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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ

CENTRO DE TECNOLOGIA - CT

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA MECÂNICA

ADAILSON MORAES JOÃO PAULO MAYCON RENAN RAYSON ARAÚJO VANESSA MARGARETH VINÍCIUS LAÉCIO PEDRO CLAVER ANTONIO FRANCISCO DIEGO EVANIO

TRABALHO DE MODELOS DINÂMICOS - SISTEMAS TÉRMICOS

TERESINA, PI

JUNHO/2012

ADAILSON MORAES JOÃO PAULO MAYCON RENAN RAYSON ARAÚJO VANESSA MARGARETH VINÍCIUS LAÉCIO PEDRO CLAVER ANTONIO FRANCISCO DIEGO EVANIO

TRABALHO DE MODELOS DINÂMICOS - SISTEMAS TÉRMICOS

Trabalho

referente

à

disciplina

de

modelos

TERESINA, PI

JUNHO/2012

dinâmicos, ministrada

profº Márcio Davi Tenório

de

engenharia

mecânica.

pelo

do

curso

SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO

3

 

2. VARIAVEIS TÉRMICAS

4

3. NÚMERO DE BIOT

5

4. CAPACITÂNCIA TÉRMICA

6

5. RESISTÊNCIA TÉRMICA

7

6. FONTE TÉRMICA

9

7. MODELOS MATEMÁTICOS DE SISTEMAS TÉRMICOS

10

8. CONCLUSÃO

14

9. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

15

3

1. INTRODUÇÃO

Inicialmente é necessário que se defina o que é sistema, sistema dinâmico e sistema estático. Um Sistema é uma combinação de componentes que atuam em conjunto para satisfazer um objetivo especificado. O sistema é dito Estático, quando a saída atual do sistema depende somente da entrada atual. A saída do sistema só varia se a sua entrada variar.

A saída do sistema só varia se a sua entrada variar. O sistema é dito Dinâmico,

O sistema é dito Dinâmico, se a sua saída depende da entrada e dos valores

passados da entrada. Num sistema dinâmico a saída varia se ela não estiver num ponto de equilíbrio, mesmo que nenhuma entrada esteja sendo aplicada.

O modelo matemático de um sistema dinâmico é definido como sendo o

conjunto de equações que representam a dinâmica do sistema com certa precisão. O modelo matemático de um dado sistema não é único, isto é, um sistema pode ser representado por diferentes modelos dependendo da análise que se deseja fazer. Na obtenção do modelo matemático para um dado sistema deve-se ter um compromisso entre a simplicidade do modelo e a sua precisão. Nenhum modelo matemático, por mais preciso que seja, consegue representar completamente um sistema.

Mas o presente trabalho visa estudar especificamente Sistemas Térmicos e suas modelagens. Sistemas térmicos são sistemas nos quais estão envolvidos o armazenamento e o fluxo de calor por condução, convecção ou radiação. A rigor, sempre estão envolvidas simultaneamente as três formas de transferência de calor. Entretanto, na prática, tem-se em geral a preponderância de uma forma sobre as demais ou então a preponderância de duas formas sobre a terceira, o que é mais comum. Exemplos clássicos de sistemas térmicos são: o sistema de arrefecimento do motor de um automóvel, o refrigerador doméstico, o sistema de condicionamento de ar de um escritório, etc.

Há três maneiras pelas quais o calor pode fluir de uma substância para outra:

condução, convecção e radiação. Na transferência de calor por convecção e por condução, o fluxo de calor q, em kcal/s, é dado por:

(1)

4

Onde:

q= taxa de fluxo de calor, Kcal/s;

é a variação da temperatura, em Kelvin;

K= coeficiente de proporcionalidade, Kcal/s K.

Na transferência de calor por radiação, o fluxo de calor q, em kcal/s, é dado

por:

Onde:

(2)

K r = coeficiente de proporcionalidade, que depende da emissividade, tamanho e configuração da superfície.

θ 1= temperatura do emissor, em Kelvin;

θ 2 = temperatura do receptor, em Kelvin.

2. VARIÁVEIS TÉRMICAS

As variáveis usadas para descrever o comportamento de um sistema térmico

são:

θ = temperatura em Kelvins [K];

q = fluxo de calor em Watts [W].

As temperaturas em vários pontos de um corpo variam com a localização, o que significa que o sistema térmico é inerentemente um sistema com parâmetros distribuídos. Em consequência, os modelos matemáticos são constituídos por equações diferenciais parciais, pois as propriedades são distribuídas e não concentradas. Na modelagem e na análise, entretanto, para simplificar o problema, é conveniente admitir que um sistema térmico possa ser representado por um modelo de parâmetros concentrados, no qual as substâncias que são caracterizadas pela resistência ao fluxo de calor têm capacitância térmica desprezível e que as substâncias que são representadas

pela capacitância térmica têm resistência desprezível ao fluxo de calor. Isso nos conduzirá a modelos regidos por equações diferenciais ordinárias, com as suas já conhecidas vantagens.

3. NÚMERO DE BIOT

O número de Biot (Bi) é um parâmetro adimensional e representa a razão entre

o coeficiente de transferência convectiva de calor na superfície do sólido e a condutância específica do sólido.

A hipótese de temperatura uniforme no interior do sólido é válida se a

condutância específica do sólido for muito maior do que o coeficiente de transferência convectiva de calor.

Onde:

Bi = h.Ls / Ks

(3)

Ls

= comprimento característico;

Ls

= V/A (volume/área);

h = coeficiente convectivo de calor;

Ks = coeficiente condutivo de calor.

O Biot é usado para definir o método a ser utilizado na solução de problemas

de Transferência de calor transiente.

4. CAPACITÂNCIA TÉRMICA

Existe uma relação entre a temperatura de um corpo físico e o calor nele armazenado. Não havendo mudança de fase e desde que a faixa de temperaturas não seja excessiva, tal relação pode ser considerada linear. Assim, sendo q i (t) o fluxo de calor que entra em um corpo e q 0 (t) o fluxo de calor que sai do mesmo corpo, o calor líquido (no sentido contábil) armazenado no corpo entre dois instantes de tempo t 0 e t é dado por:

Onde

é uma variável muda usada na integração.

(4)

Vamos assumir que o calor armazenado durante esse intervalo de tempo seja igual a uma certa constante C multiplicada pela variação de temperatura, ou seja

(5)

Onde θ(t0) é a temperatura do corpo no instante de referência t0. Podemos rescrever a equação acima como

(6)

Onde a constante C é definida como a capacitância térmica do corpo, dada em [J/K]. Para um corpo de massa M e calor específico c, a capacitância térmica é dada por C = Mc, para M em [kg] e c em [J/kg.K].

Diferenciando a equação acima, obtemos:

̇

(7)

Essa equação que é muito usada quando o sistema é modelado no espaço de

estados.

5. RESISTÊNCIA TÉRMICA

No caso de transferência de calor por condução, a Lei de Fourier estabelece que o fluxo de calor, q(t) entre dois corpos com temperatura, θ 1 (t) > θ 2 (t), separados por um meio condutor, é dado por:

 

(8)

Onde:

 

α

=

condutividade

térmica

do

material

condutor

[J/m.s.K]

ou

[W/m.K]

(tabelada);

A = área normal ao fluxo de calor [m 2 ];

d = espessura do condutor [m].

Podemos reescrever a equação acima como:

(9)

Onde:

R é definida

como a

resistência térmica e é função do material e das

dimensões do meio condutor, sendo dada por:

(10)

Só podemos usar a equação (9) quando não há armazenamento de energia térmica no meio condutor. Caso isso não aconteça, devemos então incluir a capacitância térmica do meio condutor no modelo.

5.1 - RESISTÊNCIAS TÉRMICAS EM SÉRIE

Consideremos dois corpos com temperaturas θ 1 (t) > θ 2 (t), separados por duas resistências térmicas em série R 1 e R 2 , conforme ilustra a figura 1(a):

Figura 1 - Resistências Térmicas em Série Sendo q(t) o fluxo de calor através das

Figura 1 - Resistências Térmicas em Série

Sendo q(t) o fluxo de calor através das mesmas e estando as resistências perfeitamente isoladas termicamente, queremos achar uma resistência térmica equivalente Req, conforme a fig. 1(b). Chamando θ B a temperatura na interface das duas resistências, podemos escrever a equação (9) duas vezes:

(11)

(12)

Eliminando θ B nas equações acima, chegamos a:

(13)

Que, comparada com a equação (9), permite que escrevamos:

(14)

Onde podemos concluir que existe uma analogia com as resistências elétricas em série. Podemos estender o resultado para n resistências térmicas em série:

5.2 - RESISTÊNCIAS TÉRMICAS EM PARALELO

Aproveitando a analogia citada, podemos estabelecer uma expressão para n resistências térmicas em paralelo:

6. FONTE TÉRMICA

(16)

A fonte térmica ideal adiciona ou retira energia térmica do sistema. No primeiro caso, o fluxo de calor é positivo e, no segundo caso, é negativo. A fonte térmica ideal é representada pela figura a seguir:

A fonte térmica ideal é representada pela figura a seguir: Figura 2 – Fonte Térmica 7.

Figura 2 Fonte Térmica

7. MODELOS MATEMÁTICOS DE SISTEMAS TÉRMICOS

A modelagem de sistemas térmicos é um procedimento muito complexo, por

isso, para melhor explica-los citaremos alguns exemplos de modelagem de sistemas térmicos.

EXEMPLO 1

A figura abaixo mostra uma capacitância térmica C isolada do ambiente por

uma resistência térmica equivalente R. A temperatura interna é θ , considerada

uniforme, enquanto que a temperatura ambiente é θ a , também uniforme. Calor é adicionado ao interior do sistema com um fluxo . No ponto de operação, os

valores de e θ são ̅ e ̅ , respectivamente. Desenvolver o sistema em termos das variáveis incrementais.

um modelo matemático para

das variáveis incrementais. um modelo matemático para Solução: Aplicando a equação (9): Substituindo na

Solução:

Aplicando a equação (9):

Substituindo na equação (7):

Ou

Figura 3

̇

̇

+

(t) +

}

(17)

Onde reconhecemos uma EDOL de 1ª ordem com coeficientes constantes, não homogênea, com duas entradas e θ a e saída θ (t). A constante de tempo do sistema é dada por τ = RC.

Em termos das variáveis incrementais:

̂

̅

̂

̅

Podemos obter um modelo matemático substituindo derivadas na EDOL acima, chegando a:

θ

(t),

(t)

e suas

̂

̂

̂

(18)

Vemos, agora, que temos um sistema com apenas uma entrada e uma saída.

EXEMPLO 2: TERMÔMETRO DE MERCÚRIO.

A figura abaixo ilustra um sistema térmico constando de um termômetro de

mercúrio que está, inicialmente, à temperatura ambiente ̅ e é mergulhado em um

reservatório cujo líquido está a uma temperatura ̅ + , isto é, acima da temperatura ambiente.

temperatura ̅ + , isto é, acima da temperatura ambiente. Figura 4 O reservatório tem capacitância

Figura 4

O reservatório tem capacitância térmica C e o termômetro tem resistência

térmica R. Desenvolver um modelo matemático para o sistema em termos das variáveis incrementais.

Solução:

Aplicando a equação (9) para o termômetro:

Substituindo na equação (7):

̇

{

}

Ou

̇

(19)

Onde reconhecemos uma EDOL de 1ª ordem com coeficientes constantes, não

e saída θ(t). A constante de tempo do sistema é dada por

homogênea, com entrada τ = RC.

Comparando a equação (19) com a EDOL modelo matemático do circuito elétrico RC paralelo mostrado na figura abaixo, dada por:

(20)

RC paralelo mostrado na figura abaixo, dada por: (20) Figura 5 Vemos que existe uma analogia

Figura 5

Vemos que existe uma analogia entre o sistema térmico e o sistema elétrico, denominada analogia:

Sistema Elétrico

Sistema Térmico

Voltagem V

Temperatura θ

Corrente Elétrica i

Fluxo de Calor q

Resistência Elétrica R

Resistência Térmica R

Capacitância C

Capacitância Térmica C

8. CONCLUSÃO

A modelagem de sistemas dinâmicos é um assunto muito complexo e também de suma importância para o estudo e o comportamento dos fenômenos físicos e químicos, pois ele estabelece leis e regras matemáticas para prever e conhecer o comportamento dos mesmos. O objetivo principal do presente trabalho foi o compreendimento e o estabelecimento de modelos matemáticos para sistemas térmicos, esses que estão presentes em diversos segmentos do nosso dia a dia que são desde o Efeito Joule em uns pequenos indutores, como os ilustrados nos exemplos, até em usinas termonucleares.

As aplicações dos modelos matemáticos para sistemas térmicos envolvem os efeitos que as variações da temperatura causam nos sistemas, pois como pôde ser observada, ela é a variável mais utilizada nas deduções de fórmulas e leis, por isso, um estudo bem aprofundado a respeito desses efeitos dos sistemas que envolvem troca de calor e que estão expostos ao fenômeno do Efeito Joule.

9. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

Ogata, Katsuhiko, Engenharia de Controle Moderno, 3° ed. Rio de Janeiro: LTC Editora, 2000. Tradução Prof. Bernardo Severo.