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Módulo 2 – O Estatuto da Criança e do Adolescente

Apresentação do módulo Neste módulo você estudará o que é o Estatuto da Criança e do Adolescente, seus antecedentes históricos – legislação – diretivas internacionais de proteção, além da sistemática de garantias dos direitos das crianças e adolescentes e dados sobre violência e mortalidade de crianças e adolescentes no contexto brasileiro. Objetivos do módulo Ao final do estudo deste módulo, você será capaz de:   Analisar os antecedentes históricos da proteção à criança e ao adolescente; Compreender, de forma desmistificada, o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA (Lei n° 8.069, 13 de julho de 1990) e apreender sua aplicação, no sentido de garantir o respeito aos direitos da criança e do adolescente;    Identificar os sistemas de garantias dos direitos das crianças e adolescentes; Relacionar as medidas protetivas e socioeducativas aos referidos artigos do ECA; Analisar dados sobre a violência e a mortalidade entre crianças e adolescentes.

Estrutura do módulo Este módulo é formado por três aulas:  Aula 1– Antecedentes históricos e principais instrumentos normativos de defesa da criança e do adolescente em âmbito nacional e internacional.   Aula 2– Compreendendo o ECA –sistemática de garantias. Aula 3 – Violência e mortalidade.

em âmbito nacional e internacional. dez países americanos (Argentina. organismo destinado à promoção do bem-estar da infância e da maternidade na região. Chile. 1. conhecida por Declaração de Genebra. Estados Unidos. Brasil. Logo após a II Guerra Mundial um movimento internacional se manifesta a favor da criação do Fundo Internacional de Emergência das Nações Unidas para a Infância –UNICEF.Aula 1 – Antecedentes históricos e principais instrumentos normativos de defesa da criança e do adolescente em âmbito nacional e internacional. Equador. formula junto com a União Internacional de Auxílio à Criança a Declaração de Genebra sobre os Direitos da Criança. 1927: Durante o IV Congresso Panamericano da Criança. Peru. acerca dos Direitos da Criança. Bolívia.1.  1923: EglantyneJebb (1876-1928). .  1946: O Conselho Econômico e Social das Nações Unidas recomenda a adoção da Declaração de Genebra. Uruguai e Venezuela) subscrevem a ata de fundação do Instituto Interamericano da Criança (IIN –Instituto Interamericano delNiño– hoje vinculado à OEA e estendido à adolescência). Antecedentes históricos – diretivas internacionais de proteção Segundo Mendes (2009). A existência desse Comitê faz com que os Estados não sejam os únicos soberanos em matéria dos direitos da criança. fundadora da SavetheChildren. Cuba. conforme se segue:  1919: A Sociedade das Nações cria o Comitê de Proteção da Infância.   1924: A Sociedade das Nações adota a Declaração de Genebra. podem ser apontados histórica e cronologicamente fatos e alguns instrumentos normativos que fundamentam a doutrina da proteção integral.

 1979: Celebra-se o Ano Internacional da Criança.  1990: No Brasil é promulgado o Estatuto da Criança e do Adolescente – Lei 8.069/90. Da mesma forma. e a criação de um comitê especial pela Liga das Nações que tratava das questões relativas à proteção da criança e da proibição do tráfico de crianças e mulheres. São realizadas atividades comemorativas ao vigésimo aniversário da Declaração dos Direitos da Criança. Nela os direitos e liberdades das crianças e adolescentes estão implicitamente incluídos. esse texto não é de cumprimento obrigatório para os estados-membros. na Declaração de .  1989: A Convenção sobre os Direitos da Criança é adotada pela Assembléia Geral da ONU e aberta à subscrição e ratificação pelos Estados. por parte da extinta Liga das Nações e da Organização Internacional do Trabalho (OIT).  2001: É celebrado o Ano Interamericano da Infância e Adolescência. As primeiras discussões acerca dos direitos da criança se deram no início do século XX. Essas discussões provocaram a adoção de três Convenções pela OIT com o objetivo de abolir ou regular o trabalho infantil em 1919 e 1920.  1990: Celebra-se a Cúpula Mundial de Presidentes em favor da infância.  1959: A Declaração dos Direitos da Criança é adotada por unanimidade. preocupadas com a situação da infância no mundo. Entretanto. de 13 de julho de 1990 (ECA). Nesta cúpula se aprova o Plano de Ação para o decênio 1990-2000. 1948: A Assembléia Geral das Nações Unidas proclama a Declaração Universal dos Direitos Humanos.  1983: Diversas ONGs se organizam para elaborar uma Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança. possuindo o estatuto de consulta junto à ONU. o qual serve de marco de referência para os Planos Nacionais de Ação para cada Estado parte da Convenção.

Nesse campo considera-se que o avanço mais significativo para as Nações. que estabeleceram as Diretrizes das Nações Unidas para a Prevenção da Delinqüência Juvenil. em decorrência de sua imaturidade física e mental. em termos de efetivação da garantia de direitos das crianças. Essa proteção foi baseada na premissa da necessidade de proteção à criança. que os países passaram a mais detidamente debruçar-se sobre a situação das crianças e adolescentes. inclusive proteção legal apropriada. Entretanto. A Declaração dos Direitos da Criança (Resolução da Assembléia Geral da ONU de 20/11/1959) estabeleceu que a criança precisa de proteção e cuidados especiais. crueldade e exploração”. . de 14 de dezembro de 1990. "Regras de Beijing”. de 1924. adotadas pela Assembléia Geral das Nações Unidas na sua resolução 45/110. Regras Mínimas das Nações Unidas para a Elaboração de Medidas não Privativas de Liberdade (Regras de Tóquio). foi somente depois do fim da Segunda Guerra Mundial. antes e depois do nascimento. de 1985 – que estabeleceram Regras Mínimas das Nações Unidas para a Administração da Justiça da Infância e da Juventude. As "Diretrizes de Riade". com a criação da ONU e sua subsidiária –UNESCO– a partir da década de 1950. de 1924. estabelecida pela Declaração Universal dos Direitos Humanos e pela Declaração dos Direitos da Criança em Genebra. A Declaração de 59 foi sendo aprimorada com as chamadas: 1. 2. e 3. O princípio 9° enfatiza que “a criança gozará proteção contra quaisquer formas de negligência. ocorreu a partir da Convenção sobre os Direitos das Crianças – Resolução nº. de 1990.Genebra. 44/25 da Assembléia Geral da ONU em 20/11/1989. 2009). já se nota a preocupação internacional em assegurar os direitos de crianças e adolescentes (Mendes.

O contexto brasileiro: o nascimento da doutrina de proteção integral No Brasil. quando os pais ou outras pessoas responsáveis por ela não tenham capacidade para fazê-lo. as pressões dos movimentos sociais em defesa da infância. 1º) e estabelecem as responsabilidades da proteção especial a esse sujeito em desenvolvimento:  Artigo 3º: Todas as decisões que digam respeito à criança devem levar em conta o seu interesse superior. marcaram uma das maiores conquistas pelos direitos da criança: a incorporação de uma nova visão sobre a infância na Carta Magna. No preâmbulo. sobre as conquistas da Convenção de 1989.Importante – De acordo com Mendes (2009). a fim de proporcionar-lhe condições favoráveis ao seu desenvolvimento saudável. trabalho.2.  Artigo 6º: Todas as crianças têm o direito inerente à vida. cuja origem se encontra textualmente na Declaração Universal dos Direitos da Criança (1959). a Doutrina traz o reconhecimento da necessidade de um sistema de proteção diferenciado para a criança. convívio. educação. . dando-lhe prerrogativas e privilégios concernentes à seguridade social. e o Estado tem obrigação de assegurar a sua sobrevivência e seu desenvolvimento. por ocasião da redemocratização. em torno da Assembléia Constituinte. a partir dos anos 80.  Artigo 19: O Estado deve proteger a criança contra todas as formas de maus tratos por parte dos pais ou de outros responsáveis pelas crianças e estabelecer programas sociais para a prevenção dos abusos e para tratar as vítimas. 1. Essa autora destacou alguns artigos da Convenção sobre os Direitos da Criança que trazem o conceito de criança (como é o caso do art. pode ser citada a consolidação da Doutrina da Proteção Integral da Criança. O Estado deve garantir cuidados adequados à criança.

discriminação. o legislador pátrio agiu de forma coerente com o texto constitucional de 1988 e documentos internacionais aprovados com amplo consenso da comunidade das nações. . à alimentação.estabelecendo a co-responsabilidade entre: família – sociedade – Estado. e estabelecer como diretriz básica e única no atendimento de crianças e adolescentes a doutrina de proteção integral.79). de 10. O ECA Como você estudou na aula anterior. pela primeira vez na história brasileira. introduzindo a doutrina da proteção integral à criança. exploração.697. crueldade e opressão. revogando implicitamente a legislação em vigor à época. 1988). aborda a questão da criança como prioridade absoluta. da sociedade. até então admitida pelo Código de Menores (Lei 6. o direito à vida. (Constituição Federal. tornando sua proteção dever da família. ao respeito. da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente. preconizada nos tratados internacionais da ONU. Se é certo que a própria Constituição Federal proclamou a doutrina da proteção integral. o país clamava por um texto infraconstitucional consoante com as conquistas da Carta Magna.É dever da família. com absoluta prioridade. a CF/88 proclamou a doutrina de proteção integral. à educação. à profissionalização. à saúde. ao lazer. além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência. Aula 2–Compreendendo o Estatuto da Criança e Adolescente – sistemática de garantias 2. violência. no direito brasileiro: Art. à cultura. Ao romper definitivamente com a doutrina da situação irregular.10.1.227.Na Assembléia Constituinte. um grupo de trabalho sobre a temática da criança e do adolescente incluiu um artigo na Constituição da República de 88. à liberdade e à convivência familiar e comunitária. É nesse sentido que a Constituição Federal de 1988. do Estado. à dignidade.

da comunidade. ao respeito. Composto por 267 artigos. à dignidade. A prioridade absoluta que preceitua o artigo 227 da CF/1988 foi reafirmada no seu art. elaborada por uma comissão formada por representantes da sociedade civil. Importante – O ECA é a lei que reconhece a criança e o adolescente como sujeito de direitos em nosso país. com absoluta prioridade. c) preferência na formulação e na execução das políticas sociais públicas. é um marco histórico em termos dos direitos infanto-juvenis. à educação. a efetivação dos direitos referentes à vida. o referido documento. à cultura. Nesse sentido nasceu a Lei nº. . infraconstitucional que traduzisse essa doutrina. b) precedência de atendimento nos serviços públicos ou de relevância pública. à profissionalização. d) destinação privilegiada de recursos públicos nas áreas relacionadas com a proteção à infância e à juventude. 4º. ao esporte.069. o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). ao lazer. 8. no Brasil. Parágrafo único. à saúde. de 13 de julho de 1990. juristas e técnicos dos órgãos governamentais. com a participação fundamental do Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua (MNMMR) e da Pastoral da Criança. 4º. É dever da família. à liberdade e à convivência familiar e comunitária. defendendo o seu interesse superior. A garantia de prioridade compreende: a) primazia de receber proteção e socorro em quaisquer circunstâncias.Mas o país clamava por um texto específico. Senão vejamos: Art. à alimentação. da sociedade em geral e do Poder Público assegurar.

no ECA encontram-se os fundamentos dos três grandes sistemas de garantias (primário. . 7º preconiza: “Art. principalmente. mediante a efetivação de políticas sociais públicas que permitam o nascimento e o desenvolvimento sadio e harmonioso. O ECA e os sistemas de garantias Conforme Saraiva (2005).” O direito à vida possibilita a concretização dos outros direitos. à saúde. como direito à educação. 7º. São eles: Sistema primário – refere-se às políticas públicas de caráter universal para atendimento a toda população infanto-juvenil brasileira sem quaisquer distinções (traduzido especialmente pelos arts.A sistemática do ECA ressalta. Art. É dever da família. reconhecendo a sua condição de pessoa em processo de desenvolvimento. da comunidade. A criança e o adolescente têm direito a proteção à vida e à saúde. (Comentário de Herbert de Souza sobre o Artigo 7º do ECA. de modo a garantir-lhes condições plenas de vida. a proteção à vida e à saúde permeia todas as políticas públicas voltadas à criança e ao adolescente. à alimentação. 4º. dentre o rol dos direitos fundamentais que estão interligados. do ECA). 86 e 87.2. ao esporte e ao convívio familiar. 4º. do Estado. secundário e terciário) que estabeleceram as diretrizes para uma política pública que prioriza as crianças e os adolescentes. à educação. Passa a ser prioridade o gasto público com as crianças e adolescentes. em condições dignas de existência . Assim. essa prioridade está sendo seguida? 2.) Na sua opinião. ao esporte. a efetivação dos direitos referentes à vida. com absoluta prioridade. Refletindo sobre a questão – A realização desse artigo implica a reformulação das prioridades nacionais tanto no nível da sociedade como. da sociedade em geral e do Poder Público assegurar. o direito à vida e à saúde e em seu art.

à dignidade. em caráter supletivo. políticas e programas de assistência social. crueldade e opressão. dos Estados. da União. abuso. Art. exploração. c) preferência na formulação e na execução das políticas sociais públicas. à profissionalização. ao respeito. à cultura. 86. II. do Distrito Federal e dos Municípios. serviços especiais de prevenção e atendimento médico e psicossocial às vítimas de negligência. 87.ao lazer. b) precedência de atendimento nos serviços públicos ou de relevância pública. para aqueles que deles necessitem. à liberdade e à convivência familiar e comunitária. políticas sociais básicas. d) destinação privilegiada de recursos públicos nas áreas relacionadas com a proteção à infância e à juventude. São linhas de ação da política de atendimento: I. Art. . A política de atendimento dos direitos da criança e do adolescente far-se-á através de um conjunto articulado de ações governamentais e não governamentais. maus-tratos. III. Parágrafo único. A garantia de prioridade compreende: a) primazia de receber proteção e socorro em quaisquer circunstâncias.

98. serviço de identificação e localização de pais. por falta.IV. Art. II. II. omissão ou abuso dos pais ou responsável. . III. Sistema secundário– possui natureza preventiva e abrange as medidas de proteção dirigidas a crianças e adolescentes em situação de risco pessoal ou social que sejam vítimas. proteção jurídico-social por entidades de defesa dos direitos da criança e do adolescente”. Verificada qualquer das hipóteses previstas no art. em razão de sua conduta. responsável. III. apoio e acompanhamento temporários. 101. mediante termo de responsabilidade. Art. por ação ou omissão da sociedade ou do Estado. matrícula e freqüência obrigatórias em estabelecimento oficial de ensino fundamental. V. 98 e 101). Essas medidas protetivas são aplicáveis às crianças e adolescentes vitimados. orientação. cujos direitos fundamentais foram violados (especialmente os arts. 98. dentre outras. a autoridade competente poderá determinar. As medidas de proteção à criança e ao adolescente são aplicáveis sempre que os direitos reconhecidos nesta Lei forem ameaçados ou violados: I. as seguintes medidas: I. encaminhamento aos pais ou responsável. crianças e adolescentes desaparecidos.

inclusão em programa comunitário ou oficial de auxílio à família. IV. III. inclusão em programa de acolhimento familiar. VI. V. IX. Art.IV. inclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio. (Parágrafos 1º. ao 12 – ver no texto oficial) Sistema terciário – trata das medidas socioeducativas destinadas a adolescentes em conflito com a lei por terem cometido atos infracionais. a autoridade competente poderá aplicar ao adolescente as seguintes medidas: I. à criança e ao adolescente. em regime hospitalar ou ambulatorial. II. inserção em regime de semi-liberdade. VIII. requisição de tratamento médico. liberdade assistida. 112. VII. 103. Considera-se ato infracional a conduta descrita como crime ou contravenção penal. . Art. 103 e 112. advertência. Verificada a prática de ato infracional. acolhimento institucional. ou seja. prestação de serviços à comunidade. aqueles que passam da condição de vitimizados a vitimizadores (refletido especialmente nos arts. obrigação de reparar o dano. orientação e tratamento a alcoólatras e toxicômanos. V. psicológico ou psiquiátrico. colocação em família substituta.

garantia de acesso do trabalhador adolescente à escola. a violência e a exploração sexual infanto-juvenil. Importante – O ECA (Lei nº. mediante a ameaça ou violação a direitos. 8069/1990) prevê a aplicação das medidas protetivas. por falta. § 2º Em hipótese alguma e sob pretexto algum. I a VI. O acionamento do sistema secundário de prevenção. aquisição de direitos trabalhistas e previdenciários. Pela legislação brasileira. será admitida a prestação de trabalho forçado. acesso a programas de prevenção e atendimento especializado aos dependentes químicos. o direito à proteção especial às crianças e adolescentes abrange os aspectos relativos ao trabalho. a lei prevê a punição contra abuso. respeito à condição peculiar de pessoa em desenvolvimento. § 3º Os adolescentes portadores de doença ou deficiência mental receberão tratamento individual e especializado. omissão ou abuso dos pais ou responsáveis pelas crianças e adolescentes. estímulo do poder público para o acolhimento por guarda de órfãos ou abandonados. VII. as circunstâncias e a gravidade da infração. como idade mínima de 14 anos para a admissão. 1º A medida aplicada ao adolescente levará em conta a sua capacidade de cumpri-la. enquanto medida de proteção da criança ou adolescente vitimizado tem caráter preventivo da delinqüência. qualquer uma das previstas no art.VI. obedecendo aos princípios da excepcionalidade na aplicação de medidas privativas de liberdade. Além disso. pela ação ou omissão da sociedade ou do Estado. 101. § internação em estabelecimento educacional. conhecimento da atribuição de ato infracional com defesa técnica por profissional qualificado. . em local adequado às suas condições.

através da intervenção da Polícia. são determinadas as medidas socioeducativas do terceiro sistema de prevenção. por meio do Conselho Tutelar. mediante alguma falha do sistema primário de prevenção. tais medidas devem levar em conta as necessidades pedagógicas. Aula 3 – Violência e mortalidade Apesar da priorização absoluta dos direitos das crianças e dos adolescentes. Investigando a realidade – As políticas de atendimento à criança e ao adolescente são hoje temas importantes das agendas dos governos estaduais e municipais. . Defensoria e órgãos executores das medidas socioeducativas. o que comumente tem se distanciado da prática das instituições responsáveis e do poder público. 98 do ECA. dos quais se destacam.a mortalidade infantil e juvenil. incongruente com o arcabouço normativo construído no âmbito nacional e internacional. os seguintes problemas: .As medidas específicas de proteção também são aplicáveis à conduta conflitante com a lei. No caso de adolescente em conflito com a lei ou de ato infracional atribuído a este. a atenção do Estado dada a estes sujeitos ainda é deficitária e por vezes. do Ministério Público. Procure saber em seu estado e município quais ações e projetos estão sendo realizados para implementação dessa política. da clareza das regras da proteção integral no sistema jurídico brasileiro. .a exploração do trabalho infantil. Segundo Saraiva (2005). visando o fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários. Contudo. nas hipóteses previstas no art. além de diversos tipos de violência. o sistema secundário é acionado para proteger a criança ou adolescente. A realidade da infância e da juventude brasileira se configura numa problemática de violações de direitos fundamentais enfrentada cotidianamente.

Em vista da realização da 8ª Conferência Nacional da Criança e do Adolescente. Além de tantos estudos que demonstram o recrudescimento das violências. o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA) disponibilizou um texto-base para que municípios e estados aprofundassem o debate sobre os eixos prioritários dessa conferência.. consta a “Proteção e Defesa no Enfrentamento das Violações de Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes” que expressa a preocupação do Conselho com o crescimento das denúncias de diversas violências e violações contra crianças e adolescentes na mídia. étnico. Entre os eixos. o que se observa é que há muito ainda o que fazer. muitos foram os avanços em termos da concepção da proteção integral à criança. dos investimentos em programas governamentais na área de saúde e educação que apresentaram reduções nas taxas de mortalidade. dos quais o Brasil é signatário e que orientaram a legislação sobre os direitos da criança para a consolidação de políticas públicas que garantam a proteção integral: a Declaração Universal dos Direitos da Criança e a Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança. sendo vitimados majoritariamente jovens do sexo masculino. em especial para a implementação dos dispositivos contidos nos principais tratados internacionais. constata-se que os altos índices de letalidade possuem um recorte etário. no período de 2006-2007. negros e pobres residentes em comunidades periféricas. da criação de um sistema de garantias. Diante da legislação mais avançada acerca dos direitos da criança e do adolescente. Desde os anos 1990. os dados demonstraram que crianças e adolescentes estão expostos às mais variadas formas de violência em 27 unidades da federação. . Através do Sistema de Vigilância de Violências e Acidentes (VIVA) do Ministério da Saúde. analfabetismo e desnutrição da população infantil.o tráfico e a exploração sexual infanto-juvenil. econômico e de gênero.

b) Mortalidade juvenil: Os jovens de 15 a 24 anos continuam sendo as maiores vítimas de homicídio. atrás da Bolívia e da Guiana. mas o acréscimo foi de 64. A pesquisa A Ponta do Iceberg.7% são atingidos pela violência letal. ii.4 por mil). A taxa de mortalidade infantil no País é de 21. A situação é mais grave nos estados de Pernambuco. da Organização dos Estados IberoAmericanos para a Educação. em alguns estados é bem mais elevado. focaliza-se a mortalidade.7) e Paraíba (34). que abrange o período de 1994 a 2004 com base em dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde. são a primeira causa de morte de meninos e meninas com até seis anos no País. Maranhão (32. conforme aponta o Mapa da Violência 2006 – Os Jovens do Brasil. O índice brasileiro é considerado médio pelos critérios da OMS.548 assassinatos no período. Contudo. 2007): a) Mortalidade infantil: i.2% entre os . que no Brasil apresenta-se com os seguintes indicadores descritos pela Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI. estima que apenas 10% dos casos de violência intrafamiliar chegam a ser conhecidos. como em Alagoas (44. Outro dado apontado pela OEI é de que os homicídios cresceram 48. a Ciência e Cultura (OEI). De toda a população dessa faixa etária no País. onde metade dos jovens foram alvos de mortes violentas na década analisada. juntos. revela que aconteceram 175. O estudo. das condições de vida da população infanto-juvenil. a terceira maior da América Latina. de acordo com a Análise da Violência Contra a Criança e o Adolescente. Rio de Janeiro e Espírito Santo. Acidentes e agressões. do Laboratório de Estudos da Criança da Universidade de São Paulo (Lacri).1 mortes por mil nascidos vivos.Conforme Mendes (2009).4% no geral da população. 39. do Unicef.

em 2003.5% entre todas as causas externas (intoxicação. conformando um dos capítulos do Mapa da Violência 2010 e possibilitando outras análises sobre a questão. as mortes por acidentes de transportes concentram os índices mais altos em todas as faixas etárias entre menores de um ano e 19 anos. sequelas de queimadura. além de serem atualizados. representou 32.24%). Segundo o UNICEF. De 2006 a 2010 os dados. é significativo o número de mortes de crianças com menos de sete anos de idade por causas não especificadas: de acordo com o Sistema de Informação de Mortalidade do Ministério da Saúde. as causas externas não especificadas acometeram um percentual considerável de crianças menores de um ano (58. pois fazem parte da série intitulada “Os Jovens do Brasil” que tinha como foco a mortalidade violenta da faixa jovem. operações de guerra. . Entretanto. regiões metropolitanas e municípios. Acesse o mapa na íntegra nos materiais complementares. A tabela abaixo aponta que. entre outros). No principal grupo de risco estão os adolescentes do sexo masculino. A falta de especificação se deve à forma da apresentação e classificação e não à irrelevância dos dados. ganharam outros recortes: os dados são apresentados por unidades federativas.jovens. capitais. com baixa escolaridade e pouca qualificação profissional. Ampliando seu conhecimento – Apesar dos dados apresentados acima serem do Mapa da Violência 2006. no período pesquisado. eles são bastante significativos. afro descendentes que residem em bairros pobres ou nas periferias das metrópoles.

227). em âmbito nacional e internacional. a Constituição Federal de 1988. o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) é a lei que reconhece esse público como sujeito de direitos em nosso país. Neste módulo. de 13 de julho de 1990. podem ser apontados histórica e cronologicamente fatos e alguns instrumentos normativos que fundamentam a doutrina da proteção integral.  No Brasil. 8. 1 Fonte: UNICEF (2005) .. defendendo o seu interesse superior.1 Finalizando.  A Lei nº. você estudou que:  Segundo Mendes (2009). pela primeira vez na história brasileira.. acerca dos Direitos da Criança.069. da sociedade e do Estado(Art. tornando sua proteção dever da família. aborda a questão da criança como prioridade absoluta.

por vezes. incongruente com o arcabouço normativo construído no âmbito nacional e internacional. Apesar da priorização absoluta dos direitos das crianças e dos adolescentes. . a atenção do Estado dada a esses sujeitos ainda é deficitária e. da clareza das regras da proteção integral no sistema jurídico brasileiro.