Você está na página 1de 30

Publicação eletrônica editada pelo Depto. de Economia e Administração da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - Ano1 - n 0 1- Campo Grande/ MS Dezembro de 2010

É com satisfação que apresentamos o mais novo Boletim de Conjuntura Econômica do Estado

de Mato Grosso do Sul, O Conjuntura! A partir de hoje a sociedade sul-mato-grossense poderá contar com o mais completo dossiê da conjuntura econômica nacional e local. O Con- juntura é resultado de um árduo, e ao mesmo tempo satisfatório, esforço dos acadêmicos e professores do Departamento de Economia e Administração da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul em contribuir, através do que sabem fazer de melhor, no processo de desenvol- vimento econômico e social do nosso estado.

O Grupo de Estudos de Conjuntura Econômica (GECE), recém-constituído, vem desenvolvendo

pesquisas na área de análise de conjuntura econômica a partir da divisão de seis importantes grupos de estudo: Política Econômica, Política Fiscal, Política Monetária, Mercado de Trabalho e Inflação, Setor Externo e MS Economia. Estas subdivisões proporcionam ao leitor maior clareza

e facilidade no acompanhamento da conjuntura econômica.

O Boletim de Conjuntura abrolha num momento histórico importante do ponto de vista do momento econômico e político que permeia o país, indicadores de crescimento e empregos em alta. A poucas semanas da eleição que definiu o novo Presidente da República, e que terá como desafio conduzir nossa economia pelos próximos quatro anos, O Conjuntura surge com um teor de fechamento do que foi o período do governo Lula e abre analisando quais serão os desafios impostos pela políticas econômicas atual à nova legislatura. Dessa maneira, é com satisfação que buscaremos proporcionar ao leitor um conjunto de informações indispensáveis ao bom entendimento da economia atual. Boa leitura!

Equipe

Coordenador: Everlam Elias Montibeler

Professores colaboradores: Angela Maria Frata e Wladimir Machado Teixeira.

Professor colaborador externo: Rodrigo Emmanuel Santana Borges

Acadêmicos Colaboradores:Alexandre Rui Neto, Bruna Luiza de Paula Souza, Bruna Mendes,

Caio Luca Costa, Danillo Dias de Lima,Gercina Conçalves da Silva, Hallini Tsiemy Higa Gusiken, Hassan Kamir Dabo, Jonathan Melo,Julio César Padilha Cardoso, Mariana Lemos dos Santos, Mateus Júnior de Oliveira,Tamires Aline Correa Valiente, Vanessa Schmidt, Vinícius Misael Alves de Lima.

Editoração: José Marcio Licerre e Danilo Palheta Nery

E-mail: geceufms@gmail.com Telefone: 33453574

2

POLÍTICA ECONÔMICA

Começamos pelo superávit primário. Se a equipe econômica de Pedro Malan

e companhia eram reféns da pontaria do FMI e por isso empenhavam no

controle do resultado primário, a atual equipe econômica foi além. Desde 2000 nossas contas públicas melhoraram significativamente, porém o en- tusiasmo do governo não tem sido o mesmo daqueles que acompanham de perto os movimentos contábeis. O grau de manipulação da metodologia com que se apresenta foi tal que ficou evidente, mais que qualquer outra coisa, a obsessão do governo por alcançar as metas de fiscais estipuladas.

Programas como o Projeto Piloto de Investimento (PPI) e Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) foram retirados das contas do resultado primário. Manobras esdrúxulas como a de o Tesouro emprestar dinheiro para o BNDES e este por sua vez emprestar as estatais para que elas pagassem suas dividas com o Governo Federal, também foram adotadas.

Apesar do esforço no controle das contas públicas, que invoca a palavra austeridade fiscal, nossos gastos - em particular os encargos da dívida pública – têm sido o principal responsável pela geração de inflação. Se pó rum lado à arrecadação tem aumentado, o efeito dos gastos do governo deduzidos os efeitos da arrecadação sobre a demanda, tem estimulado positivamente a economia e criação uma leve pressão inflacionária. A única forma encontrada até o momento para evitar um aceleramento da inflação tem sido a manutenção de altas taxas de juros básicas reais.

Se a equipe econômica de Pedro Malan e companhia eram reféns da pontaria do FMI e por isso empenhavam no controle do resultado primário, a atual equipe econômica foi além.

A política de juros altos do Banco Central e a expansão monetária do FED

tem provocado uma forte entrada de capitais especulativos e apreciação do câmbio. Estes dois fatos estão afetando negativamente tanto o investi- mento como a competitividade das exportações brasileira, respectivamen- te. Outro elemento importante a ser considerado é a dependência da política de juros altos em função da venda de títulos públicos para atingir as metas fiscais. De acordo com Delfim Netto para se alcançar a uma taxa de juros mais baixa é necessário coordenar a ação fiscal e monetária, de forma que o combate à inflação não fique somente nas mãos do Banco Central, pois este deveria zelar exclusivamente pela estabilidade do nível de preços.

Assim, os desafios para o próximo governo estão colocados. Para a política fiscal chegar ao seu ponto desejado será necessário avançar em direção a uma reforma tributária, ampliação da poupança doméstica e do setor pú- blico. Do sucesso destas medidas dependerá a continuidade do crescimen- to para os próximos anos.

3

MERCADO DE TRABALHO E INFLAÇÃO

Vendas no Varejo

No início do terceiro trimestre deste ano o comércio varejista registrou um crescimento de 0,4% em relação ao trimestre imediatamente anterior e de 11,4% no acumulado dos sete primeiros meses do ano. Os produtos ali- mentícios foram os maiores responsáveis pela alta da taxa global de cres- cimento do varejo (49%). Em agosto as vendas do comércio seguiram o ritmo de crescimento que já vinha desde o início do ano, registrando alta de 2,0% em relação a julho, novamente com o setor de Hipermercados liderando a taxa de crescimento global. O mês de setembro confirmou a tendência dos bons resultados que indicava a séria anterior e inclusive aumentando as expectativas em relação ao último trimestre do ano, dos setores de bens duráveis, materiais de construção e eletrodomésticos. Assim, desponta-se, no curto prazo, boas expectativa para a economia como um todo. Esta expectativa positiva pode ser comprovada através do elevado nível atual do índice de confiança do consumidor.

Índice de Confiança do Consumidor

Responsável por avaliar a expectativa real dos consumidores em relação ao consumo futuro, abordando expectativas em relação à inflação, ao de- semprego e a rendimentos futuros, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC), muito utilizado nos países desenvolvidos, tem apresentado recordes de crescimento nos últimos meses.

Entre os meses de agosto e setembro, o índice de confi- ança do consu- midor aumen- tou, fato esse ocasionado pela evolução do mercado de trabalho, da renda, maior acesso ao cré- dito, controle da taxa de juros e infla- ção.

Numa amostra realizada pela FGV com mais de duas mil famílias o ICC do mês de julho apresentou uma alta de 1,5% em relação ao mês anterior e acumulando um total de 120,1 pontos. Isso se deu devido a grande pro- porção de entrevistados que prevêem uma melhora na sua condição finan- ceira para os próximos meses. Com uma alta de 10,1% em relação ao mesmo mês medido no ano passado, o mês de agosto registrou um gran- de otimismo dos consumidores. Segundo pesquisas realizadas, o ICC atin- giu em agosto a marca de 120,8 pontos, 0,7% a mais que o mês julho, estes dados apresentam a sexta alta consecutiva do indicador. A pesquisa também captou que a classe média foi a que apresentou o maior otimismo em ralação ao consumo, o estímulo maior está no consumo dos bens durá- veis como eletrodomésticos e automóveis.

Entre os meses de agosto e setembro, o índice de confiança do consumi- dor aumentou de 120,8 para 121,7 pontos, fato esse ocasionado pela evo- lução do mercado de trabalho, da renda, maior acesso ao crédito, controle da taxa de juros e inflação, o aumento do número de emprego embora não seja um critério para se medir o índice, está diretamente responsável pelos consecutivos aumentos apresentados nos meses anteriores, pois o otimis- mo maior está na evolução da situação financeira das famílias.

4

Nível de atividade da Indústria e Índice de Confiança do Empresário Industrial

Após a acomodação no trimestre anterior, a atividade industrial voltou a crescer no terceiro trimestre de 2010 apresentando um faturamento supe- rior ao período pré-crise. O crescimento da atividade industrial entre julho e julho fez o emprego aumentar em 0,5%, a Utilização da Capacidade Instalada da indústria (UCI) seguiu na direção contrária, como era espera- do, caiu 0,2 pontos percentuais apresentando a terceira queda seguida frente ao mês anterior. Esse dinamismo no crescimento do terceiro trimes- tre se deu devido ao impulso gerado pelo aumento no emprego que cresce de forma contínua.

Em agosto o destaque ficou por conta do crescimento do emprego indus- trial de 0,8% em relação a julho, acumulando 13 meses de crescimento e apresentando crescimento em dezoito dos dezenove setores analisados na pesquisa realizada pela Confederação Nacional das Indústrias (CNI). O faturamento caiu 0,3% em relação a julho, mesmo assim continua sendo a variável que mostra o maior crescimento na comparação com o período pré-crise, 4,1% em relação a setembro de 2008, e a UCI apresentou a quarta queda consecutiva 0,2%, operando com a média de 82,3% da ca- pacidade instalada. Em setembro os indicadores de atividade da indústria seguiram alternando entre queda e crescimento, o faturamento da indús- tria voltou a crescer em relação ao mês anterior 1,9%, houve redução nas horas trabalhadas, a UCI apresentou recuo pelo quinto mês seguido e o emprego em crescimento caracterizando o comportamento moderado da atividade industrial no terceiro trimestre. Passados dois anos, alguns seto- res como de Madeira, Refino e álcool, Metalurgia e Material eletrônico ain- da não se recuperaram totalmente dos efeitos da crise.

Madeira, Refino e álcool, Metalurgia e Material eletrônico ain- da não se recuperaram totalmente dos efeitos

5

A Confederação Nacional das Indústrias divulgou que a confiança do em-

presário e suas expectativas para os meses futuros informando que no

mês de agosto houve uma alta de 0,6 em relação a julho atingindo a marca dos 64 pontos. Este resultado reflete a estabilidade gerada por um cresci- mento na economia no primeiro trimestre. Em setembro o valor do índice retornou ao valor apresentado em julho, 63,4 pontos ao apresentar ligeira queda de 0,6%. Dos vinte e seis setores analisados na pesquisa, dezesseis apresentaram queda quanto às expectativas dos empresários, para Rena-

to Fonseca gerente executivo da unidade de pesquisa da CNI, essa queda

no otimismo é encarada como natural, pois os empresários tendem a ser mais otimistas no início do ano e devido ao fato de os mesmos esperarem um crescimento econômico menor em relação ao passado recente.

Mercado de Trabalho

O comportamento no terceiro trimestre de 2010 das variáveis que com-

põem o mercado de trabalho refletiu o movimento expansionista da eco- nomia brasileira no período. Entre julho e setembro foram criados 728,1 mil empregos formais, segundo informações do Cadastro Geral de Empre- gados e Desempregados (CAGED) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A criação de quase um milhão de empregos colaborou para a que- da da taxa de desemprego e mantendo a tendência de declínio do número de desocupados.

a tendência de declínio do número de desocupados. Pesquisa de Emprego e Desemprego – PED, divulgada

Pesquisa de Emprego e Desemprego – PED, divulgada mensalmente

pelo DEESE, registrou para o mês de setembro de 2010, uma queda de 2,7

pontos percentuais em relação a setembro de 2009. A taxa de desocupa- ção alcançou 11,4%, representando um contingente de desempregados estimado em 2,516 milhões de pessoas, 109 mil a menos do que no mês

anterior. A PME (Pesquisa Mensal de Emprego) do IBGE confirmou a ten- dência de baixa, registrando uma queda de 1,5 ponto percentual. A discre- pância entre as taxas de desemprego e suas respectivas variações se deve

a divergências metodológicas entre as duas pesquisas. A principal delas

A

consiste no fato de que a PME considera como desocupadas as pessoas sem trabalho, mas que estavam disponíveis para assumir e procurando um trabalho, já a PED divide os desempregados em dois grupos principais:

6

desemprego aberto, que inclui as pessoas que procuraram trabalho e não exerceram nenhum trabalho nos sete últimos dias; e desemprego oculto, pessoas que realizam trabalhos precários e procuraram mudar de trabalho. Também é importante ressaltar que a PEA (População Economicamente Ativa) considerada pelo IBGE se refere às regiões metropolitanas de Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. O DIEESE utiliza as capitais de Belo Horizonte, Fortaleza, Porto Alegre, Reci- fe, Salvador, São Paulo e o Distrito Federal.

Os setores que mais contribuíram para o crescimento da taxa de ocupação foram: construção civil, indústria de transformação, serviços e comércio. O Sinduscon-SP (Sindicato das Indústrias da Construção Civil) estima que o setor encerrará o ano com mais 2,4 milhões de trabalhadores contratados.

A indústria e o comércio também estão aquecidos, parte das encomendas

de eletrodomésticos não está sendo atendida pelos fabricantes, a indústria

está se preparando para um natal que promete ser aquecido.

está se preparando para um natal que promete ser aquecido. Como resultado da queda do desemprego
está se preparando para um natal que promete ser aquecido. Como resultado da queda do desemprego

Como resultado da queda do desemprego e aumento do nível ocupacional,

a massa de rendimento real efetivo da população ocupada, apresentou, no

mês de julho de 2010, uma alta de 2,6% em relação ao mês anterior e 10,5% em comparação com mesmo mês em 2009, e as variações rendi- mento médio real efetivo foram de 1,7% e 6,5%, segundo o IBGE. A PED estimou, para o mês de agosto, rendimentos médios reais de R$ 1.314 para os ocupados, um crescimento de 1,8%, e um aumento de 2,5% da massa salarial para os ocupados. Com a redução da taxa de desemprega- do e aumento dos ganhos reais, se prevê um aumento do poder de com- pra. Maiores investimentos deverão ser realizados para evitar os gargalos na oferta e uma possível pressão da demanda.

7

Inflação

7 Inflação O IGP-M/FGV, índice usado para calcular alterações nas tarifas de energia elétrica e contratos

O IGP-M/FGV, índice usado para calcular alterações nas tarifas de energia elétrica e contratos de aluguéis, apresentou uma alta de 1,15% em Se- tembro. No acumulado do ano registra uma variação de 7,63% em 2010.

Nos últimos 12 meses apresenta uma alta de 7,56%. Devemos ressaltar que, apesar dos altos índices registrados este ano eles podem estar influ- enciados pela deflação de 1,71%, registrada pelo IGP-M da FGVem 2009.

Os índices de preços, em geral, têm apresentado uma tendência de alta no mês de setembro. O IPCA, que reflete o custo de vida para famílias com rendimentos mensais compreendidos entre um e quarenta salários-míni- mos, teve uma variação de 0,45% no mês de Setembro em relação ao período anterior. Essa alta teve como principal condicionante a alta nos preços dos alimentos e das bebidas (1,4%). O acumulado do ano registra

8

POLÍTICA MONETÁRIA

Base Monetária e os meios de pagamentos

A base monetária, montante de dinheiro que circula na economia brasileira somado aos recursos guardados nos bancos comerciais, do mês de outu- bro sofreu uma leve alta em relação a setembro. As Reservas Bancárias neste período se elevaram em 3,1%, contra um aumento de 0,05% na emissão de papel-moeda em relação ao mês anterior, sendo este ativo o maior responsável pelo movimento contínuo de alta da Base Monetária que teve seu início em maio.

No primeiro semestre de 2010 a base monetária e seus componentes so- freram pouca variação. Em janeiro, o saldo da Base Monetária era de R$ 155,6 bilhões passando a R$ 159,6 bilhões ao final de junho. Porém na segunda parte do ano, ocorreu uma leve tendência de elevação da Base Monetária com destaque para os meses de julho e agosto, nos quais a taxa de crescimento no mês foi de 1,8% e 6,6%, e nos doze meses de 1,9% e 26,4% respectivamente

e agosto, nos quais a taxa de crescimento no mês foi de 1,8% e 6,6%, e

9

Dentro deste quadro verifica-se uma elevação de 54,6% no saldo de doze meses, das Reservas Bancárias em agosto. Neste mesmo mês ocorreu um expressivo aumento dos meios de pagamento (M1), que diz respeito à Moeda em Poder do Público mais os Depósitos à Vista, com taxas de 3,4% no mês e 19,8% nos últimos doze meses. Os Depósitos à Vista foram os principais responsáveis por este desempenho dos Meios de Pagamento, com variações de 4,9% com base em julho, e 20,9% no ano.

No último mês da série, outubro, observa-se uma oscilação de 0,83% em relação a outubro do ano anterior e 20,3% no acumulado nos últimos doze meses. O papel-moeda teve um crescimento inferior a 0,5% e as reservas bancárias se elevaram em 3,1% no mês. Em relação ao multiplicador mo- netário, ou multiplicador da Base Monetária, os dados do Banco Central apontam um comportamento estável, no qual em 2010 os valores se man- têm entre 1,42 e 1,45. Esses números são inferiores aos de 2009, ano no qual o multiplicador teve pico de 1,48. Assim, para o penúltimo trimestre deste ano a cada acréscimo de R$ 1 da base monetária, os meios de pagamento (M1) sofreram uma elevação de R$ 1,43.

Com a tendência mundial de des- valorização do dólar, o Banco Central do Brasil terá a missão de manter a taxa de câmbio em pata- mares aceitáveis e ao mesmo tempo executar suas políticas monetárias refe- rentes às metas de inflação.

De acordo com a última reunião do COPOM a inflação acumulada do ano (de janeiro a setembro) foi de 3,60%. No mesmo período a base monetá- ria teve um crescimento de 13,08%, 7,15% superior na comparação entre janeiro e setembro de 2009. Segundo a ata da 157ª reunião do Comitê.

Para reverter a expansão da liquidez no mercado causada pela compra de dólares pelo Banco Central, pelas despesas líquidas da União e pelo resga- te líquido dos títulos públicos federais, o Banco Central realizou no período entre 31 de agosto a 18 de outubro deste ano, operações compromissadas de prazo de seis meses, lançando mão de recursos de reservas bancárias no valor de R$ 47,7 bilhões. Neste mesmo período as emissões de títulos pelo Tesouro Nacional, referente aos leilões tradicionais, totalizaram R$ 64,8 bilhões.

Com a tendência mundial de desvalorização do dólar, o Banco Central do Brasil terá a missão de manter a taxa de câmbio em patamares aceitáveis, o que requer intervenção no mercado cambial e conseqüente aumento da liquidez, e ao mesmo tempo executar suas políticas monetárias referentes às metas de inflação. Logo, a administração da base monetária e dos mei- os de pagamento deverá conciliar esse conflito, para garantir a continuida- de da boa conjuntura econômica atual.

Taxa básica de juros

Analisados os dados mensais relativos à taxa básica de juros (Selic) nota- se no último mês de outubro um valor 0,12 pontos percentuais acima do observado no mesmo período do ano passado. Considerando, porém, os

10

últimos três meses da série levantada nota-se uma inflexão da tendência de alta da taxa de juros, dada a redução de 0,08 pontos percentuais nos valores de outubro/2010 em comparação a agosto/2010.

1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010

Levando-se em conta os valores acumulados relativos à taxa Selic, nota-se no agregado de setembro/2009 a setembro/2010 uma permanência das taxas em comparação aos valores agrupados entre agosto/2009 e agosto/ 2010, as quais gravitaram na ordem de 10,66%. Porém, levando-se em conta os últimos doze meses e o período que vai de setembro/2008 a setembro/2009, percebe-se uma ampliação da taxa Selic em 2,01 pontos percentuais, o que denota o estabelecimento de políticas monetárias antiinflacionárias diante da pressão de demanda decorrente das políticas anti-crise adotadas pela autoridade fiscal e monetária em fins de 2008.

Taxas de Juros Comerciais

Para a o cálculo das taxas de juros comerciais, foram consideradas as taxas de juros diárias do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Banco Bradesco. A análise das taxas de juros comerciais diárias por tipo de ope- ração de crédito deixa explicita ligeira queda nas taxas gerais de juros comerciais, embora em proporções menores que a queda registrada na taxa básica de juros da economia.

11

11 As taxas comerciais para pessoa física, definidas pelo crédito pessoal e pela aquisição de bens

As taxas comerciais para pessoa física, definidas pelo crédito pessoal e pela aquisição de bens foram as que registraram os valores médios mais altos para o período, atingindo respectivamente, 2,2% e 3,68%. Já a me- nor taxa média registrada foi a de aquisição de veículos automotores, que permaneceu em 1,58%. O distanciamento entre o comportamento das taxas de juros comerciais, que permanecem praticamente a nível estável, e a taxa básica da economia, que veio em tendência de queda nos meses de setembro e outubro, pode ser explicado pela expansão da demanda por crédito na economia brasileira, que segundo informações divulgadas pelo Banco Central do Brasil aumentou em 1,8% entre agosto/2010 e setembro /2010, e em 19,6% entre setembro/2009 e setembro/2010.

Central do Brasil aumentou em 1,8% entre agosto/2010 e setembro /2010, e em 19,6% entre setembro/2009

12

O crédito vem em trajetória ascendente já há alguns meses e é impulsio- nado principalmente pelo crédito habitacional (que no mês de setembro/ 2010 apresentou aumento de 3,9% em relação ao mês anterior), aquisi- ção de veículos automotores, crédito consignado e financiamentos pelo BNDES.

As operações de crédito para pessoas físicas, no último trimestre, sofreram

uma leve expansão impulsionada pela aquisição de veículos, com uma evolução de 4,3% no mês. Já as carteiras de pessoas jurídicas atingiram a marca de R$ 533 bilhões, determinada pela evolução de 2,6% nos em- préstimos referenciados em recursos domésticos.

As operações com recursos livres e direcionados, isso é, empréstimos cujas

taxas de juros são livremente pactuadas entre os tomadores e as institui-

ções, obtiveram R$ 1.612 bilhões levando a expansões de 1,8% no mês, 14% no ano e 19,6% em doze meses. Os financiamentos contratados com os mesmos somaram uma expansão de 1,8% no mês, mantendo a representatividade de 65,8% do total de crédito no sistema, com isso, a relação crédito/PIB subiu de 43,9% em setembro do ano anterior para 46,7% deste ano.

de 43,9% em setembro do ano anterior para 46,7% deste ano. Meta de Inflação O IPCA

Meta de Inflação

O IPCA acumulado no ano é de 3,60% e o acumulado nos últimos 12

meses de 4,70%. A meta de inflação para este ano é de 4,50%, com margem de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. A variação do IPCA encontra-se muito próxima ao objetivo do governo, apesar de uma leve pressão por parte dos preços de alimentos. Em contraponto o IBC-Br, que é um bom balizador da atividade econômica, encontra-se estável. A atividade industrial apesar de registrar grande crescimento acumulado, dá sinais de estagnação nos níveis pré-crise.

13

As projeções coletadas pela Gerência-Executiva de Relacionamento com Investidores (Gerin), em sua mediana, apontam uma variação do IPCA de 5,20%, muito próxima da meta. Outro ponto que deve ser considerado é que apesar do aquecimento interno da economia existem influências desinflacionarias no exterior, o que impacta na taxa de juros real e na taxa de câmbio real.

A última ata do Copom aponta que apesar de, até então, a inflação estar

dentro do esperado, há uma leve incerteza do cenário econômico em fun- ção da guerra cambial internacional, do aumento de emissão de moedas do FED. O Comitê reconhece que medidas podem ter que ser adotadas

caso ocorra aceleração da inflação. Mas acredita que no cenário atual manter

a taxa básica de juros em 10,75% é suficiente para garantir o nível de

inflação desejado sem prejudicar o aquecimento da economia, que por sinal encontra-se motivado pela alta do crédito e por impulsos fiscais.

POLÍTICA FISCAL

A última ata do Copom aponta que apesar da inflação estar dentro do espe- rado, há uma leve incerteza do cenário econômico em função da guer- ra cambial in- ternacional.

Resultado primário recorde no terceiro trimestre de 2010

O resultado primário do governo central, de acordo com Tesouro Nacional,

apresentou superávit de R$ 30,8 bilhões, a partir de valores consolidados de julho, agosto e setembro deste ano. O acumulado no ano até setem- bro/2010 perfaz o montante de R$ 55,7 bilhões. Até agosto deste ano o superávit se encontrava em R$ 29,6 bilhões, sendo impulsionado em se- tembro pelos valores alcançados com a capitalização de ações da Petrobrás.

O valor registrado no mês de agosto alcançou nível recorde que até então

só tinha sido alcançado em Janeiro de 2008, quando teve um resultado de R$ 20,8 bilhões, representando 2,14% do PIB. O resultado nominal para o período, calculado levando-se em conta receita e despesa total esteve em R$ 61,3 bilhões.

Considerando o acumulado de janeiro a setembro deste ano o Governo teve um superávit de R$ 55, 7 bilhões ou 2,14% do PIB, o que representa uma variação positiva de 1,46 pontos percentuais. No mesmo período em 2009 o governo registrou superávit de R$ 15,6 bilhões, equivalente a 0,68% do PIB de 2009. O resultado de setembro foi representativo, pois em um único mês foi gerado um montante de R$ 29,65 bilhões, valor equiparado ao total do superávit acumulado de janeiro ao agosto. As dívidas, bruta e liquida, permaneceram relativamente estáveis acompanhando o compasso entre receitas e despesas governamentais. A dívida bruta variou 0,5% de agosto para setembro, de R$ 1.618 para R$ 1.626 bilhões. A divida liquida variou de R$ 1,325 para R$ 1,416 bilhões.

14

Necessidade de Financiamento do setor Público

Nos últimos anos a porcentagem do superávit primário em relação ao PIB tem diminuído, porém o saldo tem aumentado significativamente, o valor acumulado até setembro deste ano foi de R$ 75,5 bilhões (equivalente a 2,9% do PIB), frente aos R$ 37,7 resultantes do mesmo período do ano anterior. Comparando resultado primário do mês de setembro com o do ano anterior se verifica uma melhora significativa da política de ajuste fiscal, saímos de um déficit de R$ 5,7 bilhões para um superávit de R$ 27,7 bilhões.

de R$ 5,7 bilhões para um superávit de R$ 27,7 bilhões. O déficit apresentado no resultado

O déficit apresentado no resultado primário do Governo Central em setembro de 2009 teve sua procedência na necessidade de financia- mento da Previdência Social que ficou em R$ 9,7 bilhões, o maior valor dos últimos anos. Já o resultado nominal do setor público, que inclui os juros apropriados pela correção monetária da dívida pública, acumula- dos no período compreendido entre janeiro e setembro de 2010 apre- sentou uma relevante queda quando comparado com o mesmo período do ano anterior, em cerca de -26.38%. É importante destacar que nos últimos anos o montante de juros a pagar aumentou, porém o governo

15

tem conseguido aumentar seu superávit primário, o que tem gerado uma necessidade de financiamento do setor público menor.

A partir da análise amplamente verificada através dos dados expostos,

nota-se o aumento do déficit primário apesar da meta estipulada pelas Diretrizes Orçamentárias de 2,5% do PIB para 2010. Dessa forma, acarre- tou o significativo aumento dos juros nominais, devido aos gastos do Go- verno Central.

O resultado do setor público pode ser apurado sobre duas óticas. Existe o

conceito “abaixo da linha”, que analisa o resultado do governo a partir da variação da dívida líquida total, interna ou externa. O resultado “abaixo da

linha” é apurado pelo Banco Central através da movimentação da conta do

Tesouro Nacional no Banco Central. A segunda forma de estipular o resul- tado fiscal é através do conceito “acima da linha”: diferença entre receitas

e despesas do setor público. A partir do resultado do Governo Central,

usando o conceito acima da linha, se verifica que a receita acumulada no ano é de R$ 672,6 bilhões, sendo R$ 528,9 bilhões proveniente do Tesouro Nacional, R$ 145,9 bilhões da Previdência Social e R$ 1,7 bilhões do Banco Central. Da receita o total R$ 99,6 bilhões foi transferido aos municípios e estados, R$ 119,7 bilhões ao custeio de pessoal e encargos sociais, R$ 121 milhões com custeio e capital , R$781 milhões de transferência do tesouro ao banco central e R$ 27,9 bilhões com investimento. Estas despesas se

enquadram nas liberações ordinárias, restando ainda aquelas referentes às liberações vinculadas (transferências a fundos constitucionais, a esta- dos e municípios, lei complementar e outras vinculações).

É importante destacar que nos últimos anos o montante de juros a pagar aumentou, po- rém o governo tem conseguido aumentar seu superávit primá- rio, o que tem gerado uma necessidade de financiamento do setor público menor.

aumentar seu superávit primá- rio, o que tem gerado uma necessidade de financiamento do setor público

16

SETOR EXTERNO

A participação do Brasil no comércio internacional aumentou significativa-

mente nos últimos anos. No tocante as exportações, segundo dados da Organização Mundial do Comércio – OMC - para o ano de 2009 o Brasil passou a ocupar a 22º colocação no ranking mundial dos países exporta- dores, sendo responsável por 1,26% da totalidade das exportações glo- bais. Em 1990, a participação relativa das exportações brasileiras era de apenas 0,05%, indicativo este que demonstra a crescente evolução do país nas exportações mundiais.

O ranking da produção e exportação de produtos do Brasil em relação ao

mundo traz os principais produtos de nossa produção nacional e balança

comercial:

Brasil no Mundo - Produção e Exportação de Produtos Selecionados

Mundo - Produção e Exportação de Produtos Selecionados Fonte: EMBRAER; ABICALÇADOS; ABIEC; ANFAVEA; ACICB; GTIS;

Fonte: EMBRAER; ABICALÇADOS; ABIEC; ANFAVEA; ACICB; GTIS; IISI; RFA; USDA; OICA; U. S. Geological Survey

Nos últimos anos o Brasil tem conseguido de forma gradual diversificar seus parceiros comerciais. Os principais países compradores dos produ- tos brasileiros são: China (16%), Estados Unidos (9,69%), Argentina (9%), Holanda (5%), Alemanha (4%), Japão (3,4%), Reino Unido (3,2%), e Rússia (3,1%). Abaixo segue demonstrativo dos principais mercados de destino das exportações brasileiras por bloco econômico:

17

17 No que remete às importações o Brasil se posiciona na 24º colocação entre a totalidade

No que remete às importações o Brasil se posiciona na 24º colocação entre a totalidade dos países importadores, evoluindo sua participação nas im- portações mundiais de 0,63% em 1990 para 1,06% em 2009.

dos países importadores, evoluindo sua participação nas im- portações mundiais de 0,63% em 1990 para 1,06%

18

Em relação à composição das importações brasileiras, de janeiro a setem- bro deste ano, os principais produtos adquiridos pelo país foram: 40,5% bens intermediários, com destaque para os insumos industriais; 29,2% bens de capital; 16,5% combustíveis e lubrificantes; e 13,73% bens de consumo, sendo destes 7,73% bens de consumo não duráveis e 6% bens de consumo duráveis. Nos últimos anos aumentamos as importações de bens de capital em detrimento dos bens intermediário, isso pode ser sinal de que estamos melhorando nossa competitividade via importação de tecnologia. O que vai de encontro à idéia de alguns analistas mais pessi- mistas de que estriamos passando por uma etapa de desindustrialização.

Segundo dados do MDIC, de janeiro a setembro de 2010, os principais países fornecedores de produtos ao Brasil foram: Estados Unidos (15%), China (13,8%), Argentina (8%), Alemanha (6,9%), Coréia do Sul (4,9%), e Japão (3,8%). Através da tabela que apresenta a Balança Comercial do país, tem-se uma análise da evolução das exportações e importações bra- sileiras, remetendo ao desempenho da economia no setor externo.

remetendo ao desempenho da economia no setor externo. No acumulado de janeiro a outubro de 2010,

No acumulado de janeiro a outubro de 2010, as exportações brasileiras chegaram a US$ 163,3 bilhões (média mensal de US$ 16,3 bilhões) e as importações a US$ 148,6 bilhões (média mensal de US$ 14,8 bilhões). A corrente de comércio (soma das operações) alcançou US$ 311,9 bilhões e houve um superávit comercial (diferença entre exportações e importa- ções) de US$ 14,6 bilhões.

19

De janeiro a outubro do ano corrente as exportações do país registram um aumento de 29,73% em relação ao mesmo período de 2009. As importa- ções, por sua vez, indicam no acumulado de 2010 para uma elevação de 43,82% no comparativo às importações do período equivalente ao ano anterior. Somente em outubro, as exportações brasileiras atingiram US$ 18,3 bilhões, registrando recuo de 2,4% em relação a setembro. No mes- mo mês, as importações do país somaram US$ 16,5 bilhões, quantia 6,8% inferior ao mês anterior. Os valores referidos indicaram para um superávit na balança comercial de outubro na ordem de US$ 1,8 bilhão.

O desempenho da economia brasileira no setor externo está intimamente

ligado aos movimentos da taxa de câmbio, e como verificado neste ano a moeda nacional vem sofrendo forte apreciação frente ao dólar, aspecto este que favorece as importações do país e desestimula as exportações nos setores menos competitivos. Sendo assim, esta discussão merece uma atenção especial.

Sendo assim, esta discussão merece uma atenção especial. A taxa de câmbio real efetiva para o

A taxa de câmbio real efetiva para o total das exportações, calculadas pelo

Banco Central do Brasil, trazem em setembro uma breve depreciação, mas

que tem se observado desde abril é uma tendência de apreciação da taxa de cambio efetiva real.

o

A

taxa de câmbio nominal desde maio do ano passado vem se depreciando

e

se situando consistentemente abaixo da taxa de câmbio efetiva real. O

aumento da oferta da moeda americana tem provocado uma depreciação das moedas em todo mundo. A forte entrada de dólares via mercado finan-

20

ceiro tem causado uma guerra de divisas no mercado internacional. O Governo brasileiro lançou algumas medidas para acalmar o mercado finan- ceiro, pelo menos momentaneamente, com as quais tem conseguido man- ter estável a cotação do dólar. Mas existe a tendência, pelo menos no médio prazo, de uma maior depreciação da moeda estadunidense.

Dentro das medidas paliativas adotadas pelo governo está o leilão de com- pra de dólares no mercado à vista, com objetivo de tentar conter essa queda da moeda norte-americana retirando dólares de circulação da eco- nomia. Outra ação foi o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Esperava-se com o aumento do IOF um impacto negativo sobre os investimentos estrangeiros em renda fixa no país e assim a redução da taxa de rentabilidade dessas operações, inibindo a entrada de capitais especulativos de curto prazo. Tais medidas, porém, não tem se mostrado relevantes. Em menos de um ano o governo teve de aumentar três vezes o IOF, o que indica a baixa eficácia do instrumento. No entanto as medidas criaram certas expectativas desejadas e até ajudaram, por um curto perí- odo de tempo, a frear a desvalorização do dólar. A melhor forma de inibir o capital especulativo seria baixar a taxa de juros, porém nossa política fiscal ainda não o permite.

forma de inibir o capital especulativo seria baixar a taxa de juros, porém nossa política fiscal

21

No último mês de setembro a quantidade de capital liquida que entro no país foi de US$ 15,1 bilhões, mais que o dobro de setembro do ano passa-

do. Desse total R$ 8,7 bilhões foi investimento em carteira, o que justifica

a preocupação do Governo quanto à entrada de capital especulativo. Até o momento o superávit em balanço de pagamentos soma US$ 34,4 bilhões, com uma diferença de US$ 5,3 bilhões em relação ao mesmo período do ano anterior, como se observa no Balanço de Pagamentos.

A capitalização da Petrobrás promoveu o aumento dos investimentos em

carteira, batendo assim um recorde de entrada de capitais. Esses fluxos financeiros externos ajudarão a aliviar a pressão que tem sofrido o Balanço de Pagamento em função da perda de receita advinda da balança comerci-

al. Porém, se faz necessário uma política de aumento da competitividade dos produtos nacionais no exterior para garantir uma estabilidade no lon- go prazo.

MS ECONOMIA

A capitalização

da Petrobrás

promoveu o

aumento dos

investimentos

em carteira.

Esses fluxos

financeiros exter- nos ajudarão a aliviar a pressão que tem sofrido

o Balanço de

Pagamento.

A Secretaria de Estado do Meio Ambiente, do Planejamento, da Ciência e

Tecnologia – SEMAC/MS tem disponibilizado periodicamente dados refe- rentes ao produto estadual. Nos últimos anos a secretaria tem trabalhado com projeções, dado que os dados para o PIB de 2008, 2007 e 2009 ainda não foram estimados. O último PIB estadual foi medido em 2007 através de uma parceria da SEMAC com o IBGE. Neste ano se registrou um produ- to estadual de R$ 28,1 bilhões, ficando o Estado em última posição no

ranking do centro-oeste. Nossa participação no contexto internacional foi de 1,06% do PIB nacional. A renda per capita foi de R$ 12.411,18, quase

o dobro da registrada em 2002 (R$ 7.004,23), indicando um rápido pro-

cesso de incremento da renda.

O último PIB

estadual foi medido em 2007. Neste ano se regis- trou um produ- to estadual de R$ 28,1 bi-

lhões, ficando

o Estado em

trou um produ- to estadual de R$ 28,1 bi- lhões, ficando o Estado em última posição

última posição

no ranking do centro-oeste.

22

O gráfico de crescimento do PIB estadual possui informações sobre a taxa

de crescimento efetiva do produto estadual desde 2002 até 2007 e a pro- jeção do produto até 2013 – a parte lilás do gráfico é o PIB realizado e a parte vermelha a projetada. No período que vai de 2003 a 2005 a renda estadual sofreu um forte impacto na sua produção, o PIB que em 2003 tinha crescido 7,62% no ano seguinte caiu 1,28%. O motor da crise foi a redução da produção agrícola em função da detecção de focos da febre aftosa. O PIB voltou a seu estado de bonança somente em 2007 quando cresceu 7%.

Existe uma mudança de perfil da economia regional em estado de latente mudança. A tão discutida redução da dependência econômica do agronegócio parece estar se tornando cada vez mais uma realidade. De 2004 a 2007 observa-se uma redução de 20,93% a 15,80% da participa- ção da agropecuária no PIB. Negativamente, a indústria seguiu na mesma direção, reduzindo sua participação de 19,21% a 16,68%, que poderia representar um retrocesso aos planos de diversificação e aumento dos processos de agregação de valor se não fosse o crescimento do setor de serviços.

Existe uma mudança de perfil da eco- nomia regional em estado de latente mudan- ça. A tão discu- tida redução da dependência econômica do agronegócio parece estar se tornando cada vez mais uma realidade.

parece estar se tornando cada vez mais uma realidade. A administração pública tem mais peso na

A administração pública tem mais peso na composição da renda do Estado

que a agropecuária. Responsável 19,97% de toda a renda, ele é o setor mais dinamizador, pois tem impacto direto no comércio e serviços de repa- ração (15,40%) e na locação e administração de imóveis (9,09%).

Já a indústria tem como principais vigas de sustentação o setor de trans- formação (8,16%) e construção civil (8,16%). Apesar não existirem dados atuais sobre sua parcela no produto estadual, os dados divulgados pelo

23

setor de construção tem apontado um forte crescimento em função das linhas de crédito do Governo Federal e da implantação de novos empreen- dimentos industriais e de serviço no Estado.

empreen- dimentos industriais e de serviço no Estado. O Estado e o Comércio Exterior A Balança

O Estado e o Comércio Exterior

A Balança Comercial do Estado de Mato Grosso do Sul, tem apresentado crescimento quando comparada ao ano anterior, 2009. O Saldo acumulado do ano de 2009 foi “déficitário” em US$ 903,3 milhões. Em 2010, o saldo dos primeiros nove meses, também foi “déficitário” em US$ 201,7 milhões, número 66,33% inferior ao mesmo período do ano anterior. A soma dos dez principais produtos exportados pelo Estado tem uma representatividade de 91% da pauta exportadora. No que se refere as importações, no resul- tado de janeiro a setembro, a soma dos dez principais produtos foi 9,6% superior à soma dos dez principais produtos exportados.

janeiro a setembro, a soma dos dez principais produtos foi 9,6% superior à soma dos dez

24

De acordo com a SEPROTUR, na análise por setores, os produtos conside- rados básicos corresponderam a 69,69 % das exportações, seguido dos produtos semimanufaturados com 24,72% e manufaturados com 5,51%. Os produtos do Estado tiveram como destino 53 Blocos econômicos, entre os quais se destacam: Ásia 37,49%, União Européia 18,53%. Entre os países que importaram os produtos do estado, o destaque está com: China (22,35%) e Argentina (11,10%).

No que se refere às importações, no período de janeiro a setembro de 2010, estas somaram US$ 2,4 bilhões. Quanto ao uso, os bens de capital representaram 1,73%, os bens intermediários 30,39%, os bens de consu- mo 4,61% e os combustíveis e lubrificantes com 63,27%. Os países expor- tadores para o estado, com maior representatividade foram: Bolívia (63,11%) e China (8,57%).

foram: Bolívia (63,11%) e China (8,57%). Mercado de Trabalho Formal Segundo os dados do Cadastro

Mercado de Trabalho Formal

Segundo os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), no trimestre foram gerados 4.716 empregos celetistas. Os seto- res de atividade econômica que contribuíram para este resultado foram a Indústria (+3.131 postos), os Serviços (+1.508 postos) e o Comércio (+1.140 postos). O segmento Agropecuário apresentou uma redução de 1.066 postos, puxado principalmente pelo desligamento de trabalhadores da cultura da cana-de-açúcar (-1.230). Nos últimos 12 meses, verificou-se um crescimento de 21.316 postos de trabalho.

25

25 Na verificação do estoque de empregos formais em Mato Grosso do Sul para os meses

Na verificação do estoque de empregos formais em Mato Grosso do Sul para os meses que compõe o trimestre, em setembro totalizavam 550 mil postos de trabalho. A distribuição percentual para o mês de setembro se dá da seguinte forma: Setor de Serviços com maior participação 25,27%, a Administração Pública com 23,82% se destaca em segundo, em terceiro está o Setor Industrial com 20,73%, Comércio aparece em quarto com 18,36%, e por último a Agropecuária com 11,82%.

com 18,36%, e por último a Agropecuária com 11,82%. Taxa de Inflação/Campo Grande Analisados os dados

Taxa de Inflação/Campo Grande

Analisados os dados relativos ao Índice de Preços ao Consumidor (IPC) em Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul, nota-se no último mês de setembro uma ampliação de 0,4% do nível geral de preços em relação ao mês imediatamente anterior, puxada, sobretudo, pelo grupo Alimentação, que registrou alta de 1,62% no período considerado.

26

26 Comparando os índices de setembro com os valores observados no início do ano, nota-se uma

Comparando os índices de setembro com os valores observados no início do ano, nota-se uma redução de 0,94 pontos percentuais no IPC, o que pode ser reflexo de ajustes da oferta dos produtos componentes do cálcu- lo do IPC; bem como pressões de baixa na demanda pelos mesmos produ- tos no decorrer do ano.

Considerando os dados acumulados nos nove primeiros meses do ano, observa-se uma ampliação do nível geral de preços de 3,78%, valores superiores aos observados nos mesmos períodos de 2008 e 2009, que registraram 2,86% e 2,49% respectivamente. Neste ano de 2010, tal alta agregada do IPC explica-se pela elevação dos preços nos grupos Alimenta- ção, Educação e Saúde, que registraram ampliações de 6,44%; 6,05% e 5,34%, nesta ordem.

nos grupos Alimenta- ção, Educação e Saúde, que registraram ampliações de 6,44%; 6,05% e 5,34%, nesta

27

A SEMAC tem divulgado mensalmente o custo da Cesta Básica Alimentar da cidade de Campo Grande. Existem dois índices: Cesta Básica Alimentar Individual e Cesta Básica Familiar. A primeira reúne 15 produtos, para uma faixa de renda de um salário mínimo e necessidade nutricional para uma pessoa com idade entre 23 e 50 anos. O segundo índice contabiliza 44 produtos e com consumo estipulado para cinco pessoas. O problema en- contrado neste indicador calculado pelo governo é que ele se baseia numa Pesquisa de Orçamento Familiar – POF – do ano de 1989.

Agora, levando-se em conta as variações relativas à cesta básica alimentar individual em Campo Grande nota-se em agosto (o último mês da série histórica levantada) uma redução de 0,88% em comparação aos valores do mês imediatamente anterior. Esta redução foi puxada, sobretudo, pelas quedas de preços da batata, alface e tomate, que compõem a cesta básica alimentar pesquisada.

Porém, considerando os valores agregados nos oito primeiros meses do ano, observa-se índice positivo, equivalente a 7,11%, decorrente em gran- de parte pelas ampliações nos preços do feijão, leite e carne, que nos seis primeiros meses do ano registraram aumentos de 75,84%; 26,19% e 19,70%, respectivamente.

aumentos de 75,84%; 26,19% e 19,70%, respectivamente. Levando-se em conta os indicativos da cesta básica

Levando-se em conta os indicativos da cesta básica alimentar familiar, nota- se também queda nos índices de agosto em comparação ao mês imediata- mente anterior, registrando naquele mês queda de 0,39% em relação a este. Entretanto, no acumulado dos oito primeiros meses do ano, percebe- se uma ampliação agregada de 2,81% nos índices de inflação da cesta básica, mantendo mesma tendência de elevação (mesmo que em menor magnitude) da cesta básica alimentar individual. Ao se comparar o IPC com o ICB observamos que o segundo varia mais

28

que o primeiro. Isso acontece porque o IPC leva em consideração um maior número de variáveis (saúde, educação, transporte). O ICB é um indicador que está mais sujeito as intempéries dos preços dos alimentos - entre safra, geadas, aumento dos preços internacionais.

Contas Regionais – Mato Grosso do Sul

As contas públicas do Estado de Mato Grosso do Sul são apresentadas para

o bimestre Julho-Agosto de 2010. Os dados são do Relatório Resumido da

Execução Orçamentária, Balanço Orçamentário, Orçamento Fiscal e da Seguridade Social publicado no Diário Oficial do dia 29 de setembro.

No período de julho a agosto as receitas auferidas totalizaram 1,26 bilhões de reais, as quais são divididas entre Correntes, de Capital e Intra-Orça- mentárias. Até o mês de agosto totalizavam 56,44% de receitas auferidas,

o que corresponde a 5,03 bilhões de reais. Das Receitas realizadas até o

bimestre as Receitas Correntes têm a maior participação, 59,77%; e con- siderando sua composição a sub-conta Receita Tributária representa 66%, demonstrando a importância da arrecadação tributária para as Contas do Governo Estadual.

As receitas Correntes, aquelas originadas principalmente pela arrecadação tributária, até agosto deste ano já tinham atingido a arrecadação de 59,77% do total previsto. É importante destacar que os impostos são responsáveis por 52,35% de toda a receita arrecadada pela. A receita de capital, prove- nientes das operações de crédito, alienações de bens, amortizações de empréstimos concedidos, transferências de capital, até o bimestre de ju- lho-agosto chegou apenas a 18,71% do previsto.

concedidos, transferências de capital, até o bimestre de ju- lho-agosto chegou apenas a 18,71% do previsto.

29

29 As despesas do Estado estão compostas por três partes: Correntes, de Capital e Intra-Orçamentárias. A

As despesas do Estado estão compostas por três partes: Correntes, de Capital e Intra-Orçamentárias. A primeira se distingue pela importância na manutenção dos equipamentos e funcionamento dos órgãos e entidades, incluindo gastos com pessoal, juros e encargos da dívida e demais despe- sas correntes. No acumulado do ano ela se encontra abaixo das receitas correntes, o que gera um resultado favorável, do ponto de vista fiscal, ao governo. A despesa de Capital, que incluem investimento e amortização da dívida de longo prazo, está dividida em 16,35% com amortização da dívida e 83,52% com investimentos. Ao que se refere às despesas Intra-Orça- mentárias, referente aos encargos sociais dos servidores estaduais, elas representam 5,79% do total das despesas.

Ao analisar-se a distribuição percentual da receita tributária do Estado, verifica-se que o Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) tem 7% de participação, o restante está dividido entre o Imposto de Ren- da, Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), o Im- posto Sobre Transmissão Causa Mortis e Doação de Quaisquer Bens ou Direitos (ITCD) e outras receitas.

30

30