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UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO

ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 2009

FABRÍCIO FERNANDO CRUZ DA SILVA

09.2.8698

EAD388 - RELACOES INTERNACIONAIS

AVALIAÇÃO I

Professor: ANTONIO MARCELO JACKSON FERREIRA DA SILVA

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

27 de julho de 2013

Avaliação I: Analise a Inserção do Brasil no Cenário Internacional a partir do Pensamento Liberal

Para obter a melhor resposta relacionada à questão supracitada, devemos analisar o pensamento liberal e os desenvolvimentos brasileiro e internacional, além das interferências externas na formação do Estado e da sociedade brasileira.

O pensamento liberal nasceu como ponto central da liberdade do indivíduo a

representatividade da voz da maioria no governo, através da democracia, o direito à propriedade privada e ao livre comércio. De acordo com MESSARI e NOGUEIRA (2005, p. 58), “o Liberalismo é uma grande tradição do pensamento ocidental que deu origem a teorias sobre o lugar do indivíduo na sociedade, sobre a natureza do Estado e sobre a legitimidade das instituições do governo”. Essas ideias dos pensadores liberais como John Locke, Montesquieu, Adam Smith e Immanuel Kant passaram a influenciar a teoria das Relações Internacionais.

No inicio do século XIX as ideias liberais se estabeleceram no Brasil, tendo maior influência a partir da Independência de 1822. Segundo COSTA (1999, p. 132), o liberalismo brasileiro só pode ser entendido com referência à realidade brasileira. Os liberais brasileiros importaram princípios e fórmulas políticas, mas as ajustaram às suas próprias necessidades.” Os principais simpatizantes foram homens interessados na economia de exportação e importação, muitos proprietários de grandes extensões de terra e escravos. Estes procuravam manter as estruturas tradicionais de produção, libertando-se do jugo de Portugal e ganhando espaço no livre-comércio. Esta elite tencionava manter as estruturas sociais e econômicas. Após a independência, os liberais tencionavam ampliar o poder legislativo em detrimento do poder real.

Durante o período Imperial tivemos a formação de dois grupos políticos distintos no Brasil: liberais e conservadores. Os primeiros acudiam um preceito de educação livre

do controle religioso, uma legislação favorável à ruptura do monopólio da terra e

favoreciam a descentralização das províncias e municípios. Os conservadores eram

opostos a essas ideias. Todo o período imperial foi marcado por tensões e conciliações entre os dois grupos.

Desde a Independência até a revolução de 1930, os pensadores que idealizaram o modelo liberal-conservador de relações internacionais eram os detentores do poder dos dirigentes. A tendência liberal marcou características insolúveis na formação de nossa sociedade. No entanto, os pensadores que conceberam o paradigma desenvolvimentista não obtiveram sucesso por muitos anos, demonstrando-se eficazes após 1930 quando substituiu a onda do modelo liberal conservador. Para COSTA (1999), os liberais brasileiros não foram capazes de realizar os ideais do liberalismo, pois estes transcendiam a política. Nenhuma das reformas que os liberais realizaram eliminou o conflito entre a retórica liberal e o sistema de patronagem. As reformas defendiam apenas os seus interesses comerciais e a manutenção da exploração do trabalho.

Na segunda metade do século XIX obteve-se liberalismo radical que para CORVO (2008, p. 17) que “colocava-se a serviço da sociedade primário-exportadora, uma organização voltada à manutenção do atraso histórico por elites sociais que se haviam apropriado do Estado e dele se serviam com exclusividade”. Com isto foi possível constatar serviços de interesse da elite nas novas formulações sobre a democracia de mercado e a governança global, das quais estabeleceu em beneficio próprio a ordem global.

No final do séc. XX, obtivemos uma fracassada tentativa da inserção do neoliberalismo no Brasil, como demonstrado por CORVO (2008, p. 18) “elaborar e programar a vigência do paradigma neoliberal de inserção internacional, uma criação da inteligência política latino-americana dos anos 1990, que não foi concebida de modo uniforme por todos os dirigentes regionais, porém apresentava componentes comuns. O pensamento neoliberal não foi adotado no Brasil, por existir a predominância controladora do grupo dirigente que impunha a cultura política desejada. Que por sua vez, segundo CERVO (2008, p. 18) “deu origem, dentro do próprio grupo dirigente neoliberal, ao pensamento cético quanto a possíveis efeitos econômicos e sociais, como o de globalização assimétrica e de Estado logístico, que fariam sucesso logo mais, quando os dirigentes neoliberais foram substituídos no início do século XXI”.

De acordo com o exposto acima, podemos então concluir que a inserção do Brasil no cenário internacional a partir do contexto liberal foi manipulada e não condizente

aos princípios de democracia, liberdade na educação sem interferência religiosa mantidos na época, demostrando que o pensamento liberal trouxe pequenas mudanças e não as mudanças que objetivava uma vez que foi caracterizado por ter tido dirigentes controladores. Neste contexto podemos verificar também que as teorias que servem ao primeiro mundo não são necessariamente as que sevem aos países emergentes segundo citado pelos meus colegas no fórum da disciplina.

BIBLIOGRÁFIA

CERVO, Amado Luiz. Conceitos em Relações Internacionais. Revista Brasileira Polít. Int. 51 (2): 8 25 (2008).

COSTA, Emília Viotti da. Da Monarquia à República. 7a. ed. São Paulo: Fundação Editora da UNESP, 1999.

MESSARI, Nizar & NOGUEIRA, João Pontes. Teoria das Relações Internacionais. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005.

ROCHA, Marlos Bessa Mendes. Matrizes da modernidade republicana. Cultura política e

pensamento educacional no Brasil. Campinas: Autores Associados; Brasília: Editora Plano,

2004