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1. Tutela do meio ambiente do trabalho. mecanismos processuais. Gustavo Silveira Competência.

Legitimidade

e

Os direitos humanos possuem uma clássica classificação, pela geração ou dimensão, de acordo com o momento histórico de surgimento. Os direitos fundamentais de primeira geração são os direitos civis e políticos, direito à liberdade – a um não fazer ao Estado. Já os de segunda geração atribui um fazer ao Estado de modo a garantir a prestação dos direitos sociais aos cidadãos. E, apesar da doutrina reconhecer os direitos de quarta e quinta geração, o tema proposto nos faz parar e analisar um tema específico dentro dos direitos fundamentais de terceira geração. Abrange o direito a solidariedade e fraternidade, que transcende a esfera individual e atinge a sociedade no âmbito coletivo, pela própria natureza do direito tutelado. O meio ambiente equilibrado, a paz social, o patrimônio histórico e cultural são exemplos dos direitos fundamentais de terceira geração. E o direito a um meio ambiente equilibrado e sadio é dotado de vasta amplitude terminológica, englobando todos os meios ambientes que influenciam ou podem influenciar no modo e na qualidade de vida do ser humano. E um desses ambientes é o meio ambiente de trabalho. Local e conjunto de relações interpessoais onde o ser humano dispende boa parte de sua vida e que não pode se tornar um ambiente de desprazer, de sofrimento, gerador de doenças e outros males que afetam a saúde física, mental e emocional do trabalhador. Assim, o Direito a um ambiente de trabalho digno e adequado foi erigido à categoria de direito fundamental. A CF/88 nos arts. 7º e 225 já estabelece algumas normas tutelares do meio ambiente e do ambiente de trabalho. O inciso XXII do referido art. 7º estabelece que como um dos direitos dos trabalhadores a redução dos riscos inerentes ao trabalho e o inciso XXIII prevê um adicional aos trabalhos que forem prestados de forma insalubre, perigosa ou penosa. A CLT nos título II e III dispõe acerca de uma série de normas que visam assegurar um ambiente de trabalho adequado e a minimizar situações em que o trabalho é prestado em locais insalubres, perigosos ou que expõem o trabalhador a um desconforto excessivo. De igual modo, o Ministério do Trabalho e Emprego expediu uma série de normas regulamentares que tratam do meio ambiente de trabalho, assegurando um ambiente de trabalho adequado à saúde dos trabalhadores. E esse microssistema jurídico, formado pela CF/88, pela CLT e normas regulamentares do

se de caráter regional ou supra regional. nos termos da OJ 130. para a qual são legitimados. Além do MTE. de modo que assegurem aos trabalhadores um ambiente de trabalho digno e adequado à condição de pessoa humana que nele labora. E será de qualquer uma das varas onde ocorra o dano. ação popular. O Ministério do Trabalho e Emprego tem poder fiscalizatório e no exercício do poder de polícia estatal. o Ministério Público do Trabalho poderá celebrar Termo de Ajustamento de Conduta ou se não suficiente poderá propor Ação Civil Pública contra os empregadores que atentem contra o meio ambiente de trabalho sadio e adequado à saúde dos trabalhadores. os próprios sindicatos das categorias profissionais podem se valer dos instrumentos de negociação coletiva ou até mesmo da Ação Civil Pública. recentemente alterada. da SDI-II do TST. com base no que dispõe o art. trata-se da normatização básica da tutela do meio ambiente de trabalho. Análise particular. ação coletiva. 114. III da CF/88. VII e IX da Constituição Federal de 1988. E dentro da competência da Justiça do Trabalho tem-se a competência da vara do trabalho onde ocorra o dano aos trabalhadores. I. nos termos do art. III da carta magna. poderá aplicar multas a empregadores que não atendem às normas de higiene e segurança do trabalho. Palavra(s)-chave na resposta: mandado constitucional de proteção ao meio ambiente do trabalho. autotutela – greve ambiental. E para assegurar que as normas tutelares do ambiente de trabalho sejam cumpridas. ação civil pública. 129. Encurtar a introdução sobre o tema e desenvolver mais sobre o tema de tutela (proteção) do meio ambiente.Ministério do Trabalho e Emprego . se de âmbito local. mas pode melhorar. 8º. 114/CR. E por fim. A estrutura de resposta está boa. nos temos entidades e institutos jurídicos que possuem atribuição de fiscalizar o cumprimento dessas normas. com fundamento no art. Alguns apontamentos: . A competência material para solucionar conflitos oriundos do descumprimento de normas relativas ao meio ambiente de trabalho é da justiça do trabalho.MTE. ação plúrima. Súmula 736/STF e art. ação individual.

938/81 – art. A conduta do empregador está correta? Jourcilene . 2. ingressando um a um em uma sala. .Convenção 155/OIT – Segurança Trabalhadores. XXII. VIII. art. ação individual (art. 483. Nos empregados do setor de produção exerce obrigatoriamente revista íntima.art.c. ambos da CR. . ação civil pública. Mas se for alguém da comunidade a qual o empregador está poluindo. ratificada pelo Brasil e Saúde dos . 7º. a legitimidade do trabalhador é subsidiária ou concorrente? Debate é aberto! . há competência da JT? Tem que ser o cidadão-trabalhador? Ele poderia manejar a ação popular somente se a entidade sindical ou o MPT deixaram de ingressar com ação civil coletiva ou ação civil pública? Ou seja. 14 – politica nacional do meio ambiente. consistente em determinar que todos façam fila no final do expediente. onde há dois seguranças do mesmo sexo que determinam tirar a camisa e baixar as calças. além de retirar os calçados.ação popular: qualquer cidadão.Lei 6. . 225. .greve ambiental (auto-tutela).. 13 da Convenção 155/OIT. . .ação civil coletiva. da CR). c.artigo 200. “c”.Normas Regulamentadoras (NR). da CLT). 6º da CR (direitos sociais – natureza de direitos fundamentais).mandado constitucional de proteção ao meio ambiente do trabalho (art. O empregador possui setor de produção e setor administrativo.

controlar e regulamentar as atividades desenvolvidas na empresa. desde o exercício do direito os de propriedade fundamentais pelo do que respeitados direitos Aduz a doutrina que somente a revista visual feita nas bolsas e mochilas. constituindo exercício regular do direito de propriedade do empregador. não constitui. pode ser realizada pelo empregador. por se tratar de exposição contínua do empregado a situação constrangedora no ambiente de trabalho. portanto. Nesse sentido.O poder empregatício assegura ao empregador as prerrogativas de dirigir. configura ato ilícito que enseja reparação por danos morais. feita de forma impessoal e aleatória. que limita sua liberdade e agride sua imagem. constrangimento e violação da intimidade da pessoa. extrapola os limites do poder fiscalizatório do empregador. A Constituição Federal no art. por si só. se posicionou a jurisprudência dominante da Corte Superior trabalhista que a revista visual feita nas bolsas e mochilas. Com efeito. 5º. a revista íntima é expressamente vedada pelo nosso ordenamento no artigo 373-A da Consolidação das Leis do Trabalho. o exercício do poder fiscalizatório pelo empregador encontra limitações. Por outro lado. Assegura-se. nos inciso V e X protege a dignidade da pessoa humana e a intimidade. sem contato físico ou revista íntima. a revista íntima. sem contato físico ou revista íntima. o poder empregatício exteriorizado no poder fiscalizatório confere ao empregador a possibilidade de acompanhar continuamente a prestação de serviços. feita de forma impessoal e aleatória. . Para a jurisprudência iterativa e notória do Tribunal Superior do Trabalho. trabalhador. No entanto. empregador.

por certo. no exercício do seu poder fiscalizatório. insuscetível de ser mitigada por meio de norma coletiva (infenso). como o art. Sua conduta configura ato ilícito que gera indenização por danos morais. Palavra(s)-chave na resposta: dignidade da pessoa humana. além de violar a intimidade do reclamante.expressa vedação no ordenamento (art. . . 373A da CLT. artigo 5º. que no exercício do poder fiscalizatório. 1º da CR).transferir o risco do empreendimento a todos os empregados. da Alguns apontamentos: . Correto posicionamento. tem-se. função social da propriedade (garantidor de direitos. dentre outros. 170 da CR). art. Boa estrutura de resposta. assegurar a todos existência digna etc. Interessante trazer 373/A da CLT. . propriedade (art. . as empresas dispõem de meios eficazes de controle de seu patrimônio e de sua produção.Cumpre ressaltar.Juízo prévio de desconfiança.norma cogente. extensível a todos. com o fim de resguardar interesse meramente se justifica. V e X.). irradiação dos direitos fundamentais nas leis e nas relações jurídicas trabalhistas (eficácia mediata e imediata). quebrando a fidúcia como elemento essencial e precedente à relação jurídica laboral. CR. função social da dignidade da pessoa humana (art. Na hipótese em questão. Análise particular. de forma que a honra e imagem do trabalhador sejam preservadas. Revista íntima nunca normas legais. que o empregador. ponderação de interesses. 373-A/CLT). como câmeras de filmagem. culminou por atingir a dignidade da pessoa humana do trabalhador.

2ª. sem a necessidade de intervenção do legislador infraconstitucional. Quanto ao veículo. mas precisa fundamentar. em detrimento privacidade do trabalhador. alegou-se bem de família para a residência e para o veículo. caput. 3) O executado trabalha como representante comercial autônomo. Realizou-se a penhora.irradiação dos direitos fundamentais nas leis e nas relações jurídicas trabalhistas. realizando visitas diárias a clientes. por ser evidente que o veículo é utilizado como instrumento de trabalho. considerando a profissão do executado e a necessidade de realizar visitas diárias a clientes e. Quanto ao imóvel. mandado de otimização. do CPC (Lei 11.adoção de outros meios para proteger a propriedade. decidiria que a penhora não deveria subsistir. 649. . Como decidiria a questão.ponderação de interesses. da Lei 8. princípios como norma. Em embargos à execução. densidade normativa o suficiente para sua aplicação imediata.patrimonial. da dignidade. veja-se que para a configuração de bem de família basta a comprovação de que o referido bem é utilizado exclusivamente para fins residenciais permanentes da família e. Alguns apontamentos: . considerando que não há nos autos qualquer outro indício da existência de outros bens. Mas a alegação é de que o veículo também é bem de família. determinando o levantamento da penhora tanto sobre o imóvel como sobre o veículo. Expedido mandado de citação e penhora. Análise particular. . Palavra(s)-chave na resposta: art. penhorou-se a residência de quatro dormitórios e um veículo.382/06) e art. citando a lei. Direitos fundamentais de eficácia imediata. intimidade e . à luz da legislação pertinente? Janaina Tendo em vista o caso apresentado. V. entendo que se enquadra em uma das exceções previstas com Código de Processo Civil.009/90: antinomia aparente. Qual a previsão legal para proteger o veículo? A decisão está correta. considerando que não há nos autos a comprovação de que existem outros veículos. entendo que esta configurado que o imóvel em questão se trata de bem de família.

Por essa razão. o processo tem natureza pública e cabe ao juiz geri-lo de sorte a atender ao interesse do legislador..decidiria a insubsistência da penhora.o imóvel está gravado pela impenhorabilidade. . não por se tratar de bem de família. . abordar que a antinomia das leis é aparente. por força do art. Garantia do mínimo existencial. por outro fundamento (ferramenta de trabalho).009/90. aplica a impenhorabilidade do veículo. a alegação de bem de família do veículo não procede. . 649 é lei posterior (2011). dessa forma. não confere a natureza de bem de família do veículo. mas porque se trata de ferramenta de trabalho.para isso. . está prestigiando o próprio valor social do trabalho e sua realização como forma de sustento material e fonte de dignidade do ser humano. . 1º da Lei 8. haja vista que o inciso V do art. somente sua impenhorabilidade. há expressa exclusão desta impenhorabilidade veículos de transporte. até mesmo concebendo que processo não é um fim em si mesmo.entretanto.na mesma lei (8. Não importa o tamanho ou valor do imóvel. o que não contrasta com a Lei 8. que é garantir o mínimo existencial e dar sentido a um Estado Garantidor.009/90). a lei não faz distinção. não bastasse. Assim fazendo.009/90. acolhendo a alegação de bem de família do imóvel e reconhecendo a natureza do veículo. como ferramenta de trabalho.