Você está na página 1de 14

ALMEIDA, M. E. B. Integração de currículo e tecnologias: a emergência de web currículo. Endipe, Belo Horizonte, 2010.

INTEGRAÇÃO DE CURRÍCULO E TECNOLOGIAS: A EMERGÊNCIA DE WEB CURRÍCULO

Maria Elizabeth Bianconcini de Almeida Pontifícia Universidade Católica de São Paulo Resumo A integração das tecnologias de informação e comunicação com o currículo faz parte hoje das políticas públicas de diferentes países, mas os avanços observados são desiguais entre as escolas de um mesmo sistema ou de países diferentes. Nesse sentido, a análise de experiências de uso das TIC em atividades curriculares poderá trazer contribuições sobre as condições que favorecem a superação das dificuldades enfrentadas e os avanços no sentido de integrar as TIC ao currículo em situações que as tecnologias possam trazer contribuições significativas ao seu desenvolvimento e às mudanças. Este trabalho tem como foco a integração de ferramentas e interfaces da Internet conforme as características intrínsecas das tecnologias, as linguagens e os sistemas de signos configurados que suportam os modos de produção do currículo, constituindo o que se denomina de web currículo. Com o objetivo de aprofundar os estudos sobre essa integração no Brasil e em Portugal, apresenta-se um estudo em contexto de uma escola pública de Portugal, o qual aponta os avanços e as ambigüidades do processo de integração das tecnologias no contexto concreto da sala de aula, ou seja, de como vai se construindo na prática a concepção de web currículo. Palavras chave Currículo; tecnologias de informação e comunicação; web currículo; tecnologias na educação Introdução As iniciativas públicas para a inserção de tecnologias na educação no Brasil e em Portugal tiveram início no final da década de 80 do século XX a partir de experimentos piloto em escolas, desenvolvimento de projetos de pesquisa e de formação de professores em universidades. Esse processo representou uma inovação ao criar um espaço de diálogo com pesquisadores que se dedicavam a estudos sobre computadores e educação, especialistas das secretarias de governos e professores das escolas, bem como fortaleceu a articulação entre pesquisa, ensino e extensão, a qual se tornou um elemento chave nas experiências e estudos no campo das tecnologias na educação. Desde então, foram desenvolvidos diferentes projetos voltados para a integração de tecnologias na educação, com características específicas, avanços, limitações e novos desafios, cuja compreensão se torna relevante no momento que se descortina uma nova possibilidade de integrar ao currículo as tecnologias móveis e com conexão à internet, que podem ser utilizadas a qualquer tempo e de qualquer lugar, em distintos contextos e

para que eles aprendam. o Ministério da Educação – MEC lançou em 1984 o primeiro programa . Isto significa que. tornarem-se cidadãos responsáveis. B. no bojo das quais se situavam os primeiros programas de introdução de computadores nas escolas. ou seja. Endipe. e. Assim. Este trabalho tem como foco a integração das tecnologias com o currículo no Brasil e em Portugal. possam se desenvolver. Belo Horizonte. No Brasil. sobretudo. do lazer e do trabalho em diferentes setores de atividades. é premente integrar a escola com a cultura das tecnologias e mídias digitais. Brasil e Portugal têm a enfrentar um grande desafio para manter os estudantes nas escolas.ALMEIDA. que aponta os avanços e as ambigüidades desse processo de integração. acompanhamento e avaliação de projetos de uso das TIC nas escolas e atualmente com o uso de diferentes recursos tecnológicos da internet e outros artefatos. M. com reflexos na cultura escolar. trabalhar com linguagens e instrumentos midiáticos que fazem parte da cultura. ambientes de aprendizagem. entre os quais os computadores portáteis. entre outras necessidades educacionais. Introdução do computador na escola Na década de 80 diferentes países adotaram políticas de informática voltadas ao desenvolvimento de produtos da microeletrônica e ao atendimento à demandas dos setores produtivos de profissionais com competência científica-tecnológica. Integração de currículo e tecnologias: a emergência de web currículo. A proposta parte da constatação das similaridades das iniciativas de introdução da informática na educação pública do Brasil e de Portugal em relação à contemporaneidade (desde os projetos Educom do Brasil e Minerva de Portugal lançados em meados dos anos 80 do século XX). que traz em seu bojo o desafio de integrar as tecnologias no contexto concreto da sala de aula. comprometidos com a construção de uma sociedade mais justa e que tenham condições de assumir os novos postos de trabalho que surgem com a evolução das tecnologias e da ciência. traz consigo a concepção de web currículo. à integração com a pesquisa científica por meio da participação de universidades na realização. o panorama atual da globalização influencia a disseminação da cultura digital na sociedade e provoca o surgimento de políticas públicas com vistas à inserção dos cidadãos na sociedade da tecnologia e da informação em distintos países. desenvolver conhecimentos a partir das informações oriundas de diferentes fontes. E. nesta primeira década do século XXI. focando um estudo no contexto de uma escola de Portugal. 2010. A par disso.

estudavam teorias educacionais para compreender as concepções subjacentes ao uso da informática em educação e criavam propostas de uso do computador a serem desenvolvidas nas escolas ou nos CIED. M. Universidade Federal do Rio de Janeiro/UFRJ e Universidade Federal do Rio Grande do Sul/UFRGS. Belo Horizonte.Projeto FORMAR. as tecnologias passavam a compor o currículo sem que houvesse uma efetiva integração às distintas áreas de conhecimento. O trabalho com projetos ou problemas considerava o computador como ferramenta de aprendizagem com base nas idéias de Papert (1985) e na educação transformadora de Paulo Freire (2001). ou seja. 1 . Entretanto. Universidade Federal de Pernambuco. ALMEIDA. implantou os Centros de Informática na Educação – CIED. Universidade Federal de Minas Gerais/UFMG. planilhas eletrônicas e gerenciadores de banco de dados (VALENTE. Endipe. Paralelamente. em parceria com Secretarias Estaduais de Educação. os professores aprendiam a dominar a tecnologia. Essa formação propiciava ao professor utilizar o computador com seus alunos em atividades que aconteciam em paralelo ao contexto da sala de aula. Integração de currículo e tecnologias: a emergência de web currículo. Nesse projeto de formação. denominado Projeto EDUCOM. A integração do computador ao currículo se desenvolvia em disciplinas específicas ou com projetos e estudos de problemas advindos de temas geradores (MENEZES. dedicados a investigar experiências de uso do computador em escolas públicas (ANDRADE. Os professores eram preparados para inserir o computador na prática pedagógica em cursos de formação continuada de curta duração ou em cursos de especialização. E. com a criação de centros-piloto em cinco universidades públicas brasileiras1. Os centros pilotos do Projeto EDUCOM foram implantados nas seguintes universidades: Universidade Estadual de Campinas/ UNICAMP. muitos dos quais traziam o título de informática educativa ou informática na educação. 1993). 2010. Desse modo. nacional de informática na educação. LIMA. cujo funcionamento se viabilizou a partir da formação de professores . 2001). B.ALMEIDA. o que se sobressaía nesse trabalho eram os conhecimentos sobre as tecnologias em uso. 1999. as práticas pedagógicas não se sustentavam diante das dificuldades enfrentadas pelos professores para levar avante uma ação interdisciplinar que partisse de indagações e conhecimentos dos alunos até chegar à sistematização do conhecimento. Tais usos ocorriam segundo os princípios da abordagem instrucionista com o uso de software educativo do tipo CAI (instrução auxiliada por computador) ou com o uso da linguagem de programação Logo concebida por Seymour Papert (1985) segundo a abordagem construcionista ou ainda com programas aplicativos básicos como editores de desenhos ou de textos. 1993) e à produção de software educativo.

1996). Lançado no final de 1985. Integração de currículo e tecnologias: a emergência de web currículo. à falta de verbas e. Por sua vez. Endipe. Atualizar) e com a introdução da disciplina Tecnologia Educativa no currículo da formação inicial e em serviço de professores. a outros fatores entre os quais a preparação inadequada dos professores diante da abordagem de mudança pedagógica dificilmente compreendida pelos professores. Importa observar se a informática e. para que e a favor de quem usá-los (FREIRE. p. mantendo a lógica do isolamento disciplinar. B. E. M. na sociedade e na educação. centrada em estudos sobre tecnologias na vida. Belo Horizonte. mais amplamente. Algumas universidades incluíram no currículo da formação inicial de professores disciplinas destinadas ao estudo de informática na educação. Valorizar. 1) apontam que os resultados alcançados com a inserção do computador na educação até então se mostraram aquém dos objetivos pretendidos devido à carência de recursos tecnológicos disponíveis nas poucas escolas onde se desenvolviam os projetos. Valente e Almeida (1997. como se as tecnologias não interferissem na produção e socialização de conhecimentos de distintas áreas de estudos e na vida de estudantes e docentes. sobretudo. na busca de potencializar a modernização do ensino. como orientar-se aos estudos da tecnologia em si mesma e ao desenvolvimento de destrezas no domínio instrumental da máquina. questionando não só como usá-los e sim por que. Portugal iniciou suas ações de uso do computador na educação com o Projeto Minerva (Meios Informáticos Na Educação: Racionalizar. Em qualquer vertente. 2010. Além disso. que se desenvolviam segundo uma vertente instrumental voltada ao domínio dos recursos do computador ou na vertente teórica. que tanto pode direcionar-se ao desenvolvimento do currículo e de novas estratégias de ensino e de aprendizagem com o uso de tecnologias.ALMEIDA. o desenvolvimento da cultura tecnológica na educação não se faz apenas com uma nova legislação ou com a criação de uma disciplina específica. o Projeto Minerva assumiu uma abordagem de caráter mais instrumental na proposta inicial com o objetivo da introdução “de forma racionalizada. dos meios informáticos no ensino não superior” em uma iniciativa que tinha como propósito “valorizar activamente o sistema educativo em todas as suas componentes” e . as tecnologias de informação e comunicação – TIC estão incorporadas às práticas curriculares das diferentes disciplinas da formação de professores e à reflexão sobre as contribuições à aprendizagem e ao ensino propiciadas pelo uso de recursos tecnológicos específicos. a integração de tecnologias ao currículo caracterizouse pela adição de mais uma disciplina.

as mudanças educativas pretendidas não foram alcançadas. portanto. Integração de currículo e tecnologias: a emergência de web currículo. as TIC permitem novos modos de comunicação e expressão do pensamento por meio da escrita. 2004) indica o surgimento de novos desafios educacionais porque evidenciam a necessidade de . como ocorreu em vários estados e municípios do Brasil (ALMEIDA. que mostrou as possibilidades do trabalho pedagógico com o uso de hipertextos e trouxe outras potencialidades de comunicação multidirecional por meio da integração a-linear de distintas mídias (palavras. Endipe. Desse modo. saltar entre informações. 2003). Observa-se. 2010. 2008) como em Portugal (COSTA. Apesar dessa expansão. M. ALMEIDA. 2002). os sistemas educativos passaram a trabalhar com projetos de inserção das tecnologias envolvendo um conjunto considerável de escolas. ALMEIDA. B. do som e da combinação de várias modalidades que se integram em uma hipermídia (LEMKE. imagens. interpretar textos. E. A compreensão de que o uso das TIC demanda novas habilidades cognitivas diferentes daquelas mobilizadas na leitura de um texto impresso (SANTAELLA. páginas. RIPPER. estabelecer ligações e associações usando diferentes recursos e linguagens. 1993. vídeo). animações. sons. da imagem. e evidenciou potencialidades pedagógicas das tecnologias de informação e comunicação – TIC. 2004). SILVA. As possibilidades de acesso às informações disponibilizadas pela representação em hipertexto incitam o leitor/escritor a desenvolver habilidades de ler. As TIC e o currículo Em finais do Século XX e na primeira década do Século XXI vivencia-se um novo momento para a educação com tecnologias no Brasil e em Portugal com a integração do computador com as telecomunicações. os computadores continuaram subutilizados tanto no Brasil (VALENTE. gráficos. MENEZES. assim como escrever e criar outros textos e hipermídias (ALMEIDA. Dos experimentos pilotos iniciais. que pudesse suportar “uma dinâmica permanente de avaliação e actualização de soluções” (BLANCO. 2004. 44). p.ALMEIDA. que as ações iniciais realizadas para introduzir a informática na educação brasileira e portuguesa ficaram distantes do discurso propugnado nos documentos. 1993) e em todas as regiões de Portugal. mas esse momento criou uma ambiência para a continuidade das ações com professores e pesquisadores mobilizados. 1993. 1997. Belo Horizonte. não foram encontradas as soluções almejadas.

racionalização e divisão do trabalho. B. constituídas por ferramentas disponíveis na internet . Essa ideia direciona o olhar para a educação a distância – EaD mediatizada pelas TIC a EaD online. 1983) de produção em massa. a distância ou híbrida. pesquisadores do Brasil e Portugal se dedicam a desenvolver investigações e a disseminar conhecimentos sobre o uso de ferramentas e interfaces das TIC e suas possibilidades de contribuir para a aprendizagem e o ensino como elementos estruturantes (SILVA. que se desenvolve em ambientes virtuais de aprendizagem suportados por plataformas computacionais instaladas em servidores dedicados. as quais podem ser identificadas pelos registros digitais das interações.correio. porém. 2004) para que possam utilizá-los no desenvolvimento do currículo. bate-papo. fazendo uso de materiais hipermidiáticos como apoio. Por outro lado. que permitem organizar informações. a representação do conhecimento por meio de distintas linguagens e o desenvolvimento de produções em colaboração com pessoas situadas em distintos tempos e lugares evidenciam possibilidades de superação da abordagem alicerçada em princípios da organização industrial (PETERS.ALMEIDA. permitindo reconhecer o currículo prescrito e o currículo real desenvolvido na ação. 2010.. ao desenvolver o currículo mediatizado pelas ferramentas da internet para a interação social. das informações e da participação segundo critérios pré-estabelecidos de organização conforme características da plataforma computacional em uso. Integração de currículo e tecnologias: a emergência de web currículo. desenvolver e gerir processos comunicativos multidirecionais e multimodais. Assim. proporcionar a professores e alunos o domínio dos recursos tecnológicos (SNYDER. banco de materiais hipermidiáticos etc. No campo de estudos das tecnologias na educação. 2001) do currículo (prescrito e real) da educação na modalidade presencial. E. Endipe. estabelecer conexões com links internos ou externos ao sistema. por meio de métodos instrucionais baseados na distribuição de materiais didáticos digitalizados. criam-se possibilidades para a mudança na concepção de currículo. M. O desenvolvimento do currículo mediatizado pelas TIC pode fortalecer a concepção de currículo centrado em conteúdos prescritos. Belo Horizonte. as potencialidades da comunicação multidirecional e multimodal. a construção de conhecimentos e a aprendizagem colaborativa. fórum. a participação freqüentemente é restrita a um grupo de pessoas que têm acesso a essa rede mediante senha. conferência. De igual . no reforço da lógica disciplinar e na avaliação somativa acompanhada de feedback automatizado. Esses ambientes oferecem a vantagem de propiciar a gestão das atividades.

envolvendo distintas linguagens e sistemas de signos configurados de acordo com as características intrínsecas das tecnologias e mídias que suportam os modos de produção do currículo. B. recursos e oferecer diferentes serviços.0 (O’REILLY. 2010. os diferentes tempos. produzir conhecimentos. A Web 2. Integração de currículo e tecnologias: a emergência de web currículo. as quais têm a oportunidade de compartilhar informações e trabalhar em colaboração para resolver problemas emergenciais de contextos específicos. as práticas sociais de comunicação. as concepções de currículo. estruturada com suporte em recursos de interconexão e compartilhamento segundo uma arquitetura participativa. 2005) engloba as funções online anteriormente realizadas com suporte em softwares instalados em um computador (servidor de ambiente virtual). e da ampliação da conexão à Internet em banda larga surge a web 2. as relações entre múltiplas culturas. e utiliza a Internet como uma plataforma aberta de livre acesso. espaços e linguagens. os objetivos pedagógicos e as condições contextuais. experiências prévias e atividades desenvolvidas em processo (SACRISTAN. os saberes da prática docente. Nessa perspectiva integradora e de interferências e transformações mútuas do currículo e das tecnologias. métodos. que possibilita a abertura e a flexibilidade do currículo identificado na primeira geração da Internet.0. procedimentos. pesquisam sobre a plasticidade das TIC e como suas ferramentas e interfaces podem ser moldadas conforme as concepções e metodologias implícitas nos projetos pedagógicos e nas atividades realizadas por meio das TIC. educação e tecnologias. 1998). no qual estão envolvidos tanto os conhecimentos científicos como os elementos simbólicos culturais. Assim. E. M. Belo Horizonte. Do poder de criação das TIC. propõe-se o termo web currículo como o currículo que se desenvolve por meio de ferramentas e interfaces da Internet. as técnicas e os artefatos. web currículo integra as tecnologias com o currículo. conforme os limites e potencialidades das TIC. o currículo real.0. De sua parte. as experiências de professores e alunos. que expande o potencial de interação com as informações e com as pessoas situadas em lugares com acesso às TIC. também chamada de Web 1. o qual envolve campos de conhecimentos de diferentes áreas: comunicação. construído na prática social que compreende conteúdos. Endipe. . resulta do trabalho efetivo entre professor e alunos na sala de aula ou no ambiente virtual em uso. modo. a negociação e atribuição de significados entre todos os participantes. Essa integração se estabelece para além das mídias e envolve as mensagens e os contextos.ALMEIDA.

cujas tramas compõem o currículo na própria ação. entrevistados professores e alunos.ALMEIDA. 3 http://www. foi desenvolvido o presente estudo a partir de dados coletados em visitas a uma escola de Portugal. 2007) com gestão compartilhada e aberta à participação e à co-autoria entre pessoas de todas as partes do mundo com maior ênfase na interação do que na busca de conteúdo.rcts. com múltiplos currículos (GALLO. valores e atitudes.pt/ . 2010. O site3 da escola traz informações precisas sobre as cinco escolas do agrupamento. com disciplinas que se intercomunicam e permitem desenvolver inúmeros percursos. próximo à cidade do Porto. Os alunos são oriundos da zona urbana e rural e apresentam um desempenho em exames nacionais e em outros indicadores educacionais dentro da média portuguesa. critérios de avaliação. consultado o diário de bordo elaborado pela pesquisadora com base na observação na escola. Essas características da web 2. 2004. Para isto foram utilizados documentos e informações obtidas em sites e blogs. diversos pontos de partida e chegada.0 constitui um modelo de geração de produtos hipermidiáticos desenvolvidos em redes periféricas distribuídas (PRIMO.EB 2. Endipe. O site mostra a estrutura e organização da escola e seus principais documentos tais como projeto de escola. dinâmico e múltiplo. 8º e 9º ano de escolaridade obrigatória em Portugal. na zona oriental do Concelho de Vila do Conde. o currículo está voltado ao desenvolvimento de competências.0 associadas com as tecnologias móveis como os netbooks. 2008) e regulamentação do Concelho Pedagógico do Agrupamento. o 2º ciclo compreende o 5º e 6º ano e o 3º ciclo engloba o 7º. 2008). E. Estudo sobre web currículo em contexto de escola de Portugal Com o objetivo de compreender como se desenvolve a integração entre as tecnologias e o currículo em escolas de diferentes contextos. A Web 2. projeto curricular. entre outros elementos do planejamento. Conforme orientação das diretrizes do Ministério da Educação – ME de Portugal (COSTA. Integração de currículo e tecnologias: a emergência de web currículo. O contexto de estudo que se apresenta para esta análise é o da Escola Básica de 2º e 3º ciclos . Carlos Pinto Ferreira (Junqueira)2 pertencente ao Agrupamento Vertical de Escolas da Junqueira. Ifones e celulares potencializam o desenvolvimento de um currículo aberto e flexível. 45-46) e narrativas curriculares (DIAS. B. situado ao norte do Rio Ave.3 Dr. Belo Horizonte. Vila do Conde (Escola EPT) e sede desse agrupamento. As 2 O 1º ciclo corresponde às séries iniciais do 1º ao 4º ano. M.eb23-junqueira.

3). No 2º ciclo a tecnologia está associada à disciplina Educação Visual e Artística. também. identifica-se no projeto curricular da escola a presença de disciplinas relacionadas ao uso de tecnologias e outras que tratam do estudo sobre elas. linha de acesso a Internet banda larga. 2008. Possui também quatorze (14) computadores portáteis. já os valores e as atitudes são especificados pelo Concelho Pedagógico e constam do seu projeto Educativo. E. p. outra sala possui vinte e quatro (24) computadores destinados ao uso de alunos para desenvolver trabalhos escolares. Emília Miranda: O objetivo do Projeto Voo-BPF é o de criar uma comunidade de aprendizagem em rede. iniciado em 2007 e hoje incorporado pelo Plano Tecnológico da Educação. 2010. 2007). sendo uma sala de TIC com quinze (15) computadores para uso em disciplinas de TIC dos 8. Belo Horizonte. a Profa. no âmbito da web 2. competências a serem desenvolvidas até o final da educação básica são definidas pelo ministério. B. por meio do registro de atividades através do recurso a uma ferramenta de trabalho colaborativo (blog). O uso das TIC faz parte do projeto curricular da escola e do agrupamento. p. modelo de mercado.ALMEIDA. para uso em diferentes áreas curriculares. instrumentos de trabalho na área curricular não disciplinar denominada Projetos. o que indica uma postura interdisciplinar diante do conhecimento em construção com o uso de tecnologias (ALMEIDA. M. 17).º e 9º anos. Portugal e . entre os quais o projeto Voo-BPF.0. Conforme diretrizes do ME. criar as condições físicas que favoreçam o sucesso escolar dos alunos e consolidar o papel das tecnologias da informação e da comunicação (TIC) enquanto ferramenta básica para aprender e ensinar nesta nova era” (Ministério da Educação. Evidencia-se assim uma ambiguidade. os quais foram introduzidos na escola por meio do projeto “Iniciativa Escolas. 2007. Endipe. Integração de currículo e tecnologias: a emergência de web currículo. inclusive com interfaces da Web 2. em consonância com as políticas do Conselho Europeu para a Educação: “é essencial valorizar e modernizar a escola.0. pois as TIC são objeto de estudos em disciplinas específicas e. seguindo as orientações do Plano Tecnológico da Educação (PTE. já no 3º ciclo as disciplinas Educação Tecnológica e Novas Tecnologias da Informação e Comunicação direcionam-se ao domínio instrumental da informática e o desenvolvimento de competências relacionadas ao trabalho em equipe. estabelecendo um intercâmbio com escolas de Brasil (duas). A escola possui dois laboratórios com equipamentos de projeção multimídia. Professores e Computadores Portáteis”. Na opção biblioteca do site da escola constam diversos projetos que se desenvolvem com o uso das TIC conjugadas ao currículo. promovido pelo ME. De acordo com depoimento de sua criadora.

No VOO BPF. E. Integração de currículo e tecnologias: a emergência de web currículo. M. os alunos consultaram a biografia do autor e lhe fizeram um conjunto de perguntas que foram organizadas em temas e postadas no blog4 em diferentes momentos. e com a participação deste. Endipe. professores. relatou algumas dificuldades enfrentadas relacionadas com problemas técnicos devido à conexão lenta e ao estado precário dos computadores.uminho. 2010.pt/netescrita (consultado em 17. A escola de Portugal localizou na cidade do Porto um sobrinho bisneto de Santos Dumont. Ao longo do ano letivo foi feita a leitura da obra de Fragata acompanhada da produção de textos e desenhos publicados no blog netescrit@5 pelos professores e alunos das quatro escolas. França [escola de comunidade lusófona]. escritor. B.2009). assim como do Brasil. . desenvolvido na ação. iniciado no ano de 2007 com vistas a favorecer o desenvolvimento das competências de leitura e de escrita de alunos do ensino básico. o que pode ser identificado no blog construído em conjunto. a professora Emília. à situação geográfica de cada um dos países envolvidos no projeto. Os alunos da escola da França. as diferenças culturais e as semelhanças entre os povos. não se restringiu ao prescrito. Em entrevista.ALMEIDA. fez com que os alunos trabalhassem com outros conhecimentos relacionados às singularidades do idioma. a prática social de exercício da lingugaem para além dos limites geográficos da escola e dos países.nonio. indicando que o currículo real. bem como a introdução espontânea de comentários no blog não foi completamente alcançada.com/ Mais informações em http://www. o qual propiciou a interação entre todos e.blogspot. além de promover a produção de conhecimentos sobre a obra. que é português e foi dialogar com eles na escola. Algumas respostas do autor provocaram a curiosidade em relação aos personagens citados. autoridades educacionais dos três países. que foi objeto de estudos pelos alunos. O compartilhamento das experiências. Em Março de 2008 o projeto foi retomado com novas turmas de alunos e as produções anteriores foram referência e ponto de partida para a continuidade das produções a partir de estudos com a mesma obra. 4 5 http://voobpf. Os alunos de cada escola buscaram informações relevantes sobre a história da aviação e os locais significativos dessa história em seu próprio país. do escritor brasileiro Cláudio Fragata. Belo Horizonte. foram visitar e fizeram reportagens sobre locais onde a se desenvolve a ação da obra de Fragata. No final desse período foi realizada uma videoconferência com a participação de alunos. partindo da leitura da obra Seis Tombos e Um Pulinho. sobretudo. entre os quais Monteiro Lobato.11.

ele teve o papel de estabelecer redes de significados construídos coletivamente entre os alunos das escolas dos três países. 2010. conforme destacado por Goodson ao propor a mudança de um currículo prescritivo para um currículo como identidade narrativa. 242). 2007. currículo entendido como narrativa. histórias de vida e auo-estima: Com este blog colaborativo já conhecido em quase todo o mundo parece que já somos pessoas muito importantes mesmo sendo pré-adolescentes.. Integração de currículo e tecnologias: a emergência de web currículo. deu muitos tombos mas conseguiu levantar-se sempre e voou. semelhante a um hipertexto organizado em redes com nós que se interligam. O nosso voo já teve e tem muito sucesso. (12/11/2008) O currículo concebido como narrativa se desenvolve na prática social. Como exemplo. E. Tentou. o projeto foi um catalisador de mudanças no currículo dos alunos envolvidos. Se esse projeto não faz parte do coletivo das ações de professores e alunos das escolas envolvidas em seu desenvolvimento. quis continuar a descobrir coisas em que nunca tinha pensado. a partir dessas descobertas.ALMEIDA. com mais criatividade e alegria o nosso trabalho. A par disso. com a integração das tecnologias na concepção e no desenvolvimento do projeto curricular como prática e práxis. Belo Horizonte. O Projeto Voo-BPF é um exemplo de narrativa curricular construída na ação. faremos certamente cada vez melhor. Endipe. por sua vez. Várias pessoas nem sequer sabem como é o maravilhoso e espantoso SantosDumont que não inventou só aviões. por isso nós consideramos que podemos fazer coisas cada vez melhores. Portugal e França) e quem mais quiser juntar-se a nós. Também queria dizer que fiz novas descobertas muito interessantes e. Postagens no blog por alunos das escolas envolvidas mostram a dimensão desse projeto para suas narrativas curriculares. de uma aprendizagem cognitiva prescrita para uma aprendizagem narrativa de gerenciamento da vida (GOODSON. principalmente. B. A investigadora Clara Coutinho (2007) ressalta que o sentido do uso da tecnologia na escola se relaciona com a intenção pedagógica. é o glossário criado com palavras que têm significado próprio em cada país. abertas à criação de novos nós e ligações com a construção do conhecimento. p. M. história e conhecimentos sistematizados em um processo de re-construção de conhecimentos.. integra cultura. e. no qual cada aluno teve a oportunidade de delinear sua trajetória de aprendizagem e . (12/11/2008) Outro aluno postou um comentário que indica a identificação da própria capacidade de conviver com as dificuldades da vida e não desistir dos sonhos: Tudo começou a partir de um livro escrito por Cláudio Fragata que falava do sonho que Santos Dumont tinha por voar. Nós todos juntos (Brasil.

LIMA. Educação. Abril. Endipe. 1993. Referências bibliográficas Almeida. E.educom. vol. . 2001. 2008a. M. Visão Analítica da Informática no Brasil: a questão da formação do professor. Brasília: MEC/OEA.2009) ______. Tecnologias na Educação: dos caminhos trilhados aos atuais desafios. _______. Assim.3 Dr. Integração de currículo e tecnologias: a emergência de web currículo. 2003. Por meio desse projeto foi possível tecer na prática redes de significados. a partir da experiência da escola EB 2.10. p. em consonância com sua proposta curricular. contribuindo para criar uma cultura de aprendizagem ao longo da vida (PTE.2. 2004. de modo que essas tecnologias estejam disponíveis para uso no momento em que haja a emergência de uma situação cujo estudo as TIC poderão trazer significativas contribuições ao currículo. ano 21. Formação e prática pedagógica. M. Educação e Pesquisa. 29. E. B. VALENTE. M.3 Dr. BOLEMA – Boletim de Educação Matemática. Belo Horizonte. São Paulo: Editora Articulação. jul. ANDRADE. 2008.1(1).. M. O que se observa ao cruzar as informações do projeto Voo-BPF com os dados do site da Escola EB 2. de Junqueira. São Paulo: PROEM. M. Educação e Tecnologias no Brasil e em Portugal em Três Momentos de sua História. há indícios de que há um movimento de integração das TIC com o currículo. B. Projeto EDUCOM. Carlos Pinto Ferreira. Inclusão digital do professor.29. Disponível em http://eft. ambigüidades e revelam um desafio a superar relacionado com a integração das TIC no contexto da sala de aula. 2010. São Paulo: v. In: Revista Brasileira de Informática na EducaçãoSBIE. B. mas este se faz com avanços. F. Considerações finais A integração das TIC com o currículo pode ser impulsionada por meio de políticas públicas articuladas a um projeto de país. J. no 1. n. Em Portugal. ALMEIDA. ALMEIDA. ao favorecer o recurso a métodos de ensino mais interactivos e construtivistas. Formação & Tecnologias.. ______. C. [Online]. projetos. este projeto está claramente explicitado no Plano Tecnológico da Educação. Revista da Faculdade de Educação. Conteúdos e as aplicações são essenciais para a alteração das práticas pedagógicas. Takano Ed. J. que orienta a elaboração do projeto curricular dos agrupamentos e os projetos das escolas. 1997. Universidade de São Paulo. Brasil. inclusive os que envolvem o uso das tecnologias. .ALMEIDA. P.pt (consulta: 10. Carlos Pinto Ferreira é que seu projeto curricular mostra uma ambigüidade entre duas lógicas: a mudança provocada pelas narrativas curriculares e a da manutenção de disciplinas centradas no estudo de tecnologias. E. n. F. A.. 6572). 2007./dez. tecnologia e conhecimento. descobertas. mas não se pode afirmar que tenha chegado a transformar as propostas curriculares da escola. In Educação.

p. B.Design Patterns and Business Models for the Next Generation of Software. J. 4ª ed. BLANCO. 12 n.º 7.L. GOODSON. L. In Freire. Tecnologia Educativa e Currículo: caminhos que se cruzam ou se bifurcam? Revista Teias: Rio de Janeiro.scielo. RIPPER. COSTA. Lisboa. 1996. 2010. (Anexo à resolução do Conselho dos Ministros nº 137/2997. Braga. et al. Currículo. – pp.. 14a ed. P. 37-55. Da e-moderação à mediação colaborativa nas comunidades de aprendizagem. SILVA. 2007.ul. I. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. PEREIRA. In: Valente.php/eft/issue/view/5 (consulta em 27. In Educação. As Tecnologias de Informação e Comunicação nas Reformas Educativas .educom. J. S. Visual Communication. P.proped. A. Vol 1(3). p. São Paulo: Paulus. In: GONSALVES..pro. Z. São Paulo. E. O. F. 2007. Endipe. Logo e a Formação de Professores: o uso interdisciplinar do computador na educação. MENEZES. D. p. O'REILLY. Logo: computadores e educação.1(1). I. Distance Education: International Perspectives. 2004. T. São Paulo: Paz e Terra. 1993.periodicos. 2001. S. 1993. CARVALHO. PAPERT. PETERS. Edições Colibri.12. 2007. Distance Teaching and Industrial Production: A Comparative Interpretation in Outline. 1998. B. evolução. Computadores e Conhecimento: repensando a educação. A. 2004. Lisboa: GEPE/ME. Disponível: http://www. M. C. M. mai/ago. J. Disponível em: http://eft. O'Reilly Publishing. ano 8. São Paulo: Alínea. 2002. Tecnologia Educativa em Portugal: conceitos. Porto Alegre: Artmed.fl. 299-325.0.11.pdf COUTINHO. 1985. Revista Portuguesa de Educação. vol. P. _______ . pp. jan/dez. P. (org. GIMENO SACRISTAN. A orquídea e a vespa: transversalidade e currículo rizomático. SANTAELLA. Londres/Nova Iorque: Croomhelm/St. A. 1-21. E.0 .pt/index. São Paulo: Editora Unesp. In Revista Brasileira de Educação v. Navegar no ciberespaço: o perfil cognitivo do leitor imersivo. São Paulo: Brasiliense. nº 15-16. Travels in hypermodality. E. 1983. e alii (eds.. Disponível em: http://www. M. n. Martin‟S. 19-32. 2005. áreas de intervenção e investigação. Integração de currículo e tecnologias: a emergência de web currículo. B. v. D. Currículo: os conteúdos do ensino ou uma análise da prática? In: Gimeno Sacristan.6. Polifonia. 119-148.php?journal=revistateias&page=issue &op=view&path[]=14 (consulta em 20. J.pt/unil/pol7/pol7_txt2. What Is Web 2.). Campinas/SP: Gráfica Central da UNICAMP. Abril 2008. Formação & Tecnologias. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO DE PORTUGAL. O que Justifica o Fraco Uso dos Computadores na Escola? Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa. origens.br/pdf/rbedu/v12n35/a05v1235. v.07. Universidade do Minho. Belo Horizonte. narrativa e o futuro social. A. Compreender e transformar o ensino. PRIMO.).pdf (consulta em 10. 9.Compós (Brasília).ALMEIDA. S. E. Currículo e contemporaneidade: questões emergentes. A V. GALLO. A. de 18 de setembro).2009) FREIRE.). y Pérez Gomes. M. Pedagogia dos sonhos possíveis. 37-50. O Projeto Eureka. 35.2009) LEMKE. (org. O aspecto relacional das interações na Web 2.br/index. Disponível em http://www. Dissertação de Mestrado na ECA/USP. D. 2007. Plano Tecnológico da Educação. 3. 2004.2009) DIAS. n. p. E. 1993. in SEWART. & SILVA.

A. Revista Portuguesa de Educação. 541-573. SILVA. M. .ALMEIDA. Formação de Professores: Diferentes abordagens pedagógicas.. VALENTE. Um olhar sobre a avaliação do Programa Nónio no âmbito da intervenção do Centro de Competência da Universidade do Minho. B. Ano/vol. Acessado em: 03/08/2007. A.unicamp. In J. Universidade do Minho. Integração de currículo e tecnologias: a emergência de web currículo. SILVA. D. J. In: Conferência Internacional Challenges’99. 1999.html.br/acervo/2004. 2004. 2010. E. Braga. p. 002. Disponível em: www. Endipe. Conferência ministrada na Unicamp. 14. em Portugal. M. Literacy in the age of the internet. C. SNYDER. 131-156. Portugal. Valente (org) O Computador na Sociedade do Conhecimento. Campinas (SP): NIED-UNICAMP. p.A. L.cameraweb. Belo Horizonte. Braga. 2001. 1999. B. n.