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Dependência de Substâncias Psicoativas
Autores: Melissa Garcia Tamelini Especialista em Psiquiatria pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP) Susan Meire Mondoni Especialista em Psiquiatria pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP) Mestrado em Psicologia Clínica pelo Instituto de Psicologia da USP Última revisão: 01/02/2009

INTRODUÇÃO E DEFINIÇÕES
A trajetória humana sempre esteve associada ao uso de substâncias psicoativas. Muitas delas já tiveram seu uso indiscriminado e, inclusive, incentivado por profissionais de saúde. Drogas como o tabaco e a cocaína eram vistas como potencializadores cognitivos; o ácido lisérgico era tido como um estimulante da criatividade. Foi somente a partir da década de 1960 que os malefícios e o potencial para desenvolver uso abusivo e dependência foram definitivamente reconhecidos. Desde então, seu uso tem sido desaconselhado e inclusive proibido na maioria dos países. Apesar disso, o número de novas drogas e de “usuários-problema” tem crescido espantosamente. Nas últimas décadas, a questão tornou-se prioritária no âmbito de saúde pública. Além do aumento no consumo, tal destaque é embasado pela maior precocidade no início deste uso e pela abrangência e impacto das complicações clínicas e sociais associadas. Entretanto, em detrimento deste destaque, ainda observamos largas deficiências no conhecimento geral sobre o assunto e na abordagem destes indivíduos pelos profissionais de saúde. Substâncias psicoativas são aquelas que alteram o psiquismo. Diversas dessas drogas possuem potencial de abuso, ou seja, são passíveis da autoadministração repetida e consequente ocorrência de fenômenos, como uso nocivo (padrão de uso de substâncias psicoativas que está causando dano à saúde física ou mental), tolerância (necessidade de doses crescentes da substância para atingir o efeito desejado), abstinência, compulsão para o consumo e a dependência (síndrome composta de fenômenos fisiológicos, comportamentais e cognitivos no qual o uso de uma substância torna-se prioritário para o indivíduo em relação a outros comportamentos que antes tinham maior importância). As substâncias psicoativas são divididas em três grupos:
1. 2. 3. Drogas psicoanalépticas ou estimulantes do SNC (cocaína, anfetamina, nicotina, cafeína etc.). Drogas psicolépticas ou depressoras do SNC (álcool, benzodiazepínicos, barbitúricos, opioides,solventes etc. Drogas psicodislépticas ou alucinógenas (cannabis, LSD, fungos alucinógenos, anticolinérgicos etc.).

Os limites são pouco nítidos entre o uso recreativo, o abuso e a dependência de substâncias psicoativas. Postula-se que sejam fenômenos que ocorram em um continuum e que alguns parâmetros orientem a transição de um estágio para o outro (tais como o impacto funcional, as consequências e restrições decorrentes do consumo da substância, assim como o desenvolvimento de mecanismos fisiológicos de adaptação à presença da substância, como tolerância e abstinência). O abuso ou uso nocivo seria um momento intermediário entre o uso recreativo (de baixo risco, não sendo caracterizado como um problema médico) e a dependência. Já há prejuízo decorrente do consumo da substância, mas ainda há algum controle do indivíduo quanto à quantidade consumida e à duração dos efeitos. A dependência de substâncias psicoativas é uma síndrome cujo elemento central é um desejo intenso de consumir a substância. Dois pontos devem ser observados:
1. 2. Os critérios diagnósticos não divergem de acordo com a substância usada. É vista como um fenômeno global, cuja prioridade é o aspecto qualitativo e não quantitativo do consumo (não há divisão entre dependência física e psicológica) (Tabela 1).

Tabela 1: Critérios diagnósticos da CID-10 para a síndrome de dependência de substâncias psicoativas Um diagnóstico definitivo de dependência deve ser estabelecido apenas quando 3 ou mais dos seguintes fatores foram experimentados ou exibidos em algum momento durante o ano anterior: Um forte desejo ou senso de compulsão para consumir a substância Dificuldades de controlar o comportamento de uso da substância quanto ao seu início, final ou níveis de uso Um estado de abstinência fisiológica quando o uso da substância é interrompido ou reduzido, conforme evidenciado pela síndrome de abstinência característica da substância ou pelo uso da mesma substância a fim de evitar ou aliviar os sintomas de abstinência Evidência de tolerância, de modo que doses crescentes da substância psicoativa são necessárias para obter efeitos originalmente produzidos por doses menores Desinteresse progressivo por atividades ou prazeres alternativos em favor do uso de substância psicoativa; aumento do tempo necessário para obter ou usar a substância ou para se recuperar de seus efeitos Persistência no uso da substância a despeito de evidências claras de consequências danosas

ETIOLOGIA E FISIOPATOLOGIA
Quanto à etiologia e à fisiopatologia do abuso e da dependência de substâncias psicoativas, não há respostas satisfatórias e definitivas. Diversas hipóteses buscam contemplar a motivação envolvida no consumo e na dependência a determinadas substâncias, fenômeno provavelmente multifatorial. Uma teoria de destaque neste campo é a do sistema de recompensa, o qual supostamente comanda as necessidades essenciais à sobrevivência do indivíduo e da espécie. Assim, atividades estimulantes ativam o circuito da recompensa (circuito córtico-límbico), liberando neurotransmissores responsáveis por uma sensação de bem-estar e prazer (sobretudo dopamina e glutamato) e, consequentemente, desejo por repetir a experiência. Postula-se que, na dependência química, ocorra uma alteração nesta aprendizagem: a adição a drogas aumenta a liberação de dopamina e promove uma “superaprendizagem” no sistema de recompensa. Isso eleva os níveis de glutamato e promove o comportamento de busca ativa da droga, para re-equilibrar o sistema de recompensa. Esta “superaprendizagem” é memorizada pelo sistema, o que teoricamente faz um indivíduo dependente ser sempre dependente. Outros circuitos neuronais e neurotransmissores também podem estar envolvidos na mediação fisiológica do consumo de drogas. Uma compreensão global ainda parece estar longe de ser obtida.

ACHADOS CLÍNICOS
Uso e Intoxicação
A intoxicação, segundo o DSM-IV, é a síndrome reversível e específica devido à ingestão de uma substância, composta de alterações comportamentais, psicológicas ou fisiológicas clinicamente significativas e mal-adaptativas (efeito da substância sobre o sistema nervoso central). Álcool O álcool é a substância psicoativa usada mais larga e precocemente (a primeira experiência tipicamente ocorre na adolescência) na vida. Trata-se de um depressor do sistema nervoso central (SNC), cujo mecanismo de ação neurofisiológico ainda não está totalmente esclarecido. Em pequenas quantidades, provoca sensação de bem-estar, expansividade, relaxamento e desinibição comportamental, além de comprometimento da coordenação motora. A progressão do consumo de álcool causa comprometimento da atenção e da capacidade de julgamento, humor eufórico, irritado ou deprimido e labilidade afetiva. Os achados característicos incluem hálito alcoólico, fala embriagada, hiperemia conjuntival, ataxia e outras alterações de coordenação. Com doses ainda mais elevadas, há lentificação psicomotora, sonolência e diminuição progressiva do nível de consciência, inclusive com possibilidade de coma. Pode levar à morte, por depressão respiratória ou aspiração de conteúdo gástrico, em intoxicações muito severas. De forma geral, a gravidade dos

alterações comportamentais e agressividade. A intoxicação idiossincrática é a marcante alteração comportamental. que ocorre após o uso de pequena dose de álcool. alterações de humor. confusão e estupor e. É extraída de uma planta chamada Cannabis sativa e o principal composto psicoativo é o delta9-tetra-hidrocanabiol (THC). tontura. leve taquicardia. Em doses mais elevadas. especialmente os cuidados com a depressão respiratória. O diagnóstico diferencial deve ser feito com outras causas de intoxicação (por álcool nãoidiossincrática. metanfetamina e metilfenidato) e drogas anfetaminérgicas (anfepramona. A intoxicação aguda por nicotina não traz risco de vida para os usuários. No caso de ingestão aguda ou intencional. levando ao acúmulo destes neurotransmissores na fenda sináptica. entre outros. endovenosa e fumada (crack: cocaína. miose (pupilas em “ponta de alfinete”). noradrenalina e serotonina. que se diferenciam sobretudo pela meia-vida. além de comprometimento cognitivo e do desempenho psicomotor. hipotermia. a qual não intoxicaria a maioria dos indivíduos. largamente prescritas. Opioides Os opioides podem ser naturais (morfina.015 mg% de álcool/hora). tremor de extremidades e vasoconstrição. aumento da percepção das cores. Tais efeitos têm curta duração (de 30 a 60 minutos). Os efeitos incluem melhora das capacidades cognitivas. Pode-se administrar antipsicóticos (como haloperidol 5 mg IM) para controle da agitação psicomotora. São utilizados principalmente por via oral. Os sintomas de intoxicação incluem sedação e apatia. miose. arritmias. obstipação intestinal. No geral. da atenção e da memória e diminuição da força muscular. utilizar somente após a prescrição de tiamina. depressão respiratória. excitação e bem-estar. complicação que ocorre em alcoolistas severos). boca seca. bradipneia. midríase. como noradrenalina e serotonina. exceto em casos de hipoglicemia. Deve-se evitar a administração indiscriminada de glicose. semissintéticos (heroína) ou sintéticos (meperidina. quadros orgânicos e outros quadros psiquiátricos agudos. Nicotina A nicotina é a substância psicoativa do tabaco. miose e depressão respiratória. em sua forma de base livre. O tratamento da intoxicação por opioides engloba medidas gerais e de suporte. A intoxicação por essas substâncias é marcada pela excessiva sedação. hipervigilância.2 mg EV. como crises convulsivas. com duração e remissão rápidas (poucas horas). aumento da temperatura corpórea. Também causa efeitos adversos agudos como náusea e/ou vômitos. A intoxicação por estimulantes produz taquicardia. codeína). acarretando a administração repetida da droga. diarreia. comportamentos estereotipados e agitação psicomotora (retardo psicomotor é bem menos frequente). sons. Não é frequente a presença de pacientes com intoxicação por maconha em serviços de emergência. As anfetaminas típicas (dextroanfetamina. sintomas da intoxicação mantém relação direta com a alcoolemia. a monitoração dos sinais vitais e o tratamento de suporte. bradicardia. Possíveis fatores de risco são: presença de lesão cerebral. . inibem o apetite e geram hiperatividade autonômica. O principal efeito da cocaína é o bloqueio da recaptação de dopamina e de outras monoaminas. cocaína e benzodiazepínicos).2 mg EV a cada 30 segundos até resposta do paciente. O diagnóstico de intoxicação por opioides deve ser sempre considerado na presença da tríade rebaixamento do nível de consciência.8 mg EV. aumento da temperatura corpórea. benzodiazepínicos (disforia. desinibição e aceleração das funções cognitivas. Pode-se usar betabloqueadores (sintomas adrenérgicos muito intensos). Os efeitos da maconha iniciam-se logo após ser fumada e duram cerca de 2 a 5 horas. por vezes dependentes da expectativa do usuário. alterações da percepção temporal e espacial. relaxamento. O uso da cocaína provoca sensação de euforia. Também ocorre hiperemia conjuntival e midríase. É também um estimulante do SNC. visando a manutenção das funções vitais básicas até que ocorra a eliminação da droga. tremor. quadros dissociativos. cianose. Possuem uma ação depressora reversível sobre o SNC.com For evaluation only. O tratamento consiste em medidas de suporte geral.) derivados do ópio. no geral. diminuição da ansiedade. edema pulmonar. caso seja necessário. Provocam graus variáveis de sedação.Generated by Foxit PDF Creator © Foxit Software http://www. tremores leves de extremidades. Pode haver amnésia posterior para os eventos ocorridos durante a intoxicação. mas podem ser ingeridas. configurando-se como substâncias altamente aditivas. O uso de altas doses de cocaína (overdose) pode levar a eventos potencialmente fatais. humor e relaxamento. e o uso de antagonistas de opioides para os casos de overdose: naloxona 0. Trata-se de uma emergência médica. aumento da salivação. No tratamento de casos dramáticos. Estimulantes Os estimulantes do SNC incluem cocaína. náuseas e/ou vômitos. sonolência e relaxamento muscular. hipertensão. alterações cardiovasculares (angina pectoris. delirium. não há necessidade de medidas farmacológicas (antipsicóticos e benzodiazepíncos. e incluem um efeito euforizante. além de sinais de hiperatividade autonômica em pacientes não-habituados. hipotensão. tensão. A importância do tabagismo deve-se principalmente ao seu caráter crônico e decorrente potencial de aumento expressivo nas taxas de mortalidade por causas médicas gerais. aumento da frequência respiratória. sudorese. cujo mecanismo de ação ainda não é totalmente conhecido. misturada a diversos solventes e de efeito muito potente). patologias crônicas debilitantes preexistentes e idade avançada. como atenção. sonolência e confusão mental. Os efeitos psíquicos mais comuns são humor eufórico ou irritado. A droga conhecida como haxixe possui concentração de THC cerca de 10 vezes superior a da maconha e ambas as substâncias. Certo prejuízo das habilidades motoras pode permanecer por até 12 horas. bradicardia. entre outros. ataxia. acompanhada de agitação psicomotora e agressividade. além de ideias autorreferentes e alucinações. deve-se manter o paciente em observação clínica (geralmente por algumas horas. Se continuar sem resposta por mais 15 minutos. depressão respiratória. Pode ser usada por via intranasal. seguidos de 300 mg VO por 6 dias (prevenção da síndrome de W ernicke-Korsakoff. femproporex. alucinações. inalados ou fumados (a heroína costuma ser usada por via endovenosa). aumento da disposição e do estado de vigília. Evitar doses maiores que 3 mg/hora. alteração da coordenação motora. São substâncias muito prescritas no Brasil e que frequentemente estão em formulações para redução de peso. anfetamina e substâncias anfetaminoides (usadas como anorexígenos). crises de pânico e heteroagressividade. comprometimento da capacidade de julgamento. É muito frequente que os eventos ocorridos durante o episódio não sejam recordados pelo indivíduo (amnésia lacunar). Pode haver ansiedade. fala arrastada. Benzodiazepínicos Os benzodiazepínicos incluem uma grande variedade de medicações. Pode haver também ideias autorreferentes e de conteúdo persecutório. em baixas doses). em ambiente hospitalar. cefaleia. Permanecendo sem resposta por 15 minutos. Pode-se prescrever tiamina 100 mg EV ou IM. No tratamento destes quadros.6 mg EV. medo. aumento da vigília. O tratamento é fundamentalmente sintomático. pode ocorrer hipotensão ortostática. e seus efeitos incluem analgesia. Possuem ação anticonvulsivante e induzem tolerância e dependência física. reações agudas tipo pânico. administrar 3. metadona. calafrios. Pode ser uma síndrome semelhante à da intoxicação alcoólica e a intoxicação concomitante de ambas as substâncias aumenta o risco de alterações cardiorrespiratórias e morte. O principal sítio de ação são receptores opioides específicos no SNC. já que pode haver morte em decorrência da depressão respiratória ou ainda do edema pulmonar e/ou cerebral (depressão cardíaca e do SNC). administrar 1. Produzem sensação de euforia. com grande poder de causar dependência. com atenção especial a medidas de temperatura corpórea e glicemia. em alguns casos. atuando primariamente sobre os receptores do complexo GABA (ácido gama-aminobutírico) tipo A.foxitsoftware. deve-se usar um antagonista de benzodiazepínicos. espasmos musculares. infarto agudo do miocárdio). Os efeitos psíquicos são acompanhados por taquicardia. Devem-se monitorar os sinais vitais. como flumazenil 0. mas também podem ser administrados por via endovenosa. comprometimento de memória e atenção. desde que logo nas primeiras horas após. tiques e midríase. O desenvolvimento de tolerância é bastante rápido. bastando o reasseguramento do paciente e o esclarecimento da natureza dos sintomas. como dopamina. Os efeitos psíquicos são variáveis. crises epilépticas. agitação ou retardo psicomotor. tremores de mãos. Maconha A maconha é a droga ilícita mais usada no mundo. experiências de despersonalização e desrealização. ansiedade. devido ao risco de auto ou heteroagressividade) e contenção física. acidentes vasculares cerebrais. delirium tremens. disforia ou irritabilidade. textura e paladar. e é altamente aditiva. ansiedade e convulsões) e antipsicóticos (agitação psicomotora e sintomas psicóticos). além de aumento do apetite. Quando necessário. A resolução é espontânea e geralmente ocorre em um período de até 12 horas após a interrupção do consumo (o organismo metaboliza cerca de 0. arritmias cardíacas e convulsões. são fumadas. euforia. fentanil etc. dietilpropiona) aumentam a liberação de neurotransmissores das terminações nervosas. O tratamento da intoxicação inclui o asseguramento do término do consumo de álcool. pode-se indicar lavagem gástrica com carvão ativado.

intensificação de cores e sons. Em alguns usuários. acompanhados de efeitos simpaticomiméticos. fraqueza. Síndrome de Abstinência A abstinência. mudança de discurso e aumento da consciência das emoções. irritabilidade. Como regra geral. que provavelmente pode ser tratada de maneira similar à abstinência de álcool. letargia. há risco de morte súbita. dores torácicas e musculares. são intensos e efêmeros. fala pastosa. em qualquer momento da síndrome de abstinência (pico em 24 horas após o início). Alguns indivíduos podem ter náuseas.. alterações perceptivas (alucinações e ilusões). nistagmo. euforia. sudorese. diminuição da agressividade e do cansaço. O uso de doses maiores de inalantes provoca apatia. fala arrastada. discotecas e raves. vernizes. Pode haver crises convulsivas. Algumas outras substâncias. hipotensão ortostática e febre menor que 38°C). cefaleia e incapacidade de se movimentar apesar de estar consciente (indivíduo não responde aos estímulos por cerca de 3 horas). sem que ocorra estimulação ou depressão do SNC. diplopia. Pode haver sintomas de abstinência em usuários crônicos da substância. Os efeitos relatados variam de intensificação da percepção de cores. a dimetiltriptilina. destas substâncias não estão plenamente estabelecidas. nistagmo. cefaleias e outros. já que não há medidas específicas. que surge devido à interrupção ou à redução no consumo da mesma (em geral. Tais crises ocorrem em cerca de 3% dos casos. É frequente o uso concomitante de mais de uma club drugs e também com álcool. Seus efeitos se iniciam 20 minutos após a ingestão e duram por mais de 24 horas. sudorese. Em altas doses. Há relatos de mortes e também de uma síndrome similar à síndrome neuroléptica maligna. risos imotivados e desinibição (efeitos passageiros. agitação. caracteristicamente do tipo tônico-clônicas generalizadas. Guardam entre si características culturais ligadas ao seu consumo e não são semelhantes quanto às propriedades farmacológicas. que pode vir acompanhado de hiperatividade autonômica (taquicardia. LSD etc. como alteração da percepção temporal. Solventes (Inalantes) Os solventes são depressores do SNC e contêm substâncias químicas voláteis aditivas em sua formulação (como tolueno. pode ser necessária a introdução de medidas de suporte geral em serviços de prontosocorro. hipertensão arterial. hepatites tóxicas. observa-se uma resposta clínica. pois são substâncias depressoras do SNC).com For evaluation only. angústia. pode haver convulsões e morte (1 g da substância pode ser letal). rabdomiólise e coma. Os efeitos dependem da sensibilidade individual à droga. sons. tranquilização verbal. alucinações visuais e auditivas e distorções corpóreas. resultando em experiências agradáveis ou desagradáveis (bad trip). midríase e melhora do nível de consciência em poucos minutos. com duração de 3 a 4 horas. tintas. Os efeitos psíquicos são euforia. As complicações agudas. alterações na percepção visual. Em doses mais elevadas. alteração comportamental (apatia. incluem hipertermia (reconhecida como a complicação que oferece maior risco). Pode haver convulsões. Embora ocorra tolerância. arritmias cardíacas. segundo o DSM-IV. diplopia. medo. Em doses elevadas. Álcool O início dos sintomas ocorre até 48 horas após a diminuição ou a interrupção do consumo de álcool e tem duração de 5 a 7 dias. 1. nistagmo. As consequências. biperideno). A naloxona possui meia-vida curta e pode haver reaparecimento dos sintomas em 4 a 5 horas. habitualmente com conteúdo grandioso ou persecutório. desinibição e relaxamento e uma prazerosa sensação de desconexão com o corpo. As consequências tardias decorrentes do consumo esporádico ou crônico não estão totalmente esclarecidas. MDMA (Ecstasy) Anfetamina sintética com propriedades estimulantes. tricloetano. medo e pânico.foxitsoftware. que podem persistir por vários dias. têm duração média de 6 a 8 horas e incluem uma sensação de exteriorização ou dissociação do próprio corpo. uma vez que este decorre do extravasamento dos capilares pulmonares. alteração da percepção têmporo-espacial e da imagem corpórea. há uma fase de platô. propulsores de aerossóis. hipotermia e depressão respiratória. tiques e cefaleia. a mescalina e a ayuhuasca (ingerida no ritual do Santo Daime ou Culto da União Vegetal e outras seitas). facilitadas por condições associadas (estados de desidratação. usadas principalmente a partir da década de 1990. diarreia. A seguir. Deve-se reconsiderar o diagnóstico de intoxicação nos casos em que esse padrão de melhora não é observado. os sintomas de abstinência em geral são pouco intensos. mas não produz dependência física. inaladas principalmente por crianças e adolescentes de baixa renda. agressividade etc. como alucinações e ilusões. alterações qualitativas e quantitativas das emoções. a sensação de euforia inicial pode ceder espaço para o humor depressivo. não há dependência física e a dependência psicológica é rara. distorção do sentido de identidade. potencialmente fatais. ansiosos e depressivos intensos. Quanto aos efeitos físicos. como dificuldade para dormir. O tratamento é feito com medidas de suporte geral. dormência. Entre os efeitos adversos. excesso de atividade física e alta temperatura ambiente). maconha. O alucinógeno sintético mais conhecido é a dietilamina do ácido lisérgico (LSD). O principal mecanismo de ação é no sistema serotoninérgico e os efeitos se iniciam cerca de 30 minutos após a ingestão. anorexia. zumbido. arritmias e rebaixamento do nível de consciência. além de perda do contato com a realidade e delírios. GHB (Ecstasy líquido) É a sigla referente ao gama-hidroxibutirato. Parece induzir tolerância. 3.). bruxismo. cujo mecanismo de ação também não é bem estabelecido. Há um atraso na percepção sensorial e no tempo de reação. O uso concomitante com o álcool pode provocar efeito sinérgico. ao longo prazo. Club Drugs São substâncias sintéticas. analgesia e amnésia. Recomenda-se cautela quanto ao risco de desencadeamento de uma crise severa de abstinência por opioides após a administração de naloxona. O . necessidade de aumentar a interação pessoal com profundo sentimento de empatia e sensação de profunda conexão com o mundo. letargia. em geral. ex. Pode ocorrer síndrome serotoninérgica ou síndrome neuroléptica maligna. irritação de mucosas. e não da sobrecarga de fluidos. usada sob a forma de pílulas. vertigem e alterações de marcha. observação e proteção do indivíduo e uso de benzodiazepínicos e antipsicóticos em casos de sintomatologia exacerbada.Generated by Foxit PDF Creator © Foxit Software http://www. Incluem colas de sapateiro. usada principalmente como anestésico veterinário. Há uma sensação de bem-estar. insônia. vômitos. mas especula-se que possa haver lesões em vias serotoninérgicas cerebrais e alterações de humor (muitas vezes de difícil tratamento) e cognitivas. que surge e desaparece em poucos dias. após uso prolongado e/ou em altas doses). pode haver ansiedade. benzeno. crises hipertensivas. destacam-se anorexia. atinge o auge em 2 a 4 horas e tem duração média de 8 a 12 horas. do estado psíquico e das condições ambientais nas quais se deram o uso. trismo. alucinações (visuais são as mais frequentes). dificuldade de coordenação. também são passíveis de induzir efeitos alucinógenos. fotofobia. Pode ocorrer tolerância. com reversão da depressão respiratória. cujos principais efeitos são psicológicos. Os efeitos dos inalantes têm início após alguns minutos e. Os riscos do uso prolongado ainda não são totalmente conhecidos. depressão respiratória e cardíaca. é caracterizada como uma síndrome específica (sinais e sintomas característicos) à determinada substância. O início de ação dos alucinógenos ocorre em cerca de 60 minutos. sensação de flutuação corpórea e ilusões sensoriais. odores e paladares. Incluem a psilocibina (extraída de alguns cogumelos). depressão respiratória. são habitualmente restritos. excitação. delirium. convulsões. por jovens em festas. em geral em altas doses. com o aparecimento de sensação de intenso prazer (rush ou flash) e aumento da percepção sensorial. 2. deterioração do controle motor. pode haver sintomas psicóticos. cujo mecanismo de ação não é totalmente compreendido. coma e morte. ansiedade. incluindo hiperemia de conjuntivas. Pode haver amnésia para os eventos ocorridos durante o período de intoxicação intensa. alucinações intensas. Também pode haver ideias delirantes agudas. Os efeitos iniciam-se na primeira hora após o uso. Evitar o uso de diuréticos para o tratamento do edema pulmonar. Pode haver náuseas e vômitos. náuseas e/ou vômitos. Em casos de overdose. causando sofrimento e impacto clinicamente significativos em diversas áreas no funcionamento global do indivíduo. no geral drogas de fácil acesso. euforia. acetona e hidrocarbonetos alogenados). precordialgias. apesar de não haver estudos definitivos. geralmente são autolimitadas e não requerem tratamento anticonvulsivante contínuo. como leve taquicardia e midríase. estados de exaltação e misticismo até ansiedade. ansiedade. O tratamento das intoxicações por alucinógenos é feito por meio de medidas de suporte. Comumente ocorre agitação psicomotora. Ketamina (Special K) É uma substância derivada da PCP (fenciclidina). aumento da fadiga. Alucinógenos Os alucinógenos são substâncias naturais ou sintéticas que induzem alterações sensoperceptivas. esmaltes e removedores. O sintoma mais característico é o tremor. como os anticolinérgicos (p. náuseas e/ou vômitos. Doses elevadas podem causar ataxia. reflexos deprimidos e ataxia. insônia e um profundo desinteresse pela vida. aumentando o risco de complicações fatais.

midríase. dependendo da quantidade de cigarros/dia. mas pode ocorrer sem nenhum prenúncio. tremores. se necessário). O aspecto essencial é o rebaixamento do nível de consciência (delirium). alterações sensoperceptivas. apatia. A confusão mental acontece em um contexto de tremores grosseiros e sintomas intensos de hiperatividade autonômica. aumento do apetite e retardo psicomotor (ocasionalmente há agitação psicomotora). É prescrito por 12 semanas. inquietação. disforia.. sugere-se monitoração contínua em UTI para oferecer suporte adequado. Geralmente esses indivíduos apresentam desejo intenso e poderoso de usar a substância (craving ou fissura). usar lorazepam 4 a 6 mg VO repetidamente. em geral. com pico em uma hora). hipotensão. inquietação. para indivíduos que fumam 1 maço de cigarros por dia. irritabilidade. A ocorrência de sintomas de abstinência pode ser decisiva para a recaída. a abstinência tende a ser mais grave para substâncias de meia-vida curta e há ansiedade. para evitar a abstinência ou o risco de convulsões e podem-se substituir compostos de meia-vida curta e intermediária por de meia-vida longa. náuseas. Não há medida farmacológica específica conhecida para a supressão dos sintomas de abstinência e fissura. O tratamento segue as mesmas diretrizes da síndrome de abstinência leve-moderada. vômitos e cólicas abdominais nas primeiras 24 horas. com pico em 24 a 48 horas e duração de semanas até meses. Pode ocorrer também inversão do ciclo sono-vigília. piloereção (pele anserina). sudorese. insônia. Os sintomas da abstinência começam em geral de 4 a 12 horas depois da última dose e os achados mais frequentes são desejo intenso de usar a substância.5 mg por 5 a 7 dias). a concentração indicada é de 14 mg por um período de 6 a 8 semanas) e goma de mascar (2 mg por tablete. Deve-se evitar a administração profilática e o uso de doses excessivas. como estratégias motivacionais e de psicoeducação. hematoma subdural. pesadelos. alterações hidroeletrolíticas. Geralmente se inicia após 72 horas de abstinência. principalmente a bupropiona (dose média de 300 mg/dia). da quantidade e do tempo médio utilizado. Trata-se de uma urgência médica. Recomenda-se sobretudo a administração de tiamina (100 mg IM e depois 300 mg VO por 7 dias). se não houver melhora. humor disfórico. O paciente que apresentou convulsão deve ser mantido em observação (cerca de 1/3 destes pacientes desenvolvem delirium tremens). estes pacientes. Há descrição de uma síndrome de abstinência protaída. abstinência de benzodiazepínicos. náuseas e/ou vômitos Intensificação dos sintomas acima. inclusive por via endovenosa em alguns casos. mantida por 10 a 14 dias para os benzodiazepínicos de meia vida-curta e de 4 a 8 semanas para os de meia-vida prolongada. caso ocorra taquicardia. tremor essencial. mas o quadro depressivo pode persistir por período prolongado. A bromocriptina (agonista dopaminérgico) pode trazer alívio para alguns sintomas agudos da abstinência por cocaína (dose de 2. palpitações. Nicotina Os sintomas da abstinência iniciam-se poucas horas após o consumo do último cigarro. nas doses de 400 a 800 mg/dia. sintomas gripais. fenitoína 15 mg/kg EV. e podem ser usados benzodiazepínicos para alívio da disforia. bradicardia. ex. diminuição da pressão sanguínea e da frequência cardíaca. convulsão Delirium. sugere-se a repetição da dose caso ainda estejam presentes . anorexia. humor disfórico ou irritado. As estratégias farmacológicas mais usadas são a terapia de reposição de nicotina feita por adesivos (adesivo de nicotina de 14 e 21 mg. evolução de cerca de 5% dos casos. Tabela 2: síndrome de abstinência pelo álcool Gravidade Sinais e sintomas Leve Moderada Grave tremens) (delirium Tremores. cetoacidose diabética. hipertensão arterial. A sintomatologia inclui desejo intenso de fumar. sendo que a retirada da metade final da dose inicial pode necessitar de mais tempo. hipotensão. Também pode ser utilizado haloperidol (p. A carbamazepina pode ser útil no alívio dos sintomas de abstinência. A vareniclina (Champix®) é um agonista parcial seletivo dos receptores nicotínicos alfa-4-beta-2. Pode-se utilizar terapia de substituição com metadona (10 mg VO repetidos a cada 60 minutos até alívio dos sintomas. Recomenda-se a retirada gradual da medicação ao longo de 1 semana (cerca de 10 a 20% da dose inicial a cada 2 dias). hiperatividade autonômica marcante. O delirium tremens é a forma grave da abstinência por álcool. 5 mg IM) no caso de agitação psicomotora intensa ou alucinações. hiperatividade autonômica. insônia. ideias delirantes e agitação psicomotora. antidepressivos para síndromes depressivas prolongadas. fraqueza. caso o tratamento adequado não seja instituído precocemente. entretanto a internação hospitalar é obrigatória e doses maiores de benzodiazepínicos geralmente são necessárias. cãibras.foxitsoftware. os sintomas podem ter início segundos após a administração por via endovenosa. além de insônia e pesadelos. com consequente sedação demasiada. e hipertensão. ansiedade. em caso de insuficiência hepática. Maconha Não há uma síndrome de abstinência amplamente aceita para a maconha. fadiga. recomenda-se o tratamento adequado. bocejos. mas há algumas peculiaridades como a ocorrência de hipersonia intensa. Pode remitir espontaneamente. desorientação têmporo-espacial e alterações de memória. sudorese. Recomenda-se a utilização de medidas cognitivo-comportamentais. a dosagem é de cerca de 10 a 15 tabletes/dia. taquipneia. visando ao alívio dos sintomas e à prevenção de complicações. Também ocorre sonolência (e dificuldades paradoxais para dormir). que pode durar vários meses. para evitar o surgimento da síndrome de Wernicke-Korsakoff. Também são utilizados antidepressivos. como o delirium tremens. Observam-se também tremores. mas também a nortriptilina (dose média de 75 mg/dia) por cerca de 7 a 12 semanas. manifesto por comprometimento da atenção. Para usuários de quantias pequenas de cocaína. preferencialmente de meia-vida prolongada (diazepam 10 a 20 mg VO repetidos a cada hora até sedação leve. que devem ser trocados periodicamente. lacrimejamento. que bloqueia a ação da nicotina. insônia. já que a mortalidade associada a este quadro pode chegar a 15%. encefalopatia hepática. De forma geral. sintomas depressivos graves e ocasionalmente sintomas psicóticos. irritabilidade. caracterizada por “fissura” pelo consumo da substância.com For evaluation only. A duração da síndrome de abstinência guarda relação com a meia-vida da substância. Benzodiazepínicos Os sintomas de abstinência por benzodiazepínicos iniciam-se após interrupção ou diminuição das doses habituais e tanto o início como a duração e a gravidade da síndrome dependem da meia-vida da substância. cefaleia e náuseas e/ou vômitos. O tratamento da abstinência de estimulantes é basicamente sintomático. em uma dosagem média de 2 mg diários. dificuldade de concentração. deve-se adminstrar diazepam 10 mg EV e. torna-se imprescindível o uso de medidas farmacológicas. alcoolistas crônicos. A duração da síndrome de abstinência geralmente é de até 1 semana. Postula-se a redução de 1/4 da dose por semana. O manejo da síndrome de abstinência é feito como parte integrante do tratamento da dependência de nicotina. ansiedade. anergia e inapetência. Recomenda-se a retirada gradual das doses utilizadas. aumento do apetite e ganho de peso. diagnóstico diferencial deve ser feito com TCE. como alucinações visuais (classicamente são pequenos insetos ou animais). distorções perceptivas intensas e níveis flutuantes de atividade psicomotora) Tempo médio de abstinência 6 a 8 horas 12 a 24 horas 72 horas Apesar de haver remissão espontânea da síndrome de abstinência. mas pode persistir por semanas quando o uso é mais intenso. intolerância a luz. apresentam deficiências vitamínicas e nutricionais. Os sintomas de abstinência para as anfetaminas são similares e podem atingir 87% dos usuários. evitar hidantalização indiscriminada. diarreia profusa. incluindo hipo ou hipertermia.Generated by Foxit PDF Creator © Foxit Software http://www. desregulação da temperatura. durante 8 a 12 semanas). Frequentemente. Pode haver contrações musculares. agravamento dos sintomas acima (tremores grosseiros. cólicas abdominais. rubor. A droga de escolha para o tratamento da síndrome de abstinência são os benzodiazepínicos. diminuindo a fissura por consumir a substância. O tratamento da abstinência de opioides é usualmente realizado em regime hospitalar e. Opioides A síndrome de abstinência por opioides pode ocorrer pela interrupção do seu consumo ou pela administração de um antagonista (neste caso. Frequentemente há alterações sensoperceptivas. Caso ocorram crises convulsivas no ato do atendimento. diminuição do desempenho motor e tensão. Via de regra. hiper-reflexia e também convulsões e rebaixamento do nível de consciência. para usuários de heroína pode durar até 15 dias. auditivas ou táteis. letargia. ansiedade. calafrios. dificuldade de concentração e memória. alterações de sono. infecções. mas é possível que ansiedade e alterações de sono permaneçam por até 6 meses. a síndrome de abstinência geralmente dura menos de 24 horas. intoxicação por estimulantes e outras. irritabilidade. náuseas e/ou vômitos. após 1 a 2 horas de uso. Estimulantes Os sintomas de abstinência por estimulantes são principalmente psíquicos e incluem disforia. hipoglicemia. coriza.

inibição da liberação de ADH. PRINCIPAIS COMPLICAÇÕES CLÍNICAS E PSIQUIÁTRICAS Álcool Transtorno Psicótico Induzido por Álcool Alucinações (alucinose alcoólica) ou ideias delirantes. A dose de estabilização usualmente é menor do que 50 mg/dia. em indivíduos com deficiência nutricional. Não há um tratamento específico. gastrite ou úlcera. mas. repetidos até controle das alterações oculares e manutenção com cerca de 300 mg diários por 7 a 14 dias) e complexo B. assim. polineuropatia periférica. hepatite alcoólica.com For evaluation only. insuficiência cardíaca (beri-beri). O tratamento é feito com tiamina (300 mg VO diários por 3 a 12 meses). Metabólicas e nutricionais: desnutrição. divididos em 3 tomadas diárias). há risco de evolução para a forma crônica. insuficiência hepática. de sono e disfunções sexuais. apesar de poder haver cronificação (sintomas presentes por mais de 6 meses). Cardiovasculares: hipertensão arterial. provavelmente com contribuição de outros fatores. atrofia cerebral. Solventes (Inalantes) Há controvérsia quanto à existência de síndrome de abstinência para os solventes. hipoglicemia. arritimias. esta deve ser mantida por 2 dias. dividida em duas tomadas. Alucinógenos Não há uma síndrome de abstinência relatada para esse grupo. osteopenia. inibição da síntese de testosterona (hipogonadismo masculino). Tabela 3: Critérios objetivos de abstinência por opioides Aumento da frequência cardíaca em 10 bpm acima do basal ou acima de 90 (se não há história prévia de taquicardia) Aumento da pressão sistólica 10 mmHg acima do basal ou acima de 160 X 95 (se não há história prévia de hipertensão arterial sistêmica) Midríase Piloereção. caracterizada por agitação psicomotora. deficiências vitamínicas e de oligoelementos. que pode ser desencadeado pela administração de glicose. sintomas depressivos. ansiosos.3 mg a 1. e alterações comportamentais. A síndrome de Korsakoff é marcada pela alteração proeminente de memória anterógrada e retrógrada. há remissão completa dos sintomas. A hipomagnesemia é uma das causas de não-resposta ao tratamento. leucopenia. O diagnóstico requer período de abstinência maior que 3 semanas e exclusão de outras causas demenciais. desequilíbrio hidroeletrolítico. frequentemente persecutórias e pouco estruturadas. Pode haver confabulações. Pode ocorrer na forma incompleta ou associada a outras manifestações neurológicas. mas é importante a abstinência de álcool. com duração curta. como diminuição da produção de espermatozoides e irregularidades no ciclo menstrual. síndrome de má-absorção. Pode haver também surgimento e agravamento de transtornos do sono. associada à metadona (dose de 0. miocardiopatia. Alguns indivíduos (particularmente idosos. Após estipulação da dose diária. Retirada gradual em 7 a 10 dias. pancreatite. síndromes coronarianas. paquetopenia. Além disso. aprendizado e memória de fixação) e postula-se a existência de uma “síndrome amotivacional”. Endócrinas: aumento da liberação de ACTH. conhecida com síndrome de Korsakoff. agressividade e desinibição comportamental. rinorreia ou lacrimejamento A prescrição de benzodiazepínicos pode ser ajudar no alívio das dores musculares. Sistema imunológico: aumento da predisposição a infecções (multifatorial). esteatose hepática. como carências nutricionais. Estimulantes . fraturas e de acidentes em geral. e ocorrem na ausência de rebaixamento do nível de consciência. hiperlipidemia. além de constituir um fator de risco para o desencadeamento de esquizofrenia. pode-se administrar sulfato de magnésio (1 a 2 mL em solução de 50% IM). baixo peso e diversas malformações faciais. Sintomatologia de humor também pode ocorrer em usuários crônicos. complexo B e eventualmente clonidina (0. previamente à de tiamina. em indivíduos suscetíveis. Trata-se de um quadro agudo. Maconha O uso prolongado de maconha está associado a maior suscetibilidade a infecções e danos respiratórios e a alterações reprodutivas. As alucinações são auditivas ou visuais. Complicações Psiquiátricas O álcool pode induzir transtornos de humor. Benzodiazepínicos O consumo de benzodiazepínicos está associado a alterações comportamentais. A maconha também pode contribuir para a piora de quadros psicóticos preexistentes. das alterações de sono e da inquietação. crianças e portadores de retardo mental) podem apresentar uma reação paradoxal aos benzodiazepínicos. macrocitose. associada a melhora discreta da memória recente). pode haver prejuízos cognitivos (atenção. além de outros sintomáticos. Caracteriza-se pela tríade clássica: confusão mental. Com a instituição da terapêutica adequada. Síndrome de Wernicke-Korsakoff A encefalopatia de Wernicke é causada pela deficiência de vitaminas do complexo B. além das anteriormente listadas.Generated by Foxit PDF Creator © Foxit Software http://www. do contrário. pelagra. sem rebaixamento do nível de consciência. É importante salientar que não há quantidades seguras para consumo de álcool durante a gestação.foxitsoftware. habitualmente vívidas. dificuldade de concentração e déficit de motivação e interesse para as atividades cotidianas. preenchendo as lacunas mnésticas. hiperuricemia. cirrose. como apatia. cardíacas e de membros. Neurológicas: degeneração cerebelar. havendo nestes casos uma correlação temporal entre o uso de álcool e tais manifestações psiquiátricas. ataxia cerebelar e alterações oculares (oftalmoplegia bilateral e nistagmo. dois ou mais dos critérios objetivos – Tabela 3). Gastrintestinais: esofagite. Patologias Clínicas Associadas ao Uso de Álcool Há complicações clínicas decorrentes do uso de álcool em praticamente todo o organismo. sudorese. neuropatia óptica. um co-fator importante na utilização de glicose. visando o controle dos sintomas noradrenérgicos. A alucinose alcoólica em geral se inicia após períodos de variações da média de consumo de álcool. principalmente). caracterizada por apatia. já que há potencial para dependência desta substância. O tratamento é feito com a administração de tiamina (100 mg IM ou EV.3 mg 2 vezes/dia. de glicocorticoides ou de catecolaminas. O tratamento é indicado de acordo com o tipo de sintomatologia predominante no quadro. o uso destas substâncias está implicado em risco de quedas. O tratamento é feito com drogas antipsicóticas. quadros amnésicos e quadros psicóticos. carcinoma hepatocelular. Sistema hematopoiético: anemia. Também pode-se utilizar clonidina (alfa-2-agonista). deterioração da síntese de proteínas. inércia e perda de insight. particularmente tiamina. Síndrome Fetal pelo Uso do Álcool Síndrome do recém-nascido devido ao consumo de álcool durante a gestação.2 mg/dia. Além disso. excitação. mas a resposta ao tratamento é satisfatória em apenas 20% dos casos Demência Persistente Induzida por Álcool Quadro demencial causado pelo uso crônico e prolongado de álcool. traumas e outros comprometimentos neurológicos secundários a alterações sistêmicas. Diminuem-se 2 a 3 mg/dia até alcançar 30 mg/dia e depois retira-se de 1 a 2 mg/dia. Os achados incluem retardo mental (leve a moderado).

entre outras (vide capítulos específicos). alterações gastrintestinais (dores abdominais. HIV. como neuropatia e déficits cognitivos. Ca. rabdomiólise. cerca de 30 dias para usuários crônicos . HIV. Tabela 4: Avaliação geral do doente Hemograma completo Exames de coagulação Enzimas hepáticas. hepatite C. K. tosse. até o máximo de 12 horas) ( Tabela 5). bacteriemias. No atendimento de emergência dos dependentes químicos. hepatites tóxicas. Opioides O uso crônico de opioides está associado a diversas infecções. A solicitação de exames complementares também visa mapear tais complicações. infecções pulmonares. Na assistência ambulatorial desses pacientes. Também pode haver quadros psicóticos. Tabela 5: Exame toxicológico Droga benzodiazepínicos maconha Tempo de detecção na urina Cerca de 30 dias 1 a 3 dias para uso eventual. convulsões tônico-clônicas generalizadas. além do desencadeamento de fases de mania. isquemias gastrintestinais. Aproximadamente 75% dos recém-nascidos de mães dependentes de opioides podem apresentar uma síndrome de abstinência. lesões isquêmicas etc. assim como auxiliar no diagnóstico diferencial das situações que podem ocorrer na sala de emergência e também na detecção de co-morbidades. a análise de urina e cabelo permite a detecção de substâncias como maconha e cocaína por períodos mais prolongados após o último uso. alterações hormonais e diversas outras. pós-imagens positivas de halos. particularmente comuns em usuários de crack. além de necrose isquêmica e perfurações do septo nasal. ulcerações e sangramento da mucosa. a inserção em um programa específico de atenção à dependência química é utilizada para mapear possíveis complicações. tendem a ser irreversíveis. tétano etc. com alucinações geométricas. discinesia). alterações gastrintestinais. A abstinência é frequentemente grave e pode levar a aborto ou morte fetal. hepatite B. A maioria dessas complicações é de caráter transitório. miastenia. com ideias de cunho persecutório e alucinações. endocardites bacterianas. micropsia. angina pectoris. O tratamento deve ser sintomático. depressão ou até aplasia da medula óssea. enzimas canaliculares e função hepática Amilase Perfil lipídico Glicemia Função renal Eletrólitos (Na. Mg) Proteína total e frações Gasometria Avaliação de complicações clínicas e diagnóstico diferencial (de acordo com a substância) Sorologias: hepatites virais. por exemplo. influenciando no manejo das síndromes associadas. acatisias. A Tabela 4 apresenta diretrizes gerais para possível solicitação de exames complementares.com For evaluation only. prejuízo de memória. diarreia). doença vascular periférica. O resultado da avaliação laboratorial do paciente pode guiar decisões terapêuticas. por ser uma substância de rápida metabolização. abscessos. remitindo com a instituição de medidas de suporte e abstinência. semanas ou meses após o uso da droga (flashback). rastros de imagens de objetos em movimentos. macropsia. Dosagem Sérica de Tóxicos Não costuma ser solicitada rotineiramente. Nicotina O tabagismo associa-se à ampla morbimortalidade. aumento do risco de infecções como tromboflebites. As principais complicações são: complicações potencialmente fatais: arritmias. infecciosas. incluindo a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). sífilis Radiografia de tórax Eletrocardiografia Urina tipo 1 e urocultura Hemoculturas Líquido cefalorraquidiano (LCR) Exames de Neuroimagem Tomografia de crânio (TC) ou ressonância magnética (RNM): são úteis para a diferenciação entre quadros de intoxicação ou abstinência e de lesões intracranianas focais (hemorragias. O consumo de estimulantes está associado a quadros depressivos e disfóricos prolongados. Os opioides também se relacionam a alterações de humor e de sono. cocaína por via endovenosa e anfetaminas. Alucinógenos O transtorno perceptual persistente por alucinógenos é caracterizado pela volta espontânea de sintomas alucinatórios da experiência induzida pelo alucinógeno. O uso crônico dos estimulantes relaciona-se com alterações de sono e disfunções sexuais. o uso intranasal pode levar a congestão nasal. quadros de humor e quadros ansiosos.Generated by Foxit PDF Creator © Foxit Software http://www. a propedêutica armada tem como objetivo prover uma avaliação clínica global do paciente. outras: transtornos do movimento (distonias. Pode ser extremamente útil em contextos médico-legais e ocupacionais. Quanto ao álcool. alterações obstétricas (abortos espontâneos. lampejos de cores. mas habitualmente a resposta terapêutica é pobre. Porém. ataxia.). baixo peso e alterações cognitivas no RN). pneumonites químicas. A maioria dos episódios tem duração curta (segundos até minutos). broncoespasmo. Deve-se considerar a solicitação de TC de crânio em casos de alterações neurológicas focais e rebaixamento de nível de consciência. Pode haver quadros de humor e quadros ansiosos. alterações hepáticas (aumento de transaminases). infarto agudo do miocárdio. frequentemente ataques de pânico. Também pode haver quadros psicóticos. câncer de pulmão e segmentos de cabeça e pescoço.. Como regra geral. As análises podem ser feitas a partir de amostras de sangue. expansão da sensação de tempo. AVC e AIT.foxitsoftware. Um exame físico rigoroso é fundamental para a suspeita da maioria das condições clínicas associadas e detecção de indícios de complicações e cronicidade. EXAMES COMPLEMENTARES O diagnóstico da dependência de substâncias psicoativas é predominantemente clínico. disfunção sexual e quadros psicóticos. Solventes (Inalantes) O uso crônico de solventes pode causar neuropatia periférica. só pode ser detectado em períodos de poucas horas após o uso (em geral. contemplando a hipótese diagnóstica principal e seus diagnósticos diferenciais. geralmente sem prejuízo da crítica a respeito de tais vivências. disfunções sexuais. sintomas físicos ou revivência de emoções. insuficiência renal crônica. algumas outras alterações neurológicas. coronariopatias. urina ou cabelo. arritmias cardíacas. As complicações clínicas pelo uso crônico dependem do tipo de substância usada e da via preferencial de administração. alucinações auditivas.

seja ele físico ou psíquico. sintomas depressivos severos ou persistentes.). visão turva. idosos. ex. O emprego de medicações restringe-se. Pode-se diminuir um comprimido a cada semana (após a estabilização da dose usada. como sintomas depressivos ou ansiosos. assim como a quantidade usada e o grau de tolerância prévia. como o diazepam ou o clonazepam. transtornos ansiosos graves etc. falha de tratamento ambulatorial. o tratamento segue as orientações que foram sendo apontadas ao longo do texto. Dissulfiram: inibe a enzima aldeído-desidrogenase (ALDH) e impede a metabolização do álcool. abordagens psicoterapêuticas e também medidas farmacológicas. nestes casos. risco de vida (comportamento auto-destrutivo. AVC. oxcarbamazepina etc. As condutas devem ser tomadas de acordo com o quadro clínico à admissão do paciente. tontura. Geralmente é utilizada em casos de dependência física severa e/ou com risco de morte.foxitsoftware. Outros (inibidores seletivos da recaptação de serotonina. os inalantes e os alucinógenos não requerem medidas farmacológicas específicas no tratamento da síndrome de dependência. contemplação. comorbidades psiquiátricas (p. carbamazepina. 4. sintomas psicóticos severos ou persistentes. Frequentemente não dispomos de informações como a identificação exata da(s) droga(s) utilizada(s). como rebaixamento do nível de consciência. posto que cada droga traz um tipo específico de complicação. diminui a vontade de beber. O tratamento da síndrome de dependência pode ser montado a partir de técnicas comportamentais. esquizofrenia. Algumas considerações para a retirada dos benzodiazepínicos devem ser feitas: quando a dependência não é severa. pode-se retirar abruptamente a medicação. Entretanto. As medidas específicas já foram descritas para cada substância. Em geral. 1982). Lamotrigina e gabapentina: eficazes também na redução do craving. o objetivo é o desenvolvimento de modificações do estilo de vida e de estratégias que ajudem a evitar que aconteça a recaída. Antidepressivos (inibidores seletivos da recaptação de serotonina). O tratamento da síndrome de dependência. Intoxicação em geral. náusea e/ou vômitos. hipotensão.). estudos utilizando a naltrexona nestas situações têm demonstrado. os quadros de intoxicação são atendidos em serviços de emergência. Deve-se sempre atentar para a possibilidade de uso concomitante de mais de uma substância psicoativa. O tratamento farmacológico da síndrome de dependência inclui substâncias que diminuem o desejo de usar a substância. Topiramato: é um anticonvulsivante (dose média 300 mg/dia) que também atua diminuindo a vontade de beber. Os estágios da “prontidão” para a mudança (pré-contemplação. Para as complicações clínicas e psiquiátricas decorrentes da dependência das substâncias psicoativas de maneira geral. convulsões e agitação psicomotora.Generated by Foxit PDF Creator © Foxit Software http://www. a presença de comorbidades. Sua prescrição deve ser bastante criteriosa e restrita a profissionais e serviços especializados. comorbidades clínicas severas (p. Outros anticonvulsivantes (como a carbamazepina). além de serem indicados quando da presença de sintomas depressivos ou maniformes associados. depressão melancólica.. dívidas com traficantes etc. transtorno afetivo bipolar. Opioides Metadona: é utilizada também na prevenção de recaída. falta de motivação para qualquer forma de tratamento. da recaída. 3. retira-se o equivalente a uma unidade farmacológica da dose diária a cada semana). gerando reações adversas (mal-estar geral. Naltrexona: é um antagonista de receptores opioides (dose de 50 mg/dia). conforme descritas anteriormente para cada substância. ao tratamento de sintomas focais associados. da recaída. Alguns pacientes também se beneficiam de programas de autoajuda. cocaína anfetaminas Heroína Metadona 1 2 1 2 a 3 dias a 4 dias a 3 dias a 4 dias TRATAMENTO O tratamento global da dependência de substâncias químicas pode ocorrer em alguns momentos específicos. pode ser realizado ambulatorialmente ou em regime de internação hospitalar. infecções. o uso destas medicações se faz por período prolongado. descritos mais extensivamente na entrevista motivacional (Prochaska e DiClemente. este quadro raramente é fatal. rubor facial. Na prevenção de recaída. Prevenção de Recaídas As técnicas de prevenção de recaída e a entrevista motivacional são medidas cognitivo-comportamentais bastante utilizadas. Álcool 1. doenças respiratórias etc. Síndrome de Abstinência No manejo das síndromes de abstinência. preconiza-se a suspensão gradativa e a substituição por compostos de meia-vida mais longa.): apresentam pequena eficácia no tratamento da dependência de álcool e são indicados para o tratamento de possíveis comorbidades associadas. crises convulsivas.com For evaluation only. ausência de suporte familiar ou social.. o perfil de efeitos colaterais e contra-indicações das mesmas. Quando necessárias. bloqueiam os efeitos provocados por ela ou geram reações desagradáveis quando do seu consumo. frequentemente em decorrência de complicações clínicas. As indicações devem levar em consideração a presença de complicações físicas e psiquiátricas. 2. antecedente de síndrome de abstinência severa (delirium tremens. cefaleia. Embora bastante desagradável. Algumas possíveis indicações de internação hospitalar estão apontadas a seguir: rebaixamento do nível de consciência. ex. sonolência) quando do uso concomitante ao álcool. A dose média é de 250 mg/dia e o paciente deve estar ciente de sua ingestão. . hepatopatia. Naltrexona: necessita de um período de abstinência de opioide maior que 10 dias para ser utilizado.). determinação. devemos priorizar o alívio dos sintomas e a prevenção de complicações inerentes à abstinência da substância em questão. como os Alcoólicos Anônimos (AA). podem ser úteis na abordagem destes pacientes. baixa adesão dos pacientes ao tratamento. As medicações mais comumente utilizadas para cada droga são descritas a seguir. crises convulsivas). em geral. Benzodiazepínicos Não há medidas farmacológicas específicas. nos casos de dependência severa. Estimulantes Topiramato: estudos demonstram sua eficácia na redução do craving. ação e manutenção). especialmente com risco de suicídio. taquicardia. Parece reduzir o reforço positivo associado ao consumo de opioides. entretanto. medidas farmacológicas específicas devem ser adotadas. cardiopatias. Tratamento das Complicações Clínicas e Psiquiátricas Associadas Algumas substâncias como a maconha.

Nunca devemos esquecer que o adolescente ainda está em processo de desenvolvimento e qualquer tratamento proposto deve respeitar esta condição. 3. Estudos brasileiros demonstram que 65% dos estudantes do ensino fundamental II e médio fizeram uso de álcool pelo menos uma vez na vida. Dependências químicas. Zilberman ML. individual ou em grupo. 1999 p. não constitui um comportamento patológico do adolescente. 31(6):1851-1859. as drogas mais consumidas são álcool e tabaco. et al. Para o tratamento das síndromes de dependência de substâncias psicoativas. 16. com muito menor frequência. a combinação de técnicas de psicoterapia e medidas farmacológicas parece ser a estratégia mais efetiva. fortemente correlacionados com o início do uso. Rollnick S. A maioria das pessoas que utilizaram algum tipo de substância ao menos uma vez na vida.who. já que a abstinência. por si só. Six-month follow-up of naltrexone and psychotherapy for alcohol dependence. 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Abuso de álcool e drogas – Uma orientação clínica ao diagnóstico e tratamento. e viabilizar a inclusão da família no tratamento. estando assim sob risco de desenvolver dependência.org/adhoc world_drug_report_2000/report. 21(2):121-124. 2007. 1994. Um dos principais pontos do tratamento de adolescentes dependentes de drogas é auxiliá-los a se manterem abstinentes. Qualquer medida terapêutica instituída para esta faixa etária deve respeitar a questão do desenvolvimento. Artmed. O uso de drogas afeta diretamente o desenvolvimento da criança e do adolescente. 1993. In: Botega NJ. O’Malley SS. o paciente deve ser avaliado cuidadosamente para a detecção de complicações e co-morbidades associadas. Quando comparamos populações de adolescentes e adultos que procuraram tratamento para dependência de drogas. O uso de medicações está indicado para duas situações: tratamento de sintomas-alvo e/ou comorbidades (antidepressivos para sintomas depressivos ou depressão associada. O’Brien. Organização Mundial da Saúde (OMS). New York: Oxford Press. Martins HS.html. 2. In: Botega NJ. Marshall EJ.pdf. 19. 9. 10. uso de drogas por pais e/ou amigos. Blackwell Science. 1982. baixa autoestima e sintomas depressivos. 1997. Millman R. Barueri: Manole. humor e os relacionamentos interpessoais. A minuciosa análise dos fatores de risco pode ajudar no planejamento terapêutico.4-metilenedioximethamphetamine (“Ectasy”). BIBLIOGRAFIA 1. Abuso e dependência de substâncias psicoativas. Motivational interviewing: preparing people to change addictive behaviors. Iversen L. Condutas em psiquiatria. 25. Ellenhorn’s medical toxicology: diagnosis and treatment of human poisoning. 14. neurológica e psíquica do adolescente. Compêndio de psiquiatria – Ciências do comportamento e psiquiatria clínica. Independentemente da população estudada. A população de adolescentes é especialmente vulnerável à experimentação de drogas. é necessário o envolvimento da família. ed.369-438. principalmente com relação às funções cognitivas. ed. Cook CCH.foxitsoftware.) e na abordagem inicial dos sintomas de abstinência (em geral. Baltimore: Williams & Wilkins. suicidal ideation. Ela está incluída numa atitude global de busca por novas experiências que lhe façam sentido. 2001. Child and adolescent psychiatry. American Psychiatric Association (APA). World drug report 2000. Grebb JA. Transtheoretical therapy: toward a more integrative model of change.who. Brain 2003. Ribeiro M. 21. Addictions: a comprehensive guidebook. influência de modismos. 22. Edwards G. álcool e drogas: emergência psiquiátrica. ed. Quando do diagnóstico de dependência química. DiClemente CC. TÓPICOS IMPORTANTES O consumo de substâncias psicoativas é um sério problema de saúde pública mundial. Disponível em:www. 1999. 26. New York: Oxford University. Maryland: ASAM. 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New York: Guilford. 8.htm. 3. 7. O tratamento do alcoolismo: um guia para profissionais da saúde. Prochaska JO.Generated by Foxit PDF Creator © Foxit Software http://www. Miller WR. Classificação de transtornos mentais e de comportamento da CID-10. por si só. na construção de uma identidade. Martins ACP.int/substance_abuse/pubs_alcohol. 2. deve-se sempre proceder a uma avaliação clínica. et al. 1999. Lynskey MT. 1994. Substance abuse: a comprehensive textbook. o fizeram nessa fase. Rutter M. ed. maiores as deficiências nestas áreas. apresentam sintomas físicos de abstinência. et al. Esta. Cannabis and the brain. p. Psycotherapy: Theory. começam o consumo de substâncias mais precocemente que os adultos. Taylor E. 53:217-224. p. Available from: www. e também iniciam o tratamento com menor tempo de uso. 165(7). Disponível em: www. Prática psiquiátrica no hospital geral – Interconsulta e emergência. utilizase benzodiazepínicos de ação prolongada por curto período.37-118.undcp. Henquet C.com For evaluation only.247-261. Entretanto. alguns fatores de risco estão associados à manutenção deste uso: a curiosidade natural do adolescente é um dos fatores de risco mais importantes.319-348. pesquisando-se condições associadas ou decorrentes do uso de drogas. posto ser o que o move para experimentar a substância. 11. 2000. p. Outros Artigos do(s) mesmo(s) autor(es):   12/01/2009 . é bastante rápida). Hochgraf PB.Susan Meire Mondoni 12/01/2009 . Artmed. Geneva: WHO. Sadock BJ. 1997. Tamelini MG. 61(10):1026-1032. Langrod J. Ruiz P. Prospective cohort study of cannabis use. Shanti CM. Artmed. 1991. Barber WS. BMJ 2005. Ellenhorn MJ. Porto Alegre: Artmed. Research and Practice. baixo desempenho escolar. USO DE DROGAS ENTRE CRIANÇAS E ADOLESCENTES A experimentação de substâncias ilícitas é um fenômeno da juventude. em geral. McDowell DM. ed. condições familiares. ser do sexo masculino (meninos experimentam mais do que as meninas). Brunner/Mazel. Dunn J. que funciona como um limite externo concreto. Para isso. Schuckit M. Miller NS. Porto Alegre: Artmed.19. Am J Emerg Med 2003. Principles of addiction medicine. Lowinson J. 18. Crit Care Med 2003. Silva VF. Epstein EE. Azevedo RCS. Laranjeira R. inviabilizando o acesso do adolescente às drogas. Porto Alegre: Artmed. Multiple toxicity from 3. Moreno RA. 5. 1991. insegurança. Pharmacitherapy. para que sejam identificados os pontos de fragilidade em acolher o adolescente usuário de drogas. mas alguns fatores de risco podem induzir à manutenção do uso. Cocaine and critical care. 15.Insônia e Outros Transtornos do Sono . o fácil acesso às drogas e as oportunidades de uso. capacidade de julgamento. tanto pelo aspecto genético (filhos de pais dependentes apresentam 4 vezes mais chance de o serem também) quanto pelos aspectos ambientais.39-229. Os quadros de intoxicação e abstinência devem ser reconhecidos e tratados adequadamente. editores. relacionamento ruim com os pais. In: Cavalcanti EFA. Nos EUA. and suicide attempt in twins discordant for cannabis dependence and early-onset cannabis use. In: McCrady BS. Prática psiquiátrica no hospital geral – Interconsulta e emergência. A família também deve ser encaminhada para atendimento psicológico. Abordagens psicoterápicas. 17. que ainda não está completo nestes pacientes.263-281. et al. et al.

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