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Curso de Matemática Financeira

Curso de Matemática Financeira Prof. Augusto Dornelas Matemática Financeira Prof. Augusto Dornelas 1
Curso de Matemática Financeira Prof. Augusto Dornelas Matemática Financeira Prof. Augusto Dornelas 1

Prof. Augusto Dornelas

Sumário:

1. Apresentação

2. Introdução

3. Um Pouco de História

4. Mercados e Moeda

5. Conceitos Fundamentais

6. Operações com Mercadorias

7. Modelo de Capitalização Simples

8. Modelo de Capitalização Composta

9. Rendas Certas ou Séries Financeiras

10. Sistemas de Amortização

11. Operações com Produtos Financeiros

12. Anexos (tabelas Financeiras)

Curso de Matemática Financeira Prof.: Augusto Dornelas Caros alunos: Estamos iniciando o curso de Matemática

Curso de Matemática Financeira Prof.: Augusto Dornelas

Caros alunos:

Estamos iniciando o curso de Matemática Financeira que é uma disciplina bastante

motivadora e desafiadora, uma vez que nos propicia uma contextualização necessária

e benéfica no processo de ensino-aprendizagem de Matemática.

Exercer a cidadania em sua plenitude também é construir e adquirir conhecimentos necessários para resolver problemas profissionais, individuais e sociais que, certamente, fazem parte de nosso dia-a-dia.

O estudo da disciplina tem por objetivo proporcionar aos participantes do curso, a

construção de conhecimentos necessários à capacitação e ao desenvolvimento de competências para a abordagem de questões ligadas à área financeira, como também

de possibilitar a avaliação de alternativas no tocante à tomada de decisões.

Podemos conceituar a Matemática Financeira como um conjunto de conceitos, definições e procedimentos metodológicos matemáticos para a análise, mensuração e operacionalização de operações financeiras, tendo em vista o princípio da preferência pela liquidez.

Já operações financeiras podem ser definidas como relação de dois ou mais agentes econômicos, envolvendo captação e aplicação de recursos entre agentes superavitários

e deficitários, segundo critérios econômico-financeiros definidos entre as partes. As operações financeiras estão presentes nas mais variadas situações mercantis e de finanças do nosso cotidiano, desde as mais simples operações de desconto para pagamento à vista, até mais sofisticadas como a realização de empréstimos e financiamentos, compra da casa própria, investimentos, desconto de duplicatas, amortização de dívidas, séries de pagamentos e ou recebimentos, análise de alternativas de investimentos, dentre outras.

Além do mais, a Matemática Financeira é um tópico bastante exigido em concursos públicos, notadamente nos das áreas fiscal e financeira e é grande o número de candidatos com boa preparação em todas as outras disciplinas, mas que muitas vezes tropeçam nas questões que envolvem Matemática Financeira e são eliminados por não terem conseguido o mínimo necessário para não cair em ponto de corte.

Neste nosso curso vamos trabalhar com a Matemática Financeira de uma maneira mais

construtiva, baseada em apreensões de conceitos, resolução de situações problemas, buscando construir os fundamentos da disciplina para a construção de seqüências didáticas que contribuam com o aprendizado, com o desenvolvimento cognitivo e com

a busca da autonomia que deve ser objetivo primordial em qualquer aprendizado.

Nosso curso requer conhecimentos básicos de matemática que foram abordados na disciplina de Matemática cursada no 1º semestre e nas aulas de nivelamento, além de manejo de calculadoras, científica ou financeira.

Demais informações acerca de avaliações, metodologia, bibliografia, carga horária, conteúdo e recursos necessários para um aprendizado proveitoso vocês encontrarão na ementa e plano de aula que se encontram disponíveis no site da faculdade.

Portanto, mãos à obra.

INTRODUÇÃO

Ao longo do processo de evolução das sociedades econômicas, constatou-se que o problema econômico enfrentado pelos agentes econômicos (governos, instituições, organizações e indivíduos), decorria da escassez de fatores de produção (terra, capital, trabalho, insumos, recursos financeiros) utilizados na elaboração de bens e serviços, pelo fato de que as necessidades dos agentes era ilimitadas e deveriam ser satisfeitas pela aquisição de bens e serviços cuja oferta era limitada.

O problema de satisfazer as necessidades foi solucionado, em parte, através da

especialização e da divisão social do trabalho que viabilizou a produção e excedentes

de produção, além de proporcionar o surgimento das trocas de bens, que é conhecido

como escambo.

Posteriormente à utilização de mercadorias-moeda, criou-se um bem intermediário que veio a facilitar o processo de trocas: a moeda.

Assim, o valor monetário ou o preço propriamente dito dos bens e serviços, passou a ser mensurado ou expresso através de um denominador comum de medida, a moeda, que proporcionou a valoração dos resultados da produção econômica por um meio

de troca que vinha a eliminar as ineficiências geradas pelo escambo e pelas chamadas

mercadorias-moeda, além de propiciar mais uma fonte ou alternativa de acumulação

de

riquezas.

O

aumento da produtividade e conseqüentemente da produção, dinamizou a economia,

gerou novos postos de trabalho e renda, como também propiciou o aprovisionamento

de poupanças (parcela da renda não consumida) que viabilizaria as decisões de

investimentos (reinversão de parte da riqueza gerada para fins de aumento da capacidade de produção).

Paralelo ao desenvolvimento do setor real da economia, iniciou-se um processo de criação e desenvolvimento do setor monetário, representado pelas instituições financeiras que intermediariam as poupanças de uns para as necessidades de investimentos de outros agentes econômicos.

O que proporcionou, também, o desenvolvimento de técnicas ou modelos econômico- financeiros para compreensão, mensuração e análise do comportamento do capital financeiro em razão do tempo de aplicação e das relações de ganhos advindas da captação e da aplicação de recursos; este comportamento é analisado pela Matemática Financeira, que de uma forma simplificada, podemos conceituar como o ramo da Matemática Aplicada e/ou Elementar que estuda o comportamento do dinheiro no tempo, levando em consideração outras variáveis constantes do modelo, tais como, a taxa de juros e o tipo ou processo de capitalização.

1. Conceitos Fundamentais

O estudo da Matemática Financeira exige que tenhamos alguns conceitos básicos que nos auxiliarão a compreender as operações mais usuais na prática financeira cotidiana.

As variáveis de maior relevância estudadas nos modelos financeiros são:

O Princípio da Equivalência: é o princípio fundamental da Matemática Financeira; este princípio baseia-se no fato de que o dinheiro muda de valor ao longo do tempo, significando que uma determinada quantia tem significados econômicos diferentes em épocas diferentes, ainda que em ambiente não inflacionário. Apesar de termos afirmado que um valor tem significados em datas diferenciadas, podemos relacioná-los a partir de um conceito de equivalência (porém, não igualdade!). Seguindo este raciocínio, podemos imaginar uma quantia, situada na data presente, que tenha o mesmo significado econômico que certa quantia conhecida no futuro; em outras palavras, um Valor Futuro (FV) equivalente ao Valor Presente (PV) conhecido e vice-versa. A diferença entre o Valor Presente e o Valor Futuro é a parcela correspondente aos juros (J), que podem ser definidos como um aluguel devido ao capital emprestado (ou tomado). Existem várias justificativas para a existência dos juros, dentre elas podemos citar a teoria da produtividade marginal do capital, que apregoa que o capital associado aos outros fatores de produção, é, também produtivo. Como o capital é, então, um dos fatores de produção, os juros correspondem à remuneração do fator capital, da mesma forma, por exemplo, que os salários remuneram o fator trabalho. Outra teoria é a do preço do tempo ou abstinência de Böhm-Bawerk (escola psicológica austríaca) que diz que um capital emprestado é um bem presente que se dá em troca de um bem futuro. Como a expectativa de um bem futuro vale menos que a realidade do bem presente, os juros compensariam essa diferença. Assim, o Valor Futuro é o

resultado da soma do Valor Presente com a sua remuneração sob a forma de juros: FV = PV + J.

Capital (C): valor monetário presente a ser aplicado ou tomado; aplicações realizadas no presente (principal - C) que terão seus valores aumentados no futuro através de um processo de capitalização.

Montante (M), capital futuro ou valor acumulado: valores disponíveis no futuro (M), se considerados ou avaliados hoje, terão seus valores reduzidos (C) através de um processo de descapitalização. O cálculo de um montante (M) equivalente a um principal (C), ou de um (C) equivalente a um (M) é a base da matemática financeira, a partir deste cálculo outras variáveis podem ser encontradas; o caminho é , basicamente, sempre o mesmo: um sistema de uma equação com uma incógnita, conhece-se três variáveis e procura-se encontrar uma quarta.

Tempo: prazo de aplicação ou resgate (n), que representa o período de tempo em que o capital ficará aplicado, ou o prazo de duração da operação financeira.

Juros(J): montante menos principal. J = M – C, representa os recebimentos auferidos ou pagos pelo aplicador ou pelo tomador de recursos financeiros.

Taxa de Juros (i): coeficiente que relaciona o juro e o principal.

Capitalização (cap): freqüência e forma com que o juro é incorporado ao capital.

Inflação: a diminuição do poder aquisitivo da moeda num determinado período de tempo, devido a alterações no nível geral de preços.

Risco: eventos possíveis de perdas e suas probabilidades conhecidas de ocorrência; os juros produzidos de uma certa forma compensam e refletem os possíveis riscos do investimento.

Aspectos intrínsecos da natureza humana: quando ocorre de aquisição ou oferta de empréstimos a terceiros.

Fluxo de Caixa: esquema financeiro que retrata as entradas e saídas de recursos de caixa.

Lucros: ganhos resultantes do confronto entre receitas e despesas.

“Spread”: remuneração pelo risco, podendo ser definido, também como a taxa resultante da diferença entre as taxas utilizadas na captação e na aplicação de recursos.

A seguir, nos deteremos a uma análise geral de cada um desses conceitos que nos servirão e subsídio ao entendimento dos demais tópicos constantes do programa de nossa disciplina.

1.1 Fluxo de Caixa

Esquema financeiro que nos permite visualizar, ao longo do tempo, os recebimentos a serem auferidos (entradas de recursos) e os pagamentos a serem realizados (saídas de recursos). Este esquema financeiro Poe ser representado por meio de tabelas, quadros ou diagramas, que permitem que os movimentos monetários sejam identificados ao longo do tempo, sendo de fundamental importância na análise de custos e rentabilidade de operações financeiras diversas e no estudo de viabilidade

econômica de projetos de investimento e planejamento de curto prazo (orçamento de caixa) e de longo prazo (orçamento de capital).

REPRESENTAÇÃO GRÁFICA DO FLUXO DE CAIXA

Por exemplo: o extrato bancário.

A forma mais comum de mostrar movimentos financeiros ao longo de um determinado período é em forma de tabela como a fornecida abaixo:

Data

Histórico

Débito

Crédito

Saldo

01

       

Jan

02

Saldo

Anterior

Jan

500,00

03

Depósito

1.000,00

1.500,00

Jan

Cheque

800,00

700,00

04

Cheque

1.5000,00

-800,00

-300,00

Jan

05

Depósito

500,00

Jan

Saque

eletrônico

600,00

-900,00

06

Dep.

Salário

4.900,00

4.000,00

Jan

07

 

Jan

Vale ressaltar que dependendo dos registros a serem efetuados no início ou no final de cada período, teremos realidades financeiras diferentes; se localizados no início de cada período teremos recebimentos/pagamentos antecipados e se no final de cada período, teremos uma análise postecipada desses registros. Note que a utilização de fluxos de caixa nos permite confrontar resultados planejados (análise a priori) com resultados realizados (análise a posteriori), permitindo uma maior eficiência na administração das tomadas de decisões que comumente nos vemos na obrigação de empreender.

Para melhor visualizarmos as movimentações financeiras ocorridas com relação ao quadro acima, podemos representar através de gráficos de barra, por exemplo, o saldo diário ou a movimentação diária.

Gráfico do Saldo Diário:

Gráfico da Movimentação Diária: Diagrama de Fluxo O diagrama de fluxo é uma representação gráfica

Gráfico da Movimentação Diária:

Gráfico da Movimentação Diária: Diagrama de Fluxo O diagrama de fluxo é uma representação gráfica esquemática

Diagrama de Fluxo

O diagrama de fluxo é uma representação gráfica esquemática do fluxo do dinheiro no tempo; onde a escala horizontal é graduada em períodos uniformes (dias, meses, anos) e representa as datas de recebimento e/ou pagamentos, estipulados em função das datas reais que queremos analisar, juntamente com os fluxos financeiros relacionados com cada uma.

, n os subperíodos de nossa análise, permitindo-nos

Representamos por 1, 2, 3,

análises “ex-ante” (valores monetários a serem realizados no futuro) ou “ex-post” (valores monetários realizados em datas passadas).

Recebimentos (+)

R 1 R 2 R 3 R 4 R n . . . 0 1
R 1
R 2
R 3
R 4
R n
.
.
.
0
1
2
3
4
.
.
.
n

P 0

Pagamentos (-)

As setas voltadas para cima indicam recebimentos (entradas de recursos em caixa), enquanto as setas voltadas para baixo representam os pagamentos a serem efetuados (saídas de recursos de caixa), sendo esta representação uma mera convenção para facilitar a visualização das situações-problema.

Portanto, o Diagrama de Fluxo de Caixa é constituído de um segmento de reta graduado de forma a representar os intervalos de tempo entre os fluxos, que são representados por setas verticais orientados para cima (recebimentos - fluxos positivos) ou para baixo (pagamentos – fluxos negativos) com origem na escala cronológica, na graduação correspondente à época de ocorrência.

Vejamos um outro exemplo:

Onde, os valores abaixo da reta graduada representam pagamentos, investimentos, saídas de dinheiro de caixa

Onde, os valores abaixo da reta graduada representam pagamentos, investimentos, saídas de dinheiro de caixa e, contrariamente, os valores representados pelas setas voltadas para cima representam recebimentos, retornos ao investimento ou simplesmente, entradas de recursos em caixa.

1.2 Juros

Remuneração econômica devida a um capital aplicado por certo período de tempo; podendo ser também visualizado como remuneração do capital aplicado em atividades produtivas ou como remuneração auferida elo capital financeiro devido a sua disponibilização ao atendimento à demanda ou oferta de serviços financeiros à produção, financiamento ou investimento.

Podemos encará-lo, também, como a diferença entre o valor presente e o valor futuro de um mesmo capital, que fora emprestado ou aplicado em determinada aplicação de recursos, ou seja: J = VF – VP .

1.3 Taxa de Juros

Coeficiente monetário que determina a magnitude da remuneração do fator capital, resultante do confronto entre a demanda e a oferta de recursos financeiros, onde os grupos de agentes econômicos (superavitários e deficitários) interagem entre si, propiciando a determinação de um preço de equilíbrio de mercado entre recursos demandados e ofertados no sistema.

Graficamente temos:

i(taxa de juros) S M i e D M Me
i(taxa de juros)
S M
i e
D M
Me

M (montante de re cursos)

Onde i e e M e são a taxa e equilíbrio e o montante e recursos de equilíbrio, respectivamente. A taxa de juros pode ser expressa sob a forma percentual (2%am) ou decimal (0,02am), sempre acrescida do período de capitalização a que está sujeita; podendo ser real (quando são expurgados os efeitos inflacionários) ou aparente (quando sua magnitude contém os efeitos inflacionários).

O nível de preços dos bens e serviços é função de sua escassez; da mesma maneira

que as forças de oferta e demanda determinam o preço dos bens e serviços, as forças de oferta de fundos e a procura de crédito determinam o preço do crédito que é representado pela taxa de juros. Na verdade, essas forças de mercado determinam o nível (i E ) da taxa de juros pura (i), correspondente a uma situação de virtual equilíbrio de mercado decorrente da quantidade (Q E ) de recursos demandados (Q).

A essa de juros pura, que pode ser encarada como a taxa praticada pelas instituições

financeiras com clientes preferenciais, O mercado financeiro agrega um conjunto de outras taxas (spread) que visam cobrir impostos (IOF), comissões (flat) e custos de intermediação financeira e uma taxa correspondente à remuneração do fator risco , que é variável e visa remunerar o risco específico daquele tipo de operação. O resultado é a taxa real (i R ) de juros, que corresponde ao custo real das operações financeiras. Assim, a taxa real pode ser expressa como:

i R = custos + riscos + flat + IOF + margem de lucro + riscos

À taxa real ainda pode ser agregada a expectativa de inflação (i θ ) para constituir a taxa efetiva (i e ) de juros, como a seguir:

i e = ( 1 + i R ) . ( 1 + i θ ) , conhecida como Equação de Fischer. Note que a taxa de inflação acumula-se à taxa real de juros, como nos acréscimos sucessivos, que abordamos anteriormente, para formar a taxa efetiva. Não basta, portanto, somar a taxa de inflação à taxa de juros, pois os juros incidem sobre o capital já corrigido monetariamente, ou seja, já compensado pelo desgaste da inflação. Graficamente teríamos:

pelo desgaste da inflação. Graficamente teríamos: --------------------------- ---------------------------
--------------------------- --------------------------- Inflação
---------------------------
---------------------------
Inflação

custos, flats, risco, margem, IOF

i e

Inflação custos, flats, risco, margem, IOF i e Vejamos alguns conceitos referentes às taxas de juros:

Vejamos alguns conceitos referentes às taxas de juros:

Taxa de juros efetiva: quando o período de tempo da capitalização é igual ao período de tempo em que a taxa de juro está expressa; por exemplo: i = 1% a.m, cap. m. Por convenção, quando a capitalização não for mencionada, a taxa de juro será considerada efetiva.

Taxa de juros nominal: quando o período de tempo da capitalização é diferente ao período de tempo em que a taxa de juro está expressa; por exemplo: i = 12% a.a, cap. m.

A taxa de juros pode ser expressa em duas escalas: a escala centesimal(ou percentual) ou a escala unitária(ou decimal). A escala centesimal retrata quantas unidades monetárias a aplicação renderá de juro por cada cem unidades monetárias de capital aplicadas, e a escala unitária quantas unidades monetárias de juro por uma unidade monetária de capital aplicada. A passagem da escala centesimal para a unitária é através da divisão da primeira por cem, e da unitária para centesimal pela multiplicação da primeira por cem.

Por exemplo:

i = 10% - escala centesimal. Lê - se: 10 porcento. Diz que a aplicação renderá $10,00 por cada $100,00 aplicados.

i = 0,10 - escala unitária. Diz que a aplicação renderá $0,10 por cada $1,00 aplicado.

Por convenção a escala centesimal recebe o símbolo % (porcento) após o último dígito

e vem acompanhada do período de tempo a que se refere a taxa. Por exemplo: i =

10% a.a, esta aplicação renderá $10,00 por cada $100,00 aplicados por ano de

aplicação.

Assim a.a. indica ao ano, como a.d. (ao dia), a.m (ao mês), a.b.( ao bimestre), a.t. (ao trimestre), a.s. (ao semestre) etc. Na escala unitária o tempo a que se refere a taxa vem expresso como subscrito de i, por exemplo: ia = 0,10, esta aplicação renderá $0,10 por cada $1,00 aplicado por ano de aplicação. Assim ia indica ao ano, como id ao dia, ib ao bimestre, it ao trimestre, is ao semestre etc. Cabe destacar que o cálculo financeiro utiliza, sempre, escala unitária e os resultados de taxa são apresentados na escala centesimal; ressaltemos, também, que as transformações de taxas equivalentes diferem do tipo de capitalização que estaremos utilizando, em outras oportunidades trataremos sobre isso.

Ainda com relação à taxa de juro, tem-se um importante conceito denominado “taxas proporcionais”. Diz-se que duas taxas de juro são proporcionais quando as igualdades abaixo são verdadeiras:

ip = i/k

ou

i = k. ip, onde: i retrata, por hipótese, a taxa de um período de tempo maior, ip a taxa de um período de tempo menor e k é igual ao número subperíodos que o período maior tem.

Por exemplo:

im = ia/12

is = ia/2

ia = 12.im

Via taxas proporcionais transforma-se uma taxa de juro em outra proporcional equivalente , bastando dividir ou multiplicar a taxa de juro por k , sendo k o número subperíodos que o período maior tem com relação ao memor.

Por exemplo:

Se i = 12%aa, podemos ter as seguintes taxas equivalentes proporcionais: 6%as(12%/2) , 4%aq(12%/3), 3%at(12%/4), 2%ab(12$/6) e 11%am(12%/12).

Analogamente,

se

i=

1,5%am

teremos as seguintes taxas

proporcionais: 3%ab(1,5% . 2), 4,5%at(1,5% . 3), 6%aq(1,5% . 4), 9%as(1,5% . 6) e 18%aa(1,5% . 12).

1.4 Spread

Taxa de juro resultante do confronto entre as taxas de juros empregadas na captação e na aplicação de recursos financeiros. Podemos encarar o spread como a remuneração obtida pelas instituições financeiras pela prestação de serviços de intermediação entre demandantes e ofertantes de recursos, levando-se em consideração que envolve não só a remuneração pela intermediação, como também os riscos envolvidos nas operações financeiras.

Podemos visualizar sua determinação através do seguinte esquema:

i(%) S MA S MC i A D MA i C D MC M C
i(%)
S MA
S MC
i A
D MA
i C
D MC
M C
M A
M($)

i(%)

i Remune ração pelo Risco (Spread) i 0 Taxa Básica (sem risco) R Risco
i
Remune ração
pelo
Risco
(Spread)
i 0
Taxa Básica
(sem risco)
R
Risco

Onde: spread = |i A i C | e i 0 é a taxa básica praticada com clientes preferenciais de mercado, como a Prime-rate(EUA) e a Libor(Inglaterra).

1.5 Lucro

Retorno ao capital mercantil (industrial, comercial, agrário) empregado em atividades produtivas, onde são geradas receitas e despesas operacionais. Jamais deverá ser confundido com juro, pois, enquanto este é o resultado de atividades financeiras, o lucro é originário de atividades estritamente produtivas, como fora designado acima.

1.6 Regimes de Capitalização

Processo ou forma como os juros são agregados ao capital financeiro aplicado; podendo ser a Capitalização Simples ou Linear se os rendimentos não ocorrem sob a nova geração de novos rendimentos ou Capitalização Composta ou Exponencial se os rendimentos ocorrem obrigatoriamente sobre os rendimentos obtidos em períodos anteriores ao que se está analisando (“juros sobre juros”, como é popularmente descrito).

Um capital pode ficar aplicado por qualquer período de tempo, 0 < n < + , ou seja, n pode assumir qualquer valor positivo maior do que zero, não esquecer que uma operação financeira é um acordo bilateral livre, portanto, nada é pré-determinado. Durante este período poderá haver uma ou mais incorporações de juro ao capital aplicado (capitalizações), caso haja mais de uma incorporação de juro faz-se necessário definir se o juro incorporado ao capital aplicado passará ou não a render juro. Em caso afirmativo tem-se o regime de capitalização composto, e em caso negativo o regime de capitalização simples.

REGIME DE CAPITALIZAÇÃO SIMPLES - neste regime apenas o principal rende juro.

REGIME DE CAPITALIZAÇÃO COMPOSTA - neste regime o principal e o juro incorporado rendem juro. Juro sobre juro.

Para uma melhor compreensão do exposto acima, vejamos os seguintes casos, no tocante a uma aplicação de $ 1.000,00 segundo as óticas das Capitalizações Simples e Composta, durante um prazo de três meses a uma taxa de 5%am.

Capitalização Simples

Período

Capital ($)

Juro ($)

Montante ($)

n

= 0

1.000,00

-

1.000,00

n

= 1

1.000,00

0,05. 1.000,00

1.050,00

n

= 2

1.000,00

0,05. 1.000,00

1.100,00

n

= 3

1.000,00

0,05. 1.000,00

1.150,00

Capitalização Composta

Período

Capital ($)

Juro ($)

Montante ($)

n

= 0

1.000,00

-

1.000,00

n

= 1

1.000,00

0,05. 1.000,00

1.050,00

n

= 2

1.050,00

0,05. 1.050,00

1.102,50

n

= 3

1.102,50

0,05. 1.102,50

1.157,62

Verifica-se que ao final dos três meses, com aumentos sucessivos de 5%am, obteve-se um montante de $ 1.150,00 sob o regime de capitalização simples; registrando-se um índice global de 1.150,00/1.000,00 = 1,15 e uma taxa global de 1,15 – 1 = 0,15 =

15%at.

Já sob o regime de capitalização composta, nota-se que ao final dos três meses obteve-se um montante global de $ 1.157,62 e , um índice global de aumento de 1.152,67 / 1.000,00 = 1,15762 e uma taxa global de aumento de 1,15762 – 1 = 0,15762at = 15,762%at.

É fácil percebermos a distinção entre os dois regimes de capitalização, devendo-se atentar para o fato e que, enquanto no regime de capitalização simples os sucessivos incrementos de aumento incidem sempre sobe capital inicialmente aplicado, no regime de capitalização composta estes mesmos incrementos são obtidos sempre sobre o montante (capital + juros) do período imediatamente anterior, onde já estão incorporados os incrementos anteriormente acumulados.

Na prática, o mercado financeiro utiliza apenas os juros compostos, de crescimento mais rápido (veremos adiante, que enquanto os juros simples crescem segundo uma função do 1º grau – crescimento linear, os juros compostos crescem muito mais rapidamente – segundo uma função exponencial).

2. Operações com Mercadorias

Normalmente atribui-se, no Brasil, o fechamento de empresas devido a dificuldades na obtenção e administração do capital de giro , dentre outros fatores relativos ao ambiente econômico e financeiro nacional, tais como: altos níveis de concentração de renda, taxas de juros estratosféricas e carga tributária extorsiva constituem entraves seríssimos à atividade econômica, o que gera desafios muitas vezes intransponíveis à gestão empresarial. Num contexto adverso como foi citado acima, o conhecimento da matemática comercial e financeira, facilita a compreensão, a reflexão e a análise dos diferentes fenômenos, além de propiciar uma maior capacidade de previsão financeira com vistas à tomada de decisões, que vão desde o cálculo das comissões de vendas, à avaliação de projetos alternativos de investimento e financiamento. A seguir daremos algumas abordagens relativas a modelos matemático-financeiros simples, mas que servirão de base para compreendermos situações com graus de complexidades mais elevadas.

2.1 PORCENTAGEM

É comum a utilização de expressões refletindo acréscimo ou reduções em preços, números ou quantidade, tomando sempre por base 100 unidades, como nos exemplos seguintes:

A gasolina teve um aumento de 15%, significando que em cada R$ 100,00 houve

um acréscimo de R$ 15,00. O cliente recebeu um desconto de 10% em todas as mercadorias, significando que

em cada R$ 100,00 foi dado um desconto de R$ 10,00. Dos jogadores que jogam no Grêmio, 90% são craques, significando que em cada 100 jogadores que jogam no Grêmio, 90 são craques.

Portanto, toda fração com denominador 100 representa uma porcentagem.

Razão centesimal

Toda razão que tem para conseqüente o número 100, recebe a denominação de razão centesimal. Alguns exemplos:

7

100

16

,

100

125

,

100

Estas razões centesimais podem ser representadas de outras formas:

centesimais podem ser representadas de outras formas: As expressões 7%, 16% e 125% são chamadas de

As expressões 7%, 16% e 125% são chamadas de taxas centesimais ou taxas percentuais.

Considerando a seguinte situação – João vendeu 50% dos seus 50 cavalos. Quantos cavalos ele vendeu? Na resolução deste exemplo, valos aplicar a taxa percentual (50%) sobre total de cavalos.

aplicar a taxa percentual (50%) sobre total de cavalos. Portanto, ele vendeu 25 cavalos, que representa

Portanto, ele vendeu 25 cavalos, que representa a quantidade correspondente à porcentagem procurada.

Portanto, chegamos a seguinte definição:

Porcentagem é o valor obtido ao aplicarmos uma taxa percentual a um determinado valor.

EXEMPLO 1 – Calcular 10% de 300.

a um determinado valor . EXEMPLO 1 – Calcular 10% de 300. Logo, 30 é o

Logo, 30 é o valor correspondente à porcentagem procurada.

EXEMPLO 2 – Calcular 25% de 200 quilos.

procurada. EXEMPLO 2 – Calcular 25% de 200 quilos. Logo, 50kg é o valor correspondente à

Logo, 50kg é o valor correspondente à porcentagem procurada.

EXEMPLO 3 – Um jogador de futebol, ao longo de um campeonato, cobrou 75 faltas, transformando em gols 8% dessas faltas. Quantos gols de falta esse jogador fez?

8% dessas faltas. Quantos gols de falta esse jogador fez? Portanto, o jogador fez 6 gols

Portanto, o jogador fez 6 gols de falta.

EXEMPLO 4 – Se eu comprei um título de um clube por R$ 250,00 e o revendi por R$ 300,00 qual a taxa percentual de lucro obtida?

Para a resolução deste exercício, montamos uma equação onde somando os R$ 250,00 iniciais com a porcentagem que aumentou em relação e esses R$ 250,00 resulte nos R$ 300,00 do valor da revenda.

e esses R$ 250,00 resulte nos R$ 300,00 do valor da revenda. Portanto, a taxa percentual

Portanto, a taxa percentual de lucro obtido na revenda foi de 20%.

Fator de multiplicação

Quando ocorrer um acréscimo de 10% a um determinado valor, podemos calcular o novo valor apenas multiplicando esse valor por 1,10 que é o fator de multiplicação. Caso o acréscimo seja de 20%, podemos multiplicar o valor por 1,20, e assim por diante.

Veja a tabela abaixo:

Acréscimo

Fator de multiplicação

10%

1,10

15%

1,15

20%

1,20

47%

1,47

67%

1,67

Por exemplo, aumentando 10% no valor de R$ 10,00 temos: R$ 10,00 x 1,10 = R$

11,00.

Caso ocorra um decréscimo, o fator de multiplicação será calculado da forma abaixo:

Fator de multiplicação = 1 – taxa de desconto (na forma decimal)

Veja a tabela abaixo:

Decréscimo

Fator de multiplicação

10%

0,90

25%

0,75

34%

0,66

60%

0,40

90%

0,10

Por exemplo, descontando 10% no valor de R$ 10,00 temos: R$ 10,00 x 0,90 = R$

9,00.

EXERCÍCIOS COM PORCENTAGENS

1. Escreva na forma de fração:

a) 9 %

b) 31 %

c) 55 %

d) 70 %

e) 82 %

2. Qual é a forma irredutível da fração correspondente a:

a) 50 %

b) 75 %

c) 10 %

d) 80 %

3. Qual é quantia que corresponde a 65% de R$ 3.000,00?

4. Qual é o número de pessoas que corresponde a 15% de 10.000 pessoas?

5. Um clube venceu 70% das partidas que disputou durante um campeonato. Se esse clube disputou 30 partidas nesse campeonato, quantas partidas venceu?

6. Na 5ª série A, apenas 60% dos alunos já completaram 12 anos. Se a 5ª série A têm 40 alunos, quantos ainda não completaram 12 anos?

7. A 5ª série A tem 40 alunos. Uma pesquisa mostrou que 90% dos alunos praticam

esportes e que, entre os alunos que praticam esportes, 50% sabem nadar. Nessas condições, calcule:

a) Quantos alunos praticam esportes

b) Quantos alunos sabem nadar

c) Quantos alunos não praticam esportes

d) Quantos alunos não sabem nadar

8. Sabendo-se que 40% de certa quantia correspondem a R$ 9.600,00, qual é essa quantia?

9. Um clube perdeu 6 partidas durante um torneio de voleibol, o que corresponde a 20% das partidas que o clube disputou. Quantas partidas o clube disputou no campeonato?

10. O Bradesco fechou 2008 com crescimento invejável. Os ativos totais cresceram 33%, chegando a R$ 454,4 bilhões. Calcular o total de ativos do ano anterior.

11. A receita bruta da Renault-Nissan (montadora de veículos) em 2009 foi de US$ 57,2 bilhões e o custo de produção no mesmo período foi de US$ 47,3 bilhões. Calcule a participação percentual dos custos com relação à receita.

12. Segundo dados referentes a 2008 o Brasil ocupa o 4º lugar entre os maiores exportadores de produtos agrícolas do mundo, tendo exportado neste ano um total de US$ 61,4 bilhões, dos quais o produto de maior importância em nossa pauta de exportações foi a soja, com um total exportado de US$ 17,2 bilhões. Qual a participação percentual da soja no ano de 2008?

13. Com a nova lei de distribuição dos royalties do petróleo, o Rio de Janeiro passará a receber da Petrobrás R$ 236 milhões que corresponde a 3,2% do que recebe hoje; com base nesta informação, calcule o valor que hoje recebe este Estado. 14. Um levantamento realizado pelo Ministério da Saúde detectou discrepâncias na compra de remédios pelos Estados da federação. Enquanto Rondônia pagou R$ 2.468,74 por cada ampola de Adalimumabe (contra artrite), Goiás pagou pelo mesmo R$ 1.538,49. Expresse em termos percentuais a relação entre o preço pago por Goiás e o de Rondônia. 15. Segundo projeções do IBGE a classe A2 deverá gastar em 2010 cerca de R$ 351,80 bilhões, enquanto a classe B2 deverá gastar R$ 495, 70 bilhões. Calcule em termos percentuais o total de gastos da classe A2 com relação à B2. 16. A VOTORANTIM METAIS desembolsou US$ 420 milhões para comprar 16,4% das ações da mineradora MILPO, do Peru. Com base nestes dados, calcule o valor total das ações da referida mineradora. 17. (JC, 30/03/11) “O crédito chegou ao nível mais uma vez recorde de 46,5% do Produto Interno Bruto (PIB) no ano passado, o equivalente a R$ 1,74 trilhão”. Baseado no texto, estime o PIB brasileiro referente a 2010.

2.2 Variação Percentual

Suponhamos que o preço de uma mercadoria variou durante um determinado período de $ 100,00 para $ 110,00. Se perguntarmos à maioria das pessoas qual a magnitude de variação no preço, certamente a maioria vai responder que foi de 10%. Agora, caso perguntássemos sobre a variação percentual sofrida no preço de uma mercadoria que passou de $ 83,79 para $ 91,32 , também certamente, a maioria responderia que é mais difícil. Ora, vejamos se isto é verdade.

Utilizando-nos de uma regra de três simples poderemos determinar a primeira variação, ou seja, 10%:

100

100% = 1 x = 10%

 

100

100% = 1

ou:

10

 

110

x

Onde x = 10

 

100

E o valor de x pode ser obtido por:

110 = 100 . (1 + x) , onde x = 110 - 1 = 0,1 = 10%

100

Utilizando qualquer um dos procedimentos poderemos verificar facilmente que a segunda variação citada é da ordem de 8,99%.

Generalizando, termos que a variação percentual, tanto para maior quanto para menor pode ser obtida das seguintes formas:

i )

%

ii )

%

=

V

f

V

i

1

=

V

f

V

i

V

i

Onde:

V f

percentual.

é

o valor

final e

V i é

o

valor

inicial da situação a ser

encontrada a variação

Vejamos, agora, algumas aplicações:

HP, gigante do setor de tecnologia, viu seu faturamento decrescer no biênio

2008-2009 de US$ 118,4 bilhões para US$ 114,6 bilhões. Calcule a magnitude da variação percentual em seu faturamento.

1. A

2. O economista André Loes, do HSBC, especula que a taxa SELIC, hoje em 8,75%a.a., chegará a 12,5% no final do ano. Baseando-se na informação, calcule a variação percentual “prevista” pelo economista.

3. A RENAULT NISSAN vendeu em 2008 , 3.655 automóveis e no ano de 2009 as

vendas pularam para 16.320 veículos vendidos. Calcule a variação percentual de

vendas no período considerado.

4. No ano 2000, o número de agências bancárias no Brasil era de 16.400 e fechou o

ano de 2008 com um total de 19.100 agências. Calcule a variação percentual do número de agências no período considerado.

5. A NET, companhia de TV por assinatura possuía em 2004 , 76.000 consumidores, já

em 2009 atingiu 665.000 contratos. Calcule a variação percentual no volume de

contratos da NET no período considerado.

6. O PAC I (Programa de Aceleração do Crescimento) tinha previsão de gastos de R$

656,6 bilhões para o programa de 2007 a 2010, já o PAC II tem um orçamento de R$ 1,59 trilhão a partir de 2011. Calcule a variação percentual de orçamento entre as duas versões do programa.

7. O lucro líquido da processadora de cartões CIELO no segundo trimestre de 2010 foi

de RS 457,7 milhões, enquanto no mesmo período de 2009 foi de R$ 364,8 milhões. Calcule a variação percentual do lucro da empresa relativo ao período considerado.

8. Em novembro de 2010 as exportações brasileiras totalizaram US$ 17,688 bilhões, já

em dezembro houve um total de US$ 20,919 bilhões exportados. Calcule a variação

percentual das exportações referente ao bimestre.

2.3

Acréscimos e abatimentos

e

principal ou valor inicial (V i ) mais a parte que foi acrescida( i . V i ) , assim:

O valor resultante de um acréscimo é chamado de valor

bruto

(V b )

V b = V i + i . V i

é

igual ao

Colocando V i em evidência na equação anterior, temos que:

V b = V i . ( 1 +

i

)

Da mesma forma, ao realizarmos um abatimento, o valor resultante é o valor líquido (V L ), que é igual ao principal( V i ) menos a parte que foi abatida( i . V i ) .

Logo:

V L = V i – i . V i

e , portanto, V L

= V i . (

1

i

)

.

2.4 Operações com mercadorias

Nos acréscimos como nos abatimentos, podemos considerar como principal tanto o preço inicial (P C ), que é o preço antes da operação ou preço de custo, como o preço final (P V ) que é o preço depois da operação ou preço de venda. Um mesmo acréscimo ou abatimento pode ser representado por duas porcentagens, uma calculada "sobre" o preço inicial e outra calculada "sobre" o preço final. Assim, se o principal é o preço inicial, o que é mais comum, em um acréscimo o preço final é um valor bruto igual ao preço inicial mais o acréscimo, denotando uma venda com lucro sobre o preço de compra , ou seja:

P V = P C + i C . P C , onde i C é a taxa sobre o preço de custo , e , portanto:

P V = P C . ( 1 + i C )

Já no caso de venda com lucro sobre o preço de venda, teríamos:

P

V

= P C + i V . P V , onde i V é a taxa sobre o preço de venda, portanto:

P V - i V . P V = P C

e

P

V

.

(

1

– i V )

= P C

Ou, P V =

P C

(

1 – i V

)

Nas operações envolvendo Markup ou margem de lucro teremos, em função das relações acima apresentadas, o seguinte:

M C =

(P v

- P C )

/

custo

e

M V = ( P V - P C ) venda.

/

P C

P V

, onde M C representa a margem de lucro em função do preço de

, onde M V representa a margem de lucro em função do preço de

Exercícios de fixação:

1) Quanto é 8% de 1.253.897,33? Resp.: 100.311,79

2) Quanto por cento 1.200 é de 8.000? Resp.: 15%

3) 1.000,00 são 3% de quanto? Resp.: 33.333,33

4) A cotação da libra esterlina passou de R$ 1,86 para R$ 1,90. Qual foi a variação percentual? Resp.: 2,15%

5)

percentual? Resp.: - 25%

A

saca

de café passou

de US$ 40,00

para US$ 30,00. Qual

foi a variação

6) A saca de café passou de R$ 75,00 para R$ 100,00. Qual foi a variação percentual? Resp.: 33,33%

7) O preço de venda de certa mercadoria representa um acréscimo de 15% sobre o preço de custo de R$ 5.800,00. Qual é o preço de venda? Resp.: 6.670,00

8) O preço de venda de certa mercadoria é R$ 1.500,00 e representa um acréscimo de 25% sobre o preço de custo. Calcule o preço de custo. Resp.: 1.200,00

9) O preço de venda de certa mercadoria é de R$ 6.700,00, o que inclui uma margem que representa 25% desse preço de venda. Calcule o preço de custo. Resp.: 5.025,00

10) O preço de custo de certa mercadoria é de R$ 8.000,00, o que permite vendê-la com uma margem que representa 20% do preço de venda. Calcule esse preço de venda. Resp.: 10.000,00

11) Uma mercadoria que custou R$ 12.000,00 foi vendida por R$ 16.000,00. Qual foi a margem sobre o preço de custo? Qual sobre o de venda? Resp.: 33,33% e 25%

12) O preço de venda de certa mercadoria é R$ 1.500,00 e resulta de um abatimento de 25% sobre o preço de custo. Calcule o preço de custo. Resp.: R$ 2.000,00

13) Uma mercadoria custou R$ 9.000,00, o que obriga a vendê-la com um prejuízo de 30% sobre o preço de custo. Calcular o preço de venda. Resp.: R$ 6.300,00

14) O preço de venda de certa mercadoria é de R$ 6.700,00 e resulta de um desconto de 25% sobre a venda. Calcule o preço de custo. Resp.: R$ 8.375,00 15) O preço de custo de certa mercadoria é de R$ 8.000,00, o que obriga a vendê-la com um prejuízo que representa 20% do preço de venda. Calcule esse preço de venda. Resp.: R$ 6.666,67

16) Um comerciante vendeu suas mercadorias com lucro de 18% sobre o preço de custo. Determinar o preço de venda sabendo que as mercadorias custaram R$

35.000,00.

Resp.: P v = R$ 41.300,00

17) Uma pessoa vendeu certo produto com prejuízo de 12,5% sobre o preço de custo. Sabendo que o preço de custo foi de R$ 210,00, calcular o preço de venda. Resp.: P V = R$ 183,75

18) Um automóvel foi comprado por R$ 10.000,00 para ser vendido com lucro de 20% sobre o preço de venda. Por quanto deverá ser vendido o referido automóvel? Resp.: P V = R$ 12.500,00

19) Durante uma crise econômica, um imóvel adquirido por R$ 150.000,00 foi vendido com um prejuízo de 10% sobre seu preço de venda. Calcular o preço de venda do imóvel. Resp.: P V = R$ 136.363,63

20) Ao se vender um objeto por R$ 300,00 ganhou-se 20% sobre o preço de custo. Quanto custou o objeto? Resp.: P C = R$ 250,00

21)Um produto foi comprado por R$ 25.000,00 e vendido por R$ 30.000,00. Qual a margem de lucro sobre o preço de compra? E sobre o preço de venda? Resp.: M C = 20% e M V = 16,67%

22) Quanto custou um objeto que, vendido por R$ 1.200,00, forneceu um lucro de 20% sobre o preço de custo? Resp.: P C = R $ 1.000,00

23) Se o mesmo lucro da questão anterior fosse sobre o preço de venda, qual seria o preço de custo? Resp.: P C = R $ 960,00 24) Se a margem e contribuição unitária é igual a 30% do preço de venda, qual é essa margem como porcentagem do custo variável por unidade? Resp.: 42,86%

25) Se a margem e contribuição unitária é igual a 25% do custo variável por unidade,, qual é o valor dessa margem como porcentagem do preço de venda? Resp.: 20%

26) Os concorrentes acusam de dumping o empresário Wilson Zanatta, dono da Bom Gosto(indústria de laticínios), por vender leite com uma margem de prejuízo de 31% do preço de custo que é em média de R$ 1,42. Baseando-se nas informações dadas, calcule o preço de venda. Res.: R$ 0,98

27) Um automóvel Palio, comprado em 2008 por R$ 28.500,00 foi revendido em 2010 por seu proprietário a uma concessionária com um prejuízo de 20% sobre o preço de venda; com esses dados calcular o preço de venda. Resp.: R$ 23.750,00

28) O Dólar fechou ao preço de venda de R$ 1,764 em 17/03/10 apresentando um prejuízo de 2,6% sobre o preço de compra no início do mês de março. Calcular o preço de compra. Resp.: R$ 1,811

29) As ações PETROBRAS PN atingiram um preço de venda de R$ 29,43 em 05/08/10, resultado de uma desvalorização de 5,9% nos últimos 12 meses. Com base nestes dados, calcule o preço pelo qual um aplicador podia comprar este tipo de ação a um ano atrás.

30) A ação Vale PNA atingiu o preço de venda de cotação de R$ 42,26 , com resultado de uma valorização de 22% nos últimos 12 meses. Calcule seu valor de cotação referente a um ano atrás.

31) Em 30/03/11 o preço do barril de petróleo à vista alcançou US$ 115,13, revelando uma alta de 2,98% relativa a 30 dias antes. Com base nas informações prestadas, determine quanto custava um barril no mês anterior.

32) Seja M C a margem de contribuição como porcentagem do custo variável e M P a margem de contribuição como porcentagem do preço de venda. Mostre que M C = M P / (1 – M P )

33) Seja M C a margem de contribuição como porcentagem do custo variável e M P a margem de contribuição como porcentagem do preço de venda. Mostre que M P = M C / ( 1 + M C )

2.5 Acréscimos e Descontos Sucessivos

Os acréscimos e Descontos podem ser feitos de forma sucessiva, ou seja , em uma série de operações, onde cada uma é realizada acumuladamente, "sobre" o resultado da operação anterior. Dessa forma, o valor bruto de cada acréscimo ou o líquido de cada desconto passa a ser o principal da operação posterior. Vamos imaginar uma série de acréscimos feitos de forma sucessiva, a partir de um principal. O bruto do primeiro acréscimo seria calculado da seguinte maneira:

V 1 =

V 2 = V 1 . ( 1 + i 2 )

V 3 = V 2 . ( 1 + i 3 )

V 0

.

(

1 +

i 1 )

=

=

V 0

.

(

1 +

i 1

V 0 . ( 1 +i 1

)

)

.

.

(

(

1 + i 2 1 +

i 2

)

)

.

( 1 +

i 3 )

.

.

.

Podemos generalizar as constatações acima da seguinte forma:

V n

= V 0

.

(

1 + i 1

)

.

(

1 +

i 2

)

.

(

1 + i 3 )

(

1 + i n

)

Obs.: No caso de acréscimos iguais, teríamos que V n = V 0 . ( 1 + i n ) n !

Como os acréscimos são sempre realizados sobre valores anteriormente acumulados, o acréscimo total é sempre diferente do (maior que o) obtido pela simples soma das taxas. Caso queiramos obter uma taxa única equivalente à aplicação de diversas taxas de forma sucessiva. Portanto, o valor final produzido por essa taxa única de acréscimos, que chamaremos de i E será igual ao valor final produzido pelas diversas taxas de acréscimos sucessivos, ou seja:

V 0 . ( 1 +

e

i E

=

( 1 +

i E )

i 1

= V 0 . (

1 + i 1

)

.

(

1 + i 2

)

)

.

(

1 + i 2

)

(

1 + i n

)

- 1

( 1 +

E no caso de acréscimos iguais, teríamos que i E

=

i n

)

( 1 +

i ) n

1

!

Por extensão, vejamos agora o caso de descontos sucessivos ;

V 1 = V 0 . ( 1 – i 1

)

 

V

2

= V 1

.

(

1 – i 2

)

V

3

= V 2

.

(

1 – i 3

 

)

.

.

.

V n = V 0 . ( 1 – i 1

)

.

(

= V 0

=

1 -

V 0

i 2

.

 

(

1 – i 1

)

.

(

1 – i 1

)

( 1 -

.

)

i 3

.

( 1 –

i 2

(

1 – i 2

)

)

)

.

(

1 – i 3

)

E no caso de descontos idênticos, teríamos que : V n = V 0 . ( 1 – i ) n

Como os descontos sucessivos resultam em um abatimento total diferente da (menor que a) soma das taxas de descontos, podemos calcular a taxa única que corresponde à aplicação de diversas taxas de abatimento sucessivas. O valor líquido produzido por

essa taxa única de descontos, que chamaremos de i D será igual ao valor líquido produzido pelas diversas taxas de descontos sucessivos, ou seja:

V 0 . (

1 – i D )

=

V 0 . ( 1

– i 1

Donde concluímos que :

- i D

– i n

= ( 1 )

– i 1

)

.

( 1

i 2

)

)

.

(

1

( 1 –

– i 2

)

i n

) – 1

(

1 – i n

)

, ou : i D

= 1 -

(

1 – i 1

)

.

(

1 – i 2

)

( 1

E, caso os descontos sucessivos fossem realizados a taxas idênticas, teríamos que:

-i D = ( 1

– i ) n

– 1

ou i D = 1 -

Exercícios de fixação:

( 1

– i ) n

.

1) Calcular o valor bruto de uma mercadoria cujo preço de fábrica é de R$ 1.200,00 por unidade e que sofre os acréscimos sucessivos de 3%, 5% e 7%. Resp.: R$ 1.388,65

2) Calcular o valor inicial de uma mercadoria que sofreu, de forma sucessiva, os acréscimos de 5%, 10%, 15% e 20% e foi vendida por R$ 150.000,00. Resp.: R$ 94.108,79

3) Calcular o valor líquido de uma mercadoria que sofreu, sucessivamente, os descontos de 5%, 10%, 15% e 20% sobre o valor inicial de R$ 100.000,00. Resp.: R$ 58.140,00

4) Calcular o valor inicial de uma mercadoria que foi vendida por R$ 50.000,00 após sofrer os descontos sucessivos de 10%, 20%, 30% e 40%. Resp.: R$ 165.343,92

5) Qual a taxa única que corresponde aos acréscimos de 5%, 10%, 15% e 20% aplicados de forma sucessiva? Resp.: 59,39%

6) Qual a taxa única que corresponde aos descontos de 5%, 10%, 15% e 20% aplicados de forma sucessiva? Resp.: 41,86%

7) Uma mercadoria cujo preço de fábrica é de R$ 15.000,00 sofre, de forma sucessiva, os acréscimos de 3%, 5%, 8% e um quarto que eleva o seu preço final a R$ 21.024,36. Qual a porcentagem do o último acréscimo? Resp.: 20,00%

8) Ao comprar certa mercadoria por R$ 20.000,00, obtive os descontos de 15%, 20%

e um terceiro. Os descontos foram realizados de forma sucessiva, sobre o preço da etiqueta de R$ 42.016,81. Qual a porcentagem do último desconto? Resp.: 30,00%

9) O acréscimo total de 27,63% foi resultante da aplicação de cinco taxas iguais de forma sucessiva. Qual a porcentagem dessas taxas? Resp.: 5,00%

10) O abatimento total de 22,62% foi resultante da aplicação de cinco taxas iguais de forma sucessiva. Qual a porcentagem dessas taxas? Resp.: 5,00%

11) As vendas de veículos bicombustíveis (flex) no Brasil apresentaram crescimento meteórico desde seu lançamento em 2003. Para se ter uma idéia, entre 2006 e 2007 cresceu 40%, entre 2007 e 2008 cresceu 16% e entre 2008 e 2009 cresceu 14%. Se em 2006 foram vendidas 1.430.000 unidades calcule a quantidade de unidades vendidas em 2009. Resp.: 2.647.445 unidades

12) A inflação medida pelo IPCA atingiu os índices de 4,46% em 2007, 5,9% em 2008

e 4,31% em 2009. Para um produto que tem seu preço reajustado pelo índice em

questão e que custava R$ 2.750,00 em 2007, calcule seu preço final em 2009. Resp.: R$ 3.173,25

13) A Receita mundial da SIEMENS que em 2007 era da ordem de € 72 bilhões, aumentou em 7% em 2008 e diminuiu em 3% em 2009 e tem-se expectativas de crescimento de 7% em 2010. Calcule o faturamento previsto para 2010. Resp.: € 70,96 bilhões

14) O Número de correspondentes bancários que em 2002 era de 32.500 aumentou 41,5% em 2004, 58,7% em 2006 e 48% em 2008. Calcule o número de correspondentes no início de 2009. Resp.: 108.014 correspondentes

15) A Hyundai do Brasil, montadora de veículos, atingiu em 2006 um total de 5.177 veículos vendidos, em 2007 houve um aumento de 268% nas vendas, em 2008 130%

e em 2009 obteve um aumento de 62%. Calcule o volume de vendas referente ao ano de 2009. Resp.: 70.985 veículos

16) O Formspring.me, site que, em tempo recorde conquistou o gosto dos brasileiros, tinha 1,3 milhões de usuários em dezembro de 2009, teve um aumento de 200% em janeiro de 2010, seguido de 23,8% em fevereiro e de 4,2 em março. Calcule o total de usuários em março de 2010, atentando para os aumentos verificados nos meses anteriores.

17) A evolução da corrente de comércio do MERCOSUL alcançou os seguintes percentuais: de 2002 a 2005 aumentou 111.24%, de 2005 a 2008 houve uma evolução da ordem de 95,21% e espera-se para o 1º semestre de 2010, com relação a 2008 uma redução de 52,58%. Sabendo-se que em 2002 o comércio entre os países do bloco giraram em torno de US$ 8,9 bilhões, estime o total de negócios ao final do 1º semestre deste ano.

18) Os gastos com cartão de crédito de brasileiros no exterior obtiveram os seguintes percentuais de crescimento: 50% no período 2007/2008, 4,17% de 2008/2009 e de 60% no período 2009/2010. Se os gastos em 2007 foram de cerca de US$ 4 bilhões, estime o total de gastos referentes a 2010.

3. Modelo de Capitalização Simples

Neste capítulo estaremos sistematizando a aplicação de modelos matemático- financeiros relacionados com o parâmetro dos juros simples. Devido às suas restrições técnicas, a aplicabilidade deste tipo de modelo se torna bastante limitada, restringindo sua utilização a operações de curto e curtíssimo prazo, como também no cálculo de certas operações financeiras, tais como, encargos a pagar em operações de empréstimos e rendimentos financeiros para certas aplicações.

Algumas taxas praticadas no mercado financeiro são expressas em termos de juros simples, embora que a formação dos montantes destas operações se processem sob a forma de capitalização composta; como por exemplo, as Cadernetas de Poupança, que pagam uma taxa de 6%aa, mas que, proporcionalmente, creditam 0,5%am que são capitalizados exponencialmente para a formação do montante final.

a

compreensão do modelo de capitalização composta que estudaremos no próximo capitulo.

Apesar de sua restrita utilização,

sua abordagem será

e grande valia

para

3.1 Juros Simples

Podemos citar como exemplo de pagamento de juros as seguintes situações:

Um cliente bancário toma emprestado de um banco a quantia de $ 1.000,00 e assina uma promissória concordando em que, ao fim de quatro meses, pagará os $ 1.000,00 iniciais acrescidos da quantia de R$ 200,00.

Um banco estipula em seus contratos de aplicações financeiras no valor de R$ 10.000,00 , por um prazo de 2 anos as seguintes condições:

- a restituição dos R$ 10.000,00 ao fim dos 3 anos.

de R$ 2.500,00 ao final do prazo de aplicação, a título de

remuneração do capital aplicado,

As importâncias de $ 200,00 no primeiro caso e de $ 2.500,00 no segundo configuram a cobrança e o pagamento de juros, configurando esta variável como sendo:

“ o valor que se paga pelo uso de dinheiro que se toma emprestado”.

ou

“a recompensa monetária recebida quando o capital é aplicado”.

- o pagamento

Voltando às situações apresentadas anteriormente, na primeira existe uma relação direta entre a quantia emprestada e o valor pago a título de juros, note que este último representa 1/5 do total tomado num período de 4 meses, o que indica que está

pagando proporcionalmente $ 200,00 em 4 meses, o que representa 20%aq (200/100

= 0,2) ou $ 50,00 mensalmente, o que representa 5%am (50/1000 = 0,05) . Já no

segundo caso apresentado, o aplicador está recebendo anualmente $ 1.250,00 o que representa 12,5%aa (1.250,00/10.000,00 = 0,125aa) .

Note que:

“A magnitude dos juros pagos ou recebidos sobre um empréstimo ou em uma aplicação dependem, ao mesmo tempo, da quantia emprestada/aplicada e do tempo durante o qual os recursos monetários foram utilizados”.

Deve notar-se, por vezes, que a lógica e a prática dos negócios nem sempre estão de acordo. Por exemplo, um ano consta de 365 dias (exceto o ano bissexto) e está dividido em 12 meses de extensão desigual.

3.2 Taxa de Juros

Quando uma quantia de valor C , numa certa data, aumenta para o valor M numa data

posterior,

C

é chamado de principal ou valor presente.

M

denomina-se montante ou valor futuro e

Chamamos de juro a diferença ente M e C , ou seja: J = M – C .

Exemplo:

Um cliente toma emprestados R$ 1.000,00 em um banco, concordando em pagar, ao final de um ano, R$ 1.100,00 para saldar seu empréstimo.

Temos que:

C

= 1.000,00

M

= 1.100,00

O

valor dos juros (J) será:

J

= M - C = 1.100 - 1.000 = 100,00

Já a taxa de juros cobrada será:

A taxa de juros produzida ou cobrada é a relação entre os juros auferidos numa

unidade de tempo e o valor principal; ou seja:

“A taxa de juros é um coeficiente que corresponde à razão entre os juros pagos ou recebidos no fim de um determinado período de tempo e o capital inicial”.

No exemplo apresentado, o valor do capital inicial é R$ 1.000,00 , o valor dos juros:

R$ 100,00 por um ano.

Já a taxa de juros i será, conforme definido acima, poderá ser encontrada através da divisão entre o valor referente aos juros no período determinado pelo valor do

principal:

i = M / C

i = 100 / 1.000

i = 0,10 por um ano ou = 0,10 ao ano = 10%aa

A

taxa de juros sempre se refere a uma unidade de tempo (ano, mês, trimestre, etc.)

e

pode ser apresentada sob a forma unitária (que geralmente é uma fração decimal)

ou na forma percentual.

Obs.: Para a conversão da forma unitária para a forma percentual, basta multiplicar por 100 e acrescentar o símbolo de percentual (%); ao menos que se especifique de modo diverso, dada uma taxa de juros, a unidade de tempo subentendida é o ano.

No exemplo acima, por se tratar de um período de um ano, poderíamos escrever

simplesmente:

i = 10%, pois:

Apesar da taxa de juros poder ser escrita tanto da forma unitária quanto percentual, ela geralmente vem expressa como uma percentagem. Porém:

Obs.:“Para efeito de cálculos, a taxa de juros deverá ser sempre convertida para a sua forma unitária”.

-

Conversão da taxa percentual para a forma unitária: basta dividir por cem e eliminar

o

símbolo "percentual".

Exemplo:

i = 25 %

i = 25 % / 100 %

i = 0,25

Esta conversão, por mais banal que possa parecer, é uma das principais fontes de erros na resolução de problemas que envolvem a Matemática Financeira.

“Deve-se ter, também, especial atenção entre o período de tempo considerado e a unidade de tempo à qual a taxa de juros se refere”.

Assim, se estamos falando de taxas de juros anuais, devemos ajustar o período de capitalização sempre em anos:

Exemplo:

1 mês deve ser contado como 1/12 ano

47 dias, como fração de ano = 47 / 360

1 bimestre, como 1/6 ano, etc.

Se estivermos falando em taxas de juros diárias, o tempo deve ser sempre contado em dias, no caso de taxas de juros mensais, o tempo deve ser contado em meses. E assim, sucessivamente.

Recomenda-se muito cuidado, é um erro bastante freqüente a não conversão do período em que a taxa está expressa e o período de capitalização; portanto, não esqueça, antes de começar iniciar os cálculos, de transformar o tempo de aplicação na mesma unidade expressa pela taxa.

3.3 Fórmulas para o cálculo dos juros simples:

a) Modelo empregando taxas variáveis:

iiii JJJJ2222 111 1 JJJJ 1111 iiii 2222 iiii3333 JJJJ 3333 iiii nnnn JJJJnnnn ||||
iiii
JJJJ2222
111 1
JJJJ 1111
iiii 2222
iiii3333
JJJJ 3333
iiii nnnn
JJJJnnnn
||||
||||
||||
||||
||||
||||
0000 1111
2222
3333
nnnn –––– 1111
nnnn
t
=1
J 1 = C
.
i
1
t
= 2
J 2 = C
.
i
2
t
= 3
J 3 = C . i 3
.
.
.
t = n
J n = C
.
i
n
Como
+
J 2
+
J 3
+
+
J n
J Total = J 1
= + C.i 2
C.i 1
+ C.i 3 +
+ C.i n
= + i 2
C( i 1
+ i 3
+
+ i n
)

n

= C. i t

t = 1

Este tipo e sistemática é utilizada, por exemplo, em pagamentos de IOC/IOF, deságio e LTN, descontos bancários e em outras operações que tenham cláusulas contratuais, obrigando sua utilização.

b) Modelo empregando taxa fixa:

Se a taxa é fixa, teremos que:

i 1

= i 2

= i 3

=

= i n

= i ; logo J = C.(

i

+

i

+

i

+

… +

i

) =

C

.

i

.

n

Deve-se notar que os juros simples se comportam de maneira linear, ou seja, os acréscimos (ou decréscimos) são constantes durante todo o prazo de capitalização, demonstrando uma proporcionalidade entre J e n.

3.4 Homogeneização entre taxa e prazo de aplicação:

Devido à necessidade de compatibilização de dimensionamento entre as unidades envolvidas na análise financeira, variáveis taxa de juro e prazo de capitalização devem apresentar como unidade dimensional um mesmo período de tempo específico para amos os casos, em outras palavras, para um cálculo correto do valor dos juros a serem auferidos(ou pagos), a taxa de juro e o prazo de capitalização deverão estar expressos nas mesmas unidades de tempo.

Para obtermos uma taxa de juro equivalente a uma expressa em determinado período para um de período menor, basta dividirmos a magnitude do período maiôs pelo número de sub-períodos que ele contém.

Vejamos um exemplo: Qual o juro simples produzido por uma aplicação de um capital de $ 1.000,00 a uma taxa de 24%aa durante um prazo de três meses?

3.5 Juros simples exato e ordinário

O juro simples exato calcula-se tomando-se como base o ano civil com 365 dias (ou

366 se o ano for bissexto); já o juro simples ordinário calcula-se tomando-se como base o ano comercial com 360 dias.

O uso do ano de 360 dias simplifica a maioria dos cálculos, e também:

Obs.: O uso do ano do ano de 360 dias aumenta os juros auferidos por quem empresta

o dinheiro.

Caso a questão não esclareça se é para achar os juros simples exatos ou ordinários, vale o seguinte:

Obs.: Numa prova de concurso público, diante de um problema como este, recomendamos começar pelo ordinário (que é o que se pratica habitualmente nas transações bancárias e comerciais) e conferir as alternativas. Caso nenhuma estiver correta, calcule o juro exato e confira as alternativas novamente. É provável que, não havendo erro de cálculo, agora você encontre a alternativa a assinalar!.

Vejamos o seguinte exemplo:

Calcular os juros simples exatos e ordinários de R$ 2.000,00 durante 50 dias, a 5%.

Solução:

a) Juro simples ordinário (usamos o ano de 360 dias):

n

= 50/360 = 5/36 e

J

= C .

i

.

n

J

= 2.000 . (0,05) . (5/36) = 125/9

J

= R$ 13,89

b) Juro simples exato (usamos o ano de 365 dias):

n

= 50/365 = 10/73 e

J

= C .i .n

J

= 2.000 . (0,05) . (10/73) = 1.000/73

J = R$ 13,70

3.6 Tempo Exato e Aproximado

Para o cálculo dos juros, podemos efetuá-lo de duas maneiras distintas:

Tempo exato: calculamos o número exato de dias envolvidos na situação- problema.

Tempo aproximado é aquele que se obtém supondo que cada mês tem 30 dias.

Vejamos um exemplo:

Calcular o número de dias exato e o número de dias aproximado entre 20 de Junho e 24 de agosto de um mesmo ano.

Tempo exato:

No nosso exemplo será o número de dias restantes de junho + número de dias de julho + número indicado de dias de agosto =

= 10 + 31 + 24 = 65

Tempo aproximado.

Primeiro método= 10 + 30 + 24 = 64

Segundo método: subtração de datas

Agosto, 24. Escreve-se

8 : 24

Junho, 20. Escreve-se

6 : 20

Resultado:

Assim, o tempo aproximado é de 2 meses e 4 dias ou 64 dias.

Observe que este método pode ser usado inclusive para anos diferentes:

Exemplo: Calcular o número de dias aproximados entre: 01.03.1998 e 25.07.1994. O sistema é parecido com a subtração de horas. Quando na primeira linha o número de dias é menor que na segunda linha, soma-se 30 aos dias da primeira linha, subtraindo- se 1 do número de meses:

2 : 04

1998

: 03 : 01

1998 : 02 : 31

1994

: 07 : 25

1994 : 07 : 25

Quando o número de meses na primeira linha é menor que o número de meses da segunda linha, soma-se 12 aos meses e subtrai-se 1 dos anos:

1998

: 02 : 31

1997 : 14 : 31

1994

: 07 : 25

1994 : 07 : 25

Efetuando-se a subtração, temos: 3 : 07 : 06

3 : 07 : 06 = 3 . 360 + 7 . 30 + 6 =

= 1.080 + 210 + 6 = 1.296 dias

Vejamos um outro exemplo:

Calcular o juro exato e o juro ordinário de uma aplicação de R$ 2.000,00 a 6% de 20 de Abril de 97 a 1 de Julho de 97, usando o tempo exato e o tempo aproximado.

Calculando o número de dias obtemos:

tempo exato: = 10 + 31 + 30 + 1 = 72 dias

tempo aproximado: 10 + 30 + 30 + 1 = 71 dias

Temos, portanto, que achar 4 respostas:

a) Juro exato, tempo exato:

J = 2.000 (0,06) (72/365) = R$ 23,67

b) Juro exato, tempo aproximado:

J = 2.000 (0,06) (71/365) = R$ 23,34

c) Juro ordinário, tempo exato:

I = 2.000 (0,06) (72/360) = R$ 24,00

d) Juro ordinário, tempo aproximado:

J = 2.000 (0,06) (71/360) = R$ 23,67

Dentre os quatro métodos para calcularmos os juros simples, exemplificados acima, o mais comum é o de juro ordinário para o número exato de dias.

3.7 Montante, Capital Acumulado ou Valor Futuro

Quando aplicamos um capital, sujeito a uma taxa de juros e um determinado período de aplicação, há a geração de um valor acumulado, ao qual denominamos de Montante. Este Montante é o resultado da soma do capital inicialmente aplicado com os juros produzidos durante o prazo de aplicação ou capitalização;ou seja: Montante = Capital + Juros; ou ainda : M = C + J .

Vamos obter, agora, as fórmulas para o cálculo do montante:

a) Montante a taxas variáveis:

M = C + J = C + C .

Σ i t = C

.

(

1

+

Σ i t )

b) Montante a taxa fixa:

M = C + J = C + C . i . n = c.(1+ i.n)

3.8 Valor Atual ou Valor Presente:

Trata-se do valor antecipado de qualquer compromisso financeiro que foi estabelecido para ser concretizado no futuro.

Através do diagrama abaixo, temos que:

A

A N

N

 
 

0

n

Onde:

 
 

A

= Valor atual do compromisso (note que A = C)

N

= Valor de resgate, valor de face ou valor nominal do título (note que N = M)

n= prazo de vencimento

Como os casos de juros e de montante, podemos calcular o valor atual de duas formas:

a) A taxas variáveis:

Como,

M = C . ( 1 + Σ i t ) , por analogia : A =

b) A taxa fixa:

N

( 1+ Σ i t )

Como,

M = C . ( 1 + Σ i t ) , por analogia :

A =

N

 

(

1 +

i

.

n )

Vejamos alguns exemplos:

1) Determinar o valor atual de um compromisso financeiro no valor de R$ 1.500,00, vencível daqui a 9 meses, quando se aplica uma taxa de juros de 6%am.

Temos que:

N = 1.500,00, i = 0,06am

Logo:

A = 1.500 / [1 + 0,06 (3/4)] =

e n = 9/12 = 3 / 4

= 1.500 / 1 + 0,045 = 1.500 / 1,045

= R$ 1.435,41

2) Uma duplicata datada de 1 de Abril no valor de R$ 1.200,00 devida em 8 meses com juros de 12%aa é vendida, a 14 de Julho, a Y, um agiota, que negocia este título na base de 36%aa. Quanto pagará Y pela referida duplicata?

Solução:

1º passo: encontrar o valor da duplicata na data do seu vencimento, 1 de dezembro.

Temos:

A

= 1.200, i = 0,12aa

e n = 8/12 = 2/3.

N

= A . (1+in) = 1.200 (1+0,12(2/3)).

N

= 1.200 + 96 = R$ 1.296,00

2º passo: encontrar o valor atual, em 14 de Julho, a juros de 36%, da duplicata cujo valor em 1 de dezembro é R$ 1.296,00.

Primeiro vamos achar n:

Julho: 31 - 14 = 17 dias

Agosto:

31 dias

Setembro:

30 dias

Outubro:

31 dias

Novembro:

30 dias

Dezembro:

01 dia

Logo, n = 140 dias.

Portanto:

N = 1.296, i = 0,36aa

A = 1296 / [ 1 + 0,36 (140/360) ]

= 1.296 / 1 + 0,14 = 1.296 / 1,14

= R$ 1.136,84

Portanto, Y pagará R$ 1.136,84 pela duplicata.

e n = 140 dias

3.9 Operações de Desconto Simples

liquidez de

caixa às unidades consumidoras e produtoras; as operações de desconto consistem na

Este tipo de operação é utilizada com o objetivo de permitir uma

maior

antecipação de recursos financeiros para por exemplo capital de giro, em contrapartida a títulos de crédito.

Bancos e outras instituições financeiras realizam operações de desconto de títulos diversos. Nesse caso, o credor do título recebe hoje o valor do título que apresenta vencimento futuro, mediante o pagamento de de deságio e cessão dos direitos creditórios. Nessas operações são negociados títulos como Motas Promissórias, duplicatas, entre outros.

A operação de desconto é inversa à da capitalização e consiste em se determinar um

Valor Presente equivalente a um determinado Valor Futuro. Em termos práticos, as operações de desconto são realizadas com os títulos de crédito que são os instrumentos de crédito que possuem garantia legal (duplicatas, notas promissórias, etc.). Possuindo garantia legal, esses títulos podem ser negociados livremente, antes de sua data de vencimento.

Assim, um título de crédito pode ser convertido em dinheiro ou substituído por outro(s) título(s) anteriormente à data prevista para sua liquidação. A conversão é feita pelo Valor Atual (A) ou Valor Presente do título, que corresponde ao Valor de Face, Valor Nominal (N) ou Valor Futuro do título, menos o desconto (D) que é a compensação em valor pela antecipação do resgate do título.

O Regime de Capitalização Simples utiliza duas formas de cálculo para o desconto: o

Desconto Simples Comercial e o Desconto Simples Racional. Como apenas a modalidade comercial é praticada, ainda que sua utilização seja restrita a operações de curto prazo, nos ateremos ao seu estudo.

Podemos conceituar desconto como a diferença ente o valor nominal (ou e resgate) do título e seu valor atual (ou descontado), ou seja: D = N – A; ilustrativamente,

teremos:

$ N(Valor Nominal) D (Desconto) (Valor Atual) A A Te mpo
$
N(Valor Nominal)
D (Desconto)
(Valor Atual)
A
A
Te mpo

n(pe ríodo de antecipação)

As operações de desconto simples põem ser classificadas em:

a) Desconto Simples Racional:

D R = f(A)

D R = N - A = A.(1 + i.n) - A = A.(1 + i.n - 1) = A.i.n

D R = f(N)

D R = N - A = N -

N

D R =

D R =

1 + i.n N.(1 + i.n) - n 1 + i.n N . i . n

1 + i.n

b) Desconto Simples Comercial:

Convencionalmente é um juro simples cobrado sobre o valor nominal do título,

. Podemos obter o valor atual comercial de um título da seguinte forma:

mediante uma taxa de desconto

i * ; ou seja: D C = N . i * . n

Como D C =

N – A C

Como D C = N – A C A C = N – D C =

A C = N – D C = N – N . i * . n

= N . ( 1 – i *

. n )

Exemplo: Calcular o desconto comercial de um título de R$ 500,00, descontado 27 dias antes do vencimento, à taxa de desconto de 5% ao mês.

dias antes do vencimento, à taxa de desconto de 5% ao mês. Exemplo: Calcular o Valor

Exemplo: Calcular o Valor de Resgate de um título de R$ 1100,00, 25 dias antes do seu vencimento, à taxa de desconto de 8% a.m.

dias antes do seu vencimento, à taxa de desconto de 8% a.m. Ainda com relação ao

Ainda com relação ao desconto comercial, por ser praticamente o único utilizado nas operações de curto e médio prazos no mercado de crédito, desejamos acrescentar que na determinação do valor atual comercial de um título são adicionadas outras taxas e impostos, a fim de obtermos o valor líquido final,; a exemplo do Imposto Sobre Operações Financeiras(IOF), taxas de Serviço(TS), dentre outras. Onde:

IOF = N . i’ . n

e TS = N . i’’ ; i’’ = taxa de serviço incidente sobre o valor global da operação, a

; i’ = taxa der IOF mensal

exemplo das chamadas “taxas de abertura de crédito”.

Assim:

A C = N - D C

VL = N - D C

- IOF

VL = N – D C – IOF – TS

3.10 Taxa Efetiva de Desconto ou Empréstimo:

Normalmente, nas operações de crédito, a taxa declarada nem sempre representa o verdadeiro custo da operação, havendo uma taxa de juros implícita, cuja magnitude pode ser comparada com outras alternativas de aplicação ou captação de recursos. Para a sistematização de seu cálculo, iremos empregar os modelos de capitalização simples, utilizando a fórmula J = C . i . n e compostos, mediante a utilização da fórmula do montante composto M = C . (1 + i) n , embora que esta última só será abordada com mais ênfase a partir do próximo capítulo.

Como demonstração do exposto acima, vejamos o seguinte exemplo:

Um título com valor nominal de R$ 100.000,00 é descontado comercialmente a uma taxa de 4%am (já incluso o IOF), para um prazo de vencimento de 47 dias. Nestas condições, determinar:

a) A taxa efetiva de juros simples implícita (para o cliente) na operação.

b) Idem, empregando capitalização composta.

3.11 Método Hamburguês para o cálculo dos Juros Simples em Contas de Cheque Especial:

Este método representa o emprego direto da fórmula de juros simples aos saldos devedores mantidos em conta corrente, através da cobrança de uma taxa mensal de juros durante prazos diários.

Vejamos o seguinte diagrama:

 

SD 1

SD 2

SD n

|

|

|

|

|

.

.

.

|

|

|

0

d 1

d 2

d n

30 dias

Onde SD t é o saldo devedor da conta corrente no período “t” e d t o número de dias contidos em cada período “t” em que a conta ficou “a descoberto”.

Admitindo-se a cobrança de uma taxa mensal i m de juros simples, teremos

J t = SD t . (i m

/ 30) . d t

Com deverá ser debitado o valor total dos juros simples na conta corrente, teremos que:

J t = SD t . (i m

/

30) . d t

n

n

J T = J t =

t = 1

SD t . (i m / 30) . d t

t = 1

J T = (i m / 30) .

SD t . d t ;onde os valores que se encontram t = 1

n

entre conchetes chamamos de números-produto.

À semelhança do cálculo dos juros, o IOF também será debitado em conta corrente na

mesma data e para os mesmos saldos devedores apresentados, podendo ser calculado da seguinte forma:

IOF = (i / 30) .

n

SD t . d t ;onde a taxa repre sentativa do

t = 1

IOF se encontra no patamar de 3,38%aa.

Vejamos o seguinte exemplo:

Sabendo-se que o Banco da Produção S.A. cobra juros simples de 4,2%am e um IOF de 0,123%am de seus clientes portadores de cheques especiais, determinar, segundo

o quadro abaixo (extrato de conta particular), os valores dos juros e do IOF, tendo

como data de contabilização o dia 30/03.

Dia – Mês

Histórico

Valor (R$)

Saldo (D/C)

Nº de dias

02/03

Transporte

-

80.000,00(C)

-

10/03

Cheque

90.000,00

10.000,00(D)

6

16/03

Cheque

25.000,00

35.000,00(D)

2

18/03

Depósito

40.000,00

5.000,00(C)

-

23/03

Déb. Autorizado

13.500,00

8.500,00(D)

7

30/03

Depósito

60.000,00

51.500,00(C)

-

Exercícios de fixação:

1)

ano, rende $ 72.000,00 de juros, determinar o futuro valor, no regime de capitalização simples.

Resp. $ 112.000,00

Sabendo-se que certo capital, aplicado durante 10 semestres, à taxa de 36% ao

2) Um empréstimo de $ 40.000,00 deverá ser quitado por $ 80.000,00 no final de

12 meses.

de

capitalização simples.

Resp.: 8,33% a.m.

Determinar

e

as taxas

mensal e

anual

cobradas

nesta

operação

100% a.a

3)

Calcular o valor dos juros e do montante de uma aplicação de $ 2.000,00, feita

a

uma taxa de 4,94% ao mês, no regime de capitalização simples, pelo prazo de 76

dias. Resp.: $ 250,29

e

$ 2.250,29

4)

$ 825,00. Indaga-se: qual a taxa anual correspondente a essa aplicação, no regime de juros simples? Resp.: 33% a.a

Uma aplicação de $ 5.000,00, pelo prazo de 180 dias obteve um rendimento de

5) Determinar o valor de um título cujo valor de resgate é de $ 6.000,00,

sabendo-se que a taxa de juros simples cobrada para gerar este título é de 5% ao mês

e que o seu vencimento é de 4 meses. Resp.: $ 5.000,00

6) Sabendo-se que certo capital, aplicado durante 10 bimestres, à taxa de 36% ao ano rende $ 7.200,00 de juros, determinar o montante no regime de capitalização simples. Resp.: $ 19.200,00.

7)

linear considerada? Resp.: 25% ao m.

Um capital, aplicado por 2 meses, elevou-se a 3/2 de si próprio. Qual foi a taxa

8) Depositei a quantia de $72.000,00 em um banco que remunera seus clientes a taxa simples de 36% ao ano. Depois de um certo tempo, verifiquei que o meu saldo era de $73.800,00. Por quantos dias deu-se essa aplicação? Resp.: 25 dias

9) Pretendo poupar uma parte do salário, para daqui a 2 bimestres ter um montante de $500, 00, sabendo que a taxa é de 48% ao ano, quanto devo aplicar sendo o regime de capitalização simples? Resp.: 431,03

10) Calcular os juros simples do capital de R$ 1.000,00 durante 19 dias 16% ao mês. Resp.: R$ 101,33

11) Calcular o montante a juros simples do capital de R$ 2.500,00, durante 23 dias, a 14% ao mês. Resp.: R$ 2.768,33

12) Ao fim de quanto tempo o capital de R$ 5.000,00 a 20% a.a. produzirá juros simples de R$ 1.500,00? Resp.: 1a6m

13) Ao fim de quanto tempo o capital de R$ 2.500,00 a 10% ao ano produzirá o montante a juros simples de R$ 3.250,00? Resp.: 3a

14) Um investidor aplicou R$ 250.000,00 em Letras de Câmbio no dia 15 de janeiro de 1995 e, ao resgatá-las no dia 16 de março do mesmo ano, recebeu R$ 320.500,00. Quanto recebeu de juros? Que taxa mensal remunerou seu capital nesse período? Resp.: R$ 70 500,00; 14,10% a.m.

15) Um empresário pediu um empréstimo de R$ 25.000,00 a uma instituição financeira, por certo período. Na liberação do empréstimo, pagou antecipadamente, como previa o contrato, 22% de juros. Qual o valor pago de juros? Qual a quantia efetivamente liberada? Considerando a quantia liberada como empréstimo, qual foi a taxa efetiva de juros, considerando o prazo relativo à operação de 1 mês? Resp.: R$ 5.500,00; R$ 19.500,00; 28,21%

16) Um título foi descontado, 47 dias antes de seu vencimento, à taxa de 7% a.me., por R$ 4.451,67. Calcular o Valor Nominal do título. Resp.: R$ 5.000,00

17) Uma nota promissória de R$ 7.500,00 foi resgatada, dois meses antes de seu vencimento, por R$ 5.250,00. Calcular a taxa de desconto. Resp.: 15% a.m.

18) Uma empresa descontou em um banco, no dia 26 de maio, três títulos de R$ 20.000,00; R$ 15.000,00 e R$ 35.000,00, vencíveis, respectivamente, em 27 de junho, 28 de julho e 24 de agosto do mesmo ano. Calcule o valor atual utilizando a taxa de desconto de 15% a.m. Resp.: R$ 46.325,00

19) Uma empresa devedora de três títulos de R$ 2.000,00; R$ 1.500,00 e R$ 3.000,00, vencíveis em 32, 63 e 90 dias, respectivamente, propõe ao banco credor substituí-los por dois outros, de mesmo valor nominal, para 40 e 75 dias. Calcule o valor nominal desses títulos a uma taxa de desconto de 15% ao mês. Resp.: R$ 3.057,89

20) Calcular o montante de um capital de R$ 700,00, a 10% a.me., em 6 meses. Resp.: R$ 1.120,00

4. Modelo de Capitalização Composta:

Nesta nova modalidade de regime de capitalização, estudaremos o modelo de capitalização composta que , como já vimos anteriormente, permite a incidência de juro sobre juro; ou seja, diferentemente da capitalização simples, neste modelo os juros provenientes de um determinado período são calculados a partir do montante gerado no período imediatamente anterior.

Esta modalidade de capitalização é de grande importância no mercado financeiro, dada a sua larga utilização em operações financeiras no curto, médio e longo prazos.

4.1 Montante, Capital acumulado ou Valor Futuro (M):

Partiremos da hipótese de, no mercado financeiro, estar sendo utilizada uma taxa de juros compotos i t, por período de capitalização, sobre um capital inicial ou principal (C) aplicado com o objetivo de auferir juros.

a) Montante a taxas variáveis:

Vejamos o diagrama a seguir:

C i 1 M 1 i 2 M 2 i 3 M 3 i n
C
i 1
M 1
i 2
M 2
i 3
M 3
i n
M n
M n-1
|
|
|
|
|
(n – 1)
|
0
1
2
3
n

A partir do diagrama acima e levando em consideração que M = C + J , teremos que:

Data 0 : M = C Data 1 : M 1 = C + C . i 1

Data 2 : M 2 = M 1

Data 3 : M 3 = M 2 + M 2 . i 3 = M 2 .

.

.

.

Data n:M n = M n-1 + M n-1 . i n = M n-1 . ( 1 + i n ) =C . ( 1 + i 1 ) . ( 1 +

.

= C

i 2

.

=

(

1 +

M 1 . (

i 1

)

1 +

+ M 1

i 2 ) = C

C

.

.

(

(

1

+

i 1 )

)

.

.

(

1 + i2 )

( 1 +

i 2 )

.

(

i

2 )

(1 + i 3 ) =

1 + i 1

1 +

i 3 )

( 1 +

i n )

Portanto, ao final de n períodos de capitalização, o montante final poderá ser obtido pela fórmula acima, ou seja:

M =

por:

C .

( 1 +

M = C .

i 1

)

.

(

1 +

i 2 )

( 1 +

i 3 )

( 1 + i n ) ; podemos também representá-la

n

π (1 + i t ) ; onde π representa o produtório das taxas.

t = 1

b) Montante a taxa fixa

Como: i 1 = i 2 = i 3 =

 

= i n

 

= i

, teremos

que:

 

M

= C

.

(

1 +

i

)

.

(

1 +

i)

(

1 + i )

(

1 +

i

)

Logo:

M

=

C

.

(

1 +

i

) n

;onde o fator

(

1

+

i

)

n

é conhecido como fator de

acumulação de um capital e pode ser representado por: ( 1 + i ) n = r n = FAC(n,i), seu

cálculo pode ser realizado através da utilização de tabelas financeiras , máquinas de

calcular, tanto científicas quanto financeiras e EXCEL.

programas computacionais com o

4.2 Juros Compostos (J):

A partir das fórmulas de montante determinadas anteriormente, poderemos, também, determinar as de juros compostos.

a) Juros compostos a taxas variáveis:

Como M = C + J , temos que J = M – C ; portanto,

J = C .

n

π (1 + i t ) - C

t = 1

J = C .

n

π

(1 + i t ) - 1

t = 1

b) Juros compostos a taxa fixa:

J =

C .

(

1 +

i ) n

- C

= C

.

[

(

1 +

i ) n

-

1 ]

4.3 Valor Atual ou Valor Presente (A):

Seguindo a metodologia que utilizamos para a determinação do valor atual na capitalização simples, podemos determinar o valor atual ou presente (A=C) de um compromisso financeiro(M) vencível daqui a n períodos a partir da data de hoje, realizando um processo de descapitalização do valor futuro(M), segundo uma taxa de juros corrente de mercado. Portanto:

a) Valor Atual Composto, empregando taxas variáveis:

n

Como, M = A . π (1+i t ), temos que: A =

M

n

π (1+i t )

t=1

b) No caso da taxa ser constante, teremos:

A =

M

( 1 +

i ) n

Onde, o fator

1

(

1 +

i ) n

=

M

.

( 1

+

i ) -n

= ( 1 + i ) -n

é denominado fator de valor atual de

um capital e pode ser representado por ( 1 + i ) -n = v n = FVA(n,i); como no caso do r n , este fator, também, pode ser calculado através da utilização de tabelas financeiras , máquinas de calcular, tanto científicas quanto financeiras e programas computacionais como o EXCEL.

Vejamos algumas aplicações:

1) Calcular os montantes e os respectivos juros de um capital de R$ 100.000,00 aplicado a juros compostos, pelos praz de 1 ano e 3 meses e a uma taxa de 1,5%at.

2)Determine o valor de resgate em CR$(cruzeiros reais) e em R$(reais), para um Certificado de Depósito Bancário (CDB) adquirido em dezembro de 1993 por CR$ 100 milhões para receber uma taxa líquida de juros compostos de 10%am, pelo prazo de 12 meses. A data do resgate do título foi estabelecida para o dia 17/12/94, quando se dará a conversão: R$ 1,00 = CR$ 3.660,44.

3)Se uma caderneta de Poupança forneceu durante os seis últimos meses taxas mensais de rentabilidade (incluindo juros e TR) de, respectivamente, 0,6567%, 0,6331%, 0,6299%, 0,6929%, 0,6446%, 0,6954% e 0,476%, que capital acumulado haverá, quando são depositados R$ 1.000.000,00 no início do período citado?

4) Quanto se deve depositar na data atual em um Fundo de Renda Fixa para se ter acumulados R$ 300.000,00 ao final de 1 ano e 6 meses, quando se sabe que o referido fundo fornece uma taxa média de 1%am?

5)Em quanto tempo um capital aplicado à taxa de 0,65% duplicará seu valor inicial?

4.4 Taxas de Juros Equivalentes:

Dizemos que duas ou mais taxas de juros são equivalentes quando, incidindo sobre um mesmo capital, resultarem rendimentos (juros) ou valores acumulados (montante) idênticos, ao fim de um esmo período financeiro.

Vejamos o seguinte diagrama:

C

i

esmo período financeiro. Vejamos o seguinte diagrama: C i M A 0 1 C M B

M A

período financeiro. Vejamos o seguinte diagrama: C i M A 0 1 C M B i

0

1

C

M B

i 1

i 2

i 3

i m

o seguinte diagrama: C i M A 0 1 C M B i 1 i 2

0

1

2

3

1

diagrama: C i M A 0 1 C M B i 1 i 2 i 3

m subperíodos

Onde, i é a taxa de juros compostos correspondente a um período financeiro e i m uma taxa de juros compostos correspondente a um subperíodo (1/m) do período financeiro.

Como M A = M B, teremos:

 

C .

(

1 +

i

) 1

= C

.

(

1

+

i m ) m

e :

i

=

( 1 + i m ) m

- 1

e

i m =

( 1 + i ) 1/m

- 1

A partir da demonstração acima podemos obter as seguintes relações de equivalência:

(1 + i a )

=

( 1 +

i s

) 2

=

( 1 +

i q ) 3 =

(

1 + i t

) 4

=

(

1 + i b ) 6

=

( 1 + i m ) 12

E, se quisermos generalizar para uma taxa i d relativa a d dias(período menor) com relação a uma taxa i D (período maior) relativa D dias , termos que:

(1 + i D ) = ( 1 + i d ) D/d ou que:

i D

= ( 1 + i d ) D/d

- 1

e

que

i d

Alguns exemplos:

= ( 1 + i d ) d/D

- 1

1) Determinar a taxa anual i a equivalente, conhecida a taxa mensal i m no regime de capitalização composta:

VF 1 = VF 2

m no regime de capitalização composta: VF 1 = VF 2 PV (1 + i a
m no regime de capitalização composta: VF 1 = VF 2 PV (1 + i a

PV (1 + i a ) = PV (1 + i m ) 12

i a = (1 + i m ) 12 - 1

2) Determinar a taxa mensal i m equivalente, conhecida a taxa anual i a de juros compostos.

VF 1 = VF 2

a taxa anual i a de juros compostos. VF 1 = VF 2 PV (1 +
a taxa anual i a de juros compostos. VF 1 = VF 2 PV (1 +

PV (1 + i a ) = PV (1 + i m ) 12

12 (1+ i ) a
12
(1+ i
)
a

- 1 = i m

ou

1

i m = (1 + i a ) 12