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Universidade Federal de Pernambuco CCEN – Departamento de Física Física Experimental L2/ Instrumentação p/ Ensino

Universidade Federal de Pernambuco CCEN – Departamento de Física

Física Experimental L2/ Instrumentação p/ Ensino 2 1 o SEMESTRE 2012

Prática 3 – Princípio de Arquimedes e Lei de Stokes

3.1 - Objetivos

Aplicar o princípio de Arquimedes para determinar a densidade da glicerina; utilizar a lei de Stokes juntamente com o princípio de Arquimedes para determinar o coeficiente de viscosidade da glicerina.

3.2 - Introdução Teórica

3.2.1- Princípio de Arquimedes: Empuxo

Quando um corpo é total ou parcialmente mergulhado em fluido (líquido ou gasoso), fica sujeito à pressão exercida pelo fluido sobre todos os pontos de sua superfície que estão em contato com o fluido. A pressão exercida pelo fluido sobre um determinado ponto imerso do corpo, depende da altura da coluna de fluido que atua nesse ponto. Portanto, a pressão é maior nas partes do corpo que estão mais profundamente imersas. A resultante das forças exercidas pelo fluido sobre todos os pontos imersos do corpo em repouso é dirigida verticalmente para cima, e é denominada empuxo. Esse fato experimental é conhecido como princípio de Arquimedes, e enunciado da seguinte maneira:

“Todo corpo total ou parcialmente imerso em um fluido, recebe deste um empuxo vertical, dirigido de baixo para cima, de módulo igual ao peso do volume de fluido deslocado pelo corpo”.

Isto significa que um corpo de volume V totalmente imerso em fluido, recebe um empuxo cuja intensidade é dada por:

E

= m f g = (ρ f V).g (1)

onde m f é a massa do fluido deslocado, ρf é a massa específica (densidade absoluta ou densidade) do fluido, e g é o valor local da aceleração da gravidade. Veja a figura (1) abaixo.

da aceleração da gravidade. Veja a figura (1) abaixo. Figura (1): Um corpo de volume V

Figura (1): Um corpo de volume V (a) totalmente ou (b) parcialmente imerso em um fluido de densidade ρf, recebe um empuxo de intensidade igual ao peso do fluido deslocado, E = ρfVg. Note que, em ambos os casos, o corpo está em equilíbrio, de modo que o empuxo é igual ao peso do corpo (E = P).

A densidade ρ de um corpo é uma medida que só pode ser realizada indiretamente. É necessário medir a massa m e o volume V do corpo para, após o cálculo do quociente:

ρ f = m/V (2)

De outra maneira, a densidade de um fluido ρf pode ser medida utilizando o princípio de Arquimedes. Mergulhando o corpo suspenso por uma mola de constante elástica k, completamente, no interior de um fluido de densidade ρf, há uma elongação X da mola em relação a sua posição de

equilíbrio. Note que, devido ao empuxo esse comprimento X deve ser menor do que se o corpo estivesse suspenso no ar. Para esse sistema em equilíbrio temos a seguinte relação,

F = k.X = P - E = M g - ρ f V f g

(3)

onde F é a força exercida pela mola, P é o peso do corpo e V f é o volume do fluido deslocado. Veja a figura (2).

V f é o volume do fluido deslocado. Veja a figura (2). Figura 2 – Diagrama

Figura 2 – Diagrama de forças atuando no corpo de massa M.

Note que, se conhecermos k, X, M, V f e g, podemos determinar a densidade do fluido ρ f .

3.2.2- Viscosidade: Lei de Stokes

O movimento de um corpo em um meio viscoso é influenciado pela ação de uma força viscosa, F v ,

proporcional à velocidade, v, e definida pela relação F v = bv, conhecida como lei de Stokes. Essa força

viscosa é devido ao atrito interno, isto é, das forças de coesão entre moléculas relativamente juntas. No caso de esferas em velocidades baixas, a força viscosa F v é dada por:

F v = 6πηrv

(4)

Sendo r o raio da esfera, η o coeficiente de viscosidade do fluido e v a velocidade da esfera em relação a esse fluido. Se uma esfera de densidade maior que a de um líquido for abandonada na superfície dele

a partir do repouso, a força resultante sobre a esfera produz uma aceleração de forma que sua

velocidade vai aumentando não uniformemente. Porém, verifica-se que após um certo tempo a velocidade atinge um valor limite que ocorre quando a força resultante for nula. As três forças que atuam sobre a esfera estão representadas na Figura 3 e são, além da força viscosa F v , o peso P da

esfera e o empuxo E. Igualando a resultante dessas três forças a zero, obtem-se a velocidade limite, v L :

v L = (2/9).[(ρ e ρ f )/η].g.r 2

(5)

onde ρ e e ρ f são as densidades da esfera e do fluido, respectivamente, e g é a aceleração da gravidade

(9,78 m/s 2 ).

e g é a aceleração da gravidade (9,78 m/s 2 ). Figura 3 . Forças que

Figura 3. Forças que atuam numa esfera num fluido viscoso.

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Física Experimental L2/ Instrumentação p/ Ensino 2 1 o SEMESTRE 2012

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Roteiro do Experimento 3 Princípio de Arquimedes e Lei de Stokes

3.1 Introdução

A preparação antes de vir ao laboratório, a maneira de proceder dentro do laboratório e forma de

execução dos experimentos são apresentadas no Plano de Ensino da disciplina para 2011.1. Os alunos devem lê-lo integralmente; em especial, os alunos que nunca frequentaram um ambiente de laboratório. As folhas em branco com uma moldura, no final deste documento, fazem o papel do caderno de laboratório, e podem ser usadas para as anotações. No relatório final devem constar as operações necessárias para a obtenção das respostas solicitadas em termos de tabelas, gráficos, cálculos, diagramas, esquemas, etc. Respostas sem o procedimento utilizado para obtê-las não serão consideradas. A pontuação de cada questão está destacada (em vermelho) em cada item ou tabela.

3.2 Objetivos gerais

Aplicar o princípio de Arquimedes para determinar a densidade da glicerina; utilizar a lei de Stokes e o princípio de Arquimedes para determinar o coeficiente de viscosidade da glicerina.

3.3 Introdução teórica

O aluno deve ter estudado os conteúdos do Capítulo 3 – Princípio de Arquimedes e Lei de Stokes,

do Roteiro do Experimento 3. O aluno deve trazer o Roteiro do Experimento 3. Este material está disponibilizado no sítio da disciplina e nas copiadoras localizadas próximas à cantina.

3.4 Material utilizado

Uma mola, arruelas, um suporte de madeira, trena, proveta de 1000 ml graduada, bolas de vidro e plástico, cronômetro e glicerina.

Observações:

Todo instrumento de medida é delicado. Deve-se sempre manuseá-lo de maneira adequada, com muito

cuidado para não danificá-lo. Nesta prática, estaremos manuseando vidros e os cuidados devem ser redobrados. A glicerina utilizada será reaproveitada e deve-se ter cuidado para não desperdiça-la.

O material disponibilizado nas bancadas é de responsabilidade dos alunos que a ocupam. Ao final de

cada experimento, o material deve ser arrumado sobre a bancada. Todo e qualquer material que for extraviado ou danificado deverá ser reposto pelos integrantes da equipe de estudantes responsável por ele. As bancadas serão inspecionadas depois de cada experimento.

O professor deve orientar os estudantes no manuseio adequado dos líquidos e vidrarias utilizadas.

3.5 Procedimento experimental

1º experimento: Determinação da densidade da glicerina utilizando o princípio de Arquimedes.

Neste primeiro experimento iremos obter a densidade da glicerina utilizando um sistema massa- mola imerso nesse líquido. Utilizando o princípio de Arquimedes iremos relacionar a densidade do líquido com as grandezas físicas do sistema, tais como: constante elástica da mola, elongação da mola, massa e volume das arruelas e aceleração da gravidade.

Descrição do experimento: O equipamento utilizado neste experimento é uma mola suspensa verticalmente em um suporte fixo. Prendemos um corpo à extremidade livre da mola, no ar, para determinar a sua constante elástica. Em seguida, deve-se mergulhar totalmente o corpo em glicerina, ainda preso à mola. Nesta última situação será determinada a densidade da glicerina.

Meça a massa M de 12 arruelas pequenas (ou 3 arruelas grandes), todas de uma só vez.

Meça, com um paquímetro, a altura H do cilindro formado pelo conjunto de arruelas. Além disso, meça o diâmetro interno D i e D e externo das arruelas.

Meça o comprimento de repouso x 0 da mola.

 Meça o comprimento de repouso x 0 da mola. Figura 1: Um corpo de massa

Figura 1: Um corpo de massa M e volume V é suspenso por uma mola de constante elástica k, (a) no ar, e (b) totalmente imerso em um fluido de densidade ρ f . Note que F 2 é o peso aparente do corpo.

a) Ao ar livre, prenda uma extremidade da mola no suporte de madeira e na outra extremidade dela fixe as 12 arruelas (ver Figura 1a). Meça o comprimento x 1 e anote na tabela 1. Observação: Realize pelo menos duas medidas para confirmar que você não cometeu um erro grosseiro.

b) Agora, insira o sistema massa-mola na glicerina, de forma que as arruelas fiquem completamente submersas, e meça o comprimento x 2 da mola (ver Figura 1b). Anote esse valor na tabela 1. Note que x 2 < x 1 , pois nessa situação há o empuxo sobre as arruelas.

Tabela 1: Medidas da massa, diâmetros interno e externo, comprimento de repouso e elongações.

M ± ΔM(g)

H ± ΔH(cm)

D i ± ΔD i (cm)

D e ± ΔD e (cm)

x 0 ± Δx o (cm)

x 1 ± Δx 1 (cm)

x 2 ± Δx 2 (cm)

Atividades 1 (Obs.: todas as incertezas devem ser obtidas pelo método da linearização por derivadas parciais. Quando necessário utilize g = 9,78 m/s 2 .) 1- Determine a constante elástica k a partir das medidas do item (a) Determine, utilizando propagação de incerteza, Δk.[0,10] 2- Utilizando o valor de k encontrado por você e a partir das medições realizadas no item (b), determine a densidade da glicerina ρ e sua incerteza Δρ em g/cm 3 . [0,30]

2º experimento: Determinação do coeficiente de viscosidade da glicerina utilizando a lei de Stokes.

Neste segundo experimento iremos obter o coeficiente de viscosidade da glicerina utilizando uma esfera se movendo nesse fluido sob a ação do campo gravitacional, força viscosa (lei de Stokes) e o empuxo. Sabendo que a esfera atinge rapidamente uma velocidade limite, pela 2ª lei de Newton iremos relacionar a viscosidade do líquido com as grandezas físicas do sistema, tais como: Diâmetro da esfera, densidades da glicerina e da esfera e aceleração da gravidade.

Parte 1- Descrição do experimento: Os equipamentos utilizados neste experimento são: um cronômetro digital, esferas de vidro e uma proveta de 1000 ml graduada contendo glicerina. Nesse experimento, iremos abandonar 10 esferas de vidro (uma de cada vez) na glicerina. É necessário deixar que a esfera percorra alguns centímetros (no mínimo 5,00 cm), pois tentaremos medir apenas o movimento uniforme. A partir disso mediremos o tempo que cada esfera leva para percorrer os próximos L= 20,00 cm. Repetiremos esse mesmo procedimento para cada uma das 10 esferas idênticas. Ver figura 2.

Figura 2
Figura 2

Escolha 10 esferas de vidro de diâmetros parecidos. Meça com um paquímetro os diâmetros d i das 10 esferas e calcule a média desses valores. Considere o diâmetro de cada esfera como sendo o diâmetro médio d médio calculado anteriormente.

Meça o valor da massa M das 10 esferas juntas e considere a massa m de uma esfera como sendo o valor médio. Preencha a tabela 2.

Tabela 2: Massa da esfera.

M ± ΔM (g)

M ± Δ M (g) m ± Δ m (g)

m ± Δm (g)

M ± Δ M (g) m ± Δ m (g)

Abandone cada esfera, a partir do repouso, na superfície da glicerina. Então, meça o tempo t i que cada uma das 10 esferas leva para percorrer 20,00 cm na glicerina. Lembre-se de começar a marcar o tempo após a esfera percorrer alguns centímetros. Preencha a tabela 3.

A partir dos dados da tabela 3, preencha a tabela 4.

Tabela 3: Diâmetros das esferas.

 

d i (cm)

t i (s)

 

d

i (cm)

t

i (s)

Esfera 1

   

Esfera 6

   

Esfera 2

   

Esfera 7

   

Esfera 3

   

Esfera 8

   

Esfera 4

   

Esfera 9

   

Esfera 5

   

Esfera 10

   

Tabela 4: Valores finais do diâmetro e do tempo de queda da esfera

d médio (cm)

σ d (cm)

σ m (cm)

d médio ± Δd médio (cm)

t médio (s)

σ d (s)

σ m (s)

t médio ± Δt médio (s)

Atividades 2:

1- A partir da tabela 4 calcule o volume da esfera V e e usando a propagação de incerteza obtenha ΔV e em cm 3 . Escreva na forma V e ± ΔV e (cm 3 ). [0,10]

2-

A partir da tabela 2 e do resultado obtido acima, calcule a densidade da esfera e sua respectiva incerteza e escreva na forma ρ e ± Δρ e (g/cm 3 ). [0,10]

3-

Sabendo que a esfera percorreu um espaço de (20,00 ± 0,05) cm em t médio ± Δt médio (s). Calcule a velocidade limite v L da esfera na glicerina e sua respectiva incerteza Δv L em cm/s. Escreva na forma v L ± Δv L (cm/s). [0,20]

4- De posse dos resultados obtidos acima, dos dados da tabela 4 e da Equação (5) da introdução teórica, calcule o coeficiente de viscosidade η da glicerina e sua respectiva incerteza em Pa.s. Escreva na forma η ± Δη. [0,40]

5- Sabendo que a viscosidade da glicerina é η = 1,5 Pa.s, calcule o erro percentual obtido em sua medida. [0,10]

Quando necessário utilize g = 9,78 m/s 2 .

Parte 2- Descrição do experimento: Agora, iremos repetir o mesmo experimento realizado anteriormente, mas com o uso de apenas uma esfera de borracha cuja densidade possui um valor muito próximo da glicerina. Nesse experimento, faremos seis marcações na proveta definindo cinco intervalos de mesmo comprimento L. A primeira marcação deverá ser feita após uma distância suficiente para a esfera de borracha percorrer 5,00 cm a partir da superfície da glicerina. A partir da primeira marcação, mediremos o tempo que a esfera leva para percorrer cada intervalo delimitado na proveta.

Meça o diâmetro d da esfera de borracha.

Meça o valor da massa m dessa esfera. Preencha a tabela 5.

Tabela 5: Massa da esfera de borracha e seu diâmetro

m ± Δm (g)

m ± Δ m (g) d ± Δ d (cm)

d ± Δd (cm)

m ± Δ m (g) d ± Δ d (cm)

Abandone a esfera, a partir do repouso, na superfície da glicerina. Então, meça o tempo t i que a esfera leva atingir as marcas estabelecidas por você na proveta, ou seja, atingir as marcas N=1,

conforme a tabela abaixo. Lembre-se que a primeira marcação deve está localizada

N=2, N=3

após uma distância suficiente para a esfera de borracha percorrer 5,00 cm a partir da superfície da

glicerina. Preencha a tabela 6.

Tabela 6: Distância percorrida pela esfera de borracha e tempo gasto.

N

Distância percorrida (cm)

Tempo t i ± Δt i (s)

1

0,00

0,00 ± 0,01

2

   

3

   

4

   

5

   

6

   

Atividades 3:

1-

Faça um gráfico em papel milimetrado da distância percorrida pela esfera(cm) versus o tempo t i (s). [0,10]

2-

Utilizando o método dos mínimos quadrados faça o ajuste linear e desenhe reta obtida pelo ajuste no gráfico. A partir desse ajuste determine a velocidade da esfera de borracha v L na glicerina.

[0,20]

3-

Do resultado da tabela 5, determine a densidade da esfera de borracha ρ b ± Δρ b (g/cm 3 ). Por fim, dos resultados obtidos e utilizando a equação (5) da introdução teórica, determine o coeficiente de viscosidade η da glicerina e compare esse resultado com aquele obtido na atividade 2. [0,30]

Quando necessário utilize g = 9,78 m/s 2 .