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A palavra ética é polêmica.

Muitas vezes, se utiliza dela sem que se tenha noção mais profunda do seu signficado. Usa-se e se abusa da ética para justificar, ou não, os mandos, desmandos, ou, ainda, desqualificar alguém. Em vez de argumentar lógica e racionalmente, é mais fácil xingar o outro de “anti-ético”. Mas como se não bastasse isso, há outros termos utilizados como sinônimo da ética em várias ocasiões. Um deles é a moral. Qual a diferença entre ética e moral? São a mesma coisa, ou cada uma tem particularidades que diferenciam o seu emprego, uma ou outra vez? Não há consenso na doutrina. Uns dizem que ética é diferente de moral. Outros, que ética é a mesma coisa que moral. O que fazer diante desse dilema? Referenciar-se aos autores, é claro. Numa dessas definições, ética é a ciência, ou parte da filosofia, que tem com como objeto de estudo a moral. Então, se ética é ciência, deve ter como requisitos a neutralidade, a imparcialidade, a independência, a generalidade e a objetividade típicas do conhecimento científico. A ética, portanto, não fornece respostas acerca da correção, ou não, de uma conduta ou intenção. Ela reflete sobre essa conduta ou intenção. Formula o porquê daquilo que se faz ser certo, ou errado. Os problemas éticos são eminentemente problemas teóricos. Dessa maneira, ética é teoria. Por outro lado, a moral, objeto de estudo da ética, bebe na fonte da realidade em que se vive. Moral é um conjunto de princípios, normas, valores e condutas tido como obrigatório numa determinada sociedade e num determinado período de tempo. Nasce espontaneamente na sociedade e muitas vezes não é escrita, com exceção das morais religiosas baseadas em livros sagrados como a Bíblia, o Alcorão e a Torá. A moral é rica, variando de povo para povo e de geração para geração. Devido a essa diversidade, o que é tido como moral numa comunidade pode ser considerado imoral em outra. E vice-versa. Ou, ainda, o que é considerado moral hoje pode ser considerado imoral daqui uns dez anos. E vice-versa. Aos exemplos. Usar minissaia no Brasil contemporâneo é algo considerado normal, porém, seria inimaginável em alguns países islâmicos, nos quais a liberdade da mulher é restringida a quase extremos. Mas e se fosse no tempo dos seus bisavôs? Essa mesma sociedade brasileira, de uns tempos atrás, consideraria o uso da minissaia imoral e inaceitável. Mesmo hoje dependendo do local onde se transita não é de bom tom usar minissaia. Causaria um frisson danado uma promotora de Justiça ou uma juíza de Direito andando, pelo fórum, de minissaia ou com uma blusa decotada. Da mesma maneira, seria mais apropriado se dizer moral religiosa, em vez de ética religiosa. Pois a ética, como ciência, teria como pressupostos os requisitos já citados acima, e que não combinariam com a parcialidade e a particularidade das religiões. As religiões são abrangentes, ou seja, procuram explicar o mundo a partir do ponto de vista da sua moral, que, para cada uma delas, é “invencível”, inquestionável e indubitável. Quantas vezes, ao se tentar impor uma moral abrangente sobre os de outra moral abrangente, ocorrem guerras? Eis as guerras de religião como exemplo. Um protestante dizer a um católico que o culto às imagens não serve coisa alguma decerto é pedir para brigar. E nessa briga uma agressão leva a outra e tudo, pasmem, justificado em nome da fé, ou de Deus. A ética estuda esses problemas a partir de métodos científicos e filosóficos, sem “puxar sardinha” para um lado ou outro, mas com uma tentativa de explicar objetivamente as condutas que ganham significado moral. O que o Direito tem a ver com isso? Direito, também como a moral, serve para regular comportamentos. Porém, é uma organização de força. Que raios seria isso? O Estado contemporâneo é possuidor do monopólio do uso da força. Só o Estado pode aplicar a força para reprimir ou prevenir condutas tidas como indesejáveis. Justamente por causa disso, há um limite ao uso da força para se evitar arbitrariedade por parte de quem está no poder. Esse limite é o princípio da legalidade, ou seja, o Estado só pode fazer aquilo que está prescrito em Lei.

José pode ser punido. um sermão. de 10 anos. ou por qualquer um tido como autoridade moral daquela sociedade. como no caso do Direito. porque este cometeu homicídio. na moral? Bom. Moral. pois isso seria apenas coisa de criança. Isto porque na sociedade contemporânea. . contudo. a sanção – a punição. sem jamais. o Direito varia de País para País. pois o conteúdo ético é universal na humanidade e característico da espécie humana. É bem verdade que a conduta humana não está sempre em conformidade com as leis éticas. A sanção moral é aplicada por qualquer um da sociedade. Marcos. Essa conduta é proibida pelo artigo 121 do Código Penal Brasileiro. E. apontando para a transgressão ética em massa e. diga-se. Neste sentido. e Pedro. constituindo-se de um sistema ordenado de normas estatais impostas coercitivamente à observância de todos. Introdução Na atualidade. Joaquim. José. depois de ter ocorrido um processo judicial. o Direito é emanado de autoridade estatal competente. restringir os direitos da pessoa. Isso foi devidamente apurado por um processo judicial devidamente constituído. na sua sabedoria de idoso. O presente artigo tem por finalidade relacionar os conceitos de Ética e de Direito. de ambos. o progressivo desrespeito às normas de moral e conduta. porém não estático. este artigo tratará de questões relacionadas à ética e. embasado principalmente na lei em sentido amplo. João dá uma paulada em Pedro. O avô dos garotos. cuja pena é a reclusão (prisão) de 6 a 20 anos. João é condenado e preso pelo crime de homicídio simples. muito menos condenar em João nesse caso. tem se tornado comum a exposição de condutas antiéticas nas diferentes áreas profissionais e do conhecimento. segundo a legislação. no entanto. o melhor seria dar uma cintada e botá-lo ajoelhado no milho. E qual seria a punição. sob pena de sanção. em cujo final tenha sido condenado. são irmãos. um “gelo”. Exemplo. mas não menos importantes. consequentemente. Já no segundo. diz que o castigo dado pela mãe foi brando. desventurosamente. RESUMO: Diante dos fatos explícitos na realidade brasileira. para regular os comportamentos tidos como mais “importantes”. A sociedade não pode “julgar”. Se na moral. PALAVRAS-CHAVE: Ética. poderia ser uma reprimenda. o castigo só poderá ser aplicado a João pelo Poder Judiciário. João intencionalmente mata Pedro com uma facada. em caso de desobediência. de 12 anos. o papel da ética tem sido foco de significativas discussões nos meios acadêmico e profissional. ou não. A sanção jurídica só pode ser imposta por autoridade estatal competente para tal intento: o Poder Judiciário. segundo os parâmetros constitucionais e legais. O pai dos meninos. no Direito ela o é – via de regra – obrigatória. segundo os critérios variados das “autoridades morais” subjacentes à questão. ou castigo – é optativa. Veja agora. não é caso de perdoá-lo. A mãe deles. no entanto. existe a necessidade de se ressaltar a importância da ética na fundamentação da ação humana. Direito. referente ao Direito e seu profissional. vê o ocorrido e resolve não deixar barato. a sanção deve ser obrigatoriamente imposta a João. Neste caso. No primeiro exemplo. em específico. mas de aplicar uma pena de prisão. Numa acepção mais simples. urge um retorno aos princípios éticos em todas as camadas sociais. Joana. Dá uma chinelada em José e o deixa de castigo. apenas sorri e aconselha os pais a não aplicarem castigo algum ao garoto. destacando aspectos gerais.Diferentemente da moral. universal.

do amor por princípio. os valores culturais de que os indivíduos se servem para organizar sua realidade e suas ações. Ética em que o homem está submetido. a realidade relatada se comprova. naturalista e social.) a suprema ciência. ou seja. alcançar a sua realização pessoal". A reorganização produz uma nova realidade. 1993:7). A ética relaciona-se com as ações do homem. a crise moral e ética que se instalou na atualidade propicia a desintegração das relações interpessoais.. Para Augusto Comte (1798-1857). Segundo Ashley (2003: 60). numa dada sociedade" (Durkeim apud Oliveira. do amor sem cabeça. moral cósmica. mas que não são fáceis de explicar. a ética. em certa época. que cria oposições e exclusões.. se constitui em tarefa árdua devido à grande variedade de pontos de vista. como expressa muito bem. ao longo da história da Filosofia. pois recompõe os laços do universo da natureza com o universo da moralidade e vê nas regras do comportamento humano um caso das leis que presidem a ordem universal. a perspectiva dialética. pois a sociedade é dinâmica e está em processo contínuo de mudança. o conteúdo ético mencionado está sujeito a alterações da mesma maneira que ocorre com o meio social. sendo direcionada para as inter-relações sociais. "Ética é um conjunto sistemático de conhecimentos racionais e objetivos a respeito do comportamento humano moral. Conceitos outrora considerados éticos podem perder tal status por ora ou definitivamente. "da mesma forma que as sociedades transformam-se ao longo do tempo. De acordo com Vázquez (1984:12). Trata-se de um movimento que deve estar sempre em análise. . O fato ético. em maior ou menor grau. Sob o ponto de vista dialético. objetividade dos significados. Durkeim conceitua Ética da seguinte forma: "Tudo que é relativo aos bons costumes ou às normas de comportamento admitidas e observadas. isso se dá porque o maior objetivo da Ética é tentar aproximar o ser humano da perfeição. tem como pedra angular o bem coletivo (Braga. nessa visão. 2006). justificada na grande tensão encontrada pela tentativa de funcionamento em torno de interesses particulares em detrimento dos interesses do direito e da justiça. detém proporcionalmente a possibilidade de atualizações.. 2006). em interface com as transformações sociais. assim ele afirma: "Tal fato se agrava ainda mais por causa da própria lógica dominante da economia e do mercado que se rege pela competição. 2003: 27). Deste modo. Entretanto. citado por Lima (2007) a Ética consiste na: (. "A ética é daquelas coisas que todo mundo sabe o que são. com a finalidade de contribuir para a melhor compreensão do assunto. se faz necessário tal exercício no sentido de apresentar. Os Princípios Éticos e sua Aplicação no Exercício do Direito A conceituação de toda e qualquer categoria inserida nas Ciências Sociais e Humanas. quando alguém pergunta" (Valls. o ideal ético fundamenta-se em uma vida social igualitária e justa. Segundo Moore (1975: 4) "a Ética é a investigação geral sobre aquilo que é bom. melhor dizendo.Segundo Leonardo Boff (2003). Na tentativa de se conceituar Ética.). em virtude de sua submissão à humanidade (. e não pela cooperação que harmoniza e inclui" (Boff. também tendem a sofrer modificações".. é a teoria ou ciência do comportamento moral do homem em sociedade".

. ela não pode se constituir em um receituário para a conduta cotidiana dos indivíduos. como categoria filosófica. com o significado sinônimo de conduta ou ainda referente aos costumes. Ética enquanto parte da Filosofia diz respeito a uma direção para reflexão sobre a complexa questão da moral no ser humano. De acordo com Marilena Chauí (1998).. do em si e o para si.avaliativo em suas atitudes e modo de agir. . quando se considera fim supremo (. A professora ainda sistematiza a subdivisão de ética em normativa e não normativa. o ser humano. dizer o que o indivíduo deve fazer. Vai da liberdade absoluta e inútil à liberdade histórica. A justa medida requerida pela ética não é extraída por intermédio de fórmula alguma. que por sua livre escolha cria o valor de seu ato.se no grego ethos. não é seu papel fornecer soluções concretas ao agir humano. Já a ética não é necessariamente normativa. Ética origina . Ética é "o estudo dos juízos de apreciação que se referem à conduta humana susceptível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal. na Filosofia. nem pode instrumentalizá-lo. exceto aquele que a liberdade outorga a si mesma. 2002: 63). (Vaz. pois para ela toda moral é normativa enquanto designada a ditar aos sujeitos os padrões de conduta individual e ou social. assim como os valores e costumes das sociedades das quais participam. em sua obra intitulada "Ética e Direito". e encontra correlação no latim morale. Normativa seria a ética de deveres e obrigações e não normativa a ética que tem como objeto de estudo as ações e paixões humanas embasadas no ideal da felicidade de acordo com o critério da relação razão . Etimologicamente observado.) uma moral da ambiguidade e da situação. racionais para o seu agir. da crítica da razão dialética. do ser para outros. a ética é: (. (Cenci..vontade . do existencialismo como humanismo. O autor Henrique Cláudio de Lima Vaz. do ser e do nada. relacionado ao meio social em que está inserido. A ética filosófica (formal e universalista) não pode. não oferece um código de normas. alerta para o perigo das teorias consideradas na atualidade que questionam a validade da Ética filosófica. em determinada "situação". A ética precisa contar com a capacidade de os indivíduos encontrarem saídas plausíveis. o professor Ângelo V. por isso requer mediania. a praticar o senso crítico e auto . será apresentada posteriormente a diferenciação básica entre Ética e Moral.Sob o ponto de vista de Jean-Paul Sartre (1905-1980). paternalisticamente. é notável que a Ética.liberdade. antes incentiva o homem. o que foi apresentado por Cenci (2002) corresponde ao principal pilar da diferenciação entre Moral e Ética. ela é medida qualitativamente. impulsiona o exercício crítico .). Podemos concluir que etimologicamente ética e moral são palavras iguais. isto é. seja de modo absoluto". porém.. da náusea diante da gratuidade das coisas...reflexivo das bases moralistas. Cenci afirma: A ética não pode prescrever conteúdos ao agir. É o homem. A Ética. Neste sentido.) parece difícil admitir que uma teoria do ethos no sentido filosófico da sua justificação ou fundamentação racional possa desaparecer do horizonte cultural da nossa civilização. Desta forma. como ser racional e social. 2002:88). a menos que desapareça a própria filosofia e a civilização venha a mudar de alma e de destino. dizendo: (. Segundo o Dicionário Aurélio Buarque de Holanda. quando necessária elucidação à dos fatos morais. de acordo com Lima (2007). prescrevendo ações. Todos os valores são relativizados. Uma das configurações atribuídas à palavra Ética é de cunho filosófico. seja relativamente à determinada sociedade. cada indivíduo em determinadas circunstâncias. nem servir de desculpa para justificar seu agir mediante motivos puramente externos.

econômicas e sociais. dessa forma. 2000: 137). Já a moral. . podendo ser definida também como um conjunto de normas e regras que tem a finalidade reguladora das interações entre os indivíduos dividindo o mesmo espaço em um mesmo tempo. moral é um substantivo configurado de diferentes formas. por certo que ambas são aplicadas diferentemente. seria responsabilidade da Ética a definição da figura do agente ético e de suas atitudes. não se pode pensar filosoficamente a Ética se não relacionada ao agente ético. Nas sociedades em geral existem os códigos de conduta estabelecendo o que deve ser considerado como certo ao agir. "é a parte subjetiva da ética" que ordena o comportamento humano para consigo mesmo. moral é temporária. do poeta cristão. sendo livre para escolher o que faz e responsável pelas consequências de seus atos (Chauí. Por ocasião da exposição de definições da palavra moral. citado por Lima (2007). tais como: 1 . a distinção entre ética e moral é necessária. a diferenciação entre Moral e Ética pode acontecer de várias maneiras: Ética é princípio. Assim. 1998). a moral pode ser entendida como a listagem de normas de ação específica. estando então implícita em códigos.O objeto da Ética que consiste na conduta direcionada por normas. baseado em uma teoria que propicia a descrição das normas e valores comportamentais. no sentido de que existiria um método científico para se estudar a Moral. a moral é existente em uma vida que levou a sério o cristianismo. pois questiona ao buscar por que e em quais condições determinada ação é considerada boa ou má. a ética se tornaria em inutilidade no sentido de consistir em abstrata reflexão de experiência. obrigações. moral são aspectos particulares de determinado tipo de conduta. "A Ética é uma ciência da moral. segundo Herkenhoff (1987: 85). Segundo Nicola Abbagnano (1970: 652). do indivíduo diante de Deus. (Ribeiro. Para Souto & Souto (1981). já possui a ideia do que é certo ou errado em suas atitudes. Existe a definição que circula em torno do entrelaçamento entre Ética e Moral. Ética é permanente. que sem a moral. O jurista João Baptista Herkenhoff (1987:83) enuncia o seu entendimento acerca de Ética ditando: "o mundo ético é o mundo do "dever ser (mundo dos juízos de valor) em contraposição ao mundo do "ser" (mundo dos juízos de realidade). Para Søren Aabye Kierkegaard (1813-1855). existe a ideia de como fazer. Dessa forma. consiste em um dado histórico mutável e dinâmico que evolui conforme as transformações políticas. é importante ressaltar que alguns a igualam à Ética. grupo ou pessoa". o sujeito. A moral. o agente ético corresponde ao sujeito consciente que sabe o que são suas ações. Em resumo. Mesmo diante de tantos percalços controversos. mas na realidade contemporânea. maneiras e procedência do homem em convívio com os demais. A moral é compreendida na forma de uma conduta voluntária isenta de pressões externas ao indivíduo.O mesmo que Ética. De acordo com este paradigma. além de englobar os costumes. 2 . a moral deriva da necessidade comum aos indivíduos de se relacionarem buscando o bem para a coletividade. até que ponto ajuda a construir a identidade de uma nação. pois. Segundo Vázquez (1984). Neste sentido.De qualquer forma. verifica-se. tendo em vista que a existência de princípios morais estáticos seria impossível. normatizações e leis que regulamentam a ação do ser humano em meio social. em seu Dicionário de Filosofia. desde que em perfeito estado de juízo.

que o vocábulo Direito significa "aquilo que é reto" "que está coerente com a justiça e equidade". a definição de Cenci (2002: 90) para Ética. moral é prática de tal regra. Ângelo Cenci ainda esclarece que "a justa medida é a busca do agenciamento do agir humano de tal forma que o mesmo seja bom para todos". Acresce-se ainda. A ideologia de democracia materializa-se com a indelével proteção dos direitos e garantias fundamentais do cidadão. exige a diciologia. no sentido da aplicação dos princípios morais enumerados pela Ética geral aplicada ao campo profissional. moral é prática desta teoria. Para tanto. São definidas como normas éticas: (. 1987: 87). os princípios morais. ela exige a deontologia. A pessoa tem que estar imbuída de certos princípios ou valores próprios do ser humano para vivenciá-lo nas suas atividades de trabalho. indaga-se: e não é esse o fundamento para o exercício cotidiano dos profissionais do Direito? Resta evidente.. na solução de controvérsias. o Constitucionalismo. possuindo como missão intrínseca a progressiva busca pela segurança jurídica que consiste em bem social e da justiça. o estudo dos direitos que a pessoa tem ao exercer suas atividades (Camargo. O Direito é considerado antes de tudo. contudo. se analisado sob o ponto de vista cultural. é possível observar a Ética em interface com o Direito. se acatada a definição de conduta amparada na aplicação de regras morais no meio de convívio social. embora alguns até discordem. É essa face normativa da Ética que a relaciona intimamente com o Direito. numa determinada coletividade. isto é.a Ética possui a propriedade da universalidade enquanto que a moral é restrita à dada cultura. dentre outros.) as normas éticas não envolvem apenas um juízo de valor sobre os comportamentos humanos. justiça. dos quais ninguém se isenta. a contínua discussão da Ética dentro do Direito encontra respaldo no fato de ser uma área das Ciências Humanas que busca a consolidação e manutenção da justiça e da moralidade social. mas . por intermédio da Constituição que rege o país. que "nasce amparada no ideal grego da justa medida. Não implicam apenas em juízos de valor. liberdade. o Direito surgiu em resposta à necessidade de se estabelecer regras gerais para o convívio do homem em sociedade. Conclui-se. mas impõem a escolha de uma diretriz considerada obrigatória. Caracterizam-se pela possibilidade de serem violadas. De um lado. ou seja. o Direito pode ser entendido como "aquilo que é" ou "que deve ser". Tais objetivos são comuns à Ética. que os valores éticos e morais devem ser o fundamento da construção do profissional do Direito. Assim. O Direito. Pode-se tomar como exemplo da prerrogativa de retorno aos valores morais e da vinculação entre Ética e Direito. do equilíbrio das ações". 1999: 33).) as normas que disciplinam o comportamento do homem. que tem o significado de ordenar. verifica-se que Direito é uma palavra oriunda do latim directum. quer o íntimo e subjetivo. aqui. de outro lado. Conforme Pinho (1995). possibilitando a prática da ética profissional.. etimologicamente falando. Diante da escorreita explicitação de tais conceitos. Portanto. o estudo dos deveres específicos que orientam o agir humano no seu campo profissional. a validade da norma jurídica que só é verificável quando esta resguarda os princípios éticos. (Herkenhoff. derivada do verbo dirigere. isto é. Ética é regra. não se pode atribuir à norma ética o valor imperativo da norma jurídica. O saudoso jurisconsulto Miguel Reale em seu livro "Lições Preliminares de Direito" já defendia que "(. Definindo. Faz-se apropriada. Prescrevem deveres para a realização de valores. abarca o sentido de ser uma realidade referente a valores. tais como: igualdade. pode-se dizer que Direito é a disciplina da qual se originam as normas a serem observadas pelo homem e englobam direitos e deveres.. a caracterização do homem enquanto ser relacional. Ética é teoria.. quer o exterior e social. Nesse sentido. uma instituição ética que trabalha no sentido de aplicar as leis.

"toda norma ética expressa um juízo de valor.. ambos inseridos em um complexo ético. (Glock & Goldim. Em relação à advocacia. "a ética profissional do advogado consiste.) quem escolhe a profissão de advogado deve ser probo. sua vida. sendo verificada a falta de respeito e de profissionalismo de alguns profissionais com relação àqueles que somente necessitam e buscam soluções para as lides. corresponde a uma obrigação e seu cumprimento tem como pressuposto a ideia do que é justo diante da sociedade. porém. 2002:33). pois o viver de forma ética corresponde ao ato de acrescer uma regra moral de uma norma jurídica em uma situação qualquer. na medida em que não dita regras. Uma vez que o Direito vive a constante transformação de acordo com o desenvolvimento sócio-cultural. bom ou mal. Sobre a Ética e o profissional exercendo o Direito. Miguel Reale (2002: 42) afirma que "a teoria do mínimo ético consiste em dizer que o Direito representa apenas o mínimo de Moral declarado obrigatório para que a sociedade possa sobreviver". A ética. Nesta perspectiva. apropriado ou inapropriado. portanto. ao qual se liga uma sanção (. que pode ser aceita ou não de acordo com o juízo de valor de cada um. a relevância da ética no exercício da profissão do Direito. tem-se que: O serviço profissional é bem de consumo e. Precisa nutrir ao menos a convicção de estar a tratar com alguém acima de qualquer suspeita" (Nalini. Nesse sentido. aos princípios básicos dos valores culturais de sua missão e seus fins. Ao contrário do que acontece na realidade. 2003). é possível a conclusão do objetivo da Ética na fundamentação de regras estabelecidas pela Moral e pelo Direito. dada a sua relevância ímpar. Assim. principalmente entre aqueles que exercem papel de maior poder. quais sejam. ressaltando. para ser consumido. uma escolha embasada em um conjunto de valores organizadores de uma determinada sociedade.culminam na escolha de uma diretriz considerada obrigatória numa coletividade" (Reale. Referente à conduta ética do profissional do Direito . a justiça e moralidade. Por fim. A contratação do causídico está sempre vinculada à ameaça ou efetiva lesão de um bem da vida do constituinte (Nalini. Ressalta-se ainda. justo ou injusto. a ética pode ser entendida como uma tomada de decisão. não existe o exercício de defesa da justiça e equidade sem a aplicação de normas éticas a embasar o ordenamento jurídico. (. na persistente aspiração de amoldar sua conduta. temos que a Ética é o estudo geral do que é certo ou errado. também a ética se adéqua ao Direito sem perder o conteúdo de seus princípios.. onde se constata que na prática jurídica ocorre comumente a conduta antiética. neste sentido.)".. em todas as esferas de suas atividades". Conclusão . a observância dos preceitos éticos no exercício do Direito se faz necessária por ser uma questão que merece atenção de todos os envolvidos no assunto. vem a nos esclarecer sobre a responsabilidade do profissional do Direito no que tange à probidade: "(. Não se procura advogado como se busca um bem de consumo num supermercado.. comenta com muita propriedade Ruy de Azevedo Sodré (1967:32).) Quem procura um advogado está quase sempre em situação de angústia e desespero. De acordo com Reale (2002: 35).. é necessária uma postura prudencial. Ainda esse mesmo autor. pode-se salientar ainda que. 2006: 252. 2006: 247). há de ser divulgado mediante publicidade. tendo em vista a natureza da atividade jurídica relacionada aos principais valores éticos.)..especificamente o advogado. que ela se diferencia de ambos. relacionando Direito e Moral.

M. Em síntese. A ética não está limitada somente ao conjunto de juízos de valor. 4. 1975. Aligleri. Disponível em: <http://jus. 1987 LIMA. com nas íntimas e subjetivas. B. Portal da Fundação Perseu Abrano. N.. São Paulo: Abril Cultural. Ética e Responsabilidade Social nos Negócios. 2006. 39. a ética e a sua história. Mundo jovem. a ética e a moralidade administrativa . L.Departamento de Ciência da Informação e Documentação da FACE/UnB. A. K. oriente o ser humano no sentido de uma vida digna amparada por princípios éticos. ano 12. P. CENCI.R. L. J. L. CHAVES. B.L. CARVALHO. O Direito. outubro/ novembro/ dezembro de 1998. O que é ética? Elementos em torno de uma ética geral. sendo que tal conjunto contribui para a conscientização profissional que deve ser composta de práticas que resultem em integridade. Acesso em: 3 nov.fpa. 2006. S. Ética e Moral: a busca dos fundamentos. 335.. R. Ensaio . ______. V.. Borinelle. A. R. tanto ética quanto a moral devem ser resguardadas. ressaltando a validade de sua adoção como código principal de vida.De acordo com o apresentado. Ética profissional é compromisso social. 3. Acesso em: 3 nov. Projeto de Doutorado em Ciência da Informação . Rio de Janeiro: Saraiva. São Paulo: RT. GLOCK..fucamp. n. . CHAUI. 1995. pois é dos fatos concretos instalados na sociedade que se originam os costumes e o próprio Direito. n.pdf>. J. Goldim. Acesso em: 6 nov. Convite à filosofia. 1970 ASHLEY. Queiroz. o Direito.. Campinas: Julex Livros.org. L. 24 nov.br/revista/texto/10674/o-direito-a-etica-e-a-sua-historia>. Ventura. J. A moral. Veloso. O conjunto de deveres morais é a diretriz da conduta do sujeito na vida e na profissão que exerce. Petrópolis: Vozes. 5. 2009. mas se sobressai imponente como código de disciplina aprendido obrigatoriamente pela sociedade.br/nova/revista/revista0309. São Paulo: Ática. como agente transformador da sociedade. Teresina..Ética e violência. Introdução ao Estudo do Direito (a partir de perguntas e respostas) . E. 2009.S. Petrópolis: Vozes. M. BOFF. ed. M.S. J. o sujeito deve ansiar pela ética profissional em seu desempenho cotidiano. Referências Bibliográficas ABBAGNANO. pois. Cardoso. n. 2009.br/portal/modules/news/article.com. G. São Paulo: Mestre Jou. Disponível em: <http://www2. é possível afirmar que é de grande valia a recuperação do sentido da ética. Souza. 1606. Além disso. Lima. enquanto instrumento indispensável da vida social. A. Porto Alegre: PUCRS. P. V. Princípios Éticos. HERKENHOFF. A comunicação científica e a bioética brasileira. A. A. E. 2007. Jus Navigandi. 2003 BRAGA.com. Ferreira. Fundamentos de ética geral e profissional. Pode-se concluir que a ética norteia a maneira de se comportar do homem.. de forma coerente para com o ordenamento jurídico vigente.. 1999. propiciando crescimento profissional.. ed. Brasília. NALINI. R. 2003. MOORE. Disponível em: <http://www. CAMARGO. é de crucial importância que o profissional do Direito. Dicionário de Filosofia. dignidade e probidade. 2002. Passo Fundo. 2006..php? storyid=2305>.. Teodósio. incluindo tanto nas esferas públicas e sociais. 2003. Ética Geral e Profissional.

v. 137-141. RIBEIRO. ed. ética e moral Eis um grande desafio na democracia: as linhas tênues entre Direito.& Souto S. n. jul. normatizar). formalidade no que diz respeito à elaboração legislativa. O Direito .M. Isso porque. Revista Brasileira de Ciências da Comunicação. 7. generalidade.com. In: TOLEDO. R. 1981. no mínimo. muitas das discussões que envolvem pluralismo político e representatividade de grupos passa pelas distinções em relação aos valores partilhados em grupo. bilateralidade. Direito.asp? co=174&rv=Direito>. O que isso quer dizer? Simples: o Direito (ou direito. regra-nos em cima do que preceitua formalmente o Estado (hetero = diferente + nomos = regrar. Acesso em: 6 nov. S. Daí o caráter de heteronomia. L. PINHO. A. 2002. 2.). já que não se está sob a égide de sociedade). autônoma. 1995. que também envolve sistema ou conjunto de regras sociais. R. Ética. VÁZQUEZ. Sociologia do Direito. H. pois.cosmo. (Org. ed.tem como pressuposto a universalidade. sabe-se lá) almeja regrar universalidades. XXIII. o que. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. 2006. A moral é. São Paulo: RT. A. 2009. atingindo. O. de bilateralidade.Oliveira. abstração. diferentemente do Direito que. O advogado e a ética. dentro de um Estado. A. leis responsáveis pela ordenação das condutas e pela administração de conflitos . 2000. Kelsen. O Advogado. Tradução de João Dell'Anna.entendido no âmbito da dogmática jurídica como um ramo do conhecimento humano responsável pela instrumentalização das normas. São Paulo: Saraiva./dez. todos e todas cidadãos e cidadãs. já que não existe Direito numa ilha deserta habitada por um ser humano só (ou seja. valores morais distintos). 1984. R. um sistema auto-suficiente de regramento. Com isso destaca-se o Direito da Moral. somente existirá Direito quando Robinson Crusoé encontrar Sexta-feira. ou seja. por ocasião da Teoria Pura do Direito. mas desprovida de coercitividade e coatividade ESTATAL. M. uma vez que os valores morais variam em função dos grupamentos sociais distintos (grupamentos sociais distintos. São Paulo: Brasiliense. PEGORARO. dentro da CF/88 traz um compromisso em termos de homogeneidade. pretendeu dissociar do . REALE. antes disso. sendo heterônomo. bem como. 1993. Instituições de Direito Público e Privado. São Paulo: Atlas. SOUTO. J. VALLS. J. São Paulo: Edições Loyola. 1995.br/materia. p. ainda. 7. Ética é Justiça. Lições Preliminares de Direito. C & Moreira. 1967. 5. São Paulo: LTC/USP. C. C. seu Estatuto e a Ética Profissional. A. não existe necessidade de ordenação social. L. SODRÉ. VAZ. L. A ética como fator de resistência no jornalismo. G. assim. O que é ética. Petrópolis: Vozes. C. R. Ética e Direito. Ética e Moral. Disponível em: <http://kplus. 2002.

a teorização jurídica de Kant em cima da elaboração conjunta entre moral e direito. permite a tutela dos direitos e deveres de todos e todas.que. Qual a regra? Aderir ao ordenamento jurídico. relaciona-se ao mais particularizado percurso. portanto. Simples assim. Qual seria. pois. dentro de tais linhas divisoras. pois é a adoção de um caminhar pessoal. regiões distintas entre Direito. Uma sociedade plural . .e. Moral e Ética: o Direito relaciona-se com a expressão máxima de normas (estatais. A Ética. o mínimo de moral que agrega a formulação do ordenamento jurídico.estudo da dogmática jurídica e. um trilhar individual em termos de contemplação dos valores que são reproduzidos em sociedade pelo ser humano. formal. comportamento e valores. escrita. nesse contexto. criticando. enquanto a Moral refere-se aos modelos de conduta. independentemente das divergências morais entre os grupos. dentro de nossa opção positivada e codificada (ou seja. o Direito. Podemos destacar. irradiado para todos os entes da federação. da moral. com isso. o preceito que outrora poderia ter sido moral. que são suscetíveis às diferenças entre os grupos. do Direito (já que ele entende que a expressão do Direito consiste na própria norma). que toma como referência os valores morais. bem como de sua eficácia (ou seja. das leis locais . A teoria do mínimo ético é muito criticada em face da separação entre esses dois nichos de conhecimento. mas nos formula questões interessantes no plano da validade (fundamento) das normas. à exceção. que prestigia valores distintos de grupos distintos .ou seja. o papel da ética? Formular um percurso pessoal dentro dos valores morais. portanto.e democrática será aquela em que o ordenamento jurídico .estaduais. sobretudo) que contém o mais universalizante caráter (basta lembrar que nosso direito é federalizado. 1. uma pergunta: o Direito estará dissociado completamente da Moral? Para a teoria do mínimo ético de Jeremy Bentham não. Mas. municipais . metodologicamente disposta na lei). possa se convolar (transformar) em regra jurídica. a legitimidade reconhecida pela sociedade). sobretudo em relação às profissões jurídicas. na medida em que o Direito seria. dentro disso. são coletivizáveis). ou seja. INTRODUÇÃO O presente texto possui como principal escopo discutir acerca da importância da observância de preceitos éticos nas diversas áreas profissionais. claro. ainda assim. para o autor.

Pode-se definir Ética Profissional como conjunto de regras de conduta que o indivíduo deve observar em sua atividade com o objetivo de bem servir à sociedade em cada profissão. Nesse sentido. A ÉTICA NAS PROFISSÕES Segundo Acquaviva (2002. como também sobre sua natureza jurídica e sua finalidade precípua perante a sociedade. a exemplo do Estatuto da Advocacia. conforme dispõe a própria Constituição Federal. inclui-se o advogado.464). perante os companheiros de trabalho e perante toda a coletividade.906 de 4 de julho de 1994. cabe aos operadores do Direito observar os preceitos éticos profissionais a fim de prestar o melhor serviço à sociedade. Sendo assim. o capítulo 3 discute acerca da importância do Estatuto da Advocacia para os profissionais das diversas áreas jurídicas. no que concerne ao caráter e aos costumes. Nesse grupo. No capítulo 5 trata-se sobre a importância da Ordem dos Advogados do Brasil para os operadores do Direito. 2010. veremos que surge a necessidade de codificar as regras de conduta que devem ser seguidas pelas profissões. Com a necessidade de positivar essas regras surgem os códigos de ética direcionados às atividades profissionais.473). e com o tempo passou a designar a atitude do homem perante a sociedade. surgindo os Códigos de Éticas e Estatutos de diversas profissões. sobretudo pautada na consciência da realização dos fins do Direito e da Justiça (BITTAR. que presta . Com muito mais razão. verifica-se que é de grande importância que o indivíduo esteja preparado para assumir responsabilidades perante si. que constituem função essencial à prestação jurisdicional. Desta forma. Nesse passo. sobretudo para os advogados.Nesse contexto. exige-se dos profissionais das áreas jurídicas que sua atuação esteja em conformidade com a realidade social e. p. e com isso adaptar a ética individual à necessária ao exercício da atividade profissional (BITTAR. 2010. significa moradia. p. instituído pela Lei nº 8. 26). 2. êthos. trataremos ainda acerca da discussão que surge em torno da constitucionalidade ou não da exigência de prestação de exame como requisito indispensável para obtenção da inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil e o atual posicionamento do Supremo Tribunal Federal sobre o assunto. a palavra ética possui origem grega. verifica-se que várias são as profissões que possuem códigos de ética positivados. Por conseguinte. p.

como também define as características essenciais da advocacia. bibliotecas.906 de 4 de julho de 1994. civil. a necessidade de aprovação em Exame de Ordem. 2º. 3. salvo os casos de infração disciplinar e os limites da responsabilidade. A aplicação do exame de ordem já foi muito questionada por muitas instituições de graduação em direito que não viam interesses em obter bons professores. O Estatuto da advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil . quais sejam: Aindispensabilidade. ainda.função essencial à prestação jurisdicional. a qual é realizada pelo advogado quando concretiza a aplicação do direito e obtém as prestações jurisdicionais. O ESTATUTO DA ADVOCACIA: A IMPORTÂNCIA PARA OS PROFISSIONAIS DA ÁREA JURÍDICA Nesse contexto. dispõe sobre os direitos e deveres dos advogados. Saliente-se. uma vez que a forma de conduta do advogado conduz à formação do senso que envolve toda a classe. A prova é composta de uma avaliação desses conhecimentos de direito e outra de redação de peça profissional de noções práticas um uma das áreas especializadas como direito penal. pela qual o advogado se torna inatacável e incensurável por seus atos e palavras quando do exercício de seu munus. mas decorre da importância do advogado para ordem pública e relevante interesse social. comercial do trabalho ou direito administrativo. A função social.906/94). que no exercício de suas atribuições o advogado presta serviço público e exerce função social (art. Não pode prestar no Estado em que se pretende estabelecer vida profissional ou escritório de advocacia sem cumprimento do descrito anteriormente. dentre outros. adiante melhor explicados. conforme dispõe o texto constitucional pátrio. o Estatuto da advocacia. utilizando-se da ética da parcialidade. O exame apenas pode ser prestado na Seccional da OAB de domicílio civil de pessoa natural do requerente ou no Estado de conclusão de seu curso superior de direito. A Independência. da construção da justiça social. não se trata de nenhum tipo de favor coorporativo a classe ou para reserva de mercado. A inviolabilidade.OAB em seu artigo oitavo trata dos requisitos indispensáveis para a inscrição como advogado neste órgão e aponta. participando desta forma. e como instrumento de garantia da efetivação da cidadania. §1º da Lei 8. instituído pela Lei nº 8. porquanto esta é uma luta antiga da classe. Apenas chega à segunda prova o candidato aprovado na primeira. o advogado deve ser independente até de seu cliente. .

Conselhos Seccionais. possui natureza jurídica especialíssima (Acquaviva. p. a representação. dispõe que a OAB presta serviço público independente. 2002. a seleção e a disciplina dos advogados em toda a república federativa do Brasil. I) dispõe que a OAB deve participar em todas as fases dos concursos públicos de provas para ingresso na magistratura. e pugnar pela boa aplicação das leis. em seu art. verifica-se que o exame possui como principal objetivo selecionar bacharéis de direito para o exercício da advocacia e para isso aplica exame para constatação de conhecimentos jurídicos fundamentais e de prática profissional. infere-se que a atuação da Ordem dos Advogados do Brasil é de extrema importância para a fiscalização. 44. com a colaboração dos Institutos dos Estados. dotado de personalidade jurídica própria e forma federativa. A Ordem dos Advogados do Brasil (art. os direitos humanos. 45 do Estatuto) é composta pelos seguintes órgãos: Conselho Federal. Contudo. 4.408. lisura e regulamentação das diversas profissões jurídicas. b) promover com exclusividade.estágios adequados pelo seu alto custo. A IMPORTÂNCIA DA ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL Em 1930. 5. Percebe-se a evidência de sua independência quando a própria Constituição Federal (art. e aprovados pelo governo. a justiça social. pela rápida administração da justiça e pelo aperfeiçoamento da cultura e das instituições jurídicas. que se regerá pelos Estatutos que forem pelo Instituto de Ordem dos Advogados brasileiros. a ordem jurídica do Estado Democrático de Direito. O Estatuto da Advocacia. com o Poder Judiciário. através do Decreto nº 19. a defesa. 17 que se trata de órgão de disciplina e seleção de classe dos advogados. Destarte. o STF decidiu em 2011 que é constitucional a exigência de aplicação do referido exame como requisito para obtenção da inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil. cuja finalidade consiste em: a) defender a Constituição. conforme dispõe a própria Constituição Federal e o Estatuto da advocacia (Lei nº 8. foi criada a Ordem dos Advogados Brasileiros. CONCLUSÃO . 102). sui generis.906 de 4 de julho de 1994). conforme dispõe no art. 93. Subseções e Caixas de Assistência aos Advogados. Nesse sentido. colaborando.

conforme preleciona a própria Constituição Federal e o Estatuto da referida instituição. Disponível em: www. João Paulo Bucker Brandão. a defesa. Lucas Mattos de Medeiros e Rodrigo Apolinário. Marco Antônio. Eduardo C. COLLE. rev. B.br/biblioteca-juridica/resenhas/etica/492. Fernando Bruning. 2010. definida como função essencial à prestação jurisdicional. São Paulo: Desafio Cultural. a ordem jurídica do Estado Democrático de Direito. que se encontram positivadas nas codificações de diversas profissões. lisura e regulamentação das diversas profissões jurídicas. sobretudo em relação à advocacia.ed. Marcus Cláudio. e pugnar pela boa aplicação das leis. REFERÊNCIAS ACQUAVIVA. Alan Vargas Martins. 2002. 7. 2012 . São Paulo: Saraiva. Curso de ética jurídica: ética geral e profissional. portanto. 5. O Estatuto da advocacia (Lei nº 8. bem como de promover com exclusividade. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. 2009. Portal Jurídico Investidura. exige-se dos profissionais das áreas jurídicas que sua atuação esteja pautada na consciência da realização da Justiça. Notas introdutórias à ética jurídica.investidura.Lôbo. Resenha da obra Comentários ao Estatuto da Advocacia e da OAB . ed.com. Acesso em: 08 Out. ARAÚJO JÚNIOR. infere-se que a atuação da Ordem dos Advogados do Brasil é de extrema importância para a fiscalização. as seguintes considerações: A Ética Profissional surge diante da necessidade de alinhar a ética individual com conjunto de regras de conduta que o indivíduo deve observar em sua atividade com o objetivo de bem servir à sociedade em cada profissão. 2008. BITTAR. a representação. como também define as características essenciais da advocacia. 02 Ago. Florianópolis/SC. observando-se os preceitos éticos profissionais a fim de prestar o melhor serviço à sociedade. Portanto.408) presta serviço público com a finalidade de defender a Constituição. A OAB criada em 1830 (Decreto nº 19. Ética Profissional. a seleção e a disciplina dos advogados em toda a república federativa do Brasil. a justiça social.906 de 4 de julho de 1994) dispõe sobre os direitos e deveres dos advogados.Ante o exposto e com base nos conhecimentos adquiridos acerca do presente tema podemos chegar. os direitos humanos. e atual. Sendo assim. pela rápida administração da justiça e pelo aperfeiçoamento da cultura e das instituições jurídicas.