HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL

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identidade construída em relação ao lugar de moradia o caso da Comunidade Vila Esperança, em Recife.

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‘’[...] se nos perguntassem qual o benefício mais precioso da casa, diríamos: a casa abriga o devaneio, a casa protege o sonhador, a casa nos permite sonhar em paz. Somente os pensamentos e as experiências sancionam valores humanos.’’ Bachelard (1988, p. 201)

2012

Paulo Fernando Medeiros Epaminondas
Universidade Federal Rural de Pernambuco Departamento de Ciências Sociais Bacharelado em Ciências Sociais

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UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DE PERNAMBUCO DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS BACHARELADO EM CIÊNCIAS SOCIAIS

PAULO FERNANDO MEDEIROS EPAMINONDAS

HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL: identidade construída em relação ao lugar de moradia - o caso da Comunidade Vila Esperança, em Recife.

Linha de pesquisa: Espacialidade e Socialidade

RECIFE 2012

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PAULO FERNANDO MEDEIROS EPAMINONDAS

HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL: identidade construída em relação ao lugar de moradia - o caso da Comunidade Vila Esperança, em Recife.

Monografia apresentada à Coordenação do Curso de Bacharelado em Ciências Sociais da Universidade Federal Rural de Pernambuco, como parte dos requisitos necessários à obtenção do grau de Bacharel em Ciências Sociais. Orientadora: Prof.ª Dr.ª Rita de Cássia Alcântara Domingues da Silva

RECIFE 2012

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643.1 E63h

Epaminondas, Paulo Fernando Medeiros. Habitação de interesse social: identidade construída em relação ao lugar de moradia - o caso da Comunidade Vila Esperança, em Recife / Paulo Fernando Medeiros Epaminondas. – Recife: O autor, 2012. 101 p. : il. color. Orientadora: Rita de Cássia Alcântara Domingues da Silva Trabalho de conclusão de curso (graduação) – Universidade Federal Rural de Pernambuco, Departamento de Ciências Sociais, Bacharelado em Ciências Sociais, 2012. Inclui referências, apêndices e anexos. 1. Comunicação. 2. Identidade. 3. Habitação de interesse social. 4. Sustentabilidade. 5. Política habitacional. I. Silva, Rita de Cássia Alcântara Domingues da. (Orientadora). II. Título.

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À Eronita Medeiros Epaminondas, minha MÃE e avó, dedico esta monografia com o sentimento de um Sonho meu que Dela se tornou e que por Ela se realizou. (In memoriam)

Dona Eró. pelos exemplos de luta. A todos os Grandes Amigos de minha vida. Ao meu poodle Looke. Ao professor João Gilberto pela luz epistemológica e discussões sobre o trabalho no decorrer da pesquisa.fazendo-me perceber que aprendizados trazem sacrifícios e que a saída da zona de conforto no contexto social é antes de tudo o primeiro passo a ser dado. resignação e pelos momentos de constante incentivo. Ao Amigo e companheiro Jairo.7 AGRADECIMENTOS A Deus. horizonte de crédito e fortaleza simplesmente fundamental para o que foi necessário fazer. pela compreensão. A todos os meus familiares. sensibilidade e apoio incondicionais e incansáveis no dia-a-dia da vida. porque nesses momentos eu aprendi e cresci. Em especial à minha MÃE e avó Eronita. dando-me a liberdade de mergulhar e convidando-se a me acompanhar no desenvolvimento e desvendares que a temática do trabalho poderia nos trazer. contribuintes ou não com o trabalho de pesquisa. que apesar de encontrar-se numa outra dimensão. de crescer e pela resignação e perseverança que foram necessárias para ultrapassar limites dessa jornada . À minha tia Laudeci pelo exemplo de fibra. mostrando-me nesses momentos que era necessário parar. pela compreensão da ausência. À minha orientadora Rita de Alcântara pela paixão com que abraçou o trabalho e pelo crédito dado à ideia desde o primeiro instante. ensinou-se de forma fundamental a importância do ter e do saber algo para ser alguém na vida. de vida e por todas as ocasiões nas quais me disseram não. exercício do abdicar e esperança de um amanhecer diferente que nos torna melhores que antes. pela oportunidade de aprender. Ao meu Pai José Leôncio por ter assumido a obrigação de me educar e por me dar a oportunidade de ter a família e os exemplos que tenho. pelo entendimento da abdicação e pela certeza da relação. À minha tia Laudicea pelos momentos de apoio e de reflexão essenciais à concepção de valores que estabeleci para a vida. por me fazerem acreditar no quanto a vida vale a pena. À minha irmã Paula Fernanda. . pelas discussões indispensáveis que somaram ao trabalho de pesquisa. elemento de minha vida que faz tudo valer à pena sem pedir absolutamente nada em troca. À minha tia Laudenice por ter acreditado e lutado por mim enquanto ser humano (In memoriam). Ao meu primo Wâniçon e sua esposa Flávia pelo exemplo do caminho construído. pela impaciência de esperar quando queria brincar.

sem nunca deixar de nos valorizar como alunos. À Universidade Federal Rural de Pernambuco. pelo apoio. sempre respeitou. ao Bruno Batista pelos momentos de esclarecimento. A todos àqueles. contribuíram direta ou indiretamente para que eu pudesse chegar ao final dessa jornada. pela disponibilidade. que.8 À Ana Paula de Macedo Vasconcelos (Paulinha). administrativos. enfim. Agradeço de forma especial à Magnífica Reitora Maria José de Sena. À professora Gilka. ao Douglas pela acolhida e consideração dispensadas. ao Paulo de Tasso pela sensibilidade e humanidade que lhes são sempre peculiares. À professora Dora. pela amizade e parceria ao longo dos anos. pelo novo rumo que imprimiu ao Bacharelado de Ciências Sociais em sua gestão e por nos acordar sempre que necessário. à Monaliza Santos pela parceria fiel a partir do momento em que passamos a caminhar juntos. por acreditar tanto em meu potencial e pelos inúmeros momentos de direcionamento e esclarecimento que só contribuíram para um entendimento coerente do caminho a ser percorrido no trabalho de pesquisa. ao Rodrigo Assis e ao Fábio Alves por terem sido referenciais do que busquei ser enquanto graduando e à Janaína Melo pela amizade. Mas pontualmente à professora Giuseppa. que através de seus auxiliares de apoio. inclusive. o meu muito obrigado! . pela exigência que nos encaminhou ao aperfeiçoamento e pelo reconhecimento do bom trabalho realizado. À professora Grazia por todo apoio e paciência no sentido de nos instrumentalizar metodologicamente. analistas e gestores nos forneceram o suporte e a infraestrutura necessários para o exercício educacional diário. escutou e procurou entender e orientar. graduandos que. por ter me arguido em certo momento dessa caminhada sobre como escrever algo que ainda não estava em minha mente. disposição e apoio incondicionais sempre presentes na Coordenação do Curso. também especialmente. com quem aprendi a primar pelos detalhes e a admirar pelo comprometimento com o ato de educar. técnicos. mas principalmente enquanto seres humanos. E ao professor Fábio Andrade. pelas aulas cheias de energia e pela severidade de quando se fez oportuno. pela sensibilidade e pelo cuidado no exercício de educar no tratamento dispensado aos graduandos enquanto Pró-Reitora de Extensão. Agradeço especialmente à Glauce Medeiros pelo incentivo e admiração. A todos os professores com os quais tive a oportunidade de aprender e crescer. A todos os Amigos e colegas com os quais tive a oportunidade de conviver.

As casas abrigam estórias. sem o homem para habitá-la. Daniel Gomes de Faria .9 E a casa. não passa de paredes. telhados. mas cabe ao homem escrevê-las como lhe convém. janelas e portas sem forma. A luz invade o espaço. sem propósito e sem vida. mas não ilumina o homem.

identidade. Nesse sentido. no contexto dos programas e resultados da Política Nacional de Habitação (PNH). frente à identidade que se constrói com o contexto de moradia. tiveram ou têm com a habitação recebida. A análise esteve centrada na comunicação que pessoas reassentadas do primeiro prédio entregue do Habitacional Vila Esperança no Bairro de Monteiro. habitação de interesse social. enquanto elementos fundamentais para a sustentabilidade social do habitar. bem como as discussões mais recentes a cerca das políticas urbanas e regionais no Brasil. visando iniciar a discussão a partir de sua base conceitual e histórica. O estudo também procurou. nesse sentido. O estudo propõe um olhar para as habitações de interesse social que se insira numa perspectiva de política pública que interaja e que considere a importância da comunicação da pessoa humana com o espaço habitacional. bem como de campo através da aplicação de roteiros de entrevista semiestruturados e de forma individual. sustentabilidade e política habitacional.10 RESUMO O presente trabalho de pesquisa tem como objetivo principal analisar a comunicação com o espaço habitacional numa perspectiva da identidade construída em relação ao lugar de moradia. sem deixar de levar em consideração a obtenção de dados de ordem quantitativa. com vistas ao enfrentamento do déficit habitacional de interesse social com resultados de qualidade e que contemplem de forma efetiva as famílias beneficiadas. em Recife/PE. na tentativa de percepção de elementos de pertencimento com o lugar de moradia na proposta habitacional do PREZEIS. impasses e limites da proposta habitacional enquanto um instrumento de política pública que se propõe com a capacidade de trazer um modelo de intervenção diferenciado. identificar o padrão existente para a habitação de interesse social. para um embasamento do trabalho de pesquisa. o estudo se propõe a um resgate dos conceitos de casa. visando à busca quantitativa e principalmente qualitativa das informações obtidas. A pesquisa tenta perceber e avaliar as potencialidades. A atividade de pesquisa buscou atestar ou discordar e. bem como do histórico da habitação de interesse social. . Palavras Chaves: comunicação. identificados como relevantes para o contexto da pesquisa. A metodologia da pesquisa consistiu numa pesquisa bibliográfica dos elementos que compõem a temática. o convívio social e principalmente seus habitantes. moradia e habitação. esboçar um caminho que construa um entendimento para habitações de interesse social que leve em consideração as especificidades de cada localidade. através de uma abordagem qualitativa e descritiva. O trabalho de pesquisa foi centrado na lógica indutiva com retornos à teoria sendo construídos durante a realização da pesquisa.

housing of social interest. facing identity that is constructed with the housing context. as well as field by means of interviews script application semi-structured and individually. as well as a housing history of social interest. residence and housing. Key Words: communication. identity. as well as the most recent discussions towards Brazilian urban and regional policies. deadlocks and limits of the housing proposal while an instrument of public policy proposed to be with the capacity of bringing a differentiated intervention model. The analysis was focused on the communication that people displaced in the first delivered building of Habitacional Vila Esperança in the District of Monteiro. Research activities aimed at certifying or disagreeing. while fundamental elements for home social sustainability. The research attempts to perceive and assess the potentialities. in an attempt of perception of belonging elements with the housing place in the PREZEIS housing proposal. sustainability and housing policy. looking for quantitative and mainly qualitative search of the information collected. thus. outline a path that builds an understanding for housing of social interest which may take into consideration as specificities of each location. aiming for confrontation of the housing deficit of social interest with quality results and that contemplate effectively the families benefited. for a technical foundation of research work. The study proposes a glace at housings of social interest which are inserted in a perspective of public policy that interacts and considers the importance of communication of human individual with the housing space. have or had with the housing delivered.11 ABSTRACT This current research work mainly aims at analyzing the communication with the housing space in a perspective of the build-up identity concerning housing place. aiming at starting the discussion from its conceptual and historical background.PNH). the study is devoted to rescue of concepts such as home. surely taking into consideration quantitative data gathering identified as relevant for research context. . As such. The study also searched. Recife/PE. Research work was focused on the inductive logics returning to theory and being constructed during research accomplishment. to identify the existing housing standard for housing of social interest. social coexistence and mainly the inhabitants. by means of a qualitative and descriptive approach. The research methodology comprised of bibliographic results of the elements that comprise the thematic. in the context of programs and results of the National Housing Policy (“Política Nacional de Moradia” .

.........................................................Sobre o preparo para os novos gastos .......Contratações do SBPE (R$ bilhões) ......................................Investigando o trabalho social desenvolvido ....................Região Noroeste..........................................Posição sobre as adesões ao SNHIS................. 32 Gráfico 2 .................................................................... 53 Gráfico 1 .................. 42 Figura 3 ............................................................................................................................................................................................... 31 Figura 2 . 46 Gráfico 5 ....................................................Investigando a atividade econômica .................. 48 Gráfico 7 ......... 52 Figura 4 .............O metro quadrado por Região considerando o recurso predominante ..... 74 Mapa 1 .................................................................Associação com a moradia atual .... 50 Gráfico 8 ... 45 Gráfico 4 .................Localização do bairro de Monteiro na RPA 03 ....................................... 33 Gráfico 3 ....................Infraestrutura institucional da questão habitacional no Brasil ............................................................................................................................. 36 .Tendência de redução do déficit habitacional brasileiro .........Associação com o termo lugar ......Evolução dos investimentos em habitação ......... 71 Gráfico 12 .....................................................Base cartográfica do bairro de Monteiro ............................... 54 Quadro 1 ...12 LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1 ........... 69 Gráfico 10 .... 72 Gráfico 13 ............Associação com o termo identidade ....Entrevistados por sexo ............................................Organograma da Política Nacional de Habitação .......Financiamentos FGTS (R$ bilhões) ............................................................................ 68 Gráfico 9 .......................................................................Tendências de mudanças no macro-complexo construção ........... 47 Gráfico 6 ............ 73 Gráfico 14 ................................................................................. RPA 03 .............Foco nos seguimentos de baixa renda (percentual de atendimento por faixa de renda) ........................ 70 Gráfico 11 ............................................... 74 Gráfico 15 ........Entrevistados por religião ......................

...... segundo RPA e bairros ....... 57 Tabela 8 .......... 2010 ......Diferença entre a população de 2000 e 2010 e taxa média de crescimento geométrico anual.................. 56 Tabela 6 ................................................................Custos médios com habitação ......................................................População residente por grupos etários e população ignorada................................... Recife......... 34 Tabela 2 ..... 35 Tabela 4 .....Demanda futura por habitação....População residente...... segundo bairros .....13 LISTA DE TABELAS Tabela 1 ................IPTU não residencial: total de imóveis................... valor lançado e valor médio lançado........................................................................................ segundo bairros .....Projeção orçamentária adotando-se o percentual da PEC ........................ 35 Tabela 5 ............................ 59 ......... segundo RPA. 34 Tabela 3 ............. área e densidade...................População residente por sexo e situação de domicílio........ 57 Tabela 7 ............Projeção orçamentária considerando o avanço de recursos do PAC ............... 58 Tabela 9 ...............

Sociais e Culturais Conselho Nacional de Habitação de Interesse Social Conselho das Cidades Conselho Gestor do Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social Dados Físicos do Imóvel Declaração Universal dos Direitos Humanos Empresa de Urbanização do Recife Fundo de Amparo Residencial Fundo de Desenvolvimento Social Financiadora de Estudos e Projetos Fundo de Garantia por Tempo de Serviço Fundo Local de Habitação de Interesse Social Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social Instituto de Aposentadoria e Previdência Social Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada Morte por Invalidez Permanente .14 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ANTAC BIRD BNH CAIXA CDESC CNHIS ConCidades CGFNHIS DFI DHDH URB FAR FDS FINEP FGTS FLHIS FNHIS IAPs IPEA MIP Associação Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído Banco Internacional para a Reconstrução e Desenvolvimento Banco Nacional de Habitação Caixa Econômica Federal Comitê dos Direitos Econômicos.

Sociais e Culturais Plano Nacional de Habitação Plano Local de Habitação de Interesse Social Programa Minha Casa Minha Vida Política Nacional de Habitação Plano de Regularização das Zonas Especiais de Interesse Social Regiões Político-Administrativas Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo Sistema Financeiro da Habitação Sistema Nacional de Avaliações Técnicas Sistema Nacional de Habitação Sistema Nacional de Habitação de Mercado Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social Zonas Especiais de Interesse Social .15 MCidades OGU OIT PAC PBQP-H PCM PCR PIDESC PLANHAB PLHIS PMCMV PNH PREZEIS RPAs SBPE SFH SINAT SNH SNHM SNHIS ZEIS Ministério das Cidades Orçamento Geral da União Organização Internacional do Trabalho Programa de Aceleração do Crescimento Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat Programa Capibaribe Melhor Prefeitura da Cidade do Recife Pacto Internacional sobre os Direitos Económicos.

moradia e habitação _____________ 23 2 O PROCESSO DE EVOLUÇÃO DO PADRÃO HABITACIONAL DE INTERESSE SOCIAL _________________________________________________________________ 26 3 POLÍTICAS URBANAS E REGIONAIS NO BRASIL: DISCUSSÕES RECENTES __ 38 3.Escadaria (ausência de corrimões e de fitas antiderrapantes) ____________________________ 101 Anexo K .3 Dados populacionais e de domicílio __________________________________________________ 56 4.Jardim criado e mantido por alguns moradores ______________________________________ 102 .16 SUMÁRIO INTRODUÇÃO ___________________________________________________________ 17 1 ALGUNS CONCEITOS PRELIMINARES: casa.Bicicletário e área para a guarda de objetos diversos _________________________________ 102 Anexo L .Registro de água aparente ______________________________________________________ 101 Anexo J .1.1.6 Macrozoneamento e importância histórica _____________________________________________ 59 5 FORMULAÇÃO DO PROBLEMA __________________________________________ 60 6 RESULTADOS DA PESQUISA ____________________________________________ 68 CONSIDERAÇÕES FINAIS ________________________________________________ 78 REFERÊNCIAS __________________________________________________________ 83 APÊNDICES _____________________________________________________________ 86 Apêndice A .Entrada do prédio _____________________________________________________________ 99 Anexo H .Placa de construção do empreendimento ___________________________________________ 97 Anexo E .1 CARACTERIZAÇÃO DO BAIRRO _________________________________________________________ 52 4.Corredor de acesso para a entrada do prédio _________________________________________ 98 Anexo G .Síntese das Categorias de Entrevistados __________________________________________ 93 Apêndice F .Elementos de Identificação e de Não Identificação _________________________________ 92 Apêndice E . A ORIGEM DE RECURSO E SUA INFLUÊNCIA NO METRO QUADRADO CONSTRUÍDO _________________ 50 4 O BAIRRO DE MONTEIRO EM RECIFE/PE ________________________________ 52 4.1.O Metro Quadrado Construído Determinado pela Origem de Recurso por Região Brasileira _ 94 ANEXOS ________________________________________________________________ 95 Anexo A .Parte detrás do prédio __________________________________________________________ 97 Anexo F .1 Localização e acesso ______________________________________________________________ 52 4.Termo de Consentimento Livre e Esclarecido _____________________________________ 86 Apêndice B .2 Evolução do espaço urbano _________________________________________________________ 55 4.5 Economia________________________________________________________________________ 58 4.Localização do bairro de Monteiro (mapa) __________________________________________ 96 Anexo C .Roteiro de Entrevista Individual (Líder Comunitário) _______________________________ 90 Apêndice D .Roteiro de Entrevista Individual (Moradores) _____________________________________ 87 Apêndice C .1.1.4 Densidade demográfica ____________________________________________________________ 57 4.Primeira publicação referente ao habitacional no bairro de Monteiro _____________________ 95 Anexo B .1.1.Área lateral _________________________________________________________________ 100 Anexo I .Localização do bairro de Monteiro (satélite)_________________________________________ 96 Anexo D .Corredor térreo de acesso _______________________________________________________ 100 Anexo J .

tem-se: (a) Mapear um perfil dos moradores reassentadas maiores de 18 anos. p. 28). através de lei de iniciativa popular. enquanto um processo que “[. observando os significados e simbologias presentes no exercício de morar. através de um roteiro de entrevista semiestruturo de forma individual (mínimo de um representante por família). e na margem direita . 1 . tais como: o processo econômico e concentração de terras.] utilizando-se da metodologia científica. com vistas ao enfrentamento do déficit habitacional de interesse social. (d) Identificar o nível de satisfação dos beneficiários com a nova forma de morar. na Comunidade Vila Esperança no Bairro de Monteiro. p.. a intervenção do poder público se faz presente através do PREZEIS1 e. Como objetivos específicos.. futuramente. Para melhorar a situação dessas comunidades carentes.área objeto de análise -. Instituído em 1987.42). teve-se como objetivo geral a construção de uma análise crítica da questão da habitação de interesse social. a ocupação ao longo do Rio Capibaribe reúne uma população de poder aquisitivo variado. permite a obtenção de novos conhecimentos no campo da realidade social” (GIL. da proposta do Programa Capibaribe Melhor (PCM) da Prefeitura da Cidade do Recife. . 1999. em Recife/PE.17 INTRODUÇÃO Na história urbana do Recife. passou a estabelecer parâmetros para novas Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS) e também tem como objetivo o estímulo à interação das comunidades com o resto da cidade através de projetos de melhoria para as áreas (MORAIS apud LOIOLA.área contemplada pelo projeto -. (b) Estruturar os elementos de comunicação/identidade com o lugar de moradia anterior e atual. além de ter se tornado o reflexo da participação comunitária no processo de gestão. (c) Estabelecer um comparativo entre os fatores que comunicam/identificam em relação ao lugar de moradia atual. Na margem esquerda predomina uma população de faixa de renda alta com poucos trechos de ocupações pobres. encontra-se um número expressivo de áreas pobres. os espaços foram ocupados em tempos diversos e de forma diferenciada. A presente pesquisa caracteriza-se como uma pesquisa social. 2011. Nos dias atuais. em razão de um conjunto de fatores vivenciados no tecido urbano. No caso específico desse estudo. no que concerne à comunicação do beneficiário com o objeto recebido numa perspectiva da identidade construída em relação ao lugar de moradia.

89). beneficiadas inicialmente com recursos do PREZEIS. Também foi identificado. p. Segundo Lüdke e André (1986.18 O método utilizado terá o entendimento de permitir que a realidade social tenha a possibilidade de ser reconstruída enquanto um objeto do conhecimento. 1995. A categoria de pesquisa que nos norteará será a da pesquisa qualitativa.. . Foi idealizado inicialmente para o contexto de pesquisa trabalhar com famílias reassentadas e ainda não reassentadas. 1994. 62-63) e com o “[.] estudo delimitado e que consiste na observação detalhada de um contexto” (BOGDAN e BIKLEN. em Recife/PE. considerando que para o que se propôs a pesquisa tal faixa-etária atendeu de forma plena aos objetivos propostos. Os procedimentos de coleta de dados se deram através de roteiros de entrevista semiestruturada. conforme descrito por Minayo (2004. Posteriormente. 47). considerando que busca analisar a dimensão de comunição do beneficiário com o objeto recebido (habitação de interesse social). 34) a entrevista “[. p..] processo sendo tão ou mais importante que os resultados” (BOGDAN e BIKLEN. no bairro de Monteiro. que os nove prédios restantes que comporão o Habitacional Vila Esperança não seriam construídos até o final da pesquisa. aplicados de forma e com consentimento individual.] permite a captação imediata e corrente da informação desejada” e por isso se optou por tal instrumento de pesquisa. por meio de um processo categorizador (detentor de características peculiares) que una dialeticamente o contexto teórico e o empírico. p..] ambiente natural como fonte principal dos dados” (GODOY.. incompatível com o tempo previsto para a realização da pesquisa.. os novos beneficiários da Comunidade serão construídos com recursos do Programa Capibaribe Melhor da Prefeitura da Cidade do Recife. a pesquisa teve como foco de investigação 16 famílias reassentadas da Comunidade Vila Esperança. O contexto de entrevistados foi o de pessoas maiores de 18 anos. p. considerando a falta de previsão para a solução sobre a desapropriação da área aonde serão construídos os prédios complementares ao habitacional. mas na ida ao campo percebeu-se que tal abordagem demandaria um trabalho em longo prazo.. numa perspectiva da identidade construída em relação ao lugar de moradia. com o “[. Também se tem como característica do trabalho o fato de ser um estudo de caso. até a ocasião em que se esteve em campo.. Nesse sentido. p 35).. situando-se como um “[. 1994.

tendo havido retornos à teoria que fundamentaram a realização da pesquisa. reforçando a abordagem qualitativa mencionada. o que chamou atenção ao contexto de análise da pesquisa. a comunicação com o objeto recebido. A segunda fonte de informação esteve na pesquisa de campo com uma abordagem qualitativa e descritiva da realidade.PDRI. A opção pela lógica indutiva para análise da pesquisa fez-se por se acreditar que o método traria o aprofundamento esperado ao conhecimento empírico. A lógica idealizada para a pesquisa foi a indutiva. que “[. no contexto dos programas e resultados da política nacional de habitação. a habitação de interesse social enquanto um conceito e o seu histórico no mundo e no Brasil. sem deixar de levar em consideração a obtenção de dados de ordem quantitativa considerados como relevantes para os objetivos da pesquisa.. numa abordagem que buscou atingir o universo possível de moradores maiores de 18 anos das . parques e habitacionais do PCM. as discussões recentes a cerca das políticas urbanas e regionais no Brasil.. enquanto abordagens teóricas específicas ao contexto de pesquisa. percebeu-se o indicativo de uma construção quantitativa da realidade. 1999. A pesquisa esteve organizada de forma a levantar aspectos simbólicos relacionados ao exercício de morar e considerados como relevantes para a sustentabilidade social do habitar. Dessa forma. a habitação enquanto um direito.] parte do particular e coloca a generalização como produto posterior do trabalho de coleta de dados particulares” (GIL. macrodrenagem. o padrão da habitação de interesse social no Brasil e sua sustentabilidade social. 28). moradia e habitação.19 A primeira fonte de informação da pesquisa foi a bibliográfica através de pesquisa documental relacionada ao PREZEIS e ao PCM. Numa análise inicial do Plano de Desapropriação e Reassentamento Involuntário . A pesquisa bibliográfica também se expandiu para os conceitos de casa. documentação que esboça a realização de estudos e projetos executivos do sistema viário. o conceito de identidade no âmbito das ciências sociais e a identidade relacionada ao lugar. p. O processo de investigação esteve fundamentado no universo das famílias envolvidas e da liderança comunitária da Comunidade Vila Esperança. o levantamento de bibliografia específica e a inserção na realidade empírica de estudo contribuíram com a metodologia adotada para a finalidade a que a pesquisa se propôs.

presente na pesquisa em questão. formas de crescimento e produção do espaço. visando construir o que ficou desse contexto de mudança no que concerne ao atendimento das necessidades de quem foi beneficiado. que se reúnem num grupo de elementos sob um título genérico. buscar perceber das famílias nesse comparativo os elementos que somaram e que não somaram durante o processo de mudança. procedeu-se com a transcrição e com a análise dos dados sendo realizada através de categorias de análise. dentre outras questões que foram consideradas como relevantes para a análise na percepção relacionada à comunicação e identidade construída pelos beneficiários. esteve relacionado à liderança comunitária da Comunidade Vila Esperança. 117) define como rubricas ou classes. Um outro elemento de análise. desconfiança ou recusa por parte dos mesmos. aspectos históricos e culturais. em razão dos caracteres comuns de tais elementos. A terceira categoria foi a do processo de mudança e comparação do antes com o depois. última e em nossa análise fundamental categoria foi à relacionada à investigação da identidade. Reforce-se que a relevância dos dados obtidos encontra-se na representatividade simbólica e de valores enquanto percepção do grupo estudado e que se encontram relacionadas à nova realidade de habitar. simbologias e pertencimento. que teve o objetivo de mapear um perfil dos entrevistados criando a possibilidade de um futuro cruzamento de dados. a comunicação. Concluída a aplicação dos roteiros de entrevista. No contexto das famílias reassentadas a primeira categoria de análise da pesquisa foi a de informações gerais. que teve o intuito de considerando a realidade atual e anterior. que Bardin (1997. identidade. na qual se buscou um resgate das percepções dos entrevistados através de termos relacionados à temática que pudessem constituir a base de análise para a investigação relacionada à comunicação e à identidade construída em relação ao lugar de moradia pelas famílias reassentadas. A quarta. seus valores. ocorreu por questões de ausência. A segunda categoria foi a da associação de conceitos. que procurou perceber nas famílias a relação com o lugar (moradia anterior e atual).20 16 famílias reassentadas e quando o acesso se deu de forma parcial ou não existiu. . ocasião em que pudemos construir a história da comunidade que é objeto de estudo da pesquisa através de informações sobre o início e o porquê da ocupação. p.

Para fundamentar melhor o trabalho foram incorporados à discussão . a comunicação do beneficiário com o objeto recebido. Há uma percepção da necessidade de se pensar na qualidade e. Paralelamente. um entendimento que transcende a ideia de que se trata pura e simplesmente de construir habitação para pessoas de baixa renda. a identidade enquanto um conceito. A abordagem sobre esse tipo de habitação possui. No quarto capítulo. com o intuito de melhor conhecer o local aonde se encontram localizadas as famílias objeto de estudo. O trabalho está organizado em seis capítulos. No quinto capítulo. O primeiro expõe os conceitos de casa. O segundo capítulo trabalha a temática da habitação de interesse social. no arcabouço teórico. é abordada a questão do valor do metro quadrado desse tipo de moradia no Brasil subsidiando a discussão que será feita mais adiante sobre o padrão habitacional proposto pelo PREZEIS. a identidade construída em relação ao lugar e a proposta habitacional do PREZEIS. Hespanhol (2007). na sustentabilidade que esses empreendimentos habitacionais precisam ter. resgatando o seu processo de evolução no mundo e no Brasil. tem-se a discussão em cima dos resultados da pesquisa. No sexto capítulo. apresenta-se a formulação do problema de pesquisa identificando os agentes/atores sociais e trabalhando as temáticas da habitação como um direito. principalmente. moradia e habitação para fundamentar e alinhar uma base ao conceitual de habitação de interesse social. No terceiro capítulo buscou-se identificar as discussões mais recentes a cerca das políticas urbanas e regionais no Brasil.da construção identitária em relação ao lugar de moradia -. tendo como base a proposta qualitativa do trabalho de pesquisa.21 Os critérios estabelecidos para a pesquisa tiveram como objetivo a obtenção de dados e informações tanto em nível geral quanto específico e mais aprofundado. Berger & Luckmann (2004) e Ciampa (1989) sobre o conceito de identidade. Moreira. outros autores contemporâneos como Teixeira (2004). com o intuito de perceber a política nacional de habitação sob a perspectiva de seus programas e resultados e a habitação de interesse social nesse contexto. Para isso. em seus aspectos socioeconômicos. o qual será desenvolvido no contexto do trabalho de pesquisa. na atualidade. destacam-se os pensamentos de Simmel (1983) sobre a comunicação com os objetos no contexto social. . procurou-se caracterizar o bairro de Monteiro no município de Recife/PE.

numa tentativa de observar as suas implicações para a política habitacional da Cidade do Recife. no contexto da proposta habitacional do PREZEIS. enquanto uma análise do contexto de pesquisa partindo dos resultados. .22 O trabalho de pesquisa é concluído com as considerações finais.

cujos hábitos de uso dos moradores são a tônica da mudança. seria a integração dos sentidos de casa e moradia fazendo parte do espaço urbano com todos os elementos de suporte e de infraestrutura que esse espaço possa oferecer.. considerando a casa como já mencionado enquanto o ente físico e a moradia teria considerável ligação com aquilo que faz a casa funcionar.” A moradia seria então o resultado do uso de quem a habita e que traz peculiaridades que confirmam a diferenciação de sentidos em relação ao objeto casa. o mesmo ente físico. a casa nos permite sonhar em paz. Somente os pensamentos e as experiências sancionam os valores humanos”. mas não apenas física.. moradia e habitação Entende-se o conceito de casa como sendo o espaço físico com a função de proteção. proteção também dos elementos que constituem o “ser” humano. políticas. ainda não significado ao ser de imediato construído. E a habitação. Entendido no presente trabalho de pesquisa enquanto espaço integrado ao ambiente natural e àqueles que o integram.23 1 ALGUNS CONCEITOS PRELIMINARES: casa. p. mas não apenas física. a casa protege o sonhador. integrando o interno com o externo. podendo ser conceituada da seguinte forma (MARTUCCI e BASSO apud SAÚGO. ou seja. 201). Entende-se dessa forma o conceito de casa como sendo o espaço físico com a função de proteção. etc. tendo em vista os hábitos de quem habita tal ente físico (MARTUCCI e BASSO apud SAÚGO. 37) e assim “um mesmo invólucro. p. econômicas. pautando-se em elementos que se relacionam com a vida das pessoas e suas respectivas relações sociais. 37): Temos que considera-la e analisa-la. 2 .] a casa abriga o devaneio. se transforma em moradias diferentes. acompanha-se a ideia de que casa e moradia trazem consigo sentidos diferenciados. 2010. enquanto um componente físico que tem na sua significação uma construção que se dá ao longo do tempo de moradia. Bachelard (1988. ideológicas. no contexto da habitação construída pelo homem. também dos elementos que constituem o “ser” humano. componente físico que tem na sua significação uma construção que se dá ao longo do tempo de moradia. 2010. trabalhando através do conceito de habitat2. numa abordagem inspiradora diria que “[. com características diferentes. p. nesse contexto. Nesse sentido. históricas.

o que se confirma em Vieira e Chaves (2011.24 Verifica-se. enquanto componente da política habitacional. mas que se colocaria como objeto de outra análise. p. 19) a esse respeito. sem prejuízo do ambiente familiar”. melhor as condições de moradia e melhor a qualidade da habitação” (CARDOSO apud SAÚGO. 6º da Constituição Brasileira. Palermo (2009. de forma que “quanto mais bem equipado o setor urbano onde estiver inserida a casa. Dessa forma. Considere-se para o estudo em questão. quando o fazer atual relacionado à habitação de interesse social já estivesse mais consolidado. muito embora o trabalho social atrelado a quem seja beneficiado. a observância desse aspecto econômico relacionado ao hábito de morar talvez pudesse ser objeto de reflexão futura. 38). por exemplo. que a habitação poderá ser considerada como qualificada a depender de sua localização. diante da demanda que se tem a atender e ainda com uma qualidade em processo de construção. o vínculo existente entre a habitação e a estrutura urbana na qual a mesma se encontra inserida. não apenas construtiva. p. p. que numa análise mais ampla atenderia a necessidades de ordem social ou econômica quando em algumas realidades pode se visualizar até mesmo o uso do comércio no ambiente de moradia. contudo. assim. Na presente análise que foca o direito à moradia. fomentando ao espaço um sentido pessoal e específico. mas de atendimento a necessidades básicas daqueles que são beneficiados. 98-99). considera ao abordar a questão da estrutura de funcionamento da casa a “necessidade da busca de alternativas de projeto que facilitem a inserção do trabalho dentro da moradia. enquanto um encaminhamento de fortalecimento ao direito fundamental ao trabalho arrolado como um direito social. a moradia enquanto prática e a habitação enquanto ambiente que atende a necessidades precise de forma mais pontual de . previsto no art. tal aspecto precisaria ser considerado de forma relevante quando se colocasse como elemento de sustento imprescindível da família ou vinculado a questões de ordem cultural. não tendo como separá-la porque é através dessa infraestrutura e da rede de serviços urbanos a que está atrelada. que a casa como espaço. mas que procura atender a necessidades sejam elas físicas ou subjetivas. um suporte relacionado ao posicionamento de tal população junto ao mercado de trabalho. a habitação pode ser considerada como aquele elemento do espaço urbano que vai além das funções de proteger ou peculiarizar-se através do uso. 2010. deveria prever com base na realidade socioeconômica atendida.

ao modo de morar. fornecendo à habitação de interesse social um sentido que ela precisa ter e que lhe proporciona qualidade e sustentabilidade social.25 elementos de referência que se relacionem ao indivíduo. fazendo-o vivenciar de forma efetiva o sentido afetivo e pessoal que a habitação tem. à família. Não menos importante é considerar a variável ‘pertencimento’ ao espaço habitacional. .

por exemplo: . isolamento. . (2010. a produção de espaços apertados que não dialogam com a individualidade dos beneficiários. destina-se a atender ao social em suas necessidades mais peculiares.em função da primazia do capital em relação à qualidade construtiva de atendimento ao social -. habitação de interesse social é aquela que.26 2 O PROCESSO DE EVOLUÇÃO DO PADRÃO HABITACIONAL DE INTERESSE SOCIAL Entenda-se por habitação de interesse social a moradia digna que atende às necessidades daqueles que são beneficiados. Além desses aspectos encontra-se a possibilidade de comprometimento da construção identitária dos indivíduos que acabam se perdendo em uma de suas funções primordiais. . O seu conceito vai justamente de encontro àquela prática que evidencia . p. p.Habitação para População de Baixa Renda (housing for low-income people). 8). ordem e variedade. como a garantir da funcionalidade dos espaços possibilitando a sua apropriação.] busca proporcionar. enfim. um sentido de habitar que preencha as necessidades de refúgio. trazendo consigo a necessidade de definição da renda máxima das famílias que serão beneficiadas. 18): [. define o termo como várias soluções construtivas. convivência. que seria um termo geral que envolveria todas as soluções construtivas destinadas ao atendimento de necessidades habitacionais. . que não correspondem à funcionalidade de uso dos espaços de moradia. Outros autores como Moreira (2005. sem necessariamente indicar uma habitação voltada à população de baixa renda.. aonde o senso de habitabilidade segundo Barros apud Moreira. o convívio familiar.Habitação de Baixo Custo (low-cost housing) que seria a habitação barata. na análise da autora uma definição mais adequada que a anterior.Habitação Popular. Ampliando a análise. com a mesma conotação da definição de habitação de interesse social.. a partir do entendimento de necessidades básicas de conforto ambiental e de adequações às atividades domésticas.

a qualidade de tais empreendimentos acompanha a lógica dos custos e a do próprio capital. Acesso em: 10 de mai. tendo em vista que a tendência era considerar as vilas operárias como uma iniciativa possível de ser estimulada. o que a tornaria viável. Entretanto. político e moral dos trabalhadores. com uma situação de considerável precariedade das condições habitacionais. Esta não é uma dificuldade nova e para solucionar o problema surgem políticas públicas voltadas para a construção de habitações populares. 2012.br/revistas/read/arquitextos/09. houve uma intervenção do governo no que concerne à produção. a questão habitacional é um dos grandes expoentes da urbanidade e que há tempos configura-se como a problemática primordial da ocupação humana no território. como por exemplo. tal entendimento era visto com simpatia tanto pelo Estado quanto pela elite dominante. tendo em vista que existem hoje no mundo cerca de um bilhão de pessoas sem moradias. Diante da fundamental importância que constitui o abrigo como forma de suprir uma das necessidades humanas mais primárias. Para Rago (apud BONDUKI. .27 A trajetória da habitação de interesse social neste trabalho de pesquisa passará pela realidade no mundo e em seguida entrar-se-á nos detalhes dos caminhos que trilhou na realidade brasileira. Acesso em: 10 de mai. Disponível em: http://www.br/. resultando em habitações de baixa qualidade e espaços pequenos. Segundo Silva (2008) 4 o mundo deparou-se num contexto de urbanização acelerada.vitruvius.com. uma vez que garantiria condições adequadas de moradia e o controle ideológico. 2012. e há um aumento previsto para dois bilhões para as próximas três décadas3. as vilas operárias existentes também na realidade brasileira.097/136. ocasião posterior à República Velha. Naquele momento. o histórico da habitação de interesse social relaciona-se ao período do governo Vargas (1930-1954). Para Bonduki (1994: 712). a venda de lotes urbanos. intenso adensamento e de salários baixos. Ana Tibaijuka. denúncias da situação médico-sanitária (insalubridade). No Brasil. Nesse sentido. o marco inicial para a produção estatal de moradias subsidiadas e para o financiamento da promoção imobiliária foi a partir da institucionalização 3 4 Disponível em: http://nemaususeahabitacaosocial. ao mercado de aluguéis.com. Diretora Executiva do Habitat (2009) A demanda por habitação no mundo já em 2009 indicava uma necessidade habitacional da ordem de bilhões e a habitação de interesse social surge com a proposta mais econômica. durante o período da República Velha (1889-1930) era visível à ausência do Estado Brasileiro frente à produção de moradia e da regulamentação do mercado de locações.blogspot. 1994: 716).

principalmente. de alguma maneira. carência de recursos. da criação das carteiras prediais dos institutos de Aposentadoria e Previdência Social (IAPs) e a criação da Fundação da Casa Popular. Realmente houve essa ruptura e o Estado passou a intervir. enquanto uma resposta à crise de moradia no pós-guerra.] sua fragilidade.. mas não houve uma ação articulada efetivamente. quando se destina a satisfazer as necessidades de quem lhe faz uso. muito embora em condições desarticuladas. sofre mudanças e nessa relação agora relativizada se inicia a formulação da compreensão no que diz respeito à função social da propriedade. mas é fato que a criação da Fundação da Casa Popular como o primeiro órgão nacional destinado exclusivamente ao fomento de moradias para população de baixa renda. mas não se pode deixar de considerar a relevância da ação no sentido de ter sido tomada. tratavam da questão e. desarticulação com os outros órgãos que.a partir do momento em que suspendeu o direito absoluto de propriedade. Qualificação reforçada na Constituição de 1988. regular. de constituir efetivamente uma política. “denotando” que o governo se preocupava com as condições de vida dos menos favorecidos.28 do Decreto-Lei do Inquilinato de 1942. 1994: 720). condicionando-se ao bem-estar social. enquanto instância reguladora da relação entre proprietários e inquilinos. trazendo tanto o reforço à função quanto à . a exemplo da criação da Fundação da Casa Popular. Percebe-se que a análise traz os fatos. que é considerada por Melo (1991) e Aureliano & Azevedo (1980) citados por Bonduki (1994: 717) o melhor exemplo da presença ausente na política estatal brasileira. conforme ressalto em seguida por Bonduki (1994: 718): [. foi de grande repercussão tanto social quanto econômica . A Lei do Inquilinato de 1942. justificando-se na peculiaridade da habitação enquanto uma mercadoria especial.. onde o interesse social ultrapassaria os mecanismos de mercado (BONDUKI. enquanto um princípio vinculado à ideia de igualdade social. a ideia de propriedade. representa minimamente o reconhecimento de um compromisso que o Estado Brasileiro enfrentou. Nesse momento. antes absoluta. num contexto em que a propriedade urbana cumpre com a sua função social. a ausência de ação coordenada para enfrentar de modo global o problema habitacional mostram que a intervenção dos governos do período foi pulverizada e atomizada. portanto. Alguns autores apontam que a política de proteção do inquilinato era muito bem aceita pelos trabalhadores. longe.

enquanto a inflação consumia os valores das locações e prestações e ocasionada pela preponderância de uma visão clientelista e paternalista. mas essencialmente para retomar o aquecimento da questão habitacional em função da retração dos investidores para a construção de casas de aluguel. ou seja. No contexto do sistema capitalista de produção nada é por acaso. acompanha-se a reflexão de Bonduki (1994: 720) ao se arguir se se trataria de uma política econômica ou uma decisão útil para ampliação das bases de apoio ao governo. p. concorda-se . de maneira que se pode chegar a ser titular do domínio. mas há que se considerar a desarticulação governamental nos empreendimentos que se voltaram à questão habitacional.29 responsabilidade de uso de quem a detém. nesse sentido. o contrário do que deveria orientar a política de uma habitação de interesse social e. o que se pode verificar em Vivanco apud Tanajura (2000. de forma que passa a interessar à indústria da construção civil a presença estatal. indispensável neste setor de atividade econômica para o desenvolvimento da concepção de habitação social. ou seja. acredita-se que a ideia tenha sido a do “o interesse social. Há quem considere o papel do Estado no que concerne à articulação entre a relação trabalho e capital como definidor para a estruturação de novas relações produtivas (FERNANDES. mas em se resgatando um dado do IBGE de 1940 tem-se que apenas 25% dos domicílios eram ocupados por seus proprietários. sua intervenção agora é indispensável e atuará para ocupar um espaço deixado e não para concorrer. E de fato a Lei do Inquilinato de 1942 trouxe uma mudança ideológica no que diz respeito ao Estado ser uma concorrência desleal à iniciativa privada. Acredita-se que a resposta a tal questionamento justifique a regulação através da Lei do Inquilinato de 1942. mas concorda-se com Bonduki (1994: 725) que seja muito mais por questões de ordem econômica do que social. reforçada pela ausência de critérios sociais rigorosos para garantir o retorno dos investimentos. 75% dos municípios brasileiros eram de inquilinos e. por se acreditar nos altos custos de um empreendimento habitacional. que consiste em não realizar ato algum que possa impedir ou obstaculizar o bem dos referidos sujeitos. p. da comunidade [.. 1995. nesse sentido. ultrapassar os mecanismos de mercado”. 6) e essa é uma questão que não se pode negar. de que por ser um membro da comunidade tem direitos e obrigações com relação aos demais membros.] Na presente análise. 24): A função social é nada mais nada menos que o reconhecimento de todo titular de domínio. no contexto de um sistema capitalista. tem a obrigação de cumprir com o direito dos demais sujeitos..

726) quando o mesmo considera que tal intervenção. na forma desta constituição”. o momento habitacional dos anos 40 foi de presença e ao mesmo tempo ausência estatal no sentido de que a desarticulação das ações.. a saúde. moradia”. 10% das necessidades habitacionais. sem contar com a intensificação das favelas e da casa própria autoconstruída ou autoempreendida em localidades periféricas e carentes de infraestrutura urbana. agora sob a responsabilidade do Estado e do trabalhador. bem como agravou a situação de migrantes e despejados que para conseguirem moradia digna com o salário que percebiam era altamente complicado.30 com Bonduki (1994. No mesmo ano na Assembleia do Milênio em Nova Iorque foi ratificada a Declaração do Milênio das Nações Unidas que em seu Objetivo nº 11 define: “o combate paulatino às precárias condições de vida em assentamentos degradados”. 25º: “Todos têm o direito a um padrão de vida adequado para sua saúde e bem-estar e de sua família. que trouxe uma alternativa de habitação popular. De certa forma a intervenção Estatal contribuiu para o agravamento das condições habitacionais e urbanas e da moradia popular. da instituição do Decreto-Lei nº 58 de 1938. a Emenda Constitucional 26 em seu art. nesse contexto de desarticulação.). Nos anos 90 tem-se a extinção do Banco Nacional de Habitação (BNH). fez surgir novos tipos de empreendimentos imobiliários voltados ao capital privado e à elite dominante como a construção de prédios de escritórios. reduziu e inviabilizou a capacidade de ação das instituições criadas (BONDUKI. Em 2000. com a diretriz de oferta habitacional que possibilite reduzir pela metade até 2015 o déficit de saneamento básico e até 2020. 1994: 726). apartamentos destinados a empresas e classes de renda elevada. enquanto talvez um freio aos encaminhamentos voltados à política habitacional ou a uma mudança de estratégia. para os empreendimentos que se voltaram para a questão habitacional.. a moradia. tendo seguido como modelo dos anos posteriores até 1990. a educação. mas em 1992 há a ratificação em prol da moradia digna através da Declaração Universal dos Direitos Humanos. mas que teve como participação do Estado meramente o acesso à propriedade em locais periféricos que não possuíam a infraestrutura necessária a habitações que atendessem em sua essência ao interesse efetivamente social. tendo em vista que àquilo que era provido pela iniciativa privada. por exemplo. (. que estabelece em seu art. através. . o trabalho. 6º define: “São direitos sociais. Mas num contexto geral. incluindo.

encontra-se. do ano de 2006. o que segundo Luiz Neves5 tratar-se-ia da função social da cidade6. o Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social (FNHIS) e o Conselho Nacional de Habitação de Interesse Social (CNHIS). dedicada a identificar e conceituar as funções sociais da cidade (BERNARDI. Luiz Neves é Diretor da SINAENCO Sindicato da Arquitetura e da Engenharia.257/2001. em 29 de maio de 2009. Palestra proferida por ocasião da Mesa Redonda sobre “A questão Habitacional no Brasil”. o FNHIS e o CNHIS. Em 2004. no âmbito do Seminário Permanente de Desenvolvimento.31 Em 2001. um movimento popular iniciado em 1992 com cerca de um milhão de assinaturas de representantes de movimentos populares dentre outras entidades vinculadas à luta urbanística. ao qual estão subordinados o SNHIS. 46). enquanto ações que se entende vêm fortalecer o fomento a uma ideologia de condições dignas de vida para todos. com ações voltadas a novas políticas de regularização fundiária.Organograma da Política Nacional de Habitação Fonte: MCidades/SNH. é aprovado pela Câmara de Deputados Emenda que institui o Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social (SNHIS). p. de Jorge Luiz Bernardi. 6 A esse respeito ver dissertação de mestrado. tem-se uma determinação constitucional através da Lei nº 10. conhecida como Estatuto da Cidade. estruturado da seguinte forma: Figura 1 . 5 . O organograma da Política Nacional de Habitação (PNH). que veio tornar o direito à moradia mais viável para os milhões de moradores que viviam na ilegalidade. proteção ao patrimônio cultural e respeito a minorias. conforme o Ministério das Cidades (MCidades). 2006.

Caixa Econômica Federal (CAIXA). com grande reforço sendo dado pelo PMCMV. Fundo de Amparo Residencial (FAR). iniciado em 2009. ao se analisar o foco nos segmentos de baixa renda com base no atendimento por faixa de renda: .92 bilhões de investimentos. Relatório Caixa Econômica Federal e ABECIP (dados até 31/12/2009). no período de 2003 a 2009. percebe-se claramente uma evolução considerável no que diz respeito ao realizado. os investimentos disponíveis. Em termos de investimento. dos quais 17. com parte vindo de subsídios do FGTS e OGU e a outra maior parte dos recursos restantes anteriormente mencionados.92 bilhões de investimento. os custos do investimento habitacional e a demanda demográfica existente.Evolução dos investimentos em habitação Fonte: MCidades. iniciase num patamar de 7.1 bilhões seriam do Programa Minha Casa Minha Vida (PMCMV). Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) para um patamar de 69. Gráfico 1 . identificar-se-á a partir de agora a mudança de política efetiva em relação às ações voltadas à questão habitacional desde 2003. É de fato a partir de 2004 que podemos visualizar o início de uma efetiva inversão de prioridades em relação à questão habitacional voltada para as populações de baixa renda. com subsídios do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e Orçamento Geral da União (OGU) e em maior parte com recursos do FGTS.32 Verificado o seu histórico. Ao se analisar a evolução dos investimentos em habitação.

frente ao atendimento das exigências necessárias para a adesão. FAR. segundo o Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil . FDS.33 Gráfico 2 . para a faixa de renda de até três salários mínimos. que o déficit habitacional começa a estacionar para em 2006 decair. Fontes de recursos: FGTS. É ainda a partir de 2004. a adesão ao SNHIS de 2006 a 2009 muda de feição e em 2011 passa a ser identificada com a necessidade de melhoria e efetivação. Tinha-se em 2003 um percentual de participação de 26% que quase duplicou em 2004 e comparado a 2009 mais do que duplicou. 27). bem como do considerável aumento nos investimentos federais. OGU e FAT. e na ocasião em que houve a publicação o percentual de entes federados que havia aderido ao Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social (SNHIS) pode-se dizer como relevante. de outubro de 2011. decorrência dos esforços do Estado na criação de condições institucionais que viabilizassem a nova política urbana e habitacional do Brasil. p. chegando a 72% e se estabelecendo como o maior percentual de atendimento.SINAPI. “esse movimento vem motivando o desenvolvimento institucional das administrações no setor habitacional”. Contudo.Foco nos seguimentos de baixa renda (percentual de atendimento por faixa de renda) Fonte: MCidades e Relatório Caixa Econômica Federal (dados até 31/12/2009).Política Nacional de Habitação” (2010. a média para o Brasil . conforme gráfico que se mostrará mais adiante. em articulação a políticas de habitação que envolvesse estados e municípios. conforme poderá se verificar mais à frente. De acordo com a publicação “Avanços e Desafios . Em relação aos custos médios com habitação. mesmo com a disponibilidade de recursos.

2006 / CEDEPLAR.52 410.73 5.52 No ano 5. 2009.08 6.99 5.13 5.83% de necessidade de complementação de infraestrutura. Nota: estes resultados são calculados mensalmente pelo IBGE através de convênio com a CAIXA.72 7. entre os três menores custos médios por metro quadrado da Região.26% de domicílios em assentamentos precários e 9.22 0.20 388.11 0.41 704.87 5.26 0. somados aos 3.e a Região Nordeste com o menor custo por metro quadrado e.05 Variações percentuais Mensal 0. Pernambuco. Numa síntese do cenário das necessidades habitacionais totais. Isto representa um déficit total de 21%.19 26. .38 1.90 842.Custos médios com habitação Fonte: IBGE.67 818.13 5.07 4.76 807.24 7.27 0.18 6.08 759.62 Tabela 1 .17 0.67 (oitocentos e cinco reais e sessenta e sete centavos) e sem muita surpresa é na Região Sudeste que se identifica o maior custo habitacional por metro quadro com R$ 842. Logos Engenharia a partir de dados da Fundação João Pinheiro.89 5. Elaboração: Consórcio Instituto Via Pública LabHab-FUPAM. para o período compreendido entre 2007-2023. Demanda futura Especificação Necessidade de unidades novas Domicílios em assentamentos precários Domicílios com necessidade de complementação de infraestrutura Déficit acumulado 20072011 20122015 20152019 20202023 Total 2007-2023 Necessidades totais 7.11 12 meses 6.11 Números índices Jun/94-100 403.01 405.54 774.97 387. Numa projeção feita pelo PlanHab no período de 2007/2011 o déficit de novas unidades habitacionais era de quase 8%.92 730. tem-se segundo publicação do Plano Nacional de Habitação (PlanHab) que em 2006 havia um déficit acumulado de novas unidades na ordem de 7. Diretoria de Pesquisas.24 6.70 7.20 5.22 407.26 9.10 0.15 0.72 1.90 3.34 seria de R$ 805.Demanda futura por habitação Fonte: PlanHab. à frente apenas do Rio Grande do Norte. Coordenação de Índices de Preços.42 412.96 0.19 355.06 5.98 34.76 5.83 8.01 801.11 388.65 4.73 727.9%.00 .26 766.94 383.83 2.33 4.99 1.99 1.86 7.26 0.90 Tabela 2 .70 402. conforme se pode observar na tabela abaixo: Áreas geográficas Custos médios R$/m2 BRASIL REGIÃO NORTE REGIÃO NORDESTE Rio Grande do Norte Pernambuco Alagoas Sergipe Bahia REGIÃO SUDESTE REGIÃO SUL REGIÃO CENTRO-OESTE 805.

396.330.647 17.853. para o período de 2008 a 2023. diferentemente do modelo que existia nos anos de 1930. Elaboração: Consórcio Instituto Via Pública LabHab-FUPAM.400.398 43.072 Tabela 3 .514. Elaboração: Consórcio Instituto Via Pública LabHab-FUPAM.000 Tabela 4 . pois segundo Saúgo (2010.985.115 44.303 77.921 Total de recursos públicos 31.000 28.662 Municípios 5.536 11.043 71.348.169 49.577 26. resumo).833.Projeção orçamentária adotando-se o percentual da PEC Fonte: PlanHab. Logos Engenharia.249. .772 9.PEC. 2009. portanto.486 105.674 Total de recursos públicos 26.000 19.249.356 252. Hoje existe diagnóstico e um plano de ação de ordem macro.582.208 25.731.182 7.831.694 32.425 85.906. Vê-se.400.715.620.302.023. 2009.466.453.859.690 Municípios 4.708 Estados 5.294.534.417 Estados 6.666.266. fazê-lo com critérios que atendam de forma efetiva a quem será beneficiado.645 27. Dando continuidade à análise de atendimento da demanda anteriormente indicada existe outra previsão de orçamento da Proposta de Emenda Constitucional .945 174.295.370 7.478. Observa-se que o quantitativo indicado é sempre crescente.348 8.278 138. restando ao governo.343 7.305 5.526 12. Para isso acontecer.705 22.717 45. conforme segue abaixo (em R$ mil .977.791 6. (Moradia Digna) também em parceria entre os entes federados.Projeção orçamentária considerando o avanço de recursos do PAC Fonte: PlanHab.287. com qualidade.236.127.716 31. no mesmo período da projeção anterior: Período (PPA) 2008/2011 2012/2015 2016/2019 2020/2023 TOTAL (2008-2023) OGU 19.935.733. Mas que fique entendido como executar o planejado. faz-se necessário que os entes federados cumpram a sua parte encaminhando nos prazos devidos os projetos que assegurarão os recursos existentes. fomentadores e sociedade em geral fazerem acontecer executando o planejado.678 36.451 8. órgãos financiadores.822.227. Logos Engenharia.981.35 Para atender tal demanda já existe previsão de orçamento pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em parceria com Estados e Municípios. que existe um interesse do governo no atendimento da demanda habitacional no país para a população de baixa renda.664.valores de dez 2007): Período (PPA) 2008/2011 2012/2015 2016/2019 2020/2023 Total (2008-2023) OGU 16. Existem outras projeções de recursos para dar conta da demanda.144.507.411 6.

Do It Yourself (“faça você mesmo”). . como os moradores do entorno. o atendimento das necessidades e aspirações bem como as características sociais e culturais dos indivíduos. tanto os usuários da habitação quanto as pessoas envolvidas indiretamente. intervenções com qualidade arquitetônica a favor da dignidade de quem será beneficiado. p. A flexibilidade proposta está voltada para o aumento ou reforma de área construída pelo beneficiado. não se observa uma relação estreita de tais tendências com o real atendimento das necessidades dos que são beneficiados. com um histórico de tanta superação. há que se considerarem peculiaridades relacionadas ao espaço.ANTAC indicam tendências de mudanças no macro-complexo da construção tanto em relação ao mercado quanto em relação às tecnologias de construção (LARCHER. 43). Complementando a ideia da autora. hábitos de vida e valores que os fazem construir uma identidade com o local de moraria em condições criadas por eles. necessidades. Requisitos dos produtos dos edifícios: . Entretanto. . Apesar da existência de parâmetros construtivos mais flexíveis.Introdução de componentes DIY .Componentes pré-fabricados e padronizados. conforme se pode observar no quadro abaixo.36 A sustentabilidade social em habitações trata da satisfação das exigências do bemestar do usuário a partir da consideração de fatores que abrangem a promoção da saúde humana. com base em dados da ANTAC (2002). . . . . segundo uma lógica de industrialização aberta. 2005. por que gastar os recursos de qualquer forma ou sem critérios que atendam as necessidades do público em questão. Mercado Tecnologias de construção Quadro 1 .Produtos com a lógica de subsistemas.Tendências de mudanças no macro-complexo construção Fonte: Larcher (2005).PNHIS leva em consideração as necessidades dos usuários e esse é um critério importante de ser observado para que se possa ter na realidade brasileira. uma vez que já existem programas de habitação popular como o ‘Favela-bairro’ do Rio de Janeiro que recria o espaço nos moldes de vida da comunidade.individualizados (ou customizados). Então. como a possibilidade de adaptar o padrão da habitação aos moldes do usuário e pelo próprio usuário. entendemos que a flexibilidade pode ser vista por outro prisma.sustentáveis.flexíveis. . Este é um fato possível. A Política Nacional de Habitação de Interesse Social . Dados da Associação Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído .de baixo custo de operação e manutenção.

o propósito de garantir que o espaço da moradia desenvolva-se em circunstâncias ideais. serviços de infraestrutura e urbanos. Na atualidade. legislação. podendo resultar na viabilidade ou inviabilidade dimensional do espaço. Palermo (2009. p. aspectos socioeconômicos. uma vez que países como Portugal e Espanha tem uma relação equivalente a nossa.37 Conforme ressalta Pina (apud Moreira. posição e renda social: Cabe à arquitetura. de forma que as características antropométricas devem balizar o projeto arquitetônico. da segurança e do conforto ao usuário do espaço. mas também satisfaçam as necessidades de subsistência. embora exista uma indicação de 12m2 por pessoa. 4) é necessário que tais programas governamentais ultrapassem o conceito de abrigo. No Brasil a relação do metro quadrado por pessoa para a habitação mínima é em torno de 10m2. . meio físico. indo além de proporcionar segurança física. há estudos que tratam da antropometria abordando a relação do corpo humano com o espaço habitacional e tudo o que o compõe. Reiterando essa ideia. culturais. já que o seu desempenho depende do equacionamento das condições de construção. equipamentos comunitários. o que não está fora de padrões internacionais. 2010. 45) mostra a necessidade desses estudos prévios como garantia da suficiência.

que se deu todo um formato a uma sociedade. Resultado de um Ciclo de Conferências organizado na forma de Simpósio na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UnB. que se tem no estudo. conforme as autoras ressaltam. e nesse contexto inclui-se a questão do adensamento urbano. numa perspectiva de perceber tais programas. tem-se que a desigualdade não se originou no que se conhece como as décadas perdidas. crise econômica e comprometimento ambiental.Habitação e Desenvolvimento Urbano do estudo. E é nesse contexto de priorização ao econômico. um crescimento urbano acelerado. aumentando de forma considerável o processo de favelização em grandes cidades brasileiras. publicado em formato de e-livro. da Parte B . . tendo havido na verdade “um aprofundamento de um quadro histórico de cinco séculos de formação da sociedade brasileira” (MARICATO apud VIEIRA. bem como os seus resultados e o que trouxeram para a política habitacional brasileira. contexto. 2011. O estudo traz que a partir da década de 70 tem-se a reestruturação produtiva em nível mundial. vale considerar o histórico que nos trouxe ao contexto atual que continua chamando aos governos a responsabilidade de pensar sobre a política habitacional sob o referencial de uma prioridade invertida. 92). CHAVES. como resultado. embalada com as determinações neoliberais e. Numa análise mais aprofundada da questão. desenvolvida por Alessandra d’Ávila Vieira e Mirna Quinderé Belmiro Chaves no Capítulo IV . concentração de renda. a concentração de renda com um agravamento da exclusão social e territorial. exclusão social e territorial.38 3 POLÍTICAS URBANAS E REGIONAIS NO BRASIL: DISCUSSÕES RECENTES O presente capítulo traz uma análise das reflexões de um estudo recente sobre Políticas Urbanas e Regionais no Brasil.Política Nacional de Habitação: programas e resultados. Nos anos 80 e 90 a recessão econômica aprofunda a desigualdade. inclusive. atrelado a uma desvalorização da moeda e redução do Estado. da área de origem dos moradores reassentados da presente pesquisa. o nosso foco de análise para esse estudo se deteve à abordagem relacionada aos Programas Nacionais de Habitação. por vezes atingindo áreas de proteção ambiental. adensamento urbano. Nesse sentido. p. a questão humana ao invés da econômica.

fortalecido pelo caráter excludente e restritivo das relações fordistas de assalariamento na América Latina. de forma que “em vez das cidades de luz arrojando-se aos céus. gerando um processo de ocupação espontânea que fez a população urbana em cidades com mais de 20 mil habitantes crescer entre 1950 e 2000 de 11 milhões para 125 milhões.] aquela que não oferece as condições mínimas de segurança. cercada de poluição. pontuam as autoras. salubridade e não permite a seus moradores o atendimento de atividades como membros de grupos primários.28) que define a unidade habitacional subnormal como “[. boa parte do mundo urbano do século XXI instala-se na miséria. o qual conduziu à constituição de um mercado em que uma parcela significativa da população se viu excluída desse mercado de bens duráveis.) quanto à carência e localização de sanitários.92).” Trata-se na verdade. tendo nas formas de financiamento ao acesso à terra urbana a consolidação desse processo de reestruturação urbana que exclui consideráveis camadas sociais dos mercados de consumo. durabilidade. num aumento extremamente significativo. numa situação de promoção de uma estrutura segregada social e espacialmente. O cidadão era excluído desse mercado ou porque trabalhava e o que ganhava não se enquadrava no perfil monetário estabelecido ou porque não trabalhava e tal situação levou a sociedade ao contexto de ter que administrar “um movimento sintomático de ocupação de terras urbanas”. estrutura etc.” 7 .]..39 consequências da “produção em massa de habitações subnormais7 nos países em desenvolvimento. que constituíam em 2011 78. A definição a ser considerada para a habitação subnormal na presente pesquisa será a do Comitê de Higiene e Habitação da Associação Americana de Saúde apresentada por Diogo (2004. de ligação às redes de esgoto e de energia elétrica.. 2011. O estudo ainda traz que no período de funcionamento do BNH (1964 . conforme Vieira e Chaves (2011) ressaltam. CHAVES.. Entre 1986 (extinção do BNH) e a criação do MCidades em 2003 a área governamental responsável pela gestão da política urbana e habitacional esteve subordinada a sete ministérios ou estruturas administrativas diversas. material. de um resultado cruel do processo de exclusão do direito ao espaço e à habitação que se desenvolveu não apenas no Brasil. caracterizando para o estudo uma descontinuidade. Essas condições se referem tanto aos aspectos da construção (dimensionamento. excrementos e deterioração [. p..2% do estoque habitacional urbano” de tais habitações (DAVIS apud VIEIRA.1986) foram construídas 25% das novas moradias construídas no país. p. tamanho. número e disposição dos cômodos. percentual indicado como insuficiente para o atendimento das necessidades que a urbanização brasileira trazia. ausência de água encanada. mas em toda a América Latina.

avaliação e implementação do SNH e seus instrumentos. de 16 de junho de 2005. gestão e controle. o SNH tem a sua estrutura institucional composta por uma instância central com a função de planejamento. caberia detalhar princípios e regras que norteariam as iniciativas públicas relacionadas ao direito à habitação. cabendo ao Sistema Nacional de Habitação de Mercado (SNHM) movimentações da área habitacional junto ao setor privado e ao Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social (SNHIS). Frente a esse cenário de políticas urbanas e regionais na realidade brasileira. cabendo ao ConCidades à função de acompanhamento. cooperativas. a mesma se dá através de sistemas distintos e com um gerenciamento de tais fontes diferenciado. objetivos e metas. representada pelo MCidades. Além do SNHIS a legislação também cria o Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social (FNHIS) e o Conselho Gestor do Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social (CGFNHIS). . coordenação.ConCidades em 2004. a organização de um Sistema Nacional de Habitação (SNH) enquanto àquela instância que atuará nos esforços de fazer todos os níveis envolvidos no processo trabalharem de forma integrada. associações e movimentos sociais. de mercado. assim. passa pela aprovação da PNH através do Conselho das Cidades . em médio prazo. estruturando uma rede de articulações entre todos os níveis de governo. além de identificar e atender as demandas referentes ao crescimento da população. vindo indicar medidas políticas. legais e administrativas com o objetivo de efetivação do direito à moradia. instituído pela Lei Federal nº 11. Segundo o estudo.124/2005. No que diz respeito à operação das fontes de recursos do Sistema. A reestruturação legal e institucional da política de desenvolvimento urbano do Brasil. com uma função deliberativa e participativa e a responsabilidade de aprovação dos programas que serão desenvolvidos com recursos do Fundo.40 resultando num comprometimento do potencial de planejamento e gestão estratégica que possibilitariam um enfrentamento da problemática com coerência de ideias. concorda-se com as autoras quando se considera a criação do MCidades como um marco político-institucional a partir do momento em que tal instrumento orientou os caminhos a serem seguidos e como agir por tais caminhos. o que só legitimou a necessidade de tal demanda. visando enfrentar um déficit habitacional tanto qualitativo quanto quantitativo. prevendo. através do MCidades.

7 milhões. 2011 p. O essencial na presente análise é uma observância dos dados existentes com um real comprometimento no que concerne à finalidade humana que o setor tem. 06) e equipes de consultoria tecnicamente preparadas. através da constituição de um Fundo Local de Habitação de Interesse Social (FLHIS) e da criação de um Conselho Gestor de tal Fundo. a deliberação. conforme publicação da Revista Brasileira de Habitação (2011. Revista Brasileira de Habitação. das quais 6. de forma que o mesmo se estrutura em instâncias que irão se integrar. p. Revista Brasileira de Habitação. Atualmente o Conselho Gestor do FNHIS tem como prorrogado o prazo para que os estados e municípios com mais de 50 mil habitantes concluam os seus planos habitacionais até 31 de dezembro de 2012. a participação e a aprovação . já se estruturaram durante esse período e passaram a existir. o qual deverá ter similaridade de estrutura com o modelo nacional. as dificuldades para o cumprimento do prazo inicial.5 milhão em áreas rurais. a compatibilização de políticas. Concorda-se com o fato da questão cultural de planejamento público no Brasil. conforme ressaltam as autoras. mas recursos encontram-se disponíveis desde a criação do MCidades e segundo tal instância de 2002 a 2009 houve um crescimento de 785% no setor habitacional. ressaltando ainda que em se tratando da questão habitacional. o qual passou de R$ 7 bilhões para R$ 62 bilhões (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada . bem como ao fato de o mercado possuir poucas empresas de consultoria tecnicamente preparadas”. O Sistema preconiza o planejamento. a implementação.IPEA.4 milhões em áreas urbanas e 1.41 E para participar do SNHIS. tais dificuldades se dariam em função das “décadas de falta de recursos para o setor habitacional.9 e 2. que seria o final de 2011. p. com um déficit de 2. respectivamente (MCidades. além da elaboração de um Plano Local Habitacional de Interesse Social (PLHIS). é necessária que seja realizada uma adesão voluntária pelos entes subnacionais. 20). estaria relacionada à “ausência de uma cultura de planejamento público no Brasil”. a gestão. numa tentativa de evitar o inflacionamento do mercado de terras e construção de moradias inadequadamente que poderiam comprometer o desenvolvimento urbano. dado o volume de recursos que envolvem o setor. a coordenação.9 milhões de moradias. Segundo representantes de 23 estados e do MCidades na reunião nacional sobre a temática em agosto de 2011. 06). estando nas regiões Sudeste e Nordeste a maior concentração em valores absolutos. atualmente apresentando um déficit habitacional de 7. fazendo com que o planejamento. o controle. no caso os estados e municípios. a avaliação. 2011.

Implementação Efetivação do direito à moradia através do indicativo de medidas políticas. tem-se o movimento da ordem de bilhões em investimentos.Avaliação . reforçando assim a capacidade institucional dos agentes públicos. ainda tem-se o Plano Nacional de Habitação PLANHAB (previsto na Lei 11. articulando-se com os mecanismos de planejamento e orçamento.Coordenação . de uma vontade política no sentido de priorizar e com isso incluir-se nas exigências de inserção no Fundo que desde 2007 com o PAC. com o objetivo de universalização do acesso à moradia digna para a população de baixa renda. desde 2010 com o PCM e desde sempre com o PREZEIS.42 serão o resultado de uma estrutura de planejamento estratégico sobre a qual se terá a consecução de objetivos e metas plenamente definidos: Planejamento . através de uma política de subsídios. desde 2009 com o PMCMV. Com previsão de revisões periódicas. com base em Vieira e Chaves (2011).Controle . tendo como objetivo equacionar as necessidades habitacionais do Brasil. 2012. privados e sociais e buscando a ampliação das fontes de recursos. acredita-se.Gestão Acompanhamento .Infraestrutura institucional da questão habitacional no Brasil Elaboração: o próprio autor. .124/05) elaborado entre agosto de 2007 e dezembro de 2008 num processo coletivo que envolveu diversos segmentos do setor habitacional. Tratar-se-ia na verdade. o PLANHAB vem orientar o planejamento das ações no setor habitacional até 2020. legais e administrativas Integração do trabalho entre as instâncias Interesse privado Interesse público Deliberação e participação Aprovação dos programas Figura 2 . Além de toda a infraestrutura existente. enquanto componente de um processo de planejamento de longo prazo. 92-103. direcionando recursos e apresentando estratégias para os eixos estruturadores da PNH. p.

educação e saúde. ocupação de áreas passíveis de alagamentos. O ideal. a deficiência da infraestrutura. que no presente estudo compreende “além da edificação propriamente dita. CHAVES. Ao realizarem a abordarem dos aspectos de precariedade da moradia. iluminação pública. drenagem pluvial. enquanto . dentre as ações propostas pelo Plano elencadas pelo estudo tem-se: (a) Modelagem de subsídios e alavancagem de financiamentos para população de baixa renda. (c) Propostas e mecanismos de fomento para a cadeia produtiva da construção civil. sem contar com a adequação do sistema viário e do parcelamento da área. 2011. somando-se a tudo isso situações de extrema vulnerabilidade relacionadas ao domínio da violência. é a reconstrução da unidade habitacional encontrar-se no mesmo perímetro da área que está sendo urbanizada. oneroso e com nível considerável de desconforto e insegurança. água. A recomendação é de que os projetos habitacionais devem prever a implantação de infraestrutura básica. e (d) Incentivos à adoção de mecanismos de política territorial e fundiária para a ampliação de áreas para a habitação de interesse social. contemplando rede elétrica. Tais ações visam envolver as instâncias do setor habitacional no sentido de busca da efetividade da dignidade no contexto da moradia digna.43 Nesse sentido. 97). esgotamento sanitário. distância entre moradia e trabalho. construção de equipamentos públicos. a qualidade ambiental do meio e a inserção e integração com a cidade através da disponibilidade de infraestrutura urbana e de acessibilidade ao mercado de trabalho e aos equipamentos públicos” (VIEIRA. contenção e estabilização do solo. (b) Organização institucional e ampliação dos agentes do SNHIS. altos níveis de densidade dos assentamentos e das edificações. nas ocasiões em que houver a necessidade de promoção do desadensamento implicando no remanejamento de quem será reassentado. p. insuficiência de serviços públicos básicos como saneamento. atrelada à precariedade construtiva das habitações. sistema de transporte insuficiente. coleta de lixo adequada. as autoras caracterizam a questão da irregularidade fundiária e urbana. deslizamentos ou outros riscos.

E é ao trabalho social que cabe tal transparência. considerando que participar indica perceber-se no contexto. através de um resultado que refletirá a escrita de sua própria história. O reflexo desses investimentos é verificado na tendência de redução do déficit habitacional que segundo a Fundação João Pinheiro em 1991 abrangia mais de 15% e em 2011 estaria em cerca de 10%: . lazer. O setor habitacional tem passado por verdadeira revolução sob o aspecto dos investimentos. identificando ou refutando.44 uma postura de respeito aos laços de vizinhança e de trabalho. identificável. educação. percebendo-os em seu direito a uma habitação digna e equipada com todos os elementos necessários ao atendimento de necessidades. a exemplo do PAC. sejam elas relacionadas à saúde. visando minimizar ao máximo os impactos. A transparência nesse processo é na presente análise um elemento percebido como fundamental para a sustentabilidade da proposta habitacional. comércio local. mas fazendo-se valer da inserção em um processo em construção. o que pode ser observado no fato de que em 2004 apenas 42% dos municípios brasileiros possuíam órgão específico para tratar da questão habitacional e em 2008 esse percentual sobe para 70% dos municípios. que trouxe a necessidade de os governos estaduais. bem como nos R$ 21. esse contato direto com os beneficiários. Uma ressalva do estudo com a qual se concorda é sobre a participação no processo de elaboração e aprovação da proposta por parte de quem será beneficiado. acessível. convivência comunitária e todas aquelas que se colocam como fundamentais à sustentabilidade do empreendimento. municipais e o Distrito Federal terem que reorganizar o seu setor habitacional para abarcar o novo contexto.6 bilhões em intervenções em favelas com recursos do PAC em 2011. segurança. aceitando ou discordando. através de regras acessíveis a todos os envolvidos. mensurável.

prevendo investimentos da ordem de R$ 34 bilhões e a meta de construção de um milhão de moradias. Segundo Vieira e Chaves (2011. que teria como função cobrir as prestações em até 36 meses com o intuito de as famílias não perderem o emprego ou passarem por perda de renda. p. estruturando-se para isso a criação de um Fundo Garantidor de Habitação . com recursos do FNHIS. e-livro Políticas Urbanas e Regionais do Brasil. o financiamento que se dá através de estados. frente ao agravamento da crise imobiliária dos EUA iniciada em 2008. 105).45 Gráfico 3 . 8 . a solução dos gargalos referentes à oferta para tal população estaria na criação do Fundo Garantidor mencionado. a redução dos O Programa Produção Social da Moradia . gerando movimentação considerável no setor da construção civil e infraestrutura do país. No setor público.FGHAB. 2011. p.Pró-Moradia. além do barateamento dos seguros Morte e Invalidez Permanente (MIP) e Danos Físicos do Imóvel (DFI). O atendimento às famílias de baixa renda se deu através de melhores taxas de juros para financiamentos habitacionais. Pró-Moradia8 e a partir de 2007 essas ações no setor passaram a integrar a carteira de investimentos do PAC Habitação. segundo o estudo é através do PMCMV que o financiamento no setor habitacional vem fazer-se presente. 104. No setor privado. atuou com investimentos no setor habitacional por meio do FNHIS no contexto do PAC.Tendência de redução do déficit habitacional brasileiro Fonte: SNH / MCidades. Distrito Federal e Municípios é direcionado no setor habitacional à população de baixa renda de até três salários mínimos. através de repasse do OGU a entidades sem fins lucrativos vinculadas ao setor. FGTS.

FAR e FDS até 2011 mais de 831 mil famílias em todo Brasil. especificamente para a habitação de interesse social. beneficia-se com recursos do FGTS. Os investimentos no setor habitacional também atingem a produção habitacional via mercado. e-livro Políticas Urbanas e Regionais do Brasil. os investimentos na área habitacional vêm se efetivando também através de Programas como o Crédito Solidário.FAR/FGTS/subsídios/FDS * Não inclui contrapartidas nem contratações do Programa Minha Casa Minha Vida Nesse sentido. introduzindo a concessão de subsídios para o financiamento a pessoas físicas com renda familiar mensal bruta de até cinco salários mínimos. um aumento considerável tanto em contratações quanto no volume financeiro investido. Expandindo-se do setor público e privado. que aportou investimento da ordem de R$ 362 milhões com recursos do Fundo de Desenvolvimento Social (FDS). além de incentivos fiscais para a produção de imóveis para a baixa renda. p. proposta pelo MCidades e depois através das Resoluções nº 518 e 520 de 2006.o equivalente a 303 mil unidades em 2009: .o equivalente a 54 mil unidades para R$ 34 bilhões . com renda abaixo de três salários mínimos. passando de R$ 3 bilhões em 2004 .46 prazos e custas cartoriais. expandindo-se em 2004 através da Resolução nº 460 do Conselho Curador do FGTS. tendo havido no contexto do Sistema Financeiro da Habitação (SFH). através do SBPE. * Evolução dos financiamentos .Financiamentos FGTS (R$ bilhões) Fonte: 10º Balanço PAC. para créditos concedidos a pessoas físicas: Gráfico 4 . 108. 2011. através do FGTS. que a partir de 2003 passou a priorizar o atendimento das famílias de baixa renda. é no período de 2007 a 2009 que se identifica uma superação das metas inicialmente previstas no PAC em 99%. Segundo o estudo.

por exemplo. A partir de 2009. p. agentes financeiros e sociedade civil.Contratações do SBPE (R$ bilhões) Fonte: 10º Balanço PAC. incutir uma cultura municipal de serviços técnicos. ainda. destina-se ao atendimento de elevada parcela da produção de habitações que acontece no mercado informal. até mesmo como forma de obtenção de novos recursos no âmbito do SNHIS. e-livro Políticas Urbanas e Regionais do Brasil. no contexto da cadeia produtiva do setor da construção civil. conforme é ressaltado Vieira e Chaves (2011. produtividade e segurança. desenvolver-se institucionalmente com qualidade implica necessariamente em inserir-se no processo e colocar-se nesse contexto é comprometer-se com a elaboração dos planos locais de habitação. 109. tendo sido criado com o objetivo de reduzir o percentual de habitações construídas sem qualquer aporte técnico. esse programa passou a trabalhar nas modalidades de elaboração de projetos para produção habitacional e urbanização de assentamentos precários. numa tentativa de além de ofertar o serviço. E frente a tantas possibilidades de investimento.47 Gráfico 5 . sem qualquer suporte técnico que leve tal empreendimento a padrões mínimos de qualidade. através de processos de autogestão. com o investimento relacionado à assistência técnica. E para isso. p. o Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP-H). O programa de assistência técnica. 111). a adesão ao Programa seria voluntária com um desenvolvimento de nível nacional. existente desde 2008 com a finalidade de organizar o setor tanto no que concerne à qualidade do habitat quanto à modernização produtiva. . 2011. programa setorial e acordo setorial da cadeia produtiva com o setor público. abrangendo as fases de sensibilização e adesão. Tem-se.

Posição sobre as adesões ao SNHIS Fonte: Relatório de Gestão 2009 do SNHIS. p.SiMaC. Sistema de Avaliação Técnica de Serviços e Obras . com espaços de morar que atendam às expectativas e necessidades dos seus moradores. Desde que foi criado o SNHIS. estruturado com base na implementação de um conjunto de sistemas9. 2011. com ênfase na inovação tecnológica e implementação do Sistema Nacional de Avaliações Técnicas (SINAT) e na sustentabilidade. O cerne das considerações finais está centrado na precariedade da moradia popular.SiAC e Sistema de Qualificação de Materiais. Trata-se de uma questão que precisa ser observada com um cuidado maior para sua efetividade.48 Ressaltam ainda as autoras que. ainda não cumpriram de forma plena condições previstas em lei para a estruturação institucional do sistema: Gráfico 6 . Componentes e Sistemas Construtivos . mas principalmente qualitativa. enquanto um considerável incentivo à capacidade criativa dos profissionais que podem estar envolvidos com a demanda habitacional no Brasil. a consolidação do PBQP-H tem a finalidade de fortalecimento do mercado nacional. mas segundo Vieira e Chaves (2011. chegando à área da pesquisa tecnológica com as chamadas públicas de estudos e projetos da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) a R$ 15 milhões. apenas na área habitacional. p. 112) os estados e municípios. tem havido diversas campanhas de adesão enquanto parte de uma ação nacional de mobilização. questionável. e-livro Políticas Urbanas e Regionais do Brasil. 9 . São várias as frentes de investimento. a princípio. em sua maioria. 112. não apenas financeira com a construção de moradias. ao se refletir sobre todas as evidências relacionadas às oportunidades do setor da construção civil para a habitação de interesse social.

com um olhar humanizado para os empreendimentos e preferencialmente contextualizado no âmbito de diretrizes nacionais.49 Apesar de constitucionalmente a competência sobre o ordenamento. a fragilidade da maioria das administrações municipais é o obstáculo principal para a implementação efetiva do Sistema. torna-se mister um comprometimento real de estados e municípios no cumprimento de prazos e metas estabelecidas pelo CGFNHIS para o atendimento das exigências previstas na lei que regula o SNHIS. A pontuação conclusiva da presente abordagem coloca que com a continuidade dessa disponibilidade financeira10. além de somar-se a dificuldade de definição de diretrizes nacionais. rumo a uma consolidação do SNHIS no Brasil. de forma especial o público. A perspectiva para a continuidade de investimentos encontra-se na tramitação de proposta de emenda constitucional que em 2011 visava destinar 2% do orçamento da União e de 1% do orçamento de estados e municípios para a habitação de interesse social no Brasil. Contudo. legislação e gestão do uso e ocupação do solo ser municipal. visando mesmo uma efetividade das adesões para a realização dos recursos disponíveis. apesar da disponibilidade de recursos. uma contradição e ao mesmo tempo objeto de tensão política frente às esferas estadual e nacional. o setor habitacional e. respeitado o fator necessidade e as realidades orçamentária e cultural de cada região brasileira. mesmo com o diagnóstico do Relatório de Gestão 2009 do SNHIS. 10 . vai se refazendo e se reorganizando.

percebe-se que nas regiões Sul (44. aonde se confirma a concentração de recursos com o maior custo habitacional por metro quadrado na Região Sudeste. elaborou-se o Apêndice F do presente trabalho de pesquisa. da Revista Brasileira da Habitação dos anos de 2009 e 2011. Estadual. Numa análise geral do que o gráfico indica.75 m2) e Sudeste (41. conforme gráfico que segue abaixo: Gráfico 7 . Com base nos dados publicados em 2009 e 2011.O metro quadrado por Região considerando o recurso predominante Fonte: Revista Brasileira da Habitação. A ORIGEM DE RECURSO E SUA INFLUÊNCIA NO METRO QUADRADO CONSTRUÍDO O acesso a várias matérias sobre empreendimentos construtivos. 2009/2011. o metro quadrado construído possui maior consideração e. a necessidade de maior investimento. com recursos do Governo Federal. . situação já identificada anteriormente nos custos médios com habitação apresentados pelo SINAPI de 2011. 2012. no contexto da habitação de interesse social. em andamento e já concluídos aqui no Brasil. em detrimento da origem de recurso que em primeira instância determinou a possibilidade de um maior investimento e consequentemente a construção de apartamentos e/ou casas maiores nos fez chegar até aqui. Federal e Iniciativa privada). considerando a origem de recurso como apenas Federal ou todos (Municipal. consequentemente.84 m2). Elaboração: o próprio autor.50 3.1. a relação diferenciada do metro quadrado construído para cada região brasileira. a partir do qual se calculou a média do metro quadrado construído por região.

por exemplo. municipal e da iniciativa privada. a Região Nordeste decai para o patamar de 38.406 unidades habitacionais para o Residencial Boa Vista. por exemplo. Sabe-se.Campo Grande/MS. mas essa não é a questão primordial da presente análise. Centro-Oeste e Norte. para a construção de 100 mil moradias pelo Programa Morar Bem Paraná .Curitiba/PR. sem distinção e sem que haja a necessidade da dependência da origem de recursos. .12 m2. 6º. mas essa é uma questão que precisa acontecer para todas as regiões brasileiras. que classificou a moradia como um direito social.16 do metro quadrado construído. cultural. um direito a ser efetivado e um dever a ser cumprido e já previsto na Declaração Universal de Direitos Humanos e na nossa própria Constituição. constou entre as regiões com o perfil de metro quadrado construído entre 40 e 45 m2 quando a origem de recurso federal esteve presente. 11 A esse respeito ver Celso Furtado em A Formação Econômica do Brasil (2005). ao lado das Regiões Sul e Sudeste. que não necessariamente precisam de tal incentivo para investir mais. em seu art. estes últimos identificados apenas na Região Centro-Oeste com a construção de 1. que o total contratado de habitações interfere nos custos. apenas com recursos do Governo Estadual. pois se trata de um projeto de Estado. A Região Nordeste. do status ou das condições orçamentárias da região. Numa análise detalhada das informações levantadas. respectivamente. identitária dos indivíduos que em dado contexto são beneficiados na área habitacional.25 m2 e 33. tornando evidente uma diferenciação regional já combatida por Celso Furtado11. Sem o incentivo federal. com recursos do Governo Estadual e da CAIXA.51 Nas Regiões Nordeste. maiores serão as possibilidades de negociação de um custo menor que poderá refletir na possibilidade de construção de habitações com maior qualidade. têm-se a totalização média de 41. como pode ser observado no Apêndice F a posição da Região Sul com o maior metro quadrado construído dentre todas as regiões. As regiões são diferentes e necessitam de um atendimento que esteja de acordo com a sua peculiaridade regional. 34. com recursos advindos tanto da esfera federal quanto estadual.1m2. em Chapadão do Sul . foram determinantes para o metro quadrado construído e consequentemente para o total investido a origem do recurso e a região geográfica. haja vista que quanto maior for o número de habitações contratadas.

php>. De acordo com estudos e pesquisas da Prefeitura do Recife. através da Diretoria Geral de Urbanismo da Secretaria de Planejamento. 2012. Urbanismo e Meio Ambiente.br/pr/secplanejamento/inforec/mapasRPA3. RPA 03 Fonte: Prefeitura do Recife.1 Localização e acesso O bairro de Monteiro é pertencente à terceira região político-administrativa da cidade do Recife (RPA 03).Região Noroeste. Figura 3 . a região limita-se ao norte com a RPA 02 e com os municípios de Olinda e Paulista. a oeste com o município de . Disponível em: < http://www.recife.1 CARACTERIZAÇÃO DO BAIRRO 4.52 4 O BAIRRO DE MONTEIRO EM RECIFE/PE 4.gov. 2012. Acesso em 10 jun.1.pe.

Casa Amarela 14 .Alto José do Pinho 16 . A região é composta por 29 bairros.Santana 09 .Pau Ferro 23 23 25 25 19 19 12 12 11 11 18 18 17 17 16 16 15 15 14 13 13 09 09 10 10 08 08 07 07 06 06 05 05 04 03 04 03 02 02 01 01 Figura 4 .38% da área da cidade e ocupada por 312.53 Camaragibe e ao sul/sudoeste com o rio Capibaribe e RPA 04. 2002.Guabiraba 29 . .Espinheiro 04 .Macaxeira 20 .Graças 03 .Localização do bairro de Monteiro na RPA 03 Fonte: Prefeitura do Recife.Nova Descoberta 25 .Vasco da Gama 19 .Poço 11 .Alto José Bonifácio 18 .Dois Irmãos 23 .Córrego do Jenipapo 24 . Alto do Mandu e Casa Amarela.Monteiro 12 .Apipucos 21 .Casa Forte 10 . Poço da Panela.731ha.Mangabeira 15 . dentre eles Monteiro. Perfil Sócio-Econômico da RPA 3.Alto do Mandu 13 .Aflitos 05 . conforme pode ser observado: 29 29 28 28 27 27 26 26 24 24 22 22 21 21 20 20 01 .Parnamirim 08 .Brejo do Beberibe 26 .000 domicílios.Passarinho 28 . distribuídos por mais de 60.Morro da Conceição 17 .Jaqueira 06 . representando 35.981 habitantes. A RPA 03 é a mais extensa do Recife com 7.Brejo da Guabiraba 27 .Tamarineira 07. O bairro de Monteiro faz limite com os bairros de Apipucos.Sítio dos Pintos 22 .Derby 02 .

Secretaria de Controle e Desenvolvimento Urbano e Obras.54 Mapa 1 .Base cartográfica do bairro de Monteiro Fonte: Prefeitura do Recife. . 2012. Diretoria de Informações/Assessoria Técnica. Elaboração: PCR.

O Bairro de Monteiro se insere no contexto das maiores transformações espaciais da Região.98%) e indígena (0. densidade demográfica de 111.1.85% e 3. 45. Em termos étnicos.02%. população com maior concentração nas faixas etárias de 25-59 anos e 60 anos e mais. Espinheiro.SEPLAM da Prefeitura do Recife.8%).713 homens.4 habitantes.2%). .2 Evolução do espaço urbano As abordagens que seguem para todos os tópicos seguintes refletem o resultado de estudo analítico realizado pela Secretaria de Planejamento. tendo vivido sua melhor época em meados do século XIX. Aflitos. Parnamirim. A média de moradores por domicílio é de 3.3% . amarela (0. Em linhas gerais.917 habitantes (2.204 mulheres./há.61 hab. Urbanismo e Meio Ambiente . Durante o processo de desenvolvimento urbano da RPA 03. O bairro nasceu de uma povoação. também conhecido como Engenho do Monteiro. preta (6. com uma proporção de mulheres responsáveis pelo domicílio de 42.8 hectares a menos se comparado a 2000. Santana.37%. Possui uma população residente de 5. indicando que o surgimento de um bairro amadurecido. o bairro possui uma área territorial de 53 hectares. Apipucos e Poço da Panela. tem-se a ocupação até o final do século XVIII por sítios e por engenhos canavieiros de Santana a Monteiro. contexto bem diferente do encontrado em 2000 quando a concentração nas faixas etárias se dava de 15-39 anos e 40-59 anos. a população do bairro se distribui da seguinte forma: branca (53. Computa ainda em 2010 uma taxa de alfabetização de 96.9%).12%).15% aproximadamente). 54. parda (38. Jaqueira. Casa Forte.55 A localização das terras onde hoje o bairro se encontra localizado fizeram parte do Engenho Várzea do Capibaribe.superior à encontrada em 2000. Graças. 3. Tamarineira. acompanhado do Derby. de 92. 4. com um clima agradável e destino de veraneio.

Noroeste 04 .690. Localizado próximo a Apipucos. Sítio dos Pintos e Pau Ferro: População residente RPA Total 01 .448 % 5. excepcional Unidade de Conservação. O bairro situa-se na Região distinguindo-se pela qualidade ambiental.Sudoeste 06 . Santana.08 14.146.63 Área ² (ha) 1.480 7.892 21.32 70. que sem dúvida vem comprometendo as qualidades ambientais da Região enquanto referência histórica para a Cidade.48 66. o que lhes conferia considerável qualidade ambiental.48 40.15 24. Atualmente.850 277.35 18.537 1.56 Até a década de 70 o bairro juntamente com os outros indicados acima.82 149.1. .00 Densidade Demográfica (hab/ha) 50.234 312. Apipucos e Poço da Panela).114 221.731 4.213 2. dentre outros. segundo RPA.14 17.bem como pela ocupação horizontal de moradias unifamiliares.537. 4.796. Secretaria de Controle e Desenvolvimento Urbano e Obras.947 263.981 278. justificada pela presença de matas localizadas na Guabiraba.21 88. Apipucos. Recife. o bairro é beneficiado pela considerável cobertura vegetal que a Região possui. caracterizava-se pela baixa densidade construída .39 20. Casa Forte.650 1.Sul Total RMR Pernambuco 78.778 382. Elaboração: PCR. o bairro acompanha um forte processo de verticalização focado em Casa Forte e iniciado enquanto um processo de substituição do estoque construído para a Região.Oeste 05 . Dois Irmãos. 2010 FONTE: IBGE.3 Dados populacionais e de domicílio Informações do Censo de 2010 indicam que a Região aonde o Bairro de Monteiro se encontra localizado caracteriza-se por possuir a menor densidade (40.48 hab/ha).997 3.315 Tabela 5 . além de se encontrar inserido nas proximidades de espaços detentores de inquestionável valor histórico e arquitetônico.200 98.31 89. Monteiro.Centro 02 .População residente. no contexto dos bairros que fazem parte do conjunto urbano de Casa Forte (Parnamirim.Norte 03 . a exemplo do casario de Apipucos com a sua Igreja.547 8. Censo Demográfico 2010.38 13.01 98. área e densidade. Diretoria de Informações/Assessoria Técnica.88 100.704 3.

1.97%).145 1.4 Densidade demográfica No contexto da distribuição da população por faixa estaria.256. o Bairro de Monteiro já enfrentava uma diferença da demanda em relação à oferta com uma população residente de 4.704 3. constitui-se pelos moradores em domicílios na data de referência do Censo.796.537.769 15 a 69 anos 5.276 1.24 2.565 3. com uma taxa geométrica de crescimento anual no período de 2. Secretaria de Controle e Desenvolvimento Urbano e Obras.254 6.População residente por grupos etários e população ignorada.78 1.01 Tabela 6 .72% e 64 anos e mais com 6.275 -480 1.690. 4. entendendo-se aqui que se trata de um bairro em processo de envelhecimento.38 0. (*) População residente.54 0.40 0.660 7 276 1.547 % sobre Recife 2000 2010 0.41%.31 0.57 Do total populacional de 4.750 321 922 834.685. Secretaria de Controle e Desenvolvimento Urbano e Obras.70 2. em 2000. houve do ano 2000 para o ano de 2010 um crescimento absoluto de 1.288 1.47 100.44 0.382 429.00 Crescimento Absoluto 2000 .430 5.33 0.337. . ficando a faixa etária de 0 a 14 anos correspondendo a 23.739 pessoas para 1.046 2 566 4. gerando na atualidade uma diferença de 4.002 604 1.422.131.799 352.2010 4.229 domicílios.558 2.2010 2.917 residentes para 1.690. o Bairro de Monteiro apresenta o maior percentual na faixa etária de 14 a 64 anos (69. Elaboração: PCR. Em 2010. Diretoria de Informações/Assessoria Técnica. equivalendo a 38% do percentual populacional de Recife em 2010.21 0. Censo Demográfico 2010.982 Taxa média geométrica de crescimento anual (%) 2000 .224 170.175 domicílios.448 0 a 14 anos 1.750 2.858 4. Censo Demográfico 2010.742 domicílios.905 1. sobre esse aspecto da faixa etária. Diretoria de Informações/Assessoria Técnica. segundo bairros FONTE: IBGE.475 6 750 3.644 Tabela 7 .Diferença entre a população de 2000 e 2010 e taxa média de crescimento geométrico anual FONTE: IBGE. E conforme pode ser observado.566 5.17 0.704 3.110.917 7.739 5 917 5.739 habitantes. o Bairro de Monteiro acompanha a tendência da Cidade do Recife: População residente (habitantes) Bairro Casa Forte Dois Irmãos Monteiro Sítio dos Pintos Total RMR Pernambuco Total 6. Até o ano 2000.911 2.616 114.178 1.172 1.24%: População Residente Bairro Casa Forte Dois Irmãos Monteiro Sítio dos Pintos Total RMR Habitantes 2000 2010 4.035 70 anos ou mais 603 104 315 238 84.20 -1. encontra a situação de 5.547 8. Elaboração: PCR.178 habitantes no bairro de Monteiro.537.

681 827.736 6.781 7.750 3. ficando atrás apenas da RPA 06 (sul). Elaboração: PCR.744. Censo Demográfico 2010.885 1. o bairro de Monteiro tem uma predominância de pessoas do sexo feminino.713 3. A representatividade da Região em relação ao total da cidade totaliza 12.251 2.703 4.052.589.025 47. respondendo por 17.315 3.781 - Bairro Casa Forte Dois Irmãos Monteiro Sítio dos Pintos Total RMR Pernambuco Total 6.014 1.340 3.230.251 1.917 7.204 3.176 4. Secretaria de Controle e Desenvolvimento Urbano e Obras.315 2. que ocupa inclusive a terceira colocação no que diz respeito à valorização patrimonial de sua área. acompanhando a tendência da Cidade do Recife que possui um total absoluto maior de homens que o de mulheres: População residente (habitantes) Situação do domicílio e sexo Mulher Urbana Rural Total Homem Mulher Total Homem Mulher 3.537.717. segundo bairros FONTE: IBGE.836 101.276 1.736.440 3.997 Tabela 8 .334.566 5. Monteiro localiza-se entre os bairros com maior valor médio lançado para o IPTU comercial da RPA 03.346 3.371 54.204 5.885 1.241 847.796.767 7. tendo o 2º maior valor médio lançado do IPTU comercial.690.713 3.565.770 1.238 896.819 1.5 Economia Situa-se numa Região aonde o comércio com a existência de shoppings. conforme dados da SEPLAM (2001): . Diretoria de Informações/Assessoria Técnica.1.907.704 1.495 709. galerias e serviços especializados potencializam os indicadores do IPTU comercial.537.58 Com uma população totalmente urbana.210 827.917 2.População residente por sexo e situação de domicílio.844 3.704 3. o qual não se refere apenas a edificações destinadas ao comércio.819 1.953.547 8. 4. mas a qualquer destino não residencial que seja dado ao imóvel.495 709. de onde se infere que o mesmo situa-se numa Região valorizada imobiliariamente.566 1.736 1.014 3.276 3.681.21%.448 Homem 3.750 2.90% do IPTU comercial da Cidade do Recife.

o Bairro de Monteiro abriga quatro áreas pobres. O Bairro de Monteiro é um bairro importante não apenas territorialmente por abrigar quatro áreas pobres das 112 existentes na RPA 03. a Lei de Uso e Ocupação do Solo também considera como Imóveis Especiais de Preservação .32 0.022. os instituídos por exemplares isolados.1. taxas de limpeza pública e taxas de serviços diversos.456.12 5. Ilha Temporal. dentre elas Cabocó.IEP.70 129. 2001.70 809.580.377.60 100.660 160 18 39 7 100. de arquitetura significativa para o patrimônio histórico.30 28. artístico e/ou cultural que interessam à cidade preservar (SEPLAM.80 39. (*) Inclusive. Vila Esperança e Vila Inaldo Martins de Souza. 4.60 4.IPTU não residencial: total de imóveis.68 0.08 1.23 Tabela 9 . Além da ZEPH. .6 Macrozoneamento e importância histórica Sob a perspectiva do macrozoneamento estabelecido pelas Zonas de Diretrizes Específicas ZDE.18 RPA e Bairro RMR RPA 3 NOROESTE Casa Forte Dois Irmãos Monteiro Sítio dos Pintos 5.Lei de Uso e Ocupação do Solo.21 0.628.873.083.69 0. definidas pela Lei nº 16. segundo RPA e bairros FONTE: PCR / Secretaria de Finanças.569.93 1.877.59 Total de imóveis Abs.00 2. Tais comunidades inserem-se no contexto das Zonas Especiais de Preservação dos Sítios Históricos .ZEPH por possuir em sua área 24 sítios tombados do século XVIII em situação de preservação rigorosa. em uma área de 106.50 661.950m2.83 0.3 Valor médio lançado (UFIR) 950. 2001) e o Bairro de Monteiro também possui tal realidade.605 Valor lançado* UFIR (%) 48. valor lançado e valor médio lançado.48 0. mas também por seu local e valor urbano e pela história construída por cada uma das comunidades que coexistem em sua realidade de habitar.176/96 .00 2.755. (%) 50.037.81 1.

mandou derrubar tudo.60 5 FORMULAÇÃO DO PROBLEMA Situam-se entre os atores sociais da presente pesquisa os moradores reassentados da Comunidade Vila Esperança. às 20h. a gente começava a fazer. do compensado. Foi assim. A construção da problemática da pesquisa passará pela história da Comunidade Vila Esperança. abordar a identidade em relação ao lugar de moradia. O cabeça e articulador da invasão foi um morador chamado Miminho. o qual ainda hoje ajuda a comunidade. mas era através dele o acesso para poder invadir e de forma programada. Aí saía os policiais dizendo: Pára tudo! Por sinal. e convivendo de forma harmoniosa. mas já tinha a obra da alcatifa. Pecuária e Abastecimento . Pe. . o único barraco que ficou em pé foi onde tinha uma menina que tava grávida de oito meses. ela sentou e disse: Daqui eu não saio e ninguém me tira! Então aí só esse barraco ficou de pé.URB. Relatos de moradora da comunidade indicam que tudo se iniciou em 23 de março de 1987. a liderança comunitária da área e técnicos sociais do PREZEIS/ Empresa de Urbanização do Recife . derrubou tudo! A comunidade tem sua história forjada na resistência da luta pelo espaço de moradia e se tornou o que é hoje recebendo moradores de outras áreas como o Alto Santa Izabel. Secretaria de Estado de Agricultura. no contexto contemporâneo. Nos momentos de resistência a comunidade recebeu apoio de várias frentes: vereadores. Edivaldo da Paróquia de Casa Forte. todos os barracos. por exemplo.SEAPA. Mandou derrubar tudo. O agente social principal identificado no contexto de pesquisa é a Prefeitura da Cidade do Recife e suas instâncias de fomento voltadas à diminuição da vulnerabilidade social. A partir do momento em que o poder público tomou conhecimento da invasão. Não tinha nenhum barraco assim de madeira. que não mora mais na comunidade. pegar tábua. botar lama. para em seguida dialogar-se com a questão habitacional enquanto um direito. bater prego até o carro da polícia chegar. as ações de retomada da área se iniciaram através de muitos atritos: O atrito durou muito aqui. nem de telha. invadindo a localidade com 23 pessoas. pegar pau. tinha uma delegada que encarnava! Uma vez ela entrou aqui dentro da Vila. com o conceito de comunicação sob o referencial habitacional. do papelão. com o conceito de identidade nas ciências sociais e.

tá vendo que tem casas. Então..] O maior problema da Vila é cada um ter sua moradia decente que nem todo mundo tem. mas também de sobreviver a todas as cheias do Rio Capibaribe. mas sim de morar de forma digna por se tratar de um direito e é nesse sentido que se abordará a partir daqui a habitação enquanto um direito. foram eles que fizeram as casas. a qual reivindica respectivamente em seus artigos 1º. Desabrigados. chegou o momento de serem desenhadas articulações que culminaram com a constituição de Comissões de Trabalho que trouxeram para a comunidade água. E não se trataria de querer morar a vida inteira de forma não digna. Os técnicos que tão andando por aí fazendo cadastramento. A partir daí foi havendo articulações entre as pessoas e quando Ismael saiu da presidência da Associação Dona Elza assumiu. refeitas por eles mesmos: “[. ocasião em que os moradores tiveram que se abrigar na Escola Silva Jardim.] material e mão de obra. luz e uma associação. permanecendo até hoje.” As atividades culturais da comunidade sempre envolveram crianças e adolescentes na participação em grupos de dança ou no Museu do Açúcar. que teve como primeiro presidente “Seu Roque”. apesar de o estatuto ter sido registrado em nome de Ismael.. A luta da Comunidade Vila Esperança não se restringia apenas a ficar no local.. quando já se encontravam nas proximidades da área atualmente ocupada.. tem que ser pobre. encaminhando-nos ao próximo tópico de construção da presente problemática: [.61 Passados os momentos de agonia nas inúmeras resistências que se sucederam. para 18 casas e tudo foi doado. em 10 de dezembro de 1948. o pessoal daqui não são acomodados.. 2º e 25º a “igualdade e dignidade para todos os . mas ter uma moradia descente. em especial a do ano de 1975.. conforme relato de Dona Zelha. que finaliza a história da comunidade descrevendo a situação de quando o habitacional atualmente entregue ainda não havia nem saído do papel. nem todo mundo quer morar a vida inteira num lugar desse. receberam ajuda para a reconstrução das casas. O direito à moradia vem sendo alvo de debate enquanto um direito fundamental desde a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DHDH) adotada e proclamada pela resolução 217 A (III) da Assembleia Geral das Nações Unidas. que tem casebres e que tem quartinho. Com o tempo. trabalha. começaram a ser feitas casas com madeira reaproveitada e quem podia construía de taipa e apenas depois é que iam surgindo as construções de alvenaria. Pelo menos.

livres e justas. 12 Estado Democrático de Direito tem no presente trabalho o entendimento de ser um elemento transformador da realidade que ultrapassa o aspecto físico de efetivação de uma vida condigna para o ser humano. alicerçando um estado democrático de direito12 embasado na cidadania e na dignidade da pessoa humana. como a educação. nesse contexto.org/index. agindo como fortalecedor da participação pública em inúmeros seguimentos. à saúde e ao bem-estar. tem-se um verdadeiro diferencial porque é a primeira vez que uma Carta vem assinalar os objetivos fundamentais do Estado com o intuito de efetivação da dignidade da pessoa humana na prática. a democracia implica na solução da problemática das condições materiais de existência. enquanto um direito humano que é. estabelece-se uma chamada de responsabilidade ao Estado no âmbito de intervenções políticas que proporcionem meios e facilitem o acesso a moradias. 2012.hrea. por meio da tecnologia de cursos a distância online. Nele. para que o exercício de morar possa ir além de um exercício de sobreviver. orientadora e crítica). 40 anos depois. por exemplo. Em relação às Constituições anteriores.62 seres humanos. O acesso a uma habitação precisa responder a necessidades fundamentais relacionadas à segurança. a partir do momento em que também não se efetivam outros direitos que poderiam instrumentalizar o cidadão a conquistar o seu direito à habitação. tendo sido criado para ultrapassar a ideia utópica de transformação social e assumindo o objetivo da igualdade e tendo na lei um instrumento de reestruturação social. o desenvolvimento de materiais ou programas educacionais e a formação de redes comunitárias. A Human Rights Education Associates (HREA) 13 traz à discussão a questão de que a garantia do acesso à habitação levanta questões complexas sobre até onde ir à obrigação governamental. haja vista que levar em consideração o alojamento como necessidade humana não significaria dizer que os governos devessem prover a todo o seu cidadão terra. contudo. 13 Organização internacional não governamental que apoia há mais de 15 anos a educação e a capacitação de ativistas e profissionais em direitos humanos. Disponível em: <http://www. quatro paredes e um telhado. a esse respeito. No Brasil. conforme é ressaltado Piovesan (2009).php?doc_id=412>. é momento de a Constituição de 1988 perceber o valor da dignidade da pessoa humana como valor essencial. dando-lhe significado e principalmente unidade. fazendo-se perceber no texto da Constituição Brasileira enquanto uma preocupação com valores institucionais de tripla dimensão (fundamentadora. dedicando-se à melhoria dos processos de educação e capacitação que promovam o entendimento. . o princípio da não discriminação” sem qualquer tipo de distinção e o “direito a cada ser humano a um padrão de vida condigno” e. ações e atitudes voltadas para o respeito aos direitos humanos e que fomentem o desenvolvimento de comunidades mais pacíficas. o que amplia de forma considerável o campo dos direitos e de garantias fundamentais. Acesso em 05 jun.

Um espaço que não deveria ser objeto de política ou visto sobre o prisma de ser uma mercadoria.. como o Pacto Internacional sobre os Direitos Econômicos. segurança adequada. não se resumindo ao espaço físico. em sua Observação Geral nº 4. reconhecendo o direito de toda pessoa a um nível de vida adequado e extensivo a todos. iluminação e ventilação adequadas. no seu art.. voltado a quem realmente precisa. levando a uma interpretação da habitação enquanto “habitação condigna”. A relevância da discussão se posiciona a partir da presença da mesma nos inúmeros documentos internacionais que têm fomentado o direito à habitação (HREA.tudo isto a preço razoável. inclusive. culturais e sociais específicos de cada Estado. nº 1 e o Comitê dos Direitos Econômicos. pelo PIDESC ou pelo CDESC. Sociais e Culturais (CDESC). como o direito à família e ao descanso e lazer. Nesse sentido. formas de viver e de identidade com a realidade de moradia. infraestrutura e equipamentos públicos.hrea. a partir do momento em que se constitui como um lar.php?doc_id=412>. com uma boa localização e que expresse a identidade e a diversidade cultural de quem é beneficiado. não apenas previsto pela DHDH. . infraestruturas básicas adequadas e localização adequada relativamente ao local de trabalho e equipamentos básicos . conforme é definido pela Human Rights Education Associates (2003): Habitação condigna significa [. Trata-se de um direito que contempla o respeito ao específico do ser humano no atendimento as suas necessidades de habitar. Sociais e Culturais (PIDESC) de 1966.org/index. esse direito se coloca com um significado amplo e ligado a outros direitos humanos considerados como fundamentais. desenvolvido em meio a valores. enquanto um espaço habitável que dispõe de serviços. espaço adequado. por exemplo. Um direito. trazendo consigo o atendimento a outros direitos humanos. 2003) 14. Acesso em 05 jun. 11º. mas que vai além e que vem sendo mencionado e reforçado em inúmeras instâncias internacionais. É um direito que busca por um padrão de vida digno. como a Convenção nº 97 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre Migração e 14 Disponível em: <http://www. 2012.] privacidade adequada. com o intuito de efetividade de tal direito.63 garantindo um alcance à satisfação de direitos no contexto dos fatores econômicos.

uma parte cobrando o que lhe é direito e a outra fazendo o que lhe cabe enquanto um dever.. a qual só se torna fator de sociação15 apenas quando transforma o que a constitui (impulso. Assim sendo.] “esses interesses formam a base das sociedades humanas [.. do FNHIS e do CNHIS. através da instituição do SNHIS. que o fazem interagirem. dentre outras instâncias que estruturaram a base que justifica o reforço. se o ser humano enquanto detentor de elementos simbólicos. a satisfação desses interesses que segundo Simmel formam a base das sociedades humanas. E responder a necessidades e expectativas é entender que a população beneficiada precisa se comunicar com o espaço habitacional recebido. o mero agregado de indivíduos isolados em formas específicas de ser com e para um outro. é sob esse aspecto. interesse. 166) tudo que está presente no ser humano que possa manter influência sobre os outros é considerado como matéria. nesse sentido.] sociação é a forma (realizada de incontáveis maneiras diferentes) pela qual os indivíduos se agrupam em unidades que satisfazem seus interesses [. Entende-se. identificar-se com ele e.. para Simmel (1983. a Agenda HABITAT e o Plano de Ação HABITAT (1996) a Declaração de Istambul sobre os Povoamentos Humanos (1996). etc. já com o Estatuto da Cidade criado em 2001.64 Emprego (1949). cabendo ao poder público e à sociedade em geral fazer com que tal direito seja garantido com plenitude.. No Brasil. a Declaração de Copenhaga sobre o Desenvolvimento Social e Programa de Ação (1995). que a satisfação de interesses no contexto social depende de uma significação que faz surgir a interação entre indivíduos na sociedade. o histórico apresentado no Capítulo 2 mostrou que a efetividade de iniciativas e mecanismos que reforçam o direito à habitação de interesse social se inicia em 2000 com a Emenda Constitucional 26 (art.]. levando-se em consideração os instrumentos legais que legitimam a qualidade e encontram-se embasados numa perspectiva de atendimento à cidadania e à dignidade da pessoa humana.” 15 .). a Declaração de Vancouver sobre os Povoamentos Humanos (1976). que se considera relevante analisar a Na definição de Simmel “[. instâncias que realmente vieram estruturar um caminho já há algum tempo em construção. p. ficará comprometida e. a importância e valorização da questão habitacional. 6º) e finalizam-se em 2004. propósito.. não confere significado a tais elementos no sentido de se comunicar e se identificar. A inefetividade do direito a uma habitação que responda às necessidades e expectativas de quem é beneficiado é algo a ser superado pelos governos.. nesse sentido.

74). a mesma coisa”. VILLAR. 2001). a identidade contextualiza-se como um elemento-chave da realidade subjetiva. cuja raiz localiza-se em idem. aquele elemento do contexto social que faz a diferença no sentido de ser a partir dele que o indivíduo dialoga com a realidade em que vive e. Para Berger e Luckmann (2008). que se modifica e se ressignifica no contexto social (p. no contexto habitacional. as mesmas refletirão tal identidade comunicando-se com os outros. A questão da identidade é sem dúvida no contexto habitacional um dos elementos que conferem tanto a efetividade do direito quanto da sustentabilidade social do empreendimento construtivo. A partir do momento em que o indivíduo comunica-se com o espaço habitacional. interagindo e confirmando-se os interesses satisfeitos. produzindo-se a partir de interações. A origem do termo identidade remonta o século XVII e provém do latim medieval indentitusátis. Dentre as significações possíveis. sendo a “identidade um fenômeno que deriva da dialética entre um indivíduo e a sociedade” (p. identificar-se com o espaço de moradia torna-se fundamental para que o mesmo se mantenha sem ser objeto de repasse ou depredação. A identidade é. um fenômeno social e não natural. identidade registra aquela que especifica “um conjunto de características e circunstâncias que distinguem uma pessoa ou uma coisa e graças às quais é possível individualizá-la” (HOUAISS.65 efetividade da interação das 16 famílias da Comunidade Vila Esperança em relação ao habitacional proposto pelo PREZEIS. tem-se o entendimento de que através da apropriação do espaço é possível dialogar. Estrutura-se e modifica-se através dos processos e das relações sociais nas quais o sujeito se encontra inserido. encontrando-se numa relação dialética com a sociedade. pois. concretizando-se o processo de identidade com a moradia. 230). comunicar-se com o ambiente e nesse contexto ir . Sob o prisma da representação social. É dessa forma que num olhar contemporâneo. correspondente a “o mesmo. estabelece com o mesmo identidade. da relação existente entre indivíduo e sociedade. sendo entendida como o próprio processo de identificação. porque se acredita que ao haver a comunicação. Ciampa (1989) considera a identidade como algo em movimento.

refletindo-se em . atitudes. reconhecimento. num processo de construção recíproca (Sève apud Mourão e Cavalcanti. com o que foi bom ou ruim e através de atitudes e significados que lhe conferem reconhecimento. 146). valores. p. 2009. dimensionado e equipado de forma a cumprir com a função social que possui.66 se construindo ao mesmo tempo em que se contribui para a construção ativa do contexto. considerando a questão da identidade com o mesmo. que tanto passa a exercer a sua função quanto perdura pelo cuidado que cada morador passará a lhe dispensar. 2004. sentimentos. com o que aprendeu. apropriando e vivendo através do corpo. sentindo. p. definindo dessa forma o seu espaço social (Bourdieu apud Teixeira. o espaço habitacional constitui-se de propriedades que definem sua posição pela relação que ele próprio tem com os outros lugares e pela distância que o separa dos demais. os quais estão relacionados com a variedade e complexidade dos lugares físicos que definem a existência cotidiana de cada ser humano” (PROSHANSKY apud PONTE. 113). Acredita-se. fazendo com que as relações cotidianas se reconheçam (TEIXEIRA. que ao ser apropriado. 112). As relações que as pessoas mantêm com os espaços que habitam exprimem-se no dia-a-dia pela forma de uso. p. permitindo a interação das comunidades com o lugar. 351). Prosseguindo com a importância que o espaço assume na vida das pessoas. o mesmo passa a ter um outro significado e com isso valor subjetivo que só fortalece a sua sustentabilidade social. Nesse sentido. A identidade com o lugar também vem a ser conceituada como um elemento que advém da identidade pessoal. p. este que precisa se comunicar com o espaço. pensando. condições mais simples. significados e concepções de comportamento e experiência. ideias. 112) considera que o projeto arquitetônico destinado à habitação precisa ser ordenado. com tais cognições representando “memórias. BONFIM. 2006. com os quais se identifica. a identidade de lugar tem a ver com o que cada ser humano constrói através do seu passado. p. ainda. Teixeira (2004. PASCUAL. A partir do momento em que passa a haver identidade com o espaço habitacional. constituído por cognições a respeito do mundo físico aonde o indivíduo se encontra inserido. 2004.

só tinha uma porta e uma janela. é uma conquista. E para formular a problemática da presente pesquisa. era dormindo.. com a identidade sendo resgatada pelas memórias. ao ponto de a identificação com o mesmo e o comprometimento da possibilidade de comunicação constante que a moradora tinha na realidade anterior... aí eu vou passar o dia todinho aqui na janela? E lá não. oi Dona Elza. ou Dona Elza. quando chegou aqui.. era um salão só.. é trepado.. tá entendendo? Ou seja. lá era diferente. outro oi Dona Elza. porque eu ali na frente (moradia anterior). oi Dona Elza.. o espaço é bom em relação ao anterior... era. o apartamento pra mim foi ótimo. sempre o povo me procurava. aí eu dividi no meio fez dois vão. era um frio.67 seu comportamento frente a esse espaço e modificando-se de acordo com a complexidade que cada espaço tem no seu dia-a-dia. a cozinha e o banheiro.. encontra-se no depoimento de Dona Zelha: [. Um momento da realidade de empírica. às quais serão tratadas nos resultados da pesquisa e nas considerações finais.. tá entendendo? O tempo todo!. sei lá. sei lá.. no sentido de enfrentar a racionalização de custos em detrimento da qualidade. não descia.. todo mundo que subia e que descia oi Dona Elza. óia eu vivia chorando. mas assim.. sei lá... mas dizer assim que eu tô bem.] nunca assim. colocou-se como importante para tal fundamentação trazer a percepção da habitação enquanto um direito. mas é “trepado”.. aí eu me isolei. há questões de melhoria relacionadas tanto à questão de segurança quanto do trabalho social que poderia fornecer maior reforço à sustentabilidade social do empreendimento. Contudo. que só pode ser efetivo se o beneficiário do espaço habitacional identificar-se com o mesmo. mas melhor. fazer-se menos. . pela percepção de uso do espaço anterior e convivência com os outros moradores. morei num espaço bom. Chegava fim de tarde eu num tinha nada o que fazer acaba minhas coisa todinha. fiquei muito fechada assim. no qual se pode observar essa questão identitária e de comunicação com o espaço habitacional. ter se colocado de forma relevante no seu dia-a-dia. foi uma graça de Deus que recebi com muita luta. se eu tiver aqui na janela aí passa um oi Dona Elza.. era uma agonia. aí eu ia botava a cadeira ali aí passava um oi Dona Elza. enquanto aspectos que fortalecem a necessidade de reflexão sobre ao invés de se fazer mais por menos. mas sabia que eu ia entrando em depressão? .. tinha a sala. não encaixa muito.. prazer assim tô não. tá entendendo?. por este motivo a abordagem da identidade com teóricos das ciências sociais e contemporâneos a cerca da identidade em relação ao lugar de moradia.

num contexto em que a mudança para a nova moradia não mudou o que ganhavam antes para o que ganham atualmente. consertos). Ao serem indagados sobre o que faziam para ganhar dinheiro teve-se no elenco de respostas: bico (pintura. as quais se encontrarão identificadas no início da apresentação e/ou análise de cada resultado da pesquisa: Seção A . esboçando um perfil educacional diversificado. é de 36 a 76 anos de idade. ora de forma quantitativa. doméstica e vigia de condomínio. respeitando-se a ordem de apresentação das seções presentes no Apêndice B. copeira que está no seguro desemprego.Informações gerais A faixa etária dos entrevistados. pensionista. 2012 Há na amostra desde pessoas que estudaram até à 2ª série (antigo ensino fundamental) a pessoas que estudaram até concluir o ensino médio. com a maioria dos entrevistados sendo do sexo feminino: Gráfico 8 . no contexto de adultos maiores de 18 anos.68 6 RESULTADOS DA PESQUISA Os resultados serão apresentados ora de forma qualitativa. . auxiliar de cozinha.Entrevistados por sexo Fonte: Pesquisa de campo Elaboração: o próprio autor.

uma moradia melhor. pequena/apertada.” O conceito de casa esteve associado a algo que não tinham antes. à casa atual que é uma maravilha. uma bênção e uma dádiva de Deus. triste. que lhes remetia a sofrimento. . Habitação social foi associado a algo melhor. com conforto. conforme relato que segue: “Voltar para casa e enfrentar aquela goteira pelo vão inteiro. 2012 Com exceção da associação da própria comunidade. percebendo-se através do discurso que eles entendem por casa algo bom e que faz bem e logo se a realidade anterior era tão péssima eles não possuíam uma casa e consequentemente eram cidadãos não atendidos em sua cidadania sob esse aspecto.69 Em sua maioria. havendo alguns declarantes da religião católica: Gráfico 9 .. com o cuidado de os escorpiões não chegarem nele . considerando-se o perfil dos entrevistados em sua maioria evangélicos. tratado como bênção ou dádiva de Deus. Seção B . péssima. à decência. procurar um lugar seco naquilo tudo molhado pra colocar o meu pequeno de meses. sem alegria.Associando conceitos Ao serem convidados para uma associação de conceitos a termos que lhes foram propostos os entevistados consideram a moradia anterior como não sendo boa. com melhores condições. uma porcaria. com calor e que não servia. a uma moradia melhor.. a noite inteira. Retornar para casa era fazer passar um filme na mente. a um abrigo. abafada. à segurança e ao bem estar. à dignidade.Entrevistados por religião Fonte: Pesquisa de campo Elaboração: o próprio autor. que traz coisas boas. os entrevistados são da religião evangélica. percebendo-se que se entende por habitação social uma casa melhor. não possuem vínculo com organização comunitária nem de ordem política. ruim.

70 Para o termo identidade. tu vai morar em apartamento Josefa. A única exceção as aspectos levantados para o termo comunidade foi o assalto recente. dentre outras questões a serem levantadas nas considerações finais do presente trabalho. 2012 Ao serem solicitados para associação do termo vizinhos. e vou Zelha?). mas relacionado a pessoas externas à comunidade e em função da área do prédio que não se encontra delimitada. unida. numa identidade e lealdade que se construiu por anos. Josefa faleceu 7 meses após se mudar para o habitacional em Monteiro. vai sim Josefa. . família. a maioria nada teve a dizer considerando os vizinhos ótimos. eu te prometo. que não poderia ser diferente considerando o histórico de luta e união que essas pessoas tiveram para se tornar o que são enquanto grupo. amigos e especiais. limpeza. percebe-se o cuidado e a reserva nas respostas. unidos. A comunidade foi considerada como tranquila. enquanto elementos de identificação com os mesmos. hoje quem reside no apartamento é o seu marido. tu vai ver!” Vê-se aqui o sonho sendo compartilhado e vivivo junto ao outro. Nessa ocasião. a exemplo de depoimento de Dona Zelha falando com Josefa (já falecida): “Olha Josefa. que inclusive foi criado pelos moradores do prédio.Associação com o termo identidade Fonte: Pesquisa de campo Elaboração: o próprio autor. Gráfico 10 . boa e ótima. mas sempre esteve presente o sentido de comunidade e cuidado também com o outro. mas houve nesse contingente quem considerasse que ninguém é perfeito e uma outra parte dos entrevistados considerando os vizinhos reservados e que todos são bons. ao próximo. praça (um dos equipamentos de lazer não entregues com o prédio) e respeito ao ser humano. jardim. houve a associação a tudo de bom numa identificação com o que há de melhor. tu vai morar com tudo direitinho (Josefa pergunta.

uma bênção. uma dádiva de Deus. Gráfico 11 . 2012 O termo reassentamento e entenda-se nesse caso como sendo o processo de reassentamento (porque assim foi explicado no momento da entrevista). com o desejo de que Deus conserve e que tenha por aí para mais irmãos que precisarem. na cabeça e do jeito que dava para ser. . e de forma geral como seria para eles. e daqui a pouco as coisas todinha e quando eu vi tinha me mudado. haja vista que os móveis. Uma moradia que lhes traz segurança e bem estar. identificou-se que a prefeitura não arcou com as despesas de mudança. bem rápido ao ponto de Dona Zelha que idealizava mudar-se com calma quando menos esperou. verdadeiro abrigo. houve na verdade uma confusão no entendimento dos entrevistados que perceberam lugar como o local aonde moram e não o termo isolado. alegre e perto de tudo.” Sobre a moradia atual. bom porque trouxe paz à vida (ter saído da realidade anterior) e rápido.Associação com o termo lugar Fonte: Pesquisa de campo Elaboração: o próprio autor. O que de fato procede.. considerando pontuações de entrevista realizada com Dona Zelha. equipamentos e utensílios dos moradores foram carregados por eles mesmos. tudo de melhor. a grande maioria dos entrevistados a considera excelente. ótimo. Em relação ao local no qual se encontram inseridos o mesmo foi considerado como legal. e daqui a pouco a geladeira. quando eu vi ia passando o sofá. Sobre esse aspecto. E foi rápido sim.. ficou associado a ter sido ótimo.71 Na associação com o termo lugar. bom de viver. sadia. foi uma danação da gota. melhor. João da Costa esteve na comunidade para realizar a entrega do habitacional e quando as chaves chegaram nas mãos dos moradores foi o maior alvorosso: “Olha. aonde se encontra diversão. pois eles moram num local central e altamente valorizado mercadológica e imobiliariamente falando.

vizinhos e amigos se reunirem foi declarado pela maioria que não mudou. para pouco mais de um ano de moradia. Na moradia atual.Processo de mudança e comparação do antes com o depois Indagados no que diz respeito à relação de vizinhança na moradia anterior. independente de não considerar peculiaridades do exercício de morar da comunidade. contudo. o que foi um benefício considerável e um respeito às histórias de luta construídas com o tempo. remete-nos à indagação de que a realidade aterior seria péssima e traumatizante ao ponto de o imóvel recebido. a percepção que se teve na realidade empírica pelos discursos foi a de que na realidade anterior a comunidade se reunia mais. mas acredita-se que seja uma questão de tempo e ajuste a essa nova realidade. Em relação à frequência com que moradores. Como houve no contexto da comunidade a permanência no local de origem. tenha possibilitado um desgaste natural nas relações. 2012 Seção C . Reflete que a organização do espaço minimizou os conflitos e com isso certamente eles passaram a se relacionar melhor. com momentos bons e ruins. . com a ressalva de que existem conflitos em qualquer sociedade. não se tem uma mudança significativa da realidade anterior para a atual. ainda não lhes forneceu subsídios no sentido de a identidade presente ser questionada. nos dois casos pela grande maioria dos entrevistados. mais organizada espacialmente e com regras que não existiam na realidade anterior.Associação com a moradia atual Fonte: Pesquisa de campo Elaboração: o próprio autor.72 Esse aspecto de satisfação. É possível que ter ido para a realidade atual. houve o indicativo de a mesma ser solidária. Gráfico 12 . a relação foi identificada apenas como solidária.

tendo havido quem declarasse que pesou um pouco: Gráfico 13 . considerando-se a área de serviço e o atendimento para todos os apartamentos das redes elétrica. o prédio já tem apresentado problemas de manutenção e acrescente-se que até o momento a cobrança dos serviços de energia e água potável ainda não foi regularizada. tendo sido afirmativa a resposta do entrevistado que . 2012 Apesar da declaração de terem estado preparados para a nova realidade de gastos. Quando perguntados sobre estarem preparados para os gastos que a nova moradia trouxe a grande maioria declarou que sim. Conforme será indicado nas considerações finais. o entrevistado que declarou que pesou um pouco trabalha com artesanato e atualmente encontra-se parado em função da impossibilidade de aquisição de matéria-prima. de uma forma equilibrada. a mesma era composta de vãos que se dividiam. Quando indagados sobre desenvolver atividade comercial na realidade de moradia anterior. Na moradia atual. de água e esgoto. bem como a definição de endereço do habitacional que atualmente possui junto aos CORREIOS três endereços que direcionam as correspondências para o prédio. de água e esgoto para alguns atendia e para outros não. a grande maioria declarou que não.Sobre o preparo para os novos gastos Fonte: Pesquisa de campo Elaboração: o próprio autor.73 Indagados sobre como era a moradia anterior fisicamente falando. tem-se a realidade de 5 cômodos. banheiro quando existia era pequeno e as redes elétrica. questão que um bom trabalho social poderia ter resolvido e encaminhado. até em função de já estarem acostumados com tais gastos na moradia anterior.

Investigando o trabalho social desenvolvido Fonte: Pesquisa de campo Elaboração: o próprio autor. Gráfico 14 .Investigando a atividade econômica Fonte: Pesquisa de campo Elaboração: o próprio autor.74 trabalhava com artesanato e que hoje não trabalha mais desenvolvendo sua atividade. Gráfico 15 . 2012 Perguntados sobre a Prefeitura da Cidade do Recife ter empreendido algum tipo de trabalho social ou capacitação profissional os entrevistados foram unânimes em dizer que não. 2012 . mas quando puder voltará a desenvolvê-la.

até porque até aonde se pode verificar a presença de técnica social pelo PREZEIS no escritório social recentemente instalado. Contudo.75 Apesar de o recurso advir do PREZEIS. o que foi declarado por todos eles. jardim. liberdade e na realidade anterior perdeu-se o convívio com amigos. A quantidade de pessoas que moravam na realidade anterior é a mesma da moradia atual para a maioria dos entrevistados e a maioria também não fez novas amizades. Quando arguidos sobre o que mudou na vida deles em relação aonde morava antes e a moradia atual. aonde o trabalho social é sistemático e constante. satisfação de morar e aonde Dona Ana inclusive parou de ter problemas respiratórios. visto que nada do que tinha lá deveria ter na realidade atual.Investigando a identidade Os entrevistados residiram na moradia anterior entre 5 e 23 anos e a maioria dos entrevistados não sentirão saudade da realidade anterior. num outro momento. mais limpeza no prédio. pois grande parte dos amigos da moradia anterior são os mesmos na moradia atual. afirmadas ou não. Seção D . o qual atenderá ao Programa Capibaribe Melhor. no que diz respeito ao PREZEIS. e não algo que tivesse partido de uma política municipal. uma idosa de 76 anos. foi uma exigência da comunidade. sendo praxes dessa sistemática os técnicos da URB-Recife sempre estarem presentes na área. caracterizado como terrível pela entrevistada. terminar a frente do prédio . conforme já ressaltado. segurança. tranquilidade. parque. na realidade anterior tinha-se o contexto de problemas respiratórios. a não ser com a família. garagem. lugar limpo. de forma que houve ganhos mas também perdas. mas essas são questões a serem esclarecidas. expectativa. ou essa relação entre o PREZEIS e o Programa Capibaribe Melhor tem confundido os papéis no desempenho do trabalho social que deve ser destinado aos já reassentados e àqueles já cadastrados que ainda o serão. Na realidade atual tudo é melhor. privacidade. sadio. precisa ser revista. E o lugar escolhido pela Prefeitura do Recife atendeu às expectativas pela permanência no local. para a realidade atual ser completa ainda faltaria: ser murado. Ganhou-se na realidade atual segurança (do ponto de vista de a habitação atual resguardar melhor a família). tal verificação surge como alerta. ressalva apenas para um dos entrevistados que declarou não ser de estar com muita amizade. maravilha em relação ao lugar aonde estavam. Ou a política municipal de atendimento ao social.

um beco de acesso muito apertado com pessoas bebendo no meio da rua. O que marcou a realidade anterior foram os problemas respiratórios já solucionados para Dona Ana. contextualizando um ambiente muito ruim. Nesse sentido. uma forma de morar que safisfaz. o que na realidade anterior não ocorria.76 quando as casas que se encontram atualmente na área frontal saírem. conversar e falar dos momentos bons e ruins. num contexto em que o espaço é mais cuidado pelos homens e mulheres adultos dentre os reassentados. um elemento bem presente na história de lutas dos que fazem a Comunidade Vila Esperança. do seu próprio espaço foi para os entrevistados sentirem-se um pouco mais dignos. o que existe na realidade é um documento da Prefeitura dando-lhes o direito de uso por um período de 50 anos. donos ou donas de sua própria casa. Ressalva apenas para um dos entrevistados que considerou que se arrumasse um emprego seria melhor. enquanto uma vitória que Deus lhes proporcionou. namorar. as goteiras dos dias de chuva. felizes e satisfeitos. com um critério de cada grupo de moradores por andar. Houve quem declarasse que da realidade anterior sentiria saudade da superação das dificuldades. o cuidado com o lugar também se dá por moradores de cada andar. a presença de escorpiões. confiantes. de uma moradia com um bom ambiente. Coletivamente. O cuidado com o lugar se dá com alguns cuidando do seu. segura e bem melhor que a realidade anterior. área verde e área de lazer para caminhar. Diferentemente da realidade atual. quando comparada à anterior. mas em geral a falta de privacidade. de forma que sentir-se bem tem remetido sem dúvida à moradia atual. O sentimento de comunidade é o mesmo da realidade anterior. eles não poderia deixar de se sentirem mais pertencidos e satisfeitos em relação à moradia atual. houve quem declarasse não se sentir dono do apartamento em função de eles não possuírem a posse do terreno. . muito embora tenha havido quem declarasse que só existia na realidade anterior porque lá todos passavam a mesma situação e agora isso mudou. outros como Da Luz (jardim) ou Irmão Ravi cuidando também de áreas comuns ou com o cuidado sendo realizado por grupos. Incluírem-se na nova realidade. A esse respeito.

Quem declarou que não faria do mesmo jeito foi em função do aspecto de ilegalidade que originou a ocupação. a grande maioria declarou que não. com boa localização. Indagados sobre se os vizinhos venderiam e o por quê. Mais um alerta para a questão de acompanhamento do trabalho social que seria o elemento que daria conta de tal questão. mas houve quem declarasse que venderia para melhorar de vida indo para um lugar melhor. Perguntados sobre ampliar ou modificar. algo melhor para viver. uma forma de renda para não depender da filha. E sobre os planos para o futuro. . que de repente por uma doidice isso seria possível. O benefício do apartamento para a maioria foi uma bênção divina e por tudo que já passaram não o venderia. houve na maioria a declaração de que não podia e um dos entrevistados declarou que gradearia e colocaria cerâmica. a maioria declarou que não mas houve que declarasse que muitos já pensaram. terminar os estudos e fazer um curso de turismo para melhorar de vida mais ainda. o desejo dos entrevistados é o de que cada um da comunidade tenha a sua casa para ficar. Quando indagados sobre se venderiam a casa deles. que a sociedade é complicada de se entender.77 A grande maioria teria tido o mesmo envolvimento e faria do mesmo jeito para obterem o benefício da casa própria. Houve entrevistado nesse contexto que acredita que vizinhos venderiam sim sua nova moradia para comprar uma casa melhor. que o prefeito e o governo façam mais casas pois quantas mais melhor. um futuro melhor para os filhos. aposentar-se para abrir um negócio próprio. a não ser que fosse para comprar uma casa maior e melhor.

a permanência no local se deu em função da participação popular no processo de gestão. dá-se porque na área aonde serão construídos os prédios restantes não comportará a construção de mais prédios para que se possam abrigar mais comunidades. possibilitada através do PREZEIS que por força de lei legitima a participação das comunidades com o incentivo de permanência nas áreas de origem. justamente em função de sua tipologia com prédios em bloco “H” (LOIOLA. . mesmo havendo estudos que mostram que a coexistência de comunidades normalmente não é positiva para a sustentabilidade de um empreendimento de interesse social. E o fato de haver a previsão de os reassentados do Habitacional Vila Esperança serem apenas moradores da comunidade que lhe dá nome. mas nenhum dos elementos indicados acima reflete uma política municipal ou um planejamento de gestão.78 CONSIDERAÇÕES FINAIS A proposta habitacional possui configuração construtiva que já foi alvo de crítica da academia na área de arquitetura e urbanismo. que se situa numa média do metro quadrado construído para a habitação de interesse social no Brasil. num redimensionamento de projeto que diminuiu o tamanho da habitação individual para que se pudessem construir mais habitações. 2011. há famílias com sete e até oito moradores por apartamento. 2004). reforçando há décadas um padrão que já não atende a necessidades específicas de quem é beneficiado com habitações de interesse social. mantendo a mesma configuração construtiva padrão e fazendo existir no mesmo habitacional um prédio que será diferente dos demais. p. 60). gerando uma situação de 5m2 por habitante. Os apartamentos aonde residem as famílias que foram objeto de análise da presente pesquisa possuem uma área de 42m2. Um exemplo prático da ausência da participação da comunidade encontra-se no fato de que os prédios restantes que comporão o Habitacional Vila Esperança serão construídos com recursos do Programa Capibaribe Melhor e terão uma área de 36m2. a exemplo dos Conjuntos Habitacionais Goiânia e Araguaia em Belo Horizonte (TEIXEIRA. Na verdade. mas certamente tal dimensão foi o resultado da participação da comunidade no processo. contudo. Na presente análise. possui dois elementos relevantemente positivos: a permanência no local de origem e o assentamento apenas de moradores da Comunidade Vila Esperança no habitacional que será construído posteriormente. algo bem distante da média de 10m2 por habitante vivenciada aqui no Brasil.

conforme segue abaixo: Um prédio (o primeiro que foi entregue) que será diferente dos demais prédios do habitacional. Apartamentos de um prédio (PREZEIS) maiores que outros (Programa Capibaribe Melhor).79 Nesse sentido. tratou-se mais de uma questão política do que de comprometimento da gestão. que os outros moradores que receberão os prédios restantes do habitacional não terão. os quais poderiam ter sido combinados. A diferença visual e construtiva (tamanho/m2) do primeiro prédio entregue em relação aos demais do habitacional talvez venha a ser objeto de questionamento futuro. em julho do ano passado. mas nos parece que a entrega do primeiro habitacional com recursos do PREZEIS. O resultado foi a entrega de um projeto não acabado. alimentando a segregação comunitária de moradores de um prédio em relação aos outros. sem contar no investimento que os moradores do primeiro prédio tiveram para cercar a área com estacas. porque os mesmos estariam previstos com a construção dos prédios restantes do habitacional. trazendo uma realidade detentora de elementos complicadores. O primeiro prédio entregue o foi sem quaisquer elementos de infraestrutura e desprovido de muro ou cerca. que reproduz um modelo construtivo que não levou em consideração a realidade de vida da . os quais serão custeados pelo Programa Capibaribe Melhor que ainda se encontra em fase de andamento. O acesso à frente do prédio ainda se dá através de um corredor estreito porque a área que seria a frente do prédio ainda não foi desapropriada e a ausência de corrimões na escadaria só será solucionada quando se iniciar a construção dos prédios restantes do habitacional. é uma realidade da área aonde se encontra construído o primeiro prédio do Habitacional Vila Esperança a existência de duas origens de recurso possibilitando as intervenções: uma foi o PREZEIS com a construção do prédio já entregue e a outra será o Programa Capibaribe Melhor que prevê tanto recursos da Prefeitura do Recife quanto do Banco Internacional para a Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD). O fato de a área envolver a realidade de mais de uma origem de recurso foi determinante para esse desalinhamento na execução de projetos. que trouxe custos à comunidade.

ao se comparar a realidade anterior com a atual tem-se um contraste gritante. Sem dúvida um acompanhamento social para a construção de um regimento próprio. Certamente. podem levar à realidade de acidentes graves. sempre ocorre. houve um assalto na entrada do prédio porque o portão de acesso se encontrava aberto e por mais que se tenha conhecimento dos perigos possíveis e da orientação de se manter o portão fechado. instrumento que enquanto não é aprovado faz com que os moradores tenham que lidar com situações para as quais o elemento de ordem trazido pelo regimento teria dado solução. Também é resultado dessa realidade o contexto de acompanhamentos sociais diferenciados. que por ser assim nos coloca dificuldades para perceber na realidade empírica a questão da identidade com o espaço habitacional atual. Um exemplo da ausência de tal acompanhamento é a existência do regimento interno do prédio que não foi construído juntamente com os moradores e sobre o qual eles não conseguem ter entendimento sobre partes ou termos. sem muitas possibilidades de interação entre os moradores. com pouco mais de um ano de uso. ele sempre está aberto e essa é uma questão que um regimento construído coletivamente já poderia ter resolvido. aterrorizador em alguns casos. com uma estrutura construtiva de isolamento. já que o imóvel . visto que pelo PREZEIS o mesmo é sistemático. de forma comunitária e de acordo com a realidade da comunidade. Recentemente. sem corrimões e sem adesivos antiderrapantes. A proposta habitacional objeto de nossa análise. tanto no contexto do PREZEIS (sistemático) quanto no do Capibaribe Melhor (pontual) entende-se que precisem ser repensados do ponto de vista do pós-ocupação considerando que os depoimentos obtidos na realidade empírica não indicam em momento algum. por exemplo. os técnicos sociais da URB-Recife sempre estão nas áreas e pelo Programa Capibaribe Melhor será pontual com a instalação dos escritórios sociais naquele momento específico. desde que o prédio foi entregue. a realização de atividade específica ou até mesmo de acompanhamento das famílias reassentadas. continuado. já enfrenta problemas de manutenção com infiltrações e entupimentos de pia. a exemplo dos registros de água que são todos aparentes e no caminho das escadas que. reflete a necessidade de um melhor acabamento. O trabalho social.80 comunidade beneficiada e que atualmente. evitaria transtornos que com o passar do tempo poderiam tomar uma proporção não desejável para a convivência comunitária. que poderia interferir diretamente na sustentabilidade do empreendimento.

Nildo que recentemente foi acometido por um AVC. com a filha que durante o dia exerce atividade laboral externa à sua residência. dotada de certo distanciamento e cuidado. levando à necessidade de um maior investimento de tempo e até mesmo financeiro. É claro que para o desenvolvimento de tais projetos seriam fundamentais tempo e investimentos suficientes que possibilitassem estudos criteriosos. por exemplo. visando mesmo um aprendizado do conhecimento e saber local das áreas a serem atendidas. sejam uma forma de dar continuidade à trajetória da habitação de interesse social com qualidade. visto que se trata de uma habitação que não faz sentido de ser se não exercer a sua função com sustentabilidade. a partir do momento em que o trabalho com grupos focais.81 recebido apesar de todas as colocações postas acima. voltados tanto para a elaboração de projetos em todas as esferas (municipal. Leve-se em consideração ainda uma família que declarou não haver interesse em participar da pesquisa e uma outra que na verdade não tinha condições. nas ocasiões em que se esteve em campo 50% dos apartamentos não puderam ter moradores entrevistados em função de os mesmos não se encontrarem em casa. que ela seja uma maravilha porque efetivamente há identificação com ela e não porque desesperadamente se precisava e “pelas graças de Deus” se conseguiu. É por isso que se acredita que programas de incentivo. mantiveram-se em uma postura bem formal. buscando inclusive o apoio da área de arquitetura. percebeu-se a necessidade de um trabalho de base que antecedesse o momento com as famílias.” E de fato o é. Pensar a habitação de interesse social é refletir sobre a necessidade de se conhecer a realidade de seus beneficiários. No que concerne aos limitadores da pesquisa. encaminhar-nos-ia a isso. considerando as situações de insalubridade e riscos de saúde pelos quais muitos moradores passaram. A ausência desse trabalho de base impactou na qualidade dos depoimentos e na postura dos entrevistados que. Para a finalidade da pesquisa. mas o que se espera é que tal maravilha esteja permeada do que é necessário para se gostar dela. é considerado como “uma maravilha de Deus. estadual e federal) quanto para a sua elaboração com inovação. de forma que as percepções relacionadas à . tratava-se da família do Sr. com exceção da líder da comunidade.

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identidade com o lugar de moradia pensadas no início da pesquisa se confirmaram no discurso de apenas alguns entrevistados. Acredita-se, ainda, que o tempo de moradia recente ainda não possibilitou a construção de elementos que alimentassem questionamentos por parte da maioria dos moradores em relação à identificação dos mesmos com o espaço de moradia atual, principalmente quando confrontado com a realidade trágica da moradia anterior. Tudo isso atrelado ao trabalho de base mencionado anteriormente que não ocorreu, não possibilitou um aprofundamento da questão, que sem dúvida poderá ser explorada em outros níveis de pesquisa. A presente contribuição é mais uma gota no oceano ou um dos beija-flores tentando apagar um incêndio na Floresta Amazônica, mas é a percepção do fazer a nossa parte, a certeza do contribuir com o que é possível, o que fez a presente pesquisa relevante. Para a sociedade, fica a intenção e o registro da necessidade de se valorizar não a habitação de interesse social, mas o ator social enquanto ser humano, seus valores, seus hábitos, seu convívio social, sua realidade de vida, com tal ator se percebendo nesse contexto e reivindicando o que lhe cabe enquanto um direito social constitucionalizado.

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Rita de Cássia Alcântara Domingues da Silva Telefones para contato: (81) 8673-4287 / 3039-0253 / 3202-9383 Detalhamento inicial: o trabalho tem por objetivo analisar se o os beneficiários do apartamento em prédio tipo caixão entregue às 16 famílias da Comunidade Vila Esperança em julho de 2011. As entrevistas serão gravadas. tempo necessário para a realização da entrevista.Termo de Consentimento Livre e Esclarecido INFORMAÇÕES SOBRE A PESQUISA: Título Provisório do Projeto: “HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL: a comunicação do beneficiário com o objeto recebido na perspectiva da identidade construída com o lugar. Foi-me.86 APÊNDICES Apêndice A . garantido que posso retirar o meu consentimento a qualquer momento. Os resultados da pesquisa serão incluídos no Trabalho de Conclusão de Curso (Monografia) do pesquisador. em Recife/PE. ____/____/2012 Assinatura do sujeito:__________________________________________________________ Elaboração: adaptado de modelos disponíveis na web. entrando em contato com o pesquisador através dos telefones (81) 8673-4287 / 3039-0253 / 3202-9383. seu andamento e suas conclusões. Também poderão ser tiradas fotos. os procedimentos nela envolvidos. Local e data: Recife. sem precisar justificar e sem sofrer quaisquer prejuízos. esclarecimentos sobre o estudo. se coloca como necessária a aplicação de roteiros de entrevista individuais com os moradores dessa Comunidade. sem a necessidade de justificar ou sem que isso me traga qualquer prejuízo. nem lhes trará benefícios diretos. sob o olhar de famílias reassentadas da Comunidade Vila Esperança no bairro de Monteiro. no Bairro de Monteiro. sob o olhar de famílias reassentadas da Comunidade Vila Esperança no bairro de Monteiro. O sujeito poderá se recusar a participar do estudo ou retirar seu consentimento a qualquer momento. transcritas e. se os beneficiários se identificam satisfatoriamente com a nova forma de morar. em Recife/PE. Dra. . A pesquisa não gerará qualquer gasto ou ganho financeiro para aqueles que dela participarem. também. apagadas. Fui devidamente informado e esclarecido sobre a pesquisa. demonstram comunicação com o imóvel recebido. casos os moradores concordem. Esclarecimentos adicionais: a participação de cada um dos sujeitos na pesquisa poderá durar aproximadamente 60 minutos. em seguida. 30 de abril de 2012 Paulo Fernando Medeiros Epaminondas CONSENTIMENTO DA PARTICIPAÇÃO DA PESSOA COMO SUJEITO Eu. As respostas serão analisadas e a identidade dos participantes identificada através do seu 1º nome. assim como os objetivos decorrentes de minha participação. ________________________________________________ RG nº _________________. Ele também poderá solicitar. como sujeito. que será submetido à Banca Examinadora da Coordenação do Curso de Bacharelado em Ciências Sociais da Universidade Federal Rural de Pernambuco.” Pesquisador: Paulo Fernando Medeiros Epaminondas Orientadora: Prof. concordo em participar do estudo “HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL: a comunicação do beneficiário com o objeto recebido na perspectiva da identidade construída com o lugar. a qualquer tempo. abaixo assinado. Para isso. caso o sujeito entrevistado concorde. 2012. em Recife/PE. Recife.”.

Relação de vizinhança na moradia atual Solidária ( ) Com conflito ( ) Cada um na sua ( ) 19. SEÇÃO A .Processo de mudança e comparação do antes com o depois 17. Participa de alguma organização comunitária? Sim ( ) Qual?: ___________ Não ( ) 7. MORADIA ANTERIOR a) ______________________ b) ______________________ c) _____________________ 9. Até que série estudou / estuda: ____________________________________________ 3. Frequência dos moradores/vizinhos/amigos se reunirem: .Informações gerais 1.1 Tem filiação com algum partido político? Sim ( ) Qual?: ____________ Não ( ) SEÇÃO B .Roteiro de Entrevista Individual (Moradores) APRESENTAÇÃO .87 Apêndice B . VIZINHOS a) ______________________ b) ______________________ c) _____________________ 13.Associando conceitos: 3 palavras que mais vem à mente quando eu falo 8. Deixar claro que a ajuda e a opinião do entrevistado é fundamental para o estudo no entendimento da consideração que o Programa Capibaribe Melhor deu à comunicação do beneficiário com o objeto recebido na perspectiva da identidade construída com o lugar. Qual a sua religião? Evangélica ( ) Católica ( ) Espírita ( ) Candomblé ( ) Umbanda ( ) Apenas creio em Deus ( ) Não acredito em Deus ( ) 6.Explicar o porquê da entrevista: a monografia como estudo individual e o objetivo da pesquisa. Morador(a): ______________ Apartamento: ________ Idade: ____ Sexo ( ) M ( ) F 2. Possui algum envolvimento político? Sim ( ) Como se dá esse envolvimento?: Não ( ) 7. HABITAÇÃO SOCIAL a) ______________________ b) ______________________ c) _____________________ 11. Relação de vizinhança na moradia de antes Solidária ( ) Com conflito ( ) Cada um na sua ( ) 18. REASSENTAMENTO a) ______________________ b) ______________________ c) _____________________ 16. IDENTIDADE a) ______________________ b) ______________________ c) _____________________ 12. O que faz para ganhar dinheiro: ___________________________________________ 4. COMUNIDADE a) ______________________ b) ______________________ c) _____________________ 14. LUGAR a) ______________________ b) ______________________ c) _____________________ 15. Quanto ganhava/mês antes: R$ __________ Quanto ganha/mês hoje: R$ ___________ 5. CASA a) ______________________ b) ______________________ c) _____________________ 10. MORADIA ATUAL a) ______________________ b) ______________________ c) _____________________ SEÇÃO C .

Como foi ou tem sido se incluir nessa nova realidade. 37. A Prefeitura empreendeu algum tipo de trabalho social ou capacitação profissional para vocês? Sim ( ) Qual? _________________________________________________ Não ( ) 30. creches. ela remete mais a moradia: Anterior ( ) Atual ( ) 48. Você se sente satisfeito. Há quantos anos vivia na moradia anterior? _________. Algo marca sua moradira no lugar de agora? 44. em relação a onde morava antes e agora que mora aqui? 36. A forma de ganhar dinheiro precisou mudar por conta da nova moradia? Sim ( ) Não ( ) 28.Investigando a identidade 38. Como era a moradia antiga: Nº cômodos: _____ Rede elétrica ( ) Esgoto ( ) Água ( ) Outro: _____________. Esse trabalho cumpriu de verdade com o seu papel ou fez de conta? Cumpriu ( ) Fez de conta ( ) 32. dono ou dona de sua própria casa. do seu próprio espaço? 47. Como é a moradia atual: Nº cômodos: _____ Rede elétrica ( ) Esgoto ( ) Água ( ) Outro: _____________. 23. 45. Fez novas amizades depois de ter vindo morar aqui? Sim ( ) Não ( ) 34. O que tinha lá que deveria ter aqui? 41. 39. O que ganhou/perdeu depois de Estar aqui? Ganhei: ___________________________ Perdi: ____________________________. O lugar escolhido atendeu às expectativas de vocês? Sim ( ) Não ( ) Por quê? _____________________________________________________________________. postos de saúde. SEÇÃO D .88 Não mudou ( ) Reunem-se mais ( ) Reunem-se menos ( ) 20. Em caso afirmativo. 24. 29. pertencido em relação ao apartamento que recebeu? 46. deu resultado? Sim ( ) Não ( ) Por quê? ___________________________. A quantidade de pessoas que moravam antes: É a mesma ( ) Aumentou ( ) Diminuiu ( ) 33. Se houve mudança significativa. Está/Estava preparado para os gastos que a nova moradia trouxe? Sim ( ) Não ( ) 25. etc. O que ainda falta ter aqui para ser completo? 42. Ao pensar na expressão “sentir-se BEM”. supermercados. Em caso afirmativo. Você se considera mais pertencido à qual moradia? Anterior ( ) Atual ( ). Houve mudança significativa em relação a escolas. O que NÃO GOSTA de morar aqui? . Sentirá saudade da moradia de antes? Sim ( ) De quê? ________________ Não ( ) 40. O que marcou sua moradia no lugar de antes? 43. Se sim. 35. era melhor atendido em qual realidade? Antes ( ) Atualmente ( ) 22. Quantos dos antigos vizinhos moram neste prédio? ___________________________. Desenvolvia atividade comercial em casa na antiga moradia? Sim ( ) Qual? ________________ Não ( ) 26. O que mudou na Sua Vida. essa atividade continua sendo desenvolvida? Sim ( ) Não ( ) 27. que utilizavam antes e que utilizam agora? Sim ( ) Não ( ) 21. 31. o que faz pra ganhar a vida hoje? _____________________________________________________________________. O que GOSTAVA de morar lá? 49. transporte.

Quais os seus planos e desejos para o futuro? Local e data: Recife.89 50. 57. Se soubesse que o processo de aquisição dessa moradia teria sido como foi. Se fosse pensar no cuidado em relação ao lugar (individual e coletivo). Faria do mesmo jeito? Sim ( ) Não ( ) Por quê? ___________________________. 2011. O sentimento de COMUNIDADE continua aqui na moradia do prédio ou só existia no lugar de antes? Continua ( ) Só existia lá ( ) Por quê? _______________________. teria tido o mesmo envolvimento? Sim ( ) Não ( ) 56. . 51. Acredita que algum vizinho venderia sua nova moradia? Sim ( ) Por qual motivo? _____________________________________________________________ Não ( ) 60. onde pode ser visto mais cuidado? Na realidade de antes ( ) Na realidade atual ( ) 54. existe na moradia atual alguma atividade para o cuidado com o lugar? Sim ( ) Qual(is)? ______________________________________________ Não ( ) 55. 59. ____/____/2012 Elaboração: modelo adaptado de SILVA. Como os moradores cuidam do lugar? Multirão ( ) Cada um cuida do seu ( ) Cada um ou cada grupo tem um dia ( ) 52. Venderia a sua nova moradia? Sim ( ) Não ( ) Por quê?______________________. Coletivamente. Pretende ampliar ou melhorar a nova moradia com o tempo? Sim ( ) Não ( ) 58. Quem mais se envolve no cuidado com o lugar? Homens ( ) Mulheres ( ) Crianças ( ) Adolescentes ( ) Todos ( ) Quem pode ( ) 53.

Explicar o porquê da entrevista: a monografia como estudo individual e o objetivo da pesquisa. Correio ( ) Creche(s) __________________________________________________________________. Ruas da comunidade: __________________________________________________________________. Apenas quem está nessa área será reassentado ou famílias de outras áreas também serão? 4. Deixar claro que a ajuda e a opinião do entrevistado é fundamental para o estudo no entendimento da consideração que o Programa Capibaribe Melhor deu à comunicação do beneficiário com o objeto recebido na perspectiva da identidade construída com o lugar.90 Apêndice C . Postos de saúde: __________________________________________________________________. Houve a organização de alguma comissão de acompanhamento social das obras? Sim ( ) Não ( ) 9. Jardins: __________________________________________________________________. 3. A casa ficará em nome de quem? ( ) Marido ( ) Mulher 6. Houve a instalação de Escritório Social para suporte às famílias reassentadas? Sim ( ) Não ( ) 8. 2. O lugar escolhido pela Prefeitura para a construção do Habitacional Vila Esperança atendeu às expectativas da Comunidade? Sim ( ) Não ( ) 5. Houve trabalho social ou capacitação profissional por parte da Prefeitura? Sim ( ) Não ( ) 7. caso existam Primeiros moradores: __________________________________________________________________. Formas de crescimento e produção do espaço/acesso Principais avenidas: __________________________________________________________________. Foi realizada assembleia para apresentação do plano de execução de obras para a população situada na área do projeto? Sim ( ) Não ( ) . 1.Roteiro de Entrevista Individual (Líder Comunitário) APRESENTAÇÃO . Escola(s) __________________________________________________________________. Qual é a história da Comunidade Vila Esperança? Início e o porquê da ocupação Aspectos históricos e culturais. Número atual de moradores: ______.

Algum encaminhamento do auxílio moradia para quem ainda será reassentado foi realizado? 20. que seriam os canais de comunicação entre as famílias reassentadas. A Prefeitura arcou com os custos de mudança para o novo prédio? 17. para o caso de os reclamos não serem resolvidos pelo Plantão Social ou pelas Visitas Domiciliares? 12. Como se deu ou como está se dando até o momento a participação da comunidade nesse processo de mudança? 19.91 10. Como se deu a escolha das famílias? Aleatória ( ) Sorteio ( ) Para quem mais precisou ( ) 14. Há famílias cadastradas que já possuem moradia própria ou outras situações a serem mencionadas? . Quais critérios nortearam esse 1º reassentamento? Sociais ( ) Políticos ( ) 15. a empresa de consultoria contratada e responsável pelas atividades do Plano de Reassentamento e a Unidade de Gestão do Projeto? 11. Quantas visitas de acompanhamento foram realizadas pela Prefeitura desde julho/2011? 13. A comunidade foi informada sobre a possibilidade de contato com o Ministério Público ou outros (instâncias internas). Houve consulta sobre o desejo de reassentamento das famílias? Sim ( ) Não ( ) 18. Como foi o processo de remoção das 16 famílias para o prédio? 16. Foi realizada reunião com as lideranças comunitárias para informar sobre algum Plantão Social ou sobre as Visitas Domiciliares (instâncias internas).

Ausência de praça (área de convivência). Frente do prédio não concluída. Contraste radical com a realidade anterior. Apenas moradores da Comunidade Vila Esperança no habitacional. . Ausência de área de lazer para criança. Elementos que não identificam Ausência de muro (insegurança).Elementos de Identificação e de Não Identificação Elementos que identificam Permanência no local.92 Apêndice D . Isolação (apartamento um em cima do outro). Ausência de escritório social. Não ter a “posse da terra”.

2011.Síntese das Categorias de Entrevistados Técnica Utilizada Entrevistado Famílias reassentadas Líder Comunitário Total de famílias entrevistadas Líder 1 7 Morador 15 Entrevista Pesquisa Exploratória Elaboração: modelo adaptado de SILVA. .93 Apêndice E .

São Paulo/SP Conjunto Habitacional Porto Novo .. FNHIS Governo Estadual. CAIXA Prefeitura/Demhab Prefeitura/Fundo Municipal do Prezeis.422 86 1. 2011/ 2012 40.18 / 59.Curitiba/PR Projeto Maciço do Morro da Cruz . 2009/2011.35 35 35 Sul Norte CentroOeste Norte Sudeste Norte CentroOeste 2011 2011 2011 2012 2012 2012 2011 181 800 300 8.Porto Alegre/RS Ano 2012 2011/ 2012 2012 2011 2011 200 9/ . CAIXA PAC Governo Estadual. Governo Estadual Governo Estadual. 2012. Agentes Financeiros Privados Região Sul Sul Sudeste Nordeste Sudeste Sul Iniciativa Programa Morar Bem Paraná .895 31.. União PAC2 União.O Metro Quadrado Construído Determinado pela Origem de Recurso por Região Brasileira Metro Quadrado Construído 52 50 48 / 59 45 43.379 9.476 Origem do Recurso Governo Estadual. CAIXA. CAIXA Governo Estadual.Ouro Preto/MG Lar dos Hansenianos Manaus/AM Residencial Boa Vista Chapadão do Sul . PSH.Secretaria de Desenvolvimento Urbano Município/Demhab. PAC2 União/PAC. Elaboração: o próprio autor. CAIXA. . Sedur . PAC Drenagem.Campo Grande/MS 2011 430 38.562 24 1. BIRD.Florianópolis/SC Programa Serra do Mar São Paulo/SP Projeto Rio Maranguapinho Fortaleza/CE Projeto Barretos .97 42 Total de Habitações Contratadas 100.000 5. Município Governo do Estado. CAIXA Prefeituras.16 Nordeste 2011 55 35 35 32 33. União/Ministério do Planejamento União/PAC.10 34.94 Apêndice F . Programa Capibaribe Melhor. União e Prefeituras Governo Estadual.000 5. Governo Estadual.406 Fonte: Revista Brasileira da Habitação.20 Nordeste Habitacional Vila Esperança 224 40 Sul Projeto Habitacional e Socioambiental Curitiba/PR Projeto Sindoméstico Salvador/BA Residencial Nova Chocolatão Porto Alegre/RS Conjunto Cidadão II Manaus/AM Projeto Casa Quilombola Campo Grande/MS Manaus/AM Programa Lares Geares Habitação Popular .

.95 ANEXOS Anexo A . de 08/07/2011.Primeira publicação referente ao habitacional no bairro de Monteiro Fonte: Jornal do Commercio (Caderno Cidades).

Localização do bairro de Monteiro (satélite) Fonte: Google Maps .96 Anexo B .©2012 Google. .Localização do bairro de Monteiro (mapa) Fonte: Google Maps . Anexo C .©2012 Google.

. 2012.97 Anexo D . Anexo E . 2012.Parte detrás do prédio Fonte: acervo particular do autor.Placa de construção do empreendimento Fonte: acervo particular do autor.

. 2012.Corredor de acesso para a entrada do prédio Fonte: acervo particular do autor.98 Anexo F .

Entrada do prédio Fonte: acervo particular do autor. . 2012.99 Anexo G .

2012.Corredor térreo de acesso Fonte: acervo particular do autor. .Área lateral Fonte: acervo particular do autor. Anexo I . 2012.100 Anexo H .

Anexo J . . 2012.Registro de água aparente Fonte: acervo particular do autor.Escadaria (ausência de corrimões e de fitas antiderrapantes) Fonte: acervo particular do autor. 2012.101 Anexo J .

.Jardim criado e mantido por alguns moradores Fonte: acervo particular do autor.Bicicletário e área para a guarda de objetos diversos Fonte: acervo particular do autor. Anexo L . 2012.102 Anexo K . 2012.

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