HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL

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identidade construída em relação ao lugar de moradia o caso da Comunidade Vila Esperança, em Recife.

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‘’[...] se nos perguntassem qual o benefício mais precioso da casa, diríamos: a casa abriga o devaneio, a casa protege o sonhador, a casa nos permite sonhar em paz. Somente os pensamentos e as experiências sancionam valores humanos.’’ Bachelard (1988, p. 201)

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Paulo Fernando Medeiros Epaminondas
Universidade Federal Rural de Pernambuco Departamento de Ciências Sociais Bacharelado em Ciências Sociais

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UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DE PERNAMBUCO DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS BACHARELADO EM CIÊNCIAS SOCIAIS

PAULO FERNANDO MEDEIROS EPAMINONDAS

HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL: identidade construída em relação ao lugar de moradia - o caso da Comunidade Vila Esperança, em Recife.

Linha de pesquisa: Espacialidade e Socialidade

RECIFE 2012

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PAULO FERNANDO MEDEIROS EPAMINONDAS

HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL: identidade construída em relação ao lugar de moradia - o caso da Comunidade Vila Esperança, em Recife.

Monografia apresentada à Coordenação do Curso de Bacharelado em Ciências Sociais da Universidade Federal Rural de Pernambuco, como parte dos requisitos necessários à obtenção do grau de Bacharel em Ciências Sociais. Orientadora: Prof.ª Dr.ª Rita de Cássia Alcântara Domingues da Silva

RECIFE 2012

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643.1 E63h

Epaminondas, Paulo Fernando Medeiros. Habitação de interesse social: identidade construída em relação ao lugar de moradia - o caso da Comunidade Vila Esperança, em Recife / Paulo Fernando Medeiros Epaminondas. – Recife: O autor, 2012. 101 p. : il. color. Orientadora: Rita de Cássia Alcântara Domingues da Silva Trabalho de conclusão de curso (graduação) – Universidade Federal Rural de Pernambuco, Departamento de Ciências Sociais, Bacharelado em Ciências Sociais, 2012. Inclui referências, apêndices e anexos. 1. Comunicação. 2. Identidade. 3. Habitação de interesse social. 4. Sustentabilidade. 5. Política habitacional. I. Silva, Rita de Cássia Alcântara Domingues da. (Orientadora). II. Título.

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À Eronita Medeiros Epaminondas, minha MÃE e avó, dedico esta monografia com o sentimento de um Sonho meu que Dela se tornou e que por Ela se realizou. (In memoriam)

Ao meu Pai José Leôncio por ter assumido a obrigação de me educar e por me dar a oportunidade de ter a família e os exemplos que tenho. horizonte de crédito e fortaleza simplesmente fundamental para o que foi necessário fazer. dando-me a liberdade de mergulhar e convidando-se a me acompanhar no desenvolvimento e desvendares que a temática do trabalho poderia nos trazer. que apesar de encontrar-se numa outra dimensão. pela oportunidade de aprender. contribuintes ou não com o trabalho de pesquisa. mostrando-me nesses momentos que era necessário parar. elemento de minha vida que faz tudo valer à pena sem pedir absolutamente nada em troca. Ao meu primo Wâniçon e sua esposa Flávia pelo exemplo do caminho construído. de vida e por todas as ocasiões nas quais me disseram não. exercício do abdicar e esperança de um amanhecer diferente que nos torna melhores que antes.7 AGRADECIMENTOS A Deus. . À minha tia Laudeci pelo exemplo de fibra. Em especial à minha MÃE e avó Eronita.fazendo-me perceber que aprendizados trazem sacrifícios e que a saída da zona de conforto no contexto social é antes de tudo o primeiro passo a ser dado. pela compreensão. pela compreensão da ausência. À minha tia Laudicea pelos momentos de apoio e de reflexão essenciais à concepção de valores que estabeleci para a vida. Ao meu poodle Looke. À minha orientadora Rita de Alcântara pela paixão com que abraçou o trabalho e pelo crédito dado à ideia desde o primeiro instante. ensinou-se de forma fundamental a importância do ter e do saber algo para ser alguém na vida. À minha irmã Paula Fernanda. Ao professor João Gilberto pela luz epistemológica e discussões sobre o trabalho no decorrer da pesquisa. pelas discussões indispensáveis que somaram ao trabalho de pesquisa. porque nesses momentos eu aprendi e cresci. resignação e pelos momentos de constante incentivo. pelos exemplos de luta. por me fazerem acreditar no quanto a vida vale a pena. pelo entendimento da abdicação e pela certeza da relação. de crescer e pela resignação e perseverança que foram necessárias para ultrapassar limites dessa jornada . Dona Eró. pela impaciência de esperar quando queria brincar. A todos os meus familiares. sensibilidade e apoio incondicionais e incansáveis no dia-a-dia da vida. À minha tia Laudenice por ter acreditado e lutado por mim enquanto ser humano (In memoriam). A todos os Grandes Amigos de minha vida. Ao Amigo e companheiro Jairo.

o meu muito obrigado! . à Monaliza Santos pela parceria fiel a partir do momento em que passamos a caminhar juntos. ao Douglas pela acolhida e consideração dispensadas. administrativos. Agradeço de forma especial à Magnífica Reitora Maria José de Sena. pela disponibilidade. pela sensibilidade e pelo cuidado no exercício de educar no tratamento dispensado aos graduandos enquanto Pró-Reitora de Extensão. contribuíram direta ou indiretamente para que eu pudesse chegar ao final dessa jornada. pelo novo rumo que imprimiu ao Bacharelado de Ciências Sociais em sua gestão e por nos acordar sempre que necessário. que através de seus auxiliares de apoio. técnicos. ao Rodrigo Assis e ao Fábio Alves por terem sido referenciais do que busquei ser enquanto graduando e à Janaína Melo pela amizade. E ao professor Fábio Andrade. À professora Gilka. sem nunca deixar de nos valorizar como alunos. graduandos que. analistas e gestores nos forneceram o suporte e a infraestrutura necessários para o exercício educacional diário. A todos os Amigos e colegas com os quais tive a oportunidade de conviver. também especialmente. sempre respeitou. pela exigência que nos encaminhou ao aperfeiçoamento e pelo reconhecimento do bom trabalho realizado. A todos os professores com os quais tive a oportunidade de aprender e crescer. pelo apoio. inclusive. enfim. por acreditar tanto em meu potencial e pelos inúmeros momentos de direcionamento e esclarecimento que só contribuíram para um entendimento coerente do caminho a ser percorrido no trabalho de pesquisa. Agradeço especialmente à Glauce Medeiros pelo incentivo e admiração. pelas aulas cheias de energia e pela severidade de quando se fez oportuno. Mas pontualmente à professora Giuseppa. À professora Grazia por todo apoio e paciência no sentido de nos instrumentalizar metodologicamente. A todos àqueles. ao Bruno Batista pelos momentos de esclarecimento. mas principalmente enquanto seres humanos. À professora Dora. escutou e procurou entender e orientar. pela amizade e parceria ao longo dos anos. ao Paulo de Tasso pela sensibilidade e humanidade que lhes são sempre peculiares. com quem aprendi a primar pelos detalhes e a admirar pelo comprometimento com o ato de educar. por ter me arguido em certo momento dessa caminhada sobre como escrever algo que ainda não estava em minha mente. À Universidade Federal Rural de Pernambuco. disposição e apoio incondicionais sempre presentes na Coordenação do Curso. que.8 À Ana Paula de Macedo Vasconcelos (Paulinha).

mas cabe ao homem escrevê-las como lhe convém. não passa de paredes. sem o homem para habitá-la. mas não ilumina o homem. sem propósito e sem vida. janelas e portas sem forma. telhados. As casas abrigam estórias.9 E a casa. A luz invade o espaço. Daniel Gomes de Faria .

esboçar um caminho que construa um entendimento para habitações de interesse social que leve em consideração as especificidades de cada localidade.10 RESUMO O presente trabalho de pesquisa tem como objetivo principal analisar a comunicação com o espaço habitacional numa perspectiva da identidade construída em relação ao lugar de moradia. Palavras Chaves: comunicação. bem como de campo através da aplicação de roteiros de entrevista semiestruturados e de forma individual. em Recife/PE. nesse sentido. A pesquisa tenta perceber e avaliar as potencialidades. bem como do histórico da habitação de interesse social. na tentativa de percepção de elementos de pertencimento com o lugar de moradia na proposta habitacional do PREZEIS. visando iniciar a discussão a partir de sua base conceitual e histórica. O estudo propõe um olhar para as habitações de interesse social que se insira numa perspectiva de política pública que interaja e que considere a importância da comunicação da pessoa humana com o espaço habitacional. A metodologia da pesquisa consistiu numa pesquisa bibliográfica dos elementos que compõem a temática. habitação de interesse social. sustentabilidade e política habitacional. O trabalho de pesquisa foi centrado na lógica indutiva com retornos à teoria sendo construídos durante a realização da pesquisa. o convívio social e principalmente seus habitantes. enquanto elementos fundamentais para a sustentabilidade social do habitar. A atividade de pesquisa buscou atestar ou discordar e. para um embasamento do trabalho de pesquisa. visando à busca quantitativa e principalmente qualitativa das informações obtidas. bem como as discussões mais recentes a cerca das políticas urbanas e regionais no Brasil. . O estudo também procurou. o estudo se propõe a um resgate dos conceitos de casa. impasses e limites da proposta habitacional enquanto um instrumento de política pública que se propõe com a capacidade de trazer um modelo de intervenção diferenciado. frente à identidade que se constrói com o contexto de moradia. Nesse sentido. identificados como relevantes para o contexto da pesquisa. identidade. A análise esteve centrada na comunicação que pessoas reassentadas do primeiro prédio entregue do Habitacional Vila Esperança no Bairro de Monteiro. identificar o padrão existente para a habitação de interesse social. sem deixar de levar em consideração a obtenção de dados de ordem quantitativa. no contexto dos programas e resultados da Política Nacional de Habitação (PNH). através de uma abordagem qualitativa e descritiva. tiveram ou têm com a habitação recebida. com vistas ao enfrentamento do déficit habitacional de interesse social com resultados de qualidade e que contemplem de forma efetiva as famílias beneficiadas. moradia e habitação.

The study proposes a glace at housings of social interest which are inserted in a perspective of public policy that interacts and considers the importance of communication of human individual with the housing space. . Research work was focused on the inductive logics returning to theory and being constructed during research accomplishment. for a technical foundation of research work. thus. Research activities aimed at certifying or disagreeing. by means of a qualitative and descriptive approach. the study is devoted to rescue of concepts such as home. deadlocks and limits of the housing proposal while an instrument of public policy proposed to be with the capacity of bringing a differentiated intervention model. in an attempt of perception of belonging elements with the housing place in the PREZEIS housing proposal. As such. residence and housing.11 ABSTRACT This current research work mainly aims at analyzing the communication with the housing space in a perspective of the build-up identity concerning housing place. The study also searched. housing of social interest. facing identity that is constructed with the housing context. while fundamental elements for home social sustainability. sustainability and housing policy. The analysis was focused on the communication that people displaced in the first delivered building of Habitacional Vila Esperança in the District of Monteiro. as well as the most recent discussions towards Brazilian urban and regional policies. in the context of programs and results of the National Housing Policy (“Política Nacional de Moradia” .PNH). have or had with the housing delivered. aiming at starting the discussion from its conceptual and historical background. The research attempts to perceive and assess the potentialities. surely taking into consideration quantitative data gathering identified as relevant for research context. The research methodology comprised of bibliographic results of the elements that comprise the thematic. to identify the existing housing standard for housing of social interest. Key Words: communication. social coexistence and mainly the inhabitants. Recife/PE. looking for quantitative and mainly qualitative search of the information collected. identity. as well as a housing history of social interest. outline a path that builds an understanding for housing of social interest which may take into consideration as specificities of each location. as well as field by means of interviews script application semi-structured and individually. aiming for confrontation of the housing deficit of social interest with quality results and that contemplate effectively the families benefited.

.......................................Investigando a atividade econômica .......Base cartográfica do bairro de Monteiro ...................Entrevistados por sexo ........................... 68 Gráfico 9 .....Foco nos seguimentos de baixa renda (percentual de atendimento por faixa de renda) .................... 32 Gráfico 2 .............................................................................................. 71 Gráfico 12 ......... 36 ...... 31 Figura 2 ................. 73 Gráfico 14 ..Localização do bairro de Monteiro na RPA 03 ................. 74 Mapa 1 ...................Associação com o termo lugar ..................Tendências de mudanças no macro-complexo construção ....... 53 Gráfico 1 .......................................... RPA 03 ................................................ 50 Gráfico 8 .............................Sobre o preparo para os novos gastos ............................................... 69 Gráfico 10 .Tendência de redução do déficit habitacional brasileiro ...............Associação com o termo identidade ...............Posição sobre as adesões ao SNHIS..................................................................................................................................................................................... 52 Figura 4 ............................................................Infraestrutura institucional da questão habitacional no Brasil ....Organograma da Política Nacional de Habitação ...........Financiamentos FGTS (R$ bilhões) ...................Investigando o trabalho social desenvolvido ..............................................Entrevistados por religião ...........................................Associação com a moradia atual .............................. 48 Gráfico 7 ....................................................................................................Região Noroeste.................... 74 Gráfico 15 ................................................................... 72 Gráfico 13 .................................. 33 Gráfico 3 ........................... 42 Figura 3 ..........................Contratações do SBPE (R$ bilhões) ........O metro quadrado por Região considerando o recurso predominante ........ 46 Gráfico 5 ......................Evolução dos investimentos em habitação ............12 LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1 ............. 70 Gráfico 11 ..................................... 45 Gráfico 4 .................................................... 54 Quadro 1 ........................... 47 Gráfico 6 ......................................

.......................... segundo RPA......................População residente por sexo e situação de domicílio.... 58 Tabela 9 ..................População residente por grupos etários e população ignorada.................................... 34 Tabela 3 .......Custos médios com habitação ..........................................Projeção orçamentária considerando o avanço de recursos do PAC ...... 2010 ........... 59 .............. 57 Tabela 7 ......................Diferença entre a população de 2000 e 2010 e taxa média de crescimento geométrico anual.......... 34 Tabela 2 ............... 57 Tabela 8 ....... 35 Tabela 4 ................................................................. segundo bairros .........13 LISTA DE TABELAS Tabela 1 . segundo RPA e bairros .......................IPTU não residencial: total de imóveis........................Demanda futura por habitação.................................................... segundo bairros ...................... 35 Tabela 5 .. 56 Tabela 6 .População residente.................. Recife........ área e densidade......... valor lançado e valor médio lançado................Projeção orçamentária adotando-se o percentual da PEC ................

14 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ANTAC BIRD BNH CAIXA CDESC CNHIS ConCidades CGFNHIS DFI DHDH URB FAR FDS FINEP FGTS FLHIS FNHIS IAPs IPEA MIP Associação Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído Banco Internacional para a Reconstrução e Desenvolvimento Banco Nacional de Habitação Caixa Econômica Federal Comitê dos Direitos Econômicos. Sociais e Culturais Conselho Nacional de Habitação de Interesse Social Conselho das Cidades Conselho Gestor do Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social Dados Físicos do Imóvel Declaração Universal dos Direitos Humanos Empresa de Urbanização do Recife Fundo de Amparo Residencial Fundo de Desenvolvimento Social Financiadora de Estudos e Projetos Fundo de Garantia por Tempo de Serviço Fundo Local de Habitação de Interesse Social Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social Instituto de Aposentadoria e Previdência Social Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada Morte por Invalidez Permanente .

Sociais e Culturais Plano Nacional de Habitação Plano Local de Habitação de Interesse Social Programa Minha Casa Minha Vida Política Nacional de Habitação Plano de Regularização das Zonas Especiais de Interesse Social Regiões Político-Administrativas Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo Sistema Financeiro da Habitação Sistema Nacional de Avaliações Técnicas Sistema Nacional de Habitação Sistema Nacional de Habitação de Mercado Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social Zonas Especiais de Interesse Social .15 MCidades OGU OIT PAC PBQP-H PCM PCR PIDESC PLANHAB PLHIS PMCMV PNH PREZEIS RPAs SBPE SFH SINAT SNH SNHM SNHIS ZEIS Ministério das Cidades Orçamento Geral da União Organização Internacional do Trabalho Programa de Aceleração do Crescimento Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat Programa Capibaribe Melhor Prefeitura da Cidade do Recife Pacto Internacional sobre os Direitos Económicos.

Roteiro de Entrevista Individual (Moradores) _____________________________________ 87 Apêndice C .Parte detrás do prédio __________________________________________________________ 97 Anexo F .1.Localização do bairro de Monteiro (satélite)_________________________________________ 96 Anexo D .Primeira publicação referente ao habitacional no bairro de Monteiro _____________________ 95 Anexo B .Bicicletário e área para a guarda de objetos diversos _________________________________ 102 Anexo L .Registro de água aparente ______________________________________________________ 101 Anexo J .Localização do bairro de Monteiro (mapa) __________________________________________ 96 Anexo C .Elementos de Identificação e de Não Identificação _________________________________ 92 Apêndice E .Síntese das Categorias de Entrevistados __________________________________________ 93 Apêndice F .Jardim criado e mantido por alguns moradores ______________________________________ 102 .1.Roteiro de Entrevista Individual (Líder Comunitário) _______________________________ 90 Apêndice D .O Metro Quadrado Construído Determinado pela Origem de Recurso por Região Brasileira _ 94 ANEXOS ________________________________________________________________ 95 Anexo A .2 Evolução do espaço urbano _________________________________________________________ 55 4.1.4 Densidade demográfica ____________________________________________________________ 57 4.16 SUMÁRIO INTRODUÇÃO ___________________________________________________________ 17 1 ALGUNS CONCEITOS PRELIMINARES: casa.Placa de construção do empreendimento ___________________________________________ 97 Anexo E . A ORIGEM DE RECURSO E SUA INFLUÊNCIA NO METRO QUADRADO CONSTRUÍDO _________________ 50 4 O BAIRRO DE MONTEIRO EM RECIFE/PE ________________________________ 52 4.1.1.1 Localização e acesso ______________________________________________________________ 52 4. moradia e habitação _____________ 23 2 O PROCESSO DE EVOLUÇÃO DO PADRÃO HABITACIONAL DE INTERESSE SOCIAL _________________________________________________________________ 26 3 POLÍTICAS URBANAS E REGIONAIS NO BRASIL: DISCUSSÕES RECENTES __ 38 3.5 Economia________________________________________________________________________ 58 4.3 Dados populacionais e de domicílio __________________________________________________ 56 4.1 CARACTERIZAÇÃO DO BAIRRO _________________________________________________________ 52 4.Corredor de acesso para a entrada do prédio _________________________________________ 98 Anexo G .Área lateral _________________________________________________________________ 100 Anexo I .6 Macrozoneamento e importância histórica _____________________________________________ 59 5 FORMULAÇÃO DO PROBLEMA __________________________________________ 60 6 RESULTADOS DA PESQUISA ____________________________________________ 68 CONSIDERAÇÕES FINAIS ________________________________________________ 78 REFERÊNCIAS __________________________________________________________ 83 APÊNDICES _____________________________________________________________ 86 Apêndice A .Termo de Consentimento Livre e Esclarecido _____________________________________ 86 Apêndice B .Entrada do prédio _____________________________________________________________ 99 Anexo H .1.1.Corredor térreo de acesso _______________________________________________________ 100 Anexo J .Escadaria (ausência de corrimões e de fitas antiderrapantes) ____________________________ 101 Anexo K .

na Comunidade Vila Esperança no Bairro de Monteiro. Como objetivos específicos. observando os significados e simbologias presentes no exercício de morar. Na margem esquerda predomina uma população de faixa de renda alta com poucos trechos de ocupações pobres. além de ter se tornado o reflexo da participação comunitária no processo de gestão. a ocupação ao longo do Rio Capibaribe reúne uma população de poder aquisitivo variado. passou a estabelecer parâmetros para novas Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS) e também tem como objetivo o estímulo à interação das comunidades com o resto da cidade através de projetos de melhoria para as áreas (MORAIS apud LOIOLA. Instituído em 1987.] utilizando-se da metodologia científica. com vistas ao enfrentamento do déficit habitacional de interesse social. p. Nos dias atuais. A presente pesquisa caracteriza-se como uma pesquisa social. (d) Identificar o nível de satisfação dos beneficiários com a nova forma de morar. 2011.área objeto de análise -. 1 . futuramente.área contemplada pelo projeto -. em Recife/PE. (b) Estruturar os elementos de comunicação/identidade com o lugar de moradia anterior e atual..17 INTRODUÇÃO Na história urbana do Recife. da proposta do Programa Capibaribe Melhor (PCM) da Prefeitura da Cidade do Recife. Para melhorar a situação dessas comunidades carentes. encontra-se um número expressivo de áreas pobres. . e na margem direita . 28). tem-se: (a) Mapear um perfil dos moradores reassentadas maiores de 18 anos. no que concerne à comunicação do beneficiário com o objeto recebido numa perspectiva da identidade construída em relação ao lugar de moradia. os espaços foram ocupados em tempos diversos e de forma diferenciada. teve-se como objetivo geral a construção de uma análise crítica da questão da habitação de interesse social. tais como: o processo econômico e concentração de terras. a intervenção do poder público se faz presente através do PREZEIS1 e. através de lei de iniciativa popular. permite a obtenção de novos conhecimentos no campo da realidade social” (GIL. No caso específico desse estudo. (c) Estabelecer um comparativo entre os fatores que comunicam/identificam em relação ao lugar de moradia atual. p. 1999. através de um roteiro de entrevista semiestruturo de forma individual (mínimo de um representante por família)..42). enquanto um processo que “[. em razão de um conjunto de fatores vivenciados no tecido urbano.

] estudo delimitado e que consiste na observação detalhada de um contexto” (BOGDAN e BIKLEN. 1994... 1994. A categoria de pesquisa que nos norteará será a da pesquisa qualitativa. 34) a entrevista “[. conforme descrito por Minayo (2004. . p. que os nove prédios restantes que comporão o Habitacional Vila Esperança não seriam construídos até o final da pesquisa. p. incompatível com o tempo previsto para a realização da pesquisa. Segundo Lüdke e André (1986.. p. 89). Também foi identificado.18 O método utilizado terá o entendimento de permitir que a realidade social tenha a possibilidade de ser reconstruída enquanto um objeto do conhecimento. em Recife/PE. Também se tem como característica do trabalho o fato de ser um estudo de caso. situando-se como um “[. a pesquisa teve como foco de investigação 16 famílias reassentadas da Comunidade Vila Esperança. 62-63) e com o “[. beneficiadas inicialmente com recursos do PREZEIS. O contexto de entrevistados foi o de pessoas maiores de 18 anos. no bairro de Monteiro. Foi idealizado inicialmente para o contexto de pesquisa trabalhar com famílias reassentadas e ainda não reassentadas... Nesse sentido. p 35). por meio de um processo categorizador (detentor de características peculiares) que una dialeticamente o contexto teórico e o empírico. Os procedimentos de coleta de dados se deram através de roteiros de entrevista semiestruturada. os novos beneficiários da Comunidade serão construídos com recursos do Programa Capibaribe Melhor da Prefeitura da Cidade do Recife. Posteriormente. aplicados de forma e com consentimento individual. considerando que para o que se propôs a pesquisa tal faixa-etária atendeu de forma plena aos objetivos propostos. com o “[. até a ocasião em que se esteve em campo.] processo sendo tão ou mais importante que os resultados” (BOGDAN e BIKLEN. numa perspectiva da identidade construída em relação ao lugar de moradia. p. 1995. mas na ida ao campo percebeu-se que tal abordagem demandaria um trabalho em longo prazo.] ambiente natural como fonte principal dos dados” (GODOY.. considerando que busca analisar a dimensão de comunição do beneficiário com o objeto recebido (habitação de interesse social).. considerando a falta de previsão para a solução sobre a desapropriação da área aonde serão construídos os prédios complementares ao habitacional.. 47).] permite a captação imediata e corrente da informação desejada” e por isso se optou por tal instrumento de pesquisa.

a habitação enquanto um direito.PDRI. reforçando a abordagem qualitativa mencionada. o que chamou atenção ao contexto de análise da pesquisa. tendo havido retornos à teoria que fundamentaram a realização da pesquisa. numa abordagem que buscou atingir o universo possível de moradores maiores de 18 anos das . A pesquisa bibliográfica também se expandiu para os conceitos de casa. que “[.. Numa análise inicial do Plano de Desapropriação e Reassentamento Involuntário . a habitação de interesse social enquanto um conceito e o seu histórico no mundo e no Brasil. a comunicação com o objeto recebido. O processo de investigação esteve fundamentado no universo das famílias envolvidas e da liderança comunitária da Comunidade Vila Esperança. Dessa forma. moradia e habitação.. A lógica idealizada para a pesquisa foi a indutiva. no contexto dos programas e resultados da política nacional de habitação. o levantamento de bibliografia específica e a inserção na realidade empírica de estudo contribuíram com a metodologia adotada para a finalidade a que a pesquisa se propôs. o conceito de identidade no âmbito das ciências sociais e a identidade relacionada ao lugar.19 A primeira fonte de informação da pesquisa foi a bibliográfica através de pesquisa documental relacionada ao PREZEIS e ao PCM. 1999. o padrão da habitação de interesse social no Brasil e sua sustentabilidade social. parques e habitacionais do PCM. percebeu-se o indicativo de uma construção quantitativa da realidade. documentação que esboça a realização de estudos e projetos executivos do sistema viário. A segunda fonte de informação esteve na pesquisa de campo com uma abordagem qualitativa e descritiva da realidade.] parte do particular e coloca a generalização como produto posterior do trabalho de coleta de dados particulares” (GIL. p. enquanto abordagens teóricas específicas ao contexto de pesquisa. macrodrenagem. as discussões recentes a cerca das políticas urbanas e regionais no Brasil. 28). A opção pela lógica indutiva para análise da pesquisa fez-se por se acreditar que o método traria o aprofundamento esperado ao conhecimento empírico. A pesquisa esteve organizada de forma a levantar aspectos simbólicos relacionados ao exercício de morar e considerados como relevantes para a sustentabilidade social do habitar. sem deixar de levar em consideração a obtenção de dados de ordem quantitativa considerados como relevantes para os objetivos da pesquisa.

ocasião em que pudemos construir a história da comunidade que é objeto de estudo da pesquisa através de informações sobre o início e o porquê da ocupação. ocorreu por questões de ausência. formas de crescimento e produção do espaço. simbologias e pertencimento. que procurou perceber nas famílias a relação com o lugar (moradia anterior e atual). No contexto das famílias reassentadas a primeira categoria de análise da pesquisa foi a de informações gerais. p. Um outro elemento de análise. procedeu-se com a transcrição e com a análise dos dados sendo realizada através de categorias de análise. A segunda categoria foi a da associação de conceitos. buscar perceber das famílias nesse comparativo os elementos que somaram e que não somaram durante o processo de mudança. que se reúnem num grupo de elementos sob um título genérico. esteve relacionado à liderança comunitária da Comunidade Vila Esperança. A terceira categoria foi a do processo de mudança e comparação do antes com o depois. 117) define como rubricas ou classes. que teve o intuito de considerando a realidade atual e anterior. última e em nossa análise fundamental categoria foi à relacionada à investigação da identidade. . Concluída a aplicação dos roteiros de entrevista. em razão dos caracteres comuns de tais elementos. presente na pesquisa em questão. identidade. aspectos históricos e culturais.20 16 famílias reassentadas e quando o acesso se deu de forma parcial ou não existiu. na qual se buscou um resgate das percepções dos entrevistados através de termos relacionados à temática que pudessem constituir a base de análise para a investigação relacionada à comunicação e à identidade construída em relação ao lugar de moradia pelas famílias reassentadas. visando construir o que ficou desse contexto de mudança no que concerne ao atendimento das necessidades de quem foi beneficiado. seus valores. desconfiança ou recusa por parte dos mesmos. Reforce-se que a relevância dos dados obtidos encontra-se na representatividade simbólica e de valores enquanto percepção do grupo estudado e que se encontram relacionadas à nova realidade de habitar. que Bardin (1997. a comunicação. A quarta. dentre outras questões que foram consideradas como relevantes para a análise na percepção relacionada à comunicação e identidade construída pelos beneficiários. que teve o objetivo de mapear um perfil dos entrevistados criando a possibilidade de um futuro cruzamento de dados.

no arcabouço teórico. Berger & Luckmann (2004) e Ciampa (1989) sobre o conceito de identidade. No quarto capítulo. procurou-se caracterizar o bairro de Monteiro no município de Recife/PE. a identidade construída em relação ao lugar e a proposta habitacional do PREZEIS. na atualidade. . tem-se a discussão em cima dos resultados da pesquisa. Paralelamente. em seus aspectos socioeconômicos. Há uma percepção da necessidade de se pensar na qualidade e. apresenta-se a formulação do problema de pesquisa identificando os agentes/atores sociais e trabalhando as temáticas da habitação como um direito. Moreira. No quinto capítulo.da construção identitária em relação ao lugar de moradia -. resgatando o seu processo de evolução no mundo e no Brasil. O trabalho está organizado em seis capítulos. O segundo capítulo trabalha a temática da habitação de interesse social. Hespanhol (2007). um entendimento que transcende a ideia de que se trata pura e simplesmente de construir habitação para pessoas de baixa renda. No terceiro capítulo buscou-se identificar as discussões mais recentes a cerca das políticas urbanas e regionais no Brasil. a comunicação do beneficiário com o objeto recebido. principalmente. o qual será desenvolvido no contexto do trabalho de pesquisa. com o intuito de melhor conhecer o local aonde se encontram localizadas as famílias objeto de estudo.21 Os critérios estabelecidos para a pesquisa tiveram como objetivo a obtenção de dados e informações tanto em nível geral quanto específico e mais aprofundado. é abordada a questão do valor do metro quadrado desse tipo de moradia no Brasil subsidiando a discussão que será feita mais adiante sobre o padrão habitacional proposto pelo PREZEIS. Para isso. A abordagem sobre esse tipo de habitação possui. No sexto capítulo. a identidade enquanto um conceito. O primeiro expõe os conceitos de casa. outros autores contemporâneos como Teixeira (2004). na sustentabilidade que esses empreendimentos habitacionais precisam ter. tendo como base a proposta qualitativa do trabalho de pesquisa. Para fundamentar melhor o trabalho foram incorporados à discussão . destacam-se os pensamentos de Simmel (1983) sobre a comunicação com os objetos no contexto social. com o intuito de perceber a política nacional de habitação sob a perspectiva de seus programas e resultados e a habitação de interesse social nesse contexto. moradia e habitação para fundamentar e alinhar uma base ao conceitual de habitação de interesse social.

no contexto da proposta habitacional do PREZEIS. . numa tentativa de observar as suas implicações para a política habitacional da Cidade do Recife. enquanto uma análise do contexto de pesquisa partindo dos resultados.22 O trabalho de pesquisa é concluído com as considerações finais.

” A moradia seria então o resultado do uso de quem a habita e que traz peculiaridades que confirmam a diferenciação de sentidos em relação ao objeto casa. Entendido no presente trabalho de pesquisa enquanto espaço integrado ao ambiente natural e àqueles que o integram. políticas. 201). p. 2010. E a habitação. tendo em vista os hábitos de quem habita tal ente físico (MARTUCCI e BASSO apud SAÚGO. 2010. numa abordagem inspiradora diria que “[.. moradia e habitação Entende-se o conceito de casa como sendo o espaço físico com a função de proteção. mas não apenas física. enquanto um componente físico que tem na sua significação uma construção que se dá ao longo do tempo de moradia. a casa protege o sonhador. pautando-se em elementos que se relacionam com a vida das pessoas e suas respectivas relações sociais. integrando o interno com o externo.23 1 ALGUNS CONCEITOS PRELIMINARES: casa. Entende-se dessa forma o conceito de casa como sendo o espaço físico com a função de proteção. se transforma em moradias diferentes. 37) e assim “um mesmo invólucro.] a casa abriga o devaneio. ideológicas.. trabalhando através do conceito de habitat2. componente físico que tem na sua significação uma construção que se dá ao longo do tempo de moradia. podendo ser conceituada da seguinte forma (MARTUCCI e BASSO apud SAÚGO. a casa nos permite sonhar em paz. com características diferentes. Nesse sentido. Bachelard (1988. o mesmo ente físico. etc. p. nesse contexto. 2 . acompanha-se a ideia de que casa e moradia trazem consigo sentidos diferenciados. mas não apenas física. considerando a casa como já mencionado enquanto o ente físico e a moradia teria considerável ligação com aquilo que faz a casa funcionar. Somente os pensamentos e as experiências sancionam os valores humanos”. históricas. proteção também dos elementos que constituem o “ser” humano. no contexto da habitação construída pelo homem. 37): Temos que considera-la e analisa-la. econômicas. ou seja. seria a integração dos sentidos de casa e moradia fazendo parte do espaço urbano com todos os elementos de suporte e de infraestrutura que esse espaço possa oferecer. cujos hábitos de uso dos moradores são a tônica da mudança. p. ainda não significado ao ser de imediato construído. também dos elementos que constituem o “ser” humano.

2010. mas que procura atender a necessidades sejam elas físicas ou subjetivas. tal aspecto precisaria ser considerado de forma relevante quando se colocasse como elemento de sustento imprescindível da família ou vinculado a questões de ordem cultural. deveria prever com base na realidade socioeconômica atendida. de forma que “quanto mais bem equipado o setor urbano onde estiver inserida a casa. enquanto um encaminhamento de fortalecimento ao direito fundamental ao trabalho arrolado como um direito social. contudo. não tendo como separá-la porque é através dessa infraestrutura e da rede de serviços urbanos a que está atrelada. a moradia enquanto prática e a habitação enquanto ambiente que atende a necessidades precise de forma mais pontual de . fomentando ao espaço um sentido pessoal e específico. 6º da Constituição Brasileira. mas de atendimento a necessidades básicas daqueles que são beneficiados. que a habitação poderá ser considerada como qualificada a depender de sua localização. assim. 38). muito embora o trabalho social atrelado a quem seja beneficiado. 98-99). sem prejuízo do ambiente familiar”. Considere-se para o estudo em questão. 19) a esse respeito. Na presente análise que foca o direito à moradia. diante da demanda que se tem a atender e ainda com uma qualidade em processo de construção. a habitação pode ser considerada como aquele elemento do espaço urbano que vai além das funções de proteger ou peculiarizar-se através do uso. Dessa forma. p. Palermo (2009. que numa análise mais ampla atenderia a necessidades de ordem social ou econômica quando em algumas realidades pode se visualizar até mesmo o uso do comércio no ambiente de moradia. quando o fazer atual relacionado à habitação de interesse social já estivesse mais consolidado. previsto no art. considera ao abordar a questão da estrutura de funcionamento da casa a “necessidade da busca de alternativas de projeto que facilitem a inserção do trabalho dentro da moradia. por exemplo. o que se confirma em Vieira e Chaves (2011. mas que se colocaria como objeto de outra análise. o vínculo existente entre a habitação e a estrutura urbana na qual a mesma se encontra inserida. melhor as condições de moradia e melhor a qualidade da habitação” (CARDOSO apud SAÚGO. um suporte relacionado ao posicionamento de tal população junto ao mercado de trabalho. não apenas construtiva. enquanto componente da política habitacional. p.24 Verifica-se. que a casa como espaço. a observância desse aspecto econômico relacionado ao hábito de morar talvez pudesse ser objeto de reflexão futura. p.

fornecendo à habitação de interesse social um sentido que ela precisa ter e que lhe proporciona qualidade e sustentabilidade social. ao modo de morar. fazendo-o vivenciar de forma efetiva o sentido afetivo e pessoal que a habitação tem.25 elementos de referência que se relacionem ao indivíduo. . à família. Não menos importante é considerar a variável ‘pertencimento’ ao espaço habitacional.

a partir do entendimento de necessidades básicas de conforto ambiental e de adequações às atividades domésticas.] busca proporcionar. na análise da autora uma definição mais adequada que a anterior. que não correspondem à funcionalidade de uso dos espaços de moradia. . Outros autores como Moreira (2005. O seu conceito vai justamente de encontro àquela prática que evidencia . habitação de interesse social é aquela que. com a mesma conotação da definição de habitação de interesse social.Habitação para População de Baixa Renda (housing for low-income people). 18): [. p. define o termo como várias soluções construtivas. ordem e variedade...Habitação Popular.26 2 O PROCESSO DE EVOLUÇÃO DO PADRÃO HABITACIONAL DE INTERESSE SOCIAL Entenda-se por habitação de interesse social a moradia digna que atende às necessidades daqueles que são beneficiados. trazendo consigo a necessidade de definição da renda máxima das famílias que serão beneficiadas. um sentido de habitar que preencha as necessidades de refúgio. . o convívio familiar. . aonde o senso de habitabilidade segundo Barros apud Moreira. enfim. Ampliando a análise. convivência.Habitação de Baixo Custo (low-cost housing) que seria a habitação barata. 8). que seria um termo geral que envolveria todas as soluções construtivas destinadas ao atendimento de necessidades habitacionais. por exemplo: . Além desses aspectos encontra-se a possibilidade de comprometimento da construção identitária dos indivíduos que acabam se perdendo em uma de suas funções primordiais. (2010. sem necessariamente indicar uma habitação voltada à população de baixa renda. isolamento. p. a produção de espaços apertados que não dialogam com a individualidade dos beneficiários. destina-se a atender ao social em suas necessidades mais peculiares.em função da primazia do capital em relação à qualidade construtiva de atendimento ao social -. como a garantir da funcionalidade dos espaços possibilitando a sua apropriação.

2012. como por exemplo. Segundo Silva (2008) 4 o mundo deparou-se num contexto de urbanização acelerada. a venda de lotes urbanos. o que a tornaria viável. 2012. durante o período da República Velha (1889-1930) era visível à ausência do Estado Brasileiro frente à produção de moradia e da regulamentação do mercado de locações. a questão habitacional é um dos grandes expoentes da urbanidade e que há tempos configura-se como a problemática primordial da ocupação humana no território. 1994: 716). ao mercado de aluguéis.br/revistas/read/arquitextos/09.br/. Diante da fundamental importância que constitui o abrigo como forma de suprir uma das necessidades humanas mais primárias. as vilas operárias existentes também na realidade brasileira. Entretanto. Diretora Executiva do Habitat (2009) A demanda por habitação no mundo já em 2009 indicava uma necessidade habitacional da ordem de bilhões e a habitação de interesse social surge com a proposta mais econômica. No Brasil.com. Ana Tibaijuka. com uma situação de considerável precariedade das condições habitacionais. Para Rago (apud BONDUKI. político e moral dos trabalhadores. tendo em vista que existem hoje no mundo cerca de um bilhão de pessoas sem moradias. Para Bonduki (1994: 712). intenso adensamento e de salários baixos. uma vez que garantiria condições adequadas de moradia e o controle ideológico. houve uma intervenção do governo no que concerne à produção. Esta não é uma dificuldade nova e para solucionar o problema surgem políticas públicas voltadas para a construção de habitações populares. Nesse sentido.27 A trajetória da habitação de interesse social neste trabalho de pesquisa passará pela realidade no mundo e em seguida entrar-se-á nos detalhes dos caminhos que trilhou na realidade brasileira. Naquele momento. o histórico da habitação de interesse social relaciona-se ao período do governo Vargas (1930-1954). Acesso em: 10 de mai. tendo em vista que a tendência era considerar as vilas operárias como uma iniciativa possível de ser estimulada. ocasião posterior à República Velha. . a qualidade de tais empreendimentos acompanha a lógica dos custos e a do próprio capital. o marco inicial para a produção estatal de moradias subsidiadas e para o financiamento da promoção imobiliária foi a partir da institucionalização 3 4 Disponível em: http://nemaususeahabitacaosocial. Acesso em: 10 de mai. tal entendimento era visto com simpatia tanto pelo Estado quanto pela elite dominante.vitruvius.blogspot. resultando em habitações de baixa qualidade e espaços pequenos.097/136. e há um aumento previsto para dois bilhões para as próximas três décadas3. Disponível em: http://www. denúncias da situação médico-sanitária (insalubridade).com.

que é considerada por Melo (1991) e Aureliano & Azevedo (1980) citados por Bonduki (1994: 717) o melhor exemplo da presença ausente na política estatal brasileira. trazendo tanto o reforço à função quanto à . mas não se pode deixar de considerar a relevância da ação no sentido de ter sido tomada.. muito embora em condições desarticuladas. longe.] sua fragilidade. a ideia de propriedade. condicionando-se ao bem-estar social. tratavam da questão e. mas não houve uma ação articulada efetivamente. representa minimamente o reconhecimento de um compromisso que o Estado Brasileiro enfrentou. sofre mudanças e nessa relação agora relativizada se inicia a formulação da compreensão no que diz respeito à função social da propriedade. enquanto uma resposta à crise de moradia no pós-guerra. de constituir efetivamente uma política. justificando-se na peculiaridade da habitação enquanto uma mercadoria especial. Nesse momento. enquanto um princípio vinculado à ideia de igualdade social. regular. a ausência de ação coordenada para enfrentar de modo global o problema habitacional mostram que a intervenção dos governos do período foi pulverizada e atomizada. principalmente. de alguma maneira. antes absoluta. carência de recursos. Alguns autores apontam que a política de proteção do inquilinato era muito bem aceita pelos trabalhadores. A Lei do Inquilinato de 1942.a partir do momento em que suspendeu o direito absoluto de propriedade.. portanto. num contexto em que a propriedade urbana cumpre com a sua função social. Qualificação reforçada na Constituição de 1988.28 do Decreto-Lei do Inquilinato de 1942. “denotando” que o governo se preocupava com as condições de vida dos menos favorecidos. onde o interesse social ultrapassaria os mecanismos de mercado (BONDUKI. foi de grande repercussão tanto social quanto econômica . 1994: 720). a exemplo da criação da Fundação da Casa Popular. conforme ressalto em seguida por Bonduki (1994: 718): [. desarticulação com os outros órgãos que. quando se destina a satisfazer as necessidades de quem lhe faz uso. Realmente houve essa ruptura e o Estado passou a intervir. enquanto instância reguladora da relação entre proprietários e inquilinos. mas é fato que a criação da Fundação da Casa Popular como o primeiro órgão nacional destinado exclusivamente ao fomento de moradias para população de baixa renda. da criação das carteiras prediais dos institutos de Aposentadoria e Previdência Social (IAPs) e a criação da Fundação da Casa Popular. Percebe-se que a análise traz os fatos.

] Na presente análise. indispensável neste setor de atividade econômica para o desenvolvimento da concepção de habitação social. tem a obrigação de cumprir com o direito dos demais sujeitos. o contrário do que deveria orientar a política de uma habitação de interesse social e. ou seja. No contexto do sistema capitalista de produção nada é por acaso. p. de que por ser um membro da comunidade tem direitos e obrigações com relação aos demais membros.29 responsabilidade de uso de quem a detém. o que se pode verificar em Vivanco apud Tanajura (2000. Acredita-se que a resposta a tal questionamento justifique a regulação através da Lei do Inquilinato de 1942. E de fato a Lei do Inquilinato de 1942 trouxe uma mudança ideológica no que diz respeito ao Estado ser uma concorrência desleal à iniciativa privada. que consiste em não realizar ato algum que possa impedir ou obstaculizar o bem dos referidos sujeitos. acredita-se que a ideia tenha sido a do “o interesse social. 24): A função social é nada mais nada menos que o reconhecimento de todo titular de domínio. por se acreditar nos altos custos de um empreendimento habitacional. reforçada pela ausência de critérios sociais rigorosos para garantir o retorno dos investimentos. nesse sentido. 75% dos municípios brasileiros eram de inquilinos e. acompanha-se a reflexão de Bonduki (1994: 720) ao se arguir se se trataria de uma política econômica ou uma decisão útil para ampliação das bases de apoio ao governo. ultrapassar os mecanismos de mercado”. de maneira que se pode chegar a ser titular do domínio. 6) e essa é uma questão que não se pode negar. mas em se resgatando um dado do IBGE de 1940 tem-se que apenas 25% dos domicílios eram ocupados por seus proprietários. nesse sentido. p. mas há que se considerar a desarticulação governamental nos empreendimentos que se voltaram à questão habitacional. no contexto de um sistema capitalista. enquanto a inflação consumia os valores das locações e prestações e ocasionada pela preponderância de uma visão clientelista e paternalista.. mas concorda-se com Bonduki (1994: 725) que seja muito mais por questões de ordem econômica do que social. concorda-se .. da comunidade [. de forma que passa a interessar à indústria da construção civil a presença estatal. sua intervenção agora é indispensável e atuará para ocupar um espaço deixado e não para concorrer. ou seja. 1995. Há quem considere o papel do Estado no que concerne à articulação entre a relação trabalho e capital como definidor para a estruturação de novas relações produtivas (FERNANDES. mas essencialmente para retomar o aquecimento da questão habitacional em função da retração dos investidores para a construção de casas de aluguel.

Mas num contexto geral. 25º: “Todos têm o direito a um padrão de vida adequado para sua saúde e bem-estar e de sua família. com a diretriz de oferta habitacional que possibilite reduzir pela metade até 2015 o déficit de saneamento básico e até 2020. tendo seguido como modelo dos anos posteriores até 1990. o trabalho. a Emenda Constitucional 26 em seu art. que estabelece em seu art. por exemplo. enquanto talvez um freio aos encaminhamentos voltados à política habitacional ou a uma mudança de estratégia. bem como agravou a situação de migrantes e despejados que para conseguirem moradia digna com o salário que percebiam era altamente complicado. para os empreendimentos que se voltaram para a questão habitacional. Nos anos 90 tem-se a extinção do Banco Nacional de Habitação (BNH). De certa forma a intervenção Estatal contribuiu para o agravamento das condições habitacionais e urbanas e da moradia popular. através..30 com Bonduki (1994. o momento habitacional dos anos 40 foi de presença e ao mesmo tempo ausência estatal no sentido de que a desarticulação das ações. 1994: 726). Em 2000. na forma desta constituição”. sem contar com a intensificação das favelas e da casa própria autoconstruída ou autoempreendida em localidades periféricas e carentes de infraestrutura urbana.. a saúde. incluindo. 6º define: “São direitos sociais. mas que teve como participação do Estado meramente o acesso à propriedade em locais periféricos que não possuíam a infraestrutura necessária a habitações que atendessem em sua essência ao interesse efetivamente social. a educação. mas em 1992 há a ratificação em prol da moradia digna através da Declaração Universal dos Direitos Humanos. fez surgir novos tipos de empreendimentos imobiliários voltados ao capital privado e à elite dominante como a construção de prédios de escritórios. moradia”. que trouxe uma alternativa de habitação popular. No mesmo ano na Assembleia do Milênio em Nova Iorque foi ratificada a Declaração do Milênio das Nações Unidas que em seu Objetivo nº 11 define: “o combate paulatino às precárias condições de vida em assentamentos degradados”. da instituição do Decreto-Lei nº 58 de 1938. . apartamentos destinados a empresas e classes de renda elevada. a moradia. (. 10% das necessidades habitacionais. 726) quando o mesmo considera que tal intervenção. nesse contexto de desarticulação. reduziu e inviabilizou a capacidade de ação das instituições criadas (BONDUKI.). agora sob a responsabilidade do Estado e do trabalhador. tendo em vista que àquilo que era provido pela iniciativa privada.

encontra-se. o FNHIS e o CNHIS. ao qual estão subordinados o SNHIS. o Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social (FNHIS) e o Conselho Nacional de Habitação de Interesse Social (CNHIS). o que segundo Luiz Neves5 tratar-se-ia da função social da cidade6. conforme o Ministério das Cidades (MCidades). Luiz Neves é Diretor da SINAENCO Sindicato da Arquitetura e da Engenharia. estruturado da seguinte forma: Figura 1 . Palestra proferida por ocasião da Mesa Redonda sobre “A questão Habitacional no Brasil”.Organograma da Política Nacional de Habitação Fonte: MCidades/SNH. que veio tornar o direito à moradia mais viável para os milhões de moradores que viviam na ilegalidade. tem-se uma determinação constitucional através da Lei nº 10. O organograma da Política Nacional de Habitação (PNH). proteção ao patrimônio cultural e respeito a minorias. é aprovado pela Câmara de Deputados Emenda que institui o Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social (SNHIS). 2006. um movimento popular iniciado em 1992 com cerca de um milhão de assinaturas de representantes de movimentos populares dentre outras entidades vinculadas à luta urbanística. com ações voltadas a novas políticas de regularização fundiária. 6 A esse respeito ver dissertação de mestrado. p. em 29 de maio de 2009.257/2001. 46). 5 .31 Em 2001. Em 2004. conhecida como Estatuto da Cidade. dedicada a identificar e conceituar as funções sociais da cidade (BERNARDI. no âmbito do Seminário Permanente de Desenvolvimento. enquanto ações que se entende vêm fortalecer o fomento a uma ideologia de condições dignas de vida para todos. de Jorge Luiz Bernardi. do ano de 2006.

com grande reforço sendo dado pelo PMCMV.92 bilhões de investimento. Fundo de Amparo Residencial (FAR). Relatório Caixa Econômica Federal e ABECIP (dados até 31/12/2009). ao se analisar o foco nos segmentos de baixa renda com base no atendimento por faixa de renda: . os custos do investimento habitacional e a demanda demográfica existente. percebe-se claramente uma evolução considerável no que diz respeito ao realizado. com parte vindo de subsídios do FGTS e OGU e a outra maior parte dos recursos restantes anteriormente mencionados.92 bilhões de investimentos. dos quais 17. É de fato a partir de 2004 que podemos visualizar o início de uma efetiva inversão de prioridades em relação à questão habitacional voltada para as populações de baixa renda. Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) para um patamar de 69.Evolução dos investimentos em habitação Fonte: MCidades. os investimentos disponíveis. Gráfico 1 . identificar-se-á a partir de agora a mudança de política efetiva em relação às ações voltadas à questão habitacional desde 2003. Em termos de investimento.1 bilhões seriam do Programa Minha Casa Minha Vida (PMCMV). Ao se analisar a evolução dos investimentos em habitação. iniciado em 2009. no período de 2003 a 2009. Caixa Econômica Federal (CAIXA). iniciase num patamar de 7. com subsídios do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e Orçamento Geral da União (OGU) e em maior parte com recursos do FGTS.32 Verificado o seu histórico.

para a faixa de renda de até três salários mínimos. OGU e FAT. FDS. Fontes de recursos: FGTS. bem como do considerável aumento nos investimentos federais. Contudo. Em relação aos custos médios com habitação. a adesão ao SNHIS de 2006 a 2009 muda de feição e em 2011 passa a ser identificada com a necessidade de melhoria e efetivação. É ainda a partir de 2004. segundo o Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil . decorrência dos esforços do Estado na criação de condições institucionais que viabilizassem a nova política urbana e habitacional do Brasil. 27). a média para o Brasil . frente ao atendimento das exigências necessárias para a adesão.SINAPI. que o déficit habitacional começa a estacionar para em 2006 decair. conforme gráfico que se mostrará mais adiante. p. De acordo com a publicação “Avanços e Desafios . em articulação a políticas de habitação que envolvesse estados e municípios. chegando a 72% e se estabelecendo como o maior percentual de atendimento.Política Nacional de Habitação” (2010. de outubro de 2011. “esse movimento vem motivando o desenvolvimento institucional das administrações no setor habitacional”. Tinha-se em 2003 um percentual de participação de 26% que quase duplicou em 2004 e comparado a 2009 mais do que duplicou.33 Gráfico 2 .Foco nos seguimentos de baixa renda (percentual de atendimento por faixa de renda) Fonte: MCidades e Relatório Caixa Econômica Federal (dados até 31/12/2009). e na ocasião em que houve a publicação o percentual de entes federados que havia aderido ao Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social (SNHIS) pode-se dizer como relevante. FAR. conforme poderá se verificar mais à frente. mesmo com a disponibilidade de recursos.

2009. 2006 / CEDEPLAR. Elaboração: Consórcio Instituto Via Pública LabHab-FUPAM. conforme se pode observar na tabela abaixo: Áreas geográficas Custos médios R$/m2 BRASIL REGIÃO NORTE REGIÃO NORDESTE Rio Grande do Norte Pernambuco Alagoas Sergipe Bahia REGIÃO SUDESTE REGIÃO SUL REGIÃO CENTRO-OESTE 805.99 1. Demanda futura Especificação Necessidade de unidades novas Domicílios em assentamentos precários Domicílios com necessidade de complementação de infraestrutura Déficit acumulado 20072011 20122015 20152019 20202023 Total 2007-2023 Necessidades totais 7.41 704. Isto representa um déficit total de 21%.15 0.11 Números índices Jun/94-100 403. à frente apenas do Rio Grande do Norte.22 407.01 801.67 818.08 759.9%.76 5. Numa projeção feita pelo PlanHab no período de 2007/2011 o déficit de novas unidades habitacionais era de quase 8%.97 387.52 No ano 5.19 355.01 405.11 0. Nota: estes resultados são calculados mensalmente pelo IBGE através de convênio com a CAIXA.33 4.06 5.Custos médios com habitação Fonte: IBGE. Pernambuco.76 807.11 12 meses 6.17 0.73 727.26 9.52 410.22 0.20 5. Coordenação de Índices de Preços.26 0.89 5.72 7.42 412.92 730.90 3. .26% de domicílios em assentamentos precários e 9.13 5.90 Tabela 2 .99 5.83 8.98 34. tem-se segundo publicação do Plano Nacional de Habitação (PlanHab) que em 2006 havia um déficit acumulado de novas unidades na ordem de 7.73 5.99 1.13 5.87 5.86 7. Numa síntese do cenário das necessidades habitacionais totais.65 4.70 7.27 0.00 .83% de necessidade de complementação de infraestrutura. somados aos 3. entre os três menores custos médios por metro quadrado da Região.96 0. para o período compreendido entre 2007-2023.54 774.62 Tabela 1 .26 0.07 4.11 388.67 (oitocentos e cinco reais e sessenta e sete centavos) e sem muita surpresa é na Região Sudeste que se identifica o maior custo habitacional por metro quadro com R$ 842.Demanda futura por habitação Fonte: PlanHab.72 1.20 388.90 842. Logos Engenharia a partir de dados da Fundação João Pinheiro.94 383.83 2.19 26.24 6.26 766.10 0.38 1.e a Região Nordeste com o menor custo por metro quadrado e. Diretoria de Pesquisas.08 6.18 6.05 Variações percentuais Mensal 0.24 7.34 seria de R$ 805.70 402.

791 6.859. Observa-se que o quantitativo indicado é sempre crescente.396.000 Tabela 4 .708 Estados 5. portanto.072 Tabela 3 .645 27. no mesmo período da projeção anterior: Período (PPA) 2008/2011 2012/2015 2016/2019 2020/2023 TOTAL (2008-2023) OGU 19.478. com qualidade. (Moradia Digna) também em parceria entre os entes federados.417 Estados 6. Para isso acontecer.236.620. conforme segue abaixo (em R$ mil .302.249.227.906.295.678 36.690 Municípios 4.981. 2009.249.731. .398 43.674 Total de recursos públicos 26.486 105. diferentemente do modelo que existia nos anos de 1930. Existem outras projeções de recursos para dar conta da demanda. faz-se necessário que os entes federados cumpram a sua parte encaminhando nos prazos devidos os projetos que assegurarão os recursos existentes. Elaboração: Consórcio Instituto Via Pública LabHab-FUPAM.831.356 252. restando ao governo.705 22.945 174.Projeção orçamentária considerando o avanço de recursos do PAC Fonte: PlanHab.822.935. resumo). Logos Engenharia.833.715.534.536 11.294.043 71.266.115 44.694 32.000 28.411 6. Mas que fique entendido como executar o planejado. Vê-se.303 77.400.451 8.144.733.582.526 12.valores de dez 2007): Período (PPA) 2008/2011 2012/2015 2016/2019 2020/2023 Total (2008-2023) OGU 16.182 7.662 Municípios 5.000 19.287. fazê-lo com critérios que atendam de forma efetiva a quem será beneficiado.466. 2009.208 25. Logos Engenharia.716 31.853.977.400. órgãos financiadores.370 7. que existe um interesse do governo no atendimento da demanda habitacional no país para a população de baixa renda. pois segundo Saúgo (2010.985.717 45. Dando continuidade à análise de atendimento da demanda anteriormente indicada existe outra previsão de orçamento da Proposta de Emenda Constitucional .305 5.PEC.35 Para atender tal demanda já existe previsão de orçamento pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em parceria com Estados e Municípios. para o período de 2008 a 2023.278 138.514.348.023.453.330.647 17.348 8.772 9. Elaboração: Consórcio Instituto Via Pública LabHab-FUPAM.664.666.425 85. fomentadores e sociedade em geral fazerem acontecer executando o planejado.507. Hoje existe diagnóstico e um plano de ação de ordem macro.127.577 26.Projeção orçamentária adotando-se o percentual da PEC Fonte: PlanHab.343 7.921 Total de recursos públicos 31.169 49.

. Apesar da existência de parâmetros construtivos mais flexíveis. 43).Introdução de componentes DIY . Mercado Tecnologias de construção Quadro 1 . há que se considerarem peculiaridades relacionadas ao espaço.sustentáveis. . necessidades.PNHIS leva em consideração as necessidades dos usuários e esse é um critério importante de ser observado para que se possa ter na realidade brasileira. .flexíveis. Entretanto. p.36 A sustentabilidade social em habitações trata da satisfação das exigências do bemestar do usuário a partir da consideração de fatores que abrangem a promoção da saúde humana. Requisitos dos produtos dos edifícios: . Este é um fato possível.ANTAC indicam tendências de mudanças no macro-complexo da construção tanto em relação ao mercado quanto em relação às tecnologias de construção (LARCHER. A flexibilidade proposta está voltada para o aumento ou reforma de área construída pelo beneficiado. . o atendimento das necessidades e aspirações bem como as características sociais e culturais dos indivíduos. A Política Nacional de Habitação de Interesse Social . hábitos de vida e valores que os fazem construir uma identidade com o local de moraria em condições criadas por eles. como a possibilidade de adaptar o padrão da habitação aos moldes do usuário e pelo próprio usuário. entendemos que a flexibilidade pode ser vista por outro prisma. com um histórico de tanta superação.Do It Yourself (“faça você mesmo”). tanto os usuários da habitação quanto as pessoas envolvidas indiretamente. com base em dados da ANTAC (2002). não se observa uma relação estreita de tais tendências com o real atendimento das necessidades dos que são beneficiados.Produtos com a lógica de subsistemas. Então. .Componentes pré-fabricados e padronizados. Complementando a ideia da autora.Tendências de mudanças no macro-complexo construção Fonte: Larcher (2005). . segundo uma lógica de industrialização aberta.de baixo custo de operação e manutenção. por que gastar os recursos de qualquer forma ou sem critérios que atendam as necessidades do público em questão. Dados da Associação Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído . 2005.individualizados (ou customizados). uma vez que já existem programas de habitação popular como o ‘Favela-bairro’ do Rio de Janeiro que recria o espaço nos moldes de vida da comunidade. como os moradores do entorno. conforme se pode observar no quadro abaixo. intervenções com qualidade arquitetônica a favor da dignidade de quem será beneficiado. .

mas também satisfaçam as necessidades de subsistência. há estudos que tratam da antropometria abordando a relação do corpo humano com o espaço habitacional e tudo o que o compõe. de forma que as características antropométricas devem balizar o projeto arquitetônico. já que o seu desempenho depende do equacionamento das condições de construção. posição e renda social: Cabe à arquitetura. culturais.37 Conforme ressalta Pina (apud Moreira. equipamentos comunitários. Palermo (2009. meio físico. p. No Brasil a relação do metro quadrado por pessoa para a habitação mínima é em torno de 10m2. embora exista uma indicação de 12m2 por pessoa. uma vez que países como Portugal e Espanha tem uma relação equivalente a nossa. . serviços de infraestrutura e urbanos. 4) é necessário que tais programas governamentais ultrapassem o conceito de abrigo. 45) mostra a necessidade desses estudos prévios como garantia da suficiência. o propósito de garantir que o espaço da moradia desenvolva-se em circunstâncias ideais. 2010. podendo resultar na viabilidade ou inviabilidade dimensional do espaço. legislação. Na atualidade. o que não está fora de padrões internacionais. Reiterando essa ideia. da segurança e do conforto ao usuário do espaço. aspectos socioeconômicos. indo além de proporcionar segurança física.

concentração de renda. bem como os seus resultados e o que trouxeram para a política habitacional brasileira. 2011. a concentração de renda com um agravamento da exclusão social e territorial. numa perspectiva de perceber tais programas. p.38 3 POLÍTICAS URBANAS E REGIONAIS NO BRASIL: DISCUSSÕES RECENTES O presente capítulo traz uma análise das reflexões de um estudo recente sobre Políticas Urbanas e Regionais no Brasil. tem-se que a desigualdade não se originou no que se conhece como as décadas perdidas. Numa análise mais aprofundada da questão.Habitação e Desenvolvimento Urbano do estudo. publicado em formato de e-livro. um crescimento urbano acelerado. que se deu todo um formato a uma sociedade. crise econômica e comprometimento ambiental. Resultado de um Ciclo de Conferências organizado na forma de Simpósio na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UnB. da área de origem dos moradores reassentados da presente pesquisa. o nosso foco de análise para esse estudo se deteve à abordagem relacionada aos Programas Nacionais de Habitação.Política Nacional de Habitação: programas e resultados. . inclusive. por vezes atingindo áreas de proteção ambiental. contexto. Nesse sentido. CHAVES. conforme as autoras ressaltam. e nesse contexto inclui-se a questão do adensamento urbano. Nos anos 80 e 90 a recessão econômica aprofunda a desigualdade. que se tem no estudo. 92). aumentando de forma considerável o processo de favelização em grandes cidades brasileiras. atrelado a uma desvalorização da moeda e redução do Estado. exclusão social e territorial. como resultado. desenvolvida por Alessandra d’Ávila Vieira e Mirna Quinderé Belmiro Chaves no Capítulo IV . adensamento urbano. vale considerar o histórico que nos trouxe ao contexto atual que continua chamando aos governos a responsabilidade de pensar sobre a política habitacional sob o referencial de uma prioridade invertida. da Parte B . a questão humana ao invés da econômica. embalada com as determinações neoliberais e. O estudo traz que a partir da década de 70 tem-se a reestruturação produtiva em nível mundial. tendo havido na verdade “um aprofundamento de um quadro histórico de cinco séculos de formação da sociedade brasileira” (MARICATO apud VIEIRA. E é nesse contexto de priorização ao econômico.

que constituíam em 2011 78. tendo nas formas de financiamento ao acesso à terra urbana a consolidação desse processo de reestruturação urbana que exclui consideráveis camadas sociais dos mercados de consumo. Entre 1986 (extinção do BNH) e a criação do MCidades em 2003 a área governamental responsável pela gestão da política urbana e habitacional esteve subordinada a sete ministérios ou estruturas administrativas diversas. tamanho.39 consequências da “produção em massa de habitações subnormais7 nos países em desenvolvimento. cercada de poluição. numa situação de promoção de uma estrutura segregada social e espacialmente.92).].1986) foram construídas 25% das novas moradias construídas no país. de ligação às redes de esgoto e de energia elétrica. p. fortalecido pelo caráter excludente e restritivo das relações fordistas de assalariamento na América Latina. pontuam as autoras. excrementos e deterioração [. estrutura etc. salubridade e não permite a seus moradores o atendimento de atividades como membros de grupos primários. A definição a ser considerada para a habitação subnormal na presente pesquisa será a do Comitê de Higiene e Habitação da Associação Americana de Saúde apresentada por Diogo (2004.28) que define a unidade habitacional subnormal como “[. conforme Vieira e Chaves (2011) ressaltam. boa parte do mundo urbano do século XXI instala-se na miséria. caracterizando para o estudo uma descontinuidade.. p. percentual indicado como insuficiente para o atendimento das necessidades que a urbanização brasileira trazia.. número e disposição dos cômodos. O cidadão era excluído desse mercado ou porque trabalhava e o que ganhava não se enquadrava no perfil monetário estabelecido ou porque não trabalhava e tal situação levou a sociedade ao contexto de ter que administrar “um movimento sintomático de ocupação de terras urbanas”.) quanto à carência e localização de sanitários. num aumento extremamente significativo. Essas condições se referem tanto aos aspectos da construção (dimensionamento. CHAVES. durabilidade.” 7 . de um resultado cruel do processo de exclusão do direito ao espaço e à habitação que se desenvolveu não apenas no Brasil. gerando um processo de ocupação espontânea que fez a população urbana em cidades com mais de 20 mil habitantes crescer entre 1950 e 2000 de 11 milhões para 125 milhões. de forma que “em vez das cidades de luz arrojando-se aos céus. o qual conduziu à constituição de um mercado em que uma parcela significativa da população se viu excluída desse mercado de bens duráveis. material..” Trata-se na verdade.2% do estoque habitacional urbano” de tais habitações (DAVIS apud VIEIRA. 2011. O estudo ainda traz que no período de funcionamento do BNH (1964 . ausência de água encanada. mas em toda a América Latina..] aquela que não oferece as condições mínimas de segurança.

ConCidades em 2004. Frente a esse cenário de políticas urbanas e regionais na realidade brasileira. assim. cooperativas. cabendo ao ConCidades à função de acompanhamento. concorda-se com as autoras quando se considera a criação do MCidades como um marco político-institucional a partir do momento em que tal instrumento orientou os caminhos a serem seguidos e como agir por tais caminhos. através do MCidades.40 resultando num comprometimento do potencial de planejamento e gestão estratégica que possibilitariam um enfrentamento da problemática com coerência de ideias. prevendo. com uma função deliberativa e participativa e a responsabilidade de aprovação dos programas que serão desenvolvidos com recursos do Fundo. caberia detalhar princípios e regras que norteariam as iniciativas públicas relacionadas ao direito à habitação. estruturando uma rede de articulações entre todos os níveis de governo. Segundo o estudo. A reestruturação legal e institucional da política de desenvolvimento urbano do Brasil. cabendo ao Sistema Nacional de Habitação de Mercado (SNHM) movimentações da área habitacional junto ao setor privado e ao Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social (SNHIS). instituído pela Lei Federal nº 11. avaliação e implementação do SNH e seus instrumentos. representada pelo MCidades. o que só legitimou a necessidade de tal demanda. a mesma se dá através de sistemas distintos e com um gerenciamento de tais fontes diferenciado. visando enfrentar um déficit habitacional tanto qualitativo quanto quantitativo. o SNH tem a sua estrutura institucional composta por uma instância central com a função de planejamento.124/2005. a organização de um Sistema Nacional de Habitação (SNH) enquanto àquela instância que atuará nos esforços de fazer todos os níveis envolvidos no processo trabalharem de forma integrada. coordenação. . além de identificar e atender as demandas referentes ao crescimento da população. vindo indicar medidas políticas. de mercado. de 16 de junho de 2005. No que diz respeito à operação das fontes de recursos do Sistema. associações e movimentos sociais. Além do SNHIS a legislação também cria o Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social (FNHIS) e o Conselho Gestor do Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social (CGFNHIS). em médio prazo. objetivos e metas. passa pela aprovação da PNH através do Conselho das Cidades . gestão e controle. legais e administrativas com o objetivo de efetivação do direito à moradia.

IPEA. o qual deverá ter similaridade de estrutura com o modelo nacional. através da constituição de um Fundo Local de Habitação de Interesse Social (FLHIS) e da criação de um Conselho Gestor de tal Fundo. estando nas regiões Sudeste e Nordeste a maior concentração em valores absolutos. a implementação. 06) e equipes de consultoria tecnicamente preparadas. Revista Brasileira de Habitação.5 milhão em áreas rurais. no caso os estados e municípios. dado o volume de recursos que envolvem o setor. 20).9 e 2. tais dificuldades se dariam em função das “décadas de falta de recursos para o setor habitacional. a gestão. além da elaboração de um Plano Local Habitacional de Interesse Social (PLHIS). atualmente apresentando um déficit habitacional de 7. de forma que o mesmo se estrutura em instâncias que irão se integrar. Atualmente o Conselho Gestor do FNHIS tem como prorrogado o prazo para que os estados e municípios com mais de 50 mil habitantes concluam os seus planos habitacionais até 31 de dezembro de 2012. o controle. a avaliação. Revista Brasileira de Habitação. numa tentativa de evitar o inflacionamento do mercado de terras e construção de moradias inadequadamente que poderiam comprometer o desenvolvimento urbano. conforme ressaltam as autoras. 2011 p. as dificuldades para o cumprimento do prazo inicial. que seria o final de 2011. 2011. p. fazendo com que o planejamento. das quais 6. é necessária que seja realizada uma adesão voluntária pelos entes subnacionais. 06). O Sistema preconiza o planejamento. a coordenação. ressaltando ainda que em se tratando da questão habitacional. mas recursos encontram-se disponíveis desde a criação do MCidades e segundo tal instância de 2002 a 2009 houve um crescimento de 785% no setor habitacional. já se estruturaram durante esse período e passaram a existir. a deliberação. Segundo representantes de 23 estados e do MCidades na reunião nacional sobre a temática em agosto de 2011. bem como ao fato de o mercado possuir poucas empresas de consultoria tecnicamente preparadas”. a participação e a aprovação . o qual passou de R$ 7 bilhões para R$ 62 bilhões (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada . com um déficit de 2. a compatibilização de políticas.41 E para participar do SNHIS. p. respectivamente (MCidades.9 milhões de moradias. estaria relacionada à “ausência de uma cultura de planejamento público no Brasil”. O essencial na presente análise é uma observância dos dados existentes com um real comprometimento no que concerne à finalidade humana que o setor tem. Concorda-se com o fato da questão cultural de planejamento público no Brasil.7 milhões. conforme publicação da Revista Brasileira de Habitação (2011.4 milhões em áreas urbanas e 1.

tem-se o movimento da ordem de bilhões em investimentos. acredita-se. . com base em Vieira e Chaves (2011).Controle .Avaliação .Gestão Acompanhamento .42 serão o resultado de uma estrutura de planejamento estratégico sobre a qual se terá a consecução de objetivos e metas plenamente definidos: Planejamento .Coordenação . ainda tem-se o Plano Nacional de Habitação PLANHAB (previsto na Lei 11. direcionando recursos e apresentando estratégias para os eixos estruturadores da PNH.124/05) elaborado entre agosto de 2007 e dezembro de 2008 num processo coletivo que envolveu diversos segmentos do setor habitacional. legais e administrativas Integração do trabalho entre as instâncias Interesse privado Interesse público Deliberação e participação Aprovação dos programas Figura 2 .Implementação Efetivação do direito à moradia através do indicativo de medidas políticas. Além de toda a infraestrutura existente. privados e sociais e buscando a ampliação das fontes de recursos. de uma vontade política no sentido de priorizar e com isso incluir-se nas exigências de inserção no Fundo que desde 2007 com o PAC.Infraestrutura institucional da questão habitacional no Brasil Elaboração: o próprio autor. enquanto componente de um processo de planejamento de longo prazo. reforçando assim a capacidade institucional dos agentes públicos. articulando-se com os mecanismos de planejamento e orçamento. tendo como objetivo equacionar as necessidades habitacionais do Brasil. desde 2010 com o PCM e desde sempre com o PREZEIS. Com previsão de revisões periódicas. através de uma política de subsídios. 92-103. p. o PLANHAB vem orientar o planejamento das ações no setor habitacional até 2020. Tratar-se-ia na verdade. 2012. desde 2009 com o PMCMV. com o objetivo de universalização do acesso à moradia digna para a população de baixa renda.

nas ocasiões em que houver a necessidade de promoção do desadensamento implicando no remanejamento de quem será reassentado. e (d) Incentivos à adoção de mecanismos de política territorial e fundiária para a ampliação de áreas para a habitação de interesse social. a deficiência da infraestrutura.43 Nesse sentido. água. atrelada à precariedade construtiva das habitações. é a reconstrução da unidade habitacional encontrar-se no mesmo perímetro da área que está sendo urbanizada. sistema de transporte insuficiente. sem contar com a adequação do sistema viário e do parcelamento da área. O ideal. insuficiência de serviços públicos básicos como saneamento. a qualidade ambiental do meio e a inserção e integração com a cidade através da disponibilidade de infraestrutura urbana e de acessibilidade ao mercado de trabalho e aos equipamentos públicos” (VIEIRA. iluminação pública. deslizamentos ou outros riscos. altos níveis de densidade dos assentamentos e das edificações. (c) Propostas e mecanismos de fomento para a cadeia produtiva da construção civil. 97). enquanto . distância entre moradia e trabalho. 2011. Tais ações visam envolver as instâncias do setor habitacional no sentido de busca da efetividade da dignidade no contexto da moradia digna. contemplando rede elétrica. A recomendação é de que os projetos habitacionais devem prever a implantação de infraestrutura básica. Ao realizarem a abordarem dos aspectos de precariedade da moradia. (b) Organização institucional e ampliação dos agentes do SNHIS. oneroso e com nível considerável de desconforto e insegurança. coleta de lixo adequada. construção de equipamentos públicos. CHAVES. contenção e estabilização do solo. que no presente estudo compreende “além da edificação propriamente dita. ocupação de áreas passíveis de alagamentos. esgotamento sanitário. educação e saúde. dentre as ações propostas pelo Plano elencadas pelo estudo tem-se: (a) Modelagem de subsídios e alavancagem de financiamentos para população de baixa renda. as autoras caracterizam a questão da irregularidade fundiária e urbana. p. somando-se a tudo isso situações de extrema vulnerabilidade relacionadas ao domínio da violência. drenagem pluvial.

O setor habitacional tem passado por verdadeira revolução sob o aspecto dos investimentos. lazer. O reflexo desses investimentos é verificado na tendência de redução do déficit habitacional que segundo a Fundação João Pinheiro em 1991 abrangia mais de 15% e em 2011 estaria em cerca de 10%: .6 bilhões em intervenções em favelas com recursos do PAC em 2011. identificável. identificando ou refutando. A transparência nesse processo é na presente análise um elemento percebido como fundamental para a sustentabilidade da proposta habitacional. através de um resultado que refletirá a escrita de sua própria história. educação. sejam elas relacionadas à saúde. mensurável. comércio local. acessível. através de regras acessíveis a todos os envolvidos. E é ao trabalho social que cabe tal transparência.44 uma postura de respeito aos laços de vizinhança e de trabalho. visando minimizar ao máximo os impactos. mas fazendo-se valer da inserção em um processo em construção. considerando que participar indica perceber-se no contexto. aceitando ou discordando. municipais e o Distrito Federal terem que reorganizar o seu setor habitacional para abarcar o novo contexto. a exemplo do PAC. bem como nos R$ 21. esse contato direto com os beneficiários. Uma ressalva do estudo com a qual se concorda é sobre a participação no processo de elaboração e aprovação da proposta por parte de quem será beneficiado. segurança. que trouxe a necessidade de os governos estaduais. percebendo-os em seu direito a uma habitação digna e equipada com todos os elementos necessários ao atendimento de necessidades. o que pode ser observado no fato de que em 2004 apenas 42% dos municípios brasileiros possuíam órgão específico para tratar da questão habitacional e em 2008 esse percentual sobe para 70% dos municípios. convivência comunitária e todas aquelas que se colocam como fundamentais à sustentabilidade do empreendimento.

através de repasse do OGU a entidades sem fins lucrativos vinculadas ao setor.45 Gráfico 3 . além do barateamento dos seguros Morte e Invalidez Permanente (MIP) e Danos Físicos do Imóvel (DFI).Pró-Moradia. p. 2011. atuou com investimentos no setor habitacional por meio do FNHIS no contexto do PAC. segundo o estudo é através do PMCMV que o financiamento no setor habitacional vem fazer-se presente. No setor privado. 105).Tendência de redução do déficit habitacional brasileiro Fonte: SNH / MCidades. frente ao agravamento da crise imobiliária dos EUA iniciada em 2008. a solução dos gargalos referentes à oferta para tal população estaria na criação do Fundo Garantidor mencionado. O atendimento às famílias de baixa renda se deu através de melhores taxas de juros para financiamentos habitacionais. que teria como função cobrir as prestações em até 36 meses com o intuito de as famílias não perderem o emprego ou passarem por perda de renda. gerando movimentação considerável no setor da construção civil e infraestrutura do país. No setor público. prevendo investimentos da ordem de R$ 34 bilhões e a meta de construção de um milhão de moradias. p. 8 . a redução dos O Programa Produção Social da Moradia . Segundo Vieira e Chaves (2011. o financiamento que se dá através de estados. 104. com recursos do FNHIS. Pró-Moradia8 e a partir de 2007 essas ações no setor passaram a integrar a carteira de investimentos do PAC Habitação. FGTS. Distrito Federal e Municípios é direcionado no setor habitacional à população de baixa renda de até três salários mínimos. e-livro Políticas Urbanas e Regionais do Brasil.FGHAB. estruturando-se para isso a criação de um Fundo Garantidor de Habitação .

além de incentivos fiscais para a produção de imóveis para a baixa renda. através do FGTS. os investimentos na área habitacional vêm se efetivando também através de Programas como o Crédito Solidário. e-livro Políticas Urbanas e Regionais do Brasil.Financiamentos FGTS (R$ bilhões) Fonte: 10º Balanço PAC. FAR e FDS até 2011 mais de 831 mil famílias em todo Brasil. beneficia-se com recursos do FGTS. p. tendo havido no contexto do Sistema Financeiro da Habitação (SFH). especificamente para a habitação de interesse social. Segundo o estudo.o equivalente a 54 mil unidades para R$ 34 bilhões . introduzindo a concessão de subsídios para o financiamento a pessoas físicas com renda familiar mensal bruta de até cinco salários mínimos. * Evolução dos financiamentos . passando de R$ 3 bilhões em 2004 . um aumento considerável tanto em contratações quanto no volume financeiro investido. expandindo-se em 2004 através da Resolução nº 460 do Conselho Curador do FGTS. é no período de 2007 a 2009 que se identifica uma superação das metas inicialmente previstas no PAC em 99%. com renda abaixo de três salários mínimos.FAR/FGTS/subsídios/FDS * Não inclui contrapartidas nem contratações do Programa Minha Casa Minha Vida Nesse sentido. 108.46 prazos e custas cartoriais.o equivalente a 303 mil unidades em 2009: . através do SBPE. que aportou investimento da ordem de R$ 362 milhões com recursos do Fundo de Desenvolvimento Social (FDS). proposta pelo MCidades e depois através das Resoluções nº 518 e 520 de 2006. que a partir de 2003 passou a priorizar o atendimento das famílias de baixa renda. Expandindo-se do setor público e privado. para créditos concedidos a pessoas físicas: Gráfico 4 . Os investimentos no setor habitacional também atingem a produção habitacional via mercado. 2011.

produtividade e segurança. 111). por exemplo. p. abrangendo as fases de sensibilização e adesão. O programa de assistência técnica. desenvolver-se institucionalmente com qualidade implica necessariamente em inserir-se no processo e colocar-se nesse contexto é comprometer-se com a elaboração dos planos locais de habitação. programa setorial e acordo setorial da cadeia produtiva com o setor público. 2011. Tem-se. incutir uma cultura municipal de serviços técnicos. E frente a tantas possibilidades de investimento. e-livro Políticas Urbanas e Regionais do Brasil. A partir de 2009. a adesão ao Programa seria voluntária com um desenvolvimento de nível nacional. através de processos de autogestão. conforme é ressaltado Vieira e Chaves (2011. numa tentativa de além de ofertar o serviço. com o investimento relacionado à assistência técnica. agentes financeiros e sociedade civil. ainda. o Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP-H). até mesmo como forma de obtenção de novos recursos no âmbito do SNHIS. sem qualquer suporte técnico que leve tal empreendimento a padrões mínimos de qualidade. existente desde 2008 com a finalidade de organizar o setor tanto no que concerne à qualidade do habitat quanto à modernização produtiva. . p. E para isso. tendo sido criado com o objetivo de reduzir o percentual de habitações construídas sem qualquer aporte técnico. esse programa passou a trabalhar nas modalidades de elaboração de projetos para produção habitacional e urbanização de assentamentos precários. 109. destina-se ao atendimento de elevada parcela da produção de habitações que acontece no mercado informal.Contratações do SBPE (R$ bilhões) Fonte: 10º Balanço PAC. no contexto da cadeia produtiva do setor da construção civil.47 Gráfico 5 .

questionável. chegando à área da pesquisa tecnológica com as chamadas públicas de estudos e projetos da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) a R$ 15 milhões. a princípio. mas segundo Vieira e Chaves (2011. Sistema de Avaliação Técnica de Serviços e Obras . estruturado com base na implementação de um conjunto de sistemas9. mas principalmente qualitativa. tem havido diversas campanhas de adesão enquanto parte de uma ação nacional de mobilização.Posição sobre as adesões ao SNHIS Fonte: Relatório de Gestão 2009 do SNHIS. com ênfase na inovação tecnológica e implementação do Sistema Nacional de Avaliações Técnicas (SINAT) e na sustentabilidade. Desde que foi criado o SNHIS.SiMaC. em sua maioria. ao se refletir sobre todas as evidências relacionadas às oportunidades do setor da construção civil para a habitação de interesse social. Componentes e Sistemas Construtivos . 112. com espaços de morar que atendam às expectativas e necessidades dos seus moradores. Trata-se de uma questão que precisa ser observada com um cuidado maior para sua efetividade. São várias as frentes de investimento. a consolidação do PBQP-H tem a finalidade de fortalecimento do mercado nacional. 9 .SiAC e Sistema de Qualificação de Materiais. p. e-livro Políticas Urbanas e Regionais do Brasil. O cerne das considerações finais está centrado na precariedade da moradia popular. 2011. apenas na área habitacional. p.48 Ressaltam ainda as autoras que. 112) os estados e municípios. não apenas financeira com a construção de moradias. ainda não cumpriram de forma plena condições previstas em lei para a estruturação institucional do sistema: Gráfico 6 . enquanto um considerável incentivo à capacidade criativa dos profissionais que podem estar envolvidos com a demanda habitacional no Brasil.

respeitado o fator necessidade e as realidades orçamentária e cultural de cada região brasileira. A pontuação conclusiva da presente abordagem coloca que com a continuidade dessa disponibilidade financeira10. a fragilidade da maioria das administrações municipais é o obstáculo principal para a implementação efetiva do Sistema. apesar da disponibilidade de recursos. A perspectiva para a continuidade de investimentos encontra-se na tramitação de proposta de emenda constitucional que em 2011 visava destinar 2% do orçamento da União e de 1% do orçamento de estados e municípios para a habitação de interesse social no Brasil. 10 . visando mesmo uma efetividade das adesões para a realização dos recursos disponíveis. além de somar-se a dificuldade de definição de diretrizes nacionais. mesmo com o diagnóstico do Relatório de Gestão 2009 do SNHIS. Contudo. com um olhar humanizado para os empreendimentos e preferencialmente contextualizado no âmbito de diretrizes nacionais. rumo a uma consolidação do SNHIS no Brasil. de forma especial o público. torna-se mister um comprometimento real de estados e municípios no cumprimento de prazos e metas estabelecidas pelo CGFNHIS para o atendimento das exigências previstas na lei que regula o SNHIS. o setor habitacional e. uma contradição e ao mesmo tempo objeto de tensão política frente às esferas estadual e nacional. vai se refazendo e se reorganizando. legislação e gestão do uso e ocupação do solo ser municipal.49 Apesar de constitucionalmente a competência sobre o ordenamento.

no contexto da habitação de interesse social. conforme gráfico que segue abaixo: Gráfico 7 . a partir do qual se calculou a média do metro quadrado construído por região.O metro quadrado por Região considerando o recurso predominante Fonte: Revista Brasileira da Habitação.84 m2). Federal e Iniciativa privada). aonde se confirma a concentração de recursos com o maior custo habitacional por metro quadrado na Região Sudeste. . o metro quadrado construído possui maior consideração e. consequentemente.50 3. Numa análise geral do que o gráfico indica. considerando a origem de recurso como apenas Federal ou todos (Municipal. Estadual. Com base nos dados publicados em 2009 e 2011. a relação diferenciada do metro quadrado construído para cada região brasileira. a necessidade de maior investimento. situação já identificada anteriormente nos custos médios com habitação apresentados pelo SINAPI de 2011. 2012. A ORIGEM DE RECURSO E SUA INFLUÊNCIA NO METRO QUADRADO CONSTRUÍDO O acesso a várias matérias sobre empreendimentos construtivos. elaborou-se o Apêndice F do presente trabalho de pesquisa. Elaboração: o próprio autor. com recursos do Governo Federal.1. percebe-se que nas regiões Sul (44. em andamento e já concluídos aqui no Brasil. 2009/2011. da Revista Brasileira da Habitação dos anos de 2009 e 2011.75 m2) e Sudeste (41. em detrimento da origem de recurso que em primeira instância determinou a possibilidade de um maior investimento e consequentemente a construção de apartamentos e/ou casas maiores nos fez chegar até aqui.

foram determinantes para o metro quadrado construído e consequentemente para o total investido a origem do recurso e a região geográfica. estes últimos identificados apenas na Região Centro-Oeste com a construção de 1. maiores serão as possibilidades de negociação de um custo menor que poderá refletir na possibilidade de construção de habitações com maior qualidade.12 m2. em seu art.51 Nas Regiões Nordeste. a Região Nordeste decai para o patamar de 38.Campo Grande/MS.Curitiba/PR. haja vista que quanto maior for o número de habitações contratadas. que não necessariamente precisam de tal incentivo para investir mais. para a construção de 100 mil moradias pelo Programa Morar Bem Paraná . com recursos do Governo Estadual e da CAIXA. que o total contratado de habitações interfere nos custos. sem distinção e sem que haja a necessidade da dependência da origem de recursos. um direito a ser efetivado e um dever a ser cumprido e já previsto na Declaração Universal de Direitos Humanos e na nossa própria Constituição. que classificou a moradia como um direito social. mas essa não é a questão primordial da presente análise.1m2. constou entre as regiões com o perfil de metro quadrado construído entre 40 e 45 m2 quando a origem de recurso federal esteve presente. As regiões são diferentes e necessitam de um atendimento que esteja de acordo com a sua peculiaridade regional. cultural. Sabe-se. ao lado das Regiões Sul e Sudeste.25 m2 e 33. 6º. identitária dos indivíduos que em dado contexto são beneficiados na área habitacional. em Chapadão do Sul .16 do metro quadrado construído. Centro-Oeste e Norte. A Região Nordeste.406 unidades habitacionais para o Residencial Boa Vista. por exemplo. com recursos advindos tanto da esfera federal quanto estadual. do status ou das condições orçamentárias da região. 34. . pois se trata de um projeto de Estado. municipal e da iniciativa privada. têm-se a totalização média de 41. por exemplo. mas essa é uma questão que precisa acontecer para todas as regiões brasileiras. respectivamente. como pode ser observado no Apêndice F a posição da Região Sul com o maior metro quadrado construído dentre todas as regiões. apenas com recursos do Governo Estadual. Numa análise detalhada das informações levantadas. tornando evidente uma diferenciação regional já combatida por Celso Furtado11. 11 A esse respeito ver Celso Furtado em A Formação Econômica do Brasil (2005). Sem o incentivo federal.

recife. De acordo com estudos e pesquisas da Prefeitura do Recife. Urbanismo e Meio Ambiente.pe. Figura 3 .1. a oeste com o município de . 2012. a região limita-se ao norte com a RPA 02 e com os municípios de Olinda e Paulista.1 Localização e acesso O bairro de Monteiro é pertencente à terceira região político-administrativa da cidade do Recife (RPA 03). RPA 03 Fonte: Prefeitura do Recife. através da Diretoria Geral de Urbanismo da Secretaria de Planejamento. Acesso em 10 jun.gov. 2012.br/pr/secplanejamento/inforec/mapasRPA3. Disponível em: < http://www.php>.1 CARACTERIZAÇÃO DO BAIRRO 4.Região Noroeste.52 4 O BAIRRO DE MONTEIRO EM RECIFE/PE 4.

Aflitos 05 .Santana 09 .Sítio dos Pintos 22 .38% da área da cidade e ocupada por 312. Perfil Sócio-Econômico da RPA 3.Brejo do Beberibe 26 .Guabiraba 29 .53 Camaragibe e ao sul/sudoeste com o rio Capibaribe e RPA 04.Dois Irmãos 23 .Mangabeira 15 . representando 35.Espinheiro 04 .000 domicílios.Jaqueira 06 .Brejo da Guabiraba 27 .Casa Amarela 14 . 2002.Passarinho 28 .Tamarineira 07.Morro da Conceição 17 .Vasco da Gama 19 .Derby 02 .981 habitantes.Macaxeira 20 .731ha.Casa Forte 10 . dentre eles Monteiro. O bairro de Monteiro faz limite com os bairros de Apipucos.Monteiro 12 .Alto José Bonifácio 18 . Alto do Mandu e Casa Amarela. A RPA 03 é a mais extensa do Recife com 7.Poço 11 .Localização do bairro de Monteiro na RPA 03 Fonte: Prefeitura do Recife. distribuídos por mais de 60. A região é composta por 29 bairros. Poço da Panela. conforme pode ser observado: 29 29 28 28 27 27 26 26 24 24 22 22 21 21 20 20 01 .Apipucos 21 .Córrego do Jenipapo 24 .Pau Ferro 23 23 25 25 19 19 12 12 11 11 18 18 17 17 16 16 15 15 14 13 13 09 09 10 10 08 08 07 07 06 06 05 05 04 03 04 03 02 02 01 01 Figura 4 .Alto do Mandu 13 .Parnamirim 08 .Graças 03 .Nova Descoberta 25 . .Alto José do Pinho 16 .

Secretaria de Controle e Desenvolvimento Urbano e Obras. Elaboração: PCR. Diretoria de Informações/Assessoria Técnica. . 2012.54 Mapa 1 .Base cartográfica do bairro de Monteiro Fonte: Prefeitura do Recife.

/há.204 mulheres.3% . de 92. O Bairro de Monteiro se insere no contexto das maiores transformações espaciais da Região. Graças. Santana. Tamarineira.02%. Espinheiro. Possui uma população residente de 5.713 homens. 4. Em termos étnicos.1.15% aproximadamente). com um clima agradável e destino de veraneio.12%). população com maior concentração nas faixas etárias de 25-59 anos e 60 anos e mais.8%). densidade demográfica de 111. A média de moradores por domicílio é de 3.98%) e indígena (0. parda (38.85% e 3. Parnamirim.55 A localização das terras onde hoje o bairro se encontra localizado fizeram parte do Engenho Várzea do Capibaribe.61 hab. . tem-se a ocupação até o final do século XVIII por sítios e por engenhos canavieiros de Santana a Monteiro. acompanhado do Derby.917 habitantes (2. Apipucos e Poço da Panela. preta (6. o bairro possui uma área territorial de 53 hectares. a população do bairro se distribui da seguinte forma: branca (53. contexto bem diferente do encontrado em 2000 quando a concentração nas faixas etárias se dava de 15-39 anos e 40-59 anos. também conhecido como Engenho do Monteiro. O bairro nasceu de uma povoação. 3.9%). 54. Urbanismo e Meio Ambiente . Casa Forte. Aflitos. Durante o processo de desenvolvimento urbano da RPA 03. Em linhas gerais. tendo vivido sua melhor época em meados do século XIX. amarela (0. com uma proporção de mulheres responsáveis pelo domicílio de 42.superior à encontrada em 2000.2%).SEPLAM da Prefeitura do Recife.37%.4 habitantes. 45.8 hectares a menos se comparado a 2000.2 Evolução do espaço urbano As abordagens que seguem para todos os tópicos seguintes refletem o resultado de estudo analítico realizado pela Secretaria de Planejamento. Jaqueira. indicando que o surgimento de um bairro amadurecido. Computa ainda em 2010 uma taxa de alfabetização de 96.

48 40.Sul Total RMR Pernambuco 78.15 24.892 21.480 7.População residente.547 8.14 17. Diretoria de Informações/Assessoria Técnica.56 Até a década de 70 o bairro juntamente com os outros indicados acima.88 100. o bairro é beneficiado pela considerável cobertura vegetal que a Região possui.3 Dados populacionais e de domicílio Informações do Censo de 2010 indicam que a Região aonde o Bairro de Monteiro se encontra localizado caracteriza-se por possuir a menor densidade (40.114 221.Oeste 05 .38 13.63 Área ² (ha) 1. justificada pela presença de matas localizadas na Guabiraba. além de se encontrar inserido nas proximidades de espaços detentores de inquestionável valor histórico e arquitetônico. no contexto dos bairros que fazem parte do conjunto urbano de Casa Forte (Parnamirim. .35 18. 2010 FONTE: IBGE.850 277.48 hab/ha).997 3.Centro 02 .796.731 4. dentre outros.704 3. que sem dúvida vem comprometendo as qualidades ambientais da Região enquanto referência histórica para a Cidade.315 Tabela 5 .Norte 03 . Apipucos. Censo Demográfico 2010.650 1.31 89.690. área e densidade.bem como pela ocupação horizontal de moradias unifamiliares. o bairro acompanha um forte processo de verticalização focado em Casa Forte e iniciado enquanto um processo de substituição do estoque construído para a Região.01 98.48 66.213 2.Sudoeste 06 .234 312.537.Noroeste 04 .32 70. Monteiro.448 % 5. segundo RPA. Secretaria de Controle e Desenvolvimento Urbano e Obras.82 149. Apipucos e Poço da Panela).778 382. Santana.08 14.39 20. o que lhes conferia considerável qualidade ambiental.981 278. Atualmente.00 Densidade Demográfica (hab/ha) 50. Casa Forte. Elaboração: PCR.146. Recife. a exemplo do casario de Apipucos com a sua Igreja.947 263. excepcional Unidade de Conservação. Localizado próximo a Apipucos. O bairro situa-se na Região distinguindo-se pela qualidade ambiental.1.537 1. Sítio dos Pintos e Pau Ferro: População residente RPA Total 01 . caracterizava-se pela baixa densidade construída .21 88. 4. Dois Irmãos.200 98.

00 Crescimento Absoluto 2000 .44 0.739 habitantes. o Bairro de Monteiro acompanha a tendência da Cidade do Recife: População residente (habitantes) Bairro Casa Forte Dois Irmãos Monteiro Sítio dos Pintos Total RMR Pernambuco Total 6.54 0.558 2.690.01 Tabela 6 .24 2.21 0. encontra a situação de 5.002 604 1. entendendo-se aqui que se trata de um bairro em processo de envelhecimento. Censo Demográfico 2010.72% e 64 anos e mais com 6.337.448 0 a 14 anos 1.660 7 276 1.565 3.644 Tabela 7 .224 170.178 habitantes no bairro de Monteiro.046 2 566 4.24%: População Residente Bairro Casa Forte Dois Irmãos Monteiro Sítio dos Pintos Total RMR Habitantes 2000 2010 4.905 1.382 429.704 3. Até o ano 2000.547 % sobre Recife 2000 2010 0.229 domicílios.742 domicílios.616 114.População residente por grupos etários e população ignorada.422.2010 4.33 0.20 -1.796.035 70 anos ou mais 603 104 315 238 84. o Bairro de Monteiro apresenta o maior percentual na faixa etária de 14 a 64 anos (69.275 -480 1. Em 2010.430 5.547 8.276 1.769 15 a 69 anos 5.739 pessoas para 1. Secretaria de Controle e Desenvolvimento Urbano e Obras.1.750 2. Censo Demográfico 2010.982 Taxa média geométrica de crescimento anual (%) 2000 .566 5.97%). ficando a faixa etária de 0 a 14 anos correspondendo a 23.70 2. Diretoria de Informações/Assessoria Técnica.256.145 1. em 2000.739 5 917 5.911 2. equivalendo a 38% do percentual populacional de Recife em 2010.288 1.917 residentes para 1.41%.690.57 Do total populacional de 4.78 1. houve do ano 2000 para o ano de 2010 um crescimento absoluto de 1.38 0.47 100.110.799 352. Elaboração: PCR.131.254 6. constitui-se pelos moradores em domicílios na data de referência do Censo.917 7.537.2010 2. segundo bairros FONTE: IBGE. o Bairro de Monteiro já enfrentava uma diferença da demanda em relação à oferta com uma população residente de 4.Diferença entre a população de 2000 e 2010 e taxa média de crescimento geométrico anual FONTE: IBGE. .4 Densidade demográfica No contexto da distribuição da população por faixa estaria.858 4.40 0. com uma taxa geométrica de crescimento anual no período de 2. 4.685. sobre esse aspecto da faixa etária.537. E conforme pode ser observado.175 domicílios.750 321 922 834.475 6 750 3. Elaboração: PCR. Secretaria de Controle e Desenvolvimento Urbano e Obras.704 3.178 1. gerando na atualidade uma diferença de 4.172 1. Diretoria de Informações/Assessoria Técnica. (*) População residente.17 0.31 0.

885 1.334.566 5.340 3.736 1. Diretoria de Informações/Assessoria Técnica. galerias e serviços especializados potencializam os indicadores do IPTU comercial.917 2. Censo Demográfico 2010. conforme dados da SEPLAM (2001): .176 4.566 1.276 1. ficando atrás apenas da RPA 06 (sul).681.371 54. que ocupa inclusive a terceira colocação no que diz respeito à valorização patrimonial de sua área.230.448 Homem 3.565.276 3.713 3.210 827.750 2. Secretaria de Controle e Desenvolvimento Urbano e Obras.770 1.238 896.703 4.713 3.781 - Bairro Casa Forte Dois Irmãos Monteiro Sítio dos Pintos Total RMR Pernambuco Total 6.251 1.495 709.704 3. 4. tendo o 2º maior valor médio lançado do IPTU comercial.014 1.953.204 5.704 1.315 2.736 6.844 3.025 47.90% do IPTU comercial da Cidade do Recife.836 101.717.796.781 7.58 Com uma população totalmente urbana.População residente por sexo e situação de domicílio.495 709.537.736.997 Tabela 8 .547 8.767 7. Monteiro localiza-se entre os bairros com maior valor médio lançado para o IPTU comercial da RPA 03.315 3.819 1.346 3.014 3. de onde se infere que o mesmo situa-se numa Região valorizada imobiliariamente.241 847.907.537.5 Economia Situa-se numa Região aonde o comércio com a existência de shoppings. Elaboração: PCR.1. mas a qualquer destino não residencial que seja dado ao imóvel.690.204 3.819 1.589. acompanhando a tendência da Cidade do Recife que possui um total absoluto maior de homens que o de mulheres: População residente (habitantes) Situação do domicílio e sexo Mulher Urbana Rural Total Homem Mulher Total Homem Mulher 3. A representatividade da Região em relação ao total da cidade totaliza 12. segundo bairros FONTE: IBGE.681 827.917 7. o bairro de Monteiro tem uma predominância de pessoas do sexo feminino. respondendo por 17.750 3.21%. o qual não se refere apenas a edificações destinadas ao comércio.251 2.052.885 1.440 3.744.

69 0.23 Tabela 9 .ZEPH por possuir em sua área 24 sítios tombados do século XVIII em situação de preservação rigorosa.IEP.30 28.59 Total de imóveis Abs.176/96 .037.6 Macrozoneamento e importância histórica Sob a perspectiva do macrozoneamento estabelecido pelas Zonas de Diretrizes Específicas ZDE. Além da ZEPH.08 1. dentre elas Cabocó.60 4.93 1.60 100.IPTU não residencial: total de imóveis.00 2.50 661. os instituídos por exemplares isolados.628.569.950m2.70 129.32 0.68 0.877.580.605 Valor lançado* UFIR (%) 48. valor lançado e valor médio lançado.80 39.022. Ilha Temporal. taxas de limpeza pública e taxas de serviços diversos.21 0.18 RPA e Bairro RMR RPA 3 NOROESTE Casa Forte Dois Irmãos Monteiro Sítio dos Pintos 5. 4. segundo RPA e bairros FONTE: PCR / Secretaria de Finanças. em uma área de 106.83 0. . Vila Esperança e Vila Inaldo Martins de Souza. (%) 50.70 809. 2001) e o Bairro de Monteiro também possui tal realidade. (*) Inclusive.3 Valor médio lançado (UFIR) 950.12 5.755. Tais comunidades inserem-se no contexto das Zonas Especiais de Preservação dos Sítios Históricos . O Bairro de Monteiro é um bairro importante não apenas territorialmente por abrigar quatro áreas pobres das 112 existentes na RPA 03.81 1. artístico e/ou cultural que interessam à cidade preservar (SEPLAM. o Bairro de Monteiro abriga quatro áreas pobres. definidas pela Lei nº 16.48 0.377. mas também por seu local e valor urbano e pela história construída por cada uma das comunidades que coexistem em sua realidade de habitar.660 160 18 39 7 100.Lei de Uso e Ocupação do Solo.1. 2001.083.456.873. de arquitetura significativa para o patrimônio histórico.00 2. a Lei de Uso e Ocupação do Solo também considera como Imóveis Especiais de Preservação .

que não mora mais na comunidade. invadindo a localidade com 23 pessoas. do papelão. Pe. e convivendo de forma harmoniosa.60 5 FORMULAÇÃO DO PROBLEMA Situam-se entre os atores sociais da presente pesquisa os moradores reassentados da Comunidade Vila Esperança. Não tinha nenhum barraco assim de madeira. a gente começava a fazer. o único barraco que ficou em pé foi onde tinha uma menina que tava grávida de oito meses. derrubou tudo! A comunidade tem sua história forjada na resistência da luta pelo espaço de moradia e se tornou o que é hoje recebendo moradores de outras áreas como o Alto Santa Izabel. abordar a identidade em relação ao lugar de moradia. pegar tábua. no contexto contemporâneo. . Secretaria de Estado de Agricultura. Nos momentos de resistência a comunidade recebeu apoio de várias frentes: vereadores. Mandou derrubar tudo. botar lama.URB. as ações de retomada da área se iniciaram através de muitos atritos: O atrito durou muito aqui. Relatos de moradora da comunidade indicam que tudo se iniciou em 23 de março de 1987. ela sentou e disse: Daqui eu não saio e ninguém me tira! Então aí só esse barraco ficou de pé. tinha uma delegada que encarnava! Uma vez ela entrou aqui dentro da Vila. por exemplo. mas era através dele o acesso para poder invadir e de forma programada. Foi assim. O cabeça e articulador da invasão foi um morador chamado Miminho. A partir do momento em que o poder público tomou conhecimento da invasão. todos os barracos. bater prego até o carro da polícia chegar. com o conceito de comunicação sob o referencial habitacional. mas já tinha a obra da alcatifa. Pecuária e Abastecimento . às 20h. pegar pau.SEAPA. nem de telha. Aí saía os policiais dizendo: Pára tudo! Por sinal. a liderança comunitária da área e técnicos sociais do PREZEIS/ Empresa de Urbanização do Recife . A construção da problemática da pesquisa passará pela história da Comunidade Vila Esperança. Edivaldo da Paróquia de Casa Forte. para em seguida dialogar-se com a questão habitacional enquanto um direito. do compensado. com o conceito de identidade nas ciências sociais e. o qual ainda hoje ajuda a comunidade. O agente social principal identificado no contexto de pesquisa é a Prefeitura da Cidade do Recife e suas instâncias de fomento voltadas à diminuição da vulnerabilidade social. mandou derrubar tudo.

mas sim de morar de forma digna por se tratar de um direito e é nesse sentido que se abordará a partir daqui a habitação enquanto um direito. Então. nem todo mundo quer morar a vida inteira num lugar desse.61 Passados os momentos de agonia nas inúmeras resistências que se sucederam. foram eles que fizeram as casas. que finaliza a história da comunidade descrevendo a situação de quando o habitacional atualmente entregue ainda não havia nem saído do papel. encaminhando-nos ao próximo tópico de construção da presente problemática: [. mas também de sobreviver a todas as cheias do Rio Capibaribe... a qual reivindica respectivamente em seus artigos 1º. receberam ajuda para a reconstrução das casas. Desabrigados. conforme relato de Dona Zelha. que teve como primeiro presidente “Seu Roque”.. luz e uma associação. chegou o momento de serem desenhadas articulações que culminaram com a constituição de Comissões de Trabalho que trouxeram para a comunidade água. permanecendo até hoje.. em especial a do ano de 1975. refeitas por eles mesmos: “[. tem que ser pobre. trabalha. 2º e 25º a “igualdade e dignidade para todos os .] material e mão de obra. Com o tempo. Pelo menos. que tem casebres e que tem quartinho. quando já se encontravam nas proximidades da área atualmente ocupada. E não se trataria de querer morar a vida inteira de forma não digna..” As atividades culturais da comunidade sempre envolveram crianças e adolescentes na participação em grupos de dança ou no Museu do Açúcar.] O maior problema da Vila é cada um ter sua moradia decente que nem todo mundo tem. A luta da Comunidade Vila Esperança não se restringia apenas a ficar no local. o pessoal daqui não são acomodados. Os técnicos que tão andando por aí fazendo cadastramento. em 10 de dezembro de 1948. apesar de o estatuto ter sido registrado em nome de Ismael. para 18 casas e tudo foi doado. ocasião em que os moradores tiveram que se abrigar na Escola Silva Jardim. O direito à moradia vem sendo alvo de debate enquanto um direito fundamental desde a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DHDH) adotada e proclamada pela resolução 217 A (III) da Assembleia Geral das Nações Unidas. começaram a ser feitas casas com madeira reaproveitada e quem podia construía de taipa e apenas depois é que iam surgindo as construções de alvenaria. mas ter uma moradia descente. tá vendo que tem casas.. A partir daí foi havendo articulações entre as pessoas e quando Ismael saiu da presidência da Associação Dona Elza assumiu.

62 seres humanos. o desenvolvimento de materiais ou programas educacionais e a formação de redes comunitárias. contudo. é momento de a Constituição de 1988 perceber o valor da dignidade da pessoa humana como valor essencial. 12 Estado Democrático de Direito tem no presente trabalho o entendimento de ser um elemento transformador da realidade que ultrapassa o aspecto físico de efetivação de uma vida condigna para o ser humano. 40 anos depois. Disponível em: <http://www. dando-lhe significado e principalmente unidade. No Brasil. . agindo como fortalecedor da participação pública em inúmeros seguimentos. à saúde e ao bem-estar. ações e atitudes voltadas para o respeito aos direitos humanos e que fomentem o desenvolvimento de comunidades mais pacíficas. a democracia implica na solução da problemática das condições materiais de existência. O acesso a uma habitação precisa responder a necessidades fundamentais relacionadas à segurança. quatro paredes e um telhado. 13 Organização internacional não governamental que apoia há mais de 15 anos a educação e a capacitação de ativistas e profissionais em direitos humanos. estabelece-se uma chamada de responsabilidade ao Estado no âmbito de intervenções políticas que proporcionem meios e facilitem o acesso a moradias. tendo sido criado para ultrapassar a ideia utópica de transformação social e assumindo o objetivo da igualdade e tendo na lei um instrumento de reestruturação social. como a educação. A Human Rights Education Associates (HREA) 13 traz à discussão a questão de que a garantia do acesso à habitação levanta questões complexas sobre até onde ir à obrigação governamental. a partir do momento em que também não se efetivam outros direitos que poderiam instrumentalizar o cidadão a conquistar o seu direito à habitação.hrea. orientadora e crítica). tem-se um verdadeiro diferencial porque é a primeira vez que uma Carta vem assinalar os objetivos fundamentais do Estado com o intuito de efetivação da dignidade da pessoa humana na prática. Nele. o princípio da não discriminação” sem qualquer tipo de distinção e o “direito a cada ser humano a um padrão de vida condigno” e. para que o exercício de morar possa ir além de um exercício de sobreviver. a esse respeito.org/index. alicerçando um estado democrático de direito12 embasado na cidadania e na dignidade da pessoa humana. livres e justas. Em relação às Constituições anteriores.php?doc_id=412>. nesse contexto. Acesso em 05 jun. conforme é ressaltado Piovesan (2009). 2012. dedicando-se à melhoria dos processos de educação e capacitação que promovam o entendimento. por meio da tecnologia de cursos a distância online. enquanto um direito humano que é. o que amplia de forma considerável o campo dos direitos e de garantias fundamentais. fazendo-se perceber no texto da Constituição Brasileira enquanto uma preocupação com valores institucionais de tripla dimensão (fundamentadora. haja vista que levar em consideração o alojamento como necessidade humana não significaria dizer que os governos devessem prover a todo o seu cidadão terra. por exemplo.

pelo PIDESC ou pelo CDESC. trazendo consigo o atendimento a outros direitos humanos. Acesso em 05 jun. mas que vai além e que vem sendo mencionado e reforçado em inúmeras instâncias internacionais. não se resumindo ao espaço físico. 11º. no seu art.. Trata-se de um direito que contempla o respeito ao específico do ser humano no atendimento as suas necessidades de habitar. a partir do momento em que se constitui como um lar. infraestrutura e equipamentos públicos. como o direito à família e ao descanso e lazer. nº 1 e o Comitê dos Direitos Econômicos. com o intuito de efetividade de tal direito. 2012. esse direito se coloca com um significado amplo e ligado a outros direitos humanos considerados como fundamentais. infraestruturas básicas adequadas e localização adequada relativamente ao local de trabalho e equipamentos básicos .hrea.63 garantindo um alcance à satisfação de direitos no contexto dos fatores econômicos. culturais e sociais específicos de cada Estado. Um espaço que não deveria ser objeto de política ou visto sobre o prisma de ser uma mercadoria.org/index.. desenvolvido em meio a valores. Sociais e Culturais (PIDESC) de 1966. como a Convenção nº 97 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre Migração e 14 Disponível em: <http://www. Um direito. reconhecendo o direito de toda pessoa a um nível de vida adequado e extensivo a todos. conforme é definido pela Human Rights Education Associates (2003): Habitação condigna significa [. inclusive. A relevância da discussão se posiciona a partir da presença da mesma nos inúmeros documentos internacionais que têm fomentado o direito à habitação (HREA. voltado a quem realmente precisa. formas de viver e de identidade com a realidade de moradia. com uma boa localização e que expresse a identidade e a diversidade cultural de quem é beneficiado.php?doc_id=412>. enquanto um espaço habitável que dispõe de serviços. levando a uma interpretação da habitação enquanto “habitação condigna”. como o Pacto Internacional sobre os Direitos Econômicos. É um direito que busca por um padrão de vida digno.tudo isto a preço razoável. segurança adequada. Sociais e Culturais (CDESC). não apenas previsto pela DHDH. iluminação e ventilação adequadas. espaço adequado. Nesse sentido. por exemplo. 2003) 14. . em sua Observação Geral nº 4.] privacidade adequada.

identificar-se com ele e. cabendo ao poder público e à sociedade em geral fazer com que tal direito seja garantido com plenitude. o mero agregado de indivíduos isolados em formas específicas de ser com e para um outro. 6º) e finalizam-se em 2004. nesse sentido. a importância e valorização da questão habitacional.” 15 . a qual só se torna fator de sociação15 apenas quando transforma o que a constitui (impulso.. Assim sendo.. a Declaração de Copenhaga sobre o Desenvolvimento Social e Programa de Ação (1995).. a Agenda HABITAT e o Plano de Ação HABITAT (1996) a Declaração de Istambul sobre os Povoamentos Humanos (1996).. E responder a necessidades e expectativas é entender que a população beneficiada precisa se comunicar com o espaço habitacional recebido. propósito. 166) tudo que está presente no ser humano que possa manter influência sobre os outros é considerado como matéria. a satisfação desses interesses que segundo Simmel formam a base das sociedades humanas.] sociação é a forma (realizada de incontáveis maneiras diferentes) pela qual os indivíduos se agrupam em unidades que satisfazem seus interesses [. que se considera relevante analisar a Na definição de Simmel “[. A inefetividade do direito a uma habitação que responda às necessidades e expectativas de quem é beneficiado é algo a ser superado pelos governos. já com o Estatuto da Cidade criado em 2001. ficará comprometida e. p.. No Brasil. é sob esse aspecto. interesse. que o fazem interagirem.. dentre outras instâncias que estruturaram a base que justifica o reforço. nesse sentido.]. para Simmel (1983.64 Emprego (1949). Entende-se. a Declaração de Vancouver sobre os Povoamentos Humanos (1976). uma parte cobrando o que lhe é direito e a outra fazendo o que lhe cabe enquanto um dever. etc. instâncias que realmente vieram estruturar um caminho já há algum tempo em construção.] “esses interesses formam a base das sociedades humanas [. não confere significado a tais elementos no sentido de se comunicar e se identificar.). o histórico apresentado no Capítulo 2 mostrou que a efetividade de iniciativas e mecanismos que reforçam o direito à habitação de interesse social se inicia em 2000 com a Emenda Constitucional 26 (art. levando-se em consideração os instrumentos legais que legitimam a qualidade e encontram-se embasados numa perspectiva de atendimento à cidadania e à dignidade da pessoa humana. do FNHIS e do CNHIS. através da instituição do SNHIS. se o ser humano enquanto detentor de elementos simbólicos. que a satisfação de interesses no contexto social depende de uma significação que faz surgir a interação entre indivíduos na sociedade.

2001). cuja raiz localiza-se em idem. estabelece com o mesmo identidade. 74). É dessa forma que num olhar contemporâneo. correspondente a “o mesmo. pois. encontrando-se numa relação dialética com a sociedade. sendo entendida como o próprio processo de identificação. VILLAR. aquele elemento do contexto social que faz a diferença no sentido de ser a partir dele que o indivíduo dialoga com a realidade em que vive e. sendo a “identidade um fenômeno que deriva da dialética entre um indivíduo e a sociedade” (p. identidade registra aquela que especifica “um conjunto de características e circunstâncias que distinguem uma pessoa ou uma coisa e graças às quais é possível individualizá-la” (HOUAISS. comunicar-se com o ambiente e nesse contexto ir . porque se acredita que ao haver a comunicação. Estrutura-se e modifica-se através dos processos e das relações sociais nas quais o sujeito se encontra inserido. no contexto habitacional. Para Berger e Luckmann (2008). da relação existente entre indivíduo e sociedade. Ciampa (1989) considera a identidade como algo em movimento. concretizando-se o processo de identidade com a moradia. tem-se o entendimento de que através da apropriação do espaço é possível dialogar. A origem do termo identidade remonta o século XVII e provém do latim medieval indentitusátis. A questão da identidade é sem dúvida no contexto habitacional um dos elementos que conferem tanto a efetividade do direito quanto da sustentabilidade social do empreendimento construtivo. identificar-se com o espaço de moradia torna-se fundamental para que o mesmo se mantenha sem ser objeto de repasse ou depredação.65 efetividade da interação das 16 famílias da Comunidade Vila Esperança em relação ao habitacional proposto pelo PREZEIS. a mesma coisa”. as mesmas refletirão tal identidade comunicando-se com os outros. A identidade é. a identidade contextualiza-se como um elemento-chave da realidade subjetiva. Dentre as significações possíveis. um fenômeno social e não natural. 230). que se modifica e se ressignifica no contexto social (p. Sob o prisma da representação social. produzindo-se a partir de interações. interagindo e confirmando-se os interesses satisfeitos. A partir do momento em que o indivíduo comunica-se com o espaço habitacional.

dimensionado e equipado de forma a cumprir com a função social que possui. este que precisa se comunicar com o espaço. PASCUAL.66 se construindo ao mesmo tempo em que se contribui para a construção ativa do contexto. A partir do momento em que passa a haver identidade com o espaço habitacional. 146). 112) considera que o projeto arquitetônico destinado à habitação precisa ser ordenado. condições mais simples. fazendo com que as relações cotidianas se reconheçam (TEIXEIRA. 351). sentindo. p. apropriando e vivendo através do corpo. num processo de construção recíproca (Sève apud Mourão e Cavalcanti. p. considerando a questão da identidade com o mesmo. 2004. 2009. permitindo a interação das comunidades com o lugar. com o que aprendeu. constituído por cognições a respeito do mundo físico aonde o indivíduo se encontra inserido. pensando. reconhecimento. a identidade de lugar tem a ver com o que cada ser humano constrói através do seu passado. refletindo-se em . o mesmo passa a ter um outro significado e com isso valor subjetivo que só fortalece a sua sustentabilidade social. Teixeira (2004. As relações que as pessoas mantêm com os espaços que habitam exprimem-se no dia-a-dia pela forma de uso. significados e concepções de comportamento e experiência. p. com os quais se identifica. 2004. ainda. BONFIM. A identidade com o lugar também vem a ser conceituada como um elemento que advém da identidade pessoal. 2006. valores. definindo dessa forma o seu espaço social (Bourdieu apud Teixeira. ideias. com o que foi bom ou ruim e através de atitudes e significados que lhe conferem reconhecimento. 113). o espaço habitacional constitui-se de propriedades que definem sua posição pela relação que ele próprio tem com os outros lugares e pela distância que o separa dos demais. Prosseguindo com a importância que o espaço assume na vida das pessoas. 112). os quais estão relacionados com a variedade e complexidade dos lugares físicos que definem a existência cotidiana de cada ser humano” (PROSHANSKY apud PONTE. que ao ser apropriado. Acredita-se. p. atitudes. sentimentos. Nesse sentido. que tanto passa a exercer a sua função quanto perdura pelo cuidado que cada morador passará a lhe dispensar. p. com tais cognições representando “memórias.

sei lá. tá entendendo?.. o espaço é bom em relação ao anterior. lá era diferente.... porque eu ali na frente (moradia anterior). sei lá. todo mundo que subia e que descia oi Dona Elza. por este motivo a abordagem da identidade com teóricos das ciências sociais e contemporâneos a cerca da identidade em relação ao lugar de moradia. encontra-se no depoimento de Dona Zelha: [.. era um frio. fazer-se menos. tinha a sala. é trepado.] nunca assim.. tá entendendo? O tempo todo!.. no qual se pode observar essa questão identitária e de comunicação com o espaço habitacional. prazer assim tô não.. tá entendendo? Ou seja. aí eu me isolei. a cozinha e o banheiro.. mas melhor. E para formular a problemática da presente pesquisa. oi Dona Elza. mas é “trepado”. não descia... mas dizer assim que eu tô bem. mas assim. ao ponto de a identificação com o mesmo e o comprometimento da possibilidade de comunicação constante que a moradora tinha na realidade anterior. outro oi Dona Elza. era.. colocou-se como importante para tal fundamentação trazer a percepção da habitação enquanto um direito. com a identidade sendo resgatada pelas memórias. é uma conquista. não encaixa muito. aí eu dividi no meio fez dois vão. era um salão só. era uma agonia. morei num espaço bom. óia eu vivia chorando. Chegava fim de tarde eu num tinha nada o que fazer acaba minhas coisa todinha. Contudo. foi uma graça de Deus que recebi com muita luta. mas sabia que eu ia entrando em depressão? . . às quais serão tratadas nos resultados da pesquisa e nas considerações finais. que só pode ser efetivo se o beneficiário do espaço habitacional identificar-se com o mesmo. pela percepção de uso do espaço anterior e convivência com os outros moradores. quando chegou aqui. enquanto aspectos que fortalecem a necessidade de reflexão sobre ao invés de se fazer mais por menos.67 seu comportamento frente a esse espaço e modificando-se de acordo com a complexidade que cada espaço tem no seu dia-a-dia.. aí eu vou passar o dia todinho aqui na janela? E lá não. aí eu ia botava a cadeira ali aí passava um oi Dona Elza. o apartamento pra mim foi ótimo. no sentido de enfrentar a racionalização de custos em detrimento da qualidade. fiquei muito fechada assim... só tinha uma porta e uma janela. se eu tiver aqui na janela aí passa um oi Dona Elza. era dormindo. há questões de melhoria relacionadas tanto à questão de segurança quanto do trabalho social que poderia fornecer maior reforço à sustentabilidade social do empreendimento. ou Dona Elza. ter se colocado de forma relevante no seu dia-a-dia. oi Dona Elza. sempre o povo me procurava... sei lá.... Um momento da realidade de empírica.

Entrevistados por sexo Fonte: Pesquisa de campo Elaboração: o próprio autor. as quais se encontrarão identificadas no início da apresentação e/ou análise de cada resultado da pesquisa: Seção A . doméstica e vigia de condomínio. no contexto de adultos maiores de 18 anos. num contexto em que a mudança para a nova moradia não mudou o que ganhavam antes para o que ganham atualmente. pensionista. é de 36 a 76 anos de idade. respeitando-se a ordem de apresentação das seções presentes no Apêndice B. 2012 Há na amostra desde pessoas que estudaram até à 2ª série (antigo ensino fundamental) a pessoas que estudaram até concluir o ensino médio. ora de forma quantitativa. com a maioria dos entrevistados sendo do sexo feminino: Gráfico 8 . auxiliar de cozinha. consertos). copeira que está no seguro desemprego. .68 6 RESULTADOS DA PESQUISA Os resultados serão apresentados ora de forma qualitativa. Ao serem indagados sobre o que faziam para ganhar dinheiro teve-se no elenco de respostas: bico (pintura. esboçando um perfil educacional diversificado.Informações gerais A faixa etária dos entrevistados.

. . uma bênção e uma dádiva de Deus. havendo alguns declarantes da religião católica: Gráfico 9 . com conforto. pequena/apertada. uma porcaria. à dignidade. Habitação social foi associado a algo melhor. Seção B . 2012 Com exceção da associação da própria comunidade. que lhes remetia a sofrimento. procurar um lugar seco naquilo tudo molhado pra colocar o meu pequeno de meses. com o cuidado de os escorpiões não chegarem nele . à casa atual que é uma maravilha. triste. a um abrigo. Retornar para casa era fazer passar um filme na mente.. que traz coisas boas. abafada. a noite inteira.69 Em sua maioria.Entrevistados por religião Fonte: Pesquisa de campo Elaboração: o próprio autor. considerando-se o perfil dos entrevistados em sua maioria evangélicos. tratado como bênção ou dádiva de Deus.” O conceito de casa esteve associado a algo que não tinham antes. com melhores condições. a uma moradia melhor. os entrevistados são da religião evangélica. com calor e que não servia.Associando conceitos Ao serem convidados para uma associação de conceitos a termos que lhes foram propostos os entevistados consideram a moradia anterior como não sendo boa. não possuem vínculo com organização comunitária nem de ordem política. à segurança e ao bem estar. ruim. conforme relato que segue: “Voltar para casa e enfrentar aquela goteira pelo vão inteiro. péssima. sem alegria. percebendo-se através do discurso que eles entendem por casa algo bom e que faz bem e logo se a realidade anterior era tão péssima eles não possuíam uma casa e consequentemente eram cidadãos não atendidos em sua cidadania sob esse aspecto. uma moradia melhor. à decência. percebendo-se que se entende por habitação social uma casa melhor.

houve a associação a tudo de bom numa identificação com o que há de melhor. limpeza. vai sim Josefa. A comunidade foi considerada como tranquila. Gráfico 10 . família. ao próximo. jardim. percebe-se o cuidado e a reserva nas respostas. boa e ótima. unidos. unida. dentre outras questões a serem levantadas nas considerações finais do presente trabalho. enquanto elementos de identificação com os mesmos. . amigos e especiais. hoje quem reside no apartamento é o seu marido. tu vai ver!” Vê-se aqui o sonho sendo compartilhado e vivivo junto ao outro. eu te prometo. tu vai morar em apartamento Josefa. mas relacionado a pessoas externas à comunidade e em função da área do prédio que não se encontra delimitada. que não poderia ser diferente considerando o histórico de luta e união que essas pessoas tiveram para se tornar o que são enquanto grupo. e vou Zelha?). mas houve nesse contingente quem considerasse que ninguém é perfeito e uma outra parte dos entrevistados considerando os vizinhos reservados e que todos são bons. Josefa faleceu 7 meses após se mudar para o habitacional em Monteiro.Associação com o termo identidade Fonte: Pesquisa de campo Elaboração: o próprio autor. 2012 Ao serem solicitados para associação do termo vizinhos. que inclusive foi criado pelos moradores do prédio. a maioria nada teve a dizer considerando os vizinhos ótimos.70 Para o termo identidade. tu vai morar com tudo direitinho (Josefa pergunta. A única exceção as aspectos levantados para o termo comunidade foi o assalto recente. mas sempre esteve presente o sentido de comunidade e cuidado também com o outro. Nessa ocasião. praça (um dos equipamentos de lazer não entregues com o prédio) e respeito ao ser humano. numa identidade e lealdade que se construiu por anos. a exemplo de depoimento de Dona Zelha falando com Josefa (já falecida): “Olha Josefa.

uma bênção. e de forma geral como seria para eles. tudo de melhor. e daqui a pouco a geladeira. identificou-se que a prefeitura não arcou com as despesas de mudança. foi uma danação da gota. na cabeça e do jeito que dava para ser. houve na verdade uma confusão no entendimento dos entrevistados que perceberam lugar como o local aonde moram e não o termo isolado. O que de fato procede. alegre e perto de tudo. E foi rápido sim.71 Na associação com o termo lugar. aonde se encontra diversão. . verdadeiro abrigo. e daqui a pouco as coisas todinha e quando eu vi tinha me mudado. Em relação ao local no qual se encontram inseridos o mesmo foi considerado como legal. bom de viver. considerando pontuações de entrevista realizada com Dona Zelha. Sobre esse aspecto. bom porque trouxe paz à vida (ter saído da realidade anterior) e rápido. João da Costa esteve na comunidade para realizar a entrega do habitacional e quando as chaves chegaram nas mãos dos moradores foi o maior alvorosso: “Olha. ficou associado a ter sido ótimo. melhor. equipamentos e utensílios dos moradores foram carregados por eles mesmos..Associação com o termo lugar Fonte: Pesquisa de campo Elaboração: o próprio autor. ótimo. com o desejo de que Deus conserve e que tenha por aí para mais irmãos que precisarem.. Uma moradia que lhes traz segurança e bem estar. sadia.” Sobre a moradia atual. bem rápido ao ponto de Dona Zelha que idealizava mudar-se com calma quando menos esperou. uma dádiva de Deus. quando eu vi ia passando o sofá. haja vista que os móveis. Gráfico 11 . a grande maioria dos entrevistados a considera excelente. pois eles moram num local central e altamente valorizado mercadológica e imobiliariamente falando. 2012 O termo reassentamento e entenda-se nesse caso como sendo o processo de reassentamento (porque assim foi explicado no momento da entrevista).

com momentos bons e ruins. nos dois casos pela grande maioria dos entrevistados.72 Esse aspecto de satisfação. a percepção que se teve na realidade empírica pelos discursos foi a de que na realidade anterior a comunidade se reunia mais. Reflete que a organização do espaço minimizou os conflitos e com isso certamente eles passaram a se relacionar melhor. a relação foi identificada apenas como solidária. Em relação à frequência com que moradores. remete-nos à indagação de que a realidade aterior seria péssima e traumatizante ao ponto de o imóvel recebido. com a ressalva de que existem conflitos em qualquer sociedade. não se tem uma mudança significativa da realidade anterior para a atual. mais organizada espacialmente e com regras que não existiam na realidade anterior. o que foi um benefício considerável e um respeito às histórias de luta construídas com o tempo. ainda não lhes forneceu subsídios no sentido de a identidade presente ser questionada. independente de não considerar peculiaridades do exercício de morar da comunidade. . 2012 Seção C . Na moradia atual. mas acredita-se que seja uma questão de tempo e ajuste a essa nova realidade. Gráfico 12 .Associação com a moradia atual Fonte: Pesquisa de campo Elaboração: o próprio autor. contudo. para pouco mais de um ano de moradia. houve o indicativo de a mesma ser solidária. É possível que ter ido para a realidade atual. tenha possibilitado um desgaste natural nas relações. vizinhos e amigos se reunirem foi declarado pela maioria que não mudou. Como houve no contexto da comunidade a permanência no local de origem.Processo de mudança e comparação do antes com o depois Indagados no que diz respeito à relação de vizinhança na moradia anterior.

de água e esgoto. considerando-se a área de serviço e o atendimento para todos os apartamentos das redes elétrica. questão que um bom trabalho social poderia ter resolvido e encaminhado. banheiro quando existia era pequeno e as redes elétrica. até em função de já estarem acostumados com tais gastos na moradia anterior. de uma forma equilibrada. bem como a definição de endereço do habitacional que atualmente possui junto aos CORREIOS três endereços que direcionam as correspondências para o prédio. tendo havido quem declarasse que pesou um pouco: Gráfico 13 . a grande maioria declarou que não. tendo sido afirmativa a resposta do entrevistado que . tem-se a realidade de 5 cômodos. o prédio já tem apresentado problemas de manutenção e acrescente-se que até o momento a cobrança dos serviços de energia e água potável ainda não foi regularizada. Quando perguntados sobre estarem preparados para os gastos que a nova moradia trouxe a grande maioria declarou que sim. Na moradia atual.73 Indagados sobre como era a moradia anterior fisicamente falando. o entrevistado que declarou que pesou um pouco trabalha com artesanato e atualmente encontra-se parado em função da impossibilidade de aquisição de matéria-prima.Sobre o preparo para os novos gastos Fonte: Pesquisa de campo Elaboração: o próprio autor. 2012 Apesar da declaração de terem estado preparados para a nova realidade de gastos. a mesma era composta de vãos que se dividiam. de água e esgoto para alguns atendia e para outros não. Quando indagados sobre desenvolver atividade comercial na realidade de moradia anterior. Conforme será indicado nas considerações finais.

74 trabalhava com artesanato e que hoje não trabalha mais desenvolvendo sua atividade. Gráfico 14 .Investigando o trabalho social desenvolvido Fonte: Pesquisa de campo Elaboração: o próprio autor. mas quando puder voltará a desenvolvê-la. 2012 . 2012 Perguntados sobre a Prefeitura da Cidade do Recife ter empreendido algum tipo de trabalho social ou capacitação profissional os entrevistados foram unânimes em dizer que não.Investigando a atividade econômica Fonte: Pesquisa de campo Elaboração: o próprio autor. Gráfico 15 .

ou essa relação entre o PREZEIS e o Programa Capibaribe Melhor tem confundido os papéis no desempenho do trabalho social que deve ser destinado aos já reassentados e àqueles já cadastrados que ainda o serão. tal verificação surge como alerta. Ou a política municipal de atendimento ao social. A quantidade de pessoas que moravam na realidade anterior é a mesma da moradia atual para a maioria dos entrevistados e a maioria também não fez novas amizades. conforme já ressaltado. garagem. terminar a frente do prédio . caracterizado como terrível pela entrevistada. a não ser com a família. Ganhou-se na realidade atual segurança (do ponto de vista de a habitação atual resguardar melhor a família). lugar limpo. uma idosa de 76 anos. parque. Na realidade atual tudo é melhor. sadio.Investigando a identidade Os entrevistados residiram na moradia anterior entre 5 e 23 anos e a maioria dos entrevistados não sentirão saudade da realidade anterior. num outro momento. satisfação de morar e aonde Dona Ana inclusive parou de ter problemas respiratórios. visto que nada do que tinha lá deveria ter na realidade atual. afirmadas ou não. mas essas são questões a serem esclarecidas. mais limpeza no prédio. maravilha em relação ao lugar aonde estavam. aonde o trabalho social é sistemático e constante. ressalva apenas para um dos entrevistados que declarou não ser de estar com muita amizade. jardim.75 Apesar de o recurso advir do PREZEIS. no que diz respeito ao PREZEIS. Quando arguidos sobre o que mudou na vida deles em relação aonde morava antes e a moradia atual. sendo praxes dessa sistemática os técnicos da URB-Recife sempre estarem presentes na área. segurança. o qual atenderá ao Programa Capibaribe Melhor. foi uma exigência da comunidade. na realidade anterior tinha-se o contexto de problemas respiratórios. E o lugar escolhido pela Prefeitura do Recife atendeu às expectativas pela permanência no local. precisa ser revista. e não algo que tivesse partido de uma política municipal. o que foi declarado por todos eles. tranquilidade. até porque até aonde se pode verificar a presença de técnica social pelo PREZEIS no escritório social recentemente instalado. liberdade e na realidade anterior perdeu-se o convívio com amigos. de forma que houve ganhos mas também perdas. Seção D . pois grande parte dos amigos da moradia anterior são os mesmos na moradia atual. privacidade. para a realidade atual ser completa ainda faltaria: ser murado. Contudo. expectativa.

A esse respeito. outros como Da Luz (jardim) ou Irmão Ravi cuidando também de áreas comuns ou com o cuidado sendo realizado por grupos. área verde e área de lazer para caminhar. confiantes. felizes e satisfeitos. O sentimento de comunidade é o mesmo da realidade anterior. num contexto em que o espaço é mais cuidado pelos homens e mulheres adultos dentre os reassentados. um beco de acesso muito apertado com pessoas bebendo no meio da rua. Nesse sentido. namorar. o que na realidade anterior não ocorria. as goteiras dos dias de chuva. . conversar e falar dos momentos bons e ruins. segura e bem melhor que a realidade anterior. Ressalva apenas para um dos entrevistados que considerou que se arrumasse um emprego seria melhor. do seu próprio espaço foi para os entrevistados sentirem-se um pouco mais dignos. uma forma de morar que safisfaz. com um critério de cada grupo de moradores por andar. contextualizando um ambiente muito ruim. houve quem declarasse não se sentir dono do apartamento em função de eles não possuírem a posse do terreno. Houve quem declarasse que da realidade anterior sentiria saudade da superação das dificuldades. o que existe na realidade é um documento da Prefeitura dando-lhes o direito de uso por um período de 50 anos. muito embora tenha havido quem declarasse que só existia na realidade anterior porque lá todos passavam a mesma situação e agora isso mudou. enquanto uma vitória que Deus lhes proporcionou. Incluírem-se na nova realidade. de uma moradia com um bom ambiente. um elemento bem presente na história de lutas dos que fazem a Comunidade Vila Esperança. Coletivamente.76 quando as casas que se encontram atualmente na área frontal saírem. quando comparada à anterior. O que marcou a realidade anterior foram os problemas respiratórios já solucionados para Dona Ana. mas em geral a falta de privacidade. donos ou donas de sua própria casa. a presença de escorpiões. de forma que sentir-se bem tem remetido sem dúvida à moradia atual. O cuidado com o lugar se dá com alguns cuidando do seu. eles não poderia deixar de se sentirem mais pertencidos e satisfeitos em relação à moradia atual. Diferentemente da realidade atual. o cuidado com o lugar também se dá por moradores de cada andar.

algo melhor para viver. que de repente por uma doidice isso seria possível. um futuro melhor para os filhos. Quem declarou que não faria do mesmo jeito foi em função do aspecto de ilegalidade que originou a ocupação. a grande maioria declarou que não. Houve entrevistado nesse contexto que acredita que vizinhos venderiam sim sua nova moradia para comprar uma casa melhor. mas houve quem declarasse que venderia para melhorar de vida indo para um lugar melhor. terminar os estudos e fazer um curso de turismo para melhorar de vida mais ainda. com boa localização. . uma forma de renda para não depender da filha. Quando indagados sobre se venderiam a casa deles. E sobre os planos para o futuro.77 A grande maioria teria tido o mesmo envolvimento e faria do mesmo jeito para obterem o benefício da casa própria. Mais um alerta para a questão de acompanhamento do trabalho social que seria o elemento que daria conta de tal questão. a não ser que fosse para comprar uma casa maior e melhor. Indagados sobre se os vizinhos venderiam e o por quê. o desejo dos entrevistados é o de que cada um da comunidade tenha a sua casa para ficar. houve na maioria a declaração de que não podia e um dos entrevistados declarou que gradearia e colocaria cerâmica. que o prefeito e o governo façam mais casas pois quantas mais melhor. a maioria declarou que não mas houve que declarasse que muitos já pensaram. que a sociedade é complicada de se entender. Perguntados sobre ampliar ou modificar. O benefício do apartamento para a maioria foi uma bênção divina e por tudo que já passaram não o venderia. aposentar-se para abrir um negócio próprio.

mantendo a mesma configuração construtiva padrão e fazendo existir no mesmo habitacional um prédio que será diferente dos demais. 2011. algo bem distante da média de 10m2 por habitante vivenciada aqui no Brasil. reforçando há décadas um padrão que já não atende a necessidades específicas de quem é beneficiado com habitações de interesse social. a exemplo dos Conjuntos Habitacionais Goiânia e Araguaia em Belo Horizonte (TEIXEIRA. gerando uma situação de 5m2 por habitante. 2004). dá-se porque na área aonde serão construídos os prédios restantes não comportará a construção de mais prédios para que se possam abrigar mais comunidades. justamente em função de sua tipologia com prédios em bloco “H” (LOIOLA. Os apartamentos aonde residem as famílias que foram objeto de análise da presente pesquisa possuem uma área de 42m2. possibilitada através do PREZEIS que por força de lei legitima a participação das comunidades com o incentivo de permanência nas áreas de origem. Na presente análise. que se situa numa média do metro quadrado construído para a habitação de interesse social no Brasil. . p. num redimensionamento de projeto que diminuiu o tamanho da habitação individual para que se pudessem construir mais habitações.78 CONSIDERAÇÕES FINAIS A proposta habitacional possui configuração construtiva que já foi alvo de crítica da academia na área de arquitetura e urbanismo. E o fato de haver a previsão de os reassentados do Habitacional Vila Esperança serem apenas moradores da comunidade que lhe dá nome. a permanência no local se deu em função da participação popular no processo de gestão. mesmo havendo estudos que mostram que a coexistência de comunidades normalmente não é positiva para a sustentabilidade de um empreendimento de interesse social. contudo. há famílias com sete e até oito moradores por apartamento. Um exemplo prático da ausência da participação da comunidade encontra-se no fato de que os prédios restantes que comporão o Habitacional Vila Esperança serão construídos com recursos do Programa Capibaribe Melhor e terão uma área de 36m2. mas nenhum dos elementos indicados acima reflete uma política municipal ou um planejamento de gestão. 60). mas certamente tal dimensão foi o resultado da participação da comunidade no processo. possui dois elementos relevantemente positivos: a permanência no local de origem e o assentamento apenas de moradores da Comunidade Vila Esperança no habitacional que será construído posteriormente. Na verdade.

trazendo uma realidade detentora de elementos complicadores. tratou-se mais de uma questão política do que de comprometimento da gestão. O fato de a área envolver a realidade de mais de uma origem de recurso foi determinante para esse desalinhamento na execução de projetos. A diferença visual e construtiva (tamanho/m2) do primeiro prédio entregue em relação aos demais do habitacional talvez venha a ser objeto de questionamento futuro. que os outros moradores que receberão os prédios restantes do habitacional não terão. os quais serão custeados pelo Programa Capibaribe Melhor que ainda se encontra em fase de andamento. mas nos parece que a entrega do primeiro habitacional com recursos do PREZEIS. é uma realidade da área aonde se encontra construído o primeiro prédio do Habitacional Vila Esperança a existência de duas origens de recurso possibilitando as intervenções: uma foi o PREZEIS com a construção do prédio já entregue e a outra será o Programa Capibaribe Melhor que prevê tanto recursos da Prefeitura do Recife quanto do Banco Internacional para a Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD). O primeiro prédio entregue o foi sem quaisquer elementos de infraestrutura e desprovido de muro ou cerca. alimentando a segregação comunitária de moradores de um prédio em relação aos outros. sem contar no investimento que os moradores do primeiro prédio tiveram para cercar a área com estacas. O acesso à frente do prédio ainda se dá através de um corredor estreito porque a área que seria a frente do prédio ainda não foi desapropriada e a ausência de corrimões na escadaria só será solucionada quando se iniciar a construção dos prédios restantes do habitacional. os quais poderiam ter sido combinados. que reproduz um modelo construtivo que não levou em consideração a realidade de vida da . que trouxe custos à comunidade.79 Nesse sentido. conforme segue abaixo: Um prédio (o primeiro que foi entregue) que será diferente dos demais prédios do habitacional. em julho do ano passado. O resultado foi a entrega de um projeto não acabado. porque os mesmos estariam previstos com a construção dos prédios restantes do habitacional. Apartamentos de um prédio (PREZEIS) maiores que outros (Programa Capibaribe Melhor).

que poderia interferir diretamente na sustentabilidade do empreendimento. com pouco mais de um ano de uso. continuado. sem corrimões e sem adesivos antiderrapantes. com uma estrutura construtiva de isolamento. desde que o prédio foi entregue. a realização de atividade específica ou até mesmo de acompanhamento das famílias reassentadas. já enfrenta problemas de manutenção com infiltrações e entupimentos de pia. visto que pelo PREZEIS o mesmo é sistemático. tanto no contexto do PREZEIS (sistemático) quanto no do Capibaribe Melhor (pontual) entende-se que precisem ser repensados do ponto de vista do pós-ocupação considerando que os depoimentos obtidos na realidade empírica não indicam em momento algum. que por ser assim nos coloca dificuldades para perceber na realidade empírica a questão da identidade com o espaço habitacional atual. de forma comunitária e de acordo com a realidade da comunidade. O trabalho social. Um exemplo da ausência de tal acompanhamento é a existência do regimento interno do prédio que não foi construído juntamente com os moradores e sobre o qual eles não conseguem ter entendimento sobre partes ou termos. por exemplo. Também é resultado dessa realidade o contexto de acompanhamentos sociais diferenciados. evitaria transtornos que com o passar do tempo poderiam tomar uma proporção não desejável para a convivência comunitária. ele sempre está aberto e essa é uma questão que um regimento construído coletivamente já poderia ter resolvido. A proposta habitacional objeto de nossa análise.80 comunidade beneficiada e que atualmente. sempre ocorre. aterrorizador em alguns casos. Certamente. instrumento que enquanto não é aprovado faz com que os moradores tenham que lidar com situações para as quais o elemento de ordem trazido pelo regimento teria dado solução. Sem dúvida um acompanhamento social para a construção de um regimento próprio. podem levar à realidade de acidentes graves. sem muitas possibilidades de interação entre os moradores. Recentemente. já que o imóvel . a exemplo dos registros de água que são todos aparentes e no caminho das escadas que. houve um assalto na entrada do prédio porque o portão de acesso se encontrava aberto e por mais que se tenha conhecimento dos perigos possíveis e da orientação de se manter o portão fechado. ao se comparar a realidade anterior com a atual tem-se um contraste gritante. reflete a necessidade de um melhor acabamento. os técnicos sociais da URB-Recife sempre estão nas áreas e pelo Programa Capibaribe Melhor será pontual com a instalação dos escritórios sociais naquele momento específico.

Leve-se em consideração ainda uma família que declarou não haver interesse em participar da pesquisa e uma outra que na verdade não tinha condições. sejam uma forma de dar continuidade à trajetória da habitação de interesse social com qualidade. No que concerne aos limitadores da pesquisa. visando mesmo um aprendizado do conhecimento e saber local das áreas a serem atendidas. percebeu-se a necessidade de um trabalho de base que antecedesse o momento com as famílias. encaminhar-nos-ia a isso. com a filha que durante o dia exerce atividade laboral externa à sua residência. Nildo que recentemente foi acometido por um AVC. tratava-se da família do Sr. estadual e federal) quanto para a sua elaboração com inovação. É por isso que se acredita que programas de incentivo. com exceção da líder da comunidade. É claro que para o desenvolvimento de tais projetos seriam fundamentais tempo e investimentos suficientes que possibilitassem estudos criteriosos. a partir do momento em que o trabalho com grupos focais. Pensar a habitação de interesse social é refletir sobre a necessidade de se conhecer a realidade de seus beneficiários. buscando inclusive o apoio da área de arquitetura. que ela seja uma maravilha porque efetivamente há identificação com ela e não porque desesperadamente se precisava e “pelas graças de Deus” se conseguiu. por exemplo. Para a finalidade da pesquisa.81 recebido apesar de todas as colocações postas acima. mas o que se espera é que tal maravilha esteja permeada do que é necessário para se gostar dela. dotada de certo distanciamento e cuidado. voltados tanto para a elaboração de projetos em todas as esferas (municipal. mantiveram-se em uma postura bem formal. visto que se trata de uma habitação que não faz sentido de ser se não exercer a sua função com sustentabilidade. nas ocasiões em que se esteve em campo 50% dos apartamentos não puderam ter moradores entrevistados em função de os mesmos não se encontrarem em casa. de forma que as percepções relacionadas à . é considerado como “uma maravilha de Deus. levando à necessidade de um maior investimento de tempo e até mesmo financeiro. considerando as situações de insalubridade e riscos de saúde pelos quais muitos moradores passaram. A ausência desse trabalho de base impactou na qualidade dos depoimentos e na postura dos entrevistados que.” E de fato o é.

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identidade com o lugar de moradia pensadas no início da pesquisa se confirmaram no discurso de apenas alguns entrevistados. Acredita-se, ainda, que o tempo de moradia recente ainda não possibilitou a construção de elementos que alimentassem questionamentos por parte da maioria dos moradores em relação à identificação dos mesmos com o espaço de moradia atual, principalmente quando confrontado com a realidade trágica da moradia anterior. Tudo isso atrelado ao trabalho de base mencionado anteriormente que não ocorreu, não possibilitou um aprofundamento da questão, que sem dúvida poderá ser explorada em outros níveis de pesquisa. A presente contribuição é mais uma gota no oceano ou um dos beija-flores tentando apagar um incêndio na Floresta Amazônica, mas é a percepção do fazer a nossa parte, a certeza do contribuir com o que é possível, o que fez a presente pesquisa relevante. Para a sociedade, fica a intenção e o registro da necessidade de se valorizar não a habitação de interesse social, mas o ator social enquanto ser humano, seus valores, seus hábitos, seu convívio social, sua realidade de vida, com tal ator se percebendo nesse contexto e reivindicando o que lhe cabe enquanto um direito social constitucionalizado.

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que será submetido à Banca Examinadora da Coordenação do Curso de Bacharelado em Ciências Sociais da Universidade Federal Rural de Pernambuco. Recife.” Pesquisador: Paulo Fernando Medeiros Epaminondas Orientadora: Prof. no Bairro de Monteiro. tempo necessário para a realização da entrevista. sob o olhar de famílias reassentadas da Comunidade Vila Esperança no bairro de Monteiro. a qualquer tempo. casos os moradores concordem. Para isso.”. garantido que posso retirar o meu consentimento a qualquer momento. em Recife/PE. como sujeito. A pesquisa não gerará qualquer gasto ou ganho financeiro para aqueles que dela participarem. em Recife/PE. concordo em participar do estudo “HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL: a comunicação do beneficiário com o objeto recebido na perspectiva da identidade construída com o lugar. . Esclarecimentos adicionais: a participação de cada um dos sujeitos na pesquisa poderá durar aproximadamente 60 minutos. seu andamento e suas conclusões. Fui devidamente informado e esclarecido sobre a pesquisa. se os beneficiários se identificam satisfatoriamente com a nova forma de morar. Os resultados da pesquisa serão incluídos no Trabalho de Conclusão de Curso (Monografia) do pesquisador. nem lhes trará benefícios diretos. Dra. sem a necessidade de justificar ou sem que isso me traga qualquer prejuízo. Local e data: Recife. também.Termo de Consentimento Livre e Esclarecido INFORMAÇÕES SOBRE A PESQUISA: Título Provisório do Projeto: “HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL: a comunicação do beneficiário com o objeto recebido na perspectiva da identidade construída com o lugar. 2012. Ele também poderá solicitar. ________________________________________________ RG nº _________________. entrando em contato com o pesquisador através dos telefones (81) 8673-4287 / 3039-0253 / 3202-9383. em seguida. esclarecimentos sobre o estudo. Também poderão ser tiradas fotos. os procedimentos nela envolvidos. ____/____/2012 Assinatura do sujeito:__________________________________________________________ Elaboração: adaptado de modelos disponíveis na web. em Recife/PE. apagadas. As entrevistas serão gravadas. 30 de abril de 2012 Paulo Fernando Medeiros Epaminondas CONSENTIMENTO DA PARTICIPAÇÃO DA PESSOA COMO SUJEITO Eu. O sujeito poderá se recusar a participar do estudo ou retirar seu consentimento a qualquer momento. transcritas e. demonstram comunicação com o imóvel recebido. Foi-me. sem precisar justificar e sem sofrer quaisquer prejuízos. Rita de Cássia Alcântara Domingues da Silva Telefones para contato: (81) 8673-4287 / 3039-0253 / 3202-9383 Detalhamento inicial: o trabalho tem por objetivo analisar se o os beneficiários do apartamento em prédio tipo caixão entregue às 16 famílias da Comunidade Vila Esperança em julho de 2011. As respostas serão analisadas e a identidade dos participantes identificada através do seu 1º nome. se coloca como necessária a aplicação de roteiros de entrevista individuais com os moradores dessa Comunidade. abaixo assinado. caso o sujeito entrevistado concorde. assim como os objetivos decorrentes de minha participação. sob o olhar de famílias reassentadas da Comunidade Vila Esperança no bairro de Monteiro.86 APÊNDICES Apêndice A .

HABITAÇÃO SOCIAL a) ______________________ b) ______________________ c) _____________________ 11. MORADIA ATUAL a) ______________________ b) ______________________ c) _____________________ SEÇÃO C .Explicar o porquê da entrevista: a monografia como estudo individual e o objetivo da pesquisa.87 Apêndice B . Participa de alguma organização comunitária? Sim ( ) Qual?: ___________ Não ( ) 7. LUGAR a) ______________________ b) ______________________ c) _____________________ 15. Morador(a): ______________ Apartamento: ________ Idade: ____ Sexo ( ) M ( ) F 2. IDENTIDADE a) ______________________ b) ______________________ c) _____________________ 12. VIZINHOS a) ______________________ b) ______________________ c) _____________________ 13. Quanto ganhava/mês antes: R$ __________ Quanto ganha/mês hoje: R$ ___________ 5. COMUNIDADE a) ______________________ b) ______________________ c) _____________________ 14. CASA a) ______________________ b) ______________________ c) _____________________ 10. Relação de vizinhança na moradia atual Solidária ( ) Com conflito ( ) Cada um na sua ( ) 19.Processo de mudança e comparação do antes com o depois 17.Associando conceitos: 3 palavras que mais vem à mente quando eu falo 8.1 Tem filiação com algum partido político? Sim ( ) Qual?: ____________ Não ( ) SEÇÃO B . Qual a sua religião? Evangélica ( ) Católica ( ) Espírita ( ) Candomblé ( ) Umbanda ( ) Apenas creio em Deus ( ) Não acredito em Deus ( ) 6.Roteiro de Entrevista Individual (Moradores) APRESENTAÇÃO . Até que série estudou / estuda: ____________________________________________ 3. SEÇÃO A . MORADIA ANTERIOR a) ______________________ b) ______________________ c) _____________________ 9. REASSENTAMENTO a) ______________________ b) ______________________ c) _____________________ 16. Frequência dos moradores/vizinhos/amigos se reunirem: .Informações gerais 1. Deixar claro que a ajuda e a opinião do entrevistado é fundamental para o estudo no entendimento da consideração que o Programa Capibaribe Melhor deu à comunicação do beneficiário com o objeto recebido na perspectiva da identidade construída com o lugar. Possui algum envolvimento político? Sim ( ) Como se dá esse envolvimento?: Não ( ) 7. O que faz para ganhar dinheiro: ___________________________________________ 4. Relação de vizinhança na moradia de antes Solidária ( ) Com conflito ( ) Cada um na sua ( ) 18.

88 Não mudou ( ) Reunem-se mais ( ) Reunem-se menos ( ) 20. O que mudou na Sua Vida. Há quantos anos vivia na moradia anterior? _________. Como é a moradia atual: Nº cômodos: _____ Rede elétrica ( ) Esgoto ( ) Água ( ) Outro: _____________. Está/Estava preparado para os gastos que a nova moradia trouxe? Sim ( ) Não ( ) 25. Quantos dos antigos vizinhos moram neste prédio? ___________________________. Ao pensar na expressão “sentir-se BEM”. era melhor atendido em qual realidade? Antes ( ) Atualmente ( ) 22. Você se sente satisfeito. O lugar escolhido atendeu às expectativas de vocês? Sim ( ) Não ( ) Por quê? _____________________________________________________________________. transporte. do seu próprio espaço? 47. 37.Investigando a identidade 38. O que NÃO GOSTA de morar aqui? . 39. Houve mudança significativa em relação a escolas. postos de saúde. O que ganhou/perdeu depois de Estar aqui? Ganhei: ___________________________ Perdi: ____________________________. essa atividade continua sendo desenvolvida? Sim ( ) Não ( ) 27. Algo marca sua moradira no lugar de agora? 44. que utilizavam antes e que utilizam agora? Sim ( ) Não ( ) 21. A forma de ganhar dinheiro precisou mudar por conta da nova moradia? Sim ( ) Não ( ) 28. O que ainda falta ter aqui para ser completo? 42. O que GOSTAVA de morar lá? 49. Como foi ou tem sido se incluir nessa nova realidade. deu resultado? Sim ( ) Não ( ) Por quê? ___________________________. A Prefeitura empreendeu algum tipo de trabalho social ou capacitação profissional para vocês? Sim ( ) Qual? _________________________________________________ Não ( ) 30. A quantidade de pessoas que moravam antes: É a mesma ( ) Aumentou ( ) Diminuiu ( ) 33. supermercados. 24. Sentirá saudade da moradia de antes? Sim ( ) De quê? ________________ Não ( ) 40. SEÇÃO D . etc. Em caso afirmativo. Fez novas amizades depois de ter vindo morar aqui? Sim ( ) Não ( ) 34. 35. dono ou dona de sua própria casa. creches. 29. ela remete mais a moradia: Anterior ( ) Atual ( ) 48. o que faz pra ganhar a vida hoje? _____________________________________________________________________. 31. Se houve mudança significativa. em relação a onde morava antes e agora que mora aqui? 36. pertencido em relação ao apartamento que recebeu? 46. Esse trabalho cumpriu de verdade com o seu papel ou fez de conta? Cumpriu ( ) Fez de conta ( ) 32. Desenvolvia atividade comercial em casa na antiga moradia? Sim ( ) Qual? ________________ Não ( ) 26. O que tinha lá que deveria ter aqui? 41. Em caso afirmativo. O que marcou sua moradia no lugar de antes? 43. 23. Você se considera mais pertencido à qual moradia? Anterior ( ) Atual ( ). 45. Se sim. Como era a moradia antiga: Nº cômodos: _____ Rede elétrica ( ) Esgoto ( ) Água ( ) Outro: _____________.

onde pode ser visto mais cuidado? Na realidade de antes ( ) Na realidade atual ( ) 54. ____/____/2012 Elaboração: modelo adaptado de SILVA. 57. Como os moradores cuidam do lugar? Multirão ( ) Cada um cuida do seu ( ) Cada um ou cada grupo tem um dia ( ) 52. existe na moradia atual alguma atividade para o cuidado com o lugar? Sim ( ) Qual(is)? ______________________________________________ Não ( ) 55. Quais os seus planos e desejos para o futuro? Local e data: Recife. O sentimento de COMUNIDADE continua aqui na moradia do prédio ou só existia no lugar de antes? Continua ( ) Só existia lá ( ) Por quê? _______________________. teria tido o mesmo envolvimento? Sim ( ) Não ( ) 56. Quem mais se envolve no cuidado com o lugar? Homens ( ) Mulheres ( ) Crianças ( ) Adolescentes ( ) Todos ( ) Quem pode ( ) 53. Acredita que algum vizinho venderia sua nova moradia? Sim ( ) Por qual motivo? _____________________________________________________________ Não ( ) 60. Pretende ampliar ou melhorar a nova moradia com o tempo? Sim ( ) Não ( ) 58. Se soubesse que o processo de aquisição dessa moradia teria sido como foi. . Venderia a sua nova moradia? Sim ( ) Não ( ) Por quê?______________________. Faria do mesmo jeito? Sim ( ) Não ( ) Por quê? ___________________________. 2011. Se fosse pensar no cuidado em relação ao lugar (individual e coletivo).89 50. Coletivamente. 59. 51.

Explicar o porquê da entrevista: a monografia como estudo individual e o objetivo da pesquisa. Jardins: __________________________________________________________________. 3. Houve a organização de alguma comissão de acompanhamento social das obras? Sim ( ) Não ( ) 9. Ruas da comunidade: __________________________________________________________________. Foi realizada assembleia para apresentação do plano de execução de obras para a população situada na área do projeto? Sim ( ) Não ( ) . A casa ficará em nome de quem? ( ) Marido ( ) Mulher 6. Escola(s) __________________________________________________________________. 2. Houve a instalação de Escritório Social para suporte às famílias reassentadas? Sim ( ) Não ( ) 8. Apenas quem está nessa área será reassentado ou famílias de outras áreas também serão? 4. Postos de saúde: __________________________________________________________________. O lugar escolhido pela Prefeitura para a construção do Habitacional Vila Esperança atendeu às expectativas da Comunidade? Sim ( ) Não ( ) 5. Número atual de moradores: ______.90 Apêndice C . 1. Correio ( ) Creche(s) __________________________________________________________________. Formas de crescimento e produção do espaço/acesso Principais avenidas: __________________________________________________________________. Qual é a história da Comunidade Vila Esperança? Início e o porquê da ocupação Aspectos históricos e culturais. caso existam Primeiros moradores: __________________________________________________________________. Deixar claro que a ajuda e a opinião do entrevistado é fundamental para o estudo no entendimento da consideração que o Programa Capibaribe Melhor deu à comunicação do beneficiário com o objeto recebido na perspectiva da identidade construída com o lugar.Roteiro de Entrevista Individual (Líder Comunitário) APRESENTAÇÃO . Houve trabalho social ou capacitação profissional por parte da Prefeitura? Sim ( ) Não ( ) 7.

que seriam os canais de comunicação entre as famílias reassentadas. a empresa de consultoria contratada e responsável pelas atividades do Plano de Reassentamento e a Unidade de Gestão do Projeto? 11. Há famílias cadastradas que já possuem moradia própria ou outras situações a serem mencionadas? . Quais critérios nortearam esse 1º reassentamento? Sociais ( ) Políticos ( ) 15. Como se deu ou como está se dando até o momento a participação da comunidade nesse processo de mudança? 19. para o caso de os reclamos não serem resolvidos pelo Plantão Social ou pelas Visitas Domiciliares? 12. Houve consulta sobre o desejo de reassentamento das famílias? Sim ( ) Não ( ) 18. Foi realizada reunião com as lideranças comunitárias para informar sobre algum Plantão Social ou sobre as Visitas Domiciliares (instâncias internas). Como se deu a escolha das famílias? Aleatória ( ) Sorteio ( ) Para quem mais precisou ( ) 14. A Prefeitura arcou com os custos de mudança para o novo prédio? 17.91 10. Como foi o processo de remoção das 16 famílias para o prédio? 16. A comunidade foi informada sobre a possibilidade de contato com o Ministério Público ou outros (instâncias internas). Quantas visitas de acompanhamento foram realizadas pela Prefeitura desde julho/2011? 13. Algum encaminhamento do auxílio moradia para quem ainda será reassentado foi realizado? 20.

. Elementos que não identificam Ausência de muro (insegurança). Isolação (apartamento um em cima do outro). Ausência de praça (área de convivência). Ausência de área de lazer para criança. Ausência de escritório social.92 Apêndice D . Frente do prédio não concluída. Apenas moradores da Comunidade Vila Esperança no habitacional.Elementos de Identificação e de Não Identificação Elementos que identificam Permanência no local. Não ter a “posse da terra”. Contraste radical com a realidade anterior.

.Síntese das Categorias de Entrevistados Técnica Utilizada Entrevistado Famílias reassentadas Líder Comunitário Total de famílias entrevistadas Líder 1 7 Morador 15 Entrevista Pesquisa Exploratória Elaboração: modelo adaptado de SILVA.93 Apêndice E . 2011.

Governo Estadual.422 86 1.Porto Alegre/RS Ano 2012 2011/ 2012 2012 2011 2011 200 9/ .Campo Grande/MS 2011 430 38.000 5.Florianópolis/SC Programa Serra do Mar São Paulo/SP Projeto Rio Maranguapinho Fortaleza/CE Projeto Barretos . PAC Drenagem. CAIXA. PSH. Município Governo do Estado. CAIXA Governo Estadual. BIRD.97 42 Total de Habitações Contratadas 100.16 Nordeste 2011 55 35 35 32 33.Curitiba/PR Projeto Maciço do Morro da Cruz .Ouro Preto/MG Lar dos Hansenianos Manaus/AM Residencial Boa Vista Chapadão do Sul ..10 34.406 Fonte: Revista Brasileira da Habitação. 2009/2011. União PAC2 União.895 31. 2012. 2011/ 2012 40. Programa Capibaribe Melhor.20 Nordeste Habitacional Vila Esperança 224 40 Sul Projeto Habitacional e Socioambiental Curitiba/PR Projeto Sindoméstico Salvador/BA Residencial Nova Chocolatão Porto Alegre/RS Conjunto Cidadão II Manaus/AM Projeto Casa Quilombola Campo Grande/MS Manaus/AM Programa Lares Geares Habitação Popular . Elaboração: o próprio autor. FNHIS Governo Estadual. CAIXA. União/Ministério do Planejamento União/PAC.São Paulo/SP Conjunto Habitacional Porto Novo . Governo Estadual Governo Estadual. .476 Origem do Recurso Governo Estadual. Agentes Financeiros Privados Região Sul Sul Sudeste Nordeste Sudeste Sul Iniciativa Programa Morar Bem Paraná . CAIXA Prefeitura/Demhab Prefeitura/Fundo Municipal do Prezeis.O Metro Quadrado Construído Determinado pela Origem de Recurso por Região Brasileira Metro Quadrado Construído 52 50 48 / 59 45 43.Secretaria de Desenvolvimento Urbano Município/Demhab. Sedur . PAC2 União/PAC. CAIXA PAC Governo Estadual.379 9..000 5.35 35 35 Sul Norte CentroOeste Norte Sudeste Norte CentroOeste 2011 2011 2011 2012 2012 2012 2011 181 800 300 8. CAIXA Prefeituras.18 / 59.562 24 1.94 Apêndice F . União e Prefeituras Governo Estadual.

.Primeira publicação referente ao habitacional no bairro de Monteiro Fonte: Jornal do Commercio (Caderno Cidades).95 ANEXOS Anexo A . de 08/07/2011.

©2012 Google.96 Anexo B .Localização do bairro de Monteiro (satélite) Fonte: Google Maps .Localização do bairro de Monteiro (mapa) Fonte: Google Maps . Anexo C . .©2012 Google.

Anexo E .Parte detrás do prédio Fonte: acervo particular do autor. 2012.Placa de construção do empreendimento Fonte: acervo particular do autor.97 Anexo D . . 2012.

98 Anexo F . .Corredor de acesso para a entrada do prédio Fonte: acervo particular do autor. 2012.

Entrada do prédio Fonte: acervo particular do autor. .99 Anexo G . 2012.

2012.Corredor térreo de acesso Fonte: acervo particular do autor.Área lateral Fonte: acervo particular do autor.100 Anexo H . . 2012. Anexo I .

Escadaria (ausência de corrimões e de fitas antiderrapantes) Fonte: acervo particular do autor.101 Anexo J . 2012. Anexo J . 2012.Registro de água aparente Fonte: acervo particular do autor. .

Anexo L .Bicicletário e área para a guarda de objetos diversos Fonte: acervo particular do autor.102 Anexo K . .Jardim criado e mantido por alguns moradores Fonte: acervo particular do autor. 2012. 2012.