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A CONTRATAÇÃO DE PESSOAS FISÍCAS COMO PESSOAS JURÍDICAS EM FRAUDE AO DIREITO DO TRABALHO: O FENÔMENO DA PEJOTIZAÇÃO 1

Camilla Luz Carpes 2

Resumo: A proposta do presente trabalho é analisar, por intermédio de pesquisa

doutrinária, o fenômeno da pejotização no âmbito do Direito do Trabalho e como

seus efeitos jurídicos atuam neste ramo do Direito. Primeiramente, é apresentada a

evolução histórica do Direito do Trabalho tanto na Europa, quanto no Brasil, a fim de

evidenciar sua origem como ciência jurídica, bem como destacar sua importância

social. Após, é realizado o estudo do fenômeno da pejotização e demonstrado como

esta prática atua como fraude à relação de emprego, a partir da flagrante

precarização das relações de trabalho recorrentes na atualidade. Seguiu-se à

apreciação de julgados de Tribunais Regionais do Trabalho e do Superior Tribunal

do Trabalho para contemplar como os magistrados combatem à prática da fraude da

pejotização e quais mecanismos são usados nesta luta.

Palavras-chave: Direito do Trabalho. Fraude à relação de emprego. Pejotização.

Princípios basilares do Direito do Trabalho.

CONSIDERAÇÕES INICIAIS O presente artigo pretende fazer uma análise acerca da prática recorrente de

empregadores em contratar pessoas físicas como pessoas jurídicas com o intuito de

burlar a lei e não arcar com todo ônus inerente a uma relação de emprego.

Será analisado a evolução histórica do Direito do Trabalho, tendo em vista

que muito do que foi construído e conquistado através das lutas por direitos e

garantias aos trabalhadores, atualmente, é atacado por ações fraudulentas

cometidas no segmento trabalhista.

Uma destas práticas fraudulentas tenta encobrir uma real relação de emprego

por intermédio da constituição de uma pessoa jurídica, ela é chamada de o

fenômeno da pejotização.

Sabe-se que diversos empregadores exigem CNPJ (Cadastro Nacional de

Pessoa Jurídica) para uma contratação empregatícia usual. Esta modalidade de

1 Artigo extraído do Trabalho de Conclusão de Curso de Direito apresentado à Banca Examinadora da faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, composta pelos professores João Danil Gomes de Moraes, Mariângela

Guaspari e José Carlos Barata.

2 Acadêmica do Curso de Ciências Jurídicas e Sociais Faculdade de Direito PUCRS. Contato: millacarpes@gmail.com.

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contratação é uma construção para fraudar o contrato de trabalho indeterminado e,

assim, não incorrer em ônus trabalhista.

Destarte, devemos avaliar quais as consequências jurídicas e sociais desta

realização, respeitando os princípios justrabalhistas, entre eles, principalmente, o

princípio da primazia da realidade.

A EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO DIREITO DO TRABALHO O requisito fundamental para a existência do Direito do Trabalho é o trabalho

subordinado, o qual possibilita a relação empregatícia. Tal pressuposto é necessário

para haver uma diferenciação ao longo da história entre as diversas relações

existentes que envolviam a força produtiva humana. Visto que a relação de emprego

não apresenta características de trabalho livre, tampouco de trabalho com sujeição

pessoal, assim como a servidão e a escravatura. 3

Portanto, foi no período da Revolução Industrial na Inglaterra, no século XVIII,

que o contexto social foi pressuposto fundamental para o nascimento do ramo

jurídico do Direito do Trabalho. Visto que os efeitos sociais por ela gerados serão

fonte material do Direito do Trabalho, com a finalidade específica de proteger os

trabalhadores das condições desumanas por eles vivenciadas. 4

No Brasil, não podemos falar em Direito do Trabalho antes da abolição da

escravatura. Se a existência do trabalho juridicamente livre é pressuposto para o

surgimento do trabalho subordinado, então, apenas a partir de 1888 é que se pode

iniciar a análise da consolidação deste ramo jurídico no Brasil. 5

A evolução histórica do Direito do Trabalho

foi assinalado pela desigualdade

econômica e social ocasionada pelo liberalismo 6 , no qual diversos fatores foram

necessários para a eclosão da mesma. Dentre estes fatores, podemos citar os três

O período

da

Revolução

Industrial

3 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. São Paulo: LTr, 2008, p. 84.

4 SOUSA, Otávio Augusto Reis de. História do Direito do Trabalho. Disponível em:

2011.

5 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. São Paulo: LTr, 2011, p. 105.

6 FILHO, Eduardo Soares do Couto; RENAULT, Luiz Otávio Linhares. A “pejotização” e a precarização das relações de trabalho no Brasil. Disponível em: <http://www.fmd.pucminas.br/Virtuajus/1_2009/Docentes/Pejotizacao%20Renaul.pdf>. Acesso em: 6 jun 2011.

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requisitos fundamentais: o excesso de capital advindo do mercantilismo; a farta mão- de-obra existente nas cidades; e as inovações tecnológicas. 7 O trabalho era reconhecido como livre, tanto que as corporações de ofício 8 foram abolidas em 1791, pela Lei Le Chapelier. As partes poderiam contratar da maneira que mais lhes favorecia, sendo qualquer interferência do Estado considerada violadora dos direitos dos cidadãos. 9 Destarte, temos a “primeira” Revolução Industrial, a qual podemos conceituar como um processo de mecanização em diversos setores produtivos da sociedade da época. 10 Através desta mecanização, houve a diminuição da necessidade de trabalhadores por parte das indústrias, pois a máquina superava o trabalho humano. Assim, a única lei que as contratações seguiam era a lei da oferta e da procura. Deste modo, o salário que já se encontrava baixo, decaiu de forma violenta. 11 Outro fenômeno observado era a existência de mulheres e crianças como força laboral. Eram chamados de “meias-forças” porque rendiam menos no trabalho e, portanto, entendiam os empregadores que o pagamento devido também deveria ser menor. 12 Devido a todo esse contexto social, a sociedade estava bipartindo-se em duas classes: a burguesia e o proletariado. De um lado os trabalhadores que trabalhavam de sol a sol, em condições nefastas, sem qualquer interrupção anual ou semanal, onde o acidente de trabalho era comum para todos e do outro lado, os empregadores que só visavam o lucro cada vez maior. 13

7 SOUSA, Otávio Augusto Reis de. História do Direito do Trabalho. Disponível em:

2011.

8 Corporações de ofício foram associações que surgiram na Idade Média, a partir do século XII, para regulamentar o processo produtivo artesanal nas cidades que contavam com mais de 10 mil habitantes. Nela se organizavam três níveis hierárquicos

precisos: os aprendizes, seguidos dos companheiros, todos submetidos ao mestre. As corporações foram extintas pela lei Le Chapelier, que, preconizando a liberdade de trabalho, entendia que elas eram atentórias aos direitos dos homens e dos cidadãos. 9 SOUSA, Otávio Augusto Reis de. História do Direito do Trabalho. Disponível em:

2011.

10 SOUSA, Otávio Augusto Reis de. História do Direito do Trabalho. Disponível em:

2011.

11 SOUSA, Otávio Augusto Reis de. História do Direito do Trabalho. Disponível em:

2011.

12 SOUSA, Otávio Augusto Reis de. História do Direito do Trabalho. Disponível em:

2011.

13 SOUSA, Otávio Augusto Reis de. História do Direito do Trabalho. Disponível em:

2011.

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Surgem assim as primeiras revoltas trabalhistas, onde a classe obreira dirigiu seu inconformismo às máquinas, pois estas representavam a razão da miséria que estavam sofrendo. 14 Buscou-se, então, a destruição destas máquinas, para que os trabalhadores pudessem retomar as condições de emprego anteriores ao maquinário e, consequentemente, alcançar a melhoria de suas condições social. Estas revoltas atingiram a captação do lucro e desestruturaram a produção, chamando, assim, a atenção do estado. 15 O Estado intervinha invocando o poder de polícia que reprimia as greves de maneira muito severa, as associações de qualquer tipo eram proibidas. Porém, os trabalhadores não vislumbravam modificações na situação penosa a qual estavam submetidos. Somente os empregadores atendiam algumas das reivindicações para que a paz voltasse a estabelecer-se nas relações empregatícias. 16 Uma nova postura do Estado só apareceria em momentos posteriores, apoiado na Doutrina Social da Igreja que adotava a política de Justiça Social, que teve papel determinante no surgimento do Direito do Trabalho. 17 Outros fatores históricos relevantes para o nascimento deste ramo jurídico foram o Manifesto Comunista (1848) que deu novo ânimo aos trabalhadores para lutarem por seus direitos e, a Primeira Guerra Mundial (1914 1918) que necessitava de esforço bélico e, consequentemente, de paz na produção. O Estado passa exercer um papel intervencionista sob o domínio econômico e admite a desigualdade entre as partes na relação de trabalho. A maneira de restabelecer a igualdade substancial entre empregado e empregador seria criando parâmetros para compensar a hipossuficiência do empregado frente à opulência do empregador. Quebra-se com o princípio da igualdade para dar lugar ao princípio da proteção, fazendo-se surgir uma nova disciplina jurídica, o Direito do Trabalho. O Tratado de Versalhes institui a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e

14 SOUSA, Otávio Augusto Reis de. História do Direito do Trabalho. Disponível em:

2011.

15 SOUSA, Otávio Augusto Reis de. História do Direito do Trabalho. Disponível em:

2011.

16 SOUSA, Otávio Augusto Reis de. História do Direito do Trabalho. Disponível em:

2011.

17 SOUSA, Otávio Augusto Reis de. História do Direito do Trabalho. Disponível em:

2011.

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observa-se a consistência e autonomia da legislação trabalhista no universo jurídico

do século XX. 18

Com a Constituição de Weimar (1919) e com a hegemonia do Estado do bem-

estar social (Welfare State), nota-se a oficialização do Direito do Trabalho, composto

por um corpo de “princípios peculiares e dotado de institutos próprios com diretrizes

gerais de valorização do trabalho e do ser que labora empregaticiamente para

outrem”. 19

Ressalta-se que alterações no processo tecnológico, voltado para a

robotização, microeletrônica e informática, e a crise do petróleo (1970) desocuparam

os postos de trabalho e romperam com a forma clássica do Direito do Trabalho. 20

O ramo justrabalhista estava sofrendo uma desregulamentação de suas

regras face à crescente flexibilização vislumbrada causada pela informalização do

mercado de trabalho. 21

A evolução histórica do Direito do Trabalho no Brasil O marco inicial da história do Direito do Trabalho brasileiro é a promulgação

da Lei Áurea, em 13 de maio de 1888. A lei não contém matéria trabalhista, porém, o

diploma estimulou a utilização da força de trabalho juridicamente livre. Assim,

conferiu importância social à relação de emprego como forma de contratação.

A partir da abolição da escravatura e proclamação da República, inicia-se a

primeira fase da evolução do Direito do Trabalho no Brasil, que se estenderia até

1930. Esta fase caracterizou-se pelo caráter liberal do Direito do Trabalho 22 , pelo

começo dos primeiros protestos para perquirir melhores condições aos

trabalhadores e pela organização de uma tímida regulamentação acerca dos direitos

dos mesmos. 23

Os primeiros movimentos operários, em forma de greves e movimentação

política 24 , ocorreram em São Paulo e no Rio de Janeiro. Ainda não existia

organização nas manifestações, o setor não tinha poder capaz de obter resultados

18 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. São Paulo: LTr, 2011, p. 106.

19 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. São Paulo: LTr, 2011, p. 98.

20 SOUSA, Otávio Augusto Reis de. História do Direito do Trabalho. Disponível em:

2011.

21 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. São Paulo: LTr, 2011, p. 100.

22 FERRARI, Irany; NASCIMENTO, Amauri Mascaro; FILHO, Ives Gandra da Silva Martins Filho. História do trabalho, do direito do trabalho e da justiça do trabalho. São Paulo: LTr, 1998, p. 148.

23 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. São Paulo: LTr, 2011, p. 106.

24 FERRARI, Irany; NASCIMENTO, Amauri Mascaro; FILHO, Ives Gandra da Silva Martins Filho. História do trabalho, do direito do trabalho e da justiça do trabalho. São Paulo: LTr, 1998, p. 149.

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significativos em suas lutas, e o Brasil adotava uma política liberal e descentralizada,

mantendo-se alheio a qualquer reinvindicação. Essas duas características do

momento restringiam a possibilidade de uma legislação trabalhista federal. 25

Em meio à legislação esparsa justrabalhista, alguns diplomas destacavam-se.

O Decreto Legislativo n.º 1.637, de 1907, que facultava a criação de sindicatos

profissionais e sociedades cooperativas foi um deles. Porém, o feito mais importante

à legislação trabalhista foi a Constituição Republicana, de 1891, que em seu artigo

71, inciso XXIV, determinou que a liberdade ao direito de exercício de qualquer

profissão moral, intelectual e industrial. 26

Institucionalização do Direito do Trabalho Em um cenário onde a maior atividade econômica brasileira era voltada ao

setor cafeeiro e, em que o Estado detinha um novo papel intervencionista por causa

do novo padrão de gestão sociopolítica, houve a estruturação jurídica do modelo

trabalhista que perduraria até, pelo menos, ao momento da promulgação da Carta

Constitucional de 1988. 27

A Revolução de 1930, aliada à política trabalhista de Getúlio Vargas, obteve

maior aceitação a respeito da mudança do papel do Estado, que agora

desempenhava uma política intervencionista nas relações de trabalho. A

nacionalização do trabalho foi valorizada e, assim, medidas de proteção ao

trabalhador foram instituídas. 28 Havia intensa repressão sobre qualquer movimento

do setor operário, o qual era controlado pela minuciosa legislação trabalhista que

estava sendo inaugurada. 29

Criou-se o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio; oficializou-se a

estrutura do sindicato único submetido pelo reconhecimento do Estado; designou-se

a Justiça do Trabalho, regulamentada pelo Decreto-lei n.º 1.237, de 01.05.1939; e

houve a estruturação do sistema previdenciário. 30

As leis trabalhistas desenvolveram-se de forma desorganizada, onde cada

profissão possuía uma legislação própria. Este modo de organização era falho, pois

25 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. São Paulo: LTr, 2011, p. 107.

26 FERRARI, Irany; NASCIMENTO, Amauri Mascaro; FILHO, Ives Gandra da Silva Martins Filho. História do trabalho, do direito do trabalho e da justiça do trabalho. São Paulo: LTr, 1998, p. 54.

27 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. São Paulo: LTr, 2011, p. 109.

28 28 FERRARI, Irany; NASCIMENTO, Amauri Mascaro; FILHO, Ives Gandra da Silva Martins Filho. História do trabalho, do direito do trabalho e da justiça do trabalho. São Paulo: LTr, 1998, p. 156-157.

29 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. São Paulo: LTr, 2011, p. 109.

30 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. São Paulo: LTr, 2011, p. 110.

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algumas profissões ficavam de fora da proteção legal pela falta de um sistema organizado. 31 Destarte, o modelo justrabalhista composto até então foi reunido em um só diploma legal: a Consolidação das Leis Trabalhistas, no Decreto-lei n.º 5.452, de 01.05.1943. Por mais que a CLT fosse denominada de consolidação, ela também introduziu alterações na legislação trabalhista existente, aproximando-se de um verdadeiro Código. 32

Crise e transição do Direito do Trabalho

A Assembléia Nacional Constituinte questionou o modelo justrabalhista

tradicional brasileiro e, aprovou a nova Constituição Federal, em 05 de outubro de 1988, a qual modificou determinados aspectos do sistema jurídico de relações de trabalho. 33 Os avanços democráticos estabelecidos pela Constituição de 1988 dizem respeito, principalmente, ao afastamento da intervenção jurídica do Estado sobre as entidades sindicais. 34 Prosperaram as ideias de dar mais espaço à autonomia privada coletiva, para que as organizações sindicais pudessem atuar mais no cenário trabalhista brasileiro. 35 Ao mesmo tempo, a referida Carta preservou institutos e mecanismos autoritários oriundos da antiga estrutura sindical corporativista, que demonstrava severas contradições nesta fase do Direito do Trabalho no Brasil. 36 A contribuição sindical obrigatória (art. 8º, IV, CF/88), a unicidade e o sistema de enquadramento sindical (art. 8º, II, CF/88) foram alguns dos institutos que se fortaleceram com a Constituição de 1988.

A flexibilização das relações de trabalho no Brasil

A informatização de diversas atividades, o crescente desemprego, a

internacionalização da economia e a grande competitividade entre a empresas

31 FERRARI, Irany; NASCIMENTO, Amauri Mascaro; FILHO, Ives Gandra da Silva Martins Filho. História do trabalho, do direito do trabalho e da justiça do trabalho. São Paulo: LTr, 1998, p. 157.

32 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. São Paulo: LTr, 2011, p. 111.

33 FERRARI, Irany; NASCIMENTO, Amauri Mascaro; FILHO, Ives Gandra da Silva Martins Filho. História do trabalho, do direito do trabalho e da justiça do trabalho. São Paulo: LTr, 1998, p. 162.

34 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. São Paulo: LTr, 2011, p. 113.

35 FERRARI, Irany; NASCIMENTO, Amauri Mascaro; FILHO, Ives Gandra da Silva Martins Filho. História do trabalho, do direito do trabalho e da justiça do trabalho. São Paulo: LTr, 1998, p. 162.

36 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. São Paulo: LTr, 2011, p. 113.

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abriram as portas para a redução da rigidez das normas trabalhistas no Brasil, logo,

para a flexibilização do mercado de trabalho. 37

Neste sentido, destaca Mauricio Godinho Delgado:

De fato, logo após o surgimento da Carta Magna de 1988, fortaleceu- se no país, no âmbito oficial e nos meios privados de formação de opinião pública, um pensamento estratégico direcionado à total desarticulação das normais estatais trabalhistas, com a direta e indireta redução dos direitos e garantias laborais. 38

Este comportamento é documentado até os dias de hoje, onde empregadores

estabelecem difíceis condições aos empregados sob o argumento de que a força de

laboral formal brasileira é muito onerosa e prejudica as empresas brasileiras na

busca pela sua inserção na competição em mercados internacionais. 39

Destarte, aos trabalhadores não resta escolha senão se submeterem às

situações estabelecidas pelos empregadores. Assim, nota-se a precarização das

relações empregatícias. 40

Uma das formas de precarizar a relação de emprego, é a prática recorrente

da pejotização, onde o empregador utiliza-se de uma pessoa jurídica instituída pelo

empregado para, com ela, pactuar contrato de prestação de serviços, subvertendo a

relação de emprego.

Abordaremos, a seguir, o instituto da pejotização. Procuramos evidenciar que

tal fenômeno acarreta em fraude na seara trabalhista, prejudicando os trabalhadores

e retirando-lhes seus direitos e garantias inerentes à relação de emprego.

PEJOTIZAÇÃO As empresas socorrem-se de diversos meios para potencializar seus lucros e,

assim, conseguir maior competitividade no mercado. Assim, surge a pejotização

como nova maneira de contratar libertando-se de encargos trabalhistas e fiscais que

advêm de uma relação de emprego. Trata-se, no entanto, de forma de contratação

arriscada para a empresa, pois há grande chance de estabelecer-se um grandioso

37 FERRARI, Irany; NASCIMENTO, Amauri Mascaro; FILHO, Ives Gandra da Silva Martins Filho. História do trabalho, do direito do trabalho e da justiça do trabalho. São Paulo: LTr, 1998, p. 163.

38 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. São Paulo: LTr, 2011, p. 114.

39 FILHO, Eduardo Soares do Couto; RENAULT, Luiz Otávio Linhares. A “pejotização” e a precarização das relações de trabalho no Brasil. Minas Gerais: Pontifícia Universidade Católica, 2009. Disponível em:

40 FILHO, Eduardo Soares do Couto; RENAULT, Luiz Otávio Linhares. A “pejotização” e a precarização das relações de trabalho no Brasil. Minas Gerais: Pontifícia Universidade Católica, 2009. Disponível em:

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passivo trabalhista com reais possibilidades de sucesso, 41 pois a responsabilidade

de observar a lei no momento de captação de mão-de-obra é do empregador. 42

Existe um atrativo para o trabalhador que é contratado por meio da

constituição da pessoa jurídica. Ele não pagará imposto de renda como pessoa

física, mas como pessoa jurídica que abre diversas possibilidades de descontos de

despesas. Portanto, mesmo que o trabalhador queira aventurar-se com esta

modalidade de contratação não é possível, já que o interesse do empregado não

pode ser invocado como excludente da relação de emprego. 43

A pejotização é uma forma deturpada de terceirização. Enquanto na

terceirização líciita são admitidas somente quatro situações-tipo pela Súmula 331,

do TST 44 , todas executadas sem subordinação direta e pessoalidade, na pejotização

a finalidade é ocultar a relação empregatícia, desprezando o tipo de serviço

terceirizado. 45

A utilização do neologismo pejotização decorrente de sua prática reincidente Sob o manto da modernização das relações de trabalho é que se insere uma

das novas modalidades de flexibilização destas. A contratação de pessoas físicas

através da constituição de pessoas jurídicas para encobrir a relação de emprego

existente vem sendo percebida desde a década de 1980 no Brasil. 46 . O uso desta

técnica resulta na descaracterização do vínculo de emprego, onde a constituição de

uma pessoa jurídica (PJ) é usada para substituir o contrato de emprego. 47

41 FILHO, Geraldo Rodrigues. “Pejotização”: uma escolha arriscada. Disponível em:

42 TURCATO, Sandra; RODRIGUES, Rosualdo. Pj é artifício para sonegação de direitos. Revista Anamatra, Brasília, n.º 55, p. 11-15, 2º semestre de 2008. Disponível em: <http://ww1.anamatra.org.br/sites/1200/1223/00000743.pdf>. Acesso em: 20 ago

2011.

43 TURCATO, Sandra; RODRIGUES, Rosualdo. Pj é artifício para sonegação de direitos. Revista Anamatra, Brasília, n.º 55, p.

11-15, 2º semestre de 2008. Disponível em: <http://ww1.anamatra.org.br/sites/1200/1223/00000743.pdf>. Acesso em: 20 ago

2011.

44 Súmula 331, TST Contrato de prestação de serviços. Legalidade. I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formando-se o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974). II ( ); III - Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 20.06.1983) e de conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados ligados à atividade-meio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta. (

45 FILHO, Geraldo Rodrigues. “Pejotização”: uma escolha arriscada. Disponível em:

SCHNEIDER, Jéssica Marcela. O princípio da primazia da realidade e sua aplicação enquanto instrumento de combate à fraude à relação de emprego. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2010. Disponível em:

CARVALHO, Maria Amélia de. Pejotização e descaracterização do contrato de emprego: o caso dos médicos em Salvador Bahia. Salvador: Universidade Católica do Salvador, 2010. Disponível em:

47

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A denominada pejotização se mostra como modalidade de fraude à relação

de emprego que, infelizmente, vem sendo reiteradamente constatada na Justiça do

Trabalho.

Assim sendo, foram os chamados pejotas 48 que inspiraram os juristas

brasileiros a criar um termo para esta prática que se comprova habitual e em plena

ascensão no Brasil. A partir da subjetivação da sigla de pessoa jurídica criou-se o

termo pejotização. 49

Destarte, hodiernamente, tanto a doutrina quanto a jurisprudência têm usado

o neologismo pejotização para caracterizar as situações onde há esta maneira de

fraudar a legislação pátria.

A pejotização como modalidade de fraude à relação de emprego

A finalidade da pejotização é de que o empregador se abstenha de pagar as

corretas parcelas devidas aos empregados, cortando custos com verbas trabalhistas

nos mais variados setores da economia. 50

A revista da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho

(Revista Anamatra) traz, em sua edição do segundo semestre do ano de 2008,

matéria referente à pejotização: “PJ é artifício para sonegação de direitos”. Abaixo,

trecho da matéria sobre a prática:

Tem sido prática cada vez mais comum a de empresas que contratam funcionários na forma de pessoa jurídica (PJ). Ou seja, o empregado é levado a constituir empresa e passa a receber mensalmente como prestador de serviço. Há ainda casos em que o empregado compra uma nota fiscal de uma terceira empresa para apresentar ao empregador, mediante o recebimento do salário. Nesse tipo de relação, quem contrata paga menos impostos e se isenta de inúmeras responsabilidades. Quem é contratado abre mão de seus direitos trabalhistas como FGTS + 40%, férias, 13º salário, horas extras, verbas rescisórias e assume gastos para manter a pessoa jurídica, como emissão de nota fiscal e administração contábil. 51

Visto que a simulação relaciona-se com o fato de que trabalhadores passam a

prestar serviços para uma empresa como empregados, estes se passando por

48 Famosa abreviação destinada a caracterizar trabalhadores que constituem pessoas jurídicas para prestação de serviços. 49 SCHNEIDER, Jéssica Marcela. O princípio da primazia da realidade e sua aplicação enquanto instrumento de combate

à fraude à relação de emprego. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2010. Disponível em:

50 SCHNEIDER, Jéssica Marcela. O princípio da primazia da realidade e sua aplicação enquanto instrumento de combate

à fraude à relação de emprego. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2010. Disponível em:

TURCATO, Sandra; RODRIGUES, Rosualdo. Pj é artifício para sonegação de direitos. Revista Anamatra, Brasília, n.º 55, p. 11-15, 2º semestre de 2008. Disponível em: <http://ww1.anamatra.org.br/sites/1200/1223/00000743.pdf>. Acesso em: 20 ago

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empresários, os encargos previdenciários decorrentes desta relação de emprego estariam sendo eliminados pela pretensa contratação de serviços de pessoas jurídicas. 52

A sonegação fiscal, decorrente da prática da pejotização, atinge a todos os

beneficiários da Previdência Social, pois o recolhimento advindo de trabalhadores que atuam sob a forma de pessoas jurídicas é menor do que do que os trabalhadores que operam através do regime celetista. 53

O disposto nos arts. 2º e 3º da CLT estabelece como requisitos mínimos para

a existência de uma relação de emprego cinco características básicas, sendo elas: a prestação realizada por pessoa física; a pessoalidade; a não-eventualidade, a onerosidade; e a subordinação. In verbis:

Art. 2º - Considera-se empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço.

§ 1º - (

§ 2º - (

).

Art. 3º - Considera-se empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. Parágrafo único (

54

Todavia, com o advento da Lei nº 11.196/2005, esta prática foi viabilizada em seu artigo 129 para prestação de serviços intelectuais, como segue abaixo:

Art. 129. Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tão- somente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei n o 10.406, de 10 de janeiro de 2002 - Código Civil.

55

Os juristas Couto Filho e Renault trazem, em seu artigo A “pejotização” e a precarização das relações de trabalho no Brasil, duas correntes acerca da

52 COSTA, Marcos Antônio da. A simulação no direito tributário. Belo Horizonte: Pontifícia Universidade Católica de Minas

Gerais, 2009. Disponível em: < http://www.biblioteca.pucminas.br/teses/Direito_CostaMA_1.pdf>. Acesso em: 20 jun 2011.

53 TURCATO, Sandra; RODRIGUES, Rosualdo. Pj é artifício para sonegação de direitos. Revista Anamatra, Brasília, n.º 55, p. 11-15, 2º semestre de 2008. Disponível em: <http://ww1.anamatra.org.br/sites/1200/1223/00000743.pdf>. Acesso em: 20 ago

2011.

54 BRASIL. Consolidação de leis trabalhistas: decreto-lei nº 5.452, de 1º de maio de1943. Disponível em:

55 BRASIL. Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-

2006/2005/lei/l11196.htm>. Acesso em: 1 set 2011.

12

legalidade e viabilidade do fenômeno da pejotização que surgiram perante esta

conjuntura. A primeira delas ampara-se na ideia da existência da legislação

trabalhista frente à hipossuficiência do trabalhador devido à discrepância entre o

poderio do empregado ao do empregador. 56

Além disso, segundo este entendimento, o art. 3º da CLT alega a inexistência

de distinção entre qualquer tipo de trabalho, impossibilitando esta ocorrência. In

verbis:

Art. 3º - ( Parágrafo único - Não haverá distinções relativas à espécie de emprego e à condição de trabalhador, nem entre o trabalho intelectual, técnico e manual. 57

Por outro lado, a corrente oposta defende que os incentivos fiscais e

previdenciários ofertados aos trabalhadores que escolhessem esta lei de regência

para seu trabalho seriam beneficiados a ponto de compensar os benefícios

trabalhistas, os quais estariam renunciando no momento em que decidissem

trabalhar por meio da pessoa jurídica. 58

A dúvida enfrentada remonta sobre a questão de que se o cidadão poderia

dispor de seus direitos trabalhistas. Porém, esta proteção lhe é inerente, pois têm

embasamento constitucional 59 e faz parte dos direitos que devem seguir os preceitos

da indisponibilidade absoluta. 60

A realidade dos trabalhadores brasileiros

O contrato de trabalho, hoje, apresenta-se como um verdadeiro contrato de

adesão, no qual os trabalhadores devem aceitar os termos ali impostos mesmo que

implique em perdas de garantias a ele devidas, pois o trabalho é fundamental para a

subsistência do cidadão. 61 Por conseguinte, os trabalhadores submetem-se a

condições precárias estabelecidas pelos empregadores/contratantes.

56 FILHO, Eduardo Soares do Couto; RENAULT, Luiz Otávio Linhares. A “pejotização” e a precarização das relações de trabalho no Brasil. Minas Gerais: Pontifícia Universidade Católica, 2009. Disponível em:

57 BRASIL. Consolidação de leis trabalhistas: decreto-lei nº 5.452, de 1º de maio de1943. Disponível em:

58 FILHO, Eduardo Soares do Couto; RENAULT, Luiz Otávio Linhares. A “pejotização” e a precarização das relações de trabalho no Brasil. Minas Gerais: Pontifícia Universidade Católica, 2009. Disponível em:

59

Vide artigo 7ºda Costituição Federal.

60 FILHO, Eduardo Soares do Couto; RENAULT, Luiz Otávio Linhares. A “pejotização” e a precarização das relações de trabalho no Brasil. Minas Gerais: Pontifícia Universidade Católica, 2009. Disponível em:

61

SILVA, Luiz de Pinho Pedreira da. Principiologia do Direito do Trabalho. 2ª ed. São Paulo: LTr, 1999, p. 22.

13

Obviamente que no cenário mundial, onde muitos passam por extremas dificuldades para adquirirem mínimas condições de dignidade, o empregado aceita a precarização de suas condições de trabalho para manter-se no mesmo. E, ao contrário do que o art. 129 da Lei nº 11.196/2005 sustenta, se constata que há apenas a inaplicabilidade de diversos direitos e proteções trabalhistas, sendo repassados os mesmos valores pelos serviços prestados às pessoas que os realizam. Ou seja, os encargos trabalhistas diminuem, porém, o aumento no valor do trabalho não existe assim como o artigo supracitado defende. 62 Nota-se que os trabalhadores que são contratados como pessoas jurídicas estão despidos de seus direitos mais fundamentais. Estes trabalhadores não estão protegidos pelas normas que regulamentam a jornada de trabalho, as férias, o salário mínimo, a segurança do trabalho etc. Por muitas vezes é oferecido um contador pelo próprio ente empregador, que disponibiliza do profissional no local de trabalho para que seus empregados tenham mais facilidades no momento da constituição da pessoa jurídica e, também, para tornar o processo mais ágil. No entanto, a prática referente à pejotização (contrato de prestação de serviço através de uma pessoa jurídica para disfarçar uma relação de emprego) encontra uma barreira que não há como derrocar. Trata-se da irrenunciabilidade de direitos. As normas trabalhistas vigentes no Brasil concedem ao trabalhador direitos e garantias que não podem ser suprimidos ou reduzidos. Nem mesmo a força de um negócio jurídico pode abalar esta conquista histórica (como vimos no Capítulo 1, 1.2 Evolução histórica do Direito do Trabalho no Brasil). Sendo assim, não se permite que o empregado renuncie de seus direitos contratualmente. E se assim o fez, há presunção de coação por parte do empregador, o que invalida sua manifestação de vontade, a teor do contido no art. 171, inciso II, do Código Civil. 63 Resta flagrante a ilegalidade da pejotização e clara a sua finalidade em encobrir uma relação de emprego que apresenta todos os requisitos previstos em lei para, assim, burlar todo um sistema trabalhista legal. Situação esta, onde o

62 BELMONTE, Alexandre Agra. Pejotização, intermediação de venda de seguros, participação em blogs de consultas e opiniões e contratos de figuração avulsa algumas reflexões. In Suplemento Trabalhista nº 066/07. São Paulo: LTR, 2007. 63 SCHNEIDER, Jéssica Marcela. O princípio da primazia da realidade e sua aplicação enquanto instrumento de combate à fraude à relação de emprego. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2010. Disponível em:

14

empregado figura como um pólo desesperado por manter-se digno e, para isso, é

privado de direitos legalmente lhes conferidos.

Princípios do Direito Individual do Trabalho no combate à pejotização Diante da questão controversa deixada entre as normas empregadas quando

ocorrem casos de pejotização (Lei 11.196/2005 e CLT, arts. 2º e 3º), se faz preciso

recorrer aos princípios acerca do Direito Individual do Trabalho 64 , pois são normas

genéricas aplicáveis ao sistema jurídico. 65

Devemos ressaltar o princípio da dignidade da pessoa humana 66 , por mais

que ele seja um princípio geral de todo o Direito é, igualmente, aplicado ao ramo

jurídico especializado do Direito do Trabalho. Assim, a intenção é manter os

trabalhadores em situações dignas de vida, através da proteção das normas e dos

princípios do ramo trabalhista. 67

O princípio da proteção e o princípio da norma mais favorável podem ser

aplicados ao caso concreto para combater a fraude que ocorre em casos de

pejotização, pois os dois visam à situação mais benéfica ao empregado.

Outros princípios justrabalhistas, como a imperatividade das normas

trabalhistas e a indisponibilidades dos direitos trabalhistas, devem ser empregados,

pois prevêem a irrenunciabilidade das proteções e garantias trabalhistas. 68

Já o princípio da primazia da realidade será tratado a seguir por ser um dos

mais importantes instrumentos utilizado pelo intérprete do direito do trabalho na

batalha contra a fraude à relação de emprego e, em especial, à pejotização.

Afronta ao princípio da primazia da realidade O princípio basilar da seara trabalhista denominado de o princípio da primazia

da realidade congrega a ideia da busca pela realidade fática da relação de emprego,

onde os fatos sobrepõem-se aos atos legais. Quem estiver averiguando o caso

64 Direito Individual do Trabalho, pois este é estabelecido a partir da diferenciação social, econômica e política básica entre os sujeitos da relação jurídica central desse ramo jurídico especifíco.

65 FILHO, Eduardo Soares do Couto; RENAULT, Luiz Otávio Linhares. A “pejotização” e a precarização das relações de trabalho no Brasil. Minas Gerais: Pontifícia Universidade Católica, 2009. Disponível em:

<http://www.fmd.pucminas.br/Virtuajus/1_2009/Docentes/Pejotizacao%20Renaul.pd f>. Acesso em: 6 jun 2011. 66 CF/88 - Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:

( ) III - a dignidade da pessoa humana;

67 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. São Paulo, 10 edª.: LTr, 2011, p. 186-189.

68 FILHO, Eduardo Soares do Couto; RENAULT, Luiz Otávio Linhares. A “pejotização” e a precarização das relações de trabalho no Brasil. Minas Gerais: Pontifícia Universidade Católica, 2009. Disponível em:

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concreto deve atentar mais às vontades dos agentes e em como elas concretizam-

se do que às formalidades da relação analisada. 69

A definição de Américo Plá Rodriguez a respeito do princípio da primazia da

realidade é utilizada para descrever sua atribuição: “significa que em caso de

discordância entre o que ocorre na prática e o que surge de documentos e acordos

se deve dar preferência ao primeiro, isto é, ao que sucede no terreno dos fatos. 70

Como não existe dispositivo no ordenamento jurídico trabalhista brasileiro que trate especificamente sobre o fenômeno da pejotização, é necessário que o intérprete faça uso dos possíveis argumentos legais que possam ser aplicados à matéria no caso concreto. Portanto, sob a égide do princípio da primazia da realidade e o que ele fornece aos juristas, é possível distinguir os elementos caracterizadores da pejotização.

É imprescindível aliar o princípio da primazia da realidade com os dispositivos

3º, 9º e 442 da CLT. Visto que os elementos abarcados pelos artigos citados

complementam a concepção defendida pelo princípio que tutela as relações de emprego.

O art. 3º traz o conceito de empregado e os requisitos que devem ser

preenchidos para o mesmo: a prestação realizada por pessoa física; a pessoalidade;

a não-eventualidade; a onerosidade; e a subordinação. Quando analisamos a

relação específica e observamos que todos os requisitos estão preenchidos, concluímos que há uma relação de emprego de fato, pois o princípio da primazia da realidade nos direciona aos atos que foram concretizados e não ao que foi contratado.

Já o art. 9º sustenta que Serão nulos de pleno direito os atos praticados com

o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na

presente Consolidação. 71 ”. Logo, encontramos outro alicerce legal, que, combinado com o art. 3º, nos remete à ideia de que qualquer tentativa que sirva para dissimular

a alguns dos requisitos de uma relação de emprego é nula, embasada na disposição

69 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. São Paulo, 10 edª.: LTr, 2011, p. 202. 70 RODRIGUEZ, Américo Plá. Princípios de direito do trabalho. 3ª ed., São Paulo: LTr, 2000. 71 BRASIL. Consolidação de leis trabalhistas: decreto-lei nº 5.452, de 1º de maio de1943. Disponível em:

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de que é nulo de pleno direito os atos que fraudam a aplicação das normas

trabalhistas. 72

Devemos apreciar, do mesmo modo, o art. 442, da CLT, à luz do princípio da

primazia da realidade. Este afirma que: “Contrato individual de trabalho é o acordo

tácito ou expresso, correspondente à relação de emprego 73 .”. Deste modo, o

reconhecimento da relação de emprego não encontra nenhum impedimento pelo

fato de as partes terem contratado de maneira diversa, já que pode ser atingida de

forma tácita. 74

Muito embora não haja legislação concernente, especificamente, à

pejotização, é possível alcançar a solução da controvérsia fazendo uma relação

entre as regras existentes e o princípio em questão, aplicando-os conjuntamente.

Ressalta-se que o julgador não precisa utilizar dos dispositivos legais

combinados para aplicar ao caso concreto quando ocorre a fraude da pejotização. O

magistrado pode empregar diretamente o princípio da primazia da realidade para

suprir lacunas legais, como aduz o art. 8º, da CLT:

Art. 8º - As autoridades administrativas e a Justiça do Trabalho, na falta de disposições legais ou contratuais, decidirão, conforme o caso, pela jurisprudência, por analogia, por eqüidade e outros princípios e normas gerais de direito, principalmente do direito do trabalho, e, ainda, de acordo com os usos e costumes, o direito comparado, mas sempre de maneira que nenhum interesse de classe ou particular prevaleça sobre o interesse público. Parágrafo único (

75

Efeitos da condenação por fraude relativa à pejotização Claramente, pode-se concluir que a pejotização trata-se de manobra furtiva

utilizada pelo empregador em face de legislação trabalhista com intuito de não

cumpri-la. Qualquer dos meios supracitados, tanto por meio de artigos legais, quanto

com embasamento principiológico, pode a autoridade julgadora subjugar a exercício

desta forma de precarização das relações trabalhistas.

Quando se verifica a realização do fenômeno da pejotização, deve o

magistrado declarar nulo o contrato de prestação de serviços formalizado entre as

72 SCHNEIDER, Jéssica Marcela. O princípio da primazia da realidade e sua aplicação enquanto instrumento de combate

à fraude à relação de emprego. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2010. Disponível em:

73 BRASIL. Consolidação de leis trabalhistas: decreto-lei nº 5.452, de 1º de maio de1943. Disponível em:

74 SCHNEIDER, Jéssica Marcela. O princípio da primazia da realidade e sua aplicação enquanto instrumento de combate

à fraude à relação de emprego. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2010. Disponível em:

75 BRASIL. Consolidação de leis trabalhistas: decreto-lei nº 5.452, de 1º de maio de1943. Disponível em:

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partes, inclusive declarando nula a constituição da pessoa jurídica por parte do

contratado, pois este sempre foi empregado na relação. Em um segundo momento,

deve declarar o reconhecimento do vínculo empregatício entre as partes, efetuar as

anotações na Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) do empregado e o

pagamento de todo o ônus trabalhista sucedido da relação de emprego. 76

Deve-se enfatizar que o termo inicial do vínculo empregatício encontra-se no

mesmo momento onde a pessoa jurídica fora constituída e obteve-se a observância

do preceitos legais a respeito das características de uma relação de emprego, pois a

relação de emprego não passa a existir no momento da condenação, mas sempre

esteve presente. 77

ANÁLISE JURISPRUDENCIAL

apreciados para exame dos métodos

argumentativos utilizados no combate à prática da pejotização pelos magistrados em

diferentes Tribunais Regionais do Trabalho e no Tribunal Superior do Trabalho,

observamos a prevalência da utilização de princípios basilares ao Direito do

Trabalho brasileiro no combate à prática da fraude à relação de emprego, conhecida

como o fenômeno da pejotização.

Inicialmente, decorra-se ao exame de seguinte fragmento do acórdão

proferido pela Quinta Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região nos

autos do processo n.º 01706-2010-112-03-00-0, o qual tem como relator o

Desembargador Paulo Roberto Sifuendes Costa. Deve-se salientar que, em 1ª

instancia, a juíza Jaqueline Monteiro de Lima, da 33ª Vara do Trabalho de Belo

Horizonte, reconheceu o vínculo de emprego entre as partes.

Ao

decompor

os

acórdãos

O acórdão foi publicado no DEJT em 27 de junho de 2011, abaixo:

A Recorrente insurge-se contra o reconhecimento da relação de emprego entre as partes, argumentando que não estão presentes os pressupostos previstos no art. 3º da CLT para a sua caracterização, já que, na verdade, o Reclamante sempre prestou serviços na condição de empresário autônomo, tendo celebrado com ela contrato de prestação de serviços através de empresa por ele constituída. ( )

76 SCHNEIDER, Jéssica Marcela. O princípio da primazia da realidade e sua aplicação enquanto instrumento de combate

à fraude à relação de emprego. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2010. Disponível em:

77 SCHNEIDER, Jéssica Marcela. O princípio da primazia da realidade e sua aplicação enquanto instrumento de combate

à fraude à relação de emprego. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2010. Disponível em:

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O contrato de prestação de serviços firmado com a empresa constituída pelo Reclamante não obsta o reconhecimento da relação de emprego, uma vez que o contexto probatório dos autos revelou que houve fraude à legislação trabalhista. Na verdade, o obreiro foi obrigado a constituir uma empresa para ser contratado pela Reclamada, conforme admitido em depoimento por seu preposto, a saber “que havia necessidade de constituição de uma empresa necessariamente para prestação de serviços para a reclamada” (f. 429), e lhe prestava serviços relacionados à sua atividade-fim de forma subordinada, com pessoalidade e rotineiramente, conforme informado pela testemunha Gervásio Rodrigues Filho Silva (f. 429/430). (TRT da 3ª Região 5ª Turma. Processo n.º 01706-2010-112-03-00- 0, Relator Paulo Roberto Sifuendes Costa, publicado no DEJT em 27.06.2011.). grifo nosso 78

No trecho acima transcrito, resta claro que o trabalhador laborava em regime celetista de relação de emprego, pois possuía os requisitos presentes no art. 3º da CLT. O contratado tinha que desempenhar sua função de acordo com os ditames da empresa contratante, somente ele poderia realizar o trabalho de “segunda a sábado das 7h às 21 horas, com 30 minutos de intervalo79 . Outro elemento que deve ser destacado recai sobre o fato de que para trabalhar na empresa, o empregado foi obrigado a constituir pessoa jurídica sob pena de encarar o desemprego. Após a constituição da empresa por parte do empregado, um contrato de prestação de serviço foi firmado entre as partes, empresa contratante e empresa contratada, amparado pela lei civil 80 . Porém, o contrato estabelecido pela reclamante e pela reclamada é nulo desde o seu surgimento com base no art. 9º da CLT. Tanto a existência do vínculo empregatício a partir da presença dos requisitos caracterizadores de uma relação de emprego, quanto a nulidade do contrato de prestação de serviço formulado pelas partes, foram embasados no princípio da primazia da realidade, pois o magistrado fundou sua tese no que ocorre no plano fático para amparar a busca à justiça no caso em tela. Abaixo, analisaremos outro trecho do mesmo acórdão a fim de demonstrar a utilização do princípio da irrenunciabilidade para arguir a respeito da existência da relação de emprego.

78 BRASIL. Tribunal Regional do Trabalho (3ª Região). Relator Paulo Roberto Sifuendes Costa. Processo n.º 01706-2010- 112-03-00-0. Disponível em:

cacao=27/06/2011&index=0>. Acesso em: 01 ago 2011. 79 BRASIL. Tribunal Regional do Trabalho (3ª Região). Relator Paulo Roberto Sifuendes Costa. Processo n.º 01706-2010- 112-03-00-0. Disponível em:

cacao=27/06/2011&index=0>. Acesso em: 01 ago 2011. 80 Art. 593. A prestação de serviço, que não estiver sujeita às leis trabalhistas ou a lei especial, reger-se-á pelas disposições deste Capítulo.

19

Na hipótese, está evidenciada a chamada "pejotização", fenômeno em que a criação de pessoas jurídicas é fomentada pelo tomador de serviços a fim de evitar os encargos trabalhistas. Contudo, vigora no Direito do Trabalho o princípio da irrenunciabilidade, mediante o qual não é permitido às partes, ainda que por vontade própria, renunciar os direitos trabalhistas inerentes à relação de emprego existente. (TRT da 3ª Região 5ª Turma. Processo n.º 01706-2010-112-03-00- 0, Relator Paulo Roberto Sifuendes Costa, publicado no DEJT em 27.06.2011.). grifo nosso 81

A relação de emprego sempre foi o instituto trabalhista que existiu devido o suporte fático que embasa a relação. O relator, além de afastar o contrato civil com a valoração da realidade, utilizou, igualmente, como argumento o princípio da irrenunciabilidade de direitos, já que nenhum cidadão pode liberar-se de garantias inerentes à relação de emprego, tais como o direito ao FGTS, direitos às férias etc. A juíza Maria Cristina Diniz Caixeta, que atua na 7ª Vara do Trabalho de Belo Horizonte, em entrevista apresentada pelo Portal Jurídico Prolegis sobre o caso, enfatiza acertadamente que:

Com efeito, o quadro fático comprova a existência de fraude à legislação trabalhista, na medida em que o reclamante foi inserido no processo produtivo da atividade econômica da reclamada, desempenhando atividades imprescindíveis à consecução do empreendimento empresarial, por meio de interposta empresa. A hipótese atrai a aplicação do artigo 9º da CLT, convergindo para o entendimento de que o vinculo se formou diretamente com a reclamada e nos moldes do artigo 3º da CLT. 82

Proceda-se ao exame do acórdão encontrado no processo n.º 00618-2010- 009-10-00-2, julgado pela Segunda Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região. O Desembargador Mário Macedo Fernandes Caron foi o relator do acórdão publicado no DEJT no dia 29 de abril do ano de 2011. Nestes termos:

Embora a reclamada tenha trazido vários documentos visando comprovar a regularidade do contrato de prestação de serviços celebrado, esses não logram prevalecer sobre a prova oral, na medida em que foi constatada realidade fática diversa daquela delineada nos documentos. Na Justiça do Trabalho aplica- se o princípio da primazia da realidade, cujo teor é no sentido de que subsistem os fatos sob a aparência formal estampada em documentos. A criação de "empresa de fachada", apenas para que fosse concretizada a contratação (fenômeno chamado pejotização) é

81 BRASIL. Tribunal Regional do Trabalho (3ª Região). Relator Paulo Roberto Sifuendes Costa. Processo n.º 01706-2010- 112-03-00-0. Disponível em:

cacao=27/06/2011&index=0>. Acesso em: 01 ago 2011. 82 Justiça do Trabalho reconhece pejotização para TRT-MG, pejotização caracteriza fraude aos direitos trabalhistas. PROLEGIS. Disponível em: <http://www.prolegis.com.br/index.php?cont=3&id=3583>. Acesso em: 23 jul 2011.

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muito comum no âmbito dos profissionais de TI - Tecnologia da Informação. Por certo que os empregados aderem a tal situação visando a salários melhores, mas a Justiça do Trabalho não pode chancelar o mascaramento da relação jurídica, ainda que, indiretamente, tenha acarretado algum benefício para as partes. (TRT da 10ª Região 2ª Turma. Processo n.º 00618-2010-009-10-00- 2, Relator Mário Macedo Fernandes Caron, publicado no DEJT em 29.04.2011.) grifo nosso 83

O acórdão fala de um empregado contratado para trabalhar em uma empresa

como analista de sistemas, porém deveria efetuar suas funções através de pessoa jurídica. Nos primeiros nove meses, laborou como sócio de uma cooperativa previamente existente para a empresa contratante, quando, então, “abriu sua empresa” e passou a laborar através de sua pessoa jurídica, mas a relação apresentava as condições capazes de atribuir à relação a veste do vínculo empregatício. Após seis anos, o trabalhador procurou o término do compromisso laboral com suas devidas parcelas trabalhistas. Neste momento, a empresa contratante negou a existência do ônus, pois fora pactuado contrato de prestação de serviço entre as partes. Assim, o contratado procurou o sistema judiciário para dirimir seu litígio.

O magistrado reconheceu a relação de emprego desde a constituição da pessoa jurídica por parte do trabalhador, visto que o suporte fático que se depreende dos elementos probatórios do caso concreto endossam a tese julgadora no sentido da existência do vínculo no mundo dos fatos. A reclamada arrazoou seu recurso expondo que “contrato celebrado com o reclamante, de prestação de serviço autônoma, foi regular e legal, até porque revelou a vontade das partes, sem qualquer fraude.84 . Contudo, tal argumento foi rebatido com a existência do princípio da primazia da realidade.

O princípio da primazia da realidade é um importante mecanismo do Direito

do Trabalho onde prevalecem os fatos mesmo que estes apontem no sentido de relação jurídica diversa da contratada. A realidade dos fatos tem prioridade sobre os

83 BRASIL. Tribunal Regional do Trabalho (10ª Região). Relator Mário Macedo Fernandes Caron. Processo n.º 00618-2010- 009-10-00-2. Disponível em: <http://www.trt10.jus.br/search?q=cache:www-

t_frontend&proxystylesheet=metas>. Acesso em: 05 ago 2011. 84 BRASIL. Tribunal Regional do Trabalho (10ª Região). Relator Mário Macedo Fernandes Caron. Processo n.º 00618-2010- 009-10-00-2. Disponível em: <http://www.trt10.jus.br/search?q=cache:www-

t_frontend&proxystylesheet=metas>. Acesso em: 05 ago 2011.

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aspectos formais ou mesmo sobre a intenção das partes contratantes. Apesar de que o ânimo de contratar e de que o conhecimento quanto à modalidade da contratação caminhem em um sentido, se o contrato for cumprido dentro dos parâmetros esperados imperam os efeitos da modalidade no qual se enquadra a forma de cumprimento do contrato. Da mesma forma, analisa-se o extrato obtido no acórdão oriundo dos autos do processo n.º 0010200-04.2008.5.05.0008, da Quarta Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região, publicado no DEJT em 05 de maio de 2011. O Desembargador Valtércio de Oliveira, relator do acórdão, argúi em seu voto que os requisitos da relação empregatícia estão presentes, no caso concreto, portanto, há vínculo empregatício, valendo-se, igualmente, do princípio da primazia da realidade. Nesses termos:

Nesse contexto, presentes os requisitos ensejadores da relação empregatícia (arts. 2º e 3º da CLT) e ante ao principio da primazia da realidade, temos que a pessoa jurídica constituída pelo autor para prestar serviços às reclamadas, foi uma mera simulação para mascarar a verdadeira relação jurídica travada entre as partes: a relação de emprego. Assim sendo, outra solução não há senão a de declarar, nos termos do art. 9º da CLT, a nulidade da avença cível originariamente travada entre as reclamadas e O reclamante, e, por conseqüência, reconhecer o vínculo de emprego e julgar procedente os pedidos correlatos como acertadamente fez o a quo. (TRT da 5ª Região 4ª Turma. Processo n.º 0010200- 04.2008.5.05.0008, Relator Valtércio de Oliveira, publicado no DEJT em 05.05.2011.). grifo nosso 85

O Desembargador defende em sua decisão que o disposto nos arts. 2º e 3º da CLT, os quais apresentam os requisitos caracterizadores do empregado, ou seja, da relação de emprego, conciliados com o que descreve o art. 9º do mesmo diploma legal, reconhecem a relação de emprego. Logo, decretou a nulidade da forma de contratação anterior para dar lugar à declaração do vínculo empregatício desde o início da relação laboral entre as partes. Devemos advertir a menção feita pelo julgador ao princípio da primazia da realidade. Observamos que o instituto citado não foi utilizado de maneira isolada, porém, é através dele que a argumentação discorre para a fundamentação da existência do vínculo empregatício.

85 BRASIL. Tribunal Regional do Trabalho (5ª Região). Relator Valtércio de Oliveira. Processo n.º 0010200- 04.2008.5.05.0008. Disponível em:

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Em trecho retirado de aresto prolatado nos autos do processo n.º 0000003- 15.2011.5.15.0005, proveniente da Quarta Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, o relator, Desembargador Luiz Roberto Nunes, exalta a importância da averiguação do caso concreto para a formação de um juízo sobre a existência da relação de emprego. In verbis:

Conforme o princípio da primazia da realidade, “a relação objetiva evidenciada pelos fatos define a verdadeira relação jurídica estipulada pelos contratantes, ainda que sob a capa simulada, não correspondente à realidade” (Arnaldo Süssekind, in “Instituições de Direito do Trabalho”, Editora LTr, 15ª edição, volume I, p. 136), sendo que “isso significa que em matéria de trabalho importa o que ocorre na prática, mais do que aquilo que as partes hajam pactuado de forma mais ou menos solene, ou expressa, ou aquilo que conste em documentos, formulários e instrumentos de controle”. Ou seja, “de acordo com a natureza de direito realidade do Direito do Trabalho ampliando a qualificação de contrato-realidade usada por De La

Cueva para o contrato de trabalho

frente aos dados da realidade” (Américo Plá Rodriguez, in “Princípios

de Direito do Trabalho”, Editora LTr, 4ª tiragem, pp. 226/227). Diante de tais elementos, impossível entender que houve uma representação comercial autônoma, a qual ocorre quando o representante vende quanto e para quem quiser, não dependendo da fixação de objetivos, nem tampouco de autorização para efetuar as vendas. (TRT da 15ª Região 4ª Turma. Processo n.º 0000003- 15.2011.5.15.0005, Relator Luiz Roberto Nunes, publicado no DEJT em 10.08.2011.) 86

os documentos não contam,

O julgador deparou-se, no caso em tela, com situação de representação comercial autônoma no âmbito formal. Todavia, o labor ocorre como relação de emprego. O magistrado recorre ao princípio da primazia da realidade, assegurando que a satisfação dos direitos trabalhistas pela parte empregada é referente à realidade e não à forma como a contratação fora pactuada. O Desembargador utiliza a teoria de De La Cueva 87 , citado por Américo Plá Rodriguez, para resguardar os direitos do trabalhador na flagrante fraude à relação de emprego. Ante ao exposto, verificamos o quão importante é a utilização do princípio da primazia da realidade como instrumento no combate à fraude à relação de emprego denominada de pejotização. É a maneira mais efetiva de lutar contra a prática que provoca a simulação da relação empregatícia como se fosse mera contratação de

86 BRASIL. Tribunal Regional do Trabalho (15ª Região). Relator Luiz Roberto Nunes. Processo n.º 0000003-

15.2011.5.15.0005. Disponível em: <http://consulta.trt15.jus.br/consulta/owa/wPesquisaJurisprudencia>. Acesso em: 16 ago

2011.

87 A relação de emprego caracteriza-se por ser modalidade de contrato-realidade e se configura independente da vontade das partes.

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prestação de serviço, pois somente com a exaltação da realidade que se alcança a justiça.

Por conseguinte, não é de estranhar-se que na maioria dos acórdãos a respeito da pejotização verificamos o emprego do princípio da primazia da realidade como principal arma contra a fraude à relação de emprego. Por fim, analisaremos o acórdão proveniente do AIRR n.º 1313/2001-051-01- 0, julgado pela 6ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho, publicado no DEJT no dia 31 de outubro de 2008. O Ministro Relator do acórdão é Horácio Senna Pires. Este julgado teve elevada propagação através de meios de comunicação, pois versa sobre a situação de uma jornalista contratada como pessoa jurídica para prestar serviços para uma rede de emissora de televisão, nacional e internacionalmente conhecida. A trabalhadora atuou durante 12 anos (do ano de 1989 até ao ano de 2001) a serviço do ente contratante como repórter e apresentadora de diversos telejornais e programas de notória importância da rede e nunca teve sua CTPS assinada, pois operava como autônoma e pactuava sucessivos contratos de prestação de serviço com a contratante.

A autora informou ainda que a reclamada disse à depoente que deveria constituir uma empresa jurídica para ser contratada; que a celebração do contrato se deu com a pessoa jurídica; que a depoente queria ser funcionária da reclamada , entretanto a única possibilidade que lhe foi colocada era de ter que possuir uma empresa para ser contratada; ( (TST 6ª Turma. Processo n.º 1313/2001-051-01-0, Relator Horácio Senna Pires, publicado no DEJT em 13.10.2008.) grifo nosso 88

O fragmento acima corrobora a tese da pressão sofrida pelos trabalhadores, na medida em que os empregadores impõem como condição sine qua non à possibilidade de contratação a constituição de pessoa jurídica por parte dos funcionários. Estes são coagidos e, como têm a necessidade de trabalhar para o seu sustento aliado à falta de informação sobre a legislação trabalhista vigente, não possuem escolha a não ser se submeterem às condições a eles estabelecidas. Após adquirir uma doença ocupacional, a jornalista foi informada que seu contrato não seria renovado. Assim sendo, ajuizou uma reclamatória trabalhista pleiteando o vínculo empregatício, com todos seus efeitos, e o ressarcimento das

88 BRASIL. Tribunal Superior do Trabalho. Relator Ministro Horácio Senna Pires. Processo n.º 1313/2001-051-01-0. Disponível em:

>. Acesso em: 15 ago 2011.

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despesas com a doença. A 51ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro indeferiu os pedidos, porém, a jornalista recorreu ao Tribunal Regional Trabalhista da 1ª Região que alterou a decisão quanto ao vínculo empregatício.O pleito foi levado ao Tribunal Superior do Trabalho, onde foi detectada a fraude à relação de emprego por meio do fenômeno da pejotização. Vejamos passagem do acórdão a seguir:

Diante dessas informações, verifica-se a presença de todos elementos caracterizadores do vínculo de emprego: a pessoalidade

e o caráter intuito personae, restaram demonstrados pelo próprio

objeto do contrato de locação de serviços firmado entre a TV Globo e

a C3 Produções Artísticas e Jornalísticas Ltda. a pessoa da

reclamante, Cláudia Cordeiro Cruz. Em resposta ao quesito nº 07, a perícia apontou, ainda, pela negativa quanto a possibilidade de a reclamante fazer-se substituir por outra pessoa ou mesmo por seu sócio na empresa, para a execução dos serviços para os quais fora contratada pela TV Globo (

(TST 6ª Turma. Processo n.º 1313/2001-051-01-0, Relator Horácio Senna Pires, publicado no DEJT em 13.10.2008.) grifo nosso 89

O Ministro Relator constatou a existência do requisito da pessoalidade no caso concreto, pois não havia como a trabalhadora passar suas tarefas para que fossem executadas por outrem. A função era necessariamente realizada pela jornalista, exaltando o caráter pessoal da relação. No entanto, esta característica isolada não basta para que o vínculo empregatício seja declarado. Neste sentido:

a onerosidade também se fez presente, como se verifica dos inúmeros recibos acostados aos autos (160/256); a habitualidade na prestação dos serviços restou demonstrada tanto pelos sucessivos contratos de locação de serviços firmados entre as partes ao longo de 12 anos (perícia fl. 986), como pelos depoimentos das testemunhas que informaram que a autora realizava a apresentação de diversos telejornais diários da programação da TV Globo. (TST 6ª Turma. Processo n.º 1313/2001-051-01-0, Relator Horácio Senna Pires, publicado no DEJT em 13.10.2008.) grifo nosso 90

A partir dos diversos recibos que a obreira ajuntou aos autos, verificou-se que na relação entre a empresa contratante e a obreira havia a característica da

89 BRASIL. Tribunal Superior do Trabalho. Relator Ministro Horácio Senna Pires. Processo n.º 1313/2001-051-01-0. Disponível em:

>. Acesso em: 15 ago 2011. 90 BRASIL. Tribunal Superior do Trabalho. Relator Ministro Horácio Senna Pires. Processo n.º 1313/2001-051-01-0. Disponível em:

>. Acesso em: 15 ago 2011.

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onerosidade. A habitualidade foi comprovada pela sucessividade dos contratos pactuados entre as partes, e, igualmente, foi atestada por testemunhas que confirmaram a presença da autora diariamente na programação da emissora.

Por fim, a subordinação jurídica também mostrou-se presente pelas informações colhidas pelos depoimentos das duas testemunhas ouvidas. Essas testemunhas, que em momentos distintos da relação havida entre a reclamante e a reclamada, foram os superiores da reclamante e, como visto acima, informaram que a reclamante estava subordinada a eles, devendo obedecer as determinações da empresa, seguir as orientações por eles determinadas, ainda que com o objetivo de manter e preservar a qualidade e unidade do jornalismo na reclamada. (TST 6ª Turma. Processo n.º 1313/2001-051-01-0, Relator Ministro Horácio Senna Pires, publicado no DEJT em 13.10.2008.) grifo nosso 91

Tanto a pessoalidade, quanto a onerosidade e a habitualidade são características que podem estar presentes, concomitantemente, na prestação de trabalho autônomo. A peculiaridade fundamental que deve ser observada para diferenciar a relação de emprego ao trabalho autônomo é o fato de a função ser realizada com subordinação. Subordinação, esta, que foi constatada no caso em tela, pois a jornalista tinha que submeter-se às regras da empresa a respeito dos horários a seguir e das direções a serem tomadas na efetivação de suas atribuições. Ressalta-se que o exame efetuado pelo magistrado realizou-se à luz do princípio da primazia da realidade mesmo que de forma indireta e, portanto, possibilitou-se a observação da coexistência de todos os fatores necessários para decidir pela nulidade dos sucessivos contratos realizados pelas partes e, consequentemente, possibilitou a declaração do vínculo empregatício durante todo o lapso temporal que ocorreu a fraude à relação de emprego. Por fim, observa-se que a concepção de que a pactuação de um contrato de prestação de serviços entre o ente empregador e uma pessoa jurídica, elaborada na maioria das vezes com o intuito de burlar a legislação trabalhista brasileira e exclusivamente para despir o empregado de seus direitos e de suas garantias devidas, é nulo e não impede a declaração da existência da relação de emprego, quando presentes os requisitos do art. 3º da CLT.

91 BRASIL. Tribunal Superior do Trabalho. Relator Ministro Horácio Senna Pires. Processo n.º 1313/2001-051-01-0. Disponível em:

>. Acesso em: 15 ago 2011.

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Ou seja, a partir da apreciação dos julgados dos Tribunais Regionais do

Trabalho e do Tribunal Superior do Trabalho, observamos que é majoritário o

entendimento de que, uma vez evidentes os elementos caracterizadores de uma

relação de emprego, deve esta ser declarada independente do revestimento que as

partes atribuam a ela.

CONSIDERAÇÕES FINAIS O capitalismo apresenta uma nova maneira de se desenvolver e de se

organizar no cenário dos países ocidentais na atualidade. A mudança vai ao

encontro ao lucro e em possibilidades de fazê-lo crescer a qualquer custo. Tal

fenômeno influencia as relações empregatícias e a realidade do Direito do

Trabalho. 92

As conquistas auferidas no âmbito do Direito do Trabalho são frutos da

democracia no mundo ocidental capitalista. Contudo, a partir da década de 1970,

observa-se um processo de desconstituição do primado do trabalho e do emprego

pelo sistema capitalista. 93 Assim sendo, Delgado afirma que:

a perspectiva do fim do primado do trabalho e do emprego, do fim da sociedade do trabalho e do emprego, assumindo a ideia do suposto surgimento de novo paradigma na vida socioeconômica, que não transitaria mais pelas noções e realidades do emprego e do trabalho. 94

Neste cenário onde a precarização das relações de trabalho e emprego e a

desregulamentação do Direito do Trabalho passam a figurar como elementos

centrais, surge a figura do fenômeno da pejotização. 95

A pejotização é a contratação de pessoa física através da constituição de uma

pessoa jurídica, como já foi prelecionado nesta monografia, onde o empregador visa

a

burlar a legislação trabalhista. A prática constitui fraude à relação trabalhista, pois

o

trabalhador é despido de garantias e direitos a ele inerentes

A partir do fenômeno da pejotização, teve origem uma construção legal que,

longe de se tornar uma solução, pode ensejar uma perversão ainda maior da

92 DELGADO, Mauricio Godinho. Capitalismo, trabalho e emprego: entre o paradigma da destruição e os caminhos de reconstrução. São Paulo: LTr, 2005, p. 33.

93 DELGADO, Mauricio Godinho. Capitalismo, trabalho e emprego: entre o paradigma da destruição e os caminhos de reconstrução. São Paulo: LTr, 2005, p. 11.

94 DELGADO, Mauricio Godinho. Capitalismo, trabalho e emprego: entre o paradigma da destruição e os caminhos de reconstrução. São Paulo: LTr, 2005, p. 32.

95 FILHO, Eduardo Soares do Couto; RENAULT, Luiz Otávio Linhares. A “pejotização” e a precarização das relações de trabalho no Brasil. Minas Gerais: Pontifícia Universidade Católica, 2009. Disponível em:

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condição social e econômica do trabalhador. Ao mesmo tempo em que é oferecida

autonomia ao empregado, a sua dependência e a sua subordinação ao empregador

conservam-se.

Na ocorrência de fraude denominada como pejotização, no caso concreto,

cabe ao Direito do Trabalho proteger a parte hipossuficiente e perquirir a promoção

do trabalho digno e do equilíbrio social. Neste sentido, ressalta Cristiano Siqueira de

Abreu e Lima, juiz substituto da 14ª Vara do Trabalho de Brasília (DF):

O fenômeno da „pejotização‟ é real e deve ser coibido quando verificado que, a despeito de formalmente vestido pelo véu, ou melhor, nesse caso, pela armadura da pessoa jurídica, os serviços são prestados por trabalhador individual com todos os elementos do vínculo empregatício. 96

Demonstrou-se o papel fundamental que os princípios gerais e os princípios

basilares do Direito do Trabalho têm em casos específicos onde o empregador

impõe ao empregado, como condição de contratação, a abertura de uma pessoa

jurídica, pois eles corroboram com a justiça.

A utilização do princípio da primazia da realidade como mecanismo no

combate à fraude à relação de emprego efetuada através da pejotização é a

maneira correta e eficaz de constatar-se a existência de uma relação de emprego

encoberta por um contrato de prestação de serviço onde o cidadão vende sua força

de trabalho despojado de qualquer garantia ou direito que lhe é inerente.

Através da apreciação jurisprudencial sobre o tema, foi constatado que o

princípio da primazia da realidade é o mais empregado como instrumento para

investir na busca pela verdade em casos de divergência entre os registros

documentais e a realidade fática.

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96 TURCATO, Sandra; RODRIGUES, Rosualdo. Pj é artifício para sonegação de direitos. Revista Anamatra, Brasília, n.º 55, p. 11-15, 2º semestre de 2008. Disponível em: <http://ww1.anamatra.org.br/sites/1200/1223/00000743.pdf>. Acesso em: 20 ago

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