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FIAM FAAM – Arquitetura e Urbanismo Disciplina de Laboratório de Urbanismo – Professora Taís Jamra Leandro dos Santos Souza – 5351059

/ 6º semestre C Resenha do capitulo 6 do livro: BONDUKI, Nabil. Origens da habitação social no Brasil. São Paulo: Editora Estação Liberdade, 1998.

Diferente da abordagem da autora Yvonne Mautner, embora a questão habitacional esteja em foco em ambos textos, o Nabil nos cita detalhes dessa relação entre provisão / deficit habitacional e o crescimento imobiliário de médio alto padrão, os governos, a expansão do comércio / indústria. O mesmo resultado histórico citado – periferização, autoconstrução da moradia popular – aqui é tratado do ponto de vista dos interesses da sociedade paulistana sobretudo na década de 40. São paradigmas da sociedade capitalista que expõe contrastes como por exemplo, uma nota da Associação Comercial em 1944, que cobrava a provisão de habitação para que seus funcionários gozassem de melhores condições de vida melhorando seus rendimentos nos postos de trabalho. No entanto o excedente de capital nessa época era empregado no mercado imobiliário – que viria a implementar nova cara para a cidade mais rica do país, etc. Da mesma forma o poder público no caso com o Prefeito Prestes Maia, propôs um plano de avenidas para consolidar a cidade legal, etc. De cara pelo menos duas questões o texto me desperta: qual seria o custo da provisão dessa habitação? E mais, qual a importância do trabalhador dentro dessa cadeia produtiva? Mesmo que os números já fossem significativos – “a cidade de São Paulo viu sua população crescer intensamente na década de 40, passando de 1,3 milhão para 2,2 milhões” (IBGE 1940 e 1950) – o deficit da habitação era em torno de 200 mil unidades... Uma conclusão me parece até legítima. Os trabalhadores tinham sua importância reconhecida, mas o espaço da cidade legal tornou-se muito valorizado numa cidade enriquecida com possibilidades de obtenção de lucros advindos dos negócios imobiliários de média/alta renda versus a habitação popular, paradoxalmente desfavorecida pela Lei do Inquilinato que congelou os preços – embora um aumento também não caberia no bolso de quem necessitava dessa opção – não geradora de nenhum lucro a ninguém, em comparação. Até o desenvolvimento industrial foi prejudicado em termos de investimento. Ou seja se hoje a periferia e todos seus problemas advindos são foco do assunto, nessa época não eram. Outra conclusão é que o trabalhador tomou sua iniciativa sem esperar a mediação de quem quer que fosse e legitimou a produção do seu próprio espaço urbano. A forma trágica desse contexto é assinalado no texto quando das primeiras manifestações de favelas ocorreram próximos a símbolos do desenvolvimento paulista obrigando o poder público a prover “barracões” provisórios – porém dotados de infraestrutura – que acabaram sendo vetor positivo para a imagem populista do Governo em voga. Outro ponto é que os moradores eram assalariados em sua maioria, levando à ideia da exploração do capital – mais valia – onde o trabalhador assalariado, embora contribuísse

violência. .com muita força de trabalho sequer. moderadas às violentas. poderia assegurar uma moradia dotada de toda a legalidade oferecida pelo Estado. no entanto. etc. se expandiram. através de seus rendimentos. atravessaram o século. isolamento. outros problemas foram amargamente experimentados por esses habitantes – exclusão. Enfim. as reivindicações. a periferização / autoconstrução.