HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL

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identidade construída em relação ao lugar de moradia o caso da Comunidade Vila Esperança, em Recife.

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‘’[...] se nos perguntassem qual o benefício mais precioso da casa, diríamos: a casa abriga o devaneio, a casa protege o sonhador, a casa nos permite sonhar em paz. Somente os pensamentos e as experiências sancionam valores humanos.’’ Bachelard (1988, p. 201)

2012

Paulo Fernando Medeiros Epaminondas
Universidade Federal Rural de Pernambuco Departamento de Ciências Sociais Bacharelado em Ciências Sociais

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UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DE PERNAMBUCO DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS BACHARELADO EM CIÊNCIAS SOCIAIS

PAULO FERNANDO MEDEIROS EPAMINONDAS

HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL: identidade construída em relação ao lugar de moradia - o caso da Comunidade Vila Esperança, em Recife.

Linha de pesquisa: Espacialidade e Socialidade

RECIFE 2012

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PAULO FERNANDO MEDEIROS EPAMINONDAS

HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL: identidade construída em relação ao lugar de moradia - o caso da Comunidade Vila Esperança, em Recife.

Monografia apresentada à Coordenação do Curso de Bacharelado em Ciências Sociais da Universidade Federal Rural de Pernambuco, como parte dos requisitos necessários à obtenção do grau de Bacharel em Ciências Sociais. Orientadora: Prof.ª Dr.ª Rita de Cássia Alcântara Domingues da Silva

RECIFE 2012

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643.1 E63h

Epaminondas, Paulo Fernando Medeiros. Habitação de interesse social: identidade construída em relação ao lugar de moradia - o caso da Comunidade Vila Esperança, em Recife / Paulo Fernando Medeiros Epaminondas. – Recife: O autor, 2012. 101 p. : il. color. Orientadora: Rita de Cássia Alcântara Domingues da Silva Trabalho de conclusão de curso (graduação) – Universidade Federal Rural de Pernambuco, Departamento de Ciências Sociais, Bacharelado em Ciências Sociais, 2012. Inclui referências, apêndices e anexos. 1. Comunicação. 2. Identidade. 3. Habitação de interesse social. 4. Sustentabilidade. 5. Política habitacional. I. Silva, Rita de Cássia Alcântara Domingues da. (Orientadora). II. Título.

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À Eronita Medeiros Epaminondas, minha MÃE e avó, dedico esta monografia com o sentimento de um Sonho meu que Dela se tornou e que por Ela se realizou. (In memoriam)

A todos os Grandes Amigos de minha vida. sensibilidade e apoio incondicionais e incansáveis no dia-a-dia da vida.7 AGRADECIMENTOS A Deus. À minha irmã Paula Fernanda. pela oportunidade de aprender. pela compreensão. À minha orientadora Rita de Alcântara pela paixão com que abraçou o trabalho e pelo crédito dado à ideia desde o primeiro instante. Em especial à minha MÃE e avó Eronita. por me fazerem acreditar no quanto a vida vale a pena. de crescer e pela resignação e perseverança que foram necessárias para ultrapassar limites dessa jornada . À minha tia Laudicea pelos momentos de apoio e de reflexão essenciais à concepção de valores que estabeleci para a vida. contribuintes ou não com o trabalho de pesquisa. . pela impaciência de esperar quando queria brincar. A todos os meus familiares. de vida e por todas as ocasiões nas quais me disseram não. resignação e pelos momentos de constante incentivo. Ao meu poodle Looke. Dona Eró. À minha tia Laudenice por ter acreditado e lutado por mim enquanto ser humano (In memoriam). Ao meu Pai José Leôncio por ter assumido a obrigação de me educar e por me dar a oportunidade de ter a família e os exemplos que tenho. elemento de minha vida que faz tudo valer à pena sem pedir absolutamente nada em troca. Ao Amigo e companheiro Jairo.fazendo-me perceber que aprendizados trazem sacrifícios e que a saída da zona de conforto no contexto social é antes de tudo o primeiro passo a ser dado. porque nesses momentos eu aprendi e cresci. ensinou-se de forma fundamental a importância do ter e do saber algo para ser alguém na vida. pela compreensão da ausência. horizonte de crédito e fortaleza simplesmente fundamental para o que foi necessário fazer. pelas discussões indispensáveis que somaram ao trabalho de pesquisa. mostrando-me nesses momentos que era necessário parar. À minha tia Laudeci pelo exemplo de fibra. exercício do abdicar e esperança de um amanhecer diferente que nos torna melhores que antes. pelo entendimento da abdicação e pela certeza da relação. que apesar de encontrar-se numa outra dimensão. Ao meu primo Wâniçon e sua esposa Flávia pelo exemplo do caminho construído. pelos exemplos de luta. dando-me a liberdade de mergulhar e convidando-se a me acompanhar no desenvolvimento e desvendares que a temática do trabalho poderia nos trazer. Ao professor João Gilberto pela luz epistemológica e discussões sobre o trabalho no decorrer da pesquisa.

sempre respeitou. à Monaliza Santos pela parceria fiel a partir do momento em que passamos a caminhar juntos. À professora Dora. por ter me arguido em certo momento dessa caminhada sobre como escrever algo que ainda não estava em minha mente. que. que através de seus auxiliares de apoio. Agradeço de forma especial à Magnífica Reitora Maria José de Sena. À professora Gilka. por acreditar tanto em meu potencial e pelos inúmeros momentos de direcionamento e esclarecimento que só contribuíram para um entendimento coerente do caminho a ser percorrido no trabalho de pesquisa. Agradeço especialmente à Glauce Medeiros pelo incentivo e admiração. pelo apoio. Mas pontualmente à professora Giuseppa. A todos os Amigos e colegas com os quais tive a oportunidade de conviver. analistas e gestores nos forneceram o suporte e a infraestrutura necessários para o exercício educacional diário. escutou e procurou entender e orientar. sem nunca deixar de nos valorizar como alunos. contribuíram direta ou indiretamente para que eu pudesse chegar ao final dessa jornada. À Universidade Federal Rural de Pernambuco. ao Paulo de Tasso pela sensibilidade e humanidade que lhes são sempre peculiares. administrativos. disposição e apoio incondicionais sempre presentes na Coordenação do Curso. pelas aulas cheias de energia e pela severidade de quando se fez oportuno. o meu muito obrigado! . mas principalmente enquanto seres humanos. enfim. graduandos que. pela disponibilidade. pela amizade e parceria ao longo dos anos. ao Douglas pela acolhida e consideração dispensadas. E ao professor Fábio Andrade.8 À Ana Paula de Macedo Vasconcelos (Paulinha). ao Bruno Batista pelos momentos de esclarecimento. com quem aprendi a primar pelos detalhes e a admirar pelo comprometimento com o ato de educar. pelo novo rumo que imprimiu ao Bacharelado de Ciências Sociais em sua gestão e por nos acordar sempre que necessário. ao Rodrigo Assis e ao Fábio Alves por terem sido referenciais do que busquei ser enquanto graduando e à Janaína Melo pela amizade. também especialmente. técnicos. pela exigência que nos encaminhou ao aperfeiçoamento e pelo reconhecimento do bom trabalho realizado. inclusive. A todos os professores com os quais tive a oportunidade de aprender e crescer. pela sensibilidade e pelo cuidado no exercício de educar no tratamento dispensado aos graduandos enquanto Pró-Reitora de Extensão. À professora Grazia por todo apoio e paciência no sentido de nos instrumentalizar metodologicamente. A todos àqueles.

sem o homem para habitá-la.9 E a casa. telhados. não passa de paredes. As casas abrigam estórias. mas não ilumina o homem. mas cabe ao homem escrevê-las como lhe convém. sem propósito e sem vida. Daniel Gomes de Faria . A luz invade o espaço. janelas e portas sem forma.

identificar o padrão existente para a habitação de interesse social. na tentativa de percepção de elementos de pertencimento com o lugar de moradia na proposta habitacional do PREZEIS.10 RESUMO O presente trabalho de pesquisa tem como objetivo principal analisar a comunicação com o espaço habitacional numa perspectiva da identidade construída em relação ao lugar de moradia. Nesse sentido. O estudo também procurou. habitação de interesse social. o estudo se propõe a um resgate dos conceitos de casa. A pesquisa tenta perceber e avaliar as potencialidades. em Recife/PE. com vistas ao enfrentamento do déficit habitacional de interesse social com resultados de qualidade e que contemplem de forma efetiva as famílias beneficiadas. . visando iniciar a discussão a partir de sua base conceitual e histórica. sem deixar de levar em consideração a obtenção de dados de ordem quantitativa. sustentabilidade e política habitacional. no contexto dos programas e resultados da Política Nacional de Habitação (PNH). bem como de campo através da aplicação de roteiros de entrevista semiestruturados e de forma individual. tiveram ou têm com a habitação recebida. A análise esteve centrada na comunicação que pessoas reassentadas do primeiro prédio entregue do Habitacional Vila Esperança no Bairro de Monteiro. O estudo propõe um olhar para as habitações de interesse social que se insira numa perspectiva de política pública que interaja e que considere a importância da comunicação da pessoa humana com o espaço habitacional. nesse sentido. O trabalho de pesquisa foi centrado na lógica indutiva com retornos à teoria sendo construídos durante a realização da pesquisa. enquanto elementos fundamentais para a sustentabilidade social do habitar. bem como as discussões mais recentes a cerca das políticas urbanas e regionais no Brasil. o convívio social e principalmente seus habitantes. A metodologia da pesquisa consistiu numa pesquisa bibliográfica dos elementos que compõem a temática. visando à busca quantitativa e principalmente qualitativa das informações obtidas. bem como do histórico da habitação de interesse social. esboçar um caminho que construa um entendimento para habitações de interesse social que leve em consideração as especificidades de cada localidade. A atividade de pesquisa buscou atestar ou discordar e. para um embasamento do trabalho de pesquisa. moradia e habitação. impasses e limites da proposta habitacional enquanto um instrumento de política pública que se propõe com a capacidade de trazer um modelo de intervenção diferenciado. Palavras Chaves: comunicação. identidade. identificados como relevantes para o contexto da pesquisa. frente à identidade que se constrói com o contexto de moradia. através de uma abordagem qualitativa e descritiva.

as well as a housing history of social interest. The research methodology comprised of bibliographic results of the elements that comprise the thematic.11 ABSTRACT This current research work mainly aims at analyzing the communication with the housing space in a perspective of the build-up identity concerning housing place. while fundamental elements for home social sustainability. to identify the existing housing standard for housing of social interest. by means of a qualitative and descriptive approach. thus. in an attempt of perception of belonging elements with the housing place in the PREZEIS housing proposal. identity. looking for quantitative and mainly qualitative search of the information collected. for a technical foundation of research work. The research attempts to perceive and assess the potentialities. Key Words: communication. sustainability and housing policy.PNH). Research work was focused on the inductive logics returning to theory and being constructed during research accomplishment. have or had with the housing delivered. surely taking into consideration quantitative data gathering identified as relevant for research context. The study also searched. aiming at starting the discussion from its conceptual and historical background. Recife/PE. The study proposes a glace at housings of social interest which are inserted in a perspective of public policy that interacts and considers the importance of communication of human individual with the housing space. deadlocks and limits of the housing proposal while an instrument of public policy proposed to be with the capacity of bringing a differentiated intervention model. facing identity that is constructed with the housing context. As such. . Research activities aimed at certifying or disagreeing. social coexistence and mainly the inhabitants. as well as field by means of interviews script application semi-structured and individually. The analysis was focused on the communication that people displaced in the first delivered building of Habitacional Vila Esperança in the District of Monteiro. outline a path that builds an understanding for housing of social interest which may take into consideration as specificities of each location. housing of social interest. the study is devoted to rescue of concepts such as home. aiming for confrontation of the housing deficit of social interest with quality results and that contemplate effectively the families benefited. as well as the most recent discussions towards Brazilian urban and regional policies. residence and housing. in the context of programs and results of the National Housing Policy (“Política Nacional de Moradia” .

...Investigando a atividade econômica ........................................................................................................................................Organograma da Política Nacional de Habitação ................ 42 Figura 3 . 33 Gráfico 3 .......................................... 53 Gráfico 1 ......................................................Localização do bairro de Monteiro na RPA 03 ............................... 73 Gráfico 14 ......................................................................................................................... 69 Gráfico 10 ....................Entrevistados por religião ........................................................... 31 Figura 2 .............................. 48 Gráfico 7 .........................................................................Posição sobre as adesões ao SNHIS............... RPA 03 ............................Entrevistados por sexo .........................12 LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1 .........................................................Financiamentos FGTS (R$ bilhões) .............................Tendências de mudanças no macro-complexo construção ............ 45 Gráfico 4 .................................................Infraestrutura institucional da questão habitacional no Brasil .....O metro quadrado por Região considerando o recurso predominante ...Contratações do SBPE (R$ bilhões) ........................................... 72 Gráfico 13 ...................................... 54 Quadro 1 .................... 74 Gráfico 15 .......... 74 Mapa 1 ........ 52 Figura 4 ........... 46 Gráfico 5 .... 68 Gráfico 9 ..Investigando o trabalho social desenvolvido ...........................................................................................Base cartográfica do bairro de Monteiro ................................Tendência de redução do déficit habitacional brasileiro ....... 50 Gráfico 8 ..Associação com o termo lugar ......Associação com o termo identidade ........................ 71 Gráfico 12 ................Região Noroeste....................... 47 Gráfico 6 ....................................................Evolução dos investimentos em habitação .................................................Sobre o preparo para os novos gastos ................................... 70 Gráfico 11 .....Foco nos seguimentos de baixa renda (percentual de atendimento por faixa de renda) ................... 32 Gráfico 2 .................................................. 36 .........................Associação com a moradia atual .......

......... 58 Tabela 9 ........... área e densidade............. Recife...Custos médios com habitação ..................................................População residente por sexo e situação de domicílio................... 57 Tabela 7 ... 59 ................................................................................................................................... 56 Tabela 6 ...........População residente.......................... 2010 .............IPTU não residencial: total de imóveis........População residente por grupos etários e população ignorada...... valor lançado e valor médio lançado..................... segundo bairros .............Projeção orçamentária considerando o avanço de recursos do PAC ... 34 Tabela 2 ......... 34 Tabela 3 .Projeção orçamentária adotando-se o percentual da PEC .....Demanda futura por habitação......................................... segundo RPA e bairros ........................ segundo bairros ........... segundo RPA.................................... 57 Tabela 8 .......13 LISTA DE TABELAS Tabela 1 .... 35 Tabela 5 .........Diferença entre a população de 2000 e 2010 e taxa média de crescimento geométrico anual............. 35 Tabela 4 ......

Sociais e Culturais Conselho Nacional de Habitação de Interesse Social Conselho das Cidades Conselho Gestor do Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social Dados Físicos do Imóvel Declaração Universal dos Direitos Humanos Empresa de Urbanização do Recife Fundo de Amparo Residencial Fundo de Desenvolvimento Social Financiadora de Estudos e Projetos Fundo de Garantia por Tempo de Serviço Fundo Local de Habitação de Interesse Social Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social Instituto de Aposentadoria e Previdência Social Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada Morte por Invalidez Permanente .14 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ANTAC BIRD BNH CAIXA CDESC CNHIS ConCidades CGFNHIS DFI DHDH URB FAR FDS FINEP FGTS FLHIS FNHIS IAPs IPEA MIP Associação Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído Banco Internacional para a Reconstrução e Desenvolvimento Banco Nacional de Habitação Caixa Econômica Federal Comitê dos Direitos Econômicos.

15 MCidades OGU OIT PAC PBQP-H PCM PCR PIDESC PLANHAB PLHIS PMCMV PNH PREZEIS RPAs SBPE SFH SINAT SNH SNHM SNHIS ZEIS Ministério das Cidades Orçamento Geral da União Organização Internacional do Trabalho Programa de Aceleração do Crescimento Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat Programa Capibaribe Melhor Prefeitura da Cidade do Recife Pacto Internacional sobre os Direitos Económicos. Sociais e Culturais Plano Nacional de Habitação Plano Local de Habitação de Interesse Social Programa Minha Casa Minha Vida Política Nacional de Habitação Plano de Regularização das Zonas Especiais de Interesse Social Regiões Político-Administrativas Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo Sistema Financeiro da Habitação Sistema Nacional de Avaliações Técnicas Sistema Nacional de Habitação Sistema Nacional de Habitação de Mercado Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social Zonas Especiais de Interesse Social .

1.1.6 Macrozoneamento e importância histórica _____________________________________________ 59 5 FORMULAÇÃO DO PROBLEMA __________________________________________ 60 6 RESULTADOS DA PESQUISA ____________________________________________ 68 CONSIDERAÇÕES FINAIS ________________________________________________ 78 REFERÊNCIAS __________________________________________________________ 83 APÊNDICES _____________________________________________________________ 86 Apêndice A .Parte detrás do prédio __________________________________________________________ 97 Anexo F .1.Escadaria (ausência de corrimões e de fitas antiderrapantes) ____________________________ 101 Anexo K . A ORIGEM DE RECURSO E SUA INFLUÊNCIA NO METRO QUADRADO CONSTRUÍDO _________________ 50 4 O BAIRRO DE MONTEIRO EM RECIFE/PE ________________________________ 52 4.1.Corredor de acesso para a entrada do prédio _________________________________________ 98 Anexo G .Primeira publicação referente ao habitacional no bairro de Monteiro _____________________ 95 Anexo B .Bicicletário e área para a guarda de objetos diversos _________________________________ 102 Anexo L .1 Localização e acesso ______________________________________________________________ 52 4.1.Roteiro de Entrevista Individual (Líder Comunitário) _______________________________ 90 Apêndice D .1 CARACTERIZAÇÃO DO BAIRRO _________________________________________________________ 52 4.Área lateral _________________________________________________________________ 100 Anexo I .4 Densidade demográfica ____________________________________________________________ 57 4.2 Evolução do espaço urbano _________________________________________________________ 55 4. moradia e habitação _____________ 23 2 O PROCESSO DE EVOLUÇÃO DO PADRÃO HABITACIONAL DE INTERESSE SOCIAL _________________________________________________________________ 26 3 POLÍTICAS URBANAS E REGIONAIS NO BRASIL: DISCUSSÕES RECENTES __ 38 3.Placa de construção do empreendimento ___________________________________________ 97 Anexo E .Registro de água aparente ______________________________________________________ 101 Anexo J .Localização do bairro de Monteiro (satélite)_________________________________________ 96 Anexo D .5 Economia________________________________________________________________________ 58 4.O Metro Quadrado Construído Determinado pela Origem de Recurso por Região Brasileira _ 94 ANEXOS ________________________________________________________________ 95 Anexo A .1.Localização do bairro de Monteiro (mapa) __________________________________________ 96 Anexo C .Roteiro de Entrevista Individual (Moradores) _____________________________________ 87 Apêndice C .Corredor térreo de acesso _______________________________________________________ 100 Anexo J .16 SUMÁRIO INTRODUÇÃO ___________________________________________________________ 17 1 ALGUNS CONCEITOS PRELIMINARES: casa.Síntese das Categorias de Entrevistados __________________________________________ 93 Apêndice F .Entrada do prédio _____________________________________________________________ 99 Anexo H .3 Dados populacionais e de domicílio __________________________________________________ 56 4.Termo de Consentimento Livre e Esclarecido _____________________________________ 86 Apêndice B .1.Elementos de Identificação e de Não Identificação _________________________________ 92 Apêndice E .Jardim criado e mantido por alguns moradores ______________________________________ 102 .

tem-se: (a) Mapear um perfil dos moradores reassentadas maiores de 18 anos. os espaços foram ocupados em tempos diversos e de forma diferenciada..] utilizando-se da metodologia científica. na Comunidade Vila Esperança no Bairro de Monteiro.área objeto de análise -. através de um roteiro de entrevista semiestruturo de forma individual (mínimo de um representante por família). Na margem esquerda predomina uma população de faixa de renda alta com poucos trechos de ocupações pobres. Para melhorar a situação dessas comunidades carentes. em razão de um conjunto de fatores vivenciados no tecido urbano. com vistas ao enfrentamento do déficit habitacional de interesse social. tais como: o processo econômico e concentração de terras. da proposta do Programa Capibaribe Melhor (PCM) da Prefeitura da Cidade do Recife. 1 . enquanto um processo que “[. (c) Estabelecer um comparativo entre os fatores que comunicam/identificam em relação ao lugar de moradia atual. p. em Recife/PE. a ocupação ao longo do Rio Capibaribe reúne uma população de poder aquisitivo variado.área contemplada pelo projeto -. Nos dias atuais.. no que concerne à comunicação do beneficiário com o objeto recebido numa perspectiva da identidade construída em relação ao lugar de moradia. (b) Estruturar os elementos de comunicação/identidade com o lugar de moradia anterior e atual. A presente pesquisa caracteriza-se como uma pesquisa social. e na margem direita . através de lei de iniciativa popular. p.17 INTRODUÇÃO Na história urbana do Recife. (d) Identificar o nível de satisfação dos beneficiários com a nova forma de morar. 2011. . 28). observando os significados e simbologias presentes no exercício de morar. Instituído em 1987. 1999. passou a estabelecer parâmetros para novas Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS) e também tem como objetivo o estímulo à interação das comunidades com o resto da cidade através de projetos de melhoria para as áreas (MORAIS apud LOIOLA. permite a obtenção de novos conhecimentos no campo da realidade social” (GIL. No caso específico desse estudo.42). futuramente. além de ter se tornado o reflexo da participação comunitária no processo de gestão. encontra-se um número expressivo de áreas pobres. a intervenção do poder público se faz presente através do PREZEIS1 e. Como objetivos específicos. teve-se como objetivo geral a construção de uma análise crítica da questão da habitação de interesse social.

até a ocasião em que se esteve em campo. A categoria de pesquisa que nos norteará será a da pesquisa qualitativa. considerando que para o que se propôs a pesquisa tal faixa-etária atendeu de forma plena aos objetivos propostos. mas na ida ao campo percebeu-se que tal abordagem demandaria um trabalho em longo prazo. aplicados de forma e com consentimento individual.] permite a captação imediata e corrente da informação desejada” e por isso se optou por tal instrumento de pesquisa. 89). . 1994. Foi idealizado inicialmente para o contexto de pesquisa trabalhar com famílias reassentadas e ainda não reassentadas.. 47). os novos beneficiários da Comunidade serão construídos com recursos do Programa Capibaribe Melhor da Prefeitura da Cidade do Recife. p. 62-63) e com o “[. a pesquisa teve como foco de investigação 16 famílias reassentadas da Comunidade Vila Esperança. p. no bairro de Monteiro. p 35). por meio de um processo categorizador (detentor de características peculiares) que una dialeticamente o contexto teórico e o empírico. numa perspectiva da identidade construída em relação ao lugar de moradia. considerando que busca analisar a dimensão de comunição do beneficiário com o objeto recebido (habitação de interesse social)... 34) a entrevista “[.. em Recife/PE. que os nove prédios restantes que comporão o Habitacional Vila Esperança não seriam construídos até o final da pesquisa. Posteriormente. 1995. Também se tem como característica do trabalho o fato de ser um estudo de caso. O contexto de entrevistados foi o de pessoas maiores de 18 anos. com o “[. conforme descrito por Minayo (2004. Segundo Lüdke e André (1986. p. Os procedimentos de coleta de dados se deram através de roteiros de entrevista semiestruturada. p. situando-se como um “[. Nesse sentido.18 O método utilizado terá o entendimento de permitir que a realidade social tenha a possibilidade de ser reconstruída enquanto um objeto do conhecimento. Também foi identificado.] ambiente natural como fonte principal dos dados” (GODOY..] processo sendo tão ou mais importante que os resultados” (BOGDAN e BIKLEN.. incompatível com o tempo previsto para a realização da pesquisa... considerando a falta de previsão para a solução sobre a desapropriação da área aonde serão construídos os prédios complementares ao habitacional. 1994. beneficiadas inicialmente com recursos do PREZEIS.] estudo delimitado e que consiste na observação detalhada de um contexto” (BOGDAN e BIKLEN.

parques e habitacionais do PCM. o que chamou atenção ao contexto de análise da pesquisa. numa abordagem que buscou atingir o universo possível de moradores maiores de 18 anos das . o conceito de identidade no âmbito das ciências sociais e a identidade relacionada ao lugar. 28). documentação que esboça a realização de estudos e projetos executivos do sistema viário. A segunda fonte de informação esteve na pesquisa de campo com uma abordagem qualitativa e descritiva da realidade. percebeu-se o indicativo de uma construção quantitativa da realidade. no contexto dos programas e resultados da política nacional de habitação.. moradia e habitação.. a habitação enquanto um direito. o levantamento de bibliografia específica e a inserção na realidade empírica de estudo contribuíram com a metodologia adotada para a finalidade a que a pesquisa se propôs. macrodrenagem. a comunicação com o objeto recebido.PDRI. o padrão da habitação de interesse social no Brasil e sua sustentabilidade social. A lógica idealizada para a pesquisa foi a indutiva. tendo havido retornos à teoria que fundamentaram a realização da pesquisa. p. Dessa forma. que “[. A pesquisa esteve organizada de forma a levantar aspectos simbólicos relacionados ao exercício de morar e considerados como relevantes para a sustentabilidade social do habitar.] parte do particular e coloca a generalização como produto posterior do trabalho de coleta de dados particulares” (GIL. Numa análise inicial do Plano de Desapropriação e Reassentamento Involuntário . sem deixar de levar em consideração a obtenção de dados de ordem quantitativa considerados como relevantes para os objetivos da pesquisa. reforçando a abordagem qualitativa mencionada. O processo de investigação esteve fundamentado no universo das famílias envolvidas e da liderança comunitária da Comunidade Vila Esperança. as discussões recentes a cerca das políticas urbanas e regionais no Brasil. A opção pela lógica indutiva para análise da pesquisa fez-se por se acreditar que o método traria o aprofundamento esperado ao conhecimento empírico. a habitação de interesse social enquanto um conceito e o seu histórico no mundo e no Brasil. 1999. enquanto abordagens teóricas específicas ao contexto de pesquisa.19 A primeira fonte de informação da pesquisa foi a bibliográfica através de pesquisa documental relacionada ao PREZEIS e ao PCM. A pesquisa bibliográfica também se expandiu para os conceitos de casa.

20 16 famílias reassentadas e quando o acesso se deu de forma parcial ou não existiu. Reforce-se que a relevância dos dados obtidos encontra-se na representatividade simbólica e de valores enquanto percepção do grupo estudado e que se encontram relacionadas à nova realidade de habitar. que teve o intuito de considerando a realidade atual e anterior. que teve o objetivo de mapear um perfil dos entrevistados criando a possibilidade de um futuro cruzamento de dados. a comunicação. A quarta. na qual se buscou um resgate das percepções dos entrevistados através de termos relacionados à temática que pudessem constituir a base de análise para a investigação relacionada à comunicação e à identidade construída em relação ao lugar de moradia pelas famílias reassentadas. última e em nossa análise fundamental categoria foi à relacionada à investigação da identidade. esteve relacionado à liderança comunitária da Comunidade Vila Esperança. ocorreu por questões de ausência. aspectos históricos e culturais. No contexto das famílias reassentadas a primeira categoria de análise da pesquisa foi a de informações gerais. buscar perceber das famílias nesse comparativo os elementos que somaram e que não somaram durante o processo de mudança. formas de crescimento e produção do espaço. p. Um outro elemento de análise. . dentre outras questões que foram consideradas como relevantes para a análise na percepção relacionada à comunicação e identidade construída pelos beneficiários. presente na pesquisa em questão. Concluída a aplicação dos roteiros de entrevista. A segunda categoria foi a da associação de conceitos. visando construir o que ficou desse contexto de mudança no que concerne ao atendimento das necessidades de quem foi beneficiado. identidade. que procurou perceber nas famílias a relação com o lugar (moradia anterior e atual). 117) define como rubricas ou classes. que se reúnem num grupo de elementos sob um título genérico. procedeu-se com a transcrição e com a análise dos dados sendo realizada através de categorias de análise. ocasião em que pudemos construir a história da comunidade que é objeto de estudo da pesquisa através de informações sobre o início e o porquê da ocupação. seus valores. simbologias e pertencimento. A terceira categoria foi a do processo de mudança e comparação do antes com o depois. desconfiança ou recusa por parte dos mesmos. que Bardin (1997. em razão dos caracteres comuns de tais elementos.

No terceiro capítulo buscou-se identificar as discussões mais recentes a cerca das políticas urbanas e regionais no Brasil. principalmente. a identidade construída em relação ao lugar e a proposta habitacional do PREZEIS. A abordagem sobre esse tipo de habitação possui. moradia e habitação para fundamentar e alinhar uma base ao conceitual de habitação de interesse social.da construção identitária em relação ao lugar de moradia -. na atualidade. resgatando o seu processo de evolução no mundo e no Brasil. No quinto capítulo. apresenta-se a formulação do problema de pesquisa identificando os agentes/atores sociais e trabalhando as temáticas da habitação como um direito. tem-se a discussão em cima dos resultados da pesquisa. a comunicação do beneficiário com o objeto recebido. a identidade enquanto um conceito. Para fundamentar melhor o trabalho foram incorporados à discussão . tendo como base a proposta qualitativa do trabalho de pesquisa. No sexto capítulo. com o intuito de melhor conhecer o local aonde se encontram localizadas as famílias objeto de estudo. outros autores contemporâneos como Teixeira (2004). Moreira. O segundo capítulo trabalha a temática da habitação de interesse social. no arcabouço teórico. O primeiro expõe os conceitos de casa. um entendimento que transcende a ideia de que se trata pura e simplesmente de construir habitação para pessoas de baixa renda. O trabalho está organizado em seis capítulos. Para isso. procurou-se caracterizar o bairro de Monteiro no município de Recife/PE. Paralelamente. No quarto capítulo. na sustentabilidade que esses empreendimentos habitacionais precisam ter.21 Os critérios estabelecidos para a pesquisa tiveram como objetivo a obtenção de dados e informações tanto em nível geral quanto específico e mais aprofundado. Há uma percepção da necessidade de se pensar na qualidade e. Hespanhol (2007). é abordada a questão do valor do metro quadrado desse tipo de moradia no Brasil subsidiando a discussão que será feita mais adiante sobre o padrão habitacional proposto pelo PREZEIS. com o intuito de perceber a política nacional de habitação sob a perspectiva de seus programas e resultados e a habitação de interesse social nesse contexto. o qual será desenvolvido no contexto do trabalho de pesquisa. destacam-se os pensamentos de Simmel (1983) sobre a comunicação com os objetos no contexto social. Berger & Luckmann (2004) e Ciampa (1989) sobre o conceito de identidade. . em seus aspectos socioeconômicos.

enquanto uma análise do contexto de pesquisa partindo dos resultados. numa tentativa de observar as suas implicações para a política habitacional da Cidade do Recife. no contexto da proposta habitacional do PREZEIS.22 O trabalho de pesquisa é concluído com as considerações finais. .

Somente os pensamentos e as experiências sancionam os valores humanos”. no contexto da habitação construída pelo homem. moradia e habitação Entende-se o conceito de casa como sendo o espaço físico com a função de proteção. também dos elementos que constituem o “ser” humano. p.” A moradia seria então o resultado do uso de quem a habita e que traz peculiaridades que confirmam a diferenciação de sentidos em relação ao objeto casa. nesse contexto. mas não apenas física. etc. 2010. mas não apenas física. 2 . numa abordagem inspiradora diria que “[. enquanto um componente físico que tem na sua significação uma construção que se dá ao longo do tempo de moradia. 37) e assim “um mesmo invólucro... Nesse sentido. proteção também dos elementos que constituem o “ser” humano. com características diferentes. o mesmo ente físico. seria a integração dos sentidos de casa e moradia fazendo parte do espaço urbano com todos os elementos de suporte e de infraestrutura que esse espaço possa oferecer. Entendido no presente trabalho de pesquisa enquanto espaço integrado ao ambiente natural e àqueles que o integram.] a casa abriga o devaneio. E a habitação. se transforma em moradias diferentes. Entende-se dessa forma o conceito de casa como sendo o espaço físico com a função de proteção. políticas. ideológicas. acompanha-se a ideia de que casa e moradia trazem consigo sentidos diferenciados. a casa protege o sonhador. integrando o interno com o externo. cujos hábitos de uso dos moradores são a tônica da mudança. pautando-se em elementos que se relacionam com a vida das pessoas e suas respectivas relações sociais. p. históricas. a casa nos permite sonhar em paz. 37): Temos que considera-la e analisa-la. Bachelard (1988. p. componente físico que tem na sua significação uma construção que se dá ao longo do tempo de moradia. considerando a casa como já mencionado enquanto o ente físico e a moradia teria considerável ligação com aquilo que faz a casa funcionar. trabalhando através do conceito de habitat2. ainda não significado ao ser de imediato construído. ou seja. econômicas.23 1 ALGUNS CONCEITOS PRELIMINARES: casa. 2010. tendo em vista os hábitos de quem habita tal ente físico (MARTUCCI e BASSO apud SAÚGO. 201). podendo ser conceituada da seguinte forma (MARTUCCI e BASSO apud SAÚGO.

o vínculo existente entre a habitação e a estrutura urbana na qual a mesma se encontra inserida. 38). que numa análise mais ampla atenderia a necessidades de ordem social ou econômica quando em algumas realidades pode se visualizar até mesmo o uso do comércio no ambiente de moradia. de forma que “quanto mais bem equipado o setor urbano onde estiver inserida a casa. p. fomentando ao espaço um sentido pessoal e específico. por exemplo. Dessa forma. melhor as condições de moradia e melhor a qualidade da habitação” (CARDOSO apud SAÚGO. mas de atendimento a necessidades básicas daqueles que são beneficiados.24 Verifica-se. mas que se colocaria como objeto de outra análise. assim. Na presente análise que foca o direito à moradia. a observância desse aspecto econômico relacionado ao hábito de morar talvez pudesse ser objeto de reflexão futura. p. sem prejuízo do ambiente familiar”. p. contudo. não tendo como separá-la porque é através dessa infraestrutura e da rede de serviços urbanos a que está atrelada. que a habitação poderá ser considerada como qualificada a depender de sua localização. um suporte relacionado ao posicionamento de tal população junto ao mercado de trabalho. previsto no art. enquanto componente da política habitacional. considera ao abordar a questão da estrutura de funcionamento da casa a “necessidade da busca de alternativas de projeto que facilitem a inserção do trabalho dentro da moradia. enquanto um encaminhamento de fortalecimento ao direito fundamental ao trabalho arrolado como um direito social. 6º da Constituição Brasileira. que a casa como espaço. 98-99). a moradia enquanto prática e a habitação enquanto ambiente que atende a necessidades precise de forma mais pontual de . muito embora o trabalho social atrelado a quem seja beneficiado. a habitação pode ser considerada como aquele elemento do espaço urbano que vai além das funções de proteger ou peculiarizar-se através do uso. 19) a esse respeito. deveria prever com base na realidade socioeconômica atendida. tal aspecto precisaria ser considerado de forma relevante quando se colocasse como elemento de sustento imprescindível da família ou vinculado a questões de ordem cultural. 2010. quando o fazer atual relacionado à habitação de interesse social já estivesse mais consolidado. o que se confirma em Vieira e Chaves (2011. não apenas construtiva. Considere-se para o estudo em questão. Palermo (2009. diante da demanda que se tem a atender e ainda com uma qualidade em processo de construção. mas que procura atender a necessidades sejam elas físicas ou subjetivas.

à família. . ao modo de morar.25 elementos de referência que se relacionem ao indivíduo. fazendo-o vivenciar de forma efetiva o sentido afetivo e pessoal que a habitação tem. fornecendo à habitação de interesse social um sentido que ela precisa ter e que lhe proporciona qualidade e sustentabilidade social. Não menos importante é considerar a variável ‘pertencimento’ ao espaço habitacional.

enfim. que não correspondem à funcionalidade de uso dos espaços de moradia.Habitação para População de Baixa Renda (housing for low-income people). a produção de espaços apertados que não dialogam com a individualidade dos beneficiários. o convívio familiar. 8). um sentido de habitar que preencha as necessidades de refúgio. .] busca proporcionar. convivência. como a garantir da funcionalidade dos espaços possibilitando a sua apropriação. ordem e variedade. isolamento. .26 2 O PROCESSO DE EVOLUÇÃO DO PADRÃO HABITACIONAL DE INTERESSE SOCIAL Entenda-se por habitação de interesse social a moradia digna que atende às necessidades daqueles que são beneficiados. . p. sem necessariamente indicar uma habitação voltada à população de baixa renda. na análise da autora uma definição mais adequada que a anterior. habitação de interesse social é aquela que. aonde o senso de habitabilidade segundo Barros apud Moreira. trazendo consigo a necessidade de definição da renda máxima das famílias que serão beneficiadas.. com a mesma conotação da definição de habitação de interesse social.Habitação Popular. destina-se a atender ao social em suas necessidades mais peculiares.. que seria um termo geral que envolveria todas as soluções construtivas destinadas ao atendimento de necessidades habitacionais. (2010. 18): [. a partir do entendimento de necessidades básicas de conforto ambiental e de adequações às atividades domésticas. O seu conceito vai justamente de encontro àquela prática que evidencia .em função da primazia do capital em relação à qualidade construtiva de atendimento ao social -. por exemplo: . Outros autores como Moreira (2005.Habitação de Baixo Custo (low-cost housing) que seria a habitação barata. Ampliando a análise. define o termo como várias soluções construtivas. Além desses aspectos encontra-se a possibilidade de comprometimento da construção identitária dos indivíduos que acabam se perdendo em uma de suas funções primordiais. p.

Segundo Silva (2008) 4 o mundo deparou-se num contexto de urbanização acelerada. Nesse sentido. Diante da fundamental importância que constitui o abrigo como forma de suprir uma das necessidades humanas mais primárias. tendo em vista que existem hoje no mundo cerca de um bilhão de pessoas sem moradias. político e moral dos trabalhadores. uma vez que garantiria condições adequadas de moradia e o controle ideológico. denúncias da situação médico-sanitária (insalubridade).097/136. Acesso em: 10 de mai. Esta não é uma dificuldade nova e para solucionar o problema surgem políticas públicas voltadas para a construção de habitações populares. e há um aumento previsto para dois bilhões para as próximas três décadas3. Entretanto. Ana Tibaijuka. Para Rago (apud BONDUKI. a questão habitacional é um dos grandes expoentes da urbanidade e que há tempos configura-se como a problemática primordial da ocupação humana no território. a venda de lotes urbanos. com uma situação de considerável precariedade das condições habitacionais. durante o período da República Velha (1889-1930) era visível à ausência do Estado Brasileiro frente à produção de moradia e da regulamentação do mercado de locações.br/revistas/read/arquitextos/09. a qualidade de tais empreendimentos acompanha a lógica dos custos e a do próprio capital. tal entendimento era visto com simpatia tanto pelo Estado quanto pela elite dominante.blogspot. o histórico da habitação de interesse social relaciona-se ao período do governo Vargas (1930-1954). como por exemplo. 2012. as vilas operárias existentes também na realidade brasileira. Naquele momento. Acesso em: 10 de mai.vitruvius. Para Bonduki (1994: 712).com. o que a tornaria viável. o marco inicial para a produção estatal de moradias subsidiadas e para o financiamento da promoção imobiliária foi a partir da institucionalização 3 4 Disponível em: http://nemaususeahabitacaosocial. Disponível em: http://www.27 A trajetória da habitação de interesse social neste trabalho de pesquisa passará pela realidade no mundo e em seguida entrar-se-á nos detalhes dos caminhos que trilhou na realidade brasileira.com.br/. tendo em vista que a tendência era considerar as vilas operárias como uma iniciativa possível de ser estimulada. resultando em habitações de baixa qualidade e espaços pequenos. houve uma intervenção do governo no que concerne à produção. Diretora Executiva do Habitat (2009) A demanda por habitação no mundo já em 2009 indicava uma necessidade habitacional da ordem de bilhões e a habitação de interesse social surge com a proposta mais econômica. No Brasil. intenso adensamento e de salários baixos. 1994: 716). ao mercado de aluguéis. . ocasião posterior à República Velha. 2012.

trazendo tanto o reforço à função quanto à . desarticulação com os outros órgãos que. mas não houve uma ação articulada efetivamente. onde o interesse social ultrapassaria os mecanismos de mercado (BONDUKI.. tratavam da questão e.. que é considerada por Melo (1991) e Aureliano & Azevedo (1980) citados por Bonduki (1994: 717) o melhor exemplo da presença ausente na política estatal brasileira. Qualificação reforçada na Constituição de 1988. conforme ressalto em seguida por Bonduki (1994: 718): [. A Lei do Inquilinato de 1942. enquanto um princípio vinculado à ideia de igualdade social. Alguns autores apontam que a política de proteção do inquilinato era muito bem aceita pelos trabalhadores. sofre mudanças e nessa relação agora relativizada se inicia a formulação da compreensão no que diz respeito à função social da propriedade. enquanto uma resposta à crise de moradia no pós-guerra. carência de recursos. foi de grande repercussão tanto social quanto econômica .28 do Decreto-Lei do Inquilinato de 1942. condicionando-se ao bem-estar social. longe. Realmente houve essa ruptura e o Estado passou a intervir. num contexto em que a propriedade urbana cumpre com a sua função social. “denotando” que o governo se preocupava com as condições de vida dos menos favorecidos. portanto. antes absoluta. da criação das carteiras prediais dos institutos de Aposentadoria e Previdência Social (IAPs) e a criação da Fundação da Casa Popular. quando se destina a satisfazer as necessidades de quem lhe faz uso. mas não se pode deixar de considerar a relevância da ação no sentido de ter sido tomada.] sua fragilidade. enquanto instância reguladora da relação entre proprietários e inquilinos. mas é fato que a criação da Fundação da Casa Popular como o primeiro órgão nacional destinado exclusivamente ao fomento de moradias para população de baixa renda. regular. Nesse momento.a partir do momento em que suspendeu o direito absoluto de propriedade. de alguma maneira. de constituir efetivamente uma política. 1994: 720). representa minimamente o reconhecimento de um compromisso que o Estado Brasileiro enfrentou. a exemplo da criação da Fundação da Casa Popular. muito embora em condições desarticuladas. a ideia de propriedade. principalmente. a ausência de ação coordenada para enfrentar de modo global o problema habitacional mostram que a intervenção dos governos do período foi pulverizada e atomizada. justificando-se na peculiaridade da habitação enquanto uma mercadoria especial. Percebe-se que a análise traz os fatos.

. No contexto do sistema capitalista de produção nada é por acaso. de que por ser um membro da comunidade tem direitos e obrigações com relação aos demais membros. ultrapassar os mecanismos de mercado”. nesse sentido. p. que consiste em não realizar ato algum que possa impedir ou obstaculizar o bem dos referidos sujeitos. p. 1995. sua intervenção agora é indispensável e atuará para ocupar um espaço deixado e não para concorrer. acompanha-se a reflexão de Bonduki (1994: 720) ao se arguir se se trataria de uma política econômica ou uma decisão útil para ampliação das bases de apoio ao governo. acredita-se que a ideia tenha sido a do “o interesse social. mas em se resgatando um dado do IBGE de 1940 tem-se que apenas 25% dos domicílios eram ocupados por seus proprietários. de forma que passa a interessar à indústria da construção civil a presença estatal. de maneira que se pode chegar a ser titular do domínio. o que se pode verificar em Vivanco apud Tanajura (2000. indispensável neste setor de atividade econômica para o desenvolvimento da concepção de habitação social. Acredita-se que a resposta a tal questionamento justifique a regulação através da Lei do Inquilinato de 1942. E de fato a Lei do Inquilinato de 1942 trouxe uma mudança ideológica no que diz respeito ao Estado ser uma concorrência desleal à iniciativa privada. enquanto a inflação consumia os valores das locações e prestações e ocasionada pela preponderância de uma visão clientelista e paternalista. mas há que se considerar a desarticulação governamental nos empreendimentos que se voltaram à questão habitacional. da comunidade [.29 responsabilidade de uso de quem a detém. mas concorda-se com Bonduki (1994: 725) que seja muito mais por questões de ordem econômica do que social. ou seja. mas essencialmente para retomar o aquecimento da questão habitacional em função da retração dos investidores para a construção de casas de aluguel. no contexto de um sistema capitalista. 75% dos municípios brasileiros eram de inquilinos e. 24): A função social é nada mais nada menos que o reconhecimento de todo titular de domínio. nesse sentido. tem a obrigação de cumprir com o direito dos demais sujeitos. ou seja. Há quem considere o papel do Estado no que concerne à articulação entre a relação trabalho e capital como definidor para a estruturação de novas relações produtivas (FERNANDES. 6) e essa é uma questão que não se pode negar. o contrário do que deveria orientar a política de uma habitação de interesse social e..] Na presente análise. concorda-se . por se acreditar nos altos custos de um empreendimento habitacional. reforçada pela ausência de critérios sociais rigorosos para garantir o retorno dos investimentos.

enquanto talvez um freio aos encaminhamentos voltados à política habitacional ou a uma mudança de estratégia. agora sob a responsabilidade do Estado e do trabalhador. incluindo. que estabelece em seu art. através. (. que trouxe uma alternativa de habitação popular. a educação. Em 2000. tendo em vista que àquilo que era provido pela iniciativa privada. apartamentos destinados a empresas e classes de renda elevada. o trabalho. da instituição do Decreto-Lei nº 58 de 1938. 6º define: “São direitos sociais.). a Emenda Constitucional 26 em seu art. mas em 1992 há a ratificação em prol da moradia digna através da Declaração Universal dos Direitos Humanos. com a diretriz de oferta habitacional que possibilite reduzir pela metade até 2015 o déficit de saneamento básico e até 2020. 10% das necessidades habitacionais. tendo seguido como modelo dos anos posteriores até 1990. No mesmo ano na Assembleia do Milênio em Nova Iorque foi ratificada a Declaração do Milênio das Nações Unidas que em seu Objetivo nº 11 define: “o combate paulatino às precárias condições de vida em assentamentos degradados”. bem como agravou a situação de migrantes e despejados que para conseguirem moradia digna com o salário que percebiam era altamente complicado. por exemplo. moradia”. Nos anos 90 tem-se a extinção do Banco Nacional de Habitação (BNH). . 25º: “Todos têm o direito a um padrão de vida adequado para sua saúde e bem-estar e de sua família.. 1994: 726).. De certa forma a intervenção Estatal contribuiu para o agravamento das condições habitacionais e urbanas e da moradia popular. a moradia. mas que teve como participação do Estado meramente o acesso à propriedade em locais periféricos que não possuíam a infraestrutura necessária a habitações que atendessem em sua essência ao interesse efetivamente social. para os empreendimentos que se voltaram para a questão habitacional. nesse contexto de desarticulação. o momento habitacional dos anos 40 foi de presença e ao mesmo tempo ausência estatal no sentido de que a desarticulação das ações. a saúde. Mas num contexto geral. reduziu e inviabilizou a capacidade de ação das instituições criadas (BONDUKI. na forma desta constituição”. fez surgir novos tipos de empreendimentos imobiliários voltados ao capital privado e à elite dominante como a construção de prédios de escritórios.30 com Bonduki (1994. 726) quando o mesmo considera que tal intervenção. sem contar com a intensificação das favelas e da casa própria autoconstruída ou autoempreendida em localidades periféricas e carentes de infraestrutura urbana.

que veio tornar o direito à moradia mais viável para os milhões de moradores que viviam na ilegalidade. 2006. conforme o Ministério das Cidades (MCidades).31 Em 2001. o que segundo Luiz Neves5 tratar-se-ia da função social da cidade6. Luiz Neves é Diretor da SINAENCO Sindicato da Arquitetura e da Engenharia. no âmbito do Seminário Permanente de Desenvolvimento. estruturado da seguinte forma: Figura 1 .257/2001. encontra-se. o Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social (FNHIS) e o Conselho Nacional de Habitação de Interesse Social (CNHIS). um movimento popular iniciado em 1992 com cerca de um milhão de assinaturas de representantes de movimentos populares dentre outras entidades vinculadas à luta urbanística. em 29 de maio de 2009. 5 . dedicada a identificar e conceituar as funções sociais da cidade (BERNARDI. Em 2004.Organograma da Política Nacional de Habitação Fonte: MCidades/SNH. 46). tem-se uma determinação constitucional através da Lei nº 10. conhecida como Estatuto da Cidade. O organograma da Política Nacional de Habitação (PNH). com ações voltadas a novas políticas de regularização fundiária. p. do ano de 2006. Palestra proferida por ocasião da Mesa Redonda sobre “A questão Habitacional no Brasil”. ao qual estão subordinados o SNHIS. 6 A esse respeito ver dissertação de mestrado. é aprovado pela Câmara de Deputados Emenda que institui o Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social (SNHIS). de Jorge Luiz Bernardi. o FNHIS e o CNHIS. proteção ao patrimônio cultural e respeito a minorias. enquanto ações que se entende vêm fortalecer o fomento a uma ideologia de condições dignas de vida para todos.

percebe-se claramente uma evolução considerável no que diz respeito ao realizado. dos quais 17. no período de 2003 a 2009. ao se analisar o foco nos segmentos de baixa renda com base no atendimento por faixa de renda: . com grande reforço sendo dado pelo PMCMV.32 Verificado o seu histórico.92 bilhões de investimento.Evolução dos investimentos em habitação Fonte: MCidades. Em termos de investimento. Fundo de Amparo Residencial (FAR). Gráfico 1 . Relatório Caixa Econômica Federal e ABECIP (dados até 31/12/2009). iniciado em 2009. Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) para um patamar de 69. É de fato a partir de 2004 que podemos visualizar o início de uma efetiva inversão de prioridades em relação à questão habitacional voltada para as populações de baixa renda. iniciase num patamar de 7. os custos do investimento habitacional e a demanda demográfica existente. Ao se analisar a evolução dos investimentos em habitação. com subsídios do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e Orçamento Geral da União (OGU) e em maior parte com recursos do FGTS. os investimentos disponíveis.1 bilhões seriam do Programa Minha Casa Minha Vida (PMCMV).92 bilhões de investimentos. Caixa Econômica Federal (CAIXA). identificar-se-á a partir de agora a mudança de política efetiva em relação às ações voltadas à questão habitacional desde 2003. com parte vindo de subsídios do FGTS e OGU e a outra maior parte dos recursos restantes anteriormente mencionados.

conforme poderá se verificar mais à frente. Tinha-se em 2003 um percentual de participação de 26% que quase duplicou em 2004 e comparado a 2009 mais do que duplicou. 27). bem como do considerável aumento nos investimentos federais. chegando a 72% e se estabelecendo como o maior percentual de atendimento. em articulação a políticas de habitação que envolvesse estados e municípios. OGU e FAT.33 Gráfico 2 . e na ocasião em que houve a publicação o percentual de entes federados que havia aderido ao Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social (SNHIS) pode-se dizer como relevante. Contudo. a média para o Brasil . Em relação aos custos médios com habitação. que o déficit habitacional começa a estacionar para em 2006 decair.SINAPI. É ainda a partir de 2004.Foco nos seguimentos de baixa renda (percentual de atendimento por faixa de renda) Fonte: MCidades e Relatório Caixa Econômica Federal (dados até 31/12/2009). Fontes de recursos: FGTS. segundo o Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil . a adesão ao SNHIS de 2006 a 2009 muda de feição e em 2011 passa a ser identificada com a necessidade de melhoria e efetivação. FAR. para a faixa de renda de até três salários mínimos. mesmo com a disponibilidade de recursos. conforme gráfico que se mostrará mais adiante. decorrência dos esforços do Estado na criação de condições institucionais que viabilizassem a nova política urbana e habitacional do Brasil.Política Nacional de Habitação” (2010. FDS. “esse movimento vem motivando o desenvolvimento institucional das administrações no setor habitacional”. De acordo com a publicação “Avanços e Desafios . frente ao atendimento das exigências necessárias para a adesão. de outubro de 2011. p.

76 807.73 727.07 4.22 0.87 5.99 5.92 730. para o período compreendido entre 2007-2023.13 5.18 6.99 1.26% de domicílios em assentamentos precários e 9.52 No ano 5.17 0.62 Tabela 1 .70 402. .76 5.52 410.22 407.19 26. Pernambuco. Diretoria de Pesquisas.13 5.Demanda futura por habitação Fonte: PlanHab.05 Variações percentuais Mensal 0.99 1.97 387.27 0.54 774.98 34. tem-se segundo publicação do Plano Nacional de Habitação (PlanHab) que em 2006 havia um déficit acumulado de novas unidades na ordem de 7.06 5.89 5.01 801. 2006 / CEDEPLAR. Isto representa um déficit total de 21%.90 3.20 5.83 8.73 5.26 0.24 7.90 Tabela 2 . à frente apenas do Rio Grande do Norte. entre os três menores custos médios por metro quadrado da Região. somados aos 3. 2009.11 12 meses 6.11 0. Numa projeção feita pelo PlanHab no período de 2007/2011 o déficit de novas unidades habitacionais era de quase 8%.86 7.67 818. conforme se pode observar na tabela abaixo: Áreas geográficas Custos médios R$/m2 BRASIL REGIÃO NORTE REGIÃO NORDESTE Rio Grande do Norte Pernambuco Alagoas Sergipe Bahia REGIÃO SUDESTE REGIÃO SUL REGIÃO CENTRO-OESTE 805.26 0. Elaboração: Consórcio Instituto Via Pública LabHab-FUPAM.24 6.33 4.72 7.08 6.11 388.83% de necessidade de complementação de infraestrutura.41 704.70 7.42 412.Custos médios com habitação Fonte: IBGE.08 759. Numa síntese do cenário das necessidades habitacionais totais.72 1.26 766. Logos Engenharia a partir de dados da Fundação João Pinheiro. Nota: estes resultados são calculados mensalmente pelo IBGE através de convênio com a CAIXA.11 Números índices Jun/94-100 403.01 405.83 2.e a Região Nordeste com o menor custo por metro quadrado e.94 383.20 388.65 4.38 1.67 (oitocentos e cinco reais e sessenta e sete centavos) e sem muita surpresa é na Região Sudeste que se identifica o maior custo habitacional por metro quadro com R$ 842.90 842.10 0. Coordenação de Índices de Preços.00 .9%.19 355. Demanda futura Especificação Necessidade de unidades novas Domicílios em assentamentos precários Domicílios com necessidade de complementação de infraestrutura Déficit acumulado 20072011 20122015 20152019 20202023 Total 2007-2023 Necessidades totais 7.96 0.26 9.34 seria de R$ 805.15 0.

169 49.859.023.417 Estados 6. Observa-se que o quantitativo indicado é sempre crescente.278 138.791 6.921 Total de recursos públicos 31.294. Logos Engenharia.Projeção orçamentária considerando o avanço de recursos do PAC Fonte: PlanHab. pois segundo Saúgo (2010. Mas que fique entendido como executar o planejado.833.348 8.674 Total de recursos públicos 26.620.330.072 Tabela 3 .000 Tabela 4 . Para isso acontecer. com qualidade.733. faz-se necessário que os entes federados cumpram a sua parte encaminhando nos prazos devidos os projetos que assegurarão os recursos existentes. Hoje existe diagnóstico e um plano de ação de ordem macro.645 27. para o período de 2008 a 2023.716 31. Dando continuidade à análise de atendimento da demanda anteriormente indicada existe outra previsão de orçamento da Proposta de Emenda Constitucional .666.295. resumo). Logos Engenharia.664.000 28.705 22.526 12. conforme segue abaixo (em R$ mil . Elaboração: Consórcio Instituto Via Pública LabHab-FUPAM.000 19.708 Estados 5.453.348. restando ao governo.411 6. 2009.985. fazê-lo com critérios que atendam de forma efetiva a quem será beneficiado.507.valores de dez 2007): Período (PPA) 2008/2011 2012/2015 2016/2019 2020/2023 Total (2008-2023) OGU 16.694 32.577 26.249. fomentadores e sociedade em geral fazerem acontecer executando o planejado.Projeção orçamentária adotando-se o percentual da PEC Fonte: PlanHab.822.486 105.396.772 9.127.647 17. Existem outras projeções de recursos para dar conta da demanda. 2009.PEC.303 77.534.398 43.731. no mesmo período da projeção anterior: Período (PPA) 2008/2011 2012/2015 2016/2019 2020/2023 TOTAL (2008-2023) OGU 19.977.266.305 5.400.35 Para atender tal demanda já existe previsão de orçamento pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em parceria com Estados e Municípios. diferentemente do modelo que existia nos anos de 1930.478.356 252.182 7. órgãos financiadores.287.144. .717 45.466.236.906.935.945 174. (Moradia Digna) também em parceria entre os entes federados.690 Municípios 4.425 85.302.514.249.853.400. que existe um interesse do governo no atendimento da demanda habitacional no país para a população de baixa renda.370 7.662 Municípios 5.043 71.536 11.343 7.981. Elaboração: Consórcio Instituto Via Pública LabHab-FUPAM.678 36.451 8. portanto. Vê-se.208 25.582.115 44.831.715.227.

Do It Yourself (“faça você mesmo”). como os moradores do entorno. Mercado Tecnologias de construção Quadro 1 .36 A sustentabilidade social em habitações trata da satisfação das exigências do bemestar do usuário a partir da consideração de fatores que abrangem a promoção da saúde humana.sustentáveis. conforme se pode observar no quadro abaixo. 43).Componentes pré-fabricados e padronizados. . Apesar da existência de parâmetros construtivos mais flexíveis. Requisitos dos produtos dos edifícios: . Este é um fato possível. A flexibilidade proposta está voltada para o aumento ou reforma de área construída pelo beneficiado.ANTAC indicam tendências de mudanças no macro-complexo da construção tanto em relação ao mercado quanto em relação às tecnologias de construção (LARCHER. . tanto os usuários da habitação quanto as pessoas envolvidas indiretamente. uma vez que já existem programas de habitação popular como o ‘Favela-bairro’ do Rio de Janeiro que recria o espaço nos moldes de vida da comunidade.PNHIS leva em consideração as necessidades dos usuários e esse é um critério importante de ser observado para que se possa ter na realidade brasileira. . . não se observa uma relação estreita de tais tendências com o real atendimento das necessidades dos que são beneficiados.Produtos com a lógica de subsistemas. com um histórico de tanta superação. 2005. com base em dados da ANTAC (2002). há que se considerarem peculiaridades relacionadas ao espaço. . por que gastar os recursos de qualquer forma ou sem critérios que atendam as necessidades do público em questão. segundo uma lógica de industrialização aberta. como a possibilidade de adaptar o padrão da habitação aos moldes do usuário e pelo próprio usuário. necessidades.flexíveis. Dados da Associação Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído . Então. Complementando a ideia da autora.de baixo custo de operação e manutenção.individualizados (ou customizados). Entretanto. . o atendimento das necessidades e aspirações bem como as características sociais e culturais dos indivíduos.Introdução de componentes DIY .Tendências de mudanças no macro-complexo construção Fonte: Larcher (2005). entendemos que a flexibilidade pode ser vista por outro prisma. . hábitos de vida e valores que os fazem construir uma identidade com o local de moraria em condições criadas por eles. p. A Política Nacional de Habitação de Interesse Social . intervenções com qualidade arquitetônica a favor da dignidade de quem será beneficiado.

No Brasil a relação do metro quadrado por pessoa para a habitação mínima é em torno de 10m2. Na atualidade. podendo resultar na viabilidade ou inviabilidade dimensional do espaço. serviços de infraestrutura e urbanos. meio físico. Palermo (2009. já que o seu desempenho depende do equacionamento das condições de construção. embora exista uma indicação de 12m2 por pessoa. 45) mostra a necessidade desses estudos prévios como garantia da suficiência. indo além de proporcionar segurança física. p. mas também satisfaçam as necessidades de subsistência. culturais. 4) é necessário que tais programas governamentais ultrapassem o conceito de abrigo. uma vez que países como Portugal e Espanha tem uma relação equivalente a nossa. 2010. da segurança e do conforto ao usuário do espaço. equipamentos comunitários. posição e renda social: Cabe à arquitetura.37 Conforme ressalta Pina (apud Moreira. legislação. há estudos que tratam da antropometria abordando a relação do corpo humano com o espaço habitacional e tudo o que o compõe. . o propósito de garantir que o espaço da moradia desenvolva-se em circunstâncias ideais. o que não está fora de padrões internacionais. de forma que as características antropométricas devem balizar o projeto arquitetônico. aspectos socioeconômicos. Reiterando essa ideia.

Resultado de um Ciclo de Conferências organizado na forma de Simpósio na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UnB.38 3 POLÍTICAS URBANAS E REGIONAIS NO BRASIL: DISCUSSÕES RECENTES O presente capítulo traz uma análise das reflexões de um estudo recente sobre Políticas Urbanas e Regionais no Brasil. Numa análise mais aprofundada da questão. aumentando de forma considerável o processo de favelização em grandes cidades brasileiras. a questão humana ao invés da econômica. que se deu todo um formato a uma sociedade. embalada com as determinações neoliberais e. da área de origem dos moradores reassentados da presente pesquisa. vale considerar o histórico que nos trouxe ao contexto atual que continua chamando aos governos a responsabilidade de pensar sobre a política habitacional sob o referencial de uma prioridade invertida. concentração de renda. 92). a concentração de renda com um agravamento da exclusão social e territorial. E é nesse contexto de priorização ao econômico. atrelado a uma desvalorização da moeda e redução do Estado. que se tem no estudo. exclusão social e territorial. 2011. e nesse contexto inclui-se a questão do adensamento urbano. CHAVES. por vezes atingindo áreas de proteção ambiental. inclusive. da Parte B . Nos anos 80 e 90 a recessão econômica aprofunda a desigualdade. Nesse sentido. contexto. publicado em formato de e-livro. tendo havido na verdade “um aprofundamento de um quadro histórico de cinco séculos de formação da sociedade brasileira” (MARICATO apud VIEIRA. O estudo traz que a partir da década de 70 tem-se a reestruturação produtiva em nível mundial. p. crise econômica e comprometimento ambiental. como resultado. o nosso foco de análise para esse estudo se deteve à abordagem relacionada aos Programas Nacionais de Habitação. um crescimento urbano acelerado.Habitação e Desenvolvimento Urbano do estudo. desenvolvida por Alessandra d’Ávila Vieira e Mirna Quinderé Belmiro Chaves no Capítulo IV .Política Nacional de Habitação: programas e resultados. adensamento urbano. numa perspectiva de perceber tais programas. bem como os seus resultados e o que trouxeram para a política habitacional brasileira. conforme as autoras ressaltam. tem-se que a desigualdade não se originou no que se conhece como as décadas perdidas. .

pontuam as autoras. p. o qual conduziu à constituição de um mercado em que uma parcela significativa da população se viu excluída desse mercado de bens duráveis. caracterizando para o estudo uma descontinuidade.2% do estoque habitacional urbano” de tais habitações (DAVIS apud VIEIRA. número e disposição dos cômodos. durabilidade. Essas condições se referem tanto aos aspectos da construção (dimensionamento.. tendo nas formas de financiamento ao acesso à terra urbana a consolidação desse processo de reestruturação urbana que exclui consideráveis camadas sociais dos mercados de consumo.. CHAVES.) quanto à carência e localização de sanitários.1986) foram construídas 25% das novas moradias construídas no país. p.. conforme Vieira e Chaves (2011) ressaltam.. O estudo ainda traz que no período de funcionamento do BNH (1964 . excrementos e deterioração [.] aquela que não oferece as condições mínimas de segurança. de um resultado cruel do processo de exclusão do direito ao espaço e à habitação que se desenvolveu não apenas no Brasil. Entre 1986 (extinção do BNH) e a criação do MCidades em 2003 a área governamental responsável pela gestão da política urbana e habitacional esteve subordinada a sete ministérios ou estruturas administrativas diversas. tamanho.” 7 .]. 2011. salubridade e não permite a seus moradores o atendimento de atividades como membros de grupos primários. estrutura etc. percentual indicado como insuficiente para o atendimento das necessidades que a urbanização brasileira trazia.39 consequências da “produção em massa de habitações subnormais7 nos países em desenvolvimento. gerando um processo de ocupação espontânea que fez a população urbana em cidades com mais de 20 mil habitantes crescer entre 1950 e 2000 de 11 milhões para 125 milhões. ausência de água encanada. A definição a ser considerada para a habitação subnormal na presente pesquisa será a do Comitê de Higiene e Habitação da Associação Americana de Saúde apresentada por Diogo (2004. num aumento extremamente significativo. numa situação de promoção de uma estrutura segregada social e espacialmente. que constituíam em 2011 78. cercada de poluição. de forma que “em vez das cidades de luz arrojando-se aos céus.” Trata-se na verdade. mas em toda a América Latina. material. fortalecido pelo caráter excludente e restritivo das relações fordistas de assalariamento na América Latina. O cidadão era excluído desse mercado ou porque trabalhava e o que ganhava não se enquadrava no perfil monetário estabelecido ou porque não trabalhava e tal situação levou a sociedade ao contexto de ter que administrar “um movimento sintomático de ocupação de terras urbanas”. boa parte do mundo urbano do século XXI instala-se na miséria. de ligação às redes de esgoto e de energia elétrica.92).28) que define a unidade habitacional subnormal como “[.

Segundo o estudo. objetivos e metas. cooperativas. Frente a esse cenário de políticas urbanas e regionais na realidade brasileira. passa pela aprovação da PNH através do Conselho das Cidades . gestão e controle. vindo indicar medidas políticas.124/2005. representada pelo MCidades. associações e movimentos sociais. cabendo ao ConCidades à função de acompanhamento. prevendo. além de identificar e atender as demandas referentes ao crescimento da população. o SNH tem a sua estrutura institucional composta por uma instância central com a função de planejamento. A reestruturação legal e institucional da política de desenvolvimento urbano do Brasil. avaliação e implementação do SNH e seus instrumentos. . caberia detalhar princípios e regras que norteariam as iniciativas públicas relacionadas ao direito à habitação. instituído pela Lei Federal nº 11. coordenação. assim. No que diz respeito à operação das fontes de recursos do Sistema. a mesma se dá através de sistemas distintos e com um gerenciamento de tais fontes diferenciado. estruturando uma rede de articulações entre todos os níveis de governo.40 resultando num comprometimento do potencial de planejamento e gestão estratégica que possibilitariam um enfrentamento da problemática com coerência de ideias. legais e administrativas com o objetivo de efetivação do direito à moradia. através do MCidades. de 16 de junho de 2005. visando enfrentar um déficit habitacional tanto qualitativo quanto quantitativo. a organização de um Sistema Nacional de Habitação (SNH) enquanto àquela instância que atuará nos esforços de fazer todos os níveis envolvidos no processo trabalharem de forma integrada. cabendo ao Sistema Nacional de Habitação de Mercado (SNHM) movimentações da área habitacional junto ao setor privado e ao Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social (SNHIS). Além do SNHIS a legislação também cria o Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social (FNHIS) e o Conselho Gestor do Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social (CGFNHIS). concorda-se com as autoras quando se considera a criação do MCidades como um marco político-institucional a partir do momento em que tal instrumento orientou os caminhos a serem seguidos e como agir por tais caminhos.ConCidades em 2004. com uma função deliberativa e participativa e a responsabilidade de aprovação dos programas que serão desenvolvidos com recursos do Fundo. o que só legitimou a necessidade de tal demanda. em médio prazo. de mercado.

as dificuldades para o cumprimento do prazo inicial. a deliberação. a avaliação. numa tentativa de evitar o inflacionamento do mercado de terras e construção de moradias inadequadamente que poderiam comprometer o desenvolvimento urbano.41 E para participar do SNHIS. Revista Brasileira de Habitação.4 milhões em áreas urbanas e 1. tais dificuldades se dariam em função das “décadas de falta de recursos para o setor habitacional. 20). a gestão. 2011 p. ressaltando ainda que em se tratando da questão habitacional. já se estruturaram durante esse período e passaram a existir. respectivamente (MCidades. é necessária que seja realizada uma adesão voluntária pelos entes subnacionais. O Sistema preconiza o planejamento. a implementação. o qual deverá ter similaridade de estrutura com o modelo nacional. através da constituição de um Fundo Local de Habitação de Interesse Social (FLHIS) e da criação de um Conselho Gestor de tal Fundo. no caso os estados e municípios. p. Revista Brasileira de Habitação. das quais 6. além da elaboração de um Plano Local Habitacional de Interesse Social (PLHIS). o qual passou de R$ 7 bilhões para R$ 62 bilhões (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada . conforme publicação da Revista Brasileira de Habitação (2011. Concorda-se com o fato da questão cultural de planejamento público no Brasil. dado o volume de recursos que envolvem o setor. 06).9 e 2. p.7 milhões. estando nas regiões Sudeste e Nordeste a maior concentração em valores absolutos.5 milhão em áreas rurais. o controle. mas recursos encontram-se disponíveis desde a criação do MCidades e segundo tal instância de 2002 a 2009 houve um crescimento de 785% no setor habitacional. Atualmente o Conselho Gestor do FNHIS tem como prorrogado o prazo para que os estados e municípios com mais de 50 mil habitantes concluam os seus planos habitacionais até 31 de dezembro de 2012. fazendo com que o planejamento. a coordenação.IPEA. O essencial na presente análise é uma observância dos dados existentes com um real comprometimento no que concerne à finalidade humana que o setor tem. conforme ressaltam as autoras. de forma que o mesmo se estrutura em instâncias que irão se integrar. 2011. que seria o final de 2011. a compatibilização de políticas. estaria relacionada à “ausência de uma cultura de planejamento público no Brasil”. 06) e equipes de consultoria tecnicamente preparadas. com um déficit de 2. Segundo representantes de 23 estados e do MCidades na reunião nacional sobre a temática em agosto de 2011. a participação e a aprovação . atualmente apresentando um déficit habitacional de 7. bem como ao fato de o mercado possuir poucas empresas de consultoria tecnicamente preparadas”.9 milhões de moradias.

desde 2010 com o PCM e desde sempre com o PREZEIS.Controle . o PLANHAB vem orientar o planejamento das ações no setor habitacional até 2020. Tratar-se-ia na verdade. enquanto componente de um processo de planejamento de longo prazo. privados e sociais e buscando a ampliação das fontes de recursos. direcionando recursos e apresentando estratégias para os eixos estruturadores da PNH.Avaliação . desde 2009 com o PMCMV.Implementação Efetivação do direito à moradia através do indicativo de medidas políticas.Gestão Acompanhamento . tendo como objetivo equacionar as necessidades habitacionais do Brasil. legais e administrativas Integração do trabalho entre as instâncias Interesse privado Interesse público Deliberação e participação Aprovação dos programas Figura 2 . 2012. de uma vontade política no sentido de priorizar e com isso incluir-se nas exigências de inserção no Fundo que desde 2007 com o PAC. .124/05) elaborado entre agosto de 2007 e dezembro de 2008 num processo coletivo que envolveu diversos segmentos do setor habitacional. p. com base em Vieira e Chaves (2011). 92-103. ainda tem-se o Plano Nacional de Habitação PLANHAB (previsto na Lei 11. Com previsão de revisões periódicas. através de uma política de subsídios. reforçando assim a capacidade institucional dos agentes públicos. articulando-se com os mecanismos de planejamento e orçamento.Infraestrutura institucional da questão habitacional no Brasil Elaboração: o próprio autor. com o objetivo de universalização do acesso à moradia digna para a população de baixa renda.Coordenação . Além de toda a infraestrutura existente.42 serão o resultado de uma estrutura de planejamento estratégico sobre a qual se terá a consecução de objetivos e metas plenamente definidos: Planejamento . tem-se o movimento da ordem de bilhões em investimentos. acredita-se.

43 Nesse sentido. e (d) Incentivos à adoção de mecanismos de política territorial e fundiária para a ampliação de áreas para a habitação de interesse social. O ideal. somando-se a tudo isso situações de extrema vulnerabilidade relacionadas ao domínio da violência. esgotamento sanitário. a qualidade ambiental do meio e a inserção e integração com a cidade através da disponibilidade de infraestrutura urbana e de acessibilidade ao mercado de trabalho e aos equipamentos públicos” (VIEIRA. insuficiência de serviços públicos básicos como saneamento. sem contar com a adequação do sistema viário e do parcelamento da área. enquanto . dentre as ações propostas pelo Plano elencadas pelo estudo tem-se: (a) Modelagem de subsídios e alavancagem de financiamentos para população de baixa renda. ocupação de áreas passíveis de alagamentos. Tais ações visam envolver as instâncias do setor habitacional no sentido de busca da efetividade da dignidade no contexto da moradia digna. as autoras caracterizam a questão da irregularidade fundiária e urbana. 2011. A recomendação é de que os projetos habitacionais devem prever a implantação de infraestrutura básica. educação e saúde. (b) Organização institucional e ampliação dos agentes do SNHIS. sistema de transporte insuficiente. é a reconstrução da unidade habitacional encontrar-se no mesmo perímetro da área que está sendo urbanizada. deslizamentos ou outros riscos. altos níveis de densidade dos assentamentos e das edificações. (c) Propostas e mecanismos de fomento para a cadeia produtiva da construção civil. 97). oneroso e com nível considerável de desconforto e insegurança. drenagem pluvial. a deficiência da infraestrutura. CHAVES. construção de equipamentos públicos. contemplando rede elétrica. Ao realizarem a abordarem dos aspectos de precariedade da moradia. coleta de lixo adequada. p. nas ocasiões em que houver a necessidade de promoção do desadensamento implicando no remanejamento de quem será reassentado. distância entre moradia e trabalho. iluminação pública. água. que no presente estudo compreende “além da edificação propriamente dita. atrelada à precariedade construtiva das habitações. contenção e estabilização do solo.

educação. através de regras acessíveis a todos os envolvidos. identificável. visando minimizar ao máximo os impactos. percebendo-os em seu direito a uma habitação digna e equipada com todos os elementos necessários ao atendimento de necessidades. comércio local. segurança. aceitando ou discordando. O setor habitacional tem passado por verdadeira revolução sob o aspecto dos investimentos. O reflexo desses investimentos é verificado na tendência de redução do déficit habitacional que segundo a Fundação João Pinheiro em 1991 abrangia mais de 15% e em 2011 estaria em cerca de 10%: . bem como nos R$ 21. mensurável. Uma ressalva do estudo com a qual se concorda é sobre a participação no processo de elaboração e aprovação da proposta por parte de quem será beneficiado. considerando que participar indica perceber-se no contexto. através de um resultado que refletirá a escrita de sua própria história. o que pode ser observado no fato de que em 2004 apenas 42% dos municípios brasileiros possuíam órgão específico para tratar da questão habitacional e em 2008 esse percentual sobe para 70% dos municípios.6 bilhões em intervenções em favelas com recursos do PAC em 2011. convivência comunitária e todas aquelas que se colocam como fundamentais à sustentabilidade do empreendimento. que trouxe a necessidade de os governos estaduais. sejam elas relacionadas à saúde. municipais e o Distrito Federal terem que reorganizar o seu setor habitacional para abarcar o novo contexto. esse contato direto com os beneficiários. a exemplo do PAC. lazer. acessível.44 uma postura de respeito aos laços de vizinhança e de trabalho. E é ao trabalho social que cabe tal transparência. mas fazendo-se valer da inserção em um processo em construção. A transparência nesse processo é na presente análise um elemento percebido como fundamental para a sustentabilidade da proposta habitacional. identificando ou refutando.

Segundo Vieira e Chaves (2011. gerando movimentação considerável no setor da construção civil e infraestrutura do país. a solução dos gargalos referentes à oferta para tal população estaria na criação do Fundo Garantidor mencionado. No setor público. estruturando-se para isso a criação de um Fundo Garantidor de Habitação . a redução dos O Programa Produção Social da Moradia . prevendo investimentos da ordem de R$ 34 bilhões e a meta de construção de um milhão de moradias.Tendência de redução do déficit habitacional brasileiro Fonte: SNH / MCidades. atuou com investimentos no setor habitacional por meio do FNHIS no contexto do PAC. que teria como função cobrir as prestações em até 36 meses com o intuito de as famílias não perderem o emprego ou passarem por perda de renda. frente ao agravamento da crise imobiliária dos EUA iniciada em 2008. 104. além do barateamento dos seguros Morte e Invalidez Permanente (MIP) e Danos Físicos do Imóvel (DFI).45 Gráfico 3 . O atendimento às famílias de baixa renda se deu através de melhores taxas de juros para financiamentos habitacionais. p. o financiamento que se dá através de estados.Pró-Moradia. 2011. com recursos do FNHIS. FGTS. p. e-livro Políticas Urbanas e Regionais do Brasil. através de repasse do OGU a entidades sem fins lucrativos vinculadas ao setor. segundo o estudo é através do PMCMV que o financiamento no setor habitacional vem fazer-se presente. Distrito Federal e Municípios é direcionado no setor habitacional à população de baixa renda de até três salários mínimos. 8 . No setor privado. Pró-Moradia8 e a partir de 2007 essas ações no setor passaram a integrar a carteira de investimentos do PAC Habitação. 105).FGHAB.

FAR e FDS até 2011 mais de 831 mil famílias em todo Brasil. p. através do SBPE. Expandindo-se do setor público e privado. especificamente para a habitação de interesse social. 2011. um aumento considerável tanto em contratações quanto no volume financeiro investido. Os investimentos no setor habitacional também atingem a produção habitacional via mercado.Financiamentos FGTS (R$ bilhões) Fonte: 10º Balanço PAC. Segundo o estudo. é no período de 2007 a 2009 que se identifica uma superação das metas inicialmente previstas no PAC em 99%. expandindo-se em 2004 através da Resolução nº 460 do Conselho Curador do FGTS. tendo havido no contexto do Sistema Financeiro da Habitação (SFH). e-livro Políticas Urbanas e Regionais do Brasil. 108. beneficia-se com recursos do FGTS. que a partir de 2003 passou a priorizar o atendimento das famílias de baixa renda.o equivalente a 54 mil unidades para R$ 34 bilhões . com renda abaixo de três salários mínimos.FAR/FGTS/subsídios/FDS * Não inclui contrapartidas nem contratações do Programa Minha Casa Minha Vida Nesse sentido. para créditos concedidos a pessoas físicas: Gráfico 4 . além de incentivos fiscais para a produção de imóveis para a baixa renda. os investimentos na área habitacional vêm se efetivando também através de Programas como o Crédito Solidário. que aportou investimento da ordem de R$ 362 milhões com recursos do Fundo de Desenvolvimento Social (FDS). proposta pelo MCidades e depois através das Resoluções nº 518 e 520 de 2006. introduzindo a concessão de subsídios para o financiamento a pessoas físicas com renda familiar mensal bruta de até cinco salários mínimos. * Evolução dos financiamentos . passando de R$ 3 bilhões em 2004 .o equivalente a 303 mil unidades em 2009: . através do FGTS.46 prazos e custas cartoriais.

111). com o investimento relacionado à assistência técnica. destina-se ao atendimento de elevada parcela da produção de habitações que acontece no mercado informal. . p. e-livro Políticas Urbanas e Regionais do Brasil. através de processos de autogestão. A partir de 2009. abrangendo as fases de sensibilização e adesão. até mesmo como forma de obtenção de novos recursos no âmbito do SNHIS. tendo sido criado com o objetivo de reduzir o percentual de habitações construídas sem qualquer aporte técnico. E para isso. p. agentes financeiros e sociedade civil. 109. numa tentativa de além de ofertar o serviço. esse programa passou a trabalhar nas modalidades de elaboração de projetos para produção habitacional e urbanização de assentamentos precários. a adesão ao Programa seria voluntária com um desenvolvimento de nível nacional.47 Gráfico 5 . conforme é ressaltado Vieira e Chaves (2011. por exemplo. O programa de assistência técnica. programa setorial e acordo setorial da cadeia produtiva com o setor público. 2011. produtividade e segurança. desenvolver-se institucionalmente com qualidade implica necessariamente em inserir-se no processo e colocar-se nesse contexto é comprometer-se com a elaboração dos planos locais de habitação. ainda.Contratações do SBPE (R$ bilhões) Fonte: 10º Balanço PAC. Tem-se. o Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP-H). sem qualquer suporte técnico que leve tal empreendimento a padrões mínimos de qualidade. E frente a tantas possibilidades de investimento. existente desde 2008 com a finalidade de organizar o setor tanto no que concerne à qualidade do habitat quanto à modernização produtiva. no contexto da cadeia produtiva do setor da construção civil. incutir uma cultura municipal de serviços técnicos.

mas principalmente qualitativa.48 Ressaltam ainda as autoras que. enquanto um considerável incentivo à capacidade criativa dos profissionais que podem estar envolvidos com a demanda habitacional no Brasil.Posição sobre as adesões ao SNHIS Fonte: Relatório de Gestão 2009 do SNHIS. tem havido diversas campanhas de adesão enquanto parte de uma ação nacional de mobilização. p. Trata-se de uma questão que precisa ser observada com um cuidado maior para sua efetividade. 112) os estados e municípios.SiAC e Sistema de Qualificação de Materiais. questionável. chegando à área da pesquisa tecnológica com as chamadas públicas de estudos e projetos da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) a R$ 15 milhões. em sua maioria. apenas na área habitacional. mas segundo Vieira e Chaves (2011. Desde que foi criado o SNHIS. p. O cerne das considerações finais está centrado na precariedade da moradia popular. 112.SiMaC. Sistema de Avaliação Técnica de Serviços e Obras . 9 . 2011. com ênfase na inovação tecnológica e implementação do Sistema Nacional de Avaliações Técnicas (SINAT) e na sustentabilidade. a princípio. não apenas financeira com a construção de moradias. Componentes e Sistemas Construtivos . e-livro Políticas Urbanas e Regionais do Brasil. ainda não cumpriram de forma plena condições previstas em lei para a estruturação institucional do sistema: Gráfico 6 . com espaços de morar que atendam às expectativas e necessidades dos seus moradores. a consolidação do PBQP-H tem a finalidade de fortalecimento do mercado nacional. estruturado com base na implementação de um conjunto de sistemas9. São várias as frentes de investimento. ao se refletir sobre todas as evidências relacionadas às oportunidades do setor da construção civil para a habitação de interesse social.

o setor habitacional e. a fragilidade da maioria das administrações municipais é o obstáculo principal para a implementação efetiva do Sistema. 10 . torna-se mister um comprometimento real de estados e municípios no cumprimento de prazos e metas estabelecidas pelo CGFNHIS para o atendimento das exigências previstas na lei que regula o SNHIS. respeitado o fator necessidade e as realidades orçamentária e cultural de cada região brasileira. com um olhar humanizado para os empreendimentos e preferencialmente contextualizado no âmbito de diretrizes nacionais. uma contradição e ao mesmo tempo objeto de tensão política frente às esferas estadual e nacional. A perspectiva para a continuidade de investimentos encontra-se na tramitação de proposta de emenda constitucional que em 2011 visava destinar 2% do orçamento da União e de 1% do orçamento de estados e municípios para a habitação de interesse social no Brasil.49 Apesar de constitucionalmente a competência sobre o ordenamento. Contudo. vai se refazendo e se reorganizando. legislação e gestão do uso e ocupação do solo ser municipal. além de somar-se a dificuldade de definição de diretrizes nacionais. de forma especial o público. apesar da disponibilidade de recursos. visando mesmo uma efetividade das adesões para a realização dos recursos disponíveis. A pontuação conclusiva da presente abordagem coloca que com a continuidade dessa disponibilidade financeira10. mesmo com o diagnóstico do Relatório de Gestão 2009 do SNHIS. rumo a uma consolidação do SNHIS no Brasil.

consequentemente. A ORIGEM DE RECURSO E SUA INFLUÊNCIA NO METRO QUADRADO CONSTRUÍDO O acesso a várias matérias sobre empreendimentos construtivos. Estadual. da Revista Brasileira da Habitação dos anos de 2009 e 2011. em detrimento da origem de recurso que em primeira instância determinou a possibilidade de um maior investimento e consequentemente a construção de apartamentos e/ou casas maiores nos fez chegar até aqui. no contexto da habitação de interesse social. considerando a origem de recurso como apenas Federal ou todos (Municipal. o metro quadrado construído possui maior consideração e. a relação diferenciada do metro quadrado construído para cada região brasileira. conforme gráfico que segue abaixo: Gráfico 7 . percebe-se que nas regiões Sul (44.1.O metro quadrado por Região considerando o recurso predominante Fonte: Revista Brasileira da Habitação. a necessidade de maior investimento. Federal e Iniciativa privada).84 m2). elaborou-se o Apêndice F do presente trabalho de pesquisa. 2009/2011.50 3. com recursos do Governo Federal. em andamento e já concluídos aqui no Brasil. aonde se confirma a concentração de recursos com o maior custo habitacional por metro quadrado na Região Sudeste. situação já identificada anteriormente nos custos médios com habitação apresentados pelo SINAPI de 2011.75 m2) e Sudeste (41. . a partir do qual se calculou a média do metro quadrado construído por região. Elaboração: o próprio autor. Com base nos dados publicados em 2009 e 2011. Numa análise geral do que o gráfico indica. 2012.

51 Nas Regiões Nordeste. . mas essa é uma questão que precisa acontecer para todas as regiões brasileiras. sem distinção e sem que haja a necessidade da dependência da origem de recursos. haja vista que quanto maior for o número de habitações contratadas. 34.Curitiba/PR. apenas com recursos do Governo Estadual.25 m2 e 33. As regiões são diferentes e necessitam de um atendimento que esteja de acordo com a sua peculiaridade regional. em seu art. estes últimos identificados apenas na Região Centro-Oeste com a construção de 1. foram determinantes para o metro quadrado construído e consequentemente para o total investido a origem do recurso e a região geográfica. um direito a ser efetivado e um dever a ser cumprido e já previsto na Declaração Universal de Direitos Humanos e na nossa própria Constituição. Sem o incentivo federal.Campo Grande/MS. têm-se a totalização média de 41. que o total contratado de habitações interfere nos custos. por exemplo. Centro-Oeste e Norte.406 unidades habitacionais para o Residencial Boa Vista. que classificou a moradia como um direito social. identitária dos indivíduos que em dado contexto são beneficiados na área habitacional. 6º. tornando evidente uma diferenciação regional já combatida por Celso Furtado11. pois se trata de um projeto de Estado.1m2. Numa análise detalhada das informações levantadas. por exemplo. mas essa não é a questão primordial da presente análise. ao lado das Regiões Sul e Sudeste.12 m2. Sabe-se. a Região Nordeste decai para o patamar de 38. 11 A esse respeito ver Celso Furtado em A Formação Econômica do Brasil (2005). A Região Nordeste. com recursos do Governo Estadual e da CAIXA. municipal e da iniciativa privada. respectivamente. do status ou das condições orçamentárias da região. como pode ser observado no Apêndice F a posição da Região Sul com o maior metro quadrado construído dentre todas as regiões. cultural. para a construção de 100 mil moradias pelo Programa Morar Bem Paraná . que não necessariamente precisam de tal incentivo para investir mais. com recursos advindos tanto da esfera federal quanto estadual. maiores serão as possibilidades de negociação de um custo menor que poderá refletir na possibilidade de construção de habitações com maior qualidade. constou entre as regiões com o perfil de metro quadrado construído entre 40 e 45 m2 quando a origem de recurso federal esteve presente.16 do metro quadrado construído. em Chapadão do Sul .

a oeste com o município de . De acordo com estudos e pesquisas da Prefeitura do Recife.52 4 O BAIRRO DE MONTEIRO EM RECIFE/PE 4.br/pr/secplanejamento/inforec/mapasRPA3. 2012.php>.pe.gov. Figura 3 .Região Noroeste.recife. a região limita-se ao norte com a RPA 02 e com os municípios de Olinda e Paulista.1 CARACTERIZAÇÃO DO BAIRRO 4. através da Diretoria Geral de Urbanismo da Secretaria de Planejamento. RPA 03 Fonte: Prefeitura do Recife. 2012.1. Urbanismo e Meio Ambiente.1 Localização e acesso O bairro de Monteiro é pertencente à terceira região político-administrativa da cidade do Recife (RPA 03). Acesso em 10 jun. Disponível em: < http://www.

Perfil Sócio-Econômico da RPA 3. A RPA 03 é a mais extensa do Recife com 7.Dois Irmãos 23 . .Localização do bairro de Monteiro na RPA 03 Fonte: Prefeitura do Recife.Aflitos 05 .981 habitantes.Parnamirim 08 .Apipucos 21 .Graças 03 . A região é composta por 29 bairros.Mangabeira 15 . conforme pode ser observado: 29 29 28 28 27 27 26 26 24 24 22 22 21 21 20 20 01 .Passarinho 28 . Poço da Panela.Nova Descoberta 25 .Casa Amarela 14 .000 domicílios.Alto do Mandu 13 .731ha.Casa Forte 10 .Brejo do Beberibe 26 .Córrego do Jenipapo 24 .Macaxeira 20 . O bairro de Monteiro faz limite com os bairros de Apipucos.Espinheiro 04 .Tamarineira 07.Alto José do Pinho 16 .Brejo da Guabiraba 27 .Derby 02 .Santana 09 . dentre eles Monteiro.Pau Ferro 23 23 25 25 19 19 12 12 11 11 18 18 17 17 16 16 15 15 14 13 13 09 09 10 10 08 08 07 07 06 06 05 05 04 03 04 03 02 02 01 01 Figura 4 . 2002.Guabiraba 29 .53 Camaragibe e ao sul/sudoeste com o rio Capibaribe e RPA 04.Morro da Conceição 17 .Alto José Bonifácio 18 .Jaqueira 06 . distribuídos por mais de 60.Poço 11 .Vasco da Gama 19 .Sítio dos Pintos 22 .38% da área da cidade e ocupada por 312. Alto do Mandu e Casa Amarela.Monteiro 12 . representando 35.

54 Mapa 1 . Diretoria de Informações/Assessoria Técnica. 2012.Base cartográfica do bairro de Monteiro Fonte: Prefeitura do Recife. Secretaria de Controle e Desenvolvimento Urbano e Obras. Elaboração: PCR. .

3. com uma proporção de mulheres responsáveis pelo domicílio de 42.204 mulheres. contexto bem diferente do encontrado em 2000 quando a concentração nas faixas etárias se dava de 15-39 anos e 40-59 anos.8 hectares a menos se comparado a 2000. o bairro possui uma área territorial de 53 hectares.37%. Espinheiro.55 A localização das terras onde hoje o bairro se encontra localizado fizeram parte do Engenho Várzea do Capibaribe. O bairro nasceu de uma povoação. Santana.1. . Graças.61 hab.9%).12%). acompanhado do Derby. Jaqueira.8%). tem-se a ocupação até o final do século XVIII por sítios e por engenhos canavieiros de Santana a Monteiro.917 habitantes (2.85% e 3. Tamarineira.4 habitantes. Em linhas gerais. Em termos étnicos. 54.15% aproximadamente)./há. Possui uma população residente de 5. Parnamirim.2 Evolução do espaço urbano As abordagens que seguem para todos os tópicos seguintes refletem o resultado de estudo analítico realizado pela Secretaria de Planejamento.3% . com um clima agradável e destino de veraneio. parda (38. Urbanismo e Meio Ambiente . densidade demográfica de 111. Aflitos. preta (6. Durante o processo de desenvolvimento urbano da RPA 03. Apipucos e Poço da Panela. a população do bairro se distribui da seguinte forma: branca (53. também conhecido como Engenho do Monteiro. amarela (0.98%) e indígena (0. 4.713 homens. Casa Forte.2%). Computa ainda em 2010 uma taxa de alfabetização de 96. indicando que o surgimento de um bairro amadurecido.superior à encontrada em 2000. 45. A média de moradores por domicílio é de 3. O Bairro de Monteiro se insere no contexto das maiores transformações espaciais da Região.SEPLAM da Prefeitura do Recife. população com maior concentração nas faixas etárias de 25-59 anos e 60 anos e mais. de 92.02%. tendo vivido sua melhor época em meados do século XIX.

4. Diretoria de Informações/Assessoria Técnica.31 89.234 312. área e densidade.704 3.Centro 02 .32 70. O bairro situa-se na Região distinguindo-se pela qualidade ambiental.650 1. Censo Demográfico 2010. Apipucos. dentre outros.39 20.731 4.997 3.35 18.690.537. caracterizava-se pela baixa densidade construída . 2010 FONTE: IBGE.15 24. Monteiro.146. Elaboração: PCR.38 13. segundo RPA.981 278.796.21 88. no contexto dos bairros que fazem parte do conjunto urbano de Casa Forte (Parnamirim.3 Dados populacionais e de domicílio Informações do Censo de 2010 indicam que a Região aonde o Bairro de Monteiro se encontra localizado caracteriza-se por possuir a menor densidade (40. justificada pela presença de matas localizadas na Guabiraba.Sudoeste 06 .1. além de se encontrar inserido nas proximidades de espaços detentores de inquestionável valor histórico e arquitetônico.88 100.08 14.213 2.200 98. . Casa Forte.778 382.63 Área ² (ha) 1.48 40.892 21. Recife.537 1.82 149.14 17. Santana. que sem dúvida vem comprometendo as qualidades ambientais da Região enquanto referência histórica para a Cidade. Secretaria de Controle e Desenvolvimento Urbano e Obras.População residente.114 221.547 8. Apipucos e Poço da Panela).00 Densidade Demográfica (hab/ha) 50.48 hab/ha).947 263. o bairro acompanha um forte processo de verticalização focado em Casa Forte e iniciado enquanto um processo de substituição do estoque construído para a Região.480 7.56 Até a década de 70 o bairro juntamente com os outros indicados acima.bem como pela ocupação horizontal de moradias unifamiliares.Norte 03 .48 66.448 % 5.Oeste 05 .Noroeste 04 . o que lhes conferia considerável qualidade ambiental.Sul Total RMR Pernambuco 78. excepcional Unidade de Conservação. Atualmente. a exemplo do casario de Apipucos com a sua Igreja.315 Tabela 5 . Localizado próximo a Apipucos. Dois Irmãos.01 98.850 277. Sítio dos Pintos e Pau Ferro: População residente RPA Total 01 . o bairro é beneficiado pela considerável cobertura vegetal que a Região possui.

750 321 922 834.40 0.685.430 5. sobre esse aspecto da faixa etária.01 Tabela 6 .24 2. segundo bairros FONTE: IBGE. o Bairro de Monteiro apresenta o maior percentual na faixa etária de 14 a 64 anos (69.110.537.276 1. encontra a situação de 5.448 0 a 14 anos 1.00 Crescimento Absoluto 2000 .72% e 64 anos e mais com 6.54 0.660 7 276 1.917 7.422.558 2. em 2000.547 % sobre Recife 2000 2010 0.178 habitantes no bairro de Monteiro. (*) População residente.704 3.035 70 anos ou mais 603 104 315 238 84.690. Secretaria de Controle e Desenvolvimento Urbano e Obras. Diretoria de Informações/Assessoria Técnica. Em 2010. entendendo-se aqui que se trata de um bairro em processo de envelhecimento. houve do ano 2000 para o ano de 2010 um crescimento absoluto de 1.911 2.046 2 566 4. ficando a faixa etária de 0 a 14 anos correspondendo a 23.644 Tabela 7 .275 -480 1.População residente por grupos etários e população ignorada.57 Do total populacional de 4. Secretaria de Controle e Desenvolvimento Urbano e Obras. o Bairro de Monteiro acompanha a tendência da Cidade do Recife: População residente (habitantes) Bairro Casa Forte Dois Irmãos Monteiro Sítio dos Pintos Total RMR Pernambuco Total 6.17 0.917 residentes para 1.565 3.224 170.33 0.750 2.256. Elaboração: PCR.616 114. E conforme pode ser observado.172 1.982 Taxa média geométrica de crescimento anual (%) 2000 .547 8.175 domicílios.739 habitantes. com uma taxa geométrica de crescimento anual no período de 2.178 1. Censo Demográfico 2010.1. 4.31 0. Até o ano 2000.2010 4.337.704 3.739 pessoas para 1.44 0. Diretoria de Informações/Assessoria Técnica. equivalendo a 38% do percentual populacional de Recife em 2010.20 -1.70 2.739 5 917 5.796. constitui-se pelos moradores em domicílios na data de referência do Censo.131.21 0.24%: População Residente Bairro Casa Forte Dois Irmãos Monteiro Sítio dos Pintos Total RMR Habitantes 2000 2010 4.858 4.288 1.537.769 15 a 69 anos 5. gerando na atualidade uma diferença de 4.145 1.905 1.254 6.799 352.4 Densidade demográfica No contexto da distribuição da população por faixa estaria.78 1. o Bairro de Monteiro já enfrentava uma diferença da demanda em relação à oferta com uma população residente de 4.41%.742 domicílios.Diferença entre a população de 2000 e 2010 e taxa média de crescimento geométrico anual FONTE: IBGE. .229 domicílios.475 6 750 3.382 429.38 0. Elaboração: PCR.2010 2. Censo Demográfico 2010.566 5.002 604 1.47 100.97%).690.

537.770 1. mas a qualquer destino não residencial que seja dado ao imóvel.819 1.953.736. de onde se infere que o mesmo situa-se numa Região valorizada imobiliariamente.836 101.781 7.176 4.População residente por sexo e situação de domicílio.713 3.690.346 3. o qual não se refere apenas a edificações destinadas ao comércio.238 896.537.589. Censo Demográfico 2010.315 3.1.885 1.448 Homem 3.565.58 Com uma população totalmente urbana.495 709.204 5.997 Tabela 8 .025 47.717.704 3.917 2.371 54. que ocupa inclusive a terceira colocação no que diz respeito à valorização patrimonial de sua área.251 1.547 8.713 3.917 7.90% do IPTU comercial da Cidade do Recife.251 2.907.681.014 3.767 7.340 3.844 3. acompanhando a tendência da Cidade do Recife que possui um total absoluto maior de homens que o de mulheres: População residente (habitantes) Situação do domicílio e sexo Mulher Urbana Rural Total Homem Mulher Total Homem Mulher 3. 4.052.796.276 3.819 1.704 1.334.781 - Bairro Casa Forte Dois Irmãos Monteiro Sítio dos Pintos Total RMR Pernambuco Total 6.315 2. segundo bairros FONTE: IBGE. galerias e serviços especializados potencializam os indicadores do IPTU comercial.736 1.703 4.210 827.21%.885 1.241 847. Monteiro localiza-se entre os bairros com maior valor médio lançado para o IPTU comercial da RPA 03. Elaboração: PCR.495 709. conforme dados da SEPLAM (2001): . ficando atrás apenas da RPA 06 (sul).230.750 3.566 5.5 Economia Situa-se numa Região aonde o comércio com a existência de shoppings. o bairro de Monteiro tem uma predominância de pessoas do sexo feminino. tendo o 2º maior valor médio lançado do IPTU comercial.566 1. respondendo por 17.736 6.744.276 1.440 3. Diretoria de Informações/Assessoria Técnica. Secretaria de Controle e Desenvolvimento Urbano e Obras.750 2. A representatividade da Região em relação ao total da cidade totaliza 12.681 827.204 3.014 1.

os instituídos por exemplares isolados.569.605 Valor lançado* UFIR (%) 48.60 100.873.21 0.93 1.50 661.32 0.ZEPH por possuir em sua área 24 sítios tombados do século XVIII em situação de preservação rigorosa.69 0. artístico e/ou cultural que interessam à cidade preservar (SEPLAM. segundo RPA e bairros FONTE: PCR / Secretaria de Finanças. Ilha Temporal.628. de arquitetura significativa para o patrimônio histórico. em uma área de 106.083.IEP.00 2.6 Macrozoneamento e importância histórica Sob a perspectiva do macrozoneamento estabelecido pelas Zonas de Diretrizes Específicas ZDE.1.70 129. dentre elas Cabocó.60 4. valor lançado e valor médio lançado.30 28. .12 5.660 160 18 39 7 100.00 2.176/96 .950m2. mas também por seu local e valor urbano e pela história construída por cada uma das comunidades que coexistem em sua realidade de habitar.23 Tabela 9 .022.IPTU não residencial: total de imóveis.377. Vila Esperança e Vila Inaldo Martins de Souza.48 0. a Lei de Uso e Ocupação do Solo também considera como Imóveis Especiais de Preservação .83 0.580. (%) 50.877.70 809. o Bairro de Monteiro abriga quatro áreas pobres. (*) Inclusive. 4.18 RPA e Bairro RMR RPA 3 NOROESTE Casa Forte Dois Irmãos Monteiro Sítio dos Pintos 5. O Bairro de Monteiro é um bairro importante não apenas territorialmente por abrigar quatro áreas pobres das 112 existentes na RPA 03. Além da ZEPH.037. taxas de limpeza pública e taxas de serviços diversos.456.81 1. 2001.755.80 39.59 Total de imóveis Abs.08 1. 2001) e o Bairro de Monteiro também possui tal realidade.Lei de Uso e Ocupação do Solo.68 0.3 Valor médio lançado (UFIR) 950. Tais comunidades inserem-se no contexto das Zonas Especiais de Preservação dos Sítios Históricos . definidas pela Lei nº 16.

mas já tinha a obra da alcatifa. A partir do momento em que o poder público tomou conhecimento da invasão. mandou derrubar tudo. o único barraco que ficou em pé foi onde tinha uma menina que tava grávida de oito meses. Secretaria de Estado de Agricultura. pegar tábua. a gente começava a fazer. as ações de retomada da área se iniciaram através de muitos atritos: O atrito durou muito aqui. botar lama. e convivendo de forma harmoniosa. ela sentou e disse: Daqui eu não saio e ninguém me tira! Então aí só esse barraco ficou de pé. do papelão. a liderança comunitária da área e técnicos sociais do PREZEIS/ Empresa de Urbanização do Recife . O agente social principal identificado no contexto de pesquisa é a Prefeitura da Cidade do Recife e suas instâncias de fomento voltadas à diminuição da vulnerabilidade social. com o conceito de comunicação sob o referencial habitacional. Não tinha nenhum barraco assim de madeira. tinha uma delegada que encarnava! Uma vez ela entrou aqui dentro da Vila. abordar a identidade em relação ao lugar de moradia. para em seguida dialogar-se com a questão habitacional enquanto um direito. do compensado. Edivaldo da Paróquia de Casa Forte. . mas era através dele o acesso para poder invadir e de forma programada. Relatos de moradora da comunidade indicam que tudo se iniciou em 23 de março de 1987. bater prego até o carro da polícia chegar.60 5 FORMULAÇÃO DO PROBLEMA Situam-se entre os atores sociais da presente pesquisa os moradores reassentados da Comunidade Vila Esperança. Aí saía os policiais dizendo: Pára tudo! Por sinal. com o conceito de identidade nas ciências sociais e.URB. A construção da problemática da pesquisa passará pela história da Comunidade Vila Esperança. invadindo a localidade com 23 pessoas. às 20h. o qual ainda hoje ajuda a comunidade. nem de telha.SEAPA. Pe. Mandou derrubar tudo. que não mora mais na comunidade. pegar pau. no contexto contemporâneo. Foi assim. Pecuária e Abastecimento . todos os barracos. derrubou tudo! A comunidade tem sua história forjada na resistência da luta pelo espaço de moradia e se tornou o que é hoje recebendo moradores de outras áreas como o Alto Santa Izabel. Nos momentos de resistência a comunidade recebeu apoio de várias frentes: vereadores. O cabeça e articulador da invasão foi um morador chamado Miminho. por exemplo.

trabalha. receberam ajuda para a reconstrução das casas. 2º e 25º a “igualdade e dignidade para todos os . A luta da Comunidade Vila Esperança não se restringia apenas a ficar no local. Desabrigados. mas também de sobreviver a todas as cheias do Rio Capibaribe. apesar de o estatuto ter sido registrado em nome de Ismael.] material e mão de obra. conforme relato de Dona Zelha.. em especial a do ano de 1975.61 Passados os momentos de agonia nas inúmeras resistências que se sucederam. que tem casebres e que tem quartinho. quando já se encontravam nas proximidades da área atualmente ocupada. Os técnicos que tão andando por aí fazendo cadastramento. permanecendo até hoje. que teve como primeiro presidente “Seu Roque”. mas ter uma moradia descente. nem todo mundo quer morar a vida inteira num lugar desse. encaminhando-nos ao próximo tópico de construção da presente problemática: [. tem que ser pobre. E não se trataria de querer morar a vida inteira de forma não digna. Pelo menos.” As atividades culturais da comunidade sempre envolveram crianças e adolescentes na participação em grupos de dança ou no Museu do Açúcar. o pessoal daqui não são acomodados.. a qual reivindica respectivamente em seus artigos 1º. chegou o momento de serem desenhadas articulações que culminaram com a constituição de Comissões de Trabalho que trouxeram para a comunidade água. refeitas por eles mesmos: “[. começaram a ser feitas casas com madeira reaproveitada e quem podia construía de taipa e apenas depois é que iam surgindo as construções de alvenaria.. A partir daí foi havendo articulações entre as pessoas e quando Ismael saiu da presidência da Associação Dona Elza assumiu. para 18 casas e tudo foi doado. Então.. Com o tempo. que finaliza a história da comunidade descrevendo a situação de quando o habitacional atualmente entregue ainda não havia nem saído do papel. em 10 de dezembro de 1948. mas sim de morar de forma digna por se tratar de um direito e é nesse sentido que se abordará a partir daqui a habitação enquanto um direito. foram eles que fizeram as casas.. luz e uma associação. ocasião em que os moradores tiveram que se abrigar na Escola Silva Jardim.. O direito à moradia vem sendo alvo de debate enquanto um direito fundamental desde a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DHDH) adotada e proclamada pela resolução 217 A (III) da Assembleia Geral das Nações Unidas. tá vendo que tem casas.] O maior problema da Vila é cada um ter sua moradia decente que nem todo mundo tem.

quatro paredes e um telhado. à saúde e ao bem-estar. haja vista que levar em consideração o alojamento como necessidade humana não significaria dizer que os governos devessem prover a todo o seu cidadão terra. fazendo-se perceber no texto da Constituição Brasileira enquanto uma preocupação com valores institucionais de tripla dimensão (fundamentadora. dando-lhe significado e principalmente unidade. livres e justas. a esse respeito.hrea. o desenvolvimento de materiais ou programas educacionais e a formação de redes comunitárias.org/index. Disponível em: <http://www. Nele.php?doc_id=412>. para que o exercício de morar possa ir além de um exercício de sobreviver. a democracia implica na solução da problemática das condições materiais de existência. Em relação às Constituições anteriores. 13 Organização internacional não governamental que apoia há mais de 15 anos a educação e a capacitação de ativistas e profissionais em direitos humanos. enquanto um direito humano que é. estabelece-se uma chamada de responsabilidade ao Estado no âmbito de intervenções políticas que proporcionem meios e facilitem o acesso a moradias. dedicando-se à melhoria dos processos de educação e capacitação que promovam o entendimento. O acesso a uma habitação precisa responder a necessidades fundamentais relacionadas à segurança. No Brasil. conforme é ressaltado Piovesan (2009). 2012. é momento de a Constituição de 1988 perceber o valor da dignidade da pessoa humana como valor essencial.62 seres humanos. Acesso em 05 jun. nesse contexto. como a educação. a partir do momento em que também não se efetivam outros direitos que poderiam instrumentalizar o cidadão a conquistar o seu direito à habitação. tendo sido criado para ultrapassar a ideia utópica de transformação social e assumindo o objetivo da igualdade e tendo na lei um instrumento de reestruturação social. agindo como fortalecedor da participação pública em inúmeros seguimentos. por exemplo. por meio da tecnologia de cursos a distância online. o princípio da não discriminação” sem qualquer tipo de distinção e o “direito a cada ser humano a um padrão de vida condigno” e. o que amplia de forma considerável o campo dos direitos e de garantias fundamentais. alicerçando um estado democrático de direito12 embasado na cidadania e na dignidade da pessoa humana. contudo. A Human Rights Education Associates (HREA) 13 traz à discussão a questão de que a garantia do acesso à habitação levanta questões complexas sobre até onde ir à obrigação governamental. ações e atitudes voltadas para o respeito aos direitos humanos e que fomentem o desenvolvimento de comunidades mais pacíficas. . 40 anos depois. orientadora e crítica). tem-se um verdadeiro diferencial porque é a primeira vez que uma Carta vem assinalar os objetivos fundamentais do Estado com o intuito de efetivação da dignidade da pessoa humana na prática. 12 Estado Democrático de Direito tem no presente trabalho o entendimento de ser um elemento transformador da realidade que ultrapassa o aspecto físico de efetivação de uma vida condigna para o ser humano.

culturais e sociais específicos de cada Estado. com uma boa localização e que expresse a identidade e a diversidade cultural de quem é beneficiado. não se resumindo ao espaço físico. infraestrutura e equipamentos públicos. como o direito à família e ao descanso e lazer. conforme é definido pela Human Rights Education Associates (2003): Habitação condigna significa [.63 garantindo um alcance à satisfação de direitos no contexto dos fatores econômicos. como o Pacto Internacional sobre os Direitos Econômicos. Um espaço que não deveria ser objeto de política ou visto sobre o prisma de ser uma mercadoria. como a Convenção nº 97 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre Migração e 14 Disponível em: <http://www. trazendo consigo o atendimento a outros direitos humanos.org/index. formas de viver e de identidade com a realidade de moradia. Acesso em 05 jun.. 11º. pelo PIDESC ou pelo CDESC. em sua Observação Geral nº 4. . inclusive. mas que vai além e que vem sendo mencionado e reforçado em inúmeras instâncias internacionais. iluminação e ventilação adequadas. não apenas previsto pela DHDH. Nesse sentido. A relevância da discussão se posiciona a partir da presença da mesma nos inúmeros documentos internacionais que têm fomentado o direito à habitação (HREA.php?doc_id=412>. reconhecendo o direito de toda pessoa a um nível de vida adequado e extensivo a todos. nº 1 e o Comitê dos Direitos Econômicos. a partir do momento em que se constitui como um lar. desenvolvido em meio a valores. por exemplo. no seu art. Sociais e Culturais (CDESC). levando a uma interpretação da habitação enquanto “habitação condigna”. enquanto um espaço habitável que dispõe de serviços. Sociais e Culturais (PIDESC) de 1966. Um direito. voltado a quem realmente precisa.] privacidade adequada. espaço adequado. com o intuito de efetividade de tal direito. É um direito que busca por um padrão de vida digno. 2003) 14.tudo isto a preço razoável.hrea. 2012. esse direito se coloca com um significado amplo e ligado a outros direitos humanos considerados como fundamentais. segurança adequada.. Trata-se de um direito que contempla o respeito ao específico do ser humano no atendimento as suas necessidades de habitar. infraestruturas básicas adequadas e localização adequada relativamente ao local de trabalho e equipamentos básicos .

identificar-se com ele e. nesse sentido. a Agenda HABITAT e o Plano de Ação HABITAT (1996) a Declaração de Istambul sobre os Povoamentos Humanos (1996). a Declaração de Copenhaga sobre o Desenvolvimento Social e Programa de Ação (1995). a qual só se torna fator de sociação15 apenas quando transforma o que a constitui (impulso. se o ser humano enquanto detentor de elementos simbólicos. No Brasil. p. uma parte cobrando o que lhe é direito e a outra fazendo o que lhe cabe enquanto um dever.).] sociação é a forma (realizada de incontáveis maneiras diferentes) pela qual os indivíduos se agrupam em unidades que satisfazem seus interesses [.. instâncias que realmente vieram estruturar um caminho já há algum tempo em construção. 6º) e finalizam-se em 2004.” 15 . que a satisfação de interesses no contexto social depende de uma significação que faz surgir a interação entre indivíduos na sociedade. é sob esse aspecto. Assim sendo... que o fazem interagirem.64 Emprego (1949). Entende-se. o histórico apresentado no Capítulo 2 mostrou que a efetividade de iniciativas e mecanismos que reforçam o direito à habitação de interesse social se inicia em 2000 com a Emenda Constitucional 26 (art. cabendo ao poder público e à sociedade em geral fazer com que tal direito seja garantido com plenitude.] “esses interesses formam a base das sociedades humanas [. através da instituição do SNHIS.. do FNHIS e do CNHIS. dentre outras instâncias que estruturaram a base que justifica o reforço. já com o Estatuto da Cidade criado em 2001. etc. não confere significado a tais elementos no sentido de se comunicar e se identificar. para Simmel (1983.]. nesse sentido. a importância e valorização da questão habitacional. levando-se em consideração os instrumentos legais que legitimam a qualidade e encontram-se embasados numa perspectiva de atendimento à cidadania e à dignidade da pessoa humana.. 166) tudo que está presente no ser humano que possa manter influência sobre os outros é considerado como matéria.. que se considera relevante analisar a Na definição de Simmel “[. ficará comprometida e. o mero agregado de indivíduos isolados em formas específicas de ser com e para um outro. A inefetividade do direito a uma habitação que responda às necessidades e expectativas de quem é beneficiado é algo a ser superado pelos governos. a satisfação desses interesses que segundo Simmel formam a base das sociedades humanas. interesse. propósito. a Declaração de Vancouver sobre os Povoamentos Humanos (1976). E responder a necessidades e expectativas é entender que a população beneficiada precisa se comunicar com o espaço habitacional recebido.

A questão da identidade é sem dúvida no contexto habitacional um dos elementos que conferem tanto a efetividade do direito quanto da sustentabilidade social do empreendimento construtivo. comunicar-se com o ambiente e nesse contexto ir . identificar-se com o espaço de moradia torna-se fundamental para que o mesmo se mantenha sem ser objeto de repasse ou depredação. Dentre as significações possíveis. estabelece com o mesmo identidade. cuja raiz localiza-se em idem. 2001). identidade registra aquela que especifica “um conjunto de características e circunstâncias que distinguem uma pessoa ou uma coisa e graças às quais é possível individualizá-la” (HOUAISS.65 efetividade da interação das 16 famílias da Comunidade Vila Esperança em relação ao habitacional proposto pelo PREZEIS. pois. aquele elemento do contexto social que faz a diferença no sentido de ser a partir dele que o indivíduo dialoga com a realidade em que vive e. a mesma coisa”. da relação existente entre indivíduo e sociedade. Ciampa (1989) considera a identidade como algo em movimento. encontrando-se numa relação dialética com a sociedade. no contexto habitacional. concretizando-se o processo de identidade com a moradia. VILLAR. É dessa forma que num olhar contemporâneo. a identidade contextualiza-se como um elemento-chave da realidade subjetiva. porque se acredita que ao haver a comunicação. sendo a “identidade um fenômeno que deriva da dialética entre um indivíduo e a sociedade” (p. que se modifica e se ressignifica no contexto social (p. 74). as mesmas refletirão tal identidade comunicando-se com os outros. correspondente a “o mesmo. A partir do momento em que o indivíduo comunica-se com o espaço habitacional. Sob o prisma da representação social. interagindo e confirmando-se os interesses satisfeitos. A origem do termo identidade remonta o século XVII e provém do latim medieval indentitusátis. produzindo-se a partir de interações. Para Berger e Luckmann (2008). A identidade é. um fenômeno social e não natural. tem-se o entendimento de que através da apropriação do espaço é possível dialogar. sendo entendida como o próprio processo de identificação. Estrutura-se e modifica-se através dos processos e das relações sociais nas quais o sujeito se encontra inserido. 230).

a identidade de lugar tem a ver com o que cada ser humano constrói através do seu passado. 2006. o mesmo passa a ter um outro significado e com isso valor subjetivo que só fortalece a sua sustentabilidade social. PASCUAL. A identidade com o lugar também vem a ser conceituada como um elemento que advém da identidade pessoal. atitudes. 351). ainda. p. A partir do momento em que passa a haver identidade com o espaço habitacional. 146). reconhecimento. Prosseguindo com a importância que o espaço assume na vida das pessoas.66 se construindo ao mesmo tempo em que se contribui para a construção ativa do contexto. sentimentos. os quais estão relacionados com a variedade e complexidade dos lugares físicos que definem a existência cotidiana de cada ser humano” (PROSHANSKY apud PONTE. apropriando e vivendo através do corpo. com os quais se identifica. 112). o espaço habitacional constitui-se de propriedades que definem sua posição pela relação que ele próprio tem com os outros lugares e pela distância que o separa dos demais. condições mais simples. Acredita-se. este que precisa se comunicar com o espaço. permitindo a interação das comunidades com o lugar. com o que foi bom ou ruim e através de atitudes e significados que lhe conferem reconhecimento. 2009. valores. Teixeira (2004. com tais cognições representando “memórias. pensando. definindo dessa forma o seu espaço social (Bourdieu apud Teixeira. 112) considera que o projeto arquitetônico destinado à habitação precisa ser ordenado. p. fazendo com que as relações cotidianas se reconheçam (TEIXEIRA. refletindo-se em . com o que aprendeu. significados e concepções de comportamento e experiência. Nesse sentido. num processo de construção recíproca (Sève apud Mourão e Cavalcanti. p. BONFIM. 113). que tanto passa a exercer a sua função quanto perdura pelo cuidado que cada morador passará a lhe dispensar. As relações que as pessoas mantêm com os espaços que habitam exprimem-se no dia-a-dia pela forma de uso. dimensionado e equipado de forma a cumprir com a função social que possui. sentindo. constituído por cognições a respeito do mundo físico aonde o indivíduo se encontra inserido. 2004. considerando a questão da identidade com o mesmo. 2004. ideias. p. que ao ser apropriado. p.

.. oi Dona Elza. óia eu vivia chorando.] nunca assim. mas melhor. não encaixa muito.. fazer-se menos. há questões de melhoria relacionadas tanto à questão de segurança quanto do trabalho social que poderia fornecer maior reforço à sustentabilidade social do empreendimento. tá entendendo? O tempo todo!. fiquei muito fechada assim.67 seu comportamento frente a esse espaço e modificando-se de acordo com a complexidade que cada espaço tem no seu dia-a-dia. no qual se pode observar essa questão identitária e de comunicação com o espaço habitacional. mas dizer assim que eu tô bem. mas assim. foi uma graça de Deus que recebi com muita luta. Contudo.. colocou-se como importante para tal fundamentação trazer a percepção da habitação enquanto um direito. no sentido de enfrentar a racionalização de custos em detrimento da qualidade. lá era diferente. tinha a sala... outro oi Dona Elza. é trepado. pela percepção de uso do espaço anterior e convivência com os outros moradores.. tá entendendo? Ou seja. prazer assim tô não.. E para formular a problemática da presente pesquisa. porque eu ali na frente (moradia anterior). o apartamento pra mim foi ótimo. era um frio.. que só pode ser efetivo se o beneficiário do espaço habitacional identificar-se com o mesmo.. Um momento da realidade de empírica.. sei lá. o espaço é bom em relação ao anterior. aí eu dividi no meio fez dois vão. ao ponto de a identificação com o mesmo e o comprometimento da possibilidade de comunicação constante que a moradora tinha na realidade anterior. só tinha uma porta e uma janela.. sempre o povo me procurava. todo mundo que subia e que descia oi Dona Elza.. sei lá. era. ou Dona Elza. sei lá. aí eu me isolei. aí eu ia botava a cadeira ali aí passava um oi Dona Elza. era dormindo. . aí eu vou passar o dia todinho aqui na janela? E lá não. se eu tiver aqui na janela aí passa um oi Dona Elza. Chegava fim de tarde eu num tinha nada o que fazer acaba minhas coisa todinha. com a identidade sendo resgatada pelas memórias.. era uma agonia... não descia. mas é “trepado”. mas sabia que eu ia entrando em depressão? . às quais serão tratadas nos resultados da pesquisa e nas considerações finais.. é uma conquista. morei num espaço bom.. era um salão só.. por este motivo a abordagem da identidade com teóricos das ciências sociais e contemporâneos a cerca da identidade em relação ao lugar de moradia. quando chegou aqui. a cozinha e o banheiro. encontra-se no depoimento de Dona Zelha: [. enquanto aspectos que fortalecem a necessidade de reflexão sobre ao invés de se fazer mais por menos. oi Dona Elza. ter se colocado de forma relevante no seu dia-a-dia. tá entendendo?..

doméstica e vigia de condomínio. é de 36 a 76 anos de idade. Ao serem indagados sobre o que faziam para ganhar dinheiro teve-se no elenco de respostas: bico (pintura. no contexto de adultos maiores de 18 anos. 2012 Há na amostra desde pessoas que estudaram até à 2ª série (antigo ensino fundamental) a pessoas que estudaram até concluir o ensino médio. ora de forma quantitativa. consertos).68 6 RESULTADOS DA PESQUISA Os resultados serão apresentados ora de forma qualitativa. esboçando um perfil educacional diversificado. . auxiliar de cozinha. respeitando-se a ordem de apresentação das seções presentes no Apêndice B. com a maioria dos entrevistados sendo do sexo feminino: Gráfico 8 . num contexto em que a mudança para a nova moradia não mudou o que ganhavam antes para o que ganham atualmente.Entrevistados por sexo Fonte: Pesquisa de campo Elaboração: o próprio autor. pensionista. copeira que está no seguro desemprego. as quais se encontrarão identificadas no início da apresentação e/ou análise de cada resultado da pesquisa: Seção A .Informações gerais A faixa etária dos entrevistados.

que lhes remetia a sofrimento. péssima. procurar um lugar seco naquilo tudo molhado pra colocar o meu pequeno de meses. considerando-se o perfil dos entrevistados em sua maioria evangélicos. 2012 Com exceção da associação da própria comunidade. não possuem vínculo com organização comunitária nem de ordem política.” O conceito de casa esteve associado a algo que não tinham antes. a um abrigo. . pequena/apertada. uma moradia melhor. os entrevistados são da religião evangélica. Seção B . ruim. uma bênção e uma dádiva de Deus.Associando conceitos Ao serem convidados para uma associação de conceitos a termos que lhes foram propostos os entevistados consideram a moradia anterior como não sendo boa. com o cuidado de os escorpiões não chegarem nele . conforme relato que segue: “Voltar para casa e enfrentar aquela goteira pelo vão inteiro. percebendo-se através do discurso que eles entendem por casa algo bom e que faz bem e logo se a realidade anterior era tão péssima eles não possuíam uma casa e consequentemente eram cidadãos não atendidos em sua cidadania sob esse aspecto. uma porcaria. à dignidade. à casa atual que é uma maravilha. sem alegria.69 Em sua maioria. abafada. percebendo-se que se entende por habitação social uma casa melhor. com calor e que não servia. tratado como bênção ou dádiva de Deus.. à decência. a uma moradia melhor. Retornar para casa era fazer passar um filme na mente.. havendo alguns declarantes da religião católica: Gráfico 9 . com melhores condições. com conforto. que traz coisas boas.Entrevistados por religião Fonte: Pesquisa de campo Elaboração: o próprio autor. à segurança e ao bem estar. triste. Habitação social foi associado a algo melhor. a noite inteira.

eu te prometo. numa identidade e lealdade que se construiu por anos. Nessa ocasião. A única exceção as aspectos levantados para o termo comunidade foi o assalto recente. dentre outras questões a serem levantadas nas considerações finais do presente trabalho. praça (um dos equipamentos de lazer não entregues com o prédio) e respeito ao ser humano. mas relacionado a pessoas externas à comunidade e em função da área do prédio que não se encontra delimitada. Josefa faleceu 7 meses após se mudar para o habitacional em Monteiro.70 Para o termo identidade. amigos e especiais. tu vai ver!” Vê-se aqui o sonho sendo compartilhado e vivivo junto ao outro. tu vai morar com tudo direitinho (Josefa pergunta. tu vai morar em apartamento Josefa. que não poderia ser diferente considerando o histórico de luta e união que essas pessoas tiveram para se tornar o que são enquanto grupo. unidos. unida. mas sempre esteve presente o sentido de comunidade e cuidado também com o outro. 2012 Ao serem solicitados para associação do termo vizinhos. percebe-se o cuidado e a reserva nas respostas.Associação com o termo identidade Fonte: Pesquisa de campo Elaboração: o próprio autor. mas houve nesse contingente quem considerasse que ninguém é perfeito e uma outra parte dos entrevistados considerando os vizinhos reservados e que todos são bons. Gráfico 10 . hoje quem reside no apartamento é o seu marido. e vou Zelha?). família. ao próximo. que inclusive foi criado pelos moradores do prédio. . enquanto elementos de identificação com os mesmos. houve a associação a tudo de bom numa identificação com o que há de melhor. a maioria nada teve a dizer considerando os vizinhos ótimos. a exemplo de depoimento de Dona Zelha falando com Josefa (já falecida): “Olha Josefa. jardim. limpeza. vai sim Josefa. A comunidade foi considerada como tranquila. boa e ótima.

uma bênção. .Associação com o termo lugar Fonte: Pesquisa de campo Elaboração: o próprio autor. bom de viver. com o desejo de que Deus conserve e que tenha por aí para mais irmãos que precisarem. Gráfico 11 . considerando pontuações de entrevista realizada com Dona Zelha. melhor. verdadeiro abrigo. e daqui a pouco as coisas todinha e quando eu vi tinha me mudado. tudo de melhor. e de forma geral como seria para eles. haja vista que os móveis.” Sobre a moradia atual. a grande maioria dos entrevistados a considera excelente. E foi rápido sim. ficou associado a ter sido ótimo. Sobre esse aspecto. Em relação ao local no qual se encontram inseridos o mesmo foi considerado como legal. 2012 O termo reassentamento e entenda-se nesse caso como sendo o processo de reassentamento (porque assim foi explicado no momento da entrevista). foi uma danação da gota. ótimo. alegre e perto de tudo. Uma moradia que lhes traz segurança e bem estar. quando eu vi ia passando o sofá.. O que de fato procede. equipamentos e utensílios dos moradores foram carregados por eles mesmos. houve na verdade uma confusão no entendimento dos entrevistados que perceberam lugar como o local aonde moram e não o termo isolado.71 Na associação com o termo lugar. pois eles moram num local central e altamente valorizado mercadológica e imobiliariamente falando. identificou-se que a prefeitura não arcou com as despesas de mudança. aonde se encontra diversão. uma dádiva de Deus.. na cabeça e do jeito que dava para ser. sadia. bem rápido ao ponto de Dona Zelha que idealizava mudar-se com calma quando menos esperou. João da Costa esteve na comunidade para realizar a entrega do habitacional e quando as chaves chegaram nas mãos dos moradores foi o maior alvorosso: “Olha. bom porque trouxe paz à vida (ter saído da realidade anterior) e rápido. e daqui a pouco a geladeira.

Reflete que a organização do espaço minimizou os conflitos e com isso certamente eles passaram a se relacionar melhor. Gráfico 12 . vizinhos e amigos se reunirem foi declarado pela maioria que não mudou. 2012 Seção C . contudo. Em relação à frequência com que moradores. a percepção que se teve na realidade empírica pelos discursos foi a de que na realidade anterior a comunidade se reunia mais. Como houve no contexto da comunidade a permanência no local de origem. Na moradia atual. tenha possibilitado um desgaste natural nas relações. o que foi um benefício considerável e um respeito às histórias de luta construídas com o tempo.72 Esse aspecto de satisfação. independente de não considerar peculiaridades do exercício de morar da comunidade. para pouco mais de um ano de moradia. com a ressalva de que existem conflitos em qualquer sociedade. com momentos bons e ruins.Associação com a moradia atual Fonte: Pesquisa de campo Elaboração: o próprio autor. houve o indicativo de a mesma ser solidária. . É possível que ter ido para a realidade atual. mas acredita-se que seja uma questão de tempo e ajuste a essa nova realidade. ainda não lhes forneceu subsídios no sentido de a identidade presente ser questionada. não se tem uma mudança significativa da realidade anterior para a atual. mais organizada espacialmente e com regras que não existiam na realidade anterior.Processo de mudança e comparação do antes com o depois Indagados no que diz respeito à relação de vizinhança na moradia anterior. a relação foi identificada apenas como solidária. remete-nos à indagação de que a realidade aterior seria péssima e traumatizante ao ponto de o imóvel recebido. nos dois casos pela grande maioria dos entrevistados.

de uma forma equilibrada. de água e esgoto para alguns atendia e para outros não.73 Indagados sobre como era a moradia anterior fisicamente falando. 2012 Apesar da declaração de terem estado preparados para a nova realidade de gastos. considerando-se a área de serviço e o atendimento para todos os apartamentos das redes elétrica. tendo havido quem declarasse que pesou um pouco: Gráfico 13 . Quando indagados sobre desenvolver atividade comercial na realidade de moradia anterior. Na moradia atual. tem-se a realidade de 5 cômodos. Quando perguntados sobre estarem preparados para os gastos que a nova moradia trouxe a grande maioria declarou que sim. até em função de já estarem acostumados com tais gastos na moradia anterior. questão que um bom trabalho social poderia ter resolvido e encaminhado. Conforme será indicado nas considerações finais. a grande maioria declarou que não. bem como a definição de endereço do habitacional que atualmente possui junto aos CORREIOS três endereços que direcionam as correspondências para o prédio. a mesma era composta de vãos que se dividiam. de água e esgoto.Sobre o preparo para os novos gastos Fonte: Pesquisa de campo Elaboração: o próprio autor. o entrevistado que declarou que pesou um pouco trabalha com artesanato e atualmente encontra-se parado em função da impossibilidade de aquisição de matéria-prima. o prédio já tem apresentado problemas de manutenção e acrescente-se que até o momento a cobrança dos serviços de energia e água potável ainda não foi regularizada. banheiro quando existia era pequeno e as redes elétrica. tendo sido afirmativa a resposta do entrevistado que .

2012 . 2012 Perguntados sobre a Prefeitura da Cidade do Recife ter empreendido algum tipo de trabalho social ou capacitação profissional os entrevistados foram unânimes em dizer que não. Gráfico 14 . Gráfico 15 .Investigando o trabalho social desenvolvido Fonte: Pesquisa de campo Elaboração: o próprio autor.74 trabalhava com artesanato e que hoje não trabalha mais desenvolvendo sua atividade. mas quando puder voltará a desenvolvê-la.Investigando a atividade econômica Fonte: Pesquisa de campo Elaboração: o próprio autor.

A quantidade de pessoas que moravam na realidade anterior é a mesma da moradia atual para a maioria dos entrevistados e a maioria também não fez novas amizades. Contudo. para a realidade atual ser completa ainda faltaria: ser murado. expectativa.75 Apesar de o recurso advir do PREZEIS. conforme já ressaltado. Ou a política municipal de atendimento ao social. terminar a frente do prédio . de forma que houve ganhos mas também perdas. Quando arguidos sobre o que mudou na vida deles em relação aonde morava antes e a moradia atual. parque. aonde o trabalho social é sistemático e constante. Seção D . pois grande parte dos amigos da moradia anterior são os mesmos na moradia atual. mas essas são questões a serem esclarecidas. a não ser com a família. liberdade e na realidade anterior perdeu-se o convívio com amigos. sadio. satisfação de morar e aonde Dona Ana inclusive parou de ter problemas respiratórios. tal verificação surge como alerta. tranquilidade. uma idosa de 76 anos. caracterizado como terrível pela entrevistada. afirmadas ou não. na realidade anterior tinha-se o contexto de problemas respiratórios. o qual atenderá ao Programa Capibaribe Melhor. jardim. maravilha em relação ao lugar aonde estavam. lugar limpo. ressalva apenas para um dos entrevistados que declarou não ser de estar com muita amizade. E o lugar escolhido pela Prefeitura do Recife atendeu às expectativas pela permanência no local.Investigando a identidade Os entrevistados residiram na moradia anterior entre 5 e 23 anos e a maioria dos entrevistados não sentirão saudade da realidade anterior. sendo praxes dessa sistemática os técnicos da URB-Recife sempre estarem presentes na área. visto que nada do que tinha lá deveria ter na realidade atual. segurança. Ganhou-se na realidade atual segurança (do ponto de vista de a habitação atual resguardar melhor a família). Na realidade atual tudo é melhor. ou essa relação entre o PREZEIS e o Programa Capibaribe Melhor tem confundido os papéis no desempenho do trabalho social que deve ser destinado aos já reassentados e àqueles já cadastrados que ainda o serão. mais limpeza no prédio. privacidade. o que foi declarado por todos eles. no que diz respeito ao PREZEIS. foi uma exigência da comunidade. precisa ser revista. garagem. até porque até aonde se pode verificar a presença de técnica social pelo PREZEIS no escritório social recentemente instalado. e não algo que tivesse partido de uma política municipal. num outro momento.

A esse respeito. as goteiras dos dias de chuva. eles não poderia deixar de se sentirem mais pertencidos e satisfeitos em relação à moradia atual. um elemento bem presente na história de lutas dos que fazem a Comunidade Vila Esperança. Nesse sentido. O cuidado com o lugar se dá com alguns cuidando do seu. Coletivamente. um beco de acesso muito apertado com pessoas bebendo no meio da rua. namorar. quando comparada à anterior. O sentimento de comunidade é o mesmo da realidade anterior. uma forma de morar que safisfaz. o cuidado com o lugar também se dá por moradores de cada andar. do seu próprio espaço foi para os entrevistados sentirem-se um pouco mais dignos. felizes e satisfeitos. donos ou donas de sua própria casa. num contexto em que o espaço é mais cuidado pelos homens e mulheres adultos dentre os reassentados. houve quem declarasse não se sentir dono do apartamento em função de eles não possuírem a posse do terreno. mas em geral a falta de privacidade. de uma moradia com um bom ambiente. Houve quem declarasse que da realidade anterior sentiria saudade da superação das dificuldades. enquanto uma vitória que Deus lhes proporcionou. confiantes. com um critério de cada grupo de moradores por andar. área verde e área de lazer para caminhar. Incluírem-se na nova realidade. O que marcou a realidade anterior foram os problemas respiratórios já solucionados para Dona Ana. segura e bem melhor que a realidade anterior. o que na realidade anterior não ocorria. outros como Da Luz (jardim) ou Irmão Ravi cuidando também de áreas comuns ou com o cuidado sendo realizado por grupos. o que existe na realidade é um documento da Prefeitura dando-lhes o direito de uso por um período de 50 anos. de forma que sentir-se bem tem remetido sem dúvida à moradia atual. contextualizando um ambiente muito ruim. muito embora tenha havido quem declarasse que só existia na realidade anterior porque lá todos passavam a mesma situação e agora isso mudou. a presença de escorpiões. . conversar e falar dos momentos bons e ruins. Ressalva apenas para um dos entrevistados que considerou que se arrumasse um emprego seria melhor.76 quando as casas que se encontram atualmente na área frontal saírem. Diferentemente da realidade atual.

algo melhor para viver. Perguntados sobre ampliar ou modificar. . O benefício do apartamento para a maioria foi uma bênção divina e por tudo que já passaram não o venderia. mas houve quem declarasse que venderia para melhorar de vida indo para um lugar melhor. o desejo dos entrevistados é o de que cada um da comunidade tenha a sua casa para ficar. terminar os estudos e fazer um curso de turismo para melhorar de vida mais ainda. que o prefeito e o governo façam mais casas pois quantas mais melhor. Indagados sobre se os vizinhos venderiam e o por quê. Quem declarou que não faria do mesmo jeito foi em função do aspecto de ilegalidade que originou a ocupação. a não ser que fosse para comprar uma casa maior e melhor. um futuro melhor para os filhos. a grande maioria declarou que não.77 A grande maioria teria tido o mesmo envolvimento e faria do mesmo jeito para obterem o benefício da casa própria. houve na maioria a declaração de que não podia e um dos entrevistados declarou que gradearia e colocaria cerâmica. que de repente por uma doidice isso seria possível. com boa localização. uma forma de renda para não depender da filha. a maioria declarou que não mas houve que declarasse que muitos já pensaram. Houve entrevistado nesse contexto que acredita que vizinhos venderiam sim sua nova moradia para comprar uma casa melhor. E sobre os planos para o futuro. Mais um alerta para a questão de acompanhamento do trabalho social que seria o elemento que daria conta de tal questão. que a sociedade é complicada de se entender. Quando indagados sobre se venderiam a casa deles. aposentar-se para abrir um negócio próprio.

gerando uma situação de 5m2 por habitante. mesmo havendo estudos que mostram que a coexistência de comunidades normalmente não é positiva para a sustentabilidade de um empreendimento de interesse social. justamente em função de sua tipologia com prédios em bloco “H” (LOIOLA. 60). que se situa numa média do metro quadrado construído para a habitação de interesse social no Brasil. 2004). mantendo a mesma configuração construtiva padrão e fazendo existir no mesmo habitacional um prédio que será diferente dos demais. 2011. Os apartamentos aonde residem as famílias que foram objeto de análise da presente pesquisa possuem uma área de 42m2. . dá-se porque na área aonde serão construídos os prédios restantes não comportará a construção de mais prédios para que se possam abrigar mais comunidades. Na verdade. mas certamente tal dimensão foi o resultado da participação da comunidade no processo. contudo. possui dois elementos relevantemente positivos: a permanência no local de origem e o assentamento apenas de moradores da Comunidade Vila Esperança no habitacional que será construído posteriormente. reforçando há décadas um padrão que já não atende a necessidades específicas de quem é beneficiado com habitações de interesse social. há famílias com sete e até oito moradores por apartamento. mas nenhum dos elementos indicados acima reflete uma política municipal ou um planejamento de gestão. possibilitada através do PREZEIS que por força de lei legitima a participação das comunidades com o incentivo de permanência nas áreas de origem. num redimensionamento de projeto que diminuiu o tamanho da habitação individual para que se pudessem construir mais habitações. a permanência no local se deu em função da participação popular no processo de gestão.78 CONSIDERAÇÕES FINAIS A proposta habitacional possui configuração construtiva que já foi alvo de crítica da academia na área de arquitetura e urbanismo. algo bem distante da média de 10m2 por habitante vivenciada aqui no Brasil. p. E o fato de haver a previsão de os reassentados do Habitacional Vila Esperança serem apenas moradores da comunidade que lhe dá nome. Na presente análise. Um exemplo prático da ausência da participação da comunidade encontra-se no fato de que os prédios restantes que comporão o Habitacional Vila Esperança serão construídos com recursos do Programa Capibaribe Melhor e terão uma área de 36m2. a exemplo dos Conjuntos Habitacionais Goiânia e Araguaia em Belo Horizonte (TEIXEIRA.

Apartamentos de um prédio (PREZEIS) maiores que outros (Programa Capibaribe Melhor). é uma realidade da área aonde se encontra construído o primeiro prédio do Habitacional Vila Esperança a existência de duas origens de recurso possibilitando as intervenções: uma foi o PREZEIS com a construção do prédio já entregue e a outra será o Programa Capibaribe Melhor que prevê tanto recursos da Prefeitura do Recife quanto do Banco Internacional para a Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD). os quais serão custeados pelo Programa Capibaribe Melhor que ainda se encontra em fase de andamento. O acesso à frente do prédio ainda se dá através de um corredor estreito porque a área que seria a frente do prédio ainda não foi desapropriada e a ausência de corrimões na escadaria só será solucionada quando se iniciar a construção dos prédios restantes do habitacional. A diferença visual e construtiva (tamanho/m2) do primeiro prédio entregue em relação aos demais do habitacional talvez venha a ser objeto de questionamento futuro. trazendo uma realidade detentora de elementos complicadores. que os outros moradores que receberão os prédios restantes do habitacional não terão. que reproduz um modelo construtivo que não levou em consideração a realidade de vida da . O fato de a área envolver a realidade de mais de uma origem de recurso foi determinante para esse desalinhamento na execução de projetos. O resultado foi a entrega de um projeto não acabado. sem contar no investimento que os moradores do primeiro prédio tiveram para cercar a área com estacas. tratou-se mais de uma questão política do que de comprometimento da gestão. conforme segue abaixo: Um prédio (o primeiro que foi entregue) que será diferente dos demais prédios do habitacional. em julho do ano passado. O primeiro prédio entregue o foi sem quaisquer elementos de infraestrutura e desprovido de muro ou cerca. alimentando a segregação comunitária de moradores de um prédio em relação aos outros. que trouxe custos à comunidade.79 Nesse sentido. os quais poderiam ter sido combinados. porque os mesmos estariam previstos com a construção dos prédios restantes do habitacional. mas nos parece que a entrega do primeiro habitacional com recursos do PREZEIS.

sem muitas possibilidades de interação entre os moradores. por exemplo. Também é resultado dessa realidade o contexto de acompanhamentos sociais diferenciados. visto que pelo PREZEIS o mesmo é sistemático.80 comunidade beneficiada e que atualmente. a exemplo dos registros de água que são todos aparentes e no caminho das escadas que. ele sempre está aberto e essa é uma questão que um regimento construído coletivamente já poderia ter resolvido. que poderia interferir diretamente na sustentabilidade do empreendimento. instrumento que enquanto não é aprovado faz com que os moradores tenham que lidar com situações para as quais o elemento de ordem trazido pelo regimento teria dado solução. evitaria transtornos que com o passar do tempo poderiam tomar uma proporção não desejável para a convivência comunitária. com uma estrutura construtiva de isolamento. sem corrimões e sem adesivos antiderrapantes. já enfrenta problemas de manutenção com infiltrações e entupimentos de pia. desde que o prédio foi entregue. já que o imóvel . A proposta habitacional objeto de nossa análise. tanto no contexto do PREZEIS (sistemático) quanto no do Capibaribe Melhor (pontual) entende-se que precisem ser repensados do ponto de vista do pós-ocupação considerando que os depoimentos obtidos na realidade empírica não indicam em momento algum. houve um assalto na entrada do prédio porque o portão de acesso se encontrava aberto e por mais que se tenha conhecimento dos perigos possíveis e da orientação de se manter o portão fechado. Um exemplo da ausência de tal acompanhamento é a existência do regimento interno do prédio que não foi construído juntamente com os moradores e sobre o qual eles não conseguem ter entendimento sobre partes ou termos. Sem dúvida um acompanhamento social para a construção de um regimento próprio. continuado. os técnicos sociais da URB-Recife sempre estão nas áreas e pelo Programa Capibaribe Melhor será pontual com a instalação dos escritórios sociais naquele momento específico. com pouco mais de um ano de uso. Recentemente. que por ser assim nos coloca dificuldades para perceber na realidade empírica a questão da identidade com o espaço habitacional atual. ao se comparar a realidade anterior com a atual tem-se um contraste gritante. de forma comunitária e de acordo com a realidade da comunidade. O trabalho social. aterrorizador em alguns casos. Certamente. reflete a necessidade de um melhor acabamento. sempre ocorre. podem levar à realidade de acidentes graves. a realização de atividade específica ou até mesmo de acompanhamento das famílias reassentadas.

tratava-se da família do Sr. É por isso que se acredita que programas de incentivo. No que concerne aos limitadores da pesquisa. mas o que se espera é que tal maravilha esteja permeada do que é necessário para se gostar dela. Nildo que recentemente foi acometido por um AVC. visando mesmo um aprendizado do conhecimento e saber local das áreas a serem atendidas. por exemplo. a partir do momento em que o trabalho com grupos focais. considerando as situações de insalubridade e riscos de saúde pelos quais muitos moradores passaram. levando à necessidade de um maior investimento de tempo e até mesmo financeiro. Leve-se em consideração ainda uma família que declarou não haver interesse em participar da pesquisa e uma outra que na verdade não tinha condições.” E de fato o é. sejam uma forma de dar continuidade à trajetória da habitação de interesse social com qualidade. Pensar a habitação de interesse social é refletir sobre a necessidade de se conhecer a realidade de seus beneficiários. é considerado como “uma maravilha de Deus. A ausência desse trabalho de base impactou na qualidade dos depoimentos e na postura dos entrevistados que. estadual e federal) quanto para a sua elaboração com inovação. nas ocasiões em que se esteve em campo 50% dos apartamentos não puderam ter moradores entrevistados em função de os mesmos não se encontrarem em casa. É claro que para o desenvolvimento de tais projetos seriam fundamentais tempo e investimentos suficientes que possibilitassem estudos criteriosos. com exceção da líder da comunidade. visto que se trata de uma habitação que não faz sentido de ser se não exercer a sua função com sustentabilidade. buscando inclusive o apoio da área de arquitetura. percebeu-se a necessidade de um trabalho de base que antecedesse o momento com as famílias. dotada de certo distanciamento e cuidado. que ela seja uma maravilha porque efetivamente há identificação com ela e não porque desesperadamente se precisava e “pelas graças de Deus” se conseguiu. Para a finalidade da pesquisa. encaminhar-nos-ia a isso. com a filha que durante o dia exerce atividade laboral externa à sua residência. mantiveram-se em uma postura bem formal.81 recebido apesar de todas as colocações postas acima. de forma que as percepções relacionadas à . voltados tanto para a elaboração de projetos em todas as esferas (municipal.

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identidade com o lugar de moradia pensadas no início da pesquisa se confirmaram no discurso de apenas alguns entrevistados. Acredita-se, ainda, que o tempo de moradia recente ainda não possibilitou a construção de elementos que alimentassem questionamentos por parte da maioria dos moradores em relação à identificação dos mesmos com o espaço de moradia atual, principalmente quando confrontado com a realidade trágica da moradia anterior. Tudo isso atrelado ao trabalho de base mencionado anteriormente que não ocorreu, não possibilitou um aprofundamento da questão, que sem dúvida poderá ser explorada em outros níveis de pesquisa. A presente contribuição é mais uma gota no oceano ou um dos beija-flores tentando apagar um incêndio na Floresta Amazônica, mas é a percepção do fazer a nossa parte, a certeza do contribuir com o que é possível, o que fez a presente pesquisa relevante. Para a sociedade, fica a intenção e o registro da necessidade de se valorizar não a habitação de interesse social, mas o ator social enquanto ser humano, seus valores, seus hábitos, seu convívio social, sua realidade de vida, com tal ator se percebendo nesse contexto e reivindicando o que lhe cabe enquanto um direito social constitucionalizado.

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Local e data: Recife. se os beneficiários se identificam satisfatoriamente com a nova forma de morar. transcritas e.” Pesquisador: Paulo Fernando Medeiros Epaminondas Orientadora: Prof. 30 de abril de 2012 Paulo Fernando Medeiros Epaminondas CONSENTIMENTO DA PARTICIPAÇÃO DA PESSOA COMO SUJEITO Eu. Foi-me. ____/____/2012 Assinatura do sujeito:__________________________________________________________ Elaboração: adaptado de modelos disponíveis na web. os procedimentos nela envolvidos.Termo de Consentimento Livre e Esclarecido INFORMAÇÕES SOBRE A PESQUISA: Título Provisório do Projeto: “HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL: a comunicação do beneficiário com o objeto recebido na perspectiva da identidade construída com o lugar. Também poderão ser tiradas fotos.86 APÊNDICES Apêndice A . A pesquisa não gerará qualquer gasto ou ganho financeiro para aqueles que dela participarem. As respostas serão analisadas e a identidade dos participantes identificada através do seu 1º nome. a qualquer tempo. Ele também poderá solicitar. sem precisar justificar e sem sofrer quaisquer prejuízos. O sujeito poderá se recusar a participar do estudo ou retirar seu consentimento a qualquer momento. apagadas. 2012. Recife. concordo em participar do estudo “HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL: a comunicação do beneficiário com o objeto recebido na perspectiva da identidade construída com o lugar. em Recife/PE. sem a necessidade de justificar ou sem que isso me traga qualquer prejuízo. sob o olhar de famílias reassentadas da Comunidade Vila Esperança no bairro de Monteiro. entrando em contato com o pesquisador através dos telefones (81) 8673-4287 / 3039-0253 / 3202-9383. esclarecimentos sobre o estudo. As entrevistas serão gravadas. no Bairro de Monteiro. caso o sujeito entrevistado concorde. Rita de Cássia Alcântara Domingues da Silva Telefones para contato: (81) 8673-4287 / 3039-0253 / 3202-9383 Detalhamento inicial: o trabalho tem por objetivo analisar se o os beneficiários do apartamento em prédio tipo caixão entregue às 16 famílias da Comunidade Vila Esperança em julho de 2011. Para isso. Dra. Fui devidamente informado e esclarecido sobre a pesquisa. assim como os objetivos decorrentes de minha participação. se coloca como necessária a aplicação de roteiros de entrevista individuais com os moradores dessa Comunidade. em Recife/PE. abaixo assinado. também. como sujeito. Esclarecimentos adicionais: a participação de cada um dos sujeitos na pesquisa poderá durar aproximadamente 60 minutos. . tempo necessário para a realização da entrevista. nem lhes trará benefícios diretos. sob o olhar de famílias reassentadas da Comunidade Vila Esperança no bairro de Monteiro. em seguida. em Recife/PE. ________________________________________________ RG nº _________________.”. garantido que posso retirar o meu consentimento a qualquer momento. que será submetido à Banca Examinadora da Coordenação do Curso de Bacharelado em Ciências Sociais da Universidade Federal Rural de Pernambuco. Os resultados da pesquisa serão incluídos no Trabalho de Conclusão de Curso (Monografia) do pesquisador. casos os moradores concordem. demonstram comunicação com o imóvel recebido. seu andamento e suas conclusões.

O que faz para ganhar dinheiro: ___________________________________________ 4. Relação de vizinhança na moradia atual Solidária ( ) Com conflito ( ) Cada um na sua ( ) 19.Roteiro de Entrevista Individual (Moradores) APRESENTAÇÃO . Deixar claro que a ajuda e a opinião do entrevistado é fundamental para o estudo no entendimento da consideração que o Programa Capibaribe Melhor deu à comunicação do beneficiário com o objeto recebido na perspectiva da identidade construída com o lugar.Associando conceitos: 3 palavras que mais vem à mente quando eu falo 8. IDENTIDADE a) ______________________ b) ______________________ c) _____________________ 12. VIZINHOS a) ______________________ b) ______________________ c) _____________________ 13. COMUNIDADE a) ______________________ b) ______________________ c) _____________________ 14. REASSENTAMENTO a) ______________________ b) ______________________ c) _____________________ 16. Possui algum envolvimento político? Sim ( ) Como se dá esse envolvimento?: Não ( ) 7. MORADIA ATUAL a) ______________________ b) ______________________ c) _____________________ SEÇÃO C . Até que série estudou / estuda: ____________________________________________ 3. Qual a sua religião? Evangélica ( ) Católica ( ) Espírita ( ) Candomblé ( ) Umbanda ( ) Apenas creio em Deus ( ) Não acredito em Deus ( ) 6. SEÇÃO A . CASA a) ______________________ b) ______________________ c) _____________________ 10. Relação de vizinhança na moradia de antes Solidária ( ) Com conflito ( ) Cada um na sua ( ) 18. Morador(a): ______________ Apartamento: ________ Idade: ____ Sexo ( ) M ( ) F 2.Explicar o porquê da entrevista: a monografia como estudo individual e o objetivo da pesquisa. Participa de alguma organização comunitária? Sim ( ) Qual?: ___________ Não ( ) 7. Frequência dos moradores/vizinhos/amigos se reunirem: . Quanto ganhava/mês antes: R$ __________ Quanto ganha/mês hoje: R$ ___________ 5.87 Apêndice B .1 Tem filiação com algum partido político? Sim ( ) Qual?: ____________ Não ( ) SEÇÃO B . MORADIA ANTERIOR a) ______________________ b) ______________________ c) _____________________ 9. LUGAR a) ______________________ b) ______________________ c) _____________________ 15.Informações gerais 1.Processo de mudança e comparação do antes com o depois 17. HABITAÇÃO SOCIAL a) ______________________ b) ______________________ c) _____________________ 11.

O que ainda falta ter aqui para ser completo? 42. do seu próprio espaço? 47. Se sim. em relação a onde morava antes e agora que mora aqui? 36. 29. 45. era melhor atendido em qual realidade? Antes ( ) Atualmente ( ) 22. pertencido em relação ao apartamento que recebeu? 46. Esse trabalho cumpriu de verdade com o seu papel ou fez de conta? Cumpriu ( ) Fez de conta ( ) 32. O que tinha lá que deveria ter aqui? 41. 37. O que mudou na Sua Vida. Desenvolvia atividade comercial em casa na antiga moradia? Sim ( ) Qual? ________________ Não ( ) 26. Fez novas amizades depois de ter vindo morar aqui? Sim ( ) Não ( ) 34. 35. 39. O que NÃO GOSTA de morar aqui? .88 Não mudou ( ) Reunem-se mais ( ) Reunem-se menos ( ) 20. A quantidade de pessoas que moravam antes: É a mesma ( ) Aumentou ( ) Diminuiu ( ) 33. Como foi ou tem sido se incluir nessa nova realidade. 23. O que GOSTAVA de morar lá? 49. Se houve mudança significativa. ela remete mais a moradia: Anterior ( ) Atual ( ) 48. 31. Como era a moradia antiga: Nº cômodos: _____ Rede elétrica ( ) Esgoto ( ) Água ( ) Outro: _____________. O que marcou sua moradia no lugar de antes? 43. deu resultado? Sim ( ) Não ( ) Por quê? ___________________________. que utilizavam antes e que utilizam agora? Sim ( ) Não ( ) 21. Como é a moradia atual: Nº cômodos: _____ Rede elétrica ( ) Esgoto ( ) Água ( ) Outro: _____________. postos de saúde. Em caso afirmativo. essa atividade continua sendo desenvolvida? Sim ( ) Não ( ) 27. SEÇÃO D . creches. transporte. Em caso afirmativo. Você se sente satisfeito. Houve mudança significativa em relação a escolas. supermercados. dono ou dona de sua própria casa. Algo marca sua moradira no lugar de agora? 44. A Prefeitura empreendeu algum tipo de trabalho social ou capacitação profissional para vocês? Sim ( ) Qual? _________________________________________________ Não ( ) 30. O lugar escolhido atendeu às expectativas de vocês? Sim ( ) Não ( ) Por quê? _____________________________________________________________________. Está/Estava preparado para os gastos que a nova moradia trouxe? Sim ( ) Não ( ) 25. Há quantos anos vivia na moradia anterior? _________. Quantos dos antigos vizinhos moram neste prédio? ___________________________. Ao pensar na expressão “sentir-se BEM”. Sentirá saudade da moradia de antes? Sim ( ) De quê? ________________ Não ( ) 40. A forma de ganhar dinheiro precisou mudar por conta da nova moradia? Sim ( ) Não ( ) 28. 24. O que ganhou/perdeu depois de Estar aqui? Ganhei: ___________________________ Perdi: ____________________________. o que faz pra ganhar a vida hoje? _____________________________________________________________________. etc. Você se considera mais pertencido à qual moradia? Anterior ( ) Atual ( ).Investigando a identidade 38.

51. Como os moradores cuidam do lugar? Multirão ( ) Cada um cuida do seu ( ) Cada um ou cada grupo tem um dia ( ) 52. 59. 57. teria tido o mesmo envolvimento? Sim ( ) Não ( ) 56. Pretende ampliar ou melhorar a nova moradia com o tempo? Sim ( ) Não ( ) 58. Acredita que algum vizinho venderia sua nova moradia? Sim ( ) Por qual motivo? _____________________________________________________________ Não ( ) 60. . onde pode ser visto mais cuidado? Na realidade de antes ( ) Na realidade atual ( ) 54. existe na moradia atual alguma atividade para o cuidado com o lugar? Sim ( ) Qual(is)? ______________________________________________ Não ( ) 55. Se soubesse que o processo de aquisição dessa moradia teria sido como foi. Se fosse pensar no cuidado em relação ao lugar (individual e coletivo). Quais os seus planos e desejos para o futuro? Local e data: Recife. Faria do mesmo jeito? Sim ( ) Não ( ) Por quê? ___________________________. 2011. Quem mais se envolve no cuidado com o lugar? Homens ( ) Mulheres ( ) Crianças ( ) Adolescentes ( ) Todos ( ) Quem pode ( ) 53.89 50. ____/____/2012 Elaboração: modelo adaptado de SILVA. Coletivamente. O sentimento de COMUNIDADE continua aqui na moradia do prédio ou só existia no lugar de antes? Continua ( ) Só existia lá ( ) Por quê? _______________________. Venderia a sua nova moradia? Sim ( ) Não ( ) Por quê?______________________.

Deixar claro que a ajuda e a opinião do entrevistado é fundamental para o estudo no entendimento da consideração que o Programa Capibaribe Melhor deu à comunicação do beneficiário com o objeto recebido na perspectiva da identidade construída com o lugar. 3. O lugar escolhido pela Prefeitura para a construção do Habitacional Vila Esperança atendeu às expectativas da Comunidade? Sim ( ) Não ( ) 5. A casa ficará em nome de quem? ( ) Marido ( ) Mulher 6. 2. Ruas da comunidade: __________________________________________________________________. Apenas quem está nessa área será reassentado ou famílias de outras áreas também serão? 4. Escola(s) __________________________________________________________________. 1. Houve a organização de alguma comissão de acompanhamento social das obras? Sim ( ) Não ( ) 9. caso existam Primeiros moradores: __________________________________________________________________. Formas de crescimento e produção do espaço/acesso Principais avenidas: __________________________________________________________________. Houve a instalação de Escritório Social para suporte às famílias reassentadas? Sim ( ) Não ( ) 8.90 Apêndice C . Jardins: __________________________________________________________________. Foi realizada assembleia para apresentação do plano de execução de obras para a população situada na área do projeto? Sim ( ) Não ( ) .Roteiro de Entrevista Individual (Líder Comunitário) APRESENTAÇÃO . Correio ( ) Creche(s) __________________________________________________________________.Explicar o porquê da entrevista: a monografia como estudo individual e o objetivo da pesquisa. Qual é a história da Comunidade Vila Esperança? Início e o porquê da ocupação Aspectos históricos e culturais. Postos de saúde: __________________________________________________________________. Número atual de moradores: ______. Houve trabalho social ou capacitação profissional por parte da Prefeitura? Sim ( ) Não ( ) 7.

Como se deu ou como está se dando até o momento a participação da comunidade nesse processo de mudança? 19.91 10. a empresa de consultoria contratada e responsável pelas atividades do Plano de Reassentamento e a Unidade de Gestão do Projeto? 11. Algum encaminhamento do auxílio moradia para quem ainda será reassentado foi realizado? 20. Houve consulta sobre o desejo de reassentamento das famílias? Sim ( ) Não ( ) 18. Como foi o processo de remoção das 16 famílias para o prédio? 16. A Prefeitura arcou com os custos de mudança para o novo prédio? 17. Quantas visitas de acompanhamento foram realizadas pela Prefeitura desde julho/2011? 13. para o caso de os reclamos não serem resolvidos pelo Plantão Social ou pelas Visitas Domiciliares? 12. A comunidade foi informada sobre a possibilidade de contato com o Ministério Público ou outros (instâncias internas). Foi realizada reunião com as lideranças comunitárias para informar sobre algum Plantão Social ou sobre as Visitas Domiciliares (instâncias internas). Como se deu a escolha das famílias? Aleatória ( ) Sorteio ( ) Para quem mais precisou ( ) 14. que seriam os canais de comunicação entre as famílias reassentadas. Quais critérios nortearam esse 1º reassentamento? Sociais ( ) Políticos ( ) 15. Há famílias cadastradas que já possuem moradia própria ou outras situações a serem mencionadas? .

Ausência de praça (área de convivência). Isolação (apartamento um em cima do outro).92 Apêndice D . Frente do prédio não concluída. Apenas moradores da Comunidade Vila Esperança no habitacional. Ausência de área de lazer para criança. Elementos que não identificam Ausência de muro (insegurança). Contraste radical com a realidade anterior. .Elementos de Identificação e de Não Identificação Elementos que identificam Permanência no local. Não ter a “posse da terra”. Ausência de escritório social.

.93 Apêndice E .Síntese das Categorias de Entrevistados Técnica Utilizada Entrevistado Famílias reassentadas Líder Comunitário Total de famílias entrevistadas Líder 1 7 Morador 15 Entrevista Pesquisa Exploratória Elaboração: modelo adaptado de SILVA. 2011.

PAC Drenagem.16 Nordeste 2011 55 35 35 32 33.476 Origem do Recurso Governo Estadual.10 34. Governo Estadual. CAIXA.Florianópolis/SC Programa Serra do Mar São Paulo/SP Projeto Rio Maranguapinho Fortaleza/CE Projeto Barretos . 2012. Município Governo do Estado.422 86 1..000 5. CAIXA Governo Estadual.Curitiba/PR Projeto Maciço do Morro da Cruz . Agentes Financeiros Privados Região Sul Sul Sudeste Nordeste Sudeste Sul Iniciativa Programa Morar Bem Paraná .000 5.O Metro Quadrado Construído Determinado pela Origem de Recurso por Região Brasileira Metro Quadrado Construído 52 50 48 / 59 45 43.Porto Alegre/RS Ano 2012 2011/ 2012 2012 2011 2011 200 9/ . União e Prefeituras Governo Estadual.. Elaboração: o próprio autor.379 9. FNHIS Governo Estadual.Campo Grande/MS 2011 430 38. União PAC2 União.406 Fonte: Revista Brasileira da Habitação.895 31. CAIXA Prefeituras.Secretaria de Desenvolvimento Urbano Município/Demhab. Governo Estadual Governo Estadual.18 / 59.35 35 35 Sul Norte CentroOeste Norte Sudeste Norte CentroOeste 2011 2011 2011 2012 2012 2012 2011 181 800 300 8. 2011/ 2012 40. BIRD. . Programa Capibaribe Melhor. Sedur . PAC2 União/PAC. União/Ministério do Planejamento União/PAC. CAIXA.97 42 Total de Habitações Contratadas 100.São Paulo/SP Conjunto Habitacional Porto Novo .20 Nordeste Habitacional Vila Esperança 224 40 Sul Projeto Habitacional e Socioambiental Curitiba/PR Projeto Sindoméstico Salvador/BA Residencial Nova Chocolatão Porto Alegre/RS Conjunto Cidadão II Manaus/AM Projeto Casa Quilombola Campo Grande/MS Manaus/AM Programa Lares Geares Habitação Popular .94 Apêndice F . 2009/2011.562 24 1.Ouro Preto/MG Lar dos Hansenianos Manaus/AM Residencial Boa Vista Chapadão do Sul . CAIXA Prefeitura/Demhab Prefeitura/Fundo Municipal do Prezeis. CAIXA PAC Governo Estadual. PSH.

95 ANEXOS Anexo A . de 08/07/2011.Primeira publicação referente ao habitacional no bairro de Monteiro Fonte: Jornal do Commercio (Caderno Cidades). .

©2012 Google.96 Anexo B .Localização do bairro de Monteiro (satélite) Fonte: Google Maps .©2012 Google.Localização do bairro de Monteiro (mapa) Fonte: Google Maps . Anexo C . .

97 Anexo D . 2012. . 2012. Anexo E .Parte detrás do prédio Fonte: acervo particular do autor.Placa de construção do empreendimento Fonte: acervo particular do autor.

Corredor de acesso para a entrada do prédio Fonte: acervo particular do autor. 2012.98 Anexo F . .

Entrada do prédio Fonte: acervo particular do autor. .99 Anexo G . 2012.

.Área lateral Fonte: acervo particular do autor.Corredor térreo de acesso Fonte: acervo particular do autor. 2012.100 Anexo H . Anexo I . 2012.

Escadaria (ausência de corrimões e de fitas antiderrapantes) Fonte: acervo particular do autor. .101 Anexo J . 2012.Registro de água aparente Fonte: acervo particular do autor. 2012. Anexo J .

2012.Jardim criado e mantido por alguns moradores Fonte: acervo particular do autor.Bicicletário e área para a guarda de objetos diversos Fonte: acervo particular do autor. Anexo L . 2012. .102 Anexo K .

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