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UNIVERSIDADE PARA O DESENVOLVIMENTO DO ESTADO E DA REGIÃO DO PANTANAL DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA ELÉTRICA

UNIVERSIDADE PARA O DESENVOLVIMENTO DO ESTADO E DA REGIÃO DO PANTANAL

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA ELÉTRICA

MODULAÇÕES CHAVEADAS ASK FSK PSK

CAMPO GRANDE - MS

2004

UNIVERSIDADE PARA O DESENVOLVIMENTO DO ESTADO E DA REGIÃO DO PANTANAL DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA ELÉTRICA

UNIVERSIDADE PARA O DESENVOLVIMENTO DO ESTADO E DA REGIÃO DO PANTANAL

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA ELÉTRICA

MODULAÇÕES CHAVEADAS ASK FSK PSK

Trabalho apresentado para fins de avaliação parcial da disciplina de Sistemas de Comunicação da Universidade Para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal – UNIDERP, sob orientação do Professor Irineu Cássio Gudin.

Acadêmicos:

Glauco M. L. Freire

RA: 20922.

Giovanni Facholli

RA: 15614.

Ricardo Dalla Valle

RA: 20085.

Domingos S. Freire

RA: 20951.

CAMPO GRANDE - MS

2004

Sumário

1. Introdução

3

2. Análise do Sinal Digital

4

3. Largura de Faixa do Sinal Digital

5

4. Modulações Chaveadas

6

5. Modulação por Chaveamento de Amplitude – ASK

6

5.1. Métodos de Obtenção

7

5.2. Demodulação do Sinal ASK

8

6.

Modulação por Chaveamento de Freqüência – FSK

9

6.1.

Demodulação do Sinal FSK

11

7.Modulação por Chaveamento de Fase – PSK

13

7.1.

Demodulação do Sinal PSK

15

8. Conclusão

16

9. Bibliografia

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3

1. Introdução

Dentro dos estudos de sistemas de telecomunicações um dos aspectos mais importantes são os tipos de modulações. A modulação constitui-se na técnica empregada para modificar um sinal com a finalidade de possibilitar o transporte de informações através do canal de comunicação e recuperar o sinal, na sua forma original, na outra extremidade. Existem diversas formas de modulações, este trabalho tem o objetivo de estudar os tipos de modulações chaveadas, onde os principais tipos de modulação utilizados em comunicação de dados são: ASK (Modulação por Chaveamento de Amplitude), FSK (Modulação por Chaveamento de Freqüência) e PSK (Modulação por Chaveamento de Fase). Estes tipos de modulação são necessários nos modems analógicos e nos rádios digitais porque o meio de transmissão (linha telefônica ou onda eletromagnética) não permite a passagem de sinais digitais em sua faixa de freqüência original ou banda básica.

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2. Análise do Sinal Digital

Um sinal digital caracteriza-se por apresentar variações descontinuas de amplitude entre valores padronizados, chamados de níveis. Para fins de comunicação, a duração de cada nível é estabelecida em múltiplos de um valor mínimo τ. Veja a figura abaixo.

múltiplos de um valor mínimo τ . Veja a figura abaixo. Figura 01 Na figura acima

Figura 01

Na figura acima podemos observar que o sinal possui uma duração mínima, τ, de 1 ms. A cada nível do sinal digital mostrado está associado a um bit. Como cada bit tem a duração de 1 ms, em 1 segundo serão transmitidos 1000 bits.

Em uma transmissão de sinais digitais existem duas grandezas:

a) Velocidade de modulação (Vm);

b) Velocidade de transmissão (Vt).

A velocidade de modulação indica quantas vezes por segundo um sinal

digital é transmitido, sendo sua unidade definida por baud.

Vm

=

1

τ

(

baud

)

Onde: τ - largura da menor transição do sinal digital.

A velocidade de transmissão indica a quantidade de bits transmitidos por

segundo. A velocidade de transmissão é proporcional à velocidade de modulação e ao número de bits enviados em cada transição do sinal.

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Vt = Vm. N

Onde: N – número de bits associados a cada nível do sinal digital.

3. Largura de Faixa do Sinal Digital

O sinal digital ocupa uma largura de faixa mínima, dada pela equação

abaixo:

BW ( BB ) =

1

2τ

Para aproveitar a largura de faixa mínima de um sinal digital, determinada pela equação acima, é necessário filtrar o sinal por meio de um filtro passa-baixa. Veja a figura abaixo.

por meio de um filtro passa-baixa. Veja a figura abaixo. Figura 02 Antes de ser filtrado,

Figura 02

Antes de ser filtrado, o sinal digital ocupa uma largura de faixa relativamente grande. Isso ocorre pela presença de harmônicos. A quantidade de harmônicos depende do modo como o sinal digital transiciona entre os níveis. Quanto mais rapidamente o sinal digital mudar de nível, maior a quantidade de harmônicos gerados. Eliminando-se os harmônicos de freqüência elevada, por meio de um filtro passa-baixa, a forma de onda do sinal passa a apresentar contornos arredondados.

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Para manter as informações necessárias para a recuperação do sinal digital, é importante que a curva de resposta do FPB seja simétrica, na horizontal, na freqüência máxima da por 1/τ.

Considerando um FPB não ideal, a largura de faixa necessária para a transmitir o sinal de banda básica é dada por:

BW BB =

(

)

Vm

2

(1

+

r

)

Onde: BW(BB) – largura de faixa do sinal digital filtrado, em Hz; r – fator de filtragem do filtro passa-baixa.

O fator de filtragem, r, varia entre 0 e 1.

4. Modulações Chaveadas

Para transmitir sinais por meio de rádio (ou por um modem), é necessário modularmos uma portadora de RF com o sinal que desejamos transmitir. Existem vários motivos para se usar uma portadora:

a) A freqüência do sinal de banda básica não é o suficiente para ser transmitida, de forma eficiente por meio de antenas; b) Precisamos designar uma nova freqüência para o sinal a ser transmitido, tornando possível evitar a interferência com outros sinais de banda básica iguais.

A modulação de uma portadora de RF por um sinal digital gera um sinal

modulado por chaveamento. Esse sinal chaveado transporta as informações por meio da alteração da amplitude, freqüência ou fase do sinal modulado.

5. Modulação por Chaveamento de Amplitude – ASK

A modulação ASK utiliza um modulador semelhante ao AM, no qual a variação da amplitude do sinal modulado indica o código do dado transmitido.

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As principais características da modulação por chaveamento de amplitude

são:

a) facilidade de modular e demodular;

b) pequena largura de faixa;

c) baixa imunidade a ruídos.

Devido às características citadas, a modulação por chaveamento de amplitude é indicada nas situações em que exista pouco ruído para interferir na recepção do sinal ou quando o baixo custo é essencial. Por isso, a modulação ASK é utilizada em aplicações muito distintas:

a) transmissão via fibras ópticas, onde não existe ruído para interferir na

recepção do sinal;

b) transmissão de dados por infravermelhos, como os usados em algumas

calculadoras;

c) controle remoto por meio de raios infravermelhos, como os usados em

aparelhos de TV; d) controle remoto por meio de radiofreqüência, como os usados para ligar e desligar alarmes de carros, residências ou abrir portões.

5.1. Métodos de Obtenção

O sinal ASK pode ser obtido de duas maneiras:

a) pelo uso de modulador AM convencional ou

b) pelo uso de um modulador chaveado.

O uso de um modulador AM convencional é o método mais indicado para a obtenção do sinal ASK. Isso ocorre porque fica mais fácil limitar a banda passante do sinal modulante do que o sinal modulado. Já os moduladores chaveados não respondem de maneira adequada aos sinais modulantes filtrados. Veja na Figura 03 a estrutura básica de um modulador ASK. O filtro passa- baixa corta os harmônicos do sinal modulante digital, reduzindo a largura de faixa do sinal modulante. Em princípio, a frequência de corte do FPB deve ser igual à metade da velocidade de modulação. O modulador de amplitude geral o sinal ASK a partir

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do sinal digital filtrado e do sinal senoidal proveniente do oscilador que irá determinar a freqüência central do sinal ASK. A saída do modulador será um sinal ASK contendo um par de faixas laterais.

será um sinal ASK contendo um par de faixas laterais. Figura 03 A figura 04 mostra

Figura 03

A figura 04 mostra o formato de um sinal ASK.

Figura 03 A figura 04 mostra o formato de um sinal ASK. Figura 04 5.2. Demodulação

Figura 04

5.2. Demodulação do Sinal ASK

A demodulação do sinal ASK pode ser feita por meio de um detector de envoltória seguido por um filtro passa-baixa e um circuito de decisão, como mostrado na figura 05.

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9 Figura 05 O detector de envoltória retifica o sinal ASK. Em seguida, o filtro passa-

Figura 05

O detector de envoltória retifica o sinal ASK. Em seguida, o filtro passa-

baixo elimina o componente pulsante do sinal entregue pelo detector de envoltória, recuperando o nível médio correspondente. Veja a figura 06. O circuito de decisão compara o nível médio presente na saída do filtro passa-baixa com uma tensão de referência, V2. Se o nível médio estiver acima do valor de referência, o circuito de decisão coloca nível alto em sua saída. Caso o sinal na entrada do circuito de decisão esteja abaixo da tensão de referência V1, a saída estará em nível baixo.

tensão de referência V1, a saída estará em nível baixo. Figura 06 O uso de duas

Figura 06

O uso de duas tensões de referência, V1 e V2, ajuda a reduzir os erros

causados por sinais, contendo ruídos. Se o ruídos no sinal ASK for menor do que a

metade do valor pico-a-pico do sinal, não haverá erro na decisão. Um disparador schmmitt proporciona o mesmo tipo de proteção contra erros causados por ruídos.

6. Modulação por Chaveamento de Freqüência – FSK

A modulação por chaveamento de freqüência, FSK, apresenta como principal característica à boa imunidade a ruídos, quando compara com a modulação ASK. Como ponto negativo, a modulação FSK apresenta a maior largura de faixa dentre as modulações chaveadas.

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A modulação FSK é utilizada em modems de baixa velocidade, ou seja,

com velocidade de transmissão igual ou menor que 1.200 bps. Também é usada na transmissão de dados via rádio, ressaltando-se, por exemplo, a transmissão de sinais de rádio-controle. Na telefonia celular, é empregada a modulação FSK para

transmissão de controle entre a estação rádio-base e o telefone celular, como ocorre no sistema analógico AMPS.

A modulação FSK pode ser obtida pela aplicação do sinal digital, com a

banda de freqüência limitada, na entrada de um VCO. Veja a figura 07.

limitada, na entrada de um VCO. Veja a figura 07. Figura 07 As variações de amplitude

Figura 07

As variações de amplitude do sinal digital forçam o VCO a variar sua freqüência entre dois valores diferentes. A freqüência correspondente ao bit 0 é chamada de freqüência espaço e a correspondente ao bit 1, de freqüência marca. Veja a figura 08.

e ao bit 1, de freqüência marca. Veja a figura 08. Figura 08 A largura de

Figura 08

A largura de faixa do sinal FSK depende da velocidade de transmissão e da diferença entre as freqüências marca Fm, e o espaço, Fs. A equação 6 é usada para o cálculo da largura de faixa do sinal FSK.

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BW(FSK)= Vm(1+r)+(Fm-Fs)

Onde: BW(FSK) = largura de faixa do sinal FSK, em Hz;

Vm = velocidade de transmissão; em bps; R = fator de filtragem do filtro passa-baixa, em Hz; Fm = freqüência marca, em Hz; Fs = freqüência espaço, em Hz;

O desvio de freqüência utilizado, que é a diferença entre a freqüência marca e a freqüência espaço, está relacionado com a velocidade de transmissão. Normalmente, se usa um desvio de freqüência, Hz, entre a metade e o dobro da velocidade de transmissão, em bps. Para uma velocidade de transmissão de 10 Kbps, podemos usar um desvio de freqüência entre 5 Khz e 20 Khz, por exemplo. Quanto maior o desvio, maior será a largura de faixa ocupada e a imunidade contra ruídos.

6.1. Demodulação do Sinal FSK

A demodulação do sinal FSK pode ser feito com o circuito mostrado na Figura 09. O amplificador limitador tem a finalidade de amplificar o sinal FSK aplicado na entrada do demodulador e eliminar as variações de amplitude e ruídos eventualmente presentes, em ª Na saída do amplificador limitador, em b, teremos um sinal de amplitude constante, que será aplicado aos FPFs dos circuitos marca e espaço. O amplificador limitador é o maior responsável pela boa imunidade contra ruídos da modulação FSK.

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12 Figura 09 Outra razão para a boa imunidade a ruídos deve-se ao modo como funciona

Figura 09

Outra razão para a boa imunidade a ruídos deve-se ao modo como funciona o circuito de decisão usado no demodulador. O circuito de decisão determina o nível de saída em função da amplitude dos sinais em sua entrada, pontos g e h. A saída irá para nível alto se a tensão no ponto g for mais elevada que no ponto h. Caso contrário, a saída irá para nível baixo. Quando a freqüência do sinal recebido for igual à freqüência espaço, aparecerá sinal na saída do FPF do circuito espaço, d, o sinal será retificado, f, que é filtrado pelo FPB, aparecendo uma tensão em h. Como a tensão em h será maior que a em g, o circuito de decisão coloca a saída em nível baixo.

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13 Figura 10 7. Modulação por Chaveamento de Fase – PSK A modulação por chaveamento de

Figura 10

7. Modulação por Chaveamento de Fase – PSK

A modulação por chaveamento de fase – PSK é a que apresenta a melhor

imunidade a ruídos e um significativo aumento da velocidade de transmissão,

quando usada uma codificação multibit na modulação. A largura de faixa ocupada é a mesma de um sinal ASK.

A modulação PSK apresenta elevada imunidade contra ruídos, comparável,

nesse aspecto, com a modulação FSK, chegando mesmo a superá-la. Por esse

motivo e, também, devido à excelente velocidade e em rádios digitais. Na telefonia celular digital, o PSK é largamente empregado, na modalidade DQPSK.

A forma mais simples de modulação PSK utiliza apenas duas fases para a

codificação do sinal. Normalmente, usa-se a fase 0° para transmitir o bit 1 e a fase

180° para transmitir o bit 0. A figura 11 exibe as formas de ondas correspondentes, assim como a representação do sinal PSK por meio de uma constelação na qual cada ponto no plano IQ identifica um sinal (símbolo) emitido.

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14 Figura 11 O Sinal PSK que possui apenas duas fase s e na qual há

Figura 11

O Sinal PSK que possui apenas duas fases e na qual há inversão de fase entre os símbolos é também chamado de sinal PRK, ou chaveamento por versão de fase.

Obtenção do sinal PSK. O sinal PSK pode ser obtido por meio de um modulador AM-DSB/SC pela aplicação do sinal modulante digital, com sua banda limitada. A figura 12 mostra um modulador atenua 50%, na freqüência em hertz igual à metade da velocidade de modulação simétrica em relação ao ponto de 50%.

na freqüência em hertz igual à metade da velocidade de modulação simé trica em relação ao

Figura 12

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7.1. Demodulação do Sinal PSK

O sinal PSK exige o mesmo tipo de demodulador que o sinal AM-DSB/SC.

Assim, é necessária a aplicação de uma portadora de freqüência igual à utilizada no

modulador. Isso cria uma das grandes dificuldades da modulação PSK, que é a regeneração da portadora a partir do sinal recebido. Uma das técnicas consiste em

multiplicar por 2 a freqüência do sinal PSK recebido, para suprimir as mudanças de fase, aplicar o sinal multiplicado em um PLL, para filtrar as variações bruscas de amplitude e fase que ocorrem nos momentos de transição e, finalmente, dividir por dois a freqüência do PLL, obtendo a portadora regeneradora. A figura 13, ilustra o processo. Ambigüidade de Fase. A modulação PSK cria uma ambigüidade de fase, ou seja, embora ela consiga distinguir as mudanças de fase que ocorrem no sinal recebido, não consegue detectar a fase absoluta do sinal. Para superar essa dificuldade, pode-se enviar uma seqüência conhecida de símbolos que torne possível a determinação da fase verdadeira do sinal. Por isso, antes do início transmissão dos dados, é emitida uma longa seqüência de bits 1, dando a oportunidade ao PLL de ajustar sua fase. O problema, porém, permanece no caso de ocorrer uma falha de comunicação no meio de transmissão. Nesse caso, será perdida a sincronização. Esse problema é mais grave no caso dos rádios digitais, porque a transmissão é contínua, não havendo a oportunidade para a transmissão de sinais de sincronismos.

A solução definitiva para o problema da sincronização é a modulação por

chaveamento diferencial de fase, ou DPSK.

definitiva para o problema da sincronização é a modulação por chaveamento diferencial de fase, ou DPSK.

Figura 13

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8. Conclusão

No decorrer deste trabalho verificamos como foi possível a transmissão de sinais digitais nos meios de comunicação a longa distância, cuja faixa de freqüência da banda básica não é alta o suficiente para ser transmitida de forma eficiente por meio de antenas. Como o advento da tecnologia digital, novos limites da comunicação do sinal digital em sinal de radio freqüência na técnica que conhecemos como Modulação. Ao analisarmos os mecanismos de modulação concluímos que quanto mais a tecnologia avança através do aumento da quantidade de informação a ser transmitida melhores são as técnicas de modulação para que não haja perda ou distorções nos dados trafegados.

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9. Bibliografia

NACIMENTO, Juarez. Telecomunicações. 2. ed. São Paulo, SP:

Makron Books, 1992.