HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL

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identidade construída em relação ao lugar de moradia o caso da Comunidade Vila Esperança, em Recife.

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‘’[...] se nos perguntassem qual o benefício mais precioso da casa, diríamos: a casa abriga o devaneio, a casa protege o sonhador, a casa nos permite sonhar em paz. Somente os pensamentos e as experiências sancionam valores humanos.’’ Bachelard (1988, p. 201)

2012

Paulo Fernando Medeiros Epaminondas
Universidade Federal Rural de Pernambuco Departamento de Ciências Sociais Bacharelado em Ciências Sociais

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UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DE PERNAMBUCO DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS BACHARELADO EM CIÊNCIAS SOCIAIS

PAULO FERNANDO MEDEIROS EPAMINONDAS

HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL: identidade construída em relação ao lugar de moradia - o caso da Comunidade Vila Esperança, em Recife.

Linha de pesquisa: Espacialidade e Socialidade

RECIFE 2012

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PAULO FERNANDO MEDEIROS EPAMINONDAS

HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL: identidade construída em relação ao lugar de moradia - o caso da Comunidade Vila Esperança, em Recife.

Monografia apresentada à Coordenação do Curso de Bacharelado em Ciências Sociais da Universidade Federal Rural de Pernambuco, como parte dos requisitos necessários à obtenção do grau de Bacharel em Ciências Sociais. Orientadora: Prof.ª Dr.ª Rita de Cássia Alcântara Domingues da Silva

RECIFE 2012

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643.1 E63h

Epaminondas, Paulo Fernando Medeiros. Habitação de interesse social: identidade construída em relação ao lugar de moradia - o caso da Comunidade Vila Esperança, em Recife / Paulo Fernando Medeiros Epaminondas. – Recife: O autor, 2012. 101 p. : il. color. Orientadora: Rita de Cássia Alcântara Domingues da Silva Trabalho de conclusão de curso (graduação) – Universidade Federal Rural de Pernambuco, Departamento de Ciências Sociais, Bacharelado em Ciências Sociais, 2012. Inclui referências, apêndices e anexos. 1. Comunicação. 2. Identidade. 3. Habitação de interesse social. 4. Sustentabilidade. 5. Política habitacional. I. Silva, Rita de Cássia Alcântara Domingues da. (Orientadora). II. Título.

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À Eronita Medeiros Epaminondas, minha MÃE e avó, dedico esta monografia com o sentimento de um Sonho meu que Dela se tornou e que por Ela se realizou. (In memoriam)

À minha tia Laudenice por ter acreditado e lutado por mim enquanto ser humano (In memoriam). À minha tia Laudeci pelo exemplo de fibra. que apesar de encontrar-se numa outra dimensão. Ao professor João Gilberto pela luz epistemológica e discussões sobre o trabalho no decorrer da pesquisa. pela oportunidade de aprender. Ao meu Pai José Leôncio por ter assumido a obrigação de me educar e por me dar a oportunidade de ter a família e os exemplos que tenho. Em especial à minha MÃE e avó Eronita. pela compreensão. mostrando-me nesses momentos que era necessário parar. Ao Amigo e companheiro Jairo. A todos os meus familiares. horizonte de crédito e fortaleza simplesmente fundamental para o que foi necessário fazer.7 AGRADECIMENTOS A Deus. por me fazerem acreditar no quanto a vida vale a pena. de crescer e pela resignação e perseverança que foram necessárias para ultrapassar limites dessa jornada . sensibilidade e apoio incondicionais e incansáveis no dia-a-dia da vida. resignação e pelos momentos de constante incentivo. A todos os Grandes Amigos de minha vida. . À minha tia Laudicea pelos momentos de apoio e de reflexão essenciais à concepção de valores que estabeleci para a vida. À minha irmã Paula Fernanda. dando-me a liberdade de mergulhar e convidando-se a me acompanhar no desenvolvimento e desvendares que a temática do trabalho poderia nos trazer. contribuintes ou não com o trabalho de pesquisa. porque nesses momentos eu aprendi e cresci. Dona Eró. pelo entendimento da abdicação e pela certeza da relação. ensinou-se de forma fundamental a importância do ter e do saber algo para ser alguém na vida. de vida e por todas as ocasiões nas quais me disseram não. pelos exemplos de luta.fazendo-me perceber que aprendizados trazem sacrifícios e que a saída da zona de conforto no contexto social é antes de tudo o primeiro passo a ser dado. exercício do abdicar e esperança de um amanhecer diferente que nos torna melhores que antes. À minha orientadora Rita de Alcântara pela paixão com que abraçou o trabalho e pelo crédito dado à ideia desde o primeiro instante. pelas discussões indispensáveis que somaram ao trabalho de pesquisa. pela compreensão da ausência. Ao meu primo Wâniçon e sua esposa Flávia pelo exemplo do caminho construído. Ao meu poodle Looke. elemento de minha vida que faz tudo valer à pena sem pedir absolutamente nada em troca. pela impaciência de esperar quando queria brincar.

pela exigência que nos encaminhou ao aperfeiçoamento e pelo reconhecimento do bom trabalho realizado. técnicos. À professora Grazia por todo apoio e paciência no sentido de nos instrumentalizar metodologicamente. A todos os professores com os quais tive a oportunidade de aprender e crescer. analistas e gestores nos forneceram o suporte e a infraestrutura necessários para o exercício educacional diário. por acreditar tanto em meu potencial e pelos inúmeros momentos de direcionamento e esclarecimento que só contribuíram para um entendimento coerente do caminho a ser percorrido no trabalho de pesquisa. A todos os Amigos e colegas com os quais tive a oportunidade de conviver. E ao professor Fábio Andrade. contribuíram direta ou indiretamente para que eu pudesse chegar ao final dessa jornada. A todos àqueles. ao Bruno Batista pelos momentos de esclarecimento. escutou e procurou entender e orientar. Mas pontualmente à professora Giuseppa. sem nunca deixar de nos valorizar como alunos. inclusive. pelas aulas cheias de energia e pela severidade de quando se fez oportuno. disposição e apoio incondicionais sempre presentes na Coordenação do Curso. mas principalmente enquanto seres humanos. Agradeço de forma especial à Magnífica Reitora Maria José de Sena. ao Paulo de Tasso pela sensibilidade e humanidade que lhes são sempre peculiares. pelo apoio. sempre respeitou. graduandos que. pela amizade e parceria ao longo dos anos.8 À Ana Paula de Macedo Vasconcelos (Paulinha). com quem aprendi a primar pelos detalhes e a admirar pelo comprometimento com o ato de educar. que. ao Rodrigo Assis e ao Fábio Alves por terem sido referenciais do que busquei ser enquanto graduando e à Janaína Melo pela amizade. À professora Dora. Agradeço especialmente à Glauce Medeiros pelo incentivo e admiração. administrativos. que através de seus auxiliares de apoio. pela sensibilidade e pelo cuidado no exercício de educar no tratamento dispensado aos graduandos enquanto Pró-Reitora de Extensão. por ter me arguido em certo momento dessa caminhada sobre como escrever algo que ainda não estava em minha mente. o meu muito obrigado! . ao Douglas pela acolhida e consideração dispensadas. enfim. pelo novo rumo que imprimiu ao Bacharelado de Ciências Sociais em sua gestão e por nos acordar sempre que necessário. À professora Gilka. pela disponibilidade. À Universidade Federal Rural de Pernambuco. à Monaliza Santos pela parceria fiel a partir do momento em que passamos a caminhar juntos. também especialmente.

As casas abrigam estórias. janelas e portas sem forma. A luz invade o espaço. sem o homem para habitá-la. mas não ilumina o homem.9 E a casa. telhados. mas cabe ao homem escrevê-las como lhe convém. não passa de paredes. sem propósito e sem vida. Daniel Gomes de Faria .

A metodologia da pesquisa consistiu numa pesquisa bibliográfica dos elementos que compõem a temática. através de uma abordagem qualitativa e descritiva. O estudo propõe um olhar para as habitações de interesse social que se insira numa perspectiva de política pública que interaja e que considere a importância da comunicação da pessoa humana com o espaço habitacional. bem como de campo através da aplicação de roteiros de entrevista semiestruturados e de forma individual. identificar o padrão existente para a habitação de interesse social. identidade. bem como as discussões mais recentes a cerca das políticas urbanas e regionais no Brasil. A pesquisa tenta perceber e avaliar as potencialidades. A atividade de pesquisa buscou atestar ou discordar e. enquanto elementos fundamentais para a sustentabilidade social do habitar. em Recife/PE. Palavras Chaves: comunicação. visando à busca quantitativa e principalmente qualitativa das informações obtidas. visando iniciar a discussão a partir de sua base conceitual e histórica. impasses e limites da proposta habitacional enquanto um instrumento de política pública que se propõe com a capacidade de trazer um modelo de intervenção diferenciado. no contexto dos programas e resultados da Política Nacional de Habitação (PNH). O estudo também procurou. sustentabilidade e política habitacional. com vistas ao enfrentamento do déficit habitacional de interesse social com resultados de qualidade e que contemplem de forma efetiva as famílias beneficiadas. A análise esteve centrada na comunicação que pessoas reassentadas do primeiro prédio entregue do Habitacional Vila Esperança no Bairro de Monteiro. moradia e habitação. para um embasamento do trabalho de pesquisa. sem deixar de levar em consideração a obtenção de dados de ordem quantitativa. o convívio social e principalmente seus habitantes. identificados como relevantes para o contexto da pesquisa. frente à identidade que se constrói com o contexto de moradia.10 RESUMO O presente trabalho de pesquisa tem como objetivo principal analisar a comunicação com o espaço habitacional numa perspectiva da identidade construída em relação ao lugar de moradia. na tentativa de percepção de elementos de pertencimento com o lugar de moradia na proposta habitacional do PREZEIS. Nesse sentido. nesse sentido. O trabalho de pesquisa foi centrado na lógica indutiva com retornos à teoria sendo construídos durante a realização da pesquisa. esboçar um caminho que construa um entendimento para habitações de interesse social que leve em consideração as especificidades de cada localidade. bem como do histórico da habitação de interesse social. . tiveram ou têm com a habitação recebida. o estudo se propõe a um resgate dos conceitos de casa. habitação de interesse social.

outline a path that builds an understanding for housing of social interest which may take into consideration as specificities of each location. The study proposes a glace at housings of social interest which are inserted in a perspective of public policy that interacts and considers the importance of communication of human individual with the housing space. surely taking into consideration quantitative data gathering identified as relevant for research context. aiming for confrontation of the housing deficit of social interest with quality results and that contemplate effectively the families benefited. deadlocks and limits of the housing proposal while an instrument of public policy proposed to be with the capacity of bringing a differentiated intervention model. sustainability and housing policy. housing of social interest. . residence and housing. in an attempt of perception of belonging elements with the housing place in the PREZEIS housing proposal. as well as a housing history of social interest. the study is devoted to rescue of concepts such as home. thus. as well as field by means of interviews script application semi-structured and individually. facing identity that is constructed with the housing context. Recife/PE. As such. in the context of programs and results of the National Housing Policy (“Política Nacional de Moradia” . looking for quantitative and mainly qualitative search of the information collected.PNH). Key Words: communication. The study also searched. identity. Research activities aimed at certifying or disagreeing. The research methodology comprised of bibliographic results of the elements that comprise the thematic. to identify the existing housing standard for housing of social interest. have or had with the housing delivered. social coexistence and mainly the inhabitants.11 ABSTRACT This current research work mainly aims at analyzing the communication with the housing space in a perspective of the build-up identity concerning housing place. Research work was focused on the inductive logics returning to theory and being constructed during research accomplishment. by means of a qualitative and descriptive approach. The research attempts to perceive and assess the potentialities. for a technical foundation of research work. aiming at starting the discussion from its conceptual and historical background. The analysis was focused on the communication that people displaced in the first delivered building of Habitacional Vila Esperança in the District of Monteiro. while fundamental elements for home social sustainability. as well as the most recent discussions towards Brazilian urban and regional policies.

....... 31 Figura 2 ...Infraestrutura institucional da questão habitacional no Brasil .......................................... 72 Gráfico 13 ....................................................................................Tendência de redução do déficit habitacional brasileiro .......................................................................................12 LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1 ............................ 71 Gráfico 12 ................Contratações do SBPE (R$ bilhões) ............................................... 73 Gráfico 14 ....................................................... 69 Gráfico 10 .............................................................. 54 Quadro 1 ............................................................. 74 Gráfico 15 ....Associação com o termo lugar ............Foco nos seguimentos de baixa renda (percentual de atendimento por faixa de renda) .............................................................................Investigando o trabalho social desenvolvido ............................ 33 Gráfico 3 ...................................................Base cartográfica do bairro de Monteiro ........................... 42 Figura 3 ............. 68 Gráfico 9 ...................Entrevistados por sexo .............................Financiamentos FGTS (R$ bilhões) ...............................Localização do bairro de Monteiro na RPA 03 .......................................................... 50 Gráfico 8 ...Tendências de mudanças no macro-complexo construção ........................................................................................... 46 Gráfico 5 ..Associação com a moradia atual .................. 32 Gráfico 2 ..................... 74 Mapa 1 ......................................................... 36 ........Investigando a atividade econômica .....Associação com o termo identidade .........................................................O metro quadrado por Região considerando o recurso predominante ............Posição sobre as adesões ao SNHIS........................ 70 Gráfico 11 ..... 47 Gráfico 6 ...................................................Região Noroeste..................................Sobre o preparo para os novos gastos ............................................ 52 Figura 4 ......Evolução dos investimentos em habitação ............................................................. RPA 03 ...... 53 Gráfico 1 .... 45 Gráfico 4 ...Organograma da Política Nacional de Habitação .............. 48 Gráfico 7 .............Entrevistados por religião ........

............. área e densidade......População residente por sexo e situação de domicílio... 58 Tabela 9 ..Demanda futura por habitação..... segundo bairros ................................................................... segundo bairros ......................... Recife..............Projeção orçamentária considerando o avanço de recursos do PAC ..............................População residente.... 35 Tabela 5 .................... 34 Tabela 3 ............................... 57 Tabela 7 ..IPTU não residencial: total de imóveis....... 57 Tabela 8 .................................... valor lançado e valor médio lançado.....................População residente por grupos etários e população ignorada.................................................Custos médios com habitação .. 59 .................... segundo RPA...Diferença entre a população de 2000 e 2010 e taxa média de crescimento geométrico anual.......Projeção orçamentária adotando-se o percentual da PEC ..................................... 35 Tabela 4 .... segundo RPA e bairros ...... 2010 .................................. 56 Tabela 6 ....................... 34 Tabela 2 ....................13 LISTA DE TABELAS Tabela 1 ...............

14 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ANTAC BIRD BNH CAIXA CDESC CNHIS ConCidades CGFNHIS DFI DHDH URB FAR FDS FINEP FGTS FLHIS FNHIS IAPs IPEA MIP Associação Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído Banco Internacional para a Reconstrução e Desenvolvimento Banco Nacional de Habitação Caixa Econômica Federal Comitê dos Direitos Econômicos. Sociais e Culturais Conselho Nacional de Habitação de Interesse Social Conselho das Cidades Conselho Gestor do Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social Dados Físicos do Imóvel Declaração Universal dos Direitos Humanos Empresa de Urbanização do Recife Fundo de Amparo Residencial Fundo de Desenvolvimento Social Financiadora de Estudos e Projetos Fundo de Garantia por Tempo de Serviço Fundo Local de Habitação de Interesse Social Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social Instituto de Aposentadoria e Previdência Social Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada Morte por Invalidez Permanente .

Sociais e Culturais Plano Nacional de Habitação Plano Local de Habitação de Interesse Social Programa Minha Casa Minha Vida Política Nacional de Habitação Plano de Regularização das Zonas Especiais de Interesse Social Regiões Político-Administrativas Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo Sistema Financeiro da Habitação Sistema Nacional de Avaliações Técnicas Sistema Nacional de Habitação Sistema Nacional de Habitação de Mercado Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social Zonas Especiais de Interesse Social .15 MCidades OGU OIT PAC PBQP-H PCM PCR PIDESC PLANHAB PLHIS PMCMV PNH PREZEIS RPAs SBPE SFH SINAT SNH SNHM SNHIS ZEIS Ministério das Cidades Orçamento Geral da União Organização Internacional do Trabalho Programa de Aceleração do Crescimento Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat Programa Capibaribe Melhor Prefeitura da Cidade do Recife Pacto Internacional sobre os Direitos Económicos.

6 Macrozoneamento e importância histórica _____________________________________________ 59 5 FORMULAÇÃO DO PROBLEMA __________________________________________ 60 6 RESULTADOS DA PESQUISA ____________________________________________ 68 CONSIDERAÇÕES FINAIS ________________________________________________ 78 REFERÊNCIAS __________________________________________________________ 83 APÊNDICES _____________________________________________________________ 86 Apêndice A .Roteiro de Entrevista Individual (Líder Comunitário) _______________________________ 90 Apêndice D .1.Elementos de Identificação e de Não Identificação _________________________________ 92 Apêndice E .Primeira publicação referente ao habitacional no bairro de Monteiro _____________________ 95 Anexo B .Entrada do prédio _____________________________________________________________ 99 Anexo H .1.1 Localização e acesso ______________________________________________________________ 52 4.Placa de construção do empreendimento ___________________________________________ 97 Anexo E . A ORIGEM DE RECURSO E SUA INFLUÊNCIA NO METRO QUADRADO CONSTRUÍDO _________________ 50 4 O BAIRRO DE MONTEIRO EM RECIFE/PE ________________________________ 52 4.1.1.Parte detrás do prédio __________________________________________________________ 97 Anexo F .Área lateral _________________________________________________________________ 100 Anexo I .Localização do bairro de Monteiro (satélite)_________________________________________ 96 Anexo D .Escadaria (ausência de corrimões e de fitas antiderrapantes) ____________________________ 101 Anexo K .Corredor térreo de acesso _______________________________________________________ 100 Anexo J .Síntese das Categorias de Entrevistados __________________________________________ 93 Apêndice F .Termo de Consentimento Livre e Esclarecido _____________________________________ 86 Apêndice B .5 Economia________________________________________________________________________ 58 4.3 Dados populacionais e de domicílio __________________________________________________ 56 4.1 CARACTERIZAÇÃO DO BAIRRO _________________________________________________________ 52 4.4 Densidade demográfica ____________________________________________________________ 57 4.Localização do bairro de Monteiro (mapa) __________________________________________ 96 Anexo C .1.16 SUMÁRIO INTRODUÇÃO ___________________________________________________________ 17 1 ALGUNS CONCEITOS PRELIMINARES: casa.Bicicletário e área para a guarda de objetos diversos _________________________________ 102 Anexo L .Jardim criado e mantido por alguns moradores ______________________________________ 102 . moradia e habitação _____________ 23 2 O PROCESSO DE EVOLUÇÃO DO PADRÃO HABITACIONAL DE INTERESSE SOCIAL _________________________________________________________________ 26 3 POLÍTICAS URBANAS E REGIONAIS NO BRASIL: DISCUSSÕES RECENTES __ 38 3.Corredor de acesso para a entrada do prédio _________________________________________ 98 Anexo G .Roteiro de Entrevista Individual (Moradores) _____________________________________ 87 Apêndice C .1.Registro de água aparente ______________________________________________________ 101 Anexo J .2 Evolução do espaço urbano _________________________________________________________ 55 4.1.O Metro Quadrado Construído Determinado pela Origem de Recurso por Região Brasileira _ 94 ANEXOS ________________________________________________________________ 95 Anexo A .

encontra-se um número expressivo de áreas pobres. Como objetivos específicos.] utilizando-se da metodologia científica. 1 . no que concerne à comunicação do beneficiário com o objeto recebido numa perspectiva da identidade construída em relação ao lugar de moradia. (b) Estruturar os elementos de comunicação/identidade com o lugar de moradia anterior e atual. 28). os espaços foram ocupados em tempos diversos e de forma diferenciada. No caso específico desse estudo. em razão de um conjunto de fatores vivenciados no tecido urbano.área contemplada pelo projeto -. p. em Recife/PE.. Para melhorar a situação dessas comunidades carentes. (c) Estabelecer um comparativo entre os fatores que comunicam/identificam em relação ao lugar de moradia atual. futuramente. a intervenção do poder público se faz presente através do PREZEIS1 e. Instituído em 1987. através de um roteiro de entrevista semiestruturo de forma individual (mínimo de um representante por família). passou a estabelecer parâmetros para novas Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS) e também tem como objetivo o estímulo à interação das comunidades com o resto da cidade através de projetos de melhoria para as áreas (MORAIS apud LOIOLA. Na margem esquerda predomina uma população de faixa de renda alta com poucos trechos de ocupações pobres. na Comunidade Vila Esperança no Bairro de Monteiro.17 INTRODUÇÃO Na história urbana do Recife.área objeto de análise -. tais como: o processo econômico e concentração de terras. tem-se: (a) Mapear um perfil dos moradores reassentadas maiores de 18 anos.42). além de ter se tornado o reflexo da participação comunitária no processo de gestão. enquanto um processo que “[. da proposta do Programa Capibaribe Melhor (PCM) da Prefeitura da Cidade do Recife. teve-se como objetivo geral a construção de uma análise crítica da questão da habitação de interesse social. através de lei de iniciativa popular.. 2011. . 1999. A presente pesquisa caracteriza-se como uma pesquisa social. e na margem direita . p. com vistas ao enfrentamento do déficit habitacional de interesse social. a ocupação ao longo do Rio Capibaribe reúne uma população de poder aquisitivo variado. (d) Identificar o nível de satisfação dos beneficiários com a nova forma de morar. observando os significados e simbologias presentes no exercício de morar. Nos dias atuais. permite a obtenção de novos conhecimentos no campo da realidade social” (GIL.

. 1994.18 O método utilizado terá o entendimento de permitir que a realidade social tenha a possibilidade de ser reconstruída enquanto um objeto do conhecimento. A categoria de pesquisa que nos norteará será a da pesquisa qualitativa. conforme descrito por Minayo (2004. p.. em Recife/PE.. p 35). 1995. 1994. p. 62-63) e com o “[. Nesse sentido.. considerando que busca analisar a dimensão de comunição do beneficiário com o objeto recebido (habitação de interesse social).] ambiente natural como fonte principal dos dados” (GODOY. a pesquisa teve como foco de investigação 16 famílias reassentadas da Comunidade Vila Esperança. Também se tem como característica do trabalho o fato de ser um estudo de caso. O contexto de entrevistados foi o de pessoas maiores de 18 anos. beneficiadas inicialmente com recursos do PREZEIS. Foi idealizado inicialmente para o contexto de pesquisa trabalhar com famílias reassentadas e ainda não reassentadas. Segundo Lüdke e André (1986.] estudo delimitado e que consiste na observação detalhada de um contexto” (BOGDAN e BIKLEN.] processo sendo tão ou mais importante que os resultados” (BOGDAN e BIKLEN. considerando a falta de previsão para a solução sobre a desapropriação da área aonde serão construídos os prédios complementares ao habitacional. com o “[. numa perspectiva da identidade construída em relação ao lugar de moradia.. 47). .] permite a captação imediata e corrente da informação desejada” e por isso se optou por tal instrumento de pesquisa. p.. p. Posteriormente. Também foi identificado.. os novos beneficiários da Comunidade serão construídos com recursos do Programa Capibaribe Melhor da Prefeitura da Cidade do Recife. 89). 34) a entrevista “[. por meio de um processo categorizador (detentor de características peculiares) que una dialeticamente o contexto teórico e o empírico. incompatível com o tempo previsto para a realização da pesquisa.. mas na ida ao campo percebeu-se que tal abordagem demandaria um trabalho em longo prazo. aplicados de forma e com consentimento individual. que os nove prédios restantes que comporão o Habitacional Vila Esperança não seriam construídos até o final da pesquisa. situando-se como um “[. considerando que para o que se propôs a pesquisa tal faixa-etária atendeu de forma plena aos objetivos propostos. Os procedimentos de coleta de dados se deram através de roteiros de entrevista semiestruturada. no bairro de Monteiro. até a ocasião em que se esteve em campo.

19 A primeira fonte de informação da pesquisa foi a bibliográfica através de pesquisa documental relacionada ao PREZEIS e ao PCM. A segunda fonte de informação esteve na pesquisa de campo com uma abordagem qualitativa e descritiva da realidade. a habitação de interesse social enquanto um conceito e o seu histórico no mundo e no Brasil.PDRI. reforçando a abordagem qualitativa mencionada. A pesquisa esteve organizada de forma a levantar aspectos simbólicos relacionados ao exercício de morar e considerados como relevantes para a sustentabilidade social do habitar.. Dessa forma. as discussões recentes a cerca das políticas urbanas e regionais no Brasil.] parte do particular e coloca a generalização como produto posterior do trabalho de coleta de dados particulares” (GIL. no contexto dos programas e resultados da política nacional de habitação. 28). O processo de investigação esteve fundamentado no universo das famílias envolvidas e da liderança comunitária da Comunidade Vila Esperança. numa abordagem que buscou atingir o universo possível de moradores maiores de 18 anos das . Numa análise inicial do Plano de Desapropriação e Reassentamento Involuntário . que “[.. moradia e habitação. parques e habitacionais do PCM. o levantamento de bibliografia específica e a inserção na realidade empírica de estudo contribuíram com a metodologia adotada para a finalidade a que a pesquisa se propôs. A pesquisa bibliográfica também se expandiu para os conceitos de casa. 1999. A lógica idealizada para a pesquisa foi a indutiva. percebeu-se o indicativo de uma construção quantitativa da realidade. p. sem deixar de levar em consideração a obtenção de dados de ordem quantitativa considerados como relevantes para os objetivos da pesquisa. A opção pela lógica indutiva para análise da pesquisa fez-se por se acreditar que o método traria o aprofundamento esperado ao conhecimento empírico. a comunicação com o objeto recebido. a habitação enquanto um direito. o que chamou atenção ao contexto de análise da pesquisa. tendo havido retornos à teoria que fundamentaram a realização da pesquisa. o padrão da habitação de interesse social no Brasil e sua sustentabilidade social. enquanto abordagens teóricas específicas ao contexto de pesquisa. macrodrenagem. documentação que esboça a realização de estudos e projetos executivos do sistema viário. o conceito de identidade no âmbito das ciências sociais e a identidade relacionada ao lugar.

p. que se reúnem num grupo de elementos sob um título genérico. A segunda categoria foi a da associação de conceitos. Reforce-se que a relevância dos dados obtidos encontra-se na representatividade simbólica e de valores enquanto percepção do grupo estudado e que se encontram relacionadas à nova realidade de habitar. . identidade. ocasião em que pudemos construir a história da comunidade que é objeto de estudo da pesquisa através de informações sobre o início e o porquê da ocupação. em razão dos caracteres comuns de tais elementos. esteve relacionado à liderança comunitária da Comunidade Vila Esperança. procedeu-se com a transcrição e com a análise dos dados sendo realizada através de categorias de análise. A quarta.20 16 famílias reassentadas e quando o acesso se deu de forma parcial ou não existiu. última e em nossa análise fundamental categoria foi à relacionada à investigação da identidade. desconfiança ou recusa por parte dos mesmos. Um outro elemento de análise. A terceira categoria foi a do processo de mudança e comparação do antes com o depois. a comunicação. na qual se buscou um resgate das percepções dos entrevistados através de termos relacionados à temática que pudessem constituir a base de análise para a investigação relacionada à comunicação e à identidade construída em relação ao lugar de moradia pelas famílias reassentadas. ocorreu por questões de ausência. que teve o objetivo de mapear um perfil dos entrevistados criando a possibilidade de um futuro cruzamento de dados. presente na pesquisa em questão. buscar perceber das famílias nesse comparativo os elementos que somaram e que não somaram durante o processo de mudança. aspectos históricos e culturais. que Bardin (1997. visando construir o que ficou desse contexto de mudança no que concerne ao atendimento das necessidades de quem foi beneficiado. seus valores. que procurou perceber nas famílias a relação com o lugar (moradia anterior e atual). que teve o intuito de considerando a realidade atual e anterior. dentre outras questões que foram consideradas como relevantes para a análise na percepção relacionada à comunicação e identidade construída pelos beneficiários. Concluída a aplicação dos roteiros de entrevista. No contexto das famílias reassentadas a primeira categoria de análise da pesquisa foi a de informações gerais. 117) define como rubricas ou classes. formas de crescimento e produção do espaço. simbologias e pertencimento.

tem-se a discussão em cima dos resultados da pesquisa.da construção identitária em relação ao lugar de moradia -. moradia e habitação para fundamentar e alinhar uma base ao conceitual de habitação de interesse social. Berger & Luckmann (2004) e Ciampa (1989) sobre o conceito de identidade. Para fundamentar melhor o trabalho foram incorporados à discussão . No quinto capítulo. procurou-se caracterizar o bairro de Monteiro no município de Recife/PE. resgatando o seu processo de evolução no mundo e no Brasil. em seus aspectos socioeconômicos. o qual será desenvolvido no contexto do trabalho de pesquisa. Paralelamente. Moreira. No quarto capítulo. na atualidade. é abordada a questão do valor do metro quadrado desse tipo de moradia no Brasil subsidiando a discussão que será feita mais adiante sobre o padrão habitacional proposto pelo PREZEIS.21 Os critérios estabelecidos para a pesquisa tiveram como objetivo a obtenção de dados e informações tanto em nível geral quanto específico e mais aprofundado. outros autores contemporâneos como Teixeira (2004). A abordagem sobre esse tipo de habitação possui. No sexto capítulo. O segundo capítulo trabalha a temática da habitação de interesse social. apresenta-se a formulação do problema de pesquisa identificando os agentes/atores sociais e trabalhando as temáticas da habitação como um direito. Há uma percepção da necessidade de se pensar na qualidade e. um entendimento que transcende a ideia de que se trata pura e simplesmente de construir habitação para pessoas de baixa renda. com o intuito de melhor conhecer o local aonde se encontram localizadas as famílias objeto de estudo. destacam-se os pensamentos de Simmel (1983) sobre a comunicação com os objetos no contexto social. no arcabouço teórico. na sustentabilidade que esses empreendimentos habitacionais precisam ter. O primeiro expõe os conceitos de casa. principalmente. Hespanhol (2007). O trabalho está organizado em seis capítulos. a comunicação do beneficiário com o objeto recebido. Para isso. a identidade construída em relação ao lugar e a proposta habitacional do PREZEIS. com o intuito de perceber a política nacional de habitação sob a perspectiva de seus programas e resultados e a habitação de interesse social nesse contexto. tendo como base a proposta qualitativa do trabalho de pesquisa. No terceiro capítulo buscou-se identificar as discussões mais recentes a cerca das políticas urbanas e regionais no Brasil. a identidade enquanto um conceito. .

numa tentativa de observar as suas implicações para a política habitacional da Cidade do Recife. no contexto da proposta habitacional do PREZEIS. .22 O trabalho de pesquisa é concluído com as considerações finais. enquanto uma análise do contexto de pesquisa partindo dos resultados.

mas não apenas física. seria a integração dos sentidos de casa e moradia fazendo parte do espaço urbano com todos os elementos de suporte e de infraestrutura que esse espaço possa oferecer. Nesse sentido. ainda não significado ao ser de imediato construído. cujos hábitos de uso dos moradores são a tônica da mudança. acompanha-se a ideia de que casa e moradia trazem consigo sentidos diferenciados. o mesmo ente físico. mas não apenas física. podendo ser conceituada da seguinte forma (MARTUCCI e BASSO apud SAÚGO. históricas. proteção também dos elementos que constituem o “ser” humano. Entende-se dessa forma o conceito de casa como sendo o espaço físico com a função de proteção. enquanto um componente físico que tem na sua significação uma construção que se dá ao longo do tempo de moradia. numa abordagem inspiradora diria que “[. 2010.] a casa abriga o devaneio. nesse contexto.. E a habitação. p.23 1 ALGUNS CONCEITOS PRELIMINARES: casa. Entendido no presente trabalho de pesquisa enquanto espaço integrado ao ambiente natural e àqueles que o integram. Bachelard (1988. etc.. tendo em vista os hábitos de quem habita tal ente físico (MARTUCCI e BASSO apud SAÚGO. no contexto da habitação construída pelo homem. p. 2010. também dos elementos que constituem o “ser” humano. a casa nos permite sonhar em paz. moradia e habitação Entende-se o conceito de casa como sendo o espaço físico com a função de proteção. 37) e assim “um mesmo invólucro. a casa protege o sonhador. p. se transforma em moradias diferentes. ideológicas. ou seja. políticas. considerando a casa como já mencionado enquanto o ente físico e a moradia teria considerável ligação com aquilo que faz a casa funcionar. com características diferentes. Somente os pensamentos e as experiências sancionam os valores humanos”. econômicas. 2 . integrando o interno com o externo. trabalhando através do conceito de habitat2. componente físico que tem na sua significação uma construção que se dá ao longo do tempo de moradia. pautando-se em elementos que se relacionam com a vida das pessoas e suas respectivas relações sociais. 201). 37): Temos que considera-la e analisa-la.” A moradia seria então o resultado do uso de quem a habita e que traz peculiaridades que confirmam a diferenciação de sentidos em relação ao objeto casa.

Na presente análise que foca o direito à moradia. que numa análise mais ampla atenderia a necessidades de ordem social ou econômica quando em algumas realidades pode se visualizar até mesmo o uso do comércio no ambiente de moradia. melhor as condições de moradia e melhor a qualidade da habitação” (CARDOSO apud SAÚGO. o vínculo existente entre a habitação e a estrutura urbana na qual a mesma se encontra inserida. de forma que “quanto mais bem equipado o setor urbano onde estiver inserida a casa. mas de atendimento a necessidades básicas daqueles que são beneficiados. fomentando ao espaço um sentido pessoal e específico. 98-99). 2010. enquanto um encaminhamento de fortalecimento ao direito fundamental ao trabalho arrolado como um direito social. p. Dessa forma. 38). deveria prever com base na realidade socioeconômica atendida. sem prejuízo do ambiente familiar”. a observância desse aspecto econômico relacionado ao hábito de morar talvez pudesse ser objeto de reflexão futura. enquanto componente da política habitacional. por exemplo. Palermo (2009. não tendo como separá-la porque é através dessa infraestrutura e da rede de serviços urbanos a que está atrelada. 6º da Constituição Brasileira. diante da demanda que se tem a atender e ainda com uma qualidade em processo de construção. p. mas que procura atender a necessidades sejam elas físicas ou subjetivas. contudo. não apenas construtiva. mas que se colocaria como objeto de outra análise. que a habitação poderá ser considerada como qualificada a depender de sua localização. assim. o que se confirma em Vieira e Chaves (2011. a moradia enquanto prática e a habitação enquanto ambiente que atende a necessidades precise de forma mais pontual de . 19) a esse respeito. muito embora o trabalho social atrelado a quem seja beneficiado.24 Verifica-se. considera ao abordar a questão da estrutura de funcionamento da casa a “necessidade da busca de alternativas de projeto que facilitem a inserção do trabalho dentro da moradia. quando o fazer atual relacionado à habitação de interesse social já estivesse mais consolidado. a habitação pode ser considerada como aquele elemento do espaço urbano que vai além das funções de proteger ou peculiarizar-se através do uso. que a casa como espaço. previsto no art. tal aspecto precisaria ser considerado de forma relevante quando se colocasse como elemento de sustento imprescindível da família ou vinculado a questões de ordem cultural. p. Considere-se para o estudo em questão. um suporte relacionado ao posicionamento de tal população junto ao mercado de trabalho.

fazendo-o vivenciar de forma efetiva o sentido afetivo e pessoal que a habitação tem. . à família. fornecendo à habitação de interesse social um sentido que ela precisa ter e que lhe proporciona qualidade e sustentabilidade social. ao modo de morar. Não menos importante é considerar a variável ‘pertencimento’ ao espaço habitacional.25 elementos de referência que se relacionem ao indivíduo.

. sem necessariamente indicar uma habitação voltada à população de baixa renda. com a mesma conotação da definição de habitação de interesse social. (2010.Habitação para População de Baixa Renda (housing for low-income people). por exemplo: . a produção de espaços apertados que não dialogam com a individualidade dos beneficiários. o convívio familiar. p. p. a partir do entendimento de necessidades básicas de conforto ambiental e de adequações às atividades domésticas.Habitação Popular. destina-se a atender ao social em suas necessidades mais peculiares.. Além desses aspectos encontra-se a possibilidade de comprometimento da construção identitária dos indivíduos que acabam se perdendo em uma de suas funções primordiais. . ordem e variedade. convivência. Outros autores como Moreira (2005. Ampliando a análise. que seria um termo geral que envolveria todas as soluções construtivas destinadas ao atendimento de necessidades habitacionais. 8). trazendo consigo a necessidade de definição da renda máxima das famílias que serão beneficiadas.Habitação de Baixo Custo (low-cost housing) que seria a habitação barata. define o termo como várias soluções construtivas.26 2 O PROCESSO DE EVOLUÇÃO DO PADRÃO HABITACIONAL DE INTERESSE SOCIAL Entenda-se por habitação de interesse social a moradia digna que atende às necessidades daqueles que são beneficiados. como a garantir da funcionalidade dos espaços possibilitando a sua apropriação.em função da primazia do capital em relação à qualidade construtiva de atendimento ao social -.. isolamento. O seu conceito vai justamente de encontro àquela prática que evidencia . 18): [. enfim.] busca proporcionar. habitação de interesse social é aquela que. . aonde o senso de habitabilidade segundo Barros apud Moreira. que não correspondem à funcionalidade de uso dos espaços de moradia. na análise da autora uma definição mais adequada que a anterior. um sentido de habitar que preencha as necessidades de refúgio.

Ana Tibaijuka. Diretora Executiva do Habitat (2009) A demanda por habitação no mundo já em 2009 indicava uma necessidade habitacional da ordem de bilhões e a habitação de interesse social surge com a proposta mais econômica. Disponível em: http://www. houve uma intervenção do governo no que concerne à produção.27 A trajetória da habitação de interesse social neste trabalho de pesquisa passará pela realidade no mundo e em seguida entrar-se-á nos detalhes dos caminhos que trilhou na realidade brasileira. a venda de lotes urbanos.vitruvius. tendo em vista que existem hoje no mundo cerca de um bilhão de pessoas sem moradias.br/revistas/read/arquitextos/09. intenso adensamento e de salários baixos. político e moral dos trabalhadores. No Brasil. Diante da fundamental importância que constitui o abrigo como forma de suprir uma das necessidades humanas mais primárias.blogspot. a qualidade de tais empreendimentos acompanha a lógica dos custos e a do próprio capital. 2012. e há um aumento previsto para dois bilhões para as próximas três décadas3. com uma situação de considerável precariedade das condições habitacionais. Segundo Silva (2008) 4 o mundo deparou-se num contexto de urbanização acelerada. Acesso em: 10 de mai.097/136. Nesse sentido. as vilas operárias existentes também na realidade brasileira. Para Rago (apud BONDUKI. o marco inicial para a produção estatal de moradias subsidiadas e para o financiamento da promoção imobiliária foi a partir da institucionalização 3 4 Disponível em: http://nemaususeahabitacaosocial. como por exemplo. tal entendimento era visto com simpatia tanto pelo Estado quanto pela elite dominante. Para Bonduki (1994: 712). uma vez que garantiria condições adequadas de moradia e o controle ideológico.com. o que a tornaria viável.com. 1994: 716). 2012.br/. o histórico da habitação de interesse social relaciona-se ao período do governo Vargas (1930-1954). Esta não é uma dificuldade nova e para solucionar o problema surgem políticas públicas voltadas para a construção de habitações populares. . Naquele momento. tendo em vista que a tendência era considerar as vilas operárias como uma iniciativa possível de ser estimulada. ao mercado de aluguéis. Entretanto. denúncias da situação médico-sanitária (insalubridade). resultando em habitações de baixa qualidade e espaços pequenos. durante o período da República Velha (1889-1930) era visível à ausência do Estado Brasileiro frente à produção de moradia e da regulamentação do mercado de locações. ocasião posterior à República Velha. a questão habitacional é um dos grandes expoentes da urbanidade e que há tempos configura-se como a problemática primordial da ocupação humana no território. Acesso em: 10 de mai.

a ausência de ação coordenada para enfrentar de modo global o problema habitacional mostram que a intervenção dos governos do período foi pulverizada e atomizada. Percebe-se que a análise traz os fatos. “denotando” que o governo se preocupava com as condições de vida dos menos favorecidos. conforme ressalto em seguida por Bonduki (1994: 718): [.. sofre mudanças e nessa relação agora relativizada se inicia a formulação da compreensão no que diz respeito à função social da propriedade. da criação das carteiras prediais dos institutos de Aposentadoria e Previdência Social (IAPs) e a criação da Fundação da Casa Popular. num contexto em que a propriedade urbana cumpre com a sua função social.28 do Decreto-Lei do Inquilinato de 1942. A Lei do Inquilinato de 1942. mas não se pode deixar de considerar a relevância da ação no sentido de ter sido tomada. regular. que é considerada por Melo (1991) e Aureliano & Azevedo (1980) citados por Bonduki (1994: 717) o melhor exemplo da presença ausente na política estatal brasileira. Qualificação reforçada na Constituição de 1988. tratavam da questão e. enquanto um princípio vinculado à ideia de igualdade social. Nesse momento. Realmente houve essa ruptura e o Estado passou a intervir. muito embora em condições desarticuladas.a partir do momento em que suspendeu o direito absoluto de propriedade. condicionando-se ao bem-estar social. principalmente. de constituir efetivamente uma política. antes absoluta. de alguma maneira. carência de recursos. quando se destina a satisfazer as necessidades de quem lhe faz uso.] sua fragilidade. trazendo tanto o reforço à função quanto à . desarticulação com os outros órgãos que. foi de grande repercussão tanto social quanto econômica . justificando-se na peculiaridade da habitação enquanto uma mercadoria especial. longe. 1994: 720). a exemplo da criação da Fundação da Casa Popular. mas não houve uma ação articulada efetivamente. representa minimamente o reconhecimento de um compromisso que o Estado Brasileiro enfrentou. mas é fato que a criação da Fundação da Casa Popular como o primeiro órgão nacional destinado exclusivamente ao fomento de moradias para população de baixa renda. portanto. Alguns autores apontam que a política de proteção do inquilinato era muito bem aceita pelos trabalhadores.. enquanto uma resposta à crise de moradia no pós-guerra. enquanto instância reguladora da relação entre proprietários e inquilinos. a ideia de propriedade. onde o interesse social ultrapassaria os mecanismos de mercado (BONDUKI.

No contexto do sistema capitalista de produção nada é por acaso. mas em se resgatando um dado do IBGE de 1940 tem-se que apenas 25% dos domicílios eram ocupados por seus proprietários. sua intervenção agora é indispensável e atuará para ocupar um espaço deixado e não para concorrer. E de fato a Lei do Inquilinato de 1942 trouxe uma mudança ideológica no que diz respeito ao Estado ser uma concorrência desleal à iniciativa privada. de que por ser um membro da comunidade tem direitos e obrigações com relação aos demais membros. 75% dos municípios brasileiros eram de inquilinos e. concorda-se .. acompanha-se a reflexão de Bonduki (1994: 720) ao se arguir se se trataria de uma política econômica ou uma decisão útil para ampliação das bases de apoio ao governo. que consiste em não realizar ato algum que possa impedir ou obstaculizar o bem dos referidos sujeitos. mas concorda-se com Bonduki (1994: 725) que seja muito mais por questões de ordem econômica do que social. ou seja. nesse sentido. 6) e essa é uma questão que não se pode negar. p. ultrapassar os mecanismos de mercado”. Acredita-se que a resposta a tal questionamento justifique a regulação através da Lei do Inquilinato de 1942. 1995. mas essencialmente para retomar o aquecimento da questão habitacional em função da retração dos investidores para a construção de casas de aluguel.] Na presente análise. Há quem considere o papel do Estado no que concerne à articulação entre a relação trabalho e capital como definidor para a estruturação de novas relações produtivas (FERNANDES.29 responsabilidade de uso de quem a detém.. mas há que se considerar a desarticulação governamental nos empreendimentos que se voltaram à questão habitacional. 24): A função social é nada mais nada menos que o reconhecimento de todo titular de domínio. acredita-se que a ideia tenha sido a do “o interesse social. p. reforçada pela ausência de critérios sociais rigorosos para garantir o retorno dos investimentos. nesse sentido. tem a obrigação de cumprir com o direito dos demais sujeitos. de maneira que se pode chegar a ser titular do domínio. ou seja. enquanto a inflação consumia os valores das locações e prestações e ocasionada pela preponderância de uma visão clientelista e paternalista. da comunidade [. o que se pode verificar em Vivanco apud Tanajura (2000. indispensável neste setor de atividade econômica para o desenvolvimento da concepção de habitação social. no contexto de um sistema capitalista. por se acreditar nos altos custos de um empreendimento habitacional. o contrário do que deveria orientar a política de uma habitação de interesse social e. de forma que passa a interessar à indústria da construção civil a presença estatal.

agora sob a responsabilidade do Estado e do trabalhador. com a diretriz de oferta habitacional que possibilite reduzir pela metade até 2015 o déficit de saneamento básico e até 2020. 726) quando o mesmo considera que tal intervenção. 1994: 726). tendo em vista que àquilo que era provido pela iniciativa privada.. reduziu e inviabilizou a capacidade de ação das instituições criadas (BONDUKI. tendo seguido como modelo dos anos posteriores até 1990. Em 2000. No mesmo ano na Assembleia do Milênio em Nova Iorque foi ratificada a Declaração do Milênio das Nações Unidas que em seu Objetivo nº 11 define: “o combate paulatino às precárias condições de vida em assentamentos degradados”. a saúde. moradia”. Mas num contexto geral. na forma desta constituição”. por exemplo. De certa forma a intervenção Estatal contribuiu para o agravamento das condições habitacionais e urbanas e da moradia popular. o momento habitacional dos anos 40 foi de presença e ao mesmo tempo ausência estatal no sentido de que a desarticulação das ações. 10% das necessidades habitacionais. o trabalho. nesse contexto de desarticulação. a educação. que trouxe uma alternativa de habitação popular. Nos anos 90 tem-se a extinção do Banco Nacional de Habitação (BNH). apartamentos destinados a empresas e classes de renda elevada.. a moradia. bem como agravou a situação de migrantes e despejados que para conseguirem moradia digna com o salário que percebiam era altamente complicado. . 6º define: “São direitos sociais.30 com Bonduki (1994. que estabelece em seu art. através. (. fez surgir novos tipos de empreendimentos imobiliários voltados ao capital privado e à elite dominante como a construção de prédios de escritórios. mas que teve como participação do Estado meramente o acesso à propriedade em locais periféricos que não possuíam a infraestrutura necessária a habitações que atendessem em sua essência ao interesse efetivamente social. da instituição do Decreto-Lei nº 58 de 1938. sem contar com a intensificação das favelas e da casa própria autoconstruída ou autoempreendida em localidades periféricas e carentes de infraestrutura urbana. para os empreendimentos que se voltaram para a questão habitacional. incluindo. 25º: “Todos têm o direito a um padrão de vida adequado para sua saúde e bem-estar e de sua família. enquanto talvez um freio aos encaminhamentos voltados à política habitacional ou a uma mudança de estratégia.). a Emenda Constitucional 26 em seu art. mas em 1992 há a ratificação em prol da moradia digna através da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

p.31 Em 2001. o FNHIS e o CNHIS. estruturado da seguinte forma: Figura 1 . conhecida como Estatuto da Cidade. 6 A esse respeito ver dissertação de mestrado. no âmbito do Seminário Permanente de Desenvolvimento. 2006. proteção ao patrimônio cultural e respeito a minorias. com ações voltadas a novas políticas de regularização fundiária. do ano de 2006. conforme o Ministério das Cidades (MCidades). enquanto ações que se entende vêm fortalecer o fomento a uma ideologia de condições dignas de vida para todos. encontra-se.Organograma da Política Nacional de Habitação Fonte: MCidades/SNH. Palestra proferida por ocasião da Mesa Redonda sobre “A questão Habitacional no Brasil”. de Jorge Luiz Bernardi. Em 2004. ao qual estão subordinados o SNHIS. é aprovado pela Câmara de Deputados Emenda que institui o Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social (SNHIS). 46). 5 . tem-se uma determinação constitucional através da Lei nº 10.257/2001. O organograma da Política Nacional de Habitação (PNH). em 29 de maio de 2009. que veio tornar o direito à moradia mais viável para os milhões de moradores que viviam na ilegalidade. Luiz Neves é Diretor da SINAENCO Sindicato da Arquitetura e da Engenharia. um movimento popular iniciado em 1992 com cerca de um milhão de assinaturas de representantes de movimentos populares dentre outras entidades vinculadas à luta urbanística. o Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social (FNHIS) e o Conselho Nacional de Habitação de Interesse Social (CNHIS). o que segundo Luiz Neves5 tratar-se-ia da função social da cidade6. dedicada a identificar e conceituar as funções sociais da cidade (BERNARDI.

É de fato a partir de 2004 que podemos visualizar o início de uma efetiva inversão de prioridades em relação à questão habitacional voltada para as populações de baixa renda. com parte vindo de subsídios do FGTS e OGU e a outra maior parte dos recursos restantes anteriormente mencionados. iniciado em 2009. com subsídios do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e Orçamento Geral da União (OGU) e em maior parte com recursos do FGTS.1 bilhões seriam do Programa Minha Casa Minha Vida (PMCMV). os investimentos disponíveis. Ao se analisar a evolução dos investimentos em habitação. Em termos de investimento. percebe-se claramente uma evolução considerável no que diz respeito ao realizado.Evolução dos investimentos em habitação Fonte: MCidades. Caixa Econômica Federal (CAIXA).32 Verificado o seu histórico. Gráfico 1 . ao se analisar o foco nos segmentos de baixa renda com base no atendimento por faixa de renda: . identificar-se-á a partir de agora a mudança de política efetiva em relação às ações voltadas à questão habitacional desde 2003.92 bilhões de investimentos. Relatório Caixa Econômica Federal e ABECIP (dados até 31/12/2009). os custos do investimento habitacional e a demanda demográfica existente. dos quais 17. no período de 2003 a 2009. Fundo de Amparo Residencial (FAR). Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) para um patamar de 69. com grande reforço sendo dado pelo PMCMV.92 bilhões de investimento. iniciase num patamar de 7.

de outubro de 2011. “esse movimento vem motivando o desenvolvimento institucional das administrações no setor habitacional”. É ainda a partir de 2004. FAR. em articulação a políticas de habitação que envolvesse estados e municípios. bem como do considerável aumento nos investimentos federais. que o déficit habitacional começa a estacionar para em 2006 decair.Política Nacional de Habitação” (2010. mesmo com a disponibilidade de recursos. para a faixa de renda de até três salários mínimos. OGU e FAT. chegando a 72% e se estabelecendo como o maior percentual de atendimento.Foco nos seguimentos de baixa renda (percentual de atendimento por faixa de renda) Fonte: MCidades e Relatório Caixa Econômica Federal (dados até 31/12/2009). conforme poderá se verificar mais à frente. a adesão ao SNHIS de 2006 a 2009 muda de feição e em 2011 passa a ser identificada com a necessidade de melhoria e efetivação.SINAPI. Contudo. e na ocasião em que houve a publicação o percentual de entes federados que havia aderido ao Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social (SNHIS) pode-se dizer como relevante. conforme gráfico que se mostrará mais adiante. 27). Em relação aos custos médios com habitação. De acordo com a publicação “Avanços e Desafios . frente ao atendimento das exigências necessárias para a adesão.33 Gráfico 2 . Fontes de recursos: FGTS. a média para o Brasil . decorrência dos esforços do Estado na criação de condições institucionais que viabilizassem a nova política urbana e habitacional do Brasil. Tinha-se em 2003 um percentual de participação de 26% que quase duplicou em 2004 e comparado a 2009 mais do que duplicou. p. FDS. segundo o Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil .

52 410.26% de domicílios em assentamentos precários e 9.26 9.10 0.20 388.01 801.33 4.24 7. 2006 / CEDEPLAR.11 Números índices Jun/94-100 403.94 383. 2009.Demanda futura por habitação Fonte: PlanHab.26 0. Numa síntese do cenário das necessidades habitacionais totais. Coordenação de Índices de Preços.97 387.52 No ano 5.83% de necessidade de complementação de infraestrutura.08 759.08 6.22 407. Elaboração: Consórcio Instituto Via Pública LabHab-FUPAM.89 5.92 730.99 1.38 1.76 807. à frente apenas do Rio Grande do Norte.Custos médios com habitação Fonte: IBGE. entre os três menores custos médios por metro quadrado da Região.67 (oitocentos e cinco reais e sessenta e sete centavos) e sem muita surpresa é na Região Sudeste que se identifica o maior custo habitacional por metro quadro com R$ 842.76 5.20 5.72 7.22 0.11 388.73 727.42 412.e a Região Nordeste com o menor custo por metro quadrado e. Diretoria de Pesquisas.72 1. conforme se pode observar na tabela abaixo: Áreas geográficas Custos médios R$/m2 BRASIL REGIÃO NORTE REGIÃO NORDESTE Rio Grande do Norte Pernambuco Alagoas Sergipe Bahia REGIÃO SUDESTE REGIÃO SUL REGIÃO CENTRO-OESTE 805. Demanda futura Especificação Necessidade de unidades novas Domicílios em assentamentos precários Domicílios com necessidade de complementação de infraestrutura Déficit acumulado 20072011 20122015 20152019 20202023 Total 2007-2023 Necessidades totais 7.83 2.54 774.19 355.70 7. Logos Engenharia a partir de dados da Fundação João Pinheiro.70 402.90 3.15 0.98 34.62 Tabela 1 . para o período compreendido entre 2007-2023. Nota: estes resultados são calculados mensalmente pelo IBGE através de convênio com a CAIXA.06 5.99 5.99 1. Isto representa um déficit total de 21%.27 0.05 Variações percentuais Mensal 0.11 0.34 seria de R$ 805.13 5.73 5.26 0. Pernambuco.07 4.9%. tem-se segundo publicação do Plano Nacional de Habitação (PlanHab) que em 2006 havia um déficit acumulado de novas unidades na ordem de 7.65 4. Numa projeção feita pelo PlanHab no período de 2007/2011 o déficit de novas unidades habitacionais era de quase 8%.26 766.83 8.90 842.96 0.87 5.18 6.13 5. .01 405.24 6.19 26.41 704.67 818.86 7.11 12 meses 6. somados aos 3.90 Tabela 2 .17 0.00 .

Hoje existe diagnóstico e um plano de ação de ordem macro. 2009.935.664.678 36.526 12.425 85.772 9.000 19.127.35 Para atender tal demanda já existe previsão de orçamento pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em parceria com Estados e Municípios.169 49.945 174.507.662 Municípios 5.674 Total de recursos públicos 26. portanto.831.398 43. restando ao governo.Projeção orçamentária considerando o avanço de recursos do PAC Fonte: PlanHab.977.303 77.514.236.144. Logos Engenharia.305 5.822.330.690 Municípios 4.302. que existe um interesse do governo no atendimento da demanda habitacional no país para a população de baixa renda.400.705 22. Elaboração: Consórcio Instituto Via Pública LabHab-FUPAM.647 17.417 Estados 6.valores de dez 2007): Período (PPA) 2008/2011 2012/2015 2016/2019 2020/2023 Total (2008-2023) OGU 16. Observa-se que o quantitativo indicado é sempre crescente. faz-se necessário que os entes federados cumpram a sua parte encaminhando nos prazos devidos os projetos que assegurarão os recursos existentes.227.536 11.396. fazê-lo com critérios que atendam de forma efetiva a quem será beneficiado. (Moradia Digna) também em parceria entre os entes federados.716 31.853. pois segundo Saúgo (2010. .208 25.981.295. com qualidade. no mesmo período da projeção anterior: Período (PPA) 2008/2011 2012/2015 2016/2019 2020/2023 TOTAL (2008-2023) OGU 19. Existem outras projeções de recursos para dar conta da demanda.000 28.043 71. para o período de 2008 a 2023. Logos Engenharia.859.486 105.411 6.287.717 45.733. diferentemente do modelo que existia nos anos de 1930. 2009.000 Tabela 4 .294.370 7. Mas que fique entendido como executar o planejado.985.348.249.921 Total de recursos públicos 31. conforme segue abaixo (em R$ mil .791 6. Vê-se.453.356 252.PEC.451 8. órgãos financiadores.348 8.534.833.400.666. resumo).343 7.694 32.582.182 7. Elaboração: Consórcio Instituto Via Pública LabHab-FUPAM.577 26.708 Estados 5. fomentadores e sociedade em geral fazerem acontecer executando o planejado.266.249.478.466.023. Dando continuidade à análise de atendimento da demanda anteriormente indicada existe outra previsão de orçamento da Proposta de Emenda Constitucional .115 44.731.715.906.072 Tabela 3 .278 138.Projeção orçamentária adotando-se o percentual da PEC Fonte: PlanHab.645 27.620. Para isso acontecer.

Introdução de componentes DIY . .sustentáveis. como os moradores do entorno. Apesar da existência de parâmetros construtivos mais flexíveis. o atendimento das necessidades e aspirações bem como as características sociais e culturais dos indivíduos.PNHIS leva em consideração as necessidades dos usuários e esse é um critério importante de ser observado para que se possa ter na realidade brasileira. . por que gastar os recursos de qualquer forma ou sem critérios que atendam as necessidades do público em questão. Dados da Associação Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído . entendemos que a flexibilidade pode ser vista por outro prisma. com base em dados da ANTAC (2002). Entretanto. 2005.Tendências de mudanças no macro-complexo construção Fonte: Larcher (2005). A flexibilidade proposta está voltada para o aumento ou reforma de área construída pelo beneficiado. tanto os usuários da habitação quanto as pessoas envolvidas indiretamente. Mercado Tecnologias de construção Quadro 1 . . p. com um histórico de tanta superação.Do It Yourself (“faça você mesmo”).Produtos com a lógica de subsistemas. . não se observa uma relação estreita de tais tendências com o real atendimento das necessidades dos que são beneficiados. A Política Nacional de Habitação de Interesse Social .de baixo custo de operação e manutenção.36 A sustentabilidade social em habitações trata da satisfação das exigências do bemestar do usuário a partir da consideração de fatores que abrangem a promoção da saúde humana.ANTAC indicam tendências de mudanças no macro-complexo da construção tanto em relação ao mercado quanto em relação às tecnologias de construção (LARCHER. uma vez que já existem programas de habitação popular como o ‘Favela-bairro’ do Rio de Janeiro que recria o espaço nos moldes de vida da comunidade. Este é um fato possível.Componentes pré-fabricados e padronizados. conforme se pode observar no quadro abaixo. há que se considerarem peculiaridades relacionadas ao espaço. necessidades. . . Requisitos dos produtos dos edifícios: . Complementando a ideia da autora. . segundo uma lógica de industrialização aberta.individualizados (ou customizados). como a possibilidade de adaptar o padrão da habitação aos moldes do usuário e pelo próprio usuário. hábitos de vida e valores que os fazem construir uma identidade com o local de moraria em condições criadas por eles. 43). Então.flexíveis. intervenções com qualidade arquitetônica a favor da dignidade de quem será beneficiado.

4) é necessário que tais programas governamentais ultrapassem o conceito de abrigo. 45) mostra a necessidade desses estudos prévios como garantia da suficiência. de forma que as características antropométricas devem balizar o projeto arquitetônico. o que não está fora de padrões internacionais. equipamentos comunitários.37 Conforme ressalta Pina (apud Moreira. podendo resultar na viabilidade ou inviabilidade dimensional do espaço. . Na atualidade. posição e renda social: Cabe à arquitetura. da segurança e do conforto ao usuário do espaço. Reiterando essa ideia. aspectos socioeconômicos. Palermo (2009. p. meio físico. uma vez que países como Portugal e Espanha tem uma relação equivalente a nossa. serviços de infraestrutura e urbanos. 2010. o propósito de garantir que o espaço da moradia desenvolva-se em circunstâncias ideais. há estudos que tratam da antropometria abordando a relação do corpo humano com o espaço habitacional e tudo o que o compõe. indo além de proporcionar segurança física. já que o seu desempenho depende do equacionamento das condições de construção. legislação. embora exista uma indicação de 12m2 por pessoa. culturais. No Brasil a relação do metro quadrado por pessoa para a habitação mínima é em torno de 10m2. mas também satisfaçam as necessidades de subsistência.

92). CHAVES. . Nesse sentido. exclusão social e territorial. 2011. inclusive. crise econômica e comprometimento ambiental. tem-se que a desigualdade não se originou no que se conhece como as décadas perdidas. a concentração de renda com um agravamento da exclusão social e territorial.Habitação e Desenvolvimento Urbano do estudo. Nos anos 80 e 90 a recessão econômica aprofunda a desigualdade. desenvolvida por Alessandra d’Ávila Vieira e Mirna Quinderé Belmiro Chaves no Capítulo IV . publicado em formato de e-livro. que se deu todo um formato a uma sociedade. concentração de renda. vale considerar o histórico que nos trouxe ao contexto atual que continua chamando aos governos a responsabilidade de pensar sobre a política habitacional sob o referencial de uma prioridade invertida. tendo havido na verdade “um aprofundamento de um quadro histórico de cinco séculos de formação da sociedade brasileira” (MARICATO apud VIEIRA. E é nesse contexto de priorização ao econômico. um crescimento urbano acelerado. o nosso foco de análise para esse estudo se deteve à abordagem relacionada aos Programas Nacionais de Habitação.Política Nacional de Habitação: programas e resultados. a questão humana ao invés da econômica. aumentando de forma considerável o processo de favelização em grandes cidades brasileiras. O estudo traz que a partir da década de 70 tem-se a reestruturação produtiva em nível mundial. e nesse contexto inclui-se a questão do adensamento urbano.38 3 POLÍTICAS URBANAS E REGIONAIS NO BRASIL: DISCUSSÕES RECENTES O presente capítulo traz uma análise das reflexões de um estudo recente sobre Políticas Urbanas e Regionais no Brasil. atrelado a uma desvalorização da moeda e redução do Estado. da Parte B . Resultado de um Ciclo de Conferências organizado na forma de Simpósio na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UnB. p. contexto. conforme as autoras ressaltam. bem como os seus resultados e o que trouxeram para a política habitacional brasileira. por vezes atingindo áreas de proteção ambiental. numa perspectiva de perceber tais programas. que se tem no estudo. adensamento urbano. da área de origem dos moradores reassentados da presente pesquisa. embalada com as determinações neoliberais e. como resultado. Numa análise mais aprofundada da questão.

CHAVES. conforme Vieira e Chaves (2011) ressaltam.28) que define a unidade habitacional subnormal como “[.] aquela que não oferece as condições mínimas de segurança. de forma que “em vez das cidades de luz arrojando-se aos céus. O cidadão era excluído desse mercado ou porque trabalhava e o que ganhava não se enquadrava no perfil monetário estabelecido ou porque não trabalhava e tal situação levou a sociedade ao contexto de ter que administrar “um movimento sintomático de ocupação de terras urbanas”. mas em toda a América Latina.].. excrementos e deterioração [. estrutura etc. o qual conduziu à constituição de um mercado em que uma parcela significativa da população se viu excluída desse mercado de bens duráveis. O estudo ainda traz que no período de funcionamento do BNH (1964 .2% do estoque habitacional urbano” de tais habitações (DAVIS apud VIEIRA. cercada de poluição. A definição a ser considerada para a habitação subnormal na presente pesquisa será a do Comitê de Higiene e Habitação da Associação Americana de Saúde apresentada por Diogo (2004.1986) foram construídas 25% das novas moradias construídas no país.) quanto à carência e localização de sanitários.” 7 . que constituíam em 2011 78. gerando um processo de ocupação espontânea que fez a população urbana em cidades com mais de 20 mil habitantes crescer entre 1950 e 2000 de 11 milhões para 125 milhões. numa situação de promoção de uma estrutura segregada social e espacialmente. tendo nas formas de financiamento ao acesso à terra urbana a consolidação desse processo de reestruturação urbana que exclui consideráveis camadas sociais dos mercados de consumo. pontuam as autoras. Entre 1986 (extinção do BNH) e a criação do MCidades em 2003 a área governamental responsável pela gestão da política urbana e habitacional esteve subordinada a sete ministérios ou estruturas administrativas diversas.” Trata-se na verdade. Essas condições se referem tanto aos aspectos da construção (dimensionamento. percentual indicado como insuficiente para o atendimento das necessidades que a urbanização brasileira trazia.92). p.. 2011. número e disposição dos cômodos. salubridade e não permite a seus moradores o atendimento de atividades como membros de grupos primários. caracterizando para o estudo uma descontinuidade. boa parte do mundo urbano do século XXI instala-se na miséria. durabilidade. de um resultado cruel do processo de exclusão do direito ao espaço e à habitação que se desenvolveu não apenas no Brasil. tamanho. ausência de água encanada. fortalecido pelo caráter excludente e restritivo das relações fordistas de assalariamento na América Latina.. p.. de ligação às redes de esgoto e de energia elétrica. num aumento extremamente significativo.39 consequências da “produção em massa de habitações subnormais7 nos países em desenvolvimento. material.

associações e movimentos sociais. gestão e controle. A reestruturação legal e institucional da política de desenvolvimento urbano do Brasil. além de identificar e atender as demandas referentes ao crescimento da população. cooperativas. assim. estruturando uma rede de articulações entre todos os níveis de governo. No que diz respeito à operação das fontes de recursos do Sistema. através do MCidades. objetivos e metas. cabendo ao ConCidades à função de acompanhamento. vindo indicar medidas políticas. Além do SNHIS a legislação também cria o Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social (FNHIS) e o Conselho Gestor do Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social (CGFNHIS). o que só legitimou a necessidade de tal demanda. coordenação. . instituído pela Lei Federal nº 11. visando enfrentar um déficit habitacional tanto qualitativo quanto quantitativo. representada pelo MCidades. de 16 de junho de 2005.ConCidades em 2004.124/2005. de mercado. prevendo. com uma função deliberativa e participativa e a responsabilidade de aprovação dos programas que serão desenvolvidos com recursos do Fundo. a mesma se dá através de sistemas distintos e com um gerenciamento de tais fontes diferenciado. caberia detalhar princípios e regras que norteariam as iniciativas públicas relacionadas ao direito à habitação.40 resultando num comprometimento do potencial de planejamento e gestão estratégica que possibilitariam um enfrentamento da problemática com coerência de ideias. Frente a esse cenário de políticas urbanas e regionais na realidade brasileira. legais e administrativas com o objetivo de efetivação do direito à moradia. concorda-se com as autoras quando se considera a criação do MCidades como um marco político-institucional a partir do momento em que tal instrumento orientou os caminhos a serem seguidos e como agir por tais caminhos. o SNH tem a sua estrutura institucional composta por uma instância central com a função de planejamento. a organização de um Sistema Nacional de Habitação (SNH) enquanto àquela instância que atuará nos esforços de fazer todos os níveis envolvidos no processo trabalharem de forma integrada. passa pela aprovação da PNH através do Conselho das Cidades . em médio prazo. cabendo ao Sistema Nacional de Habitação de Mercado (SNHM) movimentações da área habitacional junto ao setor privado e ao Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social (SNHIS). avaliação e implementação do SNH e seus instrumentos. Segundo o estudo.

a deliberação. o qual passou de R$ 7 bilhões para R$ 62 bilhões (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada . conforme ressaltam as autoras. Atualmente o Conselho Gestor do FNHIS tem como prorrogado o prazo para que os estados e municípios com mais de 50 mil habitantes concluam os seus planos habitacionais até 31 de dezembro de 2012. Segundo representantes de 23 estados e do MCidades na reunião nacional sobre a temática em agosto de 2011. estando nas regiões Sudeste e Nordeste a maior concentração em valores absolutos. Revista Brasileira de Habitação. no caso os estados e municípios. 2011.9 e 2. conforme publicação da Revista Brasileira de Habitação (2011. fazendo com que o planejamento. a gestão. p. Concorda-se com o fato da questão cultural de planejamento público no Brasil. O Sistema preconiza o planejamento. a implementação. de forma que o mesmo se estrutura em instâncias que irão se integrar. 2011 p. p. dado o volume de recursos que envolvem o setor. 20).7 milhões. respectivamente (MCidades. com um déficit de 2. através da constituição de um Fundo Local de Habitação de Interesse Social (FLHIS) e da criação de um Conselho Gestor de tal Fundo. ressaltando ainda que em se tratando da questão habitacional.5 milhão em áreas rurais. mas recursos encontram-se disponíveis desde a criação do MCidades e segundo tal instância de 2002 a 2009 houve um crescimento de 785% no setor habitacional. das quais 6. a participação e a aprovação . é necessária que seja realizada uma adesão voluntária pelos entes subnacionais. atualmente apresentando um déficit habitacional de 7.4 milhões em áreas urbanas e 1. tais dificuldades se dariam em função das “décadas de falta de recursos para o setor habitacional. o qual deverá ter similaridade de estrutura com o modelo nacional.9 milhões de moradias. O essencial na presente análise é uma observância dos dados existentes com um real comprometimento no que concerne à finalidade humana que o setor tem. 06) e equipes de consultoria tecnicamente preparadas. o controle. bem como ao fato de o mercado possuir poucas empresas de consultoria tecnicamente preparadas”. a avaliação.IPEA.41 E para participar do SNHIS. Revista Brasileira de Habitação. além da elaboração de um Plano Local Habitacional de Interesse Social (PLHIS). já se estruturaram durante esse período e passaram a existir. as dificuldades para o cumprimento do prazo inicial. 06). a compatibilização de políticas. que seria o final de 2011. a coordenação. numa tentativa de evitar o inflacionamento do mercado de terras e construção de moradias inadequadamente que poderiam comprometer o desenvolvimento urbano. estaria relacionada à “ausência de uma cultura de planejamento público no Brasil”.

ainda tem-se o Plano Nacional de Habitação PLANHAB (previsto na Lei 11. 2012. reforçando assim a capacidade institucional dos agentes públicos.Avaliação .Gestão Acompanhamento . articulando-se com os mecanismos de planejamento e orçamento.124/05) elaborado entre agosto de 2007 e dezembro de 2008 num processo coletivo que envolveu diversos segmentos do setor habitacional. p.Coordenação . privados e sociais e buscando a ampliação das fontes de recursos. tendo como objetivo equacionar as necessidades habitacionais do Brasil. 92-103. Com previsão de revisões periódicas. com base em Vieira e Chaves (2011). legais e administrativas Integração do trabalho entre as instâncias Interesse privado Interesse público Deliberação e participação Aprovação dos programas Figura 2 . o PLANHAB vem orientar o planejamento das ações no setor habitacional até 2020.42 serão o resultado de uma estrutura de planejamento estratégico sobre a qual se terá a consecução de objetivos e metas plenamente definidos: Planejamento . Além de toda a infraestrutura existente. com o objetivo de universalização do acesso à moradia digna para a população de baixa renda. acredita-se.Controle . enquanto componente de um processo de planejamento de longo prazo. desde 2009 com o PMCMV. direcionando recursos e apresentando estratégias para os eixos estruturadores da PNH.Infraestrutura institucional da questão habitacional no Brasil Elaboração: o próprio autor. através de uma política de subsídios. desde 2010 com o PCM e desde sempre com o PREZEIS. Tratar-se-ia na verdade. tem-se o movimento da ordem de bilhões em investimentos.Implementação Efetivação do direito à moradia através do indicativo de medidas políticas. de uma vontade política no sentido de priorizar e com isso incluir-se nas exigências de inserção no Fundo que desde 2007 com o PAC. .

água. é a reconstrução da unidade habitacional encontrar-se no mesmo perímetro da área que está sendo urbanizada. drenagem pluvial. coleta de lixo adequada. a deficiência da infraestrutura. Tais ações visam envolver as instâncias do setor habitacional no sentido de busca da efetividade da dignidade no contexto da moradia digna. CHAVES. A recomendação é de que os projetos habitacionais devem prever a implantação de infraestrutura básica. atrelada à precariedade construtiva das habitações. 2011.43 Nesse sentido. sem contar com a adequação do sistema viário e do parcelamento da área. (b) Organização institucional e ampliação dos agentes do SNHIS. educação e saúde. 97). deslizamentos ou outros riscos. e (d) Incentivos à adoção de mecanismos de política territorial e fundiária para a ampliação de áreas para a habitação de interesse social. Ao realizarem a abordarem dos aspectos de precariedade da moradia. O ideal. distância entre moradia e trabalho. a qualidade ambiental do meio e a inserção e integração com a cidade através da disponibilidade de infraestrutura urbana e de acessibilidade ao mercado de trabalho e aos equipamentos públicos” (VIEIRA. somando-se a tudo isso situações de extrema vulnerabilidade relacionadas ao domínio da violência. enquanto . altos níveis de densidade dos assentamentos e das edificações. contemplando rede elétrica. p. nas ocasiões em que houver a necessidade de promoção do desadensamento implicando no remanejamento de quem será reassentado. as autoras caracterizam a questão da irregularidade fundiária e urbana. sistema de transporte insuficiente. ocupação de áreas passíveis de alagamentos. oneroso e com nível considerável de desconforto e insegurança. insuficiência de serviços públicos básicos como saneamento. dentre as ações propostas pelo Plano elencadas pelo estudo tem-se: (a) Modelagem de subsídios e alavancagem de financiamentos para população de baixa renda. que no presente estudo compreende “além da edificação propriamente dita. iluminação pública. construção de equipamentos públicos. esgotamento sanitário. (c) Propostas e mecanismos de fomento para a cadeia produtiva da construção civil. contenção e estabilização do solo.

E é ao trabalho social que cabe tal transparência. identificando ou refutando. O reflexo desses investimentos é verificado na tendência de redução do déficit habitacional que segundo a Fundação João Pinheiro em 1991 abrangia mais de 15% e em 2011 estaria em cerca de 10%: . identificável. comércio local. segurança. convivência comunitária e todas aquelas que se colocam como fundamentais à sustentabilidade do empreendimento. educação. sejam elas relacionadas à saúde. acessível. considerando que participar indica perceber-se no contexto. o que pode ser observado no fato de que em 2004 apenas 42% dos municípios brasileiros possuíam órgão específico para tratar da questão habitacional e em 2008 esse percentual sobe para 70% dos municípios. A transparência nesse processo é na presente análise um elemento percebido como fundamental para a sustentabilidade da proposta habitacional. percebendo-os em seu direito a uma habitação digna e equipada com todos os elementos necessários ao atendimento de necessidades. O setor habitacional tem passado por verdadeira revolução sob o aspecto dos investimentos. esse contato direto com os beneficiários. através de um resultado que refletirá a escrita de sua própria história. mas fazendo-se valer da inserção em um processo em construção. lazer.44 uma postura de respeito aos laços de vizinhança e de trabalho. mensurável. Uma ressalva do estudo com a qual se concorda é sobre a participação no processo de elaboração e aprovação da proposta por parte de quem será beneficiado. que trouxe a necessidade de os governos estaduais. bem como nos R$ 21. visando minimizar ao máximo os impactos. a exemplo do PAC.6 bilhões em intervenções em favelas com recursos do PAC em 2011. aceitando ou discordando. municipais e o Distrito Federal terem que reorganizar o seu setor habitacional para abarcar o novo contexto. através de regras acessíveis a todos os envolvidos.

2011. p. gerando movimentação considerável no setor da construção civil e infraestrutura do país. 8 .45 Gráfico 3 . p. Pró-Moradia8 e a partir de 2007 essas ações no setor passaram a integrar a carteira de investimentos do PAC Habitação. prevendo investimentos da ordem de R$ 34 bilhões e a meta de construção de um milhão de moradias.Pró-Moradia. através de repasse do OGU a entidades sem fins lucrativos vinculadas ao setor. além do barateamento dos seguros Morte e Invalidez Permanente (MIP) e Danos Físicos do Imóvel (DFI). No setor privado. a redução dos O Programa Produção Social da Moradia . Segundo Vieira e Chaves (2011. atuou com investimentos no setor habitacional por meio do FNHIS no contexto do PAC. FGTS. a solução dos gargalos referentes à oferta para tal população estaria na criação do Fundo Garantidor mencionado. 105). com recursos do FNHIS. segundo o estudo é através do PMCMV que o financiamento no setor habitacional vem fazer-se presente. 104. estruturando-se para isso a criação de um Fundo Garantidor de Habitação . O atendimento às famílias de baixa renda se deu através de melhores taxas de juros para financiamentos habitacionais. o financiamento que se dá através de estados. que teria como função cobrir as prestações em até 36 meses com o intuito de as famílias não perderem o emprego ou passarem por perda de renda. e-livro Políticas Urbanas e Regionais do Brasil.Tendência de redução do déficit habitacional brasileiro Fonte: SNH / MCidades.FGHAB. Distrito Federal e Municípios é direcionado no setor habitacional à população de baixa renda de até três salários mínimos. frente ao agravamento da crise imobiliária dos EUA iniciada em 2008. No setor público.

46 prazos e custas cartoriais.Financiamentos FGTS (R$ bilhões) Fonte: 10º Balanço PAC. 108. um aumento considerável tanto em contratações quanto no volume financeiro investido. p. Segundo o estudo. através do FGTS. que aportou investimento da ordem de R$ 362 milhões com recursos do Fundo de Desenvolvimento Social (FDS).o equivalente a 54 mil unidades para R$ 34 bilhões . e-livro Políticas Urbanas e Regionais do Brasil. 2011. expandindo-se em 2004 através da Resolução nº 460 do Conselho Curador do FGTS. Os investimentos no setor habitacional também atingem a produção habitacional via mercado. é no período de 2007 a 2009 que se identifica uma superação das metas inicialmente previstas no PAC em 99%. * Evolução dos financiamentos . beneficia-se com recursos do FGTS. para créditos concedidos a pessoas físicas: Gráfico 4 . através do SBPE.FAR/FGTS/subsídios/FDS * Não inclui contrapartidas nem contratações do Programa Minha Casa Minha Vida Nesse sentido. que a partir de 2003 passou a priorizar o atendimento das famílias de baixa renda. com renda abaixo de três salários mínimos. Expandindo-se do setor público e privado. FAR e FDS até 2011 mais de 831 mil famílias em todo Brasil.o equivalente a 303 mil unidades em 2009: . além de incentivos fiscais para a produção de imóveis para a baixa renda. introduzindo a concessão de subsídios para o financiamento a pessoas físicas com renda familiar mensal bruta de até cinco salários mínimos. proposta pelo MCidades e depois através das Resoluções nº 518 e 520 de 2006. especificamente para a habitação de interesse social. tendo havido no contexto do Sistema Financeiro da Habitação (SFH). passando de R$ 3 bilhões em 2004 . os investimentos na área habitacional vêm se efetivando também através de Programas como o Crédito Solidário.

incutir uma cultura municipal de serviços técnicos.47 Gráfico 5 . 109. A partir de 2009. abrangendo as fases de sensibilização e adesão. desenvolver-se institucionalmente com qualidade implica necessariamente em inserir-se no processo e colocar-se nesse contexto é comprometer-se com a elaboração dos planos locais de habitação. a adesão ao Programa seria voluntária com um desenvolvimento de nível nacional. através de processos de autogestão. esse programa passou a trabalhar nas modalidades de elaboração de projetos para produção habitacional e urbanização de assentamentos precários. . e-livro Políticas Urbanas e Regionais do Brasil. o Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP-H). produtividade e segurança. E frente a tantas possibilidades de investimento. 2011. até mesmo como forma de obtenção de novos recursos no âmbito do SNHIS. existente desde 2008 com a finalidade de organizar o setor tanto no que concerne à qualidade do habitat quanto à modernização produtiva. ainda. sem qualquer suporte técnico que leve tal empreendimento a padrões mínimos de qualidade. tendo sido criado com o objetivo de reduzir o percentual de habitações construídas sem qualquer aporte técnico. agentes financeiros e sociedade civil. programa setorial e acordo setorial da cadeia produtiva com o setor público. destina-se ao atendimento de elevada parcela da produção de habitações que acontece no mercado informal. com o investimento relacionado à assistência técnica.Contratações do SBPE (R$ bilhões) Fonte: 10º Balanço PAC. E para isso. 111). p. Tem-se. numa tentativa de além de ofertar o serviço. conforme é ressaltado Vieira e Chaves (2011. p. por exemplo. O programa de assistência técnica. no contexto da cadeia produtiva do setor da construção civil.

estruturado com base na implementação de um conjunto de sistemas9. questionável. a consolidação do PBQP-H tem a finalidade de fortalecimento do mercado nacional. mas principalmente qualitativa. p. 112.SiMaC.Posição sobre as adesões ao SNHIS Fonte: Relatório de Gestão 2009 do SNHIS. em sua maioria. não apenas financeira com a construção de moradias.48 Ressaltam ainda as autoras que. Sistema de Avaliação Técnica de Serviços e Obras . com espaços de morar que atendam às expectativas e necessidades dos seus moradores. tem havido diversas campanhas de adesão enquanto parte de uma ação nacional de mobilização. com ênfase na inovação tecnológica e implementação do Sistema Nacional de Avaliações Técnicas (SINAT) e na sustentabilidade. ainda não cumpriram de forma plena condições previstas em lei para a estruturação institucional do sistema: Gráfico 6 . 2011. Componentes e Sistemas Construtivos .SiAC e Sistema de Qualificação de Materiais. ao se refletir sobre todas as evidências relacionadas às oportunidades do setor da construção civil para a habitação de interesse social. e-livro Políticas Urbanas e Regionais do Brasil. enquanto um considerável incentivo à capacidade criativa dos profissionais que podem estar envolvidos com a demanda habitacional no Brasil. apenas na área habitacional. 112) os estados e municípios. mas segundo Vieira e Chaves (2011. Trata-se de uma questão que precisa ser observada com um cuidado maior para sua efetividade. São várias as frentes de investimento. O cerne das considerações finais está centrado na precariedade da moradia popular. chegando à área da pesquisa tecnológica com as chamadas públicas de estudos e projetos da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) a R$ 15 milhões. 9 . a princípio. p. Desde que foi criado o SNHIS.

de forma especial o público. Contudo. A pontuação conclusiva da presente abordagem coloca que com a continuidade dessa disponibilidade financeira10. rumo a uma consolidação do SNHIS no Brasil. uma contradição e ao mesmo tempo objeto de tensão política frente às esferas estadual e nacional. torna-se mister um comprometimento real de estados e municípios no cumprimento de prazos e metas estabelecidas pelo CGFNHIS para o atendimento das exigências previstas na lei que regula o SNHIS. além de somar-se a dificuldade de definição de diretrizes nacionais. visando mesmo uma efetividade das adesões para a realização dos recursos disponíveis. vai se refazendo e se reorganizando. A perspectiva para a continuidade de investimentos encontra-se na tramitação de proposta de emenda constitucional que em 2011 visava destinar 2% do orçamento da União e de 1% do orçamento de estados e municípios para a habitação de interesse social no Brasil. 10 . mesmo com o diagnóstico do Relatório de Gestão 2009 do SNHIS. respeitado o fator necessidade e as realidades orçamentária e cultural de cada região brasileira. o setor habitacional e. legislação e gestão do uso e ocupação do solo ser municipal. com um olhar humanizado para os empreendimentos e preferencialmente contextualizado no âmbito de diretrizes nacionais.49 Apesar de constitucionalmente a competência sobre o ordenamento. a fragilidade da maioria das administrações municipais é o obstáculo principal para a implementação efetiva do Sistema. apesar da disponibilidade de recursos.

75 m2) e Sudeste (41. 2012. aonde se confirma a concentração de recursos com o maior custo habitacional por metro quadrado na Região Sudeste. elaborou-se o Apêndice F do presente trabalho de pesquisa. Com base nos dados publicados em 2009 e 2011. considerando a origem de recurso como apenas Federal ou todos (Municipal.84 m2). em detrimento da origem de recurso que em primeira instância determinou a possibilidade de um maior investimento e consequentemente a construção de apartamentos e/ou casas maiores nos fez chegar até aqui. o metro quadrado construído possui maior consideração e. em andamento e já concluídos aqui no Brasil. conforme gráfico que segue abaixo: Gráfico 7 . a relação diferenciada do metro quadrado construído para cada região brasileira. no contexto da habitação de interesse social. com recursos do Governo Federal. a necessidade de maior investimento. percebe-se que nas regiões Sul (44.O metro quadrado por Região considerando o recurso predominante Fonte: Revista Brasileira da Habitação.50 3. Estadual. Federal e Iniciativa privada). a partir do qual se calculou a média do metro quadrado construído por região. Numa análise geral do que o gráfico indica. Elaboração: o próprio autor. 2009/2011. A ORIGEM DE RECURSO E SUA INFLUÊNCIA NO METRO QUADRADO CONSTRUÍDO O acesso a várias matérias sobre empreendimentos construtivos. da Revista Brasileira da Habitação dos anos de 2009 e 2011. . consequentemente. situação já identificada anteriormente nos custos médios com habitação apresentados pelo SINAPI de 2011.1.

Centro-Oeste e Norte. como pode ser observado no Apêndice F a posição da Região Sul com o maior metro quadrado construído dentre todas as regiões.16 do metro quadrado construído. tornando evidente uma diferenciação regional já combatida por Celso Furtado11. que não necessariamente precisam de tal incentivo para investir mais. mas essa é uma questão que precisa acontecer para todas as regiões brasileiras. com recursos do Governo Estadual e da CAIXA.406 unidades habitacionais para o Residencial Boa Vista. haja vista que quanto maior for o número de habitações contratadas.51 Nas Regiões Nordeste. respectivamente. mas essa não é a questão primordial da presente análise. As regiões são diferentes e necessitam de um atendimento que esteja de acordo com a sua peculiaridade regional. sem distinção e sem que haja a necessidade da dependência da origem de recursos. têm-se a totalização média de 41. 6º. por exemplo. do status ou das condições orçamentárias da região. foram determinantes para o metro quadrado construído e consequentemente para o total investido a origem do recurso e a região geográfica. A Região Nordeste. municipal e da iniciativa privada. maiores serão as possibilidades de negociação de um custo menor que poderá refletir na possibilidade de construção de habitações com maior qualidade.Campo Grande/MS. em Chapadão do Sul . .1m2. Sabe-se. estes últimos identificados apenas na Região Centro-Oeste com a construção de 1. com recursos advindos tanto da esfera federal quanto estadual.25 m2 e 33. 34. cultural.Curitiba/PR. pois se trata de um projeto de Estado. em seu art. ao lado das Regiões Sul e Sudeste. a Região Nordeste decai para o patamar de 38. 11 A esse respeito ver Celso Furtado em A Formação Econômica do Brasil (2005). identitária dos indivíduos que em dado contexto são beneficiados na área habitacional. Sem o incentivo federal.12 m2. Numa análise detalhada das informações levantadas. que classificou a moradia como um direito social. para a construção de 100 mil moradias pelo Programa Morar Bem Paraná . apenas com recursos do Governo Estadual. constou entre as regiões com o perfil de metro quadrado construído entre 40 e 45 m2 quando a origem de recurso federal esteve presente. que o total contratado de habitações interfere nos custos. por exemplo. um direito a ser efetivado e um dever a ser cumprido e já previsto na Declaração Universal de Direitos Humanos e na nossa própria Constituição.

2012.recife. RPA 03 Fonte: Prefeitura do Recife. Urbanismo e Meio Ambiente. a região limita-se ao norte com a RPA 02 e com os municípios de Olinda e Paulista.gov.1 Localização e acesso O bairro de Monteiro é pertencente à terceira região político-administrativa da cidade do Recife (RPA 03). a oeste com o município de .br/pr/secplanejamento/inforec/mapasRPA3. 2012.Região Noroeste.pe.1. Disponível em: < http://www. através da Diretoria Geral de Urbanismo da Secretaria de Planejamento.1 CARACTERIZAÇÃO DO BAIRRO 4. Figura 3 .52 4 O BAIRRO DE MONTEIRO EM RECIFE/PE 4.php>. De acordo com estudos e pesquisas da Prefeitura do Recife. Acesso em 10 jun.

Parnamirim 08 .Poço 11 .Brejo da Guabiraba 27 .Alto José do Pinho 16 .53 Camaragibe e ao sul/sudoeste com o rio Capibaribe e RPA 04.Morro da Conceição 17 .Córrego do Jenipapo 24 .Dois Irmãos 23 . Poço da Panela. O bairro de Monteiro faz limite com os bairros de Apipucos.Casa Amarela 14 . distribuídos por mais de 60.Passarinho 28 .Localização do bairro de Monteiro na RPA 03 Fonte: Prefeitura do Recife.Graças 03 . representando 35. Perfil Sócio-Econômico da RPA 3.Derby 02 .Jaqueira 06 .Pau Ferro 23 23 25 25 19 19 12 12 11 11 18 18 17 17 16 16 15 15 14 13 13 09 09 10 10 08 08 07 07 06 06 05 05 04 03 04 03 02 02 01 01 Figura 4 . dentre eles Monteiro. A região é composta por 29 bairros. 2002.Alto José Bonifácio 18 .Mangabeira 15 .Santana 09 .Guabiraba 29 .000 domicílios.Nova Descoberta 25 .731ha.Tamarineira 07.Brejo do Beberibe 26 .Espinheiro 04 .Alto do Mandu 13 .38% da área da cidade e ocupada por 312.Monteiro 12 . .Vasco da Gama 19 .Aflitos 05 .Apipucos 21 . conforme pode ser observado: 29 29 28 28 27 27 26 26 24 24 22 22 21 21 20 20 01 .Sítio dos Pintos 22 .Macaxeira 20 .981 habitantes.Casa Forte 10 . Alto do Mandu e Casa Amarela. A RPA 03 é a mais extensa do Recife com 7.

Diretoria de Informações/Assessoria Técnica. 2012. . Secretaria de Controle e Desenvolvimento Urbano e Obras. Elaboração: PCR.Base cartográfica do bairro de Monteiro Fonte: Prefeitura do Recife.54 Mapa 1 .

2 Evolução do espaço urbano As abordagens que seguem para todos os tópicos seguintes refletem o resultado de estudo analítico realizado pela Secretaria de Planejamento. Apipucos e Poço da Panela. Computa ainda em 2010 uma taxa de alfabetização de 96. Graças.37%. Espinheiro.8%). 45. preta (6.55 A localização das terras onde hoje o bairro se encontra localizado fizeram parte do Engenho Várzea do Capibaribe. tem-se a ocupação até o final do século XVIII por sítios e por engenhos canavieiros de Santana a Monteiro. tendo vivido sua melhor época em meados do século XIX.713 homens. de 92. com um clima agradável e destino de veraneio.917 habitantes (2.1. 3.4 habitantes. 4.85% e 3.12%). Tamarineira. Aflitos.8 hectares a menos se comparado a 2000. o bairro possui uma área territorial de 53 hectares. Santana. Em termos étnicos. indicando que o surgimento de um bairro amadurecido. Parnamirim.2%). O Bairro de Monteiro se insere no contexto das maiores transformações espaciais da Região. contexto bem diferente do encontrado em 2000 quando a concentração nas faixas etárias se dava de 15-39 anos e 40-59 anos. acompanhado do Derby. amarela (0./há. Jaqueira.204 mulheres.SEPLAM da Prefeitura do Recife.superior à encontrada em 2000. a população do bairro se distribui da seguinte forma: branca (53. com uma proporção de mulheres responsáveis pelo domicílio de 42. O bairro nasceu de uma povoação.3% . . Possui uma população residente de 5. Urbanismo e Meio Ambiente . parda (38. também conhecido como Engenho do Monteiro.9%).02%. Casa Forte.15% aproximadamente).61 hab. A média de moradores por domicílio é de 3. 54. densidade demográfica de 111. Em linhas gerais. Durante o processo de desenvolvimento urbano da RPA 03.98%) e indígena (0. população com maior concentração nas faixas etárias de 25-59 anos e 60 anos e mais.

650 1.Centro 02 .56 Até a década de 70 o bairro juntamente com os outros indicados acima.537.731 4. . Recife.31 89. Dois Irmãos.200 98.146. área e densidade. o bairro acompanha um forte processo de verticalização focado em Casa Forte e iniciado enquanto um processo de substituição do estoque construído para a Região.537 1.População residente.114 221.Sudoeste 06 .bem como pela ocupação horizontal de moradias unifamiliares.3 Dados populacionais e de domicílio Informações do Censo de 2010 indicam que a Região aonde o Bairro de Monteiro se encontra localizado caracteriza-se por possuir a menor densidade (40.480 7. 4. Monteiro.997 3.796. segundo RPA. Censo Demográfico 2010.315 Tabela 5 .690. o bairro é beneficiado pela considerável cobertura vegetal que a Região possui.00 Densidade Demográfica (hab/ha) 50. Localizado próximo a Apipucos. O bairro situa-se na Região distinguindo-se pela qualidade ambiental.21 88.234 312. Apipucos. Apipucos e Poço da Panela).981 278. caracterizava-se pela baixa densidade construída .08 14.Norte 03 . Secretaria de Controle e Desenvolvimento Urbano e Obras.14 17.Oeste 05 .48 hab/ha). dentre outros. Elaboração: PCR. 2010 FONTE: IBGE.48 40. excepcional Unidade de Conservação. Sítio dos Pintos e Pau Ferro: População residente RPA Total 01 . justificada pela presença de matas localizadas na Guabiraba.1.88 100.35 18.39 20.63 Área ² (ha) 1. a exemplo do casario de Apipucos com a sua Igreja. Atualmente.Noroeste 04 .448 % 5.547 8. que sem dúvida vem comprometendo as qualidades ambientais da Região enquanto referência histórica para a Cidade. Diretoria de Informações/Assessoria Técnica. no contexto dos bairros que fazem parte do conjunto urbano de Casa Forte (Parnamirim. além de se encontrar inserido nas proximidades de espaços detentores de inquestionável valor histórico e arquitetônico.892 21.82 149.Sul Total RMR Pernambuco 78.38 13. o que lhes conferia considerável qualidade ambiental. Santana.32 70.947 263.213 2.778 382.704 3.850 277.15 24. Casa Forte.48 66.01 98.

739 habitantes. 4.229 domicílios.750 2.41%.178 habitantes no bairro de Monteiro. com uma taxa geométrica de crescimento anual no período de 2.796.276 1. equivalendo a 38% do percentual populacional de Recife em 2010.4 Densidade demográfica No contexto da distribuição da população por faixa estaria. Censo Demográfico 2010.769 15 a 69 anos 5.002 604 1.537. o Bairro de Monteiro já enfrentava uma diferença da demanda em relação à oferta com uma população residente de 4.565 3. Secretaria de Controle e Desenvolvimento Urbano e Obras. houve do ano 2000 para o ano de 2010 um crescimento absoluto de 1.01 Tabela 6 .742 domicílios.1.2010 2.685.21 0.175 domicílios.110.54 0. Censo Demográfico 2010.917 residentes para 1.905 1. em 2000.035 70 anos ou mais 603 104 315 238 84.547 % sobre Recife 2000 2010 0.288 1. o Bairro de Monteiro apresenta o maior percentual na faixa etária de 14 a 64 anos (69.537.739 5 917 5.00 Crescimento Absoluto 2000 .858 4.47 100.275 -480 1.Diferença entre a população de 2000 e 2010 e taxa média de crescimento geométrico anual FONTE: IBGE.616 114.750 321 922 834.População residente por grupos etários e população ignorada.982 Taxa média geométrica de crescimento anual (%) 2000 .917 7.739 pessoas para 1. sobre esse aspecto da faixa etária.422. Elaboração: PCR.256.38 0. entendendo-se aqui que se trata de um bairro em processo de envelhecimento. (*) População residente.690.44 0. encontra a situação de 5.2010 4.382 429.254 6. Até o ano 2000.224 170. Em 2010.690. .448 0 a 14 anos 1. gerando na atualidade uma diferença de 4. segundo bairros FONTE: IBGE.704 3.131. Diretoria de Informações/Assessoria Técnica. Secretaria de Controle e Desenvolvimento Urbano e Obras.046 2 566 4.558 2.475 6 750 3.24%: População Residente Bairro Casa Forte Dois Irmãos Monteiro Sítio dos Pintos Total RMR Habitantes 2000 2010 4.31 0.178 1.78 1. E conforme pode ser observado.57 Do total populacional de 4.547 8.704 3.644 Tabela 7 .430 5.17 0. o Bairro de Monteiro acompanha a tendência da Cidade do Recife: População residente (habitantes) Bairro Casa Forte Dois Irmãos Monteiro Sítio dos Pintos Total RMR Pernambuco Total 6.337.566 5.20 -1. constitui-se pelos moradores em domicílios na data de referência do Censo. Elaboração: PCR.660 7 276 1. Diretoria de Informações/Assessoria Técnica. ficando a faixa etária de 0 a 14 anos correspondendo a 23.72% e 64 anos e mais com 6.33 0.97%).799 352.24 2.145 1.172 1.40 0.70 2.911 2.

que ocupa inclusive a terceira colocação no que diz respeito à valorização patrimonial de sua área. mas a qualquer destino não residencial que seja dado ao imóvel.210 827.5 Economia Situa-se numa Região aonde o comércio com a existência de shoppings.704 3.750 2.717.589.346 3.315 2.836 101.014 1.334.371 54.547 8.565.796.238 896.770 1.230.885 1.917 2.767 7.251 1.750 3. Censo Demográfico 2010.736 6.1.744.014 3.58 Com uma população totalmente urbana. de onde se infere que o mesmo situa-se numa Região valorizada imobiliariamente.885 1. galerias e serviços especializados potencializam os indicadores do IPTU comercial. tendo o 2º maior valor médio lançado do IPTU comercial.844 3.21%.681 827.340 3. Elaboração: PCR.781 - Bairro Casa Forte Dois Irmãos Monteiro Sítio dos Pintos Total RMR Pernambuco Total 6.315 3.566 5.276 1.713 3. ficando atrás apenas da RPA 06 (sul).713 3. respondendo por 17. Secretaria de Controle e Desenvolvimento Urbano e Obras.204 5.025 47.251 2.537.736.917 7.819 1. segundo bairros FONTE: IBGE.690.440 3.566 1.495 709.537.176 4. conforme dados da SEPLAM (2001): . 4.681.704 1.703 4.90% do IPTU comercial da Cidade do Recife. o bairro de Monteiro tem uma predominância de pessoas do sexo feminino.907. acompanhando a tendência da Cidade do Recife que possui um total absoluto maior de homens que o de mulheres: População residente (habitantes) Situação do domicílio e sexo Mulher Urbana Rural Total Homem Mulher Total Homem Mulher 3.052. Monteiro localiza-se entre os bairros com maior valor médio lançado para o IPTU comercial da RPA 03.276 3.495 709.241 847.448 Homem 3.953.997 Tabela 8 . o qual não se refere apenas a edificações destinadas ao comércio.736 1.População residente por sexo e situação de domicílio.781 7.819 1. A representatividade da Região em relação ao total da cidade totaliza 12.204 3. Diretoria de Informações/Assessoria Técnica.

81 1. (*) Inclusive.59 Total de imóveis Abs.60 4.083.IPTU não residencial: total de imóveis.30 28.176/96 . definidas pela Lei nº 16.83 0.873.70 809.80 39.3 Valor médio lançado (UFIR) 950.93 1.377.6 Macrozoneamento e importância histórica Sob a perspectiva do macrozoneamento estabelecido pelas Zonas de Diretrizes Específicas ZDE. dentre elas Cabocó.00 2. em uma área de 106.580. segundo RPA e bairros FONTE: PCR / Secretaria de Finanças.569.022. (%) 50. Além da ZEPH. 2001. os instituídos por exemplares isolados.23 Tabela 9 .68 0. artístico e/ou cultural que interessam à cidade preservar (SEPLAM.60 100. o Bairro de Monteiro abriga quatro áreas pobres. valor lançado e valor médio lançado. 2001) e o Bairro de Monteiro também possui tal realidade. Tais comunidades inserem-se no contexto das Zonas Especiais de Preservação dos Sítios Históricos .755. 4.21 0.Lei de Uso e Ocupação do Solo.70 129.69 0.IEP.08 1.12 5.18 RPA e Bairro RMR RPA 3 NOROESTE Casa Forte Dois Irmãos Monteiro Sítio dos Pintos 5.456. a Lei de Uso e Ocupação do Solo também considera como Imóveis Especiais de Preservação . mas também por seu local e valor urbano e pela história construída por cada uma das comunidades que coexistem em sua realidade de habitar.605 Valor lançado* UFIR (%) 48.50 661. taxas de limpeza pública e taxas de serviços diversos.037.877.ZEPH por possuir em sua área 24 sítios tombados do século XVIII em situação de preservação rigorosa. .00 2. Ilha Temporal.1.628. de arquitetura significativa para o patrimônio histórico.48 0.660 160 18 39 7 100. O Bairro de Monteiro é um bairro importante não apenas territorialmente por abrigar quatro áreas pobres das 112 existentes na RPA 03.32 0. Vila Esperança e Vila Inaldo Martins de Souza.950m2.

as ações de retomada da área se iniciaram através de muitos atritos: O atrito durou muito aqui. bater prego até o carro da polícia chegar. o qual ainda hoje ajuda a comunidade. . Pe. O cabeça e articulador da invasão foi um morador chamado Miminho. com o conceito de identidade nas ciências sociais e. mas era através dele o acesso para poder invadir e de forma programada.SEAPA.60 5 FORMULAÇÃO DO PROBLEMA Situam-se entre os atores sociais da presente pesquisa os moradores reassentados da Comunidade Vila Esperança. ela sentou e disse: Daqui eu não saio e ninguém me tira! Então aí só esse barraco ficou de pé. Foi assim. invadindo a localidade com 23 pessoas. e convivendo de forma harmoniosa. no contexto contemporâneo.URB. com o conceito de comunicação sob o referencial habitacional. o único barraco que ficou em pé foi onde tinha uma menina que tava grávida de oito meses. A construção da problemática da pesquisa passará pela história da Comunidade Vila Esperança. pegar pau. do papelão. todos os barracos. tinha uma delegada que encarnava! Uma vez ela entrou aqui dentro da Vila. que não mora mais na comunidade. mas já tinha a obra da alcatifa. nem de telha. Nos momentos de resistência a comunidade recebeu apoio de várias frentes: vereadores. botar lama. Relatos de moradora da comunidade indicam que tudo se iniciou em 23 de março de 1987. Edivaldo da Paróquia de Casa Forte. do compensado. Secretaria de Estado de Agricultura. às 20h. abordar a identidade em relação ao lugar de moradia. Não tinha nenhum barraco assim de madeira. mandou derrubar tudo. Aí saía os policiais dizendo: Pára tudo! Por sinal. para em seguida dialogar-se com a questão habitacional enquanto um direito. pegar tábua. a gente começava a fazer. por exemplo. A partir do momento em que o poder público tomou conhecimento da invasão. O agente social principal identificado no contexto de pesquisa é a Prefeitura da Cidade do Recife e suas instâncias de fomento voltadas à diminuição da vulnerabilidade social. a liderança comunitária da área e técnicos sociais do PREZEIS/ Empresa de Urbanização do Recife . Mandou derrubar tudo. derrubou tudo! A comunidade tem sua história forjada na resistência da luta pelo espaço de moradia e se tornou o que é hoje recebendo moradores de outras áreas como o Alto Santa Izabel. Pecuária e Abastecimento .

tem que ser pobre. refeitas por eles mesmos: “[. Desabrigados. mas ter uma moradia descente. que teve como primeiro presidente “Seu Roque”. 2º e 25º a “igualdade e dignidade para todos os . encaminhando-nos ao próximo tópico de construção da presente problemática: [. o pessoal daqui não são acomodados. mas também de sobreviver a todas as cheias do Rio Capibaribe.. nem todo mundo quer morar a vida inteira num lugar desse. apesar de o estatuto ter sido registrado em nome de Ismael.” As atividades culturais da comunidade sempre envolveram crianças e adolescentes na participação em grupos de dança ou no Museu do Açúcar. Os técnicos que tão andando por aí fazendo cadastramento. para 18 casas e tudo foi doado. A partir daí foi havendo articulações entre as pessoas e quando Ismael saiu da presidência da Associação Dona Elza assumiu. que tem casebres e que tem quartinho. luz e uma associação. permanecendo até hoje. E não se trataria de querer morar a vida inteira de forma não digna. em especial a do ano de 1975. mas sim de morar de forma digna por se tratar de um direito e é nesse sentido que se abordará a partir daqui a habitação enquanto um direito. ocasião em que os moradores tiveram que se abrigar na Escola Silva Jardim.] material e mão de obra. Então. a qual reivindica respectivamente em seus artigos 1º.61 Passados os momentos de agonia nas inúmeras resistências que se sucederam.. O direito à moradia vem sendo alvo de debate enquanto um direito fundamental desde a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DHDH) adotada e proclamada pela resolução 217 A (III) da Assembleia Geral das Nações Unidas.. Com o tempo. começaram a ser feitas casas com madeira reaproveitada e quem podia construía de taipa e apenas depois é que iam surgindo as construções de alvenaria. conforme relato de Dona Zelha. em 10 de dezembro de 1948.. tá vendo que tem casas. quando já se encontravam nas proximidades da área atualmente ocupada. Pelo menos. A luta da Comunidade Vila Esperança não se restringia apenas a ficar no local. receberam ajuda para a reconstrução das casas. trabalha.. que finaliza a história da comunidade descrevendo a situação de quando o habitacional atualmente entregue ainda não havia nem saído do papel.. foram eles que fizeram as casas. chegou o momento de serem desenhadas articulações que culminaram com a constituição de Comissões de Trabalho que trouxeram para a comunidade água.] O maior problema da Vila é cada um ter sua moradia decente que nem todo mundo tem.

o desenvolvimento de materiais ou programas educacionais e a formação de redes comunitárias. No Brasil. O acesso a uma habitação precisa responder a necessidades fundamentais relacionadas à segurança. haja vista que levar em consideração o alojamento como necessidade humana não significaria dizer que os governos devessem prover a todo o seu cidadão terra. a partir do momento em que também não se efetivam outros direitos que poderiam instrumentalizar o cidadão a conquistar o seu direito à habitação.org/index. 40 anos depois. alicerçando um estado democrático de direito12 embasado na cidadania e na dignidade da pessoa humana. por exemplo. o princípio da não discriminação” sem qualquer tipo de distinção e o “direito a cada ser humano a um padrão de vida condigno” e. tendo sido criado para ultrapassar a ideia utópica de transformação social e assumindo o objetivo da igualdade e tendo na lei um instrumento de reestruturação social. .hrea. tem-se um verdadeiro diferencial porque é a primeira vez que uma Carta vem assinalar os objetivos fundamentais do Estado com o intuito de efetivação da dignidade da pessoa humana na prática. orientadora e crítica). Acesso em 05 jun. nesse contexto. é momento de a Constituição de 1988 perceber o valor da dignidade da pessoa humana como valor essencial. fazendo-se perceber no texto da Constituição Brasileira enquanto uma preocupação com valores institucionais de tripla dimensão (fundamentadora. ações e atitudes voltadas para o respeito aos direitos humanos e que fomentem o desenvolvimento de comunidades mais pacíficas. por meio da tecnologia de cursos a distância online. estabelece-se uma chamada de responsabilidade ao Estado no âmbito de intervenções políticas que proporcionem meios e facilitem o acesso a moradias. à saúde e ao bem-estar. A Human Rights Education Associates (HREA) 13 traz à discussão a questão de que a garantia do acesso à habitação levanta questões complexas sobre até onde ir à obrigação governamental. a esse respeito. livres e justas. para que o exercício de morar possa ir além de um exercício de sobreviver. enquanto um direito humano que é. o que amplia de forma considerável o campo dos direitos e de garantias fundamentais. dando-lhe significado e principalmente unidade. agindo como fortalecedor da participação pública em inúmeros seguimentos. Em relação às Constituições anteriores. quatro paredes e um telhado. como a educação. conforme é ressaltado Piovesan (2009). Nele.php?doc_id=412>.62 seres humanos. 13 Organização internacional não governamental que apoia há mais de 15 anos a educação e a capacitação de ativistas e profissionais em direitos humanos. dedicando-se à melhoria dos processos de educação e capacitação que promovam o entendimento. Disponível em: <http://www. contudo. a democracia implica na solução da problemática das condições materiais de existência. 12 Estado Democrático de Direito tem no presente trabalho o entendimento de ser um elemento transformador da realidade que ultrapassa o aspecto físico de efetivação de uma vida condigna para o ser humano. 2012.

org/index. no seu art. desenvolvido em meio a valores. Um espaço que não deveria ser objeto de política ou visto sobre o prisma de ser uma mercadoria. mas que vai além e que vem sendo mencionado e reforçado em inúmeras instâncias internacionais. Acesso em 05 jun. infraestruturas básicas adequadas e localização adequada relativamente ao local de trabalho e equipamentos básicos . É um direito que busca por um padrão de vida digno. como o direito à família e ao descanso e lazer. como o Pacto Internacional sobre os Direitos Econômicos. Sociais e Culturais (CDESC). levando a uma interpretação da habitação enquanto “habitação condigna”. trazendo consigo o atendimento a outros direitos humanos. culturais e sociais específicos de cada Estado. segurança adequada. pelo PIDESC ou pelo CDESC.63 garantindo um alcance à satisfação de direitos no contexto dos fatores econômicos. Trata-se de um direito que contempla o respeito ao específico do ser humano no atendimento as suas necessidades de habitar. conforme é definido pela Human Rights Education Associates (2003): Habitação condigna significa [. 11º.tudo isto a preço razoável.php?doc_id=412>. iluminação e ventilação adequadas. esse direito se coloca com um significado amplo e ligado a outros direitos humanos considerados como fundamentais. inclusive. infraestrutura e equipamentos públicos.hrea. por exemplo. voltado a quem realmente precisa. reconhecendo o direito de toda pessoa a um nível de vida adequado e extensivo a todos. Sociais e Culturais (PIDESC) de 1966. A relevância da discussão se posiciona a partir da presença da mesma nos inúmeros documentos internacionais que têm fomentado o direito à habitação (HREA... espaço adequado. não se resumindo ao espaço físico.] privacidade adequada. com uma boa localização e que expresse a identidade e a diversidade cultural de quem é beneficiado. Nesse sentido. 2012. como a Convenção nº 97 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre Migração e 14 Disponível em: <http://www. Um direito. enquanto um espaço habitável que dispõe de serviços. . com o intuito de efetividade de tal direito. formas de viver e de identidade com a realidade de moradia. 2003) 14. não apenas previsto pela DHDH. a partir do momento em que se constitui como um lar. em sua Observação Geral nº 4. nº 1 e o Comitê dos Direitos Econômicos.

” 15 ..]. 166) tudo que está presente no ser humano que possa manter influência sobre os outros é considerado como matéria. se o ser humano enquanto detentor de elementos simbólicos. 6º) e finalizam-se em 2004. p.). não confere significado a tais elementos no sentido de se comunicar e se identificar. a satisfação desses interesses que segundo Simmel formam a base das sociedades humanas. No Brasil. Assim sendo. o histórico apresentado no Capítulo 2 mostrou que a efetividade de iniciativas e mecanismos que reforçam o direito à habitação de interesse social se inicia em 2000 com a Emenda Constitucional 26 (art.. a Agenda HABITAT e o Plano de Ação HABITAT (1996) a Declaração de Istambul sobre os Povoamentos Humanos (1996). dentre outras instâncias que estruturaram a base que justifica o reforço.. é sob esse aspecto. que se considera relevante analisar a Na definição de Simmel “[. A inefetividade do direito a uma habitação que responda às necessidades e expectativas de quem é beneficiado é algo a ser superado pelos governos. identificar-se com ele e.. já com o Estatuto da Cidade criado em 2001. levando-se em consideração os instrumentos legais que legitimam a qualidade e encontram-se embasados numa perspectiva de atendimento à cidadania e à dignidade da pessoa humana. ficará comprometida e. do FNHIS e do CNHIS. a qual só se torna fator de sociação15 apenas quando transforma o que a constitui (impulso. E responder a necessidades e expectativas é entender que a população beneficiada precisa se comunicar com o espaço habitacional recebido. que o fazem interagirem. etc. propósito. cabendo ao poder público e à sociedade em geral fazer com que tal direito seja garantido com plenitude.] sociação é a forma (realizada de incontáveis maneiras diferentes) pela qual os indivíduos se agrupam em unidades que satisfazem seus interesses [. o mero agregado de indivíduos isolados em formas específicas de ser com e para um outro.] “esses interesses formam a base das sociedades humanas [. a importância e valorização da questão habitacional..64 Emprego (1949). a Declaração de Vancouver sobre os Povoamentos Humanos (1976). nesse sentido. interesse. uma parte cobrando o que lhe é direito e a outra fazendo o que lhe cabe enquanto um dever. para Simmel (1983. a Declaração de Copenhaga sobre o Desenvolvimento Social e Programa de Ação (1995).. através da instituição do SNHIS. Entende-se. instâncias que realmente vieram estruturar um caminho já há algum tempo em construção. nesse sentido. que a satisfação de interesses no contexto social depende de uma significação que faz surgir a interação entre indivíduos na sociedade.

produzindo-se a partir de interações. cuja raiz localiza-se em idem. a identidade contextualiza-se como um elemento-chave da realidade subjetiva. É dessa forma que num olhar contemporâneo. 74).65 efetividade da interação das 16 famílias da Comunidade Vila Esperança em relação ao habitacional proposto pelo PREZEIS. aquele elemento do contexto social que faz a diferença no sentido de ser a partir dele que o indivíduo dialoga com a realidade em que vive e. Ciampa (1989) considera a identidade como algo em movimento. A partir do momento em que o indivíduo comunica-se com o espaço habitacional. comunicar-se com o ambiente e nesse contexto ir . porque se acredita que ao haver a comunicação. as mesmas refletirão tal identidade comunicando-se com os outros. da relação existente entre indivíduo e sociedade. que se modifica e se ressignifica no contexto social (p. A origem do termo identidade remonta o século XVII e provém do latim medieval indentitusátis. pois. um fenômeno social e não natural. correspondente a “o mesmo. a mesma coisa”. identidade registra aquela que especifica “um conjunto de características e circunstâncias que distinguem uma pessoa ou uma coisa e graças às quais é possível individualizá-la” (HOUAISS. Para Berger e Luckmann (2008). Estrutura-se e modifica-se através dos processos e das relações sociais nas quais o sujeito se encontra inserido. VILLAR. encontrando-se numa relação dialética com a sociedade. Dentre as significações possíveis. 2001). no contexto habitacional. tem-se o entendimento de que através da apropriação do espaço é possível dialogar. 230). concretizando-se o processo de identidade com a moradia. estabelece com o mesmo identidade. A identidade é. A questão da identidade é sem dúvida no contexto habitacional um dos elementos que conferem tanto a efetividade do direito quanto da sustentabilidade social do empreendimento construtivo. interagindo e confirmando-se os interesses satisfeitos. sendo a “identidade um fenômeno que deriva da dialética entre um indivíduo e a sociedade” (p. Sob o prisma da representação social. identificar-se com o espaço de moradia torna-se fundamental para que o mesmo se mantenha sem ser objeto de repasse ou depredação. sendo entendida como o próprio processo de identificação.

os quais estão relacionados com a variedade e complexidade dos lugares físicos que definem a existência cotidiana de cada ser humano” (PROSHANSKY apud PONTE. ideias. sentindo. este que precisa se comunicar com o espaço. As relações que as pessoas mantêm com os espaços que habitam exprimem-se no dia-a-dia pela forma de uso. 113). com o que aprendeu.66 se construindo ao mesmo tempo em que se contribui para a construção ativa do contexto. reconhecimento. A identidade com o lugar também vem a ser conceituada como um elemento que advém da identidade pessoal. Prosseguindo com a importância que o espaço assume na vida das pessoas. que tanto passa a exercer a sua função quanto perdura pelo cuidado que cada morador passará a lhe dispensar. Acredita-se. definindo dessa forma o seu espaço social (Bourdieu apud Teixeira. p. refletindo-se em . 146). com os quais se identifica. 112). p. com tais cognições representando “memórias. sentimentos. atitudes. que ao ser apropriado. 112) considera que o projeto arquitetônico destinado à habitação precisa ser ordenado. 2004. A partir do momento em que passa a haver identidade com o espaço habitacional. PASCUAL. significados e concepções de comportamento e experiência. com o que foi bom ou ruim e através de atitudes e significados que lhe conferem reconhecimento. 351). dimensionado e equipado de forma a cumprir com a função social que possui. fazendo com que as relações cotidianas se reconheçam (TEIXEIRA. valores. considerando a questão da identidade com o mesmo. apropriando e vivendo através do corpo. Teixeira (2004. BONFIM. a identidade de lugar tem a ver com o que cada ser humano constrói através do seu passado. p. pensando. Nesse sentido. 2006. num processo de construção recíproca (Sève apud Mourão e Cavalcanti. permitindo a interação das comunidades com o lugar. constituído por cognições a respeito do mundo físico aonde o indivíduo se encontra inserido. 2009. o espaço habitacional constitui-se de propriedades que definem sua posição pela relação que ele próprio tem com os outros lugares e pela distância que o separa dos demais. p. p. ainda. o mesmo passa a ter um outro significado e com isso valor subjetivo que só fortalece a sua sustentabilidade social. 2004. condições mais simples.

67 seu comportamento frente a esse espaço e modificando-se de acordo com a complexidade que cada espaço tem no seu dia-a-dia. quando chegou aqui. tá entendendo?. era um salão só. Chegava fim de tarde eu num tinha nada o que fazer acaba minhas coisa todinha... E para formular a problemática da presente pesquisa. por este motivo a abordagem da identidade com teóricos das ciências sociais e contemporâneos a cerca da identidade em relação ao lugar de moradia.. óia eu vivia chorando.] nunca assim.. ao ponto de a identificação com o mesmo e o comprometimento da possibilidade de comunicação constante que a moradora tinha na realidade anterior. mas dizer assim que eu tô bem. tinha a sala. há questões de melhoria relacionadas tanto à questão de segurança quanto do trabalho social que poderia fornecer maior reforço à sustentabilidade social do empreendimento. enquanto aspectos que fortalecem a necessidade de reflexão sobre ao invés de se fazer mais por menos. sei lá.. tá entendendo? Ou seja. se eu tiver aqui na janela aí passa um oi Dona Elza. que só pode ser efetivo se o beneficiário do espaço habitacional identificar-se com o mesmo... oi Dona Elza. não encaixa muito.. pela percepção de uso do espaço anterior e convivência com os outros moradores.. lá era diferente. mas assim. no sentido de enfrentar a racionalização de custos em detrimento da qualidade. mas sabia que eu ia entrando em depressão? . tá entendendo? O tempo todo!... era.. oi Dona Elza.. encontra-se no depoimento de Dona Zelha: [. fazer-se menos. sei lá. aí eu dividi no meio fez dois vão. morei num espaço bom.. é trepado. às quais serão tratadas nos resultados da pesquisa e nas considerações finais. sei lá.. era dormindo. aí eu me isolei. colocou-se como importante para tal fundamentação trazer a percepção da habitação enquanto um direito. todo mundo que subia e que descia oi Dona Elza. porque eu ali na frente (moradia anterior).. é uma conquista. aí eu ia botava a cadeira ali aí passava um oi Dona Elza. era um frio. no qual se pode observar essa questão identitária e de comunicação com o espaço habitacional. fiquei muito fechada assim. só tinha uma porta e uma janela. com a identidade sendo resgatada pelas memórias... Um momento da realidade de empírica. era uma agonia. aí eu vou passar o dia todinho aqui na janela? E lá não. mas melhor.. sempre o povo me procurava. Contudo. ou Dona Elza. não descia. ter se colocado de forma relevante no seu dia-a-dia.. . foi uma graça de Deus que recebi com muita luta. outro oi Dona Elza. prazer assim tô não. mas é “trepado”. o apartamento pra mim foi ótimo. o espaço é bom em relação ao anterior. a cozinha e o banheiro.

. ora de forma quantitativa. com a maioria dos entrevistados sendo do sexo feminino: Gráfico 8 . as quais se encontrarão identificadas no início da apresentação e/ou análise de cada resultado da pesquisa: Seção A . auxiliar de cozinha. esboçando um perfil educacional diversificado.Entrevistados por sexo Fonte: Pesquisa de campo Elaboração: o próprio autor. num contexto em que a mudança para a nova moradia não mudou o que ganhavam antes para o que ganham atualmente. consertos). 2012 Há na amostra desde pessoas que estudaram até à 2ª série (antigo ensino fundamental) a pessoas que estudaram até concluir o ensino médio. no contexto de adultos maiores de 18 anos. pensionista. Ao serem indagados sobre o que faziam para ganhar dinheiro teve-se no elenco de respostas: bico (pintura. respeitando-se a ordem de apresentação das seções presentes no Apêndice B. é de 36 a 76 anos de idade.68 6 RESULTADOS DA PESQUISA Os resultados serão apresentados ora de forma qualitativa. copeira que está no seguro desemprego. doméstica e vigia de condomínio.Informações gerais A faixa etária dos entrevistados.

percebendo-se que se entende por habitação social uma casa melhor. procurar um lugar seco naquilo tudo molhado pra colocar o meu pequeno de meses. que traz coisas boas.Associando conceitos Ao serem convidados para uma associação de conceitos a termos que lhes foram propostos os entevistados consideram a moradia anterior como não sendo boa. não possuem vínculo com organização comunitária nem de ordem política.69 Em sua maioria. uma porcaria. abafada. com melhores condições. havendo alguns declarantes da religião católica: Gráfico 9 . a uma moradia melhor. péssima. uma bênção e uma dádiva de Deus. sem alegria. conforme relato que segue: “Voltar para casa e enfrentar aquela goteira pelo vão inteiro. a noite inteira. ruim. à segurança e ao bem estar.” O conceito de casa esteve associado a algo que não tinham antes. à dignidade. pequena/apertada. Retornar para casa era fazer passar um filme na mente.. Seção B . à decência. tratado como bênção ou dádiva de Deus. que lhes remetia a sofrimento. triste. com conforto. uma moradia melhor.. os entrevistados são da religião evangélica. a um abrigo. considerando-se o perfil dos entrevistados em sua maioria evangélicos. com o cuidado de os escorpiões não chegarem nele . com calor e que não servia. 2012 Com exceção da associação da própria comunidade. percebendo-se através do discurso que eles entendem por casa algo bom e que faz bem e logo se a realidade anterior era tão péssima eles não possuíam uma casa e consequentemente eram cidadãos não atendidos em sua cidadania sob esse aspecto. .Entrevistados por religião Fonte: Pesquisa de campo Elaboração: o próprio autor. Habitação social foi associado a algo melhor. à casa atual que é uma maravilha.

tu vai morar com tudo direitinho (Josefa pergunta. 2012 Ao serem solicitados para associação do termo vizinhos. limpeza. dentre outras questões a serem levantadas nas considerações finais do presente trabalho. Gráfico 10 . tu vai morar em apartamento Josefa. unida. houve a associação a tudo de bom numa identificação com o que há de melhor. e vou Zelha?). boa e ótima. mas sempre esteve presente o sentido de comunidade e cuidado também com o outro. . Josefa faleceu 7 meses após se mudar para o habitacional em Monteiro. A comunidade foi considerada como tranquila. que não poderia ser diferente considerando o histórico de luta e união que essas pessoas tiveram para se tornar o que são enquanto grupo. numa identidade e lealdade que se construiu por anos. jardim. amigos e especiais. família. praça (um dos equipamentos de lazer não entregues com o prédio) e respeito ao ser humano.70 Para o termo identidade. tu vai ver!” Vê-se aqui o sonho sendo compartilhado e vivivo junto ao outro. enquanto elementos de identificação com os mesmos. a maioria nada teve a dizer considerando os vizinhos ótimos. unidos. Nessa ocasião. vai sim Josefa. eu te prometo. mas houve nesse contingente quem considerasse que ninguém é perfeito e uma outra parte dos entrevistados considerando os vizinhos reservados e que todos são bons. a exemplo de depoimento de Dona Zelha falando com Josefa (já falecida): “Olha Josefa. mas relacionado a pessoas externas à comunidade e em função da área do prédio que não se encontra delimitada. percebe-se o cuidado e a reserva nas respostas. hoje quem reside no apartamento é o seu marido. que inclusive foi criado pelos moradores do prédio.Associação com o termo identidade Fonte: Pesquisa de campo Elaboração: o próprio autor. ao próximo. A única exceção as aspectos levantados para o termo comunidade foi o assalto recente.

bom porque trouxe paz à vida (ter saído da realidade anterior) e rápido.. com o desejo de que Deus conserve e que tenha por aí para mais irmãos que precisarem. tudo de melhor. ótimo. e de forma geral como seria para eles. João da Costa esteve na comunidade para realizar a entrega do habitacional e quando as chaves chegaram nas mãos dos moradores foi o maior alvorosso: “Olha. considerando pontuações de entrevista realizada com Dona Zelha. alegre e perto de tudo. uma dádiva de Deus.71 Na associação com o termo lugar.Associação com o termo lugar Fonte: Pesquisa de campo Elaboração: o próprio autor. bem rápido ao ponto de Dona Zelha que idealizava mudar-se com calma quando menos esperou. Sobre esse aspecto. verdadeiro abrigo. quando eu vi ia passando o sofá. 2012 O termo reassentamento e entenda-se nesse caso como sendo o processo de reassentamento (porque assim foi explicado no momento da entrevista).” Sobre a moradia atual.. houve na verdade uma confusão no entendimento dos entrevistados que perceberam lugar como o local aonde moram e não o termo isolado. ficou associado a ter sido ótimo. uma bênção. Gráfico 11 . pois eles moram num local central e altamente valorizado mercadológica e imobiliariamente falando. foi uma danação da gota. e daqui a pouco a geladeira. sadia. Uma moradia que lhes traz segurança e bem estar. melhor. na cabeça e do jeito que dava para ser. aonde se encontra diversão. . identificou-se que a prefeitura não arcou com as despesas de mudança. haja vista que os móveis. a grande maioria dos entrevistados a considera excelente. O que de fato procede. bom de viver. equipamentos e utensílios dos moradores foram carregados por eles mesmos. Em relação ao local no qual se encontram inseridos o mesmo foi considerado como legal. E foi rápido sim. e daqui a pouco as coisas todinha e quando eu vi tinha me mudado.

Gráfico 12 . É possível que ter ido para a realidade atual. com momentos bons e ruins. tenha possibilitado um desgaste natural nas relações. ainda não lhes forneceu subsídios no sentido de a identidade presente ser questionada. a percepção que se teve na realidade empírica pelos discursos foi a de que na realidade anterior a comunidade se reunia mais. contudo. . Reflete que a organização do espaço minimizou os conflitos e com isso certamente eles passaram a se relacionar melhor. Como houve no contexto da comunidade a permanência no local de origem. nos dois casos pela grande maioria dos entrevistados. o que foi um benefício considerável e um respeito às histórias de luta construídas com o tempo. a relação foi identificada apenas como solidária. mais organizada espacialmente e com regras que não existiam na realidade anterior. para pouco mais de um ano de moradia.72 Esse aspecto de satisfação. independente de não considerar peculiaridades do exercício de morar da comunidade. mas acredita-se que seja uma questão de tempo e ajuste a essa nova realidade. houve o indicativo de a mesma ser solidária.Processo de mudança e comparação do antes com o depois Indagados no que diz respeito à relação de vizinhança na moradia anterior. Na moradia atual. Em relação à frequência com que moradores. não se tem uma mudança significativa da realidade anterior para a atual. vizinhos e amigos se reunirem foi declarado pela maioria que não mudou.Associação com a moradia atual Fonte: Pesquisa de campo Elaboração: o próprio autor. com a ressalva de que existem conflitos em qualquer sociedade. 2012 Seção C . remete-nos à indagação de que a realidade aterior seria péssima e traumatizante ao ponto de o imóvel recebido.

2012 Apesar da declaração de terem estado preparados para a nova realidade de gastos. Conforme será indicado nas considerações finais. a mesma era composta de vãos que se dividiam. de água e esgoto. Quando indagados sobre desenvolver atividade comercial na realidade de moradia anterior. o prédio já tem apresentado problemas de manutenção e acrescente-se que até o momento a cobrança dos serviços de energia e água potável ainda não foi regularizada. tendo sido afirmativa a resposta do entrevistado que . o entrevistado que declarou que pesou um pouco trabalha com artesanato e atualmente encontra-se parado em função da impossibilidade de aquisição de matéria-prima. Quando perguntados sobre estarem preparados para os gastos que a nova moradia trouxe a grande maioria declarou que sim. de água e esgoto para alguns atendia e para outros não. a grande maioria declarou que não. tendo havido quem declarasse que pesou um pouco: Gráfico 13 .Sobre o preparo para os novos gastos Fonte: Pesquisa de campo Elaboração: o próprio autor. bem como a definição de endereço do habitacional que atualmente possui junto aos CORREIOS três endereços que direcionam as correspondências para o prédio. Na moradia atual. de uma forma equilibrada. tem-se a realidade de 5 cômodos.73 Indagados sobre como era a moradia anterior fisicamente falando. considerando-se a área de serviço e o atendimento para todos os apartamentos das redes elétrica. questão que um bom trabalho social poderia ter resolvido e encaminhado. até em função de já estarem acostumados com tais gastos na moradia anterior. banheiro quando existia era pequeno e as redes elétrica.

2012 Perguntados sobre a Prefeitura da Cidade do Recife ter empreendido algum tipo de trabalho social ou capacitação profissional os entrevistados foram unânimes em dizer que não.74 trabalhava com artesanato e que hoje não trabalha mais desenvolvendo sua atividade.Investigando o trabalho social desenvolvido Fonte: Pesquisa de campo Elaboração: o próprio autor. 2012 . Gráfico 15 .Investigando a atividade econômica Fonte: Pesquisa de campo Elaboração: o próprio autor. Gráfico 14 . mas quando puder voltará a desenvolvê-la.

Seção D . precisa ser revista. num outro momento. ou essa relação entre o PREZEIS e o Programa Capibaribe Melhor tem confundido os papéis no desempenho do trabalho social que deve ser destinado aos já reassentados e àqueles já cadastrados que ainda o serão. liberdade e na realidade anterior perdeu-se o convívio com amigos. Ganhou-se na realidade atual segurança (do ponto de vista de a habitação atual resguardar melhor a família). garagem. na realidade anterior tinha-se o contexto de problemas respiratórios. até porque até aonde se pode verificar a presença de técnica social pelo PREZEIS no escritório social recentemente instalado. o qual atenderá ao Programa Capibaribe Melhor. mas essas são questões a serem esclarecidas. parque. uma idosa de 76 anos. conforme já ressaltado. mais limpeza no prédio. no que diz respeito ao PREZEIS. Quando arguidos sobre o que mudou na vida deles em relação aonde morava antes e a moradia atual. afirmadas ou não. de forma que houve ganhos mas também perdas. maravilha em relação ao lugar aonde estavam. sadio. satisfação de morar e aonde Dona Ana inclusive parou de ter problemas respiratórios. a não ser com a família. Contudo. privacidade. e não algo que tivesse partido de uma política municipal. tal verificação surge como alerta. para a realidade atual ser completa ainda faltaria: ser murado.Investigando a identidade Os entrevistados residiram na moradia anterior entre 5 e 23 anos e a maioria dos entrevistados não sentirão saudade da realidade anterior. aonde o trabalho social é sistemático e constante. Ou a política municipal de atendimento ao social.75 Apesar de o recurso advir do PREZEIS. caracterizado como terrível pela entrevistada. terminar a frente do prédio . segurança. E o lugar escolhido pela Prefeitura do Recife atendeu às expectativas pela permanência no local. A quantidade de pessoas que moravam na realidade anterior é a mesma da moradia atual para a maioria dos entrevistados e a maioria também não fez novas amizades. visto que nada do que tinha lá deveria ter na realidade atual. pois grande parte dos amigos da moradia anterior são os mesmos na moradia atual. tranquilidade. foi uma exigência da comunidade. jardim. o que foi declarado por todos eles. lugar limpo. expectativa. Na realidade atual tudo é melhor. sendo praxes dessa sistemática os técnicos da URB-Recife sempre estarem presentes na área. ressalva apenas para um dos entrevistados que declarou não ser de estar com muita amizade.

área verde e área de lazer para caminhar. O cuidado com o lugar se dá com alguns cuidando do seu. Diferentemente da realidade atual. a presença de escorpiões. quando comparada à anterior. namorar. o que na realidade anterior não ocorria. num contexto em que o espaço é mais cuidado pelos homens e mulheres adultos dentre os reassentados. um beco de acesso muito apertado com pessoas bebendo no meio da rua. donos ou donas de sua própria casa. um elemento bem presente na história de lutas dos que fazem a Comunidade Vila Esperança. segura e bem melhor que a realidade anterior. mas em geral a falta de privacidade. de forma que sentir-se bem tem remetido sem dúvida à moradia atual. com um critério de cada grupo de moradores por andar. outros como Da Luz (jardim) ou Irmão Ravi cuidando também de áreas comuns ou com o cuidado sendo realizado por grupos. O sentimento de comunidade é o mesmo da realidade anterior. A esse respeito. Incluírem-se na nova realidade. Ressalva apenas para um dos entrevistados que considerou que se arrumasse um emprego seria melhor. confiantes. O que marcou a realidade anterior foram os problemas respiratórios já solucionados para Dona Ana. eles não poderia deixar de se sentirem mais pertencidos e satisfeitos em relação à moradia atual. o que existe na realidade é um documento da Prefeitura dando-lhes o direito de uso por um período de 50 anos. as goteiras dos dias de chuva. Nesse sentido. de uma moradia com um bom ambiente. felizes e satisfeitos. o cuidado com o lugar também se dá por moradores de cada andar. uma forma de morar que safisfaz. . enquanto uma vitória que Deus lhes proporcionou. muito embora tenha havido quem declarasse que só existia na realidade anterior porque lá todos passavam a mesma situação e agora isso mudou. do seu próprio espaço foi para os entrevistados sentirem-se um pouco mais dignos.76 quando as casas que se encontram atualmente na área frontal saírem. conversar e falar dos momentos bons e ruins. Houve quem declarasse que da realidade anterior sentiria saudade da superação das dificuldades. contextualizando um ambiente muito ruim. houve quem declarasse não se sentir dono do apartamento em função de eles não possuírem a posse do terreno. Coletivamente.

com boa localização. mas houve quem declarasse que venderia para melhorar de vida indo para um lugar melhor. Quem declarou que não faria do mesmo jeito foi em função do aspecto de ilegalidade que originou a ocupação. terminar os estudos e fazer um curso de turismo para melhorar de vida mais ainda. . a grande maioria declarou que não. que a sociedade é complicada de se entender. Mais um alerta para a questão de acompanhamento do trabalho social que seria o elemento que daria conta de tal questão. que o prefeito e o governo façam mais casas pois quantas mais melhor.77 A grande maioria teria tido o mesmo envolvimento e faria do mesmo jeito para obterem o benefício da casa própria. Perguntados sobre ampliar ou modificar. algo melhor para viver. Quando indagados sobre se venderiam a casa deles. a não ser que fosse para comprar uma casa maior e melhor. O benefício do apartamento para a maioria foi uma bênção divina e por tudo que já passaram não o venderia. o desejo dos entrevistados é o de que cada um da comunidade tenha a sua casa para ficar. Indagados sobre se os vizinhos venderiam e o por quê. E sobre os planos para o futuro. aposentar-se para abrir um negócio próprio. Houve entrevistado nesse contexto que acredita que vizinhos venderiam sim sua nova moradia para comprar uma casa melhor. a maioria declarou que não mas houve que declarasse que muitos já pensaram. que de repente por uma doidice isso seria possível. houve na maioria a declaração de que não podia e um dos entrevistados declarou que gradearia e colocaria cerâmica. uma forma de renda para não depender da filha. um futuro melhor para os filhos.

. há famílias com sete e até oito moradores por apartamento. dá-se porque na área aonde serão construídos os prédios restantes não comportará a construção de mais prédios para que se possam abrigar mais comunidades. Na presente análise. possibilitada através do PREZEIS que por força de lei legitima a participação das comunidades com o incentivo de permanência nas áreas de origem. possui dois elementos relevantemente positivos: a permanência no local de origem e o assentamento apenas de moradores da Comunidade Vila Esperança no habitacional que será construído posteriormente.78 CONSIDERAÇÕES FINAIS A proposta habitacional possui configuração construtiva que já foi alvo de crítica da academia na área de arquitetura e urbanismo. que se situa numa média do metro quadrado construído para a habitação de interesse social no Brasil. 2004). mantendo a mesma configuração construtiva padrão e fazendo existir no mesmo habitacional um prédio que será diferente dos demais. reforçando há décadas um padrão que já não atende a necessidades específicas de quem é beneficiado com habitações de interesse social. Os apartamentos aonde residem as famílias que foram objeto de análise da presente pesquisa possuem uma área de 42m2. mesmo havendo estudos que mostram que a coexistência de comunidades normalmente não é positiva para a sustentabilidade de um empreendimento de interesse social. gerando uma situação de 5m2 por habitante. p. num redimensionamento de projeto que diminuiu o tamanho da habitação individual para que se pudessem construir mais habitações. a exemplo dos Conjuntos Habitacionais Goiânia e Araguaia em Belo Horizonte (TEIXEIRA. Um exemplo prático da ausência da participação da comunidade encontra-se no fato de que os prédios restantes que comporão o Habitacional Vila Esperança serão construídos com recursos do Programa Capibaribe Melhor e terão uma área de 36m2. justamente em função de sua tipologia com prédios em bloco “H” (LOIOLA. contudo. mas nenhum dos elementos indicados acima reflete uma política municipal ou um planejamento de gestão. Na verdade. mas certamente tal dimensão foi o resultado da participação da comunidade no processo. E o fato de haver a previsão de os reassentados do Habitacional Vila Esperança serem apenas moradores da comunidade que lhe dá nome. 60). algo bem distante da média de 10m2 por habitante vivenciada aqui no Brasil. a permanência no local se deu em função da participação popular no processo de gestão. 2011.

O primeiro prédio entregue o foi sem quaisquer elementos de infraestrutura e desprovido de muro ou cerca. porque os mesmos estariam previstos com a construção dos prédios restantes do habitacional. A diferença visual e construtiva (tamanho/m2) do primeiro prédio entregue em relação aos demais do habitacional talvez venha a ser objeto de questionamento futuro. em julho do ano passado. que reproduz um modelo construtivo que não levou em consideração a realidade de vida da . tratou-se mais de uma questão política do que de comprometimento da gestão. é uma realidade da área aonde se encontra construído o primeiro prédio do Habitacional Vila Esperança a existência de duas origens de recurso possibilitando as intervenções: uma foi o PREZEIS com a construção do prédio já entregue e a outra será o Programa Capibaribe Melhor que prevê tanto recursos da Prefeitura do Recife quanto do Banco Internacional para a Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD). O acesso à frente do prédio ainda se dá através de um corredor estreito porque a área que seria a frente do prédio ainda não foi desapropriada e a ausência de corrimões na escadaria só será solucionada quando se iniciar a construção dos prédios restantes do habitacional. alimentando a segregação comunitária de moradores de um prédio em relação aos outros. trazendo uma realidade detentora de elementos complicadores. os quais serão custeados pelo Programa Capibaribe Melhor que ainda se encontra em fase de andamento. os quais poderiam ter sido combinados. Apartamentos de um prédio (PREZEIS) maiores que outros (Programa Capibaribe Melhor). O resultado foi a entrega de um projeto não acabado. mas nos parece que a entrega do primeiro habitacional com recursos do PREZEIS. sem contar no investimento que os moradores do primeiro prédio tiveram para cercar a área com estacas. conforme segue abaixo: Um prédio (o primeiro que foi entregue) que será diferente dos demais prédios do habitacional.79 Nesse sentido. que os outros moradores que receberão os prédios restantes do habitacional não terão. que trouxe custos à comunidade. O fato de a área envolver a realidade de mais de uma origem de recurso foi determinante para esse desalinhamento na execução de projetos.

que poderia interferir diretamente na sustentabilidade do empreendimento. A proposta habitacional objeto de nossa análise. houve um assalto na entrada do prédio porque o portão de acesso se encontrava aberto e por mais que se tenha conhecimento dos perigos possíveis e da orientação de se manter o portão fechado. Recentemente. desde que o prédio foi entregue. ao se comparar a realidade anterior com a atual tem-se um contraste gritante. visto que pelo PREZEIS o mesmo é sistemático. que por ser assim nos coloca dificuldades para perceber na realidade empírica a questão da identidade com o espaço habitacional atual. sempre ocorre. por exemplo. já que o imóvel . aterrorizador em alguns casos.80 comunidade beneficiada e que atualmente. Também é resultado dessa realidade o contexto de acompanhamentos sociais diferenciados. Certamente. a exemplo dos registros de água que são todos aparentes e no caminho das escadas que. ele sempre está aberto e essa é uma questão que um regimento construído coletivamente já poderia ter resolvido. tanto no contexto do PREZEIS (sistemático) quanto no do Capibaribe Melhor (pontual) entende-se que precisem ser repensados do ponto de vista do pós-ocupação considerando que os depoimentos obtidos na realidade empírica não indicam em momento algum. com uma estrutura construtiva de isolamento. sem muitas possibilidades de interação entre os moradores. os técnicos sociais da URB-Recife sempre estão nas áreas e pelo Programa Capibaribe Melhor será pontual com a instalação dos escritórios sociais naquele momento específico. Sem dúvida um acompanhamento social para a construção de um regimento próprio. a realização de atividade específica ou até mesmo de acompanhamento das famílias reassentadas. continuado. podem levar à realidade de acidentes graves. de forma comunitária e de acordo com a realidade da comunidade. com pouco mais de um ano de uso. instrumento que enquanto não é aprovado faz com que os moradores tenham que lidar com situações para as quais o elemento de ordem trazido pelo regimento teria dado solução. evitaria transtornos que com o passar do tempo poderiam tomar uma proporção não desejável para a convivência comunitária. sem corrimões e sem adesivos antiderrapantes. já enfrenta problemas de manutenção com infiltrações e entupimentos de pia. O trabalho social. Um exemplo da ausência de tal acompanhamento é a existência do regimento interno do prédio que não foi construído juntamente com os moradores e sobre o qual eles não conseguem ter entendimento sobre partes ou termos. reflete a necessidade de um melhor acabamento.

É por isso que se acredita que programas de incentivo. levando à necessidade de um maior investimento de tempo e até mesmo financeiro. dotada de certo distanciamento e cuidado. voltados tanto para a elaboração de projetos em todas as esferas (municipal. Leve-se em consideração ainda uma família que declarou não haver interesse em participar da pesquisa e uma outra que na verdade não tinha condições. É claro que para o desenvolvimento de tais projetos seriam fundamentais tempo e investimentos suficientes que possibilitassem estudos criteriosos. com exceção da líder da comunidade. com a filha que durante o dia exerce atividade laboral externa à sua residência. visando mesmo um aprendizado do conhecimento e saber local das áreas a serem atendidas.81 recebido apesar de todas as colocações postas acima. tratava-se da família do Sr. percebeu-se a necessidade de um trabalho de base que antecedesse o momento com as famílias. A ausência desse trabalho de base impactou na qualidade dos depoimentos e na postura dos entrevistados que. mas o que se espera é que tal maravilha esteja permeada do que é necessário para se gostar dela. estadual e federal) quanto para a sua elaboração com inovação. Para a finalidade da pesquisa. encaminhar-nos-ia a isso. sejam uma forma de dar continuidade à trajetória da habitação de interesse social com qualidade. considerando as situações de insalubridade e riscos de saúde pelos quais muitos moradores passaram. No que concerne aos limitadores da pesquisa. a partir do momento em que o trabalho com grupos focais. de forma que as percepções relacionadas à .” E de fato o é. mantiveram-se em uma postura bem formal. visto que se trata de uma habitação que não faz sentido de ser se não exercer a sua função com sustentabilidade. Nildo que recentemente foi acometido por um AVC. Pensar a habitação de interesse social é refletir sobre a necessidade de se conhecer a realidade de seus beneficiários. que ela seja uma maravilha porque efetivamente há identificação com ela e não porque desesperadamente se precisava e “pelas graças de Deus” se conseguiu. é considerado como “uma maravilha de Deus. por exemplo. nas ocasiões em que se esteve em campo 50% dos apartamentos não puderam ter moradores entrevistados em função de os mesmos não se encontrarem em casa. buscando inclusive o apoio da área de arquitetura.

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identidade com o lugar de moradia pensadas no início da pesquisa se confirmaram no discurso de apenas alguns entrevistados. Acredita-se, ainda, que o tempo de moradia recente ainda não possibilitou a construção de elementos que alimentassem questionamentos por parte da maioria dos moradores em relação à identificação dos mesmos com o espaço de moradia atual, principalmente quando confrontado com a realidade trágica da moradia anterior. Tudo isso atrelado ao trabalho de base mencionado anteriormente que não ocorreu, não possibilitou um aprofundamento da questão, que sem dúvida poderá ser explorada em outros níveis de pesquisa. A presente contribuição é mais uma gota no oceano ou um dos beija-flores tentando apagar um incêndio na Floresta Amazônica, mas é a percepção do fazer a nossa parte, a certeza do contribuir com o que é possível, o que fez a presente pesquisa relevante. Para a sociedade, fica a intenção e o registro da necessidade de se valorizar não a habitação de interesse social, mas o ator social enquanto ser humano, seus valores, seus hábitos, seu convívio social, sua realidade de vida, com tal ator se percebendo nesse contexto e reivindicando o que lhe cabe enquanto um direito social constitucionalizado.

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REFERÊNCIAS
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como sujeito. se coloca como necessária a aplicação de roteiros de entrevista individuais com os moradores dessa Comunidade. os procedimentos nela envolvidos. sem a necessidade de justificar ou sem que isso me traga qualquer prejuízo. em Recife/PE. demonstram comunicação com o imóvel recebido. O sujeito poderá se recusar a participar do estudo ou retirar seu consentimento a qualquer momento. 2012. garantido que posso retirar o meu consentimento a qualquer momento. também. casos os moradores concordem. transcritas e. em Recife/PE. tempo necessário para a realização da entrevista. Rita de Cássia Alcântara Domingues da Silva Telefones para contato: (81) 8673-4287 / 3039-0253 / 3202-9383 Detalhamento inicial: o trabalho tem por objetivo analisar se o os beneficiários do apartamento em prédio tipo caixão entregue às 16 famílias da Comunidade Vila Esperança em julho de 2011. assim como os objetivos decorrentes de minha participação. caso o sujeito entrevistado concorde.86 APÊNDICES Apêndice A . que será submetido à Banca Examinadora da Coordenação do Curso de Bacharelado em Ciências Sociais da Universidade Federal Rural de Pernambuco. entrando em contato com o pesquisador através dos telefones (81) 8673-4287 / 3039-0253 / 3202-9383. em seguida. . A pesquisa não gerará qualquer gasto ou ganho financeiro para aqueles que dela participarem. Recife. As respostas serão analisadas e a identidade dos participantes identificada através do seu 1º nome. As entrevistas serão gravadas. Local e data: Recife. Dra.” Pesquisador: Paulo Fernando Medeiros Epaminondas Orientadora: Prof. se os beneficiários se identificam satisfatoriamente com a nova forma de morar. Os resultados da pesquisa serão incluídos no Trabalho de Conclusão de Curso (Monografia) do pesquisador. abaixo assinado.Termo de Consentimento Livre e Esclarecido INFORMAÇÕES SOBRE A PESQUISA: Título Provisório do Projeto: “HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL: a comunicação do beneficiário com o objeto recebido na perspectiva da identidade construída com o lugar. ________________________________________________ RG nº _________________. Fui devidamente informado e esclarecido sobre a pesquisa. no Bairro de Monteiro. em Recife/PE. a qualquer tempo. Esclarecimentos adicionais: a participação de cada um dos sujeitos na pesquisa poderá durar aproximadamente 60 minutos. sem precisar justificar e sem sofrer quaisquer prejuízos. concordo em participar do estudo “HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL: a comunicação do beneficiário com o objeto recebido na perspectiva da identidade construída com o lugar. ____/____/2012 Assinatura do sujeito:__________________________________________________________ Elaboração: adaptado de modelos disponíveis na web. nem lhes trará benefícios diretos. sob o olhar de famílias reassentadas da Comunidade Vila Esperança no bairro de Monteiro. Ele também poderá solicitar. sob o olhar de famílias reassentadas da Comunidade Vila Esperança no bairro de Monteiro.”. Para isso. seu andamento e suas conclusões. apagadas. 30 de abril de 2012 Paulo Fernando Medeiros Epaminondas CONSENTIMENTO DA PARTICIPAÇÃO DA PESSOA COMO SUJEITO Eu. esclarecimentos sobre o estudo. Foi-me. Também poderão ser tiradas fotos.

MORADIA ANTERIOR a) ______________________ b) ______________________ c) _____________________ 9.Associando conceitos: 3 palavras que mais vem à mente quando eu falo 8.1 Tem filiação com algum partido político? Sim ( ) Qual?: ____________ Não ( ) SEÇÃO B . Deixar claro que a ajuda e a opinião do entrevistado é fundamental para o estudo no entendimento da consideração que o Programa Capibaribe Melhor deu à comunicação do beneficiário com o objeto recebido na perspectiva da identidade construída com o lugar. CASA a) ______________________ b) ______________________ c) _____________________ 10. Possui algum envolvimento político? Sim ( ) Como se dá esse envolvimento?: Não ( ) 7. Relação de vizinhança na moradia atual Solidária ( ) Com conflito ( ) Cada um na sua ( ) 19.Informações gerais 1. O que faz para ganhar dinheiro: ___________________________________________ 4. Relação de vizinhança na moradia de antes Solidária ( ) Com conflito ( ) Cada um na sua ( ) 18. IDENTIDADE a) ______________________ b) ______________________ c) _____________________ 12. Quanto ganhava/mês antes: R$ __________ Quanto ganha/mês hoje: R$ ___________ 5. LUGAR a) ______________________ b) ______________________ c) _____________________ 15.Explicar o porquê da entrevista: a monografia como estudo individual e o objetivo da pesquisa. Participa de alguma organização comunitária? Sim ( ) Qual?: ___________ Não ( ) 7.Processo de mudança e comparação do antes com o depois 17. VIZINHOS a) ______________________ b) ______________________ c) _____________________ 13. Frequência dos moradores/vizinhos/amigos se reunirem: .Roteiro de Entrevista Individual (Moradores) APRESENTAÇÃO . COMUNIDADE a) ______________________ b) ______________________ c) _____________________ 14. REASSENTAMENTO a) ______________________ b) ______________________ c) _____________________ 16. HABITAÇÃO SOCIAL a) ______________________ b) ______________________ c) _____________________ 11. MORADIA ATUAL a) ______________________ b) ______________________ c) _____________________ SEÇÃO C . Até que série estudou / estuda: ____________________________________________ 3. Morador(a): ______________ Apartamento: ________ Idade: ____ Sexo ( ) M ( ) F 2. SEÇÃO A . Qual a sua religião? Evangélica ( ) Católica ( ) Espírita ( ) Candomblé ( ) Umbanda ( ) Apenas creio em Deus ( ) Não acredito em Deus ( ) 6.87 Apêndice B .

88 Não mudou ( ) Reunem-se mais ( ) Reunem-se menos ( ) 20. Em caso afirmativo. SEÇÃO D . O lugar escolhido atendeu às expectativas de vocês? Sim ( ) Não ( ) Por quê? _____________________________________________________________________. do seu próprio espaço? 47. transporte. Está/Estava preparado para os gastos que a nova moradia trouxe? Sim ( ) Não ( ) 25. 24. Você se considera mais pertencido à qual moradia? Anterior ( ) Atual ( ). Esse trabalho cumpriu de verdade com o seu papel ou fez de conta? Cumpriu ( ) Fez de conta ( ) 32. Ao pensar na expressão “sentir-se BEM”. etc. 31. Algo marca sua moradira no lugar de agora? 44. O que marcou sua moradia no lugar de antes? 43. A forma de ganhar dinheiro precisou mudar por conta da nova moradia? Sim ( ) Não ( ) 28. Houve mudança significativa em relação a escolas. O que GOSTAVA de morar lá? 49. O que ganhou/perdeu depois de Estar aqui? Ganhei: ___________________________ Perdi: ____________________________.Investigando a identidade 38. 35. O que mudou na Sua Vida. 37. que utilizavam antes e que utilizam agora? Sim ( ) Não ( ) 21. em relação a onde morava antes e agora que mora aqui? 36. Você se sente satisfeito. o que faz pra ganhar a vida hoje? _____________________________________________________________________. A quantidade de pessoas que moravam antes: É a mesma ( ) Aumentou ( ) Diminuiu ( ) 33. ela remete mais a moradia: Anterior ( ) Atual ( ) 48. O que tinha lá que deveria ter aqui? 41. O que ainda falta ter aqui para ser completo? 42. Há quantos anos vivia na moradia anterior? _________. Fez novas amizades depois de ter vindo morar aqui? Sim ( ) Não ( ) 34. deu resultado? Sim ( ) Não ( ) Por quê? ___________________________. Sentirá saudade da moradia de antes? Sim ( ) De quê? ________________ Não ( ) 40. creches. Quantos dos antigos vizinhos moram neste prédio? ___________________________. 39. Como é a moradia atual: Nº cômodos: _____ Rede elétrica ( ) Esgoto ( ) Água ( ) Outro: _____________. 29. pertencido em relação ao apartamento que recebeu? 46. Desenvolvia atividade comercial em casa na antiga moradia? Sim ( ) Qual? ________________ Não ( ) 26. 45. dono ou dona de sua própria casa. Como era a moradia antiga: Nº cômodos: _____ Rede elétrica ( ) Esgoto ( ) Água ( ) Outro: _____________. postos de saúde. 23. Se houve mudança significativa. essa atividade continua sendo desenvolvida? Sim ( ) Não ( ) 27. era melhor atendido em qual realidade? Antes ( ) Atualmente ( ) 22. Como foi ou tem sido se incluir nessa nova realidade. Se sim. Em caso afirmativo. O que NÃO GOSTA de morar aqui? . supermercados. A Prefeitura empreendeu algum tipo de trabalho social ou capacitação profissional para vocês? Sim ( ) Qual? _________________________________________________ Não ( ) 30.

Acredita que algum vizinho venderia sua nova moradia? Sim ( ) Por qual motivo? _____________________________________________________________ Não ( ) 60. . teria tido o mesmo envolvimento? Sim ( ) Não ( ) 56. Pretende ampliar ou melhorar a nova moradia com o tempo? Sim ( ) Não ( ) 58. O sentimento de COMUNIDADE continua aqui na moradia do prédio ou só existia no lugar de antes? Continua ( ) Só existia lá ( ) Por quê? _______________________. 57. 51. Faria do mesmo jeito? Sim ( ) Não ( ) Por quê? ___________________________.89 50. 2011. Quais os seus planos e desejos para o futuro? Local e data: Recife. Venderia a sua nova moradia? Sim ( ) Não ( ) Por quê?______________________. Se fosse pensar no cuidado em relação ao lugar (individual e coletivo). Coletivamente. onde pode ser visto mais cuidado? Na realidade de antes ( ) Na realidade atual ( ) 54. Se soubesse que o processo de aquisição dessa moradia teria sido como foi. existe na moradia atual alguma atividade para o cuidado com o lugar? Sim ( ) Qual(is)? ______________________________________________ Não ( ) 55. 59. Como os moradores cuidam do lugar? Multirão ( ) Cada um cuida do seu ( ) Cada um ou cada grupo tem um dia ( ) 52. Quem mais se envolve no cuidado com o lugar? Homens ( ) Mulheres ( ) Crianças ( ) Adolescentes ( ) Todos ( ) Quem pode ( ) 53. ____/____/2012 Elaboração: modelo adaptado de SILVA.

Correio ( ) Creche(s) __________________________________________________________________. A casa ficará em nome de quem? ( ) Marido ( ) Mulher 6. 3. Ruas da comunidade: __________________________________________________________________. Foi realizada assembleia para apresentação do plano de execução de obras para a população situada na área do projeto? Sim ( ) Não ( ) . 1. Qual é a história da Comunidade Vila Esperança? Início e o porquê da ocupação Aspectos históricos e culturais. Jardins: __________________________________________________________________. Houve a organização de alguma comissão de acompanhamento social das obras? Sim ( ) Não ( ) 9. O lugar escolhido pela Prefeitura para a construção do Habitacional Vila Esperança atendeu às expectativas da Comunidade? Sim ( ) Não ( ) 5. Postos de saúde: __________________________________________________________________. Escola(s) __________________________________________________________________.90 Apêndice C . Apenas quem está nessa área será reassentado ou famílias de outras áreas também serão? 4.Roteiro de Entrevista Individual (Líder Comunitário) APRESENTAÇÃO . 2. caso existam Primeiros moradores: __________________________________________________________________. Número atual de moradores: ______. Deixar claro que a ajuda e a opinião do entrevistado é fundamental para o estudo no entendimento da consideração que o Programa Capibaribe Melhor deu à comunicação do beneficiário com o objeto recebido na perspectiva da identidade construída com o lugar. Houve a instalação de Escritório Social para suporte às famílias reassentadas? Sim ( ) Não ( ) 8. Formas de crescimento e produção do espaço/acesso Principais avenidas: __________________________________________________________________.Explicar o porquê da entrevista: a monografia como estudo individual e o objetivo da pesquisa. Houve trabalho social ou capacitação profissional por parte da Prefeitura? Sim ( ) Não ( ) 7.

Quantas visitas de acompanhamento foram realizadas pela Prefeitura desde julho/2011? 13. A comunidade foi informada sobre a possibilidade de contato com o Ministério Público ou outros (instâncias internas). Como foi o processo de remoção das 16 famílias para o prédio? 16. Como se deu a escolha das famílias? Aleatória ( ) Sorteio ( ) Para quem mais precisou ( ) 14. Foi realizada reunião com as lideranças comunitárias para informar sobre algum Plantão Social ou sobre as Visitas Domiciliares (instâncias internas). Houve consulta sobre o desejo de reassentamento das famílias? Sim ( ) Não ( ) 18. Algum encaminhamento do auxílio moradia para quem ainda será reassentado foi realizado? 20. a empresa de consultoria contratada e responsável pelas atividades do Plano de Reassentamento e a Unidade de Gestão do Projeto? 11. A Prefeitura arcou com os custos de mudança para o novo prédio? 17.91 10. Quais critérios nortearam esse 1º reassentamento? Sociais ( ) Políticos ( ) 15. Como se deu ou como está se dando até o momento a participação da comunidade nesse processo de mudança? 19. Há famílias cadastradas que já possuem moradia própria ou outras situações a serem mencionadas? . que seriam os canais de comunicação entre as famílias reassentadas. para o caso de os reclamos não serem resolvidos pelo Plantão Social ou pelas Visitas Domiciliares? 12.

Ausência de escritório social. Ausência de área de lazer para criança. Apenas moradores da Comunidade Vila Esperança no habitacional. . Contraste radical com a realidade anterior. Ausência de praça (área de convivência). Frente do prédio não concluída.92 Apêndice D . Não ter a “posse da terra”. Isolação (apartamento um em cima do outro).Elementos de Identificação e de Não Identificação Elementos que identificam Permanência no local. Elementos que não identificam Ausência de muro (insegurança).

93 Apêndice E .Síntese das Categorias de Entrevistados Técnica Utilizada Entrevistado Famílias reassentadas Líder Comunitário Total de famílias entrevistadas Líder 1 7 Morador 15 Entrevista Pesquisa Exploratória Elaboração: modelo adaptado de SILVA. 2011. .

Curitiba/PR Projeto Maciço do Morro da Cruz . Sedur . Município Governo do Estado.Florianópolis/SC Programa Serra do Mar São Paulo/SP Projeto Rio Maranguapinho Fortaleza/CE Projeto Barretos . CAIXA.Ouro Preto/MG Lar dos Hansenianos Manaus/AM Residencial Boa Vista Chapadão do Sul .Campo Grande/MS 2011 430 38. BIRD. Governo Estadual Governo Estadual. Governo Estadual. Agentes Financeiros Privados Região Sul Sul Sudeste Nordeste Sudeste Sul Iniciativa Programa Morar Bem Paraná .35 35 35 Sul Norte CentroOeste Norte Sudeste Norte CentroOeste 2011 2011 2011 2012 2012 2012 2011 181 800 300 8.10 34. 2009/2011..379 9. CAIXA. .422 86 1. PAC2 União/PAC.406 Fonte: Revista Brasileira da Habitação. União PAC2 União.Porto Alegre/RS Ano 2012 2011/ 2012 2012 2011 2011 200 9/ .Secretaria de Desenvolvimento Urbano Município/Demhab.97 42 Total de Habitações Contratadas 100.18 / 59. Elaboração: o próprio autor. Programa Capibaribe Melhor. PSH. União/Ministério do Planejamento União/PAC.000 5. FNHIS Governo Estadual. CAIXA Governo Estadual.895 31.São Paulo/SP Conjunto Habitacional Porto Novo .94 Apêndice F . 2012. CAIXA Prefeitura/Demhab Prefeitura/Fundo Municipal do Prezeis..476 Origem do Recurso Governo Estadual. 2011/ 2012 40. CAIXA Prefeituras.16 Nordeste 2011 55 35 35 32 33.20 Nordeste Habitacional Vila Esperança 224 40 Sul Projeto Habitacional e Socioambiental Curitiba/PR Projeto Sindoméstico Salvador/BA Residencial Nova Chocolatão Porto Alegre/RS Conjunto Cidadão II Manaus/AM Projeto Casa Quilombola Campo Grande/MS Manaus/AM Programa Lares Geares Habitação Popular . CAIXA PAC Governo Estadual.562 24 1.000 5.O Metro Quadrado Construído Determinado pela Origem de Recurso por Região Brasileira Metro Quadrado Construído 52 50 48 / 59 45 43. União e Prefeituras Governo Estadual. PAC Drenagem.

de 08/07/2011. .Primeira publicação referente ao habitacional no bairro de Monteiro Fonte: Jornal do Commercio (Caderno Cidades).95 ANEXOS Anexo A .

©2012 Google. Anexo C .Localização do bairro de Monteiro (satélite) Fonte: Google Maps .©2012 Google.96 Anexo B . .Localização do bairro de Monteiro (mapa) Fonte: Google Maps .

97 Anexo D . . 2012. 2012. Anexo E .Parte detrás do prédio Fonte: acervo particular do autor.Placa de construção do empreendimento Fonte: acervo particular do autor.

98 Anexo F .Corredor de acesso para a entrada do prédio Fonte: acervo particular do autor. . 2012.

Entrada do prédio Fonte: acervo particular do autor. .99 Anexo G . 2012.

Área lateral Fonte: acervo particular do autor. 2012. .Corredor térreo de acesso Fonte: acervo particular do autor.100 Anexo H . Anexo I . 2012.

2012.Registro de água aparente Fonte: acervo particular do autor.101 Anexo J . 2012. Anexo J .Escadaria (ausência de corrimões e de fitas antiderrapantes) Fonte: acervo particular do autor. .

102 Anexo K .Bicicletário e área para a guarda de objetos diversos Fonte: acervo particular do autor. . 2012.Jardim criado e mantido por alguns moradores Fonte: acervo particular do autor. Anexo L . 2012.

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