UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO CENTRO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS E POLÍTICAS FACULDADE DE CIÊNCIAS JURÍDICAS DIREITO PENAL II

DAS PENAS

Paula Zimbrão Pereira

Professor José Romeiro

RIO DE JANEIRO 2013 Da Pena

1. ORIGEM E EVOLUÇÃO DA PENA DE PRISÃO A história da prisão não subentende a história de sua progressiva abolição, mas de sua reforma, até chegar a visão concebida hoje de um “mal necessário”. Sendo assim, procura-se elucidar as distintas formas em que os atos do homem delinqüente foram puníveis, de acordo com os períodos da História da Humanidade.

a. A Antiguidade Convém esclarecer desde início que até fins do século XVIII a prisão serviu somente à contenção e guarda dos réus a fim de preservá-los fisicamente até o momento de serem julgados. Assim, tanto na Grécia quanto na Roma Antigas, a prisão tinha como finalidade eminente a custódia, para impedir que o culpado pudesse se subtrair ao castigo. Isso porque o catálogo de sanções esgotava-se com a morte, penas corporais e infamantes. A prisão também servia como modo de retenção dos devedores até que pagassem suas dívidas. Assim, este devedor ficava a mercê do credor, como seu escravo. Os piores lugares eram empregados como prisões; calabouços, aposentos em ruínas ou insalubres de castelos, torres, conventos abandonados, palácios e outros.

1.2 A Idade Média Neste período a privação de liberdade continua a ter uma finalidade custodial aplicável àqueles que foram submetidos aos mais terríveis tormentos. Entretanto, nessa época, distinguem-se duas formas de prisão: a prisão de Estado e a prisão eclesiástica. Na primeira só podiam ser recolhidos os inimigos do poder, real ou senhorial, que tivessem cometido delitos de traição, ou adversários políticos. Os exemplos mais populares são a Torre de Londres e a Bastilha de paris. Por sua vez, a prisão eclesiástica destinava-se aos clérigos rebeldes e respondia às idéias de caridade, redenção e fraternidade da Igreja, assumindo um sentido de penitência e meditação. Sendo assim, segundo Hilde kaufmann, citado por Cesar Roberto Bitencourt 1, a pena privativa de liberdade teve seus fundamentos constituídos pelo pensamento cristão, com algumas diferenças entre o catolicismo e o protestantismo. De fato, o direito canônico contribuiu decisivamente para o surgimento da prisão moderna, principalmente no que concerne às primeira idéias sobre reforma do delinqüente. Desse direito extrai-se o vocábulo penitência de onde surgem as palavras penitenciário e penitenciária.

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BITTENCOURT, Cesar Roberto. Tratado de direito penal – Parte geral I. 11ª Ed. São Paulo: Saraiva, 2007. Pag. 437.

Damásio de Jesus. consistente na restrição ou privação de um bem jurídico. mediante ação penal. já que não se podia aplicar a tanta gente. O trabalho de Jean Mabillon. 2011:385). promover a sua readaptação social e prevenir novas transgressões pela intimidação dirigida à coletividade” (CAPEZ. monge beneditino francês: Reflexões sobre as prisões monásticas. imposta pelo Estado. os distúrbios religiosos. Na segunda metade do século XVI iniciou-se um movimento de criação e construção de prisões organizadas para a correção dos apenados. Assim. ao autor de uma infração (penal). Defende a proporcionalidade da pena de acordo com o delito cometido e a força física e espiritual do réu. Diante desse fato. e cujo fim é evitar novos delitos” (JESUS. 2007:442). 2012: 563). a crise das formas feudais de vida e da economia agrícola havia ocasionado um enorme aumento de criminalidade. Dá grande importância ao problema da reintegração social do apenado e assim. as destruidoras expedições militares do século XVII. cuja finalidade é aplicar a retribuição punitiva ao delinqüente. A partir dessas duas definições. faz o mesmo ao dizer que “Pena é a sanção aflitiva imposta pelo estado.1. a devastação do país. as Rasphuis. a pena de morte não era uma solução adequada. CONCEITO DE PENA Fernando Capez conceitua pena como: “sanção penal de caráter aflitivo. as longas guerras. quando o agente comete um fato . para tornar possível a convivência entre os homens” (BITENCOURT. Cezar Roberto Bitencourt acrescenta que: “A pena constitui um recurso elementar com que conta o Estado e ao qual recorre. Por sua vez. podemos extrais um expoente comum que é o caráter de imposição por parte do Estado. consistente na diminuição de um bem jurídico. como retribuição de seu ato ilícito. pode ser considerado um dos primeiros defensores dessa ideia. Da mesma forma. aborda a experiência punitiva carcerária que se aplica no Direito Penal canônico. Surgem na Inglaterra as workhouses e em Amsterdã. em execução de uma sentença. ao culpado pela prática de uma infração penal. quando necessário.3 A Idade Moderna Nesse período. 2.

No entanto. as finalidades e/ou funções da pena são explicadas por três teorias: 3. é atribuído à pena a difícil incumbência de realizar a Justiça. d) de banimento. A prevenção é especial porque a pena objetiva a readaptação e a segregação sociais do criminoso como meios de impedi-lo de voltar a delinquir. Entre os defensores dessa tese estão os mais expressivos pensadores do idealismo alemão: Kant (A metafísica dos costumes) e Hegel (Princípios da Filosofia do Direito). Esse papel do Estado de aplicar a sanção penal deve seguir sempre os princípios expessos ou implícitos em nossa Constituição Federal. e e) cruéis. Curso de Direito Penal – Parte Geral. abre-se espaço para que o Estado possa fazer valer seu ius puniendi. São Paulo. pelo mal justo previsto no ordenamento jurídico (punitur quia peccatum est). 3. mas na função de inibir tanto quanto possível a prática de novos fatos delitivos. eclética.3 Teoria mista. pela reeducação e pela intimidação coletiva (punitur quia peccatum est et ne peccetur). . Assim. Neste caso. 386. b) de caráter perpétuo. o inciso XV. A pena é a retribuição do mal injusto. finalista. na teoria preventiva. 3. 5º da CRFB prevê que não haverá penas: a) de morte. c) de trabalhos forçados. a teoria também chamada de unificadora aceita a retribuição e o princípio da culpabilidade como critérios limitadores da intervenção da pena como sanção 2 CAPEZ. Assim. ilícito e culpável. salvo no caso de guerra declarada. A prevenção geral é representada pela intimidação dirigida ao ambiente social (as pessoas não delinqüem porque têm medo de receber a punição). a pena é considerada um mal necessário. Todas essas consideradas como ofensivas à dignidade da pessoa humana.1 Teoria absoluta ou da retribuição A finalidade da pena é punir o autor de uma infração penal. TEORIAS DA PENA Parafraseando Fernando Capez2. utilitária ou da prevenção A pena tem um fim prático e imediato de prevenção geral ou especial do crime. 15ª ed. para as duas teorias supracitadas. Pag. essa necessidade de pena não se baseia na ideia de realizar justiça.típico. Saraiva:2011. intermediária ou conciliatória A pena tem a dupla função de punir o criminoso e prevenir a prática do crime. Assim. praticado pelo criminoso.2 Teoria relativa. Fernando. do art. 3.

5 Princípio da necessidade concreta de pena Para a aplicação da pena o juiz deverá analisar a necessidade concreta da pena. salvo para beneficiar o réu” e CP. Este princípio está discriminado no art.1 Princípio da Legalidade ou da Reserva legal Determina que a criação de infrações penais e suas sanções devem ocorrer tão somente através da lei. cessando em virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença condenatória”). Como excessão à regra.3 Princípio da aplicação da lei mais favorável Em regra. 4. XL: “a lei penal não retroagirá. art.59).O juiz verificará essas necessidades nas hipóteses previstas na lei. Apesar de sua origem mais antiga. é prevista a extra-atividade da lei mais benéfica (CF. art.2 Princípio da anterioridade da lei Decorre do Princípio da Legalidade. ir além da responsabilidade decorrente do fato praticado. XXXIX da CRFB/88: “não há crime sem lei anterior que o defina. nem pena sem prévia cominação legal” (nullum crimen. . 2º: Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime. 4. insculpido na Declaração Francesa dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789. XLVI e CP. 4. 5º. três são os momentos da individualização da pena: a cominação abstrata. aplicação (pena concreta). Neste caso. a imposição e o cumprimento da pena deverão ser individualizados de acordo com a individualidade e o mérito do sentenciado.jurídico-penal. 4. se é conveniente ao Estado punir o agente. possibilitando a sua retroatividade ou a ultra-atividade . 5º. o juiz não pode extinguir a pena de multa levando em conta seu valor irrisório. Assim. 5º.4 Princípio da individualização da pena A lei regulará a individualização da pena (CF. Por exemplo. Assim. A pena não pode. a irretroatividade da lei penal é conseqüência do ideal iluminista. desde que ainda não esgotadas as conseqüências jurídicas do fato. nulla poena sine lege praevia). pois. os fatos praticados na vigência de determinada lei devem ser por ela regidos (tempus regit actus). PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS/ CARASCTERÍSTICAS DA PENA 4. 4. art. que diz que não pode haver punição de fatos praticados antes da vigência da lei penal. ou seja. salvo essas exceções. art. execução. a pena não pode deixar de ser aplicada sob nenhum fundamento.

1 Das penas privativas de liberdade A partir do iluminismo e da repercussão de seus ideais reformadores. aquela de curta duração. como também qualquer consequência jurídica indelével ao delito. etc). intervenção neurológica. a pena de multa. Esse princípio é o que dita a inconstitucionalidade de qualquer pena ou consequência do delito que crie um impedimento físico permanente (morte. 4. Assim. a prisão fracassava em todos os seus objetivos declarados. castração ou esterilização. 4. art. 59). 4. XLV). Assim. amputação. XLVII).9 Princípio da proporcionalidade A pena deve ter relação proporcional com a gravidade da infração ( CF. art. CLASSIFICAÇÃO / ESPÉCIES DE PENA Nos termos do art. 32 do Código Penal: “As penas são: Privativas de liberdade Restritivas de direitos De multa” I. art. . a tradicional função de corrigir o criminoso retribuindo sua falta.4. 5. Faz-se assim. bem como determina que a pena seja cumprida de forma a efetivamente ressocializar o condenado. III.8 Princípio da suficiência da pena O juiz estabelecerá espécie de pena e sua quantidade conforme seja necessário e suficiente para reprovação e prevenção do crime (CP. provocava a sua reincidência. II. 5.7 Princípio da Humanidade Nenhuma pena pode atentar contra a dignidade da pessoa humana. Ela estava verdadeiramente em crise. não se cumpria.6 Princípio da pessoalidade da pena ou da intranscendência da pena A pena deve ser aplicada somente ao autor do fato e não a terceiros (CF. pelo menos. 5º. pelo contrário. 5º. de sorte que é vedada a aplicação de penas cruéis e infamantes. necessário e indispensável a busca de outros meios para substituir a clássica pena privativa de liberdade. visto que grande parte das críticas e questionamentos que se faz à prisão refere-se à impossibilidade de se obter algum efeito positivo sobre o apenado. ainda que considerada dívida de valor para fins de cobrança. não pode ser exigida dos herdeiros do falecido. Crise essa que também alcançava o objetivo ressocializador da pena privativa de liberdade.

11ª Ed. 10. O trabalho externo só e possível em obras ou serviços públicos. reservandose a detenção para os delitos de menor gravidade. Cesar Roberto. O condenado terá direito de frequentar cursos profissionalizantes. industrial ou estabelecimento similar.1. aliadas ao mérito do condenado.792/2003 que institui o regime disciplinar diferenciado. o condenado fica sujeito ao isolamento durante o repouso noturno. em colônia agrícola. 3 BITENCOURT. Somente os crimes mais graves são puníveis com pena de reclusão. 5.1 Reclusão e detenção A Reforma Penal brasileira de 1984 adotou penas privativas de liberdade como gênero e manteve a reclusão e a detenção como espécie. §1º. Somente o cumprimento insatisfatório deste poderá leva-la ao regime fechado. a. 443 . Assim. Nesse regime. desde que o condenado tenha cumprido um sexto da pena. finalmente. num sistema progressivo. jamais será possível este isolamento. Entretanto.1 Regras do Regime Fechado Neste o condenado cumpre a pena em penitenciária e está obrigado ao trabalho em comum dentro deste estabelecimento. 2007. Quem cumpre este tipo de pena não tem direito a frequentar cursos de instrução ou profissionalizantes. Também ficará sujeito ao trabalho em comum durante o período diurno. O próximo passo será o livramento condicional. 5.b.2 Regras do Regime Semi-aberto Neste não há previsão para o isolamento durante o repouso noturno.1. 5. o regime fechado será executado em estabelecimento de segurança máxima ou média. 33. o que jamais poderá ocorrer na pena de detenção. 5. e. Este serviço externo poder ser o último estágio de preparação para o retorno do apenado ao convívio social.c. a pena de reclusão pode iniciar seu cumprimento em regime fechado. Tratado de direito penal – Parte geral I.2. o semi-aberto será executado em colônia agrícola. Conforme estabelece o Código Penal em seu art. industrial ou estabelecimento similar.1. São Paulo: Saraiva. salvo para os presos residuais.2. é uma injustiça flagrante. o regime aberto será cumprido em casa de albergado ou em estabelecimento adequado. através da regressão.2 Regimes Penais Os regimes são determinados fundamentalmente pela espécie e quantidade da pena e pela reincidência. Há ainda a Lei n.Cesar Roberto Bitencourt3 ainda enfatiza a dominante convicção de que o encarceramento. principalmente porque entre eles não se incluem os criminosos de colarinho branco. Pag.1. com a superpopulação carcerária.

não reincidente.1. CP. Prática de fato previsto como crime doloso que ocasione subversão da ordem ou disciplina internas. sem prejuízo de repetição da sanção por nova falta grave de mesma espécie. Os fatores fundamentais para a determinação desse regime são. em organizações criminosas. 52: I. permitindo que o mesmo leve uma vida útil e prestante. Cesar Roberto Bitencourt 4 estabeleceu algumas regras sobre esse regime: 1ª Para pena de detenção: a)só pode iniciar em regime semi-aberto ou aberto. 59.2. 5.4 Regras do regime disciplinar diferenciado Poderá ser aplicado nas seguintes situações. quadrilhas ou bando. de acordo com os elemento do art.5. 33 e 59 do Código Penal. só pode iniciar em regime semi-aberto. Quando houver fundadas suspeitas de envolvimento ou participação. 2007. Cesar Roberto. poderá iniciar em regime semi-aberto ou aberto.3 Regras de Regime Aberto Baseia-se na autodisciplina e no senso de responsabilidade do apenado. qualquer quantidade de pena. Tratado de direito penal – Parte geral I. Esse regime terá duração máxima de 360 dias. Pag. Apresente alto risco para a ordem e a segurança do estabelecimento penal ou da sociedade. Ele deverá ainda trabalhar. só pode iniciar em regime semi-aberto.2. conforme o art. reincidente ou não. b) nunca pode iniciar em regime fechado. até o limite de um sexto da pena aplicada. São Paulo: Saraiva. natureza e quantidade da pena aplicada e a reincidência. o preso terá direito à saída da cela por duas horas diárias para banho de sol. 4 BITENCOURT.5 Regime Inicial A fixação do regime inicial da execução das penas privativas de liberdade compete ao juiz da ação. O condenado só permanecerá recolhido (em casa de albergado ou em estabelecimento adequado) durante o repouso noturno e nos dias de folga. II. 450 . c)detenção superior a 4 anos. 5. O maior mérito desse regime é manter o condenado em contato com a sua família e com a sociedade. d) detenção reincidente.1.1.2. o recolhimento será em cela individual admitindo visitas semanais de duas pessoas. frequentar cursos ou exercer outra atividade autorizada fora do estabelecimento e sem vigilância. Com base nos arts. com duração de duas horas. e) detenção até 4 anos. III. 11ª Ed. a qualquer título. sem contar as crianças.

ampliando ou diminuindo o seu status libertatis. III . Na progressão evolui-se de um regime mais rigoroso para outro menos rigoroso.3 Prisão domiciliar O Supremo Tribunal Federal decidiu que a prisão domiciliar somente será cabível nas hipóteses previstas no art. A sanção aplicada possibilita ao apenado progredir ou regredir nos regimes.1. Na regressão.condenado acometido de doença grave. 112. além do mérito do condenado (bom comportamento). sempre produto de uma sentença penal condenatória. Isso quer dizer. 59. Entretanto. segundo recomendarem os elementos do art. 117 da Lei de Execuções Penais: “Somente se admitirá o recolhimento do beneficiário de regime aberto em residência particular quando se tratar de: I .condenada com filho menor ou deficiente físico ou mental. reincidente. 5. b) reclusão superior a 4 anos. LEP). 118. um sexto da pena no regime anterior (art. 59. 59. na progressão. c) reclusão superior a 4 anos até 8. sempre inicia em regime fechado. CP.5 Detração Penal . quando o sentenciado pratica o fato definido como crime doloso ou falta grave. a regressão está prevista como obrigatória. por crime anterior. somada ao restante da pena em execução. reincidente. a depender das condições do art.2ª Para pena de reclusão: a) reclusão superior a 8 anos sempre inicia em regime fechado. pode iniciar em regime fechado semiaberto.condenado maior de 70 (setenta) anos. ou sofre condenação. pode iniciar em regime fechado ou semi-aberto. sem passar obrigatoriamente pelo regime semi-aberto. 5. pode iniciar em qualquer dos 3 regimes. II .1. 5. o inverso não é verdadeiro.condenada gestante”. d) reclusão até 4 anos. IV . é indispensável que ele tenha cumprido. Contudo. Por sua vez. torna incabível o regime atual (art. Também dependerá do art. não reincidente. e) reclusão até 4 anos. pelo menos. CP. não reincidente. LEP). para qualquer dos regimes mais rigorosos.4 Progressão e Regressão Os regimes de cumprimento da pena direcionam-se para maior ou menos intensidade de restrição da liberdade do condenado. que o condenado não poderá passar direito do regime fechado para o aberto.1. cuja pena. dá-se o inverso.

que não está obrigado ao trabalho. Também o preso provisório.2 Das penas restritivas de direitos De acordo com o art. Não institucionais. Ex. . na pena ou na medida de segurança. 42 do Código Penal estabelece as hipóteses em que pode ocorrer a detração penal: a) Prisão provisória. 5. “as penas podem ser institucionais. as executadas parcialmente em estabelecimentos detentivos.1. Entretanto. c) Internação em casas de saúde. O art. Conforme afirma Damásio de Jesus. como a reclusão. pelo trabalho realizado dentro do sistema prisional. a detenção e a prisão simples. b) Prisão administrativa. o condenado que for punido por falta grave perderá o tempo remido. etc). As primeiras são as que se cumprem em estabelecimentos especialmente destinados a esse fim (penitenciárias. 2ª perda de bens e valores 3ª prestação de serviços à comunidade ou a entidades públicas. se trabalhar também poderá remir parte de sua futura condenação. como a limitação de fim de semana. 4ª interdição temporária de direitos. 5ª limitação de fim de semana. as penas restritivas de direitos são: 1º prestação pecuniária. nem superior a 8 horas diárias. semi-institucionais e não institucionais. o tempo de prisão ou de internações que o condenado cumpriu antes da condenação.Através dela.6 Remição Significa abater. desde que a jornada de trabalho não seja inferior a 6 horas diárias. 2012:573). Esse período anterior à sentença penal condenatória é tido como de pena ou medida de segurança efetivamente cumpridas.: a multa e a prestação de serviço à comunidade” (JESUS. 43 do Código Penal. descontar. sem vinculação com estabelecimentos prisionais. é possível descontar. 5. Semi-institucionais. no Brasil ou no estrangeiro. Ela se faz na base de 3 dias de trabalho por um de pena. casas de internação. parte do tempo de pena a cumprir. as que se executam em liberdade.

o juiz tem dois caminhos: se impõe pena privativa de liberdade por crime hediondo. na fase de execução. as penas restritivas de direitos são autônomas e substituem as privativas de liberdade quando: a) Aplicada pena privativa de liberdade não superior a 4 anos e o crime não for cometido com violência ou grave ameaça à pessoa ou. qualquer que seja a pena aplicada. como. se a substitui por pena alternativa.2. por exemplo. nem cumuladas com as privativas de liberdade. se for o caso. a substitui por uma ou mais alternativas. em casos como os crimes de tráfico de drogas. a liberdade provisória e suspensão condicional do processo.2. não se fala em regimes (fechado. em primeiro lugar. O juiz. que permite que a pena privativa de liberdade. Entretanto. como a limitação de fim de semana. As medidas alternativas podem ser classificadas em: 1ª restritivas de liberdade. fixa a pena privativa de liberdade. 5. se o crime for culposo. 5. há expressa vedação de substituição da pena privativa de liberdade por pena restritiva de direitos. a fiança. semi-aberto e aberto).3 Condições De acordo com o art. a conduta social e a personalidade do condenado. bem como os motivos e as circunstâncias indicarem que essa substituição é suficiente.5. o financiamento ou custei de tráfico de drogas. como as interdições provisórias de direitos. 8. os antecedentes. As penas alternativas constituem medidas sancionatórias de natureza alternativa. b) O réu não for reincidente em crime doloso. seja convertida em restritiva de direitos.2 Natureza das penas restritivas de direitos As penas alternativas são substitutivas. como a multa e a prestação pecuniária.2.072/90. . Assim. c) A culpabilidade. incide a lei nº.1 Medidas Alternativas Alternativas penais são meios de que se vale o legislador visando impedir que ao autor de uma infração penal venha a ser aplicada medida ou pena privativa de liberdade. 180 da LEP. e 4ª de tratamento. Podem atuar antes do julgamento. Não podem ser aplicadas diretamente. Por exemplo: no art. 2ª restritivas de direitos. não se relacionando com os regimes de execução. Depois. como a “submissão a tratamento”. a associação para tráfico de drogas. 44 do Código Penal. Também podem atuar na fase de execução da pena. 3ª pecuniárias.

o sujeito vem a ser condenado. são as seguintes: a) Confisco.4 Multa substitutiva: condenação à pena igual ou inferior a 1 ano Tratando de condenação à pena igual ou inferior a 1 ano. pela prática de crime a pena privativa de liberdade (art. Damásio de. 5 JESUS. Tratado de direito penal – Parte geral I.5 Conversão da pena alternativa em privativa de liberdade Parafraseando Damásio de Jesus5. A conversão e facultativa e não obrigatória. nas modalidades restritivas de direitos.3 Das penas de multa Segundo o mestre Francesco Carrara. 2ª Incompatibilidade entre as penas: há conversão. c) Multa. de acordo com duas regras consideradas em face da natureza da pena alternativa anterior: 1ª Compatibilidade entre as duas penas: não há conversão. 2012. Pag. segundo a classificação mais tradicional. 5. “se chama pena pecuniária a diminuição de nossas riquezas.2. durante a execução de pena alternativa. irrecorrivelmente.2. O segundo caso de conversão ocorre quando. 11ª Ed. o juiz da execução penal deverá decidir sobre a conversão em privação da liberdade. São Paulo: Saraiva.5. 33ª ed. durante o cumprimento da pena restritiva de direitos. sobrevier condenação à pena privativa de liberdade por outro crime. a primeira causa de conversão ocorre em face do descumprimento injustificado da restrição imposta. 44. §5º). podendo deixar de aplica-la se for possível ao condenado cumprir a pena substitutiva anterior. A conversão é facultativa: se. o apenado deve cumprir a restrição imposta na sentença (“não será executada a pena privativa de liberdade se fizeres tais e tais coisas”). Ex. Trata-se de condicionamento negativo. aplicada por lei como castigo de um delito”.: prestação pecuniária. .: limitação de fim de semana. 579. 5. Na hipótese. 2007. A substituição é aplicável à lei legislação especial. As penas de multa. 558. se superior a 1 ano. Ex. O apenado fica sujeito a determinadas restrições e à condição de não praticar nova infração penal (“não será executada a pena privativa de liberdade se não fizeres tais e tais coisas”). Pag. Direito Penal I – Parte Geral. Cesar Roberto. mencionado por Cesar Roberto Bitencourt6. a substituição pode ser feita por multa ou por uma pena restritiva de direitos. São Paulo: Saraiva. 6 BITENCOURT. a pena privativa de liberdade pode ser substituída por uma pena restritiva de direitos e multa ou por duas restritivas de direitos. b) Multa reparatória.

já foi proposta nos congressos penitenciários de Roma e Bruxelas. Já a pena de multa propriamente dita. independente da cominação na parte especial. Consiste na substituição das penas privativas de liberdade por multa indenizatória. Por vezes. e como pena substitutiva da privativa de liberdade. é tradicionalmente consagrada em todas as legislações. longe de ser uma ideia nova. Assim. é um tanto difícil distinguir quando a multa terá ou não caráter penal. buscando assim. caso não seja paga. Tratado de direito penal – Parte geral I. 5.Em relação ao confisco. em 1889 e na Rússia. atenuar a criminalidade e sanar as chagas deixadas por esse flagelo no organismo social. O que afasta uma das características da multa penal no brasil. dividindo-se o montante por 30 ou 365 dias: o resultado equivale ao dia multa. O Código Penal de 1940 adota quatro critérios para a cominação da pena de multa: a) Parte alíquota do patrimônio do agente: leva em conta o patrimônio do réu. a impossibilidade de ser transferida para os herdeiros ou sucessores do apenado. citado por Bitencourt7 defende a impreterível necessidade de se canalizar os proventos originários da pena de multa unicamente para as funções de prevenção geral e especial. 11ª Ed. São Paulo: Saraiva. d) Cominação abstrata da multa: deixa ao legislador a fixação do mínimo e do máximo da pena pecuniária.2 O sistema dias-multa 7 BITENCOUT. 2007. impedindo a sua conversão em pena de prisão por falta do pagamento. Basileu Garcia. a Lei n. A multa reparatória. Pag. A possibilidade de sua conversão em pena de prisão. a CRFB/88 criou a possibilidade de sua adoção como pena sob a expressão de “perda de bens”. Entretanto. duas são as características essenciais da multa penal: 1. isolada.3.268/96 retira a coercibilidade da multa penal. Seu caráter personalíssimo. 9. em 1890. cumulada ou alternadamente. 5. . 2.1 Cominação e aplicação da Pena de multa A multa pode-se apresentar como pena comum (principal). 558. c) Dia-multa: leva em conta o rendimento que o condenado aufere durante um mês ou um ano.3. b) Renda: a multa deve ser proporcional à renda do condenado. quer sozinha quer em conjunto com a pena restritiva de direitos. ou seja. Cesar Roberto.

que se aplica tanto à multa prevista nos tipos legais de crimes como nas multas substitutivas. poderá elevá-la até o triplo (art. ao invés de despender grandes somas no sustento dos internos.3. Sendo assim. o juiz. E o mínimo desse limite de dias-multa será de 10 e o máximo de 360. do CP. que é o seu maior valor. e cinco salários mínimos. o valor de um dia-multa deverá corresponder à renda média que o autor do crime aufere em um dia. conclui Cesar Roberto Bitencourt: “O sistema dia-mulya é o mais completo de todos os que até agora foram utilizados. conforme afirmação de Silvio Teixeira Moreira: “os doutrinadores afirmas ser a pena de multa mais aflitiva que a privação de liberdade. 2007:562). 2007:563). recebe pagamento dos condenados” (BITENCOURT. o que representará 5400 salários mínimos.3. especial. É importante ainda. extraordinário: se. asseveram-na menos degradante que a segregação e sem as nefastas consequências desta. dizem-na mais flexível e. Assim. Entretanto.4 Limites da pena de multa Para determinar os limites da pena de multa. essa pena é ineficaz.Segundo esse sistema. enfatizar que os limites da multa não são apenas aqueles previstos no art. que é o menor valor do dia-multa. 5. em virtude da situação econômica do réu. mas também o do art. 5. §1º. 60. fixará o valor do dia-multa entre os limites de 1/30 do salário mínimo.5 Fase Executória da pena pecuniária . A forma de avaliação da culpabilidade e das condições econômicas do réu ajusta-se aos princípios de igualdade e proporcionalidade” (BITENCOURT. mais permeável ao princípio da individualização da pena. do CP). por isso. estabelecendo a média que o acusado aufere em um dia. 6º. §1º. 49 e seus parágrafos. preconizam-na como mais econômica para o Estado que. considerando-se sua situação econômica e patrimonial. há outro limite. o juiz verificar que embora aplicada no máximo.

no prazo de 10 dias.5. no caso previsto na Lei de Execução.5. . o juiz poderá determinar diligências e. de movimentar outra vez o aparelho judiciário para constranger o cumprimento de uma decisão condenatória com trânsito em julgado. deverá requerer a citação do condenado para. a iniciativa caberá ao Estado. do Código Penal. ou nomear bens à penhora. desde que não incida sobre os recursos indispensáveis ao seu sustento e ao de sua família. Isso disposto no art. ou então. 5.3. de posse da certidão da sentença pena condenatória. no caso do Código Penal. esse desconto deverá ficar dentro do limite de um décimo e da quarta parte da remuneração do condenado. 164 da Lei de Execução Penal determina que o Ministério Público. Para verificar a situação econômica do réu e constatar a necessidade de parcelamento. b) Pagamento parcelado. §2º. Diante desse impasse. pagar o valor da multa.2 Formas de pagamento da multa Pelas disposições legais. 50. será revogado o parcelamento. o condenado deverá tomar a iniciativa para pagar a multa. o art. Também regulamenta a LEP. fixará o número de prestações. através do Ministério Público. E. se o condenado for impontual. Se houver atraso no pagamento. se melhorar de situação econômica. em seu art. conclui-se que pode haver 3 modalidades de pagamento da pena pecuniária. 170. acredita-se que a jurisprudência e a doutrina acabarão se inclinando pela adoção da norma mais favorável ao réu e também mais coerente. que são: a) Pagamento integral. após audiência do Ministério Público. no caso. numa interpretação sistemática. as disposições da LEP. ou seja. c) Desconto em folha (vencimentos e salários). No entanto.5. Já em relação ao desconto em folha.1 Pagamento da multa No art. que se o condenado estiver preso. a multa poderá ser cobrada mediante desconto na sua remuneração.3. Tem-se assim que. 5º do Código Penal vem disposto que a multa deve ser paga dentro de 10 dias depois de transitada em julgado a sentença. uma vez que a sentença condenatória tem força coercitiva.

6. Assim. pretende servir de modelo ideal à sociedade. como também marcam o nascimento da pena privativa de liberdade. As ideias desse sistema foram influenciadas pelas ideias de Howardve de Beccaria. Este modelo. como fim de resultarem produtivos ao sistema. SISTEMAS PENITENCIÁRIOS Os primeiros sistemas penitenciários surgiram nos Estados Unidos e não são apenas um antecedente importante dos primeiros sistemas penitenciários. contudo. por sua vez. e a segregação individual impedia a possibilidade de introduzir uma organização do tipo industrial nas prisões. 6. examinar-se-á os sistemas pensilvânico. a obrigação estrita do silêncio. passou-se a permitir o trabalho em comum dos reclusos. Não se aplicou. da mesma forma que o anterior. alburniano e progressivo. na prisão de Gante. Já não se trataria apenas de um sistema penitenciário criado para melhorar as prisões e conseguir a recuperação do delinquente. Neste. acompanhando sua evolução. Aplicou-se a rigorosa lei do silêncio. superando a utilização da prisão como simples meio de custódia. As características essenciais desse sistema fundamenta-se no isolamento celular dos intervalos.2 Sistema Alburniano Uma das razões que levaram o surgimento desse sistema foi a necessidade de superar as limitações e os defeitos do regime celular. sob absoluto silêncio e confinamento solitário durante a noite. impôs-se o isolamento em celas individuais somente aos mais perigosos. os outros foram mantidos em celas comuns e também era permitido o trabalho conjunto entre eles durante o dia. Suas bases foram lançadas no Hospício de San Miguel de Roma. o sistema celular completo.1 Sistema Pensilvânico ou celular Originou-se numa construção no jardim da prisão de Walnut Street com a finalidade de se aplicar o solitary confinement aos condenados. mas de um eficiente instrumento de dominação servindo. Esse sistema de vigilância reduzia drasticamente os gastos com vigilância. a meditação e a oração. . como modelo para outros tipos de relações sociais.6. mas são reunidos sob um enquadramento hierárquico estrito. um microcosmos de uma sociedade perfeita onde os indivíduos se encontrem isolados em sua existência moral.

. O sistema auburniano – afastadas sua rigorosa disciplina e suas estrita regra de silêncio – constitui uma das bases do sistema progressivo. Pag.2. já que permitia alojar maior número de pessoas na prisão. A importância dedicada à disciplina deve-se. No entanto. 6. fosse através do isolamento. . o trabalho que podia ser desenvolvido no sistema auburniano era mais eficiente e produtivo. São Paulo: Saraiva. assim como as condições imperantes do desenvolvimento econômico. para poderem dedicar-se a um trabalho produtivo. do ensino de um ofício. ao fato de que o silente system acolhe estilo de vida militar. diminuindo os custos de produção. ainda aplicado em muitos países. à pressão das associações sindicais que se opuseram ao desenvolvimento de um trabalho de um trabalho penitenciário. o permitiam. Os dois sistemas tinham ideias ou uma ideologia que evidenciava a finalidade ressocializador do recluso. ou mesmo pela imposição de brutais castigos corporais. O sistema celular fundamentou-se em inspiração mística e religiosa. O sistema auburniano impõe-se nos EUA não só porque oferece maiores vantagens que o filadélfico. mas porque o desenvolvimento das forças produtivas. do ensino dos princípios cristãos. Um dos pilares do silente system foi o trabalho. O sistema auburniano. Também foi criticado a aplicação de castigos cruéis e excessivos. Outro aspecto negativo desse sistema foi o rigoroso regime disciplinar aplicado. em parte. Por outro lado. Cesar Roberto. O silente system era economicamente mais vantajoso que o celular. inspira-se claramente em motivações econômicas. Tratado de direito penal – Parte geral I. 11ª Ed.1 Sistemas pensilvânico e auburniano: semelhanças e diferenças A diferença principal reduz-se ao fato de que no regime celular a separação dos reclusos ocorria durante o dia. eram reunidos durante algumas horas. 8 BITENCOURT. 128.Na visão de8 Foucault este é um meio eficaz para a imposição e manutenção do poder. 2007. no auburniano. Os dois sistemas adotam um conceito predominantemente punitivo e retributivo da pena. esse objetivo caiu por terra devido. principalmente. da dedicação ao trabalho. basicamente. por sua vez. Isso porque a produção nas prisões representava menores custos ou podia significar uma competição ao trabalho livre.

inquestionavelmente. fez a introdução desse sistema na Irlanda. A essência deste regime consiste em distribuir o tempo de duração da condenação em períodos. Em que se pese o sucesso alcançado pelo sistema de Maconochie.6. deu importância à própria vontade do recluso. um avanço penitenciário considerável. Outro aspecto importante é o fato de possibilitar ao recluso reincorporar-se à sociedade antes do término da condenação. pretende que este regime. Na verdade. A meta do sistema tem dupla vertente: de um lado pretende constituir um estímulo à boa conduta e à adesão do recluso ao regime aplicado. na Ilha Norfolk.1 Sistema Progressivo ou “mark system” Foi desenvolvido pelo capitão Alexander Maconochie. 6. Ao contrário dos regimes Auburniano e Filadélfico. era necessário que se fizesse uma melhor preparação do recluso para voltar à liberdade plena. aperfeiçoando-lhe e introduzindo uma ideia original que foi o estabelecimento de “prisões intermediárias”. de tal maneira que a quantidade de vales que cada condenado necessitava obter antes de sua liberação deveria ser proporcional à gravidade do delito. no ano de 1840. o remanescente desses “débitos-créditos” seria a pena a ser cumprida. de outro. considerada como um meio de prova da aptidão do apenado para a vida em liberdade. O regime progressivo significou.3 Sistemas Progressivos O apogeu da pena privativa de liberdade coincide igualmente com o abandono dos regimes celular e auburniano e a adoção do regime progressivo. na Austrália. diretor das prisões na Irlanda. procuram corresponder ao inato desejo de liberdade dos reclusos. e.3.2 Sistema progressivo irlandês Os sistemas progressivos. estimulando-lhes a emulação que haverá de conduzi-los à liberdade. além de diminuir significativamente o rigorismo na aplicação da pena privativa de liberdade. consiga paulatinamente sua reforma moral e a preparação para a futura vida em sociedade. 6. tratava-se de um período intermediário entre as prisões e a liberdade condicional. Em caso de má conduta impunha-se-lhe uma multa.3. Walter Crofton. Referida soma era representada por certo número de marcas ou vales. em razão de boa disposição anímica do interno. ampliando-se em cada um os privilégios que o recluso pode desfrutar de acordo com sua boa conduta e o aproveitamento demonstrado no tratamento reformador. Esse sistema consistia em medir a duração da pena por uma soma de trabalho e de boa conduta imposta ao condenado. em seus diversos matizes. . Somente o excedente destas marcas.

nas palavras de Bitencourt: “Nos últimos tempos. as seguintes limitações: 1) A efetividade do regime progressivo é uma ilusão diante das poucas esperanças sobre os resultados que se podem obter de um regime que começa com um controle rigoroso sobre toda a atividade do recluso. A consciência moral está mais exigente nestes temas. 2007:135). por meio do gradual afrouxamento do regime. demonstrando uma atitude aberta que permitisse estimular a reforma moral do recluso. antes de serem criminosos. O afrouxamento do regime não pode ser admitido como um método social que permita a aquisição de um maior conhecimento da personalidade e da responsabilidade do interno. 1955)” (BITENCOURT. Um bom exemplo desse processo é o interesse da ONU pelos problemas penitenciários. fundado num sentimento de confiança e estímulo e estímulo. que o recluso esteja disposto a admitir voluntariamente a disciplina imposta pela instituição penitenciária.3. são seres humanos. especialmente do regime fechado. 6. A ação penitenciária de Montesinos planta suas raízes em um genuíno sentimento em relação ao outro. . procurando construir no recluso uma definida autoconsciência.3 Sistema de Montesinos Deu-se verdadeira importância ao recluso nesse sistema.4 Algumas causas de crise da sistema progressivo Ao sistema progressivo pode-se assinalar. 4) O maior inconveniente que tem o sistema progressivo clássico é que as diversas etapas se estabelecem de forma rigidamente estereotipada. condicionado à prévia manifestação de boa conduta. contribuindo ainda mais para o debate sobre a crise dessa espécie de pena. 3) Não é plausível. que muitas vezes é só aparente.6. e muito menos em uma prisão. Por fim. Essa maior conscientização social não tem ignorado os problemas que a prisão apresenta e o respeito que merece a dignidade dos que. o sistema progressivo alimenta a ilusão de favorecer mudanças que sejam progressivamente automáticas. Assim. todo esse ambiente de crescente conscientização tem levado a um questionamento mais rigoroso do sentido teórico e prático da pena privativa de liberdade. 2) No fundo. 5) O sistema progressivo parte de um conceito retributivo. dentre outras. chegando inclusive a estabelecer as famosas Regras Mínimas para tratamento de reclusos (Genebra. Através da aniquilação inicial da pessoa e da personalidade humana pretende que o recluso alcance sua readaptação progressiva.3. houve significativo aumento da sensibilidade social em relação aos direitos humanos e à dignidade do ser humano.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .

JESUS. São Paulo: Saraiva. 33ª ed. 11ª Ed. 2012. . São Paulo: Saraiva.BITENCOURT. São Paulo: Saraiva. Cesar Roberto. 2007. 15ª Ed. Damásio de. 2011. Tratado de direito penal – Parte geral I. CAPEZ. Direito Penal I – Parte Geral. Curso de Direito Penal – Parte Geral. Fernando.

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