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Escola Secundária Artística António Arroio

Disciplina: Português – Profª Eli

Ano lectivo: 2008/2009

Junho de 2009

Mia Couto
Na berma de nenhuma estrada

“ Amor à última vista”

Joana Espadinha

Nº 16 - 10º F
A minha leitura

“Amor à ultima vista” é um conto que narra a história da morte do


marido de uma senhora chamada Faulhinha da Conceição Dengo, Ananias
Xavier.
O conto desenrola-se no funeral do falecido quando a viúva se
lamenta não pela perda do marido, que toda a vida tinha sido um
mulherengo, mas pelo mau relacionamento de ambos.
Faulhinha, mulher que sempre levara uma vida sob ordens e
presunções, apercebe-se que todos aqueles anos não tinham valido de nada.
Nunca chegara a tirar prazer da humildade e amor do marido. Ananias era
um homem capaz de dar mais atenção ao seu papagaio de estimação que à
própria esposa. Era dessas alturas que Faulhinha se ressentia.
Mas, quando se ajoelha perante Deus (coisa que nunca teria feito
antes) deseja a sua própria morte ao invés da do seu marido.
De seguida assusta-se com a estranha presença do falecido marido,
repreendendo-a por fazer essas preces a Deus. Ela, ignorando o seu pedido,
continua tentado ouvir a voz do Senhor.
Faulhinha repara que tudo continuara igual, o falecido torna a
desrespeitá-la de maneira brusca, e opta por não obedecer às suas ordens.
Com raiva, o falecido eleva-se e segura-a pelo pescoço, e , pela primeira
vez , Faulhinha defende-se. Perante um espantado Ananias, explica que
pior que ter sido sua esposa seria agora carregar o seu luto. Com as próprias
mãos Ananias fecha as pálpebras e falece novamente.
Sem se erguer Faulhinha arrasta a gaiola do papagaio para junto do
caixão e abre a porta tentado soltá-lo. Este não reage logo, espera mais um
tempo, paciente como se esperasse algo. Finalmente sacode as asas
enquanto lança um derradeiro olhar sobre Faulhinha e entra no seu primeiro
céu.
Simbologia do conto:

Ao reler o meu conto apercebi-me que este simboliza a liberdade,


que a mulher nunca tivera até à morte do marido. Esta ansiava pela sua
própria morte mais que tudo, ela queria ser livre fora daquele mundo que a
rodeava, queria voltar à “descoberta de um novo mundo”, algo que lhe
despertasse a sua vontade de viver.

Simbologia do papagaio: Esta ave é considerada como sendo um dos


símbolos de Maomé, além de simbolizar a petrificação em função do
carácter repetitivo de sua fala desvinculada de qualquer raciocínio. É,
portanto, uma personificação específica de conteúdos que são repetidos
sem questionamento e sem que se pare para fazer avaliação. Costuma levar
ainda a projecção de ser um símbolo do inconsciente. Em algumas histórias
árabes, ele simboliza o psicopompo, uma espécie de Hermes, que fala
sempre a verdade, embora de forma um tanto dúbia.

Optei por escolher esta imagem pois simboliza a liberdade que a mulher
tanto desejara ter. Consegui perceber isto quando Faulhinha solta o pássaro
quando conclui não ter alcançado a sua própria liberdade.
Frases escolhidas

“E fiz promessa, não poderia deixar a morte me contaminar as entranhas”


- Escolhi esta frase, pois demonstra a força de Dona Faulhinha
perante a morte, querendo dizer que esta não a irá dominar.

“E nos veio um medo súbdito: porque o céu já não era extenso”


- Esta frase demonstra o quanto Faulhinha temia a vida depois da
morte, parecendo-lhe isso já vulgar.

“ Ele sorri com serenidade dos convictos”


- Esta frase exemplifica a ironia que Ananias ainda tinha após todos
os acontecimentos do seu passado.
Conclusão

Ao ler este conto, observei alguns pormenores interessantes acerca da


escrita de Mia Couto. Este brinca muito com a forma como escreve, faz
grandes jogos mentais e os finais dos contos ficam quase sempre como
narrativas abertas, dando, assim, ao leitor, o poder de interpretar à sua
vontade a história.
Apesar de complicado, este conto transmitiu-me um novo significado da
palavra liberdade, sendo uma espécie de lição de vida.