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www.embalagemmarca.com.

br
Uma “receita secreta” sem mistérios
P
elo oitavo ano con- oportunidades e ameaças por E MBALAGEM M ARCA
secutivo, na edição que poderão colocar-se para a seus leitores, é fruto de
de dezembro pró- fornecedores e compradores muita pesquisa, trabalho de
ximo EMBALAGEMMARCA de embalagens, é feito com campo, análise em profundi-
oferecerá a seus leitores um metodologia desenvolvida dade e mangas arregaçadas.
serviço que já se tornou pela equipe da revista. A Significa ter uma equipe
uma referência na comu- rigor, não há nela nada de forte e preparada, que entre-
Wilson Palhares nicação dirigida à cadeia misterioso nem de secreto, vista e permanentemente
produtiva/usuária de emba- a não ser, claro, o lendá- troca idéias com os mais
lagem. Refiro-me à repor- rio pulo-do-gato que não respeitados profissionais do
O lendário tagem de capa Tendências se conta a ninguém. Como packaging no Brasil e no
pulo-do-gato e Perspectivas do setor, que nosso produto não se pauta exterior. Em suma, trata-se
testemunhos verbais e por pelo ocultamento das coi- de ter antenas ligadas, saber
consiste em ter
escrito de profissionais e sas mas sim pelo contrário interpretar o que elas cap-
antenas ligadas,
empresários da área descre- (isto é, por sua divulga- tam e, sobretudo, conseguir
saber interpretar vem como de grande uti- ção), damos aqui a “receita traduzir isso em linguagem
o que elas captam lidade no planejamento de secreta”. acessível e clara. É por tudo
e, sobretudo, suas ações. Tendências e Perspectivas, isso que EMBALAGEMMARCA
conseguir traduzir Esse trabalho, que projeta bem como o amplo volume é efetivamente lida, todos os
isso em linguagem para o ano seguinte ao mês de informação qualificada meses e o ano inteiro.
acessível e clara de sua publicação desafios, apresentada todos os meses Até dezembro.
nº 87 • novembro 2006
Diretor de Redação
Wilson Palhares
palhares@embalagemmarca.com.br

14 Reportagem de capa:
Retortable pouches
Demanda interna cresce,
40 Cosméticos
Sinergia entre Sonoco For-Plas
e Frasquim visa desenvolver
Reportagem
redacao@embalagemmarca.com.br
negócios conjuntos no setor Flávio Palhares
abrindo caminho para subs- flavio@embalagemmarca.com.br
tituição das importações por

42 Entrevista: Guilherme Kamio


produtos convertidos no país
Luciana Pellegrino guma@embalagemmarca.com.br
Diretora-executiva da Abre Leandro Haberli Silva
mostra tendências do mercado leandro@embalagemmarca.com.br
japonês de embalagem
Departamento de Arte

50
arte@embalagemmarca.com.br
Óleos comestíveis
Qualidade das embalagens de Carlos Gustavo Curado
aço é exaltada em campanha José Hiroshi Taniguti
exibida nas salas de cinema
Administração
Eunice Fruet

54 Garrafinhas
Produtores de vinhos e
espumantes apostam em
Marcos Palhares

Departamento Comercial
embalagens de 187 mililitros comercial@embalagemmarca.com.br
Karin Trojan

5
56 Evento internacional Wagner Ferreira

28 Consumidores maduros
Faltam projetos de embalagens
específicos para quem tem
Cobertura especial do PPMA
Show 2006, realizado em
Birmingham, Inglaterra
Circulação e Assinaturas
Marcella de Freitas Monteiro
Raquel V. Pereira
mais de cinqüenta anos de idade

62
assinaturas@embalagemmarca.com.br
Cervejas Assinatura anual: R$ 99,00
Mercado se agita com
lançamentos da Femsa Público-Alvo
e reação da AmBev EMBALAGEMMARCA é dirigida a profissionais
que ocupam cargos de direção, gerência
e supervisão em empresas integrantes da
cadeia de embalagem. São profissionais
envolvidos com o desenvolvimento de
embalagens e com poder de decisão colo-
cados principalmente nas indústrias de bens
de consumo, tais como alimentos, bebidas,
cosméticos e medicamentos.

Filiada ao

34 Legislação
Projeto de lei quer proibir uso
de EPS (o popular isopor) no
72 Índice de Anunciantes
Relação das empresas
que veiculam peças
publicitárias nesta edição
comércio de alimentos prontos Impressão: Congraf Tel.: (11) 5563-3466

EMBALAGEMMARCA é uma publicação


3 Editorial mensal da Bloco de Comunicação Ltda.
A essência da edição do mês, nas palavras do editor Rua Arcílio Martins, 53 • Chácara Santo
Antonio - CEP 04718-040 • São Paulo, SP
6 Display Tel. (11) 5181-6533 • Fax (11) 5182-9463
Lançamentos e novidades – e seus sistemas de embalagens
Filiada à
24 Internacional
FOTO DE CAPA: STUDIO AG / ANDRÉ GODOY

Destaques e idéias de mercados estrangeiros


www.embalagemmarca.com.br
36 Panorama
Movimentação no mundo das embalagens e das marcas O conteúdo editorial de EMBALAGEMMARCA é
resguardado por direitos autorais. Não é per-
68 Conversão e Impressão mitida a reprodução de matérias editoriais
publicadas nesta revista sem autorização
Produtos e processos da área gráfica para a produção de rótulos e embalagens da Bloco de Comunicação Ltda. Opiniões
expressas em matérias assinadas não refle-
74 Almanaque tem necessariamente a opinião da revista.
Fatos e curiosidades do mundo das marcas e das embalagens
Toddy tem novidades em três sabores
Novas embalagens acompanham lançamentos da marca de achocolatados da Pepsico
Igel
(51) 3041-8300 O achocolatado Toddy, marca do Grupo
www.igel.com.br
Pepsico, apresenta novos sabores e novas
Narita Design embalagens. A primeira novidade é o Toddy
(11) 3167-0911 Instantâneo Chocolate ao Leite, que tem
www.naritadesign.com.br
embalagem vermelha. Com o lançamento de
Plastek Toddy Instantâneo Chocolate ao Leite, Toddy
(19) 3885-8200 Original foi reposicionado,e manteve o ama-
www.plastekbrasil.com.br
relo em suas embalagens. Outro lançamento
Sinimplast é o Toddy Mais sabor Frutas Vermelhas, que
(11) 4061-8300 substitui o Floresta Negra.
www.sinimplast.com.br
Os potes de polipropileno são fornecidos
pela Sinimplast e as tampas pela Plastek. Os
rótulos de papel são impressos pela Igel e o
layout é da Narita Design

Embalagem de presente
O Boticário está pronto para o Natal
Criada pela empresa norte-americana FRCH
Design Worldwide, adaptada e produzida pela
Antilhas, a linha de embalagens para o Natal de
O Boticário já está no mercado. Composta por
Antilhas
(11) 4152-1100 sacolas, sacos, estojos, cartuchos, tags e seda
www.antilhas.com.br plástica, os produtos são vermelhos com um
discreto desenho em prata. Com exceção dos
FRCH Design
Worldwide sacos e da seda plástica, todo o restante da linha
www.frch.com foi desenvolvido utilizando papel cartão e plásti-
Nutry é redesenhado co. As novidades ficam a cargo dos formatos inu-
Logomarca está mais moderna sitados, tanto nos cartuchos, que possuem um
Celocorte
11 4156-3011 visor transparente, quanto nos estojos, que pos-
As barras de cereais Nutry, da para- www.celocorteembalagens. suem 3 partes diferentes. As sacolas têm estrutu-
naense Nutrimental, estão com emba- com.br ra plástica no exterior com forro de papel cartão
lagens novas Agora, a marca está impresso em vermelho e prata. Os tags são em
Converplast
subdividida em oito versões apresen- (11) 6462-1177 formato de bolas de Natal acompanhados por
tadas nos “módulos indicadores” das www.converplast.com.br um fitilho prateado, utilizado para prender tanto o
embalagens, que dividem as versões e tag quanto para o fechamento dos estojos.
Magistral Impressora
permitem que os consumidores identi- (41) 2141-0408
fiquem os sabores com mais facilidade. www.magistralimpressora.com.br
As novas embalagens foram desenvol-
Zaraplast
vidas pela Seragini Farne. Os fabrican- (11) 3952-3000
tes dos filmes são Zaraplast, Conver- www.zaraplast.com.br
plast e Celocorte em filme laminado. As
caixas de papel cartão são fornecidas
pela Magistral Impressora. A logomarca
FOTOS: DIVULGAÇÃO

foi modernizada e ganhou destaque na


embalagem, que também apresenta a
nova assinatura da marca: “Nutry. Viva
com gosto”.

6 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2006


Autopeças valorizadas Grape Cool na lata
Caixas de papelão ganham impressão em cor Ibéria
Bebida da Góes ganha novo design
(11) 3838-5899 O Grape Cool, bebida elaborada à base
A importadora de autopeças Perfect está valo-
www.grupoiberia.com.br
rizando suas caixas de distribuição. Antes elas de vinho com adição de suco natural de
tinham cor única, sem aplicação uniforme do New Growing uva e com baixo teor alcoólico (5%), da LataPack-Ball
Design & Branding (11) 3040-2802
logo. A nova embalagem, produzida em pape- Vinícola Góes (vendido como “chope de
(11) 4226-4493 www.latapack.com.br
lão microondulado com impressão nos tons www.newgrowing.com.br vinho”), chega ao mercado em uma nova
azul e branco, tem pictogramas de peças auto- versão. As latas de alumínio ganharam Viva Propaganda
(15) 3471-2327
motivas estampados. As caixas, produzidas novo design e mais conteúdo: 350 milili-
pela Ibéria Embalagens, recebem impressão tros. O layout das embalagens foi desen-
em flexografia 2 cores. O layout foi desenvolvi- volvido pela Viva Propaganda e as latas
do pela New Growing Design & Branding. são produzidas pela Latapack-Ball.

FOTOS: DIVULGAÇÃO
Figurinhas de times em chicles
Produto da Arcor estampa símbolos de oito clubes
A Arcor está lançando o chicle Faná-
ticos do Futebol – Série Times, que Converflex
www.arcordiversion.com.ar
reúne oito grandes clubes de futebol: (54-11) 4310 9859
Atlético Mineiro, Corinthians, Cruzeiro,
Scodro
Flamengo, Palmeiras, Santos, São
(16) 2101-4949
Paulo e Vasco. Nos chicles sabor tutti- www.scodroembalagens.com.br
fruti, o torcedor encontra figurinhas
auto-adesivas com informações e
curiosidades sobre o seu clube, sobre
futebol e resultados históricos para
colar nos álbuns de cada agremiação.
São 60 figurinhas diferentes por time.
Os álbuns, gratuitos, podem ser pedi-
dos pelo site www.arcor.com.br. As
embalagens de BOPP são fornecidas
pela Scodro. As figurinhas são pro-
duzidas pela Converflex (Argentina).
O design é do departamento de arte
Arcor.

8 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2006


Imperial aumenta portfolio
Aro
Bebida mista e cerveja são os lançamentos do grupo goiano (11) 6462-1714
www.aro.com.br
Ampliando seu mix de produtos, também da Latapack-Ball (a versão
o Grupo Imperial lança a Cerveja tradicional do produto é engarrafa- CDLJ Publicidade
(71) 3351-2769
Imperial e mais uma versão da da em PET). O layout é da agência
bebida mista alcoólica gaseificada baiana CDLJ Publicidade. Central do Brasil
Birinight, o Birinight 6.0. A segunda (62) 3097-1718

cerveja do grupo (a primeira é a Dixie Toga


Mulata) é comercializada em latas (11) 6982-9200
de alumínio, com selo higiênico, www.dixietoga.com.br

produzidas pela Latapack-Ball e em LataPack-Ball


garrafas de vidro de 600 mililitros (11) 3040-2802
www.latapack.com.br
fornecidas pela Owens-Illinois, com
rótulos da Dixie Toga e tampas Owens-Illinois
da Aro. O design das embalagens (11) 6542-8000
www.oidobrasil.com.br
é assinado pela agência goiana
Central do Brasil. O Birinight 6.0 é
vendido em latas de alumínio de
350 mililitros com lacre higiênico,

Coca entra em lácteos


Achocolatado é acondicionado em TWA
Oz Design A Coca-Cola estréia no mercado lácteo
(11) 5112-9200 com mais um produto da linha infantil Kapo,
www.ozdesign.com.br
um achocolatado pronto. O Brasil será o
Tetra Pak primeiro país da América do Sul a rece-
(11) 5501-3200 ber o produto, já presente na América do
www.tetrapak.com.br
Norte, Europa e Ásia. Com a entrada em
achocolatados, a Coca-Cola irá enfrentar,

Do Brasil para o mundo pela primeira vez, a divisão de alimentos da


arqui-rival Pepsico, que produz o Toddy-
Embalagem verde-amarela na Europa nho, líder de mercado. Kapo Chocolate é
A linha de farináceos Pedaços do Bra- acondicionado em embalagens cartonadas
sil, marca da importadora portuguesa assépticas Tetra Wedge Aseptic (TWA), da
Brasimpex, leva a bandeira brasileira Tetra Pak, com layout da Oz Design.
a terras lusitanas. A empresa lança
nove produtos com o verde-amarelo
estampado nos pacotes: farinhas de
mandioca crua e torrada, de milho
Cristal Embalagens em flocos, polvilho doce, polvilho
(48) 3434-2324
azedo, tapioca, trigo, fubá e canjica.
Spice Design As embalagens, onde o verde-amarelo
(11) 6977-2203 ganha destaque, foram criadas pela
www.spicedesign.com.br
Spice Design e são produzidas em
FOTOS: DIVULGAÇÃO

polietileno de baixa densidade linear


(PEBDL) pela Cristal Embalagens, com
impressão em flexografia 8 cores.

10 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2006


Mídia delivery

FOTOS: DIVULGAÇÃO
Giovanni FCB Embalagem de pizza tem
(11) 2186-0800 espaço para anúncio
www.giovannifcb.com.br
O papelcartão Micro XP 220 g/m² da
Klabin
(11) 4588-7000 Klabin está sendo utilizado em embala-
www.klabin.com.br gens temáticas de pizzas para entrega.
O projeto desenvolvido pelo Onemídia
Optagraf
(41) 3332-0894 fornece embalagens para as principais
pizzarias das cidades e, na tampa das
embalagens, são comercializados espa-
ços publicitários. Uma das embalagens,
criada pela agência Giovanni FCB,
promove a segunda temporada da série
norte-americana “Lost”, recém-lançada
Rigesa cria embalagem
em DVD.
especial para cartões
Rigesa
Para conferir mais resistência à embala- Iniciativa visa mercado corporativo
(19) 3707-4118
gem, o cartão Micro XP é acoplado ao A Rigesa, que fornece embalagens diferen- www.rigesa.com.br
papelão microondulado e a capa interna ciadas para o segmento de mídia com a
é revestida com papel Kraftliner branco, marca Digipak, aproveita a tecnologia e lança
da Klabin. A embalagem foi impressa o Digismart, uma embalagem especialmente
pela Optagraf. criada para cartões. A empresa busca o mer-
cado de bancos, seguradoras, empresas de
convênios médicos e telefonia, entre outros.
Trata-se de um produto flexível, que permite
vários tipos de formato e recursos gráficos,
incluindo aplicação de verniz, relevo e hot
stamping, com qualidade de impressão offset.
Com recursos gráficos diferenciados e layout
customizado, o conceito utiliza a própria
embalagem para transmitir mensagens institu-
cionais ou promocionais.

Novos sorvetes para o verão


Potes de polipropileno embalam novidades de Kibon
Brasilgrafica
A Kibon aposta em três integrar a linha de sorvetes (11) 4133-7777
novos sorvetes para o premium Carte D’Ór, que www.brasilgrafica.com.br
verão. Trata-se de uma tem embalagem transpa-
Design Absoluto
ação de co-branding entre rente. (11) 3071-0474
a marca da Unilever e a Os potes são produzidos www.designabsoluto.com.br
Kraft Foods, dona dos tra- em polipropileno pela
Huhtamaki
dicionais chocolates Laka, Huhtamaki. No pote de 2 (11) 5504-3500
Diamante Negro e Sonho litros, o rótulo de papel é www.huhtamaki.com.br
de Valsa. impresso em off set pela Multilabel
A edição limitada dos Brasilgrafica. Na linha Carte (51) 3590-2270
sorvetes Laka e Diamante D’Ór, a decoração in-mold www.multilabel.ind.br
Negro vão compor a linha é feita pela Multilabel. A
familiar (pote de 2 litros). Já criação ficou a cargo da
o sabor Sonho de Valsa irá Design Absoluto.

12 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2006


reportagem de capa >>> flexíveis esterilizáveis

A revolução si

STUDIO AG – ANDRÉ GODOY


das retortable
Disseminadas em mercados mais desenvolvidos, “bol
espaço no cenário brasileiro, abrindo caminho para in
Por Leandro Haberli

D
os laboratórios da Nasa para as
gôndolas de todo o mundo. Assim
poderia ser sintetizada a saga das
retortable pouches, bolsas plásti-
cas esterilizáveis em altas temperaturas, que
podem conservar alimentos sem refrigeração
nem agentes químicos por mais de um ano.
Com origens que remontam a pesquisas inicia-
das pela agência espacial americana na década
de 1950, essa tecnologia avança cada vez mais
no mundo do consumo. Pescados, molhos,
rações úmidas e pratos prontos que vão de
estrogonofe a dobradinha. Esses são exemplos
de produtos já adeptos da onda retortable,
numa movimentação impulsionada por outros
benefícios além da possibilidade de conserva-
ção dos alimentos por longos períodos.
Em primeiro lugar, a exemplo de outras
embalagens plásticas flexíveis, os pouches
multicamadas passíveis de esterilização em
máquinas de autoclave têm a seu favor o fator
leveza, vantagem crítica na etapa de distribui-
ção dos produtos. As embalagens retortable
contam também com o apelo da inovação,
reforçado pela idéia de modernidade atrelada
à tecnologia. Na vertente da conveniência,
essas estruturas podem ser aquecidas em
banho-maria ou levadas ao forno de microon-
das, sendo aptas a receber diferentes sistemas
de fácil abertura. Por fim, além de vendidos
dentro de cartuchos cartonados, onde nem
sempre exercem a função de identificação
de marca, os acondicionamentos retortable
são compatíveis com sofisticados sistemas
de impressão, contando ainda com bases
sanfonadas que permitem colocá-las em pé
nas gôndolas, na forma de stand-up pouches,

14 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2006


lenciosa
pouches
sas longa vida” começam a conquistar
dústria local substituir importações

num diferencial que favorece a exposição no


ponto-de-venda.
Embora o consumo de retortable pouches
ainda seja pequeno na comparação com emba-
lagens flexíveis de menor valor agregado, e
também com o nível de disseminação da tec-
nologia em outros países, a médio prazo tais
vantagens permitem prever sensível aumento
nos volumes produzidos. Esse cenário é refor-
çado pelo aumento do número de fornecedo-
res nacionais que investem na tecnologia, e
também pelas ações que essas empresas vêm
perpetrando para divulgar as vantagens das
retortable pouches na indústria brasileira.

Educar o mercado
Bom exemplo disso vem da Alcan, que rei-
niciou sua estratégia com filmes para esse
tipo de embalagem após ter participado de
algumas incursões com retortable pouches
no varejo brasileiro. A fim de reforçar o novo
plano de ação, a empresa tem organizado
seminários técnicos destinados a divulgar
a tecnologia. “Nossa intenção é educar o
mercado sobre os benefícios das retortables
pouches”, resume Olinda Miranda, gerente de
serviços da empresa.
Os eventos têm revelado oportunidades
pouco exploradas no mercado brasileiro, diz a
executiva. Uma delas estaria no canal de food
service, onde esse tipo de embalagem flexível
tende a ser adotado não só pelos quesitos
praticidade e conveniência. “As retortable
pouches apresentam vantagens importantes
em relação a latas metálicas, embalagens que
também podem ser processadas em autocla-
ve”, compara Priscilla Mazzarin, gerente de

novembro 2006 <<< EmbalagemMarca <<< 15


produtos da Alcan. Segundo ela, por ocor- e indústrias usuárias de retortable
rer em temperaturas mais baixas (a partir pouches esperam que o aumento
de 110 graus centígrados), o processo de dos pedidos favoreça uma maior
esterilização em embalagem flexível é mais abertura à nacionalização produ-
suave, conservando melhor o sabor, a tiva dessas embalagens. A expec-
textura e outras características tativa se deve ao fato de que, com
do alimento submetido à contribuição da falta de massa críti-
autoclave. ca, de um lado, e da valorização do
Apesar das boas real em relação ao dólar, de outro,
perspectivas, a Alcan boa parte das retortable pouches uti-
admite que localmente lizadas no varejo brasileiro vem sendo
sua estratégia com retortable importada. Atualmente grandes
pouches está em estágio inicial, remessas de bobinas de filmes
sem grandes contratos de fornecimentos retortable e de embalagens já
fechados no Brasil até o momento. “Muitas acabadas chegam da Coréia do
empresas investiram alto em cadeias de distri- Sul, país que oferece custos com-
FLEXIBILIDADE
buição de alimentos congelados, oferecendo PRODUTIVA
petitivos e excelência produtiva nesse
certa resistência à tecnologia”, conta Olinda Cartuchos cartonados tipo de material.
Miranda. Entre os segmentos já atendidos no fazem a comunicação “A tecnologia de retortable pouches é
no ponto-de-venda,
país está o militar, onde as retortable pouches tornando desnecessário complexa, exigindo tintas, adesivos e filmes
produzidas com tecnologia da Alcan são usa- o complexo processo de especiais”, lembra Roberto Hinrichsen, da
impressão das bolsas
das para a alimentação de tropas em situações esterilizáveis em altas Intergrafica Print & Pack, empresa do grupo
em que não há infra-estrutura para o preparo temperaturas MAN Ferrostaal que representa no Brasil
das refeições. a sul-coreana HPM Global, fornecedora de
Enquanto mercados específicos são explo- grande parte das bolsas esterilizáveis em
rados, na seara do varejo, onde estão concen- autoclave usadas pelas indústrias brasileiras.
tradas as maiores demandas, fornecedores “Se a qualidade do material não for

EM XEQUE
Sem confiar na
selagem das
retortable pouches
nacionais, Panco
optou por importar
tecnologia da
Coréia do Sul
STUDIO AG – ANDRÉ GODOY

16 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2006


compatível com o processo, pode haver dela-
minação da estrutura ou mudanças de cor
durante a passagem pela autoclave”, alerta
Hinrichsen.

O gargalo da qualidade
No lado das indústrias usuárias, não é raro ver
os atributos técnicos dos materiais nacionais
sendo colocados em xeque. “Além do custo
mais atraente, decidimos importar nossas
embalagens por avaliar que a qualidade dos
produtos nacionais, especialmente no que-
sito selagem, ainda é deficiente”, sentencia
Alexandre Rodrigues, da área de marketing
da Panco, empresa que lançou em 2004 uma
linha de pratos prontos em retortable pouches
importados pela Ferrostaal.
Nesse caso, os sacos flexíveis são
vendidos sem idenfificação de marca,
dentro de cartuchos cartonados res-
ponsáveis por toda a comunicação no
ponto-de-venda. Também adotados pela
Vapza, outra grande usuária de retor-
table pouches no varejo brasileiro, os
cartuchos cartonados conferem a fle-
xibilidade produtiva necessária num
cenário em que as linhas de produtos e
a distribuição são cada vez mais frag-
mentadas.
No campo da qualidade dos filmes

FOTOS: DIVULGAÇÃO
retortable disponíveis no Brasil, críticas
também são feitas pela Masterfoods,
MONITORAMENTO – Masterfoods diz estar acompanhando o desenvolvimento de que desde 1999 distribui no Brasil suas linhas
tecnologias nacionais, mas ainda importa da Europa bobinas de retortable pouches
de rações úmidas para cães e gatos (marcas

novembro 2006 <<< EmbalagemMarca <<< 17


Whiskas e Pedigree) em retortable pouches
produzidos com filmes europeus. “Estamos
monitorando as possibilidades de forne-
cimento local, mas ainda acreditamos
que no Brasil os filmes não apresentam
o mesmo nível técnico dos produzidos
lá fora”, entende John Amet, diretor de
marketing da Masterfoods.

Fornecimento local à vista


A boa notícia é que, conforme a demanda
local se desenvolve, fortalece-se a tendência
de evolução da participação dos produtos
nacionais no mercado brasileiro. “As defici-
ências ainda existem, mas já iniciamos testes
com filmes feitos aqui e estamos confian-
tes na possibilidade de fornecimento local”,
diz Gilmar Vaccas, gerente de suprimentos
da Pepsico, referindo-se a uma experiência
acompanhada com entusiasmo no ramo de
embalagens flexíveis.
O interesse tem motivos óbvios. A Pepsico
é responsável por uma das mais inovadoras
estratégias envolvendo retortable pouches
no Brasil. A cartada se deu com o lan-
çamento, no meio deste ano, das linhas EM FASE DE ANÁLISE

FOTOS: DIVULGAÇÃO
Facílimo e Kids de pescados processados Adepta de retortable pouches
em retortable pouches com formatos e na linha Coqueiro, Pepsico está
testando alternativas nacionais
acabamento diferenciados. Os produtos de fornecimento da tecnologia
são vendidos sob a chancela da Coqueiro,
marca líder no setor, com aproximadamente
50% de participação de mercado. Calcados na
DIDATISMO – Produtos podem ser levados ao forno
inovação e na praticidade das embalagens, tais de microondas ou aquecidos em banho-maria. No
lançamentos ampliaram uma estratégia com verso das embalagens, instruções passo-a-passo são
benficiadas por sofisticados sistemas de impressão
retortable pouches que já abarcava apresen-
Y
DO
GO

tações institucionais voltadas ao canal food


É
DR
AN

service e uma linha de patês. “Considerando



AG

aspectos como rentabilidade e agilidade, é


IO
UD
ST

claro que preferimos comprar embalagens


nacionais”, sublinha o gerente de supri-
mentos da Pepsico.
Além da Alcan, outras mul-
tinacionais com operação no
Brasil começam a enxer-
gar a crescente demanda
nacional e estão trazendo
sua experiência no mercado
internacional para o país. O
movimento reforça a idéia de que
a presença de retortable pouches nas
gôndolas brasileiras deve se multiplicar
nos próximos anos, apoiada por estratégias
como a da Itap Bemis, que diz ter desenvol-

18 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2006


E,T&H BSW 379.102.004

Gallus EM 280:
Instalar e Imprimir Sucesso e segurança
para o convertedor

A Gallus EM 280 proporciona à sua empresa, de forma rápida, vantagem Gallus Inc.
no competitivo mercado de impressão de rótulos em flexografia combinando Heidelberg do Brasil Office
com outros processos. Trata-se de um equipamento com grande Av Alfredo Egídio de Souza Aranha, 100
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Flexibilidade é outro ponto forte da Gallus EM 280. A mudança de flexo para Tel.:+55 11 5525-4475
serigrafia é feita em poucos minutos, e é possível combinar hot stamping na parte Fax: + 55 11 5525-4503
de impressão. Como todo equipamento da Gallus, a EM 280 é planejada para www.gallus.org
ser expansível, o que permite que sua empresa invista passo a passo. marcelo.zandomenico@heidelberg.com
Em suma, é o equipamento perfeito para empresas que querem estar na liderança.
Gallus, hoje um sonho mais próximo da sua realidade. Um parceiro Heidelberg
STUDIO AG – ADNRÉ GODOY
DIVULGAÇÃO

vido tecnologia de ponta para produção de DESCOMPASSO


Para o Grupo Bertin,
filmes retortable a preços competitivos. fabricantes nacionais
“A defasagem técnica dos produtos estão atrasados no
nacionais é coisa do passado”, garante Luiz desenvolvimento de
retortable pouches.
Eduardo Siqueira, da área comercial da empre- Acima e ao lado,
sa. “Conseguimos desenvolver uma tecnolo- produtos da linha
Pronto Sabor, lancada
gia altamente confiável, que fará os clientes recentente pela empresa
enxergarem todos os benefícios estéticos e os
ganhos que a opção pelo retortable pouch pode
gerar na cadeia logística”, ele ressalta.

Até as lasanhas entraram na dança


Brasileira International Food Company (IFC) estreou bandejas retortable de alta barreira
Além de estruturas flexíveis, table são utilizadas numa linha de A empresa prefere não divulgar
embalagens retortable começam lasanhas prontas para consumo, o fornecedor das embalagens.
a ser produzidas na forma de podendo ser levadas diretamen- “A técnica aplicada faz parte de
bandejas termoformadas de alta te para o forno de microondas, sigilo industrial, o que nos levou a
barreira. O processo de esterili- ou aquecidas em banho-maria. protegê-la através de objetos de
zação também ocorre em auto- Os produtos são vendidos com patentes em diferentes países”,
clave, garantindo a manutenção a marca A Mio Modo, também diz José Barbosa Machado Neto,
dos alimentos por longos períodos presente em stand-up pouches presidente da IFC. Boa parte da
sem refrigeração nem conservan- retortable que a IFC usa para produção de lasanhas embaladas
tes. Quem está utilizando esse acondicionar alimentos como nas bandejas retortable é destina-
tipo de acondicionamento estrogonofe e molho à bolonhesa. da a exportação.
no país é a International
Food Company (IFC),
empresa brasileira que
atua desde 1998 na
industrialização de carne
FOTOS: DIVULGAÇÃO

bovina. As bandejas retor-

NADA DE CONGELADO
Além de pouches,
linha A Mio Modo
usa embalagens
termoformadas
esterilizáveis em
autoclave (à esquerda)

20 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2006


Corrida contra o tempo Alcan À parte as críticas relativas a deficiências
www.alcan.com.br
Entre alguns usuários, porém, planos assim (11) 4512-7000
técnicas e ao “atraso” dos fabricantes nacio-
são encarados com certo ceticismo, pois esta- nais nas estratégias envolvendo tecnologia
riam em descompasso com a dinâmica do HPM Global retortable, na ponta do varejo a expectativa
www.hyewonpack.com
mercado. “Os fornecedores locais estão ini- +82-2-551-5981 6 é uma só: a de que esse mercado evolua nos
ciando seus desenvolvimentos nesse tipo de próximos anos, beneficiado pela ampla lista
Intergrafica Print & Pack de vantagens apresentadas pelas bolsas este-
estrutura agora, enquanto o mercado externo
www.ipp-group.net
tem quase vinte anos de experiência com (11) 5522-5999 rilizáveis em autoclave. Para que isso ocorra,
a tecnologia”, diz Silvio Sertório, gerente porém, os fornecedores brasileiros precisam
Itap Bemis
de pesquisa e desenvolvimento da divisão (11) 5516-2000
recuperar o tempo perdido. “Mas devem fazê-
alimentos do Grupo Bertin, que lançou este www.dixietoga.com.br lo sem precipitações, considerando a alta
ano sua primeira linha em retortable pouches. complexidade da tecnologia, que exige inves-
Tradbor
Trata-se da Pronto Sabor, que também é acon- (11) 3739-4909 timentos e cabedal técnico relevantes”, con-
dicionada com filmes importados. www.tradbor.com.br clui Alexandre Rodrigues, da Panco.

“Em seis meses teremos boas novidades”


Fabricante de stand-up pouches comenta testes com filmes retortable feitos no país
Especializada no mercado de acredito que os maiores segredos
stand-up pouches (SUPs), a das retortable pouches sejam as
Tradbor tem participado de tintas e os adesivos empregados
testes envolvendo o desenvol- em suas estruturas.
vimento de filmes nacionais
destinados à produção de Para os usuários, quais as prin-
embalagens flexíveis esterilizá- cipais vantagens dos SUPs retor-
veis em autoclave. Contando tables?
com máquinas próprias para Eles apresentam importantes
fabricação de SUPs retortable, vantagens logísticas em relação
Alan Baumgarten, diretor da a embalagens rígidas. Quando
empresa, fala a seguir sobre descartados, geram menos volu-
as perspectivas da tecnologia me do que latas, por exemplo. A
no país. apresentação também é melhor:
enquanto as latas apresentam
Como anda o desenvolvimento superfície cilíndrica, exigindo que
de SUPs esterilizáveis em auto- o consumidor as gire para ter
clave produzidos com material acesso às informações, os SUPs
nacional? adequado à fabricação de SUPs têm somente duas faces, com
Constantemente temos feito retortable, e estamos trabalhan- um painel de comunicação mais
testes em nossas máquinas do em parceria com fabricantes amplo. Nas máquinas de autocla-
para convertedores brasileiros de laminados para viabilizar essas ve, SUPs retortable permitem dis-
que estão tentando desenvolver estruturas. tribuir igualmente o alimento no
um laminado estável para ser interior da embalagem, fazendo
utilizado em autoclave. Acho que Há uma previsão de quando com que todo o produto envasado
estamos bem perto de ter essa esses produtos estarão prontos fique mais perto das paredes da
tecnologia viabilizada no Brasil, para ir ao mercado? Quais estru- embalagem. Assim, o produto é
pois os testes têm apresentado turas estão sendo trabalhadas? cozido e esterilizado facilmente,
bons resultados. Já conformamos Acredito que nos próximo seis demandando menos tempo de
stand-up pouches retortable para meses teremos boas novidades autoclave. Para produtos que não
o mercado de atum. Essas emba- com relação a filmes nacionais. são consumidos de uma só vez,
lagens foram efetivamente para A estrutura tradicional que esta a possibilidade de incorporar um
o mercado. Somos um dos úni- sendo testada é composta de zíper resselável é outra vantagem
cos fabricantes com maquinário PET, alumínio, PET e PP. Mas dos SUPs retortables.

22 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2006


Nova borrifada
Lata de duas peças para aerossóis
beneficia-se de aço pré-laminado com PET

N
o último 12 de maio a DS Contai- Corus
ners (DSC) cortou fitas e inaugurou www.coruspackaging.com
oficialmente sua planta industrial DS Containers
de 236 000 metros quadrados, cuja www.dscontainers.com
construção vinha sendo tocada desde o fim de
2004 em Batavia, cidade próxima a Chicago,
nos Estados Unidos. O que valoriza tal notícia?
É ali o primeiro escoadouro no mundo de um

FOTOS: DIVULGAÇÃO
inovador conceito de lata de duas peças para VANTAGENS – Chapas
aerossóis, cunhado a partir da Protact, uma revestidas com
família de chapas laminadas com poliéster PET simplificam
produção eliminando
(PET) da siderúrgica anglo-holandesa Corus. a costura lateral
O material propicia à DSC produzir a partir
de um sistema coil-to-can – a chapa é desbo-
binada, impressa em linha com até oito cores atrativas”, diz a DSC, em termos de custo.
(litografia) e forma a embalagem numa só pas- Percebido de pronto, um diferencial visual
sagem, sem etapas intermediárias. Pelo reves- na novidade é a ausência da solda longitudinal
timento “de fábrica”, a Protact permite à DSC – a “costura” típica da lata de três peças para
prescindir dos envernizamentos e da secagem aerossóis. Com isso, exalta a DSC, a embalagem
em fornos, num método mais simples e veloz ganha maior nobreza visual e a formação de
que aquele para a produção das hegemônicas ferrugem no ponto de junção é evitada. A lami-
latas de três peças. nação com PET também evita ferrugem na base
O novo tubo de duas peças deriva do pro- da lata. “Enquanto muitos produtores de latas
jeto da “lata-garrafa” (bottle-can) lançada cinco de três peças trabalham com pedidos mínimos
anos atrás pela japonesa Daiwa Can Company de 50 000 unidades, nosso processo possibilita
(a propósito, a DS Containers é uma parceria pedidos de 4 000 latas”, assinala James Jandora,
entre americanos e a Daiwa, sendo que as ini- gerente de marketing da DS Containers. A fábri-
ciais “DS” significam Daiwa-Seikan; Seikan é a ca possui duas linhas, cada uma sustentando uma
expressão nipônica para “produção de latas”). As cadência de até 500 latas por minuto.
SUGESTÕES – Protótipos
bottle-cans, porém, são de alumínio. Já as latas mostram possibilidades Conforme anuncia a DSC, as novas latas
para aerossóis são de aço, o que as torna “muito de uso das novas latas suportam pressão de até 18 bar, mas não são
direcionadas somente a aerossóis. Qualquer pro-
duto líquido ou pastoso pode ser acondicionado,
e loções e géis deverão adotar a novidade em
breve. Os tubos podem acoplar diversos modelos
de válvulas nebulizadoras e sistemas de fecha-
mento. Jack McGoldrick, da área de comunica-
ção da DSC, informou a EMBALAGEMMARCA que
as latas de duas peças já estão sendo utilizadas
por produtos brasileiros, mas não soube precisar
quais, nem informar o distribuidor. A reportagem
consultou fontes no mercado nacional, porém
não conseguiu identificar o canal de distribuição
até o fechamento desta edição. (GK)

24 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2006


Um decênio de interação
Jones Soda, a dos rótulos clicados pelo povo, faz dez anos e tem edição limitada

P
or que não utilizar

FOTOS: DIVULGAÇÃO
fotografias enviadas
por consumidores
para decorar rótulos?
O americano Peter van Stolk, um
ex-instrutor de esqui, teve esse
insight em 1996, quando matuta-
va sobre como popularizar uma
recém-criada linha de refrigeran-
tes. Idéia levada a cabo, em pouco
tempo a Jones Soda se tornou
cult. O convite à interação fez
chover instantâneos na fábrica de
bebidas. Com o tempo, forma-
ram-se legiões de colecionadores
dos rótulos volantes da marca. Voltado a esses pela Renaissance Mark, resgatam fotos utiliza-
fãs, um kit comemorativo dos dez anos da Jones das nas primeiras “tiragens” da Jones Soda.
Soda acaba de ser lançado nos Estados Unidos. Como um toque de charme, o kit é comple- PRESENTE – Kit de
A edição limitada explora a empatia com tado por uma miniatura da famosa marca Hot aniversário traz rótulos
retrô e miniatura de
os seguidores fiéis. Uma caixa de papel cartão, Wheels: uma réplica em escala 1:64 do furgão furgão da marca. Fotos
confeccionada pela Victory Packaging, traz qua- da Jones Soda que cruzava as ruas em 1996 volantes, como a acima
mostrada, fazem sucesso
tro garrafas da marca – uma Blue Bubblegum para propagandear a estréia da marca. “Após
(“Chicle Azul”) e uma Maçã Verde, mais duas dez anos, período em que fabricamos milhões
Renaissance Mark
de sabores fora de linha e campeões de pedidos de garrafas e vimos milhões de fotos, quisemos www.ren-mark.com
de retorno ao mercado, Framboesa e Abacaxi. criar algo especial para os fãs”, diz Peter van
Victory Packaging
Nas garrafas de vidro de 340 mililitros, forneci- Stolk, CEO da Jones Soda e pai da bela sacada www.victorypackaging.com
das pela distribuidora Zuckerman Honickman, dos rótulos interativos que, um decênio atrás, Zuckerman Honickman
rótulos auto-adesivos metalizados, impressos deu fôlego à marca. (GK) www.zh-inc.com

Auxílio da expansão digital


Evoluções na fotografia e na impressão favoreceram estratégia da marca
O fenômeno Jones Soda foi destaque da sua praticidade, incentivam muito mais
edição de março/abril de 1999 de Nova o público a nos enviar fotografias”,
Embalagem, revista então produzida disse a EMBALAGEMMARCA Seth Godwin,
para a Associação Técnica Brasileira das diretor de marketing da Jones Soda.
Indústrias Automáticas de Vidro (Abividro) Em 1999, a Jones Soda recebia em
pela Bloco de Comunicação, a dona de média 500 fotos por semana. Hoje,
EMBALAGEMMARCA (ao lado, a capa da recebe mais de 1 000 (aliás, o www.
publicação). De lá para cá, a estratégia jonessoda.com abriga uma galeria
de colocar fotos tiradas pelo público em de cliques). Em consonância com
rótulos de refrigerantes ganhou força a maior interatividade do público,
com a onda digital. “A impressão digital em 1999 a Jones Soda faturou 7
hoje facilita as tiragens limitadas dos milhões de dólares, e espera fechar
rótulos, e as câmeras digitais, com toda 2006 com 40 milhões de dólares.

26 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2006


de expor

de consumir

de lucrar

NOVO Mini-Cracker Triunfo em formato Block


Bottom: novas experiências da compra ao consumo.
Buscando uma solução diferenciada e altamente
competitiva, a Itap Bemis, em parceria com a Arcor,
desenvolveu uma embalagem com formato
totalmente inovador para o segmento de crackers,
agregando valor e modernidade à marca.
marketing >>> segmentação

Mercado maduro verde


Consumidor com mais de

ELOPAK
cinqüenta anos, um pote de
ouro, continua desassistido
por produtos e embalagens
especiais no Brasil

E
xiste um filão de consumo que nos
últimos vinte e cinco anos cresceu
110% no Brasil e que, em ritmo
chinês, deverá ter dobrado nova-
mente em tamanho até 2020. É o do público
com mais de cinqüenta anos de idade, hoje for-
mado por 29,5 milhões de brasileiros segundo
leitura do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE). Surpreendentemente, esse
país dentro do país é ainda praticamente igno- reportagem publicada há anos. O vaticínio FRUSTRAÇÃO
rado por fabricantes de alimentos, bebidas e furou. Hoje ainda faltam empresas e profis- Consumidora madura
“toureia” embalagem:
outros bens de altíssimo giro. O grifo acima sionais de marketing dispostos a apostar no falta de atenção
tem motivo. Exatos sete anos atrás, EMBA- consumidor que a ACNielsen define como a um público com
LAGEMMARCA discutia em suas páginas a “bossa nova”. Segundo uma pesquisa desse necessidades específicas
carência de produtos e, mais especificamente, instituto, em 29% dos domicílios brasilei-
de embalagens para o chamado consumidor ros os arrimos têm mais de cinqüenta anos.
maduro (nº 5, outubro de 1999). No Grande Rio e no Estado de São Paulo
Acreditava-se, à época, que o público com esse número sobe para 38%. Um estudo da
idade avançada passaria a ser olhado com agência de publicidade Talent assevera que
atenção pelo mercado, mais ou menos como as pessoas com mais de cinqüenta anos sig-
sucedeu com a questão ambiental. “Afinal, nificam 40% da classe AB no Brasil, ou 12,5
cada vez mais cresce a população com mais milhões de indivíduos, e 30% da população
de cinqüenta anos e não se percebe nela a economicamente ativa no país. De acordo
intenção de trocar trabalho e consumo por com o IBGE, 15% delas ganham mais de
pijama e um par de chinelos”, assinalava a cinco salários mínimos por mês.

Há 25 anos... Hoje... Em quinze anos... O consumidor


maduro no Brasil
...a população brasileira ...a população brasileira ...a população brasileira
era de 118 milhões é de 184 milhões será de 237 milhões • 12,5 milhões pertencem à classe AB
de pessoas. de pessoas. de pessoas. • Comanda 29% dos
...os brasileiros com ...os brasileiros com ...os brasileiros com domicílios brasileiros
mais de 50 anos repre- mais de 50 anos repre- mais de cinqüenta anos • 48% deles são
FONTES: IBGE, TALENT, ACNIELSEN

sentavam 11% da sentam 16% da popu- representarão 23% da economicamente ativos


população, ou quase 13 lação, ou quase 29,5 população, ou cerca de
• Valor médio das compras é 7%
milhões de pessoas. milhões de pessoas 54 milhões de pessoas.
maior que o do resto da população
...a expectativa média ...a expectativa média ...a expectativa média
• 58% são mulheres
FONTE: IBGE

de vida do brasileiro de vida do brasileiro de vida do brasileiro


era de 63 anos. é de 70 anos. será de 75 anos. • Valorizam marcas com forte equity

28 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2006


O rosário de dados alentadores torna
difícil entender por que a indústria local
ainda olha de esguelha para o batalhão que
parte dos cinqüentões. De quinze agências
de design de embalagem consultadas por
EMBALAGEMMARCA para esta reportagem,
todas com sólida reputação no mercado e em
média com dez anos de atividades, nenhuma
disse ter projetado embalagens declarada-
mente voltadas a esse público. “Realmente há
um vazio impressionante no nosso portfólio”,
comenta Giovanni Vannucchi, sócio-diretor
da Oz Design. “Ouvimos dizer que a idade
tenra do país contribui para a pouca atenção
do mercado a esse público”, diz Vannucchi,
“mas nos Estados Unidos, um país também
relativamente jovem, há cada vez mais pro-
dutos dedicados a ele.”
No mercado americano, os chamados
baby boomers (pessoas nascidas entre 1946 e
1964, quando houve por lá uma explosão de
natalidade) garantem lotações de seminários
de estratégia corporativa, geram diversos
estudos de hábitos de consumo, chamam
a atenção de acadêmicos e marqueteiros.
Mais que isso, ganham nichos exclusivos nos
supermercados, com produtos especialmente
formulados para prevenir carências físicas
típicas das idades provectas e dar maior qua-
lidade de vida à chamada pré-terceira idade
(dos 50 aos 65 anos). Em recente edição de
sua revista corporativa, por exemplo, a SIG
Combibloc destacou a utilização de suas
embalagens cartonadas assépticas em lei-
tes especiais espanhóis, mirados no público
maduro (na foto abaixo).
DIVULGAÇÃO

FOCO – Na Espanha, leites especiais miram a terceira


idade; no Brasil, nicho não é explorado

novembro 2006 <<< EmbalagemMarca <<< 29


Aliás, na Europa, onde em 2007 haverá
147 milhões de consumidores acima dos cin- Design sem bengala
qüenta anos, segundo o instituto Datamonitor,
O que a embalagem para a terceira idade pode explorar
o tema nunca ocupou tanto espaço em debates
sobre projeções de modelos de negócios das • Formato ergonômico, conveniente até para
indústrias. Veja-se o caso do mais recente quem tenha funcionalidade reduzida nas mãos
congresso da organização ECR (Resposta
• Dizeres em letras grandes, com tipos legíveis
Eficiente ao Consumidor, movimento mundial
em torno de práticas para melhorar modelos • Cores contrastantes entre as letras e o

FONTE: DIL BRANDS, OZ DESIGN, PACKING DESIGN


de abastecimento e venda), realizado no fim plano secundário, para facilitar a leitura
de maio em Estocolmo, Suécia. Discussões • Mecanismo de fácil abertura
sobre como tornar embalagens cada vez mais
senior-friendly (amigáveis aos idosos, ver- • Uso de material resistente, para evitar acidentes
tendo-se do inglês) foram um dos pilares • Informações claras e objetivas
da agenda do evento. De acordo com uma
• Funcionalidade priorizada em detrimento do exagero;
apresentação da fabricante norueguesa de cai-
consumidor maduro não se surpreende com
xinhas longa vida Elopak, 60 milhões de euro-
embalagens chamativas, como os jovens
peus possuem algum comprometimento da
funcionalidade das mãos, devido a patologias
que grassam na velhice, como artrite e artrose – e o número tende a crescer. A Elopak diz
que os projetos de suas mais recentes linhas de
caixinhas, a iCone e a Slim, levaram em conta
1 1 Extensões nas
tampas para facilitar as necessidades da terceira idade.
a primeira abertura.
Lá fora, fornecedores de embalagens,
indústrias e profissionais de marketing chega-
2 Embalagens plásticas tipo
caneta para medicamentos
2 ram a alguns preceitos consensuais acerca da
são leves e fáceis de dosar.
embalagem ideal para o consumidor maduro.
3 3 Dispensers para
medicamentos em Em linhas básicas, ela deve dispor de dizeres
forma de grampeador em lettering ampliado (tipos legíveis), quando
com um led para
indicar o horário do não com instruções pictóricas; de cores con-
medicamento.
4 trastantes das letras e do fundo; ter formato
4 Saquinhos plásticos com zíper para abrir, ergonômico (perfis esguios, por exemplo, são
dispositivo para fechar e fundo tipo fole.
mais fáceis de manusear); apresentar mecanis-
Inovações que também foram bem avaliadas
e que proporcionavam benefício moderado: mos de fácil abertura; e ser preferencialmente
confeccionada em material inquebrável, que
5 5 Rebaixo em tampas de
refrigerantes para inserir evite acidentes domésticos.
uma caneta ou um lápis e
assim melhorar o torque.

6 Por vias tortas...


Mesmo sem o propósito principal de contem-
7 6 Dispenser cilíndrico
com calendário. plar o público com mais de cinqüenta anos,
7 Dispositivo plástico alguns desses pontos vêm sendo trabalhados
tipo flip-up em caixas nas embalagens em geral, inclusive no Brasil.
ILUSTRAÇÕES: DIL CONSULTORES EM DESIGN

de detergentes em pó.
Embalagens dos mais variados tipos ganham
8 silhuetas slim e maior ergonomia. Da mesma
8 Embalagens
cartonadas de ¼ de forma, os mecanismos de fácil abertura evo-
litro para leite e suco,
luíram e vêm se popularizando, como fitilhos
DIVULGAÇÃO

mais estreitas para


9 que sejam mais fáceis
de segurar e esvaziar.
em pacotes, anéis em latas, sistemas a vácuo
para potes de vidro e metálicos, tampas e sis-
9 Pull-tabs para
latas metálicas. temas de fechamento em geral mais práticos
e convenientes. Atenta às necessidades desse
EM MENTE – Projeto do iCone,
AJUDA – Há sete anos, DIL Brands lançava estudos público, e após realizar estudos de grupo com da Elopak, levou em
para aproximar embalagens do consumidor maduro idosos, a DIL Brands chegou a criar estu- conta a terceira idade

30 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2006


ÃO
DIVULGAÇ
PERTINÊNCIA – Com letras
grandes e cores fortes, cartucho
do Gerovital sai na frente

dos de embalagens especiais, para produtos


diversos, voltados aos consumidores madu-
ros – “um público exigente”, no entender de
Antonio Muniz Simas, diretor da agência
de comunicação e criação de embalagens.
EMBALAGEMMARCA mostrou os estudos na já
mencionada reportagem de 1999, e, diante da
situação atual, aproveita para republicá-los
(veja na pág. anterior).
Como se verificava há sete anos, a seara
dos medicamentos demonstra estar alguns
degraus acima das demais no atendimento a
esse público por meio das embalagens. Certos
produtos desse mercado até se aproximam das
recomendações de design já mencionadas,
principalmente no segmento de complexos
vitamínicos com apelo geriátrico. Um exem-
plo é dado pelo Gerovital, do laboratório
EMS, cujo cartucho de papel cartão, fabricado
pela Box Print, apresenta letras em grandes
dimensões e cores contrastantes – nesse caso,
o nome do produto é realçado pela aplicação
de hot stamping.
Outra particularidade interessante do setor
farmacêutico é que, frente à preocupação com
a violação de medicamentos por crianças, por
exemplo, cresce a noção de que não adianta
dificultar a abertura de embalagens pela força
– o que acabaria complicando o manuseio pelo
consumidor sênior. Como balancear proteção
com conveniência? Através de mecanismos
cognitivos. Tome-se o caso de uma família de
blisters da Alcan Packaging criados há cerca
de cinco anos, e que no início de 2006 ganhou
o nome Guardlid.

novembro 2006 <<< EmbalagemMarca <<< 31


Com estrutura especial laminada reforçada,
PODE MAIS – Blister
a membrana da embalagem impede que crian- amigável aos idosos e
ças acessem os comprimidos pelo rompimen- seguro contra crianças,
to da película. Consumidores experientes, no da Alcan, tem por ora
só um usuário no país
entanto, conseguem acesso fácil ao destacar um
picotado e “descascar” a membrana partindo de
uma reserva de selagem. No Brasil, por ora, o
único produto usuário do Guardlid é a versão
Sinus (para combate à sinusite) do popular
analgésico Tylenol, da Janssen-Cilag – que não
é de venda livre.

Segurança mais praticidade


“Esse tipo de solução, que equaciona segurança
mais praticidade ao consumidor maduro, só
não deslanchou no país porque ainda não foi medicamentos não se dá à toa. “Realizamos,
homologada uma legislação obrigatória, como todos os anos, dois encontros sobre inovação
acontece em outros países”, explica Mauro que reúnem todos os nossos times mun-
Rodrigues, gerente de conta do mercado farma- diais da divisão farmacêuti-
cêutico da Alcan Packaging. ca”, conta Olinda Miranda,
Uma novidade recente desse gênero é o gerente de serviço técnico e
conceito de embalagem Pharma SHR, da pro- inovação da Alcan Packaging.
dutora finlandesa de papéis StoraEnso. Consis- “São esses eventos que impul-
te em cartuchos de papel cartão que prendem sionam os estudos de soluções
blisters. Sua retirada é feita pressionando-se para necessidades específicas
dois orifícios laterais nas embalagens secun- dos consumidores.” Em tem-
dárias, puxando-se simultaneamente os invó- pos em que intimidade com MENOR FORÇA – Tampas FG da
lucros dos comprimidos. Por sua vez, a mul- o consumidor é exaltada aqui Rexam exigem mais “jeito”
tinacional inglesa de embalagens Rexam dá e ali como diferencial, certa-
outro exemplo através de suas tampas FG para mente as empresas ganharão aproximando-se
medicamentos. “É uma linha de tampas plásti- do público mais velho. “Conhecer e defi-
cas de duas peças com mecanismo push-and- nir estratégias específicas para o consumidor
turn (empurrar e girar) que exige menor força maduro é crítico e se constituirá em vantagem Alcan Packaging
e mais “jeito” para seu acionamento”, explica competitiva”, avisa a ACNielsen num estudo (11) 4075-6500
Becky Biever, gerente de comunicação com o divulgado em maio para dissecar o “consumi- www.alcan.com.br
mercado da Rexam. dor bossa nova” – cujo grande valor de consu- Box Print
A largada na frente das embalagens de mo, reforce-se, não é novidade. (GK) (11) 5505-2370
www.boxprint.com.br

ENGENHOSIDADE DIL Brands


StoraEnso diz que (11) 4191-9711
sistema SHR atende www.dilbrands.com.br
ao público de idade
avançada Elopak
+47 3127-1000
www.elopak.com

Oz Design
(11) 5112-9200
www.ozdesign.com.br

Rexam
+1 (812) 867-6671
www.rexam.com
FOTOS: DIVULGAÇÃO

StoraEnso
(11) 3065-5200
www.storaenso.com

32 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2006


plásticas >>> alimentos

O EPS é inquirido
Lei pode banir material em embalagens de alimentos prontos para o consumo

P
olêmica. Apresentado pelo depu-

DIVULGAÇÃO
tado federal Carlos Nader (PL-RJ)
no início de agosto, um projeto de
lei, o de número 7382/2006, quer
proibir no Brasil a comercialização de ali-
mentos prontos para consumo acondicionados
diretamente em embalagens à base de polies-
tireno expandido (EPS) – material plástico
popularmente conhecido como isopor, marca
comercial de propriedade da Basf. Bandejas,
potes, chapas e invólucros do tipo concha
(clamshell), entre outras embalagens típicas
de EPS, são maciçamente utilizados em todo o
país para acondicionar alimentos prontos como
frios, queijos, sanduíches e refeições.
Segundo Nader, o projeto foi impulsionado
por um estudo da Universidade Estadual do
Paraná, que teria apontado que fragmentos do
material podem causar danos ao organismo
humano e “impactos ambientais irreparáveis”.
Segundo o deputado, “até hoje os estudiosos
não conseguiram identificar quanto tempo leva
para que o isopor se decomponha no meio
ambiente”. O projeto, que propõe que os pro- a Meiwa, laudos de órgãos como Ministério BARRAÇÃO – Se o
projeto for aprovado,
dutos sejam “envolvidos em material específi- da Agricultura, Instituto Adolfo Lutz, Tecpar
sanduíches não poderão
co para a embalagem de comestíveis e permi- e Cetea-Ital, entre outros, autorizam o uso do mais ser acondicionados
tido por lei”, está em tramitação na Comissão material para contato direto com alimentos. diretamente nas
de Desenvolvimento Econômico, Indústria e “Nas embalagens de EPS aprovadas para ali- “conchas” de EPS

Comércio (CDEIC). No início de setembro, o mentos não existe desprendimento do material,


deputado Joel de Hollanda (PFL-PE) foi desig- nem migração de partículas, pois a chapa é
nado seu relator. íntegra e homogênea.”
Também consta no texto do projeto de lei
Outro lado (que pode ser baixado em www.camara.gov.br)
EMBALAGEMMARCA consultou a Meiwa Emba- a alegação de que partículas de isopor deixadas
lagens, que afirma ser líder na fabricação de na natureza podem representar risco a organis-
embalagens de EPS no Brasil, para saber sua mos marinhos. “Não há qualquer comprovação
opinião sobre o projeto. A empresa formulou científica de que a ingestão do material possa
uma carta rebatendo as alegações do projeto causar dano a organismos, mas as perguntas
de lei (a íntegra da missiva pode ser vista em que nos vêm à mente são: as partículas deve- Meiwa Embalagens
(11) 4654-2598
www.embalagemmarca.com.br/carta_meiwa). riam estar lá? Proibir o uso do material é a www.meiwa.com.br
Em linhas básicas, a empresa afirma que “o solução correta?”, indaga Ivam Michaltchuk,
poliestireno expandido é um plástico atóxico, gerente de desenvolvimento e mercado da
100% reciclável e ecologicamente correto, e Meiwa. “Se houver um vazamento em um
sua aplicação em embalagens para alimentos navio petroleiro no mar, matando milhares de
é totalmente aprovada pela Anvisa (Agência organismos marinhos, deveremos proibir tam-
Nacional de Vigilância Sanitária)”. Segundo bém o uso do petróleo?.” (GK)

34 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2006


Alçado lá... Mergulho vertical
O alemão Achim Lubbe foi convidado
Gomes da Costa inaugura fábrica de 1,5 milhão de latas por dia
a assumir o cargo de vice-presidente
de operações de mercado na matriz da Foi inaugurada no fim de setembro de embalagens, a GDC anunciou que
SIG Combibloc, na Alemanha. Apesar a nova fábrica de embalagens metá- reforçará a utilização de sistemas
de deixar o cargo de diretor-geral para licas da Gomes da Costa (GDC), de fácil abertura nas embalagens, já
América do Sul e América do Norte da tradicional indústria de pescados em presentes em boa parte das linhas de
fabricante suíço-alemã de caixinhas, conserva. Construída em Itajaí (SC) atuns e sardinhas.
Lubbe continuará responsável pelas numa área de 10 000 metros qua-
mesmas regiões na nova função. drados, a linha é capaz de produzir
até 1,5 milhão de latinhas de aço por
...Alçado aqui
dia – 150% a mais que a capacidade
Ricardo Rodriguez, que nos últimos
anterior da empresa. Controlada pelo
anos atuou como diretor técnico da
SIG Combibloc na América do Sul, foi grupo espanhol Calvo, um dos cinco

FOTOS: DIVULGAÇÃO
efetivado como novo diretor-geral da maiores conglomerados mundiais
empresa em 1º de novembro. do ramo de pescados, a Gomes da
Costa investiu no parque fabril 31
PET em alta... milhões de reais. Com a nova fábrica
O consumo global de PET para emba-
lagens deverá movimentar 17 bilhões
de euros em 2006. Em cinco anos,
esse valor deverá ser de 24 bilhões “Mesmo pequenas mudanças nas
de euros. Os números são do estudo
The Future of Global Markets for PET embalagens geram um importante efeito
ondular nas estruturas de negócios”
Packaging, recém-editado pela PIRA
International.

...inclusive para cerveja Do CEO do Wal-Mart, o americano H. Lee Scott, sobre a iniciativa de reduzir no mínimo
O mesmo estudo aponta os Estados em 5% o volume de materiais das embalagens expostas nas lojas da rede de varejo. Na
Unidos como o maior consumidor de ação, cujos resultados deverão chegar às lojas no início de 2008, os 60 000 fornecedo-
embalagens de PET, seguido por China res mundiais do Wal-Mart já estão sendo orientados a desenvolver embalagens melhor
e México. Cervejas serão o mercado dimensionadas e menos impactantes ao ambiente. Segundo Scott, o programa poderá
em que o PET crescerá mais rapida-
gerar, de início, uma economia total de 11 bilhões de dólares aos envolvidos
mente nos próximos cinco anos, a uma
taxa média anual de 13%, embora a
base de aplicação atual seja baixa.

100% aos cinco


Para acompanhar o ritmo chinês
A 100% Design completa cinco anos Tetra Pak investe em crescimento de fábrica pequinesa
de atividades. Nesse período, proje-
Sedenta por crescimento dos negó- Caixinha: sucesso na China
tou embalagens para empresas como
Ajinomoto, Arisco/Unilever, AmBev, cios na China, cujo mercado de
Arcor, Bauducco, Cargill, Danone, Kim- bebidas deverá crescer 15% ao ano
berly Clark, Mash, Piraquê, Via Natural no próximo qüinqüênio, segundo
e Vida Alimentos, entre outras. estimativas, a Tetra Pak anunciou
um investimento de 30 milhões de
Colada no crescimento euros para aumentar a capacidade
A Artecola adquiriu a Addax, de Diade- instalada de sua fábrica de Pequim.
ma (SP), fabricante de adesivos para Com a injeção de capital, a fábrica
os setores gráfico, de embalagens e de será capaz de produzir 16 bilhões
tintas. O negócio fará a Artecola elevar
de caixinhas por ano. A China é o
em 25% o faturamento líquido em ade-
maior mercado mundial da multi-
sivos industriais, que neste ano deverá
nacional sueca de embalagens. O
ser de 41,5 milhões de reais. O valor
da transação não foi divulgado. Brasil ocupa o segundo posto.

36 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2006


Edição: Guilherme Kamio

Quando importar é mais atraente...


Para convertedores, resinas caras impelem a desindustrialização
A depender dos preços das maté- fato de o Brasil divulgar bastante sua
rias-primas, a constituição do setor auto-suficiência em petróleo, talvez
de embalagens plásticas flexíveis no fosse a hora do preço da nafta e de
Brasil poderá mudar das indústrias seus derivados serem 100% nacio-
para prestadoras de serviços. Segun- nalizados”. Muitos convertedores,
do convertedores insatisfeitos com diz Mani, ainda tentavam negociar o
o terceiro aumento dos preços das primeiro repasse de preços quando
resinas termoplásticas em menos de o terceiro reajuste foi divulgado pelas
três meses, feito no início de outubro, petroquímicas. Ao todo, os aumen-
a proliferação de tradings poderá tos ultrapassam os 30%. As resinas
ser um efeito das remarcações em respondem por 70% dos custos de
série. “Queremos evitar que nossa produção de flexíveis.
atividade se transforme em pura
importação e venda, e por isso
a cadeia petroquímica deve
ser repensada com urgência”,
diz o presidente da Associa-
ção Brasileira da Indústria de
Embalagens Plásticas Flexíveis
(ABIEF), Rogério Mani, aludindo
à formação dos preços das
resinas com base em referên-
cias internacionais. “Até pelo

Gincana high-tech
Celulares lêem códigos dos rótulos em promoção de Sprite

Celular “lê”
no rótulo o
ShotCode. À
direita, exemplo
do código

Uma nova promoção on-pack lança- site da promoção), o consumidor


da em outubro pela Coca-Cola está ganha acesso, pelo celular, a um jogo
transformando telefones celulares de perguntas no site de Sprite. Ao
em leitores de códigos de barras no vencê-lo, é avisado se ganhou um
México. Aplicados a 40 milhões de dos 5 milhões de prêmios da iniciati-
rótulos das garrafas de 600 mililitros va, entre pizzas e locações de filmes.
de Sprite, códigos especiais redon- O cupom para resgate dos brindes é
dos – os ShotCodes – podem ser uma imagem codificada recebida pelo
escaneados pelas câmeras embu- celular. Criada pela sueco-holandesa
tidas nos aparelhos. Com a leitura, OP3, a tecnologia ShotCode já faz
decodificada por um software para sucesso na Ásia. A promoção mexi-
celular (disponível gratuitamente no cana é a primeira no Ocidente.
plásticas >>> cosméticos

Vôo sinérgico
Sonoco For-Plas e Frasquim
unem competências para
desbravar a área de
produtos de beleza

FOTO: DIVULGAÇÃO
RESULTADO
Marca de fantasia “veste”
a primeira linha de
embalagens da parceria

A
postando na força da sinergia e no no mercado farmacêutico, e buscou costurar
crescimento da preferência por solu- parcerias. “Para cosméticos, ofertávamos ape-
ções integradas em embalagens, a nas embalagens standard”, conta Marco Auré-
Sonoco For-Plas, notória fabricante lio Teixeira, responsável pela área comercial
de tampas plásticas, e a Frasquim, especialista da Frasquim. “Agora também focaremos nas
em sopro de frascos plásticos, oficializaram em especialidades.”
outubro um acordo para desenvolver negócios
conjuntos no mercado de cosméticos. Primeira fornada
A parceria, ou “união de competências”, O relacionamento com a área de cosméticos
como preferem as agora cooperantes, facilitará também é recente para a Sonoco For-Plas. A
a concepção de sistemas de embalagem (reci- empresa iniciou há poucos meses as vendas
piente mais fechamento) ao gosto e de acordo Frasquim de tampas plásticas injetadas para produtos de
com as necessidades das indústrias de cremes, (11) 6412-8261 estética. “É um mercado desafiador”, entende
loções e itens de beleza afins. Composições www.frasquim.com.br Daisy Spaco, diretora de desenvolvimento de
com maior percepção de valor, para o acondi- Sonoco For-Plas negócios na América do Sul para a Sonoco
cionamento de produtos com apelo premium, (11) 5097-2750 – grupo americano de embalagens do qual a
www.sonocoforplas.com.br
serão priorizadas nos projetos em comum das Sonoco For-Plas é subsidiária. “O padrão de
fornecedoras. beleza e os requisitos de segurança das emba-
Para evidenciar seu compromisso com a lagens são altíssimos, o que nos obriga a usar
qualidade, considerada uma premissa do mer- toda a nossa experiência internacional.”
cado de cosméticos, a Frasquim recebeu do O primeiro resultado da união dos cabedais
BVQI (Bureau Veritas), em fevereiro último, a técnicos das fornecedoras é uma linha de potes
certificação ISO 9001:2000. Suas embalagens, com formato hexaédrico para volumes de 150,
produzidas numa fábrica em Guarulhos (SP), 250 e 300 gramas. Um sistema de travamento
sempre foram consumidas principalmente por e posicionamento garante que as paredes do
produtos de limpeza doméstica, automotivos domo das tampas de rosca, também com linhas
e escolares. Para explorar novos mercados, retas em seu desenho, fiquem sempre alinhadas
a empresa investiu numa sala limpa, de olho às dos frascos. (GK)

40 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2006


entrevista >>> Luciana Pellegrino

No Japão, uma orientação


dos rumos do setor

E
m outubro uma comitiva de profissionais as de alimentos responsáveis por 420 bilhões de dólares.
da indústria sul-americana de alimentos As maiores remessas são enviadas pelos Estados Unidos
visitou a Tokyo Pack 2006, principal (26%) e pela China (15%), sendo o restante fragmenta-
evento de embalagens do Japão. A viagem do em porcentagens inferiores a 5% entre outros países
foi apoiada pela Associação Brasileira de do mundo. A idéia da Jetro é fragmentar essa cadeia de
Embalagem (Abre), e fez parte de um programa organiza- fornecimento, diminuindo a dependência do Japão em
do pela Japan External Trade Organization (Jetro), entida- relação a poucos países, e também fazendo-o contar
de que desenvolve atividades para preparar empresas de com as especialidades de diferentes nações do mundo.
todo o mundo a exportar produtos industrializados para Há dois anos a Abre começou um programa com a Jetro
o Japão. Uma das prioridades da ação são os alimentos, para adequação das embalagens de produtos brasileiros
setor em que o Japão depende fortemente de outros países exportáveis para o Japão. A idéia é orientar as indústrias
para atender sua demanda interna. Luciana Pellegrino, brasileiras. Já fizemos seminários, e o programa tam-
diretora-executiva da Abre, fez parte da comitiva, ana- bém contemplou a visita à Tokyo Pack por um grupo de
lisando não somente as novidades apresentadas nos cor- empresários de indústrias alimentícias do Brasil.
redores da Tokyo Pack. Junto com os profissionais sul-
americanos, ela percorreu o varejo daquele país em busca Quais são as oportunidades mais claras para as indús-
de tendências no negócio de embalagens. “É claro que trias brasileiras?
as indústrias de embalagens de lá têm muito campo para O Brasil exporta apenas frango congelado para o Japão.
trabalhar, devido ao alto poder aquisitivo dos consumido- Cerca de 90% do frango congelado consumido no Japão
res”, conta Luciana. “Mas o mercado japonês vale como vão do Brasil. Superadas barreiras fitossanitárias ainda
uma orientação dos rumos do desenvolvimento do setor.” existentes, há possibilidade de exportar outros tipos de
Além de tendências em embalagem, a diretora da Abre carne, de porco e de vaca. No caso do frango, ele não vai
resume nesta entrevista as oportunidades que o Japão embalado para consumo, ou seja, as remessas não che-
pode abrir para a indústria brasileira de alimentos. gam lá prontas para o ponto-de-venda. O produto brasi-
leiro chega no Japão de forma bruta, para processamento
Por que um dos mercados-alvo do programa entre a Abre em indústrias como a de food service.
e a Jetro é o alimentício?
O Japão produz apenas arroz, dependendo de outros países Qual a contribuição das embalagens no esforço de
no fornecimento de alimentos. Atualmente o país importa exportação de produtos brasileiros para o Japão?
500 bilhões de dólares por ano nesse setor. O consumo A viagem deixou muito clara a necessidade de adequar as
per capita de alimentos no Japão é o maior do mundo, embalagens brasileiras para o mercado japonês. Eles têm
superior a 3 000 dólares por ano. Lá as vendas do varejo uma cultura de comunicação muito específica. A funcio-
como um todo somam 1 trilhão de dólares por ano, sendo nalidade das embalagens, a apresentação e os materiais

Luciana Pellegrino, diretora executiva da Abre, visitou


a Tokyo Pack 2006 e trouxe do varejo japonês
L
IVO PESSOA

exemplos que ilustram o nível evolutivo de uma das


FOTOS: ARQU

indústrias de embalagens mais avançadas do mundo

42 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2006


são itens que apresentam posicionamento muito bem
DRENADO
definido. Se não atendermos esses padrões, a exportação
Para o crescente
não vai acontecer de forma direta, tendo que passar por mercado de
etapas de reacondicionamento. O ramo de copacking, noodles, empresa
aliás, é muito desenvolvido no Japão, porque diferentes japonesa desen-
volveu embalagem
países que querem exportar produtos alimentícios para lá com sistema de
não conseguem atender o padrão de embalagem local. escoamento. Na
tampa, detalhadas
instruções de
Resumidamente, como se caracteriza esse padrão? preparo destacam
No Japão é possível rastrear de onde veio cada compo- ilustrações
nente, cada insumo da embalagem. A preocupação com passo-a-passo
rastreabilidade é muito presente. Tanto a embalagem
como os produtos em si precisam apresentar todas as
informações sobre origem do material, da matéria-prima
e logística de distribuição. Outra característica importante
para o desenvolvimento de embalagens é o que eles cha-
mam de design universal, conceito que reúne os critérios
de sociabilização da embalagem. No Japão são privilegia-
das embalagens que podem ser facilmente manipuladas,
e exploradas por qualquer público, incluindo crianças,
idosos e consumidores com algum tipo de deficiência
física. Há um cuidado muito específico na maneira como
a informação é colocada na embalagem, para que todos
esses públicos possam manuseá-la de forma adequada. O

novembro 2006 <<< EmbalagemMarca <<< 43


entrevista >>> Luciana Pellegrino
design universal prima por uma linguagem simplificada disseminadas. Já os pouches retortable trazem o que eles
para todas as informações fundamentais da embalagem, chamam de “retort indicator”. Trata-se de uma marcação
como a apresentação do produto e o tipo de utilidade a feita com tintas sensíveis a calor, que se torna visível
que se destina. Tudo isso é colocado de maneira clara durante o processo de esterilização em autoclave. Outra
na embalagem, com letras legíveis, grandes. Isso tam- curiosidade é que os pouches que podem ser levados ao
bém vale para o preparo do produto e para a forma de microondas têm indicação de onde o consumidor deve
manuseio de embalagem. O design universal pede que segurar o produto após o aquecimento. Ainda na área de
essas informações sejam colocadas passo-a-passo na flexíveis, vi pouches aluminizados com camada interna
embalagem, explorando desenhos que ilustrem a forma perfurada. Isso facilita a abertura sem comprometer as
de manuseá-la para utilizar o produto. Essas ilustrações características de barreira e proteção da estrutura.
estão presentes em muitas embalagens. O consumidor
bate o olho no produto, e já entende como a embalagem Quando se pensa em embalagem japonesa, segurança no
funciona. A intenção disso tudo é permitir que a embala- manuseio parece ser outro tema indissociável...
gem seja utilizada de uma forma intuitiva. O consumidor Flexibilidade e segurança no manuseio. Tamanho e peso
tem todo o caminho traçado na embalagem. Ele não apropriados. Uso sem força nem movimento excessivo.
encontra nenhuma surpresa. A manipulação da embala- Esses são pontos primordiais. Uma garrafa de PET de 1
gem vira algo prazeroso. O uso simplificado e indicado litro, por exemplo, tem a pega exata, permitindo manu-
fica evidente também nos sistema de fácil abertura. As sear com muita segurança a embalagem, sem fazer força
embalagens japonesas não só divulgam a localização excessiva, nem correr o risco de derramar o produto. Por
desses acessórios, como também indicam o sentido em incrível que pareça, quando você segura uma garrafa
que o consumidor deve puxá-los, principalmente fitilhos plástica de água de 2 litros, em momento nenhum você
e picotes. sente o peso dela. O local projetado para o manuseio fica
exatamente no meio da embalagem, dividindo seu peso
Há tendências vistas lá que também são identificadas no e facilitando a vida do consumidor. Para embalagens
varejo brasileiro? menores, como pequenos pouches, também se verifica
Sim. Como aqui, no Japão os alimentos saudáveis e natu- a existência de áreas situadas no meio da embalagem,
rais constituem um segmento que tem crescido muito. A facilitando a pega. São esses pequenos detalhes que reve-
questão do envelhecimento da população é outro tema lam toda a preocupação dos japoneses com relação ao
importante. Cada vez as indústrias japonesas se preocu- manuseio das embalagens. Minúcias que, em situações
pam mais em adequar suas embalagens ao manuseio e às de consumo on-the go, quando o consumidor está com
necessidades de leitura dos idosos (sobre este tema, ver pressa, fazem muita diferença.
reportagem na página 28). De maneira geral eu diria que
o japonês gosta muito de inovação. A maneira de apre- O que você observou em termos de preocupação ambiental?
sentar os produtos é muito importante. A diversidade de Os cuidados com compatibilidade ambiental são admi-
embalagens para o mesmo produto é muito valorizada. ráveis no Japão. O país tem uma preocupação muito
Na parte de selos de fechamento para potes e copos, por grande em preservar todos os produtos. Até pelo fato de
exemplo, é comum a impressão no lado interno do acessó- praticamente todos serem importados, e também pelo fato
rio, aumentando o campo de informações. Em se tratando de que o país já passou por guerras, pela experiência de
de embalagens que vão direto ao forno de microondas, fome, os produtos alimentícios são muito valorizados.
tampas com sistema de liberação de vapor também estão Não se admite lá o desperdício de alimentos. Isso é asso-

NA MEDIDA CERTA
Nas embalagens
de alimentos, a
regra é evitar
desperdícios.
Porções menores e
acondicionamentos
individuais
fazem sucesso
no varejo japonês

44 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2006


ciado pela população a prejuízo ambiental, seja porque o
alimento foi produzido lá, ou porque ele passou por toda DENSIDADE DE INFORMAÇÕES
Nas embalagens japonesas, todos
uma cadeia logística internacional até chegar ao país. Por os materiais dos diferentes aces-
isso existe uma preocupação muito grande em embalar sórios de acondicionamento são
adequadamente cada alimento. Isso não significa exagero identificados para facilitar a reci-
clagem. Nos laminados, material
na embalagem, mas sim uma embalagem adequada à predominante é sublinhado
demanda de conservação daquele produto. É um ajuste
muito perfeito às necessidades de acondicionamento. As
embalagens precisam ser desmontáveis para facilitar a
reciclagem. Se não forem recicláveis, precisam ser pas-
síveis de incineração. A correta identificação de todos
os materiais que compõem as embalagens também é
importantíssima. Quando se trata de um filme composto,
todas as suas camadas são devidamente identificadas. A
camada mais presente é sublinhada, e as outras estruturas,
não só do filme, como também dos outros acessórios que
compõem a embalagem, uma bandeja, por exemplo, são
identificadas corretamente. No caso de uma garrafa, eles
identificam o material dela, do rótulo e da tampa, para
facilitar o encaminhamento de cada matéria-prima para
sua devida cadeia de reciclagem. Esse método ajuda o
consumidor a compreender que a embalagem é passível
de reciclagem, e que cabe a ele separar os componentes
e encaminhar para um programa de coleta seletiva. A

novembro 2006 <<< EmbalagemMarca <<< 45


entrevista >>> Luciana Pellegrino
questão da diminuição dos volumes das embalagens pós-
consumo também é muito importante quando se pensa em
reciclagem. Todas as garrafas PET para bebidas trazem
no rótulo desenho de como o consumidor deve dobrá-las
depois do consumo, reduzindo-as a uma pequena chapa VOLUMES
MÍNIMOS
plástica, pronta para reciclagem. No caso de embala- Caixas de
gens de plástico e de papel cartão, o uso de grampos e papelão
adesivos é evitado em muitos casos. As estruturas são ondulado de
eletroeletrônicos
quase sempre encaixadas. A forma de abrir a embalagem são totalmente
é muito simplificada, basta puxar o cartão. Esforço zero. dobráveis,
Esses conceitos são sine qua non para um produto estar fazendo com
que o volume
no mercado. É claro que para isso eles têm a seu favor a
se torne
cultura japonesa: ninguém vai violar uma embalagem só mínimo no pós-
pelo fato de que ela não tem dispositivos de segurança. consumo e no
encaminhamento
para processos
Que tendências você destacaria na área de embalagens de reciclagem
de transporte?
Entre as inovações em papelão ondulado, vi uma cool
box cuja parede trazia uma camada interna laminada com
filme metalizado, permitindo manter produtos resfriados
por até vinte horas. Outra tendência é a utilização de
embalagens de papelão ondulado que podem ser monta-
das sem necessidade de fitas adesivas nem de grampos,
apenas por sistemas de encaixe. Também observei caixas
de papelão ondulado impermeabilizadas com cera natu-
ral, sem prejudicar a reciclabilidade. Por fim, são comuns
nas caixas as indicações de como dobrá-las pós-consumo,
diminuindo o volume no transporte para reciclagem.

Em termos de redução da espessura das embalagens, o


que você destacaria?
Essa questão está muito ligada ao conceito de embalagem
sustentável. O mercado japonês está reduzindo cada vez
mais a espessura da embalagem, sem comprometer a pro-
teção necessária e o devido acondicionamento. É preciso
lembrar, porém, que lá o sistema de transporte ocorre de
forma muito eficiente, diferentemente da realidade brasi-
leira, onde o limite máximo de empilhamento de caixas
de transporte nem sempre é respeitado. Para reduzir o
volume, o peso e a espessura das embalagens, como vem
ocorrendo no Japão, é preciso haver um manuseio ade-
quado. Entre vários casos, coletamos um produto alimen-
tício acondicionado numa bandeja plástica extremamente
fina. Tal recipiente destina-se exclusivamente a organizar
o produto dentro de uma estrutura feita de filme plástico,
viabilizando a maquinabilidade do processo de envase e
o fechamento da embalagem.

Como as empresas japonesas estão trabalhando a estru-


tura dos materiais? AJUSTE FINO
A tendência é a simplificação das estruturas de embala- Para minimizar impacto ambiental, bandeja de alimento é
feita com espessura extremamente reduzida, exercendo a função
gens. Eles só combinam diferentes estruturas quando é básica de organizar os produtos no interior de flow-packs
possível separá-las. Os filmes estão tendo cada vez menos

46 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2006


entrevista >>> Luciana Pellegrino

camadas. Claro que isso nem sempre é possível no acon-


MENOS É MAIS
dicionamento de alimentos. Mas eles estão apostando Ante tendência
nessa simplificação. Para viabilizar esse tipo de filmes, de diminuição do
nota-se crescente uso de absorvedores de oxigênio, que número de camadas
das embalagens
garantem a shelf life de produtos alimentícios embalados
flexíveis, cresce o uso
em filmes com estruturas mais simples. de absorvedores de
oxigênio (ao lado) em
Então não há soluções anticontrafação no mercado japo- produtos alimentícios.
Abaixo, flow-pack faz
nês de embalagem? as vezes de rótulo
Elas existem, e muitas vezes agregam uma diferenciação em condimento
estética aos produtos. Um exemplo é a tecnologia de
impressão em diferentes sentidos. A leitura é feita con-
forme o ângulo em que se olha para a embalagem. Esse
tipo de tecnologia é aplicado mesmo em produtos sem
alto valor agregado (mostra um tubo de wasabi cujo car-
tucho cartonado é impresso com a tecnologia). A holo-
grafia também é muito presente, sendo trabalhada pelo
sistema de transfer, mais barato, e por outros sistemas
de impressão mais sofisticados. Hologramas aplicados
em foils de alumínio para fechamento de copos e potes
também foram vistos na feira. A parte de embalagens
inteligentes também cresce muito no Japão. Em termos
de sistema de identificação por radiofreqüência, muitas
vezes a aplicação ocorre na estrutura da embalagem em
si (paredes de alumínio, papel), e não necessariamente
em etiquetas. Por fim, vi na feira etiquetas com proprie-
dade de repelir insetos e bactérias, usadas em produtos
alimentícios como iogurte. Selos para potes e copos
com material que absorve oxigênio também estão em
alta, abrindo novas possibilidades dentro do conceito de
embalagens funcionais.

DESCARTE CONSCIENTE À MODA JAPONESA


Na área de cartonadas, as embalagens trazem instruções sobre a
maneira que o consumidor deve cortá-las após o consumo, evitando
transporte de ar no encaminhamento à reciclagem

MUTO ALÉM
DOS BANNERS
Nos super-
mercados
japoneses,
é comum a
CHÁ VERDE DENTRO E FORA DA EMBALAGEM exploração de
De resíduo do processo de fabricação da bebida, folha da erva vira mídias digitais
insumo na produção das estururas cartonadas que acondicionam o no marketing de
produto, imprimindo textura e pigmentação especiais à embalagem ponto-de-venda

48 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2006


mercado >>> óleos

Em cartaz, aço versus PET


Disputa entre embalagens para óleos chega aos cinemas
Por Diego Meneghetti

D
ono das gôndolas de óleos comes- ções que está recebendo”, comenta Fernando
tíveis, o aço subitamente perde Mourão, diretor-administrativo da Abeaço.
grande terreno para o PET. A O vídeo, encomendado à produtora Mai-
lata então inicia um contra-ata- kai pela Toro Estratégia em Comunicação,
que, buscando sensibilizar o fiel da balança agência que atende a associação, mostra a
dessa disputa: o consumidor. Esse enredo nutricionista Maria Cecília Corsi afirmando
agora tem um desdobramento nos cinemas. que embalagens transparentes, como a garrafa
Capitaneado pela Associação Brasileira de de PET, acarretam a adição de conservantes
Embalagem de Aço (Abeaço), um comercial químicos aos óleos. “A lata de aço protege
exaltará a lata como o melhor recipiente para totalmente os alimentos da luz, por isso dis-
óleos em dezessete salas de projeção da rede pensa o uso desses conservantes”, argumenta
KinoMaxx, distribuídas entre Grande São a especialista em nutrição. Esse tema ganhou
Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Orçada força a partir do ano passado, quando a publi-
em 500 000 reais, a ação se estenderá até o cidade da Abeaço passou do institucional para
final do ano. “Vemos uma grande possibilida- as estocadas diretas ao PET. Atraindo a opi-
de de alcançar o consumidor no momento em nião pública, a entidade torce pelo rearranjo
que ele está concentrado e aberto às informa- dos modelos de acondicionamento de gigantes
FOTOMONTAGEM SOBRE FOTOS STUDIO AG (LATA E GARRAFA) E KOSTYA KIS (SALA DE CINEMA)

50 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2006


em óleos de cozinha – como a Cargill e a o produto que segue para envase em lata ou
Bunge, grandes usuárias do PET. em garrafa de PET tem a mesma qualidade”,
No córner oposto, Hermes Contesini, coor- garante Contesini. “Conquistamos mercado
denador de comunicação da Associação Bra- devido à comodidade das embalagens, não
sileira da Indústria do PET (Abipet), entende batendo no produto, que é praticamente o
que a transparência da embalagem plástica foi mesmo das latas”, ele diz.
um dos trunfos da indústria para galgar mer- A Abeaço considera os resultados das
cado no segmento de óleos comestíveis. “As primeiras campanhas “satisfatórios”, mas não
garrafas se destacam na gôndola, chamando a divulga números. Em termos de inovações
atenção do consumidor”, ele afirma. Contesini em embalagem que podem reavivar o apelo
diz que a visibilidade da categoria de óleos do aço na gôndola de óleos, a entidade aposta
favorece a imagem do PET e da cadeia dos nas latas expandidas. O primeiro passo deu-se
plásticos em geral. no ano passado através do Pão de Açúcar: os
óleos de milho, canola e girassol com marca
Visibilidade própria da bandeira foram lançados em latas
Embora movimentem apenas 7% do total menores (500 mililitros), para conquistar o
das embalagens de PET no Brasil, os óleos FORÇA – PET segue firme público single, com perfil sinuoso e ergonô-
comestíveis são vistos pela Abipet como um em nomes como a Bunge mico, um projeto desenvolvido pela Packing
mercado importante de autopromoção. A pre- Design e industrializado pela CBL.
ferência do consumidor final, diz a associa-

REPRODUÇÃO
ção, é refletida pelo fato de quase 100% do
óleo comestível do grande auto-serviço hoje Abeaço
ser ofertado em PET (considerado o canal (11) 3842-9512
www.abeaco.org.br
do food service, formado por cozinhas pro-
fissionais, o aço equilibra a participação em Abipet
(11) 3078-1688
embalagens). “Recomendamos ao consumi-
www.abipet.org.br
dor sempre checar a data de validade, pois
CBL
FOTOS: DIVULGAÇÃO

(11) 6090-5005
www.cbl.ind.br

Maikai
(11) 3045-6201
www.maikaifilmes.com.br

Packing Design
(11) 3074-6611
www.packing.com.br

Toro Estratégia BLOCKBUSTER – Anúncio da Abeaço aborda


NOVA ARMA
em Comunicação disputa de mercado com animações
Lata expandida é uma
(11) 6013-7820 e conselhos de nutricionista
aposta recente do aço
www.agenciatoro.com.br

Marinheiro no estopim
Ações de marketing do aço completam cinco anos
O revide de marketing das metálicas diante lançou website promocional e um canal de
da ascensão dos plásticos começou em atendimento 0800 e passou a apoiar even-
2001, quando a CSN lançou campanhas tos ligados à saúde e gastronomia, como
diretas ao consumidor final estreladas pelo o Festival Dako, direcionado a donas de
personagem Popeye (ao lado). Intensificou- casa, e o Prêmio Saúde, da Editora Abril.
se com a criação da Abeaço, em maio de Em 2006 veio a campanha “Insuperável”,
2003. Em maio do ano passado, a Abeaço criada pela Toro, que, além de promover a
investiu 1,5 milhão de reais na campanha qualidade nutricional dos enlatados, divulga
“Só na Lata”, que divulgou anúncios em os benefícios oferecidos pela lata de aço
rádio, TV e mídia impressa. Logo depois, dentro da cadeia de distribuição.

52 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2006


vinhos >>> vidro

Chegando para ficar


Vinícolas aderem a garrafinhas com doses individuais

D
epois de ensaios de várias viníco-
las, a Château Lacave, de Bento
Gonçalves (RS), coloca no merca-
do brasileiro a primeira garrafa de
vinho para consumo individual. O lançamento
é o Lacave Taça, acondicionado em garrafa de
vidro de 187 mililitros com tampa de rosca,
que dispensa o uso de saca-rolhas. A garrafi-
nha, fornecida pela Saint-Gobain, tem a dose
exata para encher uma taça. A nova embala-
gem está disponível para os vinhos Caber-
net Sauvignon, o Assemblage Tinto Suave e
Assemblage Branco Suave.
Pelo fato de ficar lacrada ate o momento
do consumo, permite que o vinho mantenha
suas características gustativas, ao contrário
dos vinhos servidos em taça que muitas vezes
ficam abertos por alguns dias, alterando a
qualidade da bebida. Também asseguram a
origem do vinho, pois a garrafa não é aberta
antes do momento de seu consumo. O rótulo
auto-adesivo, desenhado pela Studio Design,

FOTOS: DIVULGAÇÃO
de Bento Gonçalves, é produzido pela Prako-
lar, e a tampa, pela Altec.
O gerente comercial da Château Lacave,
Aurélio Grisi, ressalta que “a empresa quer
aproveitar um nicho de mercado ainda inex-
plorado com esse tipo de embalagem, agre-
gando valor ao trabalho de vinho em taça nos A tradicional marca de espumantes Geor-
PIONEIRISMO – Châteu
restaurantes”. Ele acredita que ainda não se ges Aubert, da cidade gaúcha de Garibaldi, Lacave é a primeira a
trata de uma tendência, por ser esse o primeiro aproveita essa onda crescente e também lança adotar garrafa de 187
lançamento específico para vinhos, mas que sua garrafinha, com um diferencial: um canu- mililitros para vinhos
há grandes possibilidades de crescimento. dinho que já vem dentro da embalagem. A
novidade, patenteada pela Georges Aubert,
Espumantes em alta facilita o consumo em festas e baladas. O
Mas se no mercado de vinhos as garrafas de canudo é colocado dentro da embalagem na
187ml ainda engatinham, no de espumantes hora do engarrafamento. Na abertura da tampa
elas já são mais uma realidade, na esteira do de rosca de alumínio, importada da Itália,
que ocorre no exterior, onde várias marcas o canudinho sai, impulsionado pelo gás da
de champanhes franceses e cavas espanholas bebida, que impede seu retorno para o interior
adotaram há bom tempo o novo conceito de da garrafa.
embalagem. No Brasil, o pioneiro em ver- O espumante é disponibilizado nas ver-
são mini foi o espumante Chandon Baby, da sões Prosecco, com a garrafa de vidro pintada
Chandon, lançado em 2004 e sucesso de ven- de preto, e Moscatel, com a pintura em lilás. A
das até hoje, especialmente entre os jovens, garrafa da Saint-Gobain, com visual moderno
que sorvem o líquido direto do gargalo. criado pela Visograf, de Bento Gonçalves,

54 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2006


é pintada na própria Georges Aubert e tem

FOTOS: STUDIO AG – ANDRÉ GODOY


rótulo auto-adesivo fornecido pela Setprint.
A vinícola também tem no mercado a versão
Brut, em garrafinhas de 187 mililitros no tra-
dicional vidro verde transparente.
A diretora executiva da Georges Aubert,
Deyse Tanuri, afirma que a empresa tem por
objetivo cativar um público mais jovem, e
que “a nova embalagem é ideal para isso, por-
que tem fácil abertura, é de consumo rápido e
pode ser consumida em baladas”. Ela ressalta
que as garrafas menores são uma tendência
no mercado de espumantes, “pois em doses
individuais a bebida pode ser consumida
em qualquer lugar”. A diretora da vinícola GARRAFINHAS DIFERENCIADAS
adianta que, devido ao sucesso alcançado Embalagens da Georges Aubert
com a iniciativa pioneira, mais variedades têm pintura especial e canudinho
(no detalhe), e seguem trilha se
de espumantes serão lançadas na modalidade
sucesso do Chandon Baby
187ml. Seguindo essa tendência, outras mar-
cas, como Aurora e Salton, se preparam para
colocar no mercado produtos semelhantes até
o fim do ano. (FP)
Altec Prakolar Saint-Gobain Setprint Studio Design Visograf
(11) 6422-0143 (11) 6291-6033 (51) 3598-1422 (11) 2133-0007 (54) 3202-2020 (54) 3453-2777
www.altectampas.com.br www.prakolar.com.br www.sgembalagens.com.br www.setprint.com.br www.studiodesign.com.br

novembro 2006 <<< EmbalagemMarca <<< 55


feira >>> PPMA Show 2006

“Queremos vender inteligê


Fabricantes britânicos de máquinas e
equipamentos vêem na diferenciação
saída para fugir da competição por
preços e encantar mercados emergentes
Por Marcos Palhares, de Birmingham

A
vocação da Inglaterra para a ativi-
dade industrial remonta à segun-
da metade do século 18, quando
se iniciou a revolução tecnológica
que transformou o mundo moderno. Naqueles
anos, o Império Britânico florescia e expandia
suas fronteiras, mantendo relações comerciais
favoráveis com o resto do mundo, importando
especiarias e vendendo produtos industrializa-
dos mais complexos. Mais de duzentos anos
depois, o cenário é bem mais complicado. A
globalização hoje representa uma ameaça às
indústrias do atual Reino Unido. “Na área de
A automação das linhas
máquinas e equipamentos, as empresas britâni- de produção e o uso de
cas enfrentam os preços menores dos países em robôs têm crescido na
desenvolvimento, e a tradição tecnológica de Europa, e hoje recebem
atenção especial dos
países como Suíça, Alemanha e Itália”, constata fabricantes de máquinas
Chris Buxton, CEO da PPMA – Processing e equipamentos
and Packaging Machinery Association, entida-
de que congrega os fabricantes britânicos de do Reino Unido, formou (e subsidiou) delega-
máquinas e equipamentos para embalagem e ções vindas dos tais “mercados estrategicamen-
America Pack
processamento. te importantes” para visitar o PPMA Show. A (11) 6991-8435
A associação, responsável pela organização predominância de países orientais como Índia, americapack@terra.com.br
do PPMA Show 2006, feira de máquinas ocor- Rússia, Malásia, Vietnã e Tailândia dá a dimen-
Bradman Lake Group
rida entre os dias 26 e 28 de setembro último são de para onde os olhos dos ingleses estão +44 (0) 1179 715-228
na cidade de Birmingham (localizada na região voltados. Mas a presença de uma delegação bra- www.bradmanlake.com
central da Inglaterra, justamente onde se iniciou sileira dá mostras de que a América Latina tam-
Domino
a Revolução Industrial), tem consciência de bém tem seu lugar nos planos de expansão dos +44 (0)1954 782-551
que precisa reagir para não fazer apenas parte europeus, e de que o Brasil é a porta de entrada www.domino-printing.com
No Brasil:
do passado. “Não podemos ficar no meio termo natural para esse mercado. “Acreditamos que o (11) 3048-0147
entre custo e qualidade”, reconhece Buxton. Brasil será um mercado fundamental”, sugere www.sunnyvale.com.br
“Temos de exportar inteligência e buscar alian- Buxton, ressaltando que a intenção não é seguir
Hexakron
ças estratégicas com empresas de países que a experiência da associação na China, onde a (11) 4341-7115
possam servir de porta de entrada para merca- PPMA mantém um escritório. “Podemos buscar www.hexakron.com.br
dos estrategicamente importantes para nossos representantes, formar joint ventures ou mesmo
Consulado Geral Britânico
associados.” fabricar no Brasil”, revela o CEO, deixando nas (11) 3094-2700
Para ajudar nessa empreitada, o United entrelinhas a impressão de que a última alterna- www.gra-bretanha.org.br
Kingdom Trade and Investment (UKTI), órgão tiva é bastante improvável nesse momento.
PPMA
comercial do governo britânico que tem por Mas as oportunidades são concretas, e foi +44 (0)20 8773-8111
objetivo promover as exportações das empresas atrás delas que embarcou a comitiva brasilei- www.ppma.co.uk

56 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2006


ncia”

FOTOS: DIVULGAÇÃO

ra, integrada por Edison Irokawa, diretor da


Hexakron (empresa que atua na fabricação,
adaptação e manutenção de linhas de engarra-
famento, além de representar no Brasil a fabri-
cante italiana de máquinas Sacmi), Fernando
Christiano, sócio da America Pack (empre-
sa de representação de equipamentos na área
de impressão de embalagens flexíveis), e por
este que assina a reportagem. Érika Azevedo,
gerente setorial responsável pelas áreas de
máquinas e equipamentos no Consulado Geral
Britânico no Brasil (que aqui representa o
UKTI), acompanhou o grupo. “O objetivo foi
convidar empresas de representação no Brasil
que tivessem interesse em buscar parceiros bri-
tânicos, com foco em áreas onde os diferenciais
dos equipamentos possam superar a barreira do
preço”, explica Érika.
A iniciativa não é inédita. “De uns anos para
cá, adotamos a estratégia de levar empresas
para o Reino Unido, com a intenção de buscar

novembro 2006 <<< EmbalagemMarca <<< 57


representantes para comercializar os produtos marcam-se visitas a fábricas. “Atuamos como
britânicos por aqui”, conta Érika. A idéia é sim- uma ponte, unindo os dois lados.”
ples, mas engenhosa. Selecionam-se empresas Apesar de o PPMA Show ter sido um even-
com experiência em representação para ir ao to relativamente acanhado, a iniciativa parece
Reino Unido com boa parte dos custos subsidia- ter gerado frutos. “Enxergamos nessa ida à feira
dos, num período que, em geral, coincide com uma oportunidade importante”, conta Irokawa,
um evento. Agendam-se reuniões com empre- que buscava empresas britânicas que se afinas-
sas que apresentem sinergias e, se possível, sem com o perfil da Hexakron e que tivessem

FOTO: MARCOS PALHARES


Feira de equipamentos
para processamento e
embalagens, realizada
em Birmingham, refletiu
busca pela eficiência das
indústrias usuárias

Uma ponta explica a outra


Visitas às gôndolas ajudam a entender PPMA Show
Em feiras de equipamentos, mui- “A queda no PIB dos países da e a crescente importância da
tas das novidades costumam ficar Europa Ocidental e o maior grau eletrônica nas máquinas. Nesse
escondidas em detalhes que só de competitividade, bem como a mercado, como se constatou no
os olhos treinados dos técnicos entrada de países como a China, PPMA Show, a robótica já é uma
são capazes de notar. Os cami- a Índia e as nações do Leste realidade, e as linhas integradas
nhos tecnológicos, por sua vez, Europeu no jogo, estão pressio- comandadas por poucos opera-
seguem uma lógica universal e nando as margens das indústrias dores chegam a médias e até
mais acessível aos profissionais britânicas para baixo”, constata a pequenas empresas. “Há dez
envolvidos com embalagens: o Chris Buxton, CEO da PPMA anos, a eletrônica correspondia
mercado. Por isso, nada melhor – Processing and Packaging a 30% do custo de um equipa-
do que ir direto ao ponto-de-venda Machinery Association. “Por isso, mento, fatia que subiu para 50%
para entender o tipo de deman- as empresas têm de ser mais nos dias de hoje”, revela Graham
da a que as máquinas têm de eficientes e trabalhar buscando Hayes, chairman do Bradman
responder – no caso, lojas das a diferenciação pela inovação ou Lake Group, fornecedor de linhas
redes Asda, Sainsbury’s e Boots, pela ocupação de nichos, para de embalagem que se estendem
em Birmingham e Londres. Além atender a uma necessidade bási- da movimentação de produtos
disso, a compreensão do contexto ca: a expansão geográfica.” à aplicação de filmes de agrupa-
em que se insere a indústria bri- Isso explica a grande presença mento nas caixas de transporte.
tânica de máquinas e equipamen- de soluções de automação de “O cliente busca uma solução
tos foi fundamental para que se linhas na feira, num país em que completa num único fornecedor”,
pudesse compreender o que se o custo de mão-de-obra está explica Hayes, confirmando outra
via no pavilhão do PPMA Show. entre os mais altos da Europa, tendência importante que se

58 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2006


interesse no mercado brasileiro, principalmente bem organizada, e a idéia de juntar na mesa de
nas áreas de bebidas, alimentos e higiene e lim- negociação fabricantes britânicos com possíveis
peza. “Iniciamos alguns contatos que considero compradores é fantástica”, despista ele.
bons, e agora faremos uma triagem levando em Os próximos capítulos dessa história ainda
conta a afinidade entre os negócios.” estão sendo escritos. No momento, as empresas
“As máquinas eram bem acabadas, com sis- dos países desenvolvidos se defrontam com a
temas racionais e inteligentes, e senti disposição maturidade de seus mercados, e os países emer-
dos fabricantes em expandir suas operações para gentes aparecem como grande alternativa em
outros continentes, inclusive com acordos de suas estratégias de expansão. Para a indústria
transferência de tecnologia” atesta Christiano, brasileira, estar preparada para esse momento
sem revelar detalhes de negócios que possam será a diferença entre aproveitar oportunidades
ter se iniciado no evento. “A missão foi muito que se formarão ou lamentar.

fortalece no mercado europeu: o corredores da feira, a força dessa zar sistemas de impressão de cai-
conceito de one-stop shop. tendência era notada na vasta xas capazes de dar uma resposta
Tema de reportagem na edição gama de alternativas disponíveis com ótima relação custo-benefício
nº 84 de EMBALAGEMMARCA, as para esse fim. Convém ressal- a seus clientes. Exemplo disso
embalagens shelf-ready (caixas de tar que, além de eficiência, as apresentado no PPMA Show é
transporte usadas como exposito- embalagens shelf-ready ajudam a a linha C-Series plus, da Domino
res nas prateleiras) também tive- garantir para o produto espaço na – empresa que, a propósito, já é
ram espaço de destaque na feira, prateleira, em caso de reposição velha conhecida dos brasileiros,
refletindo fielmente a realidade ineficiente, e a reforçar a imagem por seu histórico de duas décadas
das gôndolas. A busca por eficiên- de marca, reduzindo a necessida- de trabalho de distribuição com a
cia na distribuição (e a conseqüen- de de material de comunicação de Sunnyvale.
te redução de custos) é notada apoio no PDV. Esse relacionamento estável e de
nos corredores das lojas, seja em Nessa linha, as empresas de sucesso poderia servir de exemplo
produtos expostos diretamente codificação (setor, aliás, em que àqueles fabricantes britânicos que
sobre paletes, seja em bens orga- o Reino Unido tem grande força) ainda enxergam o Brasil com res-
nizados em caixas-display. Nos têm se esforçado para disponibili- salvas.

4
Embalagens shelf-ready de vários tipos, tais
como os paletes para refrigerantes (1), as
organizadoras de caixas de transporte (2) e
FOTOS: FERNANDO CHRISTIANO

as caixas-display (3) estão muito presentes


nos supermercados britânicos, e puxam o
desenvolvimento de equipamentos para esse
fim. A preocupação com o visual também
estimula desenvolvimentos na área de codi-
1 3 ficação, tais como a impressão de grandes
caracteres sobre superfícies porosas (4)

60 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2006


mercado >>> cervejas

Mais um capítulo de uma gu


Femsa e AmBev se batem em torno de marcas assemelhadas
Por Flávio Palhares

A
pós dez anos de produção prati- cresceram 6,5%, e em 2006, de janeiro a maio,
camente estável em 8 bilhões de o aumento foi de 7,6% em relação ao mesmo
litros anuais, o mercado brasileiro período do ano anterior. Tal quadro explica em
de cerveja dá sinais de forte recu- boa parte porque a disputa entre os fabricantes
peração – e se transforma em palco de movi- vem se acirrando a ponto de levar gigantes
mentado enfrentamento entre os fabricantes. multinacionais a atravessarem os limites dos
A expectativa no setor é de que a produção pontos-de-venda para se enfrentarem nos tri-
chegue a 9,5 bilhões de litros e de que o con- bunais (ver quadro na página 66).
sumo alcance os níveis de 1995, quando o pico A eloqüência dos bons números vislum-
chegou a 50 litros per capita/ano. Segundo o brados no horizonte brasileiro do consumo
Sindicato da Indústria de Cerveja (Sindicerv), de cerveja é gritante em comparação com os
de 2004 para 2005 a produção e o consumo esquálidos índices de crescimento da eco-

EXTENSÃO DE LINHA
Novidades da Femsa
fizeram com que
AmBev ampliasse
opções de embalagens
da Puerto del Sol
FOTOS: DIVULGAÇÃO

62 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2006


erra sem fim
nomia do país e mesmo ante o vegetativo
avanço dos mercados maduros. Na verdade, a
sede com que os brasileiros vêm derramando
garganta abaixo volume cada vez maior de
cerveja significa bem mais do que a colocação
do Brasil em quarto lugar no ranking mundial
dessa prática (atrás apenas da China, dos Esta-
dos Unidos e da Alemanha).
A rigor, esse desempenho confirma na
prática a visão de que a América Latina, o
Brasil à frente, é uma das principais searas
que restam ainda relativamente inexploradas
no planeta para o crescimento da indústria
cervejeira (a China, como em tudo, é outra
história). Batendo-se no vasto campo da eco-
nomia globalizada, nada mais natural do que
ver as marcas se confrontando aqui. Assim, a
AmBev, dona de 68,6% do mercado em outu-
bro, segundo dados do instituto ACNielsen,
enfrenta agora outro adversário de porte no
país, a Femsa, que estreou no Brasil no início
deste ano, quando comprou a Kaiser da cana-
dense Molson Coors.
Ela entra em quarto lugar no ranking,
atrás também das brasileiras Schincariol e
Petrópolis, dona da marca Itaipava. Os mexi-
canos, porém, prometem ocupar rapidamente
a vice-liderança, usando entre suas principais
armas produtos altamente vendedores no
México, como a Sol e a Dos Equis, o sistema
de distribuição da Coca-Cola, que atinge
mais de 1 milhão de pontos-de-venda no Bra-
sil, e embalagens diferenciadas. É este, aliás,
o terreno onde o confronto oferece alguns
dos lances mais interessantes, com o efetivo
recurso a dois atributos que os manuais de
marketing apregoam com crescente insistên-
cia – inovação e adição de valor (ver quadro
na página 64).
O primeiro passo nesse embate foi dado
pela AmBev, no meio deste ano, às portas
do inverno. Antecipando-se à chegada da
Sol pelas mãos da Femsa, a multinacio-
nal ex-verde-amarela lançou, para disputar
o mercado premium, a Puerto del Sol, numa
embalagem criada pela F/Nazca que remete
inevitavelmente à da concorrente mexicana, visível estratégia de nadar de braçada no
porém com preço mais baixo na maioria segmento premium com uma versão brasileira
dos supermercados de São Paulo. Sem falar da relativamente popular mexicana Sol no
na referência à marca, a garrafa long neck, mercado local, a Femsa decidiu revidar com
feita pela Owens-Illinois com o mesmo vidro uma espécie de míssil de duas ogivas. Primei-
incolor e com a mesma capacidade de 355 ro, manteve a versão long neck incolor, com o
mililitros, é decorada no mesmo sistema ACL nome de Sol “mexicana” para uso na própria
(applied ceramic label, aplicado na própria casa como produto premium, segmento que
vidraria) utilizado nas embalagens da Sol responde por 6% do mercado nacional mas
em seu país de origem. Foi o pretexto para a que está em forte expansão (para efeitos de
Femsa recorrer à justiça – e, indo mais longe, comparação, as cervejas especiais ficam com
para dar o troco em moeda parecida. 45% do consumo na Inglaterra, 25% nos Esta-
É possível que, surpreendida em sua pre- dos Unidos e 15% na Argentina).

Distância da vala comum


Auto-adesivo transparente diferencia long neck da Heineken
Inovação, diversificação, agre- gargaleira impressos em filme com a Owens-Illinois, responsável
gação de valor. Todas essas de polipropileno transparente. O pela aplicação dos rótulos nas
palavras de ordem, presentes sistema de decoração, que se garrafas, o auto-adesivo foi cla-
no atual discurso do “design enquadra no conceito no-label ramente usado para distanciar
de sucesso”, integram o mais look, é aplicado à garrafa com o produto da vala comum das
recente movimento da holandesa um adesivo especial resistente ao long necks com rótulos de papel.
Heineken, também do portfolio processo de pasteurização. “A Heineken Premium Quality
da Femsa no Brasil, para diferen- Ainda seguindo os mesmos câno- é a primeira long neck disponí-
ciar-se no imenso mercado de nes a garrafa da Heineken está vel no mercado brasileiro com
cerveja pilsen no país. A marca disponível em seis tipos diferen- este diferencial”, diz Herbert
é a primeira a adotar um rótulo tes de contra-rótulos, que valori- Gris, gerente de marketing da
auto-adesivo em long neck no zam diversos aspectos da marca, Heineken no Brasil. “Essa carac-
Brasil. A inconfundível garrafa como história, ingredientes e terística é mais uma amostra do
verde de 355ml trocou os tradi- prêmios recebidos. Com design comprometimento da marca com
cionais rótulos de papel por um trazido da Holanda e desenvolvi- inovação e qualidade.” A tampa é
rótulo, um contra-rótulo e uma do pela CCL Label, em parceria fornecida pela Aro.

FOTOS: DIVULGAÇÃO

64 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2006


Dos bares às barras
Destino da Puerto del Sol e da Sol está na Justiça
A sede pelo mercado de 26 de maio, dois dias após
cervejas não morre nas o lançamento da Puerto del
mesas dos bares, e tem Sol, a Femsa conseguiu uma
nas embalagens – ou em liminar e a cerveja da AmBev
semelhanças sempre inde- foi retirada dos pontos-de-
sejadas por uma das partes venda. Mas cinco dias depois
– a causa de embates jurí- a liminar foi suspensa e a
dicos. É o caso da AmBev e marca vem sendo comercia-
da mexicana Femsa, que no lizada normalmente. Uma
momento estão levando dos perícia técnica analisa grafia,
bares para as barras dos logotipia e embalagem. Se
tribunais sua disputa pelo ficar decidido que a criação
mercado brasileiro da bebida do novo produto foi baseada
justamente por causa das na Sol, a AmBev terá de PALADAR ADAPTADO
Femsa pesquisou
embalagens da Puerto del parar de vender a Puerto. preferências dos brasileiros
Sol e da Sol. A Femsa quer Mas a AmBev deu o troco antes de lançar a nova Sol
impedir a venda da Puerto e e também foi à Justiça,
Ao mesmo tempo, a cervejaria mexicana
acusa a AmBev de concor- pedindo a retirada da Sol do
lançou uma Sol tipo pilsen, “brasileira”, de
rência desleal, alegando que mercado. A justificativa é a
preço popular, para concorrer diretamente com
o produto foi criado para mesma da Femsa, só que
a Skol, líder nacional de vendas. O produto é
confundir o consumidor. em relação à Skol. A AmBev
comercializado em long neck âmbar (apresen-
O processo começou quando alega que as embalagens
tada nos supermercados em sixpack de papel
a bebida foi lançada, mas a das duas cervejas são pare-
decisão sobre a retirada ou cidas e podem confundir o
cartão), garrafa tradicional de 600 mililitros
não da cerveja do mercado consumidor. O argumento é (ambas produzidas pela Owens-Illinois, com
não tinha saído até o encer- que os rótulos da Sol mis- tampas da Aro, da Mecesa e da Tapon Corona
ramento desta edição. Em turam vermelho, amarelo, e rótulos da Dixie Toga), latas de alumínio
branco e dourado – mesmas fornecidas pela Rexam e chope. Com design
cores da Skol. O pedido de modernizado em relação ao mexicano (pela
liminar foi negado, mas ainda Fischer América), o rótulo – que de certa
cabe recurso. forma lembra o da marca que é o carro chefe
Enquanto dura a penden- da AmBev – traz elementos da marca original
ga, pode-se observar que o Sol e a assinatura “Desde 1899”, que remete à
embate parece estar tenden- tradição da Femsa, uma empresa com mais de
do à guerra de preços. Não 100 anos no mercado de cervejas.
se sabe se essa arma está Segundo Miguel Àngel Peirano, presiden-
sendo usada como estraté- te da Femsa no Brasil, “Sol é uma nova cer-
gia ou como tática. Se for veja, um líquido novo em embalagem nova”.
como estratégia, a história Ele conta que para chegar ao aroma, ao sabor
ensina ser um recurso que e à embalagem que agradassem aos brasilei-
leva apenas ao acirramento ros, a Femsa investiu em pesquisas em todas
da própria guerra. Vale dizer, as regiões do país. “Os resultados superaram
à contínua queda de preços
nossas expectativas: 92% dos consumidores
e, mais cedo ou mais tarde,
consideraram a nova Sol muito saborosa, e
à sua principal conseqüência,
88% relacionaram a marca com diversão e
que é a queda de qualidade.
descontração”, relata Leonardo Lima, gerente
Se for tática, é possível que
de marketing da Sol.
se esteja visando “ganhar
Na tréplica, a AmBev amplia o portfolio
share” nas pesquisas
Nielsen. A questão promete.
da Puerto del Sol, com novas embalagens.
São as mesmas da extensão de linha de Sol, ou

66 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2006


seja, a versão inicial da Puerto del Sol em long Aro
neck ganha a companhia de garrafas de 600 (11) 6412-7207
www.aro.com.br
mililitros, fornecidas pela Owens-Illinois e pela
Saint-Gobain, e de latas de alumínio, produzi- CCL Label
(19) 3876-9300
das pela Rexam. A empresa também põe fichas
www.ccllabel.com.br
na Skol Lemon, uma forma de diferenciar uma
pilsen, tipo de cerveja que compõe no Brasil o Dixie Toga
(11) 6982-9497
chamado segmento mainstream. Com dez mar- www.dixietoga.com.br
cas representativas, todas do tipo pilsen com
share superior a 1%, esse segmento responde F/Nazca
(11) 3059-4800
por 94,7% do volume total produzido no país. www.fnazca.com.br
Dentro dele, a Skol Lemon inaugura no país a
categoria de cervejas fabricadas com compos- FAHZ
(11) 3346-7211
tos de frutas, seguindo a tendência européia de
misturar aromas e sabores. Segundo Marcel Fischer América
Marcondes, gerente de marketing nacional da (11) 3704-1411
www.fischeramerica.com.br
Skol, “a cerveja é a primeira iniciativa perma-
nente na diversificação do segmento mainstre- Graphipack
(11) 4589-4526
am em décadas, e conta com uma embalagem
que chama a atenção no ponto-de-venda”. Mecesa
O produto chega ao mercado em lata de (85) 4009-2244
www.mecesa.com.br
alumínio, produzida pela Rexam, e long neck,
fornecida pela Owens-Illinois, com rótulo da Narita Design
FAHZ e tampa da Aro. Nesta, a seta que (11) 3167-0911
www.naritadesign.com.br
representa a marca Skol aparece em relevo
no gargalo, a fim de reforçar a percepção do Ladal
consumidor para a adição de valor. A Narita (19) 3522-5400
www.ladal.com.br
Design, responsável pelo conceito visual do
produto, criou também as embalagens secundá- Owens-Illinois
rias da Skol Lemon: o sixpack de papel cartão (11) 6542-8000
www.oidobrasil.com.br
para as garrafas, fornecido pela Graphipack,
e o shrink de polietileno para doze latinhas, Rexam
fornecido pela Ladal. O destaque no shrink é (51) 2123-8500
www.rexam.com.br
a base do filme transparente, que deixa as
latinhas à mostra. Saint-Gobain
(11) 3874-7482
www.sgembalagens.com.br
VALORIZAÇÃO – Skol Lemon
Tapon Corona
agrega valor através das
embalagens, como o detalhe (11) 3835-8662
em alto-relevo na long neck www.tapon-corona.com.br
e o shrink transparente
Gallus cresce no mundo Visão multidimensional previne erros
Interessada em expandir seu portfólio Altec apresenta novidade em vídeo inspeção para embalagens
de equipamentos para produção de
cartuchos cartonados, a Gallus ini- A necessidade de evitar erros nos embalagens. Trata-se da WebVision
ciou negociações para adquirir a BHS processos produtivos de embalagens Piccolo, que permite a utilização de
Druck- und Veredelungstechnik (BHS). estimula o surgimento de sistemas duas câmeras para inspeção simul-
Desde outubro de 2005 a empresa já
mais modernos de vídeo inspeção. tânea frente e verso. “A câmera se
detém 30% das ações da BHS. O plano
Uma das principais fabricantes do movimenta sobre guias lineares,
agora é adquirir o restante.
ramo, a Altec lançou uma nova permitindo avanço suave e preciso,
Fichas na digital máquina para detecção bem como um posicionamento pré-
A Vilac adquiriu uma HP Indigo ws de imperfei- programado em qualquer lugar da
4050. Também visando ao mercado de ções durante folha”, destaca Cristina Augusto,
pequenas e médias tiragens, recente-
o processo de do departamento de marketing da
mente a empresa comprou uma Plotter
DFS (Digital Finishing System), que conversão e empresa. Outro ponto alto está na
permite cortes especiais, nos mais impressão de possibilidade de configuração do
variados formatos. sistema, via menu, na tela do equipa-
mento, além de rotação da imagem
Fernando Pini no teclado.
O Design & Graphic Center (D&G),
Altec: (11) 4053-2900
espaço gerenciado pela Fine Papers e
destinado a eventos da área gráfica, foi automacao@altec.com.br
palco da primeira fase do julgamento www.altec.com.br
da 16ª edição do Prêmio Brasileiro de
Excelência Gráfica Fernando Pini. As
peças concorrentes ficaram expostas
Os melhores vendedores na mira
ao público no local durante o mês de Abigraf lança concurso online para premiar profissionais de venda
outubro. Os vencedores serão conhe-
cidos no final de novembro.
A Associação Brasileira da Indústria Gráfica anunciou o lançamento do
Prêmio Vendedor para a Indústria Gráfica. Em sua primeira edição, o concur-
Sucessão familiar so será realizado através de votação pela internet, no site: www.premiovende-
Atuando há mais de 50 anos no merca- dor.abigraf.org.br. Os vencedores serão conhecidos em dezembro, durante o
do de papel cartão, a Papirus anunciou jantar de confraternização do Sistema Abigraf. A festa acontecerá no Clube
avanços em seu processo sucessório.
Nacional, em São Paulo. O 1º colocado receberá um troféu e um exemplar do
Marco Fábio Ramenzoni é o novo dire-
tor-presidente da empresa. Ele assu- livro “O legado de Gutenberg”, sobre a história da indústria gráfica.
miu a posição até então exercida por
Dante Emílio Ramenzoni, que passou Chapas com tratamento vip
à presidência do conselho de adminis-
tração. A Papirus é uma das líderes do :Avalon SF é o novo CtP térmico da Agfa Graphics
mercado de papel cartão reciclado e
A crescente necessidade das indús- dos trabalhos com um só formato ou
de fibra virgem, produzindo por ano 84
mil toneladas.
trias gráficas em processar chapas ainda um sistema com quatro cas-
com velocidade e alta resolução fez setes removíveis. O novo :Avalon SF
Dança das marcas a Agfa Graphics desenvolver o novo também permite o uso de programas
Dois anos depois da compra da Ripa- CtP térmico :Avalon SF, que conta para diagnóstico remoto.
sa, a Suzano e a Votorantim chegaram com tecnologia High Definition. Além Agfa: www.agfa.com.br
a um acordo na divisão das marcas
de processamento veloz e alta resolu- (11) 5188-6444
que pertenciam à antiga fabricante. A
primeira incorporou a seu portfólio a ção, a linha explora opções de auto-
chancela Ripax de papéis para impri- mação, possuindo cinco configura-
mir e escrever. Embora já fabrique ções para o modelo LF e oito no VLF.
papéis para esse segmento, com a O :Avalon SF tem duas configurações
marca Report, a Suzano deverá manter
básicas, com ciclos que chegam a
a marca Ripasa, que foi lançada em
até 25,5 chapas por hora (formato
1993. A Votorantim, que fabrica o papel
Copimax para imprimir e escrever, ficou 724mm x 690 mm). O produto ofe-
com a chancela Image. rece ainda carregamento de chapas
manual, com a pré-fixação (posiciona-
mento) da próxima chapa, automação

68 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2006


Parceria avalizada
Braga é elogiada por acadêmico
A diretoria da escola Senai Theobaldo da Theobaldo de Nigris. Outra notícia
De Nigris, de São Paulo, está satisfeita relativa à Braga é a reformulação de
com a parceria mantida desde o início seu logotipo. O projeto visou aumen-
do ano com a Braga. O acordo prevê tar a visibilidade da marca. Apesar
o fornecimento gratuito de auto-ade- das mudanças, foi mantido um dos
sivos feitos de BOPP perolizado, poli- principais ícones da empresa: a pirâ-
éster metalizado e papel fosco, para mide estilizada, que está presente
os cursos técnicos em rotogravura e na identidade visual da Braga desde
flexografia ministrados pela escola. “A 1983. Naquela época o logo trazia a
estabilidade dimensional e a qualidade assinatura “Etiquetas Adesivas”, hoje
da estrutura são ótimas, garantindo substituída por “Produtos Adesivos”.
o registro correto das cores”, elogia Braga: (19) 3897-9720
Manoel Manteigas de Oliveira, diretor www.braga.com.br

Finetech investe em prova digital


Fabricante de clichês adquiriu tecnologia da alemã GMG
Representada no Brasil pela Starlaser, a tecnologia DotProof de prova
digital da alemã GMG foi recentemente adquirida pela Finetech, empresa
especializada na confecção de clichês de impressão. Pesou na escolha
a precisão das ferramentas de reprodução de cor e impressão de provas
com simulação de retículas. “Nossos procedimentos de impressão de pro-
vas se tornaram mais rápidos, confiáveis e econômicos”, diz Edmur B. do
Carmo, diretor da Finetech. “O sistema da GMG apresentou os melhores
resultados técnicos entre as alternativas avaliadas.”
Finetech: (11) 4496-8800 www.finetech.com.br
Starlaser: (11) 3365-3890 www.starlaser.com.br

Entre as dez maiores do mundo


Suzano divulga balanço do Projeto Mucuri, a ser inaugurado em 2007
No final de 2007, a capacidade pro- o estágio da construção das áreas de
dutiva da Suzano Papel e Celulose linha de fibras, secagem e pátio de
será adicionada de 1 milhão de madeiras.
toneladas de celulose anuais, com Suzano: 0800 0 555 100
aguardados reflexos no mercado de www.suzano.com.br
conversão de embalagens, onde a
empresa é uma das principais forne-
cedoras de cartões para a indústria
de alimentos. A expansão está atrela-
da à inauguração da Unidade Mucuri,
que deverá alçar a Suzano à lista dos
dez maiores fabricantes de celulo-
se do mundo. Encravado no sul da
Bahia, o projeto já cadastrou mais de
320 empresas fornecedoras, superan-
do 5 milhões de homens-horas traba-
lhados desde o início das obras, em
setembro de 2005. A imagem mostra
XL 105 debuta no Brasil
Lançada em 2005, máquina da Heidelberg é adquirida pela Nilpel Print
A Nilpel Print, divisão do grupo Logistics de alimentação automática
Nilpel especializada no mercado de de papel, o primeiro na América Latina.
embalagens, foi o primeiro cliente da Com velocidade de até 18 000 folhas
Heidelberg no Brasil a instalar uma por hora, o equipamento foi instalado
Speedmaster XL 105, máquina lan- com elevação de 87,5 cm, aumentan-
çada na Alemanha em abril do ano do assim o tamanho da pilha de papel.
passado. O equipamento só chegou à Mais de mil unidades da Speedmaster

FOTOS: DIVULGAÇÃO
América do Sul depois de ser comer-
cializado na Europa e na América do
XL 105 já foram vendidas em todo o
mundo. Outro cliente que adquiriu a
Etirama investe
Norte. “Essa estratégia nos deu tempo impressora Speedmaster XL 105 no
no entry-level
para testar seu funcionamento e trei- mercado brasileiro é a Leograf. Neste Empresa lançou flexográfica
nar os técnicos que irão operá-la”, diz caso, o equipamento deverá ser entre- compacta de tambor central
Norberto Tirelli, diretor da empresa. gue configurado com seis cores e ver- Em evento realizado no Parque
Antes de adquirir a Speedmaster niz em linha. de Exposições do Anhembi,
XL 105, a Nilpel comprou uma Heidelberg: (11) 5525-4500 em São Paulo, a fabricante de
Speedmaster CD 102 com sistema www.br.heidelberg.com impressoras Etirama reuniu pro-
de alimentação e saída semelhantes. Leograf: (11) 3933.3888 fissionais da área de rótulos para
Configurada com seis cores e verniz www.leograf.com.br lançar a Flexo Wine, sua nova
em linha, a Speedmaster XL 105 da Nilpel Print: (11) 2191-2300 flexográfica de tambor central.
Nilpel possui o sistema Heidelberg www.nilpel.com.br Compacto, o equipamento é
voltado ao mercado entry-level,
apresentando sete unidades de
Impressão digital mais robusta impressão, alinhador de bordas
Xeikon 6000 promete maior velocidade no mercado de rótulos eletrônico, forno de secagem
A Punch Graphix fez em setembro gerência de workflow. O novo toner UV com sistema de fechamento
o lançamento mundial da Xeikon FA (Forma Adaptada), por sua vez, automático e lâminas raspadoras
em todas as unidades. O tambor
6000, impressora digital que apre- promete ganhos de economia e
central, por sua vez, tem um
senta baixo ponto de fusão, e pode qualidade. O equipamento suporta
metro de diâmetro e seis cores.
atuar com substratos auto-ade- substratos com gramaturas entre 40
O evento de lançamento contou
sivos. A velocidade é de até 160 g/m² e 350 g/m², incluindo filmes de
com a presença de expositores
páginas A4 por minuto, com ciclo poliéster e filmes metalizados. Na como Braga Papéis, Clicheria
mensal próximo a 4 000 páginas. parte de formato, imprime larguras Alpha, MLC Facas, Stork, U.V.
Também destinada a aplicações de de 320 milímetros a 500 milímetros. System, Trade Print, Xsys Tintas
marketing direto, a Xeikon 6000 é Punch Graphix e Universal Rollers.
dotada do digital front end X-800, (11) 4195-9997 Etirama: (15) 3223-3332
que traz novas ferramentas de www.punchgraphix.com www.etirama.com.br

Campanha fora dos padrões convencionais


MD Papéis aposta em personagem de HQ para crescer em embalagens flexíveis
Fornecedora de papéis especiais utilizados características da linha de papéis da empre-
na conversão de embalagens flexíveis, a sa. Apesar da temática leve, Rubens Bambini
MD Papéis está lançando uma campanha Jr., diretor de negócios da MD Papéis, res-
para divulgar sua linha de produtos entre as salta que o objetivo é consolidar a liderança
empresas do setor. A vedete da ação é o per- sul-americana da empresa no segmento de
sonagem Flex, inspirado em histórias em qua- papéis especiais para embalagens flexíveis.
drinho. Dessa forma, a campanha busca fugir MD Papéis: (11) 4441-7800
dos padrões convencionais para ressaltar as www.mdpapeis.com.br

70 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2006


Gelo nos riscos
Etiqueta monitora temperaturas na
distribuição de produtos sensíveis

S
e o rastreamento de mercadorias via etiquetas
inteligentes já não é novidade, um dispositivo
agora promete avaliar qualidade e seguran-
ça no abastecimento de perecíveis. Idéia da
americana PakSense, a etiqueta TXi registra alterações de
temperatura durante a distribuição, delatando em tempo
real, através de LEDs, se produtos frescos e sensíveis estão
submetidos a temperaturas comprometedoras. Os dados
são gravados num microchip descartável embutido na eti-
queta, podendo ser coletados para análises posteriores com
um leitor e um software da PakSense. Até dois meses de
atividades podem ser monitoradas.
Programada em fábrica
com uma “escala de tolerân-
cia de temperatura”, definida
de acordo com cada produto,
a etiqueta pode ser colada
nas embalagens ou deposi-
tada sobre a mercadoria (um
envoltório plástico “respirá-
vel” a protege da umidade).
Antes do embarque dos pro-
dutos, a etiqueta é ativada ao
se dobrar um de seus vértices
(na foto ao lado). Ao fim
do percurso dos produtos, a
VIGIA – Ativação da TXi é feita com captura e a análise dos dados
dobra da quina inferior da direita das etiquetas podem evitar
que produtos fora do padrão se disseminem no mercado,
gerando devoluções no varejo e arranhões às imagens
das marcas. A etiqueta permite avaliar, ainda, o quanto as
variações de temperatura afetaram a vida útil do produto.
Em entrevista a EMBALAGEMMARCA, Amy Childress,
diretora de marketing da PakSense, contou que a TXi já
está sendo testada por produtores de carnes, aves, peixes e
frutos do mar, pratos prontos congelados, vinhos, produtos
lácteos refrigerados e medicamentos. “As etiquetas saem
bem mais em conta que outras soluções de monitoramento,
como aquelas baseadas em equipamentos”, disse a execu-
tiva. No Brasil, onde problemas com quebras das cadeias
refrigeradas não são raras, a TXi pode se dar bem. A Pak-
Sense não ignora a oportunidade. “Preparamos uma repre-
sentação para o Brasil”, informou Childress. “Enquanto
isso não se concretiza, podemos despachar etiquetas daqui
para os clientes.” (GK)
PakSense: www.paksense.com

novembro 2006 <<< EmbalagemMarca <<< 71


Anunciante Página Telefone Site
3M 59 0800 16 10 12 www.3m.com/br/autenticidade
43 SA Gráfica 3 (11) 3862-1117 www.43sagrafica.com.br
Altec 15 (11) 4053-2900 www.altec.com.br
Antilhas 53 (11) 4152-1111 www.antilhas.com.br
Ápice 11 (11) 4221-1700 www.apice.ind.br
Aro 15 (11) 6462-1700 www.aro.com.br
Baumgarten 4ª capa (47) 3321-6666 www.baumgarten.com.br
Braga 13 (19) 3897-9720 www.braga.com.br
CCL Label 49 (19) 3876-9300 www.ccllabel.com.br
Colacril 55 (44) 3518-3500 www.colacril.com.br
Congraf 38-39 (11) 5563-3466 www.congraf.com.br
Duplik 17 (19) 3542-6667 www.duplik.com.br
Easy Pack 67 (11) 4582-9188 www.easypack-brasil.com.br
Elo Design 37 (11) 3871-9942 www.elopress.com.br
ESPM 61 (11) 5081-8225 www.espm.br
Gallus 19 (11) 5525-4475 www.gallus.org
Gumtac/Pimaco 33 (21) 2450-9707 www.gumtac.com.br
Imaje 2ª capa (11) 3305-9455 www.imaje.com.br
Indeplast 43 (11) 6806-5000 www.indeplast.com.br
Indexflex 25 (11) 3618-7100 www.indexflex.com.br
InLab 69 (11) 3088-4232 www.inlabdesign.com.br
Itap Bemis 27 (11) 5516-2200 www.dixietoga.com.br
Limer-Cart 57 (19) 3404-3900 www.limer-cart.com.br
Mack Color 9 (11) 6195-4499 www.mackcolor.com.br
Maddza Máquinas 37 (35) 3722-4545 www.maddza.com
MD Papéis 65 (11) 4441-7800 www.mdpapeis.com.br
Moltec 67 (11) 5523-4011 www.moltec.com.br
Novelprint 67 (11) 3768-4111 www.novelprint.com.br
Polo Films 21 (11) 3707-8270 www.polofilms.com.br
Poly-Vac 35 (11) 5693-9988 www.poly-vac.com.br
Propack 37 (11) 4785-3700 www.propack.com.br
PTC Graphic Systems 71 (11) 6194-2828 www.ptcgs.com.br
Renda 7 (81) 2121-8100 www.renda.com.br
Resinet 23 0800 709 7374 www.resinet.com.br
Rio Polímeros 51 (21) 2157-7777 www.riopol.com.br
Seaquist Closures 41 (11) 4143-8900 www.seaquistclosures.com
Set Print 69 (11) 2133-0007 www.setprint.com.br
SIG Beverages 63 (11) 2107-6784 www.valueaddedpetsolutions.com
Simbios-Pack 37 (11) 5687-1781 www.simbios-pack.com.br
STM 69 (11) 6191-6344 www.stm.ind.br
Suzano 3ª capa 0800 0 555 100 www.suzano.com.br
Technopack 31 (51) 3470-6889 www.technopack.com.br
Tetra Pak 5 (11) 5501-3262 www.tetrapak.com.br
Topp Filmes 31 (11) 3617-4700 www.toppfilmes.com.br
Uniflexo 29 (11) 4789-5946 www.uniflexo.com.br
Vilac 45 (19) 3741-3300 www.vilac.com.br
Wheaton 47 (11) 4355-1800 www.wheatonbrasil.com.br

72 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2006


Informação é o aditivo para superação. Quando vem
acompanhada de bom gosto e credibilidade torna-se um
grande prazer. É claro que falo de EmbalagemMarca, de sua
proposta visual, de seu conteúdo e de seu dinamismo.
Nós da Meica Brasil Cosméticos, distribuidora exclusiva
Jafra, temos a missão de contribuir para o crescimento
pessoal e profissional das mulheres no Brasil, comercia-
lizando e produzindo cosméticos de alta qualidade, uma
tecnologia que nossos clientes sentem na pele.
Unindo nossa tecnologia com a informação proposta por
EmbalagemMarca, o resultado é certo: sucesso e constante
evolução.
Parabéns aos editores pela excelência na informação – e
parabéns aos anunciantes pela boa escolha de onde e
como anunciar.
Almanaque
Caçulinha foi uma madrinha
A versão Caçulinha do Guaraná ganhou um cheque em branco
Antarctica foi lançada em 1949, em para comprar edições da Revista
garrafinha de vidro de 185 mililitros, do Rádio, na qual eram encartadas
embalagem até então inédita no cédulas de votação do concurso
Brasil (na foto abaixo). Reza a lenda Rainha do Rádio. Sabendo disso,
que, a fim de promover a novidade, a rival Emilinha Borba desistiu da
a Antarctica procurou a cantora competição. Marlene somou quase
Marlene. Em troca de um contrato 530 000 votos e ganhou o pleito.
de cessão de imagem, Marlene Com a benção da Caçulinha.

Descolado,
mas não colou
FOTOS: DIVULGAÇÃO

Licença americana que representaria


um jovem consumidor, Fido Dido (pro-
nuncia-se Faido Dido) é um persona-
gem gráfico com fios de cabelo espe-
tados que traduz o jeito excêntrico e

Pé de alívio...
descompromissado dos adolescentes.
Alto e magricela, trajando tênis, ber-
Já constavam nos alfarrábios egípcios, muda e camiseta, foi criado em 1985,
sumérios, assírios e até nos do grego num guardanapo de bar em Nova York.
Hipócrates as propriedades analgésicas e O primeiro nome viria do latim fidelis
antipiréticas do pó da casca do Salgueiro (fiel), e Dido foi uma rainha de Cartago,
– a mesma árvore que no Rio empresta cidade rival de Roma antiga. Tinha espí-
o nome a uma escola de samba. Sabe-se rito jovem e alegre. Fido Dido já foi
que índios, dos Cherokees aos Caiapós, usado para apoiar campanhas de gran-
também conheciam o remédio de longa des marcas de consumo, como fez a
data. O pó mágico viria a ser, em 1897, então Pepsi-Cola Brasil, em 1992, ao
a base da primeira criação da indústria relançar no país o refrigerante sabor
farmacêutica, o primeiro medicamento limão Seven Up, seguindo estratégia
sintetizado: o ácido acetilsalicílico. Mãe global. A empresa esperava conquistar
do invento, a alemã Bayer o lançou no 15% do mercado total de refrigerantes
mercado em 1899, sob o nome Aspirina. no Brasil em um ano com o apoio do
O resto é história – e alívio. personagem. Não funcionou. Fido Dido
é descolado, mas aqui não colou.

As “pequeninas” continuam resolvendo


Rosadas e brilhantes, redondinhas, afirmava delas o pequenas latas cilíndricas de alumínio com tampa de
reclame veiculado nas rádios do país na década de rosca, com um punhado das eficazes “pequeninas”.
1940: “Pequeninas, mas resolvem”. Era o “rojão” de Engana-se quem pensa que elas sumiram do mapa.
uma das mensagens comerciais mais conhecidas no As Pílulas de Vida continuam no mercado, agora
país na época. A melodia era simples, e a letra enxuta, em frasco plástico, com a chancela do laboratório
cantada com voz de baixo, facílima: “Pílulas de Vida GlaxoSmithKline Brasil Ltda., do Rio de Janeiro.
do Dr. Ross fazem bem ao fígado de todos nós”. Raro O jingle pode ser ouvido no site:
era o lar brasileiro em que não se encontrassem as www.embalagemmarca.com.br/almanaque87

74 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2006