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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

FACULDADE DE FILOSOFIA, LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS DEPARTAMENTO DE FILOSOFIA

ESTÉTICA III 2o Semestre de 2012 Disciplina Optativa Destinada: Alunos de Filosofia e de outros departamentos Código: FLF0465 Pré-requisito: FLF0113 e FLF0114 Prof. Dr. Ricardo Nascimento Fabbrini 4ª. feira: diurno: 14:00 às 18:00. Carga horária: 120h Créditos: 06 Número máximo de alunos por turma: 90

TÍTULO: Arte e vida na modernidade artística.

I – OBJETIVO O objetivo do curso é caracterizar o imaginário da modernidade artística (do fim do século XIX aos anos 1970 do século XX), que pode ser caracterizado pela crença que os artistas de vanguarda depositaram nos poderes transformadores da arte, no sentido da estetização da vida. Procura, em outros termos, analisar as diferentes versões do “fim da arte” (ou da “morte da arte)” entendidas como baralhamento entre arte e vida: 1) na origem da modernidade artística (o dandismo): 1850-1900; 2) no período das vanguardas históricas (construtivas ou “negativas”): 1900-1930; 3) na época das vanguardas tardias ou da dita contracultura (happenings): 1945-1970). 4) na arte de vanguarda (vontade construtiva geral) no Brasil, do concretismo (1952) à arte de guerrilha (de 1969-1973) que se apropriaram da teoria da gestalt, da fenomenologia de Merleau-Ponty e do existencialismo sartreano entre outros referenciais. II - CONTEÚDO:

I – As origens da modernidade artística: 1822-1900. a. A noção de tempo histórico descontínuo e a perspectiva do presente como ponto de vista inevitável: "Il faut être absolutment moderne" (Charles Baudelaire); b) a questão da emancipação: arte e negatividade (a dialética

de tempo sucessivo. c). a “pop art” (Andy Warhol. III: As vanguardas tardias e a dita contracultura: 1945-1970. econômico e artístico.UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO FACULDADE DE FILOSOFIA. . o passado e o futuro. c. D´ Aurevilly. a “desmedida” confiança nos poderes transformadores da técnica e da arte (a relação entre arte e revolução) etc.K Huysmans. arte e negatividade. 2. a ruptura com a tradição e a instauração de uma “tradição da ruptura”. A. a paixão crítica marcada pela dupla negação: da tradição e de si mesma. James Rosenquist). b) A caracterização da obra de arte de vanguarda: a relação entre obra de arte orgânica e obra de arte não orgânica (montagem): Gyorg Lukács. 3. B. o interesse pelas “alteridades”: a arte negra. Enviromments. “O dandismo e George Brummell” (1845) de J. homogêneo. Hoffmann. II – O projeto das vanguardas históricas: 1900-1930. região do inesperado e da esperança (a “utopia”). Willem De Kooning. pré-colombiana e oceânica. a mudança perpétua. Theodor Adorno e Walter Benjamin. Exame da relação entre arte e vida (o dandismo) a partir dos seguintes textos: 1. a aceleração do tempo histórico: a cisão entre o presente. o culto ao transitório. T. num presente fugaz. a) Da action-painting à desmaterialização da arte: a caracterização da modernidade tardia: o expressionismo abstrato norte-americano (Jackson Pollock. “O Homem da multidão” (1840). de Edgar Allan Poe. o cosmopolitismo político. 6. sem um passado regulador. 4. a) O projeto moderno de estetização da vida e a “teoria crítica” segundo Peter Bürger: a questão da “autonomia da arte”. de progresso. c) A caracterização das vanguardas artísticas segundo Octavio Paz: a busca do “novo”.. Roy Lichtenstein. o flâneur e a modernidade. de E. de aperfeiçoamento. “Às avessas” (1884) de J. “O Pintor da vida moderna” (1869) de Charles Baudelaire. “A janela de esquina do meu primo” (1822). Walter Benjamin e as “Passagens”: “Paris do Segundo Império”: a boêmia. ou seja. o elogio da estranheza radical. a “crença” nas idéias de evolução. Happenings e Performances. numa concepção de tempo dividido. e voltado para um futuro. cumulativo e “vazio”. LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS DEPARTAMENTO DE FILOSOFIA negativa como sinônimo de revolta cultural). Arshile Gorky).

b. Jorge Zahar. 1970. Teoria Estética. LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS DEPARTAMENTO DE FILOSOFIA a arte minimal (Donald Judd. Martins Fontes. arte conceitual (Joseph Kosuth. ________. a. III . . VI – BIBLIOGRAFIA ADORNO. V – CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO Seminário e dissertação de fim de curso. São Paulo. Raoul Vaneiguem). body-art. IV: O projeto de estetização da vida no Brasil: 1952-1973.ATIVIDADES DISCENTES Leitura. c) A arte como “acontecimento”: Roland Barthes. M. Ática. IV .UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO FACULDADE DE FILOSOFIA. Carl André. In: Dialética do Esclarecimento. c.& HORKHEIMER. “Indústria Cultural”. ________. Jean François Lyotard e Félix Guattari. a arte de guerrilha e os impasses do projeto conceitualista no Brasil (1969-1973). Art-Language). video-art (Nan June Paik). 1985. participação em seminários e produção de textos. Sol LeWitt. b) Os situacionistas (Guy Debord.MÉTODOS UTILIZADOS Aulas expositivas. 1998. land art e earth art. exame de caso: o espaço de Lygia Clark: das superfícies moduladas (da fenomenologia) aos objetos relacionais (ao pós-estruturalismo). Lisboa. Chuck Close). (Richard Estes. hiperrealismo. o concretismo e a Teoria da Gestalt. Rio de Janeiro. o neoconcretismo e a apropriação da fenomenologia de Merleau-Ponty (via Ferreira Gullar e Mario Pedrosa). d. Theodor W. ´Prismas: crítica cultural e sociedade´. ÉPOCA E CRITÉRIOS DE RECUPERAÇÃO Avaliação: trabalho dissertativo.

Cosac & NAify. (org). S Seuil. Atlas. “Como viver Junto”. 2004. Paris. D´AUREVILLY. O camponês de Paris. São Paulo. 1987. Jean. 1998. Cubismo. 1998. 1997. 2009. Abstração. J. Cosac & Naify. São Paulo. Celso F. C. _________. Paz e Terra. “O pintor da vida moderna”. 1986. " L´Oeuvre de l´art: Immanence e Transcendence". 1997. Walter. “O Espaço de Lygia Cçark”. Nicolas.. “Arte e cultura”. São Paulo. São Paulo. Pintores cubistas. ___________. São Paulo. Belo Horizonte. P. 2010. 1998. Roland. CABANNE. 1996. L. “A invenção de Hélio Oiticica”. São Paulo. Martins Fontes. Brasiliense. GREEMBERG. ________.. ________. C. BAUDELAIRE. In Manual do dândy: a vida como estilo. “Teoria da Vanguarda”. (org. São Paulo: Ática. Rio de Janeiro. 2011. Rio de Janeiro. ARAGON. São Paulo. Autêntica. . São Paulo. ARGAN.UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO FACULDADE DE FILOSOFIA. Teixeira Coelho).1992. Martins Fontes. Actes Sud. Abstração. Perspectiva. F. Sérgio Paulo Rouanet. 1989. 1994. BÜRGER. São Paulo. G. LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS DEPARTAMENTO DE FILOSOFIA APOLLINAIRE.. Belo Horizobte: Autêntica. Magia e Técnica. Companhia das Letras. Primitivismo. 2ª ed. O dandismo e George Brummell. A Modernidade de Baudelaire. São Paulo. “La Beauté a outrance: réflexions sur l’abus esthétique”. FABBRINI. GALARD. 1992. FAVARETTO. FASCINA. Peter. Trad. São Paulo. 1996. L&PM. BOURRIAUD. Imago. Arte e Política (obras escolhidas). Porto Alegre. 2008. Modernidade e Modernismo. São Paulo. “A Beleza do Gesto: Uma Estética das Condutas”. Cosac & Naify. Arte Moderna. Brasiliense. Gérard. Primitivismo. Ricardo N. Cubismo. Charles Baudelaire: Um Lírico no Auge do Capitalismo (obras escolhidas III). “A arte moderna e a invenção de si”. BENJAMIN. BARTHES.São Paulo. São Paulo. Edusp. G. GENETTE. 1994. 2003. 1988. Marcel Duchamp: Engenheiro do Tempo Perdido. B. Edusp.

OBSERVAÇÕES: (*) Esta bibliografia é apenas exemplificativa. A Dimensão Estética. HOFFMANN. Dolf. Co-sac & Naify. 2008. “Histórias Extraordinárias”. “Quadros parisienses: Estética antiburguesa (1830-1848)”. Rio de Janeiro. T. P. W. São Paulo. 2010. Felix. “Neoplasticismo na pintura e na arquitetura”. “A janela de esquina do meu primo”. “Do espiritiual na arte”.UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO FACULDADE DE FILOSOFIA. forma e acontecimento”. 2008. Octavio. 2000. OEHLER. "Memórias do Modernismo". Nova Fronteira. Edgar Allan. LYOTARD. RANCIÈRE. A. Martins Fontes. 1981. POE. 1997. HUYSMANS. Estação Liberdade. “Às Avessas”. Rio de Janeiro. 2000. São Paulo. 1981. J-K. São Paulo. 1984. . “Malaise dans l’ esthétique”. “Revolução Molecular: pulsações polítivcas do desejo”. Companhia das Letras. São Paulo. KANDINSKY. São Paulo. Brasiliense. MONDRIAN. E. Andreas. . No decorrer do curso haverá indicações pormenorizadas sobre o tema. UFRJ. São Paulo. Martins Fontes. “Peregrinações: lei. Jacques. Galilée. Paris.. HUYSSEN. 2004. “Os filhos do barro: Do romantismo à vanguarda”. LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS DEPARTAMENTO DE FILOSOFIA GUATTARI. MARCUSE. F. São Paulo. São Paulo. São Paulo. Companhia das Letras PAZ. . H. Companhia das Letras. Cosac Naify.