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DEFINIÇÕES

Mensurando: Objeto de medição. Grandeza específica submetida à medição.

Sensor: Elemento de um instrumento de medição que é diretamente afetado pelo mensurando.

Transdutor de medição: Dispositivo que fornece uma grandeza de saída que tem uma correlação determinada com a grandeza de entrada.

Escala linear: Escala na qual cada comprimento de uma divisão está relacionado com o valor de uma divisão correspondente por um coeficiente de proporcionalidade constante ao longo da escala.

Estabilidade: Aptidão de um instrumento de medição em conservar constantes suas características metrológicas ao longo do tempo. Está relacionada com a

flutuação da saída do sensor. (Se a flutuação for muito alta, ou seja, se o sensor possuir uma baixa estabilidade, a atuação do controlador que utiliza esse sinal pode ser prejudicada).

Exatidão de um instrumento: Aptidão de um instrumento de medição para dar respostas próximas a um valor verdadeiro.

Faixa de medição: Conjunto de valores de um mensurando para o qual se admite que o erro de um instrumento de medição se mantém dentro dos limites especificados.

Repetitividade (de resultados de medições): grau de concordância entre os resultados de medições sucessivas de um mesmo mensurando efetuadas sob as mesmas condições de medição.

Resolução (de um dispositivo): Menor diferença entre indicações de um dispositivo mostrador que pode ser significativamente percebida.

Sensibilidade: Variação da resposta de um instrumento de medição dividida pela correspondente variação do estímulo.

Tempo de resposta: Intervalo entre o instante em que um estímulo é submetido a uma variação brusca e o instante em que a resposta atinge e permanece dentro de limites especificados em torno do seu valor final estável.

Tendência: Erro sistemático da indicação de um instrumento de medição.

o Observação: Tendência de um instrumento de medição é normalmente estimada pela média dos erros de indicações de um número apropriado de medições repetidas.

Zona morta: Intervalo máximo no qual um estímulo pode variar em ambos os sentidos, sem produzir variação na resposta de um instrumento de medição.

Segundo Lira (2007), o termo “precisão” não é mais utilizado em metrologia. Quando utilizar um instrumento nas mesmas condições, ou seja, com o mesmo operador, mesmo processo de medição, no mesmo local e com um pequeno intervalo de tempo entre a tomada das medições, então as características de dispersão das indicações em termos quantitativos podem ser expressas pela repetitividade, e não por precisão.

Instrumento analógico: Instrumento de medição no qual o sinal de saída ou a indicação é uma função contínua do mensurando ou do sinal de entrada.

Instrumento digital: Instrumento de medição que fornece um sinal de saída ou uma indicação de forma digital.

Erro (de medição): Resultado de uma medição menos o valor verdadeiro do mensurando.

Erro sistemático: É a diferença entre a média de um número infinito de medições do mesmo mensurando e o valor verdadeiro do mensurando quando são obedecidas as condições de repetitividade.

Erro aleatório: É a diferença entre o resultado de uma medição e a média de um número infinito de medições do mesmo mensurando sob condições de repetitividade.

Erro grosseiro: A origem de tal erro pode ser fortemente identificada: leitura errônea, defeito do sistema de medição, manipulação indevida, anotação errada, etc. Embora a liminação completa do erro grosseiro seja impossível, sua causa deve ser detectada e reduzida, principalmente com o treinamento do pessoal envolvido.

FUNDAMENTOS DA ESTATÍSTICA

Média

Uma descrição de um distribuição quase sempre inclui uma medida do seu centro ou média. As duas medidas comuns de centro são a média e a mediana. A média é o “valor médio” e a mediana é o “valor do meio”. São duas ideias diferentes para “centro” e as duas medidas se comportam de maneira diferente. Encontra-se a média de um conjunto de dados com a soma de seus valores e a divisão do resultado pelo número de observações; conforme visualiza-se na seguinte equação:

̅= + + +⋯+

ou em sua forma mais compacta:

1

̅=

Ex.: Calcule a média dos seguintes dados:

20,5

19,8

20,2

19,5

19,7

20,8

19,4

20,8

23,2

21,2

19,6

19,8

Média com todos os dados = 20,375

Retirando a medida errada (23,2) Média = 20,118

Diferença de = 0,257

Mediana

A mediana M é o ponto médio de uma distribuição – um número tal que metade das observações é inferior a ele, e a outra metade é superior. Para achar a mediana de uma distribuição:

1.

Disponha todas as observações em ordem de tamanho, da menor para a maior.

Se o número n de observações é impar, a mediana M é a observação do centro na

lista ordenada. Localize a mediana contando (n + 1)/2 observações a partir da base da lista.

3. Se o número n de observações é par, a mediana M é a média das duas observações centrais na lista ordenada. A localização da mediana é, novamente, (n+1)/2 contar da base da lista.

2.

Ex.: Calcule a mediana com os dados anteriores

19,4

19,5

19,6

19,7

19,8

19,8

Mediana = 20

20,2

20,5

20,8

20,8

21,2

23,2

Variância

A variância s 2 de um conjunto de observações é a média dos quadrados dos

desvios destas em relação à sua média.

= ( ̅) +( ̅) +⋯+( ̅) −1

ou, em notação compacta,

1

= 1 ( ̅)

Ex.: Calcule a variância dos dados do exercício anterior:

Dados

Desvio

Desvio^2

20,5

0,125

0,01563

19,8

-0,575

0,33062

20,2

-0,175

0,03063

19,5

-0,875

0,76563

19,7

-0,675

0,45563

20,8

0,425

0,18063

19,4

-0,975

0,95063

20,8

0,425

0,18063

21,2

0,825

0,68062

19,6

-0,775

0,60062

19,8

-0,575

0,33062

Soma

12,5025

S 2 = 1,136591

Desvio Padrão

O desvio padrão é a medida mais comum da dispersão estatística (representado

pelo símbolo sigma, σ). Ele mostra o quanto de variação ou "dispersão" existe em relação à média (ou valor esperado). Um baixo desvio padrão indica que os dados tendem a estar próximos da média; um desvio padrão alto indica que os dados estão espalhados por uma gama de valores.

ou na forma completa,

Observações:

=

= 1 ( ̅)

1

Porque elevamos os desvios ao quadrado? Porque a soma dos desvios em relação a média é igual a zero, ao contrário da soma dos quadrados dos desvios.

Porque enfatizamos o desvio-padrão, e não a variância? Como a variância exige a elevação dos desvios ao quadrado, ela não tem a mesma unidade de medida que as observações originais. Sanamos este problema tomando a raíz quadrada. O desvio-padrão s mede a dispersão em torno da média na escala original.

A ideia subjacente à variância e ao desvio-padrão como medidas de dispersão é a

seguinte: Os desvios ̅mostram a dispersão dos valores x i em torno de sua média ̅. Alguns desses desvios serão positivos, outros serão negativos, porque há observações de ambos os lados da média. Na verdade, a soma dos desvios das observações a contar da sua média é sempre zero. Elevando os desvios ao quadrado, tornamo-los todos positivos, de forma que as observações muito distantes da média (de um ou de outro lado) têm grandes desvios quadráticos positivos. A variância é a média desses desvios quadráticos.

Ex.: Calcule o desvio padrão do exercício anterior:

S = 1,066

Erro Padrão da Média (EPM)

Erro padrão entre médias amostrais, ou seja; é o erro padrão encontrado no calculo da média de diferentes amostras de uma população.

Se retiramos um número de amostras aleatórias de mesmo tamanho de uma população, não devemos esperar que todas as médias amostrais sejam iguais.

devemos esperar que todas as médias amostrais sejam iguais. Na verdade, o que encontramos é uma

Na verdade, o que encontramos é uma distribuição destas médias amostrais, e intuitivamente acreditamos que o centro desta distribuição está próximo da média real da população.

amostrais, e intuitivamente acreditamos que o centro desta distribuição está próximo da média real da população.

Estimativa do EPM com apenas uma amostra.

Existe uma relação inversa entre o tamanho da amostra e o EPM. Quanto maior for o n menor será o EPM.

Expressamos matematicamente esta afirmação da seguinte forma:

=

=

Onde:

S = desvio padrão da amostra.

σ = desvio padrão da população.

n = tamanho da amostra.

Ex.:

Para uma população de 100 amostras, com números variando entre 140 à 160, com µ = 149,52 e σ = 6,14, tem-se os seguintes dados:

n

X

médio

S

EPM

10

150,20

5,71

1,81

25

149,48

6,47

1,29

50

148,96

5,60

0,79

75

149,53

6,07

0,70

Regressão Linear

Regressão linear é um método que estima uma variável y com base na variável x, ou seja; após equacionado, com base na equação, encontra-se os dados de y (dependente) para respectivos dados de x (independente).

Onde:

= +

a = coeficiente linear (também chamado de intercepto, é o valor que y assume quando x for zero. b = coeficiente angular (é a inclinação da reta, que mede o aumento ou redução em y para cada aumento de uma unidade em x.

O método mais usado para estimar os parâmetros A e B é o método dos mínimos

quadrados. Este método garante que a reta obtida é aquela para a qual se tem as menores distâncias (ao quadrado) entre os valores observados de y e a própria reta.

O coeficiente angular é estimado pela fórmula:

=

( ̅)( )

( ̅)

O intercepto é estimado pela fórmula:

= ̅

Após encontrar a equação da regressão linear, é de bom costume, testa-la para verificar se a equação representa bem os dados.

Supondo os dados x e y abaixo para exemplificar a regressão linear, tem-se:

 

x

Y

(x

i -x med )

(y

i -y med )

Desv X *Desv y

(X

i -X méd ) 2

1

80,5

 

-2,5

 

-2,3

5,75

 

6,25

2

81,6

 

-1,5

 

-1,2

1,8

 

2,25

3

82,1

 

-0,5

 

-0,7

0,35

 

0,25

4

83,7

 

0,5

 

0,9

0,45

 

0,25

5

83,9

 

1,5

 

1,1

1,65

 

2,25

6

85

 

2,5

 

2,2

5,5

 

6,25

Média:

3,5

82,8

   

soma:

15,5

 

17,5

Calibração

15,5

= 17,5 = 0,886

= 82,8 − 0,886 ∗ 3,5

= 79,7

= 79,7 + 0,886

Ao se utilizar um instrumento de medição, é bom ter a certeza de seu correto funcionamento; ou seja, que este, está realizando as medições corretamente, com base em padrões primários, secundários ou fonte de entradas conhecidas. De nada adianta medir e registrar uma determinada grandeza, sem que essa medição esteja representando a realidade da medição. Por exemplo: do que adiantaria ler um sensor de temperatura que indica cinco graus célsius a mais do que a realidade? Iriamos ter a falsa informação de que estaria quente, sendo que na realidade não está. Dessa forma, recomenda-se realizar a calibração dos sensores periodicamente, sempre que suspeitar mau funcionamento desse equipamento. A calibração é o conjunto de operações que estabelece sob condições especificadas, a relação entre valores indicados por um instrumento de medição ou sistema de medição ou valores representados por uma medida materializada ou um material de referência, e os valores correspondentes das grandezas estabelecidos por padrões. Frequentemente, usuários de instrumentos de medição de quaisquer grandezas físicas, utilizam seus equipamentos se que esses estejam calibrados, resultando dados, experimentos e informações equivocadas. É comum verificar em dois equipamentos que estão sob o mesmo mensurando e mesmas condições, diferenças significativas em suas medições. Isso ocorre devido a falta de

calibração dos sensores. Sob essa situação, recomenda-se a calibração imediata dos equipamentos.

A correta calibração é complexa e envolve a utilização de dispositivos

de referências denominados padrões, geralmente bastante caros. Basicamente, a calibração é uma comparação da medida produzida pelo instrumento que se deseja calibrar com a referência ou padrão da grandeza medida. Geralmente, esses equipamentos devem estar sob condições controladas de temperatura e umidade. As comparações realizadas entre os sensores, a ser calibrado e o padrão de referência, devem ser realizadas com base em padrões reconhecidos, sendo esses:

Padrão primário: Guardados em laboratórios de padrões espalhados por diversas partes do mundo. Em sua maior parte, são utilizados para calibrarem os padrões secundários. Padrão secundário: Padrões de referência utilizados industrialmente, mantidos em empresas particulares e públicas, sendo testados com outros padrões para verificar sua exatidão.

Padrões

Corrente: O SI definiu o ampère como uma corrente constante que, ao passar por dois condutores paralelos de seção transversal desprezível e separados entre si por uma distância de 1m, produz entre esses dois condutores uma força de 2*10 -7 N/m por metro de comprimento destes condutores. Pela definição, o ampère é uma unidade do SI difícil de ser realizada, portanto não há ainda nenhum padrão para sua representação. Aplica-se neste caso a lei de Ohm. Tensão:

Padrão intrínseco: O volt é definido pelo SI a partir da unidade

de base ampère, como a diferença de potencial entre dois pontos de um condutor atravessado por uma corrente constante de 1 ampère, quando a potência dissipada entre esses dois pontos é igual a 1 watt. Padrão de estado sólido: comparado a componentes eletrônicos

de estado sólido (diodos).

Pilha saturada: Essas pilhas apresentam boa uniformidade de tensão e têm vida relativamente longa, com saída típica a 20 o C de

1,0183V.

Resistência:

A representação de Ohm nos laboratórios nacionais é tradicionalmente o

resistor padrão de Thomas (1 ). O resistor de Thomas foi desenvolvido para máxima estabilidade, tendo desvio típico de +- 0,02 ppm por ano. O resistor padrão de valor mais alto são comparados por meio de pontes com o resistor de Thomas. Tempo:

Os átomos, quando excitados, emitem radiações monocromáticas, fenômeno que permite a determinação do segundo a partir da frequência das radiações. A radiação do césio é a referência para estabilizar a frequência de um oscilador de quartzo. A exatidão da escala de tempo atômica pode ser comparada a um relógio que em 1 milhão de anos apresenta uma variação de menos de 1 segundo.

O padrão primário no Brasil é um relógio atômico de césio,

instalado dentro de um cabine blindada no observatório nacional e serve como referência para os demais padrões de tempo existentes.

Esse padrão materializa a definição do segundo com um erro de +- 1 segundo em cerca de 63.400 anos. Comprimento:

Distância entre dois traços gravados numa barra de platina-irídio guardada no Departamento de Pesos e Medidas Francês. 1983 – distância que a luz percorre 1/299.792.458 segundos no vácuo.

Massa:

O quilograma é ainda a única unidade representada por um

artefato: o protótipo internacional do quilograma. A forma desse artefato é a de um cilindro de platina (90%) e irídio (10%) com altura de 39 mm e diâmetro de 39 mm, medidas que minimizam a superfície e os riscos de alteração do padrão. A manipulação do padrão deve ser a mínima possível para evitar o desgaste da superfície. Temperatura:

A temperatura termodinâmica T é a grandeza que caracteriza o

estado térmico de um sistema. Para sua realização será necessário evidenciar fenômenos físicos relacionados a este estado, tornando os procedimentos onerosos e difíceis de executar (estado de um gás perfeito, radiação do corpo negro, troca de energia, etc.). Os pontos fixos correspondem às transições de fases de corpos puros, como o ponto triplo, o ponto de solidificação, o ponto de fusão e o estado de equilíbrio líquido-vapor.