo Todos os Prazos

Suazilândia C Carta de crédito irrevogável. M/L  Garantia bancária ou garantia soberana. Tailândia C  Carta de crédito irrevogável (decisão casuística).
M/L

Não definida. * Mercado prioritário.

Não definida.

Venezuela C  Clientes públicos: aberta caso a caso com eventual exigência de garantia de transferência ou soberana. Clientes privados: aberta caso a caso com eventual exigência de carta de crédito irrevogável e/ou garantia de transferência.
M/L

Taiwan C Aberta sem condições restritivas. M/L Não definida. Tanzânia T  Caso a caso, numa base muito restritiva. Tunísia* C Aberta sem condições restritivas. M/L Garantia bancária. Turquia C Carta de crédito irrevogável. M/L  Garantia bancária ou garantia soberana. Ucrânia C  Clientes públicos: eventual exigência de garantia soberana. Clientes privados: eventual exigência de carta de crédito irrevogável.
M/L 

berta caso a caso com exigência A de garantia soberana.

Zâmbia C  Caso a caso, numa base muito restritiva.
M/L

Fora de cobertura.

Zimbabwe C  Caso a caso, numa base muito restritiva.
M/L

Fora de cobertura.

Companhia de Seguro de Créditos. S. A. Direcção Internacional Avenida da República. 58 1069-057 Lisboa Tel.: +351 217 913 832 Fax: +351 217 913 839 internacional@cosec.pt

COSEC 

nálise caso a caso, numa base A muito restritiva. 

lientes públicos: eventual C exigência de garantia soberana. Clientes privados: eventual

Advertência: A lista e as políticas de cobertura são indicativas e podem ser alteradas

www.cosec.pt

Portugalglobal // Junho 13 // 47

TABELA CLASSIFICATIVA DE PAÍSES

COSEC
Tabela classificativa de países
Para efeitos de Seguro de Crédito à exportação
A Portugalglobal e a COSEC apresentam-lhe uma Tabela Classificativa de Países com a graduação dos mercados em função do seu risco de crédito. ou seja. consoante a probabilidade de cumprimento das suas obrigações externas. a curto. a médio e a longo prazos. Existem sete grupos de risco (de 1 a 7). corresGrupo 1
Hong-Kong Singapura * Taiwan

pondendo o grupo 1 à menor probabilidade de incumprimento e o grupo 7 à maior. As categorias de risco assim definidas são a base da avaliação do risco país. da definição das condições de cobertura e das taxas de prémio aplicáveis.
Grupo 5 Grupo 6
Albânia Ant. e Barbuda Arménia Bangladesh Belize Benin Bolívia Butão Cabo Verde Camarões Camboja Comores Congo Dominica Egipto Geórgia Honduras Kiribati Moçambique Montenegro Nauru Quénia Samoa Oc. Senegal Sérvia Sri Lanka Suazilândia Tanzânia Timor-Leste Turquemenistão Tuvalu Uganda Uzbequistão Vanuatu

Grupo 2
Arábia Saudita Botswana Brunei Chile China • EAUa Gibraltar Koweit Macau Malásia Oman Trind. e Tobago

Grupo 3
África do Sul • Argélia Bahamas Barbados Brasil • Costa Rica Dep/ter Austr.b Dep/ter Din.c Dep/ter Esp.d Dep/ter EUAe Dep/ter Fra.f Dep/ter N. Z.g Dep/ter RUh Filipinas Ilhas Marshall Índia Indonésia Lituânia Marrocos • Maurícias México • Micronésia Namíbia Palau Panamá Peru Qatar Rússia Tailândia Uruguai

Grupo 4
Aruba Barein Bulgária Colômbia El Salvador Fidji Letónia Roménia Tunísia • Turquia

Grupo 7
Afeganistão Argentina Bielorussia Bósnia e Herzegovina Burkina Faso Burundi Campuchea Cent. Af. Rep. Chade Congo. Rep. Dem. Coreia do Norte C. do Marfim Cuba • Djibuti Equador Eritreia Etiópia Gâmbia Grenada Guiana Guiné Equatorial Guiné. Rep. da Guiné-Bissau • Haiti Iemen Irão • Iraque • Jamaica Kosovo Laos Líbano Libéria Líbia Madagáscar Malawi Maldivas Mali Mauritânia Moldávia Myanmar Nepal Nicarágua Níger Paquistão Quirguistão Ruanda S. Crist. e Nevis S. Tomé e Príncipe • Salomão Seicheles Serra Leoa Síria Somália Sudão Sudão do Sul Suriname Tadzequistão Togo Tonga Ucrânia Venezuela Zimbabué

Angola Azerbeijão Cazaquistão Croácia Dominicana. Rep. Gabão Gana Guatemala Jordânia Lesoto Macedónia Mongólia Nigéria Papua–Nova Guiné Paraguai S. Vic. e Gren. Santa Lúcia Vietname Zâmbia

Fonte: COSEC - Companhia de Seguro de Créditos. S.A. * País pertencente ao grupo 0 da classificação risco-país da OCDE. Não é aplicável o sistema de prémios mínimos.

• Mercado de diversificação de oportunidades

• Fora de cobertura

• Fora de cobertura. excepto operações de relevante interesse nacional

NOTAS
a) Abu Dhabi. Dubai. Fujairah. Ras Al Khaimah. Sharjah. Um Al Quaiwain e Ajma b) Ilhas Norfolk c) Ilhas Faroe e Gronelândia d) Ceuta e Melilha e) Samoa. Guam. Marianas. Ilhas Virgens e Porto Rico f) G  uiana Francesa. Guadalupe. Martinica. Reunião. S. Pedro e Miquelon. Polinésia Francesa. Mayotte. Nova Caledónia. Wallis e Futuna g) Ilhas Cook e Tokelau. Ilhas Nive h) A  nguilla. Bermudas. Ilhas Virgens. Cayman. Falkland. Pitcairn. Monserrat. Sta. Helena. Ascensão. Tristão da Cunha. Turks e Caicos

48 // Junho 13 // Portugalglobal

ESTATÍSTICAS

INVESTIMENTO e COMÉRCIO EXTERNO
>PRINCIPAIS DADOS DE INVESTIMENTO (IDE E IDPE). EXPORTAÇÕES E IMPORTAÇÕES.

INVESTIMENTO DIRECTO COM O EXTERIOR
INVESTIMENTO DIRECTO DO EXTERIOR EM PORTUGAL IDE bruto IDE desinvestimento IDE líquido IDE Intra UE IDE Extra UE
Unidade: Milhões de euros

2012 39.257 32.318 6.939 35.684 3.573

tvh 2012/11 -8,9% -7,8% -13,5% -8,3% -14,6%

2012 Jan/Abr 10.901 9.367 1.534 9.746 1.155

2013 Jan/Abr 8.770 8.208 562 8.011 759

tvh 13/12 Jan/Abr -19,5% -12,4% -63,4% -17,8% -34,3%

tvh 13/12 Abr/Abr -27,1% -25,1% -47,6% -23,0% -60,9%

tvc 13/13 Abr/Mar 8,5% 5,7% 77,8% 13,1% -34,0%

IDE Intra UE IDE Extra UE
% Total IDE bruto

90,9% 9,1% % Total 19,9% 19,9% 16,2% 12,9% 8,9%

--tvh 13/12 -24,0% -6,1% -23,0% 13,9% -26,7% tvh 2012/11 -54,0% -15,2% -86,1% -56,4% -39,6%

89,4% 10,6%

91,4% 8,6%

---

--% Total 39,9% 26,7% 16,5% 4,4% 3,1%

--tvh 13/12 -23,7% -6,7% -7,7% -54,5% 2,0% tvc 13/13 Abr/Mar -6,7% 269,5% -78,3% -7,4% -0,5%

IDE bruto - Origem 2013 (Jan/Abr) Espanha França Reino Unido Alemanha Países Baixos INVESTIMENTO DIRECTO DE PORTUGAL NO EXTERIOR IDPE bruto IDPE desinvestimento IDPE líquido IDPE Intra UE IDPE Extra UE
Unidade: Milhões de euros

IDE bruto - Sector 2013 (Jan/Abr) Comércio Ind. Transformadora Act. Financeiras e de Seguros Act. Informação e Comunicação Electricidade, Gás, Água 2012 Jan/Abr 3.662 2.150 1.512 2.873 788 2013 Jan/Abr 2.000 1.250 750 1.685 315 tvh 13/12 Jan/Abr -45,4% -41,8% -50,4% -41,3% -60,1%

2012 8.989 7.498 1.490 7.304 1.685

tvh 13/12 Abr/Abr 2,7% -34,1% 170,2% 11,1% -35,2%

IDPE Intra UE IDPE Extra UE
% Total IDPE bruto

81,3% 18,7% % Total 57,7% 10,8% 5,6% 4,3% 3,2%

--tvh 13/12 -44,1% -54,7% 1029,8% -78,4% -28,9%

78,5% 21,5%

84,3% 15,7%

---

--% Total 74,7% 7,4% 7,2% 3,9% 2,5%

--tvh 13/12 -43,2% -65,5% 30,4% -64,0% -74,6%

IDPE bruto - Destinos 2013 (Jan/Abr) Países Baixos Espanha Alemanha Brasil Angola

IDPE bruto - Sector 2013 (Jan/Abr) Act. Financeiras e de Seguros Ind. Transformadoras Comércio Construção Act. Consultoria e Técnicas

  Stock IDE Stock IDPE
Unidade: Milhões de euros

2010 83.585 49.942
Fonte: Banco de Portugal

2011 86.428 55.823

2012 88.799 54.010

2012 Mar 84.667 54.563

2013 Mar 89.958 54.693

tvh 13/12 6,2% 0,2%

Portugalglobal // Junho 13 // 49

ESTATÍSTICAS

COMÉRCIO INTERNACIONAL
BENS (Exportação) Exportações bens Exportações bens UE27 Exportações bens Extra UE27
Unidade: Milhões de euros

2012 45.324 32.197 13.127

tvh 2012/11 5,8% 1,0% 19,8%

2012 Jan/Abr 15.098 10.936 4.162

2013 Jan/Abr 15.689 11.137 4.552

tvh 13/12 Jan/Abr 3,9% 1,8% 9,4%

tvh 13/12 Abr/Abr 17,3% 14,5% 24,2%

tvc 13/13 Abr/Mar 3,4% 2,9% 4,8%

Exportações bens UE27 Exportações bens Extra UE27
Unidade: % do total

71,0% 29,0%

---

72,4% 27,6%

71,0% 29,0%

---

---

---

Exp. Bens - Clientes 2013 (Jan/Abr) Espanha Alemanha França Angola Reino Unido EUA Países Baixos

% Total 23,2% 12,0% 11,8% 5,8% 5,3% 4,6% 4,1%

tvh 13/12 5,6% -2,5% -2,5% 11,0% 4,7% 10,4% 12,3%

Exp. Bens - Var. Valor (13/12) Espanha Argélia Marrocos Angola Países Baixos EUA China

Meur 194 130 105 90 71 69 -101

Cont. p. p. 1,3 0,9 0,7 0,6 0,5 0,5 -0,7

Exp. Bens - Produtos 2013 (Jan/Abr) Máquinas, Aparelhos Veículos, Outro Material de Transporte Combustíveis Minerais Metais Comuns Plásticos, Borracha

% Total 14,7% 11,0% 10,9% 8,2% 6,8%

tvh 13/12 1,9% -12,3% 33,4% 1,8% 3,4%

Exp. Bens - Var. Valor (13/12) Combustíveis Minerais Alimentares Químicos Pastas Celulósicas, Papel Veículos, Out. Mat. Transp.

Meur 429 108 61 57 -243

Cont. p. p. 2,8 0,7 0,4 0,4 -1,6

 SERVIÇOS Exportações totais de serviços Exportações serviços UE27 Exportações serviços extra UE27
Unidade: Milhões de euros

2012 19.098 13.100 5.998

tvh 2012/11 -0,3% -4,3% 9,7%

2012 Jan/Abr 5.437 3.634 1.803

2013 Jan/Abr 5.673 3.808 1.864

tvh 13/12 Jan/Abr 4,3% 4,8% 3,4%

tvh 13/12 Abr/Abr 5,0% 8,1% -1,6%

tvc 13/13 Abr/Mar 11,0% 16,7% -0,4%

Exportações serviços UE27 Exportações serviços extra UE27
Unidade: % do total

68,6% 31,4%

-- 

66,8% 33,2%

67,1% 32,9%

---

---

---

50 // Junho 13 // Portugalglobal

ESTATÍSTICAS

BENS (Importação) Importações bens Importações bens UE27 Importações bens Extra UE27
Unidade: Milhões de euros

2012 56.234 40.402 15.832

tvh 2012/11 -5,1% -7,4% 1,4%

2012 Jan/Abr 18.923 13.669 5.254

2013 Jan/Abr 18.280 12.882 5.399

tvh 13/12 Jan/Abr -3,4% -5,8% 2,7%

tvh 13/12 Abr/Abr 9,2% 5,4% 19,4%

tvc 13/13 Abr/Mar 4,8% 3,8% 7,2%

Importações bens UE27 Importações bens Extra UE27
Unidade: % do total

71,8% 28,2%

---

72,2% 27,8%

70,5% 29,5%

---

---

Imp. Bens - Fornecedores 2013 (Jan/Abr) Espanha Alemanha França Angola Itália Países Baixos Reino Unido

% Total 31,0% 11,5% 6,7% 6,2% 5,1% 4,7% 2,8%

tvh 13/12 -6,6% -5,8% -2,4% 95,8% -3,7% -3,4% -14,0%

Imp. Bens - Var. Valor (13/12) Angola Alemanha Cazaquistão Guiné-Equatorial Azerbaijão Brasil Espanha

Meur 552 -129 -134 -143 -143 -194 -400

Cont. p. p. 2,9 -0,7 -0,7 -0,8 -0,8 -1,0 -2,1

Imp. Bens - Produtos 2013 (Jan/Abr) Combustíveis Minerais Máquinas, Aparelhos Agrícolas Químicos Veículos, Outro Mat. Transp.

% Total 19,7% 14,0% 11,3% 10,9% 8,6%

tvh 13/12 -10,6% -7,2% 8,5% -4,3% -4,7%

Imp. Bens - Var. Valor (13/12) Agrícolas Veículos, Out. Mat. Transp. Químicos Máquinas, Aparelhos Combustíveis Minerais

Meur 162 -78 -89 -199 -426

Cont. p. p. 0,9 -0,4 -0,5 -1,0 -2,2

 SERVIÇOS Importações totais de serviços Importações serviços UE27 Importações serviços extra UE27
Unidade: Milhões de euros

2012 10.405 7.591 2.815

tvh 2012/11 -9,2% -5,9% -17,1%

2012 Jan/Abr 3.424 2.508 916

2013 Jan/Abr 3.415 2.465 950

tvh 13/12 Jan/Abr -0,3% -1,7% 3,7%

tvh 13/12 Abr/Abr 6,0% 7,1% 3,1%

tvc 13/13 Abr/Mar 13,6% 16,3% 6,7%

Importações serviços UE27 Importações serviços extra UE27
Unidade: % do total

73,0% 27,0%

--  2013 1º Trim INE -4,0 0,1

73,2% 26,8%

72,2% 27,8%

---

---

---

PREVISÕES 2013 : 2014 (tvh real %)

2012 INE

FMI Junho 13 -2,3 : 0,6 0,9 : 4,4

CE Maio 13 -2,3 : 0,6 0,9 : 4,4

OCDE Maio 12 -2,7 : 0,2 1,4 : 5,1

BdP Março 13 -2,3 : 1,1 2,2 : 4,3

Min. Finanças Abril 12 -2,3 : 0,6 0,8 : 4,5

PIB Exportações Bens e Serviços
Fontes: INE/Banco de Portugal Notas e siglas: Meur - Milhões de euros tvc - Taxa de variação em cadeia

-3,2 3,2

Cont. - Contributo para o crescimento das exportações

p.p. - Pontos percentuais

tvh - Taxa de variação homóloga

Portugalglobal // Junho 13 // 51

Miguel Porfírio
HOLANDA
aicep.thehague@portugalglobal.pt

Gonçalo Homem de Mello
BÉLGICA
aicep.bruxels@portugalglobal.pt

António Silva
FRANÇA

REDE EXTERNA
Raul Travado
CANADÁ
aicep.toronto@portugalglobal.pt

aicep.paris@portugalglobal.pt

Miguel Fontoura
REINO UNIDO
aicep.london@portugalglobal.pt

José Nogueira Ramos
IRLANDA
aicep.dublin@portugalglobal.pt

Oslo

Manuel Martinez
ESPANHA
aicep.barcelona@portugalglobal.pt

Hai Dublin Londres Paris

Bruxelas

Eduardo Henriques
ESPANHA

Zuriqu Milão

Toronto Nova Iorque

aicep.madrid@portugalglobal.pt

Barcelona Madrid Rabat

Ana Sofia O’Hara
EUA
aicep.s.francisco@portugalglobal.pt

S. Francisco

Argel

Rui Boavista Marques
EUA
aicep.newyork@portugalglobal.pt

Praia

Rui Gomes
MÉXICO
aicep.mexico@portugalglobal.pt

Armindo Rios
CABO VERDE

Cidade do México

aicep.praia@portugalglobal.pt

Carlos Pinto
VENEZUELA
aicep.caracas@portugalglobal.pt

Rui Cordovil
Caracas Panamá Bogotá
MARROCOS
aicep.rabat@portugalglobal.pt

Miguel Crespo
COLÔMBIA
aicep.bogota@portugalglobal.pt

João Renano Henriques
ARGÉLIA
aicep.argel@portugalglobal.pt

Lima

Luís Moura
ANGOLA
aicep.luanda@portugalglobal.pt

António Felner da Costa
BRASIL
aicep.rio.janeiro@portugalglobal.pt

João Cardim
Rio de Janeiro São Paulo
ANGOLA
aicep.benguela@portugalglobal.pt

Carlos Moura
BRASIL
aicep.s.paulo@portugalglobal.pt

João Pedro Pereira
Santiago do Chile Buenos Aires
ÁFRICA DO SUL
aicep.pretoria@portugalglobal.pt

Jorge Salvador
CHILE
aicep.santiago@portugalglobal.pt

Fernando Carvalho
MOÇAMBIQUE
aicep.maputo@portugalglobal.pt

Luís Sequeira
ARGENTINA
aicep.buenosaires@portugalglobal.pt

52 // Junho 13 // Portugalglobal

Pedro Macedo Leão
ALEMANHA
aicep.berlin@portugalglobal.pt

Maria José Rézio
RÚSSIA
aicep.moscow@portugalglobal.pt

João Guerra Silva
DINAMARCA
aicep.copenhagen@portugalglobal.pt

Nuno Lima Leite
POLÓNIA
aicep.warsaw@portugalglobal.pt

Eduardo Souto Moura
SUÉCIA
aicep.stockholm@portugalglobal.pt

Joaquim Pimpão
HUNGRIA
aicep.budapest@portugalglobal.pt

Kristiina Vaano
FINLÂNDIA
aicep.helsinki@portugalglobal.pt

Ana Isabel Douglas
ÁUSTRIA
aicep.vienna@portugalglobal.pt

Helsínquia Estocolmo Copenhaga Berlim Varsóvia Praga Budapeste Bucareste Ancara Tunes Tripoli Atenas Baku Moscovo

ia

s

Filipe Honrado
ÍNDIA
aicep.newdelhi@portugalglobal.pt

ue

Bratislava Viena

Liubliana

Alexandra Ferreira Leite
CHINA

Celeste Mota
TURQUIA
aicep.ankara@portugalglobal.pt

Pequim Tóquio Xangai Nova Deli Guangzhou Macau Hong Kong

aicep.beijin@portugalglobal.pt

José Joaquim Fernandes
JAPÃO
aicep.tokyo@portugalglobal.pt

Laurent Armaos
GRÉCIA
aicep.athens@portugalglobal.pt

Filipe Costa
CHINA
aicep.shanghai@portugalglobal.pt

Riade

Doha

Abu Dhabi

Maria João Bonifácio Pier Franco Schiavone
ITÁLIA
aicep.milan@portugalglobal.pt

CHINA
aicep.macau@portugalglobal.pt

Nuno Várzea
TUNISIA
aicep.tunis@portugalglobal.pt

Kuala Lumpur

Manuel Couto Miranda
EAU
aicep.abudhabi@portugalglobal.pt

Jacarta

Luanda Benguela

Windhoek Pretória Gaborone Maputo

Maria João Liew
MALÁSIA
aicep.kuala_lumpur@portugalglobal.pt

João Noronha
INDONÉSIA
aicep.jacarta@portugalglobal.pt

AO SERVIÇO DAS EMPRESAS
Portugalglobal // Junho 13 // 53

BOOKMARKS

LIDERE COMO UM LÍDER OS 12 TRABALHOS DO EXECUTIVO
Liderar implica diversos trabalhos hercúleos. Requer que o líder enfrente incessantes desafios com exigências opostas. Neste livro, os autores (uns provenientes do mundo da universidade com interesse pela prática, outro oriundo do mundo empresarial com curiosidade académica) discutem 12 desses trabalhos. Afirmam que liderar eficazmente requer a capacidade de comando de um general, o esforço de representação de um actor, o pulmão de um maratonista, a paciência de um professor e a imparcialidade de um árbitro. O livro está repleto de exemplos diversos, de Steve Jobs a André Villas-Boas, passando pelos “infiltrados” de undercover boss. Esta é a mensagem chave que o leitor encontrará nesta obra: lidere como um líder e deixe de se lamentar de que não pode liderar devido aos obstáculos que outros líderes lhe criam. Ser um verdadeiro líder é exigente, difícil e complexo. Requer estar preparado para um escrutínio crescente e constante – num tempo em que as redes sociais democratizaram o acesso à informação e, sobretudo, a possibilidade de disseminar boas e más “notícias” junto de milhares ou milhões de interlocutores. Hoje, os líderes actuam num palco mediático. Perante uma enorme audiência atenta e, por vezes, feroz. Ou seja, a arena em que os líderes actuam é cada vez mais implacável. Nesta medida, os 12 trabalhos aqui discutidos têm como objectivo ajudar os líderes na sua árdua tarefa.
Autor: Miguel  Pina e Cunha, Arménio Rego, João Cotrim de Figueiredo Editor: Edições Sílabo Nº de páginas: 236 Ano: 2013 Preço: 16,50€

AS LIÇÕES DOS DESCOBRIMENTOS O QUE NOS ENSINAM OS EMPREENDEDORES DA GLOBALIZAÇÃO
Dez virtudes e cinco pecados da Expansão portuguesa. Um manual rápido, baseado em histórias da nossa História, para os empreendedores, os gestores, os quadros, os estudantes e todos aqueles que pretendam ter uma estratégia e um projecto profissional e inovador num contexto de crise. Aprender com a ‘Matriz’ de 10 Ingredientes do Sucesso da Expansão e evitar os 5 Erros Estratégicos que foram cometidos são “As Lições das Descobertas”. O interesse pelo tema é transversal – tanto apaixona os jovens com ambição de construir uma carreira profissional enfrentando a provável maior crise das últimas décadas, como os quadros da área da gestão pura e dura, e os empresários, nomeadamente empreendedores da nova geração envolvidos em ultrapassar a situação adversa, até ao leitor que simplesmente quer ter um horizonte mobilizador. Assim, com este livro os autores pretendem responder ao desafio – colocado por muitos leitores da área da gestão e do empreendedorismo – de “familiarizar” o tema para um público não erudito da História ou na economia dos “ciclos longos”, para que lhes seja útil na compreensão do mundo e nas tomadas de decisão diante da prolongada crise actual.
Autor: J  orge Nascimento Rodrigues, Tessaleno Devezas Editor: Ed.Centro.Atlântico.pt Nº de páginas: 240 Ano: 2013 Preço: 14€

54 // Junho 13 // Portugalglobal

Videoconferências

AICEP Global Network
A AICEP disponibiliza um novo serviço de videoconferência para reuniões em directo, onde quer que se encontre, com os responsáveis da Rede Externa presentes em mais de 40 países. Obtenha a informação essencial sobre os mercados internacionais e esclareça as suas dúvidas sobre: • Potenciais clientes • Canais de distribuição • Aspectos regulamentares • Feiras e eventos • Informações específicas sobre o mercado

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