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José Veríssimo

A evolução crítica
Fábio Coutinho Silva

2009
Fábio Coutinho Silva

José Veríssimo
1. A evolução da obra de José Veríssimo

1.1. Primeira fase: de 1878 a 1890, atividade provinciana:


1.1.1. “Em seus inícios, a obra de José Veríssimo está profundamente vinculada às transformações de
gosto e mentalidade que começam a surgir no Brasil por volta de 1870. (...) empenhada em
concorrer também para a modificação na maneira de refletir sobre o Brasil.” (BARBOSA,1977, p.
XI)

1.1.2. Tratam-se de estudos etnográficos, históricos e linguísticos, “através dos quais se pudesse
apreender a essência do tipo brasileiro” (Op. cit., p. XVIII)

1.1.3. Destacam-se as publicações de Estudos Brasileiros e Educação Nacional.

1.2. Segunda fase: de 1891 a 1900, participação na vida intelectual do Rio de Janeiro, como
crítico literário, professor e editor.
1.2.1. “vai ser caracterizada exatamente pelo esforço em libertar-se daquelas limitações geracionais”.
(Op. cit., p. XXIV)

1.2.2. Segunda série de Estudos Brasileiros: “elo de transição metodológica entre sua atividade
vinculada às transformações desencadeadas pela „geração de 70‟ e a sua especificidade como
crítico individualizado das obras seguintes”. (Op. cit., p. XXV)

1.3. Terceira fase: de 1901 a 1916, “vai revelar dois tipos de preocupação cultural: de um
lado, é o desejo de especificar a sua atividade (...); de outro lado, é a permanente
aspiração em participar da vida nacional pela crítica dos acontecimentos sociais e
políticos (...)” (Op. cit., p. XXXIV)
1.3.1. Ao final, reúne seus textos e livros e escreve a História da literatura brasileira, publicada no
mesmo ano de sua morte, 1916.

1.3.2. “De sua HLB também se disse, com muita justiça, que é um „pequeno monumento de síntese
objetiva‟, erigido depois de mais de vinte e cinco anos de análises da literatura brasileira”
(ALENCAR, H., 1963, p. XXVI)

1.3.3. Nessa obra, modifica muitas de suas posições apresentadas em textos anteriores, “como
documento da humildade e da probidade intelectual de José Veríssimo.” (Op. cit., p. XIII-XIV)

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2. Textos estudados

2.1. Das condições da produção literária no Brasil. In.: Estudos da literatura brasileira: 3ª
série. Introdução de Oscar Mendes. Belo Horizonte, Ed. Itatiaia; São Paulo, Ed. da USP,
1977.

2.2. Introdução à História da literatura brasileira: de Bento Teixeira, 1601 a Machado de


Assis, 1908. Introdução de Heron de Alencar. 4ª edição. Brasília, Ed. UnB, 1963.

2.3. Outras fontes consultadas

2.3.1. BARBOSA, J. A. Introdução. In.: José Veríssimo: teoria, crítica e história literária.
_________ (seleção e apresentação). Rio de Janeiro, Livros técnicos e Científicos;
São Paulo, Ed. da USP, 1977.
2.3.2. Prefácios de Oscar Mendes e Heron de Alencar às obras Estudos literários
brasileiros e História da literatura brasileira, respectivamente.

2.3.3. http://pt.wikipedia.org/wiki/José_Veríssimo
2.3.4. História da literatura brasileira disponível para download (texto integral):
http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bn000116.pdf

3. Modo de ler

3.1. “a leitura que se propõe de José Veríssimo deve levar em conta, simultaneamente, a
posição de seus textos dentro do contexto histórico-cultural, neste caso permitindo uma
abordagem ampla da série literária, e a especificidade de sua resposta aos problemas e
questões com que se defrontava” (1977, p. X)

3.2. Notaremos no primeiro texto o que Barbosa aponta como “esforço desempenhado pelo
escritor no sentido de encontrar a sua própria linguagem, isto é, a maneira individual de
articular a diacronia de suas experiências e a sincronia do seu texto”. (Op. cit.)

3.3. Se é possível notar na segunda fase esse empenho em superar impasses teórico-
metodológicos sobre a abordagem do texto literário, “buscando fugir do estado de
indeterminação” que caracterizava a crítica de seus predecessores, por outro lado,
percebemos ainda certa insuficiência da linguagem e foco, algo que aparecerá bem mais
amadurecido em sua História da literatura brasileira.

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4. Das condições da produção literária no Brasil


4.1. Localizado na 2º fase da obra de José Veríssimo, esse ensaio procura reunir seus estudos
etnográficos e históricos para alcançar, no estudo das obras literárias, “uma estética mais
precisa, teorias mais seguras e, sobretudo, um mais certo conhecimento das condições da
produção artística, segundo os tempos e lugares, e conforme o temperamento do artista e
as influências que sobre ele atuaram”. (p. 32)
4.2. Na 1ª parte do ensaio, baseia-se no livro Essai sur l’Histoire de l’Art, de Emílio Michel,
de onde tira alguns conceitos-chave:

4.2.1. “Somente a história nos poderá dar um conceito exato da arte e das suas condições
de produção como da literatura e das condições de produção que lhe são próprias, da
sua natureza, das suas funções, dos seus fins e até dos seus meios e das variações
deles”. (p. 31)
4.2.2. Estudo comparativo: “Um método só e exclusivo em crítica é, com efeito, por via
de regra, perigoso e falaz, e o único meio de escapar aos defeitos que lhe são
próprios será verificar os seus resultados por outros processos, sujeitá-lo a outras
provas, examinar e estudar os fatos a outra luz”. (p. 32)

4.3. Observa que pela escassez de documentos necessários ou pela dificuldade de acesso a
eles, o “estudo direto das obras de arte não era fácil”.

4.4. Os museus, os trabalhos de catalogação, descobertas biográficas, exposições permitiram


ao seu tempo “a possibilidade de conhecer, de estudar, de comparar a produção artística
na sua totalidade e, ao mesmo tempo, de verificar as teorias que nela se apoiavam ou a
explicavam”. (p. 32)
4.5. Ainda que apresente algumas ressalvas a Taine, apresenta um método muitas vezes
determinístico.
4.5.1. “Não se imagina um artista verdadeiramente eminente, um criador, um igual dos maiores
pintores, escultores, músicos, poetas ou arquitetos da Europa culta nascendo na América e aqui se
criando e desenvolvendo”. (p. 34)

4.5.2. Considera então, na esteira de Michel e Taine, as condições geográficas, políticas, herança
psicológica, nascimento, meio familiar, educação, leituras, fatos históricos e biográficos,
influências confessadas pelo autor, etc.

4.5.3. “A cultura, e certo, pode modificar, e muito, esse produto, mas não é ainda capaz de destruir nele
os elementos com que a herança e o meio geográfico, social e moral, o afeiçoam. Alargada assim,
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em nem a posso compreender senão assim, a hipótese de Taine parece-me ainda exata, e preciosa
para entendermos a gênese e a evolução literária”. (p. 35)

4.6. Na 2ª parte, afastando-se de Michel, busca compreender as condições de produção


próprias à literatura, que se diferem das artes.
4.6.1. “A arte literária tem sobre as belas-artes a vantagem de dispensar condições materiais de
produção indispensáveis àquelas – e de ser mais nativa, mais espontânea, e também mais fácil de
realizar, que elas” (p. 36)

4.7. Nesse ponto, analisa a presença das condições geográficas das diferentes regiões do país
sobre a produção literária.

4.8. Apesar de afirmar que a geografia não seja determinante, aponta diferenças entre a
poesia do Norte e a do Sul do Brasil, considera as artes européias em diversos países e
suas diferentes condições de produção e, consequentemente, de resultados.

4.9. Sobre a origem da literatura no Brasil, observa que “A causa desta nossa florescência
poética não foi a terra, nem essa beleza exagerada que lhe emprestou o nosso nativismo
(...). Foi a herança portuguesa, a tradição literária e poética de um povo cuja poesia, no
século da conquista, era das mais ilustres da Europa.” (p. 38-39)
4.10. No período colonial, com a exceção de Gregório de Matos, vê uma literatura
“insignificante, incaracterística, sem personalidade, palaciana (...), aduladora do poder”.
4.11. Mais tarde conclui: “E uma sociedade incaracterística não pode produzir senão uma
literatura incaracterística”.
4.12. Assim resume o conjunto dos poetas anteriores ao Romantismo: “a maior parte sem
talento real, não são mais que pálidos imitadores dos da metrópole, e , todos entregues ao
pseudo-classicismo, ficam inteiramente estranhos à nova natureza, às novas coisas, aos
novos aspectos que os rodeiam”. (p. 42)

4.13. O evolução literária brasileira é analisada segundo os fatos históricos que fizeram-
na, de início, predominantemente nortista e, mais tarde, sulista (Minas Gerais e Rio de
Janeiro).

4.14. Notamos certa imprecisão metodológica em sua análise:


4.14.1. “Qual razão desta preponderância espiritual do Norte, não a saberia explicar em poucas palavras.
(...) Talvez houvesse uma explicação para aquele fato: é que se há um espírito brasileiro, e acaso ali
que ele se conservou mais forte e mais estreme. Talvez se pudesse também dizer que o Norte,

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apesar de sua pobreza, tem uma sociabilidade mais fácil, tem mesmo mais sociedade que o Sul.”
(p. 41)

4.15. Na 3ª parte, analisa mais atentamente as condições brasileiras de desenvolvimento


da literatura:
4.15.1. “Para que nascessem as letras no Brasil e se desenvolvessem, foi preciso que encontrassem a
proteção dos que pela sua própria cultura e gosto delas, e por imitação do que na Corte se
praticava, a podiam dar. (...) A proteção dos governadores e vice-reis criou-lhes artificialmente esse
meio de produção e estímulo, nas suas assembléias, nas arcádias e academias”. (p. 44)

4.16. Analisa que, por razões políticas, mais precisamente no período dos reinados,
houve absoluta “liberdade espiritual”, sem desconfiança dos governos sobre as idéias
veiculadas na literatura.

4.17. Nota que na república haverá um certo retraimento dessa liberdade.

4.18. Considera a recepção da literatura brasileira em um contexto de uma população


predominantemente iletrada.

4.19. Essa ausência de um público leitor expressivo é, para ele, determinante:


4.19.1. “Falta-lhe pois, para viver a atmosfera indispensável, que são os leitores que lhe fazem, e não
fica sendo senão uma literatura de poucos, interessado a poucos. Os escritores, de fato sem
comunhão com o seu povo, com a sua nação, são forçados também a viver espiritualmente fora
dela”. (p. 47)

4.20. Nisso despreza as manifestações locais e isoladas de literatura: “Tais literaturas não
têm reais condições de vida em mesquinhas cidades provinciais. Só ma grande capital
lhas oferece”.
4.21. E conclui que o pouco contato com as culturas mundiais, quando poucos são os que
viajam à Europa e mantêm esse contato estético, contribui para uma formação falha do
escritor; além das dificuldades que se encontra para viajar e conhecer o próprio país.

4.22. Fechamento:
4.22.1. “Qualquer que seja, porém, o valor destas condições, causas e incentivos da produção literária,
aqui ou alhures, não pode esta ser valiosa sem que no escritor haja, além do talento, cultura que o
fortifique e fecunde, idéias e sentimentos que o valorizem, e a ciência de exprimi-los” (p. 48)

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5. História da literatura brasileira


5.1. Considerando o Romantismo como nossa emancipação literária, analisa que o
sentimento nacionalista (de início nativista) foi determinante nesse processo: “É
exatamente essa persistência no tempo e no espaço de tal sentimento, manifestado
literariamente, que dá à nossa literatura a unidade e lhe justifica a autonomia.” (p. 2)

5.2. Retoma as ideias sobre as condições de produção da literatura nacional em seu


florescimento, afirmando que, apesar de desenvolver-se como um “rebento da
portuguesa e seu reflexo”, “animou-a desde o princípio o nativo sentimento de apego à
terra e afeto às suas cousas”.

5.3. Ainda assim, vê como evidente que nossos estilos acompanhassem, com atraso, os
períodos literários de Portugal.

5.4. Critica a predominância do estilo seiscentista (que não se encerrara em 1699 nem mesmo
em Portugal) no Brasil, ou escola gongórica ou espanhola, como resultado da
“balbuciante expressão de uma sociedade embrionária, sem feição nem caráter, inculta e
grossa”. (p. 3)
5.5. A exceção que atribuía ao Gregório de Matos agora se limita ao seu estro satírico.
5.5.1. “De resto o seu caso ficou único e isolado, incapaz, portanto, de alterar como quer que fosse a
continuidade do nosso desenvolvimento literário. E os fatos provam que em nada o alterou.
Simultânea e posteriormente continuou aquele como se vinha fazendo”. (p. 4)

5.6. “Somente com os primeiros românticos, entre 1836 e 1846, a poesia brasileira,
retomando a trilha logo apagada da Plêiade Mineira entra já a cantar com inspiração feita
dum consciente espírito nacional. Atuando na expressão principiava essa inspiração a
diferençá-la da portuguesa.” (p. 4)

5.7. Observa a “coincidência” na divisão existente entre o período colonial e nacional e,


respectivamente, a Plêiade Mineira e os Românticos.

5.8. Amadurecendo sua análise dessa passagem, ressalta a importância de se considerarem


fatos literários na compreensão da evolução literária:
5.8.1. “No primeiro período, o colonial, toda a divisão que não seja apenas didática ou meramente
cronológica, isto é, toda a divisão sistemática, parece-me arbitrária. Nenhum fato literário autoriza,
por exemplo, a descobrir nela mais que algum levíssimo indício de “desenvolvimento
autonômico”, insuficiente em todo caso para assentar uma divisão metódica.” (p. 5)

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5.9. Nessa evolução, aponta para um fato histórico importante que vai estimular uma maior
independência literária diante de Portugal: “entra o país a experimentar o influxo de
outras e melhores culturas, sofre novos contatos e reações, que são outros tantos
estímulos da sua inteligência e capacidade literária.”

5.10. “O Romantismo europeu não só influiu os poetas e escritores de todo o gênero, se


não os políticos, os oradores, ainda sacros, de que é frisante exemplo Monte Alverne, o
maior deles, e os publicistas. Como na Europa, foi também aqui mais que uma escola
literária, uma forma de pensamento geral.” (p. 6)
5.11. É interessante notar como o conceito de evolução literária está presente no seguinte
trecho:
5.11.1. “Pelo fim do Romantismo, esgotado como acabam todas as escolas literárias, tanto por
enfraquecimento e exaustão dos seus motivos, como pela natural usura, entram a influir a mente
brasileira outras correntes de pensamentos, outros critérios e até outras modas estéticas européias
de além Pireneus oriundas das novas correntes espirituais, o positivismo em geral ou o novo
espírito científico, o evolucionismo inglês, o materialismo de Haeckel, Moleschott, Büchner, o
comtismo, a crítica de Strauss, Renan ou Taine, o socialismo integral de Proudhon, o socialismo
literário de Hugo, de Quinet, de Michelet.” (p. 7)

5.12. Ou então neste outro:


5.12.1. “Uma escola literária não morre de todo porque outra a substitui, como uma religião não
desaparece inteiramente porque outra a suplanta. Também não acontece que um movimento ou
manifestação coletiva de ordem intelectual, uma época literária ou artística, seja sempre conforme
com o seu princípio e conserve inteira a sua fisionomia e caráter.” (p. 9)

5.13. Definindo seus critérios de seleção do cânone para a HLB, apresenta considerável
consciência formal sobre o conceito de literatura:
5.13.1. “Literatura é arte literária. Somente o escrito com o propósito ou a intuição dessa arte, isto é, com
os artifícios de invenção e de composição que a constituem é, a meu ver, literatura. Assim
pensando, quiçá erradamente, pois não me presumo de infalível, sistematicamente excluo da
história da literatura brasileira quanto a esta luz se não deva considerar literatura.” (p. 10)

5.14. E a noção de prazer estético aparece em uma citação que faz de Lanson:
5.14.1. “a literatura destina-se a nos causar um prazer intelectual, conjunto ao exercício de nossas
faculdades intelectuais, e do qual lucrem estas mais forças, ductilidade e riqueza. É assim a
literatura um instrumento de cultura interior; tal o seu verdadeiro ofício.” (p. 11)

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5.15. Critica os historiadores literários brasileiros pelos “fartos róis de autores e obras,
acompanhados de elogios desmarcados e impertinentes qualificativos”, em uma
ostentação e vaidade de erudição.
5.15.1. “Não quero cair no mesmo engano de supor que a crítica ou a história literária têm faculdades
para dar vida e mérito ao que de si não tem. Igualmente não desejo continuar a fazer da história da
nossa literatura um cemitério, enchendo-a de autores de todo mortos, alguns ao nascer.” (p. 12)

5.16. Se o gosto e o senso comum são, para ele, mecanismos de seleção do cânone (ainda
que não use esse termo), tem total consciência de que ambos não seguem meros
caprichos dos interesses subjetivos, mas são determinados também pela qualidade
estética das obras que se consagram e de seu poder de influência à série literária:
5.16.1. “Cabe excluir-lhe da história, que deve ser a da literatura viva, indivíduos e obras que virtudes de
ideação ou de expressão não assinalaram bastante para poderem continuar estimados além do seu
tempo. Obras que apenas o acompanharam, sem nele influírem ou se distinguirem” (p. 13)

5.17. Sem equacionar eficientemente a questão, vê a relação obra/público como motor da


evolução literária.
5.17.1. “Como não cabem nela os nomes que não lograram viver além do seu tempo também não cabem
nomes que por mais ilustres que regionalmente sejam não conseguiram, ultrapassando as raias das
suas províncias, fazerem-se nacionais”.

5.18. Nas páginas finais de sua introdução, preconiza que a história literária deve ser,
antes de tudo, uma história das obras e não dos autores, com uso moderado dos dados
biográficos.
5.19. Apresenta um conceito próximo ao que se poderá chamar mais tarde de
“monumentos literários”:
5.19.1. “Um livro pode constituir uma obra, vinte podem não fazê-la. São obras e não livros, escritores e
não meros autores que fazem e ilustram uma literatura.”

5.20. Tentando equacionar a relação entre o gosto, as qualidades de expressão e efeito


estético, dá maior clareza ao seu critério:
5.20.1. “Não é escritor senão o que tem alguma cousa interessante do domínio das idéias a exprimir e
sabe exprimi-la por escrito, de modo a lhe aumentar o interesse, a torná-lo permanente e a dar aos
leitores o prazer intelectual que a obra literária deve produzir”. (p. 14)

5.21. Demonstra muita clareza em seu pensamento sobre a relação entre sua crítica e a
tradição existente. Sabe que suas idéias podem coincidir a alheias.
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5.21.1. “Tal o espírito em que após mais de vinte e cinco anos de estudo da nossa literatura empreendo
escrever-lhe a história. Não me anima, em toda a sinceridade o digo, a presunção de encher
nenhuma lacuna nem de prevalecer contra o que do assunto há escrito, certamente com maior
cabedal de saber e mais talento. Não há matéria que dispense novos estudos. Existe sempre, em
qualquer uma, lugar para outros labores. Não desconheço o que devo aos meus beneméritos
predecessores desde Varnhagen até o Sr. Sílvio Romero.” (p. 15)

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