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junho 2004 :: ano1 :: nº6 :: www.arteccom.com.

br/webdesign by
junho 2004 :: ano1 :: nº6 :: www.arteccom.com.br/webdesign

Tudo o que seu cliente


precisava saber sobre

sites e você tinha


medo de falar
Webdesign

Os experts Abel Reis e René de Paula Jr. falam sobre CRM


e a importância de um bom relacionamento com o cliente R$ 6,90

Siga os conselhos dos profissionais: O que fazer


quando o cliente interfere no projeto?

Embratel.com.br : conheça o projeto que diminuiu sensivelmente


o volume de ligações para o call center da maior empresa de telefonia do país e d i t o r a

E-mais: uma lista completa dos maiores concursos


nacionais e internacionais para você participar arteccom
direitos autorais
3
Equipe

Editorial
quem somos

Uma “forte” parceria! Direção Geral


Adriana Melo
adriana@arteccom.com.br
Como é gratificante para a equipe Arteccom saber que seu traba-
Direção de Redação
lho vem sendo reconhecido e valorizado não apenas por vocês, leito- Bete Veiga
res da Webdesign, mas também pelos mais variados segmentos da bete@arteccom.com.br

área de web. Prova disso é a parceria que tem início nesta edição, a Direção de Arte
Patrícia Maia
partir da qual passaremos a contar com o patrocínio da Locaweb, em-
patricia@arteccom.com.br
presa líder de hospedagem de sites no país, 100% brasileira e sem in-
Ilustração
vestidores externos. Beto Vieira
Nesta troca, tanto o público da Webdesign como a Locaweb sai- beto@arteccom.com.br

rão ganhando. A revista ganha segurança, vida longa no mercado Diagramação


Bruna Werneck
editorial, maior tiragem e, conseqüentemente, maior alcance. Tudo
bruna@arteccom.com.br
isso, mantendo sua autonomia de conteúdo, atendendo sempre às
Publicidade
sugestões dos leitores. O patrocinador ganha maior visibilidade e um Daniele Moura
meio significativo de divulgação de seus serviços, o que só consolida- daniele@arteccom.com.br

rá a sua posição de primeiro lugar em número de clientes. Webdeveloping


Fabio Pinheiro
Foi com muito esforço e dedicação que conseguimos levar até
fabio@arteccom.com.br
vocês as primeiras cinco edições. A determinação de nossa equipe
tornou-se mais forte que todo e qualquer obstáculo, e, hoje, mais do
Criação e edição
que nunca, estamos convictos de que valeu a pena. www.arteccom.com.br

Muitas vezes, tudo o que precisamos é de alguém que acredite


Patrocínio
em nossa capacidade. Mais do que confiança, é reconhecimento. E www.locaweb.com.br

reconhecimento, sem dúvida alguma, é bom demais! Produção gráfica


www.ediouro.com.br/grafica
Um grande abraço,
Distribuição
www.chinaglia.com.br

:: A Arteccom não se responsabiliza por informações e opiniões contidas


Adriana Melo nos artigos assinados, bem como pelo teor dos anúncios publicitários.
:: Não é permitida a reprodução de textos ou imagens sem autorização
da editora. :: Os emails são apresentados resumidamente. :: Sugestões
dadas através dos emails enviados à revista passam a ser de
propriedade da Arteccom.

4
menu
apresentação
pág. 4 quem somos
pág. 5 menu

contato
pág. 6 emails
pág. 6 fale conosco

fique por dentro


pág. 9 adote esta página
pág. 10 clipping

portfólio
pág. 13 veterano: Mariana Bukvic
pág. 18 calouro: Daniel Lemos

matéria de capa
pág. 19 entrevista: Abel Reis
pág. 24 entrevista: René de Paula Jr.
pág. 28 debate: O que fazer
quando o cliente interfere?
pág. 34 entre tapas e beijos

e-mais
pág. 38 estudo de caso: Embratel
pág. 45 encontro de web design
pág. 47 prêmios
pág. 54 tutorial: vídeo digital

com a palavra
pág. 56 estratégia online: Marcello Póvoa
pág. 58 webwriting: Marcela Catunda
pág. 60 marketing: René de Paula Jr.
pág. 62 interface: Cláudio Toyama
pág. 64 webdesign: Luli Radfahrer

5
emails

gráficos, dando dicas de como Em breve, faremos uma matéria Graças a casos como o seu, o sistema
fazer algum desenho ou sobre o tema sugerido. Valeu a de assinatura foi modificado. Para
animação. Acho que a revista colaboração com a nossa pauta! maiores informações, acesse o site da
estaria mais completa desta revista: www.arteccom.com.br/
forma. Assunto: Ok man webdesign.
Juliano Nunes Silva Oliveira
juliano.web@ibest.com.br Meus sinceros parabéns para
Oi, Juliano! toda a equipe (nota 1000)
Com a Locaweb nos patrocinando, pelas duas primeiras edições
publicaremos mais matérias voltadas da Webdesign. Estou
para tecnologia. Sobre animação, terminando o curso técnico de
você encontra a matéria ‘Animação webdesign e já estou
e 3D’ em nossa edição de Abril. Não elaborando meu ‘fisrst work’.
deixe de ler! Posso afirmar que cerca de
60% das idéias vieram
Assunto: Como abrir uma destas duas edições, os
Assunto: Números atrasados agência web
outros 40% tirei de tudo o que

Gostaria que vocês vejo, leio e ouço. Irei cadastrá-


Adorei a revista, que traz
publicassem uma matéria lo em breve no link Portfólio.
super matérias. Até já visitei
Cristiano Conte
vários dos sites publicados. O sobre como se planejar para
contecaco@bol.com.br
único problema é que comprei abrir uma empresa de web
‘My Dear’
(criação de sites, design etc.). Assunto: Música
apenas a edição nº4 e gostaria Mais do que um reconhecimento, seu – direitos autorais
de adquirir as anteriores. Seria muito útil esclarecer não
email foi um incentivo a mais para a
Como consegui-las? só aspectos burocráticos,
equipe Arteccom. Espero que a Com relação aos assuntos
Um abraço!!! tributários, comerciais, mas
revista continue sendo útil e colabore abordados (excelentes),
Aline Gibin também como encontrar
para a construção das carreiras de gostaria de saber um pouco
alinegibin@yahoo.com.br clientes ... Suponho que muitas
nossos leitores. Enquanto seu sobre direitos autorais de
Boas notícias, Aline: desde 20 de pessoas tenham essa mesma
primeiro trabalho não vem... ‘keep in músicas para sites. Pelo que
maio, o serviço de venda dos vontade, mas falta uma Assunto: Assinatura
touch ;-) sei, em propagandas de TV é
números atrasados foi disponibilizado matéria do gênero para
Enviei uma sugestão e fiquei permitido utilizar até 30
no site da revista. Acesse já: alavancar a idéia de se abrir
aguardando um email ou que a segundos de qualquer música.
www.arteccom.com.br/webdesign. uma empresa.
resposta fosse publicada na Isto vale para sites também?
Renata Lemos
rfetter@msm.com.br edição de Abril. A sugestão era Se eu modificasse a música
Assunto: Mais tecnologia
uma segunda opção para a com efeitos, poderia usá-la
Olá galera, parabéns pela promoção de assinatura da inteira?
revista! Sugiro que vocês revista, pois já possuía todas Continuem com este trabalho
publiquem mais material as edições oferecidas que acrescenta muito
prático (artigos, dicas). gratuitamente com a conhecimento à nossa
Gostaria de ler textos sobre assinatura. profissão.
animações, por exemplo. Seria Rodrigo Teixeira da Cruz Fábio Russo
rodrigo.tcruz@ig.com.br fabiorusso@8arroba.com.br
interessante incluir conteúdo
Mil desculpas, Rodrigo! Que interessante! Com certeza,
sobre CSS e tableless, que
Pedimos sua compreensão entrará em uma de nossas futuras
embora mais ligado à
com este ‘acidente de início pautas. Fique atento à coluna ‘emais’.
programação, tem muita
de percurso’ e lhe O que já é bom, pode ficar melhor
relação com design também.
agradecemos por ser um fiel ainda com a participação ativa de
Ter um colunista de programas
comprador da Webdesign! leitores como você!
como Flash, Fireworks,
Photoshop, Lightwave, 3ds
Max e outros programas

fale conosco através do site www.arteccom.com.br/webdesign

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WLD Desenvolvimento

www.wld.com.br
(11) 3858-7133
contato@wld.com.br

adotou esta página

“Eduquem-se as crianças e não será necessário punir os adultos” Piaget

Adotando esta página, a WLD Desenvolvimento contribuiu com R$600,00 para a manutenção do pro-
jeto Magê-Malien – Crianças que Brilham, beneficiando integralmente crianças e jovens de comunidades
menos favorecidas. O projeto possibilita o acesso das crianças ao universo da educação, da arte e da
cultura através de cursos e oficinas ministrados gratuitamente pela equipe Beriba-Rei Capoeira. Ocu-
pando de maneira sadia suas horas de lazer, os jovens aprendem o exercício pleno da cidadania.
A Arteccom acredita na construção de um futuro melhor e agradece este gesto de solidariedade!
Você também pode ajudar a manter o brilho dessas crianças: ligue para (21) 2253-0596 ou envie um email para
arteccom@arteccom.com.br e adote esta página!
Para conhecer o projeto Magê-Malien, visite o site www.arteccom.com.br/magemalien.

9
clipping

Novo tênis da Adidas Preso, alemão confessa ter


é equipado com criado o vírus Sasser
microprocessador Um adolescente alemão foi preso e
confessou ter programado o vírus Sasser,
A Adidas apresentou o “primeiro tênis
que se espalha e derruba redes de
inteligente do mundo”, que possui um chip
computadores. Desde que surgiu, já
de computador para amortecer o impacto,
destruiu PCs que rodavam Windows
de acordo com tamanho e peso do corredor.
2000, NT e XP. Especialistas da Microsoft
Mantido em segredo pela empresa alemã, o
confirmaram que ele é o causador do
projeto levou três anos para ser desenvolvido.
vírus. Investigações policiais não apontam
O Adidas 1 tem um processador colocado na
ligação com o crime organizado, mas não
sola, cujo chip controla um pequeno sistema
descartam ligação com outros programadores
formado por cabos e parafusos, que
de vírus. O jovem, também suspeito de criar
ajustam a pressão de acordo com os
uma variação do vírus Netsky, pode ser acusado
sinais enviados por um sensor
de sabotagem e pegar até cinco anos de prisão.
eletrônico. Os ajustes são feitos enquanto o corredor levanta o
pé, para evitar que o choque danifique o sistema. O sistema
(02)
inteiro não pesa mais de 40 gramas (apenas 10% dos 400g de
cada um dos tênis).
O preço do produto, porém, é pouco convidativo: o Adidas 1 será
vendido por US$ 250, quando for lançado, em dezembro, nos Internet leiloa varandas de onde será
Estados Unidos.
(01)
possível ver casal real
(03)
O “eBay”, uma das empresas mais importantes de leilões pela internet,
sediada nos EUA e presente em 28 países, decidiu dedicar uma seção
inteira a artigos relacionados ao casamento do herdeiro da coroa espanhola,
Para os Felipe de Borbón, e da jornalista Letizia Ortiz, que acontecerá no dia 22
tipógrafos de maio.

de plantão Até mesmo varandas localizadas no trajeto dos noivos estão sendo
leiloadas. Os lances iniciais para alugar por apenas algumas horas estes
A editora Rosari
privilegiados lugares oscilam entre os 360 e os 2.400 dólares.
oferece ao público a
O leilão acabará no próximo dia 10 de maio, doze dias antes do casamento.
coleção “Qual é o seu
Neste dia, o preço final dos artigos será divulgado.
(03)
tipo?”, com livros sobre
tipografia. Dentre os
títulos, encontram-se:
Pesquisa mostra perdas por fraudes
:: “Como se pode fazer tipografia suíça?” (Wolfgang Weingart,
referência intelectual no mundo tipográfico) - o livro, escrito há mais
no ecommerce
de 30 anos, ainda é atual, e considera-se a publicação em português Pesquisa encomendada pela CiASHOP e-commerce, revela que as
um marco na formação de designers e tipógrafos. compras com cartão de crédito continuam apresentando falhas de
:: “Capitular Collage” (Tide Hellmeister) - traz fontes usadas na segurança, exploradas pelos hackers para enganar vendedores e
abertura de capítulos de livros. consumidores. Segundo o estudo, cartões falsificados causam perdas que
:: “Gill Sans” (Gustavo Piqueira) - o autor apresenta fontes criadas equivalem a 3% do faturamento bruto das lojas virtuais.
(05)
pelo tipógrafo e escultor Eric Gill (1882-1940). O levantamento mostra também que do total de empresas contatadas,
:: “Psicodélicas: um tipo muito louco” (Carlos Perrone) - criadas nas 42% detectaram a ação criminosa. Cerca de 44% dos entrevistados
contestadoras décadas de 60 e 70 do século passado, estas fontes consideram que as informações sobre os clientes são seguras. Já 39% dos
influenciaram a visualidade formal e informal, fazendo com que a (05)que o sistema é inseguro, declaram falta de confiança (06)
que afirmam nas
transmissão de energia prevalecesse sobre o compromisso com a informações recebidas pelas administradoras de cartões ou bancos (34%)
arte e o design. e clientes (20%). (04)

10
clipping
30% dos
internautas
pagariam por
web mais
rápida, diz
Empresa israelense Ibope/
desenvolve detector de NetRatings
homem-bomba Cerca de 30% dos internautas
A International Technologies Lasers (ITL), que brasileiros estão dispostos a pagar
desenvolve equipamentos semi-militares, como sistemas mais por uma conexão melhor com a Internet.
de visão noturna, começou a desenvolver o detector Segundo a pesquisa, 29% dos usuários residenciais do país
de homem-bomba há cerca de três anos.
disseram que pretendem trocar a conexão de linha discada
O sistema tem uma taxa de detecção quase perfeita e
pelo acesso em alta velocidade com a web nos próximos 12
terá um protótipo pronto dentro de seis a oito meses.
meses. 30% dos entrevistados também afirmaram que o
O mercado-alvo do dispositivo é a indústria de aviação.
preço da conexão é um dos principais fatores que
A ITL negocia acordos com duas importantes companhias
dificultam a instalação da banda larga nos domicílios.
norte-americanas.
Os internautas domiciliares brasileiros que se conectam à
A empresa israelense também afirmou estar
desenvolvendo um dispositivo capaz de sentir a presença
web em alta velocidade estão entre os maiores usuários da
de rastros de explosivos em documentos. rede mundial de computadores. Pelo Ibope, os brasileiros
navegaram em média 21h58min em março, enquanto os
(05) americanos passaram 19h08min no mesmo mês.
Os sites que oferecem conteúdo multimídia estão entre os
preferidos desse grupo de internautas. (06)

Polícia pega spammer que usava nome de banco


Um spammer de Campinas, interior de São Paulo, que usava o nome de uma corretora e do diretor de um banco
para espalhar mensagens sobre produtos que comercializa, teve seu equipamento apreendido pela polícia no
último dia 13 de abril. (Fonte: revista “Info”). Por ordem da Justiça, a polícia apreendeu CPU, gravador de CDs
e DVDs, disquetes, conjuntos de CDs graváveis e cópias de software, aparentemente piratas. A operação
foi resultado de um trabalho de investigação realizado durante quatro meses pelo banco. O equipamento
apreendido foi encaminhado para a perícia do Instituto de Criminalística. (07)

(10)

(01) http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u15896.shtml
(02) http://informatica.terra.com.br/interna/0,,OI305257-EI559,00.html
(03) http://informatica.terra.com.br/interna/0,,OI304494-EI553,00.html
(04) http://www.estadao.com.br/tecnologia/internet/2004/mai/04/130.htm
(05) http://ultimosegundo.ig.com.br/useg/economia/mundovirtual/artigo/0,,1600588,00.html
(06) http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u15885.shtml
(07) http://ultimosegundo.ig.com.br/useg/economia/mundovirtual/artigo/0,,1604038,00.html

11
12
portfólio :: veterano
Sexo frágil?! Nem tanto...
A designer Mariana Bukvic, 27 anos, diretora de
arte da F/Nazca conta suas vitórias profissionais,

revela um pouco de seu lado pessoal e mostra


alguns de seus trabalhos de maior repercussão.

Confiram a seguir toda a força dessa tão


decantada ‘fragilidade’.

13
portfólio :: veterano

“Para fazer bom A vocação precoce e o desejo de estu- tal pesquisar muito. É assim que a gente
dar algo que reunisse arte e tecnologia le- aprende e evolui”. Nas horas de folga,
design é
varam Mariana Bukvic a optar pela faculda- abre uma exceção para se aproximar do
fundamental de de Desenho Industrial, com habilitação computador quando sente vontade de
em Programação Visual, cursada na brincar de design com suas criações.
pesquisar muito.
Unesp/Bauru, em SP. A menina, que desde Não subestimar projetos e dedicar-se
É assim que a gente a infância gostava de desenhar e mexer igualmente a todos eles são os diferenciais
com tinta, transformou-se na adolescente do seu trabalho, segundo a própria
aprende e evolui”
que descobriu a possibilidade de aliar arte Mariana. “Encaro projetos sempre da mes-
à tecnologia e veio a se tornar uma bem ma forma, desde o menor projeto até um
sucedida profissional da área. Trabalhos muito grande. Todo trabalho, por menor
para Skol, Claro, Flor, Petrobras, Nestlé, que seja, não deixa de ser um desafio pra
Johnson&Johnson, Coca-Cola Light, Souza mim e, em todos eles, me cobro muito se
Cruz e Natura compõem seu portfólio. Sua estou fazendo o melhor, se não haveria
primeira premiação veio com seu projeto uma forma mais original de resolver a cri-
de formatura (um trabalho experimental e ação”. Para ela, a diversidade dos perfis
interativo de tipografia), que a fez ganha- de clientes e suas respectivas propostas é
dora do primeiro lugar da 1ª edição do algo libertador: “Não fico presa a um esti-
FILE (Festival Internacional de Linguagem lo, aliás, adoro fazer trabalhos que tenham
Eletrônica), na categoria animação. estilo e linguagem bem diferentes uns dos
Enquanto isso, no âmbito pessoal, outros. Gosto de constantemente, na me-
tem como hobbies yoga e leitura sobre dida do possível, usar linguagens diferen-
design, além de usar parte de seu tempo tes”, explica. Talvez, por essa razão, suas
para pesquisar, hábito que considera uma dicas para quem está chegando ao merca-
espécie de matéria-prima de um design do, agora, possam ser resumidas em: pes-
bem feito: “Gosto de olhar tudo ao meu re- quisa intensa e constante; fuga do vício
dor – a natureza, o movimento, a tipogra- em tendências; flexibilidade de estilos e
fia na rua, as pessoas. Deveria até ter por atualização de técnicas. Como comple-
hábito andar com minha câmera e fotogra- mento, a designer enfatiza a importância
far tudo o que gostasse. Claro que também do curso superior para o desempenho da
procuro navegar para ver trabalhos e livros profissão baseado no exercício do senso
de designers, ilustradores e artistas que crítico que só a formação acadêmica pro-
curto. Para fazer bom design é fundamen- porciona.

14
portfólio :: veterano
Mas, problemas sempre hão de existir... E, na criação
Mariana Bukvic
de um site, não poderia ser diferente. Na opinião de Mariana
Bukvic, o processo de criação para a web é um caso à parte.
“No processo criativo de um site, várias coisas devem ser
muito bem pensadas. Como internet envolve muita tecnologia,
não podemos pirar completamente sem vermos as limita-
ções técnicas. Outro fator limitante é o prazo. Nem sempre
temos um prazo razoável para certos projetos com muito
potencial. Muitas vezes, somos forçados a fazer um layout
levando tudo isso em consideração”. Da mesma forma, a www.marianabukvic.com.br

relação agência-cliente passa por fatores como confiança


e liberdade, que podem ser decisivos no resultado de um
projeto, seja ele positivo ou negativo. Para ela, “excelentes
trabalhos, boa administração e clientes que dêem liberda-
de para criação e confiem na agência ou produtora que aten-
dam a eles” são determinantes no sucesso de uma empre-
sa, pois “quando existe muita confiança e liberdade na re-
lação cliente-agência, conseguimos ousar mais e não fica-
mos presos a fazer o que o cliente certamente vai aprovar”,
analisa. Embora praticamente não tenha contato direto com
clientes, Mariana descarta a passividade: “O que procuro
fazer é sempre lutar por um bom design, mesmo quando o
cliente opina e interfere demais na nossa criação”.
Como exemplos de trabalhos de grande repercussão e
reconhecimento, Mariana cita:
Coca-Cola light (2002)
“Esse foi o maior e mais importante projeto do início
da minha carreira. Tratava-se de um projeto grande de
redesign e novas features para o site da Coca-cola light
(anteriormente, feito pela DPZ), que foi entregue para a
Tribo Interactive sob coordenação da DPZ. www.cocacolalight.com.br

15
portfólio :: veterano

Foi muito gostoso de fazer, pois, além de ser uma marca que foca o
público jovem, o site tem um conteúdo de lazer, principalmente, noturno.
O projeto foi muito bem organizado e planejado pela DPZ.
Fizemos duas opções de layouts bem diferentes um do outro. O úni-
co empecilho que tivemos foi na escolha das fotos, que tivemos de com-
prar de banco de imagens. Não foi fácil encontrar fotos no pique da cam-
panha que a DPZ estava lançando para o produto, na época.
Esse site ainda envolveu todo um processo de gerenciamento de
conteúdo desenvolvido pela Zero Um, com conteúdo da Abril.
Premiação: top 3, no Ibest 2003, na categoria excelência em design.”
SKOL (2003-2004)
“Ilha Quadrada foi meu primeiro trabalho para a Skol, na F/Nazca.
Tínhamos de fazer uma série na web que mostrasse a evolução da cam-
panha da Ilha quadrada em TV e mídia.
Como se tratava de um folhetim, optamos por fazer uma história em
quadrinhos com cada capítulo, e todo o restante do site também se incor-
porou a essa linguagem. Além do site, foi feita uma campanha de mídia e
emailmarketings para cada nova promoção (foram três). Esse projeto teve
recorde de acesso para o site da Skol, superando até o site Skol Beats.
Os emailmarketings também eram todos ilustrados de acordo com o
tema da promoção.
A promoção consistia em você participar de um abaixo-assinado, e
você realmente assinava e conferia a assinatura das últimas dez pessoas
que estavam participando.
Foi muito gostoso fazer as ilustrações, mas muito trabalhoso também. Co-
meçamos esse projeto em dezembro 2003 e terminamos em março deste ano.”
Flor (2004)
“Flor é uma nova marca de beachwear, lançada no mercado no se-
gundo semestre de 2003. A primeira etapa do site (que ainda está no ar)
apresenta o catálogo impresso da primeira coleção Primavera/Verão
2003, com direção de arte de Fábio Simões (diretor de criação do depar-
tamento de web da F/Nazca) e ilustrações de Linn Olofsdotter, de forma
interativa. Selecionamos algumas páginas do próprio catálogo que repre-
sentassem bem a idéia do mesmo e animamos. www.skol.com.br

16
portfólio :: veterano
Procurei pensar em uma forma es-
pecífica de animar para cada cena, a fim
de que o usuário realmente entrasse na-
quele contexto.
O site dessa coleção ganhou ouro no
Clube de Criação de 2004. Ficamos muito
gratificados pelo reconhecimento.
No momento, estou desenvolvendo o
site completo (reformulado) com a nova
coleção, já em fase de finalização, que
brevemente entrará no ar. Para esse novo
site, desenvolvi todas as ilustrações e toda
a direção de arte da comunicação da cole-
ção outono-inverno.
Premiação: ouro, no 29º Clube de Cri-
ação (2004).”
Dentre seus planos, além de solidifi-
car-se ainda mais no mercado, estão o pro-
jeto de uma revista online, com trabalhos
de design experimentais; iniciar uma car-
reira docente e fazer mestrado; viajar para
estudar ou trabalhar no exterior e arranjar
mais tempo livre para a vida pessoal.
E, para finalizar, nada melhor do que www.flor.net

contrariar o rótulo de sexo frágil através


da autodefinição de nossa entrevistada:
“Defino-me como uma pessoa determina-
da, que adora desafios e não tem medo de
encarar caminhos, mesmo que eles sejam
os mais difíceis. Adoro o que faço e procu-
ro fazer o melhor dentro dos meus limites”.
Uma demonstração de que força não é
apenas ter coragem de enfrentar desafios,
mas, sobretudo, ter coragem de reconhe-
cer suas próprias limitações.

17
portfólio :: calouro

Amor à segunda vista...


O Direito perdeu mais um advogado e o Design ganhou mais um profissional bem sucedido.
Daniel Lemos de Sousa, paulista de 24 anos, formado em Propaganda e Marketing, estava

certo de que seria advogado. Mas, assim como a adolescência, tudo não passou de uma fase
transitória até que, no primeiro colegial, ele descobrisse sua verdadeira vocação ao fazer

um trabalho em vídeo com vinhetas em Corel Move.

Freelancer desde 1998, sempre conseguiu clientes por indicação:


“Afinal, nada melhor que a propaganda boca-a-boca somada a parcerias
concretas e transparentes”, conta. Como diretor de arte na Tenda Digital,
desenvolveu trabalhos para AOL, HSBC, Itaú, Unibanco, Visa, Coca-Cola,
Mc Donald’s, Nestlé, HP, Kodak, NET, Gerdau, TRW automotive,
Pernambucanas, Souza Cruz, Unilever, Zorba, dentre outros.
Segundo Daniel, “o contato direto com o cliente, poder analisar suas
Seu portfólio online, www.dlspublicidade.com.br
necessidades, interpretar seus sonhos e transformá-los em realidade na
tela do computador” é a grande vantagem de se trabalhar por conta pró-
pria, enquanto um dos maiores problemas “é a concorrência desleal,
aquela que não se importa com a qualidade e o foco do trabalho,
priorizando a guerra de preços e, com isso, degradando o mercado e es-
condendo grandes profissionais”.
Quanto à formação acadêmica, ele é totalmente favorável, sobretu-
do quando se trata de projetos maiores. “Além de você ser bom como
designer, programador, redator, você tem que ser um excelente adminis-
www.eugostoedemulher.com.br
trador, ter visão de mercado, e a faculdade lhe dá esta base”, analisa.
Profissionalmente, Daniel se considera um perfeccionista que não
mede esforços para que o job chegue perfeito ao cliente, “sem erros e,
principalmente, com um resultado muito acima do esperado”. Já no âm-
bito pessoal, libera seu lado extrovertido e alegre, revelando um autên-
tico bon-vivant.
Satisfeito por trabalhar com excelentes profissionais, num futuro
próximo deseja “estar com estas pessoas em que acredita, num mercado
bem competitivo, com mais oportunidades e honesto”. Ppara terminar,
arrisca uma autodefinição: “Amo o que faço e todos os que convivem co-
www.edubajzek.arq.br
migo. Acho que respeito e fé são grandes qualidades minhas”.
Continue assim, Daniel! O email do Daniel é daniel@dlspublicidade.com.br

18
entrevista :: Abel Reis
Conquistar é fácil, manter nem tanto...

Isso também vale para o relacionamento


com o cliente, que cada vez mais requer um

tratamento diferenciado e personalizado.


Atualmente, não se vende apenas um

produto ou serviço, mas, principalmente,


uma imagem, a qual será positiva ou

negativa conforme o atendimento oferecido


antes, durante e após o ato da venda. Se

tiver sido bom, com certeza o cliente vai

querer repetir a dose! Para você entender


ainda mais sobre clientes, a

Webdesign entrevistou um
expert no assunto: Abel Reis, vice-

presidente de tecnologia e projetos


da Agência Click. Leia as próximas

páginas e, assim como o


cliente, tenha satisfação

garantida.

Foi bom pra você?


19
entrevista :: Abel Reis

“Desenhar o escopo preliminar Wd :: Como é feito o atendimento ao


cliente? Há um procedimento básico a
de um projeto é um
seguir?
investimento necessário para Abel :: Em dupla: um profissional de aten-
dimento comercial/relacionamento e outro
assegurar-se de que as
de gestão de projetos devem ‘cuidar’ da
necessidades do cliente estão vida de um cliente web. O atendimento está
focado na qualidade, rentabilidade e esta-
bem formuladas e as previsões
bilidade do relacionamento com o cliente.
de prazo e custo para a De certa forma, esse é um papel comercial
e político ao mesmo tempo, que em projetos
realização do projeto são
de web (na minha opinião) deve ser dife-
consistentes.” rente do modelo tradicional de atendimento
em agências de publicidade.
O gerente de projetos deve estar focado no
andamento das atividades de produção (cri-
ação, tecnologia etc.), aplicando técnicas
consagradas de gerenciamento de projetos
para controlar prazos, escopo, riscos, dentre
outros aspectos.
Wd :: Um dos problemas enfrentados
no atendimento é o fato de o cliente
‘solicitar’ um layout do projeto antes
mesmo de assinar a proposta. Como a
sua agência lida com isso?
Abel :: Desenhar o escopo preliminar
(funcionalidades, serviços e conteúdos) de
um projeto é um investimento necessário
para que a empresa contratada possa, de
um lado, assegurar-se de que as necessida-
des do cliente estão bem formuladas e, de
outro, que as previsões de prazo e custo
para a realização do projeto são consisten-
tes. Desse modo, a existência de um escopo
preliminar permite avançar na negociação da
proposta.

20
entrevista :: Abel Reis
“temos sempre o cuidado de
alertar que o cliente é tão
responsável pelo
cumprimento de prazos
quanto nós”

Naturalmente, o escopo preliminar deve ser alertar


revisitado no início do projeto, visando ao que o cliente é tão respon-
detalhamento. Aqui, então, podem ocorrer sável pelo cumprimento de prazos
alterações. Paralelo a isso, existe uma ati- (como também pela administração de ris-
vidade essencial no gerenciamento do pro- cos, mas isso é outro assunto...), no que
jeto que é a gestão de escopo: assegurar- tange às suas responsabilidades, como nós
se de que os itens estabelecidos no escopo em relação às nossas. Contudo, cabe à
detalhado, bem como a complexidade de agência antecipar-se, alertar, enfim, ‘co-
cada um, estão sendo preservados ao lon- brar’ de forma estruturada e documentada,
go dos trabalhos. Qualquer desvio deve ser de tal modo que o cronograma não seja
apontado claramente, e o quanto antes, comprometido. Obviamente, há clientes
para permitir eventual revisão de prazos e que perdem seus prazos, mas não querem
custos. que o cronograma seja perdido. Então, te-
Wd :: Cronograma é um ponto crucial mos de negociar...
para ambas as partes. Assim como a Wd :: Baseada em que variáveis, a agên-
agência, o cliente também tem prazos cia faz o cálculo de custos de cada pro-
a cumprir, o que nem sempre ocorre. jeto?
Que medidas preventivas a agência Abel :: Projetos de web são intensivos em
toma para evitar que o cliente saia do mão-de-obra qualificada. O que, por sinal,
cronograma? vale para o mercado de software de forma
Abel :: Cronograma é um alvo móvel. Mas, geral... A unidade básica cobrável em proje-
sem ele, não temos alvo nenhum. tos dessa natureza é a hora-homem. Ou
Gerenciar as entregas do cliente ao longo seja, o custo de 1 hora de trabalho de 1 pro-
do projeto (sejam estas materiais, docu- fissional, alocado no projeto, somados à re-
mentos ou definições) é crucial para que muneração desse profissional, todos os en-
não ocorra perda de prazos. No início dos cargos legais, benefícios e os custos físicos e
trabalhos, temos sempre o cuidado de gerenciais de mantê-lo trabalhando. Dado um

21
escopo de projeto, calcula-se o esforço em horas-homem dos profissionais
alocados para realizá-lo. Quanto mais detalhado for o escopo, mais preciso é o
volume de horas-homem estipulado.
Wd :: Não basta conquistar o cliente, é preciso fidelizá-lo. Como é rea-
lizado esse atendimento ‘pós-venda’?
Abel :: Em projetos de web, o ‘pós-venda’, normalmente se traduz em contratos
de manutenção evolutiva e adaptativa, onde a agência deve atuar não apenas
como ‘braço operacional’, mas como parceiro colaborador, identificando novas
iniciativas e direções para a presença online do cliente.
Wd :: De acordo com o contexto atual, e não esquecendo a trajetória
do relacionamento com o cliente até os dias de hoje, você poderia
arriscar um prognóstico quanto às tendências futuras do CRM
(Customer Relationship Management)?
CRM :
Abel :: Não me sinto em condições de prognos-
Para saber mais sobre CRM, vire
ticar o futuro do CRM no geral. Posso dizer que
a página e leia a entrevista com
no ramo onde atuamos, que é o de ‘serviços René de Paula Jr..

profissionais’ para Internet, o relacionamento


com o cliente é por definição inteiramente personalizado, sob medida. Conhecer,
em detalhes, necessidades, estilos e expectativas de um cliente corporativo e de
seus representantes (que, por sua vez, são pessoas físicas) é condição básica
para atendê-los bem.

“A unidade básica

cobrável em projetos

web é a hora-homem”
Calculando a hora-homem: soma-se à
remuneração de um profissional, todos os encargos
legais, benefícios e os custos físicos e gerenciais de
mantê-lo trabalhando e dividi-se pelo número de
horas que ele trabalha em um mês.

22
23
entrevista :: René de Paula Jr

Com o público consumidor cada vez mais exigente, produtos e serviços cada vez mais

equiparados em tecnologia e qualidade, o atendimento pós-venda tornou-se um grande


diferencial. Na busca de uma maior aproximação com o cliente, empresas dos mais variados

ramos vêm investindo em sites não apenas demonstrativos, mas também interativos, cuja
base é um histórico minucioso do ‘passo-a-passo’ do consumidor. Dentro desse contexto,

surgiu o CRM (Customer Relationship Management), um setor estratégico destinado a

captar, fidelizar e até mesmo a recuperar clientes. A Webdesign convidou René de Paula
Jr. para falar desse relacionamento, onde mais do que conquistar, é preciso manter!

Não deixe o cliente


pular a cerca!

24
entrevista :: René de Paula Jr
“gente quer ser tratada como gente, não como números”

Wd :: CRM e pós-venda são a mesma am, confiança leva uma vida pra se con-
coisa, ou o CRM poderia ser visto como quistar e um segundo para se perder. Eu
um pós-venda evoluído? confio na Amazon porque ao longo de to-
René :: CRM ou Customer Relationship dos esses anos, em cada email, em cada
Management significa, ao pé da letra, compra, em cada entrega, e sobretudo no
gerenciar o relacionamento com o cliente. O momento em que eu entro na loja, ela me
pós-venda é apenas um dos momentos da trata como eu gosto de ser tratado. Essa
relação com o cliente. Quando você tem um confiança, que é reforçada em todas as
relacionamento bem gerenciado, bem plane- ocasiões, mesmo nas mais prosaicas, é fru-
jado, o cliente é tratado de maneira adequa- to de uma estratégia sólida de CRM. E veja
da o tempo todo: no momento em que se inte- que interessante: em nenhum momento
ressa pelo produto, durante a compra, du- eles me abordam dizendo ‘bem-vindo ao
rante o uso, e assim por diante. E, o que é nosso programa de relacionamento’. CRM
mais importante: como em toda relação, não é blá-blá-blá, não é um slogan que se
aprendemos cada vez mais sobre cada um e, possa pendurar na parede. É atitude.
a cada passo, a relação se torna mais rica e Wd :: Existem diferenças, em termos es-
profunda. tratégicos, na aplicação do CRM confor-
Wd :: A concorrência cada vez mais acir- me gêneros de produto/serviço e pú-
rada entre produtos/serviços que ten- blico-alvo?
dem a nivelar-se em tecnologia e qua- René :: Há diferenças, sim, e é importante
lidade fez do CRM um diferencial de ajustar as expectativas. Quando acaba meu
peso. Até que ponto o CRM é decisivo galão de água mineral, eu desço e compro
na opção do cliente, atuando como uma outro. Não me preocupo com a marca. E mes-
espécie de voto de minerva? mo que encontre uma marca premium por um
René :: Uma pesquisa recente do MIT pro- preço ótimo, eu não compro mais água do
vou que um dos fatores decisivos na hora que eu bebo. E se a água X quiser que eu pre-
de comprar online é a confiança e, não ne- encha um cadastro gigantesco para ela ‘me
cessariamente, o preço. E como surge conhecer melhor’, eu não vou topar, porque
essa confiança? Como nossas avós já dizi- não vejo o que eu posso ganhar com isso.

25
entrevista :: René de Paula Jr

“um dos fatores Com bancos não é diferente. Eu não quero René :: Fácil, mesmo, é perdê-los. Basta um
que meu banco seja o banco da minha vida, deslize, uma decepção, para que o cliente
decisivos na hora
quero que ele esteja lá quando EU precisar vire as costas para você. Recuperar a confi-
de comprar online dele, nada mais. E quando eu precisar de in- ança é muito mais difícil, sempre, pois tudo o
formações do trânsito ou dicas de saúde, não que você fez para cativar aquele cliente pode
é a confiança, não,
vou lembrar de banco algum, vou direto à passar a ser visto como falso, interesseiro, e
necessariamente, fonte. não vai funcionar numa segunda vez. Esse
Clientes VIP, por outro lado, esperam dos aspecto cruel do relacionamento, reforça
o preço”
seus bancos um relacionamento tão per- ainda mais a importância de sermos impecá-
sonalizado e especial que, talvez, nem a veis, sempre.
internet sirva para isso; talvez prefiram Wd :: Qual o papel do CRM na fidelização
um telefonema, ou mesmo uma visita e na recuperação do cliente?
tête-à-tête. René :: Acidentes de percurso acontecem
Operadoras de telefonia celular, por exem- sempre, e devemos estar preparados para
plo, gastam uma fábula para conquistar no- ‘gerenciamento de danos’: ao menor sinal de
vos clientes. Para que esse investimento insatisfação do cliente, devemos reagir pron-
compense, é preciso que o cliente não vá em- tamente e, surpreendê-lo, positivamente. Se
bora tão cedo, senão é prejuízo total. Por mostrarmos ao cliente que ele pode contar
isso, oferecem tantos benefícios quando conosco, mesmo em momentos difíceis, con-
você ameaça trocar de operadora. quistamos uma confiança-extra decisiva.
Esse é um tema extenso, mas, para resumir: Wd :: Que procedimento devem seguir
quando você oferece uma oportunidade de aqueles que desejem aplicar o CRM em
‘estreitar relações’ com clientes, a primeira coi- suas empresas?
sa que pensam é: o que eu ganho com isso? Em René :: CRM não é uma palavra mágica,
alguns casos, há muito pouco a ganhar para nem um software automático. CRM é uma
ambos os lados. Nos decisão estratégica de alto nível, e é ne-
casos onde con- cessário o envolvimento de todas as áreas
quistar um clien- ligadas ao cliente. De nada adianta inves-
te custa caro, tirmos fortunas em tecnologia se não ga-
mantê-los é crí- rantirmos que a empresa inteira tenha um
tico para o ne- compromisso profundo com a satisfação
gócio. do cliente. Se não tivermos como garantir
Wd :: O que é o compromisso geral, não há software que
mais difícil: salve a pátria.
conquistar, Acabo de ter uma experiência exemplar: es-
fidelizar ou re- tava voando por uma companhia aérea de
cuperar clientes? alto padrão, com uma qualidade de serviços e
Por que? atendimento excelente, ligada ao meu pro-

26
entrevista :: René de Paula Jr
computadores, e acabam colocando as em-
presas contra a parede: ‘você vai me aten-
der como eu quero, onde eu quero, quando
eu quero?’.
grama de milhagem. Durante o vôo, um dos Para ser capaz de satisfazer cada cliente
atendentes demonstrou um total despreparo em todas as ocasiões possíveis, para reco-
para atendimento aos passageiros, compor- nhecer o cliente em cada contato, empre-
tando-se de maneira inaceitável com pessoas sas vão ter de investir cada vez mais em
de idade, jovens, casais etc.. Tenho certeza CRM, não há outra saída. Aí está um feliz
de que muitos dos passageiros saíram dali di- paradoxo: com essas tecnologias todas,
zendo que nunca mais voariam por aquela estamos nos tornando cada vez mais hu-
companhia. manos, mais dignos, mais autônomos. E
Wd :: Com base na trajetória do pós- gente quer ser tratada como gente, não
venda até os dias de hoje, qual seria o como números.
seu prognóstico para o CRM daqui a uma
década?
René :: Clientes estão cada vez mais exi-
gentes. A cada dia que passa, as pessoas
têm ferramentas mais poderosas e rápidas
nas suas mãos, tais como internet, celulares,

27
debate

QUANDO O CLIENTE INSISTE EM INTERFERIR

NA CRIAÇÃO DO PROJETO, DE MANEIRA LEIGA,

O QUE VOCÊ FAZ?

COMO EM QUALQUER RELACIONAMENTO, NO INÍCIO, TUDO É PERFEITO -


OS DEFEITOS SÃO INVISÍVEIS E A DEDICAÇÃO É CONSTANTE. MAS, COM
O PASSAR DO TEMPO, OU MELHOR, DO CRONOGRAMA, SURGEM OS
PRIMEIROS DESENTENDIMENTOS, ESTABELECENDO-SE, ENTÃO, UMA
RELAÇÃO BASTANTE DELICADA... A LINHA DIVISÓRIA ENTRE AS
ATRIBUIÇÕES DE CLIENTE E AGÊNCIA É TÊNUE. ULTRAPASSÁ-LA PODE
SER O COMEÇO DO FIM!

28
debate

“Atendimento, redação, design, planejamento, dire- imposições (não apenas sugestões) de qualquer elemento
ção – e o cliente – cada qual representa uma polia de visual do layout pelo critério ‘gosto pessoal’ etc..
uma engrenagem. Se qualquer uma estraga ou sai do eixo, to- Fico espantado ao me deparar com a avassaladora
das as demais terão seus trabalhos modificados. O dia-a-dia das quantidade de clientes que preferem imposições burocrá-
agências consiste em realizar o ajuste entre essas partes ticas e, muitas vezes, autoritárias, ao diálogo franco e
da engrenagem, gerenciando os componentes produtivo. Um diálogo que pudesse melhorar os
fundamentais dos processos criati- produtos e transformar um site, um siste-
vos e produtivos. ma, um projeto em algo plural, rico
“EXISTEM CASOS EM
O problema é que o em participações conscientes.
cliente, por uma questão QUE AS PRÓPRIAS Mas, não. Quase sempre, a
cultural, financeira ou maioria deles prefere ter a
AGÊNCIAS SE ENCARREGAM DE
outra qualquer, tantas palavra final. Sem falar, nos
vezes toma para si o po- TRANSFORMAR UM CLIENTE casos em que as próprias
der de manifestar ‘a pa- agências se encarregam de
NUM ‘MONSTRO’, FAZENDO-LHE
lavra final’ sobre qualquer transformar um cliente num
assunto, assumindo, em ple- TODOS OS CAPRICHOS” ‘monstro’, fazendo-lhe todos os ca-
no século XXI, os moldes de prichos. (Até eu ficaria com a impres-
uma estrutura piramidal de organização são de que minha palavra é a lei).
totalmente ultrapassada. Enquanto as agências não definirem com mais firme-
Se, ao fim do jogo, ele não tiver se convencido, você vai za e confiança até onde pode, e deve, ir a ação do cliente, ori-
ter mesmo que mudar tudo. E de quem é a culpa? Partindo entando e mostrando o caminho (afinal, para que o cliente as
do pressuposto de que o atendimento, tantas vezes (não contrata?), o horizonte permanecerá nublado.
todas), ratifica, e a diretoria outorga poderes plenos ao cli- O que não vale, é deixar a frustração de layout ´arra-
ente, jogando por terra todo um esforço organizacional e, sado´ por um cliente ficar preso na garganta. Para lidar com
mais do que isso, acabando com todo o seu trabalho criativo isso, eu, pessoalmente, gosto de pensar nessa questão
e técnico, não há muito o que fazer se o cliente já está com como se tratasse de um jogo, que funciona assim: você pre-
você ao telefone, dizendo que você DEVE mudar isso ou aqui- cisa criar e finalizar um layout de qualidade, mas os proces-
lo. Nesses casos, devido à postura das outras partes da en- sos bur(r)ocráticos inócuos, clientes tresloucados, gerentes
grenagem, ou seja, atendimentos, diretoria, gerentes, jun- à base de lexotan, tentarão a todo custo lhe impedir. A re-
tos, ou separadamente, o poder acaba por ‘subir à cabeça’ compensa: olhar para eles depois e cantarolar aquela velha
do cliente e transforma sua função de aprovar ou vetar cri- música do Chico Buarque: ‘Apesar de você...’”.
ações num poder totalitário, único, capaz de tomar qualquer
decisão dentro do processo, estando ou não com alguma ra-
zão. E isso vale para pequenos e grandes ‘abusos’ de poder.
Podemos citar: reprovações consecutivas de layouts; elimi- :: Ronaldo Gazel

nação ou substituição de elementos visuais ou estruturais Diretor de Criação da Bhtec


www.bhtec.com.br
dentro de um projeto cujo layout já tenha sido aprovado;

30
debate
“O CLIENTE TEM O “O Cliente tem o direito de interferir, sim. Ele está contratando um
serviço e pagando por isso.
DIREITO DE
O problema nunca é o cliente. Normalmente, é a nossa capacidade

INTERFERIR, SIM. (agências/bureaus/designers) de nos estabelecermos como especialistas


incontestes na arte de criar.
ELE ESTÁ CONTRATANDO
Se o cliente interfere, e ainda, de maneira leiga, é porque ele não

UM SERVIÇO E confia plenamente, não está seguro e não está percebendo a solução


que imaginou. Enfim, não encantamos!
PAGANDO POR ISSO”
Quando isso acontece, nós tentamos harmonizar a discussão e
tentamos fazê-la produtiva, sempre com argumentos técnicos e sem
vaidades.

:: César Paz Nos casos de exceção, quando não temos sucesso, a AG2 desen-
Diretor executivo da AG2
volve o trabalho e não assina a(s) peça(s)”.
www.ag2.com.br

33
entre tapas e beijos

Entre tapas
e beijos!
Até onde pode ir a influência do cliente sobre um projeto?
Nem sempre é fácil se chegar a um consenso quando o assunto é criação, principalmente, se o

objeto de criação for um site. Talvez, a origem das divergências esteja nas diferenças de
formação acadêmica e conceitos, responsáveis por visões e interpretações bastante subjetivas.

Um pouco de diplomacia é essencial em vá avançar o sinal e pôr tudo a perder”. Es-


qualquer relação, mas, em determinadas ocasi- treitar os laços de comunicação, individuali-
ões, a verdade precisa ser dita, independente zar e personalizar o atendimento mostra-se
do desfecho da situação. Como no momento uma tendência cada vez mais forte. Para co-
que precede uma declaração de amor, surge meçar, deve-se procurar conhecer o máximo
aquela sensação desconfortável ante o desco- possível do cliente: “...é praticamente impos-
nhecido e o imprevisível – a reação da outra sível saber tudo sobre ele, mesmo sendo fiel,
parte. Então, só resta respirar fundo, encher- mas buscar saber sobre seus desejos, inte-
se de coragem e ir em frente. Afinal, seu cliente resses e preferências, influenciará na trans-
deve saber algumas coisinhas sobre sites que missão da mensagem certa”.
você ainda não teve a ousadia de contar... doa Passados os contatos iniciais, parte-se
a quem doer! para a manutenção e fidelização. Para obter
‘O primeiro contato, a gente nunca êxito nestas duas etapas, “quanto mais valor
esquece’ você puder oferecer, mais seus clientes existen-
No primeiro contato com o clien- tes ou potenciais aguardarão notícias suas com
te, poder de persuasão é bem-vindo e interesse”. E neste processo, mostrar a impor-
necessário. Mas, com o passar do tância do fornecimento de dados é essencial
tempo, a persuasão pode virar pre- “para que o cliente perceba o valor da informa-
cipitação. “Uma coisa é certa: você tem ção e dos benefícios sugeridos”.
que conseguir um cliente e saber mantê-lo. Segundo o livro “Fidelização”, de Hans
Primeiro, você chama a atenção dele e tenta Peter Brondmo, algumas diretrizes devem es-
estabelecer uma relação contínua. Mas não tar sempre na sua cabeça:

34
entre tapas e beijos
:: Você não é o melhor amigo do seu cliente. atenção do seu valor e dar continuidade ao processo; a auto-
:: Seja breve e explique o porquê das perguntas. rização facilita a aceitação de novas mensagens.
:: Escute. O controle está com o cliente. Envolvimento – fase da preparação da base de um relaci-
:: Mostre um valor imediato. Informações relevantes ou uma onamento duradouro, onde é necessário ‘mostrar um valor
oferta especial. tangível, na forma de informações, notícias, entretenimento e
:: Mostre que você os escutou. promoções, que combinem com os interesses do seu cliente’.
Complementando: “A metodologia para desenvolver uma Fidelidade – é uma causa, e não, uma imposição; manter
boa comunicação, utilizando ferramentas digitais, deve pas- os clientes neste estágio é um grande desafio, que demanda
sar por quatro estágios: esforço; é o momento de adquirir mais informações sobre seus
Atenção – primeiro estágio de qualquer processo de comu- hábitos e preferências”.
nicação; deve ser provocada, e adequada ao público, ao objetivo Isso é apenas o começo...
proposto e ao tipo de relacionamento desejado com a sua marca. ‘Não basta ser cliente, tem que participar’
Consentimento – deve ser solicitado; é o grande momen- Paradoxalmente, a participação do cliente é de extrema
to para o primeiro encontro, pois é a chance de despertar a importância para evitar futuros problemas. Acompanhar pas-

ABRA EB
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Destaque para a coluna "Onde estão os Applets?".
A experiência e a utilização dos Applets Java por Tabajara R.M.
desenvolvedor de sistemas e colaborador ABRAWEB.
Você pode ser um colaborador ABRAWEB. Envie seu artigo para info@abraweb.com.br
35
entre tapas e beijos

so-a-passo o desenvolvimento do projeto é fundamental para Sub-versões


que o cliente compreenda o quê e por quê está sendo feito. Muitas vezes, o cliente peca por falta ao optar por um
“Infelizmente, a participação dos clientes geralmente se resu- site padrão. “Na verdade, o que ele quer é que seja ‘desen-
me a assinar contrato, pagar (momentos difíceis, hein?), apro- volvido’ um produto com uma cara bonitinha, mas que pode-
var layout. O resto não existe... Há exceções para todos es- ria ser a mesma de uma revista feminina, um jornal regional
ses pontos, obviamente, mas estamos falando aqui das em- ou um site de notícias gerais...”. Surpreendentemente, pre-
presas que não estão preparadas para internet”. Portanto, há ferem o lugar-comum, o terreno já explorado por outros
formas produtivas de se participar de um projeto que podem sites, que são tomados como exemplos de resultados que
contribuir positivamente para o seu êxito. gostariam de obter.
‘Tecnologia é nada, visual é tudo’ Para o designer, pode ser frustrante e limitador à medida
Existe uma forte tendência, da parte de alguns clientes, em que as etapas iniciais de pesquisa e análise de informações
a valorizar o aspecto visual do site em detrimento de outros fa- e tecnologia são reduzidas drasticamente, assim como sua
tores relevantes, como a tecnologia utilizada e os benefícios criatividade é tolhida ao oferecer-se como modelos trabalhos
que ela proporcionará aos usuários. “O que continua a vender pré-existentes. “Como o nome já revela, um site padrão não
os sites sob a perspectiva dos clientes é o visual. Se ele achar poderá ter diferenças marcantes ou características”.
bonito – nem sempre funcional – é compra quase certa (na dú- Mais do que criar, o designer tem a árdua tarefa de passar
vida, o preço decide). O que vale é o visual, e nada mais parece ao cliente o quanto é importante a fase de desenvolvimento do
importar. Com certeza, há motivos lógicos para isso, pois o projeto, o qual deve assimilar as personalidade da empresa e,
layout é mais ‘palpável’ que qualquer outra coisa, mas ignorar conseqüentemente, do seu público. O que funciona para um cli-
os outros aspectos é um erro”. Um erro que, aliás, pode ser fa- ente pode ser desastroso para outro. “A fase de ‘ensinar’ ao cli-
tal... ente sobre internet já acabou. Agora, temos que convencê-lo do
quanto é importante desenvolver um produto que realmente fun-
cione, coisa que não deveria ser uma novidade...”. Assim como
cada ser humano é único, cada empresa deve buscar refletir sua
identidade na veiculação de sua marca.
O barato pode sair caro
Enxugar custos nem sempre é compatível com qualidade.
Várias empresas, com o intuito de reduzir seus gastos, acabam
delegando o projeto e implantação de seus websites aos de-
partamentos de TI ou afins. Então, tem início um longo e
acidentado caminho até que se chegue ao site ideal.
“Muitas vezes, a própria equipe de TI recomenda ao
pessoal da empresa que deve se contratar gente
especializada, mas, normalmente, o projeto aca-
ba sendo feito internamente por incompreensão
do problema, ou simplesmente por uma questão de
economia”.

36
36
entre tapas e beijos
Após muito insistir em baratear o custo do site (contratando
mão-de-obra não tão especializada) e perceber que o retorno
não foi nem um pouco satisfatório, finalmente, a empresa decide
investir no projeto e entregá-lo a uma produtora de sites compe-
tente. A esta altura... “somando o custo dos primeiros projetos
mal sucedidos, daria praticamente o que foi gasto na última e fe-
liz tentativa. Tivessem pulado aquelas etapas, o site sairia por um
preço muito inferior, em bem menos tempo”.
Sem dúvida, uma situação perfeitamente evitável, onde
a empresa perde tempo e dinheiro e o bom designer perde
mercado de trabalho para profissionais inadequados.
‘Mercado-sem-lei’
Para não ter de partir para um duelo com o cliente, nada todos os seus recursos, significa adquirir o máximo de informa-
melhor do que pôr as cartas na mesa. Clareza e objetividade ções em um tempo mínimo. “A internet oferece um meio total-
são os melhores antídotos contra ‘mal entendidos’. “Na hora de mente novo de estabelecer afinidade com os clientes. Respon-
negociar, tome a frente das negociações e ensine ao cliente der às suas dúvidas, resolver seus problemas e vender a eles
como funciona e o que esperar de um projeto interativo”. produtos adicionais são tarefas que podem, agora, ser
Dentre os problemas enfrentados no relacionamento com computadorizadas. Os desejos podem ser realizados através
o cliente, os mais comuns são: “não compreender o valor de um de um botão, de um clique”.
projeto; mandar trabalhar, depois desistir e dizer que não vai A reciprocidade e a rapidez no envio/recebimento destes
pagar; querer pagar a metade do combinado; pedir projetos dados são umas das maiores vantagens de se disponibilizar um
prontos quando é uma concorrência e depois querer usar o site. “Não tem precedentes o conhecimento sobre os clientes
seu projeto sem pagar; não gostar do seu design e por aí vai”. que é possível obter desta forma (preferências, reações, re-
A razão para tantos desencontros talvez esteja nas transfor- jeições, opiniões, necessidades, hábitos etc.)”.
mações ocorridas no mercado. “Neste novo mercado profissional de Hoje, mais do que nunca, abrir canais de comunicação com
internet, onde a maioria das antigas grandes produtoras desapare- o público é vital para a sobrevivência no mercado. “Os serviços
ceu, desapareceram junto com elas as boas práticas de mercado e online tornam-se cada vez mais populares porque fornecem três
muito do conhecimento acumulado com a experiência e o tempo. O grandes benefícios para os compradores potenciais: conveniên-
resultado é que voltamos a ter frente à frente, profissionais com boa cia, informação e maior comodidade. Os clientes esperam con-
técnica e talento, mas sem experiência comercial, e clientes com seguir o melhor preço, querem o serviço mais rápido, desejam
menos verbas e mais exigências para seus projetos interativos”. obter respostas rápidas, em vez de ‘ficar pendurado em uma li-
Seria muito prático, e maniqueísta, classificar as persona- nha’. Fila, nem pensar”. Benditos sites!
gens desta história como mocinhos ou vilões. “Não é questão
Fontes:
de má fé ou cretinice por parte de ninguém. É simplesmente
“É o primeiro contato com o cliente. E agora?”, de Cláudio Nossa
uma questão de falta de cultura e prática comercial”. “Dê ao cliente a capacidade de obter respostas”, de Marco Aurélio Machado
“Cliente ordinário”, de Michel Lent
Infinitas possibilidades... “A via crucis do cliente”, de Michel Lent

A internet é um veículo inovador e eficaz na comunicação “Design: quando o cliente pede um site padrão”, de Renata Zilse
“Quando o cliente não enxerga além do layout”, de Leonardo Mello
com os clientes de uma empresa. Saber usá-la, aproveitando Estes artigos estão disponíveis no site www.webinsider.com.br

37
estudo de caso

“Bate-fio” com a Embratel

Em entrevista à Webdesign, Fábio Costa e Sérgio Carvalho, contam

como a AlmapBBDO e a Sirius interativa se uniram para vencer o


desafio de reformular o portal Embratel.

Construir o primeiro site de uma empresa não é projeto dos mais fáceis. Imagine, então,
redesenhar o site de uma das maiores prestadoras de serviço do ramo de telecomunica-
ções. Mudar para melhor e readaptar o gigantesco e diversificado público-alvo eram ape-
nas alguns dos muitos desafios a serem superados. Tudo isso, sem descaracterizar a
imagem da empresa. Um trabalho que exigiu não só planejamento, mas, sobretudo, com-
petência. Acompanhe nas próximas páginas os principais lances desta árdua tarefa.

Fábio Costa, diretor de criação da AlmapBBDO

Wd :: Quais foram os maiores desafios da criação da ‘cara’ do site embratel.com.br?


Fábio :: Ao iniciarmos esse projeto, já sabíamos que o desafio seria imenso, pois esta-
ríamos redesenhando o site da maior empresa de telefonia do Brasil. Tínhamos de preser-
var toda a identidade coorporativa da Embratel, seus valores e conceitos, interpretando-
os e representando-os na internet, de uma forma que todos os milhares de clientes pu-
dessem se sentir ‘à vontade’, a ponto de se identificarem com a marca Embratel na TV, na
mídia impressa e, agora, principalmente, na internet.
Outro ponto crítico da criação, isto é, da direção de arte do site,
foi o novo conceito adotado: divisão em quatro sub-portais.
Nosso objetivo era criar uma página principal, onde o usu-
ário pudesse ter uma visão geral de toda a presença da
Embratel na internet e, com apenas um click, pudesse
‘mergulhar’ no assunto de seu interesse. Portanto, a iden-
tidade visual da página principal deveria ser pontual o su-
ficiente para dar as boas vindas aos consumidores do site
da Embratel. Para cada sub-portal, uma extensão desta

38
estudo de caso
mesma identidade foi criada para
caracterizá-los como únicos e independen-
tes. Mas, sempre o fio condutor da nova
identidade visual os guiará e os acompa-
nhará por todas as páginas.
Wd :: Quanto tempo durou a etapa de
design do projeto? Quantas pessoas
participaram desta etapa?
Fábio :: O período de criação da nova
identidade visual levou 40 dias. Três pes-
soas trabalharam nesta etapa.
Wd :: Por que a imagem da garota-pro-
paganda, Ana Paula Arósio, não foi uti-
lizada na home?
www.embratel.com.br
Fábio :: A imagem da Ana Paula Arósio faz
parte da comunicação e da imagem que a conceito que gostaríamos que eles tivessem “o volume de
Embratel construiu ao longos dos anos. durante uma visita ao site da Embratel é que
ligações feitas ao
Porém, a Ana Paula quase sempre esteve, pudessem sentir que o site é direcionado
e está presente, nas comunicações para atender às suas expectativas, sejam Call Center da
direcionadas ao mercado de massa, ou elas referentes à sua residência, à sua pe-
Embratel diminuiu
seja, ao cliente final. Quando falo em cli- quena, média ou grande empresa.
ente final, refiro-me a todos os serviços Wd :: Como o retorno desse projeto sensivelmente
voltados para o público residencial. pode ser mensurado?
após o lançamento
Como no novo site existem mais três ou- Fábio :: Um projeto deste porte não pode
tros sub-portais, optamos por não associ- ser mensurado por apenas esse ou aquele do site”
ar a imagem da Ana Paula a nenhum deles, critério, porque são inúmeros os pontos a
Fábio Costa
preservando-a para a divulgação de pro- serem levados em consideração. Um deles é
moções. o fato de que o volume de ligações feitas ao
Wd :: Quais são os públicos-alvos deste Call Center da Embratel diminuiu sensivel-
site? Qual o principal conceito que o site mente após o lançamento do site, o que nos
deve passar para atingir cada um deles? possibilitou saber que estamos no caminho
Fábio :: Toda a população brasileira é o pú- certo, pois o site está resolvendo as dúvidas
blico-alvo deste site. Ele precisa, e atende das pessoas. A quantidade de acessos às
perfeitamente, da dona de casa e do pai de ferramentas de códigos DDD e DDI também
família ao médio e ao grande empresário. O tiveram um aumento de acesso.

39
estudo de caso

Sérgio Carvalho, diretor da Sirius Interativa


Wd :: Quais os pontos mais trabalhosos encontrados na organiza-
ção das informações do site embratel.com.br?
Sérgio :: Os dois principais desafios foram: organizar de forma consis-
tente o grande volume de informações que o site oferece (hoje são mais
de 1.500 páginas de conteúdo) e a premissa de que a solução fosse a de
um portal que comportasse sub-sites direcionados aos diferentes públi-
cos-alvo prioritários da empresa. São, portanto, cinco diferentes sites: o
portal institucional; o site direcionado ao público residencial; o site para
os profissionais de pequenas empresas; o site para médias e grandes
empresas; o site para os investidores (relações com investidores).
O grande volume de informação é sempre um desafio técnico relevante.
Como deve ser o desenho da arquitetura em seus diferentes níveis? Apre-
sentar muitas categorias no primeiro nível e ter menos opções nos níveis
subseqüentes ou o contrário? Qual o formato e a arquitetura que melhor
refletem o modelo mental do usuário (a forma como ele navega)? A arqui-
tetura, para ser bem sucedida, tem que se mostrar efetiva para as prin-
cipais ações a serem realizadas por seus usuários, seja na busca de uma
informação como um prefixo DDI ou na escolha de um serviço ou produto.
Quanto aos diferentes públicos-alvos, tínhamos o desafio de criar uma
solução que fosse igualmente efetiva para cada um deles. Para isso, re-
alizamos validações da usabilidade durante as mais importantes etapas do
desenvolvimento da solução. Este foi um diferencial do projeto, uma vez
que os usuários tendem a interagir (e a realizar transações) com sites
onde se sintam confortáveis e tenham confiança. E eles se sentem con-
fortáveis em sites que são organizados e se comunicam de uma forma que
lhes seja familiar. Os seguintes métodos foram aplicados:
As três homes dos três sub-portais para públicos
:: Análise de benchmark na fase de levantamento de requerimentos. Foi realizada
específicos: pequenas empresas; médias e grandes
uma comparação de sites da concorrência horizontal do Brasil e do exterior, na empresas; residencial (de cima para baixo)

qual foram identificadas as melhores práticas do segmento.

40
estudo de caso
“Arquitetura de informação: processo

essencialmente colaborativo, que depen-

de do input de programadores, designers

e analistas de usabilidade para ser uma

solução consistente” Sérgio Carvalho

:: Teste de usabilidade por tarefas durante ras de conteúdo por público-alvo. Depois,
a etapa de design de interface (wireframe) foram criadas as telas de design de
e na versão publicada. Neste método, usu- interface, que são a ‘planta-baixa’ das
ários foram convidados a realizar tarefas principais telas do site, onde se mostram
individuais no site. Um profissional de posicionamento e pesos relativos de cada
usabilidade acompanhou o usuário e ano- elemento e pontos de interação (formulá-
tou as principais considerações e ações rios, sistemas etc.). Foram ao todo, mais
realizadas. Ao final, as observações vistas de 500 diferentes telas, validadas com o
como relevantes foram discutidas com a cliente e com os usuários em um processo
equipe e apresentadas ao cliente. Os ajus- interativo, até se chegar ao formato final
tes foram, então, realizados. que seguiu para a etapa de design gráfico.
Com o emprego destes métodos, permite- Três arquitetos de informação participaram
se que a solução reflita de forma mais pre- diretamente do projeto, mas eles
cisa as diferentes necessidades dos usuá- interagiam todo o tempo com o restante da
rios. Desta forma, eles localizam mais rapi- equipe. Este é um processo essencialmen-
damente a informação que desejam, recor- te colaborativo, que depende do input de
rem menos aos serviços de call-center, fi- programadores, designers e analistas de
cam mais satisfeitos e, certamente, mais usabilidade para ser uma solução consis-
propensos a retornar ao site. tente. Este processo durou aproximada-
Wd :: Quanto tempo durou a etapa de mente quatro meses.
arquitetura de informação do projeto? Wd :: Como foi feita a divisão (e a
Quantas pessoas participaram desta integração) de tarefas do designer e
etapa? do arquiteto de informação? Em que
Sérgio :: Esta etapa foi dividida em duas: fase de criação deste site se encaixou
o mapa de arquitetura e o design de cada um desses profissionais?
interface. O mapa de arquitetura começou Sérgio :: Nós trabalhamos em conjunto
com entrevistas em todas as principais com o Fábio Costa, da Almap, e a sua equi-
áreas da empresa e o desenho das estrutu- pe, durante todo este processo. No início,

41
estudo de caso

sempre existe a preocupação sobre como alvo e agrega valor ao site. Logo abaixo,
“clientes buscam
a integração entre as equipes vai aconte- são apresentadas algumas palavras-chave,

diferentes soluções cer por conta das diferentes culturas e for- que funcionam como pistas semânticas, e
mas de trabalhar. O resultado não poderia aceleradores de navegação, que destacam
de telecomunicações
ter sido melhor. Eles validaram e interferi- alguns dos conteúdos mais relevantes de

por diferentes ram positivamente na fase de arquitetura, cada mercado (como o acesso à conta de
e o mesmo aconteceu durante a criação do telefone).
razões e , portanto,
design gráfico. Apesar da distância física Finalmente, na parte de baixo, temos qua-

devem receber um (eles ficam em São Paulo, e nós, no Rio de tro destaques dinâmicos que projetam so-
Janeiro), a integração se mostrou muito bre os usuários as novidades do site.
tratamento de con-
benéfica para o projeto. Cada uma das áreas de mercado tem uma

teúdo diferenciado” Wd :: Como foram hierarquizadas as in- sub-home que, à esquerda e ao centro,
formações na home? E nas páginas in- apresentam as categorias de navegação e,
Sérgio Carvalho
ternas? no lado direito, uma barra de serviços
Sérgio :: Na parte superior da home você (ex:’central do cliente’). Esta solução per-
tem as opções de navegação global, que mite que, em uma mesma horizontalidade,
ficam persistentes em todas as páginas do o usuário possa ter acesso tanto aos pro-
site. Na mesma linha, temos as opções de dutos quanto aos serviços da Embratel.
navegação auxiliar (‘fale conosco’ e ‘mapa Wd :: Existe uma divisão principal em
do site’). ‘portal Embratel’, ‘residencial’, ‘peque-
Ainda na estrutura da barra superior, te- nas empresas’ e ‘médias e grandes
mos três abas de conteúdo. Uma área empresas’. Baseada em que esta divi-
institucional (‘sobre a Embratel’), mais são foi elaborada?
uma direcionada aos jornalistas (‘sala de Sérgio :: Desde o início, a estratégia da
imprensa’) e outra direcionada aos investi- Embratel era a de poder oferecer informa-
dores (‘relações com investidores’). Elas ção qualificada e relevante para os usuári-
têm uma ótima visibilidade (área central na os, de acordo com o papel que ele pudes-
resolução de 800x600 e espaço de respiro se estar exercendo em um dado momento.
visual tanto acima como abaixo das abas), Ou seja, se eu estivesse querendo um ser-
mas, ao mesmo tempo, a solução gráfica viço de telefonia para a minha casa, a mi-
lhes dá um peso visual menor do que a sua nha a opção seria o ‘mercado residencial’.
posição na tela indicaria. Isso é proposital, Já se tivesse interesse em adquirir um link
para que o maior peso da tela fique com dedicado para a minha empresa, escolhe-
as três áreas dos mercados, que ficam ria uma das opções direcionadas ao merca-
logo abaixo. do empresarial. Estes mercados refletem,
Cada uma destas três áreas tem portanto, diferentes públicos-alvos: clien-
uma imagem que facilita a identifi- tes residenciais, e profissionais de peque-
cação do usuário com seu público- nas, médias e grandes empresas, que bus-

42
estudo de caso
cam diferentes soluções de telecomunica- Sérgio :: Existem dois princi-
ções por diferentes razões e que, portanto, pais tipos de breadcrumb, o de cami-
devem receber um tratamento de conteú- nho e o de localização. O de caminho é di-
do diferenciado. Além disso, os investido- nâmico e reflete as diferentes trajetórias
res e jornalistas têm áreas especialmente que possam ter sido percorridos por cada
dedicadas a eles. usuário para chegar a uma determinada
Wd :: Qual foi o critério adotado para página (posso ter chegado pela home ou
utilizar o artifício de navegação por uma opção do menu lateral em uma
“breadcrumbs” em algumas páginas e página interna). Já o de localização, re-
não em outras? presenta a exata hierarquia do site, inde-
Navegação global

Navegação auxiliar

Abas de conteúdo em posição de


destaque, com solução gráfica que
permite ótima visibilidade, embora
o peso visual maior continue sendo
o das três áreas de mercados
específicos

Três áreas de direcionamento para


mecados específicos: imagens para
fácil identificação e palavras-chave
para destacar conteúdo relevante

Destaque para novidades do site

43
estudo de caso

na, que pode oferecer uma melhor ou


pior qualidade de atendimento, uma me-
lhor ou pior qualidade de informação.
A internet, por outro lado, é um canal de
comunicação interativo, onde o usuário
está no controle. Ele consome a informa-

A utilização de breadcrumbs ção no ritmo e no momento que melhor


auxilia na orientação do usuário
lhe convier. Em uma recente pesquisa,
dentro do site, que tem mais de
1.500 páginas de conteúdo consumidores americanos revelaram que
visitam em média seis sites de carros
pendente do caminho que possa ter sido antes de entrar em contato com uma
feito pelo usuário. concessionária. Ou seja, o controle do
Para o site da Embratel, nós optamos por acesso à informação permite ao usuário
um breadcrumb de localização que é per- avaliar e comparar informações para to-
sistente em todas as páginas do site, exce- mar uma decisão de compra refletida. A
tuando-se a home do portal e as homes de escolha de um serviço de telecomunica-
cada sub-site (‘residencial’, ‘pequenas em- ções pode, e deve, seguir exatamente o
presas’, ‘médias e grandes empresas’ e ‘re- mesmo procedimento.
lações com investidores’). No entanto, quando um usuário precisa
Wd :: Você acha que, justamente num entrar em contato com a empresa, a esco-
site de telecomunicações, as pessoas lha do canal acaba sendo um reflexo da
realmente acessam o site para tirar urgência com a qual ele precisa da infor-
dúvidas, ou continuam ligando? O site mação. Em geral, as formas de contato em
“educa” as pessoas nesse sentido? sites são em tempo diferido, e com delays
Sérgio :: Há muitos anos que recorre- de resposta que variam grandemente. Esta
mos ao telefone como forma preferenci- variação de delay pode acabar comprome-
al de comunicação com outras pessoas. tendo a confiabilidade do canal nestas si-
Este é um recurso em tempo real, que tuações. A estratégia da Embratel é respei-
nos traz conforto e familiaridade. Nós tar o contexto da ligação. Estão disponí-
sentimos confiança em seu uso, pois, na veis no site, de forma visível e persistente,
maior parte das vezes, o tempo que se tanto o número de telefone quanto as op-
leva para fazer contato com outra pessoa ções pré-filtradas de envio de mensagens
(no caso de ligações para empresas) aca- para agilizar o processo de resposta. Esta
ba ficando dentro de um tempo percebi- me parece ser uma solução correta, que se
do como aceitável. Paralelamente, o propõe a oferecer ao usuário opções de
acesso à informação está fora do con- contato e deixar a seu critério a escolha do
trole do usuário. Ele depende canal mais adequado, de acordo com o
de uma interface huma- contexto.

44
Encontro de Web Design
Você tem
encontro marcado um
com o webdesign na sua cidade :
vem aí o 9o ewd!
Este ano, a primeira edição do evento itinerante aconteceu em 03 de abril, no Rio
de Janeiro. A edição carioca foi um sucesso. Palestrantes de alto nível, como Eco
Moliterno, Marcello Póvoa, Sérgio Carvalho, Clovis La Pastina e Luli Radfahrer falaram
sobre os temas “Nova AOL: o nascimento de um projeto gráfico na web”,  “Retorno no
investimento: por que os clientes devem pagar por nossos projetos?”, “Usabilidade
como fator de sucesso em projetos web”, “Cases de sucesso: de A a Zeca”, “Tendên-
cias da comunicação digital”, além de participarem de uma mesa-redonda, responden-
Luli Radfahrer, presença confirmada
do perguntas da platéia. em todas as edições do 9o ewd

O 9º Encontro de Web Design fará parada obrigatória em mais cinco capitais bra-
sileiras: Belo Horizonte, Porto Alegre, Brasília, Salvador e São Paulo. E, exceto para a
edição de São Paulo (prevista para novembro), as inscrições já estão abertas. Acesse
o site www.arteccom.com.br/encontro e inscreva-se!

Presenças confirmadas em cada cidade:


Um bate-papo descontraído entre

Belo Horizonte: 10 de Julho Brasília: 15 de Julho Sérgio Carvalho, palestrante, e


Vicente Tardin, mediador da mesa
:: Luli Radfahrer :: www.luli.com.br :: Luli Radfahrer :: www.luli.com.br
redonda, no 9o ewd Rio de Janeiro
:: Márcio Augusto :: www.bhtec.com.br :: Ricardo Figueira :: www.agenciaclick.com.br
:: Alexandre Estanislau :: www.boltbrasil.com.br :: Luciana Garcia :: www.jwt.com.br
:: Cláudio Souza :: www.agenciaclick.com.br  
  Salvador: 17 de Julho
Porto Alegre: 13 de Julho :: Luli Radfahrer :: www.luli.com.br
:: Luli Radfahrer :: www.luli.com.br :: Edmundo Bravo :: www.jwthompson.com.br/
:: Gustavo Rodrigues :: www.rage.com.br rede/publivendas.html
:: César Paz :: www.ag2.com.br :: Leonardo Villanova :: www.ibahia.com.br
:: Thiago Ritter :: www.w3haus.com.br :: Laert Yamaxaki :: www.ideia3.com.br
  O público visitando os estandes no
Veja a programação completa em www.arteccom.com.br/encontro intervalo entre as palestras

45

45
Encontro de Web Design

Aqui está uma peque- Participante :: O Luli colocou que a TV Participante :: Estou montando um site B2C
interativa, MP3 e outros tipos de mídias já (e-commerce) para uma loja de CDs. A loja
na amostra do que foi deba-
estão mortos. Todos concordam? Essas não é conhecida no mercado. Gostaria de
tido na mesa redonda do 9º mídias não deveriam (ainda que mortas) ser algumas dicas para criar credibilidade e
Encontro de Web Design, no exploradas? consistência na marca da loja para podermos
Clovis :: Mais ou menos. Eu acredito em vida alavancar as vendas on-line.
Rio de Janeiro:
após a morte. Acho que estas mídias ainda podem Sérgio :: Uma interessante pesquisa feita pelo
e devem ser exploradas, sim. Às vezes, a Laboratório de Tecnologia da Persuasão, da
especialização em algo que é considerado como Universidade de Stanford, mostrava que o aspecto
acabado, acaba trazendo lucros para quem aposta que mais agregava credibilidade para um site era a
na fórmula original, não acreditando na morte sua proximidade com o real. Eu conheço as Lojas
completa de uma idéia. Americanas, confio em seu site. O segundo
aspecto era a facilidade de uso. Um usuário que se
sente confortável na navegação, achando as
Participante :: Usabilidade X Interface
informações num tempo aceitável tem uma
Hostil. Essas duas concepções podem
percepção mais positiva do site, o que agrega
conviver harmoniosamente?
valor e credibilidade à marca. Em uma nova
Sérgio :: As interfaces web são, em geral,
pesquisa, o design é apontado como um dos
Inscrições abertas: orientadas a potencializar a efetividade dos
principais aspectos que reforçam esta
resultados. Elas têm que reforçar a credibilidade e
Belo Horizonte, credibilidade. Veja mais no site de captologia
os atributos da marca, gerar conforto e segurança
Porto Alegre, na navegação através de um modelo conceitual
(http://captology.stanford.edu/) .

Brasília e Salvador! que reflita o modelo mental de seus usuários, e


devem também ajudar a persuadi-los a agir (na Participante :: O que você acha de ter um
www.arteccom.com.br/encontro
busca de produto ou informação). Esta costuma ‘trabalhão’ para criar um portal e a maior
ser a estratégia do business. concorrente da empresa que você representa
Por outro lado, há projetos orientados à roubar a sua idéia e só mudar as cores e
desorientação, onde a estratégia do business iconografia? O que você diz sobre o caso
possa estar focada no aspecto lúdico da interação. UOL?
Nada é óbvio, tudo é subentendido. Continua Eco :: Como durante o processo de reestruturação
existindo um modelo mental, mas ele pouco se do portal AOL tivemos o privilégio de poder parar
parece com o modelo mental do usuário. A e analisar um conteúdo já existente antes de
‘brincadeira’ é descobrir a lógica, ou sua ausência, colocarmos a mão na massa, foi possível criarmos
na interface (ex.: jogos). um projeto gráfico muito bem pensado e
São estratégias diferentes para objetivos estruturado. Dessa forma, tivemos a chance de
diferentes. O fato é que existem usuários que antecipar algumas tendências que viriam à tona
devem poder reagir à interface da maneira mais cedo ou mais tarde (a diminuição de links e
esperada: intrigado, atraído, seguro (nem chamadas das home pages em prol de uma
sempre). Se a experiência interativa gerar no navegação mais clara e direta). Assim, acabamos
usuário irritação, desconforto ou insatisfação, a criando um modelo de estruturação de conteúdo
estratégia do projeto pode estar sendo que, pelo visto, está servindo de exemplo para
comprometida. outros portais. Uma prova de que apostamos,
A expressão ‘hostil’, portanto, me parece antes, no caminho certo – e que os pioneiros,
inadequada. Convidar o usuário a descobrir outras agora, somos nós ;)
dimensões regidas por leis subvertidas pode, e
deve, ser uma experiência agradável. Neste
sentido, um analista de usabilidade teria muito a
contribuir. Afinal, quem melhor para ajudar a
desenhar outras lógicas de interação do que
alguém que conhece tão profundamente a lógica
de interação que rege este nosso mundo?

46
prêmios
Que vença o melhor...
ou não!
Nesta edição, a Webdesign penetrou

no universo dos concursos. Em busca


de dicas, comentários e revelações,

entrevistamos três premiados –


Suzana Apelbaum (coordenadora da

equipe de criação da Agência Click),


Alon Sochaczewski (sócio e diretor

de criação da Agência Euro RSCG


Interection Brasil), Sérgio Mugnaini

(diretor de criação da Agência


DM9DDB) – e uma organizadora –

Daniela Rangel (diretora executiva

do prêmio iBest).
Um tema, vários pontos de vista e

tantas conclusões quanto o número


de leitores permitir.

Nem só os prêmios têm o privilégio de selecionar. tante para conseguir uma vaga numa empresa com foco
Candidatos em potencial também selecionam as em criação. E ter prêmios internacionais, pode, inclusive,
premiações nas quais vale a pena inscrever-se. Eventos ajudar a abrir portas fora do Brasil. É como um atestado de
do gênero com mais tradição no meio são os mais visa- qualidade reconhecido por todo o mundo”, afirma Suzana.
dos por competidores de todos os portes. Suzana Também existem aqueles que direcionam suas inscrições
Apelbaum, ilustra isso, ao dizer: “Primeiramente, leva- conforme seus objetivos, numa adequação do prêmio à
mos em conta o tanto que a premiação é respeitada e re- fase da agência.
conhecida pelo mercado”. E quanto mais visibilidade no Já para a organização, a pré-seleção começa nos re-
mercado são capazes de proporcionar, mais procurados quisitos exigidos dos candidatos. Daniela Rangel, confir-
e concorridos são. “Ser premiado é um diferencial impor- ma: “Para se inscrever no iBest é necessário apenas que o

47
prêmios

Principais prêmios da Euro RSCG


:: Intel Drag ano 2003        
www.bluepuff.com/portugues/01
:: TIM Cabine ano 2003    
www.bluepuff.com/portugues/02
Peugeot 2nd design contest ano 2003         
  www.bluepuff.com/portugues/03
:: TIM Experience ano 2003         
www.bluepuff.com/portugues/07

“é interessante site seja brasileiro ou feito para o públi- to de comércio eletrônico é avaliado o pro-
co brasileiro, independente de onde ele cesso de compras online como um todo, e
inscrever-se em
esteja hospedado”. assim por diante”, explica Daniela.
diferentes prêmios, Os critérios de avaliação variam de O júri também colabora para o prestí-
concurso para concurso no que diz res- gio da premiação junto aos prováveis com-
para dar mais
peito à relevância de cada quesito. Esta petidores na medida em que integra a ima-
oportunidades de variável influi decisivamente no resulta- gem do evento. “O corpo de jurados do
do de cada premiação, já que os focos iBest é formado por profissionais do mer-
reconhecimento a
podem voltar-se para diferentes aspec- cado de TI, telecom, mídia e internet, que
cada peça inscrita” tos dos trabalhos a serem julgados. “Por representam os formadores de opinião”,
isso, é interessante inscrever-se em di- diz Daniela. O júri ideal é aquele que não
Suzana Apelbaum
ferentes prêmios, para dar mais oportu- só conhece profundamente o objeto da
nidades de reconhecimento a cada peça premiação, mas também consegue manter
inscrita”, opina Suzana Apelbaum. Na a imparcialidade e a individualidade no
premiação iBest, “os quesitos que os ju- momento de julgar. Sérgio Mugnaini co-
rados mais prestam atenção é design, menta esta questão: “Acho que um dos
conteúdo e navegabilidade, com igual festivais mais justos que eu conheço é o
peso. Também vale muito a adequação Art Directors Club de Nova York. Publicitá-
ao negócio, que é o critério que varia de rios do mercado são minoria no corpo de
acordo com a categoria que está sendo jurados, também formado por artistas,
avaliada. Por exemplo, bancos têm de designers e clientes. As peças premiadas
ter sites seguros e simples, no segmen- são extremamente criativas e a formação

48
prêmios
de conchavos entre os membros do júri é seja, no período de votação vale o site que

praticamente nula”. Praticamente?! Nin- está no ar, no momento, e não, algum que

guém é perfeito... tenha sido inscrito para tal”.

Quanto aos competidores que criam Questões controversas à parte, ga-

trabalhos exclusivamente para o evento, nhar um prêmio, ficar em evidência, tem

as opiniões se dividem: seus prós e contras. Projeção no mercado

Suzana Apelbaum: “É uma iniciativa é a maior vantagem para o profissional, de

saudável enquanto treinamento para esti- acordo com Suzana, que complementa:

mular a criatividade, e enquanto formação “Mas não basta ganhar um prêmio só; isto

de repertório de idéias para projetos reais, pode se caracterizar como uma ‘sorte’. É

que sem o tal exercício, talvez não tives- preciso estar sempre acumulando novas

sem a ‘ousadia’ de aparecer. Por outro conquistas para o seu perfil de ‘profissio-

lado, é uma atividade que contamina as nal premiado’ se consolidar”. Em relação

premiações, fazendo com que peças reais, aos demais envolvidos, analisa: “Já para a

criadas sob circunstâncias muito mais empresa, as premiações garantem uma

complexas, passem a competir em pé de enorme visibilidade do trabalho da agên-

igualdade com peças criadas sem qualquer cia, e são também uma forma eficiente

compromisso com o cliente”. de se apresentar ao mercado internacio-

Alon Sochaczewski: “Acho que os fes- nal, o que atrai novos clientes. Sem con-

tivais julgam idéias, criações. Se será vei- tar que, de prêmio em mãos, os clientes

culado ou não, eu não me importo. Cria- ganham argumentos para investir em

ções na internet que excedam o bom sen- mais e melhores projetos de internet”. Em

so da viabilidade são automaticamente eli- contrapartida, a cobrança e a expectativa

minadas pelos jurados, logo, não preciso aumentam em torno das criações do ga-

dizer mais nada”. nhador, o que não deixa de ser uma des-

Sérgio Mugnaini: “Sou contra peças- vantagem, conforme declara Sérgio: “Ga-

fantasmas, mas a favor de pró-atividade. nhar prêmios é bom, mas não resolve ne-

Um criativo nessa área sabe exatamente o nhum dos seus problemas. A cobrança so-

que é possível e o que pode vir a ser possí- bre o seu trabalho aumenta, pois, de acor-

vel. (Uma pena que alguns clientes não do com a filosofia do meio, os trabalhos

tenham essa noção ainda...). Não existe premiados passam a ser tendências, exem-

nada de errado em se produzir peças dife- plos de trabalhos bem feitos a serem se-

renciadas e tentar experimentar a reação guidos. Então, é preciso continuar a pro-

dos usuários”. duzir cada vez mais”.

Daniela Rangel: “Não acredito que Outro tópico bastante polêmico, tal-

exista isso no prêmio iBest, pois todos os vez, o mais polêmico, é o que levanta as

sites podem concorrer, e não, os cases, ou questões da justiça na escolha dos traba-

49
prêmios

lhos vencedores, da relevância de se ga- Acho que a explicação para isso é a dife-
nhar um prêmio e dos retornos para pro- rença de critérios entre festivais. O próprio
motor e vencedor. Diante desta controvér- criativo deve selecionar dentre os inúme-
sia, pedimos a nossos entrevistados que ros prêmios existentes, algum com que ele
comentassem a seguinte afirmação do se identifique”. Suzana: “De fato, há traba-
designer e diretor de arte André lhos fantásticos que não são premiados e
Matarazzo, da agência Farfar, na Suécia: trabalhos nada originais que levam todos.
“Prêmios são troféus de mediocridade. É de ficar indignado! No entanto, na maio-
Existem trabalhos fantásticos que não são ria das vezes, quando um trabalho real-
premiados e trabalhos não-originais que mente excepcional não é premiado em al-
são laureados por todos os festivais. Já gum festival, acaba sendo reconhecido em
ganhei muitos prêmios, sim (Cannes, outro. Mas, é possível acontecer de não
London, NY, One Show, Art Director’s...), ganhar nada mesmo. Porém, isso não faz
mas faz um bom tempo. No momento em do prêmio um troféu de mediocridade. Os
que os recebi, fiquei animado, e fica bonito prêmios são, sim, um reconhecimento in-
no portfólio, mas é só isso”. Alon: “Acho teressante do seu trabalho, e dão um gás
que é muito forte falar que são medíocres para você continuar experimentando, ou-
porque eles conquistaram o mesmo coefi- sando, aprendendo. Mesmo que, lá no fun-
ciente criativo de uma banca de júris. Isso do, você saiba que o maior prêmio de to-
é um mérito. Considero um prêmio algo dos é ver o seu trabalho reconhecido pelo
importante para a nossa história, e não, cliente, dando lucro para ele, para a sua
um objeto decorativo. Bons trabalhos não empresa, e pagando o seu salário”.
podem passar em branco, principalmente, Haveria uma fórmula para aumentar a
na internet, onde uma obra é um arquivo probabilidade de se ganhar um prêmio? O
ou um conjunto de arquivos facilmente que faria um trabalho se destacar no meio
‘deletável’. Concordo quando ele diz que de tantos outros, teoricamente, com o mes-
existem trabalhos geniais que não são pre- mo nível de qualidade? Sérgio Mugnaini ex-
miados, mas isso se deve a outros fatores. plica: “No meu ponto de vista, uma peça se
Hoje, para ganhar um festival, não basta torna premiável devido à combinação de
somente criatividade, é necessário saber dois pontos: criatividade/execução mais
usar a tática certa para ganhar o jogo”. inovação tecnológica (se necessário). É
Sérgio: “Concordo em parte com André muito comum vermos uma peça com uma
Matarazzo. Quando participamos de júris idéia espetacular, onde a execução deixou
em festivais, é muito comum vermos peças a desejar e vice-versa. Outro ponto impor-
extremamente criativas não serem premi- tantíssimo é a preocupação com os míni-
adas e peças de agência conceituadas se- mos detalhes, o que tornará a peça extre-
rem ovacionadas por alguns criativos. mamente premiável no aspecto da execu-

50
prêmios
“Prêmio é muito importante no sentido de representar o desafio de inovar a

cada trabalho, surpreendendo o cliente e o público-alvo” Sérgio Mugnaini

ção. No aspecto criativo, deve haver uma Alguns concursos e suas premiações
certa preocupação em verificar se já não há Clio Awards :: www.clioawards.com
Estatuetas de Ouro, Prata e Bronze. Eventualmente, o Grand Clio, maior prêmio do
uma idéia parecida. Às vezes, a idéia pode
festival.
ser sensacional, mas alguém pensou na sua Prêmio iBest :: www.premioibest.com.br
frente”. Conclusão: quanto mais integrada a Troféu, diploma e quantias de R$ 3 mil, a R$ 30 mil (em valor bruto ou títulos de
previdência).
equipe, maiores as chances de vitória.
Young Creatives Brazil :: www.youngcreatives.com.br
Avaliar peças criadas para a web tem Indicação para concorrer ao Young Creatives Competition (3 vagas, em 2004) e ao
suas peculiaridades pela própria natureza Cannes Lions (14 vagas, em 2004).
Fetival de Cannes :: www.canneslions.com
do meio em que são veiculadas. “Penso
Leões de Ouro, Prata e Bronze; certificado (para a short list); Grand Prix (melhor
que a internet tem identificado uma forma trabalho inscrito).
inovadora de se premiar trabalhos. Gosto Festival de Nova Iorque :: www.newyorkfestivals.com
Medalhas de Ouro, Prata e Bronze; certificado.
da oportunidade de haver uma democracia
Clube de Criação de São Paulo :: www.ccsp.com.br
na internet. Através de sites como Ouro, prata e bronze. Inserção no anuário.
newstoday.com é possível adicionar o seu Prêmio Colunistas do Brasil :: www.colunistas.com
Grande Prêmio; medalhas/diplomas de Ouro, Prata e Bronze.
trabalho para ser compartilhado com ou-
Prêmio Apple de Criatividade Digital :: www.apple.com/br/criatividadedigital
tros através da internet. O simples fato de Ouro - Prêmio: Viagem ao Clio Awards 2004 e 1 software - Adobe GoLive
você receber um e-mail de Helsinki com a Prata - Prêmio: Treinamento de Adobe PhotoShop no DRC Consulting São Paulo
Bronze - Prêmio: Treinamentos de Adobe Illustrator no DRC Consulting São Paulo.
mensagem de que viram e gostaram do
The One Show e The One Show Interactive :: www.oneclub.com/oneshow
seu trabalho já é um prêmio”, diz Sérgio. Lápis de Ouro, Prata e Bronze; inserção no anuário da entidade.
Porém, segundo ele próprio, nem tudo é Festival Mundial de Publicidade de Gramado :: www.festivalgramado.com.br
Grand Prix; Galos de Ouro, Prata e Bronze; Prêmio Especial; Prêmio Voto Popular;
ganho no mundo das premiações. “Existem
Diploma de Qualidade Criativa (para a short list); certificado.
prêmios que visam tão e somente a pro- El Sol – Festival Publicitário Ibero-americano :: www.elsolfestival.com
moção de seus criativos, agências e produ- Grand Prix; Sol de Ouro, Sol de Prata e Sol de Bronze.
LIAA – London  International Advertising Awards :: www.liaawards.com
toras, mas não vejo um horizonte para que
Estatuetas; certificados; inserção na publicação oficial da LIAA e na fita de vídeo (para
isso mude. Seria preciso renovar concei- comerciais).
tos, e como diz o ditado, ‘em time que está Festival Internacional de Publicidade do Rio de Janeiro :: www.abp.com.br/festival
Lâmpadas de Ouro, Prata e Bronze.
ganhando não se mexe’. Será que estamos
The Art Directors Club :: www.adcglobal.org
mesmo ganhando com isso?”, questiona. Participação na exposição do prêmio e no site adforum.com
Mas qual seria a função das Plug In Website Award :: www.plugin.com.br/concurso
Computador Pentium 4; um ano de hospedagem de site gratuita.
premiações? A diretora executiva do iBest

51
prêmios

responde: “Os prêmios visam ser um


serviço para os consumidores finais, que
somos todos nós. O objetivo final é ser-
vir como uma referência do que existe
de melhor”.
Muitos encaram prêmios como prota-
gonistas de uma carreira bem sucedida, e
não, como coadjuvantes da consolidação
profissional. Em relação a isso, Mugnaini
faz um alerta: “As pessoas devem repen-
sar a importância dos prêmios. Acho que o
processo está sendo visto de maneira
equivocada, e a nova geração tem
priorizado muito a idéia de ganhar prêmi-
os. Prêmio é muito importante no sentido
de representar o desafio de inovar a cada
trabalho, surpreendendo o cliente e o pú-
blico-alvo. Antes do prêmio, deve-se che-
car se o cliente está satisfeito, se os seus
problemas foram solucionados e se foi ge-
rado lucro para a agência através daquele
job”, conclui.
Divergências sempre existirão, porém,
os perfis dos concorrentes e suas peças so-
Sites Premiados da Agência Click frem constantes mutações com o decorrer
:: TPM :: para MSN Brasil do tempo. Num balanço dos últimos cinco
http://awards.agenciaclick.com.br/pms/pt anos, Daniela Rangel traçou uma breve tra-
:: Tampinhas :: para Coca-Cola
jetória da evolução do tema: “O
http://awards.agenciaclick.com.br/taps/pt
:: Blind :: para Banco de Olhos de São Paulo profissionalismo é bem maior; a qualidade
http://awards.agenciaclick.com.br/blind/pt dos sites também. Há cinco anos, nem todas
:: Reveal :: para C&A
as grandes empresas tinham representação
http://awards.agenciaclick.com.br/reveal/pt
:: Rudi :: para Banco Itaú forte na web e a disputa girava em torno dos
http://awards.agenciaclick.com.br/rudi/pt mais ágeis, os pioneiros. Hoje, todas as in-
:: Movie Card :: para Brasil Telecom
dústrias estão presentes na internet, logo, a
http://awards.agenciaclick.com.br/moviecard/pt
:: Doblò Adventure :: para Fiat competição é maior”.
www.fiatadventure.com.br Comecem a tirar, ou a reformular,
:: Portal O Boticário :: para O Boticário
suas próprias conclusões. E, como não
www.boticario.com.br
poderíamos esquecer: boa sorte!

52
53
tutorial

Vídeo digital
Vivendo e aprendendo!
Dicas importantíssimas para trabalhar com o Premiere

Nesta coluna, falaremos sobre vídeo É claro que com uma configuração
digital e vamos englobar os seguintes menor, você consegue trabalhar, mas é
softwares: Premiere, Encore DVD, After preciso muita paciência na hora de
Effect e Studio 8. renderizar os vídeos.
Começaremos pelo Adobe Premiere. A configuração que citei é a que uso
Na realidade, daremos dicas do dia-a-dia. em meu micro, com a qual trabalho muito
Para quem não conhece, o software bem. Para quem quer trabalhar com con-
Adobe Premiere é um aplicativo para edi- versão de fita VHS para DVD, a configura-
ção de vídeo não-linear. As avançadas ção está excelente.
ferramentas de edição de áudio e vídeo Porém, há um problema, e recebo inú-
em tempo real proporcionam o controle meros emails de usuários perguntando por-
preciso de praticamente todos os aspec- que não se consegue capturar vídeos atra-
tos da produção. A configuração neces- vés do Premiere com a placa DC10 Plus.
sária para trabalhar com vídeo é de, pelo Bem, no início, eu tive este problema
menos, um Pentium 1.4, 512mb e um HD também e, através de alguns contatos,
de 80 gigas. Mas, para que você possa descobri que realmente existe incompatibi-
trabalhar tranqüilamente com edição, eu lidade de placa com o Premiere. Você não
recomendaria um Pentium 4, 2.8 1.0 giga consegue capturar vídeos no Premiere com
de memória, dois HDs, sendo um de 40 a placa DC 10 Plus. Na realidade, eu diria
gigas, somente para softwares, e outro, que é uma briga entre a Adobe e a
de pelo menos 80 gigas, só para armaze- Pinnacle. Quando você compra a placa DC
nar os vídeos.Seria interessante também 10 Plus, da Pinnacle, ela vem acompanha-
um gravador de DVD e uma placa de cap- da do software Studio 8 (que, por sinal, é
tura DC10 plus, para começar. muito bom), fora o livro, em português,

54
interface do Adobe Premiere

com explicações minuciosas de como utilizar o software e


várias dicas.
Também tive uns problemas na hora de capturar com
o Studio 8. Aparecia a seguinte mensagem: ‘Seu sistema
de som ou vídeo não foi certificado para uso com Microsoft
Direct X. Isso pode afetar o funcionamento do Pinnacle
Studio’. A placa-mãe é incompatível para rodar o Studio 8
e fazer capturas. Após várias tentativas de solucionar o
problema sozinho, resolvi entrar em contato com o suporte
da Pinnacle (onde fui muito bem atendido) e reportei meu
problema. Eles disseram que a minha placa mãe A7V8X-X
tinha incompatibilidade com o a placa DC 10 plus e me ex-
plicaram que o ideal seria trocá-la pela A7V8X.
Espero ter ajudado, e até a próxima, onde falaremos
mais sobre vídeo digital!
Alex Falcão

Alex Falcão, formado em processamento de dados, é instrutor da


Data Byte – Sto Amaro e colunista da revista SILK & SIGN.

55
estratégia online

Marcello Póvoa
Criou a MPP Solutions, empresa de consultoria estratégica, criação e desenvolvimento
em mídia interativa. Foi Diretor da Globo.com e da IconMediaLab (Nova Iorque) com
inúmeros projetos premiados internacionalmente. Possui Masters of Science in
Communications Design pelo Pratt Institute (NY) e MBA em Administração pela
Coppead, UFRJ. É autor do livro “Anatomia da Internet” (Casa da Palavra).
mpovoa@mppsolutions.com

Conexões banda larga que


vão transformar o mercado
Conecte-se sem fio, em qualquer lugar, a qualquer hora — e em alta velocidade

A primeira onda: mobilidade


Computadores tem se tornado cada vez menores e mais poderosos ao ponto de ca-
berem em um bolso de camisa. De um grande PC em cima da mesa chegamos a PDA’s
(palm, pocket PC), tablet PCs, laptops compactos e outros aparatos que nos permitiram
descentralizar a experiência de uso do computador. Ou seja, ao invés de irmos até o com-
putador, os computadores vêm até onde nós estivermos: na rua, no aeroporto, no carro,
na geladeira ou no meio do deserto do Saara. O fenômeno da mobilidade nos computa-
dores permite cada vez mais que tenhamos sempre à mão nossos dados, como uma agen-
da pessoal, contatos ou uma planilha financeira, por exemplo. Há não muitos anos, isto
somente seria possível se carregássemos nas costas um PC suficientemente grande e
pesado para gerar uma contusão lombar, mesmo percorrendo distância curta. Hoje, car-
regamos computadores quase que como parte integrante de nosso vestuário.
Apesar de, definitivamente, o fenômeno da mobilidade caracterizar uma evolu-
ção, este também gera uma demanda óbvia e notória para qualquer usuário que de-
pende de um palm, pocket PC, laptop ou similar: conectividade. O ponto é que quando
falamos de ‘dados’, estamos nos referindo a um conceito dinâmico. Ou seja, minhas
necessidades de pesquisa, atualização e comunicação com outros usuários variam
constantemente e são parte inerente da experiência de uso em um computador. Hoje,
a maioria dos velhos e bons PCs desktop possuem uma conexão com uma rede, apesar
de ainda dependerem de fios, na maioria dos casos. Já os novos e pequenos aparatos,
apesar de portáteis, ainda passam a maior parte do tempo claustrofobicamente em
nossos bolsos, sem nenhuma conexão.
Conectividade
Naturalmente, estão surgindo modelos de PDAs e laptops, que permitem uma cone-
xão sem fio. A questão é que, precisamos de sinais de uma rede wireless (e com uma
banda decente) em todos os cantos do planeta para que possamos conectar nossos apa-
ratos ‘anywhere, anytime’. Além da mobilidade, precisamos da conectividade. A soma
destes dois fatores resultará em ferramentas que podem catapultar a produtividade de

56
estratégia online
“Além da mobilidade, precisamos da conectividade.
A soma destes dois fatores resultará em ferramentas
que podem catapultar a produtividade”

profissionais, que, agora, podem se comunicar com sua acontecer em 2005 ou 2006. A Nextel também está condu-
equipe ou com o servidor da empresa de qualquer lugar. zindo testes com o Mobile-Fi.
A premissa para que esta visão da mobilidade atrela- Uma outra tecnologia nova que desponta é a
da à conectividade se materialize é a existência de acesso UltraWideband, que permite a transmissão de arquivos
a redes em qualquer lugar. Surgem, assim, uma série de enormes sobre distâncias curtas, mesmo através de pare-
formas de conexão sem fio que permitem, ou permitirão, des. Existe no momento uma disputa pela definição deste
conexões em banda larga nas mais variadas situações. A protocolo entre Texas Instrument e Intel de um lado, e
maioria destas conexões wireless usam freqüências do es- Motorola do outro.
pectro de rádio, muitas vezes, não licenciadas, evitando ta- A próxima onda será a conectividade aliada a mobili-
xas de uso e facilitando a experimentação. Estas conexões dade, permitindo com que a produtividade pessoal de pro-
estão sendo desenvolvidas e apoiadas tanto por empresas fissionais de todas as áreas aumente significativamente.
novas (startups) como também por gigantes tradicionais Tal possibilidade vai atrair o interesse gerencial de virtual-
da indústria de tecnologia e telecomunicação. mente qualquer tipo de empresa e, certamente, também
As novas tecnologias do mercado consumidor. É esta aposta que muitos gigan-
Talvez, o exemplo mais conhecido seja o Wi-Fi, uma tes da indústria de tecnologia e telecomunicação estão fa-
tecnologia que permite que PCs, laptops, impressoras e zendo. A existência de novas e poderosas redes cria, cada
outros aparatos se conectem entre si em alta velocidade vez mais, canais eficientes de distribuição e coleta de infor-
sobre distâncias curtas e se liguem à internet. A Intel está mação, o que abrange questões importantes também na
usando sua força de desenvolvimento e marketing para indústria de conteúdo. A aldeia global do professor
que a tecnologia Wi-Fi se popularize. Introduzindo chips Mcluhan vem, finalmente,
desenhados para Wi-Fi em laptops e outros aparatos mó- por aí...
veis, a Intel facilita a propagação do uso da tecnologia ao
mesmo tempo, naturalmente, se posicionando na deman-
da por conectividade — que só tende a aumentar.
Com o sucesso do Wi-Fi, a Intel começou a apoiar
uma outra nova tecnologia denominada Wi-Max. Esta co-
nexão wireless de alta velocidade permite um alcance de
até cerca de 48km.
Uma outra solução é a Mobile-Fi, uma tecnologia
que permite banda larga sem fio nos veículos em movi-
mento. A NTT DoCoMo e alguns startups trabalham,
atualmente, na definição de um protocolo, o que deve

57
webwriting

Marcela Catunda
Trabalhou nas redes Bandeirantes, TV Gazeta, Manchete e
Globo. Foi redatora da DM9DDB e supervisora de criação de
mídia interativa da Publicis Salles Norton.
marcelacatunda@terra.com.br

Acaba aqui
– Acaba aqui. – disse Juan Aurélio pegando sua mala, batendo a porta e partindo.
Dolores Regina, jogada ao chão e mergulhada em um mar de lágrimas, balbuciava pala-
vras de amor. Cruel homem, pobre mulher.
É... essa chamada serviria fácil para um novelão mexicano, mas o que vou contar
agora aconteceu na vida virtual.
– Acaba aqui. – disse o cliente.
– Como assim, acaba aqui? – pergunto perplexa.
– Acabando... – emenda o atendimento impaciente.
Todos olham para a porta. Só me resta passar por ela. Tinha chegado a hora de falar
das outras mídias e, pra variar, aquela era a minha deixa de saída.
– A gente vê isso depois, pô.
Mas depois, quando? Depois que o site estiver morto?
– Não vamos mexer no conteúdo agora. Vamos ‘tacar’ o site no ar e ver o resul-
tado. Daíííí (odeio quando a pessoa dá ênfase no í), a gente pensa nessa coisa de ma-
nutenção de conteúdo. O povo ainda nem leu o que tá no site. Vamos deixar rolar. –
explica o cliente.
Lembro da música ‘Rolam as Pedras’ sucesso dos anos 80 e imagino todas elas ro-
lando em minha direção.
– O site ficou show! Vamos ver o que o pessoal vai achar. Daí, dependendo do que
acontecer, a gente coloca umas coisas novas e tira as que não forem legais.
É... não deixa de ser um raciocínio. Eu não concordava, mas em algumas situações
(como essa), um luminoso em néon surge nos meus pensamentos, reproduzindo a famo-
sa frase: ‘O cliente tem sempre razão’.
Será?
‘Volto para a sala abatida, desencantada da vida...’. O cliente não havia aprovado a
manutenção do conteúdo do site. De nada adiantava tentar convencer aquela
‘inconvencível’ criatura de que a qualidade do trabalho poderia ser comprometida se ele
não alimentasse o site.
Será?
Alguns minutos se passaram... e eu, sentada em minha mesa.
Me deu a louca e voltei para a reunião disposta a mudar a idéia do cliente, levando
comigo um print da estrutura de navegação (pura desculpa).
– Mil perdões. Esqueci de entregar o print! – e puxei uma cadeira.

58
webwriting
“a qualidade do trabalho poderia ser
comprometida se ele não alimentasse o site”

Comecei, então, o meu discurso de


defesa da manutenção do conteúdo do site
com unhas e dentes.
Eu tinha que convencê-lo de que a
manutenção era vital para o trabalho, sem
parecer que eu estava esmolando “fee”.
Definitivamente, não era na grana que eu
estava pensando.
– Você precisa atualizar mensalmente
seus artigos, notícias e manter ativa sua
área de relacionamento. Se você não
fizer isso, o site vai ficar um tédio.
Expliquei a estrutura do con-
teúdo e passei com ele item por
item. O planejamento, que ele
nem havia aberto, entrou,
então em cena (ainda bem).
Falamos sobre o risco de
entupir o site de matérias,
avaliamos as freqüências de ma-
nutenção de cada área e a importân-
cia de criar chamadas para as atualiza-
ções: ‘tem matéria nova em tal lugar’,
‘leia a última matéria de Fulano’, ‘Saiba
porque Sicrano é nosso maior parceiro’...
Falamos, falamos, falamos... e nada
acabou ali.
Algum tempo depois...
Juan Aurélio volta para os braços de
Dolores Regina.
O cliente aprova meu planejamento.
Final feliz.

59
marketing

René de Paula Jr.


Especialista em e-business, profissional de internet desde 1996, passou pelas maiores
agências e empresas do país: Wunderman, AlmapBBDO, Agência Click, Banco Real ABN AMRO.
É criador da “usina.com”, portal focado no mundo online, e do “radinho de pilha”
(www.radinhodepilha.com), comunidade de profissionais da área.
rene@usina.com

Olha que coisa mais linda...


No aeroporto, em Amsterdam; no elevador, em Nova York; num táxi decrépito; em bo-
tequins vazios... Encontrar com ela é sempre mágico, inexplicável. E lá fica você de coração
mole, cantarolando junto: ‘a beleza que não é só minha...’. Esta canção é cidadã do mundo.
‘A moça do corpo dourado do sol de Ipanema’ arranca suspiros até de quem não tem idéia do
que seja Ipanema, Vinícius, Tom, e seu mundo se enche de graça e fica mais lindo, mesmo em
línguas estranhas e arranjos idem.
Graça é uma palavra interessante. Há coisas que você não quer nem de graça, outras,
lhe deixam sem graça e, sim, ela é uma graça por graça dos céus. Sempre coisa boa, graça,
mas a Graça, mesmo, é cruel: ou se tem ou não se tem. Beleza, bisturi ajeita. Conteúdo, es-
cola dá. Mas graça, mesmo, é uma Graça, uma bênção, algo que separa a ‘bonitinha, tadinha’
da criatura graciosa e encantadora que virou canção e lenda.
A gente fala tanto em beleza, aspecto, e nem pára para pensar que se tem algo que en-
chemos a boca para dizer é ‘gostoso’: ‘Gostosa!’. E vá você definir ‘gostoso’: é algo como a
graça. Nem é questão de perfeição, é uma dádiva.
Quer ver algo gostoso? Google. É uma delícia. Instant messenger é gostoso também. Um
site como o Orkut é super gostoso. Estão aí milhões de usuários para assinar embaixo.
Como você explica algo gostoso? Ou, pior ainda: como você faz o digimundo mais
gostoso? Vou ser sincero: ainda não descobri. Eu persigo essa quimera faz anos, e o mais
perto que cheguei foram vislumbres de como fazer coisas ‘não-gostosas’.
Procuremos, então, o caminho da Graça no beco dos erros e desvios.
Contemple o abismo: de um lado, você tem o usuário, que vai, ou não, achar gostoso o,
digamos, website. Do outro lado, você tem uma turma de designers, desenvolvedores,
marketeiros, gerentes de todo o tipo, alguns deles, ‘clueless’, outros, com mais certeza do que
deveriam. Acredite em mim: são esses hiper-convictos que fazem o abismo crescer.
O problema de quem acha que ‘enxerga claramente a solução’ é que nem sempre what HE
sees is what YOU get. Da inspiração genial até chegar a algo concreto é uma corrida de obstáculos,
onde a tal da idéia pode tropeçar tanto que vai chegar aos cacos lá na ponta. Se chegar.
Por que é tão acidentado o caminho da Idéia? Eu arrisco dois palpites: idéia que nasce
tão distante da realidade, lá nos píncaros da imaginação iluminada, talvez só funcione bem no
ar rarefeito do Olimpo. Aqui, no mundo dos mortais ela vai ser tão desengonçada quanto o
albatroz do Baudelaire. Segundo palpite, e o real motivo deste artigo todo: idéias têm pernas
curtas. Você tem que levá-la pela mão, carregá-la no colo, ensiná-la a olhar onde pisa, a usar
passarelas. Se você deixar uma idéia ir solta, ela se perde.

60
marketing
“Se você não cuida do destino da sua idéia, surge o
inferno de qualquer projeto interativo: a expectativa
de que os outros... adivinhem”

Se você não cuida do destino da sua idéia, surge o infer- mico. No final das contas, o resultado é beeeem diferente da
no de qualquer projeto interativo: a expectativa de que os idéia, com qualidades de menos e defeitos demais.
outros... adivinhem. Se a gente pusesse na balança esse jeito ‘gostoso’ de
O fornecedor tem que adivinhar o que o cliente quer, o trabalhar versus a ressaca inevitável, o stress, o desperdício
designer tem que adivinhar como funciona o cliente do clien- gerado, o resultado mambembe... Mas não fazemos isso nun-
te, o desenvolvedor tem que adivinhar o que aquele ca, porque achamos que tudo sai de graça, que faz parte, e
photoshop, realmente, lindo, tem que fazer (e quem for con- que, no final, risadas gostosas resolvem tudo.
sertar)... Pobre diabo. Pior ainda: vai ter que fazer engenha- Resultado: estamos sempre reinventando a roda,
ria reversa ao cubo. Pior que o mapa do inferno, é um inferno estamos sempre começando do zero, não deixamos nunca
sem mapas. ‘Voilà’. um legado, uma herança, algo que nossos sucessores pos-
Resultado: um site que que ninguém consegue adivi- sam tomar como base e avançar. Eles têm que se virar.
nhar como funciona, se é que funciona. Você já passou por Nosso usuário acha gostoso ter uma experiência tran-
isso, e sabe que não tem graça. qüila, fluida, encantadora, assim como o rebolar despreocu-
As garotas, em Ipanema, talvez sejam graciosas por se- pado da garota de Ipanema. Pro-
rem brasileiras, mas a nossa ginga nacional não ajuda muito jetos mal gerados e mal
quando o assunto é projeto: adoramos ter idéias, mas não geridos podem até se sa-
achamos graça na lição de casa; temos birra do trabalho me- cudir, mas, como diria
tódico, da documentação, de especificações, de tudo o que minha avó: ‘Por fora,
garanta que a idéia não perca o rebolado na areia movediça bela viola, por dentro,
que é qualquer desenvolvimento. pão bolorento’.
Isso é chato.
Isso não tem graça.
Processo é para quem não sabe
improvisar, para quem não tem jogo-
de-cintura.
Não tem por que estressar, no fi-
nal, tudo dá certo.
A cada vez que ouço ‘no final, dá certo’, minha resposta
sempre é: defina ‘final’. Você se livrar de uma etapa não é fi-
nal nenhum, é, na verdade, o começo da etapa seguinte. E
coitado do infeliz para quem você passou uma bola
quadrada: vai ter que adivinhar, tapar buracos,
prender com fita crepe e dar ‘forward’ do

61
interface

Claudio Toyama
Experience Consultant, atua há mais de 12 anos em pesquisa e
consultoria nas áreas de internet e mídias interativas. Atualmente, é
diretor de pesquisas qualitativas e quantitativas da Survey.com Europe.
É co-representante do grupo AIGA Experience Design, no Brasil, e
membro do conselho diretor do grupo de Experience Design de Londres.
webdesign@claudiotoyama.com

Usabilidade e Acessibilidade
essenciais para interfaces de sucesso
Dois pontos que, muitas vezes, esquecemos de abordar quando projetamos
interfaces são: a multiplicidade de situações nas quais estas interfaces serão utilizadas
e os tipos de pessoas que as utilizarão.
Quando estava trabalhando como consultor para a Agência Espacial Européia
(ESA), um dos projetos para os quais mandamos uma proposta, foi justamente para
melhorarmos o design do cockpit de um dos foguetes tripulados da Agência,
embasando o projeto inteiro na usabilidade do mesmo. Para isso, tivemos que come-
çar a pensar em fatores como falta de gravidade (não poderíamos ter botões facilmen-
te acionáveis com um simples toque, nem que estivessem muito salientes), interfaces
que pudessem ser usadas mesmo quando os astronautas estivessem usando toda a
vestimenta apropriada (botões não muito pequenos), monitores que pudessem ser
vistos de vários ângulos, entre outros desafios.
Você pode estar pensando: “Mas, Claudio, você está viajando... eu lido com a web!!
Não preciso pensar em gravidade zero ou vestimentas especiais quando projeto um
website!”. Eu sei que você não precisa pensar em gravidade zero (pelo menos, não por
enquanto ;-), mas terá que se colocar no lugar da variada gama de potenciais usuários e
imaginar a diversidade de situações nas quais eles usarão a sua interface. Alguns exem-
plos de considerações com o usuário são: projetar websites com letras maiores para usu-
ários que não enxerguem bem; interfaces que possam ser lidas por softwares
especializados no caso de usuários cegos; botões grandes o suficiente para que possam
ser clicados por pessoas cuja capacidade motora não seja mais tão apurada etc.. Exem-
plos de situações nas quais o site será usado, seriam: uma pessoa acessando a versão
WML do site utilizando o telefone celular, na rua, e debaixo de chuva, procurando um res-
taurante na vizinhança; um telespectador acessando a versão do site através do set-top
box ou da televisão interativa.
Acabamos de entrar nos campos da usabilidade e da acessibilidade, que, justamente,
levam em consideração a diversidade de usuários e os diferentes cenários aonde estarão
utilizando a interface.
Usabilidade é definida pela Usability Professionals Association (UPA) como um pro-
cedimento para criar produtos (software, hardware etc.), que são fáceis de usar e se
adequam às pessoas que os usarão, enquanto, Acessibilidade, segundo o glossário da
Murdoch University (Austrália), refere-se a ‘assegurar que o conteúdo seja acessível, que

62
interface
“Usabilidade é um procedimento para criar
produtos que são fáceis de usar, enquanto
acessibilidade refere-se a ‘assegurar que o
conteúdo possa ser lido por todos’”

possa ser navegado e lido por todos, independentemente irão mensurar a eficácia da interface através de cenários de
de localização, experiência e/ou tipo de tecnologia utiliza- uso e avaliação heurística (guia formulado através de inúme-
da. Acessibilidade, geralmente, é discutida no contexto de ras interações, constituindo o que chamamos de ‘via de re-
pessoas com deficiência, pois é este o grupo que mais so- gra’).
fre quando os princípios básicos de webdesign não são O grau de sofisticação atingido atualmente é tal, que
implementados em sua plenitude’. já se usa uma técnica chamada eye-tracking, com emissão
Estes dois campos de conhecimento vêm ganhando de raios infravermelhos nos olhos do usuário durante a
muito espaço na área de mídias interativas, principalmen- seção de navegação acompanhada, para se determinar
te, com a introdução de novas plataformas e sua conse- quais são as áreas fortes e fracas de um protótipo de um
qüente diversificação de pontos de acesso. novo website. O ‘eye-tracking’, que foi primariamente de-
As técnicas atualmente reconhecidas pela Usability senvolvido para o Departamento de Defesa Norte-America-
Professionals Association (UPA), para testes de no como um mecanismo de mensuração das atividades
usabilidade, costumam se dividir em duas categorias bem cognitivas do cérebro durante missões críticas, mostra
distintas: para onde os usuários olharam na tela, o que eles realmen-
1. Participação direta do usuário final – um grupo repre- te pararam para ler / prestaram atenção e o que eles sim-
sentativo do usuário final é chamado para participar de testes plesmente não viram naquela página.
de usabilidade e, em geral, a eles são dadas tarefas a serem As possibilidades são imensas. Imaginem utilizar o
cumpridas. Estas tarefas são, então, usadas como referência ‘eye-tracking’ em sites projetados especialmente para a
para a análise do website em questão. televisão interativa, nos quais poderemos mensurar a
2. Revisão por experts – experts em usabilidade são eficácia do merchandising contido na programação. E
chamados para isso é só o começo...
testar a Neste artigo, dei uma pincelada em assuntos que,
interface. Estes apesar de complementares, merecem atenção especial e
menções individuais, o que faremos em artigos futuros.
A presto!

63
webdesign

Luli Radfahrer
P h D e m Co m u n ic a çã o Dig ita l, já d ir ig iu a d iv is ã o d e in te r n e t d e a lg u m a s d a s
m a i o r e s a g ê n c i a s d e p r o p a g a n d a e d e a l g u n s d o s m a i o r e s p o r t a i s d o Br a s i l . Ho je , é
P r o fe s s o r - Do u t o r d a E CA - US P , Di r e t o r A s s o c i a d o d o Mu s e u d e A r t e Co n t e m p o r ân e a
e c o n s u l t o r in d e p e n d e n t e . A u t o r d o l i v r o ‘d e s i g n / w e b / d e s i g n :2 ’, a d m i n i s t r a u m a
c o m u n i d a d e d e d i fu s ã o d o c o n h e c i m e n t o d i g i t a l p e l o p a í s .
webdesign@luli.com.br

Engenho & Arte


Você é inteligente, talentoso, criativo ou engenhoso? Existe diferença?

Cuidado quando você fala que alguém é inteligente: isso, normalmente, significa que
você não o é. Quando respeitamos o intelecto alheio sem desmerecermos o nosso, dizemos
simplesmente que o sujeito é ‘bom’. No máximo, ‘muito bom’. Afinal de contas, inteligentes
todos somos, pois inteligência nada mais é do que compreensão: capacidade de entender o
ambiente em torno e traçar seu caminho nele. Nesse raciocínio, o intelectual nada mais é do
que alguém que compreende muitos ambientes e se espalha com razoável desenvoltura ne-
les. E a famigerada CIA (‘Central Intelligence Agency’) não é tão esperta assim.
O mesmo pode se dizer do ‘gênio’ ou do ‘criativo’: o excesso de competição que nós,
ocidentais, hoje, enfrentamos, faz com que sejamos, mesmo por simples autodefesa,
egocêntricos. E com uma auto-estima à prova de bala, mesmo que não acreditemos nela.
Como temos que nos proteger das mazelas desse mundo, mas não esperamos nos dar ao
trabalho de dirigir, ou encenar, ou escrever, ou desenhar, algo realmente grandioso, e nem
temos tempo para isso, nos fazemos acreditar que existe algo chamado ‘talento’, um dom
divino e raríssimo, bem de pessoas iluminadas. Assim, nossa vaidade e insegurança favo-
recem o culto à personalidade, pois só quando é pensado como algo mágico, diferente,
distante e especial (inacessível, portanto), o gênio não incomoda.
Não é preciso pensar muito para se questionar essa tal habilidade, tanto, que, a mai-
oria das teorias modernas de epistemologia prova que ela tem muito mais a ver com o
ambiente em que se é educado do que com qualquer dom especial ou hereditariedade: fi-
lhos de musicistas ouvem e praticam música em casa desde criança e a associam a muito
treino e paciência, por isso, se tornam melhores candidatos a músicos. Escritores, jorna-
listas e advogados, certamente, leram muito desde a infância, por isso, seu texto é mais
fluido. Pela mesma óptica, designers que não conhecem história da arte, ou que se ali-
mentam de material reciclado em sites e anuários, serão, com certeza, muito mais limi-
tados do que seus colegas estudados. Como dizia a sua mãe, ‘Filho de peixe...’.
Logo, aquilo que, muitas vezes, chamamos de ‘o momento mágico da criação’, nada
mais é do que um processo de aprendizado, teste e reciclagem contínuos, que combina
experiências novas com conhecimento acumulado. Ou seja, quanto mais informação exis-
tir, vinda das mais variadas fontes, maiores as probabilidades de se conseguir uma com-
binação original, ou ‘criativa’. Em outras palavras, criação é fruto da inteligência, ou me-
lhor: só a inteligência leva à criação contínua e sustentada.

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webdesign
“É fácil dar receitas de design e de como se
tornar um bom designer, mas a sua realização
implica em dedicação, estudo e pesquisa”

Isso leva a outra palavrinha, pouco usada e tão impor- largam academias ou cursos de instrumentos musicais,
tante quanto as outras deste artigo: ‘engenho’, ou a capa- desistem de escolas de línguas e acreditam em regimes de
cidade de reciclar e reaproveitar os conteúdos existentes emagrecimento em 10 minutos. Impressionáveis, não per-
para se criar algo novo. É o que os antigos alquimistas – cebem que a busca por um resultado sem atenção no deta-
muito antes do Paulo Coelho – procuravam. De certa for- lhe só gera frustração e angústia. Existe, é claro, a sorte de
ma, é o que cozinheiros fazem. Militares em treinamento principiante, mas há muitos espertinhos que acertam no
de sobrevivência na selva, também. Por incrível que pare- primeiro lance e se julgam geniais. Falta a dedicação, o que
ça, engenheiros, também. Ou, pelo menos, deveriam. En- gera ainda mais insatisfação.
genho é inteligência colocada em prática, criação com ele- É fácil dar receitas de design, e de como se tornar um
mentos reais, talento aplicado. Não há uma reserva de bom designer, mas a sua realização implica em dedicação,
mercado para tais habilidades: todas as pessoas que apre- estudo, pesquisa e outras qualidades que ignoramos quando
sentem um mínimo de compreensão de seu ambiente são dizemos que não temos talento o bastante (diríamos, por
capazes de manifestar esse tipo de idéia. E só acredita no acaso, que não temos inteligência o bastante?). Acreditar que
contrário, aquele sujeito inseguro que não se sente confi- um artista ou ator seja genial e não dar valor a um professor
ante com o que produz. ou físico não passa de uma infantilidade da razão.
Por mais talentoso que se seja, isso de nada vale sem P.S.: Parabéns aos organizadores do 9º Encontro de
estudo ou prática, seja de que forma for. Fica muito mais fácil Web Design, no Rio: como sempre, a organização impecá-
compreender o que um dito gênio tem de especial, quando vel e a audiência de alto nível fazem com que qualquer
acompanhamos de perto a dedicação ferrenha de pessoas palestrante se sinta lisonjeado.
focadas em uma só forma de arte, pesquisa ou atividade. Veja
um bom cientista ou skatista, por exemplo: eles passam o dia
inteiro procurando estímulos e correndo atrás de novidades.
Cada nova descoberta é comemorada e combinada com as
anteriores e, dessa forma, agem como crianças que fazem
perfumes misturando todos os ingredientes do banheiro,
ou mesmo, como ilustradores que não param de dese-
nhar, ou designers que vêem design em cartazes rasga-
dos, em restos de xerox, em jornal velho.
‘O tempora, o mores’: infelizmente, a maioria,
hoje, não se preocupa com as partes, mas com o
todo, e o quer pronto sem muita disposição ou es-
forço. Essa cultura fast-food se revela em pessoas
que entram em lipoaspirações e plásticas recorrentes,

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