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O que e a ANECS?

ANECS é a sigla para Articulação Nacional de Estudantes de Ciências sociais. Tem como intuito fomentar o processo de organização criativa dxs, articulando, integrando e representando xs estudantes de Ciências Sociais a nível nacional. Isso quer dizer que a ANECS deve ser um instrumento organizativo que permita acumular e por em prática as demandas do Movimento estudantil de Ciências Sociais, discutindo assuntos pertinentes ao curso e à sociedade, organizando encontros estudantis a nível nacional e regional, sobretudo, construindo lutas que apontem para a superação dos desafios postos as Ciências Sociais no nosso tempo.

Por que nos organizamos?

necessidade de reagir a demandas nacionais, nos organizamos para sair do isolamento. Somos um conjunto de estudantes de Ciências Sociais e como tais, temos aspirações, preocupações, demandas e interesses em comum; começamos, então, a identificarmo-nos como portadores de uma mesma identidade, um só sujeito o que não quer dizer que não sejamos diferentes, que não exista contradição dentre nós, mas quer dizer que temos muito em comum, que conseguimos nos constituir enquanto um só corpo, o de estudante de Ciências Sociais, com toda a amplitude que isso significa -, com uma história em comum e, fundamentalmente, com um destino em comum e a ser traçado por nós em conjunto.

Como se organiza?

Para

que

exista

um

Atualmente

ela

é

movimento estudantil para além

organizada

por

regionais,

onde

dos encontros, nos organizamos

cada

regional

indica

uma

para a existência de acúmulo nas

ESCOLA

para

ser

parte

pautas que nos tocam e da

integrante

da

Coordenação

de acúmulo nas ESCOLA para ser parte pautas que nos tocam e da integrante da Coordenação

Nacional [CN] através de um nome de referência; além disso, cada regional é responsável por indicar suas Coordenações Regionais [CR’s] também organizadas por ESCOLAS. Cada regional tem autonomia para deliberar o número de coordenações regionais que achar necessário (podendo ser uma em cada estado ou por cada microrregião, sendo no mínimo três CR's.

CR Coordenação Regional

A Coordenação Regional é composta por no mínimo três escolas, dependendo da especificidade de cada regional.

Em tese, possui as atribuições de gerir a comunicação interna da região que pertence, estimulando

o processo local de construção da ANECS, acompanhando de perto

o MECS através da realidade das

escolas de Ciências Sociais, estimulando também a criação de um vínculo orgânico tanto com as demais Coordenações Regionais como com a sua Coordenação Nacional.

CN Coordenação Nacional

A Coordenação Nacional É composta por cinco escolas, sendo uma de cada regional da entidade. Atualmente a Coordenação Nacional possui a responsabilidade de sistematizar a comunicação entre as regionais, viabilizando a articulação e a unidade entre as ações da entidade, além de realizar a gestão das finanças da mesma.

GTP Grupo de Trabalho Permanente

Os grupos de trabalho (GTP’s) tem a tarefa de criar e socializar acúmulo relativo a temáticas relevantes ao MECS. Funcionam por meio de formulações de textos e outras ferramentas de conteúdo - como teatro, vídeo etc.- sobre a temática do GTP para induzir os debates nas escolas; Assim como acompanhando as discussões acerca da temática nas escolas de Ciências Sociais no Brasil. E por fim criando um banco de dados mediante o tema do GTP.

da temática nas escolas de Ciências Sociais no Brasil. E por fim criando um banco de

GTP

de Combate

a

Opressões,

raça

e

etnia.

GTP

Particulares

GTP

Ensino

MECS

GTP de Formação e Atuação do

Social

GTP de Precarização do Ensino e Projeto de Universidade.

Cientista

Médio

GTP

no

de Universidades

de Ciências

de Memória

Sociais

do

no de Universidades de Ciências de Memória Sociais do ERECS E ncontro Regional dos Estudantes de
no de Universidades de Ciências de Memória Sociais do ERECS E ncontro Regional dos Estudantes de

ERECS

Encontro Regional dos Estudantes de Ciências Sociais, trata-se do maior e mais abrangente evento da entidade a nível regional, acontece em cada regional, no 1º semestre de cada ano. É um espaço importante para discutir, principalmente, as demandas regionais.

ENECS

Encontro

Nacional

dos

Estudantes

de

Ciências Sociais,

caracteriza-se como o maior e mais importante evento do calendário anual do MECS, sendo um espaço de trocas entre os estudantes de Ciências Sociais, onde são debatidas a conjuntura nacional, a situação das diferentes escolas, as demandas e bandeiras, bem como questões de relevância acadêmica e práticas da formação do cientista social.

CORECS

Conselho

Regional

dos

Estudantes

de

Ciências Sociais,

da formação do cientista social. CORECS C onselho Regional dos Estudantes de Ciências Sociais,

caracteriza-se por ser um evento de menor porte que visa reunir representantes de diferentes escolas da regional com a finalidade de discutir e problematizar as políticas definidas no ENECS, a fim de estabelecer metas e perspectivas para a organização regional no ano seguinte.

CONECS

Conselho Nacional dos Estudantes de Ciências Sociais, trata-se de um evento nacional de menores dimensões, composto

por representantes de escolas,

além de discutir o próximo encontro nacional, também avalia

o período pós- ENECS.

encontro nacional, também avalia o período pós- ENECS. “O movimento de área nasce da necessidade de

“O movimento de área nasce da necessidade de discutir um eixo comum de atuação para ser mais um espaço de elaboração e, principalmente de trabalho. O questionamento da formação profissional (currículos, estágios, ensino, pesquisa e extensão), buscando sintoniza-la com a realidade social do nosso país, vem como uma tentativa de fazer a Universidade assumir o seu papel perante a sociedade, bem como apontar caminhos que levem à superação dos problemas colocados para a maioria da

população. Desta forma, e aliados a outros seguimentos da sociedade, o caminho para transformação torna-se mais concreto.” (Fonte: Relatório da reunião do Fórum Nacional de Executivas de Curso. Ocorrido na USP nos dias 2 e 3 de julho de 1994, pág. 11

da reunião do Fórum Nacional de Executivas de Curso. Ocorrido na USP nos dias 2 e
da reunião do Fórum Nacional de Executivas de Curso. Ocorrido na USP nos dias 2 e

Ciências Sociais FEMECS. A federação se dividia em várias coordenadorias espalhadas pelo

Primeiro é importante país e se organizava através do

CA’s e DA’s das escolas de Ciências Sociais espalhadas pelo país, os encontros e conselhos que realizamos ainda hoje já existiam bem antes dessa época e se adaptaram para compor a FEMECS.

Então, o MECS cresceu, unificou lutas, pautou reformas e lutou contra a privatização do ensino público e precarização da educação durante cinco anos intensos. Porém, essa federação acabou se diluindo por desentendimentos e divergências políticas que causaram um afastamento exacerbado entre as coordenadorias e as bases do MECS. Após o final do XIX ENECS Brasília os estudantes decidiram que o XX ENECS seria organizados pela UFAM e seria realizado em Manaus. As problemáticas entre as coordenadorias e a logística de transporte para realização desse encontro fizeram com que ele só

Trecho lido no XIII ENECS Fortaleza em 1995)

afirmar que a Articulação Nacional de Estudantes de Ciências Sociais ANECS é uma entidade de curso. É a entidade representativa do Movimento de Área de Ciências Sociais, criada no XXVI ENECS, realizado em julho de 2011 em Belo Horizonte, cuja finalidade é articular local, regional e nacionalmente estudantes dos cursos de Antropologia, Ciência Política, Ciências Sociais e Sociologia em pautas comuns e unificadas dxs estudantes de Ciências Sociais de todo país.

Contudo, essa não é a primeira vez que o Movimento Estudantil de Ciências Sociais MECS sente a necessidade de uma maior organização e estruturação dos/das estudantes dos cursos em todo país. A última entidade que temos notícias foi criada ainda em 1998 no ENECS Juiz de Fora e se transformou na Federação do Movimento Estudantil de

notícias foi criada ainda em 1998 no ENECS – Juiz de Fora e se transformou na

ocorresse em 2005, porém foi extremamente esvaziado, fato que causou a exclusão da maioria das escolas e estudantes do país das discussões e lutas da FEMECS. E com esse vácuo político de 2004/2005 teve fim a entidade do Movimento de Área de Ciências Sociais e em algumas regiões do país ocorreu uma completa desarticulação do MECS até a criação da ANECS em 2011.

Nos ENECS de 2006 em diante muitas foram as discussões que permearam sobre a rearticulação do Movimento Estudantil de Ciências Sociais, porém existia sempre a retomada de velhos problemas da FEMECS e a falta de maturidade organizacional do MECS nesse período. Finalmente, no XXIV ENECS João Pessoa foi deliberado a criação de um Debate sobre a criação de uma entidade nacional de ciências sociais e também alguns eixos de discussão para debate em nível nacional. Posteriormente, com a continuidade das discussões e a melhora na comunicação e

articulação dos estudantes de Ciências Sociais foi crescendo até a realização do XXVI ENECS Belo Horizonte, onde os estudantes optaram em plenária final não por Executiva e nem por uma Federação, mas por uma Articulação Nacional de Estudantes de Ciências Sociais.

Assim do ENECS BH até o gelado ENECS Santa Maria nos reorganizamos e estruturamos em 1 - Coordenações Regionais e Nacionais responsáveis por ações burocráticas, executivas e comunicativas da entidade, 2 Grupos de Trabalho com objetivo de gerar acúmulos teóricos, políticos e históricos para ANECS e 3 Intensificação da reorganização do MECS nas cinco regiões geopolíticas brasileiras com a realização de conselhos, encontros, debates, atividades de divulgação da entidade e a criação dos grupos de comunicação e debate nas redes sociais e do site oficial da ANECS, gerido e organizados pela Coordenação Nacional. Todas essas ações e esforços culminaram

e do site oficial da ANECS, gerido e organizados pela Coordenação Nacional. Todas essas ações e

na aprovação da

Princípios da nossa entidade, na eleição das duas principais bandeiras de luta e o encaminhamento para o XXVIII ENECS Fortaleza, a construção do estatuto da ANECS. Com a eleição de uma nova Coordenação Nacional e novas

Coordenações

Carta de

Regionais

renovamos, ganhamos força e maturidade, em pouco tempo nossa entidade encontrou parcerias, respeito e, cada vez

mais, LUTA!

encontrou parcerias, respeito e, cada vez mais, LUTA! A importância da formação intelectual no MECS R

A importância da formação intelectual no MECS

Refletir sobre o movimento estudantil em nossos difíceis

tempos representa um desafio teórico e prático da maior importância, seja pelos desafios práticos e impasses que se apresentam diante daqueles que se mobilizam profissionalmente e politicamente contra a ordem do capital, que se agiganta em sua onipotência, seja pela ofensiva teórica e ideológica que se levantou contra aqueles que pensam o mundo a partir da centralidade do trabalho e seguem afirmando a validade e atualidade da categoria classe social (movimento estudantil) como ferramenta indispensável à compreensão da sociedade contemporânea.

O nosso objetivo é explanar de forma clara e plena a questão da importância da formação intelectual cercado de uma ampla inserção no debate teórico, apresentando diferentes visões e abordagens, sem nunca perder o fio condutor e a firme convicção de que somente a perspectiva da totalidade pode nos levar a

sem nunca perder o fio condutor e a firme convicção de que somente a perspectiva da

compreender os diversos momentos particulares que compõe o todo.

O principal anseio da ANECS é fomentar estruturas necessárias para reverter o quadro de desmobilização e afastamento dxs estudantes da atuação política. O desejo da ANECS é instigar xs estudantes a criarem espaços para o debate qualificado sobre suas pautas, como também as ferramentas para sua atuação política perante elas, estimulando assim a criação de um sujeito político ativo e crítico dentro do movimento estudantil.

E como nós, estudantes de Ciências Sociais nos tornaremos esse sujeito? Quando nos forjarmos de conhecimento. Quando nos tornarmos, como dizia Marx, conscientes da nossa classe; quando nos identificarmos no processo de "classe para si". Aquela que, consciente de seus interesses e inimigos, se organiza para a luta na defesa destes. A consciência das pessoas, sobre a realidade que faz parte das suas

pela

própria realidade.

"Não é a consciência dos homens que determina o seu ser; é o seu ser social que, inversamente, determina a sua consciência". (Marx, 1977, p.24)

a

consciência é determinada pela realidade social, e ela é condição para sua transformação. A objetividade (da realidade existente) e a subjetividade (dos sujeitos que dela fazem parte) unem-se num único processo. A consciência de classe diferentemente do "senso comum", procura compreender as causas dos fenômenos, numa visão de totalidade. Os intelectuais imediatos e individuais, ou até grupos, cedem

espaço aos interesses de classe.

vidas,

está

determinada

Entendemos

que

Rosa de Luxemburgo defendia a necessidade de a classe operária produzir sua própria consciência a partir da sua experiência (no processo auto

organizado e luta); para ela, "os erros cometidos por um

operário

movimento

da sua experiência (no processo auto organizado e luta); para ela, "os erros cometidos por um

verdadeiramente revolucionário são, do ponto de vista histórico, infinitamente mais fecundos e valiosos que a infalibilidade do melhor comitê central". (1991)

Na formação da consciência de classe pelo proletariado é fundamental o desenvolvimento e a incorporação do conhecimento cientifico do movimento real. A consciência de classe, a ideologia revolucionária a definição das metas, das táticas e estratégia, e os meios para as lutas de classes, precisam, para Marx, do papel que cumpre x intelectual (orgânico, militante de classe). X intelectual orgânico, criado por cada classe social, pertence organicamente a uma classe que serve para lhe dar consciência e conquistar e manter sua hegemonia.

É com a ação dx intelectual que pode definir-se a "consciência de classe", transformando-se a "classe em si" para "classe para si", construir-se uma "ideologia" do proletariado, definirem-se os objetos e meios para a luta.

Para que a ANECS possa ser realmente uma entidade de luta, precisamos de sujeitos que se levantem diante dos processos e se tornem, como diria Lenin, modificadores da realidade imposta. As Ciências Sociais só voltarão a ser perigosas quando nos forjarmos de todo o aparato disponível e nos lançarmos no combate contra toda forma de opressão e limitação.

Perspectivas dos cientistas sociais (ou futuros cientistas sociais) sobre a formação em ciências sociais, ou antropologia, ou ciência política, levando em consideração essa "partição" da ciência

Vivemos em um período de fragmentação do já fragmentado. As visões sobre a educação, a política, a nação e a formação profissional e humana

do já fragmentado. As visões sobre a educação, a política, a nação e a formação profissional

passam

por

crises

desestruturantes

desde,

pelo

menos,

a

década

de

1970

no

Brasil.

Sabemos que a educação no Brasil, longe do discurso midiático e “politiqueiro”, não é levada a sério como uma base de mudança e de esperança para o seu povo, sobretudo, aquela parcela que possui menos capital financeiro acumulado.

parcela que possui menos capital financeiro acumulado. O saber constitui-se em mercadoria (tão criticado por

O saber constitui-se em mercadoria (tão criticado por Mészáros, 2008). Constitui-se em mercadoria e das mais rentáveis, pois, opera desde a primeira infância até (talvez) a morte dos indivíduos. O saber como mercadoria, se institucionaliza nas escolas, universidades, faculdades, institutos de pesquisa etc. Onde para se gerar contato, entre os que buscam, necessitam e

produzem o saber, faz-se necessária uma negociação mercadológica da mais pura, oferta/demanda; compra/venda desse saber institucionalizado.

Nossa ciência, as Ciências Sociais, não foge dessa dinâmica. Nossa ciência virou uma mercadoria, e das mais rentáveis. Sabe-se que, os detentores da mercadoria, ou seja, aqueles que irão ofertá-la preferem ofertar aos poucos, “peça por peça”, para render mais, pois, se vender a mercadoria por inteiro, com todos seus pressupostos e manual, suas peças e ferramentas, em sua totalidade, o mercado perde a força da demanda, perde-se a procura incessante por peças novas, ou por mais ferramentas para completar a mercadoria.

Ora, sabe-se desde muito tempo que a humanidade é um incessante buscar, é um incessante conhecer a si e ao mundo. A humanidade se faz em busca, faz-se em transcender o dado, faz-se na busca pelo conhecer, através do conhecido, conhecendo. Ou seja, o saber, é

faz-se em transcender o dado, faz-se na busca pelo conhecer, através do conhecido, conhecendo. Ou seja,

algo necessário para a vida humana, donde, em uma vida pautada pela lógica de mercado e da institucionalização, nada mais “natural”, que o saber também se faça por essas vias.

O que queremos dizer é: O saber das Ciências Sociais, hoje, não é mais um saber constituído pela busca humana de conhecer a si, aos outros e ao mundo, mas sim, uma grande mercadoria, que se fragmenta para vender mais.

Sabemos que Faculdades diversas pelo país separaram as Ciências Sociais em saberes estanques e abstratos, constituídos de “lógicas de construção” em separação, como Ciência Política, Antropologia, Sociologia, para que pudessem operar por vias distintas e obter mais compradores de suas mais ofertas.

Entendemos que essa separação, além de desnecessária, é onerosa para o próprio saber, que deve se desligar dessa lógica mercantil, e encarar-se de volta em sua totalidade. A totalidade,

que embora pretensa, é pressuposta de autenticidade no que diz respeito à busca do saber humano, pelos humanos. As Ciências Sociais devem ser vistas não só como um saber, mas como um saber/fazer que envolve, sobretudo, o caráter de conhecimento de si, dos outros e do mundo que busca a transformação dos próprios, portanto, não poderia ser uma mercadoria, ou ao menos deve desfazer-se de estar sendo, para combater a própria lógica mercantil do fazer mercadoria o que não deveria ser.

Ciências Sociais no Ensino Médio: Para que (m)?

própria lógica mercantil do fazer mercadoria o que não deveria ser. Ciências Sociais no Ensino Médio:
própria lógica mercantil do fazer mercadoria o que não deveria ser. Ciências Sociais no Ensino Médio:

A disciplina de sociologia na escola secundária possui uma história fragmentada, tendo entrado e saído dos currículos escolares diversas vezes. Estamos, atualmente, num período de reinserção da disciplina nas escolas, o que faz com que a temática seja uma de nossas bandeiras enquanto Articulação Nacional dos Estudantes de Ciências Sociais. Mas por quê?

Com a implementação da Sociologia no Ensino Médio, vemos que há muitos desafios a serem superados por esta disciplina. A falta de professores formados nas áreas de Ciências Sociais (Licenciatura) para lecionarem a disciplina, a pouca carga horária destinada, falta de material didático de qualidade, entre outros, faz com que, nós, estudantes de Ciências Sociais, entremos nesta luta por uma Sociologia de qualidade nas escolas.

Como futuros Cientistas Sociais, sentimos a necessidade de

discutirmos a temática Educação, principalmente no que tange ao ensino de Sociologia, pois muitos de nós, também estaremos aptos a lecionar a disciplina no Ensino Médio. Neste sentido, ao analisarmos que na maioria das vezes a própria academia não nos forma para a realidade que iremos encontrar enquanto profissionais, discutir a temática torna-se algo de extrema importância, principalmente no período em que nos encontramos.

A Sociologia tem como um de seus principais objetivos, de acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio, formar o educando para o exercício de sua cidadania. Ou seja, que se reconheça enquanto cidadão de seu país, que saiba que possui direitos e deveres, e que possua, ao término do Ensino Médio, consciência crítica e cívica, capazes de gerar respostas adequadas a problemas atuais e a situações novas. (PNCEM, p. 22)

Nesse sentido, de acordo

Referencial

também

com

o

adequadas a problemas atuais e a situações novas. (PNCEM, p. 22) Nesse sentido, de acordo Referencial

Curricular da disciplina, “cabe ao ensino da Sociologia selecionar temas/problemas geradores , os quais a partir da conceituação de Paulo Freire são aqueles ca- pazes de cativar e motivar os alunos para o seu exame, bem como fornecer instrumentais conceituais e metodológicos para

o estudo dos mesmos, de suas

origens e efeitos sociais, bem como de suas possíveis soluções.(Ref. Curricular, p. 92) Vemos, a partir desse breve panorama, que a disciplina torna-

se importante na formação do ser

humano, pois possibilita ao mesmo um olhar crítico perante a realidade. É a partir da disciplina

que o educando passa a compreender melhor a sociedade em que vive como a mesma se organiza, para assim compreender a si mesmo, enquanto um ser social. Não são poucos os desafios surgiram das Ciências Sociais no currículo do Ensino Médio. Nossa preocupação central se baseia em:

que formação será essa em que transforma saberes científicos em

saberes escolares? Para tal, defendemos a exclusividade para lecionar a disciplina os licenciados em Ciências Sociais e o aumento de sua carga horária no currículo escolar. Vemos como desafio o tempo mínimo das aulas e o livro didático, para firmação da disciplina precisamos caminhar para um conteúdo curricular mínimo a nível nacional. O IV CONECS - Conselho Nacional dos Estudantes de Ciências Sociais realizado na cidade de Vitória/ES, em janeiro de 2013, debateu entre outros temas, a necessidade de fortalecimento do Ensino da Sociologia no Ensino Médio. Dele surgiu um Manifesto sobre a Sociologia no Ensino Médio:

Manifesto sobre o Ensino de Sociologia no Ensino Médio

A disciplina de Sociologia, que estava excluída da grade do Ensino Médio durante o regime militar, voltou a integrar o currículo do nível médio como

estava excluída da grade do Ensino Médio durante o regime militar, voltou a integrar o currículo

disciplina obrigatória, no ano de 2008 com a aprovação da lei

11.684.

Xs estudantes e xs profissionais de Ciências Sociais, que historicamente vinham se empenhando pelo retorno da disciplina de Sociologia às escolas, tem lutado agora para garantir a efetiva implementação

da lei e pela qualidade no ensino desta disciplina. Infelizmente os Sistemas Estaduais de Ensino do país ainda persistem em contemplar profissionais das mais diversas áreas de formação nas vagas de professor de sociologia, em detrimento da atuação dos profissionais com a formação específica em Ciências Sociais. Dessa maneira, negligenciam-se justamente os profissionais com a formação acadêmica necessária para a atividade de docência em Sociologia no Ensino Médio.

A partir dessa problemática, foi encaminhado ao Congresso em 2009, um projeto de lei do Deputado Mário Heringer (PDT- MG) propondo a exclusividade

de atuação do profissional formado em Ciências Sociais para ministrar a disciplina de Sociologia, porém o projeto foi arquivado em 2011 devido ao fim da legislatura, sendo a proposta reapresentada em 2012 pelo Deputado Chico Alencar (PSOL- RJ) na forma de Projeto de Lei, que está em tramitação no Congresso.

Reivindicamos a aprovação desse Projeto de Lei, considerando sua importância para o fortalecimento da categoria profissional, da formação acadêmica em Ciências Sociais e para a qualidade do

ensino

disciplina com

vistas

formação mais adequada aos educandos do

Ensino Médio.

A aprovação desse projeto representará avanço, porém cabe fazermos uma ressalva, que deve se traduzir em emenda no texto

desse projeto representará avanço, porém cabe fazermos uma ressalva, que deve se traduzir em emenda no

da

a

uma

desse projeto representará avanço, porém cabe fazermos uma ressalva, que deve se traduzir em emenda no

para

nossos anseios.

O Projeto de Lei, ao incidir sobre a Lei 6.888/80 que regulamenta a profissão de Sociólogo, atribui a exclusividade do ensino de Sociologia a este profissional, porém, dessa maneira, seria autorizado também ao bacharel em Ciências Sociais a competência de atuar como professor de Sociologia no Ensino Médio, sendo que a atividade de ensino deve ser conferida aqueles que possuem formação voltada para esse fim,

ou seja, os que

tem o

fato

que

contemple

de

conhecimento não só sobre os conteúdos das Ciências Sociais como do processo de ensino- aprendizagem.

Nessa perspectiva é que defendemos a exclusividade aos profissionais com formação de Licenciatura em Ciências Sociais para ministrar aulas de Sociologia, garantindo aos licenciadxs a ocupação das vagas de professor de Sociologia nas redes de ensino.

Ressaltamos que não se pode enxergar essa luta como uma pauta meramente corporativista, que confronte os profissionais de outras áreas, pois reconhecemos esses como pertencentes a nossa classe, que é também explorada e enfrenta as mesmas dificuldades profissionais e de formação que sofremos. Trata-se na verdade de uma luta pela afirmação da disciplina de Sociologia que ainda é muito marginalizada, assim como xs graduandxs em Licenciatura e os profissionais licenciadxs.

É de grande importância a mobilização social sobre essa pauta, pois se mostra relevante não somente aos profissionais da área, mas a toda sociedade, à medida que garantimos o ensino de Sociologia no Ensino Médio proporcionando uma educação comprometida com uma perspectiva crítica e transformadora.

Este manifesto é assinado pelxs participantes do IV CONECS - Conselho Nacional dos

crítica e transformadora. Este manifesto é assinado pelxs participantes do IV CONECS - Conselho Nacional dos

Estudantes de Ciências Sociais, constituído junto à ANECS Articulação Nacional dos Estudantes de Ciências Sociais.

Além das necessidade da
Além das
necessidade da

Bandeiras

específicas, existe

a

ANECS tocar uma bandeira geral que vá além dos muros da universidade e que esteja na

ordem do dia da sociedade. Hoje

a ANECS toca uma bandeira que

encontra uma identidade própria

e consegue intervir na dinâmica

política brasileira. Outras entidades estudantis nacionais também conseguem essa realização, como a FEMEH (Federação dos Estudantes de

História) na luta pela abertura

dos arquivos da ditadura militar,

a ENECOS (Executiva dos

Estudantes de Comunicação

luta pela

Social) na

democratização dos meios de

comunicação, a FEAB (Federação dos Estudantes de Agronomia) na luta pela Reforma Agrária, e vária outras executivas e federações.

Xs Estudantes de Ciências Sociais possuem um enorme potencial devido sua formação humana (Antropologia, Sociologia e Ciência Política) para contribuir em vários temas de destaque nacional hoje. O tema da nossa bandeira geral é:

Remoções de Populações Urbanas e Rurais! Esse é um tema que abarca uma série de fenômenos, como a remoção de populações indígenas de suas terras originárias devido ao agronegócio e a não homologação de suas terras, a remoção de

indígenas de suas terras originárias devido ao agronegócio e a não homologação de suas terras, a

populações quilombolas de suas

moeda: 1) A territorialização do

terras muitas

vezes

capital, esse fenômeno se dá

reconhecidas

como

tal

pelo

devido à crise financeira mundial

governo, a

remoção

de

e a necessidade de reprodução do

populações ribeirinhas devido a

capitalismo; com a crise o

projetos

de

hidrelétricas,

a

capitalismo para se reproduzir

remoção

de

populações

vai

em busca de novos territórios

suburbanas

devido

aos

que antes não o interessavam,

megaeventos

como

Copa

do

como terras indígenas, territórios

Mundo e Olimpíadas, a remoção

suburbanos como o

de populações de grandes centros

à

urbanos

se

devido

de populações de grandes centros à urbanos se dá devido especulação imobiliária. Essas remoções de populações

especulação imobiliária.

Essas remoções de populações urbanas e rurais tem se agravado muito no Brasil no ultimo período, e essa tendência é crescente. Vivemos no mundo e no Brasil uma enorme contradição entre o capitalismo e as populações expropriadas do campo e da cidade, isso acontece por diversos fatores da mesma

“pinheirinho”, áreas quilombolas

e ribeirinhas; a especulação

imobiliária e o agronegócio se esbanjam. 2) Acumulação do capital via espoliação. Trata-se da acumulação de recursos públicos por parte do capital a partir de seu controle sobre o poder político em escala nacional e

internacional. Insere-se neste contexto a apropriação privada tanto do território urbano e rural, da biodiversidade, como de significativa fração do orçamento das diversas nações através do mecanismo da dívida pública. “tiveram de ser abertas ao capital privado, que não tinham para onde ir, e serviços de utilidade pública como água, eletricidade, telecomunicações e transporte

não tinham para onde ir, e serviços de utilidade pública como água, eletricidade, telecomunicações e transporte

para não falar de habitação, educação e saúde tiveram de ser abertas para as bênçãos da iniciativa privada e a economia de mercado”. (Harvey, David. “O enigma do capital e as crises do capitalismo”, Bom tempo Editorial, 2011). 3) Ao Projeto neodesenvolvimentista dos Governos Lula e Dilma, Sob os governos Lula e Dilma acirraram- se significativamente as contradições decorrentes da

Em diversos destes casos estabeleceu-se um verdadeiro estado de exceção de dimensões

locais ou regionais, com explícitos

e inusitados cerceamentos de

direitos civis e políticos básicos

das populações afetadas. Os mega eventos (copa do mundo e olimpíadas), os projetos de infraestrutura (PAC) sob o

governo Dilma e as recentes expropriações violentas no estado

de São Paulo na Cracolândia e no

violentas no estado de São Paulo na Cracolândia e no acumulação por espoliação no Pinheirinho, a

acumulação por espoliação no

Pinheirinho, a expropriação de

Brasil. São inúmeros e recobrem

populações

rurais

com

os

todo o território nacional os

indígenas

Guarani

Kaiowá

no

deslocamentos compulsórios

Mato

Grosso

do

Sul,

motivados pela expansão do

Quilomobolas

na

Bahia,

as

500

agronegócio, da exploração

famílias despejadas

da

fazenda

mineral em geral e petrolífera em

Glória

(futuro

campus

da

particular, de obras de

Universidade

Federal

de

infraestrutura (hidro)viária e

Uberlândia),

a

tentativa

de

energética, da especulação

remoções

da

população

do

fundiária rural e urbana.

assentamento Canaã em Cuiabá,

especulação remoções da população do fundiária rural e urbana. assentamento Canaã em Cuiabá,

a Funai perdendo seu direito de demarcação de terras, são indícios de que tais contradições podem se acelerar no próximo período. Para finalizar quem cumpre o papel de expropriar essas populações urbanas e rurais, para os interesses do capital, é o Estado Brasileiro, através de vários governos que administraram.

Como bandeira geral, a ANECS deve priorizar e ser protagonista nesse tema de remoção de populações urbanas e rurais no Brasil, ao lado de diversos movimentos sociais que tocam essa bandeira, tanto por ser um fenômeno de grave ferimento dos direitos humanos no Brasil, quanto pelo potencial que nós da às Ciências Sociais podemos contribuir para o tema: Nossos instrumentos, a Antropologia, a Sociologia e a Ciência Política, nos ajuda a compreender e muito essas populações que sofrem o despejo, muitas vezes o destino dessas populações dependem de nossos profissionais, principalmente de laudos

antropológicos, e por fim uma bandeira para atuar conjuntamente com todas as entidades da nossa categoria, ABA, SBS, ABECS, ABCP Sindicatos de Sociólogos.

Por que uma entidade feminista?

Sindicatos de Sociólogos. Por que uma entidade feminista? "O feminismo é uma teoria de libertação." O

"O feminismo é uma teoria de libertação."

O Espaço Auto

Organizado de Mulheres da ANECS nasceu no CONECS 2012, que aconteceu em fortaleza. Surgiu da necessidade da difusão da discussão acerca do feminismo na universidade em sua totalidade e, principalmente, nos cursos de Ciências Sociais do país. O feminismo da ANECS pretende alcançar acumulo necessário pra fazer formações de qualidade elevada, principalmente para tornar o movimento de mulheres do MECS cada vez mais forte e combativo.

de qualidade elevada, principalmente para tornar o movimento de mulheres do MECS cada vez mais forte

O setor Auto Organizado de mulheres da ANECS elenca a imersão de um campo de saberes e lutas feministas no Movimento Estudantil de Ciências Sociais. Assuntos como a legalização do aborto e o combate aos trotes machistas que podem e são abordados por todxs independente de gênero na ANECS, mas discutidos por nós mulheres, ganha o olhar e as problematizações produzidas por nós que se diferenciam por nossas inquietações de sujeitos dessa experiência.

No ENECS XXVII, que aconteceu em Santa Maria, tivemos a construção da Carta de Princípios da Articulação, com a participação de todas as escolas presentes, encaminhou-se que a ANECS é uma entidade feminista. Mas por que a ANECS é feminista?

Nós que formamos a entidade a percebemos feminista pela inquietude à situação social em que vivemos. A socióloga Blay (ano) aborda que os modos de produção e os novos

conhecimentos diversificaram as formas de violência, colocando as mulheres como sujeitxs a quem essas violências se direcionam. Temos a violência moral, violência médica, violência psicológica, violência no trabalho, violência sexual, violência de gênero. A mulher que como todx sujeitx deveria dispor das leis, é ferrenhamente marcada pelo impedimento de domínio sobre seu corpo e direitos. O machismo não é um assunto superado.

Ao construir uma carta de princípios, estamos assumindo como guiaremos nossas ações e conduta, a ANECS percebe o feminismo como teoria de libertação, tendo a dimensão das mulheres como sujeitos da história. O feminismo não é um principio secundário ou periférico, é a necessidade de que se rompa a ordem que produz papeis sociais subalternos e que se possibilite a construção de um novo ser humano, aberto às diferenças e que as relações sejam negociadas baseadas na igualdade.

a construção de um novo ser humano, aberto às diferenças e que as relações sejam negociadas

No Brasil, historicamente falando, desde 1920 o movimento feminista tem um caráter um pouco burguês, pois a principal bandeira de luta era o Sufrágio Feminino e essa bandeira não importava muito para a mulher pobre, trabalhadora, negra e etc. Que feminismo queremos construir? Essa é a pergunta chave para construção desse espaço da ANECS. Nós queremos construir um feminismo que luta por todas as mulheres, para além da Universidade. Tendo em vista a mulher negra, lésbica, dona de casa, para além da mulher universitária.

Visto disso o espaço auto organizado de mulheres vem debatendo e criando acúmulos sobre bandeiras do feminismo na ANECS, como o movimento feminista e as mulheres negras, a violência contra a mulher etc.

O movimento feminista e as mulheres negras

”O

inferioridade

racismo

estabelece

a

social

dos

segmentos negros da população em geral e das mulheres negras em particular, operando ademais como fator de divisão na luta das mulheres pelos privilégios que se instituem para as mulheres brancas. Nessa perspectiva, a luta das mulheres negras contra a opressão de gênero e de raça vem desenhando novos contornos para a ação política feminista e antirracista, enriquecendo tanto a discussão da questão racial, como a questão de gênero na sociedade brasileira”(CARNEIRO, Sueli.)

Quando

do

movimento feminista de forma geral, será que ele tem contemplado a luta das mulheres negras? Na maioria das vezes, NÃO!

Desde a colonização brasileira, fica explícito o lugar ocupado pela mulher negra: o de objeto sexual e o de escrava. No livro de Gilberto Freyre “Casa grande e senzala”, a escrava negra era vista

falamos

objeto sexual e o de escrava. No livro de Gilberto Freyre “Casa grande e senzala”, a
objeto sexual e o de escrava. No livro de Gilberto Freyre “Casa grande e senzala”, a

por muitos “sociólogos arianas”, como moralmente deturpadas, como que se o fato dos senhores de engenhos as obrigarem a ter relações sexuais com eles e iniciarem seus filhos a vida sexual, como culpa da mulher negra. As negras e as mulatas eram vítimas o tempo todo de práticas sexuais sadistas. Sem contar que foi obrigada a amamentar os/as filhos/as de mulheres brancas.

Hoje em dia não é tão diferente, o papel da mulher negra continua o mesmo, a mulher negra reúne em si o mais alto grau de opressão e exploração que um ser humano pode suportar. A sociedade mantêm intactas as relações de gênero segundo raça e cor instituídas no período da escravidão. Quem são as empregadas domésticas? Em sua maioria são mulheres negras. O modelo estético de mulher é a mulher branca e por isso, as mulheres negras são ignoradas pelo sistema, como por exemplo, quando um anúncio de emprego

ressalta: procura-se mulher de “boa aparência”, ou seja, não pode ser negra. Além disso, o próprio sistema de saúde ignora as mulheres negras, elas nunca são vistas como mulheres frágeis, mas sim como fortes, parideiras, viris e com isso a prioridade sempre é dada a mulher branca, deixando a negra em segundo plano.

Para, além disso, hoje as mulheres negras são vítimas de uma campanha encoberta de esterilização generalizada, alimentada pela política do embranquecimento, outras das mazelas da sociedade burguesa que atinge as mulheres negras (Toledo, 2008, p.84). Revertendo a pirâmide social a mulher negra vem abaixo da mulher branca, do homem negro e do homem branco, recebendo em média menos de dois salários por mês. O processo de globalização, determinado pela ordem neoliberal que, acentua o processo de feminização da pobreza, trabalho em fábricas, multinacionais. Elas ocupam

ordem neoliberal que, acentua o processo de feminização da pobreza, trabalho em fábricas, multinacionais. Elas ocupam

sempre os piores postos (faxineira, lavadeira, babá, doméstica) e quando o mercado oscila, a primeira ser mandada embora é a mulher negra.

E o movimento feminista, o que tem feito perante isso? Segundo Lélia Gonzalez

“A inclinação eurocentrista do feminismo brasileiro constitui um eixo articulador a mais da democracia racial e do ideal de branqueamento, ao omitir o caráter central da questão da raça nas hierarquias de gênero e ao universalizar os valores de uma cultura particular (a ocidental) para o conjunto das mulheres, sem mediá-los na base da interação entre brancos e não brancos; por outro lado, revela um distanciamento da realidade vivida pela mulher negra ao negar “toda uma história feita de resistência e de lutas, em que essa mulher tem sido protagonista graças à dinâmica de uma memória cultural ancestral (que nada tem a ver com o

eurocentrismo

feminismo)”.

desse

tipo

de

Perante tais questões levantadas no que tange as mulheres negras, as mulheres da Anecs acreditam que a luta do movimento feminista deve ser contra o patriarcado vigente, machismo, contra a opressão exercida nas mulheres negras, contra qualquer discriminação. Para a questão das mulheres negras, acreditamos que seja de extrema importância que venhamos estabelecer na agenda do movimento de mulheres o peso que a questão racial tem na configuração, por exemplo, das políticas demográficas na caracterização da questão da violência contra a mulher pela introdução do conceito de violência racial como aspecto determinante das formas de violência sofridas por metade da população feminina do país que não é branca; introduzir a discussão sobre as doenças étnicas/raciais ou as doenças com

feminina do país que não é branca; introduzir a discussão sobre as doenças étnicas/raciais ou as

maior incidência sobre a população negra como questões fundamentais na formulação de políticas públicas na área de saúde; instituir a crítica aos mecanismos de seleção no mercado de trabalho como a “boa aparência”, que mantém as desigualdades e os privilégios entre as mulheres brancas e negras.

Como menciona Sueli Carneiro em seu texto “Enegrecer o feminismo: a situação da mulher negra na América Latina a partir de uma perspectiva de gênero” precisamos construir uma sociedade multirracial e pluricultural, onde a diferença seja vivida como equivalência e não mais como inferioridade.

Violência contra a mulher: e nós com isso?

A cada 16 segundos uma mulher é agredida por seu companheiro e 70% das mulheres assassinadas foram vítimas de seus próprios maridos (fonte:

ActionAid Brasil). Segundo os dados do SINAN (2011), 71,8%

dos incidentes acontecendo na própria residência da vítima, o que nos permite entender que é

no âmbito doméstico onde se gera a maior parte das situações de violência vividas pelas mulheres.

A violência física é a

preponderante, englobando 44,2% dos casos. A psicológica ou moral representa acima de 20%.

Já a violência sexual é

responsável por 12,2% dos atendimentos do SUS (Sistema Único de Saúde). A violência física adquire destaque a partir dos 15 anos de idade da mulher. Já a violência sexual é a mais significativa na faixa de 1 aos 14 anos, período que apresenta significativa concentração.

Segundo os registros, no ano de 2011 foram atendidas acima de 13 mil mulheres vítimas de violências sexuais. Sem contar que de 2011 para cá, a porcentagem de violências sexuais contra mulheres só aumentam. Entre os 84 países do mundo que divulgaram dados a partir do sistema de estatísticas da OMS o Brasil, com sua taxa de 4,4 homicídios para cada 100 mil

divulgaram dados a partir do sistema de estatísticas da OMS o Brasil, com sua taxa de

mulheres ocupa a 7ª colocação, como um dos países de elevados níveis de feminicídio.

A violência contra a mulher é considerada uma questão complexa, multifacetada que está diretamente ligada ao machismo, que viola os direitos humanos, provocando danos à saúde física e mental das vítimas, de suas famílias e da sociedade. Além disso, está relacionada com as categorias de gênero, classe, etnia e suas relações de poder, tendo em vista que um homem quando se sente no direito de agredir fisicamente, psicologicamente ou sexualmente uma mulher, se sente superior a ela, e ela não é nada além de um objeto no qual ele pode usufruir do jeito que quiser.

âmbito do direito,

infelizmente a maioria das legislações, incluindo a brasileira,

tradicionalmente primou por colocar homens e mulheres em patamares desiguais. Iáris Ramalho Cortês menciona que o Brasil já passou por 8

No

constituições, sendo a primeira em 1824, a segunda foi elaborada em 1891 em clima republicano, mas segundo as palavras da autora:

Só 112 anos depois da

Independência é que foi elaborada uma Constituição que consagrou explicitamente o princípio da igualdade entre os sexos, proibindo diferença de salário para um mesmo trabalho por razão do sexo e o trabalho das mulheres em indústrias insalubres. Garantiu assistência médica e sanitária à gestante e descanso à mulher antes e depois do parto. Com relação à família, a Constituição de 1934 criou um artigo específico, afirmando que o casamento civil era indissolúvel. Estabeleceu que, se celebrado perante autoridade competente, o casamento religioso teria os efeitos do civil e definiu que a lei civil determinaria os casos do desquite e anulação do

casamento. Três anos antes, por

] [

do civil e definiu que a lei civil determinaria os casos do desquite e anulação do

Decreto, a mulher conquistara o direito de votar e ser votada 1 .

Com isso percebemos o quão lento é o processo de democratização e participação da mulher na política, inserção da mesma na sociedade. Um exemplo disso é que só apenas em 2006 foi decretada uma lei que combate a violência contra a mulher e dá visibilidade ao assunto.

A Lei n. 11.340 (Lei de Combate à Violência Doméstica) ou Lei Maria da Penha, como ficou conhecida, conceitua a violência doméstica e familiar contra a mulher e apresenta suas diversas formas: física, sexual, psicológica, patrimonial e moral; aponta os locais de abrangência da lei: casa, trabalho, relações de afeto ou de convivência presente ou passada; estabelece medidas de assistência e proteção às mulheres em situação de violência doméstica e familiar. 2

1 CORTÊS, Iáris Ramalho. A trilha legislativa da mulher. PINSKY, Carla Bassanezzi; PEDRO, Joana Maria (Org.). Nova história das mulheres no Brasil.SP: Contexto, 2012, p.

261.

Seus principais objetivos são o de

prevenir,

comportamentos e punir

educar, mudar

agressores.

Essa lei também inclui a criação de Juizados Especiais e Centros de Atendimento Multidisciplinares, núcleos de defensoria pública, casas-abrigos, programas e campanhas de enfrentamento da violência doméstica e familiar, mas na prática a Lei não funciona conforme foi formulada, deixando lacunas. Sem contar que o Brasil tem mais de 5.500 municípios e apenas: 375 Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher; 115 Núcleos de atendimento; 207 Centros de Referência (atenção social, psicológica e orientação jurídica); 72 Casas Abrigo; 51 Juizados Especializados em Violência Doméstica; 47 Varas Adaptadas. Ou seja, percebemos que as políticas públicas no que diz respeito as mulheres no Brasil, são pouco eficazes e poucos municípios contam com um atendimento especializado

2 Ibid p.277

as mulheres no Brasil, são pouco eficazes e poucos municípios contam com um atendimento especializado 2

volta as mulheres.

E nós, como futuros cientistas sociais o que temos a ver com isso? O que podemos fazer para que o número de violência contra mulher diminua? Primeiramente precisamos estar conscientes que nenhuma mulher é objeto, e está a mercê de seu companheiro, filho, seja lá qual seja o vínculo, nada justifica uma violência física muito menos a violência sexual exercida. Segundo, não é a roupa que a mulher/menina usa que vai dizer o que ela é ou o que deixa de ser. Percebemos que muitos casos de estupros são justificados pelo tamanho da saia, do vestido na qual a vítima estava vestida. Uma roupa curta não é um convite ao estupro e não significa que essa mulher seja fácil. Precisamos descontruir essa ideia que foi socialmente construída que a mulher é fácil, “vadia”, “biscate” pela roupa que está usando.

Em terceiro lugar, temos total autonomia como indivíduos de cobrar do Ministério Público uma maior efetividade da Lei Maria da Penha, pois no papel ela é muito bonita, mas na prática ela é ineficaz, as equipes multidisciplinares não existem na maioria dos estados, as casas abrigos encontra-se em situações precárias isso quando existem, sem contar o atendimento na Delegacia da Mulher, os/as funcionários/as na maioria das vezes são despreparados, a todo tempo expõem as vítimas, não há um cuidado no tratamento dessas mulheres que chegam à Delegacia para denunciar.

Perante a isso, cabe a nós mulheres e homens lutarem para que o machismo vá por água a baixo, lutar para que as mulheres sejam livres e não submetidas a situações de agressão, muito menos serem vistas como objetos sexuais no qual qualquer um pode tocá-la sem permissão.

situações de agressão, muito menos serem vistas como objetos sexuais no qual qualquer um pode tocá-la
A COORDENAÇÃO NACIONAL 2012-2013 dedica esta cartilha a todxs xs militantxs sociais que insurgem e

A COORDENAÇÃO

NACIONAL 2012-2013 dedica esta cartilha a todxs xs militantxs sociais que insurgem e se posicionam lutando pela liberdade, igualdade, dignidade e valorização do ser humano, a única via possivel para a emancipação definitiva de todxs.

Essa cartilha foi organizada de forma colaborativa contendo textos ordenados sob o prospecto de um eixo comum: a militância como ferramenta de libertação. Empreendemos análises sobre a política nacional focando principalmente na educação. Pontuamos alguns elementos que problematizam e incitam a defesa da educação pública, de qualidade e para todxs, objetivando estimular o debate por todxs xs quais tiverem acesso à ela.

Agradecemos portanto a todxs xs colaboradorxs que direta ou indiretamente contribuiram para a construção do conteúdo.

Antonio Barbosa (UFES), André Flores (UFRRJ) , William Santana (USP), Lucano Lobo (UFC) e Camilla Galetti (UEM), a esses companheirxs desejamos expressar aqui nossa gratidão pelo auxilio valioso.

Esperamos que xs novxs e antigxs companheirxs de militância se alegrem, se sintam representadxs por essa cartilha e encontrem motivos para nos querer bem.

Alegremente, Coordenação Nacional da ANECS 2012-2013:

UFC, UFMT, UFRJ, UFRR e UFSM

"Não queremos, não aceitamos nada, absolutamente nada do que aí está. Temos que reformar tudo, da cabeça aos pés". - Oswaldo Aranha - antes da revolução de 30.

nada do que aí está. Temos que reformar tudo, da cabeça aos pés". - Oswaldo Aranha
1. Concepções gerais (visão do mundo)  A ANECS se posiciona contra a sociedade capitalista

1. Concepções gerais (visão do mundo)

A ANECS se posiciona contra a sociedade capitalista - ou qualquer outro modo de produção - que mercantiliza e precariza todas as esferas de sociabilidade da humanidade e da natureza, explorando e oprimindo cotidianamente a classe trabalhadora.

A ANECS não se limita ao campo da institucionalidade na luta pela emancipação humana. Contra a criminalização dos movimentos sociais

A ANECS se aproxima e dialoga com movimentos sociais, movimentos populares e organizações da classe trabalhadora, que pautem e aglutinem forças para uma mudança social, econômica e ideológica.

Nos colocamos contrárixs ao patriarcado, machismo, racismo e homofobia, por entender que as lutas identitárias são partes do processo de construção de uma sociedade livre que estimula as potencialidades e respeite a diversidade humana. Nesse sentido, defendemos a transversalidade do combate às opressões na formulação e ação da ANECS.

A ANECS é uma entidade feminista.

A ANECS se propõe à apropriação da arte e da cultura como ferramentas de transformação social.

feminista.  A ANECS se propõe à apropriação da arte e da cultura como ferramentas de

Concebemos o Movimento Estudantil como movimento social, por possuir um sujeito (estudantes) e uma pauta específica (educação), mesmo que possa atuar em conjunto com outros movimentos sociais com pautas distintas (passe-livre, etc).

2. Caráter das Ciências Sociais e da Educação

Entendemos a relação de unidade entre teoria e prática como ponto primordial para a transformação da realidade.

Contra

a

acadêmico.

mercantilização

da

educação

e

o

produtivismo

Orientação da Formação dxs cientistas sociais voltados para a transformação da realidade social, para a classe trabalhadora e para as diversidades étnicas, de gênero, orientação sexual, cultural.

Construir uma educação que seja emancipadora, que desperte o senso crítico e que contemple todas as capacidades do ser humano, combatendo a concepção que dissocia o fazer e o pensar.

Por uma educação pública, gratuita, popular, de qualidade, laica, antissexista e que respeite a diversidade sexual, étnica e religiosa.

Construir uma educação que seja emancipadora, que desperte o senso critico e que contemple todas as capacidades do ser humano.

uma educação que seja emancipadora, que desperte o senso critico e que contemple todas as capacidades

Que a ANECS seja um espaço de atuação e formação política em todas as suas instâncias.

A ANECS se posiciona na defesa do acesso e permanência estudantil, pois entendemos que a garantia de moradia, alimentação, transporte, material blibliográfico, creches, aumento da quantidade e valor das bolsas, além de outras pautas locais são direitos conquistados pelo movimento estudantil, e indispensáveis à formação do(a) estudante.

Defendemos

extensão.

a

indissociabilidade

entre

ensino,

pesquisa

e

Posicionamo-nos contrários à fragmentação do conhecimento assim como à reverberação deste processo nas ciências sociais. Nesse sentido, defendemos a indissociabilidade das áreas (antropologia, sociologia e ciência política), bem como das modalidades de graduação (licenciatura e bacharelado).

3. Comunicação

Combater e denunciar formas de corrupção e manipulação de informações, em especial quando compromete o direito público de veracidade dos fatos, as ações políticas dos sujeitos, a justiça e o favorecimento pessoal e de grupos. Nesse sentido, defendemos as mídias alternativas de forma a se contrapor às mídias dominantes.

Fomentar mídias que contemplem essa carta de princípios.

de forma a se contrapor às mídias dominantes.  Fomentar mídias que contemplem essa carta de

A ANECS é favorável à universalização do conhecimento, que se manifesta na prática como total e irrestrita transparência em todos os assuntos da própria articulação.

4. ANECS

As regionais devem respeitar a estrutura organizativa proposta nacionalmente, possuindo autonomia para definir bandeiras de acordo com as especificidades locais, desde que estas não se oponham às deliberações nacionais.

A ANECS deve ser horizontal em todo o processo de construção de seus espaços.

Apartidarismo, mas não antipartidarismo entre os espaços do MECS. Que a ANECS se mantenha autônoma e independente de qualquer grupo ou organização política partidária ou não.

MECS. Que a ANECS se mantenha autônoma e independente de qualquer grupo ou organização política partidária
MECS. Que a ANECS se mantenha autônoma e independente de qualquer grupo ou organização política partidária