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Máquina de costura doméstica é lançada Singer apresenta sua nova máquina de costura, a primeira
Máquina de costura doméstica é lançada
Singer apresenta
sua nova máquina
de costura, a primeira
a obter sucesso
comercial.
Hoje, o nome Singer é praticamente sinônimo de
máquinas de costura, porém houve outros pioneiros
na área antes de Isaac Singer criar a primeira máquina
funcional que as pessoas podiam comprar para suas
próprias casas. E m 1755, u m alemã o chamad o Char-
les
Wiesenthal patenteou uma agulha d e ponta du -
pla - u m avanço fundamental. U m francês, Barthéle-
my Thimonnier, começou a produzir máquinas de
costura e m 1830, poré m sua fábrica foi destruída por
hordas de alfaiates, que ganhavam a vida costurando
à mão.
E m
1846, u m americano chamad o Elias How e
patenteou uma máquina que era usada por um fabri-
cante de corpetes londrino.
Isaac Merrit Singer descendia de uma família alemã
que emigrou para os Estados Unidos e m 1760.0 jovem
Isaac, qu e cresceu quase sem educação formal, adorava
o teatro e tentou ganhar a vida como ator e agente, al-
cançando pouco sucesso. Seu talento como mecânico
e inventor lhe renderia melhores frutos. Ele produziu
máquinas para perfuração e entalhe de rochas antes de
se mudar d e Nova York para Boston e transferir sua
atenção para a máquina de costura.
E m 1850, Singer criou uma
máquina eficaz e prá-
tica, acionada por um pedal e com uma agulha que
se movia
para
cima e
para
baixo, e m vez de correr de
um lado para outro. Mas ele logo se viu envolvido
em processos judiciais por quebra de patente movi-
O Anúncio sem data das máquinas de costura Singer publicado
na Harper's Bazar (nome da revista na época).
"Pretendo
fazer com que
a lançadeira se mova de
um lado para o outro."
dos por Elias How e e outros inventores. A "guerra da
máquina d e costura" chego u ao fim e m 1856, e Singer,
um homem de negócios implacável, se estabeleceu
de forma dominante e lucrativa. Singer também teve
uma vida amorosa complicada. Supõe-se que ele te-
nha
sido pai d e 28 crianças. Quand o morreu, e m 1875,
Singer, sobre sua máquina de costura, 1850
seu patrimônio era de mais de 13 milhões de dólares.
Sua companhia produziria as primeiras máquinas de
costura elétricas e m 1889. R C
Primeira Feira Mundial A Grande Exposição serve de vitrine para a tecnologia e o design
Primeira Feira Mundial
A Grande Exposição
serve de vitrine para a tecnologia
e o design
britânicos.
.<MI nome era A Grande Exposição dos Trabalhos das
Indústrias d e Todas as Nações e ela continha, d e fato,
.ir
tigo s d e tod o o mundo . N o
entanto , pouco s ingle -
.1 "> tinham dúvidas quanto a qual nação se destaca-
ii.i dentre as demais e dominaria a imensa mostra
inaugurada no Hyde Park, e m Londres. Suas expecta-
livas foram devidament e confirmadas, pois havia 7.381
peças de
origem inglesa e 6.556 provenientes d o res-
tante do mundo. Contudo o destaque era a própria
exposição, apelidada de "Palácio de Cristal" pela re-
vista satírica Punch. O
espaç o tinha 563m d e
compri -
mento, 124m d e laujura e Ahn (le altura.
Projetada por Joseph Paxton, ex-curador d o palá-
c io de Chatsworth, e m Derbyshire, a exposição foi a
I irimeira construção pré-fabricada d o mundo. Baseada
nas imensas estufas de Chatsworth, ela possuía uma
moldura de ferro com o base de sustentação, era co-
berta de painéis de vidro deslumbrantes e incluía três
olmos grandes. Mais de seis milhões de pessoas - um
terço da população da Grã-Bretanha - foram prestigiar
a exposição entre 1" de maio e 15 de outubro, muitas
a bordo de trens recém-construídos. Foi uma celebra-
ção extremamente bem-sucedida da tecnologia e
do design modernos, e a equipe que a organizou, en-
cabeçada pelo príncipe Alberto, marido da rainha Vitó-
ria, ficou merecidamente orgulhosa d e sua conquista.
O lucro d e 186.437 libras da Grand e Exposição foi
O A Grande Exposição no Hyde Park: visão inlcrn.i il.i .ivi-nn l.i
utilizado para a compra de um terreno e m South
Kensington, Londres, onde instituições educacionais
permanentes seriam construídas, entre elas o Victo-
principal mostrando galerias sustentadas por colunas de lerri >,
"Este dia é um dos mais
ria & Alber t Museum , o Muse u d e História Natural e 0
importantes
e gloriosos de
Muse u d e Ciências. E m 1854, o Palácio d e
remontado e m Sydenham Hill (localizada à
Cristal foi
época n o
nossas vidas."
condado de Kent),
ond e permaneceu até
ser destruído
por u m incêndio e m 1936. Atualmente, a região d e Sy-
denha m Hill é chamada d e Crystal Palace. R P
Diário da rainha Vitória, 1 a d e maio de 1851
MobyDické publicado O clássico de Melville sobre as aventuras de um baleeiro não empolga o
MobyDické publicado
O clássico de Melville sobre as aventuras
de um baleeiro não empolga
o público.
Atualmente, MobyDick é considerado u m épico da li-
teratura americana, escrito por I lermann Melville, um
autor ilustre. Porém tamanho reconhecimento pare-
cia improvável quando o livro foi publicado pela pri-
meira vez e m Londres por Richard Bentley, e m três
volumes, e posteriormente e m Nova York, no dia 14 de
novembr o
d e 1851, e m volum e único pela Harper &
Brothers. Ao que tudo indicava - pelo menos no que
dizia
respeito ao gosto
popular -, e m vez de entrelaçar
suas reflexões filosóficas à aventura de caça à baleia,
Melville as teria introduzido forçosamente na narrati-
va. A história de Ishmael e Queequeg, seu amigo da
1'olinésia, navegand o junlos c m
tucket chamad o Pequod, sob o
u m baleeiro d e Nan-
comand o d o sinistro
c ,i|>ii;io Ah,ib, aiundo u c o m suas relerem ias bíblk as e
a< eleiou a qued.i da reputação literária d e Melville.
O prestígio literário do ex-professor havia sido
construído sobre uma série de narrativas de aventura,
entre elas Typee
(1846), Omoo (1847) e White Jacket
(1850). Com o n o caso d e MobyDick, essas
histórias fo -
ram baseadas nas experiências de Melville na Polinésia
como arpoador, observador de povos canibais e mari-
nheiro. Os anos de aclamação trouxeram dinheiro su-
ficiente para a compra d e uma fazenda e m Arrowhead,
na cidade de Pittsfield, Massachusetts, onde ele viveu
por 13 anos, imerso em
Shakespeare e desenvolvendo
uma amizade com seu vizinho, o romancista Natha-
O Uma ilustração para MobyDick, de Melville, de A. Burnham
Shute.c. 1851.
niel I lawlhome. No entanto, afundado e m dívidas,
Melville foi forçado a vender a propriedade e se tornar
inspetor da alfândega e m Nova York. O viajante e es-
"Quem procuraria
filosofia
13 anos pre-
nos cetáceos, ou poesia em
gordura de baleia "
t ritor que havia rodado o mund o passou
so a um emprego de escritório.
London
Magazine,
185 1
A influência desse livro talvez passe despercebi-
da para os freqüentadores de uma cadeia de cafete-
rias americana, batizada e m homenage m ao imedia-
to d e MobyDick qu e adora café, Starbuck. JJ H
Luís Napoleão bola um golpe de mestre O golpe realizado em dezembro de 1851 por
Luís Napoleão bola um golpe de mestre
O golpe realizado em dezembro de 1851 por Luís Napoleão sabota a democracia
francesa.
()s tipógrafos d o governo e m Paris nã o tiveram
escolha senão virarem a noite trabalhando e m
outra
1 a de
dezembro d e 1851, e a polícia tinha ordens para fuzilar
REPUBLIQUE
FRANCAISE
I |ualquer pessoa qu e
fosse embora mais cedo. Eles
jiti;it n: .
i:<. vi.ui; .
i KATIOII M
r i
estavam imprimindo uma proclamação tão secreta
|ue ninguém podia mmpo i inai', d o qu e algumas
DECRET
I loucas frases. 0 trabalho foi concluído às 5h da ma -
E T
I»KO€L,A11ATI O
nhã e então cópias foram distribuídas, sob o comando
do chefe d e polícia.
E m
um a questão d e
horas, elas
IM ntlMIUM
DE L I
ItKIM Itl 1011
haviam sido afixadas e m toda a cidade. Os
parisienses
3ECBET .
leram qu e a
Assembléia tinha sido dissolvida e qu e a
lei marcial estava e m vigor, ma s també m qu e o sufrá-
< )io universal fora restaurado e que eles logo
poderiam
votar uma nova constituição. O responsável por esse
golpe dado c m ) d e de/ombro aniveisário da vitória
de Napoleão e m Austerlitz - foi Luís Napoleão, sobri-
\rri:i.
w
Mil VtM.
1 ' I iik i
iiivnii x
i
i
iii
nho d e Bonaparte. Ele havia sido eleito presidente e m
dezembro d e 1848, por u m período d e quatro anos, e
não tinha intenção d e
abdicar. Quando os cartazes
5 1
;
surgiram na cidade, eleja havia reunido 78 figuras po -
líticas d e destaque, incluindo realistas, generais, líderes
radicais e outros indesejáveis. E m pouco tempo, 500
dissidentes estavam mortos.
S — S > )
Luís Napoleão trabalhou duro para reforçar sua
e
>
imagem e conquistar aliados dentro e fora da Assem-
bléia. I , o mais importanle,
linha 50 mil soldados leais
na cidade. Já estava há 10 anos na presidência, uma
O Reprodução d o decreto
de 2 d e dezembro
de 1HS! d r I nr.
posição endossada por 91%
dos votantes e m um refe-
Napoleão, que o tornou um ditador.
rendo. N o an o seguinte, ele se elevou ao título d e im -
perador Napoleão III.
e m assuntos externos ajudou a unificar tanto a Itália
"Meu dever é
a República
o país."
garantir
A Europa jamais seria a mesma, e m parte por-
e salvar
que a intromissão inexperiente d e Luís Napoleão
quanto a Alemanha e
a enfraquecer a França, e e m
parte porque sua carreira mostrou o caminho para
Proclamação d e Luís Napoleão, 1851
futuros ditadores. R P
853 8 DE JULH O 854 6 DE JULH O A abertura do Japão Novo
853
8 DE
JULH O
854
6 DE
JULH O
A abertura do Japão
Novo partido formado
O comodoro Perry chega à baía de Tóquio A oposição à escravatura leva à
para impor um tratado aos japoneses. formação do Partido Republicano.
Antes de a esquadra de quatro navios de guerra do
i omodoro Perry (que incluía também dois vapores de
iodas) adentrar d e forma ameaçadora a baía d e Tó-
O Partido Republicano nasceu da intolerância à escra-
vidão depois que o Compromisso do Missouri que
vinha mantendo um equilíbrio entre os estados escra-
| |uio - co m as embarcações a vapor produzindo uma
vagistas e os não-escravagistas - foi rompido pelo Ato
i |uantidade tão grande de fumaça preta que os japone-
d e Kansas-Nebraska. Essa medida
deu aos colonos
Mis no litoral acharam estar vendo vulcões flutuantes -,
0 governo do Japão mantinha o país rigidamente fe-
(liado a estrangeiros. Porém os Estados Unidos do pre-
Sldente Fillmore tinham outros planos, de modo que
Perry foi enviado para exigir um tratado que estabele-
ceria relações comerciais e políticas co m a América.
Matthew Calbraith Perry tinha 57 anos, uma carrei-
ra notável e acreditava no imperialismo expansionista
dos novos territórios do Kansas e d e Nebraska a liber
dade de decidir se permitiriam ou não a escravaiuia
dentr o d e suas fronteiras. Opositore s d o sistema esc r,i
vagista d o Sul criaram um partido no Norte para sus-
tentai o princípio
liberdade d e criar
de que todo home m devi a ia tei a
para si uma vida digna.
americano. E m 1852, aceitou o comand o
da expedição
ao Japão. Ele embarcou com uma banda naval que to-
1 ava "Hail Columbia", mas os japoneses não aceitaram o
tratado e Perry retornou prometendo voltar.
Ele cumpriu o prometido, retornando em fevereiro
seguinte com uma esquadra maior de navios de guerra.
Dessa vez, quando aportou, suas bandas navais toca-
ram "The Star-Spangled Banner". As autoridades japo-
nesas, intimidadas e divididas, assinaram em março de
"Nenhum homem é bom o sufi-
ciente para governar o próximo
sem o consentimento deste."
Abraha m Lincoln, Peoria, Illinois, 1854
E m 1854, o Partido
Republicano foi formalmenie
fundado em Jackson, Michigan, em
com 10 mil participantes, e a notícia
um
e
lio
logo
p i
1854 o Tratado de Kanagawa, que de u aos Estados Uni-
dos um status muito favorável como nação comercial,
levou à
abertura de dois portos que serviam como de -
lhou. Um a d e suas principais figuras ei a Alinha m
Lincoln, que denunciou a escravidão como uma vlo
laçâo da Declaração de Independência.
pósitos de carvão e garantiu o retorno em segurança de
marinheiros americanos náufragos. Logo, tratados se-
melhantes seriam assinados com ingleses, russos e ho -
landeses. Perry recebeu o agradecimento do Congres-
Nas eleições para o
Congresso d e WA, < >\ ie| ni
so e aconselhou publicamente os americanos a
"expandir seu domínio e seu poder através do Atlântico
blicanos conquistaram maioria na Câmara i li >\ l >< >| n i
tados. E m 1856, o candidato d o partido à presidem l.i,
Joh n C. Fremont, venceu e m 11 estado',, I m IHnii,
Lincoln foi escolhido como candidato, enquanto ir .
democratas, divididos entre facções do Noiie e du
e
d o Pacífico". Morreu
e m Nova York e m
1858. R C
O
Impressão colorida em bloco de madeira do comodoro Perry,
publicada em IkokuOchibaKage,
de Miki Kosai {c. 1854).
Sul, concorreram co m dois candidatos rivais Mi m iln
conquistou o voto dos colégios eleitorais de todi <•, i >\
estados do Norte, porém apenas 40 % do volo po
pular. RC
1854 25 D E OUTUBR O A carga da brigada ligeira Um ataque de cavalaria
1854 25 D E OUTUBR O
A carga da brigada ligeira
Um ataque de cavalaria desastroso em Balaclava destaca os fracassos do exército britânico.
A
Guerra da Criméia testemunhou o ataque da Inqlate
ra
e da França à Rússia para conter o avanço desta sobre
os Bálcãs. O conflito degenerou e m u m longo cerco a
Sebastopol e e m eventuais batalhas sangrentas nos ar-
redores. E m 25 d e outubro d e 1854, o general Cardigan,
no comand o do s cinco regimentos da brigada ligeira
britânica na Batalha d e Balaclava, recebeu ordens para
atacar um a bateria russa n o
final d e u m vale. Colocan -
do-se à frente da formação, ele conduziu 673 dragões
ligeiros, lanceiros e hussardos pelo vale e m direção à
artilharia, qu e se
encontrava a mais d e 1,5km d e distân-
cia. Primeiro e m ritmo d e marcha, depois trotando, en -
tão a meio galope e finalmente e m velocidade d e ata-
que, eles invadiram a bateria, desarmando os artilheiros.
( umpii i l.i .1 miss.ii), i li 'Mi n
meia
v i illd i 1 leli
leram
pelo vale. No caminho d e volta, a cavalaria foi massacra-
da pelo fogo d e artilheiros posicionados nos dois (lan-
ços e por uma bateria à frente dela.
Quand o a brigada ligeira foi reunida após
o ataque,
havia apena s 195 cavaleiros aind a montados . Do s res-
tantes , 118 tinha m morrid o e 127
estava m feridos . O s
demais retornaram a pé. Cardigan voltou cavalgando
do camp o d e batalha e se retirou para seu iate, sentan-
do-se para
desfrutar, com o sempre, u m farto jantar.
0 heroísmo do s oficiais e soldados da brigada li-
geira conquistou ampla admiração. N o entanto, por
O Ilustração da célebre carga da brigada ligeira, na Batalha de
conta d e mal-entendidos e ordens confusas, eles
ata-
Balaclava.
caram os artilheiros errados e tiveram pouco sucesso.
N o verso d o famoso poem a d e lorde Tennyson, A
car-
ga da brigada
ligeira:
"Alguém cometera u m erro."
"É magnífico,
porém
O ataque demonstrou, ao mesmo tempo, toda a
não se trata de guerra,
mas de loucura."
força
e fraqueza d o exército britânico - comandan-
tes e oficiais envelhecidos, cujas promoções
haviam
sido conquistadas por meio d o dinheiro, da influên-
General Pierre Bosquet, oficial francês, testemunha
cia e d a posição social. A s forças militares
inglesas
necessitavam urgentemente d e reforma. N K
Uma pioneira da enfermagem Florence Nightingale organiza o atendimento aos soldados britânicos na Guerra da
Uma pioneira da enfermagem
Florence Nightingale organiza o atendimento aos soldados britânicos na Guerra da Criméia.
As condições nas barracas deploráveis e infestadas de
vermes d o
exército
e m Scutari, na Turquia - transfor-
i nadas
e m
hospital militar para os soldados britânicos
leridos na guerra contra a Rússia na Criméia -, eram
muito piores d o que Florence Nightingale e sua equi-
pe de 38 enfermeiras haviam imaginado. Soldados
i loentes e moribundos, a maioria sofrendo de cólera
ou disenteria, jaziam em toda parte - em Scutari, feri-
mentos de guerra eram responsáveis por apenas uma
entre seis mortes. Além disso, os médicos do exército
não ficaram muito felizes e m vê-las, especialmente
quando Nightingale convocou suas enfermeiras para
limparem todo o hospital e reformulou o atendimento
aos pacientes. Eles consideraram aquilo uma afronta
ao seu próprio profissionalismo.
Nascida na Itália e m uma abastada família e m
1820, Nightingale - qu e precisou superar a oposição
dos pais para poder exercer a enfermagem, considera-
da na época uma profissão para mulheres de classes
inferiores - era uma verdadeira batalhadora. Ela tam-
bé m tinha o jornal The Times, o primeiro a alertar a po -
pulação da Grã-Bretanha sobre a epidemia de cólera,
do seu lado. Apelidando-a de "a dama da lâmpada", o
jornal abraçou sua causa e levantou fundos públicos
para ajudá-la a realizar seu trabalho.
Com melhor saneamento, as taxas de mortalida-
de em Scutari logo começaram a diminuir e, quando
Nightingale retomou à Inglaterra e m 1856, foi festeja-
da como heroína nacional e recebida e m audiência
pela rainha Vitória. Em seu país de origem, Nightin-
gale usou sua influência para reformar os hospitais
militares e melhorar os padrões da enfermagem, fun-
dando a Escola de Enfermagem Nightingale no St.
Thoma s Hospital, e m Londres, e m 1860. E m 1907,
tornou-se a primeira mulher a receber a Ordem do
Mérito do Império Britânico. N K
O Retrato de Florence Nightingale, que utilizou su,i , I expeileiu l.r.
na Guerra da Criméia para fundar a enfermagem moderna
ela "
pode ser vista, com uma
lâmpada na mão, fazendo
suas rondas solitárias."
The Times,
185 4
Eclode a rebelião indiana Soldados indianos se rebelam contra seus comandantes britânicos. O Após tomarem
Eclode a rebelião indiana
Soldados
indianos
se rebelam contra seus comandantes
britânicos.
O
Após tomarem Délhi, os rebeldes indianos perderam a cidade para os britânicos, que enforcaram os líderes da insurreição.
N
o dia 9 d e maio, no posto militar d e
Meerut, ao norte
era d e boi, já os regimentos muçulmanos,
porgue ele
de Délhi, o comandante da
3 J Brigada Ligeira d e Benga-
continha també m gordura de porco. A falta de confian-
la sentenciou 85 cavaleiros
indianos a 10 anos d e traba-
ça dos soldados indianos nos ingleses era um sintoma
lhos forçados por terem se recusado a executar seus
da distância cada vez maior entre a elite dominante e
exercícios d e artilharia. No dia seguinte, os regimentos
seus súditos. O respeito pelas culturas da índia demons-
dos nativos indianos se rebelaram, libertaram os conde-
trado pelos soldados e a administração britânicos ante-
riores vinha sendo substituído por uma visão reformis-
nados e começaram a matar seus oficiais ingleses. En-
la.abeilamenle c iislã,do papel d a
Inql.iloir.i.
tão, marcharam para Délhi para devolver Kihadui Miah
-
o antigo imperador mogol - à sua posição tradicional
Nem todos os regimentos indianos se rebelaram.
c
le
governante
da (ndia. Os regimentos d e Délhi se jun-
Ainda assim, a supressão violenta dos amotinados e a
taram à revolta, que se espalhou pelo norte da índia.
reimposição do controle britânico - aliadas às atroci-
A causa imediata do levante foi a introdução
do
dades, reais ou imaginárias, cometidas por ambos os
i IOV O rifle Enfield, qu e obrigava o atirador a morder u m
lados - aprofundaram a cisão entre as duas comuni-
dades e a ilusão perigosa
de superioridade
sentida
cartucho embebido em gordura. Os soldados hindus
pelos governantes e m relação aos indianos. N K
acreditavam que seriam desonrados porque a gordura
Nossa Senhora de Lourdes As visões de Bernadette Soubirous tomam Lourdes um local de peregrinação
Nossa Senhora de Lourdes
As visões de Bernadette
Soubirous
tomam
Lourdes um local de peregrinação
católica.
O Uma multidão se reúne para ver Bernadette ter uma de suas visões da Virgem Maria na gruta de Massabielle, em Lourile'.
I mbora o clima pudesse agravar sua asma, Bernadet-
te Soubirous
insistiu e m sair para recolher lenha. Ela
precisava de uma folga da "Jaula", o cômod o quase
visão se revelou com o "a Imaculada Cone eic.it >"
Bernadette foi acusada d e fanática, charlai I ou
simplesmente de doente mental. No entanto, cm
inabitável d e uma prisão desativada no qual ela, seus
pais e irmãos moravam. Ela seguiu até o despenhadei-
1862, o Papa declarou as visões autênticas, o i iilio a
Nossa
Senhora de Lourdes foi autorizado e alimn u i se
ro co m uma gruta entalhada no fundo e, ali, "escutou
qu e a fonte subterrânea tinha propriedades mila<|i<i
um barulho parecido co m uma rajada de vento".
sas. Lourdes logo se tornou u m local de perei irlnaçâi i,
Quando se virou, viu uma "luz suave" e, e m seguida,
uma bela mulher vestida de branco e abrindo as mãos
co m três milhões de visitantes
por ano, muitos 11< i" .
e
m um gesto d e boas-vindas. Bernadette tentou fazer
doentes ou inválidos.
E m 1958, uma igreja subterrânea d e 20 mil Im |.nes
o
sinal-da-cruz, porém havia perdido o controle das
foi construída. Bernadette, por sua ve/, se loim m he i
mãos. A visão fez o sinal e depois desapareceu. Apesar
da desaprovação dos pais, Bernadette se sentiu impe-
ra,
passando os demais anos d e sua vida dei In
ada à s
lida a voltar e testemunhou outras aparições, embora
seus acompanhantes nada vissem. Em 25 de março, a
orações e reclusa, sendo admirada por sua intelii |ên
cia, bondade e estoicismo diante da dot. I Ia moncii
e m
1879 e foi canonizada e m 1933. R P
Surgimento da teoria dos germes Louis Pasteur refuta a teoria da geração espontânea. Todos sabiam
Surgimento da teoria dos germes
Louis Pasteur refuta a teoria da geração
espontânea.
Todos sabiam que, se deixassem leite ou vinho em um
frasco, ele "azedaria" e microrganismos
apareceriam
na sua
superfície.
Porém, o qu e causava essa mudan -
ça? Louis Pasteur, recém-nomeado professor da École
Normale Supérieure de Paris, tinha certeza d e
que a
teoria formulada por Félix Pouchet, aceita por todos,
estava errada. Pouchet acreditava na "geração espon-
tânea", postulando que a fermentação era um proces-
so químico, portanto a vida (ao menos a daqueles or-
ganismos
minúsculos)
podia
ser gerada
da
matéria
somente. Pasteur confiava poder refutar essa idéia por
meio de experimentos laboratoriais. Ele conduziu ar
através d e uma rolha de ali ]od,'io | lólvora e m um tubo
de ensaio, dissolvendo em seguida o algodão. Depois,
ideiiliíu ou n o resíduo os mesmos organismos
micros-
cópicos encontrados e m
líquidos fermentados. Por
outro lado, se o ar fosse suficientemente
aquecido,
não era possível detectar os microrganismos no resí-
duo. Pasteur argumentou que organismos
presentes
no ar geravam fermentação e putrefação e que o calor
os matava. Foi uma descoberta monumental.
A
Após esse salto inicial, Pasteur continuou desenvol-
vendo seus avanços. Ele descobriu que o organismo
Mycoderma
aceti era responsável pela fermentação d o
i-m*rr
<r~-
.«r »
-^
r
<&r
vinho, mas que aquecê-lo até uma temperatura eleva-
O
Gravura do aparato utilizado por Louis Pasteur em uma
da resolvia o problema. Aquecer substâncias a tempe -
experiência inicial sobre a produção de uma cerveja esterilizada.
raturas específicas, ou "pasteurizá-las", representou u m
O
O químico Louis Pasteur executa um experimento científico
grande progresso na esterilização dos alimentos.
no seu laboratório.
Pasteur
demonstrou
que
havia
uma
diferença
fundamental entre fenômenos químicos e organis-
"O vinho é um mar de orga-
nismos. Através de alguns ele
vive e, de outros, morre."
mos vivos. A partir daí, ficou claro que o ar era repleto
de bactérias, o que abriu o caminho para o combate
a doenças e o desenvolvimento de técnicas de imu-
nização. O próprio Pasteur criou uma vacina contra o
Louis Pasteur
antraz, e m
1881, antes d e combate r a
raiva. Ele foi en -
terrado no Instituto Pasteur, e m Paris, e m 1895. R P
Um astro sobre o Niágara Acrobata francês Charles Blondin cruza as cataratas do Niágara em
Um astro sobre o Niágara
Acrobata francês Charles Blondin cruza as cataratas do Niágara em uma corda
bamba.
O Charles Blondin, o acrobata francês, se apresenta na corda bamba sobre o rio Niágara (1859).
" 0 Grande Blondin" foi o mais célebre de todos os
acrobatas a andar na corda bamba. Nascido Jean-
seus preços e uma multidão de espectadores se juntou,
eletrizada, para ver Blondin fazer a travessia vestindo
I rançois Gravelet na França, e m 1824, ele ficou fasci-
uma camisa
roxa, calças brancas e
u m gorro. Ele come -
nado ao
visitar um circo e começou a praticar co m
uma corda, usando a vara de pescar do pai para se
equilibrar. Seus pais o colocaram para treinar acroba-
i ias e ele se apresentou e m público pela primeira vez
aos 5 anos.
çou a cruzar o rio às 17h15, após se dispor a carregar u m
voluntário nas costas, mas ninguém se ofereceu. Não
teve
pressa a o
atravessar a
corda d e
7,5cm de largura,
algo que tonsideiava uma rareia simples. A multidão
foi ao delírio quando o acrobata completou a travessia
em 17 minutos e meio.
Sua façanha mais notória foi a primeira travessia
que fez das cataratas do Niágara, aos 35 anos. A corda
Blondin
voltou a cruzar o
rio e m
4 d e julho,
dei-
foi estendida d e uma ponta a outra d o rio
por um barco
a remo. A distância era de 305m e o peso da corda a fa-
zia afundar 18m n o centro, o qu e conferia ao trajeto
uma descida íngreme. O evento foi noticiado em jor-
nais, cartazes e panfletos. Hotéis da região aumentaram
tando-se na corda bamba para tirar um cochilo. Pos-
teriormente, fez a travessia vendado, carregando seu
agente, empurrando um carrinho de mão e até de
pernas de pau. Ele continuou se apresentando quase
até sua morte, aos 72 anos, e m 1897. R C
Sua alma continua marchando A ocupação de John Brown fracassa em provocar a insurreição dos
Sua alma continua marchando
A ocupação
de John
Brown fracassa em provocar
a insurreição
dos escravos.
O
A fábrica d e mosquetes d o arsenal federal d e Harpers Ferry foi saqueada e m busca de armas por John Brown e seus seguido
()
Ato d e Kansas-Nebraska d e 1845 permitiu aos habi-
tantes daqueles dois novos territórios decidirem se
Brown pretendia incitar um a insurreição d <.
vos. forneceria armas a eles e os liderari, i e
uni
u
permitiriam o u não a escravidão. Donos d e escravos
do estado vizinho d o Missouri se mudaram para o
para o s Apalaches , ond e acreditav a qu e toe l< >s < >s < 's<
I ansas; n o entanto, outros recém-chegados - fazen-
vos d o Sul se juntariam
terra. Foi numa tentativa
a el e e a est lavul. una i
de concretizai essi • \ ilai K>, i <
deiros d o Kentucky, Tennessee e d e outras localidades
não tinham escravos e não precisavam deles, o qu e
iniciou uma guerra civil e m potencial. Aguilo chamou
um grupo d e 15 brancos e
mando u uma ocupaçã o d o
cinco negios, i |ue ele i
arsenal federal d e I lai |»
a
atenção d e John
Brown, u m abolicionista dedicado
e
cinqüentão. Cinco dos seus filhos se mudaram para
0
Kansas e, e m 1855, seu pai se juntou
a eles co m u m
1 arregamento d e armas. No ano seguinte, Brown con-
duziu u m massacre d e supostos "caçadores d e escra-
vos" e m u m assentamento às margens d o Pottawato-
mie Creek.
Ferry, na Virgínia. Ali, Brown aprisionou vam is 11< n n >s
escravos da região e armou os negros que eslavam <
poder deles. Contudo, n o dia seguinte, o arsenal li >i
vadido por uma tropa d e fuzileiros navais, comanda
pelo futuro general Robert E. Lee. Brown foi leiidi
dois d e seus filhos, além d e mais oito invasoies, li >i,
mortos. Depois de preso, ele foi enforcado, ali am.ai H
a imortalidade como mártir do abolicior IÍS I i n i. RC
Seleção natural A Itália de Garibaldi Darwin publica A orige m das espécies, Garibaldi chega
Seleção natural
A Itália de Garibaldi
Darwin
publica A orige m das espécies,
Garibaldi
chega à Sicília com a missão de
gerando
um rebuliço
intelectual.
expandir a unificação
italiana.
0 livro foi publicado por lohn Murray e m Londres,
A unificação da Itália foi a maior aventura d e Garibaldi,
co m o título Sobre as origens das espécies através da
porém ela quase não ocorreu. A princípio, ele estava
seleção natural,
ou
a preservação
de
raças
favorecidas
disposto a lutai por sua Nice natal, arrancando-a
dos
na luta pela vida. Apena s 1.250 exemplare s fora m
franceses; no entanto, os arquitetos da unidade do nor-
impressos, e foram vendidos no dia da publii ação.
te da Itália, Vítor I manuel e ( avour, o i lesenc oiajavam a
Charles Darwin tinha escrito um
saria uma revolução intelectual.
best-seller qu e cau-
fazê-lo. Não o impediriam e talvez até o ajudassem, se
ele fosse bem-sucedido, todavia o aconselhavam a ter
Darwin sentiu a necessidade de explicar as varia-
extrema cautela. Não obstante, (liuscppe (.aribaldi zar-
ções ocorridas com o tempo nos animais terrestres e
po u
para a Sicília, ond e
uma
rebelião contra o rei d e
nas aves. No entanto, sua maior satisfação era fazer
Nápoles havia eclodido. Em 6 de maio d e
1860, ele
pesquisas detalhadas e ele relutava e m colocar suas
s.iiu d e ( ICII I >va, mi n
seus
homen s a boid o d e dois va -
pores d e rodas antigos, o / ombardo
e o Piemonte.
Che-
"Admito plenamente
que
qaram a Maisala no dia 11 de maio. A missão poderia ter
lei minado ali, pois suas embale ações depararam co m
haja inúmeras dificuldades
não explicadas a contento
dois navios napolitanos mais poderosos. Felizmente,
"
o
( oniandanle < Ia legião I icsilou, pensai ido que Ga-
n
i ial i l i - 'sl.iv a
so b a pi i >ii •< H > d e d i >is 11, ivi i >s d e i |uerr a
Charle s Darwin , sobr e A origem
das
espécies
britânicos ancorados nas proximidades. Quand o final-
menlc disparou, a maioria dos homens linha sido eva-
teorias no papel por saber que se tratava de dinamite
<
nada. As baixas d e (laiibaldi se limilatam a um home m
intelectual.
lei
ido no
ombi o e um
c ac borro lendo
na perna. O ce-
Darwin argumentava
que as < rialutas
tiavavam
n
ii n M 'st, iv, i montad o
pai a
um i
lima:
i 'S|«'la<
i ilai i le
uma batalha intensa pela existência. Os que possuíam
todo o processo de unificação italiano.
vantagens natuiais, que i is tomavam mais bom adapta
I'alei nio ( aiu i liai ile dos "mil" < anlisas veimelhas
dos ao ambiente, tinham mais chances de sobreviver e
< l e i niii l i.il i li ( i ia v i 'iila i li •, 11, ivi a ( e u a d e
1.200 na s dua s
procriar, passando adiante suas vantagens pata os dos
embarcações) e o sucesso lhes trouxe apoio. Logo a Si-
cendentes, que, co m o passar do tempo, evoluíam para
cília era d e Garibaldi. Nápoles foi pelo mesm o caminho
novas espécies. Lara os críticos, aquilo cia um ataque
e, e m outubro, ele transferiu os territórios para o rei Vítor
contra Deus que destruía o conceito d e um criador,
Emanue l II, qu e foi coroad o rei da Itália n o an o
seguinte.
reduzindo a humanidade ao nível de animais. A obra
Quanto ao herói nacional da Itália, ele se recolheu para
conquistou opositores inflamados e defensores ilustres,
a
ilhaCaprera com um estoguede um ano de macarrão
gerando discussões acirradas. Logo as provas da evolu-
e
guase mais nada. Ninguém poderia ofuscar o rei. R P
ção se acumulavam continuamente, porém não no gue
dizia respeito à mecânica da seleção natural. Somente a
O
Garibaldi
diante de Cápua, pintura de Domenico Induno
genética moderna pôde explicar com o ela ocorre. R P
(1815-1878), atualmente em Milão.
1860 17 DE JUNH O 1861 18 DE FEVEREIR O 0 Leviatã de ferro A
1860 17 DE JUNH O
1861 18 DE FEVEREIR O
0 Leviatã de ferro
A Itália é reunificada
O Great Eastern de Brunel, o maior navio
do mundo, cruza o Atlântico.
O primeiro parlamento
toda a Itália reunificada
representando
é
convocado.
0 Great Western havia cruzado o Atlântico e m apenas 15
A reunifu ação da Itália loi obra, principalmente, de
dias, porém esse sucesso não bastava para Isambard
Kingdom Brunel, e ele não descansaria sobre seus louros.
A
rota d o Atlântico Norte era sua,
mas e quanto à Aus-
quatro homens muito diferentes: Giuseppe Mazzini, o
idealista frio e ascético, que forneceu a ideologia;
Giuseppe Garibaldi, o patriota carismático, que forne-
t
i.ília? Brunel
decidiu construir u m
navio maior, melhor e
ceu o poderio militar; Vítor Emanuel, o rei da região pro-
mais rápido.
Co m 189 metros d e compriment o e pe -
vinciana do Piemonte, que se tornou
u m líder simbóli-
sando 8.915 toneladas, o Greaí Eastern era exatamente
Isso. A embarcação era alimentada por rodas d e pás e
por uma hélice de metal. Seu casco de ferro tinha duas
( amadas, para que o navio fosse insubmergível.
co para o país; e seu primeiro-ministro, ocond e ( amillo
Cavour, político astuto, cujas atitudes e m prol de um
resultado vantajoso eram muitas vezes tortuosas.
A causa oculta d o nacionalismo italiano foi u m
D e acordo co m o New York Times, "toda a carreira
deste navio gigantesco parece ter sido uma gigantesca
país dividido entre a ocupação austríaca no noroeste,
os Estados papais ao
redor
de Roma e os
Bourbon e m
iii.ini .ida". Houve problemas financeiros intermináveis.
Nápoles e na Sicílla. Ele foi reacendido pelas conquis-
0 lançamento foi um fiasco: primeiro o navio disparou
para a frente, matando um homem, depois não quis
mais se mover. Somente após vários meses ele se fez ao
mar. Então, e m 9 d e
setembro d e 1859, uma explosão
na casa de máquinas matou cinco homens. O navio não
l.i', d o leuilóii o ciuslií.ii o po i Napoloa o III e seu in< e n
tivo à causa italiana. E m conluio co m Cavour, os fran-
<eses invadiram o norte da Itália e lul.ii.im co m os
austríacos até chegarem a um impasse. No entanto,
eles desapontai.im os italianos ao Inmaiein unia paz
naufragou, mas aquela foi a gota d'água para Brunel.
Fie já havia sofrido um derrame, e então morreu.
qu
e não unificava todo o norte e centro da Itália.
I ni 1860, Garibaldi invadiu a Sicília co m seu peque -
O
Great Eastern zarpou d e Southampton e m 17 d e
no
exército de mil camisas-vermelhas e libertou tanto a
junho de 1860.0 que mais poderia dar errado? Jornalis-
tas intrépidos estavam a bordo para descobrir. Durante
ilha quanto Nápoles dos Bourbon. O ex-republicano se
reuniu co m o rei Vítor Emanuel fora d e Roma, reconhe-
0
evento, a viagem para Nova York transcorreu sem in-
cend o o monarca d o Piemonte
com o
rei d e uma nação
t
identes. Houve um início de tempestade no meio do
unida - com apenas os Estados papais e Veneza perma-
Atlântico, porém apenas três pessoas ficaram enjoadas.
ne i end o ex< luído s d o
nov o
I slad o italiano . U m
pali a
1 m 27 de junho, a atracação foi um sucesso, embora o
mento co m representantes
de todas as regiões da Itália
navio tenha batido no cais e
aberto um talho de u m
foi convocado e m fevereiro
e ratificou a
nova l Jnião e m
metro e meio de profundidade nele.
O Great Eastern jamais teve sucesso com o navio
d e passageiros. E m 1866, passou a ser usado para ins-
talar cabos ao longo dos oceanos Índico e Atlântico.
Ainda assim foi o maior navio do mundo antes do
março. Garibaldi conduziu as tropas italianas na expul-
são dos austríacos de Veneza e m 1866 e, e m 1871, os
Estados papais se renderam ao novo exército nacional
italiano.
A Itália já não
era mais, nas palavras d o chance -
ler austríaco Klemens
Metternich, "uma expressão geo -
lusitania (1906) e serviu d e protótipo para os tran-
satlânticos modernos. R P
gráfica", mas havia - co m uma pequena ajuda d e seus
amigos - se tornado uma
nação. N J
1861 3 DE MARÇ O Abolição do feudalismo russo Apesar da oposição da nobreza, o
1861 3 DE MARÇ O
Abolição do feudalismo russo
Apesar da oposição da nobreza, o czar Alexandre
II assina a lei que emancipa
os
servos, dando
uma guinada
em direção à modernização
da Rússia.
'
11 /ar Alexandre II foi
u m
home m contraditório. Embo-
i
i -.(ija mais lembrado por suas reformas radicais - espe-
i
ulmente a abolição do sistema feudal de servidão -,
11
afinco co m qu e se
agarrou ao seu poder autocráti-
i
o resultou na supressão sangrenta da
rebelião d e 1863-
IH64 na Polônia, culminando no seu próprio assassinato
I«ilos revolucionários.
Chegando ao trono no meio da Guerra da Criméia,
a determinação de Alexandre e m reformar o sistema o
levou à decisão corajosa de abolir a servidão por < om-
I deto. 0
monarca considerava o sistema medieval, uma
I modernização. O manifesto d e Alexan-
i.irreira
para a
i o sistema entrou e m vigor no sexto ani-
Ire qu e
abolia
vi 'rsário da sua coroação.
O outro lado dessa personalidade nren uri.il, no
i 'iitanto, ficou claro dois anos depois, quand o ele mas-
sacrou com punho de letro uma rebelião polonesa
que buscava a libertação nacional do domínio russo,
enviando em seguida milhares de poloneses para a
Sibéria. A
modernização qu e
o czar empreende u n o
seu vasto reino - construindo rodovias e introduzindo
empreendimentos capitalistas - serviu apenas para
incentivar os revolucionários insatisfeitos com suas re-
formas moderadas. Após sobreviver a várias tentativas
de assassinato - entre elas uma bomba que destruiu
lodo um andar do Palácio de Inverno -, o czar foi víti-
ma de um bombardeio múltiplo em São Petersburgo
O Alexandre II, czar da Rússia, foi um reformista ali
l
responsável pela abolição da servidão e m 1861.
e m
março d e 1881, conduzido por u m
grupo d e
jovens
revolucionários chamado A Vontade do Povo. 0 ata-
que fatal se deu exatamente 20 anos depois de ele ter
assinado o decreto que lhe rendeu a alcunha de "o Li-
bertador". Se u filho, Alexandre III, qu e assistiu à mort e
dolorosamente prolongada do pai, decidiu que uma
letaliação férrea e repressão eram as únicas maneiras
de lidar co m a ameaça revolucionária. N J
"É melhor revogar a servidão
de cima do que esperar que ela
revogue a si mesma de baixo."
Alexandr e II, e m seu manifesto
Confederados atacam o Forte Sumter Tropos mantidas pela União no Forte Sumter caem diante das
Confederados atacam o Forte Sumter
Tropos mantidas pela União no Forte Sumter caem diante das novas forças confederadas.
A Guerra Civil nos Estados Unidos provavelmente se
torno u inevitável e m 1860, quand o
Abtaha m Lincoln
foi eleito presidente e a Carolina d o Sul se separou da
União, seguida por outros estados do Sul no ano pos-
terior. Um a nova Confederação dos Estados da Améri-
ca foi criada e m uma convenção e m Montgomery,
Alabama, e m fevereiro d e 1861, co m Jefferson Davis,
do Mississippi, com o presidente.
Poi ora, o espinho na garganta dos confederados
era o Forte Sumter, no porto de Charleston, na Caroli-
na do Sul, um posto avançado do governo da União
em Washington. Com uma tropa de cerca de 70 solda-
dos comandados pelo major Robert Anderson, não
era nem d e longe uma ameaça militar à nova Confe-
deração, porém era uma afronta ao orgulho sulista. As
autoridades de Charleston se recusaram a vender mais
comida paia
o
loite e, e m >' de março, um dia depois
da sua posse e m Washington, o presidente Lincoln foi
informado de que a tropa morreria de fome a não ser
que suprimentos chegassem antes do dia 15 de abril.
I li' res| ii H ii leu i 'iiviani Io unia ex| n •( ln.ai i paia li va i
alimentos e provisões por mar até o forte.
I nliio
lellerson Davis exigiu que o forte se ren-
desse, poié
m
Ande i sou si • |. 'c usou . As -II11() d e
I.'
d e
abril, forças confederadas começaram o bombar-
deio. Após 36 horas - com sua munição e comida
O Esta montagem de duas fotografias tiradas e m 18 de abril de
quase esgotadas -, Anderson se rendeu. A bandeira
1861 mostra os danos sofridos pelo Forte Sumter.
co m as estrelas e listras foi arriada e a tropa saiu mar-
chando do forte com as armas em punho. Não hou
ve mortes em nenhum dos dois lados.
"Os anos vindouros
jamais
Ne m Lincoln ne m Davis queriam ser os primei-
poderão
mil volun -
foi a Guerra de Secessão
saber o inferno que
"
ros a atacar, porém Lincoln convocou 75
Wal t Whitman , Prose
Works,
189 2
tários para suprimir a "insurreição" no Sul e, e m 6 de
maio, o Congresso Confederado declarou estado
de guerra. A "guerra entre os estados" havia come-
çado. RC
Michaux apresenta o velocípede üm ferreiro desenvolve o meio de transporte mais eficiente conhecido pela
Michaux apresenta o velocípede
üm ferreiro desenvolve o meio de transporte mais eficiente conhecido pela
humanidade
ilo-de-pau d e duas rodas, o u draisienne (em ho-
ii" •u.Kje m ao seu inventor barão Karl Von Drais) -
|ual as pessoas montavam , empurrand o os pés no
Chão para seguirem e m frente - já existia desd e 1810,
I k n in até meados do século ainda era novidade. Em
9, um ferreiro escocês chamado Kirkpatrick Mac-
inilLin projetou um sistema revolucionário com pedais
um' impulsionavam a roda traseira, porém sua inven-
não fez sucesso.
I ntão.e m 1861, Pierre Michaux ou , conform e al
numas versões, Pierre Lallemont, e m Nancy, no leste
da I rança - acrescentou pedais gue permitiam ao ci-
la girar diretamente a ioda dianteira, lie bati/ou
a máquina de "velocípede", que é amplamente
•I r.iderado a prime m bii ii leta de veidade. No proje
ii > original de Michaux, a armação era feita de ferro
uni lido. Lallemont, que trabalhou duianle um I neve
nod o
para Michaux, preferia ferro batido,
que se
mostrou mais resistente e eficaz. Ele emigrou para os
l
stados Unidos e m
1865
e patenteo u o velocíped e
e
m novembr o d e 1866. N o entanto, nã o conseguiu
- tu ontrar um fabricante que aceitasse o invento. Vol-
tou para a França dois anos depois.
A invenção do velocípede desencadeou a primei-
ra febre do ciclismo na Europa e Michaux produziu
veículos em massa para atender à demanda, chegan-
do a fabricar 200 por dia e m uma determinada época.
O Aquarela de 1869 do velocípede de Michaux, feitodtf0h°0
<
iiiiar as novas máquinas era desconfortável, por con-
batido e co m pedais
que giravam diretamente ,i tiiil.idl.iiiti It.i
ia
da estrutura d e ferro e madeira e da falta d e molas.
<orridas de bicicletas foram organizadas, como a de
"Até as pulgas
1869, qu e compreendi a o s 120 quilômetro s entr e
Paris
trocariam
o coiote
i
Rouen e foi ganha
e m menos de 11 horas. Mas
a fe-
bre duro u pouco . A
Guerra Franco-Prussiana d e 1870
por
um velocípede."
estabeleceu outras prioridades para os ferreiros do
(ontinente - entre eles Michaux -, e a Inglaterra pas-
Mar k Twain , Roughing
It,
187 1
Si >u a ser o foco da
produção de bicicletas. P F
1861 14 DE DEZEMBR O 1862 20 DE MAI O Tragédia real Lar doce lar
1861 14 DE DEZEMBR O
1862 20 DE MAI O
Tragédia real
Lar doce lar
Morte do príncipe Alberto dá início aos
Lei da Reforma Agrária
impulsiona
40 anos de luto da rainha
Vitória.
migração
em massa para o Meio-Oeste.
Em
1 2 d e dezembro
d e 1861, o príncipe Alberto, marido
Durante as década s d e 1840 e 1850, u m númer o cada
da rainha Vitória da Grã-Bretanha, se sentiu indisposto
vez maior d e pioneiros seguiu para o oeste d o rio Mis-
e reclamou mal ter forças para segurar uma caneta. No
souri, criando pequenas fazendas. O senador
lhomas
dia seguinte, o médico da corte, l)t. William
lennei,
Hart Benton, do Missouri, fez campanha ano após ano
embora insistisse "não haver motivo para
preocupa-
e m prol da cessão d e terras baratas para pequenos
ção", afirmou gu e
logo ele estaria febril,
colonos. A idéia recebeu o apoio de Stephen A. Dou-
glas, u m democrata influente, porém foi derrubada
A febre de fato começou, porém havia
motivo
pela oposição dos estados do Sul. Pequenos fazendei-
de sobra para preocupação. A febre tifóide, causada
ros não precisavam d e escravos e o Sul
via novos esta-
por água contaminada, não respeitava hierarquias e
fez do príncipe consorte sua vítima mais ilustre. O sá-
dos não-escravocratas no Oeste como uma ameaça à
instituição escravista.
bado d e 14 d e dezembro foi para Vitória o "mais ter-
rível dos dias". Pela manhã, ela ficou alarmada ao ver
( ) Partido Republicano se apropriou da ink
iativa
o quanto os olhos de Alberto estavam brilhantes e
sua respiração, rápida. A tarde, ciente d e qu e o
fim
estava próximo, ela se inclinou sobre o marido e sus-
e, após o início da guerra entre o Norte e o Sul, o Con-
qiessi 11le Washington apiovi IU ,i I ei da R(Tom ia Agrá-
ria. A lei olerecia a qualquer cidadão americano 65
surrou
e m alemão:
"É a sua pequena esposa." Então
I iei taies d e teria de i |i,u,a ou pialic ami 'l ilede i |Mç.i
pediu u m beijo, qu e ele quase não conseguiu lhe dar.
- após cinco anos de residência permanente no local.
Ao anoitecer, Alberto respirava co m menos dificulda-
Ma també m | « Tiniti a > > >ui| uai lonas a | laitii • li • I,." .
de,
porém suas mãos estavam frias. Vitória se ajoe-
lhou ao seu lado, segurando-lhe a mão
esquerda,
dólar por acre dentro d e apenas seis meses, o qu e
significava que especuladores poderiam adquirir
enquanto membros da família e médicos se amonto-
tonem is i u 'nsi is de m i >r< ei uiii is qu e si 1 | lassavam
avam ao redor da cama. O príncipe suspirou duas ou
por fazendeiros. O Congresso
també m
aprovou leis
que liberavam 52 milhões de hectares para a cons-
três veze s e foi
o
fim.
trução d e ferrovias transcontinentais.
Ele morreu aos 42 anos e foi casado co m Vitória por
22. Houv e certo
temo r d e que , com o príncipe
da peque -
I ssas
medidas estimulatam
uma
migração
em
na região de Saxe-Coburgo, ele pretendesse se casar
com Vitória por < linheiio. ( onlndo el e s e mostiou inleli
gente e laborioso, um bom administrador e um exigen-
te patrono das artes. Foi sem dúvida um homem de fa-
mília dedicad o
e Vitória o adorava. Ela disse: "É com o
ter
metade d o corpo e da alma arrancada à força."
Os políticos logo remodelaram a rainha como sím-
bolo glorioso da majestade imperial britânica, no en -
tanto Vitória jamais superou a morte de seu amado
massa para o coração do país e o desenvolvimento
do Meio-Oeste moderno, à medida que fazendas e
cidades se multiplicavam rapidamente desde o Mis-
souri até as Rochosas. Entre 1870 e 1920, o númer o d e
fazenda s no s EU A subi u d e 2,7 milhõe s par a 6,5 mi -
lhões, sendo que o tamanho médio das proprieda-
des continuou pequeno, em torno dos 60 hectares.
As medidas d e 1860 també m dera m ao Partido Re -
publicano uma predominância na política americana
que durou 50 anos. RC
Alberto e guardou luto pelo resto da sua longa vida. R P
Baixas maciças no norte dos Estados Unidos A Batalha de Antietam testemunha a maior quantidade
Baixas maciças no norte dos Estados Unidos
A Batalha de Antietam testemunha a maior quantidade de mortes na Guerra Civil amerk ana
(• o número mais grave de baixas em um só dia de combate da história militar americana.
No verão d e 1862, a Confederação lançou uma ofen-
siva da Virgínia sob o comand o d o general Robert E.
I.ee, qu e se deslocou para o norte para atravessar o
lio Potomac, alcançando Maryland. Ele pretendia in-
vadir a Pensilvânia, porém seu avanço resultou na
batalha mais sangrenta de todo o conflito.
Lee assumiu uma posição defensiva e m uma cor-
< lilheira baixa atrás d o Antietam Creek, e m Sharpsburg,
próximo da fronteira da Pensilvânia. O exército da
I Inião, sob o comando do general George B. McCIellan,
i hegou durante a tarde e começo da noite de 15 de
setembro, porém McCIellan, um homem cauteloso,
não percebeu o guanto suas tropas eram mais nu-
merosas d o qu e as d o oponente. Ele
hesitou e a ba-
lalha só teve início de fato dois dias depois, pela ma-
nhã. Se McCIellan tivesse lançado suas forças contra
os confederados em um ataque em massa, poderia
ter vencido o conflito, mas suas investidas foram gra-
dativas, e o exército inimigo resistiu a elas.
Houve cerca d e 4 mil mortos e
17 mil feridos. As
baixas da União foram maiores, no entanto, uma vez
que os confederados se encontravam em menor nú-
mero, suas perdas foram proporcionalmente mais gra-
ves. Lee esperava outro ataque unionista, porém ele
não veio e o general retirou as tropas de volta para a
Virgínia. McCIellan demorou tanto a segui-lo que o pre-
sidente Lincoln o afastou em novembro. Embora apa-
rentemente inconclusiva, a Batalha de Antietam levou
Lincoln a proclamar o fim da escravatura e impediu que
a Europa reconhecesse a Confederação. RC
O
Encontro do presidente Lincoln com o major Allan Pinkerton e
o general McCIellan no acampamento da União em Antietam.
O
Soldados mortos da Brigada da Louisiana, que defendeu a
cerca ao longo da Hagerstown Road durante a batalha.
Libertação dos escravos do Sul O presidente Lincoln proclama a emancipação. O O encontro no
Libertação dos escravos do Sul
O presidente
Lincoln proclama
a
emancipação.
O O encontro no gabinete de Lincoln e m 1802, no qual ele anunciou sua proclamação preliminar de emancipação.
A Guerra Civil americana foi travada para preservar a
União, porém havia tempos que o verdadeiro pomo
da discórdia entre o Norte e o Sul era a escravatura.
a não ser qu e os confederados desistissem da rebe-
lião - n o primeiro dia d e
1863 declararia qu e "todos
aqueles mantidos como escravos" no território da
Em julho
d e 1862, o Congresso e m Washingto n apro -
( i iníedeiai.áo " leve i ai > MM, da i |ui e m i lianle, livres".
vou uma lei que libertava automaticamente os escra-
A
proí lamação
vos de qualquer indivíduo que apoiasse a "rebelião"
abolir
a escravidão
d e 1863 iniciou o processo qu e iria
nos Estados Unidos. Ela també m
sulista.
No entanto, a legislação
era impossível d e ser
cumprida. Embora houvesse uma forte atmosfera
abolicionista no Norte, os negros ainda eram ampla-
mente menosprezados e temidos como mão-de-
obra barata em potencial, capaz de competir com os
brancos por empregos. O presidente Lincoln não se
apressou, mas, alguns dias depois do fracasso dos
confederados em Antietam, ele emitiu uma procla-
mação preliminar de emancipação, afirmando gue -
autorizou o alistamento de negros na força militar da
União. Escravos fugidos já eram úteis ao exército
da União como operários, cocheiros, cozinheiros e en -
fermeiros, alguns
deles com o
soldados. De 1863 e m
diante, negros se alistaram no exército unionista e na
marinha. Soldados negros eram organizados em unida-
des segregadas, guase sempre comandadas por bran-
cos. A coragem e eficiência demonstrada por eles nas
batalhas mudaram as atitudes do Norte. RC
1863 10 DE JANEIR O Trens debaixo da terra A primeira ferrovia subterrânea para passageiros
1863 10 DE JANEIR O
Trens debaixo da terra
A primeira ferrovia subterrânea para passageiros marca o auge da engenharia
vitoriana.
O Um grupo de pessoas faz uma viagem-teste
] ferrovia subterrânea do mundo, a Metropolitan Railway, am I < mi In
A primeira sugestão de um serviço ferroviário subter-
linha transportou
41 mil passageiros e m
ticir , <iiH• | MI
râneo para Londres se deu em 1851, após a abertura
tiam d e
10 e m
10
minutos. Logo un n nov.i umil n .u,.l< i
do terminal da Great Northern Railway na estação de
da
ferrovia, para Moorgate, foi inaugurada r,. l> i
I.
King's Cross. No entanto, depois que a Great Northern
20 anos, a Metropolitan Railway estaria tian\| >< nl,iin li i
não demonstrou interesse naquele tipo de sistema,
inacreditáveis 40 milhões de
passagem ispi >i ai m Ia e m
a tarefa ficou para a North Metropolitan Railway, e a
1884 uma linha gue "dava a
volta
e m I u m In
. ham. i
nova linha foi autorizada e m 1854.
da Circle, havia sido completada.
Foram necessários mais 10 anos para se superar os
No início, os trens eram vagões abertos puxados
empecilhos técnicos e escavar e construir o primeiro
por locomotivas a vapor. A primeira ferrovi,i de( IMI K le
trecho da ferrovia, que ia de Farrindom até Paddington,
profundidade, atualmente parte da Noithein I Ine, lot
a última estação da Great Western Railway de Isambard
inaugurada e m 1890. 0 metrô d e Londres - conheci-
K. Brunel, A nova linha foi projetada para incorporar tan-
d o
com o
"The Tube" -
logo
foi
copiai l< >
po
i
mi l ias
to
os trens de bitola mais larga de Brunel quanto a bito-
i
a | ii iais , i >s| i i •( ialment e Mosco u
e 1'aiis , qeiand i
i um a
la
mais estreita dos demais trens londrinos. O entusias-
nova era de velocidade e mobilidade nu s iiair.|«nlrs
m
o da população foi intenso e, e m 10 de janeiro, a nova
urbanos. N J
0 choque do novo A "exibição dos perdedores" libertou a arte francesa e deu fôlego
0 choque do novo
A "exibição dos perdedores"
libertou a arte francesa e deu fôlego aos
impressionistas.
O Detalhe de Almoço na relva, de 18G3, de Édouar d Manet , hoje no Muse u d'Orsay, d e Paris
Havia tempos que o mundo artístico francês vinha
sendo dominado pelo Salão de Paris, anual, criado
pela Academi a Francesa d e Belas-Artes e m 1667. Ter
seu trabalho exibido nel e lepiesonlava um sinal de
sucesso artístico e a garantia de recompensa finan-
ceira. Uma instituição desse tipo eliminava obras me -
díocres, no entanto, ao mesmo tempo, podia agir
também como um empecilho à inovação.
Muitos do s artistas rejeitados temera m a ira d o júri, o u
a ridicularização do público, porém alguns aceitaram
o desafio. A entrada era pelo Salão oficial, através de
uma roleta.
Mais de sete mil visitantes apareceram no primei-
E m 1863, mais da metad e das cinco mil obras
apresentadas foi rejeitada pelo júri. O imperador Na-
poleão III, qu e gostava d e parecer liberal, fez uma visi-
ta ao Salão e declarou que os trabalhos rejeitados
eram tão bons quanto os que haviam sido aceitos. Ele
ordeno u qu e fossem exibidos no Palais d e 1'lndustrie,
que ficava próximo dali, como o Salão dos Recusados.
ro dia de exibição. Eles puderam ver obras d e Manet,
Whistler, Pissarro, Cézanne, entre outros. A tela mais
controversa foi Almoço na relva, d e Manet, uma repre-
sentação da vida boêmia libertária. Alguns críticos
abominaram o guadro, considerando seu realismo o
oposto da arte e uma ameaça à ordem moral. Outros
louvaram seu frescor. A
exibição foi u m golpe na auto-
ridade do Salão e abriu um precedente para mais exi-
bições, como as 80 realizadas pelos impressionistas. A
arte estava livre para trilhar novos caminhos. R P
1863 I a DE JULHO Reviravolta na Guerra Civil I) i 'xército da União detém
1863 I a DE JULHO
Reviravolta na Guerra Civil
I) i 'xército da União detém o avanço dos confederados para o norte na Batalha de Gettysbi irq.
O A
Batalha
de
Gettysburg,
l-3dejulhode
1863, de Joh n Richard.
No fim da primavera d e 1863, os confederados lança-
dos expulsaram os soldados da
Uniái > d
I, ide, 111, is
ram um ataqu e formidável contra a União. O exército da
Virgínia do Norte de Robert E. Lee derrotou o exército
iníeli/mente os conduziram para o Sul ale um, leu
invasor
do Potomac e m uma floresta densa
e m Chan-
te posição defensiva ao longo de uma (ordilheiia
Os confederados tinham uma desvantagem nu
(ellorsville, na Virgínia. Lee, no entanto, perdeu seu bra-
ço direito, Stonewall Jackson, alvejado por engano pe-
los seus próprios soldados. O general seguiu para o
Norte, adentrando o oeste da Pensilvânia no intuito de
capturar um entroncamento ferroviário essencial em
I larrisburg (para interromper o envio d e suprimentos à
União) e, a partir dali, talvez tomar a Filadélfia ou até a
própria cidade de Washington. As tropas inimigas eram
comandadas pelo general George D. Meade. Nenhum
dos dois exércitos sabia exatamente onde estava o ou -
tro até se encontrarem e m Gettysburg. Os confedera-
mérica de 75 mil homens contra 90 mil. A siluaçíii ilnl
o oposto da enfrentada em Antietam, à medida < |ue
Lee lançava uma série de atagues colina acima, ao i
quais o exército da União
resistiu poi dois dias A m
bos os lados lutaram com coragem e as baixas loiam
estarrecedoras. Ao todo, cerca de oito mil homens
foram mortos e 27 mil ficaram feridos, números esles
divididos quase igualmente entre as duas pailes
chuva torrencial, com os dois exércitos exausti >•., le r
conduziu a retirada das suas tropas de volta ,n i \nl
Foi uma reviravolta crucial na guerra. RC
"Há 87 anos " O presidente Lincoln faz o Discurso de Gettysburg, um dos maiores
"Há 87 anos
"
O presidente Lincoln faz o Discurso de Gettysburg, um dos maiores (e mais curtos)
discursos da História.
Apesar das vitórias, o descontentamento com a guerra
crescia no Norte e a população se ressentia do serviço
militar obrigatório. Em meados de julho, centenas de
pessoas foram mortas em uma manifestação em Nova
York, e m grande parte
por operários irlandeses. 0 esto-
pim foi a revolta contra o recrutamento, porém o alvo
principal foram os negros, com enforcamentos e o in-
cêndio de um orfanato para crianças negras.
-A.
SS T
O president e I in< ol n linh a iss o e m ment e quand o
^ jy^ti^, wf^C má (Ml •
foi convidado para discursar na inauguração de um
memorial no campo de batalha de Gettysburg. O pro-
grama incluía música, hinos e orações e o discurso
'• T-"- "
*~triL. -K,CF
anos
principal ficaria a cargo de Edward Everett, ex-gover-
nador de Massachusetts. Ele falou por duas horas, po-
rém foi ofuscado por Lincoln, que fez um dos grandes
discursos da História e m menos de dois minutos, não
chegando a 300 palavras. Começando com "Há 87
"
ele disse por qu e a guerra estava sendo trava-
RF-i- f*Mv*/y£yf*.£T
£JF ^
/. ,
r/C
da e definiu o propósito dos Estados Unidos.
"Os fundadores da União", disse Lincoln, "deram
origem a uma nova nação, concebida na liberdade e
consagrada ao princípio de que todos os homens
nascem iguais. Os homens corajosos que morreram
e m Gettysburg deram a própria vida para que esta
nação possa sobreviver." E concluiu: "Que todos os
presentes admitam solenemente que esses homens
não morreram em vão; que esta nação, com a graça
de Deus, veja nascer uma nova liberdade; e que o
governo do povo, pelo povo e para o povo jamais
desapareça da face da Terra." R C
O
Um manuscrito de próprio punho da primeira página do
célebre Discurso de Gettysburg feito por Lincoln.
O
Fotografia tirada de Lincoln na inauguração do Cemitério
Nacional de Gettysburg, onde fez seu discurso.
"Gordon Chinês" Auxílio aos feridos A < ler rota da rebelião Taiping garante o A
"Gordon Chinês"
Auxílio aos feridos
A < ler rota da rebelião
Taiping garante o
A Convenção
de Genebra de 1864 apoia o
i li miínio da dinastia
Qing na
China.
trabalho
da Cruz Vermelha
Internacional.
I 1 numero de mortos em Nanquim foi enorme. No
E m
1864, o
governo suíço recebeu delegados d e In
Intanto, a rebelião e m si, iniciada 14 anos antes, já
testemunhado o massacre de cerca de 20 mi-
países. Eles
se reuniram e m Genebra e, no dia
d
e
agosto, 12 deles
adotaram a Convenção de (leneb u
II i de pessoas. No terceiro e último dia, por volta
"para a Melhoria das Condições dos Feridos nos Fxér
100 mi l pessoa s tinha m sid o morta s e m batalha s
citos e m Campanha". Criava-se, pela primeira
ve/, uma
i 'S pelas ruas. O líder rebelde original, Hong Xiu-
regulamentação gue comprometia legalmente is ig
BUan - que se auto-intitulava irmão de Jesus Cristo e
i il ln< umbido de estabelecer o Taiping ("Reino Ce-
festlal
da Grand e Paz") à custa da incompetent e di-
ii i t u
Qing e dos estrangeiros vorazes -, manteve
nalários e qaiantia a neutralidade e proteção paia si >l
dados feridos e equipes médicas no campo de bata
lha. Um a bandeira branca co m uma cruz vermelha
idenlihc aria a neutralidade dos hospitais, ambulám ias
i lanquim com o sua capital por uma década, porém
morrera ao ingerir comida envenenada na semana
e centros de evacuação. Para o empresário suíçi > I leni i
Dunant, aquela era a realização de u m sonlu >.
anterior. As forças imperiais vitoriosas deviam muito
E m junh o
d e 1859, Dunant testemunhou as i
o n
iS britânicos, que
lutaram do
sen lado, prim ipal
11H i it e a Charle s Gordo n e a o Exércit o Invencível .
Os rebeldes estavam na defensiva desde 1860,
guando as forças imperiais foram reorganizadas por
iii ] Guofan e Li I longzhang. Lias re i eberam, então,
I I auxílio dos europeus, gue buscavam proteger seus
investimentos na região. Gordon se oferecera a entrar
seqüências da Batalha de Solferino entre a França e a
Áustria. Não havia auxílio médico disponível e milha
resde soldados mutilados se espalhavam | >i I n ampo
de batalha. Ele passou vários dias fazendo o possível
para ajudar os feridos. Ao voltar para sua (iciiel na na
tal, escreve u A Memory of Solferino, defende m li ».»< M.I
I
iara as forças britânicas na China e m 1860 e, quand o o
i
riador americano do Exército Invencível morreu, Li
çã o d e organizaçõe s voluntária s d e assistem ia més lli a
para cuidar das vítimas das guerras. I m I8<> 1, .ijuilou a
estabelecer o Comitê Internacional da ( ruz Veimelha
c
onvenceu os ingleses de gue Gordon deveria assumir
para alcançar esse objetivo, lambem
le, panha
o i ornando e m março
d e 1863. Ele impôs uma discipli-
11.1 rígida, co m pen a d e mort e para embriaguez . Con -
duzindo seus homens, conquistou uma série de vitó-
e m prol de tratados internacionais que garaiilissem a
proteção aos não-combatentes.
i ias qu e possibilitaram o sucesso imperial e m Nanquim
i' íoi apelidado de "Gordon Chinês".
U m dos conflitos mais sangrentos da história da
humanidade não estava completamente acabado,
Dunant negligenciava
negócios gue foi à falência
d e tal forma seus piópilii',
e m 186/, vivi 'lido
e m
gia n
de pobreza dali para a frente. Noent.inii >, ele iei ebeu 11
Prêmi o Nobe l d a Pa z e m 1901 e , n o sé<
ul o XX , se n
n a
balho rendeu frutos extraordinários. Ia n o Inu i lesse
uma vez que mais 250 mil guerreiros taiping ainda
século, o Movimento
Internacional da (ru / Vennell
estavam à solta. O sucesso da dinastia imperial, no
entanto, estava garantido. O domínio Qing na China,
além da continuidade da influência européia, perma-
neceria inabalado por década s a fio. R P
do Crescente Vermelho era uma instituição pióspeia,
que ajuda a evitar o sofrimento humano em tempos d i
paz e de guerra, e a quarta Convenção d e (.enel na li >i
assinada po r mais d e 190 países. R P
Irmandade internacional A Primeira Internacional é fundada para acelerar a revolução comunista. I N T
Irmandade internacional
A Primeira
Internacional
é fundada
para acelerar a revolução
comunista.
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St-r/YftU-r
O Um cartão de sócio da Associação Internacional dos Trabalhadores (também conhecida tomo Primeira Internacional), fundada por Karl Marx.
Karl Marx estava convencido de que os dias d o capitalis-
mo estavam contados. O proletariado, uma vez que não
tinha nada a perder além dos seus grilhões, se ergueria
em uma revolução sangrenta. Co m isso e m vista, Marx
participou de uma assembléia de socialistas e comunis-
tas europeus no St. Martin's Hall d o Covent Garden, e m
I ondres, cidade na qual vivia desde 1849. Os trabalhado-
res precisavam se unir; no entanto era preciso que o s
intelectuais d e esquerda fizessem o mesmo. Daí sua
aprovação do discurso do professor Edward Spencer,
que defendia um sindicato mundial dos trabalhadores.
Os sindicalistas se mostraram favoráveis e a as-
sembléia decidiu por unanimidade fundar a Associa-
ção Internacional dos Trabalhadores, ou Primeira Inter-
nacional, co m sede e m Londres. Ocomitê era composto
de 21 membros eleitos, entre eles o próprio Marx. Os
membros se reuniam e m sua casa e logo ficou claro
qu
e ele era a figura dominante. Ele escreveu o
Discur-
so
à
classe trabalhadora, qu e expôs a raison d'être da
Internacional, e ío i eleito para todos o s Conselhos
Gerais subseqüentes.
I undar a Primeira Internacional foi fácil. Colocá-
la para funcionar de forma eficiente, em meio a cho-
ques e discussões entre grupos que representavam
doutrinas diferentes, era dificílimo. Com o tempo,
após vários conflitos pessoais com o anarquista Mi-
khail Bakunin, Marx reconheceu que era impossível.
A Internacional chego u a o fim e m 1876. Uma Segun -
da Internacional foi formada e
m 1889, poré m não
obteve grandes avanços. R P
Lee aceita a derrota )hert E. Lee se rende em Appomattox, pondo fim à Guerra
Lee aceita a derrota
)hert E. Lee se rende em Appomattox,
pondo
fim à Guerra Civil
americana.
O Soldados acampados em frente ao tribunal regional de Appomattox, cidade em que o general Lee se rendeu ao ge
No final d e março d e 1865, o exército unionista do Poto-
mac, sob o comando de Ulysses S. Grant, lançou uma
gueria humilhar seus adversários, e sim lia/ei o Sul d
volta para debaixo das asas da Uni.» >. < >s s< <l lados d
i ili 'iisiva contra as tropas confederadas d e Robert E. Le e
Lee deveriam largarasarmasevoli.il p.ii.i <
,IS,I
I les I
i m Petersburg, Virgínia. Lee tentou fugir para o oeste,
porém Grant o impediu. 0 exército de Lee carecia de
homens, munição e armamentos - e outro destaca-
mento da União se aproximava rapidamente pelo sul.
cariam co m seus cavalos e as tropas da União dividirl.ii
sua comida co m
os sobreviventes.
I m 7 de abril, Grant enviou uma mensagem para Lee
Apó s aceitar essas condições, Le e s, iii i p, n, i ,i v. n, n
da e montou no seu cavalo. Grani levantou o < hapé
para ele. Lee devolveu a saudação e seguiu paia dai
sugerindo que ele se rendesse para evitar mais derra-
mamento de sangue. Os dois comandantes se encon-
Iraram na casa de Wilmer McLean, no vilarejo de
Appomattox, por volta de uma da tarde. Surpreenden-
lomente, eles simpatizaram um com o outro e tiveram
uma conversa agradável antes de tratarem do assunto
notícia aos seus homens.
União e algo e m torno d e
Cerca d e 360 mil soldadOld
260 mil confederados hcivl.ir
i >m pauta. Os termos de Grant foram generosos. Ele não
morrido; no entanto, a população muito maioi do No
te lhe dera uma vantage m crucial. O Noit<\ n i, lis indi t
trializado, era muito mais be m eguipado do gue 1 1 '.i
Inevitavelmente, quanto mais longo o condito, meni
res as chances da Confederação. R C
A morte do líder O presidente Lincoln é assassinado após a vitória do Norte na
A morte do líder
O presidente Lincoln é assassinado
após a vitória do Norte na Guerra Civil.
Cinco dias após a rendição dos confederados em Ap-
pomattox, o presidente Abraham I incoln, o
principal
arquiteto da vitória d o Norte, foi assassinado. Ele havia
tido u m pesadelo poucas noites antes no qual via um
cadáver e m uma mortalha na Casa Branca e recebia a
nolíi ia de que o presidente eslava morto. I incoln não
de u importância àquilo e disse posteriormente
à sua
mulher Mary: "Nós dois devemos ser mais alegres daqui
para a frente." Na Sexta-Feira Santa, o casal iria assistir a
uma peça humorística, The American
Cousin, no Ford's
I heatro . Mar y eslav a relutante , poré m I in< ol n a con -
vein ou,i li/eni loqm ' piei isava dai ninas boas usadas.
Enquanto isso, o aloi
lohn Wilkes Booth, um mi -
litante sulisla fanático, bolava uma conspiração para
matar o presidente e outros membros importantes
do governo. Ao chegarem ao teatro, os Lincoln foram
aplaudidos de pé ao som de "Hail to the Chief". Eles
se a< oiiiodaram em um i amarole, poié m o quaida-
costas d o casal escapuliu para assistir à
peça. Booth
subiu às escondidas até o camarim, entrou e dispa-
rou u m único tiro na
cabeça de Lincoln. Então, saltou
n o
palc o
e gritou
o
lem a
d
o
semper tyrannis" (algo com o
estad o da Virgínia: "S/c
"Assim sempr e ocorr e
com os tiranos"), antes de fugir pelo teatro.
O
John Wilkes Booth, em fotografia tirada poucos anos antes
do assassinato do presidente Abraham Lincoln.
O
Escolta ao lado do corpo de Lincoln, exposto em caixão
aberto para apreciação pública na prefeitura de Nova York.
"No final, não são seus anos
de vida que importam, mas
a vida nos seus anos."
O presidente foi levado inconsciente até uma
pensão d o outro lado da rua e morreu horas depois,
às 7h22 de 15 de abril. Houve uma onda imensa de
tristeza e Iriria vingativa no Norte. Booth foi imediata
mente caçad o e morto a tiros ao resistir à prisão. Seus
companheiros de conspiração foram guase todos
capturados e enforcados. Lincoln foi sucedido por
seu vice-presidente, Andrew Johnson, do Tennessee,
porém a maior esperança do país por uma reconcilia-
ção entre o Norte e o Sul e entre os negros e os bran-
cos foi para o túmulo com Lincoln. RC
Frase atribuída ao presidente
Lincoln
Guerra e paz é publicado A publicação da primeira parte do épico russo Guerra e
Guerra e paz é publicado
A publicação da primeira parte do épico russo Guerra e paz, de Leon Tolstoi,
transforma a literatura russa e européia.
Leon Tolstoi dedicou cinco anos de sua vida a concluir a
primeira parte d e Guerraepaz. Escreveu sete versões d o
manuscrito até que, e m
1865, o livro I foi publicado e m
série. A tradução para o inglês saiu e m 1866 e todos os
seis volumes foram editados e m 1869. U m épico de
proporções humanas, o livro revolucionou a literatura
russa e européia. Ninguém jamais vira uma obra com o
aquela, na qual quase 500 personagens - entre servos e
czares - se entrelaçavam e m narrativas múltiplas, tendo
como pano de fundo campos de batalha sangrentos,
saraus sofisticados e lares camponeses. Tolstoi acres-
centou a isso sua compreensão profunda da condição
humana, apresentando també m o tema d o livre-arbí-
trio versus a predestinação.
A história retrata duas famílias russas - os Rostov,
proprietários de terras empobrecidos, e os nobres
Bolkonsky durante a invasão da Rússia por Napo-
leão e m 1812. Tolstoi
se baseo u na sua própria expe -
riência, tendo servido e m um regimento de artilharia
na Guerra da Criméia, na décad a d e 1850. As cenas
de batalha retratam com vivacidade o caos e a carni-
ficina da guerra e parecem transmitir a crença fatalis-
ta do autor de que a humanidade está à mercê do
lut bilhão d,i I listória. O
livro sei viu d e inspiração para
Mahatma Gandhi, que iniciou uma correspondência
c o m Tolstoi, adotando
depois sua doutrina pacifista
d e não-resistência. Com o outros aristocratas russos,
Tolstoi possuía servos, porém ele se comprometia
c o m as condições
sociais e a educação deles na sua
vasta propriedade nas estepes do Volga. JJ H
O
O grande escritor russo Leon Tolstoi, em Yasnaya Polyana, a
casa em que ele nasceu e viveu até a morte.
O
Ilustração de 1964 de Alexander Apsit para o romance Guerra
epaz. de Leon Tolstoi.
I >5 6 D E DEZEMBR O 866 3 D E JULH O Abolição da
I >5 6 D E DEZEMBR O
866
3 D E
JULH O
Abolição da escravatura
A Prússia no controle
/ ntenda
à Constituição
americana
O exército austríaco
sofre uma
derrota
</' ti ante os direitos dos ex-escravos.
esmagadora
na Batalha
de Kõniggrãtz.
I MI j lembro d e 1862, durante a longa, exaustiva etragi-
N o verão
d e
1866, cerca d e 400 mil homen s
se | m p, i
i (ment e violenta Guerra Civil americana, na qual a es-
ram para
a batalha. O futuro da Alemanha estava
e m
i
ira havia sido a guestão-chave , o presidente Lin-
jogo. Naquela época, 39 Estados constituíam uma
pre
fez sua decisiva Proclamação
d e Emancipação. Ela
<
ária t onledei,ii,àodermânica , dominad a pel o lin| >nn i
de'
I, iiava livres todos os
escravos
qu e viviam nos esta-
austríaco e pelo reino da Prússia. O chanceler prusslaik>
i le faziam parte da Confederação, abolindo tam-
(lllovo n Uism.m k< onduziu a Áustria à guen.i, 1 1 hiIi.hi
i i escravidão no Norte. Tratou-se, no entanto, d e
te de gue o seu exército poderia ganhá-la.
i II 11 1
lecreto
presidencial e sua aplicação foi restrita. Ela
O estado-maior altamente profissional da
Piussia
n. I' i libertou os escravos nos estados fronteiriços d o Ken-
utilizou ferrovias para mobilizar u m número maciço d e
. Missouri, Maryland, Delaware, West Virgínia etam-
tropas a uma velocidade sem precedentes. Os prussia-
I
h II n o noTennessee, esteja sob o controle da União.
nos avançaram e m u m grupo de três exércitos. A invés
Vários do s estados qu e haviam ficado d e fora abo-
lli.im a escravidão antes d o fim da guerra. Kentucky e
"Eu jamais
buscaria conflitos
I
ii I. iware, no entanto, resistiram. A escravidão não po-
<l
II li i ser legalmente abolida sem uma emend a cons-
IH
i H ional e Lincoln dedicara boa parte da sua campa-
externos apenas para supe-
rar dificuldades internas."
nli.i para a reeleição e m
1864 à
defesa d e um a
qu e
Ott o vo n Bismarck, chanceler da
Prússia,
i .se a abolição permanente. Essa seria a primeira
i i ei 'nda constitucional desd e 1804. Ele forçou a apro-
ii i da medid a n o Congresso n o começ o d e 1865 e,
tida frontal foi desesperada e, se ao menos o i om.i n
ipesar d o seu assassinato, os estados a ratificaram.
dant e austríaco Ludwi g Benede k tivesse sii I o me m ps ii
1 'u.indo a Geórgia a aceitou e m 6 de dezembro, 27
tubeante, ele poderia ter realizado u m < onii.i .ii.ique
I li is -56 estados já a haviam validado, o número míni-
decisivo. No entanto, os soldados prussiam >s estavam
exigido, e - conforme proclamou o secretário de
ainlados co m fuzis Dreyse, capa/es d e aluai | m fin s a
i lado Henry Sewar d e m 18 d e dezembr o d e 1865 - a
uma velocidade cinco vezes maior doguea s aim.is i li >s
• ,i i.ividão foi
finalmente
abolida e m tod o o
território
austríacos. Estes já haviam sofrido baixas gr.ivi >s qu.iikl< >
l stados Unidos. O estado de Kentucky, contudo
o ataqu e dos prussianos os atingiu pek> liam o A paitn
i H id e ainda havia 4 0 mil escravos -, se recusara a ra-
daí, não houve mais dúvidas guanto ao resuliadi i As
I
I
I
H
ar a medid a
e nã o o fez até
1976.
Delawar e resistiu
forças austríacas perderam 45 mil homens
ioii Ii.iih w
• iie 1901, a o passo gu e o Mississippi a ratificou somen -
mil baixas d o adversário. A
Áustria não tinh.n ondlçõrs
lee m 1995.
d
e continua r lutand o e u m
armistício foi ptovii lem i.n |i i
A 13 a emenda
e outras duas que se seguiram,
O
tratado d e paz concedeu à Prússia o conl mie d o noi
relativas à proteção dos direitos civis e de voto dos
te
da Alemanha e excluiu a Áustria dos assi mii >s g n 111, i
ex-escravos, são conhecidas com o
as Emendas
da
nicos . U m pass o decisiv o havi a sid o dad o e m direçã o ,'i
instrução. P F
Alemanha unida sob o domínio prussiam >. R G
Fragilidades do capitalismo expostas Karl Marx publica o primeiro volume de O capital. E m
Fragilidades do capitalismo expostas
Karl Marx publica o primeiro volume de O capital.
E m 1867, o primeiro volum e d e O capital,
d e Marx, foi
publicado na Alemanha, co m bastante atraso. O livro
Das Kapital.
era um extenso tratado sobre economia
política, no
qual Marx declarava que a força motriz do capitalismo
era a exploração e alienação do trabalho. Marx argu-
mentava que o preço final das mercadorias produzi-
Kritik
der
politisehen Oekononiie.
das pelos trabalhadores excedia o valor de
mercado
pag o
á li ni,a do
liabalh o
| H 'I. i | u< >< li içài
> i Ias mi 'smas.
Esse valor excedente era amealhado pelos emprega-
dores, pois eles afirmavam gue, como donos do capi-
tal, tinham direito ao lucro. Isso aumentav a a quantida-
Kar l
Marx .
de
de capital
nas mãos dos
patrões,
perpetuando,
assim, as condições
que
permitiam
ao
capitalismo
continuar explorando a força d e trabalho.
Erstc r
Band .
O capital
se concentrava na estrutura e nas contra-
Buch I : Der ProcfutitloniprocM * <)<•>: KapiteU .
dições intrínsecas ao sistema capitalista e não nos anta-
gonismos do (lasso. Assim, ele não delendia a revolu-
ção.
E m vez disso, Marx argumentava que , dentro d e
UU Bctlit d«I Int.í.ni-l.inirf wl.J r -i),*likll'u.
circunstâncias adequadas, crises sucessivas de cresci-
mento seguidas por um colapso e, então, por um novo
i LES I
im i 'i ih 1 1 >o( I . 'lia m I
liat , r
v li o »"> pai. i a LEV I ilu -
Harubnrg
ção ou, no mínimo, para uma transição rumo a novos
Vevlag von Otto HeittnV.
1867.
modo s d e produção. Marx afirmava gu e O capital
era
Ncu-Yoik; L. W . Kclimdlt. 24
liorcl»}-Sttcot.
uma tentativa d e analisar a economia política de mod o
a poder representá-la de forma dialética, fornecendo,
dessa forma, uma justificativa científica para o movi-
O Folha d e rosto d o primeiro
volum e de
O capital, a extensa
mento operário
moderno. Seu objetivo era
mostrar
obra de Marx, publicado em Hamburg o e m 1867.
< orno o capitalismo era o precursor natural de uma for-
ma de produção nova, socialista, na qual os trabalhado-
res assumiriam o
controle dos meios d e produção.
" O capital é trabalho morto
que, como um vampiro, vive
de sugar o trabalho vivo."
Embora Marx tenha morrido antes que os volumes
subseqüentes d e
Ocapital
fossem lançados e m 1883 e
1885, o livro ainda pod e ser visto com o o ápice científico
dos argumentos por ele propostos e m sua obra mais
Kar l
Marx , O
capitai
famosa, O
manifesto
comunista,
publicado e m
1848 e
escrito em parceira com Friedrich Engels. T B
Uma ovelh a no matadour o O imperador Maximiliano do México é assassinado após uma
Uma ovelh a no matadour o
O imperador Maximiliano do México é assassinado após uma tentativa fracassada de golpe.
li 11 M O mais novo d o imperador da Áustria, o bem-inten-
i i ido arquiduque Maximiliano chegou ao México
sua jove m esposa, Carlota, e m 1864, para ser coroa-
i iperador. Um tanto equivocadamente, ele acredi-
tava ter sido aceito pelo que, daquele moment o e m
ílante, chamou de "seu povo". Na realidade, Maximilia-
no hi ivia sido infiltrado no país co m o auxílio d o exército
frani ês - aprofundando as ambições imperialistas da
I i.mça - e e m conluio co m os ricos latifundiários mexi-
< • INO S e co m a Igreja Católica Romana. Eles queriam qu e
0
i
H >vo imperado r s e livrass e d o president e Benit o Juá -
que ameaçava suas riquezas e poder.
Para indignação d e seus defensores, Maximiliano
1 li inonstrou uma decepcionante preocupação com o
I ii'in estar do campesinato oprimido, recusando-se a
< f ".lazer as reformas de Juárez. O exército francês, no
mt, mto, quas e levou Juáre z para alé m da fronteira ame -
i ii ana, até o Texas, antes de o governo dos Estados Uni-
-1 s exigir que eles se retirassem e m respeito à Doutrina
'inoe .
E m
1866,
Napoleã o
III da
I lanç a
anui u io u
a
"Ni, ida das suas tropas. Carlota viajou à Europa
para
•i tlli itar ajuda para o marido, poré m não obtev e suces-
I )s franceses deixaram o país no ano seguinte. Maxi-
I illiano, no entanto, se recusava a abdicar e fugir, pois
ii r.iderava desonroso
agir dessa forma. Seu exército
li • nove mil homens foi cercado
pelas forças juaristas
II I (Jueretaro, ao norte da Cidade d o México. Ali, as tro-
pas | lassaram fome e se renderam, traindo o imperador.
O Após Napoleão
III retirar suas
tropas d o Méxi<
o c m IMo/,
Maximiliano foi destronado e posteriormenlc exei ulailu
Maximiliano foi aprisionado e m um
: i n 1.1 foi planejada,
envolvendo uma d e
convento. Uma
suas cortesãs, a
somente "
os Estados
I nincesa Agnes zu Salm-Salm, nascida na América, que
LI veria seduzir u m certo coronel Palácios. Ela fracassou
lamente com o plano. O imperador, então com 3 4
Unidos têm o direito de
subjugar o México."
anos, foi condenado à morte e fuzilado na manhã se-
i ininte.
U m mês depois, Juárez retornou à
Cidade do
Artemu s Ward , 1865
México e o país voltou a ser uma república. RC
1868 3 DE JANEIR O Ética oriental, tecnologia ocidental A restauração Meiji dá início à
1868 3 DE JANEIR O
Ética oriental, tecnologia ocidental
A restauração
Meiji dá início à modernização
do
Japão.
A abertura forçada do Japão para o mundo pela es-
quadra naval americana d o comodor o Perry e m 1853
B -
«ri
foi seguida por 15 anos de conflito político entre os
tradicionalistas e os modernizadores. Na década de
1850, o Japã o ainda
era um a sociedad e feudal sob o
governo militar dos xóguns da família Tokugawa, de
Edo (Tóquio). Os imperadores - figuras honradas po-
rém meramente cerimoniais - reinavam em uma se-
renidade impotente do palácio imperial em Kyoto.
O fracasso e m evitar a violação
americana do isola-
mento oficial do Japão começou a minar a autoridade
d o xogunato. O peso financeiro de se fortalecer as defe-
sas costeiras e o efeito da abertura da economia japo -
nesa ao comércio exterior geraram dificuldades cada
vez maiores e uma
série d e rebeliões eclodiu. E m
1863,
o xógum lemochi foi forçado a se apresentar à corte
imperial para pedir que o imperador
o auxiliasse e m seu
governo; era a primeira vez, e m mais de 200 anos, que
u m xógu m agia dessa forma. N o final d e 1867, o xógum
abdicou, e os rebeldes samurais, armados co m fuzis oci-
dentais, derrubaram o governo militar e devolveram o
poder a o jove m imperador Meiji, qu e reinaria até 1912.
A formalização do golpe se deu através de uma procla-
O Lendo um jornal
(1877), de
Yoshitoshi;
o texto deste cartu m
satírico compara a mulher a uma gata no cio.
maçã o imperial n o dia 3 d e janeiro d e 1868. Caracteriza-
da pelo slogan de Sakuma Shozan - "ética oriental e
tecnologia ocidental"-, a restauração do governo impe-
rial foi seguida por uma avalanche d e mudanças. As ju
risdições feudais e o status privilegiado dos samurais
foram abolidos. U m sistema educacional moderno, alis-
tamento militar para o exército e a marinha, uma Cons-
"Todas as classes devem se
unir no intuito de adminis-
trar os assuntos nacionais."
tituição escrita, roupas ocidentais, eletricidade, ferro-
vias, imposto de renda, serviço postal e governo
parlamentar foram adotados em um espaço de 20 anos.
A ocidentalização foi imposta de cima para baixo por
Carta de Jurament o Meiji, abril d e 1868
u m governo autocrático e militarista que empregou o
xintoísmo para criar o culto a um imperador divino. J H
IS69 6 DE MARÇ O A classificação do mundo químico Mendeleev lança sua tabela periódica
IS69 6 DE MARÇ O
A classificação do mundo químico
Mendeleev
lança sua tabela periódica
dos
elementos.
I tri Ivanovich Mendelee v apresento u formalmen -
te l >< 'Ia primeira ve z sua tabela periódica d e elemento s
I' li 11 iedade Russa d e Química e m 1869. Alguns mem -
bros lidicularizaram sua previsão d e gu e mais lígui-
< I' •. ladioativos seriam descobertos. Porém Mendeleev
in i por último, guando o gálio foi descoberto e m
o germâni o e m 1886, confirmando sua teoria
11.11 leriodicidade do s elementos.
Sua tabela demonstrava propriedades recorren-
tes
- o u periódicas - nos elementos químicos. Eles
e u m listados e m ordem crescente d e número
atômi
1 1 I o m os que demonstravam propriedades quími-
i BS semelhantes dispostos e m < olunas vetlii ais.
Embora a criação da primeira versão da tabela
indica seja creditada a Mendeleev, pelo menos dois
• M H ros cientistas també m vinham trabalhando nas suas
pióorias tabelas elementares. Lothar Meyer lançou uma
proposta e m 1864, qu e descrevia 28 elementos. Dife-
rentemente d e Mendeleev, Meyer não utilizou sua ta-
bel a para prever novos elementos. Então, e m 1865,
lohn Newlands publicou sua Lei das Oitavas, através da
i |iial ele percebeu qu e elementos químicos
co m pro-
I niedades físicas e químicas ocorriam d e oito e m oito, o
()ue o levou a usar a analogia das oitavas musicais. Con-
II ido, a idéia
d e Newlands falhou e m dois aspectos: não
era válida para elementos co m massa maior d o qu e a
I
IO cálcio e não havia espaço para acomodar novos ele-
O
Uma fotografia d e Dmitri Mendelee v (18.14 l')()/), IILIII. I 11.1
r
i rentos, com o
os gases nobres.
primeira década do século XX, no fim de sua not.ivcl < aneli.I
A tabela periódica foi uma descoberta importan-
ie da química moderna, oferecendo uma estrutura
valiosa qu e possibilitava classificar e comparar o com-
"O peso atômico não
pertence ao carvão ou ao
I lortamento dos compostos químicos. Revisada conti-
nuamente à medida que novos elementos eram des-
diamante,
mas ao carbono."
i obertos e novas teorias eram desenvolvidas, a tabela
també m pôd e ser aplicada d e forma determinante
Dmitri Mendeleev, sobre sua tabela
periódk,*
i 'in diversos ramos da ciência e da indústria. T B
0 grampo de ouro O encontro de duas ferrovias cria a primeira estrada de ferro
0 grampo de ouro
O encontro de duas ferrovias cria a primeira estrada de ferro transcontinental
dos EUA.
O
A cerimônia da fixação do grampo de ouro e m Utah representou a conclusão da primeira rota ferroviária transcontinental do país.
lá foi sugerido que as ferrovias desempenharam um
papel tão imporlanle no desenvolvimenlo dos I sla
dos Unidos quanto os partidos políticos. Elas certa-
mente foram lundamentais para a transformação de
uma área tão vasta e m um só país.
As primeiras estta
das d e
ferro foram construídas nas
décadas d e 1820 e
1830 e
já na décad a d e 1850 começara m a seguir
da
Costa Leste para a outra ponta do país. Na década de
1860, a Central Pacific Railroad passou a ser construída
do Oeste, a partir da Califórnia, enquanto a Union Pa-
cific Railroad era construída do Meio-Oeste, a partir de
Omanha, empregando, respectivamente, exércitos de
trabalhadores chineses e irlandeses.
enionlraram no Promonloty '.ummil, em Ulah. Um
giamp o d e ouro havia sido produzido para fixai o
último elo da ferrovia. Ele seria fincado e m u m dor-
mente especial d e louro da Califórnia. No dia marca-
do, o último trilho foi assentado ao som de fortes
aplausos. I luas locomotivas se aproximaram, paran
do uma diante da outra com um único dormente
entre elas. O grampo de ouro foi introduzido no bu -
raco pelo diretor da ( entrai Pa i iítc, I eland Stanford,
criando a primeira estrada de ferro transcontinental
dos Estados Unidos.
O moment o mais dramático da história ferroviá-
ria do s Estado s Unido s foi quand o as dua s linhas se
Cerca de três mil pessoas assistiram ao evento. O
grampo de ouro e o dormente de louro da Califórnia
foram imediatamente removidos e substituídos por
um dormente comu m e um grampo de ferro. RC
A realização do projeto de Suez, que compreendia a ' instrução de um canal ligando
A realização do projeto de Suez, que compreendia a
' instrução de um canal ligando o mar Vermelho e o
Mediterrâneo, foi obra de um homem, o ex-diplomata
dances Ferdinand de Lesseps. A inspiração lhe veio ao
li II relatos de tentativas de se atravessar o deserto no
Mundo Antigo e, quando Said Pasha - um velho conhe-
gem entre a Europa e o Oriente Próximo e o I «tiemi i
Oriente, acabando co m a necessidade <li' s e i m 1in111.11
o cabo da Boa Esperança. O canal foi inauguiad m
uma grand e celebração
internacional e m 1869,
i ido seu - se tornou o novo khediva ("governante") d o
11 |iio, ele se apressou a garantir a permissão d e realizar
seu sonho. Lesseps partiu em busca de financiamento,
Com a ajuda d e u m
empréstim o federa l francês .
O próprio
Lesseps virou a primeira
de
areia e m
IH59 e, mais d e 10 anos depois - graças
ao trabalho
lorçado de milhares de camponeses egípcios -, o ca-
nal foi concluíd o e m Suez. Co m 163 quilômetro s d e
extensão, ele reduziu drasticamente o tempo de via-
Apesar da oposição inicial dos britânii osa opeia
ção francesa, o primeiro-ministro Benjamin Disi.ieli
utilizou dinheiro da família Rothschild paia i ompiai as
ações do governo egípcio no canal paia a Inglalena A
partir daí, tornou-se um empreendimenl iiiunin
anglo-francês.Ocana l continuo u a enriq u i a lm |la
terra e a França até ser nacionalizado por Gamai Al >i lei
Nasser e m 1956. Bloqueado pela quuiia de 1 : i n i
mesmo ano - e pelos conflitos árabe isiaelenses de
1967 e 1973 -, atualmente o canal voltou a sei uma
hidrovia internacional. IMJ
1870 18 D E JULH O Verdade espiritual ou tática mundana? A doutrina da infalibilidade
1870 18 D E JULH O
Verdade espiritual ou tática mundana?
A doutrina da infalibilidade papal reforça a batalha do Papa contra as forças da
democracia e do liberalismo.
"Não te conformes aos padrões deste mundo", acon-
selhou São Paulo. O Papa Pio IX não tinha intenção de
(a/ü Io, ospe< inlmonlo quand o o inund o so iornava
cada vez mais secular, nacionalista e antipapista. Em
1864, ele já havia
condenad o erros "perniciosos" com o
o "progresso
e a civilização moderna" e, no ano de
1870, seu Concilio Vaticano I acrescentou à armadura
anlilil
>i'ial d o Pa| ia a douliina
i Ia
infalil lilii lai li •
\ tapai.
Segund o
esse dogma , quand o o Papa fala especifica-
ment e ex
cathedra
-
n o exercício d e
seu papel
com o
pastor e mestre de todos os cristãos
e e m virtude
de
sua autoridade apostólica suprema
sohie assuntos
d e fé o u morais, sua visão é incontestável. A doutrina
l i
ii
| i u imul i |. u 1.1 i ' i 11
18 d e
I
i o
d e
18/0
e m
mei o a
acontecimentos que tirariam do Papa grande parte da
sua autoridade e m Pom a
não com o uma nova des-
coberta,
mas
como
a afirmação
de
uma
verdade
atemporal.
Pio se tornara
Papa e m
1846, numa escolha
qu e
causou surpresa. Com o brincou o líder austríaco Met-
ternich: "Estávamos preparados para tudo, menos para
u m Papa liberal." Porém seu liberalismo foi
minado pe -
las revoluções violentas
d e
1848 e pela
perda do s Esta-
dos papais para o nov o reino da Itália e m 1861. A retira-
da das tropas francesas
d e Roma e m julho d e
18/0
logo
tornou a Cidade Eterna a nova capital italiana.
Alguns católicos germano-falantes preferiam a ci-
são, porém a maioria dos católicos aceitou a doutrina,
que, na verdade, foi raras vezes usada. O poder secular
d o Papa havia enfraquecido, d e mod o que, e m 1871,
ele ocupava apenas 44 hectares de Roma; no entanto,
seu poder espiritual
sobre os fiéis aumentou.
R P
O Retrato d o Papa Pio IX, c. 1860, antes da perda do território
papal e de poder que levou ao Concilio Vaticano I.
1 B I 18 D E JANEIR O 1871 28 D E MAI O Bismarck
1 B
I 18 D E JANEIR O
1871
28 D E MAI O
Bismarck triunfa
A Comuna é derrotada
A jHoclamação da nova Alemanha cria a Com dois anos de existência, a Comuna
i LI D ao mais poderosa da Europa.
de Paris é destruída pelo governo
francês.
Ai 111 n 'io-dia, a o so m d e tambores militares, Guilherme I
Nos subúrbios a leste d e Paris, e m 2 8 d e maio d e 18/1,
• 1.1 Prússi a chegou , acompanhad o
po r outro s coman -
um defensor solitário de u seus últimos tiros e foi emtx >
dantes e generais alemães. Houv e um a cerimônia reli-
ra enquanto as tropas francesas tomavam a última I iai
-1 urta, depois da gual seu primeiro-ministro, Otto
ricada do s membros da Comuna d e Paris na < <i
I, u li
vi m Bismarck, leu um a proclamaçâo, e isso foi tudo.Gui-
Em meio ao desconcerto perante a derioi.i d e Na
e
I da Prússia passara a ser Guilherme I, o impera-
poleã o III n o an o anterior, o cerc o d e Paris peloexe n
iti i
DOI
d a Alemanha , e
Bismarck, o chancele r alemão . A
prussiano e a incerteza quanto ao futuro governo
d o
l.imação d e u m
novo Império Germânico não se
país, alguns setores da população
parisiense
haviam
t u
n,i Alemanha, ma s e m solo estrangeiro: n o Salão
criado seu próprio governo municipal, a Comuna i le
i li is I spelhos d o
Palácio d e Versalhes, na França. Na rea-
Paris, e m 28 d e março. Remontando às revoluções
ln I. II le, esse novo Estado alemão foi criado às pressas n o
d e 1792 e 1845, co m suas origens jacobinas, socialis-
H m io da guerra da Prússia contra a França. Foi somente
I
ii H (onta da declaração d e guerra por parte da França
i 1 1 julho d e 18A) qu e Bismaii k pôde g.iMiilii
,i ,n
eil.i
II i d o novo Reich, pois ne m o
novo imperador ne m os
I 'iii K ipês germânicos e tampouco os liberais da Alema-
"Esta é uma guerra total, en-
tre parasitas e trabalhadores,
exploradores e produtores."
i il ii i queriam o que estavam recebendo.
Comit ê central d a Guard a
Nacional
Guilherme I da Prússia duvidava qu e o novo título
imperial representasse um a ascensão n o mundo. Ele
' EI lamente
não aceitaria ser coroado pela ralé - o u
tas e anarguistas, a Comuna instituiu u m nov o
npod e
si 'ja, pelo
pov o
-, d e mod o
qu
e
Bismarck teve d e su-
administração, introduzindo o sufrágio leiniilino e a si •
l" H nar o rei da Bavária para qu e este lh e oferecesse a
paração entre Igreja e Estado.
i noa. Mesm o assim, Guilherme nã o falaria co m Bis-
Essa atitude revolucionária e organizada p m um a
marck no dia da cerimônia. Quanto aos príncipes, eles
autoridade municipal autoproclamada
n a
nain i
i
i
i
esiariam inevitavelmente sacrificando seus poderes,
para o governo francês. A unidade da I lança e a aulnil
i 'inbora ao menos fossem continuar sendo reconheci-
dade da sua classe dominante estavam ameaçai Ias 1 1
dos com o tais sob a nova estrutura federal. Talvez os
líder dessa elite, Alphonse Thiers, ordeno u qu e o exérc I
liberais tenham sido os menos prejudicados: haveria
to tomasse a cidade. Durante os conflitos violenti >s n i
sufrágio universal e uma democracia aparente; no en -
tre o governo e os membros da Comuna, paites da 1 1
tanto, o poder
d e fato estaria nas mãos dos ministros
dade lotam incendiadas. Apósa rendição,,isaulondai li ••,
i Io imperador, não co m os parlamentares.
se vingaram. Aproximadamente
2 5 mil membros da
A unificação da Alemanha foi d e grande importân-
Comuna foram executados; muitos foram de| loitados
i ia histórica. Unificado pela guerra, o novo Estado se
Tamanho derramamento de sangue - sem pu s ei leu
tornou u m colosso militar politicamente imaturo qu e
tes na história da França moderna - dividiu a esi |in 'ida
i ontinuou buscando se expandir pela Europa. R P
e a direita na política francesa
por várias c |i n 1.1»
N K
Chicago em chamas Dr. Livingstone? A < /< lade dos Ventos pega fogo e as
Chicago em chamas
Dr. Livingstone?
A < /< lade
dos Ventos pega fogo e as
< In unas se tornam
incontroláveis.
Stanley encontra David Livingstone
e salva a vida do missionário.
is desastres mais devastadores d o século XIX, o
|n< éndio d e Chicago começou e m 8 d e outubro. Sua
Blusa é desconhecida; há quem diga qu e um a vaca
Era a terceira expedição d e David Livingstone à Áfrk a,
destinada, desta vez, a descobrir a nascente d o Nilo, e s
palhara palavra d e Deus e a mensage m antiesc ravagl
|u'iiencente à imigrante Catherine Olear y teria der-
ta. A s notícias d e
sua mort e fora m exageradas, poré m
1111 mi Io u m lampião , poré m
isso fo i invençã o d e u m
ele estava e m péssimo estado: sangrava por conta de
hemorróidas dolorosas, tinha ulcerações nos pes, sol na
l alista. Diversas hipóteses foram aventadas, ma s
nenhuma delas foi universalmente aceita.
d e hemorragia intestinal e diarréia e estava <o m u m
princípio d e pneumonia. Ele repousara sete meses
1 ) corpo d e bombeiros, qu e havia lidado i u m 20
e m Banbarre, onde leu a Bíblia quatro vezes, e conse-
H >• i ii lios n a seman a anterior , responde u m m lentidã o
guiu atravessar o lago Tanganika, chegand o a UjiJI em
10 alerta e, quando os bombeiros chegaram, u m gran-
5 d e novembro d e 1871. Ma s se u futuro parecia so m
de i lúmero d e casas d e madeira e celeiros já estava e m
• 11. ii nas e ventos fortes atiçavam o fogo
d e forma In
itrolável. Prédios e calçadas d e madeira, além d e boa
"Eu me aproximei
tirei
I • ii leda madeira serrada da < idade, ajudaram a alimen-
tar 0 incêndio. Ele atravessou o rio Chicago e destruiu o
i lema
hidráulico
municipal, o qu e dificultou
ainda
o chapéu e disse: 'Dr.
Livingstone, imagino?'"
, o trabalho dos bombeiios. N o começo da manhã
Henr y Morto n Stanley,
explorador
11 e lia 9 d e outubro , um a
segund a
leii.i, o
loq o já havia
li
.astado o centro comercial e destruído a nova Casa
li
(>pera e o Palácio d a Justiça. Milhares
fugiram da s
brio, até que, e m 10 d e novembro, conhei e u I leniy
l li unas antes d e o incêndio
se extinguir, tendo
arrasa-
Morton Stanley,
d o jornal New York I
hitiltl.
i
li i cerca d e u m terço
das propriedades da cidade, dei-
Stanley tinha fugido d e u m reform.ih nio qalès ao s
.11 I o 100 mil pessoas
se m tet o e ceifad o
300 vidas . O
15 anos d e idade
e emigrado para os Estados Unidos,
l "i
al, chamado
d e "Distrito Incendiado", compreen-
Era procurado por u m comerciante d e Nova Oileans p
i
lia cerc a d e sei s quilômetro s d e extensã o po r 1,2 quilô -
se tornara jornalista. Encontrar o missionáiii > < li".,i| >a
nei ro d e largura, abrangendo 34 quarteirões
e mais d e
rec id o seria
u m fur o
d e
reportagem . I l e paili u
| iai a
j
'le quilômetros quadrados, que incluíam 45 quilôme-
/an/ibar co m mais dois europeus, qu e nu ninam , >•
t
ios
d e ruas, 190 quilômetros d e calçadas e mais d e dois
192
carregadore s africanos, qu e
també m
morrera m
mil postes d e luz.
quase todos. A o se aproximar d e Livingstone, viu qu o
A reconstrução teve início imediatamente e aca-
"ele estava pálido e parecia esgotado e abalidi >"
K iu sendo o estopim d o crescimento d e Chicago no
Stanley se encarregou d e preparar as refeições d e
im d o século XIX. P F
Livingstone, que aos poucos recuperou as loiças, ma s
se recusou a voltar para a Inglaterra. Sepaiaiam •
M
I
Cl A loja incendiada da Field, Leiter & Co. se ergue sobre um mar
14 d e março d e 1872 e Livingstone seguiu < u m seu tia
de escombros após o Grande Incêndio de Chicago.
balho na África até sua morte, e m maio d e 18/ V R P
Sem tripulação e à deriva O que aconteceu com o Mar y Celeste é um
Sem tripulação e à deriva
O
que aconteceu
com o Mar y Celeste é um dos mistérios mais duradouros
dos mares.
0 Mary Celeste, u m pequen o navio cargueiro de dois
mastros, zarpou d e
Nova York co m destino a Gênova,
Itália, e m 7 d e novembr o d e 1872. Ele transportava
um carregamento de álcool industrial e 10 pessoas,
incluindo o capitão Benjamin Briggs, sua esposa Sa-
rah e a filha de dois anos do casal, Sophie. Nenhum !
desses tripulantes jamais foi visto novamente.
Aem l Mrcaçã o
e m 4 d e dezembro
foi avistada no estreito d e (libraltar
pelo Dei Gratia,
u m navio mercante
que zarpara de Nova York uma semana depois do
Mary Celeste. Seu capitão, David Morehouse, qu e co -
nhecia Briggs, viu que, embora o cargueiro tivesse as
velas desfraldadas, não havia tripulação. Ele enviou
uma equipe d e inspeção, que desi obiiu que o navio
estava navegável, porém cheio d'água e com um bote
salva vidas lallaudo. I i a óbvi o qu e tinha sii Io
abando -
nado, mas sem sinais de pânico o u violência. Uma tri-
pulação de poucos homens conduziu-o até Gibraltar,
ond e uma c omissão d e inquérito suqetiu que o s tripu-
lai iles d o / )< •/<'
recimento dos passageiros d o Mary Celeste conclu -
são descartada pela maioria dos historiadores.
As teorias sobre o destino
d o Mary Celeste vã o
O
Um certo Abel Fosdyk afirmou em um relato falso que toda a
desde um motim até uma tempestade ou maremoto
repentinos. Vários escritores modernos, no entanto,
sugerem que o capitão Briggs teria ordenado que o
navio fosse evacuado às pressas, temendo que seu
tripulação caiu e foi devorada por tubarões, com exceção dele.
1 arroq.imento houvesse se tomad o instável e i apaz
de explodir. O bote salva-vidas teria se perdido no
mar com todos os tripulantes.
"O fogão estava fora do
O mistério d o Mary Celeste foi explorado por Arthur
lugar e
os talheres
estavam
Conan Doyle, antes de ele alcançar fama mundial com
suas histórias de Sherlock Holmes. Conan Doyle mudou
espalhados pelo chão."
o nom e da embarcação para MareCeleste e sugeriu qu e
Olive r Deveu , a o encontra r o Mary
Celeste
xícaras de chá quente e um gato tinham sido encontra-
dos pela equipe de inspeção. N J

,/, iii, i eia m i >s res| >< >i isávi T, |»>|i > i li ".apa-

A primeira travessia a nado do canal da Mancha unhas aquáticas do capitão Matthew Webb
A primeira travessia a nado do canal da Mancha
unhas aquáticas do capitão Matthew Webb o tomaram uma celebridade instantânea.
i
-.eu peito largo, o inglês Matthe w Web b apren-
|i
i nadar no rio Severn. N o entanto, ele demons-
Ifoti
.nas habilidades
aquáticas
pela
primeira
vez
Io, com o segund o imediato no
transatlântico
i, mergulhou no meio do Atlântico em uma ten-
111 ustrad a d e
salva r u m home m qu e havi a caid o
I larcação - u m gest o qu e lhe rende u 100 libras
i
.i.mhope Gold Medal da Royal Humane Society.
I
m 1873, Web b leu sobre o fracasso d e J. B. John-
K5H ao tentar cruzar o canal da Mancha a nado e, deci-
dindo
se arriscar a superá-lo, abandonou
a
marinha
11 n-i * ante e começou a treinar e m Lambeth Baths, Lon-
I In
'5 I m 12 d e agosto d e 1875, fez sua primeira tentati-
v, i, | lorém foi trazido de volta por ventos fortes.
I m 24 d e agosto, ele mergulhou d o píer da Mari-
ftha
d e Dove r e partiu co m a maré baixa, nadand o d e
11' 'ii o e m u m ritm o constant e noit e adentro . Cobert o
• li •' ileo de golfinho, sustentado por caldo de carne e
auxiliado por três barcos, Web b sofreu
várias quei-
maduras de águas-vivas, porém chegou à cidade de
i alais após 21 horas e 45 minutos na água, sem des-
cansar uma só vez ou tocar em uma das embarca-
i.oes de apoio. Ele havia completado a primeira tra-
vessia a nado d o canal da Mancha sem assistência e
sem o auxílio de acessórios de natação artificiais.
O
feito trouxe fama imediata a
Web b
e
sua
ima-
ge m
-
co m
seus
bigodes cerrados e traje de
banho
O
Após sua proeza, um jornal afirmou quem . ipilatiWi-lihi i.i pi
listrado - ilustrou toda uma série de produtos comer-
vavelmenteo homem maisconhecidoepopul.il do mundo"
c iais. U m
fund o criado
na Bolsa d e Valores d e Londres
levantou quase 2.500 libras para ele, qu e viajou exten-
samente pelos Estados Unidos executando
proezas
aquáticas por dinheiro. Ele escreveu u m livro,
TheArtof
'iwimming,
mas e m 24 d e julho d e
1888, a o
tentar cru -
"Sinto-me como no fim
do primeiro dia da
temporada de críquete."
zar o rio Niágara sob
as célebres cataratas,
foi sugad o
por u m redemoinh o e se afogou . Apena s e m 1911 sua
Capitão Webb , sobre a travessia do <.IN.I L
uavessia do canal foi igualada. N J
1876 7 DE MARÇ O Primeiras palavras são transmitidas por telefone O telefone é patenteado
1876
7 DE MARÇ O
Primeiras palavras são transmitidas por telefone
O telefone é patenteado
- nasce o mundo da comunicação
moderna.
I
f 1i f
O Este esboço foi feito por Alexander Grahain Bell para ajudar a explicar o funcionamento da sua nova invenção.
A patente d e n" 175.465, d e Alexander
Graham Bell, é
considerada a mais valiosa de todos os tempos. Bell
mentos à noite enquanto trabalhava como professor
d e fisiologia vocal. Já e m 1874 os princípios d o telefone
havia acabado de celebrar seu aniversário de 29 anos.
haviam ganhado
forma em sua mente
e, em
1875, im -
Escocês d e Edimburgo, ele era
fascinado por sistemas
de comunicação. Quando criança, tentou ensinar seu
terrier a latir e m palavras
invento u um a "máquin a
e, co m seu irmão mais velho,
falante". Se u model o foi a la-
pulsionado pelo trabalho semelhante d e Elisha Gray,
um inventor de Chicago, ele redobrou seus esforços,
contratando um assistente, Thomas A. Watson.
E m 1876, Bell recebeu
uma patente pelo seu apa -
ringe de um cordeiro e, quando se soprava nela atra-
vés de um tubo, emitia ruídos que, embora incompre-
ensíveis, soavam humanos.
relho e, três dias depois, enviou para Watson - no
guarto ao lado - a primeira frase transmitida por tele-
fone. Anos de disputa com Elisha Grey e outros inven-
Bell e seus pais emigraram e m 1870 para o Canadá,
onde o inventor iniciou uma carreira ensinando crian-
ças surdas a falar. Por toda sua vida, ele sempre especifi-
cou sua profissão com o a de "professor de surdos". Em
1871, mudou-se para Boston, ond e realizava experi-
tores
o aguardavam; porém , e m 1877, a Companhia
Telefônica Bell foi organizada por Gradiner Greene,
um empresário de Boston, enquanto Bell estava e m
lua-de-mel. Àquela altura, mensagens telefônicas já
eram transmitidas por mais de 160km. RC
>76 25 DE JUNH O Vitória em Little Bighorn índios americanos executam o coronel Custer
>76 25 DE JUNH O
Vitória em Little Bighorn
índios americanos
executam o coronel Custer - no entanto, seu destino estava
selado.
O Ilustração da Batalha de Little Bighorn, parte de uma série realizada por Cavalo Vemelho, chefe dos Oglala Lakotas.
A batalha foi uma vitória magnífica contra os brancos
ter ordeno u qu e parte da sua cavalaria, sob o t oi11.nu I
para os índios americanos das Grandes Planícies. Eles
d o major Reno , atacasse o acampa i nei iti >< Ias dua s ti
vinham sendo dizimados pela pressão branca, pelos
bos no rio Little Bighorn, enquanto ele o oulias i nu
la/endeiros caucasianos e seus municípios, pelas ferro-
colunas se aproximariam por trás, esp.uii.iiu >l
>
si •<
is
i
.
vias, pelo extermínio dos búfalos e pela imigração ma-
valos. Era exatamente por essa manobi a <|ii
, n u In
is , i de garimpeiros. Foi a descoberta de ouro nas Coli-
estavam esperando. Custer e seus homens soltcuui i n
nas Negra s da Dakota
d
o
Sul
e m
1874, seguida
da
ataque frontal por parte dos guerreiros sob o comand
invasão dos garimpeiros, que desencadeou uma guer-
de Cavalo Louco, enquanto outro grupo de indlqm,
i.i total. George Armstrong
Custer, qu e havia
conquista-
bloqueava sua rota de fuga. Se m saída, Custer e se
do uma reputação notável como comandante de cava-
grupo foram assassinados, e os homens de Ren
lí ii ia na Guerra
Civil, estava
no
comand o da 7' Cavalaria
baixas graves - recuaram para as colinas, <>m le Iu ai.u
í imericana. Ele enfrentou uma
aliança entre os lakotas e
cercados por 36 horas até a chegada dos reforços,
(>s cheyennes , qu e reuni a trê s mi l guerreiros . Seu s prin -
A derrota de Custer representou o nas. nnent
cipais líderes eram Touro Sentado e Cavalo Louco.
de
uma
lenda, mas os índios amerii anos
eslavai
Embora em imensa desvantagem numérica, Cus-
condenados. RC
Estréia do Ciclo do Anel O Festspielhaus de Bayreuth é palco da primeira exibição completa
Estréia do Ciclo do Anel
O Festspielhaus
de Bayreuth
é palco da primeira
exibição completa
de O anel dos
Nibelungos , o ciclo épico de quatro óperas de Richard
Wagner.
0 Festspielhaus (teatro de ópera) da cidade de Bayreuth,
na Bavária, concebido pelo próprio Wagner, estava
lotado e silencioso quando a cortina subiu para o pri-
meiro ato d e O ouro do Reno. Nas duas noites seguin -
tes, o público veria exibições d e A Valquíria e Siegfríed
e, finalmente, e m 16 d e
ses, uma ópera d e cinco
agosto, O crepúsculo dos deu-
horas. Essa última apresenta-
ção concluiu de forma triunfal a primeira montagem
1 omplel a d e ( Uinrldos Nibelunqos.
Wagner tivera a idéia para um ciclo de óperas -
baseado nas sagas nórdicas e no poema épico da Ale-
manha medieval A canção dos Nibelunqos - 25 anos
antes, e m Zurigue, após ter
sido forçado a abandonar
a Alemanha por sua participação e m u m levante e m
1849. Após longos anos d e exílio, Wagne r estava à bei-
i,i
da falem ia quando, e m 1864, o "lom o" rei l.udwig II
o
convidou a ii a Munique. I udwiq era apaixonado
pelo romantismo medieval - posteriormente, cons-
truiu o castelo de conto de fadas de Neuschwanstein,
nos Alpes Bávaros - e auxiliou financeiramente Wagner
para qu e ele pudesse concluir O anel, mesm o depois
que o compositor teve de abandonar Munique após
iniciar um caso co m uma mulher casada, Cosima von
Bülow. Wagne r se
casou co m ela e m 1870 e se estabele-
ceu e m Bayreuth, dedicando-se a angariar fundos para
construir o Festspielhaus para encenar suas óperas. Ele
morreu e m Veneza, e m
sua última ópera, Parsifal,
1883, alguns meses depois d e
estrear e m Bayreuth. U m festi-
val de verão é realizado todos os anos na cidade para a
exibição das óperas de Wagner. N K
O
A soprano Amalie Materna foi a primeira a fazer o papel de
Brünnhilde, uma das Valquírias do Ciclo do Anel de Wagner.
O
O Festspielhaus de Bayreuth foi projetado por Wagner e inau-
gurado em 1876 com uma montage m de suas quatro óperas.
1879 14 D E FEVEREIR O Triunfo zulu Disputa pelo guano A\ bem equipadas forças
1879 14 D E FEVEREIR O
Triunfo zulu
Disputa pelo guano
A\ bem equipadas forças britânicas sofrem
uma derrota fragorosa em
Isandhlwana.
Uma guerra pelas reservas de guano tem
início entre o Peru, a Bolívia e o Chile.
A i li Trota e m Isandhlwan a foi resultado tant o da ar-
A libertação da América Latina na
décad a d e 1820
bgância
britânica
e da incompetência
do seu
co-
aconteceu de forma tão rápida que muitas questões
mandante, lorde Chelmsford, quanto da coragem e
'.i i| mrioridad e tática e numéric a do s zulus .
Shaka, o fundador da nação zulu, havia transfor-
d e fronteira permanecera m nã o resolvidas. U m d<»,
ses problemas era o acesso da Bolívia ao mai pelo
deserto d o Atar ama, entre o Chile e o Peru, uma i e
gião rica e m guano,
fonte importante dos valiosos
Io seu povo em uma máquina de vencer guerras
nitratos usados na produção de salitre e fertilizantes
u.i décad a d e 1820. Quand o se u sobrinh o Cetshway o
umiuotronoe m 1873, seu país foi ameaçad o pelos
A exigência da Bolívia, feita e m fevereiro d e 1H/ 1 ),
Ingleses, qu e buscavam unir a África do Sul com o uma
de que
a empresa chilena Antofagasta
Nitrato an d
11 ilônia
dominada
por brancos. Quand o
Cetshwayo
Railway Company fosse sobretaxada e confiscai Ia le
Wjeitou um ultimato britânico para cessara soberania
vou à retaliação militar por parte do Exército < hilem i
O Peru, gu e havia
firmado
uma aliança
sec reta c u m a
"Piedade? Quando vocês
chegaram para tomar nosso
país e nos dilapidar?"
Bolívia e m 1873, foi atraído para a disputa, forçando o
Chile a declarar guerra aos dois países.
O Exército boliviano não estava e m condições d e
combater com eficiência, porém o controle si >l ne o ma i
logo se tornou u m fator crucial. Durante seis meses, a
Sau l David , Zulu,
200 4
marinha peruana infligiu danos consideiávi r, as luit.as
mais numerosas dos seus adversários d o sul Mas, e m M
los zulus, os britânicos invadiram a região. Chelms-
de outubro, o Chile derrotou o almirante | » -IU.II I
a u
Inrd, co m
um exército de
17 mil
homens,
montou
e obteve o controle d o mar.
Esse ato foi sei iui li 1 1 icla
leu acampamento
provisório ao pé da
montanha
invasão do Peru e a ocupação da capital, I ima, e m |,
mdhlwana. I-
No entanto, não se deu o trabalho de
ro d e
1881 (durant e ess e período , a Bil illi iti c a
N i
fll
dispor
suas carroças e m u m círculo defensivo. Refor-
d o Peru foi saqueada e 30 mil livros levados pai
I nl
ando o destacamento de cavalaria que
encontrara
-cerca de quatro mil foram devolvidos e m 200/)
uni
contingente d e
1.500 zulus, Chelmsford
dividiu
A
guerra prosseguiu
por vários anos, diante
I.
,ua
coluna, deixand o 1.700 homen s e m Isandhlwana,
resistência peruana -
com o auxilio
i.u ilo do s I sia
i nriandados pelo coronel Pulleine.
do s Unido s -, até qu e u m tratado d e | m. ' h u .r.-.n m> <l
Em 22 d e janeiro, Pulleine foi informado d e que zu-
e m 1883. De acordo co m os termos d o tratai In, t.mi o
lus estavam avançando e m direção ao acampamento.
a Bolívia guanto o Peru deveriam ceder territórios rl
0 exército zulu de 20 mil soldados atacou os desprepa-
cos e m minérios ao Chile e,em
um espaçi i d e
Kl
nu >s,
rados ingleses, que foram subjugados. Apenas cerca de
as províncias deTacna e Arica votariam pela sua a u
i50 sobreviveram. Os mortos foram estripados em um
tonomia. Peru e Bolívia sofreram muito po i ( ont.i i Ia
litual que visava libertar suas almas. Os zulus perderam
guerra e as tensões entre os países combatentes | iei
cerca d e 1.500 homens.
N J
duram
até hoje.
P F
1879 21 DE OUTUBR O A primeira lâmpada elétrica A lâmpada incandescente é provavelmente a
1879 21 DE OUTUBR O
A primeira lâmpada elétrica
A lâmpada
incandescente
é provavelmente
a maior invenção
de Thomas Alva
Edison.
O Thomas Edison exibe uma réplica da sua primeira lâmpada incandescente bem-sucedida, que tinha uma potência de 16 velas.
Thomas Alva Edison, o principal inventor americano
da sua época, nasceu na cidade de Milan, Ohio, e m
1847. Ele praticamente não teve educaçã o formal, n o
entanto montou um laboratório no porão de casa aos
fone e, então, o toca-discos), gue deflagrou toda uma
nova era d e gravações sonoras.
Edison então começou a trabalhar na lâmpada,
numa época e m que a principal forma de iluminação
10 anos de idade. Obteve sua primeira patente
e m
artificial era a gás. U m fio d e algodão
carbonizado de
1866, ao s 19, par a u m contado r d e voto s elétrico . Essa
foi a primeira das mais de mil patentes registradas por
ele na vida. Edison ganhou dinheiro suficiente com
um "teletipo" que desenvolveu para enviar preços de
ações da Bolsa por todo o pais para montar seu pró-
prio laboratório de pesquisas e m Nova Jersey. Embora
tenha sido superado por Alexander Graham Bell e m
pouca espessura montado sobre um eletrodo emitia
um brilho que durava 48 horas sem superaquecer. Em
seguida, ele e seus assistentes testaram outros seis mil
materiais antes d e encontrar uma fibra de bambu gue
dava à lâmpada
eles passaram a
uma vida útil de mil horas. A partir daí,
liderar o desenvolvimento
d e
gerado-
res elétricos eficientes e cabos condutores d e energia,
1876 na invenção d o telefone, ele foi responsável
por
idealizando também um eletrômetro.
melhorias importantes no sistema de telefonia e, em
Mais tarde, Edison ajudaria a inventar o projetor ci-
1877, inventou o fonógrafo
(posteriormente o gramo -
nematográfico.
Ele morreu aos 84 anos, e m
1931. RC
1881 13 DE MARÇ O 0 Libertador é assassinado ( ) i assassinato de Alexandre
1881 13 DE MARÇ O
0 Libertador é assassinado
( ) i assassinato de Alexandre II em 1881 acelera o dia do
ajuste de contas
revolucionário.
f ^ I) assassinato do czar Alexandre II foi o ato terrorista mais ambicioso do século XIX.
n.i alguns, o czar foi o "Grand e Libertador", gu e
emancipo u os servos e m 1861, porém , para o movi -
mento A Vontade do Povo, ele era outro Romanov -
um explorador da massa empobrecida e m prol da
minoria parasitária. Alexandre II estava ciente das
guns cadetes que voltavam de uma paiada i igui
ram Alexandre da neve, colocando o em um liem .
Dentro de poucas horas, estava morto.
O grupo A Vontade do
Povo
era
11 uii|«isti i p< >i
tentativas de assassinato e preparava reformas, entre
elas um a Dum a escolhida por votação, para apazi-
guar a oposição. Em 13 de março, quando chegava
,io Palácio de Inverno, um assassino atirou uma bom-
dezenas de jovens que obedeciam a seus lidei r ,i m
questionar. Seu objetivo era destruir o I stadoed r ol
I ia
debaixo da sua carruagem blindada. Membros d o
seu entourage ficaram feridos e o responsável, Nikolai
Hysakoff, foi capturado. O czar desceu do veículo e
estava se aproximando de Rysakoff quando outro
ver a Rússia ao povo. O assassinato de Alexamlie II loi
seu ataque mais bem-sucedido.
Alexandre II pode ter sido pom isado e m
suas reformas, poré m foi o mais liberal dos gove i
nantes da Rússia do século XIX. Seu sucessi >i ie i ha
çou qualquer projeto parlamentarista A paiin d.n.
nenhum outro czar tentou introdu/ii leloim.r. v .r.
terrorista, Ignacy Nryniewiecki, atirou uma segunda
iniciativas
I lomba, ferindo tanto a si mesmo guanto o czar. Al-
mais bem
revolucionárias passaram a vii d e qmpo\
organizados. R P
1881 2 DE JULH O 1882 11 DE JULH O Abatido a tiros Alexandria em
1881 2 DE JULH O
1882 11 DE JULH O
Abatido a tiros
Alexandria em chamas
O presidente Garfield é alvejado por um
fanático enquanto aguardava um trem.
O bombardeio marca o começo da
dominação britânica no Egito.
Representante de uma sucessão de presidentes ame-
ricanos relativamente medíocres, James A. Garfield
estava no cargo há apenas quatro meses quando -
enquanto aguardava e m uma estação ferroviária de
Washington, D. C. pelo trem que o levaria para suas
O ataque veio após uma tensão crescente entre a
forças nacionalistas do líder militar Arabi (Urabi
Pasha - apoiado pela população árabe muçulman
- e a minoria de europeus e cristãos coptas - prot~
gidos pela Inglaterra e pela França -, com o gover
férias - foi alvejado. O incidente o deixou incapacitado
pelo pouco tempo de vida que lhe restou.
0 assassino foi Charles J . Guiteau, d e 39 anos, ex-
membro de uma seita religiosa perfeccionista do esta-
nante oficial d o Egito, o khediva Tewfik, no meio . A
conclusã o d o canal d e Suez e m 1869 aumento u o
interesse anglo-francês no Egito e Arabi Pasha che-
gou ao poder para reduzir essa influência.
do d e Nova York
que promovia a crença d e que o pe -
E m
1882,
a milícia d e Arabi ocupo u o antigo porto
cado e a morte eram ilusões e possuía uma atitude
de Alexandria e reforçou as defesas da cidade enquan-
"Imagino
que o
presidente
o "
surgimento de uma
fosse cristão e que será
cidade dos mortos. Quase nos
mais feliz no Paraíso."
traz à memória
Pompéia."
Charles J .
Guiteau
William Gill, viajante britânico e m Alexandria
tolerante quanto à promiscuidade sexual. Incapaz de
se adequar à seita, Guiteau a abandonou. No intervalo
entre pagar suas dívidas e cumprir uma pena por frau-
de, ele tentou se infiltrar no Partido Republicano e es-
creveu um discurso para Garfield. Esperava um cargo
diplomático com o recompensa, porém foi rejeitado.
Então recebeu o que pensou ser uma mensagem de
to uma frota anglo-francesa chegava à baía, o que ele-
vou as tensões. Nos protestos sangrentos de junho,
turbas muçulmanas atacaram regiões cristãs da cida-
de , matand o mais d e 50 europeu s e 125 egípcios . O
almirante britânico Beauchamp Seymour exigiu que
os egípcios parassem de fortificar a cidade. Os france-
Deus d e qu e Garfield deveria ser "eliminado" para evi-
tar outra guerra civil na América.
Após comprar uma pistola calibre 44, Guiteau foi à
caça. Presidentes não tinham proteção ou guarda-cos-
tas naquela época e o assassino pôde disparar dois tiros
ses não participaram do conflito que se seguiu.
Sem receberem resposta, os ingleses dispararam
contra
os fortes e m 7 d e julho. Cerca d e 700 egípcios
foram mortos, assim com o um oficial britânico. As
fortalezas foram danificadas e as cercanias reduzidas
a escombros. Os egípcios retaliaram incendiando os
nas costas d e Garfield
na sala d e espera da estação. De -
bairros estrangeiros da cidade. Os ingleses desem-
tido por um policial ao tentar fugir e m um táxi, ele foi
enforcado e m Washington e m junho de 1882. Garfield
agonizara até morrer, e m setembro d e 1881. RC
barcaram e estabeleceram a lei marcial, prelúdio para
a derrota de Arabi Pasha e a declaração do protetora-
do britânico
no Egito.
N J
Origem das cinzas A maior rivalidade no críquete tem início quando o time australiano derrota
Origem das cinzas
A maior rivalidade no críquete tem início quando o time australiano derrota a
hitiltiterra em solo britânico pela primeira vez.
países já se enfrentavam há cinco anos antes
dn 11.II lida d o campeonat o d e 1882 - disputada n o
MlliVlio Kennington Oval, no sul d e Londres - e m qu e
}\i I '.pufford, numa série d e rebatidas bem-sucedi-
dn f ixou os ingleses sete pontos atrás ao perderem
• l i wickets por 12 corridas. A platéia ficou chocada e a
Impirnsa descreveu a atuação inglesa como o pior
drsi •mpenho esportivo da História. Dois dias depois, o
il 'porting
Times
publicou u m
falso obituário: "E m
ni. n u iria d o críquete inglês, gu e faleceu n o estádio
r-i mnington Oval
IMM. Ia
tristeza d e
e m 29 d e agosto d e 1882, para pro-
u m ampl o círculo d e amigos e co-
i ii los. Descanse e m paz. N.B. - O corpo será cre-
' » i li> e a s cinzas , levada s par a a Austrália. "
Na excursão seguinte à Austrália, o capitão inglês, o
i.ivel Ivo Blight, afirmou qu e "traria as cinzas d e
vi ilt.i" (e cumpriu a promessa), criando a tradição.
Não havia cinzas de verdade, porém, em algum
moment o da excursão d e 1882-1883 na Austrália, o
i .i| litão inglês recebeu uma algibeira d e veludo para
i jar as "cinzas imaginárias". E m seguida, Florence
Murphy, qu e se tornaria esposa de Blight,
lhe de u
MI M, I urn a d e terracot a co m aproximadament e 15
i intímetros de altura. Não se sabe ao certo qual era
0 seu verdadeiro conteúdo, embora provavelmente
fosse algo relacionado ao críquete. A urna traz u m
poema curto e m celebração ao sucesso de Blight -
1 mblicado na revista Melboume Punch - colado nela.
Blight a guardou até a morte. E m 1927, sua mulher
i Incidiu cedê-la ao Clube de Críguete de Marylebone,
que administrava o esporte na Inglaterra à época. Ela
pode ser vista no museu do Lord's Cricket Ground. P F
O Relatos divergentes sugerem que a pequena urna de terracota
contém as cinzas d e uma bola ou
pedaços d e um wicket.
Erupção do Krakatoa A enormidade da erupção vulcânica na ilha de Krakatoa é sentida em
Erupção do Krakatoa
A enormidade
da erupção
vulcânica
na ilha de Krakatoa
é sentida em todo o mundo.
A ilha d e Krakatoa, entre
Java e Sumatra, era conheci -
da há tempos por suas erupções vulcânicas violen-
tas,
qu e já haviam sido registradas nos anos
d e 416,
535
e
na décad a
d e
1680.
Porém nada poderia ter
preparado o mundo para a explosão imensa que
partiu a ilha e m agosto d e
1883, produzindo o so m
mais alto já gravado na História. Estima-se que a ex-
plosão tenha sido 13 mil vezes mais alta do que a da
bomba atômica de Hiroshima.
Após meses de emissões retumbantes de gases
i' di ' pequenas explosões nos três i ones vuli únicos
da ilha, houve uma série d e quatro detonações po -
derosas, desencadeando tsunamis de mais de 30m
de altura. Os estrondos foram ouvidos a 3.500km de
Perth, na Austrália, e fizeram colunas de fumaça e
cinzas subirem em espiral até 80km na atmosfera.
Uma chuva de cinzas quentes caiu sobre Sumatra,
matando mil pessoas imediatamente. A maior parte
de Krakatoa afundou no mar e m uma imensa cratera
e todas as criaturas vivas no restante da ilha foram
exterminadas. Os tsunamis mataram outras 35 mil
pessoas , alé m d e destruíre m 165 vilarejos e colônia s
e causarem estragos em um número semelhante de
outras vilas e assentamentos.
A eru| >ç ao descomunal causou mudanças climá-
ticas significativas em todo o mundo. No ano seguin-
O Litografia colorida d o vulcão retirada de The
Eruption of
te a ela, a temperatura global caiu 1,2°C. Os padrões
Krakatoa
and Subsequent
Phenomena
(1888), da Royal Society.
climáticos no mundo continuaram caóticos até o fi-
"Eu fiquei ali
sentindo
um grito
interminável
nal da décad a d e 1880. Pores-do-sol espetaculares,
causados pelas cinzas e pela fumaça retidas na
atmosfera superior, foram percebidos longe do local
da explosão - mais notoriamente por Edvard Munch,
e m Oslo, conforme
representado e m sua obra-prima
perpassar
a
natureza."
O grito. A catástrofe foi amplament e explorada pela
Edvar d Munch , após a erupção do
Krakatoa
literatura e pelo cinema, e m especial n o filme Kraka-
toa: O inferno de Java. N J
A queda de Cartum A morte de "Gordon Chinês" em Cartum provoca a ira da
A queda de Cartum
A morte de "Gordon
Chinês" em Cartum provoca
a ira da rainha
Vitória.
0 'irneral Charles Gordon, um engenheiro militar
tOmpetente e enérgico - embora excêntrico -, de
ncias cristãs místicas,
M U papel na supressão da
era popular por conta
d e
sangrenta revolta Taiping
na 1 liina e por seu trabalho missionário de evangeli-
entre os jovens pobres de Londres. Ele foi envia-
lo ao Sudão pelo governo Gladstone em janeiro de
Nomeado governador-geral assim que chegou
H
le do Cairo, ordenou evacuar mulheres e crian-
li
• Cartum, então ameaçada pelo avanço das for-
i,,r, islâmicas sob o comand o d o carismático líder reli-
• ||i isi i Mohamme d Ahmed , o Mahd i ("o Esperado") .
Gordon conseguiu evacuar mais de dois mil civis
Belo Nilo antes que Cartum fosse cercada e sitiada
I M ili i s mahdistas . O govern o esperav a qu e el e aban -
i nasse a cidade, porém Gordon desobedeceu às
nlens e colocou a cidade na defensiva. Cartum se
tninou uma fortaleza emparedada, com uma torre
Se vigia no centro, da qual muitas vezes o próprio
1 H iidon mantinha vigília.
Diante da situação aflitiva d o general, o governo,
lado pela opinião pública, finalmente se viu obriga-
do a organizar uma expedição de socorro sob o co-
mando do general Wolseley. Apesar de ter cruzado às
1 iressas o deserto, ela chego u tarde
demais. Dois dias
antes, após u m cerco d e mais d e 320
dias, u m dos
ofi-
O O confronto final do General Gordon (1885), dc<
•<••-Willi
i iais egípcios de Gordon havia aberto a cidade aos
Joy, sintetiza a interpretação heróica do evento.
i iwhdistas. Gordon foi morto a tiros ou golpes
d e lança
t
sua cabeça decepada exibida com o troféu.
A rainha
Viiória, furiosa, culpou Gladstone por sua lentidão ao
organizar o socorro e Gordon se tornou um mártir.
O incidente, ocorrido durante o auge da "Luta
pela África" entre as potências coloniais européias, é
interpretado como um momento crucial no conflito
"Eu temo
que haja
traição
no forte e que tudo estará
acabado no Natal."
General Gordon , dezembro d e 1884
•ntre o autoconfiante imperialismo ocidental e o Islã
ressurgente. N J
Karl Benz patenteia o primeiro automóvel Benz inventa e comercializa o precursor do carro moderno.
Karl Benz patenteia o primeiro automóvel
Benz inventa
e comercializa
o precursor do carro
moderno.
O O motorwagen
de Karl Benz, com motor de combustão interna de um cilindro, corria a aproximadamente 1-1,5 quilômetros por hora.
Os dois pais do automobilismo foram alemães nasci-
dos a 100km e a uma década de distância. Traba-
lhando simultaneamente, porém sem fazer idéia da
sido reunidos
e m 1926 quand o suas empresas se
fundiram para formar a Daimler-Benz, atualmente a
maior companhia da Alemanha.
existência um do outro, inventaram o carro no início
da décad a d e
1880. Os automóveis co m motores d e
Daimler inventou o motor de combustão interna
com seu assistente Wilhelm Maybach, trabalhando
combustão interna de Gottfried Daimler e Karl Benz
não foram os primeiros veículos motorizados - meios
de transporte movidos a vapor e eletricidade os
precederam por mais de um século. Porém, ao de-
monstrar a praticidade de um motor alimentado
por gasolina ou diesel, Benz e Daimler foram os pio-
neiros da produção em massa do automóvel, que,
pode-se dizer, revolucionou o transporte mais do que
qualquer outra invenção. É justo que os nomes des-
ses dois gênios que nunca se conheceram tenham
em segredo numa estufa no distrito de Bad Cannstatt,
e m Stuttgart. E m 1885, eles
anexaram seu motor d e
dois tempos de meio cavalo a uma bicicleta, criando a
primeira motocicleta do mundo.
A alguns guilômetros de distância e poucos me -
ses depois, e m Mannheim, Karl Benz apresentou o
primeiro automóvel, o motorwagen, de três rodas. Benz
inventou a bateria, a vela de ignição, o acelerador, a
caixa de câmbio e a embreagem. Daimler e Benz torna-
ram possível o veloz mundo moderno. N J
Violência em Chicago lt •nsões internas do sistema capitalista levam a um protesto na Haymarket
Violência em Chicago
lt •nsões internas
do sistema capitalista
levam a um protesto na Haymarket
Square.
O Ilustração do ataque da polícia contra os manifestantes na Haymarket Square, com retratos dos sete policiais mortos.
111 lescimento do movimento operário nos Estados
dia seguinte, porém, guando a polícia se desloiou
Unidos foi impulsionado pela industrialização, pela
Urbanização e pela imigração européia. Isso gerou
para dispersar a multidão, alguém atirou uma bo m
i onflitos violentos, visto que se suspeitava que os
ba, matand o u m dos policiais. A
fogo, dando início a um tumulto
polí< ia entã o aluiu
que tom m m u 1<n u
lideres fossem revolucionários estrangeiros dispos-
i' 1 •• a destruir o sistema americano. Em 1 c de maio de
II li i houve manifestações em várias cidades exigin-
d o uma carga horária de oito horas diárias e, se ne-
i".sário, uma greve geral. A greve e m Chicago con-
Itii a McCormick Harvesting Company ficou feia
i |i I, indo os grevistas atacaram fura-greves que tenta-
i.im atravessar os piquetes. N o dia 3 d e maio, a polí-
I Ia interveio e pelo menos u m grevista foi morto e
lUtros ficaram
feridos. Houve u m protesto pacífico
oi ara a brutalidade policial na Haymarket Sguare no
mais seis oficiais mortos e cerca de 60 feridos,
Oito líderes trabalhistas foram condenados por
conspirarem com um assassino, apesar da falia de pio
vas. Eram todos agitadores socialistas e anarquistas -
e m sua maioria estrangeiros -, o que pesou para o júri,
Quatro dos condenados foram enforcados em n o
vembr o d e 1887 e outro se suicidou. Os três restantes
foram perdoados e m 1893. Àquela altura, a Federação
Americana dos Trabalhadores já havia sido fundada,
tornando os sindicatos trabalhistas parte reconhec Ida
da economia e da política americanas. RC
Estátua da Liberdade é inaugurada Símbolo da liberdade e da democracia, a estátua foi um
Estátua da Liberdade é inaugurada
Símbolo
da liberdade
e da democracia,
a estátua foi um presente dos franceses.
A estátua mais famosa dos Estados Unidos da América
- e um dos ícones mais prontamente reconhecidos do
mund o - fica numa iiha na entrada d o porto de Nova
York. Ela permanece
ali com o u m símbolo da liberdade
e da democracia e como uma homenagem ao grande
número d e imigrantes europeus gu e desaguou nos Es-
tados Unidos no século XIX em busca de uma vida me-
lhor. Emma Lazarus, no seu famoso poema gravado na
base da estátua, a chamou de "Mãe dos Exilados".
A figura qu e segura sua tocha acolhedora te m
meno s d e
45 metros d e altura. Ela foi concebida por
um grupo de intelectuais franceses que admiravam
imensamente os Estados Unidos e queriam celebrar
0 (eulenário da Declaração do Independência de
1776. Eles eram liderados por Édouard René Lefebvre
de I aboulaye, auloi de urna extensa história e m três
volumes dos Estados Unidos, que desejava estabele-
cer uma república dentro dos princípios americanos
na França. E m 1875, Laboulaye
e
gos ganharam poder político e m
alguns d e seus ami -
seu país e fundaram
a Terceira República. Laboulaye chama a tocha da
1 iberdadede"u m facho de luzque ilumina".
A estátua foi
construída e m Paris pelo escultor
O
M.iquete de argila da estátua, de Frédéric Auguste Sartholdl,
Sua mãe possivelmente serviu de modelo para o rosto.
O
Os componentes da estátua foram construídos em uma
fábrica em Paris e depois enviados para Nova York.
"Dai-me
teus pobres,
tuas massas
ansiosas por
respirarem livremente "
Emm a Lazarus , O novo
colosso
Frédéric Auguste Bartholdi, que começou com um
modelo de terracota, posteriormente aumentado
e m quatro etapas até alcançar seu tamanho atual. Ela
era sustentada por uma estrutura de ferro projetada
por Gustave Eiffel, famoso pela Torre Eiffel. E m 1884
foi oficialmente aceita pelo governo americano, des-
montada e enviada em engradados até Nova York. A
campanha para levantar fundos em prol da constru-
ção da base da estátua foi conduzida por Joseph Pu-
litzer, o magnata jornalístico, e, e m 1886, ela foi formal-
mente inaugurada pelo presidente Grover Cleveland.
São 354 degraus até a coroa da figura, que é visitada
por seis milhões de pessoas por ano. RC
Assassinato hediondo Símbolo de glória Um crime em Whitechapel, Londres, A controversa Torre Eiffel é
Assassinato hediondo
Símbolo de glória
Um crime em Whitechapel,
Londres,
A controversa
Torre Eiffel é a estrela da
prenuncia
a obra deJack,
o Estripador.
Feira
Mundial.
Na madrugad a d e 31 d e agosto d e 1888, Charles
Cross foi para o trabalho pela Buck's Row, atrás da es-
tação de Whitechapel, em Londres. Enguanto evita-
va as poças, ele topou com o corpo de uma mulher
posteriormente identificada como Mary Ann Nichols.
Cerca de 30 milhões d e pessoas compareceram à Feira
Mundial realizada e m Paris a partir d e maio de 1889
para comemorar o centenário da Revolução Francesa,
porém só se falava d e uma peça: a Torre Eiffel. Ela era a
maior estrutura do mund o feita pelo homem, com
A vítima tinha 1,57m, olhos castanhos e cinco falhas
Vi )
meti i )'. d e altura e ih imin.n Ia por i luas mil
Limpa -
na arcada dentária. Seu rosto e pescoço traziam he-
matomas e havia dois cortes ao longo da garganta,
das a gás. Compreendia 15 mil partes de metal fundi-
d o e pesava 7.122 toneladas. D o top o tinha-se uma
vista panorâmica de até 72 quilômetros.
além de facadas no abdom e inferior. De acordo co m
o legista, ela provavelmente havia sido morta por um
Qual melhor símbolo - perguntou Gustave Eiffel,
canhoto com conhecimentos de anatomia.
o engenheiro gue não só projetou a torre como a
"Um corte terrível
até o
inaugurou oficialmente, fincando em seu topo uma
bandeira tricolor - do passado glorioso da França e
diafragma, através do qual
as vísceras saíam."
d o seu futuro mais glorioso ainda? Ela era a personifi-
cação de uma nova era de modernidade laica, cientí-
fica
e
industrial. Era també m uma pedra no sapato
East
London
Observer,
I
o
d e setembro d e
1888
dos rivais da França, pois que outra capital poderia se
gabar de uma estrutura daquelas? Não que todos es-
tivessem
convencidos disso, mesmo e m Paris. Céti-
Conhecida com o "Polly", Mary An n
nascera e m
1845.
Se u casament o
havia
terminad o
e m 1880 e
seus filhos moravam com o pai. Às vezes, trabalhava
como empregada doméstica e prostituta. Em 30 de
agosto, ela desceu a Whitechapel Road e ficou be -
bendo em um pub até depois da meia-noite. Mais
cos profetizaram que os visitantes sofreriam vertigem
ou poderiam até ser atingidos por relâmpagos, en -
guanto um ilustre grupo de artistas franceses protes-
tou, durante a construção, "com toda nossa energia
contra o levantamento da inútil e monstruosa Torre
Eiffel na nossa capital". Ainda assim, ela foi a principal
atração da Feira e multidões foram vê-la.
tarde foi barrada e m
uma pensão por não ter dinhei-
ro suficiente para se hospedar. Algumas horas depois
estava morta.
Este foi provavelmente o primeiro assassinato de
Jack, o Estripador. Ele matou no mínimo cinco mulhe-
res entre agosto e novembro d e 1888.
A caçada foi
acompanhada pela imprensa, tornando-se uma sensa-
A torre seria demolid a e m 1909, mas foi salva por
conta das condições ideais que oferecia para as ante-
nas necessárias à nova ciência da radiotelegrafia. Nas
décadas futuras se tornaria o símbolo universal de
Paris e, atualmente, é uma das maiores atrações turís-
ticas do mundo. R P
ção mundial, inspirando livros, romances, musicais e
até mesm o uma ópera. O mistério da sua
verdadeira
O A torre, vista aqui em
17 de outubro de 1888, foi concluída em 31
identidade inspirou estudiosos em todo o mundo. R P
de maio de 1889, quando uma bandeira foi içada no seu topo.
Suicídio nos campos de trigo A morte prematura de Van Gogh passa despercebida após uma
Suicídio nos campos de trigo
A morte prematura de Van Gogh passa despercebida após uma vida repleta de
dificuldades, drama e tragédia, dando fim a uma carreira de extraordinária
originalidade.
Ele almoçou depressa naquele domingo, pois havia tra-
balho a fazer. Muitos o consideravam u m artista fracassa-
do, que havia vendido uma só pintura, porém, sem per-
der o ânimo, ele foi até o Château dAuvres, onde deixara 1
seu cavalete. Então, enquanto caminhava ao longo do
muro d o château, sacou u m revólver. Dizia às pessoas
que precisava dele para espantar os corvos. Dessa vez,
no entanto, o apontou para o próprio peito e disparou.
O incidente não foi inesperado, pois a vida do pin
tor holandês sempre fora tempestuosa. Na década de
1870, tentara viver uma vida cristã, livrando-se de seus
bens materiais. A partir d e 1880, sua "missão" foi pintar,
e ele produziu centenas de telas com uma rapidez ex-
traordinária e um uso intenso das cores. No entanto,
foi acometido por uma depressão aguda e alucina-
ções e se internou voluntariamente em um hospício
após
arrancar uma orelha
e m dezembro d e 1888.
Ferido, Van Gogh se arrastou de volta à cidade.
Os médicos se asseguraram de que a bala não havia
acertado o coração ou qualquer órgão vital e não o
internaram. No dia seguinte, seu irmão Theo chegou .
Uma infecção estava começando e Vincent lutava
para respirar. Theo aninhou a cabeça do irmão e m
seu braço. "Gostaria de poder morrer assim", disse o
pintor. Ele morreu meia hora depois, à 1h30 d e 29 d e
julho d e 1890, aos
37 anos.
Sua morte mal foi notada, porém Van Gogh logo
seria reconhecido com o u m dos maiores pós-impres-
sionistas e um dos grandes heróis culturais dos tem-
pos modernos. RP
O
Van Gogh pintou seu Auto-retrato com orelha enfaixada (1889) de -
pois de cortar parte da orelha em um episódio de doença mental.
O
O quadro Campo de trigo com corvos (1890) combina uma sensa-
ção de mau agouro com uma apreciação intensa da natureza.
i 29 DE DEZEMBRO 1893 19 D E SETEMBR O 0 confronto final Sufrágio feminino
i 29 DE DEZEMBRO
1893 19 D E SETEMBR O
0 confronto final
Sufrágio feminino
O/Mi i:\ncrede
WoundedKneemarcaofim
A Nova Zelândia
se torna o primeiro país
ja<,ii< na
contra os índios
americanos.
no mundo
a permitir o voto às mulheres.
Uri<•) il.i'. i onseqüências da destruição do estilo de
•da di is Índios americanos foi o surgimento do culto
O
sistema político da Nova Zelândia d o século XI X et.i
o
mais avançado do mundo. Ele possuía, desde
l»', I,
ii te >i - I Limad o Dançados I antasmas. Ai
reditava
um a assembléi a legislativa eleita - a Câmar a do s Re-
• que executa r a danç a
restauraii a
o
inund
o
do s
presentantes - e, embora o voto fosse restrito aos ho
nau 11,, iraria os búfalos d e volta e ressuscitaria os
men s europeu s dono s d e propriedade, cerca d e 'A da
is sioux das Colinas Negras da Dakota d o Sul
ivam que, quando o grande dia chegasse, os
população masculina européia cumpriam esse lequl
sito. Um a corrida d o ouro e m 1860 atraiu milhares d e
bim
I desapareceriam
e
o
mundo
pertenceria
garimpeiros que também receberam o direito ai i v< >ti i
•penas aos indígenas. Alguns vestia m camisas espe-
IlaK d o culto, acreditand o qu e elas os tornava m à
prova rie balas. A religião causou mal-estar entre os
e os índios maori possuíam quatro cadeiras na Câma-
ra. O Ato Eleitoral
d e 1893 de u o vot o às mulheres, tor-
nando a Nova Zelândia o primeiro país a fazê-lo.
"Nossa segurança
depende do extermínio
total dos índios."
"As senhoras, com seus ros-
tos sorridentes, iluminaram
as cabines de votação."
1 l iwnkBaum,
Aberdeen
Saturday
Pioneer,
189 1
The Christchurch
Press,
189 3
I i I|I 'i IOS e n o Departament o
d e Assunto s
Indígenas .
Isso foi resultado de uma
longa <
p.mh.i
A s
I m 15 d e dezembro, o grande chefe sioux Touro
mulheres votavam em eleições regionais desde a i le
'•'•i iiado foi morto na reserva Standing Rock, na Dako-
cada d e
1860 e tentativas d e lhes com ede i mlm-n i
ta do Sul, pela força de polícia indígena, que tentava
voto no Parlamento na década de I8/0 li
ssaiam
(iicndê-lo. Em 29 de dezembro, no Wounded
Knee
O
movimento sufragista feminini > íoia do P.iil.i
| reek, u m batalhão da 7 J Cavalaria dos Estados Unidos
i ' iu u m acampament o d e 350 índios sioux numa
mento se concentrava na União das Mulheies ( iisi.v,
pela Temperança, fundada por Kate Sheppaid Ma
i' i ttativa d e mandá-los para Nebraska. A recusa d e um
organizou um a série
d e
petições - e m 1891, um, i d e
Ias conseguiu guase 32 mil assinaturas, quase VA diis
0OS membros da tribo e m entregar seu rifle - a não ser
lhe pagassem - desencadeou um tiroteio, no qual
i avalaria disparou metralhadoras Hotchkiss.
No total, 25 soldados de cavalaria morreram, jun-
mulheres européias do país. A primeira eleição sob
essa legislação se deu em 28 de novembio d e IH' H
Algumas mulheres, temendo entrar nas i al m H , I, •
votação sem escolta, sugeriram gue o voto devei Ia
tament e co m mais d e
150 homens , mulhere s e crian-
ser por
correspondência. N o fim, a eleição foi < onsl
.
i s sioux. Acredita-se
que, durante
o tiroteio, alguns
derada "a mais bem conduzida e ordeira" já reall/ada
ik lados tenham sido mortos por "fogo amigo". Vinte
na colônia. PF
i lalhas de
honra foram concedidas à cavalaria.
RC
Cause célebre O julgamento do capitão Dreyfus agrava as diferenças que dividiam a Terceira República
Cause célebre
O julgamento
do capitão Dreyfus agrava as diferenças que dividiam a Terceira República
O o i apitão Dreyfus {em pé ao lado da cadeira, à direita) enfrenta o Conselho de Guerra, em líennes, que o baniria para a ilha do Diabo.
E m
22 d e dezembr o d e 1849, Alfred Dreyfus, u m ofi-
corte marcial declarou o major inocente e m
1898.
cial judeu do exército francês, foi condenado à "de-
portação perpétua" por divulgar segredos militares.
Apesar dos seus protestos, ele foi expulso de seu
cargo, e m meio a gritos de "Judeu sujo!", e enviado
à ilha d o Diabo, tendo com o companhia apenas
seus carcereiros, que tinham ordens para não lhe
No mês seguinte, entretanto, o romancista Emile
Zola publicou uma carta aberta ao presidente inti-
tulada Taccuse!" iniciando uma cruzada maciça
gue dividiu a sociedade francesa em "dreyfusards" e
"antidreyfusards".
Dreyfus foi um símbolo do gu e cindia a França.
dirigir a palavra. Desd e a revoluçã o d e 1789, a Fran-
Assim, o fato d e ele ter sido perdoado e m 1899 e de -
ça não se veria tão dividida.
clarado inocente e m 1906 não
pareceu importar mui -
Sua família estava convencida da inocência de
Dreyfus, assim como o jornalista Bernard Lazarre.
Dizia-se que ele havia sido vítima de anti-semitismo.
O coronel Picquart descobriu provas de fraude,
afirmando que o major Esterhazy transmitira as in-
formações. Contudo, Picquart foi silenciado e uma
to. O escândalo não arrefeceu. Os franceses se uniram
ao menos durante a Primeira Guerra, quando Dreyfus
abandonou a aposentadoria e ganhou a Legião de
Honra. Porém, e m 1946, o marechal Pétain, ao ser con -
denado pelo seu papel no governo de Vichy, insistiu
que aquela era "a vingança de Dreyfus!". R P
Oscar Wilde é declarado culpado mran íaturgo, romancista e poeta Oscar Wilde é preso por
Oscar Wilde é declarado culpado
mran
íaturgo, romancista
e poeta Oscar Wilde é preso por atentado
grave ao pudoi.
I
*5r
«**V
lilo eo s hábitos exuberantes de Oscar Wilde oram criticados por encorajar a efeminação dos jovens.
Ini
de
maio d e
1895, o tribunal criminal d e Lon-
A gued a
d e Wild e fo i violenta . El e al<
<n IÇ.II. I
SIM I
dic", estava lotado e calorento. 0 célebre dramatur-
'
maior triunfo em fevereiro daquele ano i o m a pil
i
"
1
>scar Wild e foi alvo d e diversas acusaçõe s d e
meira
montage m
d e sua obra-prima, A impi n i, )/i< i, i
.ii' i ii.idos graves ao pudor e o interesse do público
if lamento era intenso. O júri se retirou às 15h30
pira i leliberar sobre a prova. Duas horas depois, o
Primeiro dos sete veredictos de "culpado" foi pro-
iado. O juiz Wills declarou que aguele foi o pior
de ser prudente, poré m a peça mais espiuiin isa e vi
brante da língua inglesa fora escrita duianle uma
crise pessoal. O pai de seu amante ameaçava d e
nunciá-lo publicamente como homossexual e, a
contragosto, Wilde foi convencido a processa Io
|á julgado por ele e que Wilde estivera "no cen-
tro de u m círculo de corrupção juvenil do pior tipo",
"i II is decidir não repreendê-lo pelos malefícios de
i 1 onduta, pois "os que fazem tais coisas não de -
V E M ter qualquer senso de vergonha", Wills senten-
por difamação. Ele
perdeu o caso, sendo preso e m
H
iii Wild e
à pena
máxima d e dois anos d e traba-
LHO S forçados.
seguida por "crime de homossexualismo". Seu sol11
mento gerou mais obras-primas: seu melhoi |
ma, "A balada do cárcere de Reading", e a extraordl
nária carta confessional Deprofundis. Àquela aluna,
no entanto, sua saúde estava e m declínio e el e mo i
reu e m 1900, aos 46 anos. R P
Wilhem Rontgen detecta raios X A descoberta de um físico revoluciona a medicina diagnostica. Wilhe
Wilhem Rontgen detecta raios X
A descoberta
de um físico revoluciona
a medicina
diagnostica.
Wilhe m < onia d Rontgen (1845-192!), professor d e fl-1
sic i n,i Universidad e d e Wiu/biiK] , na Bavária, inau
gurou uma nova perspectiva na história da medicina I
lo possibilitai, pela piimoiia ve/, i|ue as estruturas]
internas do corpo fossem exploradas sem a necessl-1
dade de cirurgias invasivas. Como muitas descobei
tas revolucionárias, essa foi acidental.
Kónlqe n i lesi obriu essa nova forma d e radiação
enquanto fazia experiências
co m raios catódicos em
seu laboratório. Ao passar uma corrente elétrica atra-
vés de um tubo de vácuo coberto com papel preto
grosso, ele percebeu um brilho verde inesperado em
uma pequena leia. Não taidou a por< ebei que algum
tipo de raio invisível estava saindo do tubo, atraves-
sando o papel e causando o brilho. Logo Rontgen
demonstrou que
esses raios podiam atravessar com ]
facilidade madeira, pano e papel, porém não mate-
riais mais densos. U m d e seus primeiros experimen-
tos, e m 1895, foi filmar a
mã o d e sua mulher Bertha, I
O
Wilhelm Rontgen escolheu jamais lucrar com sua descoberta,
dizendo que seus benefícios deveriam ser para todos.
O
A mão de Bertha Rontgen, radiografada por Wilhelm, com
seu anel e outros objetos bloqueando a passagem dos raios.
"Oh, meu Deus
sinto
como
se estivesse olhando para
minha própria morte!"
provando que os raios X podiam atravessar até mes-
mo a pele, revelando os ossos.
A notícia da descoberta de Rontgen se espalhou
rapidamente pelo mundo. Cientistas de toda parte
podiam duplicar o experimento, pois os tubos catódi-
cos já eram bem conhecidos na época. No mesmo
ano, um departamento de raios X foi inaugurado na
Enfermaria Real de Glasgow, na Escócia, produzindo a
primeira radiografia de um cálculo renal e outra gue
mostrava uma moeda na garganta de uma criança.
Ainda e m 1895, o americano Walter Cannon registrou
a passagem da comida pelo sistema digestivo através
da ingestão de bário seguida de radiografia. Em cinco
anos, o processo estaria sendo utilizado em soldados
feridos na Guerra dos Bôeres para localizar balas, e má-
Bertha Rontgen, ao ver sua mão
radiografada
guinas
de raios X começariam a ser apresentadas co -
mo curiosidades em espetáculos teatrais. JJ H
Exibição dos primeiros filmes cinematográficos Os irmãos Lumière exibem filmes cinematográficos antes de
Exibição dos primeiros filmes cinematográficos
Os irmãos Lumière exibem filmes cinematográficos
antes de retornarem
aos stills.
O porão do Grand Café, no Boulevard des Capucines,
em Paris, foi o cenário para uma multidão de pessoas
qu e haviam pago para se sentar no escuro e assistir aj
10 seqüências cinematográficas curtas, cada uma
com 40 segundos de duração, sobre temas como
"pulando no lençol", "bebê comendo" e "tomando
banho de mar", que combinavam observação direta,
e humor pastelão. A noite foi u m sucesso e as filas
para as exibições posteriores deram voltas no quar-
teirão. Uma seqüência, filmada logo após essa proje-
ção histórica, mostrando um trem a vapor correndo
na diagonal pela tela, fez a platéia gritar e mergulhar
no chão para se proteger.
Os empreendedores eram Auguste e Louisj
Lumière, de 30 e poucos anos, filhos de um fotógrafo
e retratista de Lyon. O pai deles, inspirado por uma
demonstraçã o
d o cinetoscópio d e Edison e m
1894,,
os incentivou a fazer experiências com filmes cine-
matográficos e eles logo inventaram o sistema de
perfuração da película, de mod o a passá-la pela câ-
mera. N o início d e 1895, patentearam o "cinemató-
grafo", um aparelho que era ao mesmo tempo câme-
ra, revelador e projetor. O primeiro filme dos irmãos
mostrava os trabalhadores saindo da fábrica de seu
O
Aiujuste (a esquerda) e Louis Lumière inventaram tanto o cine-
pai e
foi
exibido e m sessão privada
em março de
ma quanto o processo autocromático de fotografia em cores.
1895,
poré m a primeira demonstraçã o comercial da
O
Um dos primeiros filmes dos irmãos Lumière mostrava um
tecnologia foi no Grand Café.
trem chegando à estação La Ciotat e apanhando passageiros.
A dupla contratou assistentes para demonstrar
seu aparelho pelo mundo, inaugurando cinemas
para
exibir seus filmes. E m 1900, u m deles foi projeta-
"Os filmes divertem o mundo
todo. O que poderíamos
fazer de melhor ?
d o e m uma tela enorme na Exposição d e Paris. Ape -
sar d o sucesso da invenção, Louis Lumière logo de -
clarou que o cinematógrafo "não tinha futuro", o gue
fez os irmãos venderem os direitos do eguipamento
Louis Lumière, pioneiro do cinema
para se concentrarem na fotografia
em cores. P F
1896 6 D E ABRI L Uma derrota humilhante Olimpíadas revisitadas Em Adua, os etíopes
1896 6 D E
ABRI L
Uma derrota humilhante
Olimpíadas revisitadas
Em Adua, os etíopes dão um golpe nas
pretensões italianas na África.
Começa a primeira Olimpíada moderna,
recriando uma grande tradição esportiva.
A Itália invadiu a Etiópia - além da Libéria, o único país
alui ano independente no auge do imperialismo eu-
lopeu do século XIX - para criar seu próprio império
no Chifre da África juntamente com suas colônias da
'.omália e Eritréia. O comandante italiano, general
Oreste Baratieri, relutava em atacar o exército numeri-
O barão francês Pierre de Coubertin queria fomentar
a excelência atlética e a harmonia internacional e,
inspirado por descobertas arqueológicas em Olím-
pia,
baseou-se nos Jogo s Olímpicos da Grécia Antiga.
E m
1894, fundo u u m Comitê Olímpico Internacional
para organizar os
jogos,
escolhendo Atenas com o a
• ament
e superio r da Etiópia (d e 80 a
150 mil homens) ,
50b 0 i
ornand o d o imperador Menelik II, qu e blo-
i |ueou o caminho de sua força de 17 mil soldados. No
enlanlo, incitado por seus subordinados, ordenou
primeira sede. Os "Jogos da V Olimpíada", como eles
eram conhecidos oficialmente, começaram em abril
de 1896 e duraram 10 dias. Duzentos e quarenta e
u m a marcha noturna pelo terreno montanhoso, se-
"A Itália preferia a morte de
dois ou três mil homens do que
uma retirada desonrosa."
um atletas de 14 países participaram do evento - to-
dos eram homens e amadores e não formavam equi-
pes nacionais, competindo individualmente, à pró-
pria custa.
O antigo Estádio Panathinaikos, que data do sé-
( ulo IV a.C, foi restaurado, sendo qu e esta e outras
instalações foram pagas principalmente com dinhei-
ro levantado em Alexandria pelo empresário Georgios
Brigadeiro Vittoria Dabormida, morto e m Adua
guida de um ataque pela manhã. Espiões revelaram a
Menelik que os italianos estavam a caminho e ele mo -
veu seus homens para uma emboscada.
Os italianos se perderam e, ao amanhecer, topa-
ram co m o inimigo. Embor a eles e os askari - seus
ajudantes etíopes - tenham lutado com bravura, fo-
ram massacrados , co m u m saldo d e sete mil mortos ,
1.500 feridos e três mil prisioneiros, contra os cinco
Averoff. A cerimônia de abertura em 25 de março
contou com 80 mil pessoas, com os competidores
agrupados por nacionalidade no campo e bandas e
coros executando o hino olímpico, observados pelo
rei Jorg e da Grécia. Ainda não havia a tocha olímpica,
que só passaria a fazer parte da cerimônia em 1928.0
primeiro evento, o salto triplo, foi vencido pelo atleta
americano James Connolly.
Os jogos foram um grande sucesso, com os atle-
tas gregos ficando atrás apenas dos Estados Unidos
mil mortos e oito mil feridos da Etiópia. Baratieri fugiu
e m número de medalhas (os ganhadores recebiam
I tara a Eritréia co m o restante d e seu exército, deixan -
d o suas armas para trás. Os prisioneiros italianos fo-
la m be m tratados; já os askari capturados, considera-
uma medalha de prata, e m vez do hoje e m dia tradi-
cional ouro). A corrida mais famosa foi a maratona,
vencida pelo corredor grego Spiridon Louis, um pas-
i los traidores da pátria, tiveram uma das mãos e um
tor até então
desconhecido. P F
pé amputados. A vitória preservou a independência
etíope por outros 40 anos, até a vingança de Musso-
lini e m 1936. N J
O
O ginasta alemão Hermann Weingártner pratica nos anéis
durante os primeiros Jogos Olímpicos em Atenas, Grécia.
1896 16 D E AGOST O Ouro é encontrado no Klondike Mineradores americanos voltam sua
1896 16
D E AGOST O
Ouro é encontrado no Klondike
Mineradores
americanos
voltam
sua atenção
para o Canadá.
E m agosto d e 1896, no Klondike, três pescadores vi -
ram o inconfundível brilho do ouro no fundo de um
riacho. No dia seguinte, o trio - composto pelo índio
"Skookum lim" Mason Keish, sua irmã Kate e seu ma-
rido George Carmack - demarcou o território em
nome do último. A notícia da descoberta se espa-
lhou e, 10 dias depois, 1.500 pessoas já haviam parti-
do de Seattle para o norte. Em São Francisco, bilhetes
de trens com destino à região eram vendidos por mil
dólares. E m
1898, Dawso n City, a "cidade instantânea"
gue brotou em volta das primeiras demarcações, ha-
via alcançado 40 mil habitantes, tornando-se a maior
cidade canadense ao norte de Winnipeg - um tama-
nho que pressionou os já escassos recursos alimenta-
res da região remota (o sal valia quase tanto quanto
o ouro), trazendo a ameaça da fome. A lei e a ordem
foram mantidas pela Polícia Montada, sob a liderança
firme de Sam Steele.
Fortunas foram feitas - um barbeiro de Dawson
City escavou 40 mil dólares e m ouro e m u m só dia - e,
em um saloon da cidade, um garimpeiro empreende-
dor fez 275 dólares simplesmente varrendo a poeira
d e ouro d o chão, Das 100 mil pessoas qu e teriam par-
O Garimpeiros posam perto do pico do Chikoot durante a breve
Corrida do Ouro do Klondike de 1896-1898.
"Coisas estranhas são feitas
sob o sol da meia-noite pelos
homens que procuram ouro."
Rober t Service , A cremação
de Sam
McGee
tido para o Klondike, apenas metade chegou. Cerca
de cinco mil delas demarcaram terras com sucesso, no
entanto poucas centenas ficaram ricas. Muitas foram
vitimadas pela exaustão, doenças, fome e predadores
humanos. Diz-se que o xerife d e Skagway, na fronteira
canadense, Jefferson "Soapy" Smith, "enganava e de-
penava todos os que chegavam e matava qualquer
um que discutisse". A Polícia Montada, na fronteira,
mandava de volta todo garimpeiro com menos de um
ano de estoque de comida. A corrida terminou tão rá-
pido quanto começara. E m 1900, a maior parte d o
ouro já havia acabado, embora a escavação comercial
tenha prosseguido até 1966. N J
A morte do Sr. Dinamite O testamento de Alfred Nobel garante a posteridade da sua
A morte do Sr. Dinamite
O testamento
de Alfred Nobel garante a posteridade
da sua mais positiva
influência.
Quando um derrame matou o industrialista, químico
e
filantropo
suec o Alfred Nobe l e m sua casa
d e vera -
neio italiana e m San Remo, ele pôde recordar
uma
vida repleta d e conquistas, mas qu e també m
ficara
he devendo muito em termos de felicidade pessoal.
Com o industrialista,
Nobel havia tornado a usina
siderúrgica
Bofors uma fábrica de armamentos
de
sucesso e, e m
1867, com o químico, desenvolve u
a
dinamite, uma
forma
mais
segura
de
explosivo
á
base de nitroglicerina. Contudo, depois que uma ex-
plosão e m sua fábrica matou seu irmão mais novo
Emil e quatro outros funcionários, ele inventou
um
explosivo ainda mais seguro e poderoso - a geligni-
ta. Nobel, uma alma sensível, encontrava tempo para
escrever peças e poesia enquanto Ia/ia loituna i m u
a fabricação de armas, explosivos e petróleo.
E m 1888, ele ficou abalad o por u m obituário pre -
maturo, cuja
manchete
era " 0 mercador da
morte
está morto". Nele, Nobel era descrito com o u m ho -
me m qu e tinha ficado rico descobrind o maneiras d e
matar mais pessoas a uma velocidade maior do que
nunca. Então, influenciado por sua
correspondência
com a escritora e pacifista austríaca Bertha von Suttner,
Nobel
decidiu deixar sua enorm e
fortuna para a en -
trega de prêmios que carregassem seu nome, incen-
tivando a paz e o progresso nas artes e ciências. Entre
os ganhadores
dos
prêmios anuais estão
Winston
O A nitroglicerina foi inventada pelo italiano Sobrero em IM n
Churchill, Albert Camus e Samuel Beckett (Literatura),
Nobel patenteou uma forma de usá-la co m segurança.
Albert Einstein (Física), Linus Pauling (Química) e os
presidentes Teddy Roosevelt e Woodrow Wilson, jun-
tamente com a Madre Teresa, Henry Kissinger e Mar-
tin Luther King (Paz). 0 fundador da Cruz Vermelha,
Henri Dunant e a própria Bertha von Suttner (gue se
"Alfred Nobel, esta criatura
deplorável, deveria ter sido
estrangulado."
tornara uma figura atuante no movimento
mundial
pela paz) estiveram entre os primeiros
ganhadores
Nobel , e m carta a seu irmão Ludwig , 1887
do Nobel da Paz.
N J
1897 22 D E JUNH O Deus salve a rainha A monarquia britânica atinge seu
1897 22 D E JUNH O
Deus salve a rainha
A monarquia
britânica
atinge seu auge com oJubileu
de Diamante
da rainha
Vitória.
Poderiam as comemorações do Jubileu de Diamante
d e Vitória se igualar às d o seu Jubileu d e Ouro e m 1887?
Parecia improvável, pois a rainha - aos 78 anos e cada
vez (trais rabugenta - insistiu que não desceria d e sua
carruagem durante a procissão, que não gastaria ne-
nhum tostão do seu próprio bolso nas festividades e
que nenhum dos monarcas da Europa fosse convidado
sob hipótese alguma. No domingo de 20 de junho, data
do aniversário d e sua ascensão ao trono, as comemora -
ções foram, por
ordens
reais, silenciadas. Às 11 h da
e sinagoga na Grã-Bretanha
ma -
nhã, cada igreja, capela
ce -
lebrou uma missa especial, a própria Vitória tendo ido à
Capela d e São Jorge, e m Windsor. Ela confessou e m
seu
diário ter se sentido "bastante nervosa em relação aos
próximos dias, na esperança de que tudo dê certo". Não
precisava ter se preocupado , pois o resultado foi u m
deslumbrante espetáculo imperial.
Vitória descreveu 22 de junho, o clímax das co-
memorações, com o u m "dia inesquecível". Desde o
moment o e m qu e ela apertou o botão que telegra-
fava sua mensagem do jubileu para o império, tudo
correu
maravilhosamente bem . O sol apareceu assim
O
A rainha Vitória, fotografada na ocasião do seu Jubileu de
Diamante, inspirava em seus súditos uma devoção fervorosa.
O
A carruagem de Vitória passa pela Galeria Nacional e por
observadores exultantes na Trafalgar Square, em Londres.
que as armas no Hyde Park anunciaram sua saída do
palácio, e a procissão e m si, embora passasse por al -
gumas das regiões mais pobres da cidade, gerou
uma reação fantástica. "Creio gue ninguém tenha re-
cebido uma ovação como a que recebi ao passar por
aqueles 10 quilômetros de ruas." Foi a maior cerimô-
nia da históri<i da Inglaterra.
"Os vivas eram ensurdece-
dores e cada rosto
repleto
Segund o a socialista Keir Hardie, tratou-se de
"pão e circo sem o pão". No entanto, foi eficaz. Outra
socialista, Beatrice Webb, notou que as pessoas esta-
vam "embriagadas
de lealdade histérica". A Inglater-
de verdadeira alegria."
ra se tornara uma democracia e a Coroa quase não
Rainha Vitória, e m seu diário
tinha mais poder político - contudo a monarquia
nunca fora tão popular. R P
m m VAUGHA H LAURORE ERKES T VAUCHA» Littéraire , Artistique , Social e ETTRE
m m
VAUGHA H
LAURORE
ERKES T VAUCHA»
Littéraire ,
Artistique ,
Social e
ETTRE AU PRÉSIDENT DE LA REPUBLIQUE
P a r
ÉMIL E
ZOL A
LETTRE
I. FÊLIX FAÜRE
it, A T 1* 1 raaa. W immi i oá M i
-r.
tU
araH! KmIuii aüar* d«p
-ou. I
•(«n»«!-m II* am>-«I>nt Ia Knüdt, ||>
II Ua mppailií ui«m«, II
aa carPi«nt
lion. II» alrmant Ias bom lieis an two
darrUra aa Mtfiüiaa
mí o-
<t* la juntke
IrardUailmtolit-H 1-ur» d«aln «Uianl
4onl on pr<"lau» FTAMAJTM. Unl i
blant Ira c-jum. en pertariiuiaiil ><•*
Inimllli'!»"" d«vanl la ITrIMa urtjfe
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rtiHiiiniir
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pia» lerd, la Ungan* fm M BaatHM
Vaila <l:nr. mnniu-ar la Prt«id<>nt. <
r.otp* 11» onl I*i»i4 feire 1» MaJMt, Vidla iona,
DKINIIÍOR IA PiA*id«M.
K*Moar Uai ÉTjMMMl *« s*iU»l
alali «oloí Ürejlm êmKi U «ta
In falia quí
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de riflam K'!'i1<t/y nn mnpabl* {<
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t m u jarfkiaire a pu ttra Huuaii»*;
billot. lalJTiiaal
par p.IRN
ti.in«
prandie an ualn raSair». da na paa
a*aflatall dinnoranUr Dapui* ÉtatM
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n e*t «tlf *
lln Uattr»
aaraft an
ít !e» prnvflí mirai**. Ia litaation da
Ia laiaMr »*ijii[r«vir. au •[•únt d* dvia
da«i ntol». nona pnavoaa aami brita
pai l.ear» la h-llf boo^na Jabraf*.
»rrt
Ia frontW*» a !••,
.
poar ron-
fartone d*
Drajínj.
rabsartca da u .
nir db déiaatre pab»l- S«nl I* ftmi e
duir* V-niynvt atUn^ntl jtuqua
Lfa, noa continael cri tfinnoíeiií*),
cai ce neal lei, anjrroa. qua Urtaaoad
M M D b W qn'un Da * - :!:»-• paa
nifíiuiwd» üUrn™ ct il* metera
i.-.-ut de U monlrer otum» u m
(ttail ••. iiin.n
!'•:
•:
i Of ,!•>•'
de 1'lnabilr* rloral
neront nnJnnrfcrilaalonl aa loa(
le* br>\l*ntaá pi^ai
<ricUtne d o rttranrdínairsa imaeina-
pia»
aioaer
~)Q rniiia
Kt 1* licula
ttOM do rommandanl da Pitf
j.lu : ílmttai I.a naliníi «it frippAi da
stüpiir. ou (.huchola ilta faiu l»t-
naot&iloiial 1'icanart ÍJi envoyí fti
1> niliin. lai mtttanl daitt la
Kt
•t" r.:.
nnoa
a*on»
pual
dooo *a
la
gíuJial
d»m . do núlíiu Ataviai oii il M f/oo-
nlnioti,
on Taloitu de ptot loln ao
cri 4<r
v••' !(!•' et de j•; -n ' .
-
Ia i/imnaadacil
prMfiil* attabtir M faWrtitfa
m Hi
nt.l.M, -!s i:ot litliliuiu inanittnura-
Ttll, de la ehiM* aa i
« ialas Juifa *,
pltli tnin , JOJIJUE N
Ton.ti* ,
l'ou
vmry.ronduri* nrteMMMl adál,-:U
1%údéahonore nori» «-j^oa
M
N i aaalpMl l'Ill(V>ir«. at naln
Tualol ruim" od juar hntiorer h
bn-
d'oi -l> exalai MriUot tratt.iii(iirít
iMlM d I
'
i»ll"m*nl Ia netion —"r.= -1 -_I I n'f a
I hiliiiiiiit aaMrj M>T^n, alia ap-
*onre. *n I* r.haw*oi d ixn* niuioa
mi 1'aorall fiit <-'ir»m"it mauacm,
H lea IwnoíUt
l*oi«. oo a
Kl c>it «a enaw «aj M qiw
tra appaya •••:<;•
. :.-!•,;.' 11 *;.••!. publique,ella
da m Icn parat i ob U marjul i da lio-
Ua.
de wOm laia*/
diírnlw
InaMUx
par t i
a ttmvê la mart.
11
« «Uli pa*
«a |
paia
v.,iidr«qilcl>i
fnpoailln d* Pana, da aorl* qu
di.jmv . Iv a>aaaal cxiaae
lafrip-iaillaqniniuaipb" idjjí-ii
atint 1 eh«r d 'infâmia, dav.rrf pit le («morda
. (ínnin-RIF a t na
na ctp*(«
uu'nn
Í898 13 DE JANEIR O 1898 15 D E FEVEREIR O Taccuse!" OMaineé afundado 0
Í898 13 DE JANEIR O
1898 15 D E FEVEREIR O
Taccuse!"
OMaineé
afundado
0 artigo de Émile Zola expõe os
verdadeiros
culpados do Caso Dreyfus.
Um casu s bell i para os EUA acabarem
com o domínio espanhol sobre Cuba.
') famoso artigo de Émile Zola, publicado no jornal
O
USS
Moine
foi enviado a Havana
pelo
presidente
I' Aurore
sob a explosiva manchete "J'Accuse!" - co m a
William McKinley para proteger cidadãos
americanos
< ontribuição do político radical Georges Clemenceau -,
ameaçados por conflitos na capital entre as autoridades
< ausou furor. Em sintonia co m opiniões anticlericais e
espanholas e nacionalistas cubanas
pró-independên
liberais, a carta aberta de Zola ao presidente Félix Faure
cia. Estes vinham lutando uma guerrilha íncom luslva,
acusava altos oficiais do exército de tramarem
uma
na qual cerca d e 100 mil cubano s haviam morrido.
conspiração para condenar Alfred Dreyfus, u m militar
O navio chegou em 25 de janeiro e a violência
judeu, de espionagem para a Alemanha. Eles enviariam
diminuiu. Então, na noite de 15 de fevereiro, uma ex-
um inocente para a colônia penal da Ilha d o Diabo, aco-
plosão na proa d o Moine
o afundo u e m guestã o
d e
1 >ertando e m seguida seus próprios crimes.
minutos. Cerca d e 260 marinheiros morreram e outros
A carta escancarou o Caso Dreyfus, desencade-
seis não resistiram aos ferimentos. O capitão Charles
and o
o long o
processo d e revisão judk ial gu e
a i a
bou resultando - apesar das divisões internas e da
"Por favor, fique.
queda de vários gabinetes - na exoneração de Dreyfus
Você fornece as imagens.
e no desmascaramento
de Esterhazy, o
verdadeiro
espião, protegido pelos militares conservadores
da
Eu forneço a
guerra."
rança e pelo clero.
William Randolph Hearst para o seu ilustrador
O
artigo
teve
conseqüências
pessoais
terríveis
para Zola. E m
1899, ele
foi condenad o por difamação
e obrigado a fugir para Londres para escapar à prisão.
Sigisbee e a maioria dos seus oficiais sobieviveiam
Passou u m ano no exílio com sua amante e filhos an -
A opinião pública americana, atiçai Ia pi ia mi
u m
tes gu e as provas cada vez mais claras da inocência d e
sa, ficou indignad a e culpo u a Espanha pel o
aluiri a
Dreyfus lhe permitissem voltar. Em suas palavras: "A
mentod o navio. A guerra foi fomentada peli
is |i unalls
verdade está a caminho e nada poderá impedi-la."
tas rivais William Randolph Hearst e loseph 1'ulit/ei e,
Em 1902, Zola morreu e m seu apartamento, sufo-
quand o u m inquérito da
marinha con< luiui |iiei
iMtiiiu
cado pela fumaça de um fogão defeituoso. Mais tarde,
havia sido afundad o por
um a
mina, os I stadi >s I lim li is
alegou-se gue "antidreyfusards" teriam bloqueado in-
declararam guerra à Espanha.
tencionalmente a chaminé do fogão para matar o ro-
A subseqüente
Guerra
Hispano-Americana
ces
mancista. E m 1908, após Dreyfus ter sido por fim reinte-
sou o domínio espanhol em Cuba, substiluim Io o p e
grado
ao exército, os restos mortais d e
Zola
foram
Ia presença dos americanos até Castro tomai o p m lei
transferidos para o Panteão, e m Paris, onde os
maiores
e m
1959. A causa d o
afundament o d o Moine
é
u m
heróis da França são homenageados. N J
mistério, embor a uma
investigação d e 19/6 leit.i
i» ! i
almirante
americano
Rickover tenha
concluído
qu e
O A carta aberta de Zola ao presidente ocupou toda a primeira
uma combustão espontânea em uma carvoen a n i
página d o jornal L'Aurore e m 13 de janeiro d e 1898.
cendiou o arsenal do navio. N J
Uma nova arma mortal 0 incidente de Fachoda A Batalha de Omdurman demonstra o potencial
Uma nova arma mortal
0 incidente de Fachoda
A Batalha de Omdurman demonstra o
potencial mortífero da metralhadora.
A última rivalidade colonial entre a Ingla-
terra e a França encontra solução pacífica.
Após o assassinato do general Gordon pelos mahdis-
tas e m
Cartu m e m 1885 e a mort e por causas natu-
rais d o Mahd i no mesm o ano, os ingleses esperaram
14 anos antes de se moverem para reafirmar seu con-
trole sobre o Sudão . Porém , e m 1898, o sirdar (co-
mandante ) d o exército anglo-egípcio, sir Herbert
Kitchener - auxiliado por uma flotilha de 12 canho-
neiras d o Nilo -, conduziu uma tropa d e 27.600 egíp -
cios e oito mil soldados britânicos até a cidade mahdis-
ta de Omdurman, nos arredores de Cartum, onde o
sucessor do Mahdi, o califa Abd Allah, havia estabele-
Fachoda, uma pequena cidade no Nilo Branco, no
Sudão Oriental, situava-se na interseção de duas fer-
rovias que representavam os interesses conflitantes
da França e da Inglaterra na África. Os ingleses esta-
va m ansiosos para unir "o Cabo ao Cairo", conectan-
do, assim, a região meridional e central do continen-
te aos territórios anexados no Egito e no Sudão, ao
norte. Contudo, os franceses estavam igualmente
dispostos a unir seu império africano ocidental às co-
lônias orientais no Chifre da África através das rotas
comerciais do Saara.
I m 10 d e julh o
d e 1898, o major Jean-Baptiste
"Aconteça o que
acontecer,
temos a
Maxim,
metralhadora
eles, não."
Marchand chegou a Fachoda e logo reivindicou a ci-
dade para a França. Ele havia partido 14 meses antes
de Brazzaville, no Congo Francês, acompanhado por
Hilaire Belloc, poeta, escritor e historiador
cido sua capital.
As canhoneiras bombardearam a ci -
dade, reduzindo simbolicamente a tumba do Mahdi a
escombros e m uma demonstração brutal
de força.
150 soldado s coloniais. Dois mese s apó s sua chega -
da, uma força britânica mais poderosa, sob o coman-
do de Herbert Kitchener, aportou via Nilo. Menos de
três semanas depois d e sua vitória sobre as forças
mahdistas em Omdurman, Kitchener não estava dis-
posto a fazer concessões a um colonizador rival e,
após semanas de tensão, Marchand obedeceu a con-
tragosto ordens de Paris para se retirar de Fachoda.
Reunindo-se e m um arco de colinas ao norte de
Omdurman, os guerreiros dervixes mahdistas, arma-
A força francesa partiu no dia 3 d e novembro.
dos co m lanças e rifles, atacaram ao amanhecer. Eles
foram trucidados pelas recém-chegadas metralha-
doras Maxim e o massacre foi concluído com uma
investida do 21 u Regimento de Lanceiros, gue
conta-
va com o jovem Winston Churchill. Cerca de 20 mil
mahdistas morreram, co m baixas mínimas do lado
inglês. Três membros da força britânica receberam a
Cruz da Vitória, e Kitchener, um baronato.
O relato da campanha e m seu primeiro livro, TheRi-
ver War, buscou promover a Batalha de Omdurma n co -
mo um divisor de águas no imperialismo britânico. N J
O novo ministro do exterior francês, Théophile
Delcassé, resistiu a uma significativa pressão nacio-
nalista paia entrarem guerra com a Inglaterra, ciente
da inferioridade d o país, dividido por conta d o Caso
Dreyfus. Delcassé queria construir uma aliança anti-
germânica e aliviou a crise com um acordo feito e m
março d e 1899. Ele limitava as esferas d e influência
britânica e francesa na África aos rios Nilo e Congo,
respectivamente. Sua diplomacia levou à criação da
Entente Cordiale, a aliança anglo-francesa gu e sairia
vitoriosa da Primeira Guerra Mundial. N J
0 caminho para o inconsciente As idéias de Sigmund Freud desencadeiam uma revolução na percepção
0 caminho para o inconsciente
As idéias de Sigmund
Freud desencadeiam
uma revolução
na percepção
da
psicologia
e da sexualidade
humanas
cuja influência
é sentida até os dias de hoje.
O livro foi concluído e m setembro d e 1899 e publica-
do às pressas, em 4 de novembro, mais rápido do que
esperavam os editores, que haviam impresso o ano
1900 na folha d e rosto. Não qu e o erro tenha importa-
do, pois A interpretação dos sonhos, d e autoria d e u m
psicólogo vienense desconhecido, foi um fracasso co-
mercial. A tiragem de apenas 600 exemplares levaria
oito anos para ser esgotada. Ainda assim, o Dr. Sigmun d
Freud ficou entusiasmado com a obra. "Um insight
como esse", regozijou, "só ocorre a alguém uma vez na
vida." Há tempos Freud era fascinado pelos próprios
sonhos, acreditando que eles possuíam uma grande
importância psicológica. Então, após anos de prática
clínica e pesguisas, ele estava pronto para publicar
suas descobertas. Para ele, "os sonhos noturnos repre-
sentam, tanto quanto os sonhos que temos acorda-
dos, a realização de um desejo".
Freud acreditava que os seres humanos são go-
vernados por paixões sexuais, como o complexo de
Édipo, das quais a mente consciente tem apenas uma
vaga percepção. Mesmo durante o sono, a libido da
mente busca se libertar; assim, o cerne de cada sonho
- mesmo os gue são embaralhados por uma espécie
de censura psíguica - é a tentativa de realização de
algum desejo. Eis o embrião d e toda uma teoria sobre
a psigue humana.
O Perguntado se fumar charutos tinha algum signifii .ido, I n-ud
Freud continuou trabalhando em ritmo frenético.
Ele desenvolveu teorias que pareciam lançar luz não
apenas sobre neuroses como sobre a própria mente e,
portanto, sobre cada aspecto cultural existente. Dez
anos depois d e 1899, sua obra era muito mais conheci-
da. Uma segunda edição foi preparada e traduções
vendidas em todo o mundo. O público descobrira que
Freud era u m prosador d e estilo brilhante, qu e podia ser
lido, usufruído e discutido por qualquer pessoa. R P
teria respondido: "Às vezes um charuto é só um < h.ii ul. > '
"Sou, por
temperamento,
nada mais que um conquista-
dor - um
aventureiro."
Sigmun d Freud, para Wilhel m Fliess, e m 1890
1900 2 D E JULH O 1 0 primeiro vôo do dirigível A fé do
1900 2 D E
JULH O
1
0 primeiro vôo do dirigível
A fé do conde Zeppelin
nos dirigíveis transforma
a aviação
do século XX.
O Um cartão-postal do primeiro zepelim, LZi, de
O conde Ferdinand von Zeppelin, um aristocrata do
exército prussiano, foi apresentado a objetos voa-
dores mais leves qu e o
ar e m 1863, durante a Guerra
Civil americana, na qual testemunhou o lançamento
d e balões d e observação. E m 1891, de volta à Ale-
manha, se aposentou para desenvolvei dirigíveis
para uso civil e militar, O zepelim fez seu vôo inaugu-
ral e m 2 d e julho d e 1900.
lim era guiado por dois lemes dianteiros e traseiros e
impulsionado por dois motores Daimler d e 250 cavalos,
que faziam girar as hélices. Duas gôndolas localizadas
sob o balão transportavam os passageiros.
No seu primeiro vôo, o dirigível foi guiado por
cer< a de si t , I |iiíf irrn i n >s durante 18 minutos, a
uma
Fundando uma fábrica em Friedrichschafen, Zep-
pelin utilizou a fortuna de sua mulher para financiar u m
balã o d e 128 metro s d e compriment o e 11,5 metro s
d e largura. Ele era inflado por 11.300 metros cúbicos de
hidrogênio em 17 compartimentos de gás separados,
cobertos por um tecido emborrachado. Uma lona de
algodão sustentava a leve estrutura de metal. O zepe-
ali itude de 400 metros. No começo da Primeira Guerra
Mundial, os zepelins já haviam transportado 35 mil
pessoas pela Alemanha sem acidentes. Utilizado para
bombardear a Inglaterra e a França na guerra, ele se
mostrou vulnerável a ataques. A morte de Zeppelin
e m 1917 e as quedas
fatais d o R101 e d o Hindenburg e m
1937 indicaram qu e
o futuro pertencia ao aeroplano
- embora dirigíveis continuassem sendo produzidos
na fábrica d e Friedrichshafen até 199/. N J
1901 22 DE JANEIR O 0 fim de uma era A morte da rainha Vitória
1901 22 DE JANEIR O
0 fim de uma era
A morte da rainha
Vitória inspira luto nacional
na
Inglaterra.
O Multidões compareceram para assistir ao elaborado cortejo fúnebre da rainha Vitória.
Apesar da vista fraca e da dificuldade e m se locomo-
Dez dias depois, um
funeral
milhai
pompos o
ver, a rainha Vitória, aos 81 anos, e m
1900,
cumpria
teve início. Milhares de soldados condu/nain se m ai
i o m assiduidade suas obrigações. Ela mantinha uma
xão e m
u m cortejo
grandioso. Ink ia< Io e m i
isl >< une,
correspondência
volumosa
com seus ministros, In-
ele atravessou o canal de Solent até PoMsmi mili, se
formando-os,
por exemplo , d e gu e a perspectiva
d e
guindo
dali para
Londres - onde
espei
ladoies
s e
autonomia para a Irlanda não lhe agradava nem um
aglomeravam no Hyde Park - e chegando po i h m a
pouco. Também não perdera o interesse pelo impé-
Windsor, ond e a cerimônia foi realizada n a ( ap i Ia 11. •
rio: para ela, qu e jamais duvido u da causa
britânica
São Jorge, no dia 2 de fevereiro. Após dois dias, ela h ii
na guerra da África do Sul, os bôeres eram "pessoas
enterrada e m Forgmore, ao
lado d o
marido, o
| irlm i
terríveis, cruéis e arrogantes". Porém o dezembro de
pe Alberto, que morrera 40 anos antes.
1900 -
passado na ilha
d e Wigh t
- foi u m
mê s cruel.
Tanto na mort e quant o e m vida, Vitória, uma
mu
Alguns dias depois do seu último registro no diário,
lher repleta d e fraquezas humanas , foi transfi irmai li i
ela teve dificuldades e m falar e logo seus filhos e ne -
pela propaganda real quase e m uma divindade. I ss.i
les estavam à beira da sua cama. Ela morreu às 18h30
ilusão e a reverência que ela inspirava foram o sei iredo
d e 22 d e janeiro d e 1901.
da sobrevivência da monarquia na Inglateria
R P
McKinley é assassinado Radiotransmissão Um anarquista alveja o presidente McKinley, porém a bala jamais foi
McKinley é assassinado
Radiotransmissão
Um anarquista alveja o presidente McKinley,
porém a bala jamais foi encontrada.
Marconi envia um sinal sem fio e anuncia
uma nova era para as
comunicações.
William McKinley, o 28° presidente dos Estados Uni-
dos, foi governado r d e Ohi o e m 1891 e garantiu um a
vitória esmagadora para o Partido Republicano nas
eleições presidenciais d e 1896. Durante seu primeiro
mandato, a Guerra Hispano-Americana terminou com
E m 1899, Guglielm o Marconi transmitiu u m sinal atra-
vés do canal da Mancha. No mesmo ano, seu telégra-
fo sem fio enviou uma genuína mensagem de SOS,
salvando um navio do naufrágio no mar do Norte.
E m dezembr o d e 1901, Marconi anuncio u qu e havia
a destruição da frota espanhola e m Cuba e a anexa-
transmitido co m sucesso a letra "S" d o código Morse
çáo das Filipinas e de Porto Rico pelos Estados Uni-
dos. Ele foi reeleito com outra substancial maioria de
de Poldhu, na Cornualha, para um receptor em São
Joã o da Terra Nova. Para tanto, ele utilizou uma an -
votos e m 1900. N o
ano seguinte, a cidade
d e Buffalo,
ten a d e
rádi o d e 121 metro s sustentad a po r pipas -
nas (ataratas do Niágara, realizou uma Exposição Pana-
caixa. Esse foi o modesto início d e uma revolução nas
meiii ana, à qual o presidente < omparec eu. I nquanto
c umprimentava seus concidadãos, ele foi alvejado.
comunicações que, no decorrer do século, transfor-
maria totalmente o mundo.
A fila d e pessoas qu e esperavam para apertar a
Nascido em Bolonha, de pai italiano e mãe esco-
m. io do presidente em uma recepção pública no Tem-
plo da Música incluía um anarquista de 28 anos de
Cleveland, Ohio, chamado Leon Czogolz, considerado
por outros anarquistas um lunático perigoso. Sua mão
direita enfaixada escondia uma arma e, quando o pre-
sidente estendeu a mão com um sorriso, Czogolz dis-
parou. A bala ricocheteou e m um botão do colete e o
anarquista imediatamente fez outro disparo. A segun-
da bala atingiu o presidente no estômago, ao que
Czogolz exclamou: "Cumpri meu dever." Os guarda-
costas de McKinley detiveram o atirador e tomaram
sua arma, esmurrando-o. O presidente disse, co m a
voz fraca: "Devagar com ele, rapazes."
cesa, Marconi fracassou em suas primeiras tentativas
de desenvolver um sistema telegráfico sem fio em
seu país de origem. (Na adolescência, ele experimen-
tou
enviar sinais elétricos através do quintal d e
seus
pais usando antenas.) Quand o tinha 21 anos, foi à In
glaterra com a mãe e m busca de patrocinadores.
Conseguiu o apoio de William Preece, o engenheiro
eletricista chefe do serviço postal britânico gue aju-
do u a divulgar o sistema d e "telegrafia sem tão" d e
Marconi. Além disso, ele iniciou uma série de radio-
transmissões cada vez mais poderosas de sinais do
código Morse, através da terra e do mar.
O rádio tornou Marconi um
home m rico, porém
McKinley morreu em Buffalo em 14 de setembro.
a
I