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O Que é Religião (Rubens Alves

)
ÍNDICE
Perspectivas..............................7 Ossímbolosdaausência............14 Oexíliodosagrado...................36 Acoisaquenuncamente..............52 Asfloressobreascorrentes.........68 Avozdodesejo........................85 ODeusdosoprimidos...............102 Aaposta..........................115 Indicaçõesparaleitura...............130 07

PERSPECTIVAS
Aquiestãoossacerdotes;emuitoemborasejammeusinimigos...m eu sangueestáligadoaodeles." (F.Nietzsche,AssimfalavaZaratustra). Houvetempoemqueosdescrentes,semamoraDeusesemreligião,e ramraros.Tãorarosqueosmesmosse espantavamcomasuadescrençaeaescondiam,comoseelafosseum apestecontagiosa.Edefatooera.tanto assimquenãoforampoucososqueforamqueimadosnafogueira,pa raquesuadesgraçanãocontaminasseos inocentes.Todoserameducadosparavereouvirasdomundoreligi oso,eaconversacotidianamente,esteténue fioquesustentavisõesdemundo,confirmava,pormeioderelatosd emilagres,aparições,visões,experiências místicas,divinase 08 demon€acas, que este • um universo encantado e maravilhoso no qual, por detr.s e atrav•s de cada coisa e cada evento, se esconde e se revela um poder espiritual. O canto gregoriano, a m.sica de Bach, as telas de Hieronymus Bosch e Pieter Bruegel, a catedral g.tica, a Divina Com•dia, todas estas obras s.o express.es de um mundo que vivia a vida temporal sob a luz e as trevas da eternidade. O universo f€sico se estruturava em torno do drama da alma humana. E talvez seja esta a marca de todas as religi.es, por mais long€n quas que estejam umas das outras: o esfor.o para pensar a realidade toda a partir da exig.ncia de que a vida fa.a sentido. Mas alguma coisa ocorreu. Quebrou -se o encanto. O c•u, morada de Deus e seus santos, ficou de repente vazio. Virgens n.o mais apare ceram em grutas. Milagres se tornaram cada vez mais raros, e passaram a ocorrer sempre em luga res distantes com pessoas desconhecidas. A ci.ncia e a tecnologia avan.aram triunfalmente, construindo um mundo em que Deus n.o era necess.rio como hip.tese de trabalho. Na verdade, uma das marcas do saber cient€fico • o seu rigoroso ate€smo metodol.gico: um bi.logo n.o invoca maus esp€ritos para explicar epidemias, nem um economista os poderes do inferno p.ra dar Contas da infla..o, da mesma forma como a astronom ia moderna,

distante de Kepler, n.o busca ouvir harmonias musicais divinas nas regularidades 09 matem.ticas dos astros. Desapareceu a religi.o? De forma alguma. Ela permanece e frequen temente exibe uma vitalidade que se julgava extinta. Mas n.o se pode negar que ela j. n.o pode frequentar aqueles lugares que um dia lhe pertenceram: foi expulsa dos centros do saber cient€fico e das c.maras onde se tomam as decis.es que concretamente dete rminam nossas vidas. Na verdade, n.o sei de nenhuma inst.ncia em que os te.logos tenham sido convidados a colaborar na elabora..o de planos militares. N.o me consta, igualmente, que a sensibilidade moral dos profetas tenha sido aproveitada para o desenvolvimento de problemas econ.micos. E • altamente duvidoso que qualquer industrial, convencido de que a natureza • cria..o de Deus, e portanto sagrada, tenha perdido o sono por causa da polui..o. Permanece a experi.ncia religios a — fora do “nulo da ci.ncia, das f.bricas, das usinas, das armas, do dinheiro, dos bancos, da propaganda, da venda, da compra, do lucro. . compreens€vel diferentemente do que ocorria em passado muito distante, poucos pais sonhem com carreira sacerdo tal para os seus filhos. . . A situaua..o mudou. No mundo sagrado, a experi.ncia religiosa era parte integrante de cada um, da mesmaformacomoosexo,acordapele,osmembros,alinguagem.U mapessoasemreligiãoeraumaanomalia .Nomundodessacralizado 10 ascoisasseinverteram.Menosentreoshomenscomuns,externosa oscírculosacadémicos,masdeforma intensaentreaquelesquepretendemjáhaverpassadopelailumina çãocientífica,oembaraçofrenteà experiênciareligiosapessoaléinegável.Porrazõesóbvias.Confe ssar-sereligiosoequivaleaconfessar-se comohabitantedomundoencantadoemágicodopassado,aindaque apenasparcialmente.Eoembaraçovai crescendonamedidaemquenosaproximamosdasciênciashumana s,justamenteaquelasqueestudama religião. Comoéistopossível? Comoexplicarestadistânciaentreconhecimentoeexperiência? Nãoédifícil.Nãoénecessárioqueocientistatenhaenvolvimentos pessoaiscomamebas,cometasevenenos paracompreendê-loseconhecê-los.Sendoválidaaanalogia,pode r-se-iaconcluirquenãoserianecessárioao cientistahavertidoexperiênciasreligiosaspessoaiscomopressu postoparasuasinvestigaçõesdosfenómenos religiosos. Oproblemaéseaanalogiapodeserinvocadaparatodasassituações .Umsurdodenascença,poderiaele compreenderaexperiênciaestéticaquesetemaoseouviraNonaSin foniadeBeethoven?Parecequenão.No

entanto,lheseriaperfeitamentepossívelfazeraciênciadocompor tamentodaspessoas,derivadoda experiênciaestética.Osurdopoderiairaconcertose,sem 11 ouvirumasónotamusical,observaremedircomrigoraquiloqueas pessoasfazemeaquiloquenelasocorre, desdesuasreaçõesfisiológicasatépadrõesderelacionamentosoc ial,consequênciasdeexperiênciaspessoais estéticasaqueelemesmonãotemacesso. Mas,queteriaeleadizersobreamúsica?Nada.Creioqueamesmaco isaocorrecomareligião.Eestaéarazão porque,comointroduçãoàsualobraclássicasobreoassunto,Rudo lfOttoaconselhaaquelesquenunca tiveram qualquer exper.ncia religiosa a n.o prosseguirem com a leitura. E aqui ter.amos de nos perguntar se existem, realmente, estas pessoas das quais as perguntas reliqiosas foram radicalmente extirpadas. A religi.o n.o se liquida com a abstin.ncia dos atos lamentais e a aus.ncia dos lugares sagrados, mesma forma como o desejo sexual n.o se nina com os votos de castidade. E • quando a dor bate • porta e se esgotam os recursos da t•cnica que nas pesssoas acordam os videntes, exorcistas, os m.gicos, os curadores, os benzedores os sacerdotes, os profetas e poetas, aquele que reza e suplica, sem saber direito a quem. . . ent.o as perguntas sobre o sentido e o sentido da morte, perguntas das horas e diante do espelho. . . O que ocorre freq..ncia • que as mesmas perguntas religiosas do passado se articulam agora, travestidas, por meio de s€mbolos secularizados. Metamor 12 foseiam -se os nomes. Persiste a mesma fun..o religiosa. Promessas terap.uticas de paz individual, de harmonia €ntima, de libera..o da ang.stia, esperan.as de ordens sociais fraternas e justas, de resolu..o das lutas entre os homens e de harmo nia com a natureza, por mais disfar.adas que estejam nas m.scaras do jarg.o psicanal€tico/psico l.gico, ou da linguagem da sociologia, da pol€tica e da economia, ser.o sempre express.es dos problemas individuais e sociais em torno dos quais foram tecidas as teias religiosas. Se isto for verdade, seremos for.ados a concluir n.o que o nosso mundo se secularizou, mas antes que os deuses e esperan.as religiosas ganharam novos nomes e novos r.tulos, e os seus sacerdotes e profetas novas roupas, novos lugares e novos empregos. - . f.cil identificar, isolar e estudar a religi.o como o comportamento ex.tico de grupos sociais restritos e distantes. Mas • necess.rio reconhe c.-la como presen.a invis€vel, sutil, disfar.ada, que se constitui num dos fios com que se tece o acontecer do nosso cotidiano. A religi.o est. mais pr.xima de nossa experi.ncia pessoal do que desejamos admitir. O estudo da religi.o, portanto, longe de ser uma janela que se abre apenas para panoramas externos, • como um espelho em que nos vemos. Aqui a ci.ncia da religi.o • tamb•m ci.ncia de n.s mesmos: sapi.ncia, conhecimento

perfeita. “Lembro -me daquela vespa ca.o • religioso? E que confiss .o . as folhagens. milhares de anos atr. n.vida de deuses? E quem seria esta pessoa vazia de tesouros ocultos e de segredos de amor? 14 OS S•MBOLOS DA AUS. a estranha habilidade de confundir-se com o terreno. luta com ela.o se esgota na adapta. as casas de jo.o sei de altera. por isto mesmo..o manifesta.gica • completa. os buracos esconderijo 15 dos tatus. que tenham introduzido no plano de suas casas. A religi.nica criatura que se recusa a ser o que ela •. os sentidos hipersens€veis. problemas n. E o extraord€n.o.es ou frequentado escolas.saboroso. a experi.o a voz silenciosa da sabedoria que habita os seus corpos.los castores.” E poder€amos acrescentar: e que tesouro oculto n. as cascas das .. Quanto aos Jo.m permanecido inalterados por s•culos. Cada corpo produz sempre a mesma coisa.o para o seu ninho.ntima de amor n.. “Chegou a hora. O animal faz com que a natureza se adapte ao seu corpo.o est. Os seus dentes e as suas garras afiadas.NCIA “O homem • a . cavar. ele n. conhecimento de Deus • autoconhecimento.as rijas..s.o a gera. arrastando -a ent.o f€sica.ncia de Deus • autoconsci.es de corpos maravilhosamente adap tados • natureza ao seu redor. Como o disse poeticamente Ludwig Feuerbach: 13 “A consci.. necess.adora QUE sai em busca de uma aranha. as colmeias das abelhas e os formigueiros t.ncia dos animais.. . gr.o aberta dos seus segredos de amor.rio • o tempo em que se d. . Moluscos parecem luas conchas hoje da mesma forma como o faziam h. um dia ouvir.o-de-barro.rio buscar uma aranha. Sua programa. as colmeias de abelhas.o e se alimentar. para melhor ou para pior. sem palavras e sem mestres. saltar.ncia. N. a revela. Mas a coisa n.o • o solene desvelar dos tesouros ocultos do homem.o dos seus pensa mentos €ntimos. pica -a.o da carne fresca da aranha im.rio • que toda esta sabedoria para sobreviver e arte para fazer seja transmitida de gera.os de barro.vel. seus venenos e odores. . E sem haver tomado li.. a confiss. a capacidade de correr. e as represas r•s. os cascos duros e as carapa .. fechada. os formigueiros. Tempos depois as larvas nascer.o correspondidos. h. todas estas s.” (Albert Camus) Atrav•s de centenas de milhares de anos os animais conseguiram sobreviver por meio da adapta. paralisa -a.o h.rvores. Ali deposita os seus ovos e morre.o alguma. milhares de anos: . O O seu corpo..o.o .o biol. E vemos as represas cons tru€das p.o f€sica do organismo ao ambiente. Os pintassilgos cantam i K) cantava m no passado.” E o que • extraordin. silenciosamente. Crescer. E...

inventarambandeiras.éumapáginaembr anconasabedoriaquenossoscorpos herdaramdenossosantepassados.transformaramosseu scorpos. o seu estilo? Por que ideais e valores lutar.àsemelhançado sanimais.Eistoporqueconstatamosqueaqui. mas n.construíramaltares.ocorpojánãotemaúltimapalavra.sica? De que m. do seu ninho.gica n.cbrindo-osdetintas.Maseladizmuitopouco. de sua toca.sica? Que l€ngua falar.o nos abandonou de todo. Os animais praticamente n.o existe nada semelhante que se possa dizer dos homens .Def ato. Omundohumano. Aqui est. Como s.marcas etecidos.? E qual ser. ter. ela? Gostar. Do ponto de vista gen•tico ela j.o • o corpo que o faz.. vem-nosoespanto.plantaramjardins.entoaramlamentospêlosdiasepelasnoites.16 possui qualquer brecha para que alguma coisa nova seja inventada. por maiores que sejam os seus conhecimentos. verdade que a progra ma. Ofatoéqueoshomensserecusaramaseraquiloque.desdequedelaumoutro 18 .emoposiçã oaomundooimperativodasobrevivência reinasupremo. a maldi .seéquedizalgumacoisa.stia.metais. . em contrapartida. ele que faz o seu corpo. como ser. diferentemente do animal que • o seu corpo.o lhes • ofere cida. N. tem o seu corpo.ria. sexo.namaioriadasveze sperfeitas. Sua vida se processa num mundo estruturalmente fechado.a rec•m -nascida. uma crian.o possuem uma hist.. .acercada quiloqueiremosfazerporestemundoafora.? E que coisas sair. tipo de sangue. a m..construíram tambores. o estilo de sua corte sexual.o biol.o recebem.flautaseharpas.Ouentregaroseucorpoàmort e.obaterdocoração. Mas.. n. — a forma de sua concha. suscetibi lidade a enfermidades..queéfeitocomtrabalhoeamor.enterraram osseusmortoseosprepararamparaviajare.sica de seus sons — e as coisas por ele produzidas me permitem saber de que corpo partiram.casasepalacios.o da neurose e o terror da ang. se encontra totalmente determinada: cor da pele.o de suas m. Eéigualmenteaprogramaçãobiológicaque controlaoshormônios.o de se calar. Tornaram-seinventoresdemundos. A aventura da liberdade n. Porque o homem.opassadolhespropunha. de m. EQUANdonospergunt amoss obreai nspi raçãoparaest esmundosqu eoshomensimaginarameconstruiram. dos olhos.o diferentes as coisas com o homem! Se o corpo do animal me permite prever que coisas ele produzir.fizeramch oupanas.aprogramaçãobiológicacontinuaa operar.os? E aqui os geneticistas..na ausência.fizerampoemas. tal como a entendemos.semqueospais 17 easmãessaibamoqueestáocorrendoládentrodoventredamulher. Ohomemécapazdecometersuicídio.apressãoarterial. As criancinhascontinuamasergeradaseanascer.

éne cessárioreconhecerquetodaanossavida cotidianasebaseianumapermanentenegaçãodosimperativosime diatosdocorpo.a. a estes mundos que os homens imaginam e constr.ri o parece ser constitucionalmente de sa da pt a dos ao mundo.. E eu tenho de confessar que n.nemse enterranummosteiro. Cada pessoa que se aproxima de uma crian. Esta • a raz.o as m. . estimula.es.rias. as sinfonias.o da carne. amea. que • assim.. os quadros.es naturais do corpo porque o corpo. a ressurrei. e choram a si mes m.nemmor reporummundomelhore.oritmobiológicodeacorda r/adormecerdeixaramhámuitodeser express.Écertoquepoder ãodizer-mequeestessãoexemplos extremos. Constato. Mas as produ. tal como ele lhes • dado. pois que nos umbrais do mundo humano ela cessa de falar. Nossa tradi.o da cultura.. construir teias para sobre elas viver? Para que plantar jardins? E as esculturas.asensibilidadeolfativa. assim. Os homens.Oud eabandonar-seàvidamonástica. N. ao cont r. . A cultura.o dos mundos da cultura.equeamaioriadaspessoasnemcometesuicídio.a e com ela fala.as t.lido e pronto da natureza para. as crian..os sugerem.am. aplaude. nome que se d. a imortalidade .rio que os mais velhos lhes ensinem como • o mundo.m de ser educadas .. • semelhan.gico bruto.. a voz da sabedoria do corpo.poroutrolado. e dan.mundovenhaanascer.numatotal renúnciadavontade. que o homem • um ser de desejo.a das aranhas. e brincam roda. se inicia no momento em que o corpo deixa de dar ordens. falam sobre a suprema conquista do corpo. E tudo isto que o homem faz me revela um mist•rio antropol.em. . necess. simplesmente. Desejo • sintoma de priva.. o triunfo final sobre a natureza. faz gestos.o.o filos.o sei dar resposta a estas perguntas.em altares. ele mesmo. 19 Se o corpo.e. s.. • um professo r que lhe descreve este mundo inventado.doprazerdacomida. canta can. .osgostos alimentares. e empinam papagaios.os..o • a fonte e nem o modelo para a cria.. Os animais sobrevivem pela adapta. diferentemente das larvas.gico.. foi transformado de entidade da natureza em cria.o f€sica ao mundo.Mas. conta est.o existe cultura sem educa. permanece a pergunta: porque raz.s nos seus mortos.Osimpulsossexuais.es culturais que saem de suas m.rio.o por que. repreende.o os homens fazem a cultura? Por que motivos abandonam o mundo s.. substituindo. n. . e constr.comoofizerammuitosrevolucionários.Tenhodeconcordar. abandonadas pela vespa -m. ao contr.os no sentido de demonstrar que o homem • um ser racional. ser de pensamento.e choram os seus mortos.o de 20 .fica fez seus s•rios esfor. como fato biol. os poemas? E grandes e pequenos se d.dosexo. ri.

ncia.dealgumaforma.masparecequearealizaçãoefetivaparas empre escapaàquiloquenoséconcretamentepossível.nãoimportaoseutemp oenemoseulugar.atortura.eexiladoseprisioneirosfabricampoemas.ador.Juntam-seassimoamor. Asugestãoquenosvemdapsicanáliseédequeohomemfazculturaa fimdecriarosobjetos 21 doseudesejo.aordoamoris(Scheller)estacercadapelo caos.nofioténuedafalaqueo senuncia. deimpotênciaemqueosobjetosdoseuamorsóexistematravésdam agiadaimaginaçãoedopodermilagrosoda palavra.objetivaçãodo Espírito. aparecer.espaçoamigo.Afomesósurgequandoocorpoéprivadodopão.eocorpoquebuscaamoreprazerse defrontacomarejeição. quando estiver longe do carinho.eestejaemharmoniacomosvaloresdhomemqueoconstrói .sedáaoluxo deproduzirosupérfluo.Aculturaparece sofrerdamesmafraquezaquesofremosrituaismágicos:reconhece mosasuaintenção.Ca nçõesfúnebresexorcizarãoamorte?Pareceque não.mas.aimaginaçãoasmãoseo ssimbolosparacriarummundoquefaça sentido.quesejaespelho.aus.asolidão.éencontrarummundo quepossaseramado.o se tem fome — desejo supremo de sobreviv.Desejopertenceaosseresquesesent emprivados.ainjustiça.Eos poemasdocativeironãoquebramascorrentesenemabremasportas .Épossiveldiscernir aintençãodoatocultural.Avoltadojardime stásempreodesertoque eventualmenteodevora.Oprojetoinconscientedoego.Porqueoqueaculturadesejacriaréexat amenteoobjetodesejado.quenãoencontramprazernaquilo queoespaçoeotempopresentelhesoferece.ncia.algumdia.El aétestemunhodaausênciadoalimento. assim.Hásituaçõesemqueelepodeplantarjardinsec olherflores. N.Realização concretadosobjetosdodesejoouparafazerusodeumaterminologi aquenosvemdeHegel.ncia f€sica — com o estômagocheio. na dist.entretanto.queaculturanãosejanuncaa reduplicaçãodanatureza.odesejo.Maselasexorcizamoterrorelançampêlosespaçosaforaogem idodeprotestoeareticênciadeesperança.constatamososeufracasso esobraapenasaesperançadeque.o se tem saudade da bem-amada presente.porrazõesquenãoentendemosbem.port anto.Aatividadehumana.umavezresolvida.Háoutrassituações.amote.aprisão .comodesejo.areal idadeseharmonizecom 22 .acrueldade.nãopodesercompreendidacomoumasimpleslutapelasobre vivênciaque.sempre. A saudade s.Aculturanãosurgenolugarondeohomemd ominaanatureza.Écompreensível. Tamb•m n.Tambémosmoribundos balbuciamcanções. parecequeoshomenssealimentamdelese.Terimosentãodenosperguntarqueculturaéestaqueidea lserealizou?Nenhuma.surgedenovoavozdoprotestoeo brilhodaesperança.E assimé.

perf umes.Horizontes:ondeseencont rameles?Quantomaisdelesnos aproximamos.livros.Asesperançasdoatopeloqual oshomenscriaramacultura. Eéaquiquesurgeareligião..lugares.indepentedodesejo.m efic. pêloslados.dizê-lo .o.redededesejos..poemasromarias.d aatividadepráticadoshomens.Eéprovávelquequecontinuaram.aindaqueaqueles sobre quem a bomba explode n.E.davontade. 24 ..são horizontesquenosindicamdireções.o haja conversa.parasefazeremsentirevalerdependemexclu sivamentedesimesmas.Sãooreferencialdo nossocaminhar.saudadedecoisasquenãona sceram. Trata-sederealidadesnaturais.cia pr.àfrente.restacantá-lo.maisfogemdenós.Porqueéjustamentenopontoondeele fracassouquebrotaosímbolo.cercam-nosatrás.presentesnoseuprópriofracasso.encantaçõe s.exorcismos.peregrinações.rezaas.o recebam antes explica.celebrá-lo.m esmodepoisdonossodesaparecimento.pria e s.horizontedoshorizontes.milagres. Hápropriedadesque.osolhares. testemunhadascoisasaindaausentes.. e ainda que n.semauraoupoder.Há tambémgestosqueumaeficáciaemsimesmos. os gestos t.comoossilêncios.achuvacaiaeasplantasebichos enchiamomundo.adorações.amãoquefazcairabomba.Tudoistoexistiriaeseriaeficazsemqueohomem jamaisexistido.teiadesímbolos. colares.quefazem deleshabitantesdomundosagrado.Eenquantoodesejonãoserealiza. 23 etambémgestos.anunciar-lhecelebraçõesefestivais.a maisfantásticaepretenciosatentativadetransubstanciaranature za.enquantooutrascoisaseoutro sgestos.noentanto.es.jamaispronunciadouma palavra. antesqueoshomensexistissemjábrilhavamasestrelas.Hásempreoshorizontesdanoiteeoshorizontesda madrugada.templos. Símbolosassemelham-seahorizontes. procissões.compor-lhe sinfonias.f estas.o importa.santuários.celebrações.jamaisfeitoumgesto.comidas.renúncias.confi ssãodaespera.Earealizaçãodai ntençãodaculturasetransfereentãoparaaesfera dossímbolos.o entre os p•s e as rodas — n. Eteríamosdenosperguntaragoraacercadaspropriedadesespecia isdestascoisasegestos.E estaéarazãoporquenãopodemosentenderumaculturaquandonos detemosnacontemplaçãodosseus triunfostécnicos/práticos..Nãoécompostadeitensextraordinários..continuama morarnomundoprofano.capelas...odesejo.amuletos.Por-exemplo.osolaquec ia.os pésquefazemabicicletaandar:aindaqueoassassinadonadasaiba enãoouçapalavraalguma.escrever-lhepoemas. praticamente habitantes do mundo da natureza. Hácoisasaseremconsideradas:altares.Odedoquepuxaogat ilho.canções.

morte • felicidade e infelicidade das pessoas. contas. atos dos pol€ticos. verdades que s. o corpo inteiro estremece. golpes de Estado e nossa .o. entretanto descobrimos que uma transfo rma.o se depe ndura o nosso destino. objetos e gestos.prio . Sobre que fala a linguagem . com as marcas do sagrado. Com estes s€mbolos os homens discriminam objetos.. com o seu aux. N. tocamos nos s€mbolos em que nos dependuram OS. atribuindo -lhes um valor. tempos e espa.o por que. os fluidos e influ. ao contrario . Camus observou que • curioso que ningu•m esteja disposto a morrer por verdades cientificas. 26 E • ao invis. coisa ou gesto.o religiosa. plantas. construindo. Com seus s€mbolos sagrados o homem exorciza o medo e constr.lio. E este estremecer • a marca emocional/existencial da experiencia do sagrado. O sagrado n.. as alturas dos c•us. sem ela. as bem aventuran. s.ltima crise de reumatismo .ncia da ilumina.o como "a mais fant.? Talvez porque.m de dar nomes •s coisas. passam a ser os sinais vis€veis desta teia invis€vel de significa.i diques contra o caos. coisas inertes — pedras.o • uma efic.O zen-budismo chega mesmo a dizer que a experi.o frias e inertes. • encontrado j. Ao contr.o nasce com o poder que os homens t. a religi.o dos sentimentos e experi.o magicamente a ele integrados.es. um discurso. em si insens€veis e indiferentes ao destino 25 humano.ria e coisas nas quais seu destino. uma rede de s€mbolos.ncias que curam.as eternas e o pr. coisas para al•m dos nossos sentidos comuns que.o entre coisas de import. que vem a existir pelo poder humano de dar nomes •s coisas. A religi.Quando entramos no mundo sagrado.a a vida. o mundo seja por demais frio e escuro. H. assim. Nelas n. Quando..o podiam ver. entretanto. satori. em si vulgares. . E esta • a raz.ve l que a linguagem religiosa se refere ao mencionar as profundezas da alma. fontes — e gestos. Assim. Que diferen. o desespero do inferno. custo de vida.bada sagrada com que recobrem o seu mundo.o foi sem raz. Por qu. uma ab.as ao poder do uinvisivel. sua vida e sua morte se dependuram. se a Terra gira em torno do sol? .o se nos apresenta como um certo tipo de fala.so. religiosa? Dentro dos limites do mundo profano tratamos de coisas concretas e vis€veis. fazendo uma discrimina.rio..a faz se o sol gira em torno da Terra . o para. Porque agora a linguagem se refere as coisas invis€veis. O sagrado se instaura gra.ncia secund. De fato.Nenhum fato.. coisas e gestos se tornam religiosos quando os homens os balizam como tais. que as verdades cient€ficas se referem aos objetos na a mais radical e deliberada indiferen..o que nos referimos • religi.o se processou.ncias pessoais que acompanham o encontro com o sagrado. somente os olhos da f• podem contemplar .os. • um terceiro olho que se abre para ver coisas que os outros dois n.cia inerente •s coisas. discutimos pessoas. segundo a explica. fazendo uma abstra.stica e pretenciosa tentativa de transubstanciar a natureza". E.

.. e os olhos da f• podem vislumbrar conex. "Nãoéminhaculpa".vocêse assentalá. Como tal. ela passa a ser circundada de uma aura misteriosa.o pronunciadas: "Este • o meu corpo.o nova.es e se oferecem sacrif€cios.o • imagin.dantessemsentido.o.respondeuaraposa. concreta.. "Euvouchorar". E as palavras s.bola." Eotempopassou."Quersaberporquê?Souu maraposa. mas muito fraca para os que nunca se defrontaram com o sagrado.detalmaneiraqueelaspassemafazerparte domundohumano. Mas no momento em que algu•m lhe d.. Quem.o. . uma raposa. Poderiam ser usados numa refei. Deles n.aquiloqueodisc ursoreligiosopretendefazercomascoisas: transformá-las. este • o meu sangue. dif. quefaziaaraposasorrir.es invis€veis que a ligam ao mundo da gra.Sócomo galinhas. e passam a ser sinais de reali dades invis€veis.cil compreender o que significa este poder do invis€vel.Nãocomotrigo.Parece-meque estaparábolaapresenta.deentidadesbrutasevazias. tirada da obra de Antojne de Saint-Exup•ry.Você percebe?Agora. nasuaausência. Temo que minha explica. ent. Pe.eunãoq ueriacativá-la.bemlonge.a para me valer de uma paY.pensandoemvocê. inteiramente.dissearaposa. a que me refiro.ria. "Cativaréassim:eumeassentoaqui.oprincipezinhocativouaraposaechegouahorad apartida. E ali se fazem ora. nada tem de religioso. como qualquer vinho."Eulhedisse. licen.paramim. viu qualquer uma destas entid ades? Uma pedra n. Vis€vel.aospoucos.comosefossemextensõesdenósmesmos.vocêvaichorar!" "Valeuapenasim". O Pequeno Pr€ncipe. o nome de altar.Eagora.. . jamais..euf icareifeliz...o.emportadorasdesent ido.Nãovaleuapena. E a raposa 27 Quem jamais viu qualqur uma destas entidades? 28 lhedisse: "Vocêquermecativar?" "Queéisto?".perguntouomenino.Eassim.. 29 .desculpou-seacriança.. vinho.cadavezmais perto. .o possa ser convin cente para os religiosos." — e os objetos vis€veis adquirem uma dimens.o sobe nenhum odor sagrado. como qualquer p.o ou orgia: materiais profanos." Eotrigo.a divina. O pr€ncipe encontrou-se com um bichinho que nunca havia visto antes.Deus.passouacarregaremsiumaausência.Seucabeloélouro.Mas vocêmecativou.quandooventofizerbalançarocampodetrigo.Otrigonãosignificaabsolutamentenada.deformaparadigmática.Amanhãagenteseassenta maisperto. P.o.

justi. aquele que fazem amizade com a natureza.o e da fantasia .. Masnecessárioprestaratençãoàsdiferenças. os ventos e as nuvens.E eles envolvem ent.a brinca com a serpente.o entidades imagin. os sofredores que transformam os gemidos dos oprimidos em salmos.emq ualquerqualquerlugar. h...o quebrados.. Especial mente para as pessoas que j. tamb•m os companheiros da for. com o di..em.. Mas os homens s. e aos galhos que ser.o podem construir. Parece que a imagina.lugares sacramentais." (Sartre).o aos animais que v. E • justamente a€ que surgem a imagi na.o parece sacr€lega.. ..o mental ou suspeitar de sua integridade moral.h. De maneira especial •queles que devem sobreviver nos labirintos insti tucionais. Assim.a e da vit.o s. Importam os objetos que a fantasia e a imagina.ria. as correntes.semfim..o valores: presen.. os rios e as estrelas.Ep oderíamosirmultiplicandoosexemplos.Acontecequeodisc ursoreligiosonãoviveemsimesmo. Que estranho discurso! Bem que ter€amos de nos perguntar acerca do poder m. que abem.o • um engano que tem de ser erradicado. Fatos n. os ex•rcitos e o seu pr. que as entidades religiosas s. simbolicamente. O amor se dirige para coisas que ainda ri. .as que os sentidos podem agarrar.Areligiãoé constru€da pelos s€mbolos que os homens usam. “O mundo dos felizes • diferente do mundo dos infelizes" (Wittgenstein).o com aquilo que • falso. com honestidade.relatandoatr ansformaçãodascoisaprofanasemcoisas sagradasnamedidaemquesãoenvolvidaspêlosnomesdoinvisível . .ncia b.Falta-lhe aautonomiadascoisasdanatureza. . e reconhecem de que dela recebem a vida. e protegem as fontes de seus excrementos. em que o lobo vive com o cordeiro e a 30 crian.o diferentes. a coisa que se deseja. . E seus mundos sagrados . .. e a m. Afirmar que o testemunho de algu•m • produto da imagina. H.o importam os fatos e as presen.o. se encontraram com o sagrado. os animais e as plantas. . • acus. -la de pertur ba.o valem o amor.es rituais do mundo acad•mico. Vive do desejo e da espera. n. Conclu€mos. ausentes.a eterna.as que n. E a resposta • que.e terra que • escavada. • de import. as espadas em arados as lancas em podadeiras e constr. para a religi.fano v•u do invisivel. "encanta.o e do 31 . De fato. Sei que tal afirma.o ser mortos. E po isso mesmo pedem perd.o e a fantasia. sutilezas lingu€sti cas e ocasi.rias.o. . as utopias da paz e d. . assim.gico que permite que os homens falem acerca daquilo que nunca viram. aprendemos desde muito cedo a identificar a imagina.sica que o seu discurso seja assepticamente desinfe -tado de quaisquer res€duos da imagina.quecontinuamasmesmas.es destinadas a produzir.oa as espadas.o nasceram.prio riso.

E o leitor teria agora todo o direito de nos perguntar: "Mas. ter€amos de dar um passo . a adapta.fanas.cia daquilo que • material e concreto?" Sobreviv. ao afirmar que as entidades da religi. i 'instru€ram casas.os. -los da natureza. entregar -se • embriaguez do desejo e suas produ.o estou dizendo que a religi.o. Observe os animais. at• l.o os s€mbolos.o estapaf.o h. que a imagina.rio. as redes simb.o do ambiente aos seus corpos. Portanto..licas da religi. Nada fazem a esmo. pintaram -nas de cores alegres puseram quadros nas paredes? Imaginemos que estes homens tivessem sido totalmente objeti vos. neste mundo da ci.es? N. apenas fantasia.o apenas ornamentos sup•rfluos ? A sobreviv. N. materiais. totalmente dominados p. Quando. comprometido com o saber. Sabemos que delas se derivam festivais e celebra. Beija -flores n.o t. armas.ncia depende de coisas e atividades pr. Nenhum conh ecimento poderia jamais arranc.o gr. n. entidades t. verdadeiros! — poder iam eles ter inventado coisas? Onde estava a flauta antes de ser inventada? E o jardim? E as dan.o conspira contra a objetividade e a verdade.o.vida para que o mundo da cultura nascesse.rdia.ncia. puseram dores nos seus cabelos e colares nos seus pesco. al•m disto.es...o. comida. o comportamento perde a unidade e dire.o 32 mental. que n. estou sugerindo que ela tem o poder. pois ele cria a cultura e.o ao homem.. esta ordem inscrita nos seus organismo s entra em colapso.. o amor e a digni dade do imagin. Por que raz. como ferramentas. Come.o. para que servem? Que uso lhes d. Ao contr.o • apenas ima gina.as? E os quadros? Ausentes. n. Como poderia algu•m. competir com a efic. inventaram dan.o f€sica. onde a cultura nasceu e continua a nascer.ticas.o e reconhecendo a fraternidade que nos une. Mas. Por s•culos e mil•nios seu comporta mento tem desenhado os mesmos padr.o sobrevivem da mesma forma que besouros.i......ncia tem a ver com a ordem.es.rio.es os homens fizeram flautas. Passamos ent. de como eles sobrevivem.o.dicas.rio. E . por uma raz.. Cada animal tem uma ordem que lhe • espec€fica.o dos seus corpos ao ambiente.as. Poder.iir.o! Que os fatos sejam valores! Que o objeto triunfe sobre o desejo! Todos sabem.licas? Sabemos que s.o pertencem ao imagin.. e estas redes simb. impro visa. Estou apenas estabelecendo sua filia. Inexistentes. trabalho.o d•beis e di.s. escreveram poemas. Foi necess. nascidas da imagi na.los fatos. Mas. 33 E a vida se vai.o belas e possuem uma fun.rio que a imagina. a adapta..o est•tica.o sobrevive por meio de artif€cios de adapta. totalmente verdadeiros — sim.o qualquer..o as estou colocando ao lado do engodo e da pertu rba. o que estabelece o seu parentesco com as atividades l. para elucidar decla -i..amos falando dos animais.es..o os homens? Ser. com ela.observa.

o existe.a.rg.o aparece como a grande hip..o serve de todo.foi pensando nisto que o bi. projeta. em busca 34 de um mundo • sua imagem e semelhan.o s. Mas n.a de que c•us e terra sejam portadores de seus valores. em si mesmo. n. Comistooshomensnãopoderãoararosolo. uma esp•cie de mar em que cada um se arranja como pode.o. cavalos marinhos viver. Assim.tese e aposta de que o universo inteiro possui uma face humana.o biol. O que nos parece . • um mundo que traga as marcas do desejo e que corre sponda •s aspira.lico "que proclama que toda a realidade • portadora de um sentido humano e invoca o cosmos inteiro para significar a validade da exist. A analogia n. assim para os animais? Moscas.gerarfilhosoumovermá quinas.ncia poderia construir tal horizonte? S. os confins do tempo e os confins do espa. Cada animal • uma melodia que. E o homem diz a religi. na esperan. como projeto inconsciente do ego. criado • sua imagem e semelhan. adormecido.ri as as asas da imagi na.a sobre o mundo.gicas. desperta.logo Johannes von Uexk. a mesma para todos e quaisquer organismos.o existiria um ambiente.o num mesmo mundo?" E poder€amos imaginar o ambiente como se fosse um grande .o harm. como esperan. com as mesmas notas harm.o governados por seus organismos. lesmas. porque sabemos que os homens n.o necess. • aquele mundo.Quandoosesquemasdesentidoentram emcolapso. para o animal.ll teve a coragem de se perguntar: "Ser. O que esta' em jogo • a ordem. Que ci.a e utopia.nicas e a mesma linha sonora.lico -religiosas — suas melodias — sobre o universo inteiro.BemdiziaCamusqueoúnicoproblemafilosóficorealmen tesérioéoproblemadosuicídio.o s.a. da mesma forma como o animal lan. O que se busca.pois .a. Mas. no mundo ao seu redor.o. ao seu redor.ll teve uma ideia fascinante. mas culturais. da mesma forma como ele faz soar sua melodia e. a ordem que lhe sai do organismo.n cia humana" (Berger& Luckmann).o. que resulta da atividade do corpo sobre aquilo que est.es do amor. O que existe. tamb•m o homem lan.ncias humanas.-lo.tãopoderosaquantoosexoeafome:a necessidadedeviver 35 nummundoquefaçasentido. Suas m. ao se fazer soar. como se fosse uma rede.bvio • que o ambiente em que vivem os animais • uma reali dade uniforme. ao faz. este universo simb.Ossímbolosnãopossuemtal tipodeeficácia.ncia. Mas o fato • que tal realidade n..sicas n. borboletas.nicos.Maselesrespondema'umoutrotipodenecessidad e.o • qualquer ordem que atende •s exig.o para articular os s€mbolos da aus. Uexk. externaliza suas redes simb. os sons que lhe s.ingressamosnomundoda loucura. e cada organismo um orga nista que faz brotar do instrumento a sua melodia espec€fica. como algo presente. faz com que tudo ao seu redor reverbere. E a religi.

os adornos.seja deteologia.rico e o ponto de congelamento da .que destruiçãotemosdefazerlSetomarmosemnossasmãosqualquerv olume.unidade.o.Se pudermosconcordarcomaafirmaçãodequeaquelesquehabitamu mmundoordenadoecarregadode sentidogozamdeumsensodeordeminterna.. a arte culin.o diferentes.Nãoéadorquedesintegraapersonalidade.s nos esquecemos de que as coisas. por esta raz.o da heran.gica este processo recebe o nome de reifica.Estatemsidoumatrágica conclusãodassalasdetortura.teremosentãodescobertoaefetividadeeo poderdossímbolosevislumbradoa maneirapelaqualaimaginaçãotemcontribuídoparaasobrevivênc iadoshomens.lançai-oàsch amas.ncia entre o dia e a noite. estas coisas desapa recer.integração. . Com a . a composi.nemsentidoparaavi da. elas aparecem aos nossos olhos como se fossem naturais.queeletemavercomaquestãodeseavidaédignaounãodeservivida .convencidosdestespri ncípios. atos que constituem crimes e os castigo s que s.cil se fal.porquesemelesnãohaveriaordem.pois elenãopodecontercoisaalgumaanãosersofismaseilusões.masadissoluçãod osesquemasdesentido.gua e do ar.Vivemtambémde símbolos.Eoproblemanãoématerial. a altern. Ainda que ele nunc a tivesse existido. culturais foram inventadas e.Seráqueelecontémraciocíniosexperimentaisqued igam respeitoamatériasdefatoeàexistência?NãoEntão.sejademetafísicaescolástica. a natureza estaria a€." (DavidHume) Ascoisasdomundohumanoapresentamumacuriosapropriedade. Aqui est.porexemplo.massimbólico.. A transmiss.enemvontadedeviver. .o do .cido sulf.o.d ireçãoesesentemefetiva-mentemaisfortes paraviver(Durkheim). a propriedade. talvez melhor. 36 OEXÍLIODOSAGRADO "Quandopercorremosnossasbibliotecas..ssemos em coisifica.fico -sociol.o tamb•m. Na g€ria filos. pois • isto mesmo que a .a. Quando os homens desaparecerem.ujtura as coisas s.gua em nada dependem da vontade do homem.o. o dinheiro. passando muito bem. a linguagem.o aplicados. os direitos sexuais dos homens e das mulheres.ria — tudo isto surgiu da atividade dos homens.pergun-t emo-nos:será queelecontémqualquerraciocínioabstratorelativoàquantidade eao número?Não. a curiosa propriedade a que nos referimos: n.J ásabemosqueelassão 37 diferentes daquelas que constituem a natureza. Seria mais f.Éverdadequeoshomensnãovivems ódepão.ncia da . A exist.

com sucesso.a partirdeduasvertentes. a qualidade artificial (e prec.lido quanto a natureza.as.Comestessímbolosvieramvisõesdemundototalmented istintas..es da realidade. Enós. de tanto serem usados.palavra quer dizer. De fato.eexata-menteporserem vitoriosos.paradepoisenvelheceredesmoronaremme ioalutas. Porquefoiemmeioaumahistóriacheiadeeventosdramáticos.teses da imagina.quejásabemosqueelas eapresentacomoumarededesímbolos.ria) das coisas que est.o usados com sucesso experimentam esta meta morf ose. De tanto serem repetidos e compartilhados.s os reificamos. se tudo o que constitui o mundo humano • artificial e convencional.rio. passamos a trat.enquantoqueossímbolosd erro39 ladossãoridicularizadoscomosuperstiçõesouperseguidoscomo heresias. em parte.o e articular um projeto comum de vida. como se fosse cer.es mais velhas. ..comoéocasodamagiaeda. recebemosumaherançasimbólico-religiosa.. Deixam de ser hip. .gil por elas contru€do com tanto cuidado.Doout ro.Ossímbol osvitoriosos.os dos seus criadores.Quefizeram conosco?Quefizemoscomeles?Eparacompreenderoprocessopel oqualnossossímbolosviraramcoisase construíramummundo. rei. os jovens pode riam come. • guisa de receitas. Certos s€mbolos derivam o seu sucesso do seu poder para congregar os homens.mica rec•m -moldada nas m. .algu nsgrandiosos. Outros se imp..quedesejamossaberoqueéareligião. as gera.los como se fossem coisas.o a um mundo que tivesse a solidez das coisas naturais? Isto se aplica de maneira peculiar aos s€mbolos. porque as crian. que quer dizer "coisa". t.em como vitoriosos pelo seu poder para resolver problemaspráticos.o viram este mundo saindo das m. Al•m disto. das utopias.outrosmesquinhos. Porque.ciência. n. caso contr. das ideologias.o este mundo pode ser abolido e refeito de outra forma. j. Isto acontece.Deumlado. ao nascerem.oshebreuseoscristãos. que ela se deriva do latim res. tratam de esconder dos mais novos..o e passam a ser tratados como manifesta. inconscientemente. 38 interessadas em preservar o mundo fr. Mas quem se atreveria a pensar pensamentos como este em rela.o a€.o s. encontram um mundo social pronto.os do oleiro. Todos os s€mbolos que s. j.temosdereconstruirumahistória.quese forjaramasprimeirasemaisapaixonadasrespostasàpergunta"oq ueéareligião?" Noprocessohistóricoatravésdoqualnossacivilizaçãoseformou.astradiçõesculturaisdosgregosedos romanos. Elas n. Tal • o caso das religi.es. ent.o pronto t.recebemonomedeverdade. temosdepararporummomentoparanosperguntarsobreoqueocorr eucomaquelesqueherdamos. que os usam para definir a sua situa.maselesseamalgamaram.ar a ter ideias perigosas.

. que.os de Deus — e era inclusive poss€vel determinar com precis. em baixo a pobreza e o trabalho no corpo de outros.. por um ato de cria. a sustentar todas as coisas.Todasascoisastinhamseuslu garesapropriados.o o lugar das moradas do dem..eascoisasboas aconteciamporqueDeusprotegiaaquelesqueotemiam. pudessem indicar o sentido de cada uma e de todas as coisas.es dos bem-aven turados. pela sua gra. tinha um prop.evieramafloresceremmeioàscon diçõesmateriaisdevidadospovosqueos receberam.o de que Deus n.transformando-semutuamente.o a data de evento t.os céusaparecemligadosaomundo. Se o universo havia sa€do. E os fil.Nada aconteciaquenãoofossepelopoderdosagrado. das m.. E • perfei tamente compreens€vel que tal drama tenha 41 exigido e estabelecido uma geografia que localizava com precis.numaordemhierárquica devalores. E era esta vis.gica da realidade (de tetos.Efoidaíquesurgiuaqueleperíododenossahistóriabat izadocomoIdadeMédia.o teleol. Nãoconhecemosnenhumaépocaquelhepossasercomparada.sito definido.a. no alto.umacon-cretudeeumaonip resençaquefaziamcomqueomundo invisívelestivessemaispróximoefossemaissentidoqueasprópri asrealidadesmateriais.Osanjosdescemàterra. absolutamente tudo. colocando l.nio e as coordenadas das mans. prop.o pessoal.porqueDeusassimhaviaarrumadoouniverso.etodossabiamque ascoisasdotempoestãoiluminadas peloesplendorepeloterrordaeternidade.easdesgra çasepesteseramporEleenviadascomo castigosparaopecadoeadescrença. Tudo girava em torno de um n.bruxasebruxarias.sofos se entregavam a investiga.tica que unificava todas as coisas: o drama da salva. conclu€a-se que tudo. Ehaviapossessõesdemoníacas.enc ontroscomodiabo.ncia medieval se propunha: "para qu.milagres.enquantoDeuspresideatodasasc oisasdotopodesuaalturasublime.suacasa.T'. Conhecer alguma coisa era saber a que fim ela se destinava. em grego.o havia colocado os planetas no . para exercer o poder e usar a espada.sito) que determinava a pergunta fundamental que a ci. de alguma forma. a caridade de Deus levando aos c•us as almas puras.o grandioso — e se Ele continuava.Nãoéporacidentequeto daasuaartesejadedicadaàscoisas sagradasequenelaanaturezanãoapareçanuncatalcomonossosolh osavêem. o perigo do inferno.o dos sinais que. E • assim que um homem como Kepler dedica toda sua vida ao estudo da astronomia na firme convic. tem.cleo central. estabelecendoguiasespirituaise imperadores. significa fim.Porq uealiossímbolos 40 dosagradoadquiriramumadensidade.o.

Curioso.Opodereariquezasãobenevolentesparacom aquelesqueospossuem.vidas.o..Enemaquelesqueestavamcondenadosaosseussubt errâneos.o aos planetas os outros faziam 42 com as plantas.Foideumaclasse .lutaram.Eosqueseachammuitoporbaixo. comprovados por in. Sua atitude para com o seu mundo era idênticaànossaatitudeparacomonosso.lido. mas • sempre assim: de dentro do mundo encantado das fantasias. . No final de suas investiga.ousãoiconoclastas irreverentes.Eoqueéfasci nanteéqueumacivilizaçãoconstruídacom asfantasiastenhasobrevividoportantosséculos.c•u por acaso. os animais. as pedr as.Curiosoestepoderdasfantasiasparaconstruir teiasfortesbastanteparaquenelasoshomensseabriguem. no firmamento. Deus.pr ogressiva..entretanto.meras evid.construíram cidades.Receitasqueproduzembolosgost ososnãosãoquestionadas.Evitaramortepelafo mejáéumtriunfo..Comoeles.ter essencialmente religioso. espantado perante tanta imagina.quandoum determinadosistemadesímbolos 43 funcionademaneiraadequada. humanas. Para os medievais n.fizerammúsica.masdeformaconstante.ousãol oucosousãoignorantes.trabalharam. .crescente.do por fatos.sico-ge. O que Kepler fazia em rela. constitu. .somosincapaz esdereconheceroquedefantasiosoexiste naquiloquejulgamosserterrenosólido. .queaospoucos.ticas dos movimentos dos astros podiam ser decifradas de sorte a revelar a melodia que Ele fazia os planetas cantarem em coro.metra. Imagino que o leitor sorria. e as regularidades matem. justamente aqui que se encontra o seu car.Are ceitaérejeitadaquandoobolofica sistematicamenteduro. era um grande m.xtase dos homens.Nãolhesinteressamudarascoisas . •ticas. perguntando -se acerca de suas finalidades est•ticas.o havia fantasia alguma..Nãoeramaquel esqueficavamnacúpuladahierarquiasagrada queasfaziam.Osqueestãoemcimararamente empreendemcoisasdiferentes. elas sempre se apresentam com a soli dez das monta nhas. De fato. Seu mundo era s.pintaramquadros.esmagad osaopesodasituação. os fen.ergueramcatedrais.terrafirme.ntesis. menos f€sicos e qu€micos. Aquelesqueduvidamoupropõemnovossistemasdeideias. era isto mesmo: o universo inteiro era compreendido como algo dotado de um sentido humano. Aconteceu.gastamsuaspoucas energiasnasimpleslutaporumpoucodepão.oshomenscomeçarama fazercoisasnãoprevistasnoreceituárioreligioso.ncias e al•m de quaisquer d.adúvidaeosquestionamentossurgemqua ndoaaçãoéfrustradaemseusobjetivos. Aqui eu me detenho para um par.Enelaoshomens viveram. Poucosforamosqueduvidaram.es ele chegou a representar cada um dos planetas por meio de uma nota musical. para o .asdúvidasnãopodemaparecer.

Agoraanecessidadedariquezainau guraumaatitudeagressiva.i nvademomundoeaísecolocamaoladode aradosedearmas.Oque 45 ocorreéque.elesmesmosvaziosdequalquertipode eficácia.Eassimcontrastavaasacralidade inútildosqueocupavamoslugaresprivilegiadosdasociedademed ievalcomautilidadeprática daquelesque.Seisto forverdade.Esilenciosamenteaburguesiatriunfante escreveoepitáfiodaordemsacralagonizante:"osreligiosos.quecorroeuascoisaseos símbolosdomundomedieval.eramentretantocapazes dealterarafacedomundopormeiodoseu trabalho. 44 racionalizarotrabalho.deman eirasistemática.maso queimportanãoéentender.ossímbolosnãopassamde efeitosdecausasmateriais.semmarcasdenascimento.Poristorejeitoqueelessejamumasimplestraduç ão.manipula-a.pelaqualanova classeseapropriadanatureza.então.das formasmateriaisdasociedadeesuasnecessidadesvitais.força-aas ubmeter-seàssuasintenções.Ohomemmediev aldesejavacontemplarecompreender.viajarparadescobrirnovosmercados.mastransformar".derivadadeuma vontadenovademanipularecontrolaranatureza.relativosàvidaconcret a.E.ànovaclasseinteressavamatividadescomo produzircomercianalizar.comojásugerimos.numaoutralinguagem.oshomenssãopraticamenteobrigadosa inventarreceitasconceptuaisnovas.os símbolosnãosãomerasentidadesideais.osúltimosafirmavam: "Pornascimentonadasomos.Emnomedoprincípiodautilidadeatradiçãoserá.reflexos.Sua atitudeerapassiva.Elesganhamdensidade.visualizarseulugardentrodesuatrama .socialqueseencontravanomeioquesurgiuumanovaesubversivaa tividadeeconómica.ecosdaquiloquefazemos.controla-a.criarriquezas. Emoposiçãoaoscidadãosdomundosagrado.quehaviamcriadosím bojosquelhespermitissemcompreendera realidadecomoumdramae.umanov aorientaçãoparaopensamento.Oquenec essidadesvitais.Somosoqueproduzi mos".ativa. Queocorreuaouniversoreligioso? .Aconteceque.Nósnosfizemos.atéa gora.Algunsachamqueis toocorreuporentenderemque ossímbolossãocópias.aosurgiremproblemasnovos.processou-se umaenormerevoluçãonocampodossímbolos.Produziu-se. Namedidaemqueoutilitarismoseimpôsepassouagovernarasativ idadesdaspessoas.Aquiloquenãoéútildevepe recer.obt erlucros.tembuscadoentenderanatureza.seos primeirossedefiniamemtermosdasmarcasdivinasquepossuíamp ornascimento.edestasaosmercad os.sacrificadaà racionalidadedaproduçãodariqueza.integrando-sena linhaquevaidasminasedoscamposàsfábricas.receptiva.

mais transparentepodeexistirqueamatemática? Linguagemtotalmentevaziademistérios.orespeitopeloarepelomar.eodestinoqueelereservoupa raossímbolosdaimaginação:aschamas.Eéporistoquenãoexiste nenhuminterdito.comoaatividadehumana práticasósepodedarsobreobjetosvisíveisedepropriedadessenst Veisevidentes.totalmentedominadape larazão:instrumentoidealparaaconstrução deummundotambémvaziodemistériosedominadopelarazão.Eeuoconvidariaavoltar aocurtotrechodeHume.nenhumaproibição.entidadebruta.manipular.Nemoscéusproclamamaglóriad eDeus.Tra ta-se.destituídadevalor.Esteconflito.poislheseraconferidopelop róprioDeus.poderesepossibilidadesque escapamàsnossascapacidadesdeexplicar.ocrescimentodariqueza .nãotêmlugarnouniverso simbólicoinstauradopelaburguesia.Por outrolado.Nomund omedieval.portanto. Mascomopoderiaoprojetodaburguesia obrevivernummundodestes.CéuseterranãosãoopoemadeumSerSupremoi nvisível.quepoderiaimpedirqueelaviessea sercortada.orespeitopela floresta.poisqueelerevelaclaramenteoespíritodo mundoutilitárioqueseestabeleceu.deformaracional.dealgoquenempodeser completamentecompreendidopelopoderdarazão.asentidadesinvisíveisdo mundoreligiosonãopodiamterfunçãoalgumaadesempenharnest euniverso.queexigiriaquefossempr eservados.maisuniversal.nenhumtabuacercá-los.obscurecidopor mistérioseanarquizadoporimprevistos?Sua 46 intençãoeraproduzir.A condenaçãodosagradoeraexigidapêlosinteressesdaburguesiae oavançodasecularização.eterra anunciaoseuamor.A naturezaénadamaisqueumafonte dematérias-primas.enquantoganha.Agoraalguémvaleo quantoganha.pormaisdesvalorizadoque fossem.Eatémesmoaspessoasperdemseuvalorreligioso.Eas respostasdadasàpergunta"oqueéareligião?"têmmuitoavercoma sleaIdadesdaspessoasenvolvidas.Muitodoquesepensousobrearelig iãotemsuasorigensnesteconflito.Ummundoencantadoabriga.Ouniversoreligiosoeraencantado.comoacreditavaKepler.oseuvaloreraalgoabsoluto.n oseuseio.prever.quecoloqueicomoepígrafedestecapítulo .enemcompleta menteracionalizadoeorganizadopelopoder'Io trabalho.Equeinstrumentomais livredepressupostosirracionaisreligiosos.na .Istoexigiaoestabelecimentode umaparatodeinvestigaçãoqueproduzisseosresultadosdequeseti nhanecessidade. 47 quepoderiaimpedirqueelesviessemaserpoluídos. Perdeanaturezasuaaurasagrada.Orespeit opelorioepelafonte.Oseuutilitarismosóconhec eolucrocomopadrãoparaaavaliaçãodas coisas.

Aargumenta çãoéamesma."nãocontémraciocíni osexperimentaisquedigamrespeitoa matériasdefatoeexistência".sabercomoascoisasfun cionam.Seusmétodose conclusõessemostravamextraordinariamenteadaptadosàlógica domundoburguês.rigorosaobjetividade.Instaura-seumdiscursocujoúnicopropósit o 49 édizeraspresenças.Asideiasserepetem.Bastaabrirosno ssosjornaisetomarciênciadastensões entreIgrejaeEstado. Aciência. porqueeleressurgeesemantémvivonasfronteirasdaexpansãodoc apitalismoeondequerqueadinâmicada produçãodoslucroscolidacomosmundossacrais.a fábricaeolucro.Comoduvidarda eficácia?Impõe-seaconclusão:aciênciaestáaoladodaverdade.S edigo"ofogoéfrio". Istoéaverdade.verdade."nãopodecontercoisaalgumaanãos ersofismaseilusões".Porq ue.negaçãodosdados .Equemsabeofuncionamentotemosegredodaman ipulaçãoedocontrole.Coisasbem-sucedidasnãopodemser questionadas. Piorqueenunciadodefalsidades.seele"nãocontémqualquerraciocínio abstraiorelativoàquantidadeeaonúmero".antesde maisnada.quedascoisasmateriais aespadaeodinheiroseencarregam.discursodestituídodesentido.criaçãodaimaginação:sópodeser classificadocomoengodoconscienteouperturbaçãomental.alinhava-seaoladodosvitoriososeeraporel essubvencionada.Quea religiãocuidedasrealidadesespirituais.subordinaçãodaimaginaçãoào bservação.Conhecerésabero funcionamento. 48 Énecessárioreconhecerqueareligiãorepresentavaopassado.Importava-lhe.nãosecircunscrevedemaneiraprecisa.Eistosignifica.Tratava-sedeumaformade conhecimentosurgidoemmeioaumaorganizaçãosocialepolítica derrotada.Osfatossãoelevadosà categoriadevalores.Aquedistâncianosencontramosdaciênciamedie valqueseperguntavaacercada finalidadedascoisasebuscavaouvirharmoniasevislumbrarprop ósitosdivinosnosacontecimentosdo mundo! Osucessodaciênciafoitotal.antesde maisnada.fazendoaliga çãoentreauniversidadeeafábrica.porsuavez.O conhecimentosónospodechegar atravésdaavenidadométodocientífico.nãoestácontidod entrodelimitesestreitosdetempoeespaço. Eodiscursoreligioso?Enunciadodeausências. Submissãodopensamentoaodado.Igrejaeinteresseseconómicos.atr adição.estou .Ascoisasquesãoditasepensadasdevemcorre sponderàscoisasquesãovistasepercebidas.Eassiméque estetipodeconhecimentoabreocaminhodatécnica.paranãodizerexclusivamente.

.ascidades.0explicadacomo comportamentoinfantilde 50 povosegruposnãoevoluídos.umfuturo luminosodeprogresso.Foiidentificadacomo passado.Eassi mnãoforampoucososqueescreveram precocesnecrológiosdosagrado.. ocuidadodasalvação.Curio soqueosfatosdaeconomianãotivessem liquidado.elaperdeuseu poderecentralidade. E os negociantes e banqueiros tamb•m t.quehácertasreali dadesantropológicasquepermanecem.osmares. Curiosoqueaindativessesobradotalespaçoparaareligião.riqueza.neurose.m alma.ilusão.econhecimentocientífico.dizendoumafalsidade.Parece.oatraso.osri os. Mas.Masseafirmo"o fogo.diantedaprobabilidade.o "In God we trust" —"n.porsereferiraentidades imaginárias.umquadrosimbóliconoqualnãohavialuga rparaareligião.despejadodeoutro.sóq uenãoéverdade...acuradasalmas aflitas. .oscampos. osbancos.o lhes bastando a posse da riqueza.rio plantar sobre ela tamb•m as bandeiras do sagrado.oslucros. Aosnegociantesepolíticosforamentreguesaterra.asfábricas.foiporque.entretanto.ideologia.. Querem ter a certeza de que a riqueza foi merecida.oscorposdaspessoas.efizeramprofeciasdodesaparec imentodareligiãoedoadventodeumaordem socialtotalmentesecularizadaeprofana.setalquadrodeinterpretaçãodofenómenoreligiososeestabe leceu..Ida dedasTrevas.s confiamos em Deus".Masaciêncianemmesmoafalsidadeconcedeuàreligi ão.comotriunfodaburgues iaDeuspassouaterproblemashabitacionais crónicos. .osmercados. trazendo gravada em si mesma a afirma.o • por acidente que a mais poderosa das moedas se apresente tamb•m como a mais piedosa.ópio.assim.defato. n.ComodiziaRickert.Progressiv amentefoiempurradoparaforadomundo.aignorânciadeumperíodonegrodahistória.Declarou-adiscursodestituídode sentido.a despeitodetudo 51 As pessoas continuam a ter noites de ins.Masacoisanãofazsentido". e buscam nela os sinais do favor divino e a cercam das confiss.Despejadodeumlugar.es de piedade.Paraqueumenunciadoposs aserdeclaradofalsoénecessárioqueele façasentido. Eassimsedividiramáreasdeinfluências. Areligiãofoiaquinhoadacomaadministraçãodomundoinvisível.nia e a pensar sobre a vida e sobre a morte. N... Estabeleceu-se. umaauma.escureceuosilêncio".Digoalgoquequalquerpessoaentende. sendo lhes necess.osagrado. ParaqueoshomensdominematerraénecessárioqueDeussejaconfi nadoaoscéus.Op ondo-seaestequadrosinistro.oleitorficar ápasmoedirá:"Conheçotodasaspalavras.osares.devez.

h.. Durkheim) No mundo dos homens encontramos dois tipos de coisas. de formas diferentes.E tamb•m os oper..gua. uma afirma.Trata-sed eumaconstruçãoqueoartistafaz.Aqu elaflor. Que • que ele significa? Nada..queima.Afloréaflor. comodetodasascoisasquenãosignificamoutras. uma c•dula significa um valor.a significa casamento. Por isto. • inevit.Deumaflor.o me pergunto se a .mandamcolocarplacascomemorativas 54 comseusnomesemletrasgrandessobreaspirâmideseviadutosque mandamconstruir. seéperfeita. Uma c•dula pode ser falsa." (E.tambémnãosignificaco isaalguma.usando .Araposacomeçouaficarfel izaoolharparaotrigal.Assim.o destitu€das de sentido.coisas/símboloporexcelência. Ela • cristalina.o alguma que seja falsa. Depois.ncia humana.sejogadasobreumasepultura... A .seébela.Aartenosajudaa compreenderisto. a condi..es dos c•us a fim de suportar as tristezas da terra.o existe religi. Em primeiro lugar. as coisas que n. Àsvezesatémesmoaspalavras.gua • verdadeira.gua mata a sede.o significam outras.Uma obradearquiteturacopiaoquê?Nãocopiacoisaalguma.vel que levantemos perguntas acerca de 53 sua verdade ou falsidade. as coisas que significam outras: s. ilumina. E sobreviveu o sagrado tamb•m como religi.acreditandoemsua própriaimportância. Elas s.es dadas da exist.. Uma afirma. Coisasquenadasignificampodempassarasignificar.. al•m dela mesma. n. Todas elas respondem.o apontam para nada. 52 A COISA QUE NUNCA MENTE "N. N.ograudeverdadedaobradearteseriamedido porsuafidelidadeemcopiarooriginal.o significa um estado de coisas. h. O fogo • fogo.Perguntarseeleéverdadeironãofazsentido. Isto me basta.o esquerda sem ser casado.o dos opri midos..rios e camponeses possuem almas e necessitam ouvir as can.o pode ser uma mentira.nãopossolevant araquestãoacercadaverdade.aquestão epistemológica. Significa -se a si mesmo. .Coisasquenadasignificam podemsertransformadasemsímbolos. .eaquelesque.Tambémofogose transformaemsímbolonasvelasdosaltaresounaspirasolímpicas. Uma alian.se transformamemcoisas. Eaflorpodeserumaconfissãodeamorouuma afirmaçãodesaudade. gostosa. quando nos defron tamos com as coisas que significam outras. Tomo um copo d'.lánomeiodojardim.pormeiodeu martifício:bastaquesobreelasescrevamos algo.Maspossoperguntarseelaéperfumada.Aoolharparaumquadroouumaesculturaéfácil vernelessímbolosquesignificamumcenário ouumapessoa.nascidapor acidentedeumasementequeoventolevou. Ele aquece. Mas algu•m pode usar uma alian. fria...o as coisas/s€mbolo. s.o elas mesmas.a na m. .comofazemosnamoradosquegravamseusnomesnascascasd eárvores.

certas situa." Lembro-me que. e passam a existir ao lado das coisas. n. .o significava coisa alguma. muito bom para embrulhar. masque. H.. Mas nunca ouvi ningu•m dizer ao outro: "Voc.s ticas. artistas pl. As obras de Bach foram descobertas por acaso quando eram usadas para embrulhar carne num a. n. E h. Ela n. conse -q.o ter palavras como o voo dos p. Faz pouco tempo que me dei conta de que.rias eram fant. engr a. E o novo artista iniciava a constru. O a. Arquitetos. As est.o podia ouvir a m.em coisas usando tijolos." Assentou-seaopianoeexecutouamesma 55 pe.o se tratava de uma coisa que significa outra. As coisas eram ditas • fim de construir objetos que podiam ser belos.ssaros. "Um poema deveria ser palp. abandonam o mundo da verdade e da falsidade. naquele jogo. A rea. fant..sica. mentindo". quando menino. .sticos.ncia medieval olhava para o universo e pensava que ele era um conjunto de coisas que significavam outras.o entendia os s€mbolos.ougue. Dever iam ser decifrados para que ouv€s semos a mensagem .aocontrário.Nãopoderíamosavent arahipótesedequeoartistaplásticonãoestá embuscadeverdade.em coisas usando palavras. o julgamento de verdade • falsidade n.UmateladePicassodeveriaterumbaixograude verdade.elamesmaoriginaleúnica? AlguémperguntouaBeethoven.eestaobrapassaaserumacoisaentreoutrascoisa s.o de um outro objeto de palavras.sicos. m.deconformidadeentresuaobraeumoriginal.o apropriada a um caso fant. Medite sobre esta afirma. em uma cidade do interior.o deveria significar coisa alguma e simplesmente.ados. fascinantes..pri a coisa.certosmateriais. um poema n.o entrava.estáconstruindouma coisa. ser.ougueiro n..s o jantar para contar caso s.. Ela era a pr.o de Archibald Mac Leish.depoisdehavereleexecutadoaopi anoumadesuascomposições: "Quequerosenhordizercomestapeçamusical?Queéqueelasignif ica?""Oqueelasignifica?Oquequero dizer?Esimples. um poema deveria n. constr. e todos sabiam disto.a.o para significar algo.nica realidade era a coisa: o papel. . Porque as coisas eram ditas n. A ci.o conseguia entender o texto escrito e..Emnadaseparececomooriginal.es em que as palavras deixam de significar.vel e mudo como um fruto redondo.entemente. Quem confunde coisas que significam com coisas que nada significam comete graves equ€vocos.sticos mas nunca falsos. N. tintas e bronze. Cada planeta era um s€mbolo. . os homens se reuniam ap. sons. grotescos. est. .o • nada". um s€mbolo. Para ele a .stico era outra: "Mas isto n. aqueles que constr.

Nãoperceberamqueaspalavras podemsermatéria-primacomqueseconstróemmundos.Comopoderiaaciência negartalrealidade?" Ora.Constitui-senumsistemadefatos dados.ignorando-acomocoisa.emprincípio.Areligiãoéumainstituiçãoenenhumainstituiçãopodeser edificadasobreoerroouumamentira.nadasignificam.blasfemose beatos.Eéentãoqueocorrearevol uçãosociológica.dedentrodesuap erspectivareligiosa.desejavamver mensagensescritasnoscéus. A F€sica s.osjulgamentosdeverdadeedefalsidade nãopodemseraelaaplicados.Odólarnãoseentendeapartirdosignificadod e 57 "fnGodwetrust".nosfatos.teriaenco ntrado."Seela nãoestivessealicerçadanapróprianaturezadascoisas.Eumnovomundodecompreensãodareligiãoseinstau racomaafirmação: "Considereosfatossociaiscomosefossemcoisas. Agoraasituaçãoseinverteu. "Nãoexistereligiãoalgumaquesejafalsa".ofogoeaflornãotê msentidoalgum. como funciona. Quemsepropuseraentenderafunçãododólarapartirdacoisaescri taqueestáimpressanascédulaschegariaa conclusõescómicas.Masareligiãoe xiste. .umaresistênciasobreaqualnão poderiasertriunfado. quais as leis que o regem.Ignoraramnacomocoisasocialeseconcentraram nosenunciadoseafirmaçõesqueaparecemjuntoaela." 58 EDurkheimcomenta: "Diz-sequeaciência.horroriz andoempiricistasesacerdotes.Masaciêncianão saiudoseuimpasseenquantonãosereconheceuqueestrelaseplane tassãocoisas. .Concluíram queodiscursoreligiosonadasignificava. E Kepler tentou descobrir as harmonias musicais destes mundos.IMãolhespassoupela cabeçaqueaspalavraspudessemserusadasparaoutrascoisasquen ãosignificar.Foiisto queosempiristas/positivistasfizeramcomareligião.NaIdadeMédiaosfilósofos.Admitimosqueestascren çasreligiosasdescansamsobreuma . avan.ou quando o universo foi reconhecido como coisa. E foi assim que Galileu parou de perguntar o que • que o universo significa e concentrou -se simples mente em saber o que ele •.de que eram portadores.masapartirdoseucomportamentocomocoisado mundodaeconomia.continuaele."Eelecontinua: "Nossoestudodescansainteiramentesobreopostuladodequeosen timentounânimedoscrentesdetodosos temposnãopodeserpuramenteilusório.seareligiãoéumfato.Sãoosempiristas/positivistasquein sistememinterpretarareligião comoumtexto.Contemplavamouniversocomoumte xtodotadodesignificação. Asituaçãoéirónica.negaareligião.Emumapalavra:elaéumarealidade.Mudançaradicalde perspectiva. Conclusãotãobanalquantoafirmarqueaágua.

umnadainferioràqueledas experiênciascientíficas.tempos.oquenosf azpensarquetalvezsejaimpossíveldescobrir umtraçocomumatodas.Eencontramosassimoespaçodascoisassagradase.emviasdedesaparecimento.3Quesãoasreligi ões?Ãprimeiravistanosespantamoscoma imensavariedadederitosemitosquenelasencontramos. estabelecemumadivisãobipartidadouniversointeiro.queserach aemduasclassesnasquaisestácontidotudooque existe.eosanti gosforamaposentadoscomoinúteis.determ inadoângulo.estaéumaáreaemqueosindivíduosp ermanecemdonosdosseusnarizestodoo tempo.sobum.ascoisas secularesouprofanas.Mascomoé oindivíduoquejulgadautilidadeou nãodeumadeterminadacoisa. Omundoprofanoéocírculodasatitudesutilitárias. espaços.muitoemborasejamdiferentes.quadriculadoedivididoemespaçosbrancosepret os.Queéumaatitu deutilitária?Quandominha esferográficaBicficavelha." 59 Todosconcordariamemqueseriaacientíficodenunciaraleidagra vidadesobaalegaçãodequemuitaspessoas têmmorridoemdecorrênciadequedas.mais"práticos".Éassimquefuncionaaeconomia.Ocritériodautilidade retiradascoisasedaspessoastodovalorqueelaspossamter.Ninguémtemnadaavercomassuasações.Tudosetorn adescartável.experiênciaespecíficacujovalordemonstrativoé. Sagradoeprofanonãosãopropriedadesdascoisas.asuauniversalidadeeper sistêncianossugeremqueelanosrevela"um aspectoessencialepermanentedahumanidade".asreligiões.Defato.Elesseestabele cempelasatitudesdoshomensperantescoisas.Antigamenteseus avaocoadordepanoparafazerocafé.Namedidaemquea vançaomundoprofanoesecular.Seassimprocedemosemrel açãoaosfatosdouniversofísico.pessoas.Façoomesmocomprego senferrujados.Num mundoutilitárionãoexistecoisaalgumapermanente.delasse paradasporumasériedeproibições. Depoisainflaçãofezcomqueovelhocoadordepanoficassemaisúti lqueodepapel.esólevaemconsideraçãoseelas podemserusadasounão.semexceçãoalguma.emsim esmas.euajogofora.Ummedicamento cujoprazodevalidezfoiesgotadovaiparaolixo.Émaiseconómico.assim avançatambémoindividualismoeoutilitarismo.Ejádispomosdeumasuspeita:aocontráriodaquelesque imaginavamqueareligiãoeraumfenómeno passageiro. 60 ações.assimcomonojogodexadrezav ariedadedoslancessedásempreemcima deumtabuleiro.o círculodoprofanoeocírculodo económicosesuperpõem.porquenos comportamosdeformadiferenteemrelaçãoaosfatosdouniversoh umano?Antesdemaisnadaénecessário entender. .Noentanto.Oquenãoéútiléabandonado. Depoisapareceramoscoadoresdepapel.

O indiv€duo toma a decis. As coisas mais s•rias que fazemos nada t.rio .Noâmbitosecularoindivíd uoeradonodascoisas.o dizia que os indiv€duos.aocontrário. pragm. tal como a conhecemos..aorigemdavida. em que a vida social.m a ver com a utilidade.Eéistoqueastornaobrigatórias . n. Tudo isto se encaixa muito bem naquele esquema utilit.Elevivianummundoque apresentavasinaisdedesintegraçãoequeestavarachadoportodos osproblemasadvindosdaexpansãodo capitalismo — proble 62 mas semelhantes aos nossos.nemaorigemdas decisões. Elenãoéocentrodecoisaalgumaese descobretotalmentedependentedealgoquelheésuperior(Schlei ermacher). ainda mais.Agora.O homeméacriatura.Sente-seligadoàscoisas sagradasporlaçosdeprofundareverênciaerespeito.nemdonodoseunariz.massimplesmentepeladensidade sagradaqueareligiãolhesatribui.em de joelhos. que indicamos. se a sociedade • um meio.o. Do ponto de vista estritamente utilit. Resultam de nossa rever. cada um deles correndo atr.oautosacrifício:todasestassãopráticasquenãosedefinemporsuautili dade.objetode adoração. a sociedade vem depois.o perdão.atransgressãodocritériodeutilidadeéumadasma rcasdocírculodosagrado.noseupontoextremo.eleéinferior .Nocírculosagradotudosetransforma.o se devoram? Qual a origem da razo. que nos coagem. .Sente-sedominadoeenvolvidopo ralgoquedeledispõeesobreeleimpõe normasdecomportamentoquenãopodemsertransgredidas.o se enquadra neste jogo secular e utilit.sãoascoisasqueopossuem.tico. do mundo secular.vel a sociedade? Que for.. que nos p.a misteriosa • esta que faz com que indiv€duos isolados.vel harmonia da vida social? A resposta que havia sido anteriormente propos ta para esta quest. n.Ohomemnãomais éocentrodomundo. Durkheimnãoinvestigavaareligiãogratuitamente. a sociedade como sistema que gira ao seu redor.embuscadevida.Osagradoéocriador.osagradolheésuperior.rio. O indiv€duo no centro.o. 61 ocentrodomundo.s dos seus interesses. haviam criado a sociedade como um meio para a sua satisfa.aautofla gelaçãoe.porsimplescu riosidade.afontedaforça. E era isto que o levava a perguntar: como • poss.o se destruam uns aos outros? Por que n.Ojejum. impulsionados por seus interesses.o criamos.mesm oquenãoapresentemutilidade alguma. O problema est. E.Vão-seoscritériosutilitários.rio. carentedeforça.Defato.ncia e respeito por normas que n. em conflitos uns com os outros.arecusaemmatarosanimaissagradosparacomer. ela praticamente tem o estatuto daqueles objetos que podem ser descar tados quando perdem a sua utilidade.

"OfielqueentrouemcomunhãocomoseuDeusnãoémeramenteumh omemquevênovasverdadesqueodescrente ignora. Durkheimpercebequeaconsciênciadosagradosóapareceemvirtu dedacapacidadehumana .fomosporelaacolhidos. Por raz.finalmente.ncia dos indiv€duos para com as normas da vida social.Eéistooqueafirmaasuamaisrevolucionáriaconclusãoace rcadaessênciadareligião. a garantia da harmonia.escondidaaos olhosdosfiéis.alimentados. Sobrev..as centr€fugas do individualismo.Elesetornoumaisforte.Aess ênciadareligiãonãoéaideia.m a anomia. h.equeéa causaobje-tiva. sem justificativas utilit. matar as crian. Assim. fazer desaparecer os adver s. as pessoas perdem os seus pontos de orienta.recebemosdasociedadeum nomeeumaidentidade. representadapelasmitologiasdetantasformasdiferentes. a fonte das normas.o devem ser feitas. a origem da ordem. sejaparasuportarossofrimentosdaexistência.ÉcompreensívelqueelasejaoDeusque todasasreligiõesadoram.es morais. castrar os portadores de defeitos gen•ticos.masaforça.ticos.Elesente.rio pode ser invocado para evitar o crime? O sagrado • o centro do mundo.masumcír culodepoder.aindaquedeformaoculta. sem sermos apanhados.. que argumento utilit. Por qu. E a sociedade se estilha. o utilitarismo se imp.o avan."estarealidade.seria mais econ.a sob a crescente press.rios pol.? Porque n.vel quebrar as normas. sejaparavencê-los.o das for. Que ocorre quando a seculariza. Qualéestacoisamisteriosamentepresentenocentrodocírculosag rado?Dondesurgemasexperiênciasreligiosas queoshomensexpli64 caramedescreveramcomosnomesmaisvariadoseosmitosmaisdis tintos?Queencontramosnocentrodas representaçõesreligiosas?Arespostanãoédifícil.comelaaprendemosapensarenostornamos racionais.éelaquechoraráanossam orte.o. Se • poss. uma voz.a. protegidos.incapazesdesobrevivercomoindiví duosisolados. Nascemosfracoseindefesos. um sentimento de culpa.ncia. Mas alguma coisa nos diz que tais coisas n.universaleeternadassensações suigeneriscomasquaisaexperiênciareligiosaéfeita. abortar as gravidezes aci63 dentais e indesejadas.as defeituosas. a consci. Aosfiéispoucoimportaquesuasideiassejamcorreiasounão. fuzilar os criminosos e poss€veis criminosos.e.e e o sagrado se dissolve? Roubadas daquele centro sagra do que exigia a rever.mico matar os velhos. .dentrodesi. E mesmo quando as fazemos. que nos diz que algo sagrado foi violentado.maisforça."Osagradonãoéumcírculodesaber. quandoDurkheimexploravaareligiãoeleestavainvestigandoasp rópriascondiçõesparaasobrevivênciadavida social.Assim. tirar proveito e escapar ileso. .o.rias.éasociedad e".

do tempo perdido.ainter valos.o dos abor€genes australianos nos oferecesse vis. Penetra no passado a fim de compreender o presente.aocontrário.(..o mais simples e primitiva que se conhecia. Fascinado.o de um sofrimento real e protesto contra um sofrimento real. .65 Nascemosfracoseindefesos.sculo que passam de rosa ao negro. 66 paraimaginar. Durkheim contemplou as t•nues cores do mundo sacral que desapa recia.Coisaquenãovemosno sanimais.contemplamosfa toseosrevestemcomumaaurasagradaque emnenhumlugarseapresentacomodadobruto.Are ligiãopodesetransformar. empreendeu a busca das origens.oidealeosagradosãoamesma coisa.m i. 67 "Umdiaviráquandonossassociedadesconhecerãodenovoaquelas horasdeefervescênciacriativa.o de um mundo sem cora.incapazesdesobrevivercomo indivíduosisolados.Eeleconcluireconhecendoumvazioeanunciandou maesperança: "Osvelhosdeusesjáestãoavançadosemanosoujámorreram.)ÉcompreensívelqueelasejaoDeus quetodasasreligiõesadoram. se foi atr.porumpouco.nasquais ideiasnovasaparecemenovasfórmulassãoencontradasqueservir ão.comoumguiaparaa humanidade..E chegoumesmoaafirmarque"existealgodeeternonareligiãoquees tádestinadoasobreviveratodosossímbolos particularesnosquaisopensamentoreligiososucessivamentesee nvolveu.surgindoapenasde suacapacidadeparaconceberoidealede acrescentaralgoaoreal...s da religi.recebemosdasociedadeumnomee umaidentidade.Ondeestiverasociedadealies tarãoosdeuseseasexperiênciassagradas.pidas da luz que mergulha.Naverdade.. E l.o • o .parapensarummundoideal. sob as mudan. Marx) Entramos num outro mundo.pio do povo. express.." (K.Nãopodeexistiruma sociedadequenãosintaanecessidadedemanterereafirmar.. sob a esperan. como nuvens de crep.as r.Masnunca desaparecerá. Suacertezadequeareligiãoeraocentrodasociedadeeratãogrande queelenãopodiaimaginarumasociedade totalmenteprofanaesecula-rizada..ossentimentoscoletivose ideiascoletivasqueconstituemsuaunidadeepersonalidade". esp€rito de uma situa.o sem esp€rito: a religi...o.quepermanecemsempre mergulhadosnosfatos.es de um para€so — uma ordem 69 social constru€da em torno de valores espirituais e morais. .eoutr osaindanãonasceram".a de que o mundo sacra l-to t. Suspiro da criatura oprimida. Entretanto." 68 AS FLORES SOBRE AS CORRENTES "O sofrimento religioso •. ao mesmo tempo.Oshomens. cora.

de normas morais e valores espirituais. Elabora a ci.. a l.o n.bricas e celebra. N. incenso.o foi nem com cl•rigos e nem com te. ainda que falsas. de liberdade. Marx estava convencido de que a religi. nem que construam cidades sagradas ou sustentem movi mentos mission.prio sistema que s.es de a..o de suas almas. das cabe.o esfregar as m.Compreender com esperan.tica do corpo. . aqueles que 70 t. .gica do lucro. Marx n. que n.gica duramente material: a l.stico do seu fim..o das f.o t. . e desejava estabelecer um programa educativo com o obje -tivo de fazer com que as pessoas abandonassem as ilus.ncia do pr.o se pode negar que os gestos e as falas ainda se referem aos deuses e aos valores morais: maquilagem.o er.o.o existia nada mais imposs €vel que a elimi na... materialismo que • uma exig. de transfigu ra. .am ora.. . Poucas pessoas sabem que o pensamento de Marx sobre a religi.o era a grande culpada de todas as desgra. Este mundo ignora os elementos espirituais. Porque as pessoas n. e muito menos que missas sejam rezadas pela eterna salva. A riqueza se constr.o estabelecidos nem pela religi. nem ainda que haja .o de que ela n..sofos que entendia que a religi. . N.m certas ideias porque querem. E Marx tem de insistir num procedimento rigorosamente materialista de an. Anda em meio aos escombros.as sociais de ent.i por meio de uma l.o procura para€sos perdidos porque n.o importa que os capitalistas frequentem templos e fa.es de gra. E a luta n. A religi.o.o tomou forma e se desen volveu em meio a uma luta pol€tica que travou.o n. E que n. De fato.as pela prosperidade. Vive j.o era culpada pela simples raz. Sal.o fazia diferen.m compaix. Mas o solo em que pisa desconhece o mundo sacral.es pessoais daquele que a analisava.lise.o tinha culpa alguma. Mas dirige o seu olhar para os horizontes futuros e espera a vinda de uma cidade santa.os n. mas com um grupo de fil.os com prazer: "Finalmente descobrimos um Marx do nosso 71 lado". . N. perfumaria.. desodorante.. Ele • seculariz ado do princ€pio ao fim e somente conhece a •tica do lucro e o entusiasmo do capital e da posse.rios e pre.o de ideias.a.o as inclina.es. em plena noite.ncia do capital e faz o diagn.o..a .logos. E imagino que cl•rigos e religiosos poder.rios. sem que nada se altere..gua benta na inaugura. Na verdade.gica do lucro e da riqueza que assim estabelece — e n. conhece o poder dos fatores materiais. uma aura sagrada que tudo envolve no seu perfume.o acredita neles.as dos homens.o se condenam a si mesmos • destrui. sociedade sem oprimidos e opressores. . Nada tem a pregar e nem oferece conselhos..o s.es religiosas.sculo.o conhece a compaix. .o habita o crep. Nada mais distante da verdade.o. Analisa a dissolu.o e nem pela •tica.

o faz o homem.Eelesentendiamqueaordemsociale raconstruídacomumaargamassaemqueascoisas materiaiseramcimentadasumasnasoutraspormeiodeideiasefor masdepensar.Hoje.sofos que se apresentavam como perigosos revo lucion.máquinas.armas.a.éavidaquedeterminaaconsciência."Eeleafi rmava: "Atémesmoasconcepçõesnebulosasqueexistemnoscérebrosdos homenssãonecessariamentesublimadasdoseu processodevida.es de papel.Pensamqueasideiassãoascausasdavida social.bancos. Quixote.Einvestiram contraareligião. se ela n.o n.a n.queaparecemdepois queascoisasaconteceram.queasbatalhasdeveriamser travadas. o homem que faz a religi.Oshomenssãoosprodutores desuasconcepções. elesfalariamdeconscientização. fábricas..quesãoalinguagemda vidareal.Assim. Um sintoma apenas. de um eco. os fil. 73 dametafísica." . o fogo que faz 5 tuma.possivelmente. de uma imagem invertida.Amesmacojsasepodedizerdaproduçãoespiritualdeum povo.o desejava gastar energias com drag..Oshegelianosvêemascoisasdecabeçaparabaixo .o faz .daconsciência. projetada sobre a parede? Ela n..Porqueeraaí.oedifíciosocialinteirocomeçaráatremer.Aproduçãodasideiasdoshomens. Marx n.usandocomoarmaalguma coisaquenaqueletemposechamavacrítica.as que realmente movem a sociedade. a fuma.esomenteaí. E.representadapelalinguagemda política. opensamento.Efoi 72 assimqueelessedecidiramatravarasbatalhasrevolucionáriasno campodasideias."Nãoéaconsciência quedeterminaavida.dodireito.o passavam de r•plicas de D.o passava de uma sombra.comoumaemanaçãodesuacondição material.dafi losofia.assuasrelaçõesespirituaisaparecem.alguma.hegelianosdees querda.quandoelasnadamaissãoqueefeitos.dareligião. por isto mesmo..rios n. investindo contra moinhos de vento. Queforçaseramestas? Osfilósofosrevolucionáriosaquenosreferimos.desejavamqueasociedadepassasse portransformaçõesradicais.dasleis. Como poderia um eunuco ser acusado de deflorar uma donzela? Como poderia a religi.Aprodução deideias.damoral." ".sobesteângu lo.o era causa de coisa alguma.deconceitos. a religi. Marxseriudisto.estádesdeassuasorigensd iretamenteentrelaçadacomaatividade materialeasrelaçõesmateriaisdoshomens.dateologia. Estava em busca das for.empiricamenteobserváveledeter minadoporpremissasmateriais.Aconclusãopolíticotáticaseseguenecessariamente:sehouverumaatividadecapazde dissolverideiasemodificarformasantigasde pensar.terrasseintegravampormeiodareligião.o.o ser acusada de responsa bilidade.queématerial.

o da liberdade. corpo que tem de transformar a natureza. E.picos que agu. N. E. E muito embora haja alguns que o considerem importante em virtude da ci.nãoéalgoque .. Mas o corpo n.es materiais que a produzem. ao contemplar o trabalho.o fogo. trabalhar.mica que estabeleceu. .a. os que trabalham nas forjas e prensas.o. E Marx se perguntava sobre um outro tipo de trabalho que daria prazer e felicidade aos homens.assim...ncia da religi. de maneira espec€fica.as.ncia.o. Trabalho express.nt ica. 75 Oqueéalienação? Alienarumbem:transferirparaumaoutrapessoaapossedealguma coisaquemepertence.Poresteprocessoelaéalienad a.o doprincípioaofim. claro que Marx nunca viu este sonho ut. corpo que se reproduz.nibus.es a que podem se dar. Marx tamb•m sonhava e imaginava. atividade espiritual criadora.ncia. nos anos que podem viver.ias -frias. A consci. Foi ele que o construiu a partir de pequenos fragmentos de experi. da mesma forma como • in. tamb•m • in.es de vida pela cr€tica da religi. Vemos homens indissoluvelmente amarrados aos mundos onde se d. corpo que tem de comer. .a a encarar as condi. e nos pensamentos com que podem sonhar — suas religi.es e espe ran.Tenhoumacasa: possodoá-laouvendê-laaumoutro.ncia da fuma. os pescadores.. nas divers.a. Os b. Quem • esse homem que produz a religi..m especialmente nas fronteiras em que o seu pensamento invade os horizontes das utopias. os que lutam no campo. trabalhados pela mem. Mas s.ncia econ. construtor de um mundo em harmonia com a inten.o o encon tramos de forma abstraia e universal.am os olhos para que eles percebam os absurdos do "topos". os que trabalham nas constru.o estes hori zontes ut.o existe no ar.til tentar apagar o fogo assoprando a fuma.a nos remete ao inc. o lugar que habitamos. . os que ensinam crian. . De forma id. Marcas que se traduzem na comida que podem comer. e exibindo em seus corpos as marc as da natureza e as marcas das ferramentas.pico realizado em sociedade alguma. os motoristas de . desprezando como arroubos juvenis os voos de sua fantasia. a consci..es dos artistas e do prazer n. . traz no seu corpo as marcas 74 do seu trabalho. corpo que necessita de roupa e habita.ria e pela esperan. nas enfermidades que podem sofrer.Aalienação. trabalho companheiro das cria.o.es. colocome entre aqueles outros que invertem as coisas e se det.o? Ele • um corpo.o nos for. o que ele descobriu foi aliena.o utilit.til tentar mudar as condi. . para sobreviver. sua luta pela sobreviv.as e adultos a ler — cada um deles..rio do brinquedo e do jogo.ndio de onde ela sai.

eletemdealienaroseudesejo.Naverdade. sabendo que o bom do capitalismo • ser capitalista.eleérebaixadodacondiçãode construtordecoisasàcondiçãodealguémquesimplesmenteaperta umparafuso. Em .ltimo lugar.Eépori stoqueelesesubmeteaotrabalhoeaopago dosalário. e capi talistas. externo.o podem fazer o que desejam. queMarximaginou.otrabalhonã oéatividadequedáprazer.oobjetoaserproduzidonãoéresultadodeumade cisãosua.es .o derrubando florestas e provocando devas ta. masquefunçãoespecializadaseuscorposfazem:"Soutorneiro. Porqueotrabalhoémarcadopelaalienação? Voltemosporuminstanteaotrabalhonãoalienado. Como • que voc.o alienados.apertaumbotão. Porque tamb•m os capitalistas est.vêqueémuitoboaedescansa.Seudesejopassa aserodesejodeoutro. Se as firmas em que voc. Emsegundolugar.livre.Oprazer. nada mais. o trabalho cria um mundo independente da vontade de oper..So uferramenteiro.elenãoestámetidonaproduçãodeobjetoalg umporque 76 comadivisãodaproduçãonumasériedeatosespecializadoseindep endentes.rio s.Ohomemtrabalhaporquenãotemoutrojeito.dealgoquepertenciaàprimeira. consultar tabelas que o informem dos melh ores investimentos.meros... .criador.eleiráencontrarforadotrabalho. Eles n.deumapessoaa outra.Tr abalhoforçado.Suamarca essencialestánisto:ohomemdesejaalgo.Soueletricista. ir. E que • que voc.meros indicam as possibilidades de lucro. N.Seudesejoprovocaaima ginaçãoquevisualizaaquiloqueédesejado.eemconsequênciadoquejáfoidito.Eletrabalhapara outro. resolva dar voos mais 77 altos e investir na bolsa de valores.dáuma martelada. Queacontececomaquelequetrabalhadentrodasatuaiscondições? Emprimeirolugar.umasinfoniaouumsimplesbrinquedo.quese põeinteiroatrabalhar.Equa ndootrabalhoterminaocriador contemplasuaobra.acontecenacabeçadaspessoas.Elenãoestágerandoum filhoseu. N. Todo o seu comportamento • rigorosamente determinado pela lei do lucro.masatividade quedásofrimento. Imaginemos que voc. proceder? Voc.poramoraoobjetoquedevesercriado.Elesnãodirãoqueobjetosproduzem. vai investir est. .a." Emterceirolugar.Aimaginaçã oeodesejoinformamocorpo.Trata-sedeumprocessoobjetivo..nenhumdelesdirá "eufaçoautomóveis. vai encontrar nelas? N.o • dif€cil compreender como isto acontece.Vocêjáviucomosãobonitososcarrosquefab rico?". sejaumjardim.Seseperguntaraumoperáriodeumafábricadeautomóv eis:"queéquevocêfaz?". dever.detransferência.ncia ajuntada na poupan. e dispondo de uma certa import.Seumaiorideal:a aposentadoria.

as .o-se transformando em desertos de cana.passandopêlosrestaurantesquefrequentam.gicas. E o que ocorre • que o mundo estabelecido pela l. Os corpos que habitam o mundo do lucro tamb•m t.Marxnuncapre goulutadeclasses.Achavatalsituação detestável.rio.o h. por isto. aos meios de produ..Apenascomoummédicoquefazumdiagnósticodeump acienteenfermo.iam.quinas. que horrorizava Durkheim. marcas nas m.ria.reas verdes s. inclusive o oper. todas as coisas — da talidomida ao napalm — se transfor mam em mercadorias.gica do lucro... E • assim que o pr.o seus.o s.. Duas maneiras totalmente diferentes de ser do corpo.quinas e.rio. os €ndios perdem suas terras porque gado • melhor para a economia que €ndio.o? Por que trabalham de forma alienada? Por que n. totalmente alienado. se elas prosperam pela produ.soboponto devistadeMarx. M.. Enãoénecessáriopensarmuitoparacompreenderqueosinteresses destasduasclassesnãosãoharmónicos.o imobili.eledizia:odesenlaceé inevitávelporqueosórgãosestãoemguerra.o injustas e cru•is com os seus empregados. especialmente os olhos.Nãoseresolvecomboavontade porpartedosoperáriosegenerosidadepor partedospatrões.Oproblemanãoéden atureza 79 moralnemdenaturezapsicológica. . as terras v. duas classes sociais. separado dos desejos das pessoas.Para Marxaquiseencontraacontradiçãomáximadocapitalismo:ocapit alismocrescegraçasaumacondiçãoquetorna oconflitoentretrabalhadoresepatrõesinevitável.gica do lucro.prio conceito de aliena.m suas marcas. que v. o mundo capitalista. . e s.. no rosto.o do colarinho branco(osamericanosfalammesmonostrabalhadoreswhitecolla r). -los •s m. Este • o mundo secular.pormaisaltoqueseja.. alternativas. na postura.os. .o.o n.o entregues • especula.o saem para outra? 78 Porque n. . asaventurasamorosasquetêm.o gover nados pela l.tãorigorosaquantoaleidaquímicaquediz:compr imindo-seovolumedeumgásapressão . mortos. se elas s.o de armas.Nenhumsalário. tudo isto • absolutamente irrele vante. Estabelecida a l. Mas que fatores levam os trabalhadores a aceitar tal situa. utilit.gica do dinheiro.quinas e meios de produ.eliminar áaalienação. e os peixes b..gica do lucro — que inclui de devasta.o acopl.easenfermidadescardiovasculare squeosafligem. t.Trata-sedeumalei. Os trabalhadores s. .. possuem os seus corpos.gicas at• a guerra — est. enquanto que rios e mares viram caldos venenosos.. nos olhos.ecol.m de seguir o seu ritmo e fazer o que elas exigem.. regido pela l..es ecol. Para produzir dever. que prefeririam talvez coisas mais simples.o nos revela uma sociedade partida entre dois grupos. Isto deixar.. Eles s.o acoplados •s m. Assim.

poemas..pobredela.láemO Capital.quesóveremoscomclareza quandofizermosascoisasdoprincípioaofim..nãosejaciência.fumaças.aumenta.cessamtodasasrazões. fazendocomseuscorposummundoquenãodesejam..Eoshabitantesoriginaisdestecontinente esuas civilizaçõesforammassacradosemnomedacruz. Sobreofogo.sonhos.sobcondiçõesqueelesnãoescolheram. sobreainfra-estruturaasuperestrutura. oseucompêndioenciclopédico.Eaquipoderíamo safirmar:"Salárioscomprimidosaoseu mínimoproduzemmilagreseconómicosexpandidosaoseumáximo ".Comopretend eiluminar?Ilumina comilusõesqueconsolamosfracoselegitimaçõesqueconsolidam osfortes. suajustificaçãomoral. suasolenecompletude.Eospoderososusamasmesmaspalavra s sagradaseinvocamospoderesdadivindadecomocúmpli81 cêsdaguerraedarapina.critériosestéticos.eaexpansãocolo nial .reflexosdeum mundoabsurdo..leis.religiões." Defato.umaprovaçãoasersuportadacompaciência.maspuraideologia.secr eções.constituiçõ es.todososar gumentos. asinjustiçassetransformamemmistériosdedesígniosinsondávei seasua própriamiséria. seufundamentouniversaldeconsoloelegitimação..filosofias.afumaça.dasprofundezasdoseusofrime nto.confuso.Eédistoques urgemecos.expandindo-seovolume.. sualógicaemformapopular. Eéaquiqueapareceareligião.DizMarx.emparteparailuminaroscantosescu rosdo conhecimento. sobrearealidadeasvozes.gritosegemidos.naes perada salvaçãoeternadesuaalma. Istoéarealidade:homenstrabalhando.quandoopobre/oprimido.apressãocai. sobreavidaaconsciência. balbucia:"ÉavontadedeDeus".deacordocomumpla nopreviamentetraçado.Masquemfazas coisasdoprincípioaofim?Quemcompreendeoplanoeral?Os 80 presidentes?Osplanejadores?Osministros?OFMI? Compreende-sequeoqueaspessoastêmnormalmenteemsuascabe çasnãoseja conhecimento. Sóquetudoaparecedecabeçaparabaixo.Mas.emrelaçõesunscomosoutr os.utopias.. "Areligiãoéateoriageraldestemundo..Elamesmanãovê.

para 82 queasilusõesdesapareçam.sintomas..destaforma.aspalavrasquebrotamdosofrimentose transformam.afimdefazê-lopensareagiremoldarasuarealidadecomo alguémque.numasociedadelivre.emqu enãohaja opressores.Eéporistoqueéópio.burocratasouque mquer queostentealgumsinaldesuperioridadehierárquica. "expressãodesofrimentoreal.massobretodasascoisasdoshomensseespalhaoperfumedo incenso. 83 .masparaqueele quebreacorrenteecolhaaflorviva.levouconsigoparaaÁfricaeaÁsiaoDeusdosbrancos. E..então...asfendascuradas.fumaça.Nadasealtera.nobálsamoprovisórioparaumador queeleéimpotenteparacurar.Areligiãoénadamaisqueosolilusóri o quegiraemtornodohomem.semilusões.éaexigênciadequeseabandoneumasituaçãoquenecessi ta deilusões.Areligiãoéfrutodaalienação.coraçãodeummundosemcoração...agoraelegiraemtornodesi mesmo.Ideias sãoecos.voltouàrazão.Seelastêmtaisideiaséporqueasua situaçãoasexige.protestocontraumsofrimentoreal . suspirodacriaturaoprimida.Énecessário." "Acríticaarrancouasfloresimagináriasdacorrentenãoparaqueo homemvivaacorrentadosemfantasiasouconsolo.nadas etransforma.elasmesmas."felicidade ilusóriadopovo"..namedidaemqueelenãogiraemtornod e simesmo.eumrepresentantedeDe usvai aoladodaquelequefoicondenadoamorrer.ópiodopovo"." Marxantevêofimdareligião.quedeveserabolidacomocondiçãode suaverdadeirafelicidade.NemnoParaísoenemnaCidadeSantasee/ni tem alvarásparaaconstruçãodetemplos.econstituiç ões seescreveminvocandoavontadedeDeus.Ecomistoosreligiososma isdevotos concordariamtambém.Masoabandonodasilusõesnãose conseguepormeiodeumaatividadeintelectual.Desaparecidaaalienação. Religião..desaparece rátambéma religião.Aspessoasnão podemserconvencidasaabandonarsuasideiasreligiosas.oseusolverdadeiro. "Aexigênciadequeseabandonemasilusõessobreumadeterminad a situação.es pírito deumasituaçãosemespírito.quesuasituaçãoseja mudada.Elasóexistenumasituaçãomarcadap ela alienação.Acríticadareligiãodesiludeo homem.nãoimportaquesejamcapitalistas.

como Camus observou.es para viver e morrer em suas esperan..o como se ela n.Parecequeacríticamarxistadareligiã onão terminacomela.Defato..nasquaisideiasnovasaparec erame novasfórmulasforamencontradas. umoutrocapítulodeveriaseracrescentadosobreareligiãocomo 84 armadosoprimidos.sendoqueomarxismo.àanálisequeomarxismofazdareligiãocomoópiod opovo.vel ignorar que as pessoas encont ram raz.". Mas. como o fizeram os empiricistas/positivistas.Po rque. .plantandojardinspelamanhã.Oequívocoépensarqueosagradoésomenteaquiloqueostentaosno mes religiosostradicionais..porumpouco.teriadeser incluídocomoumadelas. lan.ando -se em empresas grandiosas e atrevendo -se a gestos loucos.ncia deveria ser chamada de pol€ tica. construindocasasàtarde..o passasse de um discurso sem sentido.o • poss...” (L.".o • um sonho de mente humana.Ese istofor verdade.Maseumeperguntariasearazãoporqueomarxismofoicapazdep roduzir"horasdeefervescênciacriativa.discutindoarteànoite."Marxfoioúnicoque compreendeu que uma religi.dedireito.BemlembravaDurkheimqueasroupassim bólicas dareligiãosealteram. . 85 VOZ DO DESEJO “ A religi.aíestáodiscursododesejo..as religiosas..o invoca a transcend.o que n.. ..sim. .eumeperguntariasetudoistosedeveuaor igorde suaciênciaouàpaixãodesuavisão.co moguias paraahumanidade".massimplesmenteinauguraumoutrocapítulo.es.Ondequerqueimaginemosvaloreseosacres centemos aoreal.Feuerbach) De fato. comoAlbertCamuscorretamenteobserva.aomesmotempoqueaspes soas brincameriemenquantotrabalham.foramseos símbolossagrados. • poss€vel encarar a religi.justamenteolugarondenascem os deuses.enqu anto oEstadomurchadevelhiceeinutilidade.enotr iunfo daliberdadeenodesaparecimentodeopressoreseoprimidos. compondo poemas e can..então. enavisãotransparenteeconhecimentocristalinodascoisas.justamenteaqueles"jáavançadosemanosoujá mortos.sesedeveuaosdetalhesdesuae xplicação ouàspromessaseesperançasqueelefoicapazdefazernascer.queserviram.EMarxfalasobreumasociedadesemclassesqueninguémn uncaviu. n.

estapessoaeseus sentimentosreligiososseencontramnumaesferadeexperiência indiferenteàanálisesociológica. defrontamo-nos..umavezmais.demaneiracuriosa. • poss€vel analisar a religi.ospassosatéajanela.Quaissãoasrazões quefazemcomqueoshomensconstruamosmundosimaginários dareligião?Porquenãosemantêmelesdentrodoestóicoe .Sei que a compara. Seeumencionoosuicídioépara estabelecerumaanalogiacoma religião.gico.nasolidão.asmãoscrispadas.. ser exorcizado pela cr€tica epstemologica.Estedrama/poesiaqueocorrenasolidãodaalmaquepreparas eu últimogestoescapapermanentementedaanálisesociológica.chorando.solteirosmaisqueoscasados. Por outro lado. se necess. e dificilmente poder.quandonosdispomosaentrarnestesantuáriodesubjetividade.comoenigma.pormaisrigoro sos quesejamosresultadosdetalanálise.Defato. Não.ousecurvaperanteas exigênciasmoraisdesuafé.rtires.o oferecer raz.Mas..ou dobraosjoelhos.o • injusta.homen smais quemulheres.resta-nosumadúvida:seráq uea explicaçãoqueenunciaosquadrossociológicosdosuicídionosdi zalgo acercadosuicida?Aquelaúltimanoite.emambososcasos..sim.rio.es para viver 86 e morrer.ce rtos sulcossociais:protestantessesuicidammaisquecatólicos.. entregando -se mesmo ao mart€rio..E.marcando o lugar onde os mortos amados foram enterrados e.habit antes dascidadesmaisquecamponeses. Mas o seu prop.ngulo sociol.quemsabeasprecesea scartas esboçadas.sito • simplesmente mostrar que o discurso religioso cont•m algo mais que a pura ausencia de sentido .aanálisecientíficamostraquea frequênciaeincidênciadosuicídioseguem.existe ncial. Masseráqueistoatornamenosreal? E.Seéverdadequeareligiãoéumfato social.apessoaquefazpromessasaoseuDeusparaqueseufilhoviv a.velhosmaisqueosmoços. por outro lado. parece que estes mesmos que propuseram a liquida. O mesmo procedimento pode ser aplicadoaosuicídio.osolhostristesparaocéutranqui lo. Enquanto.confessandopecadosqueninguém conheciaepedindoperdãoaoinimigo.quandoadecisãoestavase ndo tomada:ospensamentos.ouexperimentaapaz indizíveldecomunhãocomosagrado. por isso mesmo..porseríntima.. n.fazumsilênciototalsobreoque ocorrenasprofundezasdaalma.subjetiva.o do discurso religioso ainda n.o podendo.Porqueanálise 87 sociológica.o de um . como o fizeram Marx e Durkheim.p araser totalmentehonesto:taldramalheéabsolutamenteindiferente.o produziram os seus m.

.queaceitamavidacomoelaé. Assim ele deixa passar.digo quando h.emqueascoisassãoenãosão.eseelesforemexpressõesdaalmahumana.emquefazemoscoisasq uenunca faríamosseestivéssemosacordados. que.revelaçõesdasnossasprofundezas?Apropostap oderiaser aceitaanãoserpelofatodequenemnósmesmosenten89 demos o que os sonhos significam.es n.es do nosso interior.. como inocente.nãofa zem canções. o enigma? Mensagens s.o enviadas em c.o revela.sintomasdealgoqu eocorre emnossoíntimo... por que • que tais revela.o.Delesseriapossíveldizeromesmoquesedissedodi scurso religioso:destituídosdesentido.escapamà maldiçãodaneuroseedaangústia? Efoiemmeioapensamentossemelhantesaestequeumreligiosodo séculopassadoteveestelampejodeumavisãoquecolocavaareligi ãosob umaluzatotalmentediferente. nos sonhos.o feitas em linguagem clara e direta? Por que a obscuridade.o s.-lo.Felizmenteesquecemostudo.. Ser. Masquemdizapenassonhoéporquenãoentendeu.comisto.ossonho snão correspondemaosfatosdavidaaquidefora.digo • uma forma de engan. Ninguémdiscorda:ossímbolosoníricosnãosignificamomundoex terior. a mensa gem que pode significar sua pr.. falamos conosco mesmos numa l€ngua que nos • estranha? Se os sonhos s.Mundofantasmagóricodeconto rnos indefinidos. O inimigo: o c.Nãosãoreportagensso breos eventosdodia. ..Etantoistoéverdadeque frequentementenãotemoscoragemparacontaroquefizemosemno ssosono. provavelmenteenfurecidas.nemrevoluções.quasesempre.Ousadiademaisdi zerque religiãoéapenassonho. Porquenãotentavaentenderareligiãodamesmaformacomo entendemosossonhos?Sonhos 88 sãoasreligiõesdosquedormem.Religiõessãoossonhosdosqueest ão acordados.Efoiassimquepens aram tambémoscontemporâneosdeLudwigFeuërbach. Mas.o deve compreend.Quesãoossonhos?Conglomeradosd eabsurdosa queninguémdeveprestaratenção. E • isto que parece acontecer no sonho: somos aquele que envia a ..nãosignificamcoisaalguma.. algu•m que n.. Ébempossívelqueaspessoasreligiosassesintamdesapontadas.Defato..pria destrui.modestorealismodosanimais.nemreligiõese.queocondenara mao ostracismointelectualparaorestodeseusdias. -las..

mensagem e, ao mesmo tempo, o inimigo que n.o deve entend. -la.. . . exatamente isto que diz a psican.lise. Somos seres rachados, atormentados por uma guerra interna sem fim, chamada neurose, na qual somos nossos pr.prios advers.rios. Um dos lados de n.s mesmos habita a luz diurna, representa a legalidade, e veste as m.scaras de uma enorme companhia teatral, desempenhando pap•is por todos reconhecidos e respeitados — marido fiel, esposa dedicada, profissional competente, pai compreensivo, velho s.bio e paciente — e pela representa..o convincente recebendo recompensas de status, respeito, poder e dinheiro. E todos sabem que a transgress.o das leis que regem este mundo provoca puni..es e deixa estigmas dolo rosos. . . Por detr.s da m.scara, entretanto, est. um outro ser, amorda.ado, em ferros, reprimido. 90 recalcado, proibido de fazer ou dizer o que deseja, sem permiss.o para ver a luz do sol, condenado a viver nas sombras.. . . o desejo, roubado dos seus direitos, e dominado, pela for.a, por um poder estranho e mais forte: a sociedade. . desejo grita: "Eu quero!" A sociedade responde: "N.o podes", "Tu deves". O desejo procura o prazer. A sociedade proclama a ordem. E assim se configura o conflito. Se a sociedade estabelece proibi..es • porque ali o desejo procura se infiltrar. IM.o • necess.rio proibir que as pessoas comam pedras, porque ningu• m o deseja. S. se pro€be o desejado. Assim, pode haver leis proibindo o incesto, o furto, a exibi..o da nudez, os atos sexuais em p.blico, a crueldade para com crian.as e animais, o assas sinato, o homossexualismo e lesbianismo, a ofensa a poderes constitu€dos. . que tais desejos s.o muito fortes. O aparato de repress.o e censura ser. tanto mais forte quanto mais intensa for a tenta..o de transgredir a ordem estabelecida pela sociedade. Tudo seria mais simples se a repress.o estivesse localizada fora de n.s e o desejo alojado dentro de n.s. Pelo menos, desta forma, os inimigos estariam claramente identificados e separados. Entretanto a psican.lise afirma que, se • verdade que a ess.ncia da sociedade • a repress.o do indiv€duo, a ess.ncia do indiv€duo • a repress.o de si mesmo. Somos os dois lados do combate. 91 Perseguidor e perseguido, torturador e torturado. N.o • exatamente isto que experimentamos no sentimento de culpa? Somos nossos pr.prios acusadores. E, no seu ponto extremo, a culpa desemboca no suic€dio: o suicida •, ao mesmo tempo, carrasco e v€tima. Vivemos em guerra permanente conosco mesmos. Somos incapazes de ser felizes. N.o somos os que desejamos ser. O que desejamos ser jaz reprimido.. . E • justamente a., diria Feuerbach, que se encontra a ess.ncia do que somos. Somos o nosso desejo, desejo que n.o pode florescer. Mas, o pior de tudo, como Freud observa, • que nem sequer temos 'consci.ncia do que desejamos. N.o sabemos o que queremos ser. N.o sabemos o que desejamos porque o desejo, reprimido, foi for.ado a habitar as regi.es do esquecimento. Tornou-se inconsciente. Acontece que o desejo • indestrut.vel. E l., do esquecimento em que se encontra, ele n.o cessa de enviar mensagens cifradas — para que os seus captores n.o as entendam. E elas aparecem como sintomas neur.ticos, como lapsos e equ€ vocos, como sonhos. . . Os sonhos s.o a voz do desejo. E • aqui que nasce a religi.o, como mensa gem do desejo, express.o de nostalgia, esperan.a de prazer. .. Mas o acordo entre Freud e Feuerbach termina aqui. Daqui para a

frente caminhar.o em direc.es opostas. 92 Freudestavaconvencidodequeosnossosdesejos,pormais fortesquefossem,estavamcondenadosaofracasso.Eistoporquea realidadenãofoifeitaparaatenderaosdesejosdocoração.Ainten ção dequefôssemosfelizesnãoseachainscritanoplanodaCriação.A realidadesegueseucursoférreo,emmeioàsnossaslágrimasesurd aaelas. Envelhecemos,adoecemos,sentimosdores,nossoscorpossetorn am flácidos,abelezasevai,osórgãossexuaisnãomaisrespondemaos estímulosdoodor,davista,dotato,eamorteseaproximainexoráve l. Nãohádesejoquepossaalterarocaminhardo"princípioda realidade". Emmeioaestasituaçãosemsaídaaimaginaçãocriamecanismosde consoloefuga,pormeiodosquaisohomempretendeencontrar,na fantasia,oprazerquearealidadelhenega.Evidentemente,nadama is queilusõesenarcóticos,destinadosatornarnossodia-a-diameno s miserável. Areligiãoéumdestesmecanismos.Religiõessãoilusões,realizaç õesdos maisvelhos,maisfortesemaisurgentesdesejosdahumanidade.Se elassão forteséporqueosdesejosqueelasrepresentamosão.Equedesejos sãoestes? Desejosquenascemdanecessidadequetêmoshomensdesedefende rdaforca esmagadoramentesuperiordanatureza.Eelesperceberamque,sef ossem capazesdevisualizar,emmeioaestarealidade 93 Freudestavaconvencidodequeosnossosdesejos,pormaisfortesq ue fossem,estavamcondenadosaofracasso. 94 friaesinistraqueosenchiadeansiedade,umcoraçãoquesentiaepu lsavacomo odeles,oproblemaestariaresolvido.Deuséestecoraçãofictícioq ueodesejo inventou,paratornarouniversohumanoeamigo.Eentãoaprópria morte perdeuoseucaráterameaçador.Asreligiõessão,assim,ilusõesqu etornama vidamaissuave.Narcóticos.ComodiriaMarx:oópiodopovo. Maselasestãocondenadasadesaparecer. Eistoporqueahumanidadesegueumprocessodedesenvolvimento muito semelhanteàqueleporquepassacadaumdenós.Nascemoscrianças etemosa maiorexperiênciapossíveldoprazer:auniãoperfeitacomoseiom aterno.

Paracrescer,entretanto,temosdeperderoparaíso,cujamemórian ãonos abandonanunca.Perdemososeioecriamosconsolossubstitutivos :odedo,a chupeta.Mastambémodedoeachupetanossãoproibidos.Etratam osde reencontrararealizaçãodoprazernosbrinquedos,nosquaisodese joreina supremo.Mascadaavançoemmaturidadesignificaumaperdadear tifícios substitutivosdoprazer.Vamossendoeducadosparaarealidade. Abandonamosasilusões.Deixamososprazeresdafantasia.Ajusta mo-nosao mundo,talcomoeleé.Tornamo-nosadultos.Deformaanálogaoiní cioda históriadahumanidadeémarcadopelacompulsãodoprazer.Eosho mens inventaramrituaismágicosesistemasreligiosos .95 comoexpressõesdaonipotênciadodesejo,emoposiçãoàrealidade .Aos poucos,entretanto,comoumalagartaquesaidocasulo,ahumanida de abandonouasilusõesinventadaspeloprincípiodoprazerecristali zadasna religião,paraingressarnomundoadultocontroladopeloprincípi oda realidadeeexplicadopelaciência.Edamesmaformacomoo desenvolvimentodainfânciaatéaidadeadultaéinevitável,també mé inevitávelodesaparecimentodareligião,resquíciodeummoment oinfantil denossahistória,easuasubstituiçãodefinitivapelosabercientíf ico. NãoécuriosoqueFreudnãotenhatidoparacomareligiãoamesmasi mpatia quetinhaparacomossonhos?Emrelaçãoaossonhoselemanifestau menorme cuidadoparacomosdetalhes,tratandodeinterpretaraspistasmai sinsignificantes,poisatravésdelasoanalistapoderiateracessoaossegred osdo inconsciente.Masemrelaçãoàreligiãooseujuízoéglobaledestit uídode nuanças.Elaécondenadacomoumailusãoquedeveacabar.Aconte ceque Freudestavaconvencidodequeosdesejosestãocondenadosaofra casso,faceao poderinalteráveldanaturezaedacivilização.Daíainutilidadede sonhar... Ossonhosnosconduzemaopassado,paraísoemquehaviaauniãope rfeitae divinacomoseiomaterno.Masopassadoacabou.Eofuturonãoofer ece possibilidadesdesatisfação

E • justamente sobre tais desejos que fala a religi.ncia daquilo que o seu cora.o p.éporqueosespaçoseostemposclarosediurnosdavidapúbl icae políticasãooopostododesejo. com o desejo — e os homens ent. meditar.o.doso noeda inação.umadenúncia..o ser. E ele continua: .Eestaéarazãoporqueoshomensrealmentesábios.Osdesejosdevemserreprimidos.Cadasonhoé um protesto." Aqui • necess.esquecemossonhos. Freud se concentra na inutilidade dos sonhos..aocontrário.ticos.o • o solene desvelar dos tesouros ocultos do homem.es de projetos ocultos e subversivos. a confiss.Feuerbach. Confessou que os seus desejos estavam muito distantes e eram muito diferentes.contemplaneleslampejosd ofuturo.liqui dama religião.Damesmafor macomoo prisioneirogrita:"Asgradesnãopodemsereternas!". Sonhou em voz alta. foi confinado • pris. Mas.ncios.Aconteceque. E. Porquerazãotalessênciaaparecerepresentadanalinguagemenig máticados sonhos? Porqueascondiçõesreaisdenossavidaimpedemeproíbemasua realização.P ortantoa realidadedeveserabolida.rio parar um pouco para ler.daschaves. EmFreudossonhossãomemóriasinúteisdeumpassadoquenãopod eser recuperado. usufruir a densidade po•tica das palavras. de utopias em que a realidade se harmonizar.o incons cientes!). . 7554.96 dodesejo.. an. ainda que enigm.Arealidadeéanegaçãododesejo. Feuerbach percebe que eles s. N.afimde 97 ser transformada.o.averdadedocoraçãohu mano.semcessar:"Oqueé.chegamosàconclusãodequeocoraçãohuman o proclama.o confiss.o felizes. sem que ele sequer tivesse consci. .Seosnossosdesejosdeamors ópodemser ditosnascâmarasescurasenoturnasdosquartos.o • de causar espanto que.o por haver sonhado. Não.os sonhoscontêmamaiordetodasasverdades. um homem tenha sido condenado • pris.o dos seus pensa mentos mais €ntimos.paraFeuerbac h.sejavoluntariamente. a revela.blica dos seus segredos de amor.umarecusa. sejapela força. E • assim que Feuerbach afirma: "A religi. voluntariamenteabandonamosdesejos. no livro de Orwell.oscie ntistas. reler..o queria (os desejos s.a verdadedaessênciadoshomens.nãopodeserverdade".seistoéumfato.nãoqueremosdizerqueossonhossejamdotadosdepoderespr oféticos paraanunciaroqueaindanãoocorreu.

enemnos céus.comopensavaoempiricismo.aoinvésdasimplesl uz diurnadarealidadeedanecessidade". .E Feuerbachseria. exatamente isto e n. Este • o mist•rio da religi.queméteuDeus?Nóstediremosquemés. "Deus • a mais alta subjetividade do homem. absolutamentenadaencontramosquecorrespondaaestesconceito s.es do homem. Consci.Masnossonhosnãonos encontramosnemnovazio.ocarátersagradodosseusvalores.numalinguagemque nemelemesmoentende.dasprofundezasdoseuser. Espelho.abrindo-separaumladodeláondehabitamentidade s extra-mundanas." Assim.nossaprópriaessência.Éisto:alinguagemreligiosaéumespelhoemquesereflet eaquilo quemaisamamos.Eassimchegamosà mais espantosadasconclusõesdestehomemqueamavaareligiãoenelae ncontravaa . porquedizdosseussegredosdeamoreanunciaomundoquepoderia fazê-lofeliz.Oqueareligiãoafirmaéa divindadedohomem.oabsolutodose ucorpo.comoafirmavamosteólogos.ncia. ... 100 masatransfiguraçãodaquiloqueexistedoladodecá. quanto valor tiver um homem.ver.comonosrimosdealguémquecumprimentasuapr ópria imagem.comer. 99 Qualoteusonho.olhando omundoláfora. Dissolve-seaquiamaldiçãoqueoempirismo/positivismohaviala nçado sobreareligião. o seu Deus.ouvir.noreinoda realidade.nãoéumvidro transparente. assim convertida em sujeito.Adespeitodisto..Areligiãoéumsonho...Oqueocorreéquenossonhosvemosascoisasreaisno esplendormágicodaimaginaçãoedocapricho.o: o homem projeta o seu ser na objetividade e ent.a bondadedeviver."rnasnaterra.falasempreaverdade.ncia de Deus • autoconsci. se a psican.cheirar." Éohomemquefala. Não.. Feuerbach acrescenta "conta-me acerca do teu Deus e eu te direi quem •s".noespelho..o mais ser. conhecimento de Deus 98 • autoconhecimento.Tomavaodiscursoreligiosocomosefossejanelae ."Como forem os pensamentos e as disposi.perguntava:ondeestãoasentidadessobrequefala areligião? Osdeusesedemónios?Opecadoeagraça?Osespíritos?Osastrais? Nada. assim ser.alinguagemreligiosanãoéumajanela.o se transforma a si mesmo num objeto face a esta imagem.Omundodosagradonãoéum a realidadedoladodelá.lise dizia "conta-me teus sonhos e decifrarei o teu segredo". o valor do seu Deus.

líderhindu. Eassimareligiãoépreservadacomosonho.Deusdesaparece:oscéusse transformamemterra. 101 emconsequênciadisto.revelaçãodossegredosdesuaprópriaalma:"Osegredodareligião éo ateísmo". assassinadoem1968.masemres postaaos sonhosquevêmdedentro.nomomentoemq ueo sonhoéinterpretadoecompreendido...naimagemdoespelh o. Quemerameles?Emgeralaspessoaspensamqueprofetassãoviden tes ..Sópodereireconhecer-m eem minhasideiasdeDeussesouberquenãoexisteDeusalgum.pastorprotestante...Easimagensqueareligiãotomavacomoretratosdoserma isbeloe maisperfeitopassamaconstituirumhorizontedeesperançaemque oshomens espalhamosseusdesejos.assassinadoem 1948.c erimónias mágicasebenzeções..Soueu oúnico absoluto.Epordetrásdosmitoseritos.como futuro. Éevidentequeaspessoasreligiosasnãopodemaceitartalconclusã o.oqueestavaláemcimareaparecelánafrente .queosentidodareligiãoestáescondidodas pessoas religiosas.surgiuentre oshebreusumaestranhaestirpedelíderesreligiosos. Etudosetransformasobosnossosolhos.se souberquenãoexisteninguémládentro.procissõesepromessas. Necessariamente.utopiadeumasociedadeemqueopresent eémágicae miraculosamentemetamorfoseadopelohomemquequebraascorre ntes.Porqueasreligiões. 102 ODEUSDOSOPRIMIDOS MahatmaGandhi.E Feuerbachconcluiria.bemantesdostemposdeCristo.umnovocorp o.nãoemvirtudedepressõesquevêmdefora.para colheraflor.. caleidoscópiosdeabsurdos.osprofetas.seconfiguramagoracomosímboloso níricosdos segredosdaalma. arcebispocatólico.inclusiveanossa.OscarRanulfoHomero.Sóque.assassinadoem1980..Sópodereireconhecer-me. aindaqueténues.podemospercebero scontornos.dohomemqueesperaumanovaterra. Muitosséculosatrás.MartinLutherKíng.Elassonhammasnãoentendemosseussonhos.Eos seussonhosreligiosossetransformamemfragmentosutópicosdeu manova ordemaserconstruída.

" (Amos. As autoridades.boapar tede suapregaçãoeratomadapeloataqueàspráticasreligiosas dominantesemseusdias. a justi. de natureza •tica e pol€tica. anunciaredenunciaroqueocorrianoseupresente.compaixãosemparalelo.o transformadas em latif. . Corra.o. . Eistoporqueelesentendiamqueosagrado.Maverdade.ndios por um pequeno grupo de capitalistas urbanos.dasatitudespiedosasedascelebraçõescerimoniaisestá praticamenteausentedoâmbitodosseusinteresses.os e vi.Elespoucoounadasepreocupava m comaquiloquevulgarmenteconsideramoscomopropriamente pertencendoaocírculodosagrado:ocultivodasexperiências místicas.a como um ribeiro impetuoso.Quesituaçãoeraesta? OEstadocresciacadavezmais. o poder dos outros diminui. enfim. quando o poder de alguns aumenta. A fraqueza do povo crescia na medida em que se avolumava o poder dos ex•rcitos — porque 104 sem eles o Estado n. os detes tavam. acusando -os de traidores e denunciando sua prega. de tal situa. se enfraqueciam em decorr. 5.ados da terra. confrontavam-se com os .es dos homens.. uns com os outros: "Abomino e desprezo vossas celebra..bvias.es solenes. Era necess. quando pregavam a justi.semmuitoo quedizersobreoaquieoagora.o.Suapregaçãoest ava coladaàsituaçãodoshomenscomuns.tornando-secentralizadoe concentradonasmãosdeunspoucos.aquedavamonomede vontadedeDeus.a.ncia dos pesados impostos que sobre elas reca€am. tinham de vender suas propriedades.rio que a vida e a alegria fossem devolvidas aos pobres.. pobres. que eram ent.ria aos interesses nacio nais. por•m.. E enquanto lutavam com o poder estatal.rf.quesededicava. aos estrangeiros.o subsiste. Assim. Instaurou-se com os profetas um novo tipo de religi.es .Emsuasbocastaispalavrastinhamumsentido políticoesocialquetodosentendiam.E.compreen der. que em outras •pocas haviam sido o centro da vida do povo hebreu. a todos aqueles que se encontravam fora dos c€rculos da riqueza e do poder.24).Tantoassimque suas pregaçõesestavammais 103 próximasdeeditoriaispolíticosdejornaisquedemeditações espirituaisdegurusreligiosos. e que entendia que as rela.o como contr.vas.Parasecompreenderoque diziamnãoeranecessárioserfilósofoouteólogo. As pequenas comunidades rurais.ticas de opress. por raz.aver.es dos homens com Deus t.m de passar pelas rela.o que surgem os profetas como porta -vozes dos desgra.dotadosdepoderesespeciaisparapreverofuturo.. perseguidos e mesmo mortos.patrocinadasecelebradaspelaclassesac erdotal. Os camponesas. . Foram proibidos de falar. de um lado.Nadamaisdistantedavocaçãodopr ofeta hebreu.comosempreacontece. aos . aos sofredores. todos compreendiam que eles estavam exigindo o fim das pr. aos fracos.tinhaaverfundamentalmentecomajustiçaea misericórdia.

106 Êprovávelqueosprofetastenhamsidoosprimeirosacompreender aambivalênciadareligião:elaseprestaaobjetivosopostos.aosmansos. pobrese oprimidos.sedirigianãoapenasàquelesqueefetivamenteoprimiamos fracos.13.cercade 2500anos antesquequalquerpessoadissessequeareligiãoéoópiodopovo.Elapodeser usadaparailuminarouparacegar." (Ezequiel.Parecia-lhesqueuma religião protegidapeloEstadosópodiaestaraseuserviço.visõesdeumaterrase mmales. e quedespertavaaesperançaeapontavaparaumfuturonovo.oReinodeDeus. envolvendo-anaauradaaprovaçãodivina.105 representantesdareligiãooficial.fracos. Masestaliçãofoiesquecida.emqueasarmasseriamtransformadas em arados..10).paralibertarouescravizar.Daíanecessid adede separaroDeusemcujonomefalavam.quetornavamaspessoasgordas. assim.el es perceberamqueatémesmoosnomesdeDeuseossímbolossagrados podemser usadospêlosinteressesdaopressão.dosídol osdos opressores. Pretendemesconderasrachadurasnaparedecomumamãodecal.dooutro..eacusaramossacerdotesdeen ganadoresdo povoeosfalsosprofetasdepregadoresdeilusões: "Elesenganamomeupovodizendoquetudovaibemquandonadavai bem.par adar coragemouatemorizar.Efoiassimque.queeraoDeusdosoprimidos..AmemóriadoDeusdosoprimidosse perdeu.Suadenúnciapro fética.Visõessemelhantes àssuas .tudod ependendodaquelesquemanipulamossímbolossagrados.comoherança.enraizadasemsuainjustiçaecegasparaojulgamentodivi no queseaproximava.. umautopia.aharmoniacomanaturezaseriarestabelecida.Enãoédifícilcompreenderporquê.ospoderososs eriam destronadoseaterradevolvida.parafazervoarouparalisar.pesadas. comotambémàquelesquesacralizavamejustificavamaopressão.satisfeitasc onsigo mesmas.tristezaseesperançasdopovo... Eemoposiçãoaestafalsareligiãoquesacra-lizavaopresenteelest eceram. comasdores.oslugaress ecose desoladosseconverteriamemmananciaisdeáguas.

ilusão..Foientãoque umasérie defatorescoincidentespermitiuquesereconstruísseaperdidavis ão proféticadareligiãocomoinstrumentodelibertaçãodosoprimido s.comofoiocasodeSãoFranciscodeAssis.averdadeacercad os vencidos. Depois.numesforçoparase penetraratrásdacortinadeinterpretaçõesqueosvitoriososhavia m erigido.anabatista.foramosrelatosqureligiãotriunfante.comohistória.quetornouposs ível arecuperaçãodosfragmentosdopassado.justamenteaquelaqueosprofetasdenunciaram.mão s dadascomosconquistadores.Eas evidências.nãoimportaquet ivessem namãoaespada.foicomosetalreligiãonuncativesseexistido.assim.E.fezdesimesmaedaquelesque 107 foramesmagados..odesenvolvimentodaartedainterpretaçãoquepermitia vislumbrar.comoThomasMunzer.odesenvolvimentodaciênciahistórica.J á notaramcomoosderrotadossãosempredescritoscomovilões?Oq ue restou.sóaparecememmeioaospobresefracos.E.assim.paraefeitos práticos.ouquesevalessemapenasdopoderdoexemplo edanão violência.Eláforamencontrados.Quempreservariasuasmemórias?Quemacolheriasuasdenúncias?Quemregistrariaassuasqueixas?Nãosepo deesperar tantagenerosidadedosvencedores.Masospobreseosfracosvã ode derrotaemdejrota.Masaque lesque empunharamsuasesperançasforamderrotados.comfrequência.elacontinuouemergindoaquieali.. Primeiro.emnossamemóriarestouapenasarelig ião dosfortes.líderdecamponesesnoséculoXVI.atravésdodiscursodosvitoriosos..Quant oà religiãodosprofetas.narcótico.muitoemboraosder rotados tivessemdeixadopoucosdocumentossobresimesmos.nospróprio sdocu- .Assim.revolucionários quefalavamemnomedeDeuseemnomedospobres.Artedainterpretação?Paranossosobjetivos 108 bastasaberque"oqueoAntóniofalaacercadePedrocontémmaisin formações acercadeAntónioqueacercadePedro".pareciamseajuntarparalevaràconclusãodequ ea religiãonadamaiséquealienação.Sãoosfortesqueescrevemahi stóriae estaéarazãoporquenãoseencontramaliasrazõesdosderrotados.

e os camponeses assolados pela seca.pela textura socialdenossasvidas.Messiânicos?Sim.lias havaia nas. E a conclus. e assim por diante.mentosdosvitoriososaverdadeestavaescondida. numapraça. No seu ponto extremo esta linha de pensamento nos levaria • conc lus.um representantedeDeusparaexerceropodereestabelecerumasocie dadejusta sobreafacedaterra. Ogaroto.veis e outras que usam sand.viuumhomemqueseaproximavaecomentou: 109 "Lávemumfreguês". talvez. alpargatas e sapatos de camur. denominadosmessiânicos. • que os sonhos dos poderosos .quandoasversõesoficiais . .as e velhos sabem disto — especialmente as crian. necessa riamente. Aomesmotemposeelaborouumaciêncianovaquerecebeuonomed e sociologiadoconhecimento.o pode? Uma classe forte e uma classe fraca? At• mesmo as crian.mas aquiloqueosopressorestemem. EahistóriadoBrasilapresentamuitosexemplosdestesmovimento s. E assim por diante.Seupontodepartidaéextremamente simples: elaconstataqueamaneirapelaqualpensamosécondicionada.comocorcomplementar.comoonegativo deuma fotografia.Certodiaeu"estavaengraxandoossapatos. justificadorasdosmassacresdosmovimentosrevolucionáriosde camponeses. e os doentes que morrem sem atendimento m•dico.Aoqueelerespo ndeu:"O senhornãoolhoupróssapatosdele?".Perguntei:"Éseuconhecido?". osdescreviamcomofanáticos.a. n.revela-see mquemedida ostrabalhadoresdeenxadaepénochãoquestionavamaordemdedo minação.as e velhos.comoooposto.Aquiloqueos opressoresdenunciamnosoprirnidosnãoéaverdadedosoprimido s. Mas.o que se segue.Éassim.adas se classifiquem em pessoas que usam sapatos engrax. .Assim.o de que os poderosos pensam diferentemente daqueles que n. O seu mundo.foiare sposta.as.anárquicos. .m poder: "o mundo dos felizes • diferente do mundo dos infelizes" (Wittgenstein).o • verdade que toda sociedade tem uma classe dominante e uma classe dominada? Uma classe que pode e outra que n."Não".o t. .engraxate.osolhosdosengraxa teseoseu pensamento seguem os caminhos do seu trabalho. E as pessoas cal. se divida entre pessoas cal. "Então. E tamb•m os migrantes.comoéquevocêsabequeeleéumfreguês?".adas e pessoas descal.lunáticos.Esperavamummess ias.

de um lado para outro. . em que ele analisa a maneira como o desejo e a imagina.o de admitir que os fantasmas superes-truturais podem se encarnar e fazer hist.a. ..o celebrados pelo triunfo dos que venceram.Comoopróprionomeestáindicando.. Os poderosos moram em o. . O futuro? Os fortes n.o o seja. pobreza pela vontade de Deus.ncia e submiss.sis.es de gra. Riqueza pela vontade de Deus.o podem esconder sua perplexidade. por outro lado.es.es utilit. sem tranquilidade.. Morte prematura. O sofrimento prepara a alma para a vis.a.sis. Com os dominados a situa.o com sua voz.o do Reino de Deus. se n. .m de ser diferentes dos sonhos dos oprimidos..es possam revolucionar a realidade. O seu poder lhes abre avenidas largas para o bemestar. Reencontramo-nos assim no mundo dos profe111 tas em que a religi..prios marxistas que n. Doen. n.o a terra. ir. Tudo se reveste com a aura sagrada. Sem poder.o intoc. porque assim os detentores do poder n.a..pica". .Quesãoutopias? Realidades? Deformaalguma. mas os desertos.o teriam de se preocupar com os profetas e suas esperan. De um lado.a. independentemente de quaisquer considera. Que o futuro seja uma continua.o os pr.o incidem sobre os fatores materiais para determinar a pol€tica. bem como o mundo do poder que ele envolve.as.o querem mudan.o aparece com toda a sua ambival.o do presente. Elas exigem rever. mas esta conclus. sabemos que coisas sagradas s. O sagrado est. s. na eventualidade de que as religi. a tranquilidade. E dos pobres e oprimidos brotam as esperan.o • de humilha.ria. aqueles que se horrorizaram com a afirma. como atividade humana.as.o • diferente.a. os sonhos dos oprimidos exigem a dissolu. a 110 ran. .a s. ter. Sua condi... Contrariamente •queles que pensam que a a.m os homens para imaginar utopias e organizar o seu comportamentocomoumatáticapararealizá-las.o • sempre o efeito de uma causa material que a antecede. Mas j. E como se perpetua o presente? Primeiro. pelo uso da for. Mas. Teria sido melhor que Marx estivesse certo.o de Marx de que a religi. 112 • a capacidade que t. Constroem-se fortalezas. E • por isto que nos templos se encontram bandeiras e rituais de a. Depois • necess. Um fascinante estudo deste assunto se encontra no artigo de KarI Mannheim entitulado "A mentalidade ut. destinado • eternidade. N.de. sem casas.o do presente para que o futuro seja a realiza. sem trabalho.as —tal como aconteceu com os profetas hebreus — de um futuro em que eles herdar. o lucro. E o futuro? Os fracos exigem a mudan.o. sem seguran. por medo..pio do povo se horrorizam agora com a possibilidade de que talvez ela n. a prosperidade.rias.veis. pelo menos em seus sonhos.o escandaliza tanto a gregos quanto a troianos.ncia pol€tica: os sonhos dos poderosos eternizam o presente e exorcizam um futuro novo..o • o .o. a sa.o como leg€tima. sem ra€zes e sem terras..o habitam os o. E isto porque.t...o importa o nome que se lhe d. .rio que tanto dominadores quanto dominados aceitem tal situa.utopiassere ferema . E tamb•m suas religi. Mannheim sugere que aquilo que caracteriza propriamente a pol€tica.o (Buber).nico. ..

Éraro vêlosenvolvidoscomqualquercoisaquesepareçacomareligiãodos profetas.emigra mpelaimaginaçãoparaumaterrainexistenteondesuasaspiraçõesserealizar ão.As memóriasdosderrotadosdesaparecemcomfacilidade.domilagreiro.iniciaramummoviment o revolucionárioparaaconstruçãodeumanovaordemsocial. Nãoeraelaformadaporgruposdestituídosdepoder?Enãosofrera meles todotipodeperseguição?Nãoédeseespantar.peregrinaçãonadireçãodaterra prometida.algoquenãoseencontraemlugaralgum(dogregoou=não+topos=l ugar).oApocalipse.seriamdestruídas.tenhafaladosobrea esperançadeumarevoluçãototalnocosmos. Foiistoqueocorreucomoscamponesesanaba-tistasdoséculoXVI .oquesepoderiaesperardeumasituaçãoemqueospobrese .porqueestadescriçãoquefazemosda religião dospobreseoprimidosparecenãocorresponderàrealidade.inclusiveoEstado.Esquecimentocompre ensível.Delesasmemóriasforampoucas.sendomaisgarantidoacr editarque ospobresherdarãooscéusqueherdarãoaterra. construçãodomundoqueaindanãoexiste.emquetodasaspotênc iasdo mal.sabendoqueascoisassãooquesãop êlos decretosinsondáveisdavontadedeDeus.tratandoderesolverosproblemasdo seu dia-a-diasemmuitaesperança. Movidosporumprofundofervorreligioso. Comosurgemelas?Cairãodoar?Não. 113 queumdosseustextossagrados.Parecequeelessesentemmaisàvontadenacompanhiado mágico. docurandeiro. MasEngelslhesfezjustiça.Existiráalgumaoutraalternativapa ra aquelesquediariamenteexperimentamaimpotência?Nãoseráasu afalta depoderqueoslevaaempurrarsuasesperançasparaooutromundo? Seistofor verdade.Sãoasclassessociaisoprimi dasque.portanto.Eaquivoltamosà sociologiadoconhecimento.NemmesmoMar xse lembroudestesancestraisdoproletariado.deacor docoma vontadedeDeus. Maspermaneceumproblema.acreditouencontrarf ermento semelhantedentromesmodacomunidadecristãprimitiva.Ébemp ossível.Sua atividadepolíticasetorna.então.não encontrandosatisfaçãoparaosseusdesejosemsua"topia".Maisdoqueisto.

queéjustamentecomestessímbolos queos oprimidosconstróemsuasesperançaseselançamàluta.Eéporistoque nenhum cientistapodeacreditar 117 naspalavrasdareligião.Emais. veriamósoEstadoeopodereconómicoaoseulado.Serãoeles.distribuindoilusões. 116 daacusação.oprimidosdescobremasuaforça?Parecequequandoistoacontece elesse atrevematransformarseussonhosemrealidade.fazendoaliançascomospoderosos.Nãopormáfé.Míopes. Elespensamqueaquelesquenãopassarampelaeducaçãocientífic a. Nãolhessobraoutraalternativa. Vêemas coisasdecabeçaparabaixo.sãocomosonâmbulos:caminhamenvolvidosporumanuve mde ilusõeseequívocosquenãoosdeixaveraverdade.na rcotizandoos pobres.semacreditar. E éentãoquecomeçamaaparecerosmártires.quandodeciframososseussímbolos.E estaéarazãoporqueoscientistasouvemsuaspalavrascomumsorri so condescendente.Cegos.escutam e anotam.colocam-nonohorizonte.Seareligiãofosseapen asópio.semexceção.Eoqueé mais grave:ésabidoquenenhumadelasjamaisacreditounaquiloqueare ligiãotem adizer.nosasseguraramqueareligiãoéumaloucaquebalbuci acoisassem nexo.contem plamonoscomonumespelho.queretirarãododiscur sodosenso comumaverdadeaquesomenteaciênciatemacesso.Todasasciências.Outros.masporincapacidadeco gnitiva.oscientistas.oshomens comuns. Curioso.Seacreditassemseriamreligiososenãoh omensde ciência.s ão obrigadasaumrigorosoateísmometodológico:demóniosedeuses não .peladefesa.ecomeçamasuamarcha.fazemdesceropar aíso doscéusàterra.entretanto. Éassimcomoscientistas:prestamatenção.convencidosdequeoshomensnãosabemsobreoqueestãof alando.embuscadecomunhãocomodivino.afirmaramquesemareligiãoomundoh umano nãopodeexistireque.quenenhumadastestemunhastenhasidojama isvista noslugaressagrados.

Eseédaíquepartemoscienti stas.ojulgamentodepois!".comoseDeusnãoexistisse.envelhecer..enviandoseusgritossilenciososdeaspiraçãoeprotest opêlos buracossemfimdosmomentosdeinsóniaesofrimento.faleicomosefos seMarx.pedindoosilêncio do cientistaqueemnóshabita.Podeserque não acreditemosemdeuses.Tenteiserpositivista.tenteiserDurkheim.comtristeza.estadebrincarde"faz-de-con ta".como poderiamelesacreditarnaquelesqueinvocamosdeusesetêmainge nuidadede orar?.Ah!Sepudé ssemos ficargrávidosdedeuses. 118 Abandonarnossascertezasparavercomoomundoseconfiguranav isãode outrapessoa.até agorasilenciosa?Nãodeveremospermitirqueelaarticuleosseusp ontosde vista?Ounoscomportaremoscomoinquisriores?Nomundoencant adoda Aliceaconteceuumfamosojulgamentoemqueojuizgritava:"Asen tença primeiro.podemserinvocadosparaexplicarcoisaalguma.masbemquedesejaríamosqueelesexistis sem.em Cüdacapítulo.masligadaaocoração.. Estranhaemaravilhosacapacidade. Masnãohaveráumdeverdehonestidadeanosobrigaraouvirareligi ão.aindaq ueela estejamaispróximadapoesiaquedaciência. Aquemvouinvocarcomorepresentantedareligião?Vocêpercebeu que.Teremosdeouviravozdareligião. ...afimdepermitirquefale.sumir.Eéassimquepassamosparaumoutromu ndoem queafalanãoestásubordinadaaosolhos.Teríamoscertezassobreascoisas queamamos equevemos.esforcei-meporassumiraidentidadedaqueleemcu jonome falei.seminvocarosnomessagrados.decair.umpe daçode nósmesmos:pedaçoque..noj ogoda ciência.Isto tranquilizariaonossocoração.Faremosnossoocomportamento do magistradodoido?Não.Tudosepassa.procureiasvisõesdosmundosdos profetas...insisteem desejar.Êq ue"o coraçãotemrazõesqueaprópriarazão desconhece"..talvez. comosefosseFreudeFeuerbach.Eéistoqueteremosdefazeragora. emesperar.

já contadaemoutroslugares.umasociedadederãsseestabelecera.Opi ntassilgo morreudedó.Efoiistoqueocorreuàspobresrãsdestaparábo la..vemo s tudosempredamesmaforma.quesedividiram.osolhoseosentimentodeumoutrofazemsurgirummu ndo novoànossafrente.p ois aquelaestranhacriaturadepenascolocavaemquestãotodasasver dadesjá secularmentesedimentadasecomprovadasemsuasociedade. Havia sobejasevidênciascientíficasparacorroborarestateoriaesomen te umlouco.pensamo-losempredentrodosmesmosquadros.Acostumamo-nosafalarsobreomundode uma certaforma. Estavamconvencidasqueouniversoeradotamanhodoseuburaco.Tã ofundo eraopoçoquenenhumadelasjamaishaviavisitadoomundodefora.quandobrincamosdef azde-conta.osriachoscristalinos.Qual não foisuasurpresaaodescobrirasrãs!Maisperplexasficaramestas.nãopoderiahave rum"lá fora".Conselhoquepareceloucura.afirmariaocontrário.flores. Aconteceu.pois.estrel as.ficoucurioso..ma s quevirasabedoriaquandonosdamoscontadequeonossomundofoi petrificadopelohábito.Algumasacredi tarame .seoseuburacoeraouniverso. desdetemposimemoriais.Mas.equevourepetir: "Numlugarnãomuitolongedaquihaviaumpoçofundoeescuroonde .privadodossentidosedarazão.asárv ores copadas.eossentimentosseembotamporsaber mos queoquevaiseréigualàquiloquejáfoi.Trinouabrisasuave.borboletas.eresolveuinvestigarsuasprofundezas.entretanto.o pensamento.oquepôs empolvorosaasociedadedasrãs.queumpintassilgoquevoavaporaliviuo poço.Umvelhofeiticeirodiziaaoseuaprendizqueosegredodesuaartee stava emaprenderafazeromundoparar.sem ao menosaesperançadepodersair?Claroqueaideiadesaireraabsurd apara osbatráquios.écomose 119 onossomundorepentinamenteparassenamedidaemquealinguage m.nuvens.Eopintassilgosepôsa 120 cantarfuriosamente.oscamposverdes.Comoéqueasrãspodiamviverpresasemtalpoço.

Esepuseramafazeracríticafilosófica.morto.começaramaimaginarcomoserialáfora.parasempre.. .Ficarammaisalegreseaté mesmo maisbonitas.Porocasiãodesuapróximavi sitao pintassilgofoipreso.tirandodel a verdadesmuitodiferentesdaquelasqueaprópriareligiãovivacan tava. elasalegavam.tãodiferentedasabedoriacientífic a.Asoutrasfecharamacara.decoaxarascançõesqueelelhe sensinara." 121 Foiassimqueaconteceu:aciênciaempalhouareligião. Sevamosouviraspessoasreligiosasénecessário"fazer-de-conta "que acreditamos.aodizerosnomesagrados.porqueote mada cançãoésempreomesmo.deoutroraedeagora.sociológicaepsi cológica doseudiscurso.acusadodeenganadordopovo..Queépossí velser felizesorrir. Tantoasrãs-dominantesquantoasrãs-domi-nadas(quesecretame nte preparavamumarevolução)nãogostaramdasideiasqueocantodop intassilgo estavacolocandonacabeçadopovão.Areligião fala sobreosentidodavida.real mente crêemnum"láfora"eédestemundoinvisívelquesuasesperançasse alimentam.vindosdelongeedeperto.Eladeclaraquevaleapenaviver..Variaçõessobreumtemadado.Tudotãodistante.empal hadoeas demaisrãsproibidas.Aserviçodequemestariaele?Dasclassesdominan tes?Das classesdominadas?Seucantoseriaumaespéciedenarcótico?Opa ssarinhoseria umlouco?Umenganador?Quemsabeelenãopassariadeumaalucin ação coletiva?Dúvidasnãohaviadequeotalcantohaviacriadomuitosp roblemas.Eoquetodaselaspropõeménadamaisqueumasériede receitas .Opintassilgotinhadeestardizendocoisassemsent idoe mentiras.Coaxaramcançõesnovas. Acontecequeaspessoasreligiosas.Quemsabeopintassilgotemrazão?Quemsabeouniv ersoémais bonitoemisteriosoqueoslimitesdonossopoço?Sobreoquefalaar eligião? Énecessárioquenãonosdeixemosconfundirpelaexuberânciados símbolos egestos. Afirmações nãoconfirmadaspelaexperiêncianãodeveriamsermerecedorasd ecrédito.

matematicamen tepreciso etecnicamentemanipulável.ouoptarem voluntariamentepeloabismodosuicídioporteremobtidoumaresp osta negativa.decomunhã ocomalgo .napoéticaexpressão deRomain Rolland.comoobservouCamus.Valeráapenavi ver?A gravidadedaperguntaserevelanagravidadedaresposta.Enos descobrimosexpulsosdoparaíso. Masoqueéisto.. Éumatransformaçãodenossavisãodomundo..poraquelascoisasquedãoàvidaose usentido.Outraspessoas.osentidodavida? Osentidodavidaéalgoqueseexperimentaemocionalmente.paraafelicidade.semqu ese saibaexplicaroujustificar.pormaiscompletaqueseja .sensaçãoinefáveldeeternidadeeinfinitude.adespeitodetodaacríticaquelhefazaciê ncia.possuídosdeumsentimentooceânico.equeexperi mentamos comoumaintensificaçãodavontadedeviveraopontodenosdarcor agem paramorrer.sedeixammatarp orideiasou ilusõesquelhesdãorazõesparaviver:boasrazõesparaviversãota mbémboas razõesparamorrer.Porquen ãoéraro vermospessoasmergulhadasnosabismosdaloucura.A ciêncianoscolocanummundoglacialemecânico.senecessáriofor.oquenosfazsentirreconciliadoscomouniv ersoao nosso 123 redor.naqualascoisassein tegram comoemumamelodia.Nãoéalgoqueseconstrua.comoumabrisasuaveq uenos atinge.BemdiziaMaxWeberqueaduraliçãoqueaprendemo sda ciênciaéqueosentidodavidanãopodeser 122 encontradoaofimdaanálisecientífica.Aquiseencontraarazãoporqueaspessoascontin uamaser fascinadaspelareligião.masvaziodesignificaçõeshumanase indiferente aonossoamor.masalgoqu enos ocorredeformainesperadaenãopreparada. Osentidodavida:nãoháperguntaquesefaçacommaiorangústiaep arece quetodossãoporelaassombradosdevezemquando.semquesaibamosdondevemnemparaondevai.aindacomosrestosdofrutodoco nhecimentoemnossasmãos.

errado sempre.ria de um menininho.ncia religiosa lan.a e que voc. eternamente errado. invocando a mem.pordetrásdascoisasvisíveis.quenostranscende.Areligiãodiz:"ouniv erso inteirofazsentido".los pais por haver molhado a cama.seo"láfora"queopintassilgocantounãoexistir? Afirmarqueavidatemsentidoéproporafantásticahipótesedeque o universovibracom 124 osnossossentimentos. .o.a que explica os sacrif€cios que se oferecem nos altares e as preces que se balbuciam na solid. e trancado num quartinho escuro e frio.háumrostoinvisí velque sorri. na noite gelada.ideologia.o Alioscha.Osentidodavidaédestruído.tudoestariabem."Verummundoemumgrãodeareia/eumcéunu ma florsilvestre. do princ€pio dos mundos at• o seu . no universo inteiro.comonafamosatelade Salvador Dali. batendo na porta. dos mais belos e profundos j.Aoqueaciênciaretruca:"aspessoasreligiosa ssenteme pensamqueouniversointeirofazsentido". poss€vel que tais imagens jamais tenham passado pela sua cabe.ozinhas. Osentidodavidaéumsentimento. em que Ivan Karamazov argumenta com seu irm. sem atenuantes.envolveeembala.a ciênciaaprisionadentrodopoçopequenoeescurodasubjetividad eeda sociedade:ilusão.reverberandoemeternidadeseinf initos.sofreadordostorturados. l. fora de casa.es.grimas rolando pela face torcida pelo medo. poderiam ser invocadas para explicar e justificar aquela dor? A gente sent e que aqui se encontra algo profundamente errado..choraalágrimad os abandonados.Aquelaafirmaçãosagr adaque ecoavadeuniversoemuniverso./seguraroinfinitonapalmadamão/eaeternidadeem uma hora"(Blake). pedindo para sair.Podemosentenderasrazõesporqueohomemrel igiosonão podesesatisfazercomopássaroempalhado. E ele fala das m.. Convicçãodeque. produzidos pela literatura. se sinta perdido em meio •s met. castigado p.logo.o.sorricomascriançasquebrincam.Porqu enãohá leisquenosproíbamdesentiroquequisermos. Que raz.foras de que a experi.interioresubjetivo.Oescândalocomeça quandoa religiãoousatransformartalsentimento.nu mahipótese acercadouniverso. Seapretensãodareligiãoterminasseaqui.braçosqueabraçam. E • esta cren.Quepo derestarda alegriadasrãs.a m.comosefosseumúteromater node dimensõescósmicas.Tudoestáligad o.presençaamiga. E me lembrei de um di.

o os nossos senti mentos apenas? Mas. 125 na vida animal que • destru€da pela gan.vezporoutra.Nenhumoutroserexisteneste mundo que.o.masbela?C omo consolaraquelequesedescobriuenfermoparamorrerevêosrisose carinhoscadavezmaisdistantes?Eosmilhõesquemorreminjusta mente: Treblinka.diantedofilhomorto?Dizerqueavidafoicurta. anunciar que a vida tem sentido • proclamar que o universo • nosso irm.aestrelaeterna. E • esta realidade.o.edooutr oa vagaincerta.Eéassimqueareligiãoentregaaosdeusesosse us . . . nos que morrem de fome. E sentimos igual quando pensamos nos torturados. na velhice abandonada.fim. . nos executados.Hiroshima. . que recebe o nome de Deus. E poder€amos ir multiplicando os casos.Biafra? TudotãodiferentedeumasonatadeMozart:curta.completaapenas. tamb•m os que fazem armas e guerra invocarem os seus sentimentos como garantia de suas a. sem fim. Areligiãocuidou. .o expre ss.Emvin te minutostudooquedeveriatersidoditoofoi.ncora de sentimentos..o a tais atos? Ser. . Mas verdade • tamb•m que invocamos o universo inteiro como testemunha e garantia de nossa causa..templosesepulcros. Eistonãoéacidental. N.. nos escravizados. nossos julgamentos •ticos n.ncia.ncia pela felicidade e pela liberdade — tal como n. Cremos que o universo possui um cora.osse usmortos.comcarinhoespecial.o.deerigircasasaosdeuses ecasas paraosmortos.o humano.comonós. Comoafirmarosentidodavidaperanteoabsurdodaexistência representadodemaneiraexemplarpelamortequereduzanadatudo oqueo amorconstruiueesperou? "Aquiloqueéfinitoparaoentendimentoénadaparaocoração" (Feuerbach). Comoafirmarosentidodavidaperanteamorte?Queconsolooferec er aopai."(CecíliaMeireles).. tamb•m o torturador.crêsaindaqueavidafazsentido?".ergasúplicasaoscéuseenterre. se assim for. verdade que nos valemos deles.comsímbolos.o descansam apenas em nossos sentimentos.Porqueamorteéaquela 126 presençaque.es? Tamb•m eles sentem."Deumlado. Assim. que poderemos alegar quando tamb•m o carrasco....Osentidodavidasedependura nosentidodamorte. Vibra com o infinito a voz do cora. . . Que raz.s.o. Nossos sentimentos s. Ainda permanecem humanos. uma voca.Eisoproblema.o para o amor.roçaemnósoseudedoenospergunta:" Apesar demim. nos que terminaram seus dias em campos de concentra.perfeita. uma prefer.es da realidade.Oacordefinalnada interrompe. nas armas.es trazemos conosco que nos compelem a dizer n. ..

areligiãoobrigaainimigaase transformaremirmã.ameditação..emqueosvaloresmaisaltossãocrucificadoseabrut alidade triunfa.Veresaborearcadamomento.asperspectivasdecarreira.osrancores profissionais.tornando-aatémesmoassunt o proibidoparaconversação.sãoosúltimos: o quadro.Livresparamorrer.dependedeumfuturo.Aconsciênciadamortetemopoderdeli bertare istosubverteaslealdades..osressentimentosconjugais.pelasquaissacrificaoócio.ocheirodejasmim.emalgumlugar.ossalpicosdaáguafria.Queimport ariao espantodaspessoassólidas?Talvezencontremosaquiasrazõespo rquea sociedadeocultaedissimulaamorte. Pensenoquevocêfariaselhefosseditoquelherestamtrêsmesesde vida.oshomensestariamlivr es paraviver.os documentosparaoIR..assim.esquecidonaparede..Suasrotinasdiárias.oscanhotosdostalõesdecheque .éilusãoproclamaraharmoniacomouniverso.ocantodeum pássaro..Aexperiênciareligiosa.Quandoamorteétransformada em amiga.Colocandoos 128 sepulcrosnasmãosdosdeuses...obarulhodosgrilos. o brinquedo.Entreascasasdosdeuseseascasasdosmor tos brilhaaesperançadavidaeternaparaqueoshomenssereconciliem coma morteesejamlibertadosparaviver.nãoémaisnecessáriolutarcontraela.Masosentidodavidanãoéumfato.lutando...El ase ..Tal vezvocêaté criassecoragemparatirarossapatoseentrarnaágua.inadiáveis.pertodafonte.emesperança..emdireçãoàmorte inevitável..ascoisasquevocê considera importantes.mortos. Depoisdopânicoinicial..enquantoosononãov em.valoreserespeitosdequeaordemsocial depende.após-graduação.Eopresenteganhariaumaprese nça quenuncateveantes.Tud oisto encolheriaatéquasedesaparecer.a gritariadascrianças.Aleituradosjornais.Nummundoaindasob o signodamorte..Enãoseráverdade 127 quetodaanossavidaéumalutasurdaparaempurrarparalongeos horizontes"aproximadosesemrecurso"?Asociedadeéumbandod ehomens quecaminham.comorealid ade presente.

como introdu.masnãohácertezas. P. Berger & T.nadireçãodasevidênciasdose ntimento.Deuseosentidodavid asão ausências. ler intridu..Etalvezpossamos afirmar.Comootrapezistaquetemdesela nçar sobreoabismo. Para quem quiser importar .o Acerca do Entendimento Humano (S.perguntaria:"M as.vocêdesejarlerump ouco mais.e Deus. Hume... Luckmann. Mestre Jou.nutredehorizontesutópicosqueosolhosnãoviramequesópodem sercontempladospelamagiadaimaginação.. eu aconselharia o seguinte: Em rela.lia podem ser encontradas no volume XXXIII da s•rie "Os 131 Pensadores” .o. que faz urna linda discuss. poder. da Abril Cultural.es de As Formas Elemetares da Vida Religiosa.adespeitodaadvertênciadosábiohebreu. Vozes.Mas eudesejoardentementequeassimseja. 1975).polis.n l (Salamanca.o • cr. Avisãoébela.talvez sejaestaagrandemarcadareligião:aesperança. onde voc.. Nacional.aalmareligi osatem deselançartambémsobreoabismo.tica que o empirismo faz • linguagem religiosa. As partes mais relevantes do estudo que Durk-heim faz do sistema tot. davozdoamor.NoscaminhosdePascal e Kierkegaard.abandonandotodosospontosdeapoio.dádivasdaesperança.trata-sedeumaapostaapaixonada.12.Emelançointeira.o Social da Realidade (Petr.12) Se." (LivrodoEclesiastes.o Paulo." 130 INDICAÇÕESPARALEITURA "Aceita.umconselhofinalousodoslivrosnão temfimeoestudoemdemasiaéenfadonho. Para uma an. Investiga. Em espanhol o t€tulo • Sobre Ia Religi. H.nea de escritos de Marx e Engels diretamente relacionados com a religi. Eoleitor.fica (S.dassugestõesdaesperança. comErnestBloch:"ondeestáaesperançaalitambémestáareligião ".Def ato.mico na Austr. 1974).s.Aoqueaalmareligiosasópoderiaresponder:"Não sei. que a leitura de D. uma colet.o • linguagem religiosa leia o livro de Ernst Cassirer Antropologia Filos.lise da realidade social como produto da atividade humana. Nada melhor.. A Constru.existe?Avidatemsentido?Ouniversotemumaface?Amorte 129 éminhairmã?".meufilho.. 1972).o dos s€mbolos em geral. 1972).embuscadeumacertezafinal.o ainda em portugu.Eoqueélançados obrea mesadasincertezasedasesperançaséavidainteira.es e conclus. Ediciones S€gueme.o Paulo.Porqueé maisbeloo riscoaoladodaesperançaqueacertezaaoladodeumuniversofrioe sem sentido.realidadesporqueseanseia. mas n.perplexo.

Voc. pinguei por v. Zahar. Berger. em fins do s•culo passado e in€cio deste s•culo.Assimvivempastor es protestantese. do Lamartine Babo. Quanto ao testemunho pessoal de pessoas religiosas. constatar. evidente que o . O problema do sentido da vida • discutido por Albert Camus. 1972). O M ai-estar da Civiliza. os profetas do Antigo Testamento. publicou um artigo did. Ludwig Feuerbach n. Curiosamente houve. at• uma juventude no Rio de Janeiro..ncias Crist. a literatura n.o • uma tentativa de recuperar a tradi. Estudei m. via de regra.. 7776 Social Gospel (Philadelphia. Biografia Rubem A. Se voc. N. . O que • utopia.o". Vozes.a". 1973). Campinas. Martin Buber e Nietzsche.Convivicomopovo. Leia tamb•m.m atrav•s de Marx. Por exem plo.ncia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Totem e Tabu. A revista Reflex. ler alguns 132 documentos da Confer. Jr — C.polis. por amor a Albert Schweitzer.o prof•tico-messi. Howard Hopkins.cidadedeipêse deescolas. A menos que eu me engane. Nicolas Berdiaev. Kierke -gaard. Salamanca. PasseialgumasvezespêlosEstadosUnidos.tico de minha autoria. A chamada teologia da liberta.o prof•tica. Contracultura (Petr. mas expressa uma linha que passa por Agostinho. traduzido para o portugu. mas muitos ouviram a "Serra de Boa Esperan. . As refer. Endere. com mais detalhes e cita. Um Rumor de Anjos (Petr. a este respeito.a.vel a leitura do estudo de Karl Mannheim intitulado "A Mentalidade Ut. 1099.ltimo cap€tulo n. E n. White.o oprimas teu irm.o se esquecer o livro de Teixeira Coelho.es de textos.sem remorsos. "A Caminhada do Povo de Deus na Am•rica Latina". O t€tulo: "O Problema da Aliena.nica • indispens.s foi inspirada no livro de Theodore Roszak. uma espiada no ensaio de Engels "A guerr a Camponesa na Alema nha".o: rua Marechal Deodoro. Veja. T r a d u z i d o p a r a o . Poucos foram l. 1972). como "Exig.ede58a64deixeioslivros. Em 1933. t r ê s e d i ç õ e s e m i n g l ê s . . "N.o enfadonho.Livros: A Tlieology of Hunian Hope. Depois.NewJersey.sica. 1976).o.sacerdotescatólicos. Espanha. sobre a religi.a de ler textos originais.o em Marx e Feuerbach.rias cidades pequenas. o estudo n. Pascal.. Miguel de Unamuno.. um religioso que nunca conseguiu dar nomes aos seus deuses. como dizia o escritor sagrado.Lavras. Princefon. por vezes. 1980). um movimento semelhante denominado "Evangelho Social" (Social Gospel).o est. desta s•rie (Brasiliense. "Eu ouvi os clamores do meu povo". em Ideologia e Utopia (R. nos Estados Unidos.o n9 17. De Freud leia O Futuro de Uma Ilus. A par.o • t.Láfizmeudoutoramen to. FuipastornumaigrejadointeriordeMinas.s de Uma Ordem Pol€tica".. gosta de tecnologia poder.o".o representa ningu•m em particular.bola das r. o que • uma pena.o • Apartado 332. . do Instituto de Filosofia e Teologia da PUCAMP. Alves Eu nasci em Boa Esperan. teologia e quis ser m•dico. em O Mito de Sísifo. de P. porque Feuerbach escreve com a beleza de um poeta.o se esque.imagino.o tem fim.paraviverdoresealegriasdeoutros. Ronald C. de Janeiro. Minas Gerais. surpreendente. que. nos v. Vozes. 13100.o. Sobre a religi.ncias.polis. Temple University Press.s.o livro o ende re.pica". D..

o f r a n c ê s e o e s p a n h o l . u m l i v r o s o b r e a imaginaçãoeamagia.aesperançaeautopia. ConcordocomOctávioPazquandoeledizqueatarefadointelectua l éfazerrirpêlosseuspensamentosefazerpensarpêlosseuschistes.Esobreplantarárvore sem c u j a s o m b r a n u n c a n o s a s s e n t a r e m o s . . Protestantismo e Repressão ( Á t i c a ) .. Tomorrow's Oúld. O Enigma da Religião ( V o z e s ) .i t a l i a n o . .