Você está na página 1de 120

HIDROLOGIA

DANIEL FONSECA DE CARVALHO LEONARDO DUARTE BATISTA DA SILVA

AGOSTO DE 2006

Hidrologia

Agosto/2006

HIDROLOGIA
CAPÍTULO 1. INTRODUÇÃO À HIDROLOGIA 1.1. Introdução Hidrologia: é a ciência que trata da água na Terra, sua ocorrência, circulação e distribuição, suas propriedades físicas e químicas e sua relação com o meio ambiente, incluindo sua relação com a vida. (United State Federal Council Science and Technology). O início dos estudos de medições de precipitação e vazão ocorreu no século 19, porém, após 1950 com o advento do computador, as técnicas usadas em estudos hidrológicos apresentaram um grande avanço. 1.2. Hidrologia Científica • Hidrometeorologia: é a parte da hidrologia que trata da água na atmosfera. • Geomorfologia: trata da análise quantitativa das características do relevo de bacias hidrográficas e sua associação com o escoamento. • Escoamento Superficial: trata do escoamento sobre a superfície da bacia. • Interceptação Vegetal: avalia a interceptação pela cobertura vegetal da bacia hidrográfica. • Infiltração e Escoamento em Meio Não-Saturado: observação e previsão da infiltração e escoamento da água no solo. • Escoamento em Rios, Canais e Reservatórios: observação da vazão dos canais e cursos de água, e do nível dos reservatórios. • Evaporação e Evapotranspiração: perda de água pelas superfícies livres de rios, lagos e reservatórios, e da evapotranspiração das culturas. • Produção e Transporte de Sedimentos: quantificação da erosão do solo. • Qualidade da Água e Meio Ambiente: trata da quantificação de parâmetros físicos, químicos e biológicos da água e sua interação com os seus usos na avaliação do meio ambiente aquático.
Prof. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. Leonardo Duarte Batista da Silva
1

Hidrologia

Agosto/2006

1.3. Hidrologia Aplicada Está voltada para os diferentes problemas que envolvem a utilização dos recursos hídricos, preservação do meio ambiente e ocupação da bacia hidrográfica. Áreas de atuação da Hidrologia: • Planejamento e Gerenciamento da Bacia Hidrográfica: planejamento e controle do uso dos recursos naturais. • Abastecimento de Água: limitação nas regiões áridas e semi-áridas do país. • Drenagem Urbana: cerca de 75% da população vive em área urbana. Enchentes, produção de sedimentos e problemas de qualidade da água. • Aproveitamento Hidrelétrico: a energia hidrelétrica constitui 92% de toda energia produzida no país. Depende da disponibilidade de água, da sua regularização por obras hidráulicas e o impacto das mesmas sobre o meio ambiente. • Uso do Solo Rural: produção de sedimentos e nutrientes, resultando em perda do solo fértil e assoreamento dos rios. • Controle de Erosão: medidas de combate à erosão do solo. • Controle da Poluição e Qualidade da Água: tratamento dos despejos domésticos e industriais e de cargas de pesticidas de uso agrícola. • Irrigação: a produção agrícola em algumas áreas depende essencialmente da disponibilidade de água. • Navegação. • Recreação e Preservação do Meio Ambiente. • Preservação dos Ecossistemas Aquáticos. 1.4. Estudos Hidrológicos • Baseiam-se em elementos observados e medidos no campo. • Estabelecimento de postos pluviométricos ou fluviométricos e sua manutenção ininterrupta são condições necessárias ao estudo hidrológico. • Projetos de obras futuras são elaboradas com base em elementos do passado.
Prof. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. Leonardo Duarte Batista da Silva
2

Hidrologia

Agosto/2006

1.5. Importância da Água A água é um recurso natural indispensável para a sobrevivência do homem e demais seres vivos no Planeta. É uma substância fundamental para os ecossistemas da natureza. É importante para as formações hídricas atmosféricas, influenciando o clima das regiões. No caso do homem, é responsável por aproximadamente ¾ de sua constituição. Infelizmente, este recurso natural encontra-se cada vez mais limitado e está sendo exaurido pelas ações impactantes nas bacias hidrográficas (ações do homem), degradando a sua qualidade e prejudicando os ecossistemas. A carência de água pode ser para muitos países um dos fatores limitantes para o desenvolvimento. Alguns países como Israel, Territórios Palestinos, Jordânia, Líbia, Malta e Tunísia a escassez de água já atingiu níveis muito perigosos: existem apenas 500 m3.habitante-1.ano-1, enquanto estima-se que a necessidade mínima de uma pessoa seja 2000 m3.habitante-1.ano-1. Atualmente a falta de água atinge severamente 26 países, além dos já citados estão nesta situação: Arábia Saudita, Iraque, Kuwait, Egito, Argélia, Burundi, Cabo Verde, Etiópia, Cingapura, Tailândia, Barbados, Hungria, Bélgica, México, Estados Unidos, França, Espanha e outros. No Brasil, a ocorrência mais freqüente de seca é no Nordeste e problemas sérios de abastecimento em outras regiões já são identificados e conhecidos. Alertas de organismos internacionais mencionam que nos próximos 25 anos, cerca de 3 bilhões de pessoas poderão viver em regiões com extrema falta de água, inclusive para o próprio consumo. A idéia que a grande maioria das pessoas possui com relação à água é que esta é infinitamente abundante e sua renovação é natural. No entanto, ocupando 71% da superfície do planeta, sabe-se que 97,30% deste total constituem-se de águas salgadas1, 2,70% são águas doces. Do total de água doce, 2,07% estão congeladas em geleiras e calotas polares (água em estado sólido) e, apenas 0,63% resta de água doce não totalmente aproveitada por questões de inviabilidade técnica, econômica, financeira e de sustentabilidade ambiental (Figura 1).

Prof. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. Leonardo Duarte Batista da Silva

3

Hidrologia
Te rra s emersa s
Salgada 97,3%

Agosto/2006

Água

29% 71%

Doce (geleiras e calotas) 2,07%

Doce 0,63%

Figura 1 - Distribuição da água no planeta. Em escala global, estima-se que 1,386 bilhões de km3 de água estejam disponíveis, porém, a parte de água doce econômica de fácil aproveitamento para satisfazer as necessidades humanas, é de aproximadamente 14 mil km3.ano-1 (0,001%). Desde o início da história da humanidade, a demanda de água é cada vez maior e as tendências das últimas décadas são de excepcional incremento devido ao aumento populacional e elevação do nível de vida. A estimativa atual da população mundial é de 6 bilhões. Um número três vezes maior do que em 1950, porém enquanto a população mundial triplicou o consumo de água aumentou em seis vezes. A população do país aumentou em 26 anos 137%, passando de 52 milhões de pessoas em 1970 para 123 milhões em 1996, e para 166,7 milhões em 2000. Já a disponibilidade hídrica, de 105 mil m-3.habitante-1.ano-1, em 1950, caiu para 28,2 mil m-3.habitante-1.ano-1, em 2000. A Organização das Nações Unidas, ONU, prevê que, se o descaso com os recursos hídricos continuar, metade da população mundial não terá acesso à água limpa a partir de 2025. Hoje, este problema já afeta cerca de 20% da população do planeta – mais de 1 bilhão de pessoas. Mantendo-se as taxas de consumo e considerando um crescimento populacional à razão geométrica de 1,6% a.a., o esgotamento da potencialidade de recursos hídricos pode ser referenciado por volta do ano 2053. Portanto, as disponibilidades hídricas precisam ser ampliadas e, para tanto, são necessários investimentos em

1

Água salina apresenta salinidade igual ou superior a 30‰. Água salobra apresenta variação de 0,50‰ a 30‰ na concentração de sais dissolvidos. Água doce apresenta salinidade menor ou igual a 0,50‰. 4 Prof. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. Leonardo Duarte Batista da Silva

Hidrologia

Agosto/2006

pesquisa e desenvolvimento tecnológico para exploração viável e racional da água. O continente da América do Sul conta com abundantes recursos hídricos, porém existem consideráveis diferenças entre as distintas regiões nas quais os problemas de água se devem, sobretudo ao baixo rendimento de utilização, gerenciamento, contaminação e degradação ambiental. Segundo a FAO a Argentina, o Peru e o Chile já enfrentam sérios problemas de disponibilidade e contaminação da água por efluentes agro-industriais. A situação brasileira não é de tranqüilidade, embora seja considerado um país privilegiado em recursos hídricos. Contudo, conflitos de qualidade, quantidade e déficit de oferta já são realidade. Outra questão refere-se ao desperdício de água estimado em 40% por uso predatório e irracional. Por exemplo, em Cuiabá o desperdício chega a 53% de toda água encanada e na cidade de São Paulo a população convive com um desperdício de 45% nos 22000 km de encanamentos, causados por vazamentos e ligações clandestinas. Enquanto a escassez de água é cada vez mais grave, na região nordeste a sobrevivência, a permanência da população e o desenvolvimento agrícola dependem essencialmente da oferta de água. O Brasil é o país mais rico em água doce, com 12% das reservas mundiais. Do potencial de água de superfície do planeta, concentram-se 18%, escoando pelos rios aproximadamente 257.790 m3.s-1. Apesar de apresentar uma situação aparentemente favorável, observa-se no Brasil uma enorme desigualdade regional na distribuição dos recursos hídricos (Figura 2). Quando comparamos estas situações com a abundância de água na Bacia Amazônica, que corresponde às regiões Norte e Centro-Oeste, contrapondo-se a problemas de escassez no Nordeste e conflitos de uso nas regiões Sul e Sudeste, a situação agrava-se. Ao se considerar em lugar de disponibilidade absoluta de recursos hídricos renováveis, àquela relativa à população deles dependentes, o Brasil deixa de ser o primeiro e passa ao vigésimo terceiro no mundo. Mesmo considerando-se a disponibilidade relativa, existe ainda em nosso país o problema do acesso da população à água tratada, por exemplo, podemos citar a cidade de Manaus, que está localizada na Bacia Amazônica e grande parte das moradias não recebe água potável. No Brasil, cerca de 36% das moradias, ou
Prof. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. Leonardo Duarte Batista da Silva
5

(Associação Subterrâneas). inclusive detendo o maior aqüífero do mundo. No caso específico da região Nordeste. A questão crucial do uso da água subterrânea reside no elevado custo de exploração além de exigir tecnologia avançada para investigação hidrogeológica. cujas reservas atenderiam a demanda total e à Bahia com atendimento quase total.) Amazônia . Prof. pois estes não ocorrem em mais do que 40% da área do estado.16. a cidade de Ribeirão Preto. elevada evaporação e escassez de águas superficiais.Recursos hídricos no Brasil.Hidrologia Agosto/2006 seja.) meros palpites Segundo Brasileira o e avaliações a de ABAS Águas tem o grosseiras. o aqüífero Guarany. no Brasil a matéria é tratada com Nordeste . Muitas cidades já são abastecidas em grande parte por águas de poços profundos. as reservas hídricas subterrâneas constituem uma alternativa para abastecimento e produção agrícola irrigada. não têm acesso a água de boa qualidade. aproximadamente 20 milhões de residências. As águas subterrâneas no Brasil oferecem um potencial em boa parte ainda não explorado. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. Ao contrário de outros países que possuem informações e bancos de dados do potencial subterrâneo de água.3. Brasil impressionante volume de 111 trilhões e 661 milhões de metros cúbicos de água Outras regiões .3% (27% pop. Figura 2 . contribuem apenas como complemento dos recursos hídricos superficiais para atendimento da demanda hídrica. As disponibilidades hídricas subterrâneas da região indicam que os recursos subterrâneos.7% (66% pop. Exceções podem ser dadas aos estados de Maranhão e Piauí. Leonardo Duarte Batista da Silva 6 .) em suas reservas subterrâneas.80% (7% pop. caracterizada por reduzidas precipitações. por exemplo. caso a distribuição dos aqüíferos fosse homogênea. dentro da margem de segurança adotada para a sua exploração. segundo dados do IBGE.

em termos médios. Estimase que ao nível mundial. Pode-se prever um maior incremento da produção agrícola no hemisfério sul. sem considerar a ineficiência dos métodos e sistemas de irrigação e o manejo inadequado desta. Leonardo Duarte Batista da Silva 7 . Apesar Uso doméstico 10% 20% 70% Agricultura do grande consumo de água. que sob irrigação. África e Austrália. é possível verificar que para produzir uma tonelada de grão são utilizadas mil toneladas de água.Hidrologia Agosto/2006 O setor agrícola é o maior consumidor de água. Avaliando a necessidade de água dos cultivos. lagos e aqüíferos subterrâneos). Avaliações de projetos de irrigação no mundo inteiro indicam que mais da metade da água derivada para irrigação perde-se antes de alcançar a zona radicular dos cultivos. 20% é utilizada para uso doméstico e 10% pelo setor industrial. Um outro fato preocupante é velocidade de degradação dos recursos hídricos. Ao nível mundial a agricultura consome cerca de 70% de toda a água derivada das fontes (rios. a irrigação representa a maneira mais eficiente de aumento da produção de alimentos. e os outros 30% pelas indústrias e uso doméstico (Figura 3). especialmente pela possibilidade de elevação da intensidade de uso do solo. sem o controle e a administração adequados e confiáveis não será possível uma agricultura sustentável. produz até três cultivos por ano. O país lança sem nenhum tratamento aos rios e lagoas cerca de 85% dos esgotos Prof. A expansão da agricultura irrigada se tornará uma questão preocupante devido ao elevado consumo e as restrições de disponibilidade de água. Indústria Figura 3 . Sendo este o elemento essencial ao desenvolvimento agrícola. os índices de consumo de água para a produção agrícola sejam mais elevados na América do Sul. no ano de 2020. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof.Uso setorial da água no planeta. No Brasil 70% da água consumida ocorre na agricultura irrigada. com o despejo de resíduos domésticos e industriais nos rios e lagos.

O saneamento básico é de fundamental importância para a preservação dos recursos hídricos. uma criança vítima de diarréia. Prof. Essas medidas além de salvar vidas humanas ainda iriam proporcionar economia dos recursos públicos. e poluição da água e preservação ambiental. faria com que aproximadamente 2 milhões de crianças deixassem de morrer anualmente por causa de diarréia. As conseqüências da baixa qualidade dos recursos hídricos remetem à humanidade perdas irreparáveis de vidas e também grandes prejuízos financeiros. A pontuação dos países é a soma de notas em cinco quesitos (melhor de 20 em cada): • • • • • quantidade de água doce por habitante. No mundo 10 milhões de pessoas morrem anualmente de doenças transmitidas por meio de águas poluídas: tifo. pois a cada R$ 1. educação e desigualdade social. por meio do Conselho Mundial da Água. pois cada 1 litro de esgoto inutiliza 10 litros de água limpa. malária. parcela da população com água limpa e esgoto tratado.Hidrologia Agosto/2006 que produz.00 investido em saneamento básico estima-se uma economia de R$ 10. industrial e agrícola. Leonardo Duarte Batista da Silva 8 . Somente a Ásia despeja 850 bilhões de litros de esgoto nos rios por ano. doença proveniente do consumo de água de baixa qualidade. A qualidade da água pode ser alterada com medidas básicas de educação e a implementação de uma legislação adequada. saúde. a cada 25 minutos morre no Brasil. desperdício de água doméstico. segundo dados do IBGE. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. divulgou em dezembro de 2002 um ranking de saúde hídrica. Segundo a ONU. Com o aumento de 50% ao acesso à água limpa e potável nos países em desenvolvimento. infecções diarreicas e esquistossomose.00 em saúde. renda. cólera. A UNESCO.

2 52.Hidrologia Agosto/2006 Ranking da Saúde Hídrica Colocação 1 2 5 11 13 16 18 22 32 34 35 39 País Finlândia Canadá Guiana Reino Unido Turcomenistão Chile França Equador Estados Unidos Japão Alemanha Espanha Pontos 78.8 41.0 57. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof.3 58.3 35.9 68.6 60.3 46.1 Prof.9 60.8 64.7 75.0 67.0 64.9 43.6 50 52 56 58 71 74 85 93 100 101 106 111 118 119 120 126 131 135 147 Brasil Itália Bélgica Irã Egito México Paraguai Israel Índia Arábia Saudita China Sudão Jordânia Marrocos Camboja Moçambique Iêmen Angola Haiti 61.0 68.5 63.9 53.2 46.8 71.5 70.2 60.9 53.1 49.5 55.9 46.0 77.1 65.6 51. Leonardo Duarte Batista da Silva 9 .2 44.

e) abastecimento industrial. etc. e b) o país ocupa o 50º lugar no ranking mundial da saúde hídrica. O uso dos recursos hídricos por cada setor pode ser classificado como consuntivo e não consuntivo. etc. Leonardo Duarte Batista da Silva 10 . Prof. navegação. Exemplos: abastecimento. é devolvida a esses mananciais a mesma quantidade e com a mesma qualidade. o uso não-consuntivo da água é realizado por: a) navegação fluvial. pesca. uma quantidade menor e/ou com qualidade inferior é devolvida. preservação. É aquele uso em que é retirada uma parte de água dos mananciais e depois de utilizada. Exemplos: pesca. ou ainda nos usos em que a água serve apenas como veículo para uma certa atividade. irrigação. isto é. geração de energia.6.7. Exercícios 1) Comente a seguinte afirmativa: “O planeta está secando”. controle de cheia. c) abastecimento urbano. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. d) navegação fluvial. recreação. Usos Múltiplos da Água Em função de suas qualidades e quantidades. ou seja. parte da água retirada é consumida durante seu uso. b) recreação. geração de energia. irrigação. b) Uso Não Consuntivo. durante o uso. a água propicia vários tipos de uso. pesca. 3) Comente as seguintes situações em relação ao Brasil. É quando. dessentação dos animais. a água não é consumida durante seu uso. ou seja. a) Uso Consuntivo. é retirada uma determinada quantidade de água dos manaciais e depois de utilizada.Hidrologia Agosto/2006 1. 1. irrigação. a) O país detém 12% de toda a água doce da superfície terrestre. 2) (Questão 01 Prova de Hidrologia Concurso ANA 2002) Em uma bacia hidrográfica. múltiplos usos.

a água subterrânea pode ressurgir à superfície (nascentes) e alimentar as linhas de água ou ser descarregada diretamente no oceano. A água que se infiltra no solo é sujeita a evaporação direta para a atmosfera e é absorvida pela vegetação. Na Figura 5 observa-se que. No entanto. as águas subterrâneas e a atmosfera. Prof. topografia. as águas superficiais. por exemplo.1. circule através de linhas de água que se reúnem em rios até atingir os oceanos (escoamento superficial) ou se infiltre nos solos e nas rochas. temperatura. CICLO HIDROLÓGICO 2. A quantidade de água e a velocidade com que ela circula nas diferentes fases do ciclo hidrológico são influenciadas por diversos fatores como. O Ciclo da Água É o fenômeno global de circulação fechada da água entre a superfície terrestre e a atmosfera. já que uma parte. a cobertura vegetal. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. uma vez na superfície. a devolve à atmosfera. na zona onde os espaços entre as partículas de solo contêm tanto ar como água. as calotes de gelo. O conceito de ciclo hidrológico (Figura 4) está ligado ao movimento e à troca de água nos seus diferentes estados físicos. que através da transpiração. Este processo chamado evapotranspiração ocorre no topo da zona não saturada. entra na circulação subterrânea e contribui para um aumento da água armazenada (recarga dos aquíferos). que ocorre na Hidrosfera. que faz com que a água condensada se caia (precipitação) e que. impulsionado fundamentalmente pela energia solar associada à gravidade e à rotação terrestre. altitude. fissuras e fraturas (escoamento subterrâneo). tipo de solo e geologia. os poros ou fraturas das formações rochosas estão completamente preenchidos por água (saturados). na zona saturada (aquífero). A água que continua a infiltrar-se e atinge a zona saturada. Nem toda a água precipitada alcança a superfície terrestre. entre os oceanos. Este movimento permanente deve-se ao Sol. que fornece a energia para elevar a água da superfície terrestre para a atmosfera (evaporação). O topo da zona saturada corresponde ao nível freático.Hidrologia Agosto/2006 CAPÍTULO 2. Leonardo Duarte Batista da Silva 11 . na sua queda. pode ser interceptada pela vegetação e volta a evaporar-se. ou seja. através dos seus poros. e à gravidade.

Hidrologia Agosto/2006 Figura 4 – Componentes do ciclo hidrológico. Figura 5 – Movimentação de água no perfil do solo. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. Leonardo Duarte Batista da Silva 12 . Prof.

e a precipitação sobre a superfície do solo. Equação Hidrológica I . após a detenção em vários pontos. como por exemplo a movimentação da água do solo e da superfície terrestre para a atmosfera. ao escoamento subterrâneo. em parte pela própria atmosfera. do oceano. no volume de controle. é na realidade bastante Prof. servindo também para dar ênfase às quatro fases básicas de interesse do engenheiro. à evaporação e à transpiração das plantas. ou seja. o escoamento subterrâneo. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. com a água se movendo de uma forma permanente e com uma taxa constante. 2. a entrada de água através dos limites subterrâneos do volume de controle. Embora possa parecer um mecanismo contínuo. retorno. através da atmosfera. o ciclo hidrológico é um meio conveniente de apresentar os fenômenos hidrológicos. sem passar pelo oceano. escoamento superficial. devido ao escoamento superficial. O = saídas de água do volume de controle. que são: precipitação. Apesar dessa simplificação. e ∆S = variação no armazenamento nas várias formas de retenção. para o continente. devido ao movimento lateral da água do subsolo. para o oceano. Leonardo Duarte Batista da Silva 13 . escoamento subterrâneo.2. através de escoamentos superficiais ou subterrâneos e. evaporação e transpiração. e b) curtos-circuitos que excluem segmentos diversos do ciclo completo.O = ∆S I = (entradas) incluindo todo o escoamento superficial por meio de canais e sobre a superfície do solo.Hidrologia Agosto/2006 Resumo do ciclo hidrológico: a) circulação da água.

3. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. Prof. variando tanto no espaço como no tempo. Exercícios 1) (Questão 19 Prova de Hidrologia Concurso CPRM 2002 . 4) Explique o Ciclo Hidrológico. b) (item 5) Os principais componentes associados ao ciclo hidrológico são a precipitação (P). pois o movimento da água em cada uma das fases do ciclo é feito de um modo bastante aleatório. os recursos hídricos se tornaram escassos.Certo ou Errado) a) (item 2) o ciclo hidrológico é o fenômeno global de circulação fechada de água entre a superfície terrestre e a atmosfera. 2. enfatizando cada um de seus componentes. mesmo havendo a renovação de água por meio do Ciclo Hidrológico. Em determinadas ocasiões. Leonardo Duarte Batista da Silva 14 . a infiltração (I). 5) Discuta a renovação da água pelo Ciclo Hidrológico e a velocidade de degradação ambiental. E são precisamente estes extremos de enchente e de seca que mais interessam aos engenheiros. 3) Qual a função da Engenharia com relação aos extremos do Ciclo Hidrológico. pois muitos dos projetos de Engenharia Hidráulica são realizados com a finalidade de proteção contra estes mesmos extremos. 2) Como se pode explicar o fato de que uma região que não houve aumento populacional. impulsionada exclusivamente pela energia solar. a evapotranspiração (ET) e o escoamento superficial (ES). quando provoca chuvas torrenciais que ultrapassam a capacidade dos cursos d’água provocando inundações. Em outras ocasiões parece que todo o mecanismo do ciclo parou completamente e com ele a precipitação e o escoamento superficial. a natureza parece trabalhar em excesso.Hidrologia Agosto/2006 diferente. A equação do balanço hídrico para uma bacia hidrológica qualquer pode ser expressa por P + I = ET + ES.

Bacia Hidrográfica é. e estes são normalmente os tipos analisados pelos hidrologistas. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. PEREIRA (1981) sugere: a) para verificação do efeito de diferentes práticas agrícolas nas perdas de solo. c) estudos que requerem apenas a medição de volume e distribuição da vazão Æ bacias representativas com áreas de 10 a 50 mil ha. conforme Figura 6. água e nutrientesÆ área não deve exceder a 50 ha. BACIA HIDROGRÁFICA 3. como descrito anteriormente. A área da microbacia depende do objetivo do trabalho que se pretende realizar (não existe consenso sobre qual o tamanho ideal).Hidrologia Agosto/2006 CAPÍTULO 3. Dentre as regiões de importância prática para os hidrologistas destacamse as Bacias Hidrográficas (BH) ou Bacias de Drenagem. tem um aspecto geral e pode ser visto como um sistema hidrológico fechado.000 ha. por causa da simplicidade que oferecem na aplicação do balanço de água. já que a quantidade de água disponível para a terra é finita e indestrutível. Introdução O Ciclo Hidrológico. tal que toda a vazão efluente seja descarregada por uma simples saída. CRUCIANI. Entretanto. os quais podem ser desenvolvidos para avaliar as componentes do ciclo hidrológico para uma região hidrologicamente determinada. para onde converge toda a água da área considerada. 1976 define microbacia hidrográfica como sendo a área de formação natural. Prof. Leonardo Duarte Batista da Silva 15 . os subsistemas abertos são abundantes. portanto. b) estudo do balanço hídrico e o efeito do uso do solo na vazão Æ áreas de até 10. uma área definida topograficamente.1. drenada por um curso d’água e seus afluentes. a montante de uma seção transversal considerada. drenada por um curso d’água ou por um sistema conectado de cursos d’água.

Hidrologia Agosto/2006 Figura 6 – Esquema de bacias hidrográficas. Prof. Figura 7 – Resposta hidrológica de uma bacia hidrográfica. A resposta hidrológica de uma bacia hidrográfica é transformar uma entrada de volume concentrada no tempo (precipitação) em uma saída de água (escoamento) de forma mais distribuída no tempo (Figura 7). Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. Leonardo Duarte Batista da Silva 16 .

ele tende ao divisor superficial. Note que o divisor de águas (linha tracejada) acompanha os pontos com maior altitude (curvas de nível de maior valor). o divisor subterrâneo é mais difícil de ser localizado e varia com o tempo. A Figura 9 apresenta um exemplo de delimitação de uma bacia hidrográfica utilizando o divisor topográfico. os limites dos reservatórios de água subterrânea de onde é derivado o deflúvio básico da bacia. À medida que o lençol freático (LF) sobe. Na prática. Leonardo Duarte Batista da Silva 17 . Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. O subterrâneo só é utilizado em estudos mais complexos de hidrologia subterrânea e estabelece.Corte transversal de bacias hidrográficas. Conforme a Figura 8. portanto. Prof.2.Hidrologia Agosto/2006 3. Figura 8 . assume-se por facilidade que o superficial também é o subterrâneo. Nesta Figura está individualizada a bacia do córrego da Serrinha. Divisores Divisores de água: divisor superficial (topográfico) e o divisor freático (subterrâneo).

Leonardo Duarte Batista da Silva 18 . O lençol freático mantém uma alimentação contínua e não desce nunca abaixo do leito do curso d’água. mesmo durante as secas mais severas. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. 3. pois o lençol d’água subterrâneo conserva-se acima do leito fluvial e alimentando o curso d’água.3. Durante as estações chuvosas. Prof. Uma maneira utilizada para classificar os cursos d’água é a de tomar como base a constância do escoamento com o que se determinam três tipos: a) Perenes: contém água durante todo o tempo. b) Intermitentes: em geral. Classificação dos cursos d’água De grande importância no estudo das BH é o conhecimento do sistema de drenagem. transportam todos os tipos de deflúvio. escoam durante as estações de chuvas e secam nas de estiagem. ou seja. o que não ocorre na época de estiagem. quando o lençol freático se encontra em um nível inferior ao do leito.Hidrologia Agosto/2006 Figura 9 – Delimitação de uma bacia hidrográfica (linha tracejada). que tipo de curso d’água está drenando a região.

Prof.4.500 km2. A superfície freática se encontra sempre a um nível inferior ao do leito fluvial. Leonardo Duarte Batista da Silva 19 . Ela tem efeito sobre o comportamento hidrológico da bacia. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. como por exemplo. São muito usados os mapas do IBGE (escala 1:50. Forma da bacia É uma das características da bacia mais difíceis de serem expressas em termos quantitativos. A área de uma bacia é o elemento básico para o cálculo das outras características físicas. Tc é definido como sendo o tempo.2. no tempo de concentração (Tc). a densidade de postos fluviométricos é baixa e a maioria deles encontram-se nos grandes cursos d’água.Hidrologia Agosto/2006 c) Efêmeros: existem apenas durante ou imediatamente após os períodos de precipitação e só transportam escoamento superficial. pois no Brasil. Características físicas de uma bacia hidrográfica Estas características são importantes para se transferir dados de uma bacia monitorada para uma outra qualitativamente semelhante onde faltam dados ou não é possível a instalação de postos hidrométricos (fluviométricos e pluviométricos). não havendo a possibilidade de escoamento de deflúvio subterrâneo. É um estudo particularmente importante nas ciências ambientais.4. É normalmente obtida por planimetria ou por pesagem do papel em balança de precisão. Área de drenagem É a área plana (projeção horizontal) inclusa entre os seus divisores topográficos. Israel: 1 posto/ 200 km2. 3. Brasil: 1 posto/ 4000 km2. a partir do início da precipitação. devido a prioridade do governo para a geração de energia hidroelétrica.1. A área da bacia do Rio Paraíba do Sul é de 55.4. USA: 1 posto/ 1000 km2.000). 3. 3. necessário para que toda a bacia contribua com a vazão na seção de controle.

pois o Tc é maior e.3. Prof. 3. fica difícil uma mesma chuva intensa abranger toda a bacia. mais comprida é a bacia e portanto. mais circular é a bacia. topografia e clima. menos sujeita a picos de enchente. Sistema de drenagem O sistema de drenagem de uma bacia é constituído pelo rio principal e seus tributários. o estudo das ramificações e do desenvolvimento do sistema é importante. L A L2 Kf = L= Kf = Quanto menor o Kf. O padrão de drenagem de uma bacia depende da estrutura geológica do local. menor o Tc e maior a tendência de haver picos de enchente. PC Kc = 0.Hidrologia Agosto/2006 Existem vários índices utilizados para se determinar a forma das bacias. procurando relacioná-las com formas geométricas conhecidas: a) coeficiente de compacidade (Kc): é a relação entre o perímetro da bacia e o perímetro de um círculo de mesma área que a bacia. Leonardo Duarte Batista da Silva 20 . Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. L A . Quanto menor o Kc (mais próximo da unidade). pois ele indica a maior ou menor velocidade com que a água deixa a bacia hidrográfica.4. tipo de solo. b) fator de forma (Kf): é a razão entre a largura média da bacia ( L ) e o comprimento do eixo da bacia (L) (da foz ao ponto mais longínquo da área) L . P Kc = BH . além disso.28 P A O Kc é sempre um valor > 1 (se fosse 1 a bacia seria um círculo perfeito). Esse padrão também influencia no comportamento hidrológico da bacia.

Dd = ΣL A Para avaliar Dd. Prof. inclusive os cursos efêmeros. toda a rede de drenagem. e 3) a união de 2 de ordem diferente faz com que prevaleça a ordem do maior. Expressa a relação entre o comprimento total dos cursos d’água (sejam eles efêmeros. Leonardo Duarte Batista da Silva 21 . maior o grau de ramificação da rede de drenagem de uma bacia e maior a tendência para o pico de cheia. intermitentes ou perenes) de uma bacia e a sua área total. 2) a união de 2 de mesma ordem dá origem a um curso de ordem superior. deve-se marcar em fotografias aéreas. Figura 10 – Ordem dos cursos d’água. Quanto maior Rb média. adota-se o seguinte procedimento: 1) os cursos primários recebem o numero 1.Hidrologia Agosto/2006 a) Ordem dos cursos d’água e razão de bifurcação (Rb): De acordo com a Figura 10. Duas técnicas executando uma mesma avaliação podem encontrar valores um pouco diferentes. e depois medi-los com o curvímetro. b) densidade de drenagem (Dd): é uma boa indicação do grau de desenvolvimento de um sistema de drenagem. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof.

enquanto que a temperatura. menor Tc e maior as perspectivas de picos de enchentes. pode-se citar quadrículas de 1km x 1km ou 2km x 2km etc.5 ≤ Dd < 1. é procedida uma amostragem estatística da declividade da área.Hidrologia Agosto/2006 Bacias com drenagem pobre → Dd < 0. pois a velocidade do escoamento superficial é determinada pela declividade do terreno. Dentre os métodos utilizados na determinação. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. o mais completo denomina-se método das quadrículas associadas a um vetor e consiste em traçar quadrículas sobre o mapa da BH.5 km/km2 3. a precipitação e a evaporação são funções da altitude da bacia. Feita a Prof. A magnitude desses picos de enchente e a infiltração da água. um vetor (segmento de reta) com comprimento equivalente à distância entre duas curvas de nível consecutivas.5 ≤ Dd < 3.4. uma vez que sempre que um lado da quadrícula interceptar uma curva de nível.5 km/km2 Bacias excepcionalmente bem drenadas → Dd ≥ 3.5 km/km2 Bacias com drenagem boa → 1. os comprimentos desses vetores serão variáveis.5 ≤ Dd < 2. tipo de solo e tipo de uso da terra. maior ou menor grau de erosão. trazendo como conseqüência.5 km/km2 Bacias com drenagem regular → 0. Características do relevo da bacia O relevo de uma bacia hidrográfica tem grande influência sobre os fatores meteorológicos e hidrológicos.4. Portanto. a) declividade da bacia: quanto maior a declividade de um terreno. é traçado perpendicularmente à esta curva. Uma vez traçadas as quadrículas.5 km/km2 Bacias com drenagem muito boa → 2. maior a velocidade de escoamento. como exemplo. associada à cobertura vegetal. cujo tamanho dependerá da escala do desenho e da precisão desejada. dependem da declividade média da bacia (determina a maior ou menor velocidade do escoamento superficial). Leonardo Duarte Batista da Silva 22 . em função da declividade do terreno.

Hidrologia Agosto/2006 determinação da declividade de cada um dos vetores traçados.0000 0.00 0.1: 50.19 0.04745 6 COL.04245 0.40 5 DECLIV.5141 0.02745 0.0000 . 2 * COL.0000 0.03745 0.00745 0.55 19.0399 0.0350 .0250 .18 7.0299 0.00 30.00 4 % ACUMULADA 100. MÉDIA 0.63 1.02245 0.0149 0.0450 .0249 0.0.96 0.0. BACIA: RIBEIRÃO LOBO .27 3.0. MAPA: IBGE (ESCALA . conforme dados da tabela seguinte.1618 0.40 1. Prof. os dados são agrupados.0400 .55 5.0050 .0572 Declividade média (dm): dm = ∑ Coluna 6 ∑ Coluna 2 2.0300 .0150 .00 1.00 0.0499 TOTAL 2 Nº DE OCORRÊNCIAS 249 69 13 7 0 15 0 0 0 5 358 3 % DO TOTAL 69.0000 0.0.01245 0. A Figura 11 representa a curva de distribuição da declividade em função do percentual de área da BH.000) ÁREA DE DRENAGEM: 177.P.6100 0.40 100. 5 0.0572 Declividade média (dm) = -------------.25 km2 1 DECLIVIDADE (m/m) 0.03245 0.0199 0.0349 0.0099 0. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof.59 1.2373 2.4118 0.0200 .01745 0.59 5. Leonardo Duarte Batista da Silva 23 .0.40 1. Essa curva é traçada em papel mono-log.0.0.1222 0.45 11.0449 0.0000 0. com os dados das colunas 1 e 4.= 0.00 4.0100 .0.00245 0.S.0.0.00575 m/m 358 A seguir é apresentado um exemplo de curva de declividade de uma BH.0049 0.40 1.

Pode também ser determinadas por meio das quadrículas associadas a um vetor ou planimetrando-se as áreas entre as curvas de nível. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. Prof. b) curva hipsométrica: é definida como sendo a representação gráfica do relevo médio de uma bacia.Curva de distribuição da declividade de uma bacia hidrográfica. A Figura 12 apresenta a curva hipsométrica desta bacia. Essa variação pode ser indicada por meio de um gráfico que mostra a percentagem da área de drenagem que existe acima ou abaixo das várias elevações. A seguir é apresentado um exemplo de cálculo da distribuição de altitude referente à mesma bacia do exemplo anterior. Representa o estudo da variação da elevação dos vários terrenos da bacia com referência ao nível médio do mar.Hidrologia Agosto/2006 Figura 11 . Leonardo Duarte Batista da Silva 24 .

90 3.5 23.82 8.08 2. Leonardo Duarte Batista da Silva 25 .820 820 .762.5 5.307.72 4.444.25 Altitude média = Figura 12 .69 93.760 760 .09 9.5 20.067.1 Altitude média ( A ): A = ∑ (ei A i ) A Altitude média = ∑ Coluna 6 ∑ Coluna 3 136.27 32.9 3.91 169.1 = 770 m 177.92 19.07 4.0 3.96 126.5 18.00 6 COL.910.860 860 .6 2.785.700 700 . (km2) 1. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof.680 TOTAL 2 PONTO MÉDIO (m) 930 910 890 870 850 830 810 790 770 750 730 710 690 3 ÁREA (km2) 1.50 12.85 23.36 177. 2 * COL.94 63.542.337.8 10.92 2.89 177.542.57 17.Curva hipsométrica de uma bacia hidrográfica.0 2.1 136.92 4.86 15.900 900 .540. Prof.55 100.840 840 .75 30.9 24.423.68 11.83 95.6 16.05 153.880 880 .720 720 . 3 1.078.01 71.920 920 .2 3.11 86.780 780 .800 800 .639.53 35.969.25 4 ÁREA ACUMUL.Hidrologia Agosto/2006 1 COTAS (m) 940 .68 4.80 7.740 740 .09 27.93 53.60 2.17 20.33 22. 1.09 39.45 7.25 5 % ACUMUL.275.

3o) Declividade equivalente constante (S3): leva em consideração o tempo de percurso da água ao longo da extensão do perfil longitudinal. considerando se este perfil tivesse uma declividade constante igual à uma declividade equivalente. conhecer a declividade de um curso d’água constitui um parâmetro de importância no estudo de escoamento (quanto maior a declividade maior será a velocidade). Leonardo Duarte Batista da Silva . O Quadro a seguir apresenta um exemplo de cálculo do perfil longitudinal do curso d’água: 26 Prof. porém descartando-se 15% dos trechos inicial e final do curso d’água. 2o) Declividade ponderada (S2): um valor mais representativo que o primeiro consiste em traçar no gráfico uma linha. em que Li e Di são a distância em e a declividade ) i em cada trecho i. respectivamente. o pico de cheia. compreendida entre ela e a abcissa. 4o) Declividade 15 – 85 (S4): obtida de acordo com o método da declividade baseada nos extremos. pois a maioria dos cursos d’água têm alta declividade próximo da nascente e torna-se praticamente plano próximo de sua barra.Hidrologia Agosto/2006 c) Perfil longitudinal do curso d água: pelo fato da velocidade de escoamento de um rio depender da declividade dos canais fluviais. S 3 = ( ∑ Li Li ∑( D )2 . seja igual à compreendida entre a curva do perfil e a abcissa. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. tal que a área. Este valor superestima a declividade média do curso d’água e. consequentemente. Existem 4 procedimentos para se determinar a declividade média do curso d’água (Figura 13): 1o) Declividade baseada nos extremos (S1): obtida dividindo-se a diferença total de elevação do leito pela extensão horizontal do curso d’água entre esses dois pontos. Isto se deve. Essa superestimativa será tanto maior quanto maior o número de quedas do rio.

00336 304.880 400 0.800 350 0.900 540 0.3505709629 1.780 1330 1.350 820 .375 720 .840 880 0.00372 17.660 = 0.1507 0.2236 0.5403702434 2.2000 0.880 0.00522 m / m  304.0531 0.460 0.000  S3 =   = 0.460 0.600 0. ** Lreal = distância real medida em linha inclinada. 900 .1500 0.700 500 0.820 350 0.550 0.04000 10.200 0.375 740 .05714 20.00282 7.500 3.000 * L = distância medida na horizontal.02273 21.110 0.02105 21.880 840 . Daniel Fonseca de Carvalho e Prof.8502352616 5.460 0.350 800 .760 850 0.300 0.1220 0.540 Total 22000 22.00593 16.01504 18.02353 18.700 5.500 1.0609 0.850 760 .230 0.720 3375 3.330150367 10.3 = 0.000  22.665 = 0.0720 0.2390 0.810 22.000 0.00812 m / m 18700 .785 0.01091 m / m 22000 5 Declividade Distância Por Acum.740 5375 5.330 780 .3300 Prof.8802272434 5.400 880 .100028169 113.1924 7.1450 0.350 0. (m) 3 Dist.2390 0.03704 4 6 7 Lreal ** (Li) (km) 8 Li/Si (5) (Si) 0.530 0.830 0.00606 m / m 22.060 0. Segmento (km) (Di) = 20/(2) 7.3505709629 1.100 0.375037209 88.05000 22.375059259 43.295  2 S4 = 790 .05714 19.860 950 0.600 0.4004996879 1.950210503 6.5003998401 2.800 0.950 860 .500 700 . Leonardo Duarte Batista da Silva 27 .975 0. (L)* (km) 660 .295 S1 = S2 = 133.100 680 .Hidrologia Agosto/2006 1 Cotas (m) 2 Dist.680 7100 7.

Hidrologia Agosto/2006 Linha S1 Linha S2 Linha S3 Linha S4 Figura 13 . Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. 3. armazenamento da água no solo e com a suscetibilidade de erosão dos solos. 3.Perfil longitudinal de um rio e as linhas de declividade do Álveo. O rio Paraíba do Sul tem sua nascente na Serra da Bocaina a 1800m de altitude. 21% culturas e reflorestamento e 11% de floresta nativa (Mata Atlântica). onde deságua no Oceano Atlântico.4. A bacia do rio Paraíba do Sul tem 65% de pastagem.4. Características geológicas da bacia Tem relação direta com a infiltração.6. Características agro-climáticas da bacia São caracterizadas principalmente pelo tipo de precipitação e pela cobertura vegetal. Leonardo Duarte Batista da Silva 28 . e sua foz localiza-se no município de São João da Barra – RJ.5. Prof.

<Kc.0239 0.0419 0. <Kf. c) <área.0240 .6 40.0000 . <Tc.0.8 8. <Tc.0300 . Exercícios 1) Assinale a alternativa correta cujos fatores contribuem para que uma bacia apresente uma maior tendência a picos de cheias: a) <área.770 770 .710 710 . >Dd.590 Total 2 Ponto médio (m) 3 Área (km2) 3.0 4.2 4. e) >área.5 10. >Kc. >Dd.0. >Rb.0179 0. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. >Rb. >Kf.0. Leonardo Duarte Batista da Silva .0119 0. >Tc.0060 .0.0 33.0.0. <Dd. >Kf.0359 0. >Dd.800 800 . <Kc. 2) Determinar a declividade média (Dm) de uma bacia hidrográfica e a curva de distribuição de declividade da bacia (papel semi-log) para os dados da tabela abaixo.680 680 . >Kf.0. <Kc.0420 .740 740 .650 650 . b) >área.0360 . >Kf. <Tc.0059 0. <Kc.0180 .8 29 4 Área acumulada 5 % acumulada 6 col 2 x col 3 Prof. >Tc.0120 .Hidrologia Agosto/2006 3.0.2 25.0479 Total 2 Número de ocorrência 70 45 30 5 0 10 3 2 3 % do total 4 % acumulada 5 declividade média do intervalo 6 coluna 2 x coluna 5 3) Determinar a curva hipsométrica (papel milimetrado) e a elevação média de uma bacia hidrográfica para os dados da tabela abaixo : 1 cotas (m) 830 . <Rb. os quais foram estimados pelo método das quadrículas: 1 Declividade (m/m) 0. d) <área.0299 0. >Rb. <Rb.620 620 .5. <Dd.

27 32.0400 – 0.07 4.0000 – 0.0349 0.0399 0.68 4.Distribuição de declividade: Decividade (m/m) 0.0299 0.09 27.0149 0.89 % Acumulada Área Acumulada (km2) Coluna 2 * Coluna 3 .0200 – 0.92 19.85 23.0300 – 0. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof.90 3.0250 – 0.45 7.0049 0.60 2.0 km .0199 0.0450 – 0.Hidrologia Agosto/2006 4) De uma bacia hidrográfica.0499 TOTAL Número de Ocorrências 249 69 13 7 0 15 0 0 0 5 % do Total % Acumulada Declividade Média Coluna 2 * Coluna 5 Pede-se: a) Qual é o coeficiente de compacidade? b) Qual é a altitude média? c) Qual é a declividade média? Prof.0249 0.75 30.0449 0.0350 – 0. Leonardo Duarte Batista da Silva 30 .86 15. conhece-se os seguintes dados: .Distribuição de cotas: Cotas (m) 940 – 920 920 – 900 900 – 880 880 – 860 860 – 840 840 – 820 820 – 800 800 – 780 780 – 760 760 – 740 740 – 720 720 – 700 700 – 680 TOTAL Ponto Médio (m) Área (km2) 1.92 2.0050 – 0.0150 – 0.0099 0.0100 – 0.Perímetro: 70.

a planimetria acusou o valor de 4. Cotas (m) 660 .0667 0.0083 0.720 720 .0769 0.760 760 .0189 0.580 2400 580 .560 3500 560 . Prof.780 240 TOTAL 4 Distância Acumulada (km) 5 Declividade por Segmento (Di) 0.660 400 660 .680 1200 680 .640 560 640 .0833 6 (5) (Si) 8 Li/Si 6) O que é declividade equivalente constante? Determinar essa declividade para o perfil do curso d’água apresentado a seguir. calcule a sua declividade baseada nos extremos.740 740 .0057 0.163 cm2 para a área de uma bacia hidrográfica.0233 0. Leonardo Duarte Batista da Silva 31 .0167 0.600 860 600 .840 840 .Certo ou Errado) a) (item 1) Em um mapa feito na escala 1:25.000.680 680 .0308 0.Hidrologia Agosto/2006 5) Com os dados do perfil longitudinal de um curso d’água apresentado abaixo.0500 0.700 700 .820 820 .760 260 760 .860 TOTAL Declividade Distância Distância Distância Acumulada por Segmento (m) (Li) (Di) (km) (km) 5800 500 3375 5000 750 1200 350 350 880 950 (5) (Si) Li/Si 7) (Questão 18 Prova de Hidrologia Concurso CPRM 2002 . Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. e foram totalizados os seguintes comprimentos dos cursos d’água na bacia. 1 2 3 Cotas (m) Distância Distância (m) (Li) (km) 540 .0217 0.800 800 .700 1060 700 .740 300 740 .720 650 720 .780 780 .0357 0.620 920 620 .

é correto afirmar que a densidade de drenagem dessa bacia está no intervalo entre 1. 8) (Questão 03 Prova de Hidrologia Concurso ANA 2002 .Certo ou Errado). Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. a) (item 1) Em uma bacia hidrográfica.4 e 1. b) (item 4) Os cursos d’água intermitentes são aqueles em que ocorre escoamento apenas durante e logo após eventos de precipitação.Certo ou Errado). todos os pontos de maior altitude no interior da bacia pertencem ao divisor d’água. Prof.Hidrologia Agosto/2006 Ordem do Curso D’água 1 2 3 4 5 Comprimento (cm) 904 380 160 82 17 Em face desses dados. já os efêmeros são cursos d’água em que há escoamento o ano todo. b) (item 5) O tempo de concentração de uma seção de uma bacia hidrográfica corresponde à duração da trajetória da partícula de água que demore mais tempo para atingir a seção. a) (item 1) O reflorestamento das encostas de uma bacia hidrográfica tende a aumentar o tempo de concentração da bacia.6 km/km2. Leonardo Duarte Batista da Silva 32 . 9) (Questão 19 Prova de Hidrologia Concurso ANA 2002.

Hidrologia

Agosto/2006

CAPÍTULO 4. PRECIPITAÇÃO
4.1. Definição Entende-se por precipitação a água proveniente do vapor de água da atmosfera depositada na superfície terrestre sob qualquer forma: chuva, granizo, neblina, neve, orvalho ou geada. Representa o elo de ligação entre os demais fenômenos hidrológicos e fenômeno do escoamento superficial, sendo este último o que mais interessa ao engenheiro. 4.2. Formação das Precipitações Elementos necessários a formação: umidade atmosférica : (devido à evapotranspiração); o ar, menor sua capacidade de suportar água em forma de vapor, o que culmina com a sua condensação. Pode-se dizer que o ar se resfria na razão de 1oC por 100 m, até atingir a condição de saturação; presença de núcleos higroscópios; mecanismo de crescimento das gotas: • coalescência: processo de crescimento devido ao choque de gotas pequenas originando outra maior; • difusão de vapor: condensação do vapor d’água sobre a superfície de uma gota pequena. Para que ocorra o resfriamento do ar úmido, há necessidade de sua ascensão, que pode ser devida aos seguintes fatores: ação frontal de massas de ar; convecção térmica; e relevo. A maneira com que o ar úmido ascende caracteriza o tipo de precipitação.
33

- mecanismo de resfriamento do ar : (ascensão do ar úmido): quanto mais frio

Prof. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. Leonardo Duarte Batista da Silva

Hidrologia

Agosto/2006

4.3. Tipos de Precipitação 4.3.1. Precipitações ciclônicas Estão associadas com o movimento de massas de ar de regiões de alta pressão para regiões de baixa pressão. Essas diferenças de pressões são causadas por aquecimento desigual da superfície terrestre. Podem ser classificadas como frontal ou não frontal. a) Frontal: tipo mais comum, resulta da ascensão do ar quente sobre o ar frio na zona de contato entre duas massas de ar de características diferentes. Se a massa de ar se move de tal forma que o ar frio é substituído por ar mais quente, a frente é conhecida como frente quente, e se por outro lado, o ar quente é substituído por ar frio, a frente é fria. A Figura 14 ilustra um corte vertical através de uma superfície frontal. b) Não Frontal: é resultado de uma baixa barométrica, neste caso o ar é elevado em conseqüência de uma convergência horizontal em áreas de baixa pressão. As precipitações ciclônicas são de longa duração e apresentam intensidades de baixa a moderada, espalhando-se por grandes áreas. Por isso são importantes, principalmente no desenvolvimento e manejo de projetos em grandes bacias hidrográficas.

Figura 14 - Seção vertical de uma superfície frontal.
Prof. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. Leonardo Duarte Batista da Silva
34

Hidrologia

Agosto/2006

4.3.2. Precipitações Convectivas São típicas das regiões tropicais. O aquecimento desigual da superfície terrestre provoca o aparecimento de camadas de ar com densidades diferentes, o que gera uma estratificação térmica da atmosfera em equilíbrio instável. Se esse equilíbrio, por qualquer motivo (vento, superaquecimento), for quebrado, provoca uma ascensão brusca e violenta do ar menos denso, capaz de atingir grandes altitudes (Figura 15). As precipitações convectivas são de grande intensidade e curta duração, concentradas em pequenas áreas (chuvas de verão). São importantes para projetos em pequenas bacias.

Figura 15 – Chuva de convecção.

Prof. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. Leonardo Duarte Batista da Silva

35

h-1 ou mm. b) Intensidade de precipitação: é a relação entre a altura pluviométrica e a duração da precipitação expressa.3.min-1. As grandezas características são: a) Altura pluviométrica: lâmina d’água precipitada sobre uma área. geralmente em intervalos de 24 horas (sempre às 7 da manhã). As medidas realizadas nos pluviômetros são periódicas . utilizando-se aparelhos denominados pluviômetros (Figura 17) ou pluviógrafos (Figura 18).3 Precipitações Orográficas Resultam da ascensão mecânica de correntes de ar úmido horizontal sobre barreiras naturais.4. 4. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. Figura 16 – Chuvas Orográficas. As precipitações da Serra do Mar são exemplos típicos. Medições das Precipitações Expressa-se a quantidade de chuva (h) pela altura de água caída e acumulada sobre uma superfície plana e impermeável.Hidrologia Agosto/2006 4. Prof. conforme sejam simples receptáculos da água precipitada ou registrem essas alturas no decorrer do tempo. geralmente em mm. tais como montanhas (Figura 16). Ela é avaliada por meio de medidas executadas em pontos previamente escolhidos. Leonardo Duarte Batista da Silva 36 . As medidas realizadas nos pluviômetros são expressas em mm.

Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. cujos registros permitem o estudo da relação intensidadeduração-frequência tão importantes para projetos de galerias pluviais e de enchentes em pequenas bacias hidrográficas. com uma área receptora de 500 cm2. Os pluviógrafos. Figura 17 – Pluviômetro. Uma lâmina de 1mm corresponde a: 400 . Figura 18 – Pluviógrafo. Um exemplo de pluviograma é mostrado na Figura 19. 0. possuem uma superfície receptora de 200 cm2. Existem várias marcas de pluviômetros em uso no Brasil. Prof. com uma superfície receptora de 400 cm2.1 = 40 cm3 = 40 mL. Os mais comuns são o Ville de Paris.Hidrologia Agosto/2006 c) Duração: período de tempo contado desde o início até o fim da precipitação (h ou min). O modelo mais usado no Brasil é o de sifão de fabricação Fuess. Leonardo Duarte Batista da Silva 37 . e o Ville de Paris modificado.

Hidrologia Agosto/2006 Figura 19 – Exemplo de um pluviograma. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. Prof. Leonardo Duarte Batista da Silva 38 .

isto é. PX = 1 (PA + PB + PC ) n Esses dois métodos só devem ser utilizados em regiões hidrologicamente homogêneas. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. PA A estima a precipitação no posto B a partir do valor de precipitação no posto A. Análise de Consistência 4. como há necessidade de se trabalhar com dados contínuos. Preenchimento de falhas Muitas observações pluviométricas apresentam falhas em seus registros devido à ausência do observador ou por defeitos no aparelho.5. PB = a + b. Os coeficientes da equação linear (a e b) podem ser estimados plotandose os valores de precipitação de dois postos em um papel milimetrado ou com a utilização do método dos mínimos quadrados.Hidrologia Agosto/2006 4. Para isso devem ser consideradas séries históricas de no mínimo 30 anos. essas falhas devem ser preenchidas.1. Prof. Entretanto. Existem vários métodos para se processar o preenchimento: a) Regressão Linear: explica o comportamento de uma variável em função de outra.5. b) Média Aritmética dos postos vizinhos (Métodos das Médias Aritméticas). Leonardo Duarte Batista da Silva 39 . quando as precipitações normais anuais dos postos não diferirem entre si em mais de 10%.

Hidrologia Agosto/2006 c) Método das razões dos valores normais (Métodos das Médias Ponderadas). o método de Thiessem e o método das Isoietas. com base em totais anuais. etc. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. Designando por X a estação que apresenta falha e por A. B e C as estações vizinhas. cujo estudo pode ser feito com base em um temporal isolado.1. Leonardo Duarte Batista da Silva 40 . 4. Esse método só apresenta boa estimativa se os aparelhos forem distribuídos uniformemente e a área for plana ou de relevo muito suave. Método Aritmético É o método mais simples e consiste em se determinar a média aritmética entre as quantidades medidas na área. pode-se determinar Px da estação X pela média ponderada do registro das três estações vizinhas. Um método bastante utilizado para se fazer esta estimativa tem como base os registros pluviométricos de três estações localizadas o mais próximo possível da estação que apresenta falha nos dados de precipitação. notadamente na determinação do balanço hídrico de uma bacia hidrográfica. 4. Existem três métodos para essa determinação: o método aritmético. Prof. Precipitação Média Sobre uma Bacia A altura média de precipitação em uma área específica é necessária em muitos tipos de problemas hidrológicos. é mostrado um exemplo. É necessário também que a média efetuada em cada aparelho individualmente varie pouco em relação à média.6. A seguir (Figura 20).6. onde os pesos são as razões entre as precipitações normais anuais: PX = 1 NX N N ( PA + X PB + X PC ) n NA NB NC em que: N é a precipitação normal anual e n é o número de estações pluviométricas.

1 = 151. apenas um posto de observação.1 Figura 20 – Bacia hidrográfica com postos pluviométricos.4 + 165. Pm = 160.8 + 125..4 • • • 88.5 125.3 + 88. etc. essas porções devem ser eliminadas no cálculo. + A nPn A A Figura 21 representa os polígonos do método de Thiessem na área e os dados da tabela abaixo representam um exemplo de cálculo com as precipitações observadas e as áreas de influência de cada posto de observação: Prof..6. dando origem a vários triângulos.0 • 64. Cada estação recebe um peso pela área que representa em relação à área total da bacia. cada um.8 • 173. com respectivamente as alturas precipitadas P1. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof.7 218.52 mm 5 4. Admite-se que cada posto seja representativo daquela área onde a altura precipitada é tida como constante. Leonardo Duarte Batista da Silva 41 .2. Método de Thiessem Esse método subdivide a área da bacia em áreas delimitadas por retas unindo os pontos das estações. A3. Se a área total é A e as áreas parciais A1. P3.. Se os polígonos abrangem áreas externas à bacia. P2. Traçando perpendiculares aos lados de cada triângulo.0 88..4 • • 165.1 160. a precipitação média é: Pm = A 1P1 + A 2P2 + A 3P3 + .3 • • • 137. etc.0 + 218. A2. obtêm-se vários polígonos que encerram.Hidrologia Agosto/2006 76.

Hidrologia

Agosto/2006

A

B Figura 21 - Ilustração dos polígonos do Método de Thiessem (A e B). (1) Precipitações Observadas 68,0 50,4 83,2 115,6 99,5 150,0 180,3 208,1 TOTAL (2) (3) (4) Área do Polígono Percentagem Precipitação ponderada km2 da área total (1) x (3) 0,7 0,01 0,68 12,0 0,19 9,57 10,9 0,18 14,97 12,0 0,19 21,96 2,0 0,03 2,98 9,2 0,15 22,50 8,2 0,13 23,44 7,6 0,12 24,97 62,6 100 121,07

Pm = ∑ Coluna 4 = 121,07 mm
Prof. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. Leonardo Duarte Batista da Silva
42

Hidrologia

Agosto/2006

O método de Thiessem apesar de ser mais preciso que o aritmético, também apresenta limitações, pois não considera as influências orográficas; ele simplesmente admite uma variação linear da precipitação entre as estações e designa cada porção da área para estação mais próxima. 4.6.3 Método das Isoietas No mapa da área (Figura 22) são traçadas as isoietas ou curvas que unem pontos de igual precipitação. Na construção das isoietas, o analista deve considerar os efeitos orográficos e a morfologia do temporal, de modo que o mapa final represente um modelo de precipitação mais real do que o que poderia ser obtido de medidas isoladas. Em seguida calculam-se as áreas parciais contidas entre duas isoietas sucessivas e a precipitação média em cada área parcial, que é determinada fazendo-se a média dos valores de duas isoietas. Usualmente se adota a média dos índices de suas isoietas sucessivas. A precipitação média da bacia é dada pela equação:

Pm =

A 1P1 + A 2P2 + A 3P3 + ... + A nPn A

Exemplo:

Figura 22 – Traçado das isoietas na bacia em estudo.

Prof. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. Leonardo Duarte Batista da Silva

43

Hidrologia

Agosto/2006

Isoietas 25 - 30 30 - 35 35 - 40 40 - 45 45 - 50 50 - 55 55 - 60 60 - 65

Área entre as isoietas (km2) 1,9 10,6 10,2 6,0 15,0 8,4 4,7 56,8

Precipitação (mm) 34,5 37,5 42,5 47,5 52,5 57,5 62,0

(2) x (3) 66 398 434 285 788 483 291 2.745

Pm =

2.745 = 48,3 mm 56,8

Este método é considerado o mais preciso par avaliar a precipitação média em uma área. Entretanto, a sua precisão depende altamente da habilidade do analista. Se for usado uma interpolação linear entre as estações para o traçado das isolinhas, o resultado será o mesmo daquele obtido com o método de Thiessem. 4.7. Freqüência de Totais Precipitados O conhecimento das características das precipitações apresenta grande interesse de ordem técnica por sua freqüente aplicação nos projetos hidráulicos. Nos projetos de obras hidráulicas, as dimensões são determinadas em função de considerações de ordem econômica, portanto, corre-se o risco de que a estrutura venha a falhar durante a sua vida útil. É necessário, então, se conhecer este risco. Para isso analisam-se estatisticamente as observações realizadas nos postos hidrométricos, verificando-se com que freqüência elas assumiram cada magnitude. Em seguida, pode-se avaliar as probabilidades teóricas. O objetivo deste estudo é, portanto, associar a magnitude do evento com a sua freqüência de ocorrência. Isto é básico para o dimensionamento de estruturas hidráulicas em função da segurança que as mesmas devam ter. A freqüência pode ser definida por:
Prof. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. Leonardo Duarte Batista da Silva
44

respectivamente. se a moeda foi lançada 10 vezes e saiu 4 caras e 6 coroas. Para valores mínimos.Hidrologia Agosto/2006 F= número de ocorrência s número de observaçõe s F P Os valores amostrais (experimentais) Os valores da população (universo) Como exemplo: a probabilidade de jogarmos uma moeda e sair cara ou coroa é de 50%. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. os dados observados devem ser classificados em ordem decrescente e a cada um atribui-se o seu número de ordem. as freqüências são de 40% e 60%. fazer o inverso. Entretanto. Leonardo Duarte Batista da Silva 45 . Nas expressões. será mais utilizada quanto maior for o número de ocorrência. A freqüência é uma estimativa da probabilidade e. tem-se a seguinte relação: T= 1 1 n +1 ou T = ou T = F P m Prof. A freqüência com que foi igualado ou superado um evento de ordem m é: F= m m ou F = n n +1 que são denominados Métodos da Califórnia e de Kimbal. Para se estimar a freqüência para os valores máximos. Considerando a freqüência como uma boa estimativa da probabilidade teórica (P) e definindo o tempo de recorrência ou período de retorno (T) como sendo o período de tempo médio (medido em anos) em que um determinado evento deve ser igualado ou superado pelo menos uma vez. n é o número de anos de observação. de um modo geral. respectivamente.

3 2. em média. 80.0 1. o valor encontrado para F pode dar um boa idéia do valor real de P.P.8 1. 50.0 F (Kimbal) (%) 9 18 27 36 45 54 63 72 81 90 TK 11. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof.7 1. 60.8 2.1 1.Hidrologia Agosto/2006 Inversamente. 10 5 3. 70. 20. 65.2 1. Leonardo Duarte Batista da Silva 46 .1 5.2 1. podemos concluir que a probabilidade (freqüência) de ocorrer uma precipitação maior ou igual a 90 mm.0%.5 3. Prof. a probabilidade de NÃO ser igualado ou de não ocorrer é P’ = 1 . 35.3 1.0% e que.7 2.1 Para períodos de recorrência bem menores que o número de anos de observação.6 1. mas para grandes períodos de recorrência. no ordem (m) 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 valor 90 80 70 65 60 50 45 35 25 20 F (California) (%) 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 T Cal.4 1.dia-1 é de 9. As freqüências observadas para estes valores estão apresentadas na tabela seguinte. isso porque as únicas possibilidades são de que ele ocorra ou não dentro de um ano qualquer e assim: T= 1 1− P Considere os seguintes valores: 45. 25. 90. a probabilidade (freqüência) de ocorrer um valor de precipitação menor que 60 mm.dia-1 é de 55. Com os dados desta tabela pode-se fazer várias observações: considerando Kimbal.4 1. a repartição de freqüências deve ser ajustada a uma lei de probabilidade teórica de modo a permitir um cálculo mais correto da probabilidade.5 2.1 anos. ela ocorre uma vez a cada 11.

1. etc. Essa série é denominada série de máximos anuais. maiores eventos de um ano que por sua vez podem até superar o valor máximo de outros anos da série. b) série constituída dos n (número de anos) maiores valores (máx.2. em que apenas interessam valores superiores a um certo nível. onde são somadas todas as precipitações ocorridas durante o ano em determinado posto pluviométrico. 3o. Freqüência versus Valor A distribuição geral que associa a freqüência a um valor (magnitude) é atribuída a Ven te Chow: PT = P + K T .950 valores. Em outros estudos. então o valor máximo do evento em cada ano é selecionado e assim é ordenada uma série de amostras.. Leonardo Duarte Batista da Silva 47 .S em que: PT = valor da variável (precipitação) associado à freqüência T.) ou menores (min) valores. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. Prof. Séries Históricas As séries originais possuem todos os dados registrados. série original: 30 * 365 = 10.Hidrologia Agosto/2006 4.7.: precipitação diária: 30 anos de observação. Entretanto.7. série parcial: a) deve-se estabelecer um valor de referência: precipitações acima de 50 mm/dia. E ainda existem as séries de totais anuais. série anual: 30 valores (máximos ou mínimos). Ex. 4. toma-se um valor de precipitação intensa como valor base e assim todos os valores superiores são ordenados numa série chamada série de duração parcial ou simplesmente série parcial. Se os eventos extremos são de maior interesse. essa série ignora o 2o.

Em se tratando de séries de totais anuais. É função de dois fatores: T e da distribuição de probabilidade.1. é comum se utilizar a distribuição de Gauss (normal). sendo empregada para condições aleatórias como as precipitações totais anuais. e KT = coeficiente de freqüência. dizemos que “x” tem uma distribuição normal se sua função densidade de probabilidade é dada por: Prof. S = desvio padrão da amostra.2. as precipitações máximas e mínimas seguem distribuições assimétricas. a distribuição de Gumbel fornece melhores resultados e é de uso generalizado em hidrologia. Ao contrário. Leonardo Duarte Batista da Silva 48 . Daniel Fonseca de Carvalho e Prof.Hidrologia Agosto/2006 P = média aritmética da amostra. 4. e para séries de valores extremos anuais. Distribuição Normal ou de Gauss É uma distribuição simétrica. Algumas propriedades importantes da distribuição normal: a) apresenta simetria em relação à média P< P P> P P b) freqüência acumulada P <= P P >= P F <= 50% F >= 50% F= 50% Se “x” é uma variável aleatória contínua.7.

−∞ Entretanto. Caso fosse utilizada a função tal como ela já foi definida. dz ∫ 2π − ∞ 2 z −z OBS.P( x ) = ∫ f ( x ). seria necessária uma tabela para cada valor de média e desvio padrão. sendo mais prático usar valores da integração que já se encontram tabelados. Para que seja possível o uso de apenas uma tabela. Leonardo Duarte Batista da Silva 49 .A função probabilidade é tabelada para associar a variável reduzida e freqüência.dx . .5 (mínimo) e por 1/(1-P) = 1/(1-F) para F >= 0.e .Na distribuição normal se trabalha com valores ordenados na ordem crescente. Prof. . .5 (máximo). obtendo-se a distribuição normal padrão ou reduzida: x−x Z= . a integração é trabalhosa.Hidrologia −(x − x )2 2σ 2 Agosto/2006 f (x ) = 1 2π . .Esta integral não tem solução analítica. a probabilidade é dada pela área a abaixo da curva da função . Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. σ P(z) = 1 e 2 .O cálculo de T se faz por 1/P=1/F para F<0. −∞ < x < ∞   x =   Na função acima. Para seu cálculo pode-se utilizar tabelas estatísticas que fornece P(z) em função da área sob a curva normal de distribuição e o valor de Z (anexo 1). utiliza-se o artifício de se transformar a distribuição normal.    σ =   i =1 ∑ xi n n i =1 n (média ) ∑ ( x − x )2 n −1 (desvio − padrão ) Para uma variável aleatória contínua.

estimar o valor da variável a ela associada. (1 – P’). a função tem a seguinte forma: P´= 1 − e − e −γ em que: γ é a variável reduzida da distribuição Gumbel.7. Esta distribuição assume que os valores de X são limitados apenas no sentido positivo. Distribuição de Gumbel Também conhecida como distribuição de eventos extremos ou de FicherTippett e é aplicada a eventos extremos. Quando for de interesse estudar os valores mínimos prováveis de um fenômeno. este é o caso das vazões mínimas. a série deverá conter os valores mínimos de cada ano. ordenados no sentido decrescente. Leonardo Duarte Batista da Silva 50 . Entende-se por P’. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. 4. que é o caso das precipitações e vazões máximas. Então. em séries anuais. a parte superior da distribuição X. Quando for de interesse estudar os valores máximos prováveis de um fenômeno. a parte que trata dos valores máximos menos freqüentes é do tipo exponencial. será a probabilidade de que o valor Prof. a série anual deve conter os valores máximos observados em cada ano. e b) conhecido o valor. ou seja. estimar a freqüência.2. a probabilidade de que o valor extremo seja igual ou superior a um certo valor XT. ordenados de forma crescente.2.Hidrologia Agosto/2006 -1 0 1 Problemas: a) conhecida a freqüência.

Sx = desvio padrão dos valores extremos.Hidrologia Agosto/2006 extremo seja inferior a XT. γ = variável reduzida. as freqüências teóricas podem ser calculadas a partir da média e o desvio padrão da série de valores máximos. Leonardo Duarte Batista da Silva 51 . o número de anos necessários para que o valor máximo iguale ou supere XT é obtido por: T= 1 (P ≥ PT) sendo PT a precipitação de freqüência conhecida. O período de retorno do valor XT. P´ Substituindo a equação anterior na função de probabilidade.K e K= γ − γn Sn em que X = é o valor extremo com período de retorno T. O resultado final desta operação é: γ = − ln[ − ln(1 − 1 )] T Empregando-se esta distribuição. ou seja. Prof. Desta forma: X = X + S x . Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. o período de retorno (T) pode ser estimado da seguinte forma: T= 1 1 − e −e −γ A variável γ é a variável reduzida e o seu valor é deduzido tomando duas vezes o logaritmo neperiano na função de probabilidade. X = é a média dos valores extremos. n = número de valores extremos da série.

1803 1.5592 0.5535 0.5530 0.5477 0.1721 1.1824 1.1339 1.5283 0.1987 1.5424 0.1519 1.1574 1.1538 1.5511 0.5128 0.1863 1.5524 0.5550 0.1834 1.1953 1.5468 0.1881 1. porém dentro de N anos.5570 0.5593 0.5371 0.1623 1.5332 0. uma outra possibilidade a considerar é a de que um certo fenômeno se repita ou não com certa intensidade pelo menos uma vez.1363 1.1607 1.1938 1. Tabela – Valores de γ n e Sn em função do valor de n.1814 1.1734 1.2044 1.0961 1.2001 1.5563 0.1590 1.5557 0.5320 0.5574 0.2013 1.1854 1.5585 0.5540 0. Estes valores são tabelados e apresentados a seguir.1980 1.1681 1.0915 1.5436 0.0754 1.1696 1.1747 1.5403 0.5463 0.1255 1.5508 0.1047 1.5580 0.5448 0.1667 1.5576 0.5497 0.5548 0.5591 0.5569 0.0628 1.5489 0.5501 0.5565 0.2826.1898 1.5521 0.1226 1.5353 0.5430 0.5596 0.5504 0.1960 1.1004 1.3.1388 1.1793 1.0864 1.7.1413 1.0696 1.1313 1.1086 1.2020 1.5561 0.5388 0.5296 0.1557 1.5587 0.Hidrologia Agosto/2006 γ n = média da variável reduzida com n valores extremos.1782 1.5559 0.1285 1.5481 0.5418 0.5473 0.5485 0. Esse tipo de estudo é particularmente importante Prof.5543 0.5458 Sn 0.5599 0.5380 0.2060 1.1458 1. Risco Dentro deste estudo.5515 0.5581 0.1994 1.5362 0.9573 1.1967 1.5600 Sn 1.5309 0.1759 1.5552 Sn 1.1945 1.1770 1.1193 1.5518 0.1930 1.5538 0.2038 1.5772 e Sn = 1.5493 0.1480 1.5598 0.5583 0.2055 1.5533 0.1638 1.5555 0.1915 1.1436 1. n 10 15 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 γn 0.1124 1.1890 1.5572 0.5410 0.1658 1.4967 0.1906 1.5343 0.5252 0.2049 1.1873 n 73 74 75 76 77 78 79 80 81 82 83 84 85 86 87 88 89 90 91 92 93 94 95 96 97 98 99 100 γn 0.5527 0.1499 n 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 65 66 67 68 69 70 71 72 γn 0. Leonardo Duarte Batista da Silva 52 .1973 1.1708 1.5595 0.5589 0.5567 0.5578 0.5586 0.5268 0.5453 0.5442 0.2026 1. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof.1159 1.2032 1. Quando n é muito grande tem-se: γ n = 0.0811 1.1923 1. e Sn= desvio padrão da variável γ.5545 0.2007 1.0206 1.1844 1.2065 4.5236 0.5396 0.

o valor de T (período de retorno) corresponde a um valor extremo da série anual. enchentes. a probabilidade de ser superada pelo menos uma vez dentro de N anos é: J = 1 − P´N ou J = 1 − (1 − P)N e portanto: P = 1 − (1 − J)1 / N Prof. Nesses projetos são também considerados fatores econômicos e a ociosidade da estrutura se for superdimensionada. um critério para a escolha de T é baseado no chamado risco permissível ou o risco que se quer correr para o caso de ruptura ou falha da estrutura.) para dimensionamento de estruturas hidráulicas de proteção.Hidrologia Agosto/2006 quando se analisam eventos (chuvas máximas. Por isso. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. Leonardo Duarte Batista da Silva 53 . Neste caso. etc. A probabilidade de que uma precipitação extrema de certa intensidade seja igualada ou superada uma vez dentro de um ano é: P= 1 T A probabilidade de não ser superada é: P´= 1 − P = 1 − 1 T A probabilidade de não ocorrer um valor igual ou maior (ou de não ser superada) dentro de N quaisquer anos é: J = P´N ou J = (1 − P)N Por outro lado.

20 ou 20% b) Qual a sua probabilidade de ocorrência nos próximos três anos? n = 3. a) Qual a sua probabilidade de ocorrência no próximo ano? P = 1/T = 1/5 = 0.8. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. sistemas de drenagem. além das precipitações máximas com vistas ao dimensionamento de estruturas de contenção do escoamento superficial.73 anos P 4. Análise das Chuvas Intensas Para projetos de obras hidráulicas.22)1 / 50 = 0. Exemplo: 1) Uma precipitação elevada tem um tempo de recorrência de 5 anos.004957.Hidrologia Agosto/2006 em que: J é denominado o índice de risco. a erosividade das chuvas tem grande importância. Com relação à conservação do solo. J = 1 − (1 − 0. galerias pluviais. Prof. duração e freqüência. é de fundamental importância se conhecer as grandezas que caracterizam as precipitações máximas: intensidade. Em outras palavras (J) é a probabilidade de ocorrência de um valor extremo durante N anos de vida útil da estrutura.20 )3 = 48. T= 1 = 201.8% 2) No projeto de uma estrutura de proteção contra enchentes deseja-se correr um risco de ruptura de 22% para uma vida útil de 50 anos. tais como vertedores de barragens. dimensionamento de bueiros. Qual o período de retorno para o valor de enchente em média esperado? P = 1 − (1 − 0. pois está diretamente relacionada com a erosão do solo. etc.. conservação de solos. Leonardo Duarte Batista da Silva 54 .

154T 0.61 55 Prof.87T 0.84 Fortaleza i= 506. Alguns autores procuram relacionar X com o período de retorno T.18 ( t + 8)0. b. e X e c são parâmetros a determinar. obras hidráulicas.99T 0. A precipitação tem efeito direto sobre a erosão do solo.217 ( t + 26)1. Leonardo Duarte Batista da Silva . com determinada duração.Hidrologia Agosto/2006 A precipitação máxima é entendida como a ocorrência extrema. em inundações em áreas urbanas e rurais.10 ( t + 8)0. entre outras.15 Rio de Janeiro i= Belo Horizonte i= 1447. O estudo das precipitações máximas é um dos caminhos para conhecer-se a vazão de enchente de uma bacia. distribuição temporal e espacial crítica para uma área ou bacia hidrográfica. por meio de uma equação do tipo C = KTa. As equações de chuva intensa podem ser expressas matematicamente por equações da seguinte forma: i= X ( t + b)c em que: i é a intensidade máxima média para a duração t. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. que substituída na equação anterior: i= KT a ( t + b)c Equações de chuva para algumas cidades brasileiras: 99.

130. 203. Exercícios 1) Estimar o total mensal de precipitação em março de 1982 em Seropédica. 220.Hidrologia Agosto/2006 4.9. 104. Sabendo que P = 162. Utilizar γ n = 0. 180. 156. 132. 189.7 mm / dia e S = 33. para os seguintes períodos de retorno ? a) 50 anos. b) Qual a probabilidade de ocorrer um valor menor que 154 mm/dia? c) Qual é o valor de precipitação esperado para T = 50 anos. d) 2130. 4) Uma série histórica com totais anuais de precipitação contém 20 anos de observação. 175. para as seguintes precipitações ? c) 747.9 mm. 154. 190.2 mm / dia . 3) Uma série histórica com valores máximos de precipitação (mm/dia) contém 18 anos de observação: 180. 108. Pedese: a)Qual o valor de precipitação associado a um período de retorno de 75 anos? b)Qual o período de retorno associado a uma precipitação de 1400 mm? Prof. Leonardo Duarte Batista da Silva 56 . a média é de 1200. 143.7 1180 98.2 TOTAL 1982 (em março) ----52. conhecendo-se os dados abaixo: a) Método das Médias Aritmética? b) Método da Média Ponderada? ESTAÇÃO Seropédica Santa Cruz Bangu Tinguá TOTAL ANUAL MÉDIA MÉDIO 1970/1987 (em março) 1250 115.8 2) Dados de precipitação de totais anual de 54 anos: P = 1468 mm e S = 265 mm.5 1310 52.1 mm. S n = 1. calcular a freqüência associada a cada valor de precipitação.7 37.5 71. 175. b) 100 anos.7 mm. 187. Qual o valor da precipitação.0628 . 122.0 mm e o desvio-padrão é de 114. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof.5236 . Qual o valor do tempo de recorrência.3 1080 80. Pede-se: a) Utilizando o método de Kimball. 180.

8 80.9 80.5 30.8 80.2 92.0 6.5 0.8 88.5 9.3 70.4 80.Hidrologia Agosto/2006 5) Com os dados de precipitação máxima diária (tabela abaixo).6 30.4 20.5 18.6 13.4 85.2 Fev 60.0 10.2 7.4 12.9 83.5 18.4 59.5 65.4 52.9573 .1 65.8 8.2 79.8 90.5 15.6 54.4 15.8 Jul 8.3 7.8 6.5 25.6 58.4 Mai 25.4 9. ANO 1917 1918 1919 1920 1921 1922 1923 1924 1925 1926 1927 1928 1929 1930 1931 1932 1933 1934 1935 1936 1937 1938 1939 1940 mm 1135 1123 1089 1215 812 1214 1429 894 1007 1547 1305 1278 1558 1506 1516 1320 970 906 1292 1203 1264 1173 1480 1339 ANO 1941 1942 1943 1944 1945 1946 1947 1948 1949 1950 1951 1952 1953 1954 1955 1956 1957 1958 1959 1960 1961 1962 1963 1964 mm 1285 1163 1634 1172 1569 985 1552 1229 1707 1423 1192 1111 890 1081 1223 953 1303 1489 1320 1531 961 1567 946 993 57 Prof.2 Jun 10.6 77.0 4.5 77.4 69.6 15.2 0.5 12.9 82.2 89.2 95.1 92.7 20.6 18.3 13.6 8.2 18.4 55.4 57.6 0.3 72.3 81.9 42.SP ser maior ou igual que 1500 mm e o tempo de recorrência desta chuva? (utilizar método de Kimball ).3 60.3 Nov 81.4 Mar 51.2 6) Determinar a probabilidade do total anual de precipitação em Piracicaba . pede-se: a) Quantos dados tem uma série anual e qual seria ela? b) Qual é o valor médio da série parcial? (Valor de referência = 90 mm) c) Sabendo que γ n = 0.4 60.5 80.0 6.4967 e Sn = 0.9 72.3 71.5 9.4 85.2 40.4 45.3 7.0 30.4 91.6 78.4 10.0 8.0 7.0 Out 70.4 90.4 30.8 Set 61.0 Ago 0.8 11.4 90.4 67.4 60.4 60.3 89.4 68.8 65. Ano 1970 1971 1972 1973 1974 1975 1976 1977 1978 1979 1980 Jan 58.3 75.1 32.5 70.3 72.0 53.2 58.7 12.4 28.2 7.4 30.9 99.1 81.0 48.9 8.3 50.2 0.6 Abr 30.9 84.0 9.4 62.3 48. Leonardo Duarte Batista da Silva .1 Dez 80.0 63. determinar o valor de precipitação associado a um período de retorno de 50 anos. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof.4 70.5 47.5 6.5 7.2 85.4 78.2 86.2 28.0 9.9 69.4 81.5 0.9 70.4 72.

d-1): A B 102.3 130.0 78.6 mm. duração e intensidade. 9) (Questão 06 do Concurso Público da ANA 2002) Em uma bacia hidrográfica estão instalados cinco postos pluviométricos cujas áreas de influência estão indicadas na tabela abaixo.6 mm.4 90. X + 22.5128 e Sn = 1.3 mm.6 59.3 87.3 mm 92.8 40.5 62. Posto Área de influência (km2) Altura de chuva (mm) A 327 83 B 251 114 C 104 60 D 447 136 E 371 70 Conhecidas as alturas de uma chuva intensa ocorrida no dia 02/05/1997.0 145.8 Fazendo o ajuste entre os dados das estações A e B.2 mm 92. 118.0 60. 98. 78.0 61.9 69.0 85. b) (item 3) As chuvas convectivas só ocorrem nas proximidades de grandes montanhas.2 52.0 84.1 mm.4 102. Leonardo Duarte Batista da Silva 58 .5 104.Hidrologia Agosto/2006 7) Considere os seguintes dados máximos diários de precipitação (mm.4 mm.1 74.5880 .2 mm 83.0 60.2 125. 95. 102.7 113.1 86.8 76.0 67. usando. Com isso.2 mm Prof. Considere: γ n = 0. os métodos da média aritmética e dos polígonos de Thiessen.7124 .0 112.6 57.6 mm. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. foi obtida a equação linear: Y = 0.0 136.0 52.4 40.d-1 está associada a qual período de retorno? 8) (Questão 03 do Concurso Público da ANA 2002 – Certo ou Errado) a) (item 2) As três principais grandezas que caracterizam a precipitação pontual são altura.5 131. a altura de chuva média. pede-se: a) A série completa da estação B.0206 b) Qual é o valor de precipitação associado a T = 100 anos e qual a sua probabilidade de ocorrência? c) A chuva de 120 mm. respectivamente. 99. são: a) b) c) d) e) 92.4 78.

4 km2 estará entre 2. b) (item 5) Uma estação pluviométrica X deixou de operar durante alguns dias de um mês. 934 mm e 1199 mm. e 122mm. na estação X. As precipitações médias normais anuais nas estações X. é correto afirmar que a altura pluviométrica mensal no mês com falha. 694 mm. sabendo que as alturas pluviométricas normais anuais nas estações A. B e C foram. 12) (Questão 19 Prova de Hidrologia Concurso CPRM 2002 . Prof. 752 mm e 840 mm. C e X são de 978 mm. respectivamente. Nesse caso. respectivamente. 47 mm. 88 mm. Leonardo Duarte Batista da Silva 59 . 826 mm.Certo ou Errado) a) (item 2) Se um pluviograma registrar a ocorrência de 78. 1. respectivamente. quando houve forte chuva. A precipitação na estação X corresponde a: a) b) c) d) e) 44. 43 mm e 51 mm.5 x 106 m3 e 3.0 mm 38. A. B e C são. As alturas pluviométricas nesse mês.0 mm 40.0 mm 36.Hidrologia Agosto/2006 10) (Questão 07 do Concurso Público da ANA 2002) Uma estação pluviométrica X ficou inoperante durante um mês na qual uma tempestade ocorreu.0 mm 11) (Questão 18 Prova de Hidrologia Concurso CPRM 2002 .enquanto que a utilização de pluviógrafos permite determinar intensidades de precipitação para pequenos intervalos de tempo.6 mm de precipitação no intervalo das 15 h 35 min às 17 h 55 min.0 mm 42. B. em três estações vizinhas – A.0 x 106 m3. obtém-se apenas o valor totalizado da precipitação no intervalo entre medições usualmente 24 h .120 mm. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. a intensidade dessa precipitação estará no intervalo entre 33 mm/h e 35 mm/h e o volume precipitado sobre uma bacia com 36. estará no intervalo entre 125 mm e 130 mm. As medições da tempestade em três estações vizinhas A. respectivamente.. B e C – foram de 106 mm.Certo ou Errado) a) (item 3) Ao realizar a medição da precipitação por meio de pluviômetros.

uma tendência de um movimento descendente da água provocando um molhamento das camadas inferiores. que é o componente do ciclo hidrólogico responsável pelos processos de erosão e inundações. Figura 23 . está apresentado esquematicamente na Figura a seguir. cessada a infiltração. pois afeta diretamente o escoamento superficial. Leonardo Duarte Batista da Silva 60 . ou seja. É um processo de grande importância prática. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. durante a infiltração.Perfil de umidade do solo durante a infiltração. dando origem ao fenômeno que recebe o nome de redistribuição. a camada superior atinge um “alto” teor de umidade. Prof. Há então. INFILTRAÇÃO 5. O perfil típico de umidade do solo. Após a passagem da água pela superfície do solo.Hidrologia Agosto/2006 CAPÍTULO 5. enquanto que as camadas inferiores apresentam-se ainda com “baixos” teores de umidade. Generalidades A infiltração é o nome dado ao processo pelo qual a água atravessa a superfície do solo.1.

mm. Frente de umedecimento: compreende uma pequena região na qual existe um grande gradiente hidráulico. Prof. mm. havendo uma variação bastante abrupta da umidade. em que: q = densidade de fluxo. como sugere o nome. Leonardo Duarte Batista da Silva 61 . mm. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. Esta zona é caracterizada por uma pequena variação da umidade em relação ao espaço e ao tempo. Ko = condutividade hidráulica do solo saturado.5 cm e.Hidrologia Agosto/2006 Zona de saturação: corresponde a uma camada de cerca de 1. isto é.h-1. H = potencial total da água no solo. Zona de transição: é uma zona com espessura em torno de 5 cm. Análise físico-matemática do processo de infiltração da água no solo O movimento da água em um solo não-saturado pode ser descrito pela equação de Darcy. cujo teor de umidade decresce rapidamente com a profundidade. é uma zona em que o solo está saturado. 5. A frente de umedecimento representa o limite visível da movimentação de água no solo. Zona de umedecimento: é uma região caracterizada por uma grande redução no teor de umidade com o aumento da profundidade. com um teor de umidade igual ao teor de umidade de saturação.2. Zona de transmissão: é a região do perfil através da qual a água é transmitida. originalmente deduzida para solos saturados e representada pela equação: ∂H ∂z q = − Ko . e z = distância entre os pontos considerados.h-1. mm.

Na equação de Darcy para solos saturados. exige que seja considerada também a variação da condutividade hidráulica com o teor de umidade do solo. A aplicação da equação de Darcy. ou seja. o gravitacional e o matricial. Nessas condições. sendo representado pela equação: H=Ψ+Z em que: Ψ = potencial matricial da água no solo. Outra limitação para o emprego desta equação refere-se à velocidade de escoamento muito baixa. Se ambas as condições não forem satisfeitas. tendo esta como limite superior o próprio valor da condutividade hidráulica do solo saturado. isto é. para condições de solos não-saturados. mm. A relação linear entre a densidade de fluxo e o gradiente hidráulico só é verificada em condições de escoamento laminar. um gradiente hidráulico muito pequeno. ao longo da distância por ela percorrida ( ∂H / ∂z ). Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. o escoamento da água no solo não ocorrerá. Nesse caso. o potencial da água no solo tem dois componentes. denomina-se gradiente hidráulico. mm. evidencia-se que as condições imprescindíveis para que se estabeleça o movimento da água no solo são a existência de uma diferença no potencial entre os pontos considerados e um meio poroso condutivo. representando a força responsável pelo escoamento da água no solo. O sinal negativo na equação de Darcy indica que o escoamento se estabelece do maior para o menor potencial. tornando a equação de Darcy válida somente sob esta condição. Leonardo Duarte Batista da Silva . Prof.Hidrologia Agosto/2006 A razão entre a taxa de variação do potencial da água no solo. e Z = potencial gravitacional da água no solo. a equação de Darcy torna-se: ∂ ( Ψ + Z) ∂z 62 q = − K (θ) . a condutividade hidráulica do solo não pode ser nula.

denominado taxa de infiltração estável (muito conhecida por velocidade de infiltração básica da água no solo . Caso contrário.3. ter-se-á um valor do gradiente hidráulico muito elevado e. isto é. mas tende a decrescer com o tempo. a taxa de infiltração tende a um valor aproximadamente igual à condutividade hidráulica do solo saturado.3. seco e úmido. em meio não-saturado. mm. Grandezas Características 5. uma menor taxa de infiltração devido a um menor gradiente hidráulico (menor diferença no potencial matricial da água no solo).Hidrologia Agosto/2006 em que: K(θ) é a condutividade hidráulica do solo para um teor de umidade θ. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. sendo expresso geralmente em mm.VIB). Este comportamento pode ser compreendido a partir da aplicação da equação de Darcy às condições de escoamento. Com o tempo.h-1. 5. não se Prof. A taxa de infiltração da água no solo é alta no início do processo de infiltração. conseqüentemente. Um solo mais úmido terá. inicialmente. a taxa de infiltração da água do solo não é máxima. a qual aproxima-se da própria VIB. No início do processo. particularmente quando o solo está inicialmente muito seco. portanto. Desta forma. aproximando-se assintoticamente de um valor constante. Capacidade de infiltração (CI) É a quantidade máxima de água que pode infiltrar no solo. uma taxa de infiltração alta. a valor da profundidade da frente de umedecimento é pequeno. e mais rapidamente a taxa de infiltração se tornará constante. A capacidade de infiltração só é atingida durante uma chuva se houver excesso de precipitação.h-1. o valor de Z vai aumentando até que o gradiente hidráulico [ ( Ψ + Z ) / Z ] vai tendendo a 1 e. Leonardo Duarte Batista da Silva 63 .1. em um dado intervalo de tempo. A Figura 24 representa a variação da taxa de infiltração e da infiltração acumulada. para um mesmo solo sob duas condições iniciais de umidade.

mm. h. por unidade de tempo.Hidrologia Agosto/2006 igualando à capacidade de infiltração.h-1). esta atinge um valor aproximadamente constante após um longo período de tempo. A equação a seguir. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. Da mesma forma como citado anteriormente. Leonardo Duarte Batista da Silva 64 . Figura 24 – Velocidade de infiltração e infiltração acumulada em função do tempo para solo inicialmente seco e úmido. A CI apresenta magnitude alta no início do processo e com o transcorrer do mesmo. este valor é denominado taxa de infiltração estável. I = infiltração acumulada.2. A taxa de infiltração pode ser expressa em termos de altura de lâmina d’água ou volume d’água por unidade de tempo (mm. comumente conhecido com VIB (Figura 24). representa a taxa de infiltração de água no solo.h-1. mm. 5. correspondendo à variação da infiltração acumulada ao longo do tempo: TI = em que: dI dT TI = taxa de infiltração da água no solo. Taxa (velocidade) de Infiltração A taxa de infiltração é definida como a lâmina de água (volume de água por unidade de área) que atravessa a superfície do solo. Prof.3. e T = tempo.

a frente de umedecimento vai atingindo uma profundidade cada vez maior. passando a decrescer com o tempo e tendendo a um valor constante. a TI vai se reduzindo substancialmente até um valor praticamente constante. a TI depende diretamente da textura e estrutura do solo e. representado na Figura 25. Deverá existir empoçamento da água na superfície e o escoamento superficial daquela água aplicada na taxa excedente à capacidade de infiltração do solo poderá ocorrer. À medida que vai-se adicionando água no solo. depende do teor de umidade na época da chuva ou irrigação. Figura 25 – Variação da velocidade de infiltração com o tempo. Com isto. a taxa de infiltração será correspondente à capacidade de infiltração daquele solo. diminuindo a diferença de umidade entre essa frente e a camada superficial. toda a água penetra no solo. Quando uma precipitação atinge o solo com intensidade menor do que a capacidade de infiltração. Leonardo Duarte Batista da Silva 65 . característico de cada tipo de solo. e que recebe o nome de taxa de infiltração estável ou VIB. que vai se tornando cada vez mais úmida. caracterizado como a condutividade hidráulica do solo saturado (Ko). Prof. Portanto. Persistindo a precipitação. para um mesmo solo. da sua porosidade e da existência de camada menos permeável (camada compactada) ao longo do perfil (Figura 25). provocando progressiva diminuição na própria CI. após grandes períodos de tempo. a partir de um tempo t = tp. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. se em um solo com baixa capacidade de infiltração aplicarmos água a uma taxa elevada.Hidrologia Agosto/2006 Como foi dito anteriormente. a taxa de infiltração iguala-se à capacidade de infiltração.

de Infiltração tempo de encharcamento escoamento superficial cap. a velocidade de infiltração iguala-se à capacidade de infiltração. o solo começa aumentar seu teor de umidade. A partir do tempo t = A. há acúmulo de água na superfície e possibilidade de ocorrer escoamento superficial. Portanto. Leonardo Duarte Batista da Silva 66 . Prof. a partir desse instante.Hidrologia Agosto/2006 A Figura 26 mostra o desenvolvimento típico das curvas representativas da evolução temporal da infiltração real e da capacidade de infiltração com a ocorrência de uma precipitação. A partir deste momento. que continua decrescendo. A Tempo Figura 26 . Portanto. quando o processo descrito se repete. Taxa e Cap. No tempo t = C. a chuva termina. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. consequentemente a capacidade de infiltração diminui. No tempo t = B. inicia-se o escoamento superficial. e o solo começa a perder umidade por evaporação/transpiração.Curvas de capacidade e velocidade de infiltração. a capacidade de infiltração começa aumentar até que uma outra precipitação ocorra. de infiltração B C Taxa e cap. de infiltração volume infiltrado precip. Ip ≤ CI Ip > CI TI = Ip CI = TI não há escoamento superficial.

Temperatura: a velocidade de infiltração aumenta com a temperatura. Leonardo Duarte Batista da Silva 67 .Hidrologia Agosto/2006 5. dentre os quais destacam-se: Condição da superfície: a natureza da superfície considerada é fator determinante no processo de infiltração. principalmente quando estas têm cobertura vegetal. Tipo de solo: a textura e a estrutura são propriedades que influenciam expressivamente a infiltração. isto é a espessura da lâmina de água sobre a superfície do solo.4. Áreas urbanizadas apresentam menores velocidades de infiltração que áreas agrícolas. rachaduras e canais biológicos originados por raízes decompostas ou pela fauna do solo: estas formações atuam como caminhos Prof. Condição do solo: em geral. se as condições de preparo e de manejo do solo forem inadequadas. a capacidade de infiltração será tanto maior quanto mais seco estiver o solo inicialmente. Umidade inicial do solo: para um mesmo solo. Carga hidráulica: quanto maior for a carga hidráulica. o preparo do solo tende a aumentar a capacidade de infiltração. de diversos fatores. Presença de fendas. No entanto. devido à diminuição da viscosidade da água. a sua capacidade de infiltração poderá tornar-se inferior à de um solo sem preparo. principalmente se a cobertura vegetal presente sobre o solo for removida. maior deverá ser a taxa de infiltração. Fatores que Intervém na Capacidade de Infiltração A infiltração é um processo que depende. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. em maior ou menor grau.

Solos em áreas de pastagem também sofrem intensa compactação pelos cascos dos animais. Prof.infiltrômetro de anel. com a energia cinética da precipitação e com a estabilidade dos agregados do solo. 5.5. aumentam a capacidade de infiltração. Métodos de Determinação da Capacidade de Infiltração Os métodos usados para se determinar a capacidade de infiltração da água no solo são: . portanto. Compactação do solo por máquinas e/ou por animais: o tráfego intensivo de máquinas sobre a superfície do solo. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. Leonardo Duarte Batista da Silva 68 . contribui para aumentar o volume de água infiltrada. A presença de cobertura vegetal reduz ainda o impacto das gotas de chuva e promove o estabelecimento de uma camada de matéria orgânica em decomposição que favorece a atividade microbiana. aumenta a TI. de insetos e de animais o que contribui para formar caminhos preferenciais para o movimento da água no solo.Hidrologia Agosto/2006 preferenciais por onde a água se movimenta com pouca resistência e. consequentemente. reduzindo a capacidade de infiltração. Compactação do solo pela ação da chuva: as gotas da chuva. e . Cobertura vegetal: O sistema radicular das plantas cria caminhos preferenciais para o movimento da água no solo o que.simuladores de chuva ou infiltrômetro de aspersão. ao atingirem a superfície do solo podem promover uma compactação desta. portanto. ou irrigação. A intensidade dessa ação varia com a quantidade de cobertura vegetal. produz uma camada compactada que reduz a capacidade de infiltração do solo. A cobertura vegetal também age no sentido de reduzir a velocidade do escoamento superficial e.

5. ao mesmo tempo nos dois anéis e. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. pode-se fazer uma bacia em volta do cilindro menor e mantê-la cheia de água enquanto durar o teste.Desenho esquemático do infiltrômetro de anel. representa a infiltração vertical neste período (Figura 28). mascarando o resultado do teste. A altura da lâmina d’água nos Prof. A diferença de leitura entre dois intervalos de tempo. com uma régua graduada. Para isso. Quando não se dispuser do cilindro externo.Hidrologia Agosto/2006 5. as bordas inferiores devem ser em bisel a fim de facilitar a penetração no solo (Figura 27). Infiltrômetro de Anel Consiste basicamente de dois cilindros concêntricos e um dispositivo de medir volumes da água aduzida ao cilindro interno. Devem ser instalados concentricamente e enterrados 15 cm no solo. A água é colocada. Os cilindros apresentam 25 e 50 cm de diâmetro. A finalidade do anel externo ou da bacia é evitar que a água do anel interno infiltre lateralmente. ambos com 30 cm de altura. faz-se a leitura da lâmina d’água no cilindro interno ou anota-se o volume de água colocado no anel.1. 50 cm 25 cm Superfície do Solo Figura 27 . com intervalos de tempo pré-determinados. Leonardo Duarte Batista da Silva 69 .

O teste termina quando a TI permanecer constante. portanto. Na prática.Hidrologia Agosto/2006 dois anéis deve ser de 15 cm. Neste momento. considera-se que o solo atingiu a chamada taxa de infiltração estável. entretanto. com o decorrer do tempo. ela passa a não ter efeito. permitindo-se uma variação máxima de 2 cm. Para isso. com intensidade de precipitação superior à capacidade de infiltração do solo. No início do teste. a aplicação de água é realizada sobre uma área delimitada com Prof. Figura 28 . Leonardo Duarte Batista da Silva 70 . é coletar a lâmina de escoamento superficial originada pela aplicação de uma chuva com intensidade superior à CI do solo.Medida de infiltração com um infiltrômetro de anel. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. essa altura pode influenciar nos resultados. O objetivo deste teste. considerase que isto ocorra quando TI variar menos que 10% no período de 1 (uma) hora.2 Simuladores de Chuva São equipamentos nos quais a água é aplicada por aspersão. 5.5.

Hidrologia Agosto/2006 chapas metálicas tendo.6. em um dos seus lados. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. A taxa de infiltração é obtida pela diferença entre a intensidade de precipitação e a taxa de escoamento resultante. uma abertura a fim de ser possível a coleta do escoamento superficial (Figura 29). o infiltrômetro de anel superestima a taxa de infiltração em relação ao simulador de chuvas. 5. Por não existir o impacto das gotas de chuva contra a superfície do solo. sendo que iremos apresentar as duas equações empíricas mais utilizadas: Prof. Leonardo Duarte Batista da Silva 71 . Equações Representativas da Infiltração A infiltração acumulada d’água no solo (I) pode ser descrita pôr várias equações. provocando o selamento superficial. (a) (b) Figura 29 . Essa lâmina provoca um aumento no gradiente de potencial favorecendo o processo de infiltração.Infiltrômetro de aspersão pendular (a) e rotativo (b). Outro fator que contribui para que os valores de TI sejam diferentes nos dois métodos é a presença da lâmina d´água no infiltrômetro de anel.

Leonardo Duarte Batista da Silva 72 . a . e a = constante dependente do solo.1932) I = k . a TI tende a zero. Ta em que: I = infiltração acumulada (cm).Hidrologia Agosto/2006 5. à medida que o tempo de infiltração torna-se muito grande.T a −1 A determinação dos coeficientes a e k é feita utilizando-se o método gráfico (uso de papel log-log) ou o método analítico (regressão linear). este tipo de equação descreve bem a infiltração para períodos curtos. k = constante dependente do solo.1. diferente de zero.6. Prof. na realidade. comuns na precipitação de lâminas d’água médias e pequenas. T a −1 A equação de Kostiakov possui limitações para períodos longos de infiltração. Chamada equação de Kostiakov.T a T VIm = k . Entretanto. variando de 0 a 1. Equação Potencial (Kostiakov . T = tempo de infiltração (min). TI tende a um valor constante correspondente à VIB. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. A velocidade de infiltração média (Vim) é a divisão de I pelo tempo T: VIm = I T VIm = k . A velocidade de infiltração instantânea (VI) é a derivada da infiltração acumulada. pois neste caso. em relação ao tempo : VI = dI dT . ou seja. VI = k .

Tempo PAPEL LOG . basta aplicar as operações logarítmicas correspondentes à equação de infiltração. será o valor de k. Assim. Prof.Hidrologia Agosto/2006 a) Método Gráfico Plota-se os dados de I e T em um papel log-log e traça-se a linha reta de melhor ajuste dos pontos. Leonardo Duarte Batista da Silva 73 . inicialmente a equação de infiltração. que é uma equação exponencial. deverá ser transformada em uma equação linear. O ponto de intercessão do prolongamento da reta com o eixo das ordenadas (relativo aos valores do tempo T). e a declividade da reta será o valor de a (Figura abaixo). Para isso.LOG α k a = declividade da reta = tg α Infiltração b) Método Analítico Como o método da regressão linear só pode ser aplicado para equações lineares. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof.

Leonardo Duarte Batista da Silva 74 . os valores de A e B são determinados pelas seguintes expressões: 2 ∑X × ∑XY − ∑X × ∑Y - A= (∑ X)2 − m × ∑ X2 B= ∑ X × ∑ Y − m × ∑ XY (∑ X )2 − m × ∑ X2 em que: m é o número de pares de dados I e T. k = antilog A. e a é o próprio valor de B.Hidrologia Agosto/2006 log I = log k + a log T Dessa forma. A = log k. B = a. Prof. verifica-se que essa apresentação da equação de infiltração nada mais é que uma equação da reta do tipo Y = A + B X. k = 10A a= B então. Obtidos os valores de A e B. então. retorna-se a equação exponencial de origem. determina-se k e a. ou seja. O valor de k é encontrado aplicando o antilog A. em que: Y = log I A = log k B=a X = log T No método da regressão linear. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof.

2 17.5211 1.4 11.7154 2.1294 5.6 6.9012 X .8307 2.3096 3.5911 1.7482 0.4 16.5611 29.1461 1.0059 2.1271 2.4 20.1875 2.8692 1.0414 1.0569 2.1584 1.5246 4.3096 2.8041 2.4116 0.0684 4.2123 X2 0.6585 4.7009 3.4624 1.9 14.6512 0.6021 0.2878 1.8195 0.6812 0.2189 3.3522 1.0000 0.9243 1.3824 4.8062 1.2878 2.9106 1.Y 0.2148 2.5315 2.7 3. Leonardo Duarte Batista da Silva .3454 2.4868 1.5315 1.5416 1.3191 75 Prof.0000 0.1241 3.3802 1.1652 2.5993 1.2309 4.8711 1.5 26.9050 2.0170 2.0358 3.8 28.2648 2.3136 1.8808 0.9731 2.8 19.0 25.6380 57.6 9.0327 1.4308 90.1985 1.6 7.0 31.4672 2.4065 1.5 24.2788 1.0934 2.4 30.3489 1.7852 4.5975 2.6 33.9359 3. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof.1761 0.4771 1.2623 3.2340 5.7324 1.9 22.4314 0.2 34.0201 5.7029 3.4 Total X = log Tac 0.4940 3.1584 2.9731 1.6352 1.1834 Y = log I 0.6435 1.3965 3.9055 5.3304 47.3274 2.5605 3.3625 0.5 2.8 36.Hidrologia Agosto/2006 Exemplo: Em um teste de infiltração foram levantados os seguintes dados.9542 1.4801 3.0 12.7 4.5682 0.2405 2.3201 1. Tac (min) 0 4 9 14 19 24 29 34 39 44 54 64 74 84 94 104 114 124 134 144 154 164 174 184 194 204 214 I (cm) 0 1.2095 1.8 5.2504 1.0012 3.4281 1.8932 4.1060 0.1106 1.4997 1.1386 2.9345 0.6 8.3802 1.4533 1.3344 5.

Leonardo Duarte Batista da Silva .9012 = − 0.3581 T − 0. k = antilog A.1837 A forma final da equação de velocidade de infiltração média será: V Im = 0.9012 x 29. k = 0.Hidrologia Agosto/2006 Número de pares de valores T x I (m) = 26 Calculando os valores de A e B.1837 76 Prof.3191 (47.0.4387 a = 0. Como: B = a.3578).2123 − 26 x 57.4387 T − 0.1834)2 − 26 x 90.4387 T 0.1834 x 57.9012 = 0.3191 − 90. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof.1834 x 29.8163 A forma final da equação de velocidade de infiltração instantânea será: VI = 0.1834)2 − 26 x 90. k = antilog (. tem-se: A= 47.8163 Como: A = log k.3578 B= 47.8163 A forma final da equação de infiltração será: I = 0.2123 (47.

.... Leonardo Duarte Batista da Silva 77 ......h-1 Solo de VIB alta............ Apesar da modificação feita na equação potencial (Kostiakov) visando solucionar o problema de TI tender a zero e não à VIB....h-1 Solo de VIB média..2..... fazendo um arranjo dos termos: log (I − VIB ..... T Neste caso............ O solo pode ser classificado de acordo com a velocidade de infiltração básica. Desta maneira...5 < VIB < 15 mm... T) = log k + a ... a seguinte equação foi proposta e é muito utilizada: I = k ... e os outros parâmetros são os mesmos utilizados anteriormente.................. Ta + VIB .......Hidrologia Agosto/2006 5..... Equação Potencial Modificada (Kostiakov-Lewis) Com o objetivo de solucionar o problema de TI tender a zero para um longo período de tempo.. (I – VIB . conforme abaixo: Solo de VIB baixa.... Daniel Fonseca de Carvalho e Prof.... o teste de infiltração deve ser realizado quando o solo estiver com um teor de umidade médio. Y = log ........h-1 Solo de VIB muito alta.h-1 Prof.. o problema é parcialmente resolvido..........6.... log T Com este arranjo.... essas equações não levam em consideração o teor de umidade inicial do solo. os parâmetros da equação de infiltração (k e a) são estimados pelo método da regressão linear.... T).....VIB < 5 mm. Por isso...15 < VIB < 30 mm......VIB > 30 mm.

7 15. c) apresentar o gráfico Velocidade de Infiltração X Tempo Acumulado. propostas pelo modelo de Kostiakov – Lewis (Kostiakov modificada).1 6.8 12. e) indicar o valor em mm.0 14. e f) classifique este solo em relação a velocidade de infiltração básica. Prof.min-1.8 16.6 7.4 6.7 14. propostas pelo modelo de Kostiakov. b) apresentar as equações de infiltração (I) e velocidade de infiltração (VI).9 17.5 11. d) indicar a Velocidade de Infiltração Básica (VIB) no gráfico Velocidade de Infiltração X Tempo Acumulado.7 14.4 5.7 14. Exercícios 1) Um determinado solo de uma microbacia hidrográfica foi submetido ao teste de Infiltração (Método de Infiltrômetro de Anel) apresentou os seguintes resultados: HORA TEMPO TEMPO (min) ACUMULADO (min) INFILTRAÇÃO (mm) INFILTRAÇÃO ACUMULADA (mm) VELOCIDADE DE INFILTRAÇÃO (mm.7 a) apresentar as equações de infiltração (I) e velocidade de infiltração (VI). Daniel Fonseca de Carvalho e Prof.6 8.Hidrologia Agosto/2006 5. Leonardo Duarte Batista da Silva 78 .min-1) 08:00 08:05 08:10 08:20 08:30 08:45 09:00 09:30 10:00 11:00 12:00 13:00 14:00 15:00 16:00 17:00 Pede-se: 0 9.7. da Velocidade de Infiltração Básica (VIB).

Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. 3) Comente sobre os fatores intervenientes sobre o processo de infiltração da água no solo.Y Determinar os parâmetros k e a da equação de infiltração da água no solo e apresentar a equação potencial. 4) Explique como se pode determinar a Capacidade de Infiltração da água em um solo. Leonardo Duarte Batista da Silva 79 . Prof.Hidrologia Agosto/2006 2) Em um teste de infiltração foram levantados os seguintes dados: Tac (min) 0 1 2 4 6 11 16 26 36 51 66 96 126 156 186 216 Total I (mm) 0 26 41 52 60 86 111 138 157 182 212 256 299 326 352 384 x = log Tac Y = log I X2 X .

8 231. Nessa tabela. Leonardo Duarte Batista da Silva 80 . Com base nessas informações.Hidrologia Agosto/2006 5) (Questão 19 Prova de Hidrologia Concurso CPRM 2002 . coletado na única seção de saída de escoamento superficial do experimento. Prof. a taxa com que se processa a infiltração de água no solo permanece constante enquanto a intensidade de chuva for baixa.0 645. calcule a lâmina infiltrada após uma hora e após 150 minutos do início da precipitação.2 120 40 50 60 70 121.3 100 20 30.h-1.9 705.9 765. para posteriormente decrescer exponencialmente.1 289.9 110 30 72. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof.0 130 140 150 160 347. que proporcionou uma precipitação de intensidade constante de 50 mm. Tempo (min) Volume acumulado (L) Tempo (min) Volume acumulado (L) 0 0* 80 5 0** 90 10 4.9 * início da precipitação.9 825.4 406. apresentam-se o tempo e o volume acumulado.Certo ou Errado) a) (item 1) Os dados da tabela abaixo foram coletados por intermédio de um simulador de chuva de 2 m X 4 m. A taxa final é denominada capacidade de infiltração do solo.1 586. ** início do escoamento superficial.7 466.3 526. b) (item 4) De acordo com a lei de Darcy.5 174.

através dos estômatos. a uma temperatura inferior a de ebulição. Nos sólidos e líquidos predominam as forças de atração entre as partículas do corpo. Nos sólidos. bem como. Transpiração: é a evaporação devida a ação fisiológica dos vegetais. 6. cada partícula tem oscilações de muito pequena amplitude em volta de uma posição média quase permanente. ocorrida. Leonardo Duarte Batista da Silva 81 . Nos líquidos. Prof. principalmente. Evapotranspiração: evaporação + transpiração. Na hidrologia. a transpiração dos vegetais. Definições e Fatores Físicos Evaporação: é o processo natural pelo qual a água. Nos gases. a energia cinética média das partículas é maior do que nos sólidos. canais. EVAPORAÇÃO E TRANSPIRAÇÃO 6. mas uma partícula que se liberta da atração daquelas que a rodeiam é logo captada por um grupo de partículas vizinhas. a energia cinética média das partículas é ainda maior e suficiente para libertá-las umas das outras.Hidrologia Agosto/2006 CAPÍTULO 6. A transferência natural de água no estado de vapor da superfície do globo para a atmosfera interpreta-se facilmente pela teoria cinética da matéria. especialmente nas aplicações da meteorologia e da hidrologia às diversas atividades humanas. têm muita importância no balanço hídrico de uma bacia hidrográfica. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. Introdução O conhecimento da perda d’água de uma superfície natural é de suma importância nos diferentes campos do conhecimento científico. o conhecimento da perda de água em correntes.2. passa para a atmosfera na forma de vapor. de uma superfície livre (líquida) ou de uma superfície úmida.1. reservatórios.

Prof. que contém um certo conteúdo de vapor d’água.Hidrologia Agosto/2006 A mudança do estado sólido ou líquido para o estado gasoso corresponde a um aumento da energia cinética das partículas da substância. Portanto. isto é. e b) existência de um gradiente de concentração de vapor. A mais moderna dá maior enfoque à evapotranspiração pois numa bacia hidrográfica a superfície do solo vegetada costuma ser maior que a superfície livre de água. calor sensível da atmosfera ou da superfície evaporante. por unidade de massa da substância. exigindo por isso. A mudança da fase líquida para a fase de vapor consome 540 cal. vamos notar a troca de moléculas entre as fases de vapor e líquida. A evaporação mantém-se até atingir o estado de equilíbrio. é o calor de vaporização. A literatura antiga dava mais enfoque à evaporação. o consumo de uma quantidade de energia que. Leonardo Duarte Batista da Silva 82 . uma diferença entre a pressão de saturação do vapor na atmosfera (es) à temperatura da superfície e a pressão parcial de vapor d´água na atmosfera (ea). Em geral. a radiação solar é a principal fonte para a evaporação. que existem na atmosfera. se tivermos uma superfície exposta às condições ambientais.g-1 a 100 oC e 586 cal. a qual envolve os fenômenos de condensação e evaporação: As condições básicas para a ocorrência do mecanismo são: a) existência de uma fonte de energia que pode ser a radiação solar. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. chocam à superfície de separação e são captadas pelo corpo evaporante. com temperatura constante. Simultaneamente com o escape das partículas de água para a atmosfera dá-se o fenômeno inverso: partículas de água na fase gasosa. que corresponde à saturação do ar em vapor d’água: o número de partículas de água que escapam do corpo evaporante é então igual ao número de partículas de água na fase gasosa que são capturadas pelo corpo no mesmo intervalo de tempo.g-1 a 20 oC.

aumentando a temperatura do ar. Exemplo: UR = 60% significa que a atmosfera contém 60% da umidade máxima que ela seria capaz de conter àquela temperatura. Prof. modificando a energia cinética das moléculas. maior es (maior a capacidade do ar conter água) e menor UR. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. sendo que a incidência direta fornece mais energia quando comparado com a difusa. Portanto. Fatores Intervenientes no Processo de Evaporação e Transpiração a) Radiação Solar A radiação solar é fonte energética necessária ao processo evaporativo. Assim: . mais moléculas se escapam da superfície. c) Temperatura e Umidade do Ar O aumento da temperatura torna maior a quantidade de vapor d´água que pode estar presente no mesmo volume de ar. À altas temperaturas. diminuindo a umidade relativa (efeito indireto). Leonardo Duarte Batista da Silva 83 . b) Temperatura de Superfície A variação da intensidade da radiação solar recebida na superfície produz uma variação na temperatura da superfície.3.100 es UR = - UR é determinada por higrógrafo e pode ser estimada por meio de psicrômetros (conjunto de 2 termômetros sobre diferentes condições). quanto maior temperatura. ea .Hidrologia Agosto/2006 6. devido à sua maior energia cinética. es aumenta.

0431 0. o movimento de vapor é por moléculas individuais (difusão molecular).Hidrologia Agosto/2006 - A UR é baixa próximo ao meio dia e alta durante a noite. a pressão de vapor de saturação praticamente dobra. não por causa da umidade do ar em si (ea) (que provavelmente é até maior durante o dia) e sim porque a temperatura é alta durante o dia e baixa durante a noite.0322 0. Leonardo Duarte Batista da Silva 84 Pressão de vapor (atm) 0. Em complemento.0062 0. mas acima dessa camada limite superficial.A uma dada temperatura. A Tabela a seguir apresenta alguns desses valores.0238 0. Temperatura (oC) 0 5 10 15 20 25 30 35 40 d) Vento O vento modifica a camada de ar vizinha à superfície. provoca Prof. quanto mais seco o ar maior será a sua capacidade de absorver água. . quando a umidade do solo está abaixo do teor para o qual a demanda atmosférica é necessária. o responsável é o movimento turbulento do ar (difusão turbulenta). substituindo uma camada muitas vezes saturada por uma com menor conteúdo de vapor d’água. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof.0125 0.0089 0.0572 0. para cada 10oC de elevação da temperatura.0750 .0174 0. sendo que o mecanismo de fechamento dos estômatos. e) Aspectos Fisiológicos Nos vegetais diversos aspectos estão associados a transpiração. Na camada em contato com a superfície (aproximadamente 1 mm).

para expressar essa ocorrência simultânea. no início da década de 40. b) Evapotranspiração de Referência (ETo): perda de água de uma extensa superfície cultivada com grama. c) Evapotranspiração Real ou Atual (ETr): perda de água por evaporação e transpiração nas condições reinantes (atmosféricas e de umidade do solo).4.2. Conclui-se que ETr é menor ou no máximo igual a ETp.4. 6. em crescimento ativo. Prof. 6.08 a 0. A taxa de transpiração é função dos estômatos. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. O termo evapotranspiração foi utilizada. decorrente das ações físicas e fisiológicas dos vegetais (através dos estômatos).4.3. cobrindo totalmente o solo e sem deficiência de água.Hidrologia Agosto/2006 redução da transferência de vapor para a atmosfera. Esse comportamento é mais comum durante as horas mais quentes do dia. da profundidade efetiva das raízes. por Thornthwaite. Leonardo Duarte Batista da Silva 85 . Evapotranspiração (ET): conjunto evaporação do solo mais transpiração das plantas. 6.15 m.4.1. do tipo de vegetação. com altura de 0. Evaporação: perda d’água para a atmosfera de uma superfície líquida (ou sólida saturada) exposta livremente às condições ambientais. Transpiração: perda d’água para a atmosfera na forma de vapor. além dos fatores anteriormente citados. Existem conceitos distintos de evapotranspiração que devem ser observados: a) Evapotranspiração Potencial (ETp): perda de água por evaporação e transpiração de uma superfície natural tal que esta esteja totalmente coberta e o conteúdo de água no solo esteja próximo à capacidade de campo. Definições Básicas 6.

. podem-se citar: E = 0. e ea é a pressão de vapor do ar. (es − e 2 ) Rússia em que: U2 é a velocidade do vento obtida a 2 m acima da superfície evaporante (m.131 . Prof. e e2 é a pressão de vapor do ar a 2 m de altura acima da superfície (mb).Quanto ao efeito da lei de Dalton. Das várias equações encontradas em livros sobre evaporação. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. consequentemente. (1 + 0. menor ea e. es é a pressão de saturação à temperatura da superfície. quanto menor UR.Hidrologia Agosto/2006 6. U 2 .72. para uma dada temperatura. Várias equações foram propostas para a estimativa da evaporação. relativo a elementos meteorológicos. Fórmula Geral da Evaporação A primeira equação para o cálculo da evaporação de uma superfície foi proposta por Dalton (1928): E = C. (es − e 2 ) USA E = 0.(e s − e a ) em que: C é um coeficiente empírico. todas elas baseadas na equação de Dalton ou mesmo sendo a própria equação de Dalton.13 .U 2 ) . com o estudo da função C para cada localidade. maior a Evaporação. Leonardo Duarte Batista da Silva 86 .5.s-1).

isto é. chapa 22. Deve ser instalado sobre um estado de madeira. também se faz a leitura do anemômetro totalizador e do termômetro flutuante. Consiste num tanque circular de aço inoxidável ou galvanizado.6. A Evaporação classe A é a espessura da lâmina d’água do tanque que foi evaporada em um determinado intervalo e tempo. com o micrômetro de gancho assentado sobre o poço tranquilizador. Medição da Evaporação A evaporação é medida através de tanques evaporímetros e atmômetros. Leonardo Duarte Batista da Silva 87 . de preferência. Tanques de Evaporação São tanques que contém água exposta à evaporação.6. de máxima e de Prof. Quando se faz a leitura do nível d’água. a leitura do nível d’água do tanque é feita uma única vez ao dia.1.5 cm de profundidade. pela manhã.5 cm da borda superior. com 121 cm de diâmetro interno e 25. o mais comum é o tanque Classe A (Figura 30). não deve ser permitida variação maior que 2.Hidrologia Agosto/2006 6. A evaporação (EV) é medida com uma régua ou. Rotineiramente. 6. cheio de água até 5 cm da borda superior. No Brasil.5 cm. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. de 15 cm de altura. O nível da borda não deve abaixar mais que 7. Figura 30 – Tanque Classe A.

principalmente nos instrumentos com superfície porosa permanente.Hidrologia Agosto/2006 mínima. Ele é cheio d’água destilada e pendurado na vertical. fica-se sabendo a velocidade do vento percorrido e a temperatura máxima e mínima da superfície evaporante. Assim. o equipamento oficial para se medir a evaporação é o evaporímetro de Piche e não o tanque classe A. quinzenais ou mensais. Leonardo Duarte Batista da Silva 88 . O estrado colocado no tanque classe A visa impedir o fluxo de calor para o solo. conforme a aplicação que se vai dar aos dados de evaporação. Livingstone (esfera oca de porcelana) Bellani (disco de porcelana) Em postos meteorológicos padrão. A evaporação se dá através do disco de papel.6. embora apresentam erros em razão da impregnação de sal ou poeira em seus poros.1 cm de diâmetro interno. Na extremidade aberta do tubo. Os principais tipos são: . com a extremidade fechada para cima. Atmômetros São evaporímetros nos quais a evaporação d’água ocorre através de uma superfície porosa.5 cm de comprimento com 1. que inclusive Prof. fechado em uma das extremidades.Piche: consiste de um tubo de 22. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof.2 cm de diâmetro. por meio de um anel. Outro grande problema dos atmômetros é que eles são mais sensíveis ao vento do que à radiação solar.2. As alturas (lâminas) de evaporação são acumuladas em períodos semanais. decendiais. prende-se um disco de papel de 3. 6. graduado em décimo de milímetro. e quantidade d’água evaporada é determinada pela variação do nível d’água no tubo (Figura 31). Sua instalação e operação são relativamente simples.

dentro dos quais se mede a evapotranspiração. O Piche fica à sombra. Figura 31 – Evaporímetro de Piche. Leonardo Duarte Batista da Silva 89 . Daniel Fonseca de Carvalho e Prof.7. e cada metodologia apresenta características próprias. a) Métodos Diretos a. e é bem mais prático de manejar que o tanque. Conhecidos também como evapotranspirômetros e a evapotranspiração é obtida por meio do balanço hídrico neste sistema de controle. dentro do abrigo meteorológico.Hidrologia Agosto/2006 pode não estar presente.1) Lisímetros São tanques enterrados no solo. Determinação da Evapotranspiração Existem métodos diretos para determinação e métodos indiretos para a estimativa da evapotranspiração. Prof. 6.

desde que sejam instalados corretamente. aerodinâmico. P = precipitação. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. A água necessária. É o método mais preciso para a determinação direta da ETo.Hidrologia Agosto/2006 ETo = I+P −D A em que: I = irrigação. a ser determinado para cada região e para cada método indireto. Este método só deve ser utilizado para a determinação da ET total. e nunca a ET diária ou semanal. nestes casos. mais a quantidade de água armazenada no solo antes do plantio. a. e A = área do lisímetro. durante todo o ciclo da cultura. precipitações efetivas. De acordo com os princípios envolvidos no seu desenvolvimento. durante todo o ciclo da cultura. os métodos de estimativa podem ser agrupados em cinco categorias: empíricos. combinados e correlação de turbilhões. balanço de energia. depende de vários fatores. é calculada pela soma da quantidade de água aplicada nas irrigações. para estimá-la. b) Métodos Indiretos: São aqueles que não fornecem diretamente a evapotranspiração e. é preciso se utilizar de um fator (K). Prof. Leonardo Duarte Batista da Silva 90 . menos a quantidade de água que ficou retida no solo após a colheita. D = drenagem.2) Parcelas Experimentais no Campo A obtenção da evapotranspiração por meio de parcelas experimentais. os erros seriam grandes. pois.

em mm.1. temperatura e umidade do ar. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. é necessária se considerar as condições meteorológicas da região e o local em que o tanque está instalado em relação ao meio circundante. e EV = evaporação no tanque. EV tanques evaporimétricos são bastante precisos e mais sensíveis em períodos curtos. pode ser calculada com a seguinte expressão: ETo = Kp . os além de serem de fácil manuseio. b. Tem a vantagem de medir a evaporação de uma superfície de água livre. Temos 2 tipos básicos de evaporímetros: um que a superfície da água fica livremente exposta (tanques de evaporação) e o outro em que a evaporação ocorre através de uma superfície porosa (atmômetros). associada aos efeitos integrados de radiação solar. Para converter EV em ETo.d-1. vento. em que: Kp = coeficiente do tanque tabelado (anexo 2). Leonardo Duarte Batista da Silva 91 . De um modo geral.1) Evaporímetros São equipamentos usados para medir a evaporação (EV) da água. Sendo assim. Prof.1) Empíricos Estes métodos foram desenvolvidos experimentalmente. sendo que na seleção destes métodos deve-se observar para quais condições ambientais foram desenvolvidos e fazer os ajustes regionais.Hidrologia Agosto/2006 Com relações os métodos indiretos serão considerados apenas os métodos mais generalizados. em virtude do custo relativamente baixo e do fácil manejo. O tanque classe A. a evapotranspiração de referência. tem sido empregado nos manejo dos recursos hídricos. b.

[P . b. T + 8.2) Método de Blaney-Criddle Baseado em dados de temperatura.13)] em que: T = temperatura média diária no mês (oC). Leonardo Duarte Batista da Silva 92 . b.Hidrologia Agosto/2006 b. P = percentagem de horas de brilho solar diária em relação ao total anual. b. relacionando os valores reais de evapotranspiração com o produto da temperatura média pela percentagem das horas anuais de luz solar: ETo = c . para um dado mês e latitude do local. (0. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. com embasamento físico-teórico da dinâmica dos fluidos e transporte turbulento.4) Métodos Combinados Estes métodos combinam os efeitos do balanço de energia com aqueles do poder evaporante do ar.457 . o suprimento principal de energia para a superfície é dado pela radiação solar. e c = fator de correção que depende da umidade relativa mínima. foi desenvolvido na região semi-árida dos Estados Unidos. Prof. Em condições atmosféricas normais.1.2) Aerodinâmico Este é um método micrometeorológico.3) Balanço de Energia Balanço de energia representa a contabilidade das interações dos diversos tipos de energia com a superfície. horas de brilho solar e estimativa de vento diária.

mudando constantemente de posição. mm. G = fluxo de calor no solo. É bastante preciso. T = temperatura. ∆ = declividade da curva de pressão de saturação. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. na década de 60. e λ = calor latente de evaporação. Dessa forma. kPa oC-1. na maioria das estações. foi sofrendo modificações até que. a equação original passou a ser denominada Penman-Monteith e é considerada como padrão pela FAO. Rn = saldo de radiação à superfície da cultura. ms-1. os quais. Monteith propôs uma modificação a fim de considerar fatores de resistência do dossel da cultura. MJ kg-1.ed) = déficit de pressão de vapor. porém exige a determinação de grande número de dados meteorológicos. MJ m-2 d-1. Com o passar do tempo a equação de Penman.5) Método da Correlação de Turbilhões A interação da atmosfera com a superfície resulta no aparecimento de turbilhões. MJ m-2 d-1.4. oC. não são disponíveis. Leonardo Duarte Batista da Silva 93 .1) Método de Penman É um método que combina o balanço de energia radiante com princípios aerodinâmicos. que se movem aleatoriamente. misturando-se com turbilhões de outros níveis. (ea . kPa oC-1. γ* = constante psicrométrica modificada. b. ∆ ∆+γ * ETo = (Rn − G) γ 1 900 + U2 ( e o z − e z )] * λ ∆ + γ T + 275 em que: ETo = evapotranspiração da cultura de referência.Hidrologia Agosto/2006 b. apesar de sua boa precisão. kPa oC-1. U2 = velocidade do vento a 2 m de altura.d-1. Prof.

0 mm e 6. A evapotranspiração de referência (ETo) adotada no Brasil é a evapotranspiração potencial da grama batatais mantida entre 8 e 15 cm de altura. 3) Como se pode determinar (medir) a evaporação e a evapotranspiração? Cite também como se pode estimar a evapotranspiração. Leonardo Duarte Batista da Silva 94 . No dia seguinte.6 mm. pode-se estimar a evaporação para o intervalo entre 6. d) A evapotranspiração da grama batatais pode ser menor do que a ETo. nesse intervalo.4 mm. 2) (Questão 13 Prova de Hidrologia Concurso ANA 2002).Hidrologia Agosto/2006 6. a leitura realizada indicou o valor de 23. c) A ETo é normalmente obtida através de lisímetros instalados em estações meteorológicas.5 mm. e) A ETo depende das condições climáticas. ocorreu apenas uma precipitação de 6.Certo ou Errado) a) (item 3) A leitura realizada em um tanque classe A em determinado dia foi de 22. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof.8.4 mm. 4) Quais são os fatores intervenientes no processo da evaporação da água do solo e como os mesmos influenciam na taxa evapotranspirada? 5) Quais os fatores que devem ser considerados na seleção de um método de obtenção da evapotranspiração? Prof. A esse respeito. é INCORRETO afirmar que: a) a ETo é normalmente obtida através de fórmulas baseadas em dados meteorológicos. Exercícios 1) (Questão 18 Prova de Hidrologia Concurso CPRM 2002 . b) através de ETo pode-se calcular a evapotranspiração potencial de outros cultivos. Se.

Do excedente da água retida. O escoamento superficial abrange desde o excesso de precipitação que ocorre logo após uma chuva intensa e se desloca livremente pela superfície do terreno.1. relacionados à precipitação ou de natureza fisiográfica ligados às características físicas da bacia. 7. Assim. haverá maior oportunidade de escoamento quanto maior for a duração. pois para chuvas de intensidade constante. Introdução Das fases básicas do ciclo hidrológico. Dentre os fatores climáticos destacam-se a intensidade e a duração da precipitação. pois quanto maior a intensidade. terá maior facilidade de escoamento. No capítulo 2. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. Outro fator climático importante é o da precipitação antecedente. Leonardo Duarte Batista da Silva 95 . Fatores que Influenciam no Escoamento Superficial Os fatores podem ser de natureza climática. A duração também é diretamente proporcional ao escoamento.Hidrologia Agosto/2006 CAPÍTULO 7. pois a maioria dos estudos hidrológicos está ligada ao aproveitamento da água superficial e à proteção contra os fenômenos provocados pelo seu deslocamento. parte se infiltra e parte escoa superficialmente. até o escoamento de um rio. foi discutido que a existência da água nos continentes é devida à precipitação.2. parte fica retida quer seja em depressões quer seja como película em torno de partículas sólidas. aflorar na superfície como fonte para novo escoamento superficial. pois uma precipitação que ocorre quando o solo está úmido devido a uma chuva anterior. ESCOAMENTO SUPERFICIAL 7. posteriormente. que é a fase que trata da ocorrência e transporte da água na superfície terrestre. da precipitação que atinge o solo. Pode ocorrer que a água infiltrada venha. que pode ser alimentado tanto pelo excesso de precipitação como pelas águas subterrâneas. Prof. mais rápido o solo atinge a sua capacidade de infiltração provocando um excesso de precipitação que escoará superficialmente. talvez a mais importante para o engenheiro seja a do escoamento superficial.

A permeabilidade do solo influi diretamente na capacidade de infiltração.Hidrologia Agosto/2006 Dentre os fatores fisiográficos os mais importantes são a área. A influência da área é clara. L.km-2. Vazão (Q) A vazão. a forma. b) vazão específica Vazão por unidade de área da bacia hidrográfica. 7. É uma forma bem potente de expressar a capacidade de uma bacia em produzir escoamento superficial e serve como elemento comparativo entre bacias.1. Leonardo Duarte Batista da Silva 96 . m3. Prof.s-1. Em sentido contrário. ou seja.s-1. acumulando a água em um reservatório. e a topografia da bacia. quanto mais permeável for o solo.s-1). tal como uma barragem que. L. maior será a quantidade de água que ele pode absorver. Figura 31).3.s-1) ou em litros por segundo (L. o mais comum é a média das vazões das 7 e 17 horas (horas de leitura do nível da água – linímetro. ou volume escoado por unidade de tempo. pois sua extensão está relacionada à maior ou menor quantidade de água que ela pode captar. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. Outros fatores importantes são as obras hidráulicas construídas nas bacias. Grandezas que Caracterizam o Escoamento Superficial 7. a) vazão média diária É a média aritmética das vazões ocorridas durante o dia (quando se dispõe de aparelho registrador – linígrafo. Normalmente é expressa em metros cúbicos por segundo (m3.ha-1. reduz as vazões máximas do escoamento superficial e retarda a sua propagação. No capítulo 3 foi visto que a área é o elemento básico para o estudo das demais características físicas. Figura 31). diminuindo assim a ocorrência de excesso de precipitação. que também foram descritas neste capítulo.s-1. a permeabilidade e a capacidade de infiltração.3.km-2. é a principal grandeza que caracteriza um escoamento. pode-se retificar um rio aumentando a velocidade do escoamento superficial.

Q7-10. Prof. em intervalos de tempo tais como hora. Este coeficiente pode ser relativo a uma chuva isolada ou relativo a um intervalo de tempo onde várias chuvas ocorreram.2.3. desde que a duração seja a mesma. Figura 31 . as vazões máximas. C= volume total escoado volume total preciptado Conhecendo-se o coeficiente de deflúvio para uma determinada chuva intensa de uma certa duração. pode-se determinar o escoamento superficial de outras precipitações de intensidades diferentes. mínimas.Estação Fluviométrica com réguas linimétricas e linígrafo. Leonardo Duarte Batista da Silva 97 . médias. ou coeficiente runoff. Q95%. dia mês e ano. 7. Coeficiente de Escoamento Superficial (C) Coeficiente de escoamento superficial. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. ou coeficiente de deflúvio é definido como a razão entre o volume de água escoado superficialmente e o volume de água precipitado.Hidrologia Agosto/2006 É comum ter-se como dados que caracterizam uma bacia.

10 10 . declividade e cobertura vegetal.30 Solo Arenoso 0. destacam-se: Método Gráfico Consiste em traçar trajetórias perpendiculares as curvas de nível de diferentes pontos dos divisores até a seção de controle.25 0. Declividade (%) 0-5 5 .10 0.70 0. o tc mede o tempo gasto para que toda a bacia contribua para o escoamento superficial na seção considerada.40 0. os quais resultam em valores bem distintos.60 0.50 Solo Franco Florestas 0.10 10 .50 Pastagens 0.3.35 0.50 0.Hidrologia Agosto/2006 O quadro seguinte apresenta valores do coeficiente de escoamento (C). Leonardo Duarte Batista da Silva 98 - .10 0. tc = ∑ tp max Prof.30 0.15 0. O tempo de concentração pode ser estimado por vários métodos.30 0-5 5 .30 0.40 0.10 10 .30 0-5 5 .55 0.60 Solo Argiloso 7.30 0.3.30 0. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof.20 0.80 0.70 0. Tempo de Concentração (tc) Como definido anteriormente. Dentre eles.60 0.50 0. em função do tipo de solo.35 0.40 0.40 Terras cultivadas 0.60 0.

em km. v=f . Leonardo Duarte Batista da Silva 99 .87 L3 0. Equação de Kirpich - tc = (0. em m. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. Equação de Ventura tc = 0. em s. L = comprimento do talvegue principal.s-1. em m. em h.Hidrologia Agosto/2006 em que: tc = tempo de concentração. em %. e v = velocidade de escoamento. em s. I em que: f = fator de escoamento em função do tipo de superfície (anexo 3). tp = L v em que: L = comprimento do trajetória do escoamento. e I = declividade das trajetórias.127 A I Prof. em m.385 ) H em que: tc = tempo de concentração. e tp = tempo de percurso. e H = desnível entre a parte mais elevada e a seção de controle.

Hidrologia Agosto/2006 em que: A = área da bacia. em km2.5L 0. 7. Equação de Pasini 3 tc = 0. em m. em m/m. para projetos de conservação de solos. vazão) é igualado ou superado pelo menos uma vez. o que resulta numa intensidade de chuva maior. A recomendação do número de anos a ser considerado é bastante variada: alguns autores recomendam período de retorno de 10 anos. por conseqüência. uma maior vazão de cheia. Outros recomendam o período de retorno de 10 anos somente para o dimensionamento de projetos de saneamento agrícola. Tempo de Recorrência (T) É o período de tempo médio em que um determinado evento (neste caso. Leonardo Duarte Batista da Silva 100 . e I = declividade média do curso d’água principal. Os valores de tc obtidos por estas equações diferem entre si. E ainda. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. A equação mais utilizada tem sido a de Kirpich e o motivo se evidencia pelo fato de que normalmente ela fornece valores menores para tc.107 AL I - Equação de Giandoti tc = 4 A + 1. em que as enchentes não trazem prejuízos muito expressivos. e Ho = elevação na seção de controle.8 Hm − Ho em que: Hm = elevação média .3. para projetos em áreas Prof.4. em m.

Requer vários postos fluviométricos b) Modelo Chuva-Vazão Calibrados Boa precisão Métodos baseados na hidrógrafa ( Hidrograma Unitário) c) Modelo Chuva-Vazão Não Calibrado Média precisão Métodos baseados no método racional d) Fórmulas Empíricas Baixa precisão Meyer. 101 Prof.Hidrologia Agosto/2006 urbanas ou de maior importância econômica. Gregory. e inundação à elevação não usual do nível.5.4. 7. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. Leonardo Duarte Batista da Silva . 7. Denominar-se-á cheia a uma elevação normal do curso d’água dentro do seu leito. Métodos de Estimativa do Escoamento Superficial Os métodos de estimativa do escoamento superficial podem ser divididos em quatro grupos conforme a seguir: a) Medição do Nível de Água É o mais preciso. provocando transbordamento e possivelmente prejuízos. Normalmente as palavras cheia e inundação estão relacionadas ao nível d’água atingido.3. Nível de Água (h) Uma das medidas mais fáceis de serem realizadas em um curso d’água é expressa em metros e se refere à altura atingida pelo nível d’água em relação a um nível de referência. recomenda-se utilizar o período de retorno de 50 ou 100 anos. etc.

De posse das alturas pode-se estimar a vazão em uma determinada seção do curso d’água por meio de uma curva-chave.Hidrologia Agosto/2006 7.4. Leonardo Duarte Batista da Silva 102 . Daniel Fonseca de Carvalho e Prof.1. Prof. a uma vazão. A esta curva relaciona uma altura do nível do curso d’água. conforme Figura 34. Medição do Nível de Água A estimativa do escoamento superficial por meio de medição do nível de água é realizada em postos fluviométricos. Figura 32 – Réguas Linimétricas. onde a altura do nível de água é obtida com auxílio das réguas linimétricas (Figura 32) ou por meio dos linígrafos (Figura 33).

Hidrologia Agosto/2006 Figura 33 – Linígrafo. Figura 34 – Curva-Chave. Leonardo Duarte Batista da Silva . Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. 103 Prof.

Um hidrograma mostrando as vazões médias diárias para um ano é mostrado na Figura 35.2.4. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof.1. ou Fluviograma é a representação gráfica da variação da vazão em relação ao tempo. porém deve-se atentar para os seguintes detalhes: instalação num trecho retilíneo. Figura 35 – Registros de descargas diárias (Usina Barra Bonita – rio Tietê). se possível. não segue uma regra geral. Modelos Chuva-Vazão Calibrados 7. deve existir a jusante uma seção de controle estável que permita manter idênticas as condições de escoamento ao longo do tempo (em pequenos rios. existência de uma ponte que pode ser usada para medir as vazões.2. tanto em estiagem como em cheia. acesso. Isolando-se picos do hidrograma podem-se analisar alguns fenômenos de interesse em Hidrologia. com uma seção transversal onde a velocidade do fluxo é. etc. Na Figura seguinte é apresentado o ietograma Prof. pode ser construída). Método do Hidrograma Hidrógrafa. 7. Hidrograma. lugar de obras projetadas. estável a qualquer cota. Leonardo Duarte Batista da Silva 104 .Hidrologia Agosto/2006 A escolha do local de instalação dos postos fluviométricos. Em geral.4. se essa seção não existir. é muito difícil achar o local ideal e a escolha de uma estação fluviométrica obedece a outras considerações: proximidade de um possível observador.

O primeiro. a vazão está decrescendo. Prof. c) ao escoamento básico (contribuição do lençol de água subterrânea).Hidrologia Agosto/2006 (hidrógrafa de uma chuva isolada) de uma precipitação ocorrida na bacia e a curva de vazão correspondente registrada em uma seção de um curso d’água. Se a chuva tiver duração suficiente para permitir que toda a área da bacia hidrográfica contribua para a vazão na seção de controle. Há a formação do escoamento superficial direto o qual promove aumento da vazão à medida que aumenta a área de contribuição para o escoamento. é possível distinguir quatro trechos distintos. Leonardo Duarte Batista da Silva 105 . Analisando-se a Figura 36 (hidrógrafa). até o ponto A. Figura 36 – Ietograma e Hidrografa de uma chuva isolada. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. o valor máximo para a vazão resultante da precipitação sob análise (vazão de pico). A contribuição total para o escoamento na seção considerada é devido: a) à precipitação recolhida diretamente pela superfície livre das águas. atinge-se no ponto B. em que o escoamento é devido unicamente à contribuição do lençol freático (escoamento subterrâneo ou de base) e por causa disto. O segundo trecho é devido à contribuição da parcela de precipitação que excede à capacidade de infiltração. b) ao escoamento superficial direto (incluindo o escoamento subsuperficial).

Ao trecho BC do hidrograma denomina-se curva de depleção do escoamento superficial. Neste trecho AB. Uma vez excedida a capacidade de infiltração do solo. então. há a contribuição simultânea dos escoamento superficial e de base. o escoamento superficial prossegue durante certo tempo e a curva de vazão vai diminuindo. chamado também de trecho de ascensão do escoamento superficial direto. ponto A no hidrograma. Mas além do escoamento superficial direto. Esta parte corresponde ao intervalo de tempo to a tA na Figura anterior. o qual é chamado de curva de depleção do escoamento de base. inicia-se o escoamento superficial direto. Na Figura 37 é mostrada a seção transversal do curso d’água e a relação entre o aumento da vazão e a elevação do lençol. Leonardo Duarte Batista da Silva 106 . a hidrógrafa tenderá a um patamar. Prof. o curso d’água recebe uma contribuição do lençol subterrâneo. aumenta até atingir um máximo. o qual tem uma variação devida à parte da precipitação que se infiltra. A vazão. reduz-se gradualmente a área de contribuição do escoamento superficial. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. o ponto B é um máximo da hidrógrafa. parte é interceptada pela vegetação e obstáculos e retida nas depressões até preenchê-las completamente. De modo diferente. parte se infiltra no solo suprindo a deficiência de umidade. volta-se novamente a se ter apenas a contribuição do escoamento de base. Terminada a precipitação. o qual se encerra no ponto C. No trecho BC. com flutuações da intensidade de precipitação. quando toda a bacia estiver contribuindo.Hidrologia Agosto/2006 Mesmo que toda a área da bacia não contribua para a vazão. devido à chuva já haver terminado. ponto B. A duração da precipitação é menor ou igual ao intervalo de tempo to a tB. porém não representando a condição crítica. É o chamado trecho de depleção do escoamento superficial direto. No trecho após o ponto C. Caso a chuva tenha duração superior ao tempo de concentração da bacia. pode-se explicar da seguinte maneira: iniciada a precipitação.

Hidrologia Agosto/2006 Figura 37 – Ilustração do curso d’água e lençol freático. No início da precipitação. representando o início do escoamento superficial. ela é de difícil determinação e para todos os fins práticos utiliza-se a reta AC. Ao mesmo tempo em razão do escoamento superficial. ou seja. A determinação do volume escoado superficialmente é feita por planimetria da área hachurada ABCA e. O ponto C. o nível do lençol cresce até atingir a posição MM. pois corresponde a uma mudança brusca na inclinação da curva de vazão. uma vez determinada e conhecendo-se o total precipitado. e após suprida a deficiência de umidade no solo. Leonardo Duarte Batista da Silva 107 . Para as grandes enchentes pode ocorrer uma inversão temporária do escoamento. O ponto A é facilmente determinado. fazendo com que a água flua do rio para o lençol. de mais difícil determinação. Embora a linha AEC seja a mais correta para separar os escoamentos. A separação do hidrograma em escoamento superficial direto e escoamento básico é muito importante para o estudo das características hidrológicas da bacia e para alguns métodos de previsão de enchente. o nível da água no curso d’água e no lençol estavam na posição N e LL devido à água infiltrada. sendo que o período de tempo entre o ponto B (pico do hidrograma) e o ponto C. é sempre igual a número inteiro de dias. a elevação do nível do curso d’água superar a correspondente elevação do lençol. o nível d’água passa de N para O. a linha tracejada AEC representa a contribuição da água do lençol subterrâneo ao curso d’água. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. normalmente é tomado no ponto de máxima curvatura. pode-se calcular o coeficiente de escoamento superficial (C): Prof. No hidrograma anterior.

Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. cálculo do VESD. corresponde ao tempo de 48 horas e o ponto C. VESD = volume escoado superficialmente direto. b) precipitação efetiva. 11. Prof. da precipitação efetiva e do coeficiente de escoamento superficial (deflúvio). 20. separar o escoamento subterrâneo do superficial. Leonardo Duarte Batista da Silva 108 .5). Deve-se utilizar para ∆t a mesma unidade de tempo da vazão. O volume escoado superficialmente (VESD).94 para 0. corresponde à área compreendida entre o trecho de reta AC e a hidrógrafa. A partir do hidrograma e do ietograma fornecidos a seguir. em m2. em m. Isto porque K (razão entre as vazões) alterou-se de 0. e calcular: a) o volume escoado superficialmente. cuja aplicação resulta: VESD = ∆t( Q1 + Q n n−1 + ∑ Qi ) . a reta AC.Hidrologia Agosto/2006 Dividindo-se o volume total escoado pela área da bacia. ou excesso de precipitação (parte hachurada no ietograma). passa pelos pontos (48. Da planilha observa-se que o ponto A. relativos a uma bacia de 400 km2 de área.1) e (132. com tempo de 132 horas. O valor encontrado para VESD pode ser transformado em lâmina escoada ou precipitação efetiva (Pe) por meio de: VESD A BH Pe = em que: Pe = precipitação efetiva. c) coeficiente de deflúvio. e ABH = área da bacia hidrográfica. Portanto. i=2 2 desde que ∆t seja constante. na regra dos trapézios. Para avaliá-la deve-se utilizar qualquer processo de aproximação como o é a integração numérica. Exemplo: separação de escoamento. com base por exemplo. determina-se a precipitação efetiva.88. em m3.

21 11.6 44.4 15.94 0.9 32.8 26.21 11.1 13.4 0 0.1 11.5 53.9 43.5 12.32 11.1 ∑ = 291.4 13.2 18.0 16.2 20.3 7.0 3.2 27.88 0.1 17.5 15.9 14.1 15.0 48.8 16.2 23.9 18.Hidrologia Agosto/2006 Tempo (h) Intens.5 17.0 14.6 28.4 35.94 0.32 11.94 0.6 29.8 12. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof.1 17.9 27.0 15. (mm/h) Lâmina preci.0 16. Leonardo Duarte Batista da Silva 109 .0 37.9 Prof.0 14.0 15.2 28.1 0-2 5 10 2-4 8 16 K --- 4-6 8 16 6-8 8 16 8-10 5 10 10-12 5 10 Qsubterrâneo m3/s 11.1 50.94 0.1 17.5 19.94 0.94 19.1 9.2 18.0 57.0 42.5 19.8 20.2 Qsuperficial m3/s 0 5.8 18.0 64. prec. (mm) Tempo (h) 0 24 A 48 54 60 66 72 B 78 84 90 96 102 108 114 120 126 C 132 138 144 150 156 162 168 Vazão m3/s 11.5 19.1 17.

a qual é assim representada: Q= CIA 360 em que: Q = vazão máxima de escoamento. Neste curso não será abordado com mais propriedade esse tópico. 1 polegada) gerado por uma chuva uniforme distribuída sobre a bacia hidrográfica.4.3. Método Racional A estimativa da vazão do escoamento produzido pelas chuvas em determinada área é fundamental para o dimensionamento dos canais coletores. Para uma dada duração de chuva.3. 1851.1.4. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. 1cm.s-1. em m3.4. o hidrograma constitui uma característica própria da bacia. sendo muito conhecido o uso da equação racional. Seu uso é limitado a pequenas áreas (até 80 ha). com intensidade constante de certa duração.2. com um determinado tempo de concentração. Este método é utilizado quando se tem muitos dados de chuva e poucos dados de vazão. Prof. Existem várias equações para estimar esta vazão. ele reflete as condições de deflúvio para o desenvolvimento da onda de cheia. Leonardo Duarte Batista da Silva 110 . Modelos Chuva-Vazão Não Calibrados 7. Método desenvolvido pelo irlandês Thomas Mulvaney.Hidrologia Agosto/2006 7. Método do Hidrograma Unitário Hidrograma Unitário é o hidrograma resultante de um escoamento superficial unitário (1 mm.2. C = coeficiente de runoff. interceptores ou drenos. A equação racional estima a vazão máxima de escoamento de uma determinada área sujeita a uma intensidade máxima de precipitação. 7.

009 .Hidrologia Agosto/2006 I = intensidade média máxima de precipitação. Leonardo Duarte Batista da Silva 111 .000 ha.4.3.: Limitações e premissas da fórmula racional.4.h-1.Pai . A = área de contribuição da bacia. em mm. 5) Não considera o efeito da variação do armazenamento da chuva. 4) Não considera o efeito da intensidade da chuva no coeficiente C. 3) Não considera a distribuição temporal da chuva. 8) A fórmula racional só pode ser aplicada para áreas até 80 ha. 6) Não considera a umidade antecedente no solo. em ha.0. Obs.A 360 . 2) Não considera a distribuição espacial da chuva. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof.D D = 1 . L 2 em que: L = comprimento axial da bacia.Wu Método desenvolvido em 1963 sendo aplicado a áreas maiores que 200 ha até 20. 1) Não considera o tempo para as perdas iniciais. Prof. Q= C. 7. Método de I .3. 7) Não considera que as chuvas mais curtas eventualmente podem dar maior pico. km.I.2 Método Racional Modificado Este método deve ser utilizado para áreas maiores que 80 ha até 200 ha. 7.3.

Hidrologia Agosto/2006 Q= C* . Declividade média da bacia: 0. deve ser utilizada somente na impossibilidade do emprego de outra metodologia.4.90 360 . Fórmulas Empíricas A estimativa por meio de fórmulas empíricas. 7. Comprimento do talvegue: 15 km. A = área da bacia. 7. A 0.4.8 km2. Leonardo Duarte Batista da Silva . 112 Prof. 1+ F ( 4 ) 2+F F= L A π em que : F = fator de ajuste relacionado com a forma da bacia.K 2 C C* = ( ). Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. A utilização das fórmulas empíricas é principalmente alvo de estudos de previsão de enchentes. L = comprimento axial da bacia.5. Elevação máxima: 1480 m. Altitude da seção de controle: 809 m. I . e K = coeficiente de distribuição espacial da chuva (anexo 4). Exercícios 1) Calcular o tempo de concentração pelas quatro equações apresentadas: Área da bacia: 38.022 m/m. Altitude média: 1133 m. em ha. em km.

2 23.1 K Qsubterrâneo Qsuperficial Prof. A equação da chuva intensa para a região é: 99T 0.7 32.15 para i = mm/min. T = anos.8 19.5 km de extensão e o desnível entre a cabeceira e a seção da barragem é de 60 m. A área está ocupada da seguinte forma: 50% com pastagem.2 27.8 29. Tempo (h) 0 6 12 18 24 30 36 42 48 54 60 66 72 78 84 90 96 102 108 Vazão m3/s 20. A declividade média da bacia é de 9. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. sabendo-se que.9 22. Leonardo Duarte Batista da Silva 113 .217 i= ( t + 26 )1.2 26.5 31.4 22.7 km2.5 22.0 28.0 23.Hidrologia Agosto/2006 2) Estimar a vazão de um extravasor para uma barragem de terra.6 26.9 23.5% e o solo é de textura média. t = min. calcular o volume de escoamento superficial. A barragem terá uma vida útil estimada em 30 anos e admite-se um risco de colapso de 10%.6 19. sobre um córrego cuja área de drenagem é 0.8 30.5 29. 30% com culturas anuais e 20% com florestas.2 19. o talvegue principal possui 4. 3) Com os dados de vazão medidos na seção de controle de uma bacia hidrográfica (tabela abaixo).

Hidrologia Agosto/2006 4) (Questão 10 do Concurso Público da ANA 2002 . 7) (Questão 07 do Provão de 1996 de Engenharia Civil) Você foi chamado para analisar e atualizar um projeto de canalização de um rio. em função da extração de madeira de suas florestas e da implantação de uma agropecuária intensiva. b) O reflorestamento dos terrenos tende a diminuir o coeficiente de runoff das chuvas. Após ter analisado estatisticamente os dados pluviométricos e fluviométricos disponíveis a respeito da bacia. os dados abrangem desde 1950 a 1995. Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. 0 projeto foi elaborado nos anos 70 e utilizou os dados pluviométricos e fluviométricos do período de 1950 a 1970.Certo ou Errado) Assinale as alternativas abaixo: a) (item 3) A “curva-chave” é a representação gráfica da relação cota-descarga em uma seção transversal de um curso d’água. e) A urbanização de uma bacia hidrográfica tende a reduzir as taxas naturais de recarga subterrânea por infiltração de chuva. você observou que: Prof. Leonardo Duarte Batista da Silva 114 . Atualmente. d) A urbanização dos vales fluviais tende a aumentar a produção de escoamento superficial das chuvas intensas e o tempo de concentração das bacias. c) O reflorestamento dos terrenos tende a diminuir a capacidade de infiltração das bacias e aumentar o potencial erosivo das chuvas. indique a afirmativa INCORRETA: a) O reflorestamento das encostas de uma bacia hidrográfica tende a aumentar o tempo de concentração da bacia. b) (item4) a integral de um fluviograma define a vazão média escoada no período. 5) (Questão 19 do Concurso Público da ANA 2002) Considerando a cobertura vegetal em uma bacia hidrográfica. a jusante de uma região que se desenvolveu muito nos últimos 20 anos.

Os valores obtidos para um mesmo tempo de recorrência para o período de 1950 a 1970 (projeto original) são inferiores aos obtidos para o período de 1950 a 1995 (atualização do projeto). ou seja.Hidrologia Agosto/2006 * tanto os valores pluviométricos do período de 1950 a 1970 (projeto original) como os valores pluviométricos da atualização do projeto (1950 a 1995) possuem uma mesma tendência. Prof. quais serão os seus argumentos para explicar a diferença de vazão encontrada entre o projeto original e a atualização do projeto? 8) Comente sobre os métodos de estimativa do escoamento superficial. * os valores fluviométricos no tocante às vazões apresentam uma tendência diferente. a probabilidade de ocorrência de um certo valor continua praticamente a mesma. Leonardo Duarte Batista da Silva 115 . Daniel Fonseca de Carvalho e Prof. a) Quando você for redigir o relatório. independente do tamanho da amostra.

4147 0.2734 0.4977 0.4989 0.4452 0.4985 0.0478 0.4846 0.2291 0.4656 0.0160 0.1293 0.2 3.0438 0.3078 0.4999 0.8 3.4932 0.4 3.3389 0.5000 8 0.4177 0.0199 0.1026 0.4706 0.4884 0.4980 0.4066 0.4925 0.6 0.3023 0.3770 0.7 1.4898 0.4929 0.1 3.1 0.4599 0.4896 0.4997 0.4940 0.4 2.4992 0.3212 0.4999 0.1179 0.4993 0.2910 0.0948 0.4989 0.4732 0.3830 0.3729 0.2157 0.1480 0.5000 1 0.1664 0.4788 0.4998 0.4608 0.4977 0.4783 0.4909 0.4998 0.4793 0.9 3.4956 0.4222 0.0557 0.4999 0.2357 0.4693 0.3643 0.9 0 0.5000 3 0.4989 0.4878 0.4994 0.4997 0.3289 0.9 1.3531 0.4998 0.2224 0.1736 0.0871 0.0359 0.4961 0.4997 0.4616 0.4991 0.4871 0.0793 0.3599 0.4975 0.4994 0.4999 0.0319 0.1141 0.3508 0.4495 0.0910 0.4996 0.3708 0.0239 0.4999 0.4678 0.3106 0.4999 0.1628 0.3980 0.4085 0.4938 0.2324 0.4713 0.4981 0.1554 0.4999 0.4032 0.2611 0.4970 0.4998 0.4838 0.4251 0.2190 0.5 1.2673 0.3485 0.4996 0.3186 0.3888 0.4990 0.5000 5 0.2967 0.4999 0.1700 0.6 1.4854 0.3315 0.4931 0.4979 0.4756 0.4998 0.2549 0.4429 0.2486 0.4868 0.3264 0.4864 0.4998 0.4099 0.2123 0.2794 0.2088 0.4972 0.8 1.1844 0.3 1.4192 0.4772 0.4991 0.4591 0.4162 0.2939 0.3749 0.0000 0.7 0.0753 0.3621 0.1517 0.3238 0.4998 0.5000 2 0.4808 0.4998 0.4996 0.4996 0.4744 0.4997 0.4999 0.3051 0.4945 0.1217 0.5000 6 0.4821 0.4525 0.2454 0.3133 0.4817 0.3554 0.1772 0.3461 0.4582 0.4803 0.4999 0.0279 0.3790 0.4941 0.4969 0.4999 0.4993 0.4981 0.4998 0.4920 0.3869 0.0 1.4999 0.4992 0.5000 4 0.4982 0.4554 0.0 3.4418 0.4999 0.4998 0.4955 0.4988 0.0517 0.4394 0.4997 0.4976 0.1103 0.4995 0.4990 0.4984 0.4993 0.2995 0.4382 0.4726 0.2054 0.1406 0.4999 0.4974 0.2642 0.4826 0.4943 0.4984 0.4641 0.2517 0.4812 0.4738 0.7 2.4993 0.5000 9 0.4265 0.2422 0.0 2.4 1.4236 0.6 2.0596 0.3962 0.4564 0.4292 0.4761 0.4893 0.2881 0.4049 0.4991 0.2258 0.4994 0.Anexo 1 Valores de Z para a distribuição de Gauss (disrtribuição normal) z 0.5 0.4441 0.4875 0.4998 0.3365 0.499 0.4916 0.4115 0.3413 0.4750 0.4463 0.4997 0.1915 0.4671 0.0398 0.1255 0.0675 0.4279 0.4901 0.4996 0.4370 0.4913 0.4948 0.0 0.0987 0.4998 0.4951 0.4850 0.4906 0.4911 0.2 0.4987 0.4965 0.4357 0.5000 .4987 0.4484 0.4881 0.4131 0.4927 0.4830 0.4664 0.4964 0.3159 0.4999 0.4949 0.4345 0.4996 0.9 2.4973 0.4946 0.4767 0.1 1.0714 0.4999 0.4798 0.4998 0.4992 0.4979 0.1 2.4515 0.4890 0.2389 0.4719 0.2 2.4319 0.4904 0.4999 0.4971 0.4857 0.1443 0.4997 0.4959 0.4625 0.4999 0.4545 0.4699 0.0832 0.1985 0.4207 0.4988 0.2823 0.7 3.5000 7 0.5 2.3686 0.4999 0.4953 0.4997 0.3665 0.4686 0.4 0.4535 0.4995 0.4982 0.3849 0.4994 0.3997 0.4406 0.4995 0.4306 0.4834 0.4966 0.4861 0.4999 0.3810 0.4957 0.3944 0.4934 0.4999 0.4960 0.4999 0.4995 0.4999 0.4963 0.0636 0.3 2.4992 0.1879 0.0120 0.4952 0.3 3.3 0.4505 0.4474 0.4974 0.5 3.3438 0.2019 0.4633 0.4990 0.4082 0.4995 0.4918 0.3577 0.4978 0.0080 0.1808 0.1331 0.4332 0.3340 0.2764 0.1368 0.4999 0.2 1.4887 0.8 0.4649 0.8 2.4999 0.1591 0.4778 0.4986 0.4986 0.3925 0.4987 0.0040 0.4994 0.4999 0.2704 0.4995 0.4962 0.3907 0.2852 0.4999 0.4968 0.1950 0.4922 0.4015 0.4967 0.1064 0.4997 0.4936 0.6 3.4997 0.4573 0.4842 0.2580 0.5983 0.

75 0.60 0.65 0.65 0.55 0.70 0.70 0.80 0.75 0.60 0.55 0.70 0.70 0.45 0.65 Exposição A Tanque circundado por solo nu UR média(%) Baixa Média Alta < 40% 40 .60 0.60 0.70 0.55 0.70 0.40 0.50 0.65 0.75 0.45 OBS: Para áreas extensas de solo nu.55 0. vento e umidade moderados.55 0.70 0.Anexo 2 – Valores de coeficiente do tanque “Classe A” (Kp).60 0.50 0.60 0.50 0.50 0.60 0.80 0.50 0.50 0.80 0.65 0.65 0.60 0.75 0.50 0.45 0.70% > 70% 0.35 0.45 0.70 0.55 0.40 0.45 0.40 0.40 0.60 0.65 0.70 0.80 0.60 0. e de 5 a 10% em condições de temperatura.45 0.60 0. R (m) representa a menor distância do centro do tanque ao limite da bordadura (grama ou solo nu).55 0.85 0.45 0.85 0.80 0.80 0. reduzir os valores de Kp em 20% em condições de alta temperatura e vento forte.50 0.55 0.75 0. Velocidade Posição do do Vento tanque (km d-1) R (m) 1 Leve < 175 10 100 1000 1 Moderado 175-425 10 100 1000 1 Forte 425-700 10 100 1000 1 Muito forte > 700 10 100 1000 Exposição A Tanque circundado por grama UR média(%) Baixa Média Alta < 40% 40 .60 0.65 0.55 0.50 0.65 0.60 0.65 0.45 0.65 0.65 0.65 0.55 0.75 0.50 0.85 0.65 0.85 0.70% > 70% 0.75 0. .45 0.60 0.75 0.65 0.65 0.80 0.85 0.50 0.75 0.60 0.

30 0. TIPO DE SUPERFÍCIE Floresta ou mata natural com depósito vegetal na superfície do solo Forrageiras fechadas formando estolões Braquiária Grama Solo não cultivado Cultívo mínimo em faixas Área reflorestada Pastagens de baixo porte em touceiras Terreno cultivado Solo nú Formações de aluviões em leque em direção ao vale Canais com vegetação Terraço ou depressões naturais com vegetação Talvegue Áreas pavimentadas Sulcos de erosão Valores de f 0.60 .Anexo 3 – Fator de escoamento em função do tipo de superfície (f).21 0.08 0.15 0.27 0.45 0.

.Anexo 4 .Coeficiente de distribuição espacial da chuva (K).