Você está na página 1de 68

www.embalagemmarca.com.

br

EDIÇÃO ESPECIAL

CÓDIGOS DE BARRAS: Falta qualidade • ENTREVISTA: Classe C é uma mina de ouro


eDItorIaL }}} A ESSÊNcIA DA EDIçÃO DO MÊS, NAS PALAVrAS DO EDITOr

Experiência e causas externas


sta edição do serviço Tendên- absolutamente seguro fazer previsões por-

E
cias e Perspectivas, que há menorizadas sobre o andamento que pode-
dez anos EmbalagEmmar- rão ter diferentes segmentos da economia
ca oferece a seus leitores no envolvidos na produção e no uso de emba-
mês de dezembro, foi a que lagens para produtos de consumo. É aí que
apresentou maior dificuldade de produção. entram as tais “causas externas”, expressão
Atribuímos essa dificuldade ao que na inti- que pode ser lida como efeitos da crise
midade chamamos de “causas externas”, financeira global. Um deles é a extrema
já que ao longo do tempo a experiência da cautela que as pessoas consultadas adotam
equipe para desenvolver tal trabalho apenas quando convidadas a fazer previsões sobre
se acumulou. Desta vez o time contou com o futuro próximo.
a vantagem de estar reforçado pela contrata- Mesmo assim o serviço Tendências e
ção da jornalista Andréa Espírito Santo, que Perspectivas para 2009, coordenado por
registra em seu currículo larga experiência Guilherme Kamio, identifica alguns eixos
de cobertura nas fundamentais áreas de de orientação que, sendo adotados – com a
equipamentos e de logística. necessária cautela, sem cometer temeridades
Mais que isso, a revista acrescentou no – pelas empresas em seu planejamento, sem
planejamento de Tendências e Perspectivas dúvida contribuirão para que atravessem Há muita cautela
2009 a presença de seus profissionais em
grande número de eventos relacionados ao
a crise que chegar e entrem mais fortes e
maiores na etapa seguinte. Entre esses eixos,
nas previsões,
setor de embalagem, no Brasil e no exterior, ou forças motrizes, situa-se a estratégia de mas um dos eixos
sendo que a dois deles (Pack Expo, em investir no aperfeiçoamento da produção,
Chicago, nos Estados Unidos; e Emballage, em novos produtos e em sua qualidade. de orientação
em Paris, na França) enviou em novembro É, em síntese, o que as fontes consul- indica que
último quatro pessoas. tadas para a elaboração de Tendências e
Contribui fortemente para esse serviço, Perspectivas 2009 aconselham e que, de investir, em tempo
ainda, a constante troca de informações
com empresários, profissionais e especia-
nossa parte, procuramos adotar. Nessa linha,
projetamos para 2009 o lançamento de algu-
de crise, pode
listas atuantes na área. Além disso tudo, a mas novidades. Dentre elas estará o próprio ajudar empresas a
redação tira proveito de informações que, serviço Tendências e Perspectivas, que terá
acumuladas nos vinte anos em que a Blo- como base principal, no dia 15 de setembro, atravessá-la e a
co de Comunicação atua no jornalismo de
embalagem, constituem hoje sólido banco
um Seminário Estratégico com a mesma
marca. Boas festas. Até janeiro de 2009.
entrar mais fortes
de dados especializado no assunto. na etapa seguinte
Apesar da solidez dessa base, não é Wilson Palhares

EMBALAGEMMARCA é Diretor de Redação: Público-Alvo


uma publicação mensal da Wilson Palhares | palhares@embalagemmarca.com.br
Reportagem: redacao@embalagemmarca.com.br EMBALAGEMMARCA é dirigida a profissionais que
Bloco de Comunicação Ltda.
Rua Arcílio Martins, 53 Andréa Espírito Santo | andrea@embalagemmarca.com.br ocupam cargos de direção, gerência e super-
Flávio Palhares | flavio@embalagemmarca.com.br visão em empresas integrantes da cadeia de
CEP 04718-040 Guilherme Kamio | guma@embalagemmarca.com.br
São Paulo, SP Marcella Freitas | marcella@embalagemmarca.com.br embalagem. São profissionais envolvidos com
Tel.: (11) 5181-6533 Departamento de arte: arte@embalagemmarca.com.br o desenvolvimento de embalagens e com poder
Fax: (11) 5182-9463 Diretor de arte: Carlos Gustavo Curado | carlos@embalagemmarca.com.br de decisão colocados principalmente nas indús-
www.embalagemmarca.com.br assistente de arte: José Hiroshi Taniguti | hiroshi@embalagemmarca.com.br trias de bens de consumo, tais como alimentos,
Administração: bebidas, cosméticos e medicamentos.
Filiada ao Eunice Fruet | eunice@embalagemmarca.com.br
Marcos Palhares | marcos@embalagemmarca.com.br
Departamento Comercial: comercial@embalagemmarca.com.br O conteúdo editorial de EMBALAGEMMARCA é
Juliana Lenz | juliana@embalagemmarca.com.br resguardado por direitos autorais. Não é
iLustrAçãO de cAPA: tOM b

Karin Trojan | comercial@embalagemmarca.com.br permitida a reprodução de matérias editoriais


Filiada à Wagner Ferreira | wagner@embalagemmarca.com.br
publicadas nesta revista sem autorização
Circulação e Assinaturas (Assinatura anual: R$ 99,00): da Bloco de Comunicação Ltda. Opiniões
Soraya Teixeira | assinaturas@embalagemmarca.com.br
expressas em matérias assinadas não refletem
Ciclo de Conhecimento:
Ivan Darghan | ivan@embalagemmarca.com.br necessariamente a opinião da revista.
sumÁriO }}} Nº 112 }}} DEZEMBRO 2008

Codificação 8
L como resolver o problema dos códigos de barras que

ESPECIA apresentam imperfeições (e que são nove entre dez)

14 Celulósicas 44
ganha força no brasil o uso de embalagens cartonadas
com impressão feita na face interna

Os caminhos do setor 16
seguindo transformações socioeconômicas e de consumo,
três “macrodrivers” prometem guiar as embalagens em 2009

Cinco perguntas 22
salomão Quadros, coordenador de análises econômicas da
Fgv, calcula como a crise pode afetar o setor de embalagem

Lynn
Pack Expo 24 48 Dornblaser Químicos 54
crise financeira ofusca o tema da sustentabilidade e torna-se diretora da Mintel international sistema alternativo à
o principal assunto da feira americana de embalagem fala da oportunidade que a tripla recravação
pequena quantidade de embala- torna mais seguro o
gens para idosos representa manuseio de latas de aço

Emballage 28
56
na grande feira francesa de embalagem, a cautela adotada
para investir reduz número de interessados em equipamentos
Logística
embalagem de papel
reciclado substitui
madeira no transporte
de vidros planos

Entrevista 36 Eventos 58
uma seleção de eventos
João carlos Lazzarini, da nielsen, afirma que crise não que podem trazer
afetará empresas sintonizadas com estratégias adequadas novidades em
embalagens em 2009

4 EmbalagemMarca dezembro 2008


Editorial 3
A essência da edição do mês, nas palavras do editor

Só na web 6
O que a seção de notícias de www.embalagemmarca.com.br
e a e-newsletter semanal levam aos internautas

Espaço aberto 7
Opiniões, críticas e sugestões de nossos leitores

Panorama 42
Movimentação do mundo das embalagens e das marcas

Painel gráfico 52
Produtos e processos da área gráfica
para a produção de rótulos e embalagens

Display 60
Lançamentos e novidades – e seus sistemas de embalagens

Almanaque 66
Fatos e curiosidades do mundo das marcas e das embalagens

www.embalagemmarca.com.br
só na web
Uma amostra do que a seção diária de notícias de www.embalagemmarca.com.br e a e-newsletter semanal da
revista levam aos internautas

lançamento bebidas

Ouro Fino lança água Smirnoff Black: nova


Priscila Fantin garrafa no Brasil
A Empresa de Águas Ouro Fino A Diageo traz para o Brasil a nova
lançou a Ouro Fino by Priscila garrafa da vodca Smirnoff Black.
Fantin. O produto é envasado em O novo logotipo é retratado por
garrafas de PET de 500 mililitros uma águia imperial dourada cober-
nas cores azul e rosa, recobertas ta pela marca. A garrafa traz a
com rótulos termoencolhíveis for- assinatura Small Batch, referência
necidos pela Sleever International. ao tradicional método de destila-
O formato da embalagem, segun- ção artesanal em alambique de
do a Seragini, Farné e Guardado, cobre. Outra novidade é a tampa
responsável pelo projeto, é basea- de metal, semelhante à usada em
da nas curvas da atriz. perfumes de alta qualidade, e a
Leia mais em indicação Black impressa abaixo
www.embalagemmarca.com.br/ourofinopriscilafantin do logo.
Leia mais em
display
www.embalagemmarca.com.br/smirnoffblack
Pronto para beber
internacional
A Nestlé coloca no mercado o Mucilon Pronto para Beber,
estreando na categoria de bebidas lácteas infantis à base Arte na tequila
de cereais. A novidade está disponível em embalagens
A Tequila 1800 lançou uma campanha juntando nove
cartonadas da Tetra Pak de 235 mililitros.
artistas plásticos, de estilos diferentes, para responder
Leia mais em por meio da arte à pergunta: “o que você considera
www.embalagemmarca.com.br/mucilonparabeber especial?”. O resultado foi a criação de nove garrafas
colecionáveis, cada uma vendida a 35 dólares.
Leia mais em
www.embalagemmarca.com.br/tequila1800

RECEBA A E-NEWSLETTER
SEMANAL DE EMBALAGEMMARCA
Visite www.embalagemmarca.com.br/newsletter
e cadastre seu e-mail.
Nosso boletim eletrônico, gratuito, é
publicado todas as quintas-feiras.

6 EmbalagemMarca dezembro 2008 www.embalagemmarca.com.br


Espaço Aberto }}} opiniões, críticas e sugestões de nossos leitores

Prêmio EmbalagemMarca 2008 aqui no Brasil a uma marca como Emba- que a Avery Dennison também está bus-

Parabéns a toda a equipe pela primoro-


lagemMarca nos traz a certeza de que cando: soluções para os clientes e menor
começamos corretamente e que devemos risco ao meio ambiente.
sa edição da revista com a cobertura do continuar com essa parceria, que nos tra- Ursula Sakamoto
Prêmio Embalagemmarca 2008, em outu- rá resultados concretos. Gerente de Desenvolvimento
bro último. Ler a descrição dos 34 proje- Marco Antonio Dias de Oliveira de Novos Negócios
tos bem-sucedidos e seus contemplados Gerente comercial Avery Dennison - Materiais Brasil
foi um grande prazer. P.E. Latina Labelers
Carlos Caprara São Paulo, SP
Publicitário
São Paulo, SP
Seminário de sustentabilidade
CORREÇÕES
Mesmo que tardiamente, não deixa- A Mais Design gostaria de parabeni- • Na reportagem “Roda e avisa” (Embala-
ria de comentar o Prêmio Embalagem- zar toda equipe EmbalagemMarca pelo gemMarca nº 110, outubro de 2008) Ricardo
Marca – Grandes Cases de Embalagem evento realizado. Schaer foi identificado como representante
e a edição da revista sobre o mesmo. Cristiane e Renata da Textual. Na verdade, Schaer é gerente
EmbalagemMarca prova mais uma vez Mais Design & Comunicação de marketing da Rexam.
que através de trabalho, transparência, São Paulo, SP
honestidade e profissionalismo, qualquer • O telefone da Gráfica Romiti é (11) 2065-
evento tem o mesmo fim: SUCESSO!
Isso prova que nossa empresa acertou no Quero parabenizá-los pela coordenação 1514. Na reportagem “Um plus em expo-
sição” (EmbalagemMarca nº 110, outubro de
investimento ao patrocinar o Prêmio, pois e pelo conteúdo do evento. As discussões 2008) o número está incorreto.
agregar nossa marca ainda desconhecida foram muito boas, e vêm ao encontro do
}}} cOdiFicaÇÃO

Identificação despedaçada
Nove entre dez códigos de
barras utilizados no Brasil
apresentam imperfeições,
encrencando a logística e
as vendas de produtos.
Como resolver o problema? Por Andréa Espírito Santo

O
número é alarmante: cerca de 90% ferramentas utilizadas na automação dos proces-
das indústrias nacionais utilizam sos, sejam eles logísticos (recebimento, movi-
códigos de barras fora dos padrões mentação e expedição) ou de vendas (check-
instituídos mundialmente, segundo outs). Por meio da leitura óptica, as informações
estimativa da GS1 Brasil – Asso- são capturadas de maneira rápida e precisa, evi-
ciação Brasileira de Automação (antiga EAN tando-se, assim, erros de digitação das identifi-
Brasil). “E o mais curioso é que empresas que cações manuais. Códigos de barras inadequados
exportam produtos para Estados Unidos e Euro- podem dificultar e até impedir a rastreabilidade
pa, mercados mais rigorosos quanto à condição de produtos, caixas ou paletes; comprometer o
dos códigos, o fazem dentro das regras interna- fluxo dos materiais em um centro de distribui-
cionais, inclusive nos solicitando verificações ção; exigir mais mão-de-obra e maior manuseio;
de amostras”, comenta Marcelo Sá, assessor e provocar perda de tempo na substituição de
de soluções de negócio da entidade de clas- etiquetas e utilização de mais insumos – no caso,
se. Mesmo sem total qualidade, os códigos não novas etiquetas codificadas. As conseqüências
inviabilizam identificações pelos leitores (escâ- são aumentos de custos, perda de produtividade
neres). “O processo, entretanto, acaba por se tor- e redução da acuracidade do processo.
nar ineficiente”, lembra Sá. Para que se consiga a correta identificação e
Os códigos de barras são uma das principais localização de qualquer produto em qualquer elo

Em determinados
Se os códigos de barras não setores, cerca de
derem leitura na primeira
passagem pelo leitor, no ponto-
de-venda, leva-se em média 7%
FOnte: MetrO grOuP

dos itens comercializados


23 segundos não “dão leitura” na primeira
tentativa, ou não “dão leitura”
para resolver o problema de forma alguma

8 EmbalagemMarca dezembro 2008 www.embalagemmarca.com.br


da cadeia de suprimentos, é necessário que todos diretamente relacionada ao moderno conceito do
os parceiros comerciais tenham um padrão único gerenciamento da cadeia de suprimentos (Supply
de identificação e comunicação. A partir dessa Chain Management). E as empresas, ao inova-
premissa, outros pontos devem ser motivos de rem seus processos logísticos, buscam eliminar
atenção. as infra-estruturas rígidas e dispendiosas que
Carlos Santana, gerente de desenvolvimen- fazem com que a redução de custos e o cresci-
to de novos negócios da Psion Teklogix, fabri- mento se tornem desafios assustadores. Outro
cante canadense de impressoras e coletores de tema que ganha crescente importância é o da ras-
dados que atua no Brasil, explica que é possível treabilidade dos produtos e materiais.
evitar problemas com os códigos de barras já Desenvolver mecanismos adequados que pos-
no momento da impressão. “É preciso garantir sibilitem obtê-la assume uma relevância cada vez
qualidade determinando a velocidade correta de maior, considerando-se o mercado globalizado e
impressão dos códigos, observando o volume e o a crescente tendência do consumidor a comprar Sá, assessor da GS1:
tipo de informação que se vai agregar a eles e o produtos que tenham a confiabilidade assegura- padronização dos códigos
é uma necessidade, para
setup adequado das impressoras que gerarão os da. É necessário, portanto, que se leve em con- gerar produtos mais
códigos”, destaca o executivo. “É normal encon- sideração que diferentes clientes têm diferentes confiáveis
trarmos alguns códigos com um risco branco fluxos de produtos por meio de diversos canais
contínuo cortando suas barras, o que dificulta a ao longo da cadeia de suprimentos, os quais exi-
leitura pelo scanner. Este é um exemplo típico de gem respostas logísticas feitas sob medida para
manutenção inadequada da impressora.” cada caso, buscando um ciclo de pedido de com-
A logística nos dias de hoje refere-se e é pra cada vez menor e mais eficiente.
entendida como uma cadeia integrada, estando É nesse momento que as empresas fornece-

www.embalagemmarca.com.br dezembro 2008 EmbalagemMarca 9


doras de embalagens podem agregar significa- das filas nos check-outs e piora no atendimento,
tivo valor a seus produtos, proporcionando aos gerando insatisfação dos clientes. Além disso,
clientes ferramentas para a integração da cadeia a necessidade de passar várias vezes o produto
de suprimentos. pelo leitor aumenta os riscos de um operador
“Os códigos são a ferramenta usada para desenvolver LER (Lesão por Esforço Repetiti-
gerenciar o fluxo dos produtos e materiais na vo). Em determinados setores, cerca de 7% dos
cadeia de suprimentos, no ponto-de-venda e itens comercializados não “dão leitura” na pri-
também na logística reversa (de devolução dos meira tentativa, ou não “dão leitura” de forma
produtos). Uma das soluções para satisfazer os alguma. Se este item tiver alto giro de vendas,
diferentes requisitos está em investir em um isto pode significar um percentual representativo
padrão único, global e multissetorial, e aplicá-lo de atraso na operação de caixa.
com todos os parceiros comerciais para operacio- A fim de corrigir possíveis defeitos ou erros
nalizar os processos ao menor custo possível”, na impressão dos códigos de barras, a GS1 pro-
avalia Sá. move desde o primeiro semestre de 2008 um pro-
grama de certificação de códigos de barras, que
Certificação dos códigos de barras visa verificar e atestar a qualidade dos códigos
O Sistema GS1 é usado por milhões de empre- aplicados a itens comerciais e unidades logísti-
sas no mundo todo, nas áreas de varejo, saúde, cas, com base em requisitos de negócios e em
embalagem, transporte, alimentação e têxtil. procedimentos e especificações técnicas inter-
Cerca de cinco bilhões de códigos de barras são nacionais.
lidos diariamente ao redor do mundo e, de acor- “Além dos ganhos de produtividade, ou seja,
do com um estudo realizado pela GS1 Brasil, já maior velocidade no atendimento no ponto-de-
existem no Brasil mais de dois milhões de produ- venda e no fluxo de materiais nos centros de dis-
tos codificados com essa ferramenta. tribuição, na separação de pedidos e nas etapas
Um fato preocupante apontado pelo estudo é de transporte, as vantagens advindas da padro-
que, se os códigos de barras não derem leitura na nização dos códigos traduzem-se na confiabili-
primeira passagem pelo leitor, especificamente dade das informações dos produtos”, afirma Sá,
no ponto-de-venda, o operador de caixa leva, em complementando: “Isso significa que os sistemas
média, 23 segundos para resolver o problema. de informações utilizados em armazéns, como o
Os resultados desse transtorno são aumento WMS (Warehouse Management System, sistema

Os tipos mais comuns de códigos de barras


Padrões de codificação variam de acordo com necessidades de diferentes indústrias. Veja as simbologias mais comuns e suas aplicações:

UPC/EAN ou PDF417: Conhecido como código de bar- GS1 DataBar: Trata-se de uma família
EAN13, UPCA, ras 2D (bidimensional), utiliza simbologia de símbolos que podem ser escaneados
EAN8 e UPCE: não-linear de alta densidade, que lembra um no ponto-de-venda, são menores que os
É a família de quebra-cabeças. Tem grande capacidade códigos EAN/UPC e podem reunir informa-
símbolos usada de correção de erros, permitindo recuperar ções adicionais, como números de série e
na identificação 100% dos dados em etiquetas danificadas. números de datas de
de bens de consumo nos pontos-de-venda O PDF417 é um arquivo de dados portátil validade. Os símbolos
por serem apropriados para ambientes com (PDF), e não um mero número de referência GS1 DataBar já estão
altos volumes de escaneamento. Os códigos – ele pode armazenar, por exemplo, fotos e aprovados para uso
UPC/EAN têm tamanho fixo, e foram desen- dados biométricos. nas caixas de des-
volvidos para atender às necessidades do Os códigos 2D são pacho utilizadas pelo
varejo em geral. complementares setor farmacêutico.
aos unidimensio-
nais/lineares.

10 EmbalagemMarca dezembro 2008 www.embalagemmarca.com.br


de gerenciamento do armazém, em tradução livre blemas no momento da impressão, paralisando e
do inglês), e outros ao longo da cadeia de supri- corrigindo o processo para que se obtenha máxi-
mentos terão informações mais exatas, mantendo ma qualidade dos códigos.
a acuracidade dos estoques, e eliminando pos- Andrea Bartholi, especialista de produtos da
síveis contatos com fornecedores para refazer Videojet, fabricante de impressoras, consumíveis
códigos com defeitos.” e acessórios, explica que a correta especificação
O assessor explica que a certificação proposta da tecnologia de impressão (jato de tinta, laser
pela entidade tem foco não apenas na qualidade
de impressão dos códigos, mas também aspectos
como a padronização da numeração, espaçamen-
to entre barras ou as cores utilizadas.

Tecnologias auxiliares
O mercado já se deu conta dos problemas na
impressão e leitura dos códigos de barras há
alguns anos. Fabricantes de equipamentos para
automação comercial e industrial desenvolveram
em seus laboratórios leitores de dados e impres-
soras de alta capacidade para reverter esse qua-
dro. Escâneres mais modernos permitem a leitura
de códigos com falhas e defeitos. Já as impresso- SmartDate5, da Markem-Imaje, mostra imagens
ras estão dotadas de tecnologia que detecta pro- padronizadas dos códigos a serem impressos

www.embalagemmarca.com.br dezembro 2008 EmbalagemMarca 11


ou termotransferência) e do consumível que per- geração das etiquetas de códigos de barras, se
mita o melhor contraste/aderência no substrato houver danos durante o ciclo de vida do produto,
são fundamentais para a qualidade dos códigos a tecnologia está avançada para permitir a leitura
de barras. destes códigos defeituosos.
“A configuração e o ajuste das impressoras Um exemplo são os leitores de códigos de
nas linhas de produção e a correta criação da barras da tecnologia Linear Imaging desenvol-
mensagem contendo os códigos de barras dentro vidos pela empresa, que permitem a leitura de
dos padrões da GS1 contribuirão para a redu- códigos de barras defeituosos, rasurados, danifi-
ção de falhas na leitura”, afirma. “O consumível cados e até em superfícies irregulares.
que permita a melhor aderência Essa tecnologia permite a
no substrato, garantirá que os decodificação rápida e precisa

ão
vulgaç
códigos não sejam apagados ou de códigos lineares (unidimen-
rasurados no momento de sua sionais) e 2D (bidimensionais),

fotos: di
leitura.” para leituras de curta e média
A Markem-Imaje, outra distâncias. “Este tipo de leitor
fabricante de impressoras, con- Linear Imaging tem um algoritmo capaz de Coletor de dados NEO, da
corda que as falhas devem ser da Intermec reconstruir os códigos de bar- Psion Teklogix, possui
permite a leitura tecnologia que permite leitura
eliminadas na concepção do de códigos de ras e decodificá-los”, comenta de códigos corrompidos
projeto, levando-se em consi- barras defeituosos, Rocha.
rasurados,
deração o tripé impressoras- danificados e até Santana, da Psion Teklo-
consumíveis-substrato, além de em superfícies gix – que em agosto lançou o
irregulares
uma correta operação e boa coletor NEO com tecnologia
manutenção dos equipamentos. que permite leitura de códi-
Um dos destaques do portfólio da empresa é a gos corrompidos –, acredita que a produtividade
codificadora por transferência térmica SmartDa- (entenda-se: velocidade de resposta ao cliente) e
te 5. Seu sistema iconográfico orienta o operador a visibilidade dos processos passaram a ser ele-
através do menu de configuração e procedimen- mentos cruciais para as empresas que querem
tos, ao mesmo tempo em que mostra claramente competir no mercado globalizado. “Visibilidade GS1 Brasil
as imagens selecionadas, visando evitar erros e tem impacto direto nos custos, no faturamento e (11) 3068-6229
www.gs1brasil.org.br
garantir a correta e eficiente execução dos códi- na qualidade de serviços”, afirma Santana. “Isto
gos do início até o fim da operação. significa saber o que está sendo produzido ou Intermec
O analista de suporte da fabricante americana movimentado, de que forma, quando, onde e por (11) 3711-6770
www.intermec.com.br
de coletores de dados Intermec, Clauber Rocha, quem. Daí a importância de aliar tecnologia e
aponta que, mesmo com todos os cuidados na padronização para manter a eficiência.” Markem-Imaje
(11) 3305-9455
www.markem-imaje.com

Base mais informativa Psion Teklogix


(11) 3521-7057
www.psionteklogix.com
Tetra Pak adota códigos 2D em suas caixinhas longa vida
Videojet
Saem os códigos numéricos, em que as embalagens foram (11) 4689-8800
entram os códigos bidimensio- produzidas. “Com essa tecnolo- www.videojet.com
nais (2D) nas bases das emba- gia, conseguimos obter um rígido
lagens cartonadas assépticas controle de qualidade, evitando
da Tetra Pak utilizadas no Brasil. qualquer possibilidade de fraude
Representados por um pequeno ou falsificação”, diz a empresa, em
quadrinho com uma série de pon- comunicado oficial. “É o primeiro
tos (veja o quadro na pág. 45), os passo para o rastreamento total
códigos contêm informações sobre das embalagens, da floresta até a
No destaque em azul, o novo
data, fábrica, máquina e bobina casa do consumidor.” código: chance de rastreabilidade

12 EmbalagemMarca dezembro 2008 www.embalagemmarca.com.br


}}} tendências & perspectivas 2009

Longe da catástrofe
A crise deverá atingir o Brasil, mas com impacto suportável

S
eria estultice, claro, jul- será um grande choque? de marca, área em que a embalagem
gar que a situação não é Afora quem corre para remediar os pode contribuir expressivamente, depois
séria e que não possa pio- prejuízos da infeliz aposta em hedge costuma se compungir.
rar – ou que, do tsunami cambial, as empresas entram em 2009 O documento especial que ocupa as
financeiro, só uma marola sem aparentar desespero. Se o arrefe- próximas páginas foi feito para quem
nos atingirá, como açodadamente trom- cimento da oferta de crédito afetará encara os próximos meses com predis-
beteou nosso presidente, para desespero – como já afeta – o consumo de bens posição construtiva. Nele constam uma
do estafe técnico do governo. O colapso duráveis, os produtos de alto giro, aque- reportagem sobre as macrotendências
é real. Até agora, porém, as projeções les que mais dependem da embalagem para o desenvolvimento de apresen-
para o próximo ano passam longe da como ferramenta de venda, tendem a tações de produtos em 2009; análises
catástrofe. sentir menos o baque. de duas respeitáveis exibições inter-
A opinião mais forte entre os econo- Embora tenha se banalizado, o pre- nacionais de embalagem, recentemente
mistas é a de que em 2009 o PIB brasi- ceito chinês de que crises e oportunida- ocorridas e que apontaram caminhos
leiro crescerá entre 3% e 4%, portanto des são faces da mesma moeda é provi- para o setor (a americana Pack Expo
sem grande ruptura com o perfil dos últi- dencial. Diversos estudos provam que International e a francesa Emballage);
mos exercícios. Já há quem preveja, com as empresas que continuam a investir e duas entrevistas – uma com o econo-
menos otimismo, um desenvolvimento em marketing durante os períodos reces- mista Salomão Quadros, da Fundação
residual, entre 0,5% e 1,5%, se um cená- sivos são as que mais lucram quando a Getúlio Vargas, e outra com o diretor de
rio muito ruim se consolidar. Dados os economia recupera o vigor. Quem sim- atendimento ao varejo da Nielsen, João
crescimentos tímidos dos últimos anos, plesmente anula os aportes em imagem Carlos Lazzarini. Bom proveito.

14 EmbalagemMarca dezembro 2008 www.embalagemmarca.com.br


}}} tendências & perspectivas 2009

Equação de valor,
diversificação
e sustentabilidade:
os drivers para 2009
ode parecer audácia fazer projeções relativas

P
ao consumo em 2009 num momento em
que tarimbados especialistas em indústria
e comércio se esquivam de traçar certezas,
incertos de quais serão os impactos das recentes
convulsões da economia mundial no Brasil. Mas,
pelo menos para a cadeia de valor do packaging,
dá para ser assertivo e afirmar que três grandes
motores orientarão sua agenda no próximo ano:
equação de valor (a popular relação custo/benefício),
diversificação e sustentabilidade. Em muitos casos
de modo explícito, em outros de modo sutil, às vezes
individualmente, às vezes inter-relacionados, esses
“macrodrivers” têm ditado significativas tendências
b

em embalagem no mercado nacional.


om
o: t
traçã
ilus

16 EmbalagemMarca dezembro 2008 www.embalagemmarca.com.br


FOt
Os:
divu
LgA
çãO

O fator equação de valor tem ganhado impor-


Multipacks econômicas:
tância em vista de uma expressiva transformação mais unidades resultam de
que se sedimentou no Brasil ao longo dos últimos flexibilidade produtiva
quatro anos. Nesse período, a classe C, formada
por famílias com renda mensal média de 1 100
reais, ganhou quase vinte milhões de novos inte-
grantes – em grande parte pela melhora de vida
nas classes D e E, mas também por perda de poder
aquisitivo das classes A e B. Hoje, aponta a Niel-
sen, a classe C é composta por mais de 80 milhões
de pessoas e responde por 46% do consumo no
país. Devido ao avanço dessa camada, muitas
indústrias têm revisto seus modelos de negócios
para desenvolver produtos com apelo de vanta- Um artifício que pode ganhar popularidade é
gem econômica. A expectativa de recessão tende a o uso de refis. Nesse campo, 2008 foi palco de
acentuar ainda mais esse movimento, que norteou um case inspirador, o do creme antiidade Chronos
lançamentos importantes em 2008. Flavonóides de Passiflora. Ocorre que sempre
A Unilever, por exemplo, promoveu com alar- houve resistência da indústria de cosméticos para
de a estréia de uma nova versão do seu amaciante trabalhar o conceito de refilagem em produtos
de roupas Comfort. Com fórmula concentrada, com perfil premium. A Natura decidiu remar
sem água, o produto garante mais rendimento. contra a corrente, desenvolvendo um engenhoso
Também na seção de lavanderia, o mesmo apelo sistema de reposição, feito pela base do pote do
motivou outra grande multinacional, a Procter & creme. “O produto tem feito sucesso, quebrando
Gamble, a apostar no lançamento da versão líqui- um tabu”, diz Luciana Villa Nova, gerente de
da do lava-roupas Ariel. Revisitados, com emba- embalagens da Natura.
lagens diferentes dos padrões de suas categorias, Devido às crescentes buscas por apresentações
os produtos mostram como o holofote na classe econômicas de produtos, o cenário também deve
C não significa necessariamente uma situação continuar promissor para as embalagens plásticas
espinhosa para as marcas líderes – e sinalizam Leite em embalagem flexíveis. O panorama recessivo pode estimular
flexível longa vida: crescem
que pode ter ficado para trás a época da priori- os fornecedores migrações de embalagens com preço relativo
zação dos produtos de combate para conquistar maior para bolsas e outros formatos de invólucros
o povão. produzidos com filmes. Uma delas pode ocorrer
no mercado de leite longa vida. Em março último,
a Cooperativa Languiru lançou no Sul do país,
Comfort concentrado com a marca Mimi, o primeiro leite UHT nacional
(abaixo à esq.) e Ariel envasado em bolsa plástica asséptica. Além da
líquido: produtos
revisitados em nome Intermarketing Brasil, que distribui no mercado
cArLOs curAdO – bLOcO de cOMunicAçãO

de mais rendimento nacional a tecnologia embarcada na embalagem


da Languiru, outros fornecedores esfregam as
mãos. A DuPont reforçou a divulgação de seus
pouches assépticos, e a transformadora Itap Bemis
anunciou, recentemente, possuir um filme dedica-
do ao produto.

Tamanhos variados
A busca por economia também abre oportunida-
des para embalagens com volumes maiores. As já
citadas Unilever e P&G, por exemplo, reforçaram
neste ano a distribuição de xampus em recipientes

www.embalagemmarca.com.br dezembro 2008 EmbalagemMarca 17


com volumes mais generosos. Garrafas de PET A tiracolo do atendimento a outros canais,
de 3 litros de refrigerantes da Coca-Cola e da como o consumo em festas e casas noturnas, a
Pepsi também têm presença cada vez maior nos via contrária também tem obtido êxito. O ano de
hipermercados. 2008 consolidou o sucesso da Sol Shot, da Femsa,
Por sua vez, o mercado de cervejas utiliza cada cerveja acondicionada em garrafa long neck de
vez mais embalagens secundárias para agrupa- vidro de 250 mililitros. E, em mais uma prova
mento (multipacks) fora dos tradicionais padrões da diversificação que se abate sobre o negócio
de seis e doze unidades. Valendo-se da flexibili- de cervejas, semanas atrás a AmBev promoveu o
dade de fins de linha com automação avançada lançamento de uma versão de Skol em lata sleek,
(mesas acumuladoras robotizadas, por exemplo), com perfil mais delgado, com 269 mililitros de
empresas como AmBev, Femsa e Schincariol cerveja – alcunhada de “redondinha”. A lata, da
têm usado e abusado do agrupamento de variadas Rexam, é dotada de um indicador de temperatura
quantidades de latinhas de cerveja com filmes ter- produzido com tinta termocromática, que muda
moencolhíveis (shrinks), lançando mão de “paco- de cor para avisar a temperatura do conteúdo.
tes econômicos”.
Os “pacotões” não são os únicos reflexos de Menos inteligência?
uma forte tendência de diversificação de apresen- Embalagens “inteligentes” como a lata da Skol
tações que tem se acentuado no mercado de cer- com “termômetro”, cujas conveniências propor-
vejas. As latas de 473 mililitros, por exemplo, têm cionadas ao consumidor têm preço, serão afetadas
ganhado destaque: sua produção quase dobrou pela crise? É uma dúvida que fica no ar para o
em 2007 (fechando aquele ano com crescimento próximo exercício. No segmento de alimentos
de 97%, para um saldo de 343 milhões de unida- prontos e semiprontos, por exemplo, uma linha
des fabricadas), e continuou a crescer em 2008. de pizzas para microondas, com aquecimento
Recentemente, a Femsa lançou versões de Sol, que ocorre graças a uma embalagem especial,
Kaiser e Bavária em latas de 500 mililitros. “O foi lançada com frisson pela Sadia – uma das
‘latão’ é hoje a grande aposta do setor”, ressalta empresas que amargaram prejuízos com o crash
Renault Castro, diretor executivo da Associação financeiro. A Prada, importante fornecedora
Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alta Reci-
clabilidade (Abralatas). As empresas do setor
– Rexam, Latapack-Ball e Crown – estão inves-
tindo em aumento de capacidade, para atender à
demanda reprimida. Algumas das novas linhas de

fotos: carlos curado – bloco de comunicação


produção serão inauguradas em 2009.
A tendência também provocou efeitos nas
vidrarias, com o lançamento, pela AmBev, das
garrafas retornáveis de 1 litro – apelidadas de
“litrões” – das cervejas Skol e Brahma. O padrão é
bastante popular em países vizinhos como Argen-
tina e Uruguai, e há a expectativa de saber qual
será a resposta do consumidor a essa proposta.
Para Enio Rodrigues, superintendente do Sin-
dicerv (Sindicato Nacional da Indústria da Cerve-
ja), o aumento da procura por volumes maiores
tende a crescer em 2009 por causa da lei seca,
sancionada em 2008. “Ela influenciou hábitos
de consumo de bebidas alcoólicas, diminuindo a
venda em bares e aumentando vendas nos super-
mercados em cerca de 20%, para consumo nas Latões de meio litro e garrafa de vidro retornável “litrão”:
residências.” novidades em embalagem no mercado de cervejas

18 EmbalagemMarca dezembro 2008 www.embalagemmarca.com.br


Tampas de perfil baixo
da Bericap: economia
de material agita o
mercado de bebidas

de embalagens metálicas, anunciou em 2008 ter


competência para fornecer latas de aço “micro-
ondáveis” para alimentos. O apelo desse tipo de
tecnologia se manterá no cenário de recessão?

fotos: divulgação
Outra indagação diz respeito a uma embala-
gem concorrente das latas, a bolsa plástica do tipo
retortable – passível de esterilização por autoclave
e, portanto, ideal para alimentos sensíveis. Bafe-
jada pelo real valorizado, a embalagem, confec- tes nacionais de resinas orgânicas, alternativas aos
cionada com material importado, vinha galgando plásticos, prometem fazer startups ou incrementar
importantes espaços em seções como as de pet suas capacidades produtivas no próximo ano.
food e de atomatados – área em que conquistou, Uma dessas empresas, a CB Pack, já foi homolo-
em 2008, a adesão de um importante produto, gada pelo Wal-Mart neste ano, e já fornece para
o molho pronto Pomarola, da Unilever. Com a a rede varejista bandejas de bioplástico para o
depreciação do real, a oportunidade de desenvol- acondicionamento de hortifrutigranjeiros.
ver estruturas nacionais para essa embalagem No setor de bebidas, em 2009 a sustentabili-
fica ainda mais latente. Resta esperar para ver se dade continuará sendo um incentivo para pesqui-
algum fornecedor se habilita. sas e desenvolvimentos de reduções de emprego
Resta também, para 2009, acompanhar quais de matéria-prima em garrafas de PET, campo
serão os desdobramentos da liberação, feita bastante agitado neste ano.
pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(Anvisa) neste ano, do uso de PET reciclado Alívio de custos e de pressões
para a produção de novas embalagens para ali- O aliviamento tem guiado, em especial, inovações
mentos e bebidas. O Brasil era um dos poucos em garrafas de PET para água mineral, produto
países que restringiam esse processo. Até agora, na alça de mira dos ambientalistas. Garrafas ultra-
no entanto, a autorização não teve grandes efeitos leves causaram espanto no mercado em 2008. A
práticos. Meses atrás, a Coca-Cola anunciou que Krones, por exemplo, anunciou recentemente o
em 2009 começará a utilizar a chamada tecnologia desenvolvimento de um recipiente de PET para
bottle-to-bottle para o uso de PET reciclado pós- 500 mililitros de água com peso de apenas 6,6
consumo em novas garrafas. Pouch retortable: o real gramas. Os modelos convencionais desse gênero
desvalorizado afetará
Mas não é só o emprego de PET reciclado sua disseminação? pesam entre 13 e 16 gramas. Outros nomes fortes
que poderá causar movimentações em termos de em equipamentos, como Sidel, Husky e KHS, vêm
embalagens mais sustentáveis em 2009. Fabrican- também investindo pesado em redução de peso.
A tendência do aliviamento de garrafas vem
também ganhando força devido à escalada das
tampas com perfil mais baixo, que garantem
“enxugamentos” dos gargalos das garrafas. Há
uma transição em curso no mercado. Depois de
difundirem-se em águas minerais nacionais, essas
tampas prometem sacudir o mercado de refrige-
rantes.
A Coca-Cola, por exemplo, pretendia estrear
em outubro último garrafas com tampinhas meno-
res, produzidas pela CSI. O projeto, postergado
para o primeiro trimestre de 2009, abarcará ini-
cialmente as garrafas de 600 mililitros. “A garrafa,
que pesa 28 gramas, ficará 2 gramas mais leve.
Economizaremos meio centavo por garrafa”, diz
Pizza “microondável” da Sadia: crise afetará investimentos José Mauro de Moraes, diretor de meio ambiente
das indústrias em embalagens mais sofisticadas?

20 EmbalagemMarca dezembro 2008 www.embalagemmarca.com.br


da Coca-Cola. Além da CSI, Bericap e Álter estão
empenhadas na difusão das tampas mais enxutas,
e um nome internacional importante, a suíça Cor-
vaglia, está de olho no Brasil.
Como ressalta João Carlos Lazzarini, da Niel-
sen, na entrevista desta edição (página 36), a con-
solidação de um cenário recessivo poderá benefi-
ciar os produtos com marcas próprias do varejo,
posicionados em faixas de preço menores que as
das marcas da indústria. Isso sempre ocorreu em
períodos de aperto do poder aquisitivo. Mas, em
caso de recidiva, poderá causar reflexos nos mer-
cados de itens de higiene pessoal e de cosméticos,
nos quais os varejistas intensificaram lançamentos
em 2008. O Pão de Açúcar investiu 1,5 milhão
de reais no lançamento de sua linha Taeq Beleza,
composta por nada menos que trinta itens entre
xampus, sabonetes e cremes. O Carrefour, por
Taeq Beleza: exemplo
sua vez, trouxe ao Brasil sua marca de cosméti- da escalada das marcas
cos Les Cosmétiques. Já o Wal-Mart continuou a próprias no segmento de
cuidados pessoais
expandir sua linha de higiene pessoal Equate, de
apelo popular.

www.embalagemmarca.com.br dezembro 2008 EmbalagemMarca 21


perguntas
para Salomão Quadros
ificilmente o próximo ano será bafejado pelos

D
foto: ivone perez
fatores que confluíram para os resultados positi-
Economista calcula como vos obtidos pela indústria em 2008. No entanto,
a crise que se avizinha não deverá arruinar o
a crise poderá afetar a consumo de bens não-duráveis – e de embala-
economia e o setor de gens para tais produtos. A avaliação é de Salomão Quadros,
coordenador de análises econômicas da Fundação Getúlio
embalagens em 2009 Vargas, que há anos realiza um acompanhamento do desem-
penho da indústria de embalagens para a Abre, entidade de
classe do setor. Segundo Quadros, o brasileiro pode ter de
“apertar o cinto” caso a crise financeira tenha desdobramentos
mais sérios e afete os níveis de emprego. “Mas os bens de
largo consumo têm demanda estável e sua aquisição não deve
oscilar de forma representativa no próximo ano”, pondera o
profissional na entrevista a seguir.

Os últimos anos foram marcados pela ofer-

1 ta abundante de crédito, que estimulou a


população a adquirir bens duráveis como
automóveis, eletroeletrônicos, computadores
e materiais de construção. Na interpretação de muitos
economistas, esse movimento acabou “roubando” recur-
sos que poderiam ser destinados a bens não-duráveis e a
serviços. O senhor acredita numa reversão desse quadro
em 2009, devido aos efeitos da crise?
Não acredito que uma crise possa ser fator de melhora de
consumo de bens não-duráveis e, indiretamente, de embala-
gens. Além disso, se a crise for mais intensa do que se ima-
gina, com arrocho de crédito, vai haver desemprego e, com
isso, pode haver redução do consumo de bens não-duráveis.
Quando estamos em um ambiente macroeconômico positivo,
registramos maior oferta de crédito e emprego, e há natural-
mente uma diversificação do consumo. É preciso ressaltar
que bens não-duráveis têm demanda mais estável e pequena
flutuação, até como forma de proteger o setor. Mas as pes-
soas não comem mais ou compram mais produtos
para cuidados com a casa porque deixaram
de usar determinada quantia na compra de
um carro, por exemplo. O que pode ocorrer
é o direcionamento desta verba para um
bem durável mais barato e simples, ou a
redistribuição de pequenas quantias para
aquisição de bens não-duráveis, que são

22 EmbalagemMarca dezembro 2008 www.embalagemmarca.com.br


gêneros de primeira necessidade. O que pode acontecer den- Mas não impedirá reduções, se for o caso, porque os progra-
tro deste segmento é a migração entre marcas em busca de mas de distribuição de renda só atendem a uma parcela da
menor valor, ou mesmo a compra de produtos das chamadas população, garantindo que as famílias mais pobres tenham
marcas próprias. As empresas terão de ser mais eficientes acesso a produtos essenciais.
em sua produção e promover lançamentos de produtos mais
acessíveis como estratégias para ajudar o setor de bens não- Em agosto o senhor projetava que a indústria
duráveis a atravessar este período de dificuldade de forma
mais pró-ativa. 4 brasileira de embalagens fecharia 2008 com
um crescimento de 2,5% – e comemorava o
fato de que, apesar de pequena, a evolução
O senhor se arrisca a fazer alguma projeção seria sustentada, isto é, daria prosseguimento ao saldo de

2 sobre o comportamento dos preços das maté-


rias-primas e dos combustíveis em 2009?
É difícil fazer qualquer projeção para o próximo
2007. O estouro da crise financeira já alterou aquela pre-
visão? Pelo acompanhamento feito pelo senhor, a crise já
causa impactos no setor de embalagens?
ano, mas a meu ver há espaço para a queda de valor de maté- Mesmo com a crise financeira, não acredito que devo rever
rias-primas, principalmente as agrícolas, e de alguns produtos essa projeção de 2,5%, ainda que ela se consolide como
industriais, se a situação econômica se deteriorar ainda mais. ligeiramente menor ao final de 2008. Não há nenhum indica-
O problema é que ainda não se conseguiu mensurar a exten- dor que aponte que a produção de embalagens e de bens
são da crise financeira que afeta o mundo. Vários países estão não-duráveis já esteja sendo afetada de forma expressiva. Os
investindo no aumento da produção a partir do cenário que setores seguem seu curso e é prematuro falar algo relacionado
vigorou até recentemente. Pode ser que os preços se esta- a 2009, mas podemos dizer que dificilmente o resultado deste
bilizem ou caiam – e isso eu digo por feeling. Os preços das ano, quando tantos fatores colaboraram para o crescimento,
commodities se elevaram entre 2007 e 2008, e, até que voltem se repita em 2009. A crise vai chegar com defasagem no setor
a patamares mais alinhados com os registros históricos, pode de embalagens, pois vai afetar primeiro os que mais depen-
levar mais um tempo. Já para os combustíveis, focando o dem de crédito, esbarrar na questão do emprego e em outros
petróleo, é difícil arriscar, porque o controle dos valores nego- segmentos da indústria, e só então o setor de embalagem.
ciados está sob jurisdição da OPEP (Organização dos Países
Exportadores de Petróleo). É certo que não se pode cortar A desvalorização do real frente ao dólar pode
demais a produção com a finalidade de aumentar o valor do
barril, pois em tempos de recessão há mais dificuldade de
venda do produto. Não acredito numa recuperação de preços
5 compensar um eventual desaquecimento na
demanda com importações de embalagens
brasileiras? De forma análoga, isso pode res-
no nível pré-crise, que já registrava alguma especulação. No tringir a entrada de embalagens importadas, como vinha
primeiro semestre, sobretudo no segundo trimestre deste ano, acontecendo com as flexíveis plásticas?
os preços subiram de forma expressiva. Para o setor de embalagem, o interessante é que a crise seja
mais branda e o que pode favorecê-lo é que, com a desvalo-
O consumo interno, aquecido pelos progra- rização cambial, e o encarecimento das importações, ocorre

3 mas de distribuição de renda do governo,


pode ajudar a proteger a indústria nacional
em geral e o setor de embalagens dos efeitos
substituição de produtos importados por nacionais e os for-
necedores internos podem aproveitar essa oportunidade para
recuperar espaço de um produto antes importado. Sempre
da crise mundial? que há desvalorização do real, há favorecimento do comércio.
Se os programas não sofrerem descontinuidade ou redução, Mas, mesmo quem ganhar não terá margem expressiva, pois
acredito que em 2009 não haverá sofrimento do consumo. estamos lidando com um cenário mundial de recessão. Isso
Mas o próximo ano será um ano de menor atividade econô- pode restringir a entrada de embalagens importadas, sim,
mica, em que o PIB deve sofrer redução – de 5% para talvez mas acho que estamos falando de uma assimetria. No exte-
2,5% ou 3%. Isso repercute na arrecadação do governo, que rior existe uma demanda em queda, o que ainda não ocorre
tem despesas e frentes para atender, como salários de servi- no Brasil. Nosso mercado usuário de embalagens ainda está
dores públicos, investimentos no PAC, no Bolsa Família, entre aquecido – não tanto quanto no meio do ano, mas ainda está
outros. Será que o governo vai conseguir atendê-los ou vai razoavelmente aquecido. Por isso, e pela carência da popu-
fazer algum ajuste por conta da inflação? Se esses programas lação, o setor doméstico produtor de embalagem certamente
passarem incólumes pela crise, será um apoio ao consumo. deverá se beneficiar.

www.embalagemmarca.com.br dezembro 2008 EmbalagemMarca 23


}}} pack expo

Do verde ao vermelho
Crise ofusca a sustentabilidade e torna-se o principal assunto de feira
americana de embalagem. Será um prenúncio do que irá ocorrer no Brasil?
Por Guilherme Kamio, de Chicago

fotos: divulgação
N
os últimos cinco ou seis anos, a
busca de recursos menos onerosos
ao ambiente sustentou-se como o
tema cardeal das maiores exibições
do setor de embalagem. O verde da
sustentabilidade, porém, começa a ser eclipsado
pelo vermelho da recessão. Deflagrada pelo colap-
so dos chamados subprimes, a crise financeira
já provoca efeitos expressivos na atividade do
packaging e em suas feiras de negócios – pelo
menos no olho do furacão, os Estados Unidos,
como ficou evidente na versão de 2008 da Pack
Expo International.
Ocorrida entre 9 e 13 de novembro numa
Chicago ainda ressacada pela consagração do
local Barack Obama como presidente, a mostra
caiu em relação à edição anterior, de 2006 – ainda
que modestamente, segundo seu borderô. A visi-
tação total, a presença de estrangeiros, o número
de expositores e a área ocupada apresentaram
retração (veja quadro). “Nas condições econô-
micas atuais, uma leve queda seria inevitável”,
consola-se Charles D. Yuska, presidente e CEO
do Packaging Machinery Manufacturers Institute
(PMMI), entidade que congrega os fabricantes
norte-americanos de máquinas de embalagem e
que organiza a Pack Expo.
Hall principal de entrada da feira: movimento e ânimo menores que os das últimas edições
Hora do olhar interno
Mas embora sirvam como endosso, os números
Fonte: PMMI

não traduzem completamente o impacto do caos Efeito da crise?


econômico no evento. Os corredores do McCor-
mick Place, abrigo da Pack Expo, não estavam Ainda que de leve, Pack Expo International encolheu
tomados pela efusividade das edições anteriores. em relação à edição anterior
2008 2006
Diante do cenário financeiro nebuloso, do desem- Visitação 67 964 71 407
prego em alta e da perspectiva de que o consumo
Público internacional 5 645 6 057
será encabrestado, as indústrias americanas usuá-
rias de embalagens têm adotado cautela máxima. Expositores 2 281 2 302
Como salientou um executivo de compras da Área ocupada 382 409 m ²
402 000 m²
Procter & Gamble numa das conferências reali-

24 EmbalagemMarca dezembro 2008 www.embalagemmarca.com.br


zadas em paralelo ao show, “não é hora de rein-
ventar a roda”. A propensão nos Estados Unidos,
que pode valer como receita para o Brasil, é a de
congelar projetos ambiciosos para concentrar-se
em revisões, buscando ganhos internos e soluções
criativas a partir de sistemas e processos de acon-
dicionamento já empregados.
Isso não significa sustar investimentos.
“Mesmo diante do cenário delicado, a aquisição
de robôs e de outros artifícios de automação,
por exemplo, pode ser extremamente oportuna e
vantajosa”, declarou Jim Anderson, um dos conse-
lheiros-chefes do PMMI. Num estudo distribuído
na feira, o instituto lembra que, se ironicamente
o alto custo de implantação freou a massificação
dos robôs para operações de acondicionamento
no passado, agora são as economias que eles
proporcionam que os estão tornando mais e mais
atraentes. Segundo esse mesmo estudo, 9,5% das
linhas norte-americanas de embalagem emprega-
vam robôs há cinco anos. Hoje, esse índice é de
17,4%. Em cinco anos, será de 41,7%.
Não à toa, soluções embarcadas com robótica
ocuparam parte considerável da paisagem da Pack

Sustentabilidade: mais nos simpósios


Conferências foram muito descritivas, mas pouco preditivas
Mesmo à sombra da recessão, a da Nestlé (que destacou em sua
sustentabilidade manteve-se como apresentação a caixa dos bombons
assunto na ordem do dia na Pack Expo brasileiros Garoto, confeccionada
International 2008, ocupando o posto com papel cartão de florestas bem-
de grande mote das conferências manejadas); Trevor Cusworth, diretor
ministradas paralelamente à feira. da consultoria Deloitte; e Glenn Wright,
As quatro palestras principais sobre vice-presidente comercial da química
embalagens “verdes” foram ministradas Dow. Os palestrantes discorreram
por Amy Zettlemoyer-Lazar, diretora de sobre suas experiências com
embalagem do Sam’s Club e co-gerente iniciativas sustentáveis, mas evitaram
da Rede de Valor de Sustentabilidade comentar um ponto importante: a
do Wal-Mart; Betsy Cohen, vice- crise influenciará seus investimentos
presidente de sustentabilidade “verdes”? A conferir.

Palestras: foco
em soluções
ambientais

www.embalagemmarca.com.br dezembro 2008 EmbalagemMarca 25


Espaço do Export Plastic na
Pack Expo: local de negócios

Expo. Referências em robôs, como Fanuc, ABB,


Motoman (Yaskawa), Schneider e Adept, destaca-
ram tanto os modelos pesados, para paletização e
fins de linha – arena que o Brasil começa a explo-
rar –, quanto os leves, para acondicionamento
primário.
Dada a caça de precisão aliada ao enxugamen- Saldo bom, apesar da crise
to de custos, elevar a produtividade com menos Embalagens plásticas brasileiras geram negócios na Pack Expo
consumo energético e menos riscos de downtime
Dando continuidade ao que vem Union Pack, Unipac, Valfilm, Védat
(inatividade por gargalos ou por manutenção)
acontecendo em outras importantes e Zaraplast), que participaram de
também pautou o show. Entre diversas soluções
feiras internacionais de embalagem, rodadas de negócios. Todas contavam
com esse fim realçadas na Pack Expo, a Bosch
o Programa Export Plastic, uma com, no mínimo, seis reuniões pré-
Packaging mostrou, por exemplo, uma seladora parceria entre o setor privado e o agendadas por um agente americano
de cartuchos de papel cartão dotada de um siste- governo brasileiro para fomentar do Export Plastic. Saldo da iniciativa:
ma que fecha a tampa superior e as abas dessas as exportações de plásticos vendas na casa dos 270 mil dólares e
embalagens, após a colagem, numa só passagem e transformados, marcou presença previsão de negócios da ordem de 16
em sentido único. A maioria dos equipamentos do na Pack Expo International 2008. milhões de dólares nos próximos doze
gênero realiza uma rotação dos cartuchos durante O estande do Programa expôs meses. “A feira teve um fluxo menor,
o processo, dando margem a erros. materiais e embalagens acabadas de mas a qualidade dos contatos foi
treze empresas (Cartonale, Felinto, muito boa”, resume Gilberto Agrello,
Atenção ao despacho Grupo Embrasa, Mega Embalagens, especialista em desenvolvimento de
Packduque, Plasc, Plastseven, Polo, mercado do Export Plastic.
Outro campo que demanda crescente zelo dos
fabricantes americanos de bens de consumo é o da
embalagem secundária. Sucede que se acumulam
os relatos de economias fantásticas alcançadas
com o melhor aproveitamento cúbico (cubagem)
das caixas de papelão ondulado e com redistri-
buições dos agrupamentos das cargas (mérito, em
muitos casos, de avançados softwares de paletiza-
ção). São casos que, astutamente, têm sido propa-
lados como conquistas em sustentabilidade.

ANTES
De acordo com uma recente pesquisa do Fechadora de cartuchos
da Bosch: menos risco de
PMMI, muitas empresas cogitam até passos mais paradas indesejáveis
ousados, substituindo as tradicionalíssimas “cai-
xas americanas” de papelão ondulado (RSCs,
Cubagem de acrônimo para Regular Slotted Containers) por
cargas: meio de alternativas ainda mais econômicas, como ban-
economizar e ser
mais “verde” dejas de polpa moldada ou lâminas de papelão
envolvidas com filme termoencolhível (no caso,
indústrias de bebidas) e caixas menos robustas do
DEPOIS tipo shelf-ready (com sistemas de abertura fácil e
capazes de servirem como displays).
Planos desse tipo, entretanto, esbarram em
situações complicadas. Exemplo: os clubes de
compras e atacadistas, influentes nos Estados
Unidos, têm exigido caixas com mais “stackabi-
lity” – isto é, capacidade de empilhamento. “É

26 EmbalagemMarca dezembro 2008 www.embalagemmarca.com.br


Robôs, de
empresas como
Fanuc e Kuka,
dominaram a
paisagem da
feira. Automação
pode gerar
eficiência e
cortar custos

um paradoxo à exigência por redução do uso de


materiais”, alfineta o documento do PMMI.
A Pack Expo também serviu para comprovar
outras questões importantes. Em virtude das pres-
sões por enxugamento de custos, as indústrias
americanas parecem ter engavetado os projetos
de implantação da identificação por radiofreqüên-
cia (RFID) – tecnologia que irrompeu alguns
anos atrás envolta em ares messiânicos para o
controle da produção e da distribuição. “Ninguém
espera que o RFID substitua os códigos de barras
convencionais num médio prazo”, confessou, no
evento, o gerente de uma grande indústria alimen-
tícia, que pediu para não ser identificado.
Quanto às apreensões para os próximos meses,
a Pack Expo evidenciou três principais temores
do empresariado americano: o gerenciamento
dos investimentos financeiros e em ativos fren-
te à turbulência econômica; o viés de alta das
matérias-primas; e os preços galopantes dos com-
bustíveis. Aliás, a necessidade de cortes no custo
do transporte tem estimulado uma espécie de
“globalização reversa”. “Certas tarefas de monta-
gem relegadas ao longo dos últimos anos a países
asiáticos e latino-americanos começam a retornar
aos Estados Unidos”, nota Yuska, do PMMI. Pode
ser uma saída para eles. Mas não para países como
o Brasil, que não têm muito a reabsorver.

www.embalagemmarca.com.br dezembro 2008 EmbalagemMarca 27


}}} emballage

Acendeu o amarelo
Cautela para investir em equipamentos contribui para reduzir a
presença de visitantes a pavilhões dedicados a máquinas na feira
Por Wilson Palhares, de Paris

A
esgarçada presença de pessoas se Por “atuais circunstâncias” a executiva não
credenciando no hall de entra- se refere apenas à crise financeira que se irra-
da ou circulando pelos corredores diou dos Estados Unidos para o resto do mundo.
da feira Emballage, realizada na A seu ver, a tormenta influiu, sim, de modo com-
França entre 17 e 21 de novembro plementar – embora com peso decisivo, é ver-
último, mal lembrava a massa humana que a dade – para estabilizar o número de visitantes,
cada dois anos costumava lotar os seis pavi- principalmente de europeus não franceses, que
lhões do Parc des Expositions, em Villepinte, costumavam formar quase a metade do público.
nos arredores de Paris. “Não atingimos o núme- No compasso de espera em que as empresas se
ro projetado antes da deflagração da crise, que puseram em termos de investimentos, perdeu
previa público muito acima de 100 mil, mas nas força uma das grandes atrações do Emballage,
atuais circunstâncias o total de visitantes pode que seriam os três pavilhões dedicados a equi- Menos que a crise, o que
pode ter afetado a vinda
ser considerado um bom resultado, comentou a pamentos. “Numa situação de retração, acende de visitantes foi o excesso
diretora do evento, Juana Moreno. O balanço o sinal amarelo, e os empresários tendem a de feiras semelhantes
oficial da feira contabilizou 101 730 visitantes. segurar investimentos mais pesados, como em

28 EmbalagemMarca dezembro 2008 www.embalagemmarca.com.br


máquinas”, considera Juana Moreno. Emballage. Deve tê-los motivado, também, a
De fato, é uma tendência – que, no enten- cautela e o que se começa a chamar de “satura-
dimento de EmbalagemMarca, pode se cons- ção feirística”. Ocorre que a crescente facilida-
tituir em monumental equívoco estratégico. É de de viagens e de comunicação tornou as feiras
verdade que investimentos em infra-estrutura internacionais mais acessíveis – para visitantes
muitas vezes dependem de obtenção de crédito, e também para expositores. E a semelhança
que também na Europa, segundo a diretora do cada vez maior entre o que nelas é apresentado
Emballage, está escasso. Ademais, cautela em se agrava quando ocorrem próximas umas das
terremotos é recomendável. No entanto, segun- outras no tempo.
do ensina a prática, para contornar tempos bicu-
dos a substituição de máquinas por outras mais Outras feiras
eficazes pode ser a chave da competitividade Neste ano ocorreram nada menos que três feiras
em preços e produtividade. “Os investimen- importantes, grandes arrebatadoras de público
tos nas grandes forças motrizes atuais, como relacionado com a cadeia produtiva de emba-
os bioplásticos e a robotização, representam lagem no mundo inteiro: Drupa e Interpack,
milhões, o que leva à perda de competitivida- ambas em Dusseldorf, na Alemanha, e Pack
de num primeiro momento”, pondera Juana Expo, em Chicago, EUA. Isso, na interpreta-
Moreno. “Mas há sempre o momento seguinte, ção dos organizadores do Emballage, deve ter
e quem chegar a ele mais forte e mais ágil segu- contribuído também para que o desempenho do
ramente ganhará mercado.” evento não chegasse aos esperados 20% a mais
São ponderações que provavelmente não que em 2006, quando o número de visitantes
estavam nos cálculos de quem deixou de ir ao ultrapassou a marca dos 100 mil.

A presença verde-amarela
Bons resultados e a visão da embalagem brasileira no Emballage
A visitação de brasileiros ao Emballage ção organizada pela Abigraf – Associação
2008 foi menor do que em edições Brasileira da Indústria Gráfica, embora sem
anteriores, “provavelmente devido à crise”, informar números de negócios, colocou
segundo os organizadores do evento. sua presença na feira no lado positivo do
Nem por isso a presença verde-amarela balanço. “Marcamos presença, chamamos
foi menos expressiva, já que o país esteve atenção e mostramos a qualidade altamente
representado em dois estandes que competitiva do produto brasileiro”, conside-
reuniam diversas empresas: o da Export rou Daniel Hsu, gerente de negócios inter-
Plastic e o da Graphia. Ambos montados nacionais da entidade.
em parceria do setor privado com a Apex, a Outro ponto em que o Brasil marcou pre-
agência federal de fomento às exportações, sença foi no Pack.Vision, seminário inter-
representavam respectivamente o setor nacional de tendências de embalagens rea-
plástico e indústrias gráficas especializadas lizado pelos organizadores do Emballage,
em embalagem. transcorrido em ambiente montado no
Segundo Marco Wydra, gerente executivo centro do pavilhão 6. Lá, fizeram palestras
do Programa Export Plastic, a presença no a gerente de marketing da Kingraf, Carmen
Emballage, pela terceira vez consecutiva, Markowicz, e Wilson Palhares, editor de
“permite comemorar US$ 950 mil em ven- EmbalagemMarca (fotos). Carmen apresentou
das geradas”. Há previsão de que os 132 o case ganhador do Prêmio EmbalagemMarca
contatos realizados na feira resultarão em – Grandes Cases de Embalagem em 2008.
fotos: A. C. RÊDE

negócios da ordem de US$ 4,5 milhões nos A apresentação de Palhares foi sobre O
próximos doze meses”. Mercado Brasileiro de Embalagem – Um
Por sua vez, a Graphia, aliança de exporta- Panorama de Oportunidades.

30 EmbalagemMarca dezembro 2008 www.embalagemmarca.com.br


Porém, outras atrações além de máquinas foi hegemônico no Espaço Luxo, com a mul-
e seus complementos fizeram da mais recente tiplicação de estandes com requintadíssimos
edição do Emballage um evento bem sucedido, frascos e garrafas destinados principalmente a
na visão dos organizadores. En effect, como eles bebidas e perfumes.
dizem, o maior pavilhão dos quatro em que foi O conceito de inovação, que os organiza-
montada a feira, dedicado a embalagens, rotula- dores do Emballage brandem como uma das
gem, matérias-primas e estandes internacionais, principais marcas do salão, foi reforçado nesta
mostrava movimento muito mais intenso que o edição. O Espaço Tendências, criado em 2006,
observado nos demais. Ali, viu-se uma demons- foi ampliado para expor quarenta produtos
tração evidente de que alguns dos principais considerados inovadores, escolhidos entre 200,
fatores de sucesso daquele salão, que são a por um júri internacional de jornalistas especia-
diversificação, a inovação e a identificação de lizados. Foi dividido em cinco categorias (Mais
tendências, nada perderam ante os rumores de diferente, Mais prático, Mais eco-cidadão, Mais
crise. rentável e Mais seguro). Uma visão desse espa-
ço poderá ser vista no site de EmbalagemMarca
Vedetes da feira e também no da própria feira (www.emballage.
Ao contrário, esses três itens foram as vedetes com). Esse e outros temas
da feira. O primeiro deles, a diversificação, e produtos que no entender
podia ser observado – especialmente se o obser- da redação sejam de interes-
vador fosse brasileiro e comparasse com aquilo se da cadeia produtiva de
de que dispõe por aqui –, na ampla variedade embalagem serão apresen-
de alternativas de formatos, acabamentos e tados em futuras edições
cores de embalagens e seus complementos. da revista.
Nessa linha, dois exemplos de novos usos de
materiais, por acaso tomando lugar do vidro:
ampolas de PET e garrafas de vinho. O primei-
ro, da Seriplast, usa como argumento básico a
“eliminação do risco de quebra; o segundo, da
PDG Plastiques, acena também com “a leveza e
a praticidade da tampa de rosca”. Mas o vidro

o
açã
unic
ode com
–bloc
ado
cur
los
car

Entre as novidades e
lançamentos, substituição
de materiais, como nos
casos de garrafas de vinho
e de ampolas, feitas de PET
para tomar lugar do vidro
divulgação

32 EmbalagemMarca dezembro 2008 www.embalagemmarca.com.br


ENTREVISTA }}} JOÃO carlOs laZZarini

O fortalecimento é possível

FOtO: divuLgAçãO
Para especialista da

Nielsen, a crise não irá

atrapalhar as empresas

que se mantiverem

atentas a estratégias e

movimentos que têm

influenciado o mercado

de consumo brasileiro

nos últimos anos

D
ecididamente, o quadro produção industrial, de 5,76% este ano, brasileiro de consumo em 2008?
de negócios no Brasil deverá registrar 3,10% ao final dos O ano registrou a segunda menor taxa
para o ano que se inicia próximos doze meses. Não é tão bom de desemprego em vinte anos e uma
não tem praticamente quanto o esperado até recentemente parcela significativa da classe C, aque-
nada a ver com o que – mas é crescimento. Mesmo que o la oriunda das camadas mais baixas,
se desenhava antes que o cataclismo cenário fosse pior, as oportunidades de passou a ter acesso a recursos como
americano fizesse o estrago que fez. A crescimento para as empresas estão pre- crédito consignado e cartões. Muito em
previsão sobre o cenário da economia sentes. Na verdade, aquelas que adotam função dessa parcela de consumidores,
brasileira para o ano que vem é de a estratégia de investir em marketing, ocorreu uma onda positiva de consu-
tempo ruim em praticamente todas as no lançamento ou no reposicionamento mo em 2008. O número de imóveis
áreas, segundo pesquisa que o Banco de suas marcas costumam sair fortale- vendidos foi o maior dos últimos vinte
Central faz semanalmente com analis- cidas dos períodos recessivos. É o que anos. Houve um crescimento, sem pre-
tas de mercado. demonstra nesta entrevista João Carlos cedentes na última década, da venda de
Pelo levantamento feito no final de Lazzarini, diretor de Atendimento a veículos. O mercado de bens duráveis
novembro, a economia do país deve Varejistas da Nielsen. cresceu em torno de 8% em faturamen-
crescer menos de 3% no próximo ano, to. Nos lares, a presença de refrigerado-
enquanto a previsão para o avanço da Que balanço o senhor faz do mercado res cresceu 18%; a de fogões, 10%; a

36 EmbalagemMarca dezembo 2008 www.embalagemmarca.com.br


de fornos de microondas, 20%; e a de compu- foi 2008, que foi muito bom, pois houve abun-
tadores, 13%. Por sua vez, os bens de consumo dância de crédito para a classe C, crescimento
rápido experimentaram crescimento de 1,4% de consumo e recomposição salarial importante
em faturamento, já descontada a inflação do por meio de postos de trabalho criados no perí-
período. Um crescimento expressivo ocorreu no odo. O próximo ano não se configura da mesma
setor de bebidas – alcoólicas e não-alcoólicas –, forma. No Brasil, recomendo foco no ponto-
com elevação de consumo de 3,7% em volume de-venda, já que cerca de 80% das decisões de
e de 1,6% em faturamento. Já o setor de alimen- compra são tomadas ali. As empresas precisam
tos fecha o ano com quedas de 2,9% em fatu- entender os diferentes nichos e perfis dos vare-
ramento e de 1,2% em volume. Também houve jistas, uma vez que existem diferentes grupos
retração no mercado de itens de higiene pessoal, de consumidores, dependendo de seu estilo de
de 2,5% em volume e de 2,4% em faturamento. vida. Em uma pesquisa, a Nielsen identificou
Na contramão do bom momento, houve uma seis tipos de consumidores.
elevação da taxa básica de juros e o
valor dos alimentos cresceu notadamente Quais são?
no período de abril a junho. O primeiro A título de comparação, cito o grupo dos
“As empresas
semestre de 2008 também registrou um Batalhadores, que compreende as classes
aumento da inadimplência. devem continuar C 1 e C 2, e o dos Conscientes, que com-
preende apenas a classe C 1. Os Bata-
Que impactos o varejo sofreu em 2008? se concentrando lhadores focam produto e preço e fazem
Os canais de distribuição intermediários, compras durante a semana, sozinhos. Os
ou supermercados de bairro, com metra- na classe C, que Conscientes focam preço e qualidade, e
gem entre 1 000 e 1 500 metros quadra- fazem mais compras de abastecimento,
dos, aumentaram em 4,1% sua impor- impulsiona o nos finais de semana e com a família. A
tância nas vendas. Enquanto isso, os indústria e o varejo devem acompanhar
volumes de vendas do pequeno varejo, consumo para mais esses perfis para traçar suas estratégias
formado por lojas de 200 a 400 metros para 2009 e entender as dinâmicas dos
quadrados, caíram 1,1% em 2008. Os ou para menos, e grupos de consumo. Um exemplo é focar
hipermercados também perderam 9,5% promoções para a classe dos Batalhado-
em importância de vendas. se preocupar com res. Já para o grupo dos consumidores
Conscientes, os fabricantes devem traçar
As grandes indústrias e o varejo têm se alternativas para um estratégias de marketing para gerar um
esforçado para entender e conquistar a aumento de tíquete médio. Aí, venda
classe C, que vem crescendo significa- consumo reduzido” casada de produtos é um caminho.
tivamente no Brasil nos últimos anos.
Segundo um estudo da própria Nielsen, Que categorias ou segmentos de bens de
entre 2006 e 2007 essa camada social saltou de largo consumo podem explorar melhor a base
37% para 44% da população. Essa preocupa- da pirâmide social?
ção do mercado crescerá no próximo ano? Não arrisco falar de categorias e produtos, mas
Sim, pois há oportunidade para atuar. Para pro- sim de estratégias. O setor de alimentos, que
dutos de consumo, a classe C é muito mais elás- já apresenta queda, deve manter-se estável,
tica que as classes A e B, pois o grau de penetra- mas setores que foquem e consigam trabalhar
ção de produtos como um todo, especialmente os fatores conveniência e praticidade a custos
nas classes mais baixas, ainda é menor. Também baixos vão ganhar terreno.
é possível ampliar a entrada de outras categorias
de produtos ainda não disponíveis para essa Aliás, o consumidor busca, cada vez mais, con-
fatia, como os de maior valor agregado. Temos veniência nas embalagens. Por outro lado, em
de olhar 2009 sob um prisma diferente do que tempos de aperto, corre atrás do menor preço.

38 EmbalagemMarca dezembo 2008 www.embalagemmarca.com.br


Qual dessas variáveis – conveniência ou preço – obtido para realizar melhorias que trarão bene-
tende a ser mais valorizada pelo consumidor? fícios de longo prazo para o desenvolvimento
Vai depender do tamanho do “aperto” que o do negócio. Vale destacar que o crédito para
consumo vai sofrer em 2009. Em épocas de essa parcela do empresariado ainda é baixo,
retração, existe o fenômeno do downtrading, não chega a 20%. Então, há espaço para que
que são as migrações de marcas ou categorias os bancos trabalhem melhor esse segmento,
de produto de maior valor para outras de menor. criando oportunidades para sua expansão e para
Podemos avaliar três movimentos: no primeiro, a perpetuação de seus negócios.
as pessoas passam a consumir menos; num
segundo, observa-se o downtrading; num ter- Segundo estudos recentes, empresas que inves-
ceiro movimento, mais radical, há um abandono tem em marketing e no lançamento ou no
do consumo de determinado produto. Aponto reposicionamento de produtos durante o perí-
como ação para reverter o panorama o lança- odo recessivo são as que mais se beneficiam
mento de produtos em quantidades variadas, o quando ocorre a retomada do consumo. Essa
que por conseqüência trará variação de interpretação encontra sustentação em
preços. A marca própria, com chancela “Em períodos de monitoramentos anteriores da Nielsen?
do primeiro preço, com formulação mais Essa deve ser uma estratégia a ser ado-
barata e que pode ser inserida no leque recessão, as marcas tada em 2009?
de produtos do fabricante que já mantém A Nielsen realizou há dois anos estudo
uma marca forte, é um recurso que pode se ressentem. que comprova o sucesso dessa estraté-
voltar com força em época de recessão. gia, pois é nela que as empresas se for-
Mas aquelas talecem, bem como às suas marcas, que
O senhor acredita que alguns produtos são seu maior ativo. Quando falamos da
poderão se beneficiar do provável arre- que trabalham personalidade da marca, ou de seu equi-
fecimento das importações, como efeito ty, a medida da paixão que o consumidor
da desvalorização da moeda? o marketing, tem por ela é importante: em períodos de
O agronegócio vai se beneficiar de forma recessão, as marcas se ressentem. Mas
geral, mas seria exercício de adivinhação preservando equities, as marcas que trabalham fortemente os
traçar qualquer panorama para 2009. quatro “Ps” do marketing (preço, pro-
Por menos que cresçam, Índia e China, são as que saem na duto, praça e promoção), preservando
por exemplo, são dois grandes centros equities, são as que saem na frente nos
de consumo de alimentos. Citando os frente no momento momentos de retomada. Portanto, é pos-
BRICs (acrônimo criado para designar sível preservar um ritmo de investimento
os quatro principais países emergentes –
da retomada” menor ou abrir flancos para marcas que
Brasil, Rússia, Índia e China), o Brasil estejam posicionadas em segundo plano
tem um mercado interno de consumo que não para um fortalecimento como um todo.
pode ser desprezado, e isso pode jogar a nosso
favor no próximo ano. Pelos acompanhamentos de mercado da
Nielsen, quais segmentos prometem ser os mais
As pequenas e médias empresas tendem a promissores para o ano que vem? Quais as
encontrar mais dificuldade de crédito no pano- oportunidades abertas às fabricantes de bens
rama recessivo. De que forma elas precisam de largo consumo?
trabalhar em 2009 para se manter competitivas Tudo está em suspenso, aguardando configura-
frente às grandes corporações e sobreviver às ção internacional. O que posso dizer é que as
oscilações do consumo? oportunidades surgirão para empresas que foca-
Elas podem direcionar ações no sentido de rem ações para atingir a classe C, com estraté-
organizar melhor sua logística, rever processos gias que ajudem a não interromper o processo
em busca da eficiência, aproveitar o crédito de consumo dessa parcela da população.

40 EmbalagemMarca dezembo 2008 www.embalagemmarca.com.br


panoraMa }}} MOVIMENTAçÃO NO MUNDO DAS EMBALAGENS E DAS MArcAS

PET

Loiras com mais charme


Garrafa luxuosa é uma das armas da Sidel para popularizar PET entre cervejas

cerveja em PET pode ser nobre. É o pelo projeto. O PET acondiciona apenas
que quis provar a Sidel na Brau Beviale, 3% das cervejas produzidas mundial-
mostra da indústria cervejeira ocorrida mente, e a Sidel quer turbinar esse
em novembro na Alemanha. Durante o índice. A empresa lançou recentemente
evento a empresa distribuiu garrafas de um sistema combi (linha compacta
PET âmbar com um design incomum, com estações de sopro, envasamento e
parecido ao de uma lâmpada. A base, fechamento) especial para cervejarias.
parecida a um soquete, é na verdade Também vem divulgando um estudo de
uma sobretampa, que encobre a tampa ciclo de vida, encomendado a uma con-
de rosca da garrafa. “Quisemos explorar sultoria independente, que define a gar-
as oportunidades que o PET oferece, rafa de PET como a embalagem com
quebrando os códigos formais impostos alto apelo sustentável para cervejas,
especialmente pelo vidro para a emba- perdendo apenas para a lata de aço.

FOtO: divuLgAçãO
lagem de cerveja”, explica o designer
“Lâmpada” da Sidel para cervejas: parece
francês Laurent Lepoitevin, responsável vidro âmbar, mas na verdade é PET

VAREJO

De olho nas telinhas ÁGUA EM CAIXINHA?


Com a chegada de referência mundial, etiquetas Sim. O produto já existe na Europa. Agora, pode tam-
eletrônicas de prateleira (ESLs) miram o varejo brasileiro bém existir no Brasil. O governo brasileiro, através
Já utilizadas em supermerca- Sonae e Metro”, conta de portaria do Departamento Nacional de Produção
dos europeus e americanos, Wagner Bernardes, diretor de Mineral, aboliu uma lei de 1945, que só permitia o
as etiquetas eletrônicas de marketing e vendas da Seal. emprego de materiais translúcidos em embalagens de
prateleira (ESLs, ou Electronic Formadas por pequenos pai- água mineral. Fornecedora das cartonadas adotadas
Shelf Labels) chegam ao Brasil néis de cristal líquido, as eti- por águas européias, a Tetra Pak informa estar disposta
pelas mãos da Seal Sistemas. quetas são versáteis: além de a apoiar versões nacionais. Segundo a multinacional
A empresa fechou um acordo preços, podem informar, por sueca, a opacidade das caixinhas mantém a água mais
de representação com a sueca exemplo, dados sobre promo- fresca, por protegê-la dos efeitos da luz.
Pricer, que afirma ser líder ções e informações técnicas
mundial em ESLs. “A Pricer de produtos. A programação
atua em mais de trinta países das ESLs é feita através de
e tem sistemas implantados uma tecnologia sem fio, base-
O NÚMERO
em clientes como carrefour, ada em raios infravermelhos de

59%
casino, costco, castorama, alta freqüência. dos consumidores
afirmam que produtos
com apelo ecológico
influenciam suas
decisões de compra,
segundo pesquisa do Instituto Quorum Brasil
realizado na capital paulista. O levantamento
revela que, apesar de 74% dos entrevistados
considerarem-se preocupados com questões
ambientais, 70% desistem de comprar produtos
com certificação “verde” se seus preços forem
maiores que os dos similares não-certificados.

ESLs utilizadas na Europa: possibilidade de apresentar diversas informações

42 EmbalagemMarca dezembro 2008 www.embalagemmarca.com.br


Edição: GUilhErME KaMio ||| guma@embalagemmarca.com.br

RECICLAGEM

Vai bem. E pode melhorar


Recuperação de plásticos cresce, mas há ociosidade no setor
A reciclagem de plásticos no taxa média anual de 12,1%.
Brasil deu um salto expressivo contudo, a indústria nacional
nos últimos anos. É o que mostra da reciclagem de plásticos tem
uma pesquisa recém-divulgada apenas 70,6% de sua capacida-
pela Plastivida – Instituto Sócio de instalada ocupada. Segundo
Ambiental dos Plásticos, feita Francisco de Assis Esmeraldo,
sob encomenda pela consultoria presidente da Plastivida, a ociosi-
Maxiquim. Segundo a varredura, dade se deve à recuperação ine-
entre 2004 e 2007 essa ativida- ficiente dos descartes. “Somente
de cresceu, em volume, a uma 7% dos 5 564 municípios brasi-
taxa média anual de 13,7%. leiros contam com coleta seleti-
No mesmo período, o fatura- va”, lamenta. Veja abaixo alguns
mento do setor evoluiu a uma dos números da pesquisa:

2003 2007
Volume reciclado 702 997 toneladas 962 566 toneladas
Empresas recicladoras 492 780
FOnte: MAXiQuiM

Faturamento do setor R$ 1,2 bilhão R$ 1,8 bilhão


Empregos gerados 11 500 20 000

A região Sudeste concentra A região Norte possui apenas

464 10
empresas, empresas, que processam
responsáveis por o equivalente a

60% 1%
do total de plásticos do total de plásticos
reciclados no país reciclados no país

METÁLICAS

Clique premiado
Abralatas promove concurso de fotografia

Em meio às comemorações pelos que retratem a latinha de alumínio


seus cinco anos de atividade, a para bebidas no dia-a-dia do brasilei-
Associação Brasileira dos Fabricantes ro. O prêmio máximo é de 5 mil reais.
de Latas de Alta reciclabilidade Inscrições podem ser feitas até 20
(Abralatas) começou a promover um de janeiro, por meio de um formulário
concurso de fotografia. A iniciativa, hospedado no site da associação
aberta a fotógrafos amadores ou pro- (www.abralatas.org.br). Não há taxa
fissionais, premiará trinta trabalhos de inscrição.

www.embalagemmarca.com.br dezembro 2008 EmbalagemMarca 43


}}} celulósicas

Cartuchos com mais conteúdo


Impressão na face interna das embalagens cartonadas ganha força no Brasil
Por Andréa Espírito Santo

U
ma promissora sofisticação da deco-

o – bloco comunicação
ração de embalagens cartonadas não
fica visível nas prateleiras do vare-
jo. Trata-se da impressão do interior
dos cartuchos de papel cartão. O
recurso ainda é pouco utilizado no Brasil, mas

fotos: carlos gustavo curad


começa a ganhar prestígio entre indústrias de cos-
méticos e já motiva iniciativas em setores como os
de alimentos e eletroeletrônicos e o farmacêutico.
Uma grande vantagem do processo é a redução
de custos, pela eliminação do uso de bulas ou de
instruções de uso “soltas” na embalagem.
Veja-se o caso da L’Occitane. Seus dermo-
cosméticos e protetores solares da Linha Brasil, a
primeira desenvolvida fora de seu país de origem,
a França, foram lançados meses atrás acondicio-
nados em cartuchos com bulas impressas dire-
tamente em suas superfícies internas – curio-
samente produzidas com a face branqueada do
cartão, geralmente utilizada no lado externo (a
face parda foi propositalmente utilizada exter-
namente para dar apelo de rusticidade aos pro- O setor de tinturas
para cabelos é um dos
dutos). O acesso às informações é facilitado por principais adeptos da
um picote numa das laterais dos cartuchos, que impressão em dupla face
permite “abrir” as embalagens. Essa engenhosida-
de foi uma das razões de a linha ter faturado um
divulgação

dos troféus do Prêmio EmbalagemMarca – Gran-


des Cases de Embalagem 2008.
“O uso do verso dos cartuchos para impressão
das informações dos produtos da Linha Brasil está
relacionado ao compromisso de sustentabilidade
da L’Occitane”, explica Silvia Gambin, diretora
da empresa no Brasil. “Além da redução do uso de
papel, com a eliminação das bulas, esse formato
permitiu que as informações ficassem mais à mão
Com impressão
interna nos dos nossos consumidores”. A executiva comenta
cartuchos, que tal formato de impressão foi uma inovação
L’Occitane
economiza com da Linha Brasil, e que o modelo está em estudos
bulas e ganha para possivelmente ser adotado em outros produ-
apelo “verde”
tos da grife.

44 EmbalagemMarca dezembro 2008 www.embalagemmarca.com.br


Um setor especialmente simpático aos cartu-
chos com impressão direta é o de tinturas para
cabelo. “Arrisco-me a dizer que mais de 80% do
setor de coloração para cabelos, tanto para uso
doméstico quanto profissional, adotaram essa
estratégia – não apenas pela praticidade na expo-
sição das informações, mas também pela questão
estética, importante nesse segmento”, diz Márcio
Ferraz, diretor comercial da Coferly, fabricante
das marcas de tinturas Santantonio, Soave Capelli
e Tono Soave e grande fornecedora para marcas
de terceiros. “Hoje, das cinqüenta marcas que
envasamos, 47 já realizam a impressão no verso
do cartucho”, aponta o executivo.
Com uma produção tão segmentada, a impres-
são na face interna agiliza a produção ao eliminar
a compra e o controle das bulas, além de seu
manuseio e da sua inserção nos cartuchos.

Abriu, virou brinquedo


 as não é só na área de produtos de beleza que
M
os cartuchos com impressão interna vêm sendo
utilizados. Uma das maiores indústrias de ali-
mentos do Brasil, a J.Macêdo, decidiu utilizar o
artifício nos cartuchos dos produtos de sua marca
Dona Benta, aproveitando um licenciamento dos
personagens do Sítio do Picapau Amarelo. A gra-
vação na superfície interna não traz receitas ou
instruções de uso. Quando desmontadas, as caixas
das misturas para bolo,
das gelatinas, da maria-
mole e dos pudins da
linha trazem jogos e
passatempos, como
desenhos dos persona-
gens para colorir.

J. Macêdo:
desenho para
colorir dá apelo
lúdico à caixa

www.embalagemmarca.com.br dezembro 2008 EmbalagemMarca 45


“Utilizando a parte interna do cartucho para
imprimir o passatempo, é possível melhor apro-
veitamento da área externa da embalagem para
que a comunicação seja mais efetiva junto às
consumidoras dedicadas à família”, explica Sil-
via Lombardi, responsável pela área de pesquisa
e desenvolvimento da J. Macêdo. Segundo ela,
no futuro a empresa poderá estender a impressão Supremo Duo Design:
duas faces branqueadas
interna de cartuchos a outras linhas de produtos. valorizam a impressão
Vanessa Gardano, gerente de desenvolvimen- tempo de descanso após a primeira impressão, em frente e verso

to da Ibratec, gráfica responsável pelos cartuchos de modo que o cartão absorva a tinta. Em certos
da J.Macêdo, revela que, em nome da agregação casos, a espera até a segunda passagem pode ultra-
de valor, o diferencial da impressão interna tem passar seis horas, limitando a produtividade.
sido cada vez mais procurado pelas empresas. Impressoras com reversão embarcada, porém,
Para atender à demanda, a fornecedora investiu custam caro – e, não só por isso, mas também pelo
numa impressora dotada de sistema de reversão, volume ainda inexpressivo de pedidos, é possível
que permite impressão em frente e verso numa só realizar a impressão em dupla face em máquinas
entrada em máquina – tecnologia que “justifica” a convencionais de menor porte, conforme explica
impressão em dupla face. Vander Paschoal, responsável pela área de pré-
“Ao possibilitar impressão dos dois lados de impressão de outra importante fornecedora de
uma só vez, o equipamento com reversão eli- cartuchos, a Gonçalves.
mina um tempo de acerto de máquina que pode Gráficas que já investiram na tecnologia,
levar horas em impressoras convencionais”, deta- porém, brandem um importante apelo: o preço.
lha Vinicius Neves, gerente comercial da Nova “Não repassamos custos aos clientes que optam
Página, gráfica detentora de seis impressoras do pelo processo, mesmo sendo realizado num equi-
gênero para cartuchos (três da alemã Heidelberg pamento mais sofisticado”, diz André Victor,
e três da japonesa Komori). Ademais, impressões gerente de marketing da Congraf, que há dois
em frente e verso em máquinas simples requerem anos adquiriu uma impressora com reversão – na

Em medicamentos, pouco efeito Ad-Til: alertas


reforçados no
Laboratórios têm dificuldade para adotar recurso em seus cartuchos interior das abas

Grandes usuários de embalagens cartonadas, riam fugir aos olhos do consumidor. É o que
os medicamentos poderiam ser um campo ocorre com o cartucho de sua vitamina para
prolífico para cartuchos com impressão bebês Ad-Til, impresso pela Gonçalves.
em dupla face. No entanto, além de a face Já os medicamentos isentos de prescrição
interna dos cartuchos geralmente não dis- (MIPs) têm permissão para dispensar a bula. fotos e imagens: divulgação

por de área suficiente para acomodar todas A maioria, porém, não o faz. “Ocorre que
as informações de uso dos produtos, por temos de seguir uma série de regras para for-
determinação da Anvisa (Agência Nacional matar os textos, tais como tamanho e tipo-
de Vigilância Sanitária) o uso de bulas nas logia da fonte utilizada nas informações ao
embalagens de fármacos éticos, aqueles consumidor, o que muitas vezes desestimula
vendidos sob prescrição, é compulsório. a impressão interna dos cartuchos”, afirma
O laboratório Nycomed, porém, nada contra Caio Cortelazzo, gerente de novos negócios
a corrente e utiliza alguns cartuchos com da Nycomed. “Além disso, o fato de se ter
impressão interna – mas somente para que desmontar a embalagem secundária
comunicar instruções básicas de como para a visualização das orientações impede
ministrar o produto ou advertências que, se sua reutilização para o armazenamento do
estivessem exclusivamente na bula, pode- remédio até o fim do uso.”

46 EmbalagemMarca dezembro 2008 www.embalagemmarca.com.br


ação

Natura: uma das fabricantes


carlos gustavo curado – bloco comunic

de cosméticos que usam


o verso do cartucho para
informar o consumidor

qual são processados os cartuchos da L’Occitane e


os de tinturas para cabelo de marcas como Kane-
chomn e Kert. “Acreditamos que a fidelização é
nosso principal ganho, pois temos rápido tempo
de resposta ao mercado, uma vez que o processo
produtivo é mais ágil.”

Sofisticação requer atenção


Mas nem tudo, claro, são flores. Embora veja a
utilização de recursos gráficos no lado interno dos
cartuchos como tendência, o diretor de negócios
da gráfica Box Print, Marco Schmitt, alerta que
na produção do cartucho podem ocorrer desvios
que acarretam custos e perdas de materiais por
retrabalho, tais como desprendimento de partí-
culas que originam manchas e presença de riscos
decorrentes da emenda da esteira do equipamento
de confecção do cartão.
Outro aspecto importante é o papel cartão
empregado. Schmitt lembra que, para a impressão
em faces pardas, a alta porosidade pode incorrer Box Print
(11) 5505-2370
em maior carga de tinta para impressão, por maior www.boxprint.ind.br
absorção dos componentes condutores da tinta.
“Nesse caso, uma impressão de maior qualidade Congraf
(11) 3103-0300
requer coating (revestimento) também na superfí- www.congraf.com.br
cie externa”, atenta Neves, da Nova Página.
Às empresas que quiserem impressões nas Gonçalves
(11) 4689-4700
duas faces de seus cartuchos com altíssima quali- www.goncalves.com.br
dade, uma solução pode ser o papel cartão triplex
Ibratec
Supremo Duo Design, da Suzano Papel e Celulo- (11) 4772-8276
se. O material, com ambas as faces branqueadas, www.ibratecgrafica.com.br
tem acabamento superficial que o torna mais liso,
Nova Página
diminuindo sua porosidade e aumentando a qua- (11) 3531-7000
lidade da impressão. Lançado em 2000, o Duo www.novapagina.com.br
Design é um suporte promissor para mais inova-
Suzano Papel e Celulose
ções em embalagens com cartões impressos em 0800 774 7440
frente e verso. Resta esperar. www.suzano.com.br

www.embalagemmarca.com.br dezembro 2008 EmbalagemMarca 47


ARTIGO }}} LYNN DORNBLASER

Onde estão os produtos para


os consumidores maduros? 1

C
om a idade, torna-se cada vez
mais difícil executar uma série
de tarefas do dia-a-dia. Um
exemplo de atividade que pode
tornar-se um fardo é a abertura
de muitas embalagens. Apesar de, no mundo,
haver mais consumidores maduros (acima de
cinqüenta anos) do que nunca, o número de
produtos com embalagens atentas às necessi-
dades específicas desse segmento de mercado
“O número de ainda é muito pequeno.
produtos com Na verdade, a maioria dos produtos que
vemos no mercado pode ser consumida por
embalagens essas pessoas com força e habilidade menores
do que as dos jovens, e mesmo assim não é
voltadas às desenhada para o público maduro. Ao contrá-
rio, esses bens possuem eventualmente atribu-
pessoas com tos de fácil abertura e praticidade no consumo
mais de cin- mais genéricos, voltados para o público em
geral. nado num pote plástico que dispensa o uso de
qüenta anos Em sua maioria, a ausência de ofertas volta- abridor, como ocorria com a embalagem metá-
das aos consumidores mais velhos é compreen- lica utilizada anteriormente. A nova solução
ainda é muito sível. Cidadãos acima dos cinqüenta anos têm recorre a uma tampa plástica que é simples de
pequeno” amplas diferenças entre si no que tange à saúde abrir, com selo de vedação fácil de se remover.
e à destreza. Ao criar apelos voltados para um O pote possui alças integradas que melhoram
grupo, pode-se facilmente ofender outro. Esse a pega, ajudando no manuseio da embalagem
risco não existe apenas em itens específicos, (foto 1).
razão que explica por que vemos produtos cla- A mensagem para os consumidores mais
ramente direcionados aos consumidores mais velhos está no selo de vedação, onde está escri-
velhos entre aqueles formulados para pessoas to que a embalagem tem o aval da Fundação
com colesterol elevado e coisas do gênero. Americana de Artrite. No entanto, esse comu-
Afora isso, os poucos produtos no merca- nicado só se apresenta ao consumidor quando
do com embalagem especialmente desenhada o produto é utilizado pela primeira vez, longe
para consumidores maduros utilizam o que das gôndolas.
chamamos de “marketing discreto”. Ou seja, Às vezes, os benefícios dos ingredientes se
o produto não é anunciado abertamente para o alinham com características da embalagem.
público idoso. O laboratório Wyeth Consumer Healthcare
Exemplo disso é o café Folgers, comer- comercializa uma parte dos seus analgésicos
cializado nos Estados Unidos pela Procter & em tabletes Advil num frasco exclusivo, e
Gamble. Atualmente, o café vem acondicio- anuncia ter agregado uma “tampa de fácil

48 EmbalagemMarca dezembro 2008 www.embalagemmarca.com.br


abertura para quem tem artrite”. Uma vez que o
Advil é anunciado como solução para as dores 2
e os desconfortos da artrite, usar um fecha-
mento apropriado para quem sofre desse mal é
mais que apropriado.
A tampa não é do tipo child-proof, e por
isso pode ser aberta com facilidade. O aces-
sório é, também, maior do que o utilizado nas
outras embalagens, e possui uma aba de fácil
pegada. Observe, na imagem (foto 2), que essa cado a itens desenhados para atender pessoas
aba traz uma fenda, cujo objetivo é facilitar a com deficiências, é mais amplo que isso. Em
vida daqueles consumidores que ainda tiverem essência, o design universal tem a intenção de
dificuldades para desrosquear a tampa, bastan- constituir uma solução ampla para todos
do a eles inserir um lápis ou outro objeto para os consumidores, e enfoca apa-
fazer as vezes de alavanca. rência e funcionalidade com
Outro produto muito interessante do merca- o mesmo peso. Isso signifi-
do americano vem do Sam’s Club, o clube de ca que o produto pode ser
compras da rede varejista Wal-Mart. O leite de fácil de segurar ou fácil de
marca própria da empresa, comercializado sob manusear e utilizar, mas o
a chancela Member’s Mark, vem acondiciona- visual e a imagem transmi-
do em garrafas plásticas anunciadas pelo Wal- tida devem apelar para toda a
Mart como sendo práticas para verter o conte- gama de consumidores.
údo, ergonômicas e simples de armazenar. A A Suntory lançou uma nova
embalagem ocupa menos espaço nas gôndolas 3 variedade de cerveja chamada
e possui uma alça mais larga e reta, que de The Premium Malts. Essa cer-
ajuda o consumidor a inclinar o veja é vendida numa lata de 350
4
galão para despejar o leite. Essa mililitros relativamente comum, dotada
última característica torna a tarefa de um anel de abertura que utiliza os pre-
de servir o produto diretamente da ceitos do Design Universal. Há uma cavidade
embalagem muito simples mesmo profunda exatamente onde o dedo se encaixa
para pessoas idosas, reduzindo o para puxar a aba, facilitando o processo de
risco de respingos. Observe na abertura (foto 4).
foto que a tampa também é maior É provável que desenvolvimentos como
que o padrão habitual, ajudando os mostrados aqui tornem-se cada vez mais
mãos cansadas no processo de presentes nos novos designs e conceitos de
abertura (foto 3). embalagem, à medida que o número de consu-
Esse galão de leite tem ainda midores maduros aumente. Conseqüentemente,
uma característica muito útil no crescerá a demanda por itens que facilitem a
varejo. O formato da embalagem abertura, o fechamento e o consumo dos produ-
permite que as garrafas sejam tos que esse grupo costuma comprar.
facilmente encaixadas umas sobre
as outras, auxiliando nos processos Lynn Dornblaser é diretora da divisão CPG Trend
de envio e exposição nas lojas. Insight da consultoria Mintel International, com
No Japão, registramos o lan- escritórios em Chicago e Londres. Com mais de
çamento de um produto que anun- vinte anos dedicados a análises de tendências glo-
cia incorporar os princípios do design bais de consumo, ela pode ser contatada pelo
universal. Esse conceito, apesar de ser apli- e-mail lynnd@mintel.com

50 EmbalagemMarca dezembro 2008 www.embalagemmarca.com.br


paIneL GrÁFICo }}} MErcADO DE cONVErSÃO E IMPrESSÃO DE rÓTULOS E EMBALAGENS
Edição:
Edição:Guilherme
Leandro Haberli
Kamio

Transformação da Papirus


Empresa muda logotipo e nomes de produtos
A Papirus, fabricante de papel cartão,
comunicou algumas mudanças no que
se refere ao seu relacionamento com o
mercado. As modificações fazem parte
do processo de profissionalização da
administração da empresa, e foram emba-
sadas por três pesquisas (duas com o
público externo – uma realizada em 2003
e a outra em 2008 – e uma com o público de pessoal e o know-how da empresa no durosos) renovado, e está prestes a con-
interno – conduzida neste ano). como trabalho com material reciclado. A busca quistar as certificações ISO 9001 e FSc.
mote, foi adotado o tema “transforma- pela qualificação e o reconhecimento dos “Ao que tudo indica, seremos a primeira
ção”, que a empresa acredita representar produtos da Papirus através de certifica- empresa de material reciclado do país a
sua identidade – seja por buscar inovar ções também foi citada pelo executivo. A conquistar o FSc”, adiantou Salce.
sempre, seja por trabalhar com papel empresa teve seu selo Isega (instituto de Os aspectos mais visíveis da nova fase da
reciclado. análise de materiais para embalagem da Papirus são a modificação de seu logo-
cláudio Salce, cEO da Papirus, falou Alemanha que credencia seus produtos tipo e a alteração dos nomes de toda a
sobre as mudanças de gestão pelas quais como recomendados para uso em emba- linha de produtos da empresa, que passa
a empresa passou. Ele destacou os inves- lagem com contato direto com produtos a ter a palavra “Vita” como elemento uni-
timentos em equipamentos, a qualificação farmacêuticos, alimentícios secos e gor- ficador.

Magistral adquire impressoras Komori Panorama


Gráfica atua no mercado de embalagens da indústria gráfica
Pesquisa da Abigraf
Há 27 anos no mercado de embala- nos próximos meses. A gráfica
vai traçar perfil do setor
gens, a Magistral Impressora decidiu atende, entre outros, os segmentos
investir em duas impressoras Komori farmacêutico, de higiene e limpeza, A Abigraf Nacional e o Sebrae Nacional
– Lithrone LS 640+c e Lithrone LSX cosmético, alimentício e automotivo. estão realizando pesquisa inédita sobre o
729+c, com seis e sete cores mais No Brasil, a Komori é representada setor gráfico. O objetivo é apresentar o atual
verniz – que entrarão em operação pela Gutenberg. estágio de desenvolvimento das quase 20
mil gráficas brasileiras – em sua maioria
empresas familiares de pequeno porte.
Juntas elas empregam 200 mil pessoas. “O
trabalho irá permitir uma ação adequada
para cada região do País na promoção da
qualidade técnica e na definição de estraté-
Klabin completa 10 anos de selo verde gias e políticas para o setor”, afirma Alfried
Plöger, presidente da Abigraf Nacional.
Certificação das florestas com o FSC é revalidada A pesquisa apontará, entre outros dados, o
perfil de cada empresa, sua segmentação
A Klabin é a primeira empresa do cerca de 83 hectares de matas nati-
e a estrutura produtiva – unidades fabris,
setor de papel e celulose na América vas para cada 100 hectares de flo-
área, etapas de produção, processos, sof-
Latina a completar 10 anos com a cer- restas plantadas. No Paraná, a área
twares, volume de produção, capacidade
tificação do FSc (Forest Stewardship florestal da empresa abriga cerca
instalada, turnos, número de funcionários,
council), o selo verde mais reconhe- de 630 espécies animais, o que
certificação, máquinas e equipamentos etc.
cido do mundo. A recertificação das corresponde a 42% das espécies já
Segundo Plogër, o trabalho visa, também,
florestas da Klabin no Paraná é válida identificadas no estado, incluindo 75
identificar as empresas que estão operando
pelos próximos cinco anos. espécies consideradas ameaçadas de
informalmente.
Atualmente, o manejo florestal da extinção pelo IAP (Instituto Ambiental
Klabin garante a preservação de do Paraná).

52 EmbalagemMarca dezembro 2008 www.embalagemmarca.com.br


Edição: flávio palhares ||| flavio@embalagemmarca.com.br

Conhecidos os vencedores do Prêmio Fernando Pini


Concurso organizado pela ABTG e pela Abigraf chega à sua 18ª edição
Foram anunciados no dia 25 de novembro, de Tecnologia Gráfica (ABTG) e pela do 18º Prêmio de Excelência Gráfica
em São Paulo, os vencedores do 18° Associação Brasileira da Indústria Gráfica Fernando Pini nas áreas ligadas ao setor
Prêmio Brasileiro de Excelência Gráfica (Abigraf), o Fernando Pini é o prêmio mais de embalagens.
Fernando Pini. importante do setor gráfico na América A lista completa pode ser conferida no site
Criado em 1991 pela Associação Brasileira Latina. Confira abaixo os vencedores www.embalagemmarca.com.br/pini2008

Embalagens semi-rígidas sem efeitos Embalagem de micro-ondulados Embalagens flexíveis impressas em flexografia
Empresa: Rosset Artes Gráficas Empresa: Pancrom Empresa: Plasc
Produto: Tam Cesta Ares da Manhã Produto: Embalagem Sagatiba Free Shop Produto: Shrink Aquarius Fresh
Cliente: Tam Cliente: Sagatiba Brasil Cliente: Plasc

Embalagens semi-rígidas com efeitos Embalagens sazonais Embalagens flexíveis impressas em rotogravura
Empresa: Gegraf Empresa: Facform Empresa: Inapel Embalagens
Produto: Pack Buchann´s Produto: Embalagem Kit Galo da Madrugada Produto: Sopão Legumes com Músculo
Cliente: Diageo Cliente: Globo Nordeste Cliente: Unilever

Embalagens semi-rígidas com efeitos especiais Embalagens impressas em suportes metálicos Sacolas
Empresa: Pancrom Empresa: Cia. Metalúrgica Prada Empresa: Facform
Produto: Embalagem LG ke990d Produto: Nescau Nutri 400g Produto: Sacola Engenho de Gastronomia
Cliente: LG Eletronics Cliente: Nestlé Cliente: Engenho Comunicação & Marketing
}}} químicos

Dura na queda
Com sistema alternativo à tripla recravação, lata de aço torna-se mais segura

S
empre alvo de fiscalização, o setor de embala-
gem e de transporte de produtos perigosos acaba
de ganhar uma alternativa de embalagem de aço
com tecnologia que dispensa a tripla recravação
– método tradicional de fechamento de latas no
qual as bordas metálicas do corpo, da tampa e do fundo são
recurvadas e compactadas juntas, formando a dobradura ou
junção hermética entre corpo e tampa e corpo e fundo.
A embalagem, uma lata de 18 litros desenvolvida espe-
cificamente para o setor de tintas à base de solventes, está
em conformidade com as exigências da legislação em vigor
no Brasil (Resolução 420 da ANTT – Agência Nacional de
Transportes Terrestres) e com os procedimentos recomenda-
dos pela ONU (Organização das Nações Unidas).
O projeto foi conduzido pela Brasilata em parceria com a
Universidade do Rio Grande do Sul, e resultou num sistema
que alivia o esforço da área de recravação quando ocorre uma
queda da lata cheia de produto. A queda livre é um dos mais
rigorosos testes a que a embalagem é submetida para obter a
homologação destinada ao transporte de produtos perigosos –
os procedimentos estão descritos nos critérios da 11ª e da 12ª
edições do Orange Book, guia publicado pela ONU.
Antonio Carlos Teixeira Álvares, CEO da Brasilata,
explica que um software especial permitiu o desenvolvimento
do perfil ideal do corpo da nova lata de 18 litros, construída
com uma folha de aço de menor espessura – 0,30mm, con-
tra 0,34mm da convencional com tripla recravação. A nova
embalagem foi denominada 18 litros UN.
Nova lata de aço tem
“A maior resistência ao choque foi conseguida com apli- frisos que trabalham como
cação de frisos no corpo da lata que funcionam como amor- amortecedores durante a
queda (detalhe)
tecedores de energia e permitem maior deformação do corpo
da lata quando submetido ao impacto da queda”, esclarece
Álvares. “Paradoxalmente, o não rompimento da embalagem
após o impacto foi conseguido por meio da diminuição da
resistência do corpo para proteger o seu ponto mais frágil.”
A solução clássica para o problema da resistência quando
da queda é o aumento da espessura da folha de aço, combi-
nado com um reforço no sistema que substitui a tradicional
dupla pela tripla recravação. O “porém” ao processo é que a
tripla recravação exige investimentos em novos equipamentos Brasilata
(11) 3871-8500
(recravadeiras) e implica consumo maior de matéria-prima e www.brasilata.com.br
reformulação de processos produtivos, o que nem sempre é
desejável. (AES)

54 EmbalagemMarca dezembro 2008 www.embalagemmarca.com.br


}}} LOGÍSTICA

Moldura correta
Embalagem de papel reciclado substitui
madeira no transporte de vidros planos

A
mplamente utilizada em estrados,
caixas e outras embalagens de
transporte, a madeira vem sendo
progressivamente preterida por
materiais alternativos. Isso acontece
basicamente por três razões. Madeira nem sempre
garante a manutenção da integridade dos produtos
durante os trajetos, pode ser um vetor de contami-
Mais proteção:
nações e tem resistência mecânica comprometida KraftCap suporta
quando em contato com a umidade. Uma das mais até 8 toneladas
de vidro plano
novas propostas de substituição da embalagem
de madeira surge para atender ao setor de vidros
planos. Trata-se da KraftCap, da Adezan, desen-
volvida a partir de papel reciclado. busca de mais de dois anos, iniciada quando a
De acordo com o sócio-diretor da Adezan, vidraria solicitou a seus fornecedores o desenvol-
César Zanchet, a novidade é uma opção ecologi- vimento de embalagens com custo unitário mais
camente correta, por ser originada da reciclagem, em conta e baseadas em materiais alternativos,
e ao mesmo tempo é econômica. Zanchet garante que proporcionassem baixo impacto ambiental
que a KraftCap, composta por 80% de papel e que garantissem proteção aos vidros nos dife-
laminado e 20% de madeira, é em média 20% rentes modais de transporte. “Com a nova emba-
mais barata que as embalagens convencionais de lagem já obtivemos êxito em embarques feitos
madeira. para diferentes regiões da América do Sul”, conta
A KraftCap passou por vários ensaios realiza- André Toledo, gerente de logística da Cebrace.
dos no IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) Toledo revela que a intenção da empresa é
para avaliar seu desempenho à resistência à tração utilizar a KrafCap como embalagem dos vidros
(içamento), ao alagamento (umidade) e à exposi- planos expedidos para todos os clientes interna-
ção à chuva, ao choque e ao arrasto. O coeficiente cionais, intenção ainda sem prazo para se concre-
de resistência da embalagem é de 8 toneladas. tizar. O profissional afirma que, no Brasil, mais
Para as unidades destinadas à navegação em lon- especificamente no modal rodoviário, o ainda são
gas distâncias, armazenadas por mais de 35 dias necessários estudos de viabilidade de sistemas de
em contêineres marítimos, existe a possibilidade travamento da carga dentro da carreta. “A tendên-
de um tratamento na camada externa com um pro- Adezan
cia é que a embalagem se torne padrão, pois, como
duto parafinado, que ajuda a expelir a umidade. (11) 3782-4522 ela é prática, todos se beneficiarão”, diz Toledo.
www.adezan.com.br A barreira a ser transposta para popularizar a
A experiência de quem já usa KraftCap, segundo Zanchet, é a disseminação no
Grande fabricante do chamado vidro float (tam- mercado nacional de embalagens de madeira pro-
bém conhecido no jargão das vidrarias como venientes da China, comercializadas a preços de
vidro plano do tipo cristal), a Cebrace já utiliza a rés-do-chão. “Apesar de serem baratas, elas têm
KraftCap nas exportações de vidros planos para a qualidade questionável, pois são fabricadas com
indústria de construção civil. misturas de diversas madeiras”, alerta o dirigente
A embalagem da Adezan solucionou uma da Adezan. (AES)

56 EmbalagemMarca dezembro 2008 www.embalagemmarca.com.br


}}} calendÁriO

Fontes de informação
EMBALAGEMMARCA selecionou alguns eventos que podem trazer
novidades sobre o universo do packaging em 2009
Ipack-Ima FCE Pharma/FCE Cosmetique Envase
24 a 28 de março - Milão, Itália 26 a 28 de maio - São Paulo, SP 22 a 25 de setembro - Buenos Aires, Argentina
www.ipack-ima.com www.fcepharma.com.br www.packaging.com.ar
www.fcecosmetique.com.br
Embala Minas Labelexpo Europe
14 a 16 de abril - Belo Horizonte, MG Seminário 23 a 26 de setembro - Bruxelas, Bélgica
www.greenfield-brm.com/embalaminas.html “Desmistificando a Inovação” www.labelexpo.com
3 de junho - São Paulo, SP
Label Summit www.embalagemmarca.com.br/ciclo Seminário “Tendências
28 e 29 de abril - São Paulo, SP e Perspectivas 2009”
brazil.labelsummit.com Fispal 15 de setembro - São Paulo, SP
16 a 19 de junho - São Paulo, SP www.embalagemmarca.com.br/ciclo
Brasilplast www.fispal.com
4 a 8 de maio - São Paulo, SP Pack Expo Las Vegas
www.brasilplast.com.br National Plastics Exhibition 5 a 7 de outubro - Las Vegas, EUA
22 a 26 de junho - Chicago, EUA pelv2009.packexpo.com
Hispack www.npe.org
11 a 15 de maio - Barcelona, Espanha Prêmio EmbalagemMarca
www.hispack.com Label Latinoamerica Outubro (data a definir) - São Paulo, SP
6 a 9 de julho - São Paulo, SP www.grandescases.com.br
China Print www.labellatinoamerica.com.br
12 a 16 de maio - Pequim, China Fispal Nordeste
www.chinaprint.cn Embala Nordeste 27 a 30 de outubro - Salvador, BA
24 a 27 de agosto - Recife, PE www.fispal.com
Envase Peru www.greenfield-brm.com
14 a 16 de maio - Lima, Peru embalanordeste.html Simei
www.packaging.com.ar 24 a 28 de novembro - Milão, Itália
Feipack www.simei.it
Chinaplas 26 a 29 de agosto - Curitiba, PR
18 a 21 de maio - Guangzhou, China www.feipack.com.br
www.chinaplasonline.com

58 EmbalagemMarca dezembro 2008 www.embalagemmarca.com.br


DIspLay }}} LANçAMENTOS E NOVIDADES – E SEUS SISTEMAS DE EMBALAGEM

Gela e avisa Reforços para clarear


Skol estréia lata sleek termosensível Payot apresenta nova linha capilar

A Skol é a primeira cerveja brasileira a utilizar A linha capilar Payot Botânico ganha o
a nova lata sleek de alumínio, que passa a ser reforço de mais dois produtos: xampu
produzida pela rexam no Brasil. A embala- e condicionador camomila Girassol
gem tem capacidade para 269 mililitros e, por Narita Design e Nutrimel, indicados para o
ser menor, gela mais rápido que a (11) 3167-0911 tratamento dos cabelos claros.
www.naritadesign.com.br
lata convencional de 350 mililitros. A Os frascos transparentes de
tecnologia termosensível, que faz a Rexam PVc são supridos pela BMP
seta mudar de cor – de transparente (21) 2104-3300 Plásticos e levam tampas de
www.rexam.com
para azul – , avisa quando a bebida polipropileno (PP) da Seaquist
está na temperatura ideal para ser closures. Os rótulos termoencolhí-
consumida. O design é da Narita. veis de PVc são impres-
Batizada de Skol redondinha, a sos pela Gráfica 43. A
cerveja é vendida em packs com 15 criação das embala-
latinhas. gens é da Payot.

BMP Plásticos
(11) 4161-3941
www.bmpplasticos.com.br

Gráfica 43

FOtOs: divuLgAçãO
(47) 3221-1200
vendas@43sagrafica.com.br

Seaquist Closures
(11) 4141-4344
www.seaquistclosures.com

Natal da Bauducco tem edições limitadas


Tradicional fabricante de panetones aposta em latas de aço para produtos diferenciados

A Bauducco reformulou as embalagens de


sua linha de panetones especiais, que tem
Aro edição limitada. São duas coleções em latas
(11) 2462-1700 de aço: a carlo Bauducco, que faz uma
www.aro.com.br
homenagem à história do panetone e da
Design Absoluto própria Bauducco, com ilustrações de anti-
(11) 3071-0474
www.designabsoluto.com.br
gas peças publicitárias da empresa; e a Três
reis Magos, com desenhos do artista
Tapon Corona Marcelo rosenbaum. As emba-
(11) 3065-8662
www.tapon-corona.com.br lagens, produzidas pela
Aro e pela Tapon corona,
tiveram o layout criado
pela Design Absoluto.

60 EmbalagemMarca dezembro 2008 www.embalagemmarca.com.br


Edição: flávio palhares ||| flavio@embalagemmarca.com.br

Grande, mas limitada


Millésime ganha garrafa de 6 litros

O espumante Brut Millésime, da Miolo


Wine Group, ganha uma garrafa espe-
cial de 6 litros, criada especialmente
para o período de festas de final de
ano. A embalagem, chamada de
Matusalém, (ver EmbalagemMarca
111, Almanaque) terá tiragem limi-
tada. Serão apenas 500 garrafas
numeradas, produzidas pela
italiana Vetri Speciali, acondicio-
nadas em uma caixa de madeira
personalizada com o nome do
cliente, fornecida pela Móveis
e Decorações Cemar. A garrafa
é decorada com rótulos auto-
adesivos da Gráfica Reúna. O
design é da Zorzo.

Gráfica Reúna Vetri Speciali


(54) 3441-9200 +39 (0) 461-270111
www.vetrispeciali.com
Móveis e Decorações Cemar
(54) 3452-6678 Zorzo Design
(51) 3022-3200
www.zorzoweb.com

Chester, também no vinho


fotos: divulgação

Lançamento da Perdigão tem edição limitada

O tradicional Chester, da Perdigão,


ganha uma edição especial e limi-
tada neste final de ano: Chester
ao Vinho. O produto é acondicio-
nado em filmes de polietileno (PE)
laminado impressos em flexografia
pela Videplast. O design das emba-
lagens é assinado pela Young &
Rubicam.

Videplast Young & Rubican


(49) 3566-9600 (11) 3026-4400
www.videplast.com.br yr.updateordie.com

www.embalagemmarca.com.br dezembro 2008 EmbalagemMarca 61


DISPLAy }}} lançamentos e novidades – e seus sistemas de embalagem

Bebê Vida ganha novas embalagens


Davene aposta no uso do soft touch

A linha Bebê Vida, da As tampas de polipropileno


Davene, teve as emba- (PP) são da Mecaplastic. O Gensys
lagens reformuladas. Os layout das embalagens foi (11) 2199-1599
www.gensys.ind.br
frascos produzidos pela criado pela MN Design.
Gensys em polietileno de Indexflex
(11) 3618-7100
alta densidade (PEAD)
www.indexflex.com.br
ganharam formato
anatômico e contam Mecaplastic
(11) 3835-4032
com efeito soft touch. www.mecaplastic.com.br
Os rótulos auto-ade-
MN Design
sivos de polipropileno (11) 2345-6644
biorientado (BOPP) são www.mndesign.com.br
fornecidos pela Indexflex.

Tudo sobre as crianças Cerveja “short neck”


Homem-aranha estampa linha da Mariah Baden Daden ganha versão menor

A cerveja artesanal Baden Baden, da


Schincariol, encontrada em garrafas de 600 mili-
litros, ganha nova opção de volume. A bebida
passa a ser acondicionada também em garrafas
de 310 mililitros com o mesmo shape da
Inforpress
embalagem de 600 mililitros. Como tem
(11) 4232-8599
o pescoço curto, a embalagem, produzi- www.ifpress.com.br
da pela Owens-Illinois, foi apelidada de
Owens-Illinois
“short neck”. A garrafa é decorada com (11) 2542-8084
rótulos auto-adesivos da Inforpress, que www.oidobrasil.com.br
também fornece os lacres adesivos que
ficam sobre a tampa. O design é da Schincariol.

Chegam às gôndolas os xampus e condicionado-


res Neokids Spider-Man, lançamento da Mariah
Cosméticos dirigidos a crianças. Os frascos são de
polietileno (PE), fechados por tampas de polipropileno
(PP), ambos fornecidos pela Neumann Packing. Os
rótulos termoencolhíveis são impressos pela Versacolor.
fotos: divulgação

O design das embalagens é da Desenho em Foco.

Desenho em Foco Neumann Packing Versacolor


(11) 2406-3161 (11) 3721-8673 (11) 6168-7715
www.desenhoemfoco.com.br www.neumannpacking.com.br www.versacolor.com.br

62 EmbalagemMarca dezembro 2008 www.embalagemmarca.com.br


Doralgina é relançada de cara nova
Medicamento tem variantes líquida e em drágeas

O laboratório Neo Química de quatro comprimidos são con-


relança o analgésico Doralgina feccionados em alumínio e PVC,
com novas embalagens, desen- fornecidos pela Alcan e pela
volvidas pela própria empresa. Klöckner Pentaplast. A versão
A variante líquida, de 15 mili- com 20 drágeas tem blisters de
litros, chega em frascos de mesmo material supridos pela
polietileno (PE) com tampas de Kenpack e embalagens secun-
polipropileno (PP) produzidos dárias de papel cartão impres-
pela Gerresheimer. Rótulos auto- sas pela Gráfica Allbox.
adesivos de papel
couché impressos
pela Macro Etiquetas
decoram as embala-
gens. Os comprimi-
dos estão disponí-
veis em embalagens
com quatro e vinte
drágeas. Os blisters

Alcan Gráfica Allbox Klöckner


(11) 4512-7000 (62) 3311-4728 (11) 4613-9973
www.alcan.com financeiro@embalagensallbox.com.br a.belizario@kpfilms.com
Gerresheimer Kenpack Macro Etiquetas
(11) 4613-1010 (11) 4057-6015 (62) 3311-2218
www.allplas.com.br www.kenpack.com.br graficamacro@terra.com.br

Tangerina na garrafa
Hidrotônico da Coca-Cola ganha novo sabor

Depois da boa receptividade


da variante limão do hidrotôni-
co i9, a Coca-Cola disponibili- Amcor
(19) 3878-9000
za o produto no sabor tangeri-
www.amcor.com
na. A bebida é acondicionada
em garrafas de PET produzidas CSI Closures
(11) 4195-3727 / 3741-
pela Amcor. As tampas sport- 3880
lok de polipropileno (PP) são www.csiclosures.com
supridas pela CSI Closures. Dimaquina
Os rótulos termoencolhíveis info@dimaquina.com
www.dimaquina.com
são impressos pela Sleever
International. O design das Sleever International
2303-2337
embalagens é da Dimaquina.
www.sleever.com

www.embalagemmarca.com.br dezembro 2008 EmbalagemMarca 63


}}} índice de anunciantes

Empresa Página Telefone Site


Abeaço 45 (11) 3842-9512 www.abeaco.org.br
Adegraf 63 (11) 2067-9999 www.adegraf.com.br
Antilhas 55 (11) 4152-1100 www.antilhas.com.br
Avery Dennison 59 0800 701 7660 www.fasson.com.br
Bericap 29 (15) 3235-4500 www.bericap.com
Betim Química 11 (31) 3358-8500 www.betimquimica.com.br
BIC Label 7 0800 260 434 www.biclabel.com.br
BP Filmes 27 (11) 3616-3402 www.bpfilmes.com.br
Braskem 15 (11) 3576-9999 www.braskem.com.br
CIV 39 (81) 3272-4444 www.civ.com.br
Comprint 49 (11) 3371-3371 www.comprint.com.br
DuPont 41 0800 171 715 www.dupont.com.br
Frasquim 63 (11) 2412-8261 www.frasquim.com.br
GiroNews 65 (11) 3675-1311 www.gironews.com
Grand Pack 61 (11) 4053-2143 www.grandpack.com.br
Gysscoding 25 (11) 5622-6794 www.gysscoding.com.br
Indemetal 31 (11) 4013-6644 www.indemetalgraficos.com.br
Indexflex 51 (11) 3618-7100 www.indexflex.com.br
Innova 4ª capa (51) 3378-2300 www.innova.ind.br
Itap Bemis 37 (11) 5516-2045 www.dixietoga.com.br
Kromos 43 (19) 3879-9500 www.kromos.com.br
Lamipack 53 (49) 3563-0033 www.lamipack.com.br
Markem-Imaje 33 (11) 3305-9455 www.markem-imaje.com
Metrolabel 21 (11) 3603-3888 www.metrolabel.com.br
Mintel 57 +1 (312) 450-6103 www.mintel.com
Moltec 61 (11) 5693-4600 www.moltec.com.br
Nilpeter 13 (11) 3729-9207 www.nilpeter.com.br
Novelprint 61 (11) 3760-1500 www.noveltech.com.br
NZ Philpolymer 45 (11) 4716-3141 www.gruponz.com.br
Pantone 47 (11) 4072-4100 www.pantonegrafica.com.br
Prakolar 34 e 35 (11) 2291-6033 www.prakolar.com.br
Qualipack 9 (11) 2066-8500 www.qualipack.com.br
Rotatek 5 (11) 3215-9999 www.rotatek.com.br
SIG Combibloc 3ª capa (11) 2107-6744 www.sig.biz/brasil
Simbios-Pack 63 (11) 5687-1781 www.simbios-pack.com.br
Tetra Pak 19 (11) 5501-3205 www.tetrapak.com.br
Wheaton 2ª capa (11) 4355-1800 www.wheatonbrasil.com.br

64 EmbalagemMarca dezembro 2008 www.embalagemmarca.com.br


Almanaque
Uma idéia “cabeça”
As pastilhas PEZ são um sucesso de que as crianças eram o público-alvo te para as crianças, mas também
vendas desde 1927, quando foram das balinhas. Inicialmente, elas eram para um número de colecionadores
inventadas em Viena pelo vendidas a granel, até que em 1948 a do mundo inteiro.
confeiteiro austríaco Eduard empresa criou o primeiro por-
Haas usando uma mistu- ta-balas higiênico. A grande
ra de açúcar e óleo de idéia da empresa, entretanto,
hortelã. O nome PEZ é foi criar os porta-balas colecio-
derivado da palavra alemã náveis, com cabeças de persona-
PfeffErminZ, que significa gens conhecidos, em 1955. Papai
menta (ou hortelã-pimenta). Noel e Mickey Mouse foram as
Inicialmente vendida como primeiras cabeças usadas nos dis-
“confeito de luxo para pesso- pensers. Hoje, milhares de diferentes
as ricas”, logo se descobriu porta-balas são atrativos não somen-

Cuidado há trinta anos


Primeiro protetor diário de calcinha do no Brasil. Na década de 30, a multina-
mercado nacional, o Carefree comemora cional lançou o primeiro absorvente (o
trinta anos em 2008. O produto foi aqui recém-aposentado Modess), e em 1974, o
introduzido pela Johnson & Johnson – que, primeiro absorvente aderente, capaz de
a propósito, pavimentou o desenvolvimento ser fixado às calcinhas (o Sempre Livre).
do mercado de proteção íntima feminina Na foto ao lado, o produto em 1978.

De papo de boteco a unanimidade


Antes de 1960, havia dois tipos de de “casco verde”, era rejeitada ime- “casco escuro” foi a Faixa Azul, da
garrafas de cerveja no Brasil: as ver- diatamente pelos experts de plantão Cia. Antarctica Paulista. Depois
des e as de cor âmbar. Dizem os boê- nos botecos. Isso porque, diz a lenda, de o mercado acostumar-se com
mios daquela época que as de “casco as cervejas fornecidas em garrafas a referência de que a garrafa
escuro” eram melhores que as de claras tinham qualidade inferior. Uma âmbar era sinal de boa cerve-
“casco claro”. Se viesse uma cerveja das primeiras marcas a usar apenas o ja, todos os demais fabricantes
passaram a envasar suas
bebidas nessas emba-
lagens. Tanto que nas
propagandas da época,
os cascos que apareciam
eram sempre os escuros.

“Casco escuro”, presente nos anúncios,


indicava que a cerveja era de qualidade

66 EmbalagemMarca www.embalagemmarca.com.br/almanaque dezembro 2008

Você também pode gostar