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Captação de chuva em condomínios poupa gastos e

ajuda a preservar água doce


Rio de Janeiro, 18/04/2007

O que era recomendação, agora é obrigação. Depois do último alerta da Organização das Nações Unidas,
que revelou que mais de 1 bilhão de pessoas poderão sofrer com a falta de água em um futuro bem mais
próximo do que se imaginava, economizar água doce se transformou em questão de sobrevivência.

De acordo com a ONU, a principal causa da escassez será o derretimento da camada de gelo de grandes
cadeias de montanhas, que funcionam como reservatórios, acumulando água em forma de gelo durante o
inverno para liberá-la gradualmente com o derretimento no verão. Na tentativa de racionalizar o consumo
de parte da reserva de água doce que resta à humanidade, os condomínios das grandes cidades estão
construindo reservatórios para captação de água da chuva.

O sistema funciona de maneira simples: a chuva é captada nos telhados, lajes, quadras ou
estacionamentos. Em seguida, é conduzida para um sistema de filtragem, que elimina materiais sólidos
em suspensão. Enquanto a água limpa vai para a cisterna destinada para o aproveitamento da água, a
sujeira é descartada pela filtragem e segue para a canalização pluvial.

- Cada vez que chove, milhões de litros de água, que normalmente deveriam se infiltrar no solo, correm
pelos telhados e pelo asfalto até acabarem em algum rio poluído - afirma Romualdo Costa, diretor da
Cosh, empresa especializada em captação de água de chuva.

O especialista explica que, para adaptar um reservatório no condomínio, é preciso avaliar o índice
pluviométrico e o espaço para implantação do sistema.

- Não existe solução padrão, pois cada construção tem características diferentes. Mas em muitos casos o
custo do investimento compensa a economia que se faz com a conta de água no final do mês - garante
Romualdo.

Desde 2004, as construtoras do Estado do Rio são obrigadas, por força da Lei n° 4393, a prover os imóveis
residenciais e comerciais do sistema de captação de águas da chuva em todos os projetos residenciais que
abriguem mais de 50 famílias ou nos empreendimentos comerciais com mais de 50 metros quadrados de
área construída. Em São Paulo e Curitiba, também já há leis em vigor que regulamentam a captação de
chuva.

Pressionadas pela legislação e pelo alerta da escassez de água doce no planeta, as construtoras foram
obrigadas a rever também seus planos de ocupação de áreas ecológicas. A Península, região com 780 mil
metros quadrados de área verde às margens da Lagoa da Tijuca, está aos poucos se recuperando dos
danos causados pela desordenada expansão imobiliária.

Aliados aos R$ 20 milhões em investimentos governamentais para despoluição, as empresas que voltaram
a construir na Península estão priorizando soluções ecologicamente corretas nos novos edifícios.
É o caso das construtoras Carmo e Calçada , que em maio lançarão na região o condomínio Gauguin, com
um sistema de armazenamento de água pluvial que será utilizado não só para lavagem de carros e
irrigação de plantas, mas também para alimentar as descargas sanitárias, que chegam a desperdiçar até
12 litros de água a cada acionamento.

- Além disso, o empreendimento contará com redes de tratamento de esgoto e com hidrômetros
individuais - conta João Paulo Matos, diretor da Carmo e Calçada.

Até o final de 2007, outros nove condomínios equipados com o sistema de reaproveitamento de águas e
rede própria de tratamento de esgoto serão entregues na Península.

A preocupação com a preservação dos recursos hídricos também está direcionando as novas construções
do setor hoteleiro. No projeto do resort Breezes Búzios, que será inaugurado em 2008 no destino turístico
localizado a 180 km do Rio de Janeiro, foi priorizado um sistema interno de reciclagem de água por meio
da captação de águas pluviais, além da construção de quatro mil metros lineares de rede de tubulação
sanitária para atender ao resort e às comunidades vizinhas.

- O sistema abastecerá as comunidades de Cem Braças e Tucuns, possibilitando a futura interligação final
à rede de tratamento de esgoto - explica Marcelo Wrobel, diretor da Wrobel Construtora.

Os especialistas alertam, contudo, que, apesar de a captação da chuva ser uma prática positiva, o
armazenamento de água, potável ou não, deve ser feito com cautela, observando sempre os critérios de
saneamento básico.

- A chuva nas grande metrópoles já vem carregada de elementos químicos nocivos - afirma o engenheiro
de estruturas Bruno Rizzo. - Associado a este fator, ao passar pelo telhado, carrega dejetos de animais e
outras impurezas.

O engenheiro enfatiza que é preciso construir um reservatório extra só para a água pluvial, pois a água
coletada da chuva não é aconselhável para higiene pessoal, a não ser que passe por um processo posterior
de purificação.

- Antes de pensar em reutilizar a água que cai do céu para fins potáveis, os moradores devem cuidar bem
da que está armazenada na caixa d´água - ensina Bruno.

Além do bem que faz ao meio-ambiente, reutilizar a água que cai do céu faz bem para a saúde financeira
do condomínio. De acordo com o vice-presidente do Secovi Rio (Sindicato da Habitação), Leonardo
Schneider, as despesas com água consomem de 10% a 15% do orçamento do condomínio .

- É o segundo maior gasto nos condomínios, perdendo apenas para as despesas com pagamento de
funcionários, que chegam a 35% do total da arrecadação - calcula.

Para Leonardo, o primeiro passo para motivar uma mudança de comportamento dos moradores quanto ao
uso racional da água deve ser o desenvolvimento de uma campanha interna de conscientização.

- Síndico, moradores e funcionários precisam estar atentos aos vazamentos, e verificar se há canos
furados ou registros com folga. Acompanhar a medição da Cedae, observando se há oscilações de um mês
para o outro, também é fundamental - ensina.

Caso verifiquem a existência de vazamentos, no Rio de Janeiro os síndicos podem entrar em contato com
a Cedae pelo telefone 0800 28 21 195.

Fonte: http://jbonline.terra.com.br/

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