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EQUILÍBRIO MENTAL E BEM ESTAR

Equilíbrio mental e Bem estar Construindo pontes entre o Budismo e a Psicologia Ocidental

B. Alan Wallace - Santa Barbara Institute for Consciousness Studies Shauna L. Shapiro - Santa Clara University A psicologia clínica tem focado primariamente no diagnóstico e tratamento de doenças mentais e só recentemente voltou cientificamente sua atenção para o entendimento e cultivo da saúde mental positiva. A tradição budista, por sua vez, focou ao longo dos últimos 2500 anos em cultivar os estados excepcionais do bem estar mental assim como em identificar e tratar os problemas psicológicos. Esse artigo pretende focar em séculos de experiências e teorias budistas, bem como na atual investigação experimental ocidental para destacar temas específicos que são particularmente relevantes para explorar a natureza da saúde mental. O autor discute especificamente a natureza do bem estar mental e apresenta um modelo inovador de como atingir esse bem estar através do cultivo de quatro tipos de equilíbrio mental: conativo, atencional, cognitivo e afetivo. Palavras-chave: Saúde mental, Budismo, Bem estar, equilíbrio mental. Particularmente, desde a segunda guerra mundial, a psicologia clínica tem focado primeiramente no diagnóstico e tratamento das doenças da mente, e só recentemente tem focado cientificamente sua atenção para o entendimento e cultivo da saúde mental positiva (Seligman & Csikszentmihalyi, 2000). A tradição budista, por sua vez, focou por mais de 2500 anos em cultivar os estados excepcionais do bem estar mental assim como em identificar e tratar os problemas da mente (Smith, 1991).

Direções para um Diálogo

Embora os registros de discursos do Buda e da literatura depois comentada dentro da tradição budista não elaborarem sobre o tema "saúde mental" como tal, eles discutem a natureza e as causas dos

desequilíbrios e técnicas para alcançar o bem-estar mental. Este artigo baseia-se em séculos de investigações experimentais e teóricas budista para mostrar como um diálogo com a psicologia ocidental pode ser mutuamente enriquecedor e particularmente relevante para o interesse da psicologia atual em explorar a natureza da saúde mental positiva. Este artigo foca especificamente no Budismo, pois ele é largamente considerado a mais psicológica de todas as tradições espirituais (Smith, 1991). O Budismo está, fundamentalmente, preocupado em identificar as causas internas do sofrimento humano, na possibilidade de libertação desse sofrimento, e nas maneiras de alcançar tal liberdade. Ao contrário de muitas religiões, o Budismo não começa com o despertar da fé em um ser sobrenatural, mas sim investigando a natureza da experiência humana. (Wallace, 1999, 2003). O Budismo apresenta uma visão de mundo que é completamente integrada com a disciplina da investigação experimental da natureza da mente e de fenômenos relacionados, e isso inclui elementos empíricos, analíticos e religiosos (Segall, 2003). Além disso, isso pode ser relevante para as teorias e práticas filosóficas e psicológicas por causa da intensa exploração da mente e de seus métodos psicológicos para cultivar um bem estar sustentado. Para ajudar a abrir um diálogo colaborativo entre o Budismo e a psicologia ocidental, este artigo introduz um modelo quádruplo de bem estar, extraído das técnicas budistas assim como das psicologias ocidentais e pesquisas. Nós começamos introduzindo uma definição de bem estar, derivado das ideias centrais de Buda, assim como das teorias e pesquisas da psicologia ocidental. Depois, nós descrevemos um modelo inovador de como cultivar o bem estar mental, focando em quatro tipos de equilíbrio mental: conativo, atencional, cognitivo e afetivo. O modelo é extraído da teoria budista tradicional assim como de relevantes pesquisas da psicologia ocidental, para demonstrar como o diálogo e o estudo empírico podem enriquecer ambas as tradições.

Natureza e tipos de Budismo

Apesar de a tradição budista derivar dos ensinamentos atribuídos ao Buda histórico, ao longo dos últimos 2500 anos, a mesma começou a ser assimilada por uma ampla gama de culturas através da Ásia, resultando numa também ampla gama de escritos sagrados, teorias e práticas. De um modo geral, budismo é comumente classificado em termos de Budismo Theravada do Sudeste Asiático, Budismo Mahayana do Leste Asiático, Budismo Mahayana e Vajrayana Indo-tibetano, cada qual tendo suas características únicas e ênfases. Mas há também uma grande diversidade interna em cada uma dessas

(Dalai Lama & Cutler. quer se acredite nessa religião ou naquela religião. Desta forma. E. 1995). 2002). Todas as escolas do Budismo estão preocupadas com a realização da libertação espiritual e iluminação. por reconhecer essas formas de depreensão de si e do resto do mundo. 1998.tradições. como eles se originaram na Índia e evoluíram depois no Tibet. a busca pelo genuíno bem estar. o bem-estar desse movimento em direção ao bem estar é uma parte fundamental do ser humano. Segundo o budismo. Agarrar. eu acho. é importante observar que todas as escolas do budismo têm em comum com a psicologia ocidental o objetivo fundamental de reduzir o sofrimento (Bodhi. e virtude vem a ser completamente integrada. Wallace & Hodel. . o próprio movimento da nossa vida é para a felicidade”. 2004). Quer se acredite em religião ou não. não só pela Ásia. As verdadeiras causas desse bem-estar estão enraizadas em uma forma saudável de vida. coisas objetivas e eventos como verdadeiras fontes de felicidade produz uma vasta gama de problemas psicológicos. sejam externos ou internos (Wallace. 2005b. por engano. são alimentadas através do cultivo do equilíbrio mental. mas por todo o mundo (Harvey. Por essa razão. pode-se então começar a identificar as fontes reais de bem-estar genuíno (Wallace. no artigo nós nos baseamos principalmente na rica literatura do Budismo Theravada do Sudeste Asiático e no Budismo Mahayana. todos nós estamos em busca de algo melhor na vida. mas estas duas tradições têm desenvolvido um rico corpo teórico e prático para alcançar a meta mais modesta de bem estar mental (Aonson. 1990. 15) A ideia fundamental do budismo é o reconhecimento da flutuação e impermanência natural de todos os fenômenos que surgem na dependência de causas precedentes e condições contribuintes. e geram frutos a partir da experiência de sabedoria e compaixão. Mitchell. no entanto. Entre as muitas escolas Budistas que têm se desenvolvido durante essa longa história. O objetivo da prática budista é a realização de um estado de bem-estar que não depende da presença de estímulos prazerosos. (Ñanamoli & Bodhi. a maioria dos ensinamentos que tiramos de nossa tentativa de desenvolver um modelo de saúde mental e equilíbrio é da literatura Theravada e da Mahayana. 1999). p. na raiz do que é a reificação de si mesmo como um ego imutável. Como o Dalai Lama comentou. Bem-Estar e seus Semelhantes. 2005). 2006). compreende-se. unitário e independente (Ricard. Primeiramente. “Acredito que o propósito da nossa vida é buscar a felicidade. 2006). Então. e o Budismo continua evoluindo hoje.

& Diener.O Budismo promove um estado ideal de bem-estar que resultada da libertação a mente de suas tendências aflitivas e obscuridades e de realização do potencial máximo em termos de sabedoria. Na verdade. Segundo os ensinamentos budistas. 2000. Esta antiga crítica budista sobre a estimulação de prazer orientado tem sido indiretamente apoiada por pesquisas atuais. Myers e Diener (1995). Além disso. Na verdade. a partir de interações com outras pessoas. segurança financeira. podem ser muito significativas. Todos esses prazeres são dependentes de estímulos. Sandvik. probabilidade. até mesmo os ganhadores da loteria ganham apenas um temporário aumento em relação ao bem-estar subjetivo e. 1978). De acordo com um ditado budista. que inclui prazeres dirigidos por estímulos de todos os tipos (Bodhi. a partir do meio ambiente. eventualmente. 1990). retornam à linha de base (Argyle. em seguida. respeitado e amado. ou de fazer descobertas científicas. . Coates. uma declaração de acordo com a ênfase budista sobre a importância da satisfação (Tsong-kha-pa. A apreciação de tais experiências transitórias não está em oposição ao cultivo de atitudes e compromissos positivos ou ao cultivo dos tipos de equilíbrio mental que produzem o bem-estar interior. Um equívoco comum é de que o budismo nega uniformemente o valor dos prazeres dirigidos por estímulos. sabores e sensações táteis. sons. de criar obras de arte. pp 199-205. situações e atividades como a fonte da felicidade. e fama podem trazer a felicidade. concluiram que "A satisfação é menos uma questão de conseguir o que quer do que querer o que você tem" (p. 2002). Todos estes têm seus próprios méritos. Por exemplo. ou de vários tipos de atividade física e mental. situações e atividades desaparecem. agarrar-se a tais estímulos como a verdadeira fonte de felicidade. reconhecido. após anos de pesquisa sobre a felicidade psicológica. 2006). em Press). as alegrias de criar uma família. A aquisição de bens materiais. pp 1-10). o prazer resultante desaparece (Tsong-kha-pa. o bem-estar a que estamos nos referindo é fundamentalmente diferente do hedônico bem-estar. mas assim que eles perdem o contato com esses estímulos. O Budismo sugere que mesmo acontece com as pessoas satisfeitas como resultado ao ser elogiado. Seidlitz. Brickman. Mas quando os estímulos cessam. 2005. alguns desses. mas também são transitórios. pp 281-284). compaixão e criatividade (Wallace. 1993. as pessoas podem derivar prazer de prazeres sensuais. de acordo com a teoria budista. e Janoff-Bulman. quando se enfrenta a possibilidade. ou as pessoas desaparecem.13). 1986. aromas. 1993. Wallace. pode facilmente dar origem a pelo menos uma ansiedade intermitente. ou certeza que os estímulos não vão durar (Tsongkha-pa. se não crônica. só pode haver dois resultados: ou os objetos. como as pessoas se apegam a esses objetos. Inglehart. Neste artigo. poder. tais como imagens visuais atraentes. 2002. p. constatando que a riqueza não prevê felicidade duradoura (Diener. como se fosse moralmente errado apreciar os prazeres simples da vida. mas uma vida que se preocupa somente com tais atividades não dá origem ao bem-estar duradouro. 29). Esta não é uma questão de escolher o bem-estar ao invés vez dos prazeres hedonistas. como as alegrias da amizade e realizações que valem a pena. o prazer associado diminui (Ricard.

perspectivas e comportamentos têm sido destacados pela psicologia positiva (Seligman. levam ao aumento do sofrimento. ou podem despertar para a natureza ilusória de grande parte da sua felicidade e procurar cultivar um genuíno bem-estar através do desenvolvimento do equilíbrio mental. intelectuais ou prazerosos. & Schwartz. . enquanto satisficers estão satisfeitos uma vez que o limite de aceitabilidade com base em seus valores intrínsecos é atravessado. de repente. De nota.. Wells. Wallace. a insatisfação (não prazer) aumenta.pode-se derivar uma maior apreciação dos prazeres hedônicos como um resultado do cultivo do bemestar. fama. 1998) e também são fortemente enfatizados na prática budista (Shantideva. Isso reforça a hipótese central do budismo de que as expectativas de correr atrás de coisas como riqueza. atitudes. As pessoas podem ignorar esse fato e levar suas vidas com uma falsa sensação de segurança. 2004). paradoxalmente. Pesquisas demonstram que as tentativas dos maximizadores de encontrarem o melhor. 1971.Ryan & Deci. 2001). Seligman. Pode-se distinguir o bem-estar e seus semelhantes. 2006. fora de seu controle. é autêntica. Maximizadores são definidos como pessoas que estão sempre procurando o melhor. eles estão propensos a experimentar estes resultados como pior (Iyengar. O importante é não confundir os dois e erroneamente acreditar que os prazeres exteriores trarão felicidade duradoura. Pesquisas psicológicas atuais sobre "maximizadores" e "satisfadores" apoiam esta teoria de bem-estar elaborada a partir do budismo e da psicologia ocidental (Schwartz et al. desaparecerem. Apoio da psicologia ocidental O bem-estar que transcende os breves prazeres dirigidos por estímulos. dependente de condições transitórias que estão. 2006). aprovação e poder leva a insatisfação. embora maximizadores possam alcançar melhores resultados objetivos que satisficers. Tanto a psicologia ocidental quanto o budismo afirmam que a felicidade resultante de tal treinamento mental interno é mais durável do que a gerada por prazeres dirigidos por estímulos (Brickman & Campbell. Como o Maximizador tenta criar um estado interno através da perfeição externa. O cultivo de prioridades significativas. estéticos. Toda a felicidade que desapareceu é meramente a título de empréstimo. 2002). ao imaginar todos os apoios externos para o seu sentido atual de felicidade e segurança. 2001a). e não ao aumento da satisfação. 1997. depende do cultivo de determinados tipos de crenças e atitudes duradouras e no desenvolvimento de uma forte assinatura (Haidt. que não é dependente de estímulos sensoriais. em grande parte. ansiedade e frustração. Seja qual for a sensação de bemestar que permanece.

.O budismo afirma que essas tentativas equivocadas de encontrar a felicidade são devido à confusão das pessoas sobre as fontes que levam ao bem-estar verdadeiro (Ñanamoli e Bodhi. preveem o impacto emocional de eventos específicos e. achando que as pessoas. pesquisas recentes em neurociência estão começando a mostrar apoio para a teoria do Buda. 1999).pa. Abaixo apresentamos um modelo heurístico que propõe que o bem-estar que surge de uma mente que é equilibrada de quatro maneiras: conativa. esta nova abordagem para a compreensão e desenvolvimento de níveis excepcionais de equilíbrio mental é derivada de fontes em vários textos budistas que explicam como treinar a mente de forma a aliviar o sofrimento de sua fonte (Budaghosa. Estes resultados dão suporte parcial à visão budista de que muitas vezes o que as pessoas acham que vai fazê-las felizes não leva ao bem-estar duradouro. Tsong-kha. 2000. Nosso modelo de equilíbrio mental não é encontrado na literatura budista tradicional. Pesquisas psicológicas atuais também oferecem confirmação preliminar do ensinamento budista de que a felicidade de cada um não é fixa. Davidson e colaboradores (2003) constataram que a prática da meditação por novos meditadores foi associada significativamente a maior atividade no córtex pré-frontal esquerdo. Há evidências substanciais para um impacto tendencioso em predições sobre reações emocionais a eventos futuros. 2003). 2002). 1995. Testes de tentativas controladas aleatoriamente mostram os efeitos da meditação da mente plena na atividade cerebral assim como no funcionamento psicológico e imunológico. a teoria psicológica postulou que o "set point" para experimentar a felicidade é fixado por temperamentos e experiências no início da vida e é difícil de mudar (Kahneman et al. ver Wilson & Gilbert. (para uma revisão. Até recentemente. atencional. portanto. a busca do bem-estar é muitas vezes difícil e equivocada. Shantideva. No entanto. 1999).. fazem escolhas com base em cálculos errôneos do que vai trazer a maior felicidade (Kahneman et ai. uma área do cérebro associada com a emoção positiva. Goldstein & Kornfield. na tentativa de construir uma ponte entre essas duas ricas tradições. 1997. Esta opinião é corroborada pela pesquisa psicológica atual da previsão afetiva. Este modelo de equilíbrio mental baseia-se no budismo e na psicologia ocidental. a qual não costuma discutir a saúde mental como um tópico distinto de ensinamentos sobre o caminho para a iluminação. (Davidson et al. Diener e Schwarz (1999) propuseram que as pessoas são péssimas preditoras de sua felicidade futura. 2003). 1979. Cultivando o Equilíbrio Mental . Por exemplo. mas pode ser cultivada de forma consciente. erroneamente. muitas vezes. Kahneman.. 1987). No entanto. Como a discussão acima ilustra. cognitiva e afetiva.

que se refere a um sistema que é composto por um conjunto de peças e uma parte compondo conjuntos maiores. é difícil examinar de perto as pessoas e o “momento a momento” dos processos cognitivo e afetivo. presumivelmente. Embora o sofrimento mental seja muitas vezes catalisado por influências ambientais e sociais e.292). Tsong-kha-pa. como eles podem ser mais eficazes em função do cultivo anterior de equilíbrio conativo e de atenção. 1998). atencional. 2000. pp 290 . A teoria básica é que para expandir a mente além do habitual “estado fundamental”. metas e prioridades. O equilíbrio conativo precede os outros três no processo de cultivar o bem-estar mental. Todos os componentes do modelo são interligados. cognitivo e equilíbrio afetivo. uma mente saudável. tal sofrimento muitas vezes pode ser atribuído à experiência subjetiva de desequilíbrios mentais. a ansiedade. ao mesmo tempo em que é simultaneamente a maior parte de todo o sistema. O Budismo sugere que muitos deles podem ser corrigidos através de hábil treinamento mental sustentado (Tsongkha-pa. Com efeito. frustração e depressão são consideradas sintomas de uma mente desequilibrada. Equilíbrio de atenção é o próximo fator mental discutido. Portanto. Por exemplo. Apesar de apresentar o modelo em uma procissão linear. Sem a capacidade de manter a atenção. O modelo é apresentado de uma forma linear. com um ganho maior de equilíbrio afetivo. é provável que resulte em maior sabedoria em relação a sua escolha de objetivos (equilíbrio conativo). Os quatro componentes do modelo foram escolhidos porque acreditamos que envolvem os principais processos envolvidos na formação da mente para alcançar níveis excepcionais de saúde e bem-estar. porque a atenção é uma habilidade necessária para a realização dos dois últimos fatores. Este aspecto do modelo é semelhante ao termo hólon (Koestler. 2000). isso afeta os outros três. 1985. porque esse fator é o que permite que as pessoas definiram intenções. é importante notar que quando o equilíbrio é obtido em uma área. Equilíbrio cognitivo e afetivo são apresentados posteriormente. começando com equilíbrio conativo. Por outro lado. não estamos sugerindo nenhum tipo de estrita linearidade entre estes quatro elementos do equilíbrio mental. 1978). os processos do conativo definem o rumo para o cultivo dos outros três equilíbrios mentais. Na base desta teoria. apesar de descrever cada um dos equilíbrios mentais abaixo como fatores individuais. Por exemplo.Uma das premissas fundamentais budistas que fundamenta esta apresentação de bem-estar é que o sofrimento mental é em grande parte devido aos desequilíbrios da mente (Gunaratana. assim como um corpo saudável e ileso é relativamente livre de dor. cognitivo e afetivo. ela é caracterizada por insatisfação (Tsong-kha-pa. O modelo representa um processo sistêmico e dinâmico de evoluir em direção ao bemestar. pp 297 -313). pp 28-48. 2000. equilibrada é relativamente livre de sofrimento psíquico. tem sempre correlatos neurais (Ryff & Singer. antes que ocorra qualquer estimulação conceitual ou sensorial em um estado de desequilíbrio. o aumento da capacidade . mesmo em face da adversidade. Cada elemento do modelo tem as suas próprias características distintas. temos desenvolvido um modelo heurístico de quatro tipos de equilíbrio mental: conativo.

Gethin. Abaixo descrevemos cada um dos quatro equilíbrios mentais. ele enfatiza o valor de metas saudáveis e desejos. cognitivas e afetivas.pa. Se a pessoa não desenvolver equilíbrio conativo. verbal e mental que são. Neste contexto. 1986. Um equívoco comum do budismo é o de ele que promove o ideal de não ter desejos ou objetivos. então haverá pouco ou nenhum incentivo para tentar equilibrar suas faculdades de atenção.de manter a atenção (equilíbrio de atenção) e mente plena mais clara dos acontecimentos à medida que surgem a cada momento (equilíbrio cognitivo). como a intenção de ser um pai consciente e amoroso ou contribuir para um ecosphere sustentável (Tsong-kha. Este sistema de classificação está intimamente ligado ao Budismo Indo-Tibetano (Dhonden. é o desejo de parar de fumar. um exame cuidadoso é exigido das consequências a longo prazo do comportamento. Além disso. pp 90-91). Em uma tentativa de operacionaliza-los com precisão. Equilíbrio conativo O termo conativo refere-se às faculdades de intenção e vontade. hiperatividade e disfunção. Tentamos mostrar como cada um dos saldos mentais tem as suas próprias características distintas. ou um objetivo. a intenção de passar mais tempo com os filhos e a intenção de perder peso são dois casos de conativo. 2001. embora todos os quatro sejam interdependentes. um ato doentio pode levar à gratificação de curto prazo. Uma ilustração de um desejo. p 16. Embora o budismo não explique como o sofrimento pode ser causado por objetivos insalubres e desejos. 2001. 2004).. podemos citar a teoria e a investigação psicológica ocidental relevante para ajudar a apoiar a nossa discussão. Por exemplo. que define os desequilíbrios fisiológicos em termos de déficit. enquanto que uma ação saudável pode . 2000). propícios e prejudiciais para o próprio bem estar e o dos outros. Mas isso implicaria um estado vegetativo totalmente em desacordo com o ideal budista de genuíno bem-estar (Asanga. mas a miséria a longo prazo. respectivamente. em absoluto. os termos saudáveis e insalubres referemse a essas formas de comportamento físico. sugerimos questões empíricas que surgem do nosso modelo quádruplo. uma série de desejos e aspirações voltadas para a própria felicidade real e a dos outros. utilizamos um sistema de classificação estabelecida pela medicina tradicional tibetana. o que implica um compromisso mais forte para a ação do que o desejo sozinho. com intenção. o que não é fortalecido pela vontade real de fazê-lo. Finalmente. Equilíbrio conativo é o primeiro dos estados mentais discutidos por causa de sua importância central para todos os outros estados mentais. Para determinar o que é saudável e insalubre. como distinto de uma intenção.

sobre seus desejos não realizados. que seus sentidos estão embotados. o seu bem-estar não pode surgir de forma independente do dos outros.. Um déficit conativo ocorre quando as pessoas experimentam uma perda apática de motivação para a felicidade e suas causas (Rabten. 2003. assim sendo. p 193). Vasubandhu. as pessoas também podem fechar os olhos às necessidades e aspirações dos outros. quando elas não conseguem alcançar um objetivo ou cumprir uma aspiração. No processo.ser repleta de dificuldades no curto prazo. Os alunos. são outras expressões de disfunção conativa. então neste estado de desespero. 1993. Algumas pessoas ficam apáticas devido à decepção. pp 84-85). 2001. Toxicodependência e outras formas de abuso de substâncias. elas não tentam fazer de tudo para alcançar esse bem-estar. a disfunção conativa se instala quando as pessoas desejam coisas que são prejudiciais ao seu próprio bem estar a ao de terceiros. como ser aceito em uma faculdade ou a chegada de um trabalho promissor escolhido. pp 31-43). 1985. 1992. podem ser tão obcecados com a realização de ótimas atividades que se tornam exagerados com a ansiedade e não se preparam adequadamente para os exames. É fundamental reconhecer que o psicológico florescente de um indivíduo não é algo que pode ser cultivado ignorando o bem-estar dos outros. O indiano do século VII do Budismo Contemplativo Shantideva (1997) comentou sobre a disfunção conativa desta maneira: "Aqueles que procuram escapar do sofrimento vão diretamente em direção a sua própria . p. 29). As pessoas estão tão envolvidas com o desejo e fantasias sobre o futuro. que produzem prazer de curto prazo e alívio da dor. como o que está acontecendo aqui e agora. Isto é normalmente acompanhado por uma falta de imaginação ou uma espécie de estagnação e complacência: As pessoas não podem se imaginar saindo melhor do que eles estão agora. essa fixação obstinada pode revelar-se prejudicial para a saúde física e psicológica e ao mesmo tempo prejudicar suas relações pessoais com os amigos. Rabten. Por estar tão preso no desejo. em nosso modelo. Na base deste ensino. As pessoas não existem independentemente dos outros. Por exemplo. Desequilíbrios conativos. pp 15-18. por exemplo. A hiperatividade conativa está presente quando as pessoas se fixam em metas obsessivas que obscurecem a realidade do presente (Asanga.. o equilíbrio conativo implica intenções e vontades que são favoráveis ao seu próprio bem estar e ao dos outros. 1992. 1991. por outro lado. e são indiferentes a coisas que não contribuem para o mesmo (Gunaratana. um homem pode tornar-se tão concentrado em ganhar afetos de uma mulher que as suas atenções para a mulher de seu desejo pode o tornar opressivo. constituem formas nas quais os desejos e as intenções das pessoas levam-nas à um psicológico florescente e ao sofrimento psicológico (Rinpoche. Da mesma forma. o homem não consegue perceber que ele está alienando a própria mulher que ele está tentando impressionar. p 86. mas levar a consequências profundamente gratificantes com o tempo passa. Finalmente. Wallace. se uma pessoa se torna obcecada com a busca de fama e sucesso financeiro. entes queridos e colegas de profissão.

apesar de as fontes primárias de sofrimento mental serem aflições mentais internas como ânsia. tanto para si mesmo quanto para os outros. (b) para remediar os desejos obsessivos com o cultivo de contentamento. Ânsia. compreensão e virtude. Em casos de ânsia forte. O Budismo apresenta uma grande variedade de meditações projetadas para corrigir formas específicas de desejo e outros desejos obsessivos e promover aspirações saudáveis (Shantideva. A reflexão é levada ainda além. De acordo com o Budismo. aquisições de materiais e status social e um compromisso cada vez maior em levar uma vida significativa e profundamente gratificante. O resultado de tal equilíbrio conativo é uma diminuição no interesse em atingir um excesso de coisas como os prazeres sexuais. 2004). O contentamento é cultivado. como se fosse seu inimigo "(p. Por exemplo: "Se eu continuar neste caminho e tentar cumprir este desejo. a intenção correta implica uma dedicação altruísta aos desejos significativos que são favoráveis não só para o próprio bem-estar. existem dezenas de diferentes práticas budistas de cultivar a intenção ou a motivação corretamente. que eles destroem o seu próprio bem-estar. meditando sobre a realidade da impermanência e sofrimento e a possibilidade de gerar bem-estar refletindo. levando a uma aspiração insaciável de explorar as fronteiras do seu desenvolvimento interior.miséria. que dizem respeito diretamente ao equilíbrio conativo (Tsong-kha-pa. quais são as consequências para o meu próprio bem estar e o dos outros?" Nesses aspectos. 2000. E é com o próprio desejo de felicidade. de ilusão. concentrando-se não só no desejo e objetivo em si. Na verdade. por exemplo. qualificada por uma crescente sensação de bem-estar. pensamentos e situações como verdadeiras fontes de seu sofrimento. hostilidade e desilusão. 1999). como definida pelo Budismo. refletindo sobre a natureza transitória e insatisfatória dos prazeres hedonistas e por identificar e desenvolver as causas internas de bem-estar genuíno. pode-se experimentar um saudável senso de descontentamento em relação ao seu atual grau de maturação psicológica e espiritual. 1981. mas para o florescimento do de outras pessoas também. pessoas. As abordagens gerais budistas para se atingir o equilíbrio conativo são (a) para sanar a apatia. e (c) para resolver objetivos equivocados com o reconhecimento experiencial das verdadeiras causas de tanto sofrimento e bem-estar (Wallace. Equilíbrio conativo não implica que a pessoa simplesmente mude de objetivos. refletindo sobre os benefícios potenciais de alcançar estados excepcionais de equilíbrio mental e insights. é comum para pessoas que erroneamente identificam objetos externos. pp 142-156. substituindo um pelo outro. Ao mesmo tempo. é uma atração por um objeto o qual é conceitualmente maior ou exagerado em suas qualidades desejáveis enquanto filtram qualidades não desejáveis (Wallace. mas também sobre a causa e o efeito dos desejos específicos. e ligações aflitivas (incluindo vício). 188-215). 21). sobre as vidas daqueles que alcançaram tal realização. ansiedade e frustação. Estes incluem a reflexão sobre desejos significativos e saudáveis e reconhecem desejos prejudiciais que levam ao sofrimento. 2001b. transfere-se a . pp 218-222).

assim desapoderando a si. e Norcross (1992). um método efetivo em direção à melhora da motivação dos clientes frente a mudanças. Clientes frequentemente passam por estes estágios dependendo de seu nível emocional. Pesquisas mostram que terapeutas e intervenções combinadas ao nível conativo-emocional são altamente efetivos (Prochaska ET AL. 2000. 1992). um indivíduo com atenção excepcional pode sustentar uma atenção por períodos prolongados de tempo ao examinar as tendências na bolsa de valores. para uma revisão). Por exemplo. a ideia budista de boa motivação encontrou seu caminho na teoria da psicologia ocidental de estágios de mudança de modelo no comportamento de vício desenvolvida por Prochaska. Mas se ele ou ela não tem o equilíbrio conativo. além de metas que são inerentes à obtenção de equilíbrio. e apoderando o objeto de desejo (Rabten. Um franco atirador. A atenção à motivação na psicologia ocidental aumentou significantemente ao longo da última década graças ao trabalho de W. Apoio da psicologia ocidental As atuais pesquisas da psicologia ocidental apoiam a importância de ter aspirações claras e não conflitantes.própria possibilidade de sua felicidade no objeto pelo qual a mente se molda. e metas não conflitantes são predições de bem estar subjetivo e de felicidade. Pesquisas rigorosas examinando a pergunta do papel do equilíbrio conativo no modelo proposto de equilíbrio mental podem levar. Esta é uma pergunta empírica interessante. Miller e Rolnick (1991) e seus desenvolvimentos na intervenção motivacional.. DiClemente. Nossos modelos sugerem que a teoria prévia de que a intenção por trás da atenção é elementar (veja S. Questões empíricas Ensinamentos budistas colocam que a conação é essencial para o bem estar (Byrom. pode desenvolver uma atenção altamente concentrada sem as habilidades de atenção que levam ao bem estar. 1992). progredir em direção a estas. a possibilidade de resultados de cultivação atencional ou equilíbrio cognitivo que levam a um bem estar se equilíbrio conativo não está presente. Colocamos que os outros três equilíbrios mentais não levam ao bem estar sem o desenvolvimento do equilíbrio conativo. pode ser consumido (a) pela ganância ou medo e não experienciará o bem estar subjetivo .L. ele ou ela. Nosso modelo sugere que a faculdade da atenção em si não leva necessariamente ao bem estar. O modelo que desenvolvemos segue essa afirmação. Emmons (1986) descobriu que ter metas. Além disso. 1991). por exemplo. por exemplo. Por exemplo. Shapiro & Schwartz.

Atenção é disfuncional quando outras pessoas focam em coisas de maneira aflitiva. e no exercício altamente focado. a habilidade de monitorar o estado da mente. Enquanto a atenção está comprometida com a respiração. 2001. que é definida por menos textos budistas como uma atenção sustentada. senso de felicidade.(ex: qualidade de vida. Sob uma perspectiva budista. Um déficit de atenção corresponde diretamente ao conceito budista de lassidão. pode ter dificuldades em seguir as ordens de seu professor por cair no tédio ou desinteresse. um deve começar focando sua atenção nas sensações táticas da respiração. notando o mais rapidamente possível a ocorrência de lassidão ou excitação. 28-32). Shantideva (1997) com ênfase na importância de desenvolver habilidades de atenções para florescimento psicológico escreveu. Gethin. 524. 1995. Esses desequilíbrios são remediados através da cultivação da mente plena. Estudantes numa sala de aula. por exemplo. 2006a). p. stress baixo) ou bem estar objetivo (ex: Pressão arterial saudável e perfil imunológico). 975). não apenas aqueles diagnosticados com TDAH (Gunaratana. “Ao desenvolver zelo desta maneira. focada continuamente. p. quer elas surjam no corpo todo. o sujeito deve estabilizar a mente numa concentração meditativa. aqueles que não são condutivos de seu próprio e nem do bem estar alheio. PP. voluntária. já que uma pessoa cuja mente é distraída vive entre as presas das aflições mentais” (p. Wallace. monitora-se metacognitivamente o processo meditativo. 1999. resultando em uma agitação e distração compulsiva. 1979. reconhecendo se a atenção sucumbiu para excitação ou lassidão (Nanamoli & Bodhi. os estudantes podem ser desatentos em relação ao seu professor. hiperatividade e disfunção para as quais seres humanos sofrem. De acordo com os ensinamentos budistas. 1995. Equilíbrio de Atenção Equilíbrio de atenção. voluntária. Nesta prática. e atenção hiperativa corresponde à excitação (Larimpa. e outras distrações. pois eles estão pegos em seus próprios devaneios. incluindo o desenvolvimento de uma atenção sustentada. Buddahaghosa. Para retornar ao exemplo da sala de aula. 1985. é possível obtê-lo ao superar um déficit de atenção. Uma das práticas budistas mais difundidas é a mente plena da respiração.9. a atenção deve ser direcionada às sensações da passagem de ar nas narinas. e a meta-atenção. é um aspecto crucial para a saúde mental e performance otimizada de qualquer tipo de atividade significativa. alguém deve focar mais especificamente no movimento abdominal com cada inspiração e expiração. agitação. 2005a. Hiperatividade atencional ocorre quando a mente é excessivamente excitada. 36-44). 89). . 2001. PP. p. sem esquecimento ou distração (Asanga. um déficit adicional é caracterizado pela inabilidade de focar vividamente em um dado objeto.

1990). Shapiro & Swartz. também confirma a importância da atenção sustentada. . S. Desta maneira. 2000).L. a atenção desequilibrada pela lassidão ou excitação é superada (Wallace. o contraposto primário é aumentar a atenção tomando interesse no objeto da meditação. 2001. A teoria psicológica de fluxo. 2003). desenvolvida por Csikszentmihalyi (1990). 155-162). a estabilidade e nitidez da atenção também podem ser elementos-chave. comportamentos e tomadas de decisões. 13-22. Quando alguém está profundamente relaxado. o trabalho de Cohen e Blum (2002) coloca o valor central da atenção e controle cognitivo em guiar pensamentos. Pesquisas baseadas no conceito teórico de fluxo demonstram que a felicidade vem de atenção profunda e comprometimento na atividade (Csikszentmihalyi. O fluxo é determinado pelo estado de completa envolvência com uma atividade pela atividade em si. e. e xadrez – psicólogos geralmente descobrem que excitação da atenção é correlacionada ao esforço.. Essa asserção budista pode ser testada usando métodos de estudos psicológicos ocidentais. experencia-se um crescente sentimento de calma mental e física. Contudo. a primeira coisa a se fazer é relaxar mais profundamente. ao mesmo tempo. 200. muitas teorias de autorregulação discutem o lugar central da atenção na manutenção e melhoramento do funcionamento psicológico (Ryan & Deci. 2006a). Um dos aspectos mais intrigantes do treinamento de atenção budista está ligado ao desenvolvimento simultâneo de qualidades de relaxamento. matemática. Ao longo da prática meditativa. Por exemplo. Essa calma mental e física aparenta para a “resposta relaxante” e tem sido colocada por muitos psicólogos ocidentais como um mecanismo pelo qual a meditação afeta a saúde física e mental (Benston. 1984). Apoio da psicologia ocidental A teoria atual da psicologia ocidental corrobora com os ensinamentos de Buda na significância da atenção. isso é correlacionado com um alto nível de esforço (Critchley & Mathias.incluindo aqueles com habilidades em áreas como controle de tráfego aéreo. Baseando-se em muitos estudos de atenção em indivíduos saudáveis . no caso da mente se tornar agitada. PP. Adicionalmente. Tesdale ET AL. estabilidade atencional e nitidez. coerência e nitidez do aumento da atenção (Wallace. enquanto o relaxamento é uma parte importante na mudança efetiva.Quando a lassidão se instala. há um baixo nível de nitidez atencional. 2006a. música.

que é mantido enquanto se mantém profundamente relaxado e composto. PP. O resultado de tal treinamento é um estado anômalo de equilíbrio de atenção. atlética e buscas espirituais. a mente humana está no que se refere como “estado preso de desenvolvimento” ou como James (1911/1924) colocou: “comparado ao que devemos ser. e pode ser usada efetivamente para qualquer tarefa que for proposta (Wallace. nós estamos apenas. 1999). ao contrário. 1999) demonstram os efeitos da cegueira cognitiva. cegueira a mudanças. 167-173). estética. Por esta razão. que não detecta grandes quantidades de mudanças em cenas e objetos. Esta pesquisa sugere que as pessoas percebam e lembrem apenas os objetos e detalhes que recebem atenção focada (Simmons & Chabris. Duas perguntas empíricas que surgem permeando a atenção são “o que seria um nível ‘ótimo’ de atenção?” e “quais são as desvantagens de desequilíbrios atencionais?” De acordo com o budismo. Outra pergunta empírica seria: “O treinamento meditativo em atenção resulta em diminuição significativa na cegueira a mudanças?”. sobre esta base. Sem este treinamento mental. deve-se enfatizar a cultivação de relaxamento mental e físico. estabilidade de atenção é destacada. Pesquisas psicológicas (Simons & Chabris. A mente é agora livre da lassidão da atenção (déficit) e excitação da mesma (hiperatividade). teria implicações muito grandes para o treinamento de qualquer atividade. 1059) por causa da falta de atenção. 237). Perguntas empíricas Uma pergunta empírica que este aspecto do equilíbrio da atenção coloca é “qual teoria é correta”? A atenção focada oposta ao relaxamento ou o relaxamento é um pré-requisito fundamental para estados de atenção focada que podem ser mantidos por longos períodos de tempo sem exaustão? Se o segundo for confirmado por pesquisas.Na prática de atenção budista. e finalmente foca-se no desenvolvimento da nitidez de atenção. Simons e Chabris (1999) concluíram que as pessoas são “surpreendentemente ignorantes de detalhes de seus ambientes” e “não detectam grandes mudanças” (p. científica. 2006a. sendo esta acadêmica. . é chamado de quietude meditativa (shamantha). meio acordados” (p. atenção pode e deve ser treinada. o que resulta de uma limitada capacidade das habilidades não treinadas de atenção das pessoas.

(b) os sentimentos. 2002). pessoas mal interpretam emoções. em oposição ao pensamento puramente discursivo (Wallace. 2005a). 1992). como definida previamente. pp143-174. Lamrimpa. As quatro aplicações da mente plena para (a) o corpo. Superar tais desequilíbrios cognitivos é um dos temas centrais na prática budista. Usamos o termo cognitivo no senso de saber. Um exemplo comumente citado no budismo é confundir uma corda enrolada com uma cobra. p. acompanhada por projeções inconscientes de seus próprios medos e esperanças. no escutado. e então foi aplicada a uma experiência diária para se obter o equilíbrio cognitivo (Gunaratana. pessoas saudáveis também estão inclinadas a terem desequilíbrios cognitivos dos três tipos.82-102. projeta-se o medo e as expectativas no objeto (hiperatividade cognitiva). 233). há apenas o sabido” (Udana 8. 1985. As pessoas com desequilíbrios cognitivos severos estão radicalmente desconectadas à realidade e são comumente diagnosticadas com alguma forma de psicose. A faculdade da mente plena. Então se envolve no presente calma e claramente com experiência conforme ela cresce momento a momento. as pessoas estão apenas distraídas (déficit cognitivo). cultiva-se a faculdade a ser sustentada. no sentido. e são geralmente inclinadas a interpretar de maneira errada os eventos (disfunção cognitiva) de diversas maneiras devido ao desequilíbrio entre o déficit e hiperatividade cognitivos (Rabten. no sabido. a característica distinta do que consideramos equilíbrio cognitivo é que se vê o mundo sem desequilíbrios de hiperatividade. elas se pegam nas suas pressuposições e expectativas. atitudes. De acordo com o budismo. Gunaratana. Como disse Buda: “No visto. PP. No prévio desenvolvimento de equilíbrio adicional. portanto não apreendendo bem ou distorcendo estas experiências. Às vezes. onde uma das intervenções primárias é a aplicação da diferenciação da mente plena a qualquer coisa que surja de momento a momento. atenção vívida. Como não se percebe o objeto claramente (déficit cognitivo). resultando numa má identificação do objeto (disfunção cognitiva).Equilíbrio Cognitivo O Equilíbrio cognitivo ocasiona comprometimento com o mundo de experiências sem impor suposições conceituais ou ideias de eventos e. como citado em Analayo. há apenas o escutado. para então superar os desequilíbrios cognitivos. há apenas o sentido. 2006. 1991). e intenções de outras pessoas devido a uma falha na atenção nítida. Mas na visão budista. (c) os estados e processos mentais e (d) os fenômenos em geral constituem um dos sistemas mais fundamentais da prática meditativa no budismo para conseguir o insight através da superação dos desequilíbrios cognitivos. O primeiro desafio na cultivação budista é aprender como cuidar apenas do que está sendo apresentado como os sentidos e desenvolver consciência dos próprios processos mentais. há apenas o visto. De maneira similar. aplicam-se . déficit ou disfunção cognitiva (King. 1992. em outras ocasiões. falhando em distinguir entre a realidade percebida e suas fantasias (hiperatividade cognitiva). foi inicialmente cultivada como um meio de superar desequilíbrios adicionais.

Além disso. Por meio de uma atenção tão próxima à presença interativa de si com outras pessoas e o ambiente como um todo. 1993.. Apoio da psicologia ocidental. 1998).essas habilidades de atenção a um cuidadoso exame de presença física e mental de cada um em relação a todo tipo de interação. diminuição de ansiedade (J. 2003. L. 1990) e terapia cognitiva baseada na mente plena (Segal. Shapiro. recentes pesquisas mostram uma associação positiva entre as medidas de mente plena e resultados psicológicos e físicos de saúde (Baer. 2006). aprende-se a distinguir entre os conteúdos da percepção e das superimposições conceituais que são projetadas sob si pela experiência imediata do mundo (Thera. 1995). e cuidadosas observações do que é perceptualmente apresentado aos sentidos. 1973). Baer & Quillian-Wolever. Fletcher & Kabat-Zinn. Duas outras medidas de mente plena. afeto positivo e autoestima.. Speca. 2006. a Atenção Mental e a Escala de Consciência foram inversamente correlacionadas a sintomas médicos e número de visitas a profissionais médicos. Treinamento em intervenções baseadas em mente plena demonstrou significantes resultados positivos psicológicos e fisiológicos em populações clínicas e não clínicas (Baer.L. 2003). também foram associados com a saúde psicológica. 2002) e distúrbios alimentares (Kristeller. Brown & Ryan. er AL. problemas de déficit cognitivo são superados. 2001). . Schwartz & Bonner. Kabat-Zinn. a Atenção Mental e a Escala de Consciência foram inversamente relacionadas à depressão. Além disso. aumenta a qualidade de sono (S. 2004) e o desenvolvido recentemente Questionário de Cinco fatores de Mente Plena (Baer ET AL. Há um crescente corpo de pesquisas científicas explorando os efeitos terapêuticos desse treinamento de mente plena (Baer. Lopez. 2003). Shapiro. Por exemplo. terapia de controle (D. pesquisas em intervenções baseadas em mente plena encontraram uma diminuição na depressão (Teasdale ET AL. Por exemplo. 2002). 2003). raiva. 1996) e terapia de aceitação e comprometimento (Hayes. Hopkins. Smith. a mente plena foi integrada a um número de intervenções psicológicas inovadoras. 1998). Indo mais além. Por exemplo. Patel & Goodey. Williams & Teasdale. 2003). 1993). e melhora em psoríases (Kabat-Zinn. Smith & Allen. melhora imunológica e fisiológica o funcionamento de pacientes com câncer (Carlson. o Inventário de Habilidades de Mente Plena de Kentucky (Baer. Krietemeyer & Toney. Shapiro. H. Figueredo &Schwartz.Miller. Bootzin. em adultos e alunos de ensino superior (Brown & Ryan. 2000).. incluindo redução de stress baseando-se na mente-plena (Kabat-Zinn. 2006). e também está sendo desenvolvida para uso em comportamentos de vício (Marlatt. e ansiedade e relacionada positivamente com otimismo. S. 2004). mente plena é um componente da terapia dialética comportamental (Linehan. Astin & Schwartz.

Seria interessante que pesquisas futuras investissem em examinar o quanto de cada abordagem pode ser usada efetivamente e em quem.. a cultivação do equilíbrio afetivo é virtualmente equivalente ao desenvolvimento de habilidades de regulação emocional. é importante notar algumas limitações metodológicas da literatura passada sobre intervenções baseadas na mente plena. ao invés de mudar os pensamentos em si. 1962).Apesar dos importantes achados e das inovadoras maneiras em que a mente plena é introduzida à intervenção psicológica. da atenção e cognição. equilíbrio afetivo é uma resposta natural do equilíbrio conativo. Um distúrbio de déficit afetivo tem os sintomas de morte emocional dentro de um senso de uma fria indiferença em relação aos outros . mas afeta desequilíbrios e também desampara outras facetas da saúde (Goleman. incluindo um número de julgamentos aleatorizados e controlados (Carson. o objetivo da mudança é o relacionamento com os pensamentos.L. Shapiro et AL. evidências preliminares. Há três componentes cruciais que não foram adequadamente discutidos na literatura: (a) a avaliação a longo prazo. Pesquisas futuras devem usar métodos bem controlados utilizando a intervenção com mente plena com grupos comparativos e devem avaliar implicações de longo prazo. 1997. antes de se comprometer a qualquer avaliação ou intenção de mudar seu conteúdo. portanto desenvolve um estado meta cognitivo de consciência desconectada aos pensamentos. Como definimos o termo. 1995). Ellis. S. 2003). O meditador. Gil & Baucom. Então definido. Na prática da mente plena. Esta suposição é ímpar em relação às atuais teorias cognitivas (Beck. a abordagem em relação a pensamentos é diferente.. Teasdale. Carson. 1995. (b) o teste em relação a grupos de comparação e (c) a provocação de mecanismos explicativos. Perguntas empíricas Há uma hipótese relacionada a intervenções baseadas em mente plena contribuem para uma saúde mental maior que é cultivada por equilíbrio cognitivo e ensinando participantes a mudarem seu relacionamento com pensamento. 1976. 2004. Embora tanto a mente plena e a terapia cognitiva sublinhem consciência e auto monitoramento no momento presente. enquanto a terapia cognitiva dá ênfase à mudança deles (Teasdale et AL. 1998) parecem ser promissoras. equilíbrio afetivo relaciona-se à liberdade de emoções excessivas. Segal & Williams. Ainda assim. Equilíbrio Afetivo De acordo com nosso modelo.

A disfunção afetiva ocorre quando as respostas emocionais das pessoas são inapropriadas à circunstância atual. Empatia era medida por uma fonte confiável e válida de medição auto reportada (coeficiente alpha de .89). 2004). 1997. começa-se ansiando pela felicidade de si e suas causas. 2002). tranquilidade para todos os seres. sugere que esta qualidade pode ser desenvolvida através de um sistemático sistema de prática de meditação. 2005b. Thondup. 2000. então gradualmente estende-se esta aspiração aos amigos e parentes. respectivamente como (a) o anseio sincero de que si e os outros podem experienciar o bem estar e o que isso causa (b) o anseio sincero de que si e os outros podem se livrar do sofrimento e de suas causas. ficando feliz em relação à desgraça do outro. 1980. Wallace. alegria empática. adoração e contenção. Shantideva. compaixão. indiferentemente dos gostos e desgostos autocentrados de si (Wallace. 2002). alguns deles aplicáveis a pessoas em geral. PP 110-122. hostilidade. 151-152). Um teste randômico controlado examinou os efeitos de sete semanas de meditação de mente plena com os níveis de empatia em estudantes de medicina. Estes são definidos. 2002). (c) alegria empática. 2001ª). tranquilidade que promovem equilíbrio para ser sujeito de pesquisas empíricas para determinar a promoção de benefícios para a saúde. outros a visões de religião e mundo específicas. ou ficar triste em relação ao sucesso do outro. que é central à alegria empática e à compaixão. Hiperatividade afetiva é caracterizada pela excessiva exaltação ou depressão. imparcialmente (Davidson & Harrington. compaixão. O ideal é que se cultive amor. desilusão. o budismo apresenta um sistema de práticas de meditação feito para combater o desequilíbrio afetivo cultivando qualidades como (a) amor. gentileza . Em um método de cultivação de amor-gentileza. a Escala de Medida de . PP. Este pioneirismo em pesquisa começou. (c) alegria em si e nas alegrias e virtudes alheias e (d) um senso imparcial de cuidar pelo bem estar dos outros. Carson e seus colegas (2004) recentemente conduziram um estudo controlado aleatório com pacientes com dor crônica e descobriram que a meditação amor-gentileza foi associada com uma menor incidência de dor nas costas e dor. Apoio da psicologia ocidental A cultivação do equilíbrio afetivo e as quantidades de amor-gentileza. arrogância e inveja (Khyentse. paixão e aversão. estranhos e até inimigos (Salzberg. Outro estudo examinando empatia. Salzberg. alegria empática. e (d) tranquilidade (Aronson. por exemplo.gentileza (b) compaixão. Além disso. medo e esperança. como Buda ensinou. O budismo trata desequilíbrios afetivos com muitos métodos específicos para combater aflições mentais como ânsia. por exemplo.(Wallace. 1993. Psicólogos e contempladores do mundo têm concebido um grande número de intervenções para curar tais desequilíbrios afetivos.

Pesquisas futuras poderiam contribuir muito caso expandissem a pesquisa com o exame de mudanças comportamentais e neurais. et AL. 1989. e tranquilidade numa cultivação de equilíbrio afetivo. alegria empática. Waldron. Shapiro. a prática budista foca-se na qualidade emocional da gratidão (Rinchen. PP. Enquanto a psicologia ocidental comumente presume que pessoas normais estão bem psicologicamente.. Mas na verdade é uma maneira de florescer que subjaz e permeia todos os estados emocionais. por debaixo desses desequilíbrios é mais saudável (Rueg. Wallace & Hodel. Resumindo. 1981). Perguntas Empíricas Todos os estudos foram focados em medidas auto reportadas. mas um de natureza mais profunda. Além dos ensinamentos centrais do amor-gentileza. Por exemplo. Resultados indicaram significante aumento de empatia e diminuição de ansiedade e depressão no grupo de meditação comparado ao controle (S. é uma maneira de unir-se à vida baseada na maneira completa dela. 62-67) Pesquisas psicológicas confirmaram a importância dessa qualidade para bem estar psicológico e fisiológico. e que sofrem . A suposição budista de que a procura pelo bem estar é uma que é o estado natural aflicionado por desequilíbrios mentais. assim como apresentado neste artigo não é simplesmente um prazer guiado pelo estímulo.Construção de Empatia (La Monica. um que embraça todos os aspectos da vida. 2003. 2006). que são inerentemente limitantes. compaixão. 2006b. É preciso explorar mais para determinar quais populações e treinamentos em equilíbrio afetivos são mais efetivos. seria a meditação amor-gentileza mais efetiva que a mente plena para depressão ou seria o ótimo combinar os dois? Um resumo do bem estar e equilíbrio mental Bem estar. adultos que mantiveram um diário e listaram coisas que os faziam sentirem-se gratos reportaram aumento no sentimento de felicidade e aumentaram comportamentos ligados a melhora de saúde em comparação ao controle (Emmons &McCullough. Wallace. L. O treinamento do equilíbrio mais efetivo que treinamento de equilíbrio cognitivo para doenças específicas? Por exemplo. emergindo ocasionalmente na esteira da vida. em um teste randomizado. com equilíbrio mental e um entendimento da realidade. 2003). 1997. 1998).

2006). os próximos passos são: definir. mas que com um esforço. Embora certos tipos de desequilíbrios mentais sejam de nascença e variam de um indivíduo para o outro. não limitado ao sensorial. 2000). “Imagine se todos os suportes externos para o seu senso de felicidade presente e segurança de repente desaparecessem. para a pesquisa avançar. O que sobraria?”) Essas medidas poderiam ser incluídas em testes clínicos de meditação e prática para determinar qual cultivação dos quatro equilíbrios mentais precisam levar ao grande bem estar. 2003. Abaixo destacamos perguntas críticas. cuja exploração continuará a enriquecer mutualmente o budismo e a psicologia ocidental. Além disso. educação e outras influências sociais sobre a criança (Tsong-kha-pa. eles podem aumentar ou diminuir como resultado da criação. Este trabalho já começou com o desenvolvimento de múltiplas dimensões de bem estar (Ryff &Synger.O desenvolvimento nosso deste modelo para avançar no bem estar é uma tentativa. L. Este é um ponto no qual a psicologia e o budismo podem convergir e colaborar para o benefício de todos. trabalho preciso de definições e hipóteses precisam ser colocados. De acordo com o budismo. o budismo declara que pessoas normais estão inclinadas. 2000). as mentes das pessoas não são intrinsicamente desequilibradas. 1998). estes desequilíbrios podem ser contidos. medidas adicionais precisam ser levadas em consideração. 1997). Nosso modelo de bem estar é uma tentativa de facilitar tal colaboração. que é a nossa hipótese. operacionalizar e desenvolver os quatro tipos de equilíbrio mental. Contudo. Shapiro & Walsh. . Contudo. comportamental. especificamente os insights oferecidos pela perspectiva budista nos quatro aspectos do equilíbrio mental pois poderiam enriquecer o estudo científico do bem estar. e não os outros.mentalmente por estarem suscetíveis a doenças. Por exemplo. seria interessante examinar os efeitos de desenvolver apenas um dos equilíbrios mentais. contudo. Especificamente em relação ao nosso modelo dito. Direções futuras Há inúmeras rotas de pesquisa promissoras para pesquisar em parceria entre a ciência moderna e o budismo (S. intelectual ou de estímulos estéticos (Dhamma. Walsh & Shapiro. em diferentes níveis. resultando num estado de bem estar. métodos confiáveis e válidos de medição precisam ser desenvolvidos. só habituadas a isso. a quatro das instabilidades mentais descritas neste artigo e que sofrem por causa delas (Tsong-kha-pa. há uma necessidade de medidas seguras que explicitam o bem estar que não são dependentes de circunstâncias externas (ex.

Mindfulness in the Pali Nikayas. Nauriyal. Há a habilidade de medir correlações comportamentais e neurais a métodos budistas. Tais pesquisas podem confirmar. Especificamente. Buddhist thought and applied psychological research: Transcending the boundaries (pp. desafiar. cognitivo e afetivo. (1986). K. M. 229–249). The psychology of happiness. & Y. expandindo o horizonte de ambas as disciplinas para o benefício de todos. Acreditamos que os insights budistas podem continuar a se desenvolver. atencional.A psicologia ocidental oferece rigor científico e tecnológico. Argyle. e expandir o modelo de equilíbrio mental proposto neste artigo. A intenção deste artigo é mostrar um modelo inovador e uma tentativa de ligar o sistema antigo budista ao sistema mental desenvolvido contemporaneamente com as abordagens científicas à saúde mental e bem estar. ajudados pela psicologia ocidental. introduzimos uma teoria de bem estar e como chegar a ele cultivando os quatro tipos de equilíbrio mental: conativo. London: Methuen. Conclusão As possibilidades de enriquecimento mútuo entre ensinamentos budistas e a psicologia ocidental são inúmeras.). B. London: Routledge. M. Nossa intenção para este artigo é catalisar inovadoras pesquisas rigorosas entre o potencial mútuo do budismo e a teoria psicológica. com sua teoria. refinar. In D. Drummond. (2006). Lal (Eds. . e um estudo empírico da riqueza e técnica dos sistemas práticos do budismo foi desenvolvido. S. REFERENCIAS Analayo.

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