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A QUADRILHA JUNINA COMO GUETO: possibilidades de vivência e expressão das identidades LGBT. Alexsandro....

A Coordenadoria de LGBT do Município de Olinda dentre as funções que desempenha, destacamos a de acolher e acompanhar as demandas da população de LGBT, a fim de construir e fortalecer as políticas públicas para este grupo. Nas ações desenvolvidas, pudemos observar a participação dos grupos de LGBT na quadrilha junina Raio de Sol de Olinda, e na quadrilha junina Tradição de Casa Amarela em Recife, o que nos levou a levantar a seguinte questão para o estudo: que possibilidades de vivência e expressão das identidades de LGBT são proporcionadas pela participação na quadrilha junina de Olinda? O objetivo deste estudo é analisar as possibilidades de vivência e expressão das identidades de LGBT, em especial, compreender o protagonismo exercido pelos sujeitos de LGBT nessa manifestação cultural. Para esta análise nos apropriamos das categorias de gueto, diversidade sexual e movimento LGBT. As primeiras considerações deste estudo foram construídas a partir da pesquisa etnográfica, com observações das apresentações das quadrilhas juninas. Empregamos também a técnica da entrevista semi-estruturada a partir de um roteiro de questões. Nossas considerações parciais apontam para a quadrilha junina como gueto de LGBT, já que os sujeitos afirmam que participam desta manifestação cultural por considerarem que neste espaço é possível expressar livremente a sua identidade sexual, sem a preocupação de serem discriminados ou sofrerem violência. Os sujeitos LGBT destacam também, o protagonismo exercido por eles na quadrilha, pois segundo os seus discursos, são identificados pelo público como artistas e não como homossexuais. Os discursos ressaltam a quadrilha junina como um importante espaço político, pois ao definirem um determinado tema, como neste ano – o casamento homoafetivo, na quadrilha junina Tradição de Casa Amarela– possibilitam a discussão e reflexão das temáticas relacionadas a este tema como a cura gay por exemplo.

Palavras-chave: gueto; diversidade sexual; movimento LGBT.

such as this year . The actions developed. . For this analysis we appropriate categories of ghetto. sexual diversity and the LGBT movement.the wedding homoafetivo in gang junina Tradition Yellow House-enable discussion and consideration of the issues related to this topic as the cure gay for example. ABSTRACT The Office of LGBT Olinda among the functions it performs. The speeches emphasized the gang junina as an important political space. and gang junina Tradition Yellow House in Recife. We also use the technique of semi-structured interviews from a list of questions. in particular. LGBT movement. are identified by the public as artists and not as homosexuals. LGBT subjects also highlight the role played by them in the gang. because according to their speeches. without the worry of being discriminated against or suffer violence. The first considerations of this study were constructed from ethnographic research with observations of presentations of juninas. to understand the role played by the subject of this LGBT cultural event. the highlight of welcome and accompany the demands of the LGBT population in order to build and strengthen public policies for this group. we observed the participation of LGBT groups in gang junina Sunbeam Olinda. Keywords: ghetto.The Jerk HOW GHETTO GANG: possibilities of living and expression of LGBT identities. Our partial considerations point to the gang ghetto junina as LGBT. because when defining a particular theme. sexual diversity. which led us to raise the question for the study: that possibilities of living and expression of LGBT identities are provided by participation in gang junina Olinda? The aim of this study is to analyze the possibilities of experience and expression of LGBT identities. since the subject claim that participate in this cultural event on the grounds that this space can freely express their sexual identity.

destacamos a de acolher e acompanhar as demandas da população de LGBT. o que nos levou a levantar a seguinte questão para o estudo: que possibilidades de vivência e expressão das identidades de LGBT são proporcionadas pela participação na quadrilha junina de Olinda? Definimos o seguinte objetivo para este estudo: analisar as possibilidades de vivência e expressão das identidades de LGBT. O que se pretende com esta Coordenadoria é perceber como o público LGBT se sente inserido nesse contexto cultural e sua vivência na quadrilha junina Raio de Sol de Olinda. Cidadania e Direitos Humanos. juntamente com a Secretaria de Orçamento Participativo. compreender o . contando com a participação de aproximadamente 100 delegados e delegadas com a função de promover e implementar políticas públicas voltadas ao segmento. assim como fomentar as discussões e acompanhar as demandas desse público como intermediadora entre a sociedade civil e governo com o intuito de promover uma sociedade mais justa e igualitária. Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano a II Conferência Municipal De LGBT com o tema “Por uma Olinda livre da pobreza e da discriminação promovendo a cidadania LGBT” nos dias 26 e 27 de agosto de 2011 no Instituto Histórico de Olinda. A Coordenadoria de LGBT do Município de Olinda dentre as funções que desempenha. a fim de construir e fortalecer as políticas públicas para este grupo. em especial. e na quadrilha junina Tradição de Casa Amarela em Recife.INTRODUÇÃO A prefeitura de Olinda tem o compromisso com o segmento LGBT da cidade e para isso vem trabalhando no sentido de promover uma cultura de respeito à livre orientação sexual favorecendo a visibilidade e o reconhecimento social. A partir do ano de 2013 a Prefeitura do Município de Olinda instituiu a Coordenadoria de LGBT através da lei nº5795/2012 como fruto de luta da sociedade civil organizada através de discussões e decisões pela conferência realizada através da Secretaria de Desenvolvimento Social.

apenas isso. pessoa com deficiência. Nesse sentido. Gênero é um empreendimento realizado pela sociedade para transformar o ser nascido com vagina ou pênis em mulher ou homem. raça/cor.protagonismo exercido pelos sujeitos de LGBT nessa manifestação cultural. dadas por aspectos de orientação sexual. diversidade sexual e movimento LGBT. Os critérios para a escolha dos sujeitos da pesquisa foram dois: que se identificassem como homossexuais e que participassem das “quadrilhas juninas gays”. É impossível falar de diversidade sexual sem enfrentar o debate sobre relações de gênero. Essa construção é realizada. faixa etária. sexo. Diversidade sexual: compreendendo os seus conceitos. Definimos a análise de discurso para tratar as informações a partir das referências de Foucault (1999). O sexo não determina por si só. ao seu funcionamento e aos caracteres sexuais secundários decorrentes dos hormônios. é preciso um investimento. e muito menos. a orientação sexual de uma pessoa. podemos dizer que é uma questão cultural. social. Sexo refere-se às características específicas e biológicas dos aparelhos reprodutores feminino e masculino. etnia. gênero. é fundamental pontuarmos os conceitos à respeito da diversidade sexual. Entrevistamos 5 homossexuais do sexo masculino na faixa etária de 20 a 35 anos. a influência direta da família e da sociedade para transformar um bebê em 'mulher' ou 'homem'. reforçada. O sexo determina que as fêmeas têm vagina/vulva e os machos têm pênis. Para esta análise nos apropriamos das categorias de gueto. Gênero não é um conceito biológico. As primeiras reflexões apresentadas foram construídas a partir da realização de cinco entrevistas semi-estruturadas com um roteiro de questões formulado a partir do objetivo geral da pesquisa. é um conceito mais subjetivo. e também fiscalizada ao longo . gênero é uma construção social. A diversidade sexual compreende as distintas possibilidades de expressão e vivência social das pessoas. conceito este que nos pré-requisita o entendimento de outros dois: sexo e gênero. Para tratar do objetivo de nosso trabalho. a identidade de gênero. entre outros.

acima/abaixo. ou problematizando o sistema dominante. dominante/dominado (Bourdieu. pelas instituições sociais. se uma pessoa ousar questionar seu próprio sexo. A homossexualidade é a orientação sexual e afetiva por pessoas do mesmo sexo ou gênero. pré-construídos e compartilhados pelas instituições sociais. não devendo existir hierarquia entre elas. Sandra Unbehaum e Sylvia Cavasin. sendo livres e consentidas entre as pessoas adultas. grande/pequeno. 1999). Já para Beto de Jesus. ou ainda que se expresse sexualmente fora do padrão heterossexual. Kelly Kotlinski. Nesta sociedade. É importante lembrar que o desejo e as relações afetivas e sexuais. por sua vez. De tal forma que. Não necessariamente! A identidade de gênero se estabelece a partir de um processo dinâmico e complexo. sexo. se nascer fêmea. 2008) a diversidade sexual pode ser compreendida como a expressão usada para designar as várias formas de expressão da sexualidade humana. Não é o sexo biológico que determina a orientação sexual de uma pessoa. e a ter uma orientação sexual "heterossexual". Essa percepção. são igualmente válidas. a homossexualidade. Lula Ramires. para o qual contribui uma multiplicidade de fatores. A orientação sexual resulta de um processo complexo e espontâneo de constituição dos afetos e do desejo erótico. 1995). convidando a sociedade a uma "revolução de valores". nesta sociedade. a família e a escola. gênero refere-se aos papéis sociais diferenciados para mulheres e homens. Assim podemos entender que a heterossexualidade enquanto uma regra social também é produto de um processo pedagógico que se inicia no nascimento e continua ao longo de toda a vida. esta pessoa estará. (São Paulo. será ensinada a cumprir o papel de gênero "mulher". A noção de gênero é entendida aqui como relações estabelecidas a partir da percepção social das diferenças biológicas entre os sexos (Scott. são elas: a igreja. . está fundada em esquemas classificatórios que opõem masculino/feminino. assim como a bissexualidade e a heterossexualidade. Neste sentido. no mínimo. que envolve aspectos genéticos. principalmente. culturais e sociais. Assim sendo. identidade de gênero e orientação sexual são valores ou conceitos fechados. Ou seja. sendo esta oposição homóloga e relacionada a outras: forte/fraco. integra a diversidade sexual. ou tiver outra identidade de gênero além daquela pré-estabelecida.do tempo. Pode-se dizer que esta pessoa está pondo em questão.

somados à ameaça do Ostracismo social. como bares. em seus conceitos e sentimentos e na maneira de se sentir confortável num corpo masculino ou feminino.no qual as pessoas passam a se identificar com o masculino ou o feminino. Essas pessoas são as chamadas transgêneros. não segue necessariamente o seu sexo biológico. As categorias que compreendem a diversidade sexual são: lésbica. A adoção do termo para designar pessoas que mantinham relações sexuais com outras do mesmo sexo fez parte de um movimento geral no sentido de criar categorias e espécies ligadas a comportamento sexuais. bissexuais e travestis. O gueto homossexual O gueto homossexual. segundo França (2007) é um lugar constituído por espaços urbanos públicos ou comerciais. que representa um ponto de encontro e de compartilhamento das vivências homossexuais. num processo de construção da hegemonia do saber médico ocidental sobre outros saberes (Foucault. Essa identidade está enraizada na percepção que a pessoa tem de si mesma. Uma pessoa nascida com o sexo masculino ou feminino pode formar uma identidade feminina ou masculina. Tal artigo destaca a importância do “gueto” como um lugar onde o homossexual tem mais condições de se assumir e de testar uma nova identidade social. ou seja. MacRae (2005). A categoria “homossexual” é bastante recente mesmo nas chamadas sociedades ocidentais e seu surgimento integra os próprios processos de consolidação dessas sociedades. não importando o seu sexo biológico. culpa e pecado. 1989) e pela categorização médica no século XIX. 1979). ele adquire coragem para assumi-la . gays. tende a se “ocultar” no gueto. no artigo Em defesa do gueto. tornando-se transexual ou travesti. afirma que o homossexual tomado por sentimentos de anormalidade. Isso nos faz pensar que a identidade de gênero não está estruturada necessariamente na imagem física que o indivíduo tem de si. movimento este especialmente impulsionado pelas práticas legais (Weeks. Uma vez construída a nova identidade. boates e cinemas. .

a discriminação e a estigmatização ainda se fazem presentes na sociedade. p. Segundo este autor. embora as identidades sexuais pouco a pouco comecem a ser incorporadas aos discursos e espaços. 299). “bichas poc-poc”. “bichas um. O que chamamos de “gueto” é algo que só pode ser delimitado ao acompanharmos os deslocamentos dos sujeitos por lugares em que se exercem atividades relacionadas à orientação e à prática homossexual. que nos serviu de inspiração geral.. de comportamento espalhafatoso e menos sintonizado com linguagens e hábitos “modernos” de gosto. ele adquire coragem para assumi-la em âmbitos menos restritos e. em muitos casos. (MacRae. Mais cedo ou mais tarde. este espaço apresentaria as condições para que o homossexual experimentasse a vivência nesta identidade. portanto. é da maior importância a existência do gueto. Mais cedo ou mais tarde. Por isso. em muitos casos. esses rapazes são referidos como “bichas qua-quá”. capazes de promover um senso mais elevado de autoestima e maior tolerância e aceitação da homossexualidade.real” – termos pejorativos. ligava-se ao esforço de evidenciar o papel positivo do “gueto” – o que depois passou a ser . que estudou a respeito do gueto . que pretendem designar o jovem homossexual mais pobre e afeminado. chegando até a apresentar-se nesta condição em todos os espaços que frequenta. acaba afetando outras áreas da sociedade. quase “categorias de acusação”. pode vir a ser conhecido como homossexual em todos os meios que frequenta. (MACRAE. vestimenta e apresentação corporal. onde o homossexual tem mais condições de se assumir e de testar uma nova identidade social. com isso. 2005. Por isso.percebeu-se com que frequência. o preconceito. Assim. O gueto é um lugar onde tais pressões são momentaneamente afastadas e.. 2005. pois a heterossexualidade permanece como a referência sobre a qual todas as relações devem se assentar. seria criada a condição de assumila em espaços menos restritos. No estudo de França (2007). Uma vez construída a nova identidade. gostaríamos de chamar a atenção para o modo como a ênfase na emergência de novas identidades sexuais. Olhando retrospectivamente o texto de MacRae.299). é da maior importância a existência do gueto. pode vir a ser conhecido como homossexual em todos os meios que frequenta. acaba afetando outras áreas da sociedade.em âmbitos menos restritos e. possibilitando a construção de sua identidade social e. p.

daí nos faz lembrar a necessidade de existir espaços de distração exclusivo para os cidadãos de LGBT. No dia 28 de junho de 1969. cada novo estabelecimento que surgia era visto como “vitória para a causa” por boa parcela dos homossexuais frequentadores do “gueto”. Como salienta MacRae (1990). também. esta data é celebrada. tendo como epicentro a região central da cidade. Todo ano. os frequentadores se revoltaram contra a polícia e o tumulto que se seguiu durou três dias. combatendo a segregação e a incomunicabilidade das diferenças. mas espaço onde se sentisse seguro e longe dos olhares preconceituosos. diversificados e pluralistas – ainda sejam reconhecidos como “guetos” é um indicador da tensão recorrente entre os esforços de “pluralizar o universal”40. mudando para sempre as atitudes repressivas das autoridades perante as pessoas LGBT e dando início à luta pela igualdade de direitos de LGBT. registra-se também uma ampliação do “gueto” gay paulistano. especificamente o Largo do Arouche.e não de vergonha . desde então. Pode-se perceber o início de luta não apenas por liberdade de expressar-se. ele diz que no contexto Brasileiro de finais da década de 1970. ainda . e a necessidade de manter espaços protegidos diante da intolerância que persiste sob múltiplas formas e procedências. dos bares. Stonewall era (e ainda é) um bar de frequência de LGBT que sofria repetidas batidas policiais sem justificativa. Movimento LGBT Um marco histórico fundamental no mundo para se entender o movimento homossexual é o movimento de LGBT que aconteceu na cidade de Nova York. 86) que tem o objetivo de analisar a ampliação do “gueto” gay paulistano. Que os territórios reais e virtuais aqui tratados – por mais ampliados.chamado de “política da “visibilidade”. a “defesa” do “gueto” continua a ser um tema candente e atual. em que os efeitos da abertura política começavam a ser sentidos juntamente com o clima de “desbunde”.de assumir publicamente a orientação sexual e identidade de gênero LGBT (Fonte: ABGLT). com a abertura de novas boates e bares. numa expressão de orgulho . que veio a ser conhecido como a Rebelião de Stonewall. 1987. eis a importância atualmente das boates. p. Já no artigo de (Perlongher. Por isso. enfim. Tal efervescência geral tinha paralelos no incipiente movimento homossexual que passava a se organizar com a criação do grupo Somos.

o evento já se chamava EBLGBT (Encontro Brasileiro de Lésbicas. quando. A sigla do EBLGBT acompanhou mudança ocorrida em meados do ano de 2008.hoje é possível perceber que estes cidadãos sentem-se mais à vontade nesses espaços. e não mais a atividade ou a passividade. ainda recente. 1982. Bissexuais. a partir de hierarquizações e estratégias de visibilização dos segmentos. A partir da década de 1990. entre dois modelos de classificação da sexualidade: o tradicional – em que os parceiros numa relação entre pessoas do mesmo sexo são hierarquizados e respectivamente relacionados a papéis sociais e sexuais relativos aos dois sexos biológicos (bicha-bofe. 1990) situa o surgimento do movimento homossexual em meio a um processo de disputa. lésbicas. a literatura (Fry. 2004. ele aparece descrito como MGL (“movimento de gays e lésbicas”) e. Lésbicas e Transgêneros aprova o uso de GLBT. surge primeiramente como um movimento GLT (“gays. bissexuais e transgêneros”. não sem alguma polêmica. incluindo oficialmente o B de bissexuais à sigla aceita no país 12 e convencionando que o T se refere a travestis. Gays. em 1993. passando pelas variantes GLTB ou LGBT. No caso brasileiro. o XII Encontro Brasileiro de Gays. a partir de 1999. fancha-lady)* – e o moderno – em que os parceiros são vistos a partir de uma lógica igualitária e a orientação do desejo se torna mais importante para nomeá-los do que papéis sociais relativos a masculino e a feminino ou à atividade e à passividade sexual (homossexual-homossexual. lésbicas e travestis”) e. . Assim. entendido(a)-entendido(a) ou gay-gay). 11 Em 2005. começa a figurar também como um movimento GLBT – de “ gays. Nesse sentido. MacRae. o movimento ao mesmo tempo colaboraria para expandir – assim como dependeria da expansão de – um modelo moderno de classificação da sexualidade. em 2008. Travestis e Transexuais). foi aprovado o uso da sigla LGBT para a denominação do movimento. que podemos chamar de gueto. o que se justificaria pela proposta de visibilizar o segmento das lésbicas. transexuais e transgêneros. a partir da Conferência Nacional GLBT. 13 A solução provisória encontrada pelo XII EBGLT foi posteriormente revogada e. o movimento multiplica também as categorias de referência ao seu sujeito político. Guimarães. posteriormente. que tomaria por base o sexo do(a) parceiro(a). após 1995.

lésbicas e simpatizantes” – ou do Estado. eram fortemente marcadas por um caráter antiautoritário e comunitarista. Além disso. mais ou menos institucionalizadas. com finalidades não exclusivamente. O período que se segue e compreende o restante da década de 1980 foi bem pouco tratado pela bibliografia específica. Nesse momento. o que coincide com a retomada do regime democrático e o surgimento da AIDS. pela relação com propostas de transformação para o conjunto da sociedade e foram tratadas pela bibliografia sobre movimentos sociais a partir do enquadramento entre os movimentos então chamados de alternativos ou libertários. que origina o GLS14 – “gays. O primeiro momento. sendo comum a coexistência de diversas maneiras de denominação. para fins analíticos. Esse primeiro momento encerra--se nos últimos anos da primeira metade dos anos 1980. constituídas com o objetivo de defender e garantir direitos relacionados a livre orientação sexual e/ou reunir. não se verifica uma concordância absoluta em relação às siglas que procuram definir o sujeito político do movimento. mas necessariamente políticas. corresponde ao surgimento e expansão desse movimento durante o período de abertura política e foi registrado pela maior parte da bibliografia disponível sobre o tema. a variedade de estratégias de nomeação do sujeito político do movimento passa a coexistir e a ter que ser pensada em relação a outras siglas associadas a diferentes atores sociais: é o caso do mercado. que variam regionalmente ou mesmo de grupo para grupo. O termo movimento homossexual É aqui entendido como o conjunto das associações e entidades.De toda maneira. Além disso. Sua trajetória. na segunda metade dos anos 1970. poderia. no Brasil. então chamada de peste gay. o movimento homossexual surge registrado pela bibliografia sobre o tema. tendo sido anunciado como correspondendo a um declínio do movimento. as iniciativas estiveram bastante concentradas no eixo RioSão Paulo. indivíduos que se reconheçam a partir de qualquer uma das identidades sexuais tomadas como sujeito desse movimento. que chamarei de primeira onda. ser dividida em três diferentes momentos. análises realizadas . cujas políticas de saúde adotam os termos HSH 15 – “homens que fazem sexo com homens” – e MSM – “mulheres que fazem sexo com mulheres”. No Brasil.

A criatividade popular encarregou-se de acrescentar novos passos como Olha a chuva! É mentira. da severidade dos pais. por membros da elite imperial. Como as coreografias eram indicadas em francês. possivelmente em 1820. No sertão do Nordeste encontrou um colorido especial. a quadrilha era a dança preferida para abrir os bailes da Corte. O casamento matuto.a partir desse contexto apontavam dificuldades no que toca à viabilidade de uma política de identidade homossexual no Brasil. Caminho da roça e também outros figurantes como os do casamento matuto: o noivo e a noiva. É originária de velhas danças populares de áreas rurais da França (Normandia) e da Inglaterra. na maneira de perceber a sexualidade e no próprio movimento e que tornaram minimamente viável a proposta de uma política de identidades no Brasil. hoje associado à quadrilha é a representação onde os jovens debocham com malícia da instituição do casamento. (Regina Facchini). o juiz e o delegado. 2) da importância dessas conexões ativas6 na produção da configuração que se pode observar no movimento num determinado momento. do . o povo repetindo certas palavras ou frases levou também à folclorização das marcações aportuguesadas do francês. o sacristão. o padre. o que deu origem ao matutês. Este artigo tem por objetivo contribuir para a reconstituição desse histórico de mais de 20 anos de movimento homossexual no Brasil a partir da compreensão: 1) do movimento como um recorte numa rede de relações sociais que se estende para além dos limites do movimento propriamente dito. principalmente. Durante o Império. associando-se à música. Quadrilha Junina – espaço para o protagonismo LGBT A quadrilha junina. A Ponte quebrou. matuta ou caipira é uma dança típica das festas juninas. Nova ponte. dançada. com o povo assimilando a sua coreografia aristocrática e dando-lhe novas características e nomes regionais. mistura do linguajar matuto com o francês. 3) das mudanças que ocorreram na sociedade brasileira. na região Nordeste do Brasil. o pai da noiva. mais precisamente no Rio de Janeiro. Foi introduzida no Brasil. que caracteriza a maioria dos passos da quadrilha junina. Depois popularizou-se saindo dos salões palacianos para as ruas e clubes populares. aos fogos de artifícios e à comida da Região.

balancê (balancer) . Os seus trajes lembram roupas típicas do folclore dos pampas gaúchos. Há atualmente uma nova forma de expressão junina. Maria Bonita. braços para baixo. A quadrilha é o baile em comemoração ao casamento. mas um grupo de dança que tem uma coreografia própria. do machismo.grande roda . com passos criados exclusivamente para a música escolhida.travessê de damas . Rapazes e moças em fila indiana vestidos com roupas típicas do matuto do interior . que não é uma quadrilha matuta. sinhôzinho.anarriê (em derrière) . filas.travessê geral . O marcador da quadrilha. espanholas e ciganos. sanfona e triângulo e que o marcador comece a gritar a quadrilha: Anavantur (em avant tout) .damas ao centro . satirizando a situação com humor e carregando no sotaque do interior.otrefoá (autrefois) . colocam-se frente a frente (vis a vis) aguardam a música da orquestra. travessias e outras figurações são ensaiados nos fins de tarde ou à noite. É escolhido entre os mais experientes membros do grupo ou é uma pessoa convidada para esse fim. sob as garantias do delegado e até de soldados. O casamento é realizado com o padre e o juiz. em pares alternados. O enredo é quase sempre o mesmo com poucas variantes: a noiva fica grávida antes do casamento e os pais obrigam o noiva a casar. O grupo incorpora alguns personagens como Lampião. como num corpo de balé.damas à direta e cavalheiros à esquerda e vice-versa. sendo necessário a intervenção da polícia. (Lúcia Gaspar Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco. que anuncia os passos. Este se recusa.sexo pré-nupcial e suas consequências.granmuliné . O enredo é desenvolvido em linguagem alegórica. A partir da instalação da Democracia (1988) e da multiplicação de identidades. rodas. poderá ou não fazer parte da dança. durante os fins de semana do período preparatório. a quadrilha estilizada. como no caso da quadrilha junina com . 2009).travessê de cavalheiros (travesser) . Os passos e a movimentação dos pares da quadrilha em subgrupo. que é normalmente composta por zabumba ou bombo. a quadrilha junina passa a incorporar estas mudanças e passando a se apresentar como novas configurações.

participação dos cidadãos LGBT. sendo assim a gente consegue ver esse processo mais de perto onde tem meninos que no decorrer eles são gays mais que se reconhecem neste processo. O São João é mais frequente. pois há alguns homens que se reconhecem como (HSH) homem que faz sexo com homem. pois eles assumem por vezes. a gente percebe mais essa vivência. mas pelo respeito que o ciclo tem. a arte é um espaço onde qualquer ser humano independente do sexo.. as travestis. a quadrilha junina de 90 para cá. a gente percebe a presença de vários gays masculinos. São João e Natal. acredito que enquanto cultura. no processo da tradição que é onde danço e lá eu sou apenas leigo brincantes. ela vem tendo presença maciça dos LGBT’S. proporcionam um lugar de protagonismo aos sujeitos LGBT. que se reconhecem neste processo de se caracterizarem de damas... lugar de destaque como na comissão de frente que a alguns anos atrás só ocupava este lugar os casais hetéros. as transexuais e os transformistas. Para os sujeitos entrevistados. no carnaval tudo . cor ele pode ter esse processo de transição em qualquer outro espaço. além de analisar as possibilidades de vivência e expressão das identidades de LGBT. eles conseguem avançar nesse processo de caricatis. pois era chamado de caricatas e não matutas. hoje na junina tradição chamamos de homem vestido de mulher.o universo LGBT hoje dentro dos espaços das quadrilhas juninas vem crescendo muito pelo respeito à arte e dizer que a arte não tem sexo. hoje em Pernambuco a gente percebe esta vivência. com o decorrer do tempo eles vêm se inserindo neste processo a ponto de serem reconhecidos como dama. porque em Pernambuco temos 3 ciclos: carnaval. não que os LGBT’S queiram tomar o espaço feminino das damas nas quadrilhas. que conseguem entrar neste processo de dançar e se vestir como dama e ter em mente o seguinte: me visto de mulher apenas para dançar na quadrilha. os LGBT’S. começamos a conquistar esse espaço com a quadrilha junina lumiar que veio trazendo esse espaço. mais adiante vamos perceber essas mudanças na entrevista. a quadrilha junina proporciona uma ampliação das relações entre os homossexuais. raça. pelo respeito que as pessoas têm a quadrilha. Neste estudo. A partir destas referências é que passamos a analisar os discursos dos sujeitos entrevistados. “. consideramos que as quadrilhas juninas com participação gays.. Colocar abaixo um trechinho da fala do entrevistado que diz isso.

Pitú na roça é como se fosse o final do ciclo junino de todas as quadrilhas de Pernambuco. porém a quadrilha guarda o tema a sete chaves. até porque quem era homossexual antigamente sabia claramente que ali era um bar gay. e eu como militante imaginava que teríamos resistência não por parte da comunidade. ou daquele homem que se vestiu de mulher. na quadrilha a gente consegue percebe melhor até a delicadeza das travestis no processo de estar se reconhecendo como mulher. ou digamos. embora ele nunca tenha se declarado como bar gay. jamais esperavam que seriam dois homens vestidos de paletó e gravata tivessem este perfil. a junina tradição tem mais ou menos 18 homens vestidos de . a gente tem a quadrilha junina lumiar que mulher. daquele personagem que se criou dentro do processo da Pitú na roça tinham muitos caracterizado de homem e os mesmos assumem ou se propõem a se “transformar” de mulher pelo espaço em que todos se reconhecem e se respeitam. travestis. alguns começam a se conhecer no seu gueto. domingo houve um evento chamado Pitú na roça. mas. qualquer homem se veste de mulher e mulher se veste de homem. e sim como “baile dos artistas”. mas por questão de respeito. e que só pode se vestir de mulher. então a gente vê a presença das travestis.é fantasia. tem ainda essa resistência de que a mulher tem que ser dama e o homem cavalheiro. mais um gueto (espaço LGBT). só que quando chegou no boca a boca o casamento homoafetivo. baile de fantasia onde qualquer homem pode se fantasiar. como se fosse um complemento de espaço. Como se fosse menos 90% são homens vestidos de mulher. vale lembrar que isso ainda é um processo muito machista. a gente precisa primeiro combater esta homofobia interna. a gente tem ainda hoje no ciclo que ainda tem esse perfil. porque neste meio sabemos que existe homossexuais homofóbicos. mas sim pelo júri. Mas. homossexual que queira dançar como mulher ele vai sair como caricata. ainda hoje ele não se mostra como espaço LGBT. pensaram que seriam dois homens vestidos de mulher. no seu local e que hoje a quadrilha junina está inserida neste processo. as grandes finalistas já avançaram neste processo. vale ressaltar que veio como convidada neste ano uma quadrilha da Bahia. Nosso tema foi: a barraca do beijo e o casamento homoafetivo. algumas quadrilhas já avançaram neste sentido. Apesar que se alguns LGBT’S soubessem do tema que a quadrilha fosse abordar no ano em curso seria mais participativo. era para camuflar os homossexuais assumidos que antigamente eles não tinham essa resistência. Se formos hoje mapear o baile dos artistas.

Enfim. o próprio segmento não leva em consideração essa diversidade. onde claro. Lembro-me de Carl Marx que se não me engano foi ele quem teve a ideia da classificação ou estratificação social através da pirâmide. isto me faz pensar que por traz do capitalismo encontramos outros fatores que contribuem ou reforçam o preconceito. Considerações finais O objetivo principal deste artigo foi tentar responder a problemática: que possibilidades de vivência e expressão das identidades de LGBT são proporcionadas pela participação na quadrilha junina Tradição de Olinda? E para isso buscamos vários teóricos. 27 anos) . depois homossexualidade e abaixo as identidades de gênero. assim como algumas entrevistas. quando encontro o termo estratificação sexual. ou seja. o Gay. não consegue enxergar seus pares e simpatizantes como aliados. 2007) é um lugar constituído por espaços urbanos públicos ou . raça/cor. talvez isso nem seja novidade. Diversidade sexual. podemos dizer que estamos inserido num mundo capitalista. entre outros. daí a necessidade da existência dos guetos que para (FRANÇA.vergonhoso se esconder atrás da cultura e não se assumir como gay ou LGBT. masc. a Travesti e a (o) transexual inseridos nesses aspectos. sexo. e isso ao ler e pesquisar muitos artigos. o Bissexual. no topo se encontra a heterossexualidade. faixa etária. gênero. Segundo Kelly Kotlinski a diversidade sexual compreende as distintas possibilidades de expressão e vivência das pessoas no aspecto da orientação sexual. automaticamente me vem essa ideia da pirâmide. onde quem permanece ainda em nossos dias no topo é a minoria burguesa. embora muitas vezes isso não é levado em consideração e aí surge as fragmentações dos movimentos sociais como um todo. talvez por isso o movimento LGBT não se solidifica. pessoa com deficiência. Esse entendimento da autora me faz pensar que o segmento LGBT é tão amplo no sentido de ser transversal que perpassa todas essas instâncias. porém. gueto e movimento LGBT.” (suj. Dentro dessa busca de uma sociedade mais equitativa através do nosso principal objetivo nos apropriamos de alguns conceitos para daí chegarmos ao que nos propomos. etnia. homofobia e as desigualdades sociais como um todo em nossa sociedade. porque nessa sopa de letrinhas encontramos a Lésbica.

a identidade de gênero. Acredito que a entrevista serviu para confirmar que estamos avançando neste sentido. 1982. e outros munícipios também. afinal o sexo não determina por si só. fica claro isso para mim após toda essa pesquisa e mais. MacRae. embora esses espaços ao meu ver. mas. é possível perceber que as pessoas no mundo hoje esqueceram que são seres humanos..comerciais. entre dois modelos de classificação da sexualidade: o tradicional – em que os parceiros numa relação entre pessoas do mesmo sexo são hierarquizados e respectivamente relacionados a papéis sociais e sexuais relativos aos dois sexos biológicos ( bicha-bofe. e muito menos. logo. que representa um ponto de encontro e de compartilhamento das vivências homossexuais. nem tampouco seu caráter e assim também não mede sua capacidade. boates e cinemas. 2004. digo isto porque coloquei três questionamentos na entrevista: Como funciona na quadrilha junina a participação dos homossexuais? Como é ser protagonista neste espaço? Podemos dizer que a quadrilha junina proporciona uma ampliação das relações entre homossexuais? E . Penso que é pertinente trazer esse histórico . onde é travado a disputa entre heterossexuais e homossexuais. ainda recente. a orientação sexual de uma pessoa. quando nossa bandeira é por igualdade para todos. por outro lado alimenta o preconceito pelo diferente. mas neste caso temos que ter para ser. sem distinção de orientação sexual. Concordo. não somos olhados pela nossa essência. para um dia chegarmos ao que queremos enquanto cidadãos. não deveriam ser tão fechados. penso que queremos chegar numa sociedade de fato democrática e justa. 1990) situa o surgimento do movimento homossexual em meio a um processo de disputa. embora hoje no município de Olinda têm a lei 5168/99 que proíbe atos de discriminação por orientação sexual. podemos dialogar com o início do movimento de LGBT – para (Fry. portanto. Guimarães.. porque segundo o capitalismo o ter superou o ser. quero dizer em parte se faz necessário porque como estamos numa sociedade heteronormativa os cidadãos(ãs) LGBT ficam sem ter onde se divertir e se expressar afetivamente. como bares. cor e etc. entendido(a)-entendido(a) ou gay-gay). pelo ser humano que somos. fanchalady)* – e o moderno – em que os parceiros são vistos a partir de uma lógica igualitária e a orientação do desejo se torna mais importante para nomeá-los do que papéis sociais relativos a masculino e a feminino ou à atividade e à passividade sexual (homossexual-homossexual. ou seja. acredito que isso engloba também o ser heterossexual para poder ser considerado cidadão de direito conforme a constituição federal.

TRAVESTIS. segundo o entrevistado após a apresentação essa senhora o procurou e pediu desculpas. conseguiu-se chegar num acordo. a mesma luta entre heterossexuais e homossexuais. enfim. outro ponto é que as lésbicas e transexuais ainda nesse processo encontram-se nos bastidores. sendo assim ainda invisíveis. seu filho não pode ver dois homens se beijando e se casando. HOMENS QUE SE VESTEM DE MULHER APENAS NA QUADRILHA. pois é possível identificar homens que se identificam como: HSH. Interessante ainda foi escutar que na quadrilha essa diversidade é completa. O entrevistado disse que numa das apresentações uma senhora da plateia disse que o filho dela com 9 anos não poderia presenciar o casamento da quadrilha por conta do beijos dos noivos. GAY. olhos estes que valorizam a arte já que a arte não tem sexo. pode ver um homem matando outro”. mais o que me chamou mais a atenção foi no desabafo do entrevistado quando ele falou que neste espaço são bem aceitos. então. porém.pude escutar do entrevistado que a quadrilha junina como manifestação cultural não está fora da heteronormatividade. havia uma discussão interna quanto a participação das travestis e transexuais na comissão de frente da quadrilha. pois o que ele falou tocou seu coração e disse ainda que não foi nada demais a apresentação da quadrilha. e hoje há a participação desses cidadãos(as) na comissão de frente. se compararmos de 90 para cá os cidadãos LGBT aos poucos estão sendo inseridos neste gueto. daí o entrevistado retruco: “engraçado. porém . mas. digo gueto porque é mais um espaço onde a população LGBT pode ser vista com outros olhos. . cujo tema deste ano foi o casamento homoafetivo com direito a beijo.

MacRAE. TRINDADE.). MacRAE. MACRAE. 2005. FRY. In: GREEN. “Sopa de letrinhas”? Movimento homossexual e produção de identidades coletivas nos anos 90 : um estudo a partir da cidade de São Paulo. História da sexualidade I: a vontade de saber. Campinas: Editora da Unicamp. (eds.FACCHINI. Michel. São Paulo: Brasiliense. Regina. James Naylor. FACCHINI. 2003. Cadernos AEL: homossexualidade. Edward.). Edward. 2005. 1990. . 1983. Em defesa do gueto. Vol. p. Sônia. James & MALUF. Regina. Rio de Janeiro: Clam: Garamond. O que é homossexualidade . 10. In: GREEN. A construção da igualdade: identidade sexual e política no Brasil da Abertura. São Paulo: Ed. da Unesp. 291-308. Rio de Janeiro: Graal. nº 18-19. Edward.Referências. movimento e lutas. FOUCAULT. José Ronaldo (Org. “Movimento homossexual no Brasil: recompondo um histórico”. Homossexualismo em São Paulo e outros escritos. sociedade. 1978. Peter.

COMO É SER PROTAGONISTA NESTE ESPAÇO? 3.ENTREVISTA COM MARCONE. COMPONENTE DA QUADRILHA E MILITANTE DO MOVIMENTO LEÕES DO NORTE TEMA: A QUADRILHA JUNINA COMO GUETO: possibilidades de vivências e expressão das identidades LGBT 1. PODEMOS DIZER QUE A QUADRILHA JUNINA PROPORCIONA UMA AMPLIAÇÃO DAS RELAÇÕES ENTRE HOMOSSEXUAIS? Quer dizer . COMO FUNCIONA NA QUADRILHA JUNINA A PARTICIPAÇÃO DOS HOMOSSEXUAIS? 2.