HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL

:
identidade construída em relação ao lugar de moradia o caso da Comunidade Vila Esperança, em Recife.

1

‘’[...] se nos perguntassem qual o benefício mais precioso da casa, diríamos: a casa abriga o devaneio, a casa protege o sonhador, a casa nos permite sonhar em paz. Somente os pensamentos e as experiências sancionam valores humanos.’’ Bachelard (1988, p. 201)

2012

Paulo Fernando Medeiros Epaminondas
Universidade Federal Rural de Pernambuco Departamento de Ciências Sociais Bacharelado em Ciências Sociais

2

UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DE PERNAMBUCO DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS BACHARELADO EM CIÊNCIAS SOCIAIS

PAULO FERNANDO MEDEIROS EPAMINONDAS

HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL: identidade construída em relação ao lugar de moradia - o caso da Comunidade Vila Esperança, em Recife.

Linha de pesquisa: Espacialidade e Socialidade

RECIFE 2012

3

PAULO FERNANDO MEDEIROS EPAMINONDAS

HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL: identidade construída em relação ao lugar de moradia - o caso da Comunidade Vila Esperança, em Recife.

Monografia apresentada à Coordenação do Curso de Bacharelado em Ciências Sociais da Universidade Federal Rural de Pernambuco, como parte dos requisitos necessários à obtenção do grau de Bacharel em Ciências Sociais. Orientadora: Prof.ª Dr.ª Rita de Cássia Alcântara Domingues da Silva

RECIFE 2012

4

643.1 E63h

Epaminondas, Paulo Fernando Medeiros. Habitação de interesse social: identidade construída em relação ao lugar de moradia - o caso da Comunidade Vila Esperança, em Recife / Paulo Fernando Medeiros Epaminondas. – Recife: O autor, 2012. 101 p. : il. color. Orientadora: Rita de Cássia Alcântara Domingues da Silva Trabalho de conclusão de curso (graduação) – Universidade Federal Rural de Pernambuco, Departamento de Ciências Sociais, Bacharelado em Ciências Sociais, 2012. Inclui referências, apêndices e anexos. 1. Comunicação. 2. Identidade. 3. Habitação de interesse social. 4. Sustentabilidade. 5. Política habitacional. I. Silva, Rita de Cássia Alcântara Domingues da. (Orientadora). II. Título.

5

6

À Eronita Medeiros Epaminondas, minha MÃE e avó, dedico esta monografia com o sentimento de um Sonho meu que Dela se tornou e que por Ela se realizou. (In memoriam)

À minha tia Laudicea pelos momentos de apoio e de reflexão essenciais à concepção de valores que estabeleci para a vida. pelos exemplos de luta. À minha orientadora Rita de Alcântara pela paixão com que abraçou o trabalho e pelo crédito dado à ideia desde o primeiro instante. pelo entendimento da abdicação e pela certeza da relação. ensinou-se de forma fundamental a importância do ter e do saber algo para ser alguém na vida. Ao Amigo e companheiro Jairo. Ao meu poodle Looke. por me fazerem acreditar no quanto a vida vale a pena. Ao meu primo Wâniçon e sua esposa Flávia pelo exemplo do caminho construído. sensibilidade e apoio incondicionais e incansáveis no dia-a-dia da vida. pela compreensão. pela compreensão da ausência. A todos os meus familiares. Ao professor João Gilberto pela luz epistemológica e discussões sobre o trabalho no decorrer da pesquisa. À minha irmã Paula Fernanda. exercício do abdicar e esperança de um amanhecer diferente que nos torna melhores que antes. Ao meu Pai José Leôncio por ter assumido a obrigação de me educar e por me dar a oportunidade de ter a família e os exemplos que tenho. de crescer e pela resignação e perseverança que foram necessárias para ultrapassar limites dessa jornada . de vida e por todas as ocasiões nas quais me disseram não.fazendo-me perceber que aprendizados trazem sacrifícios e que a saída da zona de conforto no contexto social é antes de tudo o primeiro passo a ser dado.7 AGRADECIMENTOS A Deus. A todos os Grandes Amigos de minha vida. . mostrando-me nesses momentos que era necessário parar. Em especial à minha MÃE e avó Eronita. contribuintes ou não com o trabalho de pesquisa. À minha tia Laudenice por ter acreditado e lutado por mim enquanto ser humano (In memoriam). que apesar de encontrar-se numa outra dimensão. porque nesses momentos eu aprendi e cresci. horizonte de crédito e fortaleza simplesmente fundamental para o que foi necessário fazer. À minha tia Laudeci pelo exemplo de fibra. Dona Eró. resignação e pelos momentos de constante incentivo. elemento de minha vida que faz tudo valer à pena sem pedir absolutamente nada em troca. pela oportunidade de aprender. dando-me a liberdade de mergulhar e convidando-se a me acompanhar no desenvolvimento e desvendares que a temática do trabalho poderia nos trazer. pelas discussões indispensáveis que somaram ao trabalho de pesquisa. pela impaciência de esperar quando queria brincar.

ao Douglas pela acolhida e consideração dispensadas. E ao professor Fábio Andrade. pelas aulas cheias de energia e pela severidade de quando se fez oportuno. contribuíram direta ou indiretamente para que eu pudesse chegar ao final dessa jornada. A todos os professores com os quais tive a oportunidade de aprender e crescer. sem nunca deixar de nos valorizar como alunos. À professora Grazia por todo apoio e paciência no sentido de nos instrumentalizar metodologicamente. disposição e apoio incondicionais sempre presentes na Coordenação do Curso. o meu muito obrigado! . pela disponibilidade. pela exigência que nos encaminhou ao aperfeiçoamento e pelo reconhecimento do bom trabalho realizado. que através de seus auxiliares de apoio. À professora Dora. administrativos. pelo apoio. enfim. Mas pontualmente à professora Giuseppa. ao Bruno Batista pelos momentos de esclarecimento. sempre respeitou. analistas e gestores nos forneceram o suporte e a infraestrutura necessários para o exercício educacional diário. mas principalmente enquanto seres humanos. que. por acreditar tanto em meu potencial e pelos inúmeros momentos de direcionamento e esclarecimento que só contribuíram para um entendimento coerente do caminho a ser percorrido no trabalho de pesquisa. Agradeço de forma especial à Magnífica Reitora Maria José de Sena. técnicos. pela amizade e parceria ao longo dos anos. Agradeço especialmente à Glauce Medeiros pelo incentivo e admiração.8 À Ana Paula de Macedo Vasconcelos (Paulinha). também especialmente. por ter me arguido em certo momento dessa caminhada sobre como escrever algo que ainda não estava em minha mente. ao Paulo de Tasso pela sensibilidade e humanidade que lhes são sempre peculiares. ao Rodrigo Assis e ao Fábio Alves por terem sido referenciais do que busquei ser enquanto graduando e à Janaína Melo pela amizade. À professora Gilka. À Universidade Federal Rural de Pernambuco. graduandos que. pela sensibilidade e pelo cuidado no exercício de educar no tratamento dispensado aos graduandos enquanto Pró-Reitora de Extensão. pelo novo rumo que imprimiu ao Bacharelado de Ciências Sociais em sua gestão e por nos acordar sempre que necessário. escutou e procurou entender e orientar. A todos os Amigos e colegas com os quais tive a oportunidade de conviver. com quem aprendi a primar pelos detalhes e a admirar pelo comprometimento com o ato de educar. à Monaliza Santos pela parceria fiel a partir do momento em que passamos a caminhar juntos. inclusive. A todos àqueles.

telhados. mas não ilumina o homem. sem propósito e sem vida. mas cabe ao homem escrevê-las como lhe convém. sem o homem para habitá-la. As casas abrigam estórias. A luz invade o espaço. Daniel Gomes de Faria . janelas e portas sem forma. não passa de paredes.9 E a casa.

visando iniciar a discussão a partir de sua base conceitual e histórica. identificar o padrão existente para a habitação de interesse social. A atividade de pesquisa buscou atestar ou discordar e. bem como de campo através da aplicação de roteiros de entrevista semiestruturados e de forma individual.10 RESUMO O presente trabalho de pesquisa tem como objetivo principal analisar a comunicação com o espaço habitacional numa perspectiva da identidade construída em relação ao lugar de moradia. sem deixar de levar em consideração a obtenção de dados de ordem quantitativa. bem como do histórico da habitação de interesse social. o estudo se propõe a um resgate dos conceitos de casa. O estudo também procurou. esboçar um caminho que construa um entendimento para habitações de interesse social que leve em consideração as especificidades de cada localidade. tiveram ou têm com a habitação recebida. moradia e habitação. identidade. Palavras Chaves: comunicação. A pesquisa tenta perceber e avaliar as potencialidades. impasses e limites da proposta habitacional enquanto um instrumento de política pública que se propõe com a capacidade de trazer um modelo de intervenção diferenciado. para um embasamento do trabalho de pesquisa. habitação de interesse social. . na tentativa de percepção de elementos de pertencimento com o lugar de moradia na proposta habitacional do PREZEIS. enquanto elementos fundamentais para a sustentabilidade social do habitar. Nesse sentido. bem como as discussões mais recentes a cerca das políticas urbanas e regionais no Brasil. frente à identidade que se constrói com o contexto de moradia. identificados como relevantes para o contexto da pesquisa. O trabalho de pesquisa foi centrado na lógica indutiva com retornos à teoria sendo construídos durante a realização da pesquisa. o convívio social e principalmente seus habitantes. A análise esteve centrada na comunicação que pessoas reassentadas do primeiro prédio entregue do Habitacional Vila Esperança no Bairro de Monteiro. com vistas ao enfrentamento do déficit habitacional de interesse social com resultados de qualidade e que contemplem de forma efetiva as famílias beneficiadas. através de uma abordagem qualitativa e descritiva. nesse sentido. visando à busca quantitativa e principalmente qualitativa das informações obtidas. sustentabilidade e política habitacional. A metodologia da pesquisa consistiu numa pesquisa bibliográfica dos elementos que compõem a temática. em Recife/PE. no contexto dos programas e resultados da Política Nacional de Habitação (PNH). O estudo propõe um olhar para as habitações de interesse social que se insira numa perspectiva de política pública que interaja e que considere a importância da comunicação da pessoa humana com o espaço habitacional.

while fundamental elements for home social sustainability. surely taking into consideration quantitative data gathering identified as relevant for research context. As such. deadlocks and limits of the housing proposal while an instrument of public policy proposed to be with the capacity of bringing a differentiated intervention model. identity. in the context of programs and results of the National Housing Policy (“Política Nacional de Moradia” . the study is devoted to rescue of concepts such as home. housing of social interest. . in an attempt of perception of belonging elements with the housing place in the PREZEIS housing proposal. for a technical foundation of research work. Recife/PE.11 ABSTRACT This current research work mainly aims at analyzing the communication with the housing space in a perspective of the build-up identity concerning housing place. as well as the most recent discussions towards Brazilian urban and regional policies. by means of a qualitative and descriptive approach. facing identity that is constructed with the housing context. aiming at starting the discussion from its conceptual and historical background. The study proposes a glace at housings of social interest which are inserted in a perspective of public policy that interacts and considers the importance of communication of human individual with the housing space. social coexistence and mainly the inhabitants. residence and housing. Key Words: communication. to identify the existing housing standard for housing of social interest. outline a path that builds an understanding for housing of social interest which may take into consideration as specificities of each location. sustainability and housing policy. thus. The research attempts to perceive and assess the potentialities. aiming for confrontation of the housing deficit of social interest with quality results and that contemplate effectively the families benefited. The study also searched. Research work was focused on the inductive logics returning to theory and being constructed during research accomplishment. as well as field by means of interviews script application semi-structured and individually. looking for quantitative and mainly qualitative search of the information collected. Research activities aimed at certifying or disagreeing. The analysis was focused on the communication that people displaced in the first delivered building of Habitacional Vila Esperança in the District of Monteiro. as well as a housing history of social interest. have or had with the housing delivered.PNH). The research methodology comprised of bibliographic results of the elements that comprise the thematic.

....................................................................................................................................................................................................................Contratações do SBPE (R$ bilhões) ....... 45 Gráfico 4 ................................................................................................ 48 Gráfico 7 ..... 69 Gráfico 10 ...... 54 Quadro 1 .Associação com a moradia atual ................12 LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1 ................................ RPA 03 ..................Infraestrutura institucional da questão habitacional no Brasil .............Investigando o trabalho social desenvolvido ......................................... 46 Gráfico 5 .................Associação com o termo lugar ....................O metro quadrado por Região considerando o recurso predominante .................................... 68 Gráfico 9 ..........................................................................................Localização do bairro de Monteiro na RPA 03 .......................... 33 Gráfico 3 .....Tendências de mudanças no macro-complexo construção ....................................................................................................... 72 Gráfico 13 .................................................................................................................... 53 Gráfico 1 .........................................................................Evolução dos investimentos em habitação ........... 70 Gráfico 11 .........Investigando a atividade econômica ............................................Foco nos seguimentos de baixa renda (percentual de atendimento por faixa de renda) ............................. 52 Figura 4 .................. 73 Gráfico 14 ........ 31 Figura 2 ...Financiamentos FGTS (R$ bilhões) ............... 32 Gráfico 2 ................... 36 . 47 Gráfico 6 ...... 50 Gráfico 8 ...........Base cartográfica do bairro de Monteiro ...... 71 Gráfico 12 ..Região Noroeste........................Organograma da Política Nacional de Habitação ....................Tendência de redução do déficit habitacional brasileiro ..............................................Sobre o preparo para os novos gastos .........................Posição sobre as adesões ao SNHIS... 42 Figura 3 .................................................................... 74 Mapa 1 ...................Associação com o termo identidade ..............................................Entrevistados por sexo ...... 74 Gráfico 15 ........Entrevistados por religião ........

................. 35 Tabela 5 ...........Diferença entre a população de 2000 e 2010 e taxa média de crescimento geométrico anual........ 34 Tabela 2 .................................................. área e densidade........... 59 ............... 2010 ........ Recife............Projeção orçamentária considerando o avanço de recursos do PAC .. 56 Tabela 6 .....População residente por sexo e situação de domicílio...........................................................................População residente por grupos etários e população ignorada.........................Projeção orçamentária adotando-se o percentual da PEC ................................13 LISTA DE TABELAS Tabela 1 ...IPTU não residencial: total de imóveis........................... valor lançado e valor médio lançado....... 35 Tabela 4 ...........População residente...... segundo RPA....................Custos médios com habitação ........................ segundo bairros .................Demanda futura por habitação.... 57 Tabela 7 ............................... segundo RPA e bairros ...................... segundo bairros .... 34 Tabela 3 .................... 57 Tabela 8 ............................ 58 Tabela 9 ...........

14 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ANTAC BIRD BNH CAIXA CDESC CNHIS ConCidades CGFNHIS DFI DHDH URB FAR FDS FINEP FGTS FLHIS FNHIS IAPs IPEA MIP Associação Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído Banco Internacional para a Reconstrução e Desenvolvimento Banco Nacional de Habitação Caixa Econômica Federal Comitê dos Direitos Econômicos. Sociais e Culturais Conselho Nacional de Habitação de Interesse Social Conselho das Cidades Conselho Gestor do Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social Dados Físicos do Imóvel Declaração Universal dos Direitos Humanos Empresa de Urbanização do Recife Fundo de Amparo Residencial Fundo de Desenvolvimento Social Financiadora de Estudos e Projetos Fundo de Garantia por Tempo de Serviço Fundo Local de Habitação de Interesse Social Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social Instituto de Aposentadoria e Previdência Social Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada Morte por Invalidez Permanente .

Sociais e Culturais Plano Nacional de Habitação Plano Local de Habitação de Interesse Social Programa Minha Casa Minha Vida Política Nacional de Habitação Plano de Regularização das Zonas Especiais de Interesse Social Regiões Político-Administrativas Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo Sistema Financeiro da Habitação Sistema Nacional de Avaliações Técnicas Sistema Nacional de Habitação Sistema Nacional de Habitação de Mercado Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social Zonas Especiais de Interesse Social .15 MCidades OGU OIT PAC PBQP-H PCM PCR PIDESC PLANHAB PLHIS PMCMV PNH PREZEIS RPAs SBPE SFH SINAT SNH SNHM SNHIS ZEIS Ministério das Cidades Orçamento Geral da União Organização Internacional do Trabalho Programa de Aceleração do Crescimento Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat Programa Capibaribe Melhor Prefeitura da Cidade do Recife Pacto Internacional sobre os Direitos Económicos.

Corredor de acesso para a entrada do prédio _________________________________________ 98 Anexo G .1.16 SUMÁRIO INTRODUÇÃO ___________________________________________________________ 17 1 ALGUNS CONCEITOS PRELIMINARES: casa.1.1.Localização do bairro de Monteiro (mapa) __________________________________________ 96 Anexo C .Elementos de Identificação e de Não Identificação _________________________________ 92 Apêndice E .1.Corredor térreo de acesso _______________________________________________________ 100 Anexo J .Área lateral _________________________________________________________________ 100 Anexo I .Placa de construção do empreendimento ___________________________________________ 97 Anexo E .O Metro Quadrado Construído Determinado pela Origem de Recurso por Região Brasileira _ 94 ANEXOS ________________________________________________________________ 95 Anexo A .Parte detrás do prédio __________________________________________________________ 97 Anexo F .5 Economia________________________________________________________________________ 58 4.4 Densidade demográfica ____________________________________________________________ 57 4.6 Macrozoneamento e importância histórica _____________________________________________ 59 5 FORMULAÇÃO DO PROBLEMA __________________________________________ 60 6 RESULTADOS DA PESQUISA ____________________________________________ 68 CONSIDERAÇÕES FINAIS ________________________________________________ 78 REFERÊNCIAS __________________________________________________________ 83 APÊNDICES _____________________________________________________________ 86 Apêndice A .1.1.Roteiro de Entrevista Individual (Líder Comunitário) _______________________________ 90 Apêndice D .1 CARACTERIZAÇÃO DO BAIRRO _________________________________________________________ 52 4.Primeira publicação referente ao habitacional no bairro de Monteiro _____________________ 95 Anexo B .Localização do bairro de Monteiro (satélite)_________________________________________ 96 Anexo D .Entrada do prédio _____________________________________________________________ 99 Anexo H .Escadaria (ausência de corrimões e de fitas antiderrapantes) ____________________________ 101 Anexo K .Jardim criado e mantido por alguns moradores ______________________________________ 102 .1 Localização e acesso ______________________________________________________________ 52 4.Registro de água aparente ______________________________________________________ 101 Anexo J . moradia e habitação _____________ 23 2 O PROCESSO DE EVOLUÇÃO DO PADRÃO HABITACIONAL DE INTERESSE SOCIAL _________________________________________________________________ 26 3 POLÍTICAS URBANAS E REGIONAIS NO BRASIL: DISCUSSÕES RECENTES __ 38 3.1.Bicicletário e área para a guarda de objetos diversos _________________________________ 102 Anexo L .3 Dados populacionais e de domicílio __________________________________________________ 56 4. A ORIGEM DE RECURSO E SUA INFLUÊNCIA NO METRO QUADRADO CONSTRUÍDO _________________ 50 4 O BAIRRO DE MONTEIRO EM RECIFE/PE ________________________________ 52 4.Roteiro de Entrevista Individual (Moradores) _____________________________________ 87 Apêndice C .Síntese das Categorias de Entrevistados __________________________________________ 93 Apêndice F .2 Evolução do espaço urbano _________________________________________________________ 55 4.Termo de Consentimento Livre e Esclarecido _____________________________________ 86 Apêndice B .

. através de um roteiro de entrevista semiestruturo de forma individual (mínimo de um representante por família).] utilizando-se da metodologia científica. Como objetivos específicos. 1 .. permite a obtenção de novos conhecimentos no campo da realidade social” (GIL. (b) Estruturar os elementos de comunicação/identidade com o lugar de moradia anterior e atual. com vistas ao enfrentamento do déficit habitacional de interesse social. a ocupação ao longo do Rio Capibaribe reúne uma população de poder aquisitivo variado. Nos dias atuais. e na margem direita . . Na margem esquerda predomina uma população de faixa de renda alta com poucos trechos de ocupações pobres. passou a estabelecer parâmetros para novas Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS) e também tem como objetivo o estímulo à interação das comunidades com o resto da cidade através de projetos de melhoria para as áreas (MORAIS apud LOIOLA. da proposta do Programa Capibaribe Melhor (PCM) da Prefeitura da Cidade do Recife. p. tem-se: (a) Mapear um perfil dos moradores reassentadas maiores de 18 anos.42). além de ter se tornado o reflexo da participação comunitária no processo de gestão. enquanto um processo que “[. No caso específico desse estudo. Instituído em 1987. encontra-se um número expressivo de áreas pobres. a intervenção do poder público se faz presente através do PREZEIS1 e. teve-se como objetivo geral a construção de uma análise crítica da questão da habitação de interesse social. futuramente. tais como: o processo econômico e concentração de terras. p. A presente pesquisa caracteriza-se como uma pesquisa social. observando os significados e simbologias presentes no exercício de morar.área objeto de análise -. no que concerne à comunicação do beneficiário com o objeto recebido numa perspectiva da identidade construída em relação ao lugar de moradia. através de lei de iniciativa popular. (c) Estabelecer um comparativo entre os fatores que comunicam/identificam em relação ao lugar de moradia atual. em Recife/PE.área contemplada pelo projeto -. em razão de um conjunto de fatores vivenciados no tecido urbano. 28). Para melhorar a situação dessas comunidades carentes.17 INTRODUÇÃO Na história urbana do Recife. 2011. na Comunidade Vila Esperança no Bairro de Monteiro. 1999. (d) Identificar o nível de satisfação dos beneficiários com a nova forma de morar. os espaços foram ocupados em tempos diversos e de forma diferenciada.

62-63) e com o “[. p.] estudo delimitado e que consiste na observação detalhada de um contexto” (BOGDAN e BIKLEN... mas na ida ao campo percebeu-se que tal abordagem demandaria um trabalho em longo prazo.. aplicados de forma e com consentimento individual. no bairro de Monteiro.] permite a captação imediata e corrente da informação desejada” e por isso se optou por tal instrumento de pesquisa. 1994.. p.. até a ocasião em que se esteve em campo. p.. que os nove prédios restantes que comporão o Habitacional Vila Esperança não seriam construídos até o final da pesquisa. 1995. p 35). em Recife/PE.] processo sendo tão ou mais importante que os resultados” (BOGDAN e BIKLEN. p. 34) a entrevista “[. com o “[. Nesse sentido.. 89). A categoria de pesquisa que nos norteará será a da pesquisa qualitativa. beneficiadas inicialmente com recursos do PREZEIS. Foi idealizado inicialmente para o contexto de pesquisa trabalhar com famílias reassentadas e ainda não reassentadas. por meio de um processo categorizador (detentor de características peculiares) que una dialeticamente o contexto teórico e o empírico. situando-se como um “[. considerando a falta de previsão para a solução sobre a desapropriação da área aonde serão construídos os prédios complementares ao habitacional. Segundo Lüdke e André (1986. . considerando que busca analisar a dimensão de comunição do beneficiário com o objeto recebido (habitação de interesse social).] ambiente natural como fonte principal dos dados” (GODOY. considerando que para o que se propôs a pesquisa tal faixa-etária atendeu de forma plena aos objetivos propostos. conforme descrito por Minayo (2004. 47).. O contexto de entrevistados foi o de pessoas maiores de 18 anos. Os procedimentos de coleta de dados se deram através de roteiros de entrevista semiestruturada. incompatível com o tempo previsto para a realização da pesquisa. Posteriormente. 1994. Também foi identificado. numa perspectiva da identidade construída em relação ao lugar de moradia. a pesquisa teve como foco de investigação 16 famílias reassentadas da Comunidade Vila Esperança.18 O método utilizado terá o entendimento de permitir que a realidade social tenha a possibilidade de ser reconstruída enquanto um objeto do conhecimento. os novos beneficiários da Comunidade serão construídos com recursos do Programa Capibaribe Melhor da Prefeitura da Cidade do Recife. Também se tem como característica do trabalho o fato de ser um estudo de caso.

a comunicação com o objeto recebido. Dessa forma.] parte do particular e coloca a generalização como produto posterior do trabalho de coleta de dados particulares” (GIL. A opção pela lógica indutiva para análise da pesquisa fez-se por se acreditar que o método traria o aprofundamento esperado ao conhecimento empírico. tendo havido retornos à teoria que fundamentaram a realização da pesquisa. numa abordagem que buscou atingir o universo possível de moradores maiores de 18 anos das . o levantamento de bibliografia específica e a inserção na realidade empírica de estudo contribuíram com a metodologia adotada para a finalidade a que a pesquisa se propôs.PDRI. O processo de investigação esteve fundamentado no universo das famílias envolvidas e da liderança comunitária da Comunidade Vila Esperança. percebeu-se o indicativo de uma construção quantitativa da realidade. Numa análise inicial do Plano de Desapropriação e Reassentamento Involuntário . A pesquisa bibliográfica também se expandiu para os conceitos de casa. documentação que esboça a realização de estudos e projetos executivos do sistema viário. A lógica idealizada para a pesquisa foi a indutiva. o que chamou atenção ao contexto de análise da pesquisa. moradia e habitação. A pesquisa esteve organizada de forma a levantar aspectos simbólicos relacionados ao exercício de morar e considerados como relevantes para a sustentabilidade social do habitar. reforçando a abordagem qualitativa mencionada. 1999. as discussões recentes a cerca das políticas urbanas e regionais no Brasil. que “[. A segunda fonte de informação esteve na pesquisa de campo com uma abordagem qualitativa e descritiva da realidade. p. parques e habitacionais do PCM. no contexto dos programas e resultados da política nacional de habitação. 28). enquanto abordagens teóricas específicas ao contexto de pesquisa. o padrão da habitação de interesse social no Brasil e sua sustentabilidade social. a habitação enquanto um direito..19 A primeira fonte de informação da pesquisa foi a bibliográfica através de pesquisa documental relacionada ao PREZEIS e ao PCM. macrodrenagem. sem deixar de levar em consideração a obtenção de dados de ordem quantitativa considerados como relevantes para os objetivos da pesquisa. o conceito de identidade no âmbito das ciências sociais e a identidade relacionada ao lugar. a habitação de interesse social enquanto um conceito e o seu histórico no mundo e no Brasil..

117) define como rubricas ou classes. ocorreu por questões de ausência. No contexto das famílias reassentadas a primeira categoria de análise da pesquisa foi a de informações gerais. identidade. . última e em nossa análise fundamental categoria foi à relacionada à investigação da identidade. p.20 16 famílias reassentadas e quando o acesso se deu de forma parcial ou não existiu. aspectos históricos e culturais. em razão dos caracteres comuns de tais elementos. desconfiança ou recusa por parte dos mesmos. na qual se buscou um resgate das percepções dos entrevistados através de termos relacionados à temática que pudessem constituir a base de análise para a investigação relacionada à comunicação e à identidade construída em relação ao lugar de moradia pelas famílias reassentadas. que teve o intuito de considerando a realidade atual e anterior. a comunicação. seus valores. formas de crescimento e produção do espaço. que procurou perceber nas famílias a relação com o lugar (moradia anterior e atual). Concluída a aplicação dos roteiros de entrevista. simbologias e pertencimento. procedeu-se com a transcrição e com a análise dos dados sendo realizada através de categorias de análise. A segunda categoria foi a da associação de conceitos. Um outro elemento de análise. que se reúnem num grupo de elementos sob um título genérico. presente na pesquisa em questão. esteve relacionado à liderança comunitária da Comunidade Vila Esperança. A terceira categoria foi a do processo de mudança e comparação do antes com o depois. A quarta. dentre outras questões que foram consideradas como relevantes para a análise na percepção relacionada à comunicação e identidade construída pelos beneficiários. buscar perceber das famílias nesse comparativo os elementos que somaram e que não somaram durante o processo de mudança. ocasião em que pudemos construir a história da comunidade que é objeto de estudo da pesquisa através de informações sobre o início e o porquê da ocupação. que teve o objetivo de mapear um perfil dos entrevistados criando a possibilidade de um futuro cruzamento de dados. visando construir o que ficou desse contexto de mudança no que concerne ao atendimento das necessidades de quem foi beneficiado. Reforce-se que a relevância dos dados obtidos encontra-se na representatividade simbólica e de valores enquanto percepção do grupo estudado e que se encontram relacionadas à nova realidade de habitar. que Bardin (1997.

O segundo capítulo trabalha a temática da habitação de interesse social. tem-se a discussão em cima dos resultados da pesquisa. outros autores contemporâneos como Teixeira (2004). procurou-se caracterizar o bairro de Monteiro no município de Recife/PE. com o intuito de melhor conhecer o local aonde se encontram localizadas as famílias objeto de estudo. Para fundamentar melhor o trabalho foram incorporados à discussão . no arcabouço teórico. Moreira. a comunicação do beneficiário com o objeto recebido. principalmente. moradia e habitação para fundamentar e alinhar uma base ao conceitual de habitação de interesse social. a identidade enquanto um conceito. No terceiro capítulo buscou-se identificar as discussões mais recentes a cerca das políticas urbanas e regionais no Brasil. A abordagem sobre esse tipo de habitação possui. Há uma percepção da necessidade de se pensar na qualidade e. O primeiro expõe os conceitos de casa. Paralelamente. com o intuito de perceber a política nacional de habitação sob a perspectiva de seus programas e resultados e a habitação de interesse social nesse contexto. resgatando o seu processo de evolução no mundo e no Brasil. Hespanhol (2007). é abordada a questão do valor do metro quadrado desse tipo de moradia no Brasil subsidiando a discussão que será feita mais adiante sobre o padrão habitacional proposto pelo PREZEIS.21 Os critérios estabelecidos para a pesquisa tiveram como objetivo a obtenção de dados e informações tanto em nível geral quanto específico e mais aprofundado. Para isso. o qual será desenvolvido no contexto do trabalho de pesquisa. apresenta-se a formulação do problema de pesquisa identificando os agentes/atores sociais e trabalhando as temáticas da habitação como um direito. O trabalho está organizado em seis capítulos. em seus aspectos socioeconômicos. No quinto capítulo. . Berger & Luckmann (2004) e Ciampa (1989) sobre o conceito de identidade. na atualidade. a identidade construída em relação ao lugar e a proposta habitacional do PREZEIS. um entendimento que transcende a ideia de que se trata pura e simplesmente de construir habitação para pessoas de baixa renda. tendo como base a proposta qualitativa do trabalho de pesquisa. na sustentabilidade que esses empreendimentos habitacionais precisam ter.da construção identitária em relação ao lugar de moradia -. No sexto capítulo. No quarto capítulo. destacam-se os pensamentos de Simmel (1983) sobre a comunicação com os objetos no contexto social.

22 O trabalho de pesquisa é concluído com as considerações finais. numa tentativa de observar as suas implicações para a política habitacional da Cidade do Recife. enquanto uma análise do contexto de pesquisa partindo dos resultados. no contexto da proposta habitacional do PREZEIS. .

trabalhando através do conceito de habitat2. Entendido no presente trabalho de pesquisa enquanto espaço integrado ao ambiente natural e àqueles que o integram. ideológicas. 2010. Bachelard (1988. 37): Temos que considera-la e analisa-la. com características diferentes. mas não apenas física. Nesse sentido.] a casa abriga o devaneio. Somente os pensamentos e as experiências sancionam os valores humanos”. integrando o interno com o externo.23 1 ALGUNS CONCEITOS PRELIMINARES: casa. também dos elementos que constituem o “ser” humano. enquanto um componente físico que tem na sua significação uma construção que se dá ao longo do tempo de moradia. a casa protege o sonhador. p. nesse contexto. tendo em vista os hábitos de quem habita tal ente físico (MARTUCCI e BASSO apud SAÚGO. se transforma em moradias diferentes. no contexto da habitação construída pelo homem. ainda não significado ao ser de imediato construído. o mesmo ente físico. numa abordagem inspiradora diria que “[. 37) e assim “um mesmo invólucro. 2010. mas não apenas física. considerando a casa como já mencionado enquanto o ente físico e a moradia teria considerável ligação com aquilo que faz a casa funcionar. etc.. 201). E a habitação. podendo ser conceituada da seguinte forma (MARTUCCI e BASSO apud SAÚGO. 2 . pautando-se em elementos que se relacionam com a vida das pessoas e suas respectivas relações sociais. p.. Entende-se dessa forma o conceito de casa como sendo o espaço físico com a função de proteção. proteção também dos elementos que constituem o “ser” humano. ou seja. seria a integração dos sentidos de casa e moradia fazendo parte do espaço urbano com todos os elementos de suporte e de infraestrutura que esse espaço possa oferecer. moradia e habitação Entende-se o conceito de casa como sendo o espaço físico com a função de proteção. econômicas. históricas.” A moradia seria então o resultado do uso de quem a habita e que traz peculiaridades que confirmam a diferenciação de sentidos em relação ao objeto casa. a casa nos permite sonhar em paz. cujos hábitos de uso dos moradores são a tônica da mudança. acompanha-se a ideia de que casa e moradia trazem consigo sentidos diferenciados. componente físico que tem na sua significação uma construção que se dá ao longo do tempo de moradia. p. políticas.

Dessa forma. de forma que “quanto mais bem equipado o setor urbano onde estiver inserida a casa. Na presente análise que foca o direito à moradia. considera ao abordar a questão da estrutura de funcionamento da casa a “necessidade da busca de alternativas de projeto que facilitem a inserção do trabalho dentro da moradia. diante da demanda que se tem a atender e ainda com uma qualidade em processo de construção. que a habitação poderá ser considerada como qualificada a depender de sua localização. mas que procura atender a necessidades sejam elas físicas ou subjetivas. contudo. quando o fazer atual relacionado à habitação de interesse social já estivesse mais consolidado. o vínculo existente entre a habitação e a estrutura urbana na qual a mesma se encontra inserida. melhor as condições de moradia e melhor a qualidade da habitação” (CARDOSO apud SAÚGO. que a casa como espaço. não apenas construtiva. tal aspecto precisaria ser considerado de forma relevante quando se colocasse como elemento de sustento imprescindível da família ou vinculado a questões de ordem cultural. 19) a esse respeito. por exemplo. muito embora o trabalho social atrelado a quem seja beneficiado. Palermo (2009. que numa análise mais ampla atenderia a necessidades de ordem social ou econômica quando em algumas realidades pode se visualizar até mesmo o uso do comércio no ambiente de moradia. a observância desse aspecto econômico relacionado ao hábito de morar talvez pudesse ser objeto de reflexão futura. p. sem prejuízo do ambiente familiar”. 38). p. fomentando ao espaço um sentido pessoal e específico.24 Verifica-se. previsto no art. mas que se colocaria como objeto de outra análise. Considere-se para o estudo em questão. enquanto componente da política habitacional. mas de atendimento a necessidades básicas daqueles que são beneficiados. não tendo como separá-la porque é através dessa infraestrutura e da rede de serviços urbanos a que está atrelada. assim. 98-99). deveria prever com base na realidade socioeconômica atendida. a habitação pode ser considerada como aquele elemento do espaço urbano que vai além das funções de proteger ou peculiarizar-se através do uso. enquanto um encaminhamento de fortalecimento ao direito fundamental ao trabalho arrolado como um direito social. 2010. a moradia enquanto prática e a habitação enquanto ambiente que atende a necessidades precise de forma mais pontual de . 6º da Constituição Brasileira. o que se confirma em Vieira e Chaves (2011. um suporte relacionado ao posicionamento de tal população junto ao mercado de trabalho. p.

Não menos importante é considerar a variável ‘pertencimento’ ao espaço habitacional. fazendo-o vivenciar de forma efetiva o sentido afetivo e pessoal que a habitação tem. fornecendo à habitação de interesse social um sentido que ela precisa ter e que lhe proporciona qualidade e sustentabilidade social. à família.25 elementos de referência que se relacionem ao indivíduo. ao modo de morar. .

define o termo como várias soluções construtivas.Habitação para População de Baixa Renda (housing for low-income people).. por exemplo: . sem necessariamente indicar uma habitação voltada à população de baixa renda. . p.em função da primazia do capital em relação à qualidade construtiva de atendimento ao social -. habitação de interesse social é aquela que. a partir do entendimento de necessidades básicas de conforto ambiental e de adequações às atividades domésticas.26 2 O PROCESSO DE EVOLUÇÃO DO PADRÃO HABITACIONAL DE INTERESSE SOCIAL Entenda-se por habitação de interesse social a moradia digna que atende às necessidades daqueles que são beneficiados. destina-se a atender ao social em suas necessidades mais peculiares. que não correspondem à funcionalidade de uso dos espaços de moradia. 18): [. que seria um termo geral que envolveria todas as soluções construtivas destinadas ao atendimento de necessidades habitacionais. Além desses aspectos encontra-se a possibilidade de comprometimento da construção identitária dos indivíduos que acabam se perdendo em uma de suas funções primordiais. . 8). trazendo consigo a necessidade de definição da renda máxima das famílias que serão beneficiadas. convivência. com a mesma conotação da definição de habitação de interesse social.] busca proporcionar. ordem e variedade. enfim.. (2010. na análise da autora uma definição mais adequada que a anterior. a produção de espaços apertados que não dialogam com a individualidade dos beneficiários. o convívio familiar.Habitação de Baixo Custo (low-cost housing) que seria a habitação barata. . p. Outros autores como Moreira (2005. isolamento. como a garantir da funcionalidade dos espaços possibilitando a sua apropriação. um sentido de habitar que preencha as necessidades de refúgio. O seu conceito vai justamente de encontro àquela prática que evidencia . aonde o senso de habitabilidade segundo Barros apud Moreira.Habitação Popular. Ampliando a análise.

27 A trajetória da habitação de interesse social neste trabalho de pesquisa passará pela realidade no mundo e em seguida entrar-se-á nos detalhes dos caminhos que trilhou na realidade brasileira. resultando em habitações de baixa qualidade e espaços pequenos. Esta não é uma dificuldade nova e para solucionar o problema surgem políticas públicas voltadas para a construção de habitações populares. Acesso em: 10 de mai. Acesso em: 10 de mai. Disponível em: http://www. o histórico da habitação de interesse social relaciona-se ao período do governo Vargas (1930-1954). 2012. Naquele momento. 2012. a venda de lotes urbanos. Para Rago (apud BONDUKI. durante o período da República Velha (1889-1930) era visível à ausência do Estado Brasileiro frente à produção de moradia e da regulamentação do mercado de locações. e há um aumento previsto para dois bilhões para as próximas três décadas3. Diante da fundamental importância que constitui o abrigo como forma de suprir uma das necessidades humanas mais primárias. o marco inicial para a produção estatal de moradias subsidiadas e para o financiamento da promoção imobiliária foi a partir da institucionalização 3 4 Disponível em: http://nemaususeahabitacaosocial. como por exemplo.097/136. . político e moral dos trabalhadores. 1994: 716). ao mercado de aluguéis. com uma situação de considerável precariedade das condições habitacionais. Entretanto. houve uma intervenção do governo no que concerne à produção. tal entendimento era visto com simpatia tanto pelo Estado quanto pela elite dominante. a questão habitacional é um dos grandes expoentes da urbanidade e que há tempos configura-se como a problemática primordial da ocupação humana no território. No Brasil. intenso adensamento e de salários baixos.br/. Diretora Executiva do Habitat (2009) A demanda por habitação no mundo já em 2009 indicava uma necessidade habitacional da ordem de bilhões e a habitação de interesse social surge com a proposta mais econômica. Nesse sentido. uma vez que garantiria condições adequadas de moradia e o controle ideológico. tendo em vista que existem hoje no mundo cerca de um bilhão de pessoas sem moradias. Segundo Silva (2008) 4 o mundo deparou-se num contexto de urbanização acelerada. denúncias da situação médico-sanitária (insalubridade). a qualidade de tais empreendimentos acompanha a lógica dos custos e a do próprio capital.com. Ana Tibaijuka.com.vitruvius. tendo em vista que a tendência era considerar as vilas operárias como uma iniciativa possível de ser estimulada. ocasião posterior à República Velha. o que a tornaria viável. as vilas operárias existentes também na realidade brasileira.blogspot. Para Bonduki (1994: 712).br/revistas/read/arquitextos/09.

justificando-se na peculiaridade da habitação enquanto uma mercadoria especial.28 do Decreto-Lei do Inquilinato de 1942. sofre mudanças e nessa relação agora relativizada se inicia a formulação da compreensão no que diz respeito à função social da propriedade. mas não houve uma ação articulada efetivamente. a ausência de ação coordenada para enfrentar de modo global o problema habitacional mostram que a intervenção dos governos do período foi pulverizada e atomizada. conforme ressalto em seguida por Bonduki (1994: 718): [. a ideia de propriedade. condicionando-se ao bem-estar social. Percebe-se que a análise traz os fatos. portanto.. Nesse momento. antes absoluta. enquanto um princípio vinculado à ideia de igualdade social. longe. Realmente houve essa ruptura e o Estado passou a intervir. trazendo tanto o reforço à função quanto à . representa minimamente o reconhecimento de um compromisso que o Estado Brasileiro enfrentou. que é considerada por Melo (1991) e Aureliano & Azevedo (1980) citados por Bonduki (1994: 717) o melhor exemplo da presença ausente na política estatal brasileira. foi de grande repercussão tanto social quanto econômica . Alguns autores apontam que a política de proteção do inquilinato era muito bem aceita pelos trabalhadores.] sua fragilidade. de constituir efetivamente uma política.. onde o interesse social ultrapassaria os mecanismos de mercado (BONDUKI. muito embora em condições desarticuladas.a partir do momento em que suspendeu o direito absoluto de propriedade. da criação das carteiras prediais dos institutos de Aposentadoria e Previdência Social (IAPs) e a criação da Fundação da Casa Popular. enquanto uma resposta à crise de moradia no pós-guerra. 1994: 720). regular. Qualificação reforçada na Constituição de 1988. “denotando” que o governo se preocupava com as condições de vida dos menos favorecidos. A Lei do Inquilinato de 1942. tratavam da questão e. mas não se pode deixar de considerar a relevância da ação no sentido de ter sido tomada. principalmente. a exemplo da criação da Fundação da Casa Popular. de alguma maneira. quando se destina a satisfazer as necessidades de quem lhe faz uso. carência de recursos. num contexto em que a propriedade urbana cumpre com a sua função social. mas é fato que a criação da Fundação da Casa Popular como o primeiro órgão nacional destinado exclusivamente ao fomento de moradias para população de baixa renda. enquanto instância reguladora da relação entre proprietários e inquilinos. desarticulação com os outros órgãos que.

. ou seja. indispensável neste setor de atividade econômica para o desenvolvimento da concepção de habitação social. tem a obrigação de cumprir com o direito dos demais sujeitos. p. de que por ser um membro da comunidade tem direitos e obrigações com relação aos demais membros. por se acreditar nos altos custos de um empreendimento habitacional. ou seja. que consiste em não realizar ato algum que possa impedir ou obstaculizar o bem dos referidos sujeitos. 6) e essa é uma questão que não se pode negar. nesse sentido. sua intervenção agora é indispensável e atuará para ocupar um espaço deixado e não para concorrer. enquanto a inflação consumia os valores das locações e prestações e ocasionada pela preponderância de uma visão clientelista e paternalista. de maneira que se pode chegar a ser titular do domínio. E de fato a Lei do Inquilinato de 1942 trouxe uma mudança ideológica no que diz respeito ao Estado ser uma concorrência desleal à iniciativa privada. 1995. o contrário do que deveria orientar a política de uma habitação de interesse social e. 24): A função social é nada mais nada menos que o reconhecimento de todo titular de domínio. o que se pode verificar em Vivanco apud Tanajura (2000. de forma que passa a interessar à indústria da construção civil a presença estatal. p. ultrapassar os mecanismos de mercado”. concorda-se . No contexto do sistema capitalista de produção nada é por acaso. Há quem considere o papel do Estado no que concerne à articulação entre a relação trabalho e capital como definidor para a estruturação de novas relações produtivas (FERNANDES. mas há que se considerar a desarticulação governamental nos empreendimentos que se voltaram à questão habitacional. da comunidade [.] Na presente análise. acompanha-se a reflexão de Bonduki (1994: 720) ao se arguir se se trataria de uma política econômica ou uma decisão útil para ampliação das bases de apoio ao governo. mas concorda-se com Bonduki (1994: 725) que seja muito mais por questões de ordem econômica do que social.29 responsabilidade de uso de quem a detém. mas essencialmente para retomar o aquecimento da questão habitacional em função da retração dos investidores para a construção de casas de aluguel. acredita-se que a ideia tenha sido a do “o interesse social. Acredita-se que a resposta a tal questionamento justifique a regulação através da Lei do Inquilinato de 1942. no contexto de um sistema capitalista. mas em se resgatando um dado do IBGE de 1940 tem-se que apenas 25% dos domicílios eram ocupados por seus proprietários. reforçada pela ausência de critérios sociais rigorosos para garantir o retorno dos investimentos.. 75% dos municípios brasileiros eram de inquilinos e. nesse sentido.

que trouxe uma alternativa de habitação popular. 726) quando o mesmo considera que tal intervenção. Em 2000. 1994: 726). agora sob a responsabilidade do Estado e do trabalhador. na forma desta constituição”. sem contar com a intensificação das favelas e da casa própria autoconstruída ou autoempreendida em localidades periféricas e carentes de infraestrutura urbana. o momento habitacional dos anos 40 foi de presença e ao mesmo tempo ausência estatal no sentido de que a desarticulação das ações. reduziu e inviabilizou a capacidade de ação das instituições criadas (BONDUKI. que estabelece em seu art. por exemplo. a educação. apartamentos destinados a empresas e classes de renda elevada. fez surgir novos tipos de empreendimentos imobiliários voltados ao capital privado e à elite dominante como a construção de prédios de escritórios. tendo seguido como modelo dos anos posteriores até 1990. Nos anos 90 tem-se a extinção do Banco Nacional de Habitação (BNH). (. 25º: “Todos têm o direito a um padrão de vida adequado para sua saúde e bem-estar e de sua família.. tendo em vista que àquilo que era provido pela iniciativa privada. Mas num contexto geral. enquanto talvez um freio aos encaminhamentos voltados à política habitacional ou a uma mudança de estratégia.). 10% das necessidades habitacionais. da instituição do Decreto-Lei nº 58 de 1938. mas em 1992 há a ratificação em prol da moradia digna através da Declaração Universal dos Direitos Humanos. 6º define: “São direitos sociais. De certa forma a intervenção Estatal contribuiu para o agravamento das condições habitacionais e urbanas e da moradia popular. com a diretriz de oferta habitacional que possibilite reduzir pela metade até 2015 o déficit de saneamento básico e até 2020. para os empreendimentos que se voltaram para a questão habitacional. bem como agravou a situação de migrantes e despejados que para conseguirem moradia digna com o salário que percebiam era altamente complicado.30 com Bonduki (1994. através. mas que teve como participação do Estado meramente o acesso à propriedade em locais periféricos que não possuíam a infraestrutura necessária a habitações que atendessem em sua essência ao interesse efetivamente social. o trabalho. a saúde. .. nesse contexto de desarticulação. No mesmo ano na Assembleia do Milênio em Nova Iorque foi ratificada a Declaração do Milênio das Nações Unidas que em seu Objetivo nº 11 define: “o combate paulatino às precárias condições de vida em assentamentos degradados”. moradia”. a Emenda Constitucional 26 em seu art. a moradia. incluindo.

conhecida como Estatuto da Cidade. do ano de 2006. é aprovado pela Câmara de Deputados Emenda que institui o Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social (SNHIS). o Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social (FNHIS) e o Conselho Nacional de Habitação de Interesse Social (CNHIS). Luiz Neves é Diretor da SINAENCO Sindicato da Arquitetura e da Engenharia. 46). 5 . 2006. com ações voltadas a novas políticas de regularização fundiária. um movimento popular iniciado em 1992 com cerca de um milhão de assinaturas de representantes de movimentos populares dentre outras entidades vinculadas à luta urbanística. O organograma da Política Nacional de Habitação (PNH). Palestra proferida por ocasião da Mesa Redonda sobre “A questão Habitacional no Brasil”. tem-se uma determinação constitucional através da Lei nº 10.Organograma da Política Nacional de Habitação Fonte: MCidades/SNH. encontra-se. de Jorge Luiz Bernardi. 6 A esse respeito ver dissertação de mestrado. no âmbito do Seminário Permanente de Desenvolvimento. o que segundo Luiz Neves5 tratar-se-ia da função social da cidade6. conforme o Ministério das Cidades (MCidades). que veio tornar o direito à moradia mais viável para os milhões de moradores que viviam na ilegalidade. Em 2004. estruturado da seguinte forma: Figura 1 . proteção ao patrimônio cultural e respeito a minorias.257/2001. p. o FNHIS e o CNHIS.31 Em 2001. enquanto ações que se entende vêm fortalecer o fomento a uma ideologia de condições dignas de vida para todos. dedicada a identificar e conceituar as funções sociais da cidade (BERNARDI. ao qual estão subordinados o SNHIS. em 29 de maio de 2009.

Evolução dos investimentos em habitação Fonte: MCidades. Em termos de investimento.92 bilhões de investimento. ao se analisar o foco nos segmentos de baixa renda com base no atendimento por faixa de renda: . É de fato a partir de 2004 que podemos visualizar o início de uma efetiva inversão de prioridades em relação à questão habitacional voltada para as populações de baixa renda. com grande reforço sendo dado pelo PMCMV. iniciado em 2009. dos quais 17. no período de 2003 a 2009. Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) para um patamar de 69.92 bilhões de investimentos. Fundo de Amparo Residencial (FAR). os custos do investimento habitacional e a demanda demográfica existente. Caixa Econômica Federal (CAIXA). identificar-se-á a partir de agora a mudança de política efetiva em relação às ações voltadas à questão habitacional desde 2003. Gráfico 1 . percebe-se claramente uma evolução considerável no que diz respeito ao realizado. os investimentos disponíveis. Ao se analisar a evolução dos investimentos em habitação. com subsídios do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e Orçamento Geral da União (OGU) e em maior parte com recursos do FGTS.1 bilhões seriam do Programa Minha Casa Minha Vida (PMCMV). Relatório Caixa Econômica Federal e ABECIP (dados até 31/12/2009).32 Verificado o seu histórico. com parte vindo de subsídios do FGTS e OGU e a outra maior parte dos recursos restantes anteriormente mencionados. iniciase num patamar de 7.

e na ocasião em que houve a publicação o percentual de entes federados que havia aderido ao Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social (SNHIS) pode-se dizer como relevante. para a faixa de renda de até três salários mínimos. FAR. p.Política Nacional de Habitação” (2010. bem como do considerável aumento nos investimentos federais. “esse movimento vem motivando o desenvolvimento institucional das administrações no setor habitacional”. de outubro de 2011. a adesão ao SNHIS de 2006 a 2009 muda de feição e em 2011 passa a ser identificada com a necessidade de melhoria e efetivação. em articulação a políticas de habitação que envolvesse estados e municípios.Foco nos seguimentos de baixa renda (percentual de atendimento por faixa de renda) Fonte: MCidades e Relatório Caixa Econômica Federal (dados até 31/12/2009). Em relação aos custos médios com habitação. a média para o Brasil . Contudo. OGU e FAT.33 Gráfico 2 .SINAPI. 27). conforme poderá se verificar mais à frente. mesmo com a disponibilidade de recursos. conforme gráfico que se mostrará mais adiante. que o déficit habitacional começa a estacionar para em 2006 decair. É ainda a partir de 2004. Tinha-se em 2003 um percentual de participação de 26% que quase duplicou em 2004 e comparado a 2009 mais do que duplicou. De acordo com a publicação “Avanços e Desafios . frente ao atendimento das exigências necessárias para a adesão. decorrência dos esforços do Estado na criação de condições institucionais que viabilizassem a nova política urbana e habitacional do Brasil. chegando a 72% e se estabelecendo como o maior percentual de atendimento. FDS. Fontes de recursos: FGTS. segundo o Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil .

99 5.83 8.05 Variações percentuais Mensal 0. Numa projeção feita pelo PlanHab no período de 2007/2011 o déficit de novas unidades habitacionais era de quase 8%.24 7.11 388.94 383.19 355. Isto representa um déficit total de 21%.90 3.00 .99 1.13 5.89 5.72 1.15 0.26 9.22 407.26 0. à frente apenas do Rio Grande do Norte.20 5. Logos Engenharia a partir de dados da Fundação João Pinheiro. conforme se pode observar na tabela abaixo: Áreas geográficas Custos médios R$/m2 BRASIL REGIÃO NORTE REGIÃO NORDESTE Rio Grande do Norte Pernambuco Alagoas Sergipe Bahia REGIÃO SUDESTE REGIÃO SUL REGIÃO CENTRO-OESTE 805. .76 807.70 402.67 (oitocentos e cinco reais e sessenta e sete centavos) e sem muita surpresa é na Região Sudeste que se identifica o maior custo habitacional por metro quadro com R$ 842.20 388.08 6.10 0. para o período compreendido entre 2007-2023.22 0.01 405.86 7.26 766.41 704. somados aos 3.98 34.73 5.33 4.42 412.90 842.97 387.62 Tabela 1 .70 7.11 0.11 Números índices Jun/94-100 403.83% de necessidade de complementação de infraestrutura.18 6.24 6. Elaboração: Consórcio Instituto Via Pública LabHab-FUPAM. Pernambuco.87 5.26% de domicílios em assentamentos precários e 9.38 1. 2009. Nota: estes resultados são calculados mensalmente pelo IBGE através de convênio com a CAIXA. 2006 / CEDEPLAR.34 seria de R$ 805.13 5.76 5.11 12 meses 6.27 0.17 0.06 5.83 2.9%. Demanda futura Especificação Necessidade de unidades novas Domicílios em assentamentos precários Domicílios com necessidade de complementação de infraestrutura Déficit acumulado 20072011 20122015 20152019 20202023 Total 2007-2023 Necessidades totais 7.Demanda futura por habitação Fonte: PlanHab.19 26.72 7.01 801.e a Região Nordeste com o menor custo por metro quadrado e.26 0.07 4.73 727.96 0.90 Tabela 2 . entre os três menores custos médios por metro quadrado da Região. Numa síntese do cenário das necessidades habitacionais totais.99 1.Custos médios com habitação Fonte: IBGE.54 774. tem-se segundo publicação do Plano Nacional de Habitação (PlanHab) que em 2006 havia um déficit acumulado de novas unidades na ordem de 7.92 730.08 759.65 4. Coordenação de Índices de Preços.52 No ano 5.67 818.52 410. Diretoria de Pesquisas.

resumo).526 12.144.478.266.507. fomentadores e sociedade em geral fazerem acontecer executando o planejado.822.PEC.466.945 174. para o período de 2008 a 2023.043 71.690 Municípios 4.208 25.000 19.295.305 5.227.249.577 26.343 7.733.453. Dando continuidade à análise de atendimento da demanda anteriormente indicada existe outra previsão de orçamento da Proposta de Emenda Constitucional .023. Vê-se.169 49.921 Total de recursos públicos 31.981.853. Mas que fique entendido como executar o planejado.859.000 Tabela 4 .717 45. faz-se necessário que os entes federados cumpram a sua parte encaminhando nos prazos devidos os projetos que assegurarão os recursos existentes.716 31. 2009.072 Tabela 3 .977.303 77.664. fazê-lo com critérios que atendam de forma efetiva a quem será beneficiado.236. (Moradia Digna) também em parceria entre os entes federados. com qualidade.772 9. órgãos financiadores.534. Logos Engenharia. restando ao governo.400.985.708 Estados 5. Existem outras projeções de recursos para dar conta da demanda.666. conforme segue abaixo (em R$ mil .330. 2009.115 44.400.662 Municípios 5.398 43.486 105.356 252. Logos Engenharia.731. Elaboração: Consórcio Instituto Via Pública LabHab-FUPAM.Projeção orçamentária adotando-se o percentual da PEC Fonte: PlanHab.694 32.348. diferentemente do modelo que existia nos anos de 1930. que existe um interesse do governo no atendimento da demanda habitacional no país para a população de baixa renda.425 85. no mesmo período da projeção anterior: Período (PPA) 2008/2011 2012/2015 2016/2019 2020/2023 TOTAL (2008-2023) OGU 19.182 7.674 Total de recursos públicos 26.831.396. pois segundo Saúgo (2010.Projeção orçamentária considerando o avanço de recursos do PAC Fonte: PlanHab. Elaboração: Consórcio Instituto Via Pública LabHab-FUPAM.582.370 7.906. .791 6.645 27.417 Estados 6.348 8.249. portanto.935.278 138.715. Hoje existe diagnóstico e um plano de ação de ordem macro.514.287.678 36.620. Observa-se que o quantitativo indicado é sempre crescente.294.302.451 8. Para isso acontecer.127.833.000 28.35 Para atender tal demanda já existe previsão de orçamento pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em parceria com Estados e Municípios.705 22.647 17.valores de dez 2007): Período (PPA) 2008/2011 2012/2015 2016/2019 2020/2023 Total (2008-2023) OGU 16.536 11.411 6.

. Complementando a ideia da autora.Produtos com a lógica de subsistemas.Componentes pré-fabricados e padronizados. entendemos que a flexibilidade pode ser vista por outro prisma.Do It Yourself (“faça você mesmo”). intervenções com qualidade arquitetônica a favor da dignidade de quem será beneficiado. . necessidades. por que gastar os recursos de qualquer forma ou sem critérios que atendam as necessidades do público em questão. tanto os usuários da habitação quanto as pessoas envolvidas indiretamente. o atendimento das necessidades e aspirações bem como as características sociais e culturais dos indivíduos.ANTAC indicam tendências de mudanças no macro-complexo da construção tanto em relação ao mercado quanto em relação às tecnologias de construção (LARCHER. . Dados da Associação Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído . 2005. Apesar da existência de parâmetros construtivos mais flexíveis.Tendências de mudanças no macro-complexo construção Fonte: Larcher (2005). há que se considerarem peculiaridades relacionadas ao espaço. como a possibilidade de adaptar o padrão da habitação aos moldes do usuário e pelo próprio usuário. 43). uma vez que já existem programas de habitação popular como o ‘Favela-bairro’ do Rio de Janeiro que recria o espaço nos moldes de vida da comunidade. .Introdução de componentes DIY . hábitos de vida e valores que os fazem construir uma identidade com o local de moraria em condições criadas por eles.sustentáveis. . como os moradores do entorno. . Mercado Tecnologias de construção Quadro 1 . não se observa uma relação estreita de tais tendências com o real atendimento das necessidades dos que são beneficiados. A flexibilidade proposta está voltada para o aumento ou reforma de área construída pelo beneficiado. com um histórico de tanta superação. Este é um fato possível.36 A sustentabilidade social em habitações trata da satisfação das exigências do bemestar do usuário a partir da consideração de fatores que abrangem a promoção da saúde humana.individualizados (ou customizados). segundo uma lógica de industrialização aberta.PNHIS leva em consideração as necessidades dos usuários e esse é um critério importante de ser observado para que se possa ter na realidade brasileira. Entretanto.de baixo custo de operação e manutenção. Então. com base em dados da ANTAC (2002). . A Política Nacional de Habitação de Interesse Social .flexíveis. p. conforme se pode observar no quadro abaixo. Requisitos dos produtos dos edifícios: .

de forma que as características antropométricas devem balizar o projeto arquitetônico. há estudos que tratam da antropometria abordando a relação do corpo humano com o espaço habitacional e tudo o que o compõe.37 Conforme ressalta Pina (apud Moreira. o que não está fora de padrões internacionais. já que o seu desempenho depende do equacionamento das condições de construção. podendo resultar na viabilidade ou inviabilidade dimensional do espaço. 4) é necessário que tais programas governamentais ultrapassem o conceito de abrigo. legislação. uma vez que países como Portugal e Espanha tem uma relação equivalente a nossa. da segurança e do conforto ao usuário do espaço. embora exista uma indicação de 12m2 por pessoa. . Reiterando essa ideia. equipamentos comunitários. o propósito de garantir que o espaço da moradia desenvolva-se em circunstâncias ideais. aspectos socioeconômicos. posição e renda social: Cabe à arquitetura. No Brasil a relação do metro quadrado por pessoa para a habitação mínima é em torno de 10m2. 45) mostra a necessidade desses estudos prévios como garantia da suficiência. mas também satisfaçam as necessidades de subsistência. serviços de infraestrutura e urbanos. p. culturais. Palermo (2009. indo além de proporcionar segurança física. 2010. Na atualidade. meio físico.

Nos anos 80 e 90 a recessão econômica aprofunda a desigualdade. por vezes atingindo áreas de proteção ambiental.38 3 POLÍTICAS URBANAS E REGIONAIS NO BRASIL: DISCUSSÕES RECENTES O presente capítulo traz uma análise das reflexões de um estudo recente sobre Políticas Urbanas e Regionais no Brasil. adensamento urbano. e nesse contexto inclui-se a questão do adensamento urbano. da Parte B . vale considerar o histórico que nos trouxe ao contexto atual que continua chamando aos governos a responsabilidade de pensar sobre a política habitacional sob o referencial de uma prioridade invertida. desenvolvida por Alessandra d’Ávila Vieira e Mirna Quinderé Belmiro Chaves no Capítulo IV . Nesse sentido. crise econômica e comprometimento ambiental. aumentando de forma considerável o processo de favelização em grandes cidades brasileiras. bem como os seus resultados e o que trouxeram para a política habitacional brasileira. da área de origem dos moradores reassentados da presente pesquisa. O estudo traz que a partir da década de 70 tem-se a reestruturação produtiva em nível mundial. 2011. tendo havido na verdade “um aprofundamento de um quadro histórico de cinco séculos de formação da sociedade brasileira” (MARICATO apud VIEIRA. Numa análise mais aprofundada da questão. atrelado a uma desvalorização da moeda e redução do Estado. 92). como resultado. que se deu todo um formato a uma sociedade.Habitação e Desenvolvimento Urbano do estudo. a concentração de renda com um agravamento da exclusão social e territorial. CHAVES. conforme as autoras ressaltam. um crescimento urbano acelerado. publicado em formato de e-livro.Política Nacional de Habitação: programas e resultados. E é nesse contexto de priorização ao econômico. numa perspectiva de perceber tais programas. tem-se que a desigualdade não se originou no que se conhece como as décadas perdidas. embalada com as determinações neoliberais e. exclusão social e territorial. inclusive. p. Resultado de um Ciclo de Conferências organizado na forma de Simpósio na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UnB. contexto. que se tem no estudo. a questão humana ao invés da econômica. o nosso foco de análise para esse estudo se deteve à abordagem relacionada aos Programas Nacionais de Habitação. . concentração de renda.

de forma que “em vez das cidades de luz arrojando-se aos céus.28) que define a unidade habitacional subnormal como “[. estrutura etc. de um resultado cruel do processo de exclusão do direito ao espaço e à habitação que se desenvolveu não apenas no Brasil.] aquela que não oferece as condições mínimas de segurança. boa parte do mundo urbano do século XXI instala-se na miséria. que constituíam em 2011 78. conforme Vieira e Chaves (2011) ressaltam..” Trata-se na verdade. o qual conduziu à constituição de um mercado em que uma parcela significativa da população se viu excluída desse mercado de bens duráveis. num aumento extremamente significativo.1986) foram construídas 25% das novas moradias construídas no país. O cidadão era excluído desse mercado ou porque trabalhava e o que ganhava não se enquadrava no perfil monetário estabelecido ou porque não trabalhava e tal situação levou a sociedade ao contexto de ter que administrar “um movimento sintomático de ocupação de terras urbanas”. fortalecido pelo caráter excludente e restritivo das relações fordistas de assalariamento na América Latina. cercada de poluição. salubridade e não permite a seus moradores o atendimento de atividades como membros de grupos primários. p. Entre 1986 (extinção do BNH) e a criação do MCidades em 2003 a área governamental responsável pela gestão da política urbana e habitacional esteve subordinada a sete ministérios ou estruturas administrativas diversas.. durabilidade.]. número e disposição dos cômodos. material. excrementos e deterioração [. percentual indicado como insuficiente para o atendimento das necessidades que a urbanização brasileira trazia.) quanto à carência e localização de sanitários. mas em toda a América Latina. de ligação às redes de esgoto e de energia elétrica.. numa situação de promoção de uma estrutura segregada social e espacialmente. Essas condições se referem tanto aos aspectos da construção (dimensionamento. O estudo ainda traz que no período de funcionamento do BNH (1964 .92). tendo nas formas de financiamento ao acesso à terra urbana a consolidação desse processo de reestruturação urbana que exclui consideráveis camadas sociais dos mercados de consumo.. 2011. ausência de água encanada.” 7 .39 consequências da “produção em massa de habitações subnormais7 nos países em desenvolvimento.2% do estoque habitacional urbano” de tais habitações (DAVIS apud VIEIRA. caracterizando para o estudo uma descontinuidade. CHAVES. pontuam as autoras. tamanho. p. A definição a ser considerada para a habitação subnormal na presente pesquisa será a do Comitê de Higiene e Habitação da Associação Americana de Saúde apresentada por Diogo (2004. gerando um processo de ocupação espontânea que fez a população urbana em cidades com mais de 20 mil habitantes crescer entre 1950 e 2000 de 11 milhões para 125 milhões.

legais e administrativas com o objetivo de efetivação do direito à moradia. visando enfrentar um déficit habitacional tanto qualitativo quanto quantitativo. em médio prazo. A reestruturação legal e institucional da política de desenvolvimento urbano do Brasil. gestão e controle. a mesma se dá através de sistemas distintos e com um gerenciamento de tais fontes diferenciado. vindo indicar medidas políticas. através do MCidades. passa pela aprovação da PNH através do Conselho das Cidades . de 16 de junho de 2005. associações e movimentos sociais.40 resultando num comprometimento do potencial de planejamento e gestão estratégica que possibilitariam um enfrentamento da problemática com coerência de ideias. cabendo ao Sistema Nacional de Habitação de Mercado (SNHM) movimentações da área habitacional junto ao setor privado e ao Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social (SNHIS). objetivos e metas. caberia detalhar princípios e regras que norteariam as iniciativas públicas relacionadas ao direito à habitação. concorda-se com as autoras quando se considera a criação do MCidades como um marco político-institucional a partir do momento em que tal instrumento orientou os caminhos a serem seguidos e como agir por tais caminhos. Segundo o estudo. No que diz respeito à operação das fontes de recursos do Sistema. cabendo ao ConCidades à função de acompanhamento. representada pelo MCidades. instituído pela Lei Federal nº 11. cooperativas. estruturando uma rede de articulações entre todos os níveis de governo.124/2005. assim. Frente a esse cenário de políticas urbanas e regionais na realidade brasileira. de mercado.ConCidades em 2004. Além do SNHIS a legislação também cria o Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social (FNHIS) e o Conselho Gestor do Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social (CGFNHIS). com uma função deliberativa e participativa e a responsabilidade de aprovação dos programas que serão desenvolvidos com recursos do Fundo. a organização de um Sistema Nacional de Habitação (SNH) enquanto àquela instância que atuará nos esforços de fazer todos os níveis envolvidos no processo trabalharem de forma integrada. o SNH tem a sua estrutura institucional composta por uma instância central com a função de planejamento. . o que só legitimou a necessidade de tal demanda. além de identificar e atender as demandas referentes ao crescimento da população. prevendo. avaliação e implementação do SNH e seus instrumentos. coordenação.

já se estruturaram durante esse período e passaram a existir. tais dificuldades se dariam em função das “décadas de falta de recursos para o setor habitacional. conforme publicação da Revista Brasileira de Habitação (2011. bem como ao fato de o mercado possuir poucas empresas de consultoria tecnicamente preparadas”.41 E para participar do SNHIS. 2011. fazendo com que o planejamento. dado o volume de recursos que envolvem o setor. o qual deverá ter similaridade de estrutura com o modelo nacional. estaria relacionada à “ausência de uma cultura de planejamento público no Brasil”. Revista Brasileira de Habitação. estando nas regiões Sudeste e Nordeste a maior concentração em valores absolutos. o qual passou de R$ 7 bilhões para R$ 62 bilhões (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada . 06). a coordenação. p. respectivamente (MCidades. as dificuldades para o cumprimento do prazo inicial.4 milhões em áreas urbanas e 1. p. a compatibilização de políticas. a implementação. conforme ressaltam as autoras.9 milhões de moradias. 2011 p. além da elaboração de um Plano Local Habitacional de Interesse Social (PLHIS). Revista Brasileira de Habitação. de forma que o mesmo se estrutura em instâncias que irão se integrar. O Sistema preconiza o planejamento. Segundo representantes de 23 estados e do MCidades na reunião nacional sobre a temática em agosto de 2011. a gestão. que seria o final de 2011. no caso os estados e municípios.IPEA. Atualmente o Conselho Gestor do FNHIS tem como prorrogado o prazo para que os estados e municípios com mais de 50 mil habitantes concluam os seus planos habitacionais até 31 de dezembro de 2012. numa tentativa de evitar o inflacionamento do mercado de terras e construção de moradias inadequadamente que poderiam comprometer o desenvolvimento urbano. é necessária que seja realizada uma adesão voluntária pelos entes subnacionais. ressaltando ainda que em se tratando da questão habitacional.5 milhão em áreas rurais. atualmente apresentando um déficit habitacional de 7. 20). O essencial na presente análise é uma observância dos dados existentes com um real comprometimento no que concerne à finalidade humana que o setor tem. com um déficit de 2. das quais 6. Concorda-se com o fato da questão cultural de planejamento público no Brasil. a participação e a aprovação .7 milhões. o controle.9 e 2. a avaliação. a deliberação. 06) e equipes de consultoria tecnicamente preparadas. mas recursos encontram-se disponíveis desde a criação do MCidades e segundo tal instância de 2002 a 2009 houve um crescimento de 785% no setor habitacional. através da constituição de um Fundo Local de Habitação de Interesse Social (FLHIS) e da criação de um Conselho Gestor de tal Fundo.

desde 2010 com o PCM e desde sempre com o PREZEIS. com base em Vieira e Chaves (2011). de uma vontade política no sentido de priorizar e com isso incluir-se nas exigências de inserção no Fundo que desde 2007 com o PAC.124/05) elaborado entre agosto de 2007 e dezembro de 2008 num processo coletivo que envolveu diversos segmentos do setor habitacional. Com previsão de revisões periódicas. reforçando assim a capacidade institucional dos agentes públicos. p. enquanto componente de um processo de planejamento de longo prazo. através de uma política de subsídios.Gestão Acompanhamento . desde 2009 com o PMCMV. tendo como objetivo equacionar as necessidades habitacionais do Brasil. legais e administrativas Integração do trabalho entre as instâncias Interesse privado Interesse público Deliberação e participação Aprovação dos programas Figura 2 . o PLANHAB vem orientar o planejamento das ações no setor habitacional até 2020.Coordenação . com o objetivo de universalização do acesso à moradia digna para a população de baixa renda. direcionando recursos e apresentando estratégias para os eixos estruturadores da PNH. articulando-se com os mecanismos de planejamento e orçamento. Além de toda a infraestrutura existente. tem-se o movimento da ordem de bilhões em investimentos. 92-103.Infraestrutura institucional da questão habitacional no Brasil Elaboração: o próprio autor. acredita-se.Controle . . privados e sociais e buscando a ampliação das fontes de recursos.42 serão o resultado de uma estrutura de planejamento estratégico sobre a qual se terá a consecução de objetivos e metas plenamente definidos: Planejamento .Implementação Efetivação do direito à moradia através do indicativo de medidas políticas. 2012.Avaliação . ainda tem-se o Plano Nacional de Habitação PLANHAB (previsto na Lei 11. Tratar-se-ia na verdade.

a qualidade ambiental do meio e a inserção e integração com a cidade através da disponibilidade de infraestrutura urbana e de acessibilidade ao mercado de trabalho e aos equipamentos públicos” (VIEIRA. p. altos níveis de densidade dos assentamentos e das edificações. construção de equipamentos públicos. enquanto . Ao realizarem a abordarem dos aspectos de precariedade da moradia. O ideal. 2011. sem contar com a adequação do sistema viário e do parcelamento da área. dentre as ações propostas pelo Plano elencadas pelo estudo tem-se: (a) Modelagem de subsídios e alavancagem de financiamentos para população de baixa renda. sistema de transporte insuficiente. drenagem pluvial. deslizamentos ou outros riscos.43 Nesse sentido. A recomendação é de que os projetos habitacionais devem prever a implantação de infraestrutura básica. 97). as autoras caracterizam a questão da irregularidade fundiária e urbana. água. educação e saúde. somando-se a tudo isso situações de extrema vulnerabilidade relacionadas ao domínio da violência. a deficiência da infraestrutura. esgotamento sanitário. ocupação de áreas passíveis de alagamentos. (c) Propostas e mecanismos de fomento para a cadeia produtiva da construção civil. CHAVES. contenção e estabilização do solo. nas ocasiões em que houver a necessidade de promoção do desadensamento implicando no remanejamento de quem será reassentado. iluminação pública. insuficiência de serviços públicos básicos como saneamento. que no presente estudo compreende “além da edificação propriamente dita. oneroso e com nível considerável de desconforto e insegurança. é a reconstrução da unidade habitacional encontrar-se no mesmo perímetro da área que está sendo urbanizada. (b) Organização institucional e ampliação dos agentes do SNHIS. e (d) Incentivos à adoção de mecanismos de política territorial e fundiária para a ampliação de áreas para a habitação de interesse social. Tais ações visam envolver as instâncias do setor habitacional no sentido de busca da efetividade da dignidade no contexto da moradia digna. atrelada à precariedade construtiva das habitações. coleta de lixo adequada. contemplando rede elétrica. distância entre moradia e trabalho.

lazer. mensurável. A transparência nesse processo é na presente análise um elemento percebido como fundamental para a sustentabilidade da proposta habitacional. esse contato direto com os beneficiários. municipais e o Distrito Federal terem que reorganizar o seu setor habitacional para abarcar o novo contexto. comércio local.44 uma postura de respeito aos laços de vizinhança e de trabalho.6 bilhões em intervenções em favelas com recursos do PAC em 2011. identificando ou refutando. percebendo-os em seu direito a uma habitação digna e equipada com todos os elementos necessários ao atendimento de necessidades. convivência comunitária e todas aquelas que se colocam como fundamentais à sustentabilidade do empreendimento. mas fazendo-se valer da inserção em um processo em construção. bem como nos R$ 21. segurança. o que pode ser observado no fato de que em 2004 apenas 42% dos municípios brasileiros possuíam órgão específico para tratar da questão habitacional e em 2008 esse percentual sobe para 70% dos municípios. O setor habitacional tem passado por verdadeira revolução sob o aspecto dos investimentos. educação. acessível. E é ao trabalho social que cabe tal transparência. sejam elas relacionadas à saúde. considerando que participar indica perceber-se no contexto. através de regras acessíveis a todos os envolvidos. Uma ressalva do estudo com a qual se concorda é sobre a participação no processo de elaboração e aprovação da proposta por parte de quem será beneficiado. a exemplo do PAC. aceitando ou discordando. através de um resultado que refletirá a escrita de sua própria história. identificável. O reflexo desses investimentos é verificado na tendência de redução do déficit habitacional que segundo a Fundação João Pinheiro em 1991 abrangia mais de 15% e em 2011 estaria em cerca de 10%: . visando minimizar ao máximo os impactos. que trouxe a necessidade de os governos estaduais.

segundo o estudo é através do PMCMV que o financiamento no setor habitacional vem fazer-se presente. FGTS. O atendimento às famílias de baixa renda se deu através de melhores taxas de juros para financiamentos habitacionais. 8 . a redução dos O Programa Produção Social da Moradia . 104. p.45 Gráfico 3 . p.FGHAB. estruturando-se para isso a criação de um Fundo Garantidor de Habitação . com recursos do FNHIS. através de repasse do OGU a entidades sem fins lucrativos vinculadas ao setor. além do barateamento dos seguros Morte e Invalidez Permanente (MIP) e Danos Físicos do Imóvel (DFI). No setor público. que teria como função cobrir as prestações em até 36 meses com o intuito de as famílias não perderem o emprego ou passarem por perda de renda.Tendência de redução do déficit habitacional brasileiro Fonte: SNH / MCidades. o financiamento que se dá através de estados. frente ao agravamento da crise imobiliária dos EUA iniciada em 2008. atuou com investimentos no setor habitacional por meio do FNHIS no contexto do PAC.Pró-Moradia. e-livro Políticas Urbanas e Regionais do Brasil. 2011. Segundo Vieira e Chaves (2011. gerando movimentação considerável no setor da construção civil e infraestrutura do país. Pró-Moradia8 e a partir de 2007 essas ações no setor passaram a integrar a carteira de investimentos do PAC Habitação. Distrito Federal e Municípios é direcionado no setor habitacional à população de baixa renda de até três salários mínimos. prevendo investimentos da ordem de R$ 34 bilhões e a meta de construção de um milhão de moradias. No setor privado. a solução dos gargalos referentes à oferta para tal população estaria na criação do Fundo Garantidor mencionado. 105).

especificamente para a habitação de interesse social. os investimentos na área habitacional vêm se efetivando também através de Programas como o Crédito Solidário. FAR e FDS até 2011 mais de 831 mil famílias em todo Brasil. é no período de 2007 a 2009 que se identifica uma superação das metas inicialmente previstas no PAC em 99%. Os investimentos no setor habitacional também atingem a produção habitacional via mercado. beneficia-se com recursos do FGTS.46 prazos e custas cartoriais. proposta pelo MCidades e depois através das Resoluções nº 518 e 520 de 2006. expandindo-se em 2004 através da Resolução nº 460 do Conselho Curador do FGTS. 2011. introduzindo a concessão de subsídios para o financiamento a pessoas físicas com renda familiar mensal bruta de até cinco salários mínimos. para créditos concedidos a pessoas físicas: Gráfico 4 . p. um aumento considerável tanto em contratações quanto no volume financeiro investido. com renda abaixo de três salários mínimos. através do SBPE. que aportou investimento da ordem de R$ 362 milhões com recursos do Fundo de Desenvolvimento Social (FDS). passando de R$ 3 bilhões em 2004 . 108. Expandindo-se do setor público e privado. tendo havido no contexto do Sistema Financeiro da Habitação (SFH).Financiamentos FGTS (R$ bilhões) Fonte: 10º Balanço PAC. além de incentivos fiscais para a produção de imóveis para a baixa renda. e-livro Políticas Urbanas e Regionais do Brasil. que a partir de 2003 passou a priorizar o atendimento das famílias de baixa renda.FAR/FGTS/subsídios/FDS * Não inclui contrapartidas nem contratações do Programa Minha Casa Minha Vida Nesse sentido. * Evolução dos financiamentos .o equivalente a 303 mil unidades em 2009: .o equivalente a 54 mil unidades para R$ 34 bilhões . Segundo o estudo. através do FGTS.

até mesmo como forma de obtenção de novos recursos no âmbito do SNHIS. . numa tentativa de além de ofertar o serviço. incutir uma cultura municipal de serviços técnicos. O programa de assistência técnica. 109.47 Gráfico 5 . através de processos de autogestão. 111). abrangendo as fases de sensibilização e adesão. por exemplo. esse programa passou a trabalhar nas modalidades de elaboração de projetos para produção habitacional e urbanização de assentamentos precários. 2011. Tem-se. a adesão ao Programa seria voluntária com um desenvolvimento de nível nacional.Contratações do SBPE (R$ bilhões) Fonte: 10º Balanço PAC. E para isso. agentes financeiros e sociedade civil. programa setorial e acordo setorial da cadeia produtiva com o setor público. destina-se ao atendimento de elevada parcela da produção de habitações que acontece no mercado informal. e-livro Políticas Urbanas e Regionais do Brasil. produtividade e segurança. o Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP-H). desenvolver-se institucionalmente com qualidade implica necessariamente em inserir-se no processo e colocar-se nesse contexto é comprometer-se com a elaboração dos planos locais de habitação. A partir de 2009. existente desde 2008 com a finalidade de organizar o setor tanto no que concerne à qualidade do habitat quanto à modernização produtiva. E frente a tantas possibilidades de investimento. tendo sido criado com o objetivo de reduzir o percentual de habitações construídas sem qualquer aporte técnico. no contexto da cadeia produtiva do setor da construção civil. conforme é ressaltado Vieira e Chaves (2011. com o investimento relacionado à assistência técnica. ainda. p. p. sem qualquer suporte técnico que leve tal empreendimento a padrões mínimos de qualidade.

p. enquanto um considerável incentivo à capacidade criativa dos profissionais que podem estar envolvidos com a demanda habitacional no Brasil. questionável. a princípio. Trata-se de uma questão que precisa ser observada com um cuidado maior para sua efetividade. ao se refletir sobre todas as evidências relacionadas às oportunidades do setor da construção civil para a habitação de interesse social.SiMaC. Sistema de Avaliação Técnica de Serviços e Obras . 112. mas principalmente qualitativa. mas segundo Vieira e Chaves (2011.SiAC e Sistema de Qualificação de Materiais. 9 . com espaços de morar que atendam às expectativas e necessidades dos seus moradores.Posição sobre as adesões ao SNHIS Fonte: Relatório de Gestão 2009 do SNHIS. com ênfase na inovação tecnológica e implementação do Sistema Nacional de Avaliações Técnicas (SINAT) e na sustentabilidade. não apenas financeira com a construção de moradias. São várias as frentes de investimento. p. 112) os estados e municípios. a consolidação do PBQP-H tem a finalidade de fortalecimento do mercado nacional. em sua maioria.48 Ressaltam ainda as autoras que. chegando à área da pesquisa tecnológica com as chamadas públicas de estudos e projetos da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) a R$ 15 milhões. Desde que foi criado o SNHIS. tem havido diversas campanhas de adesão enquanto parte de uma ação nacional de mobilização. estruturado com base na implementação de um conjunto de sistemas9. O cerne das considerações finais está centrado na precariedade da moradia popular. 2011. ainda não cumpriram de forma plena condições previstas em lei para a estruturação institucional do sistema: Gráfico 6 . e-livro Políticas Urbanas e Regionais do Brasil. Componentes e Sistemas Construtivos . apenas na área habitacional.

visando mesmo uma efetividade das adesões para a realização dos recursos disponíveis. uma contradição e ao mesmo tempo objeto de tensão política frente às esferas estadual e nacional. o setor habitacional e. com um olhar humanizado para os empreendimentos e preferencialmente contextualizado no âmbito de diretrizes nacionais.49 Apesar de constitucionalmente a competência sobre o ordenamento. rumo a uma consolidação do SNHIS no Brasil. 10 . vai se refazendo e se reorganizando. apesar da disponibilidade de recursos. respeitado o fator necessidade e as realidades orçamentária e cultural de cada região brasileira. além de somar-se a dificuldade de definição de diretrizes nacionais. A perspectiva para a continuidade de investimentos encontra-se na tramitação de proposta de emenda constitucional que em 2011 visava destinar 2% do orçamento da União e de 1% do orçamento de estados e municípios para a habitação de interesse social no Brasil. Contudo. legislação e gestão do uso e ocupação do solo ser municipal. mesmo com o diagnóstico do Relatório de Gestão 2009 do SNHIS. A pontuação conclusiva da presente abordagem coloca que com a continuidade dessa disponibilidade financeira10. a fragilidade da maioria das administrações municipais é o obstáculo principal para a implementação efetiva do Sistema. torna-se mister um comprometimento real de estados e municípios no cumprimento de prazos e metas estabelecidas pelo CGFNHIS para o atendimento das exigências previstas na lei que regula o SNHIS. de forma especial o público.

consequentemente. Estadual. o metro quadrado construído possui maior consideração e. com recursos do Governo Federal. 2009/2011. conforme gráfico que segue abaixo: Gráfico 7 .84 m2). . Numa análise geral do que o gráfico indica. da Revista Brasileira da Habitação dos anos de 2009 e 2011. em andamento e já concluídos aqui no Brasil.50 3. no contexto da habitação de interesse social. situação já identificada anteriormente nos custos médios com habitação apresentados pelo SINAPI de 2011. a relação diferenciada do metro quadrado construído para cada região brasileira. 2012. A ORIGEM DE RECURSO E SUA INFLUÊNCIA NO METRO QUADRADO CONSTRUÍDO O acesso a várias matérias sobre empreendimentos construtivos. a necessidade de maior investimento. considerando a origem de recurso como apenas Federal ou todos (Municipal. elaborou-se o Apêndice F do presente trabalho de pesquisa. em detrimento da origem de recurso que em primeira instância determinou a possibilidade de um maior investimento e consequentemente a construção de apartamentos e/ou casas maiores nos fez chegar até aqui. Com base nos dados publicados em 2009 e 2011.O metro quadrado por Região considerando o recurso predominante Fonte: Revista Brasileira da Habitação.1. Federal e Iniciativa privada). aonde se confirma a concentração de recursos com o maior custo habitacional por metro quadrado na Região Sudeste. percebe-se que nas regiões Sul (44. Elaboração: o próprio autor. a partir do qual se calculou a média do metro quadrado construído por região.75 m2) e Sudeste (41.

sem distinção e sem que haja a necessidade da dependência da origem de recursos. identitária dos indivíduos que em dado contexto são beneficiados na área habitacional. 34.16 do metro quadrado construído. estes últimos identificados apenas na Região Centro-Oeste com a construção de 1. Numa análise detalhada das informações levantadas.25 m2 e 33. para a construção de 100 mil moradias pelo Programa Morar Bem Paraná . mas essa é uma questão que precisa acontecer para todas as regiões brasileiras.Curitiba/PR. em seu art. mas essa não é a questão primordial da presente análise. constou entre as regiões com o perfil de metro quadrado construído entre 40 e 45 m2 quando a origem de recurso federal esteve presente. . Sabe-se. haja vista que quanto maior for o número de habitações contratadas. apenas com recursos do Governo Estadual.Campo Grande/MS. 11 A esse respeito ver Celso Furtado em A Formação Econômica do Brasil (2005). por exemplo. Centro-Oeste e Norte. em Chapadão do Sul . pois se trata de um projeto de Estado. a Região Nordeste decai para o patamar de 38. cultural. que classificou a moradia como um direito social. A Região Nordeste.1m2. com recursos advindos tanto da esfera federal quanto estadual. Sem o incentivo federal. que não necessariamente precisam de tal incentivo para investir mais. têm-se a totalização média de 41.51 Nas Regiões Nordeste. As regiões são diferentes e necessitam de um atendimento que esteja de acordo com a sua peculiaridade regional. municipal e da iniciativa privada. um direito a ser efetivado e um dever a ser cumprido e já previsto na Declaração Universal de Direitos Humanos e na nossa própria Constituição. ao lado das Regiões Sul e Sudeste. 6º. que o total contratado de habitações interfere nos custos. foram determinantes para o metro quadrado construído e consequentemente para o total investido a origem do recurso e a região geográfica. por exemplo. tornando evidente uma diferenciação regional já combatida por Celso Furtado11.406 unidades habitacionais para o Residencial Boa Vista. como pode ser observado no Apêndice F a posição da Região Sul com o maior metro quadrado construído dentre todas as regiões. do status ou das condições orçamentárias da região. maiores serão as possibilidades de negociação de um custo menor que poderá refletir na possibilidade de construção de habitações com maior qualidade. respectivamente. com recursos do Governo Estadual e da CAIXA.12 m2.

Região Noroeste. a oeste com o município de . a região limita-se ao norte com a RPA 02 e com os municípios de Olinda e Paulista.br/pr/secplanejamento/inforec/mapasRPA3.1. Urbanismo e Meio Ambiente. 2012.1 CARACTERIZAÇÃO DO BAIRRO 4. RPA 03 Fonte: Prefeitura do Recife. Disponível em: < http://www.1 Localização e acesso O bairro de Monteiro é pertencente à terceira região político-administrativa da cidade do Recife (RPA 03).recife.pe.php>. Figura 3 .52 4 O BAIRRO DE MONTEIRO EM RECIFE/PE 4. através da Diretoria Geral de Urbanismo da Secretaria de Planejamento. Acesso em 10 jun. 2012.gov. De acordo com estudos e pesquisas da Prefeitura do Recife.

Apipucos 21 . distribuídos por mais de 60. A RPA 03 é a mais extensa do Recife com 7. Perfil Sócio-Econômico da RPA 3.000 domicílios.Derby 02 . conforme pode ser observado: 29 29 28 28 27 27 26 26 24 24 22 22 21 21 20 20 01 . dentre eles Monteiro. 2002.Mangabeira 15 .Casa Amarela 14 .Macaxeira 20 .Morro da Conceição 17 .731ha.Espinheiro 04 .Casa Forte 10 . Alto do Mandu e Casa Amarela.Jaqueira 06 .Tamarineira 07.Nova Descoberta 25 .Dois Irmãos 23 .53 Camaragibe e ao sul/sudoeste com o rio Capibaribe e RPA 04.Brejo da Guabiraba 27 . Poço da Panela.Alto José do Pinho 16 . .Brejo do Beberibe 26 .Localização do bairro de Monteiro na RPA 03 Fonte: Prefeitura do Recife.Parnamirim 08 .Aflitos 05 .Santana 09 .Vasco da Gama 19 .Graças 03 .Alto do Mandu 13 . representando 35.Passarinho 28 .Córrego do Jenipapo 24 .Sítio dos Pintos 22 . O bairro de Monteiro faz limite com os bairros de Apipucos. A região é composta por 29 bairros.38% da área da cidade e ocupada por 312.Poço 11 .Pau Ferro 23 23 25 25 19 19 12 12 11 11 18 18 17 17 16 16 15 15 14 13 13 09 09 10 10 08 08 07 07 06 06 05 05 04 03 04 03 02 02 01 01 Figura 4 .Guabiraba 29 .Alto José Bonifácio 18 .Monteiro 12 .981 habitantes.

54 Mapa 1 . Elaboração: PCR. Secretaria de Controle e Desenvolvimento Urbano e Obras. 2012.Base cartográfica do bairro de Monteiro Fonte: Prefeitura do Recife. . Diretoria de Informações/Assessoria Técnica.

com uma proporção de mulheres responsáveis pelo domicílio de 42.2 Evolução do espaço urbano As abordagens que seguem para todos os tópicos seguintes refletem o resultado de estudo analítico realizado pela Secretaria de Planejamento.2%).85% e 3. O Bairro de Monteiro se insere no contexto das maiores transformações espaciais da Região. Graças.917 habitantes (2.8 hectares a menos se comparado a 2000.204 mulheres. com um clima agradável e destino de veraneio. Durante o processo de desenvolvimento urbano da RPA 03. preta (6.3% . Parnamirim. densidade demográfica de 111. população com maior concentração nas faixas etárias de 25-59 anos e 60 anos e mais. Em termos étnicos. de 92. contexto bem diferente do encontrado em 2000 quando a concentração nas faixas etárias se dava de 15-39 anos e 40-59 anos. acompanhado do Derby. Em linhas gerais. indicando que o surgimento de um bairro amadurecido.02%. Santana.SEPLAM da Prefeitura do Recife.98%) e indígena (0. a população do bairro se distribui da seguinte forma: branca (53. tem-se a ocupação até o final do século XVIII por sítios e por engenhos canavieiros de Santana a Monteiro. Espinheiro./há. Tamarineira. 54.4 habitantes. Aflitos. Apipucos e Poço da Panela.12%). tendo vivido sua melhor época em meados do século XIX. parda (38. Possui uma população residente de 5. também conhecido como Engenho do Monteiro.55 A localização das terras onde hoje o bairro se encontra localizado fizeram parte do Engenho Várzea do Capibaribe. 45. 3.superior à encontrada em 2000.713 homens. Casa Forte. A média de moradores por domicílio é de 3.1.9%). Urbanismo e Meio Ambiente . . o bairro possui uma área territorial de 53 hectares.15% aproximadamente). amarela (0. Computa ainda em 2010 uma taxa de alfabetização de 96.8%). Jaqueira. 4.61 hab.37%. O bairro nasceu de uma povoação.

Recife. Localizado próximo a Apipucos. além de se encontrar inserido nas proximidades de espaços detentores de inquestionável valor histórico e arquitetônico. Apipucos.01 98.315 Tabela 5 .População residente.731 4. o bairro acompanha um forte processo de verticalização focado em Casa Forte e iniciado enquanto um processo de substituição do estoque construído para a Região.114 221.997 3. o que lhes conferia considerável qualidade ambiental.690. excepcional Unidade de Conservação. o bairro é beneficiado pela considerável cobertura vegetal que a Região possui.38 13.448 % 5.00 Densidade Demográfica (hab/ha) 50. no contexto dos bairros que fazem parte do conjunto urbano de Casa Forte (Parnamirim.Sudoeste 06 .146.48 hab/ha).Oeste 05 .981 278. Secretaria de Controle e Desenvolvimento Urbano e Obras.48 40. Monteiro.31 89.3 Dados populacionais e de domicílio Informações do Censo de 2010 indicam que a Região aonde o Bairro de Monteiro se encontra localizado caracteriza-se por possuir a menor densidade (40.547 8.bem como pela ocupação horizontal de moradias unifamiliares.Noroeste 04 . Censo Demográfico 2010. Elaboração: PCR. Casa Forte.778 382. área e densidade. Apipucos e Poço da Panela). que sem dúvida vem comprometendo as qualidades ambientais da Região enquanto referência histórica para a Cidade. Santana. dentre outros.850 277.15 24.63 Área ² (ha) 1.650 1. .213 2. 2010 FONTE: IBGE.Sul Total RMR Pernambuco 78.537.35 18.08 14.200 98. Dois Irmãos. 4.796.Norte 03 . a exemplo do casario de Apipucos com a sua Igreja. Atualmente.39 20.14 17.48 66. caracterizava-se pela baixa densidade construída .234 312. Diretoria de Informações/Assessoria Técnica.32 70. justificada pela presença de matas localizadas na Guabiraba.537 1.1.82 149.480 7. Sítio dos Pintos e Pau Ferro: População residente RPA Total 01 . segundo RPA.704 3.Centro 02 .892 21.947 263.88 100. O bairro situa-se na Região distinguindo-se pela qualidade ambiental.56 Até a década de 70 o bairro juntamente com os outros indicados acima.21 88.

145 1. Diretoria de Informações/Assessoria Técnica. Censo Demográfico 2010.40 0. constitui-se pelos moradores em domicílios na data de referência do Censo.565 3. o Bairro de Monteiro já enfrentava uma diferença da demanda em relação à oferta com uma população residente de 4.70 2.110.224 170.911 2.616 114.660 7 276 1. houve do ano 2000 para o ano de 2010 um crescimento absoluto de 1.422.44 0.739 habitantes.769 15 a 69 anos 5.17 0. Diretoria de Informações/Assessoria Técnica.21 0. segundo bairros FONTE: IBGE.178 habitantes no bairro de Monteiro. ficando a faixa etária de 0 a 14 anos correspondendo a 23. gerando na atualidade uma diferença de 4.31 0. Elaboração: PCR.33 0.002 604 1.566 5.20 -1.54 0. . o Bairro de Monteiro apresenta o maior percentual na faixa etária de 14 a 64 anos (69. (*) População residente. Secretaria de Controle e Desenvolvimento Urbano e Obras.256.742 domicílios.38 0.24 2.178 1.799 352.229 domicílios.População residente por grupos etários e população ignorada.47 100. equivalendo a 38% do percentual populacional de Recife em 2010.01 Tabela 6 . com uma taxa geométrica de crescimento anual no período de 2.558 2.046 2 566 4.41%.57 Do total populacional de 4.917 7.982 Taxa média geométrica de crescimento anual (%) 2000 .475 6 750 3. Secretaria de Controle e Desenvolvimento Urbano e Obras.4 Densidade demográfica No contexto da distribuição da população por faixa estaria. o Bairro de Monteiro acompanha a tendência da Cidade do Recife: População residente (habitantes) Bairro Casa Forte Dois Irmãos Monteiro Sítio dos Pintos Total RMR Pernambuco Total 6.78 1.035 70 anos ou mais 603 104 315 238 84.448 0 a 14 anos 1.690.382 429.917 residentes para 1.275 -480 1. Em 2010.1.858 4.750 321 922 834.2010 2. 4.796.739 pessoas para 1. Censo Demográfico 2010. sobre esse aspecto da faixa etária. em 2000.704 3. Elaboração: PCR.2010 4.337.644 Tabela 7 .537.131. E conforme pode ser observado.690.72% e 64 anos e mais com 6.Diferença entre a população de 2000 e 2010 e taxa média de crescimento geométrico anual FONTE: IBGE. Até o ano 2000.172 1.97%).00 Crescimento Absoluto 2000 .905 1.24%: População Residente Bairro Casa Forte Dois Irmãos Monteiro Sítio dos Pintos Total RMR Habitantes 2000 2010 4.288 1.537.704 3.276 1.547 8.750 2.430 5. entendendo-se aqui que se trata de um bairro em processo de envelhecimento.547 % sobre Recife 2000 2010 0. encontra a situação de 5.175 domicílios.739 5 917 5.254 6.685.

770 1.315 3. galerias e serviços especializados potencializam os indicadores do IPTU comercial.681.204 3.371 54.819 1. A representatividade da Região em relação ao total da cidade totaliza 12. mas a qualquer destino não residencial que seja dado ao imóvel. ficando atrás apenas da RPA 06 (sul). que ocupa inclusive a terceira colocação no que diz respeito à valorização patrimonial de sua área.836 101.241 847. 4. Diretoria de Informações/Assessoria Técnica.204 5.58 Com uma população totalmente urbana. acompanhando a tendência da Cidade do Recife que possui um total absoluto maior de homens que o de mulheres: População residente (habitantes) Situação do domicílio e sexo Mulher Urbana Rural Total Homem Mulher Total Homem Mulher 3.744. Elaboração: PCR.346 3.210 827.750 3. Censo Demográfico 2010.176 4.781 - Bairro Casa Forte Dois Irmãos Monteiro Sítio dos Pintos Total RMR Pernambuco Total 6.713 3.796.736 1.448 Homem 3.547 8.917 2. o qual não se refere apenas a edificações destinadas ao comércio.014 1.537.713 3.566 1.589. o bairro de Monteiro tem uma predominância de pessoas do sexo feminino.844 3.997 Tabela 8 .681 827.953.238 896.251 1. Monteiro localiza-se entre os bairros com maior valor médio lançado para o IPTU comercial da RPA 03.495 709. respondendo por 17.251 2.21%.População residente por sexo e situação de domicílio. conforme dados da SEPLAM (2001): .495 709.885 1.704 1.703 4. segundo bairros FONTE: IBGE.440 3.717.025 47.767 7.736 6. Secretaria de Controle e Desenvolvimento Urbano e Obras.340 3.334.052.781 7. de onde se infere que o mesmo situa-se numa Região valorizada imobiliariamente.690. tendo o 2º maior valor médio lançado do IPTU comercial.276 1.537.917 7.90% do IPTU comercial da Cidade do Recife.276 3.230.5 Economia Situa-se numa Região aonde o comércio com a existência de shoppings.885 1.565.819 1.750 2.907.014 3.1.566 5.704 3.736.315 2.

660 160 18 39 7 100.ZEPH por possuir em sua área 24 sítios tombados do século XVIII em situação de preservação rigorosa.70 809. mas também por seu local e valor urbano e pela história construída por cada uma das comunidades que coexistem em sua realidade de habitar. 2001) e o Bairro de Monteiro também possui tal realidade.23 Tabela 9 .873. a Lei de Uso e Ocupação do Solo também considera como Imóveis Especiais de Preservação . Vila Esperança e Vila Inaldo Martins de Souza.037. artístico e/ou cultural que interessam à cidade preservar (SEPLAM. (*) Inclusive.18 RPA e Bairro RMR RPA 3 NOROESTE Casa Forte Dois Irmãos Monteiro Sítio dos Pintos 5.48 0. taxas de limpeza pública e taxas de serviços diversos.377.69 0.IEP.022. os instituídos por exemplares isolados.59 Total de imóveis Abs.30 28.50 661.176/96 .950m2.68 0.083.21 0.32 0. 4.08 1. dentre elas Cabocó. de arquitetura significativa para o patrimônio histórico.70 129. Além da ZEPH. Tais comunidades inserem-se no contexto das Zonas Especiais de Preservação dos Sítios Históricos . O Bairro de Monteiro é um bairro importante não apenas territorialmente por abrigar quatro áreas pobres das 112 existentes na RPA 03.456. definidas pela Lei nº 16.3 Valor médio lançado (UFIR) 950.877. Ilha Temporal.00 2.83 0. 2001.93 1.60 4.00 2. em uma área de 106.12 5.1.755. o Bairro de Monteiro abriga quatro áreas pobres. segundo RPA e bairros FONTE: PCR / Secretaria de Finanças.580. .628.81 1. valor lançado e valor médio lançado.Lei de Uso e Ocupação do Solo. (%) 50.569.80 39.IPTU não residencial: total de imóveis.60 100.6 Macrozoneamento e importância histórica Sob a perspectiva do macrozoneamento estabelecido pelas Zonas de Diretrizes Específicas ZDE.605 Valor lançado* UFIR (%) 48.

A construção da problemática da pesquisa passará pela história da Comunidade Vila Esperança.URB. Edivaldo da Paróquia de Casa Forte. mandou derrubar tudo. para em seguida dialogar-se com a questão habitacional enquanto um direito. que não mora mais na comunidade. do papelão. O agente social principal identificado no contexto de pesquisa é a Prefeitura da Cidade do Recife e suas instâncias de fomento voltadas à diminuição da vulnerabilidade social. A partir do momento em que o poder público tomou conhecimento da invasão. botar lama. pegar tábua. Pecuária e Abastecimento . Não tinha nenhum barraco assim de madeira. a gente começava a fazer. Foi assim. as ações de retomada da área se iniciaram através de muitos atritos: O atrito durou muito aqui. por exemplo. bater prego até o carro da polícia chegar. . todos os barracos. O cabeça e articulador da invasão foi um morador chamado Miminho. às 20h. invadindo a localidade com 23 pessoas. com o conceito de identidade nas ciências sociais e. Secretaria de Estado de Agricultura. Aí saía os policiais dizendo: Pára tudo! Por sinal. Pe. tinha uma delegada que encarnava! Uma vez ela entrou aqui dentro da Vila. Relatos de moradora da comunidade indicam que tudo se iniciou em 23 de março de 1987. abordar a identidade em relação ao lugar de moradia. Nos momentos de resistência a comunidade recebeu apoio de várias frentes: vereadores. do compensado. mas era através dele o acesso para poder invadir e de forma programada. mas já tinha a obra da alcatifa. Mandou derrubar tudo. ela sentou e disse: Daqui eu não saio e ninguém me tira! Então aí só esse barraco ficou de pé. com o conceito de comunicação sob o referencial habitacional. derrubou tudo! A comunidade tem sua história forjada na resistência da luta pelo espaço de moradia e se tornou o que é hoje recebendo moradores de outras áreas como o Alto Santa Izabel. a liderança comunitária da área e técnicos sociais do PREZEIS/ Empresa de Urbanização do Recife . pegar pau. o único barraco que ficou em pé foi onde tinha uma menina que tava grávida de oito meses.60 5 FORMULAÇÃO DO PROBLEMA Situam-se entre os atores sociais da presente pesquisa os moradores reassentados da Comunidade Vila Esperança. e convivendo de forma harmoniosa.SEAPA. nem de telha. o qual ainda hoje ajuda a comunidade. no contexto contemporâneo.

permanecendo até hoje. mas ter uma moradia descente. encaminhando-nos ao próximo tópico de construção da presente problemática: [. Com o tempo. receberam ajuda para a reconstrução das casas.] O maior problema da Vila é cada um ter sua moradia decente que nem todo mundo tem. 2º e 25º a “igualdade e dignidade para todos os . Pelo menos. foram eles que fizeram as casas.” As atividades culturais da comunidade sempre envolveram crianças e adolescentes na participação em grupos de dança ou no Museu do Açúcar. trabalha. Os técnicos que tão andando por aí fazendo cadastramento. A partir daí foi havendo articulações entre as pessoas e quando Ismael saiu da presidência da Associação Dona Elza assumiu. mas sim de morar de forma digna por se tratar de um direito e é nesse sentido que se abordará a partir daqui a habitação enquanto um direito. que tem casebres e que tem quartinho. o pessoal daqui não são acomodados. E não se trataria de querer morar a vida inteira de forma não digna. nem todo mundo quer morar a vida inteira num lugar desse. refeitas por eles mesmos: “[. quando já se encontravam nas proximidades da área atualmente ocupada.. em 10 de dezembro de 1948. a qual reivindica respectivamente em seus artigos 1º. chegou o momento de serem desenhadas articulações que culminaram com a constituição de Comissões de Trabalho que trouxeram para a comunidade água. mas também de sobreviver a todas as cheias do Rio Capibaribe. para 18 casas e tudo foi doado..61 Passados os momentos de agonia nas inúmeras resistências que se sucederam. em especial a do ano de 1975. começaram a ser feitas casas com madeira reaproveitada e quem podia construía de taipa e apenas depois é que iam surgindo as construções de alvenaria. luz e uma associação... que finaliza a história da comunidade descrevendo a situação de quando o habitacional atualmente entregue ainda não havia nem saído do papel.. Desabrigados.. tá vendo que tem casas. conforme relato de Dona Zelha. apesar de o estatuto ter sido registrado em nome de Ismael. tem que ser pobre. O direito à moradia vem sendo alvo de debate enquanto um direito fundamental desde a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DHDH) adotada e proclamada pela resolução 217 A (III) da Assembleia Geral das Nações Unidas. Então. A luta da Comunidade Vila Esperança não se restringia apenas a ficar no local. ocasião em que os moradores tiveram que se abrigar na Escola Silva Jardim. que teve como primeiro presidente “Seu Roque”.] material e mão de obra.

o princípio da não discriminação” sem qualquer tipo de distinção e o “direito a cada ser humano a um padrão de vida condigno” e. orientadora e crítica). . enquanto um direito humano que é.php?doc_id=412>. haja vista que levar em consideração o alojamento como necessidade humana não significaria dizer que os governos devessem prover a todo o seu cidadão terra. A Human Rights Education Associates (HREA) 13 traz à discussão a questão de que a garantia do acesso à habitação levanta questões complexas sobre até onde ir à obrigação governamental.hrea. dando-lhe significado e principalmente unidade. para que o exercício de morar possa ir além de um exercício de sobreviver. quatro paredes e um telhado. Nele. ações e atitudes voltadas para o respeito aos direitos humanos e que fomentem o desenvolvimento de comunidades mais pacíficas. a partir do momento em que também não se efetivam outros direitos que poderiam instrumentalizar o cidadão a conquistar o seu direito à habitação. contudo. conforme é ressaltado Piovesan (2009). fazendo-se perceber no texto da Constituição Brasileira enquanto uma preocupação com valores institucionais de tripla dimensão (fundamentadora. por exemplo. a democracia implica na solução da problemática das condições materiais de existência. Em relação às Constituições anteriores. alicerçando um estado democrático de direito12 embasado na cidadania e na dignidade da pessoa humana. livres e justas.org/index. o que amplia de forma considerável o campo dos direitos e de garantias fundamentais. O acesso a uma habitação precisa responder a necessidades fundamentais relacionadas à segurança. como a educação. nesse contexto. 12 Estado Democrático de Direito tem no presente trabalho o entendimento de ser um elemento transformador da realidade que ultrapassa o aspecto físico de efetivação de uma vida condigna para o ser humano. 13 Organização internacional não governamental que apoia há mais de 15 anos a educação e a capacitação de ativistas e profissionais em direitos humanos. a esse respeito. dedicando-se à melhoria dos processos de educação e capacitação que promovam o entendimento. estabelece-se uma chamada de responsabilidade ao Estado no âmbito de intervenções políticas que proporcionem meios e facilitem o acesso a moradias. Acesso em 05 jun. Disponível em: <http://www. o desenvolvimento de materiais ou programas educacionais e a formação de redes comunitárias. é momento de a Constituição de 1988 perceber o valor da dignidade da pessoa humana como valor essencial. No Brasil. 40 anos depois. tem-se um verdadeiro diferencial porque é a primeira vez que uma Carta vem assinalar os objetivos fundamentais do Estado com o intuito de efetivação da dignidade da pessoa humana na prática. por meio da tecnologia de cursos a distância online. agindo como fortalecedor da participação pública em inúmeros seguimentos. à saúde e ao bem-estar.62 seres humanos. 2012. tendo sido criado para ultrapassar a ideia utópica de transformação social e assumindo o objetivo da igualdade e tendo na lei um instrumento de reestruturação social.

Acesso em 05 jun. em sua Observação Geral nº 4. Sociais e Culturais (CDESC). nº 1 e o Comitê dos Direitos Econômicos. segurança adequada. como a Convenção nº 97 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre Migração e 14 Disponível em: <http://www. formas de viver e de identidade com a realidade de moradia. a partir do momento em que se constitui como um lar. como o Pacto Internacional sobre os Direitos Econômicos. no seu art.] privacidade adequada. não apenas previsto pela DHDH. trazendo consigo o atendimento a outros direitos humanos. com o intuito de efetividade de tal direito. espaço adequado. mas que vai além e que vem sendo mencionado e reforçado em inúmeras instâncias internacionais. culturais e sociais específicos de cada Estado.. iluminação e ventilação adequadas.. 2003) 14. É um direito que busca por um padrão de vida digno. 2012. Nesse sentido. reconhecendo o direito de toda pessoa a um nível de vida adequado e extensivo a todos. conforme é definido pela Human Rights Education Associates (2003): Habitação condigna significa [.63 garantindo um alcance à satisfação de direitos no contexto dos fatores econômicos.php?doc_id=412>. A relevância da discussão se posiciona a partir da presença da mesma nos inúmeros documentos internacionais que têm fomentado o direito à habitação (HREA.tudo isto a preço razoável. voltado a quem realmente precisa.org/index. pelo PIDESC ou pelo CDESC. Trata-se de um direito que contempla o respeito ao específico do ser humano no atendimento as suas necessidades de habitar. como o direito à família e ao descanso e lazer. Sociais e Culturais (PIDESC) de 1966. enquanto um espaço habitável que dispõe de serviços. com uma boa localização e que expresse a identidade e a diversidade cultural de quem é beneficiado. por exemplo. Um direito. não se resumindo ao espaço físico. esse direito se coloca com um significado amplo e ligado a outros direitos humanos considerados como fundamentais. . inclusive.hrea. levando a uma interpretação da habitação enquanto “habitação condigna”. infraestrutura e equipamentos públicos. desenvolvido em meio a valores. 11º. Um espaço que não deveria ser objeto de política ou visto sobre o prisma de ser uma mercadoria. infraestruturas básicas adequadas e localização adequada relativamente ao local de trabalho e equipamentos básicos .

]. a Agenda HABITAT e o Plano de Ação HABITAT (1996) a Declaração de Istambul sobre os Povoamentos Humanos (1996). do FNHIS e do CNHIS. já com o Estatuto da Cidade criado em 2001. p. propósito.).” 15 . a qual só se torna fator de sociação15 apenas quando transforma o que a constitui (impulso. que se considera relevante analisar a Na definição de Simmel “[. ficará comprometida e.. etc. é sob esse aspecto. E responder a necessidades e expectativas é entender que a população beneficiada precisa se comunicar com o espaço habitacional recebido.. para Simmel (1983. a Declaração de Copenhaga sobre o Desenvolvimento Social e Programa de Ação (1995)... o mero agregado de indivíduos isolados em formas específicas de ser com e para um outro. se o ser humano enquanto detentor de elementos simbólicos. nesse sentido. que o fazem interagirem. identificar-se com ele e.] “esses interesses formam a base das sociedades humanas [. a Declaração de Vancouver sobre os Povoamentos Humanos (1976). instâncias que realmente vieram estruturar um caminho já há algum tempo em construção. uma parte cobrando o que lhe é direito e a outra fazendo o que lhe cabe enquanto um dever. não confere significado a tais elementos no sentido de se comunicar e se identificar. através da instituição do SNHIS. No Brasil.. Assim sendo. A inefetividade do direito a uma habitação que responda às necessidades e expectativas de quem é beneficiado é algo a ser superado pelos governos. que a satisfação de interesses no contexto social depende de uma significação que faz surgir a interação entre indivíduos na sociedade..] sociação é a forma (realizada de incontáveis maneiras diferentes) pela qual os indivíduos se agrupam em unidades que satisfazem seus interesses [. nesse sentido. 6º) e finalizam-se em 2004. Entende-se. dentre outras instâncias que estruturaram a base que justifica o reforço. interesse. 166) tudo que está presente no ser humano que possa manter influência sobre os outros é considerado como matéria. a importância e valorização da questão habitacional. cabendo ao poder público e à sociedade em geral fazer com que tal direito seja garantido com plenitude. o histórico apresentado no Capítulo 2 mostrou que a efetividade de iniciativas e mecanismos que reforçam o direito à habitação de interesse social se inicia em 2000 com a Emenda Constitucional 26 (art. levando-se em consideração os instrumentos legais que legitimam a qualidade e encontram-se embasados numa perspectiva de atendimento à cidadania e à dignidade da pessoa humana. a satisfação desses interesses que segundo Simmel formam a base das sociedades humanas.64 Emprego (1949).

estabelece com o mesmo identidade. identificar-se com o espaço de moradia torna-se fundamental para que o mesmo se mantenha sem ser objeto de repasse ou depredação. da relação existente entre indivíduo e sociedade. um fenômeno social e não natural. pois. no contexto habitacional. A questão da identidade é sem dúvida no contexto habitacional um dos elementos que conferem tanto a efetividade do direito quanto da sustentabilidade social do empreendimento construtivo. 2001). Estrutura-se e modifica-se através dos processos e das relações sociais nas quais o sujeito se encontra inserido. encontrando-se numa relação dialética com a sociedade.65 efetividade da interação das 16 famílias da Comunidade Vila Esperança em relação ao habitacional proposto pelo PREZEIS. identidade registra aquela que especifica “um conjunto de características e circunstâncias que distinguem uma pessoa ou uma coisa e graças às quais é possível individualizá-la” (HOUAISS. comunicar-se com o ambiente e nesse contexto ir . Ciampa (1989) considera a identidade como algo em movimento. VILLAR. produzindo-se a partir de interações. tem-se o entendimento de que através da apropriação do espaço é possível dialogar. A origem do termo identidade remonta o século XVII e provém do latim medieval indentitusátis. A identidade é. aquele elemento do contexto social que faz a diferença no sentido de ser a partir dele que o indivíduo dialoga com a realidade em que vive e. Dentre as significações possíveis. A partir do momento em que o indivíduo comunica-se com o espaço habitacional. Para Berger e Luckmann (2008). É dessa forma que num olhar contemporâneo. que se modifica e se ressignifica no contexto social (p. a identidade contextualiza-se como um elemento-chave da realidade subjetiva. porque se acredita que ao haver a comunicação. a mesma coisa”. interagindo e confirmando-se os interesses satisfeitos. concretizando-se o processo de identidade com a moradia. correspondente a “o mesmo. sendo entendida como o próprio processo de identificação. Sob o prisma da representação social. sendo a “identidade um fenômeno que deriva da dialética entre um indivíduo e a sociedade” (p. 230). cuja raiz localiza-se em idem. as mesmas refletirão tal identidade comunicando-se com os outros. 74).

significados e concepções de comportamento e experiência. considerando a questão da identidade com o mesmo. Acredita-se. p. 113). apropriando e vivendo através do corpo. os quais estão relacionados com a variedade e complexidade dos lugares físicos que definem a existência cotidiana de cada ser humano” (PROSHANSKY apud PONTE. com o que aprendeu. o espaço habitacional constitui-se de propriedades que definem sua posição pela relação que ele próprio tem com os outros lugares e pela distância que o separa dos demais. num processo de construção recíproca (Sève apud Mourão e Cavalcanti. 2004. valores. constituído por cognições a respeito do mundo físico aonde o indivíduo se encontra inserido. definindo dessa forma o seu espaço social (Bourdieu apud Teixeira. dimensionado e equipado de forma a cumprir com a função social que possui. 2006. A identidade com o lugar também vem a ser conceituada como um elemento que advém da identidade pessoal. p. atitudes. sentindo. com os quais se identifica. Nesse sentido. p. p. Teixeira (2004. o mesmo passa a ter um outro significado e com isso valor subjetivo que só fortalece a sua sustentabilidade social. 112) considera que o projeto arquitetônico destinado à habitação precisa ser ordenado. ideias. 2004. este que precisa se comunicar com o espaço. que tanto passa a exercer a sua função quanto perdura pelo cuidado que cada morador passará a lhe dispensar. com tais cognições representando “memórias. p. que ao ser apropriado. A partir do momento em que passa a haver identidade com o espaço habitacional. sentimentos. 351). BONFIM. com o que foi bom ou ruim e através de atitudes e significados que lhe conferem reconhecimento. a identidade de lugar tem a ver com o que cada ser humano constrói através do seu passado. PASCUAL. 146). condições mais simples. pensando.66 se construindo ao mesmo tempo em que se contribui para a construção ativa do contexto. refletindo-se em . ainda. permitindo a interação das comunidades com o lugar. Prosseguindo com a importância que o espaço assume na vida das pessoas. reconhecimento. fazendo com que as relações cotidianas se reconheçam (TEIXEIRA. 2009. As relações que as pessoas mantêm com os espaços que habitam exprimem-se no dia-a-dia pela forma de uso. 112).

.. só tinha uma porta e uma janela. oi Dona Elza. no qual se pode observar essa questão identitária e de comunicação com o espaço habitacional.. no sentido de enfrentar a racionalização de custos em detrimento da qualidade.. porque eu ali na frente (moradia anterior).. tá entendendo? O tempo todo!. era um frio. era dormindo. o apartamento pra mim foi ótimo. sei lá.. morei num espaço bom. enquanto aspectos que fortalecem a necessidade de reflexão sobre ao invés de se fazer mais por menos.. não encaixa muito. mas sabia que eu ia entrando em depressão? . tinha a sala.. E para formular a problemática da presente pesquisa. mas é “trepado”.. quando chegou aqui. é uma conquista. Um momento da realidade de empírica. se eu tiver aqui na janela aí passa um oi Dona Elza. sempre o povo me procurava. foi uma graça de Deus que recebi com muita luta.. lá era diferente. todo mundo que subia e que descia oi Dona Elza. sei lá. o espaço é bom em relação ao anterior. tá entendendo?.. mas dizer assim que eu tô bem. era uma agonia.. aí eu me isolei. colocou-se como importante para tal fundamentação trazer a percepção da habitação enquanto um direito. prazer assim tô não. ter se colocado de forma relevante no seu dia-a-dia. com a identidade sendo resgatada pelas memórias. mas melhor. pela percepção de uso do espaço anterior e convivência com os outros moradores. óia eu vivia chorando.. tá entendendo? Ou seja. Chegava fim de tarde eu num tinha nada o que fazer acaba minhas coisa todinha. é trepado. às quais serão tratadas nos resultados da pesquisa e nas considerações finais.. por este motivo a abordagem da identidade com teóricos das ciências sociais e contemporâneos a cerca da identidade em relação ao lugar de moradia. oi Dona Elza. outro oi Dona Elza. . ao ponto de a identificação com o mesmo e o comprometimento da possibilidade de comunicação constante que a moradora tinha na realidade anterior. fazer-se menos.. mas assim.. era um salão só. a cozinha e o banheiro. aí eu dividi no meio fez dois vão. sei lá. ou Dona Elza. era. Contudo. fiquei muito fechada assim.... aí eu ia botava a cadeira ali aí passava um oi Dona Elza.] nunca assim. encontra-se no depoimento de Dona Zelha: [. aí eu vou passar o dia todinho aqui na janela? E lá não. que só pode ser efetivo se o beneficiário do espaço habitacional identificar-se com o mesmo. não descia. há questões de melhoria relacionadas tanto à questão de segurança quanto do trabalho social que poderia fornecer maior reforço à sustentabilidade social do empreendimento.67 seu comportamento frente a esse espaço e modificando-se de acordo com a complexidade que cada espaço tem no seu dia-a-dia..

esboçando um perfil educacional diversificado. doméstica e vigia de condomínio.68 6 RESULTADOS DA PESQUISA Os resultados serão apresentados ora de forma qualitativa. Ao serem indagados sobre o que faziam para ganhar dinheiro teve-se no elenco de respostas: bico (pintura. copeira que está no seguro desemprego. num contexto em que a mudança para a nova moradia não mudou o que ganhavam antes para o que ganham atualmente. as quais se encontrarão identificadas no início da apresentação e/ou análise de cada resultado da pesquisa: Seção A . é de 36 a 76 anos de idade. auxiliar de cozinha.Informações gerais A faixa etária dos entrevistados. consertos). ora de forma quantitativa. 2012 Há na amostra desde pessoas que estudaram até à 2ª série (antigo ensino fundamental) a pessoas que estudaram até concluir o ensino médio. no contexto de adultos maiores de 18 anos. com a maioria dos entrevistados sendo do sexo feminino: Gráfico 8 .Entrevistados por sexo Fonte: Pesquisa de campo Elaboração: o próprio autor. . respeitando-se a ordem de apresentação das seções presentes no Apêndice B. pensionista.

à dignidade. uma bênção e uma dádiva de Deus. não possuem vínculo com organização comunitária nem de ordem política. que lhes remetia a sofrimento. percebendo-se que se entende por habitação social uma casa melhor. a uma moradia melhor. péssima. que traz coisas boas..Entrevistados por religião Fonte: Pesquisa de campo Elaboração: o próprio autor. uma moradia melhor. Retornar para casa era fazer passar um filme na mente. com o cuidado de os escorpiões não chegarem nele . . triste. com conforto. conforme relato que segue: “Voltar para casa e enfrentar aquela goteira pelo vão inteiro. à casa atual que é uma maravilha. a um abrigo. à segurança e ao bem estar. a noite inteira. com melhores condições. uma porcaria. sem alegria. abafada. os entrevistados são da religião evangélica. pequena/apertada. 2012 Com exceção da associação da própria comunidade.69 Em sua maioria. considerando-se o perfil dos entrevistados em sua maioria evangélicos.” O conceito de casa esteve associado a algo que não tinham antes. percebendo-se através do discurso que eles entendem por casa algo bom e que faz bem e logo se a realidade anterior era tão péssima eles não possuíam uma casa e consequentemente eram cidadãos não atendidos em sua cidadania sob esse aspecto. Habitação social foi associado a algo melhor. à decência. havendo alguns declarantes da religião católica: Gráfico 9 .. tratado como bênção ou dádiva de Deus. ruim. com calor e que não servia.Associando conceitos Ao serem convidados para uma associação de conceitos a termos que lhes foram propostos os entevistados consideram a moradia anterior como não sendo boa. Seção B . procurar um lugar seco naquilo tudo molhado pra colocar o meu pequeno de meses.

percebe-se o cuidado e a reserva nas respostas. tu vai ver!” Vê-se aqui o sonho sendo compartilhado e vivivo junto ao outro. dentre outras questões a serem levantadas nas considerações finais do presente trabalho. jardim. A única exceção as aspectos levantados para o termo comunidade foi o assalto recente. hoje quem reside no apartamento é o seu marido. a maioria nada teve a dizer considerando os vizinhos ótimos. Nessa ocasião. mas houve nesse contingente quem considerasse que ninguém é perfeito e uma outra parte dos entrevistados considerando os vizinhos reservados e que todos são bons. ao próximo.70 Para o termo identidade. . houve a associação a tudo de bom numa identificação com o que há de melhor. família. eu te prometo. 2012 Ao serem solicitados para associação do termo vizinhos. boa e ótima. que não poderia ser diferente considerando o histórico de luta e união que essas pessoas tiveram para se tornar o que são enquanto grupo. praça (um dos equipamentos de lazer não entregues com o prédio) e respeito ao ser humano. tu vai morar em apartamento Josefa. Gráfico 10 . enquanto elementos de identificação com os mesmos. numa identidade e lealdade que se construiu por anos. limpeza. vai sim Josefa. unidos. mas relacionado a pessoas externas à comunidade e em função da área do prédio que não se encontra delimitada. que inclusive foi criado pelos moradores do prédio. amigos e especiais. A comunidade foi considerada como tranquila. Josefa faleceu 7 meses após se mudar para o habitacional em Monteiro.Associação com o termo identidade Fonte: Pesquisa de campo Elaboração: o próprio autor. tu vai morar com tudo direitinho (Josefa pergunta. mas sempre esteve presente o sentido de comunidade e cuidado também com o outro. a exemplo de depoimento de Dona Zelha falando com Josefa (já falecida): “Olha Josefa. e vou Zelha?). unida.

. bom porque trouxe paz à vida (ter saído da realidade anterior) e rápido. e daqui a pouco as coisas todinha e quando eu vi tinha me mudado. melhor. O que de fato procede.. a grande maioria dos entrevistados a considera excelente. e daqui a pouco a geladeira. haja vista que os móveis. Uma moradia que lhes traz segurança e bem estar.Associação com o termo lugar Fonte: Pesquisa de campo Elaboração: o próprio autor. . com o desejo de que Deus conserve e que tenha por aí para mais irmãos que precisarem. ótimo. Em relação ao local no qual se encontram inseridos o mesmo foi considerado como legal. identificou-se que a prefeitura não arcou com as despesas de mudança. pois eles moram num local central e altamente valorizado mercadológica e imobiliariamente falando. foi uma danação da gota. Sobre esse aspecto. uma dádiva de Deus. alegre e perto de tudo. bom de viver. E foi rápido sim. na cabeça e do jeito que dava para ser. considerando pontuações de entrevista realizada com Dona Zelha. sadia. e de forma geral como seria para eles. 2012 O termo reassentamento e entenda-se nesse caso como sendo o processo de reassentamento (porque assim foi explicado no momento da entrevista). Gráfico 11 .” Sobre a moradia atual. aonde se encontra diversão. bem rápido ao ponto de Dona Zelha que idealizava mudar-se com calma quando menos esperou.71 Na associação com o termo lugar. João da Costa esteve na comunidade para realizar a entrega do habitacional e quando as chaves chegaram nas mãos dos moradores foi o maior alvorosso: “Olha. verdadeiro abrigo. uma bênção. houve na verdade uma confusão no entendimento dos entrevistados que perceberam lugar como o local aonde moram e não o termo isolado. tudo de melhor. ficou associado a ter sido ótimo. equipamentos e utensílios dos moradores foram carregados por eles mesmos. quando eu vi ia passando o sofá.

contudo. a relação foi identificada apenas como solidária. não se tem uma mudança significativa da realidade anterior para a atual. houve o indicativo de a mesma ser solidária. com a ressalva de que existem conflitos em qualquer sociedade. tenha possibilitado um desgaste natural nas relações. mas acredita-se que seja uma questão de tempo e ajuste a essa nova realidade.72 Esse aspecto de satisfação. o que foi um benefício considerável e um respeito às histórias de luta construídas com o tempo. . É possível que ter ido para a realidade atual. com momentos bons e ruins. independente de não considerar peculiaridades do exercício de morar da comunidade.Processo de mudança e comparação do antes com o depois Indagados no que diz respeito à relação de vizinhança na moradia anterior. Em relação à frequência com que moradores. 2012 Seção C . a percepção que se teve na realidade empírica pelos discursos foi a de que na realidade anterior a comunidade se reunia mais.Associação com a moradia atual Fonte: Pesquisa de campo Elaboração: o próprio autor. ainda não lhes forneceu subsídios no sentido de a identidade presente ser questionada. nos dois casos pela grande maioria dos entrevistados. para pouco mais de um ano de moradia. Gráfico 12 . Reflete que a organização do espaço minimizou os conflitos e com isso certamente eles passaram a se relacionar melhor. Na moradia atual. Como houve no contexto da comunidade a permanência no local de origem. vizinhos e amigos se reunirem foi declarado pela maioria que não mudou. mais organizada espacialmente e com regras que não existiam na realidade anterior. remete-nos à indagação de que a realidade aterior seria péssima e traumatizante ao ponto de o imóvel recebido.

de uma forma equilibrada. considerando-se a área de serviço e o atendimento para todos os apartamentos das redes elétrica. Quando perguntados sobre estarem preparados para os gastos que a nova moradia trouxe a grande maioria declarou que sim. o entrevistado que declarou que pesou um pouco trabalha com artesanato e atualmente encontra-se parado em função da impossibilidade de aquisição de matéria-prima. tendo sido afirmativa a resposta do entrevistado que . Na moradia atual. Quando indagados sobre desenvolver atividade comercial na realidade de moradia anterior. bem como a definição de endereço do habitacional que atualmente possui junto aos CORREIOS três endereços que direcionam as correspondências para o prédio. a grande maioria declarou que não. Conforme será indicado nas considerações finais. até em função de já estarem acostumados com tais gastos na moradia anterior. banheiro quando existia era pequeno e as redes elétrica. a mesma era composta de vãos que se dividiam. 2012 Apesar da declaração de terem estado preparados para a nova realidade de gastos. questão que um bom trabalho social poderia ter resolvido e encaminhado.73 Indagados sobre como era a moradia anterior fisicamente falando. de água e esgoto. tem-se a realidade de 5 cômodos. de água e esgoto para alguns atendia e para outros não.Sobre o preparo para os novos gastos Fonte: Pesquisa de campo Elaboração: o próprio autor. tendo havido quem declarasse que pesou um pouco: Gráfico 13 . o prédio já tem apresentado problemas de manutenção e acrescente-se que até o momento a cobrança dos serviços de energia e água potável ainda não foi regularizada.

Investigando o trabalho social desenvolvido Fonte: Pesquisa de campo Elaboração: o próprio autor. Gráfico 15 . 2012 Perguntados sobre a Prefeitura da Cidade do Recife ter empreendido algum tipo de trabalho social ou capacitação profissional os entrevistados foram unânimes em dizer que não. mas quando puder voltará a desenvolvê-la.74 trabalhava com artesanato e que hoje não trabalha mais desenvolvendo sua atividade. Gráfico 14 .Investigando a atividade econômica Fonte: Pesquisa de campo Elaboração: o próprio autor. 2012 .

precisa ser revista. para a realidade atual ser completa ainda faltaria: ser murado. jardim. satisfação de morar e aonde Dona Ana inclusive parou de ter problemas respiratórios. A quantidade de pessoas que moravam na realidade anterior é a mesma da moradia atual para a maioria dos entrevistados e a maioria também não fez novas amizades. afirmadas ou não. foi uma exigência da comunidade. tal verificação surge como alerta. Seção D . sendo praxes dessa sistemática os técnicos da URB-Recife sempre estarem presentes na área. até porque até aonde se pode verificar a presença de técnica social pelo PREZEIS no escritório social recentemente instalado. mais limpeza no prédio.75 Apesar de o recurso advir do PREZEIS. o que foi declarado por todos eles. terminar a frente do prédio . expectativa. caracterizado como terrível pela entrevistada. ou essa relação entre o PREZEIS e o Programa Capibaribe Melhor tem confundido os papéis no desempenho do trabalho social que deve ser destinado aos já reassentados e àqueles já cadastrados que ainda o serão. conforme já ressaltado. privacidade. uma idosa de 76 anos. lugar limpo. Quando arguidos sobre o que mudou na vida deles em relação aonde morava antes e a moradia atual. ressalva apenas para um dos entrevistados que declarou não ser de estar com muita amizade. num outro momento. sadio. a não ser com a família. o qual atenderá ao Programa Capibaribe Melhor. Na realidade atual tudo é melhor. Ou a política municipal de atendimento ao social. E o lugar escolhido pela Prefeitura do Recife atendeu às expectativas pela permanência no local. mas essas são questões a serem esclarecidas. pois grande parte dos amigos da moradia anterior são os mesmos na moradia atual. Contudo. visto que nada do que tinha lá deveria ter na realidade atual. no que diz respeito ao PREZEIS. segurança. liberdade e na realidade anterior perdeu-se o convívio com amigos. de forma que houve ganhos mas também perdas. na realidade anterior tinha-se o contexto de problemas respiratórios.Investigando a identidade Os entrevistados residiram na moradia anterior entre 5 e 23 anos e a maioria dos entrevistados não sentirão saudade da realidade anterior. Ganhou-se na realidade atual segurança (do ponto de vista de a habitação atual resguardar melhor a família). aonde o trabalho social é sistemático e constante. garagem. maravilha em relação ao lugar aonde estavam. e não algo que tivesse partido de uma política municipal. tranquilidade. parque.

num contexto em que o espaço é mais cuidado pelos homens e mulheres adultos dentre os reassentados. Ressalva apenas para um dos entrevistados que considerou que se arrumasse um emprego seria melhor. confiantes. contextualizando um ambiente muito ruim. o cuidado com o lugar também se dá por moradores de cada andar.76 quando as casas que se encontram atualmente na área frontal saírem. conversar e falar dos momentos bons e ruins. felizes e satisfeitos. Houve quem declarasse que da realidade anterior sentiria saudade da superação das dificuldades. com um critério de cada grupo de moradores por andar. um elemento bem presente na história de lutas dos que fazem a Comunidade Vila Esperança. O que marcou a realidade anterior foram os problemas respiratórios já solucionados para Dona Ana. segura e bem melhor que a realidade anterior. . um beco de acesso muito apertado com pessoas bebendo no meio da rua. de uma moradia com um bom ambiente. do seu próprio espaço foi para os entrevistados sentirem-se um pouco mais dignos. área verde e área de lazer para caminhar. O cuidado com o lugar se dá com alguns cuidando do seu. O sentimento de comunidade é o mesmo da realidade anterior. de forma que sentir-se bem tem remetido sem dúvida à moradia atual. uma forma de morar que safisfaz. outros como Da Luz (jardim) ou Irmão Ravi cuidando também de áreas comuns ou com o cuidado sendo realizado por grupos. houve quem declarasse não se sentir dono do apartamento em função de eles não possuírem a posse do terreno. o que existe na realidade é um documento da Prefeitura dando-lhes o direito de uso por um período de 50 anos. Coletivamente. as goteiras dos dias de chuva. A esse respeito. o que na realidade anterior não ocorria. Diferentemente da realidade atual. mas em geral a falta de privacidade. quando comparada à anterior. a presença de escorpiões. Nesse sentido. enquanto uma vitória que Deus lhes proporcionou. eles não poderia deixar de se sentirem mais pertencidos e satisfeitos em relação à moradia atual. namorar. muito embora tenha havido quem declarasse que só existia na realidade anterior porque lá todos passavam a mesma situação e agora isso mudou. Incluírem-se na nova realidade. donos ou donas de sua própria casa.

mas houve quem declarasse que venderia para melhorar de vida indo para um lugar melhor. terminar os estudos e fazer um curso de turismo para melhorar de vida mais ainda. a não ser que fosse para comprar uma casa maior e melhor. que o prefeito e o governo façam mais casas pois quantas mais melhor. Houve entrevistado nesse contexto que acredita que vizinhos venderiam sim sua nova moradia para comprar uma casa melhor. a maioria declarou que não mas houve que declarasse que muitos já pensaram. O benefício do apartamento para a maioria foi uma bênção divina e por tudo que já passaram não o venderia. que a sociedade é complicada de se entender.77 A grande maioria teria tido o mesmo envolvimento e faria do mesmo jeito para obterem o benefício da casa própria. algo melhor para viver. Mais um alerta para a questão de acompanhamento do trabalho social que seria o elemento que daria conta de tal questão. Indagados sobre se os vizinhos venderiam e o por quê. uma forma de renda para não depender da filha. com boa localização. aposentar-se para abrir um negócio próprio. . a grande maioria declarou que não. Quem declarou que não faria do mesmo jeito foi em função do aspecto de ilegalidade que originou a ocupação. houve na maioria a declaração de que não podia e um dos entrevistados declarou que gradearia e colocaria cerâmica. E sobre os planos para o futuro. um futuro melhor para os filhos. o desejo dos entrevistados é o de que cada um da comunidade tenha a sua casa para ficar. Perguntados sobre ampliar ou modificar. que de repente por uma doidice isso seria possível. Quando indagados sobre se venderiam a casa deles.

dá-se porque na área aonde serão construídos os prédios restantes não comportará a construção de mais prédios para que se possam abrigar mais comunidades. . mantendo a mesma configuração construtiva padrão e fazendo existir no mesmo habitacional um prédio que será diferente dos demais. Um exemplo prático da ausência da participação da comunidade encontra-se no fato de que os prédios restantes que comporão o Habitacional Vila Esperança serão construídos com recursos do Programa Capibaribe Melhor e terão uma área de 36m2. mesmo havendo estudos que mostram que a coexistência de comunidades normalmente não é positiva para a sustentabilidade de um empreendimento de interesse social. Na verdade. contudo. p. possibilitada através do PREZEIS que por força de lei legitima a participação das comunidades com o incentivo de permanência nas áreas de origem. a permanência no local se deu em função da participação popular no processo de gestão. reforçando há décadas um padrão que já não atende a necessidades específicas de quem é beneficiado com habitações de interesse social. gerando uma situação de 5m2 por habitante. algo bem distante da média de 10m2 por habitante vivenciada aqui no Brasil. a exemplo dos Conjuntos Habitacionais Goiânia e Araguaia em Belo Horizonte (TEIXEIRA. que se situa numa média do metro quadrado construído para a habitação de interesse social no Brasil. 2011. 60). 2004). justamente em função de sua tipologia com prédios em bloco “H” (LOIOLA. E o fato de haver a previsão de os reassentados do Habitacional Vila Esperança serem apenas moradores da comunidade que lhe dá nome. mas nenhum dos elementos indicados acima reflete uma política municipal ou um planejamento de gestão. mas certamente tal dimensão foi o resultado da participação da comunidade no processo.78 CONSIDERAÇÕES FINAIS A proposta habitacional possui configuração construtiva que já foi alvo de crítica da academia na área de arquitetura e urbanismo. possui dois elementos relevantemente positivos: a permanência no local de origem e o assentamento apenas de moradores da Comunidade Vila Esperança no habitacional que será construído posteriormente. Na presente análise. Os apartamentos aonde residem as famílias que foram objeto de análise da presente pesquisa possuem uma área de 42m2. num redimensionamento de projeto que diminuiu o tamanho da habitação individual para que se pudessem construir mais habitações. há famílias com sete e até oito moradores por apartamento.

Apartamentos de um prédio (PREZEIS) maiores que outros (Programa Capibaribe Melhor). alimentando a segregação comunitária de moradores de um prédio em relação aos outros. O fato de a área envolver a realidade de mais de uma origem de recurso foi determinante para esse desalinhamento na execução de projetos. O primeiro prédio entregue o foi sem quaisquer elementos de infraestrutura e desprovido de muro ou cerca.79 Nesse sentido. O acesso à frente do prédio ainda se dá através de um corredor estreito porque a área que seria a frente do prédio ainda não foi desapropriada e a ausência de corrimões na escadaria só será solucionada quando se iniciar a construção dos prédios restantes do habitacional. os quais serão custeados pelo Programa Capibaribe Melhor que ainda se encontra em fase de andamento. tratou-se mais de uma questão política do que de comprometimento da gestão. que os outros moradores que receberão os prédios restantes do habitacional não terão. O resultado foi a entrega de um projeto não acabado. que trouxe custos à comunidade. sem contar no investimento que os moradores do primeiro prédio tiveram para cercar a área com estacas. que reproduz um modelo construtivo que não levou em consideração a realidade de vida da . os quais poderiam ter sido combinados. em julho do ano passado. é uma realidade da área aonde se encontra construído o primeiro prédio do Habitacional Vila Esperança a existência de duas origens de recurso possibilitando as intervenções: uma foi o PREZEIS com a construção do prédio já entregue e a outra será o Programa Capibaribe Melhor que prevê tanto recursos da Prefeitura do Recife quanto do Banco Internacional para a Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD). trazendo uma realidade detentora de elementos complicadores. mas nos parece que a entrega do primeiro habitacional com recursos do PREZEIS. conforme segue abaixo: Um prédio (o primeiro que foi entregue) que será diferente dos demais prédios do habitacional. porque os mesmos estariam previstos com a construção dos prédios restantes do habitacional. A diferença visual e construtiva (tamanho/m2) do primeiro prédio entregue em relação aos demais do habitacional talvez venha a ser objeto de questionamento futuro.

desde que o prédio foi entregue. A proposta habitacional objeto de nossa análise. Certamente. com uma estrutura construtiva de isolamento. já que o imóvel . sem muitas possibilidades de interação entre os moradores. instrumento que enquanto não é aprovado faz com que os moradores tenham que lidar com situações para as quais o elemento de ordem trazido pelo regimento teria dado solução. aterrorizador em alguns casos. por exemplo. a realização de atividade específica ou até mesmo de acompanhamento das famílias reassentadas. O trabalho social. Recentemente. sempre ocorre. os técnicos sociais da URB-Recife sempre estão nas áreas e pelo Programa Capibaribe Melhor será pontual com a instalação dos escritórios sociais naquele momento específico. que poderia interferir diretamente na sustentabilidade do empreendimento. tanto no contexto do PREZEIS (sistemático) quanto no do Capibaribe Melhor (pontual) entende-se que precisem ser repensados do ponto de vista do pós-ocupação considerando que os depoimentos obtidos na realidade empírica não indicam em momento algum.80 comunidade beneficiada e que atualmente. houve um assalto na entrada do prédio porque o portão de acesso se encontrava aberto e por mais que se tenha conhecimento dos perigos possíveis e da orientação de se manter o portão fechado. visto que pelo PREZEIS o mesmo é sistemático. a exemplo dos registros de água que são todos aparentes e no caminho das escadas que. podem levar à realidade de acidentes graves. ele sempre está aberto e essa é uma questão que um regimento construído coletivamente já poderia ter resolvido. com pouco mais de um ano de uso. já enfrenta problemas de manutenção com infiltrações e entupimentos de pia. que por ser assim nos coloca dificuldades para perceber na realidade empírica a questão da identidade com o espaço habitacional atual. Também é resultado dessa realidade o contexto de acompanhamentos sociais diferenciados. Um exemplo da ausência de tal acompanhamento é a existência do regimento interno do prédio que não foi construído juntamente com os moradores e sobre o qual eles não conseguem ter entendimento sobre partes ou termos. reflete a necessidade de um melhor acabamento. ao se comparar a realidade anterior com a atual tem-se um contraste gritante. evitaria transtornos que com o passar do tempo poderiam tomar uma proporção não desejável para a convivência comunitária. sem corrimões e sem adesivos antiderrapantes. de forma comunitária e de acordo com a realidade da comunidade. Sem dúvida um acompanhamento social para a construção de um regimento próprio. continuado.

a partir do momento em que o trabalho com grupos focais. nas ocasiões em que se esteve em campo 50% dos apartamentos não puderam ter moradores entrevistados em função de os mesmos não se encontrarem em casa. tratava-se da família do Sr. considerando as situações de insalubridade e riscos de saúde pelos quais muitos moradores passaram. de forma que as percepções relacionadas à . visando mesmo um aprendizado do conhecimento e saber local das áreas a serem atendidas. com exceção da líder da comunidade. é considerado como “uma maravilha de Deus. No que concerne aos limitadores da pesquisa. percebeu-se a necessidade de um trabalho de base que antecedesse o momento com as famílias. É claro que para o desenvolvimento de tais projetos seriam fundamentais tempo e investimentos suficientes que possibilitassem estudos criteriosos. mantiveram-se em uma postura bem formal. Leve-se em consideração ainda uma família que declarou não haver interesse em participar da pesquisa e uma outra que na verdade não tinha condições. que ela seja uma maravilha porque efetivamente há identificação com ela e não porque desesperadamente se precisava e “pelas graças de Deus” se conseguiu. sejam uma forma de dar continuidade à trajetória da habitação de interesse social com qualidade. estadual e federal) quanto para a sua elaboração com inovação. com a filha que durante o dia exerce atividade laboral externa à sua residência. encaminhar-nos-ia a isso. Nildo que recentemente foi acometido por um AVC.” E de fato o é. mas o que se espera é que tal maravilha esteja permeada do que é necessário para se gostar dela. levando à necessidade de um maior investimento de tempo e até mesmo financeiro. É por isso que se acredita que programas de incentivo.81 recebido apesar de todas as colocações postas acima. voltados tanto para a elaboração de projetos em todas as esferas (municipal. buscando inclusive o apoio da área de arquitetura. Pensar a habitação de interesse social é refletir sobre a necessidade de se conhecer a realidade de seus beneficiários. dotada de certo distanciamento e cuidado. visto que se trata de uma habitação que não faz sentido de ser se não exercer a sua função com sustentabilidade. Para a finalidade da pesquisa. A ausência desse trabalho de base impactou na qualidade dos depoimentos e na postura dos entrevistados que. por exemplo.

82

identidade com o lugar de moradia pensadas no início da pesquisa se confirmaram no discurso de apenas alguns entrevistados. Acredita-se, ainda, que o tempo de moradia recente ainda não possibilitou a construção de elementos que alimentassem questionamentos por parte da maioria dos moradores em relação à identificação dos mesmos com o espaço de moradia atual, principalmente quando confrontado com a realidade trágica da moradia anterior. Tudo isso atrelado ao trabalho de base mencionado anteriormente que não ocorreu, não possibilitou um aprofundamento da questão, que sem dúvida poderá ser explorada em outros níveis de pesquisa. A presente contribuição é mais uma gota no oceano ou um dos beija-flores tentando apagar um incêndio na Floresta Amazônica, mas é a percepção do fazer a nossa parte, a certeza do contribuir com o que é possível, o que fez a presente pesquisa relevante. Para a sociedade, fica a intenção e o registro da necessidade de se valorizar não a habitação de interesse social, mas o ator social enquanto ser humano, seus valores, seus hábitos, seu convívio social, sua realidade de vida, com tal ator se percebendo nesse contexto e reivindicando o que lhe cabe enquanto um direito social constitucionalizado.

83

REFERÊNCIAS
BACHELARD, Gaston. O Novo Espírito Científico / A Poética do Espaço. Tradução de Remberto Francisco Kuhnen, Antônio Costa Leal e Lídia do Valle Santos Leal. São Paulo: Nova Cultural, p. 201, 1988. BARDIN, L. Análise de conteúdo. Tradução de L. A. Reto e A. Pinheiro. Lisboa: Edições 70, p. 117, 1977. BOGDAN, Robert; BIKLEN, Sari. Estudo de caso. In: Investigação qualitativa em educação. Porto Editora, p. 47 e 89, 1994. BONDUKI, Nabil Georges. Origens da habitação social no Brasil. Análise Social, vol. XXIX (127), p. 711-732, 3. ed., 1994. BERGER, Peter L.; LUCKMANN, Thomas. A construção social da realidade. 2ª edição. Lisboa: Dinalivro, p. 230, 2004. BERNARDI, Jorge Luiz. Funções sociais da cidade: conceitos e instrumentos. 2006. 135 f. Dissertação (Mestrado em Gestão Urbana) - Programa de Mestrado em Gestão Urbana da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Curitiba - PR, 2006. BRASIL, Constituição da República Federativa do Brasil. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 05 out. 1988. BRASIL. Estatuto da Cidade. Lei nº 10.257, de 10 de julho de 2001. Regulamenta os arts. 182 e 183 da Constituição Federal, estabelece diretrizes gerais da política urbana e dá outras providências. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 11 jul. 2001. BRASIL. Lei nº 11.124, de 16 de junho de 2005. Dispõe sobre o Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social - SNHIS, cria o Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social - FNHIS e institui o Conselho Gestor do FNHIS. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 16 jun. 2005. CIAMPA, Antônio da Costa. Identidade. In S. T. M. Lane & W. Codo (orgs.), Psicologia social: o homem em movimento (pp. 58-75). 8ª ed. São Paulo, SP: Brasiliense, 1989. CUCHE, Denys. A noção de cultura nas ciências sociais, Edusc: São Paulo, 1999. DIOGO, Érica Cristina Castilho. Habitação social no contexto da reabilitação urbana da Área Central de São Paulo. 2004. 174 f. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) - Universidade de São Paulo, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, São Paulo – SP. 2004. FERNANDES, Edesio. Direito e Urbanização no Brasil. PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS. PUC Minas Virtual. Regularização Fundiária de Assentamentos Informais Urbanos. Disponível em: http://www.cidades.gov.br/images/stories/ArquivosSNPU/Biblioteca/RegularizacaoFundiaria/ Direito_Urbanizacao_Brasil.pdf. Acesso em: 25 de ago. 2012.

84

ELIAS, NORBERT. O Processo Civilizador, v. 1, ZAHAR: São Paulo, 1995. GIL, Antônio Carlos. Metodologia e técnicas de pesquisa social / Antônio Carlos Gil. – 5. ed. – São Paulo: Atlas, p. 42, 1999. GODOY, Arilda Schmidt. Introdução à pesquisa qualitativa e suas possibilidades. Revista de Administração de Empresas, Rio de Janeiro, v. 35, n. 2, p. 62-63, 1995. HOUAISS, A.; VILLAR, M. S. Dicionário Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. LUCINI, Hugo Camilo. Habitação social: procurando alternativas de projeto. Itajaí: Ed. UNIVALI, 2003. LÜDKE, Menga, ANDRÉ, Marli E. D. A. Pesquisa em Educação: Abordagens qualitativas. 6ª ed. São Paulo. EPU, p. 34, 1986. MINAYO, Maria Cecília de Souza. Pesquisa social: teoria, método e criatividade. 23 ed. Petrópolis, RJ: Vozes, p. 35, 2004. MOREIRA, Erika Vanessa; HESPANHOL, Rosângela Aparecida de Medeiros. O lugar como uma construção social. Revista Formação, São Paulo, v. 2, n. 14, pp. 48-60, 2007. MOREIRA, Vera Lúcia Barradas. Habitação de interesse social, uma arquitetura possível. 3º Seminário Internacional de Curitiba – Ateliês de Projeto Urbano, Universidade Positivo, Si CWB, 2010. MOURÃO, Ada Raquel Teixeira; CAVALCANTE, Sylvia. O processo de construção do lugar e da identidade dos moradores de uma cidade reinventada. Estudos de Psicologia, Universidade de Fortaleza, 11(2), pp. 143-151, 2006. OLIVEIRA, Elzira Lúcia de. Demanda futura por moradias no Brasil 2003-2023: uma abordagem demográfica. Elzira Lúcia de Oliveira, Gustavo Henrique Naves Givisiez, Eduardo Luiz Gonçalves Rios-Neto. Brasília: Ministério das Cidades, 2009. PALERMO, Carolina. Sustentabilidade social do habitar. Florianópolis: Ed. da autora, 2009. PIOVESAN, Flávia. Direitos humanos e o direito constitucional internacional. A constituição brasileira de 1988 e o processo de democratização no Brasil - a institucionalização dos direitos e garantias fundamentais. 10. ed. Cap. 3. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 21-39. PONTE, Alexandre Quintela; BOMFIM, Zulmira Áurea Cruz; PASCUAL, Jesus Garcia. Considerações teóricas sobre identidade de lugar à luz da abordagem histórico cultural. Psicologia Argumentativa, Curitiba, v. 27, n. 59, p. 345-354, out/dez, 2009. RECIFE. Prefeitura. Secretaria de Planejamento, Urbanismo e Meio Ambiente. Diretoria Geral de Urbanismo. Regiões Político-Administrativas do Recife, 2001. RECIFE. Prefeitura. Secretaria de Planejamento, Urbanismo e Meio Ambiente. Diretoria Geral de Urbanismo. Perfil Socioeconômico da RPA 3, 2002.

agosto/2011. dezembro/2009.Centro Tecnológico. Tese (Doutorado em Desenvolvimento Urbano) . Andréia. 3. A emparedada da Rua Nova. Prefácio de Lucilo Varejão Filho. Sustentabilidade social: requisitos para verificação em projetos de arquitetura de empreendimentos habitacionais. nº 3. Sociologia. Prefeitura. Tese (Doutorado em Planejamento Urbano e Regional) .85 RECIFE. SILVA. 2010. nº 4. TUAN. nº 1. São Paulo: DIFEL. Função social da propriedade rural: com destaque para a terra no Brasil contemporâneo. REVISTA BRASILEIRA DA HABITAÇÃO. Fundação de Cultura da Cidade do Recife. Brasília: FNSHDU.) – Brasília: Universidade de Brasília. p.Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional. Agamenon Magalhães e a BR-101. CHAVES. Ano 1. ABC. ABC.). Florianópolis . Valores culturais e possibilidades na produção do lugar entre a favela e o conjunto de apartamentos: o caso de Abençoada por Deus. George. VILELA. TEIXEIRA. Edinéa Alcântara. Secretaria de Planejamento. Rio de Janeiro. 2011. Recife. Faculdade de Arquitetura e Urbanismo. 2004. Tradução de Lívia de Oliveira. Brasília: FNSHDU. SILVA. V. C. Ed. Universidade Federal de Santa Catarina. 2010. Evaristo de Moraes Filho (org. Diretoria de Desenvolvimento Urbano e Ambiental. REVISTA BRASILEIRA DA HABITAÇÃO. C. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) . 109 f. ABC. Brasília: FNSHDU. 382 f. Urbanismo e Meio Ambiente. Análise das transformações recentes da margem esquerda do Capibaribe entre a Av. 252 f. TANAJURA. Ano 3. M. Políticas urbanas e regionais no Brasil. 1984 (Coleção Recife. Alessandra d’Ávila. Recife. Espaço e lugar: a perspectiva da experiência. In: Programas Nacionais de Habitação: Programas e Resultados / Rodrigo de Faria e Benny Schvarsberg (orgs. VIEIRA. Recife. J. Universidade Federal do Rio de Janeiro. 2011. Secretaria de Educação e Cultura. SAÚGO. Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Urbano. Ano 3. Grace Virgínia Ribeiro de Magalhães. Espaço projetado e espaço vivido na habitação social: os conjuntos Goiânia e Araguaia em Belo Horizonte. Recife: PCR. Maria Cristina Villefort. 1983. 31). dezembro/2011. 2011. REVISTA BRASILEIRA DA HABITAÇÃO.Centro de Comunicação e Artes / Departamento de Arquitetura e Urbanismo / Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Urbano. 2001. São Paulo: LTr. Universidade Federal Rural de Pernambuco. São Paulo: Ática. 2004. Yi-Fu. Mirna Quinderé Belmiro. 34. 2010. SIMMEL. 2000. .SC. 1983. Edinéa Alcântara. Solidariedade em comunidades de baixa renda: análise das práticas cotidianas e da relação com o lugar a partir do sistema da dádiva.

demonstram comunicação com o imóvel recebido. a qualquer tempo.86 APÊNDICES Apêndice A .Termo de Consentimento Livre e Esclarecido INFORMAÇÕES SOBRE A PESQUISA: Título Provisório do Projeto: “HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL: a comunicação do beneficiário com o objeto recebido na perspectiva da identidade construída com o lugar.” Pesquisador: Paulo Fernando Medeiros Epaminondas Orientadora: Prof. Esclarecimentos adicionais: a participação de cada um dos sujeitos na pesquisa poderá durar aproximadamente 60 minutos. apagadas. nem lhes trará benefícios diretos. Para isso. concordo em participar do estudo “HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL: a comunicação do beneficiário com o objeto recebido na perspectiva da identidade construída com o lugar. em Recife/PE. abaixo assinado. Também poderão ser tiradas fotos. Dra. Local e data: Recife. também. em seguida. casos os moradores concordem. .”. no Bairro de Monteiro. se os beneficiários se identificam satisfatoriamente com a nova forma de morar. como sujeito. ____/____/2012 Assinatura do sujeito:__________________________________________________________ Elaboração: adaptado de modelos disponíveis na web. O sujeito poderá se recusar a participar do estudo ou retirar seu consentimento a qualquer momento. Os resultados da pesquisa serão incluídos no Trabalho de Conclusão de Curso (Monografia) do pesquisador. tempo necessário para a realização da entrevista. sob o olhar de famílias reassentadas da Comunidade Vila Esperança no bairro de Monteiro. A pesquisa não gerará qualquer gasto ou ganho financeiro para aqueles que dela participarem. seu andamento e suas conclusões. As entrevistas serão gravadas. As respostas serão analisadas e a identidade dos participantes identificada através do seu 1º nome. sob o olhar de famílias reassentadas da Comunidade Vila Esperança no bairro de Monteiro. sem precisar justificar e sem sofrer quaisquer prejuízos. em Recife/PE. sem a necessidade de justificar ou sem que isso me traga qualquer prejuízo. caso o sujeito entrevistado concorde. 2012. ________________________________________________ RG nº _________________. entrando em contato com o pesquisador através dos telefones (81) 8673-4287 / 3039-0253 / 3202-9383. Ele também poderá solicitar. esclarecimentos sobre o estudo. 30 de abril de 2012 Paulo Fernando Medeiros Epaminondas CONSENTIMENTO DA PARTICIPAÇÃO DA PESSOA COMO SUJEITO Eu. que será submetido à Banca Examinadora da Coordenação do Curso de Bacharelado em Ciências Sociais da Universidade Federal Rural de Pernambuco. Foi-me. se coloca como necessária a aplicação de roteiros de entrevista individuais com os moradores dessa Comunidade. os procedimentos nela envolvidos. transcritas e. Fui devidamente informado e esclarecido sobre a pesquisa. garantido que posso retirar o meu consentimento a qualquer momento. Recife. assim como os objetivos decorrentes de minha participação. em Recife/PE. Rita de Cássia Alcântara Domingues da Silva Telefones para contato: (81) 8673-4287 / 3039-0253 / 3202-9383 Detalhamento inicial: o trabalho tem por objetivo analisar se o os beneficiários do apartamento em prédio tipo caixão entregue às 16 famílias da Comunidade Vila Esperança em julho de 2011.

Informações gerais 1. REASSENTAMENTO a) ______________________ b) ______________________ c) _____________________ 16. Frequência dos moradores/vizinhos/amigos se reunirem: . O que faz para ganhar dinheiro: ___________________________________________ 4. IDENTIDADE a) ______________________ b) ______________________ c) _____________________ 12.Explicar o porquê da entrevista: a monografia como estudo individual e o objetivo da pesquisa. SEÇÃO A . Relação de vizinhança na moradia atual Solidária ( ) Com conflito ( ) Cada um na sua ( ) 19. MORADIA ANTERIOR a) ______________________ b) ______________________ c) _____________________ 9. CASA a) ______________________ b) ______________________ c) _____________________ 10. MORADIA ATUAL a) ______________________ b) ______________________ c) _____________________ SEÇÃO C .1 Tem filiação com algum partido político? Sim ( ) Qual?: ____________ Não ( ) SEÇÃO B . Possui algum envolvimento político? Sim ( ) Como se dá esse envolvimento?: Não ( ) 7. Participa de alguma organização comunitária? Sim ( ) Qual?: ___________ Não ( ) 7. Quanto ganhava/mês antes: R$ __________ Quanto ganha/mês hoje: R$ ___________ 5. Deixar claro que a ajuda e a opinião do entrevistado é fundamental para o estudo no entendimento da consideração que o Programa Capibaribe Melhor deu à comunicação do beneficiário com o objeto recebido na perspectiva da identidade construída com o lugar.Processo de mudança e comparação do antes com o depois 17.Roteiro de Entrevista Individual (Moradores) APRESENTAÇÃO . VIZINHOS a) ______________________ b) ______________________ c) _____________________ 13. Qual a sua religião? Evangélica ( ) Católica ( ) Espírita ( ) Candomblé ( ) Umbanda ( ) Apenas creio em Deus ( ) Não acredito em Deus ( ) 6.87 Apêndice B . LUGAR a) ______________________ b) ______________________ c) _____________________ 15. Até que série estudou / estuda: ____________________________________________ 3. Morador(a): ______________ Apartamento: ________ Idade: ____ Sexo ( ) M ( ) F 2. COMUNIDADE a) ______________________ b) ______________________ c) _____________________ 14. Relação de vizinhança na moradia de antes Solidária ( ) Com conflito ( ) Cada um na sua ( ) 18.Associando conceitos: 3 palavras que mais vem à mente quando eu falo 8. HABITAÇÃO SOCIAL a) ______________________ b) ______________________ c) _____________________ 11.

que utilizavam antes e que utilizam agora? Sim ( ) Não ( ) 21. Em caso afirmativo. Se houve mudança significativa. O que GOSTAVA de morar lá? 49. etc. 37. SEÇÃO D . do seu próprio espaço? 47. A forma de ganhar dinheiro precisou mudar por conta da nova moradia? Sim ( ) Não ( ) 28. O lugar escolhido atendeu às expectativas de vocês? Sim ( ) Não ( ) Por quê? _____________________________________________________________________. Está/Estava preparado para os gastos que a nova moradia trouxe? Sim ( ) Não ( ) 25. era melhor atendido em qual realidade? Antes ( ) Atualmente ( ) 22. O que marcou sua moradia no lugar de antes? 43. Fez novas amizades depois de ter vindo morar aqui? Sim ( ) Não ( ) 34. Você se sente satisfeito. 23. Ao pensar na expressão “sentir-se BEM”. Houve mudança significativa em relação a escolas. Quantos dos antigos vizinhos moram neste prédio? ___________________________.Investigando a identidade 38. A Prefeitura empreendeu algum tipo de trabalho social ou capacitação profissional para vocês? Sim ( ) Qual? _________________________________________________ Não ( ) 30. transporte. Como foi ou tem sido se incluir nessa nova realidade. 39. O que NÃO GOSTA de morar aqui? .88 Não mudou ( ) Reunem-se mais ( ) Reunem-se menos ( ) 20. pertencido em relação ao apartamento que recebeu? 46. Algo marca sua moradira no lugar de agora? 44. em relação a onde morava antes e agora que mora aqui? 36. 24. O que tinha lá que deveria ter aqui? 41. 45. o que faz pra ganhar a vida hoje? _____________________________________________________________________. ela remete mais a moradia: Anterior ( ) Atual ( ) 48. postos de saúde. Você se considera mais pertencido à qual moradia? Anterior ( ) Atual ( ). 31. dono ou dona de sua própria casa. essa atividade continua sendo desenvolvida? Sim ( ) Não ( ) 27. O que mudou na Sua Vida. deu resultado? Sim ( ) Não ( ) Por quê? ___________________________. 29. Como é a moradia atual: Nº cômodos: _____ Rede elétrica ( ) Esgoto ( ) Água ( ) Outro: _____________. O que ainda falta ter aqui para ser completo? 42. A quantidade de pessoas que moravam antes: É a mesma ( ) Aumentou ( ) Diminuiu ( ) 33. O que ganhou/perdeu depois de Estar aqui? Ganhei: ___________________________ Perdi: ____________________________. Como era a moradia antiga: Nº cômodos: _____ Rede elétrica ( ) Esgoto ( ) Água ( ) Outro: _____________. Há quantos anos vivia na moradia anterior? _________. Desenvolvia atividade comercial em casa na antiga moradia? Sim ( ) Qual? ________________ Não ( ) 26. supermercados. 35. Se sim. creches. Em caso afirmativo. Sentirá saudade da moradia de antes? Sim ( ) De quê? ________________ Não ( ) 40. Esse trabalho cumpriu de verdade com o seu papel ou fez de conta? Cumpriu ( ) Fez de conta ( ) 32.

2011. teria tido o mesmo envolvimento? Sim ( ) Não ( ) 56. Se fosse pensar no cuidado em relação ao lugar (individual e coletivo). 51.89 50. 57. onde pode ser visto mais cuidado? Na realidade de antes ( ) Na realidade atual ( ) 54. Quem mais se envolve no cuidado com o lugar? Homens ( ) Mulheres ( ) Crianças ( ) Adolescentes ( ) Todos ( ) Quem pode ( ) 53. Quais os seus planos e desejos para o futuro? Local e data: Recife. Acredita que algum vizinho venderia sua nova moradia? Sim ( ) Por qual motivo? _____________________________________________________________ Não ( ) 60. O sentimento de COMUNIDADE continua aqui na moradia do prédio ou só existia no lugar de antes? Continua ( ) Só existia lá ( ) Por quê? _______________________. Como os moradores cuidam do lugar? Multirão ( ) Cada um cuida do seu ( ) Cada um ou cada grupo tem um dia ( ) 52. Se soubesse que o processo de aquisição dessa moradia teria sido como foi. ____/____/2012 Elaboração: modelo adaptado de SILVA. Coletivamente. Pretende ampliar ou melhorar a nova moradia com o tempo? Sim ( ) Não ( ) 58. Faria do mesmo jeito? Sim ( ) Não ( ) Por quê? ___________________________. Venderia a sua nova moradia? Sim ( ) Não ( ) Por quê?______________________. . existe na moradia atual alguma atividade para o cuidado com o lugar? Sim ( ) Qual(is)? ______________________________________________ Não ( ) 55. 59.

90 Apêndice C . caso existam Primeiros moradores: __________________________________________________________________. 3. 2.Roteiro de Entrevista Individual (Líder Comunitário) APRESENTAÇÃO . Houve trabalho social ou capacitação profissional por parte da Prefeitura? Sim ( ) Não ( ) 7. Qual é a história da Comunidade Vila Esperança? Início e o porquê da ocupação Aspectos históricos e culturais. Número atual de moradores: ______. Houve a organização de alguma comissão de acompanhamento social das obras? Sim ( ) Não ( ) 9.Explicar o porquê da entrevista: a monografia como estudo individual e o objetivo da pesquisa. A casa ficará em nome de quem? ( ) Marido ( ) Mulher 6. Formas de crescimento e produção do espaço/acesso Principais avenidas: __________________________________________________________________. Ruas da comunidade: __________________________________________________________________. O lugar escolhido pela Prefeitura para a construção do Habitacional Vila Esperança atendeu às expectativas da Comunidade? Sim ( ) Não ( ) 5. Correio ( ) Creche(s) __________________________________________________________________. Foi realizada assembleia para apresentação do plano de execução de obras para a população situada na área do projeto? Sim ( ) Não ( ) . Houve a instalação de Escritório Social para suporte às famílias reassentadas? Sim ( ) Não ( ) 8. Escola(s) __________________________________________________________________. Apenas quem está nessa área será reassentado ou famílias de outras áreas também serão? 4. Deixar claro que a ajuda e a opinião do entrevistado é fundamental para o estudo no entendimento da consideração que o Programa Capibaribe Melhor deu à comunicação do beneficiário com o objeto recebido na perspectiva da identidade construída com o lugar. Jardins: __________________________________________________________________. 1. Postos de saúde: __________________________________________________________________.

Como se deu ou como está se dando até o momento a participação da comunidade nesse processo de mudança? 19. Quantas visitas de acompanhamento foram realizadas pela Prefeitura desde julho/2011? 13. Quais critérios nortearam esse 1º reassentamento? Sociais ( ) Políticos ( ) 15. Algum encaminhamento do auxílio moradia para quem ainda será reassentado foi realizado? 20. para o caso de os reclamos não serem resolvidos pelo Plantão Social ou pelas Visitas Domiciliares? 12. A Prefeitura arcou com os custos de mudança para o novo prédio? 17. Há famílias cadastradas que já possuem moradia própria ou outras situações a serem mencionadas? . a empresa de consultoria contratada e responsável pelas atividades do Plano de Reassentamento e a Unidade de Gestão do Projeto? 11. Como foi o processo de remoção das 16 famílias para o prédio? 16. Como se deu a escolha das famílias? Aleatória ( ) Sorteio ( ) Para quem mais precisou ( ) 14.91 10. A comunidade foi informada sobre a possibilidade de contato com o Ministério Público ou outros (instâncias internas). Foi realizada reunião com as lideranças comunitárias para informar sobre algum Plantão Social ou sobre as Visitas Domiciliares (instâncias internas). que seriam os canais de comunicação entre as famílias reassentadas. Houve consulta sobre o desejo de reassentamento das famílias? Sim ( ) Não ( ) 18.

Elementos que não identificam Ausência de muro (insegurança). . Frente do prédio não concluída. Isolação (apartamento um em cima do outro). Ausência de escritório social. Não ter a “posse da terra”. Apenas moradores da Comunidade Vila Esperança no habitacional.92 Apêndice D . Contraste radical com a realidade anterior.Elementos de Identificação e de Não Identificação Elementos que identificam Permanência no local. Ausência de área de lazer para criança. Ausência de praça (área de convivência).

2011.93 Apêndice E .Síntese das Categorias de Entrevistados Técnica Utilizada Entrevistado Famílias reassentadas Líder Comunitário Total de famílias entrevistadas Líder 1 7 Morador 15 Entrevista Pesquisa Exploratória Elaboração: modelo adaptado de SILVA. .

379 9. Governo Estadual Governo Estadual.20 Nordeste Habitacional Vila Esperança 224 40 Sul Projeto Habitacional e Socioambiental Curitiba/PR Projeto Sindoméstico Salvador/BA Residencial Nova Chocolatão Porto Alegre/RS Conjunto Cidadão II Manaus/AM Projeto Casa Quilombola Campo Grande/MS Manaus/AM Programa Lares Geares Habitação Popular .Curitiba/PR Projeto Maciço do Morro da Cruz . FNHIS Governo Estadual. CAIXA PAC Governo Estadual. 2011/ 2012 40. União e Prefeituras Governo Estadual.562 24 1.Campo Grande/MS 2011 430 38.18 / 59. Sedur . Agentes Financeiros Privados Região Sul Sul Sudeste Nordeste Sudeste Sul Iniciativa Programa Morar Bem Paraná . Programa Capibaribe Melhor. CAIXA Governo Estadual.000 5. CAIXA Prefeituras.. PAC2 União/PAC.406 Fonte: Revista Brasileira da Habitação. PSH.Florianópolis/SC Programa Serra do Mar São Paulo/SP Projeto Rio Maranguapinho Fortaleza/CE Projeto Barretos . União/Ministério do Planejamento União/PAC. Município Governo do Estado.895 31. PAC Drenagem.94 Apêndice F ..Secretaria de Desenvolvimento Urbano Município/Demhab. BIRD. . União PAC2 União.Porto Alegre/RS Ano 2012 2011/ 2012 2012 2011 2011 200 9/ .476 Origem do Recurso Governo Estadual. CAIXA.000 5.São Paulo/SP Conjunto Habitacional Porto Novo . 2012.16 Nordeste 2011 55 35 35 32 33. CAIXA Prefeitura/Demhab Prefeitura/Fundo Municipal do Prezeis. CAIXA. Governo Estadual.422 86 1.O Metro Quadrado Construído Determinado pela Origem de Recurso por Região Brasileira Metro Quadrado Construído 52 50 48 / 59 45 43. Elaboração: o próprio autor.Ouro Preto/MG Lar dos Hansenianos Manaus/AM Residencial Boa Vista Chapadão do Sul .10 34.97 42 Total de Habitações Contratadas 100. 2009/2011.35 35 35 Sul Norte CentroOeste Norte Sudeste Norte CentroOeste 2011 2011 2011 2012 2012 2012 2011 181 800 300 8.

95 ANEXOS Anexo A . .Primeira publicação referente ao habitacional no bairro de Monteiro Fonte: Jornal do Commercio (Caderno Cidades). de 08/07/2011.

Localização do bairro de Monteiro (satélite) Fonte: Google Maps .96 Anexo B .Localização do bairro de Monteiro (mapa) Fonte: Google Maps . .©2012 Google. Anexo C .©2012 Google.

. 2012.97 Anexo D .Parte detrás do prédio Fonte: acervo particular do autor. 2012. Anexo E .Placa de construção do empreendimento Fonte: acervo particular do autor.

98 Anexo F . 2012. .Corredor de acesso para a entrada do prédio Fonte: acervo particular do autor.

.99 Anexo G .Entrada do prédio Fonte: acervo particular do autor. 2012.

2012. Anexo I .Corredor térreo de acesso Fonte: acervo particular do autor. 2012.Área lateral Fonte: acervo particular do autor. .100 Anexo H .

Anexo J . 2012. 2012.Escadaria (ausência de corrimões e de fitas antiderrapantes) Fonte: acervo particular do autor.101 Anexo J .Registro de água aparente Fonte: acervo particular do autor. .

102 Anexo K . 2012.Jardim criado e mantido por alguns moradores Fonte: acervo particular do autor. Anexo L .Bicicletário e área para a guarda de objetos diversos Fonte: acervo particular do autor. . 2012.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful