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VARIAÇÃO FONOLÓGICA: CONSOANTES EM CODA SILÁBICA1 Dermeval da Hora (UFPB/CNPq)2

RESUMO O sistema fonológico do Português Brasileiro (PB), no que concerne às consoantes, varia de acordo com a posição que elas ocupam na sílaba. Assim, se a consoante ocupa o ataque silábico ou segunda posição de ataque complexo, ter-se-á um número de consoantes, que, por sua vez, será alterado se a consoante ocupa a posição de coda. Neste estudo, será analisada a variação fonológica do sistema consonantal na última posição mencionada. Cada uma das quatro consoantes que pode ocupá-la, /l, r, N, S/, apresenta alternâncias diferenciadas entre as regiões brasileiras, e a elas se correlacionam restrições de ordem estrutural e social. ABSTRACT The qualities of the consonants in the Brazilian Portuguese (BP) phonological system vary depending on syllabic position. Thus, a consonant in the syllabic onset (or even in the second part of a complex onset) may be realized differently when in coda position. This study analyzes the phonological variation of consonants in coda position. Each one of the four coda consonants, /l, r, S, N/, present regional alternations and they correlate to constraints of structural and social order. . 1 Introdução Os estudos sobre a fonologia do Português Brasileiro (PB) dão conta de sua variabilidade tanto interdialetal como intradialetal. E esse comportamento variável atinge segmentos vocálicos e consonantais. Este estudo é voltado para as consoantes, considerando sua posição na coda silábica. E a sílaba será uma das noções aqui discutidas. Com o intuito de apresentar um panorama do comportamento variável das consoantes na posição mencionada, será levado em conta o fato de ser a posição na sílaba que definirá o número de consoantes do sistema. Assim, se a consoante ocupa o ataque silábico ou segunda posição de ataque complexo, ter-se-á um número de consoantes, que, por sua vez, será alterado se a consoante ocupa a posição de coda. Tal perspectiva já fora trabalhada por Câmara Jr. (2002) com dados do falar carioca. Hoje ela pode ser estendida a outros falares brasileiros, permitindo traçar, assim, um perfil do comportamento do PB.
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Este estudo é uma versão ampliada do trabalho que fora apresentado durante o Simpósio realizado na Universidade Federal de Uberlândia, em outubro de 2004. 2 Para estabelecer contato com o autor pode ser utilizado o e-mail: ho_ra@hotmail.com.

o texto está assim estruturado. Por último. CLAYTON. 2 Sobre a sílaba Em Chomsky & Halle (1968). 1976). e. mas também a estrutura prosódica mais alta. com o passar dos anos e com os estudos que vêm sendo desenvolvidos. Com o aparecimento da estrutura hierárquica. e a desconstrução do segmento em termos de uma hierarquia das camadas de traços. serão apresentadas noções sobre sílaba. foi defendido que uma representação fonológica seja simplesmente uma seqüência de feixe de traços nãoordenados. o objeto de interesse neste capítulo é a sílaba. d. eles podem identificar quantas sílabas constituem uma determinada palavra e até sabem onde cada uma delas começa e onde termina. chamados pontos esqueletais. envolvendo não só a estrutura silábica. Nessa perspectiva. a proposta do SPE foi substituída por uma visão sobre as representações que favoreceram uma estrutura mais elaborada. frases fonológicas. Nespor & Vogel (1986) propuseram a organização hierárquica em sílabas. 1974. que formavam os pontos âncoras para os traços ou classes de traços. Destes. Labov. Herzog (1968). Para discutir a proposta apresentada. pés. referência às margens da sílaba. referência à sílaba como parte da hierarquia prosódica. frases entoacionais e enunciados. . p. referência à sílaba como domínio co-espraiamento de traço. ANDERSON & JONES. palavras prosódicas. Os voltados para a fonologia estão inseridos na perspectiva teórica gerativista (CHOMSKY & HALLE. com apresentação do panorama variável brasileiro. 1968) e pós-gerativista (SELKIRK. os de cunho variacionista. na seção 4. e um sistema de colchetes rotulados representando a organização sintática dessas palavras. Weinreich. 19) apresentam cinco argumentos que sustentam a adoção da estrutura silábica: a. grupos clíticos. alguns usando uma abordagem de fronteira (MCCAWLEY. virão as considerações finais acerca do que se apresentou. sabe-se que fazer fonologia sem sílabas é um erro.Os trabalhos que serão mencionados. HOOPER. na 3. inúmeros estudiosos começaram a perceber a necessidade de se voltar para a sílaba . com a proposta denominada de SPE. Interessante observar que o falante nativo. b. a seqüência de segmentos foi substituída por uma seqüência de pontos. apresentada com um conjunto de símbolos de fronteira que reflitam a composição morfológica das palavras. a ênfase está na descrição das consoantes que ocupam a posição de coda. sabe algo sobre a estrutura silábica das palavras em sua língua. Na fonologia autossegmental. A partir de 1968. Van der HULST e RITTER (1999. Fudge (1969) e Kahn (1976) introduziram uma visão hierárquica da sílaba e Shibatani (1973). 1982). 1976. em geral. referência à sílaba como o domínio das restrições de boa-formação. será apresentada a fonotática do PB no que concerne ao seu molde silábico. Hoje. 1968. considerada o menor elemento na hierarquia prosódica. seguem a perspectiva teórico-metodológica de Labov (1966). ou seja. Na seção 2. Clayton (1976) e Hooper (1976) defenderam a sílaba como a unidade das restrições fonotáticas. c. referência à silaba (ou parte dela) como a âncora dos traços suprassegmentais.

por sua vez. a sílaba pode ter os seguintes constituintes: há uma divisão principal da sílaba em ataque 3 e rima. o pico de sonoridade é mais proeminente do que os segmentos vizinhos. p. como o Inglês. um segmento que é mais sonoro do que outro. (2002. e a rima. De um ponto de vista fonético. cada sílaba tem um pico de sonoridade. Logo. em que apenas o ataque e o núcleo são preenchidos. 53).1 Organização interna da sílaba Ao identificar o número de sílabas. Há línguas. Há propostas diferenciadas sobre a representação fonológica da sílaba. isto é. por exemplo. Em termos auditivos. se divide em núcleo e coda. a exemplo do que apresenta o diagrama 2: Diagrama (2) σ Ataque Rima Núcleo c a Coda Há algumas em que apenas o núcleo é preenchido.2. a exemplo de ‘a’ no diagrama 3: Diagrama (3) 3 Para Câmara Jr. as vogais são inerentemente mais sonoras do que as consoantes e só elas constituem o pico silábico. o ataque corresponde à fase crescente da sílaba e a coda corresponde à decrescente. . que os segmentos soantes podem ser o pico silábico. conforme o diagrama 1: Diagrama (1) σ (=sílaba) Ataque Rima Núcleo Coda É óbvio que nem todas as sílabas do Português preenchem todas as posições. como em ‘cá’. Aqui será adotada a proposta de Selkirk (1982). e forma o elemento silábico. segundo a qual. O núcleo é o ápice da sílaba. No caso do Português. Há aquelas do tipo CV. o falante está demonstrando seu conhecimento acerca da arquitetura envolvida na sua realização. a sonoridade é uma propriedade relativa.

Entre estas últimas está o PB. .tro’. como em ‘ar’.σ Ataque Rima Núcleo Coda a e ainda outras em que apenas o núcleo e a coda são preenchidas. Além disso. em que ‘n’ e ‘s’ ocupam tal posição. Vale chamar a atenção para o fato de o ataque e a coda complexos serem muito pouco produtivos no PB. em que o ataque é constituído pelas consoantes ‘p’ e ‘r’. o que significa serem ramificados. Algumas línguas apresentam palavras que mostram uma simples repetição de sílabas CV. sugerem-se leituras como Bisol (1999) e Collischonn (2001). e que as palavras podem conter várias ocorrências diferentes ou semelhantes entre si. Como o objetivo deste capítulo não é discutir propriamente a sílaba e seus constituintes. no diagrama (4): Diagrama (4) σ Ataque Rima Núcleo Coda a r Comum a todas elas é o fato de o núcleo ser sempre preenchido por uma vogal. e também tem a coda complexa. outras apresentam padrões diferenciados. 3 Fonotática do PB A estrutura fonotática das palavras pode ser entendida ao se pensar que os segmentos estão organizados em unidades silábicas. o Português apresenta também possibilidades de o ataque e a coda serem complexos. como em ‘pra’. como já foi mencionado anteriormente. como ‘mons’ da palavra ‘mons. como se verá na seção seguinte. analisando-os fonologicamente.

que constitui o núcleo da sílaba.te ca. o que existe de comum a todos os padrões é a presença do elemento V. variando de um a cinco segmentos. a realizações de dialetos específicos.la lei grau claus. p. A sua esquerda. Outros se circunscrevem. dependendo da posição. Collischonn (2002) apresenta um molde silábico que determina o número máximo e o mínimo de elementos permitidos.bo po. tem-se o preenchimento por até duas consoantes. 3. Para o PB. 110). (2) Segmento Posição inicial /p/ pa. tem-se que levar em consideração que ele pode ser preenchido por um elemento (ataque simples) e por dois elementos (ataque complexo). a exemplo do /r/.da pa.tro Extraído de Collischon (2002. Em (2).la /d/ do.2 A posição de ataque Ao se examinar o ataque.1 Padrões silábicos Em seu estudo sobre a sílaba em Português. tem-se uma descrição das possíveis ocorrências.ca /b/ bo.ca .tro tri três trans. o ataque silábico. são muito pouco produtivos. como em (1): (1) V VC VCC CV CVC CVCC CCV CCVC CCVCC VV CVV CCVV CCVVC é ar ins.pa Posição medial co.ca /k/ ca.pa ca. Como é o caso de // e /×/ na posição inicial. O ataque simples pode ocorrer tanto em posição inicial como em posição medial. Alguns segmentos. Os padrões silábicos são preenchidos por vogais (V) e consoantes (C).tante cá lar mons.3.porte au.ca /t/ te.

fre li.ga gar.cre ti.to ma.je.na ma. Sobre isto trata Shepherd (2003). (3) /r/ Segmento Posição Inicial /p/ pra.bli.ro ma.pi.cha gor.dro a.co a.do Variante comum nos falares do sul do Brasil. . Apenas /r/ e /l/ podem ocupar a segunda posição. o PB se configura de forma bastante simples.fla.ma ma. como se vê em (3).la fa.bra cha.ta na..na.cha /v/ /s/ /z/ /Σ/ Posição Medial du.go va.tlas a. Se o segmento ou segmentos que evoluíram para um fonema específico era raro ou não ocorria em determinada posição na língua mãe.ma si. como atesta Monaretto (1992).co /v/ /s/ /z/ /Σ/ 4 Posição Medial com.que la.ma ja. Em se tratando do ataque complexo.to4 ro. analisando o Espanhol.mo /g/ gra.ca ra.ro /g/ gló.to /b/ bra.ca sa.bra Em.pra ca.pla pú./g/ /f/ /v/ /s/ /z/ /Σ/ /Ζ/ /x/ /m/ /n/ // /l/ /×/ /r/ ga.ta fo. independente de a sílaba ocorrer em posição inicial ou medial.sa mar.sa ca. Essa baixa produtividade resulta mais de fatores históricos do que da inerente má-formação do início de palavras com esses segmentos.ria /f/ fle.go /d/ dro.co ze.ma /f/ fra.vo cor.co /t/ tlim /d/ /k/ cla.gre es.mu.ga /k/ cro. não é de se surpreender que o segmento resultante seja também raro na mesma posição.ca /b/ blo.nha fa.vro /l/ Segmento Posição Inicial /p/ pla.ta car.ma ra.gla ca.cla.ro A observação das possibilidades na distribuição do ataque simples em início de palavra sinaliza que alguns segmentos são mais freqüentes do que outros.tra qua.ço /t/ tra.lha ca.ta nha.ta lha.fo fre.

(4) /l/ medial Final fal. quer em posição medial quer em posição final. não se tem em PB ocorrências com oclusiva [+coronal.3 A posição de coda Se no ataque simples. Não se tem em PB itens com as combinações C+ líquida. Seria interessante buscar explicações que justificassem a má-formação nos grupos não preenchidos. constituindo muitos deles ataques complexos mal-formados. 3.ta jor. o que leva a concluir que os obstruintes são extremamente raros nesta posição. Vocábulos que são incorporados ao PB. o mesmo não se pode afirmar sobre a coda simples. constituídos de C + líquida. Se a segunda consoante é a líquida lateral. r. a partir das fricativas coronais. já atestado em Câmara Jr. Os mais comuns. mas este é assunto para outro trabalho. +anterior. cada uma delas será discutida com mais detalhes. todos os outros segmentos são soantes. vão até a fricativa [+anterior.vem As observações a respeito dessa distribuição das consoantes em coda simples para o PB.ta /S/ final mas /N/ medial final cam. desenvolvendo uma vogal. No PB. Em (4) se ilustram as possíveis ocorrências. S.mor medial pas. a exemplo de “carnet” > “carnê”. É sabido que uma consoante nasal em final de sílaba.ta final tu. com as peculiaridades de que na posição inicial ocorre a combinação de fricativa [+anterior. e o segmento que era coda torna-se ataque. na seguinte. O que essas quatros consoantes têm em comum é o fato de todas elas terem o traço [+coronal] em seu ponto de articulação. neste caso. como se viu. nesta seção. ou muitas vezes sofrendo processo de apagamento da consoante.nal /r/ medial car. uma vez que. N/. nas posições inicial e medial . observa-se que as nasais em coda estão sujeitas a um processo de neutralização. Os padrões silábicos VC e CVC só podem ter a coda preenchida por uma dessas quatro consoantes /l. com exceção de /S/. -coronal] + líquida apenas em posição medial. acaba. -coronal]. (2002). ou assimila o ponto de articulação da . são de caráter mais geral. No quadro das soantes./Ζ/ /x/ /m/ /n/ // / ×/ /r/ /Ζ/ /x/ /m/ /n/ // / ×/ /r/ Vale observar que nem todos os grupos são possíveis de ocorrer no PB. +sonoro] tanto em posição inicial como em posição medial. a partir de um processo de ressilabificação.po nu. como “club” > “clube”. quando apresentam uma consoante na coda que não seja uma das mencionadas. é possível ocorrer qualquer segmento consonantal. com respeito ao seu ponto de articulação.

tre [w] jor.ta bi[w]. enfatizando-se o comportamento variável de cada uma delas nos diferentes falares do PB.por. em final de vocábulo.rax Félix Este tipo de padrão silábico.co de[w]. se superficializa com ponto de articulação default. é interessante observar que a segunda posição será sempre preenchida pelo segmento “s”. nas posições medial e final.ni[ł ] [Ο ] jor. 4 Consoantes em coda silábica Como já mencionado anteriormente. 4.tro abs.pe[w] a. as possibilidades no PB são ainda mais limitadas. r. não existem.co de[ł ].pe[ ł ] a. Uma organização silábica bemformada será atualizada pelo falantes apenas se ela for possível em uma palavra. gerando.ta *de[Ο]. exemplificadas em (6).1 A consoante lateral A consoante lateral em posição de coda tem como variantes as possibilidades: [w]. a lateral pode alternar com um rótico. se no final. (6) [w] pa[w]. praticamente.na[w] pa. um ditongo. como em fa[w]ta ~ fa[h]ta. ou. Em se tratando de coda complexa. a partir dos exemplos acima.tra. será discutida cada uma delas. se no interior do vocábulo. que há uma unidade que o falante nativo reconhece como uma sílaba. é muito pouco produtivo no PB. como em itens do tipo de “nuvem”.to Posição final tó. [ Ο].na[Ο] pa. Outras possibilidades existem e. “falam” etc.caz trans.tre *bi[Ο].consoante seguinte.ni[w] Posição final [ł] jor. Na seção a seguir. S.ta bi[ł ].pi. como se vê. considerando alguns resultados obtidos em pesquisa de cunho sociolingüístico. [ł ].tre Posição medial [ł] [Ο] pa[ ł ]. N/. muitas vezes. serão discutidos os quatro segmentos que ocupam a coda silábica do tipo simples. e.co *pa[Ο]. muitas vezes. quando em posição final pelo “x” [ks] como se vê em (5): (5) Posição medial pers. por serem as mais recorrentes em pesquisas realizadas. Serão tratadas aqui as variantes [w]. Nesta seção. Fica evidente. [ ł ] e [Ο]. Em posição medial.te mons. no PB. e.pe[Ο] a. pode ser preenchida por uma das quatro consoantes /l.ni[Ο] . sob a perspectiva laboviana ou variacionista. elas.na[ ł ] pa. Ele tem a capacidade de julgar se uma seqüência arbitrária de segmentos pode ter ou não lugar em uma palavra na língua. a coda silábica.

dependendo da posição analisada e a vogal que antecede a lateral tem papel fundamental. há indícios de que sua principal restrição é a faixa etária. tanto em posição medial como em posição final.pa5 fo[ ł ]. na região sul. generalizado para o Nordeste.fo[w]ga co[w]. 6). SPIGA. 2003) mostra que. é a mais recorrente no Brasil.zu[Ο] A variante semivocalizada [w]. principalmente nas comunidades do interior do estado. o apagamento é praticamente previsível. 1999. “véu” etc. O apagamento da lateral em posição de coda tem comportamento curioso.zu[ł ] so[Ο] a. De norte a sul.ga co[ł ]. A variante alveolar velarizada [ ł ] está muito associada à variável faixa etária. acredita-se.pa so[w] *a. o apagamento nunca deverá ocorrer. como ilustra (7).ga co[Ο]. há uma espécie de gradação em direção à elevação. principalmente em posição final. principalmente com palavras novas. na comunidade pessoense. A realização semivocalizada da consoante lateral tem fortes implicações na escrita. TASCA.cha cu[ł ].cha *cu[w]. ela é muito recorrente. são muito mais produtivas do que com coda “u”. devido à impossibilidade de se ter um ditongo com formação do tipo *[uw]. à medida que a vogal vai-se elevando o apagamento tornase mais previsível. Estudo realizado em grupos do ensino fundamental (HORA & JONES. 5 O uso do * (asterisco) indica formas não aceitas no PB. principalmente se for levado em conta resultado obtido em João Pessoa. é possível encontrá-la. ignoram o fato de que. Vale observar que se ela for precedida pela vogal “u”. devido à impossibilidade de se ter um ditongo com vogal e semivogal com o mesmo ponto *[uw]. 2004) mostram que.zu[w] so[ł ] a. uma vez que geraria ou uma palavra inexistente em PB ou uma palavra com outro valor semântico.pa fo[Ο]. já que ambas são posteriores e altas. Estudos realizados no Brasil (QUEDNAU. e sua utilização independe de sexo. em sua maioria. há uma forte tendência à substituição. idade ou escolaridade. quer medial quer final. Se a vogal for posterior.cha cu[Ο]. tendo a probabilidade de ser encontrada com mais força entre os falantes mais idosos. . que seria uma vogal alta. Muito comum é encontrar-se a substituição da lateral pela vogal “u”. poderão facilitar a vida dos estudantes. se a vogal que antecede a lateral for anterior. Dois aspectos valem ressaltar: (a) os professores que atuam nas séries iniciais. seu apagamento é praticamente categórico. Em estudo realizado por Hora (2005). (7) jornal papel anil sol azul jornaleiro papelaria anilina solar azulado *jornaueiro *papeuaria *aniuina *souar *azuuado (b) palavras com coda “l”. pois tem-se em PB formas como “degrau”. se utilizarem o processo derivacional de formação de palavras. que pode ser. independente da posição. 1993. Em posição medial (cf. Ao chegar ao último grau. no PB.

falantes com menos anos de escolarização apagam mais. incluindo a fricativa velar.ta[Ο] ma[x] ma[© ] can. principalmente se em posição medial. o zero [ Ο] só se manifesta antes de fricativa. Assim.fo ga[w].ta ca[j]. (8) [r] Posição ca[r]. o glide. no PB e nas demais línguas do mundo. No caso do falar de João Pessoa. Desta consoante e suas variantes.fo Posição ma[r] Final can.fo [© ] ca[© ].ta ga[h]fo ma[h] can. Exceto. sua ausência. e as demais se circunscrevem ou à faixa etária.ta Medial ga[r].Em posição final. no caso do [Ο].ta ga[Ο]. nota-se que há um comportamento diferenciado quando se observa a posição que ele vai ocupar. Em geral. exceto quando a vogal antecedente é “u”.fo [h] ca[h]. no caso do [ ł ]. o apagamento da lateral pode ter outros condicionamentos. 2005). têm um comportamento extremamente variável. E considerando essa variabilidade. 4.2 Os róticos6 Os róticos. Sua realização está diretamente ligada à escolarização do falante.ta ga[Ρ]. a presença de algum rótico. como indica (8).ta[Ρ] [x] ca[x].ta[x] canta[© ] Nesta posição.fo ma[Ρ] can. como nos casos em (9) (9) fo[Ο]ça vá[Ο]zea ga[Ο]fo ce[Ο]veja ma[Ο]cha go[Ο]jeta 6 Todas as variantes da vibrante são denominadas de róticos.ta[r] [Ρ ] ca[Ρ]. pode-se ter. apresentando uma multiplicidade de variantes. isto só pode ter evidências em formas do tipo ‘ca[r]o’ ~ ‘ca[x]o’.ta[h] glide [Ο ] *ca[Ο]. não se tem contraste fonológico entre os róticos.ta ga[x]. que será sempre representado pelo PB com a grafia ‘r’. de outro. com realização praticamente categórica entre todos os falantes. e. o que se conclui no estágio atual das pesquisas realizadas no Brasil é que a forma semivocalizada é a mais forte entre os falares.ta ga[© ]. em posição medial. conforme dados obtidos em João Pessoa (HORA. ou à escolaridade. . de um lado.fo ma[Ο] can. obviamente.

Moraes e Leite (1994) no Rio de Janeiro.ses de[h]. como se constata nos exemplos em (10): (10) ma[Ο] tumo[Ο] canta[Ο] (infinitivo) parti[Ο] (infinitivo) se[Ο] (infinitivo) Nessa posição.me. a oposição vai dar-se entre o [ Ο] e o [h].ses de[Ζ ]. [ Σ]. há um processo de ressilabificação. [Ρ]. como em ‘mar abaixo’ > ‘ma.bai. tanto em posição medial como em posição final. As suas variantes mais produtivas são: [s].de de[h].mo Posição final lá. a variante [Ο] é a mais produtiva de todas. pesquisa realizada por Monaretto (1992) demonstra que no falar do Rio Grande do Sul.pi[Ο] . [z]. Paraná e Santa Catarina.xo’ Um aspecto a ser observado sobre as variantes dos róticos no PB é quando se trata do rótico retroflexo. quando o rótico é seguido por uma vogal. e aí ele deixa de ser coda para ser ataque da sílaba resultante. semelhantes aos róticos. Em (11). Os resultados obtidos em João Pessoa ratificam os trabalhos de Votre (1978) e Callou. Pouco produtivas são as variantes [r].de me[Ο]. a forma aspirada. são apresentados os contextos em que elas podem ocorrer: (11) Variantes [s] [Σ] [z] [Ζ ] [h] [Ο] Posição medial ca[s].ca de[z]. Em posição final. em geral.de de[Ζ ].pi[Σ] de[z]. [j].ses lá. Poucos estudos chamam a atenção para essa variante que é bastante produtiva tanto em São Paulo como também em parte de Minas Gerais. 4. [Ζ ]. Já em posição final. têm sido objeto de inúmeros estudos no Brasil e também em diferentes regiões.3 As fricativas coronais As fricativas coronais.me.ca ca[Σ].pi[s] lá. [h]. o apagamento é mais produtivo em verbos do que em nomes.me.[} ]. [w].Nesse falar. [Ο].ra.

ba can. representada pelo arquifonema /N/. observa que. Moraes e Leite (1994).ga Posição final jar.pa e[s]. mostra que no Rio Grande do Sul.bor.ma re[z]. seu apagamento não é muito produtivo.Ζ].ra.va.de ju.tom on. Na posição medial. as mais produtivas são as duas alveolares [s.ram . em estudo realizado sobre o falar paraibano. a preferência por uma ou outra mantém a mesma tendência observada no contexto de posição medial. Σ].te fe[Σ]. há preferência também pelas formas alveolares. As alveolares ocorrem na maioria dos falares brasileiros. que as palato-alveolares também são possíveis .mo re[z].de con.fe. São Paulo e Salvador há preferência por elas.ri[Ζ]. dependendo do contexto fonológico seguinte.ta cu[Σ].di. como ilustra (12): (12) ca[s].tum ba. na Paraíba. As variantes palatais terão alta probabilidade de ocorrer se o contexto fonológico seguinte for uma oclusiva dental. Também nessa posição. me[z]. Hora (2000).to con. Ele observa. utilizando dados do NURC.da r Quando se trata da posição final de palavra.la le[Σ].ca ra[s]. o arquifonema /N/ assume o ponto de articulação do segmento seguinte.to de[Ζ]. O que se observa. sendo restrito aos itens lexicais com a terminações –em e –am.Os trabalhos já realizados sobre o PB permitem que se esboce uma distribuição para as variantes da fricativa coronal entre diferentes falares. a opção é sempre pelas fricativas coronais desvozeadas [s. em geral.tem can. ao contrário do Rio de Janeiro e Recife.4 As nasais No que concerne à consoante nasal.ção tran[Ζ].z] e as duas palato-alveolares [ Σ. é que dessas seis variantes.dim a. como se vê em (13): (13) Posição medial cam.ta.po pom. O estudo de Callou. 4. entretanto. quando se trata da posição medial.

for. preenchida pelas consoantes /l. C. mas possível de serem identificadas. sugere-se o trabalho de Wetzels (s. diferente do que acontece com as terminadas em “-em”. Não foi objetivo desse estudo apresentar um tratamento teórico acerca da sílaba e de sua arquitetura. 10. Os nomes com a vogal –a sempre são grafados sem a consoante nasal. como outras línguas do mundo. 1974.). não se tem ditongo nasal. a exemplo de <armazém>. “atum”. Também deve-se observar que a terminação –am é restrita aos verbos e que se pode encontrar com freqüência o apagamento da consoante. S. JONES. In: NEVES.ra fa. . Sabe-se que o PB. visto que todas elas são oxítonas. a condição evite coda defendida por algumas propostas teóricas. . N/ . BISOL. 1-26. r. <também> etc. implicando no alçamento da vogal baixa. Palavras como “batom”. A sílabas e seus constituintes. a exemplo de: cantaram ~ cantaru. 5 Considerações finais A coda do PB. como em <ontem>. ‘ímã’ etc. 701-742. Vol. Todos os estudos realizados sob a perspectiva variacionista permitem que sejam identificadas tanto as restrições sociais quanto as estruturais correlacionadas a cada uma delas. “jardim” não favorecem o apagamento.lam or. ratificando. tem uma multiplicidade de variantes. p. Os estudos realizados até o momento já permitem que se tenha um perfil de cada uma delas de acordo com o contexto social em que se inserem e também de acordo com sua fonotática. 1999.fã Os resultados obtidos permitem avaliar que o condicionamento do acento é forte restrição a seu apagamento. Gramática do Português falado. Journal of linguistics. J. Leda.).d. como ‘órfã’.cân. Se o acento tônico estiver presente na última sílaba. Ele se dá em palavras com proeminência acentual na penúltima sílaba e principalmente se a vogal nasalizada é anterior e média. Comparando-as às anteriores o que se conclui é que. não há tendência ao apagamento. A tomada de consciência de sua existência possibilitará reflexões que ajudem na compreensão dos mecanismos de funcionamento do PB. Referências ANDERSON. primeiro. entre elas a Teoria da Otimalidade. as motivações para a manutenção do traço nasal nessas palavras é a tonicidade. A contribuição se restringiu a uma descrição comentada de padrões silábicos muito comuns. p. Campinas: Unicamp. segundo. assim. Maria Helena de Moura (org. tem uma forte tendência ao apagamento da coda e os comentários apresentados nas seções anteriores permitem que se vislumbre essa possibilidade. Sobre isso. VII. Three theses concerning phonological representations.

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