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2009

SIMULADO ENEM
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias

RESOLUÇÃO COMENTADA

INSTRUÇÕES PARA A REALIZAÇÃO DA PROVA LEIA COM ATENÇÃO
Esta prova contém 45 questões, cada uma com 5 alternativas, das quais somente uma é correta. Assinale, no cartão de respostas, a alternativa que você julgar correta.

delimitado.

A duração da prova é de 2 horas e 15 minutos, não havendo tempo suplementar para marcar as respostas. É terminantemente proibido retirar-se do local da prova antes de decorrida 1 hora e 30 minutos após o início, qualquer que seja o motivo.

Boa prova!

assim chamado porque nele um eu (o eu lírico) exprime suas emoções. que produz melhor efeito estético. código: língua na qual a mensagem é elaborada. isto é. influenciá-lo. porém. ao lado da função poética. Ele está usando a linguagem em sua função poética. determinar o seu comportamento. Sirva de exemplo o famoso poema de Vinícius de Moraes que começa com De tudo ao meu amor serei atento / Antes. que é mais belo. Neste caso. Quando perguntamos Como vai? a alguém que acabamos de encontrar. Os Lusíadas) 2– ENEM/2009 . a função da linguagem é determinada pela importância relativa de cada um desses elementos. função EMOTIVA: o emissor ocupa o centro da comunicação. falado ou escrito. temos uma ou outra das seguintes funções da linguagem: 1. 6. destaca-se a função emotiva. o ouvinte ou leitor (o tu ou você da comunicação). Nesse poema.. exprimindo seus sentimentos e emoções. O exemplo mínimo de função emotiva é uma interjeição (ah! ui!). Os exemplos mínimos desta função são o imperativo. canal: meio de transmissão da mensagem (vibrações no ar. Mas. estão sempre presentes seis elementos. é evidente o predomínio da função poética da linguagem. pois ela é organizada para produzir um efeito estético.. à língua em que a mensagem é elaborada (como numa gramática ou dicionário). Por exemplo. quando dizemos alô ao telefone. telefone. tomadas em seus aspectos linguísticos (como nos estudos sobre literatura e arte). ou seja. que. Neptuno 2 mora. Assim. são os seguintes: 1. no caso da comunicação linguística. uma dessas funções. e tanto. Pergunta-se: qual a função secundária que a linguagem desempenha nesta mensagem? No mais interno fundo das profundas Cavernas altas. o elemento decisivo é a organização das palavras. 2. voltada para uma estruturação excelente do texto. donde as ondas saem furibundas. onde o mar se esconde. mensagem: o texto. as suas evocações. receptor: quem recebe a mensagem. 6. Questão 1 No texto seguinte.. que é um apelo ou chamamento ao receptor. isto é. Várias funções da linguagem podem estar presentes numa mesma mensagem. como em toda poesia. propaganda etc. ao eu que se manifesta. função METALINGUÍSTICA: a linguagem se volta sobre a própria linguagem. 4. artístico. 3. e o vocativo. a mensagem é voltada para a referência ao mundo.). função REFERENCIAL: o centro da comunicação é o referente. e moram as jucundas3 Nereidas. emissor: quem se comunica. que o emissor envia ao receptor. mas também os seus sons. papel e tinta. seja por se referir ao código. quem emite a mensagem. referência ou referente: aquilo a que a mensagem se refere (o ele/ela/aquilo da comunicação). como acima se explicou. e sempre. falando ou escrevendo (o eu da comunicação). palavra que pura e simplesmente denota emoção. isto é. ao preferir dar a sua filha o nome Ana Paula em vez de Paula Ana. Dependendo do elemento que ocupe o papel central. será predominante e as demais. e com tal zelo. isto é.. estética ou artística: a própria mensagem (o texto) ocupa o centro da comunicação.5 1furiosas 2deus do mar do mar do mar 3formosas 4ninfas 5deuses (Camões. função CONATIVA ou imperativa: o receptor é o foco da comunicação.1 Quando às iras do vento o mar responde.Linguagens. 5.. o pai está escolhendo o texto (o nome) que soa melhor. seja por se referir a si mesma ou a outras mensagens. 3. o que comunicamos é que o canal (o sistema telefônico) está conectado. Códigos e suas Tecnologias Texto para as questões de 1 a 9. os seus ritmos. pois a mensagem visa a convencê-lo. função FÁTICA: a mensagem se refere ao canal que a transmite. tanto quanto um poeta. forma verbal que exprime ordem ou exortação. como ocorre em notícias de jornal ou quaisquer textos informativos a respeito da realidade exterior à comunicação. pois se trata de um poema lírico. lamentos. que escolhe as palavras levando em conta não apenas os seus sentidos. AS FUNÇÕES DA LINGUAGEM Num ato de comunicação. função POÉTICA. 4. não propriamente saber de sua vida. outros exemplos são ordens e conclamações de qualquer tipo. secundárias. 2.4 e outros deuses do mar. as suas imagens. Lá. o que desejamos é iniciar o contacto com a pessoa (ligar o canal). 5. Numa dada comunicação. outros exemplos: cartas de amor. onde As águas campo deixam às cidades Que habitam essas úmidas deidades. pois a mensagem se refere ao próprio emissor. predomina a função poética da linguagem.

c) Função referencial. Resposta: A O texto traz informação sobre um referente exterior à linguagem e ao processo de comunicação. apenas. Entanto lutamos mal rompe a manhã. a fazer que ele compre o produto anunciado. apenas. numa revista americana. 2 O texto descreve o fundo do mar. b) I e II. fala de elementos do mundo: o relevo do fundo do mar e os deuses que o habitam (conforme a mitologia greco-romana).. ressoando em fundo. como em todo o poema épico de que foram extraídos. d) Função metalinguística. Diante dela. predomina a a) função emotiva. e) Função fática. apenas. e) nenhuma. d) Função metalinguística. (Carlos Drummond de Andrade) Com base no texto transcrito na questão anterior. destaca-se a função ENEM/2009 –3 . “Ele é feio. Os oito versos apresentados formam a estrofe chamada oitava-rima. III. de Carlos Drummond de Andrade. c) II e III. sempre aparece combinada com a função poética. o velho modelo de automóvel da fábrica. com suas águas agitadas (“ondas. afirmava. Questão 3 I. Não há criação nem morte perante a poesia. Resposta: D Questão 5 b) I e II. quando. que é predominante. Resposta: A a) Função emotiva. apenas. ou seja. na poesia épica. Resposta: B b) função conativa. d) I e III. As vogais da palavra Nereidas reaparecem em deidades. examine as afirmações constantes das questões 2 e 3. Questão I. Resolução Os versos finais descrevem a morada dos deuses como um espaço do fundo do mar em que as águas acabam e deixam campo livre para as cidades dos deuses marinhos. a vida é um sol estático Não aquece nem ilumina. Os versos são decassílabos. apenas. II. responde. d) função metalinguística. semelhante a um inseto.a) Função emotiva. Está(ão) correta(s): a) todas. Tratava-se de uma propaganda do “fusca”. Portanto. c) Função referencial. onde acabam as águas. e) função fática. Resolução b) Função conativa. Resolução b) Função conativa. jucundas e onde. Resposta: C Questão 4 O texto seguinte também é de natureza poética. Resolução A mensagem publicitária é evidentemente destinada a influenciar o receptor. Nessa mensagem. d) I e III. onde. furibundas. Nos versos acima. As rimas se distribuem conforme o esquema ABABABCC. que vem do latim unda. mas te leva lá”. e) nenhuma. a frase colocada logo abaixo de uma fotografia da nave espacial Apolo 11. que. palavra que se refere àquelas divindades do mar. em 1969. então pouco aceito nos Estados Unidos por ser considerado feio. Nele.. como que se propaga pelo texto. havia o logotipo da Volkswagen. além da função poética. apenas. III. No canto inferior da página. Resolução As três afirmações descrevem adequadamente algumas características formais do poema camoniano. profundas. Questão 6 Não faças versos sobre acontecimentos. trata-se da função referencial da linguagem. Está(ão) correta(s): a) todas. utilizada em toda a extensão do poema. qual a função secundária da linguagem? Lutar com as palavras é a luta mais vã. furibundas”) e as moradas dos deuses. II. c) II e III. c) função referencial. e) Função fática. A palavra onda. O texto fala explicitamente da linguagem e de nossa relação com ela. que tinha acabado de levar os primeiros homens à Lua. esconde.

) * Virgílio: poeta latino. d) Função metalinguística. convulsões”. b) Afirma-se que as pessoas que ingerem cloridrato de benzidamina irão sofrer de “náusea e sensação de queimação retroesternal”.. c) assonâncias (repetições de vogais tônicas). Resolução b) conativa. como os restos ou lembranças de outra vida. c) O remédio é indicado para pessoas que sofrem de casos raros de “ansiedade. Questão 8 Nos versos transcritos na questão anterior. pois. assinale a alternativa correta. nos jogos sonoros e no fraseado. Resposta: D b) função conativa. Resposta: B Questão 7 Se eu não vejo a mulher que eu mais desejo. destaca-se a presença da a) função emotiva. Resolução O texto tem como objetivo transmitir informações sobre o seu referente. Não se trataria de exibição de cultura.a) emotiva. d) metro decassilábico. adaptado de uma bula de remédio? Durante o tratamento com Cloridrato de Benzidamina drágeas e solução oral (gotas). Resposta: C b) Função conativa. Ao lado dessa função. insônia.. ansiedade. e) Função poética. Resolução Os versos transcritos constituem pura expressão emocional do emissor. vertidos para o português pelo poeta Augusto de Campos. suas palavras. rodeado por um grupo de prisioneiros a quem fala de Virgílio*. Podem ocorrer também náusea e sensação de queimação retroesternal. como ruína. As últimas pessoas a ver Ossip Mandelstam. de referente exterior à linguagem e ao processo de comunicação. agitação. b) aliterações (repetições de consoantes). em meio à desolação. (. o poeta russo que morre num campo de concentração na época de Stálin. embora claramente compreensível. ao contrário. e essa é a última imagem do poeta. Entre eles. Nesses versos do poeta provençal Bernart de Ventadorn (século XII). Nada que eu veja vale o que eu não vejo. 2006. mas. São Paulo: Cia. Resolução A deficiência poderia ser corrigida. c) referencial. e) A última oração indica que o médico deve ser imediatamente alertado caso o produto não seja agradável ao paciente. das Letras.) A leitura se opõe a um mundo hostil. e) metáforas. diferentemente do que é frequente na poesia. se o trecho fosse redigido da seguinte maneira: “em drágeas ou solução oral”. notável nos ritmos. médico caso ocorram reações adversas desagradáveis com o uso do produto. c) Função referencial. Informe imediatamente o seu 4– ENEM/2009 . de cultura como resto. lembram-se dele diante de uma fogueira. a) “Reações adversas” é a designação geral do conjunto dos efeitos produzidos pela ingestão do medicamento. Os imperativos são característicos da função conativa da linguagem. Resposta: A Questão 10 Sobre o texto transcrito na questão anterior. Resolução O texto não apresenta nenhuma metáfora ou outra figura de palavra. (Ricardo Piglia. d) metalinguística. d) O trecho “drágeas e solução oral”. e) fática. alguma coisa que a leitura acumulou como experiência social. É um dos maiores clássicos da literatura ocidental. agitação. a droga em questão e o seu uso terapêutico. são todas empregadas em sentido literal. Questão 9 Qual a função da linguagem predominante no texto abaixo. é evidente o predomínio da função poética da linguagem. c) função referencial. e) função fática. na Sibéria. as pessoas mais sensíveis à benzidamina podem apresentar. como exemplo extremo do desprovimento. denotativo. Trata-se. Evoca a leitura de Virgílio.C. viveu em Roma no século I a. convulsões e alterações visuais. a) Função emotiva. Resposta: E Texto para a questão 11. a função poética da linguagem é visível em diversos recursos utilizados na estruturação artística do texto. A cena reforça a ideia de que há alguma coisa que deve ser preservada. d) função metalinguística. por exemplo. não se encontram a) rimas. não está sintaticamente relacionado com o resto da frase. ainda que raramente. insônia. O último leitor.

Resolução A afirmação contida no item II pode ser confirmada no trecho: “eram de diversas nações e haviam sido escolhidas já de propósito assim”. O instante do momento. e) não são eficientes na definição de tempo. somente. somente. III. Resposta: B Questão 12 Na frase Falem mal. d) II e III. c) são usadas de forma errada em algumas ciências.Questão 11 tente.. Algumas delas mais velhas diziam palavras africanas na excitação em que estavam e não se compreendiam porque eram de diversas nações e haviam sido escolhidas já de propósito assim. que perdura”. Tanto que a física chama esse movimento pendular de “momento angular”. ou estar indeterminado. pode-se inferir que as palavras a) têm seu sentido subvertido na Física. o autor afirma que “não se trataria de exibição de cultura” e considera que “a leitura se opõe a um mundo hostil”.” (Graciliano Ramos) d) “Dizem? Esquecem.. Resposta: D Texto para as questões 14 e 15.” (Antônio de Alcântara Machado) c) “Ele. como resistência à opressão extrema que vitimava aqueles homens. para que não formassem grupos à parte.” (Érico Veríssimo) b) “A Rua Barão de Itapetininga é um depósito sarapintado de automóveis gritadores. e) afirmação de superioridade. é inexistente e “bichos” é objeto direto de haver. Mulheres de chimangos quase brancos. e) todos os itens. Resolução Ao relatar que momento e instante tiveram seus sentidos alterados na evolução do latim para o português atual. A falta de uma língua comum dificultava as relações que mantinham com a administração. somente. tornou-se movimentada. Resposta: D Questão 13 De acordo com o texto. pois. em que o sujeito não aparece no contexto. leia os itens seguintes. falavam em voz baixa e gesticulavam nervosamente.” (Coelho Neto) Resolução Com verbos na terceira pessoa do plural. logo que o sol iluminou as grades das janelas que davam para o vale. com a linguagem secreta de uma só algaravia. Ou seja. somente. A Menina Morta) Questão 14 Sobre o texto. jan. 15. a mulher e os filhos tinham-se habituado à camarinha escura. naquele caso. c) II. O que se afirma no item I é con- Texto para a questão 13. ENEM/2009 –5 . c) solidariedade entre os homens. a leitura é considerada como uma forma de a) enriquecimento cultural. b) enriquecimento pessoal. “movimento”. d) em latim eram mais precisas do que em português. I. Resolução Ao apresentar o grande poeta russo Mandelstam evocando a leitura de Virgílio para seus companheiros no campo de concentração estalinista. Não é paradoxal que o instante seja justamente o intervalo de tempo mais fugaz que existe? (Aldo Bizzocchi. caso apareça numa oração próxima. funcionava como oposição.” (Fernando Pessoa) e) “Lá não pode haver mais bichos do que no meu sertão. d) resistência à opressão.) No texto anterior. e refere-se ao balanço do pêndulo dos relógios. Está correto o que se afirma em a) I e II. encontramos o mesmo tipo de sujeito que em: a) “Faço carreteadas daqui pro Rio e de lá pra cá. As escravas dispunham de um código comum de palavras africanas. Já “instante” (do latim instans) significa “insis- b) I e III. o sujeito pode estar oculto. (Cornélio Pena. na sua origem. A parte da senzala que era habitada pelas negras solteiras. n. Revista Língua. os braços muito pretos de fora. o autor do texto dá a entender que a transformação do sentido das palavras é um fenômeno natural na evolução da língua. mas falem de mim. O sujeito de “pode haver”. mas uma duração suficiente para que algo se movesse de forma perceptível aos olhos. E as palavras que denominam as menores frações de tempo? “Momento” vem do latim momentum. Cada ida ou vinda do pêndulo é um “momento”. o mesmo que um tempo infinitesimal. II. 2007. um “momento” não era. b) podem mudar de significado no decorrer do tempo. como nos casos apresentados na proposição da questão e na alternativa d. na alternativa e. Fora intencional o agrupamento de escravas provenientes de nações diversas.

II. este o momento. apropriado”. a exortação a aproveitar o presente propõe nossa identificação com ele. autêntico”. outros. porque és ele. isto É quem somos. é o mesmo que um código não verbal no caso de povos iletrados. d) II e III. significa “conveniente. b) Criticam tanto aqueles que se prendem ao passado como aqueles que fixam seus olhos no futuro. c) Exprimem consciência da brevidade da vida e da inevitabilidade da morte. b) transformar expressão em linguagem figurada no equivalente fotográfico em sentido literal. com os olhos postos no passado. somente. somente. 6– ENEM/2009 . Esta é a hora. “verdadeiro. mostrando-nos a nossa própria insignificância. Com essa linguagem secreta. morreremos. sorvo. é a mistura de palavras africanas com palavras da língua portuguesa. e é tudo. Uns. não se pode dizer: a) Diante da fugacidade do tempo. em d. veem O que não pode ver-se. Por que tão longe ir pôr o que está perto – A segurança nossa? Este é o dia. Texto para a questão 16. de acordo com a sua função na frase. Está correto o que se afirma em a) I e II. c) II. Resolução “Interminável hora” é metáfora do tempo que flui constantemente. os membros desse grupo poderiam de fato comunicar-se. o que era intencionalmente evitado pelos senhores. somente. e o item III está incorreto porque não se menciona no texto a dificuldade no relacionamento entre as escravas e a administração. fitos Os mesmos olhos no futuro. Colhe O dia. algaravia I. Resolução No enunciado. “peculiar.traditório em relação ao que se afirma em II. Resolução No texto. No mesmo hausto Em que vivemos. em e. Em a. do poeta latino Horácio. próprio significa “pertencente ao sujeito da oração”. designa uma língua estranha aos membros de outro grupo. Resposta: C Questão 17 A palavra próprio pode assumir diferentes significados. e) Você deve entender o sentido próprio da palavra. Questão 18 O humor da imagem acima está em a) subverter a lógica convencional ao unir objetos de universos culturais diferentes. daí a valorização do momento presente. justificativa para o aproveitamento do momento presente. b) Ele tem um jeito próprio de agir. Perene flui a interminável hora Que nos confessa nulos. somente. Veem o que não veem. d) “Interminável hora” é metáfora de morte. típico”. Assinale a alternativa em que o sentido de próprio equivale ao que se verifica em “Foi em seu próprio carro”: a) O momento não é próprio para pedir a mão dela. e) todos os itens. Resposta: C e) “Colhe o dia” é a tradução de uma das expressões mais célebres da poesia lírica: carpe diem. em b. Resposta: C b) I e III. aspiração (de ar) (Ricardo Reis) Questão 16 (Marcelo Zocchio e Everton Balladrin. O Pequeno Dicionário Ilustrado de Expressões Idiomáticas) Sobre os versos acima. Resposta: D Questão 15 No texto. III. como ocorre em c. “em pessoa”. d) O próprio professor me disse isso. algaravia diz respeito a uma linguagem secreta pertencente a um grupo. c) Moramos em casa própria. Observe a imagem abaixo.

(Mário Vargas Llosa) Questão Questão 19 21 O termo ficção. conforme o texto. em relação às anteriores. a palavra negociação associa-se ora ao requisito clássico da democracia. Resposta: B b) adversativo.c) instaurar uma divergência entre sentido figurado e representação iconográfica. mas à vida real. nobre e rica. apenas. apenas.. d) conclusivo. a) “minguada e inconsistente” b) “limitações e frustrações” c) “destino individual” d) “vida real” e) “a outra vida” Resolução No contexto. ou mesmo das “negociatas”. apenas. Da mesma forma que instituições justas e racionais revelam um povo grande e livre. O item III está errado. ENEM/2009 –7 . pois a palavra negociação. e) I. I. que é a busca do “acordo entre partes”. por oposição à “vida real”. A ficção é compensação e consolo pelas muitas limitações e frustrações que fazem parte de todo destino individual e fonte perpétua de insatisfação. valor a) aditivo. tomada a expressão em seu sentido literal. a oração destacada tem. As demais alternativas contêm expressões que se associam não à ficção. Na prática política. a arte permanece”. A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros Vinha da boca do povo na língua errada do povo Língua certa do povo Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil Ao passo que nós O que fazemos É macaquear A sintaxe lusíada (Manuel Bandeira) Questão Texto para a questão 20. e) explicativo. apenas. “a outra vida” refere-se à vida representada na ficção. pois o texto se refere à exploração da duplicidade de sentidos de uma palavra. A tese defendida é a de que a acepção mercantilista da palavra negociação pode ser maliciosamente encoberta pela acepção democrática. c) I e III. porém a arte permanece. Resposta: C II. justificam-se como hábeis negociadores. Texto para a questão 22. e a tese é a de que as palavras deixam de ter sentido por causa dessa prática. anuncia a raça inteligente e ilustrada. ora ao fundamento mercantilista dos “negócios”. ou seja. de fato. Resolução O humor da imagem está em transformar a expressão idiomática (utilizada por homens) “tirar água do joelho”. Questão 22 Assinale a afirmação que descreve adequadamente a atitude presente nos versos de Bandeira. d) apresentar uma desproporção entre o universo civilizado e o selvagem. é empregada por políticos de forma ardilosa. Está correto o que se afirma em a) II. nem que seja de modo fugaz. Vários políticos valem-se dessa duplicidade de significados: sendo. no texto. por referir-se tanto a “requisito clássico da democracia” quanto a “fundamento mercantilista”. tudo passa. com a acepção “democrática” disfarçando a acepção “mercantilista”. e) utilizar o eufemismo. d) II e III. que significa urinar. Resposta: E No período “Tudo muda. pois apresenta uma oposição ao que foi dito antes: tudo muda ou passa. II e III.. Resposta: B b) I e II. a suavização de expressões chocantes ou grosseiras. O item II também está correto. espertos negociantes. Resolução A oração destacada tem valor adversativo. pois o duplo sentido da palavra negociação confirma-se no texto. não à perda de sentido. uma língua pura. Resolução O item I está correto. O tema explorado é o do duplo sentido que a palavra negociação ganha no âmbito da prática política. a) “A língua é a nacionalidade do pensamento como a pátria é a nacionalidade do povo. c) alternativo. III. Assinale-a. no seu equivalente fotográfico. só pode ser diretamente associado a uma das seguintes expressões. pois nada mostra de forma tão clara o quão minguada e inconsistente é a vida real quanto tornar a ela. Texto para a questão 19.” (José de Alencar) 20 Considere as seguintes afirmações sobre o texto acima. depois de haver vivido. O tema é a prática da má política. a outra vida.

pois a metonímia é uma figura que engloba a sinédoque). e o escritor não está obrigado a receber e dar curso a tudo o que o abuso. a) “A vida é uma cartola de mágico. (Francisco Otaviano) e) Morrer. E a alma um cisne de douradas plumas: Não! o seio da amante é um lago virgem. mais se aproxima daquela concepção cristã. que a vida É luta renhida: Viver é lutar. Só passou pela vida. Quem passou pela vida e não sofreu. / lemos a sorte futura.” (Celso Cunha) c) “Língua é vida. Assinale a alternativa cujos versos apresentam a mesma figura. dos concursos.. senhores. mortas e frias.não temo contrastes nem mudanças. armazenadas nos dicionários e nos compêndios gramaticais. de autores românticos. sendo. os devotos se dirigem à Virgem Maria em termos que exprimem uma concepção cristã do mundo e da vida humana: “A vós suspiramos. A vida é ai que mal soa. Mais leve que o pensamento. não foi homem. (Álvares de Azevedo) c) A vida é o dia de hoje. este mundo é visto como um “vale de lágrimas”. Sobretudo para quem escreve tirando das coisas e das pessoas a primeira capa do superficialismo... Vem! formosa mulher – camélia pálida Que banharam de pranto as alvoradas. algo que se esquece tão logo se saia da sala de aula. coração.” (Clarice Lispector) e) “A influência popular tem um limite.” (Camões) Resolução A palavra em destaque constitui uma sinédoque (figura do tipo da metonímia). o capricho e a moda inventam e fazem correr. quando este mundo é um paraíso. em sua visão da existência. Que os fortes. não sofrer = não viver. (Gonçalves Dias) b) Eu deixo a vida como deixa o tédio Do deserto o poento caminheiro. Às vezes se assusta com o imprevisível de uma frase. perdido o lenho.” (Celso Pedro Luft) d) “A língua portuguesa é um verdadeiro desafio para quem escreve. ele incitou nossos escritores a concederem primazia absoluta aos temas essencialmente brasileiros [. / Andando em bravo mar. neste vale de lágrimas. A vida leva-a o vento. como comer. meu filho. das provas. portanto. A vida é sombra que foge.. Não é uma realidade à parte. A mesma concepção se exprime nos versos de Francisco Otaviano: viver = sofrer. e é sobre essa tendência modernista que fala Celso Cunha na alternativa b. a vida. vestir-se etc. Nos outros fragmentos transcritos. A vida é nuvem que voa. neste caso. A vida é folha que cai! (João de Deus) d) Quem passou pela vida em brancas nuvens E em plácido repouso adormeceu. Quem não sentiu o frio da desgraça. aponte aquele que. como as de conteúdo por continente (o que não altera a resposta da questão.. / para esta breve leitura: / somos ciganas de Egito. Quero boiar à tona das espumas.. Faz parte de toda a gama de nossos comportamentos sociais. tédio (b) e inconsistência (c) e o mundo é concebido como um “paraíso” de beleza feminina e prazer erótico (e). Pelo contrário. uma metonímia. (Castro Alves) Resolução No trecho de Salve Rainha. Às vezes ela reage diante de um pensamento mais complicado.b) “O Movimento de 1922 não nos deu – nem nos podia dar – uma ‘língua brasileira’. Resposta: D Questão 24 Na oração católica Salve Rainha..] e a preferirem sempre palavras e construções vivas do português do Brasil a outras. não viveu. morar.” (Machado de Assis) Resolução Os versos de Manuel Bandeira valorizam o uso coloquial do português do Brasil. A vida é sonho tão leve Que se desfaz como a neve E como o fumo se esvai: A vida dura um momento. pois peito é parte tomada pelo todo (pessoa) — no caso. Na alternativa d. Resposta: B tonímia (material pelo produto) para indicar navio.” (João Cabral de Melo Neto) d) “..” (Carlos Drummond de Andrade) c) “— Atenção peço. a) Não chores. Foi espectro de homem.” (Camões) e) “Postos em nós os olhos. a vida é vista como luta (a). é concebida como sofrimento. Resposta: D Questão 23 Nos versos de Camões “Que castigo tamanho e que justiça / Fazes no peito vão que muito te ama!”. aqueles que se arriscam nas navegações. Não chores. os bravos Só pode exaltar.. A vida é combate Que os fracos abate. Mas peito pode estar aí substituindo algo próximo. gemendo e chorando. lenho é sinédoque (parte pelo todo) ou me- 8– ENEM/2009 .” (Érico Veríssimo) b) “Meu verso é minha cachaça. meneando / Três vezes a cabeça descontente.” Entre os trechos poéticos seguintes. a saber. ele exerce também uma grande parte da influência a este respeito. depurando a linguagem do povo e aperfeiçoando-lhe a razão. a palavra em destaque constitui uma figura de linguagem.. impelidos pela cobiça e vaidade.

para o autor.” Texto II Ai. Vejo livros e artigos sobre o que é escrever bem. a referência a Amélia adquiriria sentido pejorativo. em outro equívoco. O segundo problema apontado tem relação com o sentido. Nada contra. Resolução O item I está incorreto porque a frase da modelo supõe referência à personagem celebrizada na canção. Resolução Em II. Ai.Textos para a questão 25. uma mulher submissa e dedicada ao lar. c) II. que o autor do texto. além de ser a forma coloquial no Brasil. com Considere as seguintes afirmações sobre o texto. em III. comentando o prazer que tem em se dedicar à sua casa e à família. c) II. redundante. Resposta: A b) I e II. investigativo. I. o “é que” destacado denota ideia de exclusão: nenhuma mulher é “mulher de verdade”. pois. apenas. pois o defeito consistiria em redundância. Às vezes. d) II e III. como expressa a mesma ideia de conformidade que em “como se procurasse algum significado oculto”. à qualidade da redação. se se tratasse de reclamação de uma mulher a respeito do peso dos trabalhos domésticos. era certamente porque estava oculto. é que era mulher. apenas. Mais útil é mostrar o que é escrever mal. o autor refere-se a um “erro” que não ocorre. e nas primeiras 20 páginas já me sinto dentro de um filme policial de terceira classe. O terceiro problema apontado diz respeito à propriedade e precisão no emprego das palavras. Está correto o que se afirma em a) I. que saudade da Amélia Aquilo. III. Como dizia Monteiro Lobato. e) todas as proposições. passava fome ao meu lado E achava bonito não ter o que comer E quando me via contrariado Dizia: meu filho. Está correto o que se afirma em a) I. só Amélia. (Daniel Piza) Questão 26 Questão 25 Observe as seguintes afirmações sobre os textos apresentados. III. b) II. a oração “como se procurasse algum significado oculto por trás das minhas palavras” tem o defeito da ambiguidade. e ela lançou-me um olhar arguto. como se procurasse algum significado oculto por trás das minhas palavras. Texto I Em entrevista. No item II. Segundo: se ela procurava significado por trás das palavras. apenas. a expressão expletiva “é que” denota exclusão. sendo o primeiro referente a normas de sintaxe e os dois outros. d) I e II. que Saudade da Amélia) o mesmo destrato à língua: “Para um advogado às vezes é melhor o cliente começar pelo fim. a construção. Considere as seguintes proposições: I. ou de um seriado de TV. mas comparação. em nada fica prejudicado o entendimento da frase dita pela modelo. meu Deus. o adjetivo certo para um substantivo é como a porca no parafuso. Resposta: E Questão 27 Texto para as questões 26 e 27. disse: “Sou a Amélia do ano 2000. que se há de fazer? Amélia não tinha a menor vaidade Amélia é que era mulher de verdade. Para o autor. apenas. Pego o novo livro de Rubem Fonseca. estivesse se referindo ao peso das atividades cotidianas da mulher. II.” Primeiro: o adequado seria “ela me lançou”. II. não com a forma do texto. mas no máximo o que se passa são dicas. I. ENEM/2009 –9 . Em “o adjetivo certo para um substantivo é como a porca no parafuso”. mas inquiridor. Mandrake – a Bíblia e a Bengala (Companhia das Letras). b) I e II. d) II e III. apenas. contrariamente ao que disse. apenas. (Canção de Ataulfo Alves e Mário Lago. sim. observações técnicas. O item III está correto. eu disse. e) todas as proposições. a referência a Amélia ganharia sentido pejorativo. Em “o adequado seria ʻela me lançouʼ ”. Terceiro. Se a modelo. mas pleonástica. Na canção. considerou “preposição”). Sem o conhecimento da personagem da música popular. e) II e III. como não expressa conformidade. Está correto o que se afirma apenas em a) I. III. apenas. curioso ou. melhor ainda. pois o pronome pessoal (ela) não “atrai” o pronome oblíquo átono (me. a modelo Luma de Oliveira. não é ambígua. porque o pronome pessoal atrai a preposição. mais importante: um olhar em busca de um significado não é arguto. c) III. apenas. O autor aponta três problemas no texto. II.

Abaporu) Considere as seguintes proposições sobre o texto: I. isto é.. desconhecer as informações mais recentes. A corrupção é um ácido que corrói não apenas a engrenagem da vida governamental. (Denise Frossard) Questão 29 (Tarsila do Amaral. política ou economia. pois sua mentalidade permaneceria infantil. corpulento) como a “cara de piá” (menino) estão presentes em Abaporu. Cuidado com a ideia falsa amplamente disseminada de que a corrupção é o óleo que lubrifica a engrenagem da economia e dos negócios públicos. apenas. A palavra disseminada significa “adulterada”. termo que significa nova palavra [.” d) “Macunaíma virou num caxipara que é o macho da formiga saúva e foi se enroscar na rama de algodão acolchoando o gigante. evoluindo rapidamente. III e IV.] Estão os neologismos ligados a todas as inovações nos diversos ramos de atividade humana. ciência. introduzindo novos termos. A palavra até. de Mário de Andrade.] São eles os neologismos. carrancudo. II. Texto para as questões de 30 a 32. técnica. d) II. reflete essa busca frenética de novidade. IV. A palavra corrupção é associada a duas metáforas: “óleo que lubrifica” e “ácido que corrói”. III. apenas. Resposta: B Observe a imagem abaixo e responda à questão 28. II e III. Resposta: D O quadro Abaporu (o homem que come carne humana) é associado ao Manifesto Antropófago.. morais e até os sonhos de um povo... Mas não acompanhar esse ritmo significa ficar de fora. e) I. apenas. em “os valores éticos. III e IV.. a) “No outro dia por causa da machucadura Macunaíma amanheceu com uma grosseira pelo corpo todo. Primitivismo. II. Resolução O sentido de disseminar é “espalhar”.. Assinale a alternativa em que o aspecto físico de Macunaíma se aproxima da figura de Abaporu. Futurismo etc. tudo que evolui. Resposta: E Resolução Tanto o “homem taludo” (grande.] um desafio acompanhá-la [. na época. que se torna [.] 10 – ENEM/2009 . referentes ao sentido do texto: redundância e imprecisão...” b) II e III.] A língua.” c) “E ninguém não seria capaz mais de indicar nele um filho da tribo retinta dos Tapanhumas. Esses artistas modernistas levaram em conta as correntes das vanguardas europeias (Cubismo. surge a obra Macunaíma.. seja na arte. apenas.]. A desproporção simboliza a imaturidade emocional do brasileiro. morais e até os sonhos de um povo”.) para discutirem a cultura e o homem do nosso país. mas também os valores éticos. Isso provoca uma corrida ansiosa em direção a tudo o que é novo. logo aceitos. como ligada ao movimento antropofágico. o segundo e o terceiro envolvem problemas semânticos..” b) “Ficou do tamanho dum homem taludo.. doença comprida. Nesse mesmo ano. Estão corretas as afirmações Questão 28 a) I e II. [. c) I. [. A locução conjuntiva não apenas. Foram ver e era a erisipa. [. procurando no longe a cidade. que foi considerada. Mário de Andrade construiu a personagem Macunaíma como símbolo de um presumido modo de ser brasileiro. poderia ser substituída por inclusive ou mesmo.. A evolução da sociedade nas últimas décadas tem sido tão vertiginosa em todos os setores. publicado em 1928.Resolução O primeiro defeito apontado é um falso erro de sintaxe de colocação.” e) “Na frente Macunaíma vinha de pé. que se desenvolveria apenas fisicamente.. espelho da cultura. mas também exprime adição enfática e promove o paralelismo sintático entre as orações. tudo que muda.. Não é. Porém a cabeça não molhada ficou pra sempre rombuda e com a cara enjoativa de piá [criança]. sem alteração do sentido do trecho. Texto para a questão 29. de Oswald de Andrade.

são a ciência e a tecnologia. o vocabulário evolui. e) as transformações sofridas pela linguagem sempre refletem os avanços tecnológicos. b) os arcaísmos decorrem do desinteresse em utilizar palavras eruditas que apresentem correspondentes na linguagem informal. Às vezes. por não atenderem às necessidades da vida prática. d) o dinamismo cultural é responsável pelo uso de novas palavras e. pelo abandono de outras. As torcidas organizadas explodiram no Brasil a partir do final dos anos 60. Está correto apenas o que se afirma em a) I. arcaico. d) mudança. só não é possível associar a neologismo a palavra a) criação.Surgem ainda palavras como resultado de uma necessidade de expressão pessoal: são os neologismos criados pelos poetas. se arcaízam. O interesse pelas inovações motiva a rápida compreensão dos neologismos. que operam na clandestinidade. Os neologismos nem sempre estão relacionados a modificações do mundo exterior. e) concessão. De qualquer modo. Agora. c) III. As principais fontes de origem de novas palavras.” Resposta: D Questão 33 O termo destacado no texto indica a) ênfase. o vocabulário evolui. Os vocábulos que os designavam perdem sua razão de ser. c) o ritmo acelerado das mudanças causa ansiedade naqueles que se veem incapazes de assimilar as inovações. incorpora novos termos e joga fora outros correspondentes [.]. que se mostram às claras em nosso meio social. deixam de ser incorporados ao vocabulário dos demais falantes. c) oposição. na atualidade. Resolução A palavra agora está unindo dois termos opostos de uma comparação: os hooligans. Acho que isso tem alguma relação com a ditadura militar. São entrevistados no rádio e na tevê. afirma-se apenas que eles são “logo aceitos” – o que não quer dizer que sejam compreendidos nem. Muitos pesquisadores tentam descobrir o que leva os hooligans a serem tão violentos. Resposta: C b) tempo. e não a sua “compreensão”. fora de uso. incorpora novos termos e joga fora outros correspondentes [. pode-se concluir que a) os neologismos criados pelos literatos. Resolução A resposta a esse teste encontra-se no último parágrafo do texto: “À medida que a cultura se desenvolve.. (Alex Bellos) b) II. os caras enchem a cara e partem para a violência. e as torcidas organizadas brasileiras. e) incorporação. III. e) II e III. incompreendidos. Questão 31 De acordo com o texto. d) condição. Apesar de não serem pobres e carentes como os brasileiros. já que o texto não destaca a ciência e a tecnologia como fontes principais de neologismos. penso que as torcidas seriam menos violentas se os dirigentes brasileiros não errassem tanto e não roubassem o clube dessa maneira. Uma caneca de cerveja europeia tem quatro vezes mais álcool que um chope brasileiro. Arcaísmo vem do grego arkaikós. assessor de imprensa. Resolução A afirmação II está errada porque o texto apenas menciona a “aceitação” do neologismo. sede. Então. muito menos. c) incompreensão. me parece uma vontade estúpida de buscar fortes emoções regada a muito álcool. O que é o Neologismo) Questão 32 Com base no texto. (Nelly Carvalho. E os ingleses bebem muito. escritores... Os chefes de torcida organizada têm cartão de visitas. Expulsaram os torcedores das grandes partidas e viraram personalidades. Há uma diferença fundamental entre as [torcidas] organizadas brasileiras e os hooligans ingleses. Resposta: A Texto para as questões de 33 a 36. Os caras são anônimos. [. ENEM/2009 – 11 . II... Resolução Nada se fala no texto a respeito da compreensão ou incompreensão dos neologismos. cronistas e humoristas.. a coisa é espantosa. Muitas vezes. ao mesmo tempo. a polícia se surpreende ao localizar o sujeito que barbarizou num estádio e descobrir que ele é um calmo chefe de família. Resposta: C b) surgimento. no Brasil. Questão 30 Considere as seguintes afirmações: I. O erro da afirmação III está no uso do termo principais. d) I e II.]. Ninguém na Inglaterra assume que é hooligan.] À medida que a cultura se desenvolve. os hooligans também são os pobres coitados da Inglaterra.

em alguns momentos. na visão de Pestalozzi. com ênfase na ação e na percepção dos objetos.” d) “Muitas vezes. para Pestalozzi. me parece uma vontade estúpida de buscar fortes emoções regada a muito álcool. Resposta: E Questão 36 Em “os caras enchem a cara”.” b) “Agora.] A criança.Questão 34 Resolução A única alternativa que apresenta frase em que a linguagem está sendo usada no sentido figurado é a d. b) os hooligans têm identidade clandestina. a de saber ler e imitar a natureza — em que o método pedagógico deveria se inspirar. [. os caras enchem a cara. Isso só não ocorre em: a) “Os caras são anônimos. família e instrução a que Pestalozzi se dedicou devem muito a sua leitura do filósofo franco-suíço Jean-Jacques Rousseau (1712-1778). regada a muito álcool” é expressão que não deve ser entendida em seu sentido literal. É a ideia do “aprender fazendo”. às suas aptidões e necessidades.. assim como em: a) “Os chefes de torcida organizada têm cartão de visita.. parte de uma missão maior do educador. (Márcio Ferrari. a linguagem está sendo usada em seu sentido conotativo. como os integrantes das torcidas organizadas. fora do estádio. no Brasil. sua linguagem aproxima-se.” Questão 37 O autor considera duas possibilidades opostas para o desenvolvimento infantil. no emprego de “Então”. a coisa é espantosa.. figurado. o coloquialismo está no emprego da expressão “os caras”. Para o pensador suíço. em b. ao contrário das torcidas organizadas. pois “vontade. sensorial e emocional do conhecimento... para Pestalozzi...” c) “Então. no Brasil.. Dar atenção à sua evolução.. “os caras” e “enchem a cara”. do padrão coloquial. [.. assessor de imprensa.. em grande parte. ser um cidadão perfeitamente adaptado à sociedade. O que importava não era tanto o conteúdo. amplamente incorporada pela maioria das escolas pedagógicas posteriores a Pestalozzi. Ele gostava de lembrar que a semente traz em si o “projeto” da árvore toda.” b) “Os caras são anônimos. e) fatores socioeconômicos podem ter relação com as ações das torcidas organizadas brasileiras. abril/2004) Questão 35 Por se tratar de um texto jornalístico.” Resolução Em a. são vítimas de injustiças sociais. a polícia se surpreende ao localizar o sujeito que barbarizou num estádio. na utilização de “barbarizar”. d) a violência dos hooligans parece associada ao consumo excessivo de álcool.. era. conduzido pelo próprio aluno..” 12 – ENEM/2009 . Revista Escola.] O pensador suíço costumava comparar o ofício do professor ao do jardineiro. só não se pode afirmar que a) os hooligans.” e) “Os chefes de torcida organizada têm cartão de visitas. que devia providenciar as melhores condições externas para que as plantas seguissem seu desenvolvimento natural. nome central do pensamento iluminista. com base na experimentação prática e na vivência intelectual..” d) “Às vezes.. mais do que nas palavras. Desse modo. que se evidenciam no confronto das expressões: a) “. em c. o aprendizado seria. um dos cuidados principais do professor deveria ser respeitar os estágios de desenvolvimento pelos quais a criança passa. se desenvolve de dentro para fora — ideia oposta à concepção de que a função do ensino é preenchê-la de informação.. Ambos consideravam o ser humano de seu tempo excessivamente cerceado por convenções sociais e influências do meio. sede. Resposta: A Texto para as questões de 37 a 39. Resposta: D De acordo com o texto. mas o desenvolvimento das habilidades e dos valores.. a coisa é espantosa. no uso de “agora” em sentido adversativo e de “coisa” em sentido indefinido de “situação”.respeitar os estágios de desenvolvimento.” / “Dar atenção à sua evolução. como comprova o trecho “Apesar de não serem pobres e carentes como os brasileiros”. distanciado de sua índole original — que seria essencialmente boa para Rousseau e potencialmente fértil. “realidade”. mas egoísta e submissa aos sentidos.. no sentido de “cometer violência”..” e) “E os ingleses bebem muito. Não há marcas de coloquialismo na frase da alternativa e. Resolução Nada no texto permite a afirmação feita na alternativa a. [. O método deveria partir do conhecimento para o novo e do concreto para o abstrato..” c) “Agora... c) um hooligan pode. de acordo com as diferentes idades. em d.] Tanto a defesa de uma volta à natureza quanto a construção de novos conceitos de criança.

que amadureceu devagar. quando li de cabeça fria.. ou seja. Por que o senhor reescreve? — É por conta de uma grande insatisfação... Eu estava descobrindo que ler é muito mais fácil do que escrever. A criança desenvolve-se por estágios sucessivos e a gradação natural de seu progresso deve ser respeitada pelo mestre. respectivamente. e) I e III. próximo de sua índole original. Escrevi uma história.” Resposta: E c) Para Rousseau.se desenvolve de dentro para fora... portanto os sentidos devem estar em contato direto com os objetos. trabalhando.. — Como começou a escrever? — Foi um processo demorado.. conduzido pelo próprio aluno. quando quer pôr aquilo no papel. nessa batalha permanente. até visualiza. levantei – até que um dia escrevi uma história que. Veiga para a coleção Para Gostar de Ler e para a Folha de S. Resolução A confirmação da alternativa d encontra-se no seguinte trecho: “Tanto a defesa de uma volta à natureza quanto a construção de novos conceitos de criança. tem que usar a linguagem.seguissem seu desenvolvimento natural. a percepção sensorial é fundamental.” e) “. na visão de Pestalozzi. apanhei.” Resolução Na concepção de Pestalozzi. em grande parte. tão substantiva? — É.preenchê-la de informação. (Folha de S.. achei que não estava ruim..” Resposta: D Questão 38 Os textos para as questões de 40 a 42 são fragmentos de entrevistas concedidas pelo escritor José J. a essência. Então você fica trabalhando. de “fora para dentro”.” / “. escrevi outras e outras histórias. comparável a um jardineiro. Voltei a tentar.Paulo) Questão 40 Qual o motivo da insatisfação do escritor José J.. a) Ambos têm pensamentos opostos quanto ao ser humano de seu tempo e as convenções sociais. Resolução A afirmação III está errada porque o aprendizado não depende inteiramente do professor.o aprendizado [... com base na experimentação prática e na vivência intelectual.. mas.. d) I e II.deveria partir do conhecimento para o novo.. conforme a ideia de que o ensino é apenas transmissão de informações: “A criança. Eu desbasto o texto. c) III. com uns consertos aqui e ali.. d) Pestalozzi foi influenciado por Rousseau na construção de novos conceitos sobre instrução. Resposta: D Questão 39 Considere as ideias de Rousseau e de Pestalozzi referidas no texto.. sensorial e emocional do conhecimento”. Quando resolvi experimentar escrever.” / “. Tiro o bagaço para deixar apenas o que tem peso. educador suíço do século XVIII. Veiga no ato de escrever? ENEM/2009 – 13 .. não gostei.. Mas é uma batalha curiosa: as derrotas que a gente sofre nela não são derrotas. II..” / “. b) II. para chegar o mais próximo possível. O jardineiro apenas prepara o ambiente favorável. Eu me vigio muito para não fazer aquilo que em linguagem popular se diz “encher linguiça”. Consertei. Mas quando a gente joga a toalha. parte “de dentro para fora”.. tampouco é ele quem determina o crescimento do aluno..” / “.” d) “.providenciar as melhores condições externas. caí. Você imagina as coisas. a índole original do indivíduo seria essencialmente egoísta e submissa aos sentidos. — Por isso a linguagem do senhor é tão seca. e não o oposto. o desenvolvimento infantil fundamenta-se na vivência intuitiva.. não consegui da primeira vez. b) Os dois pensadores consideravam o homem.. nome central do pensamento iluminista. III.. Está correto apenas o que se afirma em a) I.do concreto para o abstrato..aprender fazendo. fica infeliz..] conduzido pelo próprio aluno. e acaba voltando à luta.b) “. Animado. Na educação... — O senhor é muito conhecido por reescrever incessantemente seus textos. família e instrução a que Pestalozzi se dedicou devem muito a sua leitura do filósofo franco-suíço Jean-Jacques Rousseau (1712-1778). se desenvolve de dentro para fora — ideia oposta à concepção de que a função do ensino é preenchê-la de informação. Não acompanha o que você quer fazer.” c) “. são lições para o futuro. Aí você descobre que a linguagem é tosca. (Para Gostar de Ler) Considere as seguintes afirmações: I. e gostei do resultado.Paulo. e desanimei. ela ficaria apresentável. mas “o aprendizado seria. entrega os pontos num assunto que sente que é capaz de fazer. e) Um e outro concordam que as propensões naturais do ser humano estão livres das convenções sociais e das influências do meio. na sociedade de seu tempo.. O aprendizado depende inteiramente do professor. ao providenciar as condições propícias para determinar o crescimento do aluno.

Beethoven ainda não tinha criado a maior parte de suas obras-primas. seu nome não seria hoje lembrado por ninguém. (Fernando Pessoa) e) Para mim. como exemplo. b) Sua linguagem é. mas.) Atirei-me para casa com o andar mais próximo do correr que pude achar (. àquele que redige. a primeira que escrevera — o número “opus 1”. Resolução O que se afirma na alternativa a não corresponde ao conteúdo de nenhum dos dois textos apresentados. Resolução O trecho do texto que justifica a resposta é: “Aí você descobre que a linguagem é tosca. c) A linguagem parece-lhe insuficiente para transmitir tudo aquilo que se passa em sua mente. Haydn. d) Falta-lhe habilidade natural. que se referem à dificuldade de chegar a um resultado satisfatório na elaboração de um texto. não se refere a dificuldades na redação do texto. O que escreveu em Bonn tem apenas interesse histórico. Não acompanha o que você quer fazer. Os temas passam por um lento processo de elaboração até se prestarem ao “desenvolvimento”. e) Sua linguagem é tosca.” Resposta: C Resolução O texto de Fernando Pessoa. (Otto Maria Carpeaux. diferentemente dos outros. mesmo em circunstâncias tão anormais ou incômodas.. idade em que Mozart encerrou sua produção abundante. Schubert. frustrante.. Veiga só não permite concluir que a) o erro na prática da produção escrita prejudica o aprimoramento do escritor. a identificação de pontos falhos. mas também mais ligado e conexo que algumas coisas que eu tenho escrito. b) escrever é uma habilidade que pode ser desenvolvida por meio da prática insistente de organização e reorganização de textos..) E neste estado de espírito encontro-me a compor um soneto – acabei-o uns passos antes de chegar ao portão (. Entanto lutamos mal rompe a manhã. inconsequências.. em que podemos acompanhar a gênese de muitas obras suas. c) o trabalho de escrever é exigente. d) a linguagem é neutra e cabe ao escritor trabalhar na escolha de palavras que têm maior capacidade de significação dentro de um texto.) teve a bondade de rever comigo os originais.. Mozart.100 páginas datilografadas para fazer um romance no qual aproveitei pouco mais de 300. Veiga? a) Lutar com palavras é a luta mais vã.. na sonata-forma. seca e dificulta pôr no papel aquilo que ele imaginou. erros e erratas.. Resposta: D Questão 42 A leitura dos depoimentos de José J. falta-lhe o conhecimento do padrão culto para comunicar exatamente o que pensa. predominantemente. tenho sempre de corrigir e reescrever várias vezes..a) A expressão de suas ideias requer um árduo trabalho de vigilância para evitar o excesso de palavras (“encher linguiça”). Händel. bem ao contrário. cansativo e muitas vezes insatisfatório.. um dom. (. para exprimir suas ideias com precisão.) outro dia o céu ameaçava chuva e eu ia a caminho de casa.) E o soneto é não só calmo. Sua própria evolução também foi das mais vagarosas. (Lygia Fagundes Telles) Textos para as questões de 43 a 45. que escrevi 1. numa caçada milimétrica de contrassensos. substantiva.. c) Antonio Bolívar Goyanes (.. No ano da sua morte chegou a opus 135: produção muito menos abundante que a de Bach. Seus cadernos de notas. de longe. o ato de escrever é muito difícil e penoso. (Gabriel García Márquez) Texto I BEETHOVEN Beethoven não foi homem de inspiração instantânea. Basta dizer. (Fernando Sabino) 14 – ENEM/2009 . não a “erro” que prejudique “o aprimoramento do escritor”. Com 35 anos. Ele mesmo deu à primeira obra publicada em Viena — e que não é. Resposta: A Questão 41 Qual dos seguintes fragmentos se distancia da ideia transmitida nos depoimentos de José J.) E de repente me emocionei: na imagem do lutador de boxe vi a imagem do escritor no corpo a corpo com a palavra. demonstram que raramente aproveitou uma ideia musical assim como lhe ocorrera. repetições. da qual Beethoven é o maior mestre. com 31 anos de idade. Se tivesse morrido. como Schubert.. e num escrutínio encarniçado da linguagem e da ortografia. à facilidade com que pôde compor um soneto. e) a leitura do próprio texto permite. (Carlos Drummond de Andrade) b) (. Uma Nova História da Música) d) (. até esgotar sete versões.

pálida a rima Por estes meus delírios cambeteia. tendo êxito apenas em sua versão final. já que o autor do texto não vê qualidade nas primeiras obras de Beethoven. (Dicionário Grove de Música) Resolução O texto afirma que. e rebentam-lhe Entre as lívidas mãos uma por uma As cordas do alaúde a vibrá-las? c) Longe do estéril turbilhão da rua. c) Beethoven obteve êxito apenas nas peças em que se curvou ao gosto do público. e teima.Texto II A ópera Fidélio. Beethoven produziu poucas obras. na paciência e no sossego. podemos inferir: a) A ópera Fidélio. Resolução A estrofe de um conhecido soneto do poeta parnasiano Olavo Bilac apresenta o processo de criação artística como um trabalho árduo. pode-se ver a imagem idealizada que Beethoven tinha do sexo feminino. não obteve êxito junto ao público. e sua! d) Frouxo o verso talvez. d) Ao que parece. a) Estou farto do lirismo comedido Do lirismo bem comportado Do lirismo funcionário público com livro de ponto [expediente protocolo e manifestações de apreço [ao senhor diretor Assinale a alternativa correta. escreve! No aconchego Do claustro. Leonore. Viena era uma cidade que propiciava mais inspiração a Beethoven do que sua cidade natal. Beneditino. d) As obras que sofrem um lento processo de elaboração apresentam normalmente uma qualidade mais elevada do que aquelas que surgem de uma inspiração momentânea. que não obteve sucesso na estreia. e sofre. Por que a fronte não beijas do poeta? Por que não lhe descansas nos cabelos A coroa dos sonhos. Trabalha. Resposta: B Questão 45 Questão 43 Assinale a alternativa na qual o texto ilustra o processo de criação de Beethoven. O poeta. deve isolar-se do “estéril turbilhão da rua” e trabalhar. procedimento que tornava o processo criativo mais trabalhoso. Resolução A ópera Fidélio teve sua versão definitiva depois de várias revisões (texto II). Resposta: C Questão 44 De acordo com o texto. e) As aspas na expressão “opus 1” emprestam a ela um tom irônico. Porém odeio o pó que deixa a lima E o tedioso emendar que gela a veia! e) Quando sinto a impulsão lírica escrevo sem pensar tudo o que meu inconsciente me grita. a ênfase maior está na força moral do enredo. Nela. limar. mas também do amor matrimonial. se tivesse morrido com a idade de Schubert (31 anos). de 1814. que trata não apenas de liberdade. nas suas versões iniciais. justiça e heroísmo. daí a inferência de que Schubert foi mais “fecundo” (capaz de muitos e bons resultados) no início de sua carreira do que Beethoven. No personagem da heroína. e lima. ENEM/2009 – 15 . sofrer e suar. Resposta: A Estou farto do lirismo que para e vai averiguar no [dicionário o cunho vernáculo de um vocábulo b) Ó santa inspiração! Fada noturna. b) Se compararmos Beethoven a Schubert. b) Como era um músico de pouca inspiração. Beethoven não seria hoje lembrado por ninguém. porque desenvolvia suas composições dentro dos padrões da sonata-forma. o que comprova que Beethoven trabalhava arduamente em cima de suas obras até dar-se por satisfeito com elas (texto I). Bonn. e) Beethoven criou pouco. concluiremos que este se apresentou mais fecundo no início da carreira de compositor do que aquele. a) A ópera Fidélio é um exemplo do árduo trabalho que Beethoven realizava no processo de criação de suas obras. c) Os compositores barrocos (como Bach e Händel) e os compositores clássicos (como Haydn e Mozart) são mais criativos que os compositores românticos (como Beethoven). teimar. porque vulgarizava o amor matrimonial e a imagem da mulher. para criar. foi revista duas vezes por Beethoven e seus libretistas. de acordo com os textos.

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