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1.

Com Jesus a caminho da Páscoa

Introdução:
Não nos enganemos; comecemos com uma certeza: os caminhos de Páscoa são os caminhos que
conduzem a Jerusalém, o mesmo é dizer, que conduzem à Cruz, ao Gólgota. Assim, não há Páscoa,
ressurreição, júbilo, felicidade, sem a experiência do mistério do sofrimento, da solidariedade, da
dor, da morte.

Caminho de Jesus
Lucas no seu evangelho, no capítulo 9, indica-nos que Jesus, estando próximos os dias de ser levado
deste mundo, “dirigiu-se resolutamente para Jerusalém” (v. 51). Antes, no mesmo capítulo,
anunciou duas vezes a sua paixão (v. 21-22 e 44) separadas por algumas condições para quem o
quiser seguir (v. 23-27), pela transfiguração (v. 28-36) e pela cura de um Epiléptico (v. 37-43).
Creio que podemos afirmar que se é verdade que “o Filho do Homem” deve sofrer, ser condenado e
morrer, não será menos verdade que essa “paixão” e morte será atravessada pela Glória, pela cura e
salvação, não só para Ele, Jesus, mas para todos aqueles que, na estrada de Jerusalém, o seguirem
sem medo, testemunhando a sua fidelidade.
É nesse sentido também, que Marcos (10, 46-52) afirma que o cego de Jericó, uma vez curado por
Jesus, a caminho de Jerusalém, “seguiu Jesus pelo caminho”. Seguir Jesus “pelo caminho”, é a
única maneira de chegar a Jerusalém, de participar no banquete pascal, na ressurreição.

SENHOR, QUE EU VEJA: Mc. 10, 46-52 (Lc. 18, 35-43)

1. Cego Bartimeu
Filho de Timeu. Pessoa bem conhecida da comunidade cristã: Um de nós.

2. Sentado à beira do caminho, mendigando


O cego está fora do caminho de Jesus; está sentado, imóvel, não vê diante dele (contraste com Jesus
e o grupo).
Certas situações que nos bloqueiam e impedem de ver horizontes mais largos.
O pecado, o desânimo, a desconfiança, impedem de avançar. Mais, põem-nos fora da estrada de
Jesus.
A mendicidade é falta de dignidade da pessoa humana. Deus não quer os seus filhos a mendigar,
fora do seu caminho. O filho pródigo que poderia ter tanto, mendiga.

3. Percebeu que era Jesus que passava


Adão ao aperceber-se dos passos de Yavé, esconde-se. Bartimeu grita: tem compaixão de mim.
Nada está perdido. Mesmo fora da estrada, há sempre Jesus que passa.

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4. Muitos repreendiam-no para que se calasse
Às vezes, o grupo impede, põe obstáculos, desvia, desencoraja

5. Chamai-o
Jesus está atento. Deus ouve o clamor do seu povo (ex 3), o grito do aflito (Sl 27 e outros). Eu sou
um Deus fiel e não há outro.

6. Chamaram o cego dizendo-lhe: coragem! Ele te chama. Levanta-te!


A comunidade é dom para eu sair da minha cegueira.
Quando estou sozinho parece-me de amar todo o mundo…quando estou com os outros apercebo-me
de quanto é difícil amar.

7. Deixando a sua capa


Símbolo da sua falsa imagem, com a qual pretendia cobrir tudo.
Essa segunda imagem que implica perda de identidade. Dicotomia que cria insatisfação. Tensão
permanente que se gera dentro de mim mesmo.
A cultura da imagem que cria insegurança pela falta de identidade.
Os ídolos, têm boca mas não falam, olhos mas não vêem (Sal. 115; 11,38).

8. Que queres que te faça?


Pergunta retórica. Jesus sabia bem o que era necessário, mas será que o cego sabia o que queria?
Seja ele a pedir, a manifestar o que quer.

9. Rabbunni: que eu veja!


Rabbunni: meu Mestre! Que possa ver novamente!
O que pedimos habitualmente a Jesus? O que precisamos de pedir hoje?

10. A caminho de Damasco


Paulo, embora tivesse os olhos abertos não via nada.
Pensava conhecer tudo, ver tudo, mas não via a verdade.
Só deixando-se guiar (companheiros e Ananias) conseguiu que este encontro com o ressuscitado lhe
proporcionasse ver em plenitude e segue Jesus.

11. A caminho de Africa


A leitura do livros “os mártires do Japão”, o encontro com o missionário Angelo Vinco, as palavras
de confirmação da sua vocação, da parte do P. Marani ajudam Comboni a ver a vontade de Deus a
seu respeito.
A grande preocupação de Comboni durante a sua vida foi fazer a vontade de Deus. Por isso ele a
procurava cada momento e se confiava plenamente nas mãos de Jesus e de Maria.

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12. Recuperou a vista e seguia-O no caminho
O que estava fora do caminho, entra no caminho
Deitou fora a capa, foi ao encontro, pediu, viu, caminha agora.
Torna-se símbolo dos Apóstolos que conseguem ver em Jesus, o Servo Sofredor, o Filho de Deus,
Salvador. E, por isso, estão decididos a segui-Lo para Jerusalém. Dispostos a morrer com Ele e por
Ele.
Paulo: Como o cego também Paulo, uma vez recuperada a vista, se põe no caminho com Jesus e o
anuncia. Ai de mim se não evangelizar. Não é uma glória é uma missão que me foi confiada (1Cor
9, 16-17)

13. Jesus dá a vista através da Igreja


a. Reconciliação
b. Acompanhamento Espiritual
c. Exame de consciência

14. Vem, sê a minha luz


Quem foi iluminado por Jesus está chamado a levar a sua luz aos que estão na escuridão. Como
Madre Teresa de Calcutá, como Comboni: quis levar a luz da fé aos africanos (MDC 113; 49; 64)

15. Para Oração comunitária


• Começamos rezando o salmo 25 (24) – silêncio para releitura e assimilação
• Relemos Mc. 10, 46-52 – reflexão e oração silenciosa ajudada por algumas perguntas?
• No caminho onde passa Jesus, onde estás tu? Será que Jesus passa também sem te ver?
• Qual é a tua capa, aquilo que tens de deixar para te aproximar de Jesus?
• Tens vontade de gritar a Jesus? O quê? O precisas de lhe pedir? O que queres ver? Para que
queres ver?
• Reza uma oração pedindo a Jesus que te conceda de ver hoje, neste retiro uma graça dele, o
que mais necessitas.
• Oração espontânea
• Conclusão: Caminho de Fé

1/ O Caminho de discípulo é, sem dúvida para nós, toda a nossa vida. Mas de modo muito
particular, cada ano, somos convidados a percorrê-lo em cada quaresma. Como os discípulos, ou
como o cego curado, o nosso caminho é com Jesus. Quaresma, é este caminho que se apresenta
diante de cada um, em que Jesus nos lembra as condições para o seguirmos.
Vale a pena lembrá-las, porque se resumem em duas: 1) Negar-se a si mesmo, tomar a sua cruz e
segui-lo. 2) Não se envergonhar dele e das suas palavras.
O primeiro é do âmbito das atitudes profundas da vida, de fé. Confiar nele e não em si mesmo,
entregar-se completamente a ele. Tomar consigo toda a sua vida (cruz) e segui-lo. Não só uma parte,

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não só por um momento, mas sempre e com tudo o que faz parte da minha vida: alegrias, tristezas,
dúvidas e esperanças, desejos e fracassos, sonhos e ilusões, derrotas e vitórias, mas sobretudo com a
firme decisão de ir até ao fim.

2/ O segundo é do âmbito do testemunho. Serei eu daqueles que dizem ao cego para se calar e não
importunar o mestre (Mc 10,48), ou dos que o encorajam a levantar-se para ir ter com Jesus (Mc 10,
49)? Serei daqueles que pedem o fogo do céu sobre os que o não aceitam (Lc 9, 54), ou mensageiro
de Jesus que vai á sua frente a preparar o caminho (Lc 9, 52)? Ou ainda serei daqueles que o não
recebem porque vai para Jerusalém (Lc 9, 53) ou me ponho a caminho com Ele como o cego curado
(Mc 10, 52)?
Temos muito por onde escolher. E a nossa Páscoa depende em muito da nossa escolha. O que não
podemos é ser pára-quedistas da Páscoa. Isto é, querer viver a Páscoa sem fazer o caminho.
Não é isto que muitos “cristãos” procuram? Diria mais, o que muitos de nós, procuramos?
Quem me dera não ter que fazer isto ou aquilo, porquê assim e não diferente, porquê a dor? Porquê
a cruz? PORQUÊ O AMOR?

3/ A Quaresma é o caminho da purificação; o caminho onde todas as questões, todas as dúvidas


encontram resposta, se forem vividas no caminho de e com Jesus. Porque esse é o caminho de
Páscoa. O caminho onde deito fora a capa que me impede de caminhar, onde atiro para longe as
muletas da preguiça, violência, egoísmo… onde opto incondicionalmente por Jesus e pela sua
palavra, onde testemunho “as razões da minha esperança”, onde me levanto cada vez que caio,
porque Ele me diz: “vai, a tua fé te salvou” (Mc 10, 52).

• Terminamos rezando a oração de Sto Inácio:


Tomai, Senhor, e recebei
toda a minha liberdade,
a minha memória,
o meu entendimento
e toda a minha vontade,
tudo o que tenho e possuo;
Vós mo destes;
a Vós, Senhor, o restituo.
Tudo é vosso,
disponde de tudo,
à vossa inteira vontade.
Dai-me o vosso amor e graça,
que esta me basta.

• Cântico: um cântico de luz, visão, fé, credo,…


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Mc 10, 46-52

46 Chegaram a Jericó. Quando Jesus saía de Jericó com os discípulos e numerosa multidão, um
cego estava sentado à beira do caminho pedindo esmolas. Era Bartimeu, o filho de Timeu. 47 Ao
saber que era Jesus de Nazaré, começou a gritar: “Jesus, filho de David, tem piedade de mim!”
48 Muitos o repreendiam para que se calasse mas ele gritava ainda mais alto: “Jesus, filho de
David, tem piedade de mim!”49 Jesus parou e disse: “Chamai-o!”Eles chamaram o cego,
dizendo-lhe: “Coragem! Levanta-te que ele te chama”. 50 Jogando para o lado o manto,
levantou-se de um pulo e foi até Jesus. 51 Tomando a palavra, Jesus lhe perguntou: “O que
queres que te faça?” O cego respondeu: “Mestre, eu quero ver de novo!”52 E Jesus lhe disse:
“Vai, tua fé te curou!” No mesmo instante ele começou a ver de novo e se pôs a segui-lo pelo
caminho.

Lc 18, 35-43

35 Quando Jesus se aproximava de Jericó, havia um cego sentado à beira do caminho, pedindo
esmolas. 36 Ouvindo a multidão que passava, perguntou o que era. 37 Responderam-lhe: “É
Jesus de Nazaré que passa”. 38 Ele pôs-se a gritar, dizendo: “Jesus, filho de David, tem piedade
de mim”.z 39 Os que iam à frente repreendiam-no e mandavam que se calasse. Mas ele gritava
cada vez mais forte: “Filho de David, tem piedade de mim”. 40 Jesus parou e ordenou que
trouxessem o cego até ele. Quando o cego se aproximou, perguntou-lhe: 41 “O que queres que te
faça?”Ele respondeu: “Senhor, eu quero ver de novo”. 42 Jesus lhe disse: “Vê! tua fé te curou”.
43 Imediatamente ele começou a ver de novo e o seguia, glorificando a Deus. E o povo todo, que
presenciou isso, louvava a Deus.