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Coleção dos documentos, estatutos e memórias da Academia Real da História Portuguesa

Coleção dos documentos, estatutos e memórias da Academia Real da História Portuguesa, que neste ano de 1721, se compuseram e se imprimiram por ordem dos seus censores, dedicada a el rei nosso senhor, seu augustissímo protetor e ordenada pelo conde de Villamayor, secretário da mesma academia. Lisboa Ocidental, na oficina de Pascoal da Sylva, Impresso de S. Majestade real. MDCCXXI.

Índice das Composições que se acham neste volume com os nomes dos seus Autores. Advirta-se que os números declaram a Conferência, a que pertencem as obras, cujos títulos vão entre um, e outro. Notícias da primeira Conferência, que a Academia fez em 8. de Dezembro de 1720. num. I. Decreto da Instituição da Academia Proposição da Academia feita pelo Padre D. Manoel Caetano de Sousa Notícias da Conferência de 22 de Dezembro de 1720. num. 2 Estatutos da confirmação dos Estatutos. Reflexões do Conde da Ericeira sobre o estudo Acadêmico Catalogo dos Acadêmicos Distribuição dos empregos Acadêmicos Notícias da Conferência de 5 de Janeiro de 1721, num. 3. Memória das Notícias, que se devem mandar dos Arquivos do Reino. Notícias da Conferência de 19 de Janeiro de 1721, num. 4. Notícias da Conferência de 2 de Fevereiro de 1721. num. 5. Notícias da Conferência de 16 de Fevereiro de 1721. num. 6. Sistema da História feito pelo Conde da Ericeira, e pelo Padre D. Manoel Caetano de Sousa. Notícias da Conferência de 4. de Março de 1721. num. 7. Elogio na morte de Júlio de Mello de Castro pelo P. D. Joseph Barbosa. Notícias da Conferência de 18. de Março de 1721. num 8. Declaração, que o Marquez de Abrantes fez de estar eleito Acadêmico o Conde de Assumar. Prática do Conde de Assumar. Notícias da Conferência do primeiro de Abril de 1721. num. 9. Discurso do Padre D- Luis de Lima sobre a introdução de algumas palavras novas na língua Latina. Hieronymi Godinii Nizensis judicium de novatis sacrorum Magistratuum nominibus.1 Notícias da Conferência de 16 de Abril de 1721. num. 10. Dissertatio Historico-Juridica de potestate Judaeorum in mancipia, Auctore
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Juízo de JGN* sobre os novos nomes dos Magistrados (Cargos) sagrados. (trad.). * Não foi possível precisar o nome. Todas as traduções em latim foram feitas por Flávia Varella.

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Academia Real da História Portuguesa

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Doctores Emmanuele de Azevedo Soares.2 Discurso do Doutor João Alvares da Costa sobre o poder, que nos servos Cristãos tinham os Judeus nos primeiros séculos. Notícias da Conferência de 30 de Abril de 1721. num. 11. Catálogo dos Bispos de Miranda, ordenado pelo Padre Fr. Fernando de Abreu. Notícias da Conferência de 13 de Maio de 1721. num. 12. Catalogo dos Bispos de Portalegre, que compôs o Conde de Monsanto. Notícias da Conferência de 27 de Maio de 1721. num. 13. Catálogo dos Bispos de Elvas composto por Ignácio de Carvalho e Sousa. Epistolae aliquot de rebus ad academiae Regiae institutum spectantibus.3 Notícias da Conferência de 5. de Julho de 1721. num. 14. Panegírico na eleição do Sumo Pontífice Inocêncio XIII. Composto pelo Conde da Ericeira. Notícias da Conferência de 17 de Julho de 1721. num. 15. Notícias da Conferência de 31. de Julho de 1721. num. 16. Notícias da Conferência de 31 de Julho de 1721. num. 17. Decreto de S. Majestade de 13. de Agosto de 1721.e copia do que baixou ao Desembargo do Paço sobre a conservação dos monumentos antigos. Catálogo dos Bispos do Funchal, que compôs o Padre D. Antonio Caetano de Sousa. Notícias da Conferência de 28 de Agosto de 1721. num. 18. Notícias da Academia Real em 7 de Setembro de 1721. num. 19. Cerimonial, que se há de observar quando a Academia for ao Paço. Introdução Panegírica, que o Conde da Ericeira repetiu na presença de Suas Majestades, e Altezas em 7.de Setembro de 1721. Notícias da conferência de 24 de Setembro de 1721. num. 20. Assento, que se tomou sobre a autoridade que se devia dar a alguns Escritores, e Catálogo dos reprovados. Notícias da Conferência de 9 de Outubro de 1721. num. 21. Notícias da Academia Real de 22 de Outubro de 1721. num. 22. Discurso, que o Marques de Abrantes fez, e repetiu na presença de Suas Majestades, e Altezas em 22 de Outubro de 1721. Notícias da Conferência de 6 de Novembro de 1721. num. 23. Notícias da Conferência de 20 de Novembro de 1721. num. 24. Notícias da Conferência de 9. de Dezembro de 1721. num. 25. Catálogo dos Arcebispos da Bahia, e mais Bispos seus sufragâneos, composto pelo Padre D. Antonio Caetano de Sousa. Catálogo dos Deputados do Conselho Geral da Santa Inquisição, composto pelo Padre Fr. Pedro Monteiro. Oração do Padre D. Manoel Caetano de Sousa na última Conferência da Academia deste ano de 1721.
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Dissertação Histórico-juridica sobre o poder dos Judeus nas propriedades, Autor Doutor Emmanuel de Azevedo Soares. (trad.)
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Epístolas aos espectadores sobre algumas coisas para o instituto da A.R. (trad.)

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a cujo cargo estão. cujas Conferências é servido que tenham hoje glorioso princípio neste Palácio. comunicando-lhe os Catálogos dos mesmos Arquivos. que por ordem de S. e aprove. Mandou-me Sua Majestade. e os Acadêmicos farão alguns Estatutos para facilitar o seu progresso. conservando-se as ações tão dignas de memória. para o qual por sua Real ordem foi instituída a Academia da Historia Eclesiástica de Portugal. majestade se abriu no paço da casa de Bragança em 8 de dezembro de 1720 Disse-a por ordem Delrei Nosso Senhor O P. Conhecendo a vastíssima compreensão de S. mandando que se escrevesse em Latim um corpo de toda a História deste Reino. Lisboa Ocidental a 8. mas estarão nos Arquivos: ordenarei por cartas firmadas da minha Real mão se participem à Academia todos os papéis . que deles se pedirem. e porque as notícias necessárias não se acharão só nos livros impressos. e prontamente se pudesse escrever uma. que me parecessem úteis. para que eu como Protetor da mesma Academia os examine. que lhe apontasse os meios. que tivesse o título de Lusitânia história da historiografia • ouro preto • número 03 • setembro • 2009 • 216-235 218 . e nas mais partes em que for necessário. Lente da Sagrada Teologia. e mos proporão. Deputado da Junta da Bula da Santa Cruzada. Manoel Caetano de Sousa.Coleção dos documentos. da Igreja Católica. para que escolhi o dia de N. e do Priorado do Crato. Senhor D. para que exata. de Dezembro de 1720. e outras qualidades hão de formar este Corpo. e se hão de nomear outras até que fique o número bastante para o fim. E porque tenho escolhido muitas pessoas. e de suas Conquistas. e se registre nos seus livros. a que os aplico: ordeno que o presente Decreto na primeira Conferência. uma Eclesiástica e outra Secular. Clérigo Regular. Padroeira dos Reinos. Proposição da Academia da História Eclesiástica de Portugal. fazendo-se uma obra. que pela sua ciência. que nestes Reinos se tem obrado no aumento do serviço de Deus. em que se escreva a Historia Eclesiástica destes Reinos. que Deus guarde. Com Rubrica de Sua Majestade. que eu expusesse a este eruditíssimo Congresso o alto fim. se leia na mesma Academia. foi servido ordenar-me em quatro do mês passado. e Cartórios as pessoas. que a pouca notícia. mas primeiro a Eclesiástica. e outra História. mas também de não estarem todas impressas na Portuguesa. de que espero resulte uma Historia tão útil. estatutos e memórias da Academia Real da História Portuguesa Decreto porque Elrei N. Senhora da Conceição. Majestade. que o mundo tem das Histórias de Portugal. Examinador das três ordens Militares. para que possam ter sua devida execução e vigor. João V foi servido instituir a Academia Real da História Portuguesa Tenho resoluto que se estabeleça uma Academia. o qual se dividisse em duas partes. E que este dano só se podia remediar. dos Reis meus predecessores e meu. D. e depois tudo o que pertencer a toda a História deles. nasce não só de não se acharem escritas na língua Latina. para que conste que a minha Real intenção é concorrer para o aumento de uma Academia.

nem se descobre o que neles está não só recolhido. Não cabia na brevidade do tempo. que tratasse particularmente com algumas pessoas. que convinha que houvesse um Diretor da Academia. saia dos seus Reais pés com novas luzes. Ouvidas as disposições Reais. porque sem ele não se abrem os Arquivos. de que se havia de compor aquele Corpo. do que logo dei conta a S. entenderam as pessoas consultadas sobre estas matérias. e Secretário. os quais todos se reduziam a dois. Censores. as quais também foram aprovadas por Sua Majestade. E sem o impulso soberano não se podem unir muitos engenhos a compor uma só obra. porém de tudo quanto se apontou fui dando sucessivamente conta a sua Majestade. mas sepultado. e Quatro Censores. Majestade um largo papel. com que todos desejamos servi-lo. que todas as vezes que eu dava conta a Sua Majestade. É tão grande a Real clemência de S. como nos declara no seu Real Decreto. que mostrou não lhe desagradava o arbítrio. que para o ato deste dia ter a devida ordem se deputassem logo Diretor. E todas concordarão em que a Academia seria apontando as qualidades que deviam ter as pessoas. até se acabar o ano no fim do qual se dará conta a S. Majestade mandado. E para a formação da Academia me ordenou. se assim for do seu Real serviço. E esquecendose da minha indignidade. e facilitou-nos muito a merecê-la. Majestade. e outra coisa era necessário o poder Real.Academia Real da História Portuguesa 219 Sacra. Também pareceu que seria conveniente. que são ajuntar manuscritos. o termos conseguido. Finalmente tendo resoluto S. Majestade para se fazer nova eleição. com que todos desejamos executar a ordem de Sua Majestade. E logo resolveu mandar descobrir os manuscritos. Majestade. e todos acrescentamos algumas observações necessárias para se lograr o fim pretendido. e zelo do Real serviço tem sua Majestade total conhecimento. foi servido ordenar que eu expusesse a este Congresso a Real intenção. no qual expus todos os meios. que a mim me ocorria. que durassem naquele exercício por um ano. que fosse eu o que fizesse esta Proposição da Academia. Majestade. história da historiografia • ouro preto • número 03 • setembro • 2009 • 216-235 . que no dia de hoje tivesse princípio a Academia. de cuja erudição. o comunicar esta matéria a todos aqueles. atendendo só a ter S. me nomearão a mim para Diretor. que destes cinco cada um fosse Diretor em uma Conferência. Acrescentando eu que para uma. Em sete do mesmo mês ofereci a S. que foi servido aprovar o que se lhe propunha. e sempre o zelo. e larga experiência. que agora leu Excelentíssimo Senhor Conde de Villarmayor. e que para isto se pode conseguir era necessário formar-se uma Academia. que nos conduziam a todos ao maior acerto. e convocar Escritores. logrou o inestimável prêmio da sua Real aprovação. que me pareciam mais proporcionados para se conseguir brevemente este fim. sucedendo-se uns a outros pela ordem da sua eleição. que conhecemos serem úteis para esta empresa. Animados nós com a Real aprovação comunicamos a mais algumas pessoas o desígnio. porém de tal sorte.

se ajuntem extraordinariamente quando. Que outra cousa é instituir El Rei nosso Senhor em dia da Conceição da Virgem Santíssima. em que dela se canta: Cunctas illustrar Ecclesias. Logo dei conta deste parecer a Sua Majestade. que os Congressos dela se façam de quinze em quinze dias. a quem todas elas são dedicadas. havendo muitos digníssimos de merecê-la com se empregar cuidadosamente em promover a desejada obra da Lusitânia Sacra.4 Será o empenho da Lusitânia Sacra ilustrar as Igrejas e Catedrais deste Reino. mas tudo redunda em glória da mesma Senhora. Tenho obedecido ao honroso preceito de sua Majestade expondo a este eruditíssimo Congresso as suas Reais ordens. e Censores. as quais serão recebidas pela maior parte de votos de toda a Academia. ao Excelentíssimo Senhor Marquês de Abrantes. e aonde lhes parecer. João o IV. se dará logo exata conta a Sua Majestade para ele ter notícia do calor com que se trabalha nesta obra. E que de tudo o que se conferir. estatutos e memórias da Academia Real da História Portuguesa Para Censores escolheram prudentíssima. para darem princípio à Academia. e do progresso que se faz nela. como manda Sua Majestade no seu Decreto. com que todas elas seguindo a Metropolitana de Lisboa juraram no ano de 1646 a Conceição 220 4 Ilumina todas as Igrejas. E assim quer que cada um dos que aqui se acham já Acadêmicos aponte as pessoas. senão o protestar que tem consagrado o Reino de Portugal à Rainha dos Anjos à imitação do seu Augusto Avô o Senhor Rei D. (trad. e mandar que se avisassem para esta tarde as pessoas. como nas Juntas extraordinárias. que sejam muitos os que logrem esta honra.) história da historiografia • ouro preto • número 03 • setembro • 2009 • 216-235 . que também foi servido aprovado. a que até aqui se tinha falado. e justissimamente ao Excelentíssimo Senhor Marquês da Fronteira. assim nos Congressos ordinários. devo antes de tudo declarar que Sua Majestade é servido. ha de fazer Estatutos. e a sombra da sua Imagem uma Academia para se escrever a Lusitânia Sacra. Afonso Henriques? Mandar que em dia da Conceição se principiem a imortalizar por meio da Historia as Igrejas e catedrais de Portugal. porque todas estão respirando devoção para com a Virgem Senhora nossa. e todas as que nesta tarde se ouviram devem ser adoradas pelos que temos a incomparável felicidade de ser seus Vassalos. ao Excelentíssimo Senhor Conde da Ericeira: e para Secretário ao Excelentíssimo Senhor Conde de Villarmayor. Não é a obra da Lusitânia Sacra outra cousa senão uma ilustração histórica de todas as Igrejas de Portugal. E que o Diretor. e benignidade para esta Academia. Ainda que a Academia. e me ordenou a mim que declarasse nela que é do seu Real agrado.Coleção dos documentos. que lhe parecerem úteis para este exercício. beneficência para toda a Monarquia. além dos Congressos ordinários. e é glória da Nossa Senhora que esta ilustração se principie no dia. e agradecer-lhe a piedade. e do seu décimo sexto Avô o Senhor Rei D.

como testemunha o Senhor Rei D. que descreve a santidade. inscreveram-se** para a permissão régia de ser eleita como Presidente do Reino aquela que preside o Reino. do qual foi jurado Rei pelos três Estados dele. em que se há de dispor aquela obra. de gloriosa memória em uma doação que fez. e as vidas dos Prelados que nele plantarão. para que nela dure imortal aquele agradecimento. (trad.Academia Real da História Portuguesa 221 imaculada. cultivarão. e a piedade do nosso Reino.) 8 Quero em ti e na tua semente estabelecer o meu Império. D. E se me fora lícito discorrer sobre os inescrutáveis segredos da Providência Divina. Afonso Henriques Fundador do nosso Imperio: Erit mihi regnum sanctificatum. E para avivar a memória daquele beneficio quer El Rei nosso Senhor.5 dizendo: Omnes denique Lusitaniae Cathedrales. ao que a Eterna Providência ordenou. era o serem uma. sendo ainda Príncipe Regente. sendo o maior Autor da História Eclesiástica que teve este Reino. [indo] à frente* a Metropolitana de Lisboa. João o IV. que lhe deu a posse da Coroa deste Reino.). como ao mesmo Rei tinha vaticinado o Eremita. e de ser defendida a sua liberdade da mácula original. dissera eu que a causa desta misteriosa união da História Eclesiástica de Portugal com a Aclamação do Senhor Rei D. (trad. em que os quarenta Fidalgos zelosos da liberdade Portuguesa dispuseram. se viu o desempenho da palavra do mesmo Senhor: Volo in te. que se restituísse a Coroa à Sereníssima Casa de Bragança. *Supondo que praegunte equivalha a praeeunte. puro na fé e amado pela sua piedade. e propagarão a Fé. porque na História Eclesiástica. (trad. illius que propugnanda libertate à naevo originali.7 E na Aclamação do Senhor Rei D. e in semine tuo Imperium mihi stabilire. que o Senhor Arcebispo de Lisboa. Regio subscriptere diplomati de eligenda pro Regni Praeside Sanctissima è Conceptione Virgine. se façam neste Palácio. como tinha feito no mesmo ano o Senhor Rei D. e outra o desempenho dos oráculos do Campo de Ourique. por ser o mesmo lugar. 5 6 O lírio entre os espinhos. se mostra satisfeita a promessa de Cristo ao Senhor Rei D. lograsse a singularíssima glória no ato da Aclamação ser a primeira pessoa de cujo conselho . praegunte Metropolitana Ulyssiponensi. decretando. que os eruditos Congressos. para lhe agradecer o benefício da Aclamação. em que ha oitenta anos se faziam os Congressos. a Fé. e que com a santidade da vida e verdade da doutrina ensinarão a piedade.) história da historiografia • ouro preto • número 03 • setembro • 2009 • 216-235 . como provam os livros que escreveu dos Prelados do Porto. e manda Sua Majestade dar princípio a História deste Reino em dia da Conceição. João IV aquele juramento da Conceição imaculada em obséquio da Senhora. como felizmente se executou no faustíssimo dia primeiro de Dezembro do sempre famoso ano de 1640.6 Fez o Senhor Rei D. a Santíssima Virgem da Conceição. em 22 de Fevereiro de 1673. é muito conforme. 7 Terei um reino santificado. Pedro II. **Supondo que subscriptere equivalha a subscripsere. que sucedesse naquele glorioso dia.8 Pondo Cristo os olhos na décima sexta geração atenuada. Rodrigo da Cunha. Esta Real determinação do Sereníssimo Rei D. (trad. João o IV. segundo escreve o discretíssimo Padre Sebastião de Novaes no seu Lilium inter spinas. e direção se valeram por sua autoridade. e pietate dilectum.) Afinal todas as Catedrais lusitanas. fide ourum. João o IV. Braga e Lisboa. João o IV.

João o V. João o III. de Mosteiros e de lugares pios. nem a nossa fortuna fornece a faculdade de restituição. a qual põem toda a Academia na gostosa obrigação de um eterno agradecimento. nec nostra suggerit restituendi facultatem . dos Prelados. Imperator Auguste. (trad. porque de quase todas se acharão nelas Prelados insignes. si possemetiam referrem. Sed nec tua fortuna desiderat remunerandi vicem. ao mesmo tempo que a perpetua com a sua Real Proteção. todas estas. que animou ao Abade Fernando Ughello a escrever a sua grande obra da Itália Sacra. e sem dúvida. e outras muitas utilidades à monarquia. que se não conheciam. E eu em nome de toda a Academia acabo este discurso com as mesmas palavras. para mandá-las a Surio. Porém excede a tudo a benignidade. foi o desejo de ilustrar as famílias italianas. muitos Santos. em que deu as graças ao seu Soberano: Ago tibi gratias. se eu pudesse. sabendose que um dos motivos. O quanto a Lusitânia Sacra contribuirá para a glória das famílias se pode entender. nosso Senhor quando escreve cartas a todos os Bispos. Na Lusitânia Sacra a terão nova vida muitos Prelados. que se ignoravam. Imperador Augusto. mas profundamente sepultadas. com que Ausonio principiou o Panegírico. e Varões ilustres. e da Academia em que ela se escreve.) 10 Agradeço-te. elevando-a a mais sublime honra. que naquele tempo escrevia as vidas dos Santos em Alemanha. (trad. estatutos e memórias da Academia Real da História Portuguesa A beneficência para com toda a Monarquia mostra S. que acharem nos seus arquivos? Quanta glória resultará da Lusitânia Sacra às Cidades Episcopais. de que elogios se não faz a crer El Rei D. que o descuido de muitos séculos tinha não só amortecidas.) história da historiografia • ouro preto • número 03 • setembro • 2009 • 216-235 .Coleção dos documentos. que são argumento da Real beneficência. e suas Conquistas. e de outros Varões ilustres? As famílias também receberão muita utilidade desta obra. daria ainda algo em troca. 10 222 9 O nobre desejo de ser útil então me encorajou a escrever sobre as quase inúmeras famílias itálicas. E se o Senhor Rei D. Mas nem a tua fortuna deseja troca de remuneração. e ilustres Varões. Descobrir-seão Fundadores de Templos. dando-lhe os mais eficazes meios de conseguir a incomparável fortuna de exercitar com acerto a sua obediência. todas as clausulas que conduzem para a perfeição de uma e perpetuidade da outra.9 E havendo de resultar da Lusitânia Sacra. merece eternos louvores por escrever uma carta a um Bispo encomendando-lhe muito o descobrir as memórias dos Santos Portugueses. como ele diz no Prólogo do primeiro dos nove tomos daquela obra: Addidit deinde mihi scribendi animos de innumeris propemodum Italicis famillis benemererai nobilis cupidu. que nela hão de ir descritas. Majestade em querer ressuscitar as suas insignes memórias. para que remetam a esta Academia todas as memórias Eclesiásticas . com que El Rei nosso Senhor favorece a Academia. e a todas as que forem pátrias dos Santos. e Cabidos dos Reinos .

Querendo a Majestade Del Rei D. ou o descuido. que tem de que se perpetue a memória das ações pias. generosas. para o que não necessitam os Acadêmicos de outro Estatuto. e úteis ao culto da Religião. do que aquele com que contribui ao verdadeiro merecimento a veneração da posteridade interessada. e vence El Rei nosso Senhor nesta ação toda a generosidade de seus Reais predecessores. e pelos meios da união. e pela conservação dos verdadeiros. e aumento das virtudes. na qual acharam também singulares exemplos. e merecimento. lhe ditar o zelo do culto da Religião. ou a ignorância. Por tanto deve ser o primeiro cuidado. que ou não foram satisfeitos. sem mais fim. do preceito de S. e aos vindouros seus que só se consegue por meio da História. procurando apurar a verdade. que o da glória da Nação. por virtudes. que a obediência. ordenou se instituísse uma Academia composta de pessoas. letras. e mais qualidade. que aquela. e Secular destes Reinos. cuja memória. dando a conhecer o desejo. que trabalhem em compor a História Eclesiástica. isentando Sua Majestade por este modo da jurisdição da morte o Vassalos mais beneméritos. que são os que obrarão ações dignas de serem imortalizadas pela vida da fama. e facilmente caducam. principiando pela Eclesiástica. que sempre lhe conservará a História. fique totalmente entregue ao esquecimento a opinião dos que merecem. e às regras comuns se fizeram os Estatutos Seguintes. e opinião tem injustamente sepultado. nem que pereçam as memórias . ordinariamente se perdem. ou estão por esquecidos inutilmente remunerados. não podendo tolerar a Real benignidade. com o que paga juntamente S. do interesse da Pátria. ressuscitando por este meio o nome daqueles. nem mais seguro. e veementes estímulos os que devem generosamente aspirar a semelhante prêmio. e reproduzidos pela impressão. e ao bem comum de seus Vassalos. que não sendo conservados. e principal emprego dos Acadêmicos concorrer para a composição da História de Portugal. dignas deste emprego. Majestade. e do estudo. nem de mais lei. João o V nosso Senhor fazer uma especial demonstração de sua inata piedade. e dá à justiça distributiva o melhor. e mais adequado exercício com premiar aos passados beneméritos. Porém para satisfazer à ordem de Sua Majestade. e documentos que provam. Majestade com tão grande mercê aos mais relevantes serviços. sem mais interesse. segurando-lhes a estimação na perpetuidade da memória. e Real ânimo. I. 223 história da historiografia • ouro preto • número 03 • setembro • 2009 • 216-235 . o inestimável prêmio da mais dilatada lembrança. ao serviço Real. que nunca pagarão tão abundantemente aos seus Vassalos. que não pode ser maior. o que também tem prevenido a singular providência de Sua Majestade.Academia Real da História Portuguesa Estatutos da Academia Real da História Portuguesa Introdução §.

do que se tratou em cada conferência. se não acabado o giro. e pondo-se em votos. que são os mesmos. 224 história da historiografia • ouro preto • número 03 • setembro • 2009 • 216-235 . §. e para as diligências. que sucedem na direção. composta de todos cinco. e encontre o instituto da Academia. Ocupará o primeiro lugar da mão na mesa da Academia com os quatro Censores. inda que não seja conforme o seu parecer. Senhora. e quem recorra à sua Real Proteção. se lançará nos livros do registro. por morte. o que lhe fará. em que sairão pelas sortes. procurando que na Junta particular. em que se necessita do seu Real patrocínio. em que lhe há de suceder o que saio pela sorte em segundo lugar. tocar a campainha. e convocada na parte. se fará por escrutínio eleição de outro Diretor. e fazer as mais funções de Presidente. e se nele. que parecer ao Diretor. ou ausência larga. Os Censores poderão lembrar ao Diretor as matérias que lhe parece se devem propor. para que se vença pelo maior número. e faltando este. e deste se tirará por fortes no mesmo dia a ordem. se confira. o substituirá o que fica no lugar imediato. para Diretor. em que deles faltar. ficando a arbítrio dos Acadêmicos votar no escrutínio em quem entenderem. à mão esquerda do Diretor do dia. e o seu exercício durará por tempo de um ano. e dos mais que se remeterem à Academia. Proporá o Diretor todas as matérias que lê parecer. poderão ser eleitos no ano seguinte. III. Majestade. o não tornará a ser. para observância destes Estatutos. Os quatro Censores. evitar questões. e do Secretário. e tudo o que vier ajustado das conferências particulares. porque se hão de suceder nos dias da direção. e fará declarar os Acadêmicos. II. que teve impedimento. ou a quem ele ordenar. que lhe hão de suceder. e Censores. e assim os outros até que torne ao primeiro pelo tempo referido de um ano. e ajuste tudo o que ha de tratar-se na Academia seguinte. Devem livremente sem dependência do Diretor censurar qualquer abuso. e pelas três horas da tarde. que farão leitos para diferentes aplicações. os regulará. e assim este como os outros. §. eleição por escrutínio de cinco Acadêmicos. e o Diretor. que continuará até o dia da Conceição de N. e será quem dê conta a S. e da mesma sorte os papéis dos Acadêmicos. IV. se ficar vencido em votos sobre a proposta.Coleção dos documentos. e comunicará à Academia. estatutos e memórias da Academia Real da História Portuguesa §. que há de haver cada semana. Far-se-á todos os anos no dia seguinte ao da conceição de nossa Senhora na Casa da Academia. e a sua direção até a seguinte. para ter força de lei Acadêmica. que se introduza. se assentarão na forma. e nos mais. e o que nela se vencer por mais votos. Presidirá o Diretor em uma Conferência. Poderá impor silêncio.

e Censores. porque sendo a ausência de mais de uma Conferência. em caso que falte o que é perpétuo. como parecer ao Diretor. incluindo as que se lhe derem por escrito. e que se emprestarem à Academia. O primeiro em que se hão de lançar o Decreto de S. O quinto livro será para se escreverem os nomes dos Acadêmicos. será de toda a Academia por escrutínio na mesma forma que a dos Diretores. Majestade assim o ordene. os seus Estatutos. e respostas. e responder às cartas. No quarto livro se requestarão as cartas. que se mandarem à Academia. e fazer os meios avisos extraordinários. e dará as certidões com despacho do Diretor. que o obrigue a faltar em alguma Conferência. que tem embaraço para ir a ela. e receber na forma que se tem determinado. e Censores quem sirva até que o Secretário se possa achar presente. §. se não quando S. Majestade da Instituição desta Academia. que se remeterem dos Arquivos. e para os registros terá livros separados. fazendo Inventário em livro à parte de todos os livros. começando a votar pela mão direita do Diretor. nomearão o diretor. e depois se elegerem. e documentos. que podem vir nos livros. e a eleição do Secretário. A sua obrigação é fazer os assentos de tudo o que se lançar nos livros no tempo da Conferência. e documentos. E todos os papéis que se entregarem ao Secretário. e se depositaram com toda a ordem. e resoluções do mesmo Senhor. e Censores terão obrigação de avisar o Secretário antes da Conferência. e todas as ordens.Academia Real da História Portuguesa §. o participará por escrito ao Secretário. em que se lhe destinaram. para que de tudo se forme a História da Academia. de que dará recibo com obrigação de os restituir pontualmente. e outros documentos semelhantes. e segurança no Arquivo Acadêmico. O terceiro livro será para fazer lançar pelos seus oficiais o traslado dos papéis. que não pertencem a História. e só o Diretor. a quem se encomendam alguns estudos particulares com o dia. que há de mandar. VI. e também os livros. somente em uma poderá nomear substituto. os nomes dos Acadêmicos. Os Acadêmicos serão cinquenta. e faltando todos os cinco diretores. será ele quem presida. e de que se não divulgue o que for de segredo. O Secretário será perpétuo. podendo nomear por aquela ocasião quem substitua o lugar de Secretário. com as principais razões que forem dignas de memória. V. e mais memórias. escrever. serão escritos história da historiografia • ouro preto • número 03 • setembro • 2009 • 216-235 225 . e documentos. que agora há. O segundo livro será para se lançar o que se tratar de mais importância em cada Conferência. e de outras matérias. e se tiver impedimento. em que forem entrando. Serão todos pontuais em assistir às Conferências e se assentarão sem preferência pela ordem. que se fiam dos Acadêmicos. e se não poderá pela Academia eleger supernumerário. que exercita. e quando algum tenha impedimento que por dois meses o embarace ir às Conferências. avisar os Acadêmicos novamente eleitos.

e brevidade propor o que entenderem que é preciso. que até doze Acadêmicos. que couberem no tempo. e também de palavra poderão com permissão do Diretor. que prontamente imprima as folhas avulsas. para que o fim. e Censores. sem assistir mais na Conferência. que lhe parecer. apresentandose a S. não sendo Acadêmico. e Porteiro serão pagos pela renda. Haverá também um Impressor. X. mas sairá. Haverá os Acadêmicos supranumerários. a que se dirigem seus estudos. e nos mais que lhe ordenar o Secretário. §. em dia dos anos del Rei nosso Senhor. que tem que dar alguma notícia importante. IX. por não terem feito aviso de que estão impedidos. Não poderão os Acadêmicos imprimir obra. A Academia terá Selo. se fará o provimento por escrutínio. em que declarem o título de Acadêmicos. Majestade ordenar. e neste caso se assentará entre os Acadêmicos. VII. estatutos e memórias da Academia Real da História Portuguesa em folha de papel com margem para se encadernar. ou tendo representado por escrito. Vagando algum lugar. Haverá os Oficiais necessários para escreverem o que lhes ordenar o Secretário. e que tenham domicílio em cada um dos bispados. e na parte que S. e Conquistas do Reino. e as mais coisas. julgando o Diretor. O Selo 226 história da historiografia • ouro preto • número 03 • setembro • 2009 • 216-235 . Haverá duas Academias públicas cada ano. VIII. nomeará o Diretor o Acadêmico. ou chamado. para que aprove a eleição. que se lerá na Academia. e Censores. avisos circulares. e do primeiro de Outubro até o último de Abril às duas horas da tarde haverá Academia. que a Academia lhe ordenar. terão igual lugar com os mais Acadêmicos. de que use onde e costume. e sem esperar mais. em que se hão de ler as obras do Instituto da Academia. e se for por morte. e quando venham a Lisboa. §. que Sua Majestade foi servido dar à Academia. e um porteiro. e nas Conferencias não poderá entrar pessoa alguma de qualquer qualidade que seja. que assista nos dias da Academia. §. e se lançará no livro do registro para se imprimir na História da Academia. Majestade. §. e Empresa. e se procurarão recolher os livros. sendo servido. os quais Oficiais. e o que tiver escrito pertencente ao Instituto Acadêmico. que é conveniente ser ouvido. e para trasladarem todos os documentos. para que escreva o Elogio com o Epítome da sua vida. e se farão na forma. e da Rainha nossa Senhora. desde o primeiro de Maio até o fim de Setembro às quatro horas. e papéis. se facilite. que se lhe entregaram. e escolherem o Diretor. Todos os quinze dias no Domingo. e se principiará tanto que chegar o Diretor.Coleção dos documentos. se não for primeiro aprovada pela Academia. em tendo feito a sua proposta. e dois Censores dos que se esperam. ou mande proceder a outra. que se julgarem são convenientes.

e tão profunda a erudição dos Acadêmicos. ou mais volumes. e nas mais matérias duvidosas. a vida dos Varões Ilustres em Virtude. e debaixo dele a figura do tempo preso com cadeias. que hão de aplicar-se a escrever memórias de cada bispado. e seguro: porque. e ficava aos Historiadores imenso o trabalho de examinar os documentos.Academia Real da História Portuguesa será composto do escudo das Armas Reais. e hei por bem que se observe inviolavelmente presentes. de que se valerão para formar a sua História. Dividiu-se entre os Acadêmicos a História Eclesiástica. Os Acadêmicos. Reflexões sobre o estudo acadêmico Como nos Estatutos se estabeleceu aos Diretores que seria útil um método de estudos em comum. pelo qual sua majestade. sempre ela ficava com a imperfeição de se encherem as margens de alegações. que no Prólogo declarassem o benefício. e mais circunstâncias da vida. como a representarão os Antigos. em que trate a descrição do Bispado. como pelos futuros. ainda sendo tanta. o fim do volume de documentos. (como se reconhece) não bastava a aplicação particular para o benefício universal. e em pouco tempo. e Secular de Portugal. e Secular destes Reinos. e tudo o que houve memorável no seu tempo. que hão de escrever com o título de Lusitania Sacra a vida dos Bispos. como se fosse uma comutação de frutos. e para o acerto. e glorioso. pois imprimirá cada um em folha um. fez em dez Capítulos. e não menos útil. com esta letra: Restituet omnia. (trad. donde o interesse é pronto. e de interromper a narração com questões nos pontos duvidosos. 11 A empresa será o simulacro da Verdade. e aos mais Autores. e Imagens. fui servido aprová-los. foi servido confirmar os estatutos da Academia Sendo-me presentes os Estatutos. a sua antiguidade. e não podia executar-se exatamente. que deverão aos Escritores das memórias. e suas Conquistas. e colocação de Relíquias. de ordem minha. (trad. virtudes. o descobrimento. que a Academia da História Eclesiástica. e na circunferência este título: Sigillum Regiae Academiae Historiae Lusitanae . empregos. a família. e lugares pios. citará fielmente nas margens os 11 12 227 Selo da Academia Régia de História Lusitana. recíproco. e morte de cada Prelado. as fundações de conventos. Lisboa Ocidental 4 de Janeiro de 1721. com que se espera a História deste Reino. e brevidade. na Cronologia. e assim se entendeu que bastava.) história da historiografia • ouro preto • número 03 • setembro • 2009 • 216-235 . e letras e as mais circunstâncias próprias deste assunto: e como há de tratar com dissertações tudo o que tiver questão na antiguidade.12 Decreto. e tecer a História. ainda que isto fosse vencível. e da cidade. de que pudesse aproveitar-se toda a sociedade.) Reparará todas as coisas. tem diferente instituto. e para a primeira se nomearam nove Historiadores Latinos. e porque esta matéria é tão vasta. Com Rubrica de Sua Majestade. Igrejas. que Deus guarde.

que se referiu nas Eclesiásticas. Sendo esta a matéria do estudo histórico. se devem imprimir no fim de cada volume das memórias todos os que corroboram o que o Autor refere. que na melhor censura se tem por falsos. como dos Títulos que são verdadeiros. mas dos papéis que se acham em maços. e trasladarem-se estes documentos declarou já Sua Majestade. ou desejo de adquirir glória à Pátria.Coleção dos documentos. nem por indiscreta piedade. e em tradições bem fundadas. e depois que a imprimir se comporá em Latim. e outras Comunidades. nem passando a outro extremo oponham ao que se acha solidamente estabelecido em títulos originais. mas também alegará os manuscritos. em Autores contemporâneos. e em razões demonstrativas. por preocupação. e os nomes das pessoas que o afirmarão: também se pede o índex das Livrarias grandes. e a tradição. o terceiro desde o princípio destes Reinos até o da entrada dos Mouros. Na História Secular se observará quase o mesmo método. que fazem as Igrejas e as Câmeras. Para facilitar descobrirem-se. assim dos Escritores. estatutos e memórias da Academia Real da História Portuguesa Autores. que escrevia aos Bispos. não só dos impressos fará esta memória. defendam os sucessos inverossímeis. e o lugar deixariam sempre ocultos: ficando ao Autor judicioso. que ajustando pode ser a ordem dos tempos. como também aos Provedores das Comarcas. para que se imprimam as suas memórias com a mesma distribuição. e nomeará a Academia um só Historiador. o quarto até o Conde D. ou falsos. e se espera de uns. em milagres aprovados. e de cada título o ano em que foi feito. e plausível. e todas as notícias de todos estes monumentos. escrevendo o primeiro as memórias da antiga Lusitânia até a Conquista dos Romanos. sigam os Autores. e autênticos. duvidosos. ou avulsos nos mesmos Cartórios. sem mais diferença que se fazer à separação pela ordem dos tempos. para que assim se perpetuem e se conheçam os que o tempo. A cada Acadêmico se dará um Catálogo impresso com os 228 história da historiografia • ouro preto • número 03 • setembro • 2009 • 216-235 . o segundo desde o princípio do seu Império até a entrada dos Godos. principalmente dos livros manuscritos. Câmeras. e ainda das folhas declarando a impressão que segue. Como os títulos dos arquivos são as provas mais seguras. e outros Historiadores. e em cada uma vai uma memória impressa. e as Livrarias em que existem. Prelados das Religiões. e estimados. e origem das Procissões. para que também se dê o justo agradecimento a quem os participou. e a cópia das letras. e à Censura Acadêmica o exame com a s regras ajustadas da Crítica. que a escreva em Português. e não só dos livros deles em comum. Cabidos. e os mais a vida dos nossos Reis. e a sua matéria se dividiu na mesma forma pelos acadêmicos. que segue com o número dos livros. e as regras mais seguras da Crítica erudita. como Protetor da Academia no Real Decreto da sua Instituição. como se vê distribuída na segunda tábua. em que se pedem os Catálogos dos Arquivos. festas públicas. e a outras pessoas. pareceu fazer algumas reflexões sobre a sua forma. e capítulos. nem por adornar a História com o que é raro. e o mais que se acha gravado em pedras. Henrique. que Deus guarde. e das outras Nações bárbaras. Cartas firmadas pela sua Real mão. ou documentos.

que resulta à Academia.Academia Real da História Portuguesa 229 Bispos. que declaram os Estatutos. que se não acham em outra parte. e as dúvidas que forem encontrando. ou manuscritos. e todos hão de alegar nas suas memórias. história da historiografia • ouro preto • número 03 • setembro • 2009 • 216-235 . de que se trata. os papéis que lhe vierem dos Arquivos. apontem também o que serve de luz. e Academias das outras Nações. aos que compõem as memórias da História Secular. que se acham nos seus distritos. e outra História. se encomenda aos Acadêmicos. os quais poderão acrescentar neste Catálogo os Autores que faltarem nele. e podem por escrito Anônimo avisar ao Secretário alguns manuscritos. Para a História Secular se observará o mesmo. Estas reflexões. escritas em folha de papel com margem pra se encadernar. que forem descobrindo para o estudo dos outros. que participem ao Secretário na mesma forma. e dos Reis. ou documentos que se ocultam para que Sua Majestade. e sucessos contrários à verdade. de que escreve. e histórias os nomes dos Acadêmicos. e outra História. e uns. e inculcar à Academia os documentos. e também o mesmo Secretário irá entregando a cada Acadêmico. Como em muitos Autores Estrangeiros por ignorância. para que os que escrevem as memórias Eclesiásticas. se procure igualmente adquirir todas as notícias. de tal sorte. feito pela mesma distribuição das matérias. que contribuam para a perfeição desta insigne obra. que se repartirão pelos Acadêmicos. e os manuscritos. e Estrangeiros impressos. e irá apontando em cada um o que descobrir. Em cada Conferência podem propor os Acadêmicos a falta de matérias. porque também é própria a utilidade. e muitas ações da vida destes Varões ilustres. a que os Censores. se pode achar a notícia da qualidade das pessoas. e com claros que se vão ocupando com o que cada um for descobrindo nos seus estudos. nos livros Estrangeiros com as suas reflexões. na Genealogia das Famílias delas. e nas mais. porque os outros estudam para ele. de que podem tirar-se notícias. e à Glória da Nação Portuguesa. ou por malícia se acham muitas opiniões. e também para facilitar o estudo se fará um Catálogo dos Autores Portugueses. o Secretário as irá repartindo pelos Autores das memórias. e estes façam o mesmo. sendo servido procure adquirí-los à Academia com a segurança da restituição. para as memórias de uma. para que se imprima mais amplo. o que encontrarão nos seus novos estudos. ou toda a Academia procuram satisfazer. e da mesma sorte se pede a todos queiram comunicar o que nesta matéria. fazendo-se o assento no livro para a segurança da restituição na forma. e outros Acadêmicos terão estes Catálogos de uma. e pessoas que nomearem. que Deus guarde. advertindo os erros que se acham nas impressas. Os Acadêmicos das Províncias tem a ocupação de buscar. terá também os dos outros. adquirirão nos seus estudos antigos pelo interesse universal. alegando fielmente a parte em que acharam a notícia e depois de registradas. com datas do tempo em que viveram. segundo os seus assuntos. se entregarão ao Secretário. feito pela ordem dos anos. e dos Países Estrangeiros. e homens doutos delas. de que se trata nas duas Histórias. e os Catálogos impressos serão com a divisão dos tempos. que adquirir a Academia. porque nos livros das Famílias com escrituras. de que até agora se sabe o nome. a quem deverão o benefício. que tendo cada Acadêmico o Catálogo do Bispado.

Para que o edifício seja construído. que há de escrever a Academia Real da História Portuguesa Sendo qualquer História mui propriamente comparada a um edifício. I. se não a de dividir a obra pelas matérias. outras são próprias só da História Eclesiástica. é necessário. para o que se ordenou o presente Sistema. que principia a era Cristã no ano de 4714 do história da historiografia • ouro preto • número 03 • setembro • 2009 • 216-235 230 . As observações comuns a uma e outra História são as seguintes. nos cálculos. e pontos difíceis. pra examinar as questões. e situações dos lugares. Assim poderá em cada Conferência ter-se notícia do progresso. que é o primeiro que se fez na República literária. e o Nascimento de Cristo. que se hão de continuar. é fabricado por muitos Artífices. que necessitem de averiguar o tempo entre o princípio do Mundo. em que se dividem os Autores. umas são comuns à história Eclesiástica. Como a Geografia. e épocas do tempo. sem se interromperem. e outros só úteis para a História Secular. de que se trata no seu título. que são muito necessárias para se conseguir aquele fim. apontando-se algumas observações. por todos os que trabalham nele. próprio deste assunto. que faz a Academia no seu assunto. Observações comuns à História Eclesiástica e Secular. se faz primeiro a planta de toda a obra. e nas alturas. Sistema da história eclesiástica e secular de Portugal. e como a Arte Histórica deixa toda a liberdade a este gênero de escritos. e para que a História Portuguesa seja escrita por todos os seus Autores de tal maneira que forme um corpo proporcionado em todas as suas partes. Como há poucos sucessos da História de Lusitânia. que primeiro se forme uma ideia de toda ela. e alegar os documentos. em que está o mundo deste Instituto. satisfazendo o Real preceito do seu Augusto Protetor. até se acabar de referir os sucessos. assim esta História há de ser composta por muitos Escritores. e à Secular. assim nas divisões da antiga Lusitânia. como nas observações Astronômicas. §. e distâncias itinerárias. a gloria da Nação. convém esta semelhança com muita mais propriedade a que há de escrever a Academia Real da História Portuguesa. bastará seguir o Sistema do Padre Dionísio Petavio da Companhia de Jesus. Lisboa Ocidental 18 de Dezembro de 1720. para escrever a História com Academia fundada só para este fim. e a expectação. As observações. Estas devem examinar em todas as memórias os Acadêmicos destinados para a Geografia. estatutos e memórias da Academia Real da História Portuguesa e correto. só em cada uma se guardará pontualmente a ordem Cronológica. não pode seguir-se a forma de anais. é preciso que todos os Escritores se conformem nelas pelas muitas opiniões. porque assim como o edifício. e Autores. sendo uma só obra. As Memórias da História de Portugal serão escritas na língua portuguesa com estilo puro.Coleção dos documentos. segundo as regras da arte. e a Cronologia são os dois olhos da história. e claro.

porém também no princípio de cada volume haverá um Index particular dos seus Capítulos pelo sumário deles. As descrições das Cidades. que forem dignos de memória. e do tempo em que floresceram. será: Memórias para a História Eclesiástica de Portugal. e manuscritos que se alegam. ou porque tenham Catedral. em que se refere os sucessos. que a Academia manda imprimir. aprovadas pela Academia Real da História Portuguesa. e dos Reis. que a Academia mandará distribuir. E quanto aos manuscritos. que será este: Memórias para a História de Portugal. e estes correrão sucessivamente desde o primeiro até o último parágrafo de um. que depois se repartem por matérias. que compreendem o governo de . com a notícia dos livros impressos. Seguir-se-á a Dedicatória a El Rei nosso Senhor. Vilas. se os tiver. porém nas Memórias Seculares deve haver a advertência de que cada um dos escritores desta parte Topográfica trate do lugar que descreve. dos Pontífices. ou por outra ação gloriosa.. Toda a obra terá suas divisões por livros. ou mais volumes. e no mais se conformará com o título das Memórias Seculares. se conte a Hégira no ano de 622. sirva para todas as impressões. e das impressões. ou pela defesa. se hão de declarar as Livrarias.até o ano de. JoãoV. e no ano 38 da era Hispânica.Academia Real da História Portuguesa 231 período Juliano. 3984 do principio do Mundo. em que de presente se acham.. e números. e outros lugares. na qual se verão pelos anos de Cristo. das abreviaturas dos apelidos. que se alegam nas margens das Memórias. do ano de . que se há de pôr no fim de toda a obra.. chamada também de César. ou conjecturas que há da sua legalidade.. história da historiografia • ouro preto • número 03 • setembro • 2009 • 216-235 . para que o índex Alfabético dos nomes. que se há de compor do extrato dos parágrafos numerados. E para que esta Cronologia. A este índex se seguirá a Tábua Cronológica. capítulos. se devem fazer com esta distinção. 754 da fundação de Roma.dedicadas a El Rey D. e o mesmo se fará com os documentos que se tiraram dos Arquivos. e a forma do volume. que cada um segue. e a demonstração. Para o tempo que corre da era de Cristo até a presente. mandou contar os anos só pelo do nascimento de Cristo em 1422. e matérias notáveis. escritas pelo Acadêmico F. nosso Senhor. parágrafos. do Arcebispado de etc. para que sem repetição se veja sucessivamente a mudança. em que existem. e nome do Impressor. A aclamação del Rei Dom Afonso Henriques em 1139. João I. porque sempre o número correrá desde o primeiro até os mais tomos.. e o juízo que se faz dos seus Autores. que terá cada livro das Memórias Eclesiásticas. as memórias dos sucessos. e das obras dos Autores. em que as memórias se compreendam. e número de páginas que tem.. O Prólogo explicará tudo o que for preciso para a inteligência das Memórias Históricas. e a Lei porque El Rei D. apelidos. que o tempo fez nestes lugares. Ao Prólogo se seguirá um Índex por alfabeto. que nas Memórias Eclesiásticas se hão de descrever no estado. o lugar... que também se há de escrever na margem dos mesmos parágrafos. O título. ano. como estava no tempo. ou pela conquista.

que devem publicar se para prova. sem obrigar a quem a lê a que vá a outra parte a resolução das questões. que escrever de qualquer Metrópole. e fé das Memórias. Observações particulares para a História Eclesiástica. que forem inseparáveis dela. e suas Conquistas. deve principiar por uma breve descrição da Monarquia Portuguesa. porque no mesmo contexto se hão de tratar as dúvidas. com a liberdade que permite este gênero de História. que hão de ser a primeira parte desta História. se irão apontando também nas margens. que se tirarem dos Arquivos. Quem escrever as memórias da Igreja de Lisboa. conforme pedir a matéria. e logo continuar com outra descrição igualmente breve da Hierarquia. que se hão de referir em uma. se trasladarão no fim de cada volume com os tratados manuscritos. declarando brevemente o tempo da sua fundação. e outra História se hão de encontrar muitos pontos Teológicos. e por quem foi fundada a Sé. para que a significação delas esforce ou decida as dúvidas. e outra historia. e Capítulos. pelas Metrópoles que há neste Reino. e com os Acadêmicos das Memórias Seculares com os que escreverem de outros Reinados. O Acadêmico. O Acadêmico. e confins. há de principiar pela descrição dela. e Jurídicos. que governaram aquela Diocese. examinadas pelas regras da boa Crítica. e no contexto as suas palavras que forem precisas. e nelas irão os autores. e logo descreverá brevemente a cidade.Coleção dos documentos. ou notas separadas das Memórias no fim dos Livros. O primeiro Título tratará da Diocese. que escrever de qualquer Diocese. §. que compreende a sua Província. e o mesmo se observará entre os Acadêmicos das Memórias Eclesiásticas com os que escreverem de outras Dioceses. a quem pertencem as ações que se não individuam. e se hão de referir na língua própria do Autor e também traduzidas fielmente. e as participarão ao Diretor. livros e documentos alegados. estatutos e memórias da Academia Real da História Portuguesa Os anos. mas quando as autoridades forem muito largas. e estes em Capítulos. quando e por quem foi plantada nela a Fé de Cristo. deve principiar descrevendo-a pelas Dioceses. e também quando foi erigida Cadeira Episcopal. e nestas os das memórias Eclesiásticas. que estão destinados para este fim. com que as Leis da História mandam 232 história da historiografia • ouro preto • número 03 • setembro • 2009 • 216-235 . e as escrituras autênticas. para que as repartam pelos Acadêmicos. II. e Censores. As Memórias Eclesiásticas de cada Diocese se dividirão regularmente em doze Títulos. Como em uma. a que pertence cada uma das matérias. Não se farão dissertações. e nas margens das Memórias Eclesiásticas se alegarão os autores das Memórias Seculares. farão os Autores das Memórias as observações que lhes ocorrerem. No segundo Título escreverá as vidas dos Prelados. e cada um em Livros. em que se acha catedral. declarando os seus limites. o que fará com a miudeza. pelos Reinos. De uma História só se tratarão na outra aqueles sucessos. e Estados que compreende.

mortes. que toca da sua vida às mais Dioceses. que por algum título pertençam à Diocese. e hoje pertencem ao Bispado de que trata. ou com outros Bispos. e por epítome a parte.Academia Real da História Portuguesa 233 escrever as vidas. que em cada uma fizeram. votos. se insinua história da historiografia • ouro preto • número 03 • setembro • 2009 • 216-235 . que neles se acham. que vão apontadas na Memória impressa. Também contará todos os sucessos memoráveis. que há em toda a Diocese. No undécimo Título deve referir as cousas notáveis que sucederam na Diocese. também deve tratar delas com a mesma miudeza. assim como elas forem sucedendo aos Bispos. advertindo que dos Prelados. ou em dignidades Eclesiásticas. e miudeza. as Visitas. No sexto Título se deve tratar de todos os Mosteiros de Religiosos com o tempo das suas fundações. e dos homens insignes que dele saíram. Hospitais. declarado os seus motivos. Casas de Órfãos. No quarto Título se escreverá dos Santuários frequentados por causa da veneração das Relíquias. e aqui hão de entrar os Prelados naturais dela. e Leis que estabeleceu. dos Seminários. com quem tem tratado do Cabido da Catedral. sabendo fazendo memória dos seus Estatutos. se há de escrever por extenso as ações. ou porque morrerão antes da confirmação. que aconteceram na Diocese no tempo de cada Prelado. Neste número entram as coroações. ou Imagens milagrosas. declarando as suas origens autênticas. das notícias. No quinto Título se deve tratar de todas as Igrejas Seculares. e semelhantes lugares pios. e romagens. os livros que compôs. Declarará os Sínodos que fez o Prelado. Recolhimentos. No terceiro Título deve fazer uma exata descrição da Sé. e a descrição daquelas Cidades. os Concílios a que foi. as fábricas que fez. e sepulturas dos Reis. Neste mesmo segundo Título se há de escrever tudo o que houver digno de memória no tempo das Sés vacantes. com que tudo isto deve ser tratado. que há em toda a Diocese. ou porque não quiseram aceitar aquela dignidade. No sétimo Título se escreverá da mesma sorte dos mosteiros das Religiosas. No duodécimo Título deve fazer Memórias distintas dos Varões ilustres em virtude. e outras particularidades. descrevendo os mais principais. e princípios. que só foram nomeados. que se procuram para esta História. declarando a quem estão sujeitos. mostrando-se com isso mais dignos dela. e não chegaram a governar. No nono Título deve cotar as Procissões. ou em letras. e do seu Cabido. Se na Diocese houver algumas Colegiadas. No oitavo Titulo deve tratar das Universidades. em que houve Catedrais. ou Villas. ainda que fossem somente Titulares. e também as vidas dos Bispos. E neste escreverá as vidas dos Bispos. A exação. da Misericórdia. ou Príncipes. as funções em que se achou ou só. casamentos. que tiveram muitas Dioceses. No décimo Título deve fazer memória particular dos casos milagrosos acontecidos na Diocese.

mas o traje. e descobrimentos. e quaisquer outros que celebraram. e as mais circunstâncias particulares. a relação das suas Embaixadas. Os Livros seguintes compreenderam as Matérias Políticas. e notícia das Famílias com que se aliarão. A outra parte da Política se comporá dos negócios Estrangeiros com as instruções dos Embaixadores. com os Tratados de Passes. estatutos e memórias da Academia Real da História Portuguesa bastantemente na individuação. o Cerimonial. e dos Varões insignes em Armas. se descreverá para seu caráter. as festas de que se não tratou antes. Justiça. e netos legítimos. com os nomes que se acham nas escrituras antigas. em que também se achavam os Príncipes. que não tem lugar entre os Políticos. Questões. e Oficiais da Casa dos Reis. e particulares do progresso daquele Reinado. com a qual na Memória impressa se procuram notícias para esta História. Havendo de ter as Memórias da História Secular a divisão de Livros. que se acham nos Autores. a morte. se mandam tirar cópias dos retratos. e Infantes. que fez enquanto Príncipe. Escrever-se-á a vida do Rei. Presidentes de Tribunais. as jornadas. e do estado. e Infantes. Observações particulares para a História Secular. e em outros capítulos. §. e mais Tribunais com a sua origem.Coleção dos documentos. de que se deve dar notícia com breve digressão. porque as ações. e Capítulos. as Leis. principiando pelas Cortes. a sepultura. e dos mais ministros que os Reis mandarão a outros Príncipes. e dos seus interesses. em que as memórias principiam. com os Catálogos dos Governadores. e tudo mais que toca ao governo Civil. que forem necessários. e as obras públicas. os casamentos. e com toda a individuação as vidas das Rainhas. e coroação. Política. principalmente nos de Espanha. e primeiro 234 história da historiografia • ouro preto • número 03 • setembro • 2009 • 216-235 . e o mais que pertence ao Despacho. Fazenda. e tudo o demais de fora do Reino. de que se escrever. III. exceto as Conquistas. e antes de Rei. que principiavam. e ilegítimos. Referir-se-ão logo os sucessos raros. e logo se fará a mesma memória dos que receberam na sua Corte. de que se trata. A aclamação. confirmando as doações. das quais se porão também as estampas. no tempo antecedente ao ano. que fica dito. se conheça não só o que toca à pessoa. e debuxos das estátuas mais antigas. Nos últimos Livros se descreverão as guerras. e resolveu. Tréguas. em que se achava o Reino no princípio do tempo. que existem notícias. o primeiro Livro ha de incluir nos Capítulos. com a notícia que parecer necessária das Famílias ilustres. forma e Regimentos. que se não podem reduzir a outras classes: e para que em tudo fique mais conhecido. ou aliança. em primeiro lugar a História do estado. e das suas negociações. declarando as pessoas que nelas se acharam. e Letras. com os Príncipes estrangeiros. os nascimentos dos filhos. o testamento do Rei. com quem Portugal tinha guerra. pertencem a quem escreve do seu antecessor. As mercês que fez. e Militares. e o que nelas se tratou. com toda a individuação. de que usavam os nossos Reis e Príncipes. com brevidade.

e mais ocasiões que ocorrerem. O Marquez de Fronteira. D. para que a distribua como lhe parecer. e imprimissem. e descrição das costas. assim das expedições terrestres. referindo-se as causas da guerra. e na sua aprovação o Selo. e depois as Campanhas. e naufrágios dos Portugueses. Batalhas. com as Leis. ************************************ 235 As Memórias que se acabarem primeiro. A História da Ásia será a última parte das Memórias. no princípio a sua empresa. guerras que fizeram. O Marquez de Alegrete. tanto que se entregarem na Academia. e Governadores. as prevenções para ela. e Províncias. porque não hão de esquecer as ações. e comércio dos Portugueses. e dando-se outro a cada Acadêmico da Corte. A América seguirá a mesma ordem. e suas Ilhas. e ações dos Governadores. e interior do País com as viagens. história da historiografia • ouro preto • número 03 • setembro • 2009 • 216-235 . que executaram fora da Pátria os homens ilustres nascidos em Portugal. De todas as Conquistas se descreverá também o estado. socorro que mandaram. que principiam do descobrimento da Índia. e os sucessos militares. e costumes dos seus povos. se dará ao seu Autor o resto da impressão. se imprimirão. e Militar dos Vice-Reis. e subscrevendo o Secretário esta Censura. que concorrerão generosamente com documentos dos seus Arquivos. Foram estas Leis estabelecidas pelo Diretor. O Conde de Ericeira. e primeiro se tratará de África. e oferecendo-se primeiro um exemplar a cada uma das pessoas Reais. os socorros dos Aliados.Academia Real da História Portuguesa as de Europa. e defenderam. Praças que se sitiaram. O P. como nas outras Conquistas da parte mais vizinha a Portugal até a mais remota. assinando o Diretor. e notícia dos animais. Lisboa Ocidental em 3 de Fevereiro de 1721. seguindo pela ordem Geográfica tudo o que toca aquele Domínio. reservando-se alguns volumes para os Acadêmicos novos. e minerais. e Censores. O Conde de Villarmayor. levando todas as obras aprovadas pela Academia. como marítimas. e à navegação. e Combates. em que estavam no tempo de que se escreve. e suas Ilhas adjacentes. plantas. começando nesta. e às pessoas. referindo o Civil. a quem El Rei nosso Senhor assinalou larga renda para este efeito. Manoel Caetano de Souza O Marquez de Abrantes. e Militar. não só no que toca ao Brasil. e a forma da milícia. e Censores. à custa da mesma Academia. Político. mas no que os Portugueses descobriram para outros Príncipes. que as mandaram observar na forma dos Estatutos que se registrassem. e Livrarias para esta obra. Político.