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XIII Congresso Brasileiro de Sociologia 29 de maio a 1 de junho de 2007, UFPE, Recife (PE)

GT 28: Teoria Sociológica

As "boas razões" e as diferenças entre o individualismo metodológico de Raymond Boudon e a teoria da escolha racional.

Bruno Sciberras de Carvalho UFRJ

contato: brunosci@msn.com

Muitas vezes, os campos teóricos do chamado individualismo metodológico e da escolha racional são confundidos. Entretanto, tais vertentes podem ser diferenciadas tanto em relação a seus axiomas quanto a seus entendimentos normativos, sobretudo se algumas considerações do sociólogo francês Raymond Boudon, pensador fundamental na configuração da primeira vertente, são levadas em conta. Essa diferenciação é importante para uma reflexão sobre certas direções da teoria social contemporânea, pois implica pensar o que significa a interação de pressupostos tradicionais das Ciências Sociais com uma ontologia proveniente da Economia. A crítica de Boudon ao paradigma da racionalidade maximizadora permite contrastar uma vertente que procura problematizar as relações complexas entre a agência e a estrutura social com uma perspectiva que especifica a priori um mesmo tipo de comportamento para todos os indivíduos. A teoria da escolha racional, que tem encontrado atualmente recepção substantiva nas Ciências Sociais, parte dos problemas colocados por seus precursores Kenneth Arrow, Anthony Downs, William Riker, James Buchanan, Gordon Tullock e Mancur Olson. A teoria busca ressaltar, sobretudo, as falhas das análises que desconsideram, segundo os autores, os reais fundamentos da ação social, caracterizados pelas atividades voltadas para a satisfação de interesses próprios. Assim, a ação social normal deve ser tida como resultante do raciocínio pessoal que relaciona de modo eficiente meios escassos com fins construídos autonomamente. Dois pontos destacam-se em tal concepção. O primeiro é a noção de uma reflexão consciente e constante dos custos e benefícios de todas as conseqüências das atividades ordinárias. O segundo ponto é a idéia de que os agentes transformam o mundo e as pessoas em mecanismos operacionais para a obtenção de seus interesses particulares. A noção de racionalidade é vinculada, então, à idéia de consumidor da teoria econômica, sendo referida geralmente à conduta que busca três elementos básicos: riqueza, prestígio e poder. Na verdade, a escolha racional reflete a tentativa de levar tais pressupostos, antes pensados como restritos às atividades econômicas, para o exame abrangente da realidade social e política. A partir do conhecimento desses elementos comportamentais, a escolha racional aponta a possibilidade de previsão das decisões que sujeitos racionais tomam em situações de escolha. Tal capacidade de previsão fundamenta uma metodologia “positiva”, supostamente não normativa, que separa os fatores importantes das ações de dados secundários. Deve-se descrever o comportamento das pessoas em um imaginado estado puro, no qual podem ser removidas muitas das características não essenciais do processo social que são notadas em uma observação direta e não controlada. A teoria da escolha racional sugere explicar muito por meio de conceitos simples, criticando teorias pautadas por concepções que seriam errôneas, como "estrutura", "vontade geral" ou "socialização". O

estabelecimento de padrões predeterminados de ação conduz ao abandono de postulados que abrangem valores ou crenças abstratas e diversas. Boudon critica a predeterminação da ação humana nesse paradigma economicista. Ainda que reitere (BOUDON, 2002a) a relevância da teoria da escolha racional em explicar parte dos fenômenos da modernidade, sustenta a necessidade de conceber a racionalidade dos indivíduos de um ponto de vista mais adequado. A princípio, Boudon destaca a importância em apontar certas inconsistências de teorias "culturalistas" e "psicologistas". Assim, a relativa influência da escolha racional resultaria do fato de procurar indicar de forma clara mecanismos e origens na explicação das ações, sem recorrer a noções, tais como "efeitos de socialização", que estariam incapacitadas de descrever quaisquer fundamentos das atividades humanas, inscrevendo-as em um esfera misteriosa e teoricamente intangível. É coerente a perspectiva metodológica, em parte estimulada pela escolha racional, que atenta a características gerais da ação subjetiva, pois, ao contrário do que especificam certas vertentes estruturalistas, "todo grupo, toda sociedade conhece oponentes; os céticos estão presentes em todos os tempos; os indivíduos crescidos em ambientes de alta criminalidade raramente se tornam criminosos" (Idem, p. 757). O que parece a Boudon positivo na escolha racional, fundamentalmente, é o fato de dar importância a aspectos subjetivos e reflexivos das condutas humanas. Contudo, Boudon sustenta que a teoria da escolha racional falha em explicar um vasto conjunto de fenômenos sociais, já que a noção de racionalidade instrumental expressa apenas ações triviais da conduta econômica. O autor salienta a necessidade de reconstruir as motivações dos agentes e refletir os fato sociais como resultados de ações que não incorporam sempre características utilitaristas. A fim de demonstrar as críticas de Boudon, e o que representam de relevante para a teoria social, exponho, primeiramente, as principais diferenças entre o paradigma da escolha racional e a teoria das normas sociais e da racionalidade cognitiva e axiológica do individualismo metodológico. Posteriormente, debato as alternativas sugeridas por Boudon, principalmente a idéia de que os agentes incorporam crenças e teorias simplesmente porque têm "boas razões" para tal e a noção de uma racionalização difusa. Finalmente, discuto as soluções dadas pelo autor francês, procurando analisar de que forma sua teoria aponta consistentemente várias falhas da visão economicista de racionalidade, mas apresenta proposições que carecem de precisão.

A Crítica de Boudon à Noção de Racionalidade Instrumental como Fundamento Exclusivo dos Fenômenos Sociais

Boudon indica a necessidade de as teorias serem desprovidas de “caixas pretas”, ou seja, de não dependerem de princípios externos a si mesmas ou noções vagas para explicar

os fenômenos sociais. Uma teoria consistente das atividades e crenças sociais não pode,

segundo o autor (1999b, p. 20), recorrer a idéias que evocam causas irracionais, como

processos de inculcação (presentes em certa tradição durkheimiana e marxista) ou

processos afetivos (como na tradição freudiana ou nietzschiana). Para Boudon, uma

perspectiva cognitivista permite algumas vantagens teóricas sobre os entendimentos que

supõe a irracionalidade nos comportamentos. Em primeiro lugar, explica as ações dos

sujeitos não por algum pressuposto de interiorização, constrangimento ou falsa consciência,

mas a partir dos sentimentos de convicção dos indivíduos. Em segundo lugar, a teoria não

incorpora as dificuldades que as teorias irracionais têm de não apontar de forma clara as

causas das ações. Em terceiro lugar, a própria característica social das crenças e

comportamentos – o fato de que outros agentes se comportam e crêem de forma similar – é

facilmente verificada por uma teoria cognitivista, enquanto os entendimentos irracionalistas

não conseguem explicar de forma adequada a disseminação social de atitudes e normas

sociais. Segundo Boudon (Idem, p. 23), o fato de os agentes defenderem e justificarem suas

crenças em um ambiente social sugere que toda convicção se apóia em um sistema

interativo de razões percebido como consistente. Assim,

se admitimos que uma crença coletiva [

sentido para os indivíduos, ou seja, se admitimos que ela se implanta porque eles possuem razões de adotá-la, essas razões não são por definição nem objetivas nem puramente subjetivas no sentido de serem efeito de idiossincrasias. É por isso que proponho qualificá-las de transsubjectives (Idem, p.

se instala porque faz

]

23).

Boudon chama atenção para duas direções essenciais do individualismo

metodológico. Por um lado, ele distingue-se das análises holistas que não observam a

relação necessária dos fenômenos coletivos com as razões individuais, tratando certas

instituições, como um partido ou uma organização religiosa, como dotados de consciência

ou vontade própria (BOUDON, 1991, p. 50). O fundamental é questionar os trabalhos que

descrevem os indivíduos como portadores passivos de idéias e fatos coletivos, de forma que

suas atitudes seriam inteiramente determinadas pelo meio social. Boudon critica, sobretudo,

a capacidade explicativa de teorias estruturalistas que se baseiam em entendimentos

tautológicos, em que a própria evocação de estruturas sociais coercitivas explica

comportamentos ou atitudes que, por sua vez, são a única prova de existência dessas

mesmas estruturas. Por outro lado, e o mais importante para se distanciar de paradigmas

utilitaristas, Boudon (Idem, p. 46) desvincula sua metodologia de uma apreciação normativa

sobre o individualismo moderno. O autor procura sustentar que a noção de individualismo

possui um significado inteiramente diferente se ela aparece no contexto da sociologia ou da

ética ou naquele da teoria do conhecimento. Boudon (1999a, p. 135) explicita que a teoria

da racionalidade que propõe não se constitui a partir de um caráter atomista. Somente a metodologia o é, pois as razões que os indivíduos incorporam possuem valor devido ao fato de alcançarem reconhecimento generalizado em determinada sociedade. Pode-se dizer que se trata, portanto, de um argumento epistemológico que não fundamenta um posicionamento ontológico. O individualismo metodológico somente prescreveria a necessidade, se visada a explicação de um fenômeno, de reconstruir as motivações subjetivas e refletir o fato social em questão como resultante da agregação de comportamentos individuais. O plano meramente metodológico não pressupõe que a se analise a sociedade como um conjunto de átomos, mas que se perceba a relação entre as ações e o contexto social, e é exatamente tal contexto que possibilita identificar e justificar uma ação como racional. Ainda que Boudon admita que a teoria da escolha racional proponha, em certos casos, explicações desvinculadas de argumentos que tomam a forma de “caixas pretas”, elas examinariam fenômenos específicos e circunscritos, em que os indivíduos adotam o comportamento conseqüencial que tem em vista apenas os benefícios das decisões. Assim, a escolha racional não pode entender situações em que os atores raciocinam a partir de princípios ou opiniões, em vez de listar as conseqüências pessoais de suas ações. Boudon (2002a) identifica três grandes classes de fenômenos que escapam às explicações vinculadas aos pressupostos da racionalidade instrumental. Em primeiro lugar, salienta que há atitudes que expressam crenças não triviais, muito distanciadas da conduta de maximização de benefícios. Enquanto o ato de atravessar a rua com cuidado a fim de aumentar as próprias chances de vidas parece uma ação trivial, passível de ser explicável por intermédio da teoria da escolha racional, existiriam outras situações determinadas por crenças, ou particularmente por teorias, que têm por objetivo estrito compreender a realidade de um contexto da forma mais satisfatória possível. O sujeito acredita nessas teorias simplesmente porque lhe parecem verdadeiras para entender e dar sentido a situações definidas espacial e temporalmente, o que implica no fato de a racionalidade gerada nesses momentos ser de tipo cognitivo e não instrumental. Deve-se notar que quando Boudon denomina essas crenças ou teorias de satisfatórias, não se aproxima da tese clássica de Herbert Simon, muito debatida no campo da escolha racional, acerca de uma racionalidade limitada (bounded rationality), relacionada com um conjunto sempre reduzido de informações disponíveis nas situações sociais. O autor (1999a, p. 93) lembra que o agente pode estar não somente confrontado com um déficit de informação, mas vinculado a um problema o qual deve resolver a partir de uma teoria que envolve os recursos cognitivos que dispõe. Os atores buscam um sistema de boas razões para a resolução dos problemas que a realidade cotidiana impõe, de modo que

a racionalidade do ator ordinário lembra mais, portanto, a racionalidade que evocam os filósofos da ciência do que

aquela da economia neoclássica. O que se trata de maximizar

ou otimizar aqui não é uma diferença entre custos e benefícios,

mas sim a força de um sistema de argumentos (BOUDON,

1999a, p. 93-94).

A conseqüência é que os argumentos admitidos e defendidos pelos agentes resultam

do sistema de razões que predomina em um contexto cognitivo específico, de forma que a

maioria das pessoas tende a possuir as mesmas respostas para as mesmas questões.

Assim, para questionar a tendência da escolha racional de qualificar certas atitudes que não

correspondem ao seu quadro analítico de irracionais, como o problema do paradoxo do voto

tantas vezes demonstra, é necessário admiti-las a partir de uma teoria mais abrangente

sobre a racionalidade. Isto requer negar as tentativas de compreender certos

comportamentos que não cabem nos pressupostos instrumentais como provenientes de

simples enquadramentos mentais (frames) que seriam externos aos indivíduos e, portanto,

inexplicáveis (BOUDON, 2003, p. 44-45). Segundo Boudon, é a partir das proposições de

racionalidade cognitiva e axiológica que se pode construir entendimentos sociológicos que

engendram explicações finais que não pedem novos dados sem explicação ou pressupostos

não citados anteriormente.

A segunda grande crítica de Boudon às explicações da escolha racional refere-se à

impotência da teoria em entender os comportamentos que se apóiam em crenças

prescritivas e não conseqüencialistas. Para Boudon (2002a, p. 762), os fatos de que os

agentes geralmente votam, mesmo sabendo da insignificância de seu ato para o resultado

final, ou que dividem somas de dinheiro que acham, agindo contra seus interesses próprios,

seriam representações de casos banais que sugerem atitudes que dão pouca importância

para as suas conseqüências. Por outro lado, Boudon chama atenção para a ocorrência de

várias situações que os indivíduos consideram relevantes e essenciais, de modo que se

tornam inquestionáveis mesmo sem os afetar diretamente. A questão do roubo, por

exemplo, indicaria que certos fenômenos tornam-se incompreensíveis se restritos ao quadro

analítico da escolha racional. Há uma certeza de que o roubo é ruim, mesmo que ele gere

efeitos reais apenas para um contingente pequeno de uma comunidade, e mesmo que sua

ocorrência esteja longe de acontecer para certos sujeitos ou grupos sociais. Para Boudon,

as explicações que definem a avaliação negativa dos indivíduos como um sentimento de

medo pessoal seriam inconsistentes. O autor (1999a, p. 122; 1999c, p. 111-112) sustenta

que a desaprovação dos agentes em relação ao roubo sofrido por um indivíduo distante

condiz antes com um sentimento de indignação do que com a sensação de medo. Além

disso, a indignação geralmente não se refere aos dados quantitativos do prejuízo

acarretado, mas aos danos sofridos pela vítima. Nesse sentido, não é possível entender o

fenômeno normativo somente por suas conseqüências, mas sim pelas razões que criam o

julgamento de valor de que o roubo é, por si mesmo, ruim, dado que contraria princípios

essenciais a partir dos quais as sociedades se constituem. Assim,

a ordem social está baseada no fato de que toda retribuição social consentida a um indivíduo deve, em princípio, corresponder a uma certa contribuição de sua parte. Senão, o principio mesmo da relação social se acha em questão. Ora, o roubo é uma retribuição positiva que o ladrão se atribui às expensas de sua vítima, tendo recorrido a um constrangimento ilegítimo. Assim fazendo, ele contradiz uma regra essencial que está na base de todo sistema social […] Portanto, o roubo é tão condenado porque existem razões fortes para o condenar (BOUDON, 1999a, p. 121).

Finalmente, Boudon chama atenção para a falha das análises utilitaristas em

entender fenômenos distantes de qualquer característica egoísta, como o fato de que todo

espectador de Antígona condena Creonte e aprova a protagonista, ainda que tal ato não

obedeça a critérios de ganhos ou desejos individuais. Esse caso exemplificaria um conjunto

de situações em que os agentes devem avaliar conjunturas desconectadas de exclusivismos

e de referências pessoais. Assim, mesmo que os custos a nível pessoal sejam irrisórios ou

gerem conseqüências negligenciáveis, os atos oportunistas de governantes sempre

resultam em indignação social, até em países com possibilidades remotas de serem

atingidos por níveis elevados de tais comportamentos. Pode-se notar que governantes que

não cuidam adequadamente das práticas de corrupção tendem a ter suas oportunidades

políticas restringidas. A percepção ordinária demonstra que, independentemente do

contexto, a corrupção ou tráfico de influência são assuntos graves para a maior parte os

indivíduos, tratados de forma minuciosa, com despesa de tempo e informações para que

tais ações não voltem a se repetir. Na medida em que são fenômenos que ocasionam

poucas conseqüências pessoais, a desaprovação somente pode ser explicada, segundo

Boudon, pelo fato de contrariarem regras fundamentais e não exclusivistas do pacto social,

geralmente fundadas em concepções formais de troca legítima (BOUDON, 1999c, p. 112).

O que uniria essas atitudes ou fenômenos é o fato de envolverem reflexões que,

longe de serem concebidas por um cálculo isolado e restrito ao interesse próprio, se referem

ao “sentido”, mais ou menos consciente, que os atores dão a suas ações. Se existe a

maximização de algo nas condutas, ela estaria relacionada com algo para além dos custos e

benefícios. A tentativa exemplar de alguns trabalhos da escolha racional de resolver o

paradoxo do voto chamando atenção para o fato de que a abstenção provoca danos à

reputação dos indivíduos parece exatamente destacar esferas sociais externas aos cálculos

pessoais. Tratando a reputação como se fosse um custo a ser evitado, as análises acabam

construindo argumentos ad hoc e contraditórios, dado que não há motivos para que a

abstenção seja vista de forma negativa se os agentes são efetivamente racionais e sabem da inutilidade do voto (BOUDON, 1999c, p. 111) Segundo Boudon, os indivíduos buscam geralmente razões e teorias adequadas às situações que enfrentam no cotidiano. Nesse sentido, apenas em certos casos a racionalidade implica atitudes que refletem a maximização de meios e fins pessoais. Na maior parte das vezes, a racionalidade se relacionaria com dados cognitivos, em que as crenças e teorias que fundamentam as ações aparecem como verdadeiras, ou ainda com qualidades axiológicas, de modo que as mesmas crenças e teorias são justificadas e legitimadas através de peculiares argumentos. Para a compreensão das características cognitivas e axiológicas da racionalidade, que na verdade possuem diferenças muito sutis, somente o individualismo metodológico que não pressupõe a ação instrumental em todas as esferas da vida poderia ser consistente. Para Boudon, o fato de a escolha racional se limitar a concepções conseqüencialistas e egoístas resulta na passagem de uma mera estratégia metodológica centrada no indivíduo para a idéia de um sujeito universal que não apreende questões sociais fundamentais do comportamento humano.

As Boas Razões e o Processo Evolutivo das Normas

Segundo Boudon, a solução para o impasse apresentado pela teoria da escolha racional na explicação de vários fenômenos está na análise das racionalidades cognitivas e axiológicas. Na medida em que procura dar certa dignidade ao papel da racionalidade nas práticas cotidianas, tal solução se relaciona com a crítica do autor às pesquisas que supõem que apenas um observador controlado pode perceber adequadamente a realidade, enquanto os indivíduos ordinários a apreenderiam de forma ilusória (1999a, p. 21-22). Por outro lado, o problema torna-se mais complexo quando certas teorias enfatizam argumentos relativistas e sustentam a impossibilidade de fundação de certezas, questionando a crença dos agentes sobre a existência de verdades e valores objetivamente fundados. Assim, o individualismo metodológico de Boudon reflete dois posicionamentos essenciais: um que subverte a intenção de definir leis objetivas sobre a realidade social e outro que rejeita posicionamentos pluralistas a partir da idéia de um processo geral de racionalização. A forma como o autor une essas duas direções, em princípio diversas, torna-se central para avaliar a diferenciação que faz entre sua teoria e o paradigma da escolha racional, ainda que essa mesma união engendre alguns problemas. Contrariando posições relativistas, Boudon (Idem, p. 19-20) questiona o que no seu entender forma o “trilema de Münchhausen” em relação aos princípios das crenças ordinárias. O trilema é composto a partir da hesitação em escolher uma das seguintes proposições: 1- renunciar a apoiar os princípios das crenças sociais, os considerando como

indemonstráveis; 2- procurar demonstrar que esses princípios se apóiam em outros princípios, que, por sua vez, se apóiam em outros princípios, em um processo infinito, sendo então necessário voltar à primeira suposição; 3- ou procurar, de modo circular, demonstrar tais princípios a partir de suas conseqüências. Boudon nega as perspectivas que sustentam a irresolução entre essas alternativas, argumentando, de modo sucinto, que “estaríamos mal em aceitar a idéia de que os mitos devem ser tidos por representações do mundo tão válidas quanto as teorias científicas” (1999a, p. 25). A saída do trilema está, então, na admissão parcial do terceiro princípio, ou seja, de que o processo de conhecimento é, em certo sentido, “circular”. Todo conhecimento ou teoria partiria de um sistema circunstancial de boas razões, dado que seus argumentos superam de maneira incontestável, em determinado momento e espaço, entendimentos concorrentes. Por sua vez, as razões, mesmo não sendo primárias em seu conteúdo, possuem um caráter de princípio. Assim, a real resolução do trilema, que admite uma objetividade relativa das teorias ou crenças, fundamenta-se na verificação da falsidade do problema posto, pois a distinção entre princípios e conseqüências somente pode ser efetiva ou absoluta se o pensamento pode ser deduzido de princípios primários. Sendo tal ideal impossível, admiti-se que o pensamento deve ser considerado como uma rede complexa de argumentações, de modo que o princípio de um entendimento pode ser visto como uma conseqüência em outro raciocínio. Entretanto, Boudon não quer dizer que os princípios prescritivos ou normativos das teorias ou crenças não possam ser racionalmente discutidos ou mesmo negados quando comparados com a realidade. Ainda que não exista um conjunto de critérios que permitam entender um grande sistema de razões como universalmente válido, pode-se perceber que determinadas teorias ou crenças são superiores em relação a outras. Isto a partir de avaliações específicas, variáveis de um caso a outro, dado que "há critérios que permitem emitir julgamentos avaliativos relativos (T1 é mais aceitável do que T2), mas não há critérios que permitem enunciar julgamentos avaliativos absolutos (T1 é verdadeiro)" (BOUDON, 2002a, p. 764). Assim, o problema central de vários entendimentos sociais seria que não admitem que o indivíduo possa ter razões próprias para adotar valores ou crenças, de modo que se torna um ente passivo de determinações causais. As teorias fideístas, por exemplo, mostram que os valores ou princípios não possuem necessidade de serem fundados, pois seriam da mesma natureza que as evidências intuitivas de nossos sentidos. A perspectiva cética assume que os valores ou normas não podem ser fundados na revelação, nem na intuição ou na razão. Outra corrente, chamada por Boudon de “causalista”, considera que as normas manifestam processos biológicos, sociais ou psicológicos que se inscrevem de maneira direta e espontânea nos agentes, sendo quase incompreensíveis. Muitas vezes, essas correntes, e também a escolha racional, se uniriam em torno de pressupostos que qualificam algumas atitudes dos agentes como irracionais. Boudon

(1999b, p. 38-39) exemplifica sua crítica a esses modos de explicação recorrendo aos

argumentos de Tocqueville acerca das novas idéias que questionavam o antigo regime na

França. Mesmo achando incorretos os argumentos então elaborados, Tocqueville

demonstraria como os agentes tinham razões particulares para suas crenças, constituindo

uma lógica de acordo com o contexto social da época. Assim, a ênfase nos poderes da

razão e a desqualificação da tradição refletiriam um sentido que dava coerência às práticas.

O que importa a Boudon, especificamente, é que esse tipo de procedimento analítico não

recorre a fatores intangíveis tais como “imitação”, “fanatismo”, “cegueira”, “tradicionalismo”,

“inculcação”, etc., mas simplesmente às boas razões que os agentes tinham para adotar e

legitimar as crenças dos filósofos da época.

Boudon (Idem, p. 50) sugere a hipótese de que a influência das teorias que recorrem

a aspectos irracionais deve-se à simplicidade de seus modelos. Assim, certos autores se

contentam em simplesmente nomear eventos que se impõem sobre os indivíduos, deixando

de lado a tentativa de identificar suas particularidades e seus conteúdos. Isto pode ser

percebido na idéia de que os indivíduos não conseguem perceber o mundo tal como ele é,

como em certas concepções de “alienação” e “falsa consciência”, ou na noção de fatores

emocionais a concorrerem com a lógica instrumental. Além disso, Boudon chama atenção

para o fato de que se o conceito de “interiorização”, largamente usado na Sociologia, deve

ter relevância é porque deve ser visto como um efeito e não uma causa das ações e razões

individuais. O interessante para o autor é que o procedimento analítico voltado para fatores

irracionais tenderia, por vezes, a expor um conteúdo positivista que demarca uma linha clara

entre o procedimento científico e o pensamento ordinário, pensando

que somente as crenças científicas, ou de modo geral aquelas que podemos tratar como conclusões de raciocínios persuasores, podem ser explicadas pelas razões que as fundam. As outras, na medida em que não se baseiam em razões sólidas, podem ser apenas ilusões […] O positivismo conduz os autores, portanto, para uma visão dual do espírito. Ele conteria crenças baseadas em razões (cujas crenças científicas representariam o paragon) e crenças produzidas por causas (que não possuem o estatuto de razões) que são ilusoriamente percebidas pelos sujeitos como baseadas em razões (1999a, p. 52).

Segundo Boudon (1999b, p. 48), ainda que a qualificação de positivista tenha

adquirido um viés reconhecidamente negativo na teoria contemporânea, há vários trabalhos

que continuam a se pautar por princípios de pureza. Essa direção legitima-se por uma teoria

causal primária que define, assim como os entendimentos mecanicistas da física, uma

gênese comum para todos fenômenos sociais. Contrariando tal perspectiva, Boudon

ressalta que as explicações científicas obedecem à mesma ordem axiológica das descrições

dos agentes ordinários. Crenças fortes, verdadeiras ou falsas, se encontram tanto na

história cultural das sociedades quanto na evolução científica. Assim, a antiga crença

científica de que a Terra é quadrada é tão falsa quanto a crença dos alemães da república

de Weimar que votaram no partido nacional-socialista como forma de alcançarem o

progresso social (BOUDON, 1999a, p. 65). Os fatores que tornam uma teoria exitosa seriam

os mesmos nas crenças apoiadas na dimensão “intelectual-teórica” e nas crenças da esfera

“prática-ética”.

Contra suposições positivistas e procurando incorporar o que constitui no seu

entender o maior legado da metodologia weberiana, Boudon enfatiza a necessidade de uma

epistemologia que observe as razões dos agentes em suas relações sociais. Para o

individualismo metodológico ser consistente, as crenças científicas ou ordinárias devem ser

compreendidas a partir do sentido que têm para os agentes. Dessa forma, o autor (Idem, p.

55) critica as teorias da racionalidade utilitarista, derivadas da ciência econômica, que

admitem princípios últimos de ação e tratam a realidade das normas e valores como dados

prontos, sem a necessidade de serem devidamente explicados e analisados. Isto não quer

dizer que o agente tenha controle total sobre suas crenças, que podem ser mais ou menos

confusas ou se encontrarem em um nível mais ou menos consciente, mas que elas devem

estar fundadas em razões sólidas e coerentes, diretamente articuladas com o ambiente

social.

Por outro lado, Boudon sugere uma tendência universal de racionalização que

pautaria as teorias e crenças ordinárias. Segundo o autor (Idem, p. 185-188), a

racionalidade implica, ao lado da dimensão compreensiva e contingente das razões dos

atores, um processo de evolução que condiz com a prescrição de determinadas crenças

como sendo irreversíveis, no sentido de serem reconhecidamente mais legítimas e melhor

justificadas em qualquer contexto. Esse processo é descrito por Boudon como uma

“racionalização difusa” em que certos sistemas de razões desqualificam outros ao longo da

história. Assim,

muitas idéias, proposições, valores, Stellungnahmen, resultantes da dimensão axiológica nos parecem hoje evidentes porque são resultantes de processos de inovação e de seleção social que obedecem aos mesmos princípios daqueles que guiam a produção e a seleção das idéias em matéria ‘intelectual-teórica’, e notadamente em matéria científica (Idem, p. 186).

Um exemplo claro do processo de racionalização difusa seria o desenvolvimento da

idéia de cidadania no mundo ocidental, que se tornou para Boudon uma manifestação

irreversível “com a mesma força do princípio de inércia na esfera ‘intelectual-teórica’” (Idem,

p. 186-187). Do mesmo modo, a idéia de “pessoa” e, posteriormente, de indivíduo, alcançam

ao longo dos séculos a mesma relevância. Por conseguinte, na maior parte das sociedades,

as instituições só seriam aceitas e legitimadas pelo indivíduo se este tem o sentimento de que sua dignidade está sendo respeitada. Tais idéias seriam adotadas porque seus argumentos têm força e coerência maiores que as teorias que apoiavam ordens hierárquicas. No mesmo sentido, Boudon (1999a, p. 189) cita a noção de separação dos poderes e a idéia de que os conflitos, quando regulamentados, são bons para o funcionamento de um sistema político. Uma das questões essenciais que envolvem todas essas idéias na evolução moral e política seria a realização de um programa difuso definido pelo respeito ao indivíduo e a suas particularidades, o que caracterizaria a própria noção moderna de individualismo (BOUDON, 2002b, p. 43). O fundamental é que a racionalidade torna-se uma instância que pressupõe algo singular e universal, mesmo com a diversidade cultural. Uma das principais preocupações de Boudon refere-se ao relativismo que predominaria não só no campo científico como no comportamento e nas justificativas do cidadão ordinário, de modo que "qualquer que seja o conteúdo da opinião de outrem, é necessário acolhê-la de modo positivo" (BOUDON, 1999a, p. 309). Contra tal perspectiva, o autor (Idem, p. 190) propõe, por exemplo, o desafio de saber se os relativistas e multiculturalistas aceitariam de forma inquestionável fatos tais como a excisão, a definição das mulheres em um estatuto inferior, que a magia valha a mesma coisa que a ciência ou que certos setores de produção utilizem métodos escravizantes. Segundo Boudon, tais idéias ou mecanismos sociais envolvem raciocínios indiscutíveis e o fato de que ainda possam aparecer em sociedades contemporâneas se deveria apenas à presença de “forças históricas” que contrariam, por vezes, as diretivas racionais. Portanto, para questionar raciocínios relativistas ou abordagens limitadas da ação, como da escolha racional, Boudon aponta a emergência de razões com características distintivas de universalidade. O problema é que a análise do autor não precisa de forma clara qual seria o fundamento efetivo da racionalidade, se o reino das opiniões e das razões circunstanciais ou se a dimensão das crenças irreversíveis, impossíveis de serem criticadas. Ainda que o autor sugira que a racionalidade se relaciona com ambas as direções, não há argumentos que explicitem como as esferas das práticas ordinárias e de uma reflexão universalizante se articulam entre si. Nesse sentido, Boudon, em um mesmo parágrafo que trata do relativismo como fenômeno social, revela tanto uma posição contextual e parcial dos agentes, pois “há também razões fortes de resistir ao relativismo” (Idem, p. 323), quanto uma atitude normativa que depende de um postulado inquestionável, já que “evidentemente, as opiniões são opiniões e as verdades, verdades, e importa ver que essa distinção é real” (Idem, p. 323).

A Racionalidade entre o Universalismo e os Parâmetros Contextuais

A maior qualidade do trabalho de Boudon sobre a racionalidade parece residir em sua crítica ao paradigma da escolha racional como teoria explicativa das relações sociais. A partir de sua ênfase na falta de uma abordagem coerente da escolha racional para entender fenômenos eminentemente sociais, torna-se clara a diferença efetiva entre uma epistemologia das Ciências Sociais e um entendimento proveniente da Economia. Mesmo sendo uma vertente que parte de um método centrado no indivíduo, o individualismo metodológico de Boudon considera a importância de observar teoricamente uma esfera que se impõem, de maneira mais ou menos efetiva e mais ou menos consciente, sobre os agentes. Em vários momentos, Boudon sugere a importância dos processos de socialização, ainda que sempre saliente a necessidade imperativa de estudá-los a partir de seus microfundamentos e não concebê-los a priori. Sua teoria destaca a necessidade de descrição dos modos pelos quais os sujeitos incorporam efeitos sociais, procurando estabelecer relações efetivas entre as dimensões da agência e da estrutura social. Tal articulação é sempre ausente na teoria social da escolha racional, que pressupõe tanto um sujeito universal quanto uma instância estrutural que não seria nada mais que uma mera agregação de interesses antagônicos. Não há um intercâmbio entre agência e estrutura, o que implica a objetivação do ambiente circunstancial pautado pelas práticas instrumentais e pelo equilíbrio econômico de mercado. Todavia, cabe apontar algumas questões que parecem imprecisas na proposição alternativa de Boudon ao modelo da escolha racional. Ao mesmo tempo em que o autor sugere a relevância de categorias como "parâmetros contextuais", que indicam as influências que os agentes recebem dos ambientes em que estão inscritos, supõe, principalmente a partir da idéia de "racionalização difusa", um movimento que se coloca acima dos próprios sujeitos, como exposto na idéia de um "espectador imparcial" (BOUDON, 2001). Fundamentalmente, a teoria incorpora tanto um entendimento particularista quanto um universalista, o que gera dificuldades para entender os mecanismos da ação. Por um lado, as crenças e teorias aparecem diretamente articuladas aos ambientes em que surgem, sendo efetivamente incomensuráveis, já os indivíduos têm razões fortes e boas para o que crêem, mas, pertencendo a contextos diferentes, uns não devem aceitar as crenças dos outros (BOUDON, 2003, p. 62; p. 100-101). Por outro lado, algumas crenças e teorias podem ser avaliadas comparativamente a partir de certo olhar racional e imparcial, de modo que alguns entendimentos, como o de que o Estado representa uma instância privilegiada de regulação social, seria necessariamente falso, independentemente das posições de, por exemplo, trabalhadores e empresários sobre tal questão (BOUDON, 2003, p. 92; 2001, p. 106-107).

Nesse sentido, não fica claro, por exemplo, quais mecanismos engendram o processo de racionalização difusa, e o que este representa em relação à possibilidade de uma objetividade ou evolução dos valores. A questão se a teoria porta alguma noção de progresso não é devidamente esclarecida. Por vezes, Boudon parece acreditar em algo como uma direção a crenças objetivas e a um sistema composto de razões verdadeiramente consistentes. Outras vezes, o autor (1999b, p. 54) sustenta um argumento não universalizante, em que afirma que um tipo de verdade, científica ou moral, só faz sentido se inscrita em tempo e espaços específicos. Devido à conjunção de postulados diversos, alguns fatos sociais podem ficar sem resposta no modelo teórico. Sugiro, a título de exemplo, algumas questões: se os contextos dos quais os agentes participam são tão importantes, por que se pressupõe algo como um acordo inquestionável? Nesse caso, quais são os mecanismos que engendram a evolução e institucionalização de idéias irreversíveis? Se a racionalidade é a mesma para todos os indivíduos, por que não acabam tendo as mesmas crenças e teorias? Será que a definição de “forças históricas”, que impediriam o desenvolvimento e evolução de certas idéias não constituiria “caixa preta” que não explicaria efetivamente certos mecanismos sociais, algo que Boudon tanto critica em algumas teorias? Por que, mesmo com os processos reflexivos da contemporaneidade que deveriam estimular o processo de racionalização difusa, o relativismo ainda vigora com tanta força? Como explicar o ressurgimento de crenças religiosas místicas e relacionadas com fatores mágicos e não racionais? O problema é que Boudon parece indicar que o nível de nossa competência cognitiva depende de certa complexidade teórica, o que qualifica as crenças ou teorias de alguns setores sociais como efetivamente melhores que outras (cf. 2003, p. 92-93). Contudo, isso contraria as passagens em que o autor, para explicar seu entendimento sobre as boas razões, dá igual dignidade e valor a todas teorias, sejam elas provenientes de esferas ordinárias ou científicas. Assim, ainda que a teoria possa fazer sentido quando compreende crenças objetivas e estruturadas em certos campos científicos, como os postulados matemáticos, torna-se limitada para examinar as condutas e ações que envolvem a maior parte da população. Mas mesmo nas áreas científicas, principalmente nas Humanidades, é problemático supor algum movimento, e mais ainda qualquer seleção ou evolução, em direção ao acordo acerca de determinados temas. Em certo momento, as teorias tornam-se incomensuráveis, diferenciadas, por exemplo, quanto a suas noções liberais ou perspectivas de cunho mais estruturalista. Ainda que Boudon sugira o exame de questões fundamentais que escapam por completo à escolha racional, e assim tenha grande relevância para a teoria social contemporânea que incorpora crescentemente a concepção de ação instrumental, falta em sua teoria a análise de aspectos essencialmente políticos, relacionados com determinações

sistêmicas que impõem socialmente certas crenças e atitudes. Deve-se destacar, nesse sentido, o fato exemplar de que a própria racionalidade instrumental está diretamente articulada a uma peculiar dimensão econômica – o mercado – que é objeto de disputas e conflitos na modernidade. Além disso, cabe notar não somente a dimensão de um poder estruturado, mas também a capacidade de certas movimentações políticas definirem formas originais de crenças e atitudes. Na medida em que Boudon se atém a irreversibilidades de um processo de racionalização proveniente de uma concepção abstrata da mente e da cognição humana, perde referência de fatores circunstanciais, criativos e imaginários, que podem definir e dirigir as ações. A realidade social é em grande parte caracterizada por um caráter fluido e aberto, o que configura o espaço sociopolítico como um campo em constante construção. Dessa forma, a racionalidade e as capacidades reflexivas dos agentes podem expressar algo além tanto da atividade instrumental voltada para fins exclusivistas quanto de um processo social irreversível.

Bibliografia

BOUDON, Raymond (1991). “Individualisme et Holisme dans les Sciences Sociales”. In. Pierre Birnbaum et Jean Leca (dir.) Sur L’Individualisme. Presses de la Fondation Nationale des Sciences Politiques, Paris. (1999a). Le Sens des Valeurs. Presses Universitaires de France, Paris. (1999b). “L’Explication Cognitiviste des Croyances Collectives” in R. Boudon; Alban Bouvier et François Chazel (dir.) Cognition et Sciences Sociales. La Dimension Cognitive dans L’Analyse Sociologique, 2e. édition. Presses Universitaires de France, Paris. (1999c). “La ‘Rationalité Axiologique’: Une Notion Essentielle pour l’Analyse des Phénomènes Normatifs“. In. Sociologie et Sociétés, vol. XXXI, n°1, pp. 103-117. (2001). "Vox Populi, Vox Dei? Le Spectateur Impartial et la Théorie des Opinions". In. Raymond Boudon, Pierre Demeulenaere, Riccardo Viale (dir.) L'Explication des Normes Sociales. Presses Universitaires de France, Paris. (2002a). "Utilité ou Rationalité? Rationalité Restreinte ou Générale?". In. Revue d'Économie Politique, 112 (5), pp. 755-772. (2002b). “L’Individualisme: Un Phénomène qui ne Commence nulle Part et qui est au Fondement des Normes”. In. Revue du MAUSS, 19, pp. 39-50. (2003). Raison, Bonnes Raisons. Presses Universitaires de France, Paris.